SECRETARIA DE ESTADO DA SAÚDE DE ALAGOAS SUPERINTENDÊNCIA DE VIGILÂNCIA EM SAÚDE DIRETORIA DE ANÁLISE DE SITUAÇÃO DE SAÚDE

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SECRETARIA DE ESTADO DA SAÚDE DE ALAGOAS SUPERINTENDÊNCIA DE VIGILÂNCIA EM SAÚDE DIRETORIA DE ANÁLISE DE SITUAÇÃO DE SAÚDE

SAÚDE ALAGOAS 2010

ANÁLISE DA SITUAÇÃO DE SAÚDE

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GOVERNADOR DO ESTADO Teotonio Brandão Vilela Filho

VICE-GOVERNADOR José Thomaz Nonô

SECRETÁRIO DE ESTADO DE SAÚDE Alexandre de Melo Toledo

SECRETÁRIO ADJUNTO DE ESTADO DA SAÚDE Jorge Villas Bôas

CHEFE DE GABINETE Carlos Palmeira Lopes Villanova

SUPERINTENDÊNCIA DE VIGILÂNCIA À SAÚDE Sandra Tenório Accioly Canuto

DIRETORIA DE ANÁLISE DA SITUAÇÃO DE SAÚDE Alessandra Pereira Viana

DIRETORIA DE LABORATÓRIO DE SAÚDE PÚBLICA Telma Machado Lisboa Pinheiro

DIRETORIA DE PROMOÇÃO DA SAÚDE Eliana Cavalcante Padilha

DIRETORIA DE VIGILÂNCIA EM SAÚDE AMBIENTAL Maria Elisabeth Vieira da Rocha

DIRETORIA DE VIGILÂNCIA EM SAÚDE DO TRABALHADOR Gardênia Souza Freitas de Santana

DIRETORIA DE VIGILÂNCIA EPIDEMIOLÓGICA Cleide Maria da Silva Moreira

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2011 – Secretaria de Estado da Saúde de Alagoas Todos os direitos reservados.

É permitida a reprodução parcial ou total desta obra, desde que citada a fonte e que não seja para venda ou para qualquer fim comercial.

A responsabilidade pelos direitos autorais de textos e imagens desta obra é de seus respectivos autores.

Este editorial pode ser acessado na íntegra no site da Secretaria de Estado da Saúde: http://www.saude.al.gov.br

Tiragem: Ano III (Vol. II) – 2010 - 150 exemplares

Elaboração, edição e distribuição:

SECRETARIA DE ESTADO DA SAÚDE DE ALAGOAS - SESAU Superintendência de Vigilância em Saúde - SUVISA

Diretoria de Análise da Situação de Saúde - DIASS Coordenação Técnica e Produção e Organização: DIASS Avenida da Paz, nº 1068. Salas: 201 202 e 203 – Jaraguá CEP: 57022-050 – Maceió/ Alagoas

Capa, Projeto Gráfico e Diagramação e Revisão:

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SUMÁRIO

APRESENTAÇÃO ... 8

11. AGRAVOS DE TRANSMISSÃO RESPIRATÓRIA, SEXUAL E DOENÇAS IMUNOPREVENÍVEIS ... 9

11.1 SITUAÇÃO DA TUBERCULOSE EM ALAGOAS ...10

11.2 SITUAÇÃO DA HANSENÍASE EM ALAGOAS ...19

PROPORÇÃO DE CURA ...21

EXAME DE CONTATOS ...22

AVALIAÇÃO DO GRAU DE INCAPACIDADE NA NOTIFICAÇÃO E NA ALTA POR CURA...23

REFERÊNCIAS ...24

13.3 SITUAÇÃO DAS HEPATITES VIRAIS EM ALAGOAS ...25

REFERÊNCIAS ...35

11.4 SITUAÇÃO DA AIDS EM ALAGOAS ...36

METODOLOGIA ...37

CONSIDERAÇÕES FINAIS ...44

REFERÊNCIAS ...46

11.5 SITUAÇÃO DA SÍFILIS CONGÊNITA EM ALAGOAS ...48

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ...56

12. SAÚDE DO TRABALHADOR...58

ANÁLISE DA SITUAÇÃO DE SAÚDE ...60

Agravos relacionados ao Trabalho ocorridos em crianças e adolescentes ...63

CONSIDERAÇÕES FINAIS ...66

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ...67

13. COBERTURAS VACINAIS E DOENÇAS IMUNOPREVENÍVEIS ...68

13.1 ANÁLISE DAS COBERTURAS VACINAIS EM ALAGOAS ...69

COBERTURA VACINAL ...71

IMUNOBIOLÓGICO ...72

Vacina contra Rotavírus ...81

Vacina contra Sarampo, Rubéola e Caxumba (Tríplice Viral) ...83

13.2 ANÁLISE DA SITUAÇÃO DAS DOENÇAS IMUNOPREVENÍVEIS EM ALAGOAS ...85

13.2.1 INFLUENZA ...85

13.2.2 MENINGITES ...89

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13.2.4 COQUELUCHE ...95

13.2.5 DIFTERIA ...97

13.2.6 DOENÇAS EXANTEMÁTICAS ...98

RUBÉOLA ...98

SARAMPO ...101

VARICELA ...103

14. ACIDENTES POR ANIMAIS PEÇONHENTOS ...105

AVALIAÇÃO DO AGRAVO POR REGIÃO DE SAÚDE ...107

15. URGÊNCIAS EPIDEMIOLÓGICAS ...110

ENFRENTAMENTO ÀS EMERGÊNCIAS DE SAÚDE PÚBLICA EM ALAGOAS...111

16. FATORES AMBIENTAIS DETERMINANTES E CONDICIONANTES DA SAÚDE DA POPULAÇÃO EM ALAGOAS ...121

CONSIDERAÇÕES FINAIS ...130

17. PROMOÇÃO DA SAÚDE EM ALAGOAS...131

17.1 METODOLOGIA ...132

17.2 A PROMOÇÃO DA SAÚDE EM ALAGOAS – BREVE RETROSPECTIVA ...135

17.3 A SAÚDE ANALISADA SEGUNDO CICLOS VITAIS ...139

SAÚDE DO PRÉ-ADOLESCENTE E DO ADOLESCENTE (10 A 19 ANOS DE IDADE) ...142

SAÚDE DA MULHER ...143

SAÚDE DO HOMEM...144

SAÚDE DO IDOSO ...145

DOENÇAS E AGRAVOS NÃO TRANSMISSÍVEIS ...146

DENGUE E PROMOÇÃO DA SAÚDE ...149

Dados sobre a violência no estado notificados em 2010 ...165

GESTÃO DA PROMOÇÃO DA SAÚDE ...168

CONSIDERAÇÕES FINAIS ...173

REFERÊNCIAS ...175

18. GESTÃO EM SAÚDE ...181

18.1 COMPLETITUDE DOS CAMPOS ESSENCIAIS DOS SISTEMAS DE INFORMAÇÃO EM SAÚDE DE RACIONALIDADADE EPIDEMIOLÓGICA NO ESTADO DE ALAGOAS – 2006 A 2010. ...182

CONSIDERAÇÕES FINAIS ...197

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ELABORADORES

Saúde Alagoas 2010: Uma análise da situação de saúde

Capítulo 11 - Agravos de Transmissão Respiratória, Sexual e Doenças Imunopreveníveis

Cleide Maria da Silva Moreira; Ednalva Maria de araújo Silva; Denise Leão Ciríaco; Fagna da Silva Souza; Merielle de Souza Almeida; Mona Lisa dos Santos Góes; Tânia Maria de Queiroz; Rosa Adélia Arroxellas Paredes; Edvânia Salvador.

Capítulo 12 - Saúde do Trabalhador

Gardênia Souza Freitas; Carlos Eduardo Lyra Filho.

Capítulo 13- Coberturas vacinais e doenças Imunopreveníveis

Maria Denise de Castro; Valquíria de Castro; Claudeane Nascimento dos Santos.

Capítulo 14 Acidentes com animais peçonhentos

Charles Nunes; Silvana Tenório

Capítulo 15 - Urgências epidemiológicas

Herbert Charles Silva Barros; Marlene S. Lima; Cristina R.L. Tonial

Capítulo 16 - Fatores ambientais determinantes e condicionantes da saúde da população em alagoas

Maria Elisabeth Vieira da Rocha; Maria Isabel Rocha Castro.

Capítulo 17 – Promoção da Saúde

Maria José Castro

Capítulo 18 - Gestão em Saúde

Gerência dos sistemas de informação de vigilância em saúde (inconsistências e não conformidades, coberturas)

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8 APRESENTAÇÃO

A Secretaria de Estado da Saúde de Alagoas apresenta o livro Saúde Alagoas 2010: Análise da Situação de Saúde, publicação elaborada e organizada pela Diretoria de Análise da Situação de Saúde, que marca nosso compromisso em produzir e disseminar informações sobre a situação de saúde do nosso estado.

