Renata Capistrano Dissertacao normas A5 (1)

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(1)RENATA CAPISTRANO TRANSTORNO DO DESENVOLVIMENTO DA COORDENAÇÃO EM CRIANÇAS DE 8 A 10 ANOS DE IDADE Dissertação apresentada ao Programa de PósGraduação/Mestrado em Ciências do Movimento Humano, do Centro de Ciências da Saúde e do Esporte - CEFID, da Universidade do Estado de Santa CatarinaUDESC, como requisito parcial, para obtenção do grau de Mestre em Ciências do Movimento Humano. Orientadora: Profª Drª Thais Silva Beltrame FLORIANÓPOLIS- SC 2014

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(3) Dedico este Mestrado a minha família, pelo incentivo e apoio em todas as minhas escolhas e decisões.

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(5) AGRADECIMENTOS Neste momento tão especial para mim de conclusão de mais uma etapa quero agradecer as pessoas que de alguma maneira contribuíram para a realização deste trabalho... Em primeiro lugar agradeço aos meus pais Nilde e Samir Capistrano pelo amor, pelas palavras de carinho e por sempre me apoiarem na busca dos meus sonhos. Aos meus irmãos Natália e Samir Capistrano. Amo vocês! Agradeço ao meu amor Lauvir, por me apoiar e estar comigo nos momentos de tristezas e de alegria. Te amo! Obrigada por tudo. Aos meus sobrinhos, Amanda, João Bernardo e Helena, por alegrarem os meus dias. Agradeço à professora Thais Silva Beltrame, que me acompanha desde a 3°fase da graduação e sempre me proporcionou oportunidades para eu realizar os meus sonhos e com isso me fez crescer muito academicamente. Aos professores da banca examinadora Fernando Copetti, Andreia Pelegrini, Fernando Luiz Cardoso que com seu olhar de educadores vão contribuir para a finalização do meu trabalho. Aos demais professores da pós-graduação do CEFID com os quais pude conviver, aprender e crescer. Aos colegas do Laboratório de Distúrbios da Aprendizagem e do Desenvolvimento (LADADE), Ana Paula Pietro, Ana Paula Aguiar, Carina Raffs Leite, Janine Aryadne Espindola, Juliano Maestri Alexandre, Karina Hoffman Heinzen, Gabriela Marquez, Victória Saavedra, Juliana da Silva, Annelise do Vale Pereira de Oliveira, Andressa Ribeiro Contreira, Eva Vilma Alves, pelas conversas, trocas de conhecimentos e pela amizade. Aos colegas do Laboratório de Gênero e Sexualidade (LAGESC), Elisa Pinheiro Ferrari, Thiago Emmanuel Medeiros.

(6) Aos professores do Centro Educacional de Barreiros e da Escola Liderança, por contribuírem para a realização da pesquisa e por mostrarem interesse pela temática abordada. Aos escolares participantes do estudo, pela disposição, alegria, que além de contribuírem com o estudo acrescentaram valores na minha vida. Às demais pessoas que, embora não mencionadas, torceram para que este momento fosse finalizado com sucesso, recebam meu abraço carinhoso e sincero!

(7) RESUMO CAPISTRANO, Renata. Transtorno do Desenvolvimento da Coordenação em crianças de 8 a 10 anos de idade. Dissertação (Mestrado em Ciências do Movimento Humano) – Universidade do Estado de Santa Catarina – UDESC, Florianópolis, 2014. Este estudo objetivou investigar os fatores associados ao Transtorno do Desenvolvimento da Coordenação - TDC em crianças com idades de 8 a 10 anos. Participaram do estudo 83 crianças matriculadas em escolas particulares do Município de São José-SC. No estudo 1 (Revisão Sistemática), a busca de artigos científicos foi realizada nas bases de dados PubMed, Bireme, Web of Science e Scopus, sem recorte de período, considerando-se artigos em inglês e português. Os descritores utilizados em língua portuguesa e inglesa foram: “atividade motora”, “transtorno das habilidades motoras” e “crianças”, “transtorno do desenvolvimento e da coordenação” e “atividade física”. Recorreu-se ao operador lógico “AND” para combinação dos descritores e termos utilizados para o rastreamento das publicações. No estudo 2 (TDC e Indicadores de saúde), para avaliar o desempenho motor das crianças, foi utilizada a Movement Assessment Battery for Children Second Edition - MABC-2; o Índice de Massa Corporal –IMC, estatura e dobras cutâneas foram avaliados por meio de um estadiômetro Sanny, balança Tânita, plicômetro e trena antropométrica Cescorf. O nível de atividade física foi avaliado por meio do questionário Dia Típico de Atividades Físicas e Alimentação – DAFA, a resistência cardiorrespiratória foi feita por meio do teste de 6 minutos, o qual faz parte da bateria do PROESP(2009). Após a coleta de dados, os mesmos foram tabulados no programa Statistical Package for Social Sciences SPSS, auxiliando nas análises estatísticas descritivas (médias, mínimos, máximos, desvio padrão, frequências) e inferenciais (Teste Qui-quadrado, Exato de Fisher, Teste T independente,

(8) curva ROC - Receiver Operating Characteristic). A significância estatística adotada foi de p≤ 0,05. No estudo de 1, 16 artigos foram incluídos. Destes, 12 foram publicados no período de 2010 a 2013 e de forma geral, os estudos apontam para um menor nível de atividade física em crianças com TDC em comparação aos seus pares sem o transtorno. Sendo que a presença de TDC na infância é um fator de risco para baixos níveis de atividade física na adolescência. No estudo 2, as crianças com dificuldade motora apresentaram maiores médias de IMC (20,21) e menores médias de resistência cardiorrespiratória ( 673,19) quando comparadas ao grupo sem dificuldade motora (18,51) e (719,15) respectivamente. Com relação aos resultados do IMC e a presença da dificuldade motora, a área sob a curva ROC foi de 0,620, sendo que esse resultado não foi significativo (p=0,08). Com relação a Resistência Cardiorrespiratória e a presença de dificuldade motora, a área sob a curva ROC foi de 0,327. O ponto de corte de 654,5m ou menos apresenta o equilíbrio mais adequado entre a sensibilidade e a especificidade. O poder da Resistência Cardiorrespiratória para classificar corretamente crianças com dificuldade motora é de 47,8% (sensibilidade), enquanto que o poder dessa mesma aptidão física para classificar corretamente os escolares sem dificuldade motora é de 82,1% (especificidade). Observou-se que as crianças com dificuldade motora apresentaram maiores médias de IMC, menor resistência cardiorrespiratória e menor nível de atividade física quando comparadas as crianças sem o transtorno. Palavras-chave: Transtorno do Desenvolvimento da Coordenação. Status do Peso. Nível de Atividade Física. Crianças.

(9) ABSTRACT CAPISTRANO, Renata. Developmental Coordination Disorder in children 8-10 years of age. Dissertation (Masters in Human Movement Science) - University of Santa Catarina - UDESC, Florianópolis, 2014. This study aimed to investigate the factors associated with Developmental Coordination Disorder - DCD in children aged 8-10 years. The study included 83 children enrolled in private schools in São José, SC. In study 1 (Systematic Review), a literature search was performed in PubMed, BIREME, Web of Science and Scopus data without cropping period, considering papers in English and Portuguese. The descriptors used in Portuguese and English were: "motor activity", "disorder of motor skills" and "children", "developmental disorder and coordination" and "physical activity". We resorted to the logical operator "AND" to combine descriptors and terms used for the tracking of publications. In study 2 (TDC and health indicators) to assess the children's motor performance, we used the Movement Assessment Battery for Children Second Edition - MABC-2; the Body Mass Index -IMC, height and skinfold thickness were assessed using a stadiometer Sanny, Tanita scale, skinfold and anthropometric tape Cescorf. The level of physical activity was assessed by questionnaire Typical Day of Eating and Physical Activities - DAFA, cardiorespiratory endurance was made by the 6-minute test, which is part of the battery PROESP (2009). After collecting data, they were tabulated using the Statistical Package for Social Sciences software - SPSS, assisting in the descriptive statistical analysis (average, minimum, maximum, standard deviation, frequency) and inferential (Chi-square, Fisher's Exact Test independent T, ROC - Receiver Operating Characteristic). The statistical significance was p ≤ 0.05. In study 1, 16 articles were included. Of these, 12 were published in the period 2010-2013 and in general, the studies point to a

(10) lower level of physical activity in children with DCD compared to their peers without the disorder. Since the presence of TDC in childhood is a risk factor for low levels of physical activity in adolescence. In study 2, children with motor difficulties had higher mean BMI (20.21) and lower mean cardiorespiratory (673.19) resistance when compared to the group without motor difficulty (18.51) and (719.15) respectively. Regarding the results of the BMI and the presence of motor difficulty, the area under the ROC curve was 0.620, and this result was not significant (p = 0.08). Regarding Cardiorespiratory Endurance and the presence of motor difficulty, the area under the ROC curve was 0.327. The cut point or less 654,5m presents the most suitable balance between sensitivity and specificity. The power of Cardiorespiratory Endurance to correctly classify children with motor difficulties is 47.8% (sensitivity), while the power of the same fitness to correctly classify children without motor difficulty is 82.1% (specificity). It was observed that children with motor difficulties had higher mean BMI, lower cardiorespiratory endurance and lower levels of physical activity when compared to children without the disorder. Keywords: Developmental Coordination Disorder. Weight Status. Physical Activity Level. Children.

(11) LISTA DE ILUSTRAÇÕES Quadro 1: Tarefas para avaliação de cada habilidade do teste motor para faixa etária de 7 a 10 anos. .......................................................................24 Quadro 2: Equações de Slaughter et al (1988) utilizadas para o cálculo do Percentual de Gordura Corporal(%G) .................................................28 Quadro 3: Apresentação das variáveis investigadas .................................33 Figura 1: Artigo 1 - Etapas da Revisão Sistemática .................................40 Figura 2: Artigo 2 - Curva ROC da Resistência Cardiorrespiratória para discriminar a ocorrência da dificuldade motora .......................................71

(12) LISTA DE TABELAS Tabela 1: Artigo 1 - Artigos incluídos na revisão sistemática ................. 41 Tabela 2: Artigo 1 - Características do estudo segundo aspectos metodológicos .......................................................................................... 44 Tabela 3: Artigo 1 - Análise dos artigos segundo os instrumentos e definição operacional das variáveis ......................................................... 45 Tabela 4: Artigo 1 - Análise dos artigos segundo o objetivo e os resultados principais................................................................................. 48 Tabela 5: Artigo 2 - Comparação das médias nas avaliações de saúde conforme a classificação no desempenho motor em crianças (n=83) ...... 69 Tabela 6: Artigo 2 - Área sobre a curva ROC, nível de significância (p), pontos de corte, sensibilidade e especificidade do IMC e Resistência Cardiorrespiratória associada à presença da dificuldade motora em escolares (n= 83). ..................................................................................... 71

(13) LISTA DE APÊNDICES E ANEXOS Apêndice Apêndice Apêndice Apêndice I - Termo de Consentimento Livre e Esclarecido ...................88 II - Ficha da Avaliação Antropométrica..................................90 III - Exemplo Relatório Individual .........................................91 IV - Carta de Agradecimento ..................................................92 Anexo I - Descrição das Tarefas Motoras - Faixa Etária 2 (7 a 10 anos) .93 Anexo II – Parte do Instrumento Dia Típico de Atividade Física e Alimentação – DAFA...............................................................................95 Anexo III - Instrumento Maturação Sexual Meninos e Meninas .............96

(14) SUMÁRIO 1 INTRODUÇÃO ......................................................... ................................19 1.2 OBJETIVOS ........................................................................................... 21 1.2.1 Objetivo Geral ...................................................................................... 21 1.2.2 Objetivos Específicos ........................................................................... 21 2 MÉTODO ................................................................................................ ...22 2.1 CARACTERIZAÇÃO DA PESQUISA .................................................. 22 2.2 PARTICIPANTES DO ESTUDO ........................................................... 23 2.2.1 Critérios de Inclusão ............................................................................. 23 2.3 INSTRUMENTOS .................................................................................. 24 2.3.1 Desempenho motor .............................................................................. 24 2.3.2 Antropometria ...................................................................................... 26 2.3.3 Nível de atividade física ....................................................................... 28 2.3.4 Maturação sexual .................................................................................. 29 2.3.5 Resistência Cardiorrespiratória ............................................................ 30 2.3.6 Classificação socioeconômica .............................................................. 30 2.4 PROCEDIMENTOS PARA COLETA DE DADOS .............................. 31 2.5 VARIÁVEIS INVESTIGADAS E CATEGORIAS DE ANÁLISE ....... 33 2.6 TRATAMENTO ESTATÍSTICO ........................................................... 34 3 ARTIGO 1: TRANSTORNO DO DESENVOLVIMENTO E DA COORDENAÇÃO E NÍVEL DE ATIVIDADE FÍSICA EM CRIANÇAS: UMA REVISÃO SISTEMÁTICA ................................................................ 34 3. 1 INTRODUÇÃO ..................................................................................... 36 3. 2 MÉTODO ............................................................................................... 38 3. 3 RESULTADOS ...................................................................................... 41 3. 4 DISCUSSÃO .......................................................................................... 51 3. 5 CONCLUSÕES ...................................................................................... 55 3. 6 REFERÊNCIAS ..................................................................................... 56 4 ARTIGO 2: INDICADORES DE SAÚDE EM ESCOLARES COM TRANSTORNO DO DESENVOLVIMENTO DA COORDENAÇÃO – TDC ............................................................................................................... 61 4. 1 INTRODUÇÃO ..................................................................................... 63 4. 2 MÉTODO ............................................................................................... 64 4.2.1 Caracterização do Estudo ..................................................................... 64 4. 2. 2 Participantes do Estudo ...................................................................... 64 4. 2. 3 Instrumentos ....................................................................................... 65 4. 2. 4 Procedimento de Coleta de Dados ...................................................... 66 4. 2. 5 Análise Estatística .............................................................................. 67 4.3 RESULTADOS ...................................................................................... 68 4.4 DISCUSSÃO .......................................................................................... 72 4.5 CONCLUSÃO ....................................................................................... 77 4.6 REFERÊNCIAS ...................................................................................... 78

(15) 5 CONCLUSÃO ........................................................................................... 83 6 REFERÊNCIAS ......................................................................................... 83 7 APÊNDICES E ANEXOS ......................................................................... 88

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(17) 19 1 INTRODUÇÃO O desenvolvimento motor é considerado um processo sequencial, contínuo e relacionado à idade cronológica, pelo qual o ser humano adquire uma enorme quantidade de habilidades motoras que progridem de movimentos simples e desorganizados para a execução de habilidades motoras altamente organizadas e complexas (HAYWOOD; GETCHELL, 2004). As habilidades motoras complexas se encaixam na fase motora especializada, que inicia aproximadamente a partir dos 7 anos de idade. Durante essa fase, o movimento torna-se uma ferramenta aplicada a uma série de atividades de movimentos complexos para a vida diária, recreação e resultados esportivos. Esse é um período em que as habilidades estabilizadoras, locomotoras e manipulativas fundamentais são progressivamente refinadas, combinadas e elaboradas para o uso em situações de crescente demanda (GALLAHUE; OZMUN; GOODWAY, 2013). Entretanto, para crianças que apresentam dificuldades motoras, o movimento nessa fase pode se constituir um grande desafio, de maneira que determinadas tarefas típicas da infância se tornam bastante difíceis (SILVA et al., 2006). Em se tratando das dificuldades motoras, encontra-se o Transtorno do Desenvolvimento da Coordenação (TDC), que se caracteriza como um déficit na coordenação motora (DANTAS; MANOEL, 2009). As crianças e adolescentes com TDC apresentam atrasos no desenvolvimento das habilidades motoras, prejudicando a realização de atividades escolares e do cotidiano, parecendo desajeitadas ou mesmo atrapalhadas motoramente (MISSIUNA, 2003). A prevalência do TDC tem sido relatada pela literatura, com estimativa de 2 a 19% pelos países que investigaram a temática (Holanda, Inglaterra, Canadá), causando uma preocupação mundial quanto à qualidade dos serviços

