SECRETARIA DE ESTADO DA SAÚDE DE ALAGOAS SUPERINTENDÊNCIA DE VIGILÂNCIA EM SAÚDE DIRETORIA DE ANÁLISE DE SITUAÇÃO DE SAÚDE

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  DIRETORIA DE ANÁLISE DE SITUAđấO DE SAÚDE SAÚDE ALAGOAS 2010

  SECRETARIA DE ESTADO DA SAÚDE DE ALAGOAS SUPERINTENDÊNCIA DE VIGILÂNCIA EM SAÚDE

  

ANÁLISE DA SITUAđấO DE SAÚDE

  Maceió

  • – AL 2011

  

GOVERNADOR DO ESTADO

Teotonio Brandão Vilela Filho

  

VICE-GOVERNADOR

José Thomaz Nonô

SECRETÁRIO DE ESTADO DE SAÚDE

Alexandre de Melo Toledo

  

SECRETÁRIO ADJUNTO DE ESTADO DA SAÚDE

Jorge Villas Bôas

CHEFE DE GABINETE

Carlos Palmeira Lopes Villanova

  

SUPERINTENDÊNCIA DE VIGILÂNCIA À SAÚDE

Sandra Tenório Accioly Canuto

DIRETORIA DE ANÁLISE DA SITUAđấO DE SAÚDE

Alessandra Pereira Viana

  

DIRETORIA DE LABORATÓRIO DE SAÚDE PÚBLICA

Telma Machado Lisboa Pinheiro

DIRETORIA DE PROMOđấO DA SAÚDE

Eliana Cavalcante Padilha

  

DIRETORIA DE VIGILÂNCIA EM SAÚDE AMBIENTAL

Maria Elisabeth Vieira da Rocha

DIRETORIA DE VIGILÂNCIA EM SAÚDE DO TRABALHADOR

Gardênia Souza Freitas de Santana

  

DIRETORIA DE VIGILÂNCIA EPIDEMIOLÓGICA

Cleide Maria da Silva Moreira

DIRETORIA DE VIGILÂNCIA SANITÁRIA

Paulo Bezerra Nunes

  2011 – Secretaria de Estado da Saúde de Alagoas Todos os direitos reservados.

  

É permitida a reprodução parcial ou total desta obra, desde que citada a fonte e que não

seja para venda ou para qualquer fim comercial.

A responsabilidade pelos direitos autorais de textos e imagens desta obra é de seus

respectivos autores.

Este editorial pode ser acessado na íntegra no site da Secretaria de Estado da Saúde:

http://www.saude.al.gov.br Tiragem: Ano III (Vol. II) – 2010 - 150 exemplares Elaboração, edição e distribuição: SECRETARIA DE ESTADO DA SAÚDE DE ALAGOAS - SESAU Superintendência de Vigilância em Saúde - SUVISA Diretoria de Análise da Situação de Saúde - DIASS Coordenação Técnica e Produção e Organização: DIASS Avenida da Paz, nº 1068. Salas: 201 202 e 203 – Jaraguá CEP: 57022-050

  • – Maceió/ Alagoas

  Capa, Projeto Gráfico e Diagramação e Revisão: David Silva de Lima - DIASS

  

SUMÁRIO

  

  

  

  

  

  

  

  

  

  

  

  

  

  

  

  

  

  

  

  

  

  

  

  

  

  

  

  ELABORADORES Saúde Alagoas 2010: Uma análise da situação de saúde

Capítulo 11 - Agravos de Transmissão Respiratória, Sexual e Doenças

Imunopreveníveis

  Cleide Maria da Silva Moreira; Ednalva Maria de araújo Silva; Denise Leão Ciríaco; Fagna da Silva Souza; Merielle de Souza Almeida; Mona Lisa dos Santos Góes; Tânia Maria de Queiroz; Rosa Adélia Arroxellas Paredes; Edvânia Salvador.

  Capítulo 12 - Saúde do Trabalhador Gardênia Souza Freitas; Carlos Eduardo Lyra Filho. Capítulo 13- Coberturas vacinais e doenças Imunopreveníveis Maria Denise de Castro; Valquíria de Castro; Claudeane Nascimento dos Santos. Capítulo 14 – Acidentes com animais peçonhentos

  Charles Nunes; Silvana Tenório

  Capítulo 15 - Urgências epidemiológicas

  Herbert Charles Silva Barros; Marlene S. Lima; Cristina R.L. Tonial

  

Capítulo 16 - Fatores ambientais determinantes e condicionantes da saúde da

população em alagoas

  Maria Elisabeth Vieira da Rocha; Maria Isabel Rocha Castro.

  Capítulo 17 – Promoção da Saúde

  Maria José Castro

  Capítulo 18 - Gestão em Saúde

Gerência dos sistemas de informação de vigilância em saúde (inconsistências

e não conformidades, coberturas)

  Denise Leão Ciríaco; Dayse Mércia Cavalcante de Oliveira; Laiza Granja

  APRESENTAđấO A Secretaria de Estado da Saúde de Alagoas apresenta o livro Saúde

  

Alagoas 2010: Análise da Situação de Saúde, publicação elaborada e organizada

pela Diretoria de Análise da Situação de Saúde, que marca nosso compromisso em

produzir e disseminar informações sobre a situação de saúde do nosso estado.

  Um dos objetivos mais relevantes da presente publicação é valorizar o uso

dos dados secundários já disponíveis nos sistemas de informações da Vigilância em

Saúde, e apesar de não ser o objetivo inicial, buscar com isso, o desenvolvimento e

aperfeiçoamento dos sistemas utilizados na análise.

  Outros objetivos que vão igualmente contribuir para o processo de

consolidação do SUS no estado são: o estabelecimento de uma linha de base para

um permanente monitoramento de indicadores relevantes da saúde da população

alagoana; a ampliação da possibilidade de projetar cenários futuros com base nas

análises de tendências e de séries temporais; a retroalimentação aos gestores e

usuários desses sistemas de informações; e a divulgação, para os pesquisadores da

área de saúde coletiva e para a própria sociedade sobre o estado de saúde e

sanitário do estado.

  Enfim, este livro contribui para demonstrar o potencial da análise de situação

de saúde no âmbito do SUS, como uma das bases de construção de uma saúde

coletiva que se vale das evidências geradas a partir da prática da epidemiologia nos

serviços de saúde.

  Por fim, destaco a importância das análises aqui produzidas e tendo certeza

do impacto de sua divulgação ao gerar informações e subsídios fundamentais para o

aperfeiçoamento da gestão do SUS.

  Alessandra Pereira Viana Diretora da Análise da Situação de Saúde de Alagoas

  

11. AGRAVOS DE TRANSMISSÃO

RESPIRATÓRIA, SEXUAL E DOENÇAS

  

IMUNOPREVENÍVEIS

11.1 SITUAđấO DA TUBERCULOSE EM ALAGOAS

  A tuberculose (TB), doença antiga e reconhecida como fatal desde a época

de Hipócrates, teve o agente etiológico, o Mycobacterium tuberculosis, descoberto

em 1882 por Robert Koch.

  É transmitida de pessoa a pessoa por meio da fala, tosse e espirro. Cerca de

um terço da população mundial encontra-se infectada ocorrendo, anualmente, 8,5

milhões de casos e 3 milhões de mortes, sendo a sua maioria nos países em

desenvolvimento.

  Passados mais de 50 anos da descoberta do tratamento, os números atuais

de incidência e mortalidade da tuberculose revelam que ainda nos encontramos

muito distantes do controle global da doença.

  Apesar do caráter curável e do Brasil disponibilizar em sua rede de serviços

de saúde, desde a década de 1980, esquemas de tratamento de curta duração,

observa-se um quadro de persistência da doença em nosso meio, principalmente

devido à sua característica como problema social, resultante de vários elementos

intervenientes como renda familiar baixa, educação precária, habitação

ruim/inexistente, famílias numerosas, adensamentos comunitários, desnutrição

alimentar, alcoolismo e doenças infecciosas associadas.

  O propósito do Programa Nacional de Controle da Tuberculose (PNCT) é

reduzir a transmissão do bacilo da tuberculose na população, através das ações de

diagnóstico precoce e tratamento adequado dos casos. As metas internacionais

estabelecidas pela Organização Mundial da Saúde (OMS) e pactuadas pelo governo

brasileiro são a descoberta de 70% dos casos de tuberculose estimados e a cura de,

no mínimo, 85% dos casos detectados.

  O número de casos novos diagnosticados avalia a capacidade de detecção

dos serviços de saúde e a tendência da endemia, enquanto que o percentual de

cura dos casos novos de tuberculose bacíliferos, retrata a efetividade do programa

de tuberculose e, consequentemente, a organização dos serviços, uma vez que a

maioria das atividades desenvolvidas para o controle da tuberculose deve ser

realizada no âmbito da Atenção Primária à Saúde.

  Em 2010, Alagoas conseguiu detectar 88,2% dos casos estimados,

ultrapassando o mínimo de 70% proposto (Figura 01), sendo diagnosticados 1.428

casos, dos quais, 1.159 (81,1%) foram de casos novos, 111 (7,8%) foram de

  

reingressos após abandono, 58 (4,1%) recidiva e 100 (7%) casos com tipo de

entrada por transferência. Dos casos novos, 515 (44,4%) são residentes na capital.

  92 90,6 90,7 90,2 91,2

  90

  88

  86

  83

  84

  82

  80

  78 1° Região 2° Região 3° Região 4° Região 5° Região Fonte: SINAN/DIVEP/SUVISA/SESAU. Dados sujeitos à revisão.

  Figura 01 - Percentual de casos de tuberculose detectados em relação ao número

de casos estimados, segundo Regiões de Saúde de residência. Alagoas, 2010.

  Segundo o Ministério da Saúde, para o controle do agravo, preconiza-se que

sejam diagnosticados pelo menos 70% dos casos estimados. No estado de Alagoas

em 2010, todas as regiões de saúde ultrapassaram esta meta, a menor detecção foi

na 1ª região de saúde com 83% e a maior detecção foi de 91,2% na 5ª região de

saúde.

  O percentual de casos novos notificados pelo município de Maceió vem sendo

reduzido ao longo dos anos, sendo de 59,0% em 1997 e caindo para 44,4% em

2010, representando assim, uma redução de 24,7% no período (cerca de 2,0% ao

ano). Da mesma forma, o número de municípios notificantes no estado tem

aumentado com o passar do tempo. Em 1997, 53 (51,9%) municípios notificaram

casos, ampliando para 90 (88,2%) municípios em 2010, demonstrando assim, a

descentralização dos serviços de diagnóstico e tratamento no estado.

  Em Alagoas, considerando os critérios estabelecidos pelo Ministério da Saúde (MS), os quais se baseiam no tamanho da população e na carga da doença traduzida pela incidência e mortalidade, existem sete municípios considerados prioritários para as ações de controle da tuberculose: Maceió, Arapiraca, Rio Largo, São Miguel dos Campos, Palmeira dos Índios, Penedo e União dos Palmares. Os casos residentes nestes municípios correspondem, em média, a 61,0% dos casos notificados anualmente no estado.

  Dos casos novos diagnosticados em 2010, a maior proporção é de residentes na 1ª Região de Saúde (RS), seguido da 4ª, enquanto que o menor percentual é observado na 5ª RS (Figura 02).

  

5ª RS

4ª RS

4,9

14,8

  3ª RS 6,1 1ª RS 2ª RS 61,4

  12,8 Fonte: SINAN/DIVEP/SUVISA/SESAU. Dados sujeitos à revisão.

  Figura 02

  • Proporção de casos com todas as formas de tuberculose, segundo Regiões de Saúde de residência. Alagoas, 2010.

  Dos casos identificados em 2010, 86,0% apresentou a forma pulmonar, dos

quais 61,9% eram bacilíferos. Diagnosticar e tratar pacientes portadores da forma

pulmonar bacílifera é o principal objetivo a ser alcançado pela Vigilância

Epidemiológica, uma vez que atuam como fonte de infecção para a doença. Nesse

sentido, as 2ª e 5ª RS detêm os maiores percentuais de pacientes bacilíferos,

enquanto que a menor proporção está na 1ª RS (Tabela 01).

  

Tabela 01 - Casos novos de tuberculose pulmonar bacilífera e não-bacilífera,

dentre os casos diagnosticados, segundo Regiões de Saúde de residência.

  Alagoas, 2010.

  Área Nº de Casos Formas Novos Pulmonar Bacilífera Nº % Nº %

  1ª RS 700 611 87,3 351 57,4 2ª RS 149 130 87,2 100 76,9 3ª RS

  71 63 88,7 40 63,5 4ª RS 172 146 84,9 89 61,0 5ª RS

  67 57 85,1 38 66,7 Alagoas 1.159 997 86,0 618 62,0 Fonte: SINAN/DIVEP/SUVISA/SESAU. Dados sujeitos à revisão.

  Para o diagnóstico adequado dos casos pulmonares e, consequentemente, a

descoberta das fontes de infecção, o exame de escolha é a baciloscopia de escarro,

sendo considerado prioritário pelo MS, sendo um exame de baixo custo e de fácil

  

realização, possuindo limitação apenas na população infantil, devido à dificuldade da

coleta do material biológico e a não necessidade de realização do exame nessa

população, uma vez que crianças, normalmente, são paucibacilares, ou seja, não

têm importância epidemiológica na cadeia de transmissão da doença.

  Nesse contexto, apesar de uma maior oferta de serviços de saúde na 1ª RS, a

mesma foi a que apresentou o maior percentual (40,0%) de exames não realizados

(para a primeira e/ou a segunda amostra), dentre os casos diagnosticados, seguido

pela 3ª RS, enquanto que a menor proporção (22,0%) foi observada na 4ª RS

(Figura 03).

  100% 90%

  22

  33

  33

  35 80%

  40 70% 60% (%) al 50% tu 40% n

  78

  67

  67

  65 ce 30%

  60 er 20% P 10% 0% 1° Região 2° Região 3° Região 4° Região 5° Região

Realizada Não realizada

Fonte: SINAN/DIVEP/SUVISA/SESAU. Dados sujeitos à revisão. Figura 03 - Casos de tuberculose pulmonar segundo realização de baciloscopia e Regiões de Saúde de residência. Alagoas, 2010.

  Com o surgimento, em 1981, da síndrome da imunodeficiência adquirida (Aids), vem-se observando, em escala global, o crescente número de casos de tuberculose em pessoas infectadas pelo vírus da imunodeficiência humana (HIV). A associação HIV/TB constitui, nos dias atuais, um sério problema de saúde pública, podendo elevar a morbidade e mortalidade pela tuberculose em muitos países.

  Dos casos de Aids em adulto (indivíduos acima de 12 anos de idade) diagnosticados em Alagoas durante o período de 2001 a 2009, em média, 17,0% já tem tuberculose no momento do diagnóstico de Aids.

  Desde a década de 1990, a realização do exame para HIV em todos os casos

com diagnóstico de tuberculose está instituída por meio de protocolo do MS,

entretanto a sua realização ainda está muito aquém do desejável. Em Alagoas, no

ano de 2010, em apenas 57,8% dos casos diagnosticados houve a realização do

exame, e a região de saúde, com o maior percentual de exames não realizados, foi

a 2ª região com 48,2%.

  Em 39,2% dos casos em que houve a solicitação para realização do exame, a informação quanto ao seu resultado não existe no Sistema Nacional de Agravos de Notificação (SINAN), inviabilizando a análise quanto ao percentual de positividade ao exame e, consequentemente, o conhecimento prévio dos casos de co-infecção HIV/TB.

  Observando o comportamento quanto à ocorrência de tuberculose por sexo e idade, nota-se a predominância no sexo masculino em todos os grupos etários, principalmente em adultos com idades de 20 a 59 anos, sendo este o grupo que detém o maior número de casos, característica essa observada em todo o país.

  Entre 2006 e 2010, o coeficiente de incidência por 100.000/hab. dos casos de tuberculose pulmonar bacilífera variou de (23,3) / 0000 (2008) a (19,5) / 0000 (2010). A 1ª RS manteve-se estável no período, apresentando a maior incidência em 2009 de 29,8 e a menor em 2010 de 24,7. A incidência na 2ª RS a partir de 2006 a tendência foi decrescente onde apresentou a maior de 30,8 e a menor em 2007 de 22,3. A 3ª se mantêm estável durante os cinco anos, a maior foi em 2007 com 15,8 e a menor de 11,6 em 2009. A 4ª RS vem decrescendo desde 2006 onde apresentou a maior incidência em 17,5 e a menor em 2010 com 10. A 5ª RS mantém oscilações a cada ano, onde em 2006 apresentou a maior incidência que foi 29,5 e a menor em 2009 com 16,5 (Figura 04).

  Fonte: SINAN/DIVEP/SUVISA/SESAU. Dados sujeitos à revisão.

  Figura 04

  • Coeficiente de incidência da tuberculose pulmonar bacilífera em Alagoas, no período de 2006 a 2010, segundo Regiões de Saúde de residência.
    • Dos 15 municípios da 2ª RS, em dois não houve casos diagnosticados em 2010 (Feliz Deserto e São Brás). São Miguel dos Campos apresentou a maior com 71,4 / 0000 e o menor coeficiente foi em Porto Real do Colégio com 5,1 / 0000.
    • Na 3ª RS, dos 24 municípios, seis não apresentaram casos: Belo Monte, Canapi, Jacaré dos Homens, Mata Grande, Olho D‟Água do Casado e Pariconha. O maior coeficiente em 2010 foi observado no município de Batalha (40,9 / 0000 ) e o menor em Poço das Trincheiras (7,2 / 0000 );
    • Feira Grande foi o único município da 4ª RS que não registrou caso de tuberculose. A maior incidência foi no município de Jaramataia (53,9 / 0000 ) e o menor foi no município de Igaci (7,9 / ).

  Analisando o coeficiente de incidência de todas as formas de tuberculose em 2010 (Figura 05), Alagoas apresenta uma incidência de 37 / 0000 e segundo município de residência, observa-se:

  • Na 1ª RS, dos 27 municípios existentes, três não tiveram casos diagnosticados (Chã Preta, Paulo Jacinto e Paripueira). Os municípios que apresentaram uma maior incidência foram Satuba, Pilar e Maceió com 61,6, 57 e 56,3 /

  0000

  . E a menor incidência da região foi no município de Maragogi com 13,9 / 0000 .

  0,0 5,0 10,0 15,0 20,0 25,0 30,0 35,0

  C oe f. In ci d. (1

  00 .0

  00 h ab ) 1ª Região 28,3 26,4 28,0 29,8 24,7 2ª Região 25,1 30,8 28,1 22,5 22,3 3ª Região 15,3 14,7 15,8 11,6 14,2 4ª Região 17,5 15,1 14,2 13,6 10,0 5ª Região 29,5 18,5 25,0 16,5 17,7 ALAGOAS 24,0 22,6 23,3 22,2 19,5

  1

  2

  3

  4

  5

  0000

  • Na 5ª RS, Campestre e Ibateguara não notificaram casos e os extremos de incidência foram observados nos municípios de Branquinha (56,6 / 0000 ) e Colônia de Leopoldina (14,9 / ).

  0000 Fonte: SINAN/DIVEP/SUVISA/SESAU. Dados sujeitos à revisão.

  Figura 05

  • Coeficientes de incidência de todas as formas de tuberculose, segundo município de residência. Alagoas, 2010.

  O tratamento para os casos novos de tuberculose é considerado eficaz por garantir a cura em praticamente 100% dos casos, o que torna possível seu controle, porém é necessário o desenvolvimento e monitoramento das atividades de forma sistemática. Considera-se que a doença está sob controle quando se consegue detectar, no mínimo, 70% dos casos estimados, atingir o mínimo de 85% de cura e manter a taxa de abandono ao tratamento abaixo de 5%, mantendo tal situação, pelo menos, durante cinco anos.

  Profissionais de saúde de todos os municípios das 1ª, 2ª, 4ª e 5ª RS, foram capacitados nas ações de vigilância e controle da tuberculose, incluindo o componente relativo ao sistema de informação, com ênfase no acompanhamento e encerramento dos casos em tempo oportuno.

  Além das capacitações promovidas, também vêm sendo realizadas reuniões de avaliação e planejamento, junto aos coordenadores do Programa Municipal de Tuberculose, a fim de realizar o monitoramento contínuo das ações, incluindo a maior regularidade de visitas de monitoramento por parte da coordenação estadual, junto aos municípios, na tentativa de melhorar a o fluxo e a oportunidade das informações.

  A despeito das medidas implementadas, a 5ª RS ainda apresenta 23,8% dos casos sem informação, e apenas 57,1% dos seus casos foram encerrados por cura. A atualização dos casos sem informação é imprescindível, pois pode melhorar o percentual de cura, o qual se encontra muito abaixo do preconizado pelo MS (Figura 06).

  90

  80

  70

  60

  50 %

  40

  30

  20

  10 1ª Região 2ª Região 3ª Região 4ª Região 5ª Região Alagoas %sinf %cura %aband %óbito Fonte: SINAN/DIVEP/SUVISA/SESAU. Dados sujeitos à revisão.

  Figura 06

  • Distribuição proporcional de municípios segundo avaliação de casos de tuberculose pulmonar bacilífera, por Região de Saúde de residência. Alagoas, 2010.

  O encerramento de casos no sistema de informação é um indicador operacional, e depende exclusivamente da atuação da vigilância epidemiológica local, exigindo acompanhamento sistemático do SINAN, devendo ser considerado uma prioridade por parte dos gestores municipais de saúde.

  O alcance das metas de descoberta, tratamento e garantia da cura depende de vários fatores e comprometimento de todos os envolvidos. O percentual de abandono ao tratamento no estado (6,9%) ainda não se encontra dentro do tolerável

  (<5%). Um total de 13 municípios apresentaram em 2010, taxa de abandono acima de 10%.

  Analisando o percentual de cura de acordo com o recomendado pela Organização Mundial da Saúde (OMS) (≥85%), apenas 32 (31,4%) municípios alcançaram o índice preconizado em 2010.

  As ações de vigilância e controle da tuberculose nos municípios devem ser implementadas através do acompanhamento de todos os casos de tuberculose diagnosticados, supervisão sistemática às unidades de saúde, tratamento diretamente observado, busca ativa de casos e monitoramento do sistema de informação com encerramento oportuno dos casos, a fim de lograrmos êxito no controle da transmissão da doença em nosso meio.

11.2 SITUAđấO DA HANSENễASE EM ALAGOAS

  A hanseníase é uma doença infectocontagiosa crônica de grande importância para a saúde pública devido à sua magnitude e seu alto poder incapacitante. O controle da hanseníase é baseado no diagnóstico precoce dos casos, seu tratamento e cura, visando eliminar fontes de infecção e evitar sequelas neurológicas.

  A hanseníase é endêmica no Brasil, sendo registrados anualmente, em média, cerca de 47.000 novos casos, dos quais 23,3% com graus de incapacidade I e II. Esta situação afeta a vida de milhares de pessoas devido ao comprometimento dos mecanismos de defesa, como a capacidade de sentir dor, a visão e o tato, tornando-as mais vulneráveis, por exemplo, a acidentes, queimaduras, feridas, infecções e amputações (MS, 2008).

  Em Alagoas no ano de 2010, foram diagnosticados 383 casos novos em 59 municípios, correspondendo a um coeficiente de detecção geral de 12,27/100.000 hab., o qual vem decaindo entre 2006 e 2010, porém considerado ainda alto, segundo os parâmetros nacionais. Dos casos novos detectados em 2010, 29 (7,6%) eram em indivíduos menores de 14 anos.

  Analisando a ocorrência por Região de Saúde (RS), observa-se no período de 2007 a 2009 que a 3ª região vem apresentando alto coeficiente de detecção, isto é, acima de 10,00/100.000 hab., enquanto a 4ª região vem apresentando o menor coeficiente nos últimos três anos analisados (2008-2010) (Figura 01).

  Diante de tal panorama, faz-se necessário que os municípios revejam suas estratégias para a detecção de casos, uma vez que o diagnóstico da doença em Alagoas, geralmente, não é realizado precocemente, requerendo, maior necessidade de busca ativa de casos dermatoneurológicos e avaliação oportuna dos contatos.

  1ª Região 2ª Região 3ª Região 4ª Região 5ª Região

  00 h ab .

  00 h ab .

  10 0.

  7 2006 2007 2008 2009 2010 C o ef . p o r

  6

  5

  4

  3

  2

  1

  

1ª Região 2ª Região 3ª Região 4ª Região 5ª Região

  10 0.

  25 2006 2007 2008 2009 2010 C o ef . p o r

  20

  15

  10

  5

  • Coeficiente Geral de detecção de hanseníase em Alagoas, no período de 2006 a 2010.

  Alagoas, 2006 a 2010.

  Figura 02 Coeficiente de detecção de hanseníase em menores de 15 anos.

  Fonte: SINAN/DIVEP/SUVISA/SESAU.

  Analisando-se o coeficiente de detecção em menores de 15 anos

  Figura 01

  Fonte: SINAN/DIVEP/SUVISA/SESAU.

  • Dados sujeitos à revisão.
    • – que é o principal indicador epidemiológico de controle da hanseníase, por expressar a força de transmissão recente e a tendência da doença, observa-se que a 5ª RS foi a que apresentou o melhor índice de detecção, exceto no ano de 2008 . A 3ª região vem apresentando um baixo índice de detecção, situação que demonstra a fragilidade da vigilância em detectar a doença em menores de 15 anos (Figura 02).

  • Dados sujeitos à revisão.

  PROPORđấO DE CURA

  Para alcançar um impacto na endemia é necessário diagnosticar todos os casos e curar pelo menos 90% destes. Assim, a proporção de cura de casos novos é um indicador que avalia a efetividade do tratamento sendo o indicador selecionado no Pacto pela Saúde para monitorar as ações relativas à hanseníase.

  A meta pactuada pelo estado para o ano de 2010 foi de 85% de cura e o resultado em 2010 foi de 81,1%. Essa taxa varia entre os municípios. Dos 102 municípios apenas 60 informaram dados de cura. Destes, 41 municípios (69%) atingiram cura acima de 90%, 11 municípios (18%) atingiram cura entre 75% a 89% e 8 municípios (13%) estão com percentuais abaixo de 75%, sendo este último, considerado precário pelos parâmetros nacionais.

  Os dados da figura 3 revelam que, apenas 47 municípios alcançaram à meta pactuada pelo estado de 85% de cura em 2010, enquanto 26 não alcançaram, até o momento. Há casos a serem encerrados no período avaliado, o que pode proporcionar uma melhoria do indicador e da situação dos municípios.

  Fonte: SINAN/DIVEP/SUVISA/SESAU.

  • Dados sujeitos à revisão.

  

Figura 03 - Proporção de Cura dos casos novos de hanseníase, Alagoas,

2010.

EXAME DE CONTATOS

  As pessoas com maior risco de adoecer são as que residem ou residiram nos últimos cinco anos na mesma residência de indivíduos considerados casos, ou seja, são os contatos intradomiciliares. Portanto, uma das formas de detectar casos de hanseníase é através da realização de exame de todos os contatos intradomiciliares.

  A meta pactuada para o estado em 2010 foi de examinar, no mínimo, 60% dos contatos intradomiciliares dos casos diagnosticados. Verificando o alcance dessa meta observamos que de 42 municípios avaliados com número de contatos registrados/examinados, apenas 25 municípios atingiram a meta acima de 60% da meta pactuada.

  Analisando a proporção de contatos intradomiciliares examinados segundo Região de Saúde de residência, observa-se que as 1ª e 2ª RS apresentaram aumentos nas proporções até 2008, decrescendo nos anos seguintes (Figura 04). A 4ª e 5ª região tem apresentado decréscimo quanto ao exame de contatos (2008 a 2010), Figura 4. Em geral, as RS não conseguem atingir esse indicador de extrema importância para a detecção de casos.

  100

  90

  80 S O

  70 D A

60 IN

  50 M A

  40 X E

  30 %

  20

  10

2006 2007 2008 2009 2010

1ª Região 2ª Região 3ª Região 4ª Região 5ª Região Fonte: SINAN/DIVEP/SUVISA/SESAU. Dados sujeitos à revisão.

  Figura 04

  • Proporção de casos novos de hanseníase com contatos intradomiciliares examinados, segundo Região de Saúde de residência. Alagoas, 2006 a 2010.

  100% 2006 2007 2008 2009 2010 1ª Região 2ª Região 3ª Região 4ª Região 5ª Região

  90

  

82

  

98

  

89

  83

  87

  83

  87

  

86

  81

  76

  93

  95

  92 0% 10%

  20% 30% 40% 50% 60% 70% 80% 90%

  

81

  91

  

AVALIAđấO DO GRAU DE INCAPACIDADE NA NOTIFICAđấO E NA ALTA POR

CURA

  78

  Devido ao alto potencial incapacitante da doença, todos os casos devem ter o grau de incapacidade física avaliados por ocasião da notificação e da alta por cura. Para o monitoramento da ação de avaliação do grau de incapacidade física, a meta proposta pelo estado para o ano 2010, foi de 90% no diagnóstico e 75% na alta por cura. Apenas 84,9% dos casos novos diagnosticados e 65,4% dos que receberam alta por cura tiveram o grau de incapacidade física avaliados, sendo este último percentual considerado precário segundo os parâmetros nacionais.

  Quando observada a avaliação do grau de incapacidade física no diagnóstico, segundo as Regiões de Saúde, destacam-se, em 2010, as 3ª, 4ª e 5ª RS por apresentarem percentuais acima de 90%, conforme preconizado (Figura 05).

  Fonte: SINAN/DIVEP/SUVISA/SESAU. Dados sujeitos à revisão.

  Figura 05

  física avaliado no diagnóstico, segundo Região de Saúde de residência. Alagoas, 2006 a 2010.

  Comparando a proporção de casos curados de hanseníase com a proporção de casos com grau de incapacidade física avaliado por ocasião da alta por cura,

  88

  94

  85

  88

  93

  91

  93

  88

  • Proporção de casos novos de hanseníase com grau de incapacidade
pode-se observar que esse índice vem apresentando curva ascendente no período de 2006 a 2010 na maioria das regiões mostrando uma melhora expressiva nessa avaliação (Figura 06).

  100

  80 1ª Região 2ª Região

  60 3ª Região 4ª Região

  40 5ª Região

  20 2006 2007 2008 2009 2010

  48

  57

  

67

  72

  58 1ª Região

  46

  62

  

65

  61

  67 2ª Região 3ª Região

  72

  55

  

80

  71

  77

  76

  52

  

90

  92

  81 4ª Região 5ª Região

  10

  12

  

17

  46

  48 Fonte: SINAN/DIVEP/SUVISA/SESAU. Dados sujeitos à revisão.

  Figura 06

  • Proporção de casos curados de hanseníase com grau de incapacidade física avaliado na alta por cura, segundo Região de Saúde de residência. Alagoas, 2006 a 2010.

  REFERÊNCIAS Datasus. Departamento de Informação do Sus- 2010. Acesso em 25/05/2011.

  Ministério da Saúde. Cadernos de Atenção Básica nº21. Vigilância em Saúde 2ª ed. Revisada. Brasília/DF, 2008. Ministério da Saúde. Guia de Vigilância Epidemiológica. 7ª ed.Brasília/ DF, 2010. SINAN, Sistema de Informação de Agravos de Notificação, 2010.

13.3 SITUAđấO DAS HEPATITES VIRAIS EM ALAGOAS

  Dentre as doenças endêmico-epidêmicas notificadas no Brasil destacam-se as hepatites virais, cujo comportamento epidemiológico tem sofrido grandes mudanças nos últimos anos, o que elevou o número de notificações de casos suspeitos.

  As hepatites são doenças provocadas por tipos de vírus que tem tropismo pelo fígado, age de forma silenciosa com distintas características epidemiológicas, de evolução clínica, imunológicas e laboratoriais. A distribuição das diversas formas de hepatite é heterogênea em todo mundo.

  Segundo Brasil (2005), para fins de vigilância epidemiológica, as hepatites podem ser agrupadas, de acordo com a maneira preferencial de transmissão, em fecal-oral (vírus A e E) e parenteral (vírus B,C,D); e são pelo menos sete os tipos de vírus que já foram caracterizados: A, B, C, D, E, G e T. Os vírus A, B, e C são os responsáveis pela grande maioria das formas agudas da infecção. Entretanto, a despeito do crescente uso de técnicas laboratoriais cada vez mais sensíveis, cerca de 5% a 20% das hepatites agudas permanecem sem definição etiológica e, nas hepatites fulminantes, essa porcentagem torna-se ainda maior.

  A distribuição de casos de hepatites virais no Estado de Alagoas no período de 2006 a 2010 foi de 56,7% de hepatite A, 33,3% para hepatite B e 9,97% para hepatite C (Figura 01).

  56,70% 60,00% 50,00% 40,00%

  33,30% 30,00% 20,00%

  9,97% 10,00% 0,00% hepatite A hepatite B hepatite C

  Fonte: SINAN/DIVEP/SESAU

  • Dados sujeitos a revisão

  Figura 01 - Proporção de casos de hepatites virais no período de 2006-2010* em Alagoas O vírus A é a causa mais freqüente de hepatite viral aguda no mundo. Conforme estimativa da Organização Pan-Americana de Saúde anualmente ocorre no Brasil cerca de 130 novos casos por 100.000 habitantes, e o país é considerado área de risco para a doença. A análise da prevalência dos diversos tipos de hepatite no Brasil, em 2000, mostrou que o vírus A continua sendo o principal causador da doença, representando 43% dos casos registrados de 1996 a 2000 [...] (BRASIL, 2003).

  [...] “A principal via de contágio é a fecal-oral por veiculação hídrica e de alimentos contaminados, contribuindo para isto a estabilidade do VHA no meio ambiente e a grande quantidade do vírus presente nas fezes dos indivíduos infectados. O contato entre familiares, a falta de hábitos de higiene, a manipulação de alimentos por pessoas infectadas, propiciam a disseminação do vírus. Nas áreas de elevada endemicidade, a infecção atinge mais frequentemente crianças e adolescentes, a maioria assintomática ou com sintomatologia leve, caracterizando-a

  (BRASIL, 2009) como a mais frequente hepatite viral aguda no mundo” No Estado de Alagoas, a maior ocorrência de casos está na 1ª região de saúde (nos cinco anos analisados) onde está localizada a capital do estado, apresentando assim uma maior concentração populacional (Figura 02).

  100% 90% 80% 70% 60% 50% 40% 30% 20% 10%

  0%

2006 2007 2008 2009 2010

1ªRS - AL 2ªRS - AL 3ªRS - AL 4ªRS - AL 5ªRS - AL

  Fonte: SINAN/DIVEP/SESAU *Dados sujeitos a revisão Figura 02 - Casos de Hepatite A por Região de Saúde no período de 2006-2010* em Alagoas

  Muitos relatos, de diferentes países, mostram que a melhoria nas condições de saneamento básico numa determinada população reduz a ocorrência da doença. Em particular a disponibilidade de água tratada nos domicílios é uma medida eficaz para o seu controle. Com essas melhorias, os indivíduos passam a entrar em contato com o VHA em idades mais avançadas, quando, ironicamente, há aumento das formas ictéricas de hepatite e, inclusive, o aparecimento mais freqüente de complicações.

  Nas figuras 03, 04, 05, 06 e 07 observam-se municípios que não notificaram casos e permanecem silenciosos ao longo desses cinco anos.

  No caso da hepatite B, o número de pessoas portadoras desta patologia vem aumentando consideravelmente nas últimas décadas. O que torna este problema alarmante é o fato de que a maioria das pessoas desconhece seu estado de portador e constitui um elo importante na cadeia de transmissão do HBV (BRASIL, 2003).

  Sabe-se hoje que o VHB circula em altas concentrações no sangue e em títulos baixos nos outros fluidos orgânicos, e que é aproximadamente 100 vezes mais infectante do que o HIV e 10 vezes mais do que o VHC (CDC, 2003).

  No Estado, as regiões que apresentaram maior proporção de casos de hepatite B foram a 1ª região seguida da 4ª onde estão os municípios de Maceió e Arapiraca, respectivamente (figura 08).

  As medidas de prevenção, a eficácia na triagem sorológica em bancos de sangue e a imunização passiva oferecida pelo Ministério da Saúde no Brasil têm propiciado uma diminuição gradativa da incidência de hepatite B e de outras doenças de transmissão parenteral.

  A hepatite C geralmente é assintomática e considerada por muitos a doença infecciosa crônica mais importante em todo o mundo. Calcula-se que existam em torno de 170 milhões de infectados no mundo, com 3 a 4 milhões de portadores crônicos no Brasil.

  Os pacientes infectados pelo VHC necessitam de um acompanhamento mais aprofundado, no sentido de avaliar a existência de doença hepática crônica e a necessidade de tratamento antiviral ou de outras terapêuticas especializadas, como o transplante hepático.

  Por se tratar de uma doença que na maioria das vezes só é detectada na fase crônica, o número de casos de hepatite C, é inferior em relação à hepatite A e B e a grande maioria dos casos estão concentrados no município de Maceió, certamente pela localização das Unidades de Referência (Hospital Universitário e Hospital Escola Dr. Hélvio Auto) estar localizadas na capital (figura 09).

  100% 98,10% 98%

  96% 94,60% 94% 91%

  90,90% 92% 90% 88%

  86,20% 86% 84% 82% 80% 2006 2007 2008 2009 2010

  Fonte: SINAN/DIVEP/SESAU

  • Dados sujeitos a revisão

  Figura 09 - Hepatite C, percentual de casos confirmados da 1ª Região de Saúde

do estado de Alagoas em relação às outras regiões no período de 2006-2010*.

  Na figura 10, observa-se no estado de Alagoas que a taxa de incidência para hepatite A apresentou uma tendência de crescimento entre os anos de 2006 e 2008 (R² = 0,9861), já entre 2008 e 2010, verifica-se uma tendência de queda (R² = 0,9996).

  • *Dados sujeitos a revisão devido ao período de 180 dias para encerramento dos casos

    Fonte: SINAN/DIVEP/SESAU

  Figura 10 - Incidência de hepatite A no período de 2006-2010* em Alagoas. Analisando as Regiões do Brasil, na série histórica de 1999 a 2009 a região nordeste apresentou o maior número de casos confirmados com 38.429 (31%) seguida pelas Regiões Norte (28.110 casos), Sul (22.199 casos), Sudeste (19.882 casos) e Centro-Oeste (15.976 casos). Quanto às taxas de incidência, observou-se crescimento no país de 1999 a 2005. Neste último ano, a taxa observada foi de 11,9 por 100 mil habitantes, caindo, em 2009, para 5,4. As Regiões Norte e Centro-Oeste apresentaram as maiores taxas em 2009, sendo 16,5 e 10,1, respectivamente (BRASIL, 2010).

  Com exceção do ano de 2009, onde se observou um aumento da incidência em mais de 100% em relação ao ano de 2008, verifica-se que nos demais anos avaliados, esta taxa não apresentou tendência de incremento nem de queda (Figura 11).

  12 10,8

  10 .) ab h

  8 il m

  5,7

  6

  00 5,2

   (1 4,5

  4,5 a

  4 ci ên d

  2 ci In

  2006 2007 2008 2009 2010 Fonte: SINAN/DIVEP/SESAU

  • Dados sujeitos a revisão devido ao período de 180 dias

  

Figura 11 - Incidência de hepatite B no período de 2006-2010* em

Alagoas

  Observa-se um aumento no número de casos confirmados no país no decorrer dos anos passando de 473, em 1999, para 14.601, em 2009, resultando em um total de 96.044 casos da doença no país. Desse total, 67,3% (64.634) ocorreram nas Regiões Sudeste e Sul. Esta última se manteve de 2002 a 2008, as maiores taxas de detecção variando entre 8,4 e 15,6 casos por 100 mil habitantes. No ano de 2009, a taxa observada no país foi de 7,6, representando cinco vezes mais do que a taxa registrada no ano de 2001 (BRASIL, 2010).

  No período de 1999 a 2009 foram confirmados no Brasil 60.908 casos de hepatite C e a taxa de detecção observada em 2009 foi de 5,1 casos por 100 mil habitantes. A taxa de detecção dos casos confirmados apresentou pouca variação nos últimos três anos para o país. A Região Sudeste apresentou o maior número de casos (6.620) e a maior taxa de detecção (8,2), em 2009. Dos estados brasileiros, o Acre exibe a maior taxa em 2009: 22,7 casos por 100 mil habitantes. (BRASIL, 2010).

  Observa-se no estado de Alagoas que a hepatite C apresenta a menor taxa de incidência quando comparada com as hepatites A e B. Por tratar-se de doença que apresenta uma tendência de cronificação (aproximadamente 80% dos casos), sua detecção ocorre, muitas vezes, durante sua fase crônica, podendo assim subestimar a incidência do agravo no estado. Assim como ocorreu com a hepatite B, a incidência da hepatite C apresentou sua maior incidência no ano de 2009 (3,39/100 mil hab.) (Figura 12).

  4 3,5 3,39

  .)

