UNIVERSIDADE DO ESTADO DE SANTA CATARINA – UDESC CENTRO DE CIÊNCIAS DA SAÚDE E DO ESPORTE – CEFID PROGRAMA DE PÓS GRADUAÇÃO EM CIÊNCIAS DO MOVIMENTO HUMANO AVALIAÇÃO DA MOTIVAÇÃO PARA A PRÁTICA ESPORTIVA EM

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  UNIVERSIDADE DO ESTADO DE SANTA CATARINA – UDESC CENTRO DE CIÊNCIAS DA SAÚDE E DO ESPORTE – CEFID

PROGRAMA DE PốS GRADUAđấO EM CIÊNCIAS DO MOVIMENTO

HUMANO

  AVALIAđấO DA MOTIVAđấO PARA A PRÁTICA ESPORTIVA EM ADOLESCENTES E JOVENS ADULTOS BRASILEIROS:

  VALIDAđấO DO QUESTIONÁRIO DE REGULAđấO DO COMPORTAMENTO NO ESPORTE (QRCE)

DIEGO ITIBERE CUNHA VASCONCELLOS

  FLORIANÓPOLIS – SC 2011

  DIEGO ITIBERE CUNHA VASCONCELLOS AVALIAđấO DA MOTIVAđấO PARA A PRÁTICA ESPORTIVA EM ADOLESCENTES E JOVENS ADULTOS BRASILEIROS:

  VALIDAđấO DO QUESTIONÁRIO DE REGULAđấO DO COMPORTAMENTO NO ESPORTE (QRCE) DISSERTAđấO DE MESTRADO

  Dissertação de mestrado apresentada como requisito final para obtenção do título Mestre, no programa de Mestrado em Ciências do Movimento Humano da Universidade do Estado de Santa Catarina – UDESC.

  Orientador: Dr. Alexandro Andrade FLORIANÓPOLIS – SC 2011

  

DIEGO ITIBERE CUNHA VASCONCELLOS

AVALIAđấO DA MOTIVAđấO PARA A PRÁTICA ESPORTIVA EM

ADOLESCENTES E JOVENS ADULTOS BRASILEIROS:

  VALIDAđấO DO QUESTIONÁRIO DE REGULAđấO DO COMPORTAMENTO NO ESPORTE (QRCE)

Dissertação aprovada como requisito para obtenção do título de Mestre em

Ciências do Movimento Humano pelo Centro de Ciências da Saúde e do

Esporte da Universidade do Estado de Santa Catarina, na área de

concentração de Estudos Biocomportamentais do Movimento Humano,

linha de pesquisa em Desempenho no Esporte.

  

Banca examinadora:

  Membro 1: ------------------------------------------------------------------- Prof. Dr. ALEXANDRO ANDRADE (Orientador) Universidade do Estado de Santa Catarina

  Membro 2: ------------------------------------------------------------------- Prof. Dr. RENATO MIRANDA Universidade Federal de Juiz de Fora

  Membro 3: ------------------------------------------------------------------- Prof. Dr. MAGNUS BENETTI Universidade do Estado de Santa Catarina

  Membro 4: ------------------------------------------------------------------- Prof. Dr. TALES DE CARVALHO Universidade do Estado de Santa Catarina

  

Florianópolis, 31 de março de 2011

  

AGRADECIMENTOS

  Primeiramente a Deus, pelo divino presente da vida e por se fazer sempre presente tanto nos bons momentos como nos momentos mais difíceis dessa jornada.

  Agradeço a toda minha família, amigos, professores, colegas de trabalho e a todos que de alguma forma contribuíram para a realização deste trabalho.

  Aos meus pais, Beto e Lúcia, meus exemplos de homem e mulher. Obrigado por todos os ensinamentos e por acreditarem sempre em seus filhos, não medindo esforços para a realização de nossos sonhos desde criança. Pai e Mãe, amo vocês!

  Ao meu filho Eduardo (Duduzão), que desde sua chegada me mostrou um mundo absolutamente incrível, e que com um simples sorriso me mostra todos os dias o verdadeiro sentido da vida, me fazendo o pai mais feliz desse mundo. À minha esposa Roberta (futura mestre), com quem divido e compartilho de responsabilidades e sentimentos mútuos de carinho, admiração e amor.

  Ao meu irmão Fábio, minha cunhada Cheila e minha sobrinha Virgínia Maria (Vivi), pela linda família e sempre fonte de inspiração e modelo enquanto irmão mais velho.

  A minha irmã Roberta e meu cunhado Mário, por mostrarem que a distância que separa duas pessoas pode sempre ficar mais curta, na medida em que sentimentos verdadeiros são cultivados.

  Agradeço ao meu orientador, Prof. Dr. Alexandro Andrade, pela amizade e companheirismo desses anos, pelo exemplo de inquietude diante das adversidades do dia a dia que se materializa com o comprometimento com que desempenha suas funções. A todos os colegas do Laboratório de Psicologia do Esporte e do Exercício, em pela amizade verdadeira.

  Agradeço a todos os membros de minha banca de defesa, pelas considerações acerca do trabalho.

  Agradeço a todos os docentes que fizeram parte de minha vida, seus exemplos sempre me inspiraram.

  Agradeço aos atletas que se dispuseram a participar deste estudo e todas as demais pessoas envolvidas com o esporte no Brasil.

  A todos vocês, muito obrigado!

  

RESUMO

  VASCONCELLOS, D. I. C. Avaliação da motivação para a prática esportiva em

  

adolescentes e jovens adultos brasileiros: Validação do Questionário de

Regulação do Comportamento no Esporte (QRCE). 2011. 146f. Dissertação

  (Mestrado em Ciências do Movimento Humano

  • – Área: Desempenho no Esporte) – Universidade do Estado de Santa Catarina. Programa de Pós-graduação em Educação Física, Florianópolis, 2011. O presente estudo objetivou validar o Behavioral Regulation in Sport Questionnaire (BRSQ) (LONSDALE, HODGE e ROSE, 2008) para avaliar a motivação para a prática de esportes em adolescentes e jovens adultos brasileiros. O instrumento foi traduzido e adaptado para a língua portuguesa por uma comissão de especialistas em Psicologia do Esporte. Participaram do estudo 167 atletas de nível estadual, nacional e internacional de ambos os sexos, de modalidades individuais (atletismo, tênis de campo, natação e ginástica rítmica) e coletivas (futebol de campo, futebol de salão, basquete, hóquei sobre grama, futebol americano, vôlei e handebol). A amostra foi selecionada de forma não-probabilística intencional, adotando-se o critério de voluntariado. Os resultados reportaram evidências de validade e fidedignidade do Questionário de Regulação do Comportamento no Esporte (QRCE) para a população de atletas adolescentes e jovens adultos brasileiros, tendo a análise fatorial exploratória tenha revelado uma estrutura de fatores diferenciada em relação à escala original. Por outro lado, as correlações entre as subescalas confirmam a presença do continuum de autodeterminação nas análises. As versões com 24 itens (forma reduzida) e 32 itens (forma ampliada) apresentaram índices de consistência interna elevados e semelhantes ao da versão original, com valores alfa geral de 0,82 e 0,84, respectivamente. Com efeito, a análise das regulações motivacionais dos atletas aponta que as diferenças na rotina de treinamento entre homens e mulheres apresentam influencia direta na motivação de atletas de alto rendimento e que a motivação dos homens é mais orientada por fatores internos quando comparadas às mulheres, resultando em maior autodeterminação para a prática esportiva. Estas análises confirmam a validade e fidedignidade do instrumento para aquilo que ele se propõe a medir, ou seja, ele pode ser considerado válido e confiável para avaliação da motivação em atletas adolescentes e jovens adultos brasileiros.

  Palavras-chave: Autodeterminação; Psicologia do esporte. Motivação.

  

ABSTRACT

  VASCONCELLOS, D. I. C. Evaluation of sports practice motivation in Brazilians

  

adolescents and young adults: Validation of the Behavioral Regulation in Sport

Questionnaire (BRSQ). 2011. 146f. Dissertação (Mestrado em Ciências do Movimento

  Humano

  • – Área: Desempenho no Esporte) – Universidade do Estado de Santa Catarina. Programa de Pós-graduação em Educação Física, Florianópolis, 2011. The purpose of this study is to validate the Behavioral Regulation in Sport Questionnaire (BRSQ) (LONSDALE, HODGE e ROSE, 2008) to measure the motivation to the sports participation in Brazilian adolescents and young adults. The original scale was translated and adapted by a committee of experts in Sport Psychology. 167 athletes, of both gender, from different individual (athletics
  • – except endurance athletes, tennis, swimming and gymnastics) and team sports (soccer, indoor soccer, basketball, volleyball, football and handball) participated in the study. The participants were selected by a non probabilistic way, adopting the volunteering criteria. Results showed evidence of validity and reliability of the brazilian version of the Behavioral Regulation in Sport Questionnaire (BRSQ), named Questionário de Regulação do Comportamento no Esporte (QRCE), for adolescents and young adults athletes in Brazil, although exploratory factor analysis (EFA) has revealed a different factor structure compared to the original scale. Moreover, the correlations between subscales confirm the existence of the self-determination continuum in this analysis. The reduced (24 items) and extended (32 items) versions showed high internal consistency and similar to the original version, with alpha values of 0.82 overall and 0.84, respectively. Indeed, the analysis of the behavioral regulations of the athletes indicated that the differences in the training routine for men and women have a direct influence on the motivation of high- performance athletes and that the motivation of men are more driven by internal factors when compared to women, confirming high self-determination for sports. These tests confirm the validity and reliability for what it purports to measure. The QRCE can be considered valid and reliable assessment of motivation in adolescent and young adult Brazilians athletes.

  Key-words: Self-determination; Sport Psychology. Motivation.

  

LISTA DE TABELAS

  Tabela 1

  • – Frequencia absoluta (n) e relativa (%) de variáveis sociodemográficas e relativas à atividade esportiva dos participantes em função do sexo..............................66 x

  Tabela 2 (±)] dos atletas do

  • – Idade e variáveis de caracterização esportiva [ estudo..............................................................................................................................67 Tabela 3
  • – Índices de clareza das questões do Questionário de Regulação do Comportamento no Esporte (QRCE) ..............................................................................68 Tabel>– Coeficiente de confiabilidade – consistência interna – dos construtos do Questionário de Regulação do Comportamento no Esporte (QRCE) ............................69 Tabela 5
  • – Extração de fatores do Questionário de Regulação do Comportamento no Esporte (QRCE) mediante Análise dos Componentes Principais (ACP)...............................................................................................................................71 Tabe>– Análise fatorial da versão reduzida (24 itens) do Questionário de Regulação do Comportamento no Esporte (QRCE)..........................................................................72 Tabela 7
  • – Análise fatorial da versão ampliada (32 itens )do Questionário de Regulação do Comportamento no Esporte (QRCE)..........................................................................76 Tabe
  • – Coeficiente de correlação de Spearman (ρ) dos fatores do Questionário de Regulação do Comportamento no Esporte (QRCE)............................................................................................................................78 x

  Tabela 9 (±)] dos atletas do estudo

  • – Regulações motivacionais [ .........................................................................................................................................83 Tabela 10
  • – Correlação entre regulações motivacionais para a prática de esportes e variáveis de caracterização esportiva e idade dos participantes do estudo..............................................................................................................................85

LISTA DE QUADROS

  Quadro 1

  • – Testes de hipóteses utilizados no estudo ................................................... 64 Quadro 2
  • – Itens e respectivos construtos associados no BRSQ-6 e no QRCE-5 ....... 80 Quadro 3
  • – Itens e respectivos construtos associados no BRSQ-8 e no QRCE-6 ....... 81

LISTA DE FIGURAS

  Figura 1

  • – Continuum de Autodeterminação com os tipos de motivações, estilos de regulações, lócus de causa e os processos correspondentes....................................... 39

  

SUMÁRIO

  1 INTRODUđấO ........................................................................................................... 13

  1.1 PROBLEMA ............................................................................................................. 13

  1.2 OBJETIVOS ............................................................................................................. 18

  1.2.1 Objetivo Geral ....................................................................................................... 18

  1.2.2 Objetivos Específicos ............................................................................................ 18

  1.3 JUSTIFICATIVA ....................................................................................................... 19

  1.4 DELIMITAđấO DO ESTUDO ................................................................................... 22

  1.5 DEFINIđấO DE TERMOS ....................................................................................... 22

  2 REVISÃO DA LITERATURA ...................................................................................... 25

  2.1 AVALIAđấO PSICOLốGICA NO ESPORTE ........................................................... 25

  2.2 VALIDAđấO DE INSTRUMENTOS PSICOMÉTRICOS ........................................... 27

  2.2.1 Análise Fatorial e o relacionamento entre variáveis .............................................. 30

  2.2.2 Confiabilidade enquanto critério de fidedignidade de instrumentos ....................... 32

  2.3 MOTIVAđấO E PRÁTICA FễSICO-ESPORTIVA ...................................................... 34

  2.4 TEORIA DA AUTODETERMINAđấO (TAD)

  • – A complexidade da motivação ......... 38

  2.5 PRESSUPOSTOS DA TEORIA DA AUTODETERMINAđấO E PRÁTICA DE EXERCÍCIOS FÍSICOS E ESPORTES ..................................................................... 44

  2.6 ESTUDOS ATUAIS UTILIZANDO O BEHAVIORAL REGULATION IN SPORT

QUESTIONNAIRE (BRSQ) ..................................................................................... 52

  3 MÉTODO.......... ........................................................................................................... 57

  3.1 CARACTERIZAđấO DA PESQUISA ....................................................................... 57

  3.2 POPULAđấO E AMOSTRA ..................................................................................... 57

  3.3 INSTRUMENTO SUBMETIDO ầ VALIDAđấO ........................................................ 58

  3.4 COLETA DE DADOS ............................................................................................... 61

  3.5 TRATAMENTO ESTATÍSTICO ................................................................................ 63

  4 APRESENTAđấO E DISCUSSấO DOS RESULTADOS ........................................... 65

  4.1 Caracterização geral e esportiva dos participantes do estudo .................................. 65

  4.2 Validade de Clareza ................................................................................................. 68

  4.3 Confiabilidade do Instrumento .................................................................................. 69

  4.4 Validade de Construto .............................................................................................. 70

  4.5 Perfil Motivacional

  • – Regulações para a prática esportiva de adolescentes e

    jovens adultos brasileiros ........................................................................................ 82

  CONCLUSÕES E SUGESTÕES ................................................................................... 90 REFERÊNCIAS ............................................................................................................. 92 APÊNDICE A – ESTUDO PILOTO ................................................................................ 102 APÊNDICE B Ố INSTRUMENTO DE CARACTERIZAđấO SOCIODEMOGRAFICA .... 112 APÊNDICE C Ố INSTRUMENTO PARA AVALIAđấO DA MOTIVAđấO ...................... 115 APÊNDICE D – TERMOS DE CONSENTIMENTO ........................................................ 118 APÊNDICE E – ARTIGO COM DADOS EMPÍRICOS UTILIZANDO O QUESTIONARIO DE REGULAđấO DO COMPORTAMENTO NO ESPORTE

(QRCE) ................................................................................................................... 121

ANEXO A

  • – VERSÃO ORIGINAL DO BEHAVIORAL REGULATION IN SPORT

  

QUESTIONNAIRE (BRSQ) ..................................................................................... 139

ANEXO B

  • – VERSÃO BRASILEIRA DO BEHAVIORAL REGULATION IN SPORT

  

QUESTIONNAIRE (BRSQ) ..................................................................................... 142

ANEXO C Ố CARTA DE APROVAđấO DO COMITÊ DE ÉTICA .................................. 145

1 INTRODUđấO

1.1 Problema

  A Psicologia do Esporte está relacionada com as bases e os processos psicológicos presentes no esporte. Com isto, enquanto área de conhecimento tem por objetivo principal entender a influência de determinadas variáveis psicológicas no desempenho atlético, bem como, por outro lado, a relação entre a participação em atividades esportivas e o desenvolvimento das capacidades psicológicas dos praticantes (HANIN e STAMBULOVA, 2004).

  A influência do contexto sócio-cultural influencia a escolha de variáveis ou temas de estudo por especialistas da área. Baseados nessa idéia, diversos trabalhos tem surgido com o intuito de apontar a evolução dos estudos em Psicologia do Esporte (GILL, 1992; VEALEY, 1994; GUILLÉN E SANTANA, 1999; QUIÑONES ET AL., 2001; DOSIL E GONZÁLEZ OYA, 2003; GARCÉS DE LOS FAYOS, VIVES E DOSIL, 2004; CASTILLO, ÁLVAREZ E BALAGUER, 2005).

  Apoiado por essa idéia, o estudo de Gomes et. al., (2007) investigou a prevalência dos temas estudados na Psicologia do Esporte em língua inglesa, espanhola e portuguesa, e verificou o destaque da motivação enquanto variável mais pesquisada. A motivação tem em sua essência o estudo das regulações, que podem ser biológicas, cognitivas e sociais (RYAN e DECI, 2000), impedindo ou facilitando a prática de comportamentos. Os estudos publicados sobre motivação no contexto do exercício físico e esportivo têm direcionado o foco em compreender os diversos fatores, sobretudo, sociais e intra-individuais e suas influencias sobre os motivos que levam uma pessoa a praticar algum tipo de exercício físico ou esporte (BLANCHARD et al.,

  As formas tradicionais de análise da motivação consideram apenas os fatores que motivam uma pessoa internamente (motivação intrínseca) e os fatores externos que influenciam na realização dos comportamentos (motivação extrínseca) (BRICKELL e CHATZISARANTIS, 2007). Essa abordagem dicotômica (intrínseca/extrínseca) acaba por não oferecer o aprofundamento necessário no estudo da motivação, uma vez que se trata de uma variável que não deve ser reduzida unicamente a pólos extremos (VIANA, 2009; MATIAS, 2010; VIANA, ANDRADE E MATIAS, 2010).

  Na atualidade, especialmente na última década, vêm se destacando a Teoria da

  

Autodeterminação (DECI e RYAN, 1985) como uma possibilidade mais detalhada para

  o estudo dos aspectos motivacionais que envolvem o exercício físico e o esporte. A Teoria da Autodeterminação (TAD) foi proposta com o objetivo de compreender os componentes da motivação intrínseca e extrínseca e os fatores relacionados com a sua promoção (GUIMARÃES e BORUCHOVITCH, 2004; VIERLING, STANDAGE e TREASURE, 2007), considerando que as regulações, internas e externas, podem manifestar-se de diferentes maneiras (DECI e RYAN, 2000). Tais variações são representadas por um modelo teórico em que a motivação é estabelecida dentro de um continuum, o continuum da autodeterminação. Desde a mais autodeterminada, portanto mais autônoma, passando pela forma mais controlada, até a total falta de controle, este

  

continuum inclui a motivação intrínseca, a motivação extrínseca e a amotivação

(VIANA, 2009).

  Entende-se que essa abordagem mais detalhada pode auxiliar para uma melhor compreensão dos motivos que levam os indivíduos a aderirem e se engajarem ou não a Embora recente no Brasil, a TAD tem ganhado grande espaço em pesquisas internacionais. Resultados prévios têm demonstrado consistência, validando a aplicação da teoria para o campo dos exercícios físicos e esportes. As pesquisas têm verificado que pessoas mais autodeterminadas para a prática físico-esportiva apresentam maior adesão a essas atividades, confirmando os pressupostos da TAD (BRICKELL e CHATZISARANTIS, 2007; EDMUNDS, NTOUMANIS e DUDA, 2006; NTOUMANIS, 2005; WILSON e RODGERS, 2004; STANDAGE, DUDA e NTOUMANIS, 2003).

  De acordo com Vissoci et al (2008), no Brasil, a teoria da autodeterminação tem sido utilizada como base para estudos no contexto escolar, evidenciando a orientação motivacional intrínseca como um elemento positivo para a aprendizagem e desempenho dos alunos (GUIMARÃES; BORUCHOVITCH, 2004) e enfatizando empiricamente a fidedignidade e validade para o contexto brasileiro (GUIMARÃES; BZUNECK; BORUCHOVITCH, 2003; BZUNECK; GUIMARÃES; 2007). Da mesma forma, estudos validaram o continuum de autodeterminação para o contexto da Educação Física (FERNANDES; VASCONCELOS-RAPOSO, 2005) e o questionário que avalia a motivação na perspectiva da autodeterminação no contexto esportivo, a

  

Sport Motivation Scale (SMS; Pelletier et al., 1995), há poucos anos validada para a

língua portuguesa (SERPA; ALVES; BARREIROS, 2004).

  Composta por 28 questões, que formam um conjunto de 7 categorias, também chamadas de formas de regulação do comportamento (como propõe a TAD), a escala Zelândia (JACKSON, KIMIECIK, FORD e MARSH, 1998), Grécia (DOGANIS, 2000; GEORGIADIS, BIDDLE e CHATZISARANTIS, 2001; ALEXANDRIS, TSORBATZOUDIS e GROUIOS, 2002), China (LIN e CHIN, 2003), Bulgária (CHANTAL, GUAY, DOBREVA-MARTINOVA e VALLERAND, 1996), Portugal (SERPA, ALVEZ e BARREIROS, 2004) e Espanha (NUÑEZ, MARTIN-ALBO, NAVARRO e GONZÁLEZ, 2006). No Brasil ainda não se tem estudos de validação da escala, entretanto, a pesquisa de Vissoci et al., (2008) utilizou uma adaptação da versão portuguesa.

  Reconhecida como um dos principais instrumentos que analisa a motivação, baseada na TAD, em atletas (CHANTAL; ROBIN; VERNANT et al., 2005; BRIÈRE;

  VALLERAND; BLAIS et al., 1995; CHANTAL; GUAY; MARTINOVA, 1996; DONAHUE; MIQUELON; VALOIS et al., 2006), a SMS passou a receber severas críticas por não considerar em sua estrutura a forma mais autônoma de motivação extrínseca, a Regulação Integrada.

  Ao revisarem os estudos de validação da SMS nos diferentes países e contextos, MALLET et al., (2007) apontaram que, embora praticamente todos reportem bons resultados quanto aos índices de consistência interna, variando de .72 a .80, a estrutura fatorial da escala muitas vezes não apresentou os resultados esperados (MARTENS e WEBBER, 2002; REIMER, FINK e FITZGERALD, 2002), sobretudo pelo fato de a SMS não contemplar em sua análise a regulação integrada (forma mais autônoma regulação externa do comportamento). Dessa forma, os autores justificam a elaboração feita por eles de uma versão revisada da SMS, chamada de SMS-6 (MALLETT, KAWABATA, NEWCOMBE, OTERO-FORERO e JACKSON, 2007), mantendo a estrutura original da a estrutura da escala, com a inclusão da regulação integrada, Mallett et al., (2007) obtiveram índices de consistência interna (

  α= .83) e estabilidade, através de teste re- teste, mais elevados (r= .79) num período de cinco semanas. Apoiados nessa idéia, Lonsdale, Hogde e Rose (2008) propuseram um novo instrumento visando o preenchimento das lacunas deixadas pela SMS e SMS-6, o qual chamaram de The

  

Behavioral Regulation in Sport Questionnaire (BRSQ). Após a aplicação inicial do

  BRSQ em atletas universitários da Nova Zelândia, os autores sugerem a utilização e aplicação do instrumento em diversos países, de forma mais aprofundada, possibilitando uma abordagem mais atualizada da motivação no campo da Psicologia do Esporte.

  Considerando a problemática apresentada, tem se a seguinte questão a investigar: Qual a validade do Questionário de Regulação do Comportamento no Esporte (QRCE), versão brasileira do BRSQ, para avaliar a motivação para a prática de esportes em adolescentes e jovens adultos?