(18) 20 oferecidos a essas crianças. Por exemplo, um estudo na Holanda evidenciou 7,7% de TDC em crianças de quatro a 13 anos de idade (JONGMANS; SMITS-ENGELSMAN; SHOEMAKER, 2003). Na Inglaterra, uma investigação com 4.524 crianças de sete e doze anos encontrou que 4,4% de crianças com provável TDC (GREEN et al., 2011). Outro estudo também realizado na Inglaterra, avaliou 6.990 crianças e encontrou 1,7% de participantes com TDC (LINGMAN et al, 2009). Ampliando a diversidade quanto a prevalência do TDC, um estudo cross-cultural envolvendo crianças do Canadá e da Grécia observou valores extremamente distintos – 8 e 19%, respectivamente (TSIOTRA et al., 2006). No Brasil, não há uma estimativa oficial, fato justificado pela escassez de estudos e a baixa disseminação do termo em instituições de ensino. Porém, as poucas investigações conduzidas encontraram prevalências que variam em torno de 4,4% a 19,9% (SANTOS; VIEIRA, 2013; SOUZA et al., 2007; VALENTINI et al., 2012). As causas do TDC não são bem compreendidas, fatores que podem ou não desempenhar um papel, incluem a predisposição genética, anormalidades neurológicas menores, deficiências no processamento de informações e estímulos ambientais insuficientes (CERMAK; GUBBAY; LARKIN, 2002). Estudos demonstram as consequências que as dificuldades motoras podem trazer ao indivíduo, tanto no aspecto emocional e cognitivo, incluindo nível de ansiedade elevado, baixa autoestima e exclusão social, quanto no aspecto físico por evitar atividades físicas, como a hipertensão arterial, alto nível de colesterol, sobrepeso e obesidade (ZHU et al., 2014; HENDERSON; SUGDEN; BARNETT, 2007; ). Pesquisas também apontam que crianças com dificuldades motoras, não se engajam em situações que demandam exigências motoras e se afastam gradativamente dessas atividades, apresentando baixos níveis de aptidão física (HAGA, 2008; WU et al., 2010; GREEN et al., 2011). Crianças

(19) 21 com TDC participam menos de atividades vigorosas como correr e saltar, ainda tem menor participação em atividades organizadas como jogos com regras, o que contribui para uma baixa aptidão física, resultando em maiores riscos para sobrepeso/obesidade (TSIOTRA et al., 2006; HANDS; LARKIN, 2006; HAGA, 2008; WU et al., 2010; ZHU; WU; CAIRNEY, 2011). Estudos internacionais realizados em Taiwan, Canadá, Holanda, mostram que crianças com o TDC são mais propensas a terem excesso de peso (ZHU et al., 2014; CAIRNEY et al., 2010; HENDRIX; PRINS; DEKKERS, 2014) quando comparados com crianças sem dificuldade motora. No Brasil poucos estudos foram encontrados fazendo essas relações (MIRANDA; BELTRAME; CARDOSO, 2011; MARRAMARCO et al., 2012). Diante das informações supracitadas, visto que as avaliações motoras e de saúde podem auxiliar na melhor caracterização do desenvolvimento infantil e identificar fatores de risco para subsidiar a realização de medidas interventivas, esse estudo objetivou investigar os fatores associados ao Transtorno do Desenvolvimento da Coordenação em crianças de 8 a 10 anos de idade. 1.2 OBJETIVOS 1.2.1 Objetivo Geral Investigar os fatores associados ao Transtorno do Desenvolvimento da Coordenação em crianças de 8 a 10 anos de idade. 1.2.2 Objetivos Específicos  Descrever as crianças quanto ao desempenho motor;

(20) 22    Descrever as questões de saúde dos escolares (nível de atividade física, status do peso, gordura corporal relativa, perímetros da cintura e abdominal, aptidão cardiorrespiratória); Descrever as características sociodemográficas dos escolares (sexo, nível socioeconômico); Verificar os fatores associados às dificuldades motoras. 1.3 ESTRUTURA DA DISSERTAÇÃO Segundo a norma 01/2014, de acordo com o Art. 2 º do Programa de Pós-Graduação em Ciência do Movimento Humano do Centro de Ciências da Saúde e do Esporte da Universidade do Estado de Santa Catarina, a presente dissertação está estruturada no modelo alternativo, sendo composta por dois artigos científicos. A dissertação compõe-se de cinco capítulos. O capítulo um (1) aborda a introdução e objetivos (geral e específicos); O capítulo dois (2) apresenta a metodologia do trabalho. O capítulo três (3) apresenta o primeiro artigo intitulado “Transtorno do Desenvolvimento da Coordenação e nível de Atividade Física em crianças: Uma Revisão Sistemática” submetido para publicação na revista de Terapia Ocupacional da Universidade de São Paulo; O capítulo quatro (4) apresenta o segundo artigo com o seguinte título: “Indicadores de Saúde em crianças com Transtorno do Desenvolvimento da Coordenação – TDC” e o capítulo cinco (5) apresenta as considerações finais. 2 MÉTODO 2.1 CARACTERIZAÇÃO DA PESQUISA

(21) 23 Esta pesquisa caracteriza-se como quantitativa com delineamento transversal, pois objetiva observar, registrar e associar fenômenos investigados (GIL, 2010). 2.2 PARTICIPANTES DO ESTUDO Participaram do estudo 83 escolares de ambos os sexos, com idades de 8 a 10 anos, de duas escolas particulares localizadas no Município de São José/SC. Os escolares nessa faixa etária contemplavam as séries do 3° ao 5° ano do ensino fundamental. A seleção das instituições foi feita de forma intencional devido à facilidade de acesso dos pesquisadores. A seleção dos participantes foi não probabilística, conforme a disponibilidade dos alunos para participação na pesquisa. Verificou-se com a equipe pedagógica que cerca de 150 alunos atendiam aos critérios de inclusão conforme a faixa etária nas duas escolas. A partir destas informações foram entregues 150 termos de consentimento (Apêndice I), dos quais se obteve o retorno de 83 com assinatura dos pais/responsáveis. A perda dos alunos para se chegar ao grupo final de participantes ocorreu devido à indisposição para participação na pesquisa e a não autorização dos pais. 2.2.1 Critérios de Inclusão Os critérios de inclusão considerados foram: Intenção dos escolares para participação voluntária no estudo; faixa etária estabelecida (8 a 10 anos); apresentação da autorização dos pais ou responsáveis por meio da assinatura do Termo de Consentimento Livre e Esclarecido; ausência de problemas físicos nos membros inferiores ou superiores e deficiências mentais (indicados pelos professores regentes e professores de Educação Física).

(22) 24 2.3 INSTRUMENTOS 2.3.1 Desempenho motor A avaliação motora foi realizada por meio da Movement Assessment Battery for Children Second Edition – MABC 2 (HENDERSON; SUGDEN; BARNET, 2007). Este instrumento é um dos mais utilizados para a identificação de dificuldades motoras em crianças e adolescentes com idades de 3 a 16 anos. O MABC é um teste composto por três conjuntos de tarefas apropriadas para as faixas etárias específicas: Faixa etária 1 (3 a 6 anos); Faixa etária 2 ( 7 a 10 anos) (Anexo I) e Faixa etária 3 (11 a 16 anos). As habilidades avaliadas pelo teste motor são Destreza Manual, Lançar/Receber e Equilíbrio (estático e dinâmico) e para cada faixa etária são estabelecidas tarefas diferenciadas e com complexidades distintas, de acordo com os níveis de desenvolvimento motor dos participantes. O Quadro 1 apresenta as tarefas para avaliação de cada habilidade para esta faixa etária. Quadro 1: Tarefas para avaliação de cada habilidade do teste motor para faixa etária de 7 a 10 anos. Movement Assessment Battery for Children - Second Edition (MABC-2) Henderson; Sugden; Burnett, 2007 - Faixa etária 2 (7 a 10 anos de idade) Habilidades Tarefas Registros Tempo em Colocando Pinos segundos Tempo em Destreza Passando o Cordão segundos Manual Número de Trilha da Bicicleta erros Número de Lançando e Recebendo com recebimentos Lançar e as duas mãos corretos Receber Lançando o saco de feijão Número de

(23) 25 acertos no alvo Equilíbrio sobre a tábua Tempo em segundos Número de passos corretos Número de passos Saltanto em tapetes corretos MABCs Totais abaixo ou igual ao 5° percentil = indicativo de dificuldade de movimento. Os valores entre o 5° e o 15° percentil = risco de apresentar dificuldade de movimento e ainda os valores acima do 15° percentil = desempenho motor normal. Equilíbrio Estático e Dinâmico Andando sobre a linha Após a aplicação dos testes, os escores brutos (tempo para realizar determinadas tarefas, quantidade de acertos, entre outros) foram convertidos em escores padrão. Os escores padrão foram somados dentro de cada categoria de habilidade, resultando na pontuação total dos componentes motores. Por meio da soma deste último valor se obtém a pontuação padrão do teste, ou resultado total. Tanto a pontuação padrão, como o resultado total foram comparados a uma tabela de percentis, que possibilitam classificar o desempenho motor das crianças. Uma maior pontuação indica um maior escore padrão e, consequentemente, um maior percentil. Sendo assim, a pontuação dos componentes e pontuação total do teste e seus respectivos escores padrão e percentis são diretamente proporcionais. As crianças cujos resultados estiverem abaixo ou igual ao 5º percentil (> 13 pontos), recebem um indicativo de dificuldade significativa de movimento; os valores entre o 5º e o 15º percentil (10 a 13 pontos) indicam que a criança está em risco, sendo necessário um monitoramento do desenvolvimento (limítrofe); e os valores iguais ou superiores ao 16º percentil (≤ 9,5 pontos) indicam um desenvolvimento motor típico.

(24) 26 Nesse estudo as classificações foram agrupadas em Risco/Dificuldade de Movimento e Sem Dificuldade de Movimento. 2.3.2 Antropometria Os dados de cada aluno em relação às variáveis antropométricas foram anotados em uma ficha (Apêndice II). Estatura As medidas de estatura foram padronizadas de acordo Alvarez e Pavan (1999). As crianças foram orientadas a permanecerem na posição ortostática (em pé, posição ereta, pés afastados na largura do quadril com a massa corporal dividido entre ambos mantendo os ombros descontraídos, braços soltos lateralmente e a cabeça no plano de Frankfurt), com os pés descalços e unidos. Em contato com o instrumento de medida estavam as superfícies posteriores do calcanhar, cintura pélvica, cintura escapular e a região occipital. A cabeça orientada no plano de Frankfurt (paralelo ao solo). Nesse estudo a estatura foi realizada com um estadiômetro profissional Sanny. Massa corporal O peso corporal foi avaliado de acordo com a padronização de Alvarez e Pavan (1999). O avaliado subiu na plataforma da balança colocando um pé de cada vez no centro da mesma. Nesse estudo foi utilizada uma balança da marca Tânita. Índice de Massa Corporal – IMC

(25) 27 As medidas de massa corporal e estatura foram utilizadas para os cálculos de IMC (Massa 2 Corporal(Kg)/altura(m )). Perímetro da Cintura O perímetro da cintura foi aferido duas vezes na menor circunferência do abdômen, no final de uma expiração normal, seguindo a padronização de Martins e Lopes (2003). Utilizouse a média entre as medidas. Nesse estudo foi utilizada uma trena antropométrica Cescorf. Perímetro Abdominal O perímetro abdominal seguiu a padronização de Martins e Lopes (2003). Utilizou-se a média entre as medidas. Nesse estudo foi utilizada uma trena antropométrica Cescorf. Percentual de Gordura Corporal As dobras cutâneas do tríceps e subescapular foram mensuradas utilizando um plicômetro científico da marca Cescorf com resolução de 0,1mm e pressão de 10g/mm2. As medidas coletadas foram realizadas nas dobras tricipital e subescapular seguindo a padronização de Benedetti et al. (1999). A medida de espessura da dobra cutânea tricipital (TR) foi determinada com o indivíduo mantendo os braços estendidos e relaxados. Esta espessura deve ser medida no ponto médio do braço (entre o ponto anatômico acromial e olécrano) na face posterior, com a dobra vertical e paralela ao eixo longitudinal, com o braço ao longo do corpo. Na literatura científica podem ser obtidos diferentes critérios de referência para avaliar a gordura corporal em relação à saúde. Slaughter et al (1988) apresenta equações apropriadas para crianças e adolescentes representadas no Quadro 2 a seguir:

(26) 28 Quadro 2: Equações de Slaughter et al (1988) utilizadas para o cálculo da estimativa do Percentual de Gordura Corporal(%G) Para meninos brancos cuja soma das dobras do tríceps e subescapular é < 35mm %G = 1,21(TR + SE) – 0,008 Pré-púbere (TR+SE)2- 1,7 %G = 1,21(TR + SE) – 0,008 Púbere (TR+SE)2- 3,4 %G = 1,21(TR + SE) – 0,008 Pós-púbere (TR+SE)2- 5,5 Para meninos negros cuja soma das dobras é < 35mm %G = 1,21(TR + SE) – 0,008 Pré-púbere (TR+SE)2- 3,2 %G = 1,21(TR + SE) – 0,008 Púbere (TR+SE)2- 5,2 %G = 1,21(TR + SE) – 0,008 Pós-púbere (TR+SE)2- 6,8 Para meninos brancos e negros cuja soma das dobras é ≥ 35mm %G = 0,783(TR+SE) + 1,6 Meninas brancas e negras cuja soma das dobras é ≥ 35mm % G = 0,546 (TR+SE) + 9,7 Meninas brancas e negras cuja soma das dobras é < 35mm % G = 1,33 (TR+SE) – 0,013(TR+SE)2 – 2,5 TR - Dobra Tricipital e SE - Dobra Subescapular 2.3.3 Nível de atividade física Dia típico de Atividade Física e Alimentação – DAFA O DAFA é um questionário ilustrado e estruturado desenvolvido por BARROS et al. (2003), delineado com o objetivo de obter informações sobre os hábitos de atividade física e de consumo alimentar representativos de um dia habitual numa semana típica. O instrumento foi desenvolvido para crianças de 7 a 10 anos de idade, da primeira a quarta série do ensino fundamental (Anexo II).

(27) 29 Na primeira seção (atividades físicas), há quatro tipos de medidas que podem ser derivadas das informações fornecidas pelos alunos: 1- Atitude (gosto) em relação às atividades físicas; 2- Tipo de transporte utilizado de casa para a escola; 3- Intensidade das atividades físicas e 4- Nível geral de atividades físicas (BARROS et al., 2003). O nível geral de atividade física foi determinado ao somar os escores das atividades que a criança referiu realizar na maioria dos dias da semana. Atribuiu-se três pesos distintos como forma de ponderar as atividades assinaladas pela criança: peso um para atividades de intensidade leve (devagar), peso três para atividades de intensidade moderada (rápida) e peso nove para atividades de intensidade vigorosa (muito rápida). Esta ponderação representa uma aproximação do custo metabólico das atividades nas diferentes intensidades (COSTA; ASSIS, 2011). 2.3.4 Maturação sexual A maturação sexual foi avaliada segundo critérios propostos por Tanner (1962) e adaptados por Morris e Udry (1980) para o uso de desenhos. A planilha de Tanner consiste em 5 figuras para desenvolvimento de pelos púbicos para ambos os sexos. Cada figura representa um estágio de maturação sexual, sendo o estágio 1 de desenvolvimento de órgão indicador de estado infantil (pré-púbere), estágio 2, 3, 4 (púbere) e 5 indicador de estado maduro adulto (Anexo III). Os alunos realizaram a auto-avaliação da maturação sexual em ambiente isolado, onde eles preencheram o questionário identificando os estágios em que estão, com prévia explicação do instrumento por parte do pesquisador. As explicações sugeridas por Adami (2007) envolveram as seguintes informações: “Você vai responder sobre o seu corpo”; “Essa planilha é sobre desenvolvimento dos pelos púbicos”;