  3 ab h

  2,5 il m

  2

  00 1,82 1,63

  (1 1,5

  1,41 a ci

  1 0,94 ên d

  0,5 ci In

  2006 2007 2008 2009 2010 Fonte: SINAN/DIVEP/SESAU

  • Dados sujeitos a revisão devido ao período de 180 dias para encerramento

  

Figura 12 - Incidência de hepatite C no período de 2006-2010* em

Alagoas

  Considerando os casos de hepatite ocorridos no período, independente do tipo de vírus avaliado, observa-se que a maior frequência dos casos ocorre entre os indivíduos do sexo masculino (Figuras 13, 14 e 15). Quando são analisados separadamente os tipos de hepatite (A, B e C) segundo sexo e anos do período avaliado, verifica-se que em todos os anos, tanto os casos de hepatite A quanto de hepatite B ocorreram proporcionalmente mais casos entre os homens (Figuras 18 e 19). Considerando os casos de hepatite C identificados, somente em 2008 observa- se uma maior frequência entre os indivíduos do sexo feminino.

  Fonte: SINAN/DIVEP/SESAU

Dados sujeitos a revisão devido ao período de 180 dias para encerramento dos casos

Figura 13 - Casos confirmados de hepatite A, segundo sexo e ano, no

período de 2006-2010 em Alagoas.

  Fonte: SINAN/DIVEP/SESAU

Dados sujeitos a revisão devido ao período de 180 dias para encerramento dos casos

Figura 14 - Casos confirmados de hepatite B segundo sexo e ano, no

período de 2006-2010 em Alagoas.

  Fonte: SINAN/DIVEP/SESAU

Dados sujeitos a revisão devido ao período de 180 dias para encerramento dos casos

Figura 15 - Casos confirmados de hepatite C segundo sexo e ano, no

período de 2006-2010 em Alagoas.

  2006 2007 2008 2009 2010 TOTAL FEM 48,01 46,62 41,77 40,65 47,44 44,91 MASC 51,99 53,38 58,23 59,35 52,56 55,09

  0% 20% 40% 60% 80% 100%

  FR EQU ÊN C

  IA 2006 2007 2008 2009 2010 TOTAL FEM 42,67 49,55 48,48 45,87 44,03 46,94

  MASC 57,33 50,45 51,52 54,13 55,97 53,06 0% 20%

  40% 60% 80% 100%

  FR EQU ÊN C

  IA 2006 2007 2008 2009 2010 TOTAL FEM

  30,00 50,00 51,85 33,33 44,44 42,75 MASC 70,00 50,00 48,15 66,67 55,56 57,25 0%

  20% 40% 60% 80%

  100% FR EQU ÊN C

  IA

  REFERÊNCIAS

  BRASIL. Ministério da Saúde - Boletim Epidemiológico

  • –Hepatites Virais.Secretaria de Vigilância em Saúde - Departamento de DST, Aids e Hepatites Virais.Ano I- nº1.Brasília-DF.

  BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde. Departamento de

Atenção Básica. HIV/Aids, hepatites e outras DST / Ministério da Saúde, Secretaria

de Atenção à Saúde, Departamento de Atenção Básica. .

  • – Brasília: Ministério da Saúde, 2006 _______Composição da população segundo distribuição espacial, sexo e idade.

  Belo Horizonte: Cedeplar/UFMG, 2002. 44p. Disponível em: <http://

   da%20populacao.pdf>. Acesso em: 16 jun. 2011.

11.4 SITUAđấO DA AIDS EM ALAGOAS A epidemia da aids no Brasil iniciou-se nos primeiros anos da década de 80.

  No principio restrita às grandes metrópoles nacionais, atingindo prioritariamente homens com prática homossexual e indivíduos hemofílicos, dissemina-se para usuários de drogas injetáveis e posteriormente para heterossexuais, num processo conhecido como de heterossexualização, feminização e interiorização (BRITO; CASTILHO; SZWARCWALD, 2001).

  No Brasil, estima-se que 630 mil pessoas viviam com HIV/aids em 2006 (BRASIL, 2010). Dados do último estudo sentinela parturiente -2006 mostrou que as prevalências de infecção pelo HIV no Brasil se apresentavam da seguinte maneira: 0,6% na população de 15 a 49 anos de idade (0,4% nas mulheres e 0,8% nos homens), sendo 0,28% em mulheres jovens de 15 a 24 anos ( Landmann et al, 2008). Outros estudos realizados ou financiados pelo Ministério da Saúde demonstraram que as prevalências são mais elevadas em populações vulneráveis, destacando-se entre usuários de drogas ilícitas (5,9%), homens que fazem sexo com homens (10,5%) e mulheres profissionais do sexo (5,1%). (BRASIL, 2010)

  Considerando esses estudos e de acordo com os parâmetros da Organização Mundial da Saúde (OMS), no Brasil a epidemia é considerada concentrada porque apresenta taxa de prevalência da infecção pelo HIV menor que 1% entre as gestantes residentes em áreas urbanas e maior que 5% em subgrupos populacionais sob maior risco de infecção pelo HIV (BRASIL, 2002).

  A garantia do acesso universal e gratuito aos medicamentos antirretrovirais e as ações de prevenção podem ser citadas como importantes estratégias para conter a epidemia no país (DOURADO, 2006). As taxas de mortalidade tem sido um dos indicadores mais utilizados para medir o impacto de tais ações (BRASIL, 2008). Essa taxa no Brasil apresenta estabilização desde 2004 até 2009 em torno de 6,2 óbitos por 100.000 habitantes (BRASIL, 2010).

  Outras ações especificamente relacionadas à atenção materno-infantil têm buscado diminuir o risco da transmissão vertical do HIV por meio do oferecimento de exames sorológicos durante a gestação (pré-natal), parto e no puerpério, bem como tratamento e profilaxia adequados. Essas ações também fazem parte das prioridades do Pacto pela Vida na redução da mortalidade materno-infantil. Nesse contexto o Ministério da Saúde lançou o Plano para a Redução da Transmissão Vertical do HIV e Sífilis, com metas pactuadas entre estados e municípios através da Programação das Ações de Vigilância em Saúde (PAVS). O principal indicador de monitoramento para o plano é a taxa de incidência em menores de cinco anos de idade (BRASIL, 2010).

  Em Alagoas os primeiros casos de aids foram registrados no ano de 1986. O estado tem apresentado a mesma tendência do país com diminuição da razão de sexo Masculino/Feminino: 10:1 em 1988 para 2:1 no ano de 2008 e; expansão da epidemia para o interior do estado: 1986 a 1990, apenas 13 municípios notificaram 90 casos de aids em adulto representando 13% dos municípios do estado e em 2008 - 88 municípios do estado apresentaram pelo menos um caso de Aids, representando 86% dos municípios do estado (ALAGOAS, 2010).

  Na mortalidade observa-se também uma tendência de crescimento da taxa de mortalidade por aids, a partir do ano de 2001, com taxas superiores a 2,0 óbitos/100.000 hab. exceção dos anos 2004 e 2006, que apresentaram, respectivamente, 1,7 e 1,8 óbitos/100.000 hab.

  Este estudo tem o propósito de apresentar uma análise da situação da aids em Alagoas por regiões de saúde no período de 2006 a 2010.

  METODOLOGIA

  Estudo observacional, transversal a partir da análise de dados secundários do Sistema de Informação de Agravos de Notificação (SINAN), Sistema de Informação sobre Mortalidade (SIM) e dados populacionais do IBGE adquiridos no portal do DATASUS.

  Para a análise foram utilizados alguns dos indicadores recomendados pelo Ministério da Saúde para o monitoramento da resposta nacional à epidemia de aids (BRASIL, 2010): taxa de detecção de aids (100.000 hab.), taxa de detecção de aids em menores de 5 anos de idade (100.000 hab.) por ser utilizada como proxy da taxa de incidência de casos de aids por transmissão vertical, razão de sexos, percentual de casos de aids segundo categoria de exposição e coeficiente de mortalidade por aids(100.000 hab.).

  A definição de caso de aids utilizada neste estudo foi a padronizada pelo Ministério da Saúde, que subdivide os casos em 2 categorias : aids com 13 anos ou mais (adulto) e aids em menores de 13 anos (criança), tendo os seguintes critérios para o caso em adulto:

  Critério CDC adaptado - evidencia laboratorial do HIV e diagnóstico de pelo menos uma doença indicativa de aids e/ou contagem de linfócitos T CD4+ <

  3 350 células/mm .

  Critério Rio de Janeiro/Caracas - evidencia laboratorial do HIV e somatório de, pelo menos, 10 pontos, de acordo com uma escala de sinais, sintomas ou doenças.

  Critério excepcional óbito - menção de aids (ou (ou termos equivalentes) em algum campo da Declaração de Óbito + Investigação epidemiológica inconclusiva ou menção de infecção pelo HIV (ou termos equivalentes) em algum campo da Declaração de Óbito, além de doença associada à infecção pelo HIV + Investigação epidemiológica inconclusiva Para o caso de aids em criança os critérios são os seguintes:

  Critério CDC adaptado - evidência laboratorial da infecção pelo HIV em crianças, para fins de vigilância epidemiológica + evidência de imunodeficiência (diagnóstico de pelo menos 2 doenças indicativas de aids de caráter leve e/ou diagnóstico de pelo menos 1 doença indicativa de aids de caráter moderado ou grave e/ou contagem de linfócitos T CD4+ menor do que o esperado para a idade atual. Critério excepcional óbito - menção de aids (ou termos equivalentes) em algum dos campos da Declaração de Óbito + Investigação epidemiológica inconclusiva ou menção de infecção pelo HIV (ou termos equivalentes) em algum dos campos da Declaração de Óbito, além de doença associada à infecção pelo HIV + investigação epidemiológica inconclusiva

  No período 2006 a 2010, foram diagnosticados e notificados no Sinan, 1399 casos de aids. Deste total, 889 (64%) casos são do sexo masculino e 510 (36%) do sexo feminino (Figura 01).

  Feminino (510; 36%) Masculino (889; 64%)

  Fonte: SINAN/SES/AL. Dados tabulados em 14/06/2011 Figura 01 – Frequencia relativa e absoluta de casos de aids por sexo, Alagoas, periodo 2006 a 2010.

  O total de casos diagnosticados e residentes no estado no período 2006 a 2010 foi de 1399 casos, distribuídos em 76 municípios. Apesar de ter sido observada a mesma característica da interiorização já evidenciada no Brasil, observa-se que a concentração dos casos é maior na 1ª RS (1.092 casos; 78%), sendo 920 residentes em Maceió seguido da 4ª RS (101 casos; 7,2%). A 3ª RS apresentou o menor número de casos diagnosticados (47 casos; 3,4%) (Figura 02).

  Fonte: SINAN/SES/AL. Dados tabulados em 14/06/2011 Figura 02

  • – Distribuição dos casos de segundo municípios e região de residência, Alagoas, 2006-2010.
Analisando a taxa de detecção e mortalidade da aids no estado e regiões de saúde (Figura 03), Observou- se que:

  a

  A 1 RS apresentou a maior taxa de detecção no estado durante todo o

  a a

  período e a 3 RS a menor. A maior taxa foi no ano de 2008 (1 RS = 18, 2

  a casos por 100 mil hab.) e a menor em 2006 ( 3 RS = 1,4 por 100 mil hab.).

  Na taxa de detecção nesse período não se identificou um incremento ou decremento bem justificado pelo modelo de regressão linear, considerando o baixo coeficiente de determinação apresentado no estado e na maioria das

  a

  2

  regiões, exceção da 3 RS que apresentou R igual a 0,61, podendo nessa região ser considerado um ajuste razoável.

  a

  Na taxa de mortalidade específica por aids no comparativo entre regiões, a 1

  a

  RS também manteve a primeira posição durante todo o período. A 3 RS também apresentou a menor taxa de mortalidade, com exceção do ano de

  a

  2008 (1,2 por 100 mil hab.), onde essa taxa foi maior que a 2 (0,5 por 100 mil

  a hab.) e 4 RS (1,1 por 100 mil hab.).

  Na aplicação do modelo de regressão linear para a mortalidade, observou-se

  a

  tendência de incremento com alto coeficiente de determinação no estado e 1

  2 a 2 a

  RS (R = 0,98) e 4 RS (R = 0,88), no entanto na 3 RS esse coeficiente

  2 a a

  apresentou ajuste razoável (R = 0,51) e, nas outras regiões ( 2 e 5 RS) o coeficiente de determinação foi baixo não podendo ser explicado por este modelo. ALAGOAS 1ª RS 2ª RS 3ª RS 4ª RS 5ª RS ab .) 14 16 18 20 h .0 xa Ta ( 1 12 10 2 4 6 8 R² = 0,883 R² = 0,288

  2006 2007 2008 2009 2010 Linear (Taxa de incidencia) Linear (Taxa de mortalidade) Taxa de incidencia Taxa de mortalidade Fonte: Sinan/SIM/SES/AL e IBGE.

  

Figura 03 - Taxa de detecção e mortalidade (100.000 hab.) de aids e tendência, Alagoas e regiões de

saúde, 2006 a 2010.

  Examinando os casos de aids em menores de cinco anos, verificado que no período de 2006 a 2010 foram notificados 32 casos nessa faixa etária. A maior taxa de detecção observada foi em 2010, as 1ª e 2ª RS sobressaíram-se com respectivamente 5,1 e 7,8 casos por 100 mil hab. Nas outras regiões a detecção nessa faixa etária foi dispersa ao longo do período (Tabela 01). No estado observou- se um crescimento dessa taxa do início para o final do período, sofrendo uma variação de 450% do ano de 2006 para 2010.

  Tabela 01 – Taxa de incidência (100.000 hab.) de aids em menores de 5 anos, segundo região de saúde e estado, Alagoas, ano de diagnóstico de 2006 a 2010.

  

Região e estado 2006 2007 2008 2009 2010

1ª RS 2,6 2,6 3,3 5,1 -

  • 2 7,8 2ª RS
  • 3ª RS 1,8 - -
  • 4ª RS 2,8 1,4
  • - - - 3,7 - 5ª RS

   ALAGOAS 0,6 1,9 1,9 1,4 3,3 Fonte: SINAN/DIVEP/SESAU. Dados tabulados em 14/06/2011.

  Na análise dos casos de aids em adulto constatado que nesse período proporcionalmente ocorreram mais casos no sexo masculino (869 casos; 64%) do que feminino (486 casos; 36%). A razão de sexos permaneceu com certa estabilidade no período (≈2:1).

  A figura 04 demonstra que o percentual de categoria exposição ignorada ainda se mantém em patamares elevados (estado= 19%) nos casos de aids em adulto, mas aponta para a predominância da categoria de exposição heterossexual em todas as regiões de saúde e estado. Observou-se maior crescimento dessa categoria na 4ª e 5ª RS onde ocorreu um menor percentual de categoria de exposição ignorada.

  

Tabela 02 – Casos de aids em adulto segundo Sexo e Razão de sexo, Alagoas e

regiões, 2006 a 2010.

  

Região e estado Sexo 2006 2007 2008 2009 2010

1ª Região

  Masculino 116 125 163 144 141 Feminino

  52

  71

  93

  99

  59 Total 168 196 256 243 200 Razão 2,2 1,8 1,8 1,5 2,4 2ª Região Masculino

  10

  14

  9

  8

  9 Feminino

  

7

  5

  7

  3

  8 Total

  17

  19

  16

  11

  17 Razão 1,4 2,8 1,3 2,7 1,1 3ª Região

  Masculino

  

5

  4

  7

  7

  8 Feminino

  

1

  3

  2

  5

  2 Total

  

6

  7

  9

  12

  10 Razão 5 1,3 3,5 1,4

  4 4ª Região Masculino

  

8

  10

  13

  19

  11 Feminino

  

6

  8

  8

  7

  6 Total

  14

  18

  21

  26

  17 Razão 1,3 1,3 1,6 2,7 1,8 5ª Região Masculino

  12

  6

  7

  6

  7 Feminino

  

4

  6

  7

  8

  9 Total

  16

  12

  14

  14

  16 Razão

  

3

  1 1 0,8 0,8 Alagoas Masculino 151 159 199 184 176

  Feminino

  70 93 117 122

  84 Total 221 252 316 306 260 Razão 2,2 1,7 1,7 1,5 2,1 Fonte: SINAN/SES-AL Dados tabulados em 14/06/2011.

  100% 90% 80% 70% 60% 50% 40% 30% 20% 10%

  0% 1ª Região 2ª Região 3ª Região 4ª Região 5ª Região Alagoas Usuário de Drogas Injetaveis

  26

  1

  3

  30 Perinatal

  1

  1 Ignorado 205

  14

  8

  15 11 253 Hemofílico

  1

  1 Bissexual

  72

  4

  3

  1

  4

  84 Homossexual 131

  8

  6

  8 6 159 Heterossexual 627

  53

  27

  71 49 827 Fonte: SINAN/SES-AL.Dados tabulados em 14/06/2011.

  Figura 04 - Casos de aids em adulto segundo categoria de exposição, região de saúde e estado no período 2006 a 2010, Alagoas.

  CONSIDERAđỏES FINAIS

  Alguns dos grandes problemas enfrentados na vigilância da aids são o atraso na notificação, sendo muitas vezes superior a cinco anos após o diagnóstico e a subnotificação de casos, constatado em vários estudos nacionais entre outros Barbosa e Struchiner (1998) e Lemos e Valente (2001). Esta situação não é diferente da encontrada no estado de Alagoas, quando se verificou que na análise da situação de saúde do estado (ALAGOAS, 2010), o número de casos de aids em adultos no ano de 2008 era 298 casos e, na base de dados utilizada para esse estudo o número de casos no mesmo ano é de 318 (incremento de 7%). Essas são possíveis explicações para a oscilação da tendência não se conseguindo uma boa definição do padrão da epidemia em tempos recentes.

  Observou-se que apesar da aids no estado ter se interiorizado, a análise da taxa de detecção demonstrou que o risco de aids na capital e 1ª RS é bastante superior as outras regiões. Comparando com os dados do Brasil, no ano de 2008, o estado apresentou taxa de detecção inferior a do país e próximo de outros estados do nordeste (Bahia e Paraíba). A 1ª RS apresentou nesse ano, taxa semelhante a do Brasil (BRASIL, 2010).

  A evolução da taxa de mortalidade demonstrou incremento bem justificado

  a a

  pelo coeficiente de determinação no estado e em duas regiões (1 RS e 4 RS), situação que pode está refletindo dificuldade de acesso ao diagnóstico e assistência adequada também já identificada em estudos sobre subrregistro de mortalidade de aids na região metropolitana do estado (CIRÍACO, 2010).

  Mesmo considerando o atraso de notificação, a taxa de incidência em menores de 5 anos já demonstra crescimento como nos outros estados do Nordeste (BRASIL, 2009), o que aponta para a necessidade de implementação do plano de redução da transmissão vertical com aumento da cobertura de exames para HIV no ciclo gravídico-puerperal e garantia das ações de profilaxia em tempo oportuno.

  No estado e 1ª RS a razão de sexo comprovou a feminilização da epidemia também já bem definida em diversos estudos nacionais da ultima década, a análise dessa razão por ano nas outras regiões do estado ficou prejudicada pela pouca robustez dos dados.

  Analisando a categoria de exposição nos casos de aids em adulto, mesmo considerando o percentual de casos sem informação, a maio proporção de casos foi na categoria heterossexual em todas as regiões e no estado.

  Alagoas por ser um estado de pequena dimensão geográfica e fácil acesso viário a todos os municípios, permite a concepção de serviços de assistência para o paciente HIV/Aids centralizado, no entanto a oferta de exame sorológico para HIV necessita ser expandida e as equipes municipais precisam está capacitadas para o desencadeamento de ações de prevenções, diagnóstico precoce e encaminhamento oportuno dos casos.

  REFERÊNCIAS

  ALAGOAS. Secretaria Executiva de Saúde. Saúde Alagoas 2009: uma análise da situação de Saúde. Maceió, 2010.

  BARBOSA, Maria Tereza S.; STRUCHINER, Claudio José. Estimativas do número de casos de aids no Brasil, corrigidas pelo atraso de notificação. Rev. bras.

  epidemiol., São Paulo, v. 1, n. 3, dez. 1998 .

  BRITO, A.N.; CASTILHO, E. A.; SZWARCWALD, C.L. Aids e infecção pelo HIV no Brasil: uma epidemia multifacetada. Revista da Sociedade Brasileira de Medicina Tropical, v. 34, p. 207-17, 2001.

  BRASIL. Secretaria de Vigilância em Saúde. Departamento de DST, Aids e Hepatites Virais. Metas e Compromissos assumidos pelos Estados-Membros na

  

Sessão Especial da Assembléia Geral das Nações Unidas sobre HIV/Aids

UNGASS

  • –HIV/Aids: Resposta Brasileira 2008-2009: Relatório de Progresso do País. Brasília, DF, 2010.

  BRASIL. Secretaria de Vigilância em Saúde. Departamento de DST, Aids e Hepatites Virais. Vigilância do HIV no Brasil: novas diretrizes. Brasília, DF, 2002.

  BRASIL. Secretaria de Vigilância em Saúde. Departamento de DST, Aids e Hepatites Virais. Metas e Compromissos assumidos pelos Estados-Membros

  

na Sessão Especial da Assembléia Geral das Nações Unidas sobre HIV/Aids

UNGASS

  • – HIV/Aids: Resposta Brasileira 2005-2007: Relatório de Progresso do País. Brasília, DF. 2008.

  BRASIL. Secretaria de Vigilância em Saúde. Departamento de DST, Aids e Hepatites Virais. Nota técnica. Boletim Epidemiológico Aids e DST, Brasília, DF, ano VI, n. 1, p. 57-58, 2010.

  BRASIL. Secretaria de Vigilância em Saúde. Departamento de Análise de Situação de Saúde. Saúde Brasil 2009: uma análise da situação de saúde e da agenda nacional e internacional de prioridades em saúde. Brasília: Ministério da Saúde, 2010.

  CIRÍACO, D. L. Subrregistro de óbitos por aids: investigação de óbitos por causas indeterminadas ou com diagnósticos sugestivos de imunodeficiência adquirida na região metropolitana de Maceió, Alagoas. Dissertação (Mestrado)

  • – Centro de Pesquisa Aggeu Magalhães, Fiocruz, Recife, 2010. DOURADO, I. et al. Tendências da epidemia de Aids no Brasil após a terapia anti- retroviral. Revista de Saúde Pública, São Paulo, vol.40 (Supl.), p. 9-17. 2006. LEMOS, K. R. V.; VALENTE, J. G. A declaração de óbito como indicador de sub- registro de casos de AIDS. Cadernos de Saúde Pública, Rio de Janeiro, v. 17, n. 3, p. 617-626, mai-jun, 2001. SZWARCWALD, C. L. et al. HIV testing during pregnancy: use of secondary data to estimate 2006 test coverage and prevalence in Brazil. Brazilian journal of infectious diseases, Salvador, v. 12, n. 3, p. 167-172, jun. 2008.

11.5 SITUAđấO DA SễFILIS CONGÊNITA EM ALAGOAS

  A sífilis, doença infecciosa crônica causada pelo Treponema pallidum, acomete praticamente todos os órgãos e sistemas, apesar de ter tratamento eficaz e de baixo custo, vem-se mantendo como problema de saúde pública até os dias atuais.

  Transmitida pela via sexual (sífilis adquirida) e verticalmente (sífilis congênita) pela placenta da mãe para o feto. O contato com as lesões contagiantes (cancro duro e lesões secundárias) pelos órgãos genitais é responsável por 95% dos casos de sífilis. Outras formas de transmissão mais raras e com menor interesse epidemiológico são por via indireta (objetos contaminados, tatuagem) e por transfusão sangüínea. O risco de contágio varia de 10% a 60% conforme a maioria dos autores. (AVELLEIRA, 2006)

  A sífilis tem distribuição mundial e se constitui na mais importante doença sexualmente transmissível. Das doenças que podem ser transmitidas durante o ciclo grávido-puerperal, é a que tem as maiores taxas de transmissão. Se adquirida durante esse ciclo, pode levar a abortamento espontâneo, morte fetal e neonatal, prematuridade e danos à saúde do recém nascido com repercussões psicológicas e sociais. A manifestação congênita da doença acarreta malformações ósseas, surdez, cegueira e problemas neurológicos, entre outros, para a criança. (MS, 2005).

  De acordo com o Ministério da Saúde (2008) os estudos de abrangência nacional revelam ser a sífilis congênita um grave problema de saúde pública ao estimarem que 1,6% das parturientes (cerca de 50 mil parturientes) do país apresentavam (em 2004) sífilis ativa e altas taxas de prevalência regionais (Norte 1,8%, Nordeste 1,9%, Centro Oeste 1,3%, Sudeste 1,6% e Sul 1,4%); a estimativa de 12 mil nascidos vivos com sífilis.

  De 1998 a junho de 2009, foram notificados 55.124 casos de Sífilis Congênita (SC) em menores de um ano de idade no Brasil e 903 casos no período de 2007 a 2010 em Alagoas. São registrados, em média, apenas 225,75 casos da doença a cada ano, o que sugere uma subnotificação se comparar a prevalência estimada no estudo de parturientes, apenas ¼ do que deveria ser notificado. A estimativa do Ministério da Saúde, contudo, é de que ocorram 12 mil notificações anualmente.

  A inclusão da SC na lista de notificação compulsória para fins de vigilância epidemiológica foi de acordo com a portaria 542 de 22 de dezembro de 1986. (Brasil, 1986). A sífilis na gestação foi incluída com a publicação da Portaria MS/SVS

  o N 33, assinada em 14 de julho de 2005.

  A notificação da sífilis na gestação é um excelente indicador de uma atenção pré-natal e puerperal de qualidade na saúde materna e neonatal, por ser uma doença totalmente passível de prevenção, diagnóstico e tratamento durante a gestação. Entretanto, a dificuldade de acesso ao serviço de pré-natal e exames laboratoriais torna mais difícil o diagnóstico precoce, a adesão ao tratamento da gestante e do parceiro e o estabelecimento do vinculo entre a equipe de saúde e a gestante, o que aumenta a probabilidade de transmissão vertical da sífilis.

  Para reduzir as taxas de transmissão vertical do HIV e da sífilis, o Ministério da Saúde lançou em 2003 o Projeto Nascer que visa capacitar as equipes multiprofissionais das maternidades cadastradas para reorganizar o processo de trabalho proporcionando melhoria da qualidade do atendimento à gestante, puérpera e recém nascido, redução da transmissão vertical do HIV e controle da sífilis congênita.

  No ano de 2010, a Secretaria de Saúde pactuou com os municípios a realização de monitoramento da notificação dos casos de sífilis em gestantes com base nas estimativas de casos esperados para medir a agilidade da vigilância epidemiológica em detectar casos e a qualidade dos serviços.

  A baixa detecção de casos de sífilis em gestantes registrados no SINAN acarretou a necessidade de utilizar a estimativa de prevalência da sífilis em parturientes relatada no Estudo de representatividade nacional realizado em parturientes, em 2004. Baseando-se neste estudo, Alagoas deveria estar notificando 1314 casos de sífilis em gestantes para o ano de 2010, porém foram notificados 237 casos, ou seja, apenas 18,03% da meta.

  Em 2007, O Ministério da Saúde lançou o plano operacional para a redução da transmissão vertical da sífilis e do HIV no Brasil, o objetivo deste plano é reduzir a taxa de incidência da sífilis congênita, de forma escalonada e regionalizada até

  2011. A taxa de Incidência esperada por 1000 nascidos vivos até 2011, para a região nordeste é de 2,3/1000 NV.

  Porém, Alagoas registrou 237 casos de Sífilis Congênita no Sistema Nacional de Agravos de Notificação (SINAN). A incidência da sífilis congênita em 2010 foi de 4,42/1000 NV no estado, 27 municípios apresentaram um coeficiente acima de 5,0/1000 NV. Dos municípios destacados como baixa incidência (< 1,0) apenas Penedo (0,96%) e Palmeira dos índios (0,76%) tiveram notificação de um caso, os demais (57 municípios) foram silenciosos para esse agravo (Figura 01). Entretanto, isso pode está relacionado a um baixo poder de diagnóstico e, consequentemente, subnotificação, mas não à ausência de casos.

  Fonte: Sinan NET

Figura 01 - Coeficiente de detecção de Sífilis Congênita por 1.000 nascidos vivos.

  Alagoas, 2010.

  • Casos notificados de SC segundo apresentação de sintomas. Alagoas, 2007 a 2010.

  2

  86

  84

  82

  80

  86,5 R² = 0,829

  81,4 83,9 85,0 86,4 86,3

  Alagoas, 2005 a 2010.

  Fonte: SINASC Figura 02 Proporção de gestantes que realizaram 4 ou mais consultas de pré- natal.

  =0,829) no número de mulheres que tiveram 4 ou mais consultas durante a gestação (Figura 02).

  Avaliando a cobertura do pré-natal no estado em uma série histórica dos últimos seis anos, observa-se uma tendência significativa de crescimento (R

  

Dos casos de SC ocorridos de 2007 a 2010, cerca de 64,53% não

apresentaram sintomatologia clínica da doença (Tabela 01).

  A qualificação do pré-natal é essencial para a eliminação do problema, temos uma cobertura de 96% das gestantes do país. Se todas fizerem os dois exames ao longo da gravidez, conforme recomenda o Ministério da Saúde, será possível tratá- las antes do parto (MS, 2008).

  56 16 237 Fonte: Sinan NET

  32 133

  35 10 207 2010

  21 141

  28 10 199 2009

  2007 257 3 260 2008 23 138

  Ano da notificação NI Assintomático Sintomático Não se aplica Total

  Tabela 01

  88 2005 2006 2007 2008 2009 2010 (% ) P ro p o ão ≥ 4 consultas pré-natal Porém, dos casos de SC diagnosticados no ano de 2010 em Alagoas, 71,73% das gestantes realizaram pré-natal. Das mães com idade de 10 a 14 anos (50%) e das de 15 a 19 anos (85,42%) também houve um percentual significante dessa assistência (Tabela 02).

  Tabela 02

  • – Proporção de casos notificados de sífilis congênita segundo faixa etária materna e seguimento de pré-natal em residentes de Alagoas, 2010.

  Faixa Não informado C/ pré-natal S/ pré-natal Total etária

anos N (%) N (%) N (%) N (%)

  Branco 9 81,82 2 18,18 0,00 11 100,00 10-14 0,00

2 50,00

2 50,00 4 100,00 15-19

  4 8,33

41 85,42

3 6,25 48 100,00 20-34 21 13,82 109 71,71 22 14,47 152 100,00 35-49

  3 13,64

16 72,73

3 13,64 22 100,00 Total 37 15,61 170 71,73 30 12,66 237 100,00

  Fonte: Sinan NET

  Analisando os casos de SC com consulta pré-natal, no período de 2007 a 2010 segundo região de saúde, verifica-se que a 1ª (70,86%) e a 2ª (69,13%) estiveram abaixo da média ocorrida no estado que foi de 72,33% (Tabela 03). No entanto observa-se a não realização das rotinas preconizadas e uma baixa qualidade desse atendimento, principalmente se atentarmos aos casos de SC que a mãe teve diagnostico de sífilis durante o pré-natal (Figura 03), manteve-se uma média de 33,94% isso demonstra que as oportunidades de diagnóstico e tratamento adequado dessas mulheres durante a gestação foram perdidas. Medidas simples e eficazes na prevenção da SC.

  Tabela 03 Casos de sífilis congênita segundo realização de pré-natal por região de saúde.

  Total 31 100,00 20 100,00 18 100,00 23 100,00 Alagoas NI

  60 2007 2008 2009 2010 (% ) P ro p o ão Detecção de Sífilis Materna entre as que realizaram pré-natal

  50

  40

  30

  20

  10

  Alagoas, 2007 a 2010. 35,94 31,88 34,42 33,53 51,56 47,83 38,31 40,59 10,94 18,12 24,68 25,29

  Figura 03 Proporção de casos de sífilis congênita de mães diagnosticadas durante o pré-natal.

  Fonte: Sinan NET Fonte: Sinan NET

  Não 41 15,77 29 14,57 27 13,04 30 12,66 Total 260 100,00 199 100,00 207 100,00 237 100,00

  Sim 192 73,85 138 69,35 154 74,40 170 71,73

  27 10,38 32 16,08 26 12,56 37 15,61

  11 55,00 14 77,78 16 69,57 Não 3 9,68 0,00 2 11,11 0,00

  Alagoas, 2007 a 2010.

  5 16,13 9 45,00 2 11,11 7 30,43 Sim 23 74,19

  Total 10 100,00 6 100,00 7 100,00 13 100,00 5ª NI

  1 10,00 2 33,33 1 14,29 3 23,08 Sim 7 70,00 4 66,67 6 85,71 10 76,92 Não 2 20,00 0,00 0,00 0,00

  Total 13 100,00 10 100,00 16 100,00 13 100,00 4ª NI

  11 84,62 6 60,00 13 81,25 11 84,62 Não 1 7,69 3 30,00 3 18,75 2 15,38

  3ª NI 1 7,69 1 10,00 0,00 0,00 Sim

  5 14,29 2 11,11 2 9,52 2 8,33 Total 35 100,00 18 100,00 21 100,00 24 100,00

  1 2,86 1 5,56 1 4,76 5 20,83 Sim 29 82,86 15 83,33 18 85,71 17 70,83 Não

  Total 171 100,00 145 100,00 145 100,00 164 100,00 2ª NI

  19 11,11 19 13,10 22 15,17 22 13,41 Sim 122 71,35 102 70,34 103 71,03 116 70,73 Não 30 17,54 24 16,55 20 13,79 26 15,85

  2007 2008 2009 2010 Nº % Nº % Nº % Nº % 1ª NI

  Região de saúde Realizou pré- natal

  

Durante o pré-natal No momento do parto/curetagem Após o parto O tratamento medicamentoso além de simples é também de baixo custo, mas o que se observa na realidade é a manutenção da transmissão da doença, tanto em adultos quanto em gestantes e crianças por falhas da prevenção, como a não realização de pré-natal adequado e não orientação do parceiro para o tratamento.

  Em Alagoas, a taxa de tratamento dos parceiros sexuais das gestantes foi de 14,35% em 2010, quando analisamos os anos anteriores verificamos um aumento significante dessa taxa (Figura 04), no entanto, observa-se uma alta proporção dos que não realizaram tratamento (51,90%), com maior ocorrência na 1ª região de saúde (Tabela 04). Se considerarmos que essa incidência utiliza em sua base de cálculo o local de residência, verifica-se que a assistência à gestante não foi adequadamente realizada. Também se evidenciou um alto percentual de informações ignoradas (33,76%).

  Fonte: Sinan NET Figura 04 – Proporção de parceiros das gestantes dos casos diagnosticados de SC que realizaram tratamento. Alagoas, 2007 a 2010.

  5,38 11,06 12,08 14,35

  R² = 0,893

  5

  10

  15

  20 2007 2008 2009 2010 (% ) P ro p o ão

  Tabela 04

  • Realização do tratamento dos parceiros das mães dos casos notificados de sífilis congênita. Alagoas, 2007 a 2010.

  2007 2008 2009 2010 Região de % % % % % % % % Saúde % NI SIM NÃO % NI SIM NÃO % NI SIM NÃO % NI SIM NÃO 1ª 12,31 0,77 52,69 16,08 6,03 50,75 23,19 2,90 43,96 21,94 5,91 41,35 2ª 0,00 0,77 12,69 4,02 0,50 4,52 1,93 0,48 7,73 5,06 1,27 3,80 3ª 0,00 1,15 3,85 0,50 3,52 1,01 0,97 4,83 1,93 0,00 5,06 0,42 4ª 0,77 1,15 1,92 1,51 0,00 1,51 0,48 2,42 0,48 2,53 1,27 1,69 5ª 2,31 1,54 8,08 3,52 1,01 5,53 1,93 1,45 5,31 4,22 0,84 4,64

  

Alagoas 15,38 5,38 79,23 25,63 11,06 63,32 28,50 12,08 59,42 33,76 14,35 51,90

Fonte: Sinan NET

  Devido à possibilidade de infecção (ou reinfecção) durante a gravidez, o primeiro exame deve ser solicitado no primeiro trimestre do pré-natal, o segundo, no início do terceiro trimestre, pois a gestante pode se infectar (ou se reinfectar). A falha na oferta e implementação de tratamento adequado para eles pode ter acarretado a reinfecção das mulheres e a transmissão da sífilis para os fetos, que acabaram desenvolvendo a SC.

  O tema proposto pela Sociedade Brasileira de DST em 2008 - 'Homem, faça o exame da sífilis' - é um acerto. Isso porque o diagnóstico e o tratamento dos parceiros são um obstáculo para manter a sífilis longe das gestantes. A questão é cultural. De um lado, os homens pouco conhecem os sintomas da doença. Por outro, os profissionais de saúde não oferecem o exame como rotina (MS, 2008).

  Estudos do Ministério da Saúde indicam a SC como causa frequente de morbimortalidade perinatal, ocupando espaços entre as principais causas básicas de óbitos infantis, aborto, nati e neomortalidade e complicações precoces e tardias de nascidos vivos. Em 2010, 9,70% dos casos notificados no estado tiveram desfecho desfavorável (Tabela 05) índice superior ao de 2007 (8,46%).

  Tabela 05 – Casos notificados de sífilis congênita, segundo evolução. Alagoas, 2010 Ano da Não Óbito por Óbito por Vivo Aborto Natimorto notificação Informado SC outra causa

  2007 6 229

  

22

  3 2008

  11 169

  

5

  1

  3

  10 2009

  11 183

  

2

  3

  5

  3 2010

  28 184

  

8

  2

  4

  11 Fonte: Sinan NET O elevado coeficiente de detecção de SC em RNs, filhos de mães que realizaram pré-natal, reflete a necessidade de mais empenho político, melhor infraestrutura de cuidados e comprometimento dos profissionais de saúde.

  É necessário organizar os serviços de saúde, ampliando o acesso a essa população, aumentar a captação precoce de gestantes, sensibilizá-las ao serviço de pré-natal, ofertar a rotina de exames preconizada pelo MS, garantir o tratamento adequado e o controle de cura para gestantes e parceiros com diagnóstico positivo.

  A resposta eficaz para eliminar a sífilis congênita não virá apenas da área de saúde. É um desafio para vários atores sociais. É fundamental que mulheres e seus parceiros conheçam e exijam o diagnóstico e, se necessário, o tratamento ao longo do pré-natal. Que os profissionais de saúde ofertem esses exames aos pacientes. É importante também que os meios de comunicação dêem visibilidade para a sífilis como um problema de saúde pública (MS, 2008).

  REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

  AVELLEIRA, João Carlos Regazzi; BOTTINO, Giuliana. Sífilis: diagnóstico, tratamento e controle. An. Bras. Dermatol., Rio de Janeiro, v. 81, n. 2, mar. 2006 .Disponível em <http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0365- 05962006000200002&lng=pt&nrm=iso>. acessos em 24 ago. 2011. http://dx.doi.org/10.1590/S0365-05962006000200001. Diretrizes para o Controle da Sífilis Congênita - Ministério da Saúde, Secretaria de Vigilância em Saúde, Programa Nacional de DST e Aids - Brasília

  • – DF - 2006 Brasil. Portaria nº542/1986. Diário

  Oficial da República Federativa do Brasil, Brasília, 24 de Dezembro de 1986, Seção 1, p. 19827 Sífilis gestacional como indicador da qualidade do pré-natal no Centro de Saúde n.º 2 Samambaia-D, Eslei Judson Lisboa Leitão, Maria Clara de Melo Canedo, Marcela Franco Furiatti, Larissa Rávila Sacch de Oliveira, Leonardo Santos Diener, Marcell Paiva Lobo, Marcos Filipe Leal Marra de Castro, Dyego Frederick Simão Barbosa, Jeanne Braz da Silveira, Fábio Rabello da Mata Machado, Jefferson Lessa Soares de Macedo. Com. Ciências Saúde. 2009;20(4):307-314 Plano operacional de redução da transmissão vertical do HIV e da Sífilis Congênita no estado de Alagoas

  • – 2008,

12. SAÚDE DO TRABALHADOR

  O grupo que compõe a população economicamente ativa do Estado de Alagoas em 2010 soma 2.548.296 habitantes, correspondente a faixa etária de 10 ou mais anos de idade. A taxa de incidência dos agravos relacionados ao trabalho neste ano ficou em 3,91 por cada grupo de dez mil habitantes (Quadro 01).

  

Quadro 01- Taxa de Incidência* geral dos agravos à Saúde do trabalhador registrados no Sistema de

Informação de Agravos de Notificação - SINAN, Alagoas / 2007 – 2010

  

Ano 2007 2008 2009 2010

Taxa de Incidência 0,70 3,80 3,79 3,91

(n° absoluto) (168 casos) (922 casos) (929casos) (997 casos)

  Fonte: SINAN/SESAU/AL

  • Taxa por 10.000 trabalhadores

  Dentre os nove agravos da lista de notificação compulsória, apenas seis aparecem no Sistema de Informação de Agravos Notificação-SINAN de Alagoas. Os que mais acometem os trabalhadores alagoanos, segundo as notificações são: Acidente com exposição à material Biológico, Acidente grave, Intoxicações Exógenas ocupacionais e Distúrbios Osteomusculares Relacionados ao Trabalho (DORT),conforme demonstrado no quadro 02.

