Fabricio Tironi Cassol SÃO MARTINHO: DA DESESTRUTURAÇÃO POLÍTICO-ADMINISTRATIVA DO MUNICÍPIO AOS REFLEXOS ECONÔMICOS NA REGIÃO

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SÃO MARTINHO: DA DESESTRUTURAÇÃO POLÍTICO-ADMINISTRATIVA DO MUNICÍPIO AOS REFLEXOS ECONÔMICOS NA REGIÃO

FABRICIO TIRONI CASSOL

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Fabricio Tironi Cassol

SÃO MARTINHO: DA DESESTRUTURAÇÃO POLÍTICO-ADMINISTRATIVA DO MUNICÍPIO AOS REFLEXOS ECONÔMICOS NA REGIÃO

Trabalho final de graduação apresentado ao Curso de História, Área de Ciências Humanas, do Centro Universitário Franciscano, como requisito parcial para obtenção do grau de Licenciado em História.

Orientadora: Nikelen Acosta Witter

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Fabricio Tironi Cassol

SÃO MARTINHO: DA DESESTRUTURAÇÃO POLÍTICO-ADMINISTRATIVA DO MUNICÍPIO AOS REFLEXOS ECONÔMICOS NA REGIÃO

Trabalho Final de Graduação apresentado ao Curso de História – Área de Ciências Humanas, do Centro Universitário Franciscano, como requisito parcial para obtenção do grau de Licenciado em História.

_____________________________________________ Prof. Dr. Nikelen Acosta Witter – Orientadora (Unifra)

_____________________________________________ Prof. Dr. Carlos Roberto da Rosa Rangel(Unifra)

_____________________________________________ Prof. Ms. Paula Simone Bolzan (Unifra)

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DEDICATÓRIA

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AGRADECIMENTO

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Resumo

Este trabalho busca compreender as transformações da cidade de São Martinho, vivenciadas pela sua população, partindo da análise de sua estrutura socioeconômica, entre o fim do século XIX e início do séc. XX. O município, que atualmente se chama São Martinho da Serra, esta localizado na região central do estado do Rio Grande do Sul e tem como acesso principal, a cidade de Santa Maria, dista a 17 quilômetros de “estrada de chão”. Na busca de respostas para sua decadência, a realização de um levantamento de suas origens históricas se fez necessária, pois revelam as disputas territoriais pela fronteira e apresentam os principais interesses dos indivíduos que pertenciam a aquele contexto. Por ser um município basicamente agrícola, buscou-se nas informações econômicas a identificação dos fatores de seu declínio. Utilizou-se, para isso mapas cartográficos de sua localização em diversos períodos da história, representações gráficas que destacam seu contingente habitacional e uma tabela indicando a principais atividades desenvolvidas das produções no campo em sua localidade. Entretanto, não foi deixado de considerar a conjuntura política vivida no período e as transformações ocorridas com a Proclamação da República no Brasil, refletidos na região.

Palavras-chave: São Martinho. Socioeconômica. Decadência.

Abstract

This paper seeks to understand the transformations of the city of São Martinho, experienced by the population, based on an analysis of their socio-economic structure, between the late XIX century and beginning of the XX century. The council, which is presently called São Martinho da Serra, is located in the central region of Rio Grande do Sul and it‟s main entrance, the city of Santa Maria, which is 17 miles away by "dirt road". In seeking answers to their decadence, conducting a survey of it‟s historical origins was needed, because they reveal the territorial disputes over the border and have the best interests of the individuals belonging to that context. Being a primarily agricultural county, the information sought to identify the economic factors of it‟s decline. Was used for this, cartographic maps of their location in different periods of history, graphical representations that highlight it‟s contingent housing and a chart showing the main activities in the field of production in their locality. However, it was left to consider the political situation experienced in the period and the changes occurring with the Proclamation of the Republic in Brazil, as reflected in the region.

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SUMÁRIO

1 INTRODUÇÃO ... 9

2 ORIGEM E EVOLUÇÃO HISTÓRICA DO MUNÍCIPIO ... 12

2.1 JURISDIÇÕES, CAPELA CURATA E FREGUESIA ...17

3 A REPÚBLICA NO RIO GRANDE DO SUL E A FERROVIA NA REGIÃO... 21

4 A DESESTRUTURAÇÃO DO MUNÍCIPIO ... 25

5 CONSIDERAÇÕES FINAIS ... 32

ANEXOS ... 34

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LISTA DE IMAGENS

IMAGEM Nº1 – Foto do trecho da estrada entre Santa Maria e São Martinho da Serra IMAGEM Nº2 – Foto do trecho da estrada entre Santa Maria e São Martinho da Serra IMAGEM Nº3 –Folder da 12ª Cavalgada de Integração de dos Distritos de Santa Maria

LISTA DE MAPAS

MAPA 1: Planta do Continente do Rio Grande.

MAPA 2: Reconstituição do mapa histórico-cartográfico da Capitania do Rio Grande de S. Pedro do Sul de 1822.

MAPA 3: Mapa da Região Missioneira.

MAPA 4: Mapa das Linhas de Viação Férrea Sul-rio-grandense em 1898.

LISTA DE GRÁFICOS

GRÁFICO 1: Decréscimo populacional

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1 INTRODUÇÃO

A população de São Martinho da Serra é, em sua maioria, de “pêlo-duro” 1, algo que

reflete a continuidade das povoações que ali estiveram no início de século XX. O gosto pelas canchas retas, o jogo de bocha, o jogo do osso e os bailes “a gaúcho” ressaltam a nostalgia em um tempo presente que não deseja se desassociar do passado.

As atuais reivindicações2 para o asfaltamento do trecho de 17 quilômetros da ERS-516, que se estende entre Santa Maria e São Martinho da Serra, traduzem um nítido sentimento desta população: descaso. Os problemas que envolvem as estradas do Rio Grande do Sul são assunto bastante revisado pela mídia, que o mantém em destaque há, pelo menos, duas décadas. No entanto, no caso dos martinhenses, quem faz uso dessa via de acesso, que liga às duas cidades, verá que não se trata de exagero: o trecho não possui vestígio algum de pavimentação. Quando não é a poeira que levanta com os carros em dias secos, é o barro que deixa a estrada sem condição de trafegabilidade para motoristas e pedestres nos dias de chuva. Além disso, a situação coloca em risco a saúde e a segurança dos moradores. O problema, que se arrasta há mais de 20 anos, também dificulta o escoamento da safra e o deslocamento de qualquer produção do pequeno município (ver imagens nº 1 e 2, p. 34).

Ao que tudo indica, tais transtornos podem estar próximos do fim. O Departamento Autônomo de Estradas de Rodagem (DAER) aguarda que a licença ambiental viabilize a assinatura do contrato para a construção da obra de pavimentação. Ela faz parte do Programa de Acessos Municipais e sua obra custará aproximadamente R$ 13 milhões ao governo do estado, prevista para iniciar em 20133.

