UNIVERSIDADE DO ESTADO DE SANTA CATARINA – UDESC CENTRO DE CIÊNCIAS TECNOLÓGICAS – CCT MESTRADO EM EDUCAÇÃO E CULTURA

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UNIVERSIDADE DO ESTADO DE SANTA CATARINA – UDESC

CENTRO DE CIÊNCIAS TECNOLÓGICAS – CCT

MESTRADO EM EDUCAđấO E CULTURA

  

A ANÁLISE DA PROPOSTA PEDAGÓGICA DA ESCOLA MUNICIPAL

PRESIDENTE CASTELLO BRANCO SOB O PRISMA DO PROJETO DE

DESENVOLVIMENTO DA ESCOLA

SANDRO ALVES DE LIMA

JOINVILLE

  2005

  SANDRO ALVES DE LIMA A ANÁLISE DA PROPOSTA PEDAGÓGICA DA ESCOLA MUNICIPAL PRESIDENTE CASTELLO BRANCO SOB O PRISMA DO PROJETO DE DESENVOLVIMENTO DA ESCOLA

  Dissertação apresentada à banca para aprovação do Mestrado em Educação e Cultura da Universidade do Estado de Santa Catarina - UDESC, como requisito parcial para defesa pública da dissertação.

  Orientador. Prof. Doutor Sérgio Schmitz.

  JOINVILLE 2005

SANDRO ALVES DE LIMA

  

A ANÁLISE DA PROPOSTA PEDAGÓGICA DA ESCOLA

MUNICIPAL PRESIDENTE CASTELLO BRANCO SOB O PRISMA DO

PROJETO DE DESENVOLVIMENTO DA ESCOLA

  

Projeto apresentado à banca de aprovação do Curso de Mestrado em

Educação e Cultura da UDESC, como requisito parcial para defesa

pública da dissertação.

  

_____________________________________________

Orientador Professor Doutor Sérgio Schmitz

_____________________________________________

Professor Doutor Belini Meurer

_____________________________________________

Professor Doutor Luiz Gonzaga Mattos Monteiro

  AGRADECIMENTOS Agradeço a todas e todos aqueles que diretamente ou indiretamente contribuíram para este trabalho, e de um modo, especial, a: Professor Dr. Sergio Schmitz, meu orientador, pela sua sensibilidade, dedicação, me ajudou a acreditar que eu tinha condições de terminar o que começara. Catarina Costa Fernandes, que me ajudou com sugestões fundamentais referências. Aos funcionários da escola Municipal Presidente Castello Branco, em especial aos meus alunos que muito colaboraram com suas informações.

  Aos meus pais, que mostraram as primeiras letras do amor, da luta e do sonho.

  Aos Educadores, que cotidianamente, enfrentam o desafio de aprender e de ensinar os cidadãos a construírem suas cidadanias.

  

SUMÁRIO

  

INTRODUđấO ............................................................................................................1

  

1 PROPOSTA PEDAGÓGICA DA ESCOLA.............................................................4

  1.1 A ELABORAđấO DO PROJETO DO DESENVOLVIMENTO DA ESCOLA: É UM ATO POLÍTICO ...........................................................................................................5

  2 A PROPOSTA PEDAGốGICA DA ESCOLA COMO PRODUđấO OU

REPRODUđấO DA SOCIEDADE: QUE TIPO DE SOCIEDADE?...........................10

  

3 O INễCIO DA CAMINHADA: PESQUISA-AđấO ..................................................14

  3.1 PRIMEIRO MOMENTO: CONSTRUđấO DA PROPOSTA DA ESCOLA ...........17

  3.2 SEGUNDO MOMENTO: DESENVOLVIMENTO E EXECUđấO DA PROPOSTA..............................................................................................................33

  3.3 O TERCEIRO MOMENTO: RESULTADOS QUE FLUEM NO CONTEXTO DA AVALIAđấO E NO REPLANEJAMENTO DO PROJETO. ........................................43

  

4 SURGEM AS CATEGORIAS COMO EIXOS IRRADIADORES ............................47

  4.1 A PARTICIPAđấO COMO SOCIALIZAđấO DO PROJETO DA ESCOLA .........48

  4.2 RELAđấO ENTRE A TEORIA E A PRÁTICA NA EXECUđấO DO PROJETO ..51

  4.3 CONSIDERANDO... REFLETINDO UM POUCO MAIS ......................................53

  

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS .........................................................................59

ANEXOS ...................................................................................................................62

  ANEXO 1 - PROPOSTA PEDAGÓGICA...................................................................63 ANEXO 2 - PROJETO DE DESENVOLVIMENTO DA ESCOLA...............................69

  

GLOSSÁRIO

  1. CEE - Conselho Estadual de Estado 2 . CNE –Conselho Nacional de Educação 3- ESCOLA – Escola alvo da Pesquisa para este Trabalho 4- LDB-Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional – Lei Federal n. 9.394/96 5- MEC-Ministério da Educação e Cultura 1- PDE-Projeto do Desenvolvimento da Escola 2- SEED-Secretária de Estado de Santa Catarina e do Desporto 3- Sistema Estadual-lei Estadual n 170./98 4- EU -Unidade escolar

5- PP – Projeto Pedagógico

  

RESUMO

  Este trabalho tem como foco a preocupação com o projeto político pedagógico da escola que busca o envolvimento de todos os membros nas discussões a uma atualização constante. O que se propõe é a análise da construção, execução e avaliação do projeto em desenvolvimento, que é a tentativa de colocar em prática a teoria discutida neste processo. Para facilitar o entendimento, foram organizados cinco estágios sintetizados: no primeiro são apresentados os passos para conhecer a proposta pedagógica; o segundo capítulo informa e argumenta sobre a proposta pedagógica; o terceiro apresenta uma pesquisa ação para o conhecimento da escola; no quarto capítulo é discutida a relação teoria e prática e o último capítulo visa aprender o caminho e a função do projeto.

  

RESUMEN

  Esté trabajo tiene como foco la preocupacion al proyecto pedagógico de la escuela que busca el envoviemento de todos los mienbros en las discusiones y una actulisación constante. Lo que se propone es el analise de : la construcción, ejecución, y evaluación, del proyerto em desenbolvimento: que es la tentativa de colocar em practica la teoria de lo que se propone el proyecto. Par facilitar su entendimiento organisarom cinco estagios sintetisados. Em el primero se apresentan los passos ademas de dar a conocer el proyecto Pedagógico.En el segundo se busca la reflección, en eltercero se aresenta una pesquisa acción para el conocimiento de la escuela. En el cuarto estagio se discute la relación teoria e practica. Y en el ultimo estagio se visa que el aprender y hacen el camino y esté la función del proyerto.

  

INTRODUđấO

  Esta dissertação está fundamentada na experiência do educador no sistema de ensino em diversos níveis, como docente em educação de ensino fundamental, nas escolas públicas de Joinville.

  Foi analisado o que existe de mais atual sobre o assunto, o que contribuiu para a organização de um grupo de estudo, sendo que o objetivo deste trabalho foi a elaboração de PDE: Projeto do Desenvolvimento da Escola, que é uma tentativa de colocar em prática a Proposta Pedagógica.

  Foi selecionada a Escola Municipal Presidente Castello Branco mencionada como alvo da pesquisa, para analisar a construção, execução e avaliação do seu Projeto do Desenvolvimento, que é a tentativa de colocar em prática a teoria da proposta. Trata-se de uma instituição escolar que prevê inovações e cujo corpo administrativo e pedagógico mostraram-se interessados em participar da pesquisa, visando reconstruir uma proposta pedagógica.

  Organizando o trabalho da pesquisa e as formas de realizá-la, foram consultados diversos autores como Hargreaves, Menegolla, Thiollent e Demo com os quais buscou-se orientações sobre qual metodologia utilizar.

1 Demo , por exemplo, diz, que, em geral, não se utiliza apenas um método ou uma técnica, mas quantas forem necessárias ou apropriadas para o momento.

  Segundo ele: Na maioria das vezes, há uma combinação de dois ou mais deles, usados concomitantes.

   2 1 Já Hargreaves , parte do fundamento de que na abordagem qualitativa: 2 Demo, Pedro.Educar pele Pesquisa..São Paulo:Autores Associados1996.p. 32

Hargreaves,Andy.Aprendendo a mudar:ensino para além dos conteúdos e da padronização..Porto

  [...] há uma dinâmica entre o mundo real e o sujeito, uma interdependência viva entre o sujeito e o objeto, um vínculo indissociável entre o mundo objetivo e a subjetividade do sujeito... O objeto não é um dado inerte e neutro; está possuído de significados e relações que sujeitos concretos criam em suas ações.

  Considerando a pesquisa-ação como o método mais adequado para a

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  realização do trabalho, foram pesquisadas as orientações de Thiollent , que esclarece: [...] podemos considerar que, no desenvolvimento da pesquisa- ação, os pesquisadores recorrem a métodos e técnicas de grupos para lidar com a dimensão coletiva e interativa da investigação e também técnicas de registro, de processamento e exposição dos resultados. Em certos casos os convencionais questionários e as técnicas de entrevista individual são utilizados como meio de informação complementar. Também a documentação disponível é levantada. Com base nesses esclarecimentos, optou-se pelo método da pesquisa- ação, visto que o tema volta-se para uma pesquisa de cunho qualitativo e o método apresenta características mais próximas dos objetivos estabelecidos para a construção coletiva da proposta pedagógica.

  Com estas preocupações, foram programadas como técnicas para a coleta dos dados: seminários e/ou reuniões gerais com os envolvidos nas atividades escolares; trabalhos em grupos menores para discussões e elaboração dos textos; aplicação dos questionários, envolvendo 10 (dez) sujeitos, além de reuniões e entrevistas com a equipe diretiva da escola.

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  Diante do exposto, foram iniciados os estudos mais detalhados para a seleção dos autores que auxiliaram a esclarecer e orientar a escola na elaboração e execução da sua proposta.

  Em síntese, os passos da composição desta dissertação como um todo, se complementam em fases distintas e ao mesmo tempo integradas e articuladas.

  Apresenta-se, assim, nesta dissertação de mestrado em Educação e Cultura, as etapas que compõem a vivência na atuação docente e como pesquisador, com o propósito de demonstrar o crescimento alcançado no decorrer das atividades, com as inovações inseridas como fruto da busca pelo novo, na Educação em Joinville, teoria que tenta colocar em prática a proposta da escola campeã, embasou como um todo a dissertação que teve esta escola como o alvo, que mereceram maior aprofundamento.

  Por fim, foram analisados os dados coletados nos instrumentos e na observação como professor/pesquisador, o que remete tanto à constatação de resultados, como a novas indagações sobre o tema, conseqüência natural da pesquisa.

1 PROPOSTA PEDAGÓGICA DA ESCOLA

  Trata-se de um planejamento diferenciado, voltando para a definição de todas as atividades da escola, agora uma construção coletiva e principalmente participativa. Apresenta-se com esta nomenclatura complexa, englobando o pedagógico, mas também o político, procurando envolver a comunidade numa discussão coletiva. Pretende vir a ser um momento único na escola, com profissionais e comunidade escolar, trabalhando unidos com o objetivo de juntar forças para uma educação de qualidade, para construir esta qualidade é fundamental o PDE: Projeto do Desenvolvimento da Escola.

4 Demo , auxilia nessa interpretação, quando enfatiza:

  Um projeto pedagógico precisa, primeiro saber fundamentar o que entende por processo educativo e por papel da Escola, frente aos direitos dos alunos e suas famílias e da sociedade como um todo.

  Nos dias atuais, a exigência é trabalhar as atividades da escola, numa proposta pedagógica abrangente e participativa que alcança seus objetivos na construção do plano do desenvolvimento da escola, que estimule e faça acontecer à prática pedagógica de forma integrada e interdisciplinar.

  Este novo Projeto da Escola na legislação do ensino denominado Projeto

  

5

Político Pedagógico, conforme Gandin , flui no contexto escolar como a

  possibilidade de uma construção coletiva, para discutir o ensinar e o aprender num processo de formação continuada. Uma busca de valores, num desafio à cidadania. Irá, assim, se desvelando a sua dimensão política que, por sua vez, implicará na transformação social e nas relações entre conhecimento e estrutura de poder.

  4 5 Demo,Pedro.op. cit. p. 39.

  

Gandin,Danilo;Gandin, Luis Armando.Temas para um Projeto Político Pedagógico.

