O MST E A PESQUISA

Livre

0
0
35
9 months ago
Preview
Full text
Instituto Técnico de Capacitação e Pesquisa da Reforma Agrária ITERRA O MST E A PESQUISA Sumário APRESENTAÇÃO 5 O MST E A PESQUISA 7 AGENDA DE PESQUISA DO MST ........... 19 DATA LUTA 25 COMO FAZER UM PROJETO DE PESQUISA 27 ROTEIRO DE PROJETO DE PESQUISA 33 Orientação para os Trabalhos de Conclusão de Produção: Instituto Técn ico de Capacitação e Pesquisa da Reforma Agrária - !TERRA Organização: Articu lação de Pesquisadores do MST e Coletivo Político Pedagógico do Instituto de Educação Josué de Castro Projeto gráfico, diagramação e capa: Zap Design Ilustração da capa: Sérgio Ferro Todos os direitos reservados ao !TERRA Curso do Instituto de Educação Josué de Castro 33 LEITURA E PESQUISA BIBLIOGRÁFICA 37 Cons iderações em torno do ato de estudar texto de Paul o Freire 37 Modelos de F ichas de Leitura: ...................................................................... 41 1ª edição: outubro 2001 PESQUISA DE CAMPO ITERRA Rua Dr. José Montauri, 181 Cx. Postal 134 - CEP 95 330 - 000 Veranópolis - RS Fone I fax: (54) 441 17 55 Correio eletrônico: ejcastro@matrix.com.br Criando métodos de pesquisa alternativa - texto de Paulo Freire ............ 43 Dicas sobre procedimentos c m uma pesquisa de campo 50 ELABORAÇÃO DA MONOGRAFIA 52 Apresentação Orientações para os Trabalhos de Conclusão de Curso do Instituto de Educação Josué de Castro 52 Plano Provisório do Trabalho 54 Dicas ou cuidados de redação 55 NORMAS TÉCNICAS PARA APRESENTAÇAO DOS TRABALHOS 57 Normas gerais 57 Normas técnicas para Referê ncia bibliográfica 58 Normas técnicas para Citações e Notas 59 Modelo de Folha de Rosto 62 BANCAS DE DEFESA PÚBLICA 63 Passos trabalhados nos cursos do Instituto de Educação Josué de Castro 63 BIBLIOGRAFIA CONSULTADA 65 O investimento na Educação e na Pesquisa tem sido uma importante frente no processo de consolidação e de resistência de nossa organização. Por essa razão é que estamos publicando esse número dos Cadernos do !TERRA. Em seu conteúdo apresentamos um resumo de nossas experiências com a pesquisa. Na última década realizamos um conjunto de atividades que nos proporcionou uma ampla visão do processo de pesquisa dentro e fora do MST Podemos afirmar, com segu rança, que temos um conjunto de referências temáticas representativas dos desafios que o MST vive na luta pela terra. E como sempre ocorreu com o nosso Movimento, não podemos esperar por soluções, temos que nos desafiar para compreender as questões e procurar superar os problemas que estamos enfren tando. É muito provável, que grande parte dos leitores dessa publicação não tenham conhecimento das experiências com pesquisas que os Sem Terra vêm realizando. Essa é uma realidade nova e cm expansão. Assim, são muitos os jovens Sem Terra que estão estudando e se envolvendo com a experiência da pesquisa. Mas, ao mesmo tempo, há um número muito maior de jovens que não têm acesso à ed ucação. Essa realidade multiplica nossa responsabilidade pois, ao mesmo tempo em que estudamos, temos que procurar construir condições para transformar essa realidade. Portanto, a pesquisa aqui é compreendida como compromisso de transformação. É com esse entendimento que estamos construindo a /\rticulação dos P esquisadores do MST, como pode ser observado no primeiro texto deste Caderno, elaborado pe lo nosso companheiro Bernardo Mançano Fernandes e denominado de "O MST e a Pesquisa" . Pretendemos que esta publicação seja uma referência, um ponto de partida e de retorno para nossos pesquisadores iniciantes conhecerem a história da pesquisa no MST e para melhor ajudarem a construí-la. Já demos os primeiros passos ao elaborarmos a /\genda de Pesquisa do MST, corno pode ser analisada na seqüência do Caderno. /\í temos uma visão inicial e ampla dos diversos temas que podemos estudar na perspectiva de compreendermos nossas realidades e procurar fo rmas de transformação. A pesquisa, desse ponto de vista, também é uma luta, porque não estudamos apenas para termos títulos ou cumprir com um ritual técnico, como quase sempre acontece com os acadêmicos. Mas, estudamos e pesquisamos para nos entranhar na realidade, compreendêla, ousar e lutar para que as nossas vidas sejam mais dignas. ~ s g Q. <( w ..... ~ o e Toda essa nossa pretensão exige muitos sacrifícios. Principalmente para uma população que tem que multiplicar sua luta para chegar até a universidade. O essencial é que cheguem, saiam e construam caminhos para que outros continuem esse processo, que qualifica a vida. Também neste Caderno apresentamos um pequeno texto que pretende contribuir com os pesquisadores iniciantes na elaboração de seus projetos. Não é uma receita, mas serve como referência para quem se vê pela primeira vez diante do desafio de escrever um projeto de pesquisa. Esperamos que contribua para com aqueles que começam a se dedicar na construção de seus projetos. Também estamos disponibilizando dois textos do educador Paulo Freire para que sirvam de apoio às nossas reflexões sobre a pesquisa bibliográfica e a de campo, nesta perspectiva que defendemos de combinar pesquisa com ação. Seguem depois alguns roteiros e orientações gerais para a realização das pesquisas e a elaboração de trabalhos de conclusão de curso c ou de monografias. Aproveitamos aqui a experiência construída através dos cursos do Instituto de Educação Josué de Castro, do ITERRA. Pesquisa é condição fundamental para as organizações que prezam pela autonomia política. Ela nos permite construir uma leitura própria das realidades e traçar planos c programas que dirijam nossa caminhada para o futuro. Por isso, não devemos nunca acreditar que a pesquisa é coisa somente dos acadêmicos. Ao contrário, a pesquisa científica é condição política para todos que querem ser sujeitos de sua história. Assim, o Instituto Técnico de Capacitação e Pesquisa da Reforma Agrária, ao publicar mais este número dos Cadernos do ITERRA, propõe continuar essa trajetória de construir sempre novas experiências, nas q uais as pessoas trabalham socializando-se e crescendo como ser humano e como militante das causas do povo. A11iculação de Pesquisadores do MSTe Coletivo Político Pedag6gico do Instituto de Educação Josué de Castro Outubro de 2001. :;; s ~ <>: O MST E A PESQUISA 1 Bernardo Mançano Fernandes "Os filósofos se limitaram a interpretar o mundo de diferentes maneiras; o que importa é transformá-lo". Karl Marx Introdução Nosso objetivo com este texto é proporcionar uma reflexão a respeito da pesquisa do e no Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra - MST. Nesse sentido, procuramos organizar as idéias por partes relevantes de acordo com as nossas preocupações. Conforme está explícito na epígrafe, a pesquisa tem para o MST o sentido da transformação. Por essa razão, esse princípio deve estar presente em nossos projetos de pesquisa. Este texto é de interesse tanto dos pesquisadores membros do MST, quanto dos pesquisadores que estudam ou pretendem estudar o MST. Pretendemos que seja uma referência para conhecer melhor as experiências com a pesquisa de um movimento, onde seus membros atuam em diversas dimensões da realidade. Para iniciarmos essa reflexão, primeiro escrevemos um pequeno histórico do início das discussões a respeito da pesquisa no MST. Depois discutimos brevemente nossas práticas e nossa compreensão a respeito da pesquisa. Em seguida, enfatizamos a importância dos setores de atividades na realização dos trabalhos. Destacamos as nossas áreas de concentração, referência primeira para a elaboração de projetos, bem como nossa preocupação com as questões teóricas e metodológicas. Por fim, reforçamos nossos desafios e compromissos, assim como a necessidade da ousadia, e apresentamos algumas indicações para a escolha de temas de pesquisa. Sabemos que fazer pesquisa com as condições que nos defrontamos é um grande desafio. A escassez dos recursos básicos para a realização das pesquisas faz com que tenhamos que nos desdobrar e usar intensamente da criatividade para efetivarmos nossos projetos. Mas o compromisso que .... D g Q. <>: .... w ~ o :;; s ~ ' Para a elaboração <( ~ <( o ;á ' Localizado no município de Veranópolis - RS. 'A respeito, ver F\JNDEP, 1993a. 