Descrevendo, em poucas palavras, o que representa São Martinho da Serra na atualidade, podemos dizer que é um município essencialmente agrícola. É baseado nas produções de soja, milho, feijão, arroz e trigo. Várias famílias garantem seu sustento através do artesanato, produção de leite e produtos de origem camponesa. Exemplo semelhante ao de vários outros pequenos municípios rio-grandenses. Possui muitas riquezas naturais, como cascatas e rios (Ibicui, Toropi, Iguaçupi). Atualmente, o município também incentiva a exploração de pedras preciosas e semipreciosas, como também a plantação de mamona, para

1ConformeVeneza Mayora Ronsini, seu significado é uma expressão regional tipicamente rio-grandense, onde,

traduzido pelo dialeto crioulo, remete ao gaúcho sul riograndense descendente de indígenas, portugueses, espa-nhóis e africanos, que não possui estirpe ou ascendência(2004, p. 125).

2 Registro realizado pelos jornais A razão, no dia 26 de outubro de 2010; e Diário de Santa Maria, no dia 24 de

novembro de 2010, de Santa Maria.

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produção de biodiesel. É uma das sedes do Centro de Pesquisas Espaciais (INPE), juntamente com São José dos Campos (SP), sendo um observatório espacial que está dentro de uma área de 11 hectares.

No entanto, ao se fazer um levantamento histórico de São Martinho da Serra, se entenderá que houve, em certo momento, intenções de exploração geopolíticas diferentes das atuais. Pelo que consta em menções do Álbum Ilustrado Comemorativo do Primeiro Centenário da Emancipação Política do Município de Santa Maria (RS) – 17 de maio de 1858 – 17 de maio de 1958, a situação econômica martinhense possuía relevância no Rio Grande do Sul, ao menos, até meados do século XX. A princípio, os campos de criação de rebanhos bovinos eram numerosos. Eles abasteciam as charqueadas de Cachoeira, São Jerônimo, Barra e Pelotas (GÜNDEL e FREITAS, 1993). O cultivo do arroz, do trigo e do milho dava representatividade agrária à região, por toda a segunda metade do século XIX. O crescimento na área rural atraiu fazendeiros, que logo iniciaram a construir casas no povoado, fator que veio a desenvolver a sociedade, e, por consequência, fazer prosperar o comércio. Por volta de 1858, os produtos comerciais vendidos pelas quatro casas de negócios de São Martinho da Serra eram, em sua maioria, fazendas, miudezas, ferragens, drogaria, secos e molhado (IBIDEM, 1993). Os pagamentos eram feitos com dinheiro ou troca de couros.

A economia da região, embora limitada, acabou não conseguindo prosseguir seu desenvolvimento ao longo do século seguinte. São Martinho da Serra possuía sede municipal com prefeito e vereadores, deputado estadual, juiz de comarca, com um corpo político soberano. Dois jornais, o Liberdade e o Martinhense (este último era órgão do Partido Republicano Riograndense), importante paróquia, hotéis, área de lazer, praça, firmas comerciais e casas de moradia. Antes mesmo de Santa Maria, São Martinho (nome anterior a sua re-municipalização) fundava seu Clube Republicano (PRR), no ano de 1882, com intuito de atender e pregar seus ideais durante o período imperial.

O município sofreu, ao longo do século XX, uma série de modificações, que afetaram o desenvolvimento econômico e social de seus habitantes. Neste sentido, este trabalho busca entender as ocasiões que desencadearam o processo de declínio de sua economia, como também destacar as camadas sociais com maior número de representantes na região e assim identificar os principais sistemas produtivos que eram realizados naquele período.

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traçadas, destacando a sua participação em um contexto de disputa e delimitação de fronteira, que “flutuava” entre o Império Espanhol e o Império Português, a partir da metade do século XVII e XVIII. Na sequência, passa-se a tratar dos primeiros passos do povoado, das devidas menções de seu pertencimento as Missões Orientais, das batalhas travadas em seu território e da sua representatividade dentro da província do Rio Grande do São Pedro do Sul, ao longo do século XIX.

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2 ORIGEM E EVOLUÇÃO HISTÓRICA DE SÃO MARTINHO DA SERRA

Os registros do nascimento de São Martinho da Serra são um tanto quanto nebulosos para a historiografia vigente. As pesquisas atuais não nos dão indícios precisos do início do povoamento e formação do município. Inete de Andrade Paim – em sua monografia São Martinho: ascensão e queda de um município (1980) – destaca que a primeira descrição de presença populacional na localidade “remontam a mais ou menos ao ano de 1605, quando jesuítas espanhóis vieram até estas paragens” (1980, p. 6). Mais tarde, conforme apontam estudos arqueológicos, como por exemplo de Saul Eduardo Seiguer Milder4, o local passou a abrigar uma aldeia e uma guarda para opor-se aos portugueses.

O fato é que a região acabou por se encontrar no centro das disputas dos dois impérios europeus que ocupavam a América do Sul. E, da mesma forma, viu-se envolvida nos conflitos a população que aí habitava. O povo Guarani, que na região vivia já há alguns séculos, marcou presença, com os seus costumes e tradições, desde o princípio da ocupação europeia até nossos dias. Este grupo que, após uma gradual migração vinda da região amazônica, fez frente às demais etnias do cenário pré-histórico rio-grandense, pois se destacava pela elevada complexidade de sua organização religiosa, familiar, artística e tecnológica. Acredita-se que os Guaranis foram responsáveis pela introdução de elementos como: a língua tupi-guarani que, mais tarde, se mesclou às línguas latinas da América do Sul; as práticas agrícolas, como o cultivo da mandioca, do tabaco, da erva mate, do milho, entre outros; e, também, pela descoberta das propriedades medicinais de várias plantas nativas.

De uma forma geral, a formação histórica da região missioneira do Rio Grande do Sul, tripartiu-se entre a chegada dos europeus nos séculos XVI e XVII, a transição do período de domínio guarani para o de um colonizador e a inclusão da cultura espanhola e portuguesa na sociedade daquela região. Aponta-se o ano de 1632 como o período em que tiveram início às chamadas reduções jesuíticas. Estas faziam parte das estratégias espanholas para a ocupação da região. Não demorou para que uma nova disputa surgisse entre as coroas ibéricas, fator que alteraria a fisionomia do espaço onde hoje é o Rio Grande do Sul. A fundação de reduções nas zonas intermediárias entre os territórios coloniais espanhol e português possuía o sentido de guarnecimento das fronteiras. Destas novas disputas iniciariam questões que remontavam à assinatura do Tratado de Tordesilhas:

4 Uma das contribuições dos trabalhos arqueológicos de MILDER, relacionados à região, estão presentes no

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Assim, durante todo o século XVI e parte do XVII, os espaços americanos, situados entre os dois impérios ibéricos, foram inicialmente “confins”, limites vagos de

territórios sub povoados, mas onde as frentes de expansão, gradualmente, tendiam a se tocar, principalmente nos vales do rio Paraná e Uruguai, ultrapassando, algumas vezes o incerto meridiano de Tordesilhas. [...] se a geografia é condição básica para a fronteira, não constitui o seu essencial. A fronteira é mais do que um fato físico, ou natural. Ela o é também político, ou mesmo psicológico, ou cultural. E se desloca ao sabor dos processos históricos da colonização. [...] no vale do Rio Uruguai, a fronteira deslocou-se por diferentes paisagens geográficas, ao sabor das oposições de interesses representados pelos bandeirantes e jesuítas, sempre antagônicos. (KERN, 1982, p. 157)

As reduções, também chamadas missões jesuíticas, tiveram duas fases bastante distintas de ocupação do território. Uma primeira, entre 1626 a 1637, sobre o qual restam poucos registros circunstanciais, em que se estabeleceram povoados incipientes até a expulsão dos jesuítas pelos bandeirantes, causando a emigração daqueles para a outra margem do Uruguai. E uma segunda fase, compreendida entre os anos de 1682 a 1767, que foi caracterizada pelo desenvolvimento de um projeto civilizacional e econômico, que acabou por despertar o interesse espanhol e português.