(28) 30 “Possui 5 estágios”; “Você irá passar por todos os estágios, mas hoje você se encontra em um deles”; “Você irá responder sozinho. Ninguém saberá dessas informações. Por isso, você não precisa ter vergonha e nem mentir”. 2.3.5 Resistência Cardiorrespiratória O teste de resistência cardiorrespiratória faz parte do Manual de Aplicação de Medidas, Testes, Normas e Critérios de Avaliação do Projeto Esporte Brasil – PROESP-BR (GAYA, 2009). Informa-se aos alunos sobre a execução correta do teste dando ênfase ao fato de que devem correr o maior tempo possível, evitando piques de velocidade intercalados por longas caminhadas. Deve ser informado aos alunos que não parem ao longo do trajeto, que se pode caminhar eventualmente quando se sentirem cansados, mas que se trata de um teste de corrida. Também é informada a passagem do tempo aos 2, 4 e 5 minutos (“Atenção: falta 1 minuto!”). Ao encerrar o tempo de 6 minutos soa-se o apito indicando o encerramento da corrida, devendo os alunos permanecer no local até a distância percorrida ser registrada pelo avaliador. Os dados de cada aluno são anotados em fichas de avaliação conforme a identificação do aluno. Para registro da pontuação consideram-se valores abaixo dos pontos de corte como indicadores de risco à presença de níveis elevados de colesterol e pressão arterial (Zona de Risco), além da provável ocorrência de obesidade. 2.3.6 Classificação socioeconômica Para avaliar o nível socioeconômico dos participantes do estudo foi utilizado o Critério Padrão de Classificação Econômica Brasil/2013 (CPCE/2013), constituído pelo

(29) 31 questionário socioeconômico da Associação Brasileira de Empresas de Pesquisa (ABEP). Os objetivos do ABEP são: 1) Sistema de pontuação padronizado que seja um eficiente estimador da capacidade de consumo da população brasileira; 2) Discriminar grandes grupos de acordo com sua capacidade de consumo de produtos e serviços acessíveis a uma parte significativa da população; 3) Classificar os domicílios, assumindo, como pressuposto, que a classe é uma característica familiar; 4) Utilizar informações objetivas e precisas de fácil coleta e operacionalização; 5) Uniformidade geográfica e estabilidade ao longo do tempo. A ABEP é determinada a partir de um sistema de pontuação que ocorre por meio de perguntas relacionadas a quantidade de bens de consumo e nível de escolaridade, como: nº de automóveis, nº de TV, rádios, banheiros, empregadas domésticas, máquina de lavar roupa, geladeiras, freezer, DVD e nível de instrução do chefe de família. As possíveis classificações determinadas pela CPCE/2013 são: Classe A1(42 A 46 pontos), Classe A2 (35 a 41 pontos), Classe B1 (29 a 34 pontos), Classe B2 (23 a 28 pontos), Classe C1 (18 a 22 pontos), Classe C2 (14 a 17 pontos), Classe D (8 a 13 pontos) e Classe E (0 a 7 pontos). Nesse estudo as classificações foram agrupadas em classe Alta (A1, A2) Média (B1, B2) e Baixa (C1, C2, D). 2.4 PROCEDIMENTOS PARA COLETA DE DADOS Esta pesquisa foi realizada de acordo com a resolução nº 196/96 do Conselho Nacional de Saúde (CNS). Após a aprovação em seus aspectos éticos e metodológicos pelo Comitê de Ética e Pesquisa em Seres Humanos da Universidade do Estado de Santa Catarina (CEPSH/UDESC),

(30) 32 sob protocolo n° 16449913.8.0000.0118 foi dado início as coletas. O foco do estudo foi a avaliação de escolares com idades de 8 a 10 anos, e conforme as informações da direção da escola, essa faixa etária contempla as séries do 3° ao 5° ano do ensino fundamental. Foram realizados os primeiros contatos com a equipe diretiva da escola (direção e professores) e após o aceite foi dado início ao contato com os alunos. Durante as visitas às turmas foi feito o convite aos escolares da faixa etária pretendida para participação no estudo, sendo entregue aos mesmos o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido para que fossem assinados pelos pais ou responsáveis, para que autorizassem a participação das crianças. Após os recebimentos dos termos de consentimento assinados, as coletas iniciaram. Todas as avaliações foram realizadas na escola em ambientes iluminados e longe de interferências (sala de aula ampla e pátio da escola), com turno e horários combinados previamente com a direção pedagógica. Todos os avaliadores receberam capacitações anteriormente às coletas, a fim de padronizar os procedimentos. Os escolares foram orientados a vestirem roupas confortáveis e calçados adequados para a ocasião das testagens. A duração total de aplicação das avaliações durou cerca de uma hora e meia por aluno, variando conforme a habilidade dos escolares no desempenho das tarefas. A identificação dos participantes foi registrada por números, de modo a preservar os escolares e atender aos princípios éticos. O retorno das informações à escola e aos alunos (e seus responsáveis) aconteceu por meio de uma reunião individual marcada com os pais das crianças e com os professores. Foram entregues os relatórios individuais (Apêndice III) aos pais dos alunos e os relatórios gerais aos professores e coordenadores,

(31) 33 ambos descreviam os objetivos do estudo, os resultados das avaliações e sugestões. Além disso, foi entregue uma carta de agradecimento aos professores e coordenadores (Apêndice IV). 2.5 VARIÁVEIS INVESTIGADAS E CATEGORIAS DE ANÁLISE Anteriormente à explanação do tratamento estatístico utilizado no estudo, são apresentadas as variáveis investigadas no estudo com suas respectivas categorias de análise (Quadro 3). Quadro 3: Apresentação das variáveis investigadas Variável Categoria/grandeza Sociodemográficas Sexo Masculino/Feminino Idade(anos) 8-9-10 Classificação socioeconômica Alta/Média/Baixa Desempenho motor Pontuação Total do MABC Escore Risco/Dificuldade de Movimento Classificação MABC/ Sem Dificuldade de Identificação do TDC Movimento Tipo Nominal Discreta Nominal Discreta Nominal Antropométrica Massa corporal Estatura Índice de Massa Corporal Dobra Triciptal Dobra Subescapular Perímetro da Cintura Perímetro Abdominal Resistência Cardiorrespiratória Distância Total Percorrida Nível de atividade física Nível de atividade física Maturação Sexual Classificação Maturação kg m kg/m2 mm Mm Cm Cm Contínua Contínua Contínua Contínua Contínua Contínua Contínua M Contínua Escore Discreta Pré-púbere/ Púbere/Pós- Nominal

(32) 34 sexual púbere 2.6 TRATAMENTO ESTATÍSTICO Após a coleta de dados, os mesmos foram tabulados no programa Statistical Package for Social Sciences – SPSS, versão 20.0, auxiliando nas análises estatísticas. A análise descritiva foi realizada por meio de médias, valores mínimos e máximos, distribuição de frequências e desvios padrão. Para verificação das normalidades dos dados foi utilizado o teste de Kolmogorov-Smirnov. Quanto a estatística inferencial, para verificação das associações entre as variáveis categóricas (sexo/classificação motora; nível socioeconômico/classificação motora) utilizou-se o teste Qui-quadrado ou Exato de Fisher, quando necessário, com cálculo do ajuste residual ≥2. Para comparação entre 2 grupos (Risco/Dificuldade de Movimento, Sem Dificuldade de Movimento) para as variáveis numéricas foi utilizado o Teste T independente. Além disso, foi calculado o efeito d de Cohen por meio do site http://www.uccs.edu/~lbecker/. Os pontos de coorte para a Resistência Cardiorrespiratória foi determinados por meio da curva ROC (Receiver Operating Characteristic). Foi identificada a área total sob a curva ROC e o ponto de coorte com melhor sensibilidade e especificidade (ponto de corte, feito no programa MedCalc statistical software) A significância estatística adotada foi de p≤ 0,05. 3 ARTIGO 1:TRANSTORNO DO DESENVOLVIMENTO E DA COORDENAÇÃO E NÍVEL DE ATIVIDADE FÍSICA EM CRIANÇAS: UMA REVISÃO SISTEMÁTICA Artigo submetido na Revista de Terapia Ocupacional da Universidade de São Paulo.

(33) 35 Transtorno do desenvolvimento da coordenação e nível de atividade física em crianças: uma revisão sistemática Developmental Coordination Disorder and level of physical activity in children: a systematic review RESUMO Revisar de forma sistemática a literatura sobre pesquisas que abordassem o Transtorno do Desenvolvimento e da Coordenação – TDC e o nível de atividade física. A busca foi realizada nas bases de dados Pubmed, Bireme, Web of Science e Scopus, com os descritores, nas línguas portuguesa e inglesa, “atividade motora” (“motor activity”), “transtorno das habilidades motoras” (“motor skills disorders”), “transtorno do desenvolvimento da coordenação” (“Developmental coordination disorder”), “atividade física” (“physical activity”) e “crianças” (“children”). O processo de análise dos estudos envolveu a leitura de títulos, resumos e textos completos. A busca eletrônica inicial resultou em 2665 manuscritos, sendo que, 16 preencheram os critérios de inclusão na revisão. Em relação ao nível de atividade física em crianças com TDC somente sete estudos trataram desta temática, enquanto os demais a utilizaram como variável mediadora. Crianças com TDC apresentaram um menor nível de atividade física em relação aos seus pares, sendo o transtorno na infância um fator de risco para a inatividade física na adolescência. Palavras-chave: Atividade motora. Transtorno das habilidades motoras. Crianças. Educação Física. ABSTRACT To review systematically the research literature that addressed the developmental disorder and coordination and level of physical activity. A search was conducted on four databases

(34) 36 (PubMed, Bireme, Web of Science and Scopus). The following descriptors, the Portuguese and English languages were used concurrently: "motor activity", "disorder of motor skills", "developmental coordination disorder", "physical activity" and "children”. The process of analysis of the studies included the reading of titles, abstracts and full texts. The initial electronic search yielded 2665 manuscripts, of which 16 met the criteria for inclusion in the review. Regarding the level of activity in children with DCD only seven studies addressed this issue, while others used it as a mediating variable. Children with DCD showed a lower level of physical activity compared to their peers, and the disorder in childhood a risk factor for physical inactivity in adolescence Key-words: Motor activity. Motor skills disorders. Children. Physical Education 3. 1 INTRODUÇÃO O desenvolvimento motor na infância é caracterizado pela obtenção de habilidades motoras, que possibilitam a criança um domínio e locomoção do seu corpo e a manipulação de diversos instrumentos e objetos. Habilidades essas, consideradas básicas e que são requeridas para a condução de rotinas diárias tanto em casa quanto na escola além de essenciais para a aquisição de habilidades especializadas. Entretanto, para crianças que apresentam dificuldades motoras, determinadas tarefas típicas, da infância como correr, saltar, rastejar se tornam difíceis (SANTOS; DANTAS; OLIVEIRA, 2004). Ao longo dos anos diversas nomenclaturas têm sido utilizadas para definir e nomear indivíduos com dificuldade motora, dentre as quais se destacam disfunção cerebral mínima, hipercinesia, distúrbio perceptual motor, síndrome da criança desajeitada, agnosia, apraxia do desenvolvimento, dispraxia do desenvolvimento, somatodispraxia e distúrbio psicomotor

(35) 37 (MARTINI; POLATAJKO, 1998). Porém, somente em 1980 os problemas de coordenação motora na criança receberam um diagnóstico formal de Transtorno do Desenvolvimento e da Coordenação - TDC (Developmental Coordination DisorderDCD)(APA, 2003). De acordo com a Organização Mundial de Saúde o TDC é denominado de transtorno específico do desenvolvimento da função motora (OMS, 1993). Sendo diagnosticado na ausência de outros distúrbios físico/neurológicos conhecidos, como um prejuízo acentuado no desenvolvimento da coordenação motora com desempenho significativamente abaixo do esperado para a idade cronológica e nível cognitivo da criança, nas atividades diárias que requerem coordenação motora. Atualmente, estudos apontam que crianças com TDC são identificadas, geralmente a partir dos quatro anos de idade, por meio de sinais como, desajeitamento e inconsistência no desempenho de tarefas, coordenação motora pobre, problemas de ritmo e na transferência de aprendizagem, declínio no desempenho com a repetição, tensão corporal e excesso de atividade muscular na execução de tarefas motoras (SANTOS; DANTAS; OLIVEIRA, 2004; VALENTINI et al., 2012; CAIRNEY et al., 2005). As crianças com TDC podem apresentar dificuldade na realização de tarefas de autocuidado, como se vestir, usar utensílios, nas tarefas acadêmicas como a escrita e o traçado e nas atividades de lazer, pobre desenvolvimento em esportes e no uso de equipamentos de parques infantis, além de problemas nas interações sociais (MARTINI; POLATAJKO, 1998). Essas limitações físicas e dificuldades sociais e emocionais tendem a gerar um impacto negativo na vida da criança com TDC, contribuindo para a redução nos níveis de atividade física ou até mesmo a não adesão (KING et al., 2006). Ou seja, os indivíduos com dificuldade motora por se perceberem menos competentes em relação às suas

(36) 38 capacidades físicas que seus pares, tendem a serem menos ativos do que crianças com desenvolvimento típico. O que gera preocupações uma vez que baixos níveis de atividade física são considerados uma das principais causas para o aumento do risco de obesidade em crianças nas duas últimas décadas (KING et al., 2006). Diante disso, estudos têm sido desenvolvidos no intuito de explorar o nível de atividade física e o TDC em crianças. Sendo assim, ressalta-se a necessidade de uma revisão sistemática para sintetizar os dados e avaliar a qualidade das evidencias produzidas, possibilitando assim levantar parâmetros de reflexões sobre o desenvolvimento cientifico da área. Desta forma, o objetivo do presente estudo foi realizar uma revisão sistemática para levantar as pesquisas que abordassem o TDC e o nível de atividade física em crianças. 3. 2 MÉTODO A busca de artigos científicos foi realizada nas bases de dados PubMed, Bireme, Web of Science e Scopus, sem recorte de período, considerando-se artigos em inglês e português. A seleção dos descritores utilizados no processo de revisão foi efetuada mediante consulta ao DECs (Descritores em Ciências da Saúde). Os seguintes descritores, em língua portuguesa e inglesa, foram considerados: “atividade motora”, “transtorno das habilidades motoras” e “crianças”, a fim de aprofundar as buscas, além dos descritores presentes no Decs citados acima, foram incluídos “transtorno do desenvolvimento e da coordenação” e “atividade física”. Recorreu-se ao operador lógico “AND” para combinação dos descritores e termos utilizados para o rastreamento das publicações. Sendo assim, em cada base de dados pesquisada foram inseridos os seguintes descritores combinados: 1) transtorno das habilidades motoras AND atividade motora AND criança (motor skills disorders AND motor activity AND children) e Transtorno do desenvolvimento e da coordenação AND atividade física AND

(37) 39 criança (Developmental coordination disorder AND physical activity AND children). Ressaltando que somente para a base de dados Bireme foi realizada a busca com os descritores tanto na língua inglesa quanto na portuguesa. Através deste procedimento de busca, foram identificadas inicialmente, 2665 publicações potencialmente elegíveis para esta revisão. Em seguida, identificaram-se os artigos que atenderam aos seguintes critérios de inclusão: (a) amostra deveria incluir crianças com TDC; (b) estar no idioma português ou inglês (c) possuir uma medida de atividade física e TDC; (d) artigo original de pesquisa com seres humanos. Optou-se por não incluir teses, dissertações e monografias, visto que a realização de uma busca sistemática das mesmas seria inviável logisticamente. Após a primeira análise, com avaliação dos títulos, 77 artigos foram considerados elegíveis para a segunda fase, que consistiu da leitura dos resumos. Após avaliação dos resumos, os estudos que pareciam preencher os critérios de inclusão foram lidos na íntegra. Todas as etapas, foram efetuadas de forma independente por dois revisores. Ao final, 16 artigos atenderam a todos os critérios de inclusão (Figura 1).

(38) 40 Figura 1: Etapas da Revisão Sistemática Na avaliação foram observados os seguintes aspectos: ●Amostra (dimensionamento, envolvendo seleção aleatória e representatividade); ● Instrumentos utilizados para avaliar o nível de atividade física e o TDC; ● Informações sobre a validade e testagem prévia dos instrumentos; ● Definição operacional da atividade física e do TDC; ● Aspectos éticos (menção a aprovação no comitê de ética e termo de consentimento livre e esclarecido); ● Objetivos; ● Principais resultados; ● Poder de predição do desenho de pesquisa / nível de construção das evidências.