  Gadotti

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  reforça o que já foi dito até aqui, quando assim se expressa: O projeto pedagógico não é uma coisa a ser pensada por um especialista, ou por um núcleo, um centro. O projeto é pensado por aqueles que fazem, que são os diretores das escolas, os professores, os alunos, os pais, quer dizer, há um envolvimento da sociedade com um todo. Deve a P.P, então, resultar em atividades decididas em grupo, que atendam, e mais que isso trabalhem a proposta, com a comunidade, nas dimensões da prática do pedagógico, e esta prática será possível no processo do PDE.

  Fonseca

  7

  alerta, no entanto, que: Essas dimensões relacionam-se entre si e influenciam-se mutuamente. Entretanto, na prática, temos que ser criteriosos, para não nos determos numa dimensão em detrimento da outra, o que implicaria no viés de um politicismo pedagógico ou, caso contrário, num pedagogismo político. Dessa forma, o caminho para essa postura teórico-prática pedagógico, voltada para uma educação escolarizada e contextualizada, é construção do projeto do desenvolvimento da escola ou do desenvolvimento participativo.

  O detalhamento e as formas de execução dessa construção continuarão explicitados nessa Dissertação, nas etapas e momentos que estudam o tema definido para estudo.

  1.1 A ELABORAđấO DO PROJETO DO DESENVOLVIMENTO DA ESCOLA: É UM ATO POLÍTICO

  Nesse início de estudos sobre as exigências legais da proposta pedagógica, que o projeto do desenvolvimento da escola está inserido, o propósito 6 Gadotti,Moacir.ProjetoPolítico.Educação em Revista,Porto Alegre,ano III,n:3,1998.p. 35-45. 7 fundamental foi analisar diversos artigos da Legislação Federal que exigem a construção e execução de uma proposta da escola, dando-lhe força e amplitude.

  Esses artigos orientaram a elaboração de um projeto que integrou as normas do regimento escolar já existentes, porém de forma mais abrangente e explicativa que os antigos planejamentos das escolas.

  A LDB (1986), nos Artigos 12 a 14 estabelece como incumbências da escola e dos professores, a elaboração e execução da sua proposta pedagógica, respeitadas as normas comuns do seu sistema de ensino, atribuindo-lhe responsabilidade e poder.

  A Lei Federal da Educação retorna a nomenclatura regimento escolar, antiga forma de estabelecer as diretrizes de funcionamento da escola . Estas citações reforçam a necessidade de incorporar esse documento à proposta pedagógica que está inserido na elaboração do projeto do desenvolvimento da escola, integrando e completando o mesmo.

  A lei do sistema estadual de ensino de Santa Catarina, Lei Complementar n 170/98 Também normatiza sobre projeto político pedagógico, nos mesmos termos da Lei Federal, embora especificando a necessidade de informação aos pais (comunidade) sobre a freqüência e rendimento dos educandos e a execução do projeto do desenvolvimento da escola.

  A Lei Estadual também se reporta à necessidade de integrar num único documento, regimento escolar e projeto político pedagógico, abrangendo as atividades exercidas pela escola no seu dia-a-dia, que o PDE tenta praticar.

  Regulamentando e ao mesmo tempo complementando a legislação, o Conselho Estadual de Santa Catarina, regulamenta as Leis Federal e Estadual, estabelecendo, com a resolução n 17/99 os critérios para a construção coletiva da proposta pedagógica nas escolas do sistema municipal.

  Aquela Resolução orienta, em diversos itens, a construção do Projeto Pedagógico da Escola e os passos para sua execução, resumidos em: Concepções, Objetivas; Organograma; Condições de Funcionamento; Organização Escolar; Responsabilidades/Atribuições; Calendário Escolar, Currículo e Avaliação, além de outras informações para construção do P.P.

  A construção do Projeto Pedagógico da Escola, alertando para a relevância das questões pedagógicas sobre as administrativas, ao mesmo tempo em que possibilita à Escola o uso da criatividade e de avanços nas suas propostas a serem decididas, segundo o texto legal, de forma coletiva e democrática.

8 Demo , orienta sobre o explicitado na legislação, auxiliando neste

  entendimento: Um projeto pedagógico não pode encerra-se no discurso teórico, como se fosse carta de intenções. Nem pode ser mero acervo de indicações práticas. Ao contrário, deveria revelar capacidade de costurar teoria e prática, mesmo que em ambiente de simplicidade. Na continuidade deste estudo do tema escolhido é relevante apresentar a análise da sua nomenclatura destalhando-a com olhar de educador. Como já foi citada, a denominação Projeto Político Pedagógico, surgiu com a lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional, de dezembro de 1986, daí resultando discussões e críticas entre os educadores, este projeto está na Proposta Pedagógica da escola.

  Especificamente a expressão político incluída pelo legislador, não foi bem aceita ou entendida sendo, atualmente, ainda utilizados os termos: Elaboração 8 Pedagógica ou Projeto Pedagógico, sem utilizar Político.

  Acompanhado essas posições, destaca-se a importância de estudar o porquê da decisão por parte dos legisladores por essa nomenclatura (Projeto Político Pedagógico), para o que buscou-se embasamento teórico em legisladores e educadores que estudaram o assunto e defendem a sua utilização.

  O documento em debate é, portanto, nesse entendimento, um projeto, porque apesar de concluído não está acabado e dá sempre abertura para ser feito.

  Analisando agora o termo político, pode-se mencionar a definição de

9 Ferreira :

  O ideal democrático supõe cidadãos atentos À evolução da coisa pública, informados dos acontecimentos políticos, dos principais problemas, capazes de escolher entre as diversas alternativas apresentadas pelas forças políticas e fortemente interessados em formas diretas ou indiretas de participação...A participação política que constitui o conhecimento/emancipação abrange, de modos diferentes, todos os espaços de prática social, e o seu principio são o da democracia sem fim.

10 Gadotti , também traz explicações para a expressão político, quando diz:

  “A cidadania plena é uma cidadania política, portanto, de participação, é um momento da cidadania social, portanto, a que nos dá direitos e deveres para com o emprego, para com a saúde, com a educação”.

  O político, portanto, neste contexto, não é entendido como política partidária, mas vendo a escola como uma agência de transformação e crescimento social, trabalhando, portanto, com cidadãos. As pessoas que convivem e transmitam, tanto coordenando como ensinando, aprendendo, e se envolvendo de maneira geral, são cidadãos políticos, e, no ato de colocar em pratica o projeto 9 pedagógico é uma ação política, que se dá no PDE.

  

Ferreira,Naura Syria Capareto.Gestão Democrática da Educação para uma formação

Humana.Revista em aberto:gestão escolar e formação de gestores.Brasília,v.17.fev/jun.2000.p167-

10 176

  11 Sobre o pedagógico, Gandin afirma que ele se dá quando a Instituição

  firma o ideal de sua prática, para dar significado ao reforço que vai desencadear na sua prática pedagógica, isto é, no seu fazer educação de qualidade.

  É assim pedagógico, porque o objetivo da escola é lidar com as questões de ensino e de aprendizagem, objetivo primordial da sua criação e funcionamento.

12 Gadotti , analisa o assunto dando um enfoque todo seu:

  O projeto pedagógico não é uma coisa a ser pensada por um especialista, ou por um núcleo, um centro. O projeto é pensado por aqueles que fazem, que são os diretores das escolas, os professores, os alunos, os pais, quer dizer, há um envolvimento da sociedade como um todo. O projeto pedagógico, para a maioria das escolas, seja apenas uma exigência legal, deve ser entendida como necessária à participação coletiva na sua construção, possibilitando abertura e envolvimento entre escola e sociedade e, especificamente, com a comunidade escolar, resultando em benefícios para o processo educacional, esta abertura acontece com o PDE.

  É fazer com que os termos projeto político pedagógico sejam integrados, interligados, unidos. Mais que isto, sejam reunidos num só objetivo, qual seja construir, numa união de esforços, uma escola que ofereça uma educação de excelência e seja, ao mesmo tempo, agradável de lá se estar, esta escola alcança 11 estes objetivos construindo e praticando o PDE. 12 Idem. p74 Idem. p. 85.

  2 A PROPOSTA PEDAGốGICA DA ESCOLA COMO PRODUđấO OU REPRODUđấO DA SOCIEDADE.

  13 Nas palavras de Pettat , o cidadão do futuro precisará ser um

  investigador e gerenciador de informações, consciente e ativo na sociedade e não um acumulador de conhecimentos, cujo papel hoje é desempenhado pelo computador.

  Somente uma proposta bem estruturada poderá lançar a escola à frente, criando novas perspectivas e acompanhando tendências modernas e estabelecendo uma filosofia de diálogo. Isso vai obrigar a uma formação para o conhecimento e não apenas para informar.

14 Pettat reforça estas posições e definições de Escola e de Projeto,

  afirma: A escola é uma Instituição educativa especializada, nisto distinguindo-se da familiar, dos locais de trabalho, das comunidades de ofícios, de associações e de grupos de todo tipo, os quais também moldam as novas gerações e reeducam até mesmo os adultos. O ensino é um ramo da divisão social do trabalho que somente se impõem quando certas condições estão devidamente preenchidas.

  13 Pettat,André.Produção da Escola Produção da Sociedada:análise sócio-histórica de alguns

momentos decisivos da evolução escolar no ocidente.p25.Trad.Eunice grusman.Porto Alegre:Artes

14 Médicas 1994.

  A proposta precisa ser vista por todos na escola como uma oportunidade inicial da mudança, voltada para a melhoria do processo educacional e de seus integrantes, dando-lhes força para desenvolvimento as suas atividades.

  Assim elaborada, ela vai resultar em poder e como tal deve ser bem pensada e discutida, no sentido de buscar na sociedade o que precisa ser aproveitado, valorizando-a, ao mesmo tempo em que deve levar até ele novas propostas de crescimento e modernização.

  É uma fase de disputa de ambos os lados, com a sociedade influenciando a escola para a reprodução da sua cultura, e a escola pretendendo apresentar a impor seus saberes e poderes, neste desafio a pesquisa na escola é fundamental.

  Mostrar, de um lado uma escola que somente dá continuidade ao que já vem acontecendo, sem forças e competência para as mudanças necessárias. De outro lado, mostrar a escola desejosa de mudanças, pretendendo oferecer novas idéias e tecnologias inovadoras num esforço vivido por todos os seus integrantes para a produção de saberes e, no entanto, muitas vezes usando esse saber/poder sem a devida competência, esta função se dá na transformação desta escola.

15 Pettat contribui para o entendimento dessa realidade quando assim se

  manifesta: Dentro da realidade mutante e evolutiva, produção e reprodução aparecem como dois aspectos inexplicavelmente ligados !... a escola não faz mais do que produzir as condições de reprodução dos grupos sociais em posição dominante ou dominada enquanto que participa da produção e da transformação destes mesmos grupos... a Escola participa do surgimento de uma camada social formada por tecnocratas.

  15

  Neste enfoque, produção e reprodução se confundem, podendo a escola produzir mobilidade ou imobilidade social, ao mesmo tempo em que pode permanecer na ordem estabelecida por acomodação, contribuindo par a perpetuação das desigualdades e, muitas vezes, até legitimando-as.

  Para diminuir essa distância e facilitar uma convivência saudável, sociedade e escola devem se unir na construção de um projeto político pedagógico que insere o PDE que defina, nas suas normas, atitudes de respeito, união, maturidade e crescimento, que leva este projeto para a prática.

16 Hargreaves se posiciona claramente sobre a necessidade de definição

  da escola nessa produção/reprodução da sociedade, quando afirma: [...] mudanças são necessárias, com o estabelecimento de relações que ultrapassem os limites tradicionais, com os professores atuando como intelectuais transformadores com seus alunos, ajundando-os a pensar de maneira critica a respeito do mundo ao seu redor. Oportunidades de estudos e debates com a comunidade devem ser oferecidas pela escola para possibilitar o surgimento de iniciativas sociais; o entendimento das reformas apresentadas; a oferta de oportunidades de conhecimento, de inovações, de rotinas novas e de modificação das atividades práticas, e, esta mudança se dá no PDE.

  Esses momentos são importantes no processo de mudanças, pois

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  desencontros ou desacordos geram inseguranças, conforme ainda Hargreaves afetam os relacionamentos entre professores e alunos, entre professores e pais e pais e mesmo entre os pais. O senso de sucesso e satisfação depende deles.

  16 17 Hargreaves. op. cit.. p. 114.

  Os envolvidos no processo educacional precisam entender a proposta pedagógica como uma oportunidade cultural, uma abertura visando uma tomada de decisão quanto aos rumos escola, posição essa que se consolidará numa visão crítico-criativa da escola no contexto da sociedade que tem pressa. Que é um processo de análise, discussão e tomada de decisão, com a consciência de que os problemas vivenciados hoje não serão resolvidos com um toque de mágica.

