AVALIAÇÃO DOS IMPACTOS AMBIENTAIS DAS MINERAÇÕES DE ROCHA ORNAMENTAL DO CENTRO SUL DO ESTADO DE MINAS GERAIS

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AVALIAđấO DOS IMPACTOS AMBIENTAIS DAS

MINERAđỏES DE ROCHA ORNAMENTAL DO

FUNDAđấO UNIVERSIDADE FEDERAL DE OURO PRETO

  Reitor João Luiz Martins

  Vice-Reitor Antenor Barbosa Júnior

  Pró-Reitor de Pesquisa e Pós-Graduação Tanus Jorge Nagem

ESCOLA DE MINAS

  Diretor José Geraldo Arantes de Azevedo Brito

  Vice-Diretor Marco Túlio Ribeiro Evangelista

DEPARTAMENTO DE GEOLOGIA

  Chefe Selma Maria Fernandes E V O L U Ç Ã O C R U S T A L E R E C U R S O S N A T U R A I S

  CONTRIBUIđỏES ầS CIÊNCIAS DA TERRA Ố VOL. 50 DISSERTAđấO DE MESTRADO Nº 262

AVALIAđấO DOS IMPACTOS AMBIENTAIS DAS

MINERAđỏES DE ROCHA ORNAMENTAL DO CENTRO SUL

  

DO ESTADO DE MINAS GERAIS

Érika Silva Fabri Orientador

  Maurício Antônio Carneiro Co-orientadora

  Mariangela Garcia Praça Leite

  Dissertação apresentada ao Programa de Pós-Graduação em Evolução Crustal e Recursos Naturais do Departamento de Geologia da Escola de Minas da Universidade Federal de Ouro

  Preto como requisito parcial à obtenção do Título de Mestre em Geologia, Área de Concentração: Geologia Ambiental.

  2007

  v Universidade Federal de Ouro Preto – http://www.ufop.br Escola de Minas - http://www.em.ufop.br Departamento de Geologia - http://www.degeo.ufop.br/ Programa de Pós-Graduação em Evolução Crustal e Recursos Naturais Campus Morro do Cruzeiro s/n - Bauxita 35.400-000 Ouro Preto, Minas Gerais Tel. (31) 3559-1600, Fax: (31) 3559-1606 e-mail: pgrad@degeo.ufop.br Os direitos de tradução e reprodução reservados.

  Nenhuma parte desta publicação poderá ser gravada, armazenada em sistemas eletrônicos, fotocopiada ou reproduzida por meios mecânicos ou eletrônicos ou utilizada sem a observância das normas de direito autoral.

  ISSN 85-230-0108-6 Depósito Legal na Biblioteca Nacional

  Edição 1ª Catalogação elaborada pela Biblioteca Prof. Luciano Jacques de Moraes do

  Sistema de Bibliotecas e Informação - SISBIN - Universidade Federal de Ouro Preto http://www.sisbin.ufop.br F124a Fabri, Érika Silva. Avaliação dos impactos ambientais das minerações de rocha ornamental do centro sul do Estado de Minas Gerais [manuscrito] / Érika Silva Fabri. xxv, 153f. : il. color.. graf., tabs, mapas (Contribuições às ciências da terra. Série M, v. 50, n. 262)

  ISSN: 85-230-0108-6 Orientador: Prof. Dr. Maurício Antônio Carneiro. Co-orientadora: Profa. Dra. Mariângela Garcia Praça Leite. Dissertação (Mestrado) – Universidade Federal de Ouro Preto. Escola de Minas. Departamento de Geologia. Programa de Pós-graduação em Evolução Crustal e Recursos Naturais.

  1. Minas e recursos minerais - Minas Gerais - Teses. 2. Impacto ambiental - Teses.

  3. Rochas ornamentais - Minas Gerais - Teses. I. Universidade Federal de Ouro Preto.

  II. Título.

  CDU: 553.54(815.1) vi

  Aos meus amados pais Maria Eunice e Antônio Fabri Aos meus queridos irmãos Paulo e Andressa

  Ao meu amor Alexandre Com todo amor e carinho

  Dedico vii viii

Agradecimentos

  Agradeço primeiramente a Deus, que esteve comigo durante toda a minha caminhada, principalmente nos momentos mais difíceis de minha vida e por me dar persistência nos compromissos assumidos.

  Aos meus pais, Antônio Fabri e Maria Eunice, por estarem sempre ao meu lado, pelo amor, paciência, incentivo e dedicação. Aos meus irmãos por fazerem parte da minha vida. Ao meu amor, Alexandre, pelo carinho, ajuda nos trabalhos e cumplicidade.

  A todos os funcionários e professores do Departamento de Geologia da Universidade Federal de Ouro Preto, em especial aos professores Hermínio e Luís Bacellar, pela oportunidade de convivência, pelo estímulo, criticas e sugestões.

  Aos laboratórios de Geoquímica Ambiental, Laboratório de Laminação, Laboratório de Fluorescência de Raios-X, Laboratório de Preparação de Amostras para Geoquímica e Geocronologia, Laboratório de difração de Raios-X, por disponibilizarem suas infra-estruturas para o tratamento das amostras. Á FAPEMIG pelo financiamento do projeto e a CNPQ pela concessão da bolsa de mestrado.

  A Ellen, minha companheira de campo, pela ajuda nos mapeamentos. A Augusta, pela ajuda e amizade. Ao Edgar, pela ajuda e principalmente pelos ensinamentos.

  A inesquecível Aline, por sua amizade desde os tempos de graduação, e principalmente pela ajuda na realização deste trabalho. Ao amigo Guilherme, pela amizade e pela contribuição nos retoques finais dessa dissertação.

  Agradeço a todos os amigos da pós, em especial, a Pitu, Milene, Adriana, Liliane e Suzy pelo companheirismo.

  Ao meu orientador Prof. Dr. Maurício Antônio Carneiro, por acreditar em mim e pela oportunidade do mestrado.

  Agradecimento em especial a grande amiga e co-orientadora Profa. Dra. Mariangela Garcia Praça Leite pela dedicação, estímulo e principalmente pela paciência, sob cuja co-orientação, mais que especial, pude realizar este trabalho.

  Enfim, a todos aqueles que estiveram comigo durante esta caminhada, contribuindo, direta ou indiretamente, para a realização deste trabalho. ix x

  

Sumário

AGRADECIMENTOS..........................................................................................................................ix

LISTA DE FIGURAS...........................................................................................................................xv

LISTA DE TABELAS.........................................................................................................................xxi

RESUMO............................................................................................................................................xxiii

ABSTRACT.........................................................................................................................................xxv CAPễTULO 1. CONSIDERAđỏES INICIAIS...................................................................................1

  1.1. Introdução..........................................................................................................................................1

  1.1.1. Rochas Ornamentais.............................................................................................................2

  1.2. Contexto Geográfico das Pedreiras de Rochas Ornamentais Estudadas...........................................5

  1.3. Objetivos e Metas..............................................................................................................................8

  1.4. Características Petrográficas e Geoquímicas das Rochas da Região Estudada.................................9

  1.4.1. Complexo Metamórfico Campo Belo..................................................................................9 Suíte Gnáissica.....................................................................................................................9 Suíte Ribeirão dos Motas...................................................................................................14 Seqüência Supracrustal Arqueana......................................................................................15 Diques Máficos..................................................................................................................16

  Diques do Sistema Lençóis 1...................................................................................17 Diques do Sistema Lençóis 2...................................................................................17

CAPÍTULO 2. MATERIAL E MÉTODOS.......................................................................................21

  2.1. Considerações Iniciais.....................................................................................................................21

  2.2. Uso e Ocupação do Solo do Município de Candeias.......................................................................22

  2.3. Levantamento Cartográfico das Pedreiras.......................................................................................22

  2.3.1. Digitalização e Confecção dos Mapas................................................................................24

  2.4. Amostragem e Análise Petrográfica das Rochas.............................................................................25

  2.4.1. Amostragem.......................................................................................................................25

  2.4.2. Análise Petrográfica...........................................................................................................25 xi

  2.5. Amostragem e Análise dos Sedimentos...........................................................................................26

  2.5.1. Amostragem.......................................................................................................................26

  2.5.2. Análises Laboratoriais........................................................................................................26

  2.5.3. Difratometria de Raios-X...................................................................................................28

  2.5.4. Espectrofotômetro de Emissão Atômica com Fonte de Plasma Indutivamente Acoplado (ICP-OES)...............................................................................................................................................28

  2.5.5. Fluorescência de Raios-X...................................................................................................29

  2.6. Coletas e Análises de Água.............................................................................................................30

  2.6.1. Amostragem.......................................................................................................................30

  2.6.2. Análises in situ...................................................................................................................31

  2.6.3. Alcalinidade, Cloreto e Sulfato..........................................................................................32

  2.6.4. Metais Principais e Elementos Traços................................................................................32

  2.6.5. Sólidos Totais em Suspensão.............................................................................................33

  2.7. Levantamento de Documentação Legal das Pedreiras junto à Fundação Estadual do Meio Ambiente.................................................................................................................................................34

  2.8. Investigação Sócio-Econômico-Ambiental.....................................................................................35

  

CAPễTULO 3. LEGISLAđấO AMBIENTAL BRASILEIRA........................................................37

  3.1. Histórico...........................................................................................................................................37

  3.2. Legislação Ambiental e a Mineração...............................................................................................38

CAPÍTULO 4. CARTOGRAFIA DAS PEDREIRAS ESTUDADAS – CARACTERISTICAS FÍSICAS E GEOGRÁFICAS GERAIS..............................................................................................45

  4.1. Uso e Ocupação do Solo do Município de Candeias.......................................................................45

  4.2. Cartografia das Pedreiras.................................................................................................................47

  4.2.1. Pedreira Capela Velha........................................................................................................48

  4.2.2. Pedreira Etgran...................................................................................................................49

  4.2.3. Pedreira Bracon..................................................................................................................51

  4.2.4. Pedreira Togni....................................................................................................................52

  4.2.5. Pedreira Somi Brás.............................................................................................................54

  4.2.6. Pedreira Cachoeira dos Pios...............................................................................................55

  4.2.7. Pedreira Gêmeos.................................................................................................................56 xii

  4.2.8. Pedreira Borges..................................................................................................................58

  4.2.9. Pedreira Marilan.................................................................................................................59

  4.2.10. Pedreira Curral..................................................................................................................62

CAPễTULO 5. CARACTERIZAđấO PETROGRÁFICA E FễSICO QUễMICA DAS PEDREIRAS ESTUDADAS (rochas, solos e água)...........................................................................65

  5.1. Petrologia dos litotipos das Pedreiras estudadas..............................................................................65

  5.2. Análises Físico-Químicas dos Solos das Pedreiras..........................................................................66

  5.2.1. Análise de Difração de Raios-X.........................................................................................67

  5.2.2. Análise de Fluorescência de Raios-X.................................................................................70

  5.2.3. Elementos Maiores e Traços Presentes nos Solos..............................................................70

  5.3. Análises Físico-Químicas do Sedimento de Fundo dos Lagos das Pedreiras Gêmeos e Borges.....................................................................................................................................................76

  5.4. Análises Físico-Químicas da Água dos Lagos das Pedreiras Gêmeos e Borges.............................79

  5.4.1. Análises in situ...................................................................................................................79

  5.4.2. Metais Principais e Elementos Traços da Água dos Lagos das Cavas...............................80

  

CAPễTULO 6. LICENCIAMENTO E FISCALIZAđấO................................................................83

  6.1. Problemas com o Licenciamento.....................................................................................................83

  6.2. Problemas com a Fiscalização.........................................................................................................85

  6.3. Problemas com Multas e Autos de Infração não Respeitados.........................................................87

CAPễTULO 7. INVESTIGAđấO SốCIO-ECONÔMICO-AMBIENTAL....................................91

  7.1. Situação Sócio-Econômico-Ambiental Quando da Abertura das Pedreiras nos Municípios Estudados................................................................................................................................................91

  7.2. Situação Sócio-Econômico-Ambiental Durante as Atividades de Extração Mineral das Pedreiras nos Municípios Estudados......................................................................................................................94

  7.3. Situação Sócio-Econômico-Ambiental Quando do Fechamento e/ou Abandono das Pedreiras nos Municípios Estudados...........................................................................................................................101

  

CAPễTULO 8. CONCLUSỏES E RECOMENDAđỏES...............................................................109

  8.1. Conclusões.....................................................................................................................................109

  8.2. Recomendações.............................................................................................................................112

  

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS..............................................................................................113

  xiii

  

ANEXOS I: PETROLOGIA DAS ROCHAS DAS PEDREIRAS DA REGIÃO CENTRO SUL

DE MINAS GERAIS, PERTENCENTES AO COMPLEXO METAMÓRFICO DE CAMPO

BELO...................................................................................................................................................119

ANEXOS II: QUESTIONÁRIO SÓCIO-ECONÔMICO-AMBIENTAL.....................................147

ANEXOS III: MAPA DE USO E OCUPAđấO DO SOLO DO MUNICễPIO DE

CANDEIAS/MG DA DÉCADA DE 60.............................................................................................149

ANEXOS IV: MAPA DE USO E OCUPAđấO DO SOLO DO MUNICễPIO DE

CANDEIAS/MG DA IMAGEM ASTER DE 2004..........................................................................151

BANCA EXAMINADORA (Ficha de Aprovação)...........................................................................153

  xiv

  

Lista de Ilustrações

Figuras

Figura 1.8 – Classificação da rochas dos diques máficos, modificado de Costa (1999), segundo oFigura 2.5 A e B – Aparelho usado para a determinação mineralógica via difratometria de raios-X

  coletados.................................................................................................................................................27

Figura 2.4 – Fluxograma demonstrativo: procedimento usado para análise dos sedimentos

  fundos dos 2 lagos de pedreiras encontrados na região estudada...........................................................26

Figura 2.3 A e B – Draga tipo “Birge-Ekman” e amostrador usado para a coleta dos sedimentos dos

  usada para medição da distância e altimetria dos pontos..................................................................24

   B) Régua graduada

  retangular onde está afixado uma folha de papel para desenho do mapa. A alidade está colocada sobre a prancheta para a medição dos diversos pontos de referencia do mapa.

Figura 2.2 – A) Prancheta + Alidade em operação. A prancheta é composta de um tripé + uma mesa

  o aparelho (réguas de escala de 1:5000, 1:2500, 1:2000 e 1:1000). Essas escalas podem ser retrabalhadas de acordo com a necessidade do mapeamento............................................................23

Figura 2.1 – Foto demonstrativa da Alidade, destacando as diferentes réguas de escala que acompanha

  diagrama de Winchester & Floyd (1977). Os gabronoritos são representados por quadrados semipreenchidos e os gabros por cruzes............................................................................................18

  algumas ocorrências de rochas ultramáficas da porção meridional do Cráton São Francisco segundo Couto (2004)......................................................................................................................................16

Figura 1.1 – Localização dos municípios e posicionamento geográfico das pedreiras estudadas nesteFigura 1.7 - Diagrama ternários (Jensen 1976) relacionando análises geoquímicas em rocha total de

  2001). Valores normalizados pelo padrão ORG (Pearce et al. 1984)...............................................14

Figura 1.6 – Diagrama multi-elementar dos Gnaisses Fernão Dias e Candeias (segundo Fernandes

  de classificação Na 2 O-CaO-K 2 O (Glikson 1979). Observar o posicionamento das amostras nos campos do diagrama classificação Na 2 O-CaO-K 2 O: 1) tonalitos; 2) granodioritos; 3) adamelitos; 4) granitos e 5) trondhjemitos................................................................................................................13

Figura 1.5 – Classificação dos Gnaisses Cláudio e Itapecerica (segundo Oliveira 2004) no diagrama

  Barker & Arth (1976), que mostram a distinção entre a série de diferenciação cálcio-alcalina e a série trondhjemítica...........................................................................................................................12

Figura 1.4 – Classificação dos Gnaisses Fernão Dias e Candeias (Fernandes 2001) no diagrama de

  diagrama AFM (Na 2 O+K 2 O-Fe 2 O 3 -MgO), de acordo com a proposta de Irvine & Baragar (1971). .................................................................................................................................................11

Figura 1.3 – Classificação dos litotipos do Gnaisse Fernão Dias e Candeias (segundo Fernandes 2001) no

  visitadas (modificado de Couto 2004 e Carneiro et al 2006)............................................................10

Figura 1.2 – Mapa geológico simplificado da região estudada, incluindo a localização das pedreiras

  trabalho (modificado IBGE 2006).................................................................................................................7

  (varredura), modelo Rigaku D/MAX – B, instalado no Departamento de Geologia da Escola de Minas da Universidade Federal de Ouro Preto..................................................................................................28 xv

Figura 2.6 A e B– Espectrômetro de fluorescência de raio-X, Panalytical modelo MAGIX 2,4 kw

  instalado no lopag, que utilizado para a determinação dos elementos maiores (SiO 2 , TiO 2 , Al 2 O 3 , Fe 2 O 3 , MnO, MgO, Cao, Na 2 O, K 2 O, P 2 O 5 , PPC) presentes nas amostras de solo e rocha das pedreiras através da Fluorescência de Raio-X...................................................................................29

Figura 2.7 – A) Amostrador de “Limnos” utilizado para a coleta de água de lagos a diversas profundidades – coleta até 3 L d’água por profundidade.

   B) Speedtech Instruments Sonar”: aparelho

  usado para determinar a profundidade de um lago.................................................................................30

Figura 2.8 – Fluxograma demonstrativo dos procedimentos utilizados na análise da água..................31Figura 2.9 A e B – Multiparâmetro usado para a medição in situ de Temperatura, condutividade

  elétrica (EC), TDS (sólidos totais dissolvidos) e pH..............................................................................31

Figura 2.10 – Turbidímetro B250 utilizado para a medir a turbidez de água........................................32Figura 2.11 A) Membrana de policarbonato de 0,2 µm para filtrar a água destinada às análises dos

  principais metais e elementos traços

  B) Seringa usada para a coleta da água que foi filtrada,

  armazenada e acidificada com acido nítrico concentrado em pH menor do que 2.................................33

Figura 2.12 A e B – Espectrofotômetro de Emissão Atômica com Fonte de Plasma Indutivamente

  Acoplado (ICP-OES), marca SPECTRO/modelo Ciros CCD utilizado leitura dos principais metais e elementos traços da água dos lagos........................................................................................................33

Figura 2.13 – Estágio de campo quando da aplicação do Questionário Sócio-Econômico-Ambiental

  nos municípios estudados.......................................................................................................................35

Figura 4.1 – Mapa hipsométrico da Pedreira Capela Velha, mostrando as 2 frentes de lavra (1 –

  primeira lavra e 2 – segunda lavra) abandonadas...................................................................................48

Figura 4.2 – A) Foto da primeira e maior frente de lavra da Pedreira Capela Velha. B) Foto da

  segunda e menor frente de lavra da mesma pedreira. Pode-se perceber que a quantidade de blocos retirados na primeira frente de lavra é muito maior dos que a quantidade de blocos retirados na segunda frente de lavra. A área encontra-se abandonada sem qualquer tentativa de recuperação. Notar a ausência de blocos inteiros abandonados.............................................................................................49

Figura 4.3 – Mapa hipsométrico da Pedreira Etgran mostrando 1 única frente de lavra

  abandonada.............................................................................................................................................50

Figura 4.4 – A e B) Fotos da frente de lavra da Pedreira Etgran. Essa pedreira é maior pedreira

  mapeada da região. A área encontra-se abandonada sem qualquer tentativa de recuperação.............................................................................................................................................50

Figura 4.5 – A e B) Fotos da frente de lavra da Pedreira Bracon. Pode-se perceber que essa pedreira

  esta instalada em área de mata aparentemente preservada. É uma das menores pedreiras mapeadas da região. A área se encontra abandonada sem qualquer tentativa de recuperação....................................51

Figura 4.6 – Mapa hipsométrico da Pedreira Bracon mostrando uma única frente de lavra

  abandonada.............................................................................................................................................52

Figura 4.7 – A e B) Fotos da frente de lavra da Pedreira Togni. Pode-se perceber que a exploração foi

  feita de forma desordenada e que a área encontra-se abandonada sem qualquer tentativa de recuperação.............................................................................................................................................53

Figura 4.8 – Mapa hipsométrico da Pedreira Togni mostrando 1 única frente de lavra

  abandonada.............................................................................................................................................53 xvi

Figura 4.9 – A e B) Fotos da frente de lavra da Pedreira Somi Brás. Pode-se perceber alguns blocos e

  lascas abandonados. A área encontra-se abandonada sem qualquer tentativa de recuperação.............................................................................................................................................54

Figura 4.10 – Mapa hipsométrico da Pedreira Somi Brás mostrando uma única frente de lavra

  abandonada. ..............................................................................................................................................54

Figura 4.11 – Mapa hipsométrico da Pedreira Cachoeira dos Pios mostrando 1 única frente de lavra

  abandonada.............................................................................................................................................55

Figura 4.12 – A e B) Fotos da frente de lavra da Pedreira Cachoeira dos Pios. Pode-se perceber que a

  área encontra-se abandonada sem qualquer tentativa de recuperação....................................................56

Figura 4.13 – Mapa hipsométrico da Pedreira Gêmeos. Pode-se perceber, no lado esquerdo da figura,

  a formação de um lago na frente de lavra. Pode-se perceber também a extensão da área degradada em relação ao tamanho da área explorada....................................................................................................57

Figura 4.14 – A) Foto da frente de lavra da Pedreira Gêmeos. B) Foto do lago formado na frente de

  lavra. Observar a quantidade de blocos abandonados e mergulhados no lago, além da quantidade de blocos abandonados ao longo da área degradada dessa pedreira. A área encontra-se abandonada sem qualquer tentativa de recuperação...........................................................................................................57

Figura 4.15 – Mapa hipsométrico da Pedreira Borges. Pode-se perceber, no centro da figura, a

  formação de um lago na frente de lavra..................................................................................................58

Figura 4.16 – A) Foto da frente de lavra da Pedreira Borges. Pode-se perceber que a exploração foi

  feita de forma desordenada e que a área encontra-se abandonada sem qualquer tentativa de recuperação. Observar a grande quantidade de blocos e lascas abandonados.

  B) Foto do lago formado

  na pedreira. Observar a presença de alguns blocos e lascas mergulhados no lago.................................59

Figura 4.17 – Mapa de hipsométrico mostrando a maior frente de lavra Pedreira Marilan – lavra

  I. .............................................................................................................................................................60

Figura 4.18 – A e B) Fotos da frente de lavra da Pedreira Marilan - lavra I. Essa pedreira é a segunda

  maior pedreira mapeada da região. A área encontra-se abandonada sem qualquer tentativa de recuperação.............................................................................................................................................60

Figura 4.19 – Mapa hipsométrico da Pedreira Marilan lavra II mostrando a menor frente de lavra

  dessa exploração.....................................................................................................................................61

Figura 4.20 – A e B) Fotos da frente de lavra da Pedreira Marilan - lavra II. É a mesma pedreira da

  Marilan I, porém é outra frente de lavra, menor do que a anterior. A área também se encontra abandonada sem qualquer tentativa de recuperação. Notar a grande quantidade de blocos extraídos e abandonados............................................................................................................................................61

Figura 4.21 – Foto de uma voçoroca localizada próxima à pedreira Marilan. Pode-se perceber que o

  processo de erosão da voçoroca está contido e que a mesma esta se encontra em processo de revegetação natural. Destaque para a escala utilizada............................................................................62

Figura 4.22 – A e B) Fotos da frente de lavra da Pedreira Curral. É uma das menores pedreiras mapeadas da região. A área encontra-se abandonada sem qualquer tentativa de recuperação..........

  ......................................63

Figura 4.23 – Mapa hipsométrico da Pedreira Curral mostrando uma única frente de lavra

  abandonada.............................................................................................................................................63 xvii

Figura 5.1 – A) Gnaisse Cláudio. B) Gnaisse Candeias com encraves anfibolíticos. (Carneiro et al,

  2006).......................................................................................................................................................65

Figura 5.2 – Encrave anfibolítico no Gnaisse Fernão Dias. (Carneiro et al, 2006).............................. 65Figura 6.1 – Vista parcial da frente de lavra da Pedreira Mário Campos, no município de São

  Francisco de Paula. A área encontra-se abandonada sem qualquer tentativa de recuperação................84

Figura 6.2 A e B – Vistas parciais da frente de lavra da Pedreira Bracon, no município de Cláudio. A

  área encontra-se abandonada sem qualquer tentativa de recuperação....................................................85

Figura 6.3 A e B – Vistas parciais da frente de lavra da Pedreira Togni ou Mineração Oliveira

  Exportação de Granitos Ltda, no município de Cláudio . A área encontra-se abandonada sem qualquer tentativa de recuperação.........................................................................................................................86

Figura 6.4 A e B – Vistas parciais da frente de lavra da Pedreira Campo Belo, no município de

  Campo Belo. A pedreira encontra-se em atividade................................................................................88

Figura 6.5 A e B – Vistas parciais da frente de lavra da Pedreira da fazenda Faleiro, Cláudio. A área

  encontra-se abandonada sem qualquer tentativa de recuperação............................................................89

Figura 7.1 – Ano em que as pedreiras iniciaram suas atividades de extração mineral nos municípios

  estudados.................................................................................................................................................92

Figura 7.2 – Opinião dos entrevistados a respeito da melhora da economia na sede dos municípios de

  Campo Belo, Candeias, Oliveira, São Francisco de Paula e Cláudio quando do início das atividades de extração mineral......................................................................................................................................92

Figura 7.3 – Opinião dos entrevistados a respeito da melhora da economia na sede dos municípios de

  Candeias e São Francisco de Paula quando do início das atividades de extração mineral.....................93

Figura 7.4 – Opinião dos entrevistados a respeito da melhora da economia na sede dos municípios de

  Campo Belo, Oliveira e Cláudio quando do início das atividades de extração mineral.........................94

Figura 7.5 – Tempo de funcionamento, segundo entrevistados, das extrações minerais nos municípios

  estudados.................................................................................................................................................94

Figura 7.6 – Frente de lavra da mineração Bracon. Podemos perceber que dessa frente de lavra foram

  retirados poucos blocos devido ao seu tempo de funcionamento de aproximadamente 6 meses...........95

Figura 7.7 – Quantidade de pedreiras em atividade de extração mineral, nos dias de hoje, segundo

  informações dos entrevistados................................................................................................................95

Figura 7.8 A e B –Frentes de lavra da mineração Campo Belo. Em funcionamento desde 1979.........96Figura 7.9 A e B – Frentes de lavra da mineração Fontex. Ainda em funcionamento..........................96Figura 7.10 – Quantidade de trabalhadores empregados nas pedreiras quando a extração mineral

  encontrava-se em atividade.....................................................................................................................97 3 Figura 7.11 – Produção mensal de blocos (m ) das pedreiras segundo entrevistados...........................97

Figura 7.12 – Situação de venda dos blocos extraídos nas pedreiras, segundo entrevistados...............98Figura 7.13 – Uso dos equipamentos (capacete, fone de ouvido, entre outros) de proteção pelos

  trabalhadores das pedreiras.....................................................................................................................98 xviii

Figura 7.14 – Acidente de trabalho e/ou doenças desenvolvidas em conseqüência das atividades

  dentro da pedreira...................................................................................................................................99

Figura 7.15 – Presença de algum fiscal (IBAMA, FEAM, Exército Brasileiro, entre outros) na área

  onde a atividade de extração mineral era desenvolvida..........................................................................99

Figura 7.16 – A pedreira sempre teve o mesmo dono enquanto sua atividade de extração mineral

  estava sendo desenvolvida?..................................................................................................................100

Figura 7.17 – A terra onde se desenvolvia a atividade de extração mineral era arrendada?...............100Figura 7.18 – Ano em que as pedreiras finalizaram suas atividades de extração mineral nos

  municípios estudados............................................................................................................................101

Figura 7.19 – Quantidade de pedreiras fechadas e/ou abandonadas nos municípios estudados.........102Figura 7.20 – Motivos que levaram as pedreiras ao abandono e/ou fechamento................................102Figura 7.21 – A) Área de depósito dos blocos extraídos na Pedreira Curral. B) Frente de lavra com os

  últimos blocos extraídos na pedreira....................................................................................................103

Figura 7.22 – Recuperação da pedreira após o seu abandono/fechamento e/ou durante seu

  funcionamento......................................................................................................................................103

Figura 7.23 – Opinião dos entrevistados a respeito da queda na economia na sede dos municípios de

  Campo Belo, Candeias, Oliveira, São Francisco de Paula e Cláudio quando do fechamento e/ou abandono das atividades de extração mineral.......................................................................................104

Figura 7.24 – Opinião dos entrevistados a respeito da queda na economia na sede dos municípios de

  Candeias e São Francisco de Paula quando do fechamento e/ou abandono das atividades de extração mineral..................................................................................................................................................104

Figura 7.25 – Opinião dos entrevistados a respeito da queda na economia na sede dos municípios de

  Campo Belo, Oliveira e Cláudio quando do fechamento e/ou abandono das atividades de extração mineral..................................................................................................................................................105

Figura 7.26 A e B – Fotos ilustrativas de ex-trabalhadores das pedreiras abandonadas que hoje são

  trabalhadores autônomos e trabalhando quebrando os blocos e lascas abandonadas em pedaços menores para serem usados na pavimentação das ruas.........................................................................105

Figura 7.27 – Percentual de desempregados nas cidades....................................................................106Figura 7.28 – Percentual de desempregados nas cidades de Candeias e São Francisco de Paula.......106Figura 7.29 – Percentual de desempregados nas cidades de Campo Belo, Oliveira e Cláudio...........107Figura 7.30 – Percentual de entrevistados com dependentes..............................................................107Figura 7.31 – Quantidade de dependentes por entrevistado................................................................108Figura 7.32 – Percentual de pessoas deixaram a cidade após do fechamento das pedreiras...............108

  xix

  xx

  

Tabelas

Tabela 1.1 – Características petrográficas gerais e idades radiométricas dos principais litotipos da

  região estudada.......................................................................................................................................19

Tabela 2.1 – Processos encontrados na FEAM para empreendimentos envolvendo rochas ornamentais

  nos diversos municípios estudados.........................................................................................................34

Tabela 2.2 – Processos (FEAM) efetivamente analisados para empreendimentos envolvendo rochas

  ornamentais nos diversos municípios estudados....................................................................................35

Tabela 4.1 – Quantificação das classes de uso e ocupação do solo do município de Candeias/MG a

  partir das fotografias aéreas da década de 60.........................................................................................45

Tabela 4.2 – Quantificação das classes de uso e ocupação do solo do município de Candeias/MG a

  partir da imagem ASTER de 2004..........................................................................................................45

Tabela 4.3 – Características gerais das pedreiras...................................................................................47Tabela 5.1 – Cor e granulometria dos solos das pedreiras estudadas....................................................67Tabela 5.2 – Análise mineralógica dos solos das pedreiras estudadas, através da difração de raios-

  X..............................................................................................................................................................68

Tabela 5.3 – Análise mineralógica dos solos das pedreiras estudadas, através da fluorescência de

  raios-X....................................................................................................................................................71

Tabela 5.4 – Valores Orientados para solo no estado de São Paulo......................................................72Tabela 5.5 – Análise dos teores de elementos traços e maiores nas amostras de solo das pedreiras

  estudadas, através da digestão total........................................................................................................73

Tabela 5.6 – Cor e granulometria do sedimento de fundo dos lagos das pedreiras Gêmeos e Borges.77Tabela 5.7 – Análise mineralógica do sedimento de fundo dos lagos das pedreiras Gêmeos e Borges,

  através da difração de raios-X................................................................................................................77

Tabela 5.8 – Análise mineralógica do sedimento de fundo dos lagos das pedreiras Gêmeos e Borges,

  através da fluorescência de raios-X........................................................................................................77

Tabela 5.9 – Análise dos teores dos elementos traços e maiores nas amostras de sedimento de fundo

  dos lagos das pedreiras Gêmeos e Borges, através da digestão total......................................................77

Tabela 5.10 – Características dos lagos das pedreiras Gêmeos e Borges..............................................79Tabela 5.11 – Parâmetros físico-químicos da água dos lagos das pedreiras Gêmeos e Borges............80Tabela 5.12 – Concentração dos elementos traços e maiores na água dos lagos das pedreiras Gêmeos e

  Borges.....................................................................................................................................................81 xxi

  xxii

Resumo

  Apresenta-se, nesta dissertação, o resultado de um estudo de avaliação de impactos ambientais realizado nas pedreiras de rochas ornamentais instaladas nas rochas do Complexo Metamórfico Campo Belo, região Centro Sul de Minas Gerais. São pedreiras de gnaisses e anfibolitos de granulometria fina a média, texturas granoblásticas e granolepidoblásticas, e decussada. Essas pedreiras estão localizadas nos municípios de Campo Belo, Candeias, Oliveira, São Francisco de Paula e Cláudio. Para execução desse estudo, foi feita a identificação dos usos e ocupações do solo; levantamento cartográfico das pedreiras; descrição petrográfica das rochas; determinação da composição química dos solos das pedreiras e dos sedimentos de fundo dos lagos das pedreiras; determinação das características físico-químicas da água dos lagos das pedreiras – quando existentes; levantamento da documentação legal das pedreiras junto à FEAM; avaliação dos impactos sócio- econômico-ambientais através de pesquisa realizada com ex-funcionários das pedreiras. Constatou-se, com esse estudo, que 90% das pedreiras estudadas foram abandonadas pelo proprietário e/ou paralisada pelo órgão ambiental competente. O tempo médio desse abandono é de 8 anos. A área 2 média das pedreiras é de aproximadamente 10.000 m . As análises mineralógicas dos solos/sedimentos das pedreiras mostraram que o solo/sedimento possui uma composição semelhante à rocha. E as análises da água dos lagos das pedreiras Gêmeos e Borges encontram-se dentro do padrão da Resolução CONAMA 357 de 17 de Março de 2005. Por outro lado, os processos analisados na FEAM mostraram que nenhuma área de extração de rochas ornamentais foi submetida a processo de recuperação ambiental, evidenciando a externalização de impactos e correspondentes custos sociais para desconforto da população da região. Os efeitos da atividade de extração de rochas ornamentais tornam-se ainda mais graves na medida em que, sobretudo nos municípios de Candeias e São Francisco de Paula, diversas áreas foram paralisadas por razões de mercado, com conseqüente redução da oferta de trabalho para a população local. Finalmente, através da análise dos questionários sócio- econômico-ambientais pode-se perceber que os municípios que tiveram na exploração dessas rochas sua principal atividade econômica, sofreram um impacto sócio-economico-ambiental muito maior do que aqueles que tinham outras atividades. Com a instalação das pedreiras nos municípios de Candeias e São Francisco de Paula ocorreu uma migração de trabalhadores de outros Estados para esses municípios que sofreram com isso um crescimento repentino e desordenado afetando diretamente os municípios. Já com o fechamento dessas pedreiras o impacto ficou por conta da elevada taxa de desemprego e o êxodo dos trabalhadores para outras regiões. Nos municípios de Campo Belo, Oliveira e Cláudio, a dependência da economia com tal atividade não era tão intensa e os impactos foram considerados relevantes. O ponto em comum para todos os municípios avaliados ficou no fato de todas as pedreiras em questão, após o fechamento, não terem sofrido nenhuma tentativa de recuperação ambiental por parte das empresas que a exploravam. xxiii xxiv

Abstract

  The results of an evaluation of environmental impacts caused by dimension stone quarries mining is presented in this dissertation. These dimension stone quarries are located in the Central- Southern region of Minas Gerais State (Campo Belo, Candeias, Oliveira, São Francisco de Paula and Cláudio municipalities). The quarries rocks exploited were gneisses and amphibolites of the Campo Belo Metamorphic Complex. These rocks are fine- to medium-grained and of granoblastic, granolepidoblastic and decussate textures. For the evaluation of environmental impacts the following procedures were carried out: the identification of soil uses and occupation; cartographic survey of the quarries; petrographic description of the rocks; determination of the chemical composition of soils and bottom sediments of the quarry lakes; determination of the physical-chemical characteristics of the water of the existing quarry lakes; collation of the legal documentation at FEAM; evaluation of the social-economic-environmental impacts by means of a questionnaire applied to former employees. From the quarries investigated 90% were found abandoned or paralyzed by the environmental institution in force. The average time of abandonment is eight years. The average area of the quarries 2 is 10.000 m . The mineral analysis of soils/sediments showed that the soil composition is similar to that of the rock. Analyses of the water from the quarry lakes Gêmeos e Borges are in accord to the standards of the Resolution CONAMA 357 of 17th March 2005. In turn, the processes analyzed at FEAM showed that not a single area of dimension stone or quarries was recovered, evidencing the externality of the impacts and corresponding social costs for the discomfort of the local population. The effects of the quarries activitis are even worse when, specially in the Candeias and São Francisco de Paula municipalities, several areas were paralyzed due to market reasons, with consequent reduction of job offers. Finally, by means of the analysis of the social-economic-environmental questionnaire it was concluded that in the municipalities where ornamental stone extraction was the main economic activity, the social-environmental impact was much stronger than in those were other activities were carried out. As quarries were installed in Candeias and São Francisco de Paula, the migration of workers from other states caused a sudden and disorganized increase that directly affected these municipalities. With the closing of these quarries came the high unemployment rate and the exodus of workers to other regions. In Campo Belo, Oliveira and Cláudio, the dependence of the economy on such activity was not so intense, but the impacts were considered relevant. A point in common for all these localities was that there has never been an attempt by the exploration companies to recover the quarries that were closed. xxv

CAPÍTULO 1 CONSIDERAđỏES INICIAIS

  A extração mineral é considerada um dos setores básicos da economia do país e contribui para o bem estar e melhoria de vida da população, porém é fundamental que esta seja realizada com responsabilidade social e ambiental, considerando sempre os preceitos do desenvolvimento sustentável (Farias et al., 2002).

