UNIVERSIDADE DO ESTADO DE SANTA CATARINA - UDESC CENTRO DE CIÊNCIAS DA ADMINSITRAÇÃO CCAESAG CURSO DE MESTRADO EM ADMINISTRAÇÃO ÁREA DE CONCENTRAÇÃO: GESTÃO ESTRATÉGICA DAS ORGANIZAÇÕES ÉDIO JÁCOMO COAN

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(1)UNIVERSIDADE DO ESTADO DE SANTA CATARINA - UDESC CENTRO DE CIÊNCIAS DA ADMINSITRAÇÃO CCA/ESAG CURSO DE MESTRADO EM ADMINISTRAÇÃO ÁREA DE CONCENTRAÇÃO: GESTÃO ESTRATÉGICA DAS ORGANIZAÇÕES ÉDIO JÁCOMO COAN CONTROLE DE GESTÃO DA PARTICIPAÇÃO NO PRODUTO DA ARRECADAÇÃO DO ICMS NO MUNICÍPIO DE FLORIANÓPOLIS FLORIANÓPOLIS/2005

(2) ÉDIO JÁCOMO COAN CONTROLE DE GESTÃO DA PARTICIPAÇÃO NO PRODUTO DA ARRECADAÇÃO DO ICMS NO MUNICÍPIO DE FLORIANÓPOLIS Dissertação apresentada ao Curso de Mestrado em Administração da Universidade do Estado de Santa Catarina/Centro de Ciências da Administração como requisito à obtenção do grau de Mestre em Administração, na área de Gestão Estratégica das Organizações. Orientadora: Profª Ilse Maria Beuren, Dra. FLORIANÓPOLIS/2005

(3) O CONTROLE DE GESTÃO DA PARTICIPAÇÃO NO PRODUTO DA ARRECADAÇÃO DO ICMS NO MUNICÍPIO DE FLORIANÓPOLIS ÉDIO JÁCOMO COAN Esta dissertação foi julgada adequada para a obtenção do Título de Mestre em Administração (Gestão Estratégica das Organizações) e aprovada em sua forma final pelo Curso de Mestrado em Administração da Universidade do Estado de Santa Catarina. ____________________________________________ Prof. Mário César Barreto Moraes, Dr. Coordenador do Mestrado Apresentada à Comissão Examinadora, integrada pelos professores: _______________________________________ Profª Ilse Maria Beuren, Dra. Orientadora ____________________________________________ Prof. Mário César Barreto Moraes, Dr. Membro __________________________________________ Profª Clerilei Aparecida Bier, Dra. Membro Florianópolis, 13 de outubro de 2005

(4) AGRADECIMENTOS A Deus, pela origem da vida e por me ter concedido saúde e sabedoria para a constante evolução do conhecimento. Aos meus pais, Jácomo Coan Neto (in memorian) e Madalena Catâneo Coan, pelo carinho e educação e por terem possibilitado atingir meus objetivos. À minha esposa, Janete A. Veras Coan, e a minha filha Mariana Veras Coan, pela compreensão e incentivo nos momentos de dificuldades. À Professora Doutora Ilse Maria Beuren, pela compreensão, apoio, incentivo, paciência e eficiência com que corrigia nossas colocações nesta pesquisa. Aos colegas de Mestrado, pela amizade e carinho quando do convívio em nossas aulas. Aos colegas de trabalho, Luiz Cláudio, Irene, Edson, Nilce, Dirceu, Bernadete, e Roberto, pelo companheirismo e apoio, e de forma especial, ao colega Celso Manoel dos Santos Filho, pela contribuição no desenvolvimento desta pesquisa. À Prefeitura Municipal de Florianópolis por ter patrocinado esta pesquisa. A todos que não foram citados, mas que direta ou indiretamente contribuíram para a realização deste trabalho, meu muito obrigado.

(5) RESUMO O trabalho descreve o controle de gestão da Participação no Produto da Arrecadação do ICMS no Município de Florianópolis. Para tanto, realizou-se pesquisa exploratória, por meio de um estudo de caso, especificamente na Prefeitura Municipal de Florianópolis. A unidade de análise foi o setor do Controle do Movimento Econômico da Divisão de Fiscalização da Secretaria Municipal de Finanças. Os dados foram coletados em documentos do referido setor, relativo ao período de 2000 a 2004 e submetidos à análise quantitativa e qualitativa. Os resultados da pesquisa apontam para a necessidade de definição estrutural do setor do Controle do Movimento Econômico no organograma da Prefeitura Municipal de Florianópolis, assim como a reestruturação da equipe técnica e dos equipamentos de suporte. Conclui-se que o controle de gestão da Participação no Produto da Arrecadação do ICMS no Município de Florianópolis apresenta estrutura mínima, que precisa ser aprimorada. A criação de órgão específico no organograma da Secretaria Municipal de Finanças/Receita da Prefeitura Municipal de Florianópolis pode contribuir, o que deve dar-se através de Projeto de Lei a ser encaminhado ao Legislativo Municipal. A criação deste órgão implica em reestruturação física, técnica e de pessoal. Também exige a elaboração de fluxo de procedimentos detalhados das várias etapas para a padronização de procedimentos e servir de orientação aos responsáveis pelas rotinas e demais interessados. Palavras-chave: Controle de gestão. Movimento econômico. Participação no Produto da Arrecadação do ICMS.

(6) ABSTRACT The work describes the management control on the participation of the ICMS tax collection at the city of Florianópolis. For that, an explored survey was required, by a precisely case study at the Florianópolis town hall. The unity analyzed was the sector of economic movement control from the inspection section of the secretary s finance Office of the town hall. The dates were collected from documents of that sector, related to the period of 2000 to 2004 and submitted to quantitative and qualitative analyses. The results point to a need on the structural definition on the sector of economic movement control on the organization Chat of the town hall, just as well as the restructure of the technical team and the equipments. The conclusion is that the management control on the participation of the ICMS tax collection at the city of Florianópolis has a minimum structure, which needs to be improved. The creation of a specific institution on the organization Chat of the town hall can contribute, and for that a bill has to be approved by the legislative. The creation of this institution implies on physic restructure, technical and staff. Also requires the elaboration of a flow of detailed procedures on the various steps to establish a standard on procedures to serve as an orientation for the ones responsible for the routines and everybody else that is interested. Key-words: Management Control. Economic Movement. Participation of the ICMS tax collection.

(7) SUMÁRIO 1 INTRODUÇÃO........................................................................................................... 15 1.1 Tema e problema........................................................................................................ 16 1.2 Objetivos.................................................................................................................... 17 1.2.1 Objetivo geral.......................................................................................................... 17 1.2.2 Objetivos específicos............................................................................................... 17 1.3 Justificativa do estudo................................................................................................ 18 1.4 Organização do trabalho............................................................................................. 19 2 REVISÃO BIBLIOGRÁFICA................................................................................... 21 2.1 Evolução da autonomia dos municípios brasileiros................................................... 21 2.1.1 O município no período colonial............................................................................. 22 2.1.2 O município durante o Império............................................................................... 23 2.1.3 O município na República Velha Constituição de 1891...................................... 24 2.1.4 O município na Constituição de 1934..................................................................... 25 2.1.5 O município nas Constituições de 1946, 1967 e 1969............................................ 26 2.1.6 O município no Sistema Federativo atual Carta Magna de 1988......................... 28 2.2 Administração pública municipal............................................................................... 33 2.3 Gestão das receitas públicas municipais.................................................................... 36 2.3.1 Lei de Responsabilidade Fiscal............................................................................... 38 2.3.2 Classificação das receitas públicas.......................................................................... 39 2.3.2.1 Receita orçamentária............................................................................................ 40 2.3.2.2 Receita extra-orçamentária................................................................................... 41 2.3.3 Receitas dos municípios.......................................................................................... 41

(8) 2.3.3.1 Receita corrente.................................................................................................... 42 2.3.3.2 Receitas de transferências.................................................................................... 48 2.4 Participação do município no retorno do ICMS......................................................... 51 2.5 Controle de gestão governamental............................................................................. 54 2.5.1 Orçamento............................................................................................................... 55 2.5.2 Contabilidade........................................................................................................... 58 2.6 Gestão da participação no produto da arrecadação do ICMS.................................... 69 3 PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS............................................................. 71 3.1 Definição constitutiva de termos................................................................................ 71 3.2 Delineamento da pesquisa.......................................................................................... 73 3.3 Objeto de estudo e elementos de análise.................................................................... 75 3.4 Coleta e análise de dados............................................................................................ 76 3.5 Limitações da pesquisa............................................................................................... 77 4 O CONTROLE DE GESTÃO DA PARTICIPAÇÃO DO MUNICÍPIO DE FLORIANÓPOLIS NO PRODUTO DA ARRECADAÇÃO DO ICMS............... 79 4.1 O município de Florianópolis..................................................................................... 79 4.2 Organograma da Prefeitura de Florianópolis............................................................. 81 4.3 Legislação sobre o Movimento Econômico............................................................... 83 4.4 Controle efetuado pelo Município de Florianópolis relativo ao Movimento Econômico.................................................................................................................. 87 4.4.1 Cronograma estadual do Movimento Econômico durante o exercício................... 93 4.4.2 Estrutura e procedimentos adotados na PMF para controle do Movimento Econômico............................................................................................................... 94

(9) 4.4.2.1 Estrutura do controle atual na PMF..................................................................... 94 4.4.2.2 Procedimentos de controle do Movimento Econômico na PMF.......................... 95 4.4.2.3 Procedimentos para cálculo do índice do retorno do ICMS................................. 110 4.5 O Movimento Econômico do Município de Florianópolis........................................ 113 4.5.1 Índices de participação do Município de Florianópolis no retorno do ICMS......... 114 4.5.2 Reflexo do retorno da participação do ICMS na receita da PMF........................... 115 4.5.3 Repercussão financeira pela falta de controle do Movimento Econômico na receita da Prefeitura Municipal de Florianópolis.................................................... 116 4.6 Reformulação do Controle do Movimento Econômico............................................. 121 4.6.1 Proposta para o Controle do Movimento Econômico do Município de Florianópolis............................................................................................................ 121 4.6.2 Relevância da proposta de controle de gestão na participação do Município na arrecadação do ICMS.............................................................................................. 124 4.6.2.1 Análise comparativa da proposta com o controle adotado na PMF..................... 132 4.6.2.2 Implicações da falta de controle do Movimento Econômico............................... 133 5 CONCLUSÕES E RECOMENDAÇÕES................................................................. 135 5.1 Conclusões.................................................................................................................. 135 5.2 Recomendações.......................................................................................................... 138 REFERÊNCIAS............................................................................................................... 139

(10) LISTA DE QUADROS Quadro 1 - Síntese dos dispositivos legais que disciplinam a participação no retorno do ICMS Movimento Econômico em Santa Catarina................................. 53 Quadro 2 - Cronograma estadual relativo ao Movimento Econômico............................. 93 Quadro 3 - Cronograma do trabalho anual desenvolvido no setor de controle do Movimento Econômico da Secretaria Municipal de Finanças de Florianópolis ................................................................................................. 95 Quadro 4 - Demonstrativo da situação atual e situação proposta para o Movimento Econômico da Prefeitura de Florianópolis..................................................... 124

(11) LISTA DE FIGURAS Figura 1 - Organograma da Prefeitura Municipal de Florianópolis........................... 82 Figura 2 - Organograma da Secretaria Municipal de Finanças................................ 94 Figura 3 Fluxo inicial de procedimentos do controle do Movimento Econômico................................................................................................ Figura 4 - Fluxo de procedimentos do controle do Movimento Econômico para contribuinte inativo.................................................................................... Figura 5 100 - Fluxo de procedimentos do controle do Movimento Econômico para contribuinte ativos..................................................................................... Figura 9 99 - Fluxo de procedimentos do controle do Movimento Econômico para recurso de 2ª Instância............................................................................... Figura 8 98 - Fluxo de procedimentos do controle do Movimento Econômico no caso de deferimento ou não do Recurso de 1ª Instância.................................... Figura 7 97 - Fluxo de procedimentos do controle do Movimento Econômico em caso de intimação...................................................................................... Figura 6 96 101 - Fluxo de procedimentos do controle do Movimento Econômico referente a entrega da DIEF....................................................................... 102 Figura 10 - Fluxo de procedimentos do controle do Movimento Econômico para DIEF substitutiva....................................................................................... Figura 11 - Fluxo de procedimentos do controle do Movimento Econômico para montagem do Grupo de Trabalho.............................................................. Figura 12 104 105 - Fluxo de procedimentos do controle do Movimento Econômico preliminar a elaboração de recurso de 1ª instância...................... ............. 106

(12) Figura 13 - Fluxo de procedimentos do controle do Movimento Econômico para recursos de 1ª instância para empresas ativas........................................... Figura 14 - Fluxo de procedimentos do controle do Movimento Econômico para recursos de 2ª instância para empresas ativas........................................... Figura 15 108 - Fluxo de procedimentos do controle do Movimento Econômico referente Figura 16 107 a decisão de 2ª instância para empresas ativas.......................................................................................................... 110 - Organograma proposto para a Secretaria Municipal de Finanças............ 122

(13) LISTA DE TABELAS Tabela 1 - Quantitativo de empresas ativas no Município de Florianópolis classificas por categoria de faturamento..................................................... Tabela 2 - Demonstrativo de cálculo do índice de participação no retorno do ICMS......................................................................................................... Tabela 3 111 - Índice de participação no retorno do ICMS do Município de Florianópolis .............................................................................................. Tabela 4 88 114 - Percentual das receitas de IPTU, ISQN e ICMS em relação ao total da Receita Orçamentária do Município de Florianópolis................................ 115 Tabela 5 Demonstrativo de cálculo da Receita Mensal de Retorno do ICMS em 2002, com base no índice oficial obtido através do Controle do Movimento Econômico............................................................................... 116 Tabela 6 Demonstrativo de cálculo da Receita Mensal de Retorno do ICMS em 2002, com base no índice calculado obtido através dos relatórios iniciais sem o Controle do Movimento Econômico................................................. 117 Tabela 7 Demonstrativo da perda de receita em 2002, se não houvesse Controle do Movimento Econômico............................................................................... 118 Tabela 8 Demonstrativo de cálculo da Receita Mensal de Retorno do ICMS em 2003, com base no índice oficial obtido através do Controle do Movimento Econômico............................................................................... 119 Tabela 9 Demonstrativo de cálculo da Receita Mensal de Retorno do ICMS em 2003, com base no índice calculado obtido através dos relatórios iniciais sem o Controle do Movimento Econômico................................................. 119

(14) Tabela 10 Demonstrativo da perda de receita em 2003, se não houvesse Controle do Movimento Econômico............................................................................... 120 Tabela 11 - Acompanhamento da evolução do controle das entregas das DIEFs das empresas ativas de Florianópolis em 2000 com base em 1999.................. 125 Tabela 12 - Resumo das empresas avaliadas e recursos de 1ª Instância e 2ª Instância em 2000........................................................................................ 126 Tabela 13 - Acompanhamento da evolução do controle das entregas das DIEFs das empresas ativas de Florianópolis em 2001com base em 2000................... 127 Tabela 14 - Resumo das empresas avaliadas e recursos de 1ª Instância e 2ª Instância em 2001........................................................................................ 127 Tabela 15 - Acompanhamento da evolução do controle das entregas das DIEFs das empresas ativas de Florianópolis em 2002 com base em 2001.................. 128 Tabela 16 - Resumo das empresas avaliadas e recursos de 1ª Instância e 2ª Instância em 2002........................................................................................ 129 Tabela 17 - Acompanhamento da evolução do controle das entregas das DIEFs das empresas ativas de Florianópolis em 2003 com base em 2002.................. 129 Tabela 18 - Resumo das empresas avaliadas e recursos de 1ª Instância e 2ª Instância em 2003........................................................................................ 130 Tabela 19 - Acompanhamento da evolução do controle das entregas das DIEFs das empresas ativas de Florianópolis em 2004 com base em 2003.................. 131 Tabela 20 - Resumo das empresas avaliadas e recursos de 1ª Instância e 2ª Instância em 2004........................................................................................ 131

(15) LISTA DE SIGLAS a.C antes de Cristo CF/88 Constituição Federal de 05 de outubro de 1988 CID Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico COSIP Contribuição para custeio do serviço de iluminação pública CTN Código Tributário Nacional DIEF Declaração de Informações Econômico-fiscais EC/39 Emenda Constitucional nº 39 EPP Empresa de Pequeno Porte FPM Fundo de Participação dos Municípios GECAT Gerência de Cadastro Tributário da SEF GIA Guia de Informação e Apuração do ICMS IBAM Instituto Brasileiro de Administração Municipal ICMS Imposto de Circulação de Mercadorias e Serviços de Transportes Interestaduais e Intermunicipais e de Comunicação IPI Imposto de Produtos Industrializados IPTU Imposto Predial e Territorial Urbano IPUF Instituto de Planejamento Urbano de Florianópolis IPVA Imposto sobre Produtos de Veículos Automotores IRPF Imposto de Renda Pessoa Física IRPJ Imposto de Renda Pessoa Jurídica ISQN Imposto sobre Serviços de Qualquer Natureza ITR Imposto Territorial Rural LDO Lei de Diretrizes Orçamentárias LOA Lei Orçamentária Anual

(16) LRF Lei de Responsabilidade Fiscal PMF Prefeitura Municipal de Florianópolis SCGAS Empresa de distribuição de Gás em Santa Catarina SEF Secretaria de Estado da Fazenda do Estado de Santa Catarina SEFAZ Secretaria da Fazenda UFIR Unidade Fiscal de Referência VA Valor Adicionado

(17) 1 INTRODUÇÃO Os municípios, a partir de 1988, com a promulgação da nova Carta Magna, passaram a desempenhar papel mais ativo como ente federado. Bremaeker (2002, p. 5) destaca que Os Governos municipais tiveram reforçada sua autonomia, passando a assumir um papel de maior importância na prestação de serviços de interesse local, como também de serviços sociais de âmbito regional, para aqueles de maior porte econômico A nova Carta Magna veio fortalecer financeiramente os Municípios de maneira geral, mais especificamente através da sua participação nas transferências constitucionais, do que no aumento de sua capacidade de gerar tributos. Isto fica evidenciado na pesquisa efetuada pelo Instituto Brasileiro de Administração Municipal (IBAM), relatada por Bremaeker (2002, p. 5), de que nos primeiros anos da década de 90 os Municípios chegaram a concentrar 19% do volume de recursos financeiros arrecadados pelo Poder Público. O acréscimo financeiro que tiveram os Municípios fez com que a União e os Estados fossem transferindo gradativamente atividades de sua responsabilidade, sem as devidas contrapartidas de transferências de recursos. Isto fez com que fossem reduzindo os recursos financeiros nos cofres municipais, a ponto de em 2001 não passar de 14% da arrecadação do Poder Público, perfazendo um percentual de perda de arrecadação de 5% num período de 10 anos (BREMAECKER, 2002). Este cenário requer que seja promovida a reforma tributária. No entanto, esta deve ser precedida de um pacto federativo que promova a redistribuição das competências entre os entes da Federação, de maneira que haja uma repartição dos recursos de forma justa. Parte da reforma tributária já foi promulgada, mas esta não atende aos anseios dos prefeitos. Ficou estabelecido que a segunda etapa dessa reforma será em 2005 e 2006, e a terceira etapa ficará para 2007.

(18) 16 Resta aos Municípios se reestruturarem, encontrar formas de recuperar as receitas sonegadas, ou mal administradas, a fim de poder bem cumprir o seu papel junto à sociedade. A sociedade vem crescendo em termos populacionais e o município é o ente federativo mais próximo onde pode cobrar resultados mais imediatos. 1.1 Tema e problema As fontes de receitas dos Municípios, conforme a Constituição da República Federativa do Brasil, promulgada em 05 de outubro de 1988, CF/88, são as Receitas Tributárias e as Receitas de Transferências. Com relação às receitas tributárias, os municípios, principalmente os de grande porte, têm grupos de fiscais incumbidos de controlar e cobrar as evasões fiscais existentes no Município. No que concerne às receitas de transferência, o Fundo de Participação dos Municípios (FPM), receita transferida da União aos Municípios (art. 159, Item b , da CF/88) e, principalmente, o Retorno do ICMS (art. 158, inciso IV, da CF/88), são para muitos municípios as principais rendas. Especificamente o Retorno do ICMS não possui efetivamente um controle a não ser através de Associações de Municípios e algumas prefeituras. Pela quantidade mínima de técnicos das Prefeituras Municipais e das Associações de Municípios envolvidos no Controle do Movimento Econômico, e, pela quantidade de municípios abrangidos por cada Associação de Municípios, pouco pode ser feito no sentido de controlar e fiscalizar o volume de Declaração de Informações Econômico-Fiscais (DIEF) entregues, relativas a cada município. Em municípios de médio e grande porte pode-se vislumbrar alguns técnicos envolvidos no Controle do Movimento Econômico, mas sem uma formalização de controle específica e sem padronizações de rotinas. As informações e seqüências de controle estão

(19) 17 praticamente com as pessoas envolvidas no processo, correndo-se o risco de descontinuidade do serviço na falta dessas pessoas, visto não haver uma formalização desse controle. Por conseguinte, o que pode acontecer com o controle da Participação? Neste contexto, elaborou-se a seguinte questão-problema de pesquisa: Que modelo de controle de gestão da Participação do Produto da Arrecadação do ICMS no Município de Florianópolis é possível estabelecer a partir da realidade atual? 1.2 Objetivos Nesta sessão apresentam-se o objetivo geral e objetivos específicos da presente pesquisa: 1.2.1 Objetivo geral O objetivo geral do trabalho é descrever o controle de gestão da Participação no Produto da Arrecadação do ICMS no Município de Florianópolis. 1.2.2 Objetivos específicos Com base no objetivo geral elaboraram os seguintes objetivos específicos: a) descrever a estrutura e os procedimentos adotados na Prefeitura Municipal de Florianópolis para o controle do Movimento Econômico para fins de retorno do ICMS;

(20) 18 b) verificar a influência do controle de gestão utilizado no Município de Florianópolis na participação do Produto da Arrecadação do ICMS; c) identificar os índices de participação do Município de Florianópolis no retorno do ICMS e o reflexo do retorno da participação na receita da Prefeitura Municipal de Florianópolis no período de 2000 a 2004; e d) apresentar proposta para o Controle da Gestão do Movimento Econômico no Município de Florianópolis. 1.3 Justificativa do estudo Conforme Roesch (1999, p. 99), justificar é apresentar razões para a própria existência do projeto . Neste sentido, destaca que um projeto também pode ser justificado por meio de sua importância, oportunidade e viabilidade. Esta pesquisa tem sua validade justificada, pois ao analisar o controle efetivo do Movimento Econômico no município de Florianópolis, procurou-se identificar a necessidade ou não de um controle padronizado do setor, bem como sugerir uma proposta mínima de estrutura organizacional. Deixar registrados todos os procedimentos adotados no setor do Controle do Movimento Econômico, permite que técnicos e autoridades municipais possam buscar subsídios para dar seqüência ao trabalho. O estudo buscou descrever todos os procedimentos, desde o momento da entrega da Declaração de Informações Econômico-Fiscais (DIEF), até o momento do efetivo cálculo do índice de retorno do Movimento Econômico. Servirá como fonte de consulta para qualquer servidor municipal que venha a trabalhar na área, o que não ocorre no presente momento, tendo em vista que as informações estão concentradas em determinadas pessoas, de forma empírica e não documentada.

(21) 19 Demonstrará como proceder as auditorias necessárias, conferências de valores e acompanhamento de relatórios. O que deve ser verificado, como proceder, os documentos que serão exigidos do contribuinte, enfim dar-se-á ao funcionário condições de executar o serviço administrativo de controle do Movimento Econômico, de forma seqüencial. Sob o aspecto teórico o estudo justifica-se tendo em vista que reúne fragmentos da legislação e de abordagens teóricas sobre o tema. Além disso, busca contribuir para uma melhor compreensão da necessidade de gestão da participação municipal no produto da arrecadação do ICMS, na medida em que se relaciona a teoria com a prática. 1.4 Organização do trabalho Levando em conta o problema apresentado e os objetivos formulados, o trabalho está dividido em cinco capítulos. No primeiro capítulo apresenta-se a introdução do estudo. Define-se neste capítulo o tema e o problema de pesquisa e os objetivos geral e específicos. Em seguida evidenciam-se a justificativa teórica e prática do trabalho e a organização do trabalho. No segundo capítulo contempla-se a revisão de literatura que fundamenta o estudo. Inicia-se pela evolução da autonomia dos municípios brasileiros. Descreve-se a seguir sobre a administração pública municipal. Na seqüência, aborda-se a gestão das receitas públicas municipais e a participação do município no produto da arrecadação do ICMS. Em seguida faz-se uma incursão no controle de gestão governamental e comenta-se sobre o controle de gestão da participação da arrecadação do ICMS. No terceiro capítulo são descritos os procedimentos metodológicos adotados na pesquisa. Apresentam-se as perguntas de pesquisa e a definição constitutiva de termos. A

(22) 20 seguir é feito o delineamento da pesquisa e apontado o objeto de estudo e os elementos de análise. Depois enfoca-se a coleta e análise de dados, além das limitações da pesquisa. No quarto capítulo apresenta-se a Proposta de controle de gestão da participação do Município de Florianópolis no produto da arrecadação do ICMS. Faz-se descrição histórica do município e apresenta-se o organograma da Prefeitura de Florianópolis. Aborda-se a legislação e o controle efetuado pelo município de Florianópolis relativo ao Movimento Econômico. Evidenciam-se o cronograma estadual, a estrutura e procedimentos adotados na PMF para esse controle. Descreve-se como se apresentam a estrutura atual e os procedimentos de controle na PMF, assim como os procedimentos para cálculo do índice do retorno do ICMS. Depois aborda-se o Movimento Econômico de Florianópolis, comentando-se sobre os índices de participação e o reflexo desse retorno na receita da PMF. Na seqüência propõe-se sobre a reformulação do controle do Movimento Econômico no município de Florianópolis, apresentando proposta referente a este controle em Florianópolis, a influência desta proposta na participação municipal no retorno do ICMS, fazendo análise comparativa da proposta, as implicações da falta desse controle, ultimando com sugestões para melhorias na PMF. Por último, no quinto capítulo são expostas as conclusões da pesquisa e recomendações para futuros estudos sobre o tema pesquisado.

(23) 21 2 REVISÃO BIBLIOGRÁFICA O presente capítulo apresenta a revisão bibliográfica do estudo. Primeiramente faz uma incursão na evolução da autonomia dos municípios brasileiros, contemplando uma visão da autonomia dos municípios desde o período colonial até a Carta Magna de 1988. Segue abordando a administração pública municipal e a gestão das receitas públicas. Enfatiza a participação do município no retorno do ICMS, bem como comenta sobre o controle de gestão governamental. Na seqüência, aborda sobre a gestão da participação no produto da arrecadação do ICMS. 2.1 Evolução da autonomia dos municípios brasileiros O Município brasileiro, como unidade político-administrativa, tem sua origem na República Romana, situação esta imposta às regiões conquistadas, como a Península Ibérica, de onde naturalmente, chegou ao Brasil-Colônia (IBAM, www.ibam.org.br ). Conforme IBAM (www.ibam.org.br ), foi assim que, inspirado no modelo romano, onde exercia funções políticas, legislativas e administrativas, o Município também recebeu influências de visigodos e árabes, chegando à comuna portuguesa para, então, vir a se implantar em terras brasileiras. Dessa forma, nesta sessão descreve-se aspectos da evolução histórica e da autonomia dos municípios brasileiros, iniciando no Brasil Colônia, passando pelo governo municipal no período do império, entrando na república velha, passando pelas Constituições de 1934, 1946, 1967, 1969 e culminando com a de 1988, onde o município passou a ser de fato e de direito um ente federado.

(24) 22 2.1.1 O município no Período Colonial Segundo IBAM (www.ibam.org.br ), o Brasil foi regido pelas Ordenações Afonsinas, Manuelinas e Filipinas desde o seu descobrimento até a independência. De acordo com a fonte, ao descobrir o Brasil, as ordenações que regiam Portugal foram transplantadas para o Brasil, inclusive o modelo municipal lusitano, com as mesmas atribuições políticas, administrativas e judiciais. Dessa forma, nossos municípios tinham um Presidente, três vereadores, um procurador, dois almocatés, um escrivão, um juiz de fora vitalício e dois juízes comuns, eleitos com os vereadores. Assim nasceu a administração da primeira vila brasileira, a de São Vicente, em 1532. Apesar dessa composição dada à vila brasileira, continuava a não ter uma autonomia específica. Mello (1991, p. 9) cita que, sem renda por não possuir quase nenhum poder de imposição, e administrado pelos agentes do rei de Portugal, o Município colonial brasileiro, permaneceu como comunidade, num estágio bastante primitivo; e foi altamente ineficiente como unidade de governo . No entanto, IBAM (www.ibam.org.br) salienta que: Apesar de praticamente subjugados pelo poder centralizador das Capitanias, os Municípios Brasileiros, através de suas Câmaras, sempre buscaram autonomia e independência administrativa da Metrópole, apoiados pela Igreja, nunca pelos Donatários. [...] É com registro do poder e da crescente autonomia dessas Câmaras que o projeto da Constituição de 1824 lhes foi submetido. Ressalta-se que a igreja sempre esteve presente nos momentos de decisões em qualquer estágio político ou social, e foi fundamental seu apoio na busca da autonomia e independência das Câmaras. Seguindo a evolução histórica da autonomia municipal, abordase na seqüência o município no período imperial.

