O TRIBUNAL DE CONTAS DOS MUNICÍPIOS DO ESTADO DO CEARÁ E AS MEDIDAS DE CONTROLE JUDICIAL DE ATOS VOLTADOS AO EXAME DAS CONTAS PÚBLICAS MUNICIPAIS

Livre

0
0
75
1 year ago
Preview
Full text

  

UNIVERSIDADE FEDERAL DO CEARç

FACULDADE DE DIREITO

FELêCIA PINHEIRO DE ALBUQUERQUE LIMA

  

O TRIBUNAL DE CONTAS DOS MUNICêPIOS DO ESTADO DO

CEARç E AS MEDIDAS DE CONTROLE JUDICIAL DE ATOS

  

VOLTADOS AO EXAME DAS CONTAS PòBLICAS MUNICIPAIS

FORTALEZA

2010

  FELêCIA PINHEIRO DE ALBUQUERQUE LIMA O TRIBUNAL DE CONTAS DOS MUNICêPIOS DO ESTADO DO CEARç E AS MEDIDAS DE CONTROLE JUDICIAL DE ATOS

  VOLTADOS AO EXAME DAS CONTAS PòBLICAS MUNICIPAIS

  Monografia submetida ˆ Coordena•‹o do Curso de Gradua•‹o em Direito, da Universidade Federal do Cear‡, como requisito parcial para obten•‹o do grau de Bacharel em Ci•ncias Jur’dicas. Orientadora: Prof.» Me. Deborah Sales Belchior.

  FORTALEZA

  

FELêCIA PINHEIRO DE ALBUQUERQUE LIMA

O TRIBUNAL DE CONTAS DOS MUNICêPIOS DO ESTADO DO

CEARç E AS MEDIDAS DE CONTROLE JUDICIAL DE ATOS

  

VOLTADOS AO EXAME DAS CONTAS PòBLICAS MUNICIPAIS

  Monografia submetida ˆ Coordena•‹o do Curso de Gradua•‹o em Direito, da Universidade Federal do Cear‡, como requisito parcial para obten•‹o do grau de Bacharel em Ci•ncias Jur’dicas.

  Aprovada em ____/____/______.

  

BANCA EXAMINADORA

  _________________________________________________ Prof.» Me. Deborah Sales Belchior (Orientadora)

  Universidade Federal do Cear‡ - UFC _________________________________________________

  Prof.» Dra. Denise Lucena Cavalcante Universidade Federal do Cear‡ - UFC

  _________________________________________________ Mestrando Marcus Claudius Sab—ia Rattacaso

  Universidade Federal do Cear‡ - UFC

  Aos meus adorados pais, F‡tima e Fernando, os quais tanto admiro pelas inœmeras virtudes e valores, sobretudo pelo amor, alegria, dedica•‹o e esfor•o em proporcionar todo o suporte na minha carreira estudantil e acad•mica, bem como pelo constante incentivo aos estudos e ˆ leitura. E ao meu amado Lucas, pelo companheirismo, apoio, est’mulo, criticas e sugest›es t‹o essenciais para meu aprimoramento pessoal, profissional e social.

  

AGRADECIMENTOS

  Ë minha Orientadora, Prof.» Me. Deborah Sales, pela dilig•ncia e suporte oferecidos no desenvolvimento desta monografia. Ë Prof.» Dra. Denise Lucena e ao Mestrando Marcus Rattacaso, pela aten•‹o e disposi•‹o para apreciar o trabalho em comento. Ë delicada e estimada amiga Emi Teixeira, pela solicitude, disponibilidade, dilig•ncia, aten•‹o e carinho no suporte ˆ execu•‹o desta monografia. Ao admirado amigo Leonardo Wandemberg, pelo aux’lio e sabedoria nas li•›es que muito colaboraram com o presente trabalho. Aos meus ilustr’ssimos amigos da Salamanca, Ana Sofia, Denis e Rudmila, pelo companheirismo sincero, amizade profunda, suporte em toda trajet—ria acad•mica e discuss›es saud‡veis travadas ao longo do curso.

  

RESUMO

  Refere-se ao estudo do Tribunal de Contas dos Munic’pios do Estado do Cear‡, com enfoque no desempenho do controle das finan•as municipais, bem como de medidas judiciais que podem provocar a revis‹o dos atos da aludida institui•‹o quando desconformes ˆs balizas constitucionais e legais. Busca-se demonstrar que o referido —rg‹o desempenha fun•›es complexas e tŽcnicas, essenciais para o acompanhamento e fiscaliza•‹o das gest›es pœblicas municipais. Contudo a larga compet•ncia conferida ˆ Corte de Contas dos Munic’pios Cearenses deu margem para alguns desvirtuamentos de suas atribui•›es, motivo pelo qual ser‹o cab’veis algumas medidas de controle judicial destes atos administrativos inquinados.

  Palavras-chave: Controle financeiro. Finan•as Pœblicas. A•‹o declarat—ria. Mandado de seguran•a.

  

ABSTRACT

  Refers to the study of the ÒTribunal de Contas dos Munic’pios do Estado do Cear‡Ó (Financial Court of the Municipalities of CearaÕs State), with a focus on the performance of the control of municipal finances, and the legal actions that may lead to revision of the acts of said institution, which are inconsistent with constitutional and legal foundations. It also demonstrates that this Court performs complex functions and techniques essential for monitoring and surveillance of municipal administrations. However the broad power conferred on the Financial Court of the Municipalities of CearaÕs State gave rise to some distortion of their duties, that why are possible propel some measures of judicial review of contaminated administrative acts.

  Keywords: Financial Court of the Municipalities of CearaÕs State. External control. Legal actions.

  

SUMçRIO

  

INTRODU‚ÌO ..................................................................................................................... 9

  

1 O MUNICêPIO NA REPòBLICA FEDERATIVA DO BRASIL ................................... 10

  

1.1 Evolu•‹o hist—rica............................................................................................................ 10

  

1.2 Atual posi•‹o jur’dica...................................................................................................... 14

  

2 O TRIBUNAL DE CONTAS COMO îRGÌO DE CONTROLE EXTERNO ............ 17

  

2.1 O dever constitucional de prestar contas....................................................................... 17

  

2.2 Hist—ria do Tribunal de Contas no pa’s......................................................................... 19

  

2.3 Origem do Tribunal de Contas dos Munic’pios do Estado do Cear‡ ......................... 20

  

2.4 Posi•‹o Institucional do Tribunal de Contas................................................................. 21

  

2.5 Compet•ncias do TCM/CE ............................................................................................. 27

  

2.6 Organiza•‹o do Tribunal de Contas dos Munic’pios Cearenses ................................. 30

  

3 OS PROCESSOS DE CONTROLE DE CONTAS PòBLICAS NO TRIBUNAL DE

CONTAS DOS MUNICêPIOS DO ESTADO DO CEARç ............................................... 38

  

3.1 Presta•‹o de Contas de Governo.................................................................................... 42

  

3.2 Presta•‹o de Contas de Gest‹o....................................................................................... 44

  

3.3 Tomada de Contas de Gest‹o.......................................................................................... 49

  

3.4 Tomada de Contas Especial ............................................................................................ 50

  

3.5 Procedimentos complementares ..................................................................................... 52

  3.5.1 Auditorias e Inspe•›es .................................................................................................... 52

  3.5.2 Consulta .......................................................................................................................... 54

  

4 MEDIDAS JUDICIAIS DE CONTROLE DE CERTOS ATOS DO TRIBUNAL DE

CONTAS DOS MUNICêPIOS DO ESTADO DO CEARç VOLTADOS AO EXAME

DAS CONTAS PòBLICAS................................................................................................... 56

  

4.1 A•‹o Anulat—ria ............................................................................................................... 57

  4.1.1 Conceito e cabimento ..................................................................................................... 59

  4.1.2 Legitimidade ativa e passiva........................................................................................... 62

  4.1.3 Prazo e compet•ncia ....................................................................................................... 64

  

4.2 Mandado de Seguran•a................................................................................................... 66

  4.2.1 Conceito e cabimento ..................................................................................................... 66

  4.2.2 Legitimidade ativa e passiva........................................................................................... 67

  4.2.3 Prazo e compet•ncia ....................................................................................................... 68

  

5 CONCLUSÌO..................................................................................................................... 69

BIBLIOGRAFIA ................................................................................................................... 70

  

INTRODU‚ÌO

  O controle auxiliar externo desempenhado pelo Tribunal de Contas dos Munic’pios, sobretudo no Estado do Cear‡, desenvolveu-se como significativa atividade de fiscaliza•‹o das contas pœblicas municipais.

  Nesse viŽs, propugna-se pelo breve exame dos fundamentos hist—ricos da institui•‹o do Munic’pio, sua evolu•‹o nas Constitui•›es Brasileiras e a posi•‹o atual como entidade integrante da Federa•‹o brasileira.

  Em seguida, ao se tratar do Tribunal de Contas como —rg‹o de Controle Externo, descrever-se-‡ sucintamente acerca da obriga•‹o de prestar contas, estatu’da pela Carta Magna de 1988, a evolu•‹o hist—rica dos Tribunais de Contas no Brasil, seguindo-se pela origem, compet•ncias conferidas e atual organiza•‹o da Corte de Contas dos Munic’pios do Estado Cearense, retratando tambŽm sua natureza jur’dica sob o viŽs doutrin‡rio e legal.

  Ainda ser‹o analisados os principais processos do Tribunal de Contas dos Munic’pios do Estado do Cear‡, cingindo-se ˆqueles destinados ao controle dos gastos pœblicos municipais e consequente fiscaliza•‹o das contas prestadas pelos gestores municipais.

  Por œltimo, nessa esteira de crescente atua•‹o e influ•ncia do controle externo da gest‹o pœblica municipal, se distanciando por vezes de l’dima e correta avalia•‹o das contas pœblicas, ser‹o observadas duas medidas judiciais de not—ria import‰ncia como leg’timos instrumentos de controle de alguns atos da Corte de Contas, quando eivados de alguns v’cios formais e/ou materiais, com significativo emprego no meio forense.

1 O MUNICêPIO NA REPòBLICA FEDERATIVA DO BRASIL

  Antes da an‡lise do nœcleo do presente trabalho, cumpre destacar a import‰ncia de um estudo breve sobre a figura do Munic’pio, perpassando pelo desenvolvimento hist—rico e atual patamar do ente na Repœblica Federativa do Brasil.

1.1 Evolu•‹o hist—rica

  A forma•‹o do Munic’pio, como unidade pol’tico-administrativa, remonta ˆ Civiliza•‹o Romana, em seu per’odo republicano, a qual se organizou com a finalidade de preserva•‹o da paz em todo o territ—rio conquistado ao longo da It‡lia e parte da Europa antiga, estruturando-se as comunidades dominadas em municipium ou municipia.

  Nesse sentido, a primeira legisla•‹o respons‡vel pelas defini•›es e diretrizes do Munic’pio como organiza•‹o pol’tico-geogr‡fica foi conferida ao general e estadista romano

  1 Lœcio CornŽlio Sila, que viveu por volta de 138 ˆ 78 a.C .

  O jurista Hely Lopes Meirelles, ao seu passo, elucida que somente elegiam seu governo os cidad‹os Ð grupo constitu’do pelos homens livres Ð em detrimento dos

  2 estrangeiros, tidos por peregrinos, portanto, sem qualquer direito a votar .

  Por conseguinte, esses munic’pios romanos eram administrados por um colŽgio de magistrados, encarregados pela justi•a, por arrecadadores de tributos, fiscais de neg—cios pœblicos, defensores da cidade, not‡rios e escribas.

  O autor logo aludido registra tambŽm que o poder de legislar era atribu’do a um Conselho Municipal, formado por inœmeros cidad‹os romanos, por determinado per’odo, cujo papel aproximava-se ao desempenhado pelo poderoso Senado Romano. 1 Cumpre ressaltar que o modelo romano de munic’pio expandiu-se para as demais COSTA, Nelson Nery. Direito municipal brasileiro. 3. ed. rev. e ampl. Rio de Janeiro: Forense, 2006. p. 3. col™nias da It‡lia por for•a da edi•‹o da Lex Julia Municipalis, durante o governo de Caio Jœlio CŽsar, por volta do ano 79, sendo igualmente adotado nas prov’ncias da GrŽcia, G‡lia e Pen’nsula IbŽrica, ap—s ˆs invas›es de Sylla.

  Com o advento da Idade MŽdia, os b‡rbaros introduziram algumas modifica•›es na estrutura municipal romana, dentre as quais cabe destacar a substitui•‹o de Conselho de Magistrados pela Assembleia Pœblica de Vizinhos, de modo que suas atribui•›es passaram a ser alŽm de judiciais, administrativas e policiais, bem como a cria•‹o de cargos de alcaides (o magistrado de ent‹o), alvacis e almotacŽis (inspetor de pesos e medidas de g•neros).

  Assim esta estrutura tambŽm foi implantada no Estado Portugu•s, que denominava o munic’pio de Comuna, em muito se assemelhando ˆ administra•‹o municipal romana.

  Nesses moldes, a organiza•‹o do munic’pio foi trazida ao Brasil, por meio da ent‹o Metr—pole Portuguesa, submetendo-se aos ditames das Ordena•›es Afonsinas, Manuelinas e Filipinas, no per’odo colonial da hist—ria brasileira.

  Durante a exist•ncia da Col™nia Brasileira, o munic’pio teve sua atua•‹o bastante reduzida, no que tange ˆ perspectiva de poder de influ•ncia na pol’tica central, em decorr•ncia da organiza•‹o geopol’tica pelo sistema de capitanias, mitigando a pretens‹o de autonomia local, t’pica do modelo romano e portugu•s.

  A despeito da reduzida autonomia pol’tico-administrativa, por iniciativa pr—pria, o poder local adotava medidas que interferiam significativamente na esfera municipal, alcan•ando a administra•‹o, governo e justi•a, conforme ilustra Meirelles (2006, p. 36 e ss), na obra susomencionada:

  Realizavam obras pœblicas, estabeleciam posturas, fixavam taxas, nomeavam ju’zes- almotacŽis, recebedores de tributos, deposit‡rios pœblicos, avaliadores de bens penhorados, alcaides-quadrilheiros, capit‹es-mores de ordenan•as, sargentos-mores, capit‹es-mores de estradas, ju’zes da vintena e tesoureiros-menores. Julgavam injœrias verbais, e n‹o raras vezes, num incontido extravasamento de poder, chegaram essas C‰maras a decretar a cria•‹o de arraias, a convocar Òjuntas do povoÓ para discutir e deliberar sobre interesses da Capitania, a exigir que governadores comparecessem aos seus povoados para tratar de neg—cios pœblicos de ‰mbito estritamente local, a suspender governadores de suas fun•›es e atŽ mesmo dep™-lo, como fez a C‰mara do Rio de Janeiro com Salvador Correia de S‡ e Benevides, substitu’do por Agostinho Barbalho Bezerra. desempenhando inœmeras fun•›es essencialmente municipais, contribuindo, ainda que despretensiosamente, para a futura compreens‹o deste como ente federado.

  Seguindo-se ˆ independ•ncia do Brasil, a Constitui•‹o Imperial de 1824 Ð primeira refer•ncia constitucional do Pa’s Ð estagnou a progressiva autonomia das municipalidades, ainda que trouxesse, em seu bojo, a institui•‹o das C‰maras Municipais, uma vez que o centralismo pol’tico marcara o per’odo, conforme elucida Hely Lopes Meirelles, ex vi:

  Desprestigiadas politicamente, jungidas ˆ Prov’ncia e despojadas do poder judicante, as Municipalidades do ImpŽrio contrastaram gritantemente com a organiza•‹o anterior, do Munic’pio colonial, que desfrutava de franquias mais largas e 3 consent‰neas com suas finalidades .

  A Constitui•‹o Republicana de 1891, no seu passo, propugnou que a organiza•‹o de seus Estados-membros assegurasse o desempenho das atividades municipais, segundo a

  4

  prescri•‹o constante no artigo 68 . Contudo, a realidade n‹o se manteve diversa daquela vislumbrada no diploma anterior, isto Ž, a municipalidade continuaria ˆ margem do Estado Brasileiro.

  Diversamente, a breve Constitui•‹o de 1934 estatuiu uma ordem jur’dica consent‰nea ˆ autonomia municipal. Pela primeira vez, tratou-se acerca da imprescindibilidade de rendas pr—prias para se viabilizar o desenvolvimento do Munic’pio,

  5 bem como o desempenho de servi•o pœblico aut™nomo, consoante se extrai do artigo 13 .

  Dando seguimento ˆ trajet—ria dos diplomas constitucionais, a Carta Magna de 1937 foi marcada pelo retrocesso da almejada autonomia municipal na Repœblica Brasileira. O 3 regime pol’tico do Estado Novo, notoriamente ditatorial, caracterizou-se pela forte 4 Idem, p. 38.

  

Art. 68 - Os Estados organizar-se-‹o de forma que fique assegurada a autonomia dos Munic’pios em tudo

quanto respeite ao seu peculiar interesse.

In: BRASIL. Constitui•‹o (1891). Constitui•‹o da Repœblica Federativa do Brasil. Bras’lia: Senado Federal,

2010. Dispon’vel em: <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Constituicao/Constitui•ao91.htm> Acesso em 22 de

5 abr. 2010.

  Art. 13 - Os Munic’pios ser‹o organizados de forma que lhes fique assegurada a autonomia em tudo quanto respeite ao seu peculiar interesse; e especialmente: I - a eletividade do Prefeito e dos Vereadores da C‰mara Municipal, podendo aquele ser eleito por esta;

  II - a decreta•‹o dos seus impostos e taxas, a arrecada•‹o e aplica•‹o das suas rendas; III - A organiza•‹o dos servi•os de sua compet•ncia.

In: BRASIL. Constitui•‹o (1934). Constitui•‹o da Repœblica Federativa do Brasil. Bras’lia: Senado Federal,

2010. Dispon’vel em: <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Constituicao/Constitui•ao34.htm> Acesso em 22 de concentra•‹o do poder e centralismo da administra•‹o estatal brasileira no Poder Executivo Federal, suprimindo as atribui•›es asseguradas ao Munic’pio pela Constitui•‹o anterior.

  Em seguida, o ide‡rio de democracia no pa’s foi restabelecido pelo movimento das For•as Armadas, em 1945, de modo que, agora com mais intensidade, ressurgira a autonomia pol’tica, administrativa e financeira do Munic’pio, distribuindo-se os poderes com o ente em alus‹o com a consequente descentraliza•‹o da administra•‹o pœblica.

  A despeito de nova ditadura instaurada no Brasil, ressalte-se que, na Constitui•‹o de 1967 e sobretudo na Emenda Constitucional de 1969, a autonomia municipal foi resguardada por estes diplomas, ainda que em moldes mais estreitos que no anterior.

  Cumpre destacar que, na Emenda Constitucional de 1969, determinou-se que a fiscaliza•‹o or•ament‡ria e financeira fosse efetivada atravŽs do controle interno exercido pela Prefeitura e do controle externo desempenhado pela C‰mara Municipal, com o apoio do Tribunal de Contas do Estado ou —rg‹o equivalente, conforme se depreende do artigo 16, ¤1¼

  6 da referida Emenda .

  A institui•‹o de Tribunais de Contas de Munic’pios tambŽm fora limitada ˆqueles com popula•‹o superior a dois milh›es de habitantes e renda tribut‡ria superior a 500 milh›es de cruzeiros, segundo entabulado no artigo 16, ¤3¼.

  Por fim, a vigente Constitui•‹o da Repœblica inseriu o Munic’pio na composi•‹o da atual Federa•‹o Brasileira, consoante se extrai dos artigos 1¼ e 18, erigido, portanto, ao patamar de ente pol’tico de relevo para organiza•‹o do Estado Brasileiro, refor•ando sobremaneira suas atribui•›es no ‰mbito administrativo, pol’tico e financeiro, de modo a conferir-lhe capacidade de auto-organiza•‹o, auto-administra•‹o, auto-legisla•‹o e 6 autogoverno.

  

Art. 16. A fiscaliza•‹o financeira e or•ament‡ria dos munic’pios ser‡ exercida mediante contr™le externo da

C‰mara Municipal e contr™le interno do Executivo Municipal, institu’dos por lei.

¤1¼ O contr™le externo da C‰mara Municipal ser‡ exercido com o aux’lio do Tribunal de Contas do Estado ou

—rg‹o estadual a que f™r atribu’da essa incumb•ncia.

¤2¼ S˜mente por decis‹o de dois ter•os dos membros da C‰mara Municipal deixar‡ de prevalecer o parecer

prŽvio, emitido pelo Tribunal de Contas ou —rg‹o estadual mencionado no ¤ 1¼, s™bre as contas que o Prefeito

deve prestar anualmente.

¤3¼ S˜mente poder‹o instituir Tribunais de Contas os munic’pios com popula•‹o superior a dois milh›es de

habitantes e renda tribut‡ria acima de quinhentos milh›es de cruzeiros novos.

In: BRASIL. Emenda Constitucional (1969). Constitui•‹o da Repœblica Federativa do Brasil. Bras’lia:

Senado Federal, 2010. Dispon’vel em:

<http://www.planalto.gov.br/CCIVIL/Constituicao/Emendas/Emc_anterior1988/emc01-69.htm> Acesso em 22

1.2 Atual posi•‹o jur’dica

  Como se depreende da evolu•‹o hist—rica, o papel do Munic’pio no Brasil sofreu inœmeras oscila•›es, por vezes se retraindo ou sendo ampliado em decorr•ncia dos regimes

  7

  pol’ticos vigentes, segundo brilhante observa•‹o de Hely Lopes Meirelles , ipsis litteris:

  (É) o conceito de Munic’pio flutuou no Brasil ao sabor dos regimes, que ora alargava, ora comprimiam as suas franquias, dando-lhe liberdade pol’tica e financeira ou reduzindo ˆ categoria de corpora•‹o meramente administrativa, embora todas as Constitui•›es do Brasil inscrevessem em seus textos a t‹o aspirada autonomia municipal.