'Essa Comissão foi uma organização precursora do l\lovimenco dos Acingidos por Barragens- MAB. 5 Depois de v;írias proposcas analisadas, deliberou-se pela criação da publicação Cadernos do !TERRA. t;; ::; e o Em nova reunião, realizada em maio de 2000, decidiu-se pela criação de uma rede de pesquisadores para o cadastramento e mapeamento de projetos de pesquisa e extensão, bem como para incentivar maior aproximação dos pesquisadores das universidades com os pesquisadores do Movimento. Também foi proposta a realização de um evento amplo com esses pesquisadores e com membros do Movimento para debater as questões referentes à pesquisa do e no MST. Nesse sentido, há um grande empenho para a efetivação dessas propostas, com a pretensão de fortalecer as relações, procurando atender às demandas das famílias Sem Terra nas suas diversas dimensões. 2 - A pesquisa do MST ;;li ~ 5 <( ,__ ~ ~ e o Cada instituição tem objetivos e interesses para realização de projetos de pesquisa. É assim com as universidades, com o governo, com as igrejas e com as empresas. Da mesma forma, o MST tem interesses e objetivos definidos para os projeros de pesquisas, que implicam em tentar compreender as realidades que os Sem Terra estão construindo, bem como as formas de participação sociopolítica e econômica. Desse modo, é importante destacar que as pesquisas realizadas por membros do MST possuem um caráter interativo com outras instituições públicas. Na maior parte das vezes, os projetos são desenvolvidos em sistemas de parcerias, de modo que os objetivos e interesses se complementam na perspectiva do desenvolvimento humano, voltados para a realidade das lutas pela terra e pela reforma agrária. Neste sentido, é fundamental enfatizar a atitude do pesquisador com relação aos princípios e às necessidades de quem tem o compromisso de procurar compreender a realidade para tentar transformá-la. Assim, a realidade e a teoria são pontos de partida e de retorno constantes. Essa via de mão dupla tem como significado fazer ciência sem se distanciar do real. Esses procedimentos legitimam as ações dos pesquisadores que, com base em conhecimentos científicos, podem elaborar propostas para políticas públicas e ou políticas internas voltadas para as questões estudadas. Os projetos de pesquisas desenvolvidos pelos pesquisadores do MST têm como referência a Agenda de Pesquisa elaborada pela Articulação dos Pesquisadores, desde 1998, que está na sua 4" versão (ver na seqüência deste Caderno). Essa agenda reúne as principais áreas do conhecimento, de acordo com as experiências e a forma de organização do Movimento, propõe linhas de pesq~ e diversos eixos temáticos, a partir dos Cll.lais podem ser elaborados projetos, conforme os objetivos e os interesses em compreender as questões das realidades a serem estudadas. Os principais núcleos de pesquisa do MST, hoje, são: •o Instituto Técnico de Capacitação e Pesquisa da Reforma Agrária - ITERRA, que é mantenedora do Instituto de Educação Josué de Casrro, onde são desenvolvidos os cursos: Técnico em Administração de Cooperativas - TAC; Técnico em Saúde e o Curso Normal de Nível Médio. Também são oferecidos cursos supletivos para a população de Veranópolis; • os cursos de Magistério oferecidos, também, em outros estados, por meio de convênio com a Universidade Federal da Paraíba, Universidade Federal de Sergipe e Secretaria de Estado de Educação de Mato Grosso do Sul; •os Cursos de Pedagogia da Terra, convênios com a Universidade de Ijuí (RS), Universidade Federal do Espírito Santo, Universidade do Estado de Mato Grosso e Universidade Federal do Pará; • os Cursos de Especialização e Extensão em Administração de Cooperativas - Ceacoop, convênios entre a Universidade de Campinas, a Universidade de Brasília e a Confederação das Cooperativas de Reforma Agrária do Brasil - Concrab; • o Coletivo de Gênero, o Setor de Educação entre outros setores do Movimento; • o Centro de Documentação do MST, convênio com o Centro de 6 Documentação e Memória da Universidade Estadual Paulista - Unesp, apresenta-se também como espaço fomentador de pesquisas, tanto pelo seu acervo como pela necessidade constante de atualização . O DATALUTA - Banco de Dados da Luta pela Terra é um importante espaço de pesquisa que envolve as secretarias e os setores, resultando numa expressiva equipe de pesquisa. Na maior parte dos cursos e atividades desenvolvidas nessas instituições, a realização de projetos de pesquisa é obrigatória, nos outros é sempre fomentada e valorizada. Essas iniciativas são fundamentais para a compreensão da realidade e desenvolvimento dos assentamentos e da luta. É fundamental lembrar que essas pesquisas também estão inseridas na idéia de construção de um projeto popular para o Brasil. Esse é um princípio que rege nossa visão de mundo: a pesquisa para transformar a realidade. :Ji 5 ~ <( ,__ ~ ~ o • (www.cedem.unçsn.brL m 3 -A pesquisa no MST As famílias Sem Terra e todos os processos que elas desenvolvem são estudados pelos pesquisadores das mais diversas áreas do conhecimento. Na maior parte das vezes, essas famílias são tratadas somente como objetos de pesquisa. Considerando apenas as realidades dessa população e a importância que as pesquisas possuem para contribuir com as diferentes dimensões do desenvolvimento humano, é fundamental que os pesquisadores dêem retorno de suas pesquisas para o assentamento e ou acampamento pesquisados, bem como aos setores de atividades. Muitos pesquisadores constroem suas monografias, dissertações, teses, relatórios e outros documentos a respeito dos Sem Terra e num ato descomprometido ignoram os sujeitos da pesquisa. Essa postura representa a falta de ética profissional e, em muitos casos, deixa de ter uma contribuição ainda maior para os trabalhadores. A superação desse modo de fazer pesquisa deve ser uma preocupação dos pesquisadores, desde a elaboração de seus projetos até a sua execução e finalização. Debater com o Movimento é sinal de respeito e consideração. Outra questão importante é a generalização dos resultados. O MST é uma organização ampla que atua em diversas frentes de lura com uma diversidade enorme de ações, de acordo com as diferentes conjunturas sociopolíticas. Ao se generalizar os resultados de uma determinada pesquisa, os pesquisadores poderão cometer o erro de falsear a realidade. Ao se fazer uma pesquisa de estudo de caso, deve-se respeitar a escala da pesquisa e não generalizar o resultado para todas as realidades dos Sem Terra. 4 - Os setores de atividades e as pesquisas :Ji ~ 5 <( ~ t;; ::;: o G Por sua forma de organização, preocupações e objetivos, os setores de atividades são importantes espaços geradores de pesquisas e de formação dos pesquisadores, ao mesmo tempo em que atuam diretamente com a realidade. Por essa razão, é importante que os pesquisadores também desenvolvam projetos de pesquisas aplicadas, ou seja, que possibilitem sempre novas leituras para transformações rápidas. Evidente que esta é uma opção, isto não significa que não se deva desenvolver pesquisas teóricas. Há um potencial enorme de realização de projetos de pesquisa por meio dos setores que ainda não foi explorado. As primeiras experiências são recentes e servem como referencial para a ampliação dos conhecimentos. Essa é uma realidade que ainda precisa ser estudada e melhor planejada. Por meio dessas experiências está sendo criada uma cultura da pesquisa no interior do Movimento. A realização das pesquisas qualifica os setores porque as pessoas precisam se capacitar para atuar com mais intensidade nas áreas cm que trabalham. Precisam estudar mais para que os setores se desenvolvam. Sem pesquisa qualquer setor de atividade torna-se capenga ou dependente, porque não terá uma base de pensamento que alimente as suas leituras da realidade ou dependerá da leitura que o "outro" fará das suas atividades. Entre as principais preocupações dos setores de atividades, estão os estudos para conhecer melhor e transformar a realidade com maior intensidade, para inclusive ampliar sua área de atuação nos assentamentos e acampamentos. Há uma perspectiva de crescimento dos projetos de pesquisa através dos cursos resultados de convênios com as universidades. Nesse sentido, essa é uma demanda constante, considerando os esforços para que os jovens Sem Terra tenham acesso ao Ensino Médio e ao Ensino Superior. 