FRANCISCO ALISON MOREIRA A INFLUÊNCIA DAS OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS TRIBUTÁRIAS NAS ROTINAS DE TRABALHO DOS PRESTADORES DE SERVIÇOS CONTÁBEIS DO MUNICÍPIO DE FORTALEZA

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UNIVERSIDADE FEDERAL DO CEARÁ

FACULDADE DE ECONOMIA, ADMINISTRAđấO, ATUÁRIA E

CONTABILIDADE

CURSO DE CIÊNCIAS CONTÁBEIS

FRANCISCO ALISON MOREIRA

  

A INFLUÊNCIA DAS OBRIGAđỏES ACESSốRIAS TRIBUTÁRIAS NAS

ROTINAS DE TRABALHO DOS PRESTADORES DE SERVIÇOS CONTÁBEIS

DO MUNICÍPIO DE FORTALEZA

  

FORTALEZA

FRANCISCO ALISON MOREIRA

  

A INFLUÊNCIA DAS OBRIGAđỏES ACESSốRIAS TRIBUTÁRIAS NAS

ROTINAS DE TRABALHO DOS PRESTADORES DE SERVIÇOS CONTÁBEIS

DO MUNICÍPIO DE FORTALEZA

  Artigo submetido à Coordenação do Curso de Ciências Contábeis da Universidade Federal do Ceará, como requisito para obtenção do grau de Bacharel em Ciências Contábeis.

  Orientadora: Profa. Jeanne Marguerite Molina Moreira.

  FORTALEZA 2013

  

A INFLUÊNCIA DAS OBRIGAđỏES ACESSốRIAS TRIBUTÁRIAS NAS ROTINAS

DE TRABALHO DOS PRESTADORES DE SERVIÇOS CONTÁBEIS DO

MUNICÍPIO DE FORTALEZA.

  1 Francisco Alison Moreira

  2 Profa. Jeanne Marguerite Molina Moreira RESUMO

  O objetivo geral do presente estudo é analisar a influência do volume de obrigações acessórias tributárias nas rotinas de trabalho dos prestadores de serviços contábeis no Município de Fortaleza. Nesse sentido, buscou-se identificar a relevância da elaboração das obrigações acessórias tributárias nas rotinas de trabalho das entidades. O estudo deu-se por um levantamento feito através da aplicação de um questionário, com perguntas e respostas fechadas, enviado via e-mail pelo CRC-CE, nos meses de maio e junho de 2013 às organizações contábeis. Com as quarenta respostas obtidas, constituiu-se a amostra integrante deste estudo. De modo específico, analisou-se a opinião dos profissionais de contabilidade em relação ao volume de obrigações acessórias e verificou-se a existência de colaboradores na execução dos serviços contábeis. Identificou-se que as obrigações acessórias tributárias são relevantes nas rotinas de trabalho, influenciando desde o estabelecimento do contrato de prestação de serviços ao assessoramento de negócios. O volume dessas obrigações atrapalha o assessoramento nos negócios dos clientes, já que, se um número menor existisse, mais informações úteis e tempestivas poderiam ser geradas.

  Palavras-chave: Obrigações Acessórias Tributárias. Prestadores de Serviços Contábeis.

1 INTRODUđấO

  O Estado, com o intuito de atingir os fins pelo qual foi designado, precisa desenvolver atividades financeiras como meio de obtenção de recursos. Machado (2010) explica que esse ente de Direito Público pode obter tal capital através de meios econômicos, intervindo na economia ou explorando seu patrimônio, porém, desta forma, será um Estado Totalitário. A alternativa para se estabelecer um Estado Democrático que disponha de valores financeiros é a instituição de tributos.

  Nesse sentido, respeitando a Democracia, a Constituição Federal brasileira de 1988 - (CF/88) (BRASIL, 1988), no Título VI

  • – Da Tributação e Orçamento (art. 145 e seguintes), estabelece e regulamenta a instituição, arrecadação e fiscalização dos tributos. Além disso, transfere à Lei Complementar, dentre outros, os poderes de regulamentar a matéria geral da legislação tributária, inclusive sobre as obrigações. A Lei Complementar nº 5.172 (BRASIL, 1966), denominada Código Tributário Nacional (CTN), estabelece dois tipos de obrigações tributárias aos sujeitos passivos: a obrigação principal e a obrigação acessória. A primeira faz referências a transferências financeiras do particular ao ente tributante; a segunda tem como função principal fornecer informações das movimentações econômicas realizadas que são objeto de controle e fiscalização. (SABBAG, 2011; COÊLHO, 2006).
Iudícibus, Martins e Gelbeck (2007) afirmam o papel sistemático da contabilidade, cuja intenção é prover seus usuários com informações e análises econômicas em relação à entidade. Todavia, os prestadores de serviços contábeis acabam assumindo deveres nos quais as informações geradas não têm como objetivo atender às necessidades dos usuários internos, mas sim a de outras partes relacionadas, como, por exemplo, o ente tributante, atuando no sentido inverso de assessoramento aos negócios de clientes. É nesse sentido que se insere a obrigação acessória na rotina de trabalho das organizações contábeis.

  Considerando a rotina de trabalho dos prestadores de serviços contábeis no Município de Fortaleza-CE, destaca-se a preocupação com o cumprimento dessas obrigações tributárias existentes nos três níveis dos entes da federação (União, Estado e Município). Dessa forma, é possível que as organizações contábeis deixem de fornecer informações que contribuam para o gerenciamento e assessoramento dos negócios dos clientes em virtude do cumprimento desses deveres. Diante disso, o presente estudo buscou responder à seguinte problemática: Qual a influência da elaboração das obrigações acessórias tributárias nas rotinas de trabalho dos prestadores de serviços contábeis do Município de Fortaleza?