  A despeito da singela atua•‹o do Munic’pio no contexto atual da organiza•‹o pol’tico-administrativa da Federa•‹o Brasileira, este assumiu variadas responsabilidades, influindo sobretudo em esferas nas quais haja a predomin‰ncia do interesse local, de acordo com o mŽtodo de reparti•‹o de compet•ncias adotado pelo sistema constitucional brasileiro.

  Nesse diapas‹o, o Poder Pœblico Municipal tem ocupado posi•‹o de significativa import‰ncia como ente federado, passando, desde a promulga•‹o da Carta Magna de 1988, a gozar de efetiva autonomia pol’tica, com not—rias capacidades de auto-organiza•‹o, auto- administra•‹o, auto-legisla•‹o e autogoverno. Ressalve-se que a entidade apresenta apenas o Poder Legislativo e Executivo.

  Portanto, cumpre salientar que a composi•‹o do Estado Federal Brasileiro Ž marcada pela assimetria de seus entes, isto Ž, pela diversidade de poder e autonomia, peculiaridades s—cio-econ™micas de cada um, cuja configura•‹o se formou ao longo da evolu•‹o de regimes pol’ticos no sentido da centraliza•‹o para a descentraliza•‹o, culminando com a integra•‹o do Munic’pio na estrutura federativa.

  Ademais, colacione-se a importante li•‹o do desembargador cearense, Dr. Fernando

8 Luiz Ximenes Rocha , ao destacar determinada particularidade da autonomia municipal, in

  7 verbis: 8 MEIRELLES, op. cit., p. 43.

  

ROCHA, Fernando Luiz Ximenes. Controle de constitucionalidade das leis municipais. 2. ed. S‹o Paulo:

  No entanto, o que h‡ de peculiar concernente ˆ autonomia municipal no Direito Brasileiro Ž que, enquanto em outros pa’ses ela Ž fruto da cria•‹o dos costumes, ou de leis ordin‡rias, no Brasil essa autonomia Ž contemplada no pr—prio texto constitucional, pairando sobre a legisla•‹o infraconstitucional, que n‹o pode alter‡- la e h‡ de respeit‡-la dentro dos contornos estabelecidos pela Constitui•‹o, sob pena de ser reconhecida inv‡lida por v’cio de inconstitucionalidade.

  Noutro viŽs, cumpre analisar o enquadramento doutrin‡rio conferido ao Munic’pio.

  9 Em termos gerais, o jurista e doutrinador Uadi Lamm•go Bulos o classifica como Òunidades

  geogr‡ficas division‡rias dos Estados-membros, dotados de personalidade jur’dica de Direito Pœblico Interno (...) para administrar, descentralizadamente, servi•os de interesse localÓ.

  10 Supletivamente, Hely Lopes Meirelles aduz que ÒDiante de atribui•›es t‹o

  eminentemente pol’ticas e de um largo poder de autogoverno, sua posi•‹o atual no seio da Federa•‹o Ž de entidade pol’tico-administrativa de terceiro grau (...)Ó.

  De fato, a Carta Magna de 1988 conferiu significativa autonomia pol’tica e administrativa ao Munic’pio, concedendo-lhe merecido espa•o pol’tico e jur’dico para gest‹o dos interesses locais.

  11 Nesse sentido, aduz o ilustre doutrinador Paulo Bonavides acerca da destacada

  independ•ncia conferida ao ente federado, valendo-se de tr•s dispositivos constitucionais (artigos 18, 29 e 30) para fundamentar e dar juridicidade ˆ referida autonomia, ipsis litteris:

  Faz-se mister assinalar desse modo o significado decisivo, inŽdito e inovador que assume o art. 18 da Constitui•‹o vigente. Esse artigo inseriu o munic’pio na organiza•‹o pol’tico-administrativa da Repœblica Federativa do Brasil, fazendo com que ele, ao lado do Distrito Federal, viesse a formar aquela terceira esfera de autonomia, cuja presen•a, nos termos em que se situou, altera radicalmente a tradi•‹o dual do federalismo brasileiro, acrescido agora de nova dimens‹o b‡sica. (...) Traz o art. 29, por sua vez, um consider‡vel acrŽscimo de institucionaliza•‹o, em apoio ˆ concretude do novo modelo federativo estabelecido pelo art. 18, visto que determina seja o munic’pio regido por lei org‰nica, (...) Enfim, o art. 30, discriminando a matŽria de compet•ncia dos munic’pios, tem uma latitude de reconhecimento constitucional desconhecida aos textos antecedentes de nosso constitucionalismo. 9 E para o efetivo desempenho desta independ•ncia pol’tica e administrativa, fez-se 10 BULOS, Uadi Lamm•go. Curso de direito constitucional. S‹o Paulo: Saraiva, 2007. p. 729.

  MEIRELLES, op. cit., p. 46. imprescind’vel a concess‹o de poder para possuir renda pr—pria, isto Ž, arrecadar seus tributos e aplicar as rendas, de forma que a Constitui•‹o tambŽm conferiu ao ente a autonomia financeira.

  Importa destacar que a aludida autonomia financeira implica na administra•‹o das despesas e receitas pœblicas municipais, que s‹o, por sua vez, fiscalizadas pelos Tribunais de Contas do Estado ou do Munic’pio, onde existir.

  Por esta raz‹o afigura-se imprescind’vel a compreens‹o acerca do papel da Corte de Contas, sobretudo a dos Munic’pios do Estado do Cear‡, como —rg‹o de controle externo e an‡lise das Contas Pœblicas Municipais, que parece despontar em conson‰ncia com o crescente movimento de legalidade, impessoalidade, moraliza•‹o, transpar•ncia e efici•ncia da Administra•‹o do Estado Brasileiro, impressos pela Constitui•‹o em vigor e os diplomas legais posteriores.

  

2 O TRIBUNAL DE CONTAS COMO îRGÌO DE CONTROLE

EXTERNO

  Cumpre destacar que o presente estudo acerca da Corte de Contas n‹o pretende esgotar as discuss›es sobre a matŽria, mas contribuir para a forma•‹o e import‰ncia do desenvolvimento de uma mentalidade cr’tica a respeito desta institui•‹o.

2.1 O dever constitucional de prestar contas

  Para desenvolver suas atividades prec’puas, Ž imprescind’vel a realiza•‹o de despesas pelo Estado, seja para custear os vencimentos de seus servidores, seja para adquirir bens para instala•‹o reparti•›es, ou mesmo de materiais de expediente, dentre outros gastos.

  Por meio da tributa•‹o, um dos meios arrecadat—rios poss’veis, o Estado obtŽm expressivo montante de recursos financeiros, para aplicar em prol do interesse social, o fazendo atravŽs de seus gestores pœblicos.

  Destarte, a fim de inspecionar a aplica•‹o desses recursos pœblicos por seus agentes, a Constitui•‹o Federal de 1988 traz, em seu bojo, uma se•‹o exclusiva acerca da fiscaliza•‹o cont‡bil, financeira e or•ament‡ria, vide Se•‹o IX do Cap’tulo I do T’tulo IV.

  Nesse sentido, o par‡grafo œnico do artigo 70 da Carta Magna, introduziu a obriga•‹o, pass’vel de ser contra’da por qualquer pessoa f’sica ou jur’dica, da presta•‹o de contas relativas ˆ utiliza•‹o, arrecada•‹o, guarda ou administra•‹o de valores pertencentes ao Er‡rio Pœblico Federal, ex vi:

  Art. 70. (...) Par‡grafo œnico. Prestar‡ contas qualquer pessoa f’sica ou jur’dica, pœblica ou privada, que utilize, arrecade, guarde, gerencie ou administre dinheiros, bens e valores pœblicos ou pelos quais a Uni‹o responda, ou que, em nome desta, assuma obriga•›es de natureza pecuni‡ria

  Destaque-se ent‹o que, alŽm das raz›es restroexpendidas, os princ’pios que orientam a Administra•‹o Pœblica, ’nsitos no caput do artigo 37 da Constitui•‹o da Repœblica, fundamentam a import‰ncia desta presta•‹o de contas por gestores que venham a utilizar ou gerenciar valores pœblicos de quaisquer dos entes federados.

  Outrossim, o memor‡vel jurista Hely Lopes Meirelles, noutra obra de grande

  12

  destaque para o Direito Administrativo , preleciona acerca da naturalidade que se deve revestir o dever de prestar contas pelo administrador pœblico, sobretudo por se tratar de um

  mœnus pœblico, in verbis: O dever de prestar contas Ž decorr•ncia natural da administra•‹o como encargo de gest‹o de bens e interesses alheios. Se o administrador corresponde ao desempenho de um mandato de zelo e conserva•‹o de bens e interesses de outrem, manifesto Ž que quem o exerce dever‡ contas ao propriet‡rio. No caso do administrador pœblico, esse dever ainda mais se alteia, porque a gest‹o se refere aos bens e interesses da coletividade e assume o car‡ter de mœnus pœblico, isto Ž, de um encargo para com a comunidade. Da’ o dever indeclin‡vel de todo administrador pœblico Ð agente pol’tico ou simples funcion‡rio Ð de prestar contas de sua gest‹o administrativa (...).

  E encerra com a assertiva: ÒA presta•‹o de contas n‹o se refere apenas aos dinheiros pœblicos, ˆ gest‹o financeira, mas a todos os atos de governo e de administra•‹oÓ.

  O dever de presta•‹o de contas Ž mandamento abrangente e geral, com car‡ter de norma nacional, devendo estender-se, portanto, a todos gestores que sejam respons‡veis pela administra•‹o dos neg—cios e do patrim™nio pœblico, seja em ‰mbito federal, estadual ou municipal, trata-se de ordem de car‡ter cogente para os administradores pœblicos.

  Colacione-se que, paralelamente, a Constitui•‹o do Estado do Cear‡ reproduziu, no par‡grafo œnico do artigo 77, a norma sobre este dever de prestar contas, adequando-a para as finan•as municipais.

  Desse modo, cumpre ao Poder Legislativo exercer o controle externo da gest‹o do Er‡rio Pœblico, com o aux’lio do Tribunal de Contas, analisando periodicamente as contas de gest‹o e de governo dos agentes respons‡veis.

2.2 Hist—ria do Tribunal de Contas no pa’s

  Desde o per’odo colonial, encontram-se registros acerca de institui•›es estatais que desempenharam a fun•‹o de controlar as despesas pœblicas, ainda que o fizessem de modo t’mido.

  Nesse viŽs, as Juntas das Fazendas das Capitanias e a Junta da Fazenda do Rio de Janeiro s‹o apontadas como os primeiros —rg‹os no Brasil a realizar esta avalia•‹o das contas pœblicas, tendo sido criadas na segunda metade do sŽculo XVII, em 1680, e estando subordinadas a Portugal.

  Posteriormente, em 1808, a vinda da fam’lia real portuguesa para o pa’s trouxe importantes modifica•›es na estrutura estatal brasileira, destacando-se, dentre outros feitos, pelo advento da burocracia e do servi•o pœblico a partir deste per’odo.

  Neste sentido, cumpre ressaltar a brilhante descri•‹o do jornalista e historiador Eduardo Bueno, in verbis: Ao trazer cerca de doze mil acompanhantes na sua transmigra•‹o para o Brasil, D.

  Jo‹o, ao chegar no Rio, n‹o se viu for•ado apenas a achar lugar para toda aquela gente morar. TambŽm foi preciso dar-lhes um emprego Ð e um emprego pœblico, Ž claro. Logo nos primeiros dias, D. Jo‹o montou seu ministŽrio, formado por tr•s secretarias: a dos Neg—cios do Reino, a da Guerra e dos Estrangeiros e a da Marinha 13 e Ultramar .

  Outrossim, D. Jo‹o VI instituiu o Er‡rio RŽgio Ð —rg‹o criado em Portugal por for•a

  14

  da Lei de 22 de Dezembro de 1761, no reinado de D. JosŽ I Ð e o Conselho da Fazenda,

  15 cujo papel prec’puo consistia no acompanhamento da execu•‹o dos gastos pœblicos.

  Por conseguinte, ap—s a proclama•‹o da independ•ncia, em 1824, Visconde de Barbacena e JosŽ In‡cio Borges, ent‹o senadores, propuseram a cria•‹o de um Tribunal de 13 Contas para analisar as contas pœblicas do ImpŽrio Brasileiro. 14 BUENO, Eduardo. Brasil: uma hist—ria. 2. ed. rev. S‹o Paulo: çtica, 2003. p. 142.

  

TRIBUNAL DE CONTAS DE PORTUGAL. Er‡rio RŽgio ou Tesouro Real. Dispon’vel em:

15 <http://www.tcontas.pt/pt/apresenta/historia/tc1761-1832.shtm>. Acesso em 28 de mar. 2010.

  TRIBUNAL DE CONTAS DA UNIÌO. Breve Hist—rico. Dispon’vel em:

<http://portal2.tcu.gov.br/portal/page/portal/TCU/institucional/conheca_tcu/historia >. Acesso em 28 de mar.

  N‹o obstante os esfor•os empreendidos por eles, e posteriormente intentados por Pimenta Bueno, Silveira Martins, Visconde de Ouro e Jo‹o Alfredo no sentido da implanta•‹o da aludida Corte de Contas, somente em 1890, por for•a do Decreto n. 966-A, o Tribunal de Contas da Uni‹o foi criado no Brasil, por not‡vel influ•ncia de Rui Barbosa, Ministro da

16 Fazenda ˆ Žpoca.

  A constitucionaliza•‹o do Tribunal de Contas efetivou-se a partir da promulga•‹o da

  17 Carta Republicana de 1891, conforme se constata no artigo 89 , de modo que, desde ent‹o, a Institui•‹o foi conservada nos diplomas posteriores.

  Ademais, ressalte-se as diferentes posi•›es conferidas ao referido tribunal nas Constitui•›es Federais de 1946 e 1967. Na primeira, o papel da Corte de Contas Ž ampliado, cabendo a esta acompanhar e fiscalizar diretamente a execu•‹o do or•amento pœblico, n‹o se

  18

  restringindo ˆ mera an‡lise de contas, realizando, portanto um controle externo prŽvio . Ao invŽs disso, na Carta Constitucional de 1967, s‹o suprimidas as prerrogativas conferidas ao tribunal.

  A vigente Constitui•‹o da Repœblica, em seu artigo 71 e seguintes, disp›e sobre os Tribunais de Contas, ampliando novamente o rol de atribui•›es desta Corte, de modo a refor•ar a import‰ncia do controle externo das finan•as pœblicas.

2.3 Origem do Tribunal de Contas dos Munic’pios do Estado do Cear‡

  Durante o governo de Raul Barbosa e em decorr•ncia da Lei Estadual n¼ 2.343/54, foi criado o Conselho de Assist•ncia TŽcnica aos Munic’pios (CATM), a primeira institui•‹o deste car‡ter a surgir no pa’s, cuja finalidade prec’pua compreendia a orienta•‹o tŽcnica junto 16 ao poder pœblico municipal, no que dizia respeito ao planejamento dos recursos e execu•‹o de 17 BULOS, op. cit., p. 1002.

  

Art. 89 - ƒ institu’do um Tribunal de Contas para liquidar as contas da receita e despesa e verificar a sua

legalidade, antes de serem prestadas ao Congresso. In: BRASIL. Constitui•‹o (1891). Constitui•‹o da

Repœblica Federativa do Brasil. Bras’lia: Senado Federal, 2010. Dispon’vel em:

18 <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Constituicao/Constitui•ao91.htm> Acesso em 22 de abr. 2010.

  Art. 77 - Compete ao Tribunal de Contas:

I - acompanhar e fiscalizar diretamente, ou por delega•›es criadas em lei, a execu•‹o do or•amento; In:

BRASIL. Constitui•‹o (1946). Constitui•‹o da Repœblica Federativa do Brasil. Bras’lia: Senado Federal,

2010. Dispon’vel em: <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Constituicao/Constitui•ao46.htm> Acesso em 22 de gastos.

  Conseguintemente, as atribui•›es do aludido —rg‹o foram ampliadas com a edi•‹o da Emenda n¼ 01/57 ˆ Constitui•‹o Estadual de 1947, passando a vigorar com a seguinte reda•‹o: Òauxiliar as C‰maras Municipais na fiscaliza•‹o da administra•‹o financeira dos

  19 Munic’pios, especialmente na execu•‹o do or•amentoÓ .

  O ent‹o Conselho de Assist•ncia TŽcnica aos Munic’pios teve sua denomina•‹o modificada para Conselho de Contas dos Munic’pios (CCM), em decorr•ncia de nova Emenda, a de n¼ 01/70 ˆ Constitui•‹o Cearense de 1967, vindo somente em 1992 a se tornar o Tribunal de Contas dos Munic’pios do Estado do Cear‡ (TCM/CE).

  Com efeito, o —rg‹o desempenhava significativo papel de orienta•‹o e consultoria ˆ administra•‹o municipal quanto ao gerenciamento do er‡rio pœblico, bem como despontava como institui•‹o de fiscaliza•‹o auxiliar das finan•as realizadas pelos gestores municipais.

  Seguindo a evolu•‹o do —rg‹o no sentido de especializa•‹o de suas atividades, a aprova•‹o da Lei Estadual n¼ 12.160, de 04 de agosto de 1993 Ð a Lei Org‰nica do TCM/CE (LOTCM) Ð culminou com a discrimina•‹o das atribui•›es conferidas para referida Institui•‹o, seguida pela aprova•‹o do seu Regimento Interno, Resolu•‹o n¼ 08, de 1¼ de outubro de 1998 (RITCM).

2.4 Posi•‹o Institucional do Tribunal de Contas

  ƒ cedi•o que o Estado Democr‡tico de Direito consiste na Òordem jur’dica soberana que tem por fim o bem comum de um povo situado em determinado territ—rioÓ, de acordo

  20 com a concep•‹o desenvolvida pelo brilhante professor Dalmo de Abreu Dallari .

  Seguindo a conceitua•‹o do referido doutrinador, entende-se que a no•‹o de soberania dever‡ compreender o poder jur’dico superior exercido numa determinada na•‹o. 19 ƒ neste sentido no qual reside a import‰ncia do desempenho do controle ou

  

TRIBUNAL DE CONTAS DOS MUNICêPIOS DO ESTADO DO CEARç. Hist—rico. Dispon’vel em: <http://www.tcm.ce.gov.br/site/institucional/historico/>. Acesso em 08 de abr. 2010. fiscaliza•‹o dos atos do poder estatal, porquanto se destina ˆ estabiliza•‹o das institui•›es e fun•›es estatais hoje existentes, teoricamente encerrando-se no Princ’pio dos Freios e Contrapesos, numa tentativa de eliminar poss’veis gest›es arbitr‡rias e o mau uso do poder pœblico, a fim de resguardar e realizar os interesses sociais.

  No tocante ˆ posi•‹o institucional da Corte de Contas, importa acentuar que n‹o Ž quest‹o pac’fica na doutrina, motivo pelo qual existem significativas discuss›es acerca da sua pertin•ncia ou n‹o ao Poder Legislativo, a despeito da topologia da Se•‹o de fiscaliza•‹o cont‡bil, financeira e or•ament‡ria na Constitui•‹o Federal de 1988.

  21 Alguns constitucionalistas, a exemplo de Uadi Lamm•go Bulos , Alexandre de

  22

23 Moraes e Pedro Lenza , sem qualquer aprofundamento na discuss‹o sobre a natureza

  jur’dica ou posi•‹o institucional do —rg‹o, limitam-se a apontar que os Tribunais de Contas s‹o institui•›es auxiliares do Poder Legislativo, n‹o esclarecendo em qual Poder estariam inseridas as Cortes de Contas.

  TambŽm sem adentrar no mŽrito da discuss‹o, o autor JosŽ do Santos Carvalho Filho afirma de modo expresso e impreciso que o Tribunal de Contas constitui n‹o somente o Poder

  

24

Legislativo, mas integra o Congresso Nacional .

  Ao invŽs, o jurista Jorge Ulisses Jacoby Fernandes recha•a categoricamente a posi•‹o dos estudiosos que enquadram as Cortes de Contas como institui•‹o meramente auxiliar. Sen‹o vejamos, ipsis litteris:

  No Brasil, estudos superficiais classificam o tribunal de contas como mero ap•ndice auxiliar do poder legislativo. Desconhecendo a estrutura tŽcnica dessas cortes, sua autonomia administrativa e financeira, alguns autores o concebem, erroneamente, 25 como um —rg‹o de assessoramento .

  E critica: ÒDiante desse absurdo descompasso entre a imaginada pequenez das 21 fun•›es e a dimens‹o da estrutura, o passo seguinte seria sustentar que se tratam de —rg‹os 22 BULOS, op. cit. p. 1002. 23 MORAES, Alexandre de. Direito constitucional. 10. ed. S‹o Paulo: Atlas, 2001. p. 391.

  

LENZA, Pedro. Direito constitucional esquematizado. 13. ed. rev., atual. e ampl. S‹o Paulo: Saraiva, 2009.

24 p. 447.

  

FILHO, JosŽ dos Santos Carvalho. Manual de direito administrativo. 17. ed. Rio de Janeiro: Lumen Juris,

25 2007. p. 860.

  

FERNANDES, Jorge Ulisses Jacoby. Tribunais de contas do Brasil: jurisdi•‹o e compet•ncia. Belo concebidos apenas para acomodar apaniguadosÓ.

  O not‡vel jurista obtempera ainda que ÒO maior ™nus que recai sobre os que se dedicam a essa fun•‹o consiste do fato de que a defesa do er‡rio e dos interesses difusos da coletividade n‹o Ž personalizada, enquanto que o inconformismo dos que foram alcan•ados pela sua a•‹o, simÓ.