  A gestão democrática é a presença no processo e no produto de políticas educacionais, que deve ser, ao mesmo tempo, transparente e impessoal, autônoma e participativa, com liderança e trabalho coletivo; tem ser um processo de crescimento dos indivíduos, dos cidadãos e da democracia.

  Aprofundados os assuntos acima, foram lançados às equipes das escolas, com alternativas de trabalho que tem como meta, uma perspectiva de democratização da gestão escolar.

  Essa gestão, conforme já enfocado, obrigatoriamente acontecerá nos tempos atuais, seja como desconstrução de desigualdades e discriminações, seja como construção de um espaço de criação de igualdade de oportunidades. De um tratamento igualitário dos cidadãos entre si.

3 O INễCIO DA CAMINHADA: PESQUISA-AđấO

  Neste ponto da dissertação e já tendo estudado o assunto, foi promovido o contato com o corpo administrativo da escola, quando foram esclarecidos os objetivos e o desenrolar da pesquisa.

  Embora já tenham sido mencionadas nos capítulos iniciais, vale agora apresentar, com mais detalhes, as características da escola, trazendo mais informações que justifiquem a escolha.

  Esse trabalho resultou no criar, isto é: construir e organizar a ação administrativa e pedagógica da escola que começa a questionar sua função, na qual os alunos e os profissionais que lá atuam tentam em permanecer ao mesmo tempo atuando, estudando, aprendendo, ensinando e crescendo.

  As atividades de ensino e aprendizagem estão sob a responsabilidade do corpo administrativo e pedagógico, que participam ativamente dos trabalhos, ao mesmo tempo em que proporcionam espaço para o diálogo com seus professores.

  Considera-se importante também relatar que foram proporcionadas por parte da equipe administrativa e pedagógica da escola, todas as condições de trabalho para a realização desta pesquisa.

  No dizer dos envolvidos no cotidiano da escola, às vezes com dificuldades para trabalhar com a comunidade, ao mesmo tempo em que sente a retribuição da comunidade pelo seu esforço.

  Buscando sempre maior integração, a escola tem participação efetiva nas atividades sociais da comunidade, apresentando-se, sempre que solicitada, nas comemorações sociais, em desfiles comemorativos ou em apresentações diversas.

  Tenta ter liderança e ser bastante evidente nos esportes, destacando-se como líder dos campeonatos esportivos no município, ostentando, com orgulho, na secretária da escola, os troféus obtidos em cinco campeonatos.

  Conta com 14 salas de aula amplas e funcionais, sala da diretora e de supervisora e orientadora, secretaria escolar, sala dos professores, cantinas, sala da biblioteca, parque infantil, quadras esportivas.

  Coloca à disposição dos professores, como materiais didáticos, entre outros: livros, apostilas, vídeos, mapas, máquina de xerox, acervo bibliográficos, computadores, televisores, etc.

  A escola funciona nos turnos matutino, vespertino e noturno, atendendo este último, somente as turmas do curso de jovens e adultos.

  Os cursos em funcionamento e agora constantes no seu projeto de desenvolvimento da escola e explicitados na organização escolar são: educação infantil, ensino fundamental e educação de jovens e adultos.

  Os referidos cursos foram organizados e aprovados de acordo com a Lei Federal, com o Sistema Educacional e Municipal de Ensino, com as decisões do Conselho Nacional e Estadual, do Ministério da Educação e Cultura, da Secretária de Estado da Educação e demais disposições legais aplicáveis.

  Enfim, a escola aceitou ser alvo desta pesquisa, entendendo a sua finalidade e importância. A escola que foi escolhida por ser a que apresentou as melhores condições para atender às exigências da pesquisa. A escola tenta se desenvolver nesse mundo globalizado e envolvente, lutando por oportunidades de crescimento educacional e profissional de seus membros.

  Acredita-se nesta escola, pois esta vem ao encontro das propostas idealizadas por este estudo. Na orientação do seu processo educacional, tem-se a consciência da necessidade de uma proposta voltada para um trabalho pedagógico com competência e responsabilidade.

  Este trabalho foi proposto ao longo da trajetória do pesquisador, como educador, por meio da presença de autoridades educacionais e legisladores, numa busca contínua por atualização e novos ensinamentos que vêm permitindo mais e melhor educar.

18 Entende-se, como Freire , que todo educador tem muito ainda a fazer na

  sua missão: Precisamos contribuir para criar a Escola que é aventura, que marcha, que não tem medo do risco, por isso que recusa o imobilismo. A Escola em que se pensa, em que se atua, em que se cria, em que se ama, se advinha, a Escola que diz sim á vida. Com esta visão da escola, acreditou-se que era o momento de iniciar a pesquisa conforme já esclarecido, optou-se, intencionalmente, pelo método da

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  pesquisa-ação, e baseada principalmente em Thiollentt , julga-se importante destacar: [...] Toda pesquisa é permeada pela perspectiva intelectual, pelos objetivos práticos, pelo quadro institucional, pelas expectativas dos interessados nos seus resultados, etc. [...] Na pesquisa-ação há um reconhecimento do papel ativo dos observadores na situação investigada e dos membros representativos desta situação. [...] Precisamos aplicar uma metodologia na qual, sem negar a necessidade de observar, medir ou quantificar, haja espaço para procedimentos de argumentação e interpretação, com base na discussão coletiva. [...] Na pesquisa-ação a argumentação é realizada ao vivo sob a forma de discussões e deliberações entre diferentes interlocutores reunidos em seminários ou reuniões. É possível compreender que tratar-se de um método de ação-reflexão- ação e de co-participação, no qual os participantes são os principais membros da 18 instituição sob observação, quando todos são envolvidos em trabalhos Freire,Paulo.Pedagogia da Autonomia.p.42ed 21.Rio de Janeiro:Paz e terra2001. diferenciados, discussões, orientações ou elaboração de textos. Na realidade, o principal ator quem faz ou quem está interessado no fazer.

  O pesquisador tornou-se partícipe do projeto da escola, desempenhando o papel de educador, e de construir novos saberes.

  Muitas vezes atuaram assumindo maior envolvimento e responsabilidade no esclarecimento das situações cercadas de obstáculos sócio-políticos ou legais e, novamente entregando as discussões e decisões para o grupo.

  Destacam-se, para melhor entendimento, alguns passos importantes previstos na caminhada metodológica da pesquisa-ação que auxiliam em muito o alcance dos objetivos previstos para a Pesquisa. São as possibilidades de retorno das condições aos grupos, para decisão final, oferecendo uma perfeita visão de conjunto do que foi acordado, e o fato de poder divulgá-las, na produção de material didático para ser distribuído em escala maior na instituição e comunidade.

  3.1 PRIMEIRO MOMENTO: CONSTRUđấO DA PROPOSTA DA ESCOLA Essa fase da pesquisa foi iniciada com uma conversação de esclarecimento sobre a exigência legal e a importância do plano no fazer diário da escola.

  Na oportunidade foram discutidos e priorizados temas considerados indispensáveis para o entendimento da pesquisa, ou seja, a importância da problemática em questão, orientações sobre o método utilizado e perspectivas de um trabalho pedagógico de cunho científico qualitativo.

  Sob o contribuir para o desenvolvimento humano despertando suas potencialidades através da educação foram apresentadas os assuntos:

  • Conscientização sobre a necessidade de uma P.P da escola.
  • Escolha da Coordenação da P.P.
  • Leituras necessárias.
  • Regimento Escolar -O que e a quem alcança com a Proposta.
  • Como organizar
  • Mudanças necessárias -O como construir P.D.E.
  • Execução
  • Avaliação/Reavaliação
  • Replanejamento Os debates foram proveitosos em contribuições, com esclarecimentos sobre a legislação que rege o assunto, decidindo sobre a melhor forma de construir, executar e acompanhar a proposta.

  O desafio dos envolvidos nos trabalhos consistia em entender e vivenciar a importância e a necessidade do tema/problema da pesquisa, a proposta da escola, tanto para o crescimento pessoal e profissional, como para o sucesso das atividades da escola.

  A partir daí, nos diversos encontros que se sucederam houve abertura para opiniões e debates, com oportunidades de discussão sobre as mudanças de postura consideradas necessárias nos aspectos referentes a currículo, ensino e aprendizagem, avaliação institucional e avaliação do processo escolar, entre outros.

  O objetivo geral desse momento foi pensar e repensar novas formas de funcionamento da escola e suas normas, inserindo conceitos atualizados de educação e de ensino para análise e reflexão.

  Na caminhada, a escola realizou reuniões em várias oportunidades, em encontros administrativos e técnicos-pedagógicos, estudando e debatendo assuntos do planejamento, analisando as posições de educadores e pensadores.

  Com base nas leituras foram organizados os resumos para o projeto da escola, obedecendo as diretrizes da Resolução n 17/99/CEE:

  • Função e objetivos da escola; - Concepção de sociedade, família, educação, escola.
  • Articulação com a comunidade;
  • Organização do ensino;
  • Responsabilidades (direitos e deveres)
  • Currículo e matriz curricular, estratégias e recursos de ensino; institucional;
  • Avaliação
  • Avaliação do processo ensino-aprendizagem; integradores;
  • Projetos - Aprovação do projeto. Foram ocasiões ricas em contribuições e crescimento da escola, com orientações aos profissionais sobre a importância da sua formação cientifica pedagógica e política como cidadão do mundo.

  Com a escola empenhada em ler e conhecer os assuntos trazidos para o plano, o ensino e a pesquisa na prática de sala de aula surgiram nos debates, com enfoque na qualidade do processo.

  Foram apresentadas valiosas contribuições, demonstrando um pequeno avanço na postura dos professores, especialistas e direção da escola.

  A dimensão pedagógica do plano, no espaço de sala de aula, surgiu na figura da pesquisa escolar, enriquecida pelos conhecimentos e valorização desta pesquisa trabalhada naquele momento pela escola.

  O envolvimento do aluno na sua aprendizagem foi repensado, sendo analisadas as semelhanças com o trabalho realizado naquele momento pelos professores agora reunidos, com o propósito de pesquisar e crescer juntos, em conhecimento, atitudes e habilidades.

  Houve a preocupação de apresentar para os professores o desafio de repensar e inovar a sua prática pedagógica, atualizando, constantemente, a competência no ato de ensinar. Em ter um plano próprio, o que implica,

  20

  necessariamente, segundo Demo “[...] em pesquisa, atualização constante, teorização das práticas, aprendizagem de outras práticas, autocrítica permanente, e assim por diante”.

  As questões referentes ao ensino e aprendizagem mereceram estudos e debates mais detalhados, com o conhecimento entendido por todos apenas como meio, carecendo o ensino de novo rumos e atualizadas técnicas.

  Essa busca pelo novo, modernizando o ensinar e o aprender, se fez característica principal na construção do projeto da escola.

  21 Mais uma vez, com o auxilio de educadores como Demo ,

  Ofereceu à escola orientações enriquecedoras para a difusão e aprofundamento: a aula que apenas repassa conhecimento, ou a escola que somente se define como socializadora de conhecimento, não sai do ponto de partida, e, na prática, atrapalha o aluno, porque o deixa como objeto de ensino e instrução. Vira treinamento. 20 Os debates sobre os assuntos apresentados se sucederam, imbuídos 21 Demo. op. cit. p. 39.

  desses pensamentos e idéias, quando a escola apresentou as expectativas e os objetivos do trabalho cotidiano nas concepções filosófico-pedagógicas que nortearam o plano: 1- Sociedade: Grupo de pessoas organizadas para um bem comum que convivem no mesmo meio social, refletindo o espelho do indivíduo. Em uma sociedade ideal tem que haver liberdade, igualdade e solidariedade. 2- Escola: Entidade responsável por parte da educação do indivíduo como ser participante e atuante da sociedade. É na escola que o cidadão se prepara para viver melhor em sociedade criando um espaço de integração para reunir experiências, discutir e trocar idéias, construir um espaço onde o ensino- aprendizagem resulte na construção do conhecimento. 3- Estudante: Membro de uma sociedade que tem direitos e deveres a serem cumpridos por ele e por toda sociedade, independente de raça, religião, ideologia, política e que sofre as influências de seus atos e de todos que fazem parte desta sociedade.

  4- Homem: É o resultado de um processo evolutivo da humanidade, é um processo histórico da sua própria vida. Ser em desenvolvimento, com suas inteligências e competências. Traz consigo uma bagagem de experiências que precisa ser despertada/ou estimulada. Tem muito a contribuir para uma sociedade mais justa e igualitária, evoluída e humana. 5- Educação: O conhecimento é um bem universal e deveria ser socializado. Nosso plano de trabalho na escola e garantir que os alunos aprendam nas suas interações, como resultado histórico e social, considerando todos capazes de aprender e compreender seu espaço e sua ação trazendo consigo a consciência da responsabilidade e competência.