Por volta de 1740, a população missioneira vivia um significativo desenvolvimento, crescendo numericamente, desenvolvendo suas indústrias (na criação de gado, na produção de lã e no cultivo da erva-mate, principalmente) e disseminando sua cultura. A organização político-administrativa das reduções mesclou elementos espanhóis adaptados aos costumes indígenas. Essa sociedade possuía regras, objetivos e ideias que a tornaram uma experiência única, levando-se em conta os modelos de sociedade da época.

Ao passo que floresciam os Sete Povos das Missões pelo oeste, o litoral do Rio Grande do Sul começava a ser ocupado pelos portugueses. Portugal e Espanha tinham divergências quanto às demarcações da Colônia de Sacramento5, causando constantes atritos entre lusos e espanhóis. Acrescentando a isso, a existência dos Sete Povos deu-se em meio a desconfianças com relação às intenções dos jesuítas. Eles foram acusados por muitos de promover o desenvolvimento de uma sociedade teocrática independente, quando se sabe que na verdade as reduções estavam intensamente ligadas ao rei da Espanha e contribuíram para o desenvolvimento colonial na América do Sul, conforme salienta Antonio Dari Ramos, em seu artigo A formação histórica dos municípios da região das missões do Brasil (2004).

5 A partir do momento que a Colônia do Sacramento foi fundada, começaram os debates a respeito do seu

direito. Eduardo Santos Neumann cita no artigo A fronteira tripartida: a formação do continente do Rio Grande – Século XVIII, que “Essa praça lusitana, instalada na margem esquerda do rio da Prata, foi palco de

muitas disputas entre as monarquias Ibéricas. As autoridades enviadas para garantir os interesses lusitanos na

região afirmavam que a „[...] Coroa de Portugal tem direito irrefragável ao domínio dessas terras, pela antiga

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A localização em uma zona de contestação entre Espanha e Portugal foi um dos principais motivos da decadência dos Sete Povos. Os confrontos começaram a se tornar constantes e desembocaram na chamada Guerra Guaranítica (1750 a 1756), um violento conflito travado entre os índios guaranis e as tropas espanholas e portuguesas após a assinatura do Tratado de Madri, de 1750. Tal guerra foi gerada pela resistência dos indígenas habitantes das Missões Jesuíticas, que perderam suas terras e tudo que haviam construído. Os dois exércitos europeus (espanhol e português) se uniram contra aqueles e os jesuítas que os lideravam, lutando em pequenas guerrilhas até 1756. A expulsão dos jesuítas das América, por volta de 1759, pela coroa espanhola, fez com que a Espanha passasse a administrar diretamente toda a zona ocupada pelas missões chamadas Orientais (RAMOS, 2004, p 17).

É importante ressaltar que o Tratado de Madri não usava as linhas até então convencionais de demarcações cartográficas, mas outro conceito de fronteiras. Esta convenção foi introduzida por Alexandre de Gusmão, no qual a região era definida pela posse efetiva da terra ou uti possidetis6, também balizada pelos acidentes geográficos, como os limites naturais.

O Tratado de Madri deu respaldo às ações de movimento populacionais mais importantes do século XVIII, vindo a reafirmar a mobilidade da fronteira portuguesa que se estendia sobre territórios que, a princípio, pertenceriam à Espanha. Após este, seguiu-se o Tratado de Santo Idelfonso (1777), que tinha objetivo de reafirmar o tratado anterior e encerrar a disputa entre Portugal e Espanha pela posse da colônia de Sacramento, localizada às margens do Rio da Prata. Com ele, os espanhóis mantiveram a colônia e voltaram a ter domínio sobre a região dos Sete Povos das Missões.

Os conflitos entre os dois impérios não acabaram com a assinatura deste tratado. Escrevendo sobre a região de Santa Maria – vizinha à São Martinho – José Iran Ribeiro, no artigo Tão longe, tão perto: o povo de Santa Maria e as situações de guerra na primeira metade do século XIX (2010), corrobora com o aspecto de fronteira que tinha a região:

Santa Maria surge neste processo de (re) definições de fronteiras. Ou melhor, antes mesmo da fixação formal e definitiva de luso-brasileiros na região (1797), a partir de um acampamento da comissão lusitana encarregada de assinalar os limites das coroas ibéricas na região conforme o tratado de Santo Ildefonso (1778), tropas coloniais portuguesas e espanholas andavam pela região trabalhando juntos ou

6 Conforme Tau Golin, no livro A Fronteira: governos e movimentos espontâneos na fixação dos limites do

Brasil com o Uruguai e a Argentina, ressalta a importância do uti possidetis no imaginário dos atores que

configuravam seus domínios territoriais, citando que “ a ideia de fronteira natural, em um primeiro momento, e

depois, de fronteira nacional, nova forma de quando o Estado-nação se potencializou como geopolítica, era o

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combatendo-se. Foi assim durante o esforço para a efetivação do tratado de Madri, em 1756, quando exércitos das duas nações conjuntamente passaram pela região e

subiram a “ladeira” da estrada se São Martinho. [...] Vinte anos depois, o sargento -mor Rafael Pinto Bandeira deslocou-se pela região antes de conseguir surpreender a guarda espanhola no alto daquela mesma serra (2010, p. 229).

A ocupação portuguesa sempre teve interesse em expandir seu território até o Rio da Prata, o que fez criar núcleos de povoamento a partir do litoral. O território que atualmente corresponde ao Rio Grande do Sul foi, assim, sendo ocupado. Com a fundação da Vila do Rio Grande (1737), ponto importante de ligação entre a Colônia do Santíssimo Sacramento (no Rio da Prata) e Laguna (atual estado de Santa Catarina), veio Viamão (1747), próximo a entrada do rio Guaíba, paragem das tropas da descida dos Campos da Vacaria. O mapa histórico a seguir, permite visualizar a localização destas áreas, juntamente com a divisão territorial estabelecida pelas Coroas Ibéricas:

Mapa 1: Planta do Continente do Rio Grande, divididos em quatro províncias, demarcando o espaço territorial português e espanhol de 1780

Fonte: Arquivo multimídia do Instituto Histórico e Geográfico do Rio Grande do Sul – IHGRGS, site: http://www.ihgrgs.org.br, acessado em 25 de janeiro de 2012.