(39) 41 3. 3 RESULTADOS Na tabela 1, são apresentadas informações gerais sobre os 16 artigos incluídos. Destes, 12 foram publicados no período de 2010 a 2013 em periódicos classificados como Qualis Nacional “A” ou superior, de acordo com o qualis da área 21 do ultimo triênio – 2010/2012 (Educação Física, Fisioterapia, Terapia Ocupacional e Fonoaudiologia) da Capes. Dez estudos utilizaram delineamento de casos e controles (ENGELYEGER; KASIS, 2010; BAERG et al., 2011; CAIRNEY et al., 2012; ENGEL-YEGER; HANNA-KASIS; ROSENBLUM, 2012; FAUGHT et al., 2008; KWAN et al., 2013; OUDENAMPSEN et al., 2013; POULSEN et al., 2007; SILMAN et al., 2011; TSANG et al., 2012) e os demais apresentaram delineamento transversal (CAIRNEY et al., 2010; ZIVIANI; POULSEN; HANSEN, 2009; FAUGHT et al., 2005; GREEN et al., 2011; HARDY et al., 2012; POULSEN; JOHNSON; ZIVIANI, 2011). Tabela 1: Artigo 1 - Artigos incluídos na revisão sistemática Primeiro Autor Ano Periódico/ Qual Fonte de Indexação Número de Participantes Local Faught 2005 Journal of Adolescent Health/A2 MEDLINE 571 Canadá Poulsen 2007 The American Journal of Occupational Therapy/A1 MEDLINE 179 Austrália Faught 2008 Human Movement Science/A1 MEDLINE 502 Canadá

(40) 42 Ziviani 2009 Australian Occupational Therapy Journal/B2 Engel-Yeger 2010 Child: care, health and development/B1 MEDLINE 74 Israel Cairney 2010 Developmental Medicine & Child Neurology/A1 MEDLINE 2083 Canadá Silman 2011 Human Movement Science/A1 MEDLINE 122 Canadá Baerg 2011 Research in Developmental Disabilities/A1 MEDLINE 110 Canadá Green 2011 Research in Developmental Disabilities/A1 MEDLINE 4331 Inglaterra Poulsen 2011 Australian Occupational Therapy Journal/B2 MEDLINE 60 Austrália Cairney 2012 Research in Developmental Disabilities/A1 MEDLINE 590 Canadá MEDLINE 124 Austrália

(41) 43 Engel-Yeger 2012 Research in Developmental Disabilities/A1 MEDLINE 101 Israel Hardy 2012 PEDIATRICS/A1 MEDLINE 6917 Austrália Tsang 2012 Research in Developmental Disabilities/A1 MEDLINE 63 China Oudenampsen 2013 Pediatric Physical Therapy/B1 MEDLINE 76 Holanda Kwan 2013 Research in Developmental Disabilities/A1 MEDLINE 126 Canadá As características dos manuscritos incluídos no estudo, segundo critérios de avaliação previamente estabelecidos, estão apresentadas na tabela 2. Em seis, os procedimentos metodológicos adotados no dimensionamento e seleção da amostra estão suficientemente detalhados e dez descrevem resultados de estudos no qual não há representatividade da amostra em relação à população alvo. Quanto aos instrumentos utilizados para coletas de dados, verificou-se que apenas seis referiram a sua validação e 13 realizaram a testagem prévia dos mesmos. Em relação à definição operacional das variáveis 15 estudos informaram a categorização ou não das variáveis, sendo que sete

(42) 44 apresentaram a classificação utilizada para a atividade física e 15 para o TDC. Todos os estudos analisados (16) mencionaram todas as questões de natureza ética, de acordo com as recomendações apresentadas na resolução 196/96 do Conselho Nacional de Saúde (1-Aprovação em Comitê de Ética em Pesquisa e 2Termo de Consentimento Livre e Esclarecido). Tabela 2: Artigo 1 - Características do estudo segundo aspectos metodológicos Característica Metodológica N (%) STRA Estudos com a população-alvo inteira ou com amostra 06(37,50%) representativa Amostragem aleatória 10(62,50%) INSTRUMENTO Informações sobre testagem prévia do instrumento 06(37,50%) Informações sobre validade do instrumento 13(81,25%) Informações não mencionadas 02(12,50%) MEDIDAS Definição operacional (categorização) das variáveis 15(93,75%) incluídas Classificação de atividade física 07(43,75%) Classificação do desempenho motor 15(93,75%) ASPECTOS ÉTICOS Informações completas sobre aspectos éticos* DESENHO DE PESQUISA Descritiva Relacional 16(100,00%) Experimental * Menção de aprovação em comitê de ética, anonimato e termo de consentimento livre e esclarecido. Dentre os instrumentos utilizados para avaliar o TDC observou-se que o instrumento mais utilizado foi o MABC ou o MABC-2 (nove artigos), seguido do Bruininks–Oseretsky Test of Motor Proficiency (quatro estudos). Para o nível de atividade física não houve a predominância de um instrumento, sendo

(43) 45 que dentre os mais citados verifica-se o the Participation Questionnaire - PQ (três estudos) e o uso do acelerômetro (três estudos) (Tabela 3). De forma geral, o TDC foi categorizado (15 estudos) enquanto a atividade física foi verificada por meio de escores (nove estudos) (Tabela 3). Tabela 3: Artigo 1 - Análise dos artigos segundo os instrumentos e definição operacional das variáveis Definição operacional do NAF Definição operacional TDC Referência Instrumento NAF Instrumento TDC Faught, 2005 The Participation Questionnaire (PQ) BruininksOseretsky test of motor proficiency. Ativos Inativos com DCD sem DCD Poulsen, 2007 Registro dos pais em um diário durante 7 dias. MABC Physical activity was performed at > 2 metabolic equivalents(METs) Nonphysical activity was performed at ≤ 2 metabolic equivalents(METs) com DCD sem DCD Faught, 2008 The Participation Questionnaire (PQ) BruininksOseretsky test of motor proficiency. Escore com DCD sem DCD Ziviani, 2009 Pedômetro MABC Escore Escore Engel-Yeger, 2010 The Preference for activities of Children (PAC) MABC Escore com DCD sem DCD Questionário Bruininks– Oseretsky Test of Motor Proficiency. Escore com DCD sem DCD Cairney, 2010

(44) 46 Silman, 2011 Acelerômetro Cicloergômetro MABC-2 Escore com DCD sem DCD Escore Coordenação motora prejudicada Coordenação motora não prejudicada Baerg, 2011 Acelerômetro MABC-2 Green, 2011 Acelerômetro Teste de Reduzida Cordenação Moderada ALSPAC Vigorosa com DCD sem DCD Poulsen, 2011 Registro dos pais em um diário durante 7 dias. MABC Moderada Severa com DCD sem DCD Cairney, 2012 The Participation Questionnaire (PQ) Bruininks– Oseretsky Test of Motor Proficiency Escore com DCD sem DCD Engel-Yeger, 2012 PAQ MABC Escore Hardy, 2012 Questionário Fundamental movement skills (FMS). Cumpre as recomendações Não cumpre as recomendações Tsang, 2012 Children Assessment of Participation and Enjoyment assessment MABC-2 Escore com DCD sem DCD The Modifiable Activity Questionnaire Diagnostic and Statistical Manual of Mental Disorders, Fourth Edition [DSM-IV] Leve Vigorosa com DCD Desenvolvim ento motor típico Oudenampsen, 2013 com DCD desenvolvim ento motor típico Baixa competência motora Competência motora normal

(45) 47 Kwan, 2013 Acelerômetro MABC-2 Leve Moderada Vigorosa com DCD sem DCD Na tabela 4, são apresentados os objetivos e os principais resultados de cada estudo. De acordo com estes dados, pode-se verificar que sete manuscritos abordaram atividade física como variável principal. Enquanto os demais trataram da atividade física como variável mediadora.

(46) 48 Tabela 4: Artigo 1 - Análise dos artigos segundo o objetivo e os resultados principais Referência Objetivo Principais resultados Faught, 2005 Testar um modelo Associação positiva do TDC teórico que associa o com a gordura corporal e TDC com a aptidão negativa com a aptidão cardiorrespiratória e a cardiorrespiratória. Sendo a gordura corporal por atividade física um meio da atividade importante mediador para as física. duas associações sendo em maior grau para TDC e aptidão. Poulsen, 2007 Investigar a associação Meninos com TDC entre o TDC e a apresentaram percepção de solidão significativamente maior por meio da solidão e menores taxas de participação em participação em todas as esportes coletivos e atividades físicas em grupo. outras opções de Associação inversa entre atividade física em TDC e percepção de solidão meninos. mediada pela participação esportiva. Faught, 2008 Examinar a eficácia de Portadores de TDC uma escala de apresentaram menores classificação da escores de atividade física. capacidade e atividade O questionário proposto foi física para TDC. positivamente correlacionado com medidas de atividade física e fitness. Ziviani, 2009 Examinar a relação Associação fraca, mas entre as habilidades significativa entre fim de fundamentais de semana de atividade física e movimento e atividade habilidades de equilíbrio física. para as meninas. Correlações entre atividade física e habilidades com bola ou destreza manual não foram significativas para ambos os sexos, apresentar habilidades com bola apropriadas para a idade resultou em maiores níveis de atividade física

(47) 49 Engel-Yeger, 2010 Comparar a percepção de auto eficácia e a preferência para participar de atividades físicas de lazer de crianças com DCD e seus pares típicos. Cairney, 2010 Analisar a participação de crianças com TDC em atividades físicas organizadas e livres e seu comportamento ao longo do tempo. Silman, 2011 Determinar o papel mediador da atividade física e adequação percebida para atividade física sobre a capacidade aeróbica máxima em crianças com TDC. Baerg, 2011 Contrastar padrões de atividade física em meninos e meninas com TDC, comorbidade TDC/ TDAH e controles saudáveis usando acelerometria. para todas as crianças. Crianças com TDC demonstraram menor autoeficácia em todo e uma menor preferência para participar de atividades físicas de lazer de acordo com todas as escalas da preferência por atividades das crianças. Crianças com TDC relataram menos participação em atividades organizadas e livres do que seus pares com desenvolvimento típico, e essas diferenças persistiram ao longo do tempo. Entre os homens, a diferença entre aqueles com TDC e crianças com desenvolvimento típico diminuiu substancialmente ao longo do tempo, entre as mulheres, aumentou. Crianças com TDC tinham significativamente menor VO2 ajustado para a massa magra em comparação ao grupo controle. A adequação percebida e o nível de atividade física foram os mediadores importantes na relação entre TDC e VO2 pico. Testes de comparação identificaram significativamente menor contagem de passos entre os meninos com TDC e controles meninos com TDC/ TDAH e controles. Por outro lado, as meninas

(48) 50 Green, 2011 Poulsen, 2011 Cairney, 2012 Engel-Yeger, 2012 Hardy, 2012 Tsang, 2012 Testar a hipótese de que crianças com TDC têm um risco aumentado de redução de atividade física moderada a vigorosa. Identificar as relações entre participação, ajuste psicossocial e os fatores de desempenho do motor em meninos com TDC. Examinar se a participação no jogo ativo pode explicar as diferenças de gênero na relação entre TDC, IMC e percentual de gordura. Analisar as diferenças entre crianças com TDC, em sua preferência para participar de atividades físicas de lazer. Descrever as características demográficas e de saúde de crianças em idade escolar com TDC. Comparar a maturidade esquelética e o padrão de participação em com TDC/ TDAH apresentaram significativamente maior contagem de passos que seus pares. Meninos com TDC eram menos fisicamente ativos do que os sem TDC. Não houve diferença para as meninas Cinco grupos significativos de meninos foram identificados de acordo com a classificação do TDC. Baixa participação em atividade físicas e socias, descreveram os rapazes com maiores níveis de TDC. Entre os meninos com TDC, maior participação no jogo ativo está associada com maior IMC e percentual de gordura corporal. Para as meninas com o transtorno, a relação oposta é observada. Foram encontradas diferenças significativas entre os grupos em sua preferência na participação. TDC está fortemente associado com menor aptidão cardiorrespiratória e menores níveis de atividade física em crianças e adolescentes. As crianças com TDC apresentaram um atraso no desenvolvimento esquelético e menores níveis de

(49) 51 Oudenampsen, 2013 Kwan, 2013 atividade física entre crianças com e sem TDC, e determinar se a participação em atividade física está associada ao desenvolvimento esquelético de crianças com TDC. Explorar a participação em atividades físicas de lazer em crianças com TDC, E examinar a associação entre participação em atividade física e condicionamento aeróbico. Examinar como a teoria baseada nas cognições de atividade física influencia os comportamentos de atividade física para crianças com e sem TDC. atividade física. Sendo que escores mais altos de participação em atividades físicas intensas esteve associado com atraso no desenvolvimento esquelético. Crianças com TDC gastam muito menos tempo no geral, em atividades físicas não organizadas, e vigorosas. Aptidão aeróbia foi significativamente menor para as crianças com TDC. O TDC esteve significativamente associado com o menor nível de atividade física e mais pobres cognições de atividade física. 3. 4 DISCUSSÃO A busca de estudos, realizada de acordo com os critérios de seleção, revelou uma lacuna no conhecimento, evidenciando um tema pouco explorado pela literatura internacional e inexplorado pela nacional. Tal desfecho pode ser justificado em virtude da pouca divulgação e conhecimento sobre o transtorno. Além disso, a inexistência de instrumentos validados para a população brasileira na identificação da desordem explicam a ausência de pesquisas nacionais dentro desta temática (TONIOLO; CAPELLINI, 2010).

(50) 52 Em relação aos desenhos de pesquisa, todos os estudos selecionados foram classificados como relacionais, ou seja, que estabelecem uma associação ou relação entre duas ou mais variáveis (KOCHE, 2009). Observa-se uma carência na área do comportamento motor de pesquisas com desenhos experimentais. Essas colocações levam a contraposições entre pesquisas orientadas para o produto (performance) e estudos que enfatizam o processo (forma e função) (GALLAHUE; OZMUN; GOODWAY, 2013). Houve uma mudança no rumo do estudo do desenvolvimento motor, cujo foco passou do processo ao produto e agora percebe-se uma tentativa de voltar a valorizar o processo. Entretanto, para estudar o processo ou a real mudança do desenvolvimento motor necessita-se de pesquisas longitudinais (GALLAHUE; OZMUN; GOODWAY, 2013). O problema é que, historicamente, a maioria das investigações tem usado a abordagem transversal. Estudos transversais, apesar de simples e diretos, são capazes de descrever apenas comportamentos típicos nas idades específicas estudadas. Consequentemente, eles não são considerados pela maioria das autoridades no assunto como verdadeiros estudos do desenvolvimento. Os estudos longitudinais são mais fidedignos, pois possuem menor efeito de diferenças individuais e características que envolvem o contexto de cada sujeito, apesar de mais trabalhoso, permite dados mais fidedignos (TANI et al., 2010). Desta forma, atenta-se para a necessidade de amadurecimento da área em relação aos desenhos de pesquisa, visto que a maioria dos estudos encontrados nessa revisão são transversais. Outro ponto que merece destaque são os instrumentos para a avaliação do TDC. Dentre os mais utilizados destacaram-se o Movement Assessement Battery for Children – MABC ou o MABC2( POULSEN et al., 2007; ZIVIANI et al., 2009; ENGEL-YEGER; KASIS, 2010; SILMAN et al., 2011; BAERG, 2011; POULSEN; JOHNSON; ZIVIANI,

(51) 53 2011; ENGEL-YEGER; HANNA-KASSIS; ROSENBLUM, 2012; TSANG et al., 2012; KWAN et al., 2013) e o Bruininks– Oseretsky Test of Motor Proficiency(FAUGHT et al., 2005; FAUGHT et al., 2008; CAIRNEY et al., 2010; CAIRNEY et al., 2012). O MABC foi desenvolvido para crianças do Reino Unido por Henderson e Sugden em 1992 e consiste na bateria de testes motores e no questionário na forma de uma lista de checagem, amplamente utilizado em diversas populações (ENGEL-YEGER; KASIS, 2010). O Bruininks-Oseretsky Test of Motor Proficiency (BOMT-P) é um teste padronizado comumente usado na América do Norte sob duas formas uma longa e outra curta, sendo a primeira considerada padrão ouro para o diagnóstico do TDC (FAUGHT et al., 2005). Entretanto, vale a pena destacar que ambos os instrumentos ainda não foram validados para a população brasileira. Em relação ao nível de atividade física não se observou a predominância de um instrumento, sendo que dentre os mais citados verifica-se o the Participation Questionnaire – PQ (FAUGHT et al., 2005; FAUGHT et al., 2008; CAIRNEY et al., 2012) e o acelerômetro ( SILMAN et al., 2011; BAERG et al., 2011; GREEN et al., 2011; KWAN et al., 2013). O PQ foi desenvolvido em conjunto com pais, professores, especialistas em atividade física, crianças e adolescentes e contém 16 itens que fornecem uma estimativa de participação e de frequência no tempo livre e recreação, esportes internos, inter-escolares, equipes esportivas comunitárias e clubes (dança/ natação/ tênis/ etc.) e aulas de esporte e dança (CAIRNEY et al., 2010). Os acelerômetros por sua vez são sensores de movimentos, são capazes de medir diretamente e objetivamente a frequência, intensidade e duração dos movimentos referentes à atividade física realizada (ILHA; SILVA; PETROSKI, 2005). Em virtude, da ausência de um instrumento que forneça a avaliação de todas as características desejadas, a combinação