  6- Professor: o professor não deve ser um mero transmissor de conhecimentos prontos e acabados e sim um mediador na construção do conhecimento e o desenvolvimento de competências relacionando as experiências do aluno com a escola. O professor deve estar aberto para o novo, aprender junto com o aluno, deve ter a liberdade para criar, experimentar e sair da rotina. Deve aproveitar o conhecimento que o aluno possui e a parti daí induzi-lo a pesquisas, experiências e a levantamento de hipóteses. 7- Aluno: Produtor do conhecimento a partir de suas experiências vividas na interação com o mundo físico e social. O aluno constrói uma representação deste mundo, o que constitui suas concepções espontâneas. Deixa de ser um mero receptor de conhecimento, para ser também um agente transformador da sociedade. 8- Avaliação: A educação escolar é uma prática que tem como função criar condições para que todos os alunos desenvolvam suas capacidades para e com competência. Recebam os conteúdos necessários para construir instrumentos de compreensão da realidade e da participação em relações sociais, políticas e culturais diversificadas e cada vez mais amplas. Estas condições são fundamentais para o exercício da cidadania na construção de uma sociedade

  22 democrática e não excludente.

22 Veiga,Ilma Passos.Projeto político pedagógico da escola:uma construção

  Tendo, então, como fundamento tais concepções filosóficas e didático- pedagógicas, a escola deu prosseguimento aos estudos do a seu plano, trabalhando os assuntos definidos para as etapas seguintes.

  Ficou claro para os profissionais reunidos na pesquisa, que as concepções definidas e trabalhadas naquele momento serviriam tão somente como pontos de discussão e de apoio apara etapas seguintes do plano.

23 Segundo Morgan , nada é estático a ponto de ser um conceito definitivo,

  final. Os conceitos de hoje já estão sendo repensados, refletindo uma ação que questiona/age/questiona a cada momento do processo.

  Essa revisão de posições e posturas a cada passo mais bem embasadas caminharão numa perspectiva de maturidade e crescimento pessoal e profissional.

  Introduzo, nesta etapa da dissertação, destaque relacionado a assuntos incluído no Projeto, possibilitando uma visão ampla das suas diretrizes legais e técnico-pedagógicas.

  Ressalta-se, no entanto, que tendo em vista a proposta anexada (síntese) a esta dissertação, a mesma se limitará a alguns registros de pesquisas realizadas e de conclusões consideradas importantes, sem propriamente um relato do todo.

  Assim, torna-se importante destacar um conceito de Currículo fundado nas discussões que analisam desde método e técnica de ensino e aprendizagem até a reorganização da matriz curricular, com alteração de carga horária e inclusão de novas disciplinas.

  A escola se questiona sobre o assunto, refletindo que muitas vezes, na realidade, entende-se currículo como apenas grade curricular. No entanto, “essas 23 discussões implicam na abrangência dessa temática quando se refere também a

  24 uma teoria de organização e aplicação do conhecimento, como explica Brejon .

  A escola demonstra a sua preocupação e reflexão quando registra o mundo mudou, e com ele, mudou também o entendimento do educador sobre si próprio e sobre o mundo. São muitas as mudanças sócio-econômicas e culturais nas

  25 quais estão inseridas a globalização e a informação .

  Entende-se que uma das finalidades principais do currículo é estimular a inovação e a criatividade, possibilitando um ambiente interativo e coerente em que os professores possam organizar, para cada situação, metodologias adequada.

  Concorda-se com Veiga, citado no Projeto, quando afirma: os currículos são as janelas que estaremos abrindo para que a criança veja, não a janela, mas o

  26 mundo .

  Os temas Transversais, novidade nos parâmetros curriculares nacionais: ética, orientação sexual, meio ambiente, saúde, pluralidade culturais, trabalho e consumo, são entendidos pela escola como reforço na orientação de alunos- cidadãos honestos e cumpridores de suas obrigações. Homens e mulheres exigentes de seus direitos .

  São assuntos que devem perpassar todas as disciplinas e a hora certa de trabalhar cada um deste tema vai depender da sensibilidade do professor nas oportunidades que ele criar.

  Assim, a escola vê o desenvolvimento do currículo dentro do princípio da interdisciplinariedade, num processo de permanente descoberta, onde deve 24 prevalecer o diálogo, a flexibilidade, a construção do conhecimento em parceria,

  

Brejon,Moysé(org).Estruturas e Funcionamento do ensino de 1ª e 2ª graus:Leituras.p.28-34.14ª

25 edição.São Paulo:Pioneiras,1982. 26 Veiga. op. cit. p. 58.

  resultante de pesquisas por alunos e professores.

  Foram também analisadas estratégias, como meios que o professor utiliza em sala de aula para facilitar a aprendizagem dos educandos, para conduzi-los em direção aos objetivos das disciplinas.

  Nesse ir e vir do processo de ensino e de aprendizagem, buscando a fórmula da sabedoria e visando conseguir alcançar o sucesso da escola, prevalecia a consciência de que muito ainda havia a ser feito e a ser pesquisado. Havia também a consciência de que aquele momento era o início de um longo caminho.

  Que etapas se sucederiam e complementariam ou modificariam o aqui pensado e organizado.

  Era grande a responsabilidade da escola devido ao seu papel na

  27

  comunidade, refletido nas palavras de Motta : Currículos inadequados, disciplinas estanques, a distância entre os conteúdos... desenvolvidos. Na escola... e as necessidades do cotidiano vivido pelos alunos, a mera transmissão de conteúdos, a emergência no que se refere à necessidade de uma prática interdisciplinar e, sobretudo a falta de compromisso com o cidadão-aluno, gente da comunidade onde a escola está plantada, caracterizam fortemente a falta de compromisso político-pedagógico.

  Na continuidade da construção da sua proposta pedagógica, e buscando firmar esse compromisso com a comunidade, a escola repensou a avaliação, embora também analisada no seu contexto institucional, tendo como maior foco a avaliação do processo de ensino aprendizagem. Pensando e repensando, discutindo e acertando detalhes, numa procura sempre maior pelo sucesso do aluno nos instantes da avaliação. 27 Foram pesquisados diversos autores, buscando orientações nas leituras,

  

Motta,Paulo de.Direito Eeducacional e Educação no século XXI:com comentários á nova lei de destacando entre eles: Veiga, Freire, Demo, Gandin, Morin, Fonseca, Pettat e Gadotti, debatendo suas idéias com profundidade nas conclusões, em documento que iam compondo os textos do Plano.

  As discussões nos levaram a estabelecer certos assuntos como mais complexos, e que, assim, necessitavam de maiores estudos para uma atuação profissional, ao mesmo tempo tranqüila e eficiente.

  Entre eles destaca-se: o ensino e a aprendizagem; fundamentação teórica sobre avaliação do processo de ensino e aprendizagem; verificação do rendimento escolar; notas; promoção; adaptação; recuperação de estudo; conselho de classe; novas oportunidades de avaliação.

  Debatendo os diversos aspectos da avaliação, o ponto de partida e o de chegada e os conceitos gerais foram definidos no início das discussões e registrados no documento final da proposta da escola, questões levantadas por Demo

  28

  : [...] a avaliação do processo pedagógico envolve pelo menos duas instâncias: O aluno: seu desenvolvimento e seus conhecimentos. O professor: suas dificuldades, seus bons resultados. Avaliar significa então, analisar até que ponto o percurso está sendo traçado no caminho dos objetivos propostos como ponto de chegada, para que se possa fazer a crítica e as reformulações ou transformações necessárias no processo pedagógico. Desta forma a avaliação nas disciplinas terá que se apoiar em estratégias que possam favorecer os subsídios necessários para a consolidação ou transformação dos procedimentos pedagógicos levados a efeito. 28

  Avaliar significa então, analisar até que ponto o percurso está sendo traçado no caminho dos objetivos propostos como ponto de chegada, para que se possa fazer a crítica e as reformulações ou transformações necessárias no processo pedagógico. A avaliação foi, sem dúvida, a preocupação maior da escola nos estudos e discussões nesse momento da construção da P.P novamente nas leituras, sentindo necessidade de maiores esclarecimentos e aprofundamento.

  A cada passo dos trabalhos dos grupos, lendo-refletindo-lendo, os registros eram acordados e resultavam em conclusões/resumos que compunham a PP sobre a avaliação:

  Como proposta para o trabalho com os alunos, pretende-se ao avaliar:

  • levar em conta a realidade sociocultural do aluno considerando os conhecimentos que ele já possui;
  • propor atividades com sentido real e desafiador para os alunos, incentivando e valorizando no campo da descoberta, para formar cidadãos críticos e criativos;
  • preparar o aluno para a vida;
  • tomar a realidade dos alunos como ponto de partida para o trabalho, reconhecendo sua diversidade.

  Na continuidade das discussões e analisando as questões relacionadas com os aspectos qualitativos e quantitativos da Avaliação, os profissionais decidiram deixar claro na PP a posição da escola;

  Em todos os processos e métodos aplicados para a avaliação do aproveitamento do aluno, os aspectos qualitativos preponderarão sobre os quantitativos, assim considerando a escola como qualidade na avaliação:

  • Crescimento pessoal;
  • Crescimento intelectual;

  • Crescimento de aptidões e competências;
  • Capacidade de auto realizar-se;
  • Capacidade de análise e síntese nas interpretações;
  • Utilização do conhecimento adquirido para decisões nas dificuldades;
  • Capacidade de solução de problemas;

  29

  • Manifestação de criatividade; Registra-se que os relatos e conclusões dos profissionais foram produtivos, demonstrando experiências docentes e técnica bastante consciente e atualizada.

  A gestão da escola, composta pela direção e Coordenação pedagógica, participou em todos os momentos, se envolveu nos estudos, alertando sobre a simples imposição do conhecimento pelo professor, visto como mero instrutor, sem se preocupar em preparar seus alunos para novas competências.

  A equipe diretiva e pedagógica sugeriu a estimulou possibilidades de trabalho nos ambientes existentes na escola, com seus espaços bem organizados e modernos, permitindo melhor movimentação a professores e alunos e organização de trabalhos com formas diferentes de participação.

  Trata-se de uma administração verdadeiramente democrática, como a

  30

  pretendida por Madeira “quando todos os envolvidos participam direta ou indiretamente no processo, participam das decisões que dizem respeito á 29 organização e ao funcionamento escolar”. 30 Veiga. op. cit.. p. 59

Madeira,Margot Campos;Madeira,Vicente de Paulo Carvalho.Representações Sociais do

  

Administrador Escolar.Revista Brasileira de Política e Administração da Educação.pRBPAE.São

  Uma gestão compartilhada, tendo como meta o conhecimento, florescia como eixo irradiador da pesquisa iniciada.

  31 Aos poucos, na interpretação de Padilha , crescia entre os professores

  pesquisadores, a clareza de que a formação continuada seria fecunda como perspectiva de um trabalho rico, produtivo.

  O real enquanto real vivido, trabalhado, dialógica e dialeticamente acontecendo com suas inerentes contradições, nos fazia refletir com cumplicidade.

  Procurou-se, nesse caminhar, organizar a equipe escolar,,reunir, num único documento, a organização da escola, juntando nele todos os artigos do Regimento Escolar já aprovado, bem como as demais normas legais, traduzindo desta forma o seu real funcionamento.

  Enquanto isso, a pesquisa se desenvolvia, nesse primeiro momento, com

  32

  as técnicas selecionadas em função do método, denominada por Minayo unidades de registros, apresentadas como sendo as que servem para análise e descomposição do conjunto e conteúdo de mensagens, que nos serviram para montagem do documento escrito, do projeto da escola. As unidades de registros podem caracterizar as mais variadas fontes de pesquisa, seja ele o próprio tema escolhido, com textos, frases, orações, palavras, personagens de uma narrativa, um acontecimento relatado, documentos (livros, artigos, filmes, etc), combinadas e intercaladas.

  Foi possível constatar, nos estudos e debates, a preocupação da escola com o desempenho das suas atividades e com o esperado reconhecimento da

31 Padilha,Paulo Roberto.Planejamento Diálogo:como construir o projeto político pedagógico da

  32 escola.p29-35.São Paulo:Cortez,2002.