  O objetivo geral desta pesquisa é identificar a influência do volume de obrigações acessórias tributárias nas rotinas de trabalho dos prestadores de serviços contábeis do Município de Fortaleza. Como objetivos específicos, busca-se analisar a opinião dos profissionais de contabilidade em relação ao volume de obrigações acessórias tributárias e verificar a existência de colaboradores na execução dos serviços contábeis.

  O presente trabalho destina-se a realizar um levantamento de dados junto as organizações contábeis do Município de Fortaleza, através de um questionário

  • – com questões fechadas
  • – enviado via e-mail diretamente pelo CRC-CE buscando atingir os objetivos dessa pesquisa. Do universo de 583 organizações contábeis existentes no município até junho de 2013, obtiveram-se respostas somente de 40 entidades. Formou-se, assim, a amostra desta pesquisa.

  O artigo está estruturado em cinco seções, das quais a primeira é a Introdução. Na segunda seção, faz-se uma revisão bibliográfica acerca dos principais conceitos, elementos e finalidades das obrigações tributárias. Em seguida, descreve-se a metodologia e os procedimentos realizados no estudo. Na quarta seção, são apresentados os resultados da pesquisa. Por fim, foram esplanadas as considerações finais da pesquisa.

2 REFERENCIAL TEÓRICO

  A fundamentação teórica deste trabalho tem como objetivo servir de embasamento às questões abordadas. Serão apresentados os principais elementos teóricos referentes às obrigações acessórias tributárias e à sua relação com as entidades contábeis.

2.1 Obrigação

  Para ter uma adequada análise do conceito de obrigação tributária acessória, é necessário conceituar obrigação de modo geral. Rodrigues (2006, p. 3) define o conceito de obrigação como

  “o vínculo de direito pelo qual alguém (sujeito passivo) se propõe a dar, fazer ou não fazer qualquer coisa (objeto), em favor de outrem (sujeito ativo).

  ” Monteiro (2007) complementa a definição anterior, ao estabelecer que, dentre os sujeitos existentes nessa relação, o sujeito ativo se encaixa como credor, ou seja, como aquele que pode exigir algo; o sujeito devedor, por outro lado, é identificado como sujeito

  É possível presumir que obrigação é uma relação existente entre dois sujeitos: um ativo, que pode ser chamado de credor, e outro passivo, cuja denominação é de sujeito devedor na relação que os une. Ao estabelecerem o vínculo obrigacional, um pode exigir do outro uma prestação, devido ao comprometimento ou obrigação firmada de dar, realizar ou não realizar determinado ato.

  A prestação, mencionada no parágrafo anterior, refere-se ao objeto da relação obrigacional. Ela pode ser visualizada como aquilo que o devedor se propõe a realizar, perante o credor, para cumprimento da relação obrigacional que os mantém unidos. A transitoriedade mencionada por Gonçalves (2008) faz com que a relação obrigacional nasça e tenha fim. Dessa forma, uma obrigação nasce com objetivo de extinção, ou seja, no intuito de que aquilo que estava previsto seja realizado, encerrando-se, assim, o vínculo jurídico existente.

  Perante a literatura apresentada, há de se destacar os três objetos essenciais de uma relação obrigacional: os sujeitos (credor e devedor), o objeto da relação e o vínculo que os une.

  É possível que o devedor, por questões alheias às previstas na relação, não cumpra a prestação que havia sido estabelecida. Coelho (2007) afirma que, caso o devedor não cumpra espontaneamente a prestação correspondente, o credor tem a opção de substituí-la por uma prestação equivalente ou, então, por uma indenização em dinheiro.

2.2 Obrigação Tributária

  O Estado, em sua relação com os particulares, exige determinadas prestações a seu benefício. As referidas prestações são as de fazer, não fazer ou ainda suportar alguma obrigação. Conforme Alexandrino e Paulo (2009), são essas prestações que possibilitam a obtenção de recursos, sendo, portanto, objeto principal do Direito Tributário. Coêlho (2006) afirma que o poder do Estado de tributar é fundamental para a manutenção de suas atividades e fins, porém, tal poder deve ser contido, para a própria segurança do cidadão.

  Ao se relacionar o Estado com o particular verifica-se uma relação de caráter obrigacional, cuja natureza é tributária. Brito (2011) entende que o objeto dessa relação, o tributo, é uma prestação exigida por um ente de Direito Público, formando, assim, uma relação obrigacional tributária.

  Nesse sentido, CF/88, no seu art.145, estabelece que seus entes podem instituir três tipos de tributos: impostos, taxas e contribuições de melhoria. Além disso, há uma repartição específica entre a União, os Estados, os Municípios e o Distrito Federal nos arts. 153, 155 e 156 da referida norma jurídica, especificando cada tributo, tendo o ente competente a opção de instituí-lo. O poder de tributar deve atender aos princípios constitucionais tributários contidos nos arts. 150, 151 e 152 da Carta Magna. (SABBAG, 2011).

  Ainda no âmbito tributário, o CTN, disciplina sobre parte do Sistema Tributário. Brito (2011) esclarece que a função da Lei Complementar é ser norma de integração da constituição, tornando-se mais uma fonte do Direito Tributário.

  Cronologicamente, as duas fases que precedem o nascimento da obrigação tributária são a hipótese de incidência e o fato gerador. Enquanto a primeira é a simples previsão legal de um fato, a segunda é a concretização real daquilo que foi previsto. (MACHADO, 2010).