5 -·As linhas de pesquisa Para contribuir com o desenvolvimento dos projetos de pesquisa no e do Movimento foi elaborada uma relação de tem as que denominamos de Agenda de Pesquisa do MST. É importante lembrar que essa relação representa um conjunto de proposições levantadas a partir das demandas dos setores de atividades. Outros temas podem ser propostos de acordo com os objetivos e interesses dos pesquisadores e das instituições envolvidas. Enfatizamos que o conteúdo da Agenda de Pesquisa do MST é fruto de um processo de construção coletiva em que foram levantadas as questões pertinentes às realidades do Movimento. Conforme a Agenda, temos sete grandes áreas de concentração, nas quais estão contidas as principais linhas de pesquisa, bem como os eixos temáticos. As grandes áreas são: 1 - Educação e Formação; 2 - Estratégias de Construção do Sistema Cooperativista dos Assentados - SCA; 3 - Direito e Questão Agrária; 4 - Organicidade do MST; 5 - Desenvolvimento Humano; 6 - História e Geografia Camponesa; 7 -Cultura. :Ji ~ 5 <( ... w ~ o e ;,; 5 fü o.. <( w ~ o- o e As dimensões dessas áreas são extensas, o que possibilita ao mesmo tempo a amplitude do projeto de acordo com as realidades regionais do país e o direcionamento dos objetivos cm torno das preocupações e necessidades dos Sem Terra. Para compreender melhor a forma como está estruturada a agenda, sugerimos ao leitor que a consulte na seqüência deste Caderno. Todavia, antes, são necessários alguns esclarecimentos a respeito do significado de cada termo utilizado para denominar as partes da agenda de pesquisa. Nosso objetivo ao elaborar a agenda de pesquisa foi proporcionar aos pesquisadores um referencial temático desde o geral até o particular. Assim organizamos as áreas que contêm as linhas, que por sua vez incluem os eixos temáticos, de onde são propostos os projetos. As áreas de concentração delimitam a extensão máxima das questões que interessam ao MST. Observe que as áreas estão organizadas por meio de uma divisão setorial e por área do conhecimento: Educação; Cooperação; Direito, Desenvolvimento, História, Geografia, Cultura. São referenciais abertos que precisamos pesquisar em todas as suas dimensões e interações possíveis através das linhas de pesquisas. Estas, por sua vez, são questões que representam as diversas realidades e experiências que os Sem Terra estão construindo. As linhas de pesquisa são amplas e dividem-se em e ixos temáticos. Estes são conjuntos de temas de pesquisas escolhidos a partir de cada linha e de cada área. Portanto, ao se pensar cm um projeto de pesquisa temos como preocupação um tema ou uma questão, que também chamamos de objeto de pesquisa. De acordo com a questão escolhida, o pesquisador elaborará o seu projeto e deverá observar a que eixo seu tema se refere, qual a linha de pesquisa e sua respectiva área de concentração. Desse modo, todo projeto de pesquisa tem como ponto de partida uma questão ou um tema. Assim, o projeto está relacionado a um ou mais eixos temáticos. Da mesma forma, estará inserido cm uma linha de pesquisa e sua(s) área(s) de concentração. De acordo com a extensão do tema, o projeto também poderá ter correspondência com mais de uma linha e mais de uma área. O conteúdo da Agenda de Pesquisa apresenta uma enorme diversidade de questões que precisamos compreender. É importante lembrar que a Agenda não representa a totalidade dos problemas. Por essa razão, enfrentamos enormes desafios na realização dos projetos de pesquisa, bem como é necessário ousar mais para tentar responder as questões que a realidade nos coloca. Nesse sentido, precisamos construir novas idéias, novos temas de pesquisas que contribuam para o acompanhamento e compreensão dos desafios que enfrentamos. É importante lembrar que a Agenda é sempre uma versão parcial, nunca é definitiva. A Agenda está em movimento porque novos eixos temáticos, novas linhas de pesquisa e, portanto, novas áreas de concentração deverão ser criadas enquanto outros podem deixar de ser necessários. A Agenda é somente uma forma de organizar as pesqmsas. 6 - As questões teóricas e metodológicas Definir as questões teóricas e metodológicas no campo da pesquisa é condição fundamental para qualquer instituição. Nesse sentido, os pesquisadores do MST devem se preocupar com a relevância dessas questões. Não se pode ignorar que a Ciência é política e a definição das correntes teóricas é condição fundamental para a qualidade dos nossos trabalhos. Igualmente, o rigor metodológico é um modo de preservarmos esta qualidade. Sem esses dois elementos, qualquer projeto de pesquisa perde toda a sua potencialidade de oferecer leituras da realidade para transformá-la. J\s questões teóricas referem-se aos autores que utilizamos como referências para construir nossa compreensão a respeito dos temas que nos propomos estudar. É por meio das correntes teóricas, ou seja, da leitura de diferentes obras, que elaboramos nossos pensamentos acerca da questão estudada. Desse modo, é preciso que haja coerência com relação às correntes de pensamento. Essa é uma condição fundamental para a realização da análise crítica do problema pesquisado. J\.s questões metodológicas referem-se aos procedimentos que precisamos utilizar na execução da pesquisa. Esses procedimentos compreendem parâmetros, técnicas e instrumentos. Os parâmetros são definidos de acordo com os objetivos do projeto e podem ser compreendidos por amostras, seqüências etc .. Do mesmo modo, as técnicas são compreendidas pela realização de entrevistas, aplicação de questionários, pesquisa documental, entre outras. E os instrumentos são recursos que utilizamos como gravador, máquina fotográfica e computador. No MST, as pesquisas são realizadas cm três níveis: Ensino médio, graduação e pós-graduação: mestrado e doutorado. Para cada um desses níveis há um grau de exigência para o aprofundamento dos conteúdos. Para a pesquisa no Ensino Médio é importante o trabalho com a realidade local, do assentamento, do acampamento, do município ou da ;,; ~ 5 <( w :;; ::;; o e microrregião. Sempre lembrando que existem diversas opções. A constatação da realidade por meio da análise crítica com base num referencial teórico e numa metodologia aplicada é suficiente para se propor novas ações para e por parte da população estudada. Na graduação, a pesquisa possui um aprofundamento maior. Não basta a constatação da realidade estudada, são necessárias interpretações, boa pesquisa teórica e utilização de procedimentos metodológicos diversos. É importante ter cm mente que as monografias serão referenciais g ~ "<>'. .... ~ ~ o G que irão subsidiar futuras pesquisas. Portanto, é fundamental que ao se elaborar um projero, faça-se um levantamento das pesquisas já realizadas a respeito daquele rema ou lugar. Na pós-graduação, a preocupação com o aprofundamento da análise é ainda maior. Para as pesquisas no mestrado são fundamentais os conhecimentos das principais correntes teóricas pertinentes ao rema ou objeto. Para as pesquisas no doutorado é essencial a construção de uma tese. Nesses dois níveis o rigor metodológico é condição fundamental para a excelência da pesquisa. A pesquisa participativa é um procedimento importante para a realização de nossos projetos. Discutir o conteúdo do projeto com as comunidades estudadas, com o Setor, com a Coordenação e ou a Direção ajuda a ampliar horizontes. Afinal, estamos conversando com pessoas que tem um amplo conhecimento da realidade a ser estudada, de modo que podem contribuir muito na realização da pesquisa de campo. Vale retomar a discussão a respeito dos modos de se fazer pesquisa. Evidente que essa decisão está relacionada com os objetivos e interesses do pesquisador, do Setor e do MST. Pode-se desenvolver pesquisas aplicadas e pesquisas teóricas. As pesquisas aplicadas têm por objetivo conhecer uma determinada realidade para tentar transformá-la em curto prazo de tempo. Esse tipo de pesquisa requer quase sempre a execução de diagnósticos e de programas para mudanças imediatas. É o caso de se elaborar projetos de desenvolvimento para determinados setores dos assentamentos ou dos acampamentos. As pesquisas teóricas estão mais voltadas à compreensão das questões e na proposição de novas políticas. Esse tipo de pesquisa exige um alto grau de leitura e debate teórico. São