OS ESCRAVOS NO RIO GRANDE DO SUL NO PERÍODO DA REVOLUÇÃO FARROUPILHA

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  ANA PAULA DA ROSA SILVA

  

OS ESCRAVOS NO RIO GRANDE DO SUL NO PERễODO DA REVOLUđấO

FARROUPILHA

  Santa Maria, RS 2009 ANA PAULA DA ROSA SILVA

  

OS ESCRAVOS NO RIO GRANDE DO SUL NO PERễODO DA REVOLUđấO

FARROUPILHA

  Trabalho final de graduação apresentado ao curso de História- Licenciatura, do Centro Universitário Franciscano – UNIFRA, como requisito parcial para aquisição do grau de licenciada em História.

  Orientador: Genivaldo Gonçalves Pinto Santa Maria, RS

  2009

  

O ESCRAVO NA REVOLUđấO FARROUPILHA

  Trabalho final de graduação apresentado ao curso de História- Licenciatura, do Centro Universitário Franciscano – UNIFRA, como requisito parcial para aquisição do grau de licenciada em História.

  . _____________________________________________ Prof. Genivaldo Gonçalves Pinto – Orientador (UNIFRA)

  

_________________________________

  Profª. Janaina Souza Teixeira (UNIFRA) ___________________________________

  Prof. Luís Augusto Ebling Farinatti (UFSM) Aprovado em 09 de julho de 2009.

  RESUMO

O presente trabalho objetivou investigar como se deu a participação dos escravos no

período da Revolução Farroupilha através de uma pesquisa bibliográfica. Pretendeu-se

rever a historiografia sobre o tema a partir de uma abordagem com elementos da História

Social envolvendo considerações da História Econômica e Política. Diante dos argumentos

exumados a partir da bibliografia basilar, constatou-se que os escravos tiveram participação

crucial na economia da Província do Rio Grande do Sul, cujo desenvolvimento proporcionou

uma significativa taxa de crescimento demográfico e arquitetônico, transparecendo na

estética urbana elementos de pura semelhança européias contemporâneas, somados a

estilos ecléticos inclusive. Durante a Revolução Farroupilha, marco inflexível na História

Regional e do Brasil, o escravo teve destacada importância política e militar. Importância

política, em virtude de ter sido alvo de disputas tanto pelos imperiais quanto dos farrapos.

Para qualquer dos lados que pendesse a sua presença numerosa, influiria como o fiel da

balança, para o sucesso de um grupo em detrimento do insucesso do outro. Importância

militar, porque sua presença nas forças revoltosas proporcionava ou mantinha um

significativo poder de combate, fundamental para a causa. Decorre disso que a inclemência

imperial tentou a todo custo minimizar, administrativamente, o poder farrapo, provocando

uma baixa em seu efetivo negro, contudo não obteve sucesso. O êxito só foi conseguido no

plano arquitetado por Caxias e Canabarro, na Surpresa de Porongos, onde quase todo o

efetivo de lanceiros negros foram covardemente mortos. Seu sacrifício, um epitáfio político,

é um dos alicerces da história do Estado do Rio Grande do Sul.

  Palavras-chave: Escravo. Rio Grande do Sul. Trabalho. Revolução Farroupilha. ABSTRACT

The aim of this work was to investigate how the participation of slaves in the age of the

Farroupilha Revolution came about through bibliographic research. The intention was to look

at the historiography of the theme based on studies which include elements of Social History

involving Economic History and Politics. Looking at arguments extracted from the

fundamental bibliography, it was found that the slaves had a crucial role in the economy of

the Province of Rio Grande do Sul, whose development caused a significant rate of

demographic and architectural growth, creating elements of similarity in urban aesthetics to

contemporary Europe, coupled with eclectic styles. During the Farroupilha Revolution, a

fixed point in regional and national history, the slaves had marked political and military

importance. They obtained political importance because they had been the focus of

disputes between imperials and “farrapos” (Farroupilha soldiers) alike. To whichever side

they gave their strong presence, they would have a strong influence, providing the success

of one group and the failure of the other. Their military importance came from the fact that

their presence in the revolutionary forces provided, or maintained, significant combat power,

which was fundamental for the cause. Meanwhile, imperial inclemency tried at all costs to

minimise, administratively, the power of the “farrapos”, creating a decline in their body of

black slaves, but they were unsuccessful. Success was only achieved through a plan

contrived by Caxias and Canabarro in the “Surprise of the Porongos”, where almost all the

body of black lancers were pointlessly killed. Their sacrifice, a political epitaph, is one of the

foundations of the history of the state of Rio Grande do Sul.

  Keywords: Slave. Rio Grande do Sul. Work. Farroupilha Revolution.

  

SUMÁRIO

  1 INTRODUđấO................................................................................................ 3

  2 PRODUđấO ECONÔMICA NO RIO GRANDE DO SUL DA PRIMEIRA METADE DO SÉCULO XIX (1801-1850)..................................................

  5

  3 PARTICIPAđấO DOS ESCRAVOS NO RIO GRANDE DO SUL DO SÉCULO XIX.............................................................................................