  Complementando o entendimento esposado, o saudoso ministro do TCU, JosŽ de Castro Nunes preleciona que o Tribunal de Contas Ž um —rg‹o destacado das Fun•›es Estatais, in verbis:

  No Brasil, o Tribunal de Contas n‹o est‡ e jamais esteve articulado com o Supremo Tribunal. ƒ um instituto sui generis, posto de permeio entre os poderes pol’ticos da 26 Na•‹o, o Legislativo e o Executivo, sem sujei•‹o, porŽm, a qualquer deles .

  Seguindo a linha do ex-ministro, as li•›es da professora Odete Medauar tambŽm enriquecem a discuss‹o sobre a posi•‹o institucional dos Tribunais de Contas, ex vi:

  (...) a Constitui•‹o Federal, em artigo algum utiliza a express‹o Ò—rg‹o auxiliarÓ; disp›e que o Controle Externo do Congresso Nacional ser‡ exercido com o aux’lio do Tribunal de Contas; a sua fun•‹o, portanto, Ž de exercer o controle financeiro e or•ament‡rio da Administra•‹o em aux’lio ao poder respons‡vel, em œltima inst‰ncia, por essa fiscaliza•‹o. Se a fun•‹o Ž de atuar em aux’lio ao legislativo, sua natureza, em raz‹o das pr—prias normas da Constitui•‹o Ž a de —rg‹o independente, desvinculado da estrutura de qualquer dos tr•s poderes. A nosso ver, por 27 conseguinte, o Tribunal de Contas configura institui•‹o estatal independente

  . Outrossim, sustenta posi•‹o igualmente acertada o administrativista Hely Lopes

28 Meirelles , situando as Cortes de Contas no patamar de —rg‹os administrativos

  independentes, embora colaborativos dos Poderes Estatais, por meio de suas atribui•›es espec’ficas, que se concentram sobejamente em atividades ÒtŽcnicas, opinativas,

  verificadoras, assessoradoras e jurisdicionais administrativasÓ.

  Ainda o ilustre ministro JosŽ Celso de Mello aduz que seria despicienda a preocupa•‹o doutrin‡ria no sentido de enquadrar os Tribunais de Contas em algum Poder. 26 Interessaria saber, para ele, que a institui•‹o ÒŽ um conjunto org‰nico perfeitamente 27 NUNES, Castro. Teoria e pratica do poder judici‡rio. Rio de Janeiro: Revista dos Tribunais, 1943. p. 25.

  

MEDAUAR, Odete. Controle da administra•‹o pœblica. S‹o Paulo: Revista dos Tribunais, 1993. p. 140 ss.

  29 aut™nomoÓ, j‡ que o Texto Maior n‹o destacou ou expressou essa designa•‹o .

  Merece destaque ainda a posi•‹o assumida pelo ministro Carlos Ayres Britto, em artigo cient’fico sobre o tema, no qual afirma taxativamente que o Tribunal de Contas n‹o comp›e o quadro do Poder Legislativo, mormente por for•a do artigo 44 da pr—pria

  30 Constitui•‹o Federal, ao excluir o —rg‹o da referida Fun•‹o estatal .

  Argumenta o eminente ministro que estariam as Cortes de Contas inclu’das no Poder Judici‡rio, uma vez que teria a Carta Magna conferido aos Tribunais de Contas, em seu artigo 73, atribui•›es de mesmo conteœdo, mutatis mutandis, ˆquelas dos Tribunais Judici‡rios.

  O renomado jurista complementa que as garantias, prerrogativas, impedimentos, vencimentos e vantagem dos Ministros ou Conselheiros das Cortes de Contas estariam pautadas no paradigma dos Ministros do Superior Tribunal de Justi•a, conforme estatu’do no artigo 73, ¤3¼ do Diploma Maior.

  Em que pesem os argumentos desenvolvidos por Carlos Ayres Britto, a aludida posi•‹o n‹o merece acolhimento, por n‹o se coadunar com a sistem‡tica adotada pela atual Constitui•‹o da Repœblica.

  O artigo 44 retro comp›e a Se•‹o I, do Cap’tulo do Poder Legislativo, referindo-se sobretudo ao Congresso Nacional. Vejamo-lo em sua literalidade: ÒO Poder Legislativo Ž exercido pelo Congresso Nacional, que se comp›e da C‰mara dos Deputados e do Senado Federal.Ó

  N‹o seria prop—sito do legislador constituinte restringir a composi•‹o do Poder Legislativo ao Congresso Nacional, pois, se assim o fizesse, tambŽm estaria excluindo as Comiss›es do Congresso, de modo que poderia ter explicitado o referido objetivo de exclus‹o com o acrŽscimo do termo ÒsomenteÓ ap—s a express‹o Òque se comp›eÓ.

  Ademais, o legislador constituinte n‹o cingiu o exerc’cio da atividade legislativa ao Congresso Nacional, uma vez que estaria indo de encontro ˆ organiza•‹o contempor‰nea das Fun•›es estatais e malferindo o Sistema dos freios e contrapesos, ’nsito no artigo 2¼ da Carta 29 Cidad‹. 30 MELLO, 1992 apud FERNANDES, 2003, p. 135.

  

BRITTO, Carlos Ayres. O Regime Constitucional dos Tribunais de Contas. Revista Di‡logo Jur’dico,

Salvador, CAJ Ð Centro de Atualiza•‹o Jur’dica, ano I, n. 9, dez. 2001. Dispon’vel em:

  No que tange ˆs atribui•›es conferidas aos Ministros ou Conselheiros dos Tribunais de Contas serem an‡logas ˆs dos Ministros do Superior Tribunal de Justi•a, esta raz‹o n‹o seria, por si s—, suficiente para enquadrar as Cortes de Contas no Poder Judici‡rio, visto que os membros do MinistŽrio Pœblico tambŽm possuem as aludidas garantias, porŽm comp›em uma outra categoria, a das fun•›es essenciais ˆ Justi•a.

  A ratio legis do par‡grafo 3¼ do artigo 73 parece indicar-nos para a concess‹o de garantias como forma de assegurar maior autonomia no desempenho das atribui•›es pelos membros dos Tribunais de Contas, em sua not‡vel fun•‹o de avaliar e julgar contas de gestores pœblicos, resguardando-os de eventuais retalia•›es pol’ticas.

  Com efeito, existem muitas diverg•ncias doutrin‡rias acerca da matŽria, sendo certo que o Tribunal de Contas colabora com o Poder Legislativo, como —rg‹o especializado no exame dos aspectos cont‡beis, financeiros, or•ament‡rios, operacional e patrimonial das Contas Pœblicas.

  Destarte, em raz‹o de suas compet•ncias de cunho eminentemente tŽcnico e da contribui•‹o deste îrg‹o para estabiliza•‹o e controle das atividades governamentais do Poder Executivo, compreende-se que as Cortes de Contas sejam —rg‹os administrativos independentes, ligados ao Poder Legislativo, embora n‹o o compondo, de modo a formar uma nova e aut™noma classe de fun•‹o estatal, destacada das demais, em similitude ˆs fun•›es essenciais ˆ Justi•a.

  Noutro aspecto, importa ressaltar que, com o objetivo de ampliar a compreens‹o sobre o controle exercido pelos Tribunais de Contas, o jurista e especialista na ‡rea, Jorge Ulisses Jacoby Fernandes, organizou as modalidades desta fiscaliza•‹o, consagradas no

  31 direito brasileiro, em tr•s categorias distintas: legalidade, legitimidade e de economicidade .

  Primeiramente, cumpre esclarecer que o controle de legalidade reflete-se no poder- dever de o referido —rg‹o anular ato ou ordenar que o gestor respons‡vel o anule, quando contrariar as balizas legais, que orientam a Administra•‹o Pœblica.

  Assevere-se que o aludido controle Ž uma medida administrativa de car‡ter excepcional, sendo somente adotada em caso de indol•ncia da autoridade pœblica.

  O exame de legitimidade, por sua vez, compreende a avalia•‹o da conformidade dos atos administrativos aos princ’pios da moralidade, impessoalidade e supremacia do interesse pœblico. Em outras palavras, ser‡ examinado se a motiva•‹o, bem como as medidas administrativas adotadas conduzem ˆ concretiza•‹o do bem comum, objetivo este prec’puo do Estado.

  Em igual teor, expressa-se o doutrinador Ulisses Jacoby, ipsis litteris:

  Traduz o controle da legitimidade a aferi•‹o direta entre os motivos determinantes do ato administrativo e os resultados diretos e indiretos alcan•ados ou pretendidos. Nesse itiner‡rio, desde a prepara•‹o do ato administrativo atŽ a sua consuma•‹o, devem operar, em plenitude, os vetores da impessoalidade e da supremacia do 32 interesse pœblico .

  Por œltimo, o controle de economicidade alcan•a a rela•‹o entre os custos e os benef’cios das a•›es administrativas no tocante aos aspectos or•ament‡rios, financeiros e cont‡beis da gest‹o pœblica, com o escopo de se atingir a efici•ncia, princ’pio ’nsito no artigo 37, caput da Constitui•‹o da Repœblica.

  A rigor, estas categorias de controle relacionam-se com as atribui•›es desempenhadas pelas Cortes de Contas, porquanto as atividades de exame de contas concentram-se exatamente na an‡lise da legalidade, legitimidade e economicidade da gest‹o financeira, cont‡bil e or•ament‡ria municipal.

  33 Outrossim, merece •nfase a observa•‹o realizada pelo ilustre autor logo referido ,

  no que diz respeito ao alcance da atua•‹o dos Tribunais de Contas quanto ˆ estas categorias,

  in verbis: Assim, enquanto no controle da legalidade o gestor sabe previamente os limites da sua a•‹o, no controle da legitimidade e da economicidade h‡ que se aceitar a solu•‹o, que mesmo n‹o sendo —tima esteja no campo da positiva•‹o desses tipos.(...) Nos controles dos atos de trato sucessivo ou de procedimento padr‹o Ž poss’vel, porŽm, ao controle determinar a corre•‹o do ato para o futuro, indicando a melhor solu•‹o ˆ luz dos atributos da legitimidade e economicidade.

  Ademais, observe-se que o artigo 75 da Constitui•‹o da Repœblica concebe de modo 32 n’tido o Princ’pio da Simetria no que tange ao modelo de organiza•‹o, composi•‹o e Idem. p. 49. fiscaliza•‹o do Tribunal de Contas da Uni‹o, ordenando a conforma•‹o ˆ essas normas pelas Cortes de Contas Estaduais e Municipais, de modo que dever‹o ser reproduzidas mutatis mutandis nas Constitui•›es Estaduais.

  Por esta raz‹o e de acordo com a organiza•‹o estatal entabulada pela Carta Maior de 1988 e incerta no artigo 31 e par‡grafos, o controle dos Munic’pios far-se-‡ por meio da fiscaliza•‹o das C‰maras Municipais, com o expresso aux’lio dos Tribunais de Contas dos Munic’pios.

2.5 Compet•ncias do TCM/CE

  Antes da promulga•‹o da Constitui•‹o Brasileira de 1988, questionava-se quanto ˆ obrigatoriedade da utiliza•‹o do modelo federal de Corte de Contas pelos demais entes federados, de modo que alguns juristas, tais como JosŽ Guilherme Villela e Lincoln Pinto da

34 Luz, citados por Ulisses Jacoby , entendiam afirmativamente pela compulsoriedade do paradigma federal.

  O advento da atual Carta Magna conduziu ˆ supera•‹o das referidas quest›es, porquanto os termos do artigo 75 definirem de modo expresso que as disposi•›es de compet•ncia, organiza•‹o e prerrogativas do Tribunal de Contas da Uni‹o dever‹o ser aplicadas como paradigma pelas Cortes de Contas dos demais entes federados, nos aspectos em que couber.

  Ainda o Supremo Tribunal Federal consolidou tambŽm o entendimento em diversos julgados, merecendo destaque o recente julgamento da A•‹o Declarat—ria de Inconstitucionalidade n¼ 3307, em que foi declarada a inconstitucionalidade de dispositivo da Constitui•‹o Estadual do Mato Grosso, que atrelava ˆ edi•‹o de Lei Complementar Estadual a regula•‹o das atribui•›es do MinistŽrio Pœblico junto ao Tribunal de Contas, confirmando a obrigatoriedade da ado•‹o das normas estabelecidas pela Carta Magna de 1988.

  Reflexamente, a Constitui•‹o do Estado de Cear‡ enunciou, no artigo 78, as compet•ncias conferidas ao Tribunal de Contas dos Munic’pios do Estado do Cear‡, de forma que o dispositivo teve reprodu•‹o de seu teor no artigo 1¼ da Lei Estadual n¼ 12.160/1993 (Lei Org‰nica), bem como no artigo 5¼ do Regimento Interno.

  Ressalve-se que o presente trabalho concentrar-se-‡ apenas no exame dos procedimentos concernentes ˆ an‡lise das Contas Pœblicas Municipais pelo Tribunal em comento, bem como das repercuss›es administrativas e judiciais, apenas indicando as demais.

  Em primeiro lugar, compete ao TCM/CE a aprecia•‹o das contas anuais prestadas pelos Prefeitos dos munic’pios cearenses, mediante parecer prŽvio, num processo denominado de Presta•‹o de Contas de Governo. No Estado do Cear‡, portanto, o Tribunal de Contas do Estado n‹o Ž respons‡vel pela an‡lise de contas anuais de prefeitos, somente do governador.

  O referido documento consiste num extenso relat—rio, no qual constar‡ um Balan•o Geral do munic’pio e variadas demonstra•›es financeiras, como meio de se demonstrar as despesas realizadas e as receitas arrecadadas relativas ao exerc’cio financeiro analisado, observando-se o desempenho do or•amento municipal e avaliando as realiza•›es do governo durante este per’odo.

  Cumpre informar que o prazo para apresenta•‹o das contas de governo ˆ Corte de Contas n‹o poder‡ ser superior a 10 de abril do exerc’cio seguinte, de modo que, n‹o recebendo as contas no termo indicado, o Tribunal dever‡ informar ˆ C‰mara Municipal, determinando a instaura•‹o de um processo conhecido como Tomada de Contas, segundo o rito do artigo 120 do Regimento.

  Destarte, o resultado deste parecer poder‡ ser favor‡vel ou desfavor‡vel ˆ aprova•‹o das contas de governo pela C‰mara Municipal, na œltima hip—tese, poder‡ resultar na inelegibilidade do Prefeito, acaso haja a confirma•‹o de seus termos no julgamento realizado pela C‰mara, motivo que refor•a a imprescindibilidade de o processo de presta•‹o de contas ou de tomada de contas de governo garantir o exerc’cio da ampla defesa dos gestores respons‡veis.

  Imp›e ressaltar que, no Estado do Cear‡, o julgamento das contas de governo pela C‰mara Municipal Ž comumente influenciado pelo Parecer PrŽvio emitido pelo Tribunal de Contas dos Munic’pios, n‹o somente em raz‹o do demasiado car‡ter tŽcnico do documento, mas tambŽm pela for•a pol’tica dos gestores envolvidos. se, para este fim, as das Mesas das C‰maras Municipais e demais respons‡veis por bens e valores pœblicos da administra•‹o direta e indireta, bem como as funda•›es e sociedades institu’das e mantidas pelo Poder Pœblico Municipal e as contas daqueles que derem causa a perda, extravio ou outra irregularidade de que resulte preju’zo ao Er‡rio.

  A aprecia•‹o das contas dessas autoridades municipais Ð num processo nomeado de Presta•‹o de Contas de Gest‹o Ð corresponde a um verdadeiro ato judicial, materializado em ac—rd‹o do TCM/CE, visto que decorre na declara•‹o da regularidade ou n‹o dos atos praticados pelo gestor dos recursos pœblicos municipais.

  Assevere-se que o julgamento n‹o se restringe ˆ aplica•‹o do direito pœblico pela autoridade municipal, porŽm examina sobretudo os fatores cont‡beis, financeiros e or•ament‡rios da gest‹o, de modo que, a partir disso, as contas poder‹o avaliadas como regulares, regulares com ressalva ou irregulares.

  O Tribunal de Contas dos Munic’pios Cearenses tambŽm poder‡ promover inspe•›es e auditorias de natureza cont‡bil, financeira, or•ament‡ria, operacional e patrimonial, nas unidades administrativas do Poder Legislativo e Executivo Municipal, por iniciativa pr—pria, ou da C‰mara Municipal, devendo prestar as informa•›es solicitadas pela C‰mara Municipal sobre a fiscaliza•‹o efetuada e sobre os resultados das auditorias e inspe•›es.

  Consequentemente a constata•‹o de eventuais ilegalidades, irregularidades ou inconsist•ncias nas contas de gest‹o dever‡ implicar em san•›es ao gestor respons‡vel, abrangendo aplica•‹o de multa, imputa•‹o de dŽbito ou, em casos mais graves, nota de improbidade, que ensejar‡ uma Representa•‹o pelo MinistŽrio Pœblico de Contas no sentido de que sejam adotadas provid•ncias pelos —rg‹os competentes para apura•‹o civil e/ou penal da responsabilidade do gestor.

  No caso de verificada certa ilegalidade nas contas, o Tribunal de Contas tambŽm poder‡ assinar prazo para que o —rg‹o ou entidade tome as provid•ncias necess‡rias para retificar as irregularidades, adequando-se aos ditames legais.

  J‡ quando constatado irregularidade nas contas, ser‡ poss’vel a propositura do pedido de susta•‹o de execu•‹o de ato impugnado ˆ C‰mara Municipal, bem como a representa•‹o ao Poder competente sobre irregularidades ou abusos constatados. mensais, dever‹o ser examinadas pela Corte de Contas, que poder‡ determinar as adequa•›es necess‡rias para que estas atendam ˆ forma da lei, competindo ao —rg‹o a comunica•‹o junto ˆ C‰mara Municipal quanto ao envio intempestivo pelos gestores n‹o somente das contas anuais, mas tambŽm dos balancetes mensais.

  Impende salientar que o Tribunal de Contas dos Munic’pios do Estado do Cear‡ poder‡ ainda editar atos, instru•›es normativas e resolu•›es, com escopo no desempenho integral do controle externo, de forma que tais regras dever‹o ser observadas pelas administra•›es municipais.

  Na seara administrativa, o TCM/CE est‡ encarregado pelo exame e o correspondente registro da legalidade dos atos de admiss‹o de pessoal, a qualquer t’tulo, na administra•‹o direta e indireta, inclu’das as funda•›es institu’das e mantidas pelo Poder Pœblico Municipal, excetuadas as nomea•›es para cargo de provimento em comiss‹o.

  O referido exame costuma consistir no envio de editais dos concursos e rela•‹o dos admitidos pelos —rg‹os municipais, observando-se a regularidade do certame, as poss’veis acumula•›es de proventos e vencimentos pelo concursado, dentre outros aspectos.

  Conforme exposi•‹o de Jorge Ulisses Jacoby Fernandes, essa atribui•‹o conferida aos Tribunais de Contas demonstra a complexidade que foi atrelada ˆs admiss›es no servi•o

  35 pœblico, a partir do advento da Constitui•‹o Federal de 1988 .

  Ainda caber‡ ˆ Institui•‹o a an‡lise da legalidade das concess›es de aposentadorias, reformas e pens›es do pessoal que constitui a administra•‹o pœblica municipal, ressalvadas as melhorias posteriores que n‹o venham a alterar o fundamento legal do ato concess—rio.

2.6 Organiza•‹o do Tribunal de Contas dos Munic’pios Cearenses

  Uma vez existente antes da promulga•‹o da Constitui•‹o Federal de 1988, o Tribunal de Contas dos Munic’pios do Estado do Cear‡ teve suas normas de organiza•‹o conformadas ˆs diretrizes constitucionais definidas para o Tribunal de Contas da Uni‹o, seguindo ainda o limite de sete conselheiros estabelecido para os Tribunais de Contas Estaduais, no par‡grafo

  œnico do artigo 75.

  Nesse viŽs, a Constitui•‹o Estadual do Cear‡ assentou, em seu artigo 79, que o Tribunal de Contas dos Munic’pios fosse constitu’do por sete conselheiros, a serem nomeados pelo Governador, desde que atendam cumulativamente ˆs condi•›es estabelecidas no

  36 par‡grafo primeiro do mesmo dispositivo .

  O artigo 79 estabelece ainda que a jurisdi•‹o da Corte de Contas dos Munic’pios estender-se-‡ por todo o territ—rio do Estado do Cear‡, com sede na capital.

  Cumpre ressaltar que o Tribunal de Contas dos Munic’pios do Estado do Cear‡ Ž integrado por mais de dez —rg‹os, enumerados no artigo 4¼ do Regimento Interno da institui•‹o (RITCM/CE), a seguir descritos.

  Primeiramente, tem-se o Tribunal do Pleno que desempenha o papel de —rg‹o superior e dirigente da Corte de Contas, sendo composto por sete conselheiros, para seu funcionamento, sendo exigido um qu—rum de 4 (quatro) conselheiros, inclu’do o Presidente. Consoante o artigo 10 do RITCM, os conselheiros poder‹o ser substitu’dos eventualmente por auditores.

  A este —rg‹o de cœpula do TCM, conforme enumerado no artigo 11 do Regimento Interno, s‹o atribu’das as fun•›es de maior relev‰ncia no tocante ˆs fiscaliza•‹o das contas pœblicas, quais sejam a emiss‹o de parecer prŽvio sobre as Contas de Governo anuais dos prefeitos; o julgamento, em grau de recurso, das Contas de Gest‹o dos ordenadores de despesas e administradores dos bens e valores municipais.