1.2 Objetivos

  1.2.1 Objetivo Geral

  Validar o Questionário de Regulação do Comportamento no Esporte (QRCE), para avaliar a motivação para a prática de esportes em adolescentes e jovens adultos brasileiros atletas.

  1.2.2 Objetivos Específicos

   Traduzir para a língua portuguesa do Brasil o Behavioral Regulation in Sport

  Questionnaire (BRSQ) / Questionário de Regulação do Comportamento no Esporte (QRCE).

   Verificar a validade de clareza e de construto (através de análise fatorial) do Questionário de Regulação do Comportamento no Esporte (QRCE) traduzido.

   Verificar a confiabilidade do Questionário de Regulação do Comportamento no Esporte (QRCE) considerando seus índices de consistência interna.

   Descrever e analisar a motivação de adolescentes e jovens adultos brasileiros para a prática de esportes.

1.3 Justificativa

  Algumas pesquisas embasadas na Teoria da Autodeterminação (TAD) ligadas à área educacional vêm sendo produzidas no Brasil, sobretudo na área pedagógica (MATIAS, 2010; VIANA, 2009; VIANA, ANDRADE e MATIAS, 2010; NEVES e BORUCHOVITCH, 2004; GUIMARÃES e BORUCHOVETCH, 2004; SOBRAL, 2003; GUIMARÃES e BZUNECK, 2002), inclusive com validação de instrumentos para utilização com população brasileira de estudantes (GUIMARÃES, BZUNECK e BORUCHOVETCH, 2003). Por outro lado, apesar dessa evolução, até 2008 não se encontrava na literatura nacional estudos brasileiros sobre a TAD e a prática de exercícios físicos e esportes, podendo ser atribuído o pioneirismo nesses contextos à Viana (2009) e Vissoci (2008), respectivamente, o que reflete a relevância de se investigar este tema no campo da Ciência do Esporte. Até então, os únicos estudos relevantes publicados no Brasil sobre a temática foram escritos por autores portugueses e espanhóis (MURCIA et al., 2007; MURCIA e COLL, 2006; FERNANDES e

  VASCONCELOS-RAPOSO, 2005).

  Segundo os autores da TAD, os fundamentos da teoria são generalizáveis para diferentes culturas (DECI e RYAN, 2000), por serem características inerentes ao ser humano. Os estudos têm demonstrado a validade da teoria, porém essas pesquisas têm sido realizadas em países desenvolvidos, especialmente Comunidade Européia e Estados Unidos da América, o que pode de certa forma dificultar tal generalização. Essa perspectiva é embasada em autores das ciências sociais e humanas (TRIVIÑOS apud VIANA, 2009), que criticam a importação de teorias desenvolvidas em países ricos e aplicadas em países de terceiro mundo sem nenhum tipo de questionamento. No caso do estudo da motivação, variável diretamente ligada às necessidades do ser humano, essa preocupação evidencia-se, pois as necessidades das pessoas dessas diferentes realidades são distintas. Assim, apesar de existir certa consistência sobre a para melhor compreender a TAD percebemos a necessidade da busca de respostas para tais questionamentos.

  Sendo generalizáveis os fundamentos da TAD, um passo inicial para pesquisas em outros países é a validação de instrumentos para que possam ser aplicados efetivamente à outras populações. As alterações na Sport Motivation Scale propostas por Mallet et al (2007), para modificar o número de fatores que a escala se propunha a avaliar, acrescentando a regulação integrada e agrupando os itens da motivação intrínseca em uma medida geral deste fator, resultaram na SMS-6 (MALLET, KAWABATTA, NEWCOMBE, OTERO-FORERO & JACKSON, 2007). Apesar dos esforços dos pesquisadores, limitações estatísticas foram encontradas com relação às propriedades psicométricas da escala, sobretudo quanto à consistência interna dos itens e a validade fatorial. Buscando solucionar estes problemas, Lonsdale, Hodge e Rose (2008) desenvolveram o Behavioral Regulation in Sport Questionnaire (BRSQ), que em seu estudo de validação inicial apresentou evidencias que indicam que seus valores de consistência interna e validade fatorial foram iguais ou superiores aos valores encontrados com a SMS e a SMS-6. Assim como as versões da SMS, o BRSQ deve ser aplicado particularmente no contexto esportivo, com atletas competitivos.

  Por se tratar de uma referência recente e a teoria da autodeterminação pouco abordada em pesquisas sobre motivação e regulação do comportamento no esporte no Brasil, os dados deste trabalho de validação do Questionário de Regulação do Comportamento no Esporte (BRSQ) vão somar conhecimentos e evidencias em torno efeito, contribuindo tanto para a formulação quanto para a confirmação dos pressupostos pela TAD no contexto social e cultural brasileiro, sobretudo com relação às múltiplas formas de análise do fenômeno da motivação no contexto esportivo, tendo como ponto de partida para futuras investigações exatamente a validação e/ou a criação de instrumentos que possam ser aplicados e utilizados com a confiabilidade esperada.

  O conhecimento sobre as formas de regulação da motivação serve como suporte para que os profissionais envolvidos nesse processo, treinadores, professores, gestores esportivos e outros, adotem as estratégias mais adequadas, buscando atender e satisfazer às necessidades de cada indivíduo, com objetivo de aumentar a adesão e contribuir para a permanência dos atletas em seus respectivos esportes. Partindo sempre da premissa de que as pessoas são diferentes umas das outras e assim fazem escolhas diferentes, motivadas, muito provavelmente, por fatores diferentes sobretudo quanto à escolha de uma modalidade esportiva para praticar.

  Este estudo se justifica pelo pioneirismo na tentativa de oferecer um instrumento aplicável à realidade brasileira, que avalie a motivação de atletas para a prática esportiva à luz da Teoria da Autodeterminação. Com efeito, beneficiando pesquisadores que desejem investigar a motivação através de uma forma mais detalhada, fugindo da tradicional dicotomia intrínseca/extrínseca.

  Este estudo delimita-se a: a) realizar a validação do Behavioral Regulation in

  

Sport Questionnaire (BRSQ) para avaliação da motivação e níveis de regulação do

  comportamento de atletas adolescentes e jovens adultos brasileiros, através de tradução da escala para a língua portuguesa do Brasil; b) verificar a validade de construto do instrumento traduzido; c) determinar a fidedignidade da escala através dos índices de consistência interna; e d) analisar as regulações motivacionais de adolescentes e jovens adultos brasileiros para a prática de esportes.

1.5 Definição de Termos

  Motivação intrínseca: Motivação intrínseca é um processo caracterizado por escolha, satisfação, prazer, e persistência motivacional por longo tempo (BRICKELL e CHATZISARANTIS, 2007). Por definição, atividades intrinsecamente motivadas são autônomas por que esses tipos de comportamentos partem de iniciativas próprias do indivíduo (RYAN e DECI, 2000).

  Motivação Extrínseca: A motivação extrínseca refere-se aos comportamentos que são realizados com o intuito de atingir resultados que não estão relacionados com a atividade em si (EDMUNDS, NTOUMANIS e DUDA, 2006).

  Regulações motivacionais: São os fatores que influenciam na realização de um continuum a regulação externa, regulação introjetada, regulação identificada e regulação integrada (DECI e RYAN, 1985).

  Confiabilidade

  • – Confiabilidade de um instrumento de medição se refere ao grau em que sua repetida aplicação, a uma mesma população, produz resultados iguais (COZBY, 2003). De maneira ampla, uma medida fidedigna é consistente e precisa porque fornece uma medida estável da variável. Em outras palavras, confiabilidade refere-se à consistência ou estabilidade de uma medida (MARTINS, 2006).

  Validade

  • – Grau no qual um teste ou instrumento realmente mede a variável que pretende medir (HASTAD E LACY, 1994). A validade é um critério de significância de um instrumento de medidas com diferentes tipos de evidencias: validade aparente, validade de conteúdo, validade de critério, e validade de construto (MORON, 1998).

  Validade aparente

  • – Técnica mais simples, porém menos satisfatória, para avaliar a validade de um instrumento. Avalia apenas considerando a definição teórica de uma variável, se a medida parece, de fato, medir a variável em estudo. Realizada de forma estritamente subjetiva por um juiz, ou grupo de juízes, que examinam e decidem se ela mede o que sugere medir. Todo instrumento deve passar pela avaliação da validade aparente (MARTINS, 2006).
Validade de conteúdo

  • – Se refere ao grau em que um instrumento evidencia um domínio especifico de conteúdo do que pretende medir (SAMPIERI, 1996). É o grau em que a medição representa o conceito que se propõe a medir.

  Validade de critério

  • – Segundo Kaplan (1975), a validade de critério estabelece a critério é um padrão com o qual se julga a validade do instrumento. Quanto mais os resultados do instrumento de medida se relacionam com o padrão (critério) maior a validade de critério (MARTINS, 2006).

  Validade de construto

  • – Um construto, ou uma construção, é uma variável, ou conjunto de variáveis. A validade de construto se refere ao grau em que um instrumento de medidas ou teste se relaciona consistentemente com outras medições assemelhadas derivadas de uma mesma teoria e conceitos que estão sendo medidos (THOMAS E NELSON, 2002). Segundo Sampieri (1996), dificilmente a validade de construto será definida em um único estudo. Ela é estabelecida por vários estudos que investigam a teoria do construto particular que está sendo medido.

  Validade total

  • – A validade total é a soma das validades de conteúdo, critério e construto. Assim, a validade de um instrumento de medição se verifica com base nessas três evidências. Quanto mais evidências de validade de conteúdo, validade de critério e validade de construto de um instrumento de medidas, maiores são as evidências que, de fato, está medindo o que se pretende medir (MARTINS, 2006).

2 REVISÃO DA LITERATURA

  A revisão de literatura apresentada serve de embasamento para as diferentes etapas do presente estudo. Inicialmente são apresentados aspectos teóricos acerca da avaliação psicológica no esporte e dos processos de validação de instrumentos psicométricos, sobretudo quanto à validade e confiabilidade de escalas. Na sequencia é revisada a literatura sobre a prática de atividade física e esportes na adolescência, a motivação e prática físico-esportiva, Teoria da Autodeterminação e a aplicação desta teoria no campo da Psicologia do Esporte e do Exercício. A revisão é encerrada com a apresentação do instrumento objeto de estudo destacando estudos relacionados a sua aplicação.

2.1 Avaliação Psicológica no Esporte

  A Psicometria se constitui em uma abordagem científica para mensurar características ou atributos pessoais, valendo-se do uso de escalas, questionários ou testes padronizados sob condições controladas, de natureza psicológica (DANCEY e REIDY, 2006). Um teste ou uma escala psicológica configura-se numa situação experimental, servindo de estímulo a um dado comportamento ou constructo da individualidade pessoal que se quer mensurar.

  Em avaliações de ordem psicológica, é imprescindível definir com clareza e objetividade o que se pretende medir, mensurar ou avaliar (ROHLFS, 2006). Esse tipo de avaliação geralmente é feita através de entrevistas e questionários, ferramentas consideradas mais apropriadas no contexto da psicologia que possibilitam a obtenção desse tipo de dados (CAMPOS, 2001).

  A utilização dessas ferramentas possibilita, a partir de um estado mais global, o caso da Psicologia do Esporte, utiliza-se dessas formas de avaliações para a determinação de perfis ou padrões de comportamento que auxiliem não somente treinadores esportivos como demais pessoas envolvidas no contexto esportivo (SCHUTZ, 1994).

  No esporte, como prognóstico, a avaliação psicológica por meio de técnicas e instrumentos, elucida fatores psicológicos essenciais ao bom desempenho esportivo do atleta como, por exemplo, autoconfiança, concentração, motivação, pressão, estresse, ansiedade, entre outras (ROHLFS, 2006).

  A influencia sócio-cultural de países estrangeiros é facilmente observada ao se analisar a Psicologia do Esporte no Brasil, sobretudo na criação e validação de instrumentos psicométricos. Diante da especificidade de variáveis psicológicas diretamente influenciadas pela cultura, diversos instrumentos precisam ser adaptados à realidade em que serão aplicados, respeitando, sobretudo, as particulares condições do cenário esportivo nacional (ROHLFS et al., 2004).

  Aliado ao conhecimento técnico da utilização e aplicação de testes específicos para avaliações em Psicologia do Esporte, Antonelli e Salvini (1978) ressaltam a importância do conhecimento teórico que dá suporte a tais instrumentos e ferramentas de avaliação, destacando que sem tal conhecimento teórico-prático, mesmo a mais sofisticada técnica diagnóstica pode ficar reduzida a um instrumento estéril.

  Apesar do esforço que pesquisadores da área da atividade física fazem para elaborar técnicas e instrumentos de avaliação psicológica no esporte de forma válida e de critérios teóricos para auxiliar na construção e aplicação dessas medidas, a análise da influência cultural na avaliação e na tradução das mesmas em populações multiculturais e o tratamento estatístico utilizado que, por vezes não considera cada elemento da medida de uma amostra com grande número de variáveis, bem como da inter-relação delas (RIBEIRO, 1999).

2.2 Validação de Instrumentos Psicométricos

  A validade é considerada a característica mais importante na avaliação de uma escala, e é realizada por meio do acúmulo de evidências que suportam as inferências feitas de acordo com resultados obtidos pelas mesmas. Um importante passo para estabelecer a validade de uma escala é mostrar que ela realmente mede o constructo que tenciona medir (TERRY, LANE e FOGARTY, 2003). Os instrumentos de medida devem ser apresentados juntamente com resultados de validade e confiabilidade, pois seu uso envolve situações nas quais se avaliam aspectos que podem interferir na vida do avaliado. Desta forma, a utilização de uma escala que não forneça parâmetros psicométricos confiáveis poderá prejudicar o diagnóstico de pessoas em diferentes contextos (PASQUALI, 2001).

  A ausência de estudos que evidenciem a validade de um instrumento impede seu reconhecimento científico. Assim, a validade de um instrumento pode ser verificada Pasquali (1999) considera a validade de construto como primordial, já que confirma ou rejeita os pressupostos teóricos eleitos para a construção de um instrumento e aponta que a teoria deve fundamentar qualquer empreendimento científico e, com isso, deve ser clara a explicitação da teoria sobre a qual o teste foi construído. Anastasi e Urbina apud Noronha et al. (2003), acrescentam que a validade relacionada ao construto envolve também a de conteúdo e critério, pois estes últimos são necessários para validar o construto, não correspondendo a categorias distintas.

  A análise da validade de conteúdo visa verificar, de forma estritamente subjetiva, a qualidade do conteúdo de um instrumento de medida. Para a validação do conteúdo não existem métodos estatísticos apurados, normalmente recorre-se à análise de juízes experientes na área, para avaliarem adequadamente as propriedades do instrumento.

  Menezes (1998) destaca a necessidade de se fazer um ―mapa‖ dos diversos aspectos do objeto e compará-lo com os itens do instrumento.

  No que se refere à validade de critério, os resultados obtidos são expressos em graus de concordância

  • – identidade entre o teste e a outra forma – denominada de relação entre eles. Ela avalia o grau com que o instrumento discrimina pessoas que se diferem em determinada(s) característica(s) de acordo com um critério padrão (MENEZES, 1998) e é concebida como o grau de eficácia para predizer um
determinado desempenho do sujeito, que deve ser medido por meio de técnicas independentes do próprio teste (NORONHA et al., 2003). Testes de validade de critério ajudam a esclarecer o significado do construto medido avaliando relações com outras medidas contra prognósticos teóricos (ROHLFS et al., 2004; TERRY, LANE e

  Outro aspecto atribuído ao conceito de validade é a fidedignidade de um instrumento de medida, que se refere a quanto o resultado obtido pelo indivíduo se aproxima do resultado verdadeiro do sujeito num traço qualquer (PASQUALI, 2001). Ela tem sido analisada à luz da quantidade de erros presente nos resultados do teste, de forma que, quanto menor a quantidade de erros, mais a medida pode ser considerada confiável (ADÁNEZ, 1999). A informação sobre o erro de medida é indispensável para a avaliação e para o uso do instrumento. (NORONHA et al., 2003).

  É necessário e primordial obter os coeficientes de confiabilidade de um referido instrumento para se atestar o grau de confiabilidade da medida. A precisão indica a constância dos resultados dos sujeitos em situações distintas.

  O problema que se enquadra sob o conceito de fidedignidade vem relatado sob uma série de outras expressões, como: precisão, fidedignidade, constância, consistência interna, confiabilidade, estabilidade, confiança, homogeneidade (PASQUALI, 2001).

  Segundo Anastasi e Urbina (2000), a fidedignidade, em seu sentido mais amplo, indica se as diferenças encontradas entre indivíduos são realmente diferenças individuais ou se são atribuídas ao acaso. As autoras recomendam ainda que todos os instrumentos devam vir acompanhados de uma declaração de confiabilidade a fim de que se estime o grau de precisão da medida em questão, permitindo comparações através de valores de refêrencia.

  É importante ressaltar que a percepção subjetiva do pesquisado é fundamental para a compreensão das interpretações dos resultados, pois a realidade investigada é a determinações, que influenciam diretamente seu estilo de vida, saúde e seu desempenho desportivo e na vida em geral (ANDRADE, 2001). Não é possível avaliar o julgamento subjetivo com métodos estatísticos, mas somente com a avaliação do investigador em julgar se o instrumento afere o que deveria aferir (MENEZES, 1998).

  Nesse sentido, para avaliações psicológicas, faz-se necessária a utilização de métodos e medidas quantitativas e qualitativas como ferramentas no reconhecimento de processos psicológicos (emoções, cognições, alterações psicofisiológicas) que intervêm no desempenho do indivíduo.

2.2.1 Análise Fatorial e o relacionamento entre variáveis

  A análise fatorial é uma das técnicas mais usuais do que se convencionou chamar de análise multivariada. Quando empregamos este tipo de análise estamos freqüentemente interessados no comportamento de uma variável ou grupos de variáveis em covariação com outras (GREEN, 1976 apud ROHLFS, 2006).

  Esta técnica tem por objetivo descrever a covariância entre as variáveis em termos de um numero menor de variáveis, chamadas fatores. Em outras palavras serve para verificar os inter-relacionamentos entre variáveis a fim de encontrar padrões de relações que definam grupos ou categorias, os fatores (Dancey e Reidy, 2006).

  A análise fatorial não se refere a uma única técnica estatística, mas a uma variedade de técnicas relacionadas para tornar os dados observados mais facilmente e variáveis de tal modo que estas possam ser descritas convenientemente por um grupo de categorias básicas, em número menor que as variáveis originais, chamado fatores.

  Assim, o objetivo da análise fatorial é definir o relacionamento entre as variáveis de modo simples e usando um número de fatores menor que o número original de variáveis.

  Mais precisamente, um fator é um construto, uma entidade hipotética, uma variável não observada que se supõe estar subjacente a testes, escalas, itens e, de fato, medidas de qualquer espécie. Como construtos, os fatores apenas possuem realidade no fato de explicarem a variância de variáveis observadas, tal como se revelam pelas correlações entre as variáveis sendo analisadas, ou seja, a única realidade científica que os fatores possuem vem das correlações entre testes ou variáveis sendo pesquisadas. Se os resultados de indivíduos em itens ou testes caminham juntos, então, na medida em que existam correlações substanciais entre eles, está definido um fator.

  As cargas fatoriais obtidas são, com efeito, reduções de dados muito mais complexos a tamanho manuseável para que o pesquisador possa interpretar melhor os resultados (KERLINGER, 1980).

  Uma matriz de cargas fatoriais é um dos produtos finais da análise fatorial. Uma carga fatorial é um coeficiente - um número decimal, positivo ou negativo, geralmente menor do que 1 que expressa o quanto um teste ou variável observada está carregado ou saturado em um fator. Por outras palavras, quanto maior for a carga em cima de um

  Existem diversos métodos de extração ou redução de fatores, sendo a análise dos componentes principais (ACP) uma das mais conhecidas e utilizadas. De acordo com Dancey e Reidy (2006), a principal diferença da ACP para a as demais técnicas está no modo de tratamento da variância, já que neste caso, toda a variância dos dados é analisada, tanto a compartilhada quanto a exclusiva. Na fatoração pelos eixos principais

  • – outra forma de análise de fatores, por exemplo, somente a variância compartilhada é analisada, a variância exclusiva é excluída, e admite-se alguma variância de erro.

  Em síntese, a análise fatorial é essencialmente um método para determinar o número de fatores existentes em um conjunto de dados, para determinar quais testes ou variáveis pertencem a quais fatores, e em que extensão os testes ou variáveis pertencem a ou estão saturados com o fator.

2.2.2 Confiabilidade enquanto critério de fidedignidade de instrumentos

  O parâmetro da fidedignidade dos testes é referenciado sob uma diversificada gama de nomes. Alguns destes nomes resultam do próprio conceito deste parâmetro, isto é, eles procuram expressar o que ele de fato representa para o teste. Estes nomes são, principalmente, precisão, fidedignidade e confiabilidade. Outros nomes deste parâmetroresultam mais diretamente do tipo de técnica utilizada na coleta empírica da informação ou da técnica estatística utilizada para a análise dos dados obtidos. Entre consistência interna.

  A fidedignidade de um teste diz respeito à característica que ele deve possuir, de medir sem erros, resultando os nomes confiabilidade ou fidedignidade. Medir sem erros significa que o mesmo teste, medindo os mesmos sujeitos em ocasiões diferentes, ou testes equivalentes, medindo os mesmos sujeitos na mesma ocasião, produzem resultados muito semelhantes, isto é, a correlação entre estas duas medidas deve ser de 1, ou o mais próximo possível disso. Entretanto, como o erro está sempre presente em qualquer medida, esta correlação se afasta tanto do 1 quanto maior for o erro cometido na medida. A análise da fidedignidade de um instrumento de avaliação psicológica quer mostrar precisamente o quanto ele se afasta do ideal da correlação 1, determinando um coeficiente que, quanto mais próximo de 1, menos erro o teste comete ao ser utilizado (PASQUALI, 2003).

  Há uma série de técnicas de estimativa de coeficientes de fidedignidade que resultam da análise estatística dos dados de uma única aplicação de um teste a uma amostra representativa de sujeitos. Elas visam verificar a confiabilidade do teste por meio da análise da consistência interna dos itens, isto é, verificando a congruência que cada item do teste tem com o restante dos itens do mesmo teste. O caso mais geral deste tipo de análise é o coeficiente alfa de Cronbach.

2.3 Motivação e Prática Físico-Esportiva

  Desde os anos 80 a motivação tem sido um dos tópicos mais pesquisados na Psicologia do Esporte, procurando identificar os fatores que levam crianças e práticas esportivas (KNIJNIK, GREGUOL e SANTOS, 2001).

  A motivação apresenta em sua essência regulações complexas, que podem ser biológicas, cognitivas e sociais (RYAN e DECI, 2000). A motivação consiste de energia e direção, aspectos ligados a ativação e persistência. Embora seja muitas vezes tratada como um construto singular, uma superficial reflexão sugere que as pessoas são motivadas a se comportarem por diferentes fatores.

  As diferentes concepções teóricas fazem com que seja difícil conceituar motivação de maneira pontual, pois existem diversas formas de abordar o tema (WEINBERG e GOULD, 2001). Pode-se dizer que existem basicamente três visões gerais sobre a motivação: a centrada no traço, a centrada no estado e a interacional (BARROSO, 2007). A visão centrada no traço sustenta que o comportamento é motivado em função das características de personalidade do indivíduo, bem como de suas necessidades e objetivos próprios. A visão centrada no estado acredita que a motivação para o comportamento depende do momento e contexto, independente das características individuais. A visão interacional, que conta com maior aceitação na atualidade, estabelece que a motivação não se origina exclusivamente no traço ou na situação, mas na associação desses dois fatores (BARROSO, 2007).