(52) 54 dos mesmos pode fornecer dados mais confiáveis e precisos (REIS; PETROSKI; LOPES, 2000). Apesar das divergências quanto às informações supracitadas todos os estudos identificaram que as crianças com TDC apresentaram um nível de atividade física inferior aos seus pares sem o transtorno principalmente em atividades de intensidade moderada a vigorosa (ENGEL-YEGER; KASIS, 2010; BAERG et al., 2011; CAIRNEY et al., 2012; ENGEL-YEGER; HANNA-KASIS; ROSENBLUM, 2012; FAUGHT et al., 2008; KWAN et al., 2013; OUDENAMPSEN et al., 2013; POULSEN et al., 2007; SILMAN et al., 2011; TSANG et al., 2012; CAIRNEY et al., 2010; ZIVIANI; POULSEN; HANSEN, 2009; FAUGHT et al., 2005; GREEN et al., 2011; HARDY et al., 2012; POULSEN; JOHNSON; ZIVIANI, 2011). Uma possível explicação para estes baixos níveis de participação em atividades intensas é que as crianças com TDC apresentam um déficit na força e potência muscular e por isso evitam estas atividades (POULSEN et al., 2008). Além disso, a dificuldade de envolvimento social, alta percepção de solidão e baixa satisfação com a vida tem sido associados a um menor envolvimento de crianças com dificuldade motora em atividades físicas e desta forma, podem não desfrutar de espaços disponíveis para exploração motora ou são privadas de estímulos importantes para o seu desenvolvimento o que acaba restringindo ou limitando suas habilidades (POULSEN et al., 2008). Entre os sexos, a maioria dos estudos tem apontado que em meninos com TDC são observadas maiores diferenças no nível de atividade física do que entre as meninas quando comparados com seus pares sem o transtorno. O que no geral pode ser explicado pelo baixo nível de atividade física evidenciado nas meninas sem o TDC em relação aos meninos (ZIVIANI; POULSEN; HANSEN, 2009; CAIRNEY et al., 2010; BAERG et al., 2011; GREEN et al., 2011; POULSEN; JOHNSON; ZIVIANI, 2011; CAIRNEY et al., 2012).

(53) 55 Outro aspecto importante dentro da temática explorada é a presença do transtorno como fator preditivo para a participação futura em atividades físicas. Green et al (2011) ao avaliar o desenvolvimento motor de crianças aos sete e oito anos de idade e posteriormente o nível de atividade física das mesmas aos 12 anos identificaram que a presença de TDC e a dificuldade de movimento, principalmente em habilidades com bola na infância é um fator de risco para a redução nos níveis de atividade física durante a adolescência em meninos. Além desses aspectos, nota-se um crescente interesse em identificar a importância da prática de atividade física na saúde de crianças diagnosticadas com TDC. Demonstrando de forma geral que quanto mais ativo fisicamente é o individuo maior é a sua aptidão cardiorrespiratória, bem como menor quantidade de gordura corporal e percepção de solidão. Diante disso, salienta-se a necessidade de maior atenção ao dia a dia das crianças com e sem TDC, incentivando a promoção da prática de atividade física de maneira prazerosa, a fim de que este estilo de vida ativo seja implantado no cotidiano auxiliando para a formação de uma criança saudável assim como um adolescente fisicamente ativo (FAUGHT et al., 2005; POULSEN et al., 2007; SILMAN et al., 2011). 3. 5 CONCLUSÕES A partir dos resultados encontrados neste estudo, conclui-se a inexistência de publicações nacionais que enfocam o nível de atividade física em crianças com TDC. Enquanto as internacionais vêm aumentando de forma progressiva nos últimos anos. No entanto desenhos de pesquisas mais sofisticados ainda são raros, sendo que a solução para esses problemas só virá com o próprio amadurecimento da área como um todo, mediante amplas reflexões acerca da sua base epistemológica.

(54) 56 De forma geral, os estudos apontam para um menor nível de atividade física em crianças com TDC em comparação aos seus pares sem o transtorno principalmente para o sexo masculino. Sendo que a presença de TDC na infância é um fator de risco para baixos níveis de atividade física na adolescência. Além disso, a atividade física esteve associada a uma menor aptidão cardiorrespiratória e maior quantidade de gordura corporal. A partir dessa e revisão pode-se perceber a necessidade de se aprimorar os designs de pesquisa relacionais que caracterizam a área. Assim como o desenvolvimento de estudos de intervenção que testem soluções para melhorar o desempenho motor. 3. 6 REFERÊNCIAS AMERICAN PSYCHIATRIC ASSOCIATION - APA. Manual diagnóstico e estatístico de transtornos mentais. DSM-IV. Tradução Cláudia Dornelles. 4a ed. Porto Alegre: Artmed; 2003. BAERG, S. et al. Evaluating physical activity using accelerometry in children at risk of developmental coordination disorder in the presence of attention deficit hyperactivity disorder. Research in Developmental Disabilities, v. 32, n. 4, p. 1343-50, 2011. doi: 10.1016/j.ridd.2011.02.009. CAIRNEY, J. et al. Developmental Coordination Disorder, SelfEfficacy Toward Physical Activity, and Play: Does Gender Matter? Adapted physical activity quarterly. v. 22, n.1, p. 67-82, 2005. Disponível em: < http://epe.sagepub.com/content/13/1/81.refs>. CAIRNEY, J. et al. Developmental coordination disorder, sex, and activity deficit over time: a longitudinal analysis of participation trajectories in children with and without coordination difficulties. Developmental Medicine & Child Neurology, v. 52, n. 3, p. 67-72, 2010. doi: 10.1111/j.1469-8749.2009.03520.x.

(55) 57 CAIRNEY J, et al. Developmental Coordination Disorder, gender, and body weight: Examining the impact of participation in active play. Research in Developmental Disabilities. v. 33, n. 5, p.1566-73, 2012. doi: 10.1016/j.ridd.2012.02.026. ENGEL-YEGER, B; KASIS, H. A. The relationship between Developmental Co-ordination Disorders, child’s perceived self-efficacy and preference to participate in daily activities. Child: Care, Health and Development, v. 36, n. 5, p. 670-77, 2010. doi: 10.1111/j.13652214.2010.01073.x. ENGEL-YEGER, B; HANNA-KASSIS, A; ROSENBLUM, S. Can gymnastic teacher predict leisure activity preference among children with developmental coordination disorders (DCD)? Research in Developmental Disabilities, v. 33, n. 4, p.1006-13, 2012. doi: 10.1016/j.ridd.2012.01.005. FAUGHT, B. E. et al. Increased risk for coronary vascular disease in children with developmental coordination disorder. Journal of Adolescent Health, v. 37, n. 5, p. 376-80, 2005. Disponível em: < http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/16227122> FAUGHT, Be. et al. Screening for motor coordination challenges in children using teacher ratings of physical ability and activity. Human Movement Science, v. 27, n. 2, p. 177-189, 2008. doi: 10.1016/j.humov.2008.02.001. GALLAHUE, D. L; OZMUN, J. C; GOODWAY, D. J. Compreendendo o desenvolvimento motor: bebês, crianças, adolescentes e adultos. 7 ed. São Paulo: Artmed; 2013. pag 25 – 27. GREEN, D. et al. The risk of reduced physical activity in children with probable Developmental Coordination Disorder: A prospective longitudinal study. Research in Developmental Disabilities, v. 32, n. 4, p. 1332-42, 2011. doi: 10.1016/j.ridd.2011.01.040. HARDY, L. L. et al. Prevalence and Correlates of Low Fundamental Movement Skill Competency in children. Pediatrics, v. 130, n. 2, p. 390-98, 2012. doi: 10.1542/peds.2012-0345

(56) 58 HENDERSON, S. E; SUGDEN, D. A. The Movement Assessment Battery for Children. London: The Psychological Corporation; 1992. ILHA, P. M. V; SILVA, R. C. R; PETROSKI, E. L. Validade do acelerômetro Tri-Axial Tritrac: Um estudo de revisão. Revista Brasileira de Cineantropometria e Desesempenho Humano, v. 7, n. 1, p. 75-81, 2005. Disponível em: < file:///C:/Users/Elisa/Downloads/artigo10_validadedoacelerometrotriaxu ial2005_1%20(1).pdf> KING, G. et al. Measuring children’s participation in recreation and leisure activities: construct validation of the CAPE and PAC. Child: Care, Health and Development, v. 33, n. 1, p. 28-39, 2006. Disponível em: http://onlinelibrary.wiley.com/doi/10.1111/j.13652214.2006.00613.x/abstract;jsessionid=C53C4B12365E68F76A1415D1 5966EDC7.f03t04 KÖCHE, J. C. Fundamentos de metodologia científica: teoria da ciência e iniciação à pesquisa. Petrópolis: Vozes; 2009. KWAN, M. Y. W. et al. Understanding physical activity and motivations for children with Developmental Coordination Disorder: An investigation using the Theory of Planned Behavior. Research in Developmental Disabilities, v. 34, n. 11, p. 3691-98, 2013. Disponível em: http://www.sciencedirect.com/science/article/pii/S0891422213003624 MANOEL, E. J. Desenvolvimento Motor: Padrões Em Mudança, Complexidade Crescente. Revista paulista de Educação Física, v. 14, n. 3, p.35-54, 2000. Disponível em: < http://citrus.uspnet.usp.br/eef/uploads/arquivo/v14%20supl3%20artigo5. pdf> MARTINI, R. H; POLATAJKO, H. J. Verbal self-guidance as a treatment approach for children with developmental coordination disorder: a systematic replication study. Occupational Therapy Journal of Research, v. 18, n. 4. p. 157-181, 1998. Disponível em: http://cirrie.buffalo.edu/database/4663/

(57) 59 ORGANIZAÇÃO MUNDIAL DE SAÚDE – OMS. Classificação dos transtornos mentais e de comportamento da CID-10: descrições clínicas e diretrizes diagnósticas. Porto Alegre: Artes Médicas; 1993. OUDENAMPSEN, C. et al. Relationship Between Participation in Leisure Time Physical Activities and Aerobic Fitness in Children With DCD. Pediatric Physical Therapy, v. 25, n. 4, p.422-429, 2013. doi: 10.1097/PEP.0b013e3182a6b6ea. POULSEN, A. A. et al. Boys With Developmental Coordination Disorder: Loneliness and Team Sports Participation. The American Journal of Occupational Therapy, v. 61, n. 4, p. 451-462, 2007. Disponível em: http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/17685178 POULSEN, A. A. et al. Loneliness and life satisfaction of boys with developmental coordination disorder: The impact of leisure participation and perceived freedom in leisure. Human Movement Science, v. 27, n. 2, p. 325-43, 2008. doi: 10.1016/j.humov.2008.02.004. POULSEN, A. A; JOHNSON, H; ZIVIANI, J. M. Participation, selfconcept and motor performance of boys with developmental coordination disorder: A classification and regression tree analysis approach. Australian Occupational Therapy Journal , v. 58, n. 2, p. 95-102, 2011. doi: 10.1111/j.1440-1630.2010.00880.x. REIS, R. S; PETROSKI, E. D; LOPES, A. S. Medidas da Atividade Física: Revisão de Métodos. Revista Brasileira de Cineantropometria e Desesempenho Humano, v. 2, n.1, p. 89-96, 2000. Disponível em: . SANTOS, S; DANTAS, L; OLIVEIRA, J. A. Desenvolvimento motor de crianças, de idosos e de pessoas com transtornos da coordenação. Revista Paulista de Educação Física. São Paulo, v. 18, n. 1, p. 33-44, 2004. Disponível em: . SILMAN, A. et al. Role of physical activity and perceived adequacy on peak aerobic power in children with developmental coordination

(58) 60 disorder. Human Movement Science, v. 30, n. 3, p. 672-81, 2011. doi: 10.1016/j.humov.2010.08.005. TANI, G. et al. Pesquisa na área de comportamento motor: Modelos teóricos, métodos de investigação, instrumentos de análise, desafios, tendências e perspectivas. Revista de Educação Física/UEM, v. 21, n. 3, p. 329-380, 2010. doi: 10.4025/reveducfis.v21i3.9254. TONIOLO, C. S; CAPELLINI, S. A. Transtorno do desenvolvimento da coordenação: revisão de literatura sobre os instrumentos de avaliação. Revista Psicopedagogia, v. 27, n. 82, p. 109-16, 2010. Disponível em: TSANG, W. W. N. et al. Activity participation intensity is associated with skeletal development in pre-pubertal children with developmental coordination disorder. Research in Developmental Disabilities, v. 33, n. 6, p.1898-1904, 2012. Disponível em: < http://www.sciencedirect.com/science/article/pii/S089142221200131X> VALENTINI, N. C. et al. Prevalência de déficits motores e desordem coordenativa desenvolvimental em crianças da região Sul do Brasil. Revista Paulista de Pediatria. São Paulo, v. 30, n. 3, p. 77-384, 2012. Disponível em: dx.doi.org/10.1590/S0103-05822012000300011. ZIVIANI, J; POULSEN, A; HANSEN, C. Movement skills proficiency and physical activity: A case for Engaging and Coaching for Health (EACH)–Child. Australian Occupational Therapy Journal, v. 56, n. 4, p. 259-65, 2009. doi: 10.1111/j.1440-1630.2008.00758.x.

(59) 61 4 ARTIGO 2: INDICADORES DE SAÚDE EM ESCOLARES COM TRANSTORNO DO DESENVOLVIMENTO DA COORDENAÇÃO – TDC Resumo: Este estudo objetivou investigar os indicadores de saúde de crianças com Transtorno do Desenvolvimento da Coordenação – TDC. Participaram do estudo 83 crianças com idades de 8 a 10 anos, matriculadas em escolas particulares do Município de São José-SC. Para avaliar o desempenho motor das crianças, foi utilizada a Movement Assessment Battery for Children Second Edition - MABC-2; o status do peso foi avaliado por meio de um estadiômetro Sanny, balança Tânita, plicômetro e trena antropométrica Cescorf. O nível de atividade física foi avaliado por meio do questionário Dia Típico de Atividades Físicas e Alimentação – DAFA, a resistência cardiorrespiratória foi feita por meio do teste de 6 minutos, o qual faz parte da bateria do PROESP(2009). Após a coleta de dados, os mesmos foram tabulados no programa Statistical Package for Social Sciences - SPSS, auxiliando nas análises estatísticas descritivas (médias, desvio padrão, frequências) e inferenciais (Teste Qui-quadrado, Exato de Fisher, Teste T independente, curva ROC - Receiver Operating Characteristic). A significância estatística adotada foi de p≤ 0,05. Observou-se que as crianças com Risco/Dificuldade de Movimento apresentam maiores médias de IMC e menor resistência cardiorrespiratória quando comparadas as crianças com Desempenho Motor Normal. Estes achados estão em conformidade com a literatura internacional que reporta a existência de diferenças significativas entre os grupos nestas avaliações. Os resultados também contribuem com os estudos nacionais, tendo em vista a existência de poucas pesquisas comparando as avaliações de saúde em crianças com e sem TDC.