  Ainda, este —rg‹o superior est‡ incumbido pela aprecia•‹o e julgamento dos recursos em geral interpostos com rela•‹o a processos julgados pelas C‰maras, bem como a suas pr—prias decis›es; e por decis›es sobre o envio ao Governador do Estado de pedido de interven•‹o no munic’pio e sobre a uniformiza•‹o de decis›es e sœmulas de jurisprud•ncia. 36 Outrossim, o Pleno tambŽm Ž respons‡vel pela normatiza•‹o das atividades

  ¤1¼ Os Conselheiros do Tribunal de Contas dos Munic’pios ser‹o nomeados pelo Governador do Estado dentre brasileiros que satisfa•am os seguintes requisitos: I - mais de trinta e cinco e menos de sessenta e cinco anos de idade, e mais de dez anos de exerc’cio de fun•‹o ou de efetiva atividade que exija os conhecimentos referidos no inciso III, deste artigo;

  II - idoneidade moral e reputa•‹o ilibada; III - not—rios conhecimentos jur’dicos, cont‡beis, econ™micos e financeiros e de administra•‹o pœblica. administrativas internas, dentre as quais cabem enumerar: a elei•‹o do Conselheiro Presidente, Vice-Presidente e Corregedor do Tribunal de Contas; a elabora•‹o, interpreta•‹o e modifica•‹o do seu Regimento Interno; as decis›es acerca da estrutura administrativa do —rg‹o e, em œltima inst‰ncia, sobre matŽria administrativa do pr—prio —rg‹o; a edi•‹o de ac—rd‹os, resolu•›es e instru•›es normativas e outros atos necess‡rios ao desempenho do Tribunal; e, por œltimo, a defini•‹o de critŽrios e requisitos necess‡rios ao preenchimento dos cargos do Quadro de Pessoal do Tribunal de Contas.

  Em seguida, as duas C‰maras do Tribunal de Contas s‹o constitu’das cada uma por apenas 3 (tr•s) conselheiros, n‹o constando o Presidente da Corte. Dessa forma, presidir‡ a sess‹o o Conselheiro Vice-Presidente na C‰mara que for membro e o Conselheiro mais antigo, noutra.

  Conforme o artigo 28 do Regimento Interno, cabe ˆs C‰maras da Corte de Contas o julgamento das Contas de Gest‹o dos ordenadores de despesa e administradores dos —rg‹os diretos e indiretos e fundos municipais, inclusive de recursos repassados a terceiros, pessoa f’sica ou jur’dica, em primeira inst‰ncia; quando necess‡rio, a determina•‹o de Tomadas de Contas Especiais; o julgamento de processos relativos a licita•›es e contratos realizados pela prefeitura, c‰mara ou demais —rg‹os municipais, adotando as provid•ncias que considerar necess‡rias.

  Igualmente, as C‰maras dever‹o decidir acerca de denœncias apresentadas, bem como sobre provoca•›es de —rg‹os do pr—prio Tribunal de Contas; poder‹o determinar que sejam realizadas inspe•›es especiais e auditorias que considerar necess‡rias para a instru•‹o de processos.

  TambŽm respondem pela decis‹o sobre o n‹o envio da presta•‹o de contas relativa ˆ aplica•‹o dos recursos, atŽ o dia 15 do m•s subsequente, prevista pelo artigo 42 da Constitui•‹o Estadual, adotando as san•›es cab’veis.

  Informe-se que o artigo 42 da Constitui•‹o do Estado prev• que os ordenadores de despesas municipais dever‹o enviar mensalmente, atŽ dia 30 do m•s seguinte, balancetes mensais ˆ C‰mara dos Vereadores e ao Tribunal de Contas dos Munic’pios, documenta•›es estas que demonstram a aplica•‹o dos recursos recebidos e arrecadados e a efetua•‹o de despesas em cada unidade gestora do munic’pio, isto Ž, as Secretarias ou Fundos Municipais.

  Na esfera administrativa, as C‰maras est‹o incumbidas do julgamento da legalidade dos atos concessivos de aposentadoria e pens‹o, decidindo-se quanto aos registros correspondentes, ressalvada melhoria posterior que n‹o altere o fundamento legal da concess‹o; bem como do julgamento dos atos de admiss‹o de pessoal a qualquer t’tulo, na administra•‹o direta e indireta.

  Por sua vez, o artigo 67 e ss. da Lei Org‰nica do TCM/CE disp›em que Presidente, Vice-Presidente e Corregedor ser‹o escolhidos pelos Conselheiros, em voto secreto, para exercer um mandato com dura•‹o de dois anos, permitida uma reelei•‹o seguida.

  Nos termos do Regimento Interno, a Presid•ncia administra a Corte de Contas, a representa externamente, devendo tambŽm presidir as sess›es do Tribunal do Pleno e dirigir os seus servidores.

  AlŽm destas atribui•›es, o artigo 33 enumera um extenso rol de obriga•›es do Presidente, o qual est‡ incumbido sobretudo pela dire•‹o das atividades do Pleno, no sentido de dar cumprimento das delibera•›es do Pleno; convocar sess›es, dirigir trabalhos e ordenar as discuss›es, bem como proclamar o resultado das vota•›es, dando execu•‹o aos julgados e decis›es do Tribunal, nos termos da lei e do Regimento.

  No tocante ˆ gest‹o administrativa interna, compete ao Presidente dar posse aos Conselheiros, Procuradores, Auditores e servidores do Tribunal; expedir atos de nomea•‹o, promo•‹o, demiss‹o, exonera•‹o, aposentadoria e outros relativos a provimento e vac‰ncia de cargos e fun•›es do Tribunal, bem como decidir, ouvido o Pleno, sobre disposi•‹o de seus servidores para outros —rg‹os da Administra•‹o Pœblica Federal ou Estadual, ou de servidores destes para terem exerc’cio no Tribunal.

  Para o controle das receitas e despesas do TCM/CE, o Presidente dever‡ enviar balancetes e presta•‹o de contas anual, na forma e nos prazos estabelecidos, ao Tribunal de Contas do Estado e encaminhar ˆ AssemblŽia Legislativa, anualmente o relat—rio das

  37

  atividades desenvolvidas pelo Tribunal, nos termos do ¤ 4¡, do art. 78 da Constitui•‹o do Estado do Cear‡. 37 Por œltimo, o Representante maior da Corte de Contas poder‡ atuar tambŽm na

  ¤4¼ O Tribunal de Contas dos Munic’pios encaminhar‡ ˆ AssemblŽia Legislativa Estadual, anualmente, atŽ cento e vinte dias ap—s o in’cio do exerc’cio financeiro, relat—rio de suas atividades, gest‹o financeira do TCM/CE, autorizando despesas diretamente ou por delega•‹o, movimentando contas e praticando os demais atos relativos ˆ administra•‹o financeira, respeitadas as exig•ncias legais.

  Conforme o artigo 34 do Regimento, o Vice-Presidente, por conseguinte, dever‡ substituir o Presidente em suas aus•ncias ou impedimentos, representando o Tribunal de Contas, por delega•‹o do Presidente, em atos ou solenidades.

  Ainda, despachar‡ processos em que o Presidente for a parte interessada, estando incumbido por presidir a Primeira C‰mara do Tribunal de Contas dos Munic’pios e supervisionar a elabora•‹o da Revista e do Boletim Informativo.

  Por sua vez, a Corregedoria do Tribunal, presidida por um conselheiro, eleito na mesma sess‹o do Presidente, ser‡ respons‡vel pelas correi•›es internas gerais, durante cada ano, nos assuntos pertinentes ˆs atribui•›es do Tribunal, podendo sugerir ˆ Presid•ncia as provid•ncias que julgar necess‡rias ˆ regulariza•‹o de falhas detectadas, bem como dever‡ controlar e agilizar os processos, acompanhando o cumprimento dos prazos especificados em lei ou regulamentos definidos pelo TCM/CE.

  Outrossim, caber‡ ao Corregedor, em vigil‰ncia pelo bom desempenho das atividades internas, examinar e relatar ao Tribunal Pleno os processos referentes a servidores submetidos a est‡gio probat—rio, opinando, fundamentalmente, por sua confirma•‹o no cargo ou exonera•‹o e instaurar, mediante determina•‹o do Tribunal Pleno ou das C‰maras ou "ex- oficio", sindic‰ncia para apura•‹o de falta grave de funcion‡rio e expor as conclus›es ao Presidente que as apresentar‡ ao Pleno.

  Ademais, o Corregedor poder‡ realizar dilig•ncias outras para o desempenho das atribui•›es retromencionadas, conforme regulado no artigo 44 do Regimento Interno do TCM/CE.

  Impende enfatizar que a Constitui•‹o do Estado do Cear‡ previu a exist•ncia de uma Procuradoria de Contas, junto ao Tribunal de Contas em an‡lise, in verbis:

  ¤ 6¼ Haver‡ uma Procuradoria de Contas, junto ao Tribunal de Contas dos Munic’pios, integrada por um Procurador Geral e dois Procuradores, nomeados, pelo Governador do Estado, dentre brasileiros, bacharŽis em Direito, mediante concurso Destarte, o Regimento Interno estatuiu, nos artigos 68 e ss., que a Procuradoria em comento configurar-se-‡ um MinistŽrio Pœblico Especial, aplic‡veis os princ’pios da unidade, da indivisibilidade e da independ•ncia funcional ˆ carreira dos Procuradores de Contas, bem como, de modo subsidi‡rio e no que couber, as disposi•›es da Lei Org‰nica do MinistŽrio Pœblico do Estado, no tocante a direitos, garantias, veda•›es, regime disciplinar e forma de investidura.

  A Procuradoria de Contas constitui-se por tr•s Procuradores, que dever‹o atender as exig•ncias estabelecidas no artigo 69 do RITCM/CE para ocupa•‹o do cargo.

  O MinistŽrio Pœblico Especial dever‡ promover a defesa da ordem jur’dica, solicitando as medidas no interesse da Justi•a, da Administra•‹o e do Er‡rio, ˆ Corte de Contas, e pronunciar-se nos assuntos sujeitos ao julgamento do Tribunal, obrigat—ria sua audi•ncia nos processos de tomada ou presta•‹o de contas, nos concernentes aos atos de admiss‹o de pessoal e de concess‹o de aposentadoria e pens‹o.

  Ademais, o aludido —rg‹o fica encarregado de interpor os recursos permitidos em lei e os previstos no RITCM/CE, comparecer ˆs sess›es do Tribunal, solicitar ao —rg‹o competente, a pedido do Tribunal, as medidas cautelares de arresto de bens dos respons‡veis julgados em dŽbito pelo Tribunal.

  Poder‡, por fim, requisitar ao Presidente o apoio administrativo e de pessoal, necess‡rios ao desempenho da miss‹o do MinistŽrio Pœblico Especial e assinar as delibera•›es de cuja sess‹o tenha participado. Todas as atribui•›es em conformidade com o artigo 74 do Regimento.

  Outro importante —rg‹o trata-se da Auditoria, regulamentado pelo artigo 73 da Lei Org‰nica do TCM/CE e artigo 62 do Regimento Interno. Constitui-se de tr•s auditores, previamente aprovados em concurso pœblico de provas e t’tulos, de modo que se exige destes profissionais forma•‹o superior nos cursos de Economia, Direito, Administra•‹o ou Ci•ncias Cont‡beis, bem como que sejam atendidos os mesmo requisitos impostos aos Conselheiros.

  Compete aos Auditores do Tribunal de Contas dos Munic’pios Cearenses, nos termos do artigo 63 do RITCM, presidir auditorias e inspe•›es ordin‡rias ou especiais, quando sem preju’zo de suas fun•›es.

  No tocante ˆs atividades fiscalizat—rias propriamente ditas, caber‡ aos auditores o planejamento e elabora•‹o, juntamente com a Diretoria de Fiscaliza•‹o, programas de auditoria e de inspe•›es ordin‡rias e especiais junto ˆs unidades gestoras municipais; a emiss‹o de parecer de auditoria nos Processos de Presta•‹o de Contas de Governo, Tomada de Contas de Gest‹o, Tomada de Contas Especial e nos Processos Normativos Consultivos.

  Por sua ordem, comp›e a Corte de Contas a Comiss‹o de Legisla•‹o, Doutrina e Jurisprud•ncia que tem como escopo a an‡lise e exame preliminar de matŽrias relacionadas com a sistematiza•‹o e unifica•‹o das decis›es do Pleno e C‰maras, tendo sido institu’da pelo Regimento Interno da Corte de Contas, conforme o artigo 51.

  A aludida Comiss‹o Ž integrada por dois Conselheiros, dois Suplentes e o Procurador Geral, eleitos pelo Pleno, por maioria simples, para dois anos de exerc’cio.

  Ressalte-se tambŽm que a Corte de Contas Ž formada por quatro Diretorias, segundo o artigo 1¼ da Resolu•‹o n¼ 10/2007, quais sejam elas: Diretoria de Administra•‹o e Finan•as, Tecnologia da Informa•‹o, Assist•ncia TŽcnica e Planejamento e Diretoria de Fiscaliza•‹o.

  A primeira Diretoria desempenha fun•›es eminentemente administrativas, voltada, em suma, para a gest‹o de recursos humanos, isto Ž, provimento, capacita•‹o de pessoal, cargos e sal‡rios, bem como respons‡vel pelo planejamento e dire•‹o da administra•‹o log’stica, or•ament‡ria, cont‡bil e financeira da Corte de Contas.

  A Diretoria de Tecnologia da Informa•‹o volta-se para o provimento de servi•os de tecnologia da informa•‹o, alinhados ˆs estratŽgias do Tribunal, bem como a continuidade e a efic‡cia dos servi•os desta natureza utilizados no TCM/CE.

  Por sua vez, a Diretoria de Assist•ncia TŽcnica e Planejamento est‡ incumbida pelo planejamento e execu•‹o das diretrizes e pol’ticas de a•‹o tra•adas por ela. Contribui ainda para o aperfei•oamento da gest‹o das administra•›es municipais e dirige a implementa•‹o, execu•‹o e acompanhamento do planejamento estratŽgico do Tribunal.

  Por œltimo, a Diretoria de Fiscaliza•‹o, constitu’da por quinze Inspetorias, dever‡ dirigir, coordenar, orientar e supervisionar as Inspetorias nas atividades de controle externo. de acordo com as diretrizes estabelecidas pela Presid•ncia. TambŽm ser‡ respons‡vel pela execu•‹o dos programas de auditoria e inspe•›es ordin‡rias e especiais.

  Acrescente-se que ˆs Inspetorias caber‡ exercer as atividades de controle externo de acordo com as diretrizes tra•adas pela Diretoria de Fiscaliza•‹o.

  Ainda cumpre destacar a exist•ncia da Secretaria do Tribunal de Contas dos Munic’pios, cujo principal objetivo consiste no registro, controle e coordena•‹o dos processos, alŽm de outras atribui•›es conferidas por Resolu•‹o, consoante reda•‹o do artigo 76 do Regimento Interno.

  Finalmente, acrescente-se que o Tribunal de Contas tem quadro pr—prio de servidores pœblicos, podendo haver provimento efetivo ou em comiss‹o.

3 OS PROCESSOS DE CONTROLE DE CONTAS PòBLICAS NO TRIBUNAL DE CONTAS DOS MUNICêPIOS DO ESTADO DO CEARç.

  As atividades de exame das contas pœblicas municipais efetivam-se no Tribunal de Contas, por meio de uma reuni‹o de atos coordenados, isto Ž, consubstanciam-se num processo administrativo especializado, que se encerra no sentido de que seja emitida uma defini•‹o favor‡vel ou desfavor‡vel acerca da gest‹o cont‡bil, financeira e or•ament‡ria da autoridade municipal, em determinado exerc’cio financeiro, importando ou n‹o na san•‹o do mau gestor.

  Impende asseverar que os processos administrativos que se desenvolvem perante a Corte de Contas do Estado do Cear‡ dever‹o pautar-se pelos princ’pios gerais da administra•‹o pœblica e da atividade jurisdicional aplic‡veis aos Tribunais de Contas, estes œltimos denominados por Jorge Ulisses Jacoby Fernandes como Òprinc’pios que regem a

  38 jurisdi•‹o do controleÓ .

  Ressalte-se que, no presente trabalho, filiamo-nos ˆ enumera•‹o desses preceitos indicada pelo ilustre jurista retrocitado, dispensando a an‡lise de alguns princ’pios administrativos gerais, por se afastar do objetivo pretendido no estudo.

  Merece destaque, a priori, o princ’pio da legalidade, dada a sua import‰ncia e relevo na condu•‹o das atividades pœblicas, ’nsito no caput do artigo 37 da Constitui•‹o da Repœblica, de modo a significar que o controle de contas pœblicas submeter-se-‡ ˆs disposi•›es legais e exig•ncia do bem comum, sob pena de praticar ato inv‡lido, ilegal, eivado de v’cio.

  Portanto, os exames realizados pelo Tribunal de Contas dependem do atendimento da legisla•‹o em vigor, uma vez que, sobretudo quando se trata do controle da gest‹o dos recursos pœblicos, ocorre a an‡lise de valores de expressivo montante, cujo desvio ou omiss‹o na fiscaliza•‹o das contas importar‡ em relevante preju’zo para o Er‡rio Pœblico e consequentemente para a realiza•‹o do interesse social.

  O segundo preceito trata-se do princ’pio da seguran•a jur’dica, com positiva•‹o no artigo 2¼ da Lei n. 9784/99, que regula o processo administrativo federal. Este diploma legal apresenta uma sŽrie de dispositivos cujo conteœdo tem car‡ter de normas gerais, dispondo sobre importantes princ’pios, valores, direitos e deveres do administrado e dos agentes pœblicos, assim vistos como diretrizes.

  Nesse sentido, ainda que sem an‡lise doutrin‡ria sobre a matŽria, porŽm com suped‰neo no artigo 24, ¤1¼ da Carta Maior, a jurisprud•ncia dos Tribunais Superiores propugna a observ‰ncia das diretrizes constantes nesta lei pela Administra•‹o Pœblica, em

  39 ‰mbito nacional, aplicando subsidiariamente as regras procedimentais da esfera federal .

  Isto tambŽm implica na aplica•‹o pela Corte de Contas, no desenvolvimento dos processos, dos princ’pios da finalidade, motiva•‹o, razoabilidade, proporcionalidade, ampla defesa, contradit—rio, seguran•a jur’dica, interesse pœblico, j‡ que estes preceitos tem car‡ter de norma geral.

  Nesse sentido, o administrativista Hely Lopes Meirelles amplia a no•‹o acima expendida para outros setores da Administra•‹o Pœblica, in verbis: Ò(É) suas regras [Lei 9.784/99] aplicam-se ˆs tr•s esferas de administra•‹o Ð Executivo, Legislativo e Judici‡rio (cf. ¤1¼ do art. 1¼) Ð e, obviamente, tambŽm ao MinistŽrio Pœblico e aos Tribunais de

40 Contas;Ó(Negrito nosso) .

  Ademais, a compreens‹o da seguran•a jur’dica est‡ diretamente relacionada ˆ estabiliza•‹o das situa•›es jur’dicas, de modo que o preceito busca assegurar um clima de confian•a aos administrados de modo geral, isto Ž, as rela•›es jur’dicas n‹o se alterar‹o por eventualidades.

41 Alguns not‡veis autores prelecionam que a seguran•a jur’dica, ao lado da

  legalidade, constitui um subprinc’pio do pr—prio conceito do Estado de Direito. Ainda, Almiro

  42

  do Couto e Silva, citado por Hely Lopes Meirelles , adverte sobre a for•a da seguran•a jur’dica quando se trata de quest‹o jur’dica j‡ consolidada no tempo, aduzindo que uma pretensa altera•‹o neste estado, sob a escusa de se resguardar a legalidade, provocaria maiores 39 preju’zos que a pr—pria preserva•‹o do status quo ante .

  

BRASIL. Superior Tribunal de Justi•a. Administrativo. Agravo Regimental no Agravo de Instrumento n¼

815.532 - 5» Turma. Processo n¼ 2006/0207524-6. Relator: Ministro Arnaldo Esteves Lima. Bras’lia, 13 de

40 mar•o de 2007. Di‡rio da Justi•a da Uni‹o. 23 abr. de 2007. p. 302. 41 MEIRELLES, op. cit., p. 679.

  CANOTILHO, J. J. Gomes. Direito constitucional. 5. ed., ref. e aum. Coimbra: Almedina, 1991. p 384.

  Destarte, um dos relevantes efeitos deste princ’pio consiste na garantia de que as avalia•›es emitidas pelos Tribunais de Contas n‹o poder‹o ser constantemente revistas para culminar em san•›es ao gestor que tenha administrado com lisura, regularidade e licitude as contas pœblicas em sua responsabilidade.

  Portanto, as Cortes de Contas devem obedecer um termo para promover as medidas administrativas cab’veis no exerc’cio do controle das gest›es municipais, sob pena de prescri•‹o.

  Por sua vez, o princ’pio do juiz natural, constante no artigo 5¼, inciso XXXVII da Constitui•‹o da Repœblica, tambŽm orienta a atua•‹o dos Tribunais de Contas, uma vez que, configurando-se o dever de presta•‹o das contas pœblicas, caber‡ ao aludido —rg‹o sua aprecia•‹o e exame, de modo inafast‡vel, por for•a da compet•ncia conferida a ele constitucionalmente.

  Noutro viŽs, o princ’pio em alus‹o apresenta alguns relevantes desdobramentos que devem permear a atividade de controle de contas pelo TCM/CE, quais sejam: a imparcialidade do —rg‹o examinador na an‡lise do processo, bem como a predefini•‹o do julgador competente.

  Este preceito visa resguardar que os gestores que tenham suas contas apreciadas pelo Tribunal n‹o sejam surpreendidos pela altera•‹o abrupta e desmotivada da autoridade competente para examinar o processo. TambŽm intenta resguard‡-los de subjetivismos e parcialidade que venham a prejudicar o l’dimo julgamento das contas apresentadas.

  O quarto e destac‡vel princ’pio refere-se ao devido processo legal, explicitado no artigo 5¼, inciso LIV da Carta Cidad‹ de 1988. Em suma, significa que o processo dever‡ ter desenvolvimento regular e legal, com a devida observ‰ncia das garantias constitucionalmente asseguradas.