Um dos objetivos mais relevantes da presente publicação é valorizar o uso dos dados secundários já disponíveis nos sistemas de informações da Vigilância em Saúde, e apesar de não ser o objetivo inicial, buscar com isso, o desenvolvimento e aperfeiçoamento dos sistemas utilizados na análise.

Outros objetivos que vão igualmente contribuir para o processo de consolidação do SUS no estado são: o estabelecimento de uma linha de base para um permanente monitoramento de indicadores relevantes da saúde da população alagoana; a ampliação da possibilidade de projetar cenários futuros com base nas análises de tendências e de séries temporais; a retroalimentação aos gestores e usuários desses sistemas de informações; e a divulgação, para os pesquisadores da área de saúde coletiva e para a própria sociedade sobre o estado de saúde e sanitário do estado.

Enfim, este livro contribui para demonstrar o potencial da análise de situação de saúde no âmbito do SUS, como uma das bases de construção de uma saúde coletiva que se vale das evidências geradas a partir da prática da epidemiologia nos serviços de saúde.

Por fim, destaco a importância das análises aqui produzidas e tendo certeza do impacto de sua divulgação ao gerar informações e subsídios fundamentais para o aperfeiçoamento da gestão do SUS.

Alessandra Pereira Viana Diretora da Análise da Situação

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11. AGRAVOS DE TRANSMISSÃO

RESPIRATÓRIA, SEXUAL E DOENÇAS

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11.1 SITUAÇÃO DA TUBERCULOSE EM ALAGOAS

A tuberculose (TB), doença antiga e reconhecida como fatal desde a época de Hipócrates, teve o agente etiológico, o Mycobacterium tuberculosis, descoberto em 1882 por Robert Koch.

É transmitida de pessoa a pessoa por meio da fala, tosse e espirro. Cerca de um terço da população mundial encontra-se infectada ocorrendo, anualmente, 8,5 milhões de casos e 3 milhões de mortes, sendo a sua maioria nos países em desenvolvimento.

Passados mais de 50 anos da descoberta do tratamento, os números atuais de incidência e mortalidade da tuberculose revelam que ainda nos encontramos muito distantes do controle global da doença.

Apesar do caráter curável e do Brasil disponibilizar em sua rede de serviços de saúde, desde a década de 1980, esquemas de tratamento de curta duração, observa-se um quadro de persistência da doença em nosso meio, principalmente devido à sua característica como problema social, resultante de vários elementos intervenientes como renda familiar baixa, educação precária, habitação ruim/inexistente, famílias numerosas, adensamentos comunitários, desnutrição alimentar, alcoolismo e doenças infecciosas associadas.

O propósito do Programa Nacional de Controle da Tuberculose (PNCT) é reduzir a transmissão do bacilo da tuberculose na população, através das ações de diagnóstico precoce e tratamento adequado dos casos. As metas internacionais estabelecidas pela Organização Mundial da Saúde (OMS) e pactuadas pelo governo brasileiro são a descoberta de 70% dos casos de tuberculose estimados e a cura de, no mínimo, 85% dos casos detectados.

O número de casos novos diagnosticados avalia a capacidade de detecção dos serviços de saúde e a tendência da endemia, enquanto que o percentual de cura dos casos novos de tuberculose bacíliferos, retrata a efetividade do programa de tuberculose e, consequentemente, a organização dos serviços, uma vez que a maioria das atividades desenvolvidas para o controle da tuberculose deve ser realizada no âmbito da Atenção Primária à Saúde.

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reingressos após abandono, 58 (4,1%) recidiva e 100 (7%) casos com tipo de entrada por transferência. Dos casos novos, 515 (44,4%) são residentes na capital.

Fonte: SINAN/DIVEP/SUVISA/SESAU. Dados sujeitos à revisão.

Figura 01 - Percentual de casos de tuberculose detectados em relação ao número de casos estimados, segundo Regiões de Saúde de residência. Alagoas, 2010.

Segundo o Ministério da Saúde, para o controle do agravo, preconiza-se que sejam diagnosticados pelo menos 70% dos casos estimados. No estado de Alagoas em 2010, todas as regiões de saúde ultrapassaram esta meta, a menor detecção foi na 1ª região de saúde com 83% e a maior detecção foi de 91,2% na 5ª região de saúde.

O percentual de casos novos notificados pelo município de Maceió vem sendo reduzido ao longo dos anos, sendo de 59,0% em 1997 e caindo para 44,4% em 2010, representando assim, uma redução de 24,7% no período (cerca de 2,0% ao ano). Da mesma forma, o número de municípios notificantes no estado tem aumentado com o passar do tempo. Em 1997, 53 (51,9%) municípios notificaram casos, ampliando para 90 (88,2%) municípios em 2010, demonstrando assim, a descentralização dos serviços de diagnóstico e tratamento no estado.

Em Alagoas, considerando os critérios estabelecidos pelo Ministério da Saúde (MS), os quais se baseiam no tamanho da população e na carga da doença traduzida pela incidência e mortalidade, existem sete municípios considerados prioritários para as ações de controle da tuberculose: Maceió, Arapiraca, Rio Largo, São Miguel dos Campos, Palmeira dos Índios, Penedo e União dos Palmares. Os casos residentes nestes municípios correspondem, em média, a 61,0% dos casos notificados anualmente no estado.

83

90,6 90,7 90,2 91,2

78 80 82 84 86 88 90 92

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12

Dos casos novos diagnosticados em 2010, a maior proporção é de residentes na 1ª Região de Saúde (RS), seguido da 4ª, enquanto que o menor percentual é observado na 5ª RS (Figura 02).

Fonte: SINAN/DIVEP/SUVISA/SESAU. Dados sujeitos à revisão.

Figura 02 Proporção de casos com todas as formas de tuberculose, segundo Regiões de Saúde de residência. Alagoas, 2010.

Dos casos identificados em 2010, 86,0% apresentou a forma pulmonar, dos quais 61,9% eram bacilíferos. Diagnosticar e tratar pacientes portadores da forma pulmonar bacílifera é o principal objetivo a ser alcançado pela Vigilância Epidemiológica, uma vez que atuam como fonte de infecção para a doença. Nesse sentido, as 2ª e 5ª RS detêm os maiores percentuais de pacientes bacilíferos, enquanto que a menor proporção está na 1ª RS (Tabela 01).

Tabela 01 - Casos novos de tuberculose pulmonar bacilífera e não-bacilífera, dentre os casos diagnosticados, segundo Regiões de Saúde de residência. Alagoas, 2010.

Área Nº de Casos

Novos Pulmonar Formas Bacilífera

% %

1ª RS 700 611 87,3 351 57,4

2ª RS 149 130 87,2 100 76,9

3ª RS 71 63 88,7 40 63,5

4ª RS 172 146 84,9 89 61,0

5ª RS 67 57 85,1 38 66,7

Alagoas 1.159 997 86,0 618 62,0

Fonte: SINAN/DIVEP/SUVISA/SESAU. Dados sujeitos à revisão.

Para o diagnóstico adequado dos casos pulmonares e, consequentemente, a descoberta das fontes de infecção, o exame de escolha é a baciloscopia de escarro, sendo considerado prioritário pelo MS, sendo um exame de baixo custo e de fácil

1ª RS 61,4 2ª RS

12,8 3ª RS

6,1 4ª RS

14,8

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13

realização, possuindo limitação apenas na população infantil, devido à dificuldade da coleta do material biológico e a não necessidade de realização do exame nessa população, uma vez que crianças, normalmente, são paucibacilares, ou seja, não têm importância epidemiológica na cadeia de transmissão da doença.

Nesse contexto, apesar de uma maior oferta de serviços de saúde na 1ª RS, a mesma foi a que apresentou o maior percentual (40,0%) de exames não realizados (para a primeira e/ou a segunda amostra), dentre os casos diagnosticados, seguido pela 3ª RS, enquanto que a menor proporção (22,0%) foi observada na 4ª RS (Figura 03).

Fonte: SINAN/DIVEP/SUVISA/SESAU. Dados sujeitos à revisão.

Figura 03 - Casos de tuberculose pulmonar segundo realização de baciloscopia e Regiões de Saúde de residência. Alagoas, 2010.

Com o surgimento, em 1981, da síndrome da imunodeficiência adquirida (Aids), vem-se observando, em escala global, o crescente número de casos de tuberculose em pessoas infectadas pelo vírus da imunodeficiência humana (HIV). A associação HIV/TB constitui, nos dias atuais, um sério problema de saúde pública, podendo elevar a morbidade e mortalidade pela tuberculose em muitos países.