  Na área da Psicologia do Esporte e do Exercício, o tema motivação também é tradicionalmente um dos mais estudados. Gomes et al. (2007) investigaram a produção brasileira, espanhola e de língua inglesa no campo da Psicologia do Esporte e Exercício e observaram que o tema motivação é o mais estudado na área para os três contextos

  A motivação para a prática de exercícios físicos e esportes recebe atenção de muitos pesquisadores, pois, segundo Weinberg e Gould (2001), esta é considerada uma variável fundamental tanto para adesão à prática, quanto para a aprendizagem e desempenho em contextos esportivos e de exercício físico. Para Dishman, entender porque as pessoas se exercitam é foco central dos estudos da motivação, tanto no campo da atividade física e saúde quanto nos esportes (citado por WILSON et al., 2003).

  O esporte compreende uma das atividades humanas para a qual as pessoas mais se dedicam de maneira espontânea e descompromissada (VALLERAND, DECI e RYAN, 1987). Os participantes em muitos casos não realizam a prática pensando em algum tipo de recompensa, mas apenas pelo prazer da participação. Por outro lado, fatores externos como influência de outras pessoas, saúde, reconhecimento social, também podem afetar a participação nessas atividades, especialmente nos dias atuais com a forte vinculação presente na mídia entre exercício físico, saúde e beleza.

  Esses dois vieses da motivação fazem com que esta seja tradicionalmente tratada de modo dicotômico; motivação intrínseca e extrínseca. Motivação intrínseca e extrínseca são dois construtos bastante conhecidos e importantes para qualquer relação com o comportamento motivado (FERNANDES e VASCONCELOS-RAPOSO,

  2005). A motivação intrínseca é representada pelos fatores internos à pessoa que a motivam a prática, e a motivação extrínseca é a motivação influenciada por fatores externos (punição, recompensa, etc.) (BRICKELL e CHATZISARANTIS, 2007). Vale destacar que uma mesma atividade pode ser motivada intrinsecamente para um, algumas pessoas praticam esportes por prazer, outras o fazem para ganhar medalhas e reconhecimento.

  Em estudo de revisão, Knijnik, Greguol e Santos (2001) verificaram que os motivos alegados por crianças e adolescentes para iniciar e persistir na prática esportiva são a diversão, bem-estar físico, competição e a construção de novas amizades, enquanto os principais fatores alegados para o abandono são a falta de competição, ênfase exagerada na vitória e excesso de pressões por parte dos pais e dos técnicos. Percebe-se com esses resultados que a adesão está ligada geralmente a motivações intrínsecas, enquanto o abandono a motivações extrínsecas.

  Os comportamentos motivados intrinsecamente tendem a ser mais produtivos, e perdurarem por maior tempo do que quando as motivações são extrínsecas. Quando as pessoas deixam de perceber suas ações como internamente guiadas para se sentirem comandadas, elas tendem a mais facilmente se desmotivarem para a prática, pois não se percebem como autônomas para essa escolha (GUIMARÃES e BORUCHOVITCH, 2004).

  Ao que parece, recompensas materiais prejudicam a motivação intrínseca, reduzindo o envolvimento na atividade para níveis menores do que os apresentados antes da introdução das recompensas (DECI 1971, apud VIANA, 2009). Há anos é conhecido cientificamente que a motivação apenas baseada na recompensa prejudica a realização de comportamentos, porém ainda hoje percebe-se essa prática no meio esportivo. Seguindo tal pressuposto, pessoas que praticam exercícios físicos por algum tipo de demanda externa, como indicação dos pais, estética, recompensas, etc, têm quem a pratica por prazer, autonomia; motivados intrinsecamente (DECI e RYAN, 2000).

  Alguns estudos demonstram que homens e mulheres apresentam diferentes motivos para a prática esportiva. Enquanto os homens se envolvem na prática esportiva motivados geralmente pela competição e reconhecimento social, as mulheres apresentam uma maior gama de motivos, como saúde, bem-estar, estética e condicionamento, prazer nas atividades, contato social, identificação com o professor ou treinador (WEINBERG; GOULD, 2001). Por outro lado, em nossa realidade brasileira, recentemente, o estudo de Deschamps e Domingues Filho (2005) verificou que a maioria dos motivos de prática se repete em ambos os sexos (prazer na atividade física, melhora da estética, melhor condicionamento físico e qualidade de vida). Nesse estudo homens e mulheres diferenciaram-se quanto à socialização, mais presente para os homens, e realização pessoal, mais presente para as mulheres.

  Tradicionalmente, a motivação extrínseca foi tratada como um construto unidimensional, sendo oposição à motivação intrínseca e comportamentos autônomos (DECI e RYAN, 1985). Porém, com uma breve análise percebemos que existem diversos tipos de variáveis externas com diferentes características que podem influenciar o comportamento, levando a diferentes resultados. Por exemplo, a obrigação de realizar exercícios físicos por exigência da família é diferente da vontade de demonstrar as habilidades para alguma pessoa, apesar de ambas serem motivadas extrinsecamente. Estudos atuais têm investigado essa possibilidade, verificando que são diferentes os tipos de motivação extrínseca, sugerindo que essa seja subdividida CHATZISARANTIS, 2007). Fundamentado nisso, os estudos embasados pela Teoria da Autodeterminação têm observado os comportamentos para o exercício e esporte motivados extrinsecamente variando de acordo com os níveis de regulação (BRICKELL e CHATZISARANTIS, 2007), sendo essa uma nova tendência nos estudos sobre o tema.

2.4 Teoria da Autodeterminação – A complexidade da Motivação

  A Teoria da Autodeterminação (TAD

  • – DECI e RYAN, 1985) distingue entre comportamentos que o indivíduo executa livremente e os que são realizados por algum tipo de influência. A teoria analisa por que uma pessoa age (ou seja, o grau em que sua motivação é mais ou menos autodeterminada), como os diversos tipos de motivação levam a diferentes resultados, e como as condições sociais apóiam ou prejudicam o bem-estar humano por meio de suas necessidades psicológicas básicas (VIERLING, STANDAGE e TREASURE, 2007).

  Com a TAD, Deci e Ryan (1985) introduzem uma subteoria denominada Teoria da Integração do Organismo, que estabelece que a motivação esteja presente em diferentes níveis de autodeterminação (Figura 1). Os autores consideram a dicotomia intrínseca-extrínseca simplista e redutora para a compreensão da motivação, afirmando que ela pode ser categorizada de uma forma mais global, considerando um continuum da forma mais autodeterminada para a menos autodeterminada (FERNANDES e de motivação extrínseca, que está presente quando o comportamento não acontece exclusivamente para satisfação pessoal, mas visto como um meio para atingir um determinado fim (BOICHÉ e SARRAZIN, 2007). Desta forma, a motivação extrínseca mostra-se como um construto multidimensional, variando de acordo com o nível de autonomia do indivíduo em relação aos níveis de regulação (BRICKELL e CHATZISARANTIS, 2007).

  Figura 1: Continuum da Autodeterminação mostrando os tipos de motivações com seus estilos de regulação, o lócus de causa e os processos correspondentes (MURCIA e COLL, 2006, adaptado de DECY e RYAN, 2000)

  Ao extremo mais a esquerda do continuum está a amotivação, que é um estado em que a pessoa não tem ainda a intenção de realizar o comportamento, não havendo nenhum tipo de regulação, seja externa ou interna (DECI e RYAN, 2000). Nesse caso, o indivíduo não percebe motivos para adesão ou continuação em uma prática de

  Em seguida no quadro, à direita da amotivação, está a mais externa dos tipos de motivação extrínseca, a regulação externa. Tal comportamento é realizado para suprir uma demanda externa ou receber algum tipo de recompensa (FERNANDES e

  VASCONCELOS-RAPOSO, 2005). Este termo representa a motivação extrínseca da forma com que é tradicionalmente denominada, quando de seu entendimento como conceito unidimensional (STANDAGE et al., 2003). Como exemplo no esporte, podemos considerar as crianças que praticam algum esporte por pressões dos pais, ou os atletas que competem unicamente em função de ganhos financeiros.

  Na seqüência, com regulações menos externas que a anterior, está a regulação

  

introjetada. Esta se diferencia das externas por tratar-se de recompensas e punições

  internas, havendo sentimento de obrigação, ansiedade, ou orgulho (RYAN e DECI, 2000). É o caso de quem pratica alguma atividade física para não se sentir culpado.

  Mais autônomo, na regulação identificada o comportamento é regulado mais internamente, pois o indivíduo considera-o importante e aprecia os resultados e benefícios da participação em tal atividade. Percebemos essa situação quando uma pessoa pratica um esporte por saber dos benefícios para sua saúde, ainda que o comportamento em si não seja agradável (WILSON et al., 2003).

  Mais a direita do continuum, está a regulação integrada, forma mais autodeterminada, ou autônoma, da regulação externa. Ações caracterizadas pela regulação integrada têm muitas qualidades da motivação intrínseca, embora seja considerada extrínseca por visar algum tipo de resultado além do prazer da prática possibilidade de escolha e o prazer são mais evidentes. Exemplificando, é o caso de quem se exercita por saber que este tem influência sobre a sua qualidade de vida, mas sem um fim específico.

  No extremo direito encontra-se a motivação intrínseca, que é um processo caracterizado pela escolha pessoal, satisfação e prazer (BRICKELL e CHATZISARANTIS, 2007). Assim, as regulações para esse tipo de tarefa são unicamente internas. Numa partida de futebol como exemplo, estaria motivado intrinsecamente aquele jogador que participa por gostar de jogar futebol, a atividade tem um fim em si mesma, não se espera mais nada dela.

  Semelhanças entre os tipos de regulações motivacionais têm feito com que alguns estudiosos optem por agrupar algumas delas. Segundo Ryan e Deci (2000), em alguns estudos as regulações identificada e integrada e a motivação intrínseca são combinadas, formando a motivação autônoma. Existem outros que optam por tratar a regulação externa e a introjetada como um único construto dentro da motivação extrínseca (WILLIAMS et al., 1996). O mesmo tem acontecido com a regulação identificada e integrada, que por suas semelhanças são algumas vezes tratadas como um único construto (FERNANDES e VASCONCELOS-RAPOSO, 2005).

  É interessante ainda o entendimento do conceito de internalização. A internalização é meio pelo qual os indivíduos reconstroem comportamentos anteriormente controlados externamente de modo que se tornem mais autodeterminados (DECI e RYAN, 2000). Desta forma, uma atividade que se inicia com mais internas (MURCIA, GIMENO e COLL, 2007; WILSON et al., 2003), quando o praticante se percebe mais autônomo em sua realização (RYAN e DECI, 2000).

  A motivação tem ligação com as necessidades do ser humano (FEIJÓ, 1998), pois as pessoas tendem a realizar os comportamentos que satisfaçam suas necessidades. Segundo Deci e Ryan (2000), Hull (1943) assume que as necessidades dos seres humanos são puramente fisiológicas (de comida, bebida, sexo, etc) enquanto Murray (1938) entende que as necessidades são psicológicas. A TAD trata das

  

Necessidades Psicológicas Básicas (NPB), que se diferenciam das necessidades de

Murray por serem não serem consideradas inatas.

  Três necessidades psicológicas inatas, subjacentes à motivação intrínseca, são propostas pela TAD: a necessidade de autonomia, a necessidade de competência e a necessidade de vínculo (GUIMARÃES e BORUCHOVITCH, 2004). Contextos sociais que satisfaçam essas necessidades tendem a apresentar regulações mais autodeterminadas, portanto mais motivadas intrinsecamente, sustentando maior persistência e bem-estar psicológico (RYAN e DECI, 2000; MCDONOUGH e CROCKER, 2007).

  A autonomia reflete o desejo de participar de atividades onde a possibilidade de escolha na realização do comportamento esteja presente (DECI e RYAN, 1985), sendo pouco motivadora a atividade realizada por uma demanda externa, seja ela uma punição ou recompensa. É necessário que o indivíduo perceba que a atividade está sob seu controle.

  A necessidade de competência está ligada a sentir-se capacitado e confiante necessidade de competência como fator determinante da motivação intrínseca é embasada nos trabalhos de White que utilizou o termo para definir a capacidade do organismo de interagir satisfatoriamente com o seu meio (GUIMARÃES e BORUCHOVITCH, 2004).

  Quanto ao vínculo, trata-se da necessidade de perceber que o comportamento é reconhecido positivamente por outras pessoas, ou que a prática deste facilita a socialização (DECI e RYAN, 2000). Os autores sugerem que dentre as três necessidades, a de vínculo seria a menos influente sobre a motivação autônoma (STANDAGE e GILLISON, 2007).

  Apesar de sugerir que as três necessidades são universais, os autores indicam que isso não implica que suas relações são inalteráveis por toda a vida ou que se manifestam da mesma maneira em diferentes culturas (RYAN e DECI, 2000). Isso ocorre porque o modo e o grau das necessidades psicológicas são influenciados não apenas pelo próprio indivíduo, mas principalmente pelo contexto sociocultural. Por outro lado, em qualquer caso a sua satisfação é essencial para o bem-estar e desenvolvimento saudável de todos os indivíduos, independente da cultura, sexo ou período do desenvolvimento (DECI e RYAN, 2000).

  

2.5 Pressupostos da Teoria da Autodeterminação e Prática de Exercícios Físicos

e Esportes

  Quanto à aplicação dos pressupostos da TAD (sobretudo regulações práticas esportivas, observa-se que boa parte dos estudos tem voltado a atenção para investigar relações entre os diferentes níveis de regulação, NPB, e a participação em esportes. Da mesma fora, muito tem se estudado sobre o contexto da Educação Física escolar.

  No que diz respeito aos níveis de regulações da motivação e a aderência a práticas de exercícios físicos e esportes, os estudos têm confirmado os pressupostos da TAD, pois pessoas mais autodeterminadas tendem a ter maior participação nessas práticas. Por outro lado, os resultados não são conclusivos e aspiram novas investigações, como analisaremos a seguir com a descrição de alguns estudos.

  Uma das primeiras pesquisas relevantes que abordaram esse tema foi realizada por Mullan e Markland (1997), dois importantes pesquisadores da TAD aplicada ao exercício e esporte. O referido estudo tratou de relacionar as regulações para a prática de exercícios físicos com os estágios para mudança de comportamento para o exercício em adultos. Os resultados mostraram que pessoas mais autodeterminadas para a prática de exercícios encontravam-se em estágios de comportamento mais avançados, resultado que concerne com a TAD.

  Em estudo realizado com universitárias, Wilson e Rodgers (2004) também encontraram resultados semelhantes quando relacionaram os níveis de intenção de comportamentos para exercícios físicos com os níveis de regulação. Porém, neste estudo percebeu-se relação mais positiva entre a regulação identificada e as intenções de exercício do que estas com a motivação intrínseca. Verificou-se ainda a influência positiva do apoio dos amigos sobre os níveis de motivação, o que pode justificar a existem motivos externos relevantes.

  No contexto escolar, estudo similar que envolveu escolares de 12 a 14 anos também verificou relações entre a intenção de comportamentos para exercícios em momentos de lazer e motivação para as aulas de Educação Física (STANDAGE, DUDA e NTOUMANIS, 2003). A intenção de prática esteve fortemente relacionada com a motivação autodeterminada, enquanto foi baixa a relação com a regulação introjetada e negativa com a amotivação. Nesse sentido, mesmo considerando as diferentes características da Educação Física escolar nos países europeus, onde foi realizada a pesquisa, percebe-se que a Educação Física na escola pode facilitar o engajamento de jovens na prática de exercícios físicos.

  Parece haver diferenças entre os estilos motivacionais de meninos e meninas. O estudo de Murcia, Gimeno e Coll (2007) verificou, em amostra de adolescentes de 12 a 16 anos praticantes de esportes, que as meninas tinham motivação mais autodeterminada à prática esportiva quando comparadas aos meninos. Por outro lado, o estudo de Markland e Ingledew (2007) verificou diferença apenas entre os níveis de regulação identificada, porém com índices mais altos para os meninos. Há de se destacar a pouca atenção dada às diferenças motivacionais existentes entre os sexos na aderência à prática de exercícios físicos e esportes. Na maioria dos estudos revisados essas diferenças não são discutidas.

  O estudo de Brickell e Chatzisarantis (2007), realizado com universitários de ambos os sexos, utilizando a mesma escala do presente estudo, verificou a relação atividade física e os níveis de regulação. A análise de regressão demonstrou que 36% da variação do planejamento das intenções é previsto pela regulação identificada, enquanto as demais sub-escalas não apresentaram resultados significativos. Realizada regressão para verificar a influência dos níveis de motivação sobre as práticas de exercícios, verificou-se que a única variável significativa foi a regulação identificada, responsável por 35% da variação.

  Em estudo recente, Edmunds, Ntoumanis e Duda (2006) verificaram, pesquisando pessoas com idades variadas (16 a 64 anos), que a motivação intrínseca e a regulação integrada têm relação mais forte com os exercícios mais vigorosos, enquanto não se relacionaram com as atividades leves e moderadas. Esse resultado demonstra a maior entrega à prática de exercícios quando as regulações são internalizadas. Realizada a análise de regressão, observou-se novamente que a regulação integrada prediz mais fortemente a participação em tais atividades do que a própria motivação intrínseca.

  A regulação integrada, conforme verificado em diversos estudos prediz com clareza comportamentos que muitas vezes se esperasse que fossem explicados pela motivação intrínseca, motivo pelo qual esta forma de regulação, ou fator, não pode ser retido das análises, tampouco agrupado à regulação identifica (LONSDALE, HODGE e ROSE, 2008).

  Apesar da concordância entre esses resultados de pesquisas em apontar que as motivações mais autodeterminadas estão mais relacionada à prática de atividades identificadas e integradas são tão ou mais influentes sobre essas práticas do que a própria motivação intrínseca (LONSDALE, HODGE e ROSE, 2009). Apesar de contrariar o pressuposto da TAD de que pessoas motivadas intrinsecamente estão mais propensas a se engajarem em exercícios físicos, percebemos certa coerência nesses achados. Na atualidade, as atribuições do dia-a-dia como o trabalho, estudos, etc, fazem com que seja difícil a aderência em atividades simplesmente porque estas proporcionam prazer (VIANA, ANDRADE E MATIAS, 2010).

  Embora a motivação intrínseca seja a almejada, segundo Mullan e Markland (apud WILSON et al., 2003) parece pouco provável que pessoas em estágio inicial de exercício adotem essa participação exclusivamente para satisfação derivada do exercício propriamente dito. O engajamento em uma atividade demanda tempo e dedicação, fazendo com que facilmente estas sejam deixadas de lado, para que seja feito apenas o que é mais ―importante‖ momentaneamente.

  Edmunds, Ntoumanis e Duda (2006) demonstram o exemplo do voto em eleições. Segundo os autores, a grande aderência das pessoas a participação nas eleições não acontece por acharem divertido ou prazeroso o ato de votar, mas por acharem importante ou por ser obrigatório. Nesse caso, regulações externas são fundamentais para o engajamento. Considerando essa reflexão, pode-se questionar se em diferentes contextos e diferentes atividades esses resultados seriam os mesmos, pois os privilégios são diferenciados.

  Quanto à relação entre as NPB, os níveis de regulação, e a prática de atividades físico-esportivas, os resultados mostram que a satisfação das NPB favorece motivações abaixo sugerem.

  O estudo de Edmunds, Ntoumanis e Duda (2006) verificou a existência de relações entre as NPB, suporte de autonomia, níveis de regulações e comportamentos frente ao exercício físico. Os resultados demonstraram que as NPB estiveram relacionadas positivamente com as motivações mais autodeterminadas. Quanto aos níveis de atividade física, a satisfação da necessidade de competência predisse diretamente e indiretamente, por meio da regulação de identificação, os exercícios vigorosos, enquanto as outras necessidades não apresentaram relações consideráveis.

  Os resultados do estudo de Standage e Gillison (2007) confirmam que as NPB estão relacionadas a motivações mais autodeterminadas, em especial as necessidades de competência e autonomia. Contrariando alguns estudos anteriores, a necessidade de vínculo não predisse a motivação para as aulas de Educação Física, por exemplo.

  Por outro lado, esses resultados estão de acordo com Deci e Ryan (2000), que dizem que a necessidade de vínculo é menos importante quando comparada às necessidades de autonomia e competência. Para Wilson et al. (2003), a necessidade de vínculo pode não ser tão fundamental no contexto do esporte e exercício, pois essa necessidade pode estar sendo satisfeita em outros contextos sociais.

  A relação entre as NPB e regulações do comportamento foi verificada por Gillet e Rosnet (2008), que ao investigaram atletas franceses observaram diferenças entre homens e mulheres quanto à competência para a prática de seus esportes, tendo as mulheres se mostrado mais competentes que os homens. Os autores relatam ainda recreativos se consideram mais autônomos e são menos regulados por fatores externos quando comparados à atletas competitivos de nível nacional.

  McDonough e Crocker (2007) consideram que as pesquisas com adultos ainda são limitadas quanto à mediação das motivações autodeterminadas em adultos praticantes de exercícios físicos, e sugerem a necessidade especial de mais estudos envolvendo a necessidade de vínculo. Esses pesquisadores investigaram, dentre outros objetivos, as NPB e suas relações com as motivações autodeterminadas de dragon

  

boaters (praticantes de um tipo de barco a remo). Autonomia, competência e vínculo

  predisseram significativamente a motivação autodeterminada para a prática da modalidade, ressaltando a importância das três necessidades.

  No estudo de Wilson et al. (2003) (já citado anteriormente) as mudanças nas NPB após a prática da atividade proposta foram as esperados pelos pesquisadores. Os níveis de competência e vínculo aumentaram significativamente com o decorrer da prática proposta, enquanto os níveis de autonomia diminuíram. Segundo os autores, essa redução era prevista, pois pressões internas para permanência no programa até o final da pesquisa, e a estrutura rígida das atividades facilitam a redução da percepção da autonomia.

  Os pesquisadores que investigam a TAD têm optado pela realização de pesquisas quantitativas, assim como ocorre nos estudos sobre motivação de modo geral (HASSANDRA, GOUDAS E CHRONI, 2003). Uma pesquisa inovadora foi a de Kimball (2007), na qual estudou a percepção de autonomia de esportistas universitários surgiram a partir da análise das entrevistas, foram eles: autonomia pessoal, autonomia relacional e falta de autonomia. Os atletas entendem que suas opiniões são fundamentais em suas decisões, mas destacam que a relação com outras pessoas pode influenciar em suas escolhas. Por outro lado, percebem-se contradições nos relatos de que a autonomia às vezes era restrita, mas não entendiam isso como prejudicial, optando por permanecer no ambiente esportivo. Destacam-se as características do esporte universitário nos Estados Unidos, país onde foi realizado o estudo, e que a prática em muitos casos é condicionada a pagamento de bolsas e outros benefícios que podem prejudicar a autonomia dos praticantes.

  Estudos envolvendo técnicos esportivos têm recebido destaque, especialmente envolvendo a autonomia que estes dão aos atletas jovens. Smith, Ntoumanis e Duda (2007), verificaram relação entre o suporte de autonomia dado pelos técnicos e a satisfação das NPB de atletas adultos. Conroy e Coatsworth (2007), investigando jovens atletas de natação, verificaram que quando técnicos satisfazem as NPB de seus atletas, estes tinham maiores níveis de motivação para a prática. A mesma relação existiu entre a motivação e a satisfação das necessidades gerais dos atletas. Ambas NPB, relacionadas ao técnico e geral, estiveram relacionadas positivamente, demonstrando a importância psicológica da prática esportiva na vida dos praticantes.

