UNIVERSIDADE DO ESTADO DE SANTA CATARINA – UDESC CENTRO DE CIÊNCIAS DA ADMINISTRAÇÃO – ESAG CURSO DE MESTRADO PROFISSIONAL EM ADMINISTRAÇÃO LUISA COELHO CARDOSO

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UNIVERSIDADE DO ESTADO DE SANTA CATARINA – UDESC

CENTRO DE CIÊNCIAS DA ADMINISTRAđấO Ố ESAG

CURSO DE MESTRADO PROFISSIONAL EM ADMINISTRAđấO

  

INFLUÊNCIA DA INTERNACIONALIZAđấO NAS ESTRATÉGIAS DE

GESTÃO AMBIENTAL: ESTUDO DE CASO DOS MEIOS DE

HOSPEDAGEM DE SANTA CATARINA VINCULADOS À

ASSOCIAđấO ROTEIROS DE CHARME

  

FLORIANÓPOLIS – SC

  

INFLUÊNCIA DA INTERNACIONALIZAđấO NAS ESTRATÉGIAS DE

GESTÃO AMBIENTAL: ESTUDO DE CASO DOS MEIOS DE

HOSPEDAGEM DE SANTA CATARINA VINCULADOS À ASSOCIAđấO ROTEIROS DE CHARME

  Dissertação apresentada como requisito à obtenção do grau de Mestre em Administração, Curso de Mestrado Profissional em Administração, Área de concentração: Gestão Estratégica das Organizações, Linha de Pesquisa: Organizações e Tecnologias de Gestão.

  Orientadora: Graziela Dias Alperstedt, Dra.

  

FLORIANÓPOLIS – SC

Novembro, 2010

Ficha Catalográfica

  CARDOSO, Luisa Coelho Influência da internacionalização nas estratégias de gestão ambiental: estudo de caso dos meios de hospedagem de Santa Catarina vinculados à Associação Roteiros de Charme. / Luisa Coelho Cardoso, orientação: Prof. Dra. Graziela Dias Alperstedt. – Florianópolis, SC: 2009, 142 f.

  Dissertação de Mestrado Profissional apresentada ao curso de Pós-Graduação em Administração da Universidade do Estado de Santa Catarina/UDESC. 1. gestão ambiental. 2. internacionalização. 3. turismo. 4. hotelaria.

  

INFLUÊNCIA DA INTERNACIONALIZAđấO NAS ESTRATÉGIAS DE

GESTÃO AMBIENTAL: ESTUDO DE CASO DOS MEIOS DE

HOSPEDAGEM DE SANTA CATARINA VINCULADOS À

ASSOCIAđấO ROTEIROS DE CHARME

  Esta Dissertação foi julgada adequada como requisito parcial para obtenção do grau de Mestre em Administração, no Curso de Mestrado Profissional em Administração, Área de Concentração: Gestão Estratégica das Organizações, da Universidade do Estado de Santa Catarina.

  Florianópolis, 23 de novembro de 2010.

Banca Examinadora: Orientadora: _____________________________________________

  Profª. Drª. Graziela Dias Alperstedt Universidade do Estado de Santa Catarina

Membro: ________________________________________________

  Profª. Drª. Jane Iara Pereira da Costa Universidade do Estado de Santa Catarina

Membro: ________________________________________________

  Prof. Dr. Gerson Rizzatti Junior Universidade Federal de Santa Catarina

AGRADECIMENTOS

  A toda a minha família e em especial aos meus queridos pais, Mozart e Claudia, por viabilizarem esta conquista sempre com paciência e confiança. Ao meu namorado, Pedro, pela torcida e compreensão. Aos professores do Mestrado Profissional em Administração da ESAG pelo compartilhar do conhecimento e em especial à Profª. Drª. Graziela Dias Alperstedt pela orientação, apoio, dedicação e carinho.

  Aos professores membros da banca, Profª. Drª. Graziela Dias Alperstedt, minha orientadora, Prof. Dr. Gerson Rizzatti Junior, membro externo, e Profª. Drª. Jane Iara Pereira da Costa, membro interno, pela especial colaboração e apoio.

  Aos proprietários dos estabelecimentos entrevistados pela atenção, cooperação e tempo despendidos.

RESUMO

  A crescente preocupação ambiental por parte da sociedade tem influenciado os gestores a minimizar os impactos ambientais gerados por seus empreendimentos. Um dos fatores responsáveis pela pró-atividade ambiental dentro das organizações consiste na internacionalização, que no ramo hoteleiro se caracteriza pela recepção de hóspedes estrangeiros. Tendo em vista a maior consciência ambiental do público internacional, existe um pressuposto teórico de que a internacionalização poderia impactar as estratégias de gestão ambiental dos meios de hospedagem. Sendo assim, o objetivo desta pesquisa foi analisar a influência da internacionalização nas estratégias de gestão ambiental dos meios de hospedagem de Santa Catarina vinculados à Associação Roteiros de Charme. A pesquisa realizada caracteriza-se como qualitativa. A principal fonte de dados consistiu em entrevistas semi-estruturadas com os proprietários dos meios de hospedagem de Santa Catarina vinculados à Associação Roteiros de Charme. Para o tratamento dos dados foi utilizada a análise de conteúdo, a partir da qual se buscou transformar dados brutos em significativos. Os resultados confirmaram a existência de diferenças de comportamento ambiental entre estrangeiros e brasileiros, mas mostraram que o impacto da internacionalização nas estratégias de gestão ambiental varia conforme a maneira por meio da qual o proprietário administra o desafio ambiental. A quantidade de hóspedes internacionais recebida não pareceu influenciar as estratégias ambientais.

  Palavras-chaves: Internacionalização. Gestão Ambiental. Turismo e Hotelaria.

ABSTRACT

  The growing society`s environmental concerns have influenced managers to minimize the environmental impacts generated by their businesses. One of the factors responsible for environmental pro-activity within organizations is the internationalization, which in the hotel industry is characterized by the reception of foreign guests. Given the higher environmental awareness of the international audience, there is a theoretical assumption that the internationalization could impact the strategies of environmental management of lodging facilities. Therefore, the objective of this research was to analyze the influence of internationalization in the environmental management strategies of lodging facilities in Santa Catarina linked to the Roteiros de Charme Association. The research is characterized as qualitative. The main source of data consisted in semi-structured interviews with the proprietors of lodging facilities in Santa Catarina linked to the Roteiros de Charme Association. For treatment of the data the content analysis was used, which sought to transform raw data into meaningful. The results confirmed the existence of differences between the Brazilian’s and the international’s environmental behavior, but showed that the impact of globalization on environmental management strategies vary according to the manner by which the owner manages the environmental challenge. The amount of incoming international guests did not appear to influence the environmental strategies.

  Keywords: Internationalization. Environmental Management. Tourism and Hospitality.

LISTA DE QUADROS

  Quadro 1 - Comparação entre Gestão Ambiental e Gestão Ecológica ................................... 25 Quadro 2 - Abordagens das estratégias ambientais ............................................................... 29 Quadro 3 - Entrada de turistas estrangeiros no Brasil............................................................ 40 Quadro 4 - Categorias de pesquisa ....................................................................................... 53 Quadro 5 - Classificação dos meios de hospedagem............................................................. 56 Quadro 6 - Práticas ambientais dos meios de hospedagem entrevistados .............................. 69 Quadro 7 – Estratégias ambientais ....................................................................................... 77 Quadro 8 - Percepção dos entrevistados em relação à internacionalização ............................ 84

LISTA DE FIGURAS

  Figura 1 - Aspectos que contribuem para a preocupação ambiental empresarial ................... 20 Figura 2 - Equilíbrio dinâmico da sustentabilidade............................................................... 21 Figura 3 - Motivações Empresariais para a Proteção do Meio Ambiente .............................. 22 Figura 4- Enquadramento das iniciativas ambientais voluntárias .......................................... 28 Figura 5 - Distribuição dos meios de hospedagem................................................................ 55

  

SUMÁRIO

  

1. INTRODUđấO.............................................................................................................. 10

  1.1. PROBLEMA DE PESQUISA.................................................................................... 11

  1.2. OBJETIVOS ............................................................................................................. 12

  1.2.1. Geral ................................................................................................................... 13

  1.2.2. Específicos.......................................................................................................... 13

  1.3. JUSTIFICATIVA ...................................................................................................... 13

  1.4. ESTRUTURA DO TRABALHO............................................................................... 14

  2.1. DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL E GESTÃO AMBIENTAL..................... 16

  2.1.1. Normas ISO 14000.............................................................................................. 22

  2.1.2. Estratégias de Gestão Ambiental ......................................................................... 24

  2.2. INTERNACIONALIZAđấO DE EMPRESAS ......................................................... 32

  2.2.1. A Escola Nórdica de Negócios Internacionais ..................................................... 33

  2.2.2. Internacionalização de Serviços........................................................................... 35

  2.2.3. Internacionalização e Gestão Ambiental .............................................................. 38

  2.3. TURISMO E HOTELARIA ...................................................................................... 39

  2.3.1. Turismo Sustentável............................................................................................ 41

  2.3.2. Certificação do Sistema de Gestão Ambiental para o Setor Turístico – NBR 15401 ..................................................................................................................................... 43

  

3. PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS.................................................................. 50

  3.1. NATUREZA DA PESQUISA ................................................................................... 50

  3.2. UNIVERSO DA PESQUISA..................................................................................... 51

  3.3. COLETA DE DADOS............................................................................................... 51

  3.4. TÉCNICA DE ANÁLISE DOS DADOS................................................................... 52

  3.5. LIMITAđỏES DA PESQUISA................................................................................. 53

  

4. APRESENTAđấO E ANÁLISE DOS DADOS............................................................ 55

  4.1. A ASSOCIAđấO ROTEIROS DE CHARME .......................................................... 55

  4.2. OS MEIOS DE HOSPEDAGEM PESQUISADOS.................................................... 57

  4.3. A GESTÃO AMBIENTAL DOS MEIOS DE HOSPEDAGEM................................. 58

  4.3.1. Práticas ambientais dos meios de hospedagem..................................................... 59

  4.3.1.1. Meio de hospedagem 1 ................................................................................. 59

  4.3.1.3. Meio de hospedagem 3 ................................................................................. 63

  4.4.1. Meio de hospedagem 1........................................................................................ 78

  5.2. RECOMENDAđỏES................................................................................................ 89

  5.1. CONSIDERAđỏES FINAIS..................................................................................... 87

  

5. CONSIDERAđỏES FINAIS E RECOMENDAđỏES ................................................ 87

  4.4.5. Síntese da internacionalização dos meios de hospedagem e sua influência nas práticas de gestão ambiental.......................................................................................... 84

  4.4.4. Meio de hospedagem 4........................................................................................ 82

  4.4.3. Meio de hospedagem 3........................................................................................ 80

  4.4.2. Meio de hospedagem 2........................................................................................ 80

  INFLUÊNCIA NA GESTÃO AMBIENTAL ................................................................... 78

  4.3.1.4. Meio de hospedagem 4 ................................................................................. 66

  4.4. A INTERNACIONALIZAđấO DOS MEIOS DE HOSPEDAGEM E SUA

  4.3.2.5. Síntese das estratégias ambientais dos meios de hospedagem........................ 77

  4.3.2.4. Meio de hospedagem 4 ................................................................................. 76

  4.3.2.3. Meio de hospedagem 3 ................................................................................. 74

  4.3.2.2. Meio de hospedagem 2 ................................................................................. 73

  4.3.2.1. Meio de hospedagem 1 ................................................................................. 71

  4.3.2. Estratégias ambientais dos meios de hospedagem................................................ 71

  4.3.1.5. Síntese das práticas ambientais dos meios de hospedagem ............................ 68

  

REFERÊNCIAS................................................................................................................. 90

ANEXOS ............................................................................................................................ 95

APÊNDICES .................................................................................................................... 101

  A conservação ambiental pode ser entendida como o convívio em harmonia do homem com a natureza com o mínimo impacto possível, isto é, sem esgotar os recursos ambientais, permitindo a vida das gerações futuras. Esta conservação, no entanto, vem sendo afetada pelo desenvolvimento socioeconômico dos últimos anos. Desta forma, o conceito de desenvolvimento sustentável aparece como uma tentativa de harmonização entre o desenvolvimento socioeconômico e a conservação do meio ambiente (FRANCO, 2001).

  O desenvolvimento sustentável promove a consciência ambiental da sociedade, que começa a pressionar por medidas ecológicas. A realidade tem evidenciado uma crescente demanda pelas premissas e ações sustentáveis nas empresas, que acontece em razão do avanço da consciência dos consumidores, por motivos comerciais que garantem a sobrevivência no mercado, ou mesmo pelo interesse pessoal e autêntico de algum gerente ou empresário (SCHENINI, 2005).

  Este cenário afeta diretamente o turismo, já que este é considerado uma indústria e, assim como os demais setores da economia moderna, depende da apropriação e exploração da natureza e das sociedades locais (LEMOS, 1999). O turismo convencional demanda uma transformação radical dos ecossistemas e um grande consumo de recursos naturais. Nas últimas décadas, este setor se transformou em uma das atividades mais importantes no planeta, em função do número de deslocamentos internacionais e domésticos, da grande quantidade de empregos que gera e do desenvolvimento de comunidades e indivíduos (MOLINA, 2001).

  Sendo assim, as atividades de turismo podem provocar rupturas da biodiversidade, pois envolvem desde práticas com danos mais persistentes, como a caça e a pesca, até danos menos óbvios, como a observação da vida selvagem e as caminhadas por colinas. A presença de turistas gera mudanças ambientais inevitáveis. Estas mudanças são mais evidentes nas áreas esparsamente ocupadas e não sujeitas à visitação freqüente. Quanto mais frágil e único for um ambiente, mais vulnerável ele será a mudanças ocasionadas pela presença humana (COOPER et al., 2007).

  Segundo Ruschmann (1997), a rede hoteleira no Brasil está aderindo de forma crescente às práticas de gestão ambiental. Isto acontece não apenas em razão da elevação dos impactos ambientais ocasionados pelo turismo, mas em função de sua dependência da natureza como forma de sobrevivência. Para o autor, a evolução do turismo nas últimas grandes conglomerados urbanos pelas pessoas que tentam recuperar o equilíbrio psicofísico em contato com os ambientes naturais durante seu tempo de lazer.

  O paradoxo criado pela simultânea degradação e dependência do meio ambiente pelo turismo torna claro o desafio do turismo sustentável, que segundo Cooper et al. (2007), a Organização Mundial do Turismo (OMT) define como a gestão de todos os recursos de forma que as necessidades econômicas, sociais e estéticas possam ser satisfeitas mantendo-se a integridade cultural, os processos ecológicos essenciais, a diversidade biológica e os sistemas de apoio à vida. É uma atividade que vai ao encontro das necessidades atuais dos turistas e das regiões anfitriãs e, ao mesmo tempo, garante oportunidades para o futuro. Os autores defendem que o turismo sustentável visa garantir o bem-estar econômico, ambiental, sociocultural e político de longo prazo de todos os interessados.

  Além da dependência do meio ambiente existente no turismo, as práticas organizacionais de gestão ambiental, de forma geral, são motivadas por outros fatores, que englobam desde aspectos externos à organização, como a localização geográfica ou o setor onde atua, até aspectos internos, como o tamanho da organização ou seu nível de internacionalização (BENITO; BENITO, 2006). Este último aspecto corresponde ao foco desta pesquisa.

  1.1. PROBLEMA DE PESQUISA As organizações buscam a internacionalização como forma de aumentar o tamanho do mercado, atrair novas oportunidades de negócios, ganhar com a economia de escala, entre outros fatores (HITT; IRELAND; HOSKISSON, 2001). A internacionalização também promove um intercâmbio entre diferentes culturas, já que as empresas passam a vender seus produtos e serviços para clientes estrangeiros. Segundo Christmann e Taylor (2001), estas diferenças culturais estão relacionadas também às diferenças de comportamento ambiental, fato que, em razão da necessidade de atender às exigências dos clientes, pode influenciar as práticas de gestão ambiental das organizações.

  Nas organizações de serviços, em virtude de suas características de intangibilidade, inseparabilidade, variabilidade e perecibilidade (CARNEIRO et al. , 2008), a internacionalização pode ocorrer de quatro diferentes maneiras: (i) através da movimentação de pessoas físicas ao território do consumidor, (ii) prestado em um território e consumido em outro, (iii) prestado e consumido no território do consumidor e (iv) prestado e consumido no território do prestador do serviço (WTO, 2009). O setor hoteleiro se enquadra nesta última forma e sua internacionalização está relacionada à recepção de hóspedes estrangeiros.

  Com o fluxo de clientes internacionais, os meios de hospedagem passam a estabelecer contato direto com pessoas de diferentes culturas, que podem apresentar hábitos e exigências diferenciados em relação ao meio ambiente. Tendo em vista a necessidade de atender as demandas dos consumidores como forma de alcançar a competitividade, pressupõe-se que a internacionalização destes empreendimentos é capaz de afetar as práticas de gestão ambiental utilizadas.

  A Associação Roteiros de Charme, objeto desta pesquisa, é uma Associação Hoteleira que foi criada a partir da Conferência das Nações Unidas sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento realizada no Rio de Janeiro em 1992 e hoje conta com 51 meios de hospedagem associados. Seu objetivo é integrar hospitalidade e consciência ambiental e, para tanto, faz uso de um Código de Ética e de Conduta Ambiental (Anexo A), onde os meios de hospedagem associados se comprometem a adotar as posturas ambientais especificadas (ROTEIROS DE CHARME, 2009). Além disso, a Associação possui relacionamentos com empresas fora do Brasil, o que, de acordo com a teoria sobre network estudada por Björkman e Forsgren (2000), caracteriza vínculo internacional.

  O fluxo de turistas no Estado de Santa Catarina no ano de 2008, segundo dados do Ministério do Turismo (2010), aumentou 26,68% em relação a 2004, o Estado passou de 8º maior receptor do Brasil, para 6º. A Associação Roteiros de Charme conta com 5 meios de hospedagem em Santa Catarina, que, em razão do vínculo internacional que possuem, podem ter adotado estratégias de gestão ambiental antes não utilizadas e, por este motivo, configuram-se objetos desta pesquisa.

  Tendo em vista a problematização discutida, este trabalho busca responder à seguinte pergunta de pesquisa: A internacionalização influencia as estratégias de gestão ambiental dos meios de hospedagem de Santa Catarina vinculados à Associação Roteiros de Charme?

  1.2. OBJETIVOS A fim de responder ao problema de pesquisa proposto, definiu-se os seguintes objetivos:

  1.2.1. Geral Analisar a influência da internacionalização nas estratégias de gestão ambiental dos meios de hospedagem de Santa Catarina vinculados à Associação Roteiros de Charme.

  1.2.2. Específicos (i) Descrever as estratégias de gestão ambiental dos meios de hospedagem identificados; (ii) Caracterizar a internacionalização dos estabelecimentos estudados; (iii) Verificar a relação entre as práticas de gestão ambiental e a internacionalização dos meios de hospedagem estudados.

  1.3. JUSTIFICATIVA As questões ambientais vêm preocupando de forma crescente indivíduos e organizações. Nas empresas este comportamento acontece principalmente em razão do aumento da consciência ambiental dos consumidores. Desta forma, os estudos nesta área são importantes porque tratam de um assunto atual e que vem afetando de forma cada vez maior não apenas os empreendimentos, mas também o ambiente natural que os circunda.

  A internacionalização das empresas é vista como positiva porque gera um aumento do tamanho do mercado, economias de escala, extensão do ciclo de vida dos produtos e novas oportunidades de negócio. Este processo é centro de atenção de muitas organizações, fato que também ocorre nos empreendimentos prestadores de serviços, já que a recepção de hóspedes estrangeiros pode ser considerada uma forma de internacionalização.

  A internacionalização se relaciona com a gestão ambiental nos serviços no momento em que o hóspede estrangeiro, por estar inserido em outra atmosfera cultural, pode apresentar um comportamento ambiental diferenciado em relação ao cliente doméstico. Esta relação merece atenção dos pesquisadores, já que este cenário pode gerar um possível impacto da internacionalização nas práticas de gestão ambiental.

  O turismo, por sua vez, vem crescendo de forma acelerada no Estado de Santa Catarina e impactando de forma severa o meio ambiente, ao passo que as pessoas começam a buscar ambientes cada vez mais saudáveis do ponto de vista ambiental. O paradoxo existente nesta questão e a maior preocupação dos estrangeiros com a preservação ambiental motivou esta pesquisadora a estudar a relação entre a internacionalização e o turismo sustentável.

  Apesar da importância do assunto, nas bases de dados pesquisadas como Capes, ScienceDirect, Scielo, EBSCO, dentre outras, poucos estudos foram encontrados na área. Muitos trabalhos procuraram relacionar o meio ambiente e a internacionalização ou a hotelaria, mas apenas um tratou especificamente da relação entre a internacionalização e o meio ambiente em serviços de hotelaria, o de Dief e Font (2010). Estes autores realizaram uma pesquisa com 89 gerentes de marketing responsáveis por 194 hotéis no Egito, com o objetivo de identificar os aspectos que influenciam as estratégias de marketing verdes. Os resultados mostraram que os meios de hospedagem pertencentes a cadeias internacionais possuem uma maior pró-atividade no que diz respeito às estratégias ambientais, tendo em vista as diferenciadas exigências deste público.

  A idéia deste estudo surgiu a partir dos indícios existentes de que a internacionalização pode gerar práticas ambientais mais pró-ativas e se justifica em razão tanto do pequeno número de estudos existentes, como da importância destes assuntos para as organizações.

  1.4. ESTRUTURA DO TRABALHO Este estudo está organizado em cinco capítulos. O capítulo 1 exibe os aspectos gerais desta pesquisa, contextualiza o tema a ser estudado, apresenta os objetivos e justifica a escolha do assunto.

  No capítulo 2 os temas principais do estudo são aprofundados. É fornecida a trajetória do desenvolvimento sustentável e o impacto desta realidade nas estratégias empresariais. São apresentadas as principais teorias sobre internacionalização de empresas pertinentes a esta pesquisa e as suas relações com o mercado de serviços e os conceitos sobre gestão ambiental. As aplicações destas teorias no contexto do turismo são discutidas e a NBR 15401, certificação da gestão ambiental para o turismo, é introduzida.

  O capítulo 3 detalha os procedimentos metodológicos utilizados nesta investigação, estabelece a abordagem do problema e seu delineamento, define o universo da pesquisa, a forma de coleta dos dados, a técnica utilizada para a análise e as limitações do estudo.

  No capítulo 4 são descritos e analisados os principais resultados obtidos. Inicialmente a Associação Roteiros de Charme e os meios de hospedagem pesquisados são apresentados. Depois, suas estratégias de gestão ambiental são discutidas e o impacto da internacionalização

  é analisado. Finalmente, o capítulo 5 oferece algumas considerações finais e fornece recomendações para pesquisas futuras.

  Na fundamentação teórica que segue busca-se desenvolver os temas relacionados ao problema desta pesquisa. Neste momento são tratados os assuntos pertinentes ao desenvolvimento sustentável e à gestão ambiental nas organizações para depois introduzir o tema relacionado à internacionalização e sua relação com a gestão ambiental na hotelaria. Procura-se, assim, levantar a teoria na qual esta pesquisa encontra-se baseada, de forma a atender aos objetivos propostos.

  2.1. DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL E GESTÃO AMBIENTAL O assunto em pauta exige que, em um primeiro momento, se defina o termo “impacto ambiental”, que diz respeito às alterações no meio ambiente provocadas pela ação humana. A

  NBR ISO 14001 (2004, requisito 3.4.1) define impacto ambiental como “qualquer modificação do meio ambiente, adversa ou benéfica, que resulte, no todo ou em parte, das atividades, produtos ou serviços de uma organização”.

  Houve tempo que as ações dos seres humanos não possuíam grande impacto no meio ambiente. Hoje, porém, habitam o planeta mais de seis bilhões de seres humanos e a maioria de suas atividades geram consequências ambientais e prejudicam o futuro da humanidade. Nestas proporções, aumenta a preocupação com o crescimento ordenado e a consciência de que as atividades humanas geram impactos diretos sobre o meio ambiente (SCHENINI, 2009).

  A consciência da existência deste impacto faz com que a preocupação ambiental evolua. Barbieri (1997) cita três etapas em que se desenvolveu esta evolução. A primeira consiste na percepção de problemas ambientais localizados, onde as ações para coibir as práticas danosas são de natureza reativa, corretiva e repressiva. Numa segunda etapa, a degradação ambiental é percebida como um problema generalizado, porém, confinado aos limites territoriais dos estados nacionais. Começa, então, a intervenção governamental por meio de mecanismos de prevenção da poluição e a melhoria dos sistemas produtivos. Na terceira etapa a deterioração do meio ambiente começa a ser vista como um problema planetário que atinge todos. Surge, portanto, uma nova maneira de perceber as soluções, onde a preocupação deixa de ser apenas reduzir a degradação do ambiente físico, mas incorporar dimensões sociais, políticas e culturais. Esta nova percepção é o que vem sendo chamado de

  Esta expressão se baseia no que Nascimento, Lemos e Mello (2008) chamam de capitalismo natural e tem em sua base uma escala de valores muito diferente do capitalismo tradicional. Esta nova forma de capitalismo, para os autores, se baseia nas seguintes premissas:

  (i) O ambiente natural não é um fator de produção sem importância, mas algo que abastece e sustenta a economia; (ii) A pouca disponibilidade de capital natural é um fator limitante do desenvolvimento econômico futuro; (iii) Os sistemas de negócio mal concebidos e geridos são as causas principais da perda do capital natural; (iv) O progresso econômico futuro tem melhores condições de ocorrer nos sistemas onde todas as formas de capital sejam valorizadas, inclusive a humana, a industrial, a financeira e a natural; (v) Uma das chaves da melhor forma de empregar pessoas, dinheiro e ambiente natural é o aumento da produtividade dos recursos; (vi) O bem-estar humano é mais favorecido pela melhora na qualidade da prestação de serviços do que pelo aumento do fluxo de dólares; (vii) A sustentabilidade econômica e ambiental tem relação direta com a superação das desigualdades de renda e bem-estar social; (viii) O melhor ambiente para o comércio é oferecido pelos sistemas que se apóiam nas necessidades das pessoas e não das organizações. A expressão desenvolvimento sustentável, porém, emergiu de um longo processo. Um dos primeiros marcos do despertar da consciência ambiental no mundo foi a criação da União

  Internacional para a Conservação da Natureza (UICN), em 1948 (CAMARGO, 2003), que tinha o objetivo de incentivar o crescimento da preocupação internacional em relação aos problemas ambientais (LAGO; PÁDUA, 1989).

  A década de 1950 marca a preocupação ecológica apenas na comunidade científica. Na década de 1960, porém, esta preocupação começa a ser relacionada também aos atores do sistema social. Em 1961 é criada a primeira ONG ambiental de espectro verdadeiramente mundial, o Fundo Mundial para Conservação (WWF – World Wide Fund for Nature). Outro marco desta década foi a criação do Clube de Roma, uma ONG criada para debater a crise e o futuro da humanidade (CAMARGO, 2003).

  Já a década de 1970 foi marcada pelo aumento das atividades de regulamentação e de da Lei do Ar Puro, Lei da Água Pura, entre outras (CAMARGO, 2003). Outro fato importante ocorrido na década, considerado marco inicial da relação entre direitos humanos e o meio ambiente, promovido pela ONU em Estocolmo, na Suécia, em 1972, foi a Conferência Mundial de Estocolmo sobre Meio Ambiente (SCHENINI, 2009), onde bases foram firmadas para um novo entendimento a respeito das relações entre o meio ambiente e o desenvolvimento (BARBIERI, 1997) e a questão ambiental começou a ser vista de forma prioritária na agenda internacional (SOUZA, 2002). Como resultado, foi instituído o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA), cujo objetivo era catalisar as atividades de proteção ambiental dentro do sistema de Nações Unidas. A partir da Conferência passou-se a celebrar o dia 5 de junho como Dia Mundial do Meio Ambiente (FRANCO, 2001). Vale lembrar que o Brasil, nesta conferência, ainda defendia o desenvolvimento a qualquer custo em detrimento da preocupação ambiental (BARBIERI, 1997).

  Em 1980 surge, então, pela primeira vez, no documento denominado Estratégia Mundial para a Conservação (EMC), elaborado pela UICN e pelo WWF, por solicitação do PNUMA, a expressão desenvolvimento sustentável (FRANCO, 2001; CAMARGO, 2003). O termo revela uma tentativa inicial de mostrar que desenvolvimento não deve ser visto necessariamente como oposto de preocupação ambiental. Souza (2002) atenta ainda para vínculos positivos que começam a existir entre preservação ambiental e crescimento econômico.

  Em 1983 foi criada pelo PNUMA a Comissão Mundial sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento (CMMAD), cujo propósito era formular propostas realistas para solucionar os problemas críticos do meio ambiente e desenvolvimento do planeta. Em 1987 chega, então, a um relatório denominado Nosso Futuro Comum ou Relatório de Brudtland que se fundamentou em uma análise comparativa entre a situação do mundo no começo e no final do século XX (FRANCO, 2001). Fruto deste relatório, nasce o conceito de desenvolvimento sustentável, que segundo a CMMAD é: “[...] aquele que atende às necessidades do presente sem comprometer a possibilidade de as gerações futuras atenderem a suas próprias necessidades” (CMMAD, 1991, p. 46).

  Desta forma, a CMMAD, além de reconhecer de forma oficial o termo "desenvolvimento sustentável", contribuiu para as suas discussões, o que culminou na Conferência das Nações Unidas sobre o Meio Ambiente e Desenvolvimento (CNUMAD) realizada no Rio de Janeiro em 1992 (FRANCO, 2001).

  A CNUMAD reuniu representantes de 179 países e adotou a chamada Agenda 21 que propõe o fortalecimento e o envolvimento dos governos locais no esforço de alcançar a sustentabilidade (SCHENINI, 2009). A agenda 21 é considerada uma espécie de manual para orientar as nações e as suas comunidades nos seus processos de transição para uma nova concepção de sociedade, se baseando, portanto, em um plano de intenções cuja implementação depende da vontade política dos governantes e da mobilização da sociedade (BARBIERI, 1997).

  Schenini (2009, p. 24) concorda com o pensamento de Barbieri quando defende que “o desenvolvimento sustentável apresenta, além da questão ambiental, tecnológica e econômica, uma amplitude cultural e política, exigindo a participação democrática da sociedade na tomada de decisão para mudanças necessárias na sua implementação”.

  De modo geral, os países começam a entender que as medidas de proteção ambiental não foram inventadas para impedir o desenvolvimento (DONAIRE, 1995). O desenvolvimento sustentável, então, começa a ser visto como balizador entre o desenvolvimento e a preocupação ambiental. No entanto, sua implementação depende da cooperação da sociedade como um todo, englobando indivíduos e organizações.

  A preocupação dos indivíduos com a sustentabilidade está, aos poucos, alcançando elevados patamares. Isto ocorre principalmente porque, conforme ressalta Camargo (2003), a qualidade de vida está profundamente interligada e inserida nas concepções sobre desenvolvimento sustentável.

  As empresas, por sua vez, como produtoras de bens e serviços, são usuárias e transformadoras dos recursos disponíveis, gerando impactos diretos nos ambientes humanos. Desta forma, sua responsabilidade pelo uso socialmente eficiente e sustentável desses recursos vem sendo motivo de preocupações e estudos por parte dos pesquisadores (SCHENINI, 2009).

  Crescentes protestos da população vêm ocorrendo contra os riscos de desastres ecológicos ou da deterioração da qualidade de vida. Diante deste cenário, os governos locais e nacionais são pressionados a implantar normas cada vez mais severas de proteção e conservação e as empresas se vêem forçadas a rever e reformular suas diretrizes e planos referentes ao meio ambiente, uma vez que esta atitude está se tornando rapidamente condição para bons negócios e para a própria sobrevivência no mercado (DONAIRE, 1995).

  Alguns aspectos que vêm contribuindo para a preocupação ambiental das organizações são enumerados por Campos (1996) e ilustrados na Figura 1. Estes aspectos englobam desde fatores que impactam indiretamente as empresas, como o crescimento populacional, até os que impactam diretamente, como as pressões de seus stakeholders.

  

Figura 1 - Aspectos que contribuem para a preocupação ambiental empresarial

Fonte: Campos (1996)

  Dias (2009) argumenta que o desenvolvimento sustentável nas organizações apresenta três dimensões: a econômica, a social e a ambiental, conforme apresentado na Figura 2. Estas dimensões baseiam-se originalmente no conceito de Triple Bottom Line que, segundo Lages

  

et al. (2010), foi promovido por organizações como a GRI (Global Reporting Iniciative) e a

  AA (AccountAbility) e reflete um conjunto de valores, objetivos e processos que uma organização deve focar para criar valor em cada uma das dimensões citadas anteriormente. A sustentabilidade prevê que as empresas têm que ser economicamente viáveis, levando em consideração a rentabilidade, atender as necessidades ambientais, dentre outros aspectos, adotando uma produção mais limpa e oferecendo condições para o desenvolvimento de uma cultura ambiental organizacional e satisfazer os requisitos sociais, proporcionando as melhores condições de trabalho aos seus empregados, contemplando a diversidade cultural, entre outros.

  

Figura 2 - Equilíbrio dinâmico da sustentabilidade

Fonte: Adaptado de Dias (2009)

  As ações ou medidas em prol do desenvolvimento sustentável adotadas pelas empresas em busca das vantagens advindas deste processo são popularmente chamadas de gestão ambiental (SCHENINI, 2009).

  A definição do termo "gestão ambiental" é dada por Dias (2009, p. 89) como "a gestão cujo objetivo é conseguir que os efeitos ambientais não ultrapassem a capacidade de carga do meio onde se encontra a organização, ou seja, obter-se um desenvolvimento sustentável".

  Esta informação é corroborada por Barbieri (1997, p. 25) quando define gestão ambiental como

  as diretrizes e as atividades administrativas e operacionais, tais como, planejamento, direção, controle, alocação de recursos e outras realizadas com o objetivo de obter efeitos positivos sobre o meio ambiente, quer reduzindo ou eliminando os danos ou problemas causados pelas ações humanas, quer evitando que eles surjam.

  A gestão ambiental é adotada pelos negócios por diferentes razões. Callenbach et al. (1993) enumera as seguintes: senso de responsabilidade ecológica, exigências legais, proteção dos interesses da empresa, imagem, proteção dos funcionários, pressão do mercado, qualidade de vida e lucro. Estas razões são ilustradas na Figura 3.

  

Figura 3 - Motivações Empresariais para a Proteção do Meio Ambiente

Fonte: Adaptado de Callenbach (1993)

  A adoção de práticas ambientais por parte das empresas pode ser feita por intermédio de um Sistema de Gestão Ambiental (SGA), que atua com base em normas criadas pelas instituições públicas sobre o meio ambiente. Para Dias (2009, p. 91), um SGA é "a sistematização da gestão ambiental por uma organização determinada. É o método empregado para levar uma organização a atingir e manter-se em funcionamento de acordo com as normas estabelecidas". Barbieri (1997, p. 153) segue a mesma linha de raciocínio e define SGA como "um conjunto de atividades administrativas e operacionais inter-relacionadas para abordar os problemas ambientais atuais ou para evitar o seu surgimento". Uma vez colocado em prática o SGA, as empresas podem ter acesso a selos ambientais, que autenticam práticas utilizadas. Para Dias (2009), a melhor forma de diferenciar os produtos e serviços ambientalmente corretos é a aquisição de um selo ambiental, que deve ser vinculado um sistema de certificação amplamente aceito.

  2.1.1. Normas ISO 14000 As normas ISO são normas desenvolvidas pela International Organization for

  

Standardization (ISO), federação mundial não-governamental criada em 1947, com sede em

  Genebra, na Suíça e formada por órgãos internacionais com o objetivo de desenvolver normas

  2009; BARBIERI, 1997). No Brasil, a representante da ISO é a Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT), também conhecida como Fórum Nacional de Normalização (DIAS, 2009).

  Em 1991, a ISO criou um grupo de assessoria responsável pela área ambiental, denominado Strategic Advisory Group on the Environment (SAGE), que em 1992, estabeleceu um comitê responsável pela elaboração de normas de gestão ambiental (BARBIERI, 1997). Sendo assim, foram criadas as normas ISO 14000, que buscam estabelecer ferramentas e sistemas para a administração ambiental de uma organização (DIAS, 2009).

  A ISO 14000 abrange basicamente seis áreas: (i) sistema de gestão ambiental; (ii) auditoria ambiental; (iii) avaliação do desempenho ambiental; (iv) rotulagem ambiental; (v) aspectos ambientais em normas de produtos; e (vi) análise do ciclo de vida do produto. O eixo central é a ISO 14001, que estabelece os requisitos necessários para a implantação de um Sistema de Gestão Ambiental e tem como objetivo conduzir as organizações a um SGA certificado. A obtenção deste certificado indica que a empresa adota um conjunto de procedimentos para evitar danos ao meio ambiente (SCHENINI, 2009).

  Benito e Benito (2005a) fizeram um estudo com 428 empresas espanholas, com o objetivo de identificar as principais motivações que levam ao interesse pela ISO 14001 e a mudanças de cenário após a aquisição da certificação. Para tanto analisaram variáveis operacionais, referentes à redução de custos e aumento da produtividade, comerciais, associadas ao aumento das vendas e à melhora da posição no mercado, éticas, relacionadas ao desejo dos administradores de melhorar a performance ambiental, contribuindo para o desenvolvimento sustentável e relacionais, ligadas à melhora no relacionamento com os stakeholders .

  Os autores chegaram à conclusão que antes da aquisição da certificação ISO 14001, as principais motivações são operacionais, seguidas pelas éticas e comerciais. Durante o processo de aquisição, as principais são éticas, seguidas pelas operacionais e comerciais e após a aquisição as principais motivações ainda são operacionais, seguidas pelas comerciais e éticas. As motivações relacionais não foram apontadas na pesquisa em momento anterior ou posterior à aquisição. É importante ressaltar que as motivações não se modificaram significativamente após a aquisição da ISO 14001, o que remete ao fato de que a certificação satisfaz as expectativas que a motivam.

  Vale ressaltar que a aquisição da ISO 14001 está ligada à adoção de Sistemas de Gestão Ambiental, que é possível a partir do desenvolvimento de estratégias de Gestão Ambiental.

  2.1.2. Estratégias de Gestão Ambiental A definição de estratégia é dada por Porter (1996), que trabalha com a diferenciação entre estratégia organizacional e eficiência operacional. Para o autor, esta última possui como foco apenas algumas atividades, enquanto a estratégia considera o conjunto de atividades de uma empresa, sendo, portanto, um instrumento capaz de gerar vantagem competitiva às organizações. Desta forma, o autor define a estratégia como a criação de uma posição única e valiosa que engloba um conjunto diferente de atividades.

  Mintzberg e Waters (1985) mencionam que as estratégias podem ser deliberadas ou emergentes, onde as deliberadas consistem nas estratégias planejadas e as emergentes, como o nome sugere, emergem entre o planejamento e a execução, acontecendo, portanto, fora do planejado. As estratégias do mundo real surgem no continuum existente entre estes extremos. Estas estratégias reais podem ser de diversos tipos, algumas mais deliberadas, outras mais emergentes. Os autores concluem, no entanto, que dentre as estratégias citadas, não existe uma mais adequada, a eficiência de cada uma delas vai depender do ambiente no qual se encontram.

  Mintzberg (1973) classifica as estratégias em três diferentes grupos, o empresarial, caracterizado pelo controle centralizado no gestor e pela procura por novas oportunidades, o adaptativo, onde não existem objetivos bem traçados e as atividades são voltadas para a solução de problemas e, por fim, o planejado, onde um planejamento voltado para o alcance de objetivos determinados é traçado. O autor comenta que não existe um grupo ideal, enquanto o adaptativo é mais propício a prosperar em um ambiente instável, o sucesso do planejado será mais facilmente alcançado em um ambiente estável. Além disso, estes grupos podem estar misturados em uma organização de diversas maneiras. Desta forma, o autor sugere que as estratégias devem apresentar rotas alternativas que garantam a flexibilidade necessária para que o gestor possa reagir à ambientes dinâmicos.

  Partindo desta linha de pensamento, as estratégias de gestão ambiental podem ser classificadas como planejadas, onde as empresas adotam estratégias voluntárias e, portanto, pró-ativas, ou adaptativas, onde as empresas utilizam as estratégias obrigatórias mínimas, corretivos e visam apenas à conformidade com as regulamentações, enquanto as políticas proativas consistem em métodos preventivos e podem criar vantagem competitiva.

  Callenbach et al. (1993) distinguem estratégias reativas de pró-ativas por meio da diferenciação entre os termos "gestão ambiental" e "gestão ecológica". Para os autores, este última é utilizada de forma mais ampla e profunda, envolve uma visão mais holística e sistêmica e estratégias mais pró-ativas, enquanto o termo "gestão ambiental" aceita o paradigma mecanicista dominante e abrange estratégias mais reativas. Esta diferenciação pode ser observada de forma mais completa no Quadro 1.

  

Quadro 1 - Comparação entre Gestão Ambiental e Gestão Ecológica

GESTÃO AMBIENTAL GESTÃO ECOLÓGICA

"Superficial" "Profunda"

  VISÃO HOLÍSTICA E SISTÊMICA A auditoria ambiental e outras práticas administrativas ambientais não questionam o paradigma dominante.

  A ecoauditoria questiona o paradigma organizacional dominante e envolve a passagem do pensamento mecanicista para o pensamento sistêmico. Estas ferramentas ambientais vêem a organização como uma máquina que pode ser controlada e adotam o quadro de referência da economia tradicional.

  A gestão ecológica percebe o mundo, a natureza, o organismo humano, a sociedade e as organizações como sistemas vivos, cuja compreensão não é possível apenas sob o prisma econômico.

  Na auditoria de cumprimento podem ser adotados métodos baseados unicamente na quantificação, já que as regulamentações e normas governamentais são quantificadas. Isto reforça o status quo e não fornece orientação alguma para a solução de problemas ambientais urgentes, não contemplados nas medidas governamentais.