  8

  4 REVOLUđấO FARROUPILHA (1835-1845)............................................ 11

  5 PARTICIPAđấO DOS ESCRAVOS NA REVOLUđấO FARROUPILHA........................................................................................

  15

  6 CONCLUSÃO................................................................................................. 19 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS................................................................. 20 ANEXOS – fotografias .................................................................................

  22

  Este trabalho discute uma importante temática na área de estudos da história do Rio Grande do Sul, qual seja, os escravos no Estado, no período da Revolução Farroupilha.

  Segundo Flores (2004, p. 28), “o governo republicano usou negros e mulatos” para o trabalho burocrático e também no exército e na marinha. A presença do negro é marcada por várias atividades nesse período histórico do Rio Grande do Sul, sendo a economia e a cultura muito influenciadas pela presença do negro no início do século XIX.

  Diante disso, delineou-se o seguinte problema de pesquisa: como se deu a participação dos escravos na Revolução Farroupilha? O objetivo geral consiste em conhecer o papel dos escravos na Revolução Farroupilha. Tendo como objetivos específicos, identificar as principais atividades econômicas existentes no RS, no século XIX; entender como os escravos se inseriram nas atividades econômicas no RS; listar as principais motivações da Revolução Farroupilha e analisar a forma da participação dos escravos na Revolução Farroupilha.

  Este estudo se justifica, considerando que existe necessidade de esclarecer os dados históricos que mostram a importância dos escravos na Revolução Farroupilha. Os “mitos” que ainda podem ser encontrados em parte das obras sobre o tema e o que certamente foi vivenciado nesse período histórico povoam a mente dos pesquisadores da área e instigam o surgimento de novas pesquisas. Para além disso, compreender a história desse período no Estado do Rio Grande do Sul possibilita a compreensão do presente momento histórico, permitindo que as questões sociais, econômicas e culturais possam ser mais bem compreendidas a partir do esclarecimento desse período da história.

  O presente trabalho caracteriza-se por ser uma pesquisa bibliográfica que, de acordo com Gil (2002), consiste na apresentação de materiais já elaborados, ou sistematizados. Dessa forma, foram utilizadas as contribuições teóricas de CARDOSO (1997), FLORES (2004), LEITMAN (1986,1985), MAESTRI FILHO (1984, 2002), PESAVENTO (1980, 1985), KUHN (2002).

  Esta pesquisa está organizada em seis capítulos, além das referências bibliográficas. Seguindo-se à introdução, onde se destaca o ambiente em que se situam os personagens, têm-se a segunda parte, referindo-se às questões da economia da Província do Rio Grande do Sul no século XIX, abordando as principais atividades econômicas como o trigo, a pecuária e o charque. Na terceira parte, foi discutida a forma segundo a qual se deu a participação dos escravos na economia da Província, destacando-se as atividades desempenhadas por eles, tanto no ambiente urbano (atividades domésticas e artesanato entre outros) quanto no campo (atividades de produção agrícola e trato da pecuária). Na quarta parte, descrevem- se as causas da eclosão da Revolução Farroupilha, identificando-se as repercussões políticas, sociais e econômicas dessa insurgência na perspectiva de seus atores. Na quinta parte, especifica-se o trabalho escravo na Revolução Farroupilha, destacando-se, nesse processo, as promessas dos senhores de escravos, de liberdade não-concretizada. E, por último, apresenta-se uma conclusão.

  

2 PRODUđấO ECONÔMICA NO RIO GRANDE DO SUL DA PRIMEIRA METADE

DO SÉCULO XIX(1801-1850)

  No século XVIII e no começo do século XIX, a Província do Rio Grande do Sul destacou-se economicamente no mercado interno brasileiro, principalmente pelas

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  produções de trigo e charque . A produção tritícola sul-rio-grandense atingiu seu auge entre os anos de 1787 e 1813, tendo entrado em decadência a partir da década de 1820, devido a uma praga chamada ferrugem, e à concorrência externa do trigo norte-americano. “Os principais mercados consumidores do trigo sul-rio- grandense eram o Rio de Janeiro, a Bahia e Pernambuco” (KÜHN, 2002, p.65).

  A primeira fase da pecuária foi caracterizada pela criação do gado selvagem, ou seja, pela “caça” aos animais soltos nos campos, e, na segunda fase, foi associada à produção de charque. A atividade charqueadora já existia no continente antes de 1780, mas não como atividade mercantil.

   A primeira charqueada comercial estava voltada para a exportação e foi

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  implantada por José Pinto Martins às margens do Arroio Pelotas, em terreno concedido pelo governo. O desenvolvimento da charqueada teve a influência de três fatores, quais sejam, uma efêmera situação de paz por conseqüência da assinatura do Tratado de Santo Ildefonso (1777), permitindo a expansão das estâncias de criação sobre as novas terras, e a influência das secas ocorridas no Nordeste (Ceará, Piauí e Bahia), nas décadas de 1770 e 1790, que desarticularam a produção de carne seca naquelas regiões (KÜHN, 2002). “Os principais mercados consumidores do charque sul-rio-grandense eram o Rio de Janeiro, a Bahia e Pernambuco” (KÜHN, 2002, p. 68).