  Considerando esses estudos e seus resultados e analisando a teoria no contexto esportivo, para que uma pessoa mais facilmente se integre a uma prática físico- esportiva, seria necessário que ela satisfizesse suas NPB. Assim, é necessário que esta tenha autonomia para a prática (ou seja, que não realize a prática por obrigações valorizada por outras pessoas ou a prática facilite a criação de vínculos sociais. Tendo estas três necessidades satisfeitas, o indivíduo mais facilmente irá aderir ou manter-se nesse tipo de prática, pois nutrirá regulações mais autodeterminadas (WILSON et al., 2003).

  Percebe-se a carência de estudos sobre a TAD no Brasil, especialmente ligadas à área esportiva. Praticamente todos os estudos citados foram realizados em países norte americanos e europeus, o que pode limitar a transferência desse conhecimento para a realidade brasileira. Como dito, a teoria é considerada universal, portanto, realizar estudos em diferentes populações é fundamental para dar maior consistência a ela. Observam-se ainda alguns pontos onde os estudos têm apresentado resultados divergentes, mostrando que esse é um tema ainda carente de investigações.

2.6 Estudos atuais utilizando o Behavioral Regulation in Sport Questionnaire (BRSQ).

  O objetivo desse tópico é apresentar o instrumento a ser validado, juntamente com uma revisão sobre estudos que o tenham utilizado como forma de avaliação da motivação. Ao todo são apresentados seis estudos, sendo que quatro estão reunidos no artigo de validação do próprio instrumento em questão (LONSDALE, HODGE e ROSE, 2008).

  O BRSQ foi elaborado com o intuito de preencher as lacunas deixadas pela

  

Sport Motivation Scale (SMS; Pelletier et al., 1995) e pela versão revisada dessa

  escala, a Sport Motivation Scale

  • – 6 (Mallet et al., 2007), quanto às propriedades

  psicométricas, oriundas, sobretudo, pela ausência da forma mais autodeterminada de regulação externa, a regulação integrada.

  A versão original do BRSQ consiste em 36 questões, divididas em 9 subescalas (fatores) avaliadas em uma escala likert de 7 pontos. As regulações, ou fatores, são:

  

amotivação (AM), motivação extrínseca de regulação externa (MERE), motivação

extrínseca introjetada (MEIJ), motivação extrínseca identificada (MEID), motivação

extrínseca integrada (MEIG), motivação intrínseca para atingir objetivos (MIAO),

motivação intrínseca para experiências estimulantes (MIEE), motivação intrínseca para

conhecer (MIC) e motivação intrínseca (MI). Os autores da escala propõem ainda uma

  medida multidimensional da motivação intrínseca, removendo-se os itens MI, deixando assim a escala com 8 fatores

  • – 32 itens; alternativamente, uma medida geral da motivação intrínseca também pode ser empregada, bastando neste caso, remover os
itens MIAO, MIEE e MIC, resultando numa análise da motivação em 6 fatores

  • – 24 itens.

  O primeiro estudo (LONSDALE, HODGE e ROSE, 2008) teve como objetivo investigar a validade e reprodutibilidade da escala, criada a partir das formas de motivação intrínseca identificadas por Vallerand (1997). Nesta etapa, 382 atletas da Nova Zelândia (206 homens e 176 mulheres), com idade média de 24.20 anos, representando 20 esportes diferentes, responderam a versão de 32 itens do BRSQ.

  Chegou-se a conclusão de que esta versão de 32 itens, chamada de BRSQ-8, por retratar as oito formas de regulação do comportamento a que se propunha, apresentou fortes cargas fatoriais e valores de consistência interna nas subescalas. Por outro lado, esta versão não possibilita uma avaliação mais generalizada da motivação intrínseca, através de uma única subescala de possa representar o constructo.

  Em seguida, o segundo estudo (LONSDALE, HOGDE e ROSE, 2008) teve como objetivo examinar justamente a validade e reprodutibilidade das versões com oito itens (BRSQ-8), que avalia a motivação intrínseca dividida em três subescalas, e seis itens (BRSQ-6), que agrupa a motivação intrínseca em uma única subescala. Participaram desta etapa 571 atletas, dos quais 239 participaram do primeiro estudo, com média de idade de 24.47 anos. Os achados confirmaram que ambas as versões podem ser utilizadas de forma confiável, porém, o BRSQ-8 demonstrou escores superiores de consistência interna e validade fatorial. O BRSQ-6, no entanto, não parece demonstrar seis níveis de regulação ao longo do continuum, tendo os autores chamado a atenção para a utilização desta versão quando o objetivo for analisar a autodeterminação em quatro formas distintas (amotivada, motivação extrinsecamente controlada, motivação extrinsecamente autônoma, e intrinsecamente motivada).

  O terceiro estudo de Lonsdale, Hodge e Rose (2008) teve como proposta central examinar a validade e reprodutibilidade da escala em atletas que não fossem de elite, psicométricas do BRSQ-6 e BRSQ-8 com as versão original da SMS (Pelletier et al., 1995) e a SMS-6 (Mallet et al., 2007). Integraram este estudo 316 atletas da Universidade da Nova Zelândia, com idade média de 19.4 anos (mín. = 17; máx. = 43), sendo a amostra praticamente igualmente distribuída entre homens e mulheres. Com base nos resultados encontrados nesse estudo os autores apontam evidencias indicando que os valores de consistência interna e validade fatorial do BRSQ foram superiores aos encontrados na SMS e na SMS-6, considerando assim o BRSQ com qualidades psicométricas superiores às escalas a que foi comparado. Ainda assim, os autores afirmam serem necessárias outras pesquisas com a finalidade de confirmar ou contrapor esses resultados.

  Por fim, Lonsdale, Hodge e Rose (2008) conduziram um estudo teste re-teste com 34 jogadores amadores de rúgbi do mesmo país (idade média de 22.36 anos) com o intervalo de uma semana de uma avaliação para a outra. O intervalo de tempo de uma semana pareceu suficiente porque mudanças significativas na regulação do comportamento em sete dias devem ser mínimas ou mesmo insignificantes. Os resultados dão suporte a reprodutibilidade dos escores das subescalas do BRSQ ao longo do período de uma semana.

  A primeira publicação fora destes estudos encontrados na validação BRSQ também é dos autores da escala e partiu da idéia de que a motivação autodeterminada poderia ser uma variável mediadora na relação entre a satisfação das necessidades psicológicas básicas (autonomia, relacionamento e competência) e o burnout em atletas

  

burnout e as formas de regulação do comportamento varia ao longo do continuum de

  autodeterminação, ou seja, à medida que a autodeterminação se eleva a correlação passa de positiva para negativa, apresentando direções opostas. A satisfação das necessidades de competência e autonomia, associadas à elevada autodeterminação, representaram uma variação significativa dos sintomas de burnout (exaustão física e emocional, r= 0,31; desvalorização esportiva, r= 0,49; reduzido senso de realização esportiva, r= 0,61; burnout geral, r= 0,74), confirmando assim a hipótese original do estudo.

  O estudo mais recente utilizando o BRSQ como forma de avaliação da motivação em atletas, conduzido por Barcza (2010), investigou a relação entre as regulações motivacionais, perfeccionismo, burnout e o comportamento percebido dos treinadores em 501 nadadores norte-americanos de alto rendimento (idades entre 18 e 23 anos).

  Verificaram que as três formas menos autodeterminadas de regulação do comportamento (amotivação, regulação externa e regulação introjetada) estiveram inversamente relacionadas ao perfeccionismo, o mesmo que dizer que a busca pela excelência esportiva não se aplica a comportamentos pouco autodeterminados. Da mesma forma, o fator, ou subescala, controle pessoal excessivo, por parte dos treinadores, apresentou efeito direto sobre a amotivação e a regulação introjetada dos atletas. A amotivação e a regulação externa apresentaram relação direta com burnout, podendo estas servir de indicadores na detecção de potencial abandono da prática esportiva. Tanto nesse estudo, como no citado anteriormente, os autores utilizaram a versão com 6 fatores, o BRSQ-6. psicométricas do instrumento proposto, o BRSQ, em relação aos outros instrumentos de avaliação da motivação baseados na regulação do comportamento utilizados até o momento, no caso a SMS e a SMS-6. Verificadas essas evidências, o próximo passo para a consolidação do BRSQ enquanto ferramenta de pesquisa confiável na análise da motivação sob as perspectivas da Teoria da Autodeterminação é a utilização e testagem em diversas situações e populações.

3 MÉTODO

  Neste capítulo são descritos detalhadamente as técnicas e procedimentos de investigação utilizados neste estudo.

  3.1 Caracterização da Pesquisa

  Trata-se de uma pesquisa exploratório-descritiva (THOMAS & NELSON, 2002), que visa investigar a validade do Behavioral Regulation in Sport Questionnaire (BRSQ), que permite avaliar a motivação para a prática de esportes de adolescentes e jovens adultos brasileiros.

  3.2 População e amostra

  A população do presente estudo é composta por atletas brasileiros de nível regional, estadual, nacional e internacional, de ambos os sexos, de modalidades individuais (atletismo, tênis de campo, natação e ginástica rítmica) e coletivas (futebol de campo, futebol de salão, basquete, vôlei, hóquei sobre grama, futebol americano e handebol), com idade não inferior a 14 anos e não superior a 40. A decisão em relação a idade mínima dos participantes foi baseada no critério utilizado no estudo de validação do BRSQ, em que os autores do instrumento identificaram que indivíduos nessa faixa etária são capazes de responder ao questionário de forma satisfatória e confiável, com relação ao entendimento dos itens. A denominação dos grupos adolescentes (maiores de 14 anos) e jovens adultos (entre 20 e 40 anos) é baseada na como o de Matos, Barbosa e Costa (2001), Pires, Brandão e Silva (2006), Barroso (2007), Silva, Cruz e Coelho (2008), Tozaki e Tanaka (2009).

  A amostra foi selecionada de forma não-probabilística intencional (THOMAS e NELSON, 2002), adotando-se o critério de voluntariado, buscando adequação ao objetivo proposto para a validação do instrumento. Segundo Bryman e Cramer (2003), a amostra para estudos desta natureza deve contar com pelo menos 100 sujeitos e/ou assegurar uma quantidade mínima de 5 a 10 sujeitos para cada item ou fator da escala.

  Participaram deste estudo 167 atletas, de ambos os sexos, satisfazendo assim os critérios acima mencionados.

3.3 Instrumento submetido à Validação

  3.3.1 The Behavioral Regulation in Sport Questionnaire (BRSQ) O instrumento submetido à validação é o Behavioral Regulation in Sport

  

Questionnaire (BRSQ; LONSDALE, HODGE e ROSE, 2008). Tal instrumento é

  baseado na Teoria da Autodeterminação e tem o objetivo de quantificar os diferentes níveis de regulações, internas e externas, bem como a amotivação, relacionadas à pratica de esportes.

  A versão original do BRSQ consiste em 36 questões, divididas em 9 subescalas (fatores) avaliadas em uma escala likert de 7 pontos. As regulações, ou fatores, são:

  

amotivação (AM), motivação extrínseca de regulação externa (MERE), motivação

extrínseca introjetada (MEIJ), motivação extrínseca identificada (MEID), motivação

extrínseca integrada (MEIG), motivação intrínseca para atingir objetivos (MIAO),

motivação intrínseca para experiências estimulantes (MIEE), motivação intrínseca para

conhecer (MIC) e motivação intrínseca (MI).

  Existem duas versões do BRSQ, a de 6 fatores (BRSQ-6; 24 itens) e de 8 fatores (BRSQ-8; 32 itens), e os autores do instrumento alertam para que, em seus estudos, os pesquisadores utilizem uma duas versões, baseados na que melhor atenda aos objetivos dos estudos. A diferença entre elas está na forma de avaliação da motivação intrínseca, sendo que o BRSQ-6 avalia de forma mais geral (MI) enquanto o BRSQ-8 subdivide a motivação intrínseca em 3 fatores, MIC, MIAO e MIEE, possibilitando uma forma mais detalhada de avaliação da motivação intrínseca.

  Duas traduções do instrumento original do idioma inglês para o português (Brasil) foram feitas de forma independente, por dois especialistas em Psicologia do Esporte, fluentes em língua inglesa, que conheciam os objetivos do estudo, a teoria que suporta a análise dos resultados e os conceitos de cada uma das subescalas do instrumento.

  As duas traduções resultantes foram harmonizadas resultando na versão 1 do instrumento. A versão 1 foi submetida à tradução reversa (backatranslation) por outros dois especialistas em Psicologia do Esporte, que, após realizarem a retro-tradução, compararam suas versões com a original com o intuito de apontar possíveis alterações no conteúdo dos itens do questionário. Como nenhuma alteração foi apontada nesse momento, chegou-se então versão final traduzida para a língua portuguesa do Brasil. Com esta versão foi realizado um estudo piloto com uma amostra semelhante a de avaliar, principalmente, a clareza dos itens e a consistência interna da versão ajustada. Por apresentar resultados satisfatórios quanto à clareza e consistência interna, não houve necessidade de alterações na versão 1, ficando esta como versão final do instrumento, a qual foi submetida à etapa 2 do estudo.

  Tanto na etapa 1 como na etapa 2, foi acrescido ao instrumento de avaliação da motivação um questionário de caracterização sociodemografica dos atletas, adaptado de Andrade (2001). Tal questionário inclui questões referentes a dados pessoais dos participantes do estudo, bem como itens relacionados à atividade esportiva dos sujeitos, como rotina de treinamento, competições, tempo de prática na modalidade, nível de competições que participa, entre outros (Apêndice B), tem sido bastante utilizado em publicações recentes (MATIAS, ROLIM, KRETZER, SCHMOELZ,

  VASCONCELLOS e ANDRADE, 2009; VIANA, ANDRADE e MATIAS, 2010; VIANA, ANDRADE, BACK e VASCONCELLOS, 2010).

3.4 Coleta de Dados

  A coleta de dados iniciou após aprovação do projeto pelo Comitê de Ética em

  • – Pesquisas com Seres Humanos (CEP) da Universidade do Estado de Santa Catarina UDESC, registrado sob protocolo nº 40/2010.

  A coleta dos dados foi dividida em duas etapas. A primeira etapa foi realizada junto à um grupo de 44 atletas, selecionados de forma não-probabilística intencional e por conveniência (THOMAS; NELSON, 2002), com o objetivo de realizar a validade de clareza, compreensão, a análise inicial da confiabilidade (índice de consistência interna) e aceitabilidade do BRSQ traduzido. Participaram da primeira etapa 44 atletas de nível estadual, nacional e internacional de quatro diferentes modalidades, handebol (n=8), ginástica rítmica (n=5), voleibol (n=14) e futebol (n=7).

  Neste momento, o contato junto aos técnicos dos atletas foi realizado pelo pesquisador, que orientou sobre os objetivos do estudo e esclareceu quanto aos procedimentos de coleta dos dados. Somente participaram da pesquisa os atletas que entregarem o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido devidamente assinado. No caso dos atletas menores de idade, o TCLE foi assinado pelos pais e/ou responsável.

  Tendo em vista um dos objetivos desta etapa, de testar a clareza dos itens da versão 1, os participantes foram orientados a responder à mesma e ao final avaliar os 36 itens com relação à clareza e compreensão das perguntas. Após responder as perguntas, o participante assinalava sua posição quanto à clareza de cada item em Claro, Pouco Claro e Confuso.

  Esse processo foi conduzido de acordo com os parâmetros propostos por Melo apud Barroso (2007) para validade de clareza, que considera: 1) Questão confusa (nota 0 a 4): o respondente não entendeu nada do que está escrito. Neste caso o item, ou itens, que receberem essa pontuação deverão ser excluídos da escala; 2) Questão possivelmente interpretando o item de duas ou mais formas diferentes. As questões que, em média, apresentarem estas notas deverão ser reformuladas; 3) Questão clara (nota 8 a 10): compreensão completa, ou seja, o respondente confirma a clareza total na interpretação da questão. Junto ao questionário foram coletados dados individuais, como idade, sexo, modalidade esportiva, tempo de prática na modalidade, nível de competição que participa (regional, estadual, nacional e internacional), patrocínio (se possui ou não), e rotina de treinamento (dias por semana, horas diárias de treino).

  Esta fase ocorreu durante o mês de setembro de 2010, e os questionários foram aplicados individualmente pelo pesquisador. Os resultados desta etapa estão detalhadamente descritos no Estudo Piloto (Apêndice A).

  A segunda etapa da coleta dos dados diz respeito à aplicação do BRSQ, após as devidas correções e alterações do piloto resultantes da primeira etapa, ao público alvo da pesquisa, atletas adolescentes e jovens adultos. Esta fase ocorreu durante os meses de dezembro de 2010 e janeiro de 2011 nos locais de treinamento de cada modalidade. Assim como na fase anterior, foram feitos contatos com os técnicos dos atletas e estes somente participaram da pesquisa ao apresentarem o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido devidamente assinado, seguindo o mesmo procedimento da primeira etapa. Como forma de padronização, a aplicação do instrumento de pesquisa foi realizada individualmente antes do início da sessão de treino do dia, em ambiente reservado, evitando assim a influencia de fatores externos como barulhos, ruídos ou conversas entre os companheiros de treino. Assim como na primeira etapa, nesta fase o pesquisador esteve presente durante as coletas de dados relação aos objetivos da pesquisa e preenchimento dos questionários.

3.5 Tratamento Estatístico

  O tratamento estatístico dos dados foi semelhante nas duas etapas do estudo (etapa 1 e etapa 2) e consistiu na aplicação de estatística descritiva (cálculos de média, desvio padrão, valores máximos e mínimos) para os dados individuais somados ao questionário, assim como para os níveis de regulação da motivação e Índice de Autodeterminação.

  A validade de clareza (etapa 1) de cada item e da escala como um todo foi verificada mediante a frequencia percentual para cada uma das três possibilidades de resposta (Clara, Pouco Clara e Confusa), considerando índice mínimo para aprovação valores iguais ou superiores a 80%, ou 0,8.

  A confiabilidade da escala foi avaliada pela consistência interna, verificada por meio do coeficiente Alfa de Chronbach.

  A validade de construto (etapa 2) foi verificada por meio de análise fatorial exploratória, de acordo com as etapas propostas por Dancey e Reidy (2006), com método de extração dos componentes principais e rotação varimax, técnica que identifica os componentes comuns em um grande número de variáveis. Essa avaliação permitiu verificar o quanto a escala está relacionada aos conceitos teóricos que a fundamentam.

  SPSS (Statistical Package to Social Sciences for Windows) - versão 17.0.

  Quadro 1: Testes de hipóteses utilizados no estudo.

  Análise Dados paramétricos Dados não paramétricos Correlação Correlação de Pearson Correlação de Spearman Comparação de Médias de

  Teste t Mann-Whitney dois grupos Comparação de Médias de ANOVA Kruskal-Wallis mais de dois grupos Associação entre variáveis

  Qui-Quadrado - categóricas Consistência Interna Alfa de Chronbach Análise de Fatores Análise Fatorial Exploratória com rotação varimax

4 APRESENTAđấO E DISCUSSấO DOS RESULTADOS

  Neste capítulo são apresentados os resultados de acordo com as etapas do estudo: caracterização dos participantes; validade de clareza; confiabilidade (verificada através da consistência interna do instrumento); validade de construto; e descrição e análise das regulações motivacionais de atletas adolescentes e jovens adultos brasileiros para a prática de esportes.

4.1 Caracterização geral e esportiva dos participantes do estudo

  O grupo que participou do estudo foi composto por 167 atletas entre 14 e 40 anos de idade (M = 19,23; DP = 5,53), sendo 130 homens e 37 mulheres com idade média de 19,63 anos (± 5,88) e 17,84 anos (± 3,75), respectivamente.

  Os participantes pertencem a 11 modalidades esportivas, sendo 07 coletivas (futebol de campo, handebol, vôlei, hóquei sobre grama, basquete, futsal e futebol americano) e 04 modalidades individuais (tênis de campo, atletismo, ginástica rítmica e natação). Em algumas modalidades não houve representantes dos dois sexos, fazendo parte da amostra somente atletas masculinos. No caso da ginástica rítmica e do futebol americano, de acordo com a especificidade da modalidade, há apenas representantes do sexo feminino e masculino, respectivamente (Tabela 1).

  • Tênis de campo

  08 6,2 - - Estadual 60 46,2 24 64,9 Nacional 32 24,6 09 24,3 Internacional 30 23,0 04 10,8

  Classe Socioeconômica A1

  29 78,4

  98 74,4

  32 24,6 08 21,6 Não

  Possui outra ocupação Sim

  23 17,7 12 32,4 Não 107 82,3 25 67,6

  Possui patrocínio Sim

  Compete em nível Regional

  Tabela 1: Frequência absoluta (n) e relativa (%) de variáveis sociodemográficas e relativas à atividade esportiva dos participantes em função do sexo.

  66 50,7 24 64,9 Ensino Superior 43 33,1 10 27,0

  Escolaridade Ensino Fundamental 21 16,2 03 8,1 Ensino Médio

  123 94,6 36 97,3 Casado 07 5,4 01 2,7

  Estado Civil Solteiro

  06 4,6 - - Basquete 13 10,0 - - Atletismo 07 5,4 - - Hóquei sobre a grama 12 9,2 05 13,5 Natação 10 7,7 03 8,2 Futebol americano 05 3,8 - -

  07 5,5 - - Futsal 05 3,8 10 27,0 Handebol 20 15,4 - - Surfe

  Modalidade Ginástica rítmica - - 05 13,5 Futebol

   Homens Mulheres n (%) n (%)

  03 2,3 01 2,7 A2 36 27,7 12 32,4 B1 38 29,2 18 48,6 B2 32 24,6 03 8,2 C1 09 6,9 01 2,7 C2 03 2,3 02 5,4 As variáveis sociodemográficas apontam que os atletas apresentam escolaridade compatível com a faixa etária, são em sua maioria solteiros e pertencem a classes sociais de médio a elevado poder aquisitivo (classes A2, B1 e B2), tanto para homens quanto para as mulheres. Da mesma forma, homens e mulheres apresentam esportiva. Em sua maioria (74,8%) participam de competições de nível estadual e nacional, e embora não possuam patrocínio ou remuneração para a prática dedicam-se exclusivamente à referida atividade esportiva visto que 74,9% não exercem outra atividade ocupacional (tabela 1).

  O tempo de prática esportiva dos participantes variou entre 1 e 32 anos (M = 6,34; DP = 5,07). Os atletas treinam em média 4 dias por semana, de 1 a 7 horas por dia de treino, e participam de 5,47 competições por ano (± 4,40) (Tabela 2).

  x Tabela 2: Idade e variáveis de caracterização esportiva [ (±)] dos atletas do estudo.

  Geral Homens Mulheres

  Idade 19,23 (5,53) 19,63 (5,88) 17,84 (3,75) Tempo de prática (anos) 6,34 (5,07) 6,47 (5,53) 5,89 (2,98) Treinos por semana (dias) 4,00 (1,48) 4,05 (1,46) 3,81 (1,54) Horas diárias de treino 2,70 (1,15) 2,74 (1,17) 2,60 (1,05) Competições por ano 5,47 (4,40) 5,32 (4,46)

  6,09 (3,80) *Não foram observadas diferenças significativas entre homens e mulheres.

4.2 Validade de Clareza

  Como parte inicial do processo de validação do Behavioral Regulation in Sport

  

Questionnaire (BRSQ), agora denominado Questionário de Regulação do

  Comportamento no Esporte (QRCE; VASCONCELLOS e ANDRADE, 2011

  • – Apêndice

  C), a validação da clareza das questões da escala foi um momento importante, haja vista que os resultados obtidos nesta etapa culminaram com a versão final do instrumento para a língua portuguesa do Brasil.