de grande contribuição para acompanhar as mudanças das conjunturas políticas e econôm icas. Nesse caso, sugerimos ao pesquisador que procure conhecer mais profundamente o referencial bibliográfico sobre a história e as diversas dimensões de atuação do MST. Esta, com certeza, é uma bibliografia que carrega a história das experiências com a pesquisa. Dessas leituras é possível realizar uma ampla reflexão a respeito das questões teóricas e metodológicas que devem fazer parte dos projetos de pesquisa. Vale lembrar da importância das diversas linhas de publicação do MST, cadernos, livretos, livros, revistas, jornal etc. 7 - O desafio e a ousadia O desafio e a ousadia são atos e qualidades que todos os pesquisadores devem ter. A realização da pesquisa é possível desde que tenhamos objetivos claros e interesses a realizar. Fazer a pesquisa é uma questão política essencial. É a condição de conhecermos mais e melhor as nossas realidades por meio de nossas leituras. Para os membros do MST essa é uma questão estratégica. Ler as ações do MST por meio de fontes secundárias é uma possibilidade que não pode ser a única. Nesse sentido, as experiências de pesquisa no MST tornam-se condição de autonomia política e intelectual. Por essa razão é preciso priorizar a pesquisa, determinando o tempo necessário para sua realização. Definir bem o cronograma no projeto, cumprindo-o, ajuda na realização de um trabalho de qualidade. Ninguém faz uma boa pesquisa de última hora. Muitos pesquisadores, por uma série de motivos, acabam realizando as atividades de campo e as leituras em um único momento. Esses atos prejudicam o trabalho e aparecem no corpo da monografia. Por essa razão, um bom planejamento e responsabilidade são requisitos que não podem faltar na efetivação de um projeto. No conjunto dos trabalhos ampliamos nossas experiências e com a incorporação de diversos pesquisadores construímos uma articulação que pode dimensionar essas práticas, constituindo-se cm um espaço importante de reflexão. Esse é um grande desafio para a construção de urna rede de pesquisadores que atuam nas áreas de concentração constantes na agenda e junto ao MST. 8 - A pesquisa e o compromisso: orientações para a escolha de temas de pesquisa Não há projeto que seja desenvolvido sem compromisso. Por essa razão, ao elaborarmos os projetos é preciso ter em mente a comunidade, ou seja, as pessoas que serão objetos da pesquisa. Ou ainda, a importância da análise do objeto para o desenvolvimento humano. Desse modo, oferecemos algumas orientações para a escolha de um tema de pesquisa. :?. 5 ~<>'. .... ~ ~ o G Um projeto de pesquisa nasce a partir de preocupações e interesses. Temos realidades amplas que nos desafiam a compreendê-las. Desse modo, ao escolhermos um tema de pesquisa, temos pelo menos dois pontos de partida e de retorno: a realidade e a Agenda de Pesquisa. Com relação à realidade, o pesquisador pode construir seu projeto a partir de um tema que é de seu interesse e ou da comunidade. Com relação à Agenda de Pesquisa, esta pode servir como referência para que o pesquisador escolha seu tema de pesquisa, atendendo a uma ou mais demandas do Movimento. Essas possibilidades de escolha do objeto de pesquisa revelam o compromisso do pesquisador com a realidade. O compromisso deve ser com a população estudada que compõe o MST, com o rigor científico e com a ética profissional. Ao se escolher um objeto de pesquisa, este deve estar associado às preocupações do pesquisador, da comunidade e do Setor. Uma pesquisa é uma relação social e deve atender aos interesses de todos. Há projetos individuais e há projetos coletivos, porém todos estão contidos na premissa do compromisso. Toda pesquisa é sempre uma nova experiência. É sempre um processo de aprendizagem que nos faz crescer, ser profissionais mais qualificados, comprometidos com a construção de um projeto popular para o Brasil. Agenda de Pesquisa - Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra - MST w versão> 1 Arca de Concentração 1) Educação e Formação :J. so i'o...J - ~ o D pessoas que se iniciam na pesquisa têm dificuldades em pensar o projeto como um todo, conseguem imaginá-lo apenas em partes, enfrentando várias dificuldades na elaboração do projeto de pesquisa. Algumas chegam mesmo a desistir da pesquisa durante a tentativa de elaboração do projeto. Por isso é importante compreender o que é um projeto de pesquisa para que o pesquisador iniciante possa elaborá-lo sem se sentir muito 111seguro. Um projeto de pesquisa é um texto que o pesquisador escreve para poder traçar o roteiro das atividades que irá desenvolver na realização da pesquisa. O projeto de pesquisa é um documento porque é elaborado por um pesquisador com o objetivo de compreender uma determinada questão da realidade e porque a pesquisa está associada a uma instituição que tem interesses definidos. Nesse sentido, o projeto de pesquisa contém várias partes de acordo com os objetivos de cada instituição. Em cada parte são detalhadas as atividades que o pesquisador vai desenvolver, bem como o porquê da pesquisa, além das principais idéias que serão utilizadas para pensar a questão da pesquisa. A essas id éias chamamos de referencial teórico. A questão nós chamamos de objeto de pesquisa. E o porquê nós chamamos de justificativa. Sempre realizamos uma pesquisa por alguma razão. Por isso, todo projeto de pesquisa tem os objetivos gerais e específicos. Também todo projeto precisa conter uma metodologia que será utilizada na investigação do objeto. Metodologias são procedimentos, ou seja, são atividades que realizamos com o objetivo de compreender a questão da pesquisa. Essas atividades são práticas e teóricas. Por exemplo: o ato de procurar os livros necessários para a pesquisa é fazer um levantamento bibliográfico, portanto uma atividade prática. O ato de ler esses livros, de refletir sobre seus conteúdos e as relações que estes têm com o objeto de pesquisa é uma reflexão, portanto uma atividade teórica. A elaboração de um questionário ou de uma entrevista é uma atividade prática, pensar as questões e as perguntas a partir do objeto de pesquisa e do referencial teórico é uma atividade teórica. Também ao pensarmos a aplicação dos questionários e das entrevistas e como vamos definir as categorias que serão investigadas, de acordo com os objetivos do projeto de pesquisa, estamos desenvolvendo procedimentos metodológicos. Assim como nas pesquisas em documentos diversos, como atas, relatórios, censos, dossiês, jornais, revistas etc. Tudo isso é metodologia. Todo projeto de pesquisa tem que ter um tempo para ser realizado. Por isso, é necessário que o pesquisador defina um cronograma, em que vai estipular o tempo de duração da pesquisa. A última parte do projeto é a bibliografia. Nesta parte, o pesquisador escreve quais são as publicações que irá utilizar na realização da pesquisa. Por fim vem a primeira parte que é a introdução. O caráter da introdução é informar o conteúdo do projeto. Portanto, a introdução é onde o pesquisador apresenta o objeto de pesquisa, as suas hipóteses e quais o resultados esperados. A introdução deve ser um resumo do projeto na forma de apresentação. 3 - A forma do projeto de pesquisa O projeto de pesquisa é então um texto que contém a descrição do conjunto das atividades que serão desenvolvidas para compreender uma determinada questão. A forma do projeto tem os seguintes itens: Capa; 1 - Introdução; 2 -Justificativa; 3 - Objetivos; 4 - Referencial teórico; 5 - Metodologia; 6 - Cronograma; 7 - Bibliografia. Como mostrado anteriormente, a introdução é a primeira parte da estrutura do projeto, mas é a última parte a ser escrita. Isso porque é preciso escrever todas as outras partes, para podermos fazer um resumo que apresente o projeto. O ponto de partida para a elaboração de um projeto é a definição do objeto. Sem definir o objeto, não poderemos escolher a metodologia nem o referencial teórico, nem saberemos quanto tempo vamos precisar para fazer a pesquisa. Definido o objeto, começamos a escrever parte por parte do projeto. Como está apresentado acima, este exemplo de projeto tem sete partes. Cada uma dessas partes tem um conteúdo definido. É preciso estar atento para não misturar os conteúdos, como por exemplo, o que é muito comum, colocar objetivos na justificativa; colocar justificativa na metodologia ou colocar metodologia na parte dos objetivos. Pode Qarecer estranho, mas :Ã s ~ <( ~ t;; :::; o e para o pesquisador iniciante que está se familiarizando com a experiência de elaborar seu projeto de pesquisa, esses erros são comuns. 