Dos casos de Aids em adulto (indivíduos acima de 12 anos de idade) diagnosticados em Alagoas durante o período de 2001 a 2009, em média, 17,0% já tem tuberculose no momento do diagnóstico de Aids.

60 67 65 78 67

40 33 35

22

33

0% 10% 20% 30% 40% 50% 60% 70% 80% 90% 100%

1° Região 2° Região 3° Região 4° Região 5° Região

P

er

ce

n

tu

al

(%)

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14

Desde a década de 1990, a realização do exame para HIV em todos os casos com diagnóstico de tuberculose está instituída por meio de protocolo do MS, entretanto a sua realização ainda está muito aquém do desejável. Em Alagoas, no ano de 2010, em apenas 57,8% dos casos diagnosticados houve a realização do exame, e a região de saúde, com o maior percentual de exames não realizados, foi a 2ª região com 48,2%.

Em 39,2% dos casos em que houve a solicitação para realização do exame, a informação quanto ao seu resultado não existe no Sistema Nacional de Agravos de Notificação (SINAN), inviabilizando a análise quanto ao percentual de positividade ao exame e, consequentemente, o conhecimento prévio dos casos de co-infecção HIV/TB.

Observando o comportamento quanto à ocorrência de tuberculose por sexo e idade, nota-se a predominância no sexo masculino em todos os grupos etários, principalmente em adultos com idades de 20 a 59 anos, sendo este o grupo que detém o maior número de casos, característica essa observada em todo o país.

Entre 2006 e 2010, o coeficiente de incidência por 100.000/hab. dos casos de tuberculose pulmonar bacilífera variou de (23,3)0/

0000 (2008) a (19,5)0/0000 (2010). A

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Fonte: SINAN/DIVEP/SUVISA/SESAU. Dados sujeitos à revisão.

Figura 04 Coeficiente de incidência da tuberculose pulmonar bacilífera em Alagoas, no período de 2006 a 2010, segundo Regiões de Saúde de residência.

Analisando o coeficiente de incidência de todas as formas de tuberculose em 2010 (Figura 05), Alagoas apresenta uma incidência de 370/0000 e segundo

município de residência, observa-se:

• Na 1ª RS, dos 27 municípios existentes, três não tiveram casos diagnosticados (Chã Preta, Paulo Jacinto e Paripueira). Os municípios que apresentaram uma maior incidência foram Satuba, Pilar e Maceió com 61,6, 57 e 56,30/

0000. E a menor incidência da região foi no município de Maragogi com

13,90/0000.

• Dos 15 municípios da 2ª RS, em dois não houve casos diagnosticados em 2010 (Feliz Deserto e São Brás). São Miguel dos Campos apresentou a maior com 71,40/

0000 e o menor coeficiente foi em Porto Real do Colégio com 5,10/0000.

• Na 3ª RS, dos 24 municípios, seis não apresentaram casos: Belo Monte,

Canapi, Jacaré dos Homens, Mata Grande, Olho D‟Água do Casado e Pariconha. O

maior coeficiente em 2010 foi observado no município de Batalha (40,90/

0000) e o

menor em Poço das Trincheiras (7,20/0000);

0,0 5,0 10,0 15,0 20,0 25,0 30,0 35,0

C

oe

f.

In

ci

d.

(1

00

.0

00

h

ab

)

1ª Região 28,3 26,4 28,0 29,8 24,7

2ª Região 25,1 30,8 28,1 22,5 22,3

3ª Região 15,3 14,7 15,8 11,6 14,2

4ª Região 17,5 15,1 14,2 13,6 10,0

5ª Região 29,5 18,5 25,0 16,5 17,7

ALAGOAS 24,0 22,6 23,3 22,2 19,5

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16

• Feira Grande foi o único município da 4ª RS que não registrou caso de tuberculose. A maior incidência foi no município de Jaramataia (53,90/

0000) e o menor

foi no município de Igaci (7,90/ 0000).

• Na 5ª RS, Campestre e Ibateguara não notificaram casos e os extremos de incidência foram observados nos municípios de Branquinha (56,60/

0000) e Colônia

de Leopoldina (14,90/0000).

Fonte: SINAN/DIVEP/SUVISA/SESAU. Dados sujeitos à revisão.

Figura 05 Coeficientes de incidência de todas as formas de tuberculose, segundo município de residência. Alagoas, 2010.

O tratamento para os casos novos de tuberculose é considerado eficaz por garantir a cura em praticamente 100% dos casos, o que torna possível seu controle, porém é necessário o desenvolvimento e monitoramento das atividades de forma sistemática. Considera-se que a doença está sob controle quando se consegue detectar, no mínimo, 70% dos casos estimados, atingir o mínimo de 85% de cura e manter a taxa de abandono ao tratamento abaixo de 5%, mantendo tal situação, pelo menos, durante cinco anos.

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componente relativo ao sistema de informação, com ênfase no acompanhamento e encerramento dos casos em tempo oportuno.

Além das capacitações promovidas, também vêm sendo realizadas reuniões de avaliação e planejamento, junto aos coordenadores do Programa Municipal de Tuberculose, a fim de realizar o monitoramento contínuo das ações, incluindo a maior regularidade de visitas de monitoramento por parte da coordenação estadual, junto aos municípios, na tentativa de melhorar a o fluxo e a oportunidade das informações.

A despeito das medidas implementadas, a 5ª RS ainda apresenta 23,8% dos casos sem informação, e apenas 57,1% dos seus casos foram encerrados por cura. A atualização dos casos sem informação é imprescindível, pois pode melhorar o percentual de cura, o qual se encontra muito abaixo do preconizado pelo MS (Figura 06).

Fonte: SINAN/DIVEP/SUVISA/SESAU. Dados sujeitos à revisão.

Figura 06 Distribuição proporcional de municípios segundo avaliação de casos de tuberculose pulmonar bacilífera, por Região de Saúde de residência. Alagoas, 2010.

O encerramento de casos no sistema de informação é um indicador operacional, e depende exclusivamente da atuação da vigilância epidemiológica local, exigindo acompanhamento sistemático do SINAN, devendo ser considerado uma prioridade por parte dos gestores municipais de saúde.

O alcance das metas de descoberta, tratamento e garantia da cura depende de vários fatores e comprometimento de todos os envolvidos. O percentual de abandono ao tratamento no estado (6,9%) ainda não se encontra dentro do tolerável

0 10 20 30 40 50 60 70 80 90

1ª Região 2ª Região 3ª Região 4ª Região 5ª Região Alagoas

%

(18)

18

(<5%). Um total de 13 municípios apresentaram em 2010, taxa de abandono acima de 10%.

Analisando o percentual de cura de acordo com o recomendado pela Organização Mundial da Saúde (OMS) (≥85%), apenas 32 (31,4%) municípios

alcançaram o índice preconizado em 2010.

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19

11.2 SITUAÇÃO DA HANSENÍASE EM ALAGOAS

A hanseníase é uma doença infectocontagiosa crônica de grande importância para a saúde pública devido à sua magnitude e seu alto poder incapacitante.

O controle da hanseníase é baseado no diagnóstico precoce dos casos, seu tratamento e cura, visando eliminar fontes de infecção e evitar sequelas neurológicas.

A hanseníase é endêmica no Brasil, sendo registrados anualmente, em média, cerca de 47.000 novos casos, dos quais 23,3% com graus de incapacidade I e II. Esta situação afeta a vida de milhares de pessoas devido ao comprometimento dos mecanismos de defesa, como a capacidade de sentir dor, a visão e o tato, tornando-as mais vulneráveis, por exemplo, a acidentes, queimaduras, feridas, infecções e amputações (MS, 2008).

Em Alagoas no ano de 2010, foram diagnosticados 383 casos novos em 59 municípios, correspondendo a um coeficiente de detecção geral de 12,27/100.000 hab., o qual vem decaindo entre 2006 e 2010, porém considerado ainda alto, segundo os parâmetros nacionais. Dos casos novos detectados em 2010, 29 (7,6%) eram em indivíduos menores de 14 anos.

Analisando a ocorrência por Região de Saúde (RS), observa-se no período de 2007 a 2009 que a 3ª região vem apresentando alto coeficiente de detecção, isto é, acima de 10,00/100.000 hab., enquanto a 4ª região vem apresentando o menor coeficiente nos últimos três anos analisados (2008-2010) (Figura 01).

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20 Fonte: SINAN/DIVEP/SUVISA/SESAU.

*Dados sujeitos à revisão.

Figura 01 Coeficiente Geral de detecção de hanseníase em Alagoas, no período de 2006 a 2010.