(25) 23 2.1.2 O município durante o Império Com a criação das câmaras municipais, através da Constituição Imperial de 25 de março de 1824, outorgada por D. Pedro I (www.planalto.gov.br), tem início o processo de autonomia dos municípios brasileiros, cujos teores estão implicitamente narrados em seus arts. 167 e 169, como segue: Art. 167 - Em todas as Cidades e Villas ora existentes, e nas mais, que para o futuro se crescerem haverá Câmaras, às quais compete o Governo Econômico, e municipal das mesmas Cidades e Villas. [...] Art. 169. O exercício de suas funções municipais, formação de suas Posturas policiais, aplicação de suas rendas, e todas as suas particulares, e úteis atribuições, serão decretadas por uma Lei Regulamentar. Nunes (1982) considera ser a Constituição de 1824 a precursora da história municipal no Brasil. Contudo, o que se pode observar é que imperava a centralização da administração e da economia, já que não havia sido contemplada na Carta Magna qualquer destinação de dotações para os municípios. A Constituição de 1824, no seu art. 170, (www.planalto.gov.br) deixa evidente que o controle das receitas e despesas eram centralizados em um único órgão, responsável por administração, arrecadação e contabilidade: Art. 170 - A receita e a despesa da Fazenda Nacional será encarregada a um Tribunal, debaixo do nome Tesouro Nacional aonde em diversas estações, devidamente estabelecidas por Lei, se regulará sua administração, arrecadação e contabilidade, em recíproca correspondência com a tesouraria, e Autoridades das Províncias do Império. Com o apoio da igreja, nunca dos donatários, as Câmaras Municipais buscaram autonomia e independência da Metrópole, bem como ficou atestado sua participação ativa no movimento da independência.

(26) 24 Preocupados com o crescimento de poder das Câmaras Municipais, o Império editou a Lei Regulamentar nº 28, de 1º de outubro de 1828 (www.ibam.org.br), dispondo em seu art. 24 a retirada de suas funções políticas e financeiras, transformando-as em corporações meramente administrativas: Art. 24 - As Câmaras são corporações meramente administrativas, e não exercerá jurisdição alguma contenciosa. Nesse sentido, IBAM (www.ibam.org.br ) menciona que, os Municípios passaram a ser tutelados, perdendo a função judicante, que lhes dera prestígio e poder no período colonial. Pode-se dizer que o império congelou as instituições municipais, impedindo-lhes a dinâmica e a ação e reduzindo-as ao imobilismo e à apatia. Os municípios permaneceram relegados ao imobilismo e apatia até o advento da Constituição de 1891, quando um novo horizonte surgiu para as instituições municipais. 2.1.3 O município na República Velha Constituição de 1891 Com a implantação do governo republicano e a promulgação da Constituição da República dos Estados Unidos do Brasil, em 24 de fevereiro de 1891, começou uma nova etapa dos municípios (IBAM, www.ibam.org.br ). Os Municípios passaram a ser dependentes do Estado, ou seja, das oligarquias estaduais, onde o poder político estava concentrado nas mãos dos velhos caciques, que dominavam a política estadual. De acordo com IBAM (www.ibam.org.br), o descaso em relação ao Município era tanto, onde a influência servia apenas para o jogo político, que a própria Constituição da República só lhe dedica um único artigo, o nº 68, que diz:

(27) 25 Art. 68 - Os Estados organizar-se-ão de forma que fique assegurada a autonomia dos Municípios, em tudo que diga respeito ao seu peculiar interesse. Como o Município não tinha definidas suas diretrizes, ficou sujeito aos interesses e às feições que lhe desse o Estado. Restou, portanto, ao Estado organizar e definir a competência destas instituições municipais, definir a composição do governo, o tipo de controle que exerceria, nomear o Chefe do Poder Executivo, enfim e sem exceção, manipular as finanças municipais. Os Municípios passaram a ser usados como massa de manobra para as eleições, pelos Governadores ou Presidentes estaduais, fazendo com que permanecessem as oligarquias e o statu quo (IBAM, www.ibam.org.br). Essa forma de governo perdurou até 1926, quando ocorreu a Reforma Constitucional, estabelecida através de movimentos políticos, concedendo à União o direito de intervir nos Estados para proteger a autonomia dos Municípios. Voltam os Municípios a vislumbrarem a possibilidade de restabelecerem suas autonomias. 2.1.4 O município na Constituição de 1934 No período de 1930 a 1934, fatos políticos levaram Getúlio Vargas a convocar uma Assembléia Constituinte, resultando na Constituição de 16 de julho de 1934. Esta Constituição reduzia a competência dos Estados, restabelecia a Federação e a organização municipal passa a adquirir uma autonomia de nível de importância equivalente a da União e a do Estado (IBAM, www.ibam.org.br). A Constituição de 1934 (www.planalto.gov.br), assim estatuía em seu art. 13, incisos I a VI e parágrafos: Art 13 - Os Municípios serão organizados de forma que lhes fique assegurada a autonomia em tudo quanto respeite ao seu peculiar interesse; e especialmente:

(28) 26 I - a eletividade do Prefeito e dos Vereadores da Câmara Municipal, podendo aquele ser eleito por esta; II - a decretação dos seus impostos e taxas, a arrecadação e aplicação das suas rendas; III - A organização dos serviços de sua competência. § 1º - O Prefeito poderá ser de nomeação do Governo do Estado no Município da Capital e nas estâncias hidrominerais. § 2º - Além daqueles de que participam, ex vi dos arts. 8º, § 2º, e 10, parágrafo único, e dos que lhes forem transferidos pelo Estado, pertencem aos Municípios: I - o imposto de licenças; II - os impostos predial e territorial urbanos, cobrado o primeiro sob a forma de décima ou de cédula de renda; III - o imposto sobre diversões públicas; IV - o imposto cedular sobre a renda de imóveis rurais; V - as taxas sobre serviços municipais. § 3º - É facultado ao Estado a criação de um órgão de assistência técnica à Administração municipal e fiscalização das suas finanças. § 4º - Também lhe é permitido intervir nos Municípios a fim de lhes regularizar as finanças, quando se verificar impontualidade nos serviços de empréstimos garantidos pelos Estados, ou pela falta de pagamento da sua dívida fundada por dois anos consecutivos, observadas, naquilo em que forem aplicáveis, as normas do art. 12. A partir desta Constituição fica consolidada a autonomia dos municípios brasileiros. Esta assertiva é constatada em IBAM (www.ibam.org.br): Apesar da Constituição de 34 ser derrogada pela de 37, que instituiu o Estado Novo, que se estendeu até 1945, os horizontes que ela abriu para os Municípios não mais seriam esquecidos e consolidariam a tendência de lhes ampliar o papel e garantir a autonomia, tornando-a mais imune ao jogo político-eleitoral dos Estados e das oligarquias regionais. Apesar da criação do Estado Novo com a Carta Magna de 1937, evidencia-se o sentimento que permaneceu relativo aos municípios e todas as conquistas relativas a sua autonomia. As Constituições de 1946, 1967 e 1969, vêm referendar essa conquista. 2.1.5 O município nas Constituições de 1946, 1967 e 1969 Os arts. 23 e 28 da Constituição de 1946 (www.planalto.gov.br), trazem em seu contexto fatores que possibilitaram avanços em relação à autonomia dos municípios

(29) 27 brasileiros. O art. 23 estatui que os Estados não mais intervirão nos municípios senão para organizar suas finanças quando constatadas irregularidades, como segue: Art. 23 - Os Estados não intervirão nos Municípios, senão para lhes regularizar as finanças, quando: I - se verificar impontualidade no serviço de empréstimo garantido pelo Estado; II - deixarem de pagar, por dois anos consecutivos, a sua dívida fundada. Por sua vez, o art. 28 da Constituição de 1946 estabelece a forma como se dá a autonomia do Município. Art 28 - A autonomia dos Municípios será assegurada: I - pela eleição do Prefeito e dos Vereadores; II - pela administração própria, no que concerne ao seu peculiar interesse e, especialmente, a) à decretação e arrecadação dos tributos de sua competência e à aplicação das suas rendas; b) à organização dos serviços públicos locais. § 1º - Poderão ser nomeados pelos Governadores dos Estados ou dos Territórios os Prefeitos das Capitais, bem como os dos Municípios onde houver estâncias hidrominerais naturais, quando beneficiadas pelo Estado ou pela União. § 2º - Serão nomeados pelos Governadores dos Estados ou dos Territórios os Prefeitos dos Municípios que a lei federal, mediante parecer do Conselho de Segurança Nacional, declarar bases ou portos militares de excepcional importância para a defesa externa do País. Esta Constituição possibilitou dois fatores importantes ao município: o poder de decretar e arrecadar tributos de sua competência e a aplicação de suas rendas; bem como a organização dos serviços públicos locais, reforçando, assim, a autonomia dos municípios. As Constituições de 1967 e 1969 mantiveram a autonomia política, administrativa e financeira dos municípios, conquistadas nas Constituições anteriores. No entanto, alteraram alguns fatores, como a centralização de poderes políticos por parte da União, atingindo também os Estados. Na Constituição de 1967 (www.planalto.gov.br), em seu art. 16, § 1º, alínea a consta que:

(30) 28 Art 16 - A autonomia municipal será assegurada: I - ... II - ... a) ... b) ... § 1º - Serão nomeados pelo Governador, com prévia aprovação: a) da Assembléia Legislativa, os Prefeitos das Capitais dos Estados e dos Municípios considerados estâncias hidrominerais em lei estadual; [...] Os Prefeitos de Capitais e Estâncias Hidrominerais seriam, obrigatoriamente, nomeados pelos governadores. A Constituição de 1969 manteve os mesmos critérios eletivos para os prefeitos de capitais e estâncias hidrominerais. As alterações ocorridas, relativas à autonomia dos municípios, nas Constituições de 1946, segundo Reitz (2000, apud MONTORO, 1975), estão restritas à autonomia política. Na de 1946, a nomeação poderia ser estabelecida pelos Estados, o que a de 1967, e mantida pela de 1969, tornou obrigatória para várias hipóteses, como foi o caso de Prefeitos de Capitais e Instâncias Hidrominerais. Entende-se, portanto, que as Constituições de 1946, 1967 e 1969, alteraram substancialmente a autonomia política dos municípios, nada alterando a autonomia administrativa. Com o advento da Carta Magna de 1988, os municípios passaram a ter autonomia política e administrativa, respeitadas as devidas competências. 2.1.6 O município no Sistema Federativo atual Carta Magna de 1988 Com a promulgação da Constituição da República Federativa do Brasil de 05 de outubro de 1998 (CF/88), os municípios passaram a integrar a Federação, fatores estes garantidos nos arts. 1º, Incisos I à V, e 18º, da presente Carta Magna: Art. 1º - A República Federativa do Brasil, formada pela união indissolúvel dos Estados e Municípios e do Distrito Federal, constitui-se em Estado Democrático de Direito e tem como fundamentos:

(31) 29 I - a soberania; II - a cidadania; III - a dignidade da pessoa humana; IV - os valores sociais do trabalho e da livre iniciativa; V - o pluralismo político. [...] Art. 18 - A organização político-administrativa da República Federativa do Brasil compreende a União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios, todos autônomos, nos termos desta Constituição. Meirelles (2002) argumenta que a Constituição da República de 1988, em seus arts. 1º e 18º, corrigindo falha das anteriores, integrou o município na Federação como entidade de terceiro grau. Nesta perspectiva, Vedana (2002, p. 27) também comenta que: O Município brasileiro passou, a partir da Constituição da República Federativa do Brasil de 1988, à condição de entidade estatal: desfruta de autonomia política, administrativa e financeira; atua paralelamente à União e aos Estados em assuntos de competência privativa, tal como o de legislar sobre assuntos de interesse local. Esta Carta Magna de 1988 veio trazer definitivamente autonomia aos Municípios. Além de defini-lo como ente federativo, discriminou constitucionalmente sua competência, sua forma de organização e o poder de instituir seus impostos. Parte destes dispositivos estão gravados no art. 29: Art. 29 - O Município reger-se-á por lei orgânica, votada em dois turnos, com o interstício mínimo de dez dias, e aprovada por dois terços dos membros da Câmara Municipal, que a promulgará, atendidos os princípios estabelecidos nesta Constituição, na Constituição do respectivo Estado e os seguintes preceitos: I - eleição do Prefeito, do Vice-Prefeito e dos Vereadores, para mandato de quatro anos, mediante pleito direto e simultâneo realizado em todo o País; II - eleição do Prefeito e do Vice-Prefeito realizada no primeiro domingo de outubro do ano anterior ao término do mandato dos que devam suceder, aplicadas as regras do art. 77 no caso de Municípios com mais de duzentos mil eleitores; III - posse do Prefeito e do Vice-Prefeito no dia 1º de janeiro do ano subseqüente ao da eleição; IV - número de Vereadores proporcional à população do Município, observados os seguintes limites: a) mínimo de nove e máximo de vinte e um nos Municípios de até um milhão de habitantes; b) mínimo de trinta e três e máximo de quarenta e um nos Municípios de mais de um milhão e menos de cinco milhões de habitantes; c) mínimo de quarenta e dois e máximo de cinqüenta e cinco nos Municípios de mais de cinco milhões de habitantes;

(32) 30 V - subsídio do Prefeito, do Vice-Prefeito e dos Secretários Municipais fixado por lei de iniciativa da Câmara Municipal, observado o que dispõe os arts. 37, XI, 39, § 4º, 150, II, 153, III, e 153, § 2º, I; VI - subsídio dos Vereadores fixado por lei de iniciativa da Câmara Municipal, na razão de, no máximo, setenta e cinco por cento daquele estabelecido, em espécie, para os Deputados Estaduais, observado o que dispõe os arts. 39, § 4º, 57, § 7º, 150, II, 153, III, e 153, § 2º, I; VII - o total da despesa com a remuneração dos Vereadores não poderá ultrapassar o montante de 5% (cinco por cento) da receita do município; VIII - inviolabilidade dos Vereadores por suas opiniões, palavras e votos no exercício do mandato e na circunscrição do Município; IX - proibições e incompatibilidades, no exercício da vereança, similares, no que couber, ao disposto nesta Constituição para os membros do Congresso Nacional e, na Constituição do respectivo Estado, para os membros da Assembléia Legislativa; X - julgamento do Prefeito perante o Tribunal de Justiça; XI - organização das funções legislativas e fiscalizadoras da Câmara Municipal; XII - cooperação das associações representativas no planejamento municipal; XIII - iniciativa popular de projetos de lei de interesse específico do Município, da cidade ou de bairros, através de manifestação de, pelo menos, cinco por cento do eleitorado; XIV - perda do mandato do Prefeito, nos termos do art. 28, § 1º. Depreende-se que no art. 29 foram estabelecidos a forma como deve ser regido o município, os procedimentos de escolha dos prefeitos e vice-prefeitos, a proporcionalidade na escolha de vereadores, os subsídios de prefeitos, vice-prefeitos e secretários municipais, bem como dos vereadores. Adicionalmente, define as limitações de remuneração, proibições e incompatibilidades no exercício da vereança, além das formas de organização das Câmaras Municipais e suas responsabilidades de cooperação com a municipalidade e da iniciativa na elaboração popular de projetos de lei. Finaliza o artigo definindo a perda de mandato do Prefeito. Ressalta-se que, conforme Resolução nº 21.702, de 02 de abril de 2004, do Tribunal Superior Eleitoral TSE, em seus arts. 1º, 2º, 3º e anexo (www.tse.gov.br ), veio instruir as regras necessárias ao inciso IV, itens a, b e c do art. 29 da CF/88 conforme segue: Art. 1o Nas eleições municipais deste ano, a fixação do número de vereadores a eleger observará os critérios declarados pelo Supremo Tribunal Federal no julgamento do RE no 197.917, conforme as tabelas anexas. Parágrafo único. A população de cada município, para os fins deste artigo, será a constante da estimativa do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE)

(33) 31 divulgada em 2003. Art. 2o Até 1o de junho de 2004, o Tribunal Superior Eleitoral verificará a adequação da legislação de cada município ao disposto no art. 1o e, na omissão ou desconformidade dela, determinará o número de vereadores a eleger. Art. 3o Sobrevindo emenda constitucional que altere o art. 29, IV, da Constituição, de modo a modificar os critérios referidos no art. 1o, o Tribunal Superior Eleitoral proverá a observância das novas regras. Esta Resolução veio regulamentar o número de vagas de vereadores em cada município brasileiro, ficando definido em seu anexo, para população de 333.334 até 380.952 habitantes, 16 vereadores. Classificação esta em que se encontra o município de Florianópolis. O art. 30 da Carta Magna de 1988 define as competências gerais do município: Art. 30 - Compete aos Municípios: I - legislar sobre assuntos de interesse local; II - suplementar a legislação federal e a estadual no que couber; III - instituir e arrecadar os tributos de sua competência, bem como aplicar suas rendas, sem prejuízo da obrigatoriedade de prestar contas e publicar balancetes nos prazos fixados em lei; IV - criar, organizar e suprimir distritos, observada a legislação estadual; V - organizar e prestar, diretamente ou sob regime de concessão ou permissão, os serviços públicos de interesse local, incluído o de transporte coletivo, que tem caráter essencial; VI - manter, com a cooperação técnica e financeira da União e do Estado, programas de educação pré-escolar e de ensino fundamental; VII - prestar, com a cooperação técnica e financeira da União e do Estado, serviços de atendimento à saúde da população; VIII - promover, no que couber, adequado ordenamento territorial, mediante planejamento e controle do uso, do parcelamento e da ocupação do solo urbano; IX - promover a proteção do patrimônio histórico-cultural local, observada a legislação e a ação fiscalizadora federal e estadual. As competências gerais definidas neste art. 30 abrangem a forma de legislar referente a assuntos locais ou suplementar a legislação federal e estadual, dá competência para instituir tributos e aplicar suas rendas. Possibilita criar, organizar e suprimir distritos, controlar os serviços públicos. Repassa a responsabilidade de manter o ensino pré-escolar ou fundamental em parceria com a União, bem como atendimento à saúde da população. Permite promover o ordenamento territorial mediante planejamento, controle, parcelamento e a ocupação do solo urbano, bem como permite que se promova a proteção do patrimônico histórico-cultural.

(34) 32 No art. 156, a Carta Magna de 1988 define a competência específica do município relativa a instituição dos tributos: Art. 156 - Compete aos Municípios instituir impostos sobre: I - propriedade predial e territorial urbana; II - transmissão inter vivos, a qualquer título, por ato oneroso, de bens imóveis, por natureza ou acessão física, e de direitos reais sobre imóveis, exceto os de garantia, bem como cessão de direitos a sua aquisição; III - serviços de qualquer natureza, não compreendidos no art. 155, II, definidos em lei complementar; Relevante também, para a autonomia dos Municípios, principalmente a financeira, foi a instituição do art. 151, que veda à União de instituir isenções em tributos de competência de Estados, Distrito Federal e dos Municípios: Art. 151 - É vedado à União: I - ... II - ... III - instituir isenções de tributos da competência dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios. A Carta Magna de 1988 elevou os municípios à categoria de entidades autônomas. Nesse sentido, Silva (1998, p.621) destaca que: no Brasil, o sistema constitucional eleva os Municípios à categoria de entidades autônomas, isto é, entidades dotadas de organização e governo próprios e competências exclusivas. Com isso, a Federação brasileira adquire peculiaridade, configurando-se, nela, realmente três esferas governamentais: a da União (governo federal), a dos Estados Federados (governos estaduais) e a dos Municípios (governos municipais), além do Distrito Federal, a que a Constituição agora conferiu autonomia. Apresentada a evolução histórica da autonomia dos Municípios, fica a certeza de que esta autonomia foi ocorrendo de forma gradativa. Onde os municípios, a cada Carta Magna,

(35) 33 foram conseguindo maiores poderes políticos, administrativos e financeiros, culminando definitivamente com a Carta Magna de 1988. 2.2 Administração pública municipal Para compreender a administração pública, se faz necessário que se recorra ao direito administrativo, tendo em vista ser, em sua essência, o disciplinador de sua atuação, propiciando a compreensão adequada e funcionamento da administração brasileira. Medauar (2002, p. 46) enfoca que a administração pública, como objeto precípuo do direito administrativo, encontra-se inserida no Poder Executivo. Pode ser considerada sob o ângulo funcional e sob o ângulo organizacional. Sob o ponto de vista do ângulo funcional, administração pública significa um conjunto de atividades do Estado que auxiliam as instituições políticas de mando a exercer funções de governo, de forma que possa organizar o que pretende realizar, sendo as finalidades públicas estipuladas por estas instituições, resultando em serviços, bens e utilidades para a população. Cita-se como exemplo o ensino público, calçamento de ruas, coleta de lixo (MEDAUAR, 2002). Sob o ângulo organizacional, administração pública é o agrupamento de órgãos e entes estatais que produzem bens, serviços e utilidades para a população, neste caso, funcionando como coadjuvante das instituições políticas de mando no exercício das funções de governo. É vista como a estrutura necessária à realização dessas atividades. Como exemplo citam-se os ministérios, secretarias, departamentos (MEDAUAR, 2002). Nos estudos sobre administração pública, o certo é que formalizar o seu conceito tratase de uma tarefa difícil, já que vários são os entendimentos a respeito. No âmbito federativo, a administração pública, tanto federal, estadual, como municipal, tem as suas peculiaridades.

(36) 34 No presente estudo o foco está voltado especificamente para a administração pública municipal. O art. 30 da Constituição da República Federativa do Brasil de 1988 assegurou a autonomia dos Municípios para todos os assuntos de seu interesse local. Meirelles (2002, p. 737) explica que esta autonomia se expressa sobre o tríplice aspecto político (composição eletiva do governo e edição das normas locais), administrativo (organização e execução dos serviços públicos locais) e financeiro (decretação, arrecadação e aplicação dos tributos municipais). Meirelles (2002, p. 737) destaca que dentro desse esquema é que se realiza a administração municipal, através da Prefeitura, como órgão executivo, e da Câmara de Vereadores, como órgão legislativo. Os Municípios brasileiros têm todos essa composição, variando somente no número de vereadores, pois depende da composição do número de habitantes. Prefeitos, vice-prefeitos e vereadores, denominados agentes políticos, eleitos pelo sufrágio universal, direto e secreto, em um mesmo período para uma legislatura de quatro anos. A Administração municipal é dirigida pelo Prefeito, que, unipessoalmente, como Chefe do Executivo local, comanda, supervisiona e coordena os serviços de peculiar interesse do Município, auxiliado por Secretários Municipais ou Diretores de Departamentos, conforme a organização da Prefeitura e a maior ou menor desconcentração de suas atividades, sendo permitida, ainda, a criação das autarquias e empresas estatais, visando à descentralização administrativa. (MEIRELLES, 2002, p. 737) Cabe ao prefeito a administração municipal, auxiliado pelos seus colaboradores (secretários, chefes de departamentos e divisões). Portanto, cabe a ele a responsabilidade pela condução política, administrativa e financeira do município. De acordo co Meirelles (2002), a administração municipal é formada por dois elementos: administração direta e administração indireta. A administração direta é formada

(37) 35 por órgãos subordinados diretamente ao executivo, participando da mesma entidade jurídica, dos mesmos recursos financeiros e orçamentários. A administração indireta é formada por órgãos que possuem situação jurídica, gestão, recursos financeiros e orçamentários independentes. São classificadas em autarquias (órgãos que executam funções específicas e, por meio do fornecimento de bens ou serviços, constituem receitas próprias); Fundações (órgãos que possuem objetivos específicos e que dispõem de recursos de um patrimônio específico criado para esse fim); empresas públicas (empresas, societárias ou não, em que o Município possuir participação) (MEIRELLES, 2002). Na condução do destino do Município, o Prefeito, conforme artigo 29, inciso X, da Carta magna de 1988, responde por crime comum perante o Tribunal de Justiça, bem como por infrações político-administrativas, perante a Câmara de Vereadores, conforme estabelecido na Lei Orgânica do Município. No sentido de facilitar a administração da sua jurisdição, o município poderá dividir-se em bairros e outras circunscrições, mas integrados à prefeitura e sob a subordinação do prefeito, que é o responsável direto pela administração municipal. Por fim, no tocante à administração pública municipal, as leis locais deverão ser votadas pela câmara de vereadores. Este, de acordo com Meirelles (2002, p. 738), é: Órgão colegiado, com função legislativa precípua para todos os assuntos de peculiar interesse do Município e funções complementares de fiscalização e controle da conduta político-administrativa do Prefeito (julgamento de suas contas, cassação de mandato etc), de assessoramento governamental (indicações ao Executivo) e de administração de seus serviços auxiliares (organização interna da Câmara). Estabelecido o enfoque da administração pública municipal, necessário se faz o entendimento relativo a forma de administrar e controlar as receitas públicas municipais.

(38) 36 2.3 Gestão das receitas públicas municipais A administração pública tem finalidades públicas estipuladas, que resultam em serviços, bens e utilidades para a população. Para suprir estas finalidades, necessário se faz que o ente público tenha recursos financeiros, denominados de receitas públicas, suficientes para realizá-las. Pereira (1999, p. 35) assim define receitas públicas: Em sentido amplo, é o ingresso de dinheiro nos cofres públicos que se efetiva de maneira permanente no patrimônio do Estado e que não esteja condicionado a sua devolução ou correspondente a baixa patrimonial, ou seja, caracteriza-se como um ingresso definitivo de recursos ao patrimônio público, sem qualquer compromisso ou obrigatoriedade, aumentando as disponibilidades do tesouro. Com a efetivação da autonomia dos municípios, advinda da Constituição de 1988, esta Carta Magna contemplou-os com um considerável aumento nas suas receitas, porém, mantêm-se a reclamação dos municípios de que as receitas continuam insuficientes, haja vista que muitas das responsabilidades da União e dos Estados foram designadas aos Municípios. Dentre elas se pode destacar algumas de suma importância, conforme Bremaeker (2003), tais como: a) construção e conservação de vias urbanas, pontes e viadutos, das estradas rurais e vicinais; b) serviço de iluminação pública; c) manutenção da merenda escolar; d) execução de limpeza pública, o recolhimento e a destinação final do lixo; e) manutenção do serviço de fomento agropecuário, que deveria ser de responsabilidade do Ministério da Agricultura;

(39) 37 f) manutenção da saúde, através da prestação de serviços e construção de postos de saúde, dentre outras. Ora, se as atribuições aumentaram, as receitas estão definidas, mas continuam insuficientes, cabe aos municípios organizarem-se e buscarem a otimização dessas receitas, estruturando-se administrativamente, de forma a evitar evasões e sonegações. Assim há necessidade de organização por parte dos municípios, de maneira que se possa ter adequada estrutura administrativa, com eficiente poder tributante. Harada (2004, p. 508) ressalta que: uma boa estrutura administrativa é indispensável para a eficiente atuação do poder tributante, no sentido de maximizar arrecadação tributária, coibindo prontamente, a ação danosa dos sonegadores com o fito de conscientizar o contribuinte de que o pagamento de tributos é um dever de todos, na proporção de suas respectivas capacidades contributivas. Uma administração tributária dinâmica, racional e eficiente conduzirá à redução de custos operacionais na arrecadação de tributos, concorrendo para a formação de uma conjuntura capaz de propiciar o alívio da pressão tributária, que entre nós atinge níveis críticos. Os municípios necessariamente deverão proceder a reorganização de suas estruturas, principalmente no tocante a arrecadação tributária. Administração eficiente aumenta receita, reduz custo e propicia um desafogo tributário relativo aos contribuintes. Aos municípios não restam alternativas senão buscar eficiência na maneira de arrecadar suas receitas, visto que a sobrecarga de tributos está num nível elevado para os contribuintes. As receitas públicas, nos entes federados, são distribuídas conforme legislação específica, definida de modo a classificar suas origens. Segundo Andrade (2002, p.61), as receitas públicas, por convenção contábil, são vislumbradas por regime de caixa, enquanto as despesas públicas o são por regime de competência . Entende-se como regime de caixa a modalidade contábil que considera para a apuração do resultado do exercício apenas os pagamentos e recebimentos ocorridos

(40) 38 efetivamente no exercício. Já o regime de competência é aquela modalidade contábil que considera os fatos contábeis ocorridos durante o exercício para fins de apuração do resultado. 2.3.1 Lei de Responsabilidade Fiscal A Lei de Responsabilidade Fiscal, instituída pela Lei Complementar nº 101, de 04 de maio de 2000, estabelece normas de finanças públicas voltadas à responsabilidade na gestão fiscal e dá outras providências. Tonet (2001), ao comentar a Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF), argumenta que esta lei é parte de um contexto que visa adotar formas e ferramentas contemporâneas de gerenciamento de recursos, buscando a melhoria do desempenho do Estado, mais especificamente no que se refere à prática da gestão fiscal. Relativo a esta lei, Viccari Jr. e Cruz (2004, p.16) comentam que a novidade da Lei de Responsabilidade Fiscal reside no fato de responsabilizar especificamente a parte da gestão financeira a partir de um acompanhamento sistemático do desempenho mensal, trimestral, anual e plurianual. Concernente ao presente estudo, é importante analisar o art. 14 e seu § 1º, por tratar-se exclusivamente da renuncia de receita: Art. 14 - A concessão ou ampliação de incentivo ou benefício de natureza tributária da qual decorra renúncia de receita deverá estar acompanhada de estimativa do impacto orçamentário-financeiro no exercício em que deva iniciar sua vigência e nos dois seguintes, atender ao disposto na lei de diretrizes orçamentárias e a pelo menos uma das seguintes condições: I ... II - ... § 1º - A renúncia compreende anistia, remissão, subsídio, crédito presumido, concessão de isenção em caráter não geral, alteração de alíquota ou modificação de base de cálculo que implique redução discriminada de tributos ou contribuições, e outros benefícios que correspondam a tratamento diferenciado.

