REGIME LEGAL DE BENS: ESTUDO SOBRE A OPÇÃO LEGISLATIVA

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  PONTIFÍCIA UNIVERSIDADE CATÓLICA DE SÃO PAULO PUC/SP

  YARA DIWONKO BRASIL CHAVES REGIME LEGAL DE BENS:

  ESTUDO SOBRE A OPđấO LEGISLATIVA MESTRADO EM DIREITO CIVIL COMPARADO

  SÃO PAULO 2012 PONTIFÍCIA  UNIVERSIDADE  CATÓLICA  DE  SÃO  PAULO   PUC/SP  

     

  YARA  DIWONKO  BRASIL  CHAVES  

       

  REGIME  LEGAL  DE  BENS:     ESTUDO  SOBRE  A  OPđấO  LEGISLATIVA  

           

  MESTRADO  EM  DIREITO  CIVIL  COMPARADO    

               

  SÃO  PAULO   2012   YARA  DIWONKO  BRASIL  CHAVES          

       

  

REGIME  LEGAL  DE  BENS:    

ESTUDO  SOBRE  A  OPđấO  LEGISLATIVA  

 

 

 

 

  Dissertação   apresentada   à   Banca   Examinadora   da   Pontifícia   Universidade   Católica   de   São   Paulo,   como  exigência  parcial  para  obtenç  ão   do   título   de   MESTRE   em   direito   na   subárea   do   direito   civil   comparado,   sob   a   orientação   da   Professora   Doutora  MARIA  HELENA  DINIZ.      

    PUC/SP  

  SÃO  PAULO   2012  

                                     

  Banca  Examinadora    

         

                                             

  Dedico   todo   meu   esforço   ao   merecimento  do  orgulho  de  meu   marido   Carlos   Fernando   e   de   meu   filho   Carlos   Henrique,   luz   da  minha  vida.  

   

                                         

  Agradeço  a  oportunidade  de  ser   aceita   como   discípula   de   tão   grande  mestre,     MARIA  HELENA  DINIZ,   Cuja  sabedoria  cativa  ao  mesmo   tempo   que   ensina   os   mais   diversos   meandros   do   direito   civil.   Resumo O regime patrimonial escolhido para vigorar entre os cônjuges implica inúmeras consequências na administração dos bens e nas relações familiares do casal. O presente estudo tem por finalidade precípua avaliar os elementos e conjecturas econômicas, jurídicas e sociais que levaram a legislação pátria a optar pelo regime da comunhão parcial de bens como regime legal ou supletivo, aplicado às situações em que os nubentes não realizam escritura de pacto antenupcial com regime diverso do estabelecido para vigorar no casamento.

  A abordagem de direito comparado, nesse caminho estreito, aparece como ferramenta necessária para a compreensão da opção legislativa. Reflexões acerca da evolução histórica do instituto e dos intensos debates promovidos na doutrina e na jurisprudência após a edição da Lei 6515, de 26 de dezembro de 1977, também auxiliam na tarefa de tornar mais efetiva a análise pretendida.

  O estudo do regime patrimonial é ferramenta para a resolução de questões cada vez mais intrincadas, suscitadas pela contínua evolução do mundo negocial e por uma sociedade cada vez mais múltipla de relacionamentos, objetivos e interesses.

  Palavras-chave: regime patrimonial; casamento; comunhão parcial; regime legal; pacto antenupcial.

  Abstract

  The property regime chosen to apply between spouses implies

several consequences in the administration of property and family

relations ships. This study is primarily designed to evaluate the elements

and conjecture economic, legal and social legislation that led to the

country to choose the regime of partial community property as statutory

or supplementary, applied to situations where the spouses do not realize

deed of prenuptial agreement with arrangements other than marriage set

to take effect.

  The agreament of comparative law, in this narrow way, appears as

a necessary tool for understanding the legislative option. Reflections on

the historical evolution of the institute and the intense debates taking

place in the doctrine and case law after the enactment of Law 6515 of

December 26, 1977, also assist in the task of making more effective the

analysis desired.

  The study of property regime is a tool to solve increasingly

intricate issues, raised by the continuous evolution of the world and

busnises a society increasingly multiple relationships, goals and interests.

  Keywords: property regimes; marriage; partial communion; legal regime; prenuptial.

  Prefácio

  De todos os ramos, o direito civil é o que mais se aproxima do ser humano individualmente. Todas as relações pessoais passam pelos liames da lei civil. Do nascimento às disposições post mortem, tudo encontra regulamentação.

  Dentre esse arcabouço de regras, alguns institutos são mais dispositivos, permitindo que a pessoa tenha uma maior liberdade de escolha, e outros são mais cogentes, colocando requisitos a serem observados sob pena de nulidade ou anulação do ato.

  O casamento figura nessa segunda ordem. Carecedor de inúmeros rituais, imprescinde que todos sejam cumpridos e nos prazos estabelecidos para conferir validade.

  A alegria que o casamento traz a vida de uma pessoa torna esse tema de direito civil especial. E, justamente, por isso fomos levados a abordá-lo.

  O instituto do casamento, todavia, é por demais amplo. Poderíamos tratar da pompa nupcial, dos efeitos pessoais, das repercussões a terceiros ou de qualquer outro ponto polêmico do assunto.

  A escolha dos efeitos patrimoniais deu-se justamente por repercutir em todos os outros. Dentro do título regime de bens asseveramos muitos desdobramentos, sem contudo pretender esgotá-lo.

  Nessas linhas sobre regimes patrimoniais, serão encontrados capítulos mais voltados ao regime legal. A opção legislativa foi o objeto de análise desse trabalho. A divisão interna vem apresentada de modo a elucidar conceitos gerais de casamento e regime de bens, para depois especular o tema propriamente dito.

  Vários foram os pontos de dificuldade para sua elaboração, estando entre os principais a localização de autores, principalmente de literatura comparada, para traçar paralelos com o modelo de regime de bens desenvolvido no Brasil.

  Independente do resultado prático em virtude deste estudo, postulamos aqui o enorme prazer em poder nos debruçar sobre esse tema e traçar algumas considerações.

  Dividimos o mesmo sentimento de CUNHA GONÇALVES ao dizer que o desenvolvimento de um pensamento prima pela “satisfação da minha constante ânsia de saber e à defesa das minhas idéias pessoais. Escrever conscienciosamente sôbre qualquer assunto é um processo de

  1

  melhor o aprender.” Imprescindível será a contribuição da comunidade jurídica. Dessa forma, “tem-se de apontar o que se diz e está errado; e chamar-se atenção para os que, com seu gênio, descobriram, ou, com o valor das suas

  

2

  convicções, sustentaram a verdade.” 1                                                                                                                

 Luis  da  Cunha  Gonçalves.  Tratado  de  direito  civil.  São  Paulo:  Max  Limonad,  vol  I,  

2 t.  I,  p.  13.    Francisco  Cavalcanti  Pontes  de  Miranda.  Tratado  de  direito  privado.  Rio  de  

  Janeiro:  Editor  Borsoi,  1972,  t.  I,  p.  XXIV.  

  Assim, são as questões fundamentais do regime da comunhão parcial de bens, apresentado como regime legal, o elemento central desse estudo. Alguns dos entendimentos divergentes sobre esta temática encontram-se neste trabalho, juntamente com reflexões apoiadas em doutrinas clássicas e atuais, nacionais e estrangeiras, no sentido de buscar caminhos e soluções que melhor esclareçam a temática.

  ARA

IWONKO RASIL HAVES

  Y D B C C AMPINAS , MARÇO DE 2012.

  

ÍNDICE

  Resumo…………………………………………….….………………………….I Abstract………………………………………………………………………...VI Prefácio………………………………………………………………………..VII

  

CAPÍTULO 1 – DO CASAMENTO .......................................................................................................... 14  

1.   Definições  de  casamento................................................................................................................. 14  

2.   Teorias  sobre  o  casamento ............................................................................................................ 17  

3.   Casamento  civil  e  religioso  no  Brasil ......................................................................................... 22  

4.   Interesse  do  Estado ........................................................................................................................... 32  

CAPễTULO 2 Ố REGIMES DE BENS: NOđỏES GERAIS ............................................................. 38  

1.   Regimes  existentes  no  sistema  pátrio ....................................................................................... 38  

1.1   Pacto antenupcial .......................................................................................................................... 43  

  1.2   Mutabilidade de regimes ............................................................................................................ 47   1.3   Comunhão universal de bens .................................................................................................... 52   1.4   Comunhão parcial de bens ......................................................................................................... 57  

  1.5 Separação de bens......................................................................................................................... 62  

  1.6 Participação final nos aquestos................................................................................................. 66  

2.   Efeitos  pessoais  do  casamento ..................................................................................................... 71  

2.1   Direitos e deveres de ambos os cônjuges.............................................................................. 71   2.2   Igualdade de direitos e obrigações entre homem e mulher ............................................. 77   2.3   Direitos e deveres dos pais para com os filhos ................................................................... 79  

3.   Capacidade  para  casar  e  escolher  o  regime  de  bens ........................................................... 82  

  

4.   Atuação  do  oficial  de  registro  civil  das  pessoas  naturais.................................................. 86  

CAPÍTULO 3 – REGIME LEGAL: estudo sobre a opção legislativa ............................................ 90  

1.   Regime  legal  de  bens  no  direito  brasileiro.............................................................................. 93  

2.   Regime  legal  para  o  Código  Civil  de  1916................................................................................ 94  

3.   Lei  do  divórcio  n.  6.515/77  –  artigo  50 ................................................................................. 100  

4.   O  Código  Civil  de  2002  e  a  comunhão  parcial..................................................................... 102  

  5.   Necessidade  de  escritura  pública............................................................................................. 105   6.   Bens  excluídos  da  comunhão,  reservados,  particulares  ou  incomunicáveis......... 109   7.   Bens  comunicáveis  ou  aquestos................................................................................................ 118   8.   Administração  dos  bens  e  dívidas............................................................................................ 121   9.   Término  do  regime ......................................................................................................................... 125  

CAPÍTULO 4 – ASPECTOS POLÊMICOS SOBRE O REGIME LEGAL.............................. 133  

1.   Causas  suspensivas:  regime  legal  ou  obrigatório?............................................................ 133   2.   Regime  legal  na  união  estável.................................................................................................... 139   3.   Compra  e  venda:  necessidade  de  vênia  conjugal............................................................... 142   4.   Repercussão  do  regime  legal  matrimonial  de  bens  no  direito  de  empresa........... 145   5.   Separação  obrigatória  para  maiores  de  setenta  anos ..................................................... 148  

CAPÍTULO 5 – SUGESTÕES DE LEGE FERENDA ...................................................................... 153  

1.   Término  da  sociedade  conjugal  por  união  estável............................................................ 153   2.   O  casamento  de  septuagenário  e  a  separação  obrigatória  de  bens........................... 155   3.   O  salário  como  um  bem  comunicável..................................................................................... 157   4.   Acessões:  bens  comuns  ou  reservados .................................................................................. 158   5.   Rito  para  união  estável  entre  pessoas  do  mesmo  sexo................................................... 159   6.   Repercussão  da  Súmula  377  do  STF  no  Código  Civil  de  2002 ..................................... 161   7.   Separação  absoluta:  discussão  do  artigo  1647,  do  Código  Civil.................................. 162  

CAPễTULO 6 Ố CONSIDERAđỏES FINAIS..................................................................................... 164  

  

APÊNDICE ...................................................................................................................................................... 167  

1.   Pacto  antenupcial  –  comunhão  universal  de  bens. ........................................................... 167   2.   Pacto  antenupcial  –  separação  absoluta  de  bens. ............................................................. 169   3.   Pacto  antenupcial  –  comunhão  parcial  de  bens. ................................................................ 171   4.   Pacto  antenupcial  –  participação  final  nos  aquestos. ...................................................... 173   5.   Requerimento  para  registro  de  pacto  antenupcial........................................................... 175   6.   Escritura  pública  de  declaração  de  união  estável. ............................................................ 177   7.   Escritura  pública  de  dissolução  de  união  estável.............................................................. 179   8.   Escritura  pública  de  inventário  –  união  estável................................................................. 181  

  9.   Escritura  pública  de  inventário  –  casamento...................................................................... 187  

10.   Escritura  pública  de  declaração  de  união  estável  entre  pessoas  do  mesmo  sexo.

  193  

11.   Escritura  pública  de  reconhecimento  de  união  estável  de  pessoa  maior  de  70  anos.

  195   12.   Escritura  pública  de  venda  e  compra:  necessidade  de  vênia  conjugal. ................... 197   13.   Escritura  pública  de  venda  e  compra:  separação  absoluta  de  bens.......................... 201   14.   Escritura  pública  de  restabelecimento  de  sociedade  conjugal.................................... 205  

  

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS .................................................................................................... 208  

  CAPÍTULO 1 – DO CASAMENTO

1. Definições de casamento

  “As definições de casamento têm, como se vê, a natureza incerta e temporária de tôdas as coisas sociais. O seu fim deve ser o de caracterizar o seu tempo, e nada mais. Tempo e lugar. Não há conceito a priore de casamento, que valha para todos os tempos e para todos os povos. Tão-pouco, em direito comparado, os elementos comuns podem ir

  1 além de simples alusão à instituição”.

  (PONTES DE MIRANDA) Dentre as mais antigas definições de casamento figura a de

  MODESTINO: “matrimônio é a união do homem e da mulher, implicando

  2 igualdade de vida e comunhão de direitos divinos e humanos”.

  Igualmente famosa, a definição de ULPIANO pode ser encontrada nas Institutas de Justiniano “nuptiae autem sine matrimonium est viri et mulieris

  3 coniunctio individuam vitae consuetudinem continens”. 1                                                                                                                

Francisco Cavalcanti Pontes de Miranda. Tratado de direito privado, Rio de Janeiro: Editor

2 Borsoi, 1974, t. 7, p. 209.

  

nuptiae sunt coniunctio maris et feminae, consortium omnis vitae, divini et humani iuris

communicatio”. Digesto, Livro 23, Tít. II, fr. I, apud, Francisco Cavalcanti Pontes de

3 Miranda. Tratado de direito privado, cit., t. 7, p. 202.

  

União sem o casamento é uma conjunção entre homem e mulher com hábitos individuais de

o

vida (tradução livre). Institutas, Livro I, T. IX, §1 . Cânon 11, Da Praesumptionibus, apud,

Caio Mário da Silva Pereira. Instituições de direito civil. Rio de Janeiro: Forense, vol. V,

2006, p. 51.

  No direito canônico, a definição que ganhou maior destaque foi a conferida pelo Concílio de Trento, pela qual o casamento é a “união conjugal do homem e da mulher, que se contrata entre pessoas capazes segundo as leis, e que

  4 se obriga a viver inseparavelmente, isto é, em perfeita união com a outra”.

  Essa definição mostra um caráter contratual do casamento. Os canonistas reconheciam três aspectos do matrimônio: o dever de natureza ou officium

  

naturae, cuja finalidade é a procriação; o elemento civil, conferidor de efeitos

exteriores na sociedade civil; e o elemento religioso, composto pelo sacramento.

  O casamento, dessa maneira, pode ser analisado sob esses três enfoques: fato natural, para a perpetuação da espécie (duo in carne una); fato religioso, com peso social e composto por diversas solenidades; fato jurídico, de acordo com as regras de direito, formando um contrato entre as partes.

  Ocorre que esse contrato de direito canônico não se confunde com aqueles regidos pelo direito das obrigações. O casamento é um contrato-sacramento, pois representa a União de Cristo com a humanidade e, como é indissolúvel essa

  5 União, há de ser indissolúvel a imagem dela.

  Assim, no período em que não era admitida a dissolução do casamento, antes de 1977, a explicação dada era de que a lei, por influência da religião, conservava o caráter de sacramento.

  No direito brasileiro, LAFAYETTE definiu: “O casamento é um ato 4                                                                                                                

matrimonium est viri, mulierisque maritalis coniunctio inter legitimas personas individuam

  

vitae consuetudinem retinens”. Abbé André. Droit canonique, II, 500, apud, Francisco

5 Cavalcanti Pontes de Miranda. Tratado de direito privado, cit., t. 7, p. 203.

  Francisco Cavalcanti Pontes de Miranda. Tratado de direito privado, cit., t. 7, p. 206. solene pelo qual duas pessoas de sexos diferentes se unem para sempre, sob promessa recíproca de fidelidade no amor e da mais estreita comunhão de vida”.

  Caracteriza-se aí a solenidade do ato e indissolubilidade do vínculo. No mesmo sentido BEVILÁQUA, também traz a ideia de indissolubilidade do vínculo, “O casamento é a regulamentação social do instinto de reprodução, trabalhada de um modo lento, através de muitas e diversíssimas vicissitudes, até

  6 à acentuação de sua forma vigente entre os povos ocultos”.

  Entre os defensores do casamento, temos LAURENT, para o qual o instituto é verdadeiro fundamento da sociedade, base da moralidade pública e privada. Em GOETHE temos o casamento como a base e o coroamento de toda cultura.

  Mas também existem aqueles que o adversam. Entre os depreciadores, encontra-se a crítica de SCHOPENHAUER, para o qual casar é perder metade de seus direitos e, ao mesmo tempo, duplicar seus deveres. E para ALDOUS HUXLEY ele não passa de um pacto inoportuno e obsceno.

  KANT assinala que o casamento traz no amor físico sua única finalidade, sendo a união de duas pessoas de sexos diferentes para a posse mútua, durante toda a vida, de suas faculdades sexuais.

  O casamento é, provavelmente, o instituto mais discutido de todo direito privado. Nasce do conceito de casamento a idéia de família, pois que são assuntos intimamente ligados. 6                                                                                                                

Clóvis Beviláqua. Clássicos da literatura jurídica. Direito de família. Rio de Janeiro:

  Editora Rio, 1976, p. 3.

  Família na visão de ENNECCERUS, KIPP E WOLFF é abordada como o um conjunto de pessoas que se encontram ligadas pelo parentesco e pelo casamento. Assim, o casamento é, portanto, instituto formador da família.

  Nosso direito não atribui personalidade jurídica à família, mas ao contrário do Código de Napoleão, deu especial atenção ao instituto principalmente quando no artigo 226, parágrafos 3° a 8°, da Constituição Federal tratou de “entidade familiar”, “planejamento familiar” e “assistência direta à família”.

  Nesse sentido, o projeto de lei 674, de 2007, que dispõe sobre o estatuto das famílias prevê em seu artigo 20, a seguinte definição de casamento: “O casamento é civil e produz efeitos a partir do momento em que homem e mulher manifestam a vontade de estabelecer o vínculo conjugal e a autoridade os declara casados.”

  Como se vê, a absoluta maioria das definições existentes acerca do casamento reconhece a inabalável importância do instituto na ciência jurídica, além de algumas importantes características diferenciadoras de sua abrangência e de seu conteúdo frente ao direito puramente obrigacional.

2. Teorias sobre o casamento

  Bastante controverso é o tema que trata sobre a natureza jurídica do casamento. À guisa de intróito, exsurgem, na maioria dos estudos, três teorias: teoria contratual, teoria institucional e teoria eclética ou mista.

  As primeiras observações que motivaram o nascedouro de tais teorias são encontradas na linha de pensamento adotada pela Igreja. Nos ensinamentos de PONTES DE MIRANDA, “a doutrina tradicional da Igreja Católica considerou o casamento como contrato que se eleva à dignidade de sacramento; portanto, é

  7 doutrina do contrato sacramento”.

  VENOSA também afirma que “para o Direito Canônico, o casamento é um sacramento e também um contrato natural, decorrente da natureza humana. Os direitos e deveres que dele derivam estão fixados na natureza e não podem ser alterados nem pelas partes nem pela autoridade, sendo perpétuo e

  8 indissolúvel”.

  A teoria contratualista foi adotada pelo “racionalismo jusnaturalista do século XVIII. Penetrou no Código Francês em 1804, seduziu a Escola Exegética

  9

  do século XIX, e sobrevive na doutrina civilista do século XX”. Assim, o Cânon 1.012 “Christus Dominus ad sacramenti dignitatem evexit ipsum

  10

  , denota a origem dessa

  contractum matrimonialem inter baptizatos” concepção.

  Nessa senda, considerando o casamento “em termos confessionais, a Igreja Católica define-o como sacramento instituído por Jesus Cristo, e nesta dignidade o trata. Como tal, dotado de indissolubilidade, passou o matrimônio por fases diversas na doutrina canônica, de que ressalta a regulamentação provinda do Concílio de Trento (1563), adotada e seguida no Brasil em virtude e

  11 por força das Constituições do Arcebispado da Bahia”.

                                                                                                                  7 8 Francisco Cavalcanti Pontes de Miranda. Tratado de direito privado, cit., T. 7, p. 205. 9 Sílvio de Salvo Venosa. Direito civil, cit., p. 28. 10 Maria Helena Diniz. Curso de direito civil brasileiro, cit., p. 40. 11 Maria Helena Diniz. Curso de direito civil brasileiro, cit., p. 40.

  Caio Mário da Silva Pereira. Instituições de direito civil, cit., p. 56.

  Jamais deve-se perder de vista a origem do matrimônio. Apesar do casamento ganhar validade com a cerimônia civil e respectivo registro em cartório, a cerimônia religiosa ainda atrai muitos adeptos e foi precursora do instituto.

  A impossibilidade de separação e divórcio até recente data advém desse respeito católico à união feita perante Deus. O que Deus uniu o homem não separa. Somente após anos de discussão, o legislador, por meio da Lei n. 6.515/77, conseguiu promover formas de dissolução da união conjugal.

  Dado o fato da teoria contratualista estar tão arraigada na noção do casamento, uma parte significativa da doutrina entende o casamento como um contrato. São adeptos dessa teoria: Pontes de Miranda, Caio Mário da Silva

  12 Pereira, Degni, Espínola, Orlando Gomes, Venzi, Paulo Lins e Silva”.

  Esse contrato, todavia, é um contrato especial, pois apesar de precisar do acordo de vontades das partes, não se permite dispor sobre qualquer coisa por causa das relações específicas que são criadas a partir dele.

  Fica no entremeio do direito público e do direito privado, uma vez que ao mesmo tempo que se permite aderir ou não a esse contrato, não se permite regular sobre questões pessoais, como por exemplo guarda de futura prole.

  CAIO MÁRIO DA SILVA PEREIRA preleciona que “o que se deve entender, ao assegurar a natureza do matrimônio, é que se trata de um contrato

  

especial, dotado de consequências peculiares, mais profundas e extensas do que 12                                                                                                                

Classificação realizada por Maria Helena Diniz. Curso de direito civil brasileiro, cit., p. 41. as convenções de efeitos puramente econômicos, ou contrato de Direito de

  13 Família, em razão das relações específicas por ele criadas”.

  A princípio a teoria contratualista era mais enérgica e entendia o casamento como um contrato civil. O desenvolvimento do instituto permitiu aos adeptos um entendimento mais flexível, ou seja, a percepção de que se trata de um contrato cuja natureza é especial.

  DEGNI pondera que “em razão de seus efeitos peculiares e das relações específicas que cria, não se lhe aplicam os dispositivos legais dos negócios de direito patrimonial concernentes à capacidade dos contraentes, aos vícios de consentimento e aos efeitos, embora as normas de interpretação dos contratos de

  14 direito privado possam ser aplicadas à relação matrimonial”.

  A segunda teoria em análise é a institucionalista. Nesta, o casamento é visto como uma instituição na qual os nubentes poderão escolher apenas se irão aderir ou não. As normas do casamento são de ordem pública ou cogentes, não admitindo alteração por parte dos ingressantes.

  Conforme CAIO MÁRIO DA SILVA PEREIRA estabelece, “o casamento é uma instituição social, no sentido de que reflete uma situação jurídica, cujas regras e quadros se acham preestabelecidas pelo legislador, com

  15 vistas à organização social da união dos sexos”. 13                                                                                                                 14 Caio Mário da Silva Pereira. Instituições de direito civil, cit., p. 58.

  

Francesco Degni. Il diritto di famiglia nel nuovo códice civile italiano. Padova: Cedam,

15 1943, p. 14.

  Caio Mário da Silva Pereira. Instituições de direito civil, cit., p. 57.

  Temos que “a teoria da instituição teve desenvolvimento na França a

  16

  partir do início do século XX”. Dessa maneira, é muito mais recente que a teoria contratualista, mas também cativou grande parte da doutrina civilista,

  17 como “CICU, HAURIOU, BONNECASE, CARBONNIER, SALVA”.

  A teoria institucional também é conhecida por “supra-individualista, que vislumbra no casamento um estado, o estado matrimonial, em que os nubentes

  18 ingressam”.

  Assim, “o casamento constitui uma grande instituição social, a qual, de fato, nasce da vontade dos contraentes, mas que, da imutável autoridade da lei

  19 recebe sua forma, suas normas e seus efeitos”.

  A terceira teoria, como não poderia deixar de ser, é uma mistura das primeiras duas. A chamada teoria eclética ou mista foi proposta por ROUAST onde que entendia o matrimônio como ato complexo, sendo ao mesmo tempo contrato e instituição. Na verdade, o casamento é mais do que um contrato, sem

  20 deixar de ser contrato também.

  Na teoria eclética há verdadeira união entre a vontade das partes (elemento volitivo) e as normas cogentes do casamento (elemento institucional). Diferencia-se da teoria institucional na medida em que confere maior liberdade aos nubentes, ao permitir, por exemplo, inserção de vontades sobre o modo de administração de seu patrimônio. 16                                                                                                                

Augusto César Belluscio. Manual de derecho de família. Buenos Aires: Depalma, vol. 2,

17 1987, p. 145. 18 Conforme classificação de Maria Helena Diniz. Curso de direito civil brasileiro, cit., p. 41. 19 Washington de Barros Monteiro. Curso de direito civil, cit., p. 23. 20 Washington de Barros Monteiro. Curso de direito civil, cit., p. 23.

  Marcel Planiol e Georges Ripert. Traité pratique de droit civil. Paris, 1930, vol. 2, p.56.

  O casamento é apreciado nessa medida de uma forma bipartida, pois visto como casamento fonte quando é ato gerador de uma situação jurídica, devido a sua inegável natureza contratual e entendido como casamento-estado quando atua como complexo de normas que regulam os cônjuges no curso da união,

  21 predominando o caráter institucional.

3. Casamento civil e religioso no Brasil

  O casamento sempre foi um instituto rodeado de simbolismos, sendo um dos principais herdados do direito romano e do direito canônico. Contudo, observa-se que a laicização do Estado trouxe para seu arcabouço de regulações as diretrizes do casamento.

  Dessa maneira, como bem esclarece MARIA HELENA DINIZ, “em 19 de julho de 1858, Diogo de Vasconcelos, Ministro da Justiça, apresentou um projeto de lei, com o objetivo de estabelecer que os casamentos entre pessoas não-católicas fossem realizados de conformidade com as prescrições de sua respectiva religião. Esse projeto, em 1861, transformou-se na Lei n. 1.144, regulamentada pelo Decreto de 17 de abril de 1863, dando um grande impulso à instituição do casamento civil. Praticavam-se, então, três tipos de ato nupcial: o

  

católico, celebrado segundo as normas do Concílio de Trento, de 1563, e das

  Constituições do Arcebispado baiano; o misto, entre católico e acatólico, sob a égide do direito canônico; e o acatólico, que unia pessoas de seitas dissidentes,

  22 de conformidade com os preceitos das respectivas crenças”. 21                                                                                                                 22 Mazeaud et Mazeaud. Leçons de droit civil. Paris: Montchrestien, 1980, vol. I, p. 711.

  Maria Helena Diniz. Curso de direito civil brasileiro, cit., p. 51.

  23 O Decreto nº 181 de 24 de janeiro de 1890, criou o casamento civil. A

  ligação eclesiástica do Brasil, foi quase tão forte quanto àquela exercida por nossos colonizadores. Após o advento da República, o casamento passou às mãos do Estado. Antes do Decreto n. 181, os casamentos e respectivos registros eram realizados apenas pela Igreja, mas em consonância com as ordens do Império. 23                                                                                                                 Decreto nº 181 de 24 de janeiro de 1890

  “CAPITULO I - DAS FORMALIDADES PRELIMINARES DO CASAMENTO

Art. 1º As pessoas, que pretenderem casar-se, devem habilitar-se perante o official do registro

civil, exhibindo os seguintes documentos em fórma, que lhes deem fé publica: § 1º A certidão da idade de cada um dos contrahentes, ou prova que a suppra.

§ 2º A declaração do estado e da residencia de cada um delles, assim como a do estado e

residencia de seus paes, ou do logar em que morreram, si forem fallecidos, ou a declaração do

motivo por que não são conhecidos os mesmos paes, ou o seu estado e residencia, ou o logar

do seu fallecimento.

§ 3º A autorização das pessoas, de cujo consentimento dependerem os contrahentes para

casar-se, si forem menores ou interdictos.

§ 4º A declaração de duas testemunhas, maiores, parentes ou estranhos, que attestem conhecer

ambos os contrahentes, e que não são parentes em gráo prohibido nem teem outro

impedimento, conhecido, que os inhiba de casar-se um com o outro.

§ 5º A certidão de obito do conjuge fallecido, ou da annullação do anterior casamento, si

algum dos nubentes o houver contrahido.

Art. 2º A' vista dos documentos exigidos no artigo antecedente, exhibidos pelos contrahentes,

ou por seus procuradores, ou representantes legaes, o official do registro redigirá um acto

resumido em fórma de edital, que será por elle publicado duas vezes, com o intervallo de sete

dias de uma á outra, e affixado em logar ostensivo no edificio da repartição do registro, desde

a primeira publicação até ao quinto dia depois da segunda.

Art. 3º Si, decorrido este prazo, não tiver apparecido quem se opponha ao casamento dos

contrahentes e não lhe constar algum dos impedimentos que elle pode declarar ex-officio, o

official do registro certificará ás partes que estão habilitadas para casar-se dentro dos dous

mezes seguintes áquelle prazo.

Art. 4º Si os contrahentes residirem em diversas circumscripções do registro civil, uma cópia

do edital será remettida ao official do outro districto, que deverá publical-a e affixal-a na

fórma do art. 2º, e, findo o prazo, certificar si foi ou não posto impedimento.

Art. 5º Si algum dos contrahentes houver residido a mór parte do ultimo anno em outro

Estado, deverá provar que sahiu delle sem impedimento para casar-se ou, si tinha

impedimento, que este já cessou.

Art. 6º Os editaes dos proclamas serão registrados no cartorio do official, que os tiver

publicado e que deverá dar certidão delles a quem lh'a pedir.”

  O Decreto de 3 de novembro de 1827 descreve perfeitamente o sentido do casamento como um sacramento dominado pela Igreja, de acordo com o

  24 Concílio Tridentino e com o Arcebispado baiano.

  No Decreto de 1890, depreende-se pelo artigo 108 que não era mais

  25

  atribuído qualquer valor jurídico ao matrimônio religioso. Uma circular do Ministério da Justiça, de 11 de junho de 1890, chegou até a determinar que “nenhuma solenidade religiosa, ainda que sob a forma de sacramento do matrimônio, celebrada nos Estados Unidos do Brasil, constituiria, perante a lei civil, vínculo conjugal ou impedimento para livremente casarem com outra pessoa os que houverem daquela data em diante recebido esse ou outro

  26 sacramento, enquanto não fosse celebrado o casamento civil”. 24                                                                                                                 DECRETO – DE DE NOVEMBRO DE 3 1827.

“Declara em effectiva observancia as disposições do Concílio Tridentino e da Constituição

do Arcebispado da Bahia sobre matrimonio.

Havendo a Assembléia Geral Legislativa resolvido, artigo unico, que as disposições do

o

Concilio Tridentino na sessão 24, capitulo 1 . de “Reformatione Matrimonii”, e da

o

Constituição do Arcebispado da Bahia, no livro 1 . título 68 §291, ficam em effectiva

observancia em todos os Bispados, e freguesias do Imperio, procedendo os Parochos

respectivos a receber em face da Igreja os noivos, quando lh’o requererem, sendo do mesmo

Bispado, e ao menos um delles seu parochiano, e não havendo entre elles impedimento depois

de feitas as denunciações canônicas, sem para isso ser necessária licença dos Bispos, ou de

seus delegados praticando o Parocho as diligencias precisas recommendadas no §269 e

seguintes da mesma Constituição, o que fará gratuitamente: E tendo eu sanccionado esta

resolução, Hei por bem ordenar que assim se cumpra. A Mesa da Consciencia e Ordens o

tenha assim entendido, e faça executar com os despachos necessarios. Palacio do Rio de

o Janeiro em 3 de Novembro de 1827, 6 . da Independencia e do Imperio. Com a rubrica de Sua Magestade Imperial. 25 Conde de Valença.”

  

Decreto nº 181 de 24 de janeiro de 1890, artigo 108 – “Esta lei começará a ter execução

desde o dia 24 de maio de 1890, e desta data por deante só serão considerados válidos os

casamentos celebrados no Brazil, si o forem de accordo com as suas disposições.

Paragrapho unico. Fica, em todo caso, salvo aos contrahentes observar, antes ou depois do

casamento civil, as formalidades e ceremonias prescriptas para celebração do matrimonio pela

26 religião delles.” Circular do Ministério da Justiça, de 11 de junho de 1890.

  O Dec. n. 521, de 26-6-1890, ora revogado pelo Decreto n. 11, de 1º-1- 1991 estatuiu a precedência do casamento civil, punindo com 6 meses de prisão e multa correspondente à metade do tempo o ministro de qualquer religião que

  27 celebrasse cerimônia religiosa antes do ato nupcial civil.

  De outro lado, havia um ranço de obediência religiosa que ora ou outra se

  28

  manifestava nos textos legais. Os artigos 27 e 28 , do Decreto n. 181, são prova de que o Estado conservou ao casamento um pouco de seu caráter sacramental.

  O casamento civil, em certo momento da história, foi considerado como ponto de oposição à Igreja. Evidentemente errado esse posicionamento. O casamento civil não é anticristão, uma vez que o Estado tem o dever de zelar por tudo que acontece dentro de suas fronteiras.

  O Decreto de 1890, contudo, foi substituído pela Lei n. 3071, de 1º de janeiro de 1916. As disposições permaneceram basicamente as mesmas, todavia, as pequenas alterações realizadas acabaram por fazer falta. Dentre outras mudanças, foi suprimida a formalidade recomendável da leitura dos impedimentos. Tal alteração foi repetida no Código Civil atual. Dessa forma,

  29

  hoje há necessidade apenas da proclamação da fórmula contida no artigo 1535 após a aceitação dos nubentes. 27                                                                                                                 28 Maria Helena Diniz. Curso de direito civil brasileiro, cit., p. 52.

  

Decreto nº 181 de 24 de janeiro de 1890. Art. 27. A formula é a seguinte para a mulher:

«Eu F. recebo a vós F. por meu legitimo marido, enquanto vivermos.» E para o homem: «Eu

F. recebo a vós F. por minha legitima mulher, enquanto vivermos.» Art. 28. Repetida a

formula pelo segundo contrahente, o presidente dirá de pé: «E eu F., como juiz (tal ou tal),

29 o vos reconheço e declaro legitimamente casados, desde este momento.»

“Lei n 10.406, de 10 de janeiro de 2002. Art. 1.535. Presentes os contraentes, em pessoa

ou por procurador especial, juntamente com as testemunhas e o oficial do registro, o

presidente do ato, ouvida aos nubentes a afirmação de que pretendem casar por livre e

espontânea vontade, declarará efetuado o casamento, nestes termos:"De acordo com a vontade

que ambos acabais de afirmar perante mim, de vos receberdes por marido e mulher, eu, em

nome da lei, vos declaro casados."

  O ato do casamento é negócio jurídico formal e, sendo assim, todas as solenidades que o compõem são parte da substância do ato - ad substantiam

  actus.

  Muitos afirmam que a finalidade primeira do casamento é a procriação. Por vezes esta visão do instituto ligado fundamentalmente à reprodução da espécie deve ceder espaço a interpretações analíticas, observando o casamento como instituto jurídico de fim determinado e que deve pretender conjugar os anseios humanos e sociais às descrições jurídicas.

  Nessa seara se encaixa o casamento in extremis vitae momentis, traduzido

  30

  para o direito atual por meio do casamento em caso de moléstia grave e do

  31

  casamento nuncupativo . Estas são, quase sempre, formas de casamento humanístico e por isso o legislador dispensou algumas formalidades.

  Havendo risco, o casamento legal, muito provavelmente, não encerrará a vida em comum esperada, não atingindo os efeitos civis previstos para o instituto.

  Os requisitos para a constituição do casamento garantem o controle do Estado sobre as uniões entre os particulares. Essa intervenção torna-se necessária na medida em que impede, por exemplo, casamentos espúrios entre parentes. Na verdade, as formalidades visam evitar o nascimento de                                                                                                                 30 o

“Lei n 10.406, de 10 de janeiro de 2002. Art. 1.539. No caso de moléstia grave de um dos

  

nubentes, o presidente do ato irá celebrá-lo onde se encontrar o impedido, sendo urgente,

31 o ainda que à noite, perante duas testemunhas que saibam ler e escrever”.

  

“Lei n 10.406, de 10 de janeiro de 2002. Art. 1.540. Quando algum dos contraentes estiver

em iminente risco de vida, não obtendo a presença da autoridade à qual incumba presidir o

ato, nem a de seu substituto, poderá o casamento ser celebrado na presença de seis

testemunhas, que com os nubentes não tenham parentesco em linha reta, ou, na colateral, até segundo grau”. descendentes com algum tipo de problema genético.

  A preocupação de eugenia antes de ser pensada pelo Estado foi encargo da Igreja, que entendia os casamentos entre parentes como imorais e contra as leis de Deus.

  A secularização do casamento foi estanque. A Constituição de 1891, artigo 72, § 4º, estatuía: “A Constituição assegura a brasileiros e a estrangeiros residentes no País a inviolabilidade dos direitos concernentes à liberdade, à segurança individual e à propriedade, nos termos seguintes: § 4º - A República

  32 só reconhece o casamento civil, cuja celebração será gratuita”.

  Não havia mais espaço para o casamento religioso, o Estado era laico e só os casamentos civis possuíam validade. O Código Civil de 1916, seguindo a orientação da Constituição de 1891, não fez qualquer referência ao casamento religioso. Outrossim, a união ocorrida por meio exclusivamente religioso não era legal e por isso configurava concubinato.

  A mudança surgiu na Constituição de 1934 que passou a permitir o casamento religioso com efeitos civis, desde que preenchidos certos requisitos ditados pela lei. Resolvia o artigo 146: “ O casamento será civil e gratuita a sua celebração. O casamento perante ministro de qualquer confissão religiosa, cujo rito não contrarie a ordem pública ou os bons costumes, produzirá, todavia, os mesmos efeitos que o casamento civil, desde que, perante a autoridade civil, na habilitação dos nubentes, na verificação dos impedimentos e no processo da oposição sejam observadas as disposições da lei civil e seja ele inscrito no Registro Civil. O registro será gratuito e obrigatório. A lei estabelecerá penalidades para a transgressão dos preceitos legais atinentes à celebração do 32                                                                                                                 C.F. 1891, artigo 72, § 4º. casamento”.

  A Lei n. 379, de 16 de janeiro de 1937, foi criada pela mesma força libertadora que impelia o casamento religioso para a proteção civil. Não obstante o esclarecimento do artigo 146 supracitado, o legislador trouxe a lume um apanhado de regras para validar o casamento religioso, sendo muitas sem razão de existência.

  É certo que no ínterim de 1934 (data da constituição) até 1937 (data da lei ordinária), os casamentos celebrados por ministros religiosos em conformidade com a Magna Carta foram considerados atos perfeitos e válidos.

  O nascimento da referida lei apoiou-se em uma insegurança de atribuir valor ao casamento realizado apenas pela forma religiosa, como um resquício de consciência do período anterior de controle exclusivamente eclesiástico. Essa situação perdurou até a Constituição de 1946.

  Em 1937, a nova Lei Máxima delegou a regulamentação do casamento à legislação ordinária, conforme se depreende do artigo 124: “A família, constituída pelo casamento indissolúvel, está sob a proteção especial do Estado. Às famílias numerosas serão atribuídas compensações na proporção dos seus

  33 encargos”.

  A Constituição de 1946 voltou a regular em seu bojo o casamento civil. Promoveu também grande avanço ao permitir que o casamento religioso, celebrado sem as formalidades da lei, adquirisse efeitos civis.

  A redação do artigo 163, da Consituição Federal de 1946, estabelece “a 33                                                                                                                 C.F. 1937, art. 124. família é constituída pelo casamento de vínculo indissolúvel e terá direito à proteção especial do Estado. § 1º - O casamento será civil, e gratuita a sua celebração. O casamento religioso equivalerá ao civil se, observados os impedimentos e as prescrições da lei, assim o requerer o celebrante ou qualquer interessado, contanto que seja o ato inscrito no Registro Público. § 2º - O casamento religioso, celebrado sem as formalidades deste artigo, terá efeitos civis, se, a requerimento do casal, for inscrito no Registro Público, mediante

  34 prévia habilitação perante a autoridade competente”.

  A Lei n. 1.110, de 23 de maio de 1950, derrogou o Decreto-lei n. 3.200, de 19 de abril de 1941 e ab-rogou a Lei n. 379, de 16 de janeiro de 1937. Ficou por conta dessa legislação ordinária a regulamentação do casamento religioso com efeitos civis proposto pela Constituição de 1946.

  A evolução legislativa e a segurança adquirida pelo Estado com a experiência da Lei n. 379 permitiu que a Lei n. 1.110 fosse mais consentânea com os requisitos de exigência para validação do casamento religioso.

  Ao largo de todas as modificações políticas que ocorriam, a Lei Maior de 1967 manteve o texto no tocante ao casamento, conforme segue: “Art. 167 - A família é constituída pelo casamento e terá direito à proteção dos Poderes Públicos. § 1º - O casamento é indissolúvel. § 2º - O casamento será civil e gratuita a sua celebração. O casamento religioso equivalerá ao civil se, observados os impedimentos e as prescrições da lei, assim o requerer o celebrante ou qualquer interessado, contanto que seja o ato inscrito no Registro Público. § 3º - O casamento religioso celebrado sem as formalidades deste artigo terá efeitos civis se, a requerimento do casal, for inscrito no Registro Público 34                                                                                                                 C.F. 1946, art. 163, §§.

  35 mediante prévia habilitação perante a autoridade competente”.

  O período histórico permanecia crítico. As alterações de governo e as restrições às liberdades dos cidadãos se faziam cada vez mais presentes. Nesse contexto conturbado, a Constituição de 1969, em seu artigo 175, manteve os

  

36

preceitos relativos à criação da família.

  Por fim a atual Constituição, de 05 de outubro de 1988, trouxe conteúdo muito mais abrangente. Reza em seus artigos não só a possibilidade de casamento civil, como também manteve o casamento religioso com efeito civil,

  37 conferiu proteção à união estável e à entidade familiar.

  A posição do Estado frente ao que prega a Constituição de 1988 é de uma abertura sem precedentes. Nunca foram admitidas tantas formas de união legal protegidas pelo Estado como nesse momento. Caiu por terra a finalidade de procriação, havendo um manejo para as relações afetivas e econômicas.

  A proteção civil ainda impede a eugenia e ressalva o patrimônio dos nubentes. Porém, nada além da simples vontade de ficar ao lado de outra pessoa

                                                                                                                  35 36 C.F. 1967, art. 167, §§.