  

Minayo, Maria Cecília de Souza.(org) Pesquisa Social:Teoria,método e

  33

  comunidade, em sintonia com a linha de pensamento de Freire : Precisamos contribuir para criar a Escola que é aventura, que marcha, que não tem medo do risco, por isso que recusa o imobilismo. A Escola em que se pensa, em que atua, em que se cria, em que se fala, em que se ama, se advinha. A escola que diz sim à vida. O projeto do desenvolvimento da escola caminhou com essa visão de conjunto e sintonia participante das ações da sua construção, aqui afirmando que ele apresenta uma imagem viva, dinâmica e atual do processo escolar, sendo, como conseqüência, fácil de implantar, uma vez que visa a atuação no dia no dia da escola.

  Destaca-se, ainda, que as decisões constantes do projeto contêm também a opinião dos alunos, ouvidos sobre seus direitos e deveres e as novas posturas de criatividade e modernização.

  A coleta de dados e a análise de conteúdo dos resumos e interpretação, sucederam durante todo esse processo, com o olhar atento para o todo da

  34

  pesquisa, entendendo, como Minayo que durante a fase de coleta de dados a análise já estava ocorrendo.

35 Parafraseando Motta , destaca-se, ainda, nessa caminhada entre a

  coleta de dados e a análise dos conteúdos, que a percepção da subjetividade e intersubjetividade da visão dos participantes via fundamentando os estudos e debates, surgiu a necessidade da inclusão de projeto integradora, inter e multidisciplinares, que enriqueceram em muito o documento final, conforme comprovado nos anexos desta dissertação.

  33 34 Freire,Paulo.Pedagogia do oprimido.p58.Rio de Janeiro, 1987. 35 Minayo. op. cit. p.58.

  Os projetos integradores e interdisciplinares foram organizados visando o crescimento da escola e o necessário envolvimento com a comunidade. Diversos temas foram trabalhados, entre eles: cuidados com a saúde; entendendo melhor o meio ambiente; construindo valores para o exercício da cidadania.

  Paralelamente à montagem do documento do projeto do desenvolvimento da escola com a equipe pedagógica da escola, foram decididos assuntos de responsabilidade exclusiva da diretoria, referentes aos aspectos administrativo, financeiro e legal, quais sejam: identificação; histórico; organograma; regime de funcionamento; calendário escolar; matrícula.

  Nessa oportunidade, os resumos/inclusões foram compondo o documento final da PP para apresentação à escola, com a análise e interpretação sob o meu olhar ao mesmo tempo de pesquisador e professor.

  O projeto, assim construído, neste primeiro momento, apresenta como um instrumento de trabalho fácil de executar e ao mesmo tempo profundo nas suas idéias e conclusões, desafiando-nos a um pensar e repensar crítico e construtivo.

  36

  É esclarecido por Thiollent que um documento é peça valiosa como construção do grupo e também serve como ponto de partida para novas e diferentes mudanças que, na ocasião, parecem demasiadas ou impossíveis de executar. Os documentos produzidos pelos pesquisadores e outros profissionais... podem se revelar muito importantes para futuras ações e discussões públicas que não podiam ser cogitadas no decorrer da pesquisa.

  O projeto do desenvolvimento da escola organizado por todos os participantes coloca em prática a PP da escola, para manuseio e conhecimento mais 36 detalhados do seu teor, como documento a ser orientado e aplicado no decorrer deste ano letivo.

  Visando facilitar esse conhecimento por todos os alunos e suas famílias, foi providenciado um texto resumo do projeto contendo itens relativos às normas da escola, direitos e deveres dos alunos, processo ensino-aprendizagem e avaliação, inserido na agenda do aluno.

  Estava concluído o primeiro momento da pesquisa, o da construção coletiva do projeto do desenvolvimento da escola, que teve o propósito de colocar em prática a PP.

  À prática sucedeu-se a execução do projeto, trabalhando as decisões tomadas em grupo, enfrentando a difícil dança das mudanças dos medos e entraves que a experiência de vida e de educadores acumula.

  Foi alertando mais uma vez aos profissionais, que a proposta pedagógica somente um cumprimento da exigência legal em rumo e reformulado, porém com objetivo e metas decididas em conjunto e que precisa ser visto e revisto nas suas ações. Que a escola tem relativa autonomia no seu funcionamento, mas, conforme

  37

  lembra Brejon [...] Para ser realmente autônoma necessita, além da liberdade garantida pela legislação, as condições de recursos humanos, materiais e financeiro, e principalmente a competência técnica e o compromisso profissional dos educadores.

  Que, portanto, a proposta assumida como compromisso de todos, deve ser executada com responsabilidade e competência.

  A avaliação recairá sobre as possibilidades de continuidade ou de alterações e modernizações, porém visando sempre o aluno, objetivo principal da

37 Brejon. op. cit., p. 97

  escola.

  Foi alertando que todos deveriam, nos momentos da execução que se seguiria, registrar os questionamentos ou os ajustes necessários para as devidas correções na ocasião agora prevista.

  3.2 SEGUNDO MOMENTO: DESENVOLVIMENTO E EXECUđấO DA PROPOSTA

  Neste segundo momento da pesquisa, iniciando-se o período letivo, conforme o encaminhamento da agenda decidida para a dissertação, os envolvidos no projeto da escola participaram de freqüentes discussões sobre as atividades escolares, em reuniões agendadas com a coordenação pedagógica.

  A rotina dos trabalhos da escola foi obedecendo às exigências das atividades diárias, com profissionais e alunos assumidos cada qual seu papel, sem revoluções ou mudanças drásticas, porém as exigidas pelo processo:

  Execução dos projetos interdisciplinares, em integração com a coordenação pedagógica e com a comunidade, ao mesmo tempo em que eram acompanhados e avaliados nas ações sociais e pedagógicas deles resultantes; Busca constante pela melhoria das atividades realizadas em sala de aula, dos processos de ensino e da avaliação, com novas idéias para melhoria do ensino e das formas de avaliação.

  Acréscimo de atividades curriculares e extras escolares, com aulas de dança, de teatro, de canto abertas à comunidade.

  Foi acompanhado o funcionamento da escola, pois o pesquisador já atuava na mesma como professor, sendo estabelecida uma relação de sinceridade e seriedade, angariando credibilidade e aceitação de todos, o que facilitou em muito os trabalhos da pesquisa. Sempre foi manifestada a intenção construir o melhor e o mais produtivo para o processo escolar e para os profissionais que lá atuam.

  Constatou-se, no decorrer da pesquisa, como é importante ser parte da escola, conhecendo-a com profundidade, o que facilitou em muito o desenvolvimento

  38

  da pesquisa, pois no dizer de Lima [...] é um desafio para o investigador da educação, conhecer a instituição escolar por dentro: as práticas organizativas, os padrões de gestão, as relações sociais dominantes, a relação centralização/descentralização, os mecanismos de planejamento, organização, direção e outros fatores que influem na identidade da escola, uma vez que afetam, diretamente, os processos e os resultados do ensino. Durante esse momento de execução da proposta em função da demanda de matrícula, a escola reformulou-se, tanto na sua estrutura física, ampliada e modernizada, como na sua organização técnico-pedagógica, com o envolvimento valioso de todos.

  O dia-a-dia da escola, nos dois anos programados para execução do projeto ocorreu da normalidade, com assuntos sendo decididos passo a passo, ao mesmo tempo em que as questões trabalhadas evoluíam e exigiam novas decisões.

  A proposta da escola, embora não manuseada com freqüência, esteve, nos períodos letivos considerados como de execução, sendo cumprida nas suas diretrizes e orientações.

38 Lima,Sueli Azevedo de S.Gestão da Escola: uma construção coletiva.In:Castro,Marta Luz

  

Sisson(org) et.alii. Sistema e Instituições:repensando a teoria na prática.Porto

  Com esse objetivo, foram trabalhadas pela escola, sob a orientação eficiente e segura da coordenação pedagógica, as atividades diárias voltadas para o cumprimento das metas e objetivos estabelecidos pelo grupo para o desenvolvimento do projeto da escola.

  Os métodos e técnicas de ensino e da avaliação, definidos no momento da construção, foram meios adequados ao cumprimento das decisões gerais constantes também no projeto pedagógico da escola.

  O segundo momento da pesquisa foi acompanhado com verificação dos passos caminhados pelo grupo e os resultados do trabalho da escola, utilizando como recurso à observação.

39 Para Demo (1996)

  observação e uma das técnicas de coleta de dados imprescindível em toda pesquisa cientifica. Observar significa aplicar atentamente todos os sentidos a um objeto para dele adquirir um conhecimento claro e preciso. Da observação do cotidiano formulam-se problemas que merecem estudo. A observação constitui-se, portanto, na base das investiga;ao cientificas.

  Foi com base na observação participante que tornou-se possível caminhar com a escola, apresentando as conclusões e orientações ao grupo lá reunido, em diversos momentos da prática pedagógica, relatando as informações que fundamentam esta dissertação, e inclusive, apresentando uma posição sobre os progressos e dificuldades constatados durante todos os momentos da pesquisa.

  Nas reuniões pedagógicas ou administrativas com estudos e debates sobre assuntos considerados problemáticos ou carecendo esclarecimentos, foram também debatidos textos de educadores apresentados por mim ou por palestrantes convidados pela escola.

  39

  Foi um ir e vir, da teoria à prática, explorando novos enfoques teóricos ou experiências realizadas com sucesso em situações possíveis de acontecer.

  40 Conforme os esclarecimentos encontrados em Thiollent , foi possível

  entender que, muitas vezes, também pode acontecer de não haver uma informação teórica bem estruturada o que requer a reestruturação dos conhecimentos que embasam a pesquisa, e foi essa a preocupação deste trabalho.

  O método escolhido permitiu o uso de recursos que possibilitaram a movimentação entre os passos da Pesquisa, ao mesmo tempo em que as atividades estavam sendo realizadas.

  Thiollent ainda mais uma vez auxilia, definindo na pesquisa-ação “a argumentação e realizada ao vivo, sob forma de discussões e deliberações entre

  41

  diferentes interlocutores reunidos em seminários ou reuniões e pesquisa-ação.” Com base nos relatos dos profissionais participantes atores da pesquisa, nas etapas de rediscussão de temas relativos às suas atividades em sala de aula e dos processos de avaliação, constatou-se o amadurecimento do grupo, o conhecimento do novo, a melhoria da integração interpessoal nas atividades rotineiras exercidas por todos.

  Essas falas relatos, aqui consideradas como coleta de dados para a pesquisa, valorizaram os estudos e as mudanças propostas e foram analisadas pelo pesquisador, que sentiu a preocupação de todos com o fazer diferente, transformador e com o sucesso das ações planejadas e executadas.

  Foram discutidos os temas selecionados pela coordenação pedagógica, considerados fundamentais para a continuidade do trabalho escolar diário. 40 Analisando os relatos pessoais e as participações nas discussões, Thiollent. op. cit. p.56. naquelas reuniões percebeu-se que todos os participantes foram, na realidade, sujeitos da pesquisa e compromissados com o sucesso dos alunos e da escola como um todo.

  A decisäo de ouvir não somente o maior, mas também o mais diversificado número de sujeitos, nos diversos momentos da pesquisa foi fundamentada ainda nas palavras de Perrenoud: A participação de todos, inclusive dos funcionários, em amplo debate na e sobre a escola certamente garantira o

  42 compromisso em executar as ações planejadas.

43 Segundo a visão de Demo , na pesquisa-ação, todos os envolvidos no

  processo (sistema escolar) são sujeitos. E será na ação-reflexão contínua e progressiva que esse compromisso se consolidará.