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a defesa do continente e para promover a expansão da fronteira. Além de serem pontos para a defesa dos limites territoriais que estavam sendo construídos, Ribeiro destaca ainda que “estas povoações serviam de base para o recebimento e distribuição de colonos que iriam disputar e explorar terras até então ocupadas por grupos de índios minuanos que viviam na região” (2010, p. 228).

Neste contexto, a localidade de São Martinho da Serra foi o ponto de convergência das forças que defendiam os interesses territoriais de Espanha e Portugal. Neste lugar havia uma guarnição formada por ordem do governador das Missões Orientais, e à essa fortificação se deve o nome da localidade, guarda de San Martin, em contraposição a guarda de Santa Maria. Estas guardas vigiavam a fronteira espanhola e portuguesa, respectivamente.

Por ser um dos principais escoadouros dos produtos da região das Missões para o sul e para o leste, e caminho obrigatório das comunicações com as cidades serranas, São Martinho se tornou importante para as reduções jesuíticas. No entendimento dos conquistadores daquele período, tal região merecia cuidados especiais. Sendo assim, foi incorporada ao Continente do Rio Grande do Sul, mas não sem antes ter que passar por alguns conflitos.

A primeira investida portuguesa no território após o tratado de Santo Ildefonso foi feita pelas forças do exército rio-pardense, liderados pelo então sargento-mor Rafael Pinto Bandeira. Entretanto, após a desocupação daquelas tropas, os castelhanos alojaram-se novamente naquela guarnição (PAIM, 1980, p.11). Fato era que não havia uma declaração de guerra conhecida e oficial entre os dois reinos, ainda assim ela existia. Foram organizadas pequenas tropas de milicianos, sem uniforme, mas armados pelo governo, que realizaram os primeiros ataques, conforme menciona no trecho a seguir da Revista Trimestral de Historia e Geographia ou Jornal do Instituto Historico e Geographico Brasileiro (1843):

Entre os voluntários paizanos que se offereceram para ir contra o inimigo, foi um

d‟e1les Manoel dos Santos Pedroso, homem fazendeiro e soldado miliciano; e obtida a licença, marchou com 40 homens, de que se fez chefe, atacou e pôz em fugida a

guarda de S. Martinho, e na posse d‟esta, passou a saquear algumas fazendas, n‟estas immediações se retirou com mais de 100 animaes vaccum e cavallar, deixando em abandono aquelle posto; e o capitão Francisco Barreto, aproveitando-se da occasião, não se descuidou de por imediatamente guarda nossa, pois é a principal entrada para Missões.

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a conquista em definitivo da região missioneira pelos portugueses.

2.1 JURISDIÇÃO, CAPELA CURATA E FREGUESIA

Como já mencionado, antes de ser incorporado pelos portugueses e fazer parte da província do Rio Grande do Sul; São Martinho pertenceu à jurisdição do Império Espanhol. Foi parte integrante do território da paróquia de São Miguel das Missões, integrando a região missioneira. Seu povoado teve início através de doação de terras, como destaca Paim:

O povoado de São Martinho teve por origem uma doação de terras pelo Marechal Manoel Carneiro da Fontoura e Silva, mais ou menos no ano de 1820, com a finalidade de ali organizar-se um povoado. A área possuía uma extensão calculada de um quarto de légua, limitando-se ao norte com terrenos dos herdeiros de João Francisco Machado; pelo leste com terrenos de José Ramos da Rosa; ao oeste com o Arroio Taimbé e ao sul a Serra Geral (1980, p. 19).

No entanto, São Martinho somente veio a desmembrar-se desta efetivamente, em 1829, após a Guerra da Cisplatina7 (1825-1828), ocorrida entre o Império do Brasil e a Províncias Unidas do Rio da Prata (que abrangia os atuais territórios da Argentina, Bolívia, Paraguai e Uruguai). Neste momento, São Martinho estava sendo elevada a Capela Curata, passando a fazer parte da Freguesia de Cachoeira.

O mapa a seguir representa os limites municipais da Província de São Pedro do Rio Grande do Sul e os limites de seus municípios em 1822:

Mapa 2: Reconstituição do mapa histórico-cartográfico da Capitania do Rio Grande de S. Pedro do Sul de 1822, registrando a separação entre as reduções e a cidades mais próximas a sede da província rio-grandense

7 A guerra da Cisplatina ajudou a construir a identidade uruguaia e a entrada do Brasil nela justifica-se por

muitos motivos, tais como “garantir o interesse de Carlota Joaquina, proteger as propriedades dos portugueses, livrar o sul do Brasil do Protetorado de Artigas e suas ameaças de invadir as Missões Orientais” (GOLIN,

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Fonte: Arquivo multimídia do Instituto Histórico e Geográfico do Rio Grande do Sul – IHGRGS. Site: http://www.ihgrgs.org.br, acessado em 25 de janeiro de 2012.

Como se pode ver a grande extensão territorial do recém formado município de Cachoeira ou Vila Nova de São João de Cachoeira, abrangia boa parte da província rio-grandense. Ele foi o quinto município criado, que englobava as freguesias de Santa Maria da Boca do Monte, Alegrete, Livramento, São Gabriel e Caçapava, que se submetiam administrativamente a Cachoeira, o primeiro município criado na região central do estado.

Logo após, em 1852, São Martinho foi elevada à categoria de Freguesia, e anexada à Comarca de Cruz Alta, através da Lei Provincial n° 242, deste mesmo ano. Cruz Alta era um local de passagem obrigatório dos viajantes que desejavam ingressar no pampa gaúcho com destino ao sul do continente. O território tinha, aproximadamente, quatrocentos quilômetros quadrados, que abrangiam uma imensa faixa da região serrana e compreendia cidades como Tupanciretã, Passo Fundo e Soledade (ROCHA, 1980, p. 25).

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reflexos. Principalmente com a ausência de atendimento básico para enfermos, na região daquele período. Tal oportunidade de tratamento só viria a ser encontrada em localidades mais desenvolvidas, que, na maioria das vezes, eram distantes, de acessos demorados e precários.

São Martinho possuía ligação importante com Cruz Alta, pois sua via principal de escoamento produtivo desembocava naquela região. Conforme salienta Paim: “a circunscrição territorial de São Martinho desde simples paróquia até período do vilamento foi: ao norte o ramal da estrada das carretas, partindo de Tupanciretã vai até o rio Ijuizinho, e até a vertente do Nhacapatum e a contra vertente do Jaguari...” (1980, p. 19).

