Repositório UFAL: A palavra e a imagem no poema "o navio negreiro" de Castro Alves.

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AGRADECIMENTOS

  Gostaria de agradecer ainda àqueles que serviram de motivação para a realização deste trabalho, tais como as lideranças sindicais e populares que resistem à transformação do paísnum imenso navio negreiro. Não posso deixar de reconhecer, diretamente e indiretamente, a contribuição de todos aqueles que fazem parte do corpo docente e discente do Programa de Pós-graduação em Letrase Lingüística da UFAL, particularmente às professoras Dra.

RESUMO

  A natureza dialética dessa poética serevela tanto na manifestação das relações antagônicas que perpassam a forma como o sujeito lírico compreende o mundo sob a perspectiva da aproximação e do distanciamento,quanto na representação da cena fatídica em que as figuras do quadro cênico mimetizam o mundo sob a forma interpretativa benjaminiana de um jogo de enlutados. Os gênerosliterários configuram-se como artefatos ópticos que permitem entender o texto literário como uma profusão de imagens em que todas as figuras aparecem ébrias no interior dosnevoeiros de um navio marcado pelo imperativo da violência do chicote e do movimento dançante dos corpos.

ABSTRACT

  Our thesis sails through the Castro Alves' poem The slave ship, that incorporates itself in a romantic tradition by means of the dialog established with Heinrich Heine,Gonçalves Dias, Pedro Luiz and a minor poets pleiad, manifesting the poetry epos vicissitudes dedicated to the cause of the slaves freedom. The dialectic nature from thispoetic reveals itself as in the antagonist relations that delays the way that the lyric subject understands the world under the approximation and removal perspective, as in the tragicscene representation that the figures of the scenic picture mimetic the world under aBenjamin interpretative way of a mourned game.

SUMÁRIO

83 Capítulo III: A dialética dos gêneros no poema O navio negreiro 191 Referências bibliográficas 179Anexos Conclusão175 1584.3 – O sonho dantesco e a loucura 165 Capítulo IV: O navio negreiro: imagens dialéticas 1434.1 – As dobras sinuosas 1494.2 – A dança e o riso das figuras 953.2 – O navio negreiro: poema romântico 1163.3 – O navio negreiro: poema épico 1203.4 – O navio negreiro: Tragédia no mar 129 943.1 – O navio negreiro: poema lírico Introdução: O poema como navegação pelo mar da palavra 07 Capítulo I – A imagem e a retórica no poeta dos escravos 722.4 – Diário de Lázaro de Fagundes Varela 672.3 – Voluntários da morte de Pedro Luiz Pereira Souza 552.2 – O navio negreiro (Das Sklavenschiff) de Heinrich Heine 462.1 – Os poemas O navio negreiro e Ao romper D’alva de Castro Alves 29 Capítulo II: O navio negreiro: navegando pelo topos da identidade e da diferença 171.2 – A poética castroalvina na revisão dos textos escritos 131.1 – A retórica e a imagem em Castro Alves 772.5 – I-Juca-Pirama de Gonçalves Dias

INTRODUđấO: O POEMA COMO NAVEGAđấO PELO MAR DA PALAVRA

  Estamos em pleno mar da poesia,da poesia que brinca com as palavras e os ritmos, da poesia que flutua sobre as contradições da existência, da poesia que representa o tesouro da vida nas formas do limitado e doilimitado, da natureza e do espírito, do sublime e do grotesco, do humano e do inumano. O signo é um particular que remete para No segundo capítulo de nossa tese, “O navio negreiro: navegando pelo topos da identidade e da diferença”, investigamos a relação desse poema com a produção poéticaespecífica de: Voluntários da morte de Pedro Luiz, O navio negreiro (Das Sklavenschiff) de Heinrich Heine, Diário de Lázaro de Fagundes Varela e I-Juca-Pirama de Gonçalves Dias.

CAPÍTULO I A IMAGEM E A RETÓRICA DO POETA DOS ESCRAVOS

  Na busca de um espaço aberto para o mundo dapoesia, Castro Alves acaba transferindo seus estudos para a Faculdade de Direito de SãoPaulo, onde consegue o pleno reconhecimento de sua atividade poética; no entanto, as condições materiais e o estilo de vida do poeta não garantem os ideais de estabilidade esegurança que uma mulher madura, como Eugênia Câmara, pretendia. José de Alencar é o primeiro a reconhecertextualmente a relação entre Victor Hugo e Castro Alves em sua carta de apresentação do poeta ao romancista Machado de Assis, na qual analisa o drama castroalvino Gonzaga ou a Revolução de Minas : “Castro Alves é um discípulo de Victor Hugo, na arquitetura do drama, como no colorido da idéia.

CAPÍTULO II

E DA DIFERENÇA

  Ocorre o desenvolvimento da oposição entre a vida de liberdade e a vida de escravidão, entre vida passada e vidapresente, entre a vida sugerida na África e a vida no Brasil, entre o céu e o mar, entre a noite e a luz do dia, entre o espaço imundo do porão do navio e o espaço purificado do céu. No final da segunda parte do poema de Varela encontramos a presença de um discurso doloroso que serve para aproximar os textos em discussão, vejamos: Diário de Lázaro O navio negreiroSenti soar-me nos ouvidos ébrios/ O tinido dos guisos da loucura; (p. 573)Vi de perto o delírio, o suicídio,/ O ateísmo e o nada; e firme e forte,/...

CAPÍTULO III A DIALÉTICA DOS GÊNEROS NO POEMA O NAVIO NEGREIRO

  de Novais) Ninguém acusou Carlos Drummond de plagiar o poeta português Faustino Xavier de Novais e o poeta brasileiro Luiz Gama pela recorrência à noção de torto na sua poesia,porque se entende que faz parte da natureza da poesia reconstituir o sentido das coisas e recriar o mundo, elevando a palavra e a linguagem a outra potência. Por outro lado, o vento da história o impele a olhar para frente, para ofuturo da humanidade e acalentar a doce ilusão de que a nova página da história será O recorde negativo de morte de negros em viagem de navio é da galera São José Indiano, que em 1811, no caminho entre Cabinda e o Rio de Janeiro, perdeu 121 dos 667 escravos que transportava.

CAPÍTULO IV

  Postado no plano da altura, o sujeito da narrativa descreve a cena tantodistantemente das alturas quanto situado idealmente, em que não apenas consegue descrever aquilo a que assiste como é capaz de imaginar-se na perspectiva de quem seencontra num outro lugar, por exemplo, pode imaginar-se como ocupante do brigue ligeiro e, tendo a vista prejudicada pelo seu movimento, afirmar que o luar é como “dourada borboleta”, signo da liberdade. O progresso normal da própria evolução histórica desempenha umcerto papel no crescente desagrado por tudo o que seja demasiado claro e demasiado óbvio, no processo que se desenrola no seio de uma cultura em contínuo desenvolvimento do simples para o complexo, do claro parao menos claro, do óbvio para o escondido e o velado” (2000, p. 447).

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