(60) 62 Palavras-chave: Transtorno do Desenvolvimento da Coordenação. Status do Peso. Nível de Atividade Física. Crianças. Abstract: This study aimed to investigate health indicators of children with and without Developmental Coordination Disorder - DCD. The study included 83 children aged 8-10 years enrolled in private schools in São José-SC. To assess the children's motor performance, we used the Movement Assessment Battery for Children Second Edition - MABC-2; weight status was assessed using a stadiometer Sanny, Tanita scale, plicometer and anthropometric tape Cescorf. The level of physical activity was assessed by questionnaire Typical Day of Eating and Physical Activities - DAFA, cardiorespiratory endurance was taken through the 6-minute walk test, which is part of the battery PROESP (2009). After data collection, they were tabulated using the Statistical Package for Social Sciences software - SPSS, assisting in the descriptive statistical analysis (mean, standard deviation, frequency) and inferential (Chisquare test, Fisher's exact test, T independent test, ROC curve - Receiver Operating Characteristic). The statistical significance was set at p ≤ 0.05. It was observed that children with motor difficulties have higher mean Body Mass Index BMI and lower cardiorespiratory endurance when compared to children without the disorder. These findings are in accordance with international literature that reports the existence of significant differences between groups in these reviews. The results also contribute to national studies, in view of the existence of few studies comparing the health assessments in children with and without DCD. Keywords: Developmental Coordination Disorder. Weight Status. Physical Activity Level. Children

(61) 63 4. 1 INTRODUÇÃO As investigações em desenvolvimento motor são relevantes por permitirem o conhecimento de como a maioria das pessoas se desenvolvem em relação ao seu movimento, permitindo diagnósticos e intervenções nos casos em que este movimento apresenta características atípicas (PAYNE; ISAACS, 2007). Nesse contexto, um fenômeno é conhecido entre os estudiosos desenvolvimentistas denominado Transtorno do Desenvolvimento da Coordenação – TDC. O TDC afeta o desenvolvimento global do indivíduo. De acordo com Associação Americana de Psiquiatria (APA), a desordem é caracterizada por um prejuízo no desenvolvimento da coordenação motora com diagnóstico sendo feito somente se este prejuízo interferir significativamente nas atividades acadêmicas e de vida diária (FERREIRA et al., 2006). As crianças com dificuldade motora apresentam prejuízos no desempenho funcional por não serem proficientes no desempenho de tarefas cotidianas como atividades de cuidado pessoal e escolares, nas quais demonstram resultados abaixo da média para a sua faixa etária (WANG; MONTEIRO; POPKIN, 2002). São também caracterizadas como “desajeitadas”, apresentam coordenação motora pobre, problemas de ritmo, dificuldades em tarefas de esporte, lazer e interação social (GIBBS; APPLETON; APPLETON, 2007; VALLE; CAPELLINI, 2009). Estudos mostram que crianças com dificuldade motora participam menos em atividades vigorosas como correr e saltar, ainda tem menor participação em atividades organizadas como jogos com regras, o que contribui para uma baixa aptidão física, resultando em maiores riscos para sobrepeso/obesidade (TSIOTRA et al., 2006; HANDS; LARKIN, 2006; HAGA, 2008; CAIRNEY et al., 2010; WU et al., 2010; ZHU; WU; CAIRNEY, 2011). Estudos internacionais realizados em Taiwan, Canadá, Holanda, mostram que crianças com o transtorno são mais propensas a

(62) 64 terem excesso de peso quando comparadas com crianças sem dificuldade motora (ZHU et al., 2014; CAIRNEY et al., 2010; HENDRIX; PRINS; DEKKERS, 2014). No Brasil poucos estudos foram encontrados fazendo essas relações, fato justificado pela baixa disseminação do termo no país (MIRANDA; BELTRAME; CARDOSO, 2011; MARRAMARCO et al., 2012). Diante da necessidade de aliar às avaliações motoras também avaliações físicas, para predizer as condições de saúde dos escolares, e visto que existem poucos estudos nacionais que abordam a temática, este estudo objetivou investigar os indicadores de saúde em escolares com Transtorno do Desenvolvimento da Coordenação – TDC. 4. 2 MÉTODO 4.2.1 Caracterização do Estudo Esta pesquisa caracteriza-se como quantitativa com delineamento transversal, pois objetiva observar, registrar e associar fenômenos investigados (GIL, 2010). 4. 2. 2 Participantes do Estudo Participaram do estudo 83 escolares de ambos os sexos, com idades de 8 a 10 anos, de duas escolas particulares localizadas no Município de São José/SC. Os escolares nessa faixa etária contemplavam as séries do 3° ao 5° ano do ensino fundamental, nos períodos matutino e vespertino. A escolha das instituições foi feita de forma intencional devido à facilidade de acesso dos pesquisadores. A seleção dos participantes foi não probabilística, conforme a disponibilidade dos alunos para participação na pesquisa. Os critérios de

(63) 65 inclusão considerados foram: Intenção dos escolares para participação voluntária no estudo; faixa etária estabelecida (8 a 10 anos); apresentação da autorização dos pais ou responsáveis por meio da assinatura do Termo de Consentimento Livre e Esclarecido; ausência de problemas físicos nos membros inferiores ou superiores e deficiências mentais (indicados pelos professores regentes e professores de Educação Física). 4. 2. 3 Instrumentos Para avaliação motora, utilizou-se a Movement Assessement Battery for Children –MABC-2 abrangendo a faixa etária entre 3 e 16 anos. Trata-se de um teste motor com três conjuntos de tarefas (Destreza Manual, Lançar e Receber e Equilíbrio), apropriadas para as faixas etárias específicas: Faixa um (3 a 6 anos); Faixa dois (7 a 10 anos) e Faixa três (11 a 16 anos). Para cada faixa etária são estabelecidas tarefas diferenciadas, de acordo com os níveis diferentes de complexidade. Neste estudo, especificamente, foi utilizada a faixa etária dois (7 a 10 anos). Os resultados da avaliação são calculados pelos valores do MABC-2 Total, comparados na tabela de percentis, presentes no protocolo do teste. As crianças cuja pontuação total for abaixo do 5º percentil, devem ser consideradas com um indicativo de dificuldade motora; valores entre o 5º e o 15º percentil, indicam que a criança tem um grau de dificuldade motora (risco de dificuldade motora) e valores acima do 15º percentil indicam um desenvolvimento motor normal. Nesse estudo as classificações foram agrupadas em Risco/Dificuldade de Movimento e Sem Dificuldade de Movimento. As medidas de massa corporal e estatura, utilizadas para o cálculo do Índice de Massa Corporal (IMC= Kg/m2) foram padronizadas de acordo Alvarez e Pavan (1999). As medidas de massa corporal foram realizadas por meio de uma balança

(64) 66 marca Tânita e a estatura corporal foi medida por meio de um estadiômetro marca Sanny. O perímetro da cintura, bem como o abdominal foram aferidas seguindo a padronização de Martins e Lopes (2003). As dobras cutâneas foram avaliadas por um compasso Cescorf. As avaliações foram realizadas nas dobras tricipital e subescapular seguindo a padronização de Benedetti et al. (1999). Para o cálculo do Percentual de Gordura Corporal foram utilizadas as equações de Slaughter et al. (1988) apropriadas para crianças e adolescentes. O teste de resistência cardiorrespiratória faz parte do Manual de Aplicação de Medidas, Testes, Normas e Critérios de Avaliação do Projeto Esporte Brasil – PROESP-BR (GAYA, 2009). O nível de atividade física foi avaliado por meio do questionário Dia Típico de Atividades Físicas e Alimentação – DAFA (BARROS et al., 2007). 4. 2. 4 Procedimento de Coleta de Dados Esta pesquisa foi realizada de acordo com a resolução nº 196/96 do Conselho Nacional de Saúde (CNS). Após a aprovação em seus aspectos éticos e metodológicos pelo Comitê de Ética e Pesquisa em Seres Humanos da Universidade do Estado de Santa Catarina (CEPSH/UDESC), sob protocolo n° 16449913.8.0000.0118 foi dado início as coletas. O foco do estudo foi a avaliação de escolares com idades de 8 a 10 anos, e conforme as informações da direção da escola, essa faixa etária contempla as séries do 3° ao 5° ano do ensino fundamental. Durante as visitas às turmas foi feito o convite aos escolares da faixa etária pretendida para participação no estudo, sendo entregue aos mesmos o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido para que fossem assinados pelos pais ou responsáveis, para que autorizassem a participação das

(65) 67 crianças. Após os recebimentos dos termos de consentimento assinados, as coletas iniciaram. Todas as avaliações foram realizadas na escola em ambientes iluminados e longe de interferências (sala de aula ampla e pátio da escola), com turno e horários combinados previamente com a direção pedagógica. Todos os avaliadores receberam capacitações anteriormente às coletas, a fim de padronizar os procedimentos. A duração total de aplicação das avaliações durou cerca de uma hora e meia por aluno, variando conforme a habilidade dos escolares no desempenho das tarefas. A identificação dos participantes foi registrada por números, de modo a preservar os escolares e atender aos princípios éticos. O retorno das informações à escola e aos alunos (e seus responsáveis) aconteceu por meio de relatórios individuais e gerais, nos quais foram descritos os objetivos do estudo, os resultados das avaliações e sugestões. 4. 2. 5 Análise Estatística Após a coleta de dados, os mesmos foram tabulados no programa Statistical Package for Social Sciences – SPSS, versão 20.0, auxiliando nas análises estatísticas. A análise descritiva foi realizada por meio de médias, mínimos, máximos, frequências e desvios padrão. Para verificação das normalidades dos testes foi utilizado o teste de KolmogorovSmirnov, para amostras com n>50. Quanto a estatística inferencial, para verificação das associações entre as variáveis categóricas (sexo/classificação motora; nível socioeconômico/classificação motora) utilizou-se o teste Qui-quadrado ou Exato de Fisher, quando necessário, com cálculo do ajuste residual ≥2. Para comparação entre 2 grupos (Risco/Dificuldade de Movimento, Sem Dificuldade de Movimento) para as variáveis numéricas foi utilizado o Teste T

(66) 68 (paramétrico). Além disso, foi calculado o efeito d de Cohen. A significância estatística adotada foi de p≤ 0,05. Os pontos de coorte para a Resistência Cardiorrespiratória foi determinados por meio da curva ROC (Receiver Operating Characteristic). Foi identificada a área total sob a curva ROC e o ponto de coorte com melhor sensibilidade e especificidade. 4.3 RESULTADOS Participaram do estudo 83 crianças com média de idade de 8,92 anos (dp= 0,74). Quanto às características sociodemográficas, 49,4% são do sexo masculino e 50,6% do sexo feminino. Em relação ao nível socioeconômico 81,9% dos participantes são da classe média e 18,1% são da classe alta. A prevalência de dificuldade motora e risco para dificuldade motora foi de 9,8% e 20,7% respectivamente e sem dificuldade de movimento foi 69,5%. Para as análises estatísticas as classificações motoras foram agrupadas em Risco/Dificuldade de Movimento e Sem Dificuldade de Movimento. Ao associar o sexo com as classificações motoras observou-se que os meninos (41,5%) apresentaram uma maior tendência a ter dificuldade motora (X2= 4,66; p=0,03). Em relação às avaliações de saúde a Tabela 1 mostra a comparação das médias em relação à classificação motora. Os resultados mostram que a diferença de médias foi significativa para o IMC (t(78)=2,00; p=0,04); sendo que as crianças com Risco/Dificuldade de Movimento tem (20,21 kg/m2) maior IMC do que aquelas Sem Dificuldade de Movimento (18,51 kg/m2). Conforme o d de Cohen (0, 44) existe um médio efeito do Risco/Dificuldade de Movimento sobre o IMC. Diferenças significativas foram encontradas também para a Resistência Cardiorrespiratória (t(77)=2,22; p=0,02); sendo que os participantes sem dificuldade de movimento tem (719,15m) maior Resistência Cardiorrespiratória do que os

(67) 69 participantes com dificuldade/risco de movimento (673,19m). (Tabela 5). Tabela 5 - Artigo 2: Comparação das médias nas avaliações de saúde conforme a classificação no desempenho motor em crianças (n=83) Sem Com Risco/ Variáveis de Dificuldade Dificuldade de d de T P Saúde de Movimento Cohen Movimento Média(dp) Média(dp) Índice de Massa Corporal – IMC (kg/m2) 18,51(2,84) 20,21(4,62) 2,01 0,04* Somatório das Dobras (SE+TR) Perímetro da Cintura (m) 25,66(10,57) 27,63(10,23) 0,75 0,45 62,16(7,10) 64,00(7,91) 1,00 0,31 Perímetro Abdominal 67,41(8,70) 69,95(9,96) 1,12 0,26 719,15(86,25 ) 673,19(71,88) 0,44 (m) Resistência Cardiorrespi ratória (m) 2,22 0,02* 0,57 Nível 28,88(13,04) 28,40(10,49) 0,16 0,87 Atividade Física SE= dobra cutânea subescapular, TR= dobra cutânea triciptal, dp= desvio padrão, t = valor do Teste T, *nível de significância p≤0,05. Com relação ao IMC e a presença da dificuldade motora (Tabela 2), a área sob a curva ROC foi de 0,620, sendo que esse resultado não foi significativo (p=0,08). Com relação a Resistência Cardiorrespiratória e a presença de dificuldade

(68) 70 motora (Tabela 6), nota-se que a área sob a curva ROC foi de 0,327. O ponto de corte de 654,5m ou menos apresenta o equilíbrio mais adequado entre a sensibilidade e a especificidade. Neste ponto de corte, o poder da Resistência Cardiorrespiratória para classificar corretamente crianças com dificuldade motora é de 47,8% (sensibilidade), enquanto que o poder dessa mesma aptidão física para classificar corretamente os escolares sem dificuldade motora é de 82,1% (especificidade) (Figura 2).

(69) 71 Tabela 6: Artigo 2 - Área sobre a curva ROC, nível de significância (p), pontos de corte, sensibilidade e especificidade do IMC e Resistência Cardiorrespiratória associada à presença da dificuldade motora em escolares (n= 83). Variáveis Risco/Dificuld ade de Movimento IMC kg/m2 Risco/Dificuld ade de Movimento Área curva ROC IC 95% Área curva ROC P 0,620 0,477 – 0,763 0,08 0,327 0,197– 0,457 0,01 * Ponto de Corte Sensibilidade Especific idade <=654,5 47,8 82,1 Resistência Cardiorrespira tória m IC= p= nível de significância.* p ≤ 0,05; Figura 2: Artigo 2 - Curva ROC da Resistência Cardiorrespiratória para discriminar a ocorrência da dificuldade motora

(70) 72 4.4 DISCUSSÃO Embora, haja limitações nesse estudo (número de indivíduos), observaram-se resultados significativos entre o TDC e as variáveis investigadas. Ao avaliar o desempenho motor dos escolares, verificou-se que os meninos apresentaram uma tendência a ter dificuldade motora. Dados da Organização Mundial de Saúde (OMS) indicam que este transtorno ocorre com maior frequência em meninos – proporção de 4 ou 5 meninos para cada menina. Miranda et al (2011) avaliaram 380 escolares com idades de 7 a 10 anos em Florianópolis/SC e o sexo masculino apresentou maior número de casos de TDC do que o sexo feminino, mostrando uma relação de quase 4:1. Green et al (2011), avaliaram 4.331 crianças inglesas, os quais identificaram 173 delas com provável TDC, sendo 60,6% meninos e 40,4% meninas. Ellinoudis et al. (2009) encontraram 59 crianças gregas com TDC, das 330 avaliadas, sendo 52% meninos. Teixeira et al. (2010) obtiveram prevalência significativa de meninos com TDC em escolas públicas, sendo que para as escolas privadas as meninas apresentaram maior

(71) 73 prevalência, mas sem associação significativa. De acordo com Toniolo e Capellini (2010) na faixa etária entre 6 e 13 anos há uma maior proporção de meninos identificados com TDC. De acordo com Gibbs, Appleton e Appleton (2007), os meninos apresentam quatro vezes mais chance de apresentar o transtorno em relação às meninas, assim como crianças prematuras ou com baixo peso ao nascer têm risco aumentado de apresentar TDC, contudo este estudo limitou-se à avaliação motora, de modo que os aspectos perinatais não foram investigados. Segundo Cairney et al. (2005) estas proporções superiores de meninos identificados com TDC em relação às meninas na infância e início da adolescência podem estar relacionados com a presença de sobrepeso e obesidade. Alguns fatores que podem implicar nas frequências distintas de meninos ou meninas com TDC são as dificuldades apresentadas por eles nas atividades que exigem coordenação motora fina (tarefas de destreza manual - meninos) e habilidades com bola (meninas) que poderiam interferir no resultado total das avaliações motoras e reduzir os escores totais do teste. Ainda, o contexto cultural no qual a criança está inserida influencia seu desempenho, bem como as oportunidades de experiências motoras, já que os meninos, culturalmente, são incentivados a praticar atividades mais vigorosas e que exijam coordenação ampla, não sendo tão desenvolvidas as habilidades finas, enquanto que as meninas optam por atividades mais calmas como brincar com bonecas, desenhar, entre outras (PELLEGRINI et al., 2008; COUTINHO; SPESSATO; VALENTINI, 2011). Em relação ao IMC, as crianças com risco e dificuldade motora apresentaram maiores médias do IMC quando comparadas as crianças sem dificuldade. Esses resultados vão ao encontro de estudos internacionais que apontam índices elevados de sobrepeso para crianças com TDC (ZHU et al., 2014; CAIRNEY et al., 2010; HENDRIX;PRINS; DEKKERS, 2014; RIVILLIS et al., 2011). Em Taiwan 2.057 crianças de 9