  Nos anos 1960, apesar de já existir alguma preocupação com o meio ambiente (evidências de danos ambientais causados pelo crescimento econômico e da industrialização), estava relacionada apenas com alguns recursos que diziam respeito principalmente à saúde humana, como por exemplo, a água potável, e com as condições no ambiente de trabalho, além disso, já existiam também iniciativas no sentido de preservar algumas espécies da flora e fauna. Essa preocupação veio depois da publicação do livro Silent Spring de Rachel Carson, que fala sobre os danos causados ao meio ambiente advindos das novas tecnologias.

  No final da década de 1960 e início da década de 1970 houve a necessidade de um novo paradigma mediante um questionamento mundial. A questão agora era a crescente escassez de recursos naturais advinda da degradação e poluição ambiental. Foi quando, começou a estruturação das agências de proteção ambiental para, principalmente, regulamentar e definir normas e padrões.

  Nas décadas de 1970 e 1980, houve uma mudança de paradigma, quando a poluição ambiental e o crescimento das cidades passaram a serem vistos como problemas ambientais. As legislações ambientais se ampliaram e ficaram mais específicas e o controle ambiental foi integrado aos processos produtivos, além do surgimento da auditoria ambiental possibilitando a redução de riscos para a saúde humana e para o meio ambiente. Ainda na década de 1980 foram consolidados os primeiros programas de auditoria ambiental, criando espaço para o mercado verde.

  Já na década de 1990 houve consenso de que os problemas ambientais globais eram mais preocupantes do que a falta de recursos naturais. Nessa década, com a chegada de um novo paradigma, o desenvolvimento sustentável foi visto como o grande desafio da humanidade, a preocupação agora era manter o nível de desenvolvimento econômico e social, mas garantindo a preservação dos ecossistemas. Fabri, E. S. Avaliação dos impactos ambientais das minerações de rocha ornamental do centro sul do Estado de M ...

  Apesar da mineração ser uma das maiores estratégias para o desenvolvimento econômico nacional destes últimos 50 anos (Chaves et al,. 2001); as preocupações deste setor com o meio ambiente só foram aparecer em meados da década de 1980, com o início das auditorias nas empresas e a obrigatoriedade de realização de Estudos de Impacto Ambiental (EIAs), Relatórios de Impacto Ambiental (RIMAs) e Projetos de Recuperação de Áreas Degradadas (PRADs). No que diz respeito à possibilidade de enquadrar essa atividade no conceito de desenvolvimento sustentável, torna-se necessário um planejamento efetivo de toda a atividade mineraria visando à minimização dos impactos ambientais e sociais (Farias et al,. 2002). Torna-se necessário um planejamento efetivo, desde a implantação do projeto da mina, de modo que quando seus recursos naturais exaurirem os impactos sociais e ambientais sejam minimizados (Chaves et al,. 2001).

  O ciclo da mineração inicia-se com a fase de exploração, se desenvolvendo até alcançar a máxima produção, e esse ciclo chega ao fim com o término da vida útil da mina, quando ocorre a exaustão das reservas. Segundo Ripley et al. (1996), os impactos ambientais são desenvolvidos ao longo das diversas fases que compõem o ciclo da mineração. A começar pela fase de exploração, que está ligada à demanda do material a ser extraído, onde os impactos ambientais podem tomar um terreno maior do que o utilizado na fase de extração, mas com uma intensidade menor de degradação ambiental. Na fase de implantação, os impactos ambientais são um pouco mais agressivos se comparados com a fase de exploração. Nessa fase, a emissão de particulados para a atmosfera devido à abertura de estradas e a construção civil é o principal impacto ambiental. Já os impactos da fase de extração são principalmente locais, como a retirada da vegetação, os impactos visuais e alteração da topografia, deixando o solo sujeito a novas inclinações, compactações e mecanismos de transportes. Ou seja, as suas propriedades físicas, químicas e biológicas são alteradas radicalmente além da produção de grande quantidade de estéreis e rejeitos e dispersão de particulados na atmosfera e hidrosfera. Com a exaustão dos recursos naturais, na maioria das vezes, as áreas lavradas são abandonadas. Entretanto, essas áreas são passíveis de reabilitação ou, no mínimo de recuperação, para proporcionar novos usos para as superfícies alteradas.

  1.1.1 – Rochas Ornamentais

  Segundo Almeida et al. (2002) rocha ornamental é aquela cuja explotação, geralmente a céu aberto, produz grandes blocos que, na maioria das vezes, são posteriormente serrados em placas. A produção destas minas é quase sempre voltada para a construção civil, urbanismo e decoração, entre outros usos.

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  Contribuições às Ciências da Terra Série M, vol. 50, 153p Segundo Vargas et al. (2000), as rochas ornamentais no Brasil são usadas para revestimentos externos de prédios, pisos, paredes, mesas, pias, entre outros e sua produção e consumo vem aumentando nas últimas décadas. E, ainda, seu uso, é muito amplo, principalmente das rochas decorativas que são abundantes tanto em quantidades quanto em variedade no Brasil. O granito é a rocha ornamental mais importante em termos comerciais, que além da beleza visual, são rochas resistentes, as quais permanecem com o brilho de polimento durante longos anos. Além do granito, o Brasil ainda produz gnaisses, esteatitos, mármores, ardósias e quartzitos voltados, também, para o consumo externo.

  A produção mundial de rochas ornamentais foi de aproximadamente 67 milhões de toneladas no ano de 2002. Os principais produtores de rochas ornamentais em 2002 foram a China (32,4%) seguida da Itália (20,8%). O Brasil ficou com o 6° lugar na produção mundial, com 6,3% (Spínola et

  

al,. 2004). Estes valores vêm aumentando a cada ano, atualmente, a produção de rochas ornamentais

  no Brasil já é de aproximadamente 5 milhões de toneladas/ano. Os Estados do Espírito Santo, Minas Gerais e Bahia são responsáveis por 80% desta produção. O Estado de Minas Gerais detém o segundo lugar com a produção de rochas ornamentais de aproximadamente 1 milhão de toneladas/ano, o que equivale a 22% da produção nacional (Spínola et al,. 2004).

  Há cerca de 500 tipos de rochas ornamentais comercializadas no Brasil. Destas, 60% são granitos de diferentes tipos. Do total de rochas ornamentais produzidas em Minas Gerais, 38% são granitos, o que corresponde a 4% da produção nacional de granito. Para a produção de granito, Minas Gerais possui aproximadamente 160 frentes de lavra (12% do total nacional), empregando 21.000 trabalhadores diretamente, cerca de 20% do total nacional (Spínola et al. 2004).

  Segundo Vargas et al. (2000) as rochas ornamentais no Brasil, devido a sua abundância e variedade, são importantes materiais de exploração, porém existem dificuldades de extração, tais como: condição natural, heterogeneidade da rocha, dificuldade na técnica de explotação e de beneficiamento, problemas políticos, ambientais, entre outros. Para estes autores, o maior problema com a extração da rocha ornamental é seu aproveitamento na condição natural, especialmente quando a cor proveniente é resultado do intemperismo. Alguns granitos apresentam essa cor somente nas superfícies intemperizadas dos matacões, ficando assim a quantidade de reserva restrita, além da qualidade heterogênica. Outros granitos, oriundos de processos metassomáticos (ex.: Granito Azul Bahia), apresentam-se heterogêneos até mesmo em afloramentos não alterados. O “granito azul” (na verdade um sienito) tem alto teor de sodalita e, por isso, adquire um alto valor econômico. Entretanto o “granito cinzento” tem baixo valor econômico, devido ao alto teor de nefelina. Isso faz com que as pedreiras explorem 20% das rochas, abandonando o restante. Além disso, as rochas em que se aproveita a cor por alteração hidrotermal são inadequadas para a produção em grande escala. Outro problema é na tecnologia de beneficiamento das rochas ornamentais, como por exemplo, o corte,

  • 3 -
Fabri, E. S. Avaliação dos impactos ambientais das minerações de rocha ornamental do centro sul do Estado de M ... polimento, arredondamento, entre outros. Os cortes não podem possuir heterogeneidade de tamanho e espessura. O polimento não pode ser grosseiro e tem que ter arredondamento dos vértices e arestas. A má qualidade do beneficiamento está prejudicando a exportação dos blocos retirados, principalmente no Brasil. Já o problema político diz respeito às interdições das explotações minerais por órgãos ambientais, que ocorre quase que exclusivamente nas grandes minerações, beneficiando assim pequenos exploradores não autorizados e comprometendo as exportações deste material (Vargas et al,. 2000).

  As alterações ambientais da mineração de rochas ornamentais são principalmente locais como: alteração da paisagem, alteração do meio atmosférico (aumento da quantidade de poeira em suspensão no ar), alteração dos recursos hídricos (assoreamento dos cursos d’água), alteração das feições geomorfológicas e das encostas (instabilidade de taludes), alteração dos processos geológicos (erosão, voçorocas), alteração da fauna e flora, uso do solo e transporte de matéria prima (Silva et al,. 2002). Como a quase totalidade das explotações é feita em lavras a céu aberto, a maior causa da degradação ambiental é sem dúvida a grande quantidade de material que é removido, ficando, assim, o solo sujeito as novas inclinações, compactações e mecanismos de transportes. Como durante este processo a vegetação também é suprimida, o regime de águas superficiais e subterrâneas pode sofrer transformações importantes.

  Infelizmente, no Brasil, são as micro-empresas as maiores exploradoras de rochas ornamentais de alto valor. Na maioria dos casos, ainda se utiliza o chamado “ método primitivo de lavra”, em que a explotação é realizada através de corte de matacões utilizando ponteira e pólvora negra. Esta retirada de matacões acontece apenas enquanto o empreendimento for economicamente viável; uma vez exaurida a jazida a área é abandonada, sem qualquer recuperação ambiental e repleta de rejeitos (Vargas et al,. 2000). Uma das grandes preocupações com o abandono das áreas de explotação destas rochas é a enorme quantidade de rejeitos deixados, que em alguns casos, atinge a 60% do extraído, com pouco ou nenhum aproveitamento posterior.

  Como o setor das rochas ornamentais é uma das atividades industriais que mais tem crescido nas últimas décadas, a quantidade de rejeitos produzidos vem aumentando. Para uma melhor disposição destes é necessária uma avaliação realista do empreendimento (EIA, RIMA e PRAD), que permita evitar ou minimizar os impactos ao meio ambiente, começando com a escolha dos métodos mais apropriados de lavra e a definição de áreas propícias para a construção de pilhas de rejeito. Além disso, o investimento no reaproveitamento destes rejeitos como matéria prima para a produção de outros produtos, além de reduzir a quantidade de rejeitos a ser descartada na natureza, pode ainda agregar valor ao resíduo e possibilitar a geração de novos empregos (Mothé Filho et al., 2005).

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  Contribuições às Ciências da Terra Série M, vol. 50, 153p

  

1.2 – CONTEXTO GEOGRÁFICO DAS PEDREIRAS DE ROCHAS ORNAMENTAIS

ESTUDADAS

  As pedreiras de rochas ornamentais, estudadas nesta dissertação, estão localizadas nos municípios de Campo Belo, Candeias, Oliveira, São Francisco de Paula e Cláudio, região Centro-Sul do Estado de Minas Gerais, zona Campos das Vertentes. Geologicamente, essas pedreiras estão inseridas no contexto do Complexo Metamórfico Campo Belo (figura. 1.1).

  O acesso principal a estas regiões é feito pela BR 381 (Rodovia Fernão Dias), partindo de Belo Horizonte ou de São Paulo, até o município de Itaguara. Exceto para o município de Cláudio, onde a entrada é feita a 8 km depois do município de Itaguara, sentido Belo Horizonte São Paulo. A partir deste município, o acesso é feito por estradas secundárias.

  O município de Campo Belo, situado a margem direita do alto Rio Grande, foi fundado em , localiza-se a uma altitude de 886m e tem uma área de 527,9 km², com 52.631 habitantes (densidade demográfica: 91,96 hab/km², segundo a Prefeitura Municipal de Campo Belo). Está situada no Centro-Sul do Estado de Minas Gerais, a margem de 2 rodovias federais, estando a 30 km da Rodovia Fernão Dias, 23 km de Belo Horizonte e a 400 km de São Paulo. É município pólo da microregião onde se localiza, sua economia está na agroindústria (café, leite, carne e couro) e na indústria têxtil. A mineração é outro setor importante da economia, fundamentada na explotação de granitos, calcário e argilas; estas últimas utilizadas na indústria de cerâmica, que também tem presença importante na economia do município (Secretaria da Cultura 1999).

  Campo Belo está inserido na bacia hidrográfica do Rio Grande, sendo que seus principais cursos d’água são o rio Jacaré e o ribeirão São João. Seu clima é tropical de altitude, com uma precipitação pluviométrica média anual de 1.250 mm. Segundo a Secretaria da Cultura (1999), a vegetação foi, quase totalmente, transformada em pastagem, existindo hoje apenas algumas reservas florestais que se restringem a capões e restingas.

  O município de Candeias foi criado em 1938, situa-se a uma altitude de 960 m e tem uma área de 720,67 km², com 14.640 habitantes. Faz limite com os municípios de Campo Belo e Formiga e dista de Belo Horizonte 240 km. Em termos de economia, destacam-se as suas reservas minerais, com as minerações de granitos e gnaisses, ambos vendidos como rochas britadas e ornamentais. Segundo a Secretaria da Cultura (1999), o restante da economia do município baseia-se na agroindústria (café, arroz, cana de açúcar, feijão, dentre outros) e na pecuária. O município de Candeias também está inserido na bacia hidrográfica do Rio Grande e é banhado pelo rio dos Garcias e pelo ribeirão dos Furtados. Trata-se de uma região um pouco mais úmida, com precipitação média anual é de 1529 mm.

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Fabri, E. S. Av aliação dos impactos ambientais das minerações de rocha ornamental do centro sul do Estado de M ...

  Atualmente, o município de Oliveira possui cerca de 40.966 habitantes em uma área de 896,96 km², está localizado no Sudoeste do Estado de Minas, a 156 km de Belo Horizonte e a 445 km de São Paulo. Sua economia está ligada ao comércio, à agricultura (com arroz em casca de várzea úmida, arroz em casca de sequeiro, banana, cana-de-açúcar, feijão, laranja, mandioca, milho, tomate e café), à agropecuária (criação de asininos, bovinos, bubalinos, caprinos, eqüinos, galináceos e muares), às indústrias (produtos alimentícios e bebidas, produtos têxteis, vestuário e acessórios, fabricação de produtos minerais não metálicos, metalurgia básica, fabricação de produtos de metal exclusivos para máquinas e equipamentos e a torrefação), serviço público, educação e prestação de serviços (Sistema Nacional de Aprendizagem Comercial/SENAC-CFP/MG – 2004). Os principais cursos de água que banham o município são o rio Jacaré, o ribeirão Lambari, o ribeirão do Recreio e o córrego Maracanã que fazem parte das bacias do rio Grande e do rio São Francisco; destaca-se ainda a lagoa do Catiguá. O município tem uma altitude média de 987,52 m, onde a máxima está localizada na cabeceira do Córrego Palmital a 1.206 m do nível do mar e a mínima a 910 m no Ribeirão do Recreio. Sua vegetação típica é o cerrado – formação não florestal semi-decídua, distribuída ao longo dos vales e encostas (SENAC-CFP/MG – 2004). 2 O Município de São Francisco de Paula foi fundado em 1976. Possui uma área de 318,19 km e uma população de 6.534 habitantes. Sua altitude máxima é de 1.176 m e a mínima é de 967 m. Tem uma vegetação de campos e serrados. Os rios Jacaré e Mota são os principais da região, afluentes do rio Grande, fazendo parte da bacia do rio Grande e do rio São Francisco. Sua economia baseia-se fundamentalmente na extração de granitos e gnaisses, na agricultura (arroz, cana de açúcar, café, feijão, entre outros) e na pecuária.

  O município de Cláudio possui uma área de 631,11 km². Antigamente chamado de arraial de Nossa Senhora do Cláudio, passou a categoria de município em 1911, e teve seu nome reduzido para Cláudio em 1912. Está em uma altitude de 860 m e tem 20.530 habitantes. Os principais cursos d’água que banham o município são os ribeirões Matias e São Bento, que fazem parte da bacia do rio São Francisco; destaca-se ainda a presença da Represa Cajuru. Sua economia baseia-se na agricultura (arroz, cana de açúcar, café, feijão, entre outros), na pecuária, na extração de rochas ornamentais e, principalmente, na metalurgia básica.

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  Contribuições às Ciências da Terra Série M, vol. 50, 153p

  • 7 - Figura 1.1 – Localização dos municípios e posicionamento geográfico das pedreiras estudadas neste trabalho (modificado IBGE 2006).
Fabri, E. S. Avaliação dos impactos ambientais das minerações de rocha ornamental do centro sul do Estado de M ...

  1.3 – OBJETIVOS E METAS

  O objetivo principal deste estudo foi determinar os principais impactos ambientais causados pela explotação de rochas ornamentais nos municípios de Campo Belo, Candeias, Oliveira, São Francisco de Paula e Cláudio. Uma vez definidos estes impactos, propor ações mitigadoras para os mesmos.

  Para a concretização de tais objetivos, foram estabelecidas as seguintes metas:

  9 Mapear os impactos ambientais das áreas de estudo e localizar as pedreiras passíveis de delimitação em fotografias aéreas e imagens de satélite;

  9 Mapear nas escalas de 1:100 a 1:500 as pedreiras e seus respectivos lagos;

  9 Identificar a composição das rochas de cada pedreira estudada, através da descrição petrográfica em um microscópio óptico; concomitantemente, fotomicrografar as texturas e feições mais relevantes de cada lâmina;

  9 Determinar as características físico-químicas da água dos lagos formados nestas pedreiras abandonadas - quando existentes. Incluindo a avaliação de: pH, Eh, condutividade elétrica, sólidos totais dissolvidos, sólidos totais em suspensão, turbidez, metais pesados, cloreto, sulfeto e alcalinidade;

  9 Determinar a composição química dos sedimentos de fundo dos lagos das pedreiras e dos solos das pedreiras, bem como análises mineralógicas através fluorescência de raios-X, difratometria de raios-X e digestão total;

  9 Identificar os procedimentos legais para a abertura das pedreiras junto a Fundação Estadual do Meio Ambiente (FEAM), bem como identificar e analisar os processos de todas as pedreiras estudadas;

  9 Avaliar os impactos sociais causados pela abertura e fechamento das pedreiras através de pesquisa realizada com ex-funcionários;

  9 Propor usos para os rejeitos abandonados nas áreas de extração dessas rochas e opções para recuperação das áreas degradadas.

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  Contribuições às Ciências da Terra Série M, vol. 50, 153p

  1.4 – CARACTERÍSTICAS PETROGRÁFICAS E GEOQUÍMICAS DAS ROCHAS DA REGIÃO ESTUDADA

  A região estudada está inserida nos domínios do Cráton São Francisco Meridional. Destaca-se aí o Complexo Metamórfico Campo Belo (Teixeira et al., 1996b) que é constituído por rochas gnáissicas, anfibolíticas e metaultramáficas que foram intrudidas por granitóides arqueanos e proterozóicos. Os gnaisses do Complexo Metamórfico Campo Belo são as rochas mais antigas dessa porção cratônica meridional, com idades de cerca de 3204 ± 12 Ma (Teixeira et al., 1996b). Seqüências supracrustais arqueanas do tipo greenstone belts (Supergrupo do Rio das Velhas) ocorrem localmente e enxames de diques máficos intrudem todas as unidades geológicas dessa região (Carneiro

  et al., 2006: Teixeira et al., 1996a; 2000; Pinese, 1997).

  1.4.1 – Complexo Metamórfico Campo Belo

  Segundo Carneiro et al (2006) as rochas pertencentes ao Complexo Metamórfico Campo Belo, que ocorrem na região estudada (figura 1.2) podem ser agrupadas nas suítes Gnáissica e Ribeirão dos Motas (Tabela 1.1).

   Suíte Gnáissica

  As rochas da Unidade Gnáissica, são as mais antigas da região. Essas rochas são encontradas nas cores acinzentadas, esverdeadas, e possuem granulometria grossa (Fernandes et al., 2000). Quimicamente variam entre tonalito, granodiorito, trondhjemito e granito. Essas variedades gnáissicas da região estão agrupadas da seguinte forma: Gnaisse Fernão Dias, Cláudio e Candeias (Carneiro et

  al,. 2006).

  • 9 -
Fabri, E. S. Avaliação dos impactos ambientais das minerações de rocha ornamental do centro sul do Estado de M ...

  

Figura 1.2: Mapa geológico simplificado da região estudada, incluindo a localização das pedreiras visitadas (modificado de Couto, 2004 e Carneiro et al., 2006)

  • 10 -
Contribuições às Ciências da Terra Série M, vol. 50, 153p As rochas do tipo Gnaisse Fernão Dias, segundo Fernandes et al (2000), são de cor cinza, granulação média e textura granoblástica, lepidoblástica e nematoblástica. O gnaisse apresenta um bandamento caracterizado pela intercalação de bandas leucocráticas quartzo-feldspáticas contínuas e melanocráticas descontínuas (piroxênio, biotita e anfibólio). São compostos por feldspatos, microclina, quartzo, hiperstênio, hornblenda, biotita, zircão e apatita. Os Gnaisses Fernão Dias são encontrados na porção sul da área (figura 1.2).

  A composição química do Gnaisse Fernão Dias, de acordo com Costa (1999) e Fernandes (2001), é granodiorítica, o gnaisse possui afinidade cálcio-alcalina e trondhjemítica (figura 1.3 e 1.4) .

Figura 1.3 - Classificação dos litotipos do Gnaisse Fernão Dias e Candeias (segundo Fernandes, 2001) no diagrama AFM (Na O+K O-Fe O -MgO), de acordo com a proposta de Irvine & Baragar (1971).

  2 2 2 3 Os Gnaisses Fernão Dias tem uma concentração média de SiO 2 de 68,07% e os elementos Mg, Ti, Al, Ca, Mn, P, Co, Zn, Cr, Y, V e Nb, encontrados nesse gnaisse, apresentaram um comportamento compatível, ou seja, apresentam um empobrecimento com o aumento da SiO 2 no gnaisse, enquanto que o K se mostrou como um elemento incompatível, ou seja não apresenta uma relação à quantidade de SiO 2 (Carneiro et al. 2006). Segundo Pearce et al. (1984), o Gnaisse Fernão Dias é o mais rico em Fe 2 O 3 , MgO e CaO, da região.

  De acordo com Carneiro et al. (2006), as rochas anfibolíticas, na forma de camadas, boudins e diques ocorrem associados ao Gnaisse Fernão Dias e apresentam teores de SiO 2 variando de 47,7% a

  • 11 -
Fabri, E. S. Avaliação dos impactos ambientais das minerações de rocha ornamental do centro sul do Estado de M ... 57,32%, que são considerados de natureza básica a intermediária. As concentrações mais elevadas de SiO 2 são encontradas nas rochas anfibolíticas em camadas.

Figura 1.4 - Classificação dos Gnaisses Fernão Dias e Candeias (Fernandes 2001) no diagrama de Barker & Arth (1976), que mostram a distinção entre a série de diferenciação cálcio-alcalina e a série trondhjemítica

  Já os Gnaisses Cláudio são encontrados na Porção Leste da área. Possuem coloração cinza e apresentam composição de granodiorítica a diorítica, porém a granítica é encontrada mais localmente. São rochas de granulometria fina a média, bandada, porém fortemente migmatizadas (Oliveira 1999). Seu solo de alteração pode ser encontrado variando de róseo a marrom claro, porém sua predominância é a cor cinza.

  A composição química do Gnaisse Cláudio (figura 1.5) varia de tonalitos e trondhjemitos aos granitos (Oliveira, 2004). Onde as concentrações de SiO 2 variam de 61,45% a 73,16%, as Fe O variam de 6,93% nos termos mais máficos a 1,29%, as concentrações de

  concentrações de 2 3 MgO variam de 2,54% a 0,20% e as concentrações de CaO variam de 3,43% a 1,19%. Os álcalis

  variam com a abundância de feldspato, sendo que o Na 2 O e o K 2 O somados chegam a 8,66%. Ainda segundo este autor, os principais elementos traços encontrados são: Rb, Sr, Ba, Zr e Nb (Oliveira, 2004).

  • 12 -

  Contribuições às Ciências da Terra Série M, vol. 50, 153p

Figura 1.5 - Classificação dos Gnaisses Cláudio e Itapecerica (segundo Oliveira, 2004) no diagrama de

  classificação Na O-CaO-K O (Glikson, 1979). Observar o posicionamento das amostras nos campos do 2 2 diagrama classificação Na O-CaO-K O: 1) tonalitos; 2) granodioritos; 3) adamelitos; 4) granitos e 5) 2 2 trondhjemitos.

  As rochas do tipo Gnaisse Candeias (comercialmente chamado "Granito verde Candeias", Oliveira et. al., 2001) apresentam coloração verde e são levemente migmatizadas e deformadas. São rochas de composição granodiorítica nos domínios mais deformados (opdalito) a granítico nos domínios de maior homogeneidade (charnockítica) e apresentam uma granulação de média a grossa. Seu bandamento mineralógico é difícil de ser observado em alguns pontos por causa de sua homogeneidade dos corpos. Entretanto sua foliação é observada através da fina orientação planar das micas nos hiperstênio biotita gnaisse a biotita gnaisse. Seu solo de alteração pode variar de róseo a avermelhado.

  Os Gnaisses Candeias possuem composições variando de trondhjemíticas a granodioríticas ou g ranític as (Fernandes, 2001; Oliveira , 2004). Os Gnaisses Candeias, quando comparados aos Gnaisses Fernão Dias, são mais ricos em alcális e conseqüentemente mais ricos em Fe O e MgO. Segundo 2 3 Carneiro et al. (2006), as concentrações de SiO variam de 67,25% a 76,41%, enquanto que as 2 concentrações de Na O variam de 3,35% a 4,96% e as de K O variam de 2,12% a 5,03%. O Gnaisse 2 2 Candeias possuem teores mais baixos dos elementos Cr, Ni, V e Sc, comparados com os teores desses elementos no Gnaisse Fernão Dias. De acordo com os diagramas multi-elementares (figura 1.6) com valores normalizados pelos valores do Ocean Ridge Granite (Pearce et al,. 1984), os Gnaisses Candeias apresentam-se mais pobres nos elemento Hf, Sm, Y e Yb e mais ricos nos elementos K, Rb, Ba, Th e Ce (Fernandes, 2001; Oliveira, 2004).

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Fabri, E. S. Avaliação dos impactos ambientais das minerações de rocha ornamental do centro sul do Estado de M ...

  

Fi gura 1.6 - Diagrama multi-elementar dos Gnaisses Fernão Dias e Candeias (segundo Fernandes, 2001).

  Val ores no rmalizados pelo padrão ORG (Pearce et al., 1984).

Suíte Ribeirão dos Motas

  A Suíte Ribeirão dos Motas é uma associação de metaultramafitos e metamafitos, bandados, deformados e cisalhados (Carnei ro et al., 2006). Essa suíte é encontrada em meio às várias unidades gnáissicas, granitóides e nas serranias que configuram o lineamento Jeceaba – Bom Sucesso. As rochas da Suíte Ribeirão dos Motas têm coloração escura, são ultramelanocrática, densas e magnéticas. Essas rochas apresentam variações quanto à sua composição média e em alguns lu gares e ncontram-se deformadas, metamorfisadas e às vezes cataclasadas (Oliveira, 1999). Segundo Oliveira (1999), anomalias magnéticas positivas marcam o domínio das rochas ultramáficas. Segundo Carneiro et al. (2006) as rochas da Suíte Ribeirão dos Motas, quando alteradas, dão origem a um solo vermelho intenso e são semelhantes aos solos dos diques máficos e Gnaisse Candeias. Entretanto a coloração das rochas dessa suíte é vermelha mais viva e mais intensa.

  De acordo com Carneiro et al. (2006) os metaultramafitos desta suíte são compostas por olivina, anfibólio (hornblenda magnesiana), piroxênios, espinélio verde, clinocloro,

  ortopiroxênio,

  serpentina, apatita , talco e opacos (alteração marginal do espinélio e produto da serpentinização da

  • 14 -

  Contribuições às Ciências da Terra Série M, vol. 50, 153p olivina). Os metamafitos são constituídos por piroxênio, hornblenda, plagioclásio e quartzo, com minerais opacos subordinados.