4 - A elaboração do projeto de pesquisa passo a passo e tropeções ::li s ~ <( ~ 1-- ~ e o Errar durante a realização do projeto de pesquisa, se confundir, ter dúvidas, insegurança faz parte do processo. É comum em todas as experiências de pesquisa. Todos passam por isso, até mesmo o orientador. Por isso é importante um orientador, porque como ele já errou, pode ajudar o orientado a errar menos. O primeiro passo para elaborar um projeto de pesquisa é definir um objeto. Escolhido o objeto, começamos a escrever o projeto. O passo seguinte é a definição do referencial teórico. Assim, o pesquisador vai procurar conhecer quais as pessoas que já pesquisaram temas semelhantes ou temas que possuem relação com o seu objeto. Vai procurar livros que possam subsidiar, contribuir com o entendimento do objeto de pesquisa. O referencial teórico deverá ajudar o pesquisador a pensar quais são os conceitos principais de sua pesquisa, ou seja, as categorias de análise. Por meio dessas idéias, o pesquisador irá analisar seu objeto - que é uma questão da realidade - e deverá desenvolver um pensamento interpretativo para compreender a questão que ele se propôs estudar. Esse processo deve ser realizado junto com o orientador. Ao definir o referencial teórico, o pesquisador vai definindo os objetivos, que devem ser bastante claros. Com o objetivo geral o pesquisador deve esclarecer onde se quer chegar com a pesquisa. Com os objetivos específicos deve descrever as diferentes possibilidades e resultados que o projeto de pesquisa pode realizar. Só a teoria não é suficiente para se entender o objeto. A prática também é importante. Portanto, é preciso definir os procedimentos metodológicos, ou seja, a metodologia. Com base no raciocínio lógico, o pesquisador, junto com o seu orientador, deverá definir quais os procedimentos metodológicos necessários para se compreender o objeto. Evidente que cada objeto irá exigir diferentes procedimentos. Os critérios de escolha dos procedimentos ou atividades serão determinados pela lógica e pelo rigor científico. É importante observar que muitas vezes vamos escrevendo, ao mesmo tempo, várias partes do projeto. Quando definimos o objeto, definimos o caminho para a elaboração do projeto de pesquisa. Assim é preciso determinar o referencial teórico, quais os objetivos, qual a metodologia a ser aplicada etc. Assim são dados os primeiros passos, mas ainda faltam outros. Faltam a justificativa, o cronograma, a bibliografia e a introdução. Justificar significa explicar a importância do objeto. Justificar uma pesquisa significa defendê-la, argumentando a sua importância. Nesta parte do projeto, o pesquisador deve provar a relevância. Deve defender o seu ponto de vista sobre o objeto e mostrar qual a contribuição que o projeto traz para a ciência, para a instituição que tem interesse pela pesquisa, para a sociedade em geral etc. O cronograma é um quadro onde descrevemos as atividades que serão realizadas durante a realização da pesquisa, bem como o tempo de duração de cada uma cm todo o projeto. A bibliografia é definida pelo referencial teórico, sendo que nesta parte escrevemos os dados das obras utilizadas, bem como de todas as outras publicações: relatórios, censos etc. Por fim, vem a introdução que tem o caráter ela apresentação e de resumo do projeto. Não é fácil realizar todo esse processo. Muitas vezes tropeçamos em cada um dos passos dados. Um tropeção comum é na definição do referencial teórico. Sem uma boa orientação, sem esforço, pode-se não realizar um levantamento bibliográfico necessário, de modo que a não realização dessa atividade pode prejudicar a execução da pesquisa. Para a escolha do referencial teórico é preciso coerência. É preciso observar quais as relações filosóficas e políticas que existem entre a bibliografia e o objeto de pesquisa, para não se trabalhar com um referencial que pouco ajuda na compreensão do objeto. Outro tropeção é na escolha dos procedimentos metodológicos. De acordo com o objeto a ser pesquisado, é preciso se certificar que se optou pelas atividades adequadas. Também se não se definir bem os objetivos, pode-se tropeçar na realização da pesquisa, porque o pesquisador pode perder o rumo no meio da pesquisa. Ao se definir o cronograma é fundamental ter a consciência que o tempo definido para a pesquisa é suficiente. Caso contrário, tropeça-se mais uma vez ao não conseguir realizar toda a pesquisa. Na justificativa é necessário tomar cuidado para não repetir idéias que já estão contidas cm outras partes do projeto. Ao escrever a bibliografia, o pesquisador deve ficar atento às normas técnicas. Às vezes os tropeções podem levar o pesquisador a desistir do projeto. Mas cada tropeção pode ser superado com novos passos, aí vale a perseverança do pesqu isador e o apoio do orientador. ::li 5 ~...: ~ t;; :::; o G Com a realização do projeto c.le pesquisa cada pesquisador traz uma importante contribuição para a compreensão da rcalic.lade. Só por isso a pesquisa já é fundamental, bem como é valoroso o esforço de cada pessoa que se propõe pesquisar. Todavia, mais importante ainda é quando o pesquisador compreende a importância da pesquisa para ajudar a transformar a realidade pesqu isada. Boa pesquisa. ROTEIRO DE PROJETO DE PESQUISA Orientação para os Trabalhos de Conclusão de Curso do Instituto de Educação Josué de Castro Folha de Rosto Deve conter as seguintes informações: Na parte superior da folha (centralizado e com letras maiúsculas) • Nome completo do MST • Nome completo do JTERRA • Nome completo do IEJC • Nome do Curso - 'forma • Metodologia da Pesquisa • Área de Concentração - Linha de Pesquisa Na parte central da folha (centralizado) •Projeto de Pesquisa (com letras maiúsculas e negritado) • Título do Trabalho (com letras minúsculas e negritado) Na metade da parte inferior da folha (centralizado) • Nome do educando/ da educanda (com letras maiúsculas) • Orientador/a: Nome completo (com letras minúsculas) Na parte inferior da folha (centralizado com letras minúsculas) • Município onde se localiza o Instituto • Mês e Ano da elaboração do projeto Sumário \à • Visão geral do trabalho pela indicação de cada seção, seu título e paginação correspondente. Devem ser apresentadas apenas as seções primárias, secundárias e terciárias. :J. Introdução ~q: :::> ~ q: ... ~ ~ o G 5 • Apresentação do projeto: situá-lo na agenda de pesquisa do MST (área, linha, eixo temático) e dar uma id éia geral do que será a pesquisa. ~ t;; ::> e o Bibliografia consultada Desenvolvimento do Projeto • Indicação dos textos lidos para a elaboração do projeto. 1. Objeto da Pesquisa • Problema da realidade: situar o problema ou desafio específico da prática para o qual a pesquisa pretende trazer sua contribuição. • Questão da pesquisa: o que será mesmo o objeto da pesquisa, elaborado através de uma questão central, que poderá ser desdobrada em questões específicas. 2. Justificativa •Argumentos que respondam à pergunta: por que pretendo realizar esta pesquisa (importância do tema, relação anterior com a questão, condições de fazer este trabalho etc.) , Observação: Os itens do desenvolvimento do projeto (itens numerados do roteiro) devem ser apresentados um após o outro, sem abrir nova página. 3. Objetivos • O que pretendo alcançar com a pesquisa. • Que metas me coloco cm relação aos resultados da pesquisa. 4. Referencial Teórico • Clarear conceitos e ou categorias teóricas básicas envolvidas no tema escolhido e na questão formulada. 5. Metodologia • Pesquisa de campo: abrang&ncia, localização, instrumentos, perguntas e ou observações a fazer, coletivo ele apoio e interlocução etc. • Pesquisa bibliográfica: tipo de bibliografia a ser consultada, como será conseguida, previsão de possíveis obras a serem pesquisadas etc. • Devolução dos resultados: prever como será feita. 6. Cronograma • Definição de prazos para o desenvolvimento de cada passo previsto na metodologia. t Ao começar a anotação no meio da frase ou se não registrar todo o parágrafo o correto é usar "..." ... "a pós-alfabetização nos 'asentamientos'... " "Ao deixar fora da anotação uma parte da frase o correto é usar(...)"