(72) 74 a 12 anos de idade foram avaliadas com o MABC-2, os participantes do estudo com TDC foram significativamente mais propensos a serem obesos quando comparados com crianças sem TDC (ZHU et al., 2014). No Canadá, um estudo longitudinal acompanhou por dois anos 2.278 crianças, sendo que 111 tinham o TDC. Essas crianças apresentaram maior média de IMC e perímetro da cintura no início do estudo do que aquelas sem dificuldade motora, essas diferenças persistiram ou aumentaram ligeiramente ao longo do tempo. Crianças com TDC apresentam maior risco de sobrepeso e obesidade ao longo de o estudo (CAIRNEY et al., 2010). Na Holanda, um estudo de revisão sistemática realizado em 6 bases de dados, concluiu que as crianças com TDC apresentaram maiores escores do IMC, perímetro da cintura e porcentagem de gordura corporal em comparação com os escolares sem o transtorno (HENDRIX; PRINS; DEKKERS, 2014). No Canadá, outro estudo de revisão sistemática encontrou 18 manuscritos que avaliaram a composição corporal e verificaram os efeitos do mesmo na proficiência motora e 13 deles evidenciaram que a coordenação motora pobre leva a um aumento do IMC, peso corporal e percentual de gordura relativa (RIVILLIS et al., 2011). Em relação aos estudos nacionais, em Florianópolis/SC foram avaliadas 380 escolares de 7 a 10 anos e não houve associação entre o status do peso corporal e o Transtorno (MIRANDA; BELTRAME; CARDOSO, 2011). Em Farroupilha/RS, 287 crianças de 5 a 10 anos foram avaliadas, sendo que as crianças obesas e com desnutrição apresentaram índices maiores de desenvolvimento motor pobre (MARRAMARCO et al., 2012). Quanto aos aspectos que contribuem para estas diferenças, Rivillis et al. (2011) pontuam a reduzida participação de crianças com TDC em atividades físicas livres ou planejadas, a baixa percepção de competência e autoestima que acentua a hipoatividade e leva à diminuição da energia consumida e aumento da gordura corporal. Os autores também

(73) 75 observaram evidências de que mesmo que a relação entre os baixos níveis de atividade física e aumento da massa corporal também ocorra em crianças com desenvolvimento típico, elas são bem mais acentuadas em crianças com déficits na coordenação motora. Diante dessas informações, observa-se a necessidade de inclusão de atividade física regular para prevenir a obesidade na população estudada. Em relação à resistência cardiorrespiratória as crianças com risco e dificuldade motora apresentaram menor resistência do que as crianças sem dificuldade motora. De modo que crianças com resistência cardiorrespiratória menor que 654 estão mais propensas para desenvolverem Risco/Dificuldade de Movimento. Resultados semelhantes foram encontrados na África do Sul, em que 140 crianças foram avaliadas, sendo 70 com TDC, os testes de aptidão física mostraram que as crianças com dificuldade motora apresentaram capacidade aeróbica menor (FERGUSON et al., 2014). Pesquisadores da Holanda avaliaram 76 crianças com idades de 7 a 12 anos, sendo 38 participantes com TDC, os resultados apontaram que a capacidade aeróbica foi significativamente menor para as crianças com dificuldade motora, os autores enfatizam que atividades físicas adequadas devem ser incentivadas em crianças com dificuldade motora (OUDENAMPSEN et al, 2013). Van-Der et al (2012) investigaram 38 crianças holandesas com TDC, sendo que significativamente valores menores de aptidão cardiorrespiratória (6,7% menor aptidão cardiorrespiratória máxima) foram encontrados em crianças com TDC. Já no estudo de Haga (2008) avaliou a aptidão física relacionada à saúde em crianças com e sem dificuldades motoras com idades entre 9 e 10 anos, evidenciando diferenças significativas entre os grupos em todas as 9 tarefas do Physical Best, com pior performance sendo apresentada pelo grupo com dificuldades motoras. Diferentemente dos resultados encontrados no presente estudo, uma investigação realizada em Manaus, 180 crianças com idades entre 6 e 10 anos foram

(74) 76 avaliadas, no entanto, ao analisar os resultados de cada componente (força, resistência muscular, flexibilidade e resistência cardiorrespiratória) de acordo com os critérios do Fitnessgram, observou-se que, independentemente do grupo de classificação, menos da metade das crianças alcançaram pontuações que, de acordo com os testes motores, seria classificá-los como tendo uma saudável aptidão. Crianças com o TDC e sem o Transtorno apresentaram níveis semelhantes de aptidão física relacionada à saúde (NASCIMENTO et al., 2013). Já em São Paulo, foram avaliados escolares de 7 a 9 anos com desenvolvimento motor típico e risco/TDC, evidenciando diferença estatisticamente significativa entre os grupos no teste de força/resistência abdominal, com pior desempenho apresentado pelo grupo com o transtorno. Já nas avaliações de flexibilidade e resistência cardiorrespiratória não ocorreram diferenças significativas, contudo foram observadas médias inferiores do grupo com TDC/risco nestas avaliações, indicando desempenho inferior. Estas diferenças entre os estudos podem ser justificadas em virtude de aspectos metodológicos, como população investigada, instrumentos, entre outros. No entanto, conforme alguns autores afirmam, o fraco desempenho das crianças com TDC pode ocorrer devido à restrita participação em atividades físicas, que é acentuada pela coordenação motora pobre (FAUGTH et al., 2005; CAIRNEY et al., 2006; TSIOTRA et al., 2006; HAGA, 2008; WU et al., 2010; CAIRNEY et al., 2010). Muitas investigações têm averiguado que crianças com TDC se engajam menos em atividades vigorosas como correr e saltar, além de apresentar menor participação em atividades organizadas como jogos com regras, o que contribui para os baixos escores nas avaliações de aptidão física, resultando em maiores riscos para sobrepeso/obesidade (TSIOTRA et al., 2006; HAGA, 2008; CAIRNEY et al., 2010; WU et al., 2010; ZHU; WU; CAIRNEY, 2011).

(75) 77 As poucas vivências motoras e a falta de envolvimento com atividades físicas atuam como uma barreira ao desenvolvimento das aptidões físicas necessárias para a realização de atividades vigorosas na vida diária e também no lazer e nos esportes, dentre estas aptidões encontra-se a força, flexibilidade, resistência cardiorrespiratória (HAGA, 2008; ROSA, 2009). 4.5 CONCLUSÃO Os resultados obtidos no presente estudo permitiram verificar que a maioria dos escolares avaliados apresentou desenvolvimento motor normal. Destaca-se a necessidade de atenção ao grupo de alunos classificados com risco ou dificuldade significativa de movimento, orientando aos professores de Educação Física sobre a importância da elaboração de estratégias nas aulas que potencializem e estimulem as capacidades motoras destas crianças. De forma geral, os estudos apontam para um menor nível de atividade física em crianças com TDC em comparação aos seus pares sem o transtorno principalmente para o sexo masculino. Sendo que a presença de TDC na infância é um fator de risco para baixos níveis de atividade física na adolescência. Além disso, o baixo nível de atividade física nessa população esteve associado a uma menor aptidão cardiorrespiratória e maior quantidade de gordura corporal. Quanto às comparações das avaliações dos escolares com Risco/Dificuldade de Movimento e Sem Dificuldade de Movimento, evidenciou-se que os meninos apresentaram mais chance de apresentar o TDC do que as meninas. Em relação às variáveis de saúde, observou-se que as crianças com dificuldade motora apresentaram maiores médias de IMC e menor resistência cardiorrespiratória quando comparadas as crianças sem o transtorno. Estes achados estão em conformidade com a literatura internacional que reporta a existência de diferenças significativas entre os grupos nestas

(76) 78 avaliações. Os resultados também contribuem com os estudos nacionais, tendo em vista a existência de poucas pesquisas comparando o IMC e a resistência cardiorrespiratória em crianças brasileiras com e sem TDC. 4.6 REFERÊNCIAS ASSOCIAÇÃO AMERICANA DE PSIQUIATRIA (APA) - Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais, 4. ed. Texto revisado. Porto Alegre: Artes Médicas. 1995. ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE EMPRESAS DE PESQUISA. Critério de Classificação Econômica Brasil. ABEP. Disponível em:< http://www.abep.org.>. Acesso em: 20 out. 2013. ALVAREZ, B. R; PAVAN, A. L. Alturas e comprimentos. In: E.L. PETROSKI, E. L. Antropometria: técnicas e padronizações. (pp 2951). Porto Alegre: Pallotti, 1999. BARROS, M. V. G. et al. Validity of physical activity and food consumption questionnaire for children aged seven to ten years old. Revista Brasileira Saúde Materno Infantil, v.7, p. 437-48, 2007. BENEDETTI, T. R. B; PINHO, R. A; RAMOS, V. M. Dobras cutâneas. In. PETROSKI, E. L. Antropometria: técnicas e padronizações. (pp 53-67). Porto Alegre: Pallotti, 1999. CAIRNEY, J; HAY, J; FLOURIS, A; MANDIGO, J; FAUGHT, B. Developmental Coordination Disorder, Self-Efficacy Toward Physical Activity, and Play: Does Gender Matter? Adapted Physical Activity Quarterly, v. 22, n. 1, p. 67-82, 2005. Disponível em:< http://epe.sagepub.com/content/13/1/81.refs> Acesso em: 8 nov. 2013. CAIRNEY, J; HAY, A. J; VELDHUIZEN, S; MISSIUNA, C; FAUGHT, E. B. Developmental coordination disorder, sex, and activity deficit over time: a longitudinal analysis of participation trajectories in children with and without coordination difficulties. Developmental Medicine and Child Neurology, v. 52, p. 67-72, 2010. doi: 10.1111/j.1469-8749.2009.03520.x.

(77) 79 COUTINHO, M. T. C.; SPESSATO, B. C.; VALENTINI, N. C. Transtorno do desenvolvimento da coordenação: prevalência e dificuldades motoras de escolares da cidade de Porto Alegre. In: CONGRESSO BRASILEIRO DE CIÊNCIAS DO ESPORTE, 17, 2011, Porto Alegre. Anais... Disponível em: Acesso em: 10 nov. 2013. ELLINOUDIS, T. et al. Identification of children aged 7-12 with developmental coordination disorder by physical education teachers using the test “Movement Assessment Battery for Children”. Hellenic Journal of Physical Education e Sport Science, Greece, v. 29, n. 3, p. 288-306, 2009. Disponível em: . Acesso em: 5 março. 2013. FERGUSON, G. D; AERTSSEN, W.F; RAMECKERS, E. A; JELSMA, J; SMITS-ENGELSMAN, B.C. Physical fitness in children with Developmental Coordination Disorder: measurement matters. Research in Developmental Disabilities, v. 35, n. 5, p. 1087-97, 2014. doi: 10.1016/j.ridd.2014.01.031. FERREIRA, L. F. et al. Desordem da coordenação do movimento. Motriz, Rio Claro, v.12, n. 3, p. 283-92, 2006. GAYA, A. C. A. Projeto Esporte Brasil – PROESP BRASIL. Manual de Aplicação de Medidas e Testes, Normas e Critérios de Avaliação. Porto Alegre, 2009. GIBBS, J; APPLETON, J; APPLETON. R. Dyspraxia or developmental coordination disorder? Unravelling the enigma. Archives of Disease in Childhood, v. 92, n. 6, p. 534-9, 2007. GREEN, D. et al. The risk of reduced physical activity in children with probable Developmental Coordination Disorder: a prospective longitudinal study. Research Developmental Disabilities, v. 32, p. 1332-1342, 2011. Disponível em: Acesso em: 18 out. 2013.

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(80) 82 TSIOTRA, G. D. et al. A comparison of developmental coordination disorder prevalence rates in Canadian and Greek children. Journal of Adolescent Health, v. 39, p. 125-127, 2006. Disponível em: < http://www.journals.elsevierhealth.com/periodicals/JAH>. Acesso em: 18 jul. 2013. VALLE, T. R; CAPELLINI, S. A. Relação entre a opinião de pais e professores sobre o transtorno do desenvolvimento da coordenação e os resultados do exame motor nos escolares. Revista Psicopedagogia, São Paulo, v. 26, n. 79, p. 23-32, 2009. VAN-DER, H. F. D. et al. Health-related physical fitness in Dutch children with developmental coordination disorder. DevelopmentalBehavioral Pediatrics,v. 33, n. 8, p. 649-55, 2012. doi: 10.1097/DBP.0b013e3182653c50. ZHU, Y; WU, S. K; CAIRNEY, J. Obesity and motor coordination ability in Taiwanese children with and without developmental coordination disorder. Research in Developmental Disabilities, v. 32, p. 801-807, 2011.Disponível em: Acesso em: 3 nov. 2013. ZHU,Y.C; CAIRNEY, J; LI, Y.C; CHEN, W.Y; CHEN, F.C; WU, S.K. High risk for obesity in children with a subtype of developmental coordination disorder. Research in Developmental Disabilities. v. 35, n.7, p. 1727-33, 2014. doi: 10.1016/j.ridd.2014.02.020. WANG, Y; MONTEIRO, C; POPKIN, B. M. Trends of obesity and underweight in older children and adolescents in the United States, Brazil, China and Russia. The American Journal of Clinical Nutrition, v. 75, p. 971-977, 2002. WU, S. K. et al. Cardiopulmonary fitness and endurance in children with developmental coordination disorder. Research Developmental Disabilities, v.31, p. 345-349, 2010. Disponível em: Acesso em: 8 fev. 2013.

(81) 83 5 CONCLUSÃO A partir dos resultados encontrados neste estudo, conclui-se a inexistência de publicações nacionais que enfocam o nível de atividade física em crianças com TDC. Enquanto as internacionais vêm aumentando de forma progressiva nos últimos anos. No entanto desenhos de pesquisas mais sofisticados ainda são raros, sendo que a solução para esses problemas só virá com o próprio amadurecimento da área como um todo, mediante amplas reflexões acerca da sua base epistemológica. De forma geral, os estudos apontam para um menor nível de atividade física em crianças com TDC em comparação aos seus pares sem o transtorno principalmente para o sexo masculino. Sendo que a presença de TDC na infância é um fator de risco para baixos níveis de atividade física na adolescência. Em relação às variáveis de saúde, observou-se que as crianças com dificuldade motora apresentam maiores médias de IMC e menor resistência cardiorrespiratória quando comparadas as crianças sem o transtorno. Estes achados estão em conformidade com a literatura internacional que reporta a existência de diferenças significativas entre os grupos nestas avaliações. Destacamos a necessidade de atenção ao grupo de alunos classificados com risco ou dificuldade de movimento, orientando aos professores de Educação Física sobre a importância da elaboração de estratégias nas aulas que potencializem e estimulem as capacidades motoras destas crianças. 6 REFERÊNCIAS ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE EMPRESAS DE PESQUISA – ABEP . Critério de Classificação Econômica Brasil. Disponível em:< http://www.abep.org.>. Acesso em: 20 out. 2013. ALVAREZ, B. R; PAVAN, A. L. Alturas e comprimentos. In: E.L. PETROSKI, E. L. Antropometria: técnicas e padronizações. (pp 2951). Porto Alegre: Pallotti, 1999. BARROS, M. V. G, et al. Validity of physical activity and food consumption questionnaire for children aged seven to ten years old. Revista Brasileira de Saúde Materno Infantil, v.7, p. 437-48, 2007.

