GOVERNO DUTRA: UM PERÍODO ENTREVARGAS

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Andréa Echevarria

GOVERNO DUTRA: UM PERÍODO ENTREVARGAS

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GOVERNO DUTRA: UM PERÍODO ENTREVARGAS

Trabalho final de graduação apresentado ao Curso de História do Centro Universitário Franciscano, como requisito parcial para a obtenção do grau de Licenciado em História.

Orientador: Prof. Dr. Carlos Roberto da Rosa Rangel

Santa Maria, RS

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GOVERNO DUTRA: UM PERÍODO ENTREVARGAS

Trabalho final de graduação apresentado ao Curso de História do Centro Universitário Franciscano, como requisito parcial para obtenção do grau de Licenciado em História.

Prof. Dr. Carlos Roberto da Rosa Rangel – Orientador (Unifra)

Prof Lenir Cassel Agostini (Unifra)

Prof Elisabeth Weber Medeiros (Unifra)

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O objetivo deste Trabalho de Final de Graduação é descrever os aspectos sociais, econômicos e políticos do governo Dutra, em relação à saída e o retorno de Getúlio Vargas, contrastando com as práticas populistas do Brasil nesse período. Para tanto, foram utilzadas fontes bibliográficas, entre as quais se destacam autores como Ianni, Wefort, Ferreira e Canniff, que descrevem o surgimento do populismo e a luta de classes nesse período. Outros autores, como Cánepa e Fortes, enfatizam os partidos políticos e os movimentos dos trabalhadores. Skidmore, Coutinho, Silva & Carneiro e Almino fazem uma leitura geral do contexto político da época. Através dessas leituras, pode-se realizar a análise dos fatores condicionantes que induziram à deposição de Getúlio Vargas e a posse de Eurico Gaspar Dutra dentro de um contexto político de redemocratização.

Palavras-chave: Trabalhadores. Governo. Populismo.

ABSTRACT

This Course Final Paper aims at describing the social, economic and political aspects of President Dutra’s government period in relation to Getulio Vargas way out and return, contrasting with the populist practices performed in Brazil at that time. To do so, we made use of bibliographic sources in which we can highlight authors like Ianni, Wefort, Ferreira and Canniff that describe the populism appearance and class conflicts during that period. Some other authors like Cánepa and Fortes emphasize the political parties and workers movements. Skidmore, Coutinho, Silva & Carneiro and Almino present a general overview of the political context at that time. Through these different readings we can analyze the conditioning factors that induced Getúlio Vargas deposition and the entrance of Eurico Gaspar Dutra in a political context of re-democratization.

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INTRODUÇÃO... 06

1 ANTECEDENTES DO GOVERNO DUTRA... 07

2 AS TENDÊNCIAS POLÍTICAS DO GOVERNO DUTRA... 14

3 O GOVERNO DUTRA E A SITUAÇÃO ECONÔMICA... 16

4 O GOVERNO DUTRA E AS POLÍTICAS SOCIAIS... 20

5 O RETORNO DE VARGAS... 23

CONSIDERAÇÕES FINAIS... 25

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INTRODUÇÃO

O objetivo deste Trabalho de Final de Graduação é descrever os aspectos sociais, econômicos e políticos do governo Dutra, em relação à saída e o retorno de Getúlio Vargas, contrastando com as práticas populistas do Brasil nesse período.

No primeiro capítulo, intitulado “Antecedentes do governo Dutra”, serão trabalhadas as questões das vontades de políticos e intelectuais de mudarem o regime vigente no Brasil para a democracia. Além disso, serão apresentados o surgimento, os programas, as coligações e as características dos partidos políticos da época; as articulações para a deposição do então presidente Getúlio Vargas, o golpe de 29 de outubro, a efetivada deposição de Getúlio Vargas e sua sucessão temporária. Logo após, relatar-se-á sobre as Constituições de 1937 e1946.

No segundo capitúlo, chamado “Aspectos políticos do governo Dutra”, será relatada a redemocratização, o governo Dutra e suas características, sua relação com os partidos políticos, suas estratégias políticas, econômicas e sociais.

No terceiro capitúlo, “Aspectos econômicos do governo Dutra”, será abordada a mudança da economia agroexportadora para uma economia liberal de mercado e a criação do Plano Salte.

No quarto capitúlo, intitulado “Aspectos sociais do governo Dutra”, explicar-se-á a redemocratização, os avanços científicos e tecnológicos e os direitos conquistados pelas mulheres, entre outros.

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1 ANTECEDENTES DO GOVERNO DUTRA

Um grupo de políticos e intelectuais, no ano de 1943, no Estado de Minas Gerais, redigiu um manifesto solicitando a mudança do regime político vigente no Brasil. Além disso, a Segunda Guerra Mundial estava sendo vencida pelos aliados contra os fascistas, e a redemocratização estava sendo reimplantada no mundo (SKIDMORE, 2007), fatos que forçaram Vargas a procurar controlar a situação, promulgando a Lei nº 7.586 que permitia a criação de partidos políticos e anunciava eleições diretas para 1945.

Na história política, do Brasil, desse período de redemocratização, os partidos que se formaram não tiveram bem definidas suas formas de atuação na representação social, não determinando muito bem um papel com caraterísticas sociais, exceto quando houve a divisão do cenário partidário entre o PSD, a UDN e o PTB. Deve-se reconhecer que a formação desses partidos impulsionou novas eleições, que aconteceram na década de 1940 e 1950, e que fizeram parte de um momento político que estava prestes a mudar o regime político do país.

