V EVENTO INSTITUCIONAL DO PIBID

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  07-11-2017

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PERCEPđỏES FORMATIVAS DO PIBID: CONSIDERAđỏES A PARTIR DAS

  

VIVÊNCIAS DAS BOLSISTAS

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  1 Elaine Braga Evaristo Cintra (PIBID-UENP) , Francine Do Campo (PIBID -

  2 UENP), Debora Mendes de Pinho (PIBID-UENP) , Thaís de Sá Gomes Novaes

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  (Orientadora) , e-mail: thaisgomes@uenp.edu.br. Bolsista Pibid de Iniciação a

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  3 Docência. Bolsista Pibid de Supervisão. Bolsista Pibid Coordenação de área.

  Universidade Estadual do Norte do Paraná/ Campus de Cornélio Procópio/

  Ensino, Subprojeto de Pedagogia Palavras-chave: Pibid, Formação de professores,Relação teoria-prática. Introdução

  O Pibid (Programa Institucional de Bolsa de Iniciação à Docência) é um projeto que tem por interesse o aperfeiçoamento e a valorização da formação de professores para a educação básica. Fazem parte deste programaestudantes de licenciaturas de diversos cursos, professores da educação básica e professores do ensino superior.

  Os estudantes, no início de sua formação acadêmica são inseridos no ambiente das escolas públicas, orientados pelos coordenadores (professores do ensino superior) e supervisores (professores da educação básica) a desenvolverem atividades didático-pedagógicas nas salas de aula. Além disso, todos os envolvidos no programa participam de encontros semanais que são destinados para estudos, discussão e planejamento das atividades.

  Nesse sentido, um dos objetivos do Pibid é “contribuir para a articulação entre teoria e prática necessárias à formação dos docentes, elevando a qualidade das ações acadêmi cas nos cursos de licenciatura”(CAPES, 2017).

  Segundo Pimenta (2006, p.20 ) “[...] é importante desenvolver nos alunos, futuros professores, habilidades para o conhecimento e a análise das escolas, espaço institucional onde oc orre o ensino e a aprendizagem”.

  Considerando que os cursos de licenciaturas ainda seguem o modelo tradicional de formação, caracterizado pela dissociação teoria-prática (PIMENTA; LIMA, 2004), o Pibid contribui para o desenvolvimento destas habilidades, pois possibilitam aos acadêmicos a aproximação com a realidade concreta das escolas e aos supervisores/professores em exercício, o desenvolvimento formativo no processo de ensino.

  O presente texto tem o objetivo de discutira relação entre as expectativas iniciais de bolsistas de um subprojeto do Pibid,no momento em que foram inseridas ao programa, ea contribuição deste para sua formação profissional e formação como estudante.

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  Para tanto, o texto está organizado em duas partes: na primeira descreveremos o caminho trilhado para a realização da pesquisa; na segunda, apresentaremos e discutiremos as percepções relatadas pelas bolsistas. Por fim, teceremos algumas considerações, sem o objetivo de findar a discussão dos achados da pesquisa.

  O caminho da pesquisa

  afirmações que remetem a uma dissociação entre teoria e prática como: “ser profes sor se aprende na prática” ou “na prática a teoria é outra”. Isso acontece, pois, mesmo que exista um esforço na organização curricular, no sentido de garantir a articulação entre esses dois conceitos a formação de professores, como afirma Pimenta e Lima (2004, p.33), nem fundamenta teoricamente a atuação do futuro profissional nem toma a prática como referência para fundamentação teórica. Dessa forma, tal situação aponta para uma formação inicial docente fragmentada, em que o acadêmico não tem claro a indissociabilidade entre teoria e prática e a sua importância para o desenvolvimento de uma prática pedagógica consciente.

  Durante a graduação o contato que o acadêmico possui com a instituição escolar é fragmentado, com carga horária mínima. Restrita em algumas observações e docências, que acabam suprimidas em poucas experiências, em decorrência do tipo de relação existente entre a instituição de ensino e o estagiário. Mesmo nos cursos de formação de professores que já superaram o modelo tradicional,no qual os primeiros anos do curso eram destinados à aprendizagem de conhecimentos “teóricos” e os anos finais à aprendizagem de conhecimentos “práticos”, a inserção do acadêmico na escola ainda é um desafio para os cursos de formação de professores.