... apoiada na prática dos camponeses, a pós-alfabetização (...) deva oferecer-lhes (...) um conhecimento cada vez mais científico... " 2. Ficha de Leitura Temática Referência bibliográfica e página Eixo Temático Exemplo: Alfabetização de Jovens e Adultos. Freire, Paulo. Ação Cultural para a Liberdade e outros escritos. 8' ed, Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1982, pág. 30 "Daí que, apoiada na prática dos camponeses, a pós-alfabetização nos 'asentamientos' deva oferecer-lhes, em níveis que se vão ampliando, um conhecimento cada vez mais científico de seu que fazer e de sua realidade." ... 5 ~ 5 !fl !fl ,_ ~ o ~ ~ a <( ~ G a <( ... ::;: "' o CD 3. Ficha de Leitura Biográfica Referencia bibliogrãfica e Biografia de PAULO FREIRE "Criando métodos de pesquisa alternativa: aprendendo a fazê-la melhor através da ação" 11 (Extraído de Brandao, Carlos Rodrigues (org) Pesquisa Participante.) p~gina Gadotti, Moacir (org.) Paulo Freire uma biobibliografia. São Paulo: Cortez e Instituto Paulo Freire, 1996, pág. 28. PESQUISA DE CAMPO Segundo depoimenco de sua segunda esposa, Nica, Paulo Freire aprendeu a ler com sua mãe, escrevendo palavras com gravecos de mangueiras, à sombra delas, no chão do quintal de sua casa em Recife, Pernambuco. Nesta conversa pouco sistematizada, um tanto à vontade, gostaria, quase pensando alto, de refletir sobre alguns problemas com que nos defrontamos enquanto educadores ou cientistas sociais, em nossa prática. Problemas fundamentalmente políticos e ideológicos e não apenas epistemológicos, pedagógicos ou das ciências sociais. Um destes problemas com que primeiro nos confrontamos quando nos obrigamos a conhecer uma dada realidade, seja a de uma área rural ou a de uma área urbana, enquanto nela atuamos ou para nela atuar, é saber em que realmente consiste a realidade concreta. Para muitos de nós, a realidade concreta de uma certa área se reduz a um conjunto de dados materiais ou de fatos cuja existência ou não, de nosso ponto de vista, importa constatar. Para mim, a realidade concreta é algo mais que fatos ou dados tomados mais ou menos em si mesmos. Ela é todos esses fatos e todos esses dados e mais a percepção que deles esteja tendo a população neles envolvida. Assim, a realidade concreta se dá a mim na relação dialética entre objetividade e subjetividade. Se me preocupa, por exemplo, numa zona rural, o problema da erosão, não o compreenderei, profundamente, se não percebo, criticamente, a percepção que dele estejam tendo os camponeses da zona afetada. A minha ação técnica sobre a erosão demanda de mim a compreensão que dela estejam tendo os camponeses da área. A minha compreensão e o meu respeito. Fora desta compreensão e deste respeito à sabedoria popular, à maneira como os grupos populares se compreendem em suas relações com o seu mundo, a minha pesquisa só tem sentido se a minha opção política é pela dominação e não pela libertação dos grupos e das classes sociais oprimidas. Desta forma, a minha ação na pesquisa e a dela decorrente se constituem no que venho chamando de invasão cultural, a serviço sempre da dominação. ~ :::> ~q: " Exposição em inglês feica pelo autor. sem texto escrito. no Insticuco de Educação de Adulcos da Universidade de Dar-Es-Salaam. Tanzânia, cm 1971. O autor fez algumas alterações no cexco cra- o G UMA SUGESTÃO PARA A TANZÂNIA Baseando-me numa tal forma de conceber a pesquisa e a educação, refleti acerca da possibilidade de o Instituto de Educação de Adultos da Universidade de Dar-Es-Salaam tentar realizar algo nesta perspectiva, com objetivos bastante claros. O Instituto poderia dedicar-se ao estudo e à posta em prática de um projeto de pesquisa que não somente proporcionasse experiências para a formulação de estratégias da pesquisa alternativa mas também que ensejasse a organização de um programa de Educação de Adultos. A formulação de tais estratégias da pesquisa alternativa poderia mesmo vir a constituir-se em desafio a toda a Universidade em suas preocupações atuais em torno de como relacionarse com os grupos populares. Uma equipe que se suponha ter um bom conhecimento de DarEs-Salaam escolheria uma zona urbana ou suburbana da cidade na qual se faria a pesquisa que seria o ponto de partida do Programa de Educação de Adultos. Em primeiro lugar, a equipe deveria informar-se sobre a existência ou não de estudos já realizados em torno da zona escolhida. É possível que alguma pesquisa já tenha sido feita, cujos resultados devem ser estudados pela equipe, não importa o método que tenha sido adotado. Em segundo lugar, impõe-se uma delimitação da área na qual se faria a pesquisa, reconhecendo-se, naturalmente, que não há fronteiras rígidas em se tratando de cultura. Delimitada a área, a equipe faria as suas primeiras visitas informais, anotando tudo que lhe chamasse a atenção, conversando com uns, com outros. Fundamental, nestas visitas exploratórias, seria a identificação de organismos populares ou oficiais como clubes de futebol, escolas públicas, clubes de dança, cooperativas etc. Em certo momento de amadurecimento deste processo de aproximação ou de intimidade da equipe com a população da área, se começaria a fazer visitas às lideranças responsáveis pelos organismos antes referidos. Nestas vi si tas a conversação deveria ser franca, sem provocar nenhuma dúvida nas pessoas visitadas quanto aos objetivos do Instituto. A equipe simplesmente diria: "Trabalhamos no Instituto de Educação de Adultos da Universidade de Dar-Es-Salaam e viemos aqui para, num primeiro momento, conversar com vocês sobre a possibilidade de realizarmos um trabalho juntos. Um trabalho com vocês e com outros moradores desta área. Isto significa, sem dúvida, que, se o povo desta área não aceita a nossa proposta, o trabalho não será feito". Em seguida, obviamente, se teria de falar da pesquisa, de como se tem nela o ponto de partida do programa de Educação de Adultos, do método a ser adotado, do papel participante, crítico, de todos os que se envolverem nela; do direito que têm os grupos populares de manifestar-se cm torno de seus próprios problemas e de falar de como superá-los. Na medida em que vá havendo uma aceitação simpática à proposta, cabe à equipe sugerir à liderança de cada uma das agências sociais visitadas a necessidade de reuniões mais amplas, com a presença de pessoas associadas a elas. Nestas reuniões mais amplas, a interpretação dos objetivos do Instituto e do próprio método de trabalho já pode começar a ser feita, pelo menos em parte, por representantes populares. Na verdade, porém, cabe à equipe, nestes encontros mais amplos, explicar, pormenorizadamente, como o trabalho será realizado. Falar, por exemplo, da necessidade da constituição de grupos de 20 a 30 pessoas que se reuniriam, uma ou duas vezes por semana, no melhor horário para estes grupos, em diferentes salas das próprias agências sociais antes visitadas ou não. Grupos de pessoas que estariam juntas para discutir livremente em torno dos problemas considerados como funda mentais pela própria população. A estes grupos se juntariam representantes da equipe pesquisadora, cuja "voz", porém, jamais poderia ser "superior" à "voz" dos grupos populares. Os debates em cada grupo, em torno de uma problemática sentida - como disse antes - pela população como fundamental, seriam gravados para mais facilmente poder ser consultados. Cada grupo elegeria um coordenador ou coordenadora e, no processo de seu trabalho, um relator. Este faria a síntese das posições de seu grupo em face da problemática debatida quando das reuniões finais, no momento em que todos os grupos juntos discutiriam os seus achados. Estas discussões últimas proporcionariam aos pesquisadores profissionais e aos grupos populares - pesquisadores também - a elaboração de um documento final que, por sua vez, viria a ser de importância fundamental para a organização do conteúdo programático do Projeto de Educação de Adultos. A PRÓXIMA ETAPA Neste momento começa outra etapa da pesquisa: a do estudo crítico do discurso popular. O estudo da sintaxe, da semântica popular. O estudo das metáforas neste discurso. O estudo também dos diferentes níveis de percepção