  Analisando os relatórios ao final desse primeiro ano da pesquisa (12/2002), percebeu-se a preocupação e a angústia dos profissionais em relação à responsabilidade de atender às expectativas sobre o seu trabalho, como demonstram os depoimentos de cinco sujeitos:

  1) A mudança é uma constante na vida de todos nós, podemos, ganhamos, rimos e choramos. Algumas vezes nos sentimos frustrados, outras por demais realizados. Aprendi, nas discussões e nas leituras, o que em anos de exercícios nunca soube. Sinto mais segurança agora, alertada sobre as minhas possibilidades de mudanças. Sei que também errei em alguns pontos e com isso também aprendi coisas valiosas. A maior delas foi ouvir. Percebi a 41 importância da organização do projeto do desenvolvimento da escola para á 42 Idem. p. 99

Perrenoud,Philippe.Construir as Competências desde a escola.p.58.Porto Alegre:Artes

  Médicas,1999. prática do projeto pedagógico. Estarei sempre aprendendo com os erros e acertos, tentando melhorar como pessoa e profissional. E a caminhada dentro do Projeto da Escola será longa, mas necessária. 2) A qualidade do ensino se dá na totalidade de uma instituição e a escola conquistou esta qualidade. Durante o ano contamos com o apoio total da supervisão escolar, da orientadora escolar e que teve importância para todos. Auxiliaram em todas as horas buscando sempre resolver os problemas entre professores e alunos da maneira mais harmônica. Como educador procuro passar que a aprendizagem construída não é um saber pronto acabado, mas deve ser entendida como um conhecimento vivo, dinâmico que vem sendo historicamente produzido, atendendo as necessidades concretas do homem. 3) Domino o conteúdo muito bem. Tenho grande prazer em ensinar. Tenho didática e procuro sempre pensar com carinho em cada situação, sem perder de vista também a ética, com colegas de trabalho e alunos. Elemento este fundamental para que se trabalhe com harmonia. Suspiro, para que possamos obter resultados ainda melhores, que os alunos sejam orientados por um outro profissional em alguns temas, como por exemplo: conscientização do uso de drogas;

  4) Sinto que muitos dos meus colegas ainda não captaram o espírito da coisa, pois infelizmente alguns insistem em manter uma linha educativa que não corresponde com uma escola pública. Acredito que eles precisam se reciclar, e talvez, quem sabe, entender os objetivos previstos na organização e na execução do projeto do desenvolvimento da escola;

  Durante este ano a grande maioria se empenhou, para o bom andamento

  44

  das atividades escolares. Isto faz com que pensemos como Luck vendo a escola como um bebê, quando tentarão de alguma maneira criá-lo da melhor maneira possível.

  É importante esclarecer que os relatórios acima exemplificados foram solicitados na reunião de final de ano, motivando respostas voltadas para a atuação do professor em sala de aula, para um trabalho mais especifico e não sobre o projeto em particular. Entende-se, no entanto, que serviram como ponto de referência no acompanhamento do trabalho do professor e das mudanças por eles relatadas, em função dos objetivos traçados na construção do projeto do desenvolvimento da escola.

  As questões apresentadas pelos professores nos levaram a refletir, educador/professor e equipe da escola, pensando formas de auxiliar.

  Com propostas de possíveis ajustes e correções, foi preparado o material de estudos para concretização no ano seguinte, revendo e/ou reforçando itens do projeto que possibilitassem tais mudanças.

  No envolvimento com a pesquisa, havia a preocupação com essas idas e vindas do plano por vezes analisando e interpretando o que estava escrito para execução e que parecia estar sendo questionado por alguns profissionais.

45 Thiollent mais uma vez veio embasar este trabalho, esclarecendo sobre

  essas preocupações do pesquisador com o desenvolvimento da pesquisa: Toda pesquisa é permeada pela perspectiva intelectual, pelas expectativas dos interessados nos seus resultados, etc. Porém, 44 os pesquisadores não são neutros nem passivos. ... Trata-se

  

Luck,Heloisa et al.A escola partiicpativa:o trabalho do gestor escolar.p.41.4 ed.Rio de

45 Janeiro:DP&A,2000.

  de conhecer e agir para transformar, mas as possíveis transformações nem sempre são radicais ou aquelas que desejaríamos a priori. Ainda nesse segundo momento, mais um período letivo iniciou-se em

  2003, com o projeto da escola sendo executado já há um ano, com novas reuniões se sucedendo.

  Não se tratava de reformular itens do projeto, mas de continuar a fase de execução, embora já surgissem conversas informais sobre a necessidade de revisão, especificamente na avaliação-recuperação de estudos.Nessa reunião de início de período letivo, dirigida pela coordenação pedagógica, foram discutidos aspectos pedagógicos referentes ao ensino e à avaliação; avisos administrativos da direção geral e o andamento dos projetos interdisciplinares.

  Diretor:

  • Apresentou suas boas vindas e agradeceu a colaboração dos antigos profissionais, relatando as condições de funcionamento da escola, e salientou a importância de uma reconstrução da escola devido à precária situação que o prédio se encontra. Solicitou de todos um cuidado muito especial com a qualidade dos serviços oferecidos à comunidade escolar, e que essa qualidade deve ser o diferencial.
  • Solicitou também maior atenção e cuidado com a utilização dos mobiliários e equipamentos da escola; relatou que já trabalhou nesta escola e que gosta muito do seu retorno, que gostaria que todos participassem ativamente deste estudo.
Professor e Pesquisador

  • A fala como Professor/Pesquisador: foi de estímulo e boas vindas; de alerta aos profissionais para a avaliação de estudos, levando-os a repensar a relação entre a nota e a capacidade do aluno; aproveitar a bagagem que o aluno traz para a escola; lembrar que o projeto político pedagógico está inserido no projeto em vigor e todos precisam estar empenhados em cumprir suas diretrizes.
  • Foi esclarecido, no entanto, que isto não quer dizer que não se possa encontrar um fazer diferente e eficiente. Esta é a fase de execução do Projeto, assim, todos são chamados a apresentar suas sugestões de alteração para aplicação ainda neste período, se as mesmas forem consideradas fundamentais para o sucesso das atividades com o aluno.
  • Foi reafirmada a lealdade à escola e o compromisso do pesquisador com o sucesso da mesma. Alertei também sobre a necessidade de oferecer ao aluno um ambiente alegre, um local onde todos aprendam juntos e com alegria. Que é preciso programar as aulas com atividades escolares dinâmicas, diferentes e agradáveis, aproveitando os ambientes e os recursos modernos de que a escola dispõe. Professo>Tenho todos no coração, sou quieto, sou exigente, cresci para me soltar; e achei válido a organização do PDE como um meio para praticar o PP;
  • Estou atuando pela primeira vez numa escola pública; e a organização da escola para á pratica do PP inserindo nele o PDE penso que este processo é fundamental para que a escola cumpra sua função social e política;
  • Sou uma professora experiente, gosto da escola, porque a escola organiza seu projeto através do PDE.
  • Sinto a escola como segunda casa, trabalhar com o PDE como sendo um instrumento de renovação que torna o projeto uma prática.
  • Sou um professor de ciências e estou preparado para aprender de novo, com este objetivo de trabalhar o projeto através do projeto do desenvolvimento da escola. Supervisor pedagóg
  • Apresentaram dois textos para a leitura e discussão: (1) avaliação dialógica: levou a pensar sobre nota e a capacidade do aluno, como aproveitar a bagagem que o aluno traz da família para ajuda-lo a superar suas dificuldades; (2) dicas para melhorar suas aulas, alertando para o fato de que os alunos vêm com muitas informações, mais atuais do que o professor. As aulas devem ser alegres, fazendo do que o aluno tenha prazer em vir para a escola. O professor deve ser humilde e mostrar o que é real, que tem também duvidas e problemas. Por outro lado precisa estar sempre estudando e assim, aprofundando seus conhecimentos.

  Comunicou a realização na escola de uma palestras sobre comunicação, aberta também à comunidade: Solicitou o empenho de todos no cumprimento das suas atividades e no atendimento aos alunos e pais, dever este da escola.

  Comunicou os dias e horários de planejamento e colocou o projeto do desenvolvimento da escola como um instrumento de observação e avaliação contínua, este processo é uma tentativa do PP alcançar seu objetivo.

  Apresentou relatório sobre os projetos interdisciplinares, alguns concluídos enquanto outros estão sendo programados para o corrente ano letivo. O do conto de mistério, parou sua execução, por exemplo, necessita de revisão e complementação para a sua continuidade.

  Na seqüência, os professores coordenadores dois projetos interdisciplinares apresentaram os resultados alcançados na execução, destacando a participação/envolvimento, de alunos, pais e comunidade em geral, numa integração considerada excelente.

  Os novos projetos foram apresentados com seu detalhamento, tendo sido solicitado apoio para a sua execução, a exemplo do que aconteceu com os outros, já concluídos com sucesso.

  3.3 O TERCEIRO MOMENTO: RESULTADOS QUE FLUEM NO CONTEXTO DA AVALIAđấO E NO REPLANEJAMENTO DO PROJETO.

  Seguiu-se, então, o terceiro momento da pesquisa, caracterizado como fase de avaliação e replanejamento do projeto da escola. Prosseguiu tentando perceber até que ponto a sintonia entre a teoria e a prática do projeto do desenvolvimento da escola estava sendo uma realidade.

  Vale lembrar que, mesmo processando-se a avaliação do PDE a cada passo das atividades desenvolvidas, ao final de cada um dos momentos, com as reflexões sucedendo-se, seriam estabelecidos feed backs constantes. Agora, tentando uma visão do todo, a responsabilidade cresce e envolve cada vez mais os participantes do trabalho.

  Nos dois momentos anteriores desta dissertação foram utilizadas técnicas e instrumentos de trabalho e o de coleta de dados, com os detalhamentos e as interpretações já descritas, o que não foi diferente nesta etapa.

  Foram novamente coletados dados/depoimentos da quase totalidade dos envolvidos na construção e execução do PP, além de aplicados questionários de avaliação com sujeitos atuantes na escola, que se propuseram espontaneamente a participar.

  O questionário se compunha de uma carta de apresentação, esclarecendo os objetivos da pesquisa, a importância da participação e garantia de sigilo das suas informações e concluídos com as questões para as respostas e mais observações. Seis questões foram apresentadas, resultando num trabalho de grande valor para a pesquisa, conforme relato:

  O que significa para você a PP? Você já utilizou/manuseou o PP da sua Escola? Como foi elaborado o PP e o PDE da sua escola? Você considera importante reformular ou atualizar o PP? O PP foi aprovado e teve influência na sua formação pedagógica? Observações Extras.

  As respostas a estes questionamentos sobre o significado do projeto pedagógico da escola: prática pedagógica, por ordem de prioridade se resume em respostas relatando: ser o PDE o documento que norteia as ações da escola; o manuseio se deu nos momentos de dúvida; PDE foi elaborado numa construção de todos e sobre importância de reformulação sempre que mudanças se fizeram necessárias.

  Dessas colocações destaca-se os relatos complementares de alguns sujeitos: O PDE é importante como espaço para avaliar o rumo que estamos seguindo, é

  • um conjunto de dimensões doutrinárias e de estratégias de ação. Foi
fundamental inserir o PDE na PP. Gostaria de salientar a importância da atualização do plano sempre que houver necessidade, pois uma escola como o nosso tempo tem que haver um planejamento para que o PP fosse cumprido; Foi de uma importância para o desempenho profissional na criação dos

  • projetos interdisciplinares, pois tive de ir em busca de novos caminhos para aplica-los. O professor tem de ser desafiado, senão acaba caindo na mesmice, para não praticar essa mesmice, é necessário reavaliar o PP através do PDE; Participar da elaboração do PP, foi fundamental para discutir acerto e me
  • inteirar/opinar sobre o que queremos para uma educação/escola de qualidade não no papel e sim na prática; Ao escrever nosso plano de desenvolvimento da escola, escolhemos um tipo
  • de escola, uma forma de educação. Estas opções, quando refletidas e estudada de forma coletiva e compartilhada levam à construção da cidadania, penso que o PP assim será praticado.

  Estes dados expressam o significado da vivência em convivência do PDE, como proposta que se consolida no compromisso político pedagógico dos envolvidos no trabalho da escola.

  Pela análise de conteúdo do questionário, pode-se deduzir que há o entendimento do projeto como um documento norteador das ações da escola em um espaço para discussão e debates.

  São importantes também as observações sobre os projetos interdisciplinares, citados como ponto forte do trabalho da escola, como caminho para sair da cansativa rotina do trabalho escolar.

  Numa das fases da análise do questionário ficou expressa a valorização dada ao PDE. Os relatos indicavam o crescimento num processo de construção coletiva, que vem permitindo encontrar soluções para dificuldades detectadas em situações da sala de aula.

  Uns dos sujeitos da pesquisa observou que construção do projeto de forma participativa permitiu escolher um tipo de escola e de educação que estava acontecendo não só na teoria, mas também, na prática.

46 No dizer de Vasconcellos , começava a germinar a semente de um

  projeto que, com certeza, prosseguirá na busca da concretização da escola que se democratiza, se moderniza e gera expectativas de uma ação transformadora.

46 Vasconcellos.Celso dos S.Planejamento:plano de ensino-aprendizagem e projeto educativo.p.57.São Paulo:Cortez1997.

4 SURGEM AS CATEGORIAS COMO EIXOS IRRADIADORES

  A observação participante e as análises dos dados nos diversos momentos da pesquisa permitiram vislumbrar algumas categorias, trazendo rumos para encaminhamentos de possíveis soluções ou da minimização de problemas ou entraves contratados.