  O CTN usualmente confunde o leitor, por não distinguir adequadamente fato gerador e hipótese de incidência. Costa (2012) afirma que há imprecisão do código ao se tratar tanto a

  “fato”, por si própria, é algo efetivamente realizado. Corroborando com esse pensamento, Alexandrino e Paulo (2009) mencionam que, no CTN, não se utiliza a expressão hipótese de incidência; e que somente através da doutrina é possível diferenciar a hipótese de incidência e o fato gerador.

  Perante a literatura apresentada, presume-se que hipótese de incidência é a situação prevista na legislação que, quando ocorre, materializa-se em fato gerador, fazendo surgir a obrigação tributária.

2.2.1 Classificação das obrigações tributárias

  No CTN, há a repartição das obrigações tributárias em principais e acessórias, conceituadas no art. 113:

  

Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória.

§ 1º A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extingue-se juntamente com o crédito dela decorrente.

  § 2º A obrigação acessória decorre da legislação tributária e tem por objeto as prestações, positivas ou negativas, nela previstas no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos. (GRIFO NOSSO) § 3º A obrigação acessória, pelo simples fato da sua inobservância, converte-se em obrigação principal relativamente à penalidade pecuniária. (BRASIL, 1966).

  O CTN distingue as obrigações em principal e acessória, sendo que na primeira, para sua extinção, é necessário haver o pagamento do tributo ou penalidade ao ente responsável; na segunda, para extinção, é necessária uma prestação de fazer, ou não fazer realizada pelo particular ao Estado, mas atendendo a interesses que não sejam financeiros.

2.3 Obrigação Acessória

  Machado (2010, p. 130) exemplifica que na obrigação acessória:

  As prestações positivas a que alude o Código compreendem um fazer, um não fazer, ou um tolerar, como, por exemplo, (a) emitir uma nota fiscal, escriturar um livro, inscrever-se no cadastro de contribuintes (fazer); (b) não receber mercadorias desacompanhadas da documentação legalmente exigida (não fazer); e (c) admitir o exame de livros e documentos pelo fiscal (tolerar).

  Coêlho (2006) afirma que as obrigações acessórias não passam de exigências de fazer ou não fazer previstas em legislação competente. Para Alexandrino e Paulo (2009), assim como para Machado (2010), há também a característica tolerar, representada por situações nas quais o contribuinte deve aceitar procedimentos de fiscalização feitos pelo ente tributante.

  A principal característica da obrigação acessória é que não há dispêndio de recursos financeiros ao Estado, o seu cumprimento exemplifica-se com a execução de um mandamento legal.

  Amaro (2006) enfatiza que o dever da obrigação acessória se caracteriza em prestações positivas ou negativas (no interesse de fazer ou não fazer), de acordo com os objetivos de fiscalização de cada ente. Machado (2010), por sua vez, encara a obrigação acessória como um dever de caráter instrumental com o intuito de viabilizar o controle no cumprimento da obrigação principal. O autor utiliza a expressão deveres administrativos, ao fazer referência a esse tipo de obrigação.

  Em relação ao fato gerador, o CTN determina- o no art. 115, que: “fato gerador da obrigação acessória é qualquer situação que, na forma da legislação aplicável, impõe a prática sujeito passivo desta obrigação acessória: “é a pessoa obrigada às prestações que constituam o seu objeto.

  ” (BRASIL, 1966). Desta forma, é possível identificar que o CTN identifica a obrigação acessória como um fazer ou não fazer por parte do contribuinte em relação a determinado ato. Do art. 115, é possível inferir que o fato gerador é o momento no qual o sujeito ativo na relação obrigacional tributária exige o cumprimento ou o não cumprimento do dever previsto em legislação. Já o art. 122, de modo genérico, estabelece que é sujeito devedor aquele que esteja obrigado a realizar as prestações alvo da legislação.

  O objeto das obrigações acessórias está subentendido, de maneira dispersa e vaga, no § 2º do art. 113 do CTN, transcrito na subseção 2.2.1 deste estudo. O legislador, ao expressar a palavra interesse, não dá instrumentos necessários para a compreensão do contribuinte sobre quais são suas intenções ao estabelecer esse tipo de dever.

  A doutrina e a jurisprudência, de certa forma, amparam o contribuinte em relação à definição do que seria o interesse do Estado. Para Ferrazzo (2006), a palavra interesse deve ser interpretada como os objetivos da administração tributária ao instituir tal obrigação. De acordo com o autor, não deve haver desrespeito aos direitos individuais estabelecidos pela CF/88 na tentativa de alcançar esses objetivos.

  Ainda no § 2º do art. 113, o legislador utiliza duas outras palavras que podem ajudar o leitor no entendimento do discernimento da obrigação acessória: arrecadação e fiscalização. Ferrazzo (2006) afirma que a primeira deve ser compreendida como o recolhimento do tributo de maneira correta; a segunda, como a atuação da administração no sentido de regular aquilo que por ela pode ser regulado.

  O cumprimento da obrigação acessória fornece elementos de suporte, para que o ente federado realize uma análise da maneira na qual tem sido calculada, paga ou não a obrigação principal. Por exemplo, os entes responsáveis, ao analisarem a Escrita Fiscal Digital

  • – ICMS e

  IPI (EFD

  • – ICMS e IPI), obrigação acessória instituída pelo Ajuste SINIEF 2, de 3 de abril de 2009 (BRASIL, 2009), verifica a movimentação financeira das entidades em relação à apuração do ICMS e do IPI. Essa declaração é criada a partir da própria base de dados das entidades referentes às movimentações econômicas, informando os documentos fiscais e outros objetos de interesse dos entes estaduais e federais, reguladores destes dois tributos, respectivamente.