da realidade. A hora de o Instituto de :;; 5 ~-- e o Introdução O pesquisador já pode anotar as idéias básicas que pretende desenvolver sobre o objeto os objetivos do trabalho e também sobre como foi o processo de realização da pesquisa. Desenvolvimento ou corpo do trabalho Pensar como será a subdivisão do trabalho e sobre o que escreverá em cada parte. Fazer anotações das principais constatações da pesquisa, da análise que consegue fazer sobre as questões pesquisadas, juntando os resultados da pesquisa de campo e bibliográfica. Pensar como serão aproveitadas as entrevistas e os registros do diário de campo, como poderiam entrar em cada um dos capítulos previstos etc. Conclusão Anotar o que já consegue visualizar como principais descobertas da pesquisa. Recapitular sistematicamente os resultados e ir fazendo a síntese do trabalho (conclusão), um balanço do processo de pesquisa desenvolvido e do resultado social do trabalho. Dicas ou cuidados de redação 1. O texto precisa ter uma construção lógica, ou seja, uma coordenação inteligente de idéias conforme as exigências de um trabalho científico. As partes do trabalho, seus capítulos, seus parágrafos devem ter uma seqüência lógica rigorosa e conseguir expressar o conjunto do raciocínio do autor de forma clara e que proporcione uma leitura agradável. 2. Recomenda-se que a montagem do trabalho seja feita através de uma primeira redação de rascunho. Isto pode ser feito com o todo da monografia de uma vez, ou com cada um de seus capítulos, se o texto for mais longo. Terminada a primeira composição, sua leitura completa e atenta permitirá uma revisão adequada do todo e a correção de possíveis falhas de lógica ou de redação. 3. Em trabalhos científicos orienta-se um estilo sóbrio e preciso, importando mais a clareza do que qualquer outra característica estilística. É preciso evitar a pomposidade pretensiosa, o verbalismo vazio, as frases feitas e a linguagem sentimental. Mas é importante que cada pessoa não se constranja e assuma seu próprio estilo de escrever, sem medo de errar. 4. A construção de cada parágrafo merece um cuidado especial. O parágrafo é uma parte do texto que tem a finalidade de expressar as etapas do raciocínio. Por isso a seqüência dos parágrafos, o seu tamanho e a sua complexidade dependem da própria natureza do raciocínio desenvolvido. Duas tendências são incorretas: ou o excesso de parágrafos, ~ 5 g "' o.. w >-- ~ o e :Ji 5 ~ < w sendo praticamente cada frase considerada um parágrafo, ou a ausência de parágrafos. A mudança de parágrafo deve ser feita toda vez que se avança na seqüência do raciocínio, marcando o fim de uma etapa e o começo de outra. O início do parágrafo com uma conjunção (mas, porém, todavia, então, contudo etc) costuma auxiliar nesta passagem lógica. 5. A estrutura de cada parágrafo deve reproduzir a estrutura do próprio trabalho: constitui-se de uma introdução, de um corpo e de uma conclusão. Na introdução se anuncia o que se pretende dizer; no corpo se desenvolve a idéia anunciada; na conclusão se resume ou sintetiza o · afi1rmar. IZ que se consegum 6. É importante que o texto demonstre o rigor da pesquisa: ir trazendo elementos da pesquisa de campo e da pesquisa bibliográfica realizadas que demonstrem ou ajudem a construir os argumentos para as afirmações feitas. Cuidar para não fazer generalizações a partir de estudos de casos muito específicos; evitar julgamentos sobre constatações feitas, priorizando a análise; fundamentar cada conclusão que for explicitada no texto. 7. Lembrar que nosso princípio é o de pesquisar sobre a realidade para construir ferramentas de análise que nos ajudem a melhor intervir ou acuar sobre ela. O trabalho precisa deixar claro cm que conseguiu avançar nesta perspectiva. Não se trata necessariamente de terminar o texto apontando soluções para o problema da realidade que inspirou a pesquisa, mas de incluir no seu desenvolvimento um tipo de reflexão que relacione teoria e prática, projetando possíveis ações decorrentes do trabalho feito. 8. Precisamos também cuidar com a linguagem: evitar usar siglas ou palavras que somente são compreendidas por pessoas que já conhecem a realidade pesquisada. O texto precisa ser aucocxplicativo. É preciso escrever pensando também num leitor externo ao Instituto e ao Movimento. 9. É bom começar a escrever a primeira versão ou rascunho do texto pela parte em que temos mais clareza ou inspiração. Nem sempre isco quer dizer seguir a ordem dos capítulos. Na revisão podem ser feitos os ajustes a partir de uma leitura cm seqüência. 10. É fundamental contar com a interlocução do orientador durante o processo de redação da monografia. É uma de suas tarefas ajudar na construção lógica do raciocínio e do texto. NORMAS TÉCNICAS PARA APRESENTAÇÃO DOS TRABALHOS (ABNT com algumas adaptações) Normas gerais básicas 1. Folha • Tamanho= A4 (21 cm x 29,7 cm) ou 8pol x 11 pol • Cor = Branca 2. Margem • Superior= 4 cm • Inferior= 2 cm • Esquerda= 3 cm • Direita = 2 cm 3. Letra • Tipo= Times New Roman ou Arial 4. Texto ou Parágrafo • Letra: 12 • Início de parágrafo: a 5 coques da margem. (Ou com um "tab'', ou com a configuração "Primeira linha") • Alinhamento da margem direita (Comando "justificar") • Espaço entre linhas= 1,5 (máquina de escrever= 2) 5. Entre Parágrafos • Espaço entre parágrafos= 0,6 antes (Máquina de escrever= 1 dente) 6. Títulos Título de capítulo • 4 linhas livres antes e 2 depois • Letra 14 a 16 • Fazer em negrito • Fazer com letras maiúsculas • Centralizado 5 o.. < w t;; t;; :!: o :Ji g :!: "Fonte das dicas apresencadas acé aqui: Severino, Antllnio Joaquim. Metodologia do 1rabalho Científico. Título de seções • 2 linhas antes e 1 depois o 5. Quando algum dado obrigatório for desconhecido registra-se abreviadamente: na falta do local: s.1.; na falta do editor: s.n.; na falta da data: s.d .. Se o autor for desconhecido começa-se a referência pelo título da obra. 6. Os títulos podem ter o destaque de negrito ou itálico. O importante é que o destaque escolhido seja padronizado: feito igual cm todas 13 as referências. • Letra 12 a 14 • Pode ser em negrito ou não • Letras minúsculas Título de sub-seções • 1 linha antes e O depois • Letra 12 • Letras minúsculas • Observação: Para facilitar o entendimento os títulos e sub-títulos podem ser numerados (algarismos arábicos 1, 1.1...) 7. Paginar • Utilizar números arábicos • Centralizado ou no Canto superior direito, a 2cm das bordas (superior e direita) • Na folha de rosto não se coloca o número, mas se conta. Normas técnicas para referências bibliográficas Para utilização em notas ou na lista final da bibliografia consultada ~ ~ e( ....w V> ::!: o e 1. Referências bibliográficas: identificação de toda a publicação que foi mencionada no decorrer do trabalho. Podem ser indicadas em notas de rodapé. 2. Bibliografia consultada: engloba todas as obras utilizadas pelo autor para a realização da pesquisa, mesmo que não tenham sido mencionadas diretamente no trabalho. Esta listagem é uma das partes do trabalho, conforme indicação anterior, e inclui as referências bibliográficas. 3. Alinhamento: de acordo com as normas técnicas atuais as referências devem ser alinhadas, da segunda linha em diante, somente à margem esquerda, e de forma a ficar identificado individualmente cada documento. Não há necessidade de numerar as referências, mas elas devem ser colocadas em ordem alfabética. 4. Elementos: Os obrigatórios são: autor(es), título, subtítulo (se houver), edição (a partir da 2a), local, editora e ano de publicação, nesta ordem. Os complementares, que podem ser colocados ou não: indicação da página da obra consultada, o número total de páginas da obra, a indicação de série, coleção, caderno, a ind icação de volume, tomo, fascículo, a periodicidade. Ordem dos elementos numa referência: SOBRENOME, Nome. Título da obra: complemento. Edição. Local: Editora, ano. (Coleção, nº) Alguns exemplos de referências bibliográficas que trazem também as variações destes elementos: BENJAMIN, César (org) A opção brasileira. Rio de Janeiro: Contraponto, 1998. BOFF, Leonardo. Saber cuidar: ética do humano - compaixão pela terra. Petrópolis: Vozes, 1999. HOBSBAWM, Eric e RUOÉ, George. Capitão Swing. A expansão capitalista e as revoltas rurais na Inglaterra do início do século XIX. Rio de Janeiro: Francisco Alves, 1982. LA EDUCACION EM NUESTRAS MANOS. Construcción de la resistencia pop11l01: Buenos Aires: SUTEBA / CTERA, n.