  As rochas da Seqüência Acamadada Ribeirão dos Motas podem ser agrupadas em seis variedades distintas: metaperidotito com espinélio, meta olivina piroxenito com espinélio, m etapiroxenito com espinélio, metapiroxenito, meta piroxênio hornblendito e metamafitos (Carvalho Jr., 2001). Segundo Couto (2004) as rochas ultramáficas mostram afinidade komatiítica (figura 1.7).

  Os valores de SiO aparecem baixos nos metaperidotitos com espinélio, o que permite 2 diferenciá-lo dos outros litotipos, com exceção dos metagabros cuja concentração média é de 50,24% podendo ser classificados como uma suíte de rocha básica com termos ultrabásicos e intermediários subordinados. As concentrações de MgO nos metaperidotitos com espinélio e nos metagabros refletem o processo de diferenciação magmática desta seqüência. Já as concentrações de TiO apresentam 2 valores menores nos metaperidotitos com espinélio aumentando em termos considerados mais evoluídos. As concentrações de CaO aumentam com o decréscimo do MgO. O Al O mais elevado nos 2 t 3 mafitos é devido a presença do plagioclásio. As concentrações médias de Fe O apresentam pouca 2 3 variação (Carneiro et al,. 2006).

  Segundo Carneiro et al (2006), as concentrações de Cr variam de 3362 ppm (metaperidotito com espinélio) a 454 ppm (metamafitos), com exceção da anomalia encontrada (6000 ppm). As concentrações do Ni também foram elevadas principalmente nos metaperidotitos com espinélio.

Seqüência Supracrustal Arqueana

  A Seqüência Supracrustal Arqueana (Carneiro et al., 2006) é constituída por metaultramafitos (metaperidotito, clorita-anfibólio xisto e hornblendito), anfibolitos, quartzo-silimanita-xisto, granada- silimanita xistos, granada-silimanita quartzitos e formação ferrífera bandada. As rochas dessa seqüência podem ser encontradas na serra do Barão, no entorno da cidade de Cláudio, porção Nordeste da figura 1.2, onde afloram xistos (granada-sillimanita-xisto), quartzitos (granada-sillimanita- quartzito), formação ferrífera (quartzo-magnetita), anfibolitos e metaultramafitos (peridotito, clorita- hornblendito e hornblendito). Carneiro et al. (2006) correlacionam essa ocorrência ao Supergrupo Rio das Velhas.

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Fabri, E. S. Avaliação dos impactos ambientais das minerações de rocha ornamental do centro sul do Estado de M ...

Figura 1.7 - Diagrama ternários (Jensen, 1976) relacionando análises geoquímicas em rocha total de algumas ocorrências de rochas ultramáficas da porção meridional do Cráton São Francisco segundo Couto (2004).

  Diques máficos

  Os afloramentos desses diques se dão em agrupamentos de matacões de cor preta que, quando alteradas, produzem um solo avermelhado intenso, semelhante ao da seqüência acamadada Ribeirão dos Motas (Carneiro et al., 2006). Os diques máficos são compostos por gabronoritos ( Sistema Lençóis 1) e gabros (Sistema Lençóis 2) .

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  Contribuições às Ciências da Terra Série M, vol. 50, 153p

  Diques do sistema Lençóis 1

  São rochas gabronoríticas que ocorrem na forma de diques máficos, introduzidos na crosta siálica através de um magmatismo fissural. Esses diques apresentam-se muito alterados em sua superfície, ocorrendo, na maioria das vezes, como matacões. As rochas gabronoríticas apresentam textura subofítica e, algumas vezes, textura fluidal (Pinese, 1997, Costa, 1999, Fernandes, 2001). Segundo Fernandes (2001), as rochas desta Suíte possuem um caráter anisotrópico, aparecem em cor cinza escuro e granulação que varia de grossa a fina. De acordo com Costa et al. (2006), possuem uma textura ofítica a subofítica e intercrescim entos mimerquítico e granofírico. Os gabronoritos são co mpos tos principalmente por plagioclásio, hiperstênio e augita.

Diques do Sistema Lençóis 2

  São diques de gabro que intru dem as unidades arqueanas e proterozóicas, inclusive os diques do Sistema Lençóis 1 (Fernandes, 2001). Essas rochas se apresentam na cor cinza escuro. De acordo c om Costa et al. (2006) os gabros possuem uma textura ofítica, subofítica e intergranular. As principais diferenças petrográficas entre os litotipos (anfibolito, gabronorito e gabro) referem-se à presença predominante de hornblenda castanha, as texturas metamórficas e estruturas bandadas dos anfibolitos, contrastando com a mineralogia e textura ígnea e a ausência de deformação dos gabrono ritos e gabros (Costa et al., 2006). Sua mineralogia é composta por plagioclásio, augita, menor q uantidade de quartzo e hornblenda (Costa et al., 2006).

  As rochas máficas do sistema Lençóis 1 e 2 (gabros e gabronoritos) apresentam afinidade tholeiítica (Costa, 1999), variando de basalto/andesito (gabronoritos) a basalto subalcalino (gabros) (figura 1.8).

  Os gabronoritos apresentam concentrações de SiO 2 que variam de 52,89% e 53,76%, MgO de 5,86% a 6,18%, Fe

  2 O 3 de 9,77% a 10,48% e Al

  2 O 3 entre 14,7% a 15,28%. Os gabros apresentam concentrações de SiO 2 (entre 44,11% e 49,13%), MgO (entre 3,59% a 5,96%) e

A l O (entre 12,53% e 13,96%) relativamente menores que os gabronoritos. Entretanto, de

  2

  3 acordo com Carneiro et al. (2006) são mais ricos em TiO 2 (entre 2,38% a 3,96%) e P

  2 O

  5 (entre 0,2% e 0,88%).

  • 17 -
Fabri, E. S. Av aliação dos impactos ambientais das minerações de rocha ornamental do centro sul do Estado de M ...

  Observam-se os teores maiores de Ni, Cr e Cu nos gabronoritos, enquanto que os

gabros apresentam maiores valores de Zr, Y e Zn. Nos gabros ocorre um aum ento do SiO ,

  2 K

  2 O, Cu, Zr, Y, Zn, Th e Ba e uma dim inuição dos teores de TiO 2 , CaO, Fe

  2 O 3 , MnO, Cr, Ni

e V, quan to da d iminuição dos teores de MgO. Enquanto que nos gabronoritos com a

diminuição das concentrações de MgO ocorre um au mento do SiO

  2 e um a d iminui ção do s

teores de Al O , Cr, Ni, Th e Sc. Dessa forma, os gabros são mais enriquecidos quando

  2

  3 comparados com os gabr onoritos.

  

Figura 1. 8 – Classificação da rochas dos diques m ficos, modi á ficado de Costa (1999), segundo o diagrama de

  Winchest er & Fl oyd (1977). Os g abrono ritos sã o re presentados por q uadrados emipreenchidos s e os ga bros po r cruzes.

  Observam -se os teores maiores de Ni, Cr e Cu nos gabronoritos, enquanto que os gabros apresentam maiores valores de Zr, Y e Zn. Nos gabros oc orre um aumento do SiO 2 ,

  K

  2 O, Cu, Zr, Y, Zn, Th e Ba e uma dim inui ção dos teor es de T iO 2 , CaO, Fe

  2 O 3 , MnO, Cr , N i

e V, quanto da diminuição dos teores de MgO. Enquanto que nos gabronoritos com a

diminuição das concentrações de MgO ocorre um aum ento do SiO

  2 e um a di minui ção do s teores de Al

  • 18 -

Unidades Litologias Minerais Idades prováveis Gnaisse Fernão Dias

Gnáissica Gnaisse Cláudio

Gnaisse Candeias

Anfibolítica Anfibolito

Seqüência Supracrustal Arqueana

  1,7 Ga 5 Composição essencial Plagioclásio, augita, quartzo e hornblenda Composição acessória Opacos, biotita, apatita e zircão

  Sericita como produto de alteração do plagioclásio Idade pelo método 40 Ar/ 39 Ar:

  Contribuições às Ciências da Terra Série M, vol. 50, 153p

  ultramáfica ortopiroxênio, olivina, clinoanfibolito Idade: 2,8 Ga 2 Composição essencial Plagioclásio, hiperstênio e augita

  2,66 Ga 3 formação ferrífera bandada quartzo e minerais opacos quartzito quartzo, sillimanita e granada xisto sillimanita, quartzo, mica e granada anfibolito clinoanfibolito, plagioclásio e quartzo

  Composição acessória Carbonato e clinocloro Idade da intrusão: entre 2,75 e

  Composição acessória Apatita e zircão Composição secundaria Hornblenda, quartzo e hiperstênio

  Biotita, sericita, epídoto e clorita Idade: 3,38 – 3,0 Ga 2 Composição essencial

  Paragenesis secundária (retrometamorfismo)

  Hornblenda, plagioclásio e clino- e ortopiroxênio

  Idade para o protólito (3,38 – 3,0 Ga), e idade para a migmatização (2,75 – 2,72 Ga) 1 Paragenesis principal

  composição granodiorítica Plagioclásio,microclina e quartzo

  Plagioclásio, microclina, quartzo e hiperstênio

  composição granodiorítica para granítica

  Quartzo, k-feldspato, plagioclásio, por biotita, hornblenda e piroxênio

  composição granodiorítica a granítica

  Piroxênio (ort- ou clinopiroxênio), Ultramáfica anfibólio (hornblenda) e Olivina __

Gabronorítica Gabronorito

Gabróica Gabro

  (Fernandes 2001; Carneiro 1992; Noce 1995), 5 (Oliveira 2004).

  et al. 1996b; Teixeira et al. 1998), 3 (Oliveira A. H. et al. 2003), 4

  (Teixeira

  et al. 1998), 2

  1,0-0,9 Ga 5 Referências: 1 (Carneiro

  Clorita, epídoto, sericita e carbonato são produtos de alteração de plagioclásios e piroxênios Idade pelo método 40 Ar/ 39 Ar:

  • 19 - Tabela 1.1 - Características petrográficas gerais e idades radiométricas dos principais litotipos da região estudada.
Fabri, E. S. Avaliação dos impactos ambientais das minerações de rocha ornamental do centro sul do Estado de M ...

  • 20 -

CAPÍTULO 2 MATERIAL E MÉTODOS

  As rochas do Complexo Metamórfico Campo Belo, especialmente os gnaisses e granitos, têm sido lavradas como tipos ornamentais há pelo menos quatro décadas. Como resultado desse processo extrativista, surgiram centenas de pedreiras que, dependendo do mercado internacional, sofreram paralisações e retomadas de forma variada. Além disso, por não possuírem, muitas vezes, um estudo geológico de detalhe, as pedreiras foram, freqüentemente, abandonadas, sem qualquer tentativa de reabilitação do local, quando imperfeições são detectadas na frente de lavra. Assim, com o desenvolvimento da explotação, um volume grande de rejeito vem sendo produzido, cuja disposição constitui um dos mais sérios desafios ambientais para a região.

  Para avaliar os reais impactos ambientais causados pela explotação das rochas do Complexo M etamórfico Campo Belo, 5 municípios foram escolhidos como tema desse trabalho. 4 destes municípios; Candeias, Campo Belo, Oliveira e São Francisco de Paula; fora m selecionados por terem suas pedreiras paralisadas devido à saturação do mercado nacional e internacional desse tipo de rocha. O s municípios de Candeias e São Francisco de Paula, por terem o maior número de pedreiras de rocha ornamental e os municípios de Campo Belo e Oliveira, foram escolhidos para comparação com os 2 m unicíp ios anteriormente citados, por serem cidades vizinhas aos mesmos e possuírem uma boa infra- estrutura e uma economia diferenciada, que independe das pedreiras. Já o município de Cláudio foi escolhido pelo fato de suas rochas apresentarem muitos defeitos como, por exemplo, a presença de fraturas, o que fez com que as pedreiras fossem abandonadas pouco depois de abertas.

  Diversas pedreiras foram visitadas durante a fase de campo e, no total, 10 foram escolhidas no entorno da sede dos municípios para amostragens e estudos de detalhe. Fabri, E. S. Avaliação dos impactos ambientais das minerações de rocha ornamental do centro sul do Estado de M ...

  A identificação dos diversos usos e ocupações do solo no entorno dos municípios fornece subsídios para a reabilitação das áreas degradadas e usos futuros. Para obter essas informações foi realizada a interpretação de fotografias aéreas e da imagem de satélite do tipo Áster. O município de Candeias foi o escolhido para este tipo de avaliação por ser o município que apresentou o maior número de pedreiras de rochas ornamentais comparado com os municípios de Campo Belo, Oliveira, São Francisco de Paula e Cláudio e, portanto o que possui maior área degradada.

  Junto a Companhia de Pesquisa de Recursos Minerais (CPRM) foram adquiridas as fotografias aéreas da década de 60 e uma imagem Aster (Advanced Spacebone Thermal Emission and Reflection Radiometer) de 24 de agosto de 2004, do município de Candeias. As fotografias aéreas foram analisadas através de um estetoscópio do Departamento de Geologia (DEGEO) e a imagem Aster foi analisada através do softwareArcGis 9.2”. Nelas foram identificadas as áreas existentes em cada época, respeitando o limite do município estudado. E assim, identificadas o percentual de cada área e seu aumento ou diminuição entre as décadas de 60 e 2000.

  2.3 – LEVANTA MENTO CARTOGRÁFICO DAS PEDREIRAS

  Os trabalhos de campo foram realizados no decorrer de 2 semanas quando foram visitadas cerca de 15 pedreiras situadas no entorno das cidades de Campo Belo, Candeias, São Francisco de Paula e Oliveira e 10 pedreiras situadas no entorno da cidade de Cláudio. A maioria destas pedreiras, em função dos aspectos econômicos, inerentes a explotação de rochas ornamentais, encontra-se inoperante. Das 25 pedreiras visitadas, 10 foram escolhidas para mapeamento de detalhe no decorrer destas 2 fases de campo. 2 delas possuem lagos em suas cavas, e as outras 8 escolhidas de forma a representar as diversas características ambientais encontradas, especialmente o volume de material residual. Algumas destas tão pequenas que se acredita não ter saído nenhum bloco para comercialização.

  O mapeamento foi feito com prancheta e alidade e visou caracterizar os impactos ambientais decorrentes da mineração das áre as de 10 pedreiras sendo 5 pedreiras em escala 1:500, de 4 pedreiras e m escala de 1:250 e 1 pedreira em escala de 1:100, escolhidas de acordo com o tamanho de cada pedreira.

  • 22 -

  Contribuições às Ciências da Terra Série M, vol. 50, 153p Segundo Lana & Castro (2003), método de prancheta e alidade é um dos mais adequados o métodos para o levantamento de feições cartográficas em escala de detalhe. Dentre suas vantagens, destaca-se seu baixo preço comparado com outros métodos de cartografia e também o fato de o mapa sair pronto do campo juntamente com as distâncias e altimetrias permitindo o reparo das possíveis falhas ocorridas no mapeamento, evitando a realização de uma nova visita de campo (Lana, 2004). Outra vantagem a se destacar deste método é a pequena porcentagem do seu erro máximo, que segundo Lahee (1952) está na casa de 0,1%, considerado um valor não significativo se comparado com outros métodos de cartografia existentes.

  Os mapeamentos foram feitos em escalas diferentes, afim de se caracterizar todos os detalhes da extração e do lago artificial, quando existentes, de cada pedreira. A observação dos limites da área foi necessária para a definição de uma escala ideal para cada pedreira, que deveria ser a maior possível. Para tal, um ponto fixo de referência foi escolhido nos quais todos os outros pontos do mapa estejam atrelados. É importante que este ponto de referência seja marcado para que ele possa ser identificado posteriormente, em caso de necessidade de retorno à área mapeada.

  Os equipamentos usados foram: caderneta de campo, bússola geográfica, nível de bolha, fo lhas de papel em tamanho A2, conjunto prancheta e alidade de mapeamento geológico (tripé com pés retráteis, prancheta retangular de madeira de 50 x 60 cm adaptável ao tripé, alidade e uma régua telescópica de 3 m de 10 em 10 cm com barra anexa graduada para zerar a altura da alidade – figuras 2.1, e 2.2 A e B).

Figura 2.1 – Foto demonstrativa da Alidade, destacando as diferentes réguas de escala que acompanha o

  aparelho (réguas de escala de 1:5000, 1:2500, 1:2000 e 1:1000). Essas escalas podem ser retrabalhadas de acordo com a necessidade do mapeamento.

  • 23 -
Fabri, E. S. Avaliação dos impactos ambientais das minerações de rocha ornamental do centro sul do Estado de M ...

  A B

Fi gura 2 .2 – A) Prancheta + Alidade em operação. A prancheta é composta de um tripé + uma mesa retangular

  onde está afixada uma folha de papel para desenho do mapa. A alidade está colocada sobre a prancheta para a medição dos diversos pontos de referência do mapa.

  A prancheta é montada e fixada sobre um tripé (figura 2.2 A) a seguir é nivelada e orientada usando uma bússola para identificação do Norte Magnético. Optou-se por usar um nível de bolha avulso, apesar do aparelho possuir seus próprios níveis. Após o nivelamento a alidade é colocada sobre a prancheta, na qual foi afixada uma folha de papel para o desenho do mapa. O ponto referencial “R1” é marcado na folha para dar início ao mapeamento. Abri-se a régua e sua marca “Zero” (figura

  2.2 B) é colocada no mesmo nível das lentes da alidade que, se necessário, pode ser movimentada para cima ou para baixo segundo a sua barra graduada.

  2.3.1 – Digitalização e confecção dos mapas

  Os mapas feitos em papel branco e a lápis foram capturados por meio de um scanner A4, com is so houve a necessidade de agrupá-los por meio do softwareCorelDraw12”, de forma a construir-se mosaicos, que foram salvos em formato JPEG. Estes mosaicos, na forma de imagens raster, foram im portados pelo softwareAuto CAD 2004”.

  No softwareAuto CAD”, corrigiu-se as escalas dos mapas e os pontos mapeados foram d igitalizados e cotados, e posteriormente foram movidos para o ponto de GPS da pedreira. Em

  • 24 -

  Contribuições às Ciências da Terra Série M, vol. 50, 153p seguida, os pontos digitalizados foram enviados para o softwareArcGis 9.2”, e transformados em

  

shape. No mesmo programa foi feito a interpolação por Krigagem e a análise de superfície foi feita

  a través das curvas de nível. A partir das curvas de nível gerou-se o tin (modelo digital em 3 D) no softwareArcSene”.

  2.4 – AMOSTRAGEM E ANÁLISE PETROGRÁFICA DE ROCHAS 2.4.1 – Amostragem

  Em cada pedreira foram coletadas, pelo menos, 2 amostras de rocha representativas dos principais tipos aflorantes. Estas amostras foram identificadas e encaminhadas ao Laboratório de Laminação (LAMIN) para a confecção de lâminas e posterior descrição petrográfica.

  2.4.2 – Análise Petrográfica

  Primeiramente as amostras coletadas foram cortadas com a ajuda de uma serra para a obtenção de dimensões desejadas. Depois de obter-se uma fatia de rocha com cerca de 0,5 cm de espessura, uma das superfícies foi polida e colocada sobre uma lâmina de vidro, sofrendo desgastes até se obter uma espessura de rocha da ordem de 0,03 mm. Finalmente, esta foi colada em um lâmina de vidro transparente e coberta por uma lamela de vidro (lamínula), gerando um total de 27 lâminas delgadas.

  As rochas foram descritas no microscópio petrográfico binocular, identificando a textura de cada rocha e determinado o percentual dos principais constituintes e minerais acessórios (Anexo I). Quando presentes, as fases secundárias também foram descritas. As lâminas foram ainda fotomicrografadas, procurando-se representar texturas e/ou m inerais.

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Fabri, E. S. Avaliação dos impactos ambientais das minerações de rocha ornamental do centro sul do Estado de M ...

  2.5 – AMOSTRAGEM E ANÁLISE DOS SEDIMENTOS 2.5.1 – Amostragem

  Para a coleta do solo das pedreiras foi usada uma bacia de parede transparente e graduada, indicando o volume de 1 e 2 L, uma pá de lixo e sacos plásticos para as amostras. Foi coletado cerca de 1 kg de amostra para cada pedreira. O material foi acondicionado em sacos plásticos previamente identificados e levados ao laboratório.

  O sedimento do fundo dos lagos, quando existente, foi coletado utilizando uma draga tipo “ Birge-Ekman (figura 2.3 A e B), própria para coleta de amostras finas como silte, argila e matéria orgânica em decomposição, com área de amostragem de 15x15 cm e 20 cm de altura, e 0 – 10 cm de profundidade (Agudo, 1987, Cowgill, 1994). As amostras coletadas foram acondicionadas em sacos plásticos previamente identificados e levadas a o laboratório.

  A B

Figura 2.3 A e B – Draga tipo “Birge-Ekman” e amostrador usado para a coleta dos sedimentos de fundo dos lagos das pedreiras encontradas na região estudada.

  2.5.2 – Análises laboratoriais

  Em laboratório as am ostras foram colocadas em bacias plásticas e secas em uma capela a 40º C para evitar as perdas dos elementos voláteis (Forstner 2004).

  • 26 -

  Contribuições às Ciências da Terra Série M, vol. 50, 153p Em seguida, as amostras de solo e sedimento de fundo dos lagos das pedreiras foram desagregadas em gral e pistilo. Posteriormente as amostras foram quarteadas e levadas para o

  Laboratório de Preparação de Amostras para Geoquímica e Geocronologia (LOPAG) do Departamento de Geologia da Escola de Minas da Universidade Federal de Ouro Preto onde foram pulverizadas. As amostras pulverizadas foram a seguir peneiradas, utilizando-se uma peneira de 63 µm (250 mesh) e quarteadas novamente. ¼ da amostra pulverizada foi levada ao Laboratório de Análise por Fluorescência de Raios-X (LFR-X) do Departamento de Geologia da Escola de Minas da U niversidade Federal de Ouro Preto, outro ¼ foi levado para o Laboratório de difração de Raios-X do Departamento de Geologi a da Escola de Minas da Universidade Federal de Ouro Preto, outro ¼ foi feita à digestão total no Laboratório de Geoquímica Ambiental (LGqA) do Departamento de Geologia da Escola de Minas da Universidade Federal de Ouro Preto e outro ¼ da amostra foi reservada.

Figura 2.4 – Fluxograma demonstrativo: procedimento usado para análise dos sedimentos coletados.

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Fabri, E. S. Avaliação dos impactos ambientais das minerações de rocha ornamental do centro sul do Estado de M ...

  2.5.3 – Difratometria de raios-X

  Uma fração da amostra peneirada foi usada para a determinação mineralógica via difratometria de raios-X. As amostras foram pressionadas em lâminas e levadas ao aparelho Rigaku

  modelo D/MAX – B (figura 2.5 A e B), para varredura. A leitura foi feita pelo softwareJADE – Peak ID Report”.

  A B F igura 2 .5 A e B – Aparelho usado para a determinação mineralógica via difratometria de raios-X (varredura),

  modelo Rigaku D/MAX – B, instalado no Departamento de Geologia da Escola de Minas da Universidade F ederal de Ouro Preto.

  2.5.4 – Espectrofotômetro de Emissão Atômica com Fonte de Plasma Indutivamente Acoplado (ICP-OES).

  As amostras dos sedimentos de fundo dos lagos das pedreiras Gêmeos e Borges e dos solos coletados nas pedreiras foram analisadas. Na digestão total, pesou-se uma amostra de 0,25 g de sedimento no interior de um frasco Savillex de peso conhecido. Adicionou-se 3 mL de ácido clorídrico 10 mol/L e 1 mL de acido nítrico 10 mol/L. Colocou-se o frasco aberto com a mistura em uma chapa aquecedora (a 100ºC) até evaporar. Depois de aberto o tubo foi adicionado 2 mL de ácido fluorídrico 40% p/p e novamente levou-se a mistura à chapa aquecedora, porém agora a 140º C, até evaporar. Adicionou-se novamente 2 mL de ácido fluorídrico 40% p/p fechou-se o frasco e levou-o a placa aquecedora a 140º C por cerca de 30 horas. Concluído esse tempo, e estando o frasco resfriado, o

  • 28 -

  Contribuições às Ciências da Terra Série M, vol. 50, 153p mesmo foi aberto e colocado na chapa aquecedora (110º C) para evaporar a solução de ácido fluorídrico. Em seguida foram adicionados 2 mL de ácido nítrico 10 mol/L, e com o frasco aberto na chapa aquecedora, ainda a 110º C, esperou-se evaporar. Foram adicionados 2 mL de acido nítrico 10 mol/L e novamente, com o frasco aberto e com a chapa na mesma temperatura, esperou-se evaporar. Adicionou-se 2 mL de acido clorídrico 10 mol/L e ainda com o frasco aberto colocou-se na placa aquecedora a aproximadamente 110º C para evaporar. Após secura o frasco foi retirado da placa aquecedora, e logo após o resfriamento, foram adicionados 25 mL de ácido clorídrico a 2 mol/L. Fechou-se o frasco e novamente o levou para a placa aquecedora a aproximadamente 100º C por 2 horas. Após o resfriamento o frasco foi pesado em balança analítica.

  2.5.5 – Fluorescência de raios-X

  Uma fração da amostra peneirada foi usada para a determinação quantitativa dos elementos, SiO 2 , TiO 2 , Al 2 O 3 , Fe 2 O 3 , MnO, MgO, Cao, Na 2 O, K 2 O, P 2 O 5 , Perda por Calcinação (PPC), presentes nas amostras de solo e sedimento de fundo dos lagos das pedreiras estudadas, através do espectrômetro de fluorescência de raios-X instalado no LOPAG (PANALYTICAL modelo MAGIX 2,4 kw; figura 2 .6 A e B). Foram aplicados raios-X na superfície de cada amostras e posteriormente foram analisados raios emitidos por cada amostra.

  A B

Figura 2.6 A e B– Espectrômetro de fluorescência de raio-X, Panalytical modelo MAGIX 2,4 kw, instalado no

  LOPAG, que utilizado para a determinação dos elementos maiores (SiO , TiO , Al O , Fe O , MnO, MgO, Cao, 2 2 2 3 2 3 Na O, K O, P O , PPC) presentes nas amostras de solo e rocha das pedreiras através da Fluorescência de Raio- 2 2 2 5 X.

  • 29 -
Fabri, E. S. Avaliação dos impactos ambientais das minerações de rocha ornamental do centro sul do Estado de M ...

  2.6 – COLETA E ANÁLISE DE ÁGUA 2.6.1 – Amostragem

  Durante a estação chuvosa, amostras de água foram coletadas dos lagos das pedreiras Gêmeos e Borges. De cada lago de cava amostrado foram retirados 3 L de água, coletados a meia-profundidade da coluna de água usando o amostrador de “ Limnos” (Fig. 2.7A). Usando um “Speedtech Instruments sonar (Fig. 2.7B), a profundidade de cada lago foi determinada.

  A B F igura 2.7 – A) Amostrador de “Limnos” utilizado para a coleta de água dos lagos a meia profundidades – coleta até 3 L d’água.

   B) Speedtech Instruments Sonar”: aparelho usado para determinar a profundidade de um lago.

  Como as análises de água não necessitaram de preparação prévia, os 3 L coletados foram fracionados para os diferentes tipos de análises realizadas, conforme o fluxograma da figura 2.8.

  • 30 -

  Contribuições às Ciências da Terra Série M, vol. 50, 153p

F igura 2.8 – Fluxograma demonstrativo dos procedimentos utilizados na análise da água. 2.6.2 – Análises in situ

  Temperatura, condutividade elétrica (EC), TDS (sólidos totais dissolvidos), e pH foram medidas in situ em sub-amostras não filtradas usando um multiparâmetro portátil previamente calibrado, marca Myron L Company, modelo 6P (figura 2.9 A e B), de campo e laboratório. E a tu rbidez foi medida em laboratório usando o aparelho de turbidímetro B250 (figura 2.10).

  A B Fi gura 2.9 A e B – Multiparâmetro usado para a medição in situ de Temperatura, condutividade elétrica (EC), T DS (sólidos totais dissolvidos) e pH.

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Fabri, E. S. Avaliação dos impactos ambientais das minerações de rocha ornamental do centro sul do Estado de M ...

Figura 2.10 – Turbidímetro B250 utilizado para medir a turbidez de água.

  2.6.3 – Alcalinidade, Cloreto, Sul fato

  Para análises de alcalinidade, sulfato e clo rato acondicionou-se uma sub-amostra de água (1 L) em uma garrafa de polietileno, que foi conduzida até o laboratório. O método utilizado, para dosar alcalinidade e cloreto, é a titulometria. Já o sulfato foi dosado pelo método turbidimétrico (Greenberg

  

e t al., 1 992). Para análise do cloreto e do sulfato foi necessária a filtragem prévia da amostra, para

  evitar a influência da turbidez do material particulado na análise, usando uma membrana de 0,45µm e sistema a vácuo.

  2.6.4 – Metais principais e Elementos Traços

  Uma amostra separada de 30 mL foi filtrada por uma membrana de policarbonato de 0,2 µm o (Nuclepore – figura 2.11 A e B) e armazenada a 4 C para concluir a análise. Os principais metais e elementos traços foram medidos usando o Espectrofotômetro de Emissão Atômica com Fonte de

  

Plasma Indutivamente Acoplado (ICP-OES), marca SPECTRO/modelo Ciros CCD (figura 2.12 A e

  B), instalado no LGqA. As análises de elementos traços foram validadas com material de referência NIST 1643d.

  • 32 -

  Contribuições às Ciências da Terra Série M, vol. 50, 153p

  A B

Figura 2.11 A ) Membrana de policarbonato de 0,2 µm para filtrar a água destinada às análises dos principais

  metais e elementos traços

  2.6.5 – Sólidos totais em suspens ão

  Sólidos totais em suspensão (TSS) foram medidos em uma sub-amostra de 500 mL, que foi o filtrada num filtro de fibra de vidro pré-pesado. O filtro foi secado a 60 C por 24 h e pesado no vame nte. A diferença é a massa de sedimento contido na amostra de água. Obs.: Toda a metodologia para análise química de águas e sedimentos foi baseada nos Standard Methods for Examination of Water and Wastwater.

  A B

Figura 2.12 A e B – Espectrofotômetro de Emissão Atômica com Fonte de Plasma Indutivamente Acoplado

  (ICP-OES), marca SPECTRO/modelo Ciros CCD utilizado leitura dos principais metais e elementos traços da água dos lagos.

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Fabri, E. S. Avaliação dos impactos ambientais das minerações de rocha ornamental do centro sul do Estado de M ...

  Junto a Fundação Estadual do Meio Am bie nte (F EA M , ) fo i r e que rida uma lista dos empreendimen tos minerários dos mun icípios de Ca mp o B elo , Ca ndeias, Oliveira, S ão Francisco de Paula e Cláudio. A lista continha processos de dif eren tes em preendime ntos . A ssim, foi necessário classifi cá-los e, do conjunto, separar aqueles envolvendo minerações de rochas ornamentais (tabela 2.1). Dentre os processos, foram encontrados: licenças para pesquisa mineral (LOP), licenças prévias (LP), licenças de instalação (LI), licenças de operação (LO) e autos de inf ração (AI).

Tabela 2.1 – Processos encontrados na FEAM para empreendimentos envolvendo rochas ornamentais nos diversos municípios estudados.

Município LOP LP LI LO AI Total

  Campo Belo

  3

  2

  5 Candeias 15

  20

  11

  20

  14

  80 Oliveira 4

  1

  1

  5

  9

  20 São Francisco de Paula

  9

  8

  7

  10

  4

  38 Cláudio 4

  1

  1

  5

  9

  20 TOTAL GERAL

  32

  30

  20

  43 38 163

  A seguir os processos de interesse foram requisitados a FEAM e, nesse órgão, analisados previamente. Adicionalmente, quando possível, uma parte de cada processo foi copiada para análises mais detalhadas à posteriori. É importante salientar que dentro de cada processo existem documentos p articulares das empresas, como, por exemplo, plano de controle ambiental, recursos, defesas, etc., que só podem ser copiados com a devida autorização da empresa (tabela 2.2).

  A pesquisa realizada nos arquivos da FEAM revelou que a região estudada dispõe de 163 processos envolvendo minerações de rochas ornamentais (tabela 2.1). No entanto, desses 163 processos, somente 130 (tabela 2.2) foram disponibilizados pela FEAM. Os demais se enquadram numa das seguintes situações: 1) processos em tramitação interna em algum departamento da Fundação; 2) processos depositados em outras regionais (i.e. Divinópolis); 3) processos na Advocacia Geral do Estado – Dívida Ativa (AGE – como multa não paga); 4) processos em tramitação interna sem referência de setor; 5) processos perdidos na própria FEAM.

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  Contribuições às Ciências da Terra Série M, vol. 50, 153p

Tabela 2.2 – Processos (FEAM) efetivamente analisados para empreendimentos envolvendo rochas ornamentais nos diversos municípios estudados.