  Como a organização é vista como um sistema vivo, ela não pode ser rigidamente controlada por meio de intervenção direta. Porém, pode ser influenciada pela transmissão de orientações e emissão de impulsos. Esse novo estilo de administração é conhecido como administração sistêmica.

  VISÃO ANTROPOCÊNTRICA

  VISÃO NÃO-ANTROPOCÊNTRICA Está associada à idéia de resolver problemas ambientais em benefício da organização.

  É motivada por uma ética ecológica e por uma preocupação com o bem-estar das futuras gerações. Carece de uma dimensão ética e suas principais motivações são a observância das leis e a melhoria da imagem da organização.

  Seu ponto de partida é uma mudança de valores na cultura organizacional (mudança no pensar e agir dos gestores).

  IDEOLOGIA DO CRESCIMENTO ECONÔMICO SUSTENTABILIDADE ECOLÓGICA A gestão ambiental não questiona a ideologia do crescimento econômico, que é a principal força motriz das políticas econômicas e, tragicamente, da destruição do ambiente global.

  A questão ecológica implica o reconhecimento de que o crescimento econômico ilimitado num planeta finito só pode levar ao desastre.

  Busca incessantemente o crescimento econômico irrestrito, entendido em termos puramente quantitativos como a maximização dos lucros ou do PNB.

  A gestão ecológica faz uma restrição ao conceito de crescimento, introduzindo a questão da sustentabilidade ecológica como critério fundamental de todas as atividades de negócios.

  Fonte: Adaptado de Callenbach (1993)

  Com o objetivo de identificar as formas empresariais de interpretação dos problemas ambientais, Sharma (2000) fez uma pesquisa com 99 empresas de petróleo canadenses e as classificou como reativas ou pró-ativas. O autor afirma que esta classificação depende do modo como a administradores percebem os desafios ambientais. Quando encarados como ameaças, as organizações tendem a utilizar estratégias reativas e como oportunidades, tendem a utilizar estratégias pró-ativas. As empresas que tratam os problemas ambientais como oportunidades costumam adotar tecnologias mais inovadoras e são capazes de reduzir a ambigüidade e a imprevisibilidade, enquanto as organizações que tratam problemas ambientais como ameaças não costumam ser inovadoras, por acreditarem que esta ação atrapalha os sistemas de produção.

  Com base em algumas hipóteses, o autor investiga também os fatores do contexto organizacional que influenciam a interpretação dos administradores quanto aos desafios ambientais e conclui que a probabilidade destes desafios serem tratados como oportunidades será maior quanto maior o grau de autonomia do administrador e quanto mais centrais forem as preocupações ambientais para a identidade da empresa.

  Em uma linha de raciocínio complementar, Benito e Benito (2005b) analisaram 186 empresas espanholas do setor industrial com o objetivo de identificar se a pró-atividade ambiental estava relacionada ao tipo de motivação que gerava o uso de práticas ambientalmente corretas. Para tanto, os autores, assim como feito em seu estudo anteriormente mencionado (2005a), dividiram as motivações em éticas, operacionais, comerciais e relacionais. Os resultados mostraram que as motivações comerciais levam a práticas que priorizam transformações mais superficiais e visíveis, as motivações operacionais conduzem a uma transformação mais profunda e menos aparente e as motivações éticas, curiosamente, levam práticas também superficiais e de maior visibilidade. Os autores relacionam esta última afirmação à vontade das empresas com motivações éticas de se distanciarem das críticas sociais. As motivações relacionais não se caracterizaram uma condição para a implementação de práticas ambientais. A hipótese levantada pelos autores de que diferentes motivações levam a diferentes manifestações de pró-atividade ambiental foi confirmada.

  Lau e Ragothaman (1997), por sua vez, tentaram entender como as empresas formulam suas estratégias ambientais. Para isso, realizaram uma pesquisa com 69 empresas americanas da indústria química, questionando os principais motivos pelos quais são adotadas práticas ambientais. O resultado mostrou que o fator mais considerado corresponde às gerência, redução de custos e por último a demanda dos consumidores. Pode-se notar, desta forma, que as estratégias de gestão ambiental adotadas pelas empresas entrevistadas ainda eram predominantemente reativas, já que estavam ligadas ao medo da penalização.

  No entanto, o atendimento às regulamentações pode variar conforme o tipo de organização, o que faz com que existam formas mais ou menos pró-ativas de atendê-las. Visando identificar as estratégias empresariais utilizadas como resposta às pressões ambientais, Brockhoff e Chakrabarti (1999) conduziram um estudo com 106 empresas americanas e alemãs também pertencentes à indústria química e as classificaram em quatro tipos, de acordo com os dados coletados: (i) as defensoras de portfólio, grandes empresas que ocupam um lugar importante no que diz respeito às respostas às regulamentações existentes e antecipação de novas regulamentações, (ii) as escapistas, empresas de médio porte que respondem às regulamentações, mas não as antecipam, dão grande importância para a exploração de novos mercados, (iii) as dormentes, organizações menores que apesar de possuírem uma política ambiental, não publicam relatórios ambientais e (iv) as ativistas, empresas com tamanho semelhante às dormentes, mas antecipam as regulamentações como as defensoras e exploram novos mercados como as escapistas.

  Sob outro ponto de vista, Christmann e Taylor (2002) afirmam que as empresas estão aderindo cada vez mais às estratégias voluntárias, ou seja, deixam de apenas responder às regulamentações. Esta atitude é tomada como forma de lutar contra as pressões ambientais, promovendo os próprios interesses empresariais. Entretanto, a estratégia escolhida varia de acordo com o tipo de problema ambiental encontrado, a percepção da empresa em relação à sua importância estratégica e a quantidade de recursos e capacidades que a organização possui para enfrentá-lo. Sendo assim, os autores enumeram quatro diferentes tipos de estratégias ambientais:

  (i) Pró-ativas: utilizadas para os problemas ambientais que têm importância central para a organização e quando os recursos são suficientes para encará-los. Os problemas são atacados de forma eficaz e a visibilidade é preservada; (ii) Acomodadas: adotadas para problemas ambientais que não têm importância central, mas para os quais a empresa possui fortes recursos e capacidades para enfrentar. As capacidades garantem o ataque à causa, mas os benefícios esperados são poucos; (iii) Defensivas: empregadas para questões ambientais que possuem grande importância estratégica, mas para as quais faltam capacidades para combater. A

  (iv) Reativas: dirigidas para questões ambientais que não são de importância central para a organização e para as quais a empresa possui apenas fracas capacidades para desenvolver soluções. Existe pouca pressão e os problemas ambientais são facilmente ignorados. A importância estratégica é determinada pela avaliação do impacto potencial da questão ambiental sobre a capacidade da empresa para competir com sucesso em seus mercados. Os autores, como exemplo, afirmam que as empresas que usam as estratégias ambientais como fontes de vantagem competitiva podem ser mais afetadas quando a sua reputação de responsabilidade ambiental é danificada do que as empresas que dependem de fontes tradicionais de vantagem competitiva.

  Outro fator considerado pelos autores como capaz de influenciar o tipo de estratégia ambiental a ser adotada corresponde aos recursos e capacidades que a empresa tem disponível para encarar os problemas ambientais vivenciados. Isto ocorre porque diferentes problemas requerem distintas capacidades para o combate. Estas relações podem ser visualizadas na Figura 4.

  

Figura 4- Enquadramento das iniciativas ambientais voluntárias

Fonte: Adaptado de Christmann e Taylor (2002)

  Tendo em vista os conceitos estudados e de modo complementar, Barbieri (2007) propõe uma classificação, na qual as estratégias ambientais são divididas em três diferentes abordagens:

  (i) Controle da poluição: do ponto de vista empresarial, o desafio ambiental é encarado um custo adicional que não agrega valor ao produto. Do ponto de vista ambiental, as práticas são voltadas exclusivamente para o controle da poluição de forma a atender à legislação. (ii) Prevenção da poluição: do ponto de vista empresarial, as práticas ambientais são utilizadas como forma de reduzir custos e aumentar a produtividade da empresa. Do ponto de vista ambiental, busca-se a prevenção da poluição por meio de práticas que envolvem a redução na fonte, reuso e reciclagem e recuperação energética. (iii) Abordagem estratégica: do ponto de vista empresarial, os problemas ambientais são vistos como questões estratégicas, relacionadas com a busca de uma situação vantajosa para o seu negócio. Do ponto de vista ambiental, a empresa busca, além do controle e da prevenção, antecipar os problemas de forma a aproveitar oportunidades mercadológicas. As abordagens que compõem a classificação proposta pelo autor e suas particularidades podem ser visualizadas também no Quadro 2.

  

Quadro 2 - Abordagens das estratégias ambientais

ABORDAGENS CARACTERÍSTICAS Controle da Poluição Prevenção da Poluição Estratégia

  Cumprimento da legislação e respostas às Uso eficiente dos insumos Competitividade Preocupação básica pressões da comunidade Reativa Reativa e Pró-ativa Reativa e Pró-ativa

  Postura típica Corretivas, preventivas e Corretivas Corretivas e preventivas antecipatórias Antecipação de problemas

  Tecnologias de e captura de

remediação e de controle Conservação e substituição

oportunidades utilizando

  Ações típicas do final do processo (end de insumos soluções de médio e longo of pipe) prazos

  Aplicação de normas de Uso de tecnologias limpas Uso de tecnologias limpas segurança

  Percepção dos Redução de custo e aumento Custo adicional Vantagens Competitivas empresários e da produtividade administradores Envolvimento da alta

  Esporádico Periódico Permanente e sistemático direção

  As principais ações Atividades ambientais Ações ambientais ambientais continuam disseminadas pela confinadas nas áreas confinadas nas áreas organização Ampliação

  Áreas envolvidas produtivas produtivas, mas há crescente das ações ambientais para envolvimento de outras áreas toda a cadeia produtiva

  Fonte: Barbieri (2007)

  De forma geral, Berry e Rondinelly (1998) afirmam que as empresas vêm trocando rapidamente suas estratégias reativas por um gerenciamento ambiental proativo. Isto ocorre em razão da vantagem competitiva que esta ação pode conferir às organizações, como, por exemplo, a melhora da sua imagem no mercado que está se tornando cada dia mais concreto tendo em vista o aumento da consciência ambiental dos consumidores (DIAS, 2009). Além da imagem da empresa no mercado, as estratégias pró-ativas conferem à organização a possibilidade de uma maior diferenciação de seus produtos, a redução de seus custos e melhora na produtividade (SHARMA, 2000). Os valores ambientais, portanto, estão se transformando em parte integral das culturas corporativas e processos gerenciais organizacionais (BERRY; RONDINELLY, 1998).

  A mudança nas formas de gerir o meio ambiente pelas organizações, segundo Souza (2002), se deu entre as décadas de 1970 e 1990, quando as mudanças de práticas ambientais deixaram de acontecer apenas em função de sansões legais e sociais e passaram a se integrar às estratégias de negócio, sendo utilizadas com uma maior pró-atividade e vinculadas à melhoria na reputação das empresas. Esta melhoria pode contribuir para a diferenciação dos produtos, redução de custos e alcance de uma melhor posição no mercado, gerando o que o autor chama de relação "ganha-ganha", ou seja, melhores performances ambientais e econômicas passam a ser vistas como aliadas. Este cenário é o principal responsável pela pró- atividade ambiental.

  Dentro deste contexto, Berry e Rondinelly (1998) enumeram as algumas forças capazes de guiar a pró-atividade ambiental nas organizações: (i) Demandas regulatórias – firmas que aplicam práticas de gestão ambiental proativas têm menos problemas com os regulamentos ambientais cada vez mais rígidos; (ii) Fatores de custo – as constantes mudanças e os crescentes custos e complexidade dos regulamentos fazem com que a prevenção de danos ambientais torne-se mais atrativa do que a mera obediência; (iii) Forças dos stakeholders – as exigências cada vez maiores dos stakeholders fazem com que as empresas adotem estratégias proativas; (iv) Requisitos competitivos – o crescente reconhecimento do mercado em relação à importância da proteção ambiental para sustentar a vantagem competitiva gera o aumento da adoção de estratégias proativas com ênfase na integração entre o gerenciamento ambiental e a estratégia corporativa. Benito e Benito (2006), em uma linha de raciocínio complementar à de Berry e determinantes da pró-atividade ambiental. Para tanto, mencionam as três diferentes práticas voluntárias usualmente vistas na literatura, são elas: (i) Práticas planejadas e organizacionais – estabelecem mecanismos que permitem as empresas avançarem de modo racional e coordenado e podem ser exemplificadas pelas certificações ambientais; (ii) Práticas operacionais – caracterizadas por mudanças no sistema produtivo e operacional, voltadas para o desenvolvimento de produtos mais conscientes ou processos produtivos mais limpos; (iii) Práticas de comunicação – consistem na comunicação das práticas utilizadas a favor do meio ambiente ao ambiente social e institucional da empresa. Para os autores, em um primeiro momento, estas práticas podem ser vistas como complementares, onde as práticas planejadas e organizacionais estabelecem a estrutura necessária para a implementação das práticas operacionais e estas, por sua vez, permitem a empresa comunicar seus avanços ao ambiente socioeconômico. No entanto, os distintos resultados alcançados com a aplicação de cada uma destas práticas levam as empresas a agir de forma diferente.

  As práticas planejadas e organizacionais possuem um grande impacto na opinião pública e as práticas de comunicação possuem objetivos comerciais e buscam cultivar o relacionamento socioeconômico das organizações. Entretanto, estas práticas influenciam o desempenho do negócio mais do que a desempenho ambiental, visto que possuem uma maior visibilidade externa, possuem potencial influência nas opiniões dos stakeholders e atraem o consumidor verde. As práticas operacionais, por sua vez, podem realmente mudar a desempenho ambiental da empresa, já que reduzem o consumo de recursos naturais e a geração de lixo, mas possuem menos visibilidade externa e, com isso, são menos percebidas pelo ambiente socioeconômico. Esta realidade faz com que as estratégias empresariais mais oportunistas utilizem fundamentalmente práticas planejadas e organizacionais e de comunicação, com o mínimo possível de práticas operacionais. Desta forma, uma sincera pró- atividade ambiental não deve ser baseada apenas em práticas externas e aparentes, mas também em uma análise das reais transformações ambientais positivas geradas.

  Com base neste argumento, os autores apontam as variáveis capazes de influenciar o caminho para uma pró-atividade mais sincera: (i) Aspectos organizacionais – tamanho da organização, nível de internacionalização, posição na cadeia de valor, atitudes e motivações gerenciais e atitudes estratégicas;

  (iii) Fatores externos – o setor industrial, abrangendo os riscos ambientais e a localização geográfica. Um dos fatores destacados pela literatura como capazes de afetar a gestão ambiental corresponde à atuação da empresa no mercado externo. Diversos aspectos indicam que esta internacionalização pode impactar de forma positiva as práticas de gestão ambiental. Dentre eles estão o aumento da regulamentação internacional, a maior pressão dos stakeholders externos e as exigências dos consumidores estrangeiros advindas das diferenças culturais existentes entre diferentes países. Estes fatores são mais explorados no item a seguir.

  2.2. INTERNACIONALIZAđấO DE EMPRESAS Calof e Beamish (1995, p. 116, tradução nossa) definem a internacionalização de empresas como “um processo de adaptação das operações de uma empresa (estratégia, estrutura, recursos, dentre outros fatores) aos ambientes internacionais”.

  Quando as estratégias internacionais alcançam o sucesso, as empresas podem obter alguns benefícios: (i) aumento do tamanho do mercado; (ii) maior retorno no investimento de capital ou no investimento em novos produtos e processos; (iii) economia de escala; (iv) facilidades encontradas em outros países como mão-de-obra barata, fontes de matéria-prima e consumidores; (v) extensão do ciclo de vida dos produtos; (vi) novas oportunidades de negócio (HITT; IRELAND; HOSKISSON, 2001).

  Existem três abordagens, segundo Fleury e Fleury (2006), pelas quais a internacionalização pode ser estudada. A primeira consiste na perspectiva de racionalidade econômica, que busca o entendimento dos motivadores econômicos e das vantagens competitivas advindas com a internacionalização. A segunda diz respeito à estratégia e estrutura e é baseada nas dimensões de configuração, relacionada à distribuição espacial e funcional das unidades produtivas, e coordenação, que corresponde aos sistemas e mecanismos de integração. A terceira e última abordagem considera os aspectos comportamentais e culturais como os principais determinantes do processo de internacionalização.

  Tendo em vista os objetivos desta pesquisa, a terceira abordagem será estudada em maior profundidade. Seu principal modelo teórico consiste na Escola Nórdica de Negócios Internacionais.

  2.2.1. A Escola Nórdica de Negócios Internacionais Proposto em 1977 (KUAZAQUI et al., 2009), o modelo de Uppsala, que mais tarde deu origem à Escola Nórdica de Negócios Internacionais, se baseia em algumas proposições e conceitos fundamentais sobre internacionalização. Tendo seus princípios como base, a internacionalização de uma firma pode ser vista como conseqüência de seu crescimento, ou seja, quando o mercado doméstico está saturado e o número de oportunidades lucrativas diminui, deve-se buscar novos mercados para expansão (HILAL; HEMAIS, 2003). Em razão da incerteza gerada por esta ação, a expansão geralmente ocorre para países similares, ou seja, com menor distância psíquica em relação ao país de origem (JOHANSON; WIEDERSHEIM- PAUL, 1975). A distância psíquica pode ser definida como a soma dos fatores que impedem o fluxo de informações de e para o mercado estrangeiro, como por exemplo, diferenças de linguagem, cultura ou desenvolvimento industrial (JOHANSON; WIEDERSHEIM-PAUL, 1975; KUAZAQUI et al., 2009).

  Dentro desta perspectiva, o processo de internacionalização nessa escola é visto como uma seqüência de passos graduais de natureza incremental, escolhidos tanto com base na seleção dos mercados como nos modos de operação. As empresas procuram entrar primeiro em mercados menos distantes psiquicamente, partindo gradualmente para os mais distantes e, como uma forma de evitar o risco, exportam na forma de uma trajetória de compromisso gradualmente crescente de recursos, começando por intermédio de um agente, depois por meio de uma subsidiária de vendas, para mais tarde iniciar a produção no país estrangeiro (JOHANSON; WIEDERSHEIM-PAUL, 1975; HILAL; HEMAIS, 2003; KUAZAQUI et al., 2009).

  A Escola Nórdica, por sua vez, lida com as principais controvérsias do modelo de Uppsala e amplia suas linhas de pesquisa, baseando-se em questões culturais e em estudos sobre network.

  Uma das controvérsias do modelo de Uppsala consiste na teoria da distância psíquica. Esta teoria é reavaliada pela Escola Nórdica. Segundo Hilal e Hemais (2003), esta escola defende que a distância psíquica é uma noção subjetiva, englobando níveis variados de ansiedade e incerteza. De acordo com a Escola Nórdica, em nível individual, os tomadores de

  

decisão têm que lidar com os seguintes fatores: (i) influência das networks como redutoras do

sentimento de ansiedade; (ii) realidade das percepções assimétricas, que fazem com que a

distância psíquica de A para B possa não ser igual que a de B para A; (iii) paradoxo de

  

percepção de diferenças talvez não tão evidentes, mas não menos relevantes. Essa abordagem,

embora comportamental, não reconhece a influência da distância psíquica como aspecto

decisivo na escolha dos mercados de entrada e questiona a seqüência de modos de entrada

defendidos no modelo original da Escola de Uppsala (HILAL; HEMAIS, 2003).

  Johanson e Wiedercheim-Paul (1975) já consideravam a distância psíquica um fator inconstante, que se altera em razão dos meios de comunicação, comércio e outros tipos de intercâmbio social. Além disso, os autores afirmam que a distância psíquica não é o único fator importante para as operações internacionais. Para Johanson e Vahlne (2003), os estudos sobre a entrada e expansão gradual das empresas indicam as redes de relacionamentos existentes e o aprendizado sobre mercados estrangeiros, por exemplo, como fatores fundamentais a serem considerados durante o processo de internacionalização. Os autores defendem a revisão do conceito de distância psíquica e citam a confiança como um aspecto que talvez precise ser incluso neste modelo revisado.

  A Escola Nórdica desenvolve a teoria da network, que se baseia nos laços sociais que se formam entre os atores que mantêm relacionamentos de negócios (BJÖRKMAN; FORSGREN, 2000). Para Johanson e Mattsson (1988), os relacionamentos comerciais que as empresas desenvolvem em outros países são a base de sua internacionalização. Na mesma linha de raciocínio, Johanson e Vahlne (2003) definem network como um conjunto de relacionamentos comerciais interconectados. Para os autores, durante o processo de construção de relacionamentos os parceiros aprendem uns sobre os outros a respeito de necessidades, recursos, estratégias e contextos de negócio. Tendo em vista este aprendizado, Amdam (2009) argumenta que a network pode ser considerada uma dimensão da distância psíquica, já que a existencia de relacionamentos pode colaborar para a diminuição da distância psíquica existente, facilitando o processo de internacionalização. Construir relacionamentos, segundo Johanson e Vahlne (2003), requer recursos e tempo, mas uma vez construidos podem oferecer grandes oportunidades para a expansão internacional.

  Desta forma, Andersson e Johanson (apud HILAL; HEMAIS, 2003), seguindo uma linha de raciocínio similar, afirmam que, de acordo com as proposições da Escola Nórdica, o grau de internacionalização não está relacionado apenas com a quantidade de recursos investidos no exterior ou com migração das atividades de produção, mas com a exploração dos relacionamentos potenciais que a empresa possui.

  Na visão de Björkman e Forsgren (2000), o foco da teoria da network encontra-se na forma como o relacionamento entre atores existentes podem influenciar a entrada de novas características das empresas individuais como forças capazes de guiar a internacionalização, a

  

network leva em consideração todo o contexto no qual a organização está inserida. Desta

  forma, a teoria da network sugere que o grau de internacionalização da empresa reflete o grau de internacionalização da network na qual ela está inserida, ou seja, uma empresa pode ter a maioria de seus ativos físicos localizados no país de origem e ainda assim ser um importante ator na network internacional. Com base nesta teoria, quanto maior for o relacionamento que a organização mantém com o mercado externo, maior será o seu nível de internacionalização.

  Como este estudo será feito na área da hotelaria, a internacionalização será tratada também na perspectiva dos serviços. O mercado de serviços difere substancialmente do mercado de bens de consumo em suas características mais básicas. Desta forma, conforme será visto no próximo item, as teorias sobre internacionalização vistas até então são reformuladas para que possam atender a este novo cenário.

  2.2.2. Internacionalização de Serviços O interesse na internacionalização dos serviços é recente. Isto ocorre em razão do aumento de sua proporção no comércio mundial e do reconhecimento pelos estudiosos de sua importância como força de dinamização da economia global (CLARK et al., 1996). Segundo dados da United Nations Conference on Trade and Development, UNCTAD (2009), a movimentação financeira gerada pelas exportações de serviços no Brasil aumentou cerca de 250% entre os anos de 2002 e 2007.

  O serviço, segundo Kotler (2000, p. 448) pode ser visto como "qualquer ato ou desempenho, essencialmente intangível, que uma parte pode oferecer a outra e que não resulta na propriedade de nada. A execução de um serviço pode estar ou não ligada a um produto concreto."

  Os serviços possuem algumas características que os diferem dos bens, tais como a intangibilidade, uma vez que não podem ser vistos, sentidos, ouvidos, cheirados ou provados, a inseparabilidade, visto que a produção e o consumo são simultâneos, a variabilidade, pois um serviço nunca poderá ser repetido de modo exatamente igual e a perecibilidade, já que não podem ser estocados (CARNEIRO et al., 2008).

  São estas características que fazem com que a internacionalização dos serviços seja diferente da internacionalização de bens. O General Agreement on Trade in Services (GATS), elaborado pela Organização Mundial do Comércio (OMC), classifica os modos de oferta dos serviços em quatro tipos, propostos em razão da localização dos consumidores e prestadores do serviço (WTO, 2009): (i) Modo 1 (O Comércio Além-Fronteiras) – o serviço é prestado em um território e consumido em outro; (ii) Modo 2 (Consumo no Exterior) – o serviço é prestado e consumido no território do prestador do serviço, exigindo a movimentação do consumidor. (iii) Modo 3 (Presença Comercial) – o serviço é prestado e consumido no território do consumidor, exigindo a mobilidade do prestador do serviço. (iv) Modo 4 (Presença de Pessoas Naturais) – o serviço é prestado por meio da movimentação de pessoas físicas ao território do consumidor. Esta classificação refuta a teoria da não-comercialização dos serviços, já que considera quatro diferentes formas em que podem ser comercializados. A teoria da network proposta pela Escola Nórdica pode ser aplicada para o mercado de serviços, já que a internacionalização de algumas destas formas de comercialização pode não ser facilmente mensurada, uma vez que não exigem a migração das atividades produtivas para o país estrangeiro, como ocorre no Modo 2. Neste caso, o grau de internacionalização pode ser medido através do grau de internacionalização da network na qual a empresa está inserida, seguindo a linha de raciocínio de Björkman e Forsgren (2000).

  A aplicabilidade dos pressupostos do modelo de Uppsala nas empresas prestadoras de serviços também pode ser questionada. Para Carneiro et al. (2008) esta análise pode ser feita a partir da classificação deste mercado em subcategorias, já que os prestadores de serviços não pertencem a uma classe homogênea.

  Dentre as diversas classificações possíveis para a internacionalização de serviços, pode-se citar as contribuições de Clark et al. (1996), que a diferencia a partir da forma pela qual os serviços cruzam as fronteiras nacionais, conforme segue:

  (i) Serviços baseados no contato – pessoas (produtores ou consumidores) se movimentam para dentro ou para fora de determinado país para realizar as operações (por exemplo, serviços de consultoria e de turismo). (ii) Serviços baseados em veículos facilitadores – o serviço é prestado por meio de veículos, tais como cabos, satélites ou antenas. A fronteira nacional é cruzada por sinais eletromagnéticos. (iii) Serviços baseados em ativos – ativos físicos cruzam a fronteira para que o serviço seja prestado. A implantação de uma plataforma operacional no país de destino é

  (iv) Serviços baseados em objetos – objetos portadores dos serviços cruzam a fronteira (por exemplo, DVDs com filmes e softwares gravados em mídia eletrônica). Carneiro et al. (2008) analisam a aplicabilidade do modelo de Uppsala para cada um destes tipos de serviços e afirmam que alguns destes possuem certas características que se opõem a uma trajetória de compromisso gradualmente crescente de recursos ou tornam a distância psíquica um aspecto menos relevante, violando dois conceitos básicos do modelo de Uppsala.

  Os autores comentam, por exemplo, que os serviços baseados no contato pessoal não podem comprometer recursos de forma gradual, já que precisam ser oferecidos de forma integral, desde o início, devido à simultaneidade de produção, distribuição e consumo e são de difícil padronização, podendo exigir mais controle e participação (e, portanto, um compromisso maior de recursos). Existem diferenças entre os serviços também no que tange à distância psíquica. Os autores afirmam que os serviços serão mais imunes às diferenças culturais quanto menor for o contato pessoal existente. Segundo Clark et al. (1996), enquanto os serviços baseados no contato requerem interação direta entre as culturas durante a transação, os serviços baseados em objetos usualmente não. Sendo assim, o modelo de Uppsala pode não afetar universalmente e homogeneamente todos os tipos de serviços (CARNEIRO et al., 2008).

  Clark et al. (1996) afirmam, no entanto, que o mercado internacional de serviços é particularmente mais sensível às variações culturais do que o mercado de bens de consumo. Isto ocorre em razão da interação direta que acontece na simultaneidade da produção de do consumo. Os autores classificam os serviços baseados no contato como os mais puros da categoria, em virtude de contarem com todas as clássicas características dos serviços – intangibilidade, heterogeneidade, perecibilidade, inseparabilidade. Desta forma, a teoria da distância psíquica proposta pelo modelo de Uppsala não apenas pode ser aplicada ao mercado de serviços, como parece ser adequada para analisá-lo.

  As diferenças culturais existentes entre os países interferem diretamente na distância psíquica existente entre eles. Para Cavusgil et al. (2010, p. 100), "a cultura refere-se aos padrões de orientação aprendidos, compartilhados e duradouros em uma sociedade". Segundo os autores, mais do que qualquer outra característica, a cultura é capaz de sinalizar diferenças entre as sociedades com base em idioma, hábitos, costumes e modos de pensar. As pessoas podem demonstrá-la através de idéias, atitudes, valores, comportamentos e símbolos. Quando uma empresa busca a internacionalização, ela deve não apenas aprender a respeitar as comerciais, mas adaptar seus negócios a elas. Isto é importante porque os aspectos culturais possuem uma base maciça de pressupostos, atitudes e valores que podem influenciar fortemente os relacionamentos e a tomada de decisões.

  Um fator que pode ser atrelado à cultura de uma sociedade corresponde ao comportamento das pessoas em relação ao meio ambiente. Esta relação será explorada no item a seguir.

  2.2.3. Internacionalização e Gestão Ambiental Benito e Benito (2006) afirmam que a internacionalização é capaz de influenciar positivamente a gestão ambiental empresarial porque através dela acontece uma maior troca de conhecimentos entre países, facilitando a adoção de novas práticas e a imitação de organizações mais avançadas. Além disso, os autores afirmam que as empresas tendem a aumentar sua pró-atividade ambiental em função dos rigorosos requisitos vigentes nos respectivos países onde atuam.

  Christmann e Taylor (2001) entrevistaram 101 empresas de diferentes países com o objetivo de analisar a relação existente entre a internacionalização e a adoção uma postura pró-ativa no que diz respeito às práticas ambientais utilizadas. Os resultados mostraram que a internacionalização afeta positivamente o atendimento às regulamentações e a adoção de práticas mais pró-ativas. Além disso, as empresas estabelecidas em países em desenvolvimento que vendem seus produtos para consumidores estrangeiros e para países desenvolvidos mostraram adotar ações mais favoráveis à pró-atividade ambiental do que as demais.

  Segundo os autores, esta atitude deriva das altas pressões dos stakeholders, inclusive de consumidores estrangeiros, às quais as organizações com atuação internacional estão sujeitas. As vantagens do uso de estratégias voluntárias residem no aumento da auto- regulação empresarial gerado por esta prática, que ultrapassa muitas vezes as regulamentações nacionais, fazendo com que as empresas deixem de sofrer com as diferenças de pressões ambientais entre países. A melhor adequação aos regulamentos internos percebida nas organizações estudadas acontece porque, com outros requisitos mais relevantes, as regulamentações governamentais nacionais se tornam um determinante de conduta ambiental menos importante.

  A pressão dos consumidores estrangeiros é citada pelos autores porque o Plumwood (2002), a preocupação com o meio ambiente é uma questão cultural que deve ser trabalhada para que se possa melhorar as práticas ambientais e gerar resultados positivos para o planeta. Shamdasani et al. (1993) conduziram uma pesquisa com 207 consumidores de Cingapura e concluíram que o comportamento dos consumidores ecologicamente corretos é guiado pelos seus valores e personalidade. Os autores comentam que campanhas governamentais podem gerar atitudes, mas não são capazes de mudar comportamentos, já que estes derivam dos ideais culturais de cada consumidor.

  A relação entre a cultura e o comportamento ambiental fica evidenciada também na pesquisa realizada por Montgomery e Stone (2009). Com o objetivo de investigar a ligação existente entre a sensibilidade ambiental e a origem cultural, os autores entrevistam 459 consumidores de 5 diferentes países – Azerbaijão, Itália, Espanha, Estados Unidos e Venezuela. Os resultados mostraram diferenças significativas entre o comportamento ambiental dos consumidores de diferentes culturas.

  Contrariando as hipóteses levantadas pelos autores, os consumidores provenientes de países menos desenvolvidos economicamente, como é o caso da Venezuela e do Azerbaijão, apresentaram preocupações ambientais individuais mais elevadas, enquanto os oriundos de países mais desenvolvidos, como Estados Unidos e Itália, se mostraram menos preocupados com o meio ambiente.

  Tendo em vista os resultados das pesquisas mencionadas, é possível afirmar que o comportamento ambiental dos consumidores pode variar entre diferentes países. Como a satisfação dos clientes faz parte dos objetivos das empresas, esta variação faz com que a internacionalização, uma vez atrelada à venda de produtos e serviços para o público estrangeiro, possa afetar as práticas ambientais organizacionais. Esta relação é possível também no mercado de serviços, principalmente no que diz respeito à pressão dos consumidores estrangeiros, haja vista a origem cultural na qual se fundamenta este argumento. Esta afirmação é baseada nas proposições de Clark et al. (1996) de que o mercado internacional de serviços é mais sensível às variações culturais do que o mercado de bens em razão da interação direta que acontece na simultaneidade da produção e do consumo inerente aos serviços.

  2.3. TURISMO E HOTELARIA O turismo vem evoluindo de forma significativa nas últimas décadas. Ruschmann primeira ocorreu no século XVIII e se caracterizou pela descoberta da natureza e das comunidades receptoras, movida pela curiosidade. A segunda fase foi baseada em um turismo dirigido e elitista, ocorrido no final do século XIX e início do século XX. A terceira fase corresponde ao turismo em massa, que começa a acontecer a partir dos anos 50 e tem seu apogeu nos anos 70 e 80.

  Desde então a atividade turística tem ganhado atenção em virtude de seu crescimento acelerado em todo o mundo, em particular no Brasil. O Quadro 3 mostra o aumento da entrada de turistas estrangeiros no Brasil nos últimos 38 anos.

  

Quadro 3 - Entrada de turistas estrangeiros no Brasil

Ano Entrada de turistas

  1970 249.900 1975 517.967

1980 1.625.422

1985 1.735.982

1990 1.091.067

1995 1.991.416

2000 5.313.463

2001 4.772.275

2002 3.784.898

2003 4.132.847

2004 4.793.703

2005 5.358.170

2006 5.018.991

2007 5.025.834

2008 5.050.099

Fonte: FGV/Ebape; Mtur/Embratur (2010a)

  Segundo dados do Banco Central, os gastos de turistas estrangeiros em visita ao Brasil, em 2008, somaram US$ 5,785 bilhões, representando incremento de 16,82% em relação aos US$ 4,952 bilhões registrados em 2007. A Embratur analisou oito segmentos do turismo no Brasil (agências, aéreo, locadoras, hotelaria, receptivo, operadoras, feiras, rodoviário) e para 95% do mercado consultado, a economia do turismo cresceu em 2008. Essa percepção positiva em relação ao setor de turismo pode ser verificada com o desempenho do faturamento que, nos últimos anos, apresentou uma tendência de expansão. A variação média percentual foi de 24,1%, em 2004; 17,3% em 2005; 29,3% em 2006; 14,8% em 2007; e de 26,7% em 2008 (FGV/EBAPE; MTUR/EMBRATUR, 2010b).

  De acordo com a pesquisa, 99% dos meios de hospedagem acreditam que a economia brasileira demonstrou, em 2008, desempenho superior ao de 2007. Este setor apresentou uma evolução do faturamento, como o observado em 2008 (+19,9%), em 2007 (+12,9%), em 2006 (+12,0%), em 2005 (+23,5%) e em 2004 (+17,5%).

  Segundo dados da Associação Brasileira da Indústria de Hotéis (ABIH, 2010), o setor hoteleiro no Brasil conta com cerca de 18 mil meios de hospedagem, com uma oferta de 1,1 milhões de quartos, tomando-se por base uma média de 60 quartos por hotel. A importância do segmento hoteleiro, seja para a economia ou para a sociedade brasileira, são fatores indiscutíveis. Os negócios do turismo já representam 4% do PIB, com influência em 52 segmentos diferentes da nossa economia. E considerando que a hotelaria se revela a espinha dorsal do turismo, pode se avaliar a sua importância e influência neste contexto. Além disso, a indústria hoteleira assume o seu papel de grande gerador de empregos, oferecendo mais de 500 mil vagas diretas. A atual dimensão deste setor faz com que ele gere mudanças significativas no meio natural.

  2.3.1. Turismo Sustentável O turismo, como qualquer outra atividade humana, exerce impactos sobre o meio ambiente, já que consome combustíveis, eletricidade, alimentos e outros recursos da água e da terra, gerando lixo e emitindo poluentes (PIRES, 2010). Além disso, o turismo em massa sobrecarrega a carga de infra-estrutura de saneamento básico (RIBEIRO; STIGLIANO, 2010), atinge a vida selvagem por meio da aproximação e agitação excessivas e da alimentação induzida e danifica áreas naturais, uma vez que são frequentemente expostas, por exemplo, a grandes volumes de atividades náuticas ou usos descontrolados de trilhas (PIRES, 2010).

  Lemos (1999) comenta que a grande quantidade de turistas e veranistas que surgem nas temporadas altera ou destrói as culturas locais, eliminando com elas a possibilidade de realização de qualquer atividade integrada ao meio natural específico da região visitada. Esta desconsideração dos elementos culturais locais no planejamento e desenvolvimento de atividades turísticas está profundamente relacionada à degradação ambiental.

  A partir deste contexto e tendo como base a evolução do turismo, Ruschmann (1997) elemento de destaque do produto turístico. A deterioração da qualidade de vida nas grandes cidades faz com que um número cada vez maior de pessoas procure justamente as regiões com belezas naturais mais abundantes e climas mais agradáveis, ou seja, áreas mais frágeis ecologicamente (PIRES, 2010). Esta situação faz com que o turismo apresente uma situação contraditória em relação ao meio ambiente, tendo em vista o amplo dano provocado e a necessidade de controle sobre estes impactos como forma de sobrevivência, já que a natureza é considerada sua principal fonte de recursos (RIBEIRO; STIGLIANO, 2010). Dentro deste contexto, surge a expressão "turismo sustentável".

  Lu e Nepal (2009) revisaram o conteúdo de 341 artigos dos primeiros 15 volumes da revista Journal of Sustainable Tourism com o objetivo de analisar a evolução do termo "turismo sustentável". Para os autores, este conceito se aperfeiçoou no decorrer do tempo. Nos artigos mais antigos, o turismo sustentável referia-se apenas à perturbações mínimas em ambientes intactos e nos mais recentes passa a abordar uma grande variedade de ambientes naturais e construídos. O termo deixa de ser considerado um tipo específico de produto turístico e se transforma em uma meta a ser alcançada e a sustentabilidade torna-se um conceito prático, até mesmo para o turismo de larga escala.

  Sendo assim, o Turismo Sustentável atinge a sua forma atual e passa a ser definido pela OMT (IRVING et al., 2005, p. 3) como

  aquele ecologicamente suportável em longo prazo, economicamente viável, assim como ética e socialmente eqüitativo para as comunidades locais. Exige integração ao meio ambiente natural, cultural e humano, respeitando a frágil balança que caracteriza muitas destinações turísticas, em particular pequenas ilhas e áreas ambientalmente sensíveis.

  Ruschmann (1997) menciona como aspecto principal para que o turismo sustentável possa acontecer, a criação de uma cultura turística. Esta ação objetiva a mudança de comportamento dos visitantes, já que usualmente estes agem de forma alienada em relação ao meio que visitam. Este comportamento, segundo o autor, deriva do entendimento de seu tempo livre como sagrado, sendo possível assim usufruir como desejar daquilo pelo qual se paga. Além disso, os turistas costumam acreditar que seu tempo reduzido de permanência no local não agride o meio natural. Budeanu (2007) afirma que apesar das declarações de atitudes positivas no que diz respeito ao meio ambiente, poucos turistas escolhem de fato produtos ecologicamente corretos, meios de transporte limpos ou fazem uso de comportamentos responsáveis em relação às comunidades de destino. Para a autora, este comportamento pode ser visto como uma barreira ao turismo sustentável.

  Ribeiro e Stigliano (2010) concordam com as opiniões anteriormente mencionadas, porém, entendem que é necessário pensar no turismo em seus dois lados: a produção e o consumo. Para os autores, não são apenas os turistas os responsáveis pelos problemas de ordem ambiental das localidades, mas também, e em grande medida, aqueles que produzem a infra-estrutura, os equipamentos e os serviços para os turistas. Santos (2006) afirma que, assim como os demais setores industriais, a hotelaria gera resíduos que provocam impactos ao meio ambiente, bem como utiliza recursos naturais considerados limitados, devendo, portanto, se preocupar com o desenvolvimento sustentável e com a promoção do turismo responsável.

  Com o objetivo de identificar os fatores que afetam a implementação de estratégias de marketing verdes na hotelaria, Dief e Font (2010) fizeram um estudo com 194 meios de hospedagem no Egito. Os resultados mostraram que a pró-atividade das estratégias ambientais é maior nos meios de hospedagem pertencentes a cadeias internacionais. Uma razão consiste nas exigências dos consumidores estrangeiros, em especial daqueles provenientes de países desenvolvidos, já que a preocupação ambiental varia conforme a nacionalidade dos consumidores. Os autores explicam que os empreendimentos internacionalizados são mais propensos a adotar estratégias ambientais pró-ativas para manter a sua legitimidade e credibilidade aos olhos dos seus stakeholders.

  Estas afirmações vão ao encontro dos resultados das pesquisas de Christmann e Taylor (2001), Shamdasani et al. (1993) e Montgomery e Stone (2009) mencionadas anteriormente, que mostram um impacto positivo da internacionalização na adoção de práticas ambientais pró-ativas no que diz respeito à pressão dos consumidores estrangeiros, tendo em vista que o comportamento dos consumidores ecologicamente corretos é guiado pelos seus valores e personalidade, provenientes das culturas de seus países de origem.

  A adoção de práticas ambientais nos meios de hospedagem pode ser realizada por meio da utilização de normas que estabeleçam os requisitos mínimos para este fim. Sendo assim, a promoção do turismo sustentável pode partir da implementação de um Sistema de Gestão Ambiental ligado a um mecanismo de certificação amplamente aceito e adequado para este ramo de atividade. Neste sentido, descreve-se a seguir a NBR 15401, criada para o setor turístico.