Analisando-se o coeficiente de detecção em menores de 15 anos – que é o principal indicador epidemiológico de controle da hanseníase, por expressar a força de transmissão recente e a tendência da doença, observa-se que a 5ª RS foi a que apresentou o melhor índice de detecção, exceto no ano de 2008. A 3ª região vem apresentando um baixo índice de detecção, situação que demonstra a fragilidade da vigilância em detectar a doença em menores de 15 anos (Figura 02).

Fonte: SINAN/DIVEP/SUVISA/SESAU. *Dados sujeitos à revisão.

Figura 02 Coeficiente de detecção de hanseníase em menores de 15 anos. Alagoas, 2006 a 2010.

0 5 10 15 20 25

2006 2007 2008 2009 2010

C o ef . p o r 10 0. 00 0 h ab .

1ª Região 2ª Região 3ª Região 4ª Região 5ª Região

0 1 2 3 4 5 6 7

2006 2007 2008 2009 2010

C o ef . p o r 10 0. 00 0 h ab .

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21 PROPORÇÃO DE CURA

Para alcançar um impacto na endemia é necessário diagnosticar todos os casos e curar pelo menos 90% destes. Assim, a proporção de cura de casos novos é um indicador que avalia a efetividade do tratamento sendo o indicador selecionado no Pacto pela Saúde para monitorar as ações relativas à hanseníase.

A meta pactuada pelo estado para o ano de 2010 foi de 85% de cura e o resultado em 2010 foi de 81,1%. Essa taxa varia entre os municípios. Dos 102 municípios apenas 60 informaram dados de cura. Destes, 41 municípios (69%) atingiram cura acima de 90%, 11 municípios (18%) atingiram cura entre 75% a 89% e 8 municípios (13%) estão com percentuais abaixo de 75%, sendo este último, considerado precário pelos parâmetros nacionais.

Os dados da figura 3 revelam que, apenas 47 municípios alcançaram à meta pactuada pelo estado de 85% de cura em 2010, enquanto 26 não alcançaram, até o momento. Há casos a serem encerrados no período avaliado, o que pode proporcionar uma melhoria do indicador e da situação dos municípios.

Fonte: SINAN/DIVEP/SUVISA/SESAU.

*Dados sujeitos à revisão.

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22 EXAME DE CONTATOS

As pessoas com maior risco de adoecer são as que residem ou residiram nos últimos cinco anos na mesma residência de indivíduos considerados casos, ou seja, são os contatos intradomiciliares. Portanto, uma das formas de detectar casos de hanseníase é através da realização de exame de todos os contatos intradomiciliares. A meta pactuada para o estado em 2010 foi de examinar, no mínimo, 60% dos contatos intradomiciliares dos casos diagnosticados. Verificando o alcance dessa meta observamos que de 42 municípios avaliados com número de contatos registrados/examinados, apenas 25 municípios atingiram a meta acima de 60% da meta pactuada.

Analisando a proporção de contatos intradomiciliares examinados segundo Região de Saúde de residência, observa-se que as 1ª e 2ª RS apresentaram aumentos nas proporções até 2008, decrescendo nos anos seguintes (Figura 04). A 4ª e 5ª região tem apresentado decréscimo quanto ao exame de contatos (2008 a 2010), Figura 4. Em geral, as RS não conseguem atingir esse indicador de extrema importância para a detecção de casos.

Fonte: SINAN/DIVEP/SUVISA/SESAU. Dados sujeitos à revisão.

Figura 04 – Proporção de casos novos de hanseníase com contatos intradomiciliares examinados, segundo Região de Saúde de residência. Alagoas, 2006 a 2010.

0 10 20 30 40 50 60 70 80 90 100

2006 2007 2008 2009 2010

%

E

X

A

M

IN

A

D

O

S

(23)

23

AVALIAÇÃO DO GRAU DE INCAPACIDADE NA NOTIFICAÇÃO E NA ALTA POR CURA

Devido ao alto potencial incapacitante da doença, todos os casos devem ter o grau de incapacidade física avaliados por ocasião da notificação e da alta por cura.

Para o monitoramento da ação de avaliação do grau de incapacidade física, a meta proposta pelo estado para o ano 2010, foi de 90% no diagnóstico e 75% na alta por cura. Apenas 84,9% dos casos novos diagnosticados e 65,4% dos que receberam alta por cura tiveram o grau de incapacidade física avaliados, sendo este último percentual considerado precário segundo os parâmetros nacionais.

Quando observada a avaliação do grau de incapacidade física no diagnóstico, segundo as Regiões de Saúde, destacam-se, em 2010, as 3ª, 4ª e 5ª RS por apresentarem percentuais acima de 90%, conforme preconizado (Figura 05).

Fonte: SINAN/DIVEP/SUVISA/SESAU. Dados sujeitos à revisão.

Figura 05 Proporção de casos novos de hanseníase com grau de incapacidade física avaliado no diagnóstico, segundo Região de Saúde de residência. Alagoas, 2006 a 2010.

Comparando a proporção de casos curados de hanseníase com a proporção de casos com grau de incapacidade física avaliado por ocasião da alta por cura,

78 88 85 88 93

91 93 88 94 91

86 81 82 98 89

83 87 83 90 87

81 76 93 95 92

0% 10% 20% 30% 40% 50% 60% 70% 80% 90% 100%

2006 2007 2008 2009 2010

(24)

24

pode-se observar que esse índice vem apresentando curva ascendente no período de 2006 a 2010 na maioria das regiões mostrando uma melhora expressiva nessa avaliação (Figura 06).

Fonte: SINAN/DIVEP/SUVISA/SESAU. Dados sujeitos à revisão.

Figura 06 Proporção de casos curados de hanseníase com grau de incapacidade física avaliado na alta por cura, segundo Região de Saúde de residência. Alagoas, 2006 a 2010.

REFERÊNCIAS

Datasus. Departamento de Informação do Sus- 2010. Acesso em 25/05/2011.

Ministério da Saúde. Cadernos de Atenção Básica nº21. Vigilância em Saúde 2ª ed. Revisada. Brasília/DF, 2008.

Ministério da Saúde. Guia de Vigilância Epidemiológica. 7ª ed.Brasília/ DF, 2010.

SINAN, Sistema de Informação de Agravos de Notificação, 2010.

0 20 40 60 80 100

1ª Região 2ª Região 3ª Região 4ª Região 5ª Região

1ª Região 48 57 67 72 58

2ª Região 46 62 65 61 67

3ª Região 72 55 80 71 77

4ª Região 76 52 90 92 81

5ª Região 10 12 17 46 48

(25)

25

13.3 SITUAÇÃO DAS HEPATITES VIRAIS EM ALAGOAS

Dentre as doenças endêmico-epidêmicas notificadas no Brasil destacam-se as hepatites virais, cujo comportamento epidemiológico tem sofrido grandes mudanças nos últimos anos, o que elevou o número de notificações de casos suspeitos.

As hepatites são doenças provocadas por tipos de vírus que tem tropismo pelo fígado, age de forma silenciosa com distintas características epidemiológicas, de evolução clínica, imunológicas e laboratoriais. A distribuição das diversas formas de hepatite é heterogênea em todo mundo.

Segundo Brasil (2005), para fins de vigilância epidemiológica, as hepatites podem ser agrupadas, de acordo com a maneira preferencial de transmissão, em fecal-oral (vírus A e E) e parenteral (vírus B,C,D); e são pelo menos sete os tipos de vírus que já foram caracterizados: A, B, C, D, E, G e T. Os vírus A, B, e C são os responsáveis pela grande maioria das formas agudas da infecção. Entretanto, a despeito do crescente uso de técnicas laboratoriais cada vez mais sensíveis, cerca de 5% a 20% das hepatites agudas permanecem sem definição etiológica e, nas hepatites fulminantes, essa porcentagem torna-se ainda maior.

A distribuição de casos de hepatites virais no Estado de Alagoas no período de 2006 a 2010 foi de 56,7% de hepatite A, 33,3% para hepatite B e 9,97% para hepatite C (Figura 01).

Fonte: SINAN/DIVEP/SESAU * Dados sujeitos a revisão

Figura 01 - Proporção de casos de hepatites virais no período de 2006-2010* em Alagoas

56,70%

33,30%

9,97%

0,00% 10,00% 20,00% 30,00% 40,00% 50,00% 60,00%

(26)

26

O vírus A é a causa mais freqüente de hepatite viral aguda no mundo. Conforme estimativa da Organização Pan-Americana de Saúde anualmente ocorre no Brasil cerca de 130 novos casos por 100.000 habitantes, e o país é considerado área de risco para a doença. A análise da prevalência dos diversos tipos de hepatite no Brasil, em 2000, mostrou que o vírus A continua sendo o principal causador da doença, representando 43% dos casos registrados de 1996 a 2000 [...] (BRASIL, 2003).