   Quadro 02 - Agravos relacionados ao trabalho. Alagoas, 2008-2010

AGRAVOS RELACIONADOS AO 2008 2009 2010

TRABALHO

  Acidente com exposição à material 575 662 744 biológico Acidente de Trabalho Grave 162 116

  97

  • 2 - Dermatoses ocupacionais Intoxicações exógenas 183 147

  92 ocupacionais Distúrbios Osteomusculares

  2

  4

  61 Relacionados ao Trabalho - DORT Perda Auditiva Induzida por Ruído - 1 -

  • PAIR Total 922 929 997

  Fonte: SINAN/SESAU/AL

  Desde o ano de 2009 a Vigilância à Saúde do Trabalhador promove capacitações (específicas em sistemas de notificações e rede referenciada para assistência) dirigidas aos profissionais de nível médio e universitário da ponta do sistema

  • – Equipes de Saúde da Família. O objetivo é aumentar a detecção de casos que subsidie intervenções impactantes no quadro.

  A Vigilância à Saúde do Trabalhador em Alagoas também desenvolve ações de promoção à saúde por meio de campanhas educativas específicas; ações de prevenção de acidentes a partir de inspeções aos ambientes de trabalho; detecção e notificação dos acidentes; investigação/acompanhamento dos agravos notificados e monitoramento dos indicadores de vigilância em saúde.

  O Estado oferece uma rede de 27 Unidades Sentinelas, distribuídas em 18 municípios, sendo: 7 unidades em Maceió, 4em Arapiraca e 1 em cada um dos 16 municípios restantes da rede(Campo Alegre, Coruripe, Delmiro Gouveia, Flexeiras, Joaquim Gomes, Palmeira dos Índios, Pão de Açúcar, Passo de Camaragibe, Penedo, Porto Calvo, Santana do Ipanema, São Luís do Quitunde, São Miguel dos Campos, Teotônio Vilela, União dos Palmares e Viçosa). Além da rede de Unidades Sentinelas, quatro Centros de Referência em Saúde do Trabalhador

  • – CERESTs encontram-se em funcionamento, a saber: 1 de referência Estadual; e 3 com abrangência Regional, sendo 1 sob a gestão do município de Maceió,(abrangendo apenas a 1ª MRS), 1 em Arapiraca (abrangendo a 4ª RS), e 1 em Santana do Ipanema (abrangendo a 3ª RS), temos portanto 42 municípios sem CEREST regional, ficando como referência o CEREST estadual.

  ANÁLISE DA SITUAđấO DE SAÚDE

  As investigações dos agravos de notificação compulsória relacionados ao Trabalho registrados em 2010em Alagoas apresentaram maior incidência nos casos com exposição a materiais biológicos com 744 registros; em segundo lugar os acidentes de trabalho grave com 97 registros, seguidos das intoxicações exógenas ocupacionais com 92 notificações. Por fim, 61 casos de Distúrbios Osteomusculares Relacionados ao Trabalho (DORT), 2 Dermatoses ocupacionais e 1 caso de Perda Auditiva Induzida por Ruído relacionada ao trabalho - PAIR.

  Embora o biênio 2009/2010 tenha sido de investimentos no tocante a capacitação de profissionais lotados nas unidades sentinelas e de profissionais de nível universitário e nível médio da Atenção Primária, observa-se que ainda é discreto o crescimento das notificações de agravos relacionados ao Trabalho de 2009 para 2010, conforme mostrado acima no quadro 01.

  Sabe-se que o processo de sensibilização desses profissionais e da disseminação da informação é lento e, portanto, os resultados não caminham na mesma velocidade que se espera. O que se observa hoje é uma maior preocupação em notificar o caso conforme as normas vigentes, ou seja, com diagnóstico fechado, evitando encher o sistema de informação com notificações que não são investigadas e concluídas.

  VII 6 - - - - -

  1 Fonte: SINAN/SESAU/AL

Busca de agravos relacionados ao Trabalho em outros Bancos de dados do

SUS

  92

  61

  2

  96

  32 2 - - - - Alagoas 744

  XIII

  XII 2 - - - - -

  XI 17 - 1 - - -

  X 8 - - - - -

  16

6 - -

4 -

  IX

  4 3 - 1 - -

  VIII

  3 5 - - - -

  De acordo com a distribuição espacial dos agravos do quadro 03, em todas as microrregiões ocorreram agravos relacionados ao trabalho. Observa-se ainda que as microrregiões I, II e V são as de maior expressão em termos de ocorrência desses acidentes. Por se tratar de municípios com maior densidade demográfica e consequentemente maior número de trabalhadores, além de possuir serviços de saúde mais estruturados, com maior capacidade de identificação dos casos.

  VI

  47 87 -

  1

  31

  59

  V

  29 3 - - - -

  1 IV

  24 2 - 12 -

  III

  23 40 - - - -

  II

  1 1 -

  

Quadro 03 - Agravos relacionados ao trabalho por tipo e por microrregião, Alagoas – 2010

MICRO REGIÕES Ac. Material Biológico Ac. de Trabalho Grave Dermatoses ocupa cionais DORT Intoxicações exógenas ocupacionais PAIR I 521 4 -

  O banco de dados do SINAN em Alagoas não apresenta registro de casos de Pneumoconiose desde a implantação desta vigilância. Em recente busca de

  O banco de dados das violências também é fonte para identificar agravos decorrentes do trabalho, pois em sua ficha de investigação existem dois campos que questiona se a violência foi relacionada ao trabalho.

  6 Fonte: Ministério da Saúde - Sistema de Informações Hospitalares do SUS (SIH/SUS) Nota:Situação da base de dados nacional em 01/04/2011, sujeita a novas atualizações.

  8 Fonte: MS/SVS/DASIS - Sistema de Informações sobre Mortalidade - SIM

  1 Total

  1 Roteiro

  1 Pilar

  3 Matriz de Camaragibe

  1 Maceió

  1 Belém

  MUNICÍPIO 2008 Atalaia

  Quadro 05

  Quando se buscou os óbitos por Pneumoconiose NE encontrou-se 8 registros distribuídos em 6 municípios, e todos ocorridos em 2008.Destes, 3 (37,5%) residiam em Maceió (Quadro 05).

  3

  internações por Lista de morbidade CID10 no banco de dados do SIH, encontrou-se registro de 6internações hospitalares por essa patologia de residentes de quatro municípios, no período de 2008 a 2010, descrito no quadro 04.

  1

  2

  1 Total

  1 Teotônio Vilela 1 - -

  1

  3 São Miguel dos Milagres - -

  2

  1

  1 Passo de Camaragibe -

  MUNICÍPIO 2008 2009 2010 Total Delmiro Gouveia 1 - -

  

Quadro 04 – Internações hospitalares por Pneumoconiose, segundo local

de residência. Alagoas, 2008-2010.

  • – Óbitos por Pneumoconiose (CID-

    10: J64) segundo município de residência. Alagoas, 2008.

Em busca nesse banco de dados encontrou-se entre 2009 e 2010, 19 notificações relacionadas ao trabalho, distribuídas em 10 municípios de todas as idades (quadro 06).

  

Quadro 06 – Violências relacionadas ao Trabalho por

Município de residência. Alagoas, 2009/2010.

  MUNICÍPIOS 2009 2010 Anadia 1 - Arapiraca

  3

  2 Campo Alegre 1 - Maceió

  1

  7 Marechal Deodoro -

  1

  • Piranhas

  1 Taquarana 2 - Total

  5

  14 Fonte: SINAN/SESAU/AL Destes 19 casos, 5 foram em menores de 18 anos (1 em 2009 e 4 em 2010).

  Dos 4 casos de 2010, 3 são do sexo masculino e 1 do feminino; 3 provenientes de Maceió e 1 de Piranhas;dois jovens com 15 anos e 2 com 16 anos de idade. Segundo dados da Ficha de Investigação - FI o tipo de violência foi Física nos 4 casos. Os meios de agressão foram: 2 por espancamento, 1 por envenenamento e 1 por arma de fogo. A ocupação foi desconhecida e todos evoluíram para a alta. Ainda segundo os dados das FI, nenhum foi encaminhado aos órgãos competentes como Conselho Tutelar, Delegacia de Atendimento à Mulher, Delegacia de proteção da Criança e do Adolescente, entre outros.

  Agravos relacionados ao Trabalho ocorridos em crianças e adolescentes

  É consenso a preocupação das autoridades em busca da erradicação do trabalho infantil que têm mantido esforço em promover ações integradas para garantir à criança e ao adolescente o direito à vida e ao desenvolvimento pleno.

  Mas é fato, também, que os acidentes em crianças e jovens decorrentes do trabalho estão presentes todos os anos nas estatísticas de morbimortalidade. As figuras de 01 a 06 mostram os acidentes graves e intoxicações exógenas resultantes de atividade de trabalho por município de residência. As intoxicações se concentram na região do agreste onde há o uso freqüente de agrotóxicos na cultura fumageira e outras.

  Arapiraca - 11 Craíbas - 3 Feira Grande - 1 L. Canoa - 1 P.Índios - 1 Quebrangulo - 1 Taquarana - 1 Fonte: SINAN/SESAU/AL

  Figura 01 - Acidente Grave em menores de idade, por Município de Residência, AL, 2010.

  Fonte: SINAN/SESAU/AL Figura 02 – Intoxicações exógenas ocupacionais em menores de idade, por Município de Residência, AL, 2010.

  Arapiraca - 5 Belo Monte - 1 Campo Grande - 1 Piaçabuçu - 1 Tanque d‟Arca - 1 Teotônio Vilela - 1

16 Agrotóxico agrícola Planta Tóxica Medicamento

  5

  15

  20 1-4 10-14 15-17 2009 2010

  33

  34

  33

  19

  10

  5

  15

  20

  25

  30

  35

  40

2007 2008 2009 2010

  10

  Fonte: SINAN/SESAU/AL Figura 03 - Intoxicação exógena segundo agente tóxico, ocorridos em menores de idade, Alagoas – 2010

  Fonte: SINAN/SESAU/AL

Figura 04 - Intoxicação exógena ocupacional em menores de idade, por faixa etária,

Alagoas - 2009/2010 Fonte: SINAN/SESAU/AL

Figura 05 - Intoxicações exógenas ocupacionais em menores de 18 anos, Alagoas,

2007 - 2010.

  8

  3

  15

  1

  2

  4

  6

  10

  7

  12

  14

  1

  11

  18

  1

  11

  200 183 147

  150 111

  92 100

  50

2007 2008 2009 2010

  Fonte: SINAN/SESAU/AL Figura 06 - Intoxicações exógenas ocupacionais em todas as idades, Alagoas, 2007 - 2010.

  A Ficha de Investigação das Intoxicações exógenas é única para todos os tipos de intoxicações. O que determina se é ocupacional é a resposta sim do campo

  56. Ocorre que a baixa qualidade das investigações permite que se questione o total de casos ocupacionais. Pois quando levanta-se do total das intoxicações qual o agente tóxico causador, três tipos que são diretamente ligados a agricultura aparecem em quantidade bem maior que o número total das ocupacionais determinadas.

  CONSIDERAđỏES FINAIS

  Diante da análise acima descrita não há dúvida quanto a urgênciado tema e quanto a necessidade de buscar soluções para as questões colocadas, para isso está posto no planejamento das Ações desta Diretoria a realização do I Curso de Especialização em Saúde do Trabalhador no Estado de Alagoas, com o objetivo de capacitar profissionais da saúde priorizando as vagas para os CERESTs e Unidades Sentinelas, para melhor atender as necessidadesdos trabalhadores; e aprimorar as ações de Vigilância em Saúde do Trabalhador definindo a real situação destes agravos no Estado.

  REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

  Ministério da Previdência Social, Instituto Nacional do Seguro Social, Empresa de Tecnologia e Informações da Previdência Social, Ministério do Trabalho e Emprego. Anuário Estatístico de Acidentes do Trabalho, AEAT 2008. SESAU/ AL, Normas para elaboração dos boletins/informes epidemiológicos, março de 2006.

  Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Censo 2010. Disponível em: Acesso em junho de 2011.

13. COBERTURAS VACINAIS E DOENÇAS

  

IMUNOPREVENÍVEIS

13.1 ANÁLISE DAS COBERTURAS VACINAIS EM ALAGOAS O Programa Nacional de imunização

  O Programa Nacional de Imunizações

  • – PNI foi criado em 1973 e institucionalizado em 1975 (Lei n º 6.259/75 e Decreto nº 78.231/76) como resultado de um conjunto de fatores nacionais e internacionais que convergiram para expandir a utilização de agentes imunizantes no Brasil.

  O PNI tem por objetivo contribuir para o controle, eliminação e/ou erradicação das doenças imunopreveníveis, por meio de duas estratégias básicas: vacinação de rotina e campanhas anuais, de maneira descentralizada e hierarquizada. Para atingir essa meta, o programa procura manter alta cobertura vacinal da população-alvo e com índices homogêneos nos municípios, de modo a bloquear a suscetibilidade da transmissão dessas doenças. A estratégia básica do programa para o alcance da meta é a vacinação de rotina, tendo como grupo prioritário os menores de um ano.

  No formato atual do Programa, o Governo Federal centraliza a aquisição de imunobiológicos, por meio do fundo rotativo da Organização Pan-americana de Saúde

  • – OPAS, bem como de seringas e agulhas, além de outros suprimentos. As atividades de aquisição de vacinas são da responsabilidade do Departamento de Administração da Fundação Nacional de Saúde, sendo as atividades de recebimento, armazenamento e distribuição de competência da Central Nacional de Armazenamento e Distribuição de Imunobiológicos
  • – CENADI/FUNASA/MS, sediada na cidade do Rio de Janeiro – RJ.

  Em Alagoas, o Núcleo do Programa Estadual de Imunizações possui: 01 CEADI

  • – Central Estadual de Armazenagem Distribuição de Imunobiológico e 06 CREADIS - Centrais Regionais de Armazenagem e Distribuição de

  Imunobiológicos

  • CREADIS, localizadas nos municípios de Arapiraca, Penedo, Palmeira dos Índios, União dos Palmares, Matriz de Camaragibe e Santana do Ipanema; 789 salas de vacina, e 01 Centro de Referência em Imunobiológicos Especiais,

  As vacinas e os demais insumos são distribuídos aos municípios, sem nenhum ônus para estes, com base em planejamento de necessidades elaborado a partir dos municípios, consolidado e aprovado pela Coordenação Estadual do PNI, em Alagoas.

  De forma geral, assim são definidas, em cada esfera, as competências no âmbito do Programa Nacional de Imunizações:

  • - Nível Federal:

  a) normatização;

  b) planejamento, coordenação e, excepcionalmente, execução das atividades;

  c) aquisição, armazenamento e distribuição de imunobiológicos e demais insumos; d) gestão federal dos sistemas de informação;

  e) cooperação técnica e financeira a estados e municípios; e

  f) acompanhamento, avaliação e supervisão das ações executadas por estados e municípios.

  • - Nível Estadual:

  a) normatização das estratégias estaduais;

  b) planejamento, coordenação e execução das atividades, no âmbito de sua competência; c) manutenção de rede de frio para armazenagem e distribuição de imunobiológicos; d) gestão estadual dos sistemas de informação;

  e) acompanhamento, avaliação e supervisão das ações municipais; f) assessoria aos municípios.

  • - Nível Municipal:

  a) planejamento e execução das ações de vacinação;

  b) integração das atividades de imunização às ações básicas;

  c) alimentação dos sistemas de informação; d) acompanhamento, avaliação e supervisão das unidades e equipes de saúde; e) garantia da homogeneidade das coberturas vacinais.

COBERTURA VACINAL

  A cobertura vacinal constitui-se no principal indicador de desempenho do Programa de Imunizações, possibilita a consulta segmentada por imuno e faixa etária. As vacinas contra pólio, hepatite b e tetravalente (tétano, difteria e coqueluche, contra Haemophilus Influenzae tipo B), são aplicadas em 03 doses dentro da faixa etária selecionada (crianças menores de 01 ano), sendo que a cobertura somente é computada com a aplicação da última dose. Já a vacina BCG é aplicada em dose única, sendo computada a 1 ª dose para fins de avaliação de cobertura vacinal para menores de um ano.

  Em relação à vacina tríplice viral são aplicadas 02 doses (1ª dose a criança na faixa etária de 1 ano e a 2ª dose de 4 a 6 anos) sendo computada a 1 ª dose para fins de avaliação de cobertura vacinal.

  Parâmetros para erradicação e manter sob controle as doenças imunopreveniveis: a) BCG

  • – 90%

  b) Hepatite B - 95%

  c) Poliomielite

  • – 95%

  c) Tetravalente - 95%

  d) VORH - 90%

  e) Tríplice viral - 95%

  IMUNOBIOLÓGICO Vacina contra a tuberculose - BCG-ID

  A vacina BCG - contra a tuberculose e prevenção de formas graves da primoinfecção pelo Mycobacterium tuberculosis, prioritariamente, em crianças de 0 a 4 anos,composição: bacilos vivos atenuados da cepa de Mycobacterium bovis.

  Em Alagoas, analisando a serie histórica de cobertura vacinal de BCG, no período de 2006 a 2010 (figura 01), observa-se o alcance do indicador preconizado pelo Ministério da Saúde (90%) em todos os anos.

  Figura 01

  • Série Histórica de cobertura vacinal da vacina

  BCG, Alagoas, 2006 a 2010. Em vermelho a linha que corresponde a cobertura preconizada.

  Avaliando o estado por MRS a 4ª e 8ª demonstra uma tendência decrescente. Os gráficos a seguir demonstram os percentuais de cobertura vacinal de BCG por microrregião de saúde:

  R² = 0,475

  20

  40

  60

  80 100 120 140

  2006 2007 2008 2009 2010 % Co b ert u ra

   V ac in al Periodo(anos)

FONTE: SI-API/GNPI/DIVEP/SESAU

  R² = 0,408 0,00 50,00 100,00 150,00 200,00 2006 2007 2008 2009 2010 % C o b e rtu ra V ac in al Periodo(anos) R² = 0,331 0,00 20,00 40,00 60,00 80,00 100,00 120,00 140,00 % 2006 2007 2008 2009 2010 c o b e rtu ra v ac in al Período (anos) R² = 0,937 0,00 50,00 100,00 150,00 2006 2007 2008 2009 2010 % C o b e rtu ra V ac in al Periodo (anos) R² = 0,906 0,00 50,00 100,00 150,00 2006 2007 2008 2009 2010 % C o b e rtu ra V ca in al Periodo(anos) R² = 0,308 80,00 85,00 90,00 95,00 100,00 2006 2007 2008 2009 2010 % C o b e rtu ra V ac in al Periodo(anos) R² = 0,305 0,00 20,00 40,00 60,00 80,00 100,00 120,00 2006 2007 2008 2009 2010 % C o b e rtu ra V ac in al Periodo(anos)

  R² = 0,746 0,00 20,00 40,00 60,00 80,00 100,00 120,00 2006 2007 2008 2009 2010 % C o b e rtu ra V ac in al Periodo(anos) R² = 0,002 70,00 75,00 80,00 85,00 90,00 95,00 100,00 % 2006 2007 2008 2009 2010 C o b e rt u ra V ac in al Periodo(anos) R² = 0,321 80,00 85,00 90,00 95,00 100,00 105,00 2006 2007 2008 2009 2010 % C o b e rtu ra V ac in al Periodo(anos)

  R² = 0,698 0,00 50,00 100,00 150,00 2006 2007 2008 2009 2010 % C o b e rtu ra V ac in al Periodo(anos) R² = 0,403 0,00 50,00 100,00 150,00 2006 2007 2008 2009 2010 % C o b e rt u ra V ac in al Periodo(anos) R² = 0,477 0,00 20,00 40,00 60,00 80,00 100,00 120,00 2006 2007 2008 2009 2010 % C o b e rtu ra V ac in al Periodo(anos) R² = 0,384 80,00 85,00 90,00 95,00 100,00 105,00 110,00 2006 2007 2008 2009 2010 % C o b e rtu ra V ac in al

  Periodo(anos) Figura 02

  • Tendência temporal de cobertura vacinal de BCG segundo Microrregiões de Saúde,

  

Estado de Alagoas – 2006 a 2010. Em vermelho a linha que corresponde a cobertura

FONTE : SI-API/GNPI/DIVEP/SESAU 4ª MRS 2ª MRS 3ª MRS 5ª MRS 9ª MRS 6ª MRS 7ª MRS 8ª MRS 1ª MRS 10ª MRS 11ª MRS 12ª MRS 13ª MRS

  Vacina contra Vírus da Hepatite B

  A vacina contra a hepatite é produzida por engenharia genética por meio da inserção de um plasmídeo contendo o antígeno de superfície do vírus B (AgHBs) em levedura. A vacina não promove infecção, pois não contêm DNA viral, está indicada para prevenção contra a Hepatite B, em crianças, adolescentes e adultos de qualquer idade.

  Em Alagoas, a cobertura vacinal de rotina da vacina Hepatite B, nos anos 2006 a 2010, retrata o cumprimento da meta do indicador preconizado, que é de 95% da população alvo. Observa-se que em 2008 a cobertura mínima (95%) não foi alcançada (Figura 03).

  

Figura 03 – Série Histórica de cobertura vacinal da vacina

Hepatite B, Alagoas, 2006 a 2010. Em vermelho a linha que

corresponde a cobertura preconizada.

  Avaliando o estado por microrregião de saúde (1ª, 4ª, 9ª e 11ª) destacam-se por demonstra uma tendência decrescente, não atingindo a cobertura mínima (95%), no período de 2008(1ª, 4ª e 9ª MRS) e 2010(4ª e 11ª MRS). Os gráficos a seguir demonstram os percentuais de cobertura vacinal de Hepatite B por microrregião de saúde:

  R² = 0,020

  80

  85

  90

  95 100 105 2006 2007 2008 2009 2010

  % C o b eret u ra Va ci n al Periodo(anos)

FONTE: SI-API/GNPI/DIVEP/SESAU

  in ac R² = 0,003 al 105,00 100,00 1ª MRS 2ª MRS 3ª MRS 100,00 120,00 115,00 105,00 60,00 40,00 80,00 ac al in V 110,00 100,00 ac in al b e o C ra V % rtu 0,00 20,00 2006 2007 2008 2009 2010 Periodo(anos) ra rtu e 85,00 o b % C 95,00 90,00 2006 2007 2008 2009 2010 C Periodo(anos) R² = 0,313 ra o b e 90,00 rtu V % 95,00 2006 2007 2008 2009 2010 Periodo(anos) R² = 0,263 4ª MRS 5ª MRS 6ª MRS Va al al ra ra cin 100,00 110,00 96,00 115,00 105,00 V ac in 94,00 92,00 V 100,00 ac in al 105,00 110,00 % % C b b rtu rt R² = 0,071 e o o 88,00 90,00 85,00 C 95,00 2006 2007 2008 2009 2010 R² = 0,040 u e 90,00 2006 2007 2008 2009 2010 Periodo(anos) ra C % rtu b o e 90,00 95,00 85,00 2006 2007 2008 2009 2010 Periodo(anos) R² = 0,558 al 7ª MRS 110,00 110,00 Periodo(anos) a 8ª MRS al 9ª MRS 105,00 ac ac ac in 105,00 in 105,00 in V e R² = 0,063 90,00 e rtu b ra o C % 100,00 100,00 95,00 85,00

90,00 R² = 0,035 R² = 0,090

% V o C ra b e rtu 95,00 85,00 o ra rtu 90,00 V C b % 100,00 95,00 85,00 10ª MRS 11ª MRS 12ª MRS 2006 2007 2008 2009 2010 Periodo(anos) 2006 2007 2008 2009 2010 Periodo(anos) 2006 2007 2008 2009 2010 Periodo(anos) rtu in e b o al V ra ac 150,00 120,00 110,00 100,00 50,00 R² = 0,519 60,00 0,00 e rtu al ra in V ac 100,00 40,00 80,00 R² = 0,321 al ra Va 95,00 rtu cin e 105,00 100,00 85,00 90,00 R² = 0,187 % C 2006 2007 2008 2009 2010 C Periodo(anos) 2006 2007 2008 2009 2010 o % b 20,00 0,00 Periodo(anos) b o % C 2006 2007 2008 2009 2010 Periodo(anos) in ac V al 13ª MRS 105,00 100,00 115,00 110,00 o b e rtu % ra C 2006 2007 2008 2009 2010 85,00 90,00 95,00 R² = 0,058 FONTE: SI-API/GNPI/DIVEP/SESAU Periodo(anos)

  Figura 04

  • Tendência temporal de cobertura vacinal de Hepatite B segundo Microrregiões de Saúde,

  Estado de Alagoas – 2006 a 2010. Em vermelho a linha que corresponde a cobertura preconizada.

  Vacina contra a poliomielite – Pólio (oral)

  Em Alagoas, as coberturas contra poliomielite em menores de um ano de idade, os índices são satisfatórios para a manutenção da erradicação da poliomielite. Pode- se observar o indicador de coberturas em 2006 e 2010, alcançam a meta preconizada pelo Ministério da Saúde de 95%, porém, em 2008 (figura 05) o índice preconizado não foi atingido.

  Esta vacina confere imunidade individual contra os três tipos de vírus, como

também impede a multiplicação e eliminação do poliovírus selvagem no meio

ambiente, o esquema vacinal preconizado consiste na administração de três doses

de vacina antipólio oral (VOP), com intervalo de no mínimo 30 dias (iniciando-se aos

dois meses de vida), com a administração de uma dose de reforço um ano após a 3ª

dose.

  R² = 0,040 110 al

  105 in ac

  100

   V ra

  95 u ert

  90 b o C

  85 %

  80 2006 2007 2008 2009 2010 Período (anos)

FONTE: SI-API/GNPI/DIVEP/SESAU

  Figura 05

  • – Série Histórica de cobertura vacinal Pólio, Alagoas, 2006 a 2010. Em vermelho a linha que corresponde à cobertura preconizada.

  Em Alagoas, as coberturas contra poliomielite em menores de cinco anos de idade, na campanha anual de vacinação, apresenta indicadores com índices abaixo da meta de 95% nos anos de 2008 e 2009 (figura 06) na 1ª etapa, bem como 2ª etapa da campanha (figura 07).

  R² = 0,076 102,00 100,00 al in

  98,00 ca V 96,00 ra

  94,00 u ert 92,00 b o

  90,00 C

  88,00 %

  86,00 2006 2007 2008 2009 2010 Periodo(anos)

FONTE: SI-API/GNPI/DIVEP/SESAU

  Figura 06 – Série Histórica de cobertura vacinal Campanha Pólio 1ª etapa, Alagoas, 2006 a 2010. Em vermelho a linha que corresponde à cobertura preconizada.

  R² = 0,259 120,00 al

  100,00 in ac

  80,00

   V ra 60,00 u

  40,00 ert b o 20,00 C % 0,00

  2006 2007 2008 2009 2010 Periodo(anos)

FONTE: SI-API/GNPI/DIVEP/SESAU

  Figura 07

  • – Série Histórica de cobertura vacinal Campanha Pólio 2ª etapa, Alagoas, 2006 a 2010. Em vermelho a linha que corresponde à cobertura preconizada.

  Os gráficos a seguir demonstram os percentuais de cobertura vacinal de Pólio por microrregião de saúde:

  R² = 3E-06 0,00 20,00 40,00 60,00 80,00 100,00 120,00 % C o b e rtu ra V ac in al Periodo(anos) R² = 0,191 0,00 50,00 100,00 150,00 % C o b e rtu ra V ac in al Periodo(anos) R² = 0,041 85,00 90,00 95,00 100,00 105,00 110,00 115,00 2006 2007 2008 2009 2010 % C o b e rtu ta Va cin al Periodo(anos) R² = 0,163 80,00 85,00 90,00 95,00 100,00 105,00 110,00 % 2006 2007 2008 2009 2010 C o b e rtu ra V ac in al Periodo(anos) R² = 0,019 88,00 90,00 92,00 94,00 96,00 98,00 100,00 102,00 2006 2007 2008 2009 2010 % C o b e rtu ra V ac in al Periodo(anos) R² = 0,024 85,00 90,00 95,00 100,00 105,00 110,00 115,00 120,00 2006 2007 2008 2009 2010 % C o b e rtu ra V ac in al Periodo(anos)

  R² = 0,204 85,00 90,00 95,00 100,00 105,00 110,00 115,00 120,00 2006 2007 2008 2009 2010 % C o b e rtu ra V ac in al Periodo(anos) R² = 0,072 85,00 90,00 95,00 100,00 105,00 110,00 2006 2007 2008 2009 2010 % C o b e rtu ra V ac in al Periodo(anos) R² = 0,409 0,00 20,00 40,00 60,00 80,00 100,00 120,00 2006 2007 2008 2009 2010 % C o b e rtu ra V ac in al Periodo(anos) R² = 0,660 0,00 50,00 100,00 150,00 2006 2007 2008 2009 2010 % C o b e rtu ra V ac in al Periodo(anos) R² = 0,469 0,00 50,00 100,00 150,00 20062007200820092010 % C o b e rtu ra V ac in al Periodo(anos) R² = 0,203 85,00 90,00 95,00 100,00 105,00 110,00 115,00 2006 2007 2008 2009 2010 % C o b e rtu ra V ac in al Periodo(anos)

  R² = 0,058 85,00 90,00 95,00 100,00 105,00 110,00 115,00 2006 2007 2008 2009 2010 % C o b e rtu ra V ac in al Periodo(anos) Figura 08

  FONTE: SI-API/GNPI/DIVEP/SESAU 1ª MRS 2ª MRS 3ª MRS 4ª MRS 5ª MRS 6ª MRS 7ª MRS 8ª MRS 9ª MRS 10ª MRS 11ª MRS 12ª MRS 13ª MRS

  • Tendência temporal de cobertura vacinal de Pólio segundo Microrregiões de Saúde,

  Estado de Alagoas

  • – 2006 a 2010. Em vermelho a linha que corresponde à cobertura preconizada.

  

Vacina contra Difteria, Coqueluche, Tétano e Haemophilus influenzae

(tetravalente).

  A vacina Tetravalente está disponível na rede pública para utilização apenas

  

em crianças menores de um ano de idade, para início ou complementação do

  esquema básico de vacinação. A vacinação básica consiste na aplicação de 3 doses, com intervalo de 60 dias (mínimo de 30 dias), a partir de 2 meses de idade. Ressalte-se que a administração da vacina só está indicada para crianças de 1 a 4 anos, quando estas não receberam o esquema antes do primeiro ano de vida, ou seja, 3 doses. Nestas situações recomenda-se a aplicação de uma única dose da vacina tetravalente e complementação do esquema com DTP. Sua composição consiste em: vacina Tríplice Bacteriana (DTP)

  • – associação do toxóide tetânico, toxóide diftérico e Bordetella pertussis inativada, sob a forma líquida e a vacina contra Haemophlilus influenzae tipo B (Hib), constituída de polissacarídeos purificados poliribosil-ribitol fosfato (PRP), do Haemophlilus influenzae tipo B, conjugado ao toxóide tetânico, sob a forma liofilizada e também hidróxido ou fosfato de alumínio e timerosal.

  Em Alagoas, no período de 2006 a 2010, a cobertura vacinal ficou dentro da meta estabelecida (mínimo de 95%), porém no ano de 2008 a cobertura ficou abaixo dessa meta (figura 09).

  R² = 0,079 110,00 al

  105,00 in ac

  100,00

   V ra 95,00 u ert

  90,00 b o C

  85,00 %

  80,00

2006 2007 2008 2009 2010

Periodo(anos)

FONTE: SI-API/GNPI/DIVEP/SESAU

  Figura 09

  • – Série Histórica de cobertura vacinal Tetravalente,

    Alagoas, 2006 a 2010. Em vermelho a linha que corresponde à cobertura preconizada.

  Os gráficos a seguir demonstram os percentuais de cobertura vacinal de Pólio por microrregião de saúde:

  

de Saúde, Estado de Alagoas – 2006 a 2010. Em vermelho a linha que corresponde à

cobertura preconizada. R² = 0,033 0,00 20,00 40,00 60,00 80,00 100,00 120,00 2006 2007 2008 2009 2010 % C o b e rtu ra V ac in al Periodo(anos) R² = 0,252 0,00 50,00 100,00 150,00 2006 2007 2008 2009 2010 % C o b e rtu ra V ac in al Periodo(anos) R² = 0,169 90,00 95,00 100,00 105,00 2006 2007 2008 2009 2010 % C o b e rtu ra V ac in al Periodo(anos) R² = 0,123 80,00 85,00 90,00 95,00 100,00 105,00 110,00 % 2006 2007 2008 2009 2010 c o b e e tu ra V ac in al Periodo(anos) R² = 0,003 85,00 90,00 95,00 100,00 105,00 2006 2007 2008 2009 2010 % C o b e rtu ra V ac in al Periodo(anos) R² = 0,185 0,00 50,00 100,00 150,00 2006 2007 2008 2009 2010 % C o b e rtu ra V ac in al Periodo(anos) R² = 0,049 0,00 50,00 100,00 150,00 2006 2007 2008 2009 2010 % C o b e rtu ra V ac in al Periodo(anos) R² = 0,498 85,00 90,00 95,00 100,00 105,00 110,00 115,00

2006 2007 2008 2009 2010

% C o b e rtu ra Va cin al

Periodo(anos)

R² = 0,071 85,00 90,00 95,00 100,00 105,00 110,00 2006 2007 2008 2009 2010 % C o b e rtu ra V ac in al Periodo(ano) R² = 0,796 0,00 50,00 100,00 150,00 2006 2007 2008 2009 2010 % c o b e rtu ra V ac in al Periodo(anos) R² = 0,317 85,00 90,00 95,00 100,00 105,00 110,00 115,00 2006 2007 2008 2009 2010 % c o b e rtu ra V ac in al Periodo(anos) R² = 0,373 0,00 20,00 40,00 60,00 80,00 100,00 120,00 2006 2007 2008 2009 2010 % c o b e rtu ra V ac in al Periodo(anos) R² = 0,232 85,00 90,00 95,00 100,00 105,00 110,00 115,00 2006 2007 2008 2009 2010 % c o b e rtu ra V ac in al Periodo(anos) FONTE: SI-API/GNPI/DIVEP/SESAU 1ª MRS 2ª MRS 3ª MRS 4ª MRS 5ª MRS 6ª MRS 7ª MRS 8ª MRS 9ª MRS 10ª MRS 11ª MRS 12ª MRS 13ª MRS

  Figura 10

  • Tendência temporal de cobertura vacinal de Tetravalente segundo Microrregiões

   Vacina contra Rotavírus

  Vacina oral de rotavírus humano

  • – VORH é dirigida à população de menores de seis meses de idade (1 mês e 15 dias a 5 meses e 15 dias de vida) para proteger

  

antecipadamente as crianças da faixa etária de 6 a 24 meses, nas quais se observa

  a maior carga de complicações decorrentes da infecção pelo rotavírus. Administrar a vacina aos 2 meses (1ª dose) e 4 meses (2ª dose) meses de vida, atendendo ao intervalo preconizado entre a 1ª e 2ª dose de oito semanas.É uma vacina elaborada com vírus isolados de humanos e atenuados para manter a capacidade imunogênica, porém não patogênica. A vacina é monovalente, ou seja, a cepa utilizada possui apenas um sorotipo em sua composição que é o G1[P8] da cepa RIX4414.

  As coberturas vacinais no estado, entre os anos de 2006 e 2010, em média, apresentam tendência crescente de cobertura vacinal em 2006(31,61%), 2007 (67,56%), 2008 (68,16%), 2009 (79,38%) e 2010(74,79%), observa-se uma escala ascendente, porém esta cobertura vacinal não retrata o cumprimento do índice satisfatório de 90% preconizado pelo Ministério da Saúde.

  Analisando a série histórica de cobertura vacinal de rotavirus por MRS observa-se na 10ª MRS uma escala ascendente de cobertura vacinal a partir de 2008(95,02%), 2009(93,05%) e 2010(103,57%) e na 13ª MRS em 2008 (90,98%) e 2009(94,84%) (figura 11).

  R² = 0,673 100 al

  80 in ac

   V

  60 ra u

  40 ert b Co

  20 %

  2006 2007 2008 2009 2010 Periodo(anos)

FONTE: SI-API/GNPI/DIVEP/SESAU

  

Figura 11 – Série Histórica de cobertura vacinal rotavirus,

Alagoas, 2006 a 2010. Em vermelho a linha que corresponde à

cobertura preconizada.

  Figura 12

  Os gráficos a seguir demonstram os percentuais de cobertura vacinal de rotavirus por microrregião de saúde:

  • Tendência temporal de cobertura vacinal de rotavirus segundo Microrregiões de

  Saúde, Estado de Alagoas – 2006 a 2010. Em vermelho a linha que corresponde à cobertura preconizada. R² = 0,675 0,00 20,00 40,00 60,00 80,00 100,00 2006 2007 2008 2009 2010 % c o b e rtu ra V ac in al Periodo(anos) R² = 0,780 0,00 20,00 40,00 60,00 80,00 100,00 2006 2007 2008 2009 2010 % C o b e rtu ra V ac in al Periodo(anos) R² = 0,597 0,00 20,00 40,00 60,00 80,00 100,00 2006 2007 2008 2009 2010 % c o b e rt u ra V ac in al Periodo(anos) R² = 0,491 0,00 20,00 40,00 60,00 80,00 100,00 120,00 2006 2007 2008 2009 2010 % C o b e rtu ra V ac in al Periodo(anos) R² = 0,558 0,00 20,00 40,00 60,00 80,00 100,00 2006 2007 2008 2009 2010 % c o b e rtu ra V ac in al Periodo(anos) R² = 0,749 0,00 20,00 40,00 60,00 80,00 100,00 % 2006 2007 2008 2009 2010 C o b e rtu ra V ac in al Periodo(anos) R² = 0,599 0,00 20,00 40,00 60,00 80,00 100,00 2006 2007 2008 2009 2010 % C o b e rtu ra V ac in al Periodo(anos) R² = 0,795 0,00 20,00 40,00 60,00 80,00 100,00 2006 2007 2008 2009 2010 % C o b e rtu ra V ac in al Periodo(anos) R² = 0,755 0,00 20,00 40,00 60,00 80,00 100,00 2006 2007 2008 2009 2010 % C o b e rtu ra V ac in al Periodo(anos) R² = 0,779 0,00 20,00 40,00 60,00 80,00 100,00 120,00 2006 2007 2008 2009 2010 % C o b e rtu ra V ac in al Periodo(anos) R² = 0,414 0,00 20,00 40,00 60,00 80,00 100,00 2006 2007 2008 2009 2010 % C o b e rtu ra V ac in al Periodo(anos) R² = 0,671 0,00 20,00 40,00 60,00 80,00 100,00 2006 2007 2008 2009 2010 % C o b e rtu ra V ac in al Periodo(anos) R² = 0,600 0,00 20,00 40,00 60,00 80,00 100,00 120,00 2006 2007 2008 2009 2010 % C o b e rtu ra V ac in al Periodo(anos) FONTE: SI-API/GNPI/DIVEP/SESAU 1ª MRS 2ª MRS 3ª MRS 4ª MRS 5ª MRS 6ª MRS 7ª MRS 8ª MRS 9ª MRS 10ª MRS 11ª MRS 12ª MRS 13ª MRS

   Vacina contra Sarampo, Rubéola e Caxumba (Tríplice Viral)

  A vacina Tríplice Viral resulta da combinação de vírus vivos atenuados do sarampo, rubéola e caxumba, cultivados em células de fibroblasto de galinha ou células diplóides humanas, neomicina, corante fenol, gelatina hidrolisada e albumina humana.

  Esta Indicada para a prevenção contra o sarampo, rubéola e caxumba, a partir dos 12 meses de idade. Conforme o esquema: 1 (uma) dose, aos 12 (doze) meses de idade. Reforço dos 4 (quatro) aos 6 (seis) anos de idade.

  As coberturas da vacina tríplice viral (contra sarampo, caxumba e rubéola) em Alagoas, ficaram abaixo da meta de 95% no ano de 2008 (figura 13).

  Figura 13

  • – Série Histórica de cobertura vacinal Tríplice viral, Alagoas, 2006 a 2010. Em vermelho a linha que corresponde à cobertura preconizada.