  Com o Pibid o contato com a escola é diferenciado, pois o docente em formação observa e participa de diversas situações do cotidiano escolar e tem a liberdade de sugerir ações que, em parceria com a instituição de ensino e com o professor, podem se transformar em grandes experiências teórico- práticas que contribuem tanto para a formação inicial do futuro docente quanto para a formação contínua do professor supervisor, além de valorizar a instituição escolar que abre as portas ao projeto e o transformar em um ambiente mais rico em aprendizagem para os alunos.

  No caso do Pibid-pedagogia da UENP/Campus Cornélio Procópio, as bolsistas participam semanalmente das atividades nas escolas, vivenciando a docência em duas modalidades: anos iniciais do ensino fundamental e curso de formação de professores em nível médio. Justamente para contrapor a antiga forma dos cursos de formação de professores, as bolsistas podem ingressar no Pibid desde o primeiro ano do curso.

  Com o intuito de investigar e discutir a relação entre as expectativas

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  profissional e pessoal solicitamos a15 bolsistas do referido subprojeto Pibid que respondessem a um questionário com três questões dissertativas:

  1. Quais as suas expectativas formativas com o ingresso no PIBID? Quais conhecimentos esperava adquirir?

  2. Como você avalia o PIBID para sua formação profissional e formação de estudante?

  3. Como você avalia as experiências do Pibid e as experiências do curso de graduação?

  participantes no momento em que foram inseridas ao programa, e se essas expectativas iniciais foram alcançadas.Por fim, caracterizar a contribuição do Pibid para a formação profissional e formação como estudante.

  Das bolsistas que se submeteram ao questionário, 13 são de iniciação a docência e, portanto, acadêmicas do curso de pedagogia e, duas (2) são bolsistas de supervisão e, por isso, professoras da educação básica. Seis (6) ingressaram no programa cursando a primeira sériedo curso de pedagogia e sete (7) ingressaram cursando a segunda série do curso.

  As percepções formativas do Pibid apresentadas pelas participantes da pesquisa serão discutidas a seguir.

  Algumas percepções formativas sobre o Pibid

  As respostas apresentadas na primeira questão - Quais as suas expectativas formativas com o ingresso no PIBID? Quais conhecimentos esperava adquirir?

  • – revelam que as preocupações das acadêmicas estavam na aprendizagem do trabalho docente em si, uma vez que, de modo geral, o que as bolsistas esperavam era aprender técnicas de ensino, metodologias novas e diferenciadas, contribuições para a prática e como ensinar. Conforme descrevem os relatos abaixo: Pensava que iria aprender métodos de ensino.

  Esperava adquirir conhecimentos como, uso adequado das metodologias de ensino [...]. Conhecimentos que só teria com aprofundamentos, como utilizar outras metodologias que nos ajude na sala de aula. Conhecer e

vivenciar novas experiências pedagógicas.

[...] procedimentos metodológicos, os conhecimentos das diversas disciplinas e como aplicá-los em sala.

  Portanto, as respostas não demonstraram, em sua maioria, preocupações diretamente ligadas ao conhecimentos dos alunos, a profissão

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  de professores: o conhecimento da realidade escolar por parte dos futuros professores.

  No entanto, assemelham-se aos resultados apresentados por Bernadete Gatti et al (2014), isto é, a possibilidade de experimentar formas didáticas diversificadas e de criar modos deensinar - características dos projetosPibid

  • – são tidas como valorosas para a formação inicial de professores.

  ParaVanessa Moretti (2010), é no trabalho docente e nas ações intencionais que tenham por objetivo dar conta dos desafios cotidianos do ensinar, que o professor vai formar-se professor. Essa dimensão da formação de número dois, nas quais as bolsistas tinham que expor a contribuição do Pibid para sua formação profissional e formação de estudante.

  [...] pude aprender de forma significativa. Vale ressaltar que o Pibid proporciona experiências de articulação entre o conhecimento científico e as práticas de conteúdo aplicadas em sala de aula. O Pibid além de nos proporcionar uma experiência profissional [...] nos traz a prática e a teoria desenvolvidas no curso em sala de aula, dando ênfase na docência em como é a atuação do professor e o espaço sala de aula [...].

  [...] as experiências que tive no programa até então foram bem mais significativas do que se não estivesse no programa. O Pibid é fundamental para a formação estudantil e profissional, pois possibilita aos alunos experiências na área que poderãoexercer futuramente. Por seu intermédiovivenciamos experiências diferenciadas, conseguimos relacionar algumas disciplinas com as situações que encontramos ao participar do programa, é uma ferramenta indispensável para qualquer aluno que deseja se tornar um profissional de excelência.