  Nesse diapas‹o, a Corte de Contas est‡ adstrita ao rito processual definido em lei, portanto, n‹o deve haver qualquer incidente inopinado no que diz respeito aos atos processuais, bem como o —rg‹o dever‡ respeitar as garantias constitucionais dos gestores.

  Outrossim, Jorge Ulisses Jacoby Fernandes, com admir‡vel did‡tica, ilustra o modo como o devido processo legal materializa-se, in verbis: Òƒ em fun•‹o desse princ’pio, por produzir provas e quais os meios de prova admitidos, quando ser‡ julgada, quando e como

  43 poder‡ recorrer e quando torna-se definitiva a decis‹oÓ .

  O princ’pio da ampla defesa e do contradit—rio tambŽm dever‡ regular o exerc’cio do controle das contas pelo TCM/CE, j‡ que fundado nos moldes do artigo 5¼, inciso LV da Constitui•‹o da Repœblica, portanto, constitucionalmente explicitado.

  A sobredita prescri•‹o reflete-se no conhecido bin™mio ci•ncia e participa•‹o, significando que os acusados, em processo administrativo ou judicial, ser‹o informados dos atos processuais que correm contra si, de modo que possam manifestar-se sobre as alega•›es aduzidas em ju’zo, ressalvadas algumas poucas exce•›es, atravŽs dos meios e recursos inerentes ao exerc’cio de sua defesa.

  Isto quer dizer que, nos processos que tramitam perante a Corte de Contas, os gestores que apresentaram suas contas poder‹o exercer o direito de defesa, atravŽs dos meios e recursos previstos na Lei Org‰nica do TCM/CE, devendo este diploma legal estar em conformidade com os preceitos constitucionais da ampla defesa e contradit—rio, sob pena de os atos processuais praticados sem observ‰ncia destes serem nulos.

  Ainda, o princ’pio da motiva•‹o, ’nsito no artigo 93, inciso X, reger‡ todas as decis›es emanadas pelo Tribunal de Contas, de maneira que os atos de cunho decis—rio dever‹o ser fundamentados, para que o processado conhe•a as raz›es que levaram ao convencimento do —rg‹o julgador ˆquela dire•‹o.

  Acompanhando o preceito logo mencionado, encontra-se o livre convencimento do julgador, que abrange a no•‹o de que o —rg‹o apreciador tenha liberdade para alcan•ar a verdade material no processo, de acordo com as provas apresentadas nos autos. A rigor, isto significa que o julgador poder‡ apreciar livremente as provas produzidas, filiando-se ˆquela que melhor representa a verdade material, sendo imprescind’vel, portanto, o uso da experi•ncia e da razoabilidade pelo —rg‹o.

  Por fim, cumpre destacar que o princ’pio da lealdade processual abrange o dever de probidade n‹o apenas das partes, mas tambŽm dos agentes pœblicos, ao atuarem no processo. Traduz a necessidade de que o processo represente uma Òconcorr•ncia de interesses em apurar

  44

  a verdade, em prol do interesse pœblicoÓ, nos termos de Ulisses Jacoby . Nestes moldes, relaciona-se fortemente ao princ’pio da moralidade.

  Destarte, todos estes preceitos dever‹o rigorosamente orientar a condu•‹o do processo pelo Tribunal de Contas dos Munic’pios, para que o exerc’cio das atribui•›es do —rg‹o desenvolva-se com lisura e transpar•ncia, refletindo uma evolu•‹o do Estado Democr‡tico de Direito, no controle de pr—prias medidas estatais, in casu, da gest‹o das finan•as pœblicas, de modo a refrear as arbitrariedades e os desvios de verbas, que tanto afetam o interesse pœblico.

  Ultrapassada a an‡lise sobre os princ’pios orientadores, assevere-se que os processos de controle de contas foram regulados, quanto ˆ aprecia•‹o, julgamento e fiscaliza•‹o, pelos artigos 6¼ a 59 da Lei Org‰nica do TCM/CE; no tocante ˆ forma•‹o, distribui•‹o, tramita•‹o preferencial e recursos, pelos artigos 91 a 110 do Regimento Interno; e, no que tange ˆ classifica•‹o e procedimentos, pela Resolu•‹o n¼ 01/2002.

  Em seguida, ser‹o analisadas as espŽcies de processos destinados ao controle das contas municipais, a partir da regulamenta•‹o pr—pria do Tribunal de Contas dos Munic’pios do Estado do Cear‡ e de acordo com os moldes da normatiza•‹o retromencionada.

  Ademais, ressalve-se que o presente trabalho n‹o intenta esgotar as discuss›es sobre os processos de controle de contas pœblicas, nem acerca das medidas de controle judicial dos atos da Corte de Contas voltados ao prefalado exame das finan•as pœblicas, t‹o-somente busca contribuir com a compreens‹o e despertar de maiores an‡lises sobre a matŽria.

3.1 Presta•‹o de Contas de Governo

  O Processo de Presta•‹o de Contas de Governo objetiva a aprecia•‹o das contas anuais dos Prefeitos dos Munic’pios do Estado do Cear‡, culminando com o Parecer PrŽvio do Tribunal de Contas, que orientar‡ o julgamento definitivo pela C‰mara dos Vereadores, somente deixando de prevalecer por decis‹o de 2/3 (dois ter•os) dos membros do Poder Legislativo, consoante artigo 31, ¤2¼ da Constitui•‹o da Repœblica.

  A import‰ncia da an‡lise das contas em alus‹o fundamenta-se no fato de o Prefeito, como representante do Munic’pio, consolidar as contas gerais, ser respons‡vel pela arrecada•‹o praticamente integral dos recursos e maior parte da execu•‹o das despesas, bem como pela distribui•‹o dos recursos financeiros previstos no or•amento.

  Importa frisar que as contas de governo devem apresentar, portanto, o balan•o geral do Munic’pio e o relat—rio de controle interno do representante do Poder Executivo Municipal sobre a execu•‹o do or•amento e demais matŽrias, segundo disposto no artigo 118 do Regimento Interno.

  A partir destes dados, o Tribunal de Contas elaborar‡ o Parecer PrŽvio, ou seja, um relat—rio complexo abrangendo as an‡lises sobre o balan•o geral do Munic’pio, a gest‹o financeira, or•ament‡ria e patrimonial, o cumprimento dos programas previstos na Lei Or•ament‡ria Anual e a renœncia de receitas, no tocante ˆ legalidade, legitimidade e economicidade.

  Ainda ser‹o examinadas as contribui•›es, subven•›es e aux’lios recebidos do Estado e da Uni‹o, a aplica•‹o do m’nimo da receita municipal em manuten•‹o e desenvolvimento do ensino, os contratos, acordos e conv•nios firmados, a apura•‹o da responsabilidade solid‡ria sobre irregularidades detectadas nas contas de gest‹o sujeitas ao controle do

45 Prefeito.

  O Parecer PrŽvio dever‡, ent‹o, encerrar o entendimento conclusivo do Tribunal de Contas, ap—s o exame do conjunto de informa•›es financeiras, cont‡beis e or•ament‡rias, no sentido de ser favor‡vel ou desfavor‡vel ˆ aprova•‹o das contas de governo pela C‰mara dos Vereadores.

  Acrescente-se sobre outra situa•‹o tambŽm poss’vel que diz respeito ˆ omiss‹o da contas de governo pelo Prefeito. Nesta hip—tese, o Tribunal de Contas dever‡ comunicar imediatamente ˆ C‰mara dos Vereadores, a fim de que sejam instauradas as medidas para tomada das referidas contas.

  Sistematicamente, o processo em comento Ž classificado, segundo a Resolu•‹o n¼ 45 01/2002 do TCM/CE, como uma espŽcie de processo-fim principal, isto Ž, aquele cuja

  

CEARç. Tribunal de Contas dos Munic’pios. Resolu•‹o n¼ 08/1998, de 1¼ de outubro de 1998. Regimento finalidade consistir‡ na emiss‹o ou de parecer prŽvio ou ac—rd‹o do Pleno ou da C‰mara, de forma que se organiza em tr•s momentos.

  A fase inicial compreende a apresenta•‹o das contas de governo pelo Prefeito ou, no caso de omiss‹o, a comunica•‹o ˆ C‰mara dos Vereadores, para que se efetue a tomada de contas. Em seguida, uma informa•‹o inicial ser‡ elaborada pela Inspetoria da Diretoria de Fiscaliza•‹o sobre as contas prestadas. Emp—s, o Prefeito ter‡ o prazo de 15 (quinze) dias para manifestar-se sobre a informa•‹o inicial, atravŽs de Justificativas, segundo artigo 6¼, ¤1¼ da Lei Org‰nica do TCM/CE.

  A fase intermedi‡ria, por sua vez, abrange a elabora•‹o de uma informa•‹o complementar pela Inspetoria, caso necess‡ria, a emiss‹o de parecer pela Auditoria e o parecer da Procuradoria de Contas.

  O terceiro momento, ou seja, a fase conclusiva dever‡ representar o encerramento do processo, j‡ que se constitui unicamente da emiss‹o do Parecer PrŽvio pela Corte de Contas, que ter‡ o prazo de doze meses para sua elabora•‹o, a contar do dia do recebimento, segundo o artigo 115 do Regimento Interno, de modo que n‹o caber‡ recurso administrativo emp—s isso.

  No Estado do Cear‡, o Parecer PrŽvio reflete um posicionamento tŽcnico e, algumas vezes, pol’tico, que frequentemente implica em sua ratifica•‹o pela C‰mara Municipal, j‡ que, somente por maioria qualificada, poderia ser recusado.

  Da’ a emin•ncia do respeito ˆs garantias constitucionais do gestor no processo que tramita perante a Corte de Contas, visto que a desaprova•‹o de suas contas trar‡ significativas conseqŸ•ncias ao administrador pœblico, a seguir analisadas.

3.2 Presta•‹o de Contas de Gest‹o

  O Processo de Presta•‹o de Contas de Gest‹o destina-se ao julgamento das contas dos ordenadores de despesas municipais, os quais podem ser agrupados em tr•s grupos, segundo as pessoas, a a•‹o e o objeto das contas a serem prestadas, conforme organiza•‹o

  46 proposta pelo jurista Ulysses Jacoby .

  Nesse sentido, o primeiro dever‡ abranger as contas dos gestores, inclusive as das Mesas das C‰maras Municipais, e dos demais respons‡veis por bens e valores pœblicos da Administra•‹o Direta e Indireta, inclu’das as funda•›es e sociedades do Poder Pœblico Municipal.

  O segundo grupo estende-se a qualquer pessoa f’sica ou jur’dica ou entidade pœblica que utilize, arrecade, guarde, gerencie ou administre bens e valores pœblicos ou pelos quais o Munic’pio responda, ou que, em nome deste, assuma obriga•›es de natureza pecuni‡ria.

  Por œltimo, aqueles que derem causa a perda, extravio ou outra irregularidade de que resulte preju’zo ao er‡rio tambŽm dever‹o submeter suas contas ao exame pela Corte de Contas.

  Com efeito, as contas de gest‹o do primeiro grupo dever‹o ser anualmente submetidas ˆ an‡lise e correspondente julgamento pelo TCM/CE, diversamente dos demais, visto que as contas do segundo grupo ser‹o devidas pelo gestor somente pelo per’odo em que perdurar a gest‹o de bens ou valores pœblicos municipais; j‡ as contas do terceiro grupo dever‹o ser prestadas quando da ocorr•ncia dos incidentes danosos ao er‡rio, caso no qual se instaurar‡ o Processo de Tomada de Contas Especial, emp—s estudado.

  Ademais, a œnica exce•‹o em face do processo de contas de gest‹o diz respeito ˆs contas anuais do Prefeito, como chefe do Poder Executivo. N‹o obstante, no caso da execu•‹o de atos de ordena•‹o de despesas por ele, isto Ž, atos de gest‹o administrativa, tambŽm passar‡ a ser julgado pela Corte de Contas pelos referidos atos.

  A import‰ncia da presta•‹o de contas anual pela autoridade municipal, respons‡vel por Secretaria ou Fundo Municipais, funda-se na aferi•‹o de as despesas diretamente administradas por este gestor expressarem a capacidade da boa e regular gest‹o de recursos pœblicos.

  Contudo, surge ainda uma significativa quest‹o no sentido de se compreender se o julgamento ser‡ das contas prestadas ou do respons‡vel por elas, uma vez que n‹o seria poss’vel a constata•‹o de uma irregularidade sem que haja a sua direta vincula•‹o ao gestor; mais ainda, esta distin•‹o poder‡ contribuir com a garantia do contradit—rio e da ampla defesa do respons‡vel.

  Nesse sentido, o Tribunal de Contas da Uni‹o esposou o entendimento de que a razoabilidade ser‡ o par‰metro para o exame das contas de gest‹o, n‹o se cingindo ˆ constata•‹o isolada da irregularidade, portanto, fora do contexto da administra•‹o do agente,

  ex vi

  :

  De outro lado, h‡ que se ter em mente, segundo j‡ decidido em outros casos apreciados por este Tribunal, que o exame de contas anuais de respons‡vel deve ter por foco toda a gest‹o, e n‹o apenas um ou outro ato isolado. Assim, Ž preciso sopesar a irregularidade de um ato no conjunto da gest‹o, entendida como uma sŽria de atos necess‡rios ˆ funcionalidade de um —rg‹o e verificada dentro de padr›es 47

aceit‡veis de legalidade, legitimidade e economicidade .

  Noutro passo, impende ressaltar que as contas de gest‹o dever‹o conter relat—rio da gest‹o, relat—rio e certificado de auditoria ou inspe•‹o interna, que aponte as irregularidades ou ilegalidades constatadas, indicando as medidas adotadas para sanear as falhas existentes, bem como outros documentos que o gestor julgue pertinentes para uma completa an‡lise do exerc’cio financeiro por ele administrado, consoante o artigo 10 da Lei Org‰nica da Corte de Contas.

  De acordo com a classifica•‹o da Resolu•‹o n¼ 01/2002 do TCM/CE, o processo de presta•‹o de contas de gest‹o tambŽm enquadra-se como uma espŽcie de processo-fim principal, de modo que se organiza em quatro etapas.

  A fase inicial compreende a apresenta•‹o das contas de gest‹o pelo ordenador de despesas de cada Unidade Gestora Municipal ou, no caso de omiss‹o, o Tribunal de Contas efetuar‡ a tomada de contas. Em seguida, haver‡ a Informa•‹o Inicial elaborada pela Inspetoria da Diretoria de Fiscaliza•‹o. Por œltimo, o gestor poder‡ se manifestar no prazo de 15 (quinze) dias, por meio de Justificativas, impugnando a indica•‹o de eventuais irregularidades pela Unidade TŽcnica ou indicando as raz›es de defesa para execu•‹o de certas medidas. 47 A fase intermedi‡ria abrange a elabora•‹o de Informa•‹o Complementar pela

  

BRASIL. Tribunal de Contas da Uni‹o. Presta•‹o de Contas. Ac—rd‹o n¼ 276/2002 Ð Plen‡rio. Processo n¼ TC-

650.158/1995-4. Relator: Ministro Marcos Vin’cios Vila•a. Bras’lia, 31 de julho de 2002. Di‡rio Oficial da Inspetoria, acaso necess‡rio, e o parecer da Procuradoria de Contas.

  Emp—s, ocorrer‡ a prola•‹o do Ac—rd‹o, contendo o relat—rio, voto e dispositivo, encerrando a fase conclusiva do processo de presta•‹o de contas de gest‹o. A decis‹o definir‡ se as contas ser‹o classificadas como regulares, regulares com ressalvas ou irregulares, nos termos do artigo 13 da LOTCM.

  As contas de gest‹o ser‹o julgadas como regulares quando expressarem, clara e objetivamente, a exatid‹o das demonstra•›es cont‡beis, a legalidade, legitimidade e economicidade dos atos do respons‡vel.

  Por conseguinte, ser‹o enquadradas como regulares com ressalvas as contas que evidenciarem impropriedades ou falhas de car‡ter formal, ou pr‡tica de ato ilegal, ileg’timo ou antiecon™mico que n‹o seja de natureza grave e n‹o represente injustificado dano ao er‡rio.

  A Corte de Contas, neste caso, dever‡ certificar o gestor e determinar a ado•‹o das medidas necess‡rias ˆ corre•‹o das impropriedades ou faltas constatadas, a fim de prevenir a ocorr•ncia de futuras falhas, conforme o artigo 18 da Lei Org‰nica.

  Por œltimo, ser‹o irregulares as contas quando comprovada a omiss‹o no dever de prestar contas, grave infra•‹o ˆ norma legal ou regulamentar de natureza cont‡bil, financeira, or•ament‡ria, operacional e patrimonial, injustificado dano ao er‡rio, advindo de ato ileg’timo ou antiecon™mico ou desfalque, desvio de bens ou valores pœblicos.

  Destarte, quando houver dŽbito, a Corte de Contas condenar‡ o respons‡vel ao pagamento da d’vida atualizada monetariamente, acrescidas dos juros de mora devidos, podendo inclusive aplicar-lhe multa de atŽ cem por cento do valor do dano causado ao er‡rio.

  N‹o havendo dŽbito, mas ocorrendo omiss‹o da presta•‹o de contas, grave infra•‹o ou injustificado dano ao er‡rio, o Tribunal poder‡ aplicar ao gestor multa de atŽ 6.000 UFIR (seis mil Unidades Fiscais de Refer•ncia), cuja unidade atualmente equivale a R$ 1,0641 (um real e seis centavos).

  Ainda o Relator do processo ou atŽ o Tribunal de Contas dever‡ definir a responsabilidade individual ou solid‡ria pelo ato viciado. Se houver dŽbito, ordenar‡ a cita•‹o do respons‡vel, para apresentar defesa ou recolher a quantia devida; n‹o havendo dŽbito, outras medidas para sancionar o respons‡vel. Tudo em conformidade com o disposto no artigo 15 da Lei Org‰nica da Corte de Contas.

  Outra hip—tese que merece destaque refere-se ˆs contas julgadas iliquid‡veis, que s‹o reguladas pelos artigos 20 e 21 da LOTCM. Configurar-se-‡ quando, em raz‹o de caso fortuito ou de for•a maior, tornar-se materialmente imposs’vel a aprecia•‹o ou o julgamento das contas, de modo que a Corte de Contas pode ordenar o trancamento das contas que forem consideradas iliquid‡veis e o consequente arquivamento do processo.

  Ao contr‡rio do processo de presta•‹o de contas de governo, ser‡ admitida a interposi•‹o de recurso em face da decis‹o do TCM/CE, dando in’cio ˆ œltima etapa, chamada de fase recursiva.

  Ap—s isso, ser‡ efetuado o ju’zo de admissibilidade do recurso, que, sendo positivo, seguir-se-‡ pela informa•‹o da Unidade TŽcnica, pelo Parecer da Procuradoria de Contas, findando com a prola•‹o do Ac—rd‹o, que apreciar‡ o recurso; sendo negativo, o ato ser‡ submetido ao —rg‹o colegiado competente, ap—s a ouvida da Procuradoria Especial.

  Complemente-se que os apelos intentados pelo gestor, nesta fase, compreendem os embargos de declara•‹o, recurso de reconsidera•‹o e de revis‹o, enumerados no artigo 32 da Lei Estadual n¼ 12.160/1993.

  Os embargos de declara•‹o, com efeito suspensivo, s‹o cab’veis nas hip—teses em que houver, na decis‹o, obscuridade, contradi•‹o ou omiss‹o em quest‹o sobre a qual devia pronunciar-se o Relator ou o Tribunal, sendo de 5 (cinco) dias, contados da intima•‹o, o prazo para sua interposi•‹o, conforme disposto no artigo 32, ¤2¼ da Lei Org‰nica do TCM/CE.

  Noutro passo, o recurso de reconsidera•‹o est‡ regulamentado pelo artigo 33 da Lei Org‰nica. TambŽm com efeito suspensivo, ser‡ julgado pelo Pleno, de modo que poder‡ ser interposto uma œnica vez pelo respons‡vel ou pelo Procurador de Contas, no prazo de 30 (trinta) dias, a partir da data do recebimento da notifica•‹o, conforme artigo 30 da LOTCM.

  Ainda poder‡ ser interposto recurso de revis‹o pelo gestor respons‡vel, seus herdeiros, sucessores ou pelo Procurador de Contas, no prazo de 5 (cinco) anos, contados da publica•‹o da decis‹o, sendo exigido o dep—sito prŽvio do valor total da multa arbitrada na decis‹o, limitado ao equivalente a 2.000 UFIRs (duas mil unidades fiscais de refer•ncia).

  Este recurso ser‡ aplic‡vel nos casos em houver erro de c‡lculo que tenha interferido decisivamente no sentido da desaprova•‹o das contas ou que tenha sido considerado para fins de imputa•‹o de dŽbito ou multa, na comprova•‹o de que a decis‹o recorrida se baseou na falsidade ou insufici•ncia de documentos, na superveni•ncia de documentos novos, cuja exist•ncia ignorava ou deles n‹o p™de fazer uso e capazes, por si s—, de elidir os fundamentos da decis‹o, ou, por fim, na err™nea identifica•‹o ou individualiza•‹o do gestor respons‡vel.

  Impende informar ainda que os recursos mencionados tramitar‹o nos mesmos autos da decis‹o impugnada, conforme estabelecido no artigo 110 do Regimento Interno do TCM/CE.

3.3 Tomada de Contas de Gest‹o

  O Processo de Tomada de Contas de Gest‹o igualmente visa ao julgamento das contas dos ordenadores de despesas municipais, classificando-se como processo-fim principal e regulado pela Resolu•‹o n¼ 01/2002 do TCM/CE, com os acrŽscimos efetuados pela Resolu•‹o n¼ 08/2004. Entretanto diferencia-se do processo anterior sobretudo no tocante ˆ iniciativa de sua propositura, j‡ que, neste caso, partir‡ do Tribunal de Contas.