  No final do século XVIII, o charque tornou-se o primeiro produto de exportação do Vice-reinado do Prata, reorientando a criação de gado para fins mercantis. Através da criação de gado e da produção de charque, o Rio Grande do Sul integrou-se à economia central de exportação como abastecedora do mercado interno. O escravo foi a mão de obra por excelência na charqueada, mas não na estância, onde ele apareceu desde o início sem, contudo, ser fundamental no 1 processo produtivo. 2 Carne de vaca ou boi, salgada e cortada em mantas.

  

Nascido em Portugal, chegou ao Ceará com 22 anos. Depois de insucessos no local, estabeleceu-se onde

hoje é Pelotas, mais precisamente junto ao Arroio Pelotas, constituindo-se em seu primeiro grande empreendedor e promotor do desenvolvimento urbano que se seguiu a essa iniciativa. Morreu em Pelotas em

  As duas principais conseqüências do desenvolvimento da economia charqueadora foram a valorização do rebanho bovino e o aumento do número de escravos africanos, utilizados como mão de obra preferencial.

  A charqueada aumentou a utilização da mão de obra escrava no Rio Grande do Sul, o que levou os charqueadores a ter certa dependência em relação aos traficantes de escravos, além de criar problemas de competição com o charque platino, que utilizava a mão de obra livre.

  Junto com a atividade charqueadora, foi criado um mercado regional para o gado no Rio Grande do Sul, em que os lucros maiores eram obtidos pelos charqueadores, em prejuízo dos criadores.

  As charqueadas foram estabelecidas em diversas partes da Província: existiam estabelecimentos na Região do Rio Jacuí, nas lagunas dos Patos e Mirim, em Porto Alegre, Rio Grande, Pelotas e Jaguarão, entre outras localidades.

  Pela sua excelente posição geográfica, Pelotas passou a ser o grande centro charqueador sul-rio-grandense. Entre os motivos do sucesso das charqueadas pelotenses estavam o fácil acesso aos rebanhos de gado da campanha e as vias navegáveis de escoamento pelo Canal de São Gonçalo até ganhar o Oceano

  3 Atlântico, através do porto de Rio Grande .

  Apesar da importância da charqueada para a economia sul-rio-grandense, não se pode definir o século XIX somente por essa atividade. A atividade da pecuária era a mais relevante, mas, em outras regiões da província, novos modelos sociais e econômicos começavam a se desenvolver. A produção sul-rio-grandense de erva-mate abastecia o mercado interno regional e também era exportada para a região do Prata.

  A vinda dos imigrantes para o Brasil, no século XIX, foi um fato que se inseriu no processo mais amplo da expansão do capitalismo em nível mundial. No que diz respeito às nações que receberam imigração, como o Brasil, a inserção no processo fortificava-se na medida em que, internamente, ocorria a transição da mão de obra escrava para a mão de obra livre.

  No que toca à inserção do Rio Grande do Sul neste processo de escolha das localidades para onde seguiriam os imigrantes, a província concorria com o centro

  3 cafeicultor do eixo São Paulo – Rio de Janeiro, notadamente quanto aos imigrantes alemães e italianos, que aqui chegaram em 1824 e 1875, respectivamente.

  A partir da década de 1840, seguindo até a de 1870, é possível evidenciar o desenvolvimento de uma agricultura comercial de gêneros de subsistência para a capital da província.

  Antes da década de 1890, a indústria estava concentrada no Rio de Janeiro e no Rio Grande do Sul, em Pelotas, visando mais ao abastecimento do mercado nacional do que às necessidades locais.

  A elevada concentração fundiária, que impedia um crescimento demográfico mais acentuado, era um obstáculo ao desenvolvimento da agricultura de subsistência, considerando que os latifundiários davam maior importância à criação de gado.

  Um dos grandes problemas naquele período era a falta de mão de obra livre, fator contributivo para a manutenção e incremento do negócio de escravos para tocar as atividades dos estabelecimentos.

  As limitações da agricultura de subsistência tinham como reflexo a geração de problemas de abastecimento e de carestia, que eram agravados pela precária estrutura de transporte.

  A história da agricultura para o mercado interno do Sul apresentou-se em três fases básicas: a primeira, desenvolvida pelos colonos açorianos na produção de trigo; a segunda, caracterizou-se por um período de abandono da agricultura em favor da criação de gado e, a última, é identificada como a da expansão da produção agrícola a partir a imigração de colonos alemães e à colonização das terras florestais.

  Na pecuária, esse problema era menor, considerando-se que o gado era transportado até os mercados organizados das primeiras décadas de 1800. Bastava aos estancieiros tropear seus produtos até as charqueadas de Pelotas ou até as feiras de Sorocaba, em São Paulo.

  O escravo era utilizado de diversas formas no Brasil Meridional. De acordo com a área considerada, inseriu-se num momento histórico, no plano da economia mercantil organizada para atender os estímulos implementados nas áreas mais desenvolvidas do país bem como da região do Prata, ou para organizar-se em uma economia de subsistência.

  Existiam negros escravos desde a primeira metade do século XVIII, no início da formação do Rio Grande do Sul. De acordo com Cardoso (1997, p. 48), o “escravo foi utilizado somente em escala restrita na economia das vilas fortificadas e nos currais, que retinham o gado preado”.