  

Município LOP LP LI LO AI Total

  Campo Belo

  3

  3 Candeias 11

  17

  10

  10

  10

  58 Oliveira 4

  1

  4

  8

  17 São Francisco de Paula

  8

  8

  7

  8

  3

  34 Cláudio 4

  1

  1

  5

  7

  18 TOTAL GERAL

  27

  27

  18

  30 28 130

  Com o intuito de se obter um diagnóstico qualitativo e quantitativo da influência da atividade exploratória de rocha ornamental na região dos municípios estudados, foi utilizado um questionário sócio-econômico-ambiental (Anexo II). O questionário foi aplicado aos ex-funcionários e funcionários (figura 2.13), trabalhadores clandestinos (i.e. modeladores de paralelepípedos para calçamento viário), etc.

  Além disso o questionário sócio-econômico-ambiental buscou informações acerca do crescimento dos municípios e posterior decadência da economia, de acordo com as condições de trabalhos oferecidos pelas pedreiras e os eventuais acidentes ocorridos durante o trabalho de explotação das rochas ornamentais, bem como os problemas ambientais causados e a freqüência das fiscalizações dos órgãos ambientais competentes nas pedreiras.

Figura 2.13 – Estágio de campo quando da aplicação do Questionário Sócio-Econômico-Ambiental nos municípios estudados.

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Fabri, E. S. Avaliação dos impactos ambientais das minerações de rocha ornamental do centro sul do Estado de M ...

  Os dados coletados através do questionário sócio-econômico-ambiental foram organizados em planilhas do softwareexcel”, respeitando cada pergunta e cada resposta que constavam nos questionários. Após a organização dos dados foram feitos gráficos em forma de “ pizza” dos dados considerados mais relevantes para este e studo.

  • 36 -

CAPÍTULO 3 LEGISLAđấO AMBIENTAL BRASILEIRA 3.1 – HISTÓRICO

  O ordenamento jurídico brasileiro relativo à proteção ambiental é relativamente antigo. As primeiras referências ao meio ambiente datam do período colonial e estão registradas na Carta Régia, de 1797 (Silva Filho 2002). No caso de Portugal, historiadores encontram legislações relacionadas c om a proteção dos recursos naturais desde 1850; é o caso das Ordenações Filipinas (regência Felipe I), que faziam referência à proteção da caça, vegetação, árvores e c ursos d’água.

  Segundo Silva Filho (2002), nos primeiros anos do Brasil República, merecem destaque as referências ao meio ambiente presentes no Código Civil (1916), no Código de Águas (1934), Dec-lei o n 25 (1937) - estatuto protetor dos bens culturais e instituidor do tombamento, Código de Mineração (1937) e no Código Penal Brasileiro (1940).

  A preocupação com o meio ambiente está registrada em diversas leis, constituições e decretos. Em primeiro lugar podemos destacar a Política Na cional do Meio Ambiente, a mais importante das leis ambientais, lei n° 6938 de 1981, que estabeleceu como um de seus principiais instrumentos o licenciamento ambiental, onde define que o poluidor é obrigado a indenizar danos ambientais que causar, independentemente de culpa. Essa lei ainda criou os Relatórios de Impacto Ambiental (EIA/RIMA), que devem ser feitos antes da implantação de atividade econômica que afete significativamente o meio ambiente.

  Já a Constituição Federal de 1988 em seu artigo 225, § 2º “ impõe àquele que explorar

  

recursos minerais a responsabilidade de recuperar os danos ambientais causados pela atividade de

mineração, consistente na obrigação de recuperar o meio ambiente degradado, de acordo com a

soluç ão técnica exigida pelo órgão público competente”.

  Tem-se ainda a Lei 9.433 de 1997, “Lei das Águas”, que define a água como recurso natu ral limitado, dotado de valor econômico, que pode ter usos múltiplos (por exemplo: consumo humano, produ ção de energia, lançamento de esgotos). A partir dela, a gestão dos recursos hídricos passa a ser descentra lizada, contando com a participa ção do Poder Público, usuários e comunidades. Fabri, E. S. Avaliação dos impactos ambientais das minerações de rocha ornamental do centro sul do Estado de M ...

  A Lei dos Crimes Ambientais reordena a legislação ambiental brasileira no que se refere às infrações e punições. A partir dela, a pessoa jurídica, autora ou co-autora da infração ambiental, pode ser penalizada, chegando ao fechamento da empresa, se ela tiver sido criada ou usada para facilitar ou ocultar um crime ambiental. Por outro lado, a punição pode ser retirada quando se comprovar a recuperação do dano ambiental e, no caso de penas de prisão de até 4 anos - é possível a troca por penas alternativas.

  Apesar da preocupação antiga com o meio ambiente, o Brasil ainda sofre com os problemas básicos de preservação ambiental (Freire, 2005). Atualmente, o país conta com uma das mais completas legislações ambientais do mundo; porém, de acordo com Freire (2005), apesar de abundante a legislação brasileira não é eficaz, sendo em sua grande parte elaborada com pouco critério e sob a pressão da mídia do momento.

  Segundo Farias et al. (2002) a exploração mineral brasileira está submetida a um conjunto de regulamentações, onde os três níveis de poder estatal possuem atribuições com relação a mineração e o meio ambiente. Muitos mineradores e especialistas acham que a legislação ambiental brasileira é extensa, avançada e conflitante, dificultando a sua aplicação, necessitando assim de ser compactada para uma melhor aplicabilidade.

  Um instrumento básico da legislação da mineração é o Código de Mineração, movido pelo o Decreto lei n 227/67, executado pelo Departamento Nacional de Pro dução Mineral – DNPM. Segundo este Código, são seis os regimes de enquadramento das atividades minerarias: regime de conce ssão, regime de autorização, regime de licenciamento (o nde o poder concedente é a prefeitura), regime de permissão de lavra, regime de monopolização e regime de extração (exclusivo para órgãos da ad ministração). Segundo Instituto de Pesquisa Tecnológica do Estado de São Paulo/IPT (2005), no caso da e xtração de Rochas Ornamentais (Mármores e Granitos) os regimes de aproveitamento são: or-geral do DNPM;

  • autorização - depende de alvará de autorização do diret
  • concessão - depende da portaria de concessão do Ministério de Estado de Minas e Energia;
  • licenciamento - depende da licença expedida em obediência a regulamentos locais e de registros da licença no DNPM;
    • 38 -

  Contribuições às Ciências da Terra Série M, vol. 50, 153p Mais recentemente, a questão mineração e meio ambiente foi tratada de forma mais especifica pela Constituição Federal Brasileira em 1988, em seu Art. 225, onde a exploração e recuperação de

  áreas degradadas pela mineração foram lembradas em seu artigo 225 (Minter, 1990). A Constituição preconiza ainda que a recuperação do meio ambiente degradado é de responsabilidade do empreendedor e tem que ser realizada de acordo com a solução técnica exigida pelo órgão competente, na forma de lei (Dias 2003). Antes disso, a lei 6.938 de 1981, modificada pela lei 7.804 de 1989, no seu artigo 2º já citava a recuperação de áreas degradadas. Posteriormente, em 1986, a recuperação de áreas degradadas pela mineração foi lembrada por meio da Resolução do CONAMA 001/86, que definiu o Estudo de Impacto Ambiental (EIA) como uma das ferramentas mais importante para o licenciamento de atividades de minerações com potencial de degradação ambiental, tornando aquele procedimento parte integrante do licenciamento ambiental, como estabelecem as Resoluções CONANA 001/86 e 237/97 (Oliveira 1999). No entanto, somente quando da promulgação do Decreto 97.632 de 1989 que regulamentou a lei acima citada, é que passou a ser obrigatória a apresentação de Estudo de Impacto Ambiental e Relatório de Impacto Ambiental (EIA/RIMA) juntamente com o Plano de Recuperação de Áreas Degradadas (PRAD) pela mineração ao órgão ambiental competente.

  A Resolução CONANA 237/97, diferente da Resolução CONANA 001/86, estabelece que toda e qualquer atividade que cause degradação ou poluição no meio ambiente, deverão se licenciarem através órgão ambiental competente, e não somente aque las que causem significativo impacto ambi ental. A Resolução determina também que serão definidos os tipos de estudos ambientais necessári o a cada empreendimento causador de degradação ou poluição ao meio ambiente. Assim, para a re gularização ambiental, considera-se a classificação dos empreendimentos nos termos da Deliberação Normativa Copam 74/04. São reconhecidas 6 diferentes classes, distribuídas em função do po rte e potencial poluidor do empreendimento:

  lasse 1 - Pequeno porte e pequeno ou médio potencial poluidor;

  • C

  lasse 2 - Médio porte e pequeno potencial poluidor;

  • CClasse 3 - Pequeno porte e grande potencial poluidor ou médio porte e médio potencial poluidor;

  lasse 4

  • - Grande porte e pequeno potencial poluidor;
    • C

  lasse 5 - Grande porte e mé dio potencial poluidor ou médio porte e grande potencial

  • C poluidor;

  lasse 6 - Grande porte e grande potencial poluidor;

  • C - 39 -
Fabri, E. S. Avaliação dos impactos ambientais das minerações de rocha ornamental do centro sul do Estado de M ...

  D e acordo com a FEAM - MG, toda atividade de mineração é obrigada, a ser licenciada junto ao órgão estadual ou ao federal, quando se trata de área sob a jurisdição federal. O licenciamento ambienta l, de acordo com a Lei Estadual 7.772/80, alterada pela Lei 15.972/06, é o procedimen to onde o poder público autoriza a instalação, ampliação, modificação e operação de atividades ou e mpreen dimentos utilizadores de recursos ambientais considerados efetiva ou potencialmente poluidores.

  Conforme estabelecido pela , os empreendimentos que se enquadram nas classes 1 e 2 são considerados de impacto ambiental não significativo e estão dispensados do licenciamento ambiental, porém devem, obrigatoriamente, requerer a Autorização A mbien tal de Funcionamento (AAF). Para isso o empreendedor faz o preenchimento do Formulário Integrado de Caracterização do Empreendimento (FCEI) e em seguida recebe o Formulário Integrado de Orientação Básica (FOBI) com a lista de documentos que deverão ser apresentados, como por exemplo, o termo de responsabilidade, anotação de responsabilidade técnica, declaração da prefeitura, entre outros. A AAF tem validade de quatro anos e está sujeita à revalidação periódica.

  Para os empreendimentos que se enquadram as classes de 3 a 6 não estão dispensados do processo de licenciamento ambiental (Deliberação Normativa Copam 74/04). Para estas classes (3 a 6) o processo de licenciamento ambiental possui quatro etapas:

  Mineral (LOP) – o empreendedor, quando da

  • Licença de Operação para Pesquisa apresentação do Relatório de Pesquisa Mineral ao DNPM, deverá orientar-se junto ao órgão ambiental competente sobre os procedimentos para habilitação ao licenciamento ambiental.
  • Licença Prévia (LP) - concedida na fase preliminar da atividade. É aprovada mediante fiscalização prévia obrigatória ao local, a localização e a concepção do empreendimento, bem como atestando a viabilidade ambiental e estabelecendo os requisitos básicos e condicionantes a serem atendidas nas próximas fases de sua implementação. Tem validade de até quatro anos;
  • Licença de Instalação (LI) - concedida na fase de implantação do empreendimento, com o detalhamento de projetos, obras de engenharia e processos de controle ambiental a serem utilizados. Autoriza de acordo com as especificações constantes dos planos, programas e projetos aprovados, incluindo as medidas de controle ambiental e demais condicionantes. Tem validade de até seis anos;
  • Licença de Operação (LO) - autoriza o início de qualquer atividade ou equipamento potencialmente poluidor. Autoriza, após fiscalização prévia obrigatória para verificação do efetivo cumprimento do que consta das licenças anteriores, tal como as medidas de controle
    • 40 -

  Contribuições às Ciências da Terra Série M, vol. 50, 153p ambiental e as condicionantes determinadas para a operação. É concedida com prazos de validade de quatro ou de seis anos estando, portanto, sujeita à revalidação periódica. A LO é passível de cancelamento, desde que configurada a situação prevista na norma legal;

  De acordo com o Decreto 44.309/06, em Minas Gerais, o licenciamento (LOP, LP, LI e LO) e a autorização ambiental de funcionamento (AAF) são executadas pelo Conselho Estadual de Política Ambiental (COPAM), por intermédio das câmaras Especializadas, das Unidades Regionais Colegiadas (URCs), das Superintendências Regionais de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável (Suprams), da FEAM e do Instituto Estadual de Florestas (IEF).

  O processo de licenciamento ambiental pode ser chamado de Preventivo ou Corretivo. O licenciamento preventivo é quando o empreendimento ou a atividade ainda se encontra em fase de planejamento, ou seja, antes de qualquer intervenção no local a ser implantada a atividade/empreendimento. Já o licenciamento corretivo é quando o empreendimento ou a atividade se encontra em fase de instalação e/ou de operação. Neste caso, tem-se a licença de instalação de natureza corretiva (LIC) ou a licença de operação de natureza corretiva (LOC - FEAM).

  Entretanto, o licenciamento não termina com a obtenção da LO ou da AAF. Isso só significa que o empreendimento está em acordo com uma exigência legal, mas a manutenção da regularidade ambiental só permanecerá com o cumprimento exigências legais e normativas, explícitas ou implícitas na licença ambiental ou na AAF (FEAM, 2007).

  Empreendimentos ou atividades que têm como objetivo a exploração de minerais (produção e comercialização) e estão sujeitos ao regime de concessão devem apresentar o EIA/RIMA e o Plano de Aproveitamento Econômico da Jazida (PAE) na fase de pedido da Licença Prévia – LP (simultânea à fase de Requerimento de Concessão de Lavra junto ao DNPM). E, ainda, devem constar no RIMA desse tipo de empreendimento o Plano de Controle Ambiental (PCA) e o Plano de Recuperação de Áreas Degradadas (PRAD). Segundo a Resolução CONAMA n. 009/90, somente na extração mineral considerada Classe II, o EIA/RIMA pode ser substituído pelo RCA e d eve ser elaborado de acordo com a Resolução CONAMA 010/90. O PCA é uma exigência da Resolução CONAMA n. 009/90 para a conce ssão da LI, porém é apresentada no EIA pelo fato de ser também uma exigência adicional. O PRAD é uma exigência constitucional e deve ser elaborado de acordo com a NBR 13.030, nele deve constar a recuperação do solo e da vegetação após o fim das atividades de extração mineral (Dias, 2003).

  A recuperação do solo e da vegetação, depois do fim da exploração mineral, está prevista na Constituição Federal de 1988 que, em seu Art. 225, § 2º, “ impõe àquele que explorar recursos

  

minerais a responsabilidade de recuperar os danos ambientais cau sados pela atividade de mineração,

consistente na obrigação de recuperar o meio ambiente degradado, de acordo com a solução técnica

  • 41 -
Fabri, E. S. Avaliação dos impactos ambientais das minerações de rocha ornamental do centro sul do Estado de M ...

  

exigida pelo órgão público competente, na forma de lei”. Porém, é necessário haver o bom senso entre

  a atividade de mineração e o dano ambiental, pois “a recuperação” citada acima no Art. 225 da Constituição Federal de 1988 pode ser interpretada como a de reabilitar o meio ambiente degradado já que é impossível o retorno da área à situação anterior à exploração mineral (Souza, 2002). A reabilitação também aparece citada no Decreto nº. 97.632 de 1989, em seu Art. 3º, que destaca: “ A

  

recuperação deverá ter por objetivo o retorno do sítio degradado a uma forma de utilização, de

acordo com um plano pré-estabelecido para o uso do solo, visando à obtenção de uma estabilidade do

meio ambiente”. Percebe-se neste Art. 3º, que o seu objetivo é estabelecer uma nova forma de

  utilização da área minerada, o que é uma solução técnica mais viável para o fechamento de uma mineração.

  Alguns países e jurisdições (especialmente na América do Norte e Austrália) estabeleceram exigências detalhadas dos procedimentos de fechamento de mina. Mas para a maioria dos países há presentemente pequeno ou nenhuma lei aplicável, regulamentos, padrões e normas (World Business Council for Sustainable Development - WBCSD 2002). O DNPM criou um Grupo de Trabalho para a elaboração das Regras de mineração. A Portaria nº. 237 de 2001, alterada pela Portaria nº. 12 de 2002

  • que institui as Normas Reguladoras de Mineração (NRM’s) do DNPM, tem em sua NRM nº 20 os procedimentos administrativos e operacionais em caso de fechamento de mina (fechamento definitivo da mina), a suspensão (fechamento temporário das atividades de exploração mineral) e posterior retomada abertura da mina. Porém, o minerador terá que apresentar uma prévia comunicação ao DNPM, acompanhada de um requerimento justificativo e dos documentos do plano de fechamento da mina ou de s uspensão das atividades de exploração e, ainda, dependerá de uma autorização do DNPM (S ouza 2002). Além disso, é obrigação do empreendedor a implantação do PRAD da atividade de mineração, aprovado pelo órgão ambiental competente, que vise um novo uso para a área utilizada na exploração mineral, após o fechamento da mineração (Souza, 2002). Porém, promulgação tardia de uma lei brasileira específica com exigências para os procedimentos a serem adotados quando do fechamento de minas permitiu que um grande número de pedreiras fosse abandonado depois do fechamento, normalmente sem qualquer tentativa de reabilitar do local.

  O art. 225, § 3º da Constituição Federal dispõe que a degradação do meio ambiente os infratores, pessoa física ou jurídica, estarão sujeitos a sanções penais e administrativas, independentemente da obrigação de reparar os danos causados, e estabelece três esferas distintas de responsabilidade jurídica: a penal, a administrativa e a civil. A Lei n.º 7.805/89 em seu Art. 19 diz que “ O titular da autorização de pesquisa, de permissão de lavra garimpeira, de concessão de lavra, de

  

licenciamento ou de manifesto de mina responde pelos danos causados ao meio ambiente”. Ou seja, a

  não recuperação do meio ambiente acarreta sanções penais e administrativas, sem tirar do minerador à obrigação de recuperar o meio ambiente degradado pela atividade.

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  Contribuições às Ciências da Terra Série M, vol. 50, 153p A fiscalização é um elemento importante para assegurar o sucesso nos processos legais da abertura até o fechamento da atividade de mineração e requer a comunicação entre os órgãos reguladores e a empresa para a identificação e resolução de problemas ambientais (Roberts

  e. al,

  2000). Segundo a FEAM, a fiscalização tem como finalidade subsidiar análise do licenciamento ambiental (LOP, LP, LI, LO, Revalidação de LO), atender à denúncia, acompanhar passivo ambiental, acompanhar condicionante e pós-licenciamento, atender à emergência ambiental, verificar empreendimentos com autorização ambiental de funcionamento (AAF), atender ao Ministério Público/Poder Judiciário. Durante as fiscalizações, é obrigatoriamente gerado o Auto de Fiscalização (AF) e, se constatada alguma irregularidade, é lavrado o Auto de Infração (AI). De acordo com o Decreto 44.309/06, em seu Art 28º, no Auto de Fiscalização é registrado todo o ocorrido durante a fiscalização servindo de subsídio para aplicação da penalidade e lavratura de AI.

  Para que a fiscalização possa ser feita pelos fiscais da FEAM, o Decreto Estadual 44.309/06, que dispõe sobre o licenciamento e as infrações administrativas ambientais, dá suporte e assegura a entrada e permanência dos fiscais, pelo tempo que se fizer necessário, em estabelecimentos e propriedades públicas ou privadas. Além disso, garante o poder de polícia ao fiscal para aplicar as penalidades previstas em caso de constatada alguma irregularidade. Os tipos de penalidades previstas para infração à legislação ambiental são: advertência, multa, apreensão dos animais, produtos e subprodutos da fauna e flora, instrumentos, equipamentos ou veículos de qualquer natureza utilizados na infração, destruição ou inutilização do produto, suspensão de venda e fabricação do produto, embargo de obra ou atividade, demolição de obra, suspensão parcial ou total das atividades restritivas de direitos.

  • 43 -
Fabri, E. S. Avaliação dos impactos ambientais das minerações de rocha ornamental do centro sul do Estado de M ...

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CAPÍTULO 4 CARTOGRA FIA DAS PEDREIRA S EST UDADAS, CARAC TER ÍSTICAS FÍS

ICAS E GEOGRÁFI CAS GERAIS

  O mapa de uso e ocupação do solo é importante por possibilitar a identificação de diferentes tipos de uso da terra (cultivos, florestas e pastagens). Por meio do levantamento do uso e ocupação do solo é possível se determinar as áreas com coberturas florestais, áreas de solo exposto, áreas agrícolas, dentre outros usos presentes no município.

  Para os mapas de uso e ocupação do solo foram definidas as seguintes classes: área de solo exposto, área urbana, área de cultivo, área de pastagem, mata e corpos aquosos (tabelas 4.1, 4.2 e anexos III e IV).

Tabela 4.1 – Quantificação das classes de uso e ocupação do solo do município de Candeias/MG a

  partir das fotografias aéreas da década de 1960

  2 Classes de Uso Área (km ) %

  Área de solo exposto 7,44 1,00 Área urbana 1,34 0,18 Área de cultivo 4,33 0,58 Área de pastagem 603,91 81,07 Mata 122,29 16,41 Corpos aquosos 5,62 0,76

  

Total 744,93 100

Tabela 4.2 – Quantificação das classes de uso e ocupação do solo do município de Candeias/MG a

  partir da imagem ASTER de 2004

  2 Classes de Uso Área (km ) %

  Área de solo exposto 60,53 8,50 Área urbana 2,62 0,37 Área de cultivo 52,11 7,32 Área de pastagem 502,30 70,52 Mata 92,87 13,04 Fabri, E. S. Avaliação dos impactos ambientais das minerações de rocha ornamental do centro sul do Estado de M ...

  Continuação da Tabela 4.2

Classes de Uso Área (km2) %

  Corpos aquosos 1,79 0,25

Total mapeado 712,22 100

  Área não mapeada 32,71 4,35 Na classe “área de cultivo” foram consideradas todas as áreas onde a agricultura é praticada, contendo vegetação de pequeno porte, mostrand o um percentual de aproximadamente 0,58% na década de 1960 (tabela 4.1 e anexo III) e 7,32% do total da área estudada na década de 2000 (tabela 4 .2 e anexo IV). Enquanto que a classe de “área de pastagem” inclui áreas de vegetação rasteiras como gramíneas, mostrando o maior percentual de aproximadamente 81,07% na década de 1960 (tabela 4.1 e anexo III) e 70,52% do total da área estudada na década de 2000 (tabela 4.2 e anexo IV).

  A classe “área urbana” é representa pela sede do município de Candeias com 0,18% na década de 1960 (tabela 4.1 e anexo III) e 0,37% da área total estudada na década de 2000 (tabela 4.2 e anexo

  IV). Na classe “corpos aquosos”, consideraram-se as represas encontradas no limite do município de Candeias, ocupando 0,74% na década de 1960 (tabela 4.1 e anexo III) e 0,25% de toda a área estudada na década de 2000 (tabela 4.2 e anexo IV).

  A classe “mata” corresponde a toda área ocupada por vegetação nativa e de maior porte, que fo i de aproximadamente 16,41% na década de 1960 (tabela 4.1) (anexo III) e 13,04% na década de 2000 (tabela 4.2) (anexo IV) do total da área do município, e se encontra principalmente nas margens dos rios como mata ciliar.

  A classe “área de solo exp sto” corresponde o às áreas sem qualquer tipo de vegetação, ou seja, sem a presença do horizonte A do solo. Essa área repre sen tou apro ximadamente 1 % na d écada de 1960 ( tabela 4. 1 e anexo

  III) e 8, 50% d o total da área estu da da na déca da de 2000 (t abela 4. 2 e anex o

  IV). Nesta categoria, foram incluídas as pedreiras, repres ent adas princip almente pelas áreas expostas local izadas no to po dos morros (a nexo III).

  É notór io em a mbos os m apas de u e ocupação so do solo (anexo s III e IV ), que as á reas co m pastagem cor espondem aos r ma iores percentuais de ocupação do mun icípio de Candeia s, desde a década de 1960 até os dias de hoje, apesar de terem di inuído significativamente seu percentual m (a proximadamente 10% em 2000 – anexo IV). Concomitantemente, houve a supressão das áreas de mata, em aproximadamente 3%, que apesar de não representar um valor significativo, reduziu ainda m ais a área com vegetação nativa. Além disso, as áreas de cultivo (aproximadamente 7%) e as áreas de solo exposto (aproximadamente 8%) também aumentaram seus percentuais.

  Contribuições às Ciências da Terra Série M, vol. 50, 153p A maior parte das mudanças encontradas em 2000, pode ser relacionada às mudanças vivenciadas pela economia do município de Candeias que, a partir da década de 1980, vivenciou o c rescimento das minerações de granito e gnaisse. Provavelmente, foram as pedreiras de rochas ornamentais as grandes responsáveis pela redução das matas e pastagens, assim como pelo aumento das áreas de solo exposto, encontrados em 2000 (anexos III e IV).

  4.2 – CARTOGRAFIA DAS PEDREIRAS

  Aproximadamente 90% das pedreiras visitadas e estudadas foram aba ndonadas ou interditadas p or órgãos ambientais, o que provavelmente conduzirá ao seu abandono subseqüente. O tempo médio de abandono e/ou paralisação das atividades das pedreiras é de aproximadamente 8 anos, variando de 1 a 17 anos. As pedreiras apresentam as mais variadas formas e tamanhos: a menor com 1 frente de lavra aberta e a maior com até 2 frentes de lavras abertas (tabela 4.3). O número de blocos abandonados pode chegar a aproximadamente 400 nas pedreiras maiores, e os seus volumes variam de 3 3 2

  3,51 cm a 8,79 cm (tabela 4.3). A área média das pedreiras é aproximadamente 10.000 m , variando 2 de 1.521 a 44.080 m (tabela 4.3).

Tabela 4.3 – Características gerais das pedreiras Blocos Frente

Tempo de Abandono Pedreira Município Abandonados Lavra funcionamento (anos)

  3

  2 (vol. Médio m ) (m )

  Não há blocos

Capela Velha

  Cláudio 20 anos 17 1.521 abandonados

  Etgran Cláudio 18 anos

  6 60 (8,79) 44.080

  Bracon Cláudio 6 meses

  1 3 (6,20) 1.602

  Togni Cláudio 2 anos

  2 20 (3,51) 4.848

  Somi Brás Candeias ? ? 120 (7,98) 6.135 Cachoeira dos Pios Cláudio ? ?

  40 (6,64) 1.796

  Gêmeos Candeias ?

  9 60 (5,58) 2.028

  Borges Candeias ?

  4 40 (8,30) 12.875 (I) 22.210

  Marilan I e II Oliveira ? ? 415 (4,72)

  (II) 12.139

  Curral Candei as ?

  16 30 (6,30) 4.344 Fabri, E. S. Avaliação dos impactos ambientais das minerações de rocha ornamental do centro sul do Estado de M ...

  4.2.1 – Pedreira Capela Velha

  A pedreira Capela Velha, localizada no município de Cláudio (figuras 4.1 e 4.2), segundo moradores da região, funcionou durante 20 anos (1960 – 1980). A pedreira possuía 2 frentes de lavra, como observado na figura 4.1. Aparentemente, da menor frente de lavra (figura 4.2 B) não foram retirados muitos blocos, porém da maior frente de lavra (figura 4.2 A) pode-se observar uma maior quantidade de blocos retirados que deram origem a pelo menos 3 bancadas. Na área da cava, não foram encontrados blocos abandonados, porém havia muitos rejeitos espalhados por toda a área. A 2

  área de exploração da pedreira Capela Velha é de aproximadamente 1.521 m (tabela 4.3). A rocha encontrada nessa pedreira é do tipo quartzo-microclina-plagioclásio gnaisse.

Figura 4.1 – Mapa hipsométrico da Pedreira Capela Velha, mostrando as 2 frentes de lavra (1 – primeira lavra e 2 – segunda lavra) abandonadas.

  Contribuições às Ciências da Terra Série M, vol. 50, 153p

  A B

Figura 4.2 – A) Foto da primeira e maior frente de lavra da Pedreira Capela Velha. B) Foto da segunda e menor

  frente de lavra da mesma pedreira. Pode-se perceber que a quantidade de blocos retirados na primeira frente de lavra é muito maior dos que a quantidade de blocos retirados na segunda frente de lavra. A área encontra-se abandonada sem qualquer tentativa de recuperação. Notar a ausência de blocos inteiros abandonados.

  4.2.2 – Pedreira Etgran

  A pedreira Etgran (figuras 4.3 e 4.4), localizada no município de São Francisco de Paula, segundo informações de moradores da região, funcionou durante 18 anos (1983 – 2001) e foi abandonada em 2001 (6 anos paralisada). A pedreira Etgran é a maior pedreira mapeada e estudada e 2 possui uma área de aproximadamente 44.080 m (tabela 4.3). A pedreira possui 1 frente de lavra com

  5 bancadas (figura 4.4). Dentro da área da cava, foram encontrados aproximadamente 60 blocos 3 abandonados, com um volume médio de 8,79 m (tabela 4.3), além de uma grande área de deposição dos rejeitos.

  De acordo com o vigia da pedreira, as atividades foram suspensas depois que um fiscal da FEAM realizou uma vistoria e medidas mitigadoras foram solicitadas. A pedreira ainda apresenta muito material (blocos) estocado e enquanto esses blocos não forem vendidos, as explorações não serão retomadas. A rocha encontrada nessa pedreira é do tipo micorclina-plagioclásio-quartzo gnaisse. Fabri, E. S. Avaliação dos impactos ambientais das minerações de rocha ornamental do centro sul do Estado de M ...

Figura 4.3 – Mapa hipsométrico da Pedreira Etgran mostrando 1 única frente de lavra abandonada.

  A B

Figura 4.4 – A e B) Fotos da frente de lavra da Pedreira Etgran. Essa pedreira é maior pedreira mapeada da região. A área encontra-se abandonada sem qualquer tentativa de recuperação.

  Contribuições às Ciências da Terra Série M, vol. 50, 153p

  4.2.3 – Pedreira Bracon

  A pedreira Bracon (figuras 4.5 e 4.6) que se localiza no município de Cláudio, de acordo com informações passadas pela proprietária da fazenda onde a pedreira encontrava-se instalada, funcionou apenas durante 6 meses (outubro de 2005 a março de 2006) e foi abandonada em 2006 (1 ano paralisada). Na única frente de lavra da pedreira, foram encontrados apenas 3 blocos abandonados, 3 com um volume médio de 6,20 m (tabela 4.3), além da grande quantidade de rejeitos que estão espalhados por toda a área explorada e pela estrada que dá acesso a pedreira. A frente de lavra da 2 pedreira Bracon tem uma área média de aproximadamente 1.602 m (tabela 4.3).

  A rocha encontrada nessa pedreira é do tipo quartzo-plagioclásio-microclina gnaisse e biotita- quartzo-plagioclásio gnaisse.

  A pedreira foi embargada pela FEAM depois que a proprietária do terreno juntamente com os moradores da comunidade fizeram uma denúncia ao órgão ambiental acima mencionado. Essa denúncia se baseou na existência de uma nascente próxima à área da pedreira.

  A B

Figura 4.5 – A e B) Fotos da frente de lavra da Pedreira Bracon. Pode-se perceber que essa pedreira esta

  instalada em área de mata aparentemente preservada. É uma das menores pedreiras mapeadas da região. A área se encon tra abandonada sem qualquer tentativa de recuperação. Fabri, E. S. Avaliação dos impactos ambientais das minerações de rocha ornamental do centro sul do Estado de M ...

Figura 4.6 – Mapa hipsométrico da Pedreira Bracon mostrando uma única frente de lavra abandonada.

  4.2.4 – Pedreira Togni

  A pedreira Togni (figuras 4.7 e 4.8), localizada no distrito de Corumbá, município de Cláudio, funcionou durante 2 anos (2003 – 2005) e foi abandonada em 2005 (2 anos paralisada). Em sua única frente de lavra, foram encontrados aproximadamente 20 blocos abandonados, com um volume médio 3 de 3,51 m (tabela 4.3), além da grande quantidade de rejeitos espalhados por toda a área explorada. A 2 pedreira Togni possui uma área média de aproximadamente 4.848 m (tabela 4.3). A rocha encontrada nessa pedreira é do tipo anfibolito.

  Segundo um morador da fazenda vizinha, suas atividades foram paralisadas porque a rocha era de baixa qualidade, apresentando muitas fraturas e rachaduras.

  Contribuições às Ciências da Terra Série M, vol. 50, 153p

  A B

  

F igura 4.7 – A e B) Fotos da frente de lavra da Pedreira Togni. Pode-se perceber que a exploração foi feita de

forma desordenada e que a área encontra-se abandonada sem qualquer tentativa de recuperação.

Figura 4.8 – Mapa hipsométrico da Pedreira Togni mostrando 1 única frente de lavra abandonada. Fabri, E. S. Avaliação dos impactos ambientais das minerações de rocha ornamental do centro sul do Estado de M ...