  2.3.2. Certificação do Sistema de Gestão Ambiental para o Setor Turístico – NBR 15401 A NBR 15401 (2006) foi criada no dia 30 de novembro de 2006 com o objetivo de de suas atividades de acordo com os princípios do turismo sustentável. A Norma aplica-se a todos os tipos e portes de organizações e adéqua-se a diferentes condições geográficas, culturais e sociais, com atenção particular à realidade e à aplicabilidade nas pequenas e médias empresas. Nela são estabelecidos requisitos objetivos que podem ser utilizados tanto para fins de certificação como para auto-avaliações dos estabelecimentos.

  A Norma leva em conta os requisitos legais e contém informações referentes aos impactos ambientais, socioculturais e econômicos significativos, aplicando-se aos aspectos que podem ser controlados pelo estabelecimento ou sobre os quais ele possa exercer influência. Os princípios do Turismo Sustentável nos quais a NBR 15401 se baseia são os seguintes:

  (i) Respeito à legislação vigente (ii) Garantia dos direitos das populações locais (iii) Conservação do ambiente natural e sua biodiversidade (iv) Consideração do patrimônio cultural e de valores locais (v) Estímulo ao desenvolvimento social e econômico dos destinos turísticos (vi) Garantia de qualidade dos produtos, processos e atitudes (vii) Estabelecimento de planejamento e gestão responsáveis Com base nestes princípios, a Norma elabora requisitos ambientais, socioculturais e econômicos para o turismo sustentável. Como requisitos ambientais são estabelecidas práticas quanto aos seguintes aspectos:

  (i) Preparação e treinamento a emergências ambientais. Para este fator, a Norma expõe o seguinte:

  5.1.1 O empreendimento deve estabelecer e manter procedimentos para identificar o potencial de risco, para prevenir a ocorrência e atender acidentes e situações de emergência na área do empreendimento ou por ele causados, bem como para mitigar os impactos ambientais deles decorrentes. O empreendimento deve também testar periodicamente tais procedimentos.

  5.1.2 O empreendimento deve analisar e revisar, onde necessário, seus procedimentos de preparação e atendimento a emergências, em particular após ocorrência de acidentes ou situações de emergência (NBR 15401, 2006)

  (ii) Áreas naturais, flora e fauna. Os requisitos abaixo são estabelecidos para este aspecto:

  5.2.2 Como parte do comprometimento do empreendimento com a conservação de áreas naturais, o empreendimento deve: a) conservar área natural própria, empregando as boas práticas de proteção e manejo e conforme o previsto na legislação; b) quando não possuir uma área natural própria, apoiar a proteção e manejo de áreas

  Convém que o empreendimento participe nas ações da gestão das áreas naturais protegidas.

  5.2.3 O empreendimento deve tomar medidas para promover a proteção da flora e da fauna. Estas medidas devem incluir, quando apropriado: a) não permitir a comercialização de espécies da flora e fauna silvestres no empreendimento sem autorização legal; b) não manter animais silvestres em cativeiro, exceto para reabilitação temporária ou como parte de um programa para reprodução ou reintrodução, com as devidas autorizações legais;

  c) prevenção da coleta, captura, molestação, transporte ou uso de espécies da flora e fauna silvestres por parte dos seus clientes ou pessoas envolvidas nas atividades do empreendimento;

  d) prevenção do uso predatório de matéria-prima proveniente de espécies da flora e fauna silvestres; e) ações específicas para a proteção das espécies ameaçadas ou em perigo existentes na propriedade do empreendimento; f) cuidados com os impactos luminosos e sonoros, de modo a minimizar possíveis mudanças do comportamento dos animais; g) prevenção da domesticação de animais silvestres mediante o uso de alimentação artificial; h) promoção de ações educativas.

  (iii) Arquitetura e impactos da construção no local. Os seguintes requisitos são levantados:

  5.3.1 A arquitetura do empreendimento deve ser integrada à paisagem, minimizando os impactos da implantação durante a construção, a operação e quando houver obras de reparo, ampliações ou outros tipos de alterações, adequados à legislação.

  5.3.2 Devem ser tomadas medidas para:

  a) minimizar alterações significativas na paisagem local, provocadas pelo projeto arquitetônico e pelos movimentos de terra; b) minimizar a impermeabilização do solo;

  c) minimizar a remoção de vegetação nativa;

  d) evitar a interrupção da movimentação e reprodução da vida silvestre;

  e) implementar um programa para proteger a vegetação nativa, conservar os ecossistemas, nascentes e cursos d’água, a paisagem natural e a conservação dos solos;

  f) não utilizar materiais derivados de espécies ameaçadas na construção, acabamento ou decoração; g) monitorar e mitigar a erosão;

  h) assegurar uma destinação final adequada para os resíduos não aproveitados na construção.

  5.3.3 Quando existirem áreas degradadas sem uso específico pelo empreendimento, devem ser tomadas medidas para a sua recomposição.

  5.3.4 Convém que se utilizem materiais de construção disponíveis na região, originados de fontes sustentáveis, que se considere o uso das técnicas tradicionais, que se evite usar materiais de construção com grande impacto ambiental e que se procure tomar medidas de compensação ambiental para os materiais usados no empreendimento.

  5.3.5 A arquitetura das construções deve ser compatível com o entorno físico e cultural. Para tanto, aplicam-se os seguintes requisitos:

  • a volumetria deve ser harmônica com o entorno e não deve descaracterizar os ambientes natural e cultural;
  • devem-se manter as características do relevo local;
  • devem-se tomar medidas para diminuir o impacto visual da infra-estrutura de suporte (por exemplo, recorrendo ao uso de vegetação natural ou à topografia).

  5.3.6 No caso de construções urbanas em locais de interesse arquitetônico, a sua arquitetura deve manter harmonia com o ambiente existente. Convém que em novos

empreendimentos seja feita uma consulta prévia à comunidade.

  (iv) Paisagismo. Para este fim, são estabelecidos os requisitos abaixo:

  5.4.1 O planejamento e a operação do paisagismo do empreendimento devem ser efetuados minimizando os impactos ambientais. Para tanto, cuidados devem ser tomados para que:

  a) o paisagismo reflita o ambiente natural do entorno, inclusive com o uso de espécies nativas, desde que não sejam provenientes de extração ilegal; b) não haja propagação de plantas ornamentais exóticas pelo entorno; c) se maximize o aproveitamento da vegetação nativa.

  (v) Emissões, efluentes e resíduos sólidos. Para atender a este aspectos, os seguintes requisitos são levantados:

  5.5.1 Resíduos sólidos O empreendimento deve planejar e implementar medidas para reduzir, reutilizar ou reciclar os resíduos sólidos. O planejamento deve incluir o estabelecimento de metas de redução, reutilização e reciclagem, de acordo com as condições locais. A gestão dos resíduos deve ser efetuada de acordo com a boa técnica, inclusive os resíduos gerados pelos clientes quando em campo, com a utilização de práticas como:

  • aquisição preferencial de produtos em embalagens para grandes quantidades, quando compatível com as condições ambientais locais;
  • prevenção do uso de embalagens descartáveis;
  • utilização de recipientes adequados para a coleta;
  • - separação e coleta seletiva quando não existente no município;

  • reutilização dos resíduos orgânicos, inclusive como insumo de produção para as comunidades locais. O estabelecimento deve dispor de um local específico e vedado para resíduos sólidos contaminantes de acordo com a legislação vigente.

  5.5.2 Efluentes líquidos O empreendimento deve planejar e implementar medidas para minimizar os impactos provocados pelos efluentes líquidos ao meio ambiente e à saúde pública. As medidas devem incluir o tratamento das águas residuais (seja mediante a conexão ao sistema público de coleta e tratamento, se ele existir, seja mediante a existência de instalações de tratamento próprias). Devem existir planos de contingência para prevenir e mitigar falhas dos sistemas de tratamento e coleta utilizados e medidas para prevenir a contaminação das águas residuais por produtos tóxicos ou perigosos. O empreendimento deve dar destinação adequada aos resíduos líquidos de motores à explosão.

  5.5.3 Emissões para o ar (gases e ruído) O empreendimento deve planejar e implementar medidas para minimizar a emissão de ruídos das instalações, maquinaria e equipamentos, das atividades de lazer e entretenimento, de modo a não perturbarem o ambiente natural, o conforto dos hóspedes e das comunidades locais. O empreendimento deve planejar e implementar medidas para minimizar a emissão de gases e odores provenientes de veículos, instalações e equipamentos. As medidas devem incluir:

  • medidas para eliminação de odores provenientes da preparação de alimentos ou outras operações do empreendimento;
  • utilização de combustíveis com menores impactos ambientais, como gás natural, GLP ou outros, quando possível;
  • programas de manutenção para os veículos e equipamentos com motores à explosão;

  • evitar a utilização de motores de dois tempos. Os empreendimentos devem estabelecer planos para substituição dos motores de dois tempos por alternativas menos poluentes; - prevenção das emissões de clorofluorcarbonetos (CFC). NOTA As medidas podem incluir planos de manutenção, modernização ou substituição de equipamentos e utilidades.

  (vi) Eficiência energética. A Norma estabelece os requisitos abaixo para este fim:

  O empreendimento deve planejar e implementar medidas para minimizar o consumo de energia, em particular de fontes não renováveis.

  5.6.1 O empreendimento deve controlar e registrar o consumo de energia (em quilowatts por hóspede/noite) de fontes externas e de fontes próprias renováveis e não renováveis.

  5.6.2 O empreendimento deve estabelecer metas de consumo, considerando a demanda, o seu desempenho histórico e o levantamento de referências regionais de consumo em estabelecimentos de mesmo padrão. As metas de consumo devem considerar o "consumo fixo" e o "consumo variável". 5.6.3 É recomendável que o empreendimento faça uso de fontes de energia renováveis, na extensão e de acordo com as suas especificidades e tecnologias disponíveis, levando em conta os aspectos de viabilidade econômica e ambiental. Dentre estas convém considerar o uso de tecnologia solar ou outras de menor impacto ambiental.

  5.6.4 O empreendimento deve ter implementado um procedimento para assegurar que as luzes e equipamentos elétricos permaneçam ligados apenas quando necessário.

  5.6.5 Os procedimentos de aquisição de equipamentos e insumos que consomem energia (como lâmpadas, equipamentos de refrigeração, geladeiras e frigoríficos, fogões, aquecedores, lavadoras de roupa, etc.) devem incluir como critério sua eficiência energética e a possibilidade do uso de fontes de energia alternativas.

  5.6.6 A arquitetura das construções deve utilizar as técnicas para maximizar a eficiência energética, tais como, por exemplo:

  • isolamento térmico de paredes e forros;
  • ventilação natural;
  • otimização do uso da sombra e insolejamento;
  • otimização do uso da iluminação natural;
  • minimização das fugas e perdas de calor nas instalações hidráulicas, de aquecimento e de refrigeração;
  • utilização de equipamentos e dispositivos de aquecimento ou refrigeração com eficiência energética maximizada.

  5.6.7 O empreendimento deve planejar e implementar medidas para reduzir o consumo de energia dos meios de transporte próprios e utilizados nas suas atividades. NOTA Tais medidas podem incluir o uso de veículos eficientes do ponto de vista energético, efetuar as manutenções regulares, planejar o uso da frota otimizando a sua eficiência, escolhendo trajetos e horários mais eficientes, treinamento dos

motoristas em condução econômica e outras medidas equivalentes.

  5.6.8 O empreendimento deve informar aos clientes o seu comprometimento com a economia da energia e encorajar o seu envolvimento.

  (vii) Conservação e gestão do uso da água. Os seguintes requisitos são citados para o atendimento a este aspecto:

  O empreendimento deve planejar e implementar medidas para minimizar o consumo de água e assegurar que o seu uso não prejudica o abastecimento das comunidades locais, da flora, da fauna e dos mananciais.

  5.7.1 O empreendimento deve controlar e registrar o consumo de água de fontes externas e de fontes próprias.

  5.7.2 O empreendimento deve estabelecer metas de consumo, considerando a consumo em estabelecimentos de mesmo padrão. As metas de consumo devem considerar o "consumo fixo" e o "consumo variável".

  5.7.3 O empreendimento deve planejar e implementar medidas que asseguram que a captação e o consumo de água não comprometam a sua disponibilidade para as comunidades locais, flora e fauna, a vazão dos corpos d’água e o nível e proteção

dos mananciais, preservando o equilíbrio dos ecossistemas.

As medidas devem incluir ações tais como:

  • utilização de dispositivos para economia de água (como, por exemplo, torneiras e válvulas redutoras de consumo em banheiros, lavabos, chuveiros e descargas);
  • programa específico, como troca não diária de roupa de cama e toalhas;
  • programas de inspeção periódica nas canalizações e sua manutenção, com vistas à minimização das fugas de água. Devem ser mantidos registros dessas inspeções e reparos;
  • captação e armazenamento de águas pluviais; - preservação e revitalização dos mananciais de água.

  5.7.4 O empreendimento deve promover, quando aplicável, o uso de águas residuais tratadas para atividades como rega, lavagem de veículos e outras aplicações.

  5.7.5 O empreendimento deve controlar a qualidade da água utilizada e assegurar a potabilidade daquela utilizada para consumo humano. Esse controle deve incluir a realização periódica de ensaios de potabilidade da água. A periodicidade deve ser estabelecida pelo empreendimento, considerando aspectos como:

  • legislação vigente;
  • boas práticas;
  • características das instalações hidráulicas;
  • origem da água captada ou recebida;
  • estado das cisternas e estado de limpeza das caixas d’água;
  • histórico do uso da água pelo empreendimento; - ocorrência de incidentes de segurança alimentar.

  5.7.6 O empreendimento deve estabelecer procedimentos que minimizem o consumo de água em piscinas. Esta água deve ter a sua qualidade monitorada periodicamente.

  5.7.7 O empreendimento deve informar aos clientes o seu comprometimento com a economia da água e encorajar o seu envolvimento mediante campanhas de economia dirigidas aos hóspedes e aos seus trabalhadores.

  (viii) Seleção e uso se insumos. Para este fator, a Norma expõe o seguinte:

  O empreendimento deve planejar e implementar medidas para minimizar a utilização de insumos com potenciais impactos ao meio ambiente e promover o consumo responsável em relação à sustentabilidade.

  5.8.1 O empreendimento deve estabelecer um procedimento para identificação dos insumos adquiridos com potenciais impactos ambientais negativos significativos. Para estes insumos devem ser estabelecidos critérios para a sua especificação e para a seleção de fornecedores, de modo a minimizar os impactos decorrentes da operação do empreendimento.

  5.8.2 O controle de pragas deve ser efetuado respeitando-se a legislação vigente, segundo métodos e com o uso de substâncias que minimizem impactos aos trabalhadores, aos vizinhos e comunidades locais, à fauna silvestre, à flora, aos solos, aos corpos d’água e à atmosfera. O empreendimento deve efetuar inspeção periódica para assegurar a validade dos controles de pragas e validade dos produtos de higiene e limpeza.

  5.8.3 O empreendimento deve utilizar produtos de limpeza biodegradáveis.

  5.8.4 Os sabonetes e cosméticos para uso dos clientes e trabalhadores devem ser biodegradáveis. É conveniente que se utilizem dosadores para estes produtos.

  A partir da adoção de um Sistema de Gestão Ambiental ligado a este mecanismo de certificação a empresa começa a utilizar procedimentos para a proteção do meio ambiente, já que seu objetivo consiste justamente na implementação e no acompanhamento do processo produtivo a fim de evitar danos ambientais.

  Schenini et al. (2007) cita alguns benefícios provenientes de um Sistema de Gestão Ambiental para os meios de hospedagem, como a redução da geração de resíduos, a redução do consumo de água e energia, o aumento da ecoeficiência, a melhoria dos processos, a redução dos custos, o aumento do faturamento, o aumento da autonomia dos funcionários, a retenção de hóspedes, o incremento da satisfação dos hóspedes e a melhoria da imagem empresarial perante a sociedade.

  Levando em consideração o crescimento das exigências dos clientes no que diz respeito à gestão ambiental, o autor afirma que uma empresa existe e se mantém viva enquanto estiver atendendo a uma demanda da sociedade. Caso a demanda não seja atendida, a empresa perde a razão de existir.

  Sendo assim, a adoção de um Sistema de Gestão Ambiental se configura um importante passo para os meios de hospedagem, já que, em razão de seu potencial para conquistar os clientes que valorizam o meio ambiente, pode ser considerada uma forma de adquirir vantagem competitiva, tendo em vista a atuação ambiental mínima dos concorrentes (SCHENINI, 2007).

  Dentro deste contexto, os requisitos elaborados pela NBR 15401 são empregados como guia para a elaboração do roteiro de entrevista utilizado para caracterizar as estratégias de gestão ambiental dos meios de hospedagem objetos deste estudo. No próximo item são tratados os procedimentos metodológicos nos quais se baseia esta investigação.

  3.1. NATUREZA DA PESQUISA Esta pesquisa busca analisar a influência da internacionalização nas estratégias de gestão ambiental dos meios de hospedagem de Santa Catarina vinculados à Associação

  Roteiros de Charme. Para alcançar este objetivo é preciso perceber como os fenômenos são vivenciados sob a perspectiva dos proprietários dos meios de hospedagem entrevistados. Tendo em vista a complexidade envolvida neste processo, optou-se pela utilização da pesquisa qualitativa.

  A pesquisa qualitativa é realizada com base em métodos múltiplos, interativos e humanísticos que envolvem a participação ativa dos entrevistados. Este tipo de estudo possui um caráter emergente, já que vários aspectos podem surgir durante a pesquisa, e é fundamentalmente interpretativo, cabendo ao pesquisador tirar conclusões sobre seu significado (CRESWELL, 2007).

  O estudo qualitativo garante a riqueza dos dados, permitindo a visão de um fenômeno na sua totalidade e facilitando a exploração de contradições e paradoxos. Seus defensores argumentam que a realidade é socialmente construída, não podendo, portanto, ser apreendida e expressa por meio de estudos do tipo levantamento ou experimentos (VIEIRA; ZOUAIN, 2006). Este tipo de pesquisa, segundo Godoy (2005), é indicada para estudos que requerem uma maior profundidade de aspectos relacionados a um menor número de casos.

  Bertero (2007) defende o emprego do interpretacionismo presente nas pesquisas qualitativas e utiliza como argumento a complexidade existente dentro das organizações. Na busca de caminhos para conhecer o ambiente, o autor traz a interpretação como elemento crítico que distingue as organizações humanas dos sistemas de nível inferior.

  O modo de investigação utilizado foi o estudo de caso, que Yin (2001) define como uma investigação empírica de um fenômeno dentro de seu contexto de vida real, especialmente quando os limites entre o fenômeno e o contexto não estão claramente definidos. Nesta pesquisa, mais especificamente, optou-se pelo estudo de casos múltiplos, o que permitiu a obtenção de informações mais completas a respeito do objeto de estudo. Ainda segundo Yin (2001) os estudos que compreendem mais de um caso são menos vulneráveis e suas conclusões analíticas mais contundentes.

  3.2. UNIVERSO DA PESQUISA Tendo em vista os objetivos deste estudo, o universo desta pesquisa compreende os estabelecimentos associados à Associação Roteiros de Charme localizados no estado de Santa

  Catarina. Atendem a este requisito cinco meios de hospedagem e optou-se pela realização de um censo.

  3.3. COLETA DE DADOS Os dados foram coletados por meio de entrevistas semi-estruturadas com proprietários dos meios de hospedagem da Associação Roteiros de Charme localizados em Santa Catarina e com o auxilio de um roteiro elaborado com base na NBR 15401 (Apêndice B).

  As entrevistas foram agendadas e realizadas entre os meses de agosto e setembro de 2010. Os agendamentos foram feitos via telefone e e-mail com os cinco proprietários de meios de hospedagem localizados em Santa Catarina e pertencentes à Associação Roteiros de Charme. Em função da impossibilidade de acesso aos dados de um dos estabelecimentos, somente foram realizadas quatro. Foram feitas cerca de 6 ligações para tentar agendar a entrevista com um dos meios de hospedagem que acabou não participando da pesquisa. Uma entrevista foi marcada para o dia 02/09. Nesta data o proprietário não compareceu no horário previamente agendado, postergando a entrevista. No novo horário o proprietário novamente não compareceu. No dia seguinte, foi realizada uma nova ligação com o objetivo de conseguir uma nova data para a entrevista. Com sucesso ficou agendada para o dia 08/09. O proprietário compareceu no horário agendado, mas alegou que dispunha de poucos minutos para a entrevista e infelizmente não foi possível adquirir as informações mínimas. Neste momento, foi recebida a informação de que o proprietário não estaria disponível para novas entrevistas.

  O gerente do meio de hospedagem, então, foi consultado para tentar, se possível, agendar uma entrevista que pudesse complementar as informações necessárias. No entanto, isso não foi possível em virtude da indisponibilidade do funcionário. Uma vez que as informações básicas para a pesquisa não foram disponibilizadas, este meio de hospedagem não pôde ser computado na pesquisa. Desta forma, foram realizadas quatro entrevistas que tiveram em média 50 minutos cada. Todas as entrevistas foram gravadas. No meio de hospedagem 1 foi realizada também uma conversa informal não gravada com o supervisor de operações, da qual foi possível obter informações pertinentes para este estudo.

  Para preservar a identidade dos meios de hospedagem e dos entrevistados, os mesmos foram nomeados nesta pesquisa como Entrevistado 1, Entrevistado 2, Entrevistado 3 e Entrevistado 4. De forma a facilitar a leitura, variações como Meio de Hospedagem 1 ou Proprietário 1 também foram utilizadas. Outro meio utilizado para preservar a identidade dos proprietários consistiu na igualdade de gêneros, sendo todos referenciados no masculino.

  3.4. TÉCNICA DE ANÁLISE DOS DADOS Como orientação para o processo de análise dos dados coletados foi utilizada a análise de conteúdo proposta por Bardin (2004). Este método é aplicado para revelar o conteúdo das mensagens e é definido pela autora como

  um conjunto de técnicas de análise das comunicações visando obter, por procedimentos sistemáticos e objectivos de descrição do conteúdo das mensagens (quantitativos ou não) que permitam a inferência de conhecimentos relativos às condições de produção/recepção (variáveis inferidas) destas mensagens

  Esta forma de análise pode ser utilizada tanto para pesquisas quantitativas como qualitativas. Na abordagem qualitativa, como é o caso deste estudo, esta técnica busca identificar a presença ou ausência de determinadas características nas mensagens, procurando não apenas a descrição, mas interpretações mais profundas baseadas na inferência.

  Desta forma, a autora divide a análise de conteúdo em três fases distintas, chamadas também de pólos cronológicos. A primeira corresponde à pré-análise, seguida pela exploração do material e pelo tratamento dos resultados, a inferência e a interpretação.

  A pré-análise consiste no primeiro contato com o material, onde os documentos são escolhidos, os pressupostos levantados, os indicadores elaborados e o material preparado. Nesta etapa as entrevistas foram escutadas e transcritas (Apêndice A). Apenas pequenas correções lingüísticas foram realizadas.

  A exploração do material é realizada através de operações de codificação em função de regras previamente formuladas. Nesta fase o material foi impresso e organizado em categorias previamente estabelecidas de forma a facilitar a análise. Esta pesquisa se divide nas categorias gestão ambiental e internacionalização, as quais foram subcategorizadas respectivamente em práticas ambientais, motivações para o uso de práticas ambientais, caracterização da internacionalização e percepções da internacionalização, conforme por ser visualizado no quadro 4.

  

Quadro 4 - Categorias de pesquisa

Gestão Ambiental Internacionalização O pe rac ion al iz ão d as c at eg or ias

   Práticas ambientais

   Caracterização da internacionalização

  • efluentes líquidos
  • água
  • energia
  • resíduos sólidos
  • preservação da flora e da fauna
  • insumos
  • fluxo de estrangeiros
  • principais países emissores

   Estratégias ambientais

   Percepção da internacionalização

  • diferenças de comportamento ambiental
  • influência nas práticas ambientais Fonte: dados primários/2010.
  • principais motivos para a adoção
  • percepção do desafio ambiental

  A fase do tratamento dos resultados, da inferência e da interpretação consiste no momento em que os resultados brutos são tratados de maneira a serem significativos, onde os dados são condensados e as informações importantes colocadas em evidência. São feitas inferências a respeito do conteúdo e as informações coletadas são interpretadas de acordo com os objetivos do estudo. Nesta etapa deste estudo o conteúdo das entrevistas foi descrito de forma concisa e didática de acordo com as categorizações formuladas. Tabelas foram elaboradas de forma a sintetizar as informações e facilitar a visualização. Os resultados foram analisados de acordo com a literatura levantada e os objetivos deste estudo.

  Os conceitos apresentados por Bardin (2004) foram fundamentais para auxiliar a análise e compreender dos dados obtidos nas entrevistas, já que colaborou para a sistematização das mensagens e extração de seu conteúdo.

  3.5. LIMITAđỏES DA PESQUISA A reflexão a respeito da realidade das organizações passa por algumas limitações. O primeiro fator limitante deste estudo corresponde ao acesso aos dados. Apesar das tentativas, um meio de hospedagem não pôde compor a amostra em virtude da indisponibilidade do proprietário e do gerente da empresa.

  Uma segunda limitação corresponde ao método de coleta dos dados. As informações repassadas pelos entrevistados passam pela codificação e interpretação dos mesmos, incluindo esquecimentos de acontecimentos passados. Além disso, os entrevistados podem não fornecer as reais informações em alguns casos com medo de sua divulgação, embora tenha sido garantida a não identificação dos empreendimentos.

  Um último aspecto limitador consiste na forma de tratamento dos dados. Em virtude da interpretação envolvida e do alto grau de envolvimento e subjetividade, não é possível garantir a inexistência de vieses provenientes da percepção desta pesquisadora, apesar do rigor utilizado nos procedimentos e análises deste estudo.

  Este capítulo busca descrever e analisar os dados coletados nesta pesquisa. Em um primeiro momento é apresentada a Associação Roteiros de Charme e são descritos os meios de hospedagem objetos de investigação. Depois, as estratégias de gestão ambiental destes empreendimentos são expostas e analisadas e o impacto da internacionalização nestas estratégias avaliado.

  4.1. A ASSOCIAđấO ROTEIROS DE CHARME Formada por empresários do setor hoteleiro, a Associação Roteiros de Charme foi fundada em 1992 com a proposta de criar uma hotelaria de qualidade com responsabilidade sócio-ambiental, sempre de forma economicamente viável e sustentável (ROTEIROS DE CHARME, 2010).

  A Associação congrega 51 meios de hospedagem, entre hotéis, pousadas e Refúgios Ecológicos situados em todas as regiões do Brasil. A distribuição destes estabelecimentos entre as regiões brasileiras por ser visualizada na Figura 5.

  

Figura 5 - Distribuição dos meios de hospedagem

Fonte: dados primários/2010.

  Na Associação Roteiros de Charme é possível encontrar desde pequenas pousadas requinte e serviço esmerado. Uma característica particular da Associação consiste na forma como estes diferentes meios de hospedagem são classificados. Cada estabelecimento possui uma categorização segundo cinco pedras preciosas do solo brasileiro. Elas identificam os diversos tipos de hospedagem oferecidos. Os critérios utilizados para esta classificação podem ser visualizados no Quadro 5.

Quadro 5 - Classificação dos meios de hospedagem

  Esmeralda Um Hotel ou Pousada com uma localização privilegiada, espaços generosos, instalações e serviços que atendam aos padrões de exigência da tradicional hotelaria internacional.

  Topázio Imperial Um Hotel ou Pousada bem equipado, com instalações e espaços sociais adequados, serviços esmerados, estilo e decoração requintada.

  Água Marinha Um Hotel ou Pousada cuja decoração, bom atendimento, e capricho valorizam os ambientes e as características locais.

  Ametista Uma Pousada ou Refúgio num paraíso ecológico, onde o serviço despretensioso e a decoração guardam identidade com a região.

  Cristal Identifica todos hotéis, pousadas e refúgios ecológicos durante o ano de seu ingresso na Associação.

  Fonte: Adaptado de Roteiros de Charme (2010).

  O ingresso na Associação Roteiros de Charme ocorre por meio do atendimento a alguns critérios. O primeiro deles é o charme, conceituado pela Associação como uma união entre bom gosto, atenção com detalhes, paixão em servir, conforto, localização privilegiada, construção adequada ao meio ambiente e à região, entre outros. O conjunto destes fatores deve conferir personalidade única ao local e ao próprio meio de hospedagem.

  Como forma de garantir a responsabilidade ambiental, a Associação faz uso de um Código de Ética e de Conduta Ambiental (Anexo A) que visa, entre outros aspectos, identificar e reduzir os impactos e riscos ambientais, respeitar os locais, a população anfitriã, seus valores culturais e suas tradições, evitar o desperdício de água e energia, impedir o vazamento de esgoto, reduzir a poluição sonora e atmosférica e controlar o uso de produtos adversos ao meio ambiente.

  Este código foi desenvolvido com o auxílio do Programa de Turismo da United

  

Nations Environment Programme ( UNEP), organismo ambiental da Organização das Nações

  Unidas (ONU), com quem a Associação possui acordo formal de cooperação. A Associação também é vice-presidente da Junta Diretiva dos Membros Afiliados, fórum empresarial da Organização Mundial do Turismo (OMT), organismo de turismo da ONU no qual possui assento desde 2007.

  4.2. OS MEIOS DE HOSPEDAGEM PESQUISADOS Os meios de hospedagem pesquisados correspondem a quatro membros da Associação Roteiros de Charme localizados no estado de Santa Catarina. A Entrevista 1 foi realizada com o proprietário de um meio de hospedagem fundado em 1999, que atualmente conta com uma média anual de 30 funcionários e uma taxa de ocupação anual de 40%. A missão deste empreendimento é "Garantir a rentabilidade e o

  

desenvolvimento do potencial humano de sua organização, através da satisfação dos clientes

por meio da excelência de seus serviços, tornando-se um centro de referência na área de

hospedagem". O empreendimento é classificado como topázio imperial, de acordo com a

categorização da Associação Roteiros de Charme.

  O empreendimento possui 18 chalés que contam com camas king size, lençóis térmicos, TV a cabo, telefone, frigobar e mini-bar, varanda, secador de cabelos, aquecedor de toalhas e calefação. Alguns possuem também DVD, lareira e jacuzzi com vista panorâmica. Fazem parte de sua infra-estrutura salas de fitness, saunas secas e úmidas, home cinema, biblioteca, jogos, piscina interna e jacuzzi externa aquecidas, boutique, restaurante sobre um lago com deck e vista 360º e adega nacional e internacional. Todos os ambientes possuem vista para a natureza. Pesca de trutas, trilhas, canoagem e cavalgadas até canyons e cascatas fazem parte das opções de lazer.

  A Entrevista 2 foi realizada em um meio de hospedagem fundado com 1998, que conta com oito funcionários fixos, podendo aumentar durante os períodos de maior movimento. Sua taxa de ocupação média anual é de 39% e sua missão é "garantir ao hóspede níveis máximos

  

de satisfação em sua estada na pousada, fornecendo excelente atendimento, limpeza

impecável em todas as áreas e conforto compatível com seu nível de exigência, sempre

fazendo valer nosso código de conduta ambiental". Este estabelecimento se enquadra na

categoria água marinha, segundo a classificação da Associação Roteiros de Charme.

  Este estabelecimento oferece trilhas ecológicas e pesca da tainha, além de uma estrutura com piscina térmica, jacuzzi aquecida, sauna a vapor, aparelhagem para exercícios aeróbicos, anaeróbicos e de alongamento e serviço de praia. São 10 unidades habitacionais Wi-Fi e duas suítes que têm como diferencial uma cama super king, home theater, DVD, hidromassagem, terraço com jacuzzi, sauna e vista da praia.

  O meio de hospedagem no qual foi realizada a entrevista 3 foi fundado em 1993, seu número de funcionários varia entre 13 e 16, dependendo da época do ano e sua taxa de ocupação média é de 50%. Tendo em vista a classificação da Associação Roteiros de Charme, este empreendimento se enquadra na categoria topázio imperial. A empresa não tem uma missão definida, mas uma idéia que é descrita pelo proprietário no trecho abaixo:

  ela não existe formalizada, mas acho que ela é uma coisa que está bem na cabeça de todo mundo, com as reuniões que a gente faz aqui fica bem claro. Se existisse uma missão seria surpreender sempre para mais, pegar a expectativa do cliente e jogar ela, passar entendeu? A pessoa ouviu uma propaganda, ouviu falar bem e que ela chegue aqui e que ela ache ainda mais legal do que ela ouviu. Surpreender positivamente as pessoas né, as expectativas das pessoas, é o que a gente procura assim, na atenção, na maneira de servir, na maneira de se antever as necessidades dos clientes. Mas eu preciso colocar isso no papel, há anos que eu penso nisso, mas ainda não encontrei as palavras (Entrevistado 3).

  O estabelecimento conta com bar, sala de relaxamento, sala de jogos, restaurante, duas jacuzzi aquecidas, uma externa e uma interna, academia, sauna, sala de massagem e oferece banho de espuma. São 10 apartamentos, todos com varanda e vista para o mar, TV à cabo, DVD, telefone, ar condicionado split, frigobar, cofre, travesseiros de pluma e látex, roupões, secador de cabelos e colchões de mola importados.

  A entrevista 4 foi realizada em um meio de hospedagem fundado em 1993, que possui em média 40 funcionários. O empreendimento tem uma taxa de ocupação média de 65% e não possui uma missão definida, mas conta com um lema: "A gente vende sonhos, esforce-se

  

para entregá-los" . O proprietário diz que isto envolve tudo e que, se a missão existisse,

  estaria relacionada à ampliação das ações e da divulgação. O estabelecimento é classificado pela Associação Roteiros de Charme como topázio imperial.

  O local oferece restaurante, serviços de praia e piscina, barqueiro, sala de massagem, bar na praia, sala de ginástica, mergulho, sala de TV, jogos, telefonista, internet Wi-Fi, pesca da tainha e passeios de lancha. São 20 chalés com cofre, secador de cabelos, frigobar, TV, DVD, cofre, ar condicionado, CD player, varanda, rede e vista.

  4.3. A GESTÃO AMBIENTAL DOS MEIOS DE HOSPEDAGEM As estratégias de gestão ambiental dos meios de hospedagem objetos desta pesquisa foram analisadas em dois aspectos. O primeiro diz respeito à variável ambiental, que trata das variável empresarial, onde é analisada a percepção dos entrevistados frente ao desafio ambiental. Estes aspectos são tratados nos itens a seguir.

  4.3.1. Práticas ambientais dos meios de hospedagem

  4.3.1.1. Meio de hospedagem 1 O proprietário do meio de hospedagem 1 afirma utilizar grande parte das práticas ambientais questionadas durante a entrevista. Em relação aos efluentes líquidos, assegura o tratamento próprio de 100% de suas águas residuais. Esta informação pode ser observada no seguinte trecho retirado da entrevista:

  nós temos tratamento de 100% dos efluentes, com controle ambiental para não poluir, nós estamos situados aqui na nascente do rio vermelho que é a nascente do Uruguai, como é que eu vou poluir um negócio desse? Como é que eu vou poluir alguma coisa se eu crio truta aqui, que é um peixe que não suporta qualquer tipo de poluição, certo? (Entrevistado 1).

  No que se refere às técnicas utilizadas para a gestão do uso da água, o proprietário afirma registrar o consumo mensal e estabelecer metas, envolver hóspedes na economia da água por meio de avisos nos quartos, utilizar caixas acopladas nas descargas e dispositivos de economia de água nas torneiras e promover a reutilização das águas residuais tratadas. A captação da água da chuva não é realizada, uma vez que o entrevistado considera que outras formas de captação podem substituí-la.

  eu já fui indagado outras vezes, questionaram porque nós não recolhemos das nossas calhas e telhados. Pô, nós estamos em um vale, pegar no nosso telhado ou pegar em um local mais acima na fonte, é a mesma coisa, não tem diferença nenhuma (Entrevistado 1).

  Quanto à eficiência energética, foram citados o registro do consumo e o estabelecimento de metas, o uso da energia solar em alguns locais, a utilização de lâmpadas econômicas, promoção do uso da iluminação natural e o emprego de sensores de presença para que as luzes permaneçam ligadas somente quando necessário. Algumas destas ações para economia de água e energia são descritas no seguinte comentário:

  nós temos avisos em quatro idiomas sobre o uso adequado de toalhas, no caso de jogar a toalha no chão, no cesto, para a troca, né? Nós usamos, com exceção dos lugares que precisam de uma decoração, lâmpada econômica no hotel inteiro. Usamos telhas de vidro para diminuir o uso de lâmpadas durante o dia, todas as nossas caixas de descarga são caixas acopladas, o que diminui a quantidade de água a ser utilizada e a quantidade de energia elétrica para bombeamento. Usamos sensor de presença em todos os locais que é possível, que só acende na hora que a pessoa está presente e outras atitudes que a gente têm, que estão no nosso manual de procedimentos (Entrevistado 1). Durante a entrevista foram citadas também as práticas ambientais referentes aos resíduos sólidos, com a preferência por produtos não descartáveis, a reutilização dos resíduos orgânicos e a separação dos lixos orgânico e reciclável. O entrevistado afirma que costumava separar todos os tipos de lixo recicláveis. No entanto, esta ação deixou de ser realizada em razão das dificuldades encontradas, explicadas no depoimento abaixo: nós fizemos coleta seletiva também, mas o custo é tão alto e o resultado tão baixo.

  Nós enchemos uma carreta de papelão, esse negócio todo e deu R$128,00 e não pagaram ainda, até hoje! Esse dinheiro iria para os funcionários para que seja motivação deles coletarem, venderem, então hoje nós paramos de fazer a coleta seletiva em função de não ter local para estocar, nós tínhamos local para estocar, os funcionários ficavam trabalhando na coleta seletiva no horário de trabalho normal, não dava resultado nenhum e aí então a gente está deixando que a prefeitura faça este trabalho, deixando que o município faça essa coleta e a seleção, mas a intenção no futuro é nós voltarmos a fazer (Entrevistado 1).

  Quanto aos impactos da construção no local, à proteção da flora e da fauna e aos insumos, o proprietário assegurou que não houve desmatamento, que costuma prevenir os impactos luminosos e sonoros para o meio ambiente, que utiliza produtos biodegradáveis e faz uso de ações educativas junto aos hóspedes. O meio de hospedagem não possui um programa específico para a proteção da mata nativa, já que acredita não existirem instituições que o façam na região, por isso estas ações são feitas de acordo com as premissas dos proprietários. Os fornecedores ainda não são selecionados de acordo com as suas práticas ambientais, mas é intenção fazê-lo no futuro. A preocupação com a proteção da mata nativa pode ser observada no trecho abaixo:

  não foi derrubado nada, nada mesmo, porque uma mata é uma riqueza, é uma relíquia, porque o que você vê de campo aí sempre foi campo, nunca foi mata e para quem desenvolve a pecuária, o mato é que abriga o gado no inverno [...] então o mato aqui é imexível como dizia o nosso ministro lá (Entrevistado 1).

  Apesar da aparente consciência ambiental, não houve grandes preocupações quanto à alteração do paisagismo do local, já que espécies de árvores não nativas foram trazidas. Esta ação é explicada no seguinte depoimento:

  não, não, isso não, isso nós trouxemos, trouxemos porque fomos convencidos pela paisagista e hoje olha, hoje o mundo inteiro, um traz espécimes do outro e tal e pudemos manter o 95%, mas 5% nós temos que mudar, né? Aí nós concordamos com ela, então nós temos árvores aí, por exemplo, as coníferas, porque aqui é muito inóspito, quando dá, mas a mata nativa está intocada (Entrevistado 1).

  Este meio de hospedagem não possui um selo de certificação, mas possui a bandeira da Legambiente, um grupo ambientalista italiano. O proprietário diz que já ouviu falar na NBR 15401, mas que não sabe exatamente qual é, já que existem diversas dessas normas e explica que a aquisição de um selo ambiental é um processo complexo e caro. O trecho a

  é um negócio caro, porque se você não for certificado e eles sempre vão achar alguma falha no processo, as custas da segunda visita é sua, transporte de avião, transporte terrestre, alimentação, pagamento do consultor e tal e além disso, outro problema é que você tem que estar pagando gente com uma qualificação melhor para produzir este produto, para formatar este produto de acordo com a ABNT (Entrevistado 1).

  As práticas ambientais deste meio de hospedagem foram aprimoradas com o tempo, mas existem mais ou menos neste formato desde a sua fundação. O proprietário argumenta que estas ações são conseqüência de uma consciência e educação dos fundadores. Segue o comentário a respeito da origem das ações praticadas: "desde o início, desde antes de

  

começar. A educação da gente nunca permitiu, por exemplo, matar um pássaro, coisa, isso aí

né, nós não eliminamos qualquer coisa da natureza né..." (Entrevistado 1).

  4.3.1.2. Meio de hospedagem 2 O proprietário com o qual foi conduzida a entrevista 2 não participou de toda a história da empresa, já que esta foi fundada pelo seu pai, hoje falecido. O estabelecimento não possui um selo ambiental e o proprietário nunca ouviu falar da

  NBR15401. No entanto, diversas práticas ambientais são utilizadas e seus funcionários instruídos a respeito. Em relação à flora e à fauna, o entrevistado afirma que é a favor da preservação, que costuma preservar e plantar árvores e que fornece preparação e treinamento aos funcionários para atender às emergências ambientais. Os impactos luminosos e sonoros também são prevenidos e quando questionado sobre o uso de ações educativas junto aos clientes, menciona que procuram falar sobre o lugar e sobre a preservação.

  o que nós fazemos junto aos clientes é falar exatamente sobre o lugar, né? Falamos sobre a nossa preservação que eles se encantam muito quando olham a construção em volta das pedras, entendeu? Quer dizer, nós falamos muito com eles a respeito da nossa preocupação com a preservação que eles vêem isso, né? E também falamos muito da cultura local aqui que interessa bastante também (Entrevistado 2).