  Portanto consideramos que as participantes tinham a dimensão de que é por meio das ações intencionais que forma-se à docência, ou seja, pensavam que a perspectiva de aprender metodologias dava-se na vivência em si de ser professor.

  As alunas afirmam também que o aprendizado no programa permite um conhecimento que contextualiza sua vivência acadêmica, ajudando-as no desenvolvimento dos conteúdos apresentados durante o curso de pedagogia, além disso, promove a relaçãoda teoriacom a prática.

  O Pibid contribuiu e contribui de maneira significativa na minha formação, pois complemento os conhecimentos passados durante as aulas e [...] posso fazer a articulação entre a teoria e a prática.

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  As respostas da questão trêsmostram que as bolsistas expuseram a importância do Pibid na formação acadêmica. Apontaram que seria muito enriquecedor que todos os estudantes do curso tivessem a oportunidade de ingressar no projeto, pois proporciona experiências e troca de conhecimentos que o curso não oferece,como demonstraos seguinte depoimentos:

  [...] as experiências são enriquecedoras para a formação. Lamento por nem todo mundo poder participar. [...] o ideal seria que todos os alunos pudessem participar.

  Novamente, os relatos corroboram com os resultados apresentados por Gatti et al (2014), de que há o reconhecimento, por parte dos bolsistas Pibid, de que o contato orientado com a escola e a sala de aula contribuicom a formação dos alunos de graduação agregando maior sentido à formação acadêmica,muitas vezes contribuindo para uma troca de conhecimento mais significativonas aulas e atividades da universidade, e ainda para a melhoria no desempenho dopróprio estudante.

  Conclusões

  Apesar da breve discussão realizada, por conta do espaço limitado para análises mais profundas, as respostas das bolsistas, de modo geral, demonstraram a importância da participação no Pibid para a sua formação enquanto futuras professoras.Pelas experiências adquiridas, por irem semanalmente às escolase participarem das atividades docentes puderam fazer relação entre a teoria e a prática nas observações e intervenções pedagógicas realizadas.

  As bolsistas relataram também o quanto o Pibid contribui e qualificao desempenho acadêmico nas outras atividades do curso, por que apresentam condições de aprendizagem que as diferencia das demais estudantes e mudam seu olhar para a escola. Como bem descreve Roseli Fontana e Maria Nazaré daCruz(1997, p.3):

  Escola é lugar de aprender. E de ensinar. É também lugar de tomar merenda, de jogar futebol, de fazer fila, de ficar triste ou se alegrar. As crianças escrevem, somam ou subtraem, copiam, perguntam. Elas brigam, choram, se machucam. Fazem grandes amigos. O professor explica a lição, lê histórias, pega na mão da criança que começa a escrever. Ele também grita, fica bravo, perde a calma. Tem que fazer chamada, corrigir prova, preparar aula, preencher papelada. As crianças às vezes têm fome, às vezes estão doentes, às vezes estão sadias e felizes. De onde elas vêm? Do bairro ao lado, da favela ali em cima, do outro lado da avenida, do sítio a alguns quilômetros. Falta lápis e, por vezes, até o sapato. Trinta (ou quarenta?) em cada sala. Lousa nova, lousa gasta. Carteiras meio quebradas. O diretor se

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  Na escola tem mais gente: merendeira, servente, secretário, inspetor... O salário está baixo. A vida está dura. Mas escola é lugar de ensinar e de aprender.

  Agradecimentos

  Agradecemos a agência de fomento Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES) e a Universidade Estadual do Norte do Paraná(UENP). Ao Pibid pedagogia, que nos proporcionou a oportunidade de participarmos do programa e às bolsistas que aceitaram participar da pesquisa respondendo o questionário.

  Referências COMISSÃO DE APERFEIÇOAMENTO DE PESSOAL DO NÍVEL SUPERIOR.

  CAPES, 2017. Disponível em:http://www.capes.gov.br/educacao-

  basica/capespibid/pibid

  GATTI, Bernadete Angelina; ANDRÉ; Marli Eliza Dalmazo Afonso de; GIMENES, Nelson Antonio Simão; FERRAGUT, Laurizete. Um estudo

  avaliativo do Programa Institucional de Bolsa de Iniciação à Docência (Pibid). 2014. Disponível em:

  <https://www.capes.gov.br/images/stories/download/bolsas/24112014-pibid- arquivoAnexado.pdf>. Acesso em: 22 jul. 16. PIMENTA, Selma Garrido; LIMA, Maria Socorro Lucena. Estágio e docência. São Paulo: Cortez, 2004.

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