  Embora pareça que a obrigação acessória esteja estritamente relacionada com a obrigação principal, é importante salientar que essa dependência não existe. Correia (2006) exemplifica tal situação citando os arts. 32 e 34, IV, da Lei nº 8.212/91, os quais estabelecem a obrigação acessória exigida pelo Instituto Nacional de Seguridade Social - INSS, como também obriga a empresa a informar mensalmente, através desse documento, a ocorrência de fato gerador e outras informações de seu interesse. Com isso, verifica-se que, mesmo que não ocorra fato gerador das contribuições previdenciárias, constituindo o vínculo de existência da obrigação principal, haverá a obrigatoriedade acessória de fornecer as informações requeridas pelo órgão competente.

2.3.1 Tipificação da Obrigação Acessória

  Há vários modelos de obrigações acessórias, iniciando com a constituição das entidades. O Decreto nº 11.591, de 1° de março de 2004 (FORTALEZA, 2004), regulamenta o Imposto sobre Serviços de Qualquer Natureza (ISSQN) do Município de Fortaleza, estabelecendo, dentre os diversos assuntos, as obrigações acessórias a seus contribuintes, manter, em seu poder, os livros contábeis e fiscais; deve, ainda, conservar e apresentar a esse ente municipal, quando solicitado, documentação comprovando suas operações econômicas.

  Os entes responsáveis, apesar de exigirem volume considerável de obrigações acessórias, simplificam, de algum modo, o trabalho do contribuinte, ao adotarem o meio eletrônico para apresentação de grande parte delas. (FARIA et al., 2010).

  A União possui uma superestrutura de processamento para recepção e análise das declarações enviadas pela internet que constituam obrigações acessórias. De acordo com o site da Receita Federal do Brasil (RFB), seus dois principais instrumentos informacionais são um supercomputador chamado T-Rex e um software denominado Harpia. Com esses mecanismos, a Receita Federal tenta combater a sonegação fiscal e aumentar a arrecadação. Para Ribeiro (2012), as administrações tributárias têm aumentado e aperfeiçoado as formas de controles eletrônicos sobres os contribuintes com objetivo de que os sujeitos passivos forneçam, em um sistema virtual, todo o controle on-line e permanente de suas obrigações tributárias.

  No Quadro 1, são apresentados alguns exemplos de obrigações acessórias tributárias em meio eletrônico requeridas às pessoas de direito privado. Os programas geradores e todas as informações necessárias para a elaboração estão nos sites da RFB, da Secretaria de Fazenda do Estado do Ceará (SEFAZ-CE) e da Secretaria de Finanças de Fortaleza (SEFIN-Fortaleza).

  Quadro 1 – Exemplos declarações eletrônicas.

ENTE TRIBUTANTE SIGLA NOME

  União CAGED Cadastro Geral de Empregados e Desempregados DACON Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais DEFIS

  Declaração de Informações Socioeconômicas e Fiscais (Simples Nacional) DIMOB Declaração Informações sobre Atividades Imobiliárias DIPJ

  Declaração de Informações Econômico-fiscais da Pessoa Jurídica

DIRF Declaração de Imposto Retido na Fonte

ECD Escrituração Contábil Digital EFD- CONTIBUIđỏES

  Escrituração Fiscal Digital das Contribuições incidentes sobre a Receita DSPJ Inativas Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica Inativa GFIP

  Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia e Informações à Previdência Social

RAIS Relação Anual de Informações Sociais

DCTF

  Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais EFD Escrita Fiscal Digital

  • – ICMS e IPI Município GISS (FORTALEZA) Escrituração Digital e NFS-E

    Fonte: Elaborado pelo autor com base nos dados dos sites da RFB, da SEFAZ-CE e da SEFIN-Fortaleza no ano

    de 2013.

  Conforme o Quadro 1, percebe-se a variedade de obrigações acessórias em meio eletrônico. As declarações eletrônicas fazem referências a informações contábeis, fiscais e sociais de acordo com as necessidades estabelecidas por cada ente do Direito Público e variáveis, dentre outros fatores, de acordo com o regime de tributação. De acordo com a competência para estabelecer tributos de cada ente da Administração Pública, são requeridas as obrigações acessórias.

2.3.2 Sanções aplicadas pelo descumprimento

  O não cumprimento de uma declaração ou um simples erro e omissão de alguma informação no preenchimento possibilitam a ocorrência de penalidades. A Lei 8.137/90 define os crimes contra a ordem tributária, econômica e contras as relações de consumo. No tocante ao não cumprimento ou cumprimento de maneira errada das obrigações acessórias, no item I do art. 1 são definidos como crimes

  : “omitir informação, ou prestar declaração falsa às autoridades fazendárias; ”. São classificado crimes de mesma natureza, no item I do art. 2:

  “fazer declaração falsa ou omitir declaração sobre rendas, bens ou fatos, ou empregar outra fraude, para eximir-se, total ou parcialmente, de pagamento de tributo ”. (BRASIL, 1990)

  A Lei n° 10.406 de 2002, denominada Código Civil, estabelece, no art. 1177, em seu parágrafo único, “que o contabilista, no exercício de suas funções, é pessoalmente responsável perante terceiros pelos atos dolosos.