  O comércio, e em alguns casos o contrabando de negros escravos com o Rio da Prata, foi insistente, embora as fontes de informação para avaliar a importância numérica dessa atividade sejam escassas e precárias.

  Para a produção de trigo no Rio Grande do Sul do início do século XIX, optou- se parcialmente pela mão de obra escrava e, mesmo assim, não se explica a maioria de negros na população do Rio Grande, no começo do século XIX. Pode-se compreender que, além de realizarem trabalhos diversos, “houve outro canal regular de absorção da mão de obra escrava na economia gaúcha: a estância e o charque” (CARDOSO, 1997, p.60).

  Foi através da indústria do charque que o trabalho do escravo tornou-se regular e mais intenso. A indústria do charque, apesar dos vários períodos de crise pelos quais passou, constituiu-se, durante todo o século XIX, o setor da economia gaúcha que mais utilizou o trabalho escravo.

  O Sul não se diferenciou das demais regiões do Brasil em relação à utilização da mão de obra escrava. Exemplo disso é que, nas cidades, nos serviços domésticos e no artesanato, também existiu a participação da mão de obra negra. Salienta-se que sua participação no sistema artesanal urbano colaborou para a “integração dos negros a sociedade de classes” (CARDOSO, 1997, p. 78).

  A opção do trabalho escravo nas fazendas e sobretudo na produção do trigo explica a intensa presença da mão de obra escravizada no primeiro censo demográfico do Rio Grande do Sul, de 1780. “Nesse momento, encontravam-se já plenamente estruturadas a produção e a sociedade escravista sulina” (MAESTRI,

  As maiores fazendas pastoris da Região da Campanha também foram povoadas com grande número de cativos, que se dedicavam às atividades domésticas, também nas das roças e da pecuária.

  Já no Uruguai, o escravismo foi uma relação social de produção dependente, mas não dominante. Os escravos negros dedicavam-se às tarefas domésticas, não produtivas. O escravo, no saladeiro, ao contrário do Rio Grande do Sul, ocupou um papel secundário mas não essencial, desde as primeiras décadas do século XIX.

  Durante os anos de 1845-52, enquanto se extinguia a escravidão no Uruguai, o contrabando de cativos pelos criadores sulinos e uruguaios, desde os departamentos setentrionais daquele país para o Rio Grande do Sul, contribuiu decisivamente para o crescimento da população cativa sul-rio-grandense.

  Através das dificuldades que o escravismo impôs à charqueada sul-rio- grandense, deve-se explicar a quantidade dos escravos no conjunto das inversões do charqueador, principalmente, devido a ser esta “inversão inicial de compra de escravos” própria e específica do modo de produção escravista e determinante para sua economia política (MAESTRI, 1984).

  A historiografia mais recente começa a reconhecer que a produção da pecuária se realizava no Rio Grande do Sul também por meio de uma combinação de trabalho escravo e livre.

  A escravidão, nas regiões nas quais predominava a atividade da pecuária, não é um dos temas mais usados na historiografia brasileira. Com uma produção voltada para o mercado interno e para a economia exportadora, por muito tempo a criação de gado foi vista como uma atividade que, muitas vezes, não proporcionava acumulação de capital suficiente para sustentar a incorporação contínua de trabalhadores cativos.

  O Rio Grande do Sul foi uma das mais importantes zonas de criação de gado dos séculos XVIII e XIX. Ficou demonstrada a centralidade das relações escravistas nas charqueadas, principal elo entre a economia sulina e as áreas da grande lavoura, em outras regiões do Brasil ao longo do século XIX.

  Segundo Farinatti (2006), a historiografia tradicional não via a importância do trabalho escravo na pecuária.

  Os escravos constituíam de forma efetiva o conjunto de mão-de-obra das estâncias, ao lado dos trabalhadores livres. O costeio do gado, atividade principal dos estabelecimentos pecuários, seguia sendo descrito como domínio quase que exclusivo dos peões livres. Ali, a utilização dos escravos teria sido apenas eventual e menos ocasional (FARINATTI, 2006, p.2).

  O autor supracitado aponta que os escravos foram importantes tanto nas lavouras de pequena extensão ou não, dentro das estâncias como no costeio do gado, esta última atividade realizada ao lado dos peões livres.

  A proporção da quantidade de africanos e crioulos entre pequenos, médios e grandes criadores de gado estava menos para o tamanho do rebanho do que para o número de homens adultos, mulheres e crianças, exigindo, assim, a existência de uma maior especialização nas atividades a que eram destinados.

  A Revolução Farroupilha foi uma revolta promovida por parte da elite sul-rio- grandense contra o governo imperial e seus aliados na Província. Essa rebelião ocorreu entre 1835 e 1845, e resultou na declaração de independência da República Rio-grandense, em 1836. A república nunca foi reconhecida pelo Império do Brasil, mas chegou a ter presidente, ministros e até uma assembléia constituinte.

  As principais causas do conflito são múltiplas, mas podem se resumir dois temas básicos: insatisfação com a condição econômica desfavorável a que era submetida a Província, principalmente quanto a tarifas e também às questões políticas que não haviam sido resolvidas entre o governo do Império e as elites locais para a administração da Província.