  

Constituição Federal de 1969 artigo 175 – “A família é constituída pelo casamento e terá

direito à proteção dos Podêres Públicos. § 1º - O casamento somente poderá ser dissolvido,

nos casos expressos em lei, desde que haja prévia separação judicial por mais de três anos;

(Redação dada pela Emenda Constitucional nº 9. de 1977). § 2º O casamento será civil e

gratuita a sua celebração. O casamento religioso equivalerá ao civil se, observados os

impedimentos e prescrições da lei, o ato fôr inscrito no registro público, a requerimento do

celebrante ou de qualquer interessado. § 3º O casamento religioso celebrado sem as

formalidades do parágrafo anterior terá efeitos civis, se, a requerimento do casal, fôr inscrito

37 no registro público, mediante prévia habilitação perante a autoridade competente”.

  

Constituição Federal de 1988, artigo “Art. 226. A família, base da sociedade, tem especial

proteção do Estado. § 1º - O casamento é civil e gratuita a celebração. § 2º - O casamento

religioso tem efeito civil, nos termos da lei. § 3º - Para efeito da proteção do Estado, é

reconhecida a união estável entre o homem e a mulher como entidade familiar, devendo a lei

facilitar sua conversão em casamento. § 4º - Entende-se, também, como entidade familiar a comunidade formada por qualquer dos pais e seus descendentes”. vem a justificar o casamento.

  A legislação registrária, em falta de normatização específica do Código Civil de 1916, restou a cargo da Lei n. 6.015, de 31 de dezembro de 1973, que disciplinou por meio dos artigos 71 a 75, o registro de casamento religioso com

  38 efeitos civis.

  Hoje, todavia, o Código Civil de 2002 supriu essa omissão com os artigos

  39

  40 1515 e 1516 cuja redação está completamente alinhada à Lei Maior de 1988.

                                                                                                                  38 CAPÍTULO VII - Do Registro do Casamento Religioso para Efeitos Civis

Art. 71. Os nubentes habilitados para o casamento poderão pedir ao oficial que lhe

forneça a respectiva certidão, para se casarem perante autoridade ou ministro religioso, nela

mencionando o prazo legal de validade da habilitação.

  

Art. 72. O termo ou assento do casamento religioso, subscrito pela autoridade ou

ministro que o celebrar, pelos nubentes e por duas testemunhas, conterá os requisitos do artigo

71, exceto o 5°.

Art. 73. No prazo de trinta dias a contar da realização, o celebrante ou qualquer

interessado poderá, apresentando o assento ou termo do casamento religioso, requerer-lhe o

registro ao oficial do cartório que expediu a certidão.

§ 1º O assento ou termo conterá a data da celebração, o lugar, o culto religioso, o nome

do celebrante, sua qualidade, o cartório que expediu a habilitação, sua data, os nomes,

profissões, residências, nacionalidades das testemunhas que o assinarem e os nomes dos

contraentes.

§ 2º Anotada a entrada do requerimento o oficial fará o registro no prazo de 24 (vinte e

quatro) horas.

§ 3º A autoridade ou ministro celebrante arquivará a certidão de habilitação que lhe foi

apresentada, devendo, nela, anotar a data da celebração do casamento.

Art. 74. O casamento religioso, celebrado sem a prévia habilitação, perante o oficial de

registro público, poderá ser registrado desde que apresentados pelos nubentes, com o

requerimento de registro, a prova do ato religioso e os documentos exigidos pelo Código

Civil, suprindo eles eventual falta de requisitos nos termos da celebração.

Parágrafo único. Processada a habilitação com a publicação dos editais e certificada a

inexistência de impedimentos, o oficial fará o registro do casamento religioso, de acordo com

a prova do ato e os dados constantes do processo, observado o disposto no artigo 70. 39 o Art. 75. O registro produzirá efeitos jurídicos a contar da celebração do casamento.

  

“Lei n 10.406, de 10 de janeiro de 2002. Art. 1.515. O casamento religioso, que atender às

exigências da lei para a validade do casamento civil, equipara-se a este, desde que registrado

40 o no registro próprio, produzindo efeitos a partir da data de sua celebração.”

“Lei n 10.406, de 10 de janeiro de 2002. Art. 1.516. O registro do casamento religioso

submete-se aos mesmos requisitos exigidos para o casamento civil.

§ 1o O registro civil do casamento religioso deverá ser promovido dentro de noventa dias de

sua realização, mediante comunicação do celebrante ao ofício competente, ou por iniciativa

4. Interesse do Estado

  Variadas são as vertentes para a compreensão do inegável interesse do Estado na constituição regular da família por meio do casamento. Outrora já se asseverou que “a finalidade da legislação estatal, em material de direito de família, como a finalidade de legislações confessionais sôbre família, é regular e proteger a vida do par andrógino, assegurar a procriação dentro da legalidade, fixar o que é parentesco “jurídico”, necessariamente menor que o parentesco “biológico”, mas, em alguns pontos, excedente (afinidade, adoção), e proteger

  41 os menores e os incapazes”.

  Num prisma inicial, o interesse do Estado pelo instituto do casamento pode ser interpretado como a necessidade de “regulamentação social do instituto

  42 de reprodução”. Mas o casamento, todavia, não é a única forma de união.

  Relações sexuais eventuais podem vir a constituir a família que, no sentido lato, significa grupo de parentes entre os quais exista relações consanguíneas, de afinidade e de direito. A união do casamento é a que se encontra tutelada em suas circunstâncias e efeitos pelo Estado, conforme certas normas e formalidades estabelecidas pelo ordenamento jurídico pátrio.

  A copula carnalis tem mais repercussão nos dias atuais em relação ao início e o fim do casamento, à nulidade por impotência, à afinidade e aos

  

                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                         

de qualquer interessado, desde que haja sido homologada previamente a habilitação regulada

neste Código. Após o referido prazo, o registro dependerá de nova habilitação.

§ 2o O casamento religioso, celebrado sem as formalidades exigidas neste Código, terá efeitos

civis se, a requerimento do casal, for registrado, a qualquer tempo, no registro civil, mediante

prévia habilitação perante a autoridade competente e observado o prazo do art. 1.532.

§ 3o Será nulo o registro civil do casamento religioso se, antes dele, qualquer dos

40 41 consorciados houver contraído com outrem casamento civil” 42 Francisco Cavalcanti Pontes de Miranda. Tratado de direito privado, cit., t. 7, p. 194.

  Francisco Cavalcanti Pontes de Miranda. Tratado de direito privado, cit., t. 7, p. 199. direitos e deveres dos cônjuges. O sacramento do instituto do casamento aproximou o caráter natural em detrimento do sentido técnico, dado pelas leis.

  Em verdade, o Estado reforça o instituto do casamento pois tem interesse na formação e mantença da família. Vê-se que “CÍCERO apelidou-a de

  

seminarium reipublicae. Efetivamente, onde e quando a família se mostrou

  forte, aí floresceu o Estado; onde e quando se revelou frágil, aí começou a

  43 decadência geral”.

  No mesmo sentido, “a encíclica casti connubii, ao afirmar que a salvação do Estado e a prosperidade da vida temporal dos cidadãos não podem permanecer em segurança onde quer que vacile a base sobre a qual se apóiam e de onde procede a sociedade, isto é, a família. A referida encíclica , expedida por Pio XI a 30 de dezembro de 1930, teve em mira os erros e atentados contra o

  44 casamento, visando por isso reintegrá-lo no plano divino”.

  A proteção à família é necessidade da própria mantença do Estado e no direito pátrio hodierno encontra no artigo 226 da Constituição disciplina específica. Assim, “a família, base da sociedade, tem especial proteção do

  45 o o46

  Estado”. Nos parágrafos 7 e 8 , referido artigo estabelece formas 43                                                                                                                

Pietro Cogliolo. Scritti varii di diritto privato. Torino: Union Tipográfico-Editrice

44 Torinese, 1917, vol. 2, p.71.

  Enciclopédia cattolica, voc. Casti connubii, apud, Washington de Barros 45 Monteiro. Curso de direito civil, cit., p.2. 46 C.F. 1988, art. 226, caput.

  “C.F. 1988, art. 226 – (...) o

§7 . - Fundado nos princípios da dignidade da pessoa humana e da paternidade responsável, o

planejamento familiar é livre decisão do casal, competindo ao Estado propiciar recursos

educacionais e científicos para o exercício desse direito, vedada qualquer forma coercitiva por parte de instituições oficiais ou privadas.

§ 8º - O Estado assegurará a assistência à família na pessoa de cada um dos que a integram, criando mecanismos para coibir a violência no âmbito de suas relações.” garantidoras à estrutura familiar de forma a procurar impedir qualquer ato contrário a ela.

  A Constituição de 88, bem como a novel legislação civil, demonstrou tamabém preocupação com a união estável, eregida ao patamar da família e portanto merecedora de especial proteção estatal, conforme se extrai da redação do § 3º, que estabelece: “Para efeito da proteção do Estado, é reconhecida a união estável entre o homem e a mulher como entidade familiar, devendo a lei

  

47

facilitar sua conversão em casamento”.

  O Código Civil tem previsto no artigo 1513 a impossibilidade de qualquer interferência externa na comunhão da família. De acordo com o artigo em análise “é defeso a qualquer pessoa, de direito público ou privado, interferir na

  48

  comunhão de vida instituída pela família”. Tais preceitos, de caráter essencialmente protetivos, denotam o interesse em proteger as relações.

  A Lei 9.263, de 12 de janeiro de 1996, regulou o §7° do artigo 226 da Constituição Federal de 1988 tratando sobre o planejamento familiar. Explica a referida lei que “o planejamento familiar é parte integrante do conjunto de ações de atenção à mulher, ao homem ou ao casal, dentro de uma visão de

  49 atendimento global e integral à saúde”.

  Cabe ao Estado a obrigação de dar condições aos cidadãos de promoverem seu planejamento familiar. Assim, “é dever do Estado, através do Sistema Único de Saúde, em associação, no que couber, às instâncias componentes do sistema educacional, promover condições e recursos                                                                                                                 47 o 48 o C.F. 1988, art 226, §3 . 49 o Lei n 10.406, de 10 de janeiro de 2002, art. 1513.

  Lei n 9.263, de 12 de janeiro de 1996, artigo 3°. informativos, educacionais, técnicos e científicos que assegurem o livre

  50 exercício do poder familiar”.

  Dessa maneira, a família, seja no conceito clássico de homem, mulher e filhos, seja monoparental, qualquer dos pais e seus descendentes, ou na união estável, todas as formas gozam de especial proteção do Estado.

  Conforme observa BARROS MONTEIRO, “na evolução do direito de família verifica-se que, além de ser havida como célula básica da sociedade, presentes os interesses do Estado, a família passou a ser tratada como centro de preservação do ser humano, com a devida tutela à dignidade nas relações

  51 familiares”.

  O Estado, contudo, embora tenha muito interesse em regular e manter a família, só intervém em seu núcleo quando obrigado. Via de regra espera ser chamado para se manifestar e ainda assim dá oportunidade aos litigantes de se conciliarem de forma bastante ampla e livre.

  A necessidade de regulamentação, apesar disso, é premente. Dessa forma, há vários institutos de proteção à família em nosso ordenamento. O Código Civil brasileiro dedicou um livro inteiro às relações dos direitos da família, além de várias leis esparsas sobre o assunto.

  Citemos também a título exemplificativo a Previdência Social descrita no artigo 201, V, da Carta Magna; a impenhorabilidade do bem de família prevista no artigo 5°, XXVI, da Constituição Federal; a própria lei do bem de família n. 8.009 de 29 de março de 1990; a lei de locação n. 8.245 de 18 de outubro de 50                                                                                                                 51 Lei 9.263, de 12 de janeiro de 1996, artigo 5°.

  Washington de Barros Monteiro. Curso de direito civil, cit., p.5.

  1991, que permite a continuidade no bem quando utilizado para fins residenciais.

  A família é considerada a base da sociedade porque é para ela que se pensa o direito. Além da sua descrição jurídica no direito de família, todos os demais ramos do direito civil perderiam função se não fosse a pessoa, inserida em algum núcleo familiar ou social.

  Pensemos o direito das sucessões, a parte geral, o direito das obrigações, o direito de empresa e o direito das coisas, bem como os demais ramos do direito penal, processual, fiscal, eleitoral, entre outros. Todos perderiam completamente o seu objeto secundário, não fosse pela existência de seu objeto primeiro: a pessoa humana.

  O interesse do Estado no casamento é evidenciado de forma sistematizada. Atente-se para o fato de que o reconhecimento da existência da união estável como circunstância que necessita de proteção e regulamentação estatal tem, como um de seus alicerces, a possibilidade de facilitação da conversão de tais uniões em casamento, constituindo-se como um de seus precípuos objetivos.

  Em âmbito sucessório, o legislador civil claramente privilegiou aqueles que resolveram realizar suas uniões mediante instituto próprio escolhido pelo Estado. Dessa forma, observa-se que o companheiro não figura na ordem da vocação hereditária descrita no artigo 1829 do código civil. Apenas o casado concorrerá com descendentes, ascendentes ou herdará sozinho o monte deixado pelo morto em caso de inexistência dos primeiros. Enquanto isso, o companheiro figurará como mero sucessor regular, participando da sucessão apenas quanto aos bens adquiridos onerosamente na constância da união estável e eventualmente concorrendo na forma do artigo 1790 e respectivos incisos do código civil.

  Atente-se, ainda, para o fato de que somente o cônjuge é considerado herdeiro necessário sendo a ele garantida a legítima e não podendo ser totalmente excluído da herança por meio de testamento. Tais medidas não apenas denotam a clara preferência dada ao casamento, como também constituem verdadeiro incentivo estatal à realização de uniões regularmente constituídas.

                         

  CAPễTULO 2 Ố REGIMES DE BENS: NOđỏES GERAIS

  “Sin embargo, el legislador, no podía dejar a

  los contratantes sin ninguna dirección; no debía imponerles una improvisación que correría el riesgo de ser peligrosa; le correspondía facilitársela por la necessidad misma de ahorrarles esa dificultad, haciéndoles que se beneficiasen de la experiencia acumulada por los siglos. Por eso ha organizado “regímenes tipos” de los cuales cada uno constituye en cierto modo um contrato de matrimonio terminado, que los esposos tienen la comodidad de apropiarse, declarando que adoptan determinado régimen, que se casan bajo determinado

  52 regimen”.

  (LOUIS JOSSERAND)

1. Regimes existentes no sistema pátrio

  A união promovida pelo casamento traz em sua face externa a convivência entre o homem e a mulher no intuito de procriarem e terem uma vida em comum (efeitos pessoais). Intrinsecamente, todavia, o labor habitual promove a acumulação de riquezas. A promoção do auxílio material entre os cônjuges também é uma forma de união, mais propriamente, na medida da percepção de bens realizada por cada um, a família é mantida (efeitos 52                                                                                                                 Louis Josserand. Derecho civil, cit., t. III, vol. I, p. 4. patrimoniais).

  O reflexo patrimonial deve ser convencionado antes mesmo do casamento. É certo que durante o casamento a família estará mais envolvida no sustento e na guarda de cada um dos seus membros. Porém, existindo eventual desgaste culminando na separação, divórcio ou em caso de morte de um dos cônjuges, o regime de bens escolhido a princípio faz valer suas regras determinando o destino dos bens móveis e imóveis.

  Na terra das emoções, o regime de bens é a razão, convencionado pelas partes ou imposto pela lei, que supre maiores raciocínios em momentos delicados do desatino humano.

  Doutrinariamente, regime de bens, nas lições de SILVIO DE SALVO

53 VENOSA , “constitui a modalidade de sistema jurídico que rege as relações

  patrimoniais derivadas do casamento”; para WASHINGTON DE BARROS

54 MONTEIRO , “é o complexo de normas que disciplinam as relações

  econômicas entre marido e mulher, durante o casamento”; MARIA HELENA

55 DINIZ conceitua como “conjunto de normas aplicáveis às relações e interesses

  56

  econômicos resultantes do casamento”; PONTES DE MIRANDA escreve que “regime de bens é o conjunto de regras, mais ou menos orgânico, que estabelece para certos bens, ou para os bens subjetivamente caracterizados, sistema de

  57

  , “conjunto dos princípios

  destinação e de efeitos”; CLÓVIS BEVILÁQUA

  jurídicos, que regulam as relações econômicas dos cônjuges”; CARVALHO 53                                                                                                                 54 Silvio de Salvo Venosa. Direito civil, cit., p. 338. 55 Washington de Barros Monteiro. Curso de direito civil, cit., p. 183. 56 Maria Helena Diniz. Curso de direito civil brasileiro, cit., p. 152. 57 Francisco Cavalcanti Pontes de Miranda. Tratado de direito privado, cit., p. 207.

  Clóvis Beviláqua. Clássicos da literatura jurídica, cit., p. 171.

  58 SANTOS , “regulamentação dos interêsses dos cônjuges, que a lei prevê”;

  59 JOSSERAND , “estatuto que rege os interesses pecuniários dos esposos”.

  O legislador não poderia permanecer inerte frente a necessidade de escolha de um regime de bens. “Não se pode, em verdade, conceber um casamento sem regime de bens, mesmo nos países de economia socialista, e ainda que os cônjuges conservassem seus patrimônios totalmente estanques e sem encargos matrimoniais, pois a lei que o estabelecesse estaria instituindo

  60 dessa maneira um regime de bens”.

  Assim, para as pessoas mais desinteressadas ou menos esclarecidas, uma fórmula geral foi decidida e é posta em uso. Esse sistema de regime legal é bastante antigo. Em cada país o desenvolvimento legislativo procedeu de forma diversa, não havendo padrões nem orientações coletivas, tudo dependeu da cultura e dos costumes locais.

  Dessa forma, “no Direito Romano, vigorava o princípio da absorção: o patrimônio da mulher era absorvido pelo marido, que se tornava o único proprietário e administrador. Tratava-se de conseqüência do casamento cum

  

manu, ao qual já nos referimos. Como a mulher ficava sujeita ao poder do pater

familias, assim também ficavam seus bens. O antigo direito saxão também

  estabelecera uma unidade patrimonial entre os esposos e foi aplicado igualmente nos Estados Unidos até meados do século XIX, sendo substituído pelo regime de separação, como conseqüência da emancipação da mulher. A legislação comparada toma os mais diversos rumos nessa matéria, não se divisando tendência de uniformidade, como ocorre em inúmeros outros institutos jurídicos. 58                                                                                                                 a

João Mauel de Carvalho Santos. Código civil brasileiro interpretado. vol. V, 12 . ed., Rio

59 de Janeiro: Freitas Bastos, 1981, p. 5. 60 Louis Josserand. Direito civil, cit., p. 3.

  Caio Mario da Silva Pereira. Instituições de direito civil, cit.,p. 187. Cada país apresenta matiz próprio, porque o regime de bens conjugais depende

  61 dos costumes e das necessidades sociais locais”.

  A Lei n. 6.515, de 26 de dezembro de 1977, modificou o regime legal ou comum que até então era o da comunhão universal. A opção por esse regime motivou-se em fatos históricos, uma vez que “o regime da comunhão, nascido entre os povos germânicos, espalhou-se pela Europa, através de incursões dos suevos e outros bárbaros, implantando-se assim em Portugal, de onde se trasladou para o Brasil, com as Ordenações do Reino. As Ordenações consagravam tal regime segundo o costume do reino e consistente na carta de

  62

  e em princípios morais, pois “a fusão de almas e de afetos, segundo

  ametade

  a concepção da época, deveria seguir-se, no plano material, a fusão dos

  63 patrimônios: casem-se as pessoas e também as fortunas”.

  No Brasil, o Código Civil explicitamente tornou lícito aos nubentes estipular tudo que lhes aprouver sobre seus bens, desde que antes de celebrado o

  64

  casamento. Assim, “cumpre, entretanto, destacar na categoria legal, o que impõe aos cônjuges com caráter de obrigatoriedade. É a separação, quando determinada como medida defensiva dos interesses dos cônjuges, ou aos que se casam infringindo certos impedimentos matrimoniais (art. 183, n. XI e XVI, de 1916). Nos casos de “separação compulsória” ou “obrigatória” (art. 1.641, de 2002) nega-se aos nubentes a faculdade de optarem, constrangidos que ficam a aceitar as regras pertinentes a esta. E, mais do que isto, considerar-se-á como não escrita qualquer estipulação ou convenção contrária aos princípios que a regem. Não se pode negar ao regime de bens o seus caráter jurídico

                                                                                                                  61 62 Silvio de Salvo Venosa. Direito civil, cit., p. 338. 63 Washington de Barros Monteiro. Curso de direito civil, cit., p. 191. 64 o Washington de Barros Monteiro. Curso de direito civil, cit., p. 191. o o

Conforme Lei n 10.406, de 10 de janeiro de 2002, art. 1639 e Lei n . 3.071, de 1 . de

janeiro de 1916, artigo 256.

  65 institucional”.

  Quatro eram as possibilidades no Código Civil de 1916: comunhão universal (artigos 262 a 268), comunhão parcial (artigos 269 a 275), separação total (artigos 276 e 277) e dotal (artigos 278 a 311).

  O regime legal era o da comunhão universal que perdurou até o advento da Lei do Divórcio (n. 6.515/ 77). A alteração elegeu o regime da comunhão parcial como orientação legal para ser o regime subsidiário. Baseou-se no conceito de que a maioria dos nubentes são jovens e não possuem qualquer patrimônio adquirido por mérito próprio no momento do casamento, havendo um esforço mútuo para a prosperidade familiar.

  O Código Civil de 2002 adotou o regime legal de comunhão parcial de bens nos artigos 1658 a 1666. No entanto promoveu outras alterações no instituto do regime de bens. Os demais regimes hoje vigentes são: comunhão universal (artigos 1667 a 1671), participação final nos aquestos (artigos 1672 a 1686) e separação total (artigos 1687 e 1688).

  Na verdade, essas são opções prontas que a lei coloca à disposição dos nubentes, contudo, nada impede a mescla dos regimes ou até mesmo a criação de um totalmente novo, desde que amparado na lei.

  Outrossim, “podem os contraentes, destarte, adotar um dos quatro tipos previstos em lei, como combiná-los entre si, compondo assim regime misto, desde que suas disposições não se tornem incompatíveis. Podem ainda adotar o regime, mencionando-o apenas pela rubrica (comunhão parcial, comunhão 65                                                                                                                

Marcel Planiol, Georges Ripert et Jean Boulanger. Traité élémentaire de droit civil. Paris:

  Libraire de droit et de jurisprudence, 1950, t. III, p. 4. universal, participação final nos aquestos ou separação), pelos artigos de lei que os disciplinam, e, ainda, pelos preceitos concretos que os regem, sem descer à

  66 sua denominação especial ou à indicação dos dispositivos legais”.

  Essa proposta também é a do Código Civil Português no artigo 1698. Assim, “os esposos podem fixar livremente, em convenção antenupcial, o regime de bens do casamento, quer escolhendo um dos regimes previstos neste código, quer estipulando o que a esse respeito lhes aprouver, dentro dos limites

  67 da lei”.

1.1 Pacto antenupcial

  O pacto antenupcial faz-se necessário apenas quando os nubentes querem, através de suas próprias impressões e idéias, escolher o regime de bens que vigorará para a união. Sempre que houver necessidade de modificar as regras estabelecidas no regime legal, o casal deverá buscar a realização de pacto antenupcial.

  A forma do pacto é dada pela escritura pública lavrada em tabelião de notas. Dessa maneira, “o ato público é assim exigido ad solemnitatem; não é possível convencionar-se o regime matrimonial através de simples instrumento

  68

  particular, ou, no termo que se lavra, logo depois de celebrado o casamento”. É livre a escolha do tabelião de notas, nos termos do que estabelece o artigo oitavo da lei orgânica dos notários e registradores – lei 8935/94. 66                                                                                                                 67 Washington de Barros Monteiro. Curso de direito civil, cit., p. 184.

  

Código Civil português, SECđấO III (Convenções antenupciais), ARTIGO 1698

68 (Liberdade de convenção).

  Washington de Barros Monteiro. Curso de direito civil, cit., p. 190.

  É facultativa a escolha do regime, mas obrigatório o uso do pacto para qualquer outro que não o regime legal. A escritura representa condição essencial ao próprio ato, “forma dat esse rei”, devendo ser lavrada sempre antes do casamento, pois a contrário senso o regime escolhido seria o da comunhão parcial de bens.

  A idade necessária para casar são dezesseis anos completos – capacidade matrimonial – tanto para o homem quanto para a mulher. Na hipótese da confecção da escritura pública de pacto antenupcial, o menor púbere deverá estar assistido por um representante legal, exceção feita aos casos de separação

  69 obrigatória de bens, conforme dispõe o artigo 1654 do Código Civil.

  Os representantes legais farão constar da escritura antenupcial o

  70

  instrumento de autorização para casar como requisito necessário para a validade do ato. Havendo nulidade ou sendo o instrumento antenupcial ineficaz, tem-se como não escrito, prevalecendo o regime legal.

  A convenção antenupcial deverá ser obedecida tanto por nubentes nacionais como por estrangeiros domiciliados no país, segundo o que observa a Lei de Introdução ao Código Civil (Dec.-lei n. 4.657, de 4-9-1942) em seu artigo

  o o

  71 7 , §4 .

  BARROS MONTEIRO preleciona que “realizando-se o casamento no                                                                                                                 69 o

Lei n 10.406, de 10 de janeiro de 2002, art. 1654 – “A eficácia do pacto antenupcial,

  

realizado por menor, fica condicionada à aprovação de seu representante legal, salvo as

hipóteses de regime obrigatório de separação de bens.” 70 o

“Lei n 10.406, de 10 de janeiro de 2002, art. 1537 – O instrumento da autorização para

71 o casar transcrever-se-á integralmente na escritura antenupcial”.

  

Dec.-lei n. 4.657, de 4-9-1942, “Art. 7 . – A lei do pais em que for domiciliada a pessoa

determina as regras sobre o começo e o fim da personalidade, o nome, a capacidade e os o

direitos de família. §4 . – O regime de bens, legal ou convencional, obedece à lei do pais em

que tiverem os nubentes domicílios, e, se este for diverso, à do primeiro domicílio conjugal.” Brasil, o regime de bens obedecerá à lei do país onde os nubentes têm o seu domicílio. Conseqüentemente, dúvida alguma pode pairar; na falta de pacto antenupcial, o casamento é realizado no regime da comunhão parcial, ainda que os nubentes procedam de país em que diverso seja o regime matrimonial

  72 comum”.

  As estipulações do pacto antenupcial servem tão somente para liberalidades econômicas, não podendo ser objeto qualquer direito conjugal ou sobre filhos. Não é permitida a mitigação de norma de ordem pública por meio do pacto antenupcial.

  As cláusulas esbarram nos limites da lei. Por isso, “tem-se como não escrita convenção, ou cláusula, que contravenha disposição absoluta de lei. Disposições absolutas de lei são as de ordem pública, as rigorosamente obrigatórias, que têm caráter proibitivo e cuja aplicação não pode ser afastada ou excluída pelas partes. O Código não se refere às cláusulas ofensivas dos bons costumes, mas é fora de dúvida que a defesa da ordem pública, a defesa dos

  73 interesses gerais da sociedade, abrange também a dos costumes”.

  Pode ser pactudo, por meio de contrato antenupcial, qualquer liberalidade

  74

  quanto aos bens dos nubentes. Há amplitude na escolha do que será disposto no pacto, sendo ressalvado apenas os bons costumes e disposições contrarias à lei. Por fim, é da essência do ato o subsequente casamento, sem o qual inquina-o de ineficácia si nuptia sequantur.

  De posse do contrato antenupcial e da certidão de casamento, os 72                                                                                                                 73 Washington de Barros Monteiro. Curso de direito civil, cit., p. 192. 74 o Washington de Barros Monteiro. Curso de direito civil, cit., p. 193.

  

“Lei n 10.406, de 10 de janeiro de 2002, art. 1639 - É lícito aos nubentes, antes de celebrado o casamento, estipular, quanto aos seus bens, o que lhes aprouver.” interessados deverão comparecer à circunscrição imobiliária do domicílio dos cônjuges e proceder ao registro do pacto, conforme artigo 1657 do Código Civil

  75

  76

  de 2002 , artigo 261 do Código Civil de 1916 e artigos 167, I, 12 e II, 1; 176;

  77 243 da Lei 6.015/73.

  A falta de convenção recai na obediência ao regime legal, todavia, a falta de registro da convenção torna ela válida apenas em relação aos cônjuges e herdeiros (inter partes), não podendo ser oposto o regime contra terceiros (erga omnes).

  Trata-se de uma duplicidade de regimes, pois vigorará o regime escolhido e pactuado entre os cônjuges, mas exteriormente, perante terceiros, serão as normas do regime legal as obedecidas.

  o

  O §1 . do artigo 1639 do Código Civil de 2002 estabelece que “o regime

  78 de bens entre os cônjuges começa a vigorar desde a data do casamento”.

  Assim, o dies a quo independentemente do regime adotado será sempre o da                                                                                                                 75 o

“Lei n 10.406, de 10 de janeiro de 2002, art. 1657 - As convenções antenupciais não terão

  

efeito perante terceiros senão depois de registradas, em livro especial, pelo oficial do Registro

76 o o de Imóveis do domicílio dos cônjuges”.

  

“Lei n 3.071, de 1 . de janeiro de 1916, art. 261 - As convenções antenupciais não terão

efeito para com terceiros senão depois de transcritas, em livro especial, pelo oficial do registro

77 de imóveis do domicílio dos cônjuges”.

  

Lei 6.015/73, “art. 167 - No Registro de Imóveis, além da matrícula, serão feitos. I - o

registro: 12) das convenções antenupciais; II - a averbação: 1) das convenções antenupciais e

do regime de bens diversos do legal, nos registros referentes a imóveis ou a direitos reais

pertencentes a qualquer dos cônjuges, inclusive os adquiridos posteriormente ao casamento;”

“art. 176 - O Livro nº 2 - Registro Geral - será destinado, à matrícula dos imóveis e ao

registro ou averbação dos atos relacionados no art. 167 e não atribuídos ao Livro nº 3.”

“art. 243 - As escrituras antenupciais serão registradas no livro n. 3 do cartório do domicílio

conjugal, nos termos do artigo 174, § 1º, sem prejuízo de sua averbação obrigatória no lugar

da situação dos imóveis de propriedade do casal, ou dos que forem sendo adquiridos e sujeitos

a regime de bens diverso do comum, com a declaração das respectivas cláusulas, para ciência

78 o de terceiros.” o Lei n 10.406, de 10 de janeiro de 2002, art. 1639, §1 .

  79 data do casamento, inexistindo regime matrimonial em data anterior.

  O pacto antenupcial estabelece as leis internas para o casamento. Indica como os cônjuges deverão se portar quando da dissolução da união conjugal. Dessa maneira, cite-se a máxima o contrato faz lei entre as partes ou pacta sunt

  

servanda, não se cogitando qualquer alteração em relação ao pacto que já não

  estivesse prevista. Nada obsta, contudo a mudança do próprio regime patrimonial.

1.2 Mutabilidade de regimes

  O artigo 230 do Código Civil de 1916 prescrevia sobre a imutabilidade do regime de bens durante a sociedade conjugal. O radicalismo legal nesse sentido, impedia qualquer modificação do regime de bens que, quando aposta, tornava-se imediatamente nula.

  A imutabilidade prevaleceu em sistemas como o italiano, o português, o espanhol, o argentino e o uruguaio. Em sentido contrário, os sistemas 79                                                                                                                

9076342-07.1997.8.26.000 Apelação sem revisão/Retificação de registro civil. Relator

a

Manoel Mattos. 3 . Câmara de direito privado A. TJSP. ỀRATIFICAđấO - Pretendida

  

modificação do regime de bens posterior ao casamento - Imutabilidade - Inteligência do artigo

230 do Código Civil - Recurso não provido. Trata-se de apelação visando a reforma da r.

decisão que indeferiu o pedido de averbação de seu assento de casamento da escritura de

ratificação de regime de separação de bens em virtude da inexistência de contrato nupcial.

Alegam que não o fizeram por falta de conhecimento. Recurso regularmente processado, com

parecer da Douta Procuradoria pelo improvimento do recurso. É o relatório. O pleito recursal

viola o artigo 256 do Código Civil no sentido de que o pacto antenupcial é um contrato

solene, firmado pelos próprios nubentes, habilitados matrimonialmente, por meio do qual

dispõe da escolha do regime de bens, que deverá vigorar entre eles enquanto durar o

matrimônio. A lei fala que o pacto deva ser anterior. O recurso viola ainda o artigo 230 do

Código Civil, no sentido de que o regime dos bens entre os cônjuges começa a vigorar desde a

data do casamento e é irrevogável. A imutabilidade do regime de bens é preceito cogente,

assim conotado no artigo 258 do Código Civil. Dessa forma, ineficaz contrato de ratificação Pelo exposto, nego provimento ao recurso.” germânico, suíço, austríaco, mexicano e o chileno, permitem sua modificação e até sua substituição.

  Conforme BARROS MONTEIRO, “se bem que a lei prescrevesse o princípio da imutabilidade do regime, exceções existiam a essa regra. A mais importante dizia respeito à comunhão dos aqüestos. Efetivamente, adquiridos na constância da sociedade conjugal, pelo esforço comum de ambos os cônjuges, casados no estrangeiro pelo regime da separação, a jurisprudência admitiu que se comunicam os bens. Outra exceção ao princípio da irrevogabilidade já ocorria quando um dos contraentes era legalmente obrigado a casar-se em determinado

  80 regime, mas, por dolo ou burla, consorciava-se em outro”.

  E, ainda, a Súmula n. 377 do Supremo Tribunal Federal, estabelecia como exceção a imutabilidade que “no regime da separação legal de bens comunicam-

  81 se os adquiridos na constância do casamento”.

  Nesse diapasão, “no direito francês, tornou-se lícito modificar o regime de

  82 bens após dois anos de sociedade conjugal e sujeito à homologação pelo juiz”.

  No Perú há dois regimes: o da comunhão ou sociedade de bens e o da separação. O legislador permitiu expressamente a alteração durante o casamento

  83 entre esses dois sistemas. 80                                                                                                                 81 Washington de Barros Monteiro. Curso de direito civil, cit., p. 186.

  

9160216-98.2008.8.26.0000 Apelação. Relator Teixeira Leite. Comarca de Itú. 4a. Câmara

de direito privado. TJSP. “ARROLAMENTO. Herança. Meação. Casamento pelo regime da

separação obrigatória de bens. Aplicação da súmula 377 do STF. Viúva tem direito à meação

independente de comprovação de esforço para aquisição dos bens. Partilha bem resolvida.

82 Recuso dos filhos do falecido, desprovido.” 83 Jean Carbonnier. Droit civil. Paris: Presses Universitaires de France, 1957, t. II, p. 34.

  

Código civil peruano, “Artículo 296.- (Sustitución del Régimen Patrimonial) Durante el

matrimonio, los cónyuges pueden sustituir un régimen por el otro. Para la validez del

convenio son necesarios el otorgamiento de escritura pública y la inscripción en el registro

personal. El nuevo régimen tiene vigencia desde la fecha de su inscripción.”

  

o

  Dessa maneira, o artigo 1639, §2 . do Código Civil, atualizado com as necessidades modernas e amparado em modelos de sucesso no exterior, passou a permitir a mutabilidade de regimes, conforme se depreende de sua redação: “É lícito aos nubentes, antes de celebrado o casamento, estipular, quanto aos seus

  o

  bens, o que lhes aprouver. §2 . É admissível alteração do regime de bens, mediante autorização judidicial em pedido motivado de ambos os cônjuges, apurada a procedência das razões invocadas e ressalvados os direitos de

  84 terceiros”.

  Nessa senda, o Tribunal de Justiça do Estado do Rio Grande do Sul editou o provimento n. 024/03 CGJ, publicado no DJ 17/9, estabelecendo as diretrizes

  85 para a aplicação da disposição supra transcrita. 84 o                                                                                                                 o 85 Lei n 10.406, de 10 de janeiro de 2002, art.1639, §2 .

  PROVIMENTO No 024/03-CGJ

Estabelece diretrizes para a modificação do regime de bens do casamento, nos termos da Lei

no. 10.406, de 10 de janeiro de 2002 (novo Código Civil).

  

O Excelentíssimo Senhor Desembargador Marcelo Bandeira Pereira, Corregedor-Geral da

Justiça, no uso de suas atribuições legais,

Considerando que a Lei 10.406 de 10 de janeiro de 2002 (Código Civil brasileiro) admite, em

o

seu art. 1.639, §2 ., a alteração do regime de bens do casamento, mediante autorização

judidial, em pedido motivado de ambos os cônjuges, apurada a procedência das razões

invocadas e ressalvados os direitos de terceiros;

Considerando a necessidade de uniformizar-se o procedimento judicial visando à modificação

de regime de bens, para que não haja prejuízo ao princípio da segurança jurídica; Resolve prover: o

Art. 1 . – A modificação do regime de bens do casamento decorrerá de pedido manifestado

por ambos os cônjuges, em procedimento de jurisdição voluntária, devendo o juízo

competente publicar edital com prazo de trinta (30) dias, a fim de imprimir a devida

publicidade à mudança, visando resguaradar direitos de terceiros; o Art. 2 . – A intervenção do Ministério Público é necessária para a validade da mudança; o

Art. 3 . – Após o trânsito em julgado da sentença, serão expedidos mandados de averbação

aos cartórios de registro civil e de imóveis, e, caso qualquer dos cônjuges seja empresário, ao

registro público das empresas mercantis; o

Art. 4 . – A modificação do regime de bens é da competência do juízo da vara de família da

respectiva comarca onde se processar a mudança; o

Art. 5 . – Este provimento entrará em vigor na data de sua publicação, revogadas as

disposições em contrário. Publique-se. Cumpra-se. Porto Alegre, 10 de setembro de 2003.

  Assim, “sem dúvida, os rumos tomados pela união estável sem casamento influenciaram o legislador nesse sentido: os companheiros sempre gozaram de maior mobilidade no tocante aos bens comuns. Manter a imutabilidade do regime de bens seria tratar o casamento de forma mais rigorosa que a união sem

  86 casamento”.

  A sentença homologatória da alteração do regime de bens deve ser clara e precisa, informando o alcance e a data a partir da qual produzirá efeitos. A mutabilidade poderá, então, ocorrer na data da sentença ou em data posterior e abranger os bens adquiridos dalí para frente ou todos possuídos pelo casal, caso em que deverá ser apresentada relação dos bens e a partilha, na hipótese de transformação de comunhão em separação.

  Os casamentos ocorridos no ordenamento anterior também poderão se

  87

  beneficiar com a mutabilidade do regime de bens. A leitura isolada do artigo

  88

  2039 do Código Civil poderia levar a um falso raciocínio de que seria inaplicável o princípio da mutabilidade dos regimes de casamento às celebrações ocorridas antes do Código Civil atual. Todavia, o presente artigo deve ser interpretado sistematicamente em conjunto com o artigo 2035 do 86                                                                                                                 87 Silvio de Salvo Venosa. Direito civil, cit., p. 339.

  

STJ/REsp 1112123/DF (2009/0041144-7). Ministro SIDNEI BENETI. DJe 13/08/2009.

ỀCIVIL - CASAMENTO - REGIME DE BENS - ALTERAđấO JUDICIAL -

CASAMENTO CELEBRADO SOB A ÉGIDE DO CC/1916 (LEI No 3.071) -

POSSIBILIDADE - ART. 2.039 DO CC/2002 (LEI No 10.406) - PRECEDENTES - ART.

1.639, § 2o, CC/2002. I. Precedentes recentes de ambas as Turmas da 2a Seção desta Corte

uniformizaram o entendimento no sentido da possibilidade de alteração de regime de bens de

casamento celebrado sob a égide do Código Civil de 1916, por força do § 2o do artigo 1.639

do Código Civil atual. II. Recurso Especial provido, determinando-se o retorno dos autos às

instâncias ordinárias, para que, observada a possibilidade, em tese, de alteração do regime de

bens, sejam examinados, no caso, os requisitos constantes do § 2o do artigo 1.639 do Código

Civil atual.” 88 o

Lei n 10.406, de 10 de janeiro de 2002, artigo 2039 - “O regime de bens nos casamentos

o

celebrados na vigência do Código Civil anterior, Lei 3.071, de 1 . de janeiro de 1916, é por

ele estabelecido.”

89 Código Civil.

  O Ministro Jorge Scartezzini, relator do recurso especial julgado recentemente pela Quarta Turma do Superior Tribunal de Justiça, esclareceu que, quando o Artigo 2.039 dispõe que o regime de bens quanto aos casamentos celebrados na vigência do Código Civil de 1916 “é o por ele estabelecido”, estaria determinando a incidência da legislação civil anterior exclusivamente no tocante às regras específicas a cada um dos regimes matrimoniais. Este entendimento é reforçado pelo Artigo 2.035, que trata dos efeitos futuros de contratos de bens em vigência quando de sua entrada em vigor, por ser norma geral de efeito imediato: “A validade dos negócios e demais atos jurídicos,

  

constituídos antes da entrada em vigor deste Código, obedece ao disposto nas

leis anteriores, referidas no artigo 2.045, mas os seus efeitos, produzidos após a

vigência deste Código, aos preceitos dele se subordinam, salvo se houver sido

prevista pelas partes determinada forma de execução”. Some-se a estes

  argumentos o fato de que o legislador não proibiu, no Artigo 2.039, a alteração do regime, se esta for a vontade do casal.

  Conclui-se, dessa maneira, que “se levado em conta que a irretroatividade das normas sobre regime de bens tem em vista evitar a aplicação da lei nova pela vontade de apenas uma das partes, ou seja, proteger o ato jurídico perfeito e o direito adquirido, de modo a ser aplicado o ordenamento jurídico vigente à sua época contra as investidas de uma das partes, em adequação ao que dispõem os

  o o arts. 5 ., n. XXXVI, e 6 . da Lei de Introdução ao Código Civil – Decreto-lei n.

  4.657, de 4 de setembro de 1942 - , entende-se que, por exigir pedido de ambos                                                                                                                 89 o

Lei n 10.406, de 10 de janeiro de 2002, artigo 2.035 – “A validade dos negócios e demais

  

atos jurídicos, constituídos antes da entrada em vigor deste Código, obedece ao disposto nas

leis anteriores, referidas no art. 2.045, mas os seus efeitos, produzidos após a vigência deste

Código, aos preceitos dele se subordinam, salvo se houver sido prevista pelas partes determinada forma de execução.” os cônjuges, a mutabilidade do regime de bens deve ser possibilitada também

  90 em casamentos celebrados antes da entrada em vigor do novo Código Civil”.

1.3 Comunhão universal de bens

  De acordo com a semântica do instituto, todos os bens que os cônjuges possuírem, antes ou durante o casamento, ressalvadas as especificidades legais, pertencerão a ambos, bem como os passivos a ele inerentes.

  Nas lições de PONTES DE MIRANDA estão insertos três princípios fundamentais desse regime: “I – tudo que há e que entra para o acervo dos bens do casal fica indistintamente, como se fôra possuído ou adquirido, ao meio, por cada um; II – tudo que cada cônjuge adquire se torna comum no mesmo momento em que se operou a aquisição; III – os cônjuges são meeiros em todos os bens do casal, ainda que um dêles nada trouxesse, ou nada adquirisse na

  91 constância da sociedade conjugal”.