[...] “A principal via de contágio é a fecal-oral por veiculação hídrica e de alimentos contaminados, contribuindo para isto a estabilidade do VHA no meio ambiente e a grande quantidade do vírus presente nas fezes dos indivíduos infectados. O contato entre familiares, a falta de hábitos de higiene, a manipulação de alimentos por pessoas infectadas, propiciam a disseminação do vírus. Nas áreas de elevada endemicidade, a infecção atinge mais frequentemente crianças e adolescentes, a maioria assintomática ou com sintomatologia leve, caracterizando-a

como a mais frequente hepatite viral aguda no mundo”(BRASIL, 2009)

No Estado de Alagoas, a maior ocorrência de casos está na 1ª região de saúde (nos cinco anos analisados) onde está localizada a capital do estado, apresentando assim uma maior concentração populacional (Figura 02).

Fonte: SINAN/DIVEP/SESAU *Dados sujeitos a revisão

Figura 02 - Casos de Hepatite A por Região de Saúde no período de 2006-2010* em Alagoas

0% 10% 20% 30% 40% 50% 60% 70% 80% 90% 100%

2006 2007 2008 2009 2010

(27)

27

Muitos relatos, de diferentes países, mostram que a melhoria nas condições de saneamento básico numa determinada população reduz a ocorrência da doença. Em particular a disponibilidade de água tratada nos domicílios é uma medida eficaz para o seu controle. Com essas melhorias, os indivíduos passam a entrar em contato com o VHA em idades mais avançadas, quando, ironicamente, há aumento das formas ictéricas de hepatite e, inclusive, o aparecimento mais freqüente de complicações.

Nas figuras 03, 04, 05, 06 e 07 observam-se municípios que não notificaram casos e permanecem silenciosos ao longo desses cinco anos.

(28)
(29)

29

(30)

30

portador e constitui um elo importante na cadeia de transmissão do HBV (BRASIL, 2003).

Sabe-se hoje que o VHB circula em altas concentrações no sangue e em títulos baixos nos outros fluidos orgânicos, e que é aproximadamente 100 vezes mais infectante do que o HIV e 10 vezes mais do que o VHC (CDC, 2003).

No Estado, as regiões que apresentaram maior proporção de casos de hepatite B foram a 1ª região seguida da 4ª onde estão os municípios de Maceió e Arapiraca, respectivamente (figura 08).

As medidas de prevenção, a eficácia na triagem sorológica em bancos de sangue e a imunização passiva oferecida pelo Ministério da Saúde no Brasil têm propiciado uma diminuição gradativa da incidência de hepatite B e de outras doenças de transmissão parenteral.

A hepatite C geralmente é assintomática e considerada por muitos a doença infecciosa crônica mais importante em todo o mundo. Calcula-se que existam em torno de 170 milhões de infectados no mundo, com 3 a 4 milhões de portadores crônicos no Brasil.

(31)

31

Por se tratar de uma doença que na maioria das vezes só é detectada na fase crônica, o número de casos de hepatite C, é inferior em relação à hepatite A e B e a grande maioria dos casos estão concentrados no município de Maceió, certamente pela localização das Unidades de Referência (Hospital Universitário e Hospital Escola Dr. Hélvio Auto) estar localizadas na capital (figura 09).

Fonte: SINAN/DIVEP/SESAU *Dados sujeitos a revisão

Figura 09 - Hepatite C, percentual de casos confirmados da 1ª Região de Saúde do estado de Alagoas em relação às outras regiões no período de 2006-2010*.

Na figura 10, observa-se no estado de Alagoas que a taxa de incidência para hepatite A apresentou uma tendência de crescimento entre os anos de 2006 e 2008 (R² = 0,9861), já entre 2008 e 2010, verifica-se uma tendência de queda (R² = 0,9996).

*Dados sujeitos a revisão devido ao período de 180 dias para encerramento dos casos Fonte: SINAN/DIVEP/SESAU

Figura 10 - Incidência de hepatite A no período de 2006-2010* em Alagoas.

91%

86,20%

94,60%

98,10%

90,90%

80% 82% 84% 86% 88% 90% 92% 94% 96% 98% 100%

(32)

32

Analisando as Regiões do Brasil, na série histórica de 1999 a 2009 a região nordeste apresentou o maior número de casos confirmados com 38.429 (31%) seguida pelas Regiões Norte (28.110 casos), Sul (22.199 casos), Sudeste (19.882 casos) e Centro-Oeste (15.976 casos). Quanto às taxas de incidência, observou-se crescimento no país de 1999 a 2005. Neste último ano, a taxa observada foi de 11,9 por 100 mil habitantes, caindo, em 2009, para 5,4. As Regiões Norte e Centro-Oeste apresentaram as maiores taxas em 2009, sendo 16,5 e 10,1, respectivamente (BRASIL, 2010).

Com exceção do ano de 2009, onde se observou um aumento da incidência em mais de 100% em relação ao ano de 2008, verifica-se que nos demais anos avaliados, esta taxa não apresentou tendência de incremento nem de queda (Figura 11).

Fonte: SINAN/DIVEP/SESAU

*Dados sujeitos a revisão devido ao período de 180 dias

Figura 11 - Incidência de hepatite B no período de 2006-2010* em Alagoas

Observa-se um aumento no número de casos confirmados no país no decorrer dos anos passando de 473, em 1999, para 14.601, em 2009, resultando em um total de 96.044 casos da doença no país. Desse total, 67,3% (64.634) ocorreram nas Regiões Sudeste e Sul. Esta última se manteve de 2002 a 2008, as maiores taxas de detecção variando entre 8,4 e 15,6 casos por 100 mil habitantes. No ano de 2009, a taxa observada no país foi de 7,6, representando cinco vezes mais do que a taxa registrada no ano de 2001 (BRASIL, 2010).

No período de 1999 a 2009 foram confirmados no Brasil 60.908 casos de hepatite C e a taxa de detecção observada em 2009 foi de 5,1 casos por 100 mil

4,5

5,7

5,2

10,8

4,5

0 2 4 6 8 10 12

2006 2007 2008 2009 2010

In

ci

d

ên

ci

a

(1

00

m

il

h

ab

(33)

33

habitantes. A taxa de detecção dos casos confirmados apresentou pouca variação nos últimos três anos para o país. A Região Sudeste apresentou o maior número de casos (6.620) e a maior taxa de detecção (8,2), em 2009. Dos estados brasileiros, o Acre exibe a maior taxa em 2009: 22,7 casos por 100 mil habitantes. (BRASIL, 2010).

Observa-se no estado de Alagoas que a hepatite C apresenta a menor taxa de incidência quando comparada com as hepatites A e B. Por tratar-se de doença que apresenta uma tendência de cronificação (aproximadamente 80% dos casos), sua detecção ocorre, muitas vezes, durante sua fase crônica, podendo assim subestimar a incidência do agravo no estado. Assim como ocorreu com a hepatite B, a incidência da hepatite C apresentou sua maior incidência no ano de 2009 (3,39/100 mil hab.) (Figura 12).

Fonte: SINAN/DIVEP/SESAU

*Dados sujeitos a revisão devido ao período de 180 dias para encerramento

Figura 12 - Incidência de hepatite C no período de 2006-2010* em Alagoas

Considerando os casos de hepatite ocorridos no período, independente do tipo de vírus avaliado, observa-se que a maior frequência dos casos ocorre entre os indivíduos do sexo masculino (Figuras 13, 14 e 15). Quando são analisados separadamente os tipos de hepatite (A, B e C) segundo sexo e anos do período avaliado, verifica-se que em todos os anos, tanto os casos de hepatite A quanto de hepatite B ocorreram proporcionalmente mais casos entre os homens (Figuras 18 e 19). Considerando os casos de hepatite C identificados, somente em 2008 observa-se uma maior frequência entre os indivíduos do observa-sexo feminino.

1,63

0,94

1,82

3,39

1,41

0 0,5 1 1,5 2 2,5 3 3,5 4

2006 2007 2008 2009 2010

In

ci

d

ên

ci

a

(1

00

m

il

h

ab

(34)

34

Fonte: SINAN/DIVEP/SESAU

Dados sujeitos a revisão devido ao período de 180 dias para encerramento dos casos

Figura 13 - Casos confirmados de hepatite A, segundo sexo e ano, no período de 2006-2010 em Alagoas.

Fonte: SINAN/DIVEP/SESAU

Dados sujeitos a revisão devido ao período de 180 dias para encerramento dos casos

Figura 14 - Casos confirmados de hepatite B segundo sexo e ano, no período de 2006-2010 em Alagoas.