º 64, ano 10, julho-agosto 2001. MST. Pedagogia do Movimento Sem Terra: acompanhamento às escolas. Boletim da Educação 11. • 8. São Paulo: MST, 2001. NETO, Antonio Gil. Gramática: apoio ou opressão. ln: A Produção de Textos na Escola. São Paulo: Loyola, 1998. Normas t écnicas para citações e notas C itações 1. Há duas formas de fazer uma citação de um texto dentro do nosso texto: citação indireta ou livre ou citação direta ou textual. Ver forma na explicação que fizemos constar nos modelos de fichas de leitura. ~ ~ ij:' e( w u Para um deralhamcnto completo sobre esras normas e exemplos de suas variações re1;omenda- mos ver: Furastt!, Pedro Augusto. Normas Tlmirt1.r para o Trabalho Cie111fjico. Kxpliritacõo tias 11onnas da ,.\llNT (A referência completa aparece no final desce Caderno.) .... ~ o e 2. As citações livres (também chamadas de paráfrases) são feitas ao longo do próprio texto, sem destaques, apenas com indicação da referência bibliográfica, resumida ao final de cada idéia. Assim: (Freire, 1982, p. 67) Em caso de ser uma síntese de trecho mais longo do texto, ou que englobe mais de uma página, não há necessidade de indicar a página: (Freire, 1982) A referência completa da obra deve constar na parte do trabalho intitulada "Bibliografia Consultada". 3. As citações textuais, aquelas onde se transcrevem exatamente as palavras do autor citado, podem ser breves ou longas. São consideradas breves aquelas que não ultrapassam três linhas (mais ou menos). Estas citações podem integrar o texto, não precisando de reentradas, mas podendo ter o destaque da letra itálica, por exemplo. As frases são colocadas entre aspas, seguidas da referência bibliográfica resumida, como na indicação do item anterior. 4. As citações textuais longas, ou seja, de mais de três ou quatro linhas devem receber um destaque especial, com reentrada de 4 cm ou 16 coques da margem, mais 5 toques para o início do parágrafo. A distância entre as linhas deve ser de um espaço simples. Entre o texto da citação e o restante do trabalho deve-se deixar duas linhas, antes e depois. Também devem ser feitas entre aspas e podem ter o destaque do itálico. A referência bibliográfica segue a orientação anterior. Em caso do nome do autor já ter sido dito no enunciado da idéia, pode ser ainda mais resumida: (1982, p. 67). ~ s ~ < w .... ~ o e Notas 1. Notas são observações, esclarecimentos ou informações que queremos incluir no trabalho, mas não no corpo do texto porque prejudicariam a seqüência lógica do seu desenvolvimento. 2. Existem dois tipos de Notas: (a) Bibliográficas, quando servem para indicação da fonte de uma citação feita; (b) explicativas, quando apresentam observações, acréscimos ou comentários complementares a uma afirmação feita no texto, ou então remetem o leitor a outras partes do trabalho. 3. A localização das notas pode variar a critério do autor do texto, podendo aparecer nas seguintes formas: (a) em rodapé, (b) no final de cada capítulo, e (e) no final do trabalho. 4. A chamada para as Notas pode ser feita de duas maneiras: (a) por asterisco (•), quando não passar de três cm cada página, diferenciando-as pela repetição do asterisco ( .. ), (• 0 ); (b) algarismos arábicos em seqüência única até o final do trabalho. 5. As notas de rodapé são hoje as mais utilizadas, especialmente se o trabalho for feito cm computador, dada a facilidade de usar este comando e também por tornarem a leitura mais agradável. Quando apresentadas no rodapé, as notas devem estar separadas do texto por um traço de aproximadamente um terço da largura útil da página, a partir da margem esquerda, o que corresponde a 20 toques (Sem), além de se limitarem ao mínimo necessário. Deve iniciar com a chamada com pequena entrada de parágrafo e escrita com espaço simples. Recomenda-se que a letra da nota seja um ou dois pontos menor que a utilizada no corpo do texto. Se a nota for de referência bibliográfica deve-se seguir as mesmas normas indicadas antes. 6. Notas no final do capítulo: são usadas cm caso do autor não preferir as de rodapé e em trabalhos mais longos, para que não fiquem muitas notas no final do trabalho. São colocadas imediatamente após o término do capítulo, numa página nova, com o título "Notas", centralizado e a 8cm da borda superior. 7. Notas no final do trabalho: mais apropriadas para trabalhos feitos com máquina de escrever. Seguem as mesmas orientações das notas de final de capítulo, só que colocadas imediatamente após o término de todo o trabalho. ~ < w t;; :::;: o CD BANCAS DE DEFESA PÚBLICA Passos trabalhados nos cursos do Instituto de Educação Josué de Castro Modelo de Folha de Rosto l'\IOVll'\IENTO DOS TRABALHADORES H!JRAIS SEl'\l TERRA INSTITUTO TltCNICO DE CAPACITAÇÃO E PESQUISA DA REFORt\IA AGRÁRIA INSTITUTO DE EDl 'CAÇÃO Josu~: DE CASTRO ClJRSO NORl'\IAL DE Nf\'EL l\IÍmlO - TURl\IA HERDEIROS DE PAULO FREIRE EDL CAÇÃO E FORl\IAÇÃO-SUJEITOS DO PROCESSO l'EDAGÓGICO AS EXPRI~NCAS EDUCATIVAS DAS CRIANÇAS NO ACAMPAMENTO ÍNDIO GALDINO DO MST SlJSY DE CASTRO ALVES Orientador: lvori Agostinho de l\loraes ~ 5 ga. <1: ,._ ~ ~ e o \'eran6polis Julho de 2000 1. O processo de organização e de realização das bancas de defesa é tarefa da Coordenação do Curso em conjunto com a Unidade Ensino do Instituto de Educação Josué de Castro. 2. As bancas tendem a ser organizadas por aproximação de eixos temáticos. 3. Cada banca tem 3 ou no máximo 4 membros, sendo um deles o seu coordenador. 4. Os membros das bancas chegam no Instituto pelo menos dois dias antes do início das sessões de defesa para fazer a leitura prévia de cada um dos trabalhos a serem defendidos cm sua respectiva banca. S. Nos dias de defesa todas as bancas devem observar os mesmos horários e procedimentos. 6. Cada turno de trabalho é aberto pelo coordenador da banca com alguma solenidade e fazendo as combinações necessárias com todos os presentes. 7. Além da banca e dos educandos envolvidos, cada sessão pode ter outros participantes para assistir a defesa. 8. Não é permitida a entrada ou saída de pessoas durante a sessão de defesa, a menos que se trate de alguma emergência. 9. Cada sessão de defesa deve ser desenvo lvida através dos seguintes momentos: • Abertura da sessão feita pelo coordenador que anuncia o nome do educando e o título do trabalho a ser defendido. • O educando tem até 30 minutos para apresentação oral de seu TCC aos presentes. É de sua escolha fazer esta apresentação de pé ou sentado, bem como o uso de recursos didáticos, desde que tenham sido providenciados previamente. A orientação é de que não seja fe ita leitura, mas sim exposição do trabalho. • A banca apresenta seus comentários e questões num tempo máximo de 30 minutos (para o total de seus membros). Em caso de uma banca ter 4 membros, pode haver uma combinação de que a cada crabalho sejam 3 pessoas apenas a se man ifestar, havendo então um rodízio. • O ed ucando responde à banca (defesa propriamente dita) num tempo máximo de 20 minutos. ~ 3te a. <1: ...,._ ~ o CD BIBLIOGRAFIA CONSULTADA • Os demais presentes também podem formular questões, usando um tempo máximo de 5 minutos. • O educando responde às questões da plenária num tempo máximo de t 5 minutos. • A banca pode requerer um tempo final para esclarecimentos, sempre que julgar importante para o processo pedagógico do conjunto dos BRANDÃO, Carlos Rodrigues (org). Pesquisa Participante. 8a ed. São Paulo: Brasiliense, 1999. FREIRE, Paulo. Ação culturalpara a liberdade e outros escritos. 8a ed. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1982. FL' RASTÉ, Pedro Augusta. Normas técnicas para o Trabalho Científico. E.\pliritação das normas da ABNT. 10a cd. revisada, Porto Alegre: s.n., 2001. SE\'ERINO, Antônio Joaquim. Metodologia do Trabalho Científico. 21a ed. rcv. e ampliada, São Paulo: Cortez, 2000. participantes da sessão. • O coordenador declara encerrada a sessão combinando com os presentes um intervalo de 10 a 15 minutos . • Ourante este intervalo a banca conclui seu processo de avaliação, devendo chegar a um parecer final único que deve ser regisuado na ficha correspondente. ~ ~ ~ 5 ~ ~ <( ..... ,__ <( ..... ,__ "'::.> ~ e 5 o o -~ e

Novo documento

Tags