  Conforme CLÓVIS BEVILÁQUA, “a comunhão de bens unifica os patrimônios dos cônjuges, ou totalmente, formando com eles um acervo, sob a propriedade e posses indivisas de ambos, quando é universal, ou limitadamente,

  92 abrangendo somente certa classe de bens, quando é parcial”.

  Até o advento da Lei no. 6.515/77, esse era o regime legal. O antigo artigo 262, do Código Civil de 1916, substituído pelo artigo 1667, do Código Civil de 2002, que manteve a mesma redação, pregava que “o regime da 90                                                                                                                 91 Washington de Barros Monteiro. Curso de direito civil, cit., p. 188. 92 Francisco Cavalcanti Pontes de Miranda. Tratado de direito privado, cit., p. 288-289.

  Clóvis Beviláqua. Clássicos da literatura jurídica, cit., p. 186. comunhão universal importa a comunicação de todos os bens presentes e futuros dos cônjuges e suas dívidas passivas, com exceções do artigo seguinte”.

  Realmente, o regime da comunhão universal é o mais amplo e o que mais se coaduna com o desejo de união motivador do casamento. Ocorre que com o passar dos anos, nem sempre os casais permaneciam com esse mesmo desejo. Assim, muitas vezes algum dos cônjuges se via prejudicado na maneira de dividir o patrimônio, fosse porque a outra parte em nada contribuiu durante a união, fosse porque nada trouxe para ela.

  Para VENOSA, “o sistema da comunhão universal como regime legal pode oferecer percalços e suspresas, podendo prejudicar um dos cônjuges, geralmente a mulher, no passado. Tendo o marido, naquela época, a regência da sociedade conjugal, poderia facilmente impor sua vontade, para dissipar os bens

  93 comuns e em especial os trazidos pela mulher”.

  Em bom momento veio a alteração legislativa impondo a comunhão parcial como regime legal. Na França, a comunhão universal só é permitida após

  94

  pacto antenupcial , idêntico ao sistema brasileiro e ao sistema alemão que

  95 também só reconhece a comunhão universal mediante contrato. 93                                                                                                                 94 Silvio de Salvo Venosa. Direito civil, cit., p. 355.

  

Código civil francês, artigo 1526 – “Les époux peuvent établir par leur contrat de mariage

une communauté universelle de leurs biens tant meubles qu'immeubles, présents et à venir.

Toutefois, sauf stipulation contraire, les biens que l'article 1404 déclare propres par leur

nature ne tombent point dans cette communauté. La communauté universelle supporte

définitivement toutes les dettes des époux, présentes et futures.” Os cônjuges podem

estabelecer por contrato de casamento uma comunhão universal de bens móveis e imóveis,

presentes e futuros. No entanto, salvo estipulação em contrário, os bens que o artigo 1404

declara aptos pela sua natureza, não se enquadram nesta comunhão. A comunhão universal

95 definitivamente suporta todas as dívidas dos cônjuges, presentes e futuras. (tradução livre).

  Código civil alemão, artigos 1437 a 1518.

  Excluem-se do regime da comunhão universal “os bens doados ou herdados com cláusula de incomunicabilidade e os sub-rogados em seu lugar; os bens gravados de fideicomisso e o direito do herdeiro fideicomissário, antes de realizada a condição suspensiva; as dívidas anteriores ao casamento, salvo se provierem de despesas com seus aprestos, ou reverterem em proveito comum, as doações antenupciais feitas por um dos cônjuges ao outro com cláusula de

  96 incomunicabilidade; os bens referidos nos incisos V a VII do artigo 1659”.

  A referida incomunicabilidade não se estenderá aos frutos que forem percebidos ou vencidos durante o casamento. Conforme analisa CAIO MARIO DA SILVA PEREIRA, “sendo regra, no regime da comunhão universal a comunicação dos haveres, havidos ou adquiridos, a incomunicabilidade restringe-se aos bens doados ou deixados, e não se estende aos respectivos frutos

  97 e rendimentos”.

  Leciona BEVILÁQUA que “no direito alemão, os bens subtraídos à comunhão são em número mais limitado. Os feudos, os fideicomissos familiares, as roupas de uso, os bens reservados a cada cônjuge são os objetos

  98 incomunicáveis (Código civil alemão 1439 – 1440)”.

  Nessa senda, “tais exceções, que constituem os chamados bens

  

incomunicáveis, são ditados pela caráter personalíssimodos efeitos em questão,

  99 ou representam natural decorrência de sua própria índole”.

  Recai na mesma incomunicabilidade os bens doados com cláusula de reversão, pois morto o donatário, o bem não comunica ao esposo do de cujus,                                                                                                                 96 o 97 Lei n 10.406, de 10 de janeiro de 2002, artigo 1668, I a V. 98 Caio Mario da Silva Pereira. Instituições de direito civil, cit., p. 227. 99 Clóvis Beviláqua. Clássicos da literatura jurídica, cit., p. 201.

  Washington de Barros Monteiro. Curso de direito civil, cit., p. 198.

  100

  mas sim, volta ao patrimônio do doador. E ainda, os bens doados, legados ou herdados com cláusula de incomunicabilidade. O casamento é forma de aquisição patrimonial. Permitir a comunicação de bens gravados de incomunicabilidade é ferir o gravame.

  A administração dos bens do casal se fará igualmente por qualquer dos

  101 cônjuges em obediência ao artigo 226, §5, da Constituição Federal de 1988.

  Porém, nem sempre foi assim. De acordo com o Código Civil de 1916, “na constância da sociedade conjugal, a propriedade e posse dos bens era comum (Código Civil de 1916, artigo 266), mas cabia ao marido, como chefe da sociedade conjugal, a respectiva administração (Código Civil de 1916, artigo 233, II). A mulher só os administrava por autorização do marido, ou nos casos previstos no Código Civil de 1916: artigos 248, V e 251 (artigo 266, parágrafo

  102 único). Fora desses casos a administração sempre competia ao marido”.

  Haverá extinção do regime da comunhão universal por ocasião da morte de um dos cônjuges, de sentença de nulidade ou anulação do casamento, de separação ou do divórcio. Essa compreensão persiste desde o artigo 267, do Código Civil de 1916.

  O cônjuge supérstite, em caso de morte, terá direito a meação. O monte

mor será partido ao meio e cinquenta por cento caberá aos demais herdeiros.

Apesar de aparentar ser bastante amplo, esse regime, juntamente com o da separação obrigatória de bens, são os únicos que não permitem a participação do cônjuge sobrevivo como herdeiro quando houver concorrência com descendentes do de cujus. Assim, nessa situação particular, o regime que deveria                                                                                                                 100 o o o Lei n 10.406, de 10 de janeiro de 2002, artigo 547 e Lei n 3.071, de 1 . de janeiro de 1916, artigo 1174. 101 o 102 Conforme Lei n 10.406, de 10 de janeiro de 2002, artigos 1663, 1665, 1666 e 1670.

  Washington de Barros Monteiro. Curso de direito civil, cit., p. 206.

  103

  ser o mais abrangente tornou-se restritivo. O mesmo não ocorrerá, contudo, quando o cônjuge sobrevivo concorrer com os ascendentes ou caso seja ele o primeiro a ser chamado para herdar, na forma dos incisos II e III do artigo 1829 do Código Civil. No caso de nulidade ou anulação do casamento, cada cônjuge voltará a ter o que levou para o regime, não ganhando nem perdendo nada.

  Por fim, a separação e o divórcio fazem com que os bens sejam divididos igualmente ao meio, não participando da meação, obviamente, os bens incomunicáveis.

  A extinção do regime acaba com o estado de indivisão dos bens. Dessa maneira, “extinta a comunhão e efetuada a divisão do ativo e do passivo, cessará a responsabilidade de cada um dos cônjuges para com os credores do outro por

  104 dívidas que este houver contraído (artigo1671, Código Civil de 2002)”.

  Marcar o exato fim da comunhão é de extrema importância, “isto em razão da ausência da affectio maritalis na separação de fato do casal e do enriquecimento ilícito que pode provocar continuidade da comunhão nesse

  105 caso”.

  Quando ocorre falecimento, marca-se o fim do regime pela data do óbito. Nos casos de nulidade ou anulação do casamento, haverá sentença publicada com o dia exato do fim da união. A separação e o divórcio podem ocorrer judicialmente e assim possuir uma sentença para datar o fim o casamento, ou ainda, quando consensual, ser realizada por meio de escritura pública, que terá o condão de finalizar o regime de bens.                                                                                                                 103 o 104 Lei n 10.406, de 10 de janeiro de 2002, artigo 1829. 105 Maria Helena Diniz. Curso de direito civil, cit., p. 178.

  Washington de Barros Monteiro. Curso de direito civil, cit., 208.

  106

  Importante atentar que a separação de fato permite a convivência em união estável sob o regime da comunhão parcial, o que ocorre antes mesmo de oficialmente dissolvido anterior casamento. Nesse sentido, tramita o projeto de

  o

  lei no. 6.960/2002 lançado para alterar o artigo 1723, §1 , do Código Civil de 2002, fazendo com que a separação de fato também seja um dos motivos ensejadores da dissolução do regime de bens.

1.4 Comunhão parcial de bens

  Desde o advento da Lei n. 6.515 de 26 de dezembro de 1977, o regime da comunhão parcial de bens passou a ser o subsidiário da vontade das partes. Especificamente, “trata-se de um regime misto, formado em parte pelo da

  107 comunhão universal e em parte pelo da separação”.

  A ideia de um regime imposto não é a mais completa, pois os nubentes podem escolher expressamente, inclusive por pacto antenupcial, esse regime.

  Temos assim a instituição expressa, aquela que ocorre da vontade manifesta das partes para opção do regime, e a instituição tácita, decorrente da ausência de pacto antenupcial ou sendo este nulo.

  A segunda hipótese ocorre por disposição expressa de lei - dispositiva lex. É norma geral preterida apenas pelo regime da separação obrigatória de bens ou por escolha expressa de outro regime.                                                                                                                 106 o o 107 Lei n 10.406, de 10 de janeiro de 2002, artigo 1723, §1 .

  Washington de Barros Monteiro. Curso de direito civil, cit., p. 210.

  Os demais regimes de bens são apenas opções à natureza contratual do casamento, sendo o regime da comunhão parcial a norma comum e ordinária sobreposta as demais quando o pacto antenupcial não a substitua ou modifique.

  Na comunhão parcial haverá três massas de bens: os bens reservados do marido, os bens reservados da esposa e os bens comuns adquiridos na constância

  108 da sociedade conjugal.

  O regime em revista também “é o regime comum em Espanha (Código Civil, artigo 1401), no Chile (Código Civil, artigo 1725 e seguintes), na República Argentina (Código Civil, artigo 1262 e seguintes), etc. Também permite o Código Civil italiano (artigo 215), não como regime legal, mas apenas

  109 facultado”.

  CAIO MARIO DA SILVA PEREIRA leciona que “no direito francês, o regime legal prevê a communion d’aquêts, em que se comunicam os bens móveis e os adquiridos na constância do casamento, excluídos de toda comunicação os imóveis que os nubentes já tinham antes do matrimônio e os adquiridos posteriormente a título gratuito. No direito alemão, prevalece a denominada comunhão administrativa (Werwaltungsgemeinschaft), pela qual os bens da mulher ficam submetidos à administração usufrutuária do marido (BGB, artigo 1363), excluídos, todavia, os bens reservados (Sondergut, Vorbehalt), ou seja, os que se destinam ao uso pessoal da mulher, como roupas, ornamentos e instrumentos de trabalho (BGB, artigo 1366), bem como os que ela adquire por sua própria atividade e pela exploração independente de empresa lucrativa

  110 (BGB, artigo 1367)”. 108                                                                                                                 109 Silvio de Salvo Venosa. Direito civil, cit., p. 349. 110 Francisco Cavalcanti Pontes de Miranda. Tratado de direito privado, cit., p. 331.

  Caio Mario da Silva Pereira. Instituições de direito civil, cit., p. 212.

  Conforme reza o Código Civil em seu artigo 1658, “no regime da comunhão parcial, comunicam-se os bens que sobrevierem ao casal, na constância do casamento, com as exceções dos artigos seguintes”.

  Assim também já conceituou BEVILÁQUA “sob a denominação de

  

comunhão parcial, o Código Civil brasileiro regula um regime, em que se

  comunicam somente os bens adquiridos a título oneroso, por fato eventual, as benfeitorias, e os bens doados, ou deixados a ambos os cônjuges. Os bens possuídos por cada um dos cônjuges ao casar, os adquiridos na constância do casamento a título gratuito e os sub-rogados em bens particulares, não se

  111 comunicam”.

  Dessa maneira, “a comunhão só compreende os bens que se adquiram a título oneroso na constância do casamento. É por isso que esse regime se chama

  112 da comunhão parcial, porque se limita aos adquiridos depois do casamento”.

  Consta do Código Civil de 2002, artigo 1659, os bens excluídos da comunhão. O rol elencado foi construído a partir dos artigos 269 e 270, do Código Civil de 1916, exceto os incisos III e IV do artigo 269. Assim, estão excluídos: “I - os bens que cada cônjuge possuir ao casar, e os que lhe sobrevierem, na constância do casamento, por doação ou sucessão, e os sub- rogados em seu lugar; II - os bens adquiridos com valores exclusivamente pertencentes a um dos cônjuges em sub-rogação dos bens particulares; III - as obrigações anteriores ao casamento; IV - as obrigações provenientes de atos ilícitos, salvo reversão em proveito do casal; V - os bens de uso pessoal, os livros e instrumentos de profissão; VI - os proventos do trabalho pessoal de cada 111                                                                                                                 112 Clóvis Beviláqua. Clássicos da literatura jurídica, cit., p. 204.

  Washington de Barros Monteiro. Curso de direito civil, cit., p. 211. cônjuge; VII - as pensões, meios-soldos, montepios e outras rendas semelhantes”.

  São também incomunicáveis os bens cuja aquisição tiver por título uma causa anterior ao casamento, como por exemplo a herança, é o que se extrai do artigo 1661, do Código Civil de 2002.

  Por outro lado, entram na comunhão todos os bens insertos no artigo 1660, do Código Civil de 2002. A regra é que tudo que foi construído na constância do casamento, por esforço comum, está na comunhão, mas para evitar qualquer caso duvidoso, segue o rol: “I - os bens adquiridos na constância do casamento por título oneroso, ainda que só em nome de um dos cônjuges; II - os bens adquiridos por fato eventual, com ou sem o concurso de trabalho ou despesa anterior; III - os bens adquiridos por doação, herança ou legado, em favor de ambos os cônjuges; IV - as benfeitorias em bens particulares de cada cônjuge; V - os frutos dos bens comuns, ou dos particulares de cada cônjuge, percebidos na constância do casamento, ou pendentes ao tempo de cessar a comunhão”.

  No que tange aos bens móveis, a data da compra é o que define se eles entrarão ou não na comunhão, pois serão excluídos os bens adquiridos em data

  113

  anterior ao casamento. O pacto antenupcial também poderá ser usado como instrumento de prova caso os bens móveis tenham sido descritos e mencionados que sua aquisição se deu em data anterior.

  A administração dos bens do casal cabe a ambos e quanto aos reservados caberá a seu respectivo titular, salvo determinação em contrário prevista no                                                                                                                 113 o Lei n 10.406, de 10 de janeiro de 2002, artigo 1662.

  114 pacto antenupcial. 115

  As dívidas adquiridas são de responsabilidade de ambos, respondendo

  116

  pelo pagamento os bens comuns. Maior encargo terá aquele que administrava os bens no momento de contrair a dívida, respondendo com seus bens

  117 particulares. O outro cônjuge arcará na medida do proveito que obteve.

  Quanto as dívidas advindas em virtude da administração dos bens particulares,

  118 em benefício destes, não poderão incidir sobre os bens comuns.

  O regime da comunhão parcial se finda com a morte, a nulidade ou anulação do casamento, a separação ou com o divórcio. Havendo a morte de um dos cônjuges a divisão ocorrerá partindo-se os bens comuns ao meio. O cônjuge sobrevivo será meeiro, enquanto a outra parte caberá aos herdeiros. Quanto aos

  119 bens reservados, o cônjuge supérstite herdará junto com os demais.

  Sendo nulo ou anulado o casamento, cada cônjuge retorna com seus bens como se nada tivesse acontecido. Em relação aos bens comuns haverá partilha.

                                                                                                                  114 o 115 Lei n 10.406, de 10 de janeiro de 2002, artigo 1665.

  9173573-48.2008.8.26.0000 – Relator: J. B. Franco de Godoi – Comarca: Dracena - 23ª

Câmara de Direito Privado. “PROVA - Embargos de terceiro - Mulher casada sob o regime da

comunhão parcial de bens - Pretensão de excluir a constrição de veículo registrado em seu

nome - Dívida contraída por seu marido para aquisição de peças utilizadas no veículo da

família - Falta de prova de que não se beneficiou com a dívida, sendo seu o ônus - Aplicação

do art. 333, I, do Código de Processo Civil - Embargos improcedentes - Recurso nesta parte

improvido. SUCUMBÊNCIA - Honorários advocatícios - Verba honorária fixada fora da

regra legal em valor excessivo Honorários reduzidos para R$ 800,00, considerando-se o

116 o trabalho despendido pelo patrono e a complexidade da causa - Recurso nesta parte provido." 117 o Lei n 10.406, de 10 de janeiro de 2002, artigo 1664. o 118 o Lei n 10.406, de 10 de janeiro de 2002, artigo 1663, §1 . 119 o Lei n 10.406, de 10 de janeiro de 2002, artigo 1666.

  Lei n 10.406, de 10 de janeiro de 2002, artigo 1829, I.

  Por fim, na separação e no divórcio da mesma forma os bens comuns serão partilhados e os reservados permanecerão incólumes com seu respectivo titular. Os bens incomunicáveis caberão àquele que lhes foram designados. Cada cônjuge recebe o que lhe cabe.

  1.5 Separação de bens O regime de bens constitui-se pela total independência dos cônjuges na administração, aquisição ou venda de seus bens.

  Dispõe o artigo 1687, do Código Civil, “Estipulada a separação de bens, estes permanecerão sob a administração exclusiva de cada um dos cônjuges, que os poderá livremente alienar ou gravar de ônus real.”

  O presente Código foi bastante franco na separação dos patrimônios ao inverso do Código Civil de 1916, que previa em alguns casos união dos bens aquestos.

  Nos termos do artigo 259, do Código Civil de 1916, “Embora o regime não seja o da comunhão de bens, prevalecerão, no silêncio do contrato, os princípios dela, quanto à comunicação dos adquiridos na constância do casamento.”

  Isso implica dizer que na falta de menção expressa sobre separação dos bens adquiridos onerosamente na constância do casamento operaria a comunicação dos mesmos. Esse posicionamento já não mais vigora em nosso ordenamento.

  Atualmente, o regime da separação de bens exclui da comunhão todos os bens presentes e futuros. É certo que ambos estão compelidos, na proporção de suas rendas, a manter o lar conjugal e a responder pelas dívidas dalí advindas,

  120 conforme redação do artigo 1688, do Código Civil.

  A origem da separação de bens pode ser convencional ou legal. A primeira ocorre por livre disposição das partes na forma de uma pacto antenupcial. A separação obrigatória baseia-se na imposição legislativa.

  As hipóteses previstas no artigo 1641, do Código Civil, são o que norteiam a coerção legal. Assim, são elas: “I - das pessoas que o contraírem com inobservância das causas suspensivas da celebração do casamento; II – da pessoa maior de 70 (setenta) anos; III - de todos os que dependerem, para casar, de suprimento judicial.”

  As causas suspensivas são hipóteses que visam prevenir a confusão patrimonial e a confusão de sangue. O artigo 1523, do Código Civil, enuncia em seus incisos os casos em que deverá ser aplicado o regime da separação obrigatória de bens.

  O suprimento judicial para o casamento é dado para aqueles que, nos termos do artigo 1520, do Código Civil, não atingiram a idade núbil, porém casam-se dada a situação fática de gravidez. Da mesma forma, haverá suprimento judicial quando não atingida a maioridade civil e os pais divergirem

  121 sobre a autorização para casar. 120 o                                                                                                                 Lei n 10.406, de 10 de janeiro de 2002, artigo 1688 – “Ambos os cônjuges são obrigados

a contribuir para as despesas do casal na proporção dos rendimentos de seu trabalho e de seus

121 o bens, salvo estipulação em contrário no pacto antenupcial”.

  Lei n 10.406, de 10 de janeiro de 2002, artigo 1.519. A denegação do consentimento, quando injusta, pode ser suprida pelo juiz.

  Todos esses motivos dão causa a aplicação da separação obrigatória de bens. Há que se dizer, contudo, que tanto a separação convencional quanto a legal são exatamente iguais nos seus termos e maneiras de administração dos bens, o que diverge é apenas a origem de cada uma delas.

  Devemos ressaltar apenas as consequências de cunho sucessório que são diferentes. A leitura do artigo 1829, I, do Código Civil, reza que “A sucessão legítima defere-se na ordem seguinte: I - aos descendentes, em concorrência com o cônjuge sobrevivente, salvo se casado este com o falecido no regime da comunhão universal, ou no da separação obrigatória de bens (art. 1.640, parágrafo único); ou se, no regime da comunhão parcial, o autor da herança não houver deixado bens particulares”.

  Assim, verifica-se que se o regime for o da separação discricionária, com pacto, o cônjuge supérstite herdará jutamente com os descendentes. De outro lado, na separação cogente há expressa exclusão do consorte sobrevivo. Essa ressalva se justifica porque o legislador temia burla a exclusão de bens propagada pelo regime em tela.

  No tocante ao inciso II desse mesmo artigo, o cônjuge herdará juntamente com os ascendentes independentemente de qual seja o regime de bens adotado.

  Poderá um dos cônjuges discutir a compra de um ou alguns bens adquiridos na constância da união e provar sua participação no esforço mútuo. Dessa maneira, a apreciação judicial será fundamental para evitar o enriquecimento sem causa e atribuir parte dos bens ao cônjuge requerente.

  Esse entendimento baseia-se na antiga Súmula 377 do Supremo Tribunal Federal: “no regime de separação legal de bens, comunicam-se os adquiridos na constância do casamento”.

  Hoje, todavia, com a entrada em vigor do Código Civil de 2002 e a não recepção do artigo 259, do Código Civil de 1916, embasador de tal Súmula, a única maneira de comunicação dos patrimônios nesse regime é por prova inexorável da contribuição para a aquisição do bem, por força da aplicação do princípio da vedação do enriquecimento ilícito. O regime da separação total também é conhecido por separação pura e o da comunhão parcial por separação mitigada.

  Devido a total independência patrimonial é lícito a um dos cônjuges a

  122

  administração dos bens do outro. Essa administração é contratual e por isso é regulamentar até uma remuneração pela gerência. O mandato poderá ser expresso ou tácito e cada um deles será sempre livre para buscar revogação.

  Durante a sociedade conjugal, o cônjuge que estiver na posse dos bens particulares do outro será visto como depositário desses bens. Incumbe ao depositário, em relação a esses bens, “proceder com a diligência necessária à sua guarda e conservação, restituindo-os ao outro cônjuge quando este o exigir, ou a seus herdeiros após a morte dele, com todos os frutos e acrescidos. Se forem fungíveis, a restituição dar-se-á em coisas do mesmo gênero, qualidade e quantidade. É lícito ao cônjuge, como depositário, reembolsar-se das despesas de conservação e indenizar-se pelos prejuízos que deles lhe advierem, com a faculdade de exercer o direito de retenção até efetivo reembolso ou                                                                                                                 122 o Lei n 10.406, de 10 de janeiro de 2002, artigo 1652: “O cônjuge, que estiver na posse dos

  

bens particulares do outro, será para com este e seus herdeiros responsável: I - como

usufrutuário, se o rendimento for comum; II - como procurador, se tiver mandato expresso ou

tácito para os administrar; III - como depositário, se não for usufrutuário, nem administrador.”

  123 ressarcimento”.

  De acordo com PAULO LÔBO, a regra do artigo 1644 estabelece solidariedade entre os cônjuges independentemente do regime de bens atendendo dívidas contraídas para a aquisição de bens necessários à economia doméstica. Todas as outras dívidas não se encaixam nessa categoria e obrigam na proporção dos rendimentos de cada cônjuge. Havendo dúvida, a dívida será

  124 entendida como de interesse individual do cônjuge, não obrigando o outro.

  Temos, assim, uma comunhão legal de bens e uma separação legal de bens. A primeira abrange tudo que não possuir a vontade expressa dos nubentes, em sentido contrário, a segunda ignora a vontade dos nubentes pois tem seu rol de aplicação bastante delimitado na lei.

  1.6 Participação final nos aquestos Os regimes de bens dividem-se em regimes de comunão e regimes de separação de bens. A participação final nos aquestos, todavia, constitui-se por um regime híbrido. Durante o casamento vigora uma espécie de separação de bens e findada a união utiliza-se da comunhão parcial para distribuição dos haveres.

  ZENO VELOSO citando os irmãos MAZZEAUD informa que esse regime de bens “associa, ou tenta associar, as regras de dois regimes 123                                                                                                                 124 Caio Mario da Silva Pereira. Instituições de direito civil, cit., p. 247.

  Paulo Lôbo. Direito Civil. São Paulo: Saraiva, 2008, p. 331. diametralmente opostos: o regime da separação de bens e o da comunhão de

  125 adquiridos”.

  A previsão legal desse regime de bens está nos artigos 1672 a 1686, do Código Civil. Conceitua o artigo 1672: “No regime de participação final nos aqüestos, cada cônjuge possui patrimônio próprio, consoante disposto no artigo seguinte, e lhe cabe, à época da dissolução da sociedade conjugal, direito à metade dos bens adquiridos pelo casal, a título oneroso, na constância do casamento”.

  Constitui o patrimônio próprio “os bens que cada cônjuge possuía ao

  126 casar e os por ele adquiridos, a qualquer título, na constância do casamento”.

  Apesar de aparentar uma separação de bens com ela não se confunde. Os cônjuges, durante o casamento, sempre que necessitarem alienar um bem imóvel dependerá de outorga conjugal. Somente é admitida a livre alienação dos bens móveis.

  Já no regime da separação de bens propriamente dito, o cônjuge tem total autonomia para gerir, alienar ou gravar qualquer de seus bens, sejam móveis ou imóveis.

  A escolha do regime submetido à estudo faz-se por meio de pacto antenupcial. Assim, a par do modelo sugerido pela lei, é possível convenção em pacto antenupcial pela dispensa da vênia conjugal no caso de alienação de bens 125                                                                                                                 Zeno Veloso. Regimes matrimoniais de bens, in Direito de família contemporâneo. 126 o Coord.: Rodrigo da Cunha Pereira, Belo Horizonte: Del Rey, 1997, p. 296.

  Lei n 10.406, de 10 de janeiro de 2002, artigo 1673, caput.

  127

  imóveis de qualquer dos cônjuges, desde que particulares. Esse é o único regime que permite a previsão de tal prescindibilidade.

  As doações são um capítulo à parte. Toda vez que um cônjuge doar sem a anuência do outro, o prejudicado ou seus herdeiros poderão reivindicar o próprio

  128 bem ou valor equivalente no momento da dissolução da união.

  No tocante às dívidas adquiridas após o casamento, cada qual responderá pelas suas, salvo prova de que se reverteram total ou parcialmente em benefício

  129

  do casal. Caso um dos consortes tenha quitado a dívida do outro, o valor

  130 deverá ser atualizado e descontado da meação.

  Findado o matrimônio inter vivos ou mortis causa, serão apurados os aquestos descontado do patrimônio próprio de cada um: “I - os bens anteriores ao casamento e os que em seu lugar se sub-rogaram; II - os que sobrevieram a cada cônjuge por sucessão ou liberalidade; III - as dívidas relativas a esses

  131 bens”.

  Haverá presunção relativa de propriedade dos bens móveis de que foram

  132

  adquiridos por ambos no curso do casamento mas, perante terceiros, presume- se de propriedade do cônjuge devedor – exceção feita aos bens pessoais do

  133

  outro. Quanto aos imóveis presumem-se daquele cujo nome constar no registro, conforme artigo 1681, do Código Civil.                                                                                                                 127 o Lei n 10.406, de 10 de janeiro de 2002, artigo 1656: “No pacto antenupcial, que adotar o

  

regime de participação final nos aqüestos, poder-se-á convencionar a livre disposição dos

128 o bens imóveis, desde que particulares.” 129 o Lei n 10.406, de 10 de janeiro de 2002, artigo 1675. 130 o Lei n 10.406, de 10 de janeiro de 2002, artigo 1677. 131 o Lei n 10.406, de 10 de janeiro de 2002, artigo 1678. 132 o Lei n 10.406, de 10 de janeiro de 2002, artigo 1674. 133 o Lei n 10.406, de 10 de janeiro de 2002, artigo 1674, parágrafo único.

  Lei n 10.406, de 10 de janeiro de 2002, artigo 1680.

  Finalizado o matrimônio os bens aquestos serão divididos. Não sendo possível divisão cômoda será apurado o valor correspondente para reposição em

  134

  dinheiro ao cônjuge não proprietário. Será permitida a venda de tantos bens quantos bastem para pagar o outro consorte.

  De acordo com o artigo 1682, do Código Civil, “o direito à meação não é renunciável, cessível ou penhorável na vigência do regime matrimonial.” Isso ocorre porque importaria alteração do regime de bens sem o cumprimento dos requisitos previstos no artigo 1639, §2°, do Código Civil.

  Importante destaque desse regime está no momento da apuração dos aquestos. Enquanto todos os regimes de bens findam seus efeitos com a

  135

  dissolução da sociedade conjugal, a participação final nos aquestos tem sua

  136 apuração na data em que cessou a convivência.

  A grande vantagem desse regime é evitar o condomínio de bens entre ex- cônjuges. Prevê o artigo 1679, do Código Civil, que a única forma de condomínio será “no caso de bens adquiridos pelo trabalho conjunto, terá cada um dos cônjuges uma quota igual no condomínio ou no crédito por aquele modo estabelecido.”

  Dessa maneira, os cônjuges ficam livres desse que muitas vezes é o ponto de discórdia entre os ex-casais. Não será necessária ação de dissolução de co- propriedade uma vez que a partilha foi perfeita quando da dissolução da união.                                                                                                                 134 o 135 o Lei n 10.406, de 10 de janeiro de 2002, artigo 1684. 136 o Lei n 10.406, de 10 de janeiro de 2002, artigo 1576.

  Lei n 10.406, de 10 de janeiro de 2002, artigo 1683.

  Para BIANCA MOTA DE MORAES, “a real vantagem da participação final nos aquestos seria extamente a de conferir plena liberdade aos cônjuges na administração de seus bens particulares, sem prejudicar a apuração do que foi

  137 adquirido pelo casal, no caso de dissolução da sociedade conjugal”.

  Muitos doutrinadores atacam esse regime por entendê-lo muito complexo ou por pensarem que trata o casamento como uma empresa. Assim se posiciona

  VENOSA, “é claro que os nubentes, em princípio, se desencorajarão com esse regime, como afirmamos de início. Ou se assim desejarem casar, melhor será

  138 que já contratem uma assessoria contábil para o curso de seu matrimônio”.

  Data venia ousamos discordar. Superada a separação relativa de bens

  sustentada pelo artigo 259, do Código Civil de 1916 e pela súmula 377 do Supremo Tribunal Federal, entendemos que o legislador se esforçou para criar um regime similar.

  A participação final nos aquestos possui a mesma dinâmica do regime de separação de bens previsto no código anterior, ou seja, impera a separação absoluta durante a união e na dissolução faz-se a partilha. Inovou o legislador somente na quantificação dos bens que ao invés de serem atrbuídos em condomínio, pugna-se pela venda e partilha de seu resultado líquido.

  Esse regime de bens, apesar de novo no Brasil, é muito difundido na Europa, inclusive é o regime legal da Alemanha desde 1957. Conforme ensina ZENO VELOSO, esse regime originou-se no direito costumeiro húngaro, tendo se espalhado pelos países escandinavos: Suécia, Finlândia, Dinamarca e 137                                                                                                                 Bianca Mota de Moraes. Novo Código Civil: o direito de família. Coord.: Heloísa Maria 138 Daltro Leite, Rio de Janeiro: Freitas Bastos, 2002, p. 360.

  Silvio de Salvo Venosa. Direito Civil, cit., p. 365. Noruega. Na Suécia é o regime legal desde 1920. Na França, a participação nos aquestos está incluída no Código Civil desde 1965 “a título experimental, inspirando-se no modelo alemão que, por sua vez, afastou-se, em muitos

  139 aspectos, da lei sueca”.

2. Efeitos pessoais do casamento

  O casamento é fato gerador de três efeitos fundamentais: sociais, pessoais e patrimoniais. A partir deles é possível descrever normas jurídicas que disciplinarão os direitos e deveres no âmbito familiar.

  O efeito social produzido pelo casamento é a constituição da família, base da sociedade. O efeito patrimonial refere-se ao regime de bens a ser adotado pelos cônjuges.

  Importará análise, nesse momento, do efeito pessoal do casamento. Será seguido o modelo esquemático de MARIA HELENA DINIZ que divide os efeitos pessoais em: direitos e deveres de ambos os cônjuges; igualdade de direitos e obrigações entre homem e mulher; direitos e deveres dos pais para com os filhos.

2.1 Direitos e deveres de ambos os cônjuges

  140 Sobre essa classificação verifiquemos o artigo 1566, do Código Civil. 139                                                                                                                 Zeno Veloso. Regimes matrimoniais de bens, in Direito de família contemporâneo, cit., 140 p.296. Assim também prevê o estatuto das famílias n. 674/2007 - Art. 35. “As relações pessoais

entre os cônjuges devem obedecer aos deveres de: I – fidelidade e lealdade recíprocas; II –

vida em comum, no domicílio conjugal; III – mútua assistência; IV – sustento, guarda e São reciprocamente direitos e deveres de ambos os cônjuges: “I - fidelidade recíproca; II - vida em comum, no domicílio conjugal; III - mútua assistência;

  IV - sustento, guarda e educação dos filhos; V - respeito e consideração mútuos.” A fidelidade recíproca é da essência da monogamia. Segundo

  FERNANDO SANTOSUOSSO o matrimônio é “a voluntária união, pela vida,

  141 de um homem e de uma mulher, com exclusão de todas as outras”.

  A fidelidade mútua, mais do que um dever é o lastro da convivência familiar, da estrutura do lar. O adultério, antes punido nas searas civil e penal, deixou de ser crime. A Lei 11.106 de 28/03/2005 revogou o artigo 240, do Código Penal. Entretanto, o artigo 1573, I, do Código Civil, continua prevendo esse como um dos motivos ensejadores da falência da sociedade conjugal.

  Na visão de REGINA BEATRIZ TAVARES DA SILVA “a fidelidade é o dever de lealdade, sob o aspecto físico e moral, de um dos cônjuges para com o outro, quanto à manutenção de relações que visem à satisfação do instinto sexual

  142 dentro da sociedade conjugal”.

  A infidelidade se comprova por todo e qualquer ato de intimidade excessiva com a finalidade da solução do prazer sexual com outra pessoa. Não

  

                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                         

141 educação dos filhos; V – respeito e consideração mútuos.” Fernando Santosuosso. Il matrimonio e il regime patrimoniale della famiglia. In 142 Giurisprudenza sistemática civile e commerciale. Torino, UTET, 1965, p. 328-329.

  Regina Beatriz Tavares da Silva. Responsabilidade civil dos cônjuges. A família na travessia do milênio. IBDFAM, Belo Horizonte: Del Rey, 2000, p. 128. há que se falar apenas em relação sexual, conduta tipificada para o antigo crime de adultério. A infidelidade virtual, muito comum nos dias atuais, também pode levar ao término do casamento sem que haja qualquer contato físico entre o infiel e terceira pessoa. A infidelidade “é o fato que fere e perturba de modo

  143 mais profundo a vida da família”.

  Não há que se falar em repetição ou quantificação das ocorrências de infidelidade, basta uma conduta infiel para a motivação da separação. Rege-se pelo bom senso do gravame imputado ou outro cônjuge. Aliás, cabe

  144

  responsabilização civil prevista no artigo 186, do Código Civil , quando comprovada existência de dano moral ou material.

  Observe-se que não é admitida a compensação de culpas. Assim, quando ambos infringirem o dever de fidelidade será dada a permissão aos dois de requererem a separação judicial, que será decretada por culpas recíprocas. O dever de fidelidade extingue-se com o rompimento do vínculo conjugal seja por

  145 morte, anulação ou separação.

  No caso de separação de fato, todavia, duas correntes se apresentam. Filiados à primeira WASHINGTON DE BARROS MONTEIRO e YUSSEF

  146

  SAID CAHALI , enunciam que a separação de fato não possui o condão de extinguir a fidelidade recíproca, pois de acordo com a interpretação literal do 143                                                                                                                 144 o

Beudant. Cours de droit civil français. L’État et la capacité dês personnes. Vol. 1, p. 427.

  Lei n 10.406, de 10 de janeiro de 2002, artigo 186 – “Aquele que, por ação ou omissão

voluntária, negligência ou imprudência, violar direito e causar dano a outrem, ainda que 145 o exclusivamente moral, comete ato ilícito.” 146 Lei n 10.406, de 10 de janeiro de 2002, artigo 1576.

a Yussef Said Cahali. Divórcio e separação, 2 . Ed., São Paulo: Revista dos Tribunais, 1981, p. 346/356. artigo 1576, do Código Civil, somente a separação judicial teria força suficiente para romper os deveres conjugais.

  A segunda corrente de pensamento é liderada pelo próprio Código Civil, artigo 1732, §1°, que permite que a pessoa casada, mas separada de fato, cosntitua união estável. Ainda nessa esteira de pensamento cite-se NEY DE

  147 148 MELLO ALMADA e TERESA ARRUDA ALVIM.

  Continuando a análise do artigo 1566, do Código Civil, vejamos o dever de vida em comum no domicílio conjugal. O artigo 1511, do diploma civil,

  149

  pugna pela comunhão plena de vida. Temos aí dois pontos para abordagem , o primeiro sobre a vida em comum, que nos leva ao debitum conjugale. Esse é o poder que um cônjuge tem em relação ao outro de satisfazer suas necessidades

  

150

físicas íntimas. É, conforme LAURENT , um dever de ordem pública.

  Não existe, certamente, o jus in corpore, ou seja, o direito de um cônjuge impor ao outro seus desejos sexuais, visto que isso infringiria o dever de respeito à integridade física e psíquica, à auto-estima e à liberdade do outro.

  O que de fato há é a separação pela recusa reiterada e injuriosa da prática 147                                                                                                                 Ney de Mello Almada. Manual de direito de família. São Paulo: Tribunal de Justiça, 1978, 148 p. 202.

  Teresa Arruda Alvim (coord.). Separação de fato. Repertório de jurisprudência e doutrina

sobre direito de família; aspectos constitucionais, civis e processuais, São Paulo: Revista dos

149 Tribunais, vol. 2, 1995, p. 214/215.

  Antonio Chaves. Lições de direito civil. São Paulo: Revista dos Tribunais, vol. 2, 1975, p. 150 11/13.

a Laurent. Príncipes de droit civil français. 5 . Ed, Paris, vol. 3, 1887, p. 79. de atos sexuais, uma vez que o casamento é uma relação monogâmica e o instinto sexual uma necessidade fisiológica.

  Apesar de motivar separações, as relações não são da essência do casamento, pois o Código Civil também prevê casamento com pessoa idosa ou

  in extremis, casos em que não será possível a prestação do débito conjugal.

  O segundo ponto de análise da vida em comum é a coincidência de domicílio conjugal. Pelo ordenamento anterior, a mulher casada sempre possuía o mesmo domicílio do marido que o escolhia para o casal. Assim, em caso de mudança do marido para outro local e a esposa era obrigada a segui-lo.

  151

  Hoje, no entanto, o artigo 226, §5°, da Constituição Federal , igualou os direitos e deveres referentes a sociedade conjugal. O artigo 1569, do Código Civil, estatui que “O domicílio do casal será escolhido por ambos os cônjuges, mas um e outro podem ausentar-se do domicílio conjugal para atender a encargos públicos, ao exercício de sua profissão, ou a interesses particulares relevantes.”

  Não é necessário mais que a esposa siga o marido em caso de mudança. Inclusive, é permitido em algumas hipóteses que qualquer dos cônjuges se afaste do lar, seja por motivo de trabalho, para tratamento médico ou outros. 151                                                                                                                 Constituição Federal, artigo 226 – “A família, base da sociedade, tem especial proteção do

  

Estado. § 5º - Os direitos e deveres referentes à sociedade conjugal são exercidos igualmente

pelo homem e pela mulher.”

  O abandono do lar também motiva a separação, desde que voluntário e por

  152

  tempo maior que um ano. O artigo 1573, do Código Civil , enumera as principais causas de dissolução do casamento por impossibilidade da comunhão de vida.

  A mútua assistência presta-se ao socorro material e imaterial dados pelos consortes. No aspecto material espera-se o auxílio, dentre outros, na alimentação, vestuário, medicamentos e até diversões, enquanto no aspecto imaterial, a comunhão deverá ser de proteção recíproca da vida, integridade

  153 física e psíquica, honra e liberdade do outro.

  A omissão ao dever de mútua assistência configura grave infração do dever conjugal podendo motivar ação de separação judicial. No âmbito penal, o

  154

  artigo 244 tipifica o delito de abandono material da família para o cônjuge que não assegura adequadamente os meios de assistência familiar.                                                                                                                 152 o Lei n 10.406, de 10 de janeiro de 2002, artigo 1573 – “Podem caracterizar a

  

impossibilidade da comunhão de vida a ocorrência de algum dos seguintes motivos: I -

adultério; II - tentativa de morte; III - sevícia ou injúria grave; IV - abandono voluntário do lar

conjugal, durante um ano contínuo; V - condenação por crime infamante; VI - conduta

153 desonrosa.” Apelação n. 0008608-29.2009.8.26.0565; Relator(a): Christine Santini; Comarca: São

Caetano do Sul; Órgão julgador: 5ª Câmara de Direito Privado; Data do julgamento:

28/01/2011. Ação de alimentos - Alimentos requeridos pela ex- cônjuge - Dever de mútua

assistência decorrente do matrimônio - Alimentos devidos, que devem ser fixados segundo o

binômio necessidade/possibilidade - Presença de elementos que justificam a majoração da

pensão alimentícia fixada pelo MM. Juiz "a quo" para quantia equivalente a 10 salários

mínimos - Reforma da R. Sentença. Dá-se provimento ao recurso de apelação da autora e

154 nega-se provimento ao recurso de apelação do réu.

  Código Penal, artigo 244 – “Deixar, sem justa causa, de prover a subsistência do cônjuge,

ou de filho menor de 18 (dezoito) anos ou inapto para o trabalho, ou de ascendente inválido

ou maior de 60 (sessenta) anos, não lhes proporcionando os recursos necessários ou faltando

ao pagamento de pensão alimentícia judicialmente acordada, fixada ou majorada; deixar, sem

justa causa, de socorrer descendente ou ascendente, gravemente enfermo: (Redação dada pela

Lei nº 10.741, de 2003).Pena - detenção, de 1 (um) a 4 (quatro) anos e multa, de uma a dez

vezes o maior salário mínimo vigente no País. (Redação dada pela Lei nº 5.478, de 1968)

  O descumprimento do dever material pode ensejar ação de alimentos, enquanto que a não prestação do dever imaterial pode acarretar dano moral e

  155 material.