Nesse contexto político, nasceram o Partido Socialista Democrático (PSD), União Democrática Nacional (UDN) e o Partido Trabalhista Brasileiro (PTB), ocorrendo, inclusive, a legalização do Partido Comunista Brasileiro (PCB), que já estava inserido nesse período, desde o começo da década de 1940. Desses partidos, apenas a UDN fez oposição ao governo de Vargas, pois os demais faziam parte dessa forma de governo, sendo que, tanto o PSD quanto o PTB, foram criados sob a influência de Getúlio, porém, em momentos diferentes.

O PSD estava concentrado nos setores ligados às interventorias estaduais, nos empresários de São Paulo e nos governantes característicos e oriundos do regime oligárquico. Junto com o PTB, o Partido Socialista Democrático – apesar de serem dúbios nas palavras contidas em suas plataformas políticas – conseguiu ter uma grande influência ideológica nos debates políticos que se estabeleceram e uma projeção sobre a sociedade, sendo que, inicialmente, o PSD, e depois o PTB, foram caracterizados como partidos do governo (DREIFFUS, 1981).

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No que se refere ao Partido Trabalhista Brasileiro, foi formado no fim do Estado Novo, quando Vargas percebeu que precisava de mais apoio no governo. O partido foi organizado por membros próVargas, todos ligados ao Ministério do Trabalho. Parte do PSD passou a integrar o PTB, que teve seu auge quando conseguiu eleger Getúlio como Presidente em 1950. Enquanto isso, o partido tinha como uma de suas características validar a ordem política do período. As eleições de 1950 foram extremamente vitoriosas para o PTB, pois Getúlio Vargas elegeu-se presidente da República, Ernesto Dornelles governador do Estado e Alberto Pasqualini senador, sem contar a Câmara e a Assembleia Legislativa, que contaram com grande bancada petebista.

Entretanto, a relação entre Vargas e o novo partido não foi vista como uma relação benéfica, mas como uma articulação de Getúlio para continuar no poder, já que o PTB foi um partido que conseguiu articular o trabalhador e o povo, em geral, a favor de Vargas. Assim, em conjunto com o PSD, o PTB controlava as pressões que o povo fazia sobre o governo (DREIFUSS, 1981).

O programa desse partido demonstrou a necessidade de haver uma unidade política que representasse a massa de militantes, que passariam a ser “legítimos trabalhadores”. Entretanto, não se pode dizer que o partido tinha seu programa voltado ao paternalismo autoritário; contudo, não se pode ignorar a ideia de que esse projeto dava ênfase aos problemas dos trabalhadores, e que se tais problemas fossem resolvidos, o governo teria os trabalhadores como aliados para garantir sua permanência no poder (ALMINO, 1980, p. 46).

No que se refere ao PCB, o partido contribuiu para a permanência de Getúlio no poder. Fazia pouco tempo que havia sido declarado “legal”, e isso só ocorreu através de Vargas. Diante dessa situação, o que o partido menos queria era que Getúlio Vargas saísse do poder. O PCB encontrava-se no cenário político, tendo uma grande influência sobre o movimento operário-sindical, e suas maiores bases no Rio Grande do Sul estavam em Porto Alegre, Rio Grande, Pelotas e nos demais centros urbanos do interior do Estado.

Já a UDN fez uma grande oposição ao governo Vargas, contando com seus membros que eram parte de setores da oligarquia, da burguesia-liberal e elementos da esquerda que não eram ligados ao Partido Comunista. Os membros da esquerda não ficaram muito tempo no partido e, em 1946, formaram o Partido Socialista Brasileiro (PSB).

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Entre as várias questões colocadas no programa, uma das que mais chamou a atenção foi a que se referia aos termos extraídos do manifesto dos mineiros, que chamaram “democratização econômica” as medidas referentes ao social. Esse projeto também se posicionou diante da situação econômica e da inflação que estava fora do controle governamental, defendendo a necessidade do comprometimento de todos, para que se pudesse enfrentar de maneira “prática e decisiva” o sério problema da inflação, que passou a causar uma “ameaça” à economia vigente (ALMINO, 1980, p. 43-45).

Contra essa crescente articulação do PTB, o PSD e a UDN se uniram em nível federal como tentativa de combater as articulações de Vargas com o movimento sindical, não obtendo pleno êxito somente no Estado do Rio Grande do Sul (CÁNEPA, 2005). Essa articulação é frequentemente denominada de “queremismo”, caracterizando-se como um movimento político surgido no ano de 1945, tendo como objetivo manter Getúlio no poder. O nome desse movimento originou-se do slogan que foi utilizado para o manifesto: “Queremos Getúlio!”. O objetivo dos queremistas era que houvesse o adiamento das eleições e a convocação de uma Assembleia Nacional Constituinte.

Diante disso, os grupos que apoiavam Vargas viam na política populista de Vargas uma forma de mudança da realidade social, pois esse conjunto de ideias e atitudes a que foi dado o nome de populismo contribuiu para orientar as ações dos governos de Vargas e de Dutra, pois significava uma política de massas, vinculada à proletarização dos trabalhadores (WEFFORT, 1986).