  O estabelecimento não está vinculado à um programa específico para a proteção da vegetação nativa, mas quando indagado a respeito, o proprietário cita a Associação Roteiros de Charme como incentivadora. Em alguns aspectos a empresa procurou manter o paisagismo do local, já que grande parte da paisagem local foi mantida durante a construção, conforme explicado a seguir:

  a gente sempre teve todo esse cuidado, lá em baixo temos uma piscina, né? Aqui é uma região muito rochosa, na piscina as rochas não foram tiradas, foi construído em volta das rochas. Tudo foi preservado. Dentro da sauna também tem uma rocha assim, né? Isso tudo foi preservado, sem agredir a natureza e nem a comunidade, né? (Entrevistado 2). No entanto, algumas espécies de plantas não naturais do local foram trazidas de fora, como citado no seguinte trecho:

  não, normalmente as plantas são locais, né? Tropicais, alguma coisa tropical sim, né? Que nós trouxemos para cá em uma das viagens de eventos da Associação nós trouxemos, né? Uma planta tão linda que parece um bico de papagaio assim, é laranja e aqui pegou super bem

  No que diz respeito aos resíduos líquidos, o estabelecimento faz tratamento próprio das águas residuais e em relação aos resíduos sólidos, o entrevistado diz prevenir o uso de embalagens descartáveis e fazer a coleta seletiva. Os resíduos orgânicos não costumam ser reutilizados.

  Como forma de economizar energia, este meio de hospedagem conta com a energia solar, que é utilizada para alguns fins, como o aquecimento da piscina e da jacuzzi. Para a iluminação são utilizadas lâmpadas econômicas e a eficiência energética é considerada para a aquisição de novos equipamentos. O consumo de energia costuma ser registrado e metas de diminuição são estabelecidas quando necessário. Além disso, técnicas como a iluminação natural são utilizadas para minimizar o consumo. Quando questionado sobre o envolvimento de hóspedes na economia de energia, o entrevistado afirmou que utiliza dispositivos nas chaves dos quartos que permitem que a energia funcione somente quando o hóspede se encontra no local.

  usamos, nos quartos nós temos um, como eu vou te dizer, porque hoje em dia usam muito cartão para abrir a porta, né? Mas nós não temos ainda, nós temos é um dispositivo na chave que quando o hóspede tira, sai do quarto, aí corta toda a energia. Quando ele entra no quarto, ele coloca o chaveiro ali e funciona toda a

energia. É uma forma de economia, né? (Entrevistado 2).

  No que diz respeito à gestão do uso da água, o meio de hospedagem costuma reutilizar as águas residuais tratadas para regar as plantas do local e faz uso de recados de conscientização para os hóspedes, conforme declaração abaixo:

  nós temos recados para uso de toalhas para tentar não, para não haver necessidade de trocar todos os dias. Então nós pedimos que se quiserem que troque as toalhas que coloquem no chão, se não, que deixem penduradas. Então a gente deixa o recado que é para a preservação do meio ambiente, quanto menos tu lavar, menos produto se consome, enfim (Entrevistado 2).

  No entanto, algumas ações ainda não são realizadas, como a captação da água da chuva e a utilização de dispositivos para a economia de água em descargas e torneiras, por exemplo. No que diz respeito aos insumos, o empreendimento costuma selecionar os fornecedores de acordo com as práticas ambientais que fazem uso e utilizar produtos biodegradáveis.

  4.3.1.3. Meio de hospedagem 3 O meio de hospedagem 3 também faz uso algumas práticas ambientais. Quando questionado sobre a NBR 15401 e quanto à posse de um selo de certificação, o proprietário afirmou que não conhece a norma e que não possui selo de uma entidade propriamente dita, mas que conta com a assessoria da Associação Roteiros de Charme para este fim. Dentre as práticas ambientais voltadas à proteção da fauna e da flora, está a prevenção de impactos luminosos e sonoros. Estas ações são relatadas nos depoimentos a seguir:

  a nossa iluminação é toda baixinha, voltada para o chão, iluminando os caminhos, tirando duas árvores que eu tenho lá em baixo, que marcam a entrada da pousada, o resto aqui é tudo luz suave e tranqüila, acho um horror virar uma árvore de natal. E quanto à poluição sonora, eu sou a que mais brigo nessa praia, nem faço festa, não faço festa de casamento, não coloco DJ aqui, porque isso é uma área de proteção ambiental da baleia franca, nem combina. Sim, temos essa preocupação e é bem presente (Entrevistado 3).

  Ações educativas junto aos clientes também são utilizadas. A proprietária faz uso do chamado guia do turista responsável, que corresponde a um livreto que é entregue aos hóspedes no momento da chegada no estabelecimento e que tem como objetivo mostrar as práticas ambientais do meio de hospedagem e incentivar boas práticas durante a estadia no local.

  todo hóspede que entra aqui na pousada, no momento que ele faz o check-in, ele ganha esse que a gente chama de guia do turista responsável, onde a gente pede para ele não fazer barulho depois das dez, não deixar a torneira ligada, não arrancar coisas da beira da praia [...] há várias questões, deixar o carro, andar a pé pela rua. Depois tu dá uma olhadinha com calma, esse é teu. A gente procura fazer uma peça assim que seja bonitinha né, amigo da praia do rosa né, para incentivar a pessoa a não fazer muitas bobagens por aí [...] a gente procura mostrar para o hóspede, não arrancar orquídea, não deixar lixo na praia, não levar o seu cachorro, comprar do artesanato local, prefirir os produtos, quer dizer, essas todas são práticas que a gente já utiliza aqui na pousada há bastante tempo (Entrevistado 3).

  No que diz respeito ao paisagismo do local, o proprietário afirma que não trouxe nenhuma espécie não nativa e que tentou manter o máximo possível, conforme relato abaixo:

  todas as árvores [risos], todas que você vê em volta da casa, tanto as árvores quanto as pedras, aquela ali determinou a arquitetura da casa, a gente tentou mexer o mínimo possível, todas as árvores foram preservadas. Sim, claro, as árvores importantes, e, de lá para cá, eu posso dizer assim, sem medo de errar, que nós já plantamos mais de mil árvores e mais de mil orquídeas nesse mato. De lá para cá só, só, só plantamos mais (Entrevistado 3).

  Para a gestão dos resíduos líquidos, o meio de hospedagem utiliza um sistema de fossas por decantação com carvão ativado. No trecho a seguir o proprietário explica o

  é um sistema de fossas por decantação, que ela vai, não sei exatamente o nome disso, mas assim ó, começa com pedra, passa para o areião, passa para uma areia mais fina, passa para uma areia mais fininha e no fim, carvão ativado. Não sei se isso tem um nome, talvez até tenha [...]a pousada e começou a ser construída em 1993, nada se falava sobre esse assunto, mas a gente já contratou um arquiteto que na época nos sugeriu de fazermos as fossas com carvão ativado que na época era uma coisa caríssima. Ainda hoje não é barato, mas nos dava a certeza absoluta que daqui não teriam resíduos líquidos que pudessem poluir principalmente a água do mar e a água da lagoa. Eu me lembro que foi um investimento caro, mas a gente pensou: pô, a gente está vindo aqui para sempre, não é para estragar, é para contribuir (Entrevistado 3).

  No que diz respeito aos resíduos sólidos, o entrevistado afirma fazer a separação e a coleta seletiva do lixo e prevenir o uso de embalagens descartáveis, conforme o seguinte depoimento:

  as nossas compras chegam em engradados de plástico, não em sacos, por exemplo, o peixe, normalmente ele é comprado com o isopor daqui, coloca-se o peixe no isopor, sem embalagem nenhuma e o grosso das compras vem nesses containers plásticos. A gente praticamente não compra nada em sacolinha plástica (Entrevistado 3).

  Os resíduos orgânicos são aproveitados para a adubação do jardim. O procedimento pelo qual ele passa é explicado no trecho abaixo:

  como o terreno é muito grande, a gente vai fazendo buracos, né? Buraco, lixo orgânico, um pouco de areia, lixo orgânico, areia, quando ele chega até em cima, a gente tapa, depois de um ano ou dois a gente abre esse buraco e usa o resultado para adubar o jardim. Às vezes é legal porque onde tem o buraco do lixo, quando você vê tem umas melancias deste tamanho, umas abóboras, maracujá e, além disso, a gente cria galinha caipira. Então toda alfacezinha, todo restinho da comida, vai para alimentar as galinhas, porque elas não comem ração (Entrevistado 3).

  O proprietário afirma que não possui um programa de preparação e treinamento para emergências ambientais, mas que seus funcionários são instruídos a respeito. O seguinte relato ilustra estas ações:

  os funcionários aqui já tem muitos anos, a grande maioria, Isso é uma coisa boa, o nosso nível de troca é baixo [...] os que estão a mais tempo e isso é a grande maioria, através de palestras que já foram realizadas aqui pelo próprio Roteiros de Charme, criaram essa consciência assim de, por palestra ou pelo convívio diário. Eu não posso te dizer que eu tenho um procedimento padrão para uma emergência ambiental, nem sabia que tinha esse termo, mas uma consciência que foi sendo construída [...]. Por exemplo, jamais um barqueiro meu leva um hóspede para a beira da praia sem dar um saquinho de lixo na mão dele. Isso não é considerado uma emergência, mas é uma prática que a gente têm, hóspede nosso não deixa lixo na praia (Entrevistado 3).

  Em relação à gestão do uso da água, o entrevistado diz que não sente necessidade de reutilizar as águas residuais tratadas e fazer a captação da água da chuva em razão da grande quantidade de chuvas no local. É informado, porém, que são utilizados dispositivos para a economia de água em torneiras e descargas e que os hóspedes são envolvidos nestas ações. Esta prática é evidenciada pelo comentário que segue:

  todos os apartamentos tem uma plaquinha que é colocada, onde a gente pede ao hóspede que reutilize tanto a toalha de banho, quanto os lençóis pelo maior tempo possível e que a gente só vai fazer a troca dessas coisas no momento em que ele pedir, isso já ajuda um bocado, né? É um informativo que é uma norma de todos os hotéis do Roteiros de Charme também e as pessoas realmente utilizam as toalhas por mais tempo e o lençol acaba utilizando mais também. Claro que quando tá sujo tem que trocar, a própria camareira vê, mas o fato de chamar ajuda. Ah! E outra coisa também que antigamente era uma orgia, chegava a usar 6 toalhas por dia, então a gente dá duas toalhas através de um cartão, o cara entrega o cartão e pega duas toalhas, depois ele tem que trocar as toalhas pelo cartão de volta, se ele quiser uma toalha extra ele vai pagar 3 reais que a gente diz que é o custo de lavar a toalha. Com isso foi ótimo porque agora as pessoas usam realmente duas toalhas de piscina, foi uma maneira educativa. Teve um dia que 20 hóspedes usaram 80 toalhas de piscina e eu fiquei doida. Ah não, acabou essa farra, chega a doer de ver uma montanha de toalha limpa, na verdade elas estão limpas, mas acaba tendo que lavar, então eu tenho aqui o cartãozinho de toalha, daí acabou a bagunça (Entrevistado 3).

  O consumo de energia também é controlado no estabelecimento. O entrevistado afirma que registra sua utilização e estabelece metas para diminuir se necessário, emprega dispositivos para que a energia funcione somente quando necessário, faz uso de energia solar, troca aparelhos elétricos frequentemente e possui ambientes propícios para a entrada de iluminação natural. Algumas destas práticas são descritas nos relatos abaixo:

  estou trocando todos os frigobares da pousada, eu tenho um cônsul de 80 litros que me consome 27KW/h/mês, por um que vai me consumir 12. Estou trocando agora, semana que vem chegam os novos, são menores, em vez de 80 litros são 40 litros. Quando eu fiz a conta da diferença de consumo energético, estou investindo em aparelhos novos porque eu sei que em 2 anos esse investimento vai ser pago pela diminuição do consumo energético, acabamos de fazer. Da mesma maneira os ar condicionados split e da mesma maneira as TVs de LCD, tudo novinho assim. Quando a gente faz a conta vê que é excelente negócio para todo mundo né (Entrevistado 3). a gente não usa telha de vidro, mas a gente, assim, os ambientes da pousada são os mais abertos possíveis para a utilização da luz natural. Não tem nenhum ambiente na pousada que precise acender a luz durante o dia (Entrevistado 3).

  No que diz respeito aos insumos, o proprietário diz utilizar somente produtos biodegradáveis. Os fornecedores ainda não são selecionados de acordo com suas práticas ambientais em razão da carência de provedores de insumos na região. Esta razão é explicada no trecho abaixo:

  aqui é ao contrário, aqui a gente que implora por um fornecedor, principalmente os que possam fazer as entregas para nós. Adoraria poder, mas aqui na região é tão carente de padeiro, lavanderia, fornecedor de alimentos que não está dando para escolher ainda. O cara da lavanderia eu cobro toda hora que ele passa aqui, eu digo: Tu não tá jogando água suja na lagoa? Não, não, eu juro, coloquei lá filtros e tal. Eu fico pegando no pé, mas na verdade eu não fui lá olhar se tem até porque se eu brigar com ele eu não tenho nenhum, entendeu? (Entrevistado 3). O proprietário afirmou que as práticas ambientais mencionadas são utilizadas desde a fundação do empreendimento. Uma das razões citadas corresponde ao fato de pertencerem à Associação Roteiros de Charme desde o início das operações.

  4.3.1.4. Meio de hospedagem 4 O proprietário do meio de hospedagem 4 diz fazer uso de várias práticas ambientais e afirma já ter ouvido falar na NBR 15410, mas que não sabe a que está relacionada. O empreendimento não possui um selo de certificação porque, segundo afirma, além de ser difícil consegui-lo, está satisfeito com as ações já praticadas. Neste contexto é citado também o papel da Associação Roteiros de Charme:

  a gente trabalha muito focado no Roteiros de Charme e eu acho que ele funciona mais para nós e eu principalmente [...] na área ambiental, as características nossas dificilmente se encaixam em 70% do que esses certificadores poderiam vir a solicitar, e a própria Roteiros de Charme nos leva a ações durante todo o ano, então, nós estamos satisfeitos com aquilo que a gente tem, faz e pretende executar. Por isso que a gente não tem isso (Entrevistado 4).

  Durante a entrevista, o entrevistado mencionou a importância que a gestão sócio- ambiental possui para a organização e citou que suas inversões de faturamento em ações ambientais são significativamente maiores do que algumas grandes empresas brasileiras. O comentário abaixo explica esta relação:

  se você fosse fazer uma pesquisa, você poderia chamar a [empresa] de meio maluca no sentido financeiro, porque ela aplica e inverte talvez 100 vezes mais do que muitas grandes empresas nacionais em projetos sociais e ambientais. Nós chegamos até 4, 4,5% em alguns anos, na medida em que a economia nos permite [...]. Não é só aplicação no sentido de ceder recursos, é criar mecanismos, aplicar o recurso e medir a conseqüência. Existe uma grande diferença entre as pessoas que dizem: Ah não, mas eu ajudo, eu doei quase 100 mil reais. É uma coisa. Outra é você pegar o recurso, ver o projeto, acompanhar e avaliar no que isso resultou a nível social e ambiental. A gente tem todo esse progresso de ações, então, como a gente mal consegue sustentar aquilo que a gente está se propondo, nós nunca fomos atrás de certificação, nós estamos criando quase que uma certificação pessoal talvez, entendeu? Porque a gente faz muito dever de casa, muito, muito, mesmo (Entrevistado 4).

  Dentre as ações praticadas pela empresa, tem-se as relacionadas à flora e à fauna do local. Para a preservação, o proprietário faz uso de ações educativas junto aos clientes como, por exemplo, o plantio de árvores durante as trilhas. É costume também prevenir odores e impactos luminosos e sonoros. Estas ações são explicadas no seguinte depoimento:

  o sonoro nosso é light a não ser alguns eventos que são raros [...] não tem som ao vivo a não ser no evento, tem músicas só ambiente. Meia noite não existe mais ninguém, tá todo mundo dormindo, dormem cedo, é muito calmo. Toda a nossa luz é indireta, não temos holofotes nos jardim, então há certa harmonia em relação a

  sua força na hora certa, né? Tem que saber comprar o dia do pacote [risos] (Entrevistado 4).

  O entrevistado explica que o tratamento dos resíduos líquidos deste meio de hospedagem é feito por meio de um sistema de raízes, que é realizado sem o uso de produtos químicos. Em relação aos resíduos sólidos, o proprietário afirma que previne o uso de embalagens descartáveis, faz a separação e a coleta seletiva e costuma reutilizar os resíduos orgânicos para a adubação do local. Estas práticas são destacadas no seguinte trecho: nós procuramos fazer isso o máximo possível, né? Algumas coisas são impossíveis.

  Nós temos, inclusive, a separação de todos os resíduos por qualificação. Não temos ninguém que busca, mas nós separamos latas, papel, embalagens. E tem o lixo orgânico, nós produzimos 100% da adubação de todo o nosso gramado, todo o nosso jardim. É tudo produzido lá mesmo, nós moemos os resíduos, nós temos um jardim muito grande, eu tenho que inclusive ainda queimar uma parte porque eu não tenho como usar, joguei uma parte no mar. É muita coisa! E todo o nosso lixo é reciclado, todo, absolutamente todo. E eu ainda levo lá na reciclagem porque não tem ninguém que pegue, levo de caminhonete. Agora eles estão começando de novo, talvez venham buscar. Todo óleo de cozinha é guardado, todo ele é encaminhado para uma empresa. Nós já fizemos até um concurso entre as escolas públicas um ano, foi muito legal. De captação de óleo de cozinha. Foram mil e tantos litros captados pelos alunos pela educação ambiental. Foi bem legal. E a gente premia, né? A escola ganhou um computador, o menino também, então foi bem legal (Entrevistado 4).

  O entrevistado afirma que ainda não utiliza a energia solar em razão do seu posicionamento em relação ao sol e não faz uso da energia eólica principalmente em virtude de seu elevado custo, de sua alta poluição sonora e do risco de colisão de pássaros migratórios. No entanto, faz uso de dispositivos para que luzes e equipamentos permaneçam ligados somente quando necessário, utiliza a iluminação natural e envolve clientes na economia de energia.

  No que diz respeito à gestão do uso da água, o proprietário afirma que registra o consumo e estabelece metas para a diminuição sempre que necessário, utiliza torneiras e descargas com saída de menos volume, faz uso de programas para a troca de toalhas somente quando o hóspede solicita e envolve os clientes nesta economia. O seguinte trecho menciona algumas das ações utilizadas para a economia de água e energia:

  por exemplo, toalha de banho, a gente explica para o cliente que nós não costumamos trocar as toalhas todos os dias. Nós temos um sistema que está lá explicado que ele pode pendurar a toalha no gancho e ela não vai ser trocada, se ele jogar em tal lugar vai ser trocada. Pedimos para que ele tenha a consciência disso, que ele desligue o ar condicionado, tal, tal. Então todas essas coisas a gente faz. Tem cliente que não quer nem saber que vai lá e fala que se alguém desligar o ar condicionado ele vai embora. A gente respeita, mas a gente procura orientar todos eles. Tem até aviso nos quartos, é uma orientação constante. Inclusive o hóspede pode pegar mudas e plantar na ilha (Entrevistado 4). O entrevistado diz que ainda não é o momento de reutilizar as águas residuais tratadas, já que, em razão da distância existente entre as unidades habitacionais, o impacto ambiental de um sistema capaz de reunir estas águas seria maior do que a redução que esta ação poderia causar. A captação da água da chuva é feita, mas a água captada é utilizada apenas para regar plantas, isto ocorre porque o tipo de telhado do meio de hospedagem não permite outros usos. Entretanto, o proprietário diz que está pensando em um novo sistema que reverteria este quadro, conforme explicado a seguir:

  tu sabe que o telhado tem que ser um telhado especial para fazer a captação, não pode ter uma telha de barro e captar porque o processo de limpeza dessa água é complicado. Agora eu estou com um projeto na cabeça para trabalhar com captação sobre as árvores [...] é um sistema de estacas e cabos de aço esticados e isso envolve outro gasto que é para-raio na região, porque o cabo de aço é um atrativo, né? E colocar postes reciclados em cima das árvores, aí você tem dois cabos de aço, uma lona com os cais do lado com roldana. Daí você estica a lona e tem um sistema que se for chover, você vai lá e estica as lonas, daí nessas lonas vai cair a água, vai tirar aquela poeirinha de cima, ela vai cair num decantador e a partir daí quando aquele decantador enche, que é mais ou menos o tempo da lavagem, a bóia levanta, troca a calha e cai dentro do depósito, a água já mais limpa. Aí você estica sobre as árvores com um metro e meio só, então a chuva lateral vai continuar molhando. Você não interfere, vai captar o excesso e esse é o processo que eu quero tentar ver se consigo montar [...] e daí eu não precisaria usar o sistema normal ou colocar sobre o telhado, porque a nossa telha tem muita bactéria, é muito sujo, com o apodrecimento vegetal mesmo, cocô de passarinho, é uma água totalmente impura para uso. Eu ia ter que tem um processo que ia me custar ambientalmente muito mais. Então eu não vejo condições para o telhado que eu tenho de fazer captação a não ser para o jardim que eu faço. Captação para o jardim eu faço, faço captação e uso para regar plantas, a horta (Entrevistado 4).

  No que tange os insumos, o entrevistado afirma utilizar apenas produtos biodegradáveis e selecionar fornecedores de acordo com suas práticas ambientais, apesar de relatar que muitos ainda não estão preocupados com esta questão.

  No item a seguir, as principais práticas de gestão ambiental mencionadas pelo empreendimentos entrevistados são sintetizadas.

  4.3.1.5. Síntese das práticas ambientais dos meios de hospedagem De modo a facilitar o entendimento e a visualização, o Quadro 6 sintetiza as respostas dos proprietários de cada um dos meios de hospedagem entrevistados aos principais questionamentos sobre suas práticas de gestão ambiental. Dentre elas encontram-se assuntos relacionais aos efluentes líquidos, consumo de água e energia, resíduos sólidos, preservação da flora e da fauna e insumos.

Quadro 6 - Práticas ambientais dos meios de hospedagem entrevistados

  Entrevistado Entrevistado Entrevistado Entrevistado

  1

  2

  3

  4 Efluentes Tratamento de efluentes líquidos sim sim sim sim líquidos

  Registro do consumo de água sim sim sim sim Envolvimento de hóspedes na sim sim sim sim economia de água

  Dispositivos para economia de sim não sim sim Água

  água Reutilização águas residuais sim sim não não tratadas

  Captação da água da chuva não não não sim Registro do consumo de energia sim sim sim sim Energias renováveis sim sim sim não

  Energia Dispositivos para economia de sim sim sim sim energia

  Iluminação natural sim sim sim sim Preferência por produtos não sim sim sim sim descartáveis

  Resíduos Reutilização dos resíduos sim não sim sim sólidos orgânicos Coleta seletiva do lixo sim sim sim sim Prevenção do desmatamento sim sim sim sim Prevenção de impactos luminosos sim sim sim sim

  Preservação e sonoros da flora e da Preservação do paisagismo do não não sim sim fauna local Ações educativas para a sim sim sim sim preservação junto aos hóspedes

  Utilização de produtos sim sim sim sim biodegradáveis

  Insumos Seleção de fornecedores de não sim não sim acordo com práticas ambientais Fonte: dados primários/2010.

  Os entrevistados utilizam em média 84% das principais práticas questionadas. A partir de uma análise comparativa entre os empreendimentos, é possível afirmar que suas práticas ambientais são similares. Esta conclusão de deve ao fato de existirem apenas pequenas diferenças entre as ações ambientais. Este cenário pode ser justificado pelo compromisso comum existente entre os meios de hospedagem pesquisados e a Associação Roteiros de Charme.

  Os meios de hospedagem pesquisados parecem, desta forma, compreender a atual problemática sobre o desenvolvimento sustentável mencionada por Donaire (1995), Camargo (2003), Schenini (2009), Dias (2009) e Barbieri (1997), que atenta para necessidade do uso de

  Levando em consideração as práticas ambientas que os estabelecimentos pesquisados utilizam e os aspectos ambientais das abordagens propostas por Barbieri (2007), seria possível supor que todos se encontram na abordagem denominada prevenção da poluição. Isto se deve ao fato de todos os estabelecimentos apresentarem pelo menos uma prática que busque não apenas controlar, mas prevenir a poluição, promovendo o reuso e a reciclagem, a redução na fonte e a recuperação energética.

  Como exemplo pode-se citar a reutilização dos resíduos orgânicos promovida pelos meios de hospedagem 1, 3 e 4 como forma de reuso, a utilização de energias renováveis pelos empreendimentos 1, 2 e 3 como recuperação energética e o uso da iluminação natural por todos os entrevistados como meio de redução.

  No entanto, a teoria proposta pelo autor não compreende apenas os aspectos ambientais, mas também os empresariais e somente pode ser aplicada por meio da análise de ambos. Isto ocorre porque esta teoria visa classificar a estratégia ambiental das organizações que, diferente da eficácia operacional presente na prevenção da poluição, engloba todo o conjunto de atividades da empresa (PORTER, 1996).

  Esta relação fica clara quando se trata da abordagem estratégica citada por Barbieri (2007), que consiste o estágio mais avançado das estratégias ambientais das organizações. Os fatores que diferenciam esta abordagem das demais não correspondem às práticas ambientais utilizadas, mas justamente aos aspectos empresariais como, por exemplo, o tipo de preocupação básica existente na organização, a percepção dos empresários e administradores e o envolvimento da alta administração, explicados no Quadro 2. Segundo Sharma (2000), a classificação das estratégias ambientais entre pró-ativas e reativas também depende do modo como os administradores percebem os desafios ambientais.

  Além disso, as estratégias ambientais dos estabelecimentos estudados nesta pesquisa somente podem ser diferenciadas por meio da análise destes dois aspectos, o ambiental e o empresarial, tendo em vista a similaridade existente entre os aspectos ambientais.

  Levando em consideração este cenário e a necessidade da análise dos aspectos empresariais para a aplicação das teorias ambientais estudadas, a análise das estratégias ambientais dos meios de hospedagem pesquisados é resgatada no item a seguir.

  4.3.2. Estratégias ambientais dos meios de hospedagem As práticas de gestão ambiental levantadas até o momento correspondem ao que Porter

  (1996) chama de eficiência operacional. De acordo com a teoria de autor, o número de práticas ambientais utilizadas define o grau de eficiência operacional. A partir deste momento são levantadas as posições dos entrevistados frente ao desafio ambiental, incluindo as suas motivações para o uso de práticas ambientais. Estes aspectos, em união às práticas ambientais, vão compor o que Porter (1997) chama de estratégia organizacional. A partir da análise dos aspectos empresariais, então, foi possível analisar o tipo de estratégia ambiental utilizada por cada um dos meios de hospedagem, conforme os itens a seguir.

  4.3.2.1. Meio de hospedagem 1 Quando indagado a respeito das motivações para o uso de práticas ambientais, o entrevistado 1 afirmou utilizá-las por duas razões principais, a consciência ambiental e a necessidade mercadológica, conforme comentário que segue:

  existem dois motivos principais, o primeiro motivo é uma consciência, vamos dizer, coletiva e você deve fazer parte desta consciência coletiva para que a gente tenha um mundo melhor, não só para os nossos filhos, mas nós também vivermos em um mundo melhor. E segundo que quem não praticar isto aí está fora do mercado, mercadologicamente você precisa praticar isso aí (Entrevistado 1).

  O desafio ambiental é encarado pelo empreendimento como "positivo com algumas

  

restrições". O proprietário afirma que não está de acordo com algumas das ações propostas

  pelos códigos ambientais, tais como proibição de construção em 100% de determinadas áreas e a interdição do corte de quaisquer árvores, e defende o uso do bom senso. Seu posicionamento em relação ao desafio ambiental fica claro na declaração abaixo:

  eu acho positivo com algumas restrições. Desde que o bom-senso impere estas ações. Por exemplo, o código ambiental que está sendo aprovado simplesmente ia acabar com Santa Catarina, porque acima de 850m era preservação total, tu não podia fazer mais nada, e 32% do estado de Santa Catarina está acima de 850. Então quer dizer, 30% do estado ia para o saco. Então isto aí está sendo mudado para acima de 1600m de preservação total e depois escalonado de 1600 a 1400 podendo fazer alguns equipamentos, deixando, né? Então é isso aí, é esse bom senso, né? Não pode ter um tratamento que nem o da Amazônia que os caras demolem tudo, aqui na serra que é o local de maior preservação. Agora, por exemplo, acho corretíssimo ter uma política austera com as araucárias, mas nem por isso deveria ser proibido de corte. Eu acho que para cortar uma araucária, o cara tinha que plantar duas mil, ia se proliferar muito mais! Mas como não pode cortar nada, o pessoal que tem campo que tem araucária quando ela tá nascendo pequenininha eles já cortam. Por quê? Porque se não aquilo ali dá grinfa, o gado machuca o focinho, não pasta mais, não pode serrar, né? Então eu acho que essa

  satélite. Se quiserem derrubar aquela árvore tudo bem, essa árvore aí é uma árvore de 200 anos. Então para uma árvore de 200 anos pelo nosso código aqui tu vai ter que plantar duas mil árvores e vais ter que manter essas duas mil árvores. Aí pode cortar, né? Sempre no sentido de aumentar a população de araucárias ou de mata nativa. Agora de mata nativa eu acho também que deve ser preservada, mas também observando o bom senso (Entrevistado 1).

  Quando questionado a respeito dos benefícios percebidos no avanço da preocupação ambiental por parte da sociedade, o entrevistado 1 cita dois aspectos: a sobrevivência da população e o conforto advindo do equilíbrio da vida no planeta. O motivo da percepção destes aspectos é explicado no seguinte trecho:

  o primeiro benefício não é benefício, é uma questão de sobrevivência, porque se o mundo todo não se preocupar com isso aí, nós vamos acabar com o nosso planeta. Tem que haver consciência disso aí, tem que haver limitação de natalidade e tem que haver preservação e respeito à natureza, porque eu acho que a terra se recupera, mas até determinado ponto, chega um ponto que você faz tanto que não tem mais recuperação. Então, a primeira coisa é isso aí, porque que nós devemos fazer, né? O primeiro benefício é este aí, sobrevivência, né? Se não nós não vamos sobreviver. O segundo é conforto sob todos os aspectos, nessa sobrevivência, pode ver que o nosso tempo já tá uma bagunça, você não tem mais estações definidas como você tinha antigamente, e esse antigamente aí é 50 anos atrás. Há 50 anos atrás você tinha estações definidas, agora você não tem mais, né? O próprio conforto, a própria oportunidade de plantas. Vamos sofrer conseqüências terríveis com isso aí né e nós também queremos preservar, para os nossos filhos, os meus já estão grandes, na idade de vocês aí, mas e vocês? Como é que é? Então você tem que lutar e muito por isso aí, mas uma luta que não seja burra, que seja uma luta inteligente, partindo do princípio que tem que olhar bem os dois lados da coisa (Entrevistado 1).

  Do ponto de vista ambiental, o entrevistado não apenas controla a poluição, mas a previne, já que utiliza dispositivos para a economia de água, faz uso de energias renováveis, dá preferência a produtos não descartáveis, reutiliza resíduos orgânicos, entre outras ações. No entanto, do ponto de vista empresarial, o entrevistado não demonstrou uma visão empreendedora a respeito da questão ambiental, apesar de citar o aspecto mercadológico. Segundo a teoria de Barbieri (2007), a estratégia deste meio de hospedagem estaria em um local entre a prevenção da poluição e a abordagem estratégica.

  Este empreendimento, segundo Callenbach et al. (1993), faz uso de uma gestão chamada ecológica que, ao contrário da gestão ambiental, conforme a nomenclatura do autor, promove o pensamento sistêmico, no qual o mundo, a natureza, as sociedades e as organizações são vistos como sistemas vivos. Este tipo de gestão é caracterizado pela ética ecológica, pela preocupação com o bem-estar das gerações futuras e por uma mudança de valores na cultura organizacional. De acordo com este conceito, as estratégias ambientais do estabelecimento em questão poderiam ser chamadas de pró-ativas.

  No entanto, para Sharma (2000) e Dias (2009), as estratégias ambientais pró-ativas como ameaças. Observando as práticas ambientais deste meio de hospedagem, seria possível afirmar que possui uma postura pró-ativa, mas, apesar de não visualizar os desafios como ameaças, o entrevistado não parece encará-los como oportunidades empresariais, já que não as menciona quando questionado a respeito dos benefícios percebidos no avanço da preocupação ambiental por parte da sociedade. Desta forma, o empreendimento parece estar caminhando de uma estratégia reativa em direção a uma estratégia pró-ativa, estando neste momento em algum lugar entre elas.

  Christmann e Taylor (2002), por sua vez, classificam as estratégias ambientais em quatro tipos, as pró-ativas, as acomodadas, as defensivas e as reativas. Sendo assim, este estabelecimento pode se enquadrar nas estratégias acomodadas. Isto ocorre em razão de sua aplicação de recursos em problemas ambientais que não têm importância central para a organização. Esta importância é medida pela avaliação do impacto da questão ambiental na competição da empresa em seus mercados e este empreendimento, apesar de considerar o aspecto mercadológico uma motivação, não percebe os benefícios comerciais do uso de práticas ambientais.

  4.3.2.2. Meio de hospedagem 2 O entrevistado 2 citou como principal motivo pelo qual faz uso de práticas ambientais corresponde a consciência ambiental. Esta razão é explicada no trecho a seguir:

  o meu pai, dentro da engenharia né, ele sempre teve essa consciência da preservação da natureza, das árvores, ele sempre foi contra tirar uma árvore, sabe? Então ele sempre se preocupou muito com isso. Ele trouxe isso com essa nova idéia que ele teve, de engenheiro passou a trabalhar no ramo da hotelaria [...]. Utilizo práticas pela consciência ambiental que foi passada pelo nosso pai. Ele não está mais aqui entre nós, né? Mas os filhos, nós todos estamos dando continuidade àquilo porque nós também fomos criados com essa consciência, né? Então para nós isso é muito importante (Entrevistado 2).

  Quando questionado sobre a existência de alguma outra razão para o uso de práticas ambientais, o proprietário afirmou que em primeiro lugar é pela preservação mesmo e em segundo lugar para atrair o hóspede, mas argumenta que as pessoas ainda não se mostram preocupadas com esta questão. O comentário a seguir ilustra esta posição:

  claro, para preservação da natureza, do nosso planeta, é um dos principais motivos, né? É um motivo importante para atrair o hóspede, mas eu não digo que é o que está em primeiro lugar porque infelizmente ainda as pessoas não estão muito preocupadas com isso. Os estrangeiros são mais preocupados com isso, mas eu acho que principalmente para a preservação do nosso planeta mesmo (Entrevistado 2). Entretanto, o desafio ambiental é encarado como algo positivo, principalmente em razão da necessidade de preservação do planeta e em segundo lugar porque, apesar de ainda não acontecer em grande quantidade, os clientes estão começando a se preocupar mais a respeito desta questão. As razões pelas quais este desafio é considerado positivo são expostas no depoimento a seguir:

  porque assim ó, bom, em primeiro lugar, claro, a preservação do planeta, né? Isso aí é a coisa mais importante. E em segundo lugar porque as pessoas, apesar de ainda estarem engatinhando neste processo, elas estão cada vez mais (os clientes né), cada vez mais dando importância à isso, mas os brasileiros ainda tem muito o que aprender (Entrevistado 2).

  Na mesma linha do entrevistado 1, o entrevistado 2 faz uso de ações corretivas e preventivas, mas ainda não visualiza a questão ambiental como uma questão estratégica, já que não considera o aspecto mercadológico como um benefício advindo do uso de práticas ambientais. Dentro desta perspectiva, o meio de hospedagem pode ser enquadrado na abordagem nomeada por Barbieri (2007) como prevenção da poluição.

  A gestão deste meio de hospedagem também pode ser considerada ecológica segundo a teoria de Callenbach et al. (1993), uma vez que o proprietário ressalta a origem ética de suas práticas ambientais. No entanto, embora não veja o desafio ambiental como uma ameaça, não o encara como uma oportunidade de negócio, visto que utiliza práticas ambientais principalmente por consciência ambiental. Este fato faz com que as estratégias ambientais deste estabelecimento também não possam ser classificadas como pró-ativas nem reativas, segundo a teoria desenvolvida por Sharma (2000) e Dias (2009).

  Considerando a classificação proposta por Christmann e Taylor (2002), este empreendimento, assim como o anterior, pode ser enquadrado na estratégia acomodada. Isto ocorre porque, apesar de possuir recursos para enfrentá-los, os problemas ambientais não têm importância central para a organização, visto que não colaboram para gerar vantagem competitiva.

  4.3.2.3. Meio de hospedagem 3 O entrevistado 3 citou como razão mais importante pela qual faz uso das práticas ambientais, o amor que sente pelo local, conforme depoimento que segue:

  acho que o mais importante deles é esse lugar onde nós estamos. Foi uma escolha nossa, a gente não nasceu aqui, a gente veio de fora, nos apaixonamos pelo lugar e há 20 anos atrás resolvemos nos aposentar, eu e o meu marido, da cidade e vir para cá. Então, já a idéia de vir já foi vir para um lugar lindo, um lugar limpo, um lugar que tem uma estrutura frágil e vir para o lugar para trabalhar e para viver para

  puder e depois ir embora, não, a gente quer os filhos, os netos, então o amor pelo lugar eu acho que é a razão mais importante (Entrevistado 3).

  Quando questionado sobre a existência de alguma outra razão, o proprietário citou a consciência ambiental e prestou o seguinte depoimento:

  a razão é que o mundo está se acabando, né? A razão é que se todo mundo tomar banho de 50 minutos, encher os esgotos de produtos que não são biodegradáveis, colocar energia fora, desperdiçar comida, desperdiçar coisas, não reaproveitar nada, daqui a um pouco não tem mais nada para ninguém porque a terra não tem condição de alimentar bilhões e bilhões de pessoas comendo e botando fora tudo, né? Se usar com parcimônia já é difícil, imagina com os excessos que a gente vê, principalmente em comida, água e recursos energéticos (Entrevistado 3).

  No decorrer da entrevista a pergunta foi realizada novamente, desta vez mencionando os possíveis benefícios para a imagem da empresa perante clientes. A resposta dada foi a seguinte:

  eu acho que as pessoas não estão muito aí sabe, a gente faz porque é legal, faz porque tem que fazer, faz por todas as razões que eu te falei, por criação, pelo lugar de onde eu vim, porque pagar menos na conta de luz é ótimo no fim do mês, porque ter um enxoval que vive mais é excelente, para não botar dinheiro fora. Mas de maneira geral eu não acho que as pessoas valorizem isso muito não. Não vejo ninguém dizendo: Ai que legal isso, aquilo. Dificilmente um hóspede se manifesta e diz: Pô, legal isso que vocês fazem! Mas igual a gente faz, entendeu? Porque, acho que é uma obrigação (Entrevistado 3).

  No entanto, o desafio ambiental é encarado como positivo na medida em que colabora para com a economia financeira do estabelecimento. O seguinte trecho expõe esta opinião:

  extremamente positivo, na medida que eu baixar o consumo de água, de luz, se eu lavar menos a minha roupa de cama, as minhas toalhas, se eu desperdiçar menos comida, eu estou economizando dinheiro também. Isso é extremamente positivo. Por exemplo, se toda fruta que sobrar do café da manhã de um dia virar suco, é ótimo para todo mundo, para os funcionários que vão estar tomando suco. Melhor do que botar no lixo e se o que vai para o lixo puder virar adubo para o meu jardim. Não é poupar só a natureza, mas poupar dinheiro também, extremamente positivo (Entrevistado 3).

  Este meio de hospedagem age de forma reativa e pró-ativa. Não apenas controla a poluição, mas a previne, já que faz uso de ações como o registro do consumo de água, dispositivos para a economia de energia, reutilização de resíduos orgânicos e a prevenção de impactos luminosos e sonoros para o meio ambiente. Do ponto de vista empresarial, a questão ambiental é vista como uma redução de custo que gera um aumento da produtividade. Em função da pouca consciência dos hóspedes, ainda não é considerada uma vantagem competitiva. Este posicionamento faz com que o estabelecimento se enquadre na abordagem correspondente à prevenção da poluição citada por Barbieri (2007).

  Sua estratégia ambiental, apesar de também se enquadrar na gestão ecológica proposta por Callenbach et al. (1993), não pode ser considerada pró-ativa segundo a teoria de Sharma

  (2000) e Dias (2009), já que o entrevistado não vê benefícios no uso de ações ambientais para a imagem da organização.

  No que diz respeito à classificação proposta por Christmann e Taylor (2002), as estratégias ambientais deste meio de hospedagem, do mesmo modo que as dos anteriores, podem ser chamadas de acomodadas. Isto ocorre porque o empreendimento possui recursos e capacidades para enfrentar os problemas ambientais, mas estes não são considerados de importância central para a organização, uma vez que o proprietário não visualiza benefícios mercadológicos advindos desta prática.

  As informações obtidas deste meio de hospedagem confirmam a teoria de Budeanu (2007) de que o número de turistas que se comportam de forma responsável em relação às comunidades de destino ainda é muito baixo.