  Andando no mesmo sentido, o respeito e a consideração mútuos também estão previstos no artigo 1566, V, do Código Civil. Este inciso reforça o anterior no que toca a assistência imaterial. Pretende ele resguardar os direitos da personalidade de cada cônjuge. Configura violação a esse dever a tentativa de morte, a sevícia, a injúria grave e desonrosa, a quebra do direito ao segredo entre os cônjuges e a restrição a liberdade por qualquer meio, seja ela religiosa, física, profissional, de expressão, etc. A única restrição que se impõe é em relação a liberdade sexual, devido a monogamia do casamento.

2.2 Igualdade de direitos e obrigações entre homem e mulher

  Da igualdade de direitos e obrigações entre os cônjuges poderá ser dito que a Constituição Federal, artigo 226, §5°, promoveu essa equiparação embasada na Declaração Universal dos Direitos do Homem (Paris, 1948), na Declaração de Princípios Sociais da América (México, 1945), na Declaração Americana dos Direitos e Deveres do Homem (Bogotá, 1948) e no Decreto n.

  156

  31.643/52. O artigo 1567, do Código Civil, alinhado ao posicionamento constitucional atribuiu a direção da sociedade conjugal ao homem e à mulher. 155                                                                                                                 156 Washington de Barros Monteiro. Curso de direito civil, cit., p. 154.

  Maria Helena Diniz. Curso de direito civil brasileiro, cit., p. 139.

  Não se deve confundir aqui o dever de contribuir para o casamento com o regime de bens adotado, um direito não convola o outro. Os cônjuges estão em igualdade de condições para gerir e administrar o casamento. Não existe mais a ideia da mulher submissa aos comandos do varão, tanto que o artigo 1567, parágrafo único, do Código Civil, ressalva a intromissão do juiz de direito nos casos em que os consortes discordem. Não há sobreposição de opiniões.

  Não é permitido a nenhum dos cônjuges intervir nos assuntos particulares do outro, como por exemplo, modo de vestir, religião a ser seguida, expressão de opiniões, etc.

  Compete a qualquer dos cônjuges, juntos ou isoladamente, representar legalmente a família. Não se confunda, entretanto, com a representação de um consorte por outro, caso em que será necessário mandato regular.

  Cabe ressaltar que o desaparecimento de algum dos cônjuges ou qualquer

  157

  outra ocorrência prevista no artigo 1570, do Código Civil , importará o exercício com exclusividade da direção da família pelo outro, inclusive quanto a administração dos bens.

  Sobre o domicílio da família dever-se-á ter um consenso. Não é permitido a qualquer dos cônjuges impor mudança domiciliar ao outro, nem o juiz poderá resolver pela coerção. Os artigos 1567 e 1569, do Código Civil, estão voltados para a equiparação das opiniões, devendo o domicílio conjugal ser escolhido por ambos os cônjuges.                                                                                                                 157 o Lei n 10.406, de 10 de janeiro de 2002, artigo 1570 – “Se qualquer dos cônjuges estiver

  

em lugar remoto ou não sabido, encarcerado por mais de cento e oitenta dias, interditado

judicialmente ou privado, episodicamente, de consciência, em virtude de enfermidade ou de

acidente, o outro exercerá com exclusividade a direção da família, cabendo-lhe a

administração dos bens.”

  A adoção do sobrenome passou a ser um direito conferido a qualquer dos cônjuges de acordo com o artigo 1565, §1°, do Código Civil. Assim, com o casamento, tanto o marido como a esposa poderão agregar aos seus o sobrenome do outro, devendo a opção ser consignada na certidão de casamento. Na separação judicial, o consorte, querendo, poderá retornar ao status quo ante e deixar de usar o sobrenome do outro, ou poderá permanecer com o uso no caso

  158 em que a supressão do sobrenome lhe cause algum gravame.

2.3 Direitos e deveres dos pais para com os filhos

  O sustento, guarda e educação dos filhos também compreende um dever do casamento atribuído a ambos os cônjuges. No mesmo sentido, o artigo 22, do Estatuto da Criança e do Adolescente, Lei n. 8069, de 13 de julho de 1990. Pouco importa o regime de bens adotado, caberá aos pais responsabilizar-se pela educação dos filhos, bem como, pelos atos lesivos por eles causados.

  A violação a esse dever importa aplicação dos artigos 244 a 247, do Código Penal, além da suspensão ou destituição do poder familiar, de acordo com o artigo 1637 e 1638, do Código Civil. No que se refere a prestação material, essa será cobrada por meio de ação de alimentos fundada no artigo 1696, do Código Civil.                                                                                                                 158 o Lei n 10.406, de 10 de janeiro de 2002, artigo 1578 – “O cônjuge declarado culpado na

  

ação de separação judicial perde o direito de usar o sobrenome do outro, desde que

expressamente requerido pelo cônjuge inocente e se a alteração não acarretar: I - evidente

prejuízo para a sua identificação; II - manifesta distinção entre o seu nome de família e o dos

filhos havidos da união dissolvida; III - dano grave reconhecido na decisão judicial. § 1o O

cônjuge inocente na ação de separação judicial poderá renunciar, a qualquer momento, ao

direito de usar o sobrenome do outro. § 2o Nos demais casos caberá a opção pela conservação

do nome de casado.”

  Atualmente, uma nova corrente do direito vem ganhando força no sentido da proteção psicológica e social da prole quando há separação do casal. Nesses casos, a criança é submetida ao estresse da separação, bem como em algumas situações, a manipulação por um dos pais para criação da discórdia em relação ao outro.

  A alienação parental pode ser conceituada como “a interferência na formação psicológica da criança ou do adolescente promovida ou induzida por um dos genitores, pelos avós ou pelos que tenham a criança ou adolescente sob a sua autoridade, guarda ou vigilância para que repudie genitor ou que cause

  159 prejuízo ao estabelecimento ou à manutenção de vínculos com este”.

  Nesse sentido, a Lei 12.318 de 26 de agosto de 2010, prevê em seu parágrafo único do artigo 2°, como “formas exemplificativas de alienação parental, além dos atos assim declarados pelo juiz ou constatados por perícia, praticados diretamente ou com auxílio de terceiros: I - realizar campanha de desqualificação da conduta do genitor no exercício da paternidade ou maternidade; II - dificultar o exercício da autoridade parental; III - dificultar contato de criança ou adolescente com genitor; IV - dificultar o exercício do direito regulamentado de convivência familiar; V - omitir deliberadamente a genitor informações pessoais relevantes sobre a criança ou adolescente, inclusive escolares, médicas e alterações de endereço; VI - apresentar falsa denúncia contra genitor, contra familiares deste ou contra avós, para obstar ou dificultar a convivência deles com a criança ou adolescente; VII - mudar o domicílio para local distante, sem justificativa, visando a dificultar a convivência da criança ou adolescente com o outro genitor, com familiares deste ou com avós.” 159                                                                                                                 Lei 12.318 de 26 de agosto de 2010, artigo 2°, caput.

  Comprovada a alienação parental ou qualquer conduta que dificulte a convivência da criança com o genitor, o juiz poderá: “I - declarar a ocorrência de alienação parental e advertir o alienador; II - ampliar o regime de convivência familiar em favor do genitor alienado; III - estipular multa ao alienador; IV - determinar acompanhamento psicológico e/ou biopsicossocial; V - determinar a alteração da guarda para guarda compartilhada ou sua inversão; VI - determinar a fixação cautelar do domicílio da criança ou adolescente; VII - declarar a

  160 suspensão da autoridade parental”.

  A separação dos cônjuges não interrompe a continuidade do dever de guarda e educação dos filhos. O juiz fixará, então, a contribuição que cada

  161

  cônjuge deverá dar à prole. Os filhos não ficarão sempre com a mulher, como era na visão ultrapassada do direito, mas sim com aquele que melhores condições tiver para criá-los e educá-los. Inclusive como forma de evitar a alienação parental, a atribuição ou alteração da guarda será dada preferencialmente ao genitor que viabilizar a efetiva convivência da criança ou adolescente com o outro genitor nas hipóteses em que seja inviável a guarda compartilhada.

  O enfoque do inciso IV, do artigo 1566, do Código Civil, é o de proteção da família e como centro dos direitos, os filhos. Todo resguardo material e moral terá a prole como finalidade e fundamento. É o núcleo familiar, razão primeira das uniões entre casais. 160                                                                                                                 161 o Lei 12.318 de 26 de agosto de 2010, artigo 6°.

  Lei n 10.406, de 10 de janeiro de 2002, artigo 1632 e 1703.

3. Capacidade para casar e escolher o regime de bens

  162

  É certo que “toda pessoa é capaz de direitos e deveres na ordem civil” , toda pessoa então, é dotada de personalidade para figurar em uma relação jurídica. Assim, capacidade é a medida da personalidade.

  Da análise mais aprofundada da capacidade emerge uma bipartição. A capacidade de direito permite à pessoa adquirir e gozar de seus negócios. Absolutamente todo ser humano possui capacidade de direito. Durante a gestação, entretanto, há apenas expectativa desse direito, cuja consolidação ocorrerá após o nascimento com vida.

  Ao lado dessa primeira capacidade figura a capacidade de fato. Mais restrita em si, essa última é necessária para o exercício autônomo dos atos da vida civil. A posse das duas capacidades, de direito e de ação, é traduzida na capacidade plena. Os motivos que levam a falta de capacidade de fato são inúmeros, alguns reversíveis, outros não.

  Toda pessoa nasce com a capacidade de direito e adquire a capacidade de fato no decorrer da vida, com o amadurecimento. No casamento há uma dupla observação para a capacidade plena.

  Assim, “esta aptidão diz respeito ao discernimento (condições psíquicas) e à puberdade (condições fisiológicas). O discernimento vem da experiência que o tempo propicia, associa-se à autonomia do espírito. A puberdade vem com o desenvolvimento dos órgãos e glândulas que permitem conceber, e varia de indivíduo a indivíduo, com as condições de meio, de sexo, de saúde, de                                                                                                                 162 o Lei n 10.406, de 10 de janeiro de 2002, artigo 1º. educação e de alimentação. Sendo sua comprovação direta difícil e melindrosa ao pudor, como no Direito Romano o imperador Justiniano já reconhecia (Código, Livro V, Tít. 60, Const. 3), os sistemas jurídicos preferem instituí-la

  163 como presunção do fato de haver o indivíduo atingido certo limite de idade”.

  No mesmo sentido, PLANIOL compreende a necessidade da maturação da pessoa para que esta seja entregue ao casamento ao citar “em todos os tempos a puberdade sempre foi exigida como condição do casamento, imposta pela própria natureza. Tornou-se conhecido a respeito o debate que outrora se estabeleceu entre sabinianos e procuelanos; enquanto os primeiros fixavam o início da puberdade com a idade núbil, o que se comprovava em cada caso mediante inspectio corporis, preferiam os segundos marcar uma idade mínima para o casamento, fixando-se assim em doze anos para a mulher e em catorze

  164 para o homem”.

  E, ainda, “JUSTINIANO adotou o ponto de vista dos procuelanos, porque aquele exame nupcial, sempre melindroso, ofendia a pudícia. Os antigos canonistas preferiam o critério dos sabinianos, mas, no Concílio de Trento, prevaleceu a orientação dos procuelanos, elevando-se, porém, para catorze anos

  165 a idade mínima da mulher e dezesseis anos a idade mínima do homem”.

  Algumas vezes, porém, a exigência da maioridade civil é mitigada em favor do desenvolvimento mais veloz da pessoa. A fixação da idade núbil em 16 anos é prova de que o legislador reconhece que essa maturação pode vir antes dos 18 anos. Nesses casos há uma ressalva bastante importante sobre o patrimônio nas linhas do artigo 1641, III do Código Civil, “é obrigatório o 163                                                                                                                 164 Caio Mário da Silva Pereira. Instituições de direito civil, cit., p. 73.

  Planiol. Traité Élémentaire de Droit Civil, 12ª ed., vol. 1, p. 266, apud, Arangio-Ruiz. 165 Historia del derecho romano. Madrid: Reus, 1943, pág. 338. Washington de Barros Monteiro. Curso de direito civil, cit., p. 82. regime da separação de bens no casamento: III- de todos os que dependerem, para casar, de suprimento judicial”.

  166

  Quando houver autorização dos pais para convalidar o ato , estes poderão escolher o regime de bens ao qual os nubentes se submeterão. No caso de divergência sobre a autorização do casamento o juiz será chamado para dirimir a questão. Nesse caso, a lei impõe o regime da separação obrigatória de bens que será o regime legal. A maturidade fisiológica das pessoas, na maioria das vezes, vem primeiro do que a maturidade negocial, por isso a necessidade da reserva de bens. Assegura-se até o momento da celebração o direito dos pais,

  167 tutores e curadores de revogarem a autorização para o casamento.

  Deve-se dizer que “no sistema anterior, se o casamento fosse celebrado com autorização do tutor, obrigatoriamente deveria seguir o regime da separação absoluta de bens (Cod. Civil de 1916, art. 258, parágrafo único, n. III). Segundo o novo Código Civil, seja o consentimento dado pelos pais, seja pelo tutor, a escolha do regime será livremente facultada às partes. Somente é obrigatório o regime da separação de bens no caso de suprimento judicial de autorização

  168 (Cod. Civil de 2002, art. 1641, n. III).

  Antes dos dezesseis anos também é possível o casamento em situação

  169 excepcionalíssima de gravidez , gerando capacidade matrimonial. 166 o                                                                                                                 167 Lei n 10.406, de 10 de janeiro de 2002, artigo 1517.

  Nesse sentido, o estatuto das famílias n. 684/2007 - Art. 22. “Para o casamento das pessoas

relativamente incapazes é necessária autorização de ambos os pais, ou de seus representantes

legais. § 1o Havendo divergência entre os pais é assegurado a qualquer deles recorrer a juízo.

§ 2o Até a celebração do casamento os pais ou representantes legais podem revogar

justificadamente a autorização. § 3o A denegação da autorização, quando injusta, pode ser

168 suprida judicialmente.” 169 o Washington de Barros Monteiro. Curso de direito civil, cit., p. 83.

  Lei n 10.406, de 10 de janeiro de 2002, artigo 1520.

  A Lei 11.106, de 28 de Março de 2005, revogou os incisos VII e VIII, do artigo 107, do Código Penal, restringindo a atuação do artigo 1520, do Código Civil. Antes, também era possível o casamento, antes da idade núbil, para evitar a imposição ou o cumprimento de pena criminal.

  O artigo 1517, do Código Civil, equiparou a capacidade matrimonial do homem a da mulher fixando a idade núbil em dezesseis anos para ambos,

  o

  reflexo da igualdade preestabelecida pelo artigo 226, § 5 ., da Constituição

  o Federal, “a família, base da sociedade, tem especial proteção do Estado. § 5 .

  Os direitos e deveres referentes à sociedade conjugal são exercidos igualmente

  170 pelo homem e pela mulher”.

  Dessa forma, “o Código Civil de 1916 estabelecia idades diversas para homens – dezoito anos – e para as mulheres – dezesseis anos – tendo em vista que a capacidade civil era alcançada somente aos vinte e um anos (arts. 213,

  o

  . , n. I). A redução da idade núbil do homem ocorreu em virtude das

  caput, e 6

  disposições da Constituição Federal de 1988, que igualou juridicamente o

  o

  homem à mulher (art. 5 ., n. I), e do novo Código Civil, que reduziu a

  o 171 maioridade civil para dezoito anos (art. 5 ., caput)”.

  Hodiernamente, a capacidade para o casamento acontece ao mesmo tempo para ambos os cônjuges. Devido a capacidade núbil ser atingida antes da capacidade civil, o casamento como ato solene que é, dependerá de autorização dos pais, responsáveis ou de suprimento judicial para se concretizar. A lei põe a salvo alguns atos que dependem de capacidade para sua realização, dentre os quais o matrimônio ocupa lugar de destaque.                                                                                                                 170 o 171 C.F. 1988, art. 226, §5 .

  Washington de Barros Monteiro. Curso de direito civil, cit., p. 82.

4. Atuação do oficial de registro civil das pessoas naturais

  O estado civil fornece prova da situação de uma pessoa perante a família e a sociedade. Antes do século XIV essa prova era realizada basicamente por meio de testemunhas. Por exemplo, para se provar que determinada pessoa era maior, pedia-se a uma ou algumas pessoas que atestassem, segundo sabiam, a idade aproximada do outro em questão; outras vezes, bastava o aspecto físico para se julgar a idade.

  Os registros escritos iniciaram por volta do século XIV, na Itália, mas o seu uso só foi generalizado no século XV e XVI, por meio do Concílio de Trento. A obrigação quanto aos registros paroquiais recaía unicamente sobre os registros de batismo e casamento, quanto aos registros de óbito só começaram no século XVII.

  Os registros civis têm início a partir do século XV, sendo o mais antigo em Bolonha, datado de 1454. Em Roma, os primeiros registros são do tempo do

  172 Império e destinavam-se apenas para documentação do nascimento.

  O imperador Marco Aurélio determinou que a função de registro seria atribuída ao prefeito do “aerarium” na “urbs” e aos magistrados municipais ou aos “tabularii” nas províncias.

  A função tabelioa e registrária é muito antiga, sendo que a princípio várias pessoas a desempenhavam. Esclarece melhor o assunto BRASIL CHAVES e REZENDE: “É certo que, como todos os órgãos, os serventuários têm, além do caráter estritamente orgânico, uma função própria resultante da sua forma e do 172                                                                                                                 Conf. John Gilissen. Introdução histórica ao direito. Lisboa: Fundação Calouste

  Gulbenkian, 2001. espírito que os anima; isto é, da forma e efeito probante de seus atos e do

  

testemunho da verdade, que é a tensão que sempre os deve animar e pela qual,

  como dizia CASSIODORO, eles são ‘superiores a tudo’. Tamanha, decerto, a importância atribuída a essas funções que, no Senado italiano, aduz o autor, “em um parecer da comissão presidida pelo jurisconsulto POGGI, chegou-se a afirmar que o ofício desses auxiliares da Justiça ‘contiene in sè uma delegazione del gran potere certificante, che è ínsito nell’autorità suprema dello Stato”. Quiçá esteja em Roma o berço do notariado (assim entendido como o ofício da Segurança e da Fé Pública erga omnes). Abrigando escribas das mais variadas matizes, os tabelliones (assim eram denominados porquanto escreviam seus atos em tabuletas de madeira emplatradas de cera) exercitavam, a princípio, cumulativamente com os exceptores, os actuarii e os notarii, as funções que lhes eram peculiares; e os chamados tabularii, por seu turno, como empregados fiscais, tinham a seus cargo a direção do censo, a escrituração e guarada dos registros hipotecários. De aduzir que no século VI, os imperadores Leão I e Justiniano, já, porém, reduzidos ao Oriente, voltaram os seus cuidados para a instituição de tabelionato fazendo-a contrair maior dignidade e importância. Nessa época, os tabelliones formaram uma corporação em que, por esta, eram criados outros tabelliones de reconhecida probidade e peritos na arte de dizer e

  173 escrever”.

  O especial cuidado no recolhimento e armazenamento das informações sobre a pessoa como o nascimento, o casamento, a emancipação, a interdição, a declaração de ausência e o óbito, foi contruído ao longo do tempo.

  O fim buscado com o registro nos livros é a possibilidade de conhecimento da informação e a prova autêntica desta. Para o Estado, o uso das 173                                                                                                                 Afonso Celso F. Rezende e Carlos Fernando Brasil Chaves. Tabelionato de notas e o

  notário perfeito. 6ª ed., Campinas: Millennium, 2010, p. 12-13. informações registradas traduz-se na adoção de medidas administrativas, de polícia ou de política jurídica.

  Sob o enfoque individual, os dados apostos nos registros garantem prova do estado civil da pessoa, sua situação jurídica e a segurança dos contratos realizados por ela.

  Dessa forma, deverá o oficial de registro que não informar, na periodicidade trimestral, à Fundação Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística – IBGE, os números de nascimentos, casamentos e óbitos registrados em sua serventia, de acordo com o preceito contido na Lei 6.015, de 31 de

  174 dezembro de 1973, artigo 49.

  Essa tabulação de dados proporciona conhecimento estatístico acerca da população, bem como as variações sazonais de cada região. Os dados oriundos da quantidade de casamentos colecionados em cada região de São Paulo, por exemplo, podem demonstrar que pessoas de baixa renda se casam mais ou se casam menos, comparados à classe média. Nesse sentido, as serventias extrajudiciais são grandes aliadas do Estado no relativo à proteção a direitos e garantias fundamentais, bem como importante auxílio na elaboração de políticas públicas. 174                                                                                                                 Lei 6.015, de 31 de dezembro de 1973, artigo 49 - “Os oficiais do registro civil remeterão

  

à Fundação Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, dentro dos primeiros oito dias dos

meses de janeiro, abril, julho e outubro de cada ano, um mapa dos nascimentos, casamentos e

óbitos ocorridos no trimestre anterior. §1º - A Fundação Instituto Brasileiro de Geografia e

Estatística fornecerá mapas para a execução do disposto nesse artigo, podendo requisitar aos

oficiais do registro que façam as correções que forem necessárias. §2º - Os oficiais que, no

prazo legal, não remeterem os mapas, incorrerão na multa de um a cinco salários mínimos da

região, que será cobrada como dívida ativa da União, sem prejuízo da ação penal que no caso

couber”.

  Essa informação certamente influenciará a forma como o governo trabalhará para atender essas novas famílias em formação, de acordo com o que cada uma necessita, seja construção de creches, seja orientação de novas políticas.

  Assim, “o registro civil das pessoas naturais foi instituído, no Brasil, pela lei n. 1.829, de 9 de setembro de 1870, art. 2°, regulamentado pelo dec. n. 5.604, de 25 de abril de 1874; mas não tendo sido bem compreendidas as suas vantagens pela população, foi restabelecido pela lei n. 3.316, de 11 de junho de 1887, art. 2°, regulamentado pelo dec. n. 9.886, de 7 de março de 1888; e, na

  175 parte relativa ao casamento, pelo dec. n. 181, de 24 de janeiro de 1890”.

  O casamento sempre esteve em posição privilegiada. O resguardo de suas informações atravessou os séculos chegando aos dias atuais com um maior número de dados e riqueza de detalhes sobre a sua constituição, desempenhando, em última análise, as Serventias Extrajudiciais papel fundamental para o adequado desenvolvimento das instituições essenciais ao Estado Democrático de Direito. A partir desse histórico é que se possibilita o estudo e a atribuição dos regimes de bens. 175                                                                                                                 Clovis Beviláqua. Theoria geral do Direito Civil, cit., p. 132.

  CAPÍTULO 3 – REGIME LEGAL: estudo sobre a opção legislativa

  “Na maioria dos casos, como são os dos casamentos de proletários, não tendo êstes bens alguns e tendo até poucas esperanças de os acumular no futuro, os nubentes nem sequer pensam no regime de bens do casal. É, por isso, a lei que lhes impõe um regime ou

  176 lhes atribui uma convenção tácita (…)”.

  (CUNHA GONÇALVES) Desde o século XIII, na França, o regime patrimonial entre os esposos era determinado por um contrato de casamento, por uma convenção antenupcial ou, na falta de ambos, pelo costume.

  A Constituição francesa de 1791, dispôs sobre o nascimento (e não mais sobre o batismo), o casamento e o óbito como atos passíveis de registro, constatados por oficiais públicos, necessários a todos os habitantes.

  O Code Civil francês de 1804, nos artigos 34 a 101, consagrou a organização oficial e a sistemática sobre o registro de atos quanto ao estado civil. O contrato de casamento previa, no Código Civil francês de 1804, a comunhão universal como regime legal de bens. 176                                                                                                                 Luiz da Cunha Gonçalves, Tratado de direito civil, cit., p. 458.

  Antes da revolução francesa, o que vigorava era o costume nas relações patrimoniais oriundas do casamento. Os costumes encerravam inúmeros regimes

  177 que podiam variar entre a separação de bens e a comunhão universal.

  O Livro III, Título V, artigos 1387 a 1581 do atual Código Civil francês

  178

  rege o contrato de casamento e os direitos dos cônjuges. O artigo 1387 dispõe que os cônjuges podem celebrar o contrat de mariage ou convenção antenupcial em quaisquer termos, desde que não contrário aos bons costumes e de acordo com as disposições gerais estabelecidas pelo código.

  Assim, o regime patrimonial dos cônjuges será aquele expresso na convenção por eles criada e apenas de modo supletivo, terá vigência o regime da comunhão legal.

  As referidas convenções antenupciais, obrigatoriamente devem ser

  179

  realizadas por escrito e na presença de um notaire , formando um contrato

  180 entre as partes não passível de modificação após o casamento”. 177                                                                                                                 178 Conf. Jonh Gilissen. Introdução histórica ao direito, cit., 2001.

  “Article 1387- La loi ne régit l'association conjugale, quant aux biens, qu'à défaut de

conventions spéciales que les époux peuvent faire comme ils le jugent à propos, pourvu

qu'elles ne soient pas contraires aux bonnes moeurs ni aux dispositions qui suivent.” Código

civil francês, Artigo 1387 – A lei não rege associação conjugal, quanto aos bens, que tiveram

convenções especiais pelos cônjuges podendo fazer com eles o que julgarem adequado, desde

179 que não seja contrário à boa moral nem às disposições que seguem. (tradução livre) “Article 1394- Toutes les conventions matrimoniales seront rédigées par acte devant

notaire, en la présence et avec le consentement simultanés de toutes les personnes qui y sont

parties ou de leurs mandataires. Au moment de la signature du contrat, le notaire délivre aux

parties un certificat sur papier libre et sans frais, énonçant ses nom et lieu de résidence, les

noms, prénoms, qualités et demeures des futurs époux, ainsi que la date du contrat. Ce

certificat indique qu'il doit être remis à l'officier de l'état civil avant la célébration du

mariage. Si l'acte de mariage mentionne qu'il n'a pas été fait de contrat, les époux seront, à

l'égard des tiers, réputés mariés sous le régime de droit commun, à moins que, dans les actes

passés avec ces tiers, ils n'aient déclaré avoir fait un contrat de mariage.” Código civil

francês, artigo 1394 - Todas as convenções matrimoniais serão redigidas por escritura

pública, na presença e com o consentimento simultâneo de todas as pessoas que são parte ou

de seus mandatários. No momento da assinatura do contrato, o notário dará às partes um

  Em Portugal, até o século XIV, dois regimes de bens se destacaram: união de bens ou de arras e a comunhão geral. O regime de união de bens era composto pela entrega de arras à mulher, limitado a uma quantia máxima de acordo com o dote.

  O segundo regime trazido para análise, comunhão geral de bens, foi muito utilizado no sul de Portugal. Muito semelhante à união de bens, nesse regime, os poderes de administração, da mesma forma, eram conferidos ao marido. Podia ele dispor dos bens móveis, mas necessitava de consenso para vender os imóveis.

  As Ordenações Manuelinas, seguida pelas Ordenações Filipinas, elevaram

  181 o regime da comunhão de bens para regime supletivo do reino.

  Hodiernamente, o Código Civil português de 25 de novembro de 1966 organizou melhor os regimes de bens. O regime legal, conforme redação do

  182 artigo 1717 , é o da comunhão de adquiridos.

  

                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                         

certificado em papel livre e sem encargo, indicando seu nome e lugar de residência, os nomes,

prenomes, qualidades e defeitos dos futuros cônjuges, e ainda a data do contrato. Esse

certificado indica que ele deve ser entregue ao oficial do estado civil antes da celebração do

casamento. Se o ato de casamento mencionar que não foi feito o contrato, os cônjuges serão,

em relação à terceiros, reputados casados dob o regime de direito comum, a menos que, nos

atos anteriores com esses terceiros, eles não tenham declarado ter feito um contrato de

180 casamento. (tradução livre) Article 1395- Les conventions matrimoniales doivent être rédigées avant la célébration

du mariage et ne peuvent prendre effet qu'au jour de cette célébration.”Código civil francês,

artigo 1395- As convenções matrimoniais devem ser redigidas antes da celebração do

181 casamento e não podem produzir efeitos até o dia desta celebração. (tradução livre) 182 Conf. Jonh Gilissen. Introdução histórica ao direito, cit., 2001.

  Código Civil Português, Artigo 1717- “Na falta de convenção antenupcial, ou no caso de

caducidade, invalidade ou ineficácia de convenção, o casamento considera-se celebrado sob o

regime da comunhão de adquiridos”.

  Compõem o rol de regimes tipo do Código Civil português, além da comunhão de adquiridos (artigos 1721 a 1731), a comunhão geral (artigos 1732 a 1734), a separação de bens (1735 a 1737) e o regime dotal (artigos 1738 a 1752).

  Os cônjuges podem ainda, realizar por meio de pacto qualquer outra forma de regime patrimonial, conforme dispõe o artigo 1698, “os esposos podem fixar livremente, em convenção antenupcial, o regime de bens do casamento, quer escolhendo um dos regimes previstos neste código, quer estipulando o que a esse respeito lhes aprouver, dentro dos limites da lei”.

  Nessa senda, algumas restrições são impostas de acordo com o artigo 1699: “1. Não podem ser objeto de convenção antenupcial: a) a regulamentação da sucessão hereditária dos cônjuges ou de terceiro, salvo o disposto nos artigos seguintes; b) a alteração dos direitos e deveres, quer paternais, quer conjugais; c) a alteração das regras sobre administração dos bens do casal; d) a estipulação da comunicabilidade dos bens enumerados no artigo 1733 (bens incomunicáveis).

  2. Se o casamento for celebrado por quem tenha filhos, ainda que maiores ou emancipados, não poderá ser convencionado o regime da comunhão geral nem estipulada a comunicabilidade dos bens referidos no n. 1 do artigo 1722 (bens próprios)”.

1. Regime legal de bens no direito brasileiro

  O Brasil não foi estático no modo de reconhecimento das relações entre casais. Após ter herdado o costume do reino e acompanhando algumas nações européias, modificou o regime legal até então usado, para um mais adequado às necessidades sociais atuais.

  Enquanto reino e no Período de jovem República até pouco tempo atrás, mais especificamente 1977, admitiu-se o regime da comunhão universal de bens como regime legal. Experimentou-se por mais tempo o regime universal como subsidiário à escolha dos nubentes do que o atual de comunhão parcial de bens.

  Não é incomum encontrar hoje em dia pessoas do povo, na rua, que não entendem como funciona direito a comunhão parcial, mas que sem pestanejar respondem as consequências do casamento sob o regime da comunhão universal.

  O cenário econômico doméstico vem mudando paulatinamente e as mulheres têm ganhado cada vez mais espaço no mercado de trabalho, percebendo frutos e rendimentos dessa ação. O regime da comunhão parcial traz em si um sentimento de equilíbrio entre o homem e a mulher.

  A mulher independente da atualidade trabalha e ganha seu próprio dinheiro, casa por amor, quando casa, e não admite ingerência marital sobre seu patrimônio.

  O legislador talvez tenha sido visionário ao modificar o regime legal, fato é que a Lei do Divórcio liderou uma ampliação dos direitos femininos que culminou na igualdade dos sexos reconhecida pela Constituição Federal de 1988.

2. Regime legal para o Código Civil de 1916

  Conforme o preceito descrito no Código Civil de 1916, artigo 256 - “É lícito aos nubentes, antes de celebrado o casamento, estipular, quanto aos seus

  183

  bens, o que lhes aprouver”. – permite-se aos cônjuges a escolha de qualquer convenção antenupcial para regulação de seus bens durante o matrimônio.

  Essa liberdade apoiou-se em diversos direitos, dentre eles nas atuais

  184 185

  redações do Código Civil português , do Código Civil argentino , do Código

  186 187 Civil francês , do Código Civil espanhol , dentre outros.

  No Brasil, entretanto, essa liberdade é mitigada pela imposição do regime da separação obrigatória. Outrossim, muito mais restrito é o direito na Suíça, “onde os pactos antenupciais não existiam em muitos cantões uma vez que não era dado aos cônjuges a liberdade de derrogação do regime legal por um contrato. Havia, contudo, certa discricionariedade nessa imposição, pois os nubentes poderiam escolher entre a união de bens, a comunhão ou a separação

  188 para regência do patrimônio.

  No Código Civil argentino as permissões para alteração do regime legal vêem previstas na própria lei. Assim, conforme o artigo 1217, poderiam os                                                                                                                 183 o o 184 Lei n 3.071, de 1 . de janeiro de 1916, art. 256.

  Código civil português, “artigo 1717o (Regime de bens supletivo) Na falta de convenção

antenupcial, ou no caso de caducidade, invalidade ou ineficácia da convenção, o casamento

185 considera-se celebrado sob o regime da comunhão de adquiridos.” Código civil argentino, “artigo 159. (Régimen legal aplicable al matrimonio) Las

condiciones de validez intrínsecas y extrínsecas del matrimonio se rigen por el derecho del

lugar de su celebración, aunque los contrayentes hubieren dejado su domicilio para sujetarse

186 a las normas que en él rigen.”

  Código civil francês, “article 1387 La loi ne régit l'association conjugale, quant aux biens,

qu'à défaut de conventions spéciales que les époux peuvent faire comme ils le jugent à

propos, pourvu qu'elles ne soient pas contraires aux bonnes moeurs ni aux dispositions qui

suivent.” Artigo 1387- A lei rege a associação conjugal, quanto aos seus bens, na falta de

convenções especiais que o casal pode fazer como eles julgarem adequado, desde que elas

187 não sejam contrárias às boas maneiras nem às disposições que seguem. (Tradução livre).

  Código civil espanhol, “artículo 1315 (Del régimen económico matrimonial) El régimen

económico del matrimonio será el que los cónyuges estipulen en capitulaciones 188 matrimoniales, sin otras limitaciones que las establecidas en este Código.” Conforme: Clóvis Beviláqua. Clássicos da literatura jurídica, cit., p.173. cônjuges convencionar: “antes de la celebración del matrimonio los esposos

  

pueden hacer convenciones que tengan únicamente los objetos siguientes: 1° La

designación de los bienes que cada uno lleva al matrimonio; 3° Las donaciones

que un futuro cónyuge hiciere al otro”.

  Na Itália também há muita liberdade para escolha do regime de bens,

  189

  tendo sido estipulado como regime subsidiário a comunhão de bens. No México, o Código Civil, artigo 178, prevê apenas os regimes de sociedade

  190

  conjugal e separação de bens. No Perú existe o regime de sociedade, que é o

  191 subsidiário, e o regime de separação de bens.

  Apesar da diversidade de regimes que as legislações nacional e estrangeiras apregoam, o quadro se resume a duas: o da comunhão e o da separação. Todos os demais tipos são desdobramentos dessas duas formas.

  O direito brasileiro optou pelo regime da comunhão como subsidiário à vontade das partes. O primeiro registro legal dessa opção legislativa data do Decreto n. 181 de 24 de janeiro de 1890 que instituiu os casamentos civis na ordem nacional. 189                                                                                                                 Código civil italiano, “art. 159 (Del regime patrimoniale legale tra i coniugi) Il regime

  

patrimoniale legale della famiglia, in mancanza di diversa convenzione stipulata a norma

dell'art. 162, è costituito dalla comunione dei beni regolata dalla sezione III del presente

capo.” (Artigo 159 – Do regime patrimonial legal entre os cônjuges – O regime patrimonial

legal da família, na ausência de outro acordo celebrado nos termos do artigo 162, é a

190 comunhão de bens regido pela seção III do presente capítulo. Tradução livre).

  Código civil mexicano, “Artículo 178.- El contrato de matrimonio debe celebrarse bajo el 191 régimen de sociedad conyugal, o bajo el de separación de bienes.” Código civil peruano, “Artículo 295.- Elección del régimen patrimonial Antes de la

celebración del matrimonio, los futuros cónyuges pueden optar libremente por el régimen de

sociedad de gananciales o por el de separación de patrimonios, el cual comenzará a regir al

celebrarse el casamiento. Si los futuros cónyuges optan por el régimen de separación de

patrimonios, deben otorgar escritura pública, bajo sanción de nulidad. Para que surta efecto

debe inscribirse en el registro personal. A falta de escritura pública se presume que los

interesados han optado por el régimen de sociedad de gananciales.”

  O principal objetivo desse decreto era a legitimação da prole e proteção à família. O casamento era indissolúvel e tal regulamento somente permitia a separação de corpos em determinadas hipóteses.

  A estreita ligação com o direito canônico reforçou a preferência do legislador para um só patrimônio, pois marido e mulher, com o casamento, transformavam-se em uma só pessoa. Comunhão de almas e comunhão de bens.

  O amadurecimento legal e da sociedade demonstrou uma série de objeções a esse regime. Os primeiros raciocínios sobre o tema induziram que a mulher ficava demasiado desprotegida, à mercê do marido que administrava todos os bens, por direito de ser o chefe da sociedade. Além disso, a mulher na maioria das vezes ao final do casamento era desfalcada de seu patrimônio.

  O regime da comunhão universal, por outro lado, é o mais representativo da união de vidas e interesses pautado na confiança plena e está viceralmente ligado a maioria dos países.

  192

  O seu início é atribuído ao direito germânico. Conforme SCHULTE , “na Germânia, ao tempo do mundium, o marido tinha direitos de senhor sobre os bens da mulher, embora não fosse proprietário exclusivo; mas o rigor desse princípio, era abrandado pelo antiqüíssimo costume das mútuas doações. Com o desaparecimento do mundium, os cônjuges foram considerados como uma unidade, ou como associados de direitos iguais sobre o patrimônio do casal. Desse princípio resultaram: a comunhão meramente administrativa do diretio saxônico e a comunhão real de outras estirpes, principalmente franca. Esta comunhão foi, dia a dia, acentuando-se no sentido de uma compropriedade 192                                                                                                                 Joh Friedrich von Schulte; Marcel Fournier; Ernest-Désiré Glasson. Histoire Du droit et

  des institutes de l’Allemagne. Paris: Pedone-Lauriel, 1882, §§ 168-171. efetiva”.

  193

  ROTH , aprofunda-se na questão e atribui o início do regime de comunhão universal ao direito franco. Assim, “o regime de bens no casamento, segundo o direito franco, tem como ponto de partida , a comunhão dos aquestos, que, já no século IX se manifesta entre os francos ripuários. O costume de obter a mulher por Morgengabe, uma parte dos bens adquiridos (tertia

  

collaborationis), transforma-se, com o correr dos tempos, em um direito da

  mulher a uma parte dos mesmos bens, em todos os casos em que a não foi tomada outra deliberação por contrato antenupcial. Enquanto pela comunhão de administração, a disposição do marido em referência aos seus bens próprios, de modo algum era dependente de consentimento da mulher, o antigo direito franco dava a esta uma garantia, para que o marido não a prejudicasse, em sua parte nos adquiridos, por uma disposição unilateral de seus próprios imóveis. Essa garantia consistiu em exigir que o marido pedisse a outorga de sua mulher para a alienação dos bens imóveis, quer fossem seus, quer trazidos por ela. Logo, porém, firmou-se o princípio de que nenhum dos cônjuges podia, durante o casamento, dispor de seus imóveis por ato unilateral, e a consequência natural dele foi a aceitação de uma comunhão da propriedade imóvel a qual encontrara sua expressão no costume, já anteriormente estabelecido, de inscreverem-se os bens de raiz nos livros públicos, sob o nome de ambos os cônjuges”.

  Portugal e Espanha também construíram o regime de comunhão com base no direito germânico, contudo, foram os visigodos os responsáveis pela inseminação do instituto naquelas áreas.

  Dessa forma, “dos visigodos passou essa instituição aos espanhóis e aos 193                                                                                                                 Paul Rudolf von Roth. System des Deutschen Privatrechts. Lübingen: Elibron Classics,

  1881, theil II, §101, p. 59-60. portugueses. Começara por ser, entre os visigodos, simples comunhão de adquiridos, com fundamento na mútua colaboração, e ainda sob esta forma consagra-a, moderadamente, o Código Civil espanhol. Em Portugal, porém, o instituto assumiu um desenvolvimento mais completo, arraigando-se nos costumes, consolidando-se, dia a dia, alargando-se numa expansão de pujante florescência. As Ordenações Afonsinas referem-se à comunhão universal, como uso penetrado, inteiramente, nas populações, que a faziam vigente pelo simples fato da entrada na vida conjugal, em algumas partes, e, por convenção, deixou vestígio indelével na dualidade de expressão usada pelo Código Filipino: - segundo o costume do reino; por carta de ametade. As Ordenações Manuelinas determinaram que a comunhão fosse o regime legal, sempre que as partes não

  194 estipulassem outra coisa”.

  De Portugal chegou ao Brasil esse conceito de união de bens. A receptividade do instituto explica-se pela empatia à união conjugal existente na época, bem como à índole dos indígenas brasileiros convertidos à civilização.

  É verdade que “entre os selvagens brasileiros, entre os tupis, menos broncos que os tapuias, permitam-me usar destes nomes consagrados, as famílias viviam promiscuamente em suas ocas, como se formassem um só todo, de modo que a caça por uma delas obtidas era devorada, irmãmente, por todos os parceiros. Isto, dir-se-á, nada mais é do que um costume comum a todos os povos no estado de cultura, em que se achavam os tupis. Certamente; mas o que se quer dizer é que ele corroborado, além disso, por certas notas de psicologia étnica especial, preparou os espíritos a receberem a comunhão de bens no casamento. Os outros regimes não disfarçam a dose de egoísmo e desconfiança

  195 que os engendrou; o da comunhão é francamente altruísta”. 194                                                                                                                 195 Clóvis Beviláqua. Clássicos da literatura jurídica, cit., p.193.

  Clóvis Beviláqua. Clássicos da literatura jurídica, cit., p.194.

  Extremamente bem ambientada, a comunhão universal de bens naturalmente ganhou o lugar de regime preferencial do povo, tornando óbvia sua escolha para ser o regime legal subsidiário à vontade das partes no casamento.

3. Lei do divórcio n. 6.515/77 – artigo 50

  Antes do advento da Lei 6.515 de 26 de dezembro de 1977 que regulou os casos de dissolução da sociedade conjugal e do casamento, o regime subsidiário que vigorava era o da comunhão universal.

  O objetivo primeiro da referida lei não era influenciar no regime de bens, mas sim permitir a dissolução do casamento. Até aquele momento só havia

  196 permissão legal para o desquite”.

  O Código Civil de 1916 manteve a referência ao casamento como indissolúvel, mas fez previsão do desquite (hoje separação judicial), para determinadas situações. Eram separados os bens e os corpos, mas mantido o vínculo. O casamento era dissolvido apenas pela morte.

  Era tão forte a união advinda do casamento que os cônjuges, no desquite,

  197

  poderiam a qualquer momento restabelecer a sociedade conjugal , pois não perdiam o vínculo, vez que a sentença que autorizava a separação dos desquitados apenas aparentava o fim do regime de bens, como se o casamento 196 o. o.

                                                                                                                  Lei n 3.071, de 1 de janeiro de 1916, art. 315. “Artigo 315 A sociedade conjugal

termina: I. Pela morte de um dos conjuges. II. Pela nulidade ou anulação do casamento. III.