  Havendo omiss‹o na presta•‹o de contas de gest‹o, compete ˆ Corte de Contas a instaura•‹o da tomada de contas respectiva, que devem consistir nos balan•os gerais dos Munic’pios e no relat—rio do controle interno do Poder Executivo sobre as execu•›es dos or•amentos, conforme a Lei Or•ament‡ria Anual, Lei de Diretrizes Or•ament‡rias e o Plano Plurianual aprovado para o Munic’pio.

  , o Processo de Tomada de Contas principiar‡ por meio de Provoca•‹o, um

  A priori

  processo-fim auxiliar, consoante Resolu•‹o n¼ 01/2002, movido por —rg‹o ou agente do TCM/CE, cuja finalidade consiste na emiss‹o de ato pelo conselheiro-relator, no sentido de admiti-lo e dar o efetivo in’cio ao processo de Tomada de Contas. Na hip—tese de inadmiss‹o, este ser‡ submetido ao colegiado competente.

  Em suma, o processo-fim auxiliar de Provoca•‹o constitui-se numa œnica fase de admissibilidade, sendo necess‡ria a manifesta•‹o prŽvia da Procuradoria de Contas, segundo o artigo 2¼, inciso II da Resolu•‹o retromencionada.

  Com efeito, desde a Provoca•‹o, o —rg‹o ou agente do TCM/CE dever‡ instruir o requerimento inicial com os dados e informa•›es que dispuser sobre a matŽria, podendo tambŽm solicitar ao Conselheiro-relator, se admitido o Processo de Tomada de Contas de Gest‹o, a concess‹o de prazo para faz•-lo.

  Admitida a Tomada de Contas de Gest‹o, o Conselheiro-relator tambŽm poder‡ estabelecer termo para que o controle interno do Munic’pio ou o mesmo Prefeito adote as provid•ncias cab’veis no sentido da fornecer os dados do balan•o geral e do relat—rio do controle interno, para apura•‹o de eventuais irregularidades ou ilegalidades e a consequente identifica•‹o de respons‡veis.

  Acaso as referidas medidas n‹o sejam adotadas ou encerradas no prazo fixado pelo Relator, o processo de Tomada de Contas prosseguir‡ em face do gestor e do respons‡vel pelo controle interno, segundo os termos do artigo 3¼, ¤4¼ da Resolu•‹o n¼ 01/2002.

  A partir desta etapa, o presente processo seguir‡ os exatos tr‰mites da Presta•‹o de Contas de Gest‹o, da fase inicial atŽ a recursiva. Portanto as contas poder‹o igualmente ser consideradas como regulares, regulares com ressalvas ou irregulares.

3.4 Tomada de Contas Especial

  O Processo de Tomada de Contas Especial, por sua vez, concerne num procedimento excepcional, cujo escopo concentra-se na apura•‹o de responsabilidade por omiss‹o, irregularidade na presta•‹o de contas ou dano causado ao er‡rio pela Corte de Contas. ƒ regulado pelos artigos 9¼ e 10 da Lei Org‰nica do TCM/CE e tambŽm enquadra-se na categoria de processo-fim principal.

  Importa ressaltar que a Tomada de Contas Especial poder‡ ser instaurada para atingir dois distintos objetivos: primeiro, levantar ind’cios de autoria por eventuais danos praticados contra o er‡rio; segundo, tomar as contas e apurar poss’veis irregularidades pelo gestor que se omitiu do dever de presta•‹o de contas, assim como no processo retro.

  Nas duas hip—teses, os administradores ou ordenadores hierarquicamente superiores dever‹o de plano instaurar uma Tomada de Contas Especial, sob pena de responsabilidade solid‡ria; conforme esclarece o artigo 133 do Regimento Interno do Tribunal de Contas, esta poder‡ assumir a forma de sindic‰ncia, inquŽrito ou processo administrativo, a depender do motivo que ensejou sua realiza•‹o.

  Ademais, o jurista Ulisses Jacoby elucida sobre o car‡ter dœplice do processo de Tomada de Contas Especial, n‹o somente pelos objetivos distintos pretendidos, mas ainda pelo desenvolvimento em duas etapas: numa fase interna, sob o impulso da autoridade municipal hierarquicamente superior, e numa fase externa, sob a aprecia•‹o e julgamento do

48 Tribunal de Contas .

  Nesse sentido, conclu’das as apura•›es no ‰mbito administrativo municipal, a correspondente Tomada de Contas Especial dever‡ ser remetida ˆ Corte de Contas, contendo relat—rio da tomada de contas, bem como relat—rio e certificado de auditoria ou inspe•‹o interna que relacionar‡ as irregularidades ou ilegalidades constatadas, indicando as medidas corretivas correspondentes, segundo o artigo 10 da Lei Org‰nica do TCM/CE, para julgamento.

  Destarte o Tribunal de Contas poder‡ decidir pelo arquivamento do processo quando inexistente responsabilidade do administrador ou ordenador de despesa ou acaso tenha se alcan•ado o pleno ressarcimento do er‡rio e a puni•‹o dos respons‡veis; ou pela fixa•‹o de dŽbito, com a imposi•‹o de penalidade para o gestor respons‡vel.

  Impende observar que anualmente o Tribunal de Contas estipular‡ valor monet‡rio que servir‡ de par‰metro para fins de an‡lise em sede de Tomada de Contas Especial, sempre na primeira sess‹o ordin‡ria do m•s de dezembro, de acordo com o artigo 132, par‡grafo œnico do Regimento Interno.

  Por conseguinte, se o dano causado ao Er‡rio for inferior ˆ quantia fixada, a Tomada de Contas Especial ser‡ anexada ao processo da respectiva Tomada ou Presta•‹o de Contas anual do ordenador de despesa, para aprecia•‹o e julgamento em conjunto.

  Por fim, a Corte de Contas dever‡ concluir pela proced•ncia ou improced•ncia do processo em comento, sendo igualmente poss’vel a interposi•‹o dos recursos comentados no processo de presta•‹o de contas de gest‹o.

3.5 Procedimentos complementares

  Ademais, alŽm dos processos basilares para o exame de contas, merecem aten•‹o os procedimentos complementares ˆ fiscaliza•‹o das finan•as municipais. As auditorias e inspe•›es relacionam diretamente ˆ prefalada atribui•‹o, enquanto a resposta ˆ consulta diz respeito ao controle preventivo das contas pœblicas.

  3.5.1 Auditorias e Inspe•›es Para realizar uma completa e efetiva fiscaliza•‹o das atividades municipais, no tocante ˆ gest‹o dos valores pœblicos, muitas vezes faz-se necess‡rio que o Tribunal de

  Contas promova auditorias e inspe•›es no Munic’pio, medidas estas que normalmente s‹o tratadas como sin™nimos, porŽm apresentam significativas distin•›es.

  As auditorias consistem num procedimento sistem‡tico, a fim de se avaliar os objetos examinados a partir de critŽrios estabelecidos anteriormente. As inspe•›es, por sua vez, s‹o medidas informativas e instrut—rias, que funcionam como subs’dio das avalia•›es e

  49 conclus›es efetuadas nas auditorias .

  Enriquecendo o estudo da matŽria, o not‡vel escritor Ulisses Jacoby organiza as auditorias em tr•s grupos tŽcnicos, quais sejam: auditoria cont‡bil, financeira e or•ament‡ria, auditoria operacional e auditoria ambiental, desenvolvendo ainda outros argumentos para a

  50 diferencia•‹o dos procedimentos de auditoria e inspe•‹o .

  Importa esclarecer que, conforme a aludida classifica•‹o, a auditoria cont‡bil, financeira e or•ament‡ria visa examinar a adequa•‹o do —rg‹o ˆs normas de contabilidade, 49 direito financeiro, ao planejamento e execu•‹o do or•amento. Com efeito, j‡ que se cinge ˆ

  

AGUIAR, Afonso Gomes. AGUIAR, M‡rcio Paiva de. O Tribunal de contas na ordem constitucional. Rio Ð S‹o Paulo Ð Fortaleza: ABC Editora, 2003. p. 92. regularidade e legalidade da gest‹o cont‡bil, financeira e or•ament‡ria, n‹o se efetiva um exame subjetivo das atividades desempenhadas pelo gestor.

  A auditoria operacional, de modo diverso, objetiva analisar o funcionamento do —rg‹o, que compreende a fiscaliza•‹o econ™mica e financeira, agora sob o aspecto anal’tico, admitindo o exame subjetivo do auditor. Nesta circunst‰ncia, possibilita-se a indica•‹o de revis›es e altera•›es no sistema operacional do —rg‹o, a fim de fomentar o aperfei•oamento da gest‹o pœblica.

  Por fim, a auditoria ambiental refere-se a Òprocedimento de exame e avalia•‹o

  51

  peri—dica ou ocasional do comportamento de uma empresa em rela•‹o ao meio ambienteÓ , adaptando-se a aludida conceitua•‹o para o ‰mbito da administra•‹o pœblica, por meio de conv•nios com universidades e —rg‹os de fiscaliza•‹o ambiental junto aos Tribunais de Contas.

  Ainda no tocante ˆs inspe•›es, cumpre colacionar as li•›es de Ulisses Jacoby, neste sentido, ipsis litteris: ÒŽ o procedimento de fiscaliza•‹o para suprir omiss›es e lacunas de informa•›es, esclarecer dœvidas ou apurar denœncias quanto ˆ legalidade e ˆ legitimidade de fatos da administra•‹o e de atos administrativos praticados por qualquer respons‡vel sujeito ˆ

  52 jurisdi•‹o do tribunal de contasÓ .

  Nesse diapas‹o, a Constitui•‹o do Estado do Cear‡ confere ao Tribunal de Contas, no artigo 78, IV, a compet•ncia para efetuar, por iniciativa pr—pria, ou da C‰mara Municipal, inspe•›es e as auditorias cont‡bil, financeira e or•ament‡ria e as auditorias operacionais, referindo-se tambŽm ˆ patrimonial, nos —rg‹os dos Poderes Executivos e Legislativo Municipal.

  Acrescente-se que inspe•›es e auditorias s‹o considerados procedimentos preparat—rios ou incidentais aos processos j‡ estudados, cuja finalidade compreende a verifica•‹o de poss’veis irregularidades, in loco ou por meio do exame de documentos solicitados aos gestores municipais, segundo as disposi•›es do artigo 2¼, ¤2¼ da Resolu•‹o n¼ 01/2002.

51 MACHADO, Paulo Affonso Leme. Direito ambiental brasileiro. 11. ed. rev. atual. e ampl. S‹o Paulo: Malheiros, 2003. p. 278.

  3.5.2 Consulta Outra atribui•‹o que merece destaque trata-se da resposta pelo Tribunal de Contas ˆ consulta realizada por autoridade municipal, estando regulamentada pelos artigos 127 a 129 do Regimento Interno do TCM/CE.

  Considerando a complexidade do controle das finan•as pœblicas, bem como sua especificidade, resta imprescind’vel a possibilidade de saneamento de eventuais dœvidas ou incertezas quanto ˆ interpreta•‹o ou aplica•‹o de determinada disposi•‹o cont‡bil, financeira ou or•ament‡ria.

  Destarte, o Tribunal de Contas poder‡ responder ˆs referidas consultas, a fim de colaborar com o controle preventivo das contas pœblicas municipais. Contudo, faz-se necess‡rio que a matŽria tratada esteja compreendida no rol de compet•ncias da Corte de Contas, tambŽm para que a medida n‹o se desfigure, culminando em mero questionamento sobre o caso concreto.

  O artigo 157 do Regimento Interno prev• quais as autoridades municipais que poder‹o formular a consulta perante o Tribunal de Contas, dentre as quais podemos destacar os Prefeitos, os Presidentes ou Vereadores da C‰mara Municipal, etc.

  Com efeito, a Corte de Contas exige que a consulta seja realizada de modo claro e preciso, constando da indica•‹o do objeto questionado e, quando poss’vel, contenha parecer prŽvio do —rg‹o de assessoria jur’dica ou tŽcnica, sob pena do arquivamento do processo pela Presid•ncia do TCM/CE.

  Acertadamente, o brilhante jurista Ulisses Jacoby propugna a import‰ncia do instituto para o desenvolvimento do controle de contas, ex vi:

  Em termos de efici•ncia da administra•‹o pœblica, nada melhor para aqueles que lidam com finan•as pœblicas do que ter previamente a interpreta•‹o do —rg‹o de controle externo. Para esses, a a•‹o preventiva resultante tem mais largo alcance, 53 porque o controle orientador Ž muito mais eficiente do que o repressivo . A despeito de o tratamento do instituto limitar-se ˆquele definido pelo Regimento Interno dos Tribunais de Contas, a elabora•‹o de consulta tem suma import‰ncia para fins de esclarecimento das quest›es que permeiam a gest‹o do complexo interesse municipal, sendo uma not‡vel medida de controle preventivo.

  

4 MEDIDAS JUDICIAIS DE CONTROLE DE ATOS DO TRIBUNAL DE

CONTAS DOS MUNICêPIOS DO ESTADO DO CEARç VOLTADOS AO

EXAME DAS CONTAS PòBLICAS

  Em face da relev‰ncia do controle das contas municipais e, portanto, da gest‹o cont‡bil, financeira e or•ament‡ria do Munic’pio, podem ocorrer certas distor•›es nesta atividade fiscalizat—ria por parte dos agentes do TCM, quando movidos por interesses exclusivamente politiqueiros, podendo gerar desvios e excessos no prec’puo papel da institui•‹o a reclamar pela interfer•ncia do Poder Judici‡rio.

  Nesse viŽs, com suped‰neo no Princ’pio da Inafastabilidade da Jurisdi•‹o ou Acesso ˆ Justi•a, ’nsito no artigo 5¼, inciso XXXV, o Poder Judici‡rio poder‡ revisar os atos da Corte de Contas, desempenhando verdadeiro e leg’timo controle de legalidade e constitucionalidade, nas hip—teses em que estes n‹o se coadunarem com as normas, os valores e princ’pios norteadores da Administra•‹o Pœblica e do Estado Democr‡tico de Direito.

  Outrossim, este Ž o posicionamento esposado pelo Tribunal de Justi•a Cearense, admitindo a aprecia•‹o da constitucionalidade e legalidade pelo Poder Judici‡rio inclusive na elabora•‹o do Parecer PrŽvio pelo TCM/CE, consoante comprovado na ementa a seguir transcrita

  54

  : ADMINISTRATIVO. APELA‚ÌO CêVEL. A‚ÌO ANULATîRIA.

  PRELIMINAR. CERCEAMENTO DE DEFESA. NÌO OCORRæNCIA. PARECER PRƒVIO DO TRIBUNAL DE CONTAS DOS MUNICêPIOS. APRECIA‚ÌO DA CONSTITUCIONALIDADE E LEGALIDADE PELO PODER JUDICIçRIO. POSSIBILIDADE. OFENSA AOS PRINCêPIOS DO CONTRADITîRIO E DA AMPLA DEFESA. NÌO DEMONSTRA‚ÌO. PRESUN‚ÌO DE

  VERACIDADE E LEGITIMIDADE DOS ATOS ADMINISTRATIVOS. INOVA‚ÌO RECURSAL. QUESTÌO NÌO SUSCITADA E DEBATIDA EM PRIMEIRO GRAU. IMPOSSIBILIDADE DE ARG†I‚ÌO EM SEDE DE APELA‚ÌO. RECURSO CONHECIDO E DESPROVIDO. 1. O simples protesto por provas realizado na exordial n‹o surte qualquer efeito se n‹o for ratificado, mediante requerimento expresso, quando determinada a especifica•‹o. Constatado, no caso, que o julgador singular oportunizou a dila•‹o probat—ria, em respeito ao princ’pio do contradit—rio e da ampla defesa, n‹o pode o autor/apelante que se quedou inerte alegar cerceamento de defesa. 2. A aprecia•‹o do Poder Judici‡rio quanto ˆ observ‰ncia das garantias constitucionais e legais na 54 CEARç. Tribunal de Justi•a. Apela•‹o C’vel. Processo n¼ 17608-33.2004.8.06.0000/0, da Terceira C‰mara

C’vel. Relator: Des. Ant™nio Abelardo Benevides Moraes. Di‡rio da Justi•a do Estado do Cear‡, Fortaleza, n.

  elabora•‹o do parecer prŽvio pelo Tribunal de Contas dos Munic’pios coaduna- se com os princ’pios constitucionais da inafastabilidade da jurisdi•‹o e do devido processo legal, porquanto a via judicial Ž a œnica capaz de assegurar ao cidad‹o todas as garantias necess‡rias a um pronunciamento imparcial. 3."A Lei n‹o excluir‡ da aprecia•‹o do Poder Judici‡rio les‹o ou amea•a a direito". Art.

  5¼, inciso XXXV da CF/88. 4. Os atos administrativos gozam de presun•‹o de veracidade e legitimidade, de maneira que caberia ao requerente demonstrar cabalmente a alegada ofensa aos princ’pios do contradit—rio e da ampla defesa, ™nus que, na hip—tese, n‹o se desincumbiu. 5. N‹o Ž admiss’vel ˆ parte recorrente inovar em sua postula•‹o recursal, para nela incluir quest‹o n‹o suscitada e debatida na inst‰ncia origin‡ria, no caso, a extemporaneidade da emiss‹o do parecer prŽvio do TCM, sob pena de afronta aos princ’pios do duplo grau de jurisdi•‹o e do devido processo legal. 6. Recurso conhecido e desprovido. (Destaque nosso)

  N‹o adentrando nas discuss›es doutrin‡rias, que permeiam a matŽria, repise-se que Ž admitido que o controle judicial seja restrito ˆ an‡lise da legalidade e constitucionalidade dos atos do Tribunal de Contas, vedando-se o exame do mŽrito, a fim de que sejam respeitados a autonomia conferida ao —rg‹o e os critŽrios de oportunidade e conveni•ncia adotados no julgamento das contas pœblicas, conforme a doutrina mais abalizada, a exemplo de JosŽ dos Santos Carvalho Filho

  55

  e Hely Lopes Meirelles

  56 .

  Destarte, com o objetivo de exigir a adequa•‹o da Corte de Contas aos ditames constitucionais e legais, o gestor que tiver suas contas indevidamente julgada pelo TCM/CE ou vir direito liquido e certo amea•ado ou lesado por ato de autoridade do referido —rg‹o poder‡ valer-se destas medidas judiciais, respectivamente: a a•‹o anulat—ria e o mandado de seguran•a, a seguir analisadas.

4.1 A•‹o anulat—ria

  A priori , Ž cedi•o que o julgamento das contas municipais culmina com a prola•‹o de

  ac—rd‹o definitivo pela Corte de Contas, que deveria encerrar uma defini•‹o tŽcnico-jur’dica sobre a regularidade ou irregularidade das contas apresentadas pelo gestor respons‡vel.

  Por conseguinte, o ato decis—rio em comento dever‡ orientar-se pelos par‰metros estabelecidos no artigo 93, incisos IX e X da Constitui•‹o da Repœblica, que trata da necessidade de fundamenta•‹o das decis›es jurisdicionais e administrativas proferidas pelos 55 FILHO, op. cit., p. 869. Tribunais.

  Neste viŽs, o decisium da institui•‹o dever‡ trazer, em seu bojo, os elementos que levaram ˆ forma•‹o do convencimento do —rg‹o colegiado, isto Ž, a exposi•‹o das raz›es que fundamentam a parte dispositiva do ac—rd‹o, sob pena de malferimento ao Princ’pio da Motiva•‹o, corol‡rio do Devido Processo Legal e basilar do atual Estado de Direito.

  N‹o obstante a exig•ncia constitucional, a falta de motiva•‹o nas decis›es do Tribunal de Contas dos Munic’pios do Estado do Cear‡ tem-se mostrado freqŸente, em detrimento do gestor cujas contas foram apreciadas, que fica ˆ margem do conhecimento sobre as raz›es adotadas pela Corte de Contas no julgamento de suas contas.

  Por sua vez, a situa•‹o torna-se grave quando a decis‹o reflete a desaprova•‹o das contas, em consequ•ncia impondo a aplica•‹o de multas, a imputa•‹o de dŽbito ou nota de improbidade, sem que haja qualquer exposi•‹o de motivos no ac—rd‹o.

  Uma das maiores repercuss›es, sen‹o a maior, do julgamento pela irregularidade das contas do administrador municipal refere-se ao suped‰neo que este fornece para a declara•‹o de inelegibilidade da autoridade respons‡vel, como medida restritiva de sua candidatura.

  57 Advirta-se que, conforme as li•›es do jurista Ulisses Jacoby , a presta•‹o das

  contas, a ocorr•ncia de irregularidades insan‡veis na gest‹o, a rejei•‹o destas pelo —rg‹o competente, a irrecorribilidade da decis‹o do Tribunal de Contas, a n‹o aprecia•‹o da quest‹o pelo Judici‡rio e o limite de cinco anos da decis‹o definitiva, cumulativamente, Ž que ensejar‹o a inelegibilidade na forma do artigo 1¼, inciso I, al’nea g da Lei Complementar n¼ 64/1990, que rege a matŽria.

  Nesse sentido, o Tribunal Superior Eleitoral delineou alguns tra•os definidores que contribuem para identifica•‹o da irregularidade insan‡vel, no julgamento do Recurso Especial

58 Eleitoral n¼ 23.565 , conforme ementa transcrita:

  Elei•›es 2004. Recurso Especial. Registro. Impugna•‹o. Rejei•‹o de contas (art. 1¼, I, g, da LC n¼ 64/90). Caso em que a Corte de Contas n‹o incluiu o nome do 57 respons‡vel na lista de ineleg’veis (art. 11, ¤ 5¼, da Lei n¼ 9.504/97). Irregularidades 58 FERNANDES, op. cit., p. 376 ss.