  No início do século XIX, deu-se a conquista, pelos luso-brasileiros, do território que hoje é a metade oeste do Rio Grande do Sul. Esse era um espaço

  .

  disputado entre as coroas ibéricas Com a efetiva conquista portuguesa das Missões, desde o fim da Guerra Guaranítica, em 1756, os criadores de gado se estabeleceram no antigo território dos Sete Povos das Missões Guaranis, que antes

  .

  pertencia ao Império Espanhol As melhores terras da Província para a criação de gado ficavam ao sul do Rio Ibicuí, “na Campanha, as pastagens do sudoeste, pendendo para o vale do Uruguai e a bacia do Prata” (LEITMAN,1979, p.16).

  Os proprietários brasileiros estabeleceram-se também ao norte do Rio Negro, em uma região que ficou pertencendo à República Oriental do Uruguai, após o fim das Guerras Cisplatinas, em 1828. Aproximadamente no final da Guerra dos Farrapos, uma das maiores estâncias abrangia 60 léguas quadradas. De acordo com Leitman (1979, p. 23), existia um “número muito grande de escravos em quase todas as estâncias”.

  Essa região de fronteira, que englobava a campanha sul-rio-grandense e o Norte do Uruguai, era uma área de grandes estâncias, tornando-se a principal zona de abastecimento das charqueadas. A existência dos limites políticos não impedia um trânsito constante de pessoas e gado nessa região. Os líderes das milícias e, após 1831, da Guarda Nacional, eram também os grandes estancieiros dessa região e tinham grande capacidade de mobilização de homens e armas. Muitos dos líderes farroupilhas faziam parte desse grupo.

  O gado produzido nas estâncias era enviado às charqueadas de Pelotas e do Jacuí. Dali o charque era comercializado para as regiões de “plantations” do Sudeste e do Nordeste do Brasil.

  No princípio do século XIX, o Rio Grande do Sul já tinha definido o seu perfil sócio-econômico: grande fornecedor para o mercado interno brasileiro e uma sociedade militarizada forjada nas lutas contínuas contra os castelhanos (PESAVENTO, 1985, p. 23).

  Foi com o charque que a economia sul-rio-grandense encontrou a sua colaboração de abastecedor do mercado interno brasileiro. O salgamento da carne já era praticado no Rio Grande do Sul, mais foi só no final do século XVIII que essa atividade passou a ser realizada em escala comercial, destinada ao abastecimento do restante do Brasil, onde o charque era utilizado como alimento dos escravos.

  Nas zonas de guerra, a pecuária representava um perigo menor do que a agricultura. À medida que os luso-brasileiros entravam na Cisplatina, no período de 1811 a 1825, o cultivo de trigo começou a cair. Enquanto isso, a indústria da charqueada local expandiu-se rapidamente. Os sul-rio-grandenses começaram a criar gado na Banda Oriental, fazendo grandes estoques. O preço do gado subiu, atraindo os homens para a pecuária, com isso tornando-se um negócio lucrativo e afastando-os das atividades agrícolas. As guerras colaboraram para uma grande transformação na indústria de carne sul-rio-grandense, assim como para a sociedade. Os estabelecimentos de charque surgiram em Pelotas e ao longo do Rio Guaíba. O gado da Banda Oriental, vendido a preço muito baixo, e a interrupção do funcionamento das indústrias de carne salgada (os “saladeros”) de Montevidéu, em razão das guerras de independência, colaboraram para o sucesso dos sul-rio- grandenses.

  Os estancieiros e charqueadores protestavam contra os impostos. Os primeiros tinham dois interesses: o mercado externo de couro e o mercado interno de carne salgada. Com os protestos, tentavam influenciar de certa maneira a política brasileira, exigindo impostos maiores para as importações de seus competidores e taxas mais baixas para suas exportações.

  Após a revolta de sete de abril de 1831, que forçou D. Pedro I a abdicar do trono em favor de seu filho menor, os moderados no poder mantiveram as forças armadas na mesma situação anterior quanto aos efetivos e criaram a Guarda fronteiriço, principalmente. Na primeira metade da década de 1830, foram muitos os conflitos com os governantes da Província do Rio Grande do Sul, nomeados pelo poder central contrariando os interesses políticos e econômicos da elite sul-rio- grandense.

  Existia certa esperança no Rio Grande do Sul, nos primeiros anos da década de 1830, de que novas idéias liberais dos círculos governamentais do Rio de Janeiro resolveriam muitos problemas políticos e econômicos sul-rio-grandenses.

  O início da revolta farroupilha se deu em 20 de setembro de 1835, em razão da frustração com o fato dos liberais não terem atendido às pretensões federalistas dos grupos sul-rio-grandenses mais radicais. Além disso, como já foi dito, havia descontentamento com os impostos pagos pelo charque gaúcho e seu desfavorecimento em relação à concorrência do charque platino. O presidente da província e o comandante de armas tinham destituído Bento Gonçalves e Bento Manoel Ribeiro, grandes chefes da Guarda Nacional, de seus postos de comandantes da fronteira. Estes tornaram-se os líderes do nascedouro da Revolução Farroupilha.