  4.2.5 – Pedreira Somi Brás

  A pedreira Somi Brás (figuras 4.9 e 4.10) esta localizada no município de Candeias. Sua exploração se deu em apenas 1 frente de lavra e nela foram encontrados aproximadamente 120 blocos 3 abandonados (figura 4.9), com um volume médio de aproximadamente 7,98 m (tabela 4.3), além da grande quantidade de rejeitos espalhados por toda a área da pedreira. A frente de lavra da pedreira 2 Somi Brás tem área média de aproximadamente 6.135 m (tabela 4.3). A rocha encontrada nessa pedreira é do tipo microclina-quartzo-plagioclásio gnaisse.

  A B

Figura 4.9 – A e B) Fotos da frente de lavra da Pedreira Somi Brás. Pode-se perceber alguns blocos e lascas abandonados. A área encontra-se abandonada sem qualquer tentativa de recuperação.Figura 4.10 – Mapa hipsométrico da Pedreira Somi Brás mostrando uma única frente de lavra abandonada.

  Contribuições às Ciências da Terra Série M, vol. 50, 153p

  4.2.6 – Pedreira Cachoeira dos Pios A pedreira Cachoeira dos Pios (figuras 4.11 e 4.12) esta localizada no município de Cláudio.

  Sua exploração, apesar de pequena, se desenvolveu em 2 frentes de lavra onde foram encontrados 3 aproximadamente 40 blocos abandonados (figuras 4.11 e 4.12), com um volume médio de 6,64 m (tabela 4.3), além da grande quantidade de rejeitos espalhados por toda a área da pedreira.

  Segundo morador da região, essa pedreira parou suas atividades de exploração por volta de 1992/93 porque a rocha era de baixa qualidade, apresentando muitas fratur as e, ainda, nenhu m bloco 2 extraído foi vendido. Sua exploração possui uma área média de aproximadamente 1.796 m (tabela

  4.3). A rocha encontrada nessa pedreira é do tipo quartzo-plagioclásio-microclina gnaisse.

Figura 4.11 – Mapa hipsométrico da Pedreira Cachoeira dos Pios mostrando 1 única frente de lavra abandonada. Fabri, E. S. Avaliação dos impactos ambientais das minerações de rocha ornamental do centro sul do Estado de M ...

  A B

Figura 4.12 – A e B) Fotos da frente de lavra da Pedreira Cachoeira dos Pios. Pode-se perceber que a área encontra-se abandonada sem qualquer tentativa de recuperação.

  4.2.7 – Pedreira Gêmeos

  A pedreira Gêmeos (figuras 4.13 e 4.14), localizada no município de Candeias, foi abandonada em 1998 (9 anos paralisada), segundo informações passadas pelo vigia da pedreira Borges. Na área da cava e na estrada que dá acesso a frente de lavra, foram encontrados 3 aproximadamente 60 blocos, com um volume médio de 5,58 m (tabela 4.3), além da grande quantidade de rejeitos espalhados por toda a área. O lago é o menor estudado; com uma área de 2 superfície de 160 m , uma profundidade máxima de 1 m (figuras 4.13 e 4.14 B) e um volume de 160 3 m , durante a estação chuvosa (tabela 4.13). Sua frente de lavra possui uma área média de 2 aproximadamente 2.028 m (tabela 4.3). Ao longo da estrada que dá acesso a frente de lavra há vários maquinários, pneus e estruturas (banheiro, refeitório) abandonadas. A rocha encontrada nessa pedreira é do tipo biotita-quatzo-plagioclásio gnaisse.

  Contribuições às Ciências da Terra Série M, vol. 50, 153p

Figura 4.13 – Mapa hipsométrico da Pedreira Gêmeos. Pode-se perceber, no lado esquerdo da figura, a

  formação de um lago na frente de lavra. Pode-se perceber também a extensão da área degradada em relação ao tamanho da área explorada.

  A

B Figura 4.14 – A) Foto da frente de lavra da Pedreira Gêmeos. B) Foto do lago formado na frente de lavra

  Observar a quantidade de blocos abandonados e mergulhados no lago, além da quantidade de blocos abandonados ao longo da área degradada dessa pedreira. A área encontra-se abandonada sem qualquer tentativa de recuperação. Fabri, E. S. Avaliação dos impactos ambientais das minerações de rocha ornamental do centro sul do Estado de M ...

  4.2.8 – Pedreira Borges

  A pedreira Borges (figuras 4.15 e 4.16), localizada no município de Candeias, foi abandonada em 2003 (4 anos paralisada), segundo informações de um ex-funcionário da pedreira que hoje trabalha como autônomo no corte de pedra para pavimentação de ruas (paralelepípedos) no local. É uma das pedreiras abandonadas na região, que tem um lago formado em sua trincheira. Na área da cava, foram 3 encontrados aproximadamente 40 blocos abandonados, com volume médio é de 8,3 m (tabela 4.3), além da grande quantid ade de rejeitos espalhados na área. O lag o tem um tamanho médio, com uma 2

  área superficial de 1800 m (tabela 4.13) e uma profundidade máxima de 1,5 m (tabela 4.13, figura 3

  4.16 B) e um volume de água de 2700 m (tabela 4.11), durante a estação chuvosa. A área média de 2 sua única frente de lavra é de aproxima damente 12.875 m (tabela 4.3). A rocha encontrada nessa p edreira é do tipo biotita-quatzo-plagioclásio gnaisse.

  

Fig ura 4.15 – Mapa hipsométrico da Pedreira Borges. Pode-se perceber, no centro da figura, a formação de um

la go na frente de lavra.

  Contribuições às Ciências da Terra Série M, vol. 50, 153p

  A B

Figura 4.16 – A) Foto da frente de lavra da Pedreira Borges. Pode-se perceber que a exploração foi feita de

  forma desordenada e que a área encontra-se abandonada sem qualquer tentativa de recuperação. Observar a

  alguns blocos e lascas mergulhados no lago.

  4.2.9 – Pedreira Marilan

  A pedreira Marilan (figuras 4.17, 4.18, 4.19 e 4.20), a segunda maior pedreira mapeada, esta localizada no município de Oliveira. Sua exploração se deu em 2 frentes de lavra, sendo que a maior (f iguras 4.17 e 4.18) se desenvolveu em 7 bancadas, e a menor (figuras 4.19 e 4.20) se desenvolveu em apenas 2 bancadas. Foram encontrados, aproximadamente 415 blocos abandonados em sua área de 3 exploração, com um volume médio de 4,72 m (tabela 4.3), além da grande quantidade de rejeitos espalhados nas 2 frentes de lavra e ao longo da estrada que dá acesso a área. A primeira frente de lavra 2 mapeada possui uma área média de aproximadamente 22.210 m e a segunda possui uma área média 2 de aproximadamente 12.139 m (tabela 4.3). A rocha encontrada nessa pedreira é do tipo microclina- quartzo-plagioclásio gnaisse e quartzo-plagioclásio-microclina gnaisse.

  Na estrada que dá acesso a pedreira Marilan foi encontrada uma voçoroca (figura 4.21), aparentemente contida com o depósito de rejeitos da pedreira. Pode-se perceber através da figura 4.21 que o material da pedreira (lascas e blocos/rejeito ) foi depositado na voçoroca não com a intenção d s e contê-la mais sim com a intenção de usá-la como uma área de bota fora e isso ajudou na contenção do processo erosivo da mesma. Pode-se observar que a vegetação já esta se instalando no local . Fabri, E. S. Avaliação dos impactos ambientais das minerações de rocha ornamental do centro sul do Estado de M ...

  Fi gura 4.17 – Mapa de hipsométrico mostrando a maior frente de lavra Pedreira Marilan – lavra I.

  A B

Figura 4.18 – A e B) Fotos da frente de lavra da Pedreira Marilan - lavra I. Essa pedreira é a segunda maior p edreira mapeada da região. A área encontra-se abandonada sem qualquer tentativa de recuperação.

  Contribuições às Ciências da Terra Série M, vol. 50, 153p

  

F igura 4.19 – Mapa hipsométrico da Pedreira Marilan lavra II mostrando a menor frente de lavra dessa

exploração.

  A B

Figura 4.20 – A e B) Fotos da frente de lavra da Pedreira Marilan - lavra II. É a mesma pedreira da Marilan I,

  porém é outra frente de lavra, menor do que a anterior. A área também se encontra abandonada sem qualquer tentativa de recuperação. Notar a grande quantidade de blocos extraídos e abandonados Fabri, E. S. Avaliação dos impactos ambientais das minerações de rocha ornamental do centro sul do Estado de M ... Fabri, E. S. Avaliação dos impactos ambientais das minerações de rocha ornamental do centro sul do Estado de M ...

Figura 4.21 – Foto de uma voçoroca localizada próxima à pedreira Marilan. Pode-se perceber que o processo de

  e rosão da voçoroca está contido e que a mesma esta se encontra em processo de revegetação natural. Destaque para a escala utilizada.

  4.2.10 – Pedreira Curral

  A pedreira Curral (figuras 4.22 e 4.23), localizada no município de Candeias, foi abandonada em 1991, 16 anos atrás. Em sua única frente de lavra, foram encontrados aproximadamente 30 blocos, 3 com um volume médio de 6,30 m (tabela 4.3), porém não foram encontrados rejeitos ao longo de sua 2 área. Sua frente de lavra possui uma área média de aproximadamente 4.344 m (tabela 4.3). A rocha encontrada nessa pedreira é do tipo microclina-quartzo-plagioclásio gnaisse.

  Segundo informações passadas pelo proprietário do terreno, a exploração não teve sucesso por dificuldades na venda do produto.

  Contribuições às Ciências da Terra Série M, vol. 50, 153p

  A B

Figura 4.22 – A e B) Fotos da frente de lavra da Pedreira Curral. É uma das menores pedreiras mapeadas da re gião. A área encontra-se abandonada sem qualquer tentativa de recuperação.Figura 4.23 – Mapa hipsométrico da Pedreira Curral mostrando uma única frente de lavra abandonada.

  Fabri, E. S. Avaliação dos impactos ambientais das minerações de rocha ornamental do centro sul do Estado de M ...

CAPÍTULO 5 CARACTERIZAđấO PETROGRÁFICA E FễSICO QUễMICA DAS PEDREIRAS ESTUDADAS (rochas, solos e água) 5.1 – P ETROGRAFIA DOS LITOTIPOS DAS PEDREIRAS ESTUDADAS

  As pedreiras estudadas exploram, principalmente, os gnaisses do Complexo Metamórfico Campo Belo (anexo I). São rochas de cor cinza, ci nza esverdeada e ou rosada, com predominância de granulação fina a média (figuras 5.1 A e B e 5.2), onde a textura do gnaisse varia de granoblástica a granolepidoblástica. Localmente, ocorrem anfibolitos com textura decussada (sem orientação preferencial), que são constituídos, principalmente, por clinoanfibólios e plagioclásio, com presença de opacos.

  A B F igura 5 .1 – A) Gnaisse Cláudio. B) Gnaisse Candeias com encraves anfibolíticos. (Carneiro et al, 2006). F igura 5 .2 – Encrave anfibolítico no Gnaisse Fernão Dias. (Carneiro et al, 2006). Fabri, E. S. Av aliação dos impactos ambientais das minerações de rocha ornamental do centro sul do Estado de M ...

  Os gnaisses são constituídos principalmente por plagioclásio, microclina, quartzo e biotita, com a formação secundária de carbonatos, Mg-Fe-clorita, Fe-Mg-clorita e epídoto, tendo a presença de hornblenda, granada, k-feldspato, apatita e opacos como acessórios. A biotita se apresenta co mo palhetas castanhas substituindo os anfibólios, especialmente os clinoanfibólios. A maioria da biotita apresenta- se substituída Mg-Fe-clorita e Fe-Mg-clorita. O epídoto ocorre juntamente com a clorita substituindo a biotita, além de aparecerem substituindo os plagioclásios e os feldspatos. Já os carbonatos aparecem substituindo os feldspatos.

  As pedreiras Curra l e Som i Brás (anexo I) aprese nta m em sua compos ição a Fe-Mg-clorita, que aparece substitu indo a biotita, enqua nto que o mais comum entre as pedreiras estudadas é a Mg- Fe-clorita s ubstituir a bi otita.

  Nas pedreiras Capela Velh

  a, Gêmeos, Borges e Marilan (anexo I) foi con statado a presença de carbonatos, que sem re substituem p os feldspatos.

  Na pedreira Gêmeos, foi ncontra e do, além da Mg-F e-clorita, o epídoto. Na pedreira Borges, foi encontrado, além dos carbonatos, o que ocorre substituindo a biotita, juntamente com a Mg-Fe- clorita. Os gnaisses das pedreiras Capão e Marilan também apresentam em sua composição mineralógica o epídoto, que ocorre substituindo os p lagioclásios.

  A pedreira Bracon (anexo I), além da presença do epídoto que ocorre substituindo os p lagiocl ásios, tem a presença da hornblenda e da granada em sua composição mineralógica.

  A apatita foi encontrada nas pedreiras Grota da Cana, Fazenda e Capão (anexo I). Além disso, a rocha da pedreira Mário Lúcio foi à única rocha a apresentar o K-feldspato com pertita, em sua composição.

  Entre as rochas encontradas nas pedreiras estudadas, o anfibolito foi amostrado apenas na pedreira Togni (anexo I), as demais rochas das pedreiras foram classificadas como gnaisse. Apesar disso, clinoanfibólio também foi encontrado nas pedreiras Mário Lúcio, Capão e Cachoeira dos Pios (anexo I).

  5.2 – ANÁLISES FÍSICO-QUÍMICAS DOS SOLOS DAS PEDREIRAS

  Segundo Amaral (1993), os solos dos municípios estudados são dos tipos: latossolo vermelho- escuro, podzólico vermelho-amarelo, cambissolo e latossolo vermelho-amarelo. Baseado na

  Contribuições às Ciências da Terra Série M, vol. 50, 153p classifi caçã o de Munsell (1975), os solo s analisados apresentam cores em tons de vermelho claros a escuro s, c astanho claro, avermelhado e a cinz entado, amarelos e em tons de cinza e cinza esverdeado (tabela 5.1). A granulometria encontrada oscila entre cascalho, areia e argila (tabela 5.1).

Tabela 5.1 – Cor e granulometria dos solos das pedreiras estudadas. Pedreira Cor Granulometria

  Capela Velha cinza esverdeado claro areia grossa a fina

  Castanho claro areia grossa a fina

Fontex

  castanho acinzentado areia grossa a média

  Bracon Togni vermelho escuro areia grossa a fina

  vermelho areia grossa a fina

Somi Brás

  vermelho areia grossa a fina e argila

  Cachoeira dos Pios ETGran castanho aver melhado areia grossa a fina

  amarelo claro areia grossa a média

Gêmeos

  castanho avermelhado areia grossa a fina e argila

  Borges

Marilan amarelo avermelhado cascalho, areia grossa a fina

  cinza cascalho, areia grossa a fina

Campo Belo 5.2 .1 – Análise de difração de raios-X

  A análise mineralógica através da di fração de raios – X mostrou que o solo tem composição semelhante à da rocha, revelando a presença de: quartzo, caulinita, muscovita, albita, anortita, ilmenita, microclina, goethita e gibbsita (tabela 5.2). Pode-se observar que os minerais quartzo (ausente nas pedreiras Fontex, Togni e Cam po Belo) e caulinita (ausente nas pedreiras Capela Velha, S omi Brás e Gêmeos), estão presentes em aproximadamente 77 % do total das amostras analisadas (tabela 5.2). Enquanto que os minerais ilmenita (na pedreira ETGran), microclina (na pedreira Bracon), goethita (no solo da pedreira Borges) e gibbsita (na solo da pedreira Togni) estão presentes e m a p enas 7,7 % das amostras (tabela 5.2). Já os minerais muscovita (presentes nos solos das pedreiras Fontex, Bracon, Borges, Marilan, Campo Belo) e a anortita (nos solos das pedreiras Capela Velha, ETGran, Somi Brás , Ca choeira dos Pios, Gêmeos) estão presentes em aproximadamente 46 % das am ost ras e a albita (present es nos solos das pedreiras Capela Vela, Fontex, Togni, Gêmeos e C amp o Be lo) ap res enta- se e m a proxim ada mente 38 % das amostras (tabela 5.2).

  • A os és de r lb ta oe

  • X - - - -

Velha

  X -

  X -

  X X X -

  n dos Pios o

  X X

  X X

  X -

  X X X -

  eos

  X -

  hoeira

  X -

  on

  X

  ra

  X -

  Font ETG Brac Togni Cac Gêm Borges Cam ex -

  X X

  ita Anorti aios-X. Ilmenita Microclina G thita Gibbsita Capela

  da difração

  zo Caulinita Muscovita A

  solos das pedreiras estudadas, atrav

Tabela 5.2 nálise mineralógica d Pedreiras Quart

  Fabri, E. S. Avaliação dos impactos ambientais das minerações de rocha ornamental do centro sul do Estado de M ...

  • X -
  • X - -

  X X X -

  • X - -
  • X
  • X

Somi Brás

  • >X -
  • ese te (-) ausente<
  • >
  • Marilan

    • X

      ) pr n

      X X

      X X

      po Bel

      X -

      (X

    • 68 -
    Contribuições às Ciências da Terra Série M, vol. 50, 153p Segundo Deer et al (1966), o quartzo (SiO 2 ) é o mais abundante e encontra-se como mineral secundário na co mposição mineral das rochas. Na análise de difração de raios-X o quartzo aparece na maioria dos solos das pedreiras estudadas, com exceção dos solos das pedreiras Togni e Fontex (tabela 5.2 e anexo I). No caso do solo da pedreira Togni, a ausência de quartzo está relacionada com a própria rocha que forma a cava – um anfibolito.

      A fórmula da caulinita é a Al 4 [Si 4 O 10 ] (OH) 8

      e, segundo Deer et al. (1966) são os minerais mais argilosos e se formaram, muitas vezes acompanhados por quartzo, oxido de fe ro pirita, r , muscovita, por alteração hidrotermal ou por meteorização de feldspatos, de feldspatóides e de outros silicatos. Das amostras de solo das pedreiras estudadas (tabela 5.2) que apresentaram caulinita em sua composição mineralógica, apenas na amostra de rocha da pedreira Borges o carbonato ocorre substituindo os feldspatos (anexo I). Entretanto nas 3 amostras de solo (tabela 5.2) que não ap resen taram caulinita em sua composição mineralógica foi encontrado o carbonato substituindo os feldspatos nas amostras de rocha de 2 pedreiras, a pedreira Capela Velha e Gêmeos (anexo I).

      A fórmula convencional da muscovita é K Al [Si Al O ](OH,F) (Deer et al., 1966). A 2 4 6 2 20 4 muscovita identificada na difração de raios-X, não foi vista em lâmina delgada possivelmente devido ao tamanho da sua granulação.

      Microclina (KAlSi 3 O 8 ) é um importante tectossilicato constituinte de rochas ígneas .

      T ambém designado por " feldspato alcalino ", é comum no granito e rochas relacionadas e em rochas . A maioria das rochas das pedreiras estudadas apresenta maior porcentagem de

      metamórficas

      plagioclásio comparado com a porcentagem de microclina, com exceção das rochas das pedreiras Cachoeira dos Pios, Bracon e Marilan, onde a porcentagem de microclina é maior do que a de plagioclásio e na pedreira Capela velha onde a porcentagem de ambos os minerais é a mesma (anexo I). Poré m, a microclina somente foi encontrada no solo da pedreira Bra con, e está ausente nos demais solos analisados (tabela 5.2).

      Segundo Deer et al (1966), a goethita é um mineral hidratado de óxido de ferro , com fórmula q uímica FeO 2 OH e ocorre freqüentemente como produto de meteorização de minerais de ferro como siderita, magnetita e pirita. Geralmente a goethita forma-se em condições oxidantes acumulando-se por precipitação direta a partir de águas superficiais. A goethita esta presente na amostra de solo da pedreira Borges (tabela 5.2).

      A gibbsita é um hidróxido de alumínio constituinte principal das bauxitas e lateritas, sua composição química é: Al (OH) (Deer 3 et al., 1966 ). A gibbsita esta presente na amostra de solo da pedreira Togni (tabela 5.2) . Fabri, E. S. Avaliação dos impactos ambientais das minerações de rocha ornamental do centro sul do Estado de M ...

      5.2.2 – Análise de fluorescência de raios-X

      A análise composicional através da fluorescência de raios – X mostrou a presença de: SiO 2 , TiO 2 , Al 2 O 3 , Fe 2 O 3 , MnO, MgO, CaO, Na 2 O, K 2 O e P 2 O 5 nos solos (tabela 5.3). Pode-se perceber que o óxido mais abundante é a sílica (SiO 2 ) com um percentual variando de 41,7 a 74,8%, seguido do oxido Al 2 O 3 , com um percentual variando de 10,0 a 31,6% (anexo II). O percentual de Fe 2 O 3 atingiu 13,0%. Os demais elementos ficaram com os seus percentuais abaixo de 10%.

      A porcentagem de SiO mostrou-se mais elevada nas 2 amostras de solo das pedreiras estudadas (tabela 5.3) d evido a presença de quartzo, tanto nas am ostras de solo quanto nas amostras de rochas.

      No solo da pedreira Borges foi a maior concentração encontrada de Al 2 O 3 , possivelmente devido ao a l to teor de plagioclásio (aproximadament e 70% da amostra) encontrado nas amostras das rochas dessas pedreiras.

      O T iO 2 ap resentou um alto valor no solo da pedreira Togni, onde a rocha é rica em clinoan fibó li o (M g, Fe ). Po rém , a cummingtonita e ncontrada nessa rocha é um anfibólio de Fe, por isso o m agn é sio não é tão al to.

      Com relação ao Na 2 O e CaO, pode-se perc eber que o sódio aparece sempre maior do que o cálcio, que possivelmente é o reflexo de uma composição mais sódica dos plagioclásios. Os K 2 O estão relacion ado s com a microclina e ajudam a confirmar a composição mais sódica dos plagioclásios.

      5.2 .3 – Elementos maiores e traços presentes nos solos

      A s eguir serão descritos os elem entos maiores e traços analisados no ICP e comparados com os valores orientadores para solo no estado de São Paulo, de acordo com a decisão da diretiva n° 195 – 2005 da CETE SB (tab ela 5 .4), ue q de term ina a concentração da substância no solo acima da qual existem risc os potenciais, diretos ou indiretos, à saúde humana.

      Os valores encontrados foram comparados aos valores do estado de São Paulo por causa das ausências de valores para o estado de Minas Gerais.

    • Análise mineralógica d s das pedreiras estuda TiO
      • X

    MnO MgO

    CaO

    Na

      4, 3, 3, 3, 3, 3, 4, 3, 3, 6,

    Etgran

    Bracon

      Borges 41, Marilan 75,

      67, 5 3,03 19 4,14 0,03 3,36 7 2,76 35 1,20 0,04 5,88 - 7 2,11 37 3,46 0,03 7,06 0,59 2 13,0 41 1,47 0,10 10,23 0,59 5 3,21 45 0,91 0,06 7,04 - 9 0 3,26 13 1,25 0,04 11,65 0,74 8 0 2,81 59 2,01 0,02 1,67 0,84 7 0 12,2 57 0,82 0,09 5,18 0 0 2,42 6 0 3,26 79 2,27 0,10

      0,14 0,43 0,12 0,19 0,10 0,21 0,14 0,36 0,08 0,42 0,19 0,15 0,08 0,24 0,11 0,32 0,07 0,47 0,10 0,65

      0,47 0,08 0,03 0,21 0,28 0,09 0,58 0,17 0,40 2,06

      0,8 56 0,98 0,07 ,43 0,57

      0,73

      1

      6

      63,

      3 0,38 14,6 0,37 13,4 0,34 15,0 1,59 15,7 0,70 14,4

      ,50 15,1 ,36 10,0 ,81 25,5 ,39 12,9 ,37 14,4

      74,

      Togni 53, Somi Brás 72,

      67,

      2 Al

      Contribuições às Ciências da Terra Série M, vol. 50, 153p

    Tabela 5.3 os solo das, atr SiO

      2 Fe

      2 O

      3

      2 P

      avés da fluorescênc

      ia de raios

      2 O

      3 O K

      2 O P

      2 O

      5 P C Perda Pedreiras

      (%) (%) %) (%) (%) (%) (%) (%) (%) (%) (%) ( (%)

      

    Capela Velha 70,4 2,27 99 2,88 0,03 1,86 0,29 13,8 0,16 0,31 1,44 5, 0,57

    Fontex 68,

      72,

    Cachoeira dos Pios

    Gêmeos

    Campo Belo

    • 71 -
    Fabri, E. S. Avaliação dos impactos ambientais das minerações de rocha ornamental do centro sul do Estado de M ...

    Tabela 5.4 – Valo res O rien tados para solo no estado de São Paulo.

      VRQ

    VI VE Elementos (mg/kg) (mg/kg) (mg/kg)

      Antimônio &lt; 0,5 25 &lt; 4,60 Arsênio 3,5 150 &lt; 5,16 Bário 75 750 301,20 a 1.053 Cádmio &lt; 0,5 2 &lt; 0,79 a 9 ,96 Chumb o

      1

      7 90 &lt; 6,

      41 Cobre

      35 60 0, 86 a 1 29 ,70 Cobalto

      13 90 21,68 a 86,40 Cromo 40 400 9,58 a 304,30 Molibd ênio &lt; 4 12 &lt; 1,

      16 Níquel

      13 13 2, 88 a 1 32 ,10

    • Vanádi o 275 22,3 0 a 403 ,30 Zinco

      60 2000 8,36 a 96,60

      Os Valo res O rient adores s ão definidos e têm a sua utilização como seg e: u

      VRQ (V alor es de R ef erênc ia de Q ual id ade ) é a c on cen tra ção de de ter min ada s u bst ân cia no sol o, q ue de fine um solo com o li mpo e é d eterm in ado co m b as e e m in te rpre taçã o est atí stic a d e a nál ises fi sico -qu ím ica s de am os tra s de diver sos t ipos d e s olos do Estado de São Paulo. Deve ser utilizado como referência nas ações de prevenção da polu ição d o solo e de controle de áreas contaminadas.

      VI (Valores de Intervenção industrial) é a concentração de determinada substância acima da qual existem riscos potencia is, d iretos o u indi reto s, à sa úd e hu m ana , co ns ideran do um cen ár io d e e xpo si ção gen é rico . Pa ra o so lo , foi calc ulado utiliza ndo- se p roc edim en to de ava lia ção d e r isco à sa úde hu ma na pa ra cen ár ios de ex pos içã o Industri al. A área s erá c lass ifica da co mo Ár ea Co nta min ad a s ob Inve st igaç ão qu an do hou ve r co nst ata ção d a presenç a de conta mina ntes no solo em concentrações acima dos Valores de Intervenção, indicando a necessid ade de ações para resguardar os receptores de risco.

      VE: val ores en contr ados

      Os elemen tos Arsênio (As ), B er ilo (B

      e), Bi sm uto (B i) (c om ex ce ção d o s olo d as pe dre ira s Somi B rás e Gême os), Cád mio (Cd) (c om ex ce ção d o s olo da s p ed reir as To gn i e Bo rge s), M oli bdê nio (Mo), Chumbo (Pb) e Antimônio (Sb) apresentaram valores abaixo do limite de quantificação do ICP, que são, 5,16 mg /kg, 1,0 m g/kg, 7,50 mg/kg, 0,79 mg/kg, 1,16 mg/kg, 6,41 mg/kg e 4,60 mg/kg respect ivam ente (t abel a 5.5 ).

      Tod os os valor es e ncontrados para o bário ficaram acima do valor de qualidade de referência estabelecido pela CETESB. Porém, as maiores con centrações de bário foram dos solos das pedreiras Capela Vel ha, Fon tex e Gêmeos, que ficaram acima do valor estabelecido pela CETESB, para que a área seja considerada um a áre a co nta mi nad a so b inv est iga çã o ( tab ela 5.4 ). Es se res ul tad o é influenciado pela maior p orc enta g em de p lag ioc lás io, al ém di sso , o b ári o p od e v ir su bst itu ind o o cálcio presente nos plagioclásios, nas amostras de rocha de 35% para as pedreiras Capela Velha e Fontex e d e 70% pa ra a pedreira Gêmeos. Não é considerado anomalia devido a composição das rochas, port anto esse val seria encontrado mesmo sem intervenção da atividade de extração mineral. or

    Cachoeira dos Pios Gêmeo

    Capela Velha

    Fontex Etgran B

      1,1 ,16 9. .534

      30 1 4,20 4 ,9

      11.697 4.426 403,30 91,70

      21,04 3,87 29,42 80,40 11,84 15,75

      &lt; 6,41 &lt; 6,41 &lt; 4,60 &lt; 4,60

      &lt; 1,16 &lt; 1,16 2.190 3.250 37,76 9,70

      33 14,29 10,97 5 2.230 794 938,00 269,20

      21 48,27 25,27 6 129,70 7,40 49 95.027 27.613 61 12.679 7.434

      9 &lt; 0 7 51, 9 25, 8 24,

      91 19.

      9 19. 5 20, 7 5.1

      80 3 4,49 52 5,9

      5 25,57

      87 1. .629 2. .46

      69 13 0,40 30 0,5 ,70 1 8,83 19 6,5

      4,6 ,60 2 2,69 ,2

      6,4 ,41 4,60

      25 6,41

      .17 872 1 8,53 ,2

      Contribuições às Ciências da Terra Série M, vol. 50, 153p

      4 1,16

      15 16 11,60 0,

      78 .19

      90 3.

      &lt; 1 &lt; 7 4 20.

      1.323 6.704 &lt; 0,79 &lt; 0,79

      248,40 886 &lt; 1,00 &lt; 1,00 &lt; 7,50 13,00

      2 7,03 &lt;

      6 &lt; 6,41 &lt; &lt; 4,60 &lt;

      4 132,10

      3.372

      15 &lt; 1,16 &lt;

      1 444,60

      1 1.675

      21 5.895 8 14,26

      1 89.885

      2 49,02

      4 304,30

      29,19

      2.291

      32

      3 &lt; 1,00 &lt; &lt; 7,50 &lt;

      301,20

      1 5.630

      2 191,40

      3,46 1,55 ,77 234,00 ,09 25,16 533 2.004 ,90 49,39

      &lt; 6,41 &lt; 6,41 &lt; 4,60 &lt; 4,60

      2.239 13.823 5,59 1,92

      104,30 242,50 &lt; 1,16 &lt; 1,16

      7.945 19.020 10,41 10,57 518 1.268

      &lt; 0,51 &lt; 0,51 20.893 16.668

      37,59 86,40 15,59 9,58

      9.3 .22 563 1 0, 2,5

      72

      0.6 .1 547

      &lt; 1,00 &lt; 7,50

      &lt; 1,00 &lt; 1,00 &lt; &lt; 7,50 &lt; 7,50 &lt; 823 1.447

      11,58 1.026 22,30

      1,56 233,70

      &lt; 6,41 &lt; 4,60

      23.992 2,88

      107,70 &lt; 1,16

      6,75 1.913

      &lt; 0,51 10.994 20.820

      52,00 10,76

      12.484 &lt; 0,79

      &lt; 5,16 981

      6,26 49,46

      As Ba Be Bi Ca Cd Co Cr Cu Fe K Li Mg Mn Mo Na Ni Pb Sb Sc Sr Th Ti

      8 91 93.179 82.612 89.399 57.996 145.250 74 30 79.1

      4.3 .7 75.237 73 .394

       Borges Ma an Camp Al 74.894 79

      digestão tota

      ras estudadas, atr vés

      on Togni Somi Brás

      s nas amostras de solo das

      e elementos traços e mai

      Análise dos teor

      ) rac s ril o Belo Tabel Elementos (mg/kg

      1 &lt; 0,79 &lt; 0,79 &lt;

      7 4,30 19,21

      16

      &lt; 4 1 2, 0 302 7 12, 5 1.9 0 44,

      3 67,20 5 10,29

      47 2 0,8 ,5

      30 2 3, 0,3

      0,7 ,79 3 4, 6,4

      .69 345 0,

      7,5 ,50 4. .2

      1,0 ,00 7,

      2 1,

      61 49,

      5,1 ,16 1.

      50 26 6 &lt; 1 6 27. 7 9, 1 &lt; 6

      3 2,04 10,47

      2 ,86 0,92

      1 7,64 36,18

      1 773 1.637

      5 7,62 14,09

      ,47 3,45 0,20 33,87

      &lt; 6,41 &lt; 6,41 &lt; &lt; 4,60 &lt; 4,60 &lt;

      2 1,28 8,31

      1 &lt; 1,16 &lt; 1,16 &lt; 641 2.942

      2 029 772 9,70 123,40

      2 6,76 12,44

      1 .649 8.768

      .8 64 14.624

      15,26

    V Y Zn Zr

      9,00 168,70 &lt; 5,16 &lt;

      83 2 3,54 14 ,1

      4,42 19,02

      197,90 &lt;5,16 &lt; 5,16 &lt; 053 323,50

      1 4,9 8,36

      7 8, 60 49, 70 140,

      1 7,40 181,40

      2 5,

      70 16 22,90 35 2,

      ,53 6,14 ,87 12,22

      20 16 &lt; 5,16 &lt; 5,16 1 458,30 459,20 00 &lt; 1,00 &lt; 1,00 50 &lt; 7,50 8,33 20 2.900 1.678 79 9,96 &lt; 0,79 20 71,70 56,70

      32,71 6,05 86,3 32,03

      16 6 &lt; 5 2 72

      23 248,10

      7 80,60

      256,80 151,50 &lt; 5,16 &lt; 5,16

    • 73 - a 5.5 – es d ore pedrei a da l.
    Fabri, E. S. Avaliação dos impactos ambientais das minerações de rocha ornamental do centro sul do Estado de M ...