No período estudado, os trabalhadores não tinham adquirido consciência de classe, ou seja, não estavam organizados como classe, pois não agiam unicamente em função dos seus interesses classistas, uma vez que o líder carismático conduziu o proletariado, pois estes não tinham a consciência de exploração (GOMES, 2001).

A classe dirigente, em crise e sem condições de governar o Estado, precisava do apoio político das massas e de um líder populista que fosse carismático, capaz de mobilizar a população e firmar-se no poder. Dessa forma, o governo de Dutra não foi um rompimento com as tendências populistas que vinham se desenvolvendo no goveno anterior, pois a construção do populismo se deu através de um proletariado sem consciência de classe, sobre os quais a elite dominante em crise procurou acentar seu poder e governar ainda que por meio de um líder carismático (GOMES, 2001).

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Não deixa de ser contraditório que o partido do proletariado, que só existe na medida de uma consciência de classe muito bem definida, apoiasse um movimento personalista que, por definição, conspirava contra essa consciência de classe.

Entretanto, deve-se dizer que o PCB, com o decorrer do tempo, favoreceu a expansão do movimento que atingiu várias capitais e acabou ganhando dimensões de movimento de massa. Essa articulação e mobilização orquestradas pelos aliados de Vargas receberam um grande apoio popular e, no transcorrer dos meses de agosto, setembro e outubro de 1945, causou grande apreensão aos adversários do Presidente (SKIDMORE, 2007).

Faz-se importante destacar que o termo populista, empregado aqui, não quer dizer que as pessoas se julgavam populistas ou parte do populismo, mas, de acordo com Ferreira (2001, p.113), entre 1942 e 1945 houve uma aproximação entre historiadores e jornalistas, que começaram a explicar as relações do Estado com a classe trabalhadora a partir da manipulação, da propaganda estatal e do atraso da cultura política popular do Brasil. As palavras “populismo” e “populista”, que não se encontravam em vocabulários da época, passaram a fazer parte do repertório de termos empregados para explicar essa relação.

Em 1945, Vargas estava entre o movimento queremista e a reação dos membros da UDN, liderados por Eduardo Gomes, e do PSD, leais a Eurico Dutra. O fato é que nenhuma das tendências em conflito (pró e contra a permanência de Vargas) tinha suficiente apoio institucional e popular para uma vitória definitiva sobre os adversários.

O resultado desse impasse foi à saída pacífica de Vargas do governo e a garantia de seus direitos políticos. Dessa forma, de acordo com Conniff (2006, p.234), Vargas liderou um movimento de transição de um regime ditatorial para o populista, valendo-se do Ministério do Trabalho e dos órgãos de propaganda para incentivarem uma “imagem carismática dele próprio entre as massas”.

Talvez não se entendesse totalmente a dinâmica do contraponto entre os regimes populista e autoritário, mas Vargas foi, na verdade, muito auxiliado pelos acontecimentos no final de 1945, quando aceitou, sem contrariedade, o golpe organizado pelos militares e deixou uma imagem de líder político que tinha, entre outras características, uma simpatia pelo regime democrático que estava começando a se manifestar no país.

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dispostos a depor Getúlio Vargas do governo, empregando a força militar (SILVA, 1975). Embora Góes Monteiro não tivesse, pessoalmente, nada contra Vargas, foi incisivo quando mandou transmitir o recado de deposição por meio do General Oswaldo Cordeiro. Apesar de estar indignado com as atitudes de Vargas, o general Góes, que tinha servido ao presidente por muito tempo, não desejava que Vargas sofresse um rígido tratamento pelos seus adversários, o que considerava possível, porém, injusto (COUTINHO, 1956).

No momento seguinte, a saída do oficial Oswaldo Cordeiro rumo ao encontro com o Presidente, o general Góes Monteiro decidiu por uma reunião com a cúpula das forças armadas, comunicando-lhes os últimos acontecimentos do dia, acrescentando que a ida do general Oswaldo Cordeiro até Getúlio ficaria sob sua responsabilidade. Entretanto, de todos os presentes na reunião, os únicos que sabiam o real motivo do encontro do oficial com Vargas eram o general Dutra e o brigadeiro Eduardo Gomes (COUTINHO, 1956)

Nesse período, surgiram dois grupos distintos no processo de redemocratização: os “de Fora” e os “de Dentro”. Aqueles foram tirados do poder, desde 1937, sobretudo os constitucionalistas liberais. Já estes foram os que apoiaram o Estado Novo, desde sua criação, e que representavam um grande número de votos em favor do candidato que se dispusesse a continuar as suas diretrizes básicas (SKIDMORE, 2007, p.80).

Os considerados “de Dentro” estavam ligados ao Partido Social Brasileiro (PSD), e os “de Fora” à União Democrática Nacional (UDN), dois dos maiores partidos criados. Assim, os “de Dentro” apoiavam o novo governo, enquanto que a UDN se tornou oposição e lutou por uma redemocratização mais ampla. (SKIDMORE, 2007, p.81-83)

Destaca-se que a participação do General Dutra no golpe de 29 de outubro foi cheia de dúvidas, uma vez que ele mesmo não acreditava poder vencer as eleições se não tivesse o apoio de Getúlio Vargas. Além disso, convém lembrar que os militares que foram os principais formadores do Estado Novo eram ligados ao futuro adversário de Dutra, o brigadeiro Eduardo Gomes (ALMINO, 1980).