  4.3.2.4. Meio de hospedagem 4 O entrevistado 4, quando questionado a respeito dos motivos pelos quais utiliza as práticas ambientais mencionadas, explica que trabalha com um nicho de mercado e que as práticas são utilizadas para atender às exigências deste público-alvo. Como exemplo deste público é citado o hóspede estrangeiro. O entrevistado defende que o público internacional, em virtude de sua maior consciência, é capaz de financiar as práticas ambientais, que possui um custo alto. Este posicionamento é relatado no trecho que segue:

  quando você entra em um mercado, primeiro você tem que estudar [...] mesmo como pousada você tem n nichos de mercado e qual é o foco desse nicho? A medida que você foca o nicho você começa a buscar percepção de quais são as vontades, o que essas pessoas buscam. E é normal quando a pessoa faz esse tipo de exercício no seu negócio, que ela foque no mercado internacional. Primeiro porque ele é muito mais consciente e consequentemente você tem que ter ações que vão trazer a satisfação deste hóspede. Nesse exercício você começa a ver que você pode fazer várias ações. A medida que você amplia estas ações o seu mercado internacional vai progredindo, vai aumentando e vai ampliando. É só você praticar o exercício e conseguir chegar lá que você vai ver que o mercado internacional é muito mais focado na manutenção ambiental, talvez até pelo preço que eles estão pagando. O brasileiro já não é muito assim não, é muito pouca gente aqui que tem essa consciência. Então este tópico mais a frente você vai executar em função do seu comércio, porque tudo é business, você tem que transformar tudo isso em energia financeira e sempre que você estiver focado em desenvolvimento sustentável você vai ter um custo muito alto, muito alto! Então você tem que fazer com que isso resulte em um benefício maior de compra e venda do teu produto, se não você não vai conseguir sustentar a idéia, porque tudo tá movido no dinheiro. Outra coisa, as pessoas às vezes esquecem, uns são só ideologistas, mas nada funciona sem o

dinheiro, não adianta ser só ideologista (Entrevistado 4). O entrevistado diz que considera o desafio ambiental como positivo para a empresa e argumenta que, no momento em que o empreendimento consegue financiar as práticas ambientais, elas se transformam em propaganda. O trecho que segue ilustra esta posição:

  quando você entende a questão ambiental e consegue financiar de forma a minimizar os seus impactos, ele é um grande aliado porque ele passa a ser marketing, é o que eu sempre digo para as pessoas, investir em meio ambiente não é despesa, é investimento (Entrevistado 4).

  Este estabelecimento, além de fazer uso ações corretivas e preventivas, as utiliza de forma de atrair o hóspede e adquirir, assim, vantagens mercadológicas. Desta forma, a estratégia ambiental deste meio de hospedagem se enquadra na abordagem estratégica desenvolvida por Barbieri (2007).

  A estratégia ambiental deste meio de hospedagem pode ser considerada pró-ativa segundo Callenbach et al. (1993), considerando a teoria da gestão ecológica, do ponto de vista de Sharma (2000) e Dias (2009), uma vez que os problemas ambientais são vistos como oportunidades de mercado e seus benefícios claramente percebidos e de acordo com Christmann e Taylor (2002), já que o desafio ambiental tem importância central, ou seja, influencia a vantagem competitiva, e a organização possui recursos e capacidades suficientes para encará-los.

  4.3.2.5. Síntese das estratégias ambientais dos meios de hospedagem De forma a facilitar a visualização, as informações a respeito do posicionamento dos entrevistados em relação à questão ambiental foram compiladas no Quadro 7.

Quadro 7 – Estratégias ambientais

  Entrevistado Entrevistado Entrevistado Entrevistado

  

1

  2

  3

  4 Consciência

  

X

X

  X ambiental Principal motivação para práticas ambientais Imagem

  X empresarial

  X X

  X Positivo Desafio ambiental

  Negativo

  

X

Depende Fonte: dados primários/2010.

  Os entrevistados ficaram divididos no que diz respeito às motivações para as práticas ambiental. Nenhum meio de hospedagem foi classificado como possuidor de estratégias reativas. A razão pela qual isto ocorre pode estar relacionada ao fato de todos pertencerem à Associação Roteiros de Charme e estarem submetidos aos seus requisitos ambientais mínimos para ingresso.

  4.4. A INTERNACIONALIZAđấO DOS MEIOS DE HOSPEDAGEM E SUA

  INFLUÊNCIA NA GESTÃO AMBIENTAL Os serviços de turismo são prestados e consumidos no território do prestador do serviço, o que faz com que o grau de internacionalização não possa ser facilmente mensurado. Conforme definido anteriormente neste trabalho, neste caso, a internacionalização pode ser compreendida, de acordo com o conceito de Björkman e Forsgren (2000), através do grau de internacionalização da network na qual a empresa está inserida. Tendo em vista esta conceituação, a internacionalização dos meios de hospedagem está atrelada à quantidade de hóspedes estrangeiros recebida.

  Segundo Clark et al. (1996), o mercado internacional de serviços é mais sensível às variações culturais do que o mercado de bens de consumo. Isto ocorre em razão da interação direta existente na simultaneidade da produção e do consumo. No caso dos serviços de turismo, esta interação se caracteriza pelo relacionamento com clientes estrangeiros. As variações culturais, neste caso, podem fazer com que o comportamento ambiental seja diferente entre os países. Por esta razão, a pressão dos consumidores estrangeiros é citada por Dief e Font (2010) como capaz de influenciar as estratégias ambientais.

  Sendo assim, os entrevistados foram questionados a respeito das diferenças de comportamento ambiental entre hóspedes estrangeiros e brasileiros e sobre o impacto que estas diferenças podem causar nas práticas de gestão ambiental. Os dados obtidos são descritos e analisados nos itens a seguir.

  4.4.1. Meio de hospedagem 1 O meio de hospedagem 1 já recebeu clientes de 81 países diferentes. No entanto, os estrangeiros representam apenas 2% do seu fluxo de hóspedes, fato que caracteriza um baixo grau de internacionalização, segundo a teoria proposta por Björkman e Forsgren (2000). Os principais países citados como emissores de clientes foram Itália, França, Estados Unidos, destes clientes acontece desde a fundação do estabelecimento e que o fluxo continua o mesmo desde então. Quando indagado sobre as diferenças entre o comportamento ambiental dos estrangeiros em comparação com os brasileiros, o entrevistado mencionou que não as percebe, considerando ambos igualmente preocupados com o meio ambiente. Revelou também não perceber diferença entre as nacionalidades estrangeiras. Seu posicionamento pode ser observado a partir da fala abaixo:

  os estrangeiros são bem exigentes, mas o brasileiro também no nível de hóspede que eu tenho aqui no hotel. Porque aqui, pelo nosso custo, nós somos obrigados a cobrar um pouco mais, mas pelas razões que eu já te expliquei, nosso custo é altíssimo, nós temos que cobrar. Isso seleciona muito o pessoal e eu entendo que não só o poder financeiro, mas também o poder cultural que tá muito aliado uma coisa a outra, né? Então eu não vejo muita diferença entre a consciência ambiental do brasileiro e do estrangeiro (Entrevistado 1).

  Em razão das práticas ambientais advirem de uma consciência própria, o proprietário afirmou que a recepção de hóspedes estrangeiros em nada as modificou, conforme o seguinte trecho retirado da entrevista: "não, não porque isso aí já é uma consciência dos proprietários

  

e do próprio Roteiro de Charme. Isso aí não vai mudar nada, nós vamos preservar sempre"

(Entrevistado 1).

  Quando novamente questionado a respeito de alguma mudança nas práticas ambientais utilizadas, o entrevistado persiste na resposta, afirmando que nada mudou desde a fundação, segundo o trecho a seguir: "não, elas já eram mais ou menos assim. É uma questão de consciência eu acho, né?" (Entrevistado 1).

  No entanto, em conversa informal com o supervisor de operações do estabelecimento, foi recebida a informação de que os estrangeiros são sim mais preocupados com o meio ambiente. Segundo o colaborador, esta diferença pode ser percebida desde o menor consumo de lenha e energia até a menor produção de lixo. Nesta ocasião foram mencionados os seus hábitos mais sustentáveis e suas maiores exigências quanto às práticas ambientais.

  A realidade deste meio de hospedagem, apesar de confirmar a pesquisa de Montgomery e Stone (2009) no que diz respeito às diferenças de comportamento ambiental entre as diferentes nacionalidades, contraria a teoria de Christmann e Taylor (2001) e de Dief e Font (2010) de que a internacionalização afeta as estratégias de gestão ambiental em virtude da pressão dos consumidores estrangeiros.

  4.4.2. Meio de hospedagem 2 O entrevistado 2 citou como principais países emissores de turistas para o meio de hospedagem a Alemanha, Inglaterra, Canadá, Estados Unidos e França e afirmou acreditar que este público corresponde a cerca de 30% de seu fluxo, que segundo a teoria de Björkman e Forsgren (2000) caracteriza um nível mais alto de internacionalização. Quando questionado sobre o aumento do fluxo de estrangeiros desde a fundação do estabelecimento, afirmou que não sabe responder, já que não estava presente durante todo o período.

  O proprietário declara perceber diferenças de comportamento ambiental entre estrangeiros e brasileiros. Dentre estas diferenças estão um maior respeito por parte dos estrangeiros em relação ao uso das toalhas e uma maior percepção das práticas ambientais utilizadas pelo meio de hospedagem. Estas ações são descritas no seguinte trecho:

  as diferenças são assim, por exemplo, o estrangeiro respeita mais a coisa do uso de toalhas, por exemplo, né? Ele entende. Já o brasileiro acha que todo dia tem que ser trocadas as toalhas e ele inclusive acha que é um desleixo tu não trocar as toalhas todos os dias, né? Ele tem esse pensamento aí. O estrangeiro já não, ele já sabe como isso é importante, essa pequena atitude, né? Em casa você não troca todos os dias a sua toalha de banho, então quer dizer, porque em um hotel você tem que trocar todos os dias a sua toalha? Nunca, né? É essa a conscientização [...] e eles percebem, eles percebem, né? Nós temos no check-out uma cartinha que pergunta o que acha das ações, do nosso código ambiental e ele anota ali. Não comentam, mas na hora do check-out eles percebem (Entrevistado 2).

  Diferenças entre as nacionalidades também são percebidas e existem, na percepção do entrevistado, principalmente entre europeus e latinos, sendo o europeu "mais cuidadoso sobre . No entanto, o proprietário afirma que o fato de receber clientes

  a questão ambiental"

  estrangeiros em nada mudou suas práticas de gestão ambiental, já que esta preocupação sempre existiu independente das preocupações dos hóspedes.

  Apesar do elevado fluxo de turistas estrangeiros, as ocorrências presentes neste empreendimento, da mesma forma do meio de hospedagem anterior, confirmam a teoria de Montgomery e Stone (2009) no que se trata das diferenças de comportamento ambiental entre as nacionalidades, mas contrariam a teoria de Christmann e Taylor (2001) e de Dief e Font (2010) de que a pressão dos consumidores estrangeiros pode afetar as estratégias ambientais.

  4.4.3. Meio de hospedagem 3 O entrevistado 3 afirmou receber hóspedes estrangeiros principalmente da Alemanha,

  Itália, Espanha e Portugal. Este público corresponde a menos de 10% do fluxo de clientes do estabelecimento e esta porcentagem se mantém inalterada desde sua fundação. Este fluxo, em comparação com os demais meios de hospedagem estudados, caracteriza um nível intermediário de internacionalização, segundo a teoria de Björkman e Forsgren (2000).

  Quando indagado sobre as divergências entre o comportamento do hóspede estrangeiro e do brasileiro, o entrevistado confirma esta diferença e menciona que o público estrangeiro é mais ligado nesta questão e valoriza mais a natureza. Estes exemplos são citados com mais detalhes no trecho que segue:

  bom, em primeiro lugar, eles valorizam um espaço mais intocado do que um brasileiro. Um italiano chega aqui, é a primeira coisa que ele fala, o espaço, espaço é luxo, chegar numa praia que não está empilhada de gente como eles tem lá é a primeira coisa que eles falam: Nossa, como vocês são ricos! Vocês têm espaço! A gente já não tem mais lá! A limpeza da água é outra coisa que eles sabem que nem todos os lugares, por exemplo, os que vão para o Rio de Janeiro sabem que a água lá está poluída e aqui não, isso na cabeça deles faz diferença. É o que eu mais ouço, são os comentários que eu mais escuto [...]. A gente percebe que eles são mais ligados na questão ambiental, muito mais do que os brasileiros [...]. Esses dias um turista italiano me perguntou o que uma árvore exótica que eu tenho plantada no jardim estava fazendo ali e foi muito engraçado porque nunca um cliente brasileiro me perguntaria isso. Vamos dizer que a noção de turismo sustentável do brasileiro é muito aquém do turista europeu, que está muito mais ligado. Eles já procuram ir à lugares que se tiver algum dano ambiental eles já nem botam o dinheiro deles e está certo. É uma conscientização muito mais importante que a nossa. Eu disse para esse turista: Olha, essa árvore é tão antiga que ela já estava aqui antes de eu chegar, não sei quem plantou essa árvore exótica, mas ela está ali, está bonita, não vamos tirar (Entrevistado 3).

  Quando questionado a respeito das diferenças entre as nacionalidades estrangeiras, o proprietário diz que percebe o comportamento diferenciado principalmente do europeu e mais especificamente dos alemães. Alguns exemplos são citados no relato abaixo:

  o cliente europeu principalmente, que é o que mais vem, é o cara que mais aprecia [...]. A gente fica muito feliz em receber clientes estrangeiros porque eles valorizam o tipo de hotelaria que a gente pratica aqui [...]. O europeu é muito mais consciente, o europeu não gosta de cadeira de plástico, por exemplo. Nas varandas ou na piscina, aqui a gente sempre teve cadeira de madeira e eles sempre falaram isso: Ai que bom que nesse hotel as cadeirinhas não são de plástico! Então a gente percebe que eles tem um olhar diferente do nosso (Entrevistado 3).

  O entrevistado afirma que o fato de receber hóspedes estrangeiros influencia as práticas ambientais do empreendimento de forma positiva, já que o retorno fornecido funciona como um incentivo. No entanto, quando questionado sobre um exemplo de prática que tenha se modificado, afirmou não recordar de alguma mudança neste sentido. O comentário a seguir resume este posicionamento: "como incentivo é bárbaro, porque pelo menos tem alguém que está prestando atenção" (Entrevistado 3).

  Apesar de visualizar o comportamento dos estrangeiros como incentivo às práticas de gestão ambiental, o proprietário do meio de hospedagem não percebe maiores influências Stone (2009) de que existem diferenças de comportamento ambiental entre as nacionalidades e se coloca de forma contrária à teoria de Christmann e Taylor (2001) e de Dief e Font (2010) no que diz respeito ao impacto das exigências do público internacional nas estratégias de gestão ambiental.

  Embora existam diferenças no fluxo de clientes estrangeiros e conseqüentemente no grau de internacionalização existente entre os meios de hospedagem 1, 2 e 3, todos se posicionam de forma semelhante no que se refere ao impacto do comportamento ambiental destes clientes em suas estratégias ambientais.

  4.4.4. Meio de hospedagem 4 O entrevistado 4 afirmou receber clientes estrangeiros principalmente da Alemanha,

  Itália, Espanha e Portugal. Este público corresponde hoje a 12% do fluxo de hóspedes, o que caracteriza, segundo proposto por Björkman e Forsgren (2000), um grau de internacionalização também intermediário quando comparado com os demais meios de hospedagem pesquisados. O proprietário comenta que o número de hóspedes internacionais aumentou muito nos últimos anos. O comentário a seguir explica este crescimento:

  fiz um balanço social e ambiental, onde a gente veio saber que a gente realmente tinha uma inversão muito positiva nesse sentido e isso entusiasmou a aumentar esta prática e a divulgá-la muito mais, onde aumentou o fluxo de estrangeiros (Entrevistado 4).

  As diferenças entre o comportamento ambiental do estrangeiro e do brasileiro são percebidas pelo entrevistado em dois aspectos. O primeiro diz respeito à relação de proximidade que o estrangeiro mantém com o meio ambiente e o segundo corresponde à importância que o público internacional confere às ações ambientais do meio de hospedagem. Estes aspectos são expostos no depoimento a seguir:

  duas coisas diferenciam no meu ver o estrangeiro, o que bate e toca profundamente no tocante dessa sua pesquisa. Primeiro, eu faço trilhas, eu adoro fazer trilhas e as trilhas são nativas, então tu vai explicando, vai viajando com a pessoa. O brasileiro faz trilhas, percentualmente, o brasileiro se preocupa mais com o exercício físico. Quanto tempo leva a trilha? Meia hora? Ele faz em meia hora e tenta fazer em 20 minutos! O estrangeiro diz assim: Ah, em torno de meia hora a uma hora, duas? Tu brinca com ele. Ele leva duas, três. Eles querem ver a bolha, eles querem ver o vento, eles querem ver o mar, eles querem apreciar a natureza, porque eles não têm. O brasileiro tem muita natureza ainda e ele passa batido, então é uma diferença significativa. Outra coisa é que eles querem saber o que você faz com os resíduos, eles visitam o local, eles querem saber onde é que você botou, eles querem, eles vão visitar o seu sistema de tratamento, eles querem andar em cima, eles querem ver, entendeu? Eles vêm aqui, sabem que você fez e perguntam: Como é que é? Onde é que tá? Ah, eu to plantando e tal. Onde é que estão as mudas? Eu quero ver. São os que mais pedem a muda para plantar. Eles carregam a mudinha deles! O brasileiro

  exercitar todo o processo para que eles se sintam donos da área. É muito legal, é bem diferente a consciência (Entrevistado 4).

  O empresário diz que estas alterações de comportamento se baseiam nas diferenças territoriais entre os países e explica que os brasileiros ainda têm um contato grande com a natureza enquanto os estrangeiros já o perderam. Desta forma, ressalta o valor concedido ao meio ambiente por parte do público internacional. Este posicionamento se baseia nas premissas explicadas no seguinte trecho:

  o estrangeiro, porque ele já perdeu [...], valoriza de uma forma assustadoramente maior que o brasileiro, ele sente a natureza, ele toca nela, ele vive ela, ele realmente anda com ela e o brasileiro não [...]. Outra, o brasileiro quer levar um pedacinho para casa, o brasileiro quer saber onde que ele pega, ele cata, entendeu? Não dá para me dar uma bromélia? Entendeu? Ele quer pegar daqui e levar para lá. O estrangeiro não. Algumas vezes, lá tem muito de uma estrela do mar que tem milhares de patinhas assim, é típico de águas extremamente limpas. Tem milhares lá. E quando elas morrem o mar trás e joga na praia. São brancas e são lindas. E ela tem um desenho em cima. É uma coisa que atrai qualquer pessoa de pegar aquilo e levar e não tem porque não porque vai virar farinha, vai virar pó, né? O estrangeiro dificilmente leva (Entrevistado 4).

  Quando indagado sobre as diferenças de comportamento ambiental existentes entre as nacionalidades estrangeiras, o entrevistado cita o público europeu, principalmente o de origem germânica, como mais preocupado e justifica sua afirmação com base nas baixas temperaturas lá existentes, fato que faz com que este cliente passe grande parte do ano em ambientes fechados. O relato a seguir traz maiores detalhes a respeito:

  os países europeus têm mais, principalmente os de origem germânica, eles são mais focados nisso, né? Finlandeses também, noruegueses, os poucos que vieram têm um foco muito grande. Os suíços, muito, muito, muito, principalmente porque, eu acredito, eles vivem meio ano dentro de casa e o contato com a natureza desses nórdicos, europeus, é de dois a três meses por ano, que eles têm sol e vida natural. Então eu acho que eles são os que mais vibram com a natureza (Entrevistado 4).

  Quando questionado se o fato de receber clientes estrangeiros mudou alguma coisa nas práticas de gestão ambiental, o empresário afirma que as exigências deste público são sim incentivadoras de suas ações e cita como exemplo o aprimoramento do sistema de lixo, o incentivo ao plantio de mudas e a iniciação do balanço sócio-ambiental. Esta posição é explicada no seguinte trecho da entrevista: são incentivadores, porque a cobrança, que eu digo no bom sentido, é incentivo.

  Porque a medida em que tu vê que aquilo que tu ta fazendo está sendo visto com mais vontade, com mais prazer, te aumenta o prazer de executar. Então é natural, inclusive, além do quê, ele alimenta financeiramente (Entrevistado 4).

  As práticas ambientais no local são realizadas desde antes da fundação do meio de hospedagem e, com o aumento do movimento e do fluxo financeiro, se intensificaram. O entrevistado comenta que foi a partir do momento em que estas práticas começaram a ser defende uma influência mútua, já que boas práticas atraem clientes estrangeiros e este público as incentiva.

  A realidade deste meio de hospedagem, diferente da dos demais, não confirma apenas a pesquisa de Montgomery e Stone (2009) que se refere às diferenças de comportamento ambiental entre as nacionalidades, mas também a de Christmann e Taylor (2001) e Dief e Font (2010) de que as exigências do público internacional impactam de forma positiva as estratégias de gestão ambiental.

  No item a seguir a influência da internacionalização nas práticas ambientais dos meios de hospedagem entrevistados é sintetizada.

  4.4.5. Síntese da internacionalização dos meios de hospedagem e sua influência nas práticas de gestão ambiental.

  As respostas dos entrevistados aos principais questionamentos relacionados à internacionalização são sintetizadas no Quadro 8. Nele estão inseridas as percepções dos entrevistados a respeito das diferenças de comportamento ambiental entre estrangeiros e brasileiros e da influência da internacionalização nas práticas ambientais dos estabelecimentos, além da evolução do fluxo de estrangeiros desde a fundação dos meios de hospedagem.

Quadro 8 - Percepção dos entrevistados em relação à internacionalização

  Entrevistado Entrevistado Entrevistado Entrevistado

  

1

  2

  3

  4 X

  X X Percebe Diferenças de comportamento ambiental

  

X

Não percebe Influência da

  X Percebe internacionalização nas

  

X

X

  X Não percebe práticas ambientais

  X Aumentou Fluxo de Estrangeiros

  

X

X Não alterou desde a fundação

  X Não sabe Fonte: dados primários/2010.

  Percebe-se, a partir da análise do Quadro 8, que apenas um entrevistado afirmou não perceber diferenças de comportamento ambiental entre hóspedes estrangeiros e brasileiros. No entanto, em conversa informal, o supervisor de operações deste estabelecimento afirmou notar as diferenças de comportamento. Considerando a hipótese de que o supervisor de operações tenha um maior contato com os hóspedes do que o proprietário do meio de hospedagem, sua opinião pode ser considerada neste estudo. Nestes termos, a maior preocupação ambiental dos hóspedes estrangeiros fica evidente entre os entrevistados.

  Os empreendimentos também possuem a mesma opinião entre si no que diz respeito às diferenças de comportamento ambiental entre as nacionalidades estrangeiras. O público europeu foi considerado o mais preocupado com o meio ambiente. Os motivos mais citados foram educação e consciência.

  No entanto, no que diz respeito à influência da internacionalização nas práticas de gestão ambiental, nem todos os entrevistados concordam. Para os entrevistados 1 e 2, as práticas ambientais são decorrentes de uma consciência ambiental e, por isso, não são influenciadas pelos clientes estrangeiros. Já para o entrevistado 3, apesar de as práticas advirem de uma consciência ambiental pré-existente, as exigências dos clientes estrangeiros são citadas como incentivadoras das ações praticadas. O entrevistado 4, por sua vez, afirma utilizar práticas ambientais em razão das exigências do público internacional e que, sendo assim, este hóspede atua não apenas como incentivador, mas como agente capaz de modificar as práticas ambientais do estabelecimento.

  Os empreendimentos 1, 2 e 3 possuem práticas ambientais, recebem clientes internacionais e notam diferença entre o comportamento ambiental do estrangeiro e do brasileiro. Quando questionados afirmam que não percebem a influência do fluxo de estrangeiros nas práticas ambientais porque suas ações advêm de uma consciência própria. No entanto, uma possível razão para este fato poderia ser o desinteresse em atrair este hóspede, tendo em vista o fato de serem empresas pequenas, com menos de 30 funcionários. As práticas ambientais, além da consciência, são realizadas por exigência da Associação Roteiros de Charme, cuja associação pode ter sido realizada para atrair clientes, mas não necessariamente internacionais. Uma evidência deste cenário consiste no fato do fluxo de hóspedes estrangeiros destes estabelecimentos não ter se alterado desde a fundação, enquanto esta quantidade se multiplicou no estabelecimento 4.

  O meio de hospedagem 4 se configura, desta forma, o único estabelecimento no qual o fluxo de hóspedes internacionais aumentou desde a fundação, fato este derivado do aumento de suas práticas ambientais. A percepção deste cenário faz com que o entrevistado se motive a novamente aumentar as suas práticas, desta vez, com o real objetivo de ampliar o fluxo internacional. Esta realidade pode explicar o fato deste entrevistado perceber a influência da

  Desta forma, é importante ressaltar a existência deste caminho inverso. Assim como a internacionalização pode afetar as práticas de gestão ambiental, as ações utilizadas podem afetar o nível de internacionalização da empresa. Na medida em que as práticas se multiplicam, o fluxo internacional aumenta.

  A partir da análise destas informações é possível inferir que o impacto da internacionalização nas estratégias de gestão ambiental varia conforme o modo como o proprietário administra o desafio ambiental. Os entrevistados 1, 2 e 3, por exemplo, afirmam utilizar práticas ambientais em razão de uma consciência pessoal e encaram o desafio como positivo em razão dos benefícios que podem ser gerados ao meio ambiente. Apesar de notarem diferenças de comportamento entre estrangeiros e brasileiros, não percebem impacto direto da internacionalização nas práticas de gestão ambiental. Já o entrevistado 4 utiliza práticas ambientais justamente para atender às necessidades dos hóspedes estrangeiros e encara o desafio ambiental como positivo porque o considera um investimento na área de marketing da empresa, uma propaganda. Esta percepção faz com que este proprietário note a influência da internacionalização nas práticas de gestão ambiental. Desta forma, com base na interpretação das entrevistas realizadas, pode-se dizer que o impacto da internacionalização nas práticas ambientais está atrelado à forma como o desafio ambiental é encarado pelo proprietário do negócio.

  A quantidade de hóspedes estrangeiros recebida não pareceu influenciar as práticas ambientais, já que o único entrevistado que nota a influência deste público nas estratégias de gestão ambiental recebe um fluxo de 12% de clientes internacionais, enquanto este público nos meios de hospedagem 1, 2 e 3, que não percebem esta influência, corresponde respectivamente a 2%, 30% e 10%.

  Ao findar este trabalho, respostas foram encontradas e possibilidades descobertas. Os resultados descritos a seguir não se configuram uma conclusão, mas sim algumas considerações finais, já que este trabalho não esgota as possibilidades de estudo deste assunto. No desenvolver da pesquisa surgiram algumas idéias para novas pesquisas na área que possam vir a complementar este estudo. Os principais resultados desta pesquisa e as recomendações levantadas para novos trabalhos são expostos nos itens a seguir.

  5.1. CONSIDERAđỏES FINAIS Esta pesquisa buscou analisar a influência da internacionalização nas estratégias de gestão ambiental dos meios de hospedagem de Santa Catarina vinculados à Associação

  Roteiros de Charme. Este objetivo surgiu do entendimento desta autora da importância destes assuntos para as organizações, tendo em vista a realidade atual. Dentre os fatores motivadores estão o crescimento do turismo no estado de Santa Catarina e o paradoxo criado pelo impacto que esta atividade causa no meio ambiente e a sua dependência dele, levando em consideração a busca cada vez maior de turistas por locais onde a natureza seja abundante.

  Além disso, existem evidências na literatura de que a internacionalização poderia influenciar de forma positiva as práticas ambientais dos meios de hospedagem, já que a recepção de clientes estrangeiros faz com que o empreendimento entre em contato com hóspedes provenientes de diferentes culturas e com comportamentos e exigências ambientais diferenciados. De forma a adquirir competitividade no mercado, as empresas buscam a satisfação das necessidades deste público. Este estudo se baseou no pressuposto de que este processo poderia influenciar as práticas de gestão ambiental dos meios de hospedagem.

  Além disso, existem poucos estudos desenvolvidos sobre a relação entre a internacionalização e o turismo sustentável. A partir deste escopo foram propostos três objetivos específicos.

  O primeiro consistiu na descrição das estratégias de gestão ambiental dos meios de hospedagem identificados, onde foram levantadas as práticas ambientais e suas principais motivações. As práticas ambientais dos estabelecimentos pesquisados são bastante similares. Uma possível razão para esta realidade seria o fato de todos estarem vinculados à Associação Roteiros de Charme e compartilhando de suas exigências. Quando levantadas as principais do meio de hospedagem 4, que, tendo em vista suas ações preventivas e sua percepção do aspecto ambiental como oportunidade para adquirir vantagens competitivas, mostrou fazer uso de uma estratégia pró-ativa, os demais foram classificados em estratégias intermediárias. Não puderam ser classificados como reativos, já que fazem uso de ações preventivas e não encaram o desafio ambiental como ameaças, nem como pró-ativos, uma vez que ainda não visualizam os problemas ambientais como oportunidade mercadológica.

  O segundo objetivo específico proposto visou caracterizar a internacionalização dos estabelecimentos estudados. Nesta etapa todos os entrevistados afirmaram receber hóspedes estrangeiros e, portanto, puderam ser classificados como detentores de algum nível de internacionalização. De acordo com as informações obtidas, o entrevistado 1 mostrou possuir o menor grau de internacionalização e o entrevistado 2 o maior. O terceiro objetivo buscou verificar a relação entre as práticas de gestão ambiental e a internacionalização dos meios de hospedagem estudados. Tendo em vista a recepção de clientes estrangeiros inerente à internacionalização dos serviços de turismo, partiu-se do pressuposto de que estes hóspedes, provenientes de países com culturas ambientais diferenciadas, poderiam influenciar as estratégias de gestão ambiental dos empreendimentos pesquisados.

  Os resultados confirmaram as teorias estudadas no que diz respeito às diferenças de comportamento ambiental entre estrangeiros e brasileiros. No entanto, mostraram que a influencia deste cenário nas estratégias ambientais só é verdadeira se o administrador visualizar o aspecto mercadológico do desafio ambiental. Sendo assim, o impacto da internacionalização nas estratégias de gestão ambiental varia conforme a maneira pela qual o empresário encara o desafio ambiental.

  Os dados analisados neste estudo mostraram também a existência de um caminho inverso em relação à internacionalização e as estratégias ambientais. Assim como o fluxo de estrangeiros pode influenciar as estratégias de gestão ambiental, estas podem influenciá-lo, tendo em vista que boas práticas atraem este público.

  A quantidade de hóspedes estrangeiros recebida não pareceu influenciar as estratégias de gestão ambiental. O único meio de hospedagem no qual o proprietário notou esta influência possui um fluxo de clientes internacionais intermediário, em comparação com os demais.

  Tendo em vista as evidências literárias de que a internacionalização poderia influenciar as práticas de gestão ambiental dos meios de hospedagem, esperava-se que todos os entrevistados fossem notar esta influência e explicar o seu funcionamento. No entanto, informação de que os hóspedes estrangeiros são mais preocupados com o meio ambiente, não notaram esta influência. Segundo os resultados deste estudo, isto ocorre principalmente porque estes gestores não percebem o aspecto mercadológico envolvido no uso das práticas ambientais.

  5.2. RECOMENDAđỏES Após o termino deste estudo foi possível perceber as oportunidades que são abertas para novas pesquisas e aprofundamentos. Recomenda-se, desta forma, os seguintes estudos complementares a este:

   Comparar as estratégias de gestão ambiental entre diferentes países e verificar a influencia da internacionalização sobre elas. Este tipo de pesquisa permitiria não apenas identificar as diferenças de práticas ambientais entre os países, fato que poderia confirmar a existência diferenças na cultura ambiental, capaz de gerar as diferenças de comportamento mencionadas neste estudo, mas também verificar se a influência da internacionalização é verdadeira e se afeta de forma positiva ou negativa as práticas ambientais.

   Estudar o caminho inverso mencionado neste estudo, ou seja, a influência das estratégias ambientais na recepção de hóspedes estrangeiros. O resultado de um estudo como este corroboraria ou não os pressupostos levantados nesta pesquisa.

   Realizar estudos similares em outros meios de hospedagem ou demais organizações de serviços. Com o aumento na quantidade de casos, os resultados seriam menos vulneráveis e mais contundentes.

   Aplicar esta pesquisa nos meios de hospedagem pertencentes à Associação Roteiros de Charme de outros estados brasileiros, o que permitiria verificar as diferenças existentes entre os estados no que diz respeito às práticas ambientais utilizadas e à influência da internacionalização.  Realizar este estudo novamente dentro de alguns anos com o objetivo de verificar possíveis mudanças nas práticas ambientais utilizadas, na percepção da influência da internacionalização e na consideração do aspecto mercadológico pelos gestores.

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  Especial 30

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  ANEXOS ANEXO A – Código de Ética e de Conduta Ambiental da Associação Roteiros de Charme

Roteiros de Charme Associação de Hotéis Código de Ética e de Conduta Ambiental

  Os Hotéis, Pousadas e Refúgios Ecológicos que fazem parte desta Associação, reconhecendo a necessidade da preservação do meio ambiente para sobrevivência desta e das gerações futuras, considerando que os princípios fundamentais do ambientalismo estão intimamente ligados aos conceitos modernos de eficiência, se comprometem a adotar as posturas ambientais contidas neste Código de Ética e de Conduta Ambiental, que procura um objetivo comum e não o conflito entre a preservação do meio ambiente e o desenvolvimento econômico.

  1. Implementação 1. 1. Assegurar o apoio e participação dos principais sócios, diretores e gerentes na implementação deste Código e possibilitar acesso ao programa a todos que prestam serviços à empresa.

  1.2. Incorporar os princípios ambientais às práticas administrativas e aos programas de treinamento do pessoal, que deve ser educado para exercer suas atividades de modo ambientalmente responsável .

  1.3. Nomear um responsável geral pela gestão ambiental da empresa e designar um responsável para cada aspecto fundamental do programa: energia, água e resíduos.

  1.4. Definir as metas ambientais a serem cumpridas, estabelecendo prioridades e prazos para sua aplicação, de acordo com os equipamentos e instalações existentes, localização e condições econômico financeira da empresa.

  1.5. Monitorar o progresso do programa e informar aos participantes sobre os resultados alcançados em reuniões periódicas.

  1.6. Incentivar a todos que trabalham na empresa a colaborar com o programa, envolvendo inclusive as famílias em concursos de preservação ambiental, premiando os de melhor desempenho.

  1.7. Identificar e reduzir o impacto ambiental, no planejamento de novos projetos e construções, visando a preservação do cenário, fauna, flora e cultura locais.

  1.8. Fazer um check-list de todos os equipamentos, dos quartos, banheiros e demais dependências, verificando se há impactos ambientais desnecessários ou desperdício de energia e água.

  1.9. Controlar e diminuir o uso de produtos adversos ao meio ambiente como asbestos, CFCs, pesticidas e materiais tóxicos, materiais corrosivos, infecciosos, explosivos ou inflamáveis.

  1.10. Respeitar os locais e objetos religiosos e históricos, a população local, sua história,

  1.11 . Minimizar os riscos de impactos ambientais negativos por parte dos hóspedes e visitantes: (i) colocando à sua disposição informativos preparados pelo hotel e literatura, sobre a região, fauna, flora e cultura local; (ii) reduzindo o tamanho dos grupos; (iii) evitando horários de maior concentração de visitantes; (iv) evitando visita à áreas ambientais não supervisionadas; (v) instruindo os guias para tomarem ações corretivas.

  1.12. Implantado o sistema, informar aos hóspedes sobre a adesão do hotel ao programa de proteção ambiental, deixando claro que o sucesso desta iniciativa dependerá, também, da participação dele, e convidando, àqueles que demonstrarem maior interesse, a fazer uma lista de suas observações quanto a impactos ambientais ainda existentes e que, eventualmente, podem ser evitados.

  2. Energia

  2.1. Conscientização geral da necessidade de economizar energia palavra de ordem que deve constar de todos os manuais administrativos e operacionais da empresa.

  2.2. Instituir uma força tarefa de Conservação de Energia, que inclua o Gerente Geral, o responsável no programa ambiental pelo item energia, o chefe da manutenção, e um representante de cada setor da empresa.

  2.3. Desenvolver um plano de ação setorial estabelecendo uma data limite para a implantação das ações sem custo e um cronograma de investimentos e de implantação para as ações de baixo custo.

  2.4. Desenvolver cronograma de investimento e de implantação para as ações, que apesar de seu custo aparentemente elevado, possam incrementar a conservação de energia e conseqüente redução de custos, priorizando os de maior rapidez no retorno do capital investido.

  2.5. Utilizar energia alternativa (solar e eólica), que deve ser incorporada, sempre que possível, no planejamento das novas construções e instalações

  2.6. Evitar aquecedores elétricos individuais.

  2.7. Utilizar sauna e aquecimento a lenha onde for apropriado.

  2.8. Utilizar equipamentos reguladores de consumo de energia.

  2.9. Reduzir a iluminação supérflua, com a instalação de controles automáticos como: temporizadores ou sensores de presença, nas áreas de pouco tráfego, pequenos espaços e em

  2.10 Substituir as lâmpadas convencionais pelas de baixo consumo, iniciando nas áreas que permanecem iluminadas por perídos mais longos e constantes.

  2.11. Reduzir o consumo indireto de energia, oferecendo produtos naturais produzidos na região, especialmente vegetais. 3. Água.

  3.1. Avaliar a eficiência do seu hotel quanto ao consumo de água, considerando que dependendo da eficiência no uso das instalações o consumo de água pode variar de 60 a 220 m3 cama ano.

  3.2. Estimar o consumo de água nos banheiros dos hóspedes, cozinhas, lavanderia, demais áreas de serviço, jardins e piscina.

  3.3. Verificar as melhores opções para economizar água, estimando o custo e economia potencial.

  3.4. Instalar medidores de consumo nos locais de maior uso.

  3.5. Evitar a troca desnecessária de roupa de banho, deixando à decisão dos hóspedes quando ela banho deve ser mudada.

  3.6. Incentivar a participação dos hóspedes no programa de redução de consumo de água com aviso de que se a colaboração dele é boa para o hotel é melhor ainda para o meio ambiente.

  3.7. Coletar e utilizar a água da chuva, sempre que possível.

  3.8. Verificar com freqüência a existência de vazamentos inclusive nas piscinas.

  3.9. Usar detergentes de menor impacto ambiental e parar de usar desinfetantes e outros agentes químicos desnecessários.

  3.10 Desenvolver um plano de ação setorial estabelecendo uma data limite para a implantação das ações sem custo e um cronograma de investimentos e de implantação para as ações de baixo custo.

  3.11. Desenvolver cronograma de investimento e de implantação para as ações, que apesar de seu custo aparentemente elevado, possam reduzir o consumo de água e conseqüente redução de custos, priorizando os de maior rapidez no retorno do capital investido.

  3.12. Incluir na programação de investimentos a médio e longo prazo: (i) substituir por duchas e equipamentos de baixa pressão os chuveiros e vasos sanitários; (ii) instalar sensores infravermelho de presença nas pias; (iii) substituir o tratamento tradicional de cloro e algacidas por equipamentos de ionização da água.

  4. Resíduos sólidos e efluentes

  4.1. Adotar, em todos os procedimentos administrativos e operacionais, os "3 Rs" : da consciência ambiental: Reduzir, Reutilizar e Reciclar.

  4.2. Identificar todas as atividades e locais que geram resíduos sólidos.

  4.3. Eliminar a queima indiscriminada de lixo e pastos e cessar com o desmatamento e desflorestamento ambientalmente irresponsáveis.

  4.4. Evitar o uso de produtos descartáveis, tipo "one way".

  4.5. Analisar o "fluxo" dos resíduos sólidos no Hotel, identificando os principais componentes do lixo produzido: vidro, papel, plástico, matéria orgânica, etc. 4.6, Analisar a demanda por materiais recicláveis (sucateiros, "catadores" de papel, vidro, alumínio e instituições de caridade).

  4.7. Identificar os seguintes aspectos ligados ao lixo: (i) quais materiais são recicláveis; (ii) como devem ser coletados - separados ou misturados; (iii) as quantidades mínimas que interessam aos "catadores" e outros.

  4.8. Determinar pessoal, local, recipientes e equipamentos necessários para a coleta, armazenamento temporário e encaminhamento/descarte dos resíduos.

  4.9. Desenvolver um Plano de Ação, com um programa de fácil compreensão, levando em consideração regulamentações locais, a ser implementado gradualmente, no qual são estabelecidas metas a serem alcançadas a curto, médio e longo prazo.

  4.10. Procurar a participação dos vizinhos, compartilhando o local de estocagem e seus custos, quando possível, propiciando atingir volumes que reduzam tempo e periodicidade da coleta.

  4.11. Criar um programa de reciclagem de fácil assimilação e aceitação por parte dos dos usuários, mediante clara identificação dos recipientes de lixo, com indicação do tipo de material a ser acondicionado nos mesmos e a colocação do número adequado de recipientes em locais apropriados.

  4.12. Envolver os hóspedes no programa, incentivando-os a dele participar através de informativos do hotel.

  4.13. Para os novos projetos situados nas regiões não atendidas por rede de esgoto municipal, dar preferência a instalação de fossas ecológicas.

  4.14. Adicionar bactéria consumidora de material orgânico à fossa tradicional minimizando o impacto ambiental.

  4.15. Eliminar qualquer vazamento de esgoto não tratado ou químicos prejudiciais a saúde, no

  4.16. Estabelecer procedimentos e monitorar o vazamento de produtos químicos e óleos estocados.

  4.17. Monitorar a qualidade da água usada descarregada fora das fossas e do sistema de esgoto.

  4.18. Cuidar que o CFCs sejam recolhidos dos equipamentos descartados, dando uma destinação final adequada aos mesmos.

  4.19. Eliminar as fontes de ruído tomando as ações necessárias para eliminar a poluição sonora, principalmente, à noite.

  4.20. Incluir na programação de investimentos a médio e longo prazo: (i) instalar filtros de carbono nos exaustores da cozinhas e equipamentos para tratamento da água; (ii) substituir os gases refrigerantes por tipos que não prejudiquem a camada de ozônio.

  

Comissão Mundial sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento, 1987

Desenvolvimento Sustentável

Satisfação das necessidades do presente sem comprometer as necessidades das gerações

futuras.