Fonte: SINAN/DIVEP/SESAU

Dados sujeitos a revisão devido ao período de 180 dias para encerramento dos casos

Figura 15 - Casos confirmados de hepatite C segundo sexo e ano, no período de 2006-2010 em Alagoas.

2006 2007 2008 2009 2010 TOTAL

FEM 48,01 46,62 41,77 40,65 47,44 44,91

MASC 51,99 53,38 58,23 59,35 52,56 55,09

0% 20% 40% 60% 80% 100%

FR

EQU

ÊN

C

IA

2006 2007 2008 2009 2010 TOTAL

FEM 42,67 49,55 48,48 45,87 44,03 46,94

MASC 57,33 50,45 51,52 54,13 55,97 53,06

0% 20% 40% 60% 80% 100%

FR

EQU

ÊN

C

IA

2006 2007 2008 2009 2010 TOTAL

FEM 30,00 50,00 51,85 33,33 44,44 42,75

MASC 70,00 50,00 48,15 66,67 55,56 57,25

0% 20% 40% 60% 80% 100%

FR

EQU

ÊN

C

(35)

35 REFERÊNCIAS

BRASIL. Ministério da Saúde - Boletim Epidemiológico –Hepatites Virais.Secretaria de Vigilância em Saúde - Departamento de DST, Aids e Hepatites Virais.Ano I-nº1.Brasília-DF.

BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde. Departamento de Atenção Básica. HIV/Aids, hepatites e outras DST / Ministério da Saúde, Secretaria de Atenção à Saúde, Departamento de Atenção Básica. – Brasília: Ministério da Saúde, 2006.

_______Composição da população segundo distribuição espacial, sexo e idade. Belo Horizonte: Cedeplar/UFMG, 2002. 44p. Disponível em: <http://

(36)

36 11.4 SITUAÇÃO DA AIDS EM ALAGOAS

A epidemia da aids no Brasil iniciou-se nos primeiros anos da década de 80. No principio restrita às grandes metrópoles nacionais, atingindo prioritariamente homens com prática homossexual e indivíduos hemofílicos, dissemina-se para usuários de drogas injetáveis e posteriormente para heterossexuais, num processo conhecido como de heterossexualização, feminização e interiorização (BRITO; CASTILHO; SZWARCWALD, 2001).

No Brasil, estima-se que 630 mil pessoas viviam com HIV/aids em 2006 (BRASIL, 2010). Dados do último estudo sentinela parturiente -2006 mostrou que as prevalências de infecção pelo HIV no Brasil se apresentavam da seguinte maneira: 0,6% na população de 15 a 49 anos de idade (0,4% nas mulheres e 0,8% nos homens), sendo 0,28% em mulheres jovens de 15 a 24 anos ( Landmann et al, 2008). Outros estudos realizados ou financiados pelo Ministério da Saúde demonstraram que as prevalências são mais elevadas em populações vulneráveis, destacando-se entre usuários de drogas ilícitas (5,9%), homens que fazem sexo com homens (10,5%) e mulheres profissionais do sexo (5,1%). (BRASIL, 2010)

Considerando esses estudos e de acordo com os parâmetros da Organização Mundial da Saúde (OMS), no Brasil a epidemia é considerada concentrada porque apresenta taxa de prevalência da infecção pelo HIV menor que 1% entre as gestantes residentes em áreas urbanas e maior que 5% em subgrupos populacionais sob maior risco de infecção pelo HIV (BRASIL, 2002).

A garantia do acesso universal e gratuito aos medicamentos antirretrovirais e as ações de prevenção podem ser citadas como importantes estratégias para conter a epidemia no país (DOURADO, 2006). As taxas de mortalidade tem sido um dos indicadores mais utilizados para medir o impacto de tais ações (BRASIL, 2008). Essa taxa no Brasil apresenta estabilização desde 2004 até 2009 em torno de 6,2 óbitos por 100.000 habitantes (BRASIL, 2010).

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37

prioridades do Pacto pela Vida na redução da mortalidade materno-infantil. Nesse contexto o Ministério da Saúde lançou o Plano para a Redução da Transmissão Vertical do HIV e Sífilis, com metas pactuadas entre estados e municípios através da Programação das Ações de Vigilância em Saúde (PAVS). O principal indicador de monitoramento para o plano é a taxa de incidência em menores de cinco anos de idade (BRASIL, 2010).

Em Alagoas os primeiros casos de aids foram registrados no ano de 1986. O estado tem apresentado a mesma tendência do país com diminuição da razão de sexo Masculino/Feminino: 10:1 em 1988 para 2:1 no ano de 2008 e; expansão da epidemia para o interior do estado: 1986 a 1990, apenas 13 municípios notificaram 90 casos de aids em adulto representando 13% dos municípios do estado e em 2008 - 88 municípios do estado apresentaram pelo menos um caso de Aids, representando 86% dos municípios do estado (ALAGOAS, 2010).

Na mortalidade observa-se também uma tendência de crescimento da taxa de mortalidade por aids, a partir do ano de 2001, com taxas superiores a 2,0 óbitos/100.000 hab. exceção dos anos 2004 e 2006, que apresentaram, respectivamente, 1,7 e 1,8 óbitos/100.000 hab.

Este estudo tem o propósito de apresentar uma análise da situação da aids em Alagoas por regiões de saúde no período de 2006 a 2010.

METODOLOGIA

Estudo observacional, transversal a partir da análise de dados secundários do Sistema de Informação de Agravos de Notificação (SINAN), Sistema de Informação sobre Mortalidade (SIM) e dados populacionais do IBGE adquiridos no portal do DATASUS.

(38)

38

de casos de aids segundo categoria de exposição e coeficiente de mortalidade por aids(100.000 hab.).

A definição de caso de aids utilizada neste estudo foi a padronizada pelo Ministério da Saúde, que subdivide os casos em 2 categorias : aids com 13 anos ou mais (adulto) e aids em menores de 13 anos (criança), tendo os seguintes critérios para o caso em adulto:

Critério CDC adaptado - evidencia laboratorial do HIV e diagnóstico de pelo menos uma doença indicativa de aids e/ou contagem de linfócitos T CD4+ < 350 células/mm3.

Critério Rio de Janeiro/Caracas - evidencia laboratorial do HIV e somatório de, pelo menos, 10 pontos, de acordo com uma escala de sinais, sintomas ou doenças.

Critério excepcional óbito - menção de aids (ou (ou termos equivalentes) em algum campo da Declaração de Óbito + Investigação epidemiológica inconclusiva ou menção de infecção pelo HIV (ou termos equivalentes) em algum campo da Declaração de Óbito, além de doença associada à infecção pelo HIV + Investigação epidemiológica inconclusiva

Para o caso de aids em criança os critérios são os seguintes:

Critério CDC adaptado - evidência laboratorial da infecção pelo HIV em crianças, para fins de vigilância epidemiológica + evidência de imunodeficiência (diagnóstico de pelo menos 2 doenças indicativas de aids de caráter leve e/ou diagnóstico de pelo menos 1 doença indicativa de aids de caráter moderado ou grave e/ou contagem de linfócitos T CD4+ menor do que o esperado para a idade atual.

Critério excepcional óbito - menção de aids (ou termos equivalentes) em algum dos campos da Declaração de Óbito + Investigação epidemiológica inconclusiva ou menção de infecção pelo HIV (ou termos equivalentes) em algum dos campos da Declaração de Óbito, além de doença associada à infecção pelo HIV + investigação epidemiológica inconclusiva

(39)

39

Fonte: SINAN/SES/AL. Dados tabulados em 14/06/2011

Figura 01– Frequencia relativa e absoluta de casos de aids por sexo, Alagoas, periodo 2006 a 2010.

O total de casos diagnosticados e residentes no estado no período 2006 a 2010 foi de 1399 casos, distribuídos em 76 municípios. Apesar de ter sido observada a mesma característica da interiorização já evidenciada no Brasil, observa-se que a concentração dos casos é maior na 1ª RS (1.092 casos; 78%), sendo 920 residentes em Maceió seguido da 4ª RS (101 casos; 7,2%). A 3ª RS apresentou o menor número de casos diagnosticados (47 casos; 3,4%) (Figura 02).

Fonte: SINAN/SES/AL. Dados tabulados em 14/06/2011

Figura 02– Distribuição dos casos de segundo municípios e região de residência, Alagoas, 2006-2010.