197 o. o. Pelo desquite, amigável ou judicial.” “Lei n 3.071, de 1 de janeiro de 1916, artigo 323 - Seja qual for a causa do desquite, e o

modo como este se faça, é licito aos conjuges restabelecer a todo o tempo a sociedade

conjugal, nos termos em que fora constituida, contanto que o façam, por ato regular, no juizo

competente.”

  198 fosse dissolvido.

  Permitindo a dissolução da sociedade conjugal pela separação e pelo

  199

  divórcio , a Lei 6.515/77 abriu nova era para o direito. Em 1977 através da emenda constitucional nº 09 foi abolido o princípio da indissolubilidade do matrimônio com a instituição do divórcio, regulamentado através da Lei Federal 6.515 de 26/12/1977 o qual foi garantido pela Constituição Federal de 1988 em seu art. 226, parágrafo 6º bem como pelo novo Código Civil.

  Não se coadunava, entretanto, com essa fase de liberdade a opção legal pelo regime de bens de comunhão universal. O legislador ao se posicionar de uma forma mais liberal, ajustou todos os sistemas que obliquamente eram atingidos, tanto que tratou nas disposições finais e transitórias sobre a alteração

  200 do regime legal.

  A sociedade acompanhou essa mudança e confirmou a opção legal pelo

  201

  regime da comunhão parcial de bens no Código Civil de 2002. O novo retrato da família brasileira é constituído por marido e mulher trabalhando fora e sustentando o lar na medida de seus lucros. Assim, os resultados dessas duas forças devem ser partilhados ao meio quando da dissolução da união conjugal. De outra forma não haveria equilíbrio, podendo resultar em alguma injustiça. 198 o. o.                                                                                                                 “Lei n 3.071, de 1 de janeiro de 1916, artigo 322 - A sentença do desquite autoriza a

  

separação dos conjuges, e põe termo ao regime matrimonial dos bens, como se o casamento

199 o fosse dissolvido.” “Artigo 2 . da Lei 6.515/77 - A Sociedade Conjugal termina: I - pela morte de um dos

cônjuges; Il - pela nulidade ou anulação do casamento; III - pela separação judicial; IV - pelo

200 divórcio.” Lei 6.515/77, artigo 50 – “são introduzidas no Código Civil as alterações seguintes: n.7)

Art. 258 - Não havendo convenção, ou sendo nela, vigorará, quanto aos bens entre os

201 o. cônjuges, o regime de comunhão parcial." Lei n 10.406, de 10 de janeiro de 2002, art. 1640 - “não havendo convenção, ou sendo

ela nula ou ineficaz, vigorará, quanto aos bens entre os cônjuges, o regime da comunhão

parcial.”

4. O Código Civil de 2002 e a comunhão parcial

  A Lei n. 10.406, de 10 de janeiro de 2002 é a mais nova expressão do direito civil brasileiro. A sua tramitação não foi um processo fácil, nos cabendo fazer um breve histórico a esse respeito.

  O projeto do Código Civil n. 634-C/75, originou-se no anteprojeto elaborado por comissão constituída em 1969 composta por Miguel Reale (supervisor), José Carlos Moreira Alves, Agostinho Arruda Alvim, Sylvio Marcondes, Ebert Chamoun, Clovis do Couto e Silva e Torquato Castro, tendo entrada no Congresso Nacional em 1975.

  A Câmara aprovou sua redação após várias emendas e encaminhou ao Senado sob o n. 118/84. O projeto permaneceu arquivado no Senado até 1991, quando então houve a nomeação do Senador Josaphat Marinho como relator geral da comissão especialmente constituída para esse fim.

  Novamente diversas emendas foram propostas, sendo 140 delas só no direito de família. Então, em 11 de dezembro de1997 foi publicado no Diário do Senado a redação aprovada do projeto. Ocorre que apesar do longo processo legislativo restaram na redação lapsos e inconstitucionalidades, retornando assim, o projeto, à Câmara do Deputados.

  Nova comissão especial foi constituída, tendo o Deputado Ricardo Fiúza como relator geral. Realizou-se o exame de admissibilidade e do mérito da proposição inicial e das emendas aprovadas pelo Senado. O relator parcial Deputado Antonio Carlos Biscaia foi o responsável por sanar os defeitos de redação, lapsos e prejudicialidade de dispositivos, bem como, por adequar todo livro de direito de família à Constituição Federal.

  A comissão especial da Câmara dos Deputados votou e aprovou os pareceres conclusivos em 29 de novembro de 2000, quando então o Relatório foi encaminhado ao Senado Federal e submetido a Comissão de Constituição e

  202 Justiça para votação e aprovação final.

  O direito de família foi um dos mais modificados até a publicação do texto final. A alteração dos regimes de bens mereceu destaque, pois no Código Civil de 1916, havia quatro regimes tipificados, quais sejam: comunhão universal, comunhão parcial, separação de bens e dotal.

  O regime dotal foi excluído e em seu lugar foi criado o regime de participação final nos aquestos. A separação de bens ficou mais rígida, pois o artigo 259, do Código Civil de 1916, não foi recepcionado na nova ordem civil. A comunhão universal já não era mais o regime legal, mas graças a ação da Lei n. 6515/ 77. O novo Código Civil, por força própria, introduziu em seu bojo o artigo 1640 que institui o regime da comunhão parcial como subsidiário à vontade das partes. 202                                                                                                                 Conforme Regina Beatriz Tavares da Silva. O projeto de Código Civil e o direito da

  >. família. Disponível em: <www.reginabeatriz.com.br/academico/artigos/artigo.aspx?id=176 Acesso em: 18 de janeiro de 2012. Há total liberdade de escolha do regime matrimonial, devendo a opção ser consignada no pacto antenupcial. A dispensa só será prevista quando os cônjuges adotarem o regime legal. A comunhão parcial é um regime misto, formado em parte pela comunhão universal e pela separação de bens. É o mais igualitário e por isso melhor se coaduna a nova ordem constitucional de equiparação do homem e da mulher. Nos dizeres de PAULO LÔBO, “três são os mais importantes princípios constitucionais regentes das relações familiares: o

  203 da dignidade da pessoa humana, o da liberdade e o da igualdade”.

  O regime da comunhão parcial foi consagrado como regime legal justamente pelo reconhecimento do trabalho que ambos os consortes desempenham para a construção do patrimônio do casal. Nesse regime existem três massas de bens compostas pelos bens comuns, pelos bens pessoais do marido e pelos bens pessoais da esposa. Assim sendo, em caso de dissolução do vínculo conjugal serão partilhados apenas os bens comuns.

  Hoje em dia a maior parte das mulheres deixa o lar para trabalhar fora. Dessa maneira, nada mais justo que seja feita a partilha de cinquenta por cento desses bens conseguidos pelo casal. Andou bem o legislador ao manter a comunhão parcial como regime legal, pois esse é o regime que melhor compreende a sociedade atual. 203                                                                                                                 Paulo Lôbo. Constitucionalização do direito civil. Disponível em: <www.

  Ibdfam.org.br/?artigos&artigo=129>. Acesso em: 18 de janeiro de 2012.

5. Necessidade de escritura pública

  Principiando a questão necessidade de escritura pública no regime legal de bens, devemos conceituar o verbete escritura pública. Inegável sua importância no ordenamento jurídico. Nos dizeres de BRASIL CHAVES e REZENDE: “Que a prevenção tabelional estabelece-se como figura constante, quer nas funções de legalização e de autenticação, quer nas de

  

instrumentalização, sobre isso não pairam dúvidas, não se contesta, nem se

  duvida. Conselheiro jurídico por excelência, o Tabelião, de fato, realiza a Justiça Notarial em todas as suas funções e misteres, de maneira diuturna e inerente – uma asseveração que, sem sombra de dúvidas, não é nada difícil de denotar-se.

  Com efeito, função típica do Tabelião e possuidora de inúmeras variantes, a chamada Escritura Pública (Latim scriptura, alemão Schrift e francês écriture) – instrumento este que, na lição de ARLINDO BERNART, há de ser sinonimizada na ‘ação de traçar caracteres’ – é o “documento autêntico, extraoficial, exarado por oficial público, ou com a sua intervenção, nos casos dispostos em lei e com finalidades várias [...] é um instrumento em que os contratantes manifestam expressamente a coincidência de vontades e fixam a forma por que devem ser cumpridas as obrigações convencionadas. A natureza jurídica da escritura é a de documento probatório do contrato”. Traduz-se, por assim dizer, no mecanismo estruturante da Teoria da Justiça Notarial; isto porque, em termos pragmáticos, comporta a prevenção de litígio, assegurando, de maneira quase que irretocável, o modo como foi afigurada a vontade de cada

  204 uma das partes, evitando, ipso facto, futuras contendas”. 204                                                                                                                 Afonso Celso F. Rezende e Carlos Fernando Brasil Chaves. Tabelionato de notas e o notário perfeito, cit., p. 15-16. O casamento também é em sua essência um contrato. Portanto, a regulação de transmissão de bens por ele originados deverá ser feita por um documento público. O artigo 108, do Código Civil, enuncia que “não dispondo a lei em contrário, a escritura pública é essencial à validade dos negócios jurídicos que visem à constituição, transferência, modificação ou renúncia de direitos reais sobre imóveis de valor superior a trinta vezes o maior salário mínimo vigente no País”.

  Independente do valor ou ainda que não existam bens a transferir no momento do casamento, o pacto antenupcial deve ser realizado uma vez que regula um direito futuro. A transmissão de bens será concretizada apenas no momento do rompimento do vínculo conjugal. Não se pode assegurar que o casal, durante toda sua vida em comum nunca adquira qualquer bem imóvel. Dessa forma, o pacto antenupcial resguarda um direito eventual e futuro.

  O casamento é um modo de aquisição da propriedade. É certo que no momento do fatídico sim ninguém pensa se está transferindo bens, mas fato é que o está. Quando essa transmissão de bens especialíssima diverge daquela prevista pelo legislador (comunhão parcial), será necessário pacto antenupcial para resguardo de todos os pormenores específicos dessa decisão.

  Nessa senda, “é o Tabelião o responsável por assegurar igualdade e proporção, sempre atuando para efetivar a Segurança Jurídica aos atos de sua competência, mantendo distante do alcance de objetivos espúrios aquele que

  205 pretende locupletar-se dos carentes de alicerces do conhecimento”.

  O legislador, ao eleger a comunhão parcial como regime legal, automaticamente o legislador cedeu a necessidade de pacto, pois sabia que a maioria da população optaria por ele. O povo em geral escolhe o regime legal por pensar que esse é o melhor regime ou o menos complicado e confia que se a própria lei o coloca em posição privilegiada é porque deve ser o adotado. O homem médio não faz maiores reflexões, nem se atém a discussões pontuais de partilha de bens. O que acontece na maior parte das vezes em que se faz a partilha do regime legal é um apego emocional e não financeiro.

  Há vezes, contudo, que mesmo sendo escolhido o regime legal, os nubentes preferem realizar o pacto antenupcial para as situações que fogem da regra geral. Por exemplo, o casal assume o regime como é, mas ressalva que a casa adquirida em nome do marido antes do casamento entrará na partilha dos bens comuns. Isso se justifica porque muitas vezes o financiamento para compra do lar conjugal é realizado em nome de apenas um dos consortes, motivando a feitura do pacto antenupcial para inclusão desse bem no monte partilhável.

  Vale lembrar que a escritura pública é o único modo permitido por lei para a constituição do pacto antenupcial. A não obediência a essa forma torna o

  206

  pacto nulo , tendo em vista a importância da assistência tabelioa. O Código 205                                                                                                                  Afonso Celso F. Rezende e Carlos Fernando Brasil Chaves. Tabelionato de notas e o 206 o notário perfeito, cit., p. 16.  

  Lei n 10.406, de 10 de janeiro de 2002, artigo1653 – “É nulo o pacto antenupcial se não for feito por escritura pública, e ineficaz se não lhe seguir o casamento.” Civil espanhol, artigo 1327, também afirma a necessidade de escritura pública para a validade do pacto antenupcial: “para su validez, las capitulaciones

  habrán de constar en escritura pública”.

  O ato jurídico para ser perfeito deverá ser realizado por agente maior, capaz e sobre objeto lícito. No caso de casamento envolvendo menores, a eficácia do pacto ficará condicionada a aprovação de seu representante legal,

  207 exceção feita aos casos de regime obrigatório de separação de bens.

  Igualmente a qualquer outra escritura pública de transmissão de bens, o pacto antenupcial deverá ser registrado pelo Oficial de Registro de Imóveis do domicílio dos cônjuges para começar a produzir efeitos perante terceiros. Caso não se proceda ao registro haverá uma duplicidade de regimes. Assim, em relação aos cônjuges vigorará o regime escolhido por meio de pacto antenupcial

  208 e perante terceiros terá vigência a comunhão parcial de bens.

                                                                                                                  207 o Lei n 10.406, de 10 de janeiro de 2002, artigo 1654 – “A eficácia do pacto antenupcial,

realizado por menor, fica condicionada à aprovação de seu representante legal, salvo as

208 hipóteses de regime obrigatório de separação de bens.” Apelação Cível n º 70040564981; Quinta Câmara Cível; Comarca de Santo Ângelo;

Ementa: APELAđấO CễVEL. FALÊNCIA E CONCORDATA. EMBARGOS DE

TERCEIRO. ARRECADAđấO. POSSIBILIDADE JURễDICA. VERBA HONORÁRIA

MANTIDA. Trecho do mérito do recurso em exame: “A embargante XXXXX aduziu que se

casou com XXXXXX, sócio da empresa falida, sob o regime da separação total de bens, em

data de 07/12/2006, antecedendo-se ao matrimônio o pacto antenupcial em 13/07/2001. No

entanto, inexistem nos autos quaisquer elementos de prova quanto ao registro do referido

pacto junto ao Registro Imobiliário, exigência do art. 1.657 do Código Civil para que tal

convenção tenha efeito perante terceiros.

  

5. O Juiz pode determinar a constrição judicial sobre os bens da embargante com base no

artigo 14, VI, do Decreto-Lei 7.661/45, aplicável ao caso em tela, a teor do que estabelece o

art. 192 da Lei 11.101/2005.”

  Das linhas do artigo 1657, do Código Civil, extrai-se que “as convenções antenupciais não terão efeito perante terceiros senão depois de registradas, em livro especial, pelo oficial do Registro de Imóveis do domicílio dos cônjuges”. Portanto, a falta de registro torna o ato sem efeito, dando lugar ao regime legal.

6. Bens excluídos da comunhão, reservados, particulares ou incomunicáveis

  A comunhão parcial é necessariamente mais limitada do que a comunhão universal. Consiste sua redução na exclusão dos bens particulares de cada cônjuge dos bens comuns.

  Identificar um bem como reservado ou comum cabe à lei. O artigo 1659, do Código Civil de 2002, enumerou sete hipóteses de exclusão desses bens.

  “Os bens que cada cônjuge possuir ao casar, e os que lhe I. sobrevierem, na constância do casamento, por doação ou sucessão, e os sub-rogados em seu lugar”.

  É da própria origem da comunhão parcial que os bens que cada cônjuge possua antes do casamento não comunique ao outro, fazendo parte, dessa maneira, dos bens reservados.

  Sobre os bens adquiridos na constância da sociedade conjugal, nem sempre haverá comunicação integral de todo patrimônio. Bens doados só integrarão o patrimônio comum caso o doador informe que o casal será donatário, caso contrário o bem recebido fará parte dos bens particulares daquele que recebeu a doação.

  O artigo 31 do Decreto-lei n° 3.365/41, reza que “ficam subrogados no preço quaisquer ônus ou direitos que recaiam sobre o bem expropriado”. Por isso, compreende-se que a indenização importa sub-rogação do bem doado.

  Há ainda a possibilidade de cláusula de reversão, de acordo com o artigo

  209

  547, do Código Civil de 2002. Morrendo o donatário, o bem não fará parte de sua herança, mas sim retornará ao patrimônio do doador sobrevivo.

  No regime da comunhão parcial o cônjuge viúvo é meeiro dos bens comuns e herdeiro dos bens reservados. Dessa maneira, de modo algum o bem cairá nas mãos do cônjuge supérstite.

  Quando algum dos cônjuges receber herança de parente seu, não haverá comunicação desse patrimônio com os aquestos do casamento. Trata-se de direito pessoal.

  Sempre que ocorrer a venda de um bem reservado, para que esse continue integrando o monte dos bens particulares, deverá ser ressalvado no título sua condição.

  No ingresso dos nubentes no regime da comunhão parcial, para que não haja demanda desnecessária, ideal seria que se resguardasse via pacto antenupcial todos os bens que ambos possuem ao casar. Por óbvio que é possível fazer essa prova após o casamento, mas também com certeza será mais desgastante.                                                                                                                 209 o Lei n 10.406, de 10 de janeiro de 2002, artigo 547 - “O doador pode estipular que os bens

  doados voltem ao seu patrimônio, se sobreviver ao donatário”.

  “os bens adquiridos com valores exclusivamente pertencentes a um II. dos cônjuges em sub-rogação dos bens particulares”.

  Por sub-rogação entende-se que um bem foi alienado e posteriormente, ou no mesmo ato, outro foi colocado em seu lugar.

  ZENO VELOSO faz um entendimento mais profundo da questão e explica que como “sub-rogação real uma coisa é substituída pela outra, admitindo duas hipóteses: direta e indireta. A direta consiste na saída de um bem e a entrada de outro no patrimônio de um dos cônjuges, através de um mesmo ato jurídico, utilizando-se um único instrumento e a troca ou permuta são exemplos expressivos deste caso. A indireta é aquela que se verifica quando o bem adquirido através de um negócio jurídico deu-se com o produto da

  210

  alienação de um bem próprio, por outro negócio jurídico”. Por exemplo, “o cônjuge vende um bem particular, por escritura pública, e, com o dinheiro apurado, por meio de novo instrumento - até em data diferente – adquire outro

  211 bem”.

  O inciso em análise é explícito em dizer que são incomunicáveis os bens sub-rogados desde que adquiridos com valores exclusivamente pertencentes a um dos cônjuges. Caso ambos os cônjuges contribuam para eventual diferença de valor – o novo bem ser mais caro que o antigo – sobre a diferença haverá comunhão e caberá cinquenta porcento do valor a cada um dos cônjuges. 210                                                                                                                 Zeno Veloso. Regimes matrimoniais de bens , in Direito de família contemporâneo 211 (coordenação: Rodrigo Cunha Pereira). Belo Horizonte: Del Rey, 1997, p. 171.

  Zeno Veloso. Regimes matrimoniais de bens, cit., p. 171.

  Assim, “comprovado, porém, que o bem adquirido na constância do casamento foi completado com valores oriundos da vida em comum, caberá a

  212 cada um dos conjuges na partilha 50% da diferença”.

  III. “As obrigações anteriores ao casamento”. Não apenas bônus, mas também ônus fará parte do monte reservado. O cônjuge será responsável individualmente pelas dívidas contraídas antes do casamento.

  Há, contudo, uma exceção a essa regra. Quando a contração de dívidas tiver resultado em benefício gozado por ambos os cônjuges, os dois, da mesma forma, responderão pela quitação.

  Desse modo, “entende-se, todavia, que haverá comunicação dos débitos anteriores no caso de se beneficiar o cônjuge que não os tenha, como na hipótese

  213 de dívida contraída na aquisição de bens de que lucram ambos”.

  E ainda, as dívidas “feitas pelo marido depois da celebração, obrigam, não só os bens comuns, senão ainda, em falta dêsses, os particulares de um e

  214 outro cônjuge, na razão do proveito que cada qual haja lucrado”.

  IV. “As obrigações provenientes de atos ilícitos, salvo reversão em proveito do casal”. 212                                                                                                                 213 Caio Mario da Silva Pereira. Instituições de direito civil, cit., p. 214. 214 Caio Mario da Silva Pereira. Instituições de direito civil, cit., p. 215.

  Francisco Cavalcanti Pontes de Miranda. Tratado de direito privado, cit., p. 332.

  Figura aqui o princípio unuscuique sua culpa nocet, segundo o qual cada um responde pela sua própria culpa. O cônjuge inocente não pode ser responsabilizado por ato que não deu causa, a menos que fique comprovado que ele obteve qualquer espécie de lucro.

  A regra é que os bens reservados responderão pelo ato ilícito, porém comprovado proveito do casal, o patrimônio que pagará pela dívida será o comum e somente depois, subsidiariamente, o patrimônio particular de cada um, na medida do proveito que obtiveram.

  A Súmula 251 do Superior Tribunal de Justiça, reforça esse entendimento no sentido de que “a meação só responde pelo ato ilícito quando o credor, na execução fiscal, provar que o enriquecimento dele resultante aproveitou ao casal”.

  “Os bens de uso pessoal, os livros e instrumentos de profissão”.

V. Esse inciso busca resguardar a sobrevivência e a dignidade da pessoa.

  Pense que para um dentista seu aparelhamento é fundamental para o desempenho da função sem o qual ele não conseguirá se manter. Além dos instrumentos de profissão, não é cabido exigir que se partilhe roupas, sapatos e acessórios do dia a dia.

  Por fim, no tocante a livros, quando forem parte de uma biblioteca de um jurista ou qualquer um que precise dos livros para desempenhar sua função, estes serão incomunicáveis. Por outro lado, sendo um acervo de obras raras ou de cunho artístico, poderão ser partilhados.

  MARIA HELENA DINIZ ensina que “quanto aos livros, convém lembrar que, se forem destinados a negócios ou se constituírem, por sua grande quantidade, parcela apreciável do ativo, deverão ser comunicáveis (JTJ,

  215 71:197)”.

  VI. “Os provenientes do trabalho pessoal de cada cônjuge”. É bastante lógico que o salário e demais ganhos obtidos com o esforço pessoal de cada cônjuge componha seu acervo de bens reservados, tanto mais porque como já analisado, o inciso II, do artigo 1659, do Código Civil de 2002, observa que os bens adquiridos com valores exclusivamente de determinado cônjuge a este pertence.

  Ora, se o produto do ganho é reservado, o que dizer do próprio ganho?! Ocorre que o raciocínio não é tão simplista quanto aparenta.

  Caso o próprio ganho fosse ser considerado como bem particular, absolutamente tudo adquirido a partir dele seria considerado uma sub-rogação e assim não haveria de se falar em comunhão parcial, mas sim separação de bens.

  O projeto de lei n° 276/2007 do Deputado Léo Alcântara, substituído pelo projeto de lei n° 699/2011 apresentado pelo Deputado Arnaldo Faria de Sá

  

(PTB-SP), prevê alteração do artigo 1659 no intento de suprimir esse inciso VI,

  pois conforme consta no item 121 do projeto “A sugestão é do juiz ALEXANDRE GUEDES ALCOFORADO ASSUNđấO. Realmente, há necessidade de exclusão do inciso VI do artigo 1659, pois os proventos do trabalho são via de regra aqueles que servem à aquisição de bens, sendo que, se 215                                                                                                                 Maria Helena Diniz. Curso de direito civil, cit., p. 166. continuarem a ser incomunicáveis, todos os bens sub-rogados em seu lugar serão havidos como incomunicáveis no regime da comunhão universal e da comunhão parcial, o que não faz qualquer sentido”.

  Acompanha esse entendimento MARIA HELENA DINIZ ao entender que “a incomunicabilidade seria só do direito à percepção dos proventos, que, uma vez percebidos, integrarão o patrimônio do casal, passando a ser coisa comum, pois, na atualidade, marido e mulher, vivem de seus proventos, contribuindo, proporcionalmente, para a mantença da família,

  e,

  216 consequentemente, usam dos seus rendimentos”.

  A principal dificuldade é, na verdade, “precisar o momento exato em que os valores deixam de ser proventos do trabalho e passam a ser bens comuns,

  217 volatizados para atender às necessidades do lar conjugal”.

  Segundo VIRGILIO PANAGIOTIS STAVRIDIS não foi acaso do legislador inserir o inciso VI no artigo 1659. Ele realmente desejava excluir da comunhão qualquer provento, inclusive salário. Por isso se extrai da primeira leitura desse inciso que “qualquer verba percebida como ganhos decorrentes de atividade laborativa do cônjuge esteja excluída compondo apenas seu

  218 patrimônio particular”.

  VII. “as pensões, meio-soldos, montepios e outras rendas semelhantes”. Todas essas rendas encaixam-se nos direitos personalíssimos e portanto não admitem divisão. Pode-se conceituar montepio como “pensão destinada a 216                                                                                                                 217 Maria Helena Diniz. Curso de direito civil, cit., p. 167. 218 Silvio de Salvo Venosa. Direito civil, cit., p. 352.

  Virgilio Panagiotis Stavridis. Novo código civil: do direito de família. Coordenação: Heloísa Maria Daltro Leite, Rio de Janeiro: Freitas Bastos, 2002, p. 341-342. amparar herdeiros ou descendentes, em linha reta, de servidores do Estado, de acordo com os descontos feitos nos vencimentos de tais servidores com aquele fim, i. e., de serem garantidos o futuro e subsistência da família do

  219 contribuinte”.

  A expressão meio-soldo pode ser utilizada para indicar “a metade dos vencimentos devidos aos militares, correspondente ao posto em que ele se

  220 reforma ou à pensão que se destina aos seus beneficiários”.

  A pensão pode ter diversos desdobramentos em seu entendimento, sendo o conceito geral “benefício com o fim de prover regularmente a subsistência e

  221

  amparar o futuro de alguém”. Mas ainda pode ser interpretada como pensão previdenciária, ou seja, “renda garantida aos dependentes do segurado quando

  222

  este vem a falecer” , ou também como pensão civil quando “é a equivalência

  223 econômica da lesão ou da incapacidade experimentada pelo ofendido”.

  A tença hoje não participa mais o rol de rendas descritas no inciso VII, do artigo 1659, mas no ordenamento anterior compunha o artigo 263, I. Trata-se de “pensões periodicamente recebidas do Estado ou de pessoa de direito público ou

  224 privado, ou, até mesmo, de um particular, para subsistência do beneficiário”. 219                                                                                                                 R. Limongi França (Professor coordenador). Enciclopédia saraiva do direito, cit., vol. 53, 220 p. 220. R. Limongi França (Professor coordenador). Enciclopédia saraiva do direito, cit., vol. 52, 221 p. 197. R. Limongi França (Professor coordenador). Enciclopédia saraiva do direito, cit., vol. 58, 222 p. 40. R. Limongi França (Professor coordenador). Enciclopédia saraiva do direito, cit., vol. 58, 223 p. 58. R. Limongi França (Professor coordenador). Enciclopédia saraiva do direito, cit., vol. 58, 224 p. 51. Maria Helena Diniz. Curso de direito civil, cit., p. 168. VIII. “São incomunicáveis os bens cuja aquisição tiver por título uma causa anterior ao casamento”.

  Antes do casamento não há que se falar em comunhão de adquiridos, assim os bens amealhados nessa data pertencerão apenas ao respectivo titular compondo seu rol de bens particulares.

  Ainda que o bem tenha sido negociado antes da união e por razões de financiamento, por exemplo, tenha entrado no patrimônio do cônjuge após o matrimônio, em nada terá direito o outro consorte, salvo ressalva em pacto antenupcial.

  Comenta ZENO VELOSO que “no Código, a nosso ver, a expressão está empregada como negócio que deu origem à aquisição, ato jurídico (lato sensu) que produz a adquirição do bem. O momento da aquisição, o fator temporal, é

  225 que sobreleva para o deslinde da questão”.

  IX. “Os direitos patrimoniais do autor, executados os rendimentos resultantes de sua exploração, não se comunicam, salvo pacto

  226 antenupcial em contrário”.

  Este também é considerado direito personalíssimo e por isso não admite divisão. Por acordo mútuo, contudo, esse direito pode ser relativizado e os direitos do autor entrarem na união. 225                                                                                                                 226 Zeno Veloso. Regimes matrimoniais de bens, cit., p. 180.

  Lei 9.610/98, artigo 39.

7. Bens comunicáveis ou aquestos

  Há casos que o fato concreto pode deixar dúvida aos cônjuges se determinado bem integrará ou não os aquestos. O artigo 1660 pretendeu minimizar essa celeuma e tratou de algumas hipóteses expressamente.

  “Os bens adquiridos na constância do casamento por título oneroso, I. ainda que só em nome de um dos cônjuges”.

  Esses bens entram na comunhão por terem sido adquiridos através de esforço mútuo. O fato do bem estar registrado em nome de apenas um dos cônjuges não anula a conquista comum.

  A comprovação se faz pelo registro do título, que se estiver datado posteriormente ao casamento e na falta de pacto antenupcial que o ressalve, integrará os aquestos.

  Quanto aos bens móveis, estabelece o artigo 1662, do Código Civil de

  227

  2002 , presumem-se adquiridos na constância do casamento, desde que não se prove que foram adquiridos em data anterior.

  Será, nesse caso, presunção iuris tantum e por isso poderá ser relativizada pela apresentação da nota de compra do produto onde constar a data em que foi adquirido. Outra hipótese de não comunhão dos bens móveis será por ressalva no instrumento de pacto antenupcial.                                                                                                                 227 o Lei n 10.406, de 10 de janeiro de 2002, artigo1662 – “No regime da comunhão parcial,

  

presumem-se adquiridos na constância do casamento os bens móveis, quando não se provar

que o foram em data anterior.”

  “Os bens adquiridos por fato eventual, com ou sem concurso de II. trabalho ou despesa anterior”.

  Boa parte da doutrina quando pensa em fato eventual refere-se a loteria, prêmio de jogo, rifa, etc. Havendo ganho de prêmio lotérico ou qualquer outro durante a constância da sociedade marital, a ambos pertencerá o lucro, mesmo que apenas um tenha comprado o bilhete e com seu dinheiro próprio.

  O que dizer, contudo, de uma acessão. Ensina PONTES DE MIRANDA que “não podemos incluir qualquer acessão como aquisição por fato eventual

  228

  (...). Se o bem é particular, a acessão também no é”. Assim, o álveo abandonado pertencerá aos proprietários dos terrenos ribeirinhos. E, sendo esse terreno de propriedade reservada do cônjuge, em nada terá direito o outro sobre o acréscimo de terras, ainda que expressivo.

  Em sentido contrário MARIA HELENA DINIZ, explica em seu Curso de

  

direito civil que para evitar o enriquecimento indevido as acessões devem

  pertencer ao patrimônio comunicável. Assim, “o mesmo se diga das acessões (semeadura, plantações e construção) que também são acréscimos (alteração da redação do inciso IV do artigo 1660 a ser feita pelo PL n. 276/2007 – tal proposta, enquanto contida no PL n. 6.960/2002 – atual PL n. 276/2007 -, foi rejeitada porque “a acessão já está prevista no inciso II do mesmo artigo, quando diz que entram na comunhão os bens adquiridos por fato eventual, com ou sem

  229 concurso de trabalho ou despesa anterior”)”.

  III. “Os bens adquiridos por doação, herança ou legado, em favor de ambos os cônjuges”. 228                                                                                                                 229 Francisco Cavalcanti Pontes de Miranda. Tratado de direito privado, cit., p. 334.

  Maria Helena Diniz. Curso de direito civil, cit., p. 169.

  É certo que na doação haverá documento com a vontade expressa do doador. Dessa forma também, na herança e no legado deverá existir testamento, em qualquer de suas formas, que disponha sobre a vontade do de cujus, no sentido de que o patrimônio herdado alcançará marido e mulher.

  Na falta de manifestação de vontade expressa, a regra geral é a contida no

  230

  inciso I, do artigo 1659, do Código Civil de 2002 , em que os bens doados ou herdados serão incomunicáveis.

  Na hipótese de doação, quando esta for feita a mais de uma pessoa, não sendo indicada a quota que cada um receberá, entende-se distribuído o bem por

  231

  igual entre elas. Caso os donatários sejam marido e mulher, na falta de

  232 qualquer deles o outro receberá a doação integralmente.

  IV. “As benfeitorias em bens particulares de cada cônjuge”. Extrai-se das linhas do artigo 96, do Código Civil de 2002, o conceito de benfeitorias. Elas estão divididas em três classes a saber: voluptuárias são “as de mero deleite ou recreio, que não aumentam o uso habitual do bem, ainda que o tornem mais agradável ou sejam de elevado valor”; úteis são “as que aumentam ou facilitam o uso do bem”; necessárias são “as que têm por fim conservar o

  233 bem ou evitar que se deteriore”. 230 o                                                                                                                 Lei n 10.406, de 10 de janeiro de 2002, artigo1659 – “Excluem-se da comunhão: I - os

bens que cada cônjuge possuir ao casar, e os que lhe sobrevierem, na constância do 231 o casamento, por doação ou sucessão, e os sub-rogados em seu lugar;” Lei n 10.406, de 10 de janeiro de 2002, artigo 551 – “Salvo declaração em contrário, a 232 o doação em comum a mais de uma pessoa entende-se distribuída entre elas por igual.” Lei n 10.406, de 10 de janeiro de 2002, artigo 551, parágrafo único – “Se os donatários,

em tal caso, forem marido e mulher, subsistirá na totalidade a doação para o cônjuge 233 o sobrevivo.” o o Lei n 10.406, de 10 de janeiro de 2002, artigo 96, §§ 1 . a 3 . O artigo 97, no entanto, não considera benfeitorias “os melhoramentos ou acréscimos sobrevindos ao bem sem a intervenção do proprietário, possuidor ou

  234 detentor”.

  É mais do que compreensível que tudo que for conseguido com esforço mútuo faça parte dos bens comuns. Há que se evitar a todo custo, o enriquecimento sem causa de alguma das partes, pois que sendo o casamento um contrato, tornar-se-ia leonino.

  “Os frutos dos bens comuns, ou dos particulares de cada cônjuge, V. percebidos na constância do casamento, ou pendentes ao tempo de cessar a comunhão”.

  Podemos conceituar frutos como “os proveitos, vantagens ou utilidades,

  235 produzidos periodicamente pela coisa frugífera”.

  Aqui, independe se a coisa frugífera pertence a apenas um dos cônjuges ou a ambos. Conta-se somente se os frutos foram percebidos ou estão pendentes. O inciso foi bastante claro ao nomear que os frutos poderiam advir de bens comuns ou bens particulares.

8. Administração dos bens e dívidas

  236

  O Código Civil de 1916, artigo 274 , dispunha sobre a administração dos bens do casal. Ao marido competia a responsabilidade de gerir os bens e                                                                                                                 234 o 235 Lei n 10.406, de 10 de janeiro de 2002, artigo 97.

  R. Limongi França (Professor coordenador). Enciclopédia saraiva do direito, cit., vol. 38, p. 446. quitar as dívidas. Os bens particulares da esposa respondiam pelas contas na medida do proveito obtido.

  O marido era o chefe da sociedade conjugal e por esse motivo ganhava o direito de administraçãodos bens. Esse posicionamento permaneceu até a entrada em vigor da Constituição Federal de 05 de outubro de 1988.

  Atualmente, cabe tanto ao marido quanto à mulher, igualmente, a

  237

  administração dos bens comuns. Quando aos particulares, cada cônjuge é responsável pela sua respectiva porção, salvo convenção em contrário no pacto antenupcial.

  No que tange às dívidas contraídas na administração do monte comum, serão estas pagas com os próprios bens do casal e com os particulares. Primeiramente serão requisitados os bens comuns, não sendo suficientes, os bens particulares do cônjuge administrador arcarão com os haveres. Por fim, os bens particulares do outro cônjuge pagarão na proporção do proveito por este

  238 auferido.

  Assim coloca WASHINGTON DE BARROS MONTEIRO, “se o cônjuge, como administrador dos bens comuns, contrai dívidas, respondem por elas, primeiramente, os bens comuns e os bens particulares do administrador, e, 236 o. o.

  

                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                          Lei n 3.071, de 1 de janeiro de 1916, artigo 274 – “A administração dos bens do casal

compete ao marido, e as dívidas por este contraídas obrigam, não só os bens comuns, senão

ainda, em falta destes, os particulares de um e outro cônjuge, na razão do proveito que cada 237 o qual houver lucrado.” Lei n 10.406, de 10 de janeiro de 2002, artigo 1663 – “A administração do patrimônio 238 o comum compete a qualquer dos cônjuges.” o Lei n 10.406, de 10 de janeiro de 2002, artigo 1663, §1 . – “As dívidas contraídas no

exercício da administração obrigam os bens comuns e particulares do cônjuge que os administra, e os do outro na razão do proveito que houver auferido.” somente esgotados estes, os do outro, na razão do proveito que houver

  239 auferido”.

  Nenhum dos cônjuges poderá, sem autorização do outro, realizar atos a título gratuito que impliquem cessão do uso ou gozo dos bens comuns. É o que

  o 240 241

  se depreende do artigo 1663, §2 . , cumulado com o artigo 1647 , ambos do Código Civil de 2002.

  Ainda nesse sentido, “a administração dos bens comuns cabe naturalmente a qualquer dos cônjuges, mas será necessária a anuência de ambos para a prática de atos que impliquem, a título gratuito, a cessão, do uso ou gozo

  o

  dos bens comuns (CC, artigo 1663, §2 .), pois, poderá tal cessão repercutir negativamente no patrimônio do casal, evitando-se, assim, algum dano ao outro, advindo da gerência de um deles, diminuindo os riscos de negócio feito gratuitamente. Por isso, se ambos anuírem na cessão gratuita, suportarão juntos,

  242 e com consciência, os eventuais prejuízos”.

  Exemplificando essa situação, “não será válido o comodato de um imóvel do casal a terceiro, se ambos os cônjuges não acordarem a esse respeito. O

  243 negócio com a omissão da outorga conjugal será, portanto, anulável”. 239                                                                                                                 240 o Washington de Barros Monteiro. Curso de direito civil, cit., p. 214. o Lei n 10.406, de 10 de janeiro de 2002, artigo 1663, §2 . – “A anuência de ambos os

cônjuges é necessária para os atos, a título gratuito, que impliquem cessão do uso ou gozo dos

bens comuns.” 241 o Lei n 10.406, de 10 de janeiro de 2002, artigo 1647 – “Ressalvado o disposto no art.

1.648, nenhum dos cônjuges pode, sem autorização do outro, exceto no regime da separação

absoluta: I - alienar ou gravar de ônus real os bens imóveis; II - pleitear, como autor ou réu,

acerca desses bens ou direitos; III - prestar fiança ou aval; IV - fazer doação, não sendo

242 remuneratória, de bens comuns, ou dos que possam integrar futura meação.” 243 Maria Helena Diniz. Curso de direito civil, cit., p. 171.

  Silvio de Salvo Venosa. Direito civil, cit., p. 354.

  Havendo malversação dos bens constituintes do patrimônio comum do casal, poderá ser feito pedido motivado ao juiz para que a administração dos bens passe às mãos do cônjuge prejudicado.

  Malversação significa dizer má administração dos bens ou dilapidação deles. Devemos lembrar que “se um dos cônjuges ocasionar prejuízo ao outro em sede de administração de bens, ficará obrigado a reparar o dano, nos termos gerais do artigo 186 (antigo artigo 159), independente de aspectos que possam

  244 gerar indenização com a ruptura do vínculo do casamento”.

  Esse panorama configura causa para alteração do regime de bens. Ressalve-se que para essa hipótese será necessária concordância de ambos os

  245 cônjuges.

  A sociedade conjugal será mantida pelos bens da comunhão. Serão estes responsáveis pelos encargos da família, pelas despesas de administração e pelas

  

246

dívidas decorrentes de imposição legal.

  Desse modo, “havendo dúvida, o gestor que as contrair terá de dar prova

  247 da respectiva causa, sob pena de responder com seus bens particulares”. 244                                                                                                                 245 o Silvio de Salvo Venosa. Direito civil, cit., p. 354.

  Lei n 10.406, de 10 de janeiro de 2002, artigo 1639 – “É lícito aos nubentes, antes de o

celebrado o casamento, estipular, quanto aos seus bens, o que lhes aprouver. §2 É admissível

alteração do regime de bens, mediante autorização judicial em pedido motivado de ambos os

246 o

cônjuges, apurada a procedência das razões invocadas e ressalvados os direitos de terceiros.”

Lei n 10.406, de 10 de janeiro de 2002, artigo 1664 – “Os bens da comunhão respondem

pelas obrigações contraídas pelo marido ou pela mulher para atender aos encargos da família,

247 às despesas de administração e às decorrentes de imposição legal.” Caio Mario da Silva Pereira. Instituições de direito civil, cit., p. 219.

  Para finalizar, qualquer dívida contraída em função dos bens particulares não obrigará os bens comuns. O inverso, contudo, não é verdadeiro, pois o que

  248 se deve preservar sempre é o patrimônio comum do casal.

  Dessa maneira, “sendo os patrimônios separados, as dívidas que cada um dos cônjuges contrair na sua administração não se comunicam. Os bens comuns não respondem por elas, nem os do outro cônjuge. Há, todavia, que distinguir entre as dívidas contraídas no interesse do casal, e as que beneficiarem o acervo particular do cônjuge que as contraiu. Pelas primeiras, respondem os bens

  249 comuns; pelas outras, não”.

9. Término do regime

  O fim do regime legal pode ocorrer por morte de um dos cônjuges,

  250

  separação divórcio, nulidade ou anulação do casamento. De acordo com o

  o

  artigo 1571, §1 ., do Código Civil de 2002, “O casamento válido só se dissolve pela morte de um dos cônjuges ou pelo divórcio, aplicando-se a presunção estabelecida neste Código quanto ao ausente.” Assim, a morte civil também passou a ser considerada como finalizadora da sociedade conjugal.

  O cônjuge supérstite será o responsável pela administração dos bens e dívidas até posterior partilha, desde que convivesse com o de cujus ao tempo de

  251 sua morte. 248 o                                                                                                                 Lei n 10.406, de 10 de janeiro de 2002, artigo 1666 – “As dívidas, contraídas por qualquer

dos cônjuges na administração de seus bens particulares e em benefício destes, não obrigam

249 os bens comuns.” 250 o Caio Mario da Silva Pereira. Instituições de direito civil, cit., p. 220.

  Lei n 10.406, de 10 de janeiro de 2002, artigo 1571 – “A sociedade conjugal termina: I -

pela morte de um dos cônjuges; II - pela nulidade ou anulação do casamento; III - pela

251 o separação judicial; IV - pelo divórcio.

  Lei n 10.406, de 10 de janeiro de 2002, artigo 1797 – “Até o compromisso do

  Nos termos do artigo 1829, I, do Código Civil de 2002, falecendo algum dos consortes o supérstite será meeiro dos bens comuns e herdeiro nos bens

  252 particulares.

  Havendo separação ou divórcio, esses poderão ocorrer pela via judicial. Porém, caso se faça presente o consenso e não exista menores ou incapazes, poderão tramitar pela via administrativa, de acordo com a Lei n. 11.441/07, que

  253 alterou o artigo 982 do Código de Processo Civil brasileiro.

  Quando realizada pela via administrativa, a separação ou o divórcio obedecerão os mesmos prazos da esfera judicial. Entretanto, ao invés de ser prolatada sentença, será realizada escritura que conterá disposições sobre a descrição e a partilha dos bens comuns.

  A escritura pública também poderá conter dados sobre pensão alimentícia e alteração do nome do cônjuge. Não será necessária homologação judicial uma vez que a escritura é título hábil para ingresso no registro de imóveis.