A seguir, o mapa da Região Missioneira, de 1887, representa graficamente as principais vias, destacando a região norte do Rio Grande do Sul e tendo como ponto convergente a cidade de Cruz Alta:

Mapa 3: Mapa da Região Missioneira, de Evaristo Afonso de Castro de 1887

Fonte: Instituto Histórico e Geográfico do Rio Grande do Sul – IHGRGS. Site: http://www.ihgrgs.org.br, acessado em 25 de janeiro de 2012.

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3 A REPÚBLICA NO RIO GRANDE DO SUL E A FERROVIA NA REGIÃO

Com o fim da Guerra do Paraguai (1865 a 1870), o Império Brasileiro passou a sofrer duras contestações pelos seus opositores. Os crescentes conflitos políticos faziam afrontar, de um lado, senhores de engenho e barões do café, que sustentavam a monarquia; e de outro, os cafeicultores do oeste paulista e a pequena burguesia urbana que defendia o federalismo e o regime republicano.

Os Clubes Republicanos, a partir de 1870, passaram a se disseminar pelo país, mas concentrando-se principalmente no Rio de Janeiro, em São Paulo e no Rio Grande do Sul. O Partido Republicano Rio-grandense (PRR), fundado em 1882, tinha características próprias. Dividiu-se em dois principais partidos no sul do país. De um lado estavam os conservadores, liderados por Júlio Prates de Castilho e Pinheiro Machado. Tinham o princípio doutrinário do positivismo, que se tornou a ideologia oficial do partido e, posteriormente, do governo. A oposição associava-se a diferentes partidos (Partido Federalista, Partido Republicano Democrático, Aliança Libertadora e Partido Libertador), que descenderam do Partido Liberal e estavam sob liderança de Gaspar Silveira Martins, dominante nas últimas décadas do Império. Apesar das diferenças ideológicas, o ataque à forma de governo monárquico era a principal propaganda dos Republicanos.

No entanto, após a proclamação da República, em 1889, as discórdias a este regime político não tardaram a iniciar. Os Liberais desejavam a implantação do Parlamentarismo e os Conservadores, do Presidencialismo. O primeiro governante do Rio Grande do Sul, instituído de forma provisória, foi o marechal José Antonio Corrêa da Câmara, o Visconde de Pelotas. Um de seus primeiros atos foi nomear como Secretário do governo estadual, Júlio de Castilhos, que teve total liberdade de montar a máquina política a sua maneira. Neste período, se podia observar uma nítida diferença entre as doutrinas partidárias existentes. A doutrina do PRR, encabeçada pelos castilhistas, pregava que somente a ditadura científica do poder executivo poderia permitir um governo dinâmico e forte administrativamente. Já a doutrina do Partido Republicano Federal (PRF), defendida pelos Liberais, queriam o poder legislativo como soberano, sendo conduzido por vias parlamentaristas.

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(FLORES, 1990, p. 100). A predominância de, praticamente, um único partido, que não deveria sofrer questionamentos ou ponderações, foi presidida inicialmente por Júlio de Castilhos. Apesar de algumas turbulências provocadas pela oposição, o Partido Republicano era coeso. Os federalistas sofriam com as divisões internas, os confrontos com a participação do exército e o ressentimento com as fraudes eleitoreiras. Tais fatores desembocaram na Revolução Federalista de 18938. Para se ter uma ideia do tamanho da repressão do governo de Castilhos, muitos federalistas, monarquistas e até republicanos tiveram que se refugiar em países vizinhos do Brasil, principalmente na República do Uruguai.

Estas disputas entre republicanos e federalistas influenciaram significativamente a vida política das cidades gaúchas. Certos favorecimentos a algumas cidades contrapunham ao desprezo a outras, reflexos claros as atenções dadas quando se havia boa ou má relação com o governo castilhista. E a cidade de São Martinho não fugia a esta regra, como observa a seguinte citação:

A localidade de São Martinho se caracterizou pelo entusiasmo político, demonstrando que seus habitantes eram politicamente ativos. O que consequentemente resultou em atitudes governamentais não favoráveis à essa localidade, pois muitos de seus políticos influentes foram adversários de Júlio de Castilhos(GÜNDEL e FREITAS, 1993, p. 37).

O castilhismo pode ser mais bem entendido a partir da caracterização de sua filosofia política de inspiração positivista. Por meio dela, passou a promover a substituição da ideia liberal, que equilibrava as diferentes ordens de interesses, para se transformar em elemento fundamental na organização da sociedade, pela moralização dos indivíduos, através da tutela do estado. Castilhos, que nunca foi um teórico da política, mas que tinha uma conceituação muito pessoal sobre o exercício do poder, propunha, no Congresso Constituinte de 1891, “a instauração de um regime moralizador, a defesa do federalismo radical e das virtudes republicanas”. (RODRÍGUES, 1980, p. 35)

Como suas propostas não foram ouvidas pelos constituintes e a consequente derrota na apresentação de suas emendas à Assembleia Constituinte Estadual, Castilhos resolve encarnar, oficialmente, seu ideal no governo do Rio Grande do Sul através da elaboração e da prática da Constituinte Estadual de 14 de julho de 1891. Constituição que se perpetuaria até o ano de

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Segundo Sandra Jatahy Pesavento, “a Revolução Federalista é incômoda para o imaginário construído sobre o

Rio Grande. Comparativamente à Revolução Farroupilha, não há como negar que essa guerra civil tinha muito mais a oferecer, enquanto imagem e discurso, para a elaboração de um sistema de representação que visa

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1930. A compreensão do castilhismo e o fenômeno do autoritarismo em terras rio-grandenses se fazem necessários para aprofundar as raízes históricas de nossos governantes. Desta forma, entenderemos que a consolidação desta filosofia deu-se com a chegada do presidente Getúlio Vargas ao governo brasileiro, no Estado Novo (1937 a 1945), pois possuía inspirações castilhistas na sua essência.

Todos estes processos já estavam implicitamente agregados a região de São Martinho, mas, a partir de 1889, sua população recebe um dos seus mais duros golpes. A região perdeu para Santa Maria a preferência do trajeto da ferrovia que faria a ligação São Paulo-Rio Grande do Sul, que recebeu a denominação Itararé-Santa Maria, depois de concluída. São Martinho está diretamente ligada a esta problemática, pois o momento inicial de implantação dos transportes ferroviários no Brasil e no Rio Grande do Sul ocorrem entre os anos de 1850 e 1898, confundindo-se com a evolução econômica da região e a inserindo no contexto histórico daquele período.

Uns dos motivos para utilização deste meio de transporte relacionavam-se a interligação ferroviária entre litoral e o interior do Brasil. A intenção era de proporcionar o povoamento dos vazios demográficos e estabelecer formas de acesso, como também a defesa às fronteiras terrestres para que assim ocorresse uma melhor difusão do desenvolvimento econômico das diversas regiões atingidas pela malha ferroviária. O sul do Brasil se apresentava como uma das regiões mais sensíveis aos problemas fronteiriços, além de, até então, possuir pouco destaque nacional.

A proximidade com o Uruguai, Argentina e Paraguai, mudaram a atenção do Império para com a Província do Rio Grande do Sul. Neste sentido, a região merecia um plano ferroviário que a ligasse ao centro do país. A produção das linhas férreas começou por volta de 1870.