(41) 39 Segundo Viccari Jr. e Cruz (2004), o entendimento é de que a renuncia fiscal fere uma situação normal em que já foi prevista, tanto na Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) quanto na Lei Orçamentária Anual (LOA), a expectativa de arrecadação e recolhimento da receita e, por conseqüência, resulta de maneira indireta numa frustração de atendimento de alguma necessidade social. Neste sentido, a receita de transferência relativa à participação no produto da arrecadação do ICMS, resultado da aplicação do índice do Valor Adicionado (VA), que compete a cada município, sobre os 25% da receita do ICMS auferida no Estado, lançada na LDO, entende-se que também poderia ser lançada no rol de renúncia fiscal à sua má gestão, visto que, o seu efetivo controle implica em acréscimo do índice do VA, conseqüentemente maior participação no retorno do ICMS, logo maior receita para o município. 2.3.2 Classificação das receitas públicas A Lei nº 4.320, de 17 de março de 1964, estatui normas gerais de direito financeiro para elaboração e controle dos orçamentos e balanço da União, dos Estados, dos Municípios e do Distrito Federal . Em seu art. 3º, § Único, estabelece que: Art. 3º - A Lei do Orçamento compreenderá todas as receitas, inclusive as de operações de crédito autorizadas em lei. § Único - Não se consideram para os fins deste artigo as operações de crédito por antecipação de receita, as emissões de papel-moeda e outras entradas compensatórias no ativo e passivo financeiros. Como se pode observar, as receitas públicas dos entes federados são regidas por esta Lei, conhecida como Lei do Orçamento e da Contabilidade. Determina que se fixe as despesas e estime-se as receitas, levando à aprovação do legislativo, de maneira que, se aprovada, passe

(42) 40 a formar o orçamento público. Portanto, a Lei do Orçamento norteará as ações do governo pelo período de um ano. A receita pública, conforme a Lei nº 4.320/64, classifica-se em Receita Orçamentária e Receita Extra-orçamentária. 2.3.2.1 Receita orçamentária De acordo com Silva (2003), receita orçamentária corresponde à arrecadação de recursos financeiros autorizados pela Lei Orçamentária e que serão aplicados na realização dos gastos públicos. Classifica-se em duas categorias econômicas: Receitas Correntes e Receitas de Capital. a) Receitas correntes As receitas correntes, conforme Andrade (2002), são aquelas que se destinam aos gastos correntes e decorrem de um fato modificativo, ou seja, todas as transações que, efetivadas pelas entidades da administração pública, não resultem em constituição ou majoração de seu patrimônio, ou que estejam assim definidas em lei. São classificadas em: receitas tributárias, receitas de contribuições, receita patrimonial, receita agropecuária, receita industrial, receita de serviços, transferências correntes (ICMS, transferido pelos Estados aos Municípios) e outras receitas correntes. b) Receitas de capital

(43) 41 As receitas de capital, segundo Silva (2003), são aquelas provenientes da realização de recursos financeiros oriundos da constituição de dívidas, tais como operações de créditos ( conversão em espécie de bens), alienação de bens e direitos, amortização de empréstimos concedidos, as transferências de capital (decorrentes de recursos recebidos de outras pessoas de direito público ou privado, destinadas a atender despesas classificáveis em despesa de capital), ou ainda outras receitas de capital. 2.3.2.2 Receita extra-orçamentária Silva (2003) define receita extra-orçamentária como sendo um simples ingresso financeiro de caráter temporário, pois pertence a terceiros, e compreende uma entrada de dinheiro que corresponde a créditos de terceiros da qual o Estado é um simples depositário. Não é uma receita no sentido econômico e é mais bem denominada de ingresso extraorçamentário, cujo registro sempre provoca o surgimento de passivos financeiros. Azevedo et. al. (2004) destaca que esta receita não depende de autorização legislativa, sua realização não está vincula a execução orçamentária e não constitui renda do Estado e sim uma disponibilidade financeira. Cita como exemplos de receitas extra-orçamentárias: cauções, fianças, retenção de impostos (substituto tributário) e contribuições pertencentes a outras unidades da federação. 2.3.3 Receitas dos municípios Na Constituição da República Federativa do Brasil, de 05 de outubro de 1988, o Sistema Tributário Nacional está disposto no Título VI Capítulo I Da Tributação e do Orçamento, Do Sistema Tributário Nacional, abrangendo as seguintes seções: I Dos

(44) 42 princípios gerais (art. 145 a 149); II III Das Limitações do Poder de Tributar (art. 150 a 152); Dos Impostos da União (art. 153 e 154); IV Federal (art. 155); V Dos Impostos do Estado e do Distrito Dos Impostos dos Municípios (art. 156); e VI Da Repartição das Receitas Tributárias (art. 157 a 162). Vedana (2002, p. 72) adverte que as normas gerais em matéria de Direito Tributário estão distribuídas nas Leis Complementares Federais, no Código Tributário Nacional e na Legislação Ordinária Infraconstitucional. Nos municípios, as receitas públicas são classificadas de acordo com o Código Tributário Municipal. Este instrumento é elaborado de acordo com a Carta Magna e com o Código Tributário Nacional (Lei Federal nº 5.172/66) e aprovado pelo legislativo. Assim como nos demais entes federados, as receitas municipais classificam-se em: receitas próprias, que se subdividem em tributária, patrimonial, agropecuária e industrial e diversas; e receitas de transferências, divididas em intragovernamentais e intergovernamental. Segundo Matias e Campello (2000, p. 69), no primeiro caso são recursos oriundos da mesma esfera governamental . E no segundo caso, são recursos oriundos de outras esferas governamentais. 2.3.3.1 Receita corrente Receitas próprias ou correntes são as receitas arrecadadas pelo próprio ente federado. Segundo Silva (2003), se dividem em: receita tributária (impostos, taxas, contribuição de melhoria e contribuição para custeio do serviço de iluminação pública - COSIP), patrimonial, agropecuária e industrial e diversas, transferências correntes e outras receitas correntes.

(45) 43 a) Receita tributária Angélico (1995, p. 44) explica que Receita tributária ou derivada é a resultante da cobrança de tributos pagos pelos cidadãos em razão de suas atividades, suas rendas, suas propriedades e dos benefícios diretos e imediatos recebidos do Estado. De acordo com o art. 145 da Constituição da República Federativa do Brasil, de 05 de outubro de 1988, o Município poderá instituir os seguintes tributos: Impostos, Taxas e Contribuições de Melhoria. A Emenda Constitucional nº 39, de 19 de dezembro de 2002, estabeleceu mais um tributo para os Municípios, qual seja, Contribuição para Custeio do Serviço de Iluminação Pública (COSIP). As Receitas Tributárias de um Município são as oriundas dos tributos, classificados contabilmente, segundo a Lei nº 4.320/64, no grupo das Receitas Correntes. Os tributos compõem-se dos Impostos, Taxas, Contribuições de Melhoria e Contribuição para Custeio do Serviço de Iluminação Pública (COSIP), criada pela Emenda Constitucional nº 39, de 19 de dezembro de 2002, que acrescentou na Carta Magna de 1988 o art. 149-A. a1) Impostos O imposto é o tributo que independe de qualquer atividade específica do estado em relação ao contribuinte. A característica do imposto é o modo como ele é cobrado, sendo de forma coativa e sem contraprestação de serviço. De acordo com Harada (2004, p.323), os impostos são: exações desvinculadas de qualquer atuação estatal, decretadas exclusivamente em função do jus imperii do Estado. Seu fato gerador é sempre uma situação independente de qualquer atividade estatal específica, relativa ao contribuinte, O imposto sempre representa uma retirada da parcela da riqueza do particular, respeitada a capacidade contributiva deste.

(46) 44 Observa-se que imposto é devido independente de qualquer contraprestação de serviço do ente público para com o contribuinte, porém, respeita sua capacidade contributiva. Os tributos municipais estão estabelecidos na Carta Magna de 1988, especificamente no art. 156 e suas alíneas, assim discriminados: Art. 156 - Compete aos Municípios instituir impostos sobre: I - propriedade predial e territorial urbana; II - transmissão "inter vivos", a qualquer título, por ato oneroso, de bens imóveis, por natureza ou acessão física, e de direitos reais sobre imóveis, exceto os de garantia, bem como cessão de direitos a sua aquisição; III - serviços de qualquer natureza, não compreendidos no art. 155, II, definidos em lei complementar. Com base nestes dispositivos o município arrecada parte de suas receitas denominadas tributárias, sendo que não existe a contraprestação de serviço do ente público. Porém, fica a obrigação da contrapartida, em cobrir as despesas efetuadas em melhorias em prol de seus munícipes. a2) Taxas As taxas, outra forma de arrecadação de tributos por parte dos municípios, são assim definida por Harada (2004, p. 324): Podemos conceituar taxa como um tributo que surge da atuação estatal diretamente dirigida ao contribuinte, quer pelo exercício do poder de polícia, quer pela prestação efetiva ou potencial de um serviço público específico e divisível, cuja base de cálculo difere, necessariamente, de qualquer imposto.

(47) 45 O autor evidencia a importância da contrapartida do ente público para arrecadar tributos mediante taxas, ou seja, terá que ter uma atuação estatal diretamente ligada ao contribuinte. O art. 77, da Lei Federal nº 5.172 (Código Tributário Nacional-CTN), de 25 de outubro de 1966, estabelece os fatos geradores das taxas relativas aos Municípios: Art. 77 - As taxas cobradas pela União, pelos Estados, pelo Distrito Federal ou pelos Municípios, no âmbito de suas respectivas atribuições, têm como fato gerador o exercício regular do poder de polícia, ou a utilização, efetiva ou potencial, de serviço público específico e divisível, prestado ao contribuinte ou posto à sua disposição. Parágrafo único. A taxa não pode ter base de cálculo ou fato gerador idênticos aos que correspondam a imposto, nem ser calculada em função do capital das empresas. O município poderá, portanto, definir taxas em razão do exercício do poder de polícia e pela utilização, efetiva ou potencial, de serviços públicos específicos e divisíveis, prestados ao contribuinte ou posto à sua disposição. Lembrando sempre que ao instituir suas taxas não poderá ter base de cálculo e fato gerador idênticos ao de impostos. a3) Contribuição de melhoria Harada (2004, p. 325) esclarece que contribuição de melhoria é espécie tributária que tem por fato gerador a atuação estatal mediatamente referida ao contribuinte. Entre a atividade estatal e a obrigação do sujeito passivo existe um elemento intermediário que é a valorização do imóvel. No tributo, contribuição de melhoria, além da atuação do estado, necessariamente deverá ocorrer uma valorização do imóvel. Havendo a valorização, o ente público poderá cobrar o tributo. Este tributo está definido no art. 145, inciso III da Carta Magna de 1988:

(48) 46 Art. 145 - A União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios poderão instituir os seguintes tributos: I - ... II - ... III - contribuição de melhoria, decorrente de obras públicas. Por sua vez, o art. 81 da Lei Federal nº 5.172 (CTN), de 25 de outubro de 1966, determina o seguinte: Art. 81 - A contribuição de melhoria cobrada pela União, pelos Estados, pelo Distrito Federal ou pelos Municípios, no âmbito de suas respectivas atribuições, é instituída para fazer face ao custo de obras públicas de que decorra valorização imobiliária, tendo como limite total a despesa realizada e como limite individual o acréscimo de valor que da obra resultar para cada imóvel beneficiado. A contribuição de melhoria, portanto, deverá ter a contrapartida do ente público, valorização imobiliária e como limite total a despesa realizada na execução da obra, cabendo a cada contribuinte pagar o tributo relativo ao acréscimo de valor que a obra trará ao seu imóvel. a4) Contribuição para custeio do serviço de iluminação pública (COSIP) Os municípios passaram a ter a responsabilidade da manutenção da iluminação pública. Nesse sentido e para suprir as despesas dessa manutenção a Carta Magna de 1988, alterada pela Emenda Constitucional nº 39, de 19 de dezembro de 2002, em seu art. 149-A, assim disponibilizou: Art. 149-A Os Municípios e o Distrito Federal poderão instituir contribuição, na forma das respectivas leis, para o custeio do serviço de iluminação pública, observado o disposto no art. 150, I e III.

(49) 47 Cabe, portanto, a cada município instituir esta contribuição. O Município de Florianópolis, usando das prerrogativas que lhe confere a Carta Magna de 1988, em seu art. 149-A, elaborou a Lei Complementar nº 109, de 30 de dezembro de 2002, alterada pela Lei Complementar nº 131, de 23 de dezembro de 2003, que criou a contribuição para custeio do serviço de iluminação pública do Município de Florianópolis. Em seu art. 1º, parágrafo único, assim define a COSIP: Art. 1º ... Parágrafo Único - Considera-se serviço de iluminação pública aquele destinado a iluminar vias e logradouros públicos, bem como quaisquer outros bens públicos de uso comum, bem como atender aqueles serviços que necessitarem de iluminação, assim como as atividades acessórias de instalação e manutenção da respectiva rede de iluminação. Desse modo, ficou estabelecido que o fato gerador desta contribuição corresponderá ao custo mensal do serviço de iluminação, rateado entre os contribuintes, de acordo com os níveis individuais de consumo mensal de energia elétrica. b) Receita Patrimonial Receitas Patrimoniais são as receitas que se originam da exploração do patrimônio, nelas inclusos aluguéis, juros e dividendos. Relativo a esta receita, o IBAM (www.ibam.org.br) comenta que o patrimônio público do Município é constituído de bens móveis e imóveis, podendo, quando explorado economicamente, gerar receitas patrimoniais mobiliárias e imobiliárias; tais como aplicações financeiras, vendas de bens móveis e imóveis, aluguéis e outros.

(50) 48 c) Receita agropecuária e industrial A receita agropecuária e industrial é a receita proveniente da exploração e produção de bens industriais e agropecuários. Mais especificamente da produção vegetal, animal e derivados e das receitas da indústria extrativa mineral, de transformação e de serviços industriais de utilidade pública. d) Transferências correntes As transferências correntes são receitas provenientes de recursos financeiros recebidos de outras pessoas de Direito Público ou Privado, quando destinadas a atender despesas correntes específicas ou gerais. e) Outras receitas correntes Outras receitas correntes são as provenientes de multas, cobrança da dívida ativa, indenizações, restituições e outras receitas sem classificação específica. 2.3.3.2 Receitas de transferências O Município, ao exercer o poder de tributar, autorizado pela Carta Magna, pode instituir impostos que venham dar sustentação às suas despesas, ao mesmo tempo em que estabelece a sua participação, com critérios, na arrecadação de tributos de competência exclusiva da União e dos Estados.

(51) 49 Nesse sentido, Harada (2002, p. 69) frisa que: já se tornou tradição entre nós a Constituição, após outorgar competência tributária privativa para cada uma das entidades políticas, prever o mecanismo de participação de uma entidade no produto de arrecadação de impostos de outra entidade. Esse critério visa, antes de mais nada, assegurar recursos financeiros suficientes e adequados às entidades regionais (Estados-membros) e locais (Municípios) para o desempenho de suas atribuições constitucionais. A Lei nº 4.320, de 17 de março de 1964, determina que as receitas de transferências são enquadradas como transferências intergovernamentais e a Constituição da República Federativa do Brasil, de 05 de outubro de 1988, em seus arts. 158, 159 e 161, descreve a participação do Município nas receitas da União e Estados, designando quais os impostos e a sua forma de participação: Art. 158 - Pertencem aos Municípios: I - o produto da arrecadação do imposto da União sobre renda e proventos de qualquer natureza, incidente na fonte, sobre rendimentos pagos, a qualquer título, por eles, suas autarquias e pelas fundações que instituírem e mantiverem; II - cinqüenta por cento do produto da arrecadação do imposto da União sobre a propriedade territorial rural, relativamente aos imóveis neles situados, cabendo a totalidade na hipótese da opção a que se refere o art. 153, § 4º, III; (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 42, de 19.12.2003) III - cinqüenta por cento do produto da arrecadação do imposto do Estado sobre a propriedade de veículos automotores licenciados em seus territórios; IV - vinte e cinco por cento do produto da arrecadação do imposto do Estado sobre operações relativas à circulação de mercadorias e sobre prestações de serviços de transporte interestadual e intermunicipal e de comunicação. Parágrafo único. As parcelas de receita pertencentes aos Municípios, mencionadas no inciso IV, serão creditadas conforme os seguintes critérios: I - três quartos, no mínimo, na proporção do valor adicionado nas operações relativas à circulação de mercadorias e nas prestações de serviços, realizadas em seus territórios; II - até um quarto, de acordo com o que dispuser lei estadual ou, no caso dos Territórios, lei federal. O art. 158 estabelece a forma de partilha, em que o município receberá por transferência da União e do Estado sendo, 100% do imposto de renda das pessoas físicas IRPF, que trabalham em seus órgãos, autarquias e fundações; 50% do imposto territorial

(52) 50 rural ITR; 50% do imposto sobre veículos automotores IPVA; 25% do imposto relativo à circulação de mercadorias e prestação de serviços interestadual e intermunicipal e de comunicação ICMS. Com relação às receitas transferidas da União aos Municípios, o art. 159, da referida Lei, estabelece que: Art. 159 - A União entregará: I - do produto da arrecadação dos impostos sobre renda e proventos de qualquer natureza e sobre produtos industrializados, quarenta e sete por cento na seguinte forma: a) .....; b) vinte e dois inteiros e cinco décimos por cento ao Fundo de Participação dos Municípios; c) ....; II - do produto da arrecadação do imposto sobre produtos industrializados, dez por cento aos Estados e ao Distrito Federal, proporcionalmente ao valor das respectivas exportações de produtos industrializados. III - do produto da arrecadação da contribuição de intervenção no domínio econômico prevista no art. 177, § 4º, vinte e cinco por cento para os Estados e o Distrito Federal, distribuídos na forma da lei, observada a destinação a que refere o inciso II, c, do referido parágrafo. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 42, de 19.12.2003) § 1º - Para efeito de cálculo da entrega a ser efetuada de acordo com o previsto no inciso I, excluir-se-á a parcela da arrecadação do imposto de renda e proventos de qualquer natureza pertencente aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios, nos termos do disposto nos arts. 157, I, e 158, I. § 2º - A nenhuma unidade federada poderá ser destinada parcela superior a vinte por cento do montante a que se refere o inciso II, devendo o eventual excedente ser distribuído entre os demais participantes, mantido, em relação a esses, o critério de partilha nele estabelecido. § 3º - Os Estados entregarão aos respectivos Municípios vinte e cinco por cento dos recursos que receberem nos termos do inciso II, observados os critérios estabelecidos no art. 158, parágrafo único, I e II. § 4º Do montante de recursos de que trata o inciso III que cabe a cada Estado, vinte e cinco por cento serão destinados aos seus Municípios, na forma da lei a que se refere o mencionado inciso. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 42, de 19.12.2003) O art. 159 estabelece os percentuais das partilhas que a União distribuirá aos Estados e Distrito Federal, relativo ao imposto de renda tanto pessoa física como jurídica (IRPF/IRPJ) e imposto de produtos industrializados (IPI), num total de 47%, sendo que desse percentual 22,5% ao fundo de participação dos municípios (FPM).

(53) 51 Do IPI serão repassados 10% aos Estados e Distrito Federal, proporcional as suas exportações de produtos industrializados. Da contribuição de intervenção no domínio econômico (CID) serão repassados 25% aos Estados e Distrito Federal. Cabe aos municípios, relativo aos repasses destes tributos estabelecidos no art. 159, além do FPM, repassado direto pela União aos municípios, 25% do IPI repassado aos Estados, rateados na mesma proporção do ICMS e 25% da CID recebida pelo Estado. No que concerne a regulamentação desses dispositivos no art. 161, da referida Lei, está estatuído que: Art. 161. Cabe à lei complementar: I - definir valor adicionado para fins do disposto no art. 158, parágrafo único, I; II - estabelecer normas sobre a entrega dos recursos de que trata o art. 159, especialmente sobre os critérios de rateio dos fundos previstos em seu inciso I, objetivando promover o equilíbrio sócio-econômico entre Estados e entre Municípios; III - dispor sobre o acompanhamento, pelos beneficiários, do cálculo das quotas e da liberação das participações previstas nos arts. 157, 158 e 159. O art. 161 remete à lei complementar para as definições de valor adicionado (VA), estabelecer normas para os recursos a serem entregues aos Estados e Distrito Federal e da liberação das participações previstas nos arts. 157, 158 e 159. 2.4 Participação do município no retorno do ICMS Nas transferências intergovernamentais, a participação no produto da arrecadação do ICMS está prevista no art. 158, inciso IV, que estabelece o percentual de repasse do ICMS aos municípios. No parágrafo único, itens I e II, os critérios para distribuição do valor adicionado. O art. 161, inciso I, determina a definição de valor adicionado através de lei complementar. Estes são os dispositivos legais fundamentais, que são complementados por leis, decretos e portarias estaduais, base deste estudo.

(54) 52 O IBAM (www.ibam.org.br), abordando as receitas municipais, interpreta o disposto no artigo 158, inciso IV, com o seguinte enunciado: Dispõe a Constituição Federal que, da arrecadação do Imposto Sobre Circulação de Mercadorias e Serviços - ICMS, 75% (setenta e cinco por cento) constituem receita do Estado e 25% (vinte e cinco por cento), receita do Município. O Estado é obrigado a publicar mensalmente a arrecadação do ICMS. Semanalmente, o estabelecimento oficial de crédito deposita na conta especial do Município a parcela que lhe pertencer. Ressalta que, a importância do repasse dos 25% aos municípios, da obrigação da publicação mensal da arrecadação do ICMS, assim como do depósito semanal das receitas dos municípios, deve ser realizado por meio de estabelecimento oficial de crédito. O percentual a ser repassado aos municípios é o resultado da participação no Produto da Arrecadação do ICMS, que vem a ser conceitualmente o quantum devido a cada município, em razão da aplicação de um índice definido, apurado segundo o movimento econômico nele gerado, sobre a transferência constitucional de 25% do ICMS arrecadado pelo Estado. Os ordenamentos legais que disciplinam o assunto são: Constituição da República Federativa do Brasil, de 05 de outubro de 1988; Lei Complementar nº 63, de 11 de janeiro de 1990; Constituição do Estado de Santa Catarina, de 05 de outubro de 1989; Lei Estadual nº 7.721, de 06 de setembro de 1989; Lei Estadual nº 7.816, de 12 de dezembro de 1989; Lei Estadual nº 8.203, de 26 de dezembro de 1990; Portaria Estadual nº 087, de 27 de junho de 1991; Portaria Estadual nº 305, de 08 de novembro de 1994; e Portaria Estadual nº 111, de 18 de março de 1998. No Quadro 1 apresenta-se uma síntese dos dispositivos legais que disciplinam o assunto relativo ao retorno do ICMS - Movimento Econômico em Santa Catarina.

(55) 53 Ordenamento Legal Descrição Constituição da República Federativa do Brasil, de 05 de outubro de 1988. Lei Complementar Federal nº 63, de 11 de janeiro de 1990 A Carta Magna estabelece em seus arts. 158, parágrafo único e Incisos I e II, 159, parágrafo 3º e 161, Inciso I e III, a parcela do imposto pertencente aos Municípios, bem como define os critérios de repasse. Dispõe sobre critérios e prazos de crédito das parcelas do produto da arrecadação, define o Valor Adicionado e as operações e prestações a serem computadas para efeito de cálculo. Dispõe sobre a distribuição do ICMS aos Municípios, estabelecendo critérios de cálculo do valor de retorno aos Municípios. A Constituição do Estado de SC em consonância com a Constituição Federal/88 estabelece em seu Capítulo III Da Tributação, Seção IV Da Repartição da Receita Tributária, art. 133, Incisos II item a e parágrafos 3º Incisos I e II, 4º, 5º e 6º, a parcela de Imposto que pertence aos Municípios e define critérios de prazo e repasse. Veio dar nova redação ao artigo 1º da Lei nº 7.721, acrescentando o parágrafo único e incisos I e II. Alterou os incisos I e II do artigo 1º da Lei nº 7.721. Lei Estadual nº 7.721, de 06 de setembro de 1989 Constituição do Estado de Santa Catarina, de 05 de outubro de 1989. Lei Estadual nº 7.816, de 12 de dezembro de 1989 Lei Estadual nº 8.203, de 26 de dezembro de 1990 Portaria Estadual nº 087, de 27 Instituiu o Grupo de Trabalho com a finalidade de executar as tarefas relativas de junho de 1991 à fixação dos índices de arrecadação do Imposto sobre Operações Relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação ICMS. Portaria Estadual nº 305, de 08 Estabelece as formalidades para apresentação de impugnações por parte de de novembro de 1994 Municípios e Associações de Municípios sobre o Valor Adicionado. Lei Estadual nº 10.297, de 26 de Dispõe sobre o Imposto sobre Operações Relativas à Circulação de dezembro de 1996, e alterações Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e posteriores Intermunicipal e de Comunicação - ICMS e adota outras providências. Decreto nº 2.870, de 27 de Aprova o Regulamento do Imposto Sobre Operações Relativas à Circulação agosto de 2001. de Mercadorias e Sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação do Estado de Santa Catarina. Anexo V do Regulamento do Trata da Declaração de Informações Econômico-Fiscais ICMS, art. 168 a 175 Portaria Estadual nº 111, de 18 Altera o artigo 7º da Portaria 305/94, relativo à petição, devendo ser de março de 1998 acompanhada dos documentos comprobatórios sob pena de arquivamento e sem direito a recurso de segunda instância. Quadro 1 Fonte: Síntese dos dispositivos legais que disciplinam a participação no retorno do ICMS Movimento Econômico em Santa Catarina elaborado pelo autor com base na legislação vigente no país no âmbito federal e Estado de Santa Catarina, 2004 Este rol de leis, decretos e portarias são a fundamentação legal da participação no produto da arrecadação do ICMS, que geram receitas a serem repassadas aos municípios, classificadas como intragovernamentais em seus balanços.

(56) 54 2.5 Controle de gestão governamental A gestão na fazenda pública, segundo Silva (2003), pode ser definida como o conjunto de operações que visam diretamente alcançar os fins próprios da administração governamental. A gestão acontece através das ações dos órgãos do Estado. Essas ações devem ser analisadas não somente quanto a seus aspectos particulares, mas também quanto a interação que as vinculam e integram nos objetivos do ente público. No que concerne ao controle de gestão, Amat e Gomes (1995) citam que: em se tratando de controle de gestão, o conhecimento dessas questões, que para alguns podem parecer óbvias, é de vital importância no desenho dos sistemas de controle que sejam direcionados para o alcance da satisfação máxima de todos os envolvidos e não somente dos detentores de cargos de mando na organização. Destaca-se na citação o envolvimento de todos os responsáveis pela influência do desempenho de uma organização, seja ela pública ou privada, pois estão envolvidos com valores pessoais, emocionais e até comportamentais. Para o controle de gestão, é de suma importância que se conheça essas questões, afim de que se obtenha o máximo de satisfação de toda a organização e não somente daqueles que detém o poder de mando. Amat e Gomes (1995, p. 6 apud ANTONY, 1965) define controle de gestão como o processo pelo qual os administradores asseguram que os recursos sejam obtidos e usados eficaz e eficientemente . Amat e Gomes (1995, p.6) explicam que, nessa abordagem, controle de gestão diz respeito à combinação de atividades de planejamento e controle e é concernente à satisfação das motivações individuais. Em se tratando de instituições públicas, o controle de gestão passa a ser uma obrigação por força de Lei. São obrigadas a efetuar controle administrativo, econômico e financeiro de todas as suas atividades relativas a receitas e despesas.

(57) 55 Com base nos instrumentos disponíveis e determinados por legislação elaboram-se pré-projetos, propostas, orçamentos, de maneira que os passos ou procedimentos sejam seguidos levando à consecução dos objetivos determinados. Os instrumentos de controle de gestão governamental são o orçamento e a contabilidade. O orçamento foi estabelecido na Constituição da República Federativa do Brasil, de 05 de outubro de 1988, em seu Capítulo II Das Finanças Públicas, Seção II Orçamentos. Também se encontra regulamentado pela Lei nº 4.320, em seu Título I Dos Da Lei do Orçamento. A Contabilidade, também está regulamentada na Lei nº 4.320, em seu Título IX Da Contabilidade. 2.5.1 Orçamento De acordo com o Dicionário Aurélio, num sentido geral, Orçamento é o ato ou efeito de orçar; avaliação; cálculo; cômputo. Cálculo da receita e da despesa . No sentido específico deste trabalho, onde são abordados entes públicos, Machado Jr. e Reis (1989, p. 9-10), comentando a Lei nº 4.320/64 Lei dos Orçamentos, efetuaram as seguintes considerações, culminando por conceituar orçamento: (...) o orçamento apresenta-se fundamentalmente como um instrumento de que o administrador dispõe para equacionar o futuro em termos realísticos, como um curso de ação, um programa operacional. (...) o orçamento deverá refletir informações sobre políticas, programas para possibilitar o controle gerencial, aliado a um sistema de quantificação física para mensuração das ações do Governo em benefício das populações. (...) o orçamento é uma técnica cujo maior significado moderno consiste precisamente em ligar os sistemas de planejamento e de finanças pela expressão quantitativa financeira e física dos programas de trabalho de Governo, valendo este conceito também para o orçamento empresarial. Portanto, o orçamento é um instrumento utilizado pelo administrador cujo objetivo é delinear o futuro, de forma mais realística possível, determinando um curso de ação e um programa mínimo de operação.