  A comunhão cessará seus efeitos a partir do proferimento da sentença homologatória ou na data da assinatura da escritura pública de separação ou divórcio.

  

                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                         

inventariante, a administração da herança caberá, sucessivamente: I - ao cônjuge ou

252 o companheiro, se com o outro convivia ao tempo da abertura da sucessão.” Lei n 10.406, de 10 de janeiro de 2002, artigo 1829 – “A sucessão legítima defere-se na

ordem seguinte: I - aos descendentes, em concorrência com o cônjuge sobrevivente, salvo se

casado este com o falecido no regime da comunhão universal, ou no da separação obrigatória

de bens (art. 1.640, parágrafo único); ou se, no regime da comunhão parcial, o autor da

253 o herança não houver deixado bens particulares; Lei n 5.869, de 11 de janeiro de 1973 – Código de Processo Civil – artigo 982 –

“Havendo testamento ou interessado incapaz, proceder-se-á ao inventário judicial; se todos

forem capazes e concordes, poderá fazer-se o inventário e a partilha por escritura pública, a

qual constituirá título hábil para o registro imobiliário.”

  A jurisprudência, no entanto, vem entendendo que a separação prolongada também interrompe a comunhão por falta de affectio maritalis ou rompimento

  254

  fático do vínculo. Esse entendimento se configura para evitar enriquecimento sem causa pela continuidade da comunhão, principalmente no que se refere aos bens adquiridos durante a separação de fato, dos quais haverá

  255 incomunicabilidade.

  O artigo 1571, do Código Civil de 2002, dispõe sobre as formas de término da sociedade conjugal e não inclui entre elas a separação de fato. O

  256

  artigo 1576, do mesmo diploma legal , repisa que a separação judicial, e

  o 257

  somente ela, põe termo ao casamento. O artigo 1723, §1 ., da carta civil , todavia, coloca que não será impedimento à união estável a pessoa casada que se 254                                                                                                                 0018296-20.2008.8.26.0510 – Apelação – Relator: João Pazine Neto – Comarca: Rio

  

Claro - 3ª Câmara de Direito Privado. “Partilha de bens Imóvel adquirido anteriormente ao

casamento, mas com recursos provenientes de ambos. Registro em nome apenas da Apelante

por constar o consórcio apenas em seu nome. Meação apenas sobre parcelas do consórcio

pagas até a separação de corpos, a partir de quando não mais persiste a comunhão de

interesses. Afastamento da determinação ao pagamento pela ocupação exclusiva do imóvel,

diante da ausência de pedido a respeito na inicial, que não pode ser interpretado

extensivamente, sob pena de ofensa ao contraditório, pois não ocorreu manifestação da Ré a 255 respeito em sua contestação Recurso parcialmente provido.” 0108896-32.2008.8.26.0011 – Apelação – Relator: Sebastião Carlos Garcia – Comarca:

São Paulo - 6ở Câmara de Direito Privado. ỀPRESTAđấO DE CONTAS - Separação de fato

dos cônjuges - Marido que permaneceu na administração da empresa comum - Dever de

prestar contas a partir da separação de fato do casal - Inconformismo objetivando estender o

período desde a data da constituição da sociedade - Descabimento - Patrimônio comum e

indivisível, sendo descabida a prestação de contas relativamente a esse período - Apelo 256 o desprovido.” Lei n 10.406, de 10 de janeiro de 2002, artigo 1576 – “A separação judicial põe termo aos 257 o deveres de coabitação e fidelidade recíproca e ao regime de bens.” o Lei n 10.406, de 10 de janeiro de 2002, artigo 1723, §1 . – “A união estável não se

constituirá se ocorrerem os impedimentos do art. 1.521; não se aplicando a incidência do inciso VI no caso de a pessoa casada se achar separada de fato ou judicialmente” achar separada de fato ou judicialmente. Nesse caso, o regime de bens será o da

  258 comunhão parcial, conforme o artigo 1725, do Código Civil de 2002.

  Não poderá, assim, haver concomitância entre o regime de bens escolhido para o casamento e o regime de bens da união estável. Dessa forma, o Projeto de Lei n. 6.960/2002 sugeriu alteração do dispositivo legal para que se incluísse dentre as formas de cessação da comunhão de bens a separação de fato.

  Enquanto o referido projeto não é aprovado, cabe a jurisprudência continuar a entender que a separação prolongada extingue o regime de bens, para que dessa forma se evite abusos por qualquer das partes.

  Não nos parece que a separação de fato seja uma boa forma para conclusão do casamento. Todas as hipóteses previstas no artigo 1571, do Código Civil, são comprovadas mediante certidão. Assim é fácil verificar o momento em que a sociedade conjugal cessou seus efeitos para com os cônjuges e com terceiros. No caso da separação de fato, a comprovação restaria prejudicada, pois se embasaria apenas em prova testemunhal, quando essa existir.

  O Estatuto das Famílias n. 674/2007, rezou em seu artigo 59. “A separação de fato ou a separação de corpos põem termo aos deveres conjugais e ao regime de bens. I - A separação de fato se configura quando cessa a convivência entre os cônjuges, ainda que residindo sob o mesmo teto. II – Durante o período em que o cônjuge se encontrar separado de fato ou de corpos os bens adquiridos neste período não se comunicam. III – A separação de corpos pode ser proposta consensualmente ou por qualquer dos cônjuges”.                                                                                                                 258 o Lei n 10.406, de 10 de janeiro de 2002, artigo 1725 – “Na união estável, salvo contrato

  

escrito entre os companheiros, aplica-se às relações patrimoniais, no que couber, o regime da

comunhão parcial de bens.”

  A análise mais aprofundada dessa situação mostra que a separação de fato é muito frágil para ter o encargo de terminar a sociedade conjugal. O mais apropriado seria que o início de uma nova união, por meio de escritura pública de união estável, rompesse esse laço, pois haveria um documento para marcar o momento exato. Para aqueles que não contraírem nova união e que permanecerem separados de fato até a morte, por exemplo, teriam que fazer prova em juízo para assegurar que o patrimônio construído nesse período não comunique ao outro. Somente a verificação caso a caso garantirá uma divisão mais justa desses bens.

  A partilha, quando houver separação ou divórcio, será feita pela meação para ambos os cônjuges dos bens comuns. Quando aos bens reservados, cada cônjuge terá direito aos seus próprios, não havendo divisão sobre eles.

  Ainda que estivesse estabelecido por pacto antenupcial que apenas um dos cônjuges seria responsável pela administração de todos os bens, comuns e particulares, na hora da partilha, os bens reservados permanecerão com sua característica de incomunicáveis.

  Portanto, “é preciso deixar bem claro que o marido, ao administrar os bens de sua mulher, age como seu representante, pois sua esposa tem o domínio

  259 e a posse do que lhe pertence”.

  No caso de nulidade ou anulação do casamento não há que se falar em meação, pois não havendo comunhão, cada parte retirará exatamente o que trouxe individualmente para a massa. 259                                                                                                                 Maria Helena Diniz. Curso de direito civil, cit., p. 172.

  Sendo o casamento putativo, os bens serão divididos em duas metades para meação de cada cônjuge. Ocorre que se apenas um dos cônjuges for inocente, o outro perderá os direitos a meação sobre os bens trazidos pelo inocente para a comunhão.

  Assim, haverá os bens reservados do inocente, os bens reservados do culpado, os bens comuns trazidos pelo inocente e os bens comuns trazidos pelo culpado. O inocente terá direito a seus reservados, à meação dos comuns trazidos pelo culpado e à integralidade dos bens comuns trazidos por ele

  260 próprio.

  Dessa maneira postula WASHINGTON DE BARROS MONTEIRO, “não pode o culpado pretender assim meação no patrimônio com que o inocente entrou para a comunhão. Este último, porém, tem direito a meação relativa aos

  261 bens trazidos à comunhão pelo culpado”.

  262

  O mesmo entendimento é acolhido no direito francês, artigo 265 e

  263 264

  267 , do Código Civil francês e no direito português, artigo 1790 , do Código Civil português.                                                                                                                 260 o Lei n 10.406, de 10 de janeiro de 2002, artigo 1564 – “Quando o casamento for anulado

  

por culpa de um dos cônjuges, este incorrerá: I - na perda de todas as vantagens havidas do

cônjuge inocente; II - na obrigação de cumprir as promessas que lhe fez no contrato

o o 261 antenupcial.” e Lei n 3.071, de 1 . de janeiro de 1916, artigo 232. 262 Washington de Barros Monteiro. Curso de direito civil, cit., p. 207.

  Código Civil francês, artigo 265 – “Le divorce est sans incidence sur les avantages

matrimoniaux qui prennent effet au cours du mariage et sur les donations de biens présents

quelle que soit leur forme. Le divorce emporte révocation de plein droit des avantages

matrimoniaux qui ne prennent effet qu'à la dissolution du régime matrimonial ou au décès de

l'un des époux et des dispositions à cause de mort, accordés par un époux envers son conjoint

par contrat de mariage ou pendant l'union, sauf volonté contraire de l'époux qui les a

consentis. Cette volonté est constatée par le juge au moment du prononcé du divorce et rend

irrévocables l'avantage ou la disposition maintenus. Toutefois, si le contrat de mariage le

prévoit, les époux pourront toujours reprendre les biens qu'ils auront apportés à la

communauté.” O divórcio não tem nenhum impacto sobre os benefícios conjugais que entrem

em vigor durante o casamento e sobre as doações de bens, independentemente da sua forma.

  No que se refere as dívidas, também estas serão partilhadas. Findado o casamento, as dívidas comuns serão pagas com o patrimônio comum. Após dedução dos valores, o que sobrar será partilhado.

  Quanto as dívidas sobre os bens particulares, esgotados estes, os credores deverão aguardar o registro da partilha para aí sim executarem os bens recebidos. Esses bens não serão mais comuns, com a divisão integrarão o patrimônio próprio.

  Como já ensinou PONTES DE MIRANDA, “só então, dissolvida a comunhão, poderá o credor executar essês bens, que se tornaram, pela morte do

  

                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                         

O divórcio implica revogação plena dos direitos matrimoniais que entrem em vigor até a

dissolução do casamento ou morte de um dos cônjuges e as disposições causa morte,

concedido pelo marido contra a esposa por contrato de casamento ou durante a união, salvo

acordo em contrário do marido que o fez. Este compromisso é reconhecido pelo juiz no

momento do pronunciamento do divórcio e faz irrevogável o benefício ou as disposições

mantidas. No entanto, se o contrato de casamento o preveja, os cônjuges terão sempre de volta

263 a propriedade dos bens que eles trouxeram para a comunidade." (tradução livre).

  Código Civil francês, artigo 267 – “A défaut d'un règlement conventionnel par les époux,

le juge, en prononçant le divorce, ordonne la liquidation et le partage de leurs intérêts

patrimoniaux. Il statue sur les demandes de maintien dans l'indivision ou d'attribution

préférentielle. Il peut aussi accorder à l'un des époux ou aux deux une avance sur sa part de

communauté ou de biens indivis. Si le projet de liquidation du régime matrimonial établi par

le notaire désigné sur le fondement du 10° de l'article 255 contient des informations

suffisantes, le juge, à la demande de l'un ou l'autre des époux, statue sur les désaccords

persistant entre eux.” Na ausência de um acordo tratado pelos cônjuges, o juiz, ao conceder o

divórcio, ordenará a liquidação e a divisão dos interesses patrimoniais. Ele decidirá demandas

sobre mantença da indivisão ou sobre atribuição de preferência. Também pode ser dado a um

dos cônjuges ou ambos um avanço na sua parcela de propriedade da comunidade ou sobre os

bens indivisíveis. Se a liquidação proposta do regime matrimonial estabelecido pelo advogado

constituído sob o fundamento do 10° da seção 255 contiver informações suficientes, o juiz, a

pedido de um dos cônjuges, decidirá sobre as desavenças persistentes entre eles. (tradução

264 livre).

  Código Civil português, artigo 1790 - “O cônjuge declarado único ou principal culpado

não pode na partilha receber mais do que receberia se o casamento tivesse sido celebrado segundo oregime da comunhão de adquiridos.” outro cônjuge, pelo desquite, ou pela anulação do casamento, bens pessoais do

  265 devedor”.

  Se houver reconciliação depois da partilha, qualquer bem ou dívida adquirida nesse período deverá integrar o patrimônio reservado de cada um dos cônjuges, salvo no caso das dívidas terem sido contraídas em benefício comum do casal. 265                                                                                                                 Francisco Cavalcanti Pontes de Miranda. Tratado de direito privado, cit., t. 8, p. 308.

  CAPÍTULO 4 – ASPECTOS POLÊMICOS SOBRE O REGIME LEGAL

  “Os regimes de bens no casamento, embora afetem modalidades diversíssimas, reduzem- se todos a dois tipos, o da comunhão e o da separação, os quais, combinando-se, fazem surgir essa expansão polimórfica de tantos regimes diferentes, consignados nos Códigos e engendrados pelas convenções dos

  266 indivíduos”.

  (CLOVIS BEVILÁQUA)

1. Causas suspensivas: regime legal ou obrigatório?

  As causas suspensivas, antes compreendidas como impedimentos

  

267

  impedientes, suspensivos ou proibitivos , não inquinam o casamento. O artigo 1523, do Código Civil, dispõe “não devem casar”, ou seja, coloca ao arbítrio dos nubentes a união pelo casamento. Ressalva, contudo, que insistindo na união uma sanção de natureza civil será imposta, qual seja, o regime da separação obrigatória de bens.

  Ensina PONTES DE MIRANDA que “no caso de silêncio, a lei determina o regime de bens entre cônjuges. Se uma das pessoas ou ambas estão sujeitas a regime legal obrigatório, não cabe levar-se em conta o querer dela ou delas, 266                                                                                                                 Clóvis Beviláqua. Clássicos da literatura jurídica. Direito de família, Rio de Janeiro: 267 Editora Rio, 1976, p. 176.

  Lei n. 3.071, de 1º de janeiro de 1916, artigo 183, XIII a XVI.

  268 porque é a lei mesma que se desinteressa de qualquer expressão de vontade”.

  O regime da separação obrigatória visa coibir o mal que a causa suspensiva tentar evitar. Dessa forma, nos cabe análisar cada uma delas.

  “Artigo 1523, I - o viúvo ou a viúva que tiver filho do cônjuge falecido, enquanto não fizer inventário dos bens do casal e der partilha aos herdeiros”.

  Este inciso pretende evitar confusão patrimonial. Aquele que tiver filhos do cônjuge falecido necessitará dar partilha a esses bens antes que constitua nova união para que os novos aquestos não se misturem a herança.

  Portanto, caso o viúvo ou a viúva convole novas núpcias estará impedida a comunicação de patrimônios por meio da separação obrigatória, além da

  269 hipoteca legal de seus imóveis em favor dos filhos.

  “II - a viúva, ou a mulher cujo casamento se desfez por ser nulo ou ter sido anulado, até dez meses depois do começo da viuvez, ou da dissolução da sociedade conjugal”.

  Este inciso pretende evitar a confusão de sangue ou turbatio sanguinis. Dessa forma, a muher que findar um casamento, deve aguardar, por orientação desse inciso, dez meses para ingresso no próximo matrimônio. O prazo refere-se ao tempo máximo de uma gestação. Caso a mulher esteja grávida terá tempo suficiente para dar a luz à criança sem confusões de paternidade. 268                                                                                                                 269 o Francisco Cavalcanti Pontes de Miranda. Tratado de direito privado, cit., t. 8, p. 234.

  Lei n 10.406, de 10 de janeiro de 2002, artigo 1.489 – “A lei confere hipoteca: II - aos

filhos, sobre os imóveis do pai ou da mãe que passar a outras núpcias, antes de fazer o

inventário do casal anterior.”

  “III - o divorciado, enquanto não houver sido homologada ou decidida a partilha dos bens do casal”.

  O presente inciso retoma a discussão iniciada no inciso I desse mesmo artigo. A diferença está que naquele a primeira união se finda com a morte e a partilha se dá por inventário, enquanto nesse a união termina por divórcio e a partilha ocorre por homologação da decisão do casal.

  Da mesma maneira, enquanto não for homologada a partilha dos bens, não será permitido novo casamento por regime que não seja o da separação obrigatória de bens.

  “IV - o tutor ou o curador e os seus descendentes, ascendentes, irmãos, cunhados ou sobrinhos, com a pessoa tutelada ou curatelada, enquanto não cessar a tutela ou curatela, e não estiverem saldadas as respectivas contas”.

  Este inciso busca evitar que o tutelado ou curatelado se sinta obrigado no casamento com pessoa que detém poder sobre ele. Por outro lado, também visa impedir que o tutor ou curador se exima da prestação de contas afeta a tutela e curatela sob o pretexto do casamento.

  As causas suspensivas, conforme já dito, não obstam o casamento, mas sim a livre escolha do regime de bens. Será perfeitamente contornável a sanção do regime obrigatório quando restar provada a inexistência de prejuízo, respectivamente, ao herdeiro, ao ex-cônjuge e à pessoa tutelada ou curatelada. No caso do inciso II, cairá a obrigatoriedade após prova do nascimento de filho

  270 ou inexistência de gravidez. 270 o                                                                                                                 Lei n 10.406, de 10 de janeiro de 2002, artigo 1523, parágrafo único. Ressalve-se que as causas suspensivas poderão ser arguidas apenas pelos parentes em linha reta de algum dos nubentes, sejam estes consanguíneos ou

  271

  afins, bem como pelos colaterais em segundo grau , pois a proximidade dessas pessoas faz com que elas detenham conhecimento sobre a vida íntima dos nubentes e assim possam esclarecer o juízo sobre a infringência de alguma causa suspensiva.

  No direito português, a ocorrência de impedimentos obsta o próprio casamento. Não há, naquele país, divisão entre causas suspensivas e impedimentos ao matrimônio. Assim, ou o casamento é permitido na amplitude de sua forma, ou ele é proibido.

  Reza o artigo 1600, do Código Civil português “têm capacidade para contrair casamento todos aqueles em quem se não verifique algum dos impedimentos matrimoniais previstos na lei”.

  Mais adiante, o artigo 1609, do mesmo diploma legal, enumera alguns dos impedimentos passíveis de dispensa. Assim, “1. São susceptíveis de dispensa os impedimentos seguintes: a) O parentesco no terceiro grau da linha colateral; b) O vínculo de tutela, curatela ou administração legal de bens, se as respectivas contas estiverem já aprovadas; c) O vínculo de adopção restrita”.

  Por fim, o artigo 1611, 3, do Código Civil luso explica que “3. Feita a declaração, o casamento só será celebrado se o impedimento cessar, for dispensado nos termos do artigo 1609º ou for julgado improcedente por decisão judicial com trânsito em julgado”.

  Da mesma forma o direito italiano também ou permite o casamento na                                                                                                                 271 o Lei n 10.406, de 10 de janeiro de 2002, artigo 1524. integralidade de sua forma, com livre escolha do regime de bens, ou o impede por absoluto. O artigo 104, 1a. parte, assim prescreve “L'opposizione fatta da chi

  

ne ha facoltà, per causa ammessa dalla legge, sospende la celebrazione del

matrimonio sino a che con sentenza passata in giudicato sia rimossa

272 l'opposizione”.

  No mesmo sentido o artigo 156 do Código Civil mexicano “Son

  

impedimentos para celebrar el contrato de matrimonio: I. La falta de edad

requerida por la ley, cuando no haya sido dispensada; II. La falta de

consentimiento del que, o los que ejerzan la patria potestad, del tutor o del juez,

en sus respectivos casos; III. El parentesco de consanguinidad legítima o

natural, sin limitación de grado en la línea recta, ascendente o descendente. En

la línea colateral igual, el impedimento se extiende a los hermanos y medios

hermanos. En la colateral desigual, el impedimento se extiende solamente a los

tíos y sobrinos, siempre que estén en el tercer grado y no hayan obtenido

dispensa; IV. El parentesco de afinidad en línea recta, sin limitación alguna; V.

El adulterio habido entre las personas que pretendan contraer matrimonio,

cuando ese adulterio haya sido judicialmente comprobado; VI. El atentado

contra la vida de alguno de los casados para contraer matrimonio con el que

quede libre; VII. La fuerza o miedo grave. En caso de rapto, subsiste el

impedimento entre el raptor y la raptada, mientras ésta no sea restituida a lugar

seguro, donde libremente pueda manifestar su voluntad; VIII. La impotencia

incurable para la cópula; y las enfermedades crónicas e incurables, que sean,

además, contagiosas o hereditarias. IX. Padecer alguno de los estados de

incapacidad a que se refiere la fracción II del artículo 450. X. El matrimonio

subsistente con persona distinta a aquella con quien se pretenda contraer. De

                                                                                                                272 a Código Civil italiano, artigo 104, 1 . parte – “A oposição feita por aqueles que podem, das

razões permitidas por lei, suspende a celebração do casamento até a sentença final se a

oposição for removida.” (tradução livre)

  

estos impedimentos sólo son dispensables la falta de edad y el parentesco de

consanguinidad en línea colateral desigual”.

  Pelo exposto, as causas suspensivas são hipóteses previstas pelo legislador para evitar a confusão patrimonial ou sanguínea. Portanto, pelo menos no que toca aos bens, cria-se uma ressalva à liberdade de escolha do regime de bens pelos cônjuges.

  Não se trata, como visto, de impedimento absoluto limitador do casamento, mas zêlo preventivo a prejudicialidade de menores, incapazes ou mesmo de nubentes que inebriados pela situação do novo casamento podem ser compelidos a fazer uma escolha errada quanto a seu patrimônio.

  A separação obrigatória de bens é um regime legal, pois está expresso na lei a sua aplicação e ao mesmo tempo é um regime obrigatório, porque quando há subsunção do fato concreto à hipótese prevista na lei não se poderá fugir a limitação imposta.

  Não confundamos o regime legal dispositivo aplicado no silêncio das partes (comunhão parcial) com o regime legal cogente (separação obrigatória) resultado da incidência de alguma das causas suspensivas.

  Dessa maneira explica PONTES DE MIRANDA, “assim, a questão do caráter do regime legal não posta para as duas espécies: regime legal dispositivo, isto é, estabelecido por lei para o caso de completa ou insuficiente expressão da vontade das partes, de modo que o modêlo da lei significa convenção tácita; regime legal obrigatório, ou melhor, cogente, em que a lei impõe as normas sôbre os bens, ainda que os nubentes tenham querido, no pacto antenupcial,

  273

  outra coisa”. As causas suspensivas ao casamento, são assim motivadoras da aplicação do regime legal obrigatório de bens.

2. Regime legal na união estável

  Protegida constitucionalmente, a união estável é reconhecida como entidade familiar e deve ter facilitada sua conversão em casamento. Assim prevê o artigo 226, §3°, da Constituição Federal, “A família, base da sociedade, tem especial proteção do Estado. § 3º - Para efeito da proteção do Estado, é reconhecida a união estável entre o homem e a mulher como entidade familiar, devendo a lei facilitar sua conversão em casamento”.

  274

  Como bem assevera SILVIO RODRIGUES , a união estável é instituto diverso do casamento afastando-se sua equiparação. Não se cogitaria conversão se se tratasse do mesmo conceito.

  275

  RODRIGO DA CUNHA PEREIRA , aduz que a conversão da união estável é realizada pela via judicial em Cabo Verde e Cuba e por via administrativa no Panamá.

  O Supremo Tribunal Federal por meio da Súmula 380, trata sobre a divisão dos bens quando findada a união estável. Assim, “comprovada a existência de sociedade de fato entre os concubinos, é cabível a sua dissolução judicial, com a partilha do patrimônio adquirido pelo esforço comum”. 273                                                                                                                 274 Francisco Cavalcanti Pontes de Miranda. Tratado de direito privado, cit., t. 8, p. 234.

  Silvio Rodrigues. Casamento e união estável, in Revista Brasileira de Direito Comparado, 275 n. 11, 1991, p. 49. a Rodrigo da Cunha Pereira. Concubinato e união estável, 7 . Ed., Belo Horizonte: Del Rey, 2004, p. 142.

  Aplica-se, como se vê, o regime da comunhão parcial para regular o patrimônio dos conviventes. Assim também, regula o artigo 1725, do Código Civil, “na união estável, salvo contrato escrito entre os companheiros, aplica-se às relações patrimoniais, no que couber, o regime da comunhão parcial de bens”.

  Da mesma maneira que no casamento, silenciando as partes vigorará a comunhão parcial de bens como regime legal. Nada impede, contudo, que os conviventes contratem de outro modo.

  Não será possível realizar pacto antenupcial, pois conforme denota o artigo 1653, do Código Civil, esse será “ineficaz se não lhe seguir o casamento”.

  Poderão, todavia, fazer a opção no próprio corpo da escritura pública de união estável. Segue anexo a esse trabalho uma minuta com exatamente esses elementos. As partes afirmam publicamente a vontade de união estável e optam por regime diverso da comunhão parcial ou por ele próprio. A lei não exige que

  276 o instrumento seja público, basta “contrato escrito entre os companheiros”.

  Contudo, inegável a vantagem de sua constituição por instrumento público.

  GUILHERME CALMON NOGUEIRA DA GAMA, exclui dos aquestos os bens adquiridos a título gratuito “justamente em virtude da inexistência do esforço do próprio adquirente para amealhar aquele patrimônio, motivo pelo

  277 qual não há que se perquirir no esforço do consorte”. 276 o                                                                                                                 277 Lei n 10.406, de 10 de janeiro de 2002, artigo 1725.

  Guilherme Calmon Nogueira da Gama. O companheirismo: uma espécie de família. São Paulo: Revista dos Tribunais, 2001, p. 310.

  As regras do regime da comunhão parcial são exatamente as mesmas, seja para o casamento, seja para a união estável. A opção legislativa se repetiu nesse caso para consagração do regime legal.

  Recentemente a Corte Suprema do país julgou a ADI n. 4.277 e a ADPF n. 132, ambas referente ao reconhecimento da união entre pessoas do mesmo sexo como entidade familiar e a extenção dos mesmos direitos dos companheiros de uniões estáveis aos companheiros de uniões entre pessoas do

  278 mesmo sexo.

  A votação trouxe à lume a interpretação do artigo 1723, do Código Civil, conforme a Constituição Federal, que repudia qualquer traço de intolerância e preconceito e elege como preceitos fundamentais a igualdade, a liberdade e a dignidade da pessoa humana.

  Os Ministros Marco Aurélio e Celso de Mello, ressaltaram em seus votos o caráter laico do Estado, impedindo que a moral religiosa sirva de parâmetro para limitar a liberdade das pessoas.

  Essa decisão criou a quarta família brasileira, antecedida pelas famílias criadas a partir do casamento, da união estável heterosexual e da monoparental. As relações patrimoniais, nesse sentido, também serão reguladas pelo artigo 1725, do Código Civil, isto é, pelo regime da comunhão parcial de bens.

  De acordo com o voto proferido pelo Ministro Ayres Britto a união homoafetiva não pode ser classificada como mera sociedade de fato, como se 278                                                                                                                 Ricardo Haidar. Revista consultor jurídico. Disponível em:

  http://www.conjur.com.br/2011-mai-05/supremo-tribunal-federal-reconhece-uniao-estavel- homoafetiva. Acesso em: 29 de janeiro de 2012. fosse um negócio mercantil. Assim, da mesma maneira que na união estável heterosexual, não havendo contrato escrito entre os companheiros, serão aplicadas as regras atinentes ao regime legal.

  A Corte Suprema igualou as uniões entre pessoas do mesmo sexo à entidade familiar decorrente da união estável em direitos e obrigações.

3. Compra e venda: necessidade de vênia conjugal

  Para iniciar essas considerações necessário se faz explicar a amplitude da expressão vênia conjugal ou outorga conjugal. Trata-se da permissão ou consentimento dado a outrem para a prática de certos atos da vida civil.

  No Código Civil anterior muito comum era a outorga uxória realizada pela esposa em favor do marido. Uxoria vem do latim uxor, uxoris, mulher

  279

  casada. Ocorria também, em menor escala, a outorga marital em que o varão concedia à mulher a permissão para determinados atos. Atualmente, essa permissão ou concordância se dá a ambos os cônjuges em virtude do regime de bens adotado pelo casal.

  A compra de qualquer bem imóvel independe de anuência, por agregar ao patrimônio do casal. Pouco importa, nesse caso, o regime de bens adotado. Sendo um benefício, não requer aquiescência do outro consorte.

  Exceção se faz a compra com alienação fiduciária, que RENAN MIGUEL SAAD conceitua da seguinte forma “contrato de efeitos reais que visa à 279                                                                                                                 R. Limongi França (Professor coordenador). Enciclopédia saraiva do direito, cit., vol. 56,

  p. 406. constituição de direito real acessório de garantia, segundo o qual se transferem ao fiduciário (credor) a propriedade resolúvel e a posse indireta de uma coisa, com a finalidade de assegurar o cumprimento da obrigação principal fiduciante

  280 (devedor) que se tornará possuidor indireto do aludido bem”.

  Nessa hipótese, a compra do bem camufla uma venda, pois ato contínuo à sua aquisição há uma transferência da propriedade resolúvel ao fiduciário. Assim, o cônjuge terá que assinar o ato de compra concordando com a alienação fiduciária.

  Da mesma forma, a venda pura e simples de um bem imóvel carecerá da

  281

  assinatura de ambos os consortes. Tanto na venda como na alienação fiduciária estarão isentos da outorga conjugal os casados sob o regime da

  282 separação absoluta de bens.

  Nesse ponto se instala uma discussão. Parte da doutrina, representada por CAIO MÁRIO DA SILVA PEREIRA, entende que são gêneros distintos a separação convencional de bens e a separação obrigatória. Outros, entretanto, estudam a separação de bens como gênero da qual são espécies separação legal e convencional. Assim, WASHINGTON DE BARROS MONTEIRO, MARIA HELENA DINIZ, AFONSO CELSO F. DE REZENDE, CARLOS FERNANDO BRASIL CHAVES. 280                                                                                                                 Renan Miguel Saad. A alienação fiduciária sobre bens imóveis. Rio de Janeiro: Renovar,

  2001, p. 82. 281 Dessa mesma maneira prevê o estatuto das famílias n. 674/2007 - Art. 41. “Nenhum dos

cônjuges pode, sem autorização do outro, exceto no regime da separação: I - vender, doar,

permutar, dar em pagamento, ceder ou gravar de ônus real os bens comuns; II - prestar

282 o fiança.” Lei n 10.406, de 10 de janeiro de 2002, artigo 1647 – “Ressalvado o disposto no art.

1.648, nenhum dos cônjuges pode, sem autorização do outro, exceto no regime da separação

absoluta”

  Essa diferença implica nova questão no sentido da comunicabilidade ou não dos bens adquiridos no regime da separação de bens. Explica BARROS MONTEIRO, “relevante alteração foi realizada no Código Civil, que possibilitou a livre alienação de imóveis, dentre outros atos atinentes a direitos reais, assim como a prestação de fiança, independentemente de outorga uxória, se adotado o regime da separação absoluta, por convenção ou por força de lei,

  283 nos termos do artigo 1647”.

  Assim, entendendo a separação de bens como gênero, o artigo 1647, do Código Civil aplicaria-se à separação legal e convencional, ou seja, nos dois casos estaria dispensada a vênia conjugal.

  Para CAIO MÁRIO DA SILVA PEREIRA, diversamente, a separação pura ou completa se daria apenas no regime de separação convencional de bens, conforme segue: “não sendo de ordem pública a disposição, o pacto antenupcial poderá estatuir diversamente”, porque “diante da possibilidade de mudança de regime de bens, consideramos que deve prevalecer a vontade dos cônjuges ao

  284 fixarem regras no pacto antenupcial”.

  E, ainda, sobre a análise da Súmula n. 377 do Supremo Tribunal Federal: “note-se que a referida Súmula se impõe no regime legal de separação para

  285

  reconhecer a colaboração e o esforço comum entre os cônjuges”. Extrai-se desse pensamento que sendo gêneros distintos a separação convencional e a legal, na primeira operaria-se a absoluta separação dos patrimônios, caso em que se aplicaria a regra do artigo 1647, do Código Civil, com a dispensa da outorga conjugal. Na separação legal, todavia, por incidência da Súmula n. 377 da Corte 283                                                                                                                 284 Washington de Barros Monteiro. Curso de direito civil, cit., p. 223. 285 Caio Mário da Silva Pereira. Instituições de direito civil, cit., p. 238.

  Caio Mário da Silva Pereira. Instituições de direito civil, cit., p. 238. Máxima, haveria de comunicar-se os aquestos, necessitando dessa maneira de vênia conjugal para os casos previstos nos incisos do citado artigo.

  Sobre a aplicação dessa Súmula, a jurisprudência vêm entendendo que pouco importa se o regime é de separação convencional ou legal, tendo havido esforço mútuo para construção do patrimônio, sobreleva-se o princípio da vedação do enriquecimento sem causa, admitindo portanto a comunicação dos

  286 bens aquestos.

4. Repercussão do regime legal matrimonial de bens no direito de empresa

   

  O casamento, que muitas vezes tem a duração da vida dos próprios cônjuges, está sujeito a inúmeras situações durante seu curso. É possível que um dos consortes constitua ou adentre a uma empresa pré-constituída. Outras vezes, pode acontecer de um deles já ser empresário por ocasião do casamento.

  Portanto, nesse cenário é válido trazer à lume o conceito de empresa. Trata-se de atividade ecomonicamente organizada para a produção ou circulação de bens ou de serviços, conforme descreve o artigo 966, do Código Civil. O Código define, na verdade, empresário como sendo o exercente dessa atividade que implica requisitos como habitualidade, pessoalidade, empreendedorismo, lucro, conhecimento tecnológico, entre outros.

  O empresário poderá ser identificado em dois grupos: pessoa física e pessoa jurídica. Será pessoa física o empresário individual e pessoa juírica a 286                                                                                                                 REGIME DA SEPARAđấO LEGAL DE BENS. COMUNICAđấO DE AQUESTOS.

  

SUMULA 377 DO STF. APL 9147456542007826 SP 9147456-54.2007.8.26.0000;

Relator(a):Antonio Vilenilson; Julgamento:26/04/2011; Órgão Julgador:9ª Câmara de Direito

Privado; Publicação:26/04/2011

  287

  sociedade empresária. FABIO ULHOA COELHO assevera que sociedade empresária é a “pessoa juídica de direito privado não-estatal, que explora empresarialmente seu objeto social ou a forma de sociedade por ações”. E ainda continua, “A pessoa jurídica não se confunde com as pessoas que a compõem. Tem ela personalidade jurídica distinta da de seus sócios; são pessoas inconfundíveis, independentes entre si”.

  Qualquer pessoa capaz civilmente pode exercer a atividade empresarial, desde que não esteja legalmente impedida (artigo 972, do Código Civil). Assim, quando o artigo 977, do Código Civil, obstaculiza a constituição de sociedade por cônjuges casados sob o regime da comunhão universal ou da separação obrigatória, impede legalmente essas pessoas de exercerem a empresa.

  O citado artigo restringe a sociedade não só entre os cônjuges como também com terceiros. Posto isso, várias dúvidas se formaram entorno do tema, até que o Conselho da Justiça Federal dirimiu parte delas com os Enunciados n. 204 e 205, aprovados na III Jornada de Direito Civil, que dispõem: “204 – Art. 977: A proibição de sociedade entre pessoas casadas sob o regime da comunhão universal ou da separação obrigatória só atinge as sociedades constituídas após a vigência do Código Civil de 2002. 205 – Art. 977: Adotar as seguintes interpretações ao art. 977: (1) a vedação à participação de cônjuges casados nas condições previstas no artigo refere-se unicamente a uma mesma sociedade; (2) o artigo abrange tanto a participação originária (na constituição da sociedade) quanto a derivada, isto é, fica vedado o ingresso de sócio casado em sociedade de que já participa o outro cônjuge”.

  Dessa forma, os casados anteriormente pelos regimes indicados no Código Civil de 2002 não estarão adstritos a essa regra, pois a aplicação ex tunc 287                                                                                                                 Fábio Unlhoa Coelho. Manual de direito comercial. São Paulo: Saraiva, 2009, p. 21. resultaria instabilidade no direito. Quanto a possibilidade dos cônjuges contratarem sociedade com terceiros, o Conselho da Justiça Federal reviu o entendimentio do artigo 977 e permitiu que individualmente qualquer deles possa constituir sociedade empresária. O impedimento restaria apenas na criação de uma sociedade entre esposos. Por fim, não está permitida a entrada do casado nos regimes impedidos pelo Código nas sociedades já constituídas, bem como, naquelas por nascer.

  Essas exceções estão presentes no texto legal porque, no caso do regime da comunhão universal, não há real separação dos bens integralizados pelos sócios, pois o regime se sobrepõe às regras empresariais, sendo que na verdade trata-se de um empresário individual e não de sociedade empresária, uma vez que a essência desse regime é a comunhão de almas e de patrimônios. No que tange a separação obrigatória, houve um temor do legislador pela burla do regime. Integralizado o capital, os sócios são cotistas do todo. O juiz PABLO

  288

  STOLZE GAGLIANO , do TJ/BA, critica essa repressão. Para ele, “toda fraude deve ser apreciada in concreto, e não segundo os critérios apriorísticos injustificadamente criados pelo legislador”.

  Nova ressalva cabe fazer sobre os bens componentes do capital social da empresa. Independentemente do regime de bens que cada sócio seja casado, poderá ele dispor ou gravar de ônus real os imóveis que integrem o patrimônio da empresa sem necessidade de outorga conjugal. O que a primeira vista pode parecer incompatível com as regras patrimoniais do casamento, se explica pela personalidade jurídica independente da empresa.

  Trata-se de uma exceção do sistema do regime de bens que prevê no 288                                                                                                                 Pablo Stolze Gagliano. Sociedade formada por Cônjuges e o Novo Código Civil. Diário do

  Poder Judiciário, p. 2-2, 2003. artigo 1647, I, do Código Civil “Ressalvado o disposto no art. 1.648, nenhum dos cônjuges pode, sem autorização do outro, exceto no regime da separação absoluta: I - alienar ou gravar de ônus real os bens imóveis”. Porém, está consentâneo com o disposto no artigo 1642, I, do mesmo diploma civil, “Qualquer que seja o regime de bens, tanto o marido quanto a mulher podem livremente: I - praticar todos os atos de disposição e de administração necessários ao desempenho de sua profissão, com as limitações estabelecida no inciso I do art. 1.647”.

  Como alternativa para tais casos, há a possibilidade da constituição de

uma sociedade anônima, capital fechado, pois para a sua constituição não há

necessidade da efetivação de contrato social e sim de Estatuto Social, sendo que

esse tipo societário é regido por Lei especial – Lei n. 6.404/76, que não impede

que pessoas casadas sob os regimes excluídos pelo código civil, façam parte de

uma S/A.

  Tanto é que o próprio código civil em seu artigo 1089 estabelece que: “a

sociedade anônima rege-se por lei especial, aplicando-se-lhe, nos casos omissos,

as disposição deste Código”.

  De sorte que, apesar da constituição de uma S/A ser mais onerosa e

demandar maiores cuidados contábeis, surge como alternativa para os casais que

contraíram núpcias pelos regimes proibitivos, em constituir sociedade, sendo

inclusive, uma ótima alternativa para a constituição de holding patrimonial

através deste tipo societário.

   

5. Separação obrigatória para maiores de setenta anos

  O instituto do casamento atravessou os séculos sempre com o mesmo escopo, a comunhão de almas e de patrimônios. Do direito romano, duo in carne una, assim, duas pessoas se unem para a formação de uma família.

  A princípio o casamento era realizado apenas para união patrimonial e perpetuação da espécie. A evolução social, todavia, caminhou no sentido da afinidade. Dessa forma, o conceito de família transbordou para searas muito mais diversificadas.

  O casamento, visto como forma de aquisição da propriedade, comporta relativização, uma vez que é lícito aos nubentes disporem sobre seus bens da maneira que lhes aprouver. O pacto antenupcial ganha espaço justamente quando a lei não atende a especificidade do caso em particular. Os consortes podem customizar o regime de bens ao qual estarão vinculados.

  O Código Civil tem previsão para casamentos in extremis vitae e para idosos, casos em que possivelmente a finalidade não é a procriação, mas a convivência ao lado da pessoa amada.

  Estranhamente o legislador ao delinear o Código Civil de 2002 permaneceu vinculado a necessidade de imposição do regime obrigatório para pessoas que já alcançaram certa idade. Essa noção limitadora nasceu no direito romano, pois “a lei Papia Poppaea proibia o casamento das pessoas que houvessem ultrapassado certo limite de idade. Mas tal disposição, que representava grave limite à liberdade dos cidadãos, foi revogada por

  289 CONSTANTINO e seus sucessores”.

  O Código Civil de 1916, artigo 258, trazia em seu bojo essa restrição 289                                                                                                                 Washington de Barros Monteiro. Curso de direito civil, cit., p. 217.

  “Não havendo convenção, ou sendo nula, vigorará, quanto aos bens entre os cônjuges, o regime de comunhão parcial. Parágrafo único - É, porém, obrigatório o da separação de bens do casamento: II - do maior de 60 (sessenta) e da maior de 50 (cinqüenta) anos”.

  Na época havia ainda a divergência de idades para o homem e para a mulher. Após o advento da Constituição Federal de 1988, que igualou os sexos, conforme dispositivos citados nos artigos 5º, I e 226,§5º, a única alteração nesse tocante promovida pelo novo ordenamento civil foi quanto a equivalência das idades em 60 anos para homens e mulheres.

  Não se pode dizer que foi propriamente um avanço, uma vez que nos tempos atuais em que a expectativa de vida do povo brasileiro chega a casa dos 73,5 anos, conforme consta na Tábua completa de mortalidade de 2010 expedida

  290

  pelo IBGE , o cidadão com 60 anos, salvo alguma exceção, está em pleno 290                                                                                                                

  BRASIL: Tábua Completa de Mortalidade - Ambos os Sexos - 2010 Probabilidades Expectativa de Morte de Vida Idades Óbitos entre Duas D (X, L (X, l ( X ) T(X) Exatas Idades Exatas N) N) à Idade X Q (X, N) (Por (X) Mil) E(X) 21,638 2164 100000 98085 7348357 73,5 Notas: N = 1 Q(X, N) = Probabilidades de morte entre as idades exatas X e X+N. l(X) = Número de sobreviventes à idade exata X. D(X, N) = Número de óbitos ocorridos entre as idades X e X+N. L(X, N) = Número de pessoas-anos vividos entre as idades X e X+N. T(X) = Número de pessoas-anos vividos a partir da idade X. E(X) = Expectativa de vida à idade X. juízo e muitas vezes com uma força laborativa ainda muito aproveitável.

  Assim, foi promulgada a Lei n. 12.344 em 09 de dembro de 2010, que altera a redação do inciso II, do artigo 1641, do Código Civil, para aumentar para setenta anos a idade a partir da qual se torna obrigatório o regime da separação de bens no casamento.

  De acordo com REGINA BEATRIZ TAVARES DA SILVA “a manutenção do inciso II foi justificada pelo Senador Josaphat Marinho, não em razão de suspeita de casamento por interesse, nem de espírito patrimonialista, mas de prudência legislativa em favor das pessoas e de suas famílias,

  291 considerando a idade dos nubentes”.