  

BRASIL. Tribunal Superior Eleitoral. Recurso Especial Eleitoral n¼ 23565, Ac—rd‹o n¼ 23565. Relator:

Ministro Luiz Carlos Lopes Madeira. Revista de Jurisprud•ncia do TSE, Bras’lia, v. 15, t. 4, p. 245, 21 out. de san‡veis. Deferimento do registro. A irregularidade insan‡vel n‹o sup›e necessariamente ato de improbidade ou a irreparabilidade material.

   A insanabilidade pressup›e a pr‡tica de ato de m‡-fŽ, por motiva•‹o subalterna, contr‡ria ao interesse pœblico, marcado pela ocasi‹o ou pela vantagem, pelo proveito ou benef’cio pessoal, mesmo que imaterial.

  Recurso especial conhecido, mas desprovido. (Destaque nosso)

  Em suma, para a declara•‹o de inelegibilidade ser v‡lida Ž imprescind’vel que a rejei•‹o das contas municipais tenha ocorrido em raz‹o da constata•‹o de irregularidades de car‡ter insan‡vel. Desta forma, a indica•‹o da natureza da falha deveria ser realizada pelo Tribunal de Contas, visto que o —rg‹o j‡ houvera efetuado uma complexa an‡lise tŽcnica das contas em discuss‹o, tendo constatado as irregularidades existentes.

  N‹o obstante, a pr‡xis jur’dica tem demonstrado que o Tribunal de Contas dos Munic’pios tambŽm n‹o tem discriminado nas decis›es definitivas se as irregularidades constatadas possuem natureza san‡vel ou n‹o, transferindo este dever para a Justi•a Eleitoral, no momento da impugna•‹o da candidatura do gestor que teve suas contas rejeitadas.

  Consequentemente, ser‡ a Justi•a Eleitoral que decidir‡ quanto ˆ sanabilidade ou insanabilidade das contas em discuss‹o, a partir do relat—rio e do voto emitido pela Corte de Contas, trazendo instabilidade e inseguran•a jur’dica ao gestor que, somados ˆ aus•ncia de motiva•‹o do ac—rd‹o, traduzem expl’cita ofensa aos Princ’pios do Devido Processo Legal, bem como do Contradit—rio e da Ampla Defesa do respons‡vel.

  Com efeito, para garantir que a decis‹o exarada pelo Tribunal de Contas, que se encontra eivada de v’cios e em vis’vel afronta ˆs balizas constitucionais e legais do processo n‹o acarrete a inelegibilidade do administrador municipal, maculando tambŽm sua imagem pœblica, reputa•‹o e confiabilidade, a autoridade municipal poder‡ propor a•‹o anulat—ria, a fim de se resguardar do indevido —bice ˆ candidatura de mandato eletivo.

  4.1.1 Conceito e cabimento A a•‹o anulat—ria, para fins de desconstituir a decis‹o viciada do Tribunal de Contas, tambŽm conhecida por isso como a•‹o desconstitutiva, encontra amparo na jurisprud•ncia p‡tria, n‹o se confundindo com aquela prevista no artigo 486 do C—digo de Processo Civil, que visa a rescis‹o do ato judicial, que independe de senten•a ou de car‡ter homologat—rio.

  Nesse diapas‹o, compreende uma espŽcie de a•‹o civil de natureza cognitiva que segue o rito ordin‡rio e cujo objetivo destina-se mormente ˆ anula•‹o do ac—rd‹o definitivo do Tribunal de Contas ou do decreto legislativo da C‰mara Municipal, que sejam resultantes de processos em desconformidade com as normas constitucionais e legais correspondentes.

  Portanto, o Poder Judici‡rio poder‡, atravŽs da medida em alus‹o, confrontar o ato decis—rio incompat’vel com o sistema normativo brasileiro, declarando sua invalidade e o anulando a fim de evitar que seus efeitos operem-se indevidamente em detrimento do gestor municipal.

  V’cios na cita•‹o, cerceamento do direito de defesa ou aus•ncia de fundamenta•‹o das decis›es do Tribunal de Contas, com o encerramento do processo de controle de contas em total arrepio ˆs garantias constitucionais, s‹o exemplos freqŸentes de situa•›es que justificam a propositura da a•‹o anulat—ria.

  Nesse sentido, em meados de 1992, foi editada a Sœmula n¼ 1 do Tribunal Superior Eleitoral, cujo conteœdo assegurava o seguinte, in verbis: ÒProposta a a•‹o para desconstituir a decis‹o que rejeitou as contas, anteriormente ˆ impugna•‹o, fica suspensa a inelegibilidadeÓ.

  Contudo, o crescente volume de a•›es judiciais com suped‰neo nesta sœmula, ainda que infundadas e desarrazoadas, conduziu ˆ atualiza•‹o do entendimento sobre o dispositivo, de modo que o Tribunal Superior Eleitoral condicionou, a partir de ent‹o, a suspens‹o do processo que visa ˆ declara•‹o de inelegibilidade do gestor candidato a cargo eletivo ˆ concess‹o de tutela antecipada ou medida liminar na a•‹o em comento, de acordo confirma a

  59

  ementa a seguir colacionada :

  AGRAVO REGIMENTAL. ELEI‚ÍES 2008. RECURSO ESPECIAL. REGISTRO DE CANDIDATURA. PREFEITO. REJEI‚ÌO DE CONTAS PELO TCU.

AUSæNCIA. PROVIMENTO LIMINAR.

  INEXISTæNCIA.

  INCONSTITUCIONALIDADE. INTERPRETA‚ÌO. SòMULA N. 1 DO TSE. REITERA‚ÌO DOS ARGUMENTOS APRESENTADOS NO RECURSO. NÌO 59 PROVIMENTO.

  

BRASIL. Tribunal Superior Eleitoral. Agravo Regimental em Recurso Especial Eleitoral n¼ 32263. Relator:

  1. Somente a obten•‹o de liminar ou tutela antecipada anterior ao pedido de registro afasta a inelegibilidade decorrente de rejei•‹o de contas por irregularidade insan‡vel. Precedentes.

  2. A interpreta•‹o conferida ˆ Sœmula n. 1 do TSE n‹o viola preceito constitucional, nem caracteriza nova hip—tese de inelegibilidade. Precedentes.

  3. O agravante deve atacar especificamente os fundamentos da decis‹o agravada, n‹o se limitando a simplesmente reproduzir no agravo as raz›es do recurso (Sœmula n. 182 do STJ).

  4. Agravo regimental a que se nega provimento. (Negrito nosso)

  Ademais, em igual sentido apreciou o Ministro Carlos Ayres Britto, no Recurso Ordin‡rio n¼ 963, esposando o entendimento de que a mera propositura de a•‹o desconstitutiva consistia numa interpreta•‹o artificial da Sœmula n¼ 1 do TSE, estatuindo

  60

  requisitos necess‡rios a serem observados quando proposta a a•‹o em comento , ex vi: REGISTRO DE CANDIDATURA. CANDIDATO A DEPUTADO ESTADUAL.

  CONTAS REJEITADAS PELO PODER LEGISLATIVO MUNICIPAL. EX- PREFEITO. RECURSO PROVIDO PARA INDEFERIR O REGISTRO.

  1. O dilatado tempo entre as decis›es que rejeitaram as contas e a propositura das a•›es anulat—rias evidencia o menosprezo da autoridade julgada para com o seus julgadores.

  2. O ajuizamento da a•‹o anulat—ria na undŽcima hora patenteia o prop—sito œnico de buscar o manto do enunciado sumular n¼ 1 deste Superior Eleitoral. Artificializa•‹o da incid•ncia do verbete.

  3. A ressalva contida na parte final da letra "g" do inciso I do art. 1¼ da Lei Complementar n¼ 64/90 h‡ de ser entendida como a possibilidade, sim, de suspens‹o de inelegibilidade mediante ingresso em ju’zo, porŽm debaixo das seguintes coordenadas mentais: a) que esse bater ˆs portas do Judici‡rio traduza a continuidade de uma "quest‹o" (no sentido de controvŽrsia ou lide) j‡ iniciada na inst‰ncia constitucional pr—pria para o controle externo, que Ž, sabidamente, a inst‰ncia formada pelo Poder Legislativo e pelo Tribunal de Contas (art. 71 da Constitui•‹o); b) que a peti•‹o judicial se limite a esgrimir tema ou temas de ’ndole puramente processual, sabido que os —rg‹os do Poder Judici‡rio n‹o podem se substituir, quanto ao mŽrito desse tipo de demanda, a qualquer das duas inst‰ncias de Contas; c) que tal peti•‹o de ingresso venha ao menos a obter provimento cautelar de expl’cita suspens‹o dos efeitos da decis‹o contra a qual se irresigne o autor. Provimento cautelar tanto mais necess‡rio quanto se sabe que, em matŽria de contas, "as decis›es do tribunal de que resulte imputa•‹o de dŽbito ou multa ter‹o efic‡cia

de t’tulo executivo" (¤ 3¼ do art. 71 da Lei Constitucional).

  4. Recurso ordin‡rio provido.

  Importa repisar que a medida judicial em an‡lise estende-se ˆ discuss‹o de ilegalidades ou inconstitucionalidades ocorridas tanto nos processos de contas de gest‹o como de contas de governo.

60 BRASIL. Tribunal Superior Eleitoral. Recurso Ordin‡rio n¼ 963. Relator: Ministro Carlos Augusto Ayres de

  4.1.2 Legitimidade ativa e passiva Noutro diapas‹o, importa assevera que a a•‹o anulat—ria poder‡ ser proposta pelo gestor municipal que teve suas contas irregularmente apreciadas e julgadas pelo Tribunal de

  Contas ou pela C‰mara Municipal.

  Por sua vez, uma quest‹o mais complexa refere-se ˆ legitimidade para figurar no p—lo passivo desta a•‹o. Inadvertidamente, o autor da aludida a•‹o poderia supor que, sendo —rg‹o administrativo aut™nomo, a Corte de Contas pudesse atuar no processo, por meio de personalidade judici‡ria.

  N‹o obstante, o Tribunal de Justi•a do Estado do Cear‡ manifestou-se em sentido contr‡rio, no ac—rd‹o que apreciou o Agravo de Instrumento sob o n¼ 2008.0033.1992-6/0, cujo relator fora o Desembargador R™mulo Moreira de Deus, preconizando que o Tribunal de Contas somente poder‡ agir em ju’zo Ònas demandas relativas ˆ defesa de direitos institucionaisÓ; assim compreendidos os Òconcernentes ˆ sua organiza•‹o e funcionamentoÓ.

  Portanto, na hip—tese do ajuizamento de a•‹o que visa desconstituir ato de compet•ncia da Corte de Contas, em raz‹o de sua singular forma•‹o, caber‡ ao Estado do Cear‡ como pessoa jur’dica de direito pœblico interno, que possui, portanto, personalidade jur’dica, ocupar a posi•‹o de Demandado na lide.

  Outrossim, o referido posicionamento tem suped‰neo em v‡rios julgados do Superior Tribunal de Justi•a acerca da ilegitimidade passiva dos Tribunais de Contas, conforme demonstrado nas ementas reproduzidas, in verbis:

  PROCESSUAL CIVIL. ADMINISTRATIVO. AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO DE INSTRUMENTO. SERVIDOR PòBLICO. REAJUSTE. TRIBUNAL DE CONTAS. ILEGITIMIDADE PASSIVA. AUSæNCIA DE PERSONALIDADE

JURêDICA. AGRAVO REGIMENTAL IMPROVIDO.

  1. Os Tribunais de Contas, federais ou dos estados, n‹o s‹o entes dotados de personalidade jur’dica, mas apenas personalidade judici‡ria, uma vez que constituem —rg‹os da Administra•‹o Direta.

  2. Tratando-se de a•‹o em que servidores pœblicos pleiteiam reajuste salarial, a legitimidade passiva Ž do respectivo ente a que pertence o Tribunal de Contas, uma vez que referido —rg‹o s— possui legitimidade jur’dica nas demandas relativas ˆ defesa de direitos institucionais, concernentes ˆ sua organiza•‹o e funcionamento.

  61 3. Agravo regimental improvido.

  PROCESSUAL CIVIL. A‚ÌO ORDINçRIA. TRIBUNAL DE CONTAS.

  ILEGITIMIDADE.

  1. Os Tribunais de Contas s‹o partes ileg’timas para figurarem no p—lo passivo de a•‹o ordin‡ria visando desconstituir ato de sua compet•ncia.

  2. N‹o deve ser confundida a capacidade judici‡ria excepcional, que lhe Ž concedida para estar em ju’zo na defesa de suas prerrogativas, bem como de figurar como autoridade coatora em mandado de seguran•a, com a legitima•‹o ad causam necess‡ria para a forma•‹o da rela•‹o jur’dica formal.

  3. Os Tribunais de Contas n‹o s‹o pessoas naturais ou jur’dicas, pelo que, conseqŸentemente, n‹o s‹o titulares de direitos. Integram a estrutura da Uni‹o ou dos Estados e, excepcionalmente, dos Munic’pios.

  4. A alta posi•‹o de permeio entre os poderes Legislativo e Executivo, sem sujei•‹o a nenhum deles, embora de relev‰ncia para o controle da legalidade e da moralidade das contas pœblicas, n‹o lhes outorga, s— por esse fato, a condi•‹o de pessoa jur’dica para figurar no p—lo passivo de a•‹o ordin‡ria visando desconstituir ato que por ele foi praticado no exerc’cio de sua compet•ncia.

  5. Peculiaridades do nosso sistema jur’dico que exige obedi•ncia em face do querer constitucional. 62 6. Recurso especial improvido.

  Diversamente, construiu-se o entendimento acerca da legitimidade passiva da C‰mara Municipal que, embora n‹o possua capacidade jur’dica, apresenta personalidade judici‡ria para atuar em defesa das prerrogativas institucionais, consoante li•‹o de Hely Lopes Meirelles, em Direito municipal brasileiro, in verbis:

  A capacidade processual da C‰mara para a defesa de suas prerrogativas funcionais Ž hoje pacificamente reconhecida pela doutrina e pela jurisprud•ncia. Certo Ž que a C‰mara n‹o tem personalidade jur’dica, mas tem personalidade judici‡ria. Pessoa jur’dica Ž o Munic’pio. Mas nem por isso se h‡ de negar capacidade processual, ativa e passiva, ˆ Edilidade para ingressar em ju’zo quando tenha prerrogativas ou

63

direitos pr—prios a defender .

  Na circunst‰ncia da propositura de a•‹o anulat—ria em face da desaprova•‹o das contas de governo pela C‰mara Municipal, a jurisprud•ncia p‡tria tem corroborado com o posicionamento de que a referida institui•‹o poder‡ figurar no p—lo passivo da a•‹o, ainda que somente possua personalidade judici‡ria para defender as prerrogativas institucionais. Sen‹o vejamos o julgado do Tribunal de Justi•a de Minas Gerais, ipsis litteris: 61 A‚ÌO ANULATîRIA DE ATO LEGISLATIVO - JULGAMENTO DE

BRASIL. Superior Tribunal de Justi•a. Agravo Regimental do Agravo de Instrumento n¼ 806802/AP, da 5»

  

Turma. Relator: Ministro Arnaldo Esteves Lima. Bras’lia, DF, 24 abr. de 2007. Di‡rio da Justi•a. Bras’lia, DF,

62 21 mai. de 2007, p. 610.

  

BRASIL. Superior Tribunal de Justi•a. Recurso Especial n¼ 504920/SE, da 1» Turma. Relator: Ministro JosŽ

Delgado. Bras’lia, DF, 04 set. de 2003. Di‡rio da Justi•a. Bras’lia, DF, 13 out. de 2003, p. 257.

  PRESTA‚ÌO DE CONTAS DE EX-PREFEITO AJUIZADA CONTRA A CåMARA MUNICIPAL - LEGITIMIDADE PASSIVA - INOBSERVåNCIA DO CONTRADITîRIO E AMPLA DEFESA - SUA NECESSIDADE TAMBƒM NOS JULGAMENTOS POLêTICOS - FALTA DE REGULARIDADE FORMAL DO PROCESSO - CONSEQ†ENTE INEFICçCIA DO ATO. - A C‰mara Municipal, apesar de n‹o possuir capacidade jur’dica, tem legitimidade para estar em ju’zo quando atuar em defesa de suas prerrogativas institucionais, ocasi‹o em que lhe Ž conferida a chamada personalidade judici‡ria. - Embora caiba ao Legislativo julgar e fiscalizar as a•›es do Executivo, ao faz•-lo, no procedimento de julgamento das contas apresentadas pelo Prefeito, n‹o pode dispensar a instala•‹o do contradit—rio administrativo, nem de possibilitar ao interessado os meios de defesa que lhe s‹o constitucionalmente garantidos. O art. 5¼, inciso LX, da CF, Ž, ali‡s, expresso no sentido de que, ''aos litigantes, em processo judicial ou administrativo, e aos acusados em geral s‹o assegurados o contradit—rio e ampla defesa, com os meios e recursos a ela inerentes'', n‹o mais prevalecendo o princ’pio da ''verdade sabida'', a possibilitar a aplica•‹o imediata de pena. - N‹o observado o princ’pio do contradit—rio, ao Poder Judici‡rio permite a lei apenas examinar o aspecto formal da sess‹o convocada para a aprecia•‹o das contas do Chefe do Executivo Municipal, sendo-lhe defeso sobrepor-se ao Poder Legislativo, examinando o mŽrito da decis‹o tomada pelo —rg‹o fiscalizador, a quem compete exercitar o controle externo do 64 Executivo.

  Ademais, o Supremo Tribunal Federal sequer se pronunciou quanto ˆ quest‹o da legitimidade passiva da C‰mara Municipal, admitindo inclusive Recurso Extraordin‡rio intentado em face do —rg‹o, ex vi:

  EMENTA: PREFEITO MUNICIPAL. CONTAS REJEITADAS PELA CåMARA DE VEREADORES. ALEGADA OFENSA AO PRINCêPIO DO DIREITO DE DEFESA (INC. LV DO ART. 5¼ DA CF). Sendo o julgamento das contas do recorrente, como ex-Chefe do Executivo Municipal, realizado pela C‰mara de Vereadores mediante parecer prŽvio do Tribunal de Contas, que poder‡ deixar de prevalecer por decis‹o de dois ter•os dos membros da Casa Legislativa (arts. 31, ¤ 1¼, e 71 c/c o 75 da CF), Ž fora de dœvida que, no presente caso, em que o parecer foi pela rejei•‹o das contas, n‹o poderia ele, em face da norma constitucional sob refer•ncia, ter sido aprovado, sem que se houvesse propiciado ao interessado a oportunidade de opor-se ao referido pronunciamento tŽcnico, de maneira ampla, perante o —rg‹o legislativo, com vista a sua almejada revers‹o. Recurso conhecido e 65 provido.

  4.1.3 Prazo e compet•ncia Acrescente-se que o Tribunal Superior Eleitoral firmou o posicionamento de que a 64 a•‹o em an‡lise poder‡ ser proposta a qualquer tempo antes da impugna•‹o ao registro de

  

MINAS GERAIS. Tribunal de Justi•a. Reexame Necess‡rio n¼ 1.0133.04.018397-1/001(1), da 7» C‰mara

C’vel. Relator: Desembargador Wander Marotta. Belo Horizonte, 11 dez. de 2007. Di‡rio do Judici‡rio. Belo

65 Horizonte, MG, 26 fev. de 2008.

  

BRASIL. Supremo Tribunal Federal. Recurso Extraordin‡rio n¼ 261885, da 1» Turma. Relator: Ministro Ilmar

  66 candidatura, desde que respeitado o termo prescricional de cinco anos da impugna•‹o .

  Por fim, a Justi•a Estadual Comum dever‡ processar e julgar a a•‹o em an‡lise, de modo que o processo respectivo dever‡ ser distribu’do para qualquer das Varas da Fazenda Pœblica, que comp›em a organiza•‹o judici‡ria do Estado do Cear‡, em raz‹o da participa•‹o da pessoa jur’dica de direito pœblico interno no p—lo passivo da demanda.

  Neste sentido, ratifica o Ministro Joaquim Barbosa quanto ˆ compet•ncia da Justi•a Comum para processar e julgar a a•‹o anulat—ria em estudo, no Ac—rd‹o que julgou Agravo Regimental em Recurso Especial Eleitoral sob o n¼ 32597, segundo comprova a ementa colacionada:

  ELEI‚ÍES 2008. Agravo regimental no recurso especial. Registro de candidatura ao cargo de prefeito. Indeferimento no TRE. Rejei•‹o de contas pela C‰mara de Vereadores. Irregularidades insan‡veis. Aus•ncia de liminar na a•‹o anulat—ria. Compet•ncia do TSE para an‡lise. Inelegibilidade do art. 1¼, I, g, da Lei Complementar n¼ 64/90 caracterizada. Pedido de produ•‹o de prova em alega•›es finais. Impossibilidade. Preclus‹o. DŽbito previdenci‡rio. Descumprimento da Lei de Licita•›es. Irregularidades insan‡veis. Compet•ncia da C‰mara Municipal para apreciar contas do chefe do Executivo local. Manuten•‹o do ac—rd‹o do TRE. Registro indeferido. Precedentes. Agravo regimental a que se nega provimento.

  1. Invi‡vel o pedido de produ•‹o de prova testemunhal em alega•›es finais.

  2. A jurisprud•ncia desta Corte consolidou entendimento no sentido de que a declara•‹o de inelegibilidade prevista no art. 1¼, I, g, da Lei Complementar n¼ 64/90 depende da presen•a simult‰nea de tr•s fatores: a) contas rejeitadas por irregularidade insan‡vel; b) decis‹o do —rg‹o competente que rejeita as contas deve ser irrecorr’vel; c) decis‹o de rejei•‹o das contas n‹o deve estar submetida ao crivo do Judici‡rio, mas, se estiver, Ž imperioso que os seus efeitos n‹o tenham sido suspensos mediante a concess‹o de liminar ou de tutela antecipada.