João Rodolpho Amaral Flôres, no livro Fragmentos da História Ferroviária Brasileira,

esclarece a importância do transporte ferroviário para o desenvolvimento social do Brasil:

Nesse contexto da expansão do sistema capitalista, marcado que foi pela diversificação tecnológica dos processos de produção e pelas novas relações de trabalho, a adoção do transporte ferroviário passou a ser considerado um elemento estrutural de modernidade. Inclusive, visto como estimulador do avanço civilizatório em todo mundo, ao ter propiciado o desbravamento de fronteiras, a fixação populacional em vazios demográficos, a difusão de informações e, principalmente, por ter contribuído para a aceleração das relações econômicas no contexto da Revolução Industrial. O mesmo pode ser percebido em relação a sua implantação no Brasil, e de modo particular no Rio Grande do Sul (2007, p.15).

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a borda da serra martinhense, passando pela Vila Caturrita, o Distrito de Santo Antão e o Vale do Ibicuí, rota mais lógica para a cidade de Cruz Alta. Mas, a escolha feita recaiu pela margem direita do Vale do Vacacaí-Mirim, dando privilégio à região de Vila Rica, atual cidade Júlio de Castilhos, e passando também pelas localidades de Taquarembó e Pinhal, como mostra o mapa ferroviário do Rio Grande do Sul do ano de 1898:

Mapa 4: Mapa das Linhas de Viação Férrea Sul-rio-grandense de 1898

Fonte: retirado do acervo multimídia do site vfco.brazilia.jor.br, acessado em 16 de fevereiro de 2012. Possui conteúdos de Ferreomodelismo, Trens e Ferrovias do Brasil.

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4 A DESESTRUTURAÇÃO DO MUNÍCIPIO

O abandono e consequente decadência do município de São Martinho não tardaram a ser evidenciados. No entanto, não devemos atribuir sua crise somente a ausência da ferrovia. As contradições existentes entre os políticos martinhenses, resultantes de questões pessoais e também políticas, vieram a separar as lideranças locais.

A primeira menção de desvilamento e anexação de São Martinho a outra sede foi escrita no Livro de Atas da Câmara Municipal de São Martinho, em 26 de julho de 1891. Nela dizia que “pelo Conselheiro Gabriel de Oliveira foi dito que no 2º Distrito, onde reside, alguns cidadãos agitam a impatriótica idéia de desligamento daquela parte de nosso território e sua anexação ao município de Cruz Alta...”. Tal proposição não seguiu adiante por possuir um pequeno número de eleitores que a apoiassem (PAIM, p. 71).

Beltrão (1979, p. 107) destaca que o segundo intendente municipal da cidade, Virgiliano Antônio Pereira e seus conselheiros, empossados em 1901, prestaram homenagens a Júlio de Castilhos e seu vice, Borges de Medeiros. No mês de maio, aconteceu a convocação de uma sessão extraordinária. Estava sendo aberta para deliberar sobre a fusão do município com Vila Rica, com sede neste último. Esta sessão foi presidida por Abílio Pereira dos Santos, presidente do conselho, e nela ocorreram protestos contrários a fusão do então intendente, que de nada serviram. A ata da referida sessão transcrevia uma série de problemas no município de São Martinho, enumerando-os item a item. O afastamento da via férrea, a necessidade de escoar a produção, a falta de dinheiro, os prédios abandonados e suas consequentes demolições, a necessidade da construção de pontes e estradas, os esforços sem resultados da administração local, eram algumas das reclamações.

No fundo, todo este discurso não passava de um engodo. A verdadeira intenção por trás da união do município martinhense com Vila Rica era o beneficiamento de certos conselheiros. Alguns dos quais, Manoel César do Nascimento, Antônio de Araújo, Ildefonso de Almeida e Jerônimo Pereira de Quadros, possuíam terras longe da sede de São Martinho, mas próximo à Vila Rica. Este município prosperava recebendo ajuda do governo estadual e tal fusão, portanto, beneficiaria as terras pertencentes aqueles conselheiros.

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... considerando que Vila Rica, por sua localização relativamente ao nosso município em nada facilita nossas relações convencionais, portanto os naturais escoadouros de nossos produtos e aos quais estamos ligados por curtas distâncias e boas vias de comunicação indubitavelmente são Santa Maria, a estação de São Pedro na linha férrea de Porto Alegre a Uruguaiana e a da Colônia, na linha Itararé, considerando que São Martinho não é um município isolado [...] que o nosso vasto e rico território, onde floresce a indústria pastoril, existem abundantes matos regados pelos nossos rios e propícios para a colonização, garante vida ao município, que pode prosperar do desperdício até há pouco feito em pagamento a empregados supérfluos e outros e o nenhum cuidado na arrecadação da receita, houve sempre sobra de dinheiro [...] e que a falta de prosperidade da sede não é somente por sua colocação, mas em grande parte por múltiplos motivos conhecidos também pela administração transata [...] considerando que nós conselheiros municipais no gôzo pleno de nosso mandato e, por isso legítimo representantes deste município, interpretando a vontade geral de nosso povo [...] devemos evitar que insignificante minoria desta casa do governo municipal produza o cerceamento da mais profícua carta constitucional nos tem facultado [...] o eleitorado e povo martinhense não deseja que seja anexado este município a quaisquer dos outros que lhe ficam limítrofes, e pedimos, pois, a manutenção do nosso município, confiantes que o benemérito governo do Estado a quem nesta oportunidade como sempre protestamos nosso apoio faça-o a costumada justiça. (Antonio de Oliveira Soares e João Maria da Rosa, intendente e conselheiro de São Martinho, respectivamente,)

Esta última parte da ata atribui a culpa pela estagnação martinhense a administração anterior, que estava em poder do intendente Praxedes Pereira dos Santos. Lembrando que tanto conselheiros como o intendente pertenciam ao PRR. A ata ainda menciona a vontade geral da população em permanecer emancipada e a intenção de uma minoria da casa do governo municipal em mudar a sede. Aprovada por unanimidade, não tardou a surtir efeitos. O conselho de Vila Rica, ao tomar conhecimento da proposta de fusão, manifestou agradecimento e prometeu, caso esta ocorresse, esforços com relação à prosperidade do município.

O governo estadual, no decreto nº 391 de 27 de julho de 1901, declarava sua decisão final, terminando com a disputa. Atendendo a proposta, declarou extinto o município de São Martinho, anexando-o ao de Vila Rica. Sob o poder de Borges de Medeiros e Fernando Abbot, seu vice, o estado continuava trilhando a direção imposta pelo castilhismo. Ainda neste mesmo decreto, constavam justificativas como “o município não tem podido prosperar devido à má localização de sede, sem meios de rápida comunicação, o que obriga a população a encaminhar as suas relações comerciais para outros pontos próximos da linha-férrea...”.