Masculino (889; 64%) Feminino

(40)

40

Analisando a taxa de detecção e mortalidade da aids no estado e regiões de saúde (Figura 03), Observou- se que:

A 1a RS apresentou a maior taxa de detecção no estado durante todo o período e a 3a RS a menor. A maior taxa foi no ano de 2008 (1a RS = 18, 2 casos por 100 mil hab.) e a menor em 2006 ( 3a RS = 1,4 por 100 mil hab.). Na taxa de detecção nesse período não se identificou um incremento ou

decremento bem justificado pelo modelo de regressão linear, considerando o baixo coeficiente de determinação apresentado no estado e na maioria das regiões, exceção da 3a RS que apresentou R2 igual a 0,61, podendo nessa

região ser considerado um ajuste razoável.

Na taxa de mortalidade específica por aids no comparativo entre regiões, a 1a

RS também manteve a primeira posição durante todo o período. A 3a RS também apresentou a menor taxa de mortalidade, com exceção do ano de 2008 (1,2 por 100 mil hab.), onde essa taxa foi maior que a 2a (0,5 por 100 mil hab.) e 4a RS (1,1 por 100 mil hab.).

Na aplicação do modelo de regressão linear para a mortalidade, observou-se tendência de incremento com alto coeficiente de determinação no estado e 1a RS (R2= 0,98) e 4a RS (R2= 0,88), no entanto na 3a RS esse coeficiente

apresentou ajuste razoável (R2= 0,51) e, nas outras regiões ( 2a e 5a RS) o

(41)

41

ALAGOAS 1ª RS

2ª RS 3ª RS

4ªRS 5ª RS

Fonte: Sinan/SIM/SES/AL e IBGE.

Figura 03 - Taxa de detecção e mortalidade (100.000 hab.) de aids e tendência, Alagoas e regiões de saúde, 2006 a 2010.

Examinando os casos de aids em menores de cinco anos, verificado que no período de 2006 a 2010 foram notificados 32 casos nessa faixa etária. A maior taxa de detecção observada foi em 2010, as 1ª e 2ª RS sobressaíram-se com respectivamente 5,1 e 7,8 casos por 100 mil hab. Nas outras regiões a detecção nessa faixa etária foi dispersa ao longo do período (Tabela 01). No estado

observou-R² = 0,288

R² = 0,883

0 2 4 6 8 10 12 14 16 18 20

2006 2007 2008 2009 2010

Ta

xa

(

1

0

0

.0

0

0

h

ab

.)

(42)

42

se um crescimento dessa taxa do início para o final do período, sofrendo uma variação de 450% do ano de 2006 para 2010.

Tabela 01– Taxa de incidência (100.000 hab.) de aids em menores de 5 anos, segundo região de saúde e estado, Alagoas, ano de diagnóstico de 2006 a 2010.

Região e estado 2006 2007 2008 2009 2010

1ª RS - 2,6 2,6 3,3 5,1

2ª RS - 4,1 2 - 7,8

3ª RS - - 1,8 - -

4ª RS 2,8 - 1,4 - -

5ª RS - 3,7 - - -

ALAGOAS 0,6 1,9 1,9 1,4 3,3

Fonte: SINAN/DIVEP/SESAU. Dados tabulados em 14/06/2011.

Na análise dos casos de aids em adulto constatado que nesse período proporcionalmente ocorreram mais casos no sexo masculino (869 casos; 64%) do que feminino (486 casos; 36%). A razão de sexos permaneceu com certa

estabilidade no período (≈2:1).

(43)

43

Tabela 02 – Casos de aids em adulto segundo Sexo e Razão de sexo, Alagoas e regiões, 2006 a 2010.

Região e estado Sexo 2006 2007 2008 2009 2010

1ª Região Masculino 116 125 163 144 141

Feminino 52 71 93 99 59

Total 168 196 256 243 200

Razão 2,2 1,8 1,8 1,5 2,4

2ª Região Masculino 10 14 9 8 9

Feminino 7 5 7 3 8

Total 17 19 16 11 17

Razão 1,4 2,8 1,3 2,7 1,1

3ª Região Masculino 5 4 7 7 8

Feminino 1 3 2 5 2

Total 6 7 9 12 10

Razão 5 1,3 3,5 1,4 4

4ª Região Masculino 8 10 13 19 11

Feminino 6 8 8 7 6

Total 14 18 21 26 17

Razão 1,3 1,3 1,6 2,7 1,8

5ª Região Masculino 12 6 7 6 7

Feminino 4 6 7 8 9

Total 16 12 14 14 16

Razão 3 1 1 0,8 0,8

Alagoas Masculino 151 159 199 184 176

Feminino 70 93 117 122 84

Total 221 252 316 306 260

Razão 2,2 1,7 1,7 1,5 2,1

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44

Fonte: SINAN/SES-AL.Dados tabulados em 14/06/2011.

Figura 04 - Casos de aids em adulto segundo categoria de exposição, região de saúde e estado no período 2006 a 2010, Alagoas.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

Alguns dos grandes problemas enfrentados na vigilância da aids são o atraso na notificação, sendo muitas vezes superior a cinco anos após o diagnóstico e a subnotificação de casos, constatado em vários estudos nacionais entre outros Barbosa e Struchiner (1998) e Lemos e Valente (2001). Esta situação não é diferente da encontrada no estado de Alagoas, quando se verificou que na análise da situação de saúde do estado (ALAGOAS, 2010), o número de casos de aids em adultos no ano de 2008 era 298 casos e, na base de dados utilizada para esse estudo o número de casos no mesmo ano é de 318 (incremento de 7%). Essas são possíveis explicações para a oscilação da tendência não se conseguindo uma boa definição do padrão da epidemia em tempos recentes.

Observou-se que apesar da aids no estado ter se interiorizado, a análise da taxa de detecção demonstrou que o risco de aids na capital e 1ª RS é bastante superior as outras regiões. Comparando com os dados do Brasil, no ano de 2008, o

1ª Região 2ª Região 3ª Região 4ª Região 5ª Região Alagoas

Usuário de Drogas Injetaveis 26 0 0 1 3 30

Perinatal 0 0 1 0 0 1

Ignorado 205 14 8 15 11 253

Hemofílico 1 0 0 0 0 1

Bissexual 72 4 3 1 4 84

Homossexual 131 8 6 8 6 159

Heterossexual 627 53 27 71 49 827

(45)

45

estado apresentou taxa de detecção inferior a do país e próximo de outros estados do nordeste (Bahia e Paraíba). A 1ª RS apresentou nesse ano, taxa semelhante a do Brasil (BRASIL, 2010).

A evolução da taxa de mortalidade demonstrou incremento bem justificado pelo coeficiente de determinação no estado e em duas regiões (1a RS e 4a RS),

situação que pode está refletindo dificuldade de acesso ao diagnóstico e assistência adequada também já identificada em estudos sobre subrregistro de mortalidade de aids na região metropolitana do estado (CIRÍACO, 2010).

Mesmo considerando o atraso de notificação, a taxa de incidência em menores de 5 anos já demonstra crescimento como nos outros estados do Nordeste (BRASIL, 2009), o que aponta para a necessidade de implementação do plano de redução da transmissão vertical com aumento da cobertura de exames para HIV no ciclo gravídico-puerperal e garantia das ações de profilaxia em tempo oportuno.

No estado e 1ª RS a razão de sexo comprovou a feminilização da epidemia também já bem definida em diversos estudos nacionais da ultima década, a análise dessa razão por ano nas outras regiões do estado ficou prejudicada pela pouca robustez dos dados.

Analisando a categoria de exposição nos casos de aids em adulto, mesmo considerando o percentual de casos sem informação, a maio proporção de casos foi na categoria heterossexual em todas as regiões e no estado.

(46)

46 REFERÊNCIAS

ALAGOAS. Secretaria Executiva de Saúde. Saúde Alagoas 2009: uma análise da

situação de Saúde. Maceió, 2010.

BARBOSA, Maria Tereza S.; STRUCHINER, Claudio José. Estimativas do número de casos de aids no Brasil, corrigidas pelo atraso de notificação. Rev. bras. epidemiol., São Paulo, v. 1, n. 3, dez. 1998 .

BRITO, A.N.; CASTILHO, E. A.; SZWARCWALD, C.L. Aids e infecção pelo HIV no Brasil: uma epidemia multifacetada. Revista da Sociedade Brasileira de Medicina Tropical, v. 34, p. 207-17, 2001.

BRASIL. Secretaria de Vigilância em Saúde. Departamento de DST, Aids e

Hepatites Virais. Metas e Compromissos assumidos pelos Estados-Membros na

Sessão Especial da Assembléia Geral das Nações Unidas sobre HIV/Aids

UNGASS HIV/Aids: Resposta Brasileira 2008-2009: Relatório de Progresso do

País. Brasília, DF, 2010.