Getúlio foi deposto, assumindo seu lugar José Linhares, presidente do Supremo Tribunal, que governou temporariamente até o resultado das eleições. Percebe-se que, apesar de todos os movimentos em prol da permanência de Vargas no poder, este não consegiu manter-se no controle da situação (COUTINHO, 1956).

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brasileiro dessem o apoio necessário à campanha de Dutra (CÁNEPA, 2005).

As eleições para presidente ocorreram sem maiores transtornos em 02 de dezembro de 1945. Entretando, não se pode dizer que houve a plena vigência da democracia partidário-eleitoral, pois continuava a exclusão dos analfabetos nas eleições, ou seja, cerca da metade da população não tinha direito ao voto, restando, aproximadamente, 24% da população como eleitores (CÁNEPA, 2005).

Embora parecesse que o novo presidente seria o brigadeiro Eduardo Gomes, quem venceu o pleito foi o general Eurico Gaspar Dutra, que se deu através de 55% dos votos, contra os 35% do brigadeiro Eduardo Gomes, sendo a diferença bastante significativa nos Estados de São Paulo, Minas Gerais e Rio Grande do Sul. O PSD foi o partido que mais obteve cadeiras no congresso nacional, com 151; em segundo estava a UDN, com 77; em terceiro, o PTB, com 22; e, na sequência, o PCB, com 14(SILVA; CARNEIRO, 1975, p. 85).

O general Góes Monteiro, que estava receioso quanto à permanência de Vargas no país, decidiu conversar com Dutra, argumentando-lhe que o melhor a ser feito era caçar os direitos políticos de Vargas e seus aliados e mandá-lo para o exílio. Góes considerava Getúlio uma ameaça para o novo governo, pois o ex-presidente tinha ao seu lado uma geração que, em sua maioria, era constituída por trabalhadores que estavam satisfeitos pelos ganhos dos seus benefícios e, sobretudo, por um sentimento de veneração pela figura de Vargas (COUTINHO, 1956).

Em seu relato, Góes Monteiro afirma que, em nenhum momento, deveria haver ditadura, e o que aconteceu a Vargas foi um meio de liquidar alguma herança ruim que Getúlio poderia deixar se continuasse no poder. O general atribuiu ao ex-presidente todo e qualquer acontecimento no período do Estado Novo, eximindo os militares que, segundo ele, apenas lutaram pelo bem do país, de acordo com o contexto histórico que se vivia (COUTINHO, 1956).

Nas primeiras eleições após a saída da presidência, Vargas conseguiu se eleger senador por dois Estados, São Paulo e Rio Grande do Sul. Getúlio, que era condidato do PTB, decidiu ficar pelo segundo Estado, e, devido ao seu grande desempenho nas eleições, ficou sendo observado pelo novo governo, que não caçou seus direitos políticos – provavelmente para não acirrar os confrontos de caráter político. Contudo, os conflitos entre Vargas e o governo ocorreram em tons de críticas de ambas as partes.

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Estados. Esses partidos demonstraram um especial conhecimento dos fatos vigentes, pois sabiam das mudanças que estavam em curso na direção de uma redemocratização, tirando proveito disso para acelerar sua organização (SILVA; CARNEIRO, 1975).

Na constituição de 1937, o mandato presidencial foi estabelecido para um período de seis anos, porém, na nova Carta de 1946, diminuiu em um ano. Assim, quando assumiu a Presidência, em 31 de janeiro de 1946, Dutra deixou claro que não pretendia ficar no governo nem um dia a mais que o previsto (SILVA; CARNEIRO, 1975).

A nova carta foi elaborada em 1946, visava o retorno da democracia ao país, garantindo os direitos individuais, abolindo a censura e a pena de morte. Devolveu a independência dos três poderes, a autonomia dos Estados, dos municípios e a eleição direta para presidente da República, com mandato de cinco anos. Somente em 1961 sofreu importante reforma com a adoção do parlamentarismo – posteriormente anulado pelo plebiscito de 1963, que restaurava o sistema presidencialista.

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2 AS TENDÊNCIAS POLITICAS DO PERÍODO DUTRA

O governo Dutra estendeu-se de 1946 a 1951 e, de maneira geral, caracterizou-se por estar submetido a uma nova ordem constitucional. Essa nova ordem, segundo Skimore (2007), caracterizou-se por ter aprovado uma nova constituição que abrangeu a redemocratização, sendo que a política passou a ser pluripartidária. Contudo, não se deve esquecer que, embora com um governo democrático, Dutra usou da repressão para conter os movimentos contrários ao seu governo.

Dentre esses movimentos, os que estavam associados ao PCB receberam maior atenção. Para Skidmore (2007), o PCB era uma das principais fontes de oposição ao governo Dutra, junto com os aliados de Vargas. Como forma de prevenção, foi incluído, na Constituição de 1946, um dispositivo contra os partidos “antidemocráticos”, o que acabou afetando os comunistas e os trabalhistas mais de esquerda.

Ainda de acordo com Skidmore (2007), Dutra parecia viver uma lua-de-mel política devido a uma colaboração inicial da UDN em relação aos prejuízos causados pelo pós-guerra. Entretanto, no ano de 1946 a política deu sinais de que se transformaria, abertamente, em partidária. Assim, deve-se reconhecer que Dutra percebeu que os problemas existentes em seu governo complicaram-se ainda mais, uma vez que Vargas acabou rompendo com o governo.