  APÊNDICES APÊNDICE A – Transcrição das Entrevistas

ENTREVISTA 1

  De antemão, se você observar este quadro no nosso lado direito, isto aí é uma amostra de representantes dos países que já estiveram aqui, são 81 países. Isto representa apenas menos de 2% do número de hóspedes das diárias vendidas no hotel. Desses representantes, não vem mais por causa da nossa mídia e das nossas condições de acessibilidade e facilidade de vôo tal, né... se não nós teríamos um fluxo muito maior, porque todos que vêm aqui amam. É raro, é raríssimo nós termos alguma reclamação do pessoal do exterior. Uma que eu me lembro é um suíço que esteve aqui e reclamou que a bandeira do Brasil estava acima da bandeira da Suíça, mas isso aí é lei nacional né... [Ele disse] não pode, isto é uma discriminação e eu disse não, você está na nossa casa e nós temos dentro do nosso manual de procedimentos operacionais do hotel nós sempre erguemos as bandeiras quando nós temos a bandeira aí, tem umas 50 bandeiras e quando não temos no dia seguinte nós já pedimos a bandeira para quando vier na próxima já tem e é uma coisa que causa até uma emoção no pessoal que vem né porque eles se sentem valorizados com este ato né, mas outra espinha dorsal dessa questão, aqui começa os assuntos quanto às práticas ambientais, basta que você tenha uma política ambiental correta e que você seja honesto com os seus propósitos, porque você não pode vender mentiras, dizer que faz umas coisas e faz outras. Eu acho que aí resume basicamente a essência, vamos dizer, desse tratamento né... e outra coisa é ter persistência naquelas metas que você estabeleceu porque existe da parte dos funcionários quando a coisa se repete aquilo vai caindo na rotina né... então você como mecanismo, tem que ter um manual de procedimentos que tem que ser checado né... fazendo parte do check-list de cada função de cada funcionário....

  

Você utiliza algumas práticas ambientais, que eu vi no site. Quais os principais motivos

pelos quais o Senhor adota estas práticas ambientais?

  Existem dois motivos principais, o primeiro motivo é uma consciência, vamos dizer, coletiva e você deve fazer parte desta consciência coletiva para que a gente tenha aí um mundo melhor, não só para os nossos filhos, mas nós também vivermos em um mundo melhor. E segundo que quem não praticar isto aí está fora do mercado. Mercadológicamente você precisa praticar isso aí e te faz muito bem porque eu acho que você realmente praticar.

Você tem algum selo de certificação ambiental?

  Não, nós temos um selo da Lega Ambiente da Itália, que o selo deles não é um selo, é uma bandeira, é uma bandeira da Lega Ambientes, que vieram aqui, nós fizemos uma exposição das nossas práticas tal e fomos agraciados com a bandeira da Lega Ambiente, que é a maior expoente de turismo ecológico assim na Itália, que quando fomos em Bolonha agora também tivemos lá e fomos muito bem recebidos por eles. Temos também, é, um trabalho junto à ABETA (Associação Brasileira das Empresas de Turismo de Aventura) a qual nós somos associados e junto com a ABNT nós estamos sendo inspecionados agora para que recebermos a certificação de dois produtos que nós temos no hotel que é a cavalgada ao pico da ronda, é uma cavalgada e uma trilha que é a trilha do puma solitário, são dois produtos que nós temos, nós estamos há três anos trabalhando nisso aí e em setembro nós vamos ter a primeira visita para ver se conseguimos começar a trabalhar e pegar a certificação, mas é um negócio caro, porque se você não for certificado e eles sempre vão achar alguma falha no processo, as custas da segunda visita é sua, transporte de avião, transporte terrestre, alimentação, pagamento do consultor e tal e além disso, outro problema é que você tem que estar pagando gente com uma qualificação melhor para produzir este produto, para formatar este produto de acordo com a ABNT.

Já ouviu falar na NBR 15401? Eu já ouvi falar, mas eu não sei exatamente que tem tantas normas que a gente não guarda. O Senhor recebe clientes estrangeiros de quais países principalmente?

  Com mais freqüência, Itália, França, Estados Unidos, Canadá, Espanha, Portugal, Alemanha, Áustria e daqui da América do Sul toda né... até da Xexênia eu já recebi gente aí...

Desde quando você recebe hóspedes estrangeiros?

  Desde o início do hotel, o hotel começou hoje com 10 anos de operação, mas o afluxo de pessoas do exterior é muito pequeno, como eu te falei menos de 2%, então eu até também desenvolvo uma outra atividade, sou presidente do Serra Catarinense Convention e Visitors Bureau e sempre achei que a nossa política nós não podemos deixar de trabalhar no exterior, mas é preciso um esforço financeiro muito grande para um retorno muito pequeno, mas não podemos deixar de fazê-lo porque é lento o processo, então realmente tem que continuar nisso aí, mas acho que temos que fazer isso aí por questão de sobrevivência de equipamentos turísticos temos que investir mais de São Paulo para baixo, ou talvez Rio de Janeiro e Minas Gerais para baixo, mas de São Paulo para baixo é muito forte, porque hoje por exemplo, o nosso hotel tem 45% de ocupação de Santa Catarina e 26% de São Paulo, que já passou o Rio Grande do Sul que tava com 14% e agora está com 8% e que inverteu com o Paraná que estava com 8% agora está com 14%, então Minas Gerais, nós temos o pessoal de Minas Gerais hoje aqui, temos pessoal do Rio de Janeiro, até do Ceará nós temos gente aqui hoje, mas o forte mesmo é de São Paulo para baixo. Eu acho que para a questão de sobrevivência fazer um investimento grande de Marketing até o Rio de Janeiro e Minas Gerais para baixo, que incluía São Paulo que é o grande emissor né e sem esquecer também o resto do país e do exterior, mas por questão de sobrevivência tem que primeiro dar prioridade a esta região para cá.

Queria que o Senhor contasse um pouco da história do hotel e da gestão ambiental no hotel, como começou, quais foram as primeiras práticas e como elas foram evoluindo

  Muito bem, quanto à história do hotel, eu sou natural aqui de baixo da serra né e sempre tive uma admiração pela alegria e pela paisagem serrana, um pela nossa origem familiar lá do norte da Itália, uma região montanhosa, eu acho que isso tem um pouquinho na genes da gente né... e eu sempre, moro há 46 anos em Florianópolis, mas sempre fui aficionado por isso aqui. O meu filho construiu um hotel junto com o meu arquiteto, o hotel Costa Norte nos Ingleses e eu comecei a gostar da coisa e aí convidei o Claudio e o Paulinho para fazerem parte da sociedade aqui e eles me dissertam que eu estava louco, completamente louco, [disseram] eu não saio do norte da ilha nem para ir para o sul da ilha, quanto mais naquele inferno lá e eu fui ficando sozinho. Aí em 1993 eu consegui comprar a área, em 1999 eu inaugurei e fui levando, comecei com 6 chalés, passei para 8, passei para 10, até que em 2004 surgiu um hóspede que disse que tinha viajado não o mundo todo, mas disse que tinha viajado boa parte dele e que viu poucas regiões tão belas na vida dele e perguntou se eu vendia uma parte para ele, depois de nos conhecermos melhor eu vendi a metade, exatamente metade para ele, 50%, aí teve mais uma injeção grande de recursos aqui, então nós conseguimos pôr mais 8 chalés da mata, mais o casarão, aquela parte ali né... tiramos toda a poluição visual de cabos aéreos elétricos, enterramos tudo né, então aí, saiu de ser um hotel fazenda para ser um eco resort, porque um resort possibilita você ficar muitos dias no mesmo local que tem atração, divertimento, isso tudo que diferencia um resort de um hotel e quanto à parte ecológica é sobre aqueles dois motivos que eu te falei, primeiro não só pelo roteiros de charme depois que nós entramos que tem toda uma consciência ecológica e código ambiental, mas também pela

  satisfação da gente, quanto para também o aspecto comercial, que quem não fizer isso aí hoje está fora do mercado.

Em que momento começou esta preocupação ambiental?

  Desde o início, desde antes de começar. A educação da gente nunca permitiu por exemplo, matar um pássaro, coisa, isso aí né, nós não eliminamos qualquer coisa da natureza né...

E outras preocupações como energia elétrica, água?

  Aí é uma coisa muito importante e interessante. Isso aí é uma coisa importante porque nem se o governo, nem o poder municipal, nem o fornecedor de energia, de água tem consciência das dificuldades que é ter um hotel fazenda ou um hotel eco resort fora do perímetro urbano da cidade, uma certa distância porque nós temos a despesa no mínimo três vezes mais do que um hotel dentro da cidade. Por quê? Porque a logística de abastecimento aqui é cara, a manutenção é caríssima porque eu estou esperando um encanador faz um mês aí e o cara não vem me resolver e tudo é importado, você tem um hotel na cidade você tem água na porta, esgoto na porta, telefone na porta, né... tudo, gás e nós aqui, água nós temos que fazer captação, filtragem, tratamento, distribuição, é uma mini-cidade em termos de água, esgoto nós temos que fazer a coleta toda do esgoto e tratar, nós temos tratamento de 100% dos efluentes, com controle ambiental para não poluir, nós estamos situados aqui na nascente do rio vermelho que é a nascente do Uruguai, como é que eu vou poluir um negócio desse, como é que eu vou poluir alguma coisa se eu crio truta aqui, que é um peixe que não suporta qualquer tipo de poluição, certo? Então fica complicado um acuamento.... aqui nós temos jardim, temos praça, temos tudo para cuidar, com chuva tem a pavimentação, a rede de gás é igual uma cidade, nós temos que levar em tudo quanto é chalé, rede de água quente, rede de água fria, rede de telefone, então o custo de um empreendimento principalmente se for como o nosso que nós fizemos uma opção de ser um equipamento que dá 100% de privacidade ao hóspede, quer dizer, chalés, dá para manter em paredes contínuas dividindo um apartamento do outro, mas com isso aí você tem uma obra espalhada por um raio aí de alguns hectares e isso aí custa muito, e a manutenção também é cara, enquanto você tem uma camareira para 10 ou 20 apartamentos na cidade, aqui nós temos três apartamentos para cada camareira. Por quê? Ela tem que levar o lixo, a roupa na combi, tem que saber dirigir uma combi, quer dizer, tudo é com motorista e tudo né... e outra coisa que tem custo, nós temos que buscar no nosso pessoal em casa, trazer, levar sabe e pegar o outro turno, trazer e levar né... seria mais fácil se eles pudessem vir de ônibus, aí pagava 6% de vale transporte e tava livre desse problema. Então, tudo é caro e complexo. E a grande dificuldade está em você convencer o teu hóspede que para ter um equipamento desses com esse nível de conforto aqui no fim do mundo, isso custa dinheiro e ele precisa pagar para isso porque se não eu não posso oferecer o que ele quer. É, então, o nosso grande desafio é justamente convencer este hóspede, e aí é que eu volto novamente a São Paulo, Curitiba, Porto Alegre, porque o número de pessoas com o poder aquisitivo tal que fazem questão de pagar esse preço para ter o conforto que eles que nós temos aqui. O conforto, a qualidade gastronômica... e nós temos também dentro desse processo de preservação, nós temos um manual de procedimentos que contempla todos os check-lists do pessoal e todos os POPS (Procedimentos Operacionais Padrão) de cada coisa.

  E isto existe deste a fundação do hotel? Desde a fundação do hotel e ele é aperfeiçoado diariamente. Vocês têm alguma fonte de energia renovável?

  Ah... pois é... isso aí é a parte da resposta que eu fiquei te devendo né... , nós, a energia solar

  quando dá zero grau e rompe as canalizações de água, então elas tem que ficar ou enterradas ou muito bem protegidas termicamente para que não ocorra isso. Nós temos uma experiência com um pré-aquecimento da caldeira do restaurante e o primeiro friozinho que deu estourou, agora eles fizeram para garantir, eles fizeram toda a tubulação de alimentação e circulação em aço inoxidável e tá resistindo bem, já tivemos temperatura de menos 5, menos 6 e resistiu. Mas é um grande problema é a energia. Nós trabalhamos aqui com energia elétrica, trabalhamos com energia solar, trabalhamos com energia a diesel.

Vocês têm energia solar então?

  Temos, pouca coisa, mas temos. Diesel, gás e agora temos caldeira a lenha e por sexto estamos agora tentando, daqui a 15 dias, vamos fazer um teste com pelex de madeira, é um tipo de uma ração assim, como se fosse uma folha de mato de moer carne né... e aquilo tem 6% de umidade, enquanto uma árvore que você pega aí tem 30% né... e aquilo já é serragem, é secada e pressionada... então nós estamos começando a fazer um processo completamente diferente, mas é terrível, terrível.. existe muita sacanagem, nós compramos equipamentos a gás, aquecedores a gás, mas não tem garantia, aquilo quebra muito fácil, dá incômodo para os hóspedes, então nos chalés da mata nós temos calefação a gás, mas com radiadores né.... aqui é óleo diesel, no casarão é óleo diesel e à lenha, a lenha não dá conta, entra o óleo diesel e no chalé nós temos a gás. Mas para que aqui em cima, dentro daquele contexto que eu falei para você, aqui em cima para alimentar os aquecedores e a queima do gás, ele tem que estar no estado gasoso, para que transformá-lo do estado líquido para o estado gasoso para ser queimado você tem que ter um vaporizador elétrico com uma resistência de 17.000W ligada full time, então você vê quanto é que é o custo de um negócio desse. E a outra energia que tá saindo aqui do lado seria a energia eólica, está saindo aqui em Bom Jardim, quatro parques eólicos com 95 MW a soma deles. Nós temos uma torre aqui de 44m de altura, que ela produz 0,6 MW, 600.000W, isso dá para iluminar a serra e a cidade de Bom Jardim, uma torre de 44, 44 de torre, ali nós vamos ter 62 torres de 100m de altura, duas vezes e meia isso aqui...

Vocês vão utilizar esta energia?

  Não, esta energia vai ser lançada na rede geral do Brasil, mas uma torre dessa custa 10 milhões, é quase o preço do hotel, então, não é possível a gente instalar uma coisa dessa para a gente, né...

Costumam envolver hóspedes na economia de energia elétrica e água?

  Sim, nós temos avisos em quatro idiomas sobre o uso adequado de toalhas, no caso de jogar a toalha no chão, no cesto, para a troca né... Nós usamos, com exceção dos lugares que precisa de uma decoração, é tudo lâmpada econômica, no hotel inteiro. Usamos telhas de vidro para diminuir o uso de lâmpadas durante o dia, usamos todas as nossas caixas de descarga são caixas acopladas, que diminui a quantidade de água a ser utilizada e quantidade de energia elétrica para bombeamento. Usamos sensor de presença em todos os locais que é possível que só acende na hora que a pessoa está presente e outras atitudes que a gente tem que está no nosso manual de procedimentos tá...

Vocês fazem a captação da água da chuva?

  Temos mais. Eu já fui indagado outras vezes, questionaram porque nós não recolhemos das nossas calhas e telhados, pô, nós estamos em um vale, pegar no nosso telhado ou pegar em um local mais acima na fonte, é a mesma coisa, não tem diferença nenhuma né... Nós temos o processo de captação, nós temos 5 bombas, duas com gravidade e três bombeadas com bóias, com escalonamento de bóias, quando por gravidade não dá conta que entra a primeira bomba,

  tratamento, temos um filtro no local de coleta, um filtro rústico de areia, esse filtro vai para uma caixa de água bruta na entrada e a água bruta é clorada, para matar qualquer vestígio de micróbios e coisa do gênero, clora ali e dali passa para um filtro mecânico, que alimenta mais dos reservatórios de água para a distribuição.

  Promovem a reutilização da água tratada? Uso geral. Lavação de carro também, mas muito pouco, nós temos três veículos só. Em relação dos insumos, costumam dar preferência a produtos não descartáveis? Sim. Usam produtos biodegradáveis? Sim.

Costumam selecionar os fornecedores de acordo com as práticas ambientais que eles utilizam?

  Não chegamos a este ponto ainda, mas é intenção fazê-lo né... porque nós fizemos coleta seletiva também, mas o custo é tão alto e o resultado tão baixo, nós enchemos uma carreta de papelão, esse negócio todo e deu R$128,00 e não pagaram ainda, até hoje, esse dinheiro iria para os funcionários para que seja motivação deles coletarem, venderem, então hoje nós paramos de fazer a coleta seletiva em função de não ter local para estocar, nós tínhamos local para estocar, os funcionários ficavam trabalhando na coleta seletiva no horário de trabalho normal, não dava resultado nenhum e aí então a gente está deixando que a prefeitura faça este trabalho, deixando que o município faz essa coleta e ela seleciona, mas a intenção no futuro é nós voltarmos a fazer. É outra pergunta que tu não fizeste aí é sobre a carga tributária né, a carga tributária é um absurdo, é um verdadeiro absurdo, mesmo nós tendo o simples, o super simples, mas é.... Nós somos média empresa, então nós temos o peso aí do super simples, mas varia aí de faturamento bruto em torno de... dá uns 16% de imposto, total que tem aqui no hotel. Não interessa de eu tive lucro ou prejuízo, os 17% vai estar lá. Né porque, eu tenho um escapamento de 11 a 15 mais ou menos eu tenho escapamento do super simples. Daí é coisa que você paga mais FGTS por fora, fundo de garantia por fora tal, eu tenho a impressão que dá em torno de 17% e hoje tudo é com cartão de crédito, ninguém mais usa cheque, não usa mais.

Vocês têm algum mecanismo para a prevenção de odores? Nós temos na parte externa no hotel, nós plantamos lavanda e na parte interna nós usamos... Exaustores?

  Não, nós temos exaustores também nos banheiros, mas nós temos um cheiro característico do hotel, é... feito com aquele, não é só cheiro é um.... tem um outro nome..., que é um vidro com palitos de madeira que vai... bom...

Vocês costumam prevenir impactos luminosos e sonoros?

  Isso aí é bem ameno aqui porque o nosso hotel é espalhado, não tem nada próximo né e o evento mais barulhento que temos aqui é todos os sábados que nós fizemos uma tertúlia no galpão crioulo né... que é o ponto alto do hotel, então, mas fica muito longe do chalé né..

  

Vocês têm algum programa de preparação e treinamento para emergências ambientais?

  Olha, nós temos alguns procedimentos no manual de procedimentos, nós temos alguns procedimentos padronizados em termos de emergência né... Não diretamente emergência

  ali na frente que nos dá cobertura total né, nós temos emergências médicas, emergências ambientais, incêndio, por exemplo, como é que tem que fazer, nós já quase perdemos o restaurante duas vezes, ali naquela chaminé lá, aquilo lá em cima foi que a última vez que pegou fogo por dentro da chaminé, aquele kikumã, aquele favo de fumaça, aquele resíduo da fumaça que fica dentro dos gasos ele vai formando e forma um Fávero mesmo, chega uma hora que o fogo é tão forte do nó de pinho aqui em baixo tal que ele pega fogo naquilo ali, chega a mil e poucos graus e tem madeira por perto, inclusive ele está instalando hoje, está trabalhando, o mecanismo que nós bolamos, que é bem na parte de cima da chaminé, é um anel de cobre perfurado, aí depois ele vem, se afasta um pouco do local que pode ter calor pega um tubo de PVC, vai lá fora, numa placa lá fora eles vão botar que no caso de incêndio do restaurante, procedimento, vai lá e abre esse registro, que duas vezes nós já recebemos este serviço, uma vez foi no primeiro do ano, nós estávamos no galpão crioulo fazendo galpão e cozinha para o jantar de gala aqui e na hora que eu estava no microfone lá, o cara ó.. está pegando fogo no restaurante, aí tive que sair discretamente, vir aqui, mas a minha sorte é que tinham dois pilotos de helicóptero que estavam aqui que internamente subiram ali, pegaram a mangueira e.. é.. demos sorte, isso aqui ficou que era só pó químico branco né... só pó químico branco, tivemos que fazer o jantar lá, aí três horas da manhã fomos pegar o pessoal e 8 horas estava o café pronto aqui novamente e essa semana estava saindo fumaça e aí foi aquela correria, é...

Em relação à construção do hotel, tiveram preocupações com a mata nativa?

  Ah sim... isso aí não foi derrubado nada, nada mesmo porque uma mata é uma riqueza, é uma relíquia, porque o que você vê de campo aí sempre foi campo, nunca foi mata e para quem desenvolve a pecuária, o mato é que abriga o gado no inverno, ele se escapa do campo, que ia morrer congelado e vai para o mato, onde tem, se abriga do vento, ficam tudo junto um do outro, então o mato aqui é imexível como dizia o nosso ministro lá, é...

  

E quanto ao paisagismo do local? Tiveram preocupações em manter a vegetação nativa?

Sim, sim, sim.

Não trazer outras espécies...

  Não, não, isso não... isso nós trouxemos, trouxemos porque fomos convencidos pela paisagista e hoje olha, hoje o mundo inteiro, um traz espécimes do outro e tal e pudemos manter o 95%, mas 5% nós temos que dar, né... aí nós concordamos com ela, então nós temos árvores aí, por exemplo, as coníferas, porque aqui é muito inóspito, quando dá.... mas a mata nativa está intocada.

Fazem parte de algum programa específico para a proteção da mata nativa?

  Não, nós é... não existem sociedades aqui que façam isso não, a gente procura fazer dentro das nossas premissas né...

Como o Sr. Encara o desafio ambiental, acha que é algo positivo ou negativo para o hotel?

  Eu acho positivo com algumas restrições. Desde que o bom-senso impere estas ações. Por exemplo, o código ambiental que está sendo aprovado simplesmente ia acabar com Santa Catarina, porque acima de 850m era preservação total, tu não podia fazer mais nada e 32% do estado de Santa Catarina está acima de 850. Então quer dizer, 30% do estado ia para o saco. Então isto aí está sendo mudado para acima de 1600m era preservação total e depois escalonado de 1600 a 1400 podendo fazer alguns equipamentos, deixando né.... então isso aí é

  demolem tudo em um local aqui na serra que é o local maior preservação aqui serra, agora, por exemplo, acho corretíssimo ter uma política austera com as araucárias, mas nem por isso deveria ser proibido de corte, eu acho que para cortar uma araucária, o cara tinha que plantar duas mil, pô, ia se proliferar muito mais, mas como não pode cortar nada, nada, o pessoal que tem campo que tem araucária quando ela tá nascendo pequenininha eles já cortam. Por quê? Porque se não aquilo ali o gado dá grinfa, o gado machuca o focinho, não pasta mais, não pode serrar, né... então eu acho que essa política no futuro eles vão ter mecanismos que já tem mecanismos aero-espaciais de fiscalização, satélite e coisa que já são... querem derrubar aquela árvore tudo bem, essa árvore aí é uma árvore de 200 anos, tem certeza? Tenho. Então para uma árvore de 200 anos pelo nosso código aqui tu vai ter que plantar duas mil árvores e vais ter que manter essas duas mil árvores. Aí nós pode cortar, né... sempre no sentido de a população de araucárias ou de mata nativa. Agora de mata nativa eu acho que também deve ser preservada, mas também observando o bom senso. Então, eu sou favorável à construção de pequenas usinas hidráulicas porque nós precisamos de energia, se não vamos ver o seguinte, você mora em que andar?

Eu moro no segundo.

  Pois é... eu moro no sétimo, tem gente que mora no décimo primeiro, mas ambientalistas radicais ó... tu vai morar no décimo primeiro andar e vai subir com as comprar do supermercado, com a tua geladeira todos os dias para tu ver o que que é uma falta de energia, então eu acho que nem tanto ao céu nem tanto à terra, temos que ter um bom-senso para que o país continue com fonte de energia né, mas também preservação de, preservando o meio ambiente né... então uma usina que vai pegar pouca área, porque não fazer? Tem que fazer né... a energia eólica que é a energia que não polui nada, pô, tem que fazer, a energia solar, tem que fazer né... e tem que ter um mix, um mix de fontes energéticas, que quando você tem estiagens que as reservas hidráulicas de usinas baixam, automaticamente aumenta a insolação e a intensidade dos ventos, tá comprovando isso aí, então você tem a hidráulica, tem as eólicas, tem as solares e também a carvão porque daqui a pouco dá uma zebra que ela tem que ter, tem que ter para né, então eu acho que é importante este mix, esse balanço energético tem que ser feito e tem que ser utilizado.

E quais os principais benefícios que o Sr. Percebe no avanço das preocupações ambientais por parte de clientes, órgãos e da população em geral?

  O primeiro benefício não é benefício, é uma questão de sobrevivência, porque se o mundo todo não se preocupar com isso aí, nós vamos acabar com o nosso planeta. Tem que haver consciência disso aí, tem que haver limitação de natalidade, evitar e tem que haver preservação e respeito à natureza, porque eu acho que a terra ela se recupera, mas até determinado ponto, chega um ponto que você faz tanto que não tem mais recuperação. Então, a primeira coisa é isso aí, porque que nós devemos fazer né. O primeiro benefício é este aí, sobrevivência, né... se não nós não vamos sobreviver. O segundo é conforto sobre todos os aspectos, nessa sobrevivência, pode ver que o nosso tempo já tá uma bagunça,você não tem mais estações definidas como você tem antigamente, e esse antigamente aí, é 50 anos atrás, não é.... Há 50 anos atrás você tinha estações definidas, agora você não tem mais, né... o próprio conforto, a própria oportunidade de plantas e coisa que vamos sofrer conseqüências terríveis com isso aí né e nós também queremos preservar é... para os nossos filhos, os meus já estão grandes, na idade de vocês aí, mas e vocês, como é que é.. então você tem que lutar e muito por isso aí, mas uma luta que não seja burra, seja uma luta inteligente, partindo do princípio que tem que olhar bem os dois lados da coisa né...

  

Percebe alguma diferença entre o comportamento ambiental de clientes estrangeiros e

brasileiros?

  Os estrangeiros são bem exigentes, mas o brasileiro também no nível de hóspede que eu tenho aqui no hotel, porque aqui, pelo nosso custo, nós somos obrigados a cobrar um pouco mais, mas pelas razões que eu já te expliquei, nosso custo é altíssimo, nós temos que cobrar e isso seleciona muito o pessoal e eu entendo que não só o poder financeiro, mas também o poder cultural que tá muito aliado uma coisa a outra né... então eu não vejo muita diferença entre a consciência ambiental do brasileiro e do estrangeiro, é...

  Alguma diferença entre as nacionalidades? Não, todo mundo é exigente, todo mundo...

O Sr. acha que o fato de receber clientes estrangeiros mudou alguma coisa nas suas

práticas de gestão ambiental?

  Não. Não porque isso aí já é uma consciência dos proprietários e do próprio Roteiro de Charme. Isso aí não vai mudar nada, nós vamos preservar sempre.

Faz quanto tempo que o Sr. entrou para o Roteiros de Charme? 3 anos. E o que mudou de lá para cá em relação às suas práticas ambientais? Não, elas já eram mais ou menos assim. É uma questão de consciência eu acho né... ENTREVISTA 2 Como o Sr. acha que o turismo impacta o meio ambiente?

  Olha, o que cria o impacto é assim ó, é tu agregar né, a construção né, as obras né, ao meio ambiente sem agredir esse meio ambiente né, e também agregar por exemplo, a nossa hospitalidade toda né, ela tá voltada também para a comunidade né, quer dizer, nós recebemos hóspedes aqui de, muitos hóspedes paulistas, bastante gaúchos, até porque né, é próximo, de Curitiba, estrangeiros né, nessa época de inverno a gente recebe bastante e eles gostam muito, sentem muito assim, tem uma coisa muito importante assim que é esse impacto, isso causa muito impacto com eles, é sentir como se estivesse na sua própria casa né e ao mesmo tempo eles terem essa, eles perceberem essa comunhão que existe da pousada com a natureza né, todo o código ambiental que nós temos, nós temos uma central de esgoto por exemplo né...

Vocês têm tratamento próprio?

  Nós fazemos tratamento próprio né, que é feito pela rotária, a gente sempre teve todo esse cuidado, lá em baixo temos uma piscina né, aqui é uma região muito rochosa, na piscina as rochas não foram tiradas, foi construído em volta das rochas, tudo foi preservado, dentro da sauna também tem uma rocha assim né, isso tudo foi preservado, sem agredir a natureza e nem a comunidade né, nem os costumes da comunidade, muito pelo contrário, nós fazemos uma agregação né, uma interação dos hóspedes com a comunidade, nós temos essa né, essa agregação com eles né, nós passamos isso para os nossos hóspedes também né, e geramos também emprego pro pessoal daqui né...

  

O Sr. faz uso de algumas práticas ambientais. Quais os principais motivos pelos quais o

Sr. optou por utilizar estas práticas?

  Olha, na realidade essa pousada aqui né, a idéia né, o grande mentor da pousada foi o meu pai

  Celso Ramos e ele, o meu pai, é gaúcho né, era gaúcho, que ele já não está mais aqui entre nós, ele comprou essa casa a princípio para ser a residência dele né, com essa vista aqui, ele sempre teve um sonho de ter uma casa aqui em Florianópolis né, mas devido à localização né, ele achou que era muito egoísmo ter isso só para ele sabe e para a família né, ele queria compartilhar com outras pessoas e ele era engenheiro civil. O meu pai, dentro da engenharia né, ele sempre teve essa consciência da preservação da natureza, das árvores, ele sempre foi contra tirar uma árvore, sabe, então ele sempre se preocupou muito com isso né, então, e ele trouxe isso com essa nova idéia que ele teve, de engenheiro passou a trabalhar no ramo da hotelaria né, ele foi mentor disso, ele fez isso aqui, depois ele convidou o meu outro irmão Julio para ser sócio alguns dois anos depois né, foi até a época que a pousada entrou para a associação roteiros de charme...

Em que ano que a pousada entrou?

  Foi em 2002, é, há 10 anos... então, hã... mas foi tudo né, foi tudo assim graças a toda essa obra que ele fez, todo esse cuidado que ele teve né, da sustentabilidade, ele fez uma amizade, uma integração junto com os moradores, com a comunidade, que a princípio, quando o meu pai comprou essa casa os pescadores ficaram apreensivos né, porque aqui em frente né, é uma rota deles, parte uma trilha deles aqui, porque ali tem uma pedra, que eles fazem a vigia né, estão ali os olheiros, depois eles correm para a praia, então claro que eles ficaram apreensivos, vem um gaúcho e vai agora, sabe, que é uma idéia né que eu concordo né, que os gaúchos vêm para cá e acham que, sabe, que em vez de tirar né, a coisa bonita que tem aqui, preservar essa coisa bonita que existe aqui que é isso né, que essa ilha proporciona, tudo né, a beleza dessa comunidade toda né, a beleza da pesca artesanal, então o meu pai se agregou, fez até um caminho para eles ali né e todos os anos, no dia 29 de junho, que é o dia do pescador, que é o dia de São Pedro né, que é o padroeiro dos pescadores, todos os anos nós fechamos a pousada e fazemos uma festa só para os pescadores, quem começou isso foi o meu pai né, então assim, existe toda uma, a gente é como uma família e tudo isso contribui para que nós façamos parte da Associação né, porque dentro da associação roteiros de charme existem várias categorias, desde hotéis mais luxuosos né, até hotéis assim que, claro, que a hospitalidade tem que ter, uma boa, um bem receber né, hospitalidade, profissionalismo, que os hóspedes sempre estão em primeiro lugar que a gente coloque um pouquinho de capricho em tudo, limpeza, mas existem várias categorias né, dentro da Associação, desde hotéis mais luxuosos até aqueles mais, mais assim rústicos né.

Então o Sr. diria que usa práticas ambientais pela consciência ambiental?

  Pela consciência ambiental que foi passada pelo nosso pai, ele não está mais aqui entre nós né, mas os filhos, nós todos estamos dando continuidade àquilo porque nós também fomos criados com essa consciência né, então para nós isso é muito importante.

Existe algum outro motivo pelo qual o Sr. utiliza práticas ambientais?

  Claro, para preservação da natureza, do nosso planeta né, é um dos principais motivos né, é um motivo importante para atrair o hóspede né, mas eu não digo que é o que está em primeiro lugar porque infelizmente ainda as pessoas não estão muito preocupadas com isso né. Os estrangeiros são mais preocupados com isso né... mas eu acho que principalmente para a preservação do nosso planeta mesmo.

  A Pousada tem algum selo de certificação ambiental?

  Selo você diz, como assim?

Certificações ambientais como a ISO...

  Eu tenho na porta ali, deixa eu ver... É, tem o Roteiros de Charme né..

  Bom, o Sr. recebe hóspedes estrangeiros, certo? Sim. Saberia dizer qual é a porcentagem em relação aos brasileiros? Acredito que uns 30%. Já ouviu falar na NBR 15401? Não.

  

É a norma na qual se baseia este estudo, uma norma de certificação ambiental para a

rede hoteleira. De quais países o Sr. costuma receber hóspedes?

  Alemanha, né, importante, ingleses, canadenses, americanos também, franceses. Semana passada nós tivemos aqui hospedados um austríaco e argentinos no verão. Bem assim ó, bastante europeus.

  Saberia me dizer desde quando que recebem hóspedes estrangeiros? Faz bastante tempo já, há uns 10 anos mais ou menos, uns 10, 11 anos.

  Por exemplo, isso aqui ó foi enviado pelo Roteiros de Charme né, Associação, para que nós entrássemos. Isto foi todo um trabalho feito, a piscina com as rochas. Aliás o nome Pousada da Vigia é em função dos pescadores. Olha, os orgânicos, nós temos a separação do lixo, lixo seco, lixo orgânico... Por exemplo, usamos teto solar para economia de energia né, são ações que nós fazemos.

Queria que a Sra me contasse um pouco da história da pousada em relação às práticas ambientais, como elas foram se aprimorando até chegar no que são hoje

  Foi como eu te disse né, que meu pai comprou aqui essa casa né para ser a casa da família a principio né e aí ele resolveu construir uma pousada devido ao né, a essa beleza toda que ele encontrou aqui e quando ele transformou em pousada ele quis cuidar de todos né, da preservação, além da preservação, aqui não havia um cuidado com o esgoto né, tudo caía na água né, então ele se preocupou com as cisternas, fez tudo. Dois anos depois de funcionamento da pousada, um ano depois ele fez a parte de baixo aqui a sauna, deck né, tudo o que tem lá em baixo, mas o histórico aqui da pousada. O sonho do meu pai era entrar para a Associação Roteiros de Charme né... ele quando resolveu fazer esta pousada ele quis fazer como a melhor pousada de Florianópolis em termos assim de atendimento, de lençóis de primeira qualidade tudo, até posso dizer que aqui a Pousada da Vigia foi pioneira nesse processo todo, hoje em dia existem várias pousadas com um gabarito muito bom né, mas a Pousada da Vigia foi a primeira em Florianópolis a entrar para a Roteiros de Charme né, a Associação. Em 2004 a Pousada da Vigia recebeu o prêmio do Guia Quatro Rodas como a melhor pousada do Brasil né e tudo começou assim sabe, foi uma, claro que depois todos os funcionários foram se profissionalizando, nós oferecemos cursos profissionalizantes que é de Associações assim como a ABIH que proporciona cursos né, então nós damos estes cursos para os nossos funcionários aqui, então a pousada foi se profissionalizando, também o Estatuto do Bem Receber, então a gente foi agregando né, porque ela foi crescendo tanto que ela começou éramos 6 funcionários, era o quê, era meu pai e minha mãe e mais dois funcionários fixos, só na alta temporada que aumentava, depois... Hoje em dia nós temos fixos aqui o ano inteiro 8, mais os da alta temporada.

Depois que entrou para a Associação notou que o fluxo de estrangeiros aumentou?

  Olha, eu naquela época, vou ser bem sincera, naquela época eu não estava aqui né, tava o meu pai e meu outro irmão que não ta aqui, ele mora em Lages hoje, mas várias vezes vim para cá, morei várias temporadas aqui, o estrangeiro vem muito na baixa temporada né e a Associação Roteiros de Charme ela é uma, o diretor-presidente né, ele é o dono da Rosa dos Ventos, lá em Petrópolis no Rio de Janeiro, que faz parte de uma associação na Europa que é o Relais e Château e o Relais Château ele visa exatamente isso também né, todo o código ambiental né, todas essas características, então, consequentemente né, quando entrou para a associação do Roteiros que é um selo muito antigo que nós carregamos né que muitos hóspedes vêm através dele né e os hóspedes que vêm, eles vêm através do Roteiros mas muito mais pelo newsletter que nós mandamos, pelas feiras que existem na Europa né, então assim que vai algum representante por exemplo a Ilha do Papagaio faz parte do Roteiros só que não é de Florianópolis, ali já é Palhoça né, então o Renato que é o proprietário ele vai nestas feiras lá na Europa leva material nosso faz uma né, é uma Associação e hoje em dia ainda tem a Quinta do Bucanero que é no Rosa né, é de um gaúcho também casualmente, o da Ilha do Papagaio também, eles são muito bacanas, têm bastante experiência na área, é bem interessante, bem legal tu fazer uma entrevista com eles, eu até te diria que vai ter mais riqueza de detalhes. Porque aqui eu te digo, o meu pai já morreu né, ele poderia falar muito mais sobre isso né, claro que eu tenho uma consciência, eu tenho todo o respeito, nós temos todo esse segmento, seguimos esse segmento né como parte da Associação Roteiros, mas toda essa riqueza de detalhes né, eu tenho certeza que o Renato pode te dar, assim como o meu irmão Júlio que não está aqui né, ta lá em Lages, ta morando lá agora poderia te dar também né, mas o que eu posso te dizer o que nós temos aqui, eu tenho toda a história da pousada, tenho aqui a missão, as normas e isso nós estamos dando continuidade, essa integração muito grande, agora temos até a trilha, a trilha da tainha né, que é o passeio dos vigias aqui da Lagoinha né, existe uma vigia aqui do lado que nós construímos, nós fizemos, nós demos todo o material, aí eles pintaram de rosa que nem a pousada, então isso é muito legal, é uma coisa muito bacana. A Lagoinha para mim é a praia mais, eu adoro a Lagoinha, a praia mais linda que tem aqui, são todas maravilhosas e essa aqui é lindíssima né e o importante é a gente ter essa consciência né, que quem faz essa praia aqui coisa mais linda são os próprios moradores da comunidade, então eles merecem todo o nosso respeito. E eles respeitam a gente também, os nossos hóspedes, os funcionários também, que são os nossos colaboradores.

  

O Sr. possui algum programa de preparação e treinamento para emergências

ambientais?

  Sim, pela rotária. A rotária é quem fez todo o nosso tratamento central de esgoto, então está diretamente ligado, se der algum problema aciona lá e é 24 horas, 24 horas, tá e eles vem aqui e para solucionar o problema. Qual outro que teria assim?

  

Na verdade é só para ver se vocês dão alguma preparação para os funcionários, caso

aconteça algum incêndio ou algum outro imprevisto.

  Para incêndio nós temos todos os extintores em lugares estratégicos né e os funcionários são instruídos né pela equipe de bombeiros né, também primeiros socorros né, por exemplo, todos os anos é renovado para todos aqueles que lidam com o alimento né é feita a reedição do curso de manuseio né, então a gente tem todo esse cuidado sim, a gente tem.

  Fazem uso de algum material proveniente da flora e da fauna?

  Flora e fauna?

  Árvores, animais, plantas...

  Não, a gente planta né, nós plantamos árvores, nós preservamos as árvores né, preservação sim, agora de fazer uso para alguma...

Para a construção, utilizaram algum material? Material normal, é, material normal... Fornecem algum tipo de alimentação artificial para animais? Não. Tem algum sistema de prevenção de impactos luminosos e sonoros?

  É, nós inclusive, existe uma entidade que nós pagamos né porque como tem percussão né, tem um sonzinho no bistrô, mas é tudo música ambiental né nada... mas temos também esse cuidado né.

  

Fazem uso de ações educativas junto aos clientes para preservação da fauna e da flora?

  O que nós fazemos junto aos clientes é falar exatamente sobre o lugar né, falamos sobre a nossa preservação que eles se encantam muito quando olham a construção em volta das pedras entendeu, quer dizer, nós falamos muito com eles a respeito da nossa preocupação com a preservação que eles vêem isso né, e também falamos muito da cultura local aqui que interessa bastante também.

Pertencem a algum programa específico para a proteção da vegetação?

  Não, é natural, acredito que não, não sei, quer dizer, não sei se existe alguma associação que, a não ser a própria Roteiros de Charme né, todas as ações que a Roteiros pede nós fazemos, todas as campanhas que a Associação faz nós sempre fazemos.

Preocupou-se com o paisagismo do local?

  Não, normalmente as plantas são locais, né, tropicais, alguma coisa tropical sim né, que nós trouxemos para cá, em uma das viagens de eventos da Associação nós trouxemos né, uma planta tão linda que parece um bico de papagaio assim, é laranja e aqui pegou super bem.

Previnem o uso de embalagens descartáveis?

  Sim, tudo é reutilizável, são de louça né, não usamos nada descartável, até porque não, só na piscina que tem que ter copos plásticos né porque não se pode usar nada de vidro, mas aqui não, é tudo, é tudo normal, descartável só luvas e o que as camareiras usam, uma touca né..

Costuma reutilizar o lixo orgânico? Não, existe uma coleta né e nós deixamos separado e eles levam, nós só separamos. O tratamento das águas residuais de vocês é próprio?

  É próprio. Não tinha, sistema público não tinha, nós fizemos esta central de tratamento de esgoto né. Tivemos que fazer porque, é horrível né, você ver as coisas indo para o mar, não tem como, não tem.

  Costumam prevenir a emissão de odores para o meio ambiente? Nós temos os exaustores né... Costumam registrar o consumo de energia?

E estabelecer metas para diminuir? Com certeza, principalmente isso. Faz isso de alguma energia renovável, solar ou eólica? Solar nós fazemos. Para toda a pousada?

  É, solar, para aquecimento da piscina, aquecimento de jacuzzi, é, para estes fins, é, que é onde tem o maior consumo né, para aquecer uma piscina o consumo é bem grande. Para a iluminação nós usamos as lâmpadas econômicas.

Costumam considerar a eficiência energética para a aquisição de novos equipamentos? Sim, sim, sim, com certeza. Costumam envolver os hóspedes na economia de energia?

  É usamos, nos quartos nós temos um, como eu vou te dizer, porque hoje em dia usam muito cartão para abrir a porta né, mas nós não temos ainda, nós temos é um dispositivo na chave que quando o hóspede tira, sai do quarto, aí corta toda a energia né. Quando ele entra no quarto ele coloca o chaveiro ali né e funciona toda a energia. É uma forma de economia né.

  É, mas vocês têm algum tipo de recado de conscientização?