  Em seu momento inicial, a Revolução Farroupilha não tinha claramente como objetivo a separação e o republicanismo, mas, sim, a substituição dos representantes do governo central (LEITMAN, 1979, p.25). Na verdade, havia dois grupos entre os farroupilhas. De um lado, estavam os que pretendiam apenas a modificação da presidência da província, liderados por Bento Manuel e, de outro, os liberais exaltados, liderados por Bento Gonçalves, que tinham projetos mais radicais, como a monarquia federativa ou até mesmo a separação e a república.

  O movimento teve um ritmo crescente até mais ou menos 1839, com a conquista de Pelotas e Rio Pardo e a invasão de Santa Catarina. Em Laguna, Garibaldi e Davi Canabarro fundaram a República Juliana (PESAVENTO, 1980).

  A partir de 1841, porém, a luta vira em favor do Império. Com o final das revoltas em outras províncias, como Pará e Maranhão, o Império conseguiu concentrar forças na luta contra os farroupilhas. Nos anos seguintes, sob o comando do Barão de Caxias, as forças imperiais conseguem avançar sobre a região da campanha, onde estavam as forças farroupilhas. Os últimos anos do combate foram marcados pelo fato de que os farroupilhas não tinham bases fixas, movimentando-se sempre, entrando e saindo da República Oriental do Uruguai para atacar os próximo e favorável ao Império. Assim, os acordos de paz começaram a ser estudados pelos dois lados. Foi nesse cenário que se deu o encaminhamento da questão dos negros escravos que haviam lutado no exército farroupilha.

  Como foi visto, havia escravos nas diversas atividades econômicas da Província do Rio Grande do Sul, na época da Revolução Farroupilha. Isso se dava inclusive nas grandes estâncias do interior. A população rural se dividiu na guerra entre os farroupilhas e os imperiais. Os farroupilhas utilizaram escravos em suas fileiras e prometeram a liberdade para aqueles que lutassem pela causa da república. Porém, esses escravos vinham, de preferência, das propriedades dos legalistas imperiais e não das próprias estâncias e charqueadas dos farroupilhas.

  Muitos destes mantiveram seus escravos trabalhando em seus estabelecimentos ou tentaram enviá-los para novas propriedades no Uruguai, como fez Domingos José de Almeida, ministro da fazenda da República sul-rio-grandense.

  O objetivo dos revolucionários era desequilibrar os legalistas, alistando sua mão de obra, os escravos, a quem prometiam liberdade em troca do serviço militar. Quando o escravo dos legalistas era capturado, podia escolher entre servir ao exército republicano ou continuar como escravo, agora sendo propriedade do Tesouro Nacional dos farroupilhas. O escravo de propriedade do governo republicano podia ser alugado aos oficiais do exército e aos cidadãos.

  Assim, pode-se perceber que o fato dos farroupilhas prometerem a liberdade para os escravos que lutassem em seu exército não significou que a república sul- rio-grandense fosse antiescravista. Ao contrário, a república nunca aboliu a escravidão em seu território e a liberdade para os escravos não constou em seu projeto de constituição. A escravidão era uma instituição importante na economia pecuária das grandes estâncias e das charqueadas, e o governo republicano não estava disposto a abrir mão dela.

  Existia distinção de homens livres, isto porque era permitida a existência de outros não-livres. Mantendo, desta forma, os diferentes tipos de status ou de classes dentro da mesma população, o projeto de Constituição não dava aos libertos direitos políticos, excluindo-os das eleições paroquiais e impedindo-os de votar nas eleições para deputados, senadores e conselheiros do Estado (FLORES, 2004).

  A república não concedeu liberdade aos cativos em seu território porque, de acordo com a doutrina liberal, o Estado não podia intervir na propriedade privada. Neste caso, o escravo era considerado como bem móvel que podia ser vendido, alugado, trocado, hipotecado, herdado e legado como dote (FLORES, 2004, p. 30).

  Por outro lado, os imperiais também buscaram desestabilizar o exército farroupilha e fizeram propostas aos escravos que lutavam do lado republicano. O escravo que abandonasse os republicanos receberia perdão e seria enviado para fora da província, à custa do governo imperial, a fim de evitar qualquer vingança por parte dos rebeldes (FLORES, 2004, p. 32).

  O governo imperial tinha como objetivo minar as forças militares dos republicanos, que tinham a colaboração de negros em sua infantaria, a única arma capaz de manter o terreno conquistado, pois a maior parte do exército farroupilha era composta de cavalaria, arma de ataque que necessitava de apoio da infantaria.

  A cavalaria republicana era composta pelos guardas nacionais que se desmobilizavam, após os combates, até que, quando necessário, fossem reunidos para a próxima missão. Os negros, por serem libertos, continuavam reunidos em acampamentos, mantendo sempre seu potencial bélico.

  Outra forma de admissão dos escravos no exército farroupilha ocorria quando um senhor de escravo substituía seu filho por um escravo seu com a carta de liberdade. Aquele podia então ser dispensado do serviço militar. Enquanto o liberto permanecesse nas fileiras do exército, seu antigo dono teria a isenção do serviço em campanha (FLORES, 2004).