  ” (BRASIL, 2002). Caso, involuntariamente ou até mesmo por imperícia, o contador não informe algum dado importante, terá de responder de forma solidária ao cliente/empregador no pagamento das penalidades estabelecidas pelo ente tributante.

  Portanto, é fundamental ter o discernimento que o dever primordial do profissional contábil é gerar informações úteis para seus usuários internos, tais como sócios, administradores, entre outros

  • – informações referentes ao suporte de decisões econômicas, financeiras e gerenciais. Em entidades cuja estrutura não permite investimentos significativos nessa área, ou seja, em que não há possibilidade de alocar um número de pessoas adequado para atender todas as demandas de maneira satisfatória, os profissionais tem uma sobrecarga de trabalho muito do razoável, devido a quantidade de informações que deve fornecer.

3 METODOLOGIA

  Entende-se metodologia de pesquisa como uma série de métodos técnicos e científicos estabelecidos com o objetivo de apresentar soluções para os problemas levantados. A metodologia é comparável a um plano, cuja estrutura deve ser delineada para a investigação dos problemas.

  Esta é uma pesquisa do tipo descritivo, que, conforme Gil (2008), tem como objetivo descrever características dos fenômenos ou eventos em estudo. Tem-se como finalidade expor as características dos prestadores de serviços de contábeis do Município de Fortaleza, no tocante às obrigações tributárias e no cumprimento das obrigações acessórias tributárias.

  Quanto ao delineamento, esta pesquisa utiliza os meios bibliográficos para a coleta de informações. As principais fontes são artigos científicos e livros, no intuito de avaliar as análise da legislação vigente, através de leis, instruções normativas e decretos, com o objetivo de identificar alguns exemplos de obrigações acessórias tributárias abordadas pelo legislador.

  Em referência à natureza do problema apresentado, a pesquisa é caracterizada como qualitativa. Martins e Theóphilo (2007) estabelecem como características desse tipo de estudo a compreensão e o exame de informações sobre as quais não há a expressão de números. Corroborando a ideia anterior, Richardson (1999, apud BEUREN, 2008, p. 80) caracteriza os estudos dessa natureza como

  “aqueles que apresentam uma análise qualitativa para certa situação .”.

  A estratégia de pesquisa utilizada é o levantamento com coleta de dados. De acordo com BEUREN (2008), utiliza-se esse método quando há impossibilidade de estudar de maneira aprofundada cada objeto. A partir disso, buscou-se coletar as principais opiniões e atitudes das entidades contábeis, representadas por seus gestores, no tocante ao cumprimento das obrigações acessórias. Seguindo a orientação de BEUREN (2008), foram constituídas algumas fases para o desenvolvimento da pesquisa. Três delas foram consideradas: a)

  Fase 1: pesquisa bibliográfica, com o intuito aprofundar os conhecimentos sobre as matérias e legislações disponibilizadas; b)

  Fase 2: delimitação da pesquisa, visando a escolha da amostra utilizada e das técnicas de coletas utilizadas; c)

  Fase 3: aplicação de questionários junto aos representantes dos prestadores de serviços contábeis, responsáveis pelo gerenciamento das rotinas de trabalho de cumprimento das obrigações acessórias;

  A unidade social analisada é caracterizada pelas entidades prestadoras de serviços contábeis, representadas no estudo pelos responsáveis (gestores ou supervisores contábeis) ao cumprimento das obrigações acessórias tributárias. Para o universo de 583 organizações contábeis ativas existentes no mês de maio de 2013 em Fortaleza, foram recebidos e catalogados 40 questionários com as respostas. Devido à não adesão à pesquisa por parte das organizações contábeis, a amostra não é representativa, já que, de acordo com Gil (2011), a um nível de confiança de 95% e erro de 5%, seria necessário um número maior de respondentes.

  O questionário possuí questões de respostas fechadas e, em alguns itens, dependentes. Não foram utilizadas escalas de medidas. As questões faziam referências à informações sobre número de clientes, definição de honorários, serviços prestados, regimes de tributação adotados, contratação de auxiliares, quantidade de obrigações confeccionadas e relação entre os prestadores de serviços contábeis e os órgãos de classe.

  A coleta de dados da pesquisa foi realizada no período de maio e junho de 2013 e consistiu no envio, via e-mail, pelo próprio CRC-CE, de um questionário às empresas prestadoras de serviços contábeis do Município de Fortaleza-CE.

  Com o levantamento das informações, obtidas por meio das respostas dos questionários, foram identificados as influências causadas pelo cumprimento das obrigações acessórias das entidades contábeis nas jornadas e rotinas de trabalho. Igualmente, foi possível identificar quais as soluções encontradas pelas entidades para minimizar alguma influência na execução destas tarefas.

  Os dados obtidos foram catalogados e tabulados em planilhas, e os resultados estão apresentados na seção seguinte.

4 RESULTADOS

  A coleta de dados, de acordo com a metodologia, não foi representativa, em virtude do recebimento dos questionários ter sido apenas de 40 empresas prestadoras de serviços contábeis, ou seja, os resultados obtidos e apresentados nessa pesquisa não podem ser generalizados.

  A análise de dados será realizada, baseando-se nestes respondentes, em duas partes: a primeira com identificação dos participantes da pesquisa, e a segunda com a identificação das principais características referentes às rotinas de execução do trabalho dos prestadores de serviços contábeis.

  4.1 Perfil dos Respondentes

  Para identificar os participantes da pesquisa, foram elaborados três questionamentos: sexo, idade e nível de instrução. Dentre os que responderam à pesquisa, 85% eram homens, enquanto o restante eram pessoas do sexo feminino. A média de idade dos participantes da pesquisa foi de 43 anos.