  Analisando as MRS observa-se que a 10ª MRS alcançou o índice de coberturas em todos os anos, e a 12ª MRS que a partir de 2007 tem alcançado a meta.Os gráficos a seguir demonstram os percentuais de cobertura vacinal de tríplice viral por microrregião de saúde:

  R² = 0,069

  85

  90

  95 100 105 110

  

2006 2007 2008 2009 2010

% C o b ert u ra

   V ac in al

Periodo(anos)

FONTE: SI-API/GNPI/DIVEP/SESAU

  

Saúde, Estado de Alagoas – 2006 a 2010. Em vermelho a linha que corresponde à cobertura

preconizada. R² = 0,005 0,00 20,00 40,00 60,00 80,00 100,00 120,00 2006 2007 2008 2009 2010 % C o b e rtu ra V ac in al Periodo(anos) R² = 0,916 0,00 50,00 100,00 150,00 2006 2007 2008 2009 2010 % C o b e rtu ra Va cin al Periodo(anos) R² = 0,334 85,00 90,00 95,00 100,00 105,00 110,00 115,00 2006 2007 2008 2009 2010 % C o b e rtu ra V ac in al Periodo(anos) R² = 0,315 85,00 90,00 95,00 100,00 105,00 2006 2007 2008 2009 2010 % C o b e rtu ra Va cin al Periodo(anos) R² = 0,542 90,00 92,00 94,00 96,00 98,00 100,00 2006 2007 2008 2009 2010 % C o b e rtu ra V ac in al Periodo(anos) R² = 0,144 0,00 50,00 100,00 150,00 2006 2007 2008 2009 2010 % C o b e rtu ra V ac in al Periodo(anos) R² = 0,221 85,00 90,00 95,00 100,00 105,00 110,00 115,00 2006 2007 2008 2009 2010 % C o b e rtu ra V ac in al Periodo(anos) R² = 0,044 85,00 90,00 95,00 100,00 105,00

2006 2007 2008 2009 2010

% C o b e rtu ra Va cin al

Periodo(anos)

R² = 0,558 90,00 95,00 100,00 105,00 2006 2007 2008 2009 2010 % C o b e rtu ra V ac in al Periodo(anos) R² = 0,269 0,00 50,00 100,00 150,00 2006 2007 2008 2009 2010 % C o b e rtu ra V ac in al Periodo(anos) R² = 0,232 0,00 50,00 100,00 150,00

2006 2007 2008 2009 2010

% C o b e rtu ra V ac in al Periodo(anos) R² = 0,294 0,00 50,00 100,00 150,00 2006 2007 2008 2009 2010 % C o b e rtu ra V ac in al Periodo(anos) FONTE: SI-API/GNPI/DIVEP/SESAU R² = 0,027 85,00 90,00 95,00 100,00 105,00 110,00 115,00 120,00 2006 2007 2008 2009 2010 % C o b e rtu ra V ac in al Periodo(anos) 1ª MRS 2ª MRS 3ª MRS 4ª MRS 5ª MRS 6ª MRS 7ª MRS 8ª MRS 9ª MRS 10ª MRS 11ª MRS 12ª MRS 13ª MRS

  Figura 14

  • Tendência temporal de cobertura vacinal de Tríplice viral segundo Microrregiões de

13.2 ANÁLISE DA SITUAđấO DAS DOENđAS IMUNOPREVENễVEIS EM ALAGOAS

13.2.1 INFLUENZA

  A influenza que tem por sinonímia GRIPE, pode ser causada por vários vírus.É uma infecção viral que afeta principalmente as vias aéreas superiores e ocasionalmente, as inferiores. São conhecidos 3 tipos de vírus (A, B, C), o tipo A é o mais mutável por este motivo é o que mais causa epidemias e pandemias.São altamente transmissíveis e podem sofrer mutações genéticas. É de suma importância a detecção dos casos de forma precoce para que sejam instituídas as medidas de controle pertinentes à doença e ao tratamento.

  Em 2009, foi deflagrada a pandemia de Influenza por novo subtipo viral em todo o mundo, Influenza A (H1N1) 2009. Em março de 2009, a Organização Mundial de Saúde decretou Emergência em Saúde Pública de Importância Internacional (ESPII). O primeiro caso notificado em Alagoas ocorreu no dia 02 de abril de 2009 de uma pessoa que veio do México e EUA. A primeira fase da Pandemia foi a Fase de Contenção, onde as pessoas que viam de outros países com sintomas de gripe eram abordadas nas portas de entrada do Estado e isoladas nos hospitais referências do Estado para coleta de secreção nasofaringe, tratamento e controle da doença. Em 16 de julho de 2009, foi decretado Transmissão Sustentada, ou seja, o vírus já estava circulando no país, apartir daí veio a segunda fase da pandemia. Fase de Mitigação, com o objetivo de reduzir a gravidade e mortalidade de infecções por este vírus. Em 30 de agosto de 2010, foi decretado o fim da Pandemia e apenas as pessoas com Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) mais hospitalização estariam indicadas para a coleta de secreção nasofaringe para pesquisa do vírus da Influenza A (H1N1) e consequentemente receberiam o tratamento com o Tamiflu. Os grupos de risco que sofreram altas taxas de letalidade foram as gestantes, adultos jovens e crianças. A tabela abaixo demonstra a situação da Influenza A (H1N1) no Estado de Alagoas no ano de 2009.

  

TABELA 01 - Situação epidemiológica dos casos de Influenza A (H1N1) no estado de Alagoas

em 2009.

  Suspeitos Confirmados Descartados Fases H1N1 Sazonal 1 Nº % Nº % Nº % Nº %

  1ª fase 37 100 12 32,4 07 19,0 18 28,5 2 2ª fase 81 100 29 36,0 07 9,0 45 71,5 (SRAG)

  Total 118 100 41 68,4 14 28,0 63 100 Fonte: CIEVS/SUVISA/SESAU/AL

  Em Alagoas, no ano de 2010 foram notificados 90 casos suspeitos de Influenza por novo subtipo viral. Destes, 60 casos foram descartados, 23 foram confirmados para Influenza A (H1N1), com evolução para forma grave da doença (SRAG), sendo que dois casos evoluíram a óbito (Uma gestante e um adulto jovem) e 07 casos que foram notificados para a Influenza A (H1N1) foram descartados devido o isolamento por outro agente viral. Salienta-se que o último caso confirmado para a Influenza A (H1N1) ocorreu em março de 2010, após a introdução da vacina contra o vírus da Influenza A (H1N1) na Semana Epidemiológica (SE) 10. Salienta- se ainda que o número de casos notificados por Influenza A (H1N1), sofreu uma redução significante com relação ao número de casos notificados no inicio do referido ano. Em Alagoas , a taxa de incidência de SRAG por influenza pandêmica (H1N1) 2009 foi de 0,73 casos para cada 100 mil habitantes. No entanto, observa-se que a pandemia afetou com maior intensidade a região 01 com 6,6/100.000 habitantes (TABELA 02).

  

TABELA 02 - Situação Epidemiológica dos casos confirmados, notificados de Influenza

A(H1N1)/SRAG e taxa de incidência por Município de Alagoas no ano de 2010.

  Fonte: SINANWEB/DIVEP/SESAU * Taxa de Incidência de SRAG com Influenza Pandêmica confirmada (100.000 habitantes) .

  A unidade sentinela foi implantada em setembro de 2007 sendo responsável pela coleta de amostras e organização de dados epidemiológicos agregados por semana epidemiológica (proporção de casos suspeitos de síndrome gripal em relação ao total de atendimentos - %SG). A unidade Sentinela Dr. Djalma Loureiro está situada no bairro do Clima Bom no Município de Maceió. Além de permitir monitorar a demanda por atendimento de síndrome gripal a unidade, tem entre seus objetivos o monitoramento e a identificação dos vírus que circulam na comunidade, o

  Município SRAG (Confirmados) SRAG (Notificados) Incidência* Influenza Pandêmica Influenza Sazonal Influenza Total N % N % N % Anadia 0,0 0,0 0,0 0,0 01 100 - Coruripe 0,0 0,0

  05 5,5 20 100 - Craíbas 0,0 0,0 0,0 0,0 01 100 - Capela 0,0 0,0 0,0 0,0 01 100 - Delmiro Gouveia 0,0 0,0 0,0 0,0 01 100 - Ibateguara 1,0 1,1 0,0 0,0 01 100 6,6 Igreja Nova 1,0 1,1 0,0 0,0 03 100 4,3 Maceió

  19 21,1 02 2,2 54 100 2,3 Marechal Deodoro 1,0 1,1 0,0 0,0 01 100 2,1 Matriz de Camaragibe 0,0 0,0 0,0 0,0 01 100 - Rio Largo 0,0 0,0 0,0 0,0 03 100 - Satuba 0,0 0,0 0,0 0,0 01 100 - Santana do Ipanema 0,0 0,0 0,0 0,0 01 100 - São M. dos Campos 1,0 1,1 0,0 0,0 01 100 1,8 São José da Tapera 0,0 0,0 0,0 0,0 01 100 - que contribui para a adequação imunogênica da vacina contra influenza utilizada anualmente, além da identificação de novas cepas de vírus influenza. Diante da ocorrência da pandemia de influenza e aumento no número de amostras coletadas a partir de casos suspeitos de síndrome gripal, os laboratórios de referência passaram a priorizar o processamento de amostras e diagnóstico de casos graves e óbitos. Portanto, os dados do Sivep_gripe refletem, no momento, apenas os materiais testados por imunofluorescência. Esta unidade é monitorada por meio do indicador (Proporção de amostras clínicas coletadas), que preconiza cinco amostras clínicas por semana epidemiológica, para que seja alcançado o indicador pactuado (80% das amostras coletadas).

  Observa-se que durante o período avaliado não houve uma correlação significativa, porém em 2009 houve um aumento no número de coletas devido à pandemia (Figura 01).

  70

60 R² = 0,166

  ta le

  50 co e d

  40 al tu

  30 en erc P

  20

  10 2007 2008 2009 2010 Amostras coletadas 22,7 13,9 59,6 28,4

  Fonte: SIVEP_GRIPE/SESAU/*DIVEP

Figura 01- Percentual de Amostras Clínicas Coletadas em relação a meta

pactuada segundo ano do período, Alagoas, 2007 – 2010.

13.2.2 MENINGITES

  Observa-se que os casos confirmados de Meningites bacterianas em Alagoas por região de saúde vêm reduzindo desde ano de 2008. Este fato ocorreu devido às técnicas laboratoriais que permitem a identificação do agente etiológico e conseqüentemente a investigação epidemiológica e as medidas de controle de maneira oportuna dos comunicantes íntimos. Em Alagoas no ano de 2007, a maioria dos casos de Doença Meningocócica evoluiu para a cura. Dentre os casos notificados de doença meningocócica a forma associada da doença (MM + MCC) foi . a que apresentou o maior número de casos (figura 02) O Estado de Alagoas vem alcançando a meta de encerramento dos casos de meningite bacteriana com técnicas laboratoriais.

  25

  20

  15

  10

  5 2006 2007 2008 2009 2010 MCC

  9

  6

  5

  5 MM

  9

  13

  6

  12 MM+MCC

  1

  21

  11

  12

  15 Fonte: SINANWEB/DIVEP/SESAU

FIGURA 02 - Casos Confirmados de Doença Meningocócica, segundo Ano Início de Sintomas. Período

Avaliado (Ano 2006 a 2010).

  Observa-se que o maior número de casos notificados foi em pacientes do sexo masculino, sendo notificado o maior número de casos por Meningite no ano de 2009, isto não quer dizer que a doença tenha tropismo por sexo. No ano de 2010 houve uma redução no número de casos com relação ao ano de 2009 (figura 03).

  FIGURA 03 - Distribuição dos Casos de Meningites por Sexo segundo Ano Início de Sintomas. Período Avaliado (Ano 2006 a 2010).

  Observa-se que a faixa etária mais acometida por este agravo é a faixa entre 10 a 14anos de idade, seguida das faixas etárias de 1 a 4 e 5 a 9 anos de idade. A doença não tem tropismo por pessoas mais jovens, mas sim pelas condições de higiene que nesta faixa etária são mais vulneráveis (figura 04).

  2006 2007 2008 2009 2010 Masculino 3 129 114 139 116 Feminino

  99

  62

  73

  59

  20

  40

  60

  80 100 120 140 160

FONTE: SMS/SINAN/DIVEP/SESAU

  16

  14

  12

  10

  8

  6

  4

  2 10- 15- 20- 35- 50- 65- <1ano 1-4anos 5-9anos 14anos 19anos 34anos 49anos 64anos 79anos

  2006

  1 2007

  4

  7

  7

  11

  

4

  10

  2

  3

  1 2008

  6

  14

  13

  6

  

5

  4

  2

  2 2009

  4

  5

  6

  5

  

2

  5

  3

  1 2010

  8

  5

  8

  10

  

5

  4

  3

  3 FONTE: SMS/SINAN/DIVEP/SESAU FIGURA 04 - Número de Casos Notificados de Meningites segundo Faixa Etária Por Região, em Alagoas no período de 2006 a 2010.

  As infecções causadas pelas bactérias N. meningitidis, H. influenzaee S.

  

pneumoniaepodem limitar-se à nasofaringe ou evoluir para septicemia ou meningite.

  A infecção pela N. meningitidispode provocar meningite, Meningococcemia e as duas formas clínicas associadas: meningite meningocócica com Meningococcemia, a qual se denomina Doença Meningocócica. A vigilância da doença meningocócica é de grande importância para a saúde pública em virtude da magnitude e gravidade da doença, bem como do potencial de causar epidemias.

  Em Alagoas observa-se que o maior número de óbitos por Meningites ocorreu no ano de 2007e que 161 casos de Meningite diagnosticados neste mesmo período evoluíram para cura (Alta) (figura 05). Salienta-se que o número de óbitos confirmados por Meningites vem sofrendo uma redução devido à identificação precoce do agente etiológico através de técnicas laboratoriais e a notificação imediata a SES através dos Núcleos de VE e CIEVS para desencadeamento das medidas de controle de forma oportuna para quebra da cadeia de transmissão da doença.

  180 160 140 120 100

  80

  60

  40

  20 2006 2007 2008 2009 2010 Alta 2 163 144 134 136 Óbito Meningite

  27

  15

  19

  12 FONTE: SMS/SINAN/DIVEP/SESAU

FIGURA 05 - Distribuição dos Casos de Meningites por Evolução segundo Ano Início

de Sintomas. Período Avaliado (Ano 2006 a 2010).

  Observa-se que os casos de Meningites notificados no período avaliado, foram encerrados por técnicas laboratoriais, destacando-se em maior número as meningites bacterianas não específica (não conseguindo isolar o agente etiológico causador da meningite), este fato pode estar relacionado à introdução precoce da antibioticoterapia, no inicio dos sintomas da doença quando não identificada de forma oportuna, prejudicando a análise do material coletado e medidas de controle que deveriam ser desencadeadas. O encerramento por cultura garante a identificação do agente etiológico e as medidas de controle em tempo oportuno evitando assim que outras pessoas possam desenvolver a doença e redução no número de óbitos por este agravo (figura 06).

  90

  80

  70

  60

  50

  40

  30

  20

10 C.

  Bacteriosc Quimiocit Isolament Cultura CIE AG. Látex Clínico Epidemiol PCR Viral opia ológico o Viral ógico

  2006

  1

  1 2007

  24

  1

  58

  9

  81

  2

  2 2008

  45

  7

  35

  4

  55

  4

  1 2009

  22

  1

  3

  46

  3

  67

  1

  1 2010

  34

  2

  5

  21

  4

  72

  3

  1 FONTE: SMS/SINAN/DIVEP/SESAU

FIGURA 06 - Distribuição dos Casos de Meningites segundo Critério de Confirmação. Período Avaliado

(Ano 2006 a 2010).

13.2.3 PARALISIA FLÁCIDA AGUDA/POLIOMIELITE (PFA/PÓLIO)

  A poliomielite ou “paralisia infantil” é uma doença infecto-contagiosa viral aguda, caracterizada por um quadro de paralisia flácida, de início súbito. O déficit motor instala-se subitamente e a evolução dessa manifestação, freqüentemente, não ultrapassa três dias. Acomete em geral os membros inferiores, de forma assimétrica, tendo como principal característica a flacidez muscular, com sensibilidade conservada e arreflexia no segmento atingido.

  Esta doença encontra-se erradicada no país desde o início dos anos 90, em virtude do êxito da política de prevenção, vigilância e controle desenvolvida pelos três níveis do Sistema Único de Saúde (SUS). Dois fatores foram decisivos para a erradicação da poliomielite no Brasil: os elevados níveis de cobertura vacinal obtidos nas campanhas nacionais, a partir de 1988, e o aumento do poder imunogênico da vacina utilizada no país, pela substituição do componente P3 até então utilizado.

  Em virtude das características de transmissão do poliovírus, silenciosa e rápida, e da ocorrência de um grande número de infecções sem manifestações clínicas, a vigilância deve ser intensificada, com a finalidade de detectar a ocorrência de outros casos de PFA e de caracterizar o processo de transmissão. Outro fator importante na vigilância da PFA é a cobertura vacinal específica da área. A principal proteção ocorre pela manutenção de elevadas coberturas vacinais na rotina e nas campanhas de vacinação em massa, com a vacina VOP. Todo caso de paralisia flácida aguda deve ser investigado, nas primeiras 48 horas após o conhecimento, e coletada uma amostra de fezes para pesquisa de poliovírus. Essa medida visa subsidiar o processo de tomada de decisão quanto ao desencadeamento, em tempo hábil, das medidas de controle oportunas.

  A suspeita de poliomielite em indivíduos de qualquer idade, bem como os casos de PFA em menores de 15 anos, é de notificação e investigação obrigatórias imediatas. Para a detecção de casos de poliomielite em tempo oportuno para que seja realizada a investigação e a coleta de fezes em tempo oportuno dentro de um período de 14 dias a partir do déficit motor. O Sistema de Vigilância Epidemiológica deve ser suficientemente sensível e ágil.

  Alagoas pactuou dois indicadores para a Vigilância das Paralisias Flácidas Agudas e Poliomielite, o primeiro indicador é notificar 1 caso para cada 100 mil

  

habitantes menores de 15 anos, dos 102 municípios de Alagoas, somente Maceió

  e Arapiraca pactuaram sobre esse indicador, devido o seu contingente populacional, mas isto não quer dizer que os outros municípios com casos de PFA/Poliomielite estejam excluídos da notificação, pois todos tem a mesma obrigação que os municípios que pactuaram, uma vez que este agravo é de notificação compulsória imediata e de interesse nacional, só assim poderemos evitar a reintrodução da poliomielite no Brasil e continuar com o vírus erradicado. Salienta-se que os casos devem ser imediatamente informados para a Vigilância Epidemiológica Estadual o mais rápido possível, por qualquer meio de comunicação para desencadeamento das medidas de controle em tempo oportuno.

  O indicador que avalia a Coleta Oportuna de amostras de fezes, até 14 dias após a data do inicio do déficit motor em quantidade e condições adequadas, que serve para confirmação do diagnóstico e monitoramento da circulação de poliovírus selvagem ou de poliovírus derivado vacinal. Foi pactuado que em 80% dos casos de PFA/Pólio deveriam ser realizados nessas condições de coleta oportuna.

  Observa-se que a 1ª região foi a que mais notificou os casos suspeitos de PFA/Pólio em todo o período avaliado. Em algumas regiões a PFA/PÓLIO está silenciosa, o que pode está levando a subnotificação do agravo. As coletas dos casos suspeitos por PFA no ano de 2010 foram coletadas de maneira inoportuna, ou seja, após os 14 dias a partir do déficit motor, dificultando assim a identificação do agente causador da doença. Quanto ao indicador de 01 caso para cada 100 mil habitantes menores de 15 anos, os anos de 2007, 2008 e 2009 alcançaram o indicador pactuado, que corresponde a um total de11 casos notificados por ano no estado (figura 07).

  18

  16

  14

  12

  10

  8

  6

  4

  2 2006 2007 2008 2009 2010 Região 1

  7

  17

  11

  14

  6 Região 2 Região 3

  2 Região 4

  1 Região 5 Fonte: SINANNet/DIVEP/SESAU Figura 07

  • Distribuição dos casos suspeitos de PFA/Pólio, segundo Região Notificadora em Alagoas no período de 2006 a 2010.

13.2.4 COQUELUCHE Doença Infecciosa aguda, transmissível, de distribuição universal.

  Compromete especificamente o aparelho respiratório (traquéia e brônquios) e se caracteriza por paroxismos de tosse seca. Ocorre sob as formas endêmicas e epidêmicas. Em lactantes, pode resultar em número elevado de complicações e até a morte.

  A coqueluche é uma doença de notificação compulsória em todo o território

  

nacional e sua investigação laboratorial é obrigatória nos surtos e nos casos

  

atendidas nas unidades sentinelas, previamente determinadas, a fim de identificar a

circulação da B. pertussis. As pessoas devem ser informadas quanto à importância

da vacinação, como medida de prevenção e controle da coqueluche.

  Observa-se na figura abaixo que no período de 2006 a 2008, a 1ª região foi a que notificou mais casos suspeitos de coqueluche, em 2009, a 2ª região com maior número de casos suspeitos registrados no SINAN e em 2010, a 5ª região, devido ao surto de coqueluche que ocorreu nesta região (figura 08).

  90

  80

  70

  60

  50

  40

  30

  20

  10 2006 2007 2008 2009 2010 Região 1

  7

  5

  19

  56

  25 Região 2

  1

  4

  82

  5 Região 3

  5

  6

  3 Região 4

  2

  4

  5

  33

  6 Região 5

  2

  63

  56 Fonte: SINANNet/DIVEP/SESAU

Figura 08 - Distribuição dos Casos Notificados de Coqueluche segundo a Região Notificadora

em Alagoas no período de 2006 a 2010.

  Observa-se na figura abaixo que o grupo mais afetado pela coqueluche se concentra na faixa etária de menores de 1 ano, isto se deve, à gravidade do quadro clínico nesta faixa etária, o que, leva à maior procura dos serviços de saúde e maior número de casos diagnosticados. A letalidade da doença é mais elevada no grupo de crianças menores de um ano, particularmente naquelas com menos de seis meses de idade, que concentram quase todos os óbitos por coqueluche. No período compreendido de 2006 a 2010 ocorreu dois óbitos, um no ano de 2009 e o outro em

  2010, o primeiro foi óbito por outras causas, o segundo foi óbito por coqueluche, em ambos foram crianças menores de 1 ano de idade (FIGURA 09) .

  30

  25

  20

  15

  10

  5 2006 2007 2008 2009 2010 < 1 ano

  2

  1

  10

  28

  9 1 a 4 anos

  3

  2

  16

  10 5 a 9 anos

  1

  3

  9

  5 10 a 14 anos

  1

  1

  12

  2 15 a 19 anos

  1

  2

  1 > 20 anos

  1

  1 Fonte: SINANNet/DIVEP/SESAU Figura 09 - Distribuição dos Casos Confirmados de Coqueluche segundo Faixa Etária. Alagoas, 2006 a 2010.

13.2.5 DIFTERIA

  Observa-se que os últimos casos confirmados por Difteria, ocorreram no ano de 2007. Nos anos de 2009 e 2010, foram notificados 03 casos, destes, 02 foram descartados e 01 continua inconclusivo (2009). Todos os casos suspeitos e confirmados por Difteria foram notificados pela Região de saúde 01, somando um total de 07 casos no período avaliado.

13.2.6 DOENÇAS EXANTEMÁTICAS RUBÉOLA

  É uma doença exantemática aguda, de etiologia viral, que apresenta alta contagiosidade, acometendo principalmente crianças. Doença de curso benigno, sua importância epidemiológica está relacionada ao risco de abortos, natimortos, e malformações congênitas, como cardiopatias, catarata e surdez. É denominada síndrome da rubéola congênita (SRC), quando a infecção ocorre durante a gestação.

  A rubéola foi introduzida na lista de doenças de notificação compulsória no Brasil, na segunda metade da década de 90, tornando oportuna a detecção de casos e surtos e a efetivação adequada das medidas de controle. Grandes progressos foram alcançados no controle da Rubéola/Síndrome da Rubéola Congênita (SRC) em nosso meio, após a campanha da rubéola em 2008, ano em que ocorreu a maior campanha de vacinação contra rubéola no mundo. A meta da eliminação da rubéola e da Síndrome da Rubéola Congênita até 2010 foi um compromisso do Brasil e demais países da região das Américas, assumido em 2003, mesmo com a importante redução na incidência de casos de rubéola, fruto das ações de vigilância e imunização, permanece o risco de indivíduos suscetíveis contraírem o vírus da Rubéola, uma vez que este vírus permanece circulando em várias regiões do mundo, onde o controle desta doença ainda não foi estabelecido.

  Em relação à notificação de casos suspeitos segundo a faixa etária, os grupos mais acometidos foram os menores de 1 ano e crianças de 1-4 anos no período de 2006 a 2010,sendo que esta faixa etária compreende os grupos que devem estar imunizados. Após a Campanha de seguimento no segundo semestre de 2008 a notificação nesse grupo vem diminuindo, levando em consideração a eficácia da vacina (95%). Com a intensificação das estratégias de Vigilância, os casos suspeitos nestes grupos etários estão sendo cada vez mais identificados e notificados para a tomada de medidas de controle, com a constante preocupação com relação ao tempo oportuno das ações efetivas na resolução destes casos evitando o acometimento maior de indivíduos suscetíveis.

  Em relação à notificação de casos suspeitos segundo a faixa etária, os grupos mais acometidos foram os menores de 1 ano e crianças de 1-4 anos no período de 2006 a 2010,sendo que esta faixa etária compreende os grupos que devem estar imunizados. Após a Campanha de seguimento no segundo semestre de 2008 a notificação nesse grupo vem diminuindo, levando em consideração a eficácia da vacina (95%). Com a intensificação das estratégias de Vigilância, os casos suspeitos nestes grupos etários estão sendo cada vez mais identificados e notificados para a tomada de medidas de controle, com a constante preocupação com relação ao tempo oportuno das ações efetivas na resolução destes casos evitando o acometimento maior de indivíduos suscetíveis (Figura 10).

  140 120 100

  80

  60

  40

  20 5 - 9 10 - 14 15-19 20-34 35-49 50-64 65-79 <1 Ano 1 -4 anos

  80 e+ anos anos anos anos anos anos anos 2006

  39

  42

  28

  18

  4

  16

  2 2007 111 120

  89

  60

38 124

  31

  7

  1

  1 2008 73 105

  59

  44

  25

  72

  43

  4 2009

  70

  50

  41

  19

  9

  25

  5 2010 63 126

  85

  34

  22

  37

  20

  1 Fonte: SINANNET/DIVEP/SESAU Figura 10 - Distribuição dos Casos suspeitos de Rubéola segundo faixa etária, Alagoas 2006 - 2010.

  Observa

  • – se um decréscimo de notificações após a mobilização vacinal em 2008, com apenas 01 caso confirmado em 2009. Em 2010 há registro de 08 casos confirmados de Rubéola em Alagoas, porém, diante da verificação de muitos casos pode
  • – se averiguar constantes erros de digitação e má interpretação de resultados laboratoriais para encerramento, por muitas vezes erroneamente sendo confirmado e inserido no Banco de Dados SINAN, é preciso intensificar o monitoramento destes encerramentos, pois, compete à Vigilância Epidemiológica Estadual a supervisão destas ações, já que o encerramento de casos é realizado em âmbito Municipal,
lembrando que o Banco de Dados SINAN é um dos instrumentos essenciais para estudo do comportamento epidemiológico do Agravo (figura 11)

  600 500 400 300 200 100

  2006 2007 2008 2009 2010 CONFIRMADO

  1

  45

  17

  1

  8 DESCARTADO 150 531 374 196 339 Fonte: SINANNETDIVEP/SESAU

Figura 11 - Distribuição dos Casos suspeitos de Rubéola segundo Classificação Final em

Alagoas no período de 2006 – 2010.

  Observa-se que o maior número de casos suspeitos por Rubéola foi encerrado pelo critério laboratorial. Isto se deve ao constante monitoramento da área técnica através do SINAN em orientar os Municípios quanto ao encerramento dos casos em tempo oportuno pelo critério laboratorial preconizado pelo indicador do agravo. Em 2010 houve um decréscimo do número de casos encerrados por critério laboratorial, menos de 50% dos casos, pois, o Laboratório Central de Alagoas (LACEN) ficou de setembro de 2009 a abril de 2010 sem Kit para sorologia de Sarampo e Rubéola (tabela 03).

  Tabela 03 - Distribuição dos Casos suspeitos de Rubéola segundo Critério de Confirmação/ Descarte em Alagoas no período de 2006 a 2010.

  Critério de Confirmação/ 2006 (%) 2007 (%) 2008 (%) 2009 (%) 2010 (%) Descarte

Ig/nBranco 5 (3,36) 29 (4,97) 37 (8,71) 28 (12,79) 50 (13,02)

Laboratório

  104 (69,80) 449 (77,02) 271 (63,76) 120 (54,79) 176 (45,83) Clinico - Epidemiológico

  4 (2,68) 25 (4,29) 56 (13,18) 37 (16,89) 82 (21,35)

Clínico 36 (24,16) 80 (13,72) 61 (14,35) 34 (15,53) 75 (18,53)

Data da Última dose da vacina 00 (0,00) 00 (0,00) 00 (0,00) 00 (0,00) 01 (0,26)

  Fonte: SINANNet/DIVEP/SESAU

  Alagoas pactuou dois indicadores para a Vigilância das Doenças Exantemáticas (Rubéola, Sarampo e SRC), o primeiro indicador é Investigar Oportunamente os Casos Suspeitos de Doenças Exantemáticas, ou seja, investigar os casos suspeitos em até 48 horas após a notificação. Este indicador permite a análise e identificação de situações de insuficiência que possam necessitar de medidas de intervenção e contribui para a avaliação operacional e de impacto das ações de Vigilância nos níveis Municipais e Estadual.

  O segundo indicador é Encerrar os Casos Suspeitos de Doenças Exantemáticas por critério Laboratorial, o que inclusive representa preceito essencial das ações de eliminação da doença, porém, existem outros critérios de confirmação/ descarte que podem ser utilizados para encerramento destes casos (clínico/ clínico epidemiológico/ data da última dose da vacina).

  SARAMPO

  O sarampo é uma doença infecciosa aguda, de natureza viral, grave, transmissível e extremamente contagiosa, muito comum na infância. A viremia, causada pela infecção, provoca uma vasculite generalizada, responsável pelo aparecimento das diversas manifestações clínicas, inclusive pelas perdas consideráveis de eletrólitos e proteínas, gerando o quadro espoliante característico da infecção. Além disso, as complicações infecciosas contribuem para a gravidade do sarampo, particularmente em crianças desnutridas e menores de 1 ano de idade.Apesar da ausência de casos autóctones de sarampo, o Brasil deve manter-se vigilante, pois enquanto a doença não for erradicada de forma universal, ainda há risco da reintrodução no país através de importações e bolsões de suscetíveis ainda existentes.

  A circulação endêmica do Sarampo nas Américas foi interrompida em 2002, desde então, os casos da doença que ocorrem na região sempre foram identificados como importados ou relacionados à importação de países onde a doença continua endêmica. Alagoas se enquadra em um dos Estados receptores de massas turísticas, por este motivo medidas de contenção devem ser adotadas como, avaliação vacinal dos viajantes, divulgar quanto aos sintomas característicos da doença, indicando a busca de atendimento médico imediato. As ações desenvolvidas de forma plena geram indicadores de qualidade satisfatórios e comprovam a efetividade da Vigilância das Doenças Exantemáticas diante do aparecimento de casos suspeitos.

  Ao analisar a distribuição de casos suspeitos notificados por faixa etária no período de 2006 á 2010, identificamos que pelo perfil epidemiológico do agravo que é prevalente na infância, os grupos mais acometidos são de < de 1 ano e de 1

  • – 4 anos, o número elevado de notificações nestas faixas etárias é inversamente proporcional á cobertura vacinal, nesse contexto é necessário iniciar oportunamente medidas de controle para interromper a cadeia de transmissão da doença. Em 2010 percebe
  • – se uma modificação do comportamento do agravo, evidenciando uma distribuição entre as faixas menores de 15 anos, do agravo dentro do padrão da região (figura 12).

  10

  9

  8

  7

  6

  5

  4

  3

  2

  1 < 1 ano 1-4 anos 5-9 anos 10-14 anos 20-34 anos 2006

  2

  

1

  1 2007

  6

  9

  

3

2008

  1

  1 2009

  4

  1 1 2010

  2

  1

  

2

  2 Fonte: SINANNet/DIVEP/SESAU Figura 12 - Distribuição dos Casos suspeitos de Sarampo segundo faixa etária em Alagoas no período de 2006 – 2010.

  A definição de caso confirmado de sarampo baseia-se em critérios adotados pelo Ministério da Saúde para orientar as ações de Vigilância Epidemiológica do Agravo em todo o País. A probabilidade de suspeita diagnóstica de sarampo tende a reduzir-se quando a incidência da doença é muito baixa, podendo resultar em subnotificação de casos. O Estado de Alagoas vem alcançando a meta de encerramento dos casos de Sarampo com técnicas laboratoriais, tendo registrado o último caso confirmado em 2000. Observa-se no gráfico que apenas nos anos de 2007 e 2010 casos foram encerrados por critério clínico, no restante do período há a plenitude de casos encerrados pelo critério laboratorial.

  18

  16

  14

  12

  10

  8

  6

  4

  2 2006 2007 2008 2009 2010 Clínico

  1

  1 Laboratorial

  4

  17

  1

  3

  6 Fonte: SINANNet/DIVEP/SESAU

Figura 13 - Distribuição dos Casos suspeitos de Sarampo segundo Critério de Descarte em

Alagoas no período de 2006 - 2010.

  VARICELA

  Observa-se que o maior número de casos notificados ocorreu em primeiro lugar no período de 2006 á 2010, as demais regiões também apresentaram altos números de casos notificados, esses valores refletem a alta contagiosidade do agravo. A varicela não é uma doença de notificação compulsória, embora os surtos devam ser notificados às secretarias municipais e estaduais de saúde, que solicitam a notificação de casos agregados de varicela (surtos) e a notificação e investigação de casos graves e óbitos, como objetivo de conhecer os padrões de ocorrência da doença (sazonalidade e distribuição por faixa etária) e detectar surtos em sua fase inicial e monitorar a intensidade da circulação viral e fatores associados à gravidade e óbito, que possam inclusive reorientar as recomendações de vacinação (figura 14).

  900 800 700 600 500 400 300 200 100 2006 2007 2008 2009 2010

  Região 01 733 789 704 431 770 Região 02 297 171 252 136 117 Região 03 485 180 269 122 302 Região 04 256 425 313 162 227 Região 05

  180 236

  93 82 164 Fonte: SINAN/SESAU/DIVEP

Figura 14 - Casos de Varicela notificados segundo Região de Saúde, Alagoas 2006-2010.

14. ACIDENTES POR ANIMAIS PEÇONHENTOS

  “Alguns animais produzem substâncias que atuam como toxinas principalmente para indivíduos de outras espécies”. Estas toxinas são produzidas

por glândulas especiais, que podem ou não se comunicar com estruturas por onde o

veneno passa ativamente. O Envenenamento pode ser passivo, ocorrendo por

contato, compressão ou ingestão, no caso das larvas de lepidópteros, sapos e

baiacus, respectivamente; ou pode ser ativo, quando dentes, ferrões, espinhos ou

quelíceras injetam o veneno, como ocorre nas serpentes, aranhas, escorpiões,

lacraias, abelhas, vespas, marimbondos, formigas, arraias e niquins. A presença de

uma estrutura para a inoculação do veneno caracteriza estes animais como

peçonhentos, sendo os causadores do maior número de acidentes, inclusive dos

mais graves, que envolvem seres humanos”.

  O interesse por animais peçonhentos foi registrado por diversas civilizações

antigas, que trataram de aspectos zoológicos, toxicológicos e terapêuticos, a

exemplo dos romanos; ou que tiveram estes animais como objeto de veneração,

como os egípcios, que cultuavam escorpiões; e os etruscos e provavelmente os

povos pré-colombianos, que consideravam as aranhas sagradas.

  No Brasil, estudos sobre animais peçonhentos começaram a ter registro no

final do século IX. João Batista de Lacerda, pesquisador do Museu Nacional (RJ), foi

o precursor, indicando na década de 1880 o uso de permanganato de potássio

contra veneno botrópico, comprovado posteriormente como ineficaz. Apenas no final

da década seguinte, Albert Calmette (1896), do Instituto Pasteur de Paris, divulgou

os princípios básicos da soroterapia antiofídica.

  Sobre toxinas animais e seus efeitos tornaram Vital Brazil (1897 - 1930), que

administrou o Instituto Bacteriológico (SP), o Instituto Serumtherápico (SP) e o

Instituto Vital Brazil (RJ), um dos maiores expoentes no mundo. Vital Brazil estudou

diferenças de ação e toxicidade entre os venenos ofídicos; demonstrou as relações

de especificidade entre os imunossoros e os venenos; estabeleceu os critérios do

preparo de soros mono e polivalentes; analisou a ação de venenos de aranhas e

sapos; investigou as doses mínimas mortais para diferentes animais e o uso de

venenos para fins terapêuticos. Entre os animais peçonhentos, as serpentes, as

aranhas e os escorpiões são os que causam maiores números de acidentes,

tratando-se muitas vezes de graves intoxicações.

  No Brasil, no ano de 1998 estes animais foram responsáveis por 14.647 casos (84,47% do total de acidentes por animais peçonhentos), com letalidade de

  0,2%. No Estado de Alagoas, no período de 2006 a 2010, foram notificados 23.128 casos de acidentes por animais peçonhentos. Destes, 1048 (4%) não foi obtida informação da espécie agressora. Por escorpião, foram provocados 18.038(77%); por serpente 1.706 (7.3%); por Abelha 999 (4.3%); por lagartas 219 (0.94%) e por outras espécies 1.118 (4.8%).

  Motivado pela importância destes acidentes, o Ministério da Saúde criou na

década de 1980 o Programa Nacional de Controle de Acidentes por Animais

Peçonhentos, obrigando a notificação compulsória destes agravos, implantando uma

política de produção e distribuição de anti-venenos, capacitação de recursos

humanos e vigilância epidemiológica em âmbito nacional. Este programa trabalha

em conjunto com as Secretarias Estaduais e Municipais de Saúde, Centros de

Informação Toxicológica, Centro de Controle de Zoonoses e Animais Peçonhentos,

Núcleos de Ofiologia e Laboratórios Produtores de Antivenenos.

  AVALIAđấO DO AGRAVO POR REGIấO DE SAÚDE O programa de Acidentes com Animais Peçonhentos, no Estado de Alagoas,

tem como principais pontos de referência para o atendimento (com soroterapia) os

municípios sede de regionais. Os demais municípios fazem o primeiro atendimento e

encaminham, caso seja necessário, os pacientes para as unidades de referência.

  Observando a tabela 01 destacamos a contradição entre o número de acidentes notificados e o percentual de soroterapia da terceira região em relação ás demais. A contradição indica que os acidentes ofídicos constituem maioria na terceira região o que não acontece nas demais já que apresentam percentual maior de acidentes escorpiônicos, Acidentes escorpiônicos em Alagoas geralmente são leves e necessitam apenas de bloqueio anestésico dispensando o uso de soroterapia. Acidentes ofídicos, por serem em geral graves, dependendo da espécie agressora exigem em sua maioria uso de soroterapia.

  

Tabela 01. Acidentes por Animais Peçonhentos notificados no Estado de Alagoas, segundo

indicação de soroterapia, por regional de saúde 2006 a 2010.

  Notificados Com Soroterapia

REGIÃO 2006 2007 2008 2009 2010 Total 2006 2007 2008 2009 2010 TOTAL % Soro

  4.5 2ª RS 759 626 789 901 1092 4167

  1ª RS 2530 2749 2556 2500 2946 13281 93 160 102 120 125 600

  93 69 108

  98 76 444

  10.7 3ª RS

  11

  22

  43

  43 62 181

  6

  12

  21

  18

  26

  83

  45.9 4ª RS

  75 442 1223 1423 1787 4950

  6

  27

  33

  46 44 156

  3.1 5ª RS

  75

  69 83 126 164 517

  16

  21

  20

  33 18 108

  20.9 Fonte: SINAN/Net/DIVEP/SUVISA/SESAU.

  Analisando o Quadro 01, verificamos a predominância de acidentes por

escorpiões, em relação às demais espécies, explicada pelo fato dos escorpiões

(desalojados de seu habitat natural pelo desmatamento e construção civil)

encontrarem excelente abrigo e fonte de alimentos (insetos, principalmente baratas

no peri-domicílio), facilitando sua presença nas residências e consequentemente a

ocorrência de acidentes.

  

Quadro 01. Distribuição em percentual dos acidentes com animais peçonhentos por espécie

agressora e regional de saúde 2006 a 2010, Alagoas.

  Fonte: SINAN/Net/DIVEP/SUVISA/SESAU.

   E- escorpião ; O- ofídio ; L- lagarta ; AB- abelha

  3458 3910 4702 23128

  4998 6060

2006 2007 2008 2009 2010 Total

Fonte: SINAN/Net/DIVEP/SUVISA/SESAU.

  Figura 01 - Acidentes com animais peçonhentos no período de 2006 a 2010, Alagoas.

  Destaca-se o aumento das notificações em 2010, provavelmente em

decorrência das enchentes ocorridas no mesmo ano. Na ocorrência de alagamentos,

  aumentam as notificações de acidentes por animais peçonhentos. As espécies atingidas procuram lugares secos para se alojar, podendo causar acidentes, principalmente no momento da limpeza das casas.

  O maior percentual de óbitos por Animais Peçonhentos é verificado na 1ª

região de saúde em decorrência da mesma abranger os municípios da zona da mata

(maior presença de ofídios peçonhentos) e maior incidência de acidentes

escorpiônicos na capital (Figura 02).

  1; 10% 2; 20% 5; 50% 1; 10%

  1; 10%

1ªRegião 2ªRegião 3ªRegião 4ªRegião 5ªRegião

Fonte: SIM/SES/AL Figura 02 - Número de óbitos por animais peçonhentos segundo região de saúde 2006 a 2010, Alagoas.

15. URGÊNCIAS EPIDEMIOLÓGICAS

  ENFRENTAMENTO ÀS EMERGÊNCIAS DE SAÚDE PÚBLICA EM ALAGOAS Alerta e Resposta aos Eventos de Saúde

  O principal objetivo do CIEVS é a vigilância ininterrupta para a identificação, verificação, investigação e resposta de eventos que possam constituir-se em emergências de saúde pública.