  Quanto à clareza, todas as questões foram consideradas válidas na forma como estavam, encontrando-se índices acima de 0,80 (mín: 0,81; máx: 1,00). Observou-se ainda que não houve nenhum comentário ou sugestão por parte dos atletas para que algum termo ou palavra fosse alterado. Considerando o critério adotado nenhum item precisou ser reformulado ou excluído, confirmando a validade da tradução realizada. Tabela 3

  • – Índices de clareza das questões do Questionário de Regulação do Comportamento no Esporte (QRCE).

  

Questão Índice Questão Índice

1 0,97 19 1,00 2 0,91

  20 0,97 3 0,93 21 1,00 4 0,84 22 1,00 5 0,88 23 0,95 6 0,81 24 1,00 7 0,91 25 1,00 8 0,86 26 0,93 9 0,95 27 0,95 10 0,97 28 0,97 11 0,91 29 0,97 12 0,93 30 0,91 13 0,97 31 0,95 14 0,97 32 0,97 15 1,00 33 1,00 16 1,00 34 1,00 17 0,87 35 0,93 18 0,93 36 0,93

4.3 Confiabilidade do Instrumento

  A fidedignidade do QRCE foi verificada calculando-se o coeficiente alfa de

  

Cronbach, parâmetro estatístico responsável por determinar a consistência interna de

instrumentos dessa natureza.

  As versões reduzida (24 itens) e ampliada (32 itens) apresentaram índices satisfatórios e semelhantes ao da versão original, com valores alfa geral de 0,82 e 0,84, respectivamente. Embora índice do construto Regulação Identificada, na versão reduzida, esteja um pouco abaixo dos demais, ele ainda se encontra dentro do mínimo estabelecido como aceitável (0,60) (DANCEY e REIDY, 2006). Dessa forma a escala não sofrerá alterações, pois estudos têm demonstrado que os resultados do índice de Cronbach podem apresentar certa variação tolerável sem comprometer o instrumento (LONSDALE, HODGE e ROSE, 2008).

  Tabela 4: Coeficiente de confiabilidade - consistência interna - dos construtos do Questionário de Regulação do Comportamento no Esporte (QRCE).

  alfa de Cronbach ( α) Versão Versão Versão Construto reduzida ampliada original (24 itens) (32 itens) (36 itens) Amotivação 0,82 0,82 0,83 ME Regulação Externa 0,87 0,87 0,79 ME Regulação introjetada 0,81 0,81 0,87

  • ME Regulação Identificada 0,77 0,88 ME Regulação Integrada 0,81 0,82 0,90
  • Motivação Intrínseca (MI) 0,88 0,73
  • MI para Conhecer

  0,91 0,80 - - MI para Atingir Objetivos MI para Experiências

  0,84 0,83

  • Estimulantes *Versão reduzida : α de Cronbach = 0,82
    • Versão ampliada : α de Cronbach = 0,84

  Com todos os valores alfa superiores a 0,75 pode-se dizer que o instrumento tem uma boa consistência interna. Esta análise confirma a fidedignidade do instrumento para aquilo que ele se propõe a medir, ou seja, ele pode ser considerado confiável para avaliação da motivação em atletas adolescentes e jovens adultos brasileiros, sendo construtos do QRCE, com resultados semelhantes aos da versão original do instrumento.

4.4 Validade de Construto

  A validade de construto foi realizada com o objetivo de confirmar os fatores teóricos que dão suporte ao instrumento. Para tanto foi utilizada Análise Fatorial Exploratória (AFE) com rotação varimax e normalização Kaiser. Foram suprimidas cargas fatoriais inferiores a 0,40, de acordo com o critério de Hair et al (1995) para amostras próximas a 200 sujeitos.

  Originalmente existem duas versões do instrumento, a de 6 fatores (BRSQ-6; 24 itens) e a de 8 fatores (BRSQ-8; 32 itens) e os autores do instrumento alertam para que se utilize uma das duas versões, baseados na que melhor atenda aos objetivos dos estudos. A diferença entre elas está na forma de avaliação da motivação intrínseca, sendo que o BRSQ-6 avalia de forma mais geral (MI) enquanto o BRSQ-8 subdivide a motivação intrínseca em 3 fatores, MIC (Motivação Intrínseca para Conhecer), MIAO (Motivação Intrínseca para Atingir Objetivos) e MIEE (Motivação Intrínseca para Experiências Estimulantes), possibilitando uma forma mais detalhada de avaliação da motivação intrínseca.

  Por esse motivo, a análise fatorial foi realizada com as duas versões de forma separada. Primeiramente são apresentados os resultados da versão reduzida (24 Tabela 5: Extração de fatores do Questionário de Regulação do Comportamento no Esporte (QRCE) mediante análise dos componentes principais (ACP).

  Versão com 24 itens Versão com 32 itens % da % da Total Total variância variância

  Fator 1 6,487 27,028 9,0913 28,166 Fator 2 4,815 20,063 5,798 18,118 Fator 3 1,384 5,766 1,606 5,018 Fator 4 1,196 4,984 1,329 4,153 Fator 5 1,083 4,512 1,242 3,882 Fator 6

  1,046 3,267 - -

  Variância explicada 62,35 62,60

  Os resultados da análise fatorial inicial da versão reduzida indicaram a presença de 5 fatores (quantidade inferior a da escala original) com autovalor acima de 1,00, sendo responsáveis por 62,35% da variância total dos resultados do questionário. Na escala com 32 itens, verificou-se a presença de 6 fatores (quantidade também inferior a da escala original) com autovalor acima de 1,00, responsáveis por explicar 62,60% da variância dos resultados da escala (tabela 5).

  A análise fatorial da versão com 24 itens do QRCE revelou diferenças quanto a escala original na determinação das categorias motivacionais do instrumento, como, por exemplo, o agrupamento de muitos itens nos fatores 1, 2, 3, carregamento disperso de alguns itens em mais de um fator (tabela 6) e número reduzido de fatores encontrados devido ao agrupamento de diferentes categorias motivacionais em um mesmo fator. De acordo com a versão original, os 24 itens deveriam agrupar-se em 6 sub-escalas, com 4 Tabela 6: Análise fatorial da versão reduzida (24 itens) do Questionário de Regulação do Comportamento no Esporte (QRCE).

  Fatores Itens

  1

  2

  3

  4

  5 Item 20 (EX) 0,886 0,845

  Item 18 (EX) Item 33 (EX) 0,765 0,707

  Item 13 (EX) Item 16 (IJ) 0,752 Item 24 (IJ) 0,528 Item 03 (IG) 0,870

  0,755 Item 04 (IG) Item 35 (IG) 0,650

  0,641 Item 09 (IG) Item 14 (MI) 0,530 0,469 Item 01 (MI) 0,523 Item 21 (MI)

  0,792 0,673 Item 25 (MI) Item 27 (ID)

  0,716 Item 10 (ID)

  0,582 Item 22 (ID)

  0,579 0,392 Item 31 (ID) Item 06 (AM)

  0,696 0,676 Item 17 (AM) 0,484 Item 08 (AM)

  0,636 0,424 Item 30 (AM) 0,548 0,564 Item 07 (IJ)

  0,785 0,731 Item 05 (IJ)

Amotivação (AM); Reg. Externa (EX); Reg. Introjetada (IJ); Regulação Identificada (ID); Reg. Integrada

(IG); Motivação Intrínseca (MI). Método de extração: Análise de Componentes Principais (ACP). Método

de Rotação: Varimax com normalização Kaiser

  O fator 1 agrupou os quatro itens da regulação externa (13

  • “Porque se eu não o

  praticar, outras pessoas não ficarão satisfeitas comigo”; 18 – “Porque eu me sinto

pressionado por outras pessoas para jogar/praticar”; 20 – “Porque algumas pessoas me

  

pressionam para fazer esportes”; e 33 – “Para satisfazer algumas pessoas que querem

que eu jogue”) juntamente com dois itens da regulação introjetada, item 16 (“Porque me

sinto obrigado a continuar ) e item 24 (“Porque eu me sentiria culpado se eu parasse”).

  Neste caso, mesmo os itens 16 e 24 pertencerem, originalmente, a outro construto as pesquisadores optam por tratar a regulação externa e a introjetada como um único construto dentro da motivação extrínseca (WILLIAMS et al., 1996).

  A regulação externa define comportamentos realizados para suprir uma demanda externa ou receber algum tipo de recompensa (FERNANDES; VASCONCELOS- RAPOSO, 2005). Este termo representa a motivação extrínseca da forma com que é tradicionalmente denominada, quando de seu entendimento como conceito unidimensional (STANDAGE et al., 2003). Como exemplo no esporte, podemos considerar atletas que praticam algum esporte por pressões dos pais, ou os atletas que competem unicamente em função de ganhos financeiros.

  Na seqüência, com regulações menos externas que a anterior, está a regulação introjetada. Esta se diferencia das externas por tratar-se de recompensas e punições internas, havendo sentimento de obrigação, ansiedade, ou orgulho (RYAN; DECI, 2000). É o caso de quem pratica algum esporte para não se sentir culpado. Os outros dois itens originalmente pertencentes à regulação introjetada, item 5 (

  “Porque eu me sentiria envergonhado se eu desistisse ) e item 7 (“Porque eu me sentiria fracassado se eu desistisse

  ) apresentaram cargas fatoriais elevadas no fator 5, diferentemente dos

  itens 16 e 24. Uma explicação para isto pode estar no fato de que os sujeitos interpretem a conotação dos termos envergonhado e fracassado como relacionados à competência (no caso, baixa competência) para a prática do referido esporte, e não como alusão à culpa em caso de desistência ou abando da prática. Esta explicação aponta para uma possível diferenciação na motivação de atletas brasileiros de acordo com o nível técnico, por exemplo, atletas amadores e atletas de alto rendimento. intrínseca, itens 1 (

  “Porque eu o aprecio”) e 14 (“Porque eu gosto/adoro”) e por 1 item

  da regulação identificada, item 31 (―Porque é uma boa maneira de aprender coisas que

  podem ser úteis em minha vida

  ‖). Ações caracterizadas pela regulação integrada (forma mais autodeterminada ou autônoma das regulações externas) têm muitas qualidades da motivação intrínseca, embora seja considerada extrínseca por visar algum tipo de resultado além do prazer da prática (RYAN; DECI, 2000). Nessas atividades, a possibilidade de escolha e o prazer são mais evidentes. Exemplificando, é o caso de quem pratica alguma modalidade esportiva por saber que este tem influência sobre a sua qualidade de vida, mas sem um fim específico.

  Mesmo que teoricamente a motivação intrínseca seja um processo caracterizado pela escolha pessoal, satisfação e prazer (BRICKELL; CHATZISARANTIS, 2007), alguns estudiosos optam por agrupar a regulação integrada com a motivação intrínseca. Segundo Ryan e Deci (2000), em alguns estudos as regulações identificada e integrada e a motivação intrínseca são combinadas, formando a motivação autônoma. O mesmo acontece com a regulação identificada e integrada, que por suas semelhanças são algumas vezes tratadas como um único construto (FERNANDES;

  VASCONCELOS-RAPOSO, 2005).

  Ainda no fator 2, observa-se que o item 31 (

  “Porque é uma boa maneira de aprender coisas que podem ser úteis em minha vida ), que pertence a regulação

  identificada apresentou carga fatorial de 0,392, valor muito próximo ao estabelecido como mínimo para este estudo (0,40), sendo mantido no fator 2.

  • “Porque os

  benefícios do esporte são importantes para mim ; 22 – “Porque ele me ensina autodisciplina ; e 27 – “Porque eu valorizo os benefícios do meu esporte”) e 2 itens da

  motivação intrínseca (21 – “Porque é divertido”; 25 – “Porque eu acho prazeroso”).

  Por último, no fator 4 os itens foram agrupados da mesma forma como na escala original, estabelecendo o construto amotivação (6

  • “Mas o porque não é mais tão claro

  

para mim”; 8 – “Mas eu me pergunto qual é a razão”; 17 – “Mas eu me pergunto porque

eu continuo”; 30 – “Mas me pergunto porque eu me fazendo passar por isso”).

  Assim como na versão reduzida, a análise fatorial da versão com 32 itens não encontrou o número de fatores esperados, agrupando os itens em 6 fatores e não em 8.

  Além do número reduzido de fatores, a análise dos fatores desta versão ampliada apontou o agrupamento de itens que pertencem a categorias motivacionais distintas num mesmo fator, por exemplo, fatores 1, 2 e 3 (tabela 7).

  Tabela 7: Análise fatorial da versão ampliada (32 itens) do Questionário de Regulação do Comportamento no Esporte (QRCE).

  Fatores Itens

  1

  2

  3

  4

  5

  6 Item 28 (MIC) 0,849 Item 26 (MIC) 0,819 Item 15 (MIC) 0,691 Item 36 (MIC) 0,636 Item 22 (ID) 0,662 Item 27 (ID) 0,636 Item 31 (ID) 0,518 Item 10 (ID) 0,436 Item 23 (MIAO) 0,627 Item 20 (EX) 0,892 Item 18 (EX) 0,847 Item 33 (EX) 0,735 Item 13 (EX) 0,712 Item 16 (IJ) 0,782 Item 24 (IJ) 0,530 Item 11 (MIAO) 0,756 Item 12 (MIAO) 0,743 Item 34 (MIAO) 0,604 Item 32 (MIEE) 0,670 Item 19 (MIEE) 0,668 Item 02 (MIEE) 0,563 Item 29 (MIEE) 0,411 Item 03 (IG)

  0,770 Item 04 (IG)

  0,747 Item 35 (IG)

  0,550 Item 09 (IG)

  0,525 Item 06 (AM)

  0,695 Item 17 (AM)

  0,681 Item 30 (AM)

  0,600 Item 08 (AM)

  0,567 Item 07 (IJ)

  0,726 Item 05 (IJ)

  0,630

Amotivação (AM); Reg. Externa (EX); Reg. Introjetada (IJ); Regulação Identificada (ID); Reg. Integrada

(IG); Motivação Intrínseca para Conhecer (MIC); Motivação Intrínseca para Atingir Objetivos (MIAO);

Motivação Intrínseca para Experiências Estimulantes (MIEE).

  O fator 1 agrupou os itens da Motivação Intrínseca para Conhecer (15

  • – ―Porque

  eu gosto de aprender algo novo sobre meu esporte

  ‖; 26 – ―Porque eu gosto de

  aprender como aplicar novas técnicas

  ‖; 28 – ―Porque eu gosto de aprender novas

  técnicas

  ‖; e 36 – ―Pelo prazer que me dá em saber mais sobre meu esporte‖), da Regulação Identificada (10, 22, 27 e 31) e ainda o item 23, que de acordo com o referencial teórico diz respeito à M otivação Intrínseca para Atingir Objetivos (―Porque eu

  gosto de fazer as coisas o melhor que eu posso ‖).

  Assim como na versão reduzida, os itens referentes a Regulação Externa e os mesmos dois itens (16 e 24) da Regulação Introjetada carregaram no mesmo fator, O fator 3 foi responsável por agrupar os demais itens da Motivação Intrínseca para Atingir Objetivos (11

  • – ―Porque eu gosto da sensação de realização quando tento

  alcançar objetivos de longo prazo

  ‖; 12 – ―Porque eu gosto da sensação de sucesso

  quando estou trabalhando para alcançar algo importante

  ‖; 34 – ―Porque me dá uma

  

sensação de realização quando me esforço para atingir meus objetivos ‖) e os quatro

  itens da Motivação Intrínseca para Experiências Estimulantes (2

  • – ―Pelo prazer que

  tenho quando me sinto completamente envolvido no meu esporte

  ‖; 19 – ―Pela

  empolgação que sinto quando estou realmente envolvido na atividade

  ‖; 29 – ―Porque eu

  adoro as sensações extremas que sinto quando o pratico

  ‖; 32 – ―Por causa das

  sensações positivas que experimento quando pratico meu esporte ‖).

  No fator 4 foi encontrada a categoria motivacional Regulação Integrada, uma vez que agrupou exclusivamente os itens que fazem referencia à essa forma de regulação do comportamento, itens 3, 4, 9 e 35.

  O mesmo aconteceu com o fator 5, onde encontrou-se a categoria Amotivação, representada pelos itens 6, 8, 17 e 30.

  Por fim, itens 5 e 7 do questionário carregaram de forma isolada no mesmo fator, tal qual na versão reduzida da escala.

  Outra forma de se investigar a validade dos fatores teóricos que compõem o QRCE (VASCONCELLOS e ANDRADE, 2011

  • – Apêndice C) é através da análise das correlações entre os construtos, como forma de complemento da análise fatorial, uma vez que, em teoria, devem se portar de acordo com o continuum de autodeterminação decorrentes da definição dos construtos das versões reduzida e ampliada do QRCE. Tabela 8: Coeficiente de correlação de Spearman (ρ) dos fatores do Questionário de

  † Regulação do Comportamento no Esporte (QRCE) .

AM EX

  

IJ

  ID

  IG MI MIEE Versão com 24 itens Amotivação Reg. Externa ,476** Reg. Introjetada ,451** ,544** Reg. Identificada ,145 ,081 ,229** Reg. Integrada ,055 ,144 ,277** ,604**

  Versão com 32 itens Amotivação Reg. Externa ,476** Reg. Introjetada ,451** ,544** Reg. Integrada ,104 ,188* ,297** Mot. Intrínseca -,004 ,044 ,098 ,458** MI Exp. Estimulantes ,061 ,067 ,183* ,626** ,427**

  

Amotivação (AM); Reg. Externa (EX); Reg. Introjetada (IJ); Regulação Identificada (ID); Reg. Integrada

(IG); Motivação Intrínseca (MI); MI para Conhecer (MIC); MI para Atingir Objetivos (MIAO); MI para

Experiências Estimulantes (MIEE); Índice de Autodeterminação (IA). Correlações sublinhadas não foram

significativas. Todas as demais foram significativas ao nível de p<0.01.

  Os padrões das correlações entre os fatores observados nesse estudo confirmam a presença do continuum de autodeterminação nas duas versões do QRCE, uma vez que regulações próximas uma das outras no continuum (por exemplo, amotivação/regulação externa) estão fortemente correlacionadas num sentido positivo, quando comparados a fatores mais afastados no continuum (por exemplo, regulação externa/motivação intrínseca). Fato este também relatado pelos autores da Sport Motivation Scale como importante para a confirmação de tal instrumento enquanto ferramenta de investigação da motivação em atletas sob a luz da Teoria da

  Outro detalhe, também verificado pelos autores do BRSQ em seu estudo de validação foi que as regulações identificada e integrada apresentam correlações similares com os demais fatores.

  De acordo com os resultados das duas versões analisadas, observou-se uma estrutura fatorial um pouco diferente da original, o que não compromete a validade do instrumento. A Sport Motivation Scale (SMS), escala mais utilizada até o momento para avaliação da motivação em atletas sob as perspectivas da TAD, também apresentou certas limitações estatísticas quando aplicada em diferentes realidades sócio-culturais. Martens e Webber (2002), investigando a motivação em 270 atletas universitários norte- americanos de diversas modalidades reportaram problemas quanto à estrutura fatorial da SMS, observando, neste caso, que os maiores problemas envolveram os componentes de motivação extrínseca e a amotivação. Resultados bastante diferentes dos encontrados em seu estudo original de validação (Pelletier et al, 1995), fato que não a impossibilitou de ser amplamente utilizada ao longo dos anos, sobretudo pelo fato de sempre reportar valores de consistência interna elevados, como é o caso do instrumento em estudo.

  Com base nos resultados do presente estudo a versão reduzida do QRCE apresentará uma estrutura com 24 itens agrupados em 5 fatores. Portanto, no caso da escala brasileira, a Motivação Intrínseca não será avaliada como um construto único e sim distribuída nas formas mais autônomas de regulação externa do comportamento, a regulação identifica e a regulação integrada.

  O quadro abaixo apresenta uma comparação da escala original (BRSQ) com a Quadro 2: Itens e respectivos construtos associados no BRSQ-6 e no QRCE-5.

BRSQ-6 QRCE-5

  Amotivação (6, 8, 17, 30) Amotivação (6, 8, 17, 30) Regulação Externa (13, 18, 20, 33) Regulação Externa (13, 16, 18, 20, 24, 33) Regulação Introjetada (5, 7, 16, 24) Regulação Introjetada (5, 7) Regulação Identificada (10, 22, 27, 31) Regulação Identificada (10, 21, 22, 25, 27, 31) Regulação Integrada (4, 5, 9, 35) Regulação Integrada (1, 3, 4, 9, 14, 35) Motivação Intrínseca (1, 14, 21, 25)

  Da mesma forma, com base nos resultados deste estudo tem-se que a escala ampliada terá uma estrutura com 32 itens agrupados em 6 fatores. Neste caso, a regulação identificada e as motivações intrínsecas para conhecer, para atingir objetivos e para experiências estimulantes não serão avaliadas como construtos únicos e sim em construtos que as combinem da forma como se apresentam na tabela 7. O quadro abaixo apresenta uma comparação da escala original (BRSQ) com a brasileira (QRCE) quanto à distribuição dos 32 itens em função dos fatores. Quadro 3: Itens e respectivos construtos associados no BRSQ-8 e no QRCE-6.

BRSQ-8 QRCE-6

  Amotivação (6, 8, 17, 30) Amotivação (6, 8, 17, 30) Regulação Externa (13, 18, 20, 33) Regulação Externa (13, 16, 18, 20, 24, 33) Regulação Introjetada (5, 7, 16, 24) Regulação Introjetada (5, 7) Regulação Identificada (10, 22, 27, 31) Regulação Integrada (3, 4, 9, 35) Regulação Integrada (4, 5, 9, 35) Mot. Intrínseca (10, 15, 22, 23, 26, 27, 28, 31, 36) MI Conhecer (15, 26, 28, 36) MI Exp. Estimulantes (2, 11, 12, 19, 29, 32, 34) MI Atingir Objetivos (11, 12, 23, 34) MI Exp.Estimulantes (2, 19, 29, 32)

  Assim, um dos principais achado deste estudo consiste nas possibilidades de se avaliar a motivação para a prática esportiva sem considerar a motivação intrínseca como um construto único (no caso da versão reduzida do QRCE). Diversas pesquisas investigaram outras populações apontam para essa mesma idéia, uma vez que esses estudos observaram que não há diferença entre as regulações identificada e a intrínseca, e quando há, valores mais altos são observados para a regulação identificada (EDMUNDS, NTOUMANIS e DUDA, 2007; EDMUNDS, NTOUMANIS e DUDA, 2006; FERNADÉZ et al., 2004; MATSUMOTO e TAKENAKA, 2004; WILSON e RODGERS, 2004; WILSON et al., 2003). Ou seja, o gosto pela atividade e o prazer que ela proporciona parece não definir a motivação intrínseca para a prática de esportes de forma isolada.

  Por outro lado, ao considerar a motivação intrínseca para análises (como na versão ampliada), deve-se observar que o comportamento das subdivisões para este construto não se apresenta de forma uniforme como o proposto por Vallerand (1997). De fato, este resultado não surpreende, considerando que a motivação intrínseca é fortemente influenciada e afetada por diversos fatores, sobretudo o contexto sócio-cultural, podendo estar associada, neste caso, ao nível técnico dos atletas. tem-se que o QRCE de fato mede aquilo que se propões a medir com determinado grau de confiança, a motivação para a prática esportiva, servindo como ferramenta confiável para futuras investigações desta variável psicológica em atletas brasileiros com idades entre 14 e 40 anos.

4.5 Perfil Motivacional – Regulações para a prática esportiva de adolescentes e jovens adultos brasileiros.

  Os dados referentes às regulações motivacionais estão apresentados de acordo com os construtos verificados após a análise fatorial das duas versões do QRCE, a reduzida (24 itens) e a ampliada (32 itens). Trata-se da primeira utilização do QRCE enquanto instrumento de avaliação da motivação. Os resultados são apresentados de forma geral e comparando-se homens e mulheres quanto às formas de regulação do comportamento para a prática de esportes.