  Em relação ao nível de instrução, verificou-se no Quadro 2 que 15% dos entrevistados são Técnicos em Contabilidade e 42% bacharéis em Ciências Contábeis. Observou-se também que 33% do total pesquisado possuem especialização ou mestrado na área contábil. Ou seja, em torno de 90% das pessoas que responderam ao questionário possuíam um relacionamento direto com a profissão, quer seja em nível técnico ou em níveis de formação superiores. Quadro 2 – Grau de Instrução.

  GRAU DE ESCOLARIDADE QUANTIDADE PERCENTUAL Técnico em Contabilidade 6 15% Bacharel em Ciências Contábeis

  17 42%

  • Outra Graduação Mestrado ou Especialização na área contábil

  13 33% Mestrado ou Especialização em outra área 2 5% Outros 2 5%

  Total 40 100% Fonte: Elaborada pelo autor.

  Isso indica que, da amostra analisada, os profissionais representantes das entidades contábeis possuem um nível aceitável de formação.

  4.2 Análise e Discussão dos Dados

  As questões relacionadas à identificação das características das entidades contábeis foram doze, que discorriam sobre pontos referentes ao modo como as entidades contábeis realizam seus serviços, desde o estabelecimento dos honorários até a definição de serviços extras.

  Gráfico 1 – Quantidade de Clientes. 8% Número de clientes 8% 4% Até 100

  De 101 a 150 De 151 a 200 De 200 a 250 80% Acima de 250 Fonte: Dados da pesquisa.

  Constatou-se, no Gráfico 1, que a maioria das entidades estudadas, individualmente, presta serviços contábeis até 100 clientes, isso representa 80% do total da amostra em estudo. Somente 20% das empresas prestam serviços individualizados a mais de 100 empresas. Não foram encontradas, na amostra, entidades que prestassem serviços a mais de 250 clientes.

  Em relação à opção do regime de tributação dos clientes, com o intuito de identificar a variedade de obrigações acessórias tributárias, a pesquisa identificou que existe uma diversificação, isto é, as organizações contábeis prestam serviços a empresas com os mais variados regimes.

  Gráfico 2 – Regimes de Tributação dos Clientes.

  Regimes de Tributação 23% 4% 4% Apenas Simples Nacional 5% Apenas Lucro Presumido Apenas Lucro Real Todos os Regimes Somente a dois desses 64% Regimes Fonte: Dados da pesquisa.

  De acordo com o Gráfico 2, as entidades prestadoras de serviços contábeis conseguem absorver simultaneamente empresas com as apurações do Lucro Real, do Lucro Presumido e do Simples Nacional. Em torno de 64% das entidades contábeis prestam serviços a clientes com os três regimes, e 23%, somente a dois, mesclando-os. A porcentagem de entidades que prestam somente serviços a um desses regimes é de 4% tanto para empresas optantes pelo Simples Nacional como para as optantes pelo Lucro Presumido. Por volta de 5% prestam Gráfico 3 – Serviços Executados.

  Serviços Executados 15% 7% Escrituração Contábil Escrituração Fiscal Assessoramento Depto.

  De Pessoal Todos os serviços 78% Outros Fonte: Dados da pesquisa.

  Além de prevalecerem os prestadores de serviços contábeis que realizam serviços a clientes com os mais variados regimes de tributação, consegue-se absorver as principais necessidades de seus clientes. De acordo com o Gráfico 3, 78% das empresas realizam, simultaneamente, a escrituração contábil, fiscal e assessoramento no departamento de pessoal. A execução somente de serviços contábeis é realizada por 7% das entidades pesquisadas. Serviços de auditoria, consultoria e assessoramento a órgãos público são realizados por 15% das organizações, encaixados em outros serviços. Na amostra, não foram encontradas empresas que realizassem, exclusivamente, serviços de escrituração fiscal ou assessoramento no departamento de pessoal.

  Ao estabelecerem os honorários através de contratos de prestação de serviços, os contabilistas avaliam os serviços que irão prestar aos seus clientes. De acordo com o Quadro3, leva-se principalmente em conta o montante de eventos ocorridos que teve 43% das respostas, ficando em segundo o regime de tributação com 28% e em terceiro o ramo de atividade com 18%. Em quarto lugar foi apontado o faturamento com 8% e, por fim, 1% da amostra em análise utiliza outras variáveis para o estabelecimento dos honorários. Verifica-se que os regimes de tributação influenciam no assessoramento contábil e fiscal, já que empresas decididas a reduzir carga tributária, através do planejamento tributário, necessitam de um assessoramento mais especializado, fazendo com que a entidade contábil estabeleça um honorário mais elevado. É importante destacar que os honorários são estabelecidos por um conjunto de variáveis, e não isoladamente por uma, dentre elas, pode-se relacionar na pesquisa algumas destas atividades ainda conforme o Quadro 3.

  Quadro 3 – Estabelecimento de Honorários.

  

Fatores que influenciam na formação de honorários Porcentagem

Faturamento

  8% Ramo de atividade 18% Regime de Tributação 28% Montante de eventos ocorridos 43% Outros

  1% Em outro questionamento apresentado, os respondentes informaram que se utilizam de auxílio de colaboradores para a execução dos serviços prestados num total de 93% das entidades que enviaram as respostas por e-mail, tornando evidente que o auxílio na execução de serviços contábeis não pode ser dispensado.