(58) 56 A Lei nº 4.320/64 Lei dos Orçamentos, em seu art. 2º, especifica o que deve conter no orçamento público, assim discriminado: Art. 2° - A Lei do Orçamento conterá a discriminação da receita e despesa de forma a evidenciar a política econômica financeira e o programa de trabalho do Governo, obedecidos os princípios de unidade, universalidade e anualidade. § 1° Integrarão a Lei de Orçamento: I - Sumário geral da receita por fontes e da despesa por funções do Governo; II - Quadro demonstrativo da Receita e Despesa segundo as Categorias Econômicas, na forma do Anexo nº. 1; III - Quadro discriminativo da receita por fontes e respectiva legislação; IV - Quadro das dotações por órgãos do Governo e da Administração. § 2º Acompanharão a Lei de Orçamento: I - Quadros demonstrativos da receita e planos de aplicação dos fundos especiais; II - Quadros demonstrativos da despesa, na forma dos Anexos ns. 6 a 9; III - Quadro demonstrativo do programa anual de trabalho do Governo, em termos de realização de obras e de prestação de serviços. Observa-se que está especificado o detalhamento da receita e despesa, evidenciando a política econômica financeira e programa de trabalho do governo, respeitando os princípios de unidade, universalidade e anualidade. O referido art. aborda em seus parágrafos 1º e 2º os instrumentos que integrarão e acompanharão a Lei do Orçamento. O art. 3º da Lei nº 4.320/64 estabelece que: Art. 3º A Lei de Orçamentos compreenderá todas as receitas, inclusive as de operações de crédito autorizadas em lei. Parágrafo único. Não se consideram para os fins deste artigo as operações de crédito por antecipação da receita, as emissões de papel-moeda e outras entradas compensatórias, no ativo e passivo financeiros. (Veto rejeitado no D.O. 03/06/1964) O art. 3º trata das receitas, estabelecendo que o orçamento compreenderá todas as receitas inclusive as de operações de crédito autorizadas por lei, excluindo-se as que forem por antecipação da receita, emissão de papel-moeda e compensações no ativo e passivo financeiro. O art. 4º da Lei nº 4.320/64 estabelece que:

(59) 57 Art. 4º - A Lei de Orçamento compreenderá todas as despesas próprias dos órgãos do Governo e da administração centralizada, ou que, por intermédio deles se devam realizar, observado o disposto no artigo 2°. Logo, trata das despesas, determinando que o orçamento apresente todas as despesas próprias dos órgãos do governo e da administração centralizada ou daquelas que são realizadas por seu intermédio. O art. 5º desta mesma lei estabelece que: Art. 5º - A Lei de Orçamento não consignará dotações globais destinadas a atender indiferentemente a despesas de pessoal, material, serviços de terceiros, transferências ou quaisquer outras, ressalvado o disposto no artigo 20 e seu parágrafo único. Portanto, estabelece que não deverão ser estabelecidas dotações globais objetivando atender indiferentemente despesas de pessoal, material, serviços de terceiros, transferências ou outras despesas quaisquer, salvo projetos de obras e outras aplicações. O art. 6º da referida Lei determina que: Art. 6º - Todas as receitas e despesas constarão da Lei de Orçamento pelos seus totais, vedadas quaisquer deduções. § 1º As cotas de receitas que uma entidade pública deva transferir a outra incluir-seão, como despesa, no orçamento da entidade obrigada a transferência e, como receita, no orçamento da que as deva receber. § 2º Para cumprimento do disposto no parágrafo anterior, o cálculo das cotas terá por base os dados apurados no balanço do exercício anterior aquele em que se elaborar a proposta orçamentária do governo obrigado a transferência. (Veto rejeitado no D.O. 03/06/1964) Assim fica definido que na Lei de Orçamento as receitas e despesas deverão ser lançadas com seus valores totais, vedando quaisquer deduções. Nos seus parágrafos 1º e 2º define a forma como devem ser lançadas na Lei do Orçamento essas dotações, no caso de transferências e como calcular essas cotas. O art. 7º da Lei nº 4.320/64 estabelece que:

(60) 58 Art. 7° - A Lei de Orçamento poderá conter autorização ao Executivo para: I - Abrir créditos suplementares até determinada importância obedecidas as disposições do artigo 43; (Veto rejeitado no D.O. 03/06/1964) II - Realizar em qualquer mês do exercício financeiro, operações de crédito por antecipação da receita, para atender a insuficiências de caixa. § 1º Em casos de déficit, a Lei de Orçamento indicará as fontes de recursos que o Poder Executivo fica autorizado a utilizar para atender a sua cobertura. § 2° O produto estimado de operações de crédito e de alienação de bens imóveis somente se incluirá na receita quando umas e outras forem especificamente autorizadas pelo Poder Legislativo em forma que juridicamente possibilite ao Poder Executivo realizá-las no exercício. § 3º A autorização legislativa a que se refere o parágrafo anterior, no tocante a operações de crédito, poderá constar da própria Lei de Orçamento. O art. 7º da Lei nº 4.320/64 flexibiliza a possibilidade de se conter na Lei de Orçamento, autorização ao executivo de abrir créditos suplementares até determinado valor, desde que haja recurso disponível e justificativa plausível. Realizar operações de crédito para suprir deficiência de caixa, em qualquer momento do exercício financeiro, desde que autorizada pelo poder legislativo. 2.5.2 Contabilidade No Dicionário Aurélio consta que contabilidade é Ciência que estuda e pratica as funções de orientação, controle e registro dos atos e fatos de uma administração econômica. De acordo com Machado Jr. e Reis (1989, p. 9), a contabilidade, modernamente, é vista como um processo gerador de informações sobre o que a Administração realizou, em termos financeiros. A Contabilidade Pública é regulamentada pela Lei nº 4.320/64, em seu Título IX Contabilidade, dividido em quatro capítulos, sendo Capítulo I 83 a 89. No Capítulo II Capítulo III Das Disposições Gerais, art. Da Contabilidade Orçamentária e Financeira, art. 90 a 93. No Da Contabilidade Patrimonial e Industrial, art. 94 a 100. No Capítulo IV Balanços, art. 101 a 106. Da Dos

(61) 59 No capítulo I, art. 83, da Lei nº 4.320/64, é assim descrito: Art. 83 - A contabilidade evidenciará perante a Fazenda Pública a situação de todos quantos, de qualquer modo, arrecadem receitas, efetuem despesas, administrem ou guardem bens a ela pertencentes ou confiados. O art. 83 determina que será na contabilidade que estará evidenciada a situação da Fazenda Pública. Com relação à tomada de contas dos agentes responsáveis por bens ou dinheiro públicos, o art. 84 prevê que: Art. 84 - Ressalvada a competência do Tribunal de Contas ou órgão equivalente, a tomada de contas dos agentes responsáveis por bens ou dinheiros públicos será realizada ou superintendida pelos serviços de contabilidade. Portanto, estabelece que serão apuradas responsabilidades daqueles que administram bens e dinheiro público mediante as informações contidas na contabilidade. No que concerne à organização dos serviços de contabilidade, o art. 85 estabelece que: Art. 85 - Os serviços de contabilidade serão organizados de forma a permitirem o acompanhamento da execução orçamentária, o conhecimento da composição patrimonial, a determinação dos custos dos serviços industriais, o levantamento dos balanços gerais, a análise e a interpretação dos resultados econômicos e financeiros. Denota-se que a contabilidade será organizada de maneira que possa permitir o acompanhamento do que foi orçado em relação ao realizado, assim como deverá disponibilizar informações suficientes que se possa analisar e interpretar os resultados econômicos e financeiros. Sobre a escrituração das operações financeiras e patrimoniais, o art. 86 determina que: Art. 86 - A escrituração sintética das operações financeiras e patrimoniais efetuarse-á pelo método das partidas dobradas.

(62) 60 Logo, está estabelecido que as operações financeiras e patrimoniais terão na escrituração sintética o método das partidas dobradas, ou seja, lançamentos de débito e crédito. No que se refere ao controle contábil, o art. 87 estabelece que: Art. 87 - Haverá controle contábil dos direitos e obrigações oriundos de ajustes ou contratos em que a administração pública for parte. Os direitos e obrigações oriundos dos ajustes ou contratos, em que fizer parte a administração pública, será controlado contabilmente. Em relação aos débitos e créditos, o art. 88 define que: Art. 88 - Os débitos e créditos serão escriturados com individuação do devedor ou do credor e especificação da natureza, importância e data do vencimento, quando fixada. Assim os lançamentos efetuados a débito e a crédito serão escriturados individualmente, contendo o nome do devedor ou credor, especificando natureza - se imposto, taxa ou serviço -, sua importância e data, se por ventura for fixada. Por sua vez, no que concerne à administração orçamentária, o art. 89 estabelece que: Art. 89 - A contabilidade evidenciará os fatos ligados à administração orçamentária, financeira, patrimonial e industrial. Determina o art. 89 a obrigatoriedade da contabilidade elencar todos os fatos relacionados à administração orçamentária, financeira, patrimonial e industrial. No Capítulo II, da Contabilidade Orçamentária e Financeira, o art. 90 estabelece que:

(63) 61 Art. 90 - A contabilidade deverá evidenciar, em seus registros, o montante dos créditos orçamentários vigentes, a despesa empenhada e a despesa realizada, a conta dos mesmos créditos, e as dotações disponíveis. Prevê a necessidade de que a contabilidade demonstre em seus registros o total dos créditos orçamentários vigentes, as despesas que forem empenhas e as que forem realizadas, e que sejam lançadas nas contas dos mesmos créditos e que tenham dotações suficientes para supri-las. Referente o registro contábil da receita e da despesa, o art. 91 estabelece que: Art. 91 - O registro contábil da receita e da despesa far-se-á de acordo com as especificações constantes da Lei de Orçamento e dos créditos adicionais. Está referenciada a obrigatoriedade de que os registros de despesa e de receita sejam lançados contabilmente conforme estatui a Lei nº 4.320/64 Lei do Orçamento e dos créditos adicionais. Já com relação à dívida flutuante, o art. 92 explicita que: Art. 92. A dívida flutuante compreende: I - os restos a pagar, excluídos os serviços da dívida; II - os serviços da dívida a pagar; III - os depósitos; IV - os débitos de tesouraria. Parágrafo único. O registro dos restos a pagar far-se-á por exercício e por credor distinguindo-se as despesas processadas das não processadas. Portanto, a dívida flutuante é composta de restos a pagar, excluídos os serviços da dívida, os serviços da dívida a pagar, os depósitos e os débitos de tesouraria. Os restos a pagar deverão ser lançados individualmente por credor e por exercício, diferenciando despesas processadas das não processadas. Dívida flutuante é aquela que deve ser liquidada até o último dia do exercício subseqüente ao do lançamento.

(64) 62 Relativo a operações que resultem débitos e créditos de natureza financeira e não compreendidas na execução orçamentária, o art. 93 estabelece que: Art. 93 - Todas as operações de que resultem débitos e créditos de natureza financeira, não compreendidas na execução orçamentária, serão também objeto de registro, individuação e controle contábil. De acordo com o art. 93, qualquer operação que resulte débito ou crédito financeiro, e que não fora prevista na execução orçamentária, deverão ter seus registros individualizados contabilmente e efetuado controle contábil. No Capítulo III, da Contabilidade Patrimonial e Industrial, o art. 94 estabelece que: Art. 94 - Haverá registros analíticos de todos os bens de caráter permanente, com indicação dos elementos necessários para a perfeita caracterização de cada um deles e dos agentes responsáveis pela sua guarda e administração. Infere-se que os bens permanentes deverão ser registrados analiticamente, indicando todas as informações necessárias à sua perfeita identificação, bem como os responsáveis por sua guarda e administração. Concernente aos bens móveis e imóveis, o art. 95 preconiza que: Art. 95 - A contabilidade manterá registros sintéticos dos bens móveis e imóveis. Determina este art. que os bens móveis e imóveis sejam contabilizados de forma sintética. Referente ao levantamento geral dos bens móveis e imóveis, o art. 96 prevê que: Art. 96 - O levantamento geral dos bens móveis e imóveis terá por base o inventário analítico de cada unidade administrativa e os elementos da escrituração sintética na contabilidade.

(65) 63 No levantamento geral dos bens móveis e imóveis, este art. estatui que será com base no inventário analítico, e registrado de forma individualizada, por unidade administrativa. A escrituração dos elementos contábeis será de forma sintética. Relativo aos fins orçamentários e determinação dos devedores, o art. 97 determina que: Art. 97 - Para fins orçamentários e determinação dos devedores, ter-se-á o registro contábil das receitas patrimoniais, fiscalizando-se sua efetivação. Para efetivo controle orçamentário e determinação dos devedores, o art. 97 estabelece que se efetue registro contábil das receitas patrimoniais, bem como proceda a fiscalização de sua efetivação. Por sua vez, referente à dívida fundada, o art. 98 estabelece que: Art. 98 - A divida fundada compreende os compromissos de exigibilidade superior a doze meses, contraídos para atender a desequilíbrio orçamentário ou a financeiro de obras e serviços públicos. (Veto rejeitado no D.O. 03/06/1964) Parágrafo único. A dívida fundada será escriturada com individuação e especificações que permitam verificar, a qualquer momento, a posição dos empréstimos, bem como os respectivos serviços de amortização e juros. Verifica-se que a dívida fundada representa os compromissos assumidos pela entidade pública, cuja exigibilidade é superior a doze meses, assumidos para cobrir déficit orçamentário ou financeiro, contraídos para execução de obras e serviços públicos. Serão escriturados individualmente e especificados de forma que se possa verificar, a qualquer momento, a posição dos empréstimos e os serviços de amortização e juros. Já, com relação aos serviços públicos industriais, o art. 99 estatui que: Art. 99 - Os serviços públicos industriais, ainda que não organizados como empresa pública ou autárquica, manterão contabilidade especial para determinação dos custos, ingressos e resultados, sem prejuízo da escrituração patrimonial e financeira comum.

(66) 64 Os serviços públicos industriais, segundo o art. 99, mesmo que não seja organizado como empresa pública ou autárquica, deverão ser registrados de forma especial, a fim de que se possa estabelecer os custos, ingressos e os resultados. Sendo que, esses resultados não poderão afetar a escrituração patrimonial e financeira da contabilidade comum. Relativo às alterações da situação líquida patrimonial, o art. 100 estabelece que: Art. 100 - As alterações da situação líquida patrimonial, que abrangem os resultados da execução orçamentária, bem como as variações independentes dessa execução e as superveniências e insubsistência ativas e passivas, constituirão elementos da conta patrimonial. Segundo Machado Jr. e Reis (1999), um bem escrito no ativo que se torna obsoleto é baixado do patrimônio, ocorrendo à insubsistência ativa. Já um empenho inscrito em Restos a Pagar entra em prescrição qüinqüenal, ocorre uma insubsistência passiva. Da mesma forma a reavaliação de um imóvel, ocorre a superveniência ativa. Os juros de empréstimos passando de n para n+x e sendo x positivo, ocorre uma superveniência passiva. Nesse sentido, o art. 100, define que essas variações se ocorrem constituirão elementos da conta patrimonial. No Capítulo IV, dos Balanços, o art. 101 estabelece que: Art. 101 - Os resultados gerais do exercício serão demonstrados no Balanço Orçamentário, no Balanço Financeiro, no Balanço Patrimonial, na Demonstração das Variações Patrimoniais, segundo os Anexos números 12, 13, 14 e 15 e os quadros demonstrativos constantes dos Anexos números 1, 6, 7, 8, 9, 10, 11, 16 e 17. Neste art. 101 fica estabelecido como serão demonstrados os resultados gerais do exercício, no caso específico, nos Balanços Orçamentário, Financeiro, Patrimonial e nas Demonstrações das Variações Patrimoniais, respeitando a forma de apresentação, conforme anexos constantes da Lei nº 4.320/64. No que se refere ao balanço orçamentário, o art. 102 determina que:

(67) 65 Art. 102 - O Balanço Orçamentário demonstrará as receitas e despesas previstas em confronto com as realizadas. No balanço orçamentário, segundo o art. 102, estarão registradas as receitas e despesas previstas, confrontadas com as despesas e receitas realizadas. Concernente às demonstrações que deverão constar do balanço financeiro, o art. 103 estatui que: Art. 103. O Balanço Financeiro demonstrará a receita e a despesa orçamentária bem como os recebimentos e os pagamentos de natureza extra-orçamentária, conjugados com os saldos em espécie provenientes do exercício anterior, e os que se transferem para o exercício seguinte. Parágrafo único. Os Restos a Pagar do exercício serão computados na receita extraorçamentária para compensar sua inclusão na despesa orçamentária. Portanto, trata do balanço financeiro, estabelecendo que neste documento deverão constar receitas e despesas orçamentárias, assim como os recebimentos e pagamentos extraorçamentários. Os saldo do exercício anterior e os que serão transferidos para o exercício seguinte também deverão estar lançados. Com relação aos Restos a Pagar do exercício, serão lançados na receita extra-orçamentária de maneira a compensar sua inclusão na despesa orçamentária. Referente a demonstração das variações patrimoniais, o art. 104 prevê que: Art. 104. A Demonstração das Variações Patrimoniais evidenciará as alterações verificadas no patrimônio, resultantes ou independentes da execução orçamentária, e indicará o resultado patrimonial do exercício. Trata o art. 104 das demonstrações de variações patrimoniais, estabelecendo que deverão ser registradas todas as alterações verificadas no patrimônio, quer seja resultante da execução orçamentária, quer de resultado independente. A referida peça documental indicará o resultado patrimonial do exercício.

(68) 66 Por sua vez, referente ao balanço patrimonial, o art. 105 estabelece que: Art. 105 - O Balanço Patrimonial demonstrará: I - O Ativo Financeiro; II - O Ativo Permanente; III - O Passivo Financeiro; IV - O Passivo Permanente; V - O Saldo Patrimonial; VI - As Contas de Compensação. § 1º O Ativo Financeiro compreenderá os créditos e valores realizáveis independentemente de autorização orçamentária e os valores numerários. § 2º O Ativo Permanente compreenderá os bens, créditos e valores, cuja mobilização ou alienação dependa de autorização legislativa. § 3º O Passivo Financeiro compreenderá as dívidas fundadas e outras cujo pagamento independa de autorização orçamentária. § 4º O Passivo Permanente compreenderá as dívidas fundadas e outras que dependam de autorização legislativa para amortização ou resgate. § 5º Nas contas de compensação serão registrados os bens, valores, obrigações e situações não compreendidas nos parágrafos anteriores e que, imediata ou indiretamente, possam vir a afetar o patrimônio. Neste art. da referida Lei estão estatuídas todas as peças que deverão constar do Balanço Patrimonial, de forma que sejam padronizados todos os balanços gerais das instituições de Direito Público interno (MACHADO JR. e REIS, 1999). Relativo à avaliação dos elementos patrimoniais o art. 106 preconiza que: Art. 106 - A avaliação dos elementos patrimoniais obedecerá as normas seguintes: I - os débitos e créditos, bem como os títulos de renda, pelo seu valor nominal, feita a conversão, quando em moeda estrangeira, à taxa de câmbio vigente na data do balanço; II - os bens móveis e imóveis, pelo valor de aquisição ou pelo custo de produção ou de construção; III - os bens de almoxarifado, pelo preço médio ponderado das compras. § 1° Os valores em espécie, assim como os débitos e créditos, quando em moeda estrangeira, deverão figurar ao lado das correspondentes importâncias em moeda nacional. § 2º As variações resultantes da conversão dos débitos, créditos e valores em espécie serão levadas à conta patrimonial. § 3º Poderão ser feitas reavaliações dos bens móveis e imóveis. A Contabilidade Pública possui características específicas que a distinguem da contabilidade privada, mais especificamente no tocante ao regime de competência e às

(69) 67 demonstrações contábeis. Matias e Campello (2000, p. 89) afirmam que na Contabilidade Pública: O regime contábil utilizado é do tipo misto: as receitas seguem o regime de caixa, e as despesas o regime de competência. Assim, as receitas são contabilizadas somente pela sua realização, após serem efetivamente arrecadadas. As despesas, por outro lado, são contabilizadas, por meio do sistema orçamentário, quando a obrigação estabelecer-se, independentemente de haver ou não o desembolso efetivo. Os relatórios contábeis são diferenciados, pois enquanto os relatórios das organizações privadas buscam estabelecer o lucro obtido no exercício e as variações ocorridas no patrimônio líquido, na administração pública o conceito de lucro não é definido e o patrimônio líquido é obtido pela diferença entre os ativos e os passivos, não possuindo paralelo com a definição dada nas organizações privadas, em que o patrimônio líquido é representativo do capital próprio dos proprietários. A Contabilidade Pública possui com quatro sistemas de contas: orçamentário, financeiro, patrimonial e compensado. De acordo com Matias e Campello (2000, p. 90), um sistema de contas é um conjunto de contas que são movimentadas exclusivamente em contrapartida com as próprias contas pertencentes a este conjunto. a) Sistema orçamentário O sistema orçamentário acompanha a execução do orçamento, nele são registrados, de forma analítica, todos os valores relativos às Receitas e Despesas. Matias e Campello (2000, p. 90) descrevem que o sistema é inicializado por meio de registros dos valores estimados ou previstos para as receitas, e dos valores fixados pela Lei do Orçamento para as despesas. Tais valores são denominados de valores orçados. Este sistema serve às autoridades públicas, como parâmetro para a execução de suas atividades no exercício.

(70) 68 b) Sistema financeiro O sistema financeiro registra todos os recebimentos e pagamentos realizados e que são classificados em receitas e despesas orçamentárias e extra-orçamentárias. Matias e Campello (2000, p. 93) comentam que os registros desse sistema geram o balanço financeiro. Tal balanço demonstra a situação financeira da administração e é, na verdade, um demonstrativo do movimento do caixa. c) Sistema patrimonial No sistema patrimonial estão contidas as contas referentes ao Ativo Permanente (bens móveis e imóveis, valores e créditos) e Passivo Permanente (dívida fundada interna e externa). São também registradas nesse sistema as Variações Patrimoniais Ativas e Passivas. A diferença verificada entre essas variações corresponde ao valor do Resultado Patrimonial. Sendo positiva, é superávit (resultado econômico positivo), caso contrário é um déficit (resultado econômico negativo). Conforme Matias e Campello (2000, p. 95), esse sistema gera o Balanço das Variações Patrimoniais, que demonstra as alterações sofridas pelas contas patrimoniais indicando, por um lado, os recursos financeiros obtidos e, por outro, as aplicações realizadas. d) Sistema compensado O sistema compensado registra as inscrições de garantias, responsabilidades e valores que podem, direta ou indiretamente vir a afetar o patrimônio. Essas contas representam os

(71) 69 valores de terceiros em poder da administração, ou valores da administração em poder de terceiros. Demonstra-se que a contabilidade e o Orçamento são as peças documentais fundamentais de controle de gestão dos governos, cuja regulamentação está delineada na Lei nº 4.320/64. 2.6 Gestão da participação no produto da arrecadação do ICMS Sobre a Lei Complementar nº 63, de 11 de janeiro de 1990, assim dispõe no seu artigo 4º e parágrafos 1º e 2º: Art. 4º - Do produto da arrecadação do imposto de que trata o artigo anterior, 25% (vinte e cinco por cento) serão depositados ou remetidos no momento em que a arrecadação estiver sendo realizada à "conta de participação dos Municípios no Imposto sobre Operações relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicações", aberta em estabelecimento oficial de crédito e de que são titulares, conjuntos, todos os Municípios do Estado. § 1º Na hipótese de ser o crédito relativo ao Imposto sobre Operações relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação extinto por compensação ou transação, a repartição estadual deverá, no mesmo ato, efetuar o depósito ou a remessa dos 25% (vinte e cinco por cento) pertencentes aos Municípios na conta de que trata este artigo. § 2º Os agentes arrecadadores farão os depósitos e remessas a que alude este artigo independentemente de ordem das autoridades superiores, sob pena de responsabilidade pessoal. O Estado mantém uma conta específica em estabelecimento bancário oficial de crédito, onde todos os Municípios de sua jurisdição são credores, cujas receitas de ICMS que entram diariamente para o Estado, automaticamente são desmembradas em 75% na conta do Governo Estadual e 25% na conta desses Municípios. Já o art. 5º dessa Lei Complementar nº 63/90 estabelece que:

(72) 70 Art. 5º - Até o segundo dia útil de cada semana, o estabelecimento oficial de crédito entregará, a cada Município, mediante crédito em conta individual ou pagamento em dinheiro, à conveniência do beneficiário, a parcela que a este pertencer, do valor dos depósitos ou remessas feitos, na semana imediatamente anterior, na conta a que se refere o artigo anterior. Do volume arrecadado na semana anterior, na conta referenciada no artigo 4º e 5º da Lei Complementar nº 63/90, o estabelecimento oficial de crédito, obrigatoriamente repassará no segundo dia útil de cada semana, à conta específica de cada Município, o valor correspondente a cada um, determinado pelo índice de Valor Adicionado respectivo. Esses recursos são lançados na contabilidade pública municipal como quota-parte do ICMS na Categoria Econômica Transferências Correntes, fazendo parte da receita do Município sem destinação específica. Aos municípios e Associações de Municípios, é de suma importância o conhecimento e o perfeito entendimento dos dispositivos estatuído na Lei Complementar nº 63, de 11 de janeiro de 1990, pois deste entendimento depende o efetivo Controle do Movimento Econômico. Efetuou-se, neste capítulo a revisão bibliográfica buscando fundamentar o presente trabalho. Na seqüência, descreve-se a metodologia empregada nesta pesquisa, para num momento seguinte abordar a parte central do estudo, que é responder aos objetivos propostos.

(73) 71 3 PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS Neste capítulo aborda-se a metodologia de pesquisa empregada neste estudo. Num primeiro momento apresenta-se as perguntas da pesquisa que direcionam o trabalho. Na seqüência evidencia-se a definição constitutiva de termos. Posteriormente, exibe-se o delineamento da pesquisa. Em seguida apresenta-se a coleta e análise de dados. Por fim descreve-se as limitações da pesquisa. 3.1 Definição constitutiva de termos Para entendimento de qualquer estudo ou trabalho, necessariamente os termos devem ser conhecidos. Vergara (2004, p.2) comenta que a definição de termos refere-se a uma pequena lista de termos chaves do estudo, com suas definições como se faz em dicionários. Nesse sentido define-se para o presente estudo os termos que seguem. a) Índice de retorno na participação do produto da arrecadação do ICMS É o valor expresso em percentual, calculado com base na média dos Valores Adicionados entre o ano-base e o ano-base anterior em relação ao ano de apuração, aplicados conforme Lei Complementar n° 63, de 11 de janeiro de 1990, sendo 85% sobre este valor e 15% de maneira fixa, com base na receita estadual, dividido pela quantidade de municípios no Estado. b) Movimento Econômico É o termo utilizado para expressar toda a estrutura que envolve o controle do retorno na participação do produto da arrecadação do ICMS.

(74) 72 c) Guia de Informação e Apuração do ICMS - GIA É uma obrigação acessória a ser cumprida, mensalmente, pelos contribuintes inscritos no Cadastro de Contribuintes do ICMS. Sua finalidade básica é demonstrar as operações do estabelecimento (faturamento mensal, entradas e saídas e o resumo da apuração do ICMS). d) Declaração de Informações Econômico-Fiscais (DIEF) Obrigação acessória a ser apresentada anualmente pelos contribuintes inscritos no Cadastro de Contribuintes do ICMS, com objetivo de apresentar todas as movimentações relativas às operações efetuadas com mercadorias e os serviços de transportes interestaduais e intermunicipais e de comunicação, bem como a situação patrimonial. Documento instituído pelo Decreto nº 2.870, de 27 de agosto de 2001, nos seus art. 168 a 175. e) Grupo de Trabalho (GT) Grupo composto por representantes das associações de municípios, coordenados por representantes da GECAT da Secretaria de Estado da Fazenda, com o objetivo de auditar as DIEFs entregues, de maneira a apurar o índice de arrecadação do ICMS. Foi instituído pela Portaria Estadual nº 087, de 27 de junho de 1991. f) Recurso de 1ª Instância Recurso efetuado pelos municípios junto a Secretaria de Estado da Fazenda, a fim de que sejam reintegradas ao montante de seu valor adicionado, as empresas excluídas pelo grupo de trabalho para comprovação. Os julgadores são indicados pelas associações municipais e pela Secretaria de Fazenda do Estado.