Diferentemente de Skidmore, Silva e Carneiro (1975, p.87-88) afirmam que quando o general Dutra assumiu o poder, as insatisfações vinham de todos os setores: econômico, político e social. O presidente tinha consciência de que havia chegado ao poder num momento muito difícil e que seria uma tarefa árdua organizar o cenário político, no qual o país se encontrava. Dessa forma, o governo visava “a volta à normalidade constitucional, a retomada das decisões pelos partidos políticos, a regularização dos problemas políticos, sociais e econômicos do pós-guerra” (SILVA; CARNEIRO, 1975, p.88). Contudo, foi difícil para Dutra comandar o país, quando, na verdade, ele próprio sentiu o peso de ser ex-integrante da cúpula do Estado Novo. O presidente explorou os problemas vigentes para a elaboração do seu programa de governo, sendo que os projetos seriam elaborados para tentar resolver a situação econômica com maior prioridade (SILVA; CORDEIRO, 1975).

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A partir desse momento, o PCB começou uma campanha contra o governo Dutra, que era muito questionado pelas suas ações, mediante manifestações contrárias ao governo; no de 1948, o Partido Comunista – em um manifesto – declarou oficialmente uma política de oposição ao governo, chamando-o de “governo de traição nacional e depositário de todas as forças reacionárias a serviço do Imperialismo” (FORTES, 1999).

Desse modo, o governo Dutra teve em seu período dois grandes e fortes opositores, o PCB e, principalmente, o ex-presidente Getúlio Vargas, que sempre ficava a espera de um descuido político, econômico ou social para que pudesse questionar abertamente o governo do general Eurico Dutra. A formação do PTB foi um dos alertas que Vargas disparou contra Dutra, pois o partido ganhava mais força e prestígio dos aliados de Getúlio, e isso, para o governo Dutra, significava que Vargas estava, a cada momento, mais perto de seu objetivo: o retorno ao poder (SKIDMORE, 2007).

Apesar de a democracia estar implantada no Brasil, Dutra praticou uma política governamental contrária a determinados itens da nova constituição, pois usou de medidas repressoras para “acalmar” os movimentos sindicais, sociais e contra o crescimento eleitoral dos comunistas. Essas atitudes só tornaram a situação mais tensa entre o Estado e a população.

Um dos maiores obstáculos no governo Dutra foi a presença constante de Vargas, sempre articulando seu retorno ao poder. Como Getúlio tinha nos trabalhadores grandes aliados, ficava difícil para Dutra controlá-los, já que eles há um bom tempo, reivindicavam seus direitos (SKIMORE, 2007).

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3 O GOVERNO DUTRA E A SITUAÇÃO ECONOMICA

Na transição de economia oligárquica para economia de mercado as pessoas que viviam no campo tiveram papel importante nas mudanças que estavam ocorrendo. O deslocamento do campo para as cidades e a mistura de valores urbano e rural foi cenário cultural perfeito para a consolidação do populismo, pois juntaram as massas populares camponesas com o proletariado em suas experiências de vida diferentes, formando uma sociedade em processo de transformação, facilitando o surgimento dos líderes populistas (FERREIRA, 2001, p.67).

Nesse período, a economia deixou de ser essencialmente agrícola e passou a ter na indústria uma forte concorrente. Contudo, essa mudança foi procedente da política agroexportadora, já decadente, que se baseava no latifúndio e na monocultura. Segundo Bastos (2003), as primeiras iniciativas que se destacaram na virada liberal da política econômica, após o Estado Novo, foram feitas, inicialmente, no governo provisório de José A. Linhares, e mais tarde aperfeiçoadas no governo Dutra. As medidas utilizadas para superar a crise que estava instaurada no país foram o controle de importações, expansão do crédito, plano de investimento e fomento à indústria.

Os trabalhadores foram beneficiados com a criação do salário mínimo criado em 1940 e da CTL (Consolidação das Leis Trabalhistas) em 1943, no auge do Estado Novo. Essas leis deram ao trabalhador garantias que até hoje estão em vigor, como, por exemplo, carteira assinada, férias remuneradas e jornada de trabalho de 8 horas por dia. Além disso, como havia a valorização do nacional e dos chefes de governo no período pós-guerra, ocorreu certa autonomia política e econômica dos países periféricos do capitalismo que começaram a tomar medidas protecionistas e de desenvolvimento nacional, por meio da diversificação agrícola e uma industrialização de substituição de importações (DREIFUSS, 1981).

Portanto, as razões que levaram a uma liberalização cambial entre os anos de 1945 e 1947 podem ser entendidas como uma forma de rompimento com a política econômica do governo anterior e também como uma maneira de combater a inflação do país. Essa mudança de rumos econômicos explica-se, portanto, por um esforço de diferenciação com o que já havia e pelo fato de o crescimento da inflação ser o problema mais acentuado na política econômica brasileira no período de redemocratização.

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pela aceleração do esgotamento dos lucros brasileiros nas transações comerciais. Quanto à segunda fase, foi condicionada pela tentativa do controle cambial na metade de 1947, sendo marcada pelo aceleramento industrial que o governo estava implantando no país (SKIDMORE, 2007).