  Pela leitura do artiugo 1641, do Código Civil, o inciso II é o único imutável. As pessoas que contraírem casamento sob o regime da separação obrigatória de bens porque inobservaram as causas suspensivas da celebração do casamento (I), poderão modificar o regime patrimonial depois de superado o motivo da suspensão. O mesmo se diga daqueles que precisarem de suprimento judicial para casar (III), atingida a maioridade civil é permitida a alteração do regime.

  É um desabono a pessoa idosa ser tolhida da escolha de seu próprio regime de bens. Sabe-se que por meio do testamento é possível dispor de toda parte disponível, normalmente cinquenta porcento do patrimônio em benefício de qualquer pessoa, inclusive instituição beneficente. Não há qualquer óbice

  

                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                          disponível em: http://www.ibge.gov.br/home/estatistica/populacao/tabuadevida/2010/defaulttabzip.shtm 291 acessado em: 08/02/2012 Regina Beatriz Tavares da Silva. Novo Código Civil comentado. Coord. Ricardo Fiúza, 7ª ed., São Paulo: Saraiva, 2010, p. 1455. etário a essa disposição.

  Acredita-se, com o devido respeito às posições contrárias, que a lei é feita para a regra geral. Assim, não deveria existir essa obrigatoriedade para os casamentos envolvendo septuagenários. Caso aconteça um “golpe do baú”, será por exceção, então caberá apreciação judicial sobre a demanda. Nas questões patrimoniais, haverá muito mais interesse dos membros da família em proteger o idoso do que a necessidade da tutela estatal.

   

  CAPÍTULO 5 – SUGESTÕES DE LEGE FERENDA

  “O Poder é elemento essencial no processo de criação de norma jurídica. Isto porque toda norma de direito envolve uma decisão por um caminho dentre muitos caminhos possíveis. É evidente que a norma jurídica é oriunda de um ato decisório do Poder (constituinte, legislativo, judiciário, executivo, comunitário e individual). Embora à primeira vista possa parecer que a norma jurídica se opõe ao poder, tal não ocorre; sem Poder não há norma da direito, porque só é jurídica, na realidade, a que for por ele declarada. É bom pôr em evidência que esse Poder não constitui uma força arbitrária, mas pressupõe sempre uma série de fatos e de valores, com base nos quais

  292 estabelece a norma de direito”.

  (MARIA HELENA DINIZ)

1. Término da sociedade conjugal por união estável

  Conforme estabelece o artigo 1571, do Código Civil, “a sociedade conjugal termina: I - pela morte de um dos cônjuges; II - pela nulidade ou anulação do casamento; III - pela separação judicial; IV - pelo divórcio”. 292                                                                                                                 Maria Helena Diniz. As lacunas no direito. 9a. Ed., São Paulo: Saraiva, 2009, p. 298.

  Todas as hipóteses acima caracterizadas são marcadas por um evento e comprovadas por certidão ou sentença. Não se configura dentre esse rol a separação de fato, justamente pela difícil comprovação, vez que não há nada além de testemunhos que comprove a data exata do rompimento. Inclusive, o legislador também intencionalmente previu a possibilidade dos cônjuges restabelecerem o casamento antes de seu término definitivo.

  Na sociedade atual, contudo, a dinâmica criada para as relações foi outra. A união estável ganha a cada dia mais espaço. A constituição da convivência está prevista no artigo 1723, da lei civil. Dentre os impedimentos propostos no §1°, do citado artigo, um está ressalvado, qual seja, a permissão para pessoa casada, mas que se achar separada de fato, ingressar em união estável.

  Nesse ponto o código é ambíguo ao afirmar que a pessoa separada de fato ainda é casada e, não obstante, permitir que essa pessoa consolide uma nova união reconhedida pela própria lei. É uma contradição do sistema.

  Grande parte da doutrina aceita que a separação de fato extingue os direitos e deveres do casamento e que por isso não há qualquer impecílio para a união estável. Apesar de se constituir uma exceção (art. 1725, do Código Civil), há previsão para que as uniões entre conviventes sejam regulamentadas por contrato particular ou escritura pública. Portanto, para esses casos fácil será a comprovação do início da união.

  Assim, nos parece salientar propor alteração do artigo 1571, do Código Civil, no intuito de incluir dentre seus incisos a constituição união estável como hipótese de término da sociedade conjugal anterior.

  Sugestão de lege ferenda:

  Artigo 1571 - A sociedade conjugal termina: I - pela morte de um dos cônjuges;

  II - pela nulidade ou anulação do casamento;

  III - pela separação judicial;

  IV - pelo divórcio; V - pela constituição de união estável por meio de escritura pública ou contrato particular.

2. O casamento de septuagenário e a separação obrigatória de bens

  Dispõe o artigo 1641, do Código Civil, “É obrigatório o regime da separação de bens no casamento: I - das pessoas que o contraírem com inobservância das causas suspensivas da celebração do casamento; II – da pessoa maior de 70 (setenta) anos; (Redação dada pela Lei nº 12.344, de 2010)

  III - de todos os que dependerem, para casar, de suprimento judicial”.

  A verificação mais aprofundada do inciso II mostra uma atividade legislativa recente ao alterar o limite etário para setenta anos. Muita polêmica ainda se forma em torno desse assunto, tanto que da III Jornada de Direito Civil nasceu o enunciado nº 261 do Conselho da Justiça Federal que orienta “a obrigatoriedade do regime de separação de bens não se aplica a pessoa maior de sessenta anos, quando o casamento for precedido de união estável antes dessa idade”.

  Nesse sentido BARROS MONTEIRO, “Note-se que a obrigatoriedade do regime da separação de bens nesses casos vigora há quase cem anos, já que a única modificação operada na regra constante do artigo 158, parágrafo único, do Código Civil de 1916 foi realizada pelo artigo 45 da Lei nº 6.515, de 26 de dezembro de 1977, que, em caráter transitório e em razão da introdução do divórcio no direito brasileiro, deu liberdade aos nubentes, em idade superior ao limite legal previsto no inciso II daquele dispositivo, quanto à escolha do regime de bens, em caso de existência de comunhão de vidas anterior a 28 de junho de

  293 1977, com duração de dez anos consecutivos ou com filhos”.

  Da mesma maneira que o legislador aplica com rigor a separação obrigatória, flexibiliza a questão do aumento de idade e do reconhecimento de união anterior. Não há porque essa matéria continuar a fazer parte das situações genéricas, é preciso apenas o estudo caso a caso quando existir o desamparo e não pressupor que todos os idosos estão desamparados.

  Assim, deixa-se como sugestão a revogação do inciso II, do artigo 1641, do Código Civil.

  Sugestão de lege ferenda:

  É obrigatório o regime da separação de bens no casamento: I - das pessoas que o contraírem com inobservância das causas suspensivas da celebração do casamento;

  II – da pessoa maior de 70 (setenta) anos; (Revogado)

III - de todos os que dependerem, para casar, de suprimento judicial.

293                                                                                                                 Washington de Barros Monteiro. Curso de direito civil, cit., p. 217.

3. O salário como um bem comunicável

  A comunhão parcial prevê nas linhas do artigo 1659, do Código Civil, sete possibilidades de bens excluídos da comunhão. Na maioria são bens de caráter personalíssimo e por isso não admitem divisão. A discussão se instala no inciso VI, que anuncia como bem reservado “os proventos do trabalho pessoal de cada cônjuge”.

  Dessa maneira, o salário estaria compreendido nessa redação. Ocorre que o artigo 1660, V, do Código Civil, confronta esse entendimento, na medida em que torna comunicável os frutos dos bens “particulares de cada cônjuge, percebidos na constância do casamento...”

  Ainda que a remuneração salarial seja um bem particular, a partir de seu recebimento na conta do cônjuge, automaticamente, ele passa a ser um fruto civil e portanto, comunicável.

  Caso se entenda de outra forma, ou seja, se após o recebimento o salário permanecesse como um bem particular, tudo adquirido por meio dele tratar-se-ia de uma sub-rogação. O regime da comunhão parcial, dessa maneira, perderia seu objeto, pois não haveria comunhão e sim separação de bens.

  Assim, propõe-se a exclusão do inciso VI, do artigo 1659, do Código Civil, para que os proventos salariais sejam compreendidos como bens comunicáveis.

  Sugestão de lege ferenda:

  Artigo 1659 - Excluem-se da comunhão:

  I - os bens que cada cônjuge possuir ao casar, e os que lhe sobrevierem,

na constância do casamento, por doação ou sucessão, e os sub-rogados em seu

lugar;

  II - os bens adquiridos com valores exclusivamente pertencentes a um dos cônjuges em sub-rogação dos bens particulares;

  III - as obrigações anteriores ao casamento;

  IV - as obrigações provenientes de atos ilícitos, salvo reversão em proveito do casal; V - os bens de uso pessoal, os livros e instrumentos de profissão;

  

VI - os proventos do trabalho pessoal de cada cônjuge; (Revogado)

VII - as pensões, meios-soldos, montepios e outras rendas semelhantes.

4. Acessões: bens comuns ou reservados

  A acessão é forma de aquisição da propriedade imóvel. De acordo com o artigo 1248, do Código Civil: “a acessão pode dar-se: I - por formação de ilhas;

  II - por aluvião;

  III - por avulsão;

  IV - por abandono de álveo; V - por plantações ou construções.” Discute-se sobre a natureza do bem adquirido por acessão, se integraria o patrimônio comum ou particular de cada cônjuge. Analisando o artigo 1660, da lei civil, temos o inciso IV que prega a comunhão das benfeitorias realizadas em bens particulares. Entretanto, nem toda acessão se trata de benfeitoria. Não se pode misturar os institutos.

  O inciso II, também do artigo 1660, ensina que serão divididos “os bens adquiridos por fato eventual, com ou sem o concurso de trabalho ou despesa anterior”. A acessão, todavia, não pode ser sempre incluída como uma aquisição por fato eventual.

  Nos parece que houve uma tentativa por parte do legislador para incluir a acessão como bem comunicável, fato é que não há na lei norma expressa para o caso. Assim, sugerimos a inclusão de novo inciso no artigo 1660, para explicitar melhor a adoção de acessão como patrimônio comum dos cônjuges.

  Sugestão de lege ferenda: Art. 1.660. Entram na comunhão: I - os bens adquiridos na constância do casamento por título oneroso, ainda que só em nome de um dos cônjuges;

  II - os bens adquiridos por fato eventual, com ou sem o concurso de trabalho ou despesa anterior;

  III - os bens adquiridos por doação, herança ou legado, em favor de ambos os cônjuges;

  IV - as benfeitorias em bens particulares de cada cônjuge; V - os frutos dos bens comuns, ou dos particulares de cada cônjuge, percebidos na constância do casamento, ou pendentes ao tempo de cessar a comunhão.

  VI – as acessões, independentemente de se apresentarem como parte expressiva e ainda que incorporado a bem reservado.

5. Rito para união estável entre pessoas do mesmo sexo

  A união homoafetiva, por decisão recente do Supremo Tribunal Federal, foi elevada ao patamar de entidade familiar. A decisão reinterpretou o artigo 226, §3°, da Constituição Federal: “A família, base da sociedade, tem especial proteção do Estado. § 3º - Para efeito da proteção do Estado, é reconhecida a união estável entre o homem e a mulher como entidade familiar, devendo a lei facilitar sua conversão em casamento”.

  Por influência direta, o artigo 1723, do Código Civil, também sofreu mudança em seu entendimento. Dessa maneira, haveria de ser incluído no texto legal o reposicionamento jurídico. Citemos a redação atual do artigo: “É reconhecida como entidade familiar a união estável entre o homem e a mulher, configurada na convivência pública, contínua e duradoura e estabelecida com o objetivo de constituição de família”.

  Tanto o texto constitucional como infraconstitucional reconhecem expressamente apenas a união entre homem e mulher, o que não se coaduna com a nova forma de pensar do Supremo Tribunal Federal e da sociedade como um todo.

  Nesse mister entendemos necessário a supressão do designativo homem e mulher para a inclusão de uma expressão mais abrangente, que integre as

  294 famílias homossexuais sem qualquer ranço de discriminação.

  Sugestão de lege ferenda: 294                                                                                                                

Nesse sentido já se manifestou o legislador por meio do Estatuto das Famílias n. 674/07,

  

Art. 68. “É reconhecida como entidade familiar a união entre duas pessoas de mesmo sexo,

que mantenham convivência pública, contínua, duradoura, com objetivo de constituição de

família, aplicando-se, no que couber, as egras concernentes à união estável. Parágrafo único.

Dentre os direitos assegurados, incluem-se: I – guarda e convivência com os filhos; II – a

adoção de filhos; III – direito previdenciário; IV – direito à herança.”

  Artigo 226, §3 ° , da Constituição Federal: A família, base da sociedade,

tem especial proteção do Estado. § 3º - Para efeito da proteção do Estado, é

reconhecida a união estável entre pessoas como entidade familiar, devendo a lei

facilitar sua conversão em casamento.

  Artigo 1723, do Código Civil - É reconhecida como entidade familiar a

união estável entre pessoas, configurada na convivência pública, contínua e

duradoura e estabelecida com o objetivo de constituição de família.

6. Repercussão da Súmula 377 do STF no Código Civil de 2002

  A Súmula 377 do Supremo Tribunal Federal dispões que “no regime da separação legal de bens comunicam-se os adquiridos na cosntância do casamento”.

  Estudou-se, em momento oportuno, que a referida Súmula possuía amparo legal no artigo 259, do Código Civil de 1916, não recepcionado pelo novo ordenamento civil.

  No Código Civil atual, o artigo 1641, trata sobre as hipóteses em que o casamento deverá ser regido pela separação obrigatória de bens. O código é omisso sobre a comunicação ou não dos aquestos. Nesse sentido, parte da doutrina entende que a Súmula continua a ser aplicada.

  De acordo com a interpretação sistemática do direito, é vedado o enriquecimento sem causa, conforme previsão do artigo 884, do Código Civil. Assim, qualquer que seja o regime de bens adotado pelos cônjuges, o direito impedirá a apropriação indevida de bens adquiridos pelo esforço mútuo.

  Entendemos que o regime da separação absoluta deve ser respeitado, independentemente de ser convencional ou obrigatório. Porém, não se deve incentivar o enriquecimento indevido de qualquer dos cônjuges. Indicamos aqui a criação e inserção do artigo 1641-A no Código Civil.

  Sugestão de lege ferenda:

  Artigo 1641-A, do Código Civil – No regime da separação absoluta, nas

modalidades convencional ou obrigatória, não se comunicam os aquestos,

ressalvado o direito do cônjuge prejudicado, na ocorrência de enriquecimento

sem causa.

7. Separação absoluta: discussão do artigo 1647, do Código Civil

  A separação absoluta, conforme já analisado, comporta a separação discricionária ou convencional e a separação cogente ou obrigatória. A princípio não há diferença entre ambas, sendo aplicados os artigos 1687 e 1688, do Código Civil, que tratam do regime da separação de bens, nos dois casos.

  O artigo 1647, também do diploma civil, ressalva as hipóteses de necessidade da vênia conjugal, mas a excetua quando os cônjuges viverem no regime da separação absoluta.

  Nesse sentido, estaria o código se referindo especificamente a alguma das formas de separação de bens? A doutrina se divide. Verificamos durante o trabalho que alguns entendem a separação absoluta como gênero, da qual são espécies a separação convencional e a legal. Para estes, não há necessidade de outroga conjugal nas duas modalidades do regime.

  Outros pensam a separação discricionária como uma espécie e a separação cogente como outra. Dessa maneira, seria necessária a vênia conjugal apenas no regime da serparação imposto pela lei, pois no convencional as partes conscientemente optam sabendo das benesses e do ônus do regime eleito.

  No intuito de extinguir essa celeuma, sugerimos a inclusão das modalidades de separação absoluta no caput do artigo 1647, do Código Civil.

  Sugestão de lege ferenda:

  Art. 1.647. Ressalvado o disposto no art. 1.648, nenhum dos cônjuges

pode, sem autorização do outro, exceto no regime da separação convencional

ou obrigatória:

  CAPễTULO 6 Ố CONSIDERAđỏES FINAIS

  “Deve haver uma união entre aqueles que não podem existir uns sem os outros; por exemplo, entre homem e mulher, para que a raça possa continuar; e essa é uma união formada, não com propósito deliberado, mas porque, em comum com outros animais e plantas, a espécie humana tem um desejo natural de

  295 deixar uma imagem de si mesma”.

  (ARISTÓTELES) Instituto que encontra disciplina em todas as legislações, o casamento tem especial importância na vida das pessoas e na organização social por meio da tutela estatal. Constitui-se como base da coesão social e figura como instrumento de pacificação e controle.

  Para tanto, observou-se o casamento disciplinado em seus regramentos fundamentais nas legislações pátria e de direito comparado, havendo, em quase todos os países, verdadeiras formas de incentivo de natureza cultural, psicológica e mesmo jurídica, para que as pessoas a ele se filiem.

  A disciplina patrimonial é parte fundamental do interesse estatal e dos cidadãos no casamento. Estabelecer previamente as consequências parimoniais em caso de rompimento da sociedade ou do vínculo conjugal é reflexo da segurança buscada com a adesão dos nubentes ao instituto, bem como do Estado 295                                                                                                                 Aristóteles. Política. São Paulo: Martin Claret, 2003, p. 15. na verificação do destino dos bens, da partilha e, em última análise, do adequado recolhimento de tributo quando incidente na divisão do casal.

  Diante de tantos fatores importantes engendrados pelo casamento e o regime patrimonial aplicado aos cônjuges, não poderia a tutela estatal deixar que o casamento, quando não houvesse escolha do regime diretamente pelo casal, ficasse sem disciplina de conteúdo patrimonial. Criou, dessa forma, o regime legal ou supletivo, aplicado aos casos em que o casal resta silente quanto à escolha do regime.

  A opção legislativa, conforme verificou-se, filia-se a diversas razões intrinsecamente ligadas à evolução dos negócios e de aspectos culturais. A Lei n. 6.515/77 adequou a norma ao sentimento mais comum de justiça na distribuição dos bens pelo fim do casamento. Mas é fato que mesmo após mais de três décadas, soa ainda obscuro os atuais destinos do patrimônio do casal, sendo fundamental o aprofundamento dos temas nesta seara.

  Verificou-se, também, outro tipo de regime legal presente no direito brasileiro. A separação de bens legal ou obrigatória é regime imposto pelo legislador, do qual os nubentes que se encontram nas situações fáticas descritas neste trabalho não podem se afastar. É norma de ordem pública, que mitiga a autonomia da vontade presente na escolha do regime de bens e traduz verdadeira sanção àqueles que não cumpriram mandamento determinado.

  Inúmeras são as repercussões do regime de bens. Buscou-se no presente estudo encontrar, por meio de análise comparada, doutrinária e jurisprudencial, razões da opção legislativa pelo regime da comunhão parcial de bens. A verificação das consequências de sua aplicação levam a importantes reflexões acerca de tal instituto, culminando em sugestões de lege ferenda, busca de críticas que possam afastar interpretações equivocadas e ponderações necessárias para que se compreenda a importância e o alcance da temática do regime patrimonial no ordenamento jurídico.

  APÊNDICE 296 1. Pacto antenupcial – comunhão universal de bens.

  Livro n.___ Página ___

  ESCRITURA PÚBLICA DE CONVENđấO DE PACTO ANTENUPCIAL SAIBAM quantos este público instrumento virem que, aos ______ (__) dias do

  mês de ____________ do ano de Nascimento de Nosso Senhor Jesus Cristo de dois mil e _____(20___), nesta cidade de Campinas, SP, neste Sétimo Tabelião de Notas, perante mim, Escrevente, e o Tabelião que esta subscreve, compareceram partes entre si, justas e contratadas, como outorgantes e reciprocamente outorgados, ___________________, brasileiro, técnico em mecânica, solteiro e maior, portador da cédula de identidade RG n.______________________ e inscrito no CPF/MF sob n. ________________;

  e, de outro lado, ________________________, brasileira, do lar, viúva, portadora da cédula de identidade RG n.___________________ e inscrita no CPF/MF sob n.____________________, residentes e domiciliados nesta cidade, na Rua _______________, n. ______. Os presentes identificados como sendo os próprios de que trato, à vista de seus documentos supramencionados e neste ato exibidos, do que dou fé. A seguir, pelos referidos pactuantes, de comum acordo e de maneira expressa, foi dito que dispensam, desde logo, a presença e assinatura de testemunhas instrumentárias, do que dou fé. Ato contínuo, pelos pactuantes, cada qual há seu tempo, foi dito que tendo deliberado se casarem e usando da faculdade legal que dispõe a Lei Federal 6.515 de 26 de dezembro de 296                                                                                                                 Desde o advento da Lei 6515/77 o regime da comunhão universal de bens deixou de ser o

  regime legal. Dessa maneira, qualquer casal que queira utilizar essa forma de regulamento patrimonial necessitará de pacto antenupcial que após o casamento precisará ser registrado para ser oponível erga omnes.

  1977 e nos termos do artigo 1.639 do Código Civil Brasileiro, estabelecem que o regime a vigorar em seu casamento será o da COMUNHÃO UNIVERSAL DE BENS, inclusive de frutos e rendimentos, abrangendo os bens havidos a qualquer título e tempo, conforme dispõe o artigo 1.667 do Código Civil Brasileiro. Assim o disseram e dou fé. A pedido das partes, lavrei a presente que sendo-lhes feita e lida, em voz alta e clara, acharam-na em tudo conforme, aceitaram, outorgaram e assinam, do que dou fé. Eu, ______________________________ ____________________, Escrevente a escrevi. Eu, _______________________ __________________, Tabelião, a subscrevo e assino ao final.(aa) ___ // ___ // ______. Devidamente selada. NADA MAIS. Trasladada em seguida. Eu, ________________________, Tabelião a subscrevi e assino em público e raso.

  297 2. Pacto antenupcial – separação absoluta de bens.

  Livro n. ______ Página ______

  ESCRITURA PÚBLICA DE CONVENđấO DE PACTO ANTENUPCIAL

  SAIBAM quantos este público instrumento virem que, aos __________ (___) dias, do mês de ______, do ano de Nascimento de Nosso Senhor Jesus Cristo de dois mil e _____ (20___), nesta cidade e Comarca de Campinas, Estado de São Paulo, neste Sétimo Tabelião de Notas, perante mim escrevente e o Tabelião, que esta subscreve, compareceram partes entre si, justas e contratadas, como outorgantes e reciprocamente outorgados: ___________________________, brasileiro, solteiro, maior, frentista, portador do RG. n. _______________, inscrito no CPF/MF sob n. __________________, residente e domiciliado nesta cidade, na Rua ________________ n. __; e, de outro lado: ____________________, brasileira, solteira, maior, pedagoga, portadora do RG. n. _________________, inscrita no CPF/MF sob n.___________________, residente e domiciliada nesta cidade, na Rua ____________ n. ___; Os presentes identificados como sendo os próprios de que trato, à vista de seus documentos supramencionados e neste ato exibidos, do que dou fé. A seguir pelos referidos pactuantes, de comum acordo e de maneira expressa, foi dito que dispensam, desde logo, a presença e assinatura de testemunhas instrumentárias, do que dou fé. Ato contínuo, disseram os pactuantes que: I) estando concordes em se casar, resolvem estabelecer o regime da SEPARAđấO TOTAL DE BENS, que 297                                                                                                                 O pacto antenupcial tem o condão de estabelecer o regime de bens a ser seguido pelos

  cônjuges. Pode ser que seja estabelecido regime idêntico ao proposto pelo Código Civil, como também poderá ser convencionado regime inédito. No caso em tela, os nubentes escolheram a separação de bens para se submeterem no curso do casamento. Isso denota, como se viu, que o presente regime não é apenas uma sanção aos que infringem quaisquer das regras do artigo 1641, do Código Civil, mas sim também hipótese de aceitação voluntária.

  vigorará de acordo com a presente convenção, para todos os efeitos de direito;

  II) que o regime ora escolhido está previsto no Livro IV, Título II, Capítulo VI do Novo Código Civil Brasileiro, devendo ser entendido como separação absoluta e total de bens, esforços e rendas, excetuando-se as pensões, pecúlios, seguros e outros de qualquer natureza e espécie; III) cada cônjuge terá direito a propriedade, domínio e posse dos respectivos bens herdados ou adquiridos antes e depois do casamento, inclusive das edificações e melhoramentos nos respectivos imóveis; IV) todos os bens que cada cônjuge possui ou venha a possuir permanecerão sob sua administração particular e exclusiva, que os poderá livremente alienar ou gravar de ônus reais, conforme previsto no artigo 1.687 do Código Civil; V) que fica convencionado, em virtude do regime adotado, a incomunicabilidade absoluta e total dos bens; VI) que os respectivos ganhos de cada cônjuge, serão considerados reservados, podendo cada um deles dispor como melhor lhe aprouver, ressalvado o disposto no artigo 1.688 do Código Civil, obrigando-se as partes a contribuir para as despesas do casal na proporção dos rendimentos de seu trabalho e de seus bens; e, VII) na constância do casamento, nos bens adquiridos por cada cônjuge, constará o respectivo nome no título aquisitivo; aqueles onde houver concorrência de ambos para a sua aquisição, serão escriturados em nome de ambos e na proporção que estabelecerem no título aquisitivo. Assim disseram e dou fé. A pedido das partes, lavrei a presente, que sendo feita e lida em voz alta e clara, acharam-na em tudo conforme, aceitaram, outorgaram e assinam, do que dou fé. Eu, ______________________ _________________, Escrevente, a escrevi. Eu, ______________________,_________________, Tabelião, a subscrevo e assino ao final. (aa) _________________________ // _________________________ // _________________________. (Devidamente selada). NADA MAIS. Trasladada em seguida. Eu, _________________________, Tabelião a subscrevi e assino em público e raso.

  298 3. Pacto antenupcial – comunhão parcial de bens.

  Livro n. _____ Página ______

  ESCRITURA PÚBLICA DE CONVENđấO DE PACTO ANTENUPCIAL

  SAIBAM quantos este público instrumento virem que, aos __________ (___) dias, do mês de ______, do ano de Nascimento de Nosso Senhor Jesus Cristo de dois mil e _____ (20___), nesta cidade e Comarca de Campinas, Estado de São Paulo, neste Sétimo Tabelião de Notas, perante mim escrevente e o Tabelião, que esta subscreve, compareceram partes entre si, justas e contratadas, como outorgantes e reciprocamente outorgados: ___________________________, brasileiro, solteiro, maior, professor, portador do RG. n. _______________, inscrito no CPF/MF sob n. __________________, residente e domiciliado nesta cidade, na Rua ________________ n. __; e, de outro lado: ____________________, brasileira, solteira, maior, psicóloga, portadora do RG. n. _________________, inscrita no CPF/MF sob n.___________________, residente e domiciliada nesta cidade, na Rua ____________ n. ___; Os presentes identificados como sendo os próprios de que trato, à vista de seus documentos supramencionados e neste ato exibidos, do que dou fé. A seguir pelos referidos pactuantes, de comum acordo e de maneira expressa, foi dito que dispensam, desde logo, a presença e assinatura de testemunhas instrumentárias, do que dou fé. Ato contínuo, disseram os pactuantes que: I) estando concordes em se casar, 298                                                                                                                 O regime da comunhão parcial de bens é o regime legal disposto em lei para os que não

  optam por regime diverso. Há possibilidade, contudo, dos nubentes escolherem voluntariamente o regime legal e introduzirem modificações conforme sua necessidade. No presente caso, os consortes desejavam unir não só os bens adquiridos onerosamente na constância do casamento, como também os anteriores, uma vez que a propriedade onde se intala o domicílio conjugal, apesar de constar em nome de apenas um do cônjuges, foi adquirido pelo esforço de ambos. O registro unilateral deveu-se apenas a facilitação para efeitos de financiamento bancário do bem.

  resolvem estabelecer o regime da COMUNHÃO PARCIAL DE BENS, que vigorará de acordo com a presente convenção, para todos os efeitos de direito;

  II) que o regime ora escolhido será regido subsidiariamente em conformidade com o Capítulo III (Do Regime de Comunhão Parcial), Título II (Do Direito Patrimonial), Livro IV (Do Direito de Família), em tudo que não for contrário às vontades manifestadas no presente ato; III) cada cônjuge terá direito a propriedade, domínio e posse dos respectivos bens herdados ou adquiridos antes do casamento, inclusive das edificações e melhoramentos nos respectivos imóveis; IV) todos os bens que cada cônjuge possui ou venha a possuir pertencerão a ambos; V) fica convencionado, em virtude do regime adotado, a comunicabilidade absoluta e total dos bens adquiridos no curso do casamento;

  VI) que os respectivos ganhos de cada cônjuge serão considerados comuns, obrigando-se as partes a contribuir para as despesas do casal na proporção dos rendimentos de seu trabalho e de seus bens; e, VII) no término do casamento serão apurados todos os bens adquiridos antes e durante o curso do matrimônio para a partilha; VIII) para fins de direito sucessório, será seguido o disposto para o regime da comunhão parcial de bens, nos termos do disposto no artigo 1829, I, do Código Civil. Assim disseram e dou fé. A pedido das partes, lavrei a presente, que sendo feita e lida em voz alta e clara, acharam-na em tudo conforme, aceitaram, outorgaram e assinam, do que dou fé. Eu, ______________________ _________________, Escrevente, a escrevi. Eu, ______________________,_________________, Tabelião, a subscrevo e assino ao final. (aa) _________________________ // _________________________ // _________________________. (Devidamente selada). NADA MAIS. Trasladada em seguida. Eu, _________________________, Tabelião a subscrevi e assino em público e raso.

  299 4. Pacto antenupcial – participação final nos aquestos.

  Livro n. _____ Página ______

  ESCRITURA PÚBLICA DE CONVENđấO DE PACTO ANTENUPCIAL

  SAIBAM quantos este público instrumento virem que, aos __________ (___) dias, do mês de ______, do ano de Nascimento de Nosso Senhor Jesus Cristo de dois mil e _____ (20___), nesta cidade e Comarca de Campinas, Estado de São Paulo, neste Sétimo Tabelião de Notas, perante mim escrevente e o Tabelião, que esta subscreve, compareceram partes entre si, justas e contratadas, como outorgantes e reciprocamente outorgados: ___________________________, brasileiro, solteiro, maior, soldador, portador do RG. n. _______________, inscrito no CPF/MF sob n. __________________, residente e domiciliado nesta cidade, na Rua ________________ n. __; e, de outro lado:

  ____________________, brasileira, solteira, maior, esteticista, portadora do RG. n. _________________, inscrita no CPF/MF sob n.___________________, residente e domiciliada nesta cidade, na Rua ____________ n. ___; Os presentes identificados como sendo os próprios de que trato, à vista de seus documentos supramencionados e neste ato exibidos, do que dou fé. A seguir pelos referidos pactuantes, de comum acordo e de maneira expressa, foi dito que dispensam, desde logo, a presença e assinatura de testemunhas instrumentárias, do que dou fé. Ato contínuo, disseram os pactuantes que: I) estando concordes em se casar, resolvem estabelecer o regime de PARTICIPAđấO FINAL NOS AQUESTOS, que vigorará de acordo com a presente convenção, para todos os efeitos de direito; II) que o regime ora escolhido será regido em conformidade com o 299                                                                                                                 O regime da participação final nos aquestos é novo no sistema, pois sua entrada ocorreu

  com o advento no Código Civil de 2002. Portanto, ainda muito se discute sobre sua eficiência, sendo pouco utilizado pelo grande público.

  Capítulo V (Do Regime de Participação Final nos Aquestos), Título II (Do Direito Patrimonial), Livro IV (Do Direito de Família). Assim disseram e dou fé. A pedido das partes, lavrei a presente, que sendo feita e lida em voz alta e clara, acharam-na em tudo conforme, aceitaram, outorgaram e assinam, do que dou fé. Eu, ______________________ _________________, Escrevente, a escrevi. Eu, ______________________,_________________, Tabelião, a subscrevo e assino ao final. (aa) _________________________ // _________________________ // _________________________. (Devidamente selada). NADA MAIS. Trasladada em seguida. Eu, _________________________, Tabelião a subscrevi e assino em público e raso.

   300 5. Requerimento para registro de pacto antenupcial. REQUERIMENTO - REGISTRO DE PACTO ANTENUPCIAL __° Oficial de Registro de Imóveis da Capital

  ILUSTRÍSSIMO SENHOR __° OFICIAL DE REGISTRO DE IMÓVEIS DA CAPITAL

  Nome:_____________________________________________________ RG:________________________CPF: __________________________ Nacionalidade:_____________________Estado Civil: ______________ Profissão: ___________________ Residente e domiciliado (a) na Rua/Av./Al.: ___________________________________n. ________ complemento:_________ bairro: ___________ cidade:_______________ Estado:_______ fone:_________________ e-mail:__________________, vem requerer à VOSSA SENHORIA o REGISTRO DA INCLUSA

  ESCRITURA DE PACTO ANTENUPCIAL, BEM COMO TODAS AS AVERBAđỏES NAS MATRễCULAS ONDE CÔNJUGES FIGUREM COMO PROPRIETÁRIOS, declarando que o primeiro domicílio conjugal foi

  estabelecido na Av./Rua/Al. _______________________ n. ________ complemento: ___________ bairro: _______________ subdistrito: ______________. 300                                                                                                                 Para registro do presente, será preciso reconhecer a firma do(a) requerente ou assinar o

  requerimento perante funcionário do cartório, bem como, juntar original da Escritura de Pacto Antenupcial e original ou xerox autenticada da certidão de casamento. Será competente para efetivação do registro da escritura de pacto antenupcial o Oficial do Registro de Imóveis do 1º domicilio conjugal. Recomenda-se que após registro o interessado promova a averbação do casamento nos demais cartórios onde tenha imóveis registrados em seu nome.

  Termos em que, pede deferimento.

  São Paulo, ___ de ______________ de 20___. ________________________ assinatura do requerente

  301 6. Escritura pública de declaração de união estável.

  Livro n.____ Página _____

  ESCRITURA PÚBLICA DE DECLARAđấO SAIBAM quantos esta virem que aos ____________ (__), dias do mês de

  _________ do ano de Nascimento de Nosso Senhor Jesus Cristo de dois mil e ______ (20___), nesta cidade e comarca de Campinas, Estado de São Paulo, neste Sétimo Tabelião de Notas, perante mim, Escrevente e o Tabelião que esta subscreve, compareceram como outorgantes: ______________________, brasileiro, aposentado, divorciado, portador da cédula de identidade RG n.

  ______________________, inscrito no CPF/MF sob n. ______________________, e ______________________, brasileira, manicure,

  divorciada, portadora da cédula de identidade RG n. ______________________, inscrita no CPF/MF sob n. ______________________, ambos residentes e domiciliados nesta cidade, na Rua ______________________, n. ___. Os presentes identificados como sendo os próprios de que trato, à vista de seus documentos, supramencionados e neste ato exibidos, do que dou fé. A seguir, pelos outorgantes sob as penas da lei, livre de qualquer coação, sugestão ou induzimento foi dito que vivem em estado de união há um período aproximado de cinco anos e três meses, ininterruptos e consecutivos, configurando convivência pública, contínua e duradoura, estabelecida com o objetivo de constituição de família, caracterizando a união estável, prevista nos art.1723 a 1727 do Código Civil Brasileiro, e na Lei 9.278/96; que assim, assumem civil e 301                                                                                                                 Consagrada constitucionalmente a união estável está prevista no artigo 226, §3°, da carta

  máxima. Assim também, os artigos 1723 a 1727, do Código Civil destinam especial espaço para sua conceituação e tratamento. Equiparada ao insituto do casamento, a união estável ainda possui algumas peculiaridades, como por exemplo cite-se a sua constituição que poderá ser tácita, por comprovação testemunhal, ou expressa, mediante uma escritura pública ou escrito particular de declaração de união estável.

  criminalmente toda e qualquer responsabilidade pelas declarações que ora fazem. Assim o disseram e dou fé. A pedido dos outorgantes lavrei a presente que sendo-lhes feita e lida, acharam-na em tudo conforme, aceitaram, outorgaram e assinam, na presença de duas testemunhas que são seus conhecidos: ______________________, brasileira do lar, casada, portadora da cédula de identidade RG n. ______________________ inscrita no CPF/MF sob

  ______________________, ______________________,

  n. e brasileira, professora, casada, portadora da cédula de identidade RG n.

  

______________________, inscrita no CPF/MF sob n.

______________________, residentes e domiciliados nesta cidade,

  respectivamente na Rua ______________________, n. ____ e Rua

  

______________________, n. ___, que afirmam serem conhecidos dos

  outorgantes declarantes e serem verdadeiras as declarações acima, do que dou

  ______________________,

  fé. Eu, ______________________________ Escrevente a escrevi. Eu, ________________________

  

______________________, Tabelião, a subscrevo e assino ao final.(aa)

______________________// ______________________//

______________________ // ______________________//

______________________. Devidamente selada. NADA MAIS. Trasladada em

  seguida. Eu, ______________________, Tabelião a subscrevi e assino em público e raso.

  302 7. Escritura pública de dissolução de união estável.

  Livro n. ___ Página ___

  ESCRITURA PÚBLICA DE DECLARAđấO SAIBAM quantos esta virem que, aos _______ (__) dias, do mês de

  _____________, do ano de Nascimento de Nosso Senhor Jesus Cristo de dois mil e ____ (20__), nesta cidade e comarca de Campinas, Estado de São Paulo, neste Sétimo Tabelião de Notas, perante mim, Escrevente e o Tabelião, que esta subscreve, compareceram como outorgantes declarantes:

  _________________________, brasileiro, comerciante, separado, portador da cédula de identidade RG. n. ______________, e inscrito no CPF/MF sob n.

  _________________, residente e domiciliado nesta cidade, na Rua _____________________, n. ___, e, _______________________, brasileira, técnica em enfermagem, divorciada, portadora da cédula de identidade RG. n.

  _______________, e inscrita no CPF/MF sob n. ________________, residente e domiciliada na cidade de ______________, na Rua ____________, n. ____. Os presente identificados como sendo os próprios de que trato, à vista de seus documentos, supramencionados e neste ato exibidos, qualificados na presente escritura, de acordo com suas próprias declarações, do que dou fé. A seguir pelos outorgantes, sob as penas da lei, livre de qualquer coação, sugestão ou induzimento foi dito: 1) que, convivem em união estável há 07 (sete) anos, ininterruptos e consecutivos, conforme escritura pública de declaração lavrada nestas Notas, livro ____, fls. ____, datada de __/__/____; 2) que, eles outorgantes, não desejando mais dar continuidade nessa união, pela presente, 302                                                                                                                 Da mesma maneira que no casamento, na união estável é permitido que se faça a

  dissolução, desde que concensual, em serventia notarial, por meio de escritura pública. Assim, estarão cessados todos os efeitos atinentes a esta união.

  decidem de comum acordo e de forma consensual pelo desfazimento da união, nada tendo a reclamar ou receber um do outro sobre direitos ou bens havidos na constância da união, e assim, assumem civil e criminalmente toda e qualquer responsabilidade pelas declarações que ora fazem. Assim disseram e dou fé. A pedido dos outorgantes lavrei a presente, que sendo feita e lida, acharam-na em tudo conforme, aceitaram, outorgaram e assinam, dispensando expressamente, a presença e a assinatura de testemunhas, como autoriza o r. Provimento n. 58/89, da Egrégia Corregedoria Geral da Justiça, dou fé. Eu________________________ __________________, Escrevente a escrevi. Eu_______________________ ________________________, Tabelião, a subscrevo e assino ao final.(aa) ________________________/ ________________________ // ________________________. (Legalmente selada). NADA MAIS, trasladada em seguida. Eu, Tabelião, a fiz digitar, conferi, subscrevi, dou fé e assino em público e raso.

  303 8. Escritura pública de inventário – união estável.

  Livro n. ___ Página ___

  ESCRITURA DE INVENTÁRIO DO ESPÓLIO DE __________________, na forma abaixo: SAIBAM quantos esta virem que, aos _______ (__) dias do mês de _________,

  do ano de Nascimento de Nosso Senhor Jesus Cristo de dois mil e _______ (20__), nesta cidade e Comarca de Campinas, Estado de São Paulo, neste Sétimo Tabelião de Notas, perante mim, Escrevente, e o Tabelião que esta subscreve, compareceram as partes entre si, justas e contratadas, a saber: como outorgantes e reciprocamente outorgados: COMPANHEIRO:

  __________________, brasileiro, aposentado, solteiro e maior, portador da cédula de identidade RG n. ________________, inscrito no CPF/MF sob o n.