  Os atletas se mostraram autodeterminados para a prática de esportes. Enquanto a amotivação, a regulação externa e a regulação introjetada apresentaram menores

  índices, a regulação identificada, a regulação integrada e as motivações intrínsecas são as regulações motivacionais que mais influenciam para a prática, fatores que contribuem para um elevado índice de autodeterminação (tabela 9). x Tabela 9: Regulações motivacionais [ (±)] dos atletas do estudo.

  Geral Homens Mulheres Reg. Motivacionais (n = 167) (n = 130) (n = 37)

  Amotivação 2,31 (1,47) 2,21 (1,40) 2,65 (1,65) Reg. Externa 2,07 (1,35) 2,03 (1,29) 2,23 (1,56) Reg. Introjetada 2,45 (1,92) 2,44 (1,95) 2,53 (1,80) Reg. Identificada 5,76 (1,02) 5,70 (1,07) 6,00 (0,79) Reg. Integrada-5 5,51 (1,09) 5,46 (1,11) 5,66 (1,03) Reg. Integrada-6 5,07 (1,35) 5,02 (1,39) 5,21 (1,18) Mot. Intrínseca 5,58 (1,43) 5,56 (1,56) 5,66 (0,84) MI Exp. Estimulantes 6,04 (0,96) 5,97 (0,99) 6,26 (0,83) *Não foram observadas diferenças significativas entre homens e mulheres.

  Os valores apresentados pelas mulheres para as formas controladas da motivação (regulação externa e regulação introjetada) são mais elevados em relação aos homens. Da mesma forma, as mulheres apresentaram valores mais elevados, quando comparadas aos homens, para as formas autônomas da motivação (regulação identificada e integrada) e motivações intrínsecas (motivação intrínseca geral e motivação intrínseca para experiências estimulantes). Não foram encontradas diferenças significativas entre homens e mulheres para as regulações motivacionais e índice de autodeterminação.

  A Teoria da Autodeterminação (TAD) assume a existência de quatro níveis de motivação extrínseca, que está presente quando o comportamento não acontece exclusivamente para satisfação pessoal, mas visto como um meio para atingir um determinado fim (BOICHÉ e SARRAZIN, 2007). Podemos observar nesse estudo que homens e mulheres não se diferenciaram para nenhuma das formas de regulação motivacional. apresentaram valores mais elevados em relação às regulações externa e introjetada, embora os resultados não tenham sido significativos comparando homens e mulheres.

  Na regulação identificada, o indivíduo considera o esporte importante e aprecia os resultados e benefícios da participação na atividade, enquanto na regulação integrada o indivíduo visa algum tipo de resultado além do prazer da prática. Essas duas regulações estão mais ligadas à motivação intrínseca, embora sejam consideradas extrínsecas (RYAN e DECI, 2000), sendo responsáveis por elevar o índice de autodeterminação, juntamente com a motivação intrínseca.

  O estudo de Lonsdale, Hodge e Rose (2009) verificou a mesma situação em atletas neozelandeses de diversas modalidades, onde a regulação identificada e integrada são tão ou mais influentes sobre essas práticas que a própria motivação intrínseca. Resultado que foi encontrado também no estudo de Sarmento (2008) com atletas amadores e profissionais, sendo a motivação extrínseca de regulação identificada mais elevada em atletas profissionais.

  Considerando as diferenças entre homens e mulheres quanto às regulações motivacionais e variáveis relacionadas com a rotina de treinamento, as análises estatísticas foram realizadas separando os grupos em função do sexo (tabela 10).

  † x

  Tabela 10: Correlação entre regulações motivacionais [ (±)] para a prática de esportes e variáveis de caracterização esportiva e idade dos participantes do estudo.

AM EX

  IJ

  ID

  IG-5

  IG-6 MI MIEE Homens

Idade -,322** -,234** ,005 -,036 ,166 ,135 ,117 ,232**

Tempo de prática -,206* -,128 -,112 ,031 ,203* ,182* ,038 ,156 Treinos por semana -,111 -,007 -,058 -,079 ,098 ,107 ,052 ,022 Horas de treino -,109 -,139 -,038 -,104 ,094 ,072 ,160 ,119

Competições por ,076 ,167 ,134 ,128 ,134 ,142 ,062 ,179*

ano

  Mulheres

Idade ,319 -,151 -,139 -,133 -,163 -,116 -,231 -,132

Tempo de prática ,426** ,174 -,084 ,041 ,148 ,205 ,021 ,166 Treinos por semana -.083 ,096 -,055 ,042 -,014 ,020 -,016 ,143

Horas de treino -,151 -,074 -,195 -,250 -,051 ,006 -,093 -,100

Competições por -,298 -,178 -,134 -,082 ,140 ,163 -,216 ,059 ano

Amotivação (AM); Reg. Externa (EX); Reg. Introjetada (IJ); Regulação Identificada (ID); Regulação Integrada (IG);

Motivação Intrínseca (MI); Motivação Intrínseca para Experiências Estimulantes (MIEE).

  • Correlações significativas ao nível de p<0,05** Correlações significativas ao nível de p<0,01.

  As análises das correlações entre as regulações motivacionais e variáveis de caracterização dos atletas estão apresentadas em função do sexo. Entre as mulheres foi verificada correlação significativa somente entre amotivação e tempo de prática esportiva (r= 0,429; p= 0,009), ou seja, quanto maior o tempo de prática na modalidade maior a influência da amotivação na regulação do comportamento das atletas.

  Para os homens o tempo de prática esportiva esteve inversamente relacionado a amotivação (r= -0,206; p= 0,019) e diretamente relacionado com a regulação integrada, tanto no caso da versão reduzida (r= 0,203; p= 0,021) como na versão ampliada (r= 0,182; p= 0,039). Ou seja, entre os homens, o tempo de experiência na modalidade parece levar a comportamentos regulados deforma mais autônoma.

  Os resultados indicam que os atletas mais velhos tendem a ser mais autodeterminados para a prática esportiva que os mais jovens, sendo menos influenciados pela amotivação e regulação externa. Estes resultados confirmam que as regulações mais intrínsecas estão de fato associadas ao engajamento e permanência idade e a amotivação (r= -0,322; p< 0,001) e regulação externa (r= -0,234; p= 0,007) e direta com a motivação intrínseca para experiências estimulantes (r= 0,232; p= 0,008).

  Por outro lado, o número de competições por ano apresentou relação positiva com a motivação intrínseca para experiências estimulantes (r= 0,179; p= 0,045), o que significa dizer que quanto mais os atletas participam de competições maior a influência de fatores internos na regulação do comportamento. As competições são o produto final de todo um processo de treinamento pelo qual todo atleta se submete, e busca nesse produto mostrar ou colocara à prova suas habilidades treinadas até o momento, não sendo estranho compreender que a competição exerça tal influencia sobre a motivação de atletas, sobretudo de alto rendimento.

  Analisando as regulações motivacionais, percebe-se que os atletas se mostram autodeterminados para a prática esportiva. Além disso, todos os atletas, independente do sexo, demonstraram maior tendência para fatores internos (formas autônomas) e motivação intrínseca. Ainda foi verificado que, embora não significativamente, existe uma tendência de que a com o passar do tempo diminua a motivação intrínseca nas mulheres.

  A motivação autodeterminada depende de outros fatores além da persistência em determinada tarefa, como a influencia de amigos, família e do treinador (WEISS e CHAUMETON, 1992). A pesquisa de GANGÉ (2003) confirma este efeito, de que influências externas podem motivar de forma elevada os atletas, devido aos atrativos do esporte competitivo.

  Diferenças são encontradas entre atletas amadores, que relatam como principal sentem motivados pelos sentimentos de pressão e obrigação de mostrar resultados (fatores extrínsecos). Para Weinberg e Gould (2008), a motivação é considerada uma variável fundamental na adesão e aprendizagem e desempenho em contextos esportivos e de exercício físico. Segundo Ryan et al. (1997), a motivação extrínseca está mais relacionada com a adesão à prática, porém num curto prazo de tempo, enquanto a motivação intrínseca relaciona-se com o envolvimento num tempo mais prolongado. Nesse estudo os resultados corroboram com os acima citados, uma vez que a idade e o tempo de prática na modalidade estiveram inversamente relacionados com a amotivação e a regulação externa e diretamente relacionados coma a regulação integrada e a motivação intrínseca.

  Esses achados confrontam os do estudo de Vissoci et al. (2008), que encontrou que atletas juvenis de voleibol percebem-se menos amotivados para a prática esportiva quando comparados a atletas adultos. Murcia et al. (2007) encontrou elevados níveis de motivação extrínseca e intrínseca e baixos níveis de amotivação ao analisar a idade, sexo e modalidade em atletas de rendimento. Esses resultados denotam a diferença entre esses dois construtos (amotivação e regulação externa) e mostram que atletas que estão iniciando no esporte de alto rendimento apresentam maior ativação, e por conseqüência menor amotivação, que se caracteriza como ausência de motivos para participar de determinada tarefa (DECI e RYAN, 1985), em relação à atletas com mais tempo de experiência. Da mesma forma, atletas que praticam uma modalidade há algum tempo são menos motivados intrinsecamente quanto comparados a atletas em inicio de carreira.

  Mesmo não sendo um resultado significativo para esta variável (horas por dia), a motivação intrínseca, que representa um comportamento independente, próprio do indivíduo (RYAN e DECI, 2000), parece não ser afetada pelo número de horas treinadas em um dia.

  Foi observada uma correlação de mesma direção entre o nível de motivação intrínseca para experiências estimulantes e a quantidade de competições durante o ano, o que significa dizer que os mais motivados intrinsecamente são os atletas que participam de mais competições. Esse resultado confirma o papel positivo que a competição exerce sobre a motivação em atletas de alto rendimento (GASTON, 2003), dando ênfase á esta variável ser de fato uma experiência estimulante para atletas de alto rendimento, confirmando os achados de Ulseth (2008) de que são os homens que mais se envolvem na pratica esportiva motivados geralmente pela competição e reconhecimento social quando comparados às mulheres.

  Feita a validação do QRCE, optou-se por avaliar o perfil de motivação de atletas adolescentes e jovens adultos brasileiros com o intuito de aprofundar o conhecimento e detalhamento da Teoria da Autodeterminação (TAD) no contexto esportivo nacional.

  Como sugestões de aplicações do QRCE, destacamos a importância do estudo da motivação no processo de intervenção para a aderência e permanência na prática esportiva, observadas as especificidades da teoria que dá suporte ao instrumento.

  Os resultados provenientes destas análises possibilitam aos técnicos e demais melhor aproximação e estabelecimento de estratégias adequadas no envolvimento do atleta com seu esporte.

  De outra forma, esta variável também como base para detecção de possíveis antecedentes ao abandono da prática, uma vez que atletas com baixa autodeterminação (resultante, sobretudo, de elevada amotivação e baixa motivação intrínseca) são considerados potenciais sujeitos a este efeito.

  CONCLUSÕES E SUGESTÕES

  Com base nos objetivos propostos, na revisão da literatura investigada, nos resultados e análises desenvolvidas, podemos concluir que:

  1. Questionário de Regulação do Comportamento no Esporte (QRCE) apresentou resultados satisfatórios após ser testado empiricamente em atletas brasileiros com idade variando de 14 a 40 anos, sendo considerado um instrumento válido para aplicações em pesquisas no Brasil;

  2. O QRCE apresentou boa confiabilidade e validade de construto, evidenciado pelo coeficiente de consistência interna encontrado e pelas cargas fatoriais.

  3. Quanto ao perfil motivacional de atletas adolescentes e jovens adultos brasileiros o presente estudou indicou a existência de relações entre aspectos da rotina de treinamento e as regulações motivacionais. Homens e mulheres não se diferenciaram significativamente quanto a rotina de treinamento. Da mesma forma, não foram encontradas diferenças significativas para as regulações motivacionais desses grupos. Separando as análises por sexo, as principais diferenças entre homens e mulheres foram: a) para os homens a idade esteve positivamente relacionada com motivação intrínseca para experiências estimulantes e inversamente relacionada à amotivação e à regulação externa; b) ainda para os homens, o tempo de prática na modalidade esteve relacionado de forma direta com a regulação integrada e de forma inversa com a amotivação e o número de competições por ano apresentou relação positiva com a motivação intrínseca para experiências estimulantes. Por fim, não foram observadas relações entre aspectos do treinamento e regulações motivacionais para as mulheres.

  4. Dessa forma, tem-se que as diferenças na rotina de treinamento entre homens rendimento e que a motivação, tanto de homens quanto mulheres, é mais orientada por fatores internos, resultando elevada autodeterminação para a prática esportiva.

  5. Por tratar-se da primeira validação do BRSQ além de seu país de origem, desde sua elaboração, resultados ainda superiores aos bons resultados aqui observados podem ser encontrados, haja vista que a teoria que suporta o instrumento encontra-se em fase inicial de estudos no Brasil, sobretudo no contexto esportivo competitivo.

  6. Embora com a opção pela manutenção dos itens na forma como se encontram no BRSQ original, sugere-se que outros estudos sejam realizados com um número maior de participantes e com amostras mais homogêneas, de forma a continuar a o processo de confirmação da escala enquanto ferramenta de pesquisa.

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  YIN, R. Case study research: design and methods, 2. ed. Thousand Oaks, California (USA): SAGE Publications, 1994.

  APÊNDICE A – ESTUDO PILOTO

ESTUDO PILOTO

  Esse estudo piloto apresenta a avaliação e testagem prévia do método a ser aplicado na dissertação. O estudo piloto é considerado um ensaio geral de todas as atividades previstas para a coleta de informações e tratamento dos dados, de modo a verificar a operacionalidade do projeto proposto (YIN, 1994).

  OBJETIVOS DO ESTUDO PILOTO

  Objetivo Geral

  Testar procedimentos, instrumentos, preparar pesquisadores para a coleta e análise dos dados da pesquisa e realizar análise estatística preliminar.

  Objetivos Específicos

   Realizar a validação de clareza da versão final do BRSQ traduzida para a língua portuguesa do Brasil;  Verificar a confiabilidade do BRSQ traduzido mediante o coeficiente de consistência interna de cada fator e da escala como um todo;  Familiarizar o pesquisador com a aplicação do instrumento utilizado na pesquisa. MÉTODO Esta etapa objetiva verificar os procedimentos para a execução do projeto de dissertação. Para tanto, foi realizado um ensaio geral de todas as atividades previstas familiarização do pesquisador com os procedimentos do estudo. Previamente à realização deste estudo piloto o projeto foi submetido ao Comitê de Ética em Pesquisa em Seres Humanos da UDESC, recebendo aprovação (protocolo nº 40/2010

  • – Anexo

  C). Após o recebimento da carta de aceite foi realizada a coleta dos dados do estudo piloto.

  Tipo de pesquisa

  Este é um estudo metodológico, que consiste na investigação dos métodos de obtenção, organização e análise dos dados, discorrendo sobre a elaboração, validação e avaliação dos instrumentos e técnicas de pesquisa, tendo como objetivo a construção de um instrumento de medidas confiável e preciso (THOMAS e NELSON, 2002).

  Caracterização dos participantes

  O grupo que participou da validação de clareza do Questionário de Regulação do Comportamento para o Esporte (BRSQ) foi composto por 44 atletas de nível estadual, nacional e internacional, de ambos os sexos, com idades compreendidas entre 14 e 43 anos (17,50 ± 5,38 anos), praticantes de quatro diferentes modalidades esportivas, handebol (n=8), ginástica rítmica (n=5), futebol (n=7) e voleibol (n=24) (tabela 1). Esta amostra foi selecionada de forma não-probabilística intencional, tendo em vista que esta etapa do estudo exigia a participação de atletas, público alvo do instrumento em

  x

  Tabela 1: Estatística descritiva [ (±)] das características pessoais dos atletas do estudo.

  Geral Homens Mulheres Idade 17.50 (5.38) 17.47 (6.25) 17.57 (2.95) Tempo de prática (anos) 6.34 (5.80) 6.07 (6.60) 6.93 (3.65) Treinos por semana (dias) 3.89 (1.22) 3.43 (0.97) 4.86 (1.17) Horas diárias de treino 2.54 (0.96) 2.15 (0.46) 3.40 (1.21) Competições por ano 5.02 (3.25) 3.43 (1.61) 8.43 (3.27)

  A seguir, são apresentados descritivamente alguns dados referentes aos níveis de regulações motivacionais dos atletas.

  x Tabela 2: Regulações motivacionais [ (±)] dos atletas do estudo em função do sexo.

  Reg. Motivacionais Geral Homens Mulheres Amotivação 2.45 (1.58) 2.55 (1.62) 2.25 (1.51) Reg. Externa 2.17 (1.72) 2.20 (1.71) 2.11 (1.80) Reg. Introjetada 2.28 (1.65) 2.38 (1.73) 2.07 (1.50) Reg. Identificada 5.80 (1.10) 5.72 (1.23) 5.95 (0.71) Reg. Integrada 5.14 (1.25) 5.02 (1.38) 5.37 (0.92) Mot. Intrínseca 6.34 (0.97) 6.19 (1.10) 6.64 (0.49) MI Conhecer 5.45 (1.42) 5.29 (1.61) 5.80 (0.81) MI Atingir Objetivos 5.94 (1.28) 5.75 (1.48) 6.34 (0.53) MI Experiências Estimulantes 5.98 (1.82) 5.71 (1.30) 6.55 (0.59)* *Diferença significante ao nível p<0.05 entre homens e mulheres.

  Instrumentos

  Para a realização desta etapa da pesquisa foram utilizados dois instrumentos, um Questionário de Caracterização Geral dos participantes, que tem por objetivo sexo, tempo de prática na modalidade, rotina de treinamento e competições; e a versão final traduzida do Questionário de Regulação do Comportamento no Esporte (BRSQ).

  Em relação ao BRSQ, todos os atletas responderam a versão completa com 36 itens, que contempla os 9 fatores que o instrumento se propõe a medir, embora o BRSQ possa ser aplicado com 8 fatores (BRSQ-8) ou 6 fatores (BRSQ-6), versões que resultam em 32 e 24 itens, respectivamente.

  Após responder as perguntas, o participante assinalava sua posição quanto à clareza de cada item em Claro, Pouco Claro e Confuso.

  Aplicação dos instrumentos

  O preenchimento do instrumento pelos atletas aconteceu nos locais de treinamento, antes do início da sessão de treino do dia. Todos os participantes foram informados sobre a relevância do estudo e de que forma poderiam contribuir para a pesquisa. Antes do preenchimento do instrumento foi esclarecido a todos que a participação era voluntária e não obrigatória.

  Com relação à aplicabilidade do instrumento, o tempo médio de preenchimento foi de 10 minutos, acrescidos de cinco minutos de explicação sobre mesmo, totalizando

  15 minutos. Esse tempo parece adequado para que o preenchimento dos questionários seja feito antes do início dos treinamentos do dia, visto não comprometer o planejamento e a rotina de treinos dos atletas.

  Os atletas respondiam aos questionários em grupo, porém não muito próximos esteve presente em todos os momentos da coleta junto aos atletas se colando a disposição para sanar qualquer tipo de dúvida em relação ao preenchimento dos questionários. Vale ressaltar que nenhum tipo de observação nesse sentido foi relatado pelos participantes, o que possibilitou o bom andamento da coleta.

  Tratamento dos dados dos questionários

  Após a realização das coletas, os questionários foram analisados individualmente para se verificar falhas no preenchimento. Nenhum deles apresentou falha importante ao ponto de ser excluído, totalizando 44 questionários tabulados no pacote estatístico SPSS 17.0 para Windows.

  Os índices de clareza de cada item, assim como as questões abertas do questionário de caracterização geral foram verificados através da distribuição de freqüências e percentuais. A consistência interna geral e de cada fator do BRSQ foi verificada por meio do coeficiente alfa de Cronbach.

  A análise da distribuição dos dados revelou que somente a regulação integrada apresentou distribuição normal (tabela 2). O resultado do teste apontou valor muito próximo a 0,05, o que pode indicar que sua distribuição deverá mudar com a coleta definitiva. Com o aumento da amostra espera-se que todas as variáveis apresentem distribuição normal, confirmando assim a escolha dos testes de hipóteses selecionados para o estudo. Tabela 3: Resultados do teste de normalidade para as principais variáveis em estudo.

  Variável Shapiro-Wilk

  Idade 0,00

  Tempo de prática (anos) 0,00

  Treinos por semana (dias) 0,00

  Horas diárias de treino 0,00

  Competições por ano 0,00

  Amotivação 0,00

  Regulação Externa 0,00

  Regulação Introjetada 0,00

  Regulação Identificada 0,03

  Regulação Integrada

  0,13*

  Motivação Intrínseca 0,00

  MI para Conhecer 0,01

  MI para Atingir Objetivos 0,00

  MI para Experiências Estimulantes 0,00 *Resultados superiores a 0,05 indicam distribuição paramétrica (normal).

  • Resultados de probabilidades apresentados como 0,00 equivalem a p<0,001.

  RESULTADOS DO ESTUDO PILOTO Os resultados do estudo piloto estão apresentados de acordo com os objetivos propostos para esta etapa:

  Objetivo 1

  • – Realizar a validação de clareza da versão final do BRSQ traduzida para a língua portuguesa do Brasil.

  Como parte desse processo de validação do Behavioral Regulation in Sport Questionnaire (BRSQ), a validação de clareza das questões da escala foi um momento extremamente importante, haja vista que os resultados obtidos nesta etapa culminarão com a avaliação final da versão final do instrumento para a língua portuguesa do Brasil.

  Quanto à clareza, todas as questões foram consideradas válidas na forma como estavam, encontrando-se índices acima de 0,80 (mín: 0,86; máx: 1,00). Observou-se algum termo ou palavra fosse alterado. Considerando o critério adotado nenhum item precisará ser reformulado ou excluído, confirmando a validade da tradução realizada.

  Tabela 4 – Índices de clareza das questões do BRSQ.

  

Questão Índice Questão Índice

1 0,97 19 1,00 2 0,91

  20 0,97 3 0,93 21 1,00 4 0,84 22 1,00 5 0,88 23 0,95 6 0,81 24 1,00 7 0,91 25 1,00 8 0,86 26 0,93 9 0,95 27 0,95 10 0,97 28 0,97 11 0,91 29 0,97 12 0,93 30 0,91 13 0,97 31 0,95 14 0,97 32 0,97 15 1,00 33 1,00 16 1,00 34 1,00 17 0,87 35 0,93 18 0,93 36 0,93 *Média geral do instrumento: 0,94 ± 0,05.

  Objetivo 2

  • – Verificar a confiabilidade da escala mediante o coeficiente de consistência interna de cada fator e da escala como um todo.

  Quanto à consistência interna das versões completa (BRSQ-8) e reduzida respectivamente. A análise prévia inicial mesmo com pequeno número de sujeitos na amostra já aponta indícios de confiabilidade do instrumento, sendo possível visualizar uma tendência de valores elevados de consistência interna dos construtos do BRSQ (tabela 5), com resultados semelhantes aos da versão original do instrumento. Embora o coeficiente

  α de Cronbach do construto regulação identificada esteja um pouco abaixo

  dos demais, a escala não sofrerá alterações, pois estudos têm demonstrado que os resultados do índice de Cronbach podem apresentar certa variação tolerável sem comprometer o instrumento (LONSDALE, HODGE e ROSE, 2008). Com o aumento da amostra para cerca de 200 atletas a tendência é de que os resultados de consistência melhorem. Tabela 5: Consistência interna ( α de Cronbach) dos construtos do BRSQ.