(82) 84 BENEDETTI, T. R. B; PINHO, R. A; RAMOS, V. M. Dobras cutâneas. In. PETROSKI, E. L. Antropometria: técnicas e padronizações. (pp 53-67). Porto Alegre: Pallotti, 1999. CAIRNEY, J; HAY, A. J; VELDHUIZEN, S; MISSIUNA, C; FAUGHT, E. B. Developmental coordination disorder, sex, and activity deficit over time: a longitudinal analysis of participation trajectories in children with and without coordination difficulties. Developmental Medicine and Child Neurology, v. 52, p. 67-72, 2010. doi: 10.1111/j.1469-8749.2009.03520.x. CERMAK, S. A; GUBBAY, S. S; LARKIN, D. What is developmental coordination disorder? In: CERMAK, S. A.; LARKIN, D. (Ed.). Developmental coordination disorder. Albany: Delmar, 2002. COSTA, F. F; ASSIS, M. A. A. Nível de atividade física e comportamentos sedentários de escolares de sete a dez anos de Florianópolis-SC. Revista Brasileira de Atividade Física & Saúde. v. 16, n. 1, 2011. DANTAS, L. E. B. P. T; MANOEL, E. J. Crianças com dificuldades motoras: questões para conceituação do transtorno do desenvolvimento da coordenação. Movimento, Porto Alegre, v.15, n.03, p.293-313, jul./set., 2009. GALLAHUE, D. L; OZMUN, J. C; GOODWAY, D. J. Compreendendo o desenvolvimento motor: bebês, crianças, adolescentes e adultos. – 7. ed. São Paulo: Artmed; 2013. GAYA, A. C. A. Projeto Esporte Brasil – PROESP BRASIL. Manual de Aplicação de Medidas e Testes, Normas e Critérios de Avaliação. Porto Alegre, 2009. GREEN, D. et al. The risk of reduced physical activity in children with probable Developmental Coordination Disorder: a prospective longitudinal study. Research Developmental Disabilities, v. 32, p. 1332-1342, 2011. Disponível em: Acesso em: 18 out. 2013.

(83) 85 GIL, C. A. Como elaborar projetos de pesquisa? 5 ed. São Paulo: Atlas, 2010. HAGA, M. Physical Fitness in children with movement difficulties. Physiotherapy, v. 94, n. 3, p. 253-259, sept. 2008. HANDS, B.; LARKIN, D. Physical fitness differences in children with and without “motor learning difficulties”. European Journal of Special Needs Education, v. 21, n. 4, p. 447-456, 2006. HAYWOOD, K. M; GETCHELL, N. Desenvolvimento motor ao longo da vida. 3ª ed. Porto Alegre: Artmed, 2004, 344p. HENDERSON, S. E.; SUGDEN, D. A.; BARNETT, A. L. Movement Assessment Battery for Children-2. 2 ed. Londres: Pearson Assessment, 2007. JONGMANS, M; SMITS-ENGELSMAN, B. C. S; SHOEMAKER, M. M. Consequences of comorbidity of developmental coordination disorders and learning disabilities for severity and pattern of perceptual – motor dysfunction. Journal of Learning Disabilities, v. 36, n. 6, p. 528-537, 2003. MARTINS, M.O; LOPES, M.A. PERÍMETROS: In: Petroski EL. Antropometria, técnicas e padronização. Pallotti. 2003. MARRAMARCO, C. A. et al. Crianças desnutridas pregressas, com sobrepeso e obesas apresentam desempenho motor pobre. Revista de Educação Física/UEM, v. 23, n. 2, p. 175-182, 2012. MIRANDA, T. B.; BELTRAME, T. S.; CARDOSO, F. L.. Desempenho motor e estado nutricionsl de escolares com e sem transtorno do desenvolvimento da coordenação. Revista Brasileira de Cineantropometria & Desempenho Humano (Impresso), v. 13, p. 59-66, 2011. MISSIUNA, C. Crianças com Transtorno do Desenvolvimento da Coordenação: em casa e na sala de aula. Tradução: Lívia C. Magalhães. Ontário, Canadá: Can Child, Center for Child Hood Disability Research, 2003. Disponível em:

(84) 86 Acesso em: 7 mai. 2013. MORRIS, N. M; UDRY, J. R. Validation of a self-administered instrument to assess stage of adolescent development. Journal of Youth and Adolescence, v. 9, p. 271-280, 1980. SANTOS, P. V. A; VIEIRA, L. J. L. Prevalência de desordem coordenativa desenvolvimental em crianças com 7 a 10 anos de idade. Revista Brasileira de Cineantropometria e Desempenho Humano, v.15, n.2, p. 233-242,2013. SILVA, J. A. O. et al. Teste MABC: Aplicabilidade da lista de checagem na região Sudeste do Brasil. Revista Portuguesa de Ciências do Desporto, v. 6, n. 3, p.356–361, 2006. SLAUGHTER, M. H. et al. Skinfold equations for estimation of body fatness in children and youth. Human Biology, v. 6, n. 5, p.709-23, 1988. SOUZA, C. et al. O teste ABC do Movimento em crianças de ambientes diferentes. Revista Portuguesa de Ciências do Desporto, v.7, p. 36-47, 2007. TANNER, J. M. Growth at adolescence. Oxford: Blackwell Scientific Publications, 1962. TSIOTRA, G. D. et al. A comparison of developmental coordination disorder prevalence rates in Canadian and Greek children. Journal of Adolescent Health, v. 39, p. 125-127, 2006. Disponível em: < http://www.journals.elsevierhealth.com/periodicals/JAH>. Acesso em: 18 jul. 2013. VALENTINI, N.C. et al. Prevalence of motor deficits and developmental coordination disorders in children from South Brazil. Revista Paulista de Pediatria, v. 30, n. 3, p. 377-84, 2012. ZHU, Y; WU, S. K; CAIRNEY, J. Obesity and motor coordination ability in Taiwanese children with and without developmental coordination disorder. Research Developmental Disabilities, v. 32, p.

(85) 87 801-807, 2011.Disponível em: Acesso em: 3 nov. 2013. ZHU,Y.C; CAIRNEY, J; Li, Y.C; Chen, W.Y; CHEN, F.C; WU, S.K. High risk for obesity in children with a subtype of developmental coordination disorder. Research Developmental Disabilities, v. 35, n. 7, p. 1727-33, 2014. doi: 10.1016/j.ridd.2014.02.020. WU, S. K. et al. Cardiopulmonary fitness and endurance in children with developmental coordination disorder. Research Developmental Disabilities, v.31, p. 345-349, 2010. Disponível em: Acesso em: 8 fev. 2013.

(86) 88 7 APÊNDICES E ANEXOS Apêndice I - Termo de Consentimento Livre e Esclarecido TERMO DE CONSENTIMENTO LIVRE E ESCLARECIDO O(a) seu(ua) filho(a)/dependente está sendo convidado a participar de uma pesquisa de mestrado intitulada “Transtorno do Desenvolvimento da Coordenação em crianças de 8 a 10 anos de idade”, que fará avaliações físicas e motoras, tendo como objetivo investigar a relação entre dificuldade motora, desenvolvimento físico e hábitos de vida em crianças de 8 a 10 anos. Serão previamente marcados a data e horário para as avaliações. Serão utilizados questionários de atividade física, classificação socioeconômica, maturação sexual (segundo critérios propostos por Tanner (1962) e adaptado por Morris e Udry (1980) por meio de desenhos), avaliações motoras e de saúde (peso, estatura, dobras cutâneas e resistência cardiorrespiratória). Estas medidas serão realizadas nas dependências da Escola. Não é obrigatório participar de todas as avaliações, visto que seu filho poderá desistir da participação desta pesquisa a qualquer momento. Os riscos destes procedimentos serão médios, visto que irão avaliar atividades típicas do movimento da criança como o saltar, lançar, correr, podendo haver um risco de quedas durante a execução dos testes. A identidade do(a) seu(ua) filho(a)/dependente será preservada pois cada indivíduo será identificado por um número. Os benefícios e vantagens em participar deste estudo serão que a escola poderá conhecer melhor seus escolares e fundamentar melhor as aulas, além de tomar iniciativas para melhorar a saúde dos alunos. As pessoas que estarão acompanhando os procedimentos serão os pesquisadores: Prof Renata Capistrano, Prof.Dra.Thais Silva Beltrame. O(a) senhor(a) poderá retirar o(a) seu(ua) filho(a)/dependente do estudo a qualquer momento, sem qualquer tipo de constrangimento. Solicitamos a vossa autorização para o uso dos dados do(a) seu(ua) filho(a)/dependente para a produção de artigos técnicos e científicos. A privacidade do(a) seu(ua) filho(a)/dependente será mantida através da não-identificação do nome. Agradecemos a participação do(a) seu(ua) filho(a)/dependente e a sua colaboração . NOME DO PESQUISADOR PARA CONTATO: Prof Renata Capistrano NÚMERO DO TELEFONE: (48) 33218684

(87) 89 ENDEREÇO: Rua Pascoal Simone, 358 - Coqueiros - Florianópolis – SC - CEP: 88080-350 ASSINATURA DO PESQUISADOR TERMO DE CONSENTIMENTO Declaro que fui informado sobre todos os procedimentos da pesquisa e, que recebi de forma clara e objetiva todas as explicações pertinentes ao projeto e, que todos os dados a respeito do meu(minha) filho(a)/dependente serão sigilosos. Eu compreendo que neste estudo, as medições dos experimentos/procedimentos de tratamento serão feitas em meu(minha) filho(a)/dependente mim, e que fui informado que posso retirar meu(minha) filho(a)/dependente do estudo a qualquer momento. Nome por extenso ___________________________________________________________ ______________ Assinatura __________________________ Local: __________________ Data: ____/____/____ .

(88) 90 Apêndice II - Ficha da Avaliação Antropométrica Ficha Antropométrica Nome: Idade: Série: Data da coleta: Sexo: feminino ( ) masculino ( ) Como você considera sua cor da pele ou etnia (IBGE, 2010)? ( ) Preta ( ) Branca ( ) Amarela ( ) Parda ( ) Indígena Estatura: Massa Corporal: 1° MEDIDA DOBRA TRICIPTAL (mm) DOBRA SUBESCAPULAR(mm) PERÍMETRO DA CINTURA(cm) PERÍMETRO DO QUADRIL (cm) PERÍMETRO ABDOMINAL (cm) 2° MEDIDA 3° MEDIDA

(89) 91 Apêndice III - Exemplo Relatório Individual UNIVERSIDADE DO ESTADO DE SANTA CATARINA – UDESC CENTRO DE CIÊNCIAS DA SAÚDO E DO ESPORTE – CEFID LABORATÓRIO DISTÚRBIOS DA APRENDIZAGEM E DO DESENVOLVIMENTO - LADADE Relatório individual de participação na pesquisa: TRANSTORNO DO DESENVOLVIMENTO DA COORDENAÇÃO EM CRIANÇAS DE 8 A 10 ANOS DE IDADE Nome: Turma: 4° ano Idade: 9 anos Escola: O objetivo do estudo foi investigar os fatores associados ao Transtorno do Desenvolvimento da Coordenação – TDC em crianças de 8 a 10 anos de idade. Destacamos que estas avaliações realizadas na escola possibilitam o planejamento de ações em saúde adequadas ao desenvolvimento da criança, tendo como aliada a prática de atividade física e alimentação saudável. Variável Classificação Índice de Massa Corporal Acima do esperado Percentual de Gordura Corporal Acima do esperado Avaliação Motora Sem dificuldade de movimento Classificação atividade física Ativo Como considera seu corpo quando Igualmente em comparado ao dos seus amigos forma Classificação Resistencia Cardiorrespiratória Abaixo do esperado Classificação Maturação sexual Período Puberal – fase de amadurecimento sexual Pesquisadoras Responsáveis: Ms. Renata Capistrano e Profª.Dra.Thais Silva Beltrame. Contato: recapis@gmail.com

(90) 92 Apêndice IV - Carta de Agradecimento CARTA DE AGRADECIMENTO Prezados Diretores, Coordenadores e Professores, Gostaria por meio desta carta, agradecer a participação da Escola no Projeto intitulado “Fatores associados ao Transtorno do Desenvolvimento da Coordenação em crianças de 8 a 10 anos de idade”. Isso mostra a preocupação da Escola com a saúde dos seus alunos. Com muito decoro entrego os relatórios com os resultados da pesquisa aos Diretores, Coordenadores, Professor de Educação Física e alunos. Espero que esses resultados possam auxiliar a Escola em intervenções para melhorar a saúde dos seus alunos, e também que esses resultados conscientizem os pais da importância das aulas de Educação Física e tenham mais cuidados com os hábitos de vida dos seus filhos. Cabe salientar que a Coordenadora foi muito atenciosa durante a pesquisa, bem como os Professores de sala e de Educação Física. Obrigado pela parceria. Atenciosamente Mestranda Renata Capistrano Silva Beltrame e Prof. Dra. Thais

(91) 93 Anexo I - Descrição das Tarefas Motoras - Faixa Etária 2 (7 a 10 anos) Destreza Manual Tarefa 1.Colocando Pinos: a criança deve segurar a caixa base estável com uma mão e coloca a outra mão sobre o tapete. Ao sinal, a criança vai buscar os pinos, um de cada vez, e insere-os nos furos da tábua o mais rápido possível. O tempo começa a ser cronometrado no momento que a mão livre sai do tapete. O tempo é interrompido quando o último pino foi inserido. Teste a mão preferida primeiro, depois a outra. Tarefa 2. Passando o Cordão: a criança coloca as duas mãos sobre o tapete da mesa. Ao sinal, a criança pega o cordão e a tábua, e passa o cordão pelo primeiro furo; a seguir, continua a passar o cordão em linha reta ao furo seguinte e assim para frente e para trás através dos buracos restantes. Tarefa 3. Trilha da Bicicleta: começando na bicicleta, a criança desenha uma única linha contínua, seguindo o rastro sem atravessar seus limites. O estágio do meio é a linha traçada sob o arco e da trilha para a casa. A criança é incentivar a manter a caneta sobre o papel. Testa-se apenas o lado preferido. Lançando e Recebendo: Tarefa 1. Recebendo com as Duas Mãos: a criança lança a bola na parede atrás da linha marcada e pega de volta com ambas as mãos; segurar a bola contra o corpo ou roupa não é permitido. Na idade de 9 anos e 10 anos a bola deve ser resgatada antes de quicar no chão. Tarefa 2. Arremessando o Saco de Feijão no Alvo: a criança fica sobre o tapete colorido e arremessa o saco de feijão tentando acertar o círculo laranja do tapete alvo. O arremesso com a mesma mão deve ser incentivado, no entanto se uma ou duas tentativas foram executadas com a troca de mãos e forem bem sucedidas, não deve ser penalizado. Equilíbrio: Tarefa 1. Equilíbrio Sobre a Tábua: a criança equilibra-se sobre um dos pés, em uma tábua de equilíbrio por até 30 segundos. Assim que a criança tenha atingido posição de equilíbrio, iniciar a cronometragem. Parar o cronômetro quando uma falha ocorrer. Deixar a criança escolher a perna em que será testada primeiro. Tanto a direita e perna esquerda são testadas. Tarefa 2. Caminhando sobre a Linha: a criança começa com o pé preferido no início da linha. A criança caminha ao longo da linha, colocando o calcanhar de um pé contra o dedo do outro pé a cada passo.

(92) 94 Tarefa 3. Saltando em Tapetes: a criança começa de pé sobre um pé no primeiro tapete amarelo. A partir de uma posição estacionária a criança faz cinco saltos contínuos para frente, de tapete em tapete, parando sobre o tapete alvo. O último salto não conta se a criança não conseguir terminar de forma equilibrada, controlada, ou faz um saltito par fora do tapete. Ambas as pernas são testadas. PONTUAÇÃO DO TESTE MOTOR Os valores totais do teste motor são comparados na tabela de percentis presentes no protocolo do teste, classificando os escolares de acordo com os graus de dificuldade de coordenação motora, com escores padrão variando de 1 a 19, sendo que para cada valor existe um percentil correspondente, variando de 0,1% a 99,9%. Em relação ao somatório de cada componente, salienta-se que uma maior pontuação indica um maior escore padrão e, consequentemente, um maior percentil (melhor desempenho). O mesmo é válido para a pontuação total do teste, ou seja, uma alta pontuação no teste representa um desempenho motor ótimo. Os valores são distribuídos na forma de um sistema de semáforo, de modo que o indicativo de problema/dificuldade motora é representado pela cor vermelha, a zona de risco pela cor amarela e a cor verde indicada nenhuma dificuldade motora ou desenvolvimento motor normal/típico.

(93) 95 Anexo II – Parte do Instrumento Dia Típico de Atividade Física e Alimentação – DAFA

(94) 96 Anexo III - Instrumento Maturação Sexual Meninos e Meninas Nome: Idade: Série: Data: ___/___/___ Assinale em quais dos estágios você se encontra na figura abaixo:

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