  A busca de informações estratégicas é diária, tanto das fontes oficiais de informação (Secretarias Municipais de Saúde, Unidades Básicas de Saúde, Unidades Especializadas, Ambulatórios, Clínicas, Núcleos Hospitalares de Epidemiologia, Centros de Controle de Infecção Hospitalar, Porto, Aeroporto, etc.) quanto das fontes não oficiais (rumores, por meio de internet, TV, jornal impresso, etc.).

  Assim, em 2010, o CIEVS contabilizou um total de 6.702 registros, sendo 2.025 (30,2%) de notificação negativa (sem intercorrências) e 4.677 (69,8%) de notificações positivas (eventos de interesse).

  Quanto aos eventos de interesse registrados, o grupo de maior ocorrência foram as Doenças Transmitidas por Vetores (87,7%) (Figura 01).

  Intoxicação Exógena 0,06% Evento Inusitado 0,09% Óbito Fetal/Infantil/Materno 0,11% Infecção Hospitalar

  0,19% Evento Etiologia Indeterminada 0,19% Evento Adverso Produto/Procedimento 0,24% Desastre 0,45%

  Doença Transm. Hídrica/Alimentar 1,07% Zoonoses 1,33% Doenças Sist. Respiratório 2,07%

  Doença Exantemática 2,46% Doenças Sist. Neurológico 4,02% Doenças Transm. Vetores

  87,73% 0,00% 20,00% 40,00% 60,00% 80,00% 100,00% Percentual (%) Fonte: ROTINA 2010/CIEVS/SUVISA/SESAU. Figura 01 Distribuição dos Grupos de eventos registrados pelo CIEVS em Alagoas, 2010. Quando observado o tipo de evento, verifica-se a predominância de Dengue (82,0%) e de suas formas graves (FHD e DCC: 5,5%) (Figura 02). Destaca-se ainda a ocorrência de Doença Meningocócica e Outras Meningites (3,0%). Foram notificados em menor proporção, totalizando 4,5% dos eventos registrados: Sarampo, Inundações, Doença de Chagas Aguda, Difteria, Agravos Inusitados, Febre Amarela, Doença de Creutzfeldt-Jacob, Intoxicação Exógena, Cólera, Síndrome Diarréica Aguda, Paralisia Flácida Aguda/Poliomielite, Hepatites Virais, Malária, Eventos adversos pós-vacinação, Coqueluche, Febre Tifóide e Rubéola.

  SRAG 1,4% Leptospirose 1,5% Varicela 1,9% Doença Meningocócica/Outras Meningites 3,0%

  Outros 4,5% FHD/DCC 5,5% Dengue 82,0%

  0,0% 20,0% 40,0% 60,0% 80,0% 100,0% Percentual (%) Fonte: ROTINA 2010/CIEVS/SUVISA/SESAU. Figura 02 Distribuição dos tipos de eventos registrados pelo CIEVS em Alagoas, 2010.

  O plantão realizado pelo CIEVS, por meio de visitas diárias às unidades ambulatoriais e hospitalares, foi a principal fonte de captura da informação geradora da notificação, respondendo por 89,43% dos eventos registrados (Figura 03), evidenciando assim, a eficácia da estratégia implementada pela Secretaria de Estado da Saúde, a qual é única no país.

  CIEVS/MS 0,01% Mídia 0,06% Área Técnica SUVISA 0,10%

  SVO 0,12% População 0,15% SMS 0,16%

  Outros 0,30% Unidade de Saúde 9,66% Plantão CIEVS/AL

  89,43% 0,00% 20,00% 40,00% 60,00% 80,00% 100,00% Percentual (%) Fonte: ROTINA 2010/CIEVS/SUVISA/SESAU. Figura 03 Fonte da informação dos eventos registrados pelo CIEVS em Alagoas, 2010.

  Dos eventos registrados pelas Unidades de Saúde, quase a totalidade foi realizada por unidades hospitalares (92,9%), sendo os Núcleos Hospitalares de Epidemiologia (NHE), as Comissões de Controle de Infecção Hospitalar (CCIH), as Unidades de Internação e os Serviços de Arquivo Médico e Estatística (SAME) as principais fontes para a notificação dos eventos (43,7%; 18,9%; 15,3% e 12,0%, respectivamente).

  Das informações capturadas pelo plantão CIEVS, as principais fontes de informação foram as unidades de internação hospitalar (29,4%), o plantão da dengue realizado em Unidades de Saúde de referência para o atendimento em Maceió (27,7%) e os Núcleos Hospitalares de Epidemiologia (13,6%).

  Em 2010, os eventos ocorreram em 87 (85,3%) dos 102 municípios alagoanos, demonstrando a capilaridade da vigilância aos eventos de interesse no estado. Os municípios com maior ocorrência foram Maceió (71,5%), Rio Largo (4,6%) e Marechal Deodoro (2,3%).

  O número de casos atingidos por todos os eventos registrados totalizou 30.461 pessoas, variando desde um único caso por evento, a até 7.800 envolvidos devido às inundações ocorridas em 2010.

  Das quase 31.000 pessoas atingidas em 2010, 1.023 necessitaram de internação hospitalar, sendo a maioria devido à dengue e suas formas graves (69,0%) e à doença meningocócica e outras meningites (10,7%). Houve 19 óbitos relacionados aos eventos notificados, dos quais 09 (47,3%) foram devido às formas graves de dengue (Dengue com Complicações e Febre Hemorrágica de Dengue).

  Quando observadas as categorias dos eventos, segundo classificação padronizada pelo CIEVS, observa-se que a maioria correspondeu aos eventos de rotina (Figura 04).

  100,0% 87,6%

  90,0% 80,0% )

  70,0% (%

  60,0% al tu

  50,0% en

  40,0% rc

  30,0% Pe

  20,0% 11,0% 10,0%

  1,4% 0,0% Eventos de rotina Notificação Urgência sem imediata interesse para o CIEVS

  Fonte: ROTINA 2010/CIEVS/SUVISA/SESAU.

  Figura 04

  • Categorias dos eventos segundo registrados pelo CIEVS em Alagoas, 2010.

  Para cada evento notificado, o CIEVS deve proceder à comunicação às áreas técnicas envolvidas/responsáveis. Assim, para os eventos existentes em 2010, a comunicação foi realizada, principalmente, para a Vigilância Epidemiológica (98,8% dos eventos).

  Apesar da comunicação realizada às áreas técnicas envolvidas, 27,9% dos eventos foram investigados diretamente pelo CIEVS e em apenas 8,1% as áreas responsáveis deram retorno ao encaminhamento, o que demonstra a necessidade de melhoria da troca de informações entre as áreas técnicas e o CIEVS.

  Vigilância Epidemiológica em Âmbito Hospitalar

  Conforme descrito, quase a totalidade dos casos captados pelo CIEVS foram oriundos de unidades hospitalares, com destaque para os Núcleos Hospitalares de Epidemiologia (NHE), os quais desempenham papel crucial na vigilância das doenças cuja notificação é imediata.

  Em Alagoas, o quantitativo de NHE aumentou 325%, passando de 04 para 17 núcleos, sendo três novos núcleos em Maceió, dois em Arapiraca e um em cada dos seguintes municípios: Marechal Deodoro, Rio Largo, Penedo, Delmiro Gouveia, Santana do Ipanema, Teotônio Vilela, Palmeira dos Índios e Piranhas.

  Houve um incremento de 172,7% no volume de notificações, excluindo-se Dengue, uma vez que em 2010 houve epidemia de grande proporção. Esse aumento variou, segundo unidade hospitalar notificante, de 3,87% (Unidade Mista N.

  Sra. das Graças

  • – Teotônio Vilela) a 144.700% (Hospital Geral Prof. Ib Gatto Falcão – Rio Largo).

  A despeito do aumento de notificações em todas as unidades hospitalares, na Unidade Mista Sen. Arnon A. F. de Mello (Piranhas) houve redução de 54,14%. A unidade hospitalar que vem apresentando o melhor desempenho é a Unidade de Emergência Dr. Daniel Houly (Arapiraca).

  As doenças e agravos mais notificados pelos NHE foram Dengue (46,7%), Atendimento Antirrábico (17,3%), Acidentes por Animais Peçonhentos (15,4%) Violência Doméstica, Sexual e/ou Outras Violências (4,7%) e Varicela (2,3%), dentre outras.

  Quanto às doenças e agravos cuja notificação é imediata, observou-se aumento de 227,5% nos hospitais que implantaram NHE, sendo este aumento fortemente influenciado pela Unidade de Emergência de Penedo (aumento de 525%), seguida pela Unimed (aumento de 340%) e Unidade Mista N. Sra. das Graças (aumento de 180%).

  Vale destacar que a Unidade Mista Sen. Arnon A. F. de Mello (Piranhas) reduziu em 75% o volume de registro de doenças e agravos cuja notificação é imediata, evidenciando a necessidade de maiores avaliações naquele nosocômio.

  Quanto à oportunidade da notificação das doenças e agravos que devem ser informados em até 24 horas, observa-se em 2010, que 58% foram notificados em tempo oportuno, sendo tal esta uma situação preocupante, uma vez que 42% dos eventos foram registrados após as primeiras 24 horas preconizadas, o que pode acarretar em situações de emergência em saúde pública e ainda dificultar o desencadeamento da resposta a ser dada, frente a tais eventos.

  Um fator que pode estar relacionado à não-notificação de forma imediata, é o não funcionamento dos NHE em horário integral ou mesmo durante os finais de semana e feriados, o que provavelmente contribui para reduzir essa oportunidade.

  Enfrentamento às Inundações/enxurradas

  No dia 18 de junho de 2010, fortes chuvas elevaram o nível dos rios Mundaú e Paraíba do Meio, originando enxurradas e inundações de fortes proporções. Conceitualmente, enxurrada é classificada como o “volume de água que escoa na superfície do terreno, com grande velocidade, resultante de fortes chuvas”, enquanto que inundação é definida como o “transbordamento de água da calha normal de rios, mares, lagos e açudes, ou acumulação de água por drenagem deficiente, em áreas não habitualmente submersas”.

  Com 04 municípios em Situação de Emergência (SE) e outros 15 em Estado de Calamidade Pública (ECP) (Figura 05), aliados à destruição de aproximadamente 45 unidades de saúde e 04 sedes de Secretarias Municipais de Saúde, o evento foi classificado como uma Emergência de Saúde Pública de Importância Nacional (ESPIN). Assim, o CIEVS procedeu ao monitoramento dos municípios em ECP, entre as semanas epidemiológicas (SE) 25 e 37.

  Figura 05

  • Municípios alagoanos em estado de calamidade pública devido às enxurradas/inundações ocorridas em 2010.

  Houve no período, 1.296 casos notificados, sendo 1.176 por doenças e 120 por agravos (acidentes por animais peçonhentos). Das doenças notificadas, a maioria foi devido à dengue (929 casos; 79,0%), seguida de varicela, leptospirose e coqueluche (Figura 06).

  Rubéola

  3 Meningite

  9 Febre tifóide

  10 Hepatite A

  15 Coqueluche

  60 Leptospirose

  61 Varicela

  89 Dengue 929 200 400 600 800 1000

  Quantidade Fonte: DESASTRE 2010/CIEVS/SUVISA/SESAU. Figura 06 Doenças notificadas nos municípios em ECP. Alagoas, 2010.

  O município com o maior número de notificações foi Rio Largo, respondendo por pouco mais da metade de todas as notificações (51,0%) (Figura 07).

  Jacuípe 0,6 Paulo Jacinto 0,9

  Cajueiro 1,6 Viçosa 1,9

  São José da Laje 2,7 Atalaia 3,1

  Joaquim Gomes 3,5 Satuba 3,7 Capela 4,1

  Quebrangulo 4,2 Murici 4,6 Branquinha 5,7 União dos Palmares 5,8

  Santana do Mundaú 6,8 Rio Largo 51,0 0,0 10,0 20,0 30,0 40,0 50,0 60,0

  Percentual (%) Fonte: DESASTRE 2010/CIEVS/SUVISA/SESAU. Figura 07 Distribuição dos casos notificados segundo município em ECP.

  Alagoas, 2010.

  A média de idade dos indivíduos acometidos foi de 23,9 ± 17,3 anos, variando de 0 a 100 anos, entretanto, a maior ocorrência foi observada no grupo etário de 20 a 34 anos de idade (Tabela 01).

  Tabela 01

  • Distribuição dos casos de doenças notificadas

  

segundo faixas etárias, entre as SE 25 e 37, nos municípios em

ECP. Alagoas, 2010.

  Faixas etárias Nº % < 10 271 23,0 10 - 19 258 21,9 20 - 34 358 30,4 35 - 49

  176 15,0 50 - 64

  80 6,8 > 64

  30 2,6 Ignorada

  03 0,3 Total 1.176 100,0 Fonte: DESASTRE 2010/CIEVS/SUVISA/SESAU. Os casos ocorreram mais entre as mulheres (54,3%) que entre os homens (45,7%), quando consideradas todas as doenças notificadas. Analisando-se cada doença separadamente, os homens foram maioria apenas entre os casos de Coqueluche (51,7%) e Varicela (55,1%).

  Quando analisada a data de início dos sintomas, independentemente da doença, observa-se a maior ocorrência de doenças nas primeiras semanas pós- inundações, devido, principalmente, à Dengue, Coqueluche e Leptospirose, enquanto que a ocorrência de Febre tifóide e Varicela se deu nas últimas semanas do período monitorado, provavelmente devido às condições de vida da população residente em abrigos (Figura 08). 180 160 Todas as doenças 140 Dengue Q an ad u e tid 100 120 140 80 60 20 40 Q e u an ad tid 100 120 20 40 60 80

24 25 26 27 28 29 30 31 32 33 34 35 36 37 38 24 25 26 27 28 29 30 31 32 33 34 35 36 37 38

Semanas Epidemiológicas (SE) Semanas Epidemiológicas (SE) ad tid e 10 12 14 16 8 Coqueluche

ad

e

25 30 20 Leptospirose Q u an 2 4 Q 6 an

24 25 26 27 28 29 30 31 32 33 34 35 36 37 38 24 25 26 27 28 29 30 31 32 33 34 35 36 37 38

tid

u

10 15 5 Semanas Epidemiológicas (SE) Semanas Epidemiológicas (SE) Febre tifóide Varicela an ad u tid e Q 3 2 4 5 1 Q tid e ad an u 16 14 12 10

  18 6 4 8

24 25 26 27 28 29 30 31 32 33 34 35 36 37 38 24 25 26 27 28 29 30 31 32 33 34 35 36 37 38

Semanas Epidemiológicas (SE) Semanas Epidemiológicas (SE)

  2 Fonte: DESASTRE 2010/CIEVS/SUVISA/SESAU.

  Figura 08

  • Distribuição dos casos notificados nos municípios em ECP, segundo doença e semana epidemiológica de início de sintomas. Alagoas, 2010.
Quando analisadas as incidências de cada doença notificada, segundo município de residência, verifica-se que para Coqueluche e Leptospirose as maiores incidências foram observadas em Santana do Mundaú (483,53 / e 63,86 / ,

  0000 0000

  respectivamente). Para Dengue, a maior incidência foi observada em Rio Largo (820,91 / 0000 ), enquanto que Cajueiro deteve as maiores incidências para Febre tifóide e Meningite (34,30 / e 9,80 / , respectivamente). Quebrangulo teve as

  0000 0000

  maiores incidências para Varicela e Rubéola (191,97 / 0000 e 17,45 / 0000 , respectivamente) enquanto que Hepatite A foi mais incidente em Branquinha e Murici (18,95 / 0000 e 18,74 / 0000 , respectivamente).

  Após a ocorrência das inundações/enxurradas, foram notificados 120 acidentes por animais peçonhentos, com o predomínio de acidentes por escorpião, os quais ocorreram em 14 (93,3%) dos 15 municípios monitorados, sendo o maior número de casos no município de Rio Largo (39 casos). Os acidentes ocorreram na mesma proporção entre os sexos.

  O cenário pós-inundações/enxurradas demonstra a convergência de vários fatores de risco, como exposição à água contaminada, lixo, situação de aglomerado em abrigos e destruição de serviços de saúde, os quais concorrem para a ocorrência de doenças de veiculação hídrica, respiratória, vetoriais, acidentes por animais peçonhentos, entre outras, o que requer um sistema de vigilância ativo para que o setor saúde atue com respostas preventivas e imediatas, evitando a ocorrência de surtos e maiores danos à saúde.

  

16. FATORES AMBIENTAIS DETERMINANTES E

CONDICIONANTES DA SAÚDE DA

POPULAđấO EM ALAGOAS

  A avaliação e as análises ora apresentadas foram organizadas com o objetivo de apresentar, de forma condensada, as situações de risco ambiental de interesse para a saúde, por meio de informações retiradas das bases de dados dos sistemas de informação gerenciados pela vigilância em saúde ambiental de Alagoas.

  A Saúde Ambiental é a área da saúde pública afeta ao conhecimento científico e à formulação de políticas públicas relacionadas à interação entre a saúde humana e os fatores do meio ambiente natural e antrópico que a determinam, condicionam e influenciam, com vistas a melhorar a qualidade de vida do ser humano, sob o ponto de vista da sustentabilidade.

  Os indicadores de vigilância da qualidade da água para consumo humano descrevem, inicialmente, a oferta de água pelo poder público, além das principais formas de tratamento e os responsáveis. Ainda dentro das informações geradas pelo Sistema de Informação da Qualidade da Água

  • – SISAGUA analisa-se a qualidade da água distribuída à população, considerando a ausência de coliforme total.

  A análise dos indicadores de vigilância de contaminantes atmosféricos de interesse para a saúde pública é, inicialmente, mostrada a partir de uma série histórica de focos de calor, por municípios, sendo também analisada a frota veicular.

  A análise dos indicadores de vigilância ambiental relacionada a áreas de solo contaminado ou sujeita à contaminação mostra o número de áreas cadastradas relacionadas a contaminantes químicos que podem causar doenças na população afetada, analisada a proporção de postos de combustíveis, indústrias químicas e sucroalcooleiras e outras atividades de interesse.

  A análise dos fatores ambientais determinantes da saúde da população mostra uma série histórica e tem por objetivo final subsidiar as áreas técnicas afins, tais como, a de doenças de veiculação hídricas, a de hepatite A, a de doenças do aparelho respiratório, entre outras, e a contribuir para o direcionamento de suas ações para áreas de maior risco ou verificar situações de anormalidades nos territórios.

  Trata-se de uma análise elaborada a partir de dados secundários obtidos nos diversos sistemas de informação da vigilância em Saúde Ambiental gerenciados pela Secretaria de Vigilância em Saúde

  • – SVS, Coordenação Geral de Vigilância em
Saúde Ambiental

  • – CGVAM, do Ministério da Saúde – MS, em conjunto com as Secretaria Estaduais- SES e Municipais de Saúde - SMS.

  Do Sistema de Informação de Vigilância da Qualidade da Água

  • – SISAGUA foram analisados os dados de Sistemas de Abastecimento de Água - SAA cadastrados, formas de tratamento, responsáveis; procedência da água bruta além da avaliação quantitativa e qualitativa das análises laboratoriais dos últimos quatro anos.

  Os dados analisados a partir do sistema de informação de Solo contaminado ou sujeito a contaminação foram: a) áreas cadastradas nos últimos quatro anos; b) classificação por contaminantes; e c) população exposta aos contaminantes.

  A análise dos contaminantes atmosféricos de interesse para a saúde pública nos municípios, considera informações ambientais e de saúde que envolvem: a) informações ambientais

  • – Indústrias de transformação, indústrias de extração,
  • – número de focos de calor (queimadas) e frota veicular; e b) Informações de saúde Morbidade e mortalidade por doenças do aparelho respiratório. As duas informações geram uma pontuação que classifica os municípios em alto médio e baixo risco.

  Em se tratando de água para consumo humano, Alagoas tem Sistemas de abastecimento de Água

  • – SAA nos 102 municípios, sendo a maioria, 60%, proveniente de manancial subterrâneo; do total de SAA cadastrados, 74% estão sob a responsabilidade das prefeituras municipai s, alguns deles denominados “Serviço de Abastecimento de Água e Esgoto- SAAE”.

  Para o indicador Cadastro de SAA no Sistema de Informação da Qualidade da Água

  • – SISAGUA, devido a série histórica não apresentar grandes flutuações, o comparativo foi realizado entre os anos 2007 e 2010 onde, no ano de 2007, há 290 SAA cadastrados e, em 2010, 334, o que significa um incremento de aproximadamente 13%, indicativo de maior sensibilidade das equipes técnicas municipais em identificar as formas de abastecimento nos territórios.

  Na análise dos tipos de tratamento, observa-se que, nos anos analisados, 2007 e 2010, os “SAA Sem Tratamento” ocupam a primeira posição com 45% e 46%, respectivamente. Para manancial de superfície, onde o tratamento da água deve ter no mínimo o tratamento por filtração além da desinfecção, os sistemas com insuficiência de tratamento passam de 26%, em 2007, para 45%, em 2010. As formas de tratamento “Convencional” e “Filtração com Desinfecção” apresentam pouca alteração nos dois anos, o que se pode ver no quadro 01.

  

Quadro 01 – Água para consumo humano: Captação, Formas de Tratamento e responsáveis, anos 2010 e

2007.

  

SISÁGUA 2010

TIPO DE TRATAMENTO CAPTAđấO RESPONSÁVEL FILTRAđấO/ CONVENCIONAL DESINFEC. DESINFEC. SEM TRAT. TOTAL n % n % n % n % n %

  CASAL 00 0,00 02 5,40 7 18,92 28 75,68 37 100,00 SUBTERRÂNEO 202 (60,50%) PREFEITURA 00 0,00 02 1,21 69 41,82 94 56,97 165 100,00 CASAL

  23 45,10 10 19,61 18 35,29 0,00 51 100,00 SUPERFICIAL 132 (39,50%) PREFEITURA 13 16,05 09 11,11 27 33,33 32 39,51 81 100,00 TOTAL GERAL 334 (100,00%) 36 10,78

  23 6,89 121 36,22 154 46,11 334 100,00

SISÁGUA 2007

  TIPO DE TRATAMENTO CAPTAđấO RESPONSÁVEL FILTRAđấO/ CONVENCIONAL DESINFEC. DESINFEC. SEM TRAT. TOTAL n % n % n % n % n % CASAL 00 0,00 05 17,24 05 17,24 19 65,52 29 100,00 SUBTERRÂNEO 205 (70,70%) PREFEITURA 00 0,00 08 4,55 65 36,93 103 58,52 176 100,00 CASAL

  23 51,11 09 20,00 13 28,89 00 0,00 45 100,00 SUPERFICIAL 85 (29,30%) PREFEITURA 10 25,00 08 20,00 14 35,00 08 20,00 40 100,00 TOTAL GERAL 290 (100,00%)

  33 11,38 30 10,34 97 33,45 130 44,83 290 100,00 Fonte: SISAGUA 2007 e 2010

  Relacionado à qualidade da água ofertada à população no período de 2007 a 2010, quanto aos parâmetros de Cloro Residual Livre, Turbidez e Coliforme Total, cujos valores percentuais devem estar conforme a portaria MS No 518/2004, observa-se que em todos os Sistemas de Abastecimento há necessidade de melhoria da qualidade, visto que, considerando-se a média dos últimos quatro anos, nenhum deles atinge 80% de amostras viáveis. Turbidez e CRL apresentam 77% e Coliforme Total 64% das amostras analisadas.

  O melhor resultado entre os três parâmetros fica para a segunda região seguida da primeira, em último lugar aparece a quinta região de saúde (Figura 01). Referente ao número de análises realizadas anualmente, no período de 2007 a 2010, a segunda região é a que apresenta maior número de análises seguida da primeira região e, em último lugar, aparece a terceira região de saúde (Figura 02).

  90

  80

  70 1a

  60 2a

  50 3a

  40

  30 4a

  20 5a

  10 média turbidez CRL Coliforme média

  Total Fonte: SISAGUA Figura 01- Qualidade da água por regiões de saúde. 2007-2010

  70

  60

  50 1a

  40 2a

  30 3a

  20 4a

  10 5a média turbidez CRL Coliforme média Total

  Fonte: SISAGUA Figura 02 – Quantitativo de Análises realizadas – média por região. 2007-2010

  Alagoas iniciou, em 2008, as atividades de Vigilância de contaminantes ambientais que envolvem populações expostas a solo contaminado ou sujeito a contaminação - VIGISOLO e Áreas de Atenção Ambiental Atmosférica de interesse para a Saúde (4AS) - VIGIAR. Atualmente há áreas cadastradas em 30 municípios nas 5 regiões de saúde, sendo 10 na primeira, 7 na segunda, 5 na terceira, 3 na quarta e 5 na quinta região de saúde. Os municípios foram priorizados em função de ter indústrias químicas e/ou por serem municípios prioritários para redução da mortalidade infantil (Figura 03).

  Figura 03- Municípios Cadastrados na Plataforma DATASUS/IIMRI/VIGIAR e no Sistema de Informação de Populações expostas a solo contaminado – SISSOLO: 2010

  • – O Sistema de Informação de populações exposta a solo contaminado

  SISSOLO tem 245 áreas cadastradas. O quadro 02 apresenta as áreas classificadas quanto ao tipo de contaminação e a respectiva população exposta, onde podemos observar que: na categoria UPAS encontra-se o maior número de áreas cadastradas, 155 (63%), e, também, o maior contingente de população exposta; em segundo lugar, aparecem as áreas Industriais, 48 (20%). Não há cadastro de Áreas

  • – Agrícolas - AA e de Área Contaminada por Acidente com Produto Perigoso ACAPP, além das áreas de Mineração
  • – AM não apresentarem população exposta em um raio de 1000 metros. Este quantitativo por classificação está conforme a escolha de áreas que o município priorizou neste primeiro momento, com o objetivo de dar visibilidade aos principais problemas e realizar seus cadastros.

  

Quadro 02 – Áreas de Solo Contaminado ou Sujeito a Contaminação: Classificação, quantitativo de

áreas cadastradas e de população exposta

  Nº DE ÁREAS POPULAđấO EXPOSTA CLASSIFICAđấO CADASTRADAS (hab.) Área de Disposição Final de Resíduos 19 10.560

  Urbano – ADFRU Área de Mineração

  2

  • – AM Área Desativada

  1 8.000

  • – AD Área Industrial

  48 27.550

  • – AI Contaminação Natural

  18 12.900

  • – CN Depósitos de Agrotóxicos

  1 500

  • – DA

  Unidade de Postos de Abastecimento 155 352.580 e Serviços

  • – UPAS Área de Disposição de Resíduos

  1 1.000 Industriais – ADRI Área Agrícola – AA Área Contaminada por Acidente com Produto Perigoso – ACAPP.

  Fonte: SISSOLO

  Há confirmação laboratorial, pelo órgão ambiental, de contaminação em 30 áreas de UPAS e em 2 AI, porém não há estudos epidemiológicos relacionados à população exposta.

  O quadro 03, abaixo, apresenta os cadastros de solo contaminado, por região de saúde, segundo classificação e população exposta, onde observa-se que a primeira região tem o maior número de áreas cadastradas (1620) e, consequentemente, o maior contingente de população exposta, o que se justifica por estarem incluídos nessa região a capital Maceió e o município de Marechal Deodoro com seu pólo Industrial. Diferente desta situação o segundo maior contingente de população exposta está na quarta região que, juntamente com a segunda, tem o menor número de áreas cadastradas. O que se justifica por ser a região onde está Arapiraca, município com o maior número de cadastros e alta concentração populacional.

  

Quadro 03 – População exposta a contaminantes de solo por região e áreas cadastradas segundo

classificação

  ESTIMATIVA: TOTAL REGIÕES POPULAđấO AI CN ADFRU UPAS DA ADFRI AM AD DE DE SAÚDE EXPOSTA

  ÁREAS 1ª RS 353.945

  19

  5 2 135 1 162 2ª RS 16.800

  12

  2

  4

  1

  19 3ª RS 5.770

  6

  5

  3

  7

  1

  22 4ª RS 23.800

  6

  1

  5

  6

  1

  19 5ª RS 12.775

  5

  5

  5

  7

  1

  23 413.090

  48

  18 19 155

  1

  1

  2 1 245 Fonte: SISSOLO

  Relacionado à Vigilância de Áreas de Atenção Ambiental Atmosférica de interesse para a Saúde (4AS), o cadastro dos municípios integra situações ambientais (Fontes fixas de poluição: indústrias extrativas e de transformação; Fontes móveis: frota de veículos automotores; Queima de biomassa: número de focos de calor) com dados de saúde (taxa de morbidade e de mortalidade por doenças do aparelho respiratório). Estes dados geram uma pontuação que diferencia os municípios na análise dos riscos.

  O quadro 04 apresenta a pontuação por ano e por região de saúde, e a população total dos municípios cadastrados. Observa-se que, nos três anos analisados, a primeira e a segunda região sempre estão com a maior pontuação, seguidas da quarta; e com a menor pontuação, possivelmente por ser o sertão do Estado e ter menor presença de indústrias e de frota veicular, a terceira região. As três regiões que apresentam maior pontuação relacionada aos problemas de poluição atmosférica também envolvem a maior população residente que pode estar sujeita às doenças do aparelho respiratório.

  Quadro 04 – Vigilância de Poluentes atmosféricos: série histórica, pontuação média por região e média do Estado

  

REGIÕES DE SAÚDE 2008 2009 2010

MÉDIA 1ª RS

  

18

  22

  21 MÉDIA 2ª RS x

  22

  20 MÉDIA 3ª RS x

  11

  13 MÉDIA 4ª RS

  

10

  18

  17 MÉDIA 5ª RS x

  14

  18 MÉDIA ESTADO

  

14

  17

  18 Fonte: IIMR/DATASUS

  O quadro 05 apresenta uma análise comparativa, por região, entre as informações ambientais e os dados de saúde conforme o Sistema de Informação

  VIGIAR, no ano de 2010. Observa-se que a pontuação referente as questões ambientais supera a pontuação dos dados de saúde na primeira, segunda e quarta regiões; já na quinta, a pontuação é igual; e na terceira, possivelmente por ser a região de menor industrialização, os dados de saúde superam os dados ambientais.

  

Quadro 05 – Comparativo entre pontuação de dados ambientais e

de saúde, ano 2010

  PONTUAđấO ANO 2010 REGIÕES DE SAÚDE Informações Informações ambientais de Saúde MÉDIA 1ª RS

  13

  8 MÉDIA 2ª RS

  13

  7 MÉDIA 3ª RS

  6

  7 MÉDIA 4ª RS

  11

  6 MÉDIA 5ª RS

  9

  9 Fonte: IIMR/DATASUS

  CONSIDERAđỏES FINAIS

  Os dados relacionados à oferta de água para consumo humano evidenciam que o poder público não está realizando os investimentos necessários à adequação dos sistemas de abastecimento de Água - SAA à legislação vigente com, no mínimo, desinfecção e filtração e desinfecção quando necessário.

  Esta situação coloca a população consumidora em risco de adoecimento e morte e traz importantes informações para a gestão do SUS, no sentido de orientar as prioridades das ações de saúde e estimular a produção de análises mais profundas relacionadas às doenças mais sensíveis a este contexto de risco ambiental.

  Na área de vigilância de populações expostas a solo contaminado ou sujeito a contaminação, as 245 áreas cadastradas representam uma pequena amostra das áreas de risco existentes em Alagoas e a necessidade de uma ação intersetorial de forma contínua tanto em relação á identificação das populações quanto à complementação e qualificação das informações levantadas.

  A atuação da Vigilância Ambiental de Áreas de Atenção Ambiental Atmosférica de interesse para a Saúde (4AS) exige, além de estudos epidemiológicos, uma gestão interdisciplinar e intersetorial que envolva políticas e ações dos órgãos ambientais e de desenvolvimento urbano e indústrias com vistas a minorar as situações de risco identificadas e garantir a qualidade de vida e de saúde para a população.

17. PROMOđấO DA SAÚDE EM ALAGOAS

  A Promoção da Saúde, estratégia do SUS para a efetivação do conceito ampliado de saúde que pensa a saúde como processo de produção social de determinação múltipla e, portanto, como resultado do acesso a condições dignas de vida, analisa aspectos variados da situação de saúde no estado, buscando identificar os avanços alcançados e os obstáculos persistentes e novos que desafiam a sociedade

  • – população, gestão, profissionais de saúde e demais setores da vida pública e privada
  • – a envolver-se para promover todas as mudanças necessárias ao alcance de saúde e vida digna para t
  • – vida qualificada em todos os seus aspectos.

  No SUS, a promoção da saúde é a estratégia destinada a enfocar os aspectos determinantes do processo „saúde-adoecimento‟ onde se destacam: violência, desemprego, subemprego, falta de saneamento básico, habitação inadequada e/ou ausente, dificuldade de acesso à educação, fome, urbanização desordenada, qualidade do ar e da água ameaçada, deteriorada; e potencializar formas mais amplas de intervir em saúde (BRASIL, 2010).

17.1 METODOLOGIA

  • – A análise de situação de saúde é elemento componente do Plano de Saúde

  1

  instrumento do sistema de planejamento do SUS (PlanejaSUS ) (BRASIL, 2009) que

  2

  tem como eixos orientadores, de acordo com a Portaria nº 3.332/2006 (BRASIL, 2009): as condições de saúde da população

  • – análise situacional onde se identificam e priorizam os problemas de saúde, traçando o perfil demográfico, socioeconômico e epidemiológico da população e onde se apresentam os compromissos e responsabilidades exclusivas do setor saúde.

  os determinantes e condicionantes de saúde

  • – onde se identificam as medidas intersetoriais que se configuram determinantes e/ou condicionantes da situação de saúde ou da atenção à saúde; compartilhadas ou sob a coordenação de outros setores
  • 1 – intersetorialidade. 2 PlanejaSUS, Sistema de Planejamento do SUS, regulamentado pela Portaria MS/GM nº 3.085, de 1/12/2006.

      

    Portaria MS/GM nº 3.332, de 28/12/2006: aprova orientações gerais relativas aos instrumentos do Sistema de Planejamento do SUS e a gestão em saúde

    • – análise que compreende o planejamento, a descentralização/regionalização, o financiamento, a participação social, a gestão do trabalho e da educação em saúde, a infraestrutura e a informação em saúde; contemplando medidas para melhorar a gestão.

      Os Determinantes Sociais da Saúde incluem as condições mais gerais socioeconômicas, culturais e ambientais de uma sociedade, e relacionam-se com as condições de vida e trabalho de seus membros, como habitação, saneamento, ambiente de trabalho, serviços de saúde e educação, incluindo também a trama de redes sociais e comunitárias (CNDSS, 2006).

      A análise de situação de saúde do estado expressa as diferentes

    • – características que evidenciam as condições de vida da população alagoana demográficas, socioculturais, econômicas e epidemiológicas
    • –, e que são responsáveis pelas demandas de saúde, impelindo à organização e à otimização de recursos financeiros (ALAGOAS, 2011).

      Tendo em vista o Relatório Anual de Gestão de 2010 de Alagoas, a Diretoria de Análise de Situação de Saúde (DIASS), em processo de construção coletiva,

      3

      propôs realizar, para este Relatório de 2010, análise por ciclo vital em que as diversas áreas técnicas da SESAU analisariam os dados da respectiva área produzindo informações relevantes para a gestão e para o controle social, com o fim de contribuir para a decisão informada e consequentemente para uma gestão mais eficaz e eficiente e uma melhor atenção à saúde da população.

      A análise de situação de saúde do estado em 2010, no que respeita à Promoção da Saúde, apresenta informações e análises sobre a saúde da população alagoana como um todo e também distribuídas por Região de Saúde, considerando 3 o período de 2006 a 2010, cumprindo a missão de divulgar a Política Nacional de

      

    Ciclo vital: O ciclo vital é o conjunto das fases da vida onde é suposto realizar-se uma série de transições e de

    superar uma série de provas e de crises. Este ciclo desenvolve-se através de um processo de socialização e de

    endoculturação, mediante os quais, em contacto com outros seres humanos e através da educação, uma

    criança passa de um modo gradual por diferentes idades e status, como ser capaz e consciente nas formas de

    uma cultura, até enfrentar a morte como a conclusão de sua existência pessoal. Os indivíduos passam por

    diferentes etapas do ciclo de vida: a infância, a juventude, a maturidade, a velhice. A importância da idade ou

    do grupo de idades sempre foi elementar para a identificação social, juntamente com o sexo. Ao contrário

    deste, a idade vai-se modificando ao longo do tempo e é essa modificação, concretizada em ciclos de vida, que

    determina estatutos e funções diferentes para os indivíduos. Disponível em: Infopédia [Em linha]. Porto: Porto

    [Consulta: 02-06-2011]. Disponível na www: <URL: http://www.infopedia.pt/$ciclo-vital> Editora, 2003-2011. Promoção da Saúde / Pnps (Portaria GM/MS 687/2006, de 30/03/2006), informar sobre sua implementação no estado e sobre os resultados que vêm sendo alcançados neste processo.

      Como esta Análise será apresentada também segundo Região de Saúde, cabe aqui destacar que a atual divisão do estado em região de saúde oficializada no Plano Diretor de Regionalização das Ações de Saúde do Estado de Alagoas (PDR/AL), de 2002, encontra-se em processo de reavaliação e deverá sofrer alterações; porém, como o novo Plano ainda não foi aprovado, as Regiões de Saúde consideradas neste trabalho são as definidas naquele PDR/AL (Figura 01).

      Figura 01 – Mapa de Alagoas com divisão por Região de Saúde.

      Esta Análise foi pautada também pelos eixos norteadores da Pnps/2006:

      

    Divulgação e implementação da Política Nacional de Promoção da Saúde;

    Alimentação saudável; Prática corporal/atividade física; Prevenção e controle do

    tabagismo; Redução da morbimortalidade em decorrência do uso abusivo de álcool

    e outras drogas; Redução da morbimortalidade por acidentes de trânsito; Prevenção

    da violência e estímulo à cultura de paz; Promoção do desenvolvimento sustentável.

      E, por fim, mas não menos importante, foram consideradas as prioridades do Pacto pela Saúde para a Promoção da Saúde

    • – Pacto pela Vida e de Gestão – para
    o biênio 2010 e 2011 (estabelecidas na Portaria MS/GM nº 2.669, de 3 de novembro

      4

      de 2009 ):

    1- Promoção da Saúde, como os objetivos: a) Reduzir os níveis de sedentarismo na população; b) Reduzir a prevalência do tabagismo na população.

      2- Atenção integral às pessoas em situação ou risco de violência, como os

    seguintes objetivos: a) Ampliar a rede de prevenção de violência e promoção à

    saúde no estado; b) Ampliar a cobertura da Ficha de Notificação / Investigação de

    Violência Doméstica, Sexual e/ou outras violências.

    17.1.1 Processo de Elaboração

      O processo de construção desta Análise compreendeu a participação em Oficina coordenada pela Diretoria de Análise de Situação de Saúde (DIASS) para aprovação da proposta de elaboração do Relatório de Análise de Situação de Saúde do estado para o Relatório Anual de Gestão de 2010 delineada pela mesma.

      Este processo compreendeu também a formulação de um anteprojeto e respectivo cronograma para viabilizar o cumprimento de seus prazos assim como sua aprovação junto à Diretoria de Promoção da Saúde e encaminhamento à DIASS.

      Para a execução do projeto, foi adotado rito participativo com discussão baseada nos dados e análises coligidos e dispostos em papers por cada setor da Diretoria de Promoção da Saúde; em seguida, foi desenvolvida a fase de redação final do Relatório, com idas e vindas para consultas, alterações e complementos necessários.

    17.2 A PROMOđấO DA SAÚDE EM ALAGOAS – BREVE RETROSPECTIVA

      Para um melhor entendimento da situação de Saúde em Alagoas na perspectiva da Promoção da Saúde, torna-se necessário lançar um olhar sobre o 4 processo de implantação dessa Política no estado, que tem como principais marcos:

      

    Portaria GM/MS nº 2.669, de 3 de novembro de 2009 - Estabelece as prioridades, objetivos, metas e

    indicadores de monitoramento e avaliação do Pacto pela Saúde, nos componentes pela Vida e de Gestão, e as

    orientações, prazos e diretrizes do seu processo de pactuação para o biênio 2010 - 2011.

    • – o Programa IEC – Informação, Educação e Comunicação – iniciado em 1991.
    • – a preocupação com a prevenção de acidentes e violência nas escolas como um movimento que vem se colocando de forma incipiente em alguns municípios brasileiros e cujos fundamentos se encontram na história da segurança do trabalho no Brasil – a ideia se baseia no instituto das Comissões Internas de

    5 Prevenção de Acidentes (Cipa )

    • – resultando na implantação de Comissões de Prevenção de Acidentes e das Violências em Maceió a partir da iniciativa da Sociedade Alagoana de Pediatria (SAP) que propôs projeto neste sentido à Câmara Municipal de Vereadores de Maceió resultando na criação do Programa de Prevenção de Acidentes e Violência nas Escolas Públicas do município (Lei Municipal nº 5.259, de 27/12/2002), a formação de um comitê intersetorial
    • – criado por meio da Portaria nº 83 de 2003 da Secretaria Municipal de Educação de Maceió (Semed) para iniciar a implantação das Comissões Internas de Prevenção

      6 de Acidentes e Violência Escolar (Cipave) .