(27)

território de São Martinho passou a pertencer ao 6º Distrito de Santa Maria, como citam Gündel e Freitas em sua monografia Razões da decadência da Vila de São Martinho:

O conselho municipal de Santa Maria foi convocado extraordinariamente para votar a proposta do Conselho de Vila Rica, ou seja, a anexação do primeiro distrito do extinto município de São Martinho ao território santa-mariense, devido ao fato de que Vila Rica teria dificuldade para administrar essa parte do município, em razão da distância geográfica. (1993, p. 49).

Tal fato logo começaria a ter reflexos. Primeiramente administrativos, devido à descentralização documental; e depois, políticos, por estar subordinada a câmara de Santa Maria. O arquivo com documentação administrativa da Intendência e do Cartório chegou a ser removido para Vila Rica, de acordo com Gündel e Freitas (1993, p. 50), porém, este material não foi, posteriormente, transferido para Santa Maria, como era de se esperar9. Firmas comerciais e casas de moradia importantes foram demolidas para que o material fosse reaproveitado em outras obras.

A Vila de São Martinho, criada no ano de 1876, através de lei instituída pelo Governo Provincial, começou a decair política e administrativamente ano após ano depois do seu desvilamento, fato que refletiu-se ao longo do século XX. O declínio populacional também foi um destes reflexos, que puderam ser percebidos com o passar do tempo. O gráfico 1 faz a comparação que apresenta o contingente habitacional na região matinhense no final do século XIX até a metade do XX:

Gráfico 1: Decréscimo populacional

Fonte: Guia Geral de Santa Maria (1953, p. 304) e, GÜNDEL e FREITAS (1993, p. 50)

9 Atualmente, o acervo histórico da cidade de Júlio de Castilho (antiga Vila Rica) ainda guarda os arquivos da

documentação administrativa e do Cartório da primeira municipalidade de São Martinho da Serra. Esta documentação carece de pesquisas mais aprofundadas e, através delas, poder-se-á acrescentar informações relevantes às disputas dos municípios em questão e à questão da mudança da sede.

10.000

5.328

4.000

Categoria 1

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Esta evasão populacional do município muito se deve ao início da industrialização nas cidades metropolitanas brasileiras, que passaram a se inserir em um contexto de urbanização, logo nas primeiras décadas do século XX. Este fator veio a proporcionar o êxodo rural das regiões menos amparadas estruturalmente pelo Estado, regra na qual São Martinho não viria a fugir. No entanto, uma ocasião propícia na região, relacionada aos índices de natalidade e casamentos, podem ser observadas no gráfico 2:

Gráfico 2: Casamentos, Nascimentos e Óbitos

Fonte: GuiaGeral do Município de Santa Maria (1953,p. 304)

No gráfico 2, o grande número de nascimentos contrasta com o pequeno número de óbitos, além de representar um número pequeno de casamentos. A necessidade de povoamento, agregado aos afazeres da “lida” rural, justificam o quesito elevado da natalidade, que ainda obtinha o incentivo governamental do período de presidência de Getúlio Vargas. Contudo, observa-se ainda que, apesar da grande quantidade de filhos, conforme indica a barra mais acentuada do gráfico, a quantia de casamentos não se equilibrou com a quantidade de nascimentos. Isto representa o êxodo da localidade, a partir do momento que os filhos se tornam jovens.

Se os desacordos políticos estagnavam o avanço administrativo de São Martinho, a mesma situação não se refletia na produção agropecuária no início do século XX. A estrutura produtiva era desenvolvida pela agricultura familiar, realizada principalmente por grandes

Casamentos (42) Nascimentos (196) Óbitos (45)

0 50 100 150 200 250

Casamentos (42)

Nascimentos (196)

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proprietários, lavradores e imigrantes europeus (que passaram a chegar à região após a segunda metade do século XIX), fazendo com que a economia agropecuária se destacasse na localidade.

No entanto, é necessário dizer que antes da ocupação dos imigrantes e do aumento da produção econômica da região, existia uma população de estancieiros e os chamados “lavradores nacionais”, como menciona Luís Augusto Ebling Farinatti em sua dissertação:

Sobre as cinzas da mata virgem: lavradores nacionais na província do Rio Grande do Sul (1999). Estas classes estavam alocadas de maneira distinta devido as suas posses. Os estancieiros recebiam latifúndios pastoris, áreas cujo campo detinha as melhores condições para produzir gado e que apresentavam pequena densidade demográfica, pois “imensas extensões de terra foram apropriadas por poucos proprietários e, além disso, a atividade pecuária exigia um contingente muito menor de mão de obra do que, por exemplo, as grandes lavouras de exportação do sudeste e do nordeste brasileiro”. (FARINATTI, 1999, p. 26).

As áreas florestais eram destinadas aos lavradores, geralmente para criação (pequena) de gado e cultivo agrário. Estas áreas de mata, por serem mais densas e difíceis de serem exploradas, sofriam com os métodos nocivos de degradação da vegetação que eram utilizados. Na maioria dos casos, estes métodos passavam por queimadas, derrubada de árvores e cortes nas encostas de rios, sempre com intuito de expandir a produtividade ou servir de pasto para o gado.

Os grandes proprietários recebiam locais e condição diferenciada dos demais, como exemplifica o trecho a seguir:

Muitos dos estancieiros eram antigos soldados ou aventureiros que haviam prestado serviços bélicos à Coroa Portuguesa. A região de Santa Maria continuava a ser vista como área de relativa instabilidade nos primeiros anos do século XIX, pois a ocupação portuguesa nas Missões era algo muito recente. E mais, eram comuns as agitações do outro lado da fronteira, em um época de independências, guerras internas e invasões ao lado brasileiro. A já histórica necessidade de povoar as regiões sulinas com homens capazes de defender o território e ensejar o abastecimento das tropas luso-coloniais influenciou na ocupação do território em Santa Maria, nas décadas anteriores a Independência. Muitos militares que requeriam terras no local acabavam por efetivamente recebê-las. Estas terras eram localizadas tanto em áreas de campo como em áreas florestais, embora o segundo caso deva ter sido mais frequente, já que as terras de campos estavam sendo doadas em sesmarias. (ibidem, p. 48).

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devoluta, estabelecer ali morada habitual e cultura efetiva, deixou de ser um procedimento legítimo, o que restringiu as possibilidades de acesso à terra para os mais pobres” (FARINATTI, 1999, p. 103). No entanto, o acesso à terra seguiu sendo, por boa parte dos que a ocupavam, através de heranças, invasões ou até mesmo através da venda das áreas florestais, nas quais os lavradores nacionais estavam destinados a ocupar.