  O grau de instrução desses colaboradores na prestação dos serviços contábeis é variável. Como se pode verificar no Quadro 4, conta-se com o auxílio de estagiários, vinculados a alguma instituição de ensino superior, assim como, auxiliares não graduados e também graduados. Sócios com outras formações, como, por exemplo, Direito, também auxiliam na execução dos serviços.

  Quadro 4 – Grau de instrução dos colaboradores.

  

Grau de instrução dos colaboradores Porcentagem

Não graduado 38% Estagiários 23% Graduados 33% Sócios c/ atuação em outras áreas 3% Outros 3% Fonte: Dados da pesquisa.

  Conforme o Quadro 5, em relação ao cumprimento das obrigações acessórias, visualizou-se que a maior parte das entidades contábeis costuma confeccionar, mensalmente, pelo menos seis dessas obrigações tributárias; em média de 77% das entidades atendiam a esse número.

  Pôde-se perceber também que existem prestadoras de serviços contábeis que não confeccionam qualquer tipo de obrigação acessória, totalizando 8% da amostra em estudo. Em geral, são empresas de consultoria e auditoria contábil. Os objetivos dessas entidades são diferentes dos das prestadoras de serviços contábeis; elas procuram verificar os controles internos adotados, as veridicidades das informações contábeis etc.

  Quadro 5 – Quantidade de Obrigações Acessórias confeccionadas mensalmente.

  Quantidade de Obrigações Acessórias Mensais Porcentagem Nenhuma

  8% De 1 a 5 15% De 6 a 10 45% De 11 a 20 24% Mais de 20

  8% Fonte: Dados da pesquisa.

  De acordo com Quadro 6, além das obrigações mensais, quase que 100% das empresas prestadoras de serviços contábeis confecciona as obrigações anuais de seus clientes. Apesar disso, no período de envio das declarações, a maior parte não costuma contratar colaboradores temporários. Nesse período, são absorvidas concomitantemente as obrigações acessórias mensais e as anuais. Quadro 6 – Confecção e contratação de auxiliares temporários nas obrigações anuais.

  

Pergunta Respostas

Sim Não Confecção das Obrigações Acessórias anuais

  93% 7% Sim Não Utilização de colaboradores temporários 12% 88%

  Fonte: Dados da pesquisa

  Observou-se no Quadro 7 que era de praxe as entidades contábeis elaborarem a Declaração de Imposto de Renda Pessoa Física (DIRPF) dos sócios das empresas da qual prestam serviços contábeis. Neste caso é igual à cobrança de valores extras para a confecção da referida declaração. Isso indica que existem períodos nos quais, além das obrigações acessórias mensais, os prestadores de serviço contábeis devem absorver a confecção da DIRPF de seus clientes.

  Quadro 7 – Confecção e cobrança da DIRPF dos clientes.

  Pergunta Respostas Sim Não Confecção da DIRPF

  85% 15% Sim Não Cobrança de Valores 68% 32%

  Fonte: Dados da pesquisa.

  A maior parte dos responsáveis pelo preenchimento do questionário afirmou que o volume das obrigações acessórias atrapalha no assessoramento e gerenciamento dos negócios de seus clientes. Em torno de 68% dos contabilistas responderam conforme o Quadro 8, que poderiam produzir mais informações úteis e tempestivas aos usuários internos caso o número de obrigações acessórias fosse menor. Quadro 8

  • – Tempo Utilizado na elaboração das obrigações acessórias tributárias

  As obrigações acessórias exigidas demandam tempo que atrapalhe na prestação de Porcentagem outros serviços contábeis? Sim. Caso houvesse um número menor de obrigações, faria um assessoramento mais individualizado e produziria uma quantidade maior de informações úteis para a tomada de 68% decisões dos meus clientes. Sim. Porém, os valores dos honorários pagos são pequenos, logo é inviável gerar mais 8% informações úteis para a tomada de decisões dos meus clientes. Não. Embora o volume de declarações seja grande, consigo assessorar meus clientes, 15% gerando informações úteis para qualquer tipo de tomada de decisão. Não. O volume de declarações não é grande e consigo assessorar meus clientes, gerando 8% informações úteis para qualquer tipo de tomada de decisão. Outras Respostas

  1% Fonte: Dados da pesquisa.

  O Quadro 9 demonstra que há uma divisão na compreensão dos contabilistas das tentativas desse órgão no sentido de minimizar a influência das obrigações acessórias na rotina de execução dos trabalhos contábeis/fiscais. Para 26% da amostra, esse órgão tem

  48% dos respondentes, embora o CRC-CE realize essas medidas, elas não são suficientes para que as obrigações acessórias que causem desperdício de tempo e dinheiro aos profissionais contábeis. Quadro 9

  • – Medidas adotadas pelo CRC

  Sabe informar se o CFC/CRC toma algum tipo de medida para diminuir o impacto do Porcentagem volume de obrigações acessórias exigidas por lei? Sim. O CRC/CFC tem realizado palestras, cursos e eventos com o objetivo de fornecer suporte educacional ao contabilista no sentido de fornecer informações para o correto 26% cumprimento das obrigações acessórias. Sim. O CRC/CFC tem tomado medidas representativas contra os entes tributantes (União, Estados e Municípios) no sentido de diminuir ou simplificar as obrigações acessórias 11% existentes. Não. Embora o CRC/CFC realize palestras, cursos e eventos com o objetivo de fornecer suporte educacional ao contabilista, isso não é suficiente para que as obrigações acessórias 48% não causem prejuízos ao contabilista. Não. O CRC/CFC não tem tomado nenhuma medida para minimizar o impacto do volume 11% de obrigações acessórias ao contabilista. Não. O CRC/CFC tem ingerência sobre esse assunto. 4% Fonte: Dados da pesquisa.