    • – a Portaria GM/MS de n° 936, de 18 de maio de 2004, que dispõe sobre a estruturação da Rede Nacional de Prevenção da Violência e Promoção da Saúde; e a implantação e implementação de Núcleos de Prevenção da Violência em estados e municípios.
    • – a criação, em 2005, do Núcleo de Promoção da Saúde da SES/Alagoas, posteriormente alçado ao status de Diretoria de Promoção da Saúde (Dips), quando da Reforma Administrativa do estado de 2008 que formalizou um novo organograma da Secretaria de Estado da Saúde.
    • – a Política Nacional de Promoção da Saúde divulgada por meio da Portaria
    • 5 GM/MS n° 687 de 30 de março de 2006.

        

      Originada durante o governo do presidente Getúlio Vargas, em 1944, a Comissão Interna de Prevenção de

      Acidentes - CIPA completou 55 anos de existência no último dia 10 de novembro de 1999. Coube a ela o mérito

      pelos primeiros passos decisivos para a implantação da prevenção de acidentes do trabalho no Brasil. A CIPA tem

      sua origem no artigo 82 do Decreto-Lei 7.036, de 10 de novembro de 1944 (Reforma da Lei de Acidentes do

      Trabalho).

      6 Professores, diretoria, funcionários, pais e principalmente alunos discutindo a situação da escola e decidindo as

        

      providências que podem melhorar a vida dentro e ao redor de seus muros. Pode parecer retórica, mas é o que está

      ocorrendo em boa parte das escolas de Maceió, que resolveu implantar as propostas da SBP. No final de 2002, a

      Câmara aprovou e a prefeita sancionou o projeto

      • – elaborado pela Sociedade em 1998, como parte da Campanha Nacional de Prevenção de Acidentes e Violência na Infância e Adolescência
      • – para a criação das Comissões

        Internas de Prevenção de Acidentes e Violência (CIPAVEs) nos colégios. Decididos a tirar a lei do papel,

        lideranças da Sociedade Alagoana de Pediatria (SAP) começaram a trabalhar no que passou a ser o Comitê de

        Saúde Escolar da capital, com a participação de diversos profissionais. A I Jornada Alagoana dedicada ao

        assunto, que reuniu especialistas de todo o Brasil, foi um grande incentivo, assim como o Manual “Escola

        pela SBP no ano passado (s/d). Disponível em: Promotora de Saúde”, lançado

      • – a criação da Diretoria de Promoção da Saúde subordinada à Superintendência de Vigilância em Saúde, na Reforma Administrativa do estado de Alagoas ocorrida em 2007.

        O Núcleo de Promoção da Saúde da SES/Alagoas (2005) se estrutura sobre a experiência dos programas de educação em saúde do país que tem como referencial destacado a criação pioneira, em 1924, no município de São Gonçalo, no estado do Rio de Janeiro, do Pelotão de Saúde em uma escola estadual. No ano seguinte, o Diretor de Instrução Pública do antigo Distrito Federal mandou adotar o mesmo modelo nas escolas primárias. Em São Paulo e Recife ocorriam por esta mesma época experiências de educação em saúde.

        Das experiências mais recentes que contribuíram para a formação da Promoção da Saúde na SES/Alagoas destaca-se o Programa IEC

      • – Informação, Educação e Comunicação (uma das dez áreas de trabalho no campo da educação em saúde do Ministério da Saúde), que tem seus trabalhos iniciados em 1991, com financiamento do Projeto Nordeste (Projeto BRA/90-032 - Desenvolvimento Institucional do Ministério da Saúde. Projeto Nordeste - Acordo de Empréstimo BIRD

        7

        3.135/BR ), um dos projetos internacionais de financiamento externo do Ministério da Saúde.

        Porém, a institucionalização da Promoção da Saúde ocorre com a divulgação da Portaria GM/MS n° 687 de 30 de março de 2006, que aprova a Política Nacional de Promoção da Saúde (Pnps, 2006), considerando a necessidade de implantação e implementação de diretrizes e ações para a promoção a saúde em consonância com os princípios do SUS e o Pacto pela Saúde assim como suas diretrizes operacionais e seus componentes

      • – Pacto pela Vida, Pacto em defesa do SUS e Pacto de Gestão do SUS, que tem como objetivo principal:

        A promoção da saúde, como uma das estratégias de produção de saúde, ou seja, como um modo de pensar e de operar articulado às demais políticas e 7 tecnologias desenvolvidas no sistema de saúde brasileiro, contribui na construção

        

      O Projeto Nordeste surgiu em 1985 com o objetivo de promover a melhoria nas condições de vida da

      população nordestina, envolvendo as esferas de governo das áreas de saúde, educação, agricultura e meio

      ambiente. No Ministério da Saúde, o Projeto Nordeste foi instituído pela Portaria nº 9, de 14/4/1988 e

      desenvolvido por meio dos Acordos de Empréstimos entre o Brasil e o Banco Internacional para Reconstrução e

      Desenvolvimento – Bird. O Acordo de Empréstimo Bird nº 2.699-BR (1986-1991) corresponde à 1ª parte do

      Projeto, chamado PNE-I, e o Acordo de Empréstimo Bird nº 3.135-BR (1990-1995) corresponde à 2ª etapa, PNE

      II. A categoria IEC faz parte desse 2º Acordo).

        de ações que possibilitam responder às necessidades sociais em saúde (Portaria GM/MS n° 687 de 30/03/2006).

        O setor de Promoção da Saúde na SESAU, envolvido, desde sua existência como Núcleo de Promoção da Saúde, e como parte essencial de suas atribuições, com a descentralização das ações de promoção da saúde e consequentemente com a organização dos Núcleos Municipais de Promoção da Saúde, chegou a alcançar a marca de 90 núcleos criados com estrutura intersetorial e carta legal aprovadas pelas Câmaras Municipais de Vereadores.

        O status de diretoria ocorreu no bojo da Reforma Administrativa do estado implantada em 2007. A partir de então, como Diretoria da Sesau, aumentam suas responsabilidades e também possibilidades de enfrentar o desafio de implementar a Política Nacional de Promoção da Saúde no estado tendo como missão intervir sobre os determinantes e condicionantes sociais da saúde devendo contribuir para a transformação de uma realidade que se faz especialmente perversa pela exclusão, má gestão, corrupção e participação social incipiente.

        Os dados estatísticos analisados neste documento refletem o quanto o processo de saúde adoecimento, tal qual expresso na justificativa da Pnps/2006, está presente na realidade que os números informados ao Departamento de Informática do SUS (Datasus), e tratados por meio de seus muitos sistemas de informação de saúde, expressam. À Dips cabe o desafio de executar a Pnps/2006 no estado atuando em duas frentes

      • – transformação dos determinantes sociais iníquos e redução dos fatores de risco e situações de vulnerabilidade a que as populações estão sujeitas.

        Cabe aqui destacar que o enfrentamento de tamanho desafio pressupõe o compromisso do governo com as transformações necessárias e, também, em contraponto, o empoderamento da sociedade. Destacando que a gestão intersetorial é condição indispensável para que sejam alcançados os resultados desejados.

        A Diretoria tem desenvolvido suas ações junto aos municípios e com eles, e também com as organizações da sociedade utilizando os mecanismos governamentais disponíveis para contribuir com a produção social de vida qualificada e com significado.

        Para apoiar a implementação da Política Nacional de Promoção da Saúde, o Ministério da Saúde vem disponibilizando recursos financeiros para o desenvolvimento de projetos no estado e nos seus municípios cujo objeto sejam

        8

        ações focadas nos eixos da mesma . A Diretoria de Promoção de Saúde da SESAU cumpre seu papel incentivando, orientando, acompanhado e avaliando a execução dos projetos nos vários municípios em todas as suas fases. A figura 2 apresenta a distribuição dos projetos nos municípios segundo temática escolhida por eles.

        Figura 02 – Mapa de Alagoas com municípios que desenvolvem projetos da Rede Nacional de Promoção da Saúde financiados pelo Ministério da Saúde com os componentes de redução do tabagismo, atividade física/prática corporal e redução da violência/estímulo a cultura de paz e municípios com Núcleos de Promoção da Saúde sem projetos financiados pelo Ministério da Saúde, no período de 2007 a 2010.

      17.3 A SAÚDE ANALISADA SEGUNDO CICLOS VITAIS

      17.3.1 SAÚDE DA CRIANÇA (1 A 9 ANOS DE IDADE)

      17.3.1.1 Saúde da Criança e Promoção da Saúde

        No Brasil há 132 mil lares chefiados por crianças

      • – com idade entre 10 e 14 anos
      • – que são a principal fonte de renda de suas famílias como revelam os dados
      • 8 do Censo 2010 divulgados pelo IBGE. 132 mil num universo de 57 milhões de

          Ações específicas (Ações priorizadas desde o biênio 2006-2007

        • – Pacto pela Saúde): Divulgação e implementação da Política Nacional de Promoção da Saúde; Alimentação saudável; Prática corporal/atividade física; Prevenção e controle do tabagismo; Redução da morbimortalidade em decorrência do uso abusivo de álcool e outras drogas; Redução da morbimortalidade por acidentes de trânsito; Prevenção da violência e estímulo à cultura de paz; Promoção do desenvolvimento sustentável.
        domicílios parece número pouco expressivo, mas é a evidência do trabalho infantil na sociedade brasileira. Não é de se estranhar se considerarmos que 60% dos domicílios brasileiros têm renda domiciliar per capita de até 1 salário mínimo.

          Em Alagoas, a população em idade escolar (4 a 17 anos) total é de 889.964 estudantes, são 28,5% da população total de 3.120.494 hab.; a taxa de analfabetismo na faixa de idade de 10 a 14 anos: é de 5,3 % e de 15 anos ou mais é de 24,6% (IBGE, Pnad, 2006). A escolaridade de mães e pais na faixa de menos de 4 anos de estudo é de 46,4% para ao pais e 38,7% para a mães (IBGE, Pnad, 2009) (Tabela 01).

           Tabela 01 – Crianças cujos pais têm menos de 4 anos de estudo.

          Pai Mãe Alagoas 46,40% 38,70%

          (2006) Região Nordeste 41,70% 28,30%

          (2006) Brasil (2006) 23,50% 16,80%

           Fonte: IBGE, PNAD, 2009

          Esta realidade exige uma aproximação em caráter prioritário da Promoção da Saúde com a Educação, pois a Escola se constitui em um espaço privilegiado para implementação das políticas voltadas para a melhora nos níveis de saúde na perspectiva preventiva quanto à exposição a fatores de riscos, uma vez que mais de 96% dos 17 milhões de adolescentes entre 10 e 14 anos freqüentam a Escola (IBGE, de 2002).

          Crianças e jovens se constituem em grupos prioritários para promoção da saúde em todas as regiões do mundo exigindo a adoção de novas práticas e comportamentos como forma de preparar esses grupos para que sejam capazes de evitar situações de perigo para a saúde que definem um perfil de risco na idade adulta.

          Muitas das causas de morte entre jovens, das incapacidades e seqüelas e das exposições aos fatores de risco comportamentais podem ser significativamente reduzidas com a adoção de políticas públicas de prevenção e promoção da saúde, desenvolvidas para esta fase da vida (Ministério da Saúde, Sistema Nacional de

          Monitoramento da Saúde Escolar, 2011).

          Esta realidade exigiu a instituição de sistema de vigilância de fatores de risco comportamentais e de proteção para escolares (Sistema Nacional de

          

        Monitoramento da Saúde Escolar). Para isto definiu-se a realização de inquéritos a

          cada dois anos em escolas de Ensino Fundamental, públicas e privadas, das capitais do país e do Distrito Federal. O instrumento do inquérito é único, padronizado para permitir comparabilidade entre as diversas cidades ao longo do tempo e também a avaliação das políticas públicas delineadas e implementadas a partir do primeiro inquérito.

          Deste modo, o Ministério da Saúde, por meio da Secretaria de Vigilância em Saúde em parceria com o MEC e o IBGE, realizou, no primeiro semestre de 2009, a

          I Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar

        • PeNSE (Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar), entre adolescentes de 9ª série do ensino fundamental nas 27 capitais do

          9

          país , com idade entre 13 e 15 anos. Resultados da PeNSE/2009 revelam que: 76%

          10

          dos estudantes brasileiros nunca experimentaram o cigarro ; 27% deles beberam nos últimos 30 dias (que antecederam a participação na pesquisa); 73,6% dos adolescentes declararam escovar os dentes três ou mais vezes ao dia; mais de 30% dos escolares são inativos ou insuficientemente ativos; 76% dos escolares que iniciaram a vida sexual utilizaram o preservativo na última relação; 87,5% dos escolares da rede pública tiveram informações sobre como prevenir Aids e outras DSTs; sobre prevenção de gravidez, mais de 80% tiveram lições em sala de aula (Ministério da Saúde, Ibge, 2010). PeNSE mostra ainda que 23,0% desses jovens estão com excesso de peso e 7,3% com obesidade e revelam a adicção a dietas ricas em carboidratos. Sobre a violência, a pesquisa informa que 12,9% dos jovens já estiveram envolvidos em briga com agressão física, sendo que 17,5%, do sexo masculino, 8,9% do sexo feminino. 26,3% deixaram de usar cinto de segurança; 18,% já dirigiu veículo motorizado (29,3% no sexo masculino); e 18,7% utilizaram veículo dirigido por alguém alcoolizado. Estudo de Barreto (2010) mostra que 36,9% 9 dos meninos e 3,4% das meninas já experimentaram drogas.

          

        O estudo foi realizado com 63.411 alunos do 9º ano do Ensino Fundamental de 1.453 escolas públicas e

        privadas, em 26 capitais e no Distrito Federal; cerca de 89% dos escolares tinham idade entre 13 e 15 anos (MS,

        10 PeNSE, 2009).

          

        Programa Saber Saúde, desenvolvido pelo Instituto Nacional do Câncer (Inca), voltado para escolares, leva

        orientações sobre os males causados pelo fumo às salas de aula brasileiras tendo alcançado mais de dois milhões

        de alunos no país.

          Estes dados mostram a importância de priorizarmos crianças e jovens no trabalho de Promoção da Saúde. A Dips desenvolve atividades para esta fase da vida prioritariamente voltadas para a Educação por meio do estímulo à implantação de Comissões Internas de Prevenção de Acidentes e Violência Escolar nas Escolas (Cipave) e de Escolas Promotoras de Saúde (municípios com 40 mil hab. ou mais), e do Programa Saúde na Escola (PSE). Realiza, também, campanhas para o desenvolvimento de cultura de paz, trânsito seguro, antitabagísticas e antidrogas. Está em curso, em fase de revisão de dados, o Inquérito Estadual sobre Saúde do Escolar (municípios com 40 mil hab. ou mais) que deve ter seus resultados publicados ainda neste ano.

        17.3.2 SAÚDE DO PRÉ-ADOLESCENTE E DO ADOLESCENTE (10 A 19 ANOS DE IDADE)

        17.3.2.1 Saúde do Pré-Adolescente e do Adolescente e Saúde e Promoção da Saúde

          A seleção de dados da PeNSE realizada no item anterior coloca questões ligadas também a este ciclo vital mostrando a importância dos trabalhos voltados para a redução de riscos ligados a álcool, tabaco e outras drogas e violências.

          A Diretoria de Promoção da Saúde vem realizando trabalho intenso, em forma de campanhas, palestras e pesquisas nas escolas relativamente a trânsito seguro, cultura de paz e prevenção do tabagismo e drogadicção. Atua de modo indireto relativamente a estas questões por meio do Programa Saúde na Escola (Atenção Primária), Cipaves e Escolas Promotoras de Saúde.

          Campanhas educativas são realizadas nas datas específicas dos calendários da saúde e cívico, internacionais, nacionais, estaduais e locais, como são exemplos as campanhas do Dia Internacional da Promoção da Qualidade de Vida (11/4), a Semana Nacional contra o Alcoolismo (3ª semana de fevereiro), Dia Nacional da Saúde (5/8), Dia Nacional dos Portadores de Deficiência (21/9), Dia Nacional da Consciência Negra (20/11), datas comemorativas municipais de emancipação política, etc.

          Os projetos da Rede Estadual de Promoção da Saúde (Figura 02) com os componentes de atividade física e redução da violência desenvolvidos pela Sesau e pelos municípios fazem parte do repertório de ações da Dips voltado para a redução do sedentarismo e da violência e estímulo a uma cultura de paz.

        17.3.3 SAÚDE DA MULHER

        17.3.3.1 Saúde da Mulher e Promoção da Saúde

          As principais causas de adoecimento que levam a internações entre as mulheres alagoanas são: doenças infecciosas e parasitárias (cap. I); doenças do

          

        aparelho respiratório (cap. X), doenças do aparelho geniturinário (cap. XIV); doenças

        do aparelho circulatório (cap. IX) e neoplasias (cap. II) (Figura 04); as principais

          causas de morte são as doenças do aparelho circulatório (cap. IX); neoplasias (cap.

          II); doenças endócrinas, nutricionais e metabólicas (cap. IV); sintomas, sinais e

          

        achados anormais ex clin e laborat (cap. XVIII); doenças do aparelho respiratório

        (cap. X); algumas afecções originadas no período perinatal (cap. XVI) (Figura 10).

          Em relação à mulher, a Dips tem priorizado a redução da violência, por meio de trabalhos realizados juntamente com outros setores do estado e ONGs, a redução do tabagismo, do sedentarismo, excesso de peso, da hipertensão e diabetes, e o apoio a projetos municipais voltados para idosos. O objetivo de redução do tabagismo tem contado com trabalho sistemático desenvolvido nos municípios, nas escolas, associações de moradores, com grupos como as Mulheres da Paz (Maceió), e instituições diversas.

          Os projetos da rede de Promoção da Saúde com os componentes de atividade física e redução da violência desenvolvidos no estado e nos municípios também estão voltados para as mulheres. A Dips vem realizando, por meio da Gerência de Intersetorialidade e Redução das Desigualdades, coordenada por Maria

          11

          de Fátima de Melo Lima, desde 2010, o Fórum Jarede Viana em comemoração ao Dia Internacional da Mulher e como oportunidade para se buscar obter avanços sociais ligados a temas candentes relativos à mulher e sua saúde.

        11 Professora alagoana, militante política.

        17.3.4 SAÚDE DO HOMEM

        17.3.4.1 Saúde do Homem e Promoção da Saúde

          As primeiras causas de internação entre os homens alagoanos são: doenças

          

        do aparelho respiratório (cap. X); doenças infecciosas e parasitárias (cap. I);

        doenças do aparelho digestivo (XI); lesões, envenenamentos e alguma outra

        conseqüência de causas externas (cap. XIX); doenças do aparelho circulatório (cap.

          IX); transtornos mentais e comportamentais (cap. V); doenças do aparelho

          

        geniturinário (cap. XIV); neoplasias (cap. II); e doenças endócrinas, nutricionais e

        metabólicas (cap. IV).

          As mortes são devidas a causas externas de morbidade e mortalidade (cap.

          XX); doenças do aparelho circulatório (cap. IX); sintomas, sinais e achados anormais

          

        ex clin e laborat (cap. XVIII); neoplasias (cap. II); e doenças do aparelho respiratório

        (cap. X).

          Brasil: a violência tem cara adolescente e étnica. O Mapa da Violência 2011 (Figura 03) informa que “62,8% das mortes de jovens em todo o país ocorreram por homicídios, acidentes de transportes e suicídios. (...) a quase totalidade das vítimas de homicídios é do sexo masculino e há elevados níveis de vítimas de cor preta, sendo mais que o dobro da cor branca” (Min. Justiça & Instituto Sangari, 2011).

          Fonte: Ministério da Justiça e Instituto Sangari Figura 03 – Violência em Alagoas, homicídios por 100 mil hab.

          Os dados estatísticos são determinantes para a decisão informada da gestão em Promoção da Saúde de priorizar esforços para a construção de cultura de paz e redução da violência, do tabagismo e drogadicção assim como da melhora das condições de vida no estado indutoras de vida desqualificada e sem valor. É preciso buscar com toda convicção, vontade política, agregação de forças e competência a construção de sociedade baseada em valores sociais

        • – de solidariedade e amizade, garantia de direitos sociais, autoconhecimento e autoaperfeiçoamento, ambiente preservado e respeitado, estratégias de florescimento humano e respeito ao outro, quer seja mulher, quer seja criança, quer idoso, quer estrangeiro, quer diferente por qualquer motivo
        • – num processo coletivo de mudança concreta onde a racionalidade dominante seja o bem estar de todos e não o fortalecimento da economia.

          Trabalhos voltados para a ampliação das consciências sobre a importância da redução da violência no trânsito são realizados pela Dips em datas comemorativas, como campanhas educativas nas datas destacadas nas agendas de saúde, internacionais, nacionais e locais. Importante atividade de Promoção da Saúde no estado é o Comitê para a Redução da Violência no Trânsito que congrega representantes de várias instituições.

          Dado o quadro de doenças circulatórias e respiratórias que acometem principalmente ao homem ele é também objeto dos cuidados da Coordenação Estadual para a Redução do Tabagismo.

          Outras atividades de caráter geral que têm os homens como alvos são aquelas contempladas nos projetos de atividade física/prática corporal, de redução do tabagismo e das violências que objetivam o desenvolvimento de cultura de paz, a redução de doenças cardíacas e respiratórias e câncer.

        17.3.5 SAÚDE DO IDOSO

        17.3.5.1 Saúde do Idoso e Promoção da Saúde

          Estudos no país (IBGE, 2010) e no mundo apontam para progressivo envelhecimento da população, com impactos e novas demandas no sistema público de saúde. Uma avaliação das proporções de óbitos por grupos de idade registrados entre 1999 e 2008 destaca a redução da mortalidade nos primeiros anos de vida, mas a elevação de óbitos de pessoas com 60 anos ou mais. O perfil demográfico brasileiro sofreu transformações que se intensificaram a partir da segunda metade da década de 70, quando se mostra significativa a queda na fecundidade. Outros fenômenos também contribuíram para as mudanças como as migrações, urbanizações, transformações sociais e econômicas e reorganização na composição e no tamanho da família, destaca o IBGE com base em pesquisa divulgada em 17 de setembro de 2010.

          A atenção à saúde do idoso pela Dips em geral ainda está contida nas ações gerais dedicadas aos gêneros feminino e masculino assim como o apoio às atividades desenvolvidas pela Rede Estadual de Núcleos de Promoção da Saúde voltadas para este segmento. De modo que as ações voltadas para este ciclo vital são aquelas contempladas nos projetos de atividade física/prática corporal que objetivam o controle do diabetes, da hipertensão arterial e da osteoporose assim como a preservação da força muscular. A violência por maus tratos e abandono e os acidentes de trânsito (principalmente atropelamentos) contra idosos devem ser enfocados com prioridade pela Promoção da Saúde. A Dips participa, também, com foco neste ciclo vital, de atividades pontuais quando existem demandas de outras áreas da Sesau ou de outros órgãos do estado e Organizações Não Governamentais (ONGs).

        17.4 DOENÇAS E AGRAVOS NÃO TRANSMISSÍVEIS

        17.4.1 DOENđAS E AGRAVOS NấO TRANSMISSễVEIS E A PROMOđấO DA SAÚDE

          Estimativas da Organização Mundial de Saúde (OMS) revelam que as Doenças Crônicas não Transmissíveis e Agravos (Dcnt) já são responsáveis cerca de 63% do total de mortes ocorridas no mundo ou cerca de 36 milhões de mortes

          12

          (OMS, 2008) e por 45,9% da carga total global de doenças (Figura 06), expressa

          13

          por anos perdidos de vida saudável (OMS, 2011 ). 80% das mortes ocorrem em países com grandes contingentes empobrecidos

        • – de baixa e média renda e um terço delas vitima pessoas com menos de 60 anos de idade.
        • 12 Os estudos da carga global da doença têm como objectivo quantificar a carga de mortalidade prematura e de

            

          incapacidade para as principais doenças ou grupos de doenças, usando como medida resumo da saúde da

          população o DALY (Disability-Adjusted Life Year), que combina as estimativas dos anos de vida perdidos por

          13 <http://portal.arsnorte.min-saude.pt/portal/page/portal/ARSNorte/Sa%C3%BAde%20P%C3%BAblica/Planeamento%20em%20Sa%C3%BAde/Carga%20Global%20da%20Doen%C3%A7a>

          morte prematura com estimativas dos anos de vida perdidos por doença e/ou incapacidade. Disponível:

          OMS, I Relatório Global sobre Doenças Não Transmissíveis (Publicado no sítio do Centro de Informações das

          Nações Unidas - Unic)

            Fonte: OMS, 2005 Figura 04

          • Carga global de doença e contribuição por grupo

            de doenças, em 1990 e em 2020 em países em

          desenvolvimento e os recentemente industrializados.

            Prevê-se que em 2030, as doenças não transmissíveis serão responsáveis por 75% das mortes, entre elas câncer, que aumentará de 7,4 milhões de óbitos em 2004 para 11,8 milhões em 2030. Haverá aumento de 28% das mortes devido a ferimentos, cuja causa principal serão os acidentes de trânsito, que passarão de 1,3

            14 milhão de falecimentos de 2004 para 2,4 milhões em 2030 (OMS, 2005 ).

            No Brasil, as Dcnt respondem por 72% das mortes. Séries históricas da mortalidade disponíveis para as capitais brasileiras indicam que a proporção de mortes por doenças e agravos não transmissíveis aumentou em mais de três vezes entre as décadas de 30 e 90 (MONTEIRO et al

            ., 2005). A pesquisa “Mortalidade no Brasil” – Relatório Saúde Brasil 2007 – mostra que as doenças do aparelho circulatório são a principal causa de morte dos brasileiros. Esses estudos mostram que morreram, em 2006, 283.927 pessoas devido a causas como falta de exercícios físicos, má alimentação, excesso de álcool e tabaco. O Sudeste apresentou o primeiro lugar com o maior número de mortes, no ano passado, por doenças do aparelho circulatório entre as regiões: 33% dos casos. Em segundo lugar está o Sul, com 32,9%, seguido do Nordeste, 31,9; do Centro-Oeste, 31%; e do Norte, com 24,9%.

          14 Disponível em: http://www.abril.com.br/noticias/comportamento/oms-doencas-cardiovasculares-sao-

            principal-causa-morte-mundo-162497.shtml>. Acesso em dez. 2010

            O excesso de peso / obesidade e o tabagismo são considerados fatores de risco causais no desenvolvimento das doenças crônicas não transmissíveis (OLIVEIRA, 2009). A obesidade representa o problema nutricional de maior ascensão entre a população observada nos últimos anos, sendo considerada uma epidemia mundial, presente tanto em países desenvolvidos quanto naqueles em desenvolvimento. As tendências de transição nutricional decorrentes da urbanização e da industrialização, ocorridas neste século, direcionam para uma dieta mais ocidentalizada, com especial destaque para o aumento da densidade energética, maior consumo de carnes, leite, e derivados ricos em gorduras e redução do consumo de frutas, cereais, verduras e legumes, a qual, aliada à diminuição progressiva da atividade física, converge para o aumento no número de casos de obesidade em todo o mundo (MARIATH et al., 2007).

            A realidade mundial revela que, paradoxalmente, enquanto pessoas sofrem por falta de alimentação, carecendo da disponibilidade de macro e micronutrientes, outras são vítimas do oposto e submetem-se a repetidas dietas desgastantes e caras na tentativa de solucionar os estragos estéticos e fisiológicos causados pela superalimentação e a obesidade (CUPPARI, 2005).

            Portanto, as doenças e agravos não transmissíveis têm grande impacto no perfil atual de saúde das populações, requerendo o máximo de esforço do sistema de saúde para minimizar essa tendência. É necessário reforçar os programas e ações em curso, fortalecê-los e ampliá-los, e buscar novas estratégias para a obtenção de melhores resultados. É fundamental nesta ação que se intensifique o trabalho intersetorial, pois se trata de situação complexa, resultante dos modos de viver modernos que refletem a organização social, política e econômica da sociedade. As conseqüências da vida „corrida‟, frequentemente estressante e insatisfatória, que rouba tempo livre para o lazer, a atividade física e o cultivo do espírito; a insuficiência de espaços e estímulo à prática dessas atividades; as rendas insuficientes para o acesso a alimentação saudável x oferta de alimentos baratos carregados de carboidratos levam a doenças que infelicitam as pessoas e custam caro ao Estado/sociedade. E, isto, sabemos, não se resolve com atividade física e redução do tabagismo.

            Em função dessa realidade, o Brasil está desenvolvendo o Plano de Ações

            

          Estratégicas Para o Enfrentamento das Doenças Crônicas Não Transmissíveis para

            2011-2022 (versão preliminar: 22-7-11) e já publicou versão preliminar da

            

          Declaração Brasileira para a Prevenção e Controle das Doenças Crônicas Não

          Transmissíveis que será analisada pelos participantes do Fórum Nacional sobre o

          Plano de Enfrentamento das Doenças Crônicas Não Transmissíveis no Brasil, que

            ocorrerá em Brasília nos dias 18 e 19 de agosto de 2011, quando poderão subscrever o seu apoio à mesma. O Plano foi elaborado em parceria entre diferentes áreas do Ministério da Saúde, outros Ministérios, Sociedades Médicas, Instituições Acadêmicas, ONGs e será finalizado após consulta ampliada (13/07/2011 a 31/07/2011), e após aprovação pela Comissão Intergestores Tripartite e pelo Conselho Nacional de Saúde (BRASIL, 2011).

            Essas iniciativas representam o compromisso do Brasil com organismos internacionais dos quais é signatário e representam passos que antecipam as recomendações da Reunião do Alto Nível da Organização das Nações Unidas (ONU) para o controle das doenças crônicas não transmissíveis. A Assembleia Geral da ONU convocou, em 13 de maio de 2010, uma reunião do alto nível sobre doenças crônicas não transmissíveis para setembro de 2011, em Nova York, com a participação dos chefes de Estado. Essa é a terceira chamada da ONU para uma reunião de alto nível para discutir temas de saúde e permite conceber a dimensão do problema para a OMS que coloca a necessidade do engajamento dos líderes de Estado e Governos nos esforços de controle das Dcnt. A ONU destaca que a inserção deste tema é fundamental para o alcance das metas dos Objetivos de Desenvolvimento do Milênio (ODM), em especial aquelas relativas à redução da pobreza e desigualdade (BRASIL, 2011).

          17.4.2 DENGUE E PROMOđấO DA SAÚDE

            Em termos de doenças transmissíveis a Dips contribui para a redução e controle do dengue com outras áreas da Sesau/AL por meio do Comitê Estadual de Mobilização contra o Dengue que realiza reuniões mensais para avaliar a situação da doença e infestação do mosquito no estado, planejar ações e avaliar resultados. O Comitê estadual estimula e apóia a implantação de comitês nos municípios

            15 prioritários onde é maior a infestação do Aedes aegypti e o risco da doença.

            Realiza reuniões mensais com representantes empresariais, religiosos, sindicais e comunitários para reforçar as ações de mobilização. Realizou Oficinas de Mobilização Social para Prevenção e Controle do Dengue para diversos segmentos da sociedade, como radialistas e coordenadores de Ensino, numa perspectiva multiplicadora, com foco na sensibilização e capacitação para o trabalho de agentes mobilizadores. Neste trabalho é distribuído kit de materiais educativos (cartilha, CD e DVD) de apoio aos participantes das oficinas.

            Fonte: Ministério da Saúde Figura 05

          • Mapa de risco para dengue divulgado em 11-1-11, Ministério da Saúde

            O estado está entre os 16 classificados com alto risco de epidemia no

          16 LIRAa . O mosquito infesta a 100% dos municípios; 69 municípios estão em risco

            de epidemia e, destes, 40 têm um índice de infestação predial (IIP) entre 1% e 3%, o

          15 Municípios prioritários segundo risco do dengue: Arapiraca, Barra de Santo Antônio, Barra de São Miguel,

            

          Coqueiro Seco, Delmiro Gouveia, Maceió, Maragogi, Marechal Deodoro, Messias, Palmeira dos Índios,

          Paripueira, Penedo, Pilar Rio Largo, Santa Luzia do Norte, Santana do Ipanema, Satuba, Teotônio Vilela e União

          16 dos Palmares.

            Levantamento do Índice Rápido de Infestação por Aedes Aegypti (LIRAa). que os coloca em situação de alerta. Outras 29 localidades têm o IIP maior que 3%, o que significa um alto risco de surto da doença.

            Com relação à incidência da doença, 12 municípios têm alta taxa de incidência (superior a 300 casos notificados por 100 mil hab.); 31 têm taxa média (superior a 100 e inferior a 300 casos notificados por 100 mil hab.); e 59 têm taxa baixa de incidência (inferior a 100 casos notificados por 100 mil hab.) (Divep/Suvisa/Sesau: Nota Técnica Semanal nº 24 de 28 de julho de 2011).

            O estado tem 11 óbitos suspeitos até junho/2011. Destes, até o momento, 8 foram confirmados e ocorreram nos municípios: Arapiraca, Barra de São Miguel, Delmiro Gouveia, Girau do Ponciano, Maceió e Porto Calvo.

            19 municípios respondem pela maioria dos casos notificados: Arapiraca,Barra de Santo Antônio, Barra de São Miguel, Coqueiro Seco, Delmiro Gouveia, Maceió, Maragogi, Marechal Deodoro, Messias, Palmeira dos Índios, Paripueira, Penedo, Pilar Rio Largo, Santa Luzia do Norte, Santana do Ipanema, Satuba, Teotônio Vilela e União dos Palmares.

            Promoção da Saúde - Sedentarismo

            A Diretoria de Promoção da Saúde investe esforços para a redução do sedentarismo por meio do apoio aos municípios para o desenvolvimento de projetos

          • – de estímulo à prática de atividade física/prática corporal. E executa, ela própria como componente da Rede Nacional de Promoção da Saúde e Prevenção da Violência e em cumprimento às suas atribuições como gestora da Promoção da Saúde na esfera estadual –, projetos de atividade física/prática corporal.

            Na pactuação dos anos de 2008 e 2009, o objetivo de redução dos níveis de sedentarismo foi monitorado pelo indicador prevalência de sedentarismo, para 2010 o indicador mudou para prevalência de atividade física suficiente no tempo livre em

            17

          adultos com 18 anos de idade ou mais , residentes nas capitais brasileiras. Deste

            modo, há uma quebra na série histórica relativamente ao Pacto, mas tanto um como outro indicador tem a mesma série histórica no Vigitel e ambos serão analisados 17 aqui.

            

          Atividade física suficiente – Atividade física no tempo livre nos últimos três meses, de intensidade moderada

          ou leve (>= 30 minutos em >= 5 dias por semana) ou de intensidade vigorosa (>= 20 minutos em >= 3 dias por

          semana).

            A prevalência do sedentarismo nas capitais brasileiras manteve-se estável em Maceió, em torno de 30%, com resultado um pouco melhor em 2009 (30,4%) que o estabelecido como meta para aquele ano: 30,5%. Em 2010, o resultado fica acima do esperado, 32% para uma meta de 30,5% (Tabela 02).

            Tabela 02

          • – Prevalência de sedentarismo em adultos com 18 anos

            de idade ou mais com atividade física suficiente no tempo livre

            e/ou em deslocamento.

            ANO Meta (%) Resultado no estado (%) 31,9 - 2006

          • 2007 30,6 2008 30,2 - 2009 30,5 30,4 2010 30,5

            32 Fonte: Vigitel, 2006/2010

            A taxa de prevalência de atividade física suficiente no tempo livre, também avaliada pelo Vigitel para Maceió, com a meta de 15,2% para 2010, apresentou resultados em queda de 2006 a 2010, ficando um pouco abaixo da meta em 2010: 14,8%. Com relação aos sexos, os homens referem ser mais ativos que as mulheres (Tabela 03). Os resultados contrariam as expectativas porque são muitas as iniciativas de estímulo à prática da atividade física, o tema tem grande destaque nos meios de comunicação e é crescente o número de academias de ginástica.

            

          Tabela 03 - Taxa de prevalência de atividade física suficiente no tempo livre, na capital

          Maceió, por sexo, no período de 2006/2010.

            Ano Total

            IC 95% Feminino

            IC 95%2 Masculino

            IC 95%3

          2006 16,8 (14,3-19,3) 13,4 (10,2-16,5) 20,8 (16,9-24,8)

          2007

            15,8 (13,2-18,4) 13,1 (10,7-15,6) 19 (14,2-23,8) 2008 15,6 (12,6-18,6) 12,7 (9,6-15,9) 19 (13,6-24,3)

          2009 11,9 (5,3-13,7) 9,5 (4,5-24,9) 14,7 (7,3-16,5)

          2010 14,8 (11,9-17,7) 10,9 (8,5-13,2) 19,9 (14,0-25,0)

            Fonte: MS/SVS/CGDANT - Vigitel

            O Vigitel indica que a taxa de prevalência de atividade física suficiente no tempo livre em Maceió é maior nas faixas etárias 18 a 24 anos e 55 a 64 e nas pessoas com escolaridade de 9 anos e mais.

            Os resultados para excesso de peso e obesidade são preocupantes. O excesso de peso ocorre principalmente na faixa etária de 35 anos e mais e nas pessoas com menor escolaridade (Tabela 04).

            

          Tabela 04 – Dados gerais sobre excesso de peso na cidade de Maceió

          nos anos de 2006 a 2010.

            2006 2007 2008 2009 2010 % % % % %

            Geral 46 40,2

            42 42,1 32,9 Mulher 40,6 36,2 35,2 37,2 26,9

            Homem 51,2 44,4 49,1 47,1 39,8

            Obesidade 13,5 13,3 11,6 13,5 11,6

            Faixa etária com maior

          concentração 45 e 64 45 e 64 35 e + 35 e + 35 e +

          de excesso de peso Grau de

            Menor escolaridade grau

             Fonte: Vigitel, 2006/2010 Promoção da Saúde - Tabagismo

            A OMS informa que 1/3 da população mundial adulta é fumante

          • – 47% da população masculina e 12 da feminina. Nos países em desenvolvimento esta relação é de 48% para 7%; e nos países desenvolvidos é de 42% para 24% (BRASIL, 2004).

            As crianças são expostas ao tabaco de muitas maneiras, desde a gravidez (mães fumantes) aos ambientes onde as pessoas fumam livremente. Em Alagoas, na região fumageira

          • – Agreste alagoano, com destaque para o município de Arapiraca – se verificam altos índices de intoxicação por agrotóxicos e outras, como

            18 a doença da folha verde do tabaco .

            O Vigitel 2010 informa que Maceió está entre as 4 capitais com os mais altos índices de fumantes passivos 18 – 19,4%; é também uma das capitais com menores

            

          Doença da folha verde do tabaco - é um tipo de intoxicação aguda causada pela absorção dérmica da nicotina

          acometendo principalmente agricultores que trabalham com a cultura do tabaco (MS/BVS, Dicas em Saúde, http://bvsms.saude.gov.br/html/pt/dicas/204_doenca_folha_verde.html). percentuais de ex-fumantes. A doença é mais freqüente nos homens em pessoas com menor escolaridade; a faixa etária com maior concentração de fumantes é a de 35 a 54 anos.

            O tabagismo concorre para o aumento no número de neoplasias, de doenças respiratórias e do aparelho circulatório, elevando as demandas por serviços de saúde de média e alta complexidades e custos. Por isto, definiu-se no Pacto pela Saúde o objetivo de redução do tabagismo, com monitoramento percentual nas

            19 capitais brasileiras, pelo Vigitel, da prevalência de fumantes na população adulta .

            As metas só foram pactuadas a partir de 2009. Os resultados para Maceió mostram que a meta de redução de fumantes para 12,2% não foi alcançada em 2009, pois a prevalência encontrada foi de 13,9%; no ano de 2010 a meta nacional (9,3%) também não foi alcançada. Embora tenha havido redução na prevalência do tabagismo em relação ao anterior o resultado encontrado foi de 12,3% (Tabela 05).

            

          Tabela 05 – Prevalência de fumantes na população adulta (>= 18 anos de

          idade, independente do número de cigarros, da frequência de uso e da

          duração do hábito de fumar), série histórica: 2006/2010.

          ANO META RESULTADO

            

          2006 - 13,90%

          • 2007 12,10%

            9,80% - 2008

            2009 12,20% 13,10%

            2010 9,30% 12,30%

             Fonte: Vigitel, MS/SVS, 2009/2010

            Em 2010, o Vigitel informa que Maceió detém um dos maiores percentuais de fumantes passivos ocupando o 23º lugar dentre as 27 capitais: 14,7%. Em geral, observa-se no período de 2006 a 2010 que ocorre redução no tabagismo em 2007 com relação ao ano anterior; e, depois, uma queda expressiva em 2008; em 2009 e 2010 os índices voltam ao patamar de 2007; é mantida, no período, a tendência de maior proporção de fumantes entre os homens, e maior ocorrência da doença na população com número menor de anos de estudos; a faixa etária com maior concentração de fumantes nos anos de 2006, 2007, 2009 e 2010 é a de 35 a 54 anos; em 2008 a faixa etária é de 45 a 54 anos de idade (Tabela 06).

          19 Prevalência de fumantes na população adulta

          • – população com 18 anos de idade ou mais, independente do número de cigarros, da frequência e da duração do hábito de fumar.

            

          Tabela 06 – Dados gerais sobre tabagismo na cidade de Maceió nos anos de 2006 a 2010.