  Desde o inicio, no desenrolar da pesquisa, quando transitava ainda pela escolha do tema/problema, depois pela fundamentação teórica e já na análise e interpretação dos dados coletados, surgiram dimensões/características dessas categorias norteadoras dos assuntos trabalhados.

  Naquele momento, ainda como idéias que suscitavam reflexões sobre o todo projeto, mas, principalmente, sobre a importância da participação coletiva e da discussão entre a teoria e a prática.

  Nesse contexto, a análise dos dados foi se processando, ao mesmo tempo em que eram estabelecidas relações entre os assuntos e estavam sendo agrupadas idéias referentes a conceitos abrangentes e ao mesmo tempo delimitavam para um estudo específico.

47 Para Thiolloent , as categorias servem para estruturar o texto descritivo como parte dos resultados de um a pesquisa e categorização sempre inclui interpretação.

  Esta pesquisa, por ser participante, seguia com o pesquisador observando, orientando e interpretando e voltando-se a cada instante para o tema escolhido, buscando respostas para as evidências que traziam consigo novas idéias ou classificações.

  47

  Na verdade, as categorias já estavam emergindo a priori, quando da definição inicial do tema/problema: proposta pedagógica da escola: sobre o prisma do desenvolvimento da escola. Para resolver este problema é irremediável a organização do projeto do desenvolvimento da escola.

  O projeto, nas suas diversas dimensões, desde a organização política, administrativa, técnica e de ensino, conduzia a considerar a participação como mola mestra para a construção de efetivas práticas educativas.

  A primeira categoria surgiu, assim, dessa preocupação sobre a necessidade de existir uma participação coletiva, democrática e competente, validando e reforçando suas posições.

  4.1 A PARTICIPAđấO COMO SOCIALIZAđấO DO PROJETO DA ESCOLA Acompanhando, passo a passo, os momentos da pesquisa, quando o projeto, executado e avaliado, o envolvimento/participação eficiente dos profissionais, foi acontecendo, atuando com responsabilidade e produtividade. O processo de decisão foi socializado com todos os profissionais da escola, recebendo a aceitação e o apoio da gestão escolar e não dádiva de alguém para alguém, como

  48 enfoca Perrenoud.

  A troca de experiências, nos momentos de estudos e discussões, trouxe maior interação e aprofundamento dos assuntos prioritários, praticando-se o diálogo, sempre que necessário. 48 Como resultado dessa participação, observava-se que estavam sendo colhidos os frutos do amadurecimento e do crescimento, nas atividades que se sucediam de forma organizada com base no que ficou decidido coletivamente.

  

49

A participação, segundo Luck significa, portanto, mais do que uma

  atividade técnica, um processo político vinculado á decisão da maioria, tomada pela maioria, em benefício da maioria.

  Por outro, a comunidade, representada por pais de alunos, embora não estivesse sempre envolvida nos momentos das discussões com os profissionais da escola, assumiu a execução deste projeto. Assim, alunos e famílias se empenharam na participação coletiva, cumprindo cada qual a sua parte nos projetos, o que resultou em benefício de ordem pessoal, intelectual e da integração.

  Contudo, referindo-me à participação dos pais dos alunos, convém ter

  50

  clareza da necessidade de maior envolvimento, o que é reforçado por Fonseca . O projeto pedagógico deve assegurar a presença da família, para refletir sobre o processo educativo, sugerindo, indicando caminhos questionando, participando da gestão democrática da escola.

  Considerada como dimensão política da PP participação coletiva integradora, abre caminhos para que a sociedade se envolva como possibilidade de ação-reflexão-ação constante.

  Essa questão, no entanto, precisa ser olhada, por parte da escola, como forma de acompanhar a evolução do processo, fortalecendo a convivência e o crescimento mútuo, e, por outro lado, para não correr o risco de desvio dos objetivos do PP.

  A participação dos pais junto à escola, dessa maneira, pode acontecer de 49 formas variadas e eficientes e sem causar entraves ou embates. Pode acontecer, Luck. op. cit. p.34.

  51

  como afirma Padilha , na programação de atividades, na coordenação de eventos intra e extra escolar, e no estudo da realidade.

  Assim, principalmente, aos diversos colegiados existentes e consolidam a

  52

  prática participativa. Segundo Lima A equipe diretiva e técnica da escola têm consciência de que, com certeza, a escola deve estar comprometida politicamente, a ponto de ser capaz de interpretar as carências reveladas pela sociedade, direcionando suas necessidades em função dos princípios educacionais capazes de responder às demandas sociais.

  Enfim, a escola tem participado, conforme relatos dos dados do projeto, das atividades comunitárias, ao mesmo tempo em que programa eventos internos com o objetivo de trazê-la para seu círculo de atividades, nas suas dependências.

  Pode-se apontar como nova proposta para participação mais efetiva, a programação de jogos internos entre os profissionais da escola e pais de alunos, além de outros eventos, como festa junina e apresentações dos alunos que freqüentam aulas de dança esportes, organizados em conjunto com as famílias.

  Como segunda categoria, vislumbra-se a discussão entre a discussão entre a prática na execução do projeto da escola.

  50 51 Fonseca. op. cit..p.65. 52 Padilha. op. cit. 2001

  4.2 RELAđấO ENTRE A TEORIA E A PRÁTICA NA EXECUđấO DO PROJETO Com a teoria servindo de suporte para novas práticas, tecnologias recente e idéias avançadas, o projeto apresenta possibilidades de crescimento da escola, no seu trabalho diário.

  Essa questão vem gerando polêmica ao longo da discussão sobre educação e o trabalho das escolas e seus profissionais.

  Na realidade, a escola, seus professores, administradores, técnicos e direção, em sua maioria, embora afirmem que a teoria e prática não são estanques, no seu cotidiano deixam transparecer uma tendência pela teorização excessiva.

  Muitas vezes, pode-se afirmar, essa implicação decorre da sua própria formação. São profissionais que ainda não têm plena consciência de que a educação não é neutra.

  É fundamental que os envolvidos no processo da educação escolar tenham consciência de que educar, ensinar ou avaliar não podem significar um caminho de mão única.

53 Como afirmou Freire consciência que não é, ela se constitui. Nessa

  caminhada, teoria-prática vão interagindo, alimentando o rendimento do processo, apontando novos caminhos e desafiando os envolvidos à participação.

  Com esse entendimento, os objetivos previstos na PP da escola e as concepções trabalhadas foram evoluindo.

  53

  Os relatos dos sujeitos sobre o projeto construindo apontam para novas possibilidades, de trabalho e de posturas, levando a pensar, criticar e criativamente e a se posicionar com competência.

  Ao analisar a escola como um todo, com seus profissionais, atuantes e responsáveis, sua equipe diretiva democrática e competente vale lembrar as

  54

  palavras de Mynayo , procurou-se estabelecer articulações entre os dados e referenciais teóricos da pesquisa respondendo às questões da pesquisa com base em seus objetivos. Assim, foram promovidas relações entre o concreto e o abstrato, o geral e o particular, a teoria e a prática.

  Nessa fase da análise dos dados, buscou-se mais e mais estimular os docentes e demais profissionais que participam ativamente do projeto, a se comprometerem com ele organizando e praticando suas atividades, com base no que foi decidido coletivamente.

55 Fonseca , alerta para as situações da utilização do projeto do

  desenvolvimento da escola, na prática escolar. O projeto não pode ser um simples documento para arquivo, mas a consolidação de um processo de ação-reflexão- ação, que exige o esforço conjunto e a vontade política do coletivo escolar, este projeto fez com que a escola cumpra sua função.

  Acompanhando as diversas fases do projeto da escola, foi observando que as leituras, a discussão constante e a elaboração do plano (em decorrência), passavam a realimentar a vida escolar como um todo.

  54 55 Mynayo. op. cit. p.28.

  E as portas e mentes foram se abrindo. O saber e o saber fazer crítico e criativo levaram a oferecer novas e constantes possibilidades no ensino e na aprendizagem.

  Fluía o fermento na massa, a prática comprometida com a teoria,

  56 construída no PP identificando-se com fala de Fonseca .

  O projeto político pedagógico construído na sua visão de unicidade da teoria e prática pressupõe entre os dois pólos, relações de interdependência e reciprocidade.

  [...] precisa revelar-se e faze-se presente na ação participativa e desenvolve-se pelos educadores no interior da escola. Isso exige estabelecer como meta a ser atingida: o desenvolvimento da capacidade de reflexão crítica sobre a prática.

  4.3 CONSIDERANDO... REFLETINDO UM POUCO MAIS Na caminhada de educador e pesquisador, cidadão e agente, na busca do cultivo de uma educação escolar mais atuante e nesta fase da pesquisa que embasa esta dissertação, surge a preocupação de discutir e analisar os dados fornecidos pelos sujeitos envolvidos na PP as respostas que fluem com os dados, no contexto da mesma.

  Está claro que a análise dos dados, numa pesquisa-ação, não significa espaço único, mas a culminância de um processo que já se iniciou com a própria ação dos envolvidos, a partir das discussões iniciais sobre o tema/problema da pesquisa. 56 Neste processo, como lembrou Freire mais intensa, curiosa, crítica, foi e vai se instaurando. É na intencionalidade do projeto do desenvolvimento da escola. Depositando como prioridade e importância de um trabalho continuado, que se funda

  57

  a idéia de inconclusão. Freire afirma que essa consciência de inclusão torna os educadores mais fortalecidos, pois nesse movimento permanente de procura, se alicerça, por sua vez, a esperança e exercita tanto mais e melhor capacidade de aprender e de ensinar como sujeitos e como puros objetos do processo em que nos envolvemos.

  Teoria e prática, ação-relexão-ação, intencionalidade, participação coletiva, democratização do ensino, autonomia são dimensões que fluem como essenciais na estruturação do PP.

  A responsabilidade demonstrada nos estudos que se sucederam no interior da escola, revelou-se produtiva, estabelecendo como meta principal, o despertar para uma reflexão critica, na e sobre a prática escolar.

  58 Ainda sobre essas questões, Freire afirma:

  É próprio do pensar certo a disponibilidade ao risco, a aceitação do novo que não pode ser negado ou acolhido só porque é novo, assim como o critério de recusa ao velho não é apenas cronológico. O velho que preserva a sua validade ou quem encarna uma tradição ou uma presença no tempo continua novo.

  Esta afirmação leva a aprofundar a reflexão como perspectiva de um fazer o PP como um projeto que não traduz inovação por inovação (grifo meu), mas foi buscando em suas raízes a motivação básica para inovar.

  Amparada vida de mundo que vai apontando novas trilhas 57 paradigmáticas, a escola não pode ficar estanque da sociedade. 58 Freire. op. cit.p. 58.

  Há tempo evidencia-se a emergência de uma nova e significativa proposta de escola, mais autêntica, coerente, preocupada com a dimensão sócio-político- cultural vivido pela clientela que a integra.

  Procura-se estabelecer articulações e relações entre os dados e os referenciais teóricos pesquisados, na busca de respostas ás questões iniciais da Pesquisa, aos seus objetivos.

  As situações problemas que ocorrem na dinâmica de sala de aula e as atividades que envolvem a escola e a comunidade vão apontando novas dimensões/características do trabalho como um todo. E a reflexão, como pesquisador, educador, criticamente vai se consubstancianciando. O olhar para o tema/problema que gerou a pesquisa torna-se mais desafiante.

  Preocupo-me, especialmente, com a relação entre a teoria e a prática, considerada base de apoio fundamental no desenvolvimento e na análise desta pesquisa.

  59 Movido por esse pesquisar e refletir, este estudo encontrou em Minayo ,

  novas orientações e esclarecimentos auxiliares: “o produto final da análise de uma pesquisa, por mais brilhante que seja, deve ser sempre encarada de forma provisória e aproximativa”.

  59

  Assim, cada vez mais impregnado do tema/problema, aumentou o estímulo para que fossem tecidas considerações e reflexões, embora ainda, em princípios.

  Tenho clareza de que a PP como essência, se constitui uma busca, uma caminhada que não se encerra com um documento escrito e este documento é tentado á colocar em prática através do PDE.

  Desta forma, alguns pontos precisam ser resgatados dos momentos trabalhados no desenvolvimento da pesquisa e que trouxeram maiores preocupações e angústia.

  Um deles, a autonomia da escola, tão desejada e pretendida, destaque nas reflexões é apresentada como força imprescindível para as administrações escolares e, precisa ser buscada com sabedoria.

  60 Essa autonomia para Minayo , se conquista pela competência em duplo

  sentido: técnica e política. Implica em outorga e conquista que se obterem pela competência técnica e pelo compromisso profissional.