  Nota-se, através das respostas obtidas, que a influência das obrigações tributárias é relevante para a organização contábil. Um lugar de destaque a este dever é dado, principalmente pela sua importância para o ente tributante e para evitar qualquer tipo de sanção aos sujeitos passivos.

  Identifica-se uma relação intrínseca entre o prestador de serviço contábil e a obrigação acessória tributária. Devido à necessidade de atender as demandas das administrações tributárias, em alguns casos, sente-se a necessidade de gerar mais informações ao usuário interno da Contabilidade.

5) CONSIDERAđỏES FINAIS

  A obrigação acessória tributária surge com a necessidade do Estado de fiscalizar e controlar as movimentações econômicas de seus contribuintes. Sua finalidade é fornecer informações para os entes tributantes sobre suas operações, sejam tributárias ou não.

  Após a análise das informações levantadas pela pesquisa bibliográfica, pôde-se verificar que é de comum acordo, tanto para os estudiosos das Ciências Contábeis como para os do Direito Tributário, que as obrigações acessórias ocupam um lugar de destaque na relação tributária. Por isso, esses conceitos foram levados em consideração na construção do instrumento de pesquisa, a qual teve como objetivo geral identificar a influência do volume de obrigações acessórias nas rotinas de trabalho dos prestadores de serviços contábeis do Município de Fortaleza.

  A influência dessa obrigação tributária começa na formação dos honorários contábeis. Percebeu-se que o regime de tributação é o segundo principal motivo no estabelecimento dos honorários profissionais, em primeiro plano somente o montante de eventos ocorridos.

  Clientes optantes por regimes de tributação mais complexos, além de necessitarem de uma assessoria mais especializada, são submetidos a um número maior de obrigações acessórias tributárias, e as penalidades pela não entrega são maiores. A entidade prestadora de serviço

  As organizações absorvem as necessidades dos clientes nos serviços de escrituração contábil, escrituração fiscal e assessoramento em departamento de pessoal, todos com obrigações acessórias exigidas pelos entes tributantes. Além das entidades terem de oferecer um bom assessoramento nesses três níveis de atuação, devem fornecer todas as informações requeridas pelas pessoas de Direito Público, já que a falta de uma delas gera penalidades aos contribuintes. São duas as formas de atuação: a primeira e fundamental é a de gerar informações úteis aos clientes; a segunda, a de gerar informações exigidas pelo ente tributante.

  Nesse sentido, destaca-se que o auxílio de colaboradores é imprescindível para a execução dos serviços. Por volta de 93% das organizações utilizam auxiliares com os mais diversos níveis de formação na prestação de serviços. Verifica-se que, sem o auxílio de colaboradores, é inviável a entidade prestadora de serviços contábeis absorver a todas as necessidades de seus clientes.

  A maioria das entidades indicou um número mínimo de seis obrigações acessórias, elaboradas mensalmente. Desta forma, existe um tempo adequado para a confecção e envio das obrigações acessórias tributárias que não podem deixar de serem geradas, para não causar sanções tributárias aos clientes. É usual os Contabilistas confeccionarem as obrigações anuais das empresas para quais as entidades prestam serviços, mas não é tão comum a contratação de colaboradores temporários. Concomitantemente, devem ser absorvidas as obrigações mensais e as anuais, indicando que uma estrutura de suporte adequada deve existir. Transtornos na geração de informações aos usuários internos da Contabilidade podem ser causados, caso não haja uma estrutura que consiga absorver essas duas necessidades.

  Na maior parte das entidades analisadas, não existe uma estrutura adequada a atender, ao mesmo tempo, às necessidades de informações dos clientes e do Estado. Por volta de 67% das entidades contábeis afirmaram que, se o número de obrigações acessórias fosse menor, produziriam mais informações úteis e tempestivas a seus clientes, fazendo um assessoramento de forma mais individualizada. O custo de não haver esse tipo de assessoramento pode ser elevado, fazendo, até mesmo, com que empresas encerrem suas atividades por não possuírem dados reais atualizados. As rotinas de trabalho dos prestadores de serviços contábeis são prejudicadas, já que o principal objetivo da Contabilidade

  • – gerar informações para a tomada de decisões
  • – não está sendo atendido de maneira completa, deixando uma margem a ser explorada.

  Constatou-se que o Conselho Regional vem realizando palestras, seminários e cursos com o objetivo de fornecer suporte ao profissional contábil, promovendo assim uma educação continuada a seus membros. Verificou-se que o Conselho tem agido no sentido dar suporte educacional para o discernimento das obrigações acessórias tributárias. Para 74% dos entrevistados, o CRC-CE tem realizado palestras, cursos e seminários com o objetivo de promover educação continuada a seus membros. Apesar disso, para 48% dos entrevistados, essas medidas não são suficientes para que as obrigações acessórias não causem danos à classe contábil no tocante as suas rotinas de trabalho.

  Dessa forma, verifica-se que o problema foi respondido e os objetivos propostos foram atingidos, no sentido que se realizou tudo o que se propôs a fazer. Por questões alheias a pesquisa, não se pode obter a representatividade. Sendo assim, os resultados apresentados não permitem generalizações, estando sujeitos a erros de amostragem.

  Sugere-se, para futuros estudos, que se amplie o número de respondentes da pesquisa e utilize-se da metodologia deste trabalho em outros municípios, em outras regiões do País,

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