            2006 2007 2008 2009 2010

          Total de pesquisados 13,9 12,1 9,8 12,1 12,3

          Mulher 10,5 9,7 6,7 9,7 10,5

          Homem 17,9 14,9 13,5 14,9 14,4

          Ex-fumante 19,4 18,9 17,1 18,9 18,6

          Faixa etária com maior 35 - 54 35 - 54 35 - 54 35 - 54 35 - 54 concentração de fumantes

            Fonte: Vigitel, 2006/2010

            Embora haja grandes esforços mundiais para controlar esta situação e seja observada gradativa redução na prevalência do tabagismo, ele ainda representa um grande problema de saúde pública exigindo o trabalho incansável dos atores responsáveis pela Educação e Saúde, e outros, além da sociedade organizada e do aparato legal do Estado. O controle social tem papel importante nesse trabalho, pois se trata não apenas de transformar a cultura milenar do hábito do uso do tabaco, mas também de enfrentar o agronegócio, a indústria e comércio tabagistas ainda com grande força política especialmente nos países de capitalismo periférico. É importante mencionar a questão do contrabando que coloca no mercado grandes quantidades de cigarros de péssima qualidade a preços acessíveis.

            Este objetivo de redução da prevalência do tabagismo é priorizado também na Vigilância em Saúde (Pavs) que tem como ação prioritária, dentre os esforços de redução do tabagismo, a monitoração dos projetos da Rede Municipal de Promoção da Saúde com o componente de controle e prevenção ao tabagismo realizada através do Questionário Linha de Base - online/FormSUS (FormSUS). O monitoramento dessas ações é realizado, nos estados e municípios, pela verificação dos percentuais alcançados anualmente de ações desenvolvidas de Vigilância de Doenças e Agravos Não Transmissíveis e Promoção da Saúde. A fonte de informações é o FormSUS. O estado acompanha esta prioridade da Pavs por meio da Secretaria de Vigilância em Saúde do Ministério da Saúde (MS/SVS) que informa apenas sobre a realização ou não da avaliação junto aos municípios, isto é, sabemos que o município preencheu/respondeu ao FormSUS, mas não como desenvolve o projeto.

            Este monitoramento, além de outras ações de avaliação, permite verificar que todos os municípios de Alagoas realizam ações para a redução/controle do tabagismo, tanto por meio dos Núcleos de Promoção da Saúde como das coordenações de Atenção Primária/Programa Saúde da Família (PSF), especialmente nas datas comemorativas: Dia Mundial da Saúde, 7/4

          • – Dia Mundial de Luta contra o Câncer, 8/4
          • – Dia Mundial Sem Tabaco, 31/5 – Dia Nacional de Combate ao Fumo,
          • – Dia Nacional de Combate ao Câncer, 27/11. Porém, apenas o município de São Luiz do Quitunde (I Região de Saúde) conseguiu aprovação de projeto específico voltado para este objetivo. Há um intenso esforço da Diretoria de Promoção da Saúde/Coordenação Estadual de Controle do Tabagismo para a implementação das ações para a redução do tabagismo no estado no escopo da Convenção-Quadro para o Controle do

          20 Tabagismo (Cqct). Esta Convenção foi concluída em 2003 e ratificada, até o momento, por 172 países; sendo o Brasil o 100º a subscrevê-la.

            O objetivo principal da Cqct é preservar as gerações, presentes e futuras, das devastadoras conseqüências sanitárias, sociais, ambientais e econômicas do consumo e da exposição à fumaça do tabaco. Ela estabelece como algumas de suas obrigações a elaboração e atualização de políticas de controle do tabaco, o estabelecimento de um mecanismo de coordenação nacional e de cooperação com outros Estados Partes, e a proteção das políticas nacionais contra os interesses da indústria do tabaco (INCA, 2011).

            O estado de Alagoas avança também nesta perspectiva tendo já aprovada uma lei anti-fumo

          • – a Lei Estadual nº 7.233, de 20 de janeiro de 2011 (de autoria do dep. Judson Cabral/PT), que proíbe em todo o seu território o consumo de cigarros, cigarrilhas, charutos, cachimbos ou qualquer outro produto fumígero derivado ou não do tabaco nos ambientes de uso coletivo públicos ou privados; prevendo multa de R$ 1 mil até R$ 40 mil para cada indivíduo que esteja fumando em ambientes como cinemas, bares, lanchonetes, boates, transporte público, supermercados e demais lugares públicos ou privados do estado.

            Atenção integral às pessoas em situação ou risco de violência

            O tema da violência assume grande importância para a Saúde Pública em 20 função de sua magnitude, gravidade, vulnerabilidade e impacto social sobre a saúde

            

          Convenção-Quadro - É um instrumento legal, sob forma de um tratado internacional, no qual os países

          signatários (Estados Partes) concordam em empreender esforços para alcançar objetivos definidos previamente (Inca). individual e coletiva. Enquanto problema de Saúde Pública, as violências e os acidentes expressam-se com alto impacto no adoecimento e morte da população, especialmente na mortalidade precoce, na diminuição da expectativa e qualidade de

            21 vida de adolescentes, jovens, adultos e idosos (MS/SVS ).

            Fenômeno complexo, a violência possui causas múltiplas, que se correlacionam com determinantes sociais e econômicos: desemprego, baixa escolaridade, concentração de renda, exclusão social e outros. A estas, acrescentam-se aspectos comportamentais e culturais, como o machismo, o racismo e a homofobia. E, mais, as causas determinantes nunca mencionadas que se relacionam com a organização das sociedades nos marcos da exploração capitalista.

            A OMS definiu a violência como:

            “Uso da força física ou do poder real ou em

          ameaça, contra si próprio, contra outra pessoa, ou contra um grupo ou uma

          comunidade, que resulte ou tenha qualquer possibilidade de resultar em lesão,

          morte, dano psicológico, deficiência de desenvolvimento ou privação” (Relatório

            Mundial sobre a Violência e Saúde, 2002).

            O Relatório Mundial da OMS sobre a Violência e Saúde (2002) destaca as seguintes tipologias (Figura 06): Violência auto infligida (auto provocada): Tentativa de suicídio, suicídio, autoflagelação, autopunição, automutilação.

          • Violência interpessoal: Intrafamiliar e comunitária (também denominada violência urbana).
          • Violência intrafamiliar: Ocorre entre os membros da própria família, entre pessoas que têm grau de parentesco, ou entre pessoas que possuem vínculos afetivos. Também denominada de violência doméstica por alguns teóricos, embora outros estudiosos desse tema façam uma distinção entre a violência doméstica e a violência intrafamiliar.
          • Violência coletiva (social, política e econômica): Presente nos âmbitos sociais, políticos e econômicos, caracterizada pela subjugação/dominação de grupos e do estado.

          21 Disponível em: http://portal.saude.gov.br/portal/saude/profissional/visualizar_texto.cfm?idtxt=31079&janela =1

          • Violência estrutural: Ocorre em diferentes formas onde há manutenção das desigualdades sociais, econômicas, culturais, de gênero, etárias, étnicas. É a violência que mantém a miséria de uma determinada população.

             Figura 06 Tipologia da violência, OMS 2002.

            Segundo a natureza, a violência é classificada como: física, sexual, psicológica e maus tratos e negligência (OMS, 2002): A Lei nº. 4.898/65 define o crime de abuso de autoridade e estabelece as punições para esta prática. A CID-

            10 adota o termo “intervenção legal e operações de guerra” e lhe atribui os códigos de Y35 a Y36. Alerta-se para não se fazer uma interpretação equivocada: no exercício da função policial de prevenção e repressão de crimes

          • – respeitando tanto os direitos fundamentais da pessoa, como a sua integridade física
          • – o agente da lei ou policial, se estritamente necessário, poderá fazer uso de força. No entanto, ao extrapolar essa função, sua ação ultrapassa o marco da legalidade: torna-se ilegal.

            Outros: qualquer outro tipo de violência não contemplado nas categorias  anteriormente citadas. É obrigatório especificar. Ex.: nos casos de tentativa de suicídio ou suicídio, especificar o meio utilizado: precipitação de lugar elevado, arma de fogo, enforcamento, envenenamento, dentre outros. A vigilância de violências foi normatizada pelo MS por meio dos seguintes documentos: Portaria MS/GM nº 737 de 16/05/2001, que institui a Política Nacional de Redução da Morbimortalidade por Acidentes e Violências; Portaria MS/GM nº 936 de 19/05/2004, que institui a Rede Nacional de Prevenção de Violências e Promoção da Saúde (PVPS) e criação dos Núcleos de PVPS; Portaria MS nº 1.968/2001, trata da Notificação de Maus-tratos contra Crianças e Adolescentes; Portaria MS/GM nº 2.406 de 05/11/2004, contempla a Notificação Compulsória de Violência contra a Mulher; Portaria MS nº 777, de 28/04/2004, trata da Notificação compulsória de agravos à saúde do trabalhador; Portaria MS/GM nº 687 de 30/06/ 2006, institui a Política Nacional de Promoção da Saúde; Portaria MS/GM nº 1.876 de 14/08/2006, institui diretrizes nacionais para a prevenção do suicídio; e Portaria GM/MS n. 104, de 25/1/2011, que define as terminologias adotadas em legislação nacional, conforme o disposto no Regulamento Sanitário Internacional 2005 (RSI 2005), a relação de doenças, agravos e eventos em saúde pública de notificação compulsória em todo o território nacional e estabelece fluxo, critérios, responsabilidades e atribuições aos profissionais e serviços de saúde.

            Para conhecer melhor a magnitude das violências e dos acidentes no país visando organizar e dar efetividade às intervenções sobre este grave problema de saúde pública, o Ministério da Saúde, por meio da Área Técnica de Vigilância e Prevenção de Violências e Acidentes da Coordenação Geral de Doenças e Agravos Não Transmissíveis (Cgdant), do Departamento de Análise de Situação de Saúde (Dasis) da Secretaria de Vigilância em Saúde (SVS), implantou a Vigilância de

            22 Violências e Acidentes (VIVA) em Serviços Sentinelas no âmbito do Sistema Único

            de Saúde (SUS) a partir de 01 de agosto de 2006. As três esferas de governo participaram dessa iniciativa cujo objetivo final é o desenvolvimento de ações de prevenção de violências e acidentes e de promoção da saúde e cultura de paz. A

            VIVA começou a ser implantada em municípios previamente selecionados, considerando-se os critérios (MS/SVS, 2011): Perfil epidemiológico (ranking de mortalidade por causas externas); Matriz da Exploração Sexual do Programa de Atividades Integradas

            Referenciais (Projeto PAIR); Municípios e estados relacionados como prioritários para a implantação e 22 implementação de ações de enfretamento de violências sexual e doméstica;

            

          (...) Serviços sentinela (...) muito utilizado em alguns países da Europa têm o objetivo de obter informações

          relativas à incidência e aspectos mais importantes do comportamento de determinados eventos adversos à saúde.

          A grande limitação deste tipo de fonte de informação é não garantir a representatividade e generalização de

          dados. Entre as vantagens está o baixo custo operacional, a possibilidade de aumento da qualidade das

          informações, além da sensibilização e adesão da rede de serviços notificadores (MS/SVS, 2011). Disponível em: http://portal.saude.gov.br/portal/saude/profissional/visualizar_texto.cfm?idtxt=32127

            Municípios e estados prioritários para a estruturação municípios e estados priorizados para a implementação de ações de vigilância e prevenção de violências e acidentes;

            Municípios e estados que executavam ações intersetoriais de prevenção de violências e acidentes através dos Núcleos de Prevenção de Violências e Promoção da Saúde;

            Municípios participantes do teste da Ficha de Notificação Compulsória de Violência contra a Mulher (e outras Violências Interpessoais);

            Municípios participantes do Projeto de Redução da Morbimortalidade por Acidentes de Trânsito.

            A estruturação da VIVA Inquérito está respalda nas Portarias MS/GM n.

            

          1.356, de 23/6/2006 e n. MS/GM n. 1.384, de 12/662007, que instituíram incentivo

          financeiro para a implantação da vigilância epidemiológica de violências e acidentes.

            Em 2006, dos municípios selecionados como prioritários à implantação da VIVA, conforme os critérios explicitados anteriormente, 39 entes federados fizeram a adesão ao projeto, sendo seis estados, 32 municípios e o Distrito Federal.

            Alagoas aderiu a estas iniciativas, tendo os municípios prioritários para implantação da Ficha de Notificação / Investigação de Violência Doméstica, Sexual

            e/ou outras violências: a capital Maceió e Arapiraca (município com 214.006 hab.).

            A Rede de Prevenção de Violência e Promoção à Saúde no estado tem 4 (3,9%) municípios com projetos financiados pelo Ministério da Saúde voltados especificamente para a prevenção de violências e desenvolvimento de cultura de paz: Capela, Joaquim Gomes, Murici e Pilar. Embora todos desenvolvam em algum momento atividades voltadas para a prevenção da violência, dado tratar-se de questão gravíssima no estado, devem-se reforçar e apoiar as políticas de âmbito estadual e municipal voltadas para melhorar esta questão, muito complexa, que se relaciona, numa análise rápida, à evolução histórica do estado ligada à monocultura da cana-de-açúcar e concentração da terra, à perversidade de suas elites, baixo nível de empoderamento da sociedade e políticas sociais não implementadas ou mal implementadas.

            O monitoramento desses projetos realizado por meio do FormSUS não contribui como seria desejável com o esforço do estado de acompanhamento dos mesmos por estar sob a governabilidade do Ministério da Saúde, Secretaria de Vigilância em Saúde (SVS), Coordenação-Geral de Vigilância de Agravos e Doenças Não Transmissíveis (Cgdant).

            Implantação da Ficha de Notificação / Investigação de Violência Doméstica,

            Sexual e/ou outras violências em 100% dos municípios com monitoramento

            da proporção de municípios com a Ficha implantada realizado por meio do Sistema de Informação de Agravos de Notificação (Sinan-NET). A princípio a ampliação para 2010 foi definida para 70% dos municípios prioritários (Arapiraca e Maceió), passando depois para 100% desses municípios, e,

            23

            finalmente, com publicação da Portaria GM/MS n. 104 (25/1/2011), para todas as unidades do estado sem exceção.

            Em 2008, a capital, município de Maceió recebeu recursos do Ministério da Saúde para implantar a Ficha em suas unidades de saúde. Em 2009, receberam recursos para este fim, os municípios de Arapiraca, Barra de São Miguel, Palmeira dos Índios, Pilar, São Miguel dos Campos e Murici e Teotônio Vilela.

            Atualmente, alimentam o Sistema de Vigilância de Violências e Acidentes (VIVA) do Sistema de Informação de Agravos de Notificação (Sinan-NET), apenas 11 municípios (10,8%): Anadia, Arapiraca, Cacimbinhas, Maceió, Marechal Deodoro, Messias, Palmeira dos Índios, Penedo, Santana do Ipanema, São Miguel dos Campos, Teotônio Vilela.

            O Sistema VIVA – em seu componente de Vigilância Contínua: Violência Doméstica, Sexual e/ou Outras Violências, Módulo Violências/VIVA/Sinan-NET

          teve processo de implantação gradual e realizado em parceria com as SES e SMS,

            considerando-se a estruturação da área de Vigilância Epidemiológica de Doenças e Agravos Não Transmissíveis (Dant) em cada secretaria de saúde, como também as prioridades definidas no processo de implantação da VIVA. Dada a obrigatoriedade da notificação das violências explicitada na Portaria GM/MS n. 104 de 25/1/2011, foi necessário acelerar a implantação da Ficha de Notificação / Investigação de 23 Violência Doméstica, Sexual e/ou outras violências no estado para alimentação do

            

          A Portaria GM/MS n. 104, de 25/1/2011, define as terminologias adotadas em legislação nacional, conforme

          o disposto no Regulamento Sanitário Internacional 2005 (RSI 2005) e a relação de doenças, agravos e eventos

          em saúde pública de notificação compulsória em todo o território nacional, estabelecendo fluxo, critérios,

          responsabilidades e atribuições aos profissionais e serviços de saúde; a cobertura da Ficha de Notificação/Investigação deve abranger a totalidade dos serviços de saúde estado e de seus municípios. Sistema VIVA/Sinan-NET com clara definição de serviços e gestores e em articulação com a Gerência Técnica do Sinan.

            A implantação da Ficha de Notificação / Investigação de Violência Doméstica,

            

          Sexual e/ou outras violências no estado foi iniciada em 2008 e a evolução das

            notificações mostra que ocorreram 65 registros em 2008, 1.041 em 2009, e 1.312 em 2010 (Figura 07).

            1312 1400 1200 1041 1000 800

            600 400 200

            65 2008 2009 2010 Fonte: VIVA/Sinan-NET Figura 07

          • Nº de violências notificadas nos anos de 2008 a 2010 no estado de Alagoas.

            A notificação sobre Violência Doméstica, Sexual e/ou outras violências em Alagoas vem aumentando devido ao processo de implantação e implementação da Ficha de Notificação mostrando os seguintes dados: violência física em 2008

          • – 33, em 2009
          • – 551, e em 2010 – 781; violência psicológica e moral em 2008 – 2, em >– 19, e em 2010 – 36; sexual em 2008 – 0, em 2009 – 57, e em 2010 – 63; outras violências em 2008
          • – 32, em 2009 – 448, e em 2010 – 465. O maior número de notificações ocorre para violência física e outras violências (Figura 08).

            A evolução das notificações entre os municípios de 2008 a 2010 mostra que Arapiraca desenvolveu mais esforços neste sentido apresentando maior número de registros de violências 1980 nos três anos de implantação da Ficha: 1.980 (2008: 65, 2009: 987, 2010: 928; a capital, Maceió responde por 2008: 0, 2009: 54, e 2010: 340. Os demais municípios juntos (Anadia, Arapiraca, Cacimbinhas, Maceió, Marechal Deodoro, Messias, Palmeira dos Índios, Penedo, Santana do Ipanema, São Miguel dos Campos, Teotônio Vilela): 2008: 0, 2009: 0, e 2010: 44 (Figura 09).

            Fonte: VIVA/Sinan-NET Figura 08

          • Notificação sobre Violência Doméstica, Sexual e/ou outras violências, segundo a natureza da violência, em Alagoas, nos anos de 2008 a 2010.

            É importante destacar que os dados aqui apresentados não refletem a dimensão da violência nos municípios, mas o processo de implementação da implantação da Ficha de Notificação das violências. Física Financeiro e Econômico Psicomoral Negligência e Abandono Sexual Trabalho Infantil Tortura Tráfico Seres Outras Violências 2008 33 2 551 32 2009 19 3 57 787 2010 4 2 448 2 36 4 63 900 800 700 600 500 400 300 200 100 1 1 462

            1200 1000 800 600 400 200 Anadia Arapiraca Maceió Messias Penedo do Cacimbinh Marechal Palmeira Miguel Teotônio as Deodoro dos Índios dos Vilela Santana São 2008 2009 2010 1 928 987 65 1 340 54 5 3 19 3 Ipanema 1 Campos 1 10 Fonte: VIVA/Sinan-NET

            Figura 09

          • Notificação sobre Violência Doméstica, Sexual e/ou outras violências, segundo município, em Alagoas, nos anos de 2008 a 2010.

            A maior parte das notificações é de violência contra a mulher em todos os anos: 2008 (48), 2009 (650), 2010 (886) (Figuras 10).

            1000 900 800 700 600 500 400 300 200 100

            2008 2009 2010 masculino 17 391 426 feminino 48 650 886

            Fonte: VIVA/Sinan-NET Figura 10

          • Notificação sobre Violência Doméstica, Sexual e/ou outras violências, segundo sexo, em Alagoas, nos anos de 2008 a 2010.
          Os resultados segundo faixa etária mostram maior número de notificações nas faixas de idade de 15 a 19 anos, assim distribuídos: 2008 (15), 2009 (258), 2010 (319) casos notificados; e de 20 a 34: 2008 (24), 2009 (390), 2010 (520). Porém, foram observados atendimentos desde a faixa de 5 a 9 anos de idade até a faixa de 80 anos e mais (Figura 11).

            600 500 400 300 200 100

            < 1 ano 1 a 4 5 a 9 10 a 14 15 a 19 20 a 34 35 a 49 50 a 64 65 a 79 80 e + 2008

            8

            15

            24

            13

            4

            1 2009

            11

            21 89 258 390 181

            57

            28

            6 2010

            2

            12 22 109 319 520 209

            79

            33

            7 Fonte: VIVA/Sinan-NET Figura 11

          • Notificação sobre Violência Doméstica, Sexual e/ou outras violências, segundo faixa etária, em Alagoas, nos anos de 2008 a 2010.

            Dados sobre a violência no estado notificados em 2010

            Os atendimentos por lesão autoprovocada em serviços de saúde notificados nos municípios de Arapiraca, Maceió e Teotônio Vilela no ano de 2010, são em maior número no sexo feminino e na faixa etária de 20 a 34 anos, ocorrendo, porém desde a faixa de 5 a 9 anos de idade até a faixa de 80 anos e mais (Tabela 07).

            Tabela 07

          • Atendimentos por violência – lesão auto provocada – em serviços de saúde nos municípios de Arapiraca, Maceió e Teotônio Vilela, no ano de 2010, por sexo e faixa etária.

            Município Município Faixa etária Sexo Masc Fem Total 10-14 15-19 20-34 35-49 50-64 Total

            Arapiraca 67 132 199 Arapiraca

            

          8

          42 104

            37 8 199 Maceió

            Maceió

            2

            2

            2

            2 T. Vilela

            1

          1 T. Vilela

            1

            1 Total 67 135 202 Total

            

          8

          42 106

            38 8 202 Fonte: VIVA Sinan-NET Os atendimentos por violência física em serviços de saúde notificados nos municípios de Arapiraca, Maceió e Teotônio Vilela no ano de 2010 são, igualmente, em maior número no sexo feminino e ocorrem na faixa etária de 10 a 64 anos, ocorrendo, porém, desde a faixa de 1 a 4 anos até a de 80 anos e mais (Tabela 08).

            Tabela 08

          • Atendimentos por violência física em serviços sentinela de saúde nos municípios de Arapiraca, Maceió, Messias, Palmeira dos Índios e Teotônio Vilela, no ano de 2010, por sexo e faixa etária.

            Sexo Faixa etária

            

          Município Masc Fem Total Município 01-04 05-09 10-14 15-19 20-34 35-49 50-64 65-79 80 e+ Total

          Arapiraca 94 134 228 Arapiraca

            5

            19

            66

            68

            32

            25

            9 4 228 Maceió

            3

            29

            32 Maceió

            2

            5

            5

            14

            5

            1

            32 Messias

            1

            1 Messias

            1

            1 Palmeira

            2

            3

            5 Palmeira

            1

            1

            3

            5 dos dos Índios Índios Teotônio

            2

            1

            3 Teotônio

            2

            1

            3 Vilela Vilela Total 102 167 269 Total

            1

            7

            25

            72

            87

            38

            25

            10 4 269 Fonte: VIVA Sinan-NET

            Os atendimentos por violência psicomoral notificados em serviços de saúde ocorreram em número de 15 e apenas no município de Maceió, no ano de 2010, a maior quantidade se dá no sexo feminino (de fato dos 15 casos, 14 foram mulheres) e na faixa etária de 10 a 49 anos, ocorrendo, porém, desde a faixa de 1 a 4 anos até a de 80 anos e mais (Tabela 09).

            Tabela 09

          • Atendimentos por violência psicomoral em serviços de saúde no município de Maceió, no ano de 2010, por sexo e faixa etária.

            

          Município Masc Fem Total Município 10 a 14 15-19 20-34 35-49 Total

          Maceió

            1

            14

          15 Maceió

            5

            4

            5

            1

            15 Total Total

            1

            14

            15

            5

            4

            5

            1

            15 Fonte: VIVA Sinan-NET

            Um atendimento por tortura notificado ocorreu no município de Maceió no ano de 2010, igualmente em maior número no sexo feminino e na faixa etária de 20 a 34 anos (Tabela 10).

            Tabela 10

          • Atendimentos por violência – tortura – em serviços

            

          sentinela de urgência e emergência no município de Maceió, no ano

          de 2010, por sexo e faixa etária.

            Município Masc Fem Município 20-34 Maceió

            1 Maceió

            1 Total

            1 Total

            1 Fonte: VIVA Sinan Net

            Os atendimentos por violência sexual, notificados no ano de 2010, ocorreram em serviços de saúde nos municípios de Arapiraca, Maceió, Messias, Palmeira dos Índios e Teotônio Vilela. Todos no sexo feminino e desde na faixa etária de 10 a 44 anos (Tabela 11).

            Tabela 11

          • Atendimentos por violência sexual em serviços de saúde, nos municípios de Arapiraca, Maceió, Messias e Palmeira dos Índios, no ano de 2010, por sexo e faixa etária.

            

          Município Masc Fem Município 10-14 15-19 20-34 35-49 Total

          Arapiraca

            3 Arapiraca

            2

            1

            3 Maceió

            27 Maceió

            8

            9

            7

            3

            27 Messias

            1 Messias

            1

            1 P. dos Índios

            1 P. dos Índios

            1

            1 Total

            32 Total

            8

            12

            9

            3

            32 Fonte: VIVA Sinan Net

            Os atendimentos pela violência de abandono e negligência, notificados no ano de 2010, ocorreram em número de 4, em serviços de saúde, nos municípios Messias e Teotônio Vilela. Todos no sexo masculino e desde na faixa etária de 01 a 14 anos (Tabela 12).

            Tabela 12

          • Atendimentos por violência – negligência e abandono – em serviços sentinela de urgência e emergência nos municípios de Messias e Teotônio Vilela, no ano de 2010, por sexo e faixa etária.

            

          Município Masc Fem Município <1 Ano 01-04 05-09 10-14 Total

          Messias

            1 Messias

            1

            1 T. Vilela

            3 T. Vilela

            

          1

            1

            1

            3 Total

            4 Total

            

          1

            1

            1

            1

            4 Fonte: VIVA Sinan-NET

            Os atendimentos por outra violência, notificados no ano de 2010, ocorreram num total de 199 (40%), no município de Arapiraca. Incidiram em maior número no sexo feminino (66%) e na faixa etária de 10 a 64 anos (Tabela 13).

            Tabela 13

          • Atendimentos por outra violência em serviços sentinela de urgência e emergência, no município de Arapiraca, no ano de 2010, por sexo e faixa etária.

            

          Município Masc Fem Total Município 10-14 15-19 20-34 35-49 50-64 Total

          Arapiraca 68 131 199 Arapiraca

            8 42 104

            37 8 199 Total 68 131 199 Total

            8 42 104

            37 8 199 Fonte: VIVA Sinan Net

            A gerência do Sinan-NET e a equipe da Diretoria de Promoção da Saúde devem verificar porque 40% dos atendimentos notificados foram classificados como

            

          outra violência, jogando uma penumbra sobre quantidade significativa de casos,

            deixando de contribuir para o melhor conhecimento da questão e consequentemente atrapalhando a resposta necessária que deve ser dada pelos gestores dos órgãos públicos responsáveis, instituições interessadas e de controle social. Além disto, a investigação deve contribuir para o aprimoramento tanto do questionário do Sistema

            VIVA Sinan-NET como dos procedimentos de notificação.

          17.5 GESTấO DA PROMOđấO DA SAÚDE

            A análise da situação de saúde, dos determinantes e condicionantes da saúde e a gestão da saúde relativamente à atuação em Promoção da Saúde mostram algumas áreas com avanços e outras ainda com dificuldades, pois o trabalho de promoção da saúde implica em intervenção sobre determinantes e condicionantes históricos

          • – ligados, em linhas gerais, à exclusão social e miséria (apartheid social); doenças da pobreza x doenças não transmissíveis; falta de moradia/moradia precária; falta de saneamento básico/saneamento insuficiente; desemprego/subemprego; trabalho infantil/vulnerabilidade infantil (crianças chefes de família, crianças nascendo com sífilis neonatal); baixa qualidade na Educação pública ofertada e na prestação de serviços de saúde; sedentarismo/falta de

            24 24 estímulos suficientes à pratica de atividade física; tabagismo como hábito cultural

          “As pessoas começam a fumar principalmente por hábito cultural e influência da publicidade do cigarro nos

          meios de comunicação de massa. Pais, professores, ídolos e amigos também exercem grande influência.”

            SOUTO JUNIOR; RIBEIRO, s/d. muito arraigado; corrupção e ineficiência; baixa capacidade de participação e controle social

          • – representam desafios difíceis de superar em pouco tempo mesmo quando são investidos esforços vigorosos sobre os mesmos
          • – financeiros, materiais e humanos – porque se inserem no modo de exploração capitalista.

            Intervir sobre realidade tão complexa exige a superação gradual desses desafios com vontade política, articulação intersetorial e empoderamento/participação social. As intervenções dependem de decisões de gestão, de recursos financeiros e materiais suficientes, de envolvimento e capacitação técnica, recursos humanos suficientes tanto no âmbito das Políticas da Saúde como das demais políticas públicas e sociais.

            Todos os eixos da Política Nacional de Promoção da Saúde

          • – divulgação e implementação da Pnps; alimentação saudável; prática corporal/atividade física; prevenção e controle do tabagismo; redução da morbimortalidade em decorrência do uso abusivo de álcool e outras drogas; redução da morbimortalidade por acidentes de trânsito; prevenção da violência e estímulo à cultura de paz; promoção do desenvolvimento sustentável
          • – exigem o concurso dos gestores estratégicos e ações intersetoriais assim como as demais condições acima citadas com destaque para a participação/controle social este em processo de fortalecimento e empowerment.

            Alguns passos nesta direção vêm sendo dados, como é o caso do financiamento de projetos para o “desenvolvimento da Política Nacional de

            Promoção da Saúde com ênfase na integração das ações de Vigilância em Saúde, Promoção da Saúde e Prevenção de Doenças e Agravos Não Transmissíveis com a Estratégia de Saúde da Família” (Ministério da Saúde, Portaria MS/GM nº 556 de 22/3/2011).

            Este desafio se impõe aos governos para que haja eficiência, eficácia e efetividade nas políticas, evitando-se o desperdício de ações paralelas e de retrabalho, a exemplo do que se pode observar na execução das ações voltadas para a redução da drogadicção.

            Recentemente (18/6/2010) o governo de Alagoas conseguiu a aprovação de

            25 25 sua Política Estadual sobre Álcool e outras drogas ; espera-se que esta Política

          Lei Estadual Nº 7.159, de 18 de junho de 2010 – Institui A Política Estadual de Alagoas sobre Álcool e outras drogas. congregue todos os atores atuantes nesta área para que haja menos fragmentação nas intervenções e desperdício de recursos públicos financeiros, materiais e humanos.

            O Brasil dedica atenção especial às doenças e agravos não transmissíveis tanto pelo seu peso no perfil epidemiológico do país como porque engrossa o coro neoliberal de redução das Dant pela responsabilização individual que pela transformação das relações excludentes.

            Para dar conta do objetivo de fortalecer as ações de Vigilância à Saúde por

            

          meio da promoção, prevenção e controle das doenças e agravos, tomando como

          objeto os problemas e as necessidades de saúde, seus determinantes e

          condicionantes, tendo como diretriz assegurar práticas de saúde coletiva que

          possibilitem o desenvolvimento de atitudes saudáveis em todas as etapas da vida, a

            Dips desenvolveu programação intensa durante o ano de 2010. Neste trabalho ofereceu apoio, capacitação e estímulo aos municípios para o fortalecimento da Promoção da Saúde e seus objetivos e metas; desenvolveu ações intersetoriais e em parceria com algumas das áreas técnicas da Sesau; trabalhou em conjunto com a Academia demandando o conhecimento por ela produzido buscando imprimir maior efetividade às suas intervenções, especialmente na questão da violência; realizou campanhas educativas para a redução do tabagismo, da violência em geral e da violência no trânsito em particular; desenvolveu ações de promoção, prevenção e controle das doenças e agravos não transmissíveis para a população da capital; retomou a implementação das Cipave

          • – trabalhando com o setor Educação. Desenvolveu ações de controle do tabagismo no estado e junto aos reeducandos sob a responsabilidade da Secretaria de Estado da Assistência e Desenvolvimento Social (Seas).

            A Dips assessora, por demanda, tecnicamente, a todos os municípios. Monitora com prioridade as ações de Promoção da Saúde de 73 municípios alagoanos contemplados com recursos do Ministério da Saúde para desenvolver projetos com conteúdo de redução da prevalência do sedentarismo e do tabagismo, de redução da violência e estímulo acultura de paz e alimentação saudável.

            Também apóia, organiza e executa campanhas educativas em todas as datas comemorativas das agendas de saúde e agenda cívica mundial, nacional, estadual e municipal.

            A violência, em suas diferentes expressões, não vem diminuindo no estado, observa-se, entretanto, que cresce na sociedade a consciência de que as violências devem ser enfrentadas e que todos estão chamados a contribuir com esse avanço na história humana. A expansão da implantação da Ficha de Notificação de Violência Doméstica, Sexual e/outras Violências deve permitir conhecer melhor o perfil da violência nos municípios, facilitando as intervenções sobre o problema, desde o planejamento, e permitindo sejam agilizadas ações de polícia e justiça. Espera-se que estas e outras atividades possam contribuir para a melhora gradativa desta situação como a ampliação do número de Núcleos Municipais de Promoção da Saúde e Redução da Violência, a adesão de escolas ao Programa Escolas Promotoras de Saúde, as campanhas veiculadas nos meios de comunicação, o trabalho desenvolvido por outros órgãos públicos e organizações não governamentais. O governo do estado vem desenvolvendo esforços para a redução da violência como criação da Secretaria Especial de Promoção da Paz

          • – Sepaz (Lei Ordinária 7.074, de 17 de julho de 2009; esta lei também altera a Lei Delegada n.º 43, de 28 de junho de 2007).

            O governador instituiu o Dia Estadual da Paz por meio do Decreto Lei 7. 098 de 29/9/2009 que será comemorado sempre no segundo domingo do mês de dezembro de cada ano.

            Quanto à gestão, de modo geral, listamos alguns dos fatores que facilitaram o desenvolvimento da sua programação em 2010:

          • a existência de um orçamento razoável, de uma equipe que, embora pequena e ainda em processo de aprendizagem e apropriação da abrangência de seu objeto de intervenção, se empenha para cumprir a missão da Dips, e de uma direção com capacidade de superação de seus desafios;
          • o empenho das equipes das secretarias municipais de saúde para o desenvolvimento das ações de Promoção da Saúde e de uma cultura de promoção da saúde, incluindo o difícil e ainda incipiente trabalho intersetorial e interdisciplinar;
          • o financiamento de projetos pelo Ministério da Saúde nas áreas de redução da violência, do sedentarismo e do controle do tabagismo; - a realização do Inquérito de Saúde Escolar (para municípios com 40 mil hab.

            ou mais);

          • a implantação da Ficha de Notificação / Investigação da Violência Doméstica, Sexual e/ou outras violências para além das expectativas;
          • o trabalho de educação, comunicação e informação sobre os temas candentes da área da Promoção da Saúde, como redução do dengue e das violências, inclusive com capacitação de radialistas;
          • o trabalho para colocar na sociedade a discussão sobre diversidade e igualdade de direitos no SUS;
          • o desenvolvimento de ações para o fortalecimento do planejamento e avaliação das ações de Promoção da Saúde.

            As dificuldades que se destacam nos processos de gestão se inscrevem nas questões:

          • aumento exponencial da diversidade e quantidade de demandas de trabalho para a Promoção da Saúde;
          • equipe insuficiente e ou com limitações para dar conta da abrangência do objeto de intervenção da Promoção da Saúde que implica em obter resultados positivos numa situação de saúde cujos determinantes e condicionantes estão fora da sua governabilidade e mesmo da governabilidade do setor Saúde;
          • demandas constantes de trabalho atropelando o planejamento;
          • dificuldades para o desembaraçamento de processos de financiamento das ações resultando em morosidade e grande perda de tempo e energias;
          • estrutura física insuficiente para abrigar equipe da Dips;
          • condições de trabalho inadequadas para o desenvolvimento dos trabalhos: mobiliário, espaço físico, interrupção no fornecimento de água e energia, e outros.
          • a Diretoria funciona no prédio da Diretoria de Saúde do Trabalhador / Cerest, onde, recentemente, foram promovidas reformas para melhorar as condições de trabalho de todos. Porém, o espaço que ocupa naquele prédio é insuficiente para a equipe trabalhar de acordo com suas necessidades.

            Para a superação das dificuldades, priorizamos as propostas: Aperfeiçoar os processos de trabalho, fortalecendo o planejamento e avaliação; Oferecer capacitação à equipe para o desenvolvimento de suas habilidades para dar conta da abrangência do trabalho em Promoção da Saúde;

            Disponibilizar estrutura física adequado ao desenvolvimento do trabalho Promoção da Saúde;

            Ampliar e capacitar a equipe, incluir maior número de membros com vínculos efetivos para garantir a continuidade e a eficiência dos trabalhos assim como os resultados almejados;

            Intensificar a atuação junto aos municípios: cooperação técnica e supervisão/avaliação; Demandar e incorporar conhecimento

          • – pesquisa em Promoção da Saúde;

            Intensificar a atuação junto aos Conselhos Regionais de Gestão (CGR);

            Ampliar o escopo da intervenção da Promoção da Saúde tendo vista o aumento de sua efetividade, avançando para ações intersetoriais mais efetivas e programas de desenvolvimento em saúde a exemplo dos Municípios Saudáveis.

            CONSIDERAđỏES FINAIS

            A Promoção da Saúde deve atuar, principalmente, sobre situações condicionantes e determinantes da Saúde, como já tratado, porém, alcançar resultados positivos está para além de suas possibilidades demandando o concurso de muitas políticas, setores, e participação popular, por isto, não se pode pretendê- los senão em médio e longo prazos, pois os mesmos estão atrelados ao desenvolvimento de condições de vida adequadas para todos, ao fortalecimento da democracia/cidadania, das instituições, ao controle da corrupção, ao melhor desempenho de todos os setores públicos do País, do Estado e dos Municípios. E, também, à ampliação do número, melhoria do desempenho e envolvimento dos trabalhadores da Saúde; maior eficiência e fortalecimento da gestão pública; e principalmente da participação e controle social.

            Neste ano da XIV Conferência Nacional de Saúde, que tem como tema

            

          "Todos Usam o SUS! SUS na Seguridade Social, Política Pública, Patrimônio

          do Povo Brasileiro", é importante reafirmar dentre as mudanças e avanços que se

            fazem necessários que os gestores cumpram suas responsabilidades por garantir que o Sistema se apresente do tamanho que ele realmente tem; que o Sistema seja apresentado não pelo viés distorcido de consumidor de recursos, mas como gerador de riqueza integrando o setor econômico como área que mais investe em inovação e desenvolvimento tecnológico do país fazendo dele um motor do desenvolvimento (Radis, O SUS que não se vê. Rumo à 14ª CNS, nº 104, abril/2011:9-17); que se combata a má vontade dos meios de comunicação sempre empenhados em mostrar que o Sistema „não funciona‟ objetivando empurrar o maior número de pessoas para os planos privados de saúde; o fortalecimento do exercício da cidadania e do Controle Social da sociedade e em especial na área de saúde pro meio das Conferências e Conselhos de Saúde deliberativos e paritários com exigência de respeito às suas decisões; suspensão e proibição de quaisquer contratos e convênios substitutivos da gestão pública, a exemplo de fundações, organizações não governamentais e assemelhados; implantação de uma política de Recursos Humanos para o SUS com contratação através de concurso público, centrada na profissionalização, na multiprofissionalidade, no aprimoramento continuado, no compromisso humano e social e em condições dignas de trabalho e salário; acesso universal à atenção integral, com equidade e humanizada, garantindo-se o financiamento de todos os níveis da saúde, com autonomia dos municípios e estados na elaboração e execução de seus planos, com aprovação dos respectivos Conselhos de Saúde.

            Para o melhor desenvolvimento da estratégia Promoção da Saúde, propomos seja criada uma Comissão Gestora Intersecretarial e Interinstitucional de Promoção da Saúde; sejam iniciadas as discussões e capacitações para o trabalho trans- setorial, para a gestão e desenvolvimento de projetos de qualidade de vida com sustentabilidade e outros.

            Deste modo, colocamos às gestões do estado e dos municípios e à população em geral a preocupação dos trabalhadores da Promoção da Saúde de que pensar, fazer e desejar a efetividade, eficácia e eficiência da Pnps requer transformar profundamente a Política de Saúde dando à questão da vida qualificada/condições de vida e de Saúde a preeminência requerida e pleiteada pelo povo brasileiro em sua luta pela reforma sanitária inscrita na Constituição Federal de 1988 e por um mundo bom para se viver, sentir ou amar, trabalhar, produzindo bens e serviços, fazendo ciência ou artes.

            (...) qualidade de vida boa ou excelente, que ofereça condições para que os indivíduos nela inseridos possam desenvolver o máximo de suas potencialidades, sejam estas: viver, sentir ou amar, trabalhar, produzindo bens e serviços, fazendo ciência ou artes (Rufino Netto, 1994).

            REFERÊNCIAS 01- ABRAMOVAY, Miriam e RUA, Maria das Graças (2002). Violências nas Escolas.

            Brasília, UNESCO. 02- ALAGOAS, Secretaria de Estado da Saúde. Superintendência de Vigilância em

          • Saúde, Diretoria de Análise de Situação de Saúde. Situação de Saúde em Alagoas

            

          2010 (síntese) / Secretaria de Estado da Saúde, Superintendência de Vigilância em

          Saúde, Diretoria de Análise de Situação de Saúde. Mimeo, 2011.