  α de Cronbach Construto Versão brasileira Versão original

  Amotivação 0,85 0,90 ME Regulação Externa 0,91 0,93 ME Regulação introjetada 0,78 0,88 ME Regulação Identificada 0,66 0,82 ME Regulação Integrada 0,79 0,79 Motivação Intrínseca 0,76 0,92 MI para Conhecer 0,84 0,91 MI para Atingir Objetivos 0,86 0,80 MI para Experiências Estimulantes 0,78 0,83

  • BRSQ-

  6: α de Cronbach = 0,90

  • BRSQ-

  8: α de Cronbach = 0,93

  Objetivo3

  • – Familiarizar o pesquisador com a aplicação do instrumento utilizado na pesquisa.

  Embora o pesquisador tenha pleno conhecimento da estrutura dos questionários, uma previa aplicação prática. O estudo piloto foi uma importante oportunidade de treinamento para o pesquisador, conhecendo melhor as dúvidas e dificuldades (embora praticamente não tenham ocorrido, esse é o momento oportuno para se verificar isso) quanto ao entendimento das questões e preenchimento dos questionários do instrumento. Considerando as contribuições advindas deste estudo piloto, certamente foi esta uma experiência fundamental e extremamente produtiva para a continuidade da pesquisa.

  CONCLUSÃO DO ESTUDO PILOTO Conclui-se com este estudo piloto que os procedimentos metodológicos propostos são úteis, confiáveis e confirmam a aplicabilidade da pesquisa. Este estudo permitiu capacitar o pesquisador para a coleta definitiva dos dados, etapa posterior a essa.

  Este estudo confirmou a validade de clareza e confiabilidade das questões e da escala como um todo, sendo a versão final traduzida considerada clara e confiável para continuação do estudo com ampliação da amostra para realizar a análise fatorial.

  APÊNDICE B Ố INSTRUMENTO DE CARACTERIZAđấO SOCIODEMOGRAFICA

  Instrumento para Caracterização Sociodemográfica (Andrade, 2001) Caro Atleta, Você está sendo convidado a participar de uma pesquisa que tem como objetivo conhecer

melhor o que motiva os adolescentes a praticar esportes. Trata-se de um questionário de rápido e fácil

preenchimento, e que pode obter informações que contribuirão na soma de conhecimentos científicos a

cerca da saúde dos adolescentes. Seus dados serão tratados com total sigilo, pois não importa quem

respondeu o questionário, mas sim as suas informações.

  Contamos com a sua colaboração. Obrigado! Prof. Mdo. Diego Itibere Cunha Vasconcellos - CEFID/UDESC

Dados Pessoais

  Nome:_______________________________________________________________________ Idade:_______ Data de Nascimento: ___/___/___ Sexo: ( ) mas. ( ) fem. Peso (kg):_________ Estatura (cm):__________ Raça/Cor da pele:____________________ Estado civil:____________________ Nível de escolaridade ( ) 1º Grau ( ) 2º Grau ( ) 3º Grau O nível de escolaridade assinalado acima é completo?______________________ Modalidade:_________________________________________________________________ Categoria:______________ Há quanto tempo pratica esta modalidade:______________ anos completos. Posição/função na equipe (para esportes coletivos)___________________________________ Participa de competições em que nível? ( ) Regional ( ) Estadual ( ) Nacional ( ) Internacional Possui algum tipo de patrocínio? ( ) Sim ( ) Não O patrocínio inclui remuneração financeira? ( ) Sim ( ) Não Rotina de treinamento: a) Vezes por semana:____________

  b) Horas diárias de treino:_____________

  c) Quantas competições por mês?_____________

  d) Quantas competições por ano?_________________ Você realiza alguma atividade profissional além de treinar? ( ) sim ( ) não Se sim, qual? _________________________________________________________________ Qual sua expectativa como atleta?_______________________________________________

  ( ) 4ª série do Ensino Fundamental ( ) Ensino Fundamental completo ( ) Ensino Médio completo ( ) Ensino Superior completo

  

Classificação Socioeconômica

1) Qual o grau de instrução do chefe de sua família? (considere apenas o nível completo) ( ) Analfabeto / Até 3ª série do Ensino Fundamental

  2) Na sua casa tem: (assinale cada item abaixo, caso tenha-o indique qual quantidade) TV em cores Não ( ) Sim ( ) Quantos?........

  Videocassete / DVD Não ( ) Sim ( ) Quantos?........ Geladeira Não ( ) Sim ( ) Quantos?........ Freezer* Não ( ) Sim ( ) Quantos?........ Rádio Não ( ) Sim ( ) Quantos?........ Banheiro Não ( ) Sim ( ) Quantos?........ Carro Não ( ) Sim ( ) Quantos?........ Empregado mensalista Não ( ) Sim ( ) Quantos?........ Máquina de lavar roupa Não ( ) Sim ( ) Quantos?........

  • Independente ou 2ª porta da geladeira

  APÊNDICE C Ố INSTRUMENTO PARA AVALIAđAO DA MOTIVAđấO

  

Instrumento para avaliação da Motivação

Questionário de Regulação do Comportamento no Esporte (BRSQ)

(Vasconcellos e Andrade, 2011)

  6

  6

  7 15. Porque eu gosto de aprender algo novo sobre meu esporte.

  1

  2

  3

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  5

  7 16. Porque me sinto obrigado a continuar.

  4

  1

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  3

  4

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  6

  7 17. Mas eu me pergunto por que eu continuo.

  5

  3

  2

  7 13. Porque se eu não o praticar, outras pessoas não ficarão satisfeitas comigo.

  12. Porque eu gosto da sensação de sucesso quando estou trabalhando para alcançar algo importante.

  1

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  7 14. Porque eu gosto/adoro.

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  7 21. Porque é divertido.

  1

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  7 22. Porque ele me ensina autodisciplina.

  1

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  6

  7 18. Porque eu me sinto pressionado por outras pessoas para praticar/jogar.

  1

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  1

  7 19. Por causa da empolgação que sinto quando estou realmente envolvido pela atividade.

  1

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  6

  7 20. Porque algumas pessoas me pressionam para fazer esportes.

  7

  5

  Abaixo estão algumas razões pelas quais as pessoas praticam esportes. Utilizando a escala fornecida, favor classificar o

grau de importância que cada afirmação representa para você. Quando decidir se alguma destas afirmações é uma razão pela qual

você pratica seu esporte, por favor, reflita sobre todos os fatores que o levam à prática desportiva. Não existem respostas certas

nem erradas. Logo, não dispense muito tempo por questão e responda da maneira mais honesta possível. Algumas sentenças

podem parecer similares ou repetitivas, mas é importante que todas sejam respondidas.

Não corresponde nada Corresponde um pouco Corresponde moderadamente Corresponde muito Corresponde exatamente

  4

  4

  5

  6

  7 4. Porque é uma oportunidade de ser justamente quem eu sou.

  1

  2

  3

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  2

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  7 5. Porque eu me sentiria envergonhado se eu desistisse.

  1

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  1

  7 6. Mas o ―por que‖ não é mais tão claro para mim.

  5

  1 2 - 3 4 5 - 6

  7 EU PRATICO O MEU ESPORTE...

  1. Porque eu o aprecio.

  1

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  6

  7 3. Porque ele é uma parte de quem eu sou.

  7 2. Pelo prazer que eu sinto quando estou completamente engajado no meu esporte.

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  3

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  7 10. Porque os benefícios do esporte são importantes para mim.

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  7

  11. Porque eu gosto da sensação de realização quando tento alcançar objetivos de longo prazo.

  1

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  7 9. Porque o que eu faço no esporte é uma expressão de quem eu sou.

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  5

  6

  7 7. Porque eu me sentiria fracassado se eu desistisse.

  1

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  6

  7 8. Mas eu me pergunto qual é a razão.

  1

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  5

  7

  23. Porque eu gosto de fazer as coisas o melhor que eu posso.

  3

  4

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  1

  7 32. Por causa das sensações positivas que eu experimento quando pratico meu esporte.

  6

  5

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  2

  6

  1

  7 31. Porque é uma boa maneira de aprender coisas que podem ser úteis em minha vida.

  6

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  1

  7 30. Mas me pergunto por que estou me fazendo passar por isso.

  5

  7 33. Para satisfazer algumas pessoas que querem que eu jogue.

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  1

  7 36. Pelo prazer que me dá em saber mais sobre o meu esporte.

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  1

  

34. Porque me dá uma sensação de realização quando me esforço para atingir meus objetivos. 1 2 3 4 5 6 7

35. Porque ele me permite viver de uma forma que é verdadeira com meus valores.

  7

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  3

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  1

  7 25. Porque eu acho prazeroso.

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  1

  7 24. Porque eu me sentiria culpado se eu parasse.

  6

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  3

  2

  7 26. Porque eu gosto de aprender como aplicar novas técnicas.

  2

  3

  7 28. Porque eu gosto de aprender novas técnicas.

  2

  1

  7 29. Porque eu adoro as sensações que sinto quando o pratico.

  6

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  1

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  3

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  7 27. Porque eu valorizo os benefícios do meu esporte.

  6

  5

  4

  7

  APÊNDICE D – TERMOS DE CONSENTIMENTO

  U N

  I V E R S

  I D A D E D O E S T A D O D E S A N T A C A T A R

  I N A U N

  I V E R S

  I D A D E D O E S T A D O D E S A N T A C A T A R

  I N A - - P P R R Ó Ó R R E E

  I I T T O O R R

  I I A A D D E E P P E E - S S Q Q U U

  I I S S - A A E E P P Ó Ó S S G G R R A A D D U U A A Ç Ç Ã Ã O O P P R R O O P P P P G G COMITÊ DE ÉTICA EM PESQUISA EM SERES HUMANOS – CEPSH

TERMO DE CONSENTIMENTO LIVRE E ESCLARECIDO

  

Tắtulo do Projeto: VALIDAđấO DO BEHAVIORAL REGULATION IN SPORT (BRSQ) PARA AVALIAR

A MOTIVAđấO PARA A PRÁTICA DE ESPORTES EM ADOLESCENTES E JOVENS ADULTOS

BRASILEIROS.

  Você está sendo convidado a participar de um estudo que têm como objetivo principal verificar

parâmetros estatísticos de um instrumento (questionário) que visa avaliar a motivação para a prática

esportiva em adolescentes e jovens adultos brasileiros. Após sua aceitação, serão previamente marcados a

data e horário para a coleta de dados referente à aplicação do questionário.

  O estudo não oferecerá riscos, pois todas as medidas são formas não invasivas, através de

questionários. Os dados e informações coletas serão tratados com total sigilo e respeito. A identidade de

todos os participantes será preservada, pois cada indivíduo será identificado por um número. O que nos

importa é a informação dos atletas e não quem forneceu as informações.

  Os benefícios e vantagens deste estudo serão contribuir com a validação de um instrumento para a língua portuguesa do Brasil, oferecendo suporte à pesquisas futuras na área da motivação. As pessoas que estarão acompanhando o estudo serão estudantes de mestrado e de graduação em

Educação Física, todas orientadas pelo Prof. Dr. Alexandro Andrade, coordenador do Laboratório de

  Psicologia do Esporte e do Exercício - LAPE.

  Salientamos que você poderá se retirar do estudo a qualquer momento.

  Solicitamos a vossa autorização para o uso de seus dados para a produção de artigos técnicos e científicos. A sua privacidade será mantida através da não-identificação do seu nome.

  Agradecemos a vossa participação e colaboração.

  PESSOA PARA CONTATO Fone: (48) 3321 8652 (48) 8406 3333 Prof. Dr. Alexandro Andrade ENDEREÇO: Rua Pascoal Simone, 358. Coqueiros, Florianópolis/SC

  

TERMO DE CONSENTIMENTO

Declaro que fui informado sobre todos os procedimentos da pesquisa e, que recebi de forma clara e objetiva todas as

explicações pertinentes ao projeto e, que todos os dados a meu respeito serão sigilosos. Eu compreendo que neste

estudo, as medições dos experimentos/procedimentos de tratamento serão feitas em mim sem nenhum risco a minha

integridade física e psicológica.

  Declaro que fui informado que posso me retirar do estudo a qualquer momento. Nome por extenso _________________________________________________________ . Assinatura _____________________________________ Florianópolis, ____/____/____ .

  U N

  I V E R S

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  I I S S - A A E E P P Ó Ó S S G G R R A A D D U U A A Ç Ç Ã Ã O O P P R R O O P P P P G G COMITÊ DE ÉTICA EM PESQUISA EM SERES HUMANOS – CEPSH

TERMO DE CONSENTIMENTO LIVRE E ESCLARECIDO

  

Tắtulo do Projeto: VALIDAđấO DO BEHAVIORAL REGULATION IN SPORT (BRSQ) PARA AVALIAR

A MOTIVAđấO PARA A PRÁTICA DE ESPORTES EM ADOLESCENTES E JOVENS ADULTOS

BRASILEIROS.

  Seu (sua) filho (a) está sendo convidado a participar de um estudo que têm como objetivo

principal verificar parâmetros estatísticos de um instrumento (questionário) que visa avaliar a motivação

para a prática esportiva em adolescentes e jovens adultos brasileiros. Após sua aceitação, serão

previamente marcados a data e horário para a coleta de dados referente à aplicação do questionário.

  O estudo não oferecerá riscos, pois todas as medidas são formas não invasivas, através de

questionários. Os dados e informações coletas serão tratados com total sigilo e respeito. A identidade de

todos os participantes será preservada, pois cada indivíduo será identificado por um número. O que nos

importa é a informação dos atletas e não quem forneceu as informações.

  Os benefícios e vantagens deste estudo serão contribuir com a validação de um questionário

internacional para a língua portuguesa do Brasil, oferecendo suporte a pesquisas futuras na área da

motivação.

  As pessoas que estarão acompanhando o estudo serão estudantes de mestrado e de graduação em

Educação Física, todas orientadas pelo Prof. Dr. Alexandro Andrade, coordenador do Laboratório de

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  Agradecemos a vossa participação e colaboração.

  PESSOA PARA CONTATO Fone: (48) 3321 8652 (48) 8406 3333 Prof. Dr. Alexandro Andrade ENDEREÇO: Rua Pascoal Simone, 358. Coqueiros, Florianópolis/SC

  

TERMO DE CONSENTIMENTO

Declaro que fui informado sobre todos os procedimentos da pesquisa e, que recebi de forma clara e objetiva todas as

explicações pertinentes ao projeto e, que todos os dados a respeito de meu filho (a) serão sigilosos. Eu compreendo que

neste estudo, as medições dos experimentos/procedimentos de tratamento serão feitas em meu filho (a) sem nenhum

risco a integridade física e psicológica.

  Declaro que fui informado que meu filho (a) pode se retirar do estudo a qualquer momento. Nome por extenso _________________________________________________________ . Assinatura _____________________________________ Florianópolis, ____/____/____ .

  APÊNDICE E – ARTIGO COM DADOS EMPÍRICOS UTILIZANDO O QUESTIONARIO DE REGULAđấO DO COMPORTAMENTO NO ESPORTE (QRCE)

  

REGULAđỏES MOTIVACIONAIS PARA A PRÁTICA DE ESPORTES DE ATLETAS

DE ALTO RENDIMENTO

  Diego Itibere Cunha Vasconcellos Alexandro Andrade

  Resumo

  O objetivo deste estudo foi investigar as regulações motivacionais para a prática de esportes de atletas de alto rendimento comparando-se homens e mulheres. Participaram do estudo 167 atletas (130 homens e 37 mulheres) com média de idade

  • – de 19,23anos (±5,53). Utilizou-se o Questionário de Regulação do Comportamento BRSQ (LONSDALE, HODGE e ROSE, 2008). Os resultados apontam que as diferenças na rotina de treinamento entre homens e mulheres apresentam influencia direta na motivação de atletas de alto rendimento e que a motivação, tanto de homens quanto mulheres, é mais orientada por fatores internos, resultando elevada autodeterminação para a prática esportiva.

  Palavras-chave: Motivação. Autodeterminação. Esportes. Abstract

  The aim of this study was to investigate the motivational regulations for sports practice of high level athletes by comparing men and women. The study included 167 athletes (130 men and 37 women) with mean age 19.23 years (±5.53). We used the Brazilian version of the Behavioral Regulation in Sport Questionnaire

  • – BRSQ (LONSDALE, HODGE e ROSE, 2008). The results showed that the differences in the training routine for men and women have a direct influence on the motivation of high-performance athletes and that the motivation of men are more driven by internal factors when compared to women, confirming high self-determination for sports.

  Keywords: Motivation. Self-determination. Sports. Resumen

  El objetivo de este estudio fue investigar la normativa de motivación para los deportes de atletas de alto rendimiento mediante la comparación de los hombres y mujeres. El estudio incluyó a 167 atletas (130 hombres e 14 mujeres) con edad media de 19,23 anos (±5,53). Se utilizó la versión brasileña del Behavioral Regulation in Sport

  Questionnaire

  • – BRSQ (LONSDALE, HODGE e ROSE, 2008). Los resultados indican que las diferencias en la rutina de entrenamiento para los hombres y las mujeres tienen una influencia directa en la motivación de los atletas de alto rendimiento y la motivación de los hombres es más impulsadas por factores internos, en comparación con las mujeres, dando lugar a una mayor auto-determinación para los deportes.

  Palavras-clave: Motivación. Auto-determinación. Deportes.

  INTRODUđấO

  A motivação para a prática de atividades físicas e de esportes tem sido alvo de diversos estudos e investigações em Psicologia do Esporte e do Exercício no Brasil e no mundo (GONÇALVES e ALCHIERI, 2010). Gomez et al. (2007) investigaram a prevalência dos temas estudados na Psicologia do Esporte e do Exercício nas línguas inglesa, espanhola e portuguesa e encontraram resultados semelhantes ao identificar a motivação como sendo a variável mais pesquisada neste contexto.

  Segundo Ryan e Deci (2000), a motivação tem sua essência baseada em diferentes níveis de regulação, os quais podem ser biológicos, cognitivos e sociais, impedindo ou facilitando a adoção de comportamentos. Com este intuito, muitos estudos têm sido conduzidos com o objetivo principal de compreender melhor os fatores sociais e intra-individuais que prejudicam ou facilitam que uma pessoa motive-se a praticar algum tipo de exercício físico e/ou esporte (BLANCHARD et al., 2007).

  Neste contexto, a Teoria da Autodeterminação (TAD) - desenvolvida por Deci e Ryan (1985) - vem se destacando como uma possibilidade de estudo mais detalhada dos aspectos motivacionais relacionados à prática de exercícios físicos e esportes.

  Proposta com o objetivo de compreender os componentes da motivação intrínseca e extrínseca e os fatores relacionados com a sua promoção (GUIMARÃES e BORUCHOVITCH, 2004; VIERLING, STANDAGE e TREASURE, 2007), esta teoria considera que os níveis de regulação da motivação, sejam eles internos ou externos, podem manifestar-se de diferentes maneiras (DECI e RYAN, 2000).

  Tais variações são representadas por um modelo teórico onde a motivação é estabelecida dentro de um continuum, o continuum da autodeterminação. Desde a mais autodeterminada, portanto mais autônoma, passando pela forma mais controlada, até a total falta de controle, sendo denominadas, neste continuum, como motivação intrínseca, motivação extrínseca e amotivação, respectivamente (VIANA, ANDRADE e MATIAS, 2010). produtivos e perdurarem por maior tempo do que quando as motivações são extrínsecas. Quando as pessoas deixam de perceber suas ações como internamente guiadas para se sentirem comandadas, tendem a se desmotivar mais facilmente para a prática, pois não se percebem como autônomas para essa escolha (GUIMARÃES e BORUCHOVITCH, 2004).

  De acordo com as colocações acima citadas, Knijnik, Greguol e Santos (2001) em um estudo de revisão, verificaram que os motivos alegados por crianças e adolescentes para iniciar e persistir na prática esportiva são a diversão, bem-estar físico, competição e a construção de novas amizades, enquanto os principais fatores alegados para o abandono são a falta de competição, ênfase exagerada na vitória e excesso de pressões por parte dos pais e dos técnicos. Percebe-se com esses resultados que a adesão está ligada geralmente a motivações intrínsecas, enquanto o abandono a motivações extrínsecas.

  Além disso, existem estudos que apontam diferenças relacionadas à motivação para a prática esportiva entre homens e mulheres. Enquanto os homens se envolvem na prática esportiva motivados geralmente pela competição e reconhecimento social, as mulheres apresentam uma maior gama de motivos, como saúde, bem-estar, estética e condicionamento, prazer nas atividades, contato social, identificação com o professor ou treinador (MURCIA et al, 2007).

  Contradizendo estes achados, Deschamps e Domingues Filho (2005) verificaram que a maioria dos motivos para a prática se repete em ambos os sexos (prazer na vida). Nesse estudo homens e mulheres diferenciaram-se quanto à socialização, mais presente para os homens, e realização pessoal, mais presente para as mulheres.

  Fundamentados nisso, os estudos embasados pela Teoria da Autodeterminação têm observado que os comportamentos para o exercício e esporte são motivados extrinsecamente variando de acordo com os níveis de regulação (BRICKELL e CHATZISARANTIS, 2007), sendo essa uma nova tendência nos estudos sobre o tema.

  Assim, o objetivo deste estudo foi investigar as regulações motivacionais de atletas de alto rendimento comparando-se homens e mulheres.

  MÉTODO

  Este estudo caracteriza-se como descritivo-correlacional (THOMAS e NELSON, 2002), e teve como sujeitos 167 atletas de nível estadual, nacional e internacional, de ambos os sexos, com idades compreendidas entre 14 e 40 anos (M = 19,23; DP = 5,53), praticantes de 11 diferentes modalidades esportivas, coletivas e individuais (tabela 1). A amostra foi selecionada de forma não-probabilística intencional. Somente participaram do estudo os atletas que assinaram o Termo de Consentimento livre e Esclarecido. No caso dos atletas menores de idade, os mesmos somente participaram do estudo mediante assinatura do Termo de Consentimento Livre e Esclarecido pelos pais ou responsáveis.

  Como instrumentos de pesquisa foram utilizados um Questionário de Caracterização Geral de Atletas, adaptado de Andrade (2001) que foi somado ao

  • – QRCE (VASCONCELLOS e ANDRADE, 2010).

  O Questionário de Caracterização Geral de Atletas inclui questões referentes a dados individuais de acordo com a modalidade praticada (tempo de prática, categoria atual, rotina de treinamento, horas diárias, número de treinos por semana, número de competições por ano, nível de competição que participa, principais expectativas no esporte, entre outros).

  O Questionário de Regulação do Comportamento para o Esporte (QRCE;

  VASCONCELLOS e ANDRADE, 2010) é a versão validada para a língua portuguesa do Brasil do Behavioral Regulation in Sport Questionnaire (BRSQ; LONSDALE, HODGE e ROSE, 2008). Os dados deste estudo fazem parte do estudo final do projeto de validação do instrumento, que já teve as etapas de tradução e adaptação cultural concluídas e devidamente validadas por especialistas em Psicologia do Esporte. Tal instrumento é baseado na Teoria da Autodeterminação e tem o objetivo de quantificar os diferentes níveis de regulações, internas e externas, bem como a amotivação, relacionadas à pratica de esportes. Para este estudo foi utilizada a versão ampliada da escala, que apresentou índice satisfatório de consistência interna (α = 0.84), verificado por meio do coeficiente alfa de Cronbach. O QRCE-6 consiste em 32 questões, divididas em 6 sub escalas (fatores) avaliadas em uma escala likert de 7 pontos. As regulações, ou fatores, são: amotivação (AM), motivação extrínseca de regulação

  

externa (RE), motivação extrínseca introjetada (IJ), motivação extrínseca integrada (IG),

motivação intrínseca (MI), e motivação intrínseca para experiências estimulantes

(MIEE).

  treinamento, individualmente, em ambiente reservado, antes do início da sessão de treinos do dia. Todos os participantes foram informados sobre a relevância do estudo e de que forma poderiam contribuir para a pesquisa. Antes do preenchimento do instrumento foi esclarecido a todos que a participação era voluntária e não obrigatória.