      As concentrações de cobre (Cu) encontradas no solo das pedreiras ficaram abaixo do valor de intervenção industrial estabelecido pela CETESB (tabela 5.4). Porém, os solos das pedreiras Togni e Borges ficaram acima do valor de referência de qualidade estabelecido pela CETESB (tabela 5.5).

      A maior concentração de cobalto (Co) foi observada no solo da pedreira Gêmeos (tabela 5.5). As concentrações de cobalto no solo das pedreiras estudadas foram maiores do que o valor de referência de qualidade estabelecido pela CETESB (tabela 5.4), entretanto ficara m abaixo do valor de intervenção industrial, onde a área é considerada uma área contaminada sob investigação (tabela 5.5).

      O elemento cromo (Cr) apresentou um valor extremamente elevado no solo da pedreira Borges (304,30 mg/kg) se comparado com os valores apresentados pelas demais pedreiras (tabela 5.5). A concentração de cromo no solo da pedreira Borges ficou acima do valor de referência de qualidade estabelecido pela CETESB (tabela 5.4), entretanto ficou abaixo do valor de intervenção industrial, onde a área é considerada uma área contaminada sob investigação (tabela 5.5).

      O níquel (Ni) encontra-se com uma concentração de 132,10 mg/kg no solo da pedreira Borges, a maior concentração encontrada comparada com as demais pedreiras (tabela 5.5) e a única concentração que se encontra acima do valor de intervenção industrial estabelecido pela CETESB (tabela 5.4). As demais concentraçõ es encontram-se abaixo de 42 mg/kg (tabela 5.5). Destas, apenas o solo da pedreira Togni ficou acima do valor de referência de qualidade estabelecido pela CETESB. Não é considerado anomalia devido a composição das rochas, portanto esse valor seria encontrado mesmo sem intervenção da atividade de extração mineral.

      É possível se observar na tabela 5.5, que a concentração do vanádio (V) foi extremamente elevada no solo da pedreira Togni comparada com a concentração das outras pedreiras, a única concentração acima do valor de referência de qualidade e stabelecido pela CETESB (tabela 5.4), claramente relacionada com o litotipo da pedreira – um anfibolito. Não é considerado anomalia devido a composição das rochas, portanto esse valor se ria encontrado mesmo sem intervenção da atividade de extração mineral.

      Através da tabela 5.5 pode-s e perceber que a concentração de zinco (Zn) no solo de 2 pedreiras ficou com as maiores concentrações, são eles: Togni e Borges, respectivamente, que c ompar ados com os valores de referência estabelecidos pela CETESB, encontram-se elevados, entretanto não ultrapassou o valor de intervenção industrial estabelecido pela CETESB (tabela 5.4).

      Co mo se pode observar na tabela 5.5, as maiores concentrações de ferro (Fe) foram dos solos das pedreiras Togni e Borges. Esses valores são explicados, na pedreira Togni devido à alta porcentagem de clinoanfibólios e na pedreira Borges devido à presença de goethita. Os menores valores Fe foram os solos das pedreiras Capela Velha e Bracon.

    • 74 -

      Contribuições às Ciências da Terra Série M, vol. 50, 153p Pode-se perceber também que o solo da pedreira Borges apresentou o maior valor de alumínio

      (Al), possivelmente explicado pela elevada porcentagem de plagioclásio encontrada nas lâminas delgadas das rochas dessa pedreira.

      A concentração do cálcio (Ca) foi maior nos solos das pedreiras Campo Belo e Capela Velha e menor nos solos das pedreiras Etgran, Bracon e Cachoeira dos Pios (tabela 5.5). Esses altos valores são, provavelmente, devido à presença de carbonatos substituindo os feldspatos.

      O potássio (K) apresent ou concentrações maiores nos solos das pedreiras Fontex, Bracon, Gêmeos e Capela Velha (tabela 5.5) e menores nos solos das pedreiras Borges, Somi Brás, Etgran, C achoeira dos Pios, Marilan (tabela 5.5). No caso dos solos das pedreiras Fontex, Bracon e Capela Velha os altos valores de potássio, possivelmente, são explicados pela alta porcentagem de microclina encontrada nas rochas dessas pedreiras (anexo I). Além disso, na pedreira Bracon, foi encontrada a microclina também na difração de raios-X.

      Os valores do manganês (Mn) para os solos das pedreiras não tiveram elevadas oscilações (tabela 5.5), com exceção do solo da pedreira Togni que apresentou a maior concentração (938,00 mg/kg -tabela 5.5). Esse valor é influenciado pela alta porcentagem de clinoanfibólio encontrada na rocha da pedreira Togni (anexo I).

      As concentrações de sódio (Na) mostraram-se elevadas em 4 pedreiras, são elas: Campo Belo, Capela Velha, Gêmeos e Fontex, respectivamente. Como mencionado anteriormente, através comparação do Na 2 O e CaO pode-se perceber que os plagioclásios encontrados nas ro chas das pedreiras estudadas possuem uma composição mais sódica do que cálcica. Além disso, as pedreiras

      C ampo Belo, Capela Velha, Gêmeos e Fontex foram as que apresentaram maiores valores de Na 2 O, e, ainda, apresentaram albita em sua composição mineralógica.

      Os maiores valores da concentração do escândio (Sc), como se pode observar na tabela 4.8, for am d os solos das pedreiras Togni e Borges O estrôncio (Sr) apresentou concentrações mais elevadas nos solos das pedreira s Campo Belo, Gêmeos e Capela Velha (tabela 5.5).

      O elemento titânio (Ti) apresentou um valor extrem amente elevado no solo da pedreira Togni (11.697 mg;kg) comparado com os valores apresentados pelas demais pedreiras (tabela 5.5), devido a a lta concentração de clinoanfibólio, que são mais ricas em ferro e magnetita, presente nas rochas dessa pedreira.

    • 75 -
    Fabri, E. S. Avaliação dos impactos ambientais das minerações de rocha ornamental do centro sul do Estado de M ...

      As concentrações do zircônio (Zr) não apresentaram grandes variações (tabela 5.5).Porém a concentração do solo da p edreira Cac hoeira dos Pios teve um valor muito maior comparado com os outros valores (tabela 5.5) .

      Os resultados encontrados e discutidos acima foram fortemente influenciados pelas composições originais das rochas das pedreiras. Isso fica mais evidente quando se analisam os resultados da pedreira Togni, a única pedreira onde foi amostrado um anfibolito. Apesar de não terem sido amostrados anfibolit s na pedreira o Borges, os resultados encontrados pela geoquím ica indicam a presença dessa rocha na região.

      

    5.3 – ANÁLISES FÍSICO-QUÍMICAS DOS SEDIMENTOS DE FUNDO DOS LAGO S

    D AS PEDREIRAS GÊMEOS E BORGES

      Segundo a classificação de M unsell (1975), os s dimentos de fundo e das pedreiras analisados apresentam cores amarelo e castanho claro (tabela 5.6). A gran ulome tria encontrada foi areia fina e argila

      Na análise de difração de raios-X o quartzo aparece nas 2 amos tras de sedimento de fundo dos lagos das pedreiras estudad as, (tab ela 5.7). Esse r esultado é influenciado pela porcentagem de quartzo existente na composição mineralógica da rocha dessas pedreiras ( anexo I).

      A porcentagem de SiO 2 m ostrou- se mais elevada nas amostra s de sedimento do fundo dos lagos das pedreiras estudadas (tabela 5.8) devido a presença de quartzo, tanto nas amostras de solo q uanto nas amostras de rochas.

      O aparecimento do Al 2 O 3 é possivelmente devido ao alto teor de plagioclásio (aproximadamente 70% da amostra) encontrado nas amostras das ro chas dessas pedreiras e a presença de caulinita nos sedim entos de fundo dos lagos de ambas as pedreiras (tabela 5.7).

      Os valores mais elevados de Na O apar e cem de v ido a prese n ça de p la gioclásio, mais sódico 2 do que cálcico, na mineralogia das rochas dessas p edreir as.

    • 76 -

      Contribuições às Ciências da Terra Série M, vol. 50, 153p

    Tabela 5.6 – Cor e granulometria dos sedimentos de fundo dos lagos das pedreiras Gêmeos e Borges.

    Pedreiras Cor Gra ulometria n

      amarelo argila

      Gê meo s

    Borges castanho claro areia fina e ar gila

      s de fun do dos lagos das pedreiras Gêmeos e Borges,

    Tabela 5.7 – Análise mineralógica dos sedimento

      através da difração de raios- X.

    Pedreira Gêm eos Pedreira Borges

      X X

    Quartz o Caulini ta

      X X

      Muscov ita - X

      Albita Anortit a X -

      (X) presente (-) ausentes

    Tabela 5.8 – Análise mineralógica dos sedimentos de fundo dos lagos das pedreiras Gêmeos e Borges, através da fluorescência de raios-X.

      (%) Pedreira Gêmeos Pedreira Borges 45,0 43,7

    SiO

      2 TiO 0,59 0,51

      2 Al O

      2 3 31,6 31,3

      4,85 6,24

    Fe

      2 O

      3 MnO 0,09 0,10 MgO 0,99 1,20

      0,34 0,33

      CaO Na O 3,45 3,40

      2

      1,26 1,02

    K O

      2

      0,09 0,11

    P O

      2

      Perda

    Tabela 5.9 – Análise dos teores dos elementos traços e maiores nas amostras de sedimento de fundo dos lagos das pedreiras Gêmeos e Borges, através da digestão total.

      

    Elementos (mg/kg) Pedreira Gêmeos Pedreira Borges

    Al 189.969 179.803

      &lt; 5,16 &lt; 5,16

      As Ba 618 516

      &lt; 1,00 &lt; 1,00

    Be

      &lt; 7,50 &lt; 7,50

      Bi Ca 1.946 1.867

      &lt; 0,79 &lt; 0,79

    Cd

      22,46 21,68

      Co Cr 22,44 76,90

      15,48 35,06

    Cu

      36.098 46.448

      Fe

    • 77 -
    Fabri, E. S. Avaliação dos impactos ambientais das minerações de rocha ornamental do centro sul do Estado de M ... Continuação Tabela 5.9

      

    Elementos (mg/kg) Pedreira Gêmeos Pedreira Borges

      10.719 8.562

    K

      22,90 21,92

      Li Mg 4.088 5.248

      332,30 385

    Mn

      &lt; 1,16 &lt; 1,16

      Mo Na 3.515 2.546

      13,05 41,22

      Ni

    Pb &lt; 6,41 &lt; 6,41

    Sb &lt; 4,60 &lt; 4,60

      6,31 12,41

      Sc Sr 81,50 72,40

      6,33 5,14

    Th

      3.730 3.241

      Ti V 70,10 94,30

      21,81 28,71

    Y

      96,60 90,10

      Zn

    Zr 63,90 54,80

      O sedimento de fundo do lago da pedreira Borges apresentou diversos valores acima dos de referência de qualidade estabelecido pela CETESB (tabela 5.4).

      As concentrações de cobalto nos sedimentos de fundo dos lagos das pedreiras Gêmeos e Borges foram maiores do que o valor de referência de qualidade estabelecido pela CETESB (tabela 5 .4), entretanto ficaram abaixo do valor de intervenção industrial, onde a área é considerada uma área contaminada sob investigação (tabela 5.5).

      O elemento cromo (Cr) apresento um alto valor no sedime o de fundo da ped u nt reira Borges (tabela 5.9). A concentração de cro o no sedimento m de fundo do lago da pedreira Borges ficou acim a do valor de re ferência d e quali dade es tabelecido pela CETESB (tabela 5.4), entretanto ficou abaixo do v alor de intervenção industrial, onde a área é considerada uma área contaminada sob investigação (tabela 5.5).

      As concentrações de zinco (Zn) mostraram-se elevadas em ambos os sedimentos de fundo dos la gos das pedreiras estudadas, que comparados com os valores de referência estabelecidos pela CETESB, encontram-se altas (tabela 5.4), porém não ultrapassaram o valor de intervenção industrial estabelecido pela CETESB.

      Como se pode observar na tabela 5.9, a maior concentração de ferro foi do sedimento de fundo do lago da pedreira Borges. Esse valor é explicado na pedreira Borges pela presença de goethita em seu solo.

    • 78 -

      Contribuições às Ciências da Terra Série M, vol. 50, 153p Pode-se perceber também que os sedimentos de fundo dos lagos das pedreiras Borges e

      Gêmeos apresentaram os maiores valores de alumínio possivelmente explicado pela elevada porcentagem de plagioclásio encontrada nas lâminas delgadas das rochas destas pedreiras e ainda, pela presença de feldspato na pedreira Gêmeos.

      As concentrações de lítio (Li) foram encontradas nos sedimentos do fundo dos lagos de ambas as pedreiras, devido a alta porcentagem de plagioclásio presente nas rochas dessas pedreiras. Os altos valores de magnésio encontrados nos sedimentos de fundo dos lagos das pedreiras Borges e Gêmeos pode ser explicado pela presença de carbonatos em suas rochas.

      

    5.4 – ANÁLISES FÍSICO-QUÍMICAS DA ÁGUA DOS LAGOS DAS PEDREIRAS

    BORGES E GÊMEOS

      Os lagos encontrados nas 2 pedreiras possuem dimensões relativamente pequenas, são lagos efêmeros cuja fonte de á gua é, principalmente, a precipitação pluviométrica. Na estação chuvosa, suas dimensões são as descritas na tabela 5.10 e na estação seca os lagos diminuem significativamente de ta manho e, às vezes, chegam a desaparecer.

      Tabela 5. 0 – Características dos lagos das pedreiras Gêmeos e Borg s

      1

      e

      Área do lago Profundidad e do lago Volume do lago Pedreira

      2 3 (m ) (m ) (m )

      Gêmeos 160 1,0 160

      1 800 1,

      5

      27

      00 Borges

      5.4.1 – Análises in situ

      De acordo com a Resolução CONAMA 357 de 17 de Março de 2005, as águas dos lagos das pedreiras encontrados no complexo metamórfico Campo Belo (tabela 5.11 e 5.12) podem ser enquadradas na classe 1, destinada a recreação de contato primária, como nadar, água para esqui e para mergulho.

    • 79 -
    Fabri, E. S. Avaliação dos impactos ambientais das minerações de rocha ornamental do centro sul do Estado de M ...

      Apesar dos resultados dos parâmetros físico-químicos das águas dos lagos das pedreiras estarem dentro dos padrões descritos anteriormente, há uma diferença entre os valores encontrados para cada pedreira. Enquanto a condutividade da água do lago da pedreira Borges foi baixa comparada com a água do lago da pedreira Gêmeos (tabela 5.11), a resistividade mostrou um comportamento contrário (tabela 5.11). O valor de sólidos totais dissolvidos da água do lago da pedreira Borges foi 7 vezes menor que da água do lago da pedreira Gêmeos. Análises de sulfatos e cloretos deram quase o mesmo valor para ambos os lagos; o que não aconteceu com a alcalinidade (tabela 5.11), onde o valor para a água do lago da pedreira Borges foi de aproximadamente 3 vezes menor comparada com o valor da água do lago da pedreira Gêmeos.

      Os valores de pH de ambos os lagos estão perto do neutro (tabela 5.11). A turbidez foi praticamente a mesma para ambos os lagos. Estes resultados expressam as variações petrográfica fundadas em ambas as pedreiras: enquanto gnaisse Borges tem uma maior quantidade biotita, rochas dos Gêmeos estão compostas por uma porcentagem maior de plagioclásio (anexo I). Ao lado disso, na pedre ira Borges, a iotita normalmente é substituída atravé de Mg-Fe-clorita enquanto os feldspa b s tos na pedreira de Gêmeos são substituídos por carbonatos (anexo I). Es ta mai or quantidade de plagioclásio e calcita é, provavelmente, o responsável pelos diferentes valor es de a lcalinidade e TDS em am bas as pedr eiras. râmetros físico-quí micos d a água dos lagos das pedreiras G êmeos e Borges.

    Tabe la 5.11 – Pa Condutivid. Resistivid. Sulfatos Cloretos Alcalinid. pH Turbide z TD S Eh TSS Temp

      Pedrei ras o

      KW ( (mg/l) (mg/l) FTU /l mV g C - µS/cm mg/l) mg

      Borg es 7,35 132,5 7,33 3,57 15,11 7,2

      11 4,6 121 0,01 30,1

      Gêm eos 50,59 19 ,38 7,96 4,02 41,22 7,2 12,5 32,3

      99 0,01 28,1

      5.4.2 – M etais principais e Elem entos Traços da água dos lagos das cavas

      A concentração dos metais principais e elementos traços nas águas dos lagos apresentou valores relativamente baixos (tabela 5.12), porém praticamente todos os valores para o lago da pedreira Gêmeos foram maiores que os valores para o lago da pedreira Borges. Possivelmente, essas concentrações foram maiores devido ao volume de água existentes nos lagos. O volume de água do lago da pedreira Borges é aproximadamente 17 vezes maior do que o volume de água do lago da

    • 80 -

      Contribuições às Ciências da Terra Série M, vol. 50, 153p pedreira Gêmeos. Com isso, a concentrações dos elementos se tornam maiores na água da pedreira Gêmeos.

      O único elemento que teve um comportamento inverso foi o ferro (Fe), já que sua c oncentração foi maior na água da pedreira Borges. Este resultado é influenciado pela maior quantidade de ferro existente tanto no sedimento de fundo de lago quanto no solo da pedreira Borges. Co mo o ferro em sua maior valência é facilmente lixiviado pela água, e os lagos são alimentados pela p recipitação da chuva, o ferro existente no solo da pedreira Borges, na forma de goethita, é parcialmente carreado para o lago dessa pedreira.

    Tabela 5.12 – Concentração dos elementos traços e maiores na água dos lagos das pedreiras Gêmeos e B orges.

    Elementos Água do Lago da Pedreira Gêmeos Água do Lago da Pedreira Borges (unidade)

      27,14 16,11

    Al (µg/L)

      &lt;5,16 &lt;5,16

      As (µg/L) Ba (µg/L) 54,20 14,98

      &lt;0,07 &lt;0,07

      Be (µg/L) Ca (µg/mL) 4,09 0,67 Cd (µg/L) &lt;0,79 &lt;0,79

      &lt;0,90 &lt;0,90

      Co (µg/L) Cr (µg/L) &lt;0,77 &lt;0,77

      &lt;0,48 &lt;0,48

    Cu (µg/L)

      128,00 174,50

      Fe (µg/L) K (µg/mL) 1,37 0,73

      &lt;0,11 &lt;0,11

    Li (µg/L)

      1,11 0,14

      Mg (µg/mL) Mn (µg/L) 73,70 28,06

      &lt;1,16 &lt;1,16

    Mo (µg/L)

      4,52 0,22

      Na (µg/mL) Ni (µg/L) &lt;2,49 &lt;2,49

      &lt;0,04 &lt;0,04

    Sc (µg/L)

      55,60 9,46

      Sr (µg/L) V (µg/L) &lt;1,71 &lt;1,71

      &lt;0,11 &lt;0,11

    Y (µg/L)

      12,78 8,63

      Zn (µg/L)

    • 81 -
    Fabri, E. S. Avaliação dos impactos ambientais das minerações de rocha ornamental do centro sul do Estado de M ...

    • 82 -

    CAPÍTULO 6 LICENCIAMENTO E FISCALIZAđấO

      A análise dos processos realizada na FEAM revelou problemas com o licenciamento, fiscalização e multas e autos de infração não respeitados.

      6 .1 – PROBLEMAS COM LICENCIAMENTOS

      A análise dos processos revelou que aproximadamente 60% das empresas começaram suas atividades de extração mineral depois que o empreendimento estava legalizado junto a FEAM. Porém, 40% das empresas, antes de ter o pedido de licenciamento (LI e LO) aprovado pela FEAM, já se encontravam em pleno funcionamento. Mesmo assim , nem todas foram multadas pela FEAM, quando da vistoria para a concessão das licenças solicitadas. A práxis do processo é ter a concessão da licença

      e, conco mitantemente, apresentar as medidas mitigadoras dos impactos ambientais. No entanto, não há registro na FEAM de que essas mesmas áreas ainda continuam em funcionamento e muito menos se as medidas mitigadoras foram implantadas. Ou seja, nenhuma vistoria foi realizada após a concessão das licenças.

      Um exemplo disso é a empresa Mineração Mário Campos (figura 6.1) localizada no município de São Francisco de Paula. Essa empresa encontrava-se instalada em 1988, em desacordo com a legislação ambiental vigente. Em 1989 solicitou a licença de funcionamento e, quando da vistoria pela FEAM, foi multada e dela exigido um plano de controle e recuperação ambiental. Após a an álise do referido plano, a FEAM concedeu a licença de funcionamento. No entanto, quando da etapa de campo do projeto dessa pesquisa, verificou que a pedreira está inativa e que a paralisação das atividades, segundo moradores da região, já tem alguns anos. Como pode ser observado na figura 6.1, nenhuma ação para recuperação da área foi realizada. Fabri, E. S. Avaliação dos impactos ambientais das minerações de rocha ornamental do centro sul do Estado de M ...

    Figura 6.1 – Vista parcial da frente de lavra da Pedreira Mário Campos, no município de São Francisco de Paula. A área encontra-se abandonada sem qualquer tentativa de recuperação

      Outro exemplo é o da empresa Granitos Brasileiros – AS, localizado no município de São Francisco de Paula. Em 1990, ao solicitar a LI, a empresa foi autuada por dar inicio e prosseguir no funcionamento de atividade poluidora sem obter as LI e LF. A FEAM exigiu que a empresa apresentasse o plano de controle ambiental. Em 1991, a empresa protocolou o plano de controle ambiental e o plano de aproveitamento econômico que foram considerados satisfatórios pela FEAM, juntamente com o pedido da LO, que foi concedida.

      A empresa Maciel Granito Ltda, antiga Brás Ro ma Mineração, Comércio e indústria Ltda, localizada no município de São Francisco de Paula, em 1999, solicitou a LOP. A LOP foi indeferida e a empresa foi autuada pela instalação e funcionamento da extração de rocha ornamental em um grande maciço aflorante à montante de uma mata de grande porte e à jusante de áreas de pastagem. A empresa alegou ter recebido os direitos minerários da Brás Roma Mineração e pediu a suspensão da penalidade aplicada. A FEAM indeferiu o pedido e fixou um prazo de 90 dias para a formalização da LP. Em 2000, uma nova vistoria foi feita na área minerada e ficou constatado que a empresa encontrava-se ainda em atividade e novas medidas mitigadoras foram apresentadas e consideradas adequadas, pela FEAM. Assim a LOP foi concedida, com validade de 2 anos, último documento do processo.

      Outro caso é o da Mineração Bracon (figura 6.2 A e B), localizada na Fazenda Areão – Palmital - distrito de Corumbá – Município de Cláudio. Essa empresa entrou com o processo de licença de operação para pesquisa mineral (LOP) em 2005. Após a vistoria da FEAM foi exigido que, pa ra sua operação, seriam necessárias obras de drenagem da área de trabalho, bem como do depósito de estéril. Se cumpridas, e vistoriadas, a FEAM autorizaria a exploração (lavra propriamente dita) da pedreira. Em janeiro de 2006, em nova vistoria da FEAM foram exigidas novas providências ambientais. Porém, a prefeitura de Cláudio declarou que o empreendimento e o local de sua instalação estão em desacordo com as leis e regulamentos aplicáveis ao uso e ocupação do solo, visto que existe

    • 84 -

      Contribuições às Ciências da Terra Série M, vol. 50, 153p uma nascente na localidade. Em fevereiro de 2006 o COPAM resolveu pela não concessão da LOP.

      No decorrer da visita de campo constatou-se que nenhuma das providencias ambientais exigidas pela FEAM foi realizada e que atividade de extração está paralisada. Assim, sem previsão do retorno das atividades exploratórias a área continua degradada.

    A B

    Figura 6.2 A e B – Vistas parciais da frente de lavra da Pedreira Bracon, no município de Cláudio. A área encontra-se abandonada sem qualquer tentativa de recuperação.

      Aproximadamente 27% dos processos analisados da FEAM sofreram auto de infração decorrentes das fiscalizações realizadas pela FEAM, ou seja, outros 73% estariam com suas atividades de extrações minerais devidamente legalizadas junto aos órgãos responsáveis. As fiscalizações são realizadas para vistoriar as empresas e controlar o cumprimento da legislação, bem como, para proibir as ações prejudiciais ao meio ambiente e a sociedade que circunvizinham as áreas exploradas. Porém, como pode ser visto com a análise dos processos da FEAM, a fiscalização somente é realizada após alguma denúncia ou na concessão das devidas licenças. A falta de fiscalização por parte da FEAM facilita a extração mineral irregular e prejudica o meio ambiente.

      Um exemplo de problemas com a fiscalização adequada é o caso da Mineração Oliveira Exportação de Granito Ltda, antiga Togni (figura 6.3 A e B), localizada no distrito de Corumbá, município de Cláudio. Em 1992 a empresa solicitou e obteve a concessão da LOP com validade de 2 anos. Porém no final de 1993 a empresa foi autuada devido ao assoreamento do curso d’água a jusante da mesma. Em 1996 a empresa solicitou e obteve as LP e LI. No final de 1996 a FEAM realizou um auto de fiscalização onde a empresa alega que adquiriu os direitos minerários do antigo proprietário

    • 85 -
    Fabri, E. S. Avaliação dos impactos ambientais das minerações de rocha ornamental do centro sul do Estado de M ... (antiga Togni) que apresentou toda a documentação necessária. Porém os fiscais perceberam que havia 2 processos na FEAM da mesma área, um em nome de Sinval Diniz (antiga Togni) e outro em nome da Mineração Oliveira Exportação de Granito Ltda que teve sua LO indeferida. A Mineração Oliveira Exportação de Granitos Ltda se aproveitou da confusão de processos na FEAM e obteve a portaria de lavra negociando a exploração da área como se o empreendimento estivesse regularizado. Na oportunidade foi lavrado o auto de infração. O processo foi encerrado pelo pagamento das multas na procuradoria, porém através de visita de campo desta pesquisa foi possível comprovar que a área continua abandonada sem qualquer tentativa de reabilitação.

    A B

    Fi gura 6 .3 A e B – Vistas parciais da frente de lavra da Pedreira Togni ou Mineração Oliveira Exportação de Granitos Ltda, no município de Cláudio . A área encontra-se abandonada sem qualquer tentativa de recuperação

      Outro caso é o da mineração Incoexgranil Indústria, Comércio e Exportação de Granitos Ltda, localizada no município de Candeias. Em 1989, a empresa solicitou a LI. Uma vistoria foi realizada n a área do empreendimento quando ficou constatado que a empresa encontrava instalada e em funcionamento sem as devidas licenças, além de provocar poluição e degradação de elevado impacto ambiental. A mineração apresentava diversos problemas, como a disposição inadequada de resíduos sólidos, erosão e carreamento de sedimentos para os cursos d’água. Mesmo assim, em 1992, a FEAM concedeu a LO, devendo ser cumprido o cronograma das medidas mitigadoras apresentado pela empresa no PCA/RCA.

      A mineração Dona Zica Ltda, localizada no município de São Francisco de Paula, em 1993 iniciou a formalização do licenciamento para a exploração de rochas ornamentais. Em 1995 a FEAM concedeu a LP. Entretanto, em meados do ano de 2002, uma nova fiscal ização foi realizada pela FEAM onde ficou constatado que uma antiga frente de lavra com 5 bancadas, taludes de bota fora e grande quantidade de blocos estocados estavam abandonados, e que, uma nova frente de lavra estava sendo explorada. A FEAM exigiu que, num prazo de 15 dias, o representante da mineração deveria

    • 86 -

      Contribuições às Ciências da Terra Série M, vol. 50, 153p comparecer na FEAM para a descrição e esclarecimento da situação legal do empreendimento. Porém não há arquivado no processo mais nenhum documento, nem da FEAM nem da mineração.

      A Giemac Mineração Ltda, localizada no município de Candeias, em 1992 iniciou o processo de licenciamento para a exploração de rocha ornamental. Na ocasião foi realizada uma vistoria, pela FEAM, onde constatou que a empresa estava em atividade sem as devidas licenças. O auto de infração foi lavrado e foi exigido que a empresa realizasse obras de contenção e reabilitação da área descrita no RCA/PCA. Na fiscalização realizada em 1993 foi comprovada a reabilitação da área e concedida a LOP, posteriormente a LP. Em 1998 foi concedida a LI e no ano de 2000 a LO. Uma outra fiscalização foi realizada em 2002 onde se constatou que a empresa estava com suas atividades paralisadas temporariamente. Na ocasião foi exigido um relatório com fotografias comprovando a a plicação das condicionantes da LO, num prazo de 3 meses. Não há mais documentos deste processo arquivados na FEAM.

      Aproximadamente 36% dos AIs (autos de infração) analisados tiveram suas multas pagas, 1 8% fo ram encaminhados para a Dívida Ativa e aproximadamente 46% se enquadram no que a FEAM chama de prescrição/decadência, ou seja, a empresa opera com irregularidades na extração, é multada (com re-incidência às vezes) e solicita reconsideração da multa. Geralmente, a análise desses processos é tão demorada que a FEAM considera o processo prescrito. Com isso a empresa fica livre da multa e ainda tem tempo para corrigir as irregularidades e só será vistoriada após outra denúncia.

      Esse é o caso, por exemplo, da empresa Mineração Campo Belo (figura 6.4 A e B), única pedreira de extração de brita da região. Esta empresa iniciou suas atividades em 1979. Por estar situada às margens da rodovia BR 369 – km 02, a sua volumosa emissão de particulados colocava em risco o tráfego rodoviário na região. Em 1997 foi autuada pela emissão desse particulado. A multa foi aplicada mas, por não ter sido quitada, o processo foi encaminhado a Advocacia Geral do Estado e arquivado como Dívida Ativa. Em 2000 a FEAM aplicou uma segunda multa que, até o final de 2006, não havia sido quitada. Na visita de campo, realizada em novembro de 2006, constatou-se que a extração continua em funcionamento e o particulado emitido carece de qualquer controle ambiental, colocando em risco a saúde dos moradores da região e o tráfego na rodovia.

    • 87 -
    Fabri, E. S. Avaliação dos impactos ambientais das minerações de rocha ornamental do centro sul do Estado de M ...

    A B

    Figura 6.4 A e B – Vistas parciais da frente de lavra da Pedreira Campo Belo, no município de Campo Belo. A pedreira encontra-se em atividade

      Em 1995, a mineração Incoexgranil Indústria, Comércio e Exportação de Granitos Ltda, foi multada por exercer atividade de mineração em desacordo com as condições estabelecidas na LO, uma vez que não implantou as medidas propostas quando do licenciamento, além de descumprir a determinação da Câmara de Mineração que determinou, no caso de inviabilidade econômica do empreendimento, a área minerada deveria ser recuperada e isso não ocorreu. A empresa recorreu. Em 2003 a FEAM declarou prescrição/decadência e conseqüente arquivamento dos autos de infração d evido à paralisação do processo por mais de 3 anos.

      Outro caso é o da Gru Stones Mineração do Brasil, localizada no município de Candeias. Em 1992 solicitou e obteve a LOP. Em 1994 a FEAM em uma vistoria constatou que a área encontrava-se abandonada e na ocasião foi lavrado um auto de infração pelo descumprimento da determinação formulada através da não implantação de medidas mitigadoras e recuperação da área degradada. A empresa entrou com o pedido de reconsideração do auto de infração. Em 2004, no documento de termo de encerramento do processo, considerando a incidência de prescrição intercorrente, baseado no parecer de 2002, ficou registrado o reconhecimento da decadência/prescrição quanto à infração de natureza gravíssima.

      Em 1997, ao realizar uma vistoria técn ica na empresa Granitos Brasileiros – AS, a FEAM c onstatou que o empreendimento encontra-se paralisado e apesar da implantação de trabalhos de recuperação de áreas degradadas tais como reconformação de taludes e praças, revegetação, construção de diques, constatou-se a formação de processo erosivo na área, sendo a empresa penalizada. Em 2003, considerou-se a incidência da prescrição/decadência da multa, com conseqüente arquivamento do auto de infração. Não foi encontrado mais nenhum documento nos processos após 2003; trabalhos de campo mostraram que a área continua sem recuperação ambiental e abandonada.