            03- ALAGOAS, Secretaria de Estado da Saúde. Superintendência de Vigilância em Saúde, Diretoria de Promoção da Saúde. Análise da Situação de Saúde de Alagoas

            / Promoção da Saúde

          • – 2009 / Secretaria de Estado da Saúde, Superintendência de Vigilância em Saúde, Diretoria de Promoção da Saúde. Mimeo, 2009.

            04- ALAGOAS, Secretaria de Estado da Saúde. Superintendência de Gestão e Participação Social. Diretoria de Planejamento Estratégico do SUS. Plano Estadual

            

          de Saúde do período 2008-2011 / Secretaria de Estado da Saúde. Superintendência

          de Gestão e Participação Social. Diretoria de Planejamento Estratégico do SUS.

            Mimeo, 2008. 05- ALAGOAS, Secretaria de Estado da Saúde. Superintendência de Gestão e Participação Social. Diretoria de Planejamento Estratégico do SUS. Programação

          Anual de Saúde de Alagoas de 2010 / Secretaria de Estado da Saúde.

            Superintendência de Gestão e Participação Social. Diretoria de Planejamento Estratégico do SUS. Mimeo, 2008.

            06- ALAGOAS, Secretaria de Estado da Saúde. Superintendência de Gestão e Participação Social. Diretoria de Planejamento Estratégico do SUS. Relatório Anual

          de Gestão da Saúde de Alagoas de 2009 / Secretaria de Estado da Saúde.

            Superintendência de Gestão e Participação Social. Diretoria de Planejamento Estratégico do SUS. Mimeo, 2008.

            07- ALAGOAS, Conselho Estadual de Saúde. Secretaria de Estado da Saúde.

            Relatório Final da VI Conferência Estadual de Saúde de Alagoas

          • – 2007 / Conselho Estadual de Saúde. Secretaria de Estado da Saúde. Mimeo, 2009.

            08- ALAGOAS, Secretaria de Estado da Saúde. Superintendência de Gestão e Participação Social. Diretoria de Planejamento Estratégico do SUS. Relatório

            

          (preliminar) de Avaliação do Plano Estadual de Saúde do período 2008-2011 /

          Secretaria de Estado da Saúde. Superintendência de Gestão e Participação Social.

            Diretoria de Planejamento Estratégico do SUS. Mimeo, 2011. 09- ALAGOAS, Secretaria de Estado da Saúde, Superintendência de Vigilância em Saúde, Diretoria de Vigilância em Saúde Ambiental/Divisam. Relatório sobre a situação da intermitência no fornecimento de água em Alagoas, 17/2/2011.

            Disponível em: < http://www.saude.al.gov.br/ >. Acessado em 20 fev. 2011. 10- ALAGOAS, Secretaria de Estado da Saúde, Superintendência de Vigilância em Saúde, Diretoria de Epidemiologia. Situação atual do dengue em Alagoas: quadro síntese. Nota Técnica Semana nº 24/2011, de 28 jun. 2011.

            11- BARRETO, Sandhi Maria et al . Exposição ao tabagismo entre escolares no Brasil. Ciênc. saúde coletiva, Rio de Janeiro, 2011. Disponível em <http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1413- 81232010000800007&lng=pt&nrm=iso>. acessos em 19 jun. 2011. doi: 10.1590/S1413-81232010000800007.

            12- BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria Executiva. Subsecretaria de Planejamento o Orçamento. Sistema de Planejamento do SUS: uma construção

            

          coletiva: instrumentos básicos / Ministério da Saúde, Secretaria Executiva,

          Subsecretaria de Planejamento o Orçamento.

          • – 2. ed. – Brasília : Ministério da Saúde, 2009. 13- BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Vigilância em Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde. Política Nacional de Promoção da Saúde. Portaria MS/GM nº 687, de 30/03/2006. / Ministério da Saúde. Secretaria de Vigilância em Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde.
          • – 3. ed. – Brasília : Ministério da Saúde, 2010.

            14- BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Vigilância em Saúde. Secretaria de Gestão Estratégica e Participativa. Vigitel Brasil 2006: vigilância de fatores de risco e proteção para doenças crônicas por inquérito telefônico / Ministério da Saúde, Secretaria de Vigilância em Saúde, Secretaria de Gestão Estratégica e Participativa.

          • – Brasília : Ministério da Saúde, 2007. 15- BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Vigilância em Saúde. Secretaria de Gestão Estratégica e Participativa. Vigitel Brasil 2007: vigilância de fatores de risco e proteção para doenças crônicas por inquérito telefônico / Ministério da Saúde, Secretaria de Vigilância em Saúde, Secretaria de Gestão Estratégica e Participativa.
          • – Brasília : Ministério da Saúde, 2008. 16- BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Vigilância em Saúde. Secretaria de Gestão Estratégica e Participativa. Vigitel Brasil 2008: vigilância de fatores de risco e proteção para doenças crônicas por inquérito telefônico / Ministério da Saúde, Secretaria de Vigilância em Saúde, Secretaria de Gestão Estratégica e Participativa.
          • – Brasília: Ministério da Saúde, 2009. 17- BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Vigilância em Saúde. Secretaria de Gestão Estratégica e Participativa. Vigitel Brasil 2009: vigilância de fatores de risco e proteção para doenças crônicas por inquérito telefônico / Ministério da Saúde, Secretaria de Vigilância em Saúde, Secretaria de Gestão Estratégica e Participativa.
          • – Brasília: Ministério da Saúde, 2010. 18- BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Vigilância em Saúde. Secretaria de Gestão Estratégica e Participativa. Vigitel Brasil 2010: vigilância de fatores de risco e proteção para doenças crônicas por inquérito telefônico / Ministério da Saúde, Secretaria de Vigilância em Saúde, Secretaria de Gestão Estratégica e Participativa.
          • – Brasília: Ministério da Saúde, 2011. 19- BRASIL, Ibge, 2003. Mapa da Pobreza e Desigualdade. Disponível em: http://www.ibge.gov.br/home/presidencia/noticias/noticia_visualiza.php?id_noticia=12 93&id_pagina=1 20- BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Vigilância em Saúde. Impacto da

            

          violência na saúde dos brasileiros / Ministério da Saúde. Secretaria de Vigilância em

            Saúde – 3. ed. – Brasília : Ministério da Saúde, 2005.

            21- BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Vigilância em Saúde. Plano de

            

          Ações Estratégicas para o Enfrentamento das Doenças Crônicas Não

          • Transmissíveis no Brasil. / Ministério da Saúde. Secretaria de Vigilância em Saúde Brasília: Ministério da Saúde, 2011 (versão preliminar).

            22- BRASIL. Conselho Nacional de Saúde. Poder Executivo. 13ª Conferência

          Nacional de Saúde - 14 a 18 de novembro de 2007 / Conselho Nacional de Saúde.

          Poder Executivo. Disponível em: http://conselho.saude.gov.br/web_13confere/index.html 23- BRASIL. Ministério da Saúde. Pacto pela Saúde de 2006. Portaria MS/GM nº

            

          399, de 22/02/2006: divulga o Pacto pela Saúde de 2006 e aprova as Diretrizes

          Operacionais do Pacto pela Saúde/2006

          • – Consolidação do SUS com seus três

            componentes: Pactos pela Vida, em Defesa do SUS e de Gestão / Ministério da

            Saú
          • – Brasília: Ministério da Saúde, 2006. 24- BRASIL. Comissão Nacional sobre Determinantes Sociais da Saúde (CNDSS).

            

          Determinantes Sociais da Saúde ou Por que alguns grupos da população são mais

          saudáveis que outros? Portaria MS/1358, de 23/06/06. Disponível em:

            25- BRASIL. Instituto Nacional do Câncer/Inca. Atlas de Mortalidade por Câncer, 2011. Disponível em: <http://mortalidade.inca.gov.br/Mortalidade/prepararModelo05.action>. Acesso em 20 mai 2011.

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          Produtiva em Alagoas: Pontos para Reflexão e Debate. Documento preparado para

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          • – Fev. 2010. 29- CARVALHO, Cícero Péricles de. Economia Popular: uma via de modernização para Alagoas. 3ª edição rev. e ampl.
          • – Maceió: Edufal, 2008. 30- CERQUEIRA E FRANCISCO Wagner. A população de Alagoas. Pesquisa do

            

          Brasil Escola. Disponível em: http://www.brasilescola.com/. Acessado em 20 maio

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          • – Secretaria de Estado da Saúde de Alagoas, Diretoria de Diretoria de Promoção da Saúde. Maceió, Victoria Graf. e Ed., 2011. 45- WORLD HEALTH ORGANIZATION. Envelhecimento ativo: uma política de saúde / World Health Organization; tradução Suzana Gont
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          18. GESTÃO EM SAÚDE

          18.1 COMPLETITUDE DOS CAMPOS ESSENCIAIS DOS SISTEMAS DE

            

          INFORMAđấO EM SAÚDE DE RACIONALIDADADE EPIDEMIOLốGICA NO

          ESTADO DE ALAGOAS

          • – 2006 A 2010.

            A informação é essencial à tomada de decisões. As informações são imprescindíveis ao atendimento individual e à abordagem de problemas coletivos, utilizando-se o conhecimento que gera desde a assistência direta nas unidades de saúde até o estabelecimento de políticas específicas e formulação de planos e programas (MOTA; CARVALHO, 1999).

            A evolução do Sistema de Saúde no Brasil foi acompanhada do desenvolvimento de vários Sistemas de Informação em Saúde (SIS) voltados para diferentes dimensões: epidemiológica, demográfica, logístico e outras funcionalidades.

            Dentre os SIS de abrangência nacional, três deles podem ser classificados como de racionalidade epidemiológica: Sistema de Informação sobre Nascidos Vivos (Sinasc), Sistema de Informação sobre Mortalidade (SIM) e o Sistema de Informação de Agravos de Notificação (Sinan)

            O SIM foi o primeiro deles criado em 1975, dispõe de dados informatizados desde 1979 (BRASIL, 2005) e, atualmente, o seu órgão gestor é a Secretaria de Vigilância em Saúde do Ministério da Saúde.

            Os dados de mortalidade são fundamentais para a elaboração de políticas de saúde e para a organização dos serviços, além de servirem como base para a prevenção de doenças. As informações sobre mortalidade fetal e perinatal são também de importância fundamental para o planejamento local de saúde. As causas de morte são indicadores de tendência quando comparadas em relação ao tempo, (ROUQUAYROL, 1999).

            O Sinasc foi implantado em todo o país em 1990, visa informar os nascimentos ocorridos no país e representa uma fonte de informação relevante para as estatísticas de saúde, análises epidemiológicas e demográficas. As informações desse sistema são fundamentalmente importantes na área materno-infantil, pois fornece estimativas das taxas de natalidade, de fecundidade e de mortalidade para menores de um ano, contribuindo, ainda, para a qualificação do Sistema de Informação sobre Mortalidade (BRASIL, 2009), como também variáveis que permitem obter informações da assistência pré-natal, parto e condições de nascimento.

            O Sinan foi desenvolvido entre 1990 e 1993, visando sanar as dificuldades do Sistema de Notificação Compulsória de Doenças (SNCD) e substituí-lo considerando o razoável grau de informatização do país. É considerado o mais importante sistema para a vigilância epidemiológica (BRASIL, 2005). Foi concebido para ser usado como a principal fonte de informação para analisar a história natural de um agravo ou doença e estimar a sua magnitude como problema de saúde; detectar surtos ou epidemias; bem como elaborar hipóteses epidemiológicas a serem testadas em estudos específicos (LAGUARDIA et al., 2004).

            No Sinan, o sistema é composto de um instrumento de coleta de dados e base única referente a notificação individual dos casos e contem as informações sócio-demográficas inerentes a qualquer agravo e, um instrumento de coleta de dados e base específica de investigação para cada agravo de notificação compulsória.

            Desde 2007, o Sinan funciona numa plataforma denominada Net, o que ocasionou não só mudança de ambiente de programação, como também dos instrumentos de coleta. Entre as modificações na notificação está a inclusão da variável gestante, devido a importância dessa informação na prevenção de complicações como desencadeamento oportuno de intervenções. Um dos grandes problemas enfrentados na utilização desses sistemas refere-se à qualidade dos dados. Em 2005 na 58ª Assembléia da Organização Mundial de Saúde (OMS) foi instituído a Rede Métrica da Saúde (Health Metrics Network), a primeira parceria global que tem o intuito de apoiar os países menos desenvolvidos a aprimorar a qualidade da informação em saúde. No Brasil, o monitoramento da qualidade dos dados dos SIS não segue um plano regular de avaliação, existem algumas iniciativas não sistemáticas e isoladas.

            Lima et al. (2009) revisando estudos que se propuseram avaliar as dimensões de qualidade dos dados dos SIS analisaram nove dimensões: acessibilidade; clareza

          • – metodológica; cobertura; completitude; confiabilidade; consistência; não duplicidade; oportunidade e validade.

            A metodologia criada pela Rede Métrica da Saúde propõe para avaliação da qualidade de dados de SIS e indicadores provenientes desses sistemas, critérios semelhantes às dimensões ressaltadas acima, e acrescentam outros: desagregação

            (disponibilidade de estatísticas estratificada por sexo, idade, status socioeconômico, região geográfica ou administrativa importante e etnia, conforme o caso); confidencialidade; e segurança no acesso de dados (na medida em que as práticas são em conformidade com as rotinas e outras normas estabelecidas para o armazenamento, backup, transporte de informações

          • – especialmente através da Internet – e recuperação) (Organização Mundial da Saúde, 2008).

            O documento A Construção da Política de Informação e Informática em

            

          Saúde no SUS enfatiza a importância e completitude das variáveis idade, gênero,

            raça ou etnia, escolaridade, ocupação e classe social, por serem características sócio-demográficas e que podem ser utilizadas para a realização de estudos que objetivem as reduções das desigualdades em saúde e ampliação do acesso aos serviços de qualidade (BRASIL,2003).

            Esse estudo se propõe a analisar a dimensão completitude dos três sistemas de informação de racionalidade epidemiológica (Sinasc, SIM e Sinan) que no estado de Alagoas estão sob a gestão da Diretoria de Vigilância Epidemiológica, subordinada a Superintendência de Vigilância em Saúde.

            Realizado um estudo observacional, transversal a partir de dados secundários do período de 2006 a 2010, do Sistema de Informação sobre Nascidos Vivos (282.956 registros), Sistema de Informação de Agravos de Notificação (253.840 registros) e do Sistema de Informação sobre Mortalidade (87.324 registros) da Secretaria do Estado da Saúde de Alagoas.

            A definição utilizada para completitude foi: grau em que os registros possuem valores válidos ou estejam presentes (não se encontrando em branco). Para estratificação da análise utilizou-se a divisão do estado em Regiões de Saúde (cinco regiões).

            Para a avaliação foram considera das as variáveis demográficas e as de maior significado epidemiológico. Na análise dos três sistemas foram analisadas as variáveis sócio-demográficas: raça/cor, escolaridade e ocupação (no caso específico do Sinasc, a primeira referente a mãe e RN e as duas últimas referentes a mãe). Também foi analisada a variável nome da mãe por ser um campo essencial para eliminação de duplicidades. No SIM e Sinasc também foi avaliada a variável sócio- demográfica estado civil. As outras variáveis foram selecionadas de acordo com cada sistema, sendo assim discriminado: Sinasc

          • – variáveis referentes a assistência pré-natal (número de consultas

            pré-natal), história reprodutiva, da gestação e do parto (idade materna, total de filhos nascidos vivos e natimortos, tipo de parto, sexo do recém nascido, peso ao nascer e presença de anomalia ou malformação congênita).

            Sinan

          • – o campo gestante para os casos de doenças notificados em mulheres em idade reprodutiva (10 a 49 anos), sendo neste caso excluído os casos de sífilis congênita, síndrome da rubéola congênita, gestante com HIV e sífilis em gestante.

            SIM

          • – variáveis relativas aos óbitos fetais ou menor de 1 ano: idade da mãe,

            escolaridade, duração da gestação, tipo de gravidez, duração da gestação, tipo de parto, peso ao nascer , morte em relação ao parto.

            Foi calculada a proporção de completitude sendo considerado como completo quando o preenchimento não estava em branco ou com a alternativa ignorado (9). Utilizou-se como parâmetro para classificação da completitude os seguintes graus de avaliação: excelente (>95%), bom (90 a 95%), regular (80 a <90%), ruim (50 a <80%) e muito ruim (<50% ou menos)(Romero; Cunha, 2007).

            Sistema de Informação de Nascidos Vivos

          • –Sinasc Segundo os dados do Sinasc, no período analisado, o ano onde ocorreu o maior número de nascidos vivos no estado de Alagoas foi no ano de 2008. A 1ª RS foi a responsável pelo maior número de nascimentos e a 5ª RS pelo menor número (Figura 01).

            Fonte: Sinasc/SES/AL Figura 01

          • – Frequência de nascidos vivos segundo Região de Saúde, estado e ano de ocorrência, Alagoas, 2006 a 2010 .
          Observa-se que as variáveis: escolaridade, estado civil, raça/cor do RN,

            

          número de consultas pré-natal, tipo de parto, peso ao nascer, presença de anomalia

          congênita e nome da mãe, apresentam excelente completitude em todo o período,

            com exceção apenas da 2ª Região de Saúde que apresentou um desempenho classificado como bom na variável escolaridade em 2006 e, na variável estado civil regular nos anos 2006 a 2008 e 2010 e bom no ano de 2009.

            Quando comparada a completitude da variável ocupação de 2006 com a observada em 2010, verifica-se que houve uma melhoria na classificação do estado, passando de ruim para boa. No entanto são observadas diferenças interregionais na melhoria do preenchimento no sistema, sendo a 2ª e 4ª RS as que apresentaram melhor evolução na classificação (ruim em 2006 para excelente em 2010). Na 3ª RS observou-se uma queda no desempenho da completitude, passando a mesma de bom para ruim. A 5ª RS se mantendo na classificação de grau ruim de completitude no período avaliado (Tabela 01).

          • – Proporção da completitude das variáveis* do Sistema de Informação sobre

            Nascidos Vivos segundo região de saúde e estado, Alagoas e Regiões de Saúde, 2006 a

            2010.

            93.9

            97.0 Alagoas

            97.7

            97.6

            98.1

            98.3

            96.0 Filhos vivos 1ª RS

            94.0

            94.1

            96.2

            98.1

            98.4 2ª RS

            83.4

            83.1

            83.3

            81.6

            79.3 3ª RS

            81.8

            84.8

            83.5

            98.8

            97.7

            93.3 4ª RS

            90.9 3ª RS

            98.8

            99.2

            99.4

            96.5 2ª RS

            87.8

            88.0

            90.5

            92.4

            99.1

            98.5

            99.3

            99.7

            99.3

            96.4 4ª RS

            98.8

            99.2

            98.8

            97.9

            96.8 5ª RS

            88.7

            68.0

            99.4 Estado civil 1ª RS

            37.0

            49.3

            57.2

            56.3

            61.1

            73.8 4ª RS

            37.0

            38.8

            36.1

            35.1 5ª RS

            58.5

            81.1

            83.6

            86.2

            88.8

            41.0 Alagoas

            67.5

            69.0

            69.0

            71.4

            58.0 3ª RS

            60.2

            68.4

            85.0

            65.6

            66.9

            65.4 5ª RS

            90.2

            91.1

            91.6

            94.5

            77.3 Alagoas

            85.6

            55.4

            84.8

            86.7

            87.0 Filhos mortos 1ª RS

            88.5

            88.1

            87.5

            91.0

            96.4 2ª RS

            54.9

            99.2

            99.3

            Tabela 01

            93.7

            97.2

            98.3

            97.9 Alagoas

            97.2

            97.6

            98.2

            98.4

            98.4 Ocupação da mãe 1ª RS

            94.6

            95.9

            95.3

            96.5

            96.9 2ª RS

            76.8

            91.3

            92.6

            95.4

            97.2 3ª RS

            87.4

            95.5

            97.6 5ª RS

            82.8

            95.9

            Variável Estado e regiões 2006 2007 2008 2009 2010 Escolaridade da mãe 1ª RS

            97.0

            97.6

            98.4

            99.2

            99.0 2ª RS

            94.2

            94.7

            96.6

            97.4

            96.8 3ª RS

            98.6

            99.2

            99.3

            99.3

            98.7 4ª RS

            98.8

            98.9

            98.7

            83.7

            68.8

            98.9

            99.4

            97.0

            97.5 3ª RS

            99.4

            99.5

            99.7

            99.5

            99.4 4ª RS

            99.2

            99.8

            96.4

            99.7

            99.6 5ª RS

            97.2

            96.3

            97.5

            98.5

            98.5 Alagoas

            98.5

            98.5

            96.6

            95.8

            66.6 4ª RS

            78.5

            79.7

            94.6

            97.1

            97.4

            97.0 5ª RS

            72.5

            83.5

            83.3

            79.4 Alagoas

            99.7 2ª RS

            86.3

            92.4

            93.5

            92.9

            93.2 Raça da mãe 1ª RS

            98.8

            98.7

            99.1

            99.7

            72.8 Fonte: Sinasc/SES/AL

          *Apenas as variáveis que apresentaram alterações na classificação do grau de completitude.** A variável raça/cor da mãe foi incluída no Sistema no ano de 2010. As variáveis “filhos vivos e filhos mortos” apresentaram melhoria no seu preenchimento no decorrer do período, entretanto o estado permanece com completitude regular e ruim respectivamente durante todo o período. Dentre as regiões, observa-se que 5ª RS tem decaído no período saindo do bom grau de completitude para ruim na variável filhos vivos e da classificação regular para muito ruim em filhos mortos. A4ª RS é quem apresentou o pior grau de completitude, sendo classificada como ruim e muito ruim respectivamente durante todo o período.

            A variável Raça/cor da mãe foi uma das inseridas na ultima modificação feita no instrumento de coleta e sistema de informação no ano de 2010, sendo assim, a mesma não foi considerada para análise.

            Sistema de Informação sobre Mortalidade

          • – SIM No estado de Alagoas e regiões observa-se o registro de óbitos não fetais crescente e óbitos fetais e em menores de um ano decrescendo com exceção do ano de 2008 que no estado e na maioria das regiões ocorre decréscimo nas duas categorias (Tabela 02).

            

          Tabela 02 – Frequência de tipo de óbitos segundo regiões de saúde, estado e ano da ocorrência.

            Alagoas, 2006 a 2010.

            

          Estado e regiões Tipo de óbito 2006 2007 2008 2009 2010

          Não fetal 15390 16468 16170 16876 17486 Alagoas Fetal e < de 1 ano 1827 1774 1654 1693 1474 Não fetal 8811 9282 9330 9492 9984

            1ª RS Fetal e < de 1 ano 1022 1001 997 965 908 Não fetal 1339 1551 1447 1475 1645 2ª RS Fetal e < de 1 ano 148 157 115 116

            78 Não fetal 1218 1267 1329 1327 1275 3ª RS Fetal e < de 1 ano 135 100 105 100

            72 Não fetal 3235 3478 3297 3747 3757 4ª RS Fetal e < de 1 ano 463 454 398 460 384 Não fetal 787 890 767 835 825

            5ª RS Fetal e < de 1 ano

            59

            62

            39

            52

            32 Fonte: SIM/SES/AL

            Analisando as variáveis do SIM relacionadas ao total de óbitos não fetais (Tabela 03), observa-se:

            

          Nome da mãe- única variável que durante todo o período tem excelente grau de

            completitude, provavelmente explicado pela exigência da apresentação de documentos para emissão da Declaração de óbito.

            

          Estado civil - segunda variável com melhor preenchimento. Em 2006, a maioria das

            RS apresentavam grau de completitude classificado como ruim (exceto a 3ª RS classificada como regular), evoluindo para regular no término do período de análise. A 3ª RS que evoluiu de regular para bom grau de completitude.

            

          Raça - demonstra crescimento da completitude na maioria das regiões,

            apresentando no último ano da avaliação grau excelente na 2ª e 3ª RS, bom na 4ª RS e na 1ª RS completitude regular. No entanto na 5ª RS que no período 2007-2008 chega a alcançar bom grau de completitude, apresenta evolução desfavorável e, no ano de 2010 passa a ser classificada como ruim.

            Escolaridade e ocupação

          • são duas variáveis que apresentam uma evolução

            percentual positiva no preenchimento, porém ainda não conseguem ultrapassar a classificação de grau ruim em sua completitude em nenhuma das RS. Observa-se ainda que durante todo o período a 5ª RS permanece com grau muito ruim de preenchimento para escolaridade e a 1ª RS também evoluiu desfavoravelmente para

            ocupação.

            Tabela 03

          • – Proporção de completitude das variáveis do Sistema de Informação sobre Mortalidade, segundo região de saúde e estado. Alagoas, 2006 a 2010.

            Variável Estado e Regiões Proporção de completitude das variáveis (%) 2006 2007 2008 2009 2010 Raça/cor 1ª RS

            57,2 61,8 69,3 65,3 65,1 2ª RS 73,7 78,8 93,7 94,2 95,4 3ª RS 92,8 97,0 97,8 96,7 97,6 4ª RS 50,1 57,6 72,6 77,7 83,5 5ª RS 86,9 90,8 93,5 87,5 74,4 Alagoas 61,5 66,8 75,7 74,1 74,7

            Escolaridade 1ª RS 10,6 21,0 38,1 54,5 53,6 2ª RS 36,1 42,0 60,3 62,0 68,8 3ª RS 54,2 60,5 68,5 70,2 73,2 4ª RS 17,2 27,8 47,9 51,9 57,0 5ª RS 49,3 46,7 46,0 44,3 43,4 Alagoas 19,7 28,9 44,9 55,3 56,7

            Ocupação 1ª RS 46,0 48,4 57,4 56,3 46,9 2ª RS 39,9 46,7 57,4 53,5 55,4 3ª RS 66,7 76,5 75,8 76,3 73,6 4ª RS 74,2 64,3 67,3 72,9 76,4 5ª RS 49,4 59,1 59,7 57,4 58,1 Alagoas 53,2 54,4 61,1 61,3 56,5

            Estado civil 1ª RS 55,0 58,4 74,2 83,1 80,9 2ª RS 73,3 73,7 85,8 86,7 87,0 3ª RS 85,5 88,8 89,6 90,9 90,5 4ª RS 67,4 67,3 75,6 78,4 81,3 5ª RS 82,7 82,0 81,7 85,4 81,7 Alagoas 63,1 65,3 77,2 83,1 82,3

            Nome da mãe 1ª RS 98,4 98,7 98,7 98,8 99,0 2ª RS 99,0 99,1 98,8 99,0 99,2 3ª RS 99,5 99,7 98,1 98,9 99,5 4ª RS 90,4 92,5 94,3 96,6 98,2 5ª RS 98,0 99,3 98,3 98,7 98,1 Alagoas 96,8 97,5 97,7 98,3 98,9 Fonte: SIM/SES/AL As variáveis do SIM relacionadas a história materna dos óbitos fetais e menores de um ano apresentaram a seguinte evolução (Tabela 04): Idade, escolaridade e ocupação da mãe, quando comparada o início e o final do período avaliado nas 1ª e 3ª observa-se que não houve melhoria na completitude das informações, permanecendo a classificação destas variáveis como ruim. A 2ª RS evoluiu do grau de completitude ruim (2006) para bom (2010) em relação à idade da mãe, e de ruim (2006) para regular (2010) em relação à escolaridade. A 4ª RS apresentou melhoria na variável escolaridade

            da mãe de muito ruim (2006) para ruim (2010).

            Filhos vivos e filhos mortos não apresentaram melhora na sua classificação no estado, apresentando respectivamente grau ruim e muito ruim, entretanto com diferenças entre as regiões: a 1ª RS e a 3ª RS apresentam classificação regular nas duas variáveis em todo o período, a 4ª RS apresenta a pior classificação nas duas variáveis sendo classificada como muito ruim e sem demonstrar nenhuma melhoria percentual, a 5ª RS evoluiu negativamente, passando da classificação ruim para muito ruim e, a 2ª RS apresentou o mesmo comportamento do estado.

            Tabela 04

          • – Proporção de completitude das variáveis do Sistema de Informação sobre

            Mortalidade dos óbitos fetais e menores de um ano, referentes a história materna,

            segundo região de saúde e estado. Alagoas, 2006 a 2010.

            Variável Estado e regiões Proporção de completitude das variáveis (%) 2006 2007 2008 2009 2010 Idade da mãe 1ª RS 75,2 76,3 81,0 77,2 78,4

            2ª RS 79,7 74,5 83,5 88,8 94,9 3ª RS 66,7 73,0 77,1 88,0 76,4 4ª RS 58,3 56,8 59,8 62,2 61,5 5ª RS 64,4 59,7 51,3 59,6 56,3

            Alagoas 70,3 70,4 75,2 74,0 74,3 Escolaridade da mãe 1ª RS 57,2 63,6 64,8 64,0 64,6

            2ª RS 63,5 47,1 75,7 81,0 87,2 3ª RS 68,1 70,0 76,2 71,0 63,9 4ª RS 37,1 38,1 47,7 92,4 64,8 5ª RS 52,5 54,8 51,3 50,0 50,0

            Alagoas 53,3 55,7 61,9 72,9 65,5 Ocupação da mãe 1ª RS 62,7 67,8 69,7 66,9 64,8

            2ª RS 63,5 63,7 71,3 85,3 69,2 3ª RS 52,6 66,0 67,6 64,0 61,1 4ª RS 54,4 52,6 57,0 95,2 68,2 5ª RS 42,4 43,5 38,5 44,2 50,0

            Alagoas 59,3 62,6 65,9 75,0 65,4 Filhos vivos 1ª RS 62,0 66,5 70,5 67,7 66,1 2ª RS 61,5 58,6 65,2 63,8 59,0 3ª RS 53,3 67,0 63,8 76,0 75,0 4ª RS 24,2 20,9 21,4 16,1 20,3 5ª RS 69,5 48,4 53,8 50,0 46,9 Alagoas 52,0 53,6 57,5 53,3 53,8

            Filhos mortos 1ª RS 58,4 58,8 64,6 61,3 60,1 2ª RS 48,6 48,4 53,9 53,4 42,3 3ª RS 40,0 51,0 48,6 65,0 72,2 4ª RS 9,9 9,0 11,6 15,2 13,0 5ª RS 59,3 48,4 51,3 38,5 37,5

            Alagoas 44,0 44,4 49,8 47,8 47,0 Fonte: SIM/SES/AL

            Seguindo a divisão adotada na análise das variáveis dos óbitos fetais e em menores de 1 ano que são relacionados a gestação, parto e condições do RN observa-se o seguinte comportamento (Tabela 05):

            1ª RS apresentou completitude regular para todas estas variáveis durante todo o período; 2ª RS para as variáveis Tipo de gravidez e Tipo de parto evoluiu de regular para bom e, nas outras apesar da melhoria percentual do preenchimento, permaneceu como regular;

            3ª RS apresentou uma evolução positiva, chegando ao ano de 2009 para as variáveis Tipo de gravidez, Duração da gestação e Tipo de parto a serem classificadas de grau bom de completitude, em 2010 as variáveis tipo de

            gravidez e tipo de parto voltaram a ser classificados como sendo de grau

            regular e as demais para grau ruim; 4ª RS apenas no ano de 2009 foi classificada como grau bom em todas variáveis e no restante do período como grau ruim de completitude; 5ª RS apresentou o pior grau de completitude sendo classificada como ruim em todo período de análise.

            Tabela 05 - Proporção de completitude das variáveis do Sistema de Informação sobre Mortalidade dos óbitos fetais e menores de um ano, referentes à gestação, parto e condições do RN, segundo região de saúde e estado. Alagoas, 2006 a 2010.

            Variável Estado e regiões 2006 2007 2008 2009 2010 Tipo de gravidez 1ª RS 80,8 83,2 86,9 85,8 86,6

            2ª RS 82,4 80,9 87,0 93,1 93,6 3ª RS 76,3 82,0 79,0 92,0 81,9 4ª RS 56,8 53,3 62,1 94,1 73,7 5ª RS 72,9 67,7 64,1 69,2 71,9

            Alagoas 74,3 74,7 79,9 88,4 83,0 Duração da gestação 1ª RS 78,6 81,4 85,2 85,0 84,6

            2ª RS 66,9 62,4 60,9 73,3 85,9 3ª RS 73,3 81,0 77,1 92,0 79,2 4ª RS 51,4 49,3 53,3 90,0 67,7 5ª RS 72,9 62,9 56,4 67,3 65,6

            Alagoas 70,2 70,9 74,6 85,4 79,6 Tipo do parto 1ª RS 79,6 81,9 86,3 83,5 84,6 2ª RS 81,8 81,5 87,8 92,2 92,3 3ª RS 74,1 80,0 78,1 92,0 81,9 4ª RS 58,3 55,7 63,8 94,3 73,2 5ª RS 67,8 69,4 61,5 69,2 71,9 Alagoas 73,6 74,6 79,9 87,1 81,6

            Peso ao nascer 1ª RS 73,9 78,2 83,6 82,5 81,7 2ª RS 67,6 65,0 74,8 86,2 88,5 3ª RS 65,2 70,0 70,5 79,0 76,4 4ª RS 56,2 53,3 54,0 96,7 68,0 5ª RS 61,0 66,1 53,8 55,8 53,1

            Alagoas 67,8 69,8 74,3 85,6 77,6 Óbito no parto 1ª RS 72,8 76,8 83,8 83,3 83,9 2ª RS 66,9 63,7 68,7 81,9 82,1 3ª RS 63,7 75,0 71,4 86,0 72,2 4ª RS 57,7 55,7 62,6 94,6 73,2 5ª RS 57,6 67,7 53,8 59,6 65,6 Alagoas 67,3 69,8 76,1 85,7 80,1 Fonte: SIM/SES/AL

            Sinan Observa-se uma tendência crescente nas notificações do estado no período 2006 a 2008, com decréscimo dessa notificação no ano de 2009 e posterior elevação no ano de 2010, correspondendo a um acréscimo de128% no volume de notificação do ano anterior. Esse comportamento foi semelhante na 1ª e 4ª RS (Figura 02). 2008 2007 2006 33472 19921 4653 2378 4698 1822 Alagoas Regiao 01 Regiao 02 Regiao 03 Regiao 04 Regiao 05 49203 25973 5353 4247 11889 1741 46792 24124 7822 3820 8229 2797 2009 2010 83551 44164 6367 4848 25720 2452 36527 19561 3943 2363 9037 1623

            

          Figura 02 – Frequência de notificações no Sinan, segundo regiões de saúde e estado. Alagoas,

          2006 a 2010.

            Na análise da completitude das variáveis analisadas, observa-se (Tabela 06): Escolaridade

          • – todas as regiões e estado tiveram uma acentuada queda no grau de completitude nesta variável. No ano de 2006 a 2ª e 3ª RS estavam classificados no grau regular de completitude e terminaram o período de avaliação com o grau muito ruim. As 1ª, 4ª e 5ª e o estado passam do grau ruim para Muito ruim.

            Raça

          • com exceção da 3ª RS que permanece em todo o período com

            excelente grau de completitude, todas as outras regiões e estado também apresentam diminuição no grau de completitude dessa variável, tendo no término do período apresentado grau ruim de completitude. Nome da mãe

          • dentre as variáveis analisadas, essa é a que apresenta melhor grau de completitude, entretanto com diferenças entre as regiões.

            Observa-se que a 3ª RS atinge o grau excelente, a 1ªRS com grau bom, as outras RS e o estado com grau regular de completitude. Ocupação

          • – variável presente em todas as fichas de investigação e que apresenta uma completitude muito ruim no estado e nas regiões em todo o período da análise, inclusive com uma acentuada piora nesse percentual.

            Gestante

          • variável que no ano que foi introduzida na ficha (2007) apresentou

            grau muito ruim (estado e 1ª RS) e ruim no restante das regiões, tem

            apresentado melhoria no seu preenchimento, mas a 4ª RS ainda permanece classificada como muito ruim.

            Tabela 06

          • – Proporção de completitude das variáveis do Sistema de Informação dos Agravos de Notificação segundo região de saúde e estado. Alagoas, 2006 a 2010.

            

          Variável Estado e regiões 2006 2007 2008 2009 2010

          Escolaridade 1ª RS

            75,6 61,0 54,0 57,4 36,3 2ª RS 82,2 54,2 65,5 64,0 52,6 3ª RS 86,8 55,7 69,0 77,2 64,8 4ª RS 74,1 54,8 48,0 41,5 28,7 5ª RS 78,3 56,5 56,0 49,0 41,4 Alagoas 77,3 58,1 55,1 55,1 37,0

            Raça 1ª RS 81,4 68,8 62,8 71,7 56,0 2ª RS 90,4 67,6 83,4 81,7 77,4 3ª RS 97,9 69,5 98,9 99,2 95,3 4ª RS 85,9 66,1 62,2 53,3 57,4 5ª RS 88,2 74,2 94,1 85,2 75,7 Alagoas 84,8 68,5 69,1 70,6 60,9

          • 40,0 31,3 36,2 17,5 2ª RS
          • 23,3 26,0 28,3 39,1 3ª RS
          • 20,9 19,5 15,8 13,9 4ª RS
          • 30,3 14,9 12,3 8,0 5ª RS
          • 23,8 14,6 14,0 16,1 Alagoas --- 33,9 25,5 27,2 16,0 Nome da mãe 1ª RS 89,8 92,0 92,7 95,9 93,9 2ª RS

            Ocupação 1 1ª RS

            91,1 94,7 90,9 93,4 86,3 3ª RS 93,0 96,4 93,7 92,1 98,9 4ª RS 80,9 88,4 82,3 90,0 79,8 5ª RS 91,1 94,7 93,2 93,1 87,1 Alagoas 89,0 92,3 90,1 93,8 89,1

          • 32,3 62,7 70,7 72,1 2ª RS
          • 50,6 73,7 73,4 74,3 3ª RS
          • 62,3 96,0 96,0 92,4 4ª RS
          • 58,6 51,4 47,9 37,5 5ª RS
          • 77,2 89,0 96,1 89,3 Alagoas --- 43,8 64,8 66,5 62,4 Fonte: Sinan/SES/AL

            Gestante 2,3 1ª RS

            Nota 1: A variável ocupação só a partir do ano de 2007 encontra-se disponível na base única DBF de todos os agravos. Nota 2: A variável gestante foi incluída no Sinan a partir da implantação do Sinan net (2007) Nota 3: Para tabulação da variável gestante foram incluído apenas os registros do sexo feminino na idade de 10 a 49 anos e, excluída os casos de sífilis em gestante, sífilis congênita, síndrome da rubéola congênita, gestante com HIV e crianças expostas.

            CONSIDERAđỏES FINAIS

            A garantia de uma informação de qualidade é condição essencial para a análise objetiva da situação sanitária, para a tomada de decisões baseadas em evidencias e para a programação de ações de saúde (RIPSA, 2002).

            Dos sistemas de informação analisados observamos que o Sinasc apresentou expressiva melhora no preenchimento das suas variáveis no decorrer do período, no entanto corrobora estudos realizados em períodos anteriores (BRASIL, 2005; ROMERO; CUNHA, 2007) que as variáveis sobre história reprodutiva materna são as que apresentam maior grau de incompletitude o que dificulta o monitoramento de possíveis associações entre alta parturição e excesso de risco morbidade e mortalidade infantil e materna. Na análise por regiões observa-se que a 5ª RS é quem apresenta pior evolução no preenchimento dos dados.

            No SIM o aumento da cobertura de registro dos óbitos não tem sido acompanhado de uma melhoria na completitude das variáveis, situação também já detectada em estudos anteriores (BRASIL, 2005; BRASIL, 2009), o que deixa vulnerável algumas análises e intervenções baseada nesse sistema. As regionais apresentam um comportamento heterogêneo em relação a completitude de variáveis, porém a 5ª RS juntamente com a 4ª RS demonstrou mais uma vez maior grau de incompletitude.

            O Sinan apresentou um desempenho preocupante, visto que a evolução de sua completitude foi em grau decrescente para o estado e na maioria das regionais. Algumas prováveis explicações para esses resultados são: alteração e ampliação da categorização da variável escolaridade, o aumento no número e mudança do perfil dos agravos de notificação, visto que até 2006 os agravos notificados eram as em sua maioria as doenças infecto-contagiosas que já possuíam uma vigilância já estruturada e assimilada e, atualmente inclui agravos relacionados a saúde do trabalhador e as causas externas, ocasionando consequente aumento e também alteração no perfil e número de unidade notificantes e; especificamente no ano de 2010 a epidemia da dengue.

            O aumento da cobertura dos sistemas necessita ser acompanhada de uma melhoria da qualidade dos dados, considerando que grandes volumes sem completitude não viabiliza a análise, consequentemente poderá não contribuir para direcionar o planejamento e as intervenções em saúde.

            A compreensão da importância dos dados para uma informação de qualidade deve ser incorporada por todos os níveis da atenção e todos os envolvidos no processo, desde a coleta até a disseminação, não ficando restrita apenas a equipe de vigilância; isto envolve capacitação, supervisão, acompanhamento e retroalimentação.

            A análise por região facilita a detecção de áreas mais frágeis do estado onde a gestão estadual deve intensificar o monitoramento e acompanhamento das atividades de coleta e produção da informação.

            REFERÊNCIAS

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            Saúde

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