Ao longo da Segunda Guerra Mundial, as reservas cambiais foram gastas no “esforço de guerra”, e tão logo terminou o conflito internacional adotou-se uma política de abertura do mercado interno ao investimento do capital estrangeiro no esforço da industrialização acelerada. Essas duas etapas do desenvolvimento econômico brasileiro implicavam em sacrifícios sociais, proporcionando os principais pontos de descontentamento da população brasileira, pois esta foi atingida diretamente em seu orçamento, já que houve congelamento de salários, recessão econômica, inflação alta e perda do poder aquisitivo por parte da população (KANAAN, 2006).

O governo percebeu a necessidade de organizar os gastos públicos, criando o Plano SALTE. O presidente, com essa iniciativa, tentou em um primeiro momento amenizar os problemas dos setores que mais precisavam de investimentos. O Plano SALTE foi organizado em um conjunto de programas econômicos e sociais distribuídos em quatro setores: saúde, alimentação, transporte e energia. No entanto, esse plano não durou muito tempo, pois os investimentos nele colocados foram disperdiçados pela máquina do governo (SKIDMORE, 1982 ).

O novo governo também queria a adoção de uma política econômica liberalizante que, de certa forma, facilitaria o ingresso de capital e expansão das empresas estrangeiras, ainda que isso implicasse em decréscimo dos salários. Esta última medida trouxe reflexos desastrosos para a economia nacional, porque se esgotaram as reservas cambiais adquiridas ao longo da II Guerra Mundial.

Segundo Bastos (2003, p. 3), de 1939 a 1947 houve um significativo aumento nos percentuais dos setores da agricultura, transporte, comunicação e, principalmente, no setor industrial. O governo, com essa nova política econômica, visava o desenvolvimento das indústrias como alternativa de progresso econômico, mas isso também implicava em problemas sociais, como o aumento de trabalhadores nos grandes centros urbanos sem a necessária estruturação para isso.

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atitudes foram tomadas também na tentativa de reorganização sindical, especialmente entre aqueles que desejavam um órgão livre da interferência do Estado.

No período em que Dutra ficou no poder houve poucas restrições sobre a quantidade de capital internacional que chegava ao país, mas existiu uma ausência de capitais privados e também de linhas de crédito internacional, sendo um problema de liquidez mundial. Nesse momento, o Brasil não se encontrava preocupado com a verdadeira situação econômica externa que, aos olhos do governo, parecia muito favorável. Entretanto, o grande problema do país era a inflação, que não conseguia ser controlada (BASTOS, 2003).

O governo tentou fazer com que a liberalização de importações e o aumento da concorrência levassem o setor industrial a realizar mais importações de materiais que serviriam para uma maior modernização. Assim, se tudo ocorresse conforme a visão do governo, o setor industrial seria muito beneficiado e, com isso, tornar-se-ia mais eficiente. Porém, a indústria perderia seus “lucros extraordinários”, expressão utilizada na época para criticar o empresariado nacional, ao ter que custear os investimentos que poderiam diminuir o preço, mas que teriam a tendência de aumentar a qualidade do produto, conseguindo, o governo, diminuir o percentual inflacionário (BASTOS, 2003).

Entretanto, para que a inflação fosse controlada, havia muitas medidas a serem tomadas, principalmente a redução dos “lucros extraordinários” das indústrias, que deveriam modernizar-se. Contudo, a modernização foi ocorrendo aos poucos e os problemas que os trabalhadores enfrentavam se agravaram diante do custo de vida que não parava de aumentar (BASTOS, 2003).

Com a rapidez do aumento da inflação, o regime sofreu várias críticas, sobretudo no que se refere ao descontentamento da população. Vargas mostrou-se solidário a esses trabalhadores, sendo o principal artigulador dos comentários contra o governo (BASTOS, 2003).

Com isso, as interpretações liberais do tema não demoraram a surgir, e foram difundidas por membros do governo, entre eles Eugênio Gudin (ativo membro do Conselho Técnico de Economia e Finanças) e Otávio Gouvêia de Bulhões (chefe da Seção de Estudos Econômicos e Financeiros do Ministério da fazenda desde 1939). Os dois técnicos tentaram fazer com que a inflação, a partir de 1941, fosse vista não apenas como algo passageiro e conjuntural, mas como “resultado do desabastecimento inerente a uma ecomonia de guerra como também de déficits fiscais e da excessiva emissão monetária” (BASTOS, 2003).

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interesse das indústrias norte-americanas e do capital estrangeiro no país. Para alguns defensores da abertura do mercado interno, o capital empregado poderia aumentar o desenvolvimento industrial, que foi uma das principais metas do governo.

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4 O GOVERNO DUTRA E AS POLÍTICAS SOCIAIS

Com a redemocratização, que foi aplicada não só no Brasil, mas foi um fenômeno de abrangência internacional, os homens se tornaram mais esperançosos, pois acreditavam que poderiam reconstruir um mundo no qual houvesse paz e um bem-estar comum. No Brasil, esse pensamento não foi muito diferente, pois o país enfrentava sérios problemas sociais decorrentes do fim da Segunda Guerra (RODRIGUES, 1994). Além disso, devido a segunda guerra, houve avanços científicos e tecnológicos que ajudaram no aperfeiçoamento dos estudos sobre medicina, biologia e química, levando à crença do progresso contínuo. O governo Dutra, mesmo com um discurso de que a democracia seria instaurada e que uma nova Constituição faria parte da vida da população, não conseguiu manter por muito tempo a harmonia do governo com os trabalhadores. Além disso, estes viam em Getúlio um político honesto e, sobretudo, mais coerente em suas atitudes com esse novo tempo que se anunciava (RODRIGUES, 1994).