(75) 73 g) Recurso de 2ª Instância Recurso efetuado pelos municípios junto a Secretaria de Estado da Fazenda, a fim de que sejam reintegradas ao montante de seu valor adicionado, as empresas excluídas pelo grupo de trabalho para comprovação, que não tiveram seu pedido deferido em Recurso de 1ª Instância. A competência do julgamento de 2ª Instância é do Secretário de Estado da Fazenda, o julgamento de 2ª Instância podendo delegar essa tarefa à Fiscais de Tributos. h) Valor Adicionado (VA) Corresponde à diferença entre o valor das mercadorias saídas de uma empresa, acrescidos do valor das prestações de serviços e o valor das mercadorias e serviços recebidos na mesma empresa, em cada ano civil. 3.2 Delineamento da pesquisa Gil (1994, p.70) define o delineamento como sendo planejamento da pesquisa em sua dimensão mais ampla, envolvendo tanto a sua diagramação quanto a previsão de análise e interpretação dos dados . Nesse sentido, a presente pesquisa caracteriza-se como um estudo de caráter hipotético-dedutivo de forma exploratória e prescritiva, utilizando-se da abordagem qualitativa e quantitativa. O método hipotético-dedutivo, segundo Lakatos e Marconi (2000), requer o aparecimento, em primeiro lugar, do problema que será testado pela observação e experimentação. Para Gil (1994, p.30-31), nem sempre é fácil a distinção entre o método hipotético-dedutivo e o indutivo, visto que ambos se fundamentam na observação. Afirma que pelo método indutivo se atinge apenas uma generalização empírica das observações, enquanto que no método hipotético-dedutivo, pode-se rever teorias e leis.

(76) 74 Tendo em vista os fins que se pretende para a pesquisa, ela é exploratória. Gil (1994, p.45) explica que pesquisas exploratórias são desenvolvidas com o objetivo de proporcionar visão geral, de tipo aproximativo, acerca de determinado fato. Este tipo de pesquisa é realizado especialmente quando o tema é pouco explorado e torna-se difícil sobre ele formular hipóteses precisas e operacionalizáveis . Além de exploratório, o presente estudo pretende ser também prescritivo, pois objetiva prescrever uma solução ao caso estudado. Mezaroba (2001), em sua apostila referente à sétima aula de Metodologia Científica, ressalta que a prescrição de soluções para os problemas suscitados na pesquisa é uma característica das pesquisas prescritivas. Mas, não só por isso. Você pode propor um modelo teórico ideal para explicar conceitos e apontá-lo como a melhor solução para determinados problemas . Quanto aos meios de investigação trata-se de uma pesquisa predominantemente documental, com parte bibliográfica. Vergara (2004, p.48) descreve a investigação documental como aquela: realizada em documentos conservados no interior de órgãos públicos e privados de qualquer natureza, ou com pessoas: registros, anais, regulamentos, circulares, ofícios, memorandos, balancetes, comunicações informais, filmes, microfilmes, fotografias, videoteipe, informações em disquetes, diários, cartas pessoais e outros. Com relação à pesquisa bibliografia, Vergara (2004) explica que é o estudo sistematizado desenvolvido com base em material publicado em livros, revistas, jornais, redes eletrônicas, isto é, material acessível ao público em geral. Tratando-se de investigação de uma única organização, a Prefeitura Municipal de Florianópolis, esta pesquisa caracteriza-se como um estudo de caso. Vergara (2004, P.49) conceitua estudo de caso como sendo o circunscrito a uma ou poucas unidades, entendidas essas como pessoa, família, produto, empresa, órgão público, comunidade ou mesmo país .

(77) 75 A abordagem da pesquisa é quantitativa e qualitativa. Hubner (1998, p.56) ressalta que, o que define uma pesquisa como sendo qualitativa ou quantitativa não é o método de coleta, mas sim a forma do tratamento dos dados . Outro aspecto a considerar é o tipo de estudo no tempo. Nesta pesquisa adotou-se uma perspectiva longitudinal, tendo em vista que a ela compreende o período de 2000 a 2004, perfazendo um espaço de tempo de 5 anos. 3.3 Objeto de estudo e elementos de análise Fachin (2001) estabelece que, para se delimitar o universo da pesquisa, fica mais evidente a partir do momento que se define a escolha do assunto. Faz-se necessário reunir as informações mais precisas sobre a delimitação do universo da pesquisa, delineá-lo em suas grandes linhas e decidir se a pesquisa se fará sobre o universo como um todo ou somente sobre uma amostra dele. O universo de pesquisa do presente estudo está delimitado ao Setor do Controle do Movimento Econômico da Divisão de Fiscalização da Secretaria Municipal de Finanças/Receita da Prefeitura Municipal de Florianópolis, Estado de Santa Catarina, Brasil. As várias etapas do Controle do Movimento Econômico correspondem aos elementos de observação. Gil (1994, p. 104) entende que a observação constitui elemento fundamental para a pesquisa. Desde a escolha e formulação do problema, passando pela construção de hipóteses, coleta, análise e interpretação dos dados, a observação desempenha papel imprescindível no processo de pesquisa. Especificamente em relação à observação participante, Gil (1994, pp. 107-108) assim conceitua-a:

(78) 76 A observação participante, ou observação ativa, consiste na participação real do observador na vida da comunidade, do grupo ou de uma situação determinada. Neste caso, o observador assume, pelo menos até certo ponto, o papel de um membro do grupo. Daí por que se pode definir observação participante como a técnica pela qual se chega ao conhecimento da vida de um grupo a partir do interior dele mesmo. GIL (1994, p. 108) explica que a observação pode assumir duas formas distintas: a) natural, quando o observador pertence a mesma comunidade ou grupo que investiga; e b) artificial, quando o observador se integra ao grupo com o objetivo de realizar uma investigação. Como vantagem, Gil (1994) cita que pela observação natural o pesquisador terá facilidade de rápido acesso a dados sobre os membros da comunidade envolvida, assim como terá facilidade de acesso a dados da comunidade de domínio privado e acesso às palavras de esclarecimento que acompanham o comportamento dos observados. Neste trabalho, o pesquisador enquadra-se como observador natural, pois se trata de funcionário da PMF, lotado na Divisão de Fiscalização, Setor de Controle do Movimento Econômico, sendo, portanto, membro da comunidade investigada. 3.4 Coleta e análise de dados A coleta de dados foi efetivada através de dados de fontes primárias (pesquisas documentais) e secundárias (pesquisas bibliográficas), tendo em vista ser uma pesquisa exploratória e prescritiva. Colauto e Beuren (2003, p. 134) afirmam que a coleta de dados por meio da pesquisa documental ou de fontes primárias é a que trabalha com informações que não recebem tratamento analítico . Nesta pesquisa a análise documental corresponde à análise de documentos (organograma, fluxograma, relatórios, leis, decretos, portarias), que permitam

(79) 77 visualizar a instituição estudada, além de possibilitar investigar as necessidades de melhoria que propõe o presente estudo. As pesquisas bibliográficas ou de fontes secundárias, conforme definido por Colauto e Beuren (2003, p. 135), são aquelas que utilizam, fundamentalmente, contribuições já publicadas sobre o tema estudado. Consideram-se documentos ou fontes secundárias as teses, dissertações, monografias, artigos de anais, artigos eletrônicos, publicações avulsas, livros, revistas, os boletins de jornais . Lakatos e Marconi (2002) esclarecem que a importância deste tipo de pesquisa está no fato de abranger toda bibliografia já tornada pública em relação ao tema de estudo, colocando o pesquisador em contato com tudo o que foi escrito, dito ou filmado. A coleta de dados corresponde, na fase da pesquisa, à etapa em que se busca as informações sobre a realidade. Assim sendo, os dados coletados, neste estudo, são aqueles obtidos através de procedimentos de pesquisa documental, bibliográfica e pela observação participante do pesquisador. Os dados deste estudo foram analisados de forma qualitativa e quantitativa, por meio da análise de dados realizadas por meio de análise prescritiva e documental. Trivinos (1994) explicita que, na pesquisa qualitativa, a análise dos dados devem ser apoiados nos resultados alcançados no estudo, na fundamentação teórica e na experiência do pesquisador. Por sua vez, de acordo com o Raupp e Beuren (2003, p. 92), a abordagem quantitativa caracteriza-se pelo emprego de instrumentos estatísticos, tanto na coleta quanto no tratamento dos dados . 3.5 Limitações da pesquisa Vergara (2004, p.59) adverte que todo método tem possibilidades e limitações. É saudável antecipar-se às criticas que o leitor poderá fazer ao trabalho, explicitando quais as

(80) 78 limitações que o método escolhido oferece, mas que ainda assim justificam como o mais adequado aos propósitos da investigação . Tratando-se de um estudo exploratório, de uma única entidade, especificamente o Setor do Controle do Movimento Econômico da Secretaria de Finanças/Receita da Prefeitura Municipal de Florianópolis, a pesquisa apresenta limitações, contudo, estas não comprometem a validade do estudo. As limitações impostas a este estudo, apesar de se procurar alcançar o maior rigor possível nas análises e procedimentos empregados, são: 1) uma única entidade escolhida, visto que seria dificultoso a coleta e análise de dados de várias prefeituras; 2) uma unidade dentro da Secretaria de Finanças/Receita, sem estrutura previamente definida; 3) a pesquisa é documental, por tratar-se de órgãos governamentais, principalmente relativo ao Estado, no tocante a autorização e expedição de documentos. Todavia, as limitações apresentadas não impediram que se alcançassem os objetivos propostos neste trabalho.

(81) 79 4 O CONTROLE DE GESTÃO DA PARTICIPAÇÃO DO MUNICÍPIO DE FLORIANÓPOLIS NO PRODUTO DA ARRECADAÇÃO DO ICMS Neste capítulo faz-se uma descrição da história do município e apresentam-se o organograma da Prefeitura de Florianópolis e a legislação pertinente. Em seguida apresenta-se o controle efetuado pelo município de Florianópolis relativo ao Movimento Econômico, com destaque ao cronograma estadual, a estrutura e procedimentos adotados na PMF para esse controle. Na seqüência aborda-se o Movimento Econômico de Florianópolis, comentando-se sobre os índices de participação e o reflexo desse retorno na receita da PMF. Depois se propõe a reformulação do controle do Movimento Econômico no município de Florianópolis, apresentando proposta referente a este controle em Florianópolis e procedendo a análise da influência desta proposta na participação municipal no retorno do ICMS. 4.1 O município de Florianópolis Segundo o Guia de Florianópolis (IPUF, 1993), os primeiros habitantes da região de Florianópolis foram os índios tupis-guaranis. Praticavam a agricultura, mas tinham na pesca e coleta de moluscos as atividades básicas para sua subsistência. Os indícios de sua presença encontram-se nos sambaquis e sítios arqueológicos, cujos registros mais antigos datam de 4.800 a.C. Já no início do século XVI, embarcações que demandavam a Bacia do Prata aportavam na Ilha de Santa Catarina para abastecerem-se de água e víveres. Entretanto, somente por volta de 1675 é que Francisco Dias Velho, junto com sua família e agregados, dá início à povoação da ilha com a fundação de Nossa Senhora do Desterro (atual Florianópolis).

(82) 80 É o segundo núcleo de povoamento mais antigo do Estado, ainda fazendo parte da vila de Laguna, desempenhou importante papel político na colonização da região. A partir desta data intensifica-se o fluxo de paulistas e vicentistas que ocupam vários outros pontos do litoral. Em 1726, Nossa Senhora do Desterro é elevada à categoria de vila, a partir de seu desmembramento de Laguna. A ilha de Santa Catarina, por sua invejável posição estratégica como vanguarda dos domínios portugueses no Brasil meridional, passa a ser ocupada militarmente a partir de 1737, quando começam a ser erigidas as fortalezas necessárias à defesa do seu território. Esse fato resultou num importante passo na ocupação da ilha. Com a ocupação, tiveram prosperidade a agricultura e a indústria manufatureira de algodão e linho, permanecendo, ainda hoje, resquícios desse passado, no que se refere à confecção artesanal da farinha de mandioca e das rendas de bilro. Nesta época, meados do século XVIII, verifica-se a implantação das "armações" para pesca da baleia, em Armação da Piedade (Governador Celso Ramos) e Armação do Pântano do Sul (Florianópolis), cujo óleo era comercializado pela Coroa fora de Santa Catarina, não trazendo benefício econômico à região. No século XIX, Desterro foi elevada à categoria de cidade; tornou-se Capital da Província de Santa Catarina em 1823 e inaugurou um período de prosperidade, com o investimentos de recursos federais. Projetou-se a melhoria do porto e a construção de edifícios públicos, entre outras obras urbanas. A modernização política e a organização de atividades culturais também se destacaram, marcando inclusive os preparativos para a recepção ao Imperador D. Pedro II (1845). Com o advento da República (1889), as resistências locais ao novo governo provocaram um distanciamento do governo central e a diminuição dos seus investimentos. A

(83) 81 vitória das forças comandadas pelo Marechal Floriano Peixoto determinaram em 1894 a mudança do nome da cidade para Florianópolis, em homenagem a este oficial. A cidade, ao entrar no século XX, passou por profundas transformações, sendo que a construção civil foi um dos seus principais suportes econômicos. A implantação das redes básicas de energia elétrica e do sistema de fornecimento de água e captação de esgotos somaram-se à construção da Ponte Governador Hercílio Luz, como marcos do processo de desenvolvimento urbano. Hoje, a área do município, compreendendo a parte continental e a ilha, encampa 436,5 km2 , com uma população de 369.781 habitantes em 2003. Fazem parte do Município de Florianópolis os seguintes distritos: Centro, Barra da Lagoa, Cachoeira do Bom Jesus, Campeche, Canasvieiras, Ingleses do Rio Vermelho, Lagoa da Conceição, Pântano do Sul, Ratones, Ribeirão da Ilha, Santo Antônio de Lisboa e São João do Rio Vermelho. Florianópolis tem sua economia alicerçada nas atividades do comércio, prestação de serviços públicos, indústria de transformação e turismo. Recentemente a indústria do vestuário e a informática vêm se tornando também setores de grande desenvolvimento. Dentre os atrativos turísticos da capital salientam-se hoje, além das praias, as localidades onde se instalaram as primeiras comunidades de imigrantes açorianos, como o Ribeirão da Ilha, a Lagoa da Conceição, Santo Antônio de Lisboa e o próprio centro histórico da cidade de Florianópolis. 4.2 Organograma da Prefeitura de Florianópolis No presente estudo de caso, como se aborda exclusivamente o município de Florianópolis, apresenta-se o seu organograma, Figura 1, de forma a conhecer mais detalhadamente sua estrutura.

(84) 82 Figura 1 Organograma da Prefeitura Municipal de Florianópolis Fonte: Gabinete de Planejamento da Prefeitura Municipal de Florianópolis, 2004 A Prefeitura Municipal de Florianópolis apresenta em sua estrutura organizacional 14 Conselhos Municipais, 1 Associação de Voluntárias, 3 Fundações, 2 Institutos, 1 Companhia, 10 Secretarias Municipais, 2 Gabinetes e 1 Procuradoria.

(85) 83 A Secretaria Municipal de Finanças, cuja estrutura organizacional será apresentada de forma específica, é o órgão desta estrutura, foco deste estudo, mais precisamente o Setor do Movimento Econômico, dentro da Divisão de Fiscalização. 4.3 Legislação sobre o Movimento Econômico A Constituição da República Federativa do Brasil, de 05 de outubro de 1988, em sua Seção VI Da Repartição da Receita, assim estabelece: Art. 158. Pertencem aos Municípios: I - .......... II - ........ III - .......... IV - vinte e cinco por cento do produto da arrecadação do imposto do Estado sobre operações relativas à circulação de mercadorias e sobre prestações de serviços de transporte interestadual e intermunicipal e de comunicação. Parágrafo único. As parcelas de receita pertencentes aos Municípios, mencionadas no inciso IV, serão creditadas conforme os seguintes critérios: I - três quartos, no mínimo, na proporção do valor adicionado nas operações relativas à circulação de mercadorias e nas prestações de serviços, realizadas em seus territórios; II - até um quarto, de acordo com o que dispuser lei estadual ou, no caso dos Territórios, lei federal. O art. 158 determina que os municípios receberão 25% da receita auferida do produto da arrecadação do imposto do Estado sobre operações relativas à circulação de mercadorias e sobre prestações de serviços de transporte interestadual e intermunicipal e de comunicação que doravante será reportada pela sigla ICMS. Estabelece também as frações relativas a serem usadas na composição final do índice, qual seja a de ¾, no mínimo, com base no valor adicionado e até ¼ do que dispuserem as leis estaduais ou territórios. Esta proporção procura beneficiar aqueles pequenos municípios que não apresentam quantidades expressivas de empresas que possam contribuir na parte referente ao valor adicionado.

(86) 84 Assim como determina a Carta Magna, o Governo do Estado de Santa Catarina, para cumprir o que estabelece o inciso VI, item I e II do art. 158, editou a Lei Estadual nº 8.203, de 26 de dezembro de 1990, assim definindo: I 85% (oitenta e cinco por cento), com base na relação entre o Valor Adicionado nas operações relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transportes Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação, realizada em cada Município, e o Valor Adicionado do Estado, apurados segundo o disposto na Lei Complementar Federal; II 15% (quinze por cento), em partes iguais entre todos os Municípios do Estado. O Governo do Estado cumpre os ¾ com base no valor adicionado quando estipula os 85% e o ¼ definindo na sua própria legislação, representando 15%. Estabelecidas às normas legislativas relativas ao Movimento Econômico, necessário se faz que se defina o que é Valor Adicionado (VA), a fim de que se possa entender a síntese do estudo. Este entendimento não se encontra específico na literatura disponível nas áreas administrativas e econômicas, sendo contemplado somente em manuais descritos pelo próprio Estado. Segundo o Manual do Movimento Econômico (1996, p.10), o Valor Adicionado (VA), que é o fator principal na composição do índice que irá representar o retorno do Produto da Arrecadação do ICMS a cada município, é assim definido: O Valor Adicionado corresponde à diferença entre o valor das mercadorias saídas de uma empresa acrescidos do valor das prestações de serviços e o valor das mercadorias e serviços recebidos na mesma empresa, em cada ano civil . Para melhor entender o conceito de Valor Adicionado, apresenta-se a fórmula: VA = Saídas Mercadorias/Serviços Entradas Mercadorias/Serviços

(87) 85 A importância do Valor Adicionado está no fato de ser o instrumento previsto na Carta Magna, utilizado pelos Estados para apurar o índice de participação que cada Município terá no produto da arrecadação do ICMS. De acordo com o Manual do Movimento Econômico da SEF/SC (1996, p.11), em nossos Municípios, a grande maioria, a quota-parte do ICMS chega a representar mais da metade de sua receita . Isto força a necessidade de um controle mais efetivo por parte dos municípios, relativo a entrega das Declarações de Informações Econômico-Fiscais (DIEF). O Valor Adicionado do Município em um determinado exercício é dividido pelo valor total do Valor Adicionado apurado no Estado, determinando-se assim um índice que será denominado de Índice de Participação Relativa do Município. Na Lei Complementar nº 63, de 11 de janeiro de 1990, em seu art. 3º , parágrafos 3º e 4º, consta: § 3º - O Estado apurará a relação percentual entre o valor adicionado em cada Município e o valor total do Estado, devendo este índice ser aplicado para a entrega das parcelas dos Municípios a partir do primeiro dia do ano imediatamente seguinte ao da apuração. § 4º - O índice referido no parágrafo anterior corresponderá à média dos índices apurados nos dois anos civis imediatamente anteriores ao da apuração. O art. 168 do atual Regulamento do ICMS (Dec. nº 2.870, de 27/08/2001), que veio regulamentar o que estatui a Lei Estadual nº 10.297, de 26 de dezembro de 1996, estabelece em seu Anexo 5, Título IV Das disposições gerais, o documento necessário a ser preenchido anualmente pelos contadores, empresas contábeis e empresas cujo controle fiscal é desenvolvido por profissionais próprios e que estão sujeitas ao ICMS, para que possam cumprir suas obrigações acessórias perante o Estado e que está assim explicitado: Art. 168 Os estabelecimentos inscritos no CCICMS apresentarão, anualmente, em arquivo eletrônico enviado através da internet , de acordo com especificações técnicas estabelecidas em Portaria do Secretário de Estado da Fazenda, a Declaração de Informações Econômico-Fiscais DIEF, que se constituirá no

(88) 86 resumo dos lançamentos fiscais e contábeis das operações ou prestações realizadas no período compreendido entre 1º de janeiro e 31 de dezembro de cada exercício. Este documento (DIEF) deverá ser preenchido individualmente para cada empresa estabelecida no município, cuja responsabilidade fica ao encargo de contadores, empresas contábeis ou dos profissionais da área fiscal das respectivas empresas. O prazo limite de entrega deste documento é 30 de abril, conforme estabelecido no art. 173, do Regulamento Geral do ICMS (Dec. nº 2.870, de 27/08/2001): A DIEF será entregue até 30 de abril de cada ano, em arquivo Art. 173 eletrônico, de acordo com as especificações técnicas estabelecidas em Portaria do Secretário de Estado da Fazenda. A não entrega no prazo estabelecido no caput deste artigo implicará em multa de 200 UFIRs para cada empresa cuja DIEF não foi declarada. Caso ocorra problema de erro, poderá ser efetuada correção através de uma DIEF retificadora, no prazo de 30 dias, contados da data de entrega, fato este explicitado no parágrafo único do art. 173 do Regulamento Geral do ICMS, assim descrito: Parágrafo único Nos casos de erro, poderá ser apresentada DIEF retificativa, no prazo de 30 dias contados da data referida no caput . O Estado, através do que está disposto na Carta Magna deverá, do que for arrecadado de ICMS, repassar 25% aos municípios, e deste percentual cada município terá o seu retorno de acordo com um índice que é determinado através do Valor Adicionado (85%) e valor fixo (15%) estatuído na legislação estadual. A responsabilidade do Estado fica praticamente em cumprir a obrigação de arrecadar o tributo ICMS, calcular e repassar no prazo previsto o montante de cada município.

(89) 87 No que concerne às informações constantes das DIEFs entregues, caberia ao Fisco Estadual avaliar e intimar os contadores e as empresas para efetuarem as devidas correções através da DIEF substitutiva. Porém, tendo em vista a dificuldade, pelo volume de informações de todo o estado, e, pela quantidade reduzida de Fiscais de Tributos Estaduais, este controle obrigatoriamente passa a ser feito pelos municípios, através de seu corpo fiscal ou através das associações da região. Tal controle é de suma importância, pois conforme se constata através de acompanhamento, são inúmeros os erros de preenchimento e de informações equivocadas que ocorrem na entrega das DIEF, alterando substancialmente o Valor Adicionado daquela empresa, modificando por conseqüência o Valor Adicionado do município, e reduzindo índices de uns e aumentando de outros municípios. 4.4 Controle efetuado pelo Município de Florianópolis relativo ao Movimento Econômico Com base no cronograma do Estado o município de Florianópolis, através de seus técnicos, 1 Fiscal de Tributos e 1 Contador, delineiam sua estratégia de controle, objetivando atingir o maior número possível de entrega de DIEFs das empresas do município e de maneira mais correta possível. Com as informações e orientações sobre o Movimento Econômico, definidas pelos representantes técnicos dos municípios, associações de municípios e técnicos do Estado, na reunião de fevereiro, num dos municípios do Estado escolhido na reunião do ano anterior, solicitam junto a Secretaria de Estado da Fazenda o relatório das empresas constantes no município de Florianópolis, para verificar as que foram baixadas, as suspensas e as ativas.

(90) 88 De posse do relatório, selecionam as empresas mais relevantes do município, e que mais representam no Valor Adicionado, providenciando o encaminhamento das informações necessárias, através de mala-direta, às empresas, aos contadores e empresas contábeis, orientando sobre prazo, detalhes de preenchimento das DIEFs discutidos na reunião, telefones de contato para orientações e onde encontrar os sistemas de preenchimento das DIEFs e de transmissão, tendo em vista que a SEFAZ, com base na legislação (art. 168 do Regulamento do ICMS), exige a entrega do documento DIEF mediante meio eletrônico. Nos últimos 5 anos (2000 a 2004), o município de Florianópolis tem passado de 10.549 a 11.787 empresas ativas estabelecidas na sua jurisdição que compõem o rol de empresas que participam na geração do seu valor adicionado, conforme demonstra-se na Tabela 1. Tabela 1 Quantitativo de empresas ativas no Município de Florianópolis classificadas por categoria de faturamento. DATA ÚLTIMO RELATÓRIO 20/12/2000 20/12/2001 29/11/2002 02/12/2003 17/12/2004 TOTAL EPP 543 1.295 1.488 1.477 1.649 MICRO OUTRAS 6.328 5.450 5.649 5.306 5.750 3.678 3.611 3.763 4.709 4.388 EMPRESAS 10.549 10.356 10.900 11.492 11.787 Fonte: Secretaria da Fazenda do Estado de SC - SEFAZ/SC, 2004 De acordo com a Decreto Estadual nº 2.870, Anexo IV, de 27 de agosto de 2001 (www.sef.sc.gov.br), alterado pelo Decreto Estadual nº 1.348, de 21 de janeiro de 2004 (www.sef.sc.gov.br), assim define: Art. 2º Para fins deste Anexo, a pessoa jurídica ou firma individual que, no ano de seu enquadramento e no ano anterior se nele existente, auferir receita bruta anual: I igual ou inferior a R$ 142.000,00 (cento e quarenta e dois mil reais), é considerada microempresa;

(91) 89 II superior a R$ 142.000,00 (cento e quarenta e dois mil reais) e igual ou inferior a R$ 1.800.000,00 (hum milhão e oitocentos mil reais), é considerada empresa de pequeno porte. Na Tabela 1, a classificação das empresas de Florianópolis está de acordo com o citado Decreto. Micro, são aquelas com receita bruta anual igual ou inferior a R$ 142.000,00; Empresa de Pequeno Porte (EPP), aquelas com receita bruta anual superior a R$ 142.000,00 e igual ou inferior a R$ 1.800.000,00; e classificadas como Outras, as empresas com faturamento superior a R$ 1.800.000,00. Seguindo-se a análise da Tabela 1, denota-se a importância da fiscalização e controle dessas empresas que compõe o Movimento Econômico do Município de Florianópolis. Na seqüência dos procedimentos, verifica-se as empresas com alguma relevância, que efetuaram suas baixas junto ao Estado, solicitando o espelho da DIEF (documento emitido pelo Estado com todos os lançamentos nos moldes da DIEF, efetuado pelo contribuinte), para verificar se está correta, tendo em vista a importância do Valor Adicionado. Deve-se atentar para o estoque, uma vez que na baixa da empresa este estoque provavelmente será vendido, sendo então uma saída que gerará valor adicionado. Detectado o erro de preenchimento da DIEF, solicita-se ao contador ou representante legal, que efetue a retificação da DIEF e retransmita ao Estado. Permanecendo o erro, ou constatada a omissão por parte do responsável contábil, elabora-se Intimação a ser entregue à empresa omissa, com prazo de atendimento. Elaborada a Intimação encaminha-se previamente ao Fisco da Fazenda Estadual para colher assinatura do Fiscal de Tributos Estaduais. Assinada a Intimação, retorna ao município para a efetiva entrega ao contribuinte omisso. Ressalta-se que a elaboração da intimação e notificação, por determinações legais, cabe ao Fisco Estadual, mas para efeito de agilidade e tempo, o município ou associações, através de seus técnicos, a elaboram e encaminham ao Fisco Estadual para colher a

(92) 90 assinatura, procedendo à entrega, em mãos, ao contribuinte omisso. Utiliza-se, no caso de Florianópolis, o Grupo de Fiscais para entrega das intimações, visto que precisa que o contribuinte seja cientificado de sua obrigação, ficando isso comprovado mediante o ciente do contribuinte ou seu representante legal na 2ª via da Intimação. As intimações cujos contribuintes não forem localizados deverão ser devolvidas ao Fisco Estadual, para posterior verificação e se necessário proceder à fiscalização da empresa pela omissão. Nesta Intimação aproveita-se para solicitar a documentação da empresa baixada (Livro Registro de Entrada de Mercadorias, Livro Registro de Saídas de Mercadorias, Livro de Apuração do ICMS e Notas Fiscais se necessário, de maneira que possam ser fotocopiadas para que se possa efetuar, no momento oportuno, Recurso de 1ª Instância (junto a Secretaria de Estado da Fazenda), a fim de que seja corrigido o valor adicionado que se encontra registrado, caso não seja de pronto atendido o pleito. Findo o prazo de entrega das DIEFs, em 30 de abril, os técnicos do município solicitam novo relatório (por meio eletrônico), junto a Secretaria da Fazenda do Estado, e com base em Sistema de Informática - desenvolvido para avaliar erros nas DIEFs entregues ou acusar DIEFs omissas -, fazem as devidas avaliações, detectam os problemas, e contatam as empresas ou contadores responsáveis, via telefone ou e-mail, avisando da necessidade de efetuar as devidas correções ou entrega das DIEFs omissas. O prazo para essas correções, estabelecido em lei é de 30 dias a contar da data de entrega. Havendo descaso por parte das empresas ou dos profissionais contábeis, os técnicos do município, sentindo-se preocupados com a possível não entrega da DIEF, elaboram Intimação endereçada à empresa omissa, com prazo de atendimento, utilizando os mesmos procedimentos já descritos na elaboração da Intimação às empresas que efetuaram baixas. Esgotado o segundo prazo, a Secretaria de Estado da Fazenda, convoca os representantes dos Municípios e Associações de Municípios, para com base na Portaria nº

(93) 91 087/91 que instituiu o Grupo de Trabalho definir cronograma de início da auditoria das DIEFs, assim como o prazo da conclusão dos trabalhos. O Grupo de Trabalho, conforme art. 2º da Portaria nº 087/91 é composto pelo Diretor de Tributação e Fiscalização, pelo Gerente de Cadastro Tributário, pelos Secretários Executivos de cada uma das Associações de Municípios ou representante credenciado de Associações de Municípios com vínculo empregatício com a Associação ou com os Municípios participantes, mais um Fiscal de Tributos Estaduais e um Exator Estadual. As diretrizes dos trabalhos de auditoria seguem as formas e as regras préestabelecidas na reunião realizada no inicio do ano. Nesse período cabe aos técnicos das prefeituras ou técnicos de associações acompanhar a auditoria do Grupo de Trabalho a fim de dirimir algumas dúvidas, ou até mesmo tentar incluir algumas empresas que ficaram de fora da entrega, no prazo estipulado, principalmente aquelas que não foram entregues por falta de documentação naquele prazo. Terminada a auditoria, com as devidas exclusões das empresas que apresentaram problemas de informações nas DIEFs, a Secretaria de Estado da Fazenda gera um relatório com os índices dos Valores Adicionados provisórios, e encaminha aos municípios as empresas que foram excluídas para comprovação, dando prazo de 30 dias para as devidas retificações e comprovações. Recebida a relação de empresas excluídas para comprovação, os técnicos do município de Florianópolis contatam os contadores e empresas contábeis, via telefone, e-mail ou fax, solicitando documentação (Livro de Apuração do ICMS, Livro de Entrada e Saída de Mercadorias e Notas Fiscais, se necessário), para elaboração de recurso, para que a empresa excluída volte a fazer parte do Movimento Econômico. Esta solicitação de reinclusão é feita mediante Recursos Sobre Valor Adicionado , com base na Portaria nº 305/94 , que pode ser de 1ª Instância ou de 2ª Instância.