    • 88 -

      Contribuições às Ciências da Terra Série M, vol. 50, 153p Há também empreendedores que, após uma denúncia e/ou um auto de infração, mudam a razão social da empresa para não quitar a multa e solicitam novo licenciamento sob a nova designação jurídica. Foi o que aconteceu, por exemplo, com a extração de granito na Fazenda Faleiro localizada no município de Cláudio que, em 1990 era explorada pela Mincoel – Mineração, Indústria, Comércio e Exportação Ltda (figura 6.5 A e B). Essa empresa foi multada pela FEAM por instalar, dar inicio e prosseguir a atividade de exploração de granito com fonte de poluição, sem a obtenção das LI e LO, já que não apresentou o PRAD. A empresa recorreu ao Auto de Infração que lhe foi aplicada, porém seu pedido de reconsideração foi indeferido. Aplicou-se a multa, que, até final de 2002, não havia sido quitada e, portanto, foi considerada a incidência de prescrição/decadência com o conseqüente arquivamento dos autos de infração. No entanto, em 1993 essa mesma área passou a ser explorada pela Eminosa Empresa de Mineração Ltda. Após essa data não há mais registro na FEAM. Em 1993 foi a vez da Britas Pedra Verde Ltda. iniciar a exploração da área. Essa empresa foi autuada 2 vezes pela instalação e construção de atividade efetivamente poluidora ou degradadora do meio ambiente sem a obtenção da LI, que foi concedida posteriormente. No ano seguinte o direito de exploração da área da fazenda Faleiro foi vendido para a Belmont Ltda., porém as multas emitidas pela FEAM não tinham sido quitadas. Em 2003 considerou-se a incidência da prescrição/decadência dessas multas, com conseqüente arquivamento dos autos de infração.

    A B

    Figura 6.5 A e B – Vistas parciais da frente de lavra da Pedreira da fazenda Faleiro, Cláudio. A área encontra-se abandonada sem qualquer tentativa de recuperação.

      Outro caso é o da empresa Olibritas, localizada no município de Oliveira, que em 1998 entrou com a solicitação da LP. Porém, em 2001 a LP foi indeferida devido a má qualidade dos estudos (PCA/RCA) apresentados. No mesmo ano do indeferimento da LP, a empresa de Ana Maria Rocha Gonçalves solicitou a LOP da mesma área da empresa Olibritas. A LOP foi concedida apenas para a regularização da atividade, já que o empreendimento encontra-se em operação há vários anos. No final de 2001, a FEAM lavrou o auto de infração contra a Ana Maria Rocha Gonçalves pelo seguinte

    • 89 -
    Fabri, E. S. Avaliação dos impactos ambientais das minerações de rocha ornamental do centro sul do Estado de M ... motivo: quando a extração era de responsabilidade da Olibritas a LP foi ind eferida e enquanto o processo de transferência da exploração da área estava em andamento a empr esa Ana Maria Rocha Gonçalves não paralisou a extração da rocha. A empresa recorreu ao auto de infração porém não obteve resposta.

    • 90 -

    CAPÍTULO 7

    INVESTIGAđấO SốCIO-ECONÔMICO-AMBIETAL

      Segundo World Bank (2001), a extração mineral é uma atividade de alto risco e de muitas incertezas. Por isso, o desenvolvimento das relações com as comunidades locais não são de grande interesse para essas empresas. Assim, poucas empresas de mineração se preocupam em terem boas relações com as comunidades locais. Desta forma, a falta de comunicação e compreensão entre a s e mpresas de mineração e as comunidades locais gera uma falta de confiança entre comunidade e empreendedor (Centro de Tecnologia Mineral – CETEM, 2007).

      A preocupação mundial com o meio ambiente cada vez mais exige que a mineração se preocupe com os danos causados por suas atividades ao meio ambiente e as comunidades envolvidas direta ou indiretamente (World Bank, 2006). O desenvolvimento de estratégias para a mitigação desses danos deve levar em conta ações de curto prazo (implantação do empreendimento), médio prazo (relacionad as com o período de funcionamento da mineração), e longo prazo (que perduram após o fechamento da mineração – CETEM, 2007).

      Os questionários respondidos pelos ex-trabalhadores das extrações minerais foram de grande importância para a determinação da situação social, econômica e ambiental dos municípios bem como a situação em que o fechamento das pedreiras de extração de rocha ornamental deixou os trabalhadores após o seu abandono.

      

    7.1 Ố SITUAđấO SốCIO-ECONÔMICO-AMBIENTAL QUANDO DA ABERTURA

    DAS PEDREIRAS NOS MUNICÍPIOS ESTUDADOS

      Segundo moradores dos municípios estudados, a maioria das pedreiras iniciou suas atividades de extração mineral nas décadas de 1980 e 1990 (respectivamente 29% e 34%), como pode ser visto na figura 7.1 e, em função da demanda por rochas ornamentais, como granito e gnaisse, no mercado interno e principalmente no mercado externo. Este fato pôde ser corroborado pelos processos encontrados na FEAM, onde os registros das pedreiras, quando do processo de licenciamento, em sua maioria, se deram ao final da década de 1980 e na década de 1990. Fabri, E. S. Avaliação dos impactos ambientais das minerações de rocha ornamental do centro sul do Estado de M ...

      6% 23% Não Sabe 1975 - 1980

      34% 1981 - 1990 8% 1991 - 2000

      2000 - 2003 29% F igura 7.1 – Ano em que as pedreiras iniciaram suas atividades de extração mineral nos municípios estudados.

      Com o inicio das atividades de extração mineral, o número de empregos nesses municípios aumentou, além do incremento no capital de giro nas cidades. A sede dos municípios cresceu, novos empreendimentos comerciais foram implantados, além da chegada das agências bancárias. Com isso pode-se perceber a melhoria na economia das cidades, relatada pelos entrevistados (figura 7.2), quando 85% destes disseram ter percebido essa melhoria na economia e na infra-estrutura das sedes dos municípios.

      15% Sim Não 85%

    Figura 7.2 – Opinião d

      os entrevistados a respeito da melhora da economia na sede dos municípios de Campo Belo, Candeias, Oliveira, São Fra ncisco de Paula e Cláudio quando do início das atividades de extração mineral.

      O crescimento foi mais expressivo na sede dos municípios de Candeias e São Francisco de Paula que, de acordo com os entrevistados, teve um aumento significativo na sua população. Muitas pessoas chegaram junto com as pedreiras. Algumas pessoas vieram de outros municípios, onde trabalhavam em pedreiras de rochas ornamentais, para ensinarem a atividade de extração mineral para

    • 92 -

      Contribuições às Ciências da Terra Série M, vol. 50, 153p as pessoas da região e outros vieram morar nos municípios para trabalharem nessas pedreiras que estavam iniciando suas atividades.

      Com isso, a economia da sede dos municípios de Candeias e São Francisco de Paula, segundo opinião dos entrevistadores, foi quase unânime, ficando com 95% das opiniões positivas (figura 7.3). Segundo os entrevistados, a cidade cresceu, aumentando a empregabilidade na área de construção civil, muitos comércios foram criados aumentando a empregabilidade no comércio e foram abertas, em Candeias e São Francisco de Paula, agências bancárias facilitando a movimentação de dinheiro nesses municípios.

      5% Sim Não 95%

    Figura 7.3 – Opinião dos entrevistados a respeito da melhora da economia na sede dos municípios de Candeias e São Francisco de Paula quando do início das atividades de extração mineral.

      Já nas sedes dos municípios de Campo Belo, Oliveira e Cláudio a melhoria na economia foi menos expressiva, segundo opinião dos entrevistados (figura 7.4). Para essas cidades a chegada das pedreiras foi atividade econômica a mais, já que outras empresas encontram-se instaladas nas sedes dos municípios. Por exemplo, na cidade de Cláudio a economia baseia-se, principalmente, na metalurgia. De acordo com os entrevistados, a melhoria foi principalmente na empregabilidade, não houve crescimento das cidades, já que essas se encontram bem estruturada e não dependiam somente da extração mineral.

    • 93 -
    Fabri, E. S. Avaliação dos impactos ambientais das minerações de rocha ornamental do centro sul do Estado de M ...

      29%

      Sim Não

      71%

    Figura 7.4 – Opinião dos entrevistados a respeito da melhora da economia na sede dos municípios de Campo Belo, Oliveira e Cláudio quando do início das atividades de extração mineral.

      

    7.2 Ố SITUAđấO SốCIO-ECONÔMICO-AMBIENTAL DURANTE AS ATIVIDADES

    D E EXTRAđấO MINERAL DAS PEDREIRAS NOS MUNICễPIOS ESTUDADOS

      Segundo entrevistados, 30% das pedreiras tiveram um tempo de funcionamento de 1 a 5 anos e 23% um tempo de funcionamento de 6 a 10 anos (figura 7.5). Como pode-se perceber na figura 7.5, poucas pedreiras tiveram um tempo de funcionamento superior a 10 anos. É o que também percebe-se nos processos registrados na FEAM, como por exemplo, a empresa Granitos Brasileiros – SA, que teve um tempo de funcionamento de pouco mais de 5 anos. Há ca sos extremos, como o da Mineração B racon, que segundo moradores da comunidade, funcionou apenas 6 meses (figura 7.6).

      5% 18% 13% Não Sabe

      1 a 5 anos 11% 6 a 10 anos 11 a 15 anos 16 a 20 anos 21 a 30 anos

      30% 23%

    Figura 7.5 – Tempo de funcionamento, segundo entrevistados, das extrações minerais nos municípios estudados.

    • 94 -

      Contribuições às Ciências da Terra Série M, vol. 50, 153p

      

    F igura 7.6 – Frente de lavra da mineração Bracon. Pode-se perceber que dessa frente de lavra foram retirados

    poucos blocos devido ao seu tempo de funcionamento de aproximadamente 6 meses.

      De acordo com a opinião de aproximadamente 70% dos entrevistados, atualmente, existe 1 ou 2 pedreiras ainda em atividade de extração mineral nos municípios estudados (figura 7.7). Isso é conseqüência do aparecimento das pedreiras nas décadas de 1980 e 1990 e seu pouco tempo de funcionamento. Tal fato foi comprovado quando do trabalho de campo onde foi encontrada 1 pedreira em funcionamento no município de Campo Belo, a mineração Campo Belo (figura 7.8 A e B), e outra no município de Cláudio, a mineração Fontex (figura 7.9 A e B).

      3% 3% 3% 18%

      Não Sabe 6% 1 func.

      2 func. 3 func.

      19% 4 func.

      5 func. 8 func.

      48%

    Figura 7.7 – Quantidade de pedreiras em atividade de extração mineral, nos dias de hoje, segundo informações dos entrevistados.

    • 95 -
    Fabri, E. S. Avaliação dos impactos ambientais das minerações de rocha ornamental do centro sul do Estado de M ...

      A B Figura 7.8 A e B –Frente de lavra da mineração Campo Belo. Em funcionamento desde 1979. A B Figura 7.9 A e B – Frente de lavra da mineração Fontex. Ainda em funcionamento.

      Pode-se observar na figura 7.10 que a maioria das pedreiras empregava poucas pessoas. Segundo os entrevistados, 46% das pedreiras tinham em torno de 20 funcionários, enquanto que 19% tinham entre 20 e 40 funcionários. Apenas uma pequena parcela dos entrevistados trabalhava com mais de 40 pessoas (figura 7.10). Esse é um dos motivos da pouca influência das pedreiras na economia nas sedes dos municípios de Campo Belo, Oliveira e Cláudio, que já contavam com outras fontes de trabalho.

    • 96 -

      Contribuições às Ciências da Terra Série M, vol. 50, 153p

      6% 5% 5%

      Não Sabe 1 a 20 13%

      21 a 40 41 a 60 61 a 80

      6% 81 a 100 101 a 200

      46% 19%

    Figura 7.10 – Quantidade de trabalhadores empregados nas pedreiras quando a extração mineral encontrava-se e m atividade

      A figura 7.11 mostra a produção mensal de blocos nas pedreiras. Pode-se observar que 3 aproximadamente 50% das pedreiras produziam até 400 m de blocos. Nas visitas de campo foram encontrados alguns blocos abandonados nas cavas das pedreiras, onde o volume médio foi de 3 aproximadamente 6 m . Sendo assim, nessas pedreiras foram retirados de 1 a 2 blocos por dia. São pedreiras de pequeno porte que não precisam de muitos funcionários, como pode ser observado na figura 7.10.

      10% 35% 5%

      Não Sabe 0 a 200 19%

      201 a 400 401 a 600 601 a 1000 3 31%

    Figura 7.11 – Produção mensal de blocos (m ) das pedreiras segundo entrevistados

      Os blocos produzidos nas pedreiras eram vendidos para o mercado interno e principalmente para o mercado externo (figura 7.12). De acordo com 66% dos entrevistados, os blocos produzidos eram exportados e apenas 29% dos entrevistados disseram que os blocos produzidos eram vendidos no mercado interno.

    • 97 -
    Fabri, E. S. Avaliação dos impactos ambientais das minerações de rocha ornamental do centro sul do Estado de M ...

      5% 29% Não Sabe Mercado Interno Mercado

      66% Externo

    Figura 7.12 – Situação de venda dos blocos extraídos nas pedreiras, segundo entrevistados.

      Pode-se observar na figura 7.13 que a grande maioria dos ex-funcionários das pedreiras usava os equipamentos de proteção (capacete, fone de ouvido, entre outros), no entanto na figura 7.14 pode- se perceber o alto índice de acidentes (53%) ocorridos nas pedreiras onde os ex-funcionários trabalhavam. Muitos dos entrevistados relataram que nas pedreiras havia os equipamentos de proteção, porém não era exigido o seu uso a não ser quando fosse ter uma vistoria na frente de lavra. Outros disseram q ue se quisessem usar os equipamentos de proteção teriam que comprar, pois estes não eram fornecidos pela mineração.

      3% 19% Não Sabe Sim Não

      

    78%

    Figura 7.13 – Uso dos equipamentos (capacete, fone de ouvido, entre outros) de proteção pelos trabalhadores das pedreiras.

    • 98 -

      Contribuições às Ciências da Terra Série M, vol. 50, 153p

      3% Não Sabe 44% Sim

      Não 53%

    Figura 7.14 – Acidente de trabalho e/ou doenças desenvolvidas em conseqüência das atividades dentro da pedreira

      A maioria dos entrevistados (76%) relatou nunca ter visto um fiscal fazendo vistoria na frente de lavra onde trabalhavam (figura 7.15). Dos 21% entrevistados que disseram ter visto fiscais na frente de lavra, a maioria relatou ter visto fiscais do Exército Brasileiro por causa da quantidade de explosivos usados para a detonação, e poucos disseram ter vistos outros fiscais como FEAM, IBAMA e outros.

      Pode-se perceber que a maioria das pedreiras sempre teve o mesmo dono (figura 7.16), algumas dessas pedreiras trocaram de dono ou como os ex-funcionários dizem trocaram de “empreiteira”. Um desses casos foi visto nos processos encontrados na FEAM, como por exemplo, a área explorada da Fazenda Faleiro no município de Cláudio que teve quatro donos (empreiteiras) no período de aproximadamente quatro anos.

      3% 21% Não Sabe Sim Não

      76%

    Figura 7.15 – Presença de algum fiscal (IBAMA, FEAM, Exército Brasileiro, entre outros) na área onde a atividade de extração mineral era desenvolvida.

    • 99 -
    Fabri, E. S. Avaliação dos impactos ambientais das minerações de rocha ornamental do centro sul do Estado de M ...

      10% Sim Não

      90%

    Figura 7.16 – A pedreira sempre teve o mesmo dono enquanto sua atividade de extração mineral estava sendo

      desenvolvida? De acordo com os entrevistados, 85% das áreas de extração mineral foram arrendadas e apenas 15% das pedreiras foram exploradas pelo próprio dono da terra (figura 7.17). Como foi visto nos processos da FEAM, as áreas de extração mineral acabam sendo abandonadas sem qualquer tentativa de recuperação, ou seja, o dono da terra acaba ficando com uma área degradada em seu terreno.

      15%

      Sim Não

      85%

    Figura 7.17 – A terra onde se desenvolvia a atividade de extração mineral era arrendada?

    • 100 -

      Contribuições às Ciências da Terra Série M, vol. 50, 153p

      

    7.3 Ố SITUAđấO SốCIO-ECONÔMICO-AMBIENTAL QUANDO DO

    FECHAMENTO E/OU ABANDONO DAS PEDREIRAS NOS MUNICÍPIOS

    ESTUDADOS

      A maioria das pedreiras cessou suas atividades de extração mineral nas décadas de 1990 e 2000, respectivamente 44% e 37%, como pode ser visto na figura 7.18. Segundo moradores dos municípios estudados esse fechamento das pedreiras se deu devido ao fato das rochas que se encontravam na região terem se tornado comuns para os consumidores que procuravam por cores mais exóticas. Além disso, muitas minerações foram embargadas por órgãos ambientais, como por exemplo, a FEAM como se pode observar nos processos anteriormente descritos.

      13% 6% 37%

      Não Sabe 1981 - 1990 1991 - 2000 2001 - 2006

      44%

    Figura 7.18 – Ano em que as pedreiras finalizaram suas atividades de extração mineral nos municípios estudados

      De acordo com 47% dos ex-funcionários das pedreiras entrevi stados, há hoje cerca de 10 p edreiras abandonadas nos municípios. Outros 16% relataram haver de 11 a 50 pedreiras abandonadas nos municípios e menos de 10% dos entrevistados disseram ter mais que 50 pedreiras abandonadas (f igura 7.19). Segundo observações feitas em trabalhos de campos e análise dos processos encontrados na FEAM os municípios de Candeias e São Francisco de Paula foram onde mais se encontraram pedreiras abandonadas.

      De acordo com os ex-funcionários entrevistados, 43% das pedreiras foram abandonadas por falta de procura por essas rochas, ou seja, o mercado estava ruim para a venda das rochas ornamentais da região, 42% das pedreiras apresentaram defeitos como fraturas e trincos, 8% das empresas faliram e 2% das pedreiras se exauriram (figura 7.20). Assim como foi observado no questionário foi constatado

    • 101 -
    Fabri, E. S. Avaliação dos impactos ambientais das minerações de rocha ornamental do centro sul do Estado de M ... nos trabalhos de campo onde se encontrou nas áreas abandonadas diversos blocos preparados para a venda. Em uma das pedreiras (pedreira Curral) estudadas, segundo moradores da região, não foi vendido nenhum bloco extraído (figura 7.21).

      29% 16% 5% 3%

      Não Sabe 0 a 10 11 a 50 51 a 100 101 a 150 47%

    Figura 7.19 – Quantidade de pedreiras fechadas e/ou abandonadas nos municípios estudados.

      42% 43% 8% 5%

      2%

      Não Sabe Exauriu Defeito na Rocha Empresa Faliu Mercado Ruim Figura 7.20 – Motivos que levaram as pedreiras ao abandono e/ou fechamento.

    • 102 -

      Contribuições às Ciências da Terra Série M, vol. 50, 153p

    A B

    Figura 7.21 – A) Área de depósito dos blocos extraídos na Pedreira Curral. B) Frente de lavra com os últimos blocos extraídos na pedreira.

      Como pode-se observar na figura 7.22, 51% dos entrevistados disseram que a pedreira não foi recuperada após o abandono/fechamento e/ou durante o seu funcionamento. Porém 34% disseram que essas pedreiras foram recuperadas após o abandono/fechamento e/ou durante o seu funcionamento. Em nenhum processo de licenciamento da FEAM foi relatada a recuperação de qualquer pedreira. Em trabalhos de campo, onde foram visitadas 25 pedreiras, também não foi observada qualquer tentativa de recuperação ambiental das áreas degradadas pela extração mineral.

      15% Não Sabe

    Sim

      51%

    Não

      34% Figura 7.22 – Recuperação da pedreira após o seu abandono/fechamento e/ou durante seu funcionamento.

      Com o fechamento/abandono das pedreiras houve uma decadência na economia dos municípios estudados. Muitos comércios e agências bancárias fecharam deixando muita gente desempregada. Com isso, pode-se perceber a queda na economia das cidades, re latada pelos e ntrevistados (figura 7.23), quando 77% destes disseram ter percebido a queda na economia e na infra- estrutura das sedes dos municípios.

    • 103 -
    Fabri, E. S. Avaliação dos impactos ambientais das minerações de rocha ornamental do centro sul do Estado de M ...

      23% Sim Não

      77%

    Figura 7.23 – Opinião dos entrevistados a respeito da queda na economia na sede dos municípios de Campo

      Belo, Candeias, Oliveira, São Francisco de Paula e Cláudio quando do fechamento e/ou abandono das atividades d e extraç ão mineral .

      Assim como o crescimento, a queda da economia foi muito expressiva na sede dos municípios de Candeias e São Francisco de Paula. Muitas pessoas foram embora junto com as pedreiras. Algumas pessoas que vieram de outros municípios constituíram família e permaneceram em Candeias e São Francisco de Paula, porém sem emprego. Com isso, a economia da sede dos municípios de Candeias e São Francisco de Paula, segundo entrevistados, tiveram uma queda brusca, ficando com 97% das opiniões positivas (figura 7.24). Segundo os entrevistados, diminuíram os empregos e muitos comércios foram fechados.

      3% Sim Não

      97%

    Figura 7.24 – Opinião do s en trevistados a respeito da queda na economia na sede do s m unicípios de Candeia e s

      São Francisco de Paula qu and o do fechamento e/ou abandono das atividades de extração mineral

    • 104 -

      Contribuições às Ciências da Terra Série M, vol. 50, 153p Já nas sedes dos municípios de Campo Belo, Oliveira e Cláudio, a queda na economia foi menos expressiva, segundo os entrevistados (figura 7.25). Para essas cidades, o fechamento/abandono das pedreiras e o conseqüente desemprego não afetaram profundamente a economia das cidades, já que esses municípios possuem outras fontes de renda até melhores que a extração mineral. Como a infra-estrutura das cidades de Campo Belo, Oliveira e Cláudio já estava formada e estabilizada, não foi observada a queda na economia após o fechamento/abandono das pedreiras.

      Muitos dos entrevistados foram encontrados nas áreas abandonadas trabalhando como autônomos na quebra dos blocos e lascas abandonadas em pedaços menores para serem usados como pavimentos de rua (figura 7.26 A e B).

      Além disso, aproximadamente 80% das opiniões coletadas demonstraram a grande quantidade de desem pregados nos municípios após o fechamento/abandono.

      

    46%

    Sim

      54% Não

    Figura 7.25 – Opinião dos entrevistados a respeito da queda na economia na sede dos municípios de Campo

      Belo, Oliveira e Cláudio quando do fechamento e/ou abandono das atividades de extração mineral

      A B

    Figura 7.26 A e B – Fotos ilustrativas de ex-trabalhadores das pedreiras abandonadas que hoje são trabalhadores

      autônomos e trabalhando quebrando os blocos e lascas abandonadas em pedaços menores para serem usados na pavimentação das ruas.

    • 105 -
    Fabri, E. S. Avaliação dos impactos ambientais das minerações de rocha ornamental do centro sul do Estado de M ...

      21% Sim Não

      79% Figura 7.27 – Percentual de desempregados nas cidades.

      Entretanto, nas sedes dos municípios de Candeias e São Francisco de Paula, segundo os entrevistados, o desemprego foi mais expressivo, sendo 95% das opiniões positivas (figura 7.28). Isso se deu devido ao fato desses municípios serem os que mais dependiam dos trabalhos de extração mineral das pedreiras. Atualmente, os ex-funcionários d as pedreiras que estão empregados não ganham nem 1/3 do que ganhavam quando trabalhavam nas pedreiras.

      5% Sim Não

      95% Figura 7.28 – Percentual de desempregados nas cidades de Candeias e São Francisco de Paula.

      Já nas sedes dos municípios de Campo Belo, Oliveira e Cláudio, de acordo com os entrevistados, o desemprego foi menos expressivo, sendo 54% das opiniões positivas (figura 7.29). Provavelmente este menor percentual está relacionado à existência de outras fontes de trabalho nessas cidades.

    • 106 -

      Contribuições às Ciências da Terra Série M, vol. 50, 153p

      46% Sim Não 54%

    Figura 7.29 – Percentual de desempregados nas cidades de Campo Belo, Oliveira e Cláudio.

      Já em relação à família dos antigos trabalhadores das pedreiras, 85% dos entrevistados disseram ter dependentes (figura 7.30). Desses 85%, aproximadamente 13%, 39% e 28% possuem, respectivamente 1, 2 e 3 dependentes e alguns entrevistados possuem até 8 dependentes (figura 7.31). Sendo assim, quando as pedreiras fecharam e/ou foram abandonadas não foram apenas os funcionários que ficaram desamparados, mas também seus dependentes.

      15%

      sim nao

      85% Figura 7.30 – Percentual de entrevistados com dependentes.

    • 107 -
    Fabri, E. S. Avaliação dos impactos ambientais das minerações de rocha ornamental do centro sul do Estado de M ...

      28% 9% 9% 2%

      13% 39% 1 dep.

      2 dep. 3 dep. 4 dep. 5 dep. 8 dep.

    Figura 7.31 – Quantidade de dependentes por entrevistado.

      De acordo com os entrevistados, a maioria dos ex-funcionários deixou a cidade após o fechamento/abandono das pedreiras (figura 7.32). Muitos destes ex-funcionários não eram nativos; além disso, muitos nativos também foram embora buscando outras oportunidades. Ainda, segundo os entrevistados (32% - figura 7.32), muitos dos ex-funcionários das pedreiras que ficaram nas cidades não eram nativos, entretanto ficaram por terem constituído família.

      62% 32% 6% Não Sabe

      Sim Não F igura 7 .32 – Percentual de pessoas deixaram a cidade após do fechamento das pedreiras.

    • 108 -

    CAPÍTULO 8 CONCLUSỏES E RECOMENDAđỏES 8.1 – CONCLUSÕES

      As rochas do Complexo Metamórfico Campo Belo, especialmente os gnaisses e granitos, têm sido lavradas como tipos ornamentais há pelo menos quatro décadas. Porém, o aparecimento da maioria das pedreiras nos municípios de Campo Belo, Candeias, Oliveira, São Francisco de Paula e Cláudio data do final da década de 1980, em resposta à demanda por litotipos exóticos, tanto no mercado nacional como no internacional. Deste processo extrativista, surgiram, nas imediações das cidades de Campo Belo, Candeias, Oliveira, São Francisco de Paula e Cláudio, centenas de pedreiras que, dependendo do mercado, sofreram paralisações e retomadas ou, ainda, novas frentes de lavra foram abertas nos maciços rochosos da região. Além disso, por não possuírem, muitas vezes, um estudo geológico de detalhe, as pedreiras foram, freqüentemente, abandonadas quando imperfeições foram detectadas na frente de lavra.

      A redução da demanda pelas rochas ornamentais dessa região começou durante os anos 1990 e perdurou até o início do século XXI, quando a maioria das pedreiras foi desativada. A razão principal, para esse abandono, foi a saturação dos litotipos nos mercados nacional e internacional. Ou seja, os litotipos ficaram comuns, as cores ultrapassadas e os consumidores buscavam novas cores e texturas mais exóticas. Além disso, muitas minerações foram fechadas/embargadas quando alguns dos órgãos governamentais, que negociam com o meio ambiente (ex.: FEAM), começaram a supervisionar a atividade. Com isso, a maioria das pedreiras encontra-se abandonada, ainda com blocos preparados para a venda e lascas/rejeitos amontoados sem um plan ejamento adequado.

      No que diz respeito ao uso e ocupação do município de Candeias foi perceptível o aumento das áreas de solo exposto e das áreas de cultivo e a diminuição das áreas de pastagem e das matas. Isso foi marcado pelo crescimento da explotação de rochas ornamentais na região devido à demanda do mercado na década de 1980.

      Através da cartografia das pedreiras estudadas pode-se perceber a degradação ambiental e o abandono das áreas exploradas. São pedreiras de pequeno a médio porte, com 1 ou 2 frentes de lavras. 2 Suas áreas ficaram abaixo de 13.000 m , com exceção das pedreiras Etgran, com uma área de Fabri, E. S. Avaliação dos impactos ambientais das minerações de rocha ornamental do centro sul do Estado de M ... 2 2 aproximadamente 44.000 m e Marilan I e II, que somadas chegam a aproximadamente 34.000 m , são as áreas estudadas de maior impacto ambiental. Em todas as pedreiras mapeadas foram encontrados blocos (preparados para venda) abandonados, com exceção da pedreira Capela Velha, que já se encontra abandonada há 17 anos. Nenhuma das pedreiras estudadas passou por um processo de recuperação ambiental. Porém a pedreira Curral, abandonada há 16 anos, é a única pedreira estudada que encontra-se em recuperação natural avançada.

      A maior incidência de pedreiras, para extração de rocha ornamental no Centro Sul de Minas Gerais, está implantada sobre rochas gnáissicas de composição granítica e granodiorítica, com exceção da pedreira Togni, que é um anfibolito. Os gnaisses encontrados variam sua composição de acordo com a porcentagem de plagioclásio, microclina e quartzo, e alguns apresentam ainda a biotita.

      Os resultados da geoquímica dos solos e dos sedimentos de fundo dos lagos das pedreiras foram condizentes com a geologia e geoquímica das rochas da região, com exceção do solo e sedimento de fundo do lago da pedreira Borges que apresentou resultados diferentes da literatura, provavelmente devido presença de anfibolito na sua frente de lavra. Assim verificou-se que não há contaminação química nos solos e sedimentos de fundo dos lagos nas pedreiras estudadas. Além disso, os valores da geoquímica encontrados foram comparados com os valores de referência da diretiva n° 195 – 2005 da CETESB do Estado de São Paulo, visto que não há resolução para o Estado de Minas Gerais, e não apresentou valores acima dos considerados de riscos potenciais a saúde humana.

      Os principais problemas deste tipo de mineração durante a exploração são a perturbação da superfície, a geração destes “rejeitos”, liberação de poeira e a geração de poluição sonora. Os resíduos oriundos das explorações de rochas ornamentais se restringem às lascas e aos blocos quebrados durante a exploração. Pode-se dizer que, durante esta fase, a maior característica desta atividade mineradora é, realmente, o grande impacto sobre o meio físico. Da exploração resulta a produção de um volume extremamente grande de material não desejado, cuja disposição constitui um dos mais sérios desafios. Como se tratam de rejeitos exatamente iguais ao material retirado, normalmente não provoca tantos impactos como as demais minerações.

      A formação de lagos em cavas abandonadas quando a mineração cessa tem 2 conseqüências principais na água local: modificação do padrão de fluxo e degradação de qualidade de água. Dados analíticos da água dos lagos das pedreiras Gêmeos e Borges mostraram uma clara correlação entre as composições químic as do soluto e as características geológicas das pedreiras (tabelas 4.13 a 4.15). Durante os processos de interação de água-rocha nestas pedreiras, a dissolução mineral primária foi seguida pela formação dos minerais secundários. A diferença encontrada entre a concentração dos elementos da água da pedreira Borges e da água da pedreira Gêmeos esta relacionada ao volume de água, com exceção do Fe que esta mais concentrado no lago da pedreira B orge, se comparado com o

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      Contribuições às Ciências da Terra Série M, vol. 50, 153p lago da pedreira Gêmeos por causa de prováveis intrusões de anfibolitos nas rochas dessa pedreira.

      Apesar das diferenças fundadas entre os valores das concentrações dos elementos traços e maiores das á guas dos lagos das pedreiras Borges e Gêmeos, os resultados mostraram uma qualidade relativamente boa da água (Resolução CONAMA 357 de março de 2005), uma vez que as pedreiras usam métodos de extração de rocha ornamental a céu aberto.

      Relativamente à pesquisa realizada nos processos arquivados na FEAM, constatou-se o desrespeito dos empreendedores aos autos de infrações e às medidas mitigadoras propostas. As empresas não se preocupam com o licenciamento exigido pela FEAM e, começam a extração mineral sem a legalização do empreendimento, ger ando autos de fiscalização, auto de infração e multas. A maioria destas multas é remetida para a dívida ativa e, em sua maioria, jamais serão quitadas. Além disso, ficou constatada a falta de fiscalização que, acontece apenas após uma denúncia ou na concessão das devidas licenças. Essa falta de fiscalização por parte da FEAM pode prejudicar o meio ambiente e facilitar tanto a extração mineral irregular quanto o abandono da área explorada. Outra dificuldade da FEAM é a demora na análise dos processos, fazendo com que as multas geradas e/ou os pedidos de reconsideração dos autos de infração sejam considerados prescritos. Com isso a empresa fica livre da multa e ainda tem tempo para corrigir as irregularidades e só será vistoriada após outra denúncia. O resultado desse quadro é que nenhuma área, investigada nesta pesquisa, foi recuperada, levando-se em conta a falta de informaç ão da FEAM a respeito da quantidade de pedreiras abandonadas e/ou em atividade.