A democratização anunciada nesse período não se limitava às questões socioeconômicas, mas também alcançaram as discussões sobre as diferenças de gênero. No que se refere à figura da mulher na sociedade desse período, a constituição de 1946 manteve o mesmo texto da constituição anterior. As gestantes tinham direito assegurado de descanso antes e depois do parto, sem que houvesse algum tipo de prejuízo do emprego e do salário; também não deveria haver diferença salarial entre homens e mulheres. As constituições a partir de 1946 asseguraram à mulher o direito ao voto; toda mulher podia votar e ser votada. Assim, percebe-se que todos são iguais perante a lei e, portanto, podem fazer parte da política do país.

A nova Constituição concedia e assegurava direitos civis e políticos aos cidadãos brasileiros. Porém, quando o assunto era relacionado aos movimentos populares, movimentos trabalhistas e atividades dos adeptos do ideal comunista, Dutra deixava de lado a legalidade para ter uma postura repressora. O governo proibiu a formação do Movimento Unificador dos Trabalhadores (MUT), numa tentativa de inibir a reorganização sindical dos trabalhadores. O MUT foi organizado pelos líderes sindicais que esperavam a construção de um sindicalismo trabalhista autônomo que pudesse ser livre da rotineira interferência estatal nos órgãos de classe (ALMINO, 1980).

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remunerado, reconhecimento de greve, a instituição da participação obrigatória e direta do trabalhador (PEREIRA, 2007)

Os direitos dos trabahadores identificados com as indústrias eram algo natural ao fenômeno da industrialização que se aprofundava nessa época, a qual favoreceu o aumento da urbanização e também do inchaço populacional, acarretando miséria e aumento do proletariado. Além do proletariado, surgiram os camponeses vindos do campo, com tradições paternalistas, que acabaram por fortalecer os vínculos populistas de massa urbana com os líderes políticos e sindicais mais combativos (RODRIGUES, 1994).

Entretanto, mesmo mediante a essa situação política, social e econômica, o avanço tecnológico tinha efeitos seletivos em função da renda. Em 1950 foi inaugurada a primeira estação de TV do Brasil. O problema é que não houve telespectadores, uma vez que a população não possuía televisores; por esse motivo, foram colocados aparelhos em vários pontos da cidade para que as pessoas tivessem acesso às imagens. Portanto, esse meio de comunicação chegou ao primeiro lugar nas casas de quem podia comprar, pois os trabalhadores, na situação em que estavam, não tinham a menor condição de adquirir um televisor (RODRIGUES, 1994).

Outro exemplo foi o crescimento inicial do transporte aéreo. Acreditou-se que, pelo fato de uma maior comodidade em decorrência do desenvolvimento da aviação e uma rápida obtenção de informações, ficaria mais fácil resolver os problemas e que esses avanços mudariam a mentalidade da população. Entretanto, esses fatores não conseguiram diminuir a diferença entre as classes (RODRIGUES, 1994).

Contudo, o pensamento da população estava se transformando devido a todo processo vigente, e, por isso, os mais esclarecidos viram na cultura um meio de transformação social. A partir dela, muitas manifestações, até então reprimidas, poderiam ser colocadas em prática sem que houvesse qualquer tipo de repreensão (RODRIGUES, 1994). Uma corrente de pensamento, elaborada com o apoio incondicional do governo, foi a da ESG (Escola Superior de Guerra), a qual tinha como prioridades o desenvolvimento do país e a formação de militares (RODRIGUES, 1994).

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A situação social brasileira, no final do governo Dutra, estava muito preocupante, pois o governo parecia não conseguir ter mais o controle sobre a política, a economia e, principalmente, sobre o social. O congelamento dos salários dos trabalhadores vigorou por muito tempo no governo Dutra, e essa situação foi, sem dúvida, uma das mais importantes razões para o descontentamento dos operários (KANAAN, 2006).

Conforme Silva e Carneiro (1975), Dutra, em seu mandato, foi o chefe do PSD e do exército, cuidou especialmente da parte administrativa do governo e conseguiu fazer a coligação do PSD e da UDN. Já o PTB manteve-se a distância, tentando não ter compromissos políticos com o governo, como no caso do PCB, que foi excluído, e os demais partidos não tinham força para influir na decisão da escolha do presidente que o substituiria (SILVA; CARNEIRO, 1975).

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5 O RETORNO DE VARGAS

Mesmo com o PCB ainda na ilegalidade e os sindicatos passando por intervenções, em 1950 houve as eleições que fizeram com que Getúlio Vargas retornasse, após cinco anos, à Presidência da República. Vargas pôde contar com o apoio do PTB, que era aliado do Partido Social Progressista (PSP), liderado por Ademar de Barros (DREIFUSS, 1981).

Getúlio teve como adversário o brigadeiro Eduardo Gomes, que concorreu pela UDN e que teve apoio de Plínio Salgado, que tinha sido antigo líder integralista que comandava o Partido de Representação Popular (PRP); os demais partidos apresentaram candidatos próprios (DREIFUSS, 1981).