(94) 92 Os recursos de 1ª Instância são elaborados com base em formalidades (documentos) estipuladas pela Secretaria de Estado da Fazenda - SEF, com documentação anexada e devidamente autenticada ou com comprovação de veracidade da documentação, assinada pelo Prefeito ou Secretário Municipal de Finanças/Receita, e entregue no protocolo da SEF, dentro do prazo previsto. Estes recursos de 1ª Instância são avaliados por um grupo formado dentre aqueles definidos no Grupo de Trabalho, normalmente sendo por: 1 representante das Associações de Municípios, 3 representantes da SEF, sendo 2 Fiscais de Tributos e 1 técnico da SEF, lotado na GECAT setor responsável pelo controle do Movimento Econômico. São determinados os dias do julgamento para cada associação de município, de maneira que na hora do julgamento poderá haver a sustentação oral dos recursos apresentados, a fim de dirimir dúvidas do processo. Findo o prazo do julgamento dos processos de 1ª instância, é divulgado pela SEF novo relatório - com publicação em Diário Oficial -, com os novos índices provisórios e a relação dos processos deferidos e indeferidos. Encaminham uma relação aos municípios, para que, se entenderem não proceder ao indeferimento, elaborarem recurso de 2ª Instância, no prazo de 10 dias a contar da publicação. Elaborado o recurso de 2ª Instância, protocola-se o recurso junto à SEF para encaminhamento ao grupo que julgará em 2ª Instância, que será composto pelo Secretário de Estado da Fazenda, delegando poderes a Fiscais de Tributos e Gerente do GECAT para proceder ao julgamento dos processos. Julgados os processos de 2ª Instância, a SEF divulga o relatório final e definitivo dos índices do Valor Adicionado relativo a cada município e que prevalecerá para o rateio da quota-parte do ICMS, devida aos municípios no exercício seguinte.

(95) 93 Caberá ao município que tiver recurso de 2ª instância indeferido, recorrer judicialmente, através de suas procuradorias municipais, da decisão proferida. 4.4.1 Cronograma estadual do Movimento Econômico durante o exercício O cronograma estadual relativo ao Movimento Econômico transcorre conforme demonstra-se no Quadro 2. CRONOGRAMA ATIVIDADE Meados de Fevereiro É realizada reunião em um dos municípios do Estado, reunindo representantes de municípios, associações de municípios e membros do estado para discutirem e definirem diretrizes para o Movimento Econômico no exercício. 30 de abril Prazo final de entrega das DIEF. 30 de maio Prazo final para retificação das DIEFs com erro ou omissas. Junho a agosto Auditoria das DIEFs pelo Grupo de Trabalho, remessas aos municípios das empresas excluídas para comprovação e divulgação do índice provisório do Valor Adicionado dos municípios. Setembro e outubro Período em que os municípios elaboram recursos de 1ª e 2ª Instâncias referente as DIEFs excluídas e omissas. Novembro e dezembro Divulgação do índice definitivo dos índices do Valor Adicionado dos Municípios. Quadro 2 - Cronograma estadual relativo ao Movimento Econômico Fonte: dados da pesquisa O cronograma estabelecido pela SEFAZ possibilita que as associações dos municípios e prefeituras municipais possam delinear suas estratégias de trabalho, de maneira a atingir os objetivos relativos ao controle do Movimento Econômico.

(96) 94 4.4.2 Estrutura e procedimentos adotados na PMF para o controle do Movimento Econômico A Prefeitura Municipal de Florianópolis, no contexto do Estado de Santa Catarina, é um dos entes públicos municipais que tem uma estrutura mínima para controle do Movimento Econômico. Segundo fonte da Secretaria da Fazenda do Estado, além de Florianópolis, alguns municípios dispõem de estrutura mínima para controle do Movimento Econômico, os demais municípios têm seus interesses representados pelas associações de municípios. 4.4.2.1 Estrutura do controle atual na PMF O controle do Movimento Econômico da Prefeitura Municipal de Florianópolis, dentro da estrutura organizacional não existe, conforme demonstra-se na Figura 2. Figura 2 - Organograma da Secretaria Municipal de Finanças Fonte: Secretaria Municipal de Finanças, 2004 Trata-se de um setor dentro da Divisão de Fiscalização, na Secretaria Municipal de Finanças, limitada a dois técnicos de nível superior, mais precisamente, um Fiscal de Tributos

(97) 95 e um Contador. O setor está equipado com dois computadores e uma impressora, dois telefones, duas máquinas de calcular com bobinas, duas mesas e um arquivo de aço. 4.4.2.2 Procedimentos de controle do Movimento Econômico na PMF No presente estudo, com base nas informações colhidas e acompanhamento in loco, elaborou-se o cronograma anual demonstrado no Quadro 3, discriminando ao longo do exercício as etapas a serem cumpridas. MÊS Fevereiro Março Abril Maio Junho e Julho Agosto Setembro e outubro Novembro e dezembro Quadro 3 - ATIVIDADES Reunião com representante da Secretaria de Estado da Fazenda, técnicos das Prefeituras Municipais e representantes das associações de municípios, em um dos Municípios do Estado previamente escolhido, para discutir e definir parâmetros para o controle do Movimento Econômico para o exercício. Solicitação de Relatório das empresas junto à SEF para avaliar empresas que foram baixadas, canceladas e as que estão ativas, além de gravar disquetes com o programa da DIEF para deixar à disposição dos contribuintes. Enviar carta e disquetes com o programa da DIEF aos contribuintes mais relevantes do Movimento Econômico, fazendo orientações e informando prazo final da entrega da DIEF (30/04). Com o relatório prévio da entrega das DIEF s, contatar os contadores cujas empresas estão omissas e DIEF s entregues zeradas ou erradas, através de telefones, e-mails ou pessoalmente. Normalmente este prazo é estendido até o final de junho. Aos que não providenciarem a entrega ou correção, elaborar intimação, pegar a assinatura de Fiscal junto a SEF e encaminhar ao proprietário da empresa com prazo estabelecido. Trabalho este auxiliado pelos Fiscais de Tributos Municipais. Reunião na Secretaria de Estado da Fazenda SEF para definir normas a seguir na auditoria das DIEF s, efetivada pelo Grupo de Trabalho, bem como definir início e fim da auditoria. Iniciar acompanhamento da auditoria das DIEF s junto ao Grupo de Trabalho, por parte dos técnicos da Prefeitura. Continuação da auditoria com o devido acompanhamento junto ao Grupo de Trabalho. Término da auditoria com divulgação do Índice Provisório e conseqüente envio aos Municípios das planilhas de exclusão de DIEF s para verificação de erro e comprovação. Nestes dois meses são efetuados os contatos com contadores para efetuar correção das DIEF s excluídas para comprovação, através da solicitação de documentos fiscais e Livros de Apuração do ICMS para elaboração de Recursos de 1ª Instância e 2ª Instância com os devidos acompanhamentos de relatórios. Acompanhar a divulgação final dos índices e elaborar relatório final de todos os procedimentos do exercício com os devidos resultados e encaminhar ao Secretário Municipal de Finanças/Receita. Cronograma do trabalho anual desenvolvido no setor de controle do Movimento Econômico da Secretaria Municipal de Finanças de Florianópolis Fonte: dados da pesquisa.

(98) 96 O cronograma demonstra que as atividades de controle do Movimento Econômico abrangem o período de fevereiro a novembro de cada exercício, destacando-se os meses de maio e junho como essenciais para o efetivo controle. Numa segunda etapa, com base nas observações in loco , elaborou-se todos os fluxos das atividades desenvolvidas no setor de Controle do Movimento Econômico, fluxos estes que servirão de documentos para futuro controle e pesquisa, abrangendo desde a reunião de fevereiro, com as definições das diretrizes, até a divulgação final do índice do VA, em cada exercício, contemplando as empresas ativas, inativas e canceladas. Na Figura 3 demonstra-se o fluxo inicial de procedimentos do controle do Movimento Econômico. Reunião em fevereiro para definição de diretrizes sobre o Movimento Econômico Solicitar Cadastro de Empresas junto a SEF. Cadastro de Empresas recebido Verificar situação dos Contribuintes no momento Contribuinte Inativo Contribuinte Cancelado Contribuinte Ativo Figura 3 - Fluxo Inicial de procedimentos do controle do Movimento Econômico Fonte: dados da pesquisa.

(99) 97 Nesta etapa do fluxo abordada-se os procedimentos que vão desde a reunião de fevereiro, até a análise da situação do contribuinte, se é inativo, cancelado ou ativo. Constatado que o contribuinte está inativo, adota-se os procedimentos conforme o fluxograma apresentado na Figura 4. Contribuinte Inativo Verificar no relatório emitido pela SEF, após 30/04, as DIEF s dos baixados DIEF dos baixados não incluídas Retirar espelho das GIAS junto a SEF Solicitar via fone que o Contribuinte entregue a DIEF e efetue a baixa da Empresa junto a SEF Baixa não efetuada pelo Contribuinte Elaborar Intimação Enviar Intimação à SEF para assinar e envio ao Contribuinte com prazo de atendimento Verificar se Contribuinte atendeu Intimação Figura 4 - Fluxo de procedimentos do controle do Movimento Econômico para contribuinte inativo Fonte: dados da pesquisa.

(100) 98 Verifica-se no relatório emitido pela SEF se constam as DIEFs das empresas que solicitaram baixas. Não estando relacionadas, procede-se a verificação das GIAS junto ao Estado, solicitando o espelho. Comprovados os valores nas GIAS, entra-se em contato com o contador, solicitando que efetue a entrega da DIEF da empresa baixada. O não atendimento, por parte do contador, à solicitação efetuada pelo controle do Movimento Econômico, implica na elaboração de intimação, que será encaminhada à SEF para assinatura do Fiscal de Tributos e posterior encaminhamento ao contribuinte com prazo de atendimento. Na seqüência do fluxo demonstram-se os procedimentos a serem adotados se o contribuinte atendeu ou não a intimação, conforme Figura 5. Contribuinte atendeu a Intimação Contribuinte não atendeu a Intimação Fotocopiar documentos e devolvê-los ao Contribuinte Empresa sujeita a fiscalização pelos Fiscais da SEF Tentar inclusão da DIEF junto ao Grupo de Trabalho (GT) Acompanhar fiscalização junto a SEF e a devida inclusão do VA ao seu término. DIEF rejeitada pelo GT Elaborar Recurso de 1ª Instância a ser entregue na SEF Figura 5 - Fluxo de procedimentos do controle do Movimento Econômico em caso de intimação Fonte: dados da pesquisa.

(101) 99 Atendida a Intimação, solicita-se toda a documentação relativa ao contribuinte baixado (Livro de Apuração do ICMS, Livro de Entrada e Saída de Mercadorias, Notas Fiscais), efetuando-se cópia. Tenta-se num primeiro momento a inclusão dessa DIEF no Grupo de Trabalho, que está auditando as DIEFs entregues. Tendo sido rejeitado o pleito e de posse das cópias de toda documentação, elabora-se, no momento oportuno, Recurso de 1ª Instância junto à SEF. O Contribuinte não atendendo a Intimação, encaminha-se ao Grupo Fisco da SEF para os procedimentos fiscais necessários. Acompanha-se resultado final da fiscalização e a devida inclusão do VA. Segue na Figura 6 o fluxo de procedimentos relativo ao Recurso de 1ª Instância no caso de deferimento, deferimento parcial ou indeferido. Recurso de 1ª Instância Deferido Recurso de 1ª Instância Deferido Parcialmente Procedimento Encerrado Acompanhar relatórios para verificar inclusão da empresa e valores Recurso de 1ª Instância Indeferido Analisar Recurso de 1ª Instância deferido Parcial e Indeferido Concordando o Processo está encerrado Não concordando com a decisão Figura 6 - Fluxo de procedimentos do controle do Movimento Econômico no caso de deferimento ou não do Recurso de 1ª Instância Fonte: dados da pesquisa.

(102) 100 Ao ser deferido o recurso de 1ª Instância, encerra-se todo o procedimento, restando ao Controle do Movimento Econômico da Prefeitura Municipal ou Associações de Municípios, acompanhar o relatório emitido pela SEF para verificar a inclusão da empresa e respectivos valores do VA. Em sendo rejeitado parcialmente ou indeferido, analisa-se a decisão de 1ª instância. Concordando com a decisão o processo está encerrado. Não concordando elabora-se recurso de 2ª instância. Apresenta-se na Figura 7, o fluxo de procedimentos do Controle do Movimento Econômico no caso de recurso de 2ª instância. Elaborar Recurso de 2ª Instância junto a SEF Recurso de 2ª Instância Deferido Recurso de 2ª Instância Deferido Parcialmente Procedimento Encerrado Acompanhar relatórios para verificar inclusão da empresa e valores Recurso de 2ª Instância Indeferido Analisar Recurso de 2ª Instância deferido Parcial e Indeferido Concordando, o Processo está encerrado Não concordando com a decisão Encaminhar para Proc. Geral do Mun. Para pleitear os valores judicialmente Figura 7 - Fluxo de procedimentos do controle do Movimento Econômico para recurso de 2ª instância Fonte: dados da pesquisa. Deferido o processo de 2ª Instância, encerra-se todo o procedimento, restando ao Controle do Movimento Econômico da Prefeitura Municipal ou Associações de Municípios, acompanhar o relatório emitido pela SEF para verificar a inclusão da empresa e respectivos

(103) 101 valores do VA. Sendo rejeitado parcialmente ou indeferido, analisa-se a decisão de 2ª instância. Concordando com a decisão o processo está encerrado. Não concordando encaminha-se à Procuradoria Geral do Município ou seu representante legal para pleitear judicialmente os valores indeferidos. Encerrados os fluxos de procedimentos relativos aos contribuintes inativos, aborda-se na seqüência os contribuintes cancelados. No que concerne a esta modalidade de contribuinte, o controle do Movimento Econômico não efetua nenhum procedimento, haja vista que a empresa tem sua inscrição cancelada de ofício pela SEF. Assim sendo, documento nenhum é aceito pelo Estado referente à empresa, não gerando, portanto, VA qualquer ao município. Analisa-se em seguida, com base no fluxograma da Figura 8, a terceira modalidade de contribuinte, os ativos, que são no total, o volume mais significativo de empresas a serem auditadas. Contribuinte Ativo Selecionar os Contribuintes mais relevantes no Movimento Econômico - DIEF Encaminhar mala-direta orientando sobre possíveis alterações no preenchimento das DIEFs e data de entrega Contatar via telefone ou e-mail os Contribuintes relevantes para lembrar da entrega da DIEF. De posse do relatório da SEF, verificar se o Contribuinte entregou a DIEF Figura 8 - Fluxo de procedimentos do controle do Movimento Econômico para contribuintes ativos Fonte: dados da pesquisa.

(104) 102 Após a reunião de fevereiro e, com base no relatório emitido pela SEF, selecionar os contribuintes ativos mais relevantes e que influenciam diretamente no total do VA. Elaborar e encaminhar, no início de março, mala-direta com as orientações necessárias ao correto preenchimento das DIEFs, bem como do prazo final de entrega. No início de abril efetua-se os contatos, por telefone ou e-mail, aos contadores e empresas contábeis, lembrando de possíveis alterações e da data final de entrega das DIEFs. Encerrado o prazo de entrega em 30/04, recebe-se da SEF relatório contendo todas as DIEFs entregues. Analisa-se o relatório e detecta-se se o contador, empresa contábil e contribuinte entregaram as DIEFs. Com base nesta análise verifica-se se os documentos foram entregues ou não. Na Figura 9 apresenta-se o fluxo desses procedimentos. O Contribuinte não entregou a DIEF O Contribuinte entregou a DIEF Contatar o Contribuinte ou Contador e solicitar entrega da DIEF Conferir os dados da DIEF DIEF continua omissa Dados da DIEF em não conformidade Elaborar Intimação Enviar Intimação à SEF para assinar p/ envio ao Contribuinte com prazo de atendimento Verificar se Contribuinte atendeu Intimação Contribuinte atendeu Intimação Conferir os dados da DIEF Contribuinte não atendeu Intimação Devolver Intimação para a SEF para fiscalização Acompanhar fiscalização até inclusão da DIEF no Relatório Dados da DIEF em conformidade Solicitar contador para elaborar substitutiva Aguardar novo relatório da SEF com DIEFs substitutivas Dados em Conformidade Acompanhar relatório de dados até divulgação final do índice Dados em não Conformidade Contatar contador para providenciar entrega da nova substitutiva até 30/05 Figura 9 - Fluxo de procedimentos do controle do Movimento Econômico referente a entrega da DIEF Fonte: dados da pesquisa

(105) 103 Constatado que a DIEF não foi entregue, entra-se em contato com o contador, empresa contábil ou contribuinte, solicitando que proceda a entrega da DIEF, alertando sobre o prazo. Verificando-se que a DIEF ainda continua omissa, elabora-se a Intimação e encaminha-se ao Grupo Fisco da SEF para assinatura e posterior entrega ao contador ou responsável legal, mencionando prazo de atendimento. Atendida a Intimação, confere-se os dados da DIEF entregue. Caso não seja atendida a Intimação, encaminha-se ao Grupo Fisco da SEF para as medidas fiscais necessárias. O controle do Movimento Econômico acompanha a fiscalização até a inclusão da DIEF no relatório. Entregue a DIEF analisa-se os dados apresentados. Estando em conformidade, acompanha-se os relatórios emitidos pela SEF até divulgação final dos índices de retorno. Os dados não estando em conformidade, solicita-se que o contador providencie a entrega de DIEF substitutiva. Atendida a solicitação, verifica-se o novo relatório com DIEF substitutivas inclusas. Estando os dados em conformidade, acompanha-se relatório até divulgação final do índice. Os dados não estando em conformidade solicita-se ao contador que efetue nova DIEF substitutiva (pode ser feita tantas vezes quantas forem necessárias as DIEFs substitutivas, desde que respeitado o prazo final), informando-lhe que o prazo final de entrega das substitutivas é 30/05. Atendida a Intimação, apresenta-se na Figura 10 o fluxo desses procedimentos.

(106) 104 Dados da DIEF em conformidade Dados da DIEF em não conformidade Acompanhar relatório de dados até divulgação final do índice Solicitar contador para elaborar substitutiva Aguardar novo relatório da SEF com DIEF substitutivas entregues Dados em Conformidade Acompanhar relatório de dados até divulgação final do índice Dados em não Conformidade Contatar contador para providenciar entrega da nova substitutiva até 30/05 30/05 é o prazo final para entrega de DIEF s substitutivas, omissas e outras Figura 10 - Fluxo de procedimentos do controle do Movimento Econômico para DIEF substitutiva Fonte: dados da pesquisa. Atendida a Intimação, analisa-se os dados da DIEF apresentada. Estando em conformidade, acompanham-se os relatórios emitidos pela SEF até divulgação final dos índices de retorno. Os dados não estando em conformidade, solicita-se que o contador providencie a entrega de DIEF substitutiva. Atendida a solicitação, verifica-se o novo relatório com DIEF substitutivas inclusas. Estando os dados em conformidade, acompanha-se relatório até divulgação final do índice. Permanecendo o erro, comunica-se ao contador que efetue nova DIEF substitutiva, informando-lhe que o prazo final de entrega das substitutivas é 30/05.

(107) 105 Encerram-se nesta data, 30/05, todos os procedimentos adotados pelo pessoal do controle do Movimento Econômico relativo a inclusão das DIEFs omissas e substitutivas de forma administrativa normal. Inicia-se após esta data, os procedimentos de montagem do Grupo de Trabalho que procederão a auditoria das DIEFs entregues, demonstrados no fluxo da Figura 11. A partir de 31/05 é marcada na SEF reunião com as Associações de Municípios e representantes de Prefeituras do Estado para montagem do Grupo de Trabalho, estipular local e data de início e término da auditoria nas DIEF s. Data e local definidos Grupo de Trabalho realiza a auditoria das DIEF s Nesta etapa, dependendo da justificativa, pode ser incluída DIEF de empresas que não puderam entregar por motivos justos Elaboram planilha das DIEF s excluídas para comprovação Terminada a Auditoria das DIEF s SEF publica o Índice provisório do Valor Adicionado e encaminha cópia das planilhas excluídas pela auditoria aos respectivos Municípios para providências que acharem necessárias. Figura 11 - Fluxo de procedimentos do controle do Movimento Econômico para montagem do Grupo de Trabalho Fonte: dados da pesquisa. Após 30/05 marca-se reunião na SEF com representantes das Associações de Municípios, das prefeituras municipais e técnicos da GECAT/SEF, com o intuito de definir a composição do Grupo de Trabalho, data, local e início e término da auditoria das DIEFs. Tudo definido, inicia-se a auditoria das DIEFs. Neste período os representantes do Movimento Econômico dos municípios ou associações municipais poderão tentar incluir

(108) 106 DIEFs omissas ou substitutivas, desde que os motivos sejam justos. Da análise do Grupo de Trabalho resultam planilhas de exclusão de empresas para comprovação, quando o Grupo entende que a DIEF apresenta dados que não estão corretos. Terminada a auditoria a SEF publica no diário oficial o índice provisório do Valor Adicionado. Encaminha às associações e prefeituras municipais as respectivas planilhas excluídas para as providências necessárias. De posse destas planilhas excluídas e do relatório de índices, o município ou associação de municípios adotam os procedimentos que se demonstram no fluxo da Figura 12. Relatório e planilhas recebidas pelo Município e Associações de Município Analisar Planilhas, Índices e relatório da Auditoria Planilhas e relatórios analisados Verificar se o ajuste ou exclusão é procedente em relação à planilha Ajustes ou exclusões não procedentes Ajustes ou exclusões procedentes Figura 12 - Fluxo de procedimentos do controle do Movimento Econômico preliminiar a elaboração de recurso de 1ª instância Fonte: dados da pesquisa.

(109) 107 De posse do relatório de índices e planilhas excluídas efetua-se a respectiva análise para detectar se as planilhas de exclusões são ou não procedentes a fim de que se proceda ou não recurso de 1ª instância para as empresas ativas. Descreve-se o fluxo desses procedimentos na seqüência, na Figura 13. Elaborar Recurso de 1ª Instância Aceitar valor da DIEF como verdadeiro Recurso de 1ª Instância elaborado Acompanhar relatórios até divulgação do Índice definitivo Dar entrada com Recurso de 1ª Instância na SEF Recurso recebido e analisado pela auditoria da SEF Verificar resultado do Recurso de 1ª Instância Recurso Deferido Recurso Deferido Parcialmente Recurso Indeferido Procedimento encerrado Analisar Recursos e decidir sobre o julgamento Acompanhar relatórios para verificar inclusão da empresa e valores Acompanhar relatórios até divulgação do Índice definitivo Recurso de 1ª Instância Analisados e julgamento não aceito como verdadeiro Elaborar Recurso de 2ª Instância Recursos de 1ª Instância Analisados e julgamento aceito como verdadeiro Arquivar Processo Figura 13 - Fluxo de procedimentos do controle do Movimento Econômico para recursos de 1ª instância para empresas ativas Fonte: dados da pesquisa.

(110) 108 Constatado que os ajustes e exclusões são procedentes, aceita-se os valores dos dados constantes da DIEF. Acompanham-se os relatórios emitidos pela SEF até a divulgação definitiva dos índices. Analisados os ajustes e as planilhas de exclusões e considerando-os não procedentes elabora-se Recurso de 1ª Instância. Encaminha-se este recurso ao protocolo central da SEF. Ao ser protocolado é encaminhado à comissão de análise, composta de representantes das associações dos municípios e representantes da SEF designados pelo Secretário de Estado da Fazenda. Do resultado da análise do Recurso de 1ª Instância resultará em processo deferido, deferido parcialmente ou indeferido. Sendo deferido o processo, encerram-se os procedimentos, restando o acompanhamento da inclusão da empresa e respectivos valores no relatório emitido pela SEF. Acompanha-se este relatório até a divulgação final do índice. Os recursos deferidos parcialmente ou indeferidos são encaminhados aos municípios ou associações de municípios para análise da decisão. Se o resultado do julgamento for aceito o recurso será arquivado. Não havendo concordância da decisão de 1ª Instância, procede-se a juntada de documentos necessários e elabora-se o Recurso de 2ª Instância, conforme Figura 14. Recurso de 2ª Instância elaborado Dar entrada com Recurso de 2ª Instância na SEF Recurso recebido e analisado pelo Secretário de Estado da Fazenda Verificar resultado do Recurso de 2ª Instância Recurso Deferido Recurso Deferido Parcialmente Recurso Indeferido Figura 14 - Fluxo de procedimentos do controle do Movimento Econômico para recursos de 2ª instância para empresas ativas Fonte: dados da pesquisa.

(111) 109 Elabora-se Recurso de 2ª Instância. Uma vez o processo elaborado, encaminha-se ao protocolo central da SEF. Ao ser protocolado é encaminhado à comissão de análise, composta do Secretário de Estado da Fazenda ou Fiscais de Tributos por ele designados, que avaliam os recursos e proferem decisão. Do resultado da análise do Recurso de 2ª Instância resultará em processo deferido, deferido parcialmente ou indeferido. Os procedimentos referentes ao deferimento, deferimento parcial ou indeferimento dos Recursos de 2ª Instância são demonstrados no fluxo que se apresenta na Figura 15. Analisar processos e decidir sobre o julgamento Procedimento encerrado Processos de 2ª Instância Analisados e julgamento não aceito como verdadeiro Acompanhar relatórios para verificar inclusão da empresa e valores Verificar se indeferimento, deferimento parcial ou divergências são relevantes Acompanhar relatórios até divulgação do Índice definitivo Se for relevante Solicitar a Proc. Geral do Município, via judicial, o pleiteamento dos valores excluídos Se não for relevante Procedimento encerrado e arquiva-se processo Acompanhar relatórios até divulgação do Índice definitivo Encaminhar relatório final para a Chefia Imediata relatando todos os atos e fatos ocorridos durante todo o exercício Figura 15 - Fluxo de procedimentos do controle do Movimento Econômico referente a decisão de 2ª instância de empresas ativas Fonte: dados da pesquisa.