  É importante ressaltar ainda, que a elaboração do PDE encontrou respaldo na interação do grupo envolvido nessa conquista. O quanto mais o grupo estiver envolvido e coeso em função dos objetivos traçados, melhores condições terá de executar com sucesso o seu projeto de desenvolvimento de escola.

  61 Por outro lado, reforça Tamarati , ela (escola) concebe sua proposta

  pedagógica ou um projeto da escola e tem autonomia para executá-lo e avaliá-lo ao assumir uma nova atitude de liderança, no sentido de refletir sobre as finalidades 60 sociopolíticas e culturais da escola. 61 Minayo. op. cit.p.48.

  

Tamarat,José.Educar o soberano: ao iluminismo pedagógico de ontem e de hoje.p.58.São

  No caso deste estudo, por se tratar de escola da rede pública, houve a autonomia da gestão como facilitadora das diversas situações que exigiram tomadas de decisões e melhoria e atualização do processo escolar e envolvimento com a sociedade.

  A força e a competência, o envolvimento e o compromisso dos profissionais da escola, foram observados nas ações do dia-a-dia como destaques no decorrer da pesquisa.

  Persiste, de outra maneira, porém com a mesma importância, a preocupação coma participação dos pais dos alunos nas atividades e decisões da escola, com o corpo diretivo, técnico e docente.

  62 Essa questão, no enfoque de Fonseca , traz à tona a grande dificuldade

  das escolas, na sua maioria e, especificamente, desta, em analisar e decidir, com as famílias, situações técnico-pedagógicas, de interesse de ambas: O projeto pedagógico deve assegurar a presença das famílias, para refletir sobre o processo educativo, sugerindo, indicando caminhos, questionando, participando da gestão democrática da Escola. ...reinventar a democracia na Escola parece-nos a melhor forma de promover a cidadania (individual e coletiva) e esta implica contaminar com o político, todos os domínios da interação social. Deve, portanto, a escola estar comprometida politicamente, a ponto de ser capaz de interpretar as carências reveladas pela sociedade, direcionando suas possibilidades para respostas a essas demandas sociais.

  O entendimento de que fica evidenciando, nesta etapa da pesquisa é o de que a educação escolar é dialeticamente reprodução da sociedade e ao mesmo 62 tempo precisa ser instrumento de transformação da vida social, se agir competentemente, servindo de modelo.

  A escola tem consciência de que, na medida em que a comunidade onde está inserida apropriar-se de conhecimentos úteis e atualizados, de valores, atitudes e modos de agir, será capaz de transformar a sua realidade por si própria.

  A pesquisa não termina por ter sido analisada e registrada, ela é um passo, um estudo, uma realidade a ser pensada.

  O projeto nela trabalhado é ser concebido como um instrumento norteador das atividades exigidas no funcionamento da escola, ao mesmo tempo de controle e de aprendizagem, Está atrelando a múltiplos mecanismos e estratégias que provém de vários centros de decisões e de diferentes atores.

  A coordenação e liderança seguras, competentes e criativas incentivaram a participar do grupo lá atuante e unificaram as ações docentes, favorecendo o crescimento da escola.

  Os momentos de envolvimento na pesquisa, dirigidos para o tema/problema: projeto pedagógico da teoria à prática, implicou, obviamente, na capacidade de desenvolver competência técnica, política e humana nos profissionais, e também de trabalhar com um projeto que seja aplicável e mais que isso, viável.

  A reflexão constante que se sucedeu durante a pesquisa, objetivamente em função do projeto da escola, me animam a polemizar ainda mais, nas palavras de Vasconcellos o projeto se destrói no momento da sua realização. Cessa de existir como tal. É uma materialização da intenção.

  A escola tem nas mãos com o projeto, as diretrizes da sua caminhada rumo ao futuro, às novas idéias e às presenças novas nos seus espaços de atuação. Livre para criar e fazer educação, porém, ao mesmo tempo trabalhando com participantes que agora a ela se integram como exigência atual – a comunidade escolar.

  

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  ANEXOS ANEXO 1 - PROPOSTA PEDAGÓGICA

  AVALIAđấO A avaliação da Escola Municipal “Presidente Castello Branco” é colaborativa, se desenvolve simultaneamente ao processo de ensino e aprendizagem, iluminando os avanços alcançados e estimulando o aluno para que se aproprie do objeto de estudo e para o professor como indicativos para novas intervenções pedagógicas.

  A avaliação é diagnóstica, pois é preciso determinar o grau em que um aluno domina os objetivos previstos para iniciar uma unidade de ensino. Verificar também se existem alunos que já possuem o conhecimento e as habilidades previstas a fim de orientá-los a outras oportunidades, novas aprendizagens.

  A avaliação é formativa, busca identificar insuficiências em aprendizagens iniciais, necessárias à realização de outras aprendizagens. Orienta a organização do ensino e aprendizagem. Indica como os alunos estão se modificando em direção aos objetivos desejados. É um acompanhamento de todo o processo de ensino e aprendizagem, tendo caráter cumulativo, pois a história do aluno conhecido e considerado, se faz no dia-a-dia das relações sociais do contexto escolar, em que se observa a atuação do mesmo, individualmente, sem compará-lo aos outros.

  Há o resultado do processo, tendo em vista as suas conseqüências e implicações para o aluno e sua capacidade para lidar com os desafios do próximo ano, a avaliação somativa. São os resultados acumulados e baseados em testes, provas e outros instrumentos de avaliação.

  Os nossos instrumentos de avaliação são: ¾ Testes orais e escritos; ¾ Trabalhos individuais e em grupos; ¾ Participação:

  • Cumprimento de todos os trabalhos;
  • Realização de todas as tarefas; completos;
  • Cadernos

  • Auxílio aos colegas de sala.

  Os alunos que obtiveram média inferior a 6,0, são levados à Conselho de Classe, e de acordo com o artigo 112 da LDB, com o objetivo de avaliar de forma coletiva a aprendizagem e o desenvolvimento desses alunos bem como a participação dos envolvidos no processo, cabendo-lhes definir encaminhamentos e alternativas.

  Do Conselho de Classe da Escola Municipal “Presidente Castello Branco” participarão: a Diretora, a Auxiliar de Direção, a Supervisão e Orientação, os professores, pais e alunos representantes das turmas.

  O Conselho de Classe se dará em cada bimestre e extraordinariamente sempre que um fato relevante assim o exigir.

  A escola mantém um contato direto com os pais, os informando do rendimento escolar de seus filhos, durante todo o ano letivo, através de reuniões ou de chamadas individuais no caso de alunos com dificuldades.

  Oferecemos várias formas de recuperação aos nossos alunos: ¾ Recuperação no ato do ensino – metodologia interativa em sala de aula. Aulas participativas, abordagens, exemplos diversificados que ocorre de 1ª a 8ª série. ¾ Recuperação no processo – retomada dos assuntos, exercícios, atividades e tarefas, atendimento durante as atividades, trabalhos em grupo, em sala de aula, de 1ª a 8ª série. ¾ Recuperação no contraturno – monitoria feita pela Supervisão e Orientação de 1ª a 8ª séries (Português e Matemática). ¾ Recuperação de notas inferiores a cinco – alunos que obtiveram notas inferiores a cinco fazem nova avaliação e de acordo com o Regimento Escolar, artigo 106, as notas e conceitos obtidos após estudos de recuperação em que o aluno tenha superado as dificuldades, substituirão às anteriores, referentes aos mesmos objetivos.

  A avaliação à equipe administrativa, pedagógica e demais funcionários é feita pelos professores, semestralmente, com sugestões.

  O acompanhamento a atuação dos professores em sala de aula e planejamento é feita pela Direção da escola e pelo Setor de Supervisão Escolar. Os professores recebem devolutivas por escrito com orientações e sugestões.

  Também fazemos o Conselho Participativo com os alunos, onde eles relatam suas dificuldades com algumas disciplinas e dão sugestões para os professores.

  A comunidade também avalia a escola num todo através de sugestões por escrito.

  A equipe técnico-pedagógica e administrativa se reúne, semanalmente, para fazer um balanço das atividades realizadas na Escola com o objetivo de auto- avaliação e de fazer sugestões a todos da equipe.

  OBJETIVO GERAL DA ESCOLA Criar condições para que os alunos desenvolvam suas capacidades e aprendam os conteúdos necessários para construir instrumentos de compreensão da realidade e da participação das relações políticas, sociais e culturais diversificadas e cada vez mais amplas. Condições estas fundamentais para o exercício da cidadania na construção de uma sociedade democrática e não excludente.

  OBJETIVOS ESPECÍFICOS

  • Oferecer um ensino de qualidade oferecendo suporte para que o próprio aluno construa seus conhecimentos, garantindo sucesso escolar para todos;
  • Propiciar a todos os alunos e equipe escolar momento de reflexão, a fim de buscarmos cada vez mais solidariedade, atitudes de respeito e amizade; - Praticar a cidadania através de temas atuais inerentes do meio em que vivemos.
  • Garantir que a escola seja um espaço de reconstrução de sua própria prática pedagógica.
  • Priorizar um espaço físico e materiais didáticos adequados, possibilitando o desenvolvimento de situações favoráveis de aprendizagem.

  RECUPERAđấO Recuperar conteúdos não repetindo as mesmas explicações. Mas, organizar situações que possam favorecer a efetiva construção do conhecimento; é procurando outra forma de abordagem do mesmo conceito.

  É trabalhar a partir de onde o aluno está, é ajudá-lo a se reintegrar no processo ensino e aprendizagem, respeitando o seu ritmo e suas experiências de vida, adequando os conteúdos e métodos aos seus estágios de desenvolvimento.

  Nossa Escola oferece os seguintes tipos de recuperação: Recuperação no ato do ensino-metodologia interativa em sala de aula.

  • Aula participativa, abordagens, exemplos diversificados que ocorre das 1ªs às 8ªs séries.
  • Recuperação no processo-retomada dos assuntos, exercícios, atividades e tarefas, atendimento durante as atividades, trabalhos em grupo, em sala de aula, de 1ª a 4ª série.

  no contraturno-monitoria, dispensa de parte dos alunos

  • Recuperação para trabalhar com os alunos que precisam de atendimento específico, também feito pelo setor de supervisão com as 2ªs, 4ªs 5ªs e 6ªs séries.
  • Recuperação de aprendizagem prévia não ocorrida-revisão dos conteúdos anteriores de 1ª a 4ª série.

  GRADE CURRICULAR SÉRIE PORT MAT HIST GEO CIÊN ED.F. ARTE EN.R.

  1 1ª série 5 5 1 1 1 3 1 1 2ª série 5 5 1 1 1 3 1 1

  2 8ª série 5 5 3 2 3 3 1 1

  2 7ª série 5 5 2 3 3 3 1 1

  2 6ª série 5 5 3 2 3 3 1 1

  1 5ª série 5 5 2 3 3 3 1 1

  1 4ª série 5 5 1 1 1 3 1 1

  1 3ª série 5 5 1 1 1 3 1 1

  1

  INGLÊS Classe de seis anos

  3

  1

  1

  1

  5

  5

  2 ANEXO 2 - PROJETO DE DESENVOLVIMENTO DA ESCOLA

  PROJETO DO DESENVOLVIMENTO DA ESCOLA Missão Contribuir para o desenvolvimento humano despertando suas potencialidades através da educação. Assegurar ao educando que se potencializarão dos saberes necessários para sua participação no mercado de trabalho, como também desenvolvimento de uma consciência crítica que sustente suas ações diante das injustiças sociais.

  Visão

  Sermos uma instituição que oriente e legitime a busca de transformações na realidade, garantindo a todos na ação cotidiana, um tratado de direitos possibilitando a convivência das mais diversas formas do viver humano. Assegurando que os alunos desenvolvam ao máximo seu potencial e dentro do possível e, dentro de um tempo razoável, um conjunto de conhecimentos e competências definido como desejável na proposta pedagógica da escola.

  Objetivos para 2003

  1. Assegurar que os alunos da Escola superem a média de desempenho de 92,7% para 95% de aprovação.

  2. Oportunizar a capacitação continuada de todos os envolvidos no processo ensino aprendizagem.

  3. Integrar comunidade e escola.

  4. Proporcionar um espaço físico adequado ao ensino.

  5. Corrigir o fluxo escolar

  Metas

  1. Elevar o índice geral de aprovação de 92,7% para 95%

  2. Atualização e aperfeiçoamento de 100% do corpo docente da escola

  3. Promover atividades escolares garantindo a participação da comunidade entorno.

  4. Garantir um espaço físico adequado ao ensino

  5. Corrigir o fluxo escolar em 100% dos alunos defasados

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