Vargas mostrou, em seus discursos, maneiras diferentes de convencer a plateia para qual falava. Assim, conseguiu de modo sutil o condicionamento de seus eleitores. Apesar dessa estratégia, o candidato apresentou várias posições básicas em seu programa, falando de sua pretensão de retomar o apoio à industrialização nacional, o que teria o aval do Governo. (DREIFUSS, 1981). Getúlio Vargas também tentou combater a inflação e, sobretudo, a questão dos salários dos trabalhadores que, desde o governo Dutra, estavam congelados, não acompanhando, por isso, a inflação. Dessa forma, Vargas passou a ter ainda mais o apoio da classe trabalhadora, que tinha uma profunda admiração pelo líder populista (DREIFUSS, 1981).

A UDN e o PSD estavam em dúvida entre Fernando Melo Viana e Israel Pinheiro, porém, em 10 de março, o deputado Porfírio da Paz afirma que a decisão do PTB é a de lançar a candidatura de Vargas. Entretanto, o PSD lançou quatro candidatos: Adroaldo Mesquita, Bias Fortes, Cirilo Junior e Nereu Ramos. O ministro da guerra, Canrobert, garantiu que o Exército asseguraria a posse do presidente. (SILVA; CARNEIRO, 1975, p.129)

No dia 16 de abril, Danton Coelho declarou que a candidatura de Vargas seria lançada pelos trabalhistas de todo o país. Já no dia 08 de junho, o PTB declarou que seu candidato era Getúlio Vargas. Em julho começaram as entradas dos pedidos de registro de candidaturas no TSE. Em agosto foi criado o Comitê Nacional Pró-Getúlio Vargas, para iniciar sua campanha eleitoral e também o registro da candidatura (SILVA; CARNEIRO, 1975).

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Para o general Góes Monteiro, a atitude de Getúlio Vargas de conduzir as Forças Armadas para a intromissão na política interna do país era inaceitável, visto que prejudicava a nação. A partir de 1951, quando Getúlio Vargas assumiu o governo novamente, sua relação com as Forças Armadas se deu através de uma reconciliação com Dutra, pois era necessário consultar o general Dutra sobre possíveis nomes para os ministérios militares. Entretanto, o general Góes Monteiro imaginava que Getúlio tencionava manter as Forças Armadas sem coesão, para poder indicar a quem desejasse (COUTINHO, 1956).

Em seu segundo mandato, o sistema político e o regime sofreram mudanças significativas, especialmente ao que se referia ao equilíbrio dos poderes. O Congresso tornou-se mais forte, fazendo frente ao Executivo. Essas mudanças podiam tornou-ser prejudiciais ao governo de Vargas (DREIFUSS, 1981).

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CONSIDERAÇÕES FINAIS

Conclui-se que o presidente Eurico Gaspar Dutra foi erguido ao poder através do apoio de Getúlio Vargas e de influências de classes dominantes. Segundo o estudo desenvolvido, pode-se perceber que Dutra entrou no cenário político em um período de transição política e econômica do Estado Novo para uma redemocratização do país. Essa redemocratização ocorreu, sobretudo, devido à elaboração da Constituição de 1946, a qual, dentre outros assuntos, direcionou-se aos benefícios que os trabalhadores passaram a ter, junto aos benefícios já, anteriormente, adquiridos.

Faz-se necessário salientar que, ao mesmo tempo em que ocorreu a abertura política, o crescimento econômico e a participação da população na política sofreram a manipulação das massas operárias, impedindo-as de, realmente, criarem uma consciência de classe e lutarem por seus direitos.

O governo de Dutra foi marcado pelas contradições própria do populismo, em que o discurso arrastava as massas em seu próprio benefício, mas não possibilitou acesso à participação real na política econômica do país. O populismo de Dutra criou as condições para a participação popular junto ao poder, porém não viabilizou de forma eficiente para que isso se concretizasse, pois as classes pobres continuaram não tendo as condições para melhorar sua situação social.

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REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

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BASTOS, Pedro Paulo Zahluth. O presidente desiludido: pêndulo de política econômica no governo Dutra (1946-1951). In: V Congresso Brasileiro de História Econômica e 6a. Conferência Internacional de História de Empresas, 2003, Caxambu. Anais do V Congresso Brasileiro de História Econômica (ABPHE), 2003.

CÁNEPA, Mercedes Maria Loguercio. Partidos e Representações Políticas: a articulação dos níveis estaduais e nacionais no Rio Grande do Sul (1945-1965). Porto Alegre: UFRGS, 2005.

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COUTINHO, Lorival. O General Góes Depõe... . 3. ed. Rio de Janeiro: Coelho Branco, 1956.

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FERREIRA, Jorge. O nome e a coisa: o populismo na política brasileira. IN: FERREIRA, Jorge (Org.) O populismo e sua história: debate e crítica. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2001.

FORTES, Alexandre et al. Na Luta por Direitos - Estudos Recentes em História Social do Trabalho. Campinas: Unicamp, 1999.

GOMES, Ângela de Castro. O populismo e as ciências sociais no Brasil: notas sobre a trajetória de um conceito. In: FERREIRA, Jorge (org). O populismo e sua história: debate e crítica. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2001.

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PEREIRA, Clóvis Brasil. A história da formação da cidadania no Brasil, da Independência até a Constituição Cidadã de 1988. Revista Prolegis, v. 1, p. 1, 2007.

RODRIGUES, Marly. A Década de 50 - Populismo e metas desenvolvimentistas no Brasil. 2. ed. São Paulo: Ática, 1994.

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SKIDMORE, Thomas E. Brasil: De Getúlio Vargas a Castelo Branco (1930-1964). 14. ed. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 2007.

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