  __________________, residente e domiciliado na cidade de _______________, na Avenida ______________, n. ___, e os HERDEIROS FILHOS: 1)

  ____________________________, brasileira, manicure, solteira e maior,

  portadora da cédula de identidade RG n. __________________, e inscrita no CPF/MF n.______________, residente e domiciliada nesta cidade, na Rua ______, n. ________; 2) _______________________, brasileira, professora, portadora da cédula de identidade RG n. ___________________, e inscrita no CPF/MF n.______________, casada no regime da comunhão parcial de bens, na vigência da lei 6515/77, com _____________________, brasileiro, empresário, 303                                                                                                                 O inventário entre conviventes rege-se pelo artigo 1790, do Código Civil. Segundo seus

  preceitos, o companheiro sobrevivo herdará, quanto aos bens adquiridos onerosamente na constância da união estável, um fração dos que os demais herdeiros sucessíveis herdarão. No caso apresentado para estudo, o bem a ser partilhado foi adquirido durante um casamento anterior a constituição da união estável. Dessa forma, o companheiro não tem direito de concorrer com os demais herdeiros. Porém, de acordo com o artigo 7°, parágrafo único, da Lei n.9278/96, terá assegurado o real direito de habitação.

  portador da cédula de identidade RG n. _____________________, e inscrito no CPF/MF n.__________________, residente e domiciliada na cidade de ____________________, na Rua _________________, n. ______, e, 3)

  

_____________________________, brasileiro, comerciante, portador da cédula

  de identidade RG n. _________________________, e inscrito no CPF/MF n.______________, casado no regime da comunhão parcial de bens, na vigência da lei 6515/77, com ________________________________, brasileira, do lar, portadora da cédula de identidade RG n. ___________________, e inscrita no CPF/MF n._______________, residente e domiciliado nesta cidade, na Rua ______________, n._______. DO RECONHECIMENTO DA UNIÃO

  

ESTÁVEL: Pelo Sr. _______________, me foi declarado que vivia em união

  estável com a ora falecida, tendo sido declarado à existência da união por aproximadamente 22 (vinte e dois) anos cuja união é confirmada e reconhecida pelos filhos da “de cujus”, acima qualificados, nada tendo a reclamar presente ou futuramente. Comparece ainda como ADVOGADA constituída e apresentada pelas partes, a Dra. __________________________, brasileira, advogada, casada, inscrita na OAB-SP sob n. ___________, e no CPF/MF sob n. ___________________, com escritório na cidade de __________________, na Rua ________________, n. ______. Todas as partes e a advogada foram identificados pelos documentos apresentados e cuja capacidade reconheço, dou fé. Pelos outorgantes e reciprocamente outorgados, devidamente acompanhados por sua advogada acima nomeada, me foi requerido seja feito o inventário e a partilha dos bens deixados por falecimento de _____________________ e declararam o seguinte:

  :

  1) DA AUTORA DA HERANÇA

_______________________________, era brasileira, cabeleireira, viúva,

  portadora da cédula de identidade RG n. _________________, e inscrita no CPF/MF sob n. _________________, era filha de ________________ e __________________, e nasceu nesta cidade, no dia __/__/____. 1.1.- DO

  

FALECIMENTO: Faleceu no dia __/__/____, e residia na cidade de

  _______________, na Avenida ____________, n. ____, conforme certidão de óbito expedida pelo __º Oficial do Registro Civil das Pessoas Naturais local, matricula n. _________________________. 1.2.- DA INEXISTÊNCIA DE

  

TESTAMENTO: A “de cujus” faleceu “ab intestato”, nos termos da certidão

  negativa de existência de testamento expedida pelo Colégio Notarial do Brasil - seção de São Paulo, responsável pelo Registro Central de Testamentos do Estado de São Paulo. 1.3.- HERDEIROS: de seu casamento com o Sr. _____________, já falecido, possuía três filhos, acima qualificados, que são seus únicos herdeiros descendentes. 2) DOS BENS IMÓVEIS: A “de cujus” possuía, por ocasião da abertura da sucessão, uma parte ideal referente à 50% do seguinte bem imóvel: 2.1.- UM LOTE DE TERRENO designado pelo n. __

  

(__________), da quadra ___, do loteamento denominado _______________,

  situado no Distrito de ______________, município e comarca de ___________, na circunscrição imobiliária de _____________, estando este imóvel devidamente descrito e caracterizado na matrícula n. _________, no Registro de Imóveis de ______________. 2.2. AQUISIđấO: imóvel este adquirido pela “de cujus”, conforme consta no R-2 da matrícula supracitada junto ao Registro de Imóveis de ________________. 2.3 CADASTRO E VALOR: o imóvel acha- se cadastrado na P.M.H. sob n. _______________, com valor venal proporcional para o presente exercício de R$____________, o qual as partes atribuem para efeitos fiscais o valor de R$_________, (______________________). 3) DOS DÉBITOS: 3.1.- A “de cujus” nada devia, na ocasião da abertura de sua sucessão. 4) DA PARTILHA E DO

  

PAGAMENTO DOS QUINHÕES : 4.1.- O total líquido dos bens e haveres do

  espólio totalizam um montante de R$______________, (______________________), cuja partilha e o pagamento dos quinhões são feitos da seguinte forma: à cada um dos herdeiros filhos, acima qualificados, recebem cada uma em pagamento a sua legítima, uma quota parte correspondente a 1/3 (um terço), do patrimônio líquido, no valor de

  R$_______________ (_______________). 6) DAS CERTIDÕES E

  

DOCUMENTOS APRESENTADOS: Além dos documentos já enunciados,

  foram apresentados mais os seguintes, da autora da herança: a) certidão de óbito; b) certidão negativa de testamento expedida pelo Colégio Notarial do Brasil, seção São Paulo; c) certidão conjunta negativa de débitos relativos a Tributos Federais e à Dívida Ativa da União, a qual foi verificada, por esta serventia, via internet sob o código de controles n. _____________________; d) certidão negativa de tributos municipais, expedida pela Prefeitura Municipal competente, aos __/__/____; e) declaração de transmissão por Escritura Pública e demonstrativo de cálculo do ITCMD n. _____________, e, f) certidão negativa de ônus, expedida pelo Cartório de Registro de Imóveis competente, arquivada nestas Notas na pasta ___, ficando arquivadas ainda nestas Notas as certidões descritas nos itens a, b, c, d, na pasta __, fls. __ à __, e a descrita no item e, na pasta __, fls. __ à __. 7) DECLARAđỏES DAS PARTES. As partes declaram que 7.1.: o imóvel ora partilhado se encontra livre e desembaraçado de quaisquer ônus, dívidas, tributos de quaisquer naturezas; 7.2.: não existem feitos ajuizados fundados em ações reais ou pessoais reipersecutórias que afetem o bem partilhado, e, 7.3.: não são empregadores rurais ou urbanos e não estão sujeitas às prescrições da lei previdenciária em vigor. 8) DECLARAđỏES DA

  

ADVOGADA: Pela Dra. __________________________, me foi dito que, na

  qualidade de advogada dos herdeiros, assessorou e aconselhou seus constituintes, tendo conferido a correção da partilha e seus valores de acordo com a Lei. 9) DO ITCMD, pelas partes e sob responsabilidade exclusiva das mesmas, me foi apresentado o cálculo do imposto “causa mortis”, e a respectiva guia do imposto já recolhida que fica arquivada nestas Notas, na pasta ___, isentando esta serventia de quaisquer ônus relativos ao referido imposto. 10) DA

  

NOMEAđấO DO REPRESENTANTE: Os herdeiros nomeiam

  REPRESENTANTE e INVENTARIANTE deste espólio, o Sr. _____________________, conferindo-lhe todos os poderes que se fizerem

  necessários para representar o espólio em juízo ou fora dele, podendo praticar todos os atos de administração dos bens que possam eventualmente estar fora deste inventário e que serão objeto de futura sobrepartilha, nomear advogado em nome do espólio, ingressar em juízo, ativa ou passivamente, podendo enfim praticar todos os atos que se fizerem necessários à defesa do espólio e do cumprimento de suas eventuais obrigações formais, tais como outorga de escrituras de imóveis já vendidos e quitados. O nomeado declara que aceita este encargo, devendo cumprir eficazmente seu mister, comprometendo-se desde já, a prestar conta aos herdeiros, se por eles solicitado. O inventariante declara estar ciente da responsabilidade civil e criminal pela declaração de bens e herdeiros e veracidade de todos os fatos aqui relatados. 11) DECLARAđỏES FINAIS: 11.1.- As partes requerem e autorizam os Oficiais dos Registros Imobiliários competentes a praticar todos os atos que se fizerem necessários ao registro da presente; Ficam ressalvados eventuais erros, omissões ou direitos de terceiros; Ficam desprezadas eventuais diferenças de centavos verificadas nas divisões dos valores constantes desta escritura, bem assim nas atribuições dos respectivos quinhões aos respectivos herdeiros. Fica assegurado ao companheiro Sr. _____________ o direito real de habitação, enquanto viver ou não constituir nova família ou união, nos termos do artigo 7º, parágrafo único da Lei 9278/96. Emitida a "DOI" - Declaração sobre Operações Imobiliárias à Secretaria da Receita Federal, conforme Instrução Normativa vigente. Assim disseram e dou fé. A pedido das partes lavrei esta escritura a qual feita e lida em voz alta e clara, acharam em tudo conforme, outorgaram, aceitaram e assinam, dispensando expressamente, a presença e a assinatura de testemunhas, como autoriza o r. Provimento n. 58/89, da Egrégia Corregedoria Geral da Justiça, damos fé. Eu, _____________________, _________________, Escrevente a escrevi. Eu _____________________, _______________________, Tabelião a subscrevo e assino ao final. (aa) ________________________ // ________________________//

  ________________________//________________________//______________ __________// ________________________//. (Devidamente selada). NADA MAIS. Trasladada em seguida. Eu, Tabelião a fiz digitar, conferi, subscrevi, dou fé e assino em público e raso.

  304 9. Escritura pública de inventário – casamento.

  Livro n. ___ Página ___

  ESCRITURA DE

  INVENTÁRIO DO ESPÓLIO DE ________________________, na forma abaixo: SAIBAM, quantos esta virem que, aos ___ ( ) dias do mês de ___, do ano de

  Nascimento de Nosso Senhor Jesus Cristo de dois mil e ______ (20___), nesta cidade e Comarca de Campinas, Estado de São Paulo, neste Sétimo Tabelião de Notas, perante mim, Escrevente, e o Tabelião que esta subscreve, compareceram as partes entre si, justas e contratadas, a saber: como outorgantes e reciprocamente outorgados: a VIÚVA MEEIRA: ________________, brasileira, aposentada, viúva, portadora da cédula de identidade RG n. _____________________, inscrita no CPF/MF sob o n. __________________, residente e domiciliada nesta cidade de Campinas/SP, na Rua _______________, n. ___; e os

  HERDEIROS FILHOS: 1) ________________________, brasileiro, aposentado, portador da cédula de

  identidade RG n. ________________________, inscrito no CPF/MF sob o n.

  ________________________, casado pelo regime da comunhão parcial de bens, na vigência da Lei n. 6.515/77, conforme certidão de casamento, termo n.

  _________, do Livro B-___, folha ____, do Cartório de Registro Civil das Pessoas Naturais do Distrito ______________, desta cidade e Comarca de Campinas/SP, com ________________________, brasileira, portadora da cédula de identidade RG n. ________________________, e inscrita no CPF/MF 304                                                                                                                 Após o advento da Lei 11.441/2007 é possível a realização de inventário e partilha de bens

  em cartórios extrajudiciais, desde que não haja menores, incapazes e todos sejam concordes. O ato obedecerá sempre o comando do artigo 1829, do Código Civil, quando o de cujus for casado. O regime de bens que vigorou durante o casamento será fator determinante no enquadramento dos efeitos sucessórios.

  n. ________________________, residente e domiciliado nesta cidade de Campinas/SP, na Rua ________________________, n. ____ e, 2)

  

________________________, brasileiro, comerciante, solteiro e maior, portador

  da cédula de identidade RG n. ________________________, inscrito no CPF/MF sob o n. ________________________, residente e domiciliado na cidade de _____________/SP, na Rua ________________________ n. ____.

  Comparece ainda como ADVOGADO constituído e apresentado pelas partes, o

  

Dr. ________________________, brasileiro, advogado, solteiro e maior,

inscrito na OAB/SP sob nº __________, e no CPF/MF sob n.

  ___________________, com escritório na cidade de _______________, na Rua

  

________________________n. _____. Todas as partes e o advogado foram

  identificados pelos documentos apresentados e cuja capacidade reconheço, dou fé. Pelos outorgantes e reciprocamente outorgados, devidamente acompanhados por seu advogado acima nomeado, me foi requerido seja feito o inventário e a partilha dos bens deixados por falecimento de _______________________ e declararam o seguinte: 1) DO AUTOR DA HERANÇA: _____________________, era brasileiro, portador da cédula de identidade RG n. ____________________, inscrito no CPF/MF sob n. _________________, era filho de ________________________e ________________________, e nasceu na cidade de __________________, no dia __/__/____. 1.1.- DO FALECIMENTO: Faleceu no Hospital ______________, nesta cidade de Campinas/SP, no dia _______, do mês de __________, do ano de dois mil e ________, e residia nesta cidade de Campinas/SP, na Rua

  

________________________n. ___, conforme certidão de óbito expedida pelo

  __º Oficial do Registro Civil das Pessoas Naturais desta cidade e Comarca de Campinas/SP, matriculada sob n. _______. 1.2.- DA INEXISTÊNCIA DE TESTAMENTO: O de cujus faleceu ab intestato, nos termos da certidão negativa de existência de testamento expedida pelo Colégio Notarial do Brasil - seção de São Paulo, responsável pelo Registro Central de Testamentos do

  Estado de São Paulo. 1.3.- HERDEIROS: de seu casamento em únicas núpcias com a Sra. _______________, sob o regime da comunhão parcial de bens, na vigência da Lei n. 6.515/77, conforme certidão de casamento, Termo n. _________, do Livro B-___, folha ___, do Cartório de Registro Civil das Pessoas Naturais da cidade de ________________________, possuía dois filhos, acima qualificados, que são seus únicos herdeiros descendentes. 2) DOS BENS IMÓVEIS: O de cujus e sua esposa possuíam, por ocasião da abertura da sucessão, os seguintes bens imóveis: 2.1.- UM PRÉDIO RESIDENCIAL, SEU

  

RESPECTIVO TERRENO E QUINTAL, que recebeu o número ____, com frente

para a Rua __________, construído no lote de terreno designado pelo n. ___

  (________), da quadra “___”, do loteamento denominado “___________” em ______________, situado nesta cidade e comarca de Campinas-SP, na ___ª.circunscrição imobiliária local, com a área total, inclusive a parte construída de ___________m2, estando este imóvel devidamente descrito e caracterizado na matrắcula adiante mencionada. 2.1.1. AQUISIđấO: imóvel este adquirido pelo de cujus e sua esposa, por compra feita à ___________________ e sua mulher, ____________________, conforme Escritura Pública de Venda e Compra lavrada nestas Notas, no Livro _______, página _______, datada de __/__/____, pelo valor de Ncz$___________ (moeda da época), registrada sob n. ___, na matrícula número __________, do ___º. Cartório de Registro Imobiliário desta cidade e Comarca de Campinas/SP. 2.1.2. CADASTRO E VALOR: o imóvel acha-se cadastrado na P.M.C. sob o código

  

cartográfico n. ____________________, com valor venal total para o presente

  exercício de R$________________, e para este ato R$_____________, ao qual as partes atribuem para efeitos fiscais o mesmo valor. 3) DOS DÉBITOS: 3.1.- O de cujus nada devia, na ocasião da abertura de sua sucessão. 4) DA PARTILHA E DO PAGAMENTO DOS QUINHÕES : 4.1.- O total líquido dos bens e haveres do espólio totalizam um montante de R$___________ (____________), cuja partilha e o pagamento dos quinhões são feitos da

  seguinte forma: o meeiro receberá em pagamento de sua meação, a metade ideal dos bens acima descritos e caracterizados no valor total de R$____________ (___________); à cada um dos herdeiros filhos, acima qualificados, recebem em pagamento a sua legítima, uma quota parte correspondente a ____%, do patrimônio líquido, no valor de R$____________ (________________________). 6) DAS CERTIDÕES E DOCUMENTOS APRESENTADOS: Além dos documentos já enunciados, foram apresentados mais os seguintes, do autor da herança: a) certidão de óbito; b) certidão negativa de testamento expedida pelo Colégio Notarial do Brasil, seção São Paulo; c) certidão conjunta negativa de débitos relativos a Tributos Federais e à Dívida Ativa da União, a qual foi verificada, por esta serventia, via internet sob o código de controles n. ________________________, emitida as __:__:__ do dia __/__/____, com validade até __/__/____; d) certidões negativas de tributos municipais, expedidas pela Prefeitura Municipal local, aos ____________; e) declaração de transmissão por Escritura Pública e demonstrativo de cálculo do

  ITCMD n. ________________, e, f) certidões negativas de ônus, expedidas pelos Cartórios de Registro de Imóveis competentes, arquivadas nestas Notas na pasta ___, ficando arquivadas ainda nestas Notas as certidões descritas nos itens

  a, b, c, d, na pasta ___ e a descrita no item e, na pasta ___, fls. ___. 7) DECLARAđỏES DAS PARTES. As partes declaram que 7.1.: os imóveis ora partilhados se encontram livres e desembaraçados de quaisquer ônus, dívidas, tributos de quaisquer naturezas, inclusive débitos condominiais; 7.2.: não existem feitos ajuizados fundados em ações reais ou pessoais reipersecutórias que afetem os bens partilhados, e, 7.3.: não são empregadores rurais ou urbanos e não estão sujeitas às prescrições da lei previdenciária em vigor. 8) DECLARAđỏES DO ADVOGADO: Pelo Dr. ________________________, me foi dito que, na qualidade de advogado dos herdeiros, assessorou e aconselhou seus constituintes, tendo conferido a correção da partilha e seus valores de acordo com a Lei. 9) DO ITCMD, pelas partes e sob responsabilidade

  exclusiva das mesmas, me foi apresentado o cálculo do imposto causa mortis, e a respectiva guia do imposto já recolhida que fica arquivada nestas Notas, na pasta ___, isentando esta serventia de quaisquer ônus relativos ao referido imposto. 10) DA NOMEAđấO DO REPRESENTANTE: Os herdeiros nomeiam REPRESENTANTE e INVENTARIANTE deste espólio, o Sr.

  

________________________, conferindo-lhe todos os poderes que se fizerem

  necessários para representar o espólio em juízo ou fora dele, podendo praticar todos os atos de administração dos bens que possam eventualmente estar fora deste inventário e que serão objeto de futura sobrepartilha, nomear advogado em nome do espólio, ingressar em juízo, ativa ou passivamente, podendo enfim praticar todos os atos que se fizerem necessários à defesa do espólio e do cumprimento de suas eventuais obrigações formais, tais como outorga de escrituras de imóveis já vendidos e quitados. O nomeado declara que aceita este encargo, devendo cumprir eficazmente seu mister, comprometendo-se desde já, a prestar conta aos herdeiros, se por eles solicitado. O inventariante declara estar ciente da responsabilidade civil e criminal pela declaração de bens e herdeiros e veracidade de todos os fatos aqui relatados. 11) DECLARAđỏES FINAIS: 11.1.- As partes requerem e autorizam os Oficiais dos Registros Imobiliários competentes a praticar todos os atos que se fizerem necessários ao registro da presente. Ficam ressalvados eventuais erros, omissões ou direitos de terceiros; Ficam desprezadas eventuais diferenças de centavos verificadas nas divisões dos valores constantes desta escritura, bem como nas atribuições dos respectivos quinhões aos respectivos herdeiros. A presente escritura pública de inventário, é titulo hábil para formalizar a transmissão de domínio, conforme os termos nela expressos. Emitida a "DOI" - Declaração sobre Operações Imobiliárias à Secretaria da Receita Federal, conforme Instrução Normativa vigente. Assim disseram e dou fé. A pedido das partes lavrei esta escritura a qual feita e lida em voz alta e clara, acharam em tudo conforme, outorgaram, aceitaram e assinam, dispensando expressamente, a presença e a assinatura de testemunhas, como

  autoriza o r. Provimento n. 58/89, da Egrégia Corregedoria Geral da Justiça, damos fé. Eu, _____________________, ________________________, Escrevente a escrevi. Eu _____________________,

  

________________________, Tabelião a subscrevo e assino ao final. (aa) ___ //

  ___ //___ //____________//. (Devidamente selada). NADA MAIS. Trasladada em seguida. Eu, Tabelião a fiz digitar, conferi, subscrevi, dou fé e assino em público e raso.

  10. Escritura pública de declaração de união estável entre pessoas do mesmo

  305 sexo.

  Livro n. ___ Página ___

  ESCRITURA PÚBLICA DE DECLARAđấO SAIBAM quantos esta virem que aos ___ dias do mês de _________ do ano de

  Nascimento de Nosso Senhor Jesus Cristo de dois mil e dez (20___) nesta cidade e comarca de Campinas, Estado de São Paulo, nesse Sétimo Tabelião de Notas, perante mim, Escrevente e o Tabelião que esta subscreve, compareceram como outorgantes e reciprocamente outorgados: ________________, brasileiro, solteiro, maior e capaz, fotógrafo, portador da cédula de identidade RG n. _______________ e inscrito no CPF/MF n. ____________________e

  _______________________, brasileiro, solteiro, maior e capaz, médico,

  portador da cédula de identidade RG n. __________________ e inscrito no CPF/MF n. ___________________ ambos residentes e domiciliados nesta cidade, na Rua _______________, n. _________, Apto. ____, Bloco ___. Os presentes identificados como sendo os próprios de que trato, à vista de seus documentos de identidade, supramencionados e neste ato exibidos nos originais, do que dou fé. A seguir, pelos outorgantes foi declarado sob responsabilidade civil e criminal que mantém relação afetiva desde __/__/____ (__________________). Declaram ainda, que foram advertidos quanto a eventuais efeitos decorrentes da presente declaração, tais como direitos e obrigações de natureza patrimonial, previdenciária e obrigacional. Assim o disseram e dou fé. A pedido dos outorgantes lavrei a presente que sendo-lhes 305                                                                                                                 Conforme decisão do STF nas ADI n. 4277 e da ADPF n. 132, foi reconhecida a união

  entre pessoas do mesmo sexo como união estável. Portanto, todos os desdobramentos pertinentes a esse instituto recairão nessa nova modalidade de entidade familiar.

  feita e lida, acharam-na em tudo conforme, aceitaram, outorgaram e assinam, na presença de duas testemunhas que são suas conhecidas: ______________________, brasileira, médica, solteira, portadora da cédula de identidade RG n. ________________, e inscrita no CPF/MF n. _________________, e __________________________, brasileira, psicóloga, viúva, portadora da cédula de identidade RG n.__________________ e inscrita no CPF/MF n.________________, residentes e domiciliadas nesta cidade, respectivamente na Rua ________________, n. ___ e Rua ___________________, n. ______, que afirmam serem conhecidas dos outorgantes declarantes e serem verdadeiras as declarações acima, do que dou fé. Eu, ______________________________ ___________________, Escrevente a escrevi. Eu, ______________________ ______________________________, Tabelião, a subscrevo e assino ao final.(aa) ________________________// ________________________// ________________________// ________________________// ________________________ // ________________________. Devidamente selada. NADA MAIS. Trasladada em seguida. Eu, Carlos Fernando Brasil Chaves, Tabelião a subscrevi e assino em público e raso.

  11. Escritura pública de reconhecimento de união estável de pessoa maior de 70

  306 anos.

  Livro n. ___ Página ___

  ESCRITURA PÚBLICA DE DECLARAđấO SAIBAM quantos esta virem que aos _____________ (__) dias do mês de

  _______ do ano de Nascimento de Nosso Senhor Jesus Cristo de dois mil e _____ (20__) nesta cidade e comarca de Campinas, Estado de São Paulo, neste Sétimo Tabelião de Notas, perante mim, Escrevente e o Tabelião que esta subscreve, compareceram como outorgantes: ___________, brasileiro, aposentado, portador da cédula de identidade RG n. _____________ e inscrito no CPF/MF n._____________ e ______________________, brasileira, do lar, solteira e maior, portadora da cédula de identidade RG n.______________________ e inscrita no CPF/MF n.______________, ambos residentes e domiciliados nesta cidade, na Rua _______________, n. _______.

  Os presentes identificados como sendo os próprios de que trato, à vista de seus documentos, supramencionados e neste ato exibidos, do que dou fé. A seguir, pelos outorgantes sob as penas da lei, livre de qualquer coação, sugestão ou induzimento foi dito que vivem em estado de união há um período aproximado de __/__/____ (_______________) anos, ininterruptos e consecutivos, configurando convivência pública, contínua e duradoura, estabelecida com o objetivo de constituição de família, caracterizando a união estável, prevista nos art.1723 a 1727 do Código Civil Brasileiro, e na Lei 9.278/96, e, que tendo em 306                                                                                                                 Vigora como regra geral na união estável o regime da comunhão parcial de bens. O artigo

  226, §3°, da Constituição Federal, igualou a entidade familiar ao casamento. Assim, recai sobre essa união os mesmos impedimentos, conforme descrito nos parágrafos do artigo 1723, do Código Civil, sendo necessário a ressalva do regime da separação obrigatória de bens para os maiores de 70 anos.

  vista o outorgante ser pessoa maior de 70 (setenta) anos, conforme prevê o parágrafo segundo do artigo 1641, do Código Civil Brasileiro, o regime adotado será o da separação obrigatória de bens; que assim, assumem civil e criminalmente toda e qualquer responsabilidade pelas declarações que ora fazem. Assim o disseram e dou fé. A pedido dos outorgantes lavrei a presente que sendo-lhes feita e lida, acharam-na em tudo conforme, aceitaram, outorgaram e assinam, na presença de duas testemunhas que são suas conhecidas: ___________________, brasileira, casada, portadora da cédula de identidade RG n. __________________, e inscrita no CPF/MF n. ___________________, e _____________________, brasileiro, solteiro, portador da cédula de identidade RG n.____________________ e inscrito no CPF/MF n.___________________, residentes e domiciliados nesta cidade, respectivamente na Rua ______________, n. _____ e na Rua _______________, n. _____que afirmam serem conhecidos dos outorgantes declarantes e serem verdadeiras as declarações acima, do que dou fé. Eu, ______________________________ ________________________, Escrevente a escrevi. Eu, ________________________ ________________________, Tabelião, a subscrevo e assino ao final.(aa) ________________________//________________________//______________ __________ //________________________// ________________________. Devidamente selada. NADA MAIS. Trasladada em seguida. Eu, ________________________, Tabelião a subscrevi e assino em público e raso.

  307 12. Escritura pública de venda e compra: necessidade de vênia conjugal.

  Livro _____ Página ___

  ESCRITURA PÚBLICA DE VENDA E COMPRA

  VALOR R$___

  VENAL R$___ SAIBAM quantos esta virem que, aos ___ (___) dias do mês de ___, do ano de Nascimento de Nosso Senhor Jesus Cristo de dois mil e ____ (20___), nesta cidade e Comarca de Campinas, Estado de São Paulo, neste Sétimo Tabelião de Notas, perante mim, Escrevente, e o Tabelião que esta subscreve, compareceram partes, entre si, justas e contratadas, a saber: de um lado, como OUTORGANTES VENDEDORES: ___, brasileiro, ___, portador da cédula de identidade RG. n. ___-SSP-SP e inscrito no CPF/MF n. ___, e sua mulher, ___, brasileira, ___, portadora da cédula de identidade RG. n. ___-SSP-SP e inscrita no CPF/MF. n.___, casados pelo regime da comunhão parcial de bens, na vigência da Lei 6.515/77, conforme certidão de casamento n. ___, livro B-___, fls.___ do Cartório de Registro Civil, ___.º Subdistrito local, residentes e domiciliados nesta cidade, na Rua ___; e, de outro lado, como OUTORGADO COMPRADOR: ___, brasileiro, ____, portador da cédula de identidade RG. n. ___-SSP/SP e inscrito no CPF/MF n. ___, casado pelo regime da comunhão de bens, antes da Lei 6.515/77, com ___, brasileira, ___, portadora da cédula de identidade do RG. n. ___-SSP-SP e inscrita no CPF/MF. n. ___, conforme 307                                                                                                                 A necessidade de vênia conjugal advém do artigo 1647, do Código Civil, que prevê a

  impossibilidade de venda de bem imóvel sem a concordância do outro cônjuge quando o casamento for regido por qualquer regime que não o da separação absoluta. Quando o bem também for da esposa, no corpo da escritura pública constará que vendem o marido “E” sua esposa. No caso do bem estar apenas em nome do cônjuge varão, o texto da escritura será marido “CASADO COM” esposa. Essa pequena diferença caracteriza a propriedade, se de ambos ou apenas um dos consortes.

  certidão de casamento n. __, livro B-__, fls. __, do Cartório de Registro Civil, ___.º Subdistrito local, residente e domiciliado nesta cidade, na Rua ___. Os presentes reconhecidos entre si, identificados por mim Escrevente, pelos documentos supracitados e qualificados na presente escritura, de acordo com as suas próprias declarações, do que dou fé. Em seguida, pelos outorgantes vendedores foi dito que a justo título, são senhores e legítimos possuidores do seguinte imóvel: LOTE DE TERRENO designado pelo n. ( ), da quadra , do loteamento denominado “..”, situado nesta cidade e comarca de Campinas-SP, na _ª.circunscrição imobiliária local, com frente para a Rua ___, com a área de __ m2, o qual está devidamente descrito e caracterizado na matrícula adiante mencionada, não havendo qualquer alteração, tendo conhecimento as partes, cadastrado na P.M.C. sob o n. __, havido dito imóvel pelos outorgantes por compra feita a ____ e sua mulher, conforme ___, lavrada no ___ Tabelião, livro n. ___, fls. ___, por R$____, datada de ___, registrada sob o n. ___, na matrícula ___, no ___ Registro de Imóveis local, onde fica o Sr. Oficial autorizado a praticar todos os atos que julgar necessários à vista desta escritura e demais documentos que a integram; notadamente a averbação da alteração do estado civil ....., conforme documento já mencionado. E possuindo o imóvel antes descrito, livre e desembaraçado de quaisquer ônus, legais ou convencionais, estão justos e contratados para vendê-lo ao outorgado comprador, como por bem desta escritura, e na forma de direito efetivamente vendido tem, pelo preço certo e previamente convencionado de R$___, (___ mil reais), que confessam e declaram ter recebido neste ato dele outorgado, em boa e corrente moeda do país, que contada e achada exata, dela dá ao mesmo comprador plena, geral e irrevogável quitação de pagos e satisfeitos, para nunca mais repetir, desde já transferindo-lhe a posse, jus, domínio, direitos, ações e servidões que exerciam sobre o imóvel, para que dele o mesmo comprador use, goze e disponha livremente, como seu que fica sendo, obrigando-se os vendedores por si, seus herdeiros ou sucessores a fazer esta venda sempre boa,

  firme e valiosa, respondendo pela evicção na forma da lei; e declaram ainda que não estão vinculados ao INSS como empregadores, não estando sujeitos a exibição da CND, consoante a lei n.8212/91, e posteriores alterações, não existindo contra eles vendedores ou sobre o imóvel em questão qualquer ação ou medida cautelar com fundamento em direito real ou pessoal que possa viciar esta venda. Pelos outorgantes vendedores foi declarado expressamente que se responsabilizam por eventuais débitos de impostos, taxas e demais tarifas incidentes sobre o imóvel objeto desta, até a presente data, nos termos do Art. 502, do Código Civil Brasileiro. Pelo outorgado comprador, foi dito que aceita a presente venda e esta escritura em todos os seus expressos termos, e que em face à declaração dos vendedores, dispensa-os da apresentação das certidões previstas na Lei 7.433/85 regulamentada pelo decreto n. 93.240/86, à exceção da certidão negativa de ônus expedida pelo Registro de Imóveis competente, que foi apresentada, que fica arquivada nestas Notas, na pasta ___. A guia do imposto de transmissão “inter-vivos” devido pela presente, será emitida pela Prefeitura Municipal local, consoante a legislação municipal vigente e quitada

  o

  no 1 . dia útil bancário, tendo em vista ter sido lavrada após seu expediente, sendo que uma via ficará aqui arquivada na pasta n. ___, e, outra acompanha o

  o

  1 . traslado. Os vendedores declaram sob as penas da lei que inexistem débitos condominiais sobre os imóveis objeto desta. Emitida a "DOI" - Declaração sobre Operações Imobiliárias à Secretaria da Receita Federal, conforme Instrução Normativa vigente. Assim disseram e dou fé. A pedido das partes, lavrei esta escritura a qual feita e lida em voz alta e clara, acharam em tudo conforme, outorgaram, aceitaram e assinam, dispensando expressamente, a presença e a assinatura de testemunhas, como autoriza o r. Provimento n. 58/89, da Egrégia Corregedoria Geral da Justiça, damos fé. Eu, _____________________,_______________________, Escrevente a escrevi. Eu _____________________, __________________________, Tabelião a subscrevo e assino ao final. (aa) ___ // ___ // ___ //_______ //. (Devidamente

  selada). NADA MAIS. Trasladada em seguida. Eu, Tabelião a fiz digitar, conferi, subscrevi, dou fé e assino em público e raso.

  308 13. Escritura pública de venda e compra: separação absoluta de bens.

  Livro _____ Página ___

  ESCRITURA PÚBLICA DE VENDA E COMPRA

  VALOR R$___

  VENAL R$___

  SAIBAM quantos esta pública escritura virem que, aos __________ (__) dias,

  do mês de ____________, do ano de Nascimento de Nosso Senhor Jesus Cristo de dois mil e _____ (20__), nesta cidade e Comarca de Campinas, Estado de São Paulo, neste Sétimo Tabelião de Notas, perante mim, Escrevente e o Tabelião, que esta subscreve, compareceram partes, entre si, justas e contratadas, a saber: de um lado, como OUTORGANTE VENDEDORA:

  _____________________, aposentada, portadora do RG. n.

  __________________, inscrita no CPF/MF sob n. _____________________, brasileira, casada pelo regime da separação de bens, conforme certidão de casamento extraída do termo n. ________, livro B-___, fls. ___, do Cartório de Registro Civil local, __º Subdistrito, residente e domiciliada nesta cidade, na Rua _____________n. ___; e, de outro lado, como OUTORGADO COMPRADOR: ___________________, brasileiro, autônomo, portador do RG. n. ________________, inscrito no CPF/MF sob n. __________________, e sua esposa _____________________________, brasileira, do lar, portadora do RG. n. ____________________, inscrita no CPF/MF sob n. __________________, casados pelo regime da separação total de bens, na vigência da Lei 6.515/77, 308                                                                                                                 Nada impede que os cônjuges casados pelo regime da separação absoluta comprem ou

  vendam algum bem, a única diferença será quanto a desnecessidade de vênia conjugal para o ato, conforme se depreende da leitura do artigo 1647, do Código Civil. No caso apresentado, a vendedora, apesar de casada, vende o bem sem a anuência do marido. Enquanto que os compradores, independentemente de serem casados pelo regime da separação de bens, compram em condomínio, por isso, ambos assinarão a escritura ao final.

  conforme escritura de pacto antenupcial registrada sob n. _________ no Cartório de Registro de Imóveis da Comarca de ______________, residente e domiciliados na cidade de ____________, deste Estado, na Rua __________________ n. ____; Os presentes reconhecidos entre si, identificados por mim Escrevente, pelos documentos supracitados e qualificados na presente escritura, de acordo com as suas próprias declarações, do que dou fé. Em seguida, pela outorgante vendedora, me foi dito que a justo título, é senhora e legítima possuidora do seguinte imóvel: UM LOTE DE TERRENO sob n.

  

___(_____) da quadra n. ___(__________), do loteamento denominado

“______________”, situado no Bairro _________, núcleo urbano do

município e comarca de __________, antiga Comarca de ____________,

  com a área total de _________m², de frente para a Rua ______, o qual encontra- se minuciosamente descrito e caracterizado na matrícula abaixo mencionada, sendo conhecido das partes, e não havendo qualquer alteração, as partes ratificam suas medidas como se aqui estivessem descritas; cadastrado na P.M. de ___________ sob número ________________; existe sobre o loteamento “_______________” a seguinte restrição: os lotes não poderão ser subdivididos, nem conter mais de uma habitação, salvo nos casos expressamente previstos em Lei, conforme noticiado na av. 05 da matrícula supracitada; havido pela outorgante vendedora, através da carta de sentença de __/__/____, expedida nos autos n. __________, de divórcio consensual, registrada sob n. 04 na matrícula

  

________ do CRI da Comarca de _____________; que atualmente o imóvel

  pertence a Circunscrição Imobiliária de _______________, tendo sido apresentada a certidão do Registro de Imóvel de __________, da qual consta que ainda não há abertura de matrícula para referido imóvel, e onde fica desde já, a Sra. Oficiala autorizada pelas partes, a praticar todos os atos que julgar necessários à vista desta escritura e demais documentos que a integram; E que, possuindo o imóvel acima descrito, livre e desembaraçado de quaisquer ônus, legais ou convencionais, está justa e contratada para vendê-lo ao outorgado

  comprador, como por bem desta escritura e na melhor forma de direito efetivamente vendido o tem, pelo preço certo e previamente convencionado de

  

R$ ______________(__________________________), que ela vendedora,

  confessa e declara haver recebido dele outorgado em boa e corrente moeda do país, que foi contada e achada exata, dando então ao comprador, plena, geral e irrevogável quitação de paga e satisfeita, para não mais o repetir; e desde já, transfere-lhe a posse, jus, domínio, direitos e ações que exercia sobre o bem vendido, para que dele o mesmo comprador use, goze e disponha livremente, como seu que fica sendo desta data em diante, obrigando-se a vendedora por si, seus herdeiros ou sucessores a fazer a presente venda sempre boa, firme e valiosa, respondendo pela evicção de direito na forma da lei; declarando, na forma e sob penas da lei, que pessoalmente não é empregadora, nem equiparada à empresa, nem mesmo responsável por recolhimentos de contribuições à Previdência Social, portanto não está incursa em quaisquer das restrições previstas na Lei Federal n. 8.212/91 do INSS, e alterações posteriores, regulamentada pelo Decreto n. 3.048, de 06 de maio de 1.999, e alterações posteriores em vigência, motivo pelo qual não está sujeita à apresentação da CND/INSS, bem como a CND/TCF/SRF; e que não existe contra ela vendedora ou sobre o imóvel em questão, qualquer ação ou medida cautelar com fundamento em direito real ou pessoal que possa viciar esta venda. Pela outorgante vendedora, foi declarado expressamente que se responsabiliza até esta data por eventuais débitos de impostos, taxas e demais tarifas incidentes sobre o imóvel, objeto desta, nos termos do Art. 502, do Código Civil Brasileiro. Pelo outorgado comprador, foi dito que aceitava esta escritura em todos os seus expressos termos, e que, face a declaração da vendedora de não possuir feitos em trâmite ou ajuizados, dispensa-a da apresentação das certidões previstas na Lei 7.433/85 regulamentada pelo decreto n. 93.240/86, à exceção da certidão negativa de ônus, expedida pelo Cartório de Registro de Imóveis da Comarca de _____________, e Certidão Negativa expedida pelo Cartório de Registro de

  Imóveis de _______________, as quais ficam arquivadas nestas notas em pasta própria sob n._____. A guia do imposto de transmissão inter vivos, devido pela presente, foi recolhida nesta data na rede bancária local, sendo que, uma via fica arquivada nestas notas na Pasta ____, e outra acompanhará o 1º traslado desta escritura. Emitida a "DOI" - Declaração sobre Operações Imobiliárias à Secretaria da Receita Federal, conforme Instrução Normativa vigente. Assim disseram e dou fé. A pedido das partes, lavrei esta escritura, a qual sendo feita e lida em voz alta e clara, acharam-na em tudo conforme, outorgaram, aceitaram e assinam, dispensando expressamente a presença e assinatura de testemunhas, como autoriza o Provimento n. 58/89, da E. Corregedoria Geral da Justiça do Estado de São Paulo, damos fé. Eu,____________________ _______________, escrevente, a escrevi. Eu,______________________ ______________, Tabelião, a subscrevo e assino ao final. (aa) ______________// ______________ // ______________ // ______________. (Devidamente Selada). NADA MAIS. Trasladada em seguida. Eu, Tabelião, a fiz digitar, conferi, subscrevi, dou fé e assino em público e raso.

  309 14. Escritura pública de restabelecimento de sociedade conjugal.

  Livro___ Página____

  ESCRITURA PÚBLICA DE RESTABELECIMENTO DE SOCIEDADE CONJUGAL.

  SAIBAM quantos esta virem que, aos __ (__) dias do mês de _________, do ano de Nascimento de Nosso Senhor Jesus Cristo de dois mil e ______ (20___), nesta cidade e Comarca de Campinas, Estado de São Paulo, neste Sétimo Tabelião de Notas, perante mim, Escrevente, e o Tabelião que esta subscreve, compareceram: como primeiro outorgante e reciprocamente outorgado

  __________________________, funcionário público municipal, portador da cédula de identidade RG _________________, inscrito no CPF/MF sob n. _________________e como segunda outorgante e reciprocamente outorgada, __________________________, médica, portadora da cédula de identidade RG

  ___________________, inscrita no CPF/MF sob n. ________________, ambos brasileiros, separados judicialmente nos termos da Certidão de Casamento expedida pelo Cartório de registro Civil de __________, matrícula n.

  __________________________, residentes e domiciliados nesta cidade, na Rua ADVOGADO: Dr.

  _____________________, n. _____, e como

  __________________________, brasileiro, casado, advogado, inscrito na

  OAB/SP sob n. __________ e no CPF/MF sob n. __________________, com escritório nesta cidade, na Avenida ________________, n.______. Os presentes reconhecidos como os próprios, mediante a verificação dos documentos 309                                                                                                                 O legislador ao criar o instituto da separação pretendeu permitir um espaço para que os

  cônjuges reflitam sobre o matrimônio e a partir daí tomem uma decisão definitiva sobre o divórcio ou restabeleçam a união. Eis que não deve prosperar o entendimento de que o instituto da separação foi suprimido pela EC n° 66, sob a falsa alegação de que constituía ato preparatório para o divórcio. A separação é medida jurídico-psicológica e que pode resultar no restabelecimento da sociedade conjugal.

  apresentados e de cuja identidade e capacidade civil, dou fé. Então, pelas partes, devidamente acompanhados por seu advogado acima nomeado, me foi requerido seja feito o RESTABELECIMENTO DE SUA SOCIEDADE CONJUGAL, nos seguintes termos: 1) DO CASAMENTO - As partes contraíram matrimônio no dia _____ do mês _______ de 19___, conforme assento feito sob n. _______, às folhas _____, do Livro n. B-__ sob o regime da comunhão parcial de bens, na vigência da Lei 6.515/77, nos termos da Certidão expedida pelo Oficial do Registro Civil de ________. 2 - DA SEPARAđấO - Que por sentença

  a

  proferida aos __/__/____, pelo MM. Juiz de Direito, da __ . Vara Cível local, que transitou em julgado, as partes se separaram consensualmente, continuando a separanda a usar o nome de solteira, tendo em vista que por ocasião do casamento a contraente não acrescentou o sobrenome de seu cônjuge, ou seja

  __________________________.

  continua a assinar:

  • - 3 DO

  

ACONSELHAMENTO E ASSISTÊNCIA JURÍDICA - Pelo advogado

  apresentado pelas partes, me foi dito que, tendo ouvido ambos os outorgantes, aconselhou e advertiu das consequências assumidas neste instrumento e propôs a reconciliação. As partes mais uma vez, em comum acordo, aceitaram a proposta de reconciliação e declararam perante o advogado e este escrevente estarem convictos de que o restabelecimento da referida sociedade conjugal é a vontade de ambos. 4 - DO RESTABELECIMENTO - Assim, em cumprimento ao pedido e vontade das partes, atendidos os requisitos legais, pela presente Escritura, nos termos do artigo 1.577 do Código Civil Brasileiro e artigo 1.124-A do Código de Processo Civil Brasileiro, acrescido pela Lei n. 11.441 de 04 de Janeiro de 2.007, fica restabelecida a sociedade conjugal das partes outorgantes, que voltam a ter o estado civil de casados sob o regime da comunhão parcial de bens. 5 - Declaram as partes, expressamente, sob às penas da lei e responsabilidade civil e criminal, que o presente restabelecimento da sociedade conjugal em nada prejudicará os direitos de terceiros, direitos estes adquiridos antes e durante o estado civil de separados, conforme dispõe o

  parágrafo único do artigo 1.577 do Código Civil Brasileiro, e que foram cientificados por mim escrevente de que deverão apresentar a presente Escritura junto ao Oficial de Registro Civil competente, para as devidas averbações. 6- As partes requerem e autorizam o Sr. Oficial do Registro Civil das Pessoas Naturais de __________, a efetuar a averbação necessária para que conste a presente escritura de restabelecimento de sociedade conjugal, passando as partes ao estado civil de casados. Requerem ainda aos Oficiais Registros de imóveis competentes a efetuarem as averbações e registros necessários. 8 -DAS FILHAS: As partes possuem 02 filhas maiores, Sras.

  

__________________________e __________________________. Assim o

  disseram e dou fé. A pedido das partes lavrei esta escritura a qual feita e lida em voz alta e clara, acharam em tudo conforme, outorgaram, aceitaram e assinam, dispensando expressamente, a presença e a assinatura de testemunhas, como autoriza o r. Provimento n. 58/89, da Egrégia Corregedoria Geral da Justiça, damos fé. Eu, _____________________, __________________________, Escrevente a escrevi. Eu _____________________,

  

__________________________, Tabelião a subscrevo e assino ao final. (aa)

__________________________

  //

  __________________________//__________________________//

__________________________//. (Devidamente selada). NADA MAIS.

  Trasladada em seguida. Eu, Tabelião a fiz digitar, conferi, subscrevi, dou fé e assino em público e raso.

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