  A principal participação dos escravos nas forças farroupilhas se deu no Corpo de Lanceiros, fazendo parte da infantaria, ao lado de índios e mulatos. Também foi determinado que todo homem de cor negra a serviço da república que desertasse ou fugisse para o inimigo retornaria a condição de escravo. Existia um pacto entre os escravos que optavam por servir na Infantaria ou no Corpo de Lanceiros, com o governo republicano. Os lanceiros, junto com todos os componentes do exército da república, fizeram um juramento de fidelidade à causa da independência. A fidelidade sendo quebrada por parte do escravo que tinha sido libertado, obrigava-o a retornar à condição de escravo.

  O fato mais polêmico que envolveu a participação dos escravos na Revolução Farroupilha se deu no final da guerra, a chamada “Surpresa de Porongos” ou, como querem alguns, a Traição de Porongos (FLORES, 2004).

  Oficialmente, as negociações envolviam o fato de que os escravos que lutaram nas fileiras republicanas seriam considerados como livres, porém, o Tratado de Ponche Verde não pode ser considerado um verdadeiro tratado, pois não se deu entre documento. Nem Caxias ou qualquer outro representante do Império colocou sua assinatura. Essa farsa era justificada por encobrir a tal “Surpresa de Porongos, onde os negros foram traídos, abandonados e levados como escravos para o Rio de Janeiro” (FLORES, 2004).

  Para Leitman (1985), a “Surpresa de Porongos” foi uma batalha resultante de um acordo entre Caxias e David Canabarro. Em uma negociação secreta, decidiu-se por destruir parte do exército farroupilha, em especial o contingente de negros. Sem conhecimento do que Canabarro havia negociado, os negros foram emboscados e mortos após terem bravamente lutado.

  Segundo os cálculos do exército imperial, os negros formavam de um terço à metade do exército rebelde, mas tinham que continuar ligados à Revolução, que prometia liberdade quando chegasse a vitória final, pois eles, um contingente numeroso e aguerrido, eram mais importantes do que parecia.

  No ano de 1837, um decreto imperial declarava que os farrapos negros que abandonassem a causa rebelde receberiam liberdade se fossem apresentados às autoridades imperiais. Estava incluído no Tratado de Paz de Ponche Verde, assinado no dia 1º de Março de 1845, o artigo quarto, que libertava os escravos que haviam servido para os rebeldes. Mesmo assim, ficariam livres do serviço militar no exército imperial e seriam libertados. Para se proteger contra represálias dos Farrapos, o governo resolveu transportá-los com tudo pago para outra Província.

  Os farrapos queriam paz com honra, mas estavam realmente esperando por concessões pessoais e regionais, além de exigir liberdade para os escravos armados. Eles concordaram que a liberdade para os negros farrapos só seria aceitável se eles pudessem ser controlados de alguma forma, como no exército, ou então não se poderia fornecer essa liberdade. Seria um problema premiar com a liberdade escravos que lutaram contra o Império. Isso poderia servir de mau exemplo para os cativos em outra insurreição. Além disso, se a liberdade fosse concedida, seria preciso lidar com um grande número de ex-escravos que conheciam técnicas de guerra e haviam construído laços de companheirismo e amizade durante a guerra. Esses ex-escravos tinham parentes e amigos que ainda eram escravos. Libertar os negros farroupilhas traria grande instabilidade para a ordem escravista.

  Os negros que estavam presos em Porongos e em Arroio Grande seguiram nessa condição, prisioneiros, para o Rio de Janeiro, conforme ordens recebidas pelo Barão de Caxias (FLORES, 2004).

  Os farrapos não estavam respeitando o acordo que fizeram com os escravos dos imperiais, por eles capturados para lutarem em troca de liberdade. ”Caxias apenas cumpriu as ordens que recebeu do governo imperial, de não dar a liberdade aos negros” (FLORES, 2004, p. 65).

  Segundo Moacyr Flores, os historiadores sul-rio-grandenses, com medo de macular nossos heróis, ignoraram os documentos, criando imagens falsas de Porongos e da anistia concedida aos índios e brancos por Caxias (FLORES, 2004).

  Este estudo sobre o escravo no Rio Grande do Sul teve por objetivo conhecer seu papel na Revolução Farroupilha e também no período que cerca este grande acontecimento. A tão sonhada república rio-grandense mesmo prometendo liberdade aos seus escravos que lutassem em seu nome, não ficou conhecida como antiescravista e a liberdade para os seus escravos não fez parte do projeto de constituição. Os negros não tinham direito de participar nas eleições para cargos importantes.

  Para isso, foi necessário identificar as principais atividades econômicas na Província do Rio Grande do Sul, nesse período da história, verificando que os escravos, na condição de maior contingente de mão de obra, tiveram uma participação importante no desenvolvimento econômico. As principais atividades desenvolvidas estavam relacionadas à agricultura, pecuária e produção de charque.

  Esses produtos tinham consumidores nas Províncias do Rio de Janeiro, Bahia e Pernambuco, o que fortalecia a economia sul-rio-grandense.