  Sim, temos recado. Nós temos recados para uso de toalhas para tentar não, para não haver necessidade de trocar todos os dias né, então nós pedimos que se quiserem que troque as toalhas que coloquem no chão, se não que deixem penduradas né. Então a gente deixa o recado que é para a preservação do meio ambiente, quanto menos tu lavar né, menos produto se consome, enfim. E os nossos produtos todos que a gente consome de limpeza, tudo é da Nikon, tudo biodegradável.

  

Vocês fazem uso de algum dispositivo para a economia de água? Para as descargas e

torneiras, por exemplo?

  Isso não. A não ser, é tudo normal mesmo.

Captação da água da chuva? Não temos. Aliás é uma idéia que nós estamos né, fazer uma captação e realizar. Costumam reutilizar as águas residuais tratadas?

  Não, ali na lateral existem como se fossem três fossas assim né, toda a água vai para ali já limpa né, aquela água ela pode ser usada para regar as plantas. Ela só pode ser usada para isso aliás, ela não pode ser usada para outro fim.

  

Costumam selecionar os fornecedores de acordo com as práticas ambientais que

utilizam?

  Sim.

  E os funcionários? São instruídos a respeito da questão ambiental? Sim, sim. Como encara o desafio ambiental, como algo positivo ou negativo para a organização? Positivo.

Por quê?

  Porque assim ó, bom, em primeiro lugar né, claro, a preservação do planeta né, isso aí é a coisa mais importante e em segundo lugar porque as pessoas, apesar de ainda estarem engatinhando neste processo né, elas estão cada vez mais, os clientes né cada vez mais dando importância à isso, mas os brasileiros ainda tem muito o que aprender.

  

Então você percebe diferenças entre o comportamento ambiental dos estrangeiros e dos

brasileiros?

  Percebo.

Quais tipos de diferenças?

  As diferenças são assim, por exemplo, o estrangeiro ele respeita mais a coisa do uso de toalhas, por exemplo, né, ele entende, já aqui o brasileiro né ele acha que todo dia tem que ser trocadas as toalhas, ele não tem, e diz ainda, ele inclusive, ele acha que é um desleixo, né, tu não trocar as toalhas todos os dias né, ele tem esse pensamento aí. O estrangeiro já não, ele já sabe né, como isso é importante, como essa pequena atitude né, em casa você não troca todos os dias a sua toalha de banho, então quer dizer, porque em um hotel você tem que trocar todos os dias a sua toalha? Nunca né. É essa a conscientização.

Existe algum outro fato que o Sr. lembre?

  Existe nos quartos né, existe lembretes para isso, recomendações, nós falamos, nós entregamos uma carta no check in né, falamos sobre todos os nossos horários, falamos das nossas ações ambientais, nesse sentido né, da toalha, que nem todos entendem, a camareira não trocou a toalha, a gente explica tudo, com jeito lógico. Mas é que, é como eu te digo, está engatinhando, acho até que a mídia está sendo bem agressiva nesse quesito da consciência né, do código, do código ambiental e isso está dando bastante resultado, até nas ações que nós fazemos.

  

Tem alguma outra coisa que o Sr. lembre que os estrangeiros façam diferente dos

brasileiros em relação à questão ambiental?

  É, fazem diferente, mas acontece que isso é uma coisa que não se nota que não temos ainda estrutura para isso. O estrangeiro ele tem no costume dele o papel higiênico é no vazo, puxa a descarga e aquilo se dilui. O estrangeiro ele não entende o lixo, que tem que colocar o papel ali dentro, ele acha falta de higiene até, mas nós não temos esse preparo, não nós aqui na pousada, mas a maioria né, por causa dos vasos né, os vasos sanitários tem que ter... O estrangeiro tudo ele coloca no vaso sanitário, tudo, até fralda descartável. É, até fralda. Volta e meia a gente tem que mandar vir o nosso, né, desentupir, retirar. Quando vem estrangeiro para a pousada pode ter certeza de que ter entupimento.

Eles fazem mais perguntas a respeito das práticas ambientais do que os brasileiros?

  Não, não fazem, eles percebem, eles percebem né, e nós temos no check-out tem uma cartinha ali que pergunta o que que acha das ações né, do nosso código ambiental e ele então anota ali. Não comentam, mas na hora do check-out eles percebem.

  E entre as nacionalidades o Sr. percebeu diferença do comportamento ambiental.

  Entre o europeu e o latino eu posso te... né, a gente nota, o europeu é mais cuidadoso sobre a questão ambiental.

  

O Sr. acha que o fato de receber clientes estrangeiros mudou alguma coisa nas práticas

de gestão ambiental do hotel?

  Não porque já havia. É, a gente sempre teve essa preocupação né.

  ENTREVISTA 3

Estou fazendo uma pesquisa sobre internacionalização e gestão ambiental na hotelaria.

A internacionalização na hotelaria é entendida como a recepção de hóspedes

estrangeiros. Existe um pressuposto teórico de que o hóspede estrangeiro seria mais

consciente ambientalmente, por isso a pesquisa.

  Olha Luisa, a Pousada Quinta do Bucanero ela existe desde 1996, que foi o ano que nós entramos no Roteiros de Charme. O Roteiros de Charme já em 1996 exigia de seus hotéis associados práticas ambientais que na época pareciam até estranhas, ninguém falava nisso. Cada hotel para entrar para o Roteiros ele sofre uma inspeção de duas biólogas para fazer o EIA/RIMA da Pousada, quer dizer, um estudo do impacto ambiental da pousada no seu entorno analisando tudo, as condições de trabalho, o incentivo de funcionários, como é que a área física do terreno é aproveitada, como são as práticas de reciclagem de lixo, redução de consumos energéticos, reaproveitamento, ação social da pousada na sua localidade. Tudo isso a gente teve uma avaliação em 96 ou 97, nosso EIA/RIMA da Quinta do Bucanero foi bem positivo, foi, nos deixou muito satisfeitos e de lá para cá a gente tem aprimorado muito essa parte com a convivência com o Roteiros de Charme, que tem o acordo com o UNEP, organismo da ONU, filiado à ONU, de que seus hotéis serão hotéis verdes, então assim, pelo simples fato de ter entrado para a Roteiros de Charme, tu não pode ter um esgoto a céu aberto, tu não pode ter um programa que não inclua a reciclagem de lixo, as práticas de convívio social com a comunidade são sempre incentivadas, quer dizer, tem todo um trabalho que para a gente já é antigo com relação a isso. Então mencionando hóspedes estrangeiros, eu te digo assim, a gente percebe que eles são mais ligados na questão ambiental, muito mais do que os brasileiros. Na nossa ficha de avaliação da pousada onde a gente pergunta um por um todos os itens que foram vistos pelo cliente enquanto esteve aqui, um deles são as práticas ambientais do hotel, ele também nos avalia e tudo isso é enviado para o Roteiros que faz um grande compilamento e uma grande análise anual porque existe esse compromisso. A UNEP assina junto com o nosso guia passaporte do Roteiros que são a relação dos hotéis e a gente tem um comprometimento que está em contrato né, na inserção do hotel no Roteiros e um compromisso pessoal da gente também em praticar um turismo que seja o mais sustentável possível, incluindo todas as modalidades, quer dizer, desde contratação de mão-de-obra local, a utilização de insumos locais para a alimentação, valorização da cultura, do artesanato, tudo, desde o básico. A gente através deste convênio sócio-ambiental com o Roteiros, que é muito proveitoso, que eles nos passam muitas informações, a gente desenvolveu um guia de hospedagem também que a gente procura mostrar para o hóspede, não arranca orquídea, não deixa lixo na praia, não leva o seu cachorro, compre do artesanato local, prefira os produtos, quer dizer, essas todas são práticas que a gente já utiliza aqui na pousada há bastante tempo, praticamente desde a abertura. O que a gente nota com relação ao cliente estrangeiro é isso que eu te mencionei, que ele é mais ligado, nestas questões, esses dias um turista italiano me perguntou o que uma árvore exótica que eu tenho plantada no jardim estava fazendo ali e foi muito engraçado porque nunca um cliente brasileiro me perguntaria isso, vamos dizer que a noção de turismo sustentável do brasileiro é muito aquém do turista europeu que está muito mais ligado, eles já procuram ir à lugares que se tiver algum dano ambiental eles já nem botam o dinheiro deles e está certo, é uma conscientização muito mais importante que a nossa e esse, por isso que eu digo, esse turista olha essa árvore é tão antiga que ela já estava aqui antes de eu chegar, não sei quem plantou essa árvore exótica, mas ela está ali, está bonita não vamos tirar.

A árvore não é local daqui?

  É, é um pinheiro exótico, vem de clima frio. Então assim, a gente percebe que eles tem um olho muito mais para essas questões do que o daqui e eu te digo que a gente, por causa desse assessoramento do Roteiros, a gente se sente muito confortável em saber que as nossas praticas estão dentro do que é esperado hoje desse turismo né...

O Sr. tem algum selo de certificação ambiental?

  Do Roteiros. A gente chegou a fazer parte do Bem Receber que infelizmente não deu em nada, concretizando, bastante perda de tempo e agora a gente está, de 2008 para cá, com uma empresa contratada que vem fazer o nosso balanço sócio-ambiental, então ela emite relatórios anuais. Nós fizemos de 1996 à 2008 esse balanço sócio-ambiental, agora, em setembro de 2010 vamos fazer o balanço sócio-ambiental de 2009, um selo verde de alguma entidade propriamente eu não tenho, mas a gente tem essa preocupação e essa assessoria do Roteiros e da Idea Consult que é uma empresa que monitora exatamente essas questões né, lixo, fossas, enfim, se tu quiser eu posso te dar uma cópia desse relatório sócio-ambiental, é bem interessante.

  O Sr. já ouviu falar da NBR 15401? Não.

Eu pergunto porque é nela que a pesquisa se baseia. É uma norma que estabelece

práticas de gestão ambiental específicas para a hotelaria.

  Tu vê, eu não sabia.

Como o Sr. acha que o turismo impacta o meio ambiente?

  Se bem conduzido de maneira excelente. Se mal conduzido, de maneira catastrófica. Bem assim. Pode ser excelente, pode ser uma grande porcaria, depende de como for conduzido, acho que passa muito pela cabeça do empresário entre ele pegar um terreno de 1000m² e colocar 500 apartamentos na beira duma lagoa, na beira de um rio, com que cuidados essas fossas, que impacto primeiramente né na, nos resíduos, que cabeça ele tem, se é com olhar de exploração, um olhar de construção, acho que passa também pela cabeça do poder público em incentivar um tipo ou outro de hotelaria através dos planos diretores. Eu sei assim, turismo bem conduzido, com práticas que não agridam ou agridam o menos possível o meio ambiente, valorizem a cultura local, dêem oportunidade de emprego e distribuição de renda entre o pessoal da região, ele pode ser extremamente produtivo, agora um turismo super massificado com mil exemplos que a gente tem, destrói com o lugar, com a cultura e com a limpeza do lugar, aí depende como isso vai ser direcionado.

Ok. O Sr. utiliza algumas práticas de gestão ambiental. Eu gostaria de saber quais são as principais motivações para o uso dessas práticas

  Acho que o mais importante deles é, esse lugar onde nós estamos foi uma escolha nossa, a gente não nasceu aqui, a gente veio de fora, nos apaixonamos pelo lugar e há 20 anos atrás resolvemos nos aposentar, eu e o meu marido, da cidade e vir para cá. Então, já a idéia de vir já foi vir para um lugar lindo, um lugar limpo, um lugar que tem uma estrutura frágil e vir para o lugar para trabalhar e para viver para sempre aqui, não é um lugar que, ah, a gente veio para ganhar dinheiro, tirar o que puder e depois ir embora, não, a gente quer os filhos, os construímos a pousada e começou a ser construída em 1993, nada se falava sobre esse assunto, mas a gente já contratou um arquiteto que na época nos sugeriu de fazermos as fossas com carvão ativado que na época era uma coisa caríssima, ainda hoje não é barato, mas nos dava a certeza absoluta que daqui não teriam resíduos sólidos que pudessem poluir principalmente a água do mar, a água da lagoa né, eu me lembro que foi um investimento caro, mas a gente pensou, pô, a gente está vindo aqui para sempre, não é para estragar, é para contribuir, então assim, a idéia primeira eu acho que é uma consciência pessoal, mais do que qualquer outra coisa assim, uma vontade de vir de fazer bem feito, uma vontade de vir e fazer um trabalho legal.

Existe alguma outra razão?

  A razão é que o mundo está se acabando né? A razão é que se todo mundo tomar banho de 50 minutos, encher os esgotos de produtos que não são biodegradáveis, colocar energia fora, desperdiçar comida, desperdiçar coisas, não reaproveitar nada, daqui a um pouco não tem mais nada para ninguém porque a terra não tem condição de alimentar bilhões e bilhões de pessoas comendo e botando fora tudo né. Se usar com parcimônia já é difícil, com os excessos que a gente vê que acontecem, principalmente em comida, água e recursos energéticos, aí é...

O Sr. recebe clientes estrangeiros né? Sim. O Sr. saberia me dizer qual é a porcentagem em relação aos brasileiros?

  Ai, infelizmente meu amor é muito pouca, não chega a 10%. Não chega a 10%. E a gente pode dizer o seguinte, o cliente europeu principalmente, que é o que mais vem, é o cara que mais aprecia, tanto o local, a beleza do local, a nossa capacidade de prover conforto, serviço, atendimento diferenciado, a gente fica muito feliz em receber clientes estrangeiros, porque eles valorizam o tipo de hotelaria que a gente pratica aqui. Mas infelizmente são poucos, menos do que a gente gostaria.

De quais países principalmente que o Sr. recebe clientes estrangeiros?

  Alemanha, Itália, Espanha e Portugal, principalmente. Argentina e uruguaios menos, é menorzinho assim. Não sei, argentino não se adapta aqui muito, não sei,m a distância da praia, eles estão acostumados a ficar em lugares que é mais pé na areia, não sei, não rola muito, morro eles não gostam muito.

Ta certo. O Sr. lembra desde quando que esses clientes começaram a vir?

  Olha, praticamente desde que a gente abriu. Acho que um começou a vir, falou para o outro, o que chega até aqui é mais no boca a boca. Como não há um número expressivo, eu posso dizer que desde que a gente abriu a gente tem um pouco de clientes estrangeiros.

Ok. Eu queria que o Sr. me contasse um pouco da história da empresa, desde que ela foi fundada, inserindo a evolução das práticas ambientais

  Como eu te falei a gente começou muito no extinto, né, numa coisa básica de, que as vezes as pessoas até trazem de casa né. Eu sou filha e neta de colono da serra lá do Rio Grande do Sul. Na minha formação pessoal sempre teve uma coisa de reaproveitar. O colono sempre teve uma preocupação em poupar, em não deixar luz acesa, não deixar água correndo, então eu já trago um pouco isso da bagagem pessoal. Isso foi aplicado aqui instintivamente nas coisas que a gente escolheu. Por exemplo, logo que a gente abriu a gente imediatamente colocou energia solar, embora fosse mais caro, essas coisas foram instintivas. No que o Roteiros

  informação, como recurso, como capacitação para trabalhar direito, por exemplo, o Roteiros é que nos passa o fornecedor de produtos de limpeza que são biodegradáveis, são mais caros, mas não poluem. O Roteiros nos dá várias dicas, não deixa um frigobar, uma TV, aparelhos elétricos ficarem muito velhos, porque os modernos são mais econômicos, no que for possível, troca o ar condicionado de parede por um split que consome mais. Então assim, são várias informações que a gente está sempre trocando que nos ajudam a melhorar essas práticas.

  

Vocês possuem algum programa de preparação e treinamento para atendimento à

emergências ambientais?

  Ai desculpa, esse termo "emergências ambientais" eu não entendo.

  

Algum incêndio, alguma coisa que possa acontecer que possa vir a prejudicar o meio

ambiente. Algum vazamento...

  Vazamento sim, eu fico doida, não posso ver uma torneira pingando que... imediatamente... O que eu posso te dizer assim, Luisa, os funcionários aqui já tem muitos anos, a grande maioria, isso é uma coisa boa, o nosso nível de troca é baixo.

Vocês permanecem abertos o ano inteiro?

  Permanecemos. É... os que estão a mais tempo e isso é a grande maioria, através de palestras que já foram realizadas aqui pelo próprio Roteiros de Charme, criaram essa consciência assim de, por palestra ou pelo convívio diário. Eu não posso te dizer que eu tenho um procedimento padrão para uma emergência ambiental, nem sabia que tinha esse termo, mas uma consciência que foi sendo construída....

Ok, mas eles são instruídos em relação às práticas ambientais?

  Por exemplo, jamais um barqueiro meu leva um hóspede para a beira da praia sem dar um saquinho de lixo na mão dele, é, isso não é considerado uma emergência, mas é uma prática que a gente têm, hóspede nosso não deixa lixo na praia. Se houver um incêndio, ai guria aqui chove tanto que incêndio é uma coisa que passa longe de acontecer, nunca aconteceu, uma vez os peixes da lagoa começaram a morrer porque o nível da lagoa baixou muito e tava muito quente e os peixes menores estavam morrendo na superfície. A gente fez um mutirão de três dias de trabalho para retirar os peixes mortos da lagoa, quer dizer, se existe um treinamento físico específico para isso, não, não existe, mas existe um acompanhamento de todas as coisas que acontecem no dia a dia, onde a gente está sempre todo mundo muito presente, mas um treinamento, dizer ah, eu tenho um manual aqui, não, não tenho.

  

Está certo. O Sr. costuma prevenir impactos luminosos e sonoros para o meio ambiente?

Luminosos? Muita luz, holofotes, perto da praia...

  Ah não, a gente não faz isso. A nossa iluminação é toda baixinha, voltada para o chão, iluminando os caminhos e nada iluminando, tirando duas árvores que eu tenho lá em baixo, que marcam a entrada da pousada, o resto aqui é tudo luz suave e tranqüila, acho um horror virar uma árvore de natal. E quanto à poluição sonora, eu sou a que mais brigo nessa praia, nem faço festa, não faço festa de casamento, não coloco DJ aqui, porque isso é uma área de proteção ambiental da baleia franca, nem combina. Sim, temos essa preocupação e é bem presente.

Fazem uso de ações educativas junto aos clientes para preservar o meio ambiente?

  Como eu te falei, todo hóspede que entra aqui na pousada, no momento que ele faz o check- in, ele ganha esse que a gente chama de guia do turista responsável, onde a gente pede para ele, pô, não faz barulho depois das dez, não deixa a torneira ligada, não arranca coisas da beira da praia...

Aqui fala de água e energia elétrica também?

  É, há várias questões. Deixa o carro, anda a pé pela rua, depois tu dá uma olhadinha com calma, esse é teu. A gente procura fazer uma peça assim que seja bonitinha né, amigo da praia do rosa né, para incentivar a pessoa a não fazer muitas bobagens por aí.

Durante a construção, se preocuparam com o paisagismo do local?

  Todas as árvores, hehe, todas que você em volta da casa, tanto as árvores quanto as pedras, aquela ali determinou a arquitetura da casa, a gente tentou mexer o mínimo possível, todas as árvores foram preservadas. Sim, claro, as árvores importantes e de lá para cá eu posso dizer assim, sem medo de errar, que nós já plantamos mais de mil árvores e mais de mil orquídeas nesse mato. De lá para cá só só só plantamos mais.

Essas árvores são naturais daqui? Sim, sim. Tá legal. Costumam evitar embalagens descartáveis?

  Sempre. As nossas compras chegam em engradados de plástico, não em sacos, por exemplo, o peixe, normalmente ele é comprado com o isopor daqui, coloca o peixe no isopor, sem embalagem nenhuma e o grosso das compras vem nesses containers plásticos né, a gente praticamente não compra nada em sacolinha plástica né..

O Sr. faz a coleta seletiva do lixo. Costuma reutilizar os resíduos orgânicos?

  Como o terreno é muito grande, a gente vai fazendo buracos né, buraco, lixo orgânico, um pouco de areia, lixo orgânico, areia, quando ele chega até em cima, a gente tapa, depois de um ano ou dois a gente abre esse buraco e usa o resultado para adubar o jardim. Às vezes é legal porque onde tem o buraco do lixo, quando você vê tem umas melancias deste tamanho, umas abóboras, maracujá e, além disso, a gente cria galinha caipira, então toda alfacezinha, todo restinho da comida, vai para alimentar as galinhas que elas não comem ração.

Tem tratamento próprio de esgoto?

  Isso. É um sistema de fossas por decantação, que ela vai, não sei exatamente o nome disso, mas assim ó, começa com pedra, passa para o areião, passa para uma areia mais fina, passa para uma areia mais fininha e no fim, carvão ativado. Não sei se isso tem um nome, talvez até tenha.

As águas residuais tratadas são reutilizadas para algum fim?

  Não. Inclusive a gente pensa em fazer o reaproveitamento da água da chuva para coisas como regar o jardim. Então, aí é que está, a gente sempre fala em fazer isso mas nunca faz porque chove tanto que aqui nunca precisou regar o jardim, hehe, acabou sendo um investimento que a gente não fez ainda porque pensando assim, ah, se um dia tiver uma seca seria legal ter água da chuva, mas cadê a seca né, tem cada vez mais chuva.

Possui algum programa específico para a economia de água?

  Sim, todos os apartamentos tem uma plaquinha que é colocada, onde a gente pede ao hóspede que reutilize tanto a toalha de banho, quanto os lençóis pelo maior tempo possível e que a gente só vai fazer a troca dessas coisas no momento em que ele pedir, isso já ajuda um bocado né, é um informativo que é uma norma de todos os hotéis do Roteiros de Charme também e as pessoas realmente utilizam as toalhas por mais tempo e o lençol acaba utilizando mais também, claro que quando tá sujo tem que trocar, a própria camareira vê, mas o fato de chamar... Ah! E outra coisa também que antigamente era uma orgia, chegava a usar 6 toalhas por dia, então a gente dá duas toalhas através de um cartão, o cara entrega o cartão e pega duas toalhas, depois ele tem que trocar as toalhas pelo cartão de volta, se ele quiser uma toalha extra ele vai pagar 3 reais que a gente diz que é o custo de lavar a toalha, com isso foi ótimo porque agora as pessoas usam realmente duas toalhas de piscina, foi uma maneira educativa pra... Não, teve um dia que 20 hóspedes usaram 80 toalhas de piscina e eu fiquei doida, ah não, acabou essa farra, chega a doer de ver uma montanha de toalha limpa, na verdade elas estão limpas, mas acaba tendo que lavar, então eu tenho aqui o cartãozinho de toalha (mostra o cartão), daí acabou a bagunça.

O Sr. tem dispositivos em torneiras e descargas para a economia de água? Sim, sim. Costuma registrar o consumo e estabelecer metas?

  O consumo de água aqui ele é muito variável né, então tem meses que é quase nada e tem meses que é muito alto, varia, não só pela época do ano, como varia também pelo tipo de hóspede que a gente tem. Tem os que são mais conscientes e tem os que gastam pra caramba né, ele é muito assim, ele é muito assim, infelizmente, assim como tem hóspedes que tu vê no café da manhã, as pessoas se servem no Buffet no prato só o que vão comer, assim como os que servem 8 pães, dão uma mordida em cada um e quanto tu vai tirar os pratos tem comida para alimentar mais 3 pessoas, quer dizer, passa muito pelo nível de educação das pessoas né, isso é uma coisa que a gente não...

O Sr. percebe alguma diferente entre clientes estrangeiros e brasileiros em relação a isto?

  Ah, com certeza, o estrangeiro nunca vai colocar no prato mais comida do que ele consiga comer, isso é típico de europeu que viveram duas guerras no último século, não tem essa, dificilmente tu vai ver... Agora eu tenho isso aqui ó, se tu não colocar isso no quarto, na caixinha, não tem energia, só que chega a ter os mal-educados, paulistinhas né, que eles chegam a tirar isso aqui, levam a chave no bolso e deixam lá para ter o ar condicionado ligado o dia inteiro, para eles estarem o dia inteiro na praia e o ar condicionado ligado, mas são poucos, a maioria entende que isso é uma coisa para... Não tem porque né, deixar.... Eu fico doida, antigamente, mas respondendo a sua pergunta, sim, o europeu é muito mais consciente, o europeu não gosta de cadeira de plástico por exemplo, nas varandas ou na piscina, aqui a gente sempre teve cadeira de madeira e eles sempre falaram isso, ai que bom que nesse hotel as cadeirinhas não são de plástico. Então a gente percebe que eles tem um olhar diferente do nosso.

E em relação à economia de energia e de água também?

  Nunca tive problemas, nunca tive problemas. Às vezes, a garotada paulistinha mal-educada, a gente tem uma jacuzzi para 8 pessoas lá na frente, as vezes eles vêm, enchem de espuma, fazem um morro e espuma e eu falo, 1.200l de água posto fora né, porque, dá vontade cobrar

  espuma, porque que tem que encher uma banheira de 1.200l para depois botar a água fora? Aí me chamam de antipática. Enfim, nunca vi o estrangeiro fazendo isso, jamais, mas garotadinha mal-educada já vi, infelizmente.

  

O Sr. utiliza algum mecanismo para a prevenção de odores provenientes, por exemplo,

da preparação de alimentos?

  Coifa, exaustor sim, toda a área da cozinha ela tem uma coifa enorme em cima do fogão. Normalmente não chega a ocorrer aqui.

Ok. Vocês consideram a eficiência energética para a aquisição de equipamentos?

  Com certeza. Agora mesmo eu estou trocando 10 frigobares, estou trocando todos os frigobares da pousada, que eu tenho um cônsul de 80 litros que me consome 27KW/h/mês, por um que vai me consumir 12. Estou trocando agora, semana que vem chegam os novos, são menores, em vez de 80 litros são 40 litros. E eu estou trocando, quando eu fiz a conta da diferença de consumo energético, estou investindo em aparelhos novos porque eu sei que em 2 anos esse investimento vai ser pago pela diminuição do consumo energético, acabamos de fazer. Da mesma maneira os ar condicionados split e da mesma maneira das TVs de LCDs, tudo novinho assim, quando a gente faz a conta vê que é excelente negócio para todo mundo né...

Vocês costumam registrar o consumo de energia e estabelecer metas?

  Com certeza, com certeza, aham, quando a conta da luz sobe a gente, o financeiro aqui que é o meu marido, ele já passa um relatório e já quer saber o que que é que está errado, o que que é que aconteceu a mais, a gente vai tentar descobrir, eventualmente um mês que não usou a lavanderia externa, se usou mais a lavanderia interna, que teve mais passar roupa dentro da pousada, a gente vai tentar descobrir o que que aconteceu, até para ver se não está tendo perda de energia né, que às vezes acontece.

  

Sim. Vocês costumam utilizar técnicas para maximizar a eficiência energética como

clara bóias, por exemplo?

  É, a gente não usa telha de vidro, mas a gente, assim, os ambientes da pousada são os mais abertos possíveis para a utilização da luz natural. Não tem nenhum ambiente na pousada que precise acender a luz durante o dia.

Vocês costumam selecionar fornecedores de acordo com as práticas ambientais?

  Olha, a resposta é não. A gente não tem essa quantidade de... Aqui é ao contrário, aqui a gente que implora por um fornecedor, principalmente os que possam fazer as entregas para nós. Adoraria poder, mas aqui na região é tão carente de padeiro, lavanderia, fornecedor de alimentos que, não está dando para escolher ainda. O cara da lavanderia eu cobro toda hora que ele passa aqui, eu digo, tu não tá jogando água suja na lagoa? Não não, eu juro, coloquei lá filtros e tal, eu fico pegando no pé, mas na verdade eu não fui lá olhar se tem até porque se eu brigar com ele eu não tenho nenhum, entendeu?

Como que o Sr. encara o desafio ambiental, como algo positivo ou negativo para a empresa?

  Extremamente positivo. Na medida que eu baixar o consumo de água, de luz, se eu lavar menos a minha roupa de cama, as minhas toalhas, se eu desperdiçar menos comida, eu estou economizando dinheiro também. Isso é extremamente positivo. Por exemplo, se toda fruta que sobrar do café da manhã de um dia virar suco, é ótimo para todo mundo, para os funcionários para o meu jardim, tudo é, não é poupar só a natureza, mas poupar dinheiro também, extremamente positivo.

Ok e em relação à imagem perante os clientes, o Sr. acha que ajuda em alguma coisa?

  Eu acho que as pessoas não estão muito aí sabe, eu acho que, a gente faz porque é legal, faz porque tem que fazer, faz porque eu pessoalmente acho que, por todas as razões que eu te falei, por criação, pelo lugar de onde eu vim, porque pagar menos na conta de luz é ótimo no fim do mês, porque ter um enxoval que vive mais é excelente para não botar dinheiro fora, mas de maneira geral eu não acho que as pessoas valorizem isso muito não. Não vejo ninguém dizendo, ai que legal isso aquilo, dificilmente um hóspede se manifesta e diz, pô, legal isso que vocês, mas igual a gente faz entendeu? Porque, acho que é uma obrigação.

  

Ok. E quanto aos clientes estrangeiros, comparando com os brasileiros, quais as

principais diferenças que o Sr. percebe em relação aos comportamento ambiental?

  Bom, em primeiro lugar, eles valorizam um espaço mais intocado do que um brasileiro. Um italiano chega aqui... primeira coisa que eles falam, o espaço, espaço é luxo, chegar numa praia que não está empilhada de gente como eles tem lá é a primeira coisa que eles falam, nossa, como vocês são ricos, vocês têm espaço, a gente já não tem mais lá, a água está limpa, é outra coisa que eles sabem que, nem todos os lugares, por exemplo, os que vão para o Rio de Janeiro sabem que a água lá está poluída e aqui não, isso na cabeça deles faz diferença. É o que eu mais ouço, são os comentários que eu mais escuto.

  Entre as nacionalidades o Sr. percebe alguma diferença no comportamento ambiental? Os alemães são os mais preocupados, são os que mais mencionam.

O Sr. acha que o fato de receber clientes estrangeiros afetou de alguma forma as suas

práticas de gestão ambiental?

  Para melhor né, sempre para melhor. Porque no momento que ele me dá retorno de alguma coisa que a gente tenha feito aqui e que ele tenha reparado, para mim é um incentivo.

Exemplo de alguma prática que tenha se modificado em razão disto?

  Modificado não. Nunca alguém me disse assim, ah, porque que tu não faz tal coisa? Eu nunca ouvi um comentário assim, ah, pára de fazer assim e faz assado, pelo contrário, até um hóspede me pediu que o barco que é a remo na lagoa fosse um barco a motor, você está doido meu, como é que eu vou colocar numa lagoinha deste tamanho, cheia de peixe e camarão, botar um barco a motor? Eu vou preza. Não, põe aí para não tem que ficar remando. Eu digo, remar faz bem à saúde, hehe. Não, deixa eu pensar.

Algo que os clientes estrangeiros tivessem achado legal ou algo que o Sr. achasse que fosse atrair mais este hóspede

  Bom, para atrair mais hóspedes estrangeiros a gente acabou de se filiar à uma Associação, que é Associação Brasileira de Turismo Responsável. Essa Associação Brasileira de Turismo Responsável, ela tem o fim específico de propagar as práticas, as boas práticas ambientais dos seus hotéis associados e divulgá-las na Europa como, pode ir que esse não tem esgoto à céu aberto, pode ir que esse não tem trabalho escravo, pode ir que esse, dando um caráter de credibilidade, junto dessa ABTUR que chama-se, a gente também recebe informações, é uma Associação que está sendo criada agora, ela tem um companheiro italiano que pretende divulgar o Brasil para o turismo sustentável lá fora.

Eu entrevistei o Sr. Renato e ele comentou desta Associação

  Exatamente, ele é o presidente e eu sou lá a 25ª conselheira, hehe, alguma coisa lá do conselho. Ele é o presidente, exatamente.

  

Ok. Existe um motivo principal pelo qual o Sr. optou para entrar para a Associação

Roteiros de Charme?

  Ah, no ano que a gente abriu a pousada a gente soube do Roteiros, dessa coisa de fazer uma hotelaria de qualidade em vez de quantidade, de fazer uma coisa mais personalizada com atenção aos detalhes, com atenção aos mimos e a gente achou que isso era a nossa cara. Ah, isso que eles fazer é o que a gente quer, vamos tentar. A gente até imaginava que não ia entrar e hoje eu sou diretora do Roteiros de Charme, estou super feliz. De um ano para cá me chamaram para a diretoria, que é um trabalho não remunerado, que dá bastante trabalho, mas isso foi prazeroso né, que aí eu estou bem no meio das questões todas do Roteiros né, é muito legal.

  Unidades Habitacionais? 10 Funcionários? em alta 16, em baixa 13.

  

Taxa de ocupação média anual? 50%, variando um pouco para mais e para menos em razão

da BR e da chuva.

Missão? Ai menina gente está a horas para colocar a missão no papel. Ela não existe

  formalizado, mas acho que ela é uma coisa que está bem na cabeça de todo mundo, com as reuniões que a gente faz aqui fica bem claro... Se existisse uma missão seria surpreender sempre para mais, pegar a expectativa do cliente e jogar ela... passar entendeu? A pessoa ouviu uma propaganda, ouviu falar bem e que ela chegue aqui e que ela ache ainda mais legal do que ela ouviu. Surpreender positivamente as pessoas né, as expectativas das pessoas, é o que a gente procura assim, na atenção, na maneira de servir, na maneira de se antever as necessidades dos clientes. Mas eu preciso colocar isso no papel, há anos que eu penso nisso, mas ainda não encontrei as palavras ainda. Ah, mas muito cliente não está nem aí, muito cliente não está nem aí. Uma vez veio o Reporter Eco aqui, por causa das baleias, veio fazer uma matéria aqui eles entrevistaram, depois eu vi na revista, vários hóspedes e eles perguntavam, ai e quais os atrativos de preservação ambiental lhe chama mais atenção aqui na Quinta do Bucanero e na praia do Rosa? Eles se olhavam, ficava na cara que eles não estavam nem entendendo o que estava sendo perguntado, aí respondiam, ah, a gente vem aqui porque é charmoso, a gente vem aqui porque a comida é boa ou a gente vem aqui porque a cama é confortável, porque o serviço é bom, eles não, e eu vejo como o consumidor brasileiro, como o nosso turista interno não tem olho para avaliar isso, a maioria não sabe nem o que que estão falando. É dureza. Quanto mais rico for o brasileiro, mais ele se dá o direito de desperdiçar, isso é uma prática horrível. A gente que está aqui todo dia eu posso dizer né... Aquele pensamento... isso que eu to gastando não é meu, não sai do meu bolso, então deixa esse chuveiro aberto, gasta aí 10 toalhas por dia, grande coisa, não estão nem aí. E às vezes tem pessoas que mesmo lendo isso, na hora de ir embora, vem as cobranças dos 3 reais extras... Eu me recuso a pagar, porque isso é um absurdo, com esse preço de diária, eu ainda tenho que pagar, não entenderam nada, mas enfim, faz parte. Sei lá, acho que as escolas hoje já tem uma educação de criancinha mais voltada para estas práticas. É, mas a questão da água, eu coloco aqui atrás, na parte de trás desse guiazinho, alguns números sobre desperdícios

  pessoas lêem isso e tiram sarro da minha cara. Nossa, da onde é que tu tirou isso? Não tem noção, jogam azeite que fritou pastel pela pia e, as pessoas não tem noção. Tu vai vendo isso no convívio das pessoas. O nível de ignorância do brasileiro com relação a essas práticas é aterradora né. No hotel, pode ser o preço que for, eu fui estudar hotelaria na Suíça há alguns anos atrás. Deixar comida no prato na cantina da universidade era assim ó, era visto como uma coisa execrável, tu quase que era um cidadão de 2ª categoria, porque tinha muitos colegas que eram vietnamitas, chineses, o japonês não, o japonês é bem educado. Eles enchiam o prato de comida, comiam só um terço do que estava no prato, deixavam o resto. Nossa, eles eram chamados atenção oficialmente pela escola. Porque quem estudava hotelaria não podia ter uma conduta pessoal dessa porque era completamente contrária ao... Para tu ver o nível de conscientização que eles tem lá né.

  

Por isso, existe um pressuposto teórico de que existe isso né, que o estrangeiro, ele tem

um comportamento diferenciado em relação ao meio ambiente. Então a minha análise

foi determinar se esse comportamento influencia de alguma forma as práticas de gestão

ambiental do hotel né.... Considerando que os estrangeiros cobram mais né...

  É, mas eu te digo assim, eu fiquei pensando se algum deles, eu já ouvi assim, ah, que com que não tem nada de plástico aqui, que bom que não tem nada descartável, algumas coisas assim.

  É um incentivo talvez?

  É, não, como incentivo é bárbaro, porque a gente bom, pelo menos tem alguém que está prestando atenção, hehe.

  ENTREVISTA 4

O objetivo da pesquisa é identificar se o fato da empresa receber hóspedes estrangeiros

afeta e como afeta as estratégias de gestão ambiental da empresa, considerando que os

estrangeiros possam ter, na teoria, uma maior preocupação ambiental.

  Com certeza, muito maior...

Como acha que o turismo impacta o meio ambiente?

  Ah, tudo que tu produz de resíduo é impactante, então a administração dos resíduos é uma forma de transformar essa situação de impacto né. O turismo é indústria limpa, desde que haja consciência. Ele pode ser extremamente danoso se você não trata os seus dejetos, se você não qualifica o seu lixo, se você não dá destino, tudo isso se torna um impacto multiplicativo, se você mora em uma casa em um local você e a sua família, você tem um volume de impacto, se você recebe 10, 20, 100, 200 pessoas você multiplica o impacto, então se a nível pessoal, de casa, você já tem que ter a administração do seu resíduo, até por questão de consciência, o hotel pode ser uma grande fonte de impacto ambiental, como pode ser neutro, você neutraliza com ações, então tudo vai da consciência né, a exemplo da própria residência. Então quando você tem um empresário de consciência, ele vai minimizar ou até neutralizar o impacto, mas isso está explicitamente voltado à consciência individual do empreendedor.

O Sr. utiliza algumas práticas ambientais na pousada...

  Sim, várias, várias...

  E quais são os principais motivos pelos quais o Sr. optou por utilizá-las?

  Um deles tem a ver com a tua pesquisa. Quando você entra em um mercado, primeiro você tem que estudar... algumas pessoas entram por sonho ou simplesmente quer montar a pousada

  pousada porque vem com um sonho, moram em São Paulo, tenho n pessoas conhecidas, vem para Florianópolis passar umas férias chega aqui acha o máximo ah, vou me mudar para lá, tenho um amigo que era jornalista, vendeu tudo em São Paulo e veio para cá, ia viver aqui e ia montar um restaurantezinho, acabou voltando para São Paulo e começando a vida de novo porque ele perdeu tudo. Aqui muita gente vai me visitar também com essa idéia, aí eles perguntam ah, que legal, como é que é e tal, a primeira coisa que tem que fazer, não vende nada, vem para cá, aluga uma casa, um ano, principalmente no inverno, passa o inverno que não tem nada para fazer, aí você faz uma análise mais prudente né. Então eu acho que as pessoas quando eles vão criar um negócio como esse, ele tem que ter primeiro a seleção de onde ele vai, qual é o objetivo, o que é que ele quer trazer para cá, porque aqui está um nicho de mercado, mesmo como pousada você tem n nichos de mercado e qual é o foco desse nicho, a medida que você foca o nicho você começa a buscar percepção de quais são as vontades, o que que essas pessoas buscam e é normal quando a pessoa faz esse tipo de exercício no seu negócio, que ela foque no mercado internacional, primeiro porque ele é muito mais consciente e consequentemente você tem que ter ações que vão trazer a satisfação deste hóspede. Nesse exercício você começa a ver que você pode fazer várias ações, que você vai buscar soluções. A medida que você amplia estas ações o seu mercado internacional vai progredindo, vai aumentando e vai ampliando. É só você praticar o exercício e conseguir chegar lá que você vai ver que o mercado internacional é muito mais focado na manutenção ambiental, talvez até pelo preço que eles estão pagando e o brasileiro já não é muito assim não, é muito pouca gente aqui que tem essa consciência. Então este tópico mais a frente você vai executar em função do seu comércio, porque tudo é business, você tem que transformar tudo isso em energia financeira e sempre que você estiver focado em desenvolvimento sustentável você vai ter um custo muito alto, muito alto. Então você tem que fazer com que isso resulte em um benefício maior de compra e venda do teu produto se não você não vai conseguir sustentar a idéia, que tudo tá movido no dinheiro. Outra coisa, as pessoas às vezes esquecem, uns são só ideologistas e nada funciona sem o dinheiro, não adianta ser só ideologista.

  

Está certo, então um dos motivos que o Sr. considera para as práticas ambientais é a

questão mesmo da internacionalização....

  Este é um dos motivos, o segundo é a consciência que eu já tinha te relatado antes, porque quando você faz um trabalho consciente, você vai automaticamente buscando novos resultados e o fator de internacionalização do seu negócio passa porque aquele pessoal que vem de lá é mais consciente e consequentemente ele vai conseguir pagar mais fácil a conta de ser consciente, entendeu, neste sentido. Então uma coisa tem muito a ver com a outra né, você vai buscando, vai vendo, vai relacionando...

Certo, o Sr. possui algum selo de certificação ambiental?

  Nós temos o Roteiros de Charme, ele já tem pelas próprias ações e tudo o que se criou em volta do Roteiros de Charme por intermédio de ações legítimas de sustentabilidade, foi a primeira rede hoteleira de pequenos hotéis do mundo a criar um código de conduta ambiental e esse código de conduta ambiental passou a transformar o próprio Roteiros de Charme em um selo de qualidade ambiental, entendeu? Mas nós não temos no Brasil ainda um selo definitivo, agora que criou a Associação, está terminando de criar a Associação Brasileira de Turismo Responsável e nessa criação nós fomos convidados a presidir essa Associação, eu sou o Presidente, não eu, eu represento a Pousada, a Pousada Ilha do Papagaio, pelas suas ações sociais e ambientais, que não adianta você só tratar do ambiental, você tem que tratar do entorno, do aspecto social, então nós acabamos recebendo o convite de presidirmos a Associação, montarmos a Associação, justamente esta Associação em um futuro próximo tem existe nenhum órgão que certifique ainda a conduta ambiental, ainda não, ela já conta pontos em algumas qualificações, mas não existe uma oficialização disso, é uma tendência mundial, no mundo inteiro tem, aqui ainda não temos, na Europa tem, na Itália é muito forte a certificação, a Lega Ambiente, que é a certificadora da Itália, inclusive internacional, ela é uma das parceiras nossas e há a possibilidade de a gente fazer um convênio com a Lega Ambiente e ela vir aqui nos qualificar no futuro para a certificação, é uma tendência, mas hoje não tem.