  Os dados foram tratados com estatística descritiva (valores médios, desvios padrão e valores mínimos e máximos) e inferencial. As relações entre as variáveis do estudo foram verificadas através da correlação de Spearman e a comparação das médias entre homens e mulheres por meio do teste ―U‖ de Mann-Whitney.

  RESULTADOS

  Entre os participantes, 130 são do sexo masculino e 37 do sexo feminino. A idade média dos homens foi de 19,63 anos (±5,88), pouco superior a das mulheres que foi de 17,84 anos (±3,75). O tempo de prática esportiva dos homens é superior ao das mulheres, com 6,47 (±5,53) anos para os homens e 5,89 (±2,98) anos para as mulheres.

  x

  Tabela 1: Estatística descritiva [ (±)] das características pessoais dos atletas do estudo.

  Geral Homens Mulheres

  Idade 19,23 (5,53) 19,63 (5,88) 17,84 (3,75) Tempo de prática (anos) 6,34 (5,07) 6,47 (5,53) 5,89 (2,98) Treinos por semana (dias) 4,00 (1,48) 4,05 (1,46) 3,81 (1,54) Horas diárias de treino 2,70 (1,15) 2,74 (1,17) 2,60 (1,05) Competições por ano 5,47 (4,40) 5,32 (4,46) 6,09 (3,80) *Não foram observadas diferenças significativas entre homens e mulheres.

  Observa-se que a rotina de treinamento é diferente (embora não estatisticamente) entre homens e mulheres. Os homens treinam em média 4,05 (±1,46) dias por semana e cada sessão de treino dura 2,74 (±1,17) horas. Já o volume de treinamento das mulheres é menor, treinando 3,81 (±1,54) dias por semana numa média de 2,60 (±1,05) horas diárias em cada treino. O número de competições por ano é ligeiramente superior para as mulheres (6,09 ± 3,80) em relação aos homens (5,32 ± 4,46).

  Os atletas se mostraram autodeterminados para a prática de esportes. Enquanto a amotivação, a regulação externa e a regulação introjetada apresentaram menores índices, a regulação identificada, a regulação integrada e as motivações intrínsecas são as regulações motivacionais que mais influenciam para a prática, fatores que contribuem para um elevado índice de autodeterminação (tabela 2).

  x Tabela 2: Regulações motivacionais [ (±)] dos atletas do estudo.

  Geral Homens Mulheres Reg. Motivacionais (n= 137) (n= 130) (n= 37)

  Amotivação 2,31 (1,47) 2,21 (1,40) 2,65 (1,65) Reg. Externa 2,07 (1,35) 2,03 (1,29) 2,23 (1,56) Reg. Introjetada 2,45 (1,92) 2,44 (1,95) 2,53 (1,80) Mot. Intrínseca 5,58 (1,43) 5,56 (1,56) 5,66 (0,84) MI Exp. Estimulantes 6,04 (0,96) 5,97 (0,99) 6,26 (0,83) *Não foram observadas diferenças significativas entre homens e mulheres.

  Os valores apresentados pelas mulheres para as formas controladas da motivação (regulação externa e regulação introjetada) são mais elevados em relação aos homens. Da mesma forma, as mulheres apresentaram valores mais elevados, quando comparadas aos homens, para as formas autônomas da motivação (regulação identificada e integrada) e motivações intrínsecas (motivação intrínseca geral e motivação intrínseca para experiências estimulantes). Não foram encontradas diferenças significativas entre homens e mulheres para as regulações motivacionais e índice de autodeterminação.

  Considerando as diferenças entre homens e mulheres quanto às regulações motivacionais e variáveis relacionadas com a rotina de treinamento, as análises estatísticas foram realizadas separando os grupos em função do sexo (tabela 3).

  † x

  Tabela 3: Correlação entre regulações motivacionais [ (±)] para a prática de esportes e variáveis de caracterização esportiva e idade dos participantes do estudo.

AM EX

  IJ

  IG-6 MI MIEE Homens

  Idade -,322** -,234** ,005 ,135 ,117 ,232** Tempo de prática -,206* -,128 -,112 ,182* ,038 ,156 Treinos por semana -,111 -,007 -,058 ,107 ,052 ,022 Horas de treino -,109 -,139 -,038 ,072 ,160 ,119 Competições por ano ,076 ,167 ,134 ,142 ,062 ,179*

  Mulheres

  Idade ,319 -,151 -,139 -,116 -,231 -,132 Tempo de prática ,426** ,174 -,084 ,205 ,021 ,166 Treinos por semana -.083 ,096 -,055 ,020 -,016 ,143 Horas de treino -,151 -,074 -,195 ,006 -,093 -,100 Competições por ano -,298 -,178 -,134 ,163 -,216 ,059

  †

  Amotivação (AM); Reg. Externa (EX); Reg. Introjetada (IJ); Regulação Identificada (ID); Regulação Integrada (IG); Motivação Intrínseca (MI); Motivação Intrínseca para Experiências Estimulantes (MIEE).* Correlações significativas ao nível de p<0,05** Correlações significativas ao nível de p<0,01.

  As análises das correlações entre as regulações motivacionais e variáveis de caracterização dos atletas estão apresentadas em função do sexo. Entre as mulheres foi verificada correlação significativa somente entre amotivação e tempo de prática esportiva (r= 0,429; p= 0,009), ou seja, quanto maior o tempo de prática na modalidade maior a influência da amotivação na regulação do comportamento das atletas.

  Para os homens o tempo de prática esportiva esteve inversamente relacionado a amotivação (r= -0,206; p= 0,019) e diretamente relacionado com a regulação integrada, tanto no caso da versão reduzida (r= 0,203; p= 0,021) como na versão ampliada (r= 0,182; p= 0,039). Ou seja, entre os homens, o tempo de experiência na modalidade parece levar a comportamentos regulados deforma mais autônoma.

  Os resultados indicam que os atletas mais velhos tendem a ser mais autodeterminados para a prática esportiva que os mais jovens, sendo menos influenciados pela amotivação e regulação externa. Neste caso, foram observadas correlações inversas entre a idade e a amotivação (r= -0,322; p< 0,001) e regulação externa (r= -0,234; p= 0,007) e direta com a motivação intrínseca para experiências estimulantes (r= 0,232; p= 0,008). motivação intrínseca para experiências estimulantes (r= 0,179; p= 0,045), o que significa dizer que quanto mais os atletas participam de competições maior a influência de fatores internos na regulação do comportamento.

  DISCUSSÃO

  O presente estudo buscou investigar as características motivacionais de atletas de alto rendimento e verificar o comportamento dessas características comparando homens e mulheres.

  Em relação à rotina de treinamento e competições, observou-se que, para as modalidades estudadas, as mulheres apresentam um volume de treinamento menor que os homens, tanto para a quantidade de treinos por semana como número de horas diárias de treino. Autores afirmam que o desempenho atlético dos homens é melhor que o das mulheres porque o homem leva vantagem na quantidade de massa muscular e menor percentual de gordura (FILARDO e NETO, 2001), e VO

  2 máx (NUNES et al,

  2000). Assim sendo, o homem é capaz de gerar mais energia aeróbia total, simplesmente porque possui uma massa muscular relativamente maior e menor percentual de gordura (GOBBO et al., 2002), sendo a composição corporal e o perfil antropométrico fatores importantes para a diferenciação no treinamento físico e técnico entre homens e mulheres.

  Analisando as regulações motivacionais, percebe-se que os atletas se mostram autodeterminados para a prática esportiva. Além disso, todos os atletas, independente motivação intrínseca. Ainda foi verificado que, embora não significativamente, existe uma tendência de que a com o passar do tempo diminua a motivação intrínseca nas mulheres.

  A Teoria da Autodeterminação (TAD) assume a existência de quatro níveis de motivação extrínseca, que está presente quando o comportamento não acontece exclusivamente para satisfação pessoal, mas visto como um meio para atingir um determinado fim (BOICHÉ e SARRAZIN, 2007). Podemos observar nesse estudo que homens e mulheres não se diferenciaram para nenhuma das formas de regulação motivacional.

  Confirmando os pressupostos da TAD, a regulação identificada e a integrada apresentaram valores mais elevados em relação às regulações externa e introjetada, embora os resultados não tenham sido significativos comparando homens e mulheres. Na regulação identificada, o indivíduo considera o esporte importante e aprecia os resultados e benefícios da participação na atividade, enquanto na regulação integrada o indivíduo visa algum tipo de resultado além do prazer da prática. Essas duas regulações estão mais ligadas à motivação intrínseca, embora sejam consideradas extrínsecas (RYAN e DECI, 2000), sendo responsáveis por elevar o índice de autodeterminação, juntamente com a motivação intrínseca.

  O estudo de Lonsdale, Hodge e Rose (2009) verificou a mesma situação em atletas neozelandeses de diversas modalidades, onde a regulação identificada e integrada são tão ou mais influentes sobre essas práticas que a própria motivação intrínseca. Resultado que foi encontrado também no estudo conduzido por Sarmento regulação identificada mais elevada em atletas profissionais.

  A motivação autodeterminada depende de outros fatores além da persistência em determinada tarefa, como a influencia de amigos, família e do treinador (WEISS e CHAUMETON, 1992). A pesquisa de GANGÉ (2003) confirma este efeito, de que influências externas podem motivar de forma elevada os atletas, devido aos atrativos do esporte competitivo. Diferenças são encontradas entre atletas amadores, que relatam como principal motivo para praticar sua modalidade o prazer (fator intrínseco), e profissionais, que se sentem motivados pelos sentimentos de pressão e obrigação de mostrar resultados (fatores extrínsecos). Para Weinberg e Gould (2008), a motivação é considerada uma variável fundamental na adesão e aprendizagem e desempenho em contextos esportivos e de exercício físico. Segundo Ryan et al. (1997), a motivação extrínseca está mais relacionada com a adesão à prática, porém num curto prazo de tempo, enquanto a motivação intrínseca relaciona-se com o envolvimento num tempo mais prolongado. Nesse estudo os resultados corroboram com os acima citados, uma vez que a idade e o tempo de prática na modalidade estiveram inversamente relacionados com a amotivação e a regulação externa e diretamente relacionados coma a regulação integrada e a motivação intrínseca.

  Esses achados confrontam os do estudo de Vissoci et al. (2008), que encontrou que atletas juvenis de voleibol percebem-se menos amotivados para a prática esportiva quando comparados a atletas adultos. Murcia et al. (2007) encontrou elevados níveis de motivação extrínseca e intrínseca e baixos níveis de amotivação ao analisar a idade, que estão iniciando no esporte de alto rendimento apresentam menor amotivação, que se caracteriza como ausência de motivos para participar de determinada tarefa (DECI e RYAN, 1985), em relação à atletas com mais tempo de experiência. Da mesma forma, atletas que praticam uma modalidade há algum tempo são menos motivados intrinsecamente quanto comparados a atletas em inicio de carreira.

  Podem-se refletir ainda questões referentes ao tempo que o atleta treina por dia. Mesmo não sendo um resultado significativo para esta variável (horas por dia), a motivação intrínseca, que representa um comportamento independente, próprio do indivíduo (RYAN e DECI, 2000), parece não ser afetada pelo número de horas treinadas em um dia.

  Foi observada uma correlação de mesma direção entre o nível de motivação intrínseca para experiências estimulantes e a quantidade de competições durante o ano, o que significa dizer que os mais motivados intrinsecamente são os atletas que participam de mais competições. Esse resultado confirma o papel positivo que a competição exerce sobre a motivação em atletas de alto rendimento (GASTON, 2003), dando ênfase á esta variável ser de fato uma experiência estimulante para atletas de alto rendimento, confirmando os achados de Ulseth (2008) de que são os homens que mais se envolvem na pratica esportiva motivados geralmente pela competição e reconhecimento social quando comparados às mulheres.

  CONCLUSÕES

  de alto rendimento o presente estudou indicou a existência de relações entre aspectos da rotina de treinamento e as regulações motivacionais. Homens e mulheres não se diferenciaram significativamente quanto a rotina de treinamento. Da mesma forma, essas diferenças não foram encontradas para as regulações motivacionais desses grupos. Separando as análises por sexo, as principais diferenças entre homens e mulheres foram: a) para os homens a idade esteve positivamente relacionada com motivação intrínseca para experiências estimulantes e inversamente relacionada à amotivação e à regulação externa; b) ainda para os homens, o tempo de prática na modalidade esteve relacionado de forma direta com a regulação integrada e de forma inversa com a amotivação e o número de competições por ano apresentou relação positiva com a motivação intrínseca para experiências estimulantes. Por fim, não foram observadas relações entre aspectos do treinamento e regulações motivacionais para as mulheres.

  Dessa forma, tem-se que as diferenças na rotina de treinamento entre homens e mulheres apresentam influencia direta na motivação de atletas de alto rendimento e que a motivação, tanto de homens quanto mulheres, é mais orientada por fatores internos, resultando elevada autodeterminação para a prática esportiva.

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  Psicologia: Reflexão e Crítica, v. 17, n. 2, p.143-150, 2004.

  GUIMARÃES, S. E. R; BZUNECK, J. A; BORUCHOVITCH, E. Estilos motivacionais de professores: propriedades psicométricas de um instrumento de avaliação. Psicologia:

  Teoria e Pesquisa, v. 19, n. 1, p.17-24, jan./abr. 2003.

  KNIJNIK, J. D; GREGUOL, M; SANTOS, S. S. Motivação no esporte infanto-juvenil: uma discussão sobre razões de busca e abandono de prática esportiva entre crianças e adolescentes. Revista do Instituto de Ciências da Saúde, São Paulo, v. 19, n. 1, p.7- 13, 2001. LONSDALE, C; HODGE, K; ROSE, E. A. The Behavioral Regulation in Sport Questionnaire (BRSQ): Instrument development and initial validity evidence. Journal of Sport & Exercise Psychology, v. 30, p.323-355, 2008. LONSDALE, C; HODGE, K; ROSE, E. A. Athlete burnout in elite sport: A self- MALLET, C; KAWABATA, M; NEWCOMBE, P; OTERO-FORERO, A; JACKSON, S.

  Sport Motivation Scale-6 (SMS-6): A revised six-factor sport motivation scale.

  Psychology of Sport and Exercise, v.8, p. 600 –614, 2007.

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  NUNES, N; KALOZDI, R; AMARAL, S; PROENÇA, J. E; BRAGA, A. M. W; ALVES, M. J. J. N; NEGRÃO, C. E; FORJAZ, C. L. M. Efeito do treinamento físico, baseado em

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  Acadêmica. Psicologia: Teoria e Pesquisa, v. 19, n. 1, p.25-31, jan./abr. 2003. THOMAS, J. R; NELSON, J. K. Métodos de pesquisa em atividade física, 3. ed. Porto Alegre: Artmed, 2002. 419 p.

  ULSETH, A-L. B. New opportunities

  • – complex motivations: gender differences in motivation for physical activity in the context of sports clubs and fitness centers.

  International Journal of Applied Sports Sciences, v. 20, n. 1, p.44-66, 2008.

  VASCONCELLOS, D. I. C. Avaliação da motivação para a prática esportiva em adolescentes e jovens adultos brasileiros: Validação do Questionário de Regulação do Comportamento no Esporte (QRCE). Dissertação. Florianópolis: UDESC, 2011, 133p. contexto da prática de exercícios físicos de adolescentes. Pensar a Prática, v. 13, n. 2, p. 1-18, 2010.

  VIERLING, K. K; STANDAGE, M; TREASURE, D. C. Predicting attitudes and physical activity in an ―at-risk‖ minority youth sample: A test of self-determination theory.

  Psychology of Sport and Exercise, v. 8, n. 5, p.795-817, set. 2007.

  VISSOCI, J. R. N; VIEIRA, L. F; OLIVEIRA, L. P; VIEIRA, J. L. L; Motivação e atributos morais no esporte. Revista da Educação Física/UEM, v.19, n.2, p.173-182, 2008. WILSON, P. M; RODGERS, W. M. The relationship between perceived autonomy support, exercise regulations and behavioral intentions in women. Psychology of Sport

  and Exercise, v. 5, p.229-242, 2004.

  ANEXO A – VERSÃO ORIGINAL DO BEHAVIORAL REGULATION IN SPORT QUESTIONNAIRE (BRSQ)

  

THE BEHAVIORAL REGULATION IN SPORT QUESTIONNAIRE (BRSQ)

LONSDALE, HODGE E ROSE, 2008.

  Why Do You Participate in Your Sport?

Below are some reasons why people participate in sport. Using the scale provided, please indicate how

true each of the following statements is for you. When deciding if this is one of the reasons why you

participate, please think about all the reasons why you participate. There are no right or wrong

answers, so do not spend too much time on any one question and please answer as honestly as you

can. Some items may appear similar but please respond to all the statements by filling the appropriate

circle completely (e.g., ).

  Subscale I participate in my sport… 1. because I enjoy it.

  IM 2. because of the pleasure I experience when I feel completely absorbed in my sport.

  IMS 3. because it’s a part of who I am.

  IG 4. because its an opportunity to just be who I am.

  IG 5. because I would feel ashamed if I quit.

  IJ 6. but the reasons why are not clear to me anymore. AM 7. because I would feel like a failure if I quit.

  IJ 8. but I wonder what’s the point. AM 9. because what I do in sport is an expression of who I am.

  IG 10. because the benefits of sport are important to me.

  ID 11. because I enjoy the feeling of achievement when trying to reach long-term goals.

  IMA 12. because I enjoy the feeling of success when I am working towards achieving something

  IMA important.

13. EX because if I don’t other people will not be pleased with me.

  14. because I like it.

  IM 15. I enjoy learning something new about my sport.

  IMK 16. because I feel obligated to continue.

  IJ 17. but I question why I continue. AM 18. because I feel pressure from other people to play.

  EX 19. because of the excitement I feel when I am really involved in the activity.

  IMS 20. because people push me to play.

  EX 21. because it’s fun.

  IM 22. because it teaches me self-discipline.

  ID 23. because I enjoy doing something to the best of my ability.

  IMA 24. because I would feel guilty if I quit.

  IJ 25. because I find it pleasurable.

  IM 26. because I like learning how to apply new techniques.

  IMK

  27. because I value the benefits of my sport.

  ID 28. because I enjoy learning new techniques.

  IMK 29. because I love the extreme highs that I feel during sport.

  IMS 30. but I question why I am putting myself through this.

  AM 31. because it is a good way to learn things which could be useful to me in my life.

  ID 32. because of the positive feelings that I experience while playing my sport.

  IMS 33. in order to satisfy people who want me to play.

  EX 34. because I get a sense of accomplishment when I strive to achieve my goals.

  IMA 35. because it allows me to live in a way that is true to my values.

  IG 36. for the pleasure it gives me to know more about my sport.

  IMK  7-point Likert scales should be used. 1=Not at all true, 4=Somewhat true, 7=Very True

 A multidimensional measure of IM can be employed by removing the IM items. Alternatively, a

general intrinsic motivation (IM) version of the scale can be used by removing the IMA, IMK, and IMS items.

  ANEXO B Ố QUESTIONÁRIO DE REGULAđấO DO COMPORTAMENTO

NO ESPORTE (QRCE)

  QUESTIONÁRIO DE REGULAđấO DO COMPORTAMENTO NO ESPORTE – BRSQ

(VASCONCELLOS E ANDRADE, 2011)

  Por que Você Pratica o Seu Esporte?

Abaixo estão algumas razões pelas quais as pessoas praticam esportes. Utilizando a escala fornecida,

favor classificar o grau de importância que cada afirmação representa para você. Quando decidir se

alguma destas afirmações é uma razão pela qual você pratica seu esporte, por favor, reflita sobre todos

os fatores que o levam à pratica desportiva. Não existem respostas certas nem erradas. Logo, não

dispense muito tempo por questão e responda da maneira mais honesta possível. Algumas frases

podem ser parecidas, mas é importante que todas sejam respondidas.

  Subescala Eu pratico o meu esporte 1. Porque eu o aprecio.

  MI

  2. Pelo prazer que tenho quando me sinto completamente envolvido no meu esporte. MIEE 3. Porque é uma parte de quem eu sou.

  IG 4. Porque é uma oportunidade de ser exatamente quem eu sou.

  IG 5. Porque eu me sentiria envergonhado se eu desistisse.

  IJ 6. AM Mas o ―por que‖ não é mais tão claro para mim.

  7. Porque eu me sentiria fracassado se desistisse.

  IJ 8. Mas eu me pergunto qual a razão. AM 9. Porque o que eu faço no esporte é uma expressão de quem eu sou.

  IG 10. Porque os benefícios do esporte são importantes para mim.

  ID

  11. Porque eu gosto da sensação de realização quando tento alcançar objetivos de longo MIAO prazo.

  12. Porque eu gosto da sensação de sucesso quando estou trabalhando para alcançar algo MIAO importante.

  13. Porque se eu não o praticar, outras pessoas ficarão insatisfeitas comigo. EX 14. Porque eu gosto/adoro.

  MI

  15. Porque eu gosto de aprender algo novo sobre meu esporte. MIC 16. Porque me sinto obrigado a continuar.

  IJ 17. Mas me pergunto ―por que‖ eu continuo. AM

  18. Porque me sinto pressionado pelos outros para praticar. EX

  19. Pela empolgação que sinto quando estou realmente envolvido na atividade. MIEE 20. Porque as pessoas me pressionam para jogar.

  EX 21. Porque é divertido.

  MI 22. Porque ele me ensina autodisciplina.

  ID

  23. Porque eu gosto de fazer as coisas o melhor que eu posso. MIAO 24. Porque eu me sentiria culpado se eu parasse.

  IJ

  25. Porque eu acho prazeroso.

  MI

  26. Porque eu gosto de aprender como aplicar novas técnicas. MIC 27. Porque eu valorizo os benefícios do meu esporte.

  ID 28. Porque eu gosto de aprender novas técnicas. MIC

  

29. Porque eu adoro as sensações extremas que sinto quando o pratico. MIEE

  30. Mas eu me pergunto por que estou me fazendo passar por isso. AM 31. Porque é uma boa maneira de aprender coisas que podem ser úteis em minha vida.

  ID

  

32. Por causa das sensações positivas que experimento enquanto pratico meu esporte. MIEE

  33. Para satisfazer as pessoas que querem que eu jogue EX

  34. Porque me dá uma sensação de realização quando me esforço para atingir meus MIAO objetivos.

  35. Porque ele me permite viver de uma forma que é verdadeira com meus valores.

  IG

  36. Pelo prazer que me dá em saber mais sobre o meu esporte. MIC

 Utilizar escala Likert de 7 pontos. 1=Não corresponde nada, 4=Corresponde moderadamente,

7=Corresponde exatamente.

 Uma medida multidimensional da MI pode ser usada removendo-se os itens MI. De outra forma, uma

medida geral da MI pode ser empregada removendo-se os itens MIAO, MIEE, e MIC.

  AM Amotivação EX Motivação Externa de Regulação Externa

  IJ Motivação Externa de Regulação Introjetada

  ID Motivação Externa de Regulação Identificada

  IG Motivação Externa de Regulação Integrada MI Motivação Intrínseca MIC Motivação Intrínseca para Conhecer MIAO Motivação Intrínseca para Atingir Objetivos MIEE Motivação Intrínseca para Experiências Estimulantes

  ANEXO C Ố CARTA DE APROVAđấO DO COMITÊ DE ÉTICA

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