(112) 110 Sendo deferido o recurso, encerram-se os procedimentos, restando o acompanhamento da inclusão da empresa e respectivos valores no relatório emitido pela SEF. Acompanha-se este relatório até a divulgação final do índice. Os recursos deferidos parcialmente ou indeferidos são publicados no diário oficial e comunicados aos municípios e associações de municípios do resultado de 2ª Instância. Analisa-se o resultado das decisões de 2ª Instância. Se não for aceita a decisão, verifica-se se é relevante ou não o valor excluído. Sendo relevante encaminha-se solicitação à Procuradoria Geral do Município para que recorra judicialmente da decisão de 2ª Instância. Acompanha-se a tramitação do processo até inclusão no relatório da SEF. Se não for relevante o valor excluído, encerra-se todo o procedimento e arquiva-se o processo. Acompanha-se o relatório emitido pela SEF até publicação definitiva do índice de retorno na participação do produto da arrecadação do ICMS. Elabora-se relatório de todos os procedimentos adotados no exercício e do resultado final do índice resultante ao município e encaminha-se ao Secretário Municipal de Finanças/Receita. 4.4.2.3 Procedimentos para cálculo do índice do retorno do ICMS O cálculo do índice de participação no retorno do ICMS é elaborado segundo a Lei Complementar nº 63/90. A Tabela 2 apresenta os cálculos elaborados pela Secretaria de Estado da Fazenda de Santa Catarina período de 2000 a 2004. SEFAZ/SC, relativo ao Município de Florianópolis no

(113) Tabela 2 REFERÊNCIA DOS ANOS BASE, APURAÇÃO E ANO DE APLICAÇÃO DO ÍNDICE Demonstrativo do cálculo do índice da participação no retorno do ICMS SOMA ANO BASE ANTERIOR (R$) PARTIC. RELATIVA ANO BASE ANTERIOR ÍNDICE ANO BASE ANTERIOR VA + FIXO ANO BASE ANTERIOR AGROP. ANO BASE (R$) IND. E COM. ANO BASE (R$) SOMA ANO BASE (R$) PARTICIP. RELATIVA ANO BASE ÍNDICE ANO BASE VA + FIXO ANO BASE DIFERENÇA ÍNDICE ANO BASE PARA ANO BASE ANTERIOR DIFER.VA + FIXO ANO BASE PARA ANO BASE ANTERIO R (%) ANO RECEITA TOTAL DE ICMS DO ESTADO DE SANTA CATARINA EM (R$) 13 14 15 (%) 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 Base 97/98 99 e 00 795.376.367 4,21663 4,18680 3,60998 3.820.210 818.897.101 822.717.311 4,14629 4,18146 3,60544 -0,13 -0,13 2000 19.842.238.804 Base 98/99 00 e 01 822.717.311 4,14629 4,18146 3,60544 5.534.447 888.044.817 893.579.264 3,98860 4,06745 3,50852 -2,73 -2,69 2001 22.403.320.072 Base 99/00 01 e 02 893.579.264 3,98862 4,06746 3,50853 2.578.074 1.198.298.345 1.200.876.419 4,63205 4,31033 3,71498 5,97 5,88 2002 25.925.362.763 Base 00/01 02 e 03 1.200.876.419 4,63205 4,31033 3,71498 5.310.383 1.392.721.874 1.398.032.257 4,44624 4,53915 3,90926 5,31 5,23 2003 31.443.029.377 Base 01/02 03 e 04 1.398.032.257 4,44624 4,53915 3,90926 3.251.903 1.611.404.973 1.614.656.876 4,27031 4,35828 3,75573 -3,98 -3,93 2004 37.811.194.116 Fonte: Secretaria de Estado da Fazenda do Estado de Santa Catarina SEFAZ/SC, 2004 111

(114) 112 Na coluna 1 estão discriminados o ano-base e ano-base anterior (conforme a Lei nº 63/90, faz-se à média dos valores adicionados desses dois anos, anteriores ao ano de apuração), ano de apuração e ano de aplicação do índice. Exemplificando-se, o ano de apuração é o ano de 1999, faz-se à média do ano-base (1998) e ano-base anterior (1997), para aplicação em 2000. Na coluna 2 até coluna 5, repete-se os valores calculados no exercício anterior, que eram considerados ano-base. Na coluna 6, lança-se o valor arrecadado relativo ao agropecuário do município no ano-base. Na coluna 7, lança-se o valor arrecadado relativo ao comércio e indústria do município no ano-base. Na coluna 8 lança-se a soma das colunas 6 e 7. Na coluna 9, acha-se o índice de participação relativa do município no ano-base, procedendo-se o seguinte cálculo: Divide-se o valor adicionado total do ano-base (coluna 8), pelo total de valor adicionado arrecadado no Estado (coluna 15), do resultado multiplica-se por 100 para conseguir o índice desejado. Na coluna 10 apura-se o índice do ano-base, fazendo-se a média da participação relativa do ano-base anterior (coluna 3) com a participação relativa do ano-base (coluna 9). Na coluna 11, calcula-se o valor definitivo do índice a ser utilizado no exercício seguinte ao ano de apuração. Efetua-se o cálculo com base no inciso I e II da Lei nº 8.203/90, que estipula: Art. 1º ...... I. 85% (oitenta e cinco por cento), com base na relação percentual entre o Valor Adicionado nas operações relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação, realizada em cada Município, e o Valor Adicionado do Estado, apurados segundo o disposto na Lei Complementar Federal. II. 15% (quinze por cento), em partes iguais entre todos os Municípios do Estado.

(115) 113 Exemplificando-se, utiliza-se o índice calculado do ano-base coluna 10, multiplicando-o por 85%, achando-se um novo índice, representando os 85% do índice do ano-base. Na seqüência calcula-se o percentual fixo para cada município, que no caso de Santa Catarina são 293 municípios, portanto, divide-se o percentual de 15% por 293 municípios, chegando-se a um índice fixo individual. Soma-se o índice apurado relativo a 85%, mais o índice fixo para cada município e encontra-se o índice do valor adicionado final (coluna 11), a ser utilizado no exercício seguinte ao ano de apuração. Na coluna 12, apresenta-se o percentual, negativo ou positivo, representando o acréscimo ou decréscimo do índice e que é calculado dividindo-se o índice do ano-base (coluna 10) pelo índice do ano-base anterior (coluna 4), cujo valor será subtraído da unidade e multiplicado por 100. Na coluna 13 efetua-se o mesmo procedimento da coluna 12, só que se divide a coluna 11 pela coluna 5. Na coluna 14, lança-se os anos da receita total do estado. Na coluna 15 lança-se a receita total de ICMS do Estado de Santa Catarina referente a cada exercício, no período desta pesquisa (2000 a 2004). Neste tópico, demonstrou-se os procedimentos para cálculo do Valor Adicionado final a ser utilizado no exercício seguinte ao ano de apuração. Na seqüência apresenta-se o Movimento Econômico do Município de Florianópolis. 4.5 O Movimento Econômico do Município de Florianópolis Descrevem-se e analisam-se os dados coletados relativos à pesquisa efetuada junto a PMF, abordando-se os índices de participação do município no retorno do ICMS, bem como o reflexo desses índices na receita do município.

(116) 114 4.5.1 Índices de participação do Município de Florianópolis no retorno do ICMS Os índices de participação do Município de Florianópolis no retorno do produto da arrecadação do ICMS, apresentados na Tabela 3, compreendem os exercícios de 2000 até 2004. Tabela 3 - Índices de participação no retorno do ICMS do Município de Florianópolis ANO 2000 2001 2002 2003 2004 Fonte: Secretaria da Fazenda de SC ÍNDICE 3,60544 3,50852 3,71498 3,90926 3,75573 SEFAZ/SC, 2004 Estes índices são o resultado final, obtido através do Valor Adicionado (VA), conseqüência do controle efetuado pelo município no tocante ao Movimento Econômico. Cabe ressaltar que na avaliação desses índices, não se deve avaliá-los de forma estanque, pois não representaria na realidade o resultado efetivo do controle efetuado no Movimento Econômico. O acréscimo ou decréscimo do índice também está ligado ao fator político de incentivo às empresas, a fatores econômicos e ao respaldo técnico-jurídico dispensado pelo município ao setor de controle do Movimento Econômico. No terceiro caso, compreendem-se os recursos demandados na justiça, a fim de se reverter liminares impetradas por outros municípios, pleiteando valores adicionados, exclusivo de Florianópolis e que esses Municípios entendem, também, deva ser rateados para agregar aos seus Movimentos

(117) 115 Econômicos, conseqüentemente reduzindo o índice de Florianópolis, como no caso específico da SCGAS. Com a análise efetuada nesta pesquisa, verifica-se que o controle efetuado pelo setor do Movimento Econômico influencia substancialmente no acréscimo do índice do retorno na participação do produto do ICMS, conforme se demonstra a seguir. 4.5.2 Reflexo do retorno da participação do ICMS na receita da PMF Dos dados levantados, no período de 2000 a 2004, demonstrados na Tabela 4, faz-se uma comparação da receita do retorno do ICMS, relativo a receita orçamentária total, onde se pode depreender a classificação dessa receita, em relação às receitas de ISQN e IPTU. Tabela 4 - Percentual das receitas de IPTU, ISQN e ICMS em relação ao total de Receita Orçamentária do Município de Florianópolis ANO 2000 2001 2002 2003 2004 RECEITA TOTAL ORÇAMENTÁRIA 248.989.520,73 248.202.202,50 260.194.509,87 295.177.976,55 364.558.979,81 RECEITA % TOTAL RECEITA IPTU TOTAL 21.463.506,62 8,62 26.036.453,99 10,49 34.916.093,88 13,42 48.002.505,00 16,26 59.827.901,89 16,41 RECEITA % TOTAL RECEITA ISQN TOTAL 36.337.083,91 14,59 41.311.922,58 16,64 47.250.795,56 18,16 52.008.557,54 17,62 59.260.603,21 16,26 RECEITA TOTAL RETORNO ICMS 24.660.295,33 28.561.964,31 35.811.621,65 45.664.876,55 49.389.576,88 % RECEITA TOTAL 9,90 11,51 13,76 15,47 13,55 Fonte: Balanços da Prefeitura Municipal de Florianópolis junto a Secretaria Municipal de Finanças, 2004. Observa-se o percentual anual, no período de 2000 a 2004, das receitas de IPTU, ISQN e Retorno do ICMS, em relação à Receita Total Orçamentária, no sentido de demonstrar a importância do Controle do Movimento Econômico. Os índices de IPTU variaram de 8,62% em 2000 para 16.41% em 2004. Os índices de ISQN apresentaram oscilações, iniciando em 2000 com 14,59%, chegando a 18,16 em 2002 e retrocedendo para 16,26% em 2004, fatores estes motivados por transferências de empresas para outros municípios, motivados por incentivos fiscais. O Retorno do ICMS apresentou uma

(118) 116 evolução substancial passando de 9,90% em 2000 para 15,47% em 2003 retrocedendo em 2004 para 13,55%, motivados por fatores políticos e econômicos, dentre os quais, transferências de empresas para outros municípios, tendo em vista incentivos fiscais, bem como mandados de segurança referente a empresas com sede em Florianópolis, mas que alguns municípios entendem ter direito no rateio do VA, por disponibilizarem trânsito pelo município, como no caso da SCGAS, cuja tubulação passa por vários municípios. Os índices apresentados demonstram que no período de 2000 a 2002, o retorno do ICMS representava a segunda receita do município. Perdeu esta posição a partir do exercício de 2003, não por falta de controle do movimento econômico, mas pelo fato de ser reajustada a planta de valores relativa ao IPTU. Na seqüência demonstra-se a repercussão financeira que a falta de Controle do Movimento Econômico provocaria na Receita da Prefeitura Municipal de Florianópolis. 4.5.3 Repercussão financeira pela falta de controle do Movimento Econômico na Receita da Prefeitura Municipal de Florianópolis Conforme Lei Complementar nº 63/90, o índice de retorno do ICMS é calculado com base na média dos valores adicionados dos dois anos anteriores ao ano de apuração, para ser aplicado no ano posterior a este ano de apuração. Tabela 5 - Demonstrativo de cálculo da Receita Mensal de Retorno do ICMS em 2002, com base no índice oficial obtido através do Controle do Movimento Econômico. ANO DE APURAÇÃO 2001 V.A. DO V.A. DO MEDIA DO RELAT. RELAT. V.A. DO FINAL FINAL RELAT. 20/12/2000 20/12/2001 FINAL BASE 1999 BASE 2000 1999/2000 893.579.264 1.200.876.419 Fonte: Dados da pesquisa 1.047.227.842 INDICE OFICIAL CALC. C/ CONTR. P/ 2002 RECEITA ANUAL RETORNO ICMS -2002 COM CONTROLE RECEITA MENSAL RETORNO ICMS-2002 COM CONTROLE 3,71498 35.811.621,65 2.984.301,80

(119) 117 Na Tabela nº 5, para exemplificar, foi tomado como ano de apuração 2001, calculando-se o índice de retorno do ICMS de 2002, com base na média dos valores adicionados dos anos-bases de 1999 e 2000. Procura-se demonstrar a importância do Controle do Movimento Econômico e a repercussão financeira deste controle. Nos relatórios de 2000 e 2001 (base 1999 e 2000) os valores adicionados finais foram R$ 893.579.264,00 e R$ 1.200.876.419,00, dando uma média de valor adicionado de R$ 1.047.227.842,00, gerando um índice oficial de retorno do ICMS de 3,71498. Este índice aplicado na receita estadual de arrecadação do ICMS em 2002, possibilitou retorno ao Município de Florianópolis de uma receita de R$ 35.811.621,65, resultando numa média mensal de retorno de R$ 2.984.301,80. Na Tabela 6 apresenta-se o demonstrativo de cálculo da receita de retorno do ICMS em 2002 se não houvesse o Controle do Movimento Econômico. Tabela 6 - Demonstrativo de cálculo da Receita Mensal de Retorno do ICMS em 2002, com base no índice calculado obtido através dos relatórios iniciais sem o Controle do Movimento Econômico. ANO DE APURAÇÃO 2001 V.A. DO V.A. DO MÉDIA DO RELAT. RELAT. V.A DO INICIAL INICIAL RELAT. 09/06/2000 25/05/2001 INICIAL BASE 1999 BASE 2000 1999/2000 771.679.507 1.011.505.669 891.592.588 INDICE CALC. S/ CONTR. P/ 2002 RECEITA ANUAL RETORNO ICMS -2002 SEM CONTROLE RECEITA MENSAL RETORNO ICMS-2002 SEM CONTROLE 3,16287 30.489.398,00 2.540.783,17 Fonte: Dados da pesquisa Na Tabela 6, observa-se que não havendo o Controle do Movimento Econômico, o Estado utilizaria para cálculo do índice, os valores adicionados dos primeiros relatórios apurados após a entrega das DIEFs, em 30/04. Os valores iniciais de 2000 e 2001 (base 1999 e 2000) seriam respectivamente R$ 771.679.507,00 e R$ 1.011.505.669,00 dando uma média de valor adicionado de R$ 891.592.588,00. Procedendo-se a uma regra de três

(120) 118 simples pôde-se facilmente determinar o índice que geraria estes relatórios iniciais. Multiplica-se a média do relatório inicial R$ 891.592.588,00 pelo índice oficial de 3,71498, dividindo-se o resultado pela média do relatório final R$ 1.047.227.842,00, resultando no índice de 3,16287. Multiplicado este índice de 3,16287 por R$ 35.811.621,65, que é a receita anual de retorno de 2002, resultaria na receita anual de retorno sem o controle no valor de R$ 30.489.398,00. Dividindo-se este valor por 12 meses, obteve-se uma média mensal sem o efetivo controle de R$ 2.540.783,17. A seguir apresenta-se a Tabela 7, com o demonstrativo de perda da receita em 2002 se não houvesse o Controle do Movimento Econômico. Tabela 7 - Demonstrativo da perda de receita em 2002, se não houvesse Controle do Movimento Econômico. RECEITA OFICIAL MENSAL DE RETORNO DO ICMS-2002 C/ CONTROLE RECEITA MENSAL CALCULADA DE RETORNO ICMS-2002 S/ CONTROLE PERDA DE RECEITA EM 2002 SE NÃO HOUVESSE CONTROLE 2.984.301,80 2.540.783,17 443.518,63 Fonte: Dados da pesquisa Conforme a Tabela 7, subtraindo-se da receita oficial mensal com controle recebida em 2002, R$ 2.984.301,80, do valor da receita mensal calculada sem controle para 2002, R$ 2.540.783,17, resultaria num valor mensal de perda de R$ 443.518,63. Tomando-se como base o salário médio de um professor municipal de R$ 1.700,00, em 2002, verifica-se que a receita resultante do Controle do Movimento Econômico pagou mensalmente, aproximadamente 261 professores. Nas Tabelas 8, 9 e 10 são demonstrados os valores do ano de apuração 2002, com repercussão no exercício de 2003, onde se reafirma a importância do Controle do Movimento Econômico.

(121) 119 Tabela 8 - Demonstrativo de cálculo da Receita Mensal de Retorno do ICMS em 2003, com base no índice oficial obtido através do Controle do Movimento Econômico. ANO DE APURAÇÃO 2002 V.A. DO V.A. DO MEDIA DO RELAT. RELAT. V.A. DO FINAL FINAL RELAT. 20/12/2001 29/11/2002 FINAL BASE 2000 BASE 2001 2000/2001 1.200.876.419 1.398.032.257 1.299.454.338 INDICE CALC. C/ CONTR. P/ 2003 RECEITA ANUAL RETORNO ICMS -2003 COM CONTROLE RECEITA MENSAL RETORNO ICMS-2003 COM CONTROLE 3,90926 45.664.876,55 3.805.406,38 Fonte: Dados da pesquisa Na Tabela nº 8, foi tomado como exercício o ano de apuração 2002, sendo então calculado o índice de retorno do ICMS de 2003, com base na média dos valores adicionados dos anos-bases de 2000 e 2001. Nos relatórios de 2001 e 2002 (base 2000 e 2001) os valores adicionados finais foram R$ 1.200.876.419,00 e R$ 1.398.032.257,00 dando uma média de valor adicionado de R$ 1.299.454.338,00, gerando um índice oficial de retorno do ICMS de 3,90926. Este índice aplicado na receita estadual de arrecadação do ICMS em 2003, possibilitou retorno ao Município de Florianópolis de uma receita de R$ 45.664.876,55, resultando numa média mensal de retorno de R$ 3.805.406,38. Na Tabela 9 apresenta-se o demonstrativo de cálculo da receita de retorno do ICMS em 2004 se não houvesse o Controle do Movimento Econômico. Tabela 9 - Demonstrativo de cálculo da Receita Mensal de Retorno do ICMS em 2003, com base no índice calculado obtido através dos relatórios iniciais sem o Controle do Movimento Econômico. ANO DE APURAÇÃO 2002 V.A. DO V.A. DO MÉDIA RELAT. RELAT. RELAT. INICIAL INICIAL INICIAL 25/05/2001 29/05/2002 2000/2001 BASE 2000 BASE 2001 1.011.505.669 1.228.758.709 Fonte: Dados da pesquisa 1.120.132.189 INDICE CALC. S/ CONT. P/ 2003 RECEITA ANUAL RETORNO ICMS -2003 SEM CONTROLE RECEITA MENSAL RETORNO ICMS-2003 SEM CONTROLE 3,36979 39.363.215,63 3.280.267,97

(122) 120 Na Tabela 9, denota-se que em não havendo o controle do Movimento Econômico, o Estado computaria para cálculo do índice, os valores adicionados dos primeiros relatórios apurados após a entrega das DIEFs, em 30/04. Os valores iniciais de 2001 e 2002 (base 2000 e 2001) seriam respectivamente R$ 1.011.505.669,00 e R$ 1.228.758.709,00 dando uma média de valor adicionado de R$ 1.120.132.189,00. Procedendo-se a uma regra de três simples pôde-se facilmente determinar o índice que geraria estes relatórios iniciais. Multiplica-se a média do relatório inicial R$ 1.120.132.189 pelo índice oficial de 3,90926, dividindo-se o resultado pela média do relatório final R$ 1.299.454.338,00 resultando no índice de 3,36979. Multiplicado este índice de 3,36979 por R$ 45.664.876,55 que é a receita anual de retorno de 2003, resultaria na receita anual de retorno sem o controle no valor de R$ em 39.363.215,63. Dividindo este valor por 12 meses, obteve-se uma média mensal sem controle de R$ 3.280.267,97. Na seqüência apresenta-se a Tabela 10, com o demonstrativo de perda da receita em 2003 se não houvesse o Controle do Movimento Econômico. Quadro 10 - Demonstrativo da perda de receita em 2003, se não houvesse Controle do Movimento Econômico. RECEITA OFICIAL MENSAL DE RETORNO DO ICMS-2003 COM CONTROLE RECEITA MENSAL CALCULADA DE RETORNO ICMS2003 SEM CONTROLE PERDA DE RECEITA EM 2003 SE NÃO HOUVESSE CONTROLE 3.805.406,38 3.280.267,97 525.138,41 Fonte: Dados da pesquisa De acordo com a Tabela 10, subtraindo-se da receita oficial mensal com controle recebido em 2003, R$ 3.805.406,38, do valor da receita mensal calculada sem controle em 2003, R$ 3.280.267,97, resultaria num valor mensal de R$ 525.138,41. Tomando-se como base o salário médio de um médico municipal de R$ 2.500,00, em 2003, verifica-se que a

(123) 121 receita resultante do Controle do Movimento Econômico pagou mensalmente, aproximadamente 210 médicos. 4.6 Reformulação do Controle do Movimento Econômico Descreve-se nesta sessão a proposta para o Movimento Econômico do Município de Florianópolis. Depois se analisa a relevância da proposta de controle de gestão na participação do Município na arrecadação do ICMS, fazendo uma análise comparativa da proposta com o controle adotado na PMF e as implicações da falta desse controle, bem como as sugestões para melhorias na Prefeitura Municipal de Florianópolis. 4.6.1 Proposta para o Controle do Movimento Econômico do Município de Florianópolis O Movimento Econômico (retorno do ICMS) para Prefeitura Municipal de Florianópolis é a 3ª receita do município, perdendo somente para a receita de IPTU e de ISQN, representando 13,55% do total da receita no exercício de 2004, conforme Tabela 4, onde se demonstram os percentuais da receita total nos exercícios de 2000 a 2004. Na estrutura organizacional, o Movimento Econômico não consta como parte integrante da estrutura, pois está limitado a um setor dentro da Divisão de Fiscalização, com 2 técnicos (um fiscal e um contador), com 2 equipamentos de informática ligados à internet, 1 impressora, 2 telefones, 2 armários horizontais e 1 vertical e 1 arquivo de ferro. Com isso desempenham suas atividades relativas ao Movimento Econômico, e que neste estudo de caso comprovou certa eficiência e estrutura quase que a ideal. Para melhorar este

(124) 122 desempenho, cujo objetivo é o controle e aumento do Valor Adicionado, necessitaria de certos arranjos administrativos. Neste sentido, propõem-se alguns ajustes para que a estrutura, tanto física como de pessoal, possa funcionar plenamente. A proposta que se pretende para o município de Florianópolis passa primeiramente pela estrutura organizacional, conforme Figura 4, e que depende da elaboração de Projeto-deLei a ser encaminhado à Câmara Municipal pelo Executivo. Figura 16 - Organograma proposto para a Secretaria Municipal de Finanças Fonte: dados da pesquisa. Conforme organograma proposto na Figura 4, cria-se no Departamento de Tributos a Divisão do Movimento Econômico, com uma chefia e quatro funcionários. A chefia seria composta por um Fiscal de Tributos, sendo o elo de ligação da Divisão com o Secretário Municipal de Finanças/Receita. Os demais funcionários seriam de informática e de controle e informações, compreendendo 4 técnicos com qualificação específica, sendo 1 de informática

(125) 123 com conhecimento de programação e manutenção e 3 de controle e informação com conhecimento em contabilidade e legislação específica. A estrutura física seria composta de 5 computadores, sendo um para a Chefia para controle das atividades e tomada de decisões, 3 para atendimento e acompanhamento das atividades e 1 para desenvolvimento de programas, 5 mesas, 3 telefones, 1 fax, 1 máquina fotocopiadora, 4 armários horizontais e 2 verticais, 3 arquivos de ferro e 1 biblioteca com legislação específica. Na Divisão do Movimento Econômico teria um sub-procurador, designado pela Procuradoria Geral do Município, responsável pelos assuntos jurídicos relacionados ao Movimento Econômico, tais como recursos exclusivos ou liminares, fato este que atualmente não ocorre. Propõe-se elaboração de cronograma anual das atividades de acordo com a legislação estadual e evolução dos trabalhos encaminhando ao Secretário Municipal de Finanças/Receita todo mês de fevereiro, posterior a reunião dos Municípios, Associações de Municípios e Representantes da Fazenda do Estado. Além disso, elaboração mensal de relatório das atividades desenvolvidas no mês com possíveis estatísticas. Referente aos fluxogramas que se elaborou de cada etapa do Controle do Movimento Econômico, propõe-se que sejam detalhados, demonstrando-se em cada etapa os procedimentos envolvidos, documentos utilizados, forma de execução, as análises efetuadas, de maneira a permitir subsídios para futuras consultas, uma vez que as pessoas envolvidas no processo não são perenes. Por fim elaboração de relatório final, apresentando as falhas do exercício e sugestões a serem adotadas para o exercício seguinte. Apresenta-se no Quadro 4 detalhadamente a estrutura atual do Movimento Econômico e a estrutura proposta de maneira que se possa melhor visualizar a proposição.

(126) 124 SITUAÇÃO ATUAL DESCRIÇÃO DO ITENS Chefia Técnico Sub-procurador Computador Mesa Telefone Fax Fotocopiadora Armário horizontal Armário vertical Arquivo de ferro Biblioteca Quadro 4 DIVISÃO DE FISCALIZAÇÃO QTIDADE. 2 2 3 2 1 2 1 - SITUAÇÃO PROPOSTA DIVISÃO DO MOVIMENTO ECONÔMICO QTIDADE. 1 4 1 5 5 3 1 1 4 2 3 1 Demonstrativo da situação atual e situação proposta para o Movimento Econômico da Prefeitura de Florianópolis Fonte: dados da pesquisa. Como previamente descrito, a avaliação do estudo de caso demonstra, com as proposições acima, uma estrutura mínima, adequada tanto para o município em estudo como qualquer outro município federado. 4.6.2 Relevância da proposta de controle de gestão na participação do Município na arrecadação do ICMS Neste estudo, constatou-se que o controle do movimento econômico é necessário e imprescindível às prefeituras municipais, principalmente pelo fato de que muitas DIEFs são entregues com incorreções, levando a alteração dos índices de participação no produto da arrecadação do ICMS. Na seqüência demonstra-se a necessidade de uma reestruturação no setor de Controle do Movimento Econômico, visto o volume de empresas a ser auditado. Na Tabela 11 evidencia-se o acompanhamento da evolução do controle de entrega de DIEFs em 2000.

(127) 125 Tabela 11 - Acompanhamento da evolução do controle das entregas das DIEFs das empresas ativas de Florianópolis em 2000 com base em 1999 DATA EPP DO RELA- Nº VA TÓRIO EMP. MICRO Nº EMP. VA OUTRAS Nº EMP. VA TOTAL EMP. ATIVAS 09/06/00 488 9.467.886 6.092 33.897.663 3.503 726.572.251 10.083 12/07/00 543 10.552.639 6.327 35.869.410 3.673 864.727.259 10.543 29/08/00 539 9.766.824 6.319 34.514.185 3.656 806.690.028 10.514 28/11/00 543 10.408.311 6.326 35.570.749 3.673 832.599.582 10.542 20/12/00 543 10.441.045 6.328 35.748.178 3.678 841.812.761 10.549 Fonte: Relatórios da Secretaria da Fazenda de SC SEFAZ/SC, 2000 AGROPEC. NÃO TOTAL MUNICIPAL VALOR ADICIONADO Nº VA EMP. (VA) 170 1.741707 771.679.507 174 10.205.459 821.354.767 172 5.499.300 856.470.337 170 5.534.447 884.113.089 174 5.534.447 893.579.264 Observa-se na tabela 11, a importância do controle efetuado sobre o Movimento Econômico, mais especificamente na coluna do Total Valor Adicionado , onde este valor passa de um montante de R$ 771.679.507, do relatório inicial de 09/06/2000, para um montante de R$ 893.536.431 no relatório final de 20/12/2000, perfazendo um acréscimo no total do valor adicionado de 11,58%, fruto do controle efetuado. Em não havendo este controle, o Grupo de Trabalho e o Estado computariam para o município de Florianópolis, no total do valor adicionado, o montante de R$ 771.679.507. Ressalta-se nesta análise, que em alguns relatórios de alguns exercícios, o total do valor adicionado inicia maior e no final da análise e controle passa para um valor menor, devendo-se ao fato de valores absurdos lançados por contadores, relativos a alguma empresa, não para enganar o fisco, mas por desconhecimento ou engano. Mesmo assim, verifica-se a importância do controle, pois houve a correção em tempo hábil, fato que sem este controle, essas empresas seriam certamente excluídas para o cômputo do valor adicionado, restando ao pessoal do Controle do Movimento Econômico, tentar incluí-las através de recurso. Na Tabela 11, no exercício de 2000, ano-base 1999, demonstra-se no relatório final de 20/12/2000, que existiu um montante de 10.549 empresas ativas no município de Florianópolis. Deste total, 543 eram empresas de pequeno porte (EPP), 6328 eram micro empresas e 3678 como outras empresas, denominadas de grande porte. Desse total de

(128) 126 empresas, fez-se uma triagem rápida sobre as micro empresas, por terem valores menos relevantes, uma triagem razoável sobre as EPPs e análise mais detalhada sobre as outras que são as empresas de grande porte, cujos valores adicionados são relevantes. Das EPPs e outras, num total de (543 + 3.678) 4.221 empresas, conseguiu-se selecionar 225 para avaliações e correções mais relevantes. Desse montante (225), 45 empresas não puderam ser retificadas mediante DIEFs substitutivas ou no Grupo de Trabalho, tendo que ser retificadas mediante recursos de 1ª e 2ª Instâncias, conforme demonstrado na Tabela 12. Tabela 12 - Resumo das empresas avaliadas e recursos de 1ª Instância e 2ª Instância em 2000 TOTAL EMPRESAS (SELEÇÃO) 225 RECURSOS DE 1ª INSTÂNCIA DEF. DEF. INDEF. TOTAL PARC. 40 2 3 45 Fonte: Relatórios da Secretaria da Fazenda de SC DIÁRIO OFIC. RECURSOS DE 2ª INSTÂNCIA DEF. DEF. INDEF. TOTAL PARC. 16.538 de 2 13/11/00 SEFAZ/SC, 2000 1 0 3 DIÁRIO OFIC. 16.564 de 20/12/00 Dos recursos apresentados em 1ª Instância no exercício de 2000, ano base 1999, obteve-se êxito em 40, sendo deferido parcialmente 2 e indeferidos 3. Normalmente os deferidos parcialmente não sofrem processo de 2ª instância, tendo em vista a relevância dos valores contestados pelo Grupo de Trabalho. Já para os indeferidos procede-se recurso de 2ª instância, sendo que dos 3 indeferidos, 2 foram deferidos e 1 deferido parcialmente. A análise efetuada no exercício de 2000 serve para os demais exercícios. Na Tabela 13 realça-se a importância que os municípios devem dar ao controle do Movimento Econômico.