A tabela 1 apresenta os dados extraídos do Guia Geral do Município de Santa Maria

(1953), descrevendo as dimensões das áreas ocupadas pela sua população, e nelas, quais eram as principais atividades desenvolvidas pelas famílias produtoras que viviam em São Martinho e em localidades de sua proximidade:

Tabela 1: Produção x Família x Hectare

Produção Famílias que

produziam

Porcentagem de localidades que produziam

Hectares ocupados

Pecuária 30 69% 21.823

Pecuária, trigo e milho 12 30% 2.015

Trigo, milho e alfafa 14 34% 2.008

Trigo e milho 163 88% 4.845

Trigo, milho e arroz 11 26% 788

Mandioca e milho 34 65% 1.085

TOTAL 258

Fonte: GuiaGeral do Município de Santa Maria (1953,p. 305)

Localidades: São Martinho (sede), Açude, Boqueirão, Campinas, Capão Bonito, Costa do Lajeado, Durasnal, Estrada, Barragem, Estrada São Martinho – Santo Inácio, Estrada São Martinho – Ibicui, Faxinal, Guaiaval, Guassupi, Negrinhos, Pedreiras, Ponte 12 de Maio, Quilombo, Rincão dos Albinos, Rincão dos Bragas, Rincão dos Coelhos, Rincão dos Pires, Rincão dos Salvianos, Rincão dos Trindades, Santo Inácio e Taimbé (num total de 26).

(31)

Outras informações importantes a serem retiradas da tabela 1 são relativas a produção das famílias nestas localidades, pois representam um caráter “misto”. Isso significa que o lavrador possuía seu rebanho, mas, juntamente a ele, desenvolvia a agricultura. Esta estrutura mista de produção era aplicada no século XIX pelos lavradores que habitavam o Rio Grande do Sul, conforme abordada Helen Osório, em sua tese Estancieiros que plantam, lavradores que criam e comerciantes que charqueiam: Rio Grande de São Pedro, 1760-1825 (1999). O trecho a seguir, reforça o caráter agropastoril rio-grandense:

Estamos frente, portanto a um produtor rural que é simultaneamente um agricultor e um pastor, que alimentava seu grupo familiar com sua produção de trigo, milho, feijão ou farinha de mandioca, carne e leite de seu pequeno rebanho e que possivelmente comercializasse algum excedente alimentar, alguma vaca ou alguns couros (OSÓRIO, 1999, p. 81).

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5 CONSIDERAÇÕES FINAIS

Por meio deste trabalho, foi possível perceber as transformações ocorridas na localidade de São Martinho da Serra, iniciadas por volta do ano de 1876, ano de sua criação, até meados da década de 1940. Neste período, se evidenciam as variações econômicas e sociais mais importantes do município. Para se analisar as circunstâncias destes acontecimentos foram necessárias leituras que possibilitaram uma melhor abrangência do assunto, buscando na contextualização histórica os antecedentes da formação da região central do estado do Rio Grande do Sul, no qual São Martinho da Serra estava inserido. Neste sentido, os mapas históricos auxiliaram na identificação do avanço do Império Português (mapa 1, p. 15) e na visualização da posição geográfica que município martinhense se encontrava no anos iniciais da formação do estado rio-grandense (mapa 2, p. 17).

Através das leituras realizadas, pode-se especificar os fatores que levaram a decadência do município. Nestas leituras, notou-se que, o primeiro sintoma de enfraquecimento econômico da região, foi sentido com a construção da estrada chamada “Picada do Pinhal”. Ela encurtava o trajeto de Santa Maria e Cruz Alta, desfazendo a obrigatoriedade da passagem dos comerciantes por São Martinho. O mapa 3 (p. 19) faz uma clara representação deste desvio.

Deve-se ressaltar que, às mudanças de pertencimento territorial aliada a ausência de pesquisas aprofundadas justificam a escassez de documentos pertencentes à região neste período. Pesquisas no Arquivo Histórico Municipal de Santa Maria e na Casa de Memória Raimundo Cardozo, trouxeram colaborações importantes na obtenção de subsídios econômicos e sociais do período estudado. Os dados encontrados nestas pesquisas, apresentadas na forma de gráficos (p. 28 e 29) e tabela (p. 31), refletem o enfraquecimento populacional, mas uma produção agropecuária forte que resistiu ao pouco contingente de mão de obra. A criação pecuária era a que dispunha dos maiores espaços territoriais, destacando-se das demais atividades produtivas. No entanto, à produção do trigo, do milho e da mandioca representam também uma grande parcela dos hectares de cultivo das famílias.

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extinção do município. No entanto, responsabilizam como principal motivo desta extinção, as discórdias políticas internas, sem avaliar as condições viáveis que a região dispunha na manutenção administrativa de sua sede ou, então, ainda ao desconsiderar como se apresentava a população no aspecto de desenvolvimento socioeconômico.

Neste sentido, estudos a serem realizados daqui para frente, podem trazer comparações relevantes a dados estruturais encontrado em São Martinho ao se relacionar com outros locais de sua proximidade. Com intuito de observar qual região apresentou evolução nos quesitos estruturais básicos, a Quarta Colônia apresenta-se como uma região de exemplo comparativo interessante, devido à contemporaneidade ao período de recebimento de imigrantes e a prosperidade que demonstrada ao longo do século XX.

Dados atuais, como o do Censo Demográfico do IBGE, dão conta de cerca de 2.600 habitantes em 1990 e um aumento para 3.246 habitantes no ano de 2000. Apesar de ocorrer um crescimento populacional nestes dez anos, tal fato ainda é muito tímido se comparado a outras localidades do Rio Grande do Sul. Agregado a extinção do município, fatores como a industrialização metropolitana, a necessidade de infraestrutura, a falta de perspectiva de trabalho ou os aprofundamentos escolares da população, fazem estagnar estes índices e reduzir a permanência dos mais jovens.

No entanto, passados 102 anos, sua população nunca deixou de pleitear sua independência política e administrativa. Tais reivindicações martinhenses foram atendidas e, pela segunda vez, conseguiu emancipação no ano de 1992. Em lembrança a esta data, pode-se destacar uma comemoração aos 19 anos da remunicipalização de São Martinho, realizada na 12ª Cavalgada de Integração dos Distritos de Santa Maria, no mês de maio deste ano, pela 13ª Região Tradicionalista (13ª RT), descrita no folder da imagem número 3 (p. 35). O evento tradicional divulgado e realizado pela 13ª RT, que tem como sede Santa Maria, é composto pelas cidades de Agudo, Dilermando de Aguiar, Dona Francisca, Faxinal do Soturno, Paraíso do Sul, Restinga Seca, Santa Maria, São João do Polesine, São Martinho da Serra, São Pedro do Sul, São Sepé, Silveira Martins, Vila Nova do Sul, Formigueiro, Itaára, Ivorá e Nova Palma.

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ANEXOS

IMAGEM Nº1: foto que ilustra as condições de trafego, em dias secos, na ERS-516.

Fonte: Jornal A razão online, site: arazao.com.br, acessado em 26 de janeiro de 2012.

IMAGEM Nº 2: Moradores e autoridades se reuniram na localidade de Água Negra, limite entre os municípios de Santa Maria e São Martinho da Serra, obstruindo o tráfego em um protesto para pedir a pavimentação da estrada.

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IMAGEM Nº 3: Folder representativo da 12ª Cavalgada de Integração dos Distritos de Santa Maria.

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REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

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