  Nesse contexto, as motivações da Revolução Farroupilha, que foi uma revolta da elite sul-rio-grandense contra o governo imperial, ocorrida entre 1835 e 1845, só tiveram como resultado prático a efêmera independência da república sul-rio- grandense, por motivos óbvios, não reconhecida pelo Império.

  As causas dessa revolução foram a insatisfação com a condição econômica da província e questões políticas entre o império e as elites locais. O escravo participou intensa e ativamente dessa luta, quer como mão de obra escravizada, quer como integrante da tropa farrapa, seu ativo combatente. O ônus pago pelo escravo foi a própria vida, com a promessa de liberdade.

  Finalmente, para além da ativa participação do escravo na Revolução Farroupilha, na economia, na cultura da Província do Rio Grande do Sul, que se considera incontestável, parece haver uma dívida social para com os negros.

  Destaca-se a importância de trazer à tona esses dados históricos, para que as pessoas possam compreender muito dos eventos passados da história que ainda repercutem nos dias atuais, como forma de desenvolver a consciência social.

  REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

  BAKOS, Margaret Marchiori. A Escravidão negra e os farroupilhas. In: PESAVENTO, Sandra Jatahy (Org.). A Revolução Farroupilha: história e interpretação. Porto Alegre: Mercado Aberto, 1985.

  CARDOSO, Fernando Henrique. Capitalismo e escravidão no Brasil meridional: o negro na sociedade escravocrata do Rio Grande do Sul. 4. ed. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1997.

  FARINATTI, Luis Augusto. Escravos do pastoreio: pecuária e escravidão na fronteira meridional do Brasil (Alegrete, 1831-1850). Santa Maria: CIÊNCIA & AMBIENTE, nº 33 jul./dez 2006, p.1-21.

  FLORES, Moacyr. Negros na Revolução Farroupilha: traição em Porongos e farsa em Ponche Verde. Porto Alegre: EST, 2004.

  GIL, Antonio Carlos. Como elaborar projetos de pesquisa. 4. ed. São Paulo: Atlas, 2002.

  KUHN, Fábio. Breve história do Rio Grande do Sul. Porto Alegre: Leitura XXI, 2002.

  LEITMAN, Spencer Lewis. Raízes sociais e econômicas da guerra dos farrapos: um capítulo da história do Brasil no século XIX. Rio de Janeiro: Graal, 1979.

  _____. Negros farrapos: hipocrisia racial no sul do Brasil no século XIX. In: PESAVENTO, S.J. (org). A Revolução Farroupilha: história e interpretação. Porto Alegre: Mercado Aberto, 1985.

  MAESTRI FILHO, Mário José. O Escravo no Rio Grande do Sul: a charqueada e a gênese do escravismo gaúcho. Caxias do Sul: EDUCS, 1984.

  _____. Deus é grande o mato é maior! História trabalho e resistência dos trabalhadores escravizados no Rio Grande do Sul. Passo Fundo: UPF, 2002. PADOIN, Maria Medianeira. A Revolução Farroupilha. In: BOEIRA, Nélson; GOLIN, Tau. (coord.). Império. Passo Fundo: Mérito, 2006. v. 2.

  PESAVENTO, Sandra Jatahy. História do Rio Grande do Sul. Porto Alegre: Mercado Aberto, 1980.

  _____. A Revolução Farroupilha. 3. ed. São Paulo: Brasiliense, 1985. ZARTH, Paulo Afonso. A estrutura agrária. In: BOEIRA, Nélson; GOLIN, Tau. (Coord.). Império. Passo Fundo: Mérito, 2006. v. 2.

  ANEXOS - Fotografias

  

Figura 1: Imagem atual de satélite localizando a Cidade de Pelotas, o Arroio Pelotas serpenteando

de Norte para Sul, as Lagunas dos Patos e Mirim e entre elas, o Canal de São Gonçalo. Fonte: Google Map.

  Figura 2: Identificação da charqueada à entrada. Fonte: Foto do Orientador.

  Figura 3: Fachada da Charqueada São João. Fonte: Foto do Orientador.

  Figura 4: Detalhe Sul da Charqueada São João. Fonte: Foto do Orientador.

  Figura 5: Detalhe da fachada da Charqueada São João. Fonte: Foto do Orientador.

  

Figura 6: Detalhe Sul da Charqueada São João onde toca o Arroio Pelotas. O sentido da corrente é

da esquerda para a direita. Fonte: Foto do Orientador.

  

Figura 7: Vista do Arroio Pelotas tendo a montante a Charqueada São João, local de onde foi tirada a

foto. Fonte: Foto do Orientador.

  Figura 8: Identificação da charqueada à entrada. Fonte: Foto do Orientador.

  Figura 9: Detalhe Norte da fachada da Charqueada Boa Vista. Fonte: Foto do Orientador.

  

Figura 10: Vista do Arroio Pelotas tendo ao fundo, próximo à sua curva, detalhe da Charqueada

Santa Rita. O sentido da corrente é de cima para baixo. Fonte: Foto do Orientador.

  

Figura 11: Vista do Arroio Pelotas. O sentido da corrente é dos barcos para o horizonte. As

charqueadas aqui identificadas estão à montante desta posição. Fonte: Foto do Orientador.

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