(129) 127 Tabela 13 - Acompanhamento da evolução do controle das entregas das DIEFs das empresas ativas de Florianópolis em 2001 com base em 2000 DATA EPP DO RELA- Nº VA TÓRIO EMP. MICRO Nº EMP. OUTRAS Nº EMP. VA VA 25/05/01 1.193 63.590.574 5.013 42.075.612 3.199 903.565.943 26/06/01 1.270 68.215.247 5.389 45.740.691 3.494 980.867.325 16/07/01 1.295 70.658.291 5.444 86.052.914 3.568 1.073.533.194 23/08/01 1.286 67.968.863 5.436 43.492.339 3.566 678.898.788 31/08/01 1.286 67.968.863 5.436 43.492.418 3.569 767.664.211 28/11/01 1.293 69.606.452 5.449 44.949.894 3.605 1.089.610.980 20/12/01 1.295 69.698.695 5.450 45.003.192 3.611 1.102.484.258 Fonte: Relatórios da Secretaria da Fazenda de SC SEFAZ/SC, 2001 TOTAL AGROPEC. NÃO TOTAL EMP. MUNICIPAL VALOR ATIVA Nº ADICIONADO VA S EMP. (VA) 9.405 139 2.273.540 1.011.505.669 10.153 120 1.849.033 1.096.672.296 10.307 135 1.996.510 1.232.240.909 10.288 131 1.997.945 792.327.935 10.291 131 1.967.945 881.093.437 10.347 135 2.567.091 1.206.734.417 10.356 135 2.548.765 1.200.876.419 No exercício de 2001, ano base 2000, demonstra-se na Tabela 13 que o volume de empresas ativas no total foi de 10.356, sendo 1.295 EPPs, 5.450 Micros e 3.611 Outras. Fezse análise global das EPPs e das Outras (1.295 + 3.611) num total de 4.906 empresas. Selecionaram-se, para auditoria mais detalhada, 352 empresas consideradas as mais relevantes. O total do Valor Adicionado, constante no relatório inicial de 25/05/2001, passou de R$ 1.011.505.669 para R$ 1.219.734.910 apresentado no relatório final de 20/12/2001, perfazendo um acréscimo de 20,59%. Desse montante (352), 54 empresas não puderam ser retificadas mediante DIEFs substitutivas ou no Grupo de Trabalho, tendo que ser retificadas mediante recursos de 1ª e 2ª Instâncias, conforme demonstrado na Tabela 14. Tabela 14 - Resumo das empresas avaliadas e recursos de 1ª Instância e 2ª Instância em 2001 TOTAL EMPRESAS (SELEÇÃO) 352 RECURSOS DE 1ª INSTÂNCIA DEF. DEF. INDEF. TOTAL PARC. 45 3 6 54 Fonte: Relatórios da Secretaria da Fazenda de SC DIÁRIO OFIC. RECURSOS DE 2ª INSTÂNCIA DEF. DEF. INDEF. TOTAL PARC. 16.786 de 4 14/11/01 SEFAZ/SC, 2001 0 2 6 DIÁRIO OFIC. 16.811 de 21/12/01

(130) 128 Nos recursos apresentados em 2001, ano base 2000, em 1ª Instância, obteve-se deferimento em 45, 3 deferidos parcialmente e 6 indeferimentos. Efetuou-se recurso de 2ª Instância dos 6 recursos indeferidos, obtendo-se êxito em 4 recursos. Os 2 recursos indeferidos em 2ª Instância foram considerados pelo pessoal do Controle do Movimento Econômico como procedentes, sendo, portanto, recurso arquivado e não constante do valor adicionado. A auditoria efetuada no exercício de 2002, ano base 2001, está demonstrada a seguir, na Tabela 15. Tabela 15 - Acompanhamento da evolução do controle das entregas das DIEFs das empresas ativas de Florianópolis em 2002 com base em 2001 DATA EPP DO RELA- Nº VA TÓRIO EMP. MICRO Nº EMP. VA OUTRAS Nº EMP. VA TOTAL EMP. ATIVAS 29/05/02 1.473 101.221.314 5.610 55.981.643 3.703 1.266.242.572 10.786 07/06/02 1.483 102.722.587 5.652 56.997.672 3.743 1.289.356.399 10.878 13/08/02 1.483 102.211.654 5.647 55.925.220 3.744 1.234.094.599 10.874 24/10/02 1.488 103.508.287 5.649 56.704.067 3.760 1.257.738.353 10.897 12/11/02 1.488 103.503.914 5.649 56.805.578 3.765 1.232.391.486 10.902 29/11/02 1.488 103.503.914 5.649 56.805.578 3.763 1.232.395.280 10.900 Fonte: Relatórios da Secretaria da Fazenda de SC SEFAZ/SC, 2002 AGROPEC. NÃO TOTAL MUNICIPAL VALOR ADICIONADO Nº VA EMP. (VA) 73 5.313.180 1.228.758.709 74 5.329.229 1.254.405.887 72 5.310.383 1.297.341.856 72 5.310.383 1.323.261.090 72 5.310.383 1.398.011.361 72 5.310.383 1.398.032.257 No exercício de 2002, ano base 2001, demonstra-se na Tabela 15 que o volume de empresas ativas no total foi de 10.900, sendo 1.488 EPPs, 5.649 Micros e 3.763 Outras. Fezse análise global das EPPs e das Outras (1.488 + 3.763) num total de 5.251 empresas. Selecionaram-se, para auditoria mais detalhada, 290 empresas, consideradas as mais relevantes. O total do Valor Adicionado, constante no relatório inicial de 29/05/2002, passou de R$ 1.228.758.709 para R$ 1.323.261.090 apresentado no relatório final de 29/11/2002, perfazendo um acréscimo de 13,77%.

(131) 129 Desse montante (290), 40 empresas não puderam ser retificadas mediante DIEFs substitutivas ou no Grupo de Trabalho, tendo que ser retificadas mediante recursos de 1ª e 2ª Instâncias, conforme demonstrado na Tabela 16, apresentada a seguir. Tabela 16 - Resumo das empresas avaliadas e recursos de 1ª Instância e 2ª Instância em 2002 TOTAL EMPRESAS (SELEÇÃO) 290 RECURSOS DE 1ª INSTÂNCIA DEF. DEF. INDEF. TOTAL PARC. 34 0 6 40 Fonte: Relatórios da Secretaria da Fazenda de SC DIÁRIO OFIC. RECURSOS DE 2ª INSTÂNCIA DEF. DEF. INDEF. TOTAL PARC. 17.010 de 4 10/10/02 SEFAZ/SC, 2002 1 1 6 DIÁRIO OFIC. 17.044 de 29/11/02 Dos recursos apresentados em 2002, ano base 2001, em 1ª Instância, obteve-se deferimento em 34 e 6 indeferimentos. Efetuou-se recurso de 2ª Instância dos 6 recursos indeferidos, obtendo-se êxito em 4 recursos, parcialmente em 1 recurso e 1 indeferido. O recurso indeferido em 2ª Instância foi considerados pelo pessoal do Controle do Movimento Econômico como procedentes, sendo, portanto, recurso arquivado e não constante do valor adicionado. A análise do exercício de 2003, ano base 2002, está abordada na Tabela 17, conforme se demonstra na seqüência. Tabela 17 - Acompanhamento da evolução do controle das entregas das DIEFs das empresas ativas de Florianópolis em 2003 com base em 2002 DATA EPP DO RELA- Nº VA TÓRIO EMP. MICRO Nº EMP. VA OUTRAS Nº EMP. VA TOTAL EMP. ATIVAS 08/05/03 1.604 122.165.363 5.499 62.922.361 3.905 1.212.440.710 11.008 03/06/03 1.666 142.024.527 5.666 65.254.384 4.132 1.360.130.169 11.464 02/07/03 1.675 144.607.859 5.685 65.441.281 4.155 1.373.831.037 11.515 10/09/03 1.474 112.399.855 5.305 58.723.611 4.699 1.414.895.678 11.478 26/09/03 1.474 112.399.855 5.305 58.723.611 4.698 1.424.419.870 11.477 23/10/03 1.474 112.432.041 5.304 58.811.047 4.704 1.430.634.244 11.482 06/11/03 1.474 112.432.041 5.306 58.943.742 4.710 1.439.093.215 11.490 24/11/03 1.475 112.610.589 5.306 58.943.742 4.711 1.439.715.923 11.492 02/12/03 1.477 112.649.186 5.306 58.943.742 4.709 1.439.607.680 11.492 Fonte: Relatórios da Secretaria da Fazenda de SC SEFAZ/SC, 2003 AGROPEC. NÃO TOTAL MUNICIPAL VALOR ADICIONADO Nº VA EMP. (VA) 59 1.630.438 1.399.158.872 59 3.985.627 1.571.394.707 58 3.876.980 1.587.757.157 49 3.151.596 1.589.170.740 51 3.157.337 1.598.700.673 52 3.161.430 1.605.038.762 54 3.209.568 1.613.678.566 54 3.209.568 1.614.479.822 54 3.209.568 1.614.410.176

(132) 130 No exercício de 2003, ano base 2002, demonstra-se na Tabela 17 que o volume de empresas ativas no total foi de 11.492, sendo 1.477 EPPs, 5.306 Micros e 4.709 Outras. Fezse análise global das EPPs e das Outras (1.477 + 4.709) num total de 6.186 empresas. Selecionaram-se, para auditoria mais detalhada, 321 empresas consideradas as mais relevantes. O total do Valor Adicionado, constante no relatório inicial de 08/05/2003, passou de R$ 1.399.158.872 para R$ 1.614.410.176 apresentado no relatório final de 02/12/2003, perfazendo um acréscimo de 15,38%. Desse montante (321), 7 empresas não puderam ser retificadas mediante DIEFs substitutivas ou no Grupo de Trabalho, tendo que ser retificadas mediante recursos de 1ª e 2ª Instâncias, conforme demonstrado na Tabela 18, apresentada a seguir. Tabela 18 - Resumo das empresas avaliadas e recursos de 1ª Instância e 2ª Instância em 2003 TOTAL EMPRESAS (SELEÇÃO) 321 RECURSOS DE 1ª INSTÂNCIA DEF. DEF. INDEF. TOTAL PARC. 5 0 2 7 Fonte: Relatórios da Secretaria da Fazenda de SC DIÁRIO OFIC. RECURSOS DE 2ª INSTÂNCIA DEF. DEF. INDEF. TOTAL PARC. 17.010 de 1 10/10/02 SEFAZ/SC, 2003 0 1 2 DIÁRIO OFIC. 17.044 de 29/11/02 Dos recursos apresentados em 2003, ano base 2002, em 1ª Instância, obteve-se deferimento em 5 e 2 indeferimentos. Efetuou-se recurso de 2ª Instância dos 2 recursos indeferidos, obtendo-se êxito em 1 recurso e 1 indeferimento. O recurso indeferido em 2ª Instância foi considerado pelo pessoal do Controle do Movimento Econômico como procedente, sendo, portanto, recurso arquivado e não constante do valor adicionado. A auditoria do exercício de 2004, ano base 2003, está abordada na Tabela 19, conforme demonstrado a seguir.

(133) 131 Tabela 19 - Acompanhamento da evolução do controle das entregas das DIEFs das empresas ativas de Florianópolis em 2004 com base em 2003 DATA EPP DO RELA- Nº VA TÓRIO EMP. MICRO Nº EMP. OUTRAS Nº EMP. VA VA TOTAL EMP. ATIVAS 06/05/04 1.719 152.224.430 5.629 70.468.798 3.742 1.512.568.608 11.090 31/05/04 1.776 156.595.567 5.863 73.353.634 3.931 1.548.602.710 11.570 24/09/04 1.646 141.174.343 5.748 67.573.688 4.372 1.568.245.235 11.766 26/10/04 1.647 141.235.493 5.749 67.611.765 4.381 1.563.397.094 11.777 22/11/04 1.649 141.515.705 5.750 67.731.162 4.388 1.573.302.042 11.787 07/12/04 1.649 141.515.705 5.750 67.731.162 4.388 1.573.302.042 11.787 17/12/04 1.649 141.515.705 5.750 67.731.162 4.388 1.573.367.341 11.787 Fonte: Relatórios da Secretaria da Fazenda de SC SEFAZ/SC, 2004 AGROPEC. NÃO TOTAL MUNICIPAL VALOR ADICIONADO Nº VA EMP. (VA) 56 727.291 1.735.989.127 60 3.575.172 1.782.127.083 60 3.573.215 1.780.566.481 60 3.573.215 1.775.817.567 60 3.573.215 1.786.122.124 60 3.573.215 1.786.122.124 60 3.573.215 1.786.187.423 No exercício de 2004, ano base 2003, apresenta-se na Tabela 19 que o volume de empresas ativas no total foi de 11.787, sendo 1.649 EPPs, 5.750 Micros e 4.388 Outras. Fezse análise global das EPPs e das Outras (1.649 + 4.388) num total de 6.037 empresas. Selecionaram-se, para auditoria mais detalhada, 348 empresas consideradas as mais relevantes. O total do Valor Adicionado, constante no relatório inicial de 06/05/2004, passou de R$ 1.735.989.127 para R$ 1.786.187.143 apresentado no relatório final de 17/12/2004, perfazendo um acréscimo de 2,89%. Desse montante (348), 8 empresas não puderam ser retificadas mediante DIEFs substitutivas ou no Grupo de Trabalho, tendo que ser retificadas mediante recursos de 1ª e 2ª Instâncias, conforme demonstrado na Tabela 20, apresentada na seqüência. Tabela 20 - Resumo das empresas avaliadas e recursos de 1ª Instância e 2ª Instância em 2004 TOTAL EMPRESAS (SELEÇÃO) 348 RECURSOS DE 1ª INSTÂNCIA DEF. DEF. INDEF. TOTAL PARC. 8 0 0 8 Fonte: Relatórios da Secretaria da Fazenda de SC DIÁRIO OFIC. RECURSOS DE 2ª INSTÂNCIA DEF. DEF. INDEF. TOTAL PARC. 17.520 de 0 19/11/04 SEFAZ/SC, 2004 0 0 0 DIÁRIO OFIC. 17.541 de 20/12/04

(134) 132 Dos recursos apresentados em 2004, ano base 2003, em 1ª Instância, obteve-se deferimento nos 8 apresentados. Não houve necessidade, neste exercício, de recurso de 2ª Instância. Desta análise e do volume de empresa apresentadas em cada exercício, observa-se a necessidade premente de uma reestruturação deste setor, haja vista que são consideradas somente as empresas relevantes e os erros mais volumosos. As micros empresas precisam ser acompanhadas, fato este que se verificou neste estudo, que as mesmas por terem valores menos relevantes não são analisadas, pela escassez de recursos humanos e tempo. Certamente diversos pequenos erros ali seriam encontrados e que ajudariam a alavancar o índice do valor adicionado do município. 4.6.2.1 Análise comparativa da proposta com o controle adotado na PMF Do estudo efetuado no município de Florianópolis e para que se possa fazer um comparativo, entre o controle efetuado e o que poderia ser considerado ideal, é necessário que se façam algumas ponderações: a) o controle efetuado pelo município relativo ao controle do Movimento Econômico pode ser enquadrado como um bom controle; b) as pessoas envolvidas no processo são técnicos de nível superior (dois), com conhecimento efetivo do assunto e de grande responsabilidade; c) a proposição está voltada mais especificamente à melhoria no controle do Movimento Econômico, mas constatou-se principalmente uma adequação da estrutura organizacional e quantitativo de pessoal, bem como a estrutura física.

(135) 133 Florianópolis apresenta uma estrutura mínima de controle, e que conforme constatado no presente estudo, necessita ser melhorada. Precisa ser criado na estrutura organizacional o setor específico do Controle do Movimento Econômico, assim como ser reestruturado fisicamente e com recursos humanos necessários, de maneira que possa fazer um controle mais abrangente das empresas. Verificou-se na Prefeitura Municipal de Florianópolis, que as microempresas precisam de um acompanhamento mais acurado, pois apesar de apresentarem valores adicionados não relevantes, pelo seu volume total, pode ser considerável o seu incremento no índice de retorno do produto da arrecadação do ICMS. 4.6.2.2 Implicações da falta de controle do Movimento Econômico O índice a ser aplicado no produto da arrecadação do retorno do ICMS implica no volume financeiro a entrar nos cofres municipais. No caso de Florianópolis, conforme se demonstrou neste estudo, é a terceira renda orçamentária, ficando atrás somente do ISQN e do IPTU. No caso de muitos municípios, esta é a principal renda orçamentária, conforme constatado em informações coletadas junto a SEFAZ/SC . Constatou-se também, que se não houver um controle específico da entrega das DIEFs, certamente o montante do valor adicionado do exercício não será o correto, haja vista que as empresas contábeis e contadores, em geral, priorizam neste período, o Imposto de Renda Pessoa Física e Jurídica, tendo em vista as conseqüências da fiscalização federal, o que não ocorre em nível estadual. Em muitos casos, as DIEFs entregues estão zeradas ou incorretas, de maneira a cumprir a obrigação acessória, deixando para executar suas correções em outros momentos. Para o Fisco Estadual este documento é importante somente se a empresa for fiscalizada, pois

(136) 134 o imposto relativo ao ICMS já foi recolhido no mês de competência. Todavia para o município este documento é fundamental e sua entrega de forma correta é o objetivo do setor de Controle do Movimento Econômico. Evidencia-se a importância deste controle na definição de Montana (1998, p.240), quando conceitua o processo de controle como as ações seqüenciais tomadas pela administração para estabelecer os padrões de desempenho, medida e avaliação do desempenho, e tomar ações corretivas quando necessário . O mesmo autor evidencia que os administradores, para o controle adequado de uma organização, devem buscar planejar e estabelecer padrões de desempenho, implantar um sistema de informação que fornecerá os dados indispensáveis para as verificações necessárias e adotar medidas que irão corrigir os desvios ocorridos. Neste sentido, observa-se que o controle é necessário em qualquer atividade organizacional, quer seja ela pública ou privada, e não seria diferente relativo ao Movimento Econômico. A perda de índice relativo à participação no produto da arrecadação do ICMS representa um ônus elevado ao município, principalmente aos de médio e pequeno porte, cujas receitas básicas orçamentárias, além desta, recebem o Fundo de Participação Municipal (FPM), receita esta proveniente do Governo Federal. No presente capítulo procurou-se abordar a situação do Controle do Movimento Econômico relativa ao Município de Florianópolis, tecendo-se comentários da situação atual, elaborando-se fluxograma de procedimentos para bem demonstrar as etapas envolvidas no processo desse controle no decorrer do ano, bem como avaliando-se os dados coletados, e sugerindo-se proposições de melhora ao setor. Diante do que se abordou relativo ao Controle do Movimento Econômico do Município de Florianópolis, fica-se a certeza da validade da pesquisa, de maneira que se possa formular as conclusões e recomendações.

(137) 135 5 CONCLUSÕES E RECOMENDAÇÕES Neste capítulo, apresentam-se as conclusões do estudo efetuado, assim como recomendações para futuras pesquisas sobre o tema investigado. 5.1 Conclusões O objetivo desta dissertação foi descrever o controle de gestão da Participação no Produto da Arrecadação do ICMS no Município de Florianópolis. De maneira mais específica, buscou-se descrever a estrutura e os procedimentos adotados na Prefeitura Municipal de Florianópolis para o controle do Movimento Econômico para fins de retorno do Valor Adicionado, identificar os índices de participação do Município de Florianópolis no retorno do ICMS e o reflexo do retorno da participação na receita da Prefeitura Municipal de Florianópolis no período de 2000 a 2004, verificar a influência do controle de gestão utilizado no Município de Florianópolis na participação do Produto da Arrecadação do ICMS e apresentar proposta para o Controle do Movimento Econômico do Município de Florianópolis. Ao descrever-se a estrutura e os procedimentos adotados na Prefeitura Municipal de Florianópolis para o Controle do Movimento Econômico para fins de retorno do ICMS, detectou-se no estudo que a estrutura adotada pela Prefeitura Municipal de Florianópolis é a mínima possível, composta de dois técnicos e alguns equipamentos. Constatou-se que o Setor do Controle do Movimento Econômico não consta da estrutura organizacional da Secretaria Municipal de Finanças, está dentro da Divisão de Fiscalização, operando com procedimentos considerados adequados. Porém, verificou-se que necessita de melhorias, iniciando-se pelo encaminhamento de Projeto-de-Lei para o Legislativo, para criar definitivamente a Divisão de

(138) 136 Controle do Movimento Econômico na Secretaria Municipal de Finanças/Receita. Precisa também de uma chefia imediata, que possa ser o seu representante perante o Executivo Municipal e o próprio Estado. Entende-se que, para melhorar o desempenho, é importante estruturar de forma física, material e humana o setor. É preciso disponibilizar espaço físico adequado, equipamentos necessários e pessoal qualificado, em quantidade suficiente, para o desenvolvimento do trabalho, cujo quantitativo necessário descreveu-se neste estudo. Também é preciso viabilizar um elo de ligação com a Procuradoria Municipal, para que possa resolver pendências relativas às demandas judiciais. Outro aspecto relevante é detalhar e documentar os fluxos de procedimentos apresentados nas diversas etapas do Controle do Movimento Econômico, de forma a descrever passo-a-passo os atos a serem adotados e os documentos a serem utilizados, de maneira que os procedimentos cabíveis fiquem disponíveis para consulta. Isto é especialmente importante quando da ausência ou substituição das pessoas envolvidas no processo, evitandose descontinuidade de ação. Verificando-se a influência do controle de gestão utilizado no Município de Florianópolis na participação do Produto da Arrecadação do ICMS, pode-se observar que apesar de estrutura mínima, o controle efetuado tem influenciado diretamente no índice de retorno no produto da arrecadação do ICMS, em alguns exercícios, fazendo com que houvesse crescimento. Em outros, contribuiu para que não baixasse substancialmente. Detectou-se também que, apesar do controle efetuado, outros fatores contribuíram para o acréscimo ou decréscimo do índice, como fatores políticos, econômicos e judiciais. Verificou-se que houve um acréscimo substancial de empresas ativas no período de 2000 a 2004, passando de 10.549 para 11.787. Para exemplificar a influência do controle de gestão, cita-se o exercício de 2001, em que se verificou um incremento no valor adicionado de

(139) 137 R$ 771.679.507,00 para R$ 893.536.431,00, influenciando diretamente no crescimento do índice de retorno. O impacto financeiro pela falta de controle do Movimento Econômico tem repercussão social no Município. A receita oficial mensal efetivada com controle, recebida em 2002, foi de R$ 2.984.301,80. A receita mensal calculada sem controle para 2002 foi de R$ 2.540.783,17. Subtraindo-se estes valores tem-se uma perda mensal de R$ 443.518,63. Tomando-se como referência o salário médio de um professor municipal de R$ 1.700,00, em 2002, verifica-se que a receita resultante do Controle do Movimento Econômico pagou mensalmente, aproximadamente 261 professores. Repetindo-se o procedimento para 2003, verificou-se que a receita oficial mensal com controle, recebido em 2003, foi R$ 3.805.406,38 e a receita mensal calculada sem controle em 2003 foi de R$ 3.280.267,97. Subtraindo-se estes valores tem-se uma perda mensal de R$ 525.138,41. Tomando-se como referência o salário médio de um médico municipal de R$ 2.500,00, em 2003, verifica-se que a receita resultante do Controle do Movimento Econômico pagou mensalmente, aproximadamente 210 médicos. Referente a identificação dos índices de participação do Município de Florianópolis no retorno do ICMS e o reflexo do retorno da participação na receita da Prefeitura Municipal de Florianópolis no período de 2000 a 2004, constatou-se que tais índices possibilitaram que o município de Florianópolis recebesse como receita de transferência valores considerados. O retorno no produto da arrecadação do ICMS tem representado para o Município de Florianópolis, no período pesquisado de 2000 a 2004, a segunda maior receita, até 2002, na composição das receitas do Município. Esta posição foi perdida para o IPTU nos exercícios de 2003 e 2004, pelo fato de ter sido valorada a planta genérica de valores, fator preponderante na base de cálculo desta receita.

(140) 138 Por fim, a falta de uma definição organizacional de direito e não de fato do setor dentro da estrutura da PMF é fator primordial a se definir. Elaborar um projeto-de-lei criando a divisão, coordenadoria, ou qualquer outro nome que possa receber, deve ser considerado o ponto de partida, para que possa dar respaldo ao setor. Precisa também de chefia imediata, que possa ser o seu representante perante o Executivo Municipal e o próprio Estado. Diante do estudo efetuado e das respostas que se obteve aos objetivos traçados para a pesquisa, concluiu-se que é importante o Município de Florianópolis estabelecer um sistema adequado de controle de gestão no produto da arrecadação do ICMS. Certamente, avaliandose a relação custo versus benefício, a reorganização do setor de controle do Movimento Econômico na Prefeitura Municipal de Florianópolis traria, em curto prazo, retornos consideráveis. 5.2 Recomendações Do trabalho ora concluído, considerando-se as limitações da pesquisa, pode-se recomendar futuras pesquisas relacionadas ao controle de gestão do retorno do produto da arrecadação do ICMS, conforme segue: a) pesquisar a padronização de rotinas relativas ao controle de gestão do Movimento Econômico, tomando como referência o fluxo e cronograma apresentado, em outros Municípios; b) verificar as estruturas dos principais municípios de Santa Catarina, a fim de que se possa avaliar a disponibilidade de implantação da proposta de controle de gestão do Movimento Econômico; e c) efetuar um trabalho mais amplo, avaliando o controle de gestão do Movimento Econômico nas prefeituras municipais das principais capitais do Brasil.

(141) 139 REFERÊNCIAS AMAT, Joan M.; GOMES, Josir Simeone. Controle de Gestão uma perspectiva global. Artigo publicado em 1995. Disponível em: http://libdigi.unicamp.br/document/?view=35. Acesso em 13 de abril de 2005. ANDRADE, Nilton de Aquino. Contabilidade pública na gestão municipal: novos métodos após a LC nº 101/00 e as classificações contábeis advindas da SOF e STN, São Paulo : Atlas, 2002. ANGÉLICO, João. Contabilidade pública. 8. ed. São Paulo: Atlas, 1995. AZEVEDO. Maria Thereza Lopes de. LIMA, Manuel Messias Pereira. LIMA, Ana Luiza Pereira. Introdução à contabilidade pública. Rio de Janeiro: Freitas Bastos, 2004, 332p. BRASIL, Constituição da República Federativa do Brasil. Textos Constitucionais de 1824, 1891, 1934, 1946, 1967, 1969 e a de 5 de outubro de 1988 com alterações estabelecidas pelas Emendas Constitucionais nºs 01/92 a 42/93. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/legisla.htm . Acesso diário quando necessário. BRASIL, Código Tributário Nacional - Lei 5.172 de 25 de outubro de 1966. Dispõe sobre o Sistema Tributário Nacional e institui normas gerais de direito tributário aplicável à União, Estados e Municípios. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/legisla.htm . Acesso diário quando necessário. BRASIL, Lei nº 4.320, de 17 de março de 1964. Estatui Normas Gerais de Direito Financeiro para elaboração e controle dos orçamentos e balanços da União, dos Estados, dos Municípios e do Distrito Federal. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/legisla.htm . Acesso diário quando necessário. BRASIL, Lei Complementar nº 63, de 11 de janeiro de 1990. Dispõe sobre critérios e prazos de crédito das parcelas do produto da arrecadação de impostos de competência dos Estados e de transferências por estes recebidos, pertencentes aos Municípios, e dá outras providências. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/legisla.htm . Acesso diário quando necessário. BRASIL, Resolução no 21.702 Petição nº 1.442 Classe 18ª, de 02 de abril de 2004, do Superior Tribunal Eleitoral TSE, dispõe relativo as Instruções sobre o número de vereadores a eleger segundo a população de cada município. Relator Ministro Sepúlveda Pertence. Disponível em: http://www.tse.gov.br/servicos_online/instrucoes/res21702.htm. Acesso diário quando necessário. BREMAEKER, François E. J. de, O que os Prefeitos esperam dos Governos Federal e Estaduais a partir de 2003. Série Estudos Especiais nº 42, 1ª ed., 2002. Disponível em: http://www.ibam.org.br . Acesso em 20 de fevereiro de 2004.

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