  3. N‹o cabe ao TSE analisar o acerto ou o desacerto da decis‹o proferida pela C‰mara Municipal para, por exemplo, aprovar contas julgadas irregulares, ou vice-versa. Tal ju’zo de valor deve ser emitido pela Justi•a Comum em a•‹o desconstitutiva desta decis‹o. No entanto, esta Casa, desde que rejeitadas as contas, n‹o s— pode como deve proceder ao devido enquadramento jur’dico do v’cio constatado, interpretando-o como san‡vel ou insan‡vel (cf. Ac—rd‹os nos 26.942, rel. min. JosŽ Delgado, de 29.09.2006; 24.448, rel. min. Carlos Velloso, de 07.10.2004; 22.296, rel. min. Caputo Bastos, de 22.09.2004).

  4. A tutela antecipada ou a liminar suspendendo os efeitos da decis‹o que rejeitou as contas concedidas ap—s o pedido de registro n‹o suspendem a inelegibilidade prevista no art. 1¼, I, g, da LC n¼ 64/90.

  5. O fato de o Tribunal de Contas ter emitido novo parecer prŽvio, desta vez recomendando a aprova•‹o das contas, n‹o subtrai do Legislativo Municipal a compet•ncia para julgar as contas do chefe do Poder Executivo.

  6. A irregularidade referente ˆ inobserv‰ncia aos ditames da Lei n¼ 8.666 (Lei das Licita•›es) constitui v’cio de natureza insan‡vel.

  7. A pr‡tica, em tese, de improbidade administrativa ou de qualquer outro ato caracterizador de preju’zo ao er‡rio e de desvio de valores revela a insanabilidade 67 66 dos v’cios constatados.

  

BRASIL. Tribunal Superior Eleitoral. Recurso Especial Eleitoral n¼ 10480. Ac—rd‹o n¼ 12674. Relator:

Ministro Torquato Lorena Jardim. Bras’lia, DF, Publicado em sess‹o, 21 set. de 1992.

  (Negrito nosso)

4.2 Mandado de Seguran•a

  Ainda que sua aplica•‹o seja bastante restrita para fins de controle judicial dos atos do TCM/CE voltados ao exame das contas municipais, merece ser mencionado o mandado de seguran•a, previsto no artigo 5¼, inciso LXIX da Constitui•‹o da Repœblica.

  Recentemente, a maior parte das normas pertinentes ˆ disciplina do remŽdio constitucional foi incorporada num œnico diploma legal, a Lei n¼ 12.016/2009, por isso sofreu pouqu’ssimas altera•›es de relevo no seu processamento.

  4.2.1 Conceito e cabimento O mandado de seguran•a compreende a medida constitucional processual, que visa amparar o direito l’quido e certo lesado ou amea•ado por ato ilegal ou abusivo de autoridade pœblica ou de seus delegados, desde que o direito em alus‹o n‹o seja tutelado atravŽs de

  

habeas corpus ou habeas data, consistindo numa a•‹o de natureza civil que segue rito

sum‡rio especial.

  Por conseguinte, o objetivo da medida compreende a invalida•‹o de atos de autoridade ou a supress‹o de efeitos de omiss›es administrativas capazes de lesar direito individual ou coletivo, liquido e certo, de acordo com as li•›es de Hely Lopes Meirelles,

68 Arnoldo Wald e Gilmar Ferreira Mendes .

  Cumpre destacar ainda as li•›es do jurista Uadi Lamm•go acerca da originalidade do remŽdio constitucional, in verbis: ÒO mandamus Ž uma cria•‹o brasileira. Proveio da Carta de 1934 (art. 113, n. 33). Omitido pelo Texto de 1937, a sua regulamenta•‹o ficou restrita ˆ lei ordin‡ria, voltando ao patamar constitucional s— com a Lei Maior de 1946, perdurando atŽ 68 Ministro Joaquim Benedito Barbosa Gomes. Bras’lia, DF, Publicado em Sess‹o, 30 out. de 2008.

  

MEIRELLES, Hely Lopes. WALD, Arnoldo. MENDES, Gilmar Ferreira. Mandado de seguran•a e a•›es

  69 hojeÓ .

  Noutro passo, vislumbra-se o cabimento do remŽdio constitucional somente no caso de haver ato do Tribunal de Contas, em Processo de Contas de Governo, que d• causa ˆ supress‹o ou ameace qualquer das garantias constitucionais do gestor no curso deste, a exemplo do malferimento do Contradit—rio e da Ampla Defesa, em not—rio preju’zo da parte. Portanto, para a finalidade em alus‹o, somente cogitar-se-‡ o ajuizamento de Mandado de Seguran•a Individual.

  Uma vez que os demais processos de controle de contas municipais permitem a interposi•‹o de recursos administrativos, que possuem efeito suspensivo, n‹o h‡ que se admitir o ajuizamento do mandamus, em face da expressa exclus‹o do artigo 5¼, inciso I da Lei n. 12.016/2009.

  4.2.2 Legitimidade ativa e passiva Na hip—tese de cabimento admitida, poder‡ ajuizar o mandado de seguran•a o gestor municipal, cujo direito l’quido e certo foi ofendido ou amea•ado por ato ilegal ou abusivo da

  Corte de Contas, sendo conhecido como Impetrante da medida.

  No tocante ˆ legitimidade passiva, considerar-se-‡ a autoridade coatora, ou Impetrado, como sendo o Presidente do Tribunal de Contas, visto que este Ž investido do poder de decis‹o no que tange ˆ administra•‹o do —rg‹o, presid•ncia do Pleno e dire•‹o dos servidores, segundo artigo 32 do Regimento Interno.

  O Estado do Cear‡ tambŽm integrar‡ o p—lo passivo dentro do prazo para prestar informa•›es, na forma de litisconsorte do impetrado, de acordo com as disposi•›es do artigo 7¼, inciso II da Lei n¼ 12.016/2009.

  4.2.3 Prazo e compet•ncia A impetra•‹o do Mandado de Seguran•a dever‡ observar o termo decadencial de cento e vinte dias, a partir da data em que o Interessado tiver ci•ncia do ato a ser impugnado.

  Outrossim, asseveram os juristas Hely Lopes Meirelles, Arnoldo Wald e Gilmar Ferreira Mendes, na obra retromencionada, ipsis litteris: ÒPara a fixa•‹o do ju’zo competente em mandado de seguran•a, n‹o interessa a natureza do ato impugnado; o que importa Ž a sede da autoridade coatora e sua categoria funciona, reconhecida nas normas de organiza•‹o

  70 judici‡ria pertinentesÓ .

  Destarte, o Tribunal de Justi•a do Estado do Cear‡, em sess‹o plen‡ria, dever‡ processar e julgar o mandamus, de acordo com o artigo 21, inciso VI, al’nea b do seu Regimento Interno, que prev• a compet•ncia origin‡ria do TJ para apreciar e julgar o mandado de seguran•a impetrado em face de ato do Presidente do Tribunal de Contas dos Munic’pios.

5 CONCLUSÌO

  Inicialmente, realizou-se uma breve an‡lise sobre o papel do munic’pio na Federa•‹o Brasileira, perpassando pela forma•‹o hist—rica e pela an‡lise da evolu•‹o do tratamento constitucional conferido ˆ autonomia da entidade nos dias atuais, a fim de se assentar a import‰ncia do controle externo das contas dos gestores pœblicos deste ente federativo.

  De forma que, a partir da progressiva autonomia financeira que lhe foi concedida, a atividade fiscalizat—ria tornou-se imprescind’vel para se acompanhar e regular a gest‹o pœblica dos bens e valores pertencentes ao munic’pio, bem como a conson‰ncia desta administra•‹o aos diversos preceitos constitucionais e legais para condu•‹o da Administra•‹o Pœblica.

  Por conseguinte, o exame da hist—ria, natureza jur’dica, compet•ncia, e, por fim, da organiza•‹o do Tribunal de Contas como —rg‹o de controle externo fomentou a compreens‹o de que este n‹o se encerra na posi•‹o de mera institui•‹o auxiliar, subsidi‡ria ou subalterna de outra, mas desempenha fun•›es tŽcnicas essenciais para o controle da administra•‹o cont‡bil, financeira e or•ament‡ria municipal.

  Ademais, o estudo sobre os processos voltados ˆ fiscaliza•‹o das finan•as municipais contribuiu para o entendimento de que as atividades da Corte de Contas s‹o permeadas por um conjunto de procedimentos complexos e logicamente ordenados, que devem coadunar-se aos princ’pios e regras constitucionais que orientam o processo administrativo de modo geral.

  Por fim, a exposi•‹o acerca das medidas judiciais cab’veis em face de determinados atos do Tribunal de Contas, isto Ž, aqueles inquinados e em detrimento do gestor pœblico, ratificou a no•‹o de que o controle externo da institui•‹o n‹o Ž absoluto, por ser de natureza tŽcnica e especializada nos aspectos financeiros, cont‡beis e or•ament‡rios da gest‹o, sendo pass’vel da aprecia•‹o e revis‹o da legalidade e/ou constitucionalidade pelo Poder Judici‡rio, todas as vezes que se afastar dos preceitos basilares do Estado Brasileiro Democr‡tico de Direito.

  

BIBLIOGRAFIA

  AGUIAR, Afonso Gomes. AGUIAR, M‡rcio Paiva de. O tribunal de contas na ordem constitucional . Rio - S‹o Paulo - Fortaleza: ABC Editora, 2003.

  BONAVIDES, Paulo. Curso de direito constitucional. 17. ed. atual. S‹o Paulo: Malheiros, 2005.

  BRASIL. Constitui•‹o (1891). Constitui•‹o da Repœblica Federativa do Brasil. Bras’lia: Senado Federal, 2010. Dispon’vel em: <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Constituicao/Constitui•ao91.htm> Acesso em 22 de abr. 2010.

  BRASIL. Constitui•‹o (1934). Constitui•‹o da Repœblica Federativa do Brasil. Bras’lia: Senado Federal, 2010. Dispon’vel em: <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Constituicao/Constitui•ao34.htm> Acesso em 22 de abr. 2010.

  BRASIL. Constitui•‹o (1946). Constitui•‹o da Repœblica Federativa do Brasil. Bras’lia: Senado Federal, 2010. Dispon’vel em: <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Constituicao/Constitui•ao46.htm> Acesso em 22 de abr. 2010.

  BRASIL. Emenda Constitucional (1969). Constitui•‹o da Repœblica Federativa do Brasil. Bras’lia: Senado Federal, 2010. Dispon’vel em: <http://www.planalto.gov.br/CCIVIL/Constituicao/Emendas/Emc_anterior1988/emc01- 69.htm> Acesso em 22 de abr. 2010.

  BRASIL. Superior Tribunal de Justi•a. Administrativo. Agravo Regimental no Agravo de Instrumento n¼ 815.532 - 5» Turma. Processo n¼ 2006/0207524-6. Relator: Ministro Arnaldo Esteves Lima. Bras’lia, 13 de mar•o de 2007. Di‡rio da Justi•a da Uni‹o. 23 abr. de 2007.

  BRASIL. Tribunal de Contas da Uni‹o. Presta•‹o de Contas. Ac—rd‹o n¼ 276/2002 Ð Plen‡rio. Processo n¼ TC-650.158/1995-4. Relator: Ministro Marcos Vin’cios Vila•a. Bras’lia, 31 de julho de 2002. Di‡rio Oficial da Uni‹o, 13 ago. 2002 BRASIL. Supremo Tribunal Federal. Recurso Extraordin‡rio n¼ 261885, da 1» Turma. Relator: Ministro Ilmar Galv‹o. Bras’lia, DF, 05 dez. de 2000. Di‡rio da Justi•a. Bras’lia, n. 53, 16 mar. de 2001.

  BRASIL. Superior Tribunal de Justi•a. Agravo Regimental do Agravo de Instrumento n¼ 806802/AP, da 5» Turma. Relator: Ministro Arnaldo Esteves Lima. Bras’lia, DF, 24 abr. de 2007. Di‡rio da Justi•a. Bras’lia, DF, 21 mai. de 2007, p. 610.

  BRASIL. Superior Tribunal de Justi•a. Recurso Especial n¼ 504920/SE, da 1» Turma. Relator: Ministro JosŽ Delgado. Bras’lia, DF, 04 set. de 2003. Di‡rio da Justi•a. Bras’lia, DF, 13 out. de 2003, p. 257. BRASIL. Tribunal Superior Eleitoral. Agravo Regimental em Recurso Especial Eleitoral n¼ 32263. Relator: Ministro Eros Roberto Grau. Bras’lia: Publicado em Sess‹o, 04 dez. de 2008.

  BRASIL. Tribunal Superior Eleitoral. Agravo Regimental em Recurso Especial Eleitoral n¼ 32597. Relator: Ministro Joaquim Benedito Barbosa Gomes. Bras’lia, DF, Publicado em Sess‹o, 30 out. de 2008.

  BRASIL. Tribunal Superior Eleitoral. Recurso Especial Eleitoral n¼ 23565, Ac—rd‹o n¼ 23565. Relator: Ministro Luiz Carlos Lopes Madeira. Revista de Jurisprud•ncia do TSE, Bras’lia, v. 15, t. 4, p. 245, 21 out. de 2004.

  BRASIL. Tribunal Superior Eleitoral. Recurso Ordin‡rio n¼ 963. Relator: Ministro Carlos Augusto Ayres de Freitas Britto. Bras’lia: Publicado em Sess‹o, 13 set. de 2006.

  BRASIL. Tribunal Superior Eleitoral. Recurso Especial Eleitoral n¼ 10480. Ac—rd‹o n¼ 12674. Relator: Ministro Torquato Lorena Jardim. Bras’lia, DF, Publicado em sess‹o, 21 set. de 1992.

  

Jur’dico, Salvador, CAJ Ð Centro de Atualiza•‹o Jur’dica, ano I, n. 9, dez. 2001. Dispon’vel

  em: <http://www.direitopublico.com.br> Acesso em: 12 de mai. 2010 BUENO, Eduardo. Brasil: uma hist—ria. 2. ed. rev. S‹o Paulo: çtica, 2003.

  BULOS, Uadi Lamm•go. Curso de direito constitucional. S‹o Paulo: Saraiva, 2007. CANOTILHO, J. J. Gomes. Direito constitucional. 5. ed., ref. e aum. Coimbra: Almedina, 1991.

  CEARç. Constitui•‹o (1989). Constitui•‹o do Estado do Cear‡. Fortaleza: AssemblŽia Legislativa, 1999.

  CEARç. Tribunal de Contas dos Munic’pios. Lei Estadual n¼ 12.160, de 4 de agosto de 1993. Lei Org‰nica. Di‡rio Oficial do Estado, Poder Executivo, Fortaleza, CE, 12 ago. 1993.

  CEARç. Tribunal de Contas dos Munic’pios. Resolu•‹o n¼ 08/1998, de 1¼ de outubro de 1998. Regimento Interno. Di‡rio Oficial do Estado, Poder Executivo, Fortaleza, CE, 07 out. 1998. CEARç. Tribunal de Justi•a. Apela•‹o C’vel. Processo n¼ 17608-33.2004.8.06.0000/0, da Terceira C‰mara C’vel. Relator: Des. Ant™nio Abelardo Benevides Moraes. Di‡rio da Justi•a do Estado do Cear‡, Fortaleza, n. 235, p. 36, 18. dez. de 2009.

  COSTA, Nelson Nery. Direito municipal brasileiro. 3. ed. rev. e ampl. Rio de Janeiro: Forense, 2006.

  DALLARI, Dalmo de Abreu. Elementos de teoria geral do estado. 10. ed. S‹o Paulo: Saraiva, 1983.

  FERNANDES, Jorge Ulisses Jacoby. Tribunais de contas do brasil: jurisdi•‹o e compet•ncia. Belo Horizonte: F—rum, 2003, 890 p. atual. Rio de Janeiro: Lumen Juris, 2007. LENZA, Pedro. Direito constitucional esquematizado. 13. ed. rev., atual. e ampl. S‹o Paulo: Saraiva, 2009.

  MACHADO, Paulo Affonso Leme. Direito ambiental brasileiro. 11. ed. rev. atual. e ampl. S‹o Paulo: Malheiros, 2003.

  MEDAUAR, Odete. Controle da administra•‹o pœblica. S‹o Paulo: Revista dos Tribunais, 1993.

  MEIRELLES, Hely Lopes. Direito administrativo brasileiro. 31. ed. S‹o Paulo: Malheiros, 2005.

  ______. Direito municipal brasileiro. 15. ed. S‹o Paulo: Malheiros, 2006. MEIRELLES, Hely Lopes. WALD, Arnoldo. MENDES, Gilmar Ferreira. Mandado de

  

seguran•a e a•›es constitucionais. 32. ed. atual. com a Lei n. 12.016/2009. S‹o Paulo:

Malheiros, 2009.

  MELLO, Celso Ant™nio Bandeira de Mello. Curso de direito administrativo. 18. ed. S‹o Paulo: Malheiros, 2005.

  MINAS GERAIS. Tribunal de Justi•a. Reexame Necess‡rio n¼ 1.0133.04.018397-1/001(1), da 7» C‰mara C’vel. Relator: Desembargador Wander Marotta. Belo Horizonte, 11 dez. de 2007.

  Di‡rio do Judici‡rio. Belo Horizonte, MG, 26 fev. de 2008.

  MORAES, Alexandre de. Direito constitucional. 10. ed. S‹o Paulo: Atlas, 2001. NUNES, Castro. Teoria e pratica do poder judici‡rio. Rio de Janeiro: Revista dos Tribunais, 1943. p. 25.

  ROCHA, Fernando Luiz Ximenes. Controle de constitucionalidade das leis municipais. 2.

  Breve Hist—rico.

  TRIBUNAL DE CONTAS DA UNIÌO. Dispon’vel em: <http://portal2.tcu.gov.br/portal/page/portal/TCU/institucional/conheca_tcu/historia >. Acesso em 28 de mar. 2010.

  TRIBUNAL DE CONTAS DE PORTUGAL. Er‡rio RŽgio ou Tesouro Real. Dispon’vel em: <http://www.tcontas.pt/pt/apresenta/historia/tc1761-1832.shtm>. Acesso em 28 de mar. 2010 TRIBUNAL DE CONTAS DOS MUNICêPIOS DO ESTADO DO CEARç. Hist—rico.

  Dispon’vel em: <http://www.tcm.ce.gov.br/site/institucional/historico/>. Acesso em 08 de abr. 2010.

Novo documento

Tags

Documento similar

UNIVERSIDADE FEDERAL DO CEARÁ FACULDADE DE DIREITO COORDENAÇÃO DE ATIVIDADES COMPLEMENTARES HUGO TEIXEIRA MONTEZUMA SALES
0
0
97
UNIVERSIDADE FEDERAL DO CEARÁ FACULDADE DE DIREITO DEPARTAMENTO DE DIREITO PROCESSUAL DAVID AGUIAR COSTA
0
1
48
UNIVERSIDADE FEDERAL DO CEARÁ FACULDADE DE ECONOMIA, ADMINISTRAÇÃO, ATUÁRIA E CONTABILIDADE CURSO DE GRADUAÇÃO EM CIÊNCIAS ECONÔMICAS MILENA VASCONCELOS DE AGUIAR
0
0
60
UNIVERSIDADE FEDERAL DO CEARÁ CENTRO DE CIÊNCIAS DEPARTAMENTO DE GEOGRAFIA PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM GEOGRAFIA LUANA LIMA BANDEIRA ARAÚJO
0
4
248
ES DE UMA BARREIRA DEPENDENTE DO TEMPO
0
1
43
UNIVERSIDADE FEDERAL DO CEARÁ INSTITUTO DE CIÊNCIAS DO MAR - LABOMAR GRADUAÇÃO EM CIÊNCIAS AMBIENTAIS MARINA SILVA DOS SANTOS
0
0
55
TROCAS GASOSAS E PRODUTIVIDADE EM ACESSOS DE FEIJÃO-CAUPI DO BANCO ATIVO DE GERMOPLASMA DA UNIVERSIDADE FEDERAL DO CEARÁ
0
2
45
AMANDA COSTA DA SILVA TROCA RÁPIDA DE FERRAMENTAS: UM ESTUDO DA APLICAÇÃO NO SETOR DE SERIGRAFIA EM UMA INDÚSTRIA DE CONFECÇÃO
0
1
66
TROCA DE INFORMAÇÕES NO ÂMBITO DOS ACORDOS DE BITRIBUTAÇÃO: A TRANSPARÊNCIA FISCAL EM FACE DO ORDENAMENTO JURÍDICO INTERNO
0
1
23
UNIVERSIDADE FEDERAL DO CEARÁ INSTITUTO DE CULTURA E ARTE - ICA GRADUAÇÃO EM DESIGN-MODA BEATRIZ CORDEIRO BEZERRA ALMEIDA
0
0
90
RUAN CARLOS DE MESQUITA OLIVEIRA Trichogramma pretiosum (HYMENOPTERA: TRICHOGRAMMATIDAE): PARASITISMO NATURAL EM BROCA-PEQUENA-DO-TOMATEIRO E DISPERSÃO EM REPOLHO, PEPINO E MILHO VERDE
0
1
60
TRIBUTAÇÃO DE CEMITÉRIOS PARTICULARES ATRAVÉS DO IMPOSTO SOBRE SERVIÇOS
0
2
70
TRIBUTAÇÃO AMBIENTAL: UM INSTRUMENTO DE INCENTIVO AO DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL E À PROTEÇÃO DE UM MEIO AMBIENTE ECOLOGICAMENTE EQUILIBRADO
0
1
65
A TRIBUTAÇÃO AMBIENTAL E SEUS REFLEXOS NA POLÍTICA NACIONAL DOS RESÍDUOS SÓLIDOS UNIVERSIDADE FEDERAL DO CEARÁ FACULDADE DE DIREITO IASNA CHAVES VIANA
0
1
106
UNIVERSIDADE FEDERAL DO CEARÁ FACULDADE DE DIREITO JAMILLE MARIA DOS SANTOS MOTA
0
1
131
Show more