BRASIL. Secretaria de Vigilância em Saúde. Departamento de DST, Aids e

Hepatites Virais. Vigilância do HIV no Brasil: novas diretrizes. Brasília, DF, 2002.

BRASIL. Secretaria de Vigilância em Saúde. Departamento de DST, Aids e Hepatites Virais. Metas e Compromissos assumidos pelos Estados-Membros na Sessão Especial da Assembléia Geral das Nações Unidas sobre HIV/Aids

UNGASS HIV/Aids: Resposta Brasileira 2005-2007: Relatório de Progresso do

País. Brasília, DF. 2008.

BRASIL. Secretaria de Vigilância em Saúde. Departamento de DST, Aids e Hepatites Virais. Nota técnica. Boletim Epidemiológico Aids e DST, Brasília, DF, ano VI, n. 1, p. 57-58, 2010.

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47

CIRÍACO, D. L. Subrregistro de óbitos por aids: investigação de óbitos por causas indeterminadas ou com diagnósticos sugestivos de imunodeficiência adquirida na região metropolitana de Maceió, Alagoas. Dissertação (Mestrado) – Centro de Pesquisa Aggeu Magalhães, Fiocruz, Recife, 2010.

DOURADO, I. et al. Tendências da epidemia de Aids no Brasil após a terapia anti-retroviral. Revista de Saúde Pública, São Paulo, vol.40 (Supl.), p. 9-17. 2006.

LEMOS, K. R. V.; VALENTE, J. G. A declaração de óbito como indicador de sub-registro de casos de AIDS. Cadernos de Saúde Pública, Rio de Janeiro, v. 17, n. 3, p. 617-626, mai-jun, 2001.

SZWARCWALD, C. L. et al. HIV testing during pregnancy: use of secondary data to

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48

11.5 SITUAÇÃO DA SÍFILIS CONGÊNITA EM ALAGOAS

A sífilis, doença infecciosa crônica causada pelo Treponema pallidum, acomete praticamente todos os órgãos e sistemas, apesar de ter tratamento eficaz e de baixo custo, vem-se mantendo como problema de saúde pública até os dias atuais.

Transmitida pela via sexual (sífilis adquirida) e verticalmente (sífilis congênita) pela placenta da mãe para o feto. O contato com as lesões contagiantes (cancro duro e lesões secundárias) pelos órgãos genitais é responsável por 95% dos casos de sífilis. Outras formas de transmissão mais raras e com menor interesse epidemiológico são por via indireta (objetos contaminados, tatuagem) e por transfusão sangüínea. O risco de contágio varia de 10% a 60% conforme a maioria dos autores. (AVELLEIRA, 2006)

A sífilis tem distribuição mundial e se constitui na mais importante doença sexualmente transmissível. Das doenças que podem ser transmitidas durante o ciclo grávido-puerperal, é a que tem as maiores taxas de transmissão. Se adquirida durante esse ciclo, pode levar a abortamento espontâneo, morte fetal e neonatal, prematuridade e danos à saúde do recém nascido com repercussões psicológicas e sociais. A manifestação congênita da doença acarreta malformações ósseas, surdez, cegueira e problemas neurológicos, entre outros, para a criança. (MS, 2005).

De acordo com o Ministério da Saúde (2008) os estudos de abrangência nacional revelam ser a sífilis congênita um grave problema de saúde pública ao estimarem que 1,6% das parturientes (cerca de 50 mil parturientes) do país apresentavam (em 2004) sífilis ativa e altas taxas de prevalência regionais (Norte 1,8%, Nordeste 1,9%, Centro Oeste 1,3%, Sudeste 1,6% e Sul 1,4%); a estimativa de 12 mil nascidos vivos com sífilis.

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49

A inclusão da SC na lista de notificação compulsória para fins de vigilância

epidemiológica foi de acordo com a portaria 542 de 22 de dezembro de 1986. (Brasil, 1986). A sífilis na gestação foi incluída com a publicação da Portaria MS/SVS No33, assinada em 14 de julho de 2005.

A notificação da sífilis na gestação é um excelente indicador de uma atenção pré-natal e puerperal de qualidade na saúde materna e neonatal, por ser uma doença totalmente passível de prevenção, diagnóstico e tratamento durante a gestação. Entretanto, a dificuldade de acesso ao serviço de pré-natal e exames laboratoriais torna mais difícil o diagnóstico precoce, a adesão ao tratamento da gestante e do parceiro e o estabelecimento do vinculo entre a equipe de saúde e a gestante, o que aumenta a probabilidade de transmissão vertical da sífilis.

Para reduzir as taxas de transmissão vertical do HIV e da sífilis, o Ministério da Saúde lançou em 2003 o Projeto Nascer que visa capacitar as equipes multiprofissionais das maternidades cadastradas para reorganizar o processo de trabalho proporcionando melhoria da qualidade do atendimento à gestante, puérpera e recém nascido, redução da transmissão vertical do HIV e controle da sífilis congênita.

No ano de 2010, a Secretaria de Saúde pactuou com os municípios a realização de monitoramento da notificação dos casos de sífilis em gestantes com base nas estimativas de casos esperados para medir a agilidade da vigilância epidemiológica em detectar casos e a qualidade dos serviços.

A baixa detecção de casos de sífilis em gestantes registrados no SINAN acarretou a necessidade de utilizar a estimativa de prevalência da sífilis em parturientes relatada no Estudo de representatividade nacional realizado em parturientes, em 2004. Baseando-se neste estudo, Alagoas deveria estar notificando 1314 casos de sífilis em gestantes para o ano de 2010, porém foram notificados 237 casos, ou seja, apenas 18,03% da meta.

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50

2011. A taxa de Incidência esperada por 1000 nascidos vivos até 2011, para a região nordeste é de 2,3/1000 NV.

Porém, Alagoas registrou 237 casos de Sífilis Congênita no Sistema Nacional de Agravos de Notificação (SINAN). A incidência da sífilis congênita em 2010 foi de 4,42/1000 NV no estado, 27 municípios apresentaram um coeficiente acima de 5,0/1000 NV. Dos municípios destacados como baixa incidência (< 1,0) apenas Penedo (0,96%) e Palmeira dos índios (0,76%) tiveram notificação de um caso, os demais (57 municípios) foram silenciosos para esse agravo (Figura 01). Entretanto, isso pode está relacionado a um baixo poder de diagnóstico e, consequentemente, subnotificação, mas não à ausência de casos.

Fonte: Sinan NET

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51

Dos casos de SC ocorridos de 2007 a 2010, cerca de 64,53% não apresentaram sintomatologia clínica da doença (Tabela 01).

Tabela 01 Casos notificados de SC segundo apresentação de sintomas. Alagoas, 2007 a 2010.

Ano da

notificação NI Assintomático Sintomático Não se aplica Total

2007 257 3 0 0 260

2008 23 138 28 10 199

2009 21 141 35 10 207

2010 32 133 56 16 237

Fonte: Sinan NET

A qualificação do pré-natal é essencial para a eliminação do problema, temos uma cobertura de 96% das gestantes do país. Se todas fizerem os dois exames ao longo da gravidez, conforme recomenda o Ministério da Saúde, será possível tratá-las antes do parto (MS, 2008).

Avaliando a cobertura do pré-natal no estado em uma série histórica dos últimos seis anos, observa-se uma tendência significativa de crescimento (R2=0,829)

no número de mulheres que tiveram 4 ou mais consultas durante a gestação (Figura 02).

Fonte: SINASC

Figura 02 Proporção de gestantes que realizaram 4 ou mais consultas de pré- natal. Alagoas, 2005 a 2010.

81,4

83,9

85,0

86,4 86,3 86,5

R² = 0,829

80 82 84 86 88

2005 2006 2007 2008 2009 2010

(%

) P

ro

p

o

ão

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52

Porém, dos casos de SC diagnosticados no ano de 2010 em Alagoas, 71,73% das gestantes realizaram pré-natal. Das mães com idade de 10 a 14 anos (50%) e das de 15 a 19 anos (85,42%) também houve um percentual significante dessa assistência (Tabela 02).

Tabela 02– Proporção de casos notificados de sífilis congênita segundo faixa etária materna e seguimento de pré-natal em residentes de Alagoas, 2010.

Faixa

etária Não informado C/ pré-natal S/ pré-natal Total

anos N (%) N (%) N (%) N (%)

Branco 9 81,82 2 18,18 0 0,00 11 100,00

10-14 0 0,00 2 50,00 2 50,00 4 100,00

15-19 4 8,33 41 85,42 3 6,25 48 100,00

20-34 21 13,82 109 71,71 22 14,47 152 100,00

35-49 3 13,64 16 72,73 3 13,64 22 100,00

Total 37 15,61 170 71,73 30 12,66 237 100,00

Fonte: Sinan NET

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