  O Sr. já ouviu falar na NBR 15.401? É uma dessas normas...

É uma norma que trata a questão das práticas ambientais na hotelaria. Pergunto porque

é nela que se baseia este estudo.

  Não, eu realmente nunca busquei certificação, a não ser... Tem a ISO aquela também né, pois é, eu nunca me preocupei muito com isso, eu pessoalmente com a pousada porque, talvez porque a gente esteja, a gente criou um conceito de responsabilidade, nós temos um balanço social e ambiental na empresa e a gente vem perseguindo ele na medida do possível, dentro do espaço econômico que nos permite trabalhar, a gente excede todas as, administrativamente, se você fosse fazer uma pesquisa, você poderia chamar a Pousada Ilha do Papagaio de meio maluca no sentido financeiro, porque ela aplica e inverte talvez 100 vezes mais do que muitas grandes empresas nacionais em projetos sociais e ambientais, nós chegamos até 4, 4,5% em alguns anos, na medida em que a economia nos permite de inversão do bruto de faturamento da empresa nesses dois setores, não é só aplicação no sentido de ceder recursos, é criar mecanismos, aplicar o recurso e medir a conseqüência, existe uma grande diferença entre as pessoas que dizem, ah não, mas eu ajudo, eu doei quase 100 mil reais, é uma coisa, você pegar o recurso, ver o projeto, acompanhar o projeto e avaliar o que que isso resultou a nível social e ambiental e a gente então tem todo esse progresso de ações, então, como a gente mal consegue sustentar aquilo que a gente está se propondo, nós nunca fomos atrás de certificação, nós estamos criando quase que uma certificação pessoal talvez, entendeu? Porque a gente faz muito dever de casa, muito muito mesmo, esses dois últimos anos a gente reduziu drasticamente as inversões por falta de recursos, porque desde 2007 a queda no turismo foi assustadora e isso afetou proporcionalmente as inversões, mas nunca paramos de.... eu tenho inclusive os balanços todos, nós fizemos um resgate, porque a nossa família comprou em 1971, 72 a Ilha do Papagaio e em 1991 é que a gente transformou em pousada para criar sustentabilidade financeira para o imóvel, nós não tínhamos capacidade de mantermos aquilo como lazer, então a gente fez um resgate de todo o histórico de ações da família e parte de pousada até 2005 e a partir de 2005 nós passamos a fazer balanços anuais porque as ações de multiplicaram. Então, por isso que a gente nunca foi atrás de certificações porque eu acho que elas, nem acho, não vou dizer que eu acho que elas não, eu acho que nós estamos fazendo uma comissão no caminho e a gente trabalha muito focado no Roteiros de Charme e eu acho que ele funciona mais para nós e eu principalmente, por ser uma ilha, nós temos um micro sentido de ações porque na ilha nós temos 14 hectares cercados de água por todos os lados, na área ambiental, as características nossas dificilmente se encaixam em 70% do que esses certificadores poderiam vir a... e a própria Roteiros de Charme nos leva a ações durante todo o ano, então, nós estamos satisfeitos com aquilo que a gente tem, faz e pretende executar. Por isso que a gente não tem isso.

  O Sr. recebe clientes estrangeiros de quais países principalmente?

  Quais países? Bom, nós temos, em grau de escala de procura, eu tenho até isso em escalas, se

  Alemanha, Itália, Espanha, Portugal bastante, tenho um pouco de Suécia, Dinamarca, mas isso bem pontual, Americanos pouco, tem uma tendência de aumento agora e América do Sul, deixa eu ver qual é o país que mais nos atinge ali, não é Argentina não, talvez um pouquinho do Chile teve bastante, do Uruguai um pouquinho, mas é bem pouco pulverizado, agora o aumento do estrangeiro no nosso hotel se multiplicou de 2004, 2005, até 2007 teve um aumento enorme, em 2007 com a crise mundial a tendência é de queda, 2007 para 2008 ainda houve porque muitas pessoas estrangeiras já tinham comprado pacotes e há uma diferença significativa na projeção de férias do estrangeiro do brasileiro. O europeu e o americano, eles compram um ano antes, o brasileiro é muito de última hora, o próprio sul americano também. Então eles já tinham comprado os pacotes, então eles já tinham feito o cálculo desse projeto nos recursos financeiros familiares, então eles vieram cumprir o que eles tinham comprado, o brasileiro já liga e diz não, a minha avó faleceu, quebrei a perna, ele dá um jeitinho para tentar fugir do compromisso, o europeu não, ele veio e cumpriu, então depois de 2007 a queda foi acentuada e estrangeiro também, até porque o Brasil está muito caro, o dólar baixo, o custo do Brasil é muito alto e a nossa diária é caríssima em relação à Européia, pelo que presta de serviço, então isso pesa.

Foi 2005 que aumentou né?

  2005 que aumentou, 2004 começou, 2005, a procura de estrangeiros por divulgação do Brasil e aqui de Santa Catarina ela foi aumentando gradativamente, Santa Catarina virou mídia mundial, a partir do Guga ali aumentou né e não sei, teve sorte, né... Pena que a crise veio, se não nós estaríamos bem a frente.

  

O Sr. tem uma idéia da porcentagem de clientes estrangeiros que visitam o hotel, em

relação aos brasileiros?

  Eu trago para ti, eu te dou, tem tudo lá, tem europeu, tem sul americano e aí eu peço para a Marlene te passar, eu tenho isso graficado que vai te favorecer, de vários anos para trás. Posso te passar isso, daí vai te ajudar bastante. Eu não tenho na ponta da língua, mas tenho isso sim.

  

O Sr. poderia me contar um pouco da história da empresa, desde quando ela foi

fundada...

  Então, ela fundou em 93...

E inserindo a questão ambiental, como foram amadurecendo as práticas ambientais.

  Então, a família comprou em 72 e essa ilha ela tem 140.000m², 14 hectares, dessa área, mais ou menos uns quase 3 hectares ou 30.000m eram roças de mandioca, então não tinha absolutamente nenhuma vegetação nativa, eles roçaram tudo e viraram para plantar mandioca e um pouquinho de milho, porque ela criava sustento para a família de pescadores, a mandioca para a produção de farinha, que era a base da alimentação costeira e quando a família comprou ela abandonou as roças, manteve um campinho com uma vaquinha Jersey, naquela época a dificuldade de, nós não tínhamos luz, nós não tínhamos geladeira, então a gente tinha que tirar leite da vaquinha para tomar, então a gente tinha uma vaquinha Jersey que nos dava o leite do dia e para isso a gente manteve uma areazinha lá pequena, de uns 5.000m² de grama, onde a gente mantinha essa vaquinha. Depois veio geladeira a querosene, nós botamos lá, enfim, essa vaquinha ficou lá por uns quatro anos depois veio a luz elétrica e ela foi convidada a ir para a cidade. Então, naquela época a gente começou já a recuperação deste ambiente, algumas sementes nativas a gente tirava da própria mata e ia plantando e a própria mata que antes existia ali, ela deixou sementes e elas foram brotando aos poucos e a que até 92 serviram de... da família, lazer familiar, de amigos, e aí quando pesou a parte econômica, com a internacionalização, o Brasil até anos 85, até 90, ele mantinha, nós passávamos 3 meses de férias na ilha né, os maridos, os pais iam trabalhar e as crianças e as mulheres passavam 3 meses lá, de dezembro a março e isso depois foi criando dificuldades, as mulheres começaram a trabalhar e com a internacionalização isso se acentuou e a dificuldade de manutenção daquele patrimônio nos levou a fazer a pousada, para gerar recursos, para gerar riqueza para manter o patrimônio, então em 92, com a nossa chegada lá essa área, já havia uma certa recuperação bem acentuada, com a inversão em pousada e o movimento financeiro dela, já começamos a dedicar um valou maior à recuperação deste ambiente e também ao favorecimento social, para a gente poder criar uma borda positiva em volta do empreendimento. Com o tempo o movimento foi crescendo e a gente mesmo intensificando essas ações a medida do possível e ali para o ano 2000 a gente aumentou substancialmente, em 2004, 2005, eu lendo uma matéria numa revista de grande circulação no Brasil, apareceu um ranking das 10 maiores investidoras em social e ambiental no Brasil, isso Shell, Petrobrás, coisas grandes, Votorantim e eu vi que eles investiam, o campeão era 0,04% do seu lucro em inversões sociais e ambientais, eu fazendo um calculo pequeno eu vi que eu tinha 1000 vezes mais, aí que começou, vou fazer um balanço social e ambiental, onde a gente veio saber que a gente realmente tinha uma inversão muito positiva nesse sentido e aí entusiasmou a aumentar esta prática e a divulgá-la muito mais, onde aumentou o fluxo de estrangeiros e culminou com o convite de todo o pessoal a nós termos a presidência da Associação, então a gente já começou lá em 71 e intensificou nos anos 2000 a nossa ação de recuperação ambiental, já no ano 1980 nós adquirimos mais 60.000m na frente da Ilha do Papagaio e ali também 50% era pasto e coisa e está 100% recuperado, uma área totalmente recuperada por nós. Então são várias ações e elas sempre foram aumentando, até 2007. Quando veio a crise automaticamente com a falta de faturamento, o volume de inversões diminuiu, mas jamais parou, sempre se manteve na faixa de 2 a 4% de investimento. Isso envolve alfabetização de pescadores, envolve Paint a Future, que é um dos maiores projetos sociais do mundo que a gente faz aqui, uma série, listas, são muitas obras, muitas mesmo.

  

Possui programa de preparação e treinamento de funcionários para emergências

ambientais?

  Sim, a gente tem pelo próprio Roteiros de Charme, ela tem um critério que ela nos orienta e a gente tem, agora nós estamos contratando as pessoas, então todas elas são orientadas e todos os setores que elas vão trabalhar, como que elas vão fazer, isso inclusive o ensinamento procura levar isso para a casa das pessoas.

Vocês tem algum mecanismo de prevenção de impactos luminosos e sonoros?

  Nós não temos impacto praticamente, o sonoro nosso é light a não ser alguns eventos que são raros, nós temos 4, 5 por ano que tem um som mais alto, a ilha é light, não tem som ao vivo ao não ser no evento, ela tem músicas só ambiente, meia noite não existe mais ninguém, tá todo mundo dormindo, dormem cedo, muito calmo e toda a nossa luz é indireta, não temos holofotes nos jardim, então há uma certa harmonia em relação a isso. É uma guerra porque todo mundo, tem que iluminar, mas a lua tem a sua força na hora certa né... tem que saber comprar o dia do pacote. Agora, por exemplo, começa a época dos pássaros de acasalamento e não tem como, eu tenho um exemplo de um Senhor há muitos anos atrás, tinha 70 e poucos anos, divertido, alegre, pessoa positiva e a gente estava com um sonzinho e um hóspede estava lá e queria um som um pouquinho mais alto tal e ele foi lá e pediu para aumentar e tal e era bem na época do acasalamento que o pássaros ficam enlouquecidos, que eles querem cativar, eles tem que conquistar as fêmeas né, então o macho é normalmente o mais bonito, ao

  porque ele tem que conquistar a fêmea e ele canta, ele brinca, ele faz malabarismos para conquistar a fêmea, e esse cidadão estava sentado, aquele som estava mais alto e dois canarinhos pousaram num telhadinho de palha que tem na frente da praia, onde ele estava sentado e o canarinho começava a cantar, ia para um lado chamando a fêmea, se exibindo né e ele saiu para fora ficou olhando e ele correu para lá, pediu para baixar o som e aí chamou atenção de todo mundo, que ele fazia assim, aquilo gerou um impacto em todo mundo e ainda todo mundo dizia pô, vamos desligar esse som, ai graças a Deus, e aí todo mundo só curtia, aquilo que é o mais bonito, que é os pássaros, que é uma loucura, coisa para acordar as pessoas e acorda mesmo, sabiá, eu tenho 73 espécies cadastradas de pássaros na ilha, tem tudo e todo mundo é fascinado por isso. Então nós, nessa parte....

  

Vocês fazem uso de ações educativas junto aos clientes quanto à preservação do

ecossistema?

  Temos, nós temos o plantio de árvores que o próprio cliente planta nas trilhas, nós temos o estudo de capacidade de suporte do nosso local, nós saímos com grupos regulados de pessoas de manhã, de tarde. Existe alguns excessos eventualmente, o hóspede sai sozinho depois disso? Claro, mas a gente explica, nós temos um mapa da ilha com as trilhas todas, cada uma, o que que tem na trilha, os cuidados que tem que ter, temos plaquinhas em todas as trilhas dando pequenas informações e elas são naturais, elas não são decoradas, em alguns lugares tem um apoio, mas elas são totalmente rústicas, não são aqueles caminhos americanos, hehe.

  

Claro, quanto à estas ações educativas, vocês costumam alertar em relação ao consumo

de água e energia também?

  Tudo, nós temos o controle de tudo, água, energia, medição de área....

Sim e vocês incentivam os clientes para o uso consciente.

  Sim, nós temos inclusive, por exemplo, toalha de banho, a gente explica para o cliente que nós não costumamos trocar as toalhas todos os dias, então nós temos um sistema que está lá explicado que ele pode pendurar a toalha no gancho e ela não vai ser trocada, se ele jogar em tal lugar vai ser trocada, no cesto, e que ele tenha a consciência disso, que ele desligue o ar condicionado, tal tal, então todas essas coisas a gente faz, tem cliente que não quer nem saber que vai lá e fala, se alguém desligar o meu ar condicionado eu vou embora, a gente respeite, mas a gente procura orientar, todos eles, tem até aviso nos quartos tudo e é uma orientação constante, inclusive o hóspede pode pegar mudas e plantar na ilha. Agora nós estamos intensificando o palmito, eu tenho uma dificuldade muito grande com mudas porque eu estou com excesso de Preá, que aquele tipo um porquinho da índia, que se multiplicou muito, tem muito, ele não tem predador na ilha e eles comem as mudas, então eu planto mil e fico com 50, eles comem tudo...

Ele é natural da ilha?

  Natural, inclusive ali perto pela ilha pro leste e sul, tem um Preá indemico assim que é famoso no mundo inteiro que só aqui que tem e é um porquinho da índia assim, uma cor assim marrom né, é lindo lindo lindo, outro dia me entrou uma Senhora no escritório eu não estava lá, gente tem um ratão no meu quarto, pois é, quem não conhece, aí a gente pegou e bom, vamos divulgar mais um Preá e a gente fez várias placas, o meu filho mandou fazer e botou nos caminhos para as pessoas se familiarizarem com o Preá e não acharem que é um ratão. Eu já tive uma crítica uma vez, uma pessoa até mandou carta para o Roteiros de Charme.... Nós tínhamos dedetizado as casas e uma mamãe rata que sentiu o cheiro do veneno, que não era para rato, mas incomodou e ela pegou os camundonguinho dela, filhotinho, desse tamanho,

  largou, saiu do telhado, desceu e botou eles na cama da mulher, precisa ver o escândalo né, a mulher mandou carta denunciando que estava cheio de rato, aí eu fiz uma carta bem legal, mandei, mas... e ela era super simpática, caminhou comigo, eu mesmo quis caminhar com ela, mas deu tilte na mulher, fazer o que. Mas é assim...

Bom, resíduos sólidos, costuma prevenir o uso de embalagens descartáveis?

  Tudo, nós procuramos fazer isso o máximo possível né, algumas coisas são impossíveis, nós temos inclusive a separação de todos os resíduos, por qualificação, não temos ninguém que busca, mas nós separamos latas, papel, embalagens e tem o lixo orgânico, nós produzimos 100% da adubação da ilha, todo o nosso gramado, todo o nosso jardim, é tudo produzido lá mesmo, nós moemos os resíduos, nós temos um jardim muito grande, eu tenho que inclusive ainda queimar uma parte porque eu não tenho como, joguei uma parte, nós espalhamos no mar, é muita coisa.... E todo o nosso lixo é reciclado, todo, absolutamente todo e eu ainda levo lá na reciclagem porque não tem ninguém que pegue, levo de caminhonete, agora eles estão começando de novo, talvez eles vão buscar. Todo óleo de cozinha é guardado, todo ele é encaminhado para uma empresa, nós já fizemos até um concurso entre as escolas públicas um ano, foi muito legal, de captação de óleo de cozinha, foram mil e tantos litros captados pelos alunos pela educação ambiental, foi bem legal, e a gente premia né, a escola ganhou um computador, o menino também, então foi bem legal.

  É, tratamento de esgoto vocês tem tratamento próprio?

  Sim, todo com sistema de raízes, aquele natural sem química nenhuma. Conhece? Já ouvi falar... É, muito legal, eu já implantei há quinze anos já, todo ele, agora estou fazendo uma renovação, to separando a área de cozinha, que é a que mais danifica o sistema, porque é muita gordura, então eu to separando, fazendo um novo só para a cozinha, para melhorar o sistema, mas está funcionando perfeitamente. Eu não uso nenhum produto que não seja biodegradável e todo o sistema de lavanderia e também para copos, tudo, é totalmente sem nenhum, nosso funcionário não toca, é tudo com bombonas e com acionamento eletrônico, não há contato físico.

Quanto à prevenção de odores para o meio ambiente?

  Eu não uso cloro, dificilmente o cloro é utilizado em emergências, em uma coisa pontual, só tenho cloro na piscina entendeu?

E quanto à preparação de alimentos?

  Não, não tem, não tem, odores é zero, meu esgoto também não tem odores, eu tenho um chalé a 20m do tratamento, nunca tive problema, salvo algum dia que estoura alguma coisa do sistema de tratamento, então você tem um odor espontâneo, momentâneo e é sanado em questão de horas, existem rupturas, acontece em desastres, mas são mínimos, praticamente, não são nem qualificados, não dá nem para medir de tão poucos que são, não há impacto, todo o sistema de gordura, eu tenho tudo feito em bombonas plásticas lacradas, são transportadas para o continente e levadas para lugares especializados em recuperação, então realmente o impacto é bem... Na hora que a gente limpa as caixas de gordura e as fossas do restaurante, onde tem aquele que fica como se fosse uma cera, que é a gordura condensada, que é o único momento que tem um pouco de odor assim, mas é questão de 15 minutos e está pronto e aí tudo foi em bombonas lacradas e vai lá, para o tratamento, vai para tanques que são especiais para isso.

Energias renováveis, eólica, solar, faz uso de alguma?

  Nada, não temos ainda porque eu tenho um problema de posicionamento solar, estou virado para leste oeste, é, é quase que impossível, eu estou esperando a eólica, quando ela tiver capacidade, porque é caríssima e agora já começou a energia eólica sem ser com sistema de, sem ser hélice, ela é como se fosse um, sabe aquele sem fim, aquela rosca sem fim, então ela pega qualquer vento, tá sempre girando e não produz ruído, porque a eólica outra ela produz um ruído que teria problema, inclusive eu teria problema com a eólica tradicional em função dos pássaros migratórios, de esbarrarem lá, acho que nem permitido seria. Sempre foi o meu sonho, mas não posso, esbarra nesses dois fatores principais, a permissão que eu acho que é praticamente impossível pela migratória, que eu tenho muita migratória, risco de colisão e segundo o som e terceiro e talvez mais importante hoje que é o custo. Nós estamos agora qualificando uma empresa que nós vamos tentar trabalhar como solar, porém, nós temos que criar uma base que fica distante, nós temos muita perda de energia, que quando você está aqui na nossa região com posicionamento leste oeste, tu só tem , 6, 7 horas de sol, eu recebo o sol às 11 e perco às 5, por causa da montanha, então este volume aqui é complicado, se eu estivesse norte sul, virado para norte, aí eu teria o aproveitamento de todo o dia, o que não acontece para mim, eu teria que fazer placas em cima da mata, no topo da ilha e teria uma poluição visual extremamente grande, aí nós ainda temos que trabalhar com a elétrica, por isso que a gente tem tantas ações, porque, a gente peca de um lado, mas ganha do outro.

  

Vocês têm algum sistema para que luzes e equipamentos não permaneçam ligados sem

que haja necessidade?

  Nós estamos implantando esse ano aquela que o hóspede quando fecha o quarto só fica a geladeira ligada, estamos em fase de implantação, já era para implantar o ano passado, mas a crise financeira nos derrubou, agora já está mais barato, este ano nós estamos já com o orçamento para a implantação.

Usa alguma técnica para maximizar a eficiência energética? Como a iluminação natural?

  Natural nós temos em alguns setores, nós temos em alguns chalés que pode, a maioria, nós temos na cozinha, nós temos no almoxarifado, no almoxarifado eu não uso luz, só a noite, todo transparente. Na praia é só a noite porque é todo aberto, no escritório também dificilmente usa energia, só em uma salinha lá atrás que não tem como porque tem segundo piso, então é, onde dá está sendo utilizado, nos closets, nós temos, quase todos que a gente pode tem iluminação natural, com telha de vidro e transparência para a iluminação do closet, então onde dá está sendo utilizado. E o sistema de gás é muito mais caro, mas nós estamos usando para aquecimento do chuveiro. Tem mais qualidade, é mais caro, o gás é bem mais caro, ao contrário do que as pessoas pensam, o custo se não me engano de energia no banho é 1,12, um real e 12 centavos o banho tradicional no elétrico, chega a 3, quase 4 no a gás. Eu sempre achei que era o contrário, mas vi em uma pesquisa e o elétrico é mais barato.

E para a economia de água?

  De água são alguns lugares torneiras né e o controle efetivo, nós temos o controle para cada um, quando tem algum aumento na leitura diária né, as torneiras com saída de menos volume e a leitura, se em algum setor aumentou o consumo, vai em cima para ver o que está acontecendo, volta a falar com as pessoas. A compra também que nós fizemos, nós compramos ano passado um equipamento extremamente caro, que é a máquina de lavação de pratos e talheres que é uma economia de, que cai para menos de, talvez 5%. É um do meio ambiente é caríssimo e outra, tu não recebe absolutamente nenhum incentivo, sem incentivo, por exemplo, tu não tem um financiamento, assim olha, por fazer assim, assim, assim, assim eu vou ter zero de juros ou em vez de pagar em 3 anos eu vou ganhar 5 anos, não digo nem nos juros, eu digo na questão financeira, é difícil de mexer com isso, porque todo mundo tem as matemáticas, no prazo, na isenção de impostos, não existe. Então isso é o grande problema, como incrementar uma ajuda positiva para quem executa essas tarefas, que não existe ainda e aí que entra pela qualificação, como pode influenciar, então não existe qualificação hoje e não tem certificação, que possa te dar, é, vai acontecer nos próximos anos e isso te daria o selo de ter o prazo maior isso e aquilo. Eu acredito que os bancos vão operar com isso em muito breve, muito breve, o próprio banco, a consciência está ficando muito forte no mundo inteiro e é legal porque os estrangeiros quando vêm, duas coisas diferenciam no meu ver o estrangeiro que bate e toca profundamente no tocante dessa sua pesquisa, primeiro, eu faço trilhas, eu adoro fazer trilhas e as trilhas são nativas, então tu vai explicando, vai viajando com a pessoa. O brasileiro faz trilhas mais, percentualmente, o brasileiro se preocupa mais com o exercício físico, quanto tempo leva a trilha, meia hora, ele faz em meia hora e tenta fazer em 20 minutos. O estrangeiro diz assim, ah, em torno de meia hora a uma hora, duas tu brinca com ele, ele leva duas três. Eles querem ver a bolha, eles querem ver o vento, eles querem ver o mar, eles querem apreciar a natureza, porque eles não tem, o brasileiro tem muita natureza ainda e ele passa batido, então é uma diferença significativa. Outra coisa é que eles querem saber o que você faz com os resíduos, eles visitam o local, eles querem saber onde é que você botou, eles querem, eles vão visitar o seu sistema de tratamento, eles querem andar em cima, eles querem ver, entendeu? Eles vem aqui, sabem que você fez, eles vem e perguntam como é que é, onde é que tá, ah [eu digo] eu to plantando e tal, [ele pergunta] onde é que estão as mudas? Eu quero ver... São os que mais pedem a muda para plantar, eles carregam a mudinha deles, o brasileiro diz assim ah, então tá legal, tu leva para mim e eles não, eles fazem questão de exercitar todo o processo para que eles se sintam donos da área. É muito legal, é bem diferente a consciência.

Fazem captação da água da chuva?

  Não, eu tenho inclusive problema com a água da chuva, eu tenho problema de captação porque como a ilha foi uma construção muito antiga, eu não... tu sabe que o telhado tem que ser um telhado especial para fazer a captação, não pode ter uma telha de barro e captar porque o processo de limpeza dessa água é complicado. Agora eu estou com um projeto na cabeça para trabalhar com captação sobre as árvores, faltou só recurso agora, é um sistema super legal que eu bolei e todo mundo que eu conversei está enlouquecido com a estória, eu quero ver se isso eu consigo desenvolver talvez esse ano ou ano que vem, é um sistema de estacas e cabos de aço esticados e isso envolve um outro gasto que é para-raio na região porque o cabo de aço é um atrativo né, e colocar postes reciclados em cima das árvores, aí você tem dois cabos de aço, uma lona com os cais do lado com roldana, daí você estica a lona e você tem um sistema que ah, vai chover, você vai lá e estica as lonas, daí essas lonas vai cair a água, vai tirar aquela poeirinha de cima, ela vai cair num decantador e a partir daí quando aquele decantador enche que é mais ou menos o tempo da lavagem, a bóia levanta, troca a calha e cai dentro do depósito, a água já mais limpa, aí você estica sobre as árvores com um metro e meio só, então a chuva lateral, ela vai continuar molhando, você não interfere, vai captar o excesso e esse é o processo que eu quero tentar ver se consigo montar isso, até patentear, não para enriquecimento pessoal, mas para doar esta idéia para lugares que tem problema, aí eu poderia captar sem competir com o meio ambiente e daí eu não precisaria usar o sistema normal ou colocar sobre o telhado, porque a nossa telha tem muita bactéria é muito sujo com o apodrecimento vegetal mesmo, cocô de passarinho, é uma água totalmente impura para uso, condições para o telhado que eu tenho de fazer captação a não ser para o jardim que eu faço, captação para o jardim eu faço, faço captação e uso para regar plantas, a horta, é usado água da chuva.

Costumam reutilizar as águas residuais tratadas também?

  As tratadas? Tem que fazer sistema de bombeamento, reverter tudo, quando você tem um hotel o bloco, te facilita muito, eu tenho uma distancia de quase, 350, 400m de um chalé para outra, então eu teria que rebombear, são dois sistemas de tratamento, teria que fazer uma inversão pesada par essa utilização e depois teria que criar um sistema de irrigação no jardim inteiro que é extenso, ele é comprido, não é concentrado, eu acho que o custo, porque existem práticas que tu tem que ter uma noção exata da dimensão da energia que tu vai produzir para fazer uma ação, então essas aí eu acredito que ainda não são o momento. A captação de água, se eu puder fazer isso, haverá uma inversão significativa de recursos para fazer a experiência, aí eu faria, desta forma. Então, eu não tenho isso quantificado né, mas eu acredito que vai chegar o momento, ainda não é e a falta de recursos tem sido um fator predominante para a falta de ações ainda. Tem um monte de coisa que não sai porque não está dando agora. Estes últimos anos então, 2007 nós ficamos entusiasmados, íamos ampliar 20% da aplicação de recursos, aí veio a crise financeira e derrubou todos os projetos.

  

Em relação aos fornecedores, costuma selecionar com base nas práticas ambientais que

eles utilizam?

  Sim, isso já é prática do Roteiros de Charme e a gente busca observar. Eu tenho dificuldades pela distância e local, pelo problema de entrega e em alguns setores somos obrigados e relaxar, mas são o mínimo possível, a maioria tem que ter práticas ambientais, embora não tenha ninguém preocupado com isso aí, pouquíssimos.

Os funcionários costumam ser instruídos sobre a questão ambiental?

  Sim, sim, todos são constantes, quando há movimentos que não correspondem são chamados a atenção e o problema nosso maior é que as pessoas não estão ambientadas a fazer isso, como eu sou obrigado a fechar 3 meses, 4 por ano porque eu não abro no inverno, eu tenho que fazer esse exercício todo , eu mantenho uns 8 a 10 pessoas, umas 20 são novas, é onde eu, as pequenas falhas se repetem porque eles são sempre novos alunos, então os velhos ficam sempre ali regulando, regulando, mas tem que estar de olho, porque tem que estar sempre com alunos novos, é quase uma escola, quase uma escola, é uma escola porque você ensina e os erros que fazem, a gente até busca, mas é uma questão cultural, a dificuldade é cultural mesmo. A gente costuma pegar pessoas da terra, da região, entendeu? Então a gente tem que estar sempre cuidando, sempre acompanhando, sempre de olho, seleção, seleção, seleção.

Como que o Sr. encara o desafio ambiental para a empresa, como algo negativo ou positivo?

  Positivo. Volta a ser a consciência do empresário, eu acho que ela é uma aliada. Quando você entende a questão ambiental e consegue financiar a forma de minimizar os seus impactos, ele é um grande aliado porque ele passa a ser marketing, é o que eu sempre digo para as pessoas, investir em meio ambiente não é despesa, é investimento. Eu sou a prova disso, hoje a maior fama da pousada é a ambiental, justamente pelos investimentos sociais e ambientais. E eu mantenho sempre a correlação, eu não aceito o ambiental sozinho, não aceito. É, mas eu tenho guerras incríveis com aquele que só pensa no ambiente, esquece o homem, eu tenho pavor, pavor. Aquele troço não, não, não, ninguém pode chegar perto, é unidade de conservação, tanto é que eu fui convidado pelo governador ano passado com as práticas do primeiro grupo agora estamos implantando o sistema ambiental ou tentando implantar que nem tem as políticas para isso, o sistema de uso das unidades de conservação, uso sustentável delas e há mecanismos de sustentabilidade para as unidades de conservação do estado. Fazer com que haja a implantação integral dos núcleos, mas que a borda dos núcleos, a borda dos parques tenham utilização, criando riqueza e renda para as pessoas que vivem no entorno para daí então buscar o respeito da pessoa pela unidade de conservação. Sou totalmente contrário à criação de unidades de conservação sem critério de uso, como está hoje com transformando em núcleo todo parque ou alguma coisa assim, quando muitas vezes ele foi criado em laboratório, quer dizer, ele foi produzido no escritório em Brasília com a turma que resolveu traçar assim sem uso e nenhuma unidade de conservação até hoje no estado até esse ano passado tinha sequer produzido a forma de manejo do espaço, isso aí é um problema sério. Mas foi só um comentário a parte.

Quais as principais diferenças que o Sr. percebe entre o comportamento ambiental do estrangeiro e do brasileiro?

  Eu acho que são aquelas que nós já comentamos, mas agora focando no assunto é justamente que o brasileiro, porque o Brasil ainda é um grande, talvez pela dimensão, não pela consciência, ele ainda tem as grandes reservas, a pessoa ainda tem o contato físico e visual com a mata, com a mata atlântica principalmente na nossa região, eles pregam pouco o controle disso, ele não se preocupa com o controle disso, porque eles têm em abundância, embora nós que temos mais consciência sabemos o quanto ela já está escassa, eles ainda acham que é abundante, entendeu? Então sabe, é como uma pessoa que se apaixona por uma namorada, uma mulher, depois entra naquele ritmo na vida, do dia-a-dia, ele passa a não se aperceber aquelas qualidades que qualificaram aquele encontro e essa permanente e constante visualização eu acho que tira um pouquinho a concentração e a necessidade. O estrangeiro porque ele já perdeu, não tem a menor capacidade de recuperar em função do custo e da dificuldade de perder o m², ele passou a ter um valor enorme sobre os nossos, então ele valoriza de uma forma assustadoramente maior que o brasileiro, ele sente a natureza, ele toca nela, ele vive ela, ele realmente anda com ela e o brasileiro não, como eu te falei, ele pratica um exercício mais, existe, isso não é regra, lógico, existem as exceções e a gente recebe muitas exceções, mas a prática da natureza, do contato físico dela, o estrangeiro muito mais, os valores que eles tem. Outra, o brasileiro quer levar um pedacinho para casa, o brasileiro quer saber onde que ele pega, ele cata o, entendeu? Não dá para me dar uma bromélia? Entendeu? Ele quer pegar daqui e levar para lá, o estrangeiro, ele nem, algumas vezes, lá tem muito de uma estrela do mar que tem milhares de patinhas assim, é tipo de águas extremamente limpas, tem milhares lá e quando elas morrem o mar trás e joga na praia, são brancas e são lindas e ela tem um desenho em cima e eles são, é uma coisa que atrai qualquer pessoa de pegar aquilo e levar e não tem porque não porque vai virar farinha, vai virar pó né, o estrangeiro dificilmente leva, ele não gosta de carregar as coisas, ele gosta de que cada coisa fique no seu lugar, o que é educação. A gente tem até uma plaquinha lá para brasileiros com uma frase conhecida que é, não deixe nada além de suas pegadas e não leve nada além das fotografias né... Mas é mais voltado para brasileiros, hehe.

  

O Sr. percebe alguma diferença entre as nacionalidades, em relação ao comportamento

ambiental?

  Sim, dos estrangeiros? Entre eles... Sim, sim, os países europeus têm mais, principalmente os de origem germânica, eles são mais muito grande, os suíços, muito, muito, muito, principalmente porque, eu acredito, eles vivem meio ano dentro de casa e contato com a natureza desses nórdicos, europeus é de dois a três meses por ano que eles têm sol e vida natural, então eu acho que eles são os que mais, mais vibram com a natureza, talvez porque, além de não ter muito ou o pouco que têm, eles convivem muito pouco com isso e lá, mesmo quando estão convivendo o próprio verão deles é muito frio, aqui eles conseguem andar com um shortinho, lá não, é diferente e eu acho que talvez essa seja, e educação lógico.

  

O Sr. acha que o fato de receber clientes estrangeiros mudou alguma coisa nas suas

práticas de gestão ambiental?

  Sim, são incentivadores, porque a cobrança que eu digo no bom sentido, é incentivo, porque a medida em que tu vê que aquilo que tu ta fazendo está sendo visto com mais vontade, com mais prazer, te aumenta o prazer de executar, então é natural, inclusive, além do que, ele alimenta financeiramente, embora eu não esteja pagando, porque há uma diferença, a conta da inversão, mas ela é extremamente incentivadora. Sempre que você se pintar, sair na rua e ninguém te olhar é porque alguma coisa eu fiz errado né, é mais ou menos essa a relação, de você querer se vestir bem, o homem também, é uma coisa intrínseca, quando tu faz uma ação e alguém nota a tua, o teu ego vai para cima né, sabe que está fazendo o bem.

Algum exemplo de alguma ação que tenha mudado em função do hóspede estrangeiro?

  O incentivo ao plantio por eles mesmos, a busca de aprimorar o nosso sistema de separação de lixo de quantificar isso e mostrar isso, esse incentivo de fazer o nosso balanço social e ambiental e ele passou a ser motivo de orgulho não só para mim, mas para os funcionários, entendeu? Aquele ano lá olha, tem o nosso balanço, quer dizer, eu procuro divulgar, agora esse ano eu pedi para eles fazerem um CD e darem para todos os funcionários, para eles chegarem em casa e irem lá ver, entendeu? O que que é a Ilha do Papagaio? Levar o orgulho para eles, eles vão mostrar para as pessoas e nesse ano eu vou produzir um CD, o meu filho vai fazer isso, para doar para as pessoas levarem, com as melhores práticas né? A gente inclui umas fotos da ilha, a lista de pássaros, porque, vê só como o marketing é uma coisa extremamente voltada para boas idéias, se eu fosse investir em marketing em revista, se eu fosse pegar uma página da Viagem e Turismo, talvez ia gastar uns 20 mil reais, 15, se eu pegar 5 mil reais hoje, comprar CD, pegar todo o material que eu tenho guardado de imagens e ações, aliás até comprar um Pen Drive, que hoje custa 10, 20 reais e chegar aqui, quando eu vejo que as pessoas que gostam disso, que vão pegar aquele Pen Drive e vão guardar aquelas imagens, eu junto algumas fotos que eu tiro dela, minha filha fotografa, eu adoro fotografia, a maioria das fotos minhas são minhas e dela e do meu filho e eu jogo ali dentro e eu dou para ti levar e tu vai para a Europa para qualquer lugar, a primeira coisa quando tu volta da viagem é mostrar, se tu não levou equipamento adequado para uma foto especial, contar a viagem é a melhor coisa do mundo, então eu faço do marketing, com o valor de uma página eu espalho isso pela Europa inteira, essa é a prática que eu faço. Eu compro a minha máquina, fotografo as pessoas, no final dou um CD para elas, ela leva e a primeira coisa, ai gente, eu estou com um CD bárbaro aqui e vai fazer isso, daqueles 20, 30, 50, um volta. Então é uma ação de marketing, você divulgar os seus produtos e esse ano eu quero fazer isso com os próprios clientes, como ação de marketing, divulgar as práticas ambientais, além de tu estar divulgando um exemplo de conduta. Mais uma ação ambiental. Além... por isso que eu digo, se você souber usar as tuas práticas ambientais em ações de marketing, te resultam em mais resultado do que a própria inversão de papel né, porque este hotel, que simplesmente comprou um papel reciclado não tem valor absolutamente nenhum. Porque a primeira prática é, tudo papel reciclado né, gasta mais com papel reciclado do que.... hehe.

  Unidades Habitacionais? 20 Funcionários? média 40, 2 por ap.

Fundação? 1993 Missão? Ah... nós temos um lema na empresa, a gente vende sonhos, esforce-se para entregá-

  los. Aí envolve tudo né... a missão é ampliar as nossas ações né, ampliar a divulgação tá e aquilo que eu te disse se eu to fazendo marketing para fazer proveito de áreas, quanto mais eu divulgo, mais eu estou dando exemplos, quanto mais eu estou dando exemplo, mais terão pessoas incentivadas a fazer o que eu faço né, é uma pena que financeiramente é difícil fazer ecologia, muito difícil. Aqui mais ainda, no mundo inteiro tem mil formas de você ter o beneficio né, é que aqui na verdade todo mundo quer fazer no vizinho né, não em si.

  APÊNDICE B – Roteiro das Entrevistas

Roteiro de Entrevista

  Hotel:________________________________________ Data:_________ Hora:___________ E-mail:_____________________________________________________________________ Introdução: Estudo sobre o impacto da internacionalização (receber hóspedes estrangeiros) nas estratégias de Gestão Ambiental.

  Unidades Habitacionais Localização Qtde de funcionários Taxa de ocupação média Ano de fundação  Qual a missão da empresa?  Como acha que o turismo impacta o meio ambiente?  Quais as motivações para o uso de práticas ambientais?  Possui algum selo de certificação ambiental?  Já ouviu falar na NBR 15401?  Recebe clientes estrangeiros? De quais países? Desde quando?  Qual a porcentagem de clientes estrangeiros que recebe em relação aos brasileiros?  Por favor, conte um pouco da história da empresa e da evolução da gestão ambiental, inserindo neste contexto a internacionalização.

   Possui programa de preparação e treinamento para atendimento a emergências ambientais? Proteção da flora e da fauna

   Faz uso materiais (matéria-prima) ou espécies provenientes da flora e da fauna?  Previne impactos luminosos e sonoros (mudança de comportamento)?  Faz uso de ações educativas junto aos clientes (valorizar o ecossistema)?

  Impactos da construção no local  Durante a construção, tentou minimizar a vegetação nativa, alterações na paisagem local e pensou no impacto sobre a vida silvestre?

   Utiliza alguma compensação ambiental para os materiais utilizados na construção?  Preocupa-se com o paisagismo do local? (refletir o ambiente natural, utilizar vegetação nativa da região)

  Resíduos sólidos  Dá preferência a embalagens para grandes quantidades na hora da compra?  Previne o uso de embalagens descartáveis?  Faz a separação e a coleta seletiva?  Reutiliza resíduos orgânicos (adubo)?

  Efluentes líquidos  Faz o tratamento das águas residuais (conexão com o sistema público ou tratamento próprio)?

  Emissões para o ar  Utiliza algum mecanismo para a prevenção de odores (preparar alimentos)?

  Eficiência Energética  Registra o consumo de energia e estabelece metas?  Faz uso de fontes de energia renováveis (energia solar ou eólica)?  Adota algum sistema para que luzes e equipamentos permaneçam ligados somente quando necessário?  Considera a eficiência energética para a aquisição de equipamentos?  Utiliza técnicas para maximizar a eficiência energética (iluminação natural)?  Encoraja o envolvimento de clientes na economia de energia?

  Gestão do uso da água  Registra o consumo de água e estabelece metas?

   Utiliza dispositivos para a economia de água (torneira, descarga)?  Possui algum programa específico para economia de água? (troca de roupa de cama)  Faz a captação de águas pluviais (chuva)?  Promove a utilização de águas residuais tratadas (lavar veículos)?  Encoraja o envolvimento de hóspedes na economia de água?

  Uso de insumos  Seleciona fornecedores de acordo com suas práticas ambientais?  Utiliza produtos de limpeza de cosméticos biodegradáveis?

  Gerais  Os funcionários são instruídos sobre a questão ambiental de forma geral?  Como encara o desafio ambiental? Considera algo positivo ou negativo para o empreendimento?  (Caso negativo na pergunta anterior) Quais os principais benefícios advindos da adoção de práticas ambientais?  Percebe diferenças de comportamento ambiental entre clientes estrangeiros e brasileiros?

  Quais?  E percebe alguma diferença de comportamento ambiental entre as nacionalidades?

  Exemplo?  Acha que o fato de receber clientes estrangeiros mudou algo nas práticas ambientais utilizadas pelo hotel? De que forma?

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