      Nas entrevistas realizadas com ex-trabalhadores dessas pedreiras constataram-se os seguintes problemas: 1) que o Exército Brasileiro, o IBAMA, o IEF e a FEAM deveriam realizar visitas de fiscalização, porém, dessas entidades, apenas o Exército é o mais presente por causa dos explosivos usados para extração das rochas; 2) que o surgimento das pedreiras de rochas ornamentais, além de criar inúm eros empregos promoveu um aumento significativo da população local dos municípios e fez com que a infra-estrutura das cidades crescesse; 3) que a paralisação, e posterior abandono das ex plotações, afetou a economia dos municípios, onde os mais afetados foram Candeias e São Francisco de Paula, por dependerem quase que exclusivamente desta atividade, aumentou o desemprego, e provocou uma diminuição da população já que muitas pessoas tiveram que procurar emprego em outras cidades. A mesma situação não ocorreu, por exemplo, nos municípios de Campo Belo, Cláudio e Oliveira, onde o número de pedreiras era menor e a economia desses municípios era mais diversificada.

      Finalmente, foi possível constatar que não há impactos químicos provenientes da extração mineral de rochas ornamentais nas pedreiras estudadas. Porém, existem impactos no meio físico. Os impactos sócio-econômico-ambientais provocados são de extrema importância, visto que muitas pessoas ficam desempregadas e a economia dos municípios fica balançada.

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    Fabri, E. S. Avaliação dos impactos ambientais das minerações de rocha ornamental do centro sul do Estado de M ...

      Todas as minerações estudadas apresentaram uma produção grande de desp erdício de rochas, ainda abandonada dentro de suas cavas. Processos de recuperação natural podem ser observados nas pedreiras do Centro Sul do Estado de Minas Gerais; mas, até mesmo em pedreiras abandonadas por m ais de 8 anos, a recuperação ambiental é muito lenta. Claramente, é fundamental a intervenção humana na restauração. Neste sentido, é necessário o desenvolvimento de programas de recuperação ou reabilitação para estas áreas degradadas.

      Visando a possibilidade de reduzir a quantidade de rejeitos de beneficiamento de rochas or namentais, utilizando solu ções de baixo custo e capazes de agregar valor comercial aos rejeitos grossos e levando em consideração o número de trabalhadores autônomos existentes nas áreas abandonadas de mineração que trabalham quebrando os blocos e lascas abandonadas em pedaços m enores para serem utilizados na pavi mentação das ruas, sugere-se a formação de uma associação e/ou cooperativa de produção destes materiais para pavimentação das ruas a partir do redimensionamento dos rejeitos grosso. Os blocos e lascas abandonados nas áreas das pedreiras po deriam ser usados ainda para a recuperação parcial da topografia do terreno, já que os rejeitos ge rados não contaminam o solo nem a água.

      Sugere-se a adoção de um plano de lavra mais compatível, bem como a produção de blocos menores para processamento em talha-blocos para pavimentação das ruas visando a redução da ge ração de rejeitos na lavra. Além disso, recomenda-se que, para menor dependência do mercado de exportação e maior produção de blocos, é necessário a verticalização da cadeia produtiva, tanto local qu anto regional, de tal forma a possibilitar a agregação de valor e geração mais intensa de postos de tra balho.

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      Teixeira, W.; Carneiro, M. A.; Noce, C. M.; Machado, N.; Sato K.; Taylor p. N. 1996a. Pb, Sr and Nd isotope constraints on the Archean evolution of gneissic-granitoid complexes in the southern São Francisco Craton.

      Acessado em 26 de Maio de 2007. Spínola, V., Guerreiro, L. F., Bazan, R., 2004. A industria de Rochas Ornamentais. Desenbahia – Estudo de formento do Estado da Bahia. Estudo de Mercado: 02/04; setembro de 2004. 47p.

      Souza, M. G, 2002. Reportagem Especial: Fechamento de Mina: Aspectos Legais. http://www.ibram.org.br/.

      Santo Antonio de Pádua – Rio de Janeiro. Anuário do Instituto de Geociências – UFRJ volume 25, 151 – 171p.

      Prefeitura Municipal de Oliveira. CFP de Varginha. P. 93 Silva Filho, J. M. S., 2002. Controle Ambiental na Mineração. Ietec - Instituto de Educação Tecnológica. 71p. Silva, R. E. C.; Margueron, C. 2002. Estudo Ambiental de um Pedreira de Rocha Ornamental no Município de

      Secretaria da Cultura, 1999. http://www.almg.gov.br/. Acessado em 15 de abril de 2007. S ema Nacional de Aprendizado Comercial/SENAC-CFP/MG, 2004. Diagnostico Turístico de Oliveira/MG.

      IDRC-MPRI/UBC/CETEM. Projeto Base de Dados Bibliográficos sobre Fechamento de Minas e Reabilitação de Áreas de Mineração. 80p.

      Roberts, S.; Veiga, M. e Peiter, C., 2000. Panorama de Fechamento de Minas e da Reabilitação nas Américas-

      São Paulo, São Paulo, Tese de Doutoramento, 178p Ripley, E.A.; Redmann, R. E.; Crowder, A. A. 1996. Environmental Effects of Mining. St. Lucie Press, Delray Beach, Florida. 356pp.

      da Região de Lavras (MG), Porção sul do Craton do São Francisco. Inst. de Geociências, Universidade de

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      Oliv

    • 116 -

      Contribuições às Ciências da Terra Série M, vol. 50, 153p

      38.Turekian, K. K. &amp; Wedepohl, K. H. 1961 - Distribution of the elements in some major units of the Earth’s Crust. The Geological Society of America Bulletin, 72:175-192. Vargas, T.; Motoki, A.; Neves, J. L. P.; 2000. Rochas Ornamentais do Brasil, seu modo de Ocorrência

    Geólogica, Variedade Tipológica, Exploração Comercial e Utilidades como Materiais Nobres de Construção. Revista de Geociências, 2-2, 119-132. Instituto de Geociências – UFF

      World Business Council for Sustainable Development (WBCSD). 2002. Research on Mine, Closure Policy. No 44: 94pp. Winchester J. A. &amp; Floyd P. A. 1977 - Geochemical discrimination of different magma series and their differentiation products using immobile elements. Chemical Geology, 20: 325-343. World Bank, 2001. Large mines and the community: socioeconomic and environmental effects in Latin America, Canada and Spain. IDRC/World Bank. World Bank, 2006. Sharing experience: enhancing the benefits to communities from extractive industry projects.

      CommDev Workshop, IFC/World Bank, Washington.

    • 117 -
    Fabri, E. S. Av aliação dos impactos ambientais das minerações de rocha ornamental do centro sul do Estado de M ...

    • 118 -

    ANEXO I P TROLOGIA DAS ROCHAS E DAS PEDREIRAS DA REGIÃO CENTRO SUL DE MINAS GERAIS, PERTENCENTES AO COM PLEXO METAMÓRFICO DE CAMPO BELO

      

    DESCRIđấO PETROGRÁFICA

    Nome da Pedreira: Pedreira Capela Velha (lâmina A)

    Descrição Microscópica

      Fotomicrografias

      Minerais % Nat Características A presenta macla polissintética. Em algumas

      Plagioclásio

      35 E seções encontram-se alterados.

      Apresenta macla em grade. Em algumas seções Microclina 30 E encontram-se alterados.

      Quartzo 20 E Granoblastos menores, uniaxial positivo.

      Apresenta-se substituída em algumas seções Biotita 15 E por clorita.

      Substituindo os feldspatos. Apresenta alta Carbonato S birrefringência.

      10 Mg-Fe-Clorita S Substituindo a biotita. Apresenta cor verde. Opacos A Nat (natureza): E – essencial; A – acessório; S - secundário.

      Biotita (Bio) Cloritizada (nicol //) Biotita (Bio) cloritizada (nicol X)

      Textura: Granolepidoblástica Observações Adicionais:

      Nome da Rocha: Quartzo-microclina-plagioclásio gnaisse

      Fabri, E. S. Avaliação dos impactos ambientais das minerações de rocha ornamental do centro sul do Estado de M ...

      

    DESCRIđấO PETROGRÁFICA

    Nome d a Pedreira: Pedreira Capela Velha (lâm ina B)

    Descrição Microscópica

      Fotomicrografias

      Minerais % Nat Características Apresenta macla em grade. Em algumas seções

      Microclina

      35 E encontram-se alterados.

      Apresenta macla polissintética. Em algumas Plagioclásio

      35 E seções encontram-se alterados. Quartzo 20 E Granoblastos menores, uniaxial positivo.

      Apresenta-se substituída em algumas seções Biotita 5 A por clorita.

      Mg-Fe-Clorita S Substituindo a biotita. Apresenta cor verde.

      Substituindo os feldspatos. Apresenta alta

      5 Carbonato A birrefringência. Opacos Nat (natureza): E – essencial; A – acessório; S - secundário.

      Textura: Granoblástica.

      Observações Adicionais: O corte da lâmina não favoreceu a visualização das biotitas orientadas.

      Nome da Rocha: Quartzo-plagioclásio-microclina gnaisse

    • 120 -

      Contribuições às Ciências da Terra Série M, vol. 50, 153p

      

    DESCRIđấO PETROGRÁFICA

    Nome da Pedreira: Fontex (lâmina A)

    Descrição Microscópica

      Fotomicrografias

      Minerais % Nat Características São xenoblásticos. Apresentam macla

      Plagioclásio

      35 E polissintética.

      São xenoblásticos. Apresentam macla em Microclina

      25 E grade. Quartzo 25 E Uniaxial positivo.

      Pleocroísmo (castanho-incolor) com palhetas Biotita 10 A orientadas.

      Opaco 5 A Nat (natureza): E – e sse ncial; A – aces sório; S - secundário.

      Plagioclásio (Plg) saussuritizado/ao lado biotita (Bio) e microclina (Mic) (nicol X) Textura: Granolepidoblástica.

    Observações Adicionais:

      Nome da Rocha: Microclina-quartzo-plagioclásio gnaisse

    • 121 -
    Fabri, E. S. Avaliação dos impactos ambientais das minerações de rocha ornamental do centro sul do Estado de M ...

    DESCRIđấO PETROGRÁFICA

      Nome da Pedreira: Fontex (lâmina B) Descrição Microscópica Fotomicrografias

      Minerais % Nat Características Apresenta macla polissintética. Em algumas

      Plagioclásio

      35 E seções apresenta-se saussuritizados. Microclina

      30 E Apresenta macla em grade Quartzo 25 E Granoblastos menores uniaxiais positivos.

      Apresenta pleocroísmo (incolor-castanho) e Biotita 15 E extinção “Olho de pássaro”.

      Aparece substituindo a biotita em algumas M g-Fe-clori S ta 5 seções.

      Opacos A Nat (natureza): E – essencial; A – acessório; S - secundário.

      Textura: Granoblástica

    Observações Adicionais:

      Nome da Rocha: Quartzo-microclina-plagioclássio gnaisse

    • 122 -

      Contribuições às Ciências da Terra Série M, vol. 50, 153p

      

    DESCRIđấO PETROGRÁFICA

    Nome da Pedreira: Pedreira Etgran (lâmina A)

    Descrição Microscópica

      Fotomicrografias

      Minerais % Nat Características São xenoblásticos. Apresentam grãos com

      Microclina 25 E macla em grade.

      São xenoblásticos. Apresentam grãos com Plagioclásio 35 E macla polissintética com alterações em algumas seções.

      Apresentam grãos uniaxiais positivos, com Quartzo 35 E extinções ondulantes em algumas seções.

      Apresenta extinção “olho de pássaro” e Biotita 5 A pleocroísmo (castanho-incolor).

      Opacos Nat (natureza): E – essencial; A – acessório; S - secundário.

      Macla polissintética do plagioclásio Macla polissintética do plagioclásio

      (Plg) e biotita (Bio) (nicol //) (Plg) e biotita (Bio) (nicol X) Textura: Granolepidoblástica.

      Observações Adicionais: Nome da Rocha: Micorclina-plagioclásio-quartzo gnaisse.

    • 123 -
    Fabri, E. S. Avaliação dos impactos ambientais das minerações de rocha ornamental do centro sul do Estado de M ...

    DESCRIđấO PETROGRÁFICA

      Nome da Pedreira: Pedreira Etgran (lâmina B) Descrição Microscópica Fotomicrografias

      Minerais % Nat Características São xenoblásticos. Apresentam grãos com

      Plagioclásio

      40 E macla polissintética com alterações em algumas seções.

      Apresentam grãos uniaxiais positivos, com Quartzo 30 E extinções ondulantes em algumas seções.

      São xenoblásticos. Apresentam grãos com M icroclin a 25 E macla em grade.

      Apresenta extinção “olho de pássaro” e Biotita 5 A pleocroísmo (castanho-incolor).

      Opacos Nat (natureza): E – essencial; A – acessório; S - secundário.

      Textura: Granoblástica

    Observações Adicionais:

      Nome da Rocha: Microclina-quartzo-plagioclásio gnaisse

    • 124 -

      Contribuições às Ciências da Terra Série M, vol. 50, 153p

      

    DESCRIđấO PETROGRÁFICA

    Nome da Pedreira: Pedreira Bracon (lâmina A)

    Descrição Microscópica

      Fotomicrografias

      Minerais % Nat Características São xenoblásticos. Apresentam macla em

      Microclina

      35 E grade.

      São xenoblásticos. A presentam macla Plagioclásio

      30 E polissintética. Quartzo 25 E Grãos uniaxiais positivos.

      Apresenta-se sob a forma de palhetas de Biotita

      5 A pleocroísmo (castanho-incolor) Opaco

      N at (natureza): – es nci l; A – acessório; S - secundário. E se a Rocha rica em microclina (Mic) (nicol X) anoblá tica s

      Tex tura: Gr Observações Adicionais: Nome da Rocha: Quartzo-plagioclasio-microclina gnaisse.

    • 125 -
    Fabri, E. S. Avaliação dos impactos ambientais das minerações de rocha ornamental do centro sul do Estado de M ...

    DESCRIđấO PETROGRÁFICA

      Nom e da Pedreira: Pedreira Bracon (lâmin a B) Descrição Microscópica Fotomicrografias

      Minerais % Nat Características Plagioclásio

      30 E Granoblastos com aclas polissintéticass m Quartzo 20 E Uniaxial positivo

      Microclina

      15 E Apresenta macla em grade Apresenta-se sob a forma de grãos orientados.

      Observa-se um pleocroísmo (castanho- Biotita 20 E amarronzado-incolor) e extinção “Olho de pássaro”.

      Forte pleocroísmo (verde-castanho-verde Hornoblenda 15 A azulado) e 2 direções de clivage m com ângulo de aproximadamente 56º.

      Substitui os plagioclásios. Apresenta alta Epidoto S birrefringência.

      5 Granada A Granoblastos menores idioblásticos isótropos Mg-Fe-clorita S De cor verde pálida substituindo a biotita

      Rocha co m microbandas máficas (Maf) e félsicas (fel) (nicol //) Opacos A Nat (natureza): E – essencial; A – acessório; S - secundário.

      Textura: Granolepidoblástica

    Observações Adicionais:

      Nome da Rocha: Biotita-quartzo-plagioclásio gnaisse

    • 126 -

      Contribuições às Ciências da Terra Série M, vol. 50, 153p

      

    DESCRIđấO PETROGRÁFICA

    Nome da Pedreira: Togni (lâmina A)

    Descrição Microscópica

      Fotomicrografias

      Minerais % Nat Características Cummingtonita Æ 35% (incolor, com macla polissintética) (algumas vezes acastanhada

      Clino-

      45 E devido alteração) anfibólios Homblenda Æ 10% pelocroísmo fonte (verde azulado/verde-amarelado/castanho) São xenoblásticos. Apresentam macla

      Plagioclásio 50 E polissintética.

      Opacos 5 A N at (natureza): – es nci l; A – acessório; S - secundário. E se a

      Plagioclásio (Plg) com tex tura decussada (nicol X)

    Textura: Decussada (sem orientação preferencial) Observações Adicionais:

      Nome da Rocha: Anfibolito

    • 127 -
    Fabri, E. S. Avaliação dos impactos ambientais das minerações de rocha ornamental do centro sul do Estado de M ...

      

    DESCRIđấO PETROGRÁFICA

    Nome da Pedreira: Togni (lâmina B)

    Descrição Microscópica

      Fotomicrografias

      Minerais % Nat Características Cummingtonita Æ 40% (incolor, com macla polissintética) (algumas vezes acastanhada

      E devido alteração) Clino-

      45 anfibólios Hornblenda Æ 5% pelocroísmo fonte (verde azulado/verde-amarelado/castanho)

      A São xenoblásticos. Apresentam macla

      Plagioclásio 45 E polissintética.

      Opacos 10 A Nat (natureza): E – essencia l; A – acessório; S - secundário.

      Anfibólio (Anf), plagioclásio (Plg) Anfibólio (Anf), plagioclásio (Plg) (luz (nicol X) plana)

      Textura: Decussada

    Observações Adicionais:

      Nome da Rocha: Anfibolito

    • 128 -

      Contribuições às Ciências da Terra Série M, vol. 50, 153p

      

    DESCRIđấO PETROGRÁFICA

    Nome da Pedreira: Somi Brás (lâmina A)

    Descrição Microscópica

      Fotomicrografias

      Minerais % Nat Características São xenoblásticos. Apresenta macla

      Plagioclásio

      35 E polissintética, em algumas secções estão “substituídos” por sericita e carbonato. Microclina 15 E São xenoblásticos. Apresenta macla em grade.

      É uniaxial positivo, ocorrendo sob a forma de Quartzo 35 E pequenos granoblastos.

      Ocorre sob a forma de palhetas orientadas, de Biotita 10 E pleocroísmo (castanho-incolor) e com extinção “olho de pássaro”.

      Substituindo a Biotita. Apresenta Fe-Mg-Clorita S 5 birrefringência anômala (azul de berlim).

      Opacos A Nat (natureza): E – essencial; A – acessório; S - secundário.

      Textura: granolepidoblástica Observações Adicionais: A rocha apr esenta-se foliada, observação feita pelas orientações das palhetas de biotita.

      Nome da Rocha: Microclina-quartzo-plagioclásio Gnaisse.

    • 129 -
    Fabri, E. S. Avaliação dos impactos ambientais das minerações de rocha ornamental do centro sul do Estado de M ...

      

    DESCRIđấO PETROGRÁFICA

    Nome da Pedreira: Somi Brás (lâmina B)

    Descrição Microscópica

      Fotomicrografias

      Minerais % Nat Características São xenoblásticos. Apresenta macla

      Plagioclásio

      35 E polissintética, em algumas secções estão “substituídos” por sericita. Microclina 15 E São xenoblásticos. Apresenta macla em grade.

      É uniaxial positivo, ocorrendo sob a forma de Quartzo 35 E pequenos granoblastos.

      Ocorre sob a forma de palhetas orientadas, de Biotita 10 E pleocroísmo (castanho-incolor) e com extinção “olho de pássaro”.

      Substituindo a Biotita. Apresenta Fe-Mg-Clorita S 5 birrefringência anômala (azul d e berlim).

      Opacos A Nat (natureza): E – essencial; A – acessório; S - secundário.

      Fe-Mg-Clorita (Clo) substitu indo a Cloritiz ação (Clo) da biotita (Bio) (luz plana) biotita

      Textura: Granolepidoblástica.

      Observações Adicionais: A rocha apresenta-se foliada, observação feita pelas

      orientações das palhetas de biotita Nome da Rocha: Microclina-quartzo-plagioclásio gnaisse.

    • 130 -

      Contribuições às Ciências da Terra Série M, vol. 50, 153p

      

    DESCRIđấO PETROGRÁFICA

    Nome da Pedreira: Pedreira Cachoeira dos Pios (lâmina A)

    Descrição Microscópica

      Fotomicrografias

      Minerais % Nat Características São xenoblásticos. Apresenta m macla em

      Microclina

      35 E grade. Quartzo 30 E Uniaxial positivo.

      São xenoblásticos. Apresenta m macla P lagioclási o

      15 E polissintética.

      Palhetas orientadas com extinção “olho de Biotita 15 E pássaro”

      Pleocroísmo (verde-verde acastanhado- Clino-anfibólio 5 castanho). Hornblenda

      Opaco A Nat (natureza): E – essencial; A – acessório; S - secundário.

      Microclina (Mic) alterada/Plagioclásio (Plg) alterado (nicol X)

      Textura: Granolepidoblástica Observações Adicionais: Nome da Rocha: Quartzo-microclina gnaisse.

    • 131 -
    Fabri, E. S. Avaliação dos impactos ambientais das minerações de rocha ornamental do centro sul do Estado de M ...

    DESCRIđấO PETROGRÁFICA

      Nome da Pedreira: Pedreira Cahoeira dos Pios (l âmina B) Descrição Microscópica Fotomicrografias

      Minerais % Nat Características Microclina

      35 E Apresenta macla em grade Apresenta macla polissintética. Em algumas

      Plagioclásio 25 E seções encontram-se saussuritizados.

      Quartzo

      20 E Granoblastos uniaxiais positivos Pleocroísmo (castanho-incolor) e extinção

      Biotita 15 E “Olho de Pássaro”. M g-Fe-Clori S ta Substituindo a biotita

      15 Opaco A Nat (natureza): E – es nci l; A – acessório; S - secundário. se a

      Saussuritização do plagioclá sio (P lg) e biotita (Bio) (nicol X)

      Textura: Granolepidoblástica

    Observações Adicionais:

      Nome da Rocha: Quartzo-plagioclásio-microclina gnaisse

    • 132 -

      Contribuições às Ciências da Terra Série M, vol. 50, 153p

      

    DESCRIđấO PETROGRÁFICA

    Nome da Pedreira: Gêmeos (lâmina A)

    Descrição Microscópica

      Fotomicrografias

      Minerais % Nat Características Grãos maiores com macla polissintética. Em várias seções apresentam-se saussuritizados.

      Plagioclásio

      70 E Em algumas seções apresentam-se subdioblásticos (quase bem formados) a xenoblásticos (sem forma) Grãos menores identificados por serem

      Quartzo 15 E uniaxiais positivos Pleocroísmo Castanho amarronzado a incolor,

      Biotita 10 A extinção “Olho de pássaro”. Em algumas seções apresentam-se alteradas para clorita. Clorita S Pleocroísmo fraco (verde pálido-incolor)

      Carbonato S 5 Alta birrefringência, substituindo os feldspatos.

      Biotita (Bio) Cloritizada (nicol X) Plagioclásio (Plg) substituído por Opaco A Calcita (Cal) e Epidoto (Epi).

      Nat (natureza): E – essencial; A – acessório; S - secundário. anolepdoblástic a

      Tex tura: Gr

    O bservações Adicionais:

      Nome da Rocha: Biotita-quatzo-plagioclásio gnaisse

    • 133 -
    Fabri, E. S. Avaliação dos impactos ambientais das minerações de rocha ornamental do centro sul do Estado de M ...

      

    DESCRIđấO PETROGRÁFICA

    Nome da Pedreira: Gêmeos (lâmina B)

    Descrição Microscópica

      Fotomicrografias

      Minerais % Nat Características Grãos maiores com macla polissintética. Em várias seções apresentam-se saussuritizados.

      Plagioclásio

      75 E Em algumas seções apresentam-se subdioblásticos (quase bem formados) a xenoblásticos (sem forma). Grãos menores identificados por serem

      Quartzo 15 E uniaxiais positivos Pleocroísmo Castanho amarronzado a incolor,

      Biotita 10 A extinção “Olho de pássaro”. Em algumas seções apresentam-se alteradas para clorita.

      Substituindo a biotita. Apresenta-se com cor Mg-Fe-Clorita verde pálido.

      S Incolor, com birrefringência alta substituindo Cabonato

      5 os feldspatos.

      Plagioclásio (Plg) maclado, quartzo Biotita (Bio) transformando em Clorita Epidoto Birrefringência alta, relevo alto.

      (Qtz) e biotita (Bio) (nicol X) (Clo) (nicol //) Opaco A Nat (natureza): E – essencial; A – acessório; S - secundário.

      Textura: granolep obl tic id ás a

    Observações Adicionais:

      Nome da Rocha: Biotita-quatzo-plagioclásio gnaisse

    • 134 -

      Contribuições às Ciências da Terra Série M, vol. 50, 153p

      

    DESCRIđấO PETROGRÁFICA

    Nome da Pedreira: Pedreira Borges (lâmina A)

    Descrição Microscópica

      Fotomicrografias

      Minerais % Nat Características Identificados por exibir macla polissintética.

      Apresentam-se s ob a forma de grãos P lagioclási o

      45 E xenoblásticos. Em varias seções apresentam-se saussuritizados – quer dizer substituído por sericita e carbonato Identificados por exibir macla polissintética. Apresentam-se sob a form a de grãos

      Quartzo 20 E xenoblásticos. Em varias seções apresentam-se saussuritizados – quer dizer alterados por sericita e carbonato Apresenta pleocroísmo Castanho am arronzado

      Biotita 20 E a incolor, em luz polarizada apresenta extinção “Olho de pássaro” Ocorre substituindo as biotitas. Tem cor verde

      Mg-Fe-clorita 5 S clara, com birrefringência de cor anômala.

      Ocorre juntamente com a clorita substituindo a Cloritização d biotit a a (Bio)

      Saussuritização do plagioclásio (Plg) Epidoto 5 S bi otita, apresenta-se de cor amarela, e birrefringência alta.

      Carbonato S

      5 Opacos A Nat (natureza): E – essencial; A – acessório; S - secundário.

      Textura: Granolepidoblástica.

      Observações Adicionais: Nome da Rocha: Biotita-quartzo-plagioclásio gnaisse.

    • 135 -
    Fabri, E. S. Avaliação dos impactos ambientais das minerações de rocha ornamental do centro sul do Estado de M ...

    DESCRIđấO PETROGRÁFICA

      

    No me da Pedreira: Pedreira Borges (lâmina

       B) Descrição Microscópica

      Fotomicrografias

      Minerais % Nat Características Plagioclásio 70 E Grãos xenoblásticos com macla polissintética.

      Quartzo 15 E Uniaxial positivo.

      Palhetas orientadas com extinção “Olho de Biotita 10 A pássaro”.

      Apresenta alta birrefringência, uniaxial Carbonato negativo. Substituindo feldspatos.

      S

      5 Pleocroísmo fraco (verde pálido a incolor). Mg-Fe-Clorita Aparece substituindo a biotita.

      Opaco A Nat (natureza): E – essencial; A – acessório; S - secundário.

      Plagioclásio (Plg) maclado Biotita (Bio) substituída por Mg-F

      e- saussuritizado (nicol X) clorita

      Textura: granolepidoblástica

    Observações Adicionais:

      Nome da Rocha: Biotita-quartzo-plagioclásio gnaisse

    • 136 -

      Contribuições às Ciências da Terra Série M, vol. 50, 153p

      

    DESCRIđấO PETROGRÁFICA

    Nome da Pedreira: Marilan (lâmina A)

    Descrição Microscópica

      Fotomicrografias

      Minerais % Nat Características São xenoblásticos. Apresentam macla

      Plagioclásio

      35 E polissintética. Presença de pentita.

      São xenoblásticos. Apresentam macla em Microclina

      20 E geral. Quartzo 25 E

      Apresenta-se orientada e pleocroís mo Biotita

      15 E ( castanho-incolor)

      Carbonato S

      5 Opacos A Nat (natureza): E – essencial; A – acessório; S - secundário.

      Microclina (Mic) alterada identificada por sua macla em grade (nicol X)

      Textura: Granolepidoblástica Observações Adicionais: Nome da Rocha: Microclina-quartzo-plagioclásio gnaisse.

    • 137 -
    Fabri, E. S. Avaliação dos impactos ambientais das minerações de rocha ornamental do centro sul do Estado de M ...

    DESCRIđấO PETROGRÁFICA

      Nome da Pedreira: Pedreira Marilan (lâmina B) Descrição Microscópica Fotomicrografias

      Minerais % Nat Características São xenoblásticos. Apresentam macla em

      Microclina 35 E grade (muito alterado). Plagioclágio 25 E São xenoblásticos. Apresentam polissintética.

      Quartzo 25 E Uniaxial positivo.

      Biotita

      10 A Orientada e pleocroísmo (castanho-incolor) Epidoto A Birrefrigência alta, relevo alto

      5 Opacos A Nat (natureza): E – es nci l; A – acessório; S - secundário. se a

      Textura: Granolepidoblásti ca

    Observações Adicionais:

      Nome da Rocha: Quartzo-Plagioclásio-microclina gnaisse

    • 138 -

      Contribuições às Ciências da Terra Série M, vol. 50, 153p

      

    DESCRIđấO PETROGRÁFICA

    Nome da Pedreira: Pedreira Curral (lâmina A)

    Descrição Microscópica

      Fotomicrografias

      Minerais % Nat Características São xenoblásticos. Apresentam macla

      Plagioclásio

      35 E polissintética, com alterações em algumas seções.

      São xenoblásticos. Apresentam macla em Microclina 15 E grade - em algumas seções com extinção ondulante.

      Em algumas seções é possível observar Quartzo

      30 E extinção ondulante, também p od e ser encontrado como inclusões na biotita.

      Apresentam-se com uma orientação, extinção Biotita 15 E “ olho de pássaro” e pleocroísmo (castanho- incolor).

      Substituindo a Biotita. Apresenta Fe-Mg-Clorita S

      Cloritização da biotita (Bio), Cloritização da biotita (Bio), 5 birrefringência anômala (azul de berlim) plagioclásio (Plg) (nicol X) plagioclásio (Plg) (luz plana)

      Opacos A Nat (natureza): E – essencial; A – acessório; S - secundário.

      Textura: Granolepidoblástica

    Observações Adicionais:

      Nome da Rocha: Microclina-quartzo-plagioclásio gnaisse

    • 139 -
    Fabri, E. S. Avaliação dos impactos ambientais das minerações de rocha ornamental do centro sul do Estado de M ...

    DESCRIđấO PETROGRÁFICA

      N ome da Pedreira: Pedreira Curral (lâmina B ) Descrição Microscópica Fotomicrografias

      Minerais % Nat Características São xenoblásticos. Apresentam macla

      Plagioclásio 35 E polissintética.

      São xenoblásticos. Apresentam macla em Microclina 15 E grade - em algumas seções com extinção ondulante.

      Granoblastos menores que os feldspatos, com Quartzo 30 E extinção ondulant e em algumas seções.

      Biotita 15 E Apresentam-se com uma orientação.

      Substituindo a Biotita. Apresenta Fe-Mg-Clorita S birrefringência anômala (azul de berlim)

      Opacos 5 A Nat (natureza): E – e sse ncial; A – acessório; S - secundário.

      Textura: Granolepidoblástica Observações Adicionais: Nome da Rocha: Microclina-quartzo-plagioclásio gnaisse.

    • 140 -

      Contribuições às Ciências da Terra Série M, vol. 50, 153p

      

    DESCRIđấO PETROGRÁFICA

    Nome da Pedreira: Mário Lúcio (lâmina A)

    Descrição Microscópica

      Fotomicrografias

      Minerais % Nat Características São xenoblásticos (sem form a definida).

      Identificados pela m acla polissintética Plagioclásio

      35 E Estão em a lg umas secções sendo saussuritizadas.

      Apresenta uma orientação, pleocroísmo Biotita 18 E (castanho a incolor) e extinção olho de pássaro.

      Quartzo 35 E Unixial positivo.

      Clino- Pleocroísmo (verde anfibólio/hornb

      10 A acastanhado/verde/castanho) lenda Seção basal losangular. K-Feldspato

      1 A Sob a forma de Pertita Opacos 1 A Nat (natureza): E – essencial; A – acessório; S - secundário.

      Mineralogia da rocha: biotita (Bio), plagioclásio (Plg) e quartzo (Qtz) (nicol X)

      Textura: granoblástica

    Observações Adicionais:

      Nome da Rocha: Plagiocásio-quartzo gnaisse

    • 141 -
    Fabri, E. S. Avaliação dos impactos ambientais das minerações de rocha ornamental do centro sul do Estado de M ...

    DESCRIđấO PETROGRÁFICA

      Nome da Pedreira: Mário Lúcio (lâmina B) Descrição Microscópica Fotomicrografias

      Minerais % Nat Características Microclina

      20 E Macla em Grade Plagioclásio

      35 E Macla polissitética Quartzo 25 E Uniaxial positivo

      Biotita 5 A Pleocroísmo (castanho/incolor) Pleocroísmo (verde

      Clino-anfibólio

      5 A acastanhado/verde/castanho) (Hornblenda) Nat (natureza): E – essenci al; A – aces sório; S - secundário. anobl ást ica

      Tex tura: Gr

    Observações Adicionais:

      Nome da Rocha: Quartzo-microclina-plagioclásio gnaisse

    • 142 -

      Contribuições às Ciências da Terra Série M, vol. 50, 153p

      

    DESCRIđấO PETROGRÁFICA

    Nome da Pedreira: Grota da Cana (lâmina A)

    Descrição Microscópica

      Fotomicrografias

      Minerais % Nat Características São xenoblásticos. Apresentam mac la em

      Microclina

      30 E grade.

      São xenoblásticos. Apresentam macla Plagioclásio

      25 E polissintética. Quartzo 25 E Uniaxial positivo.

      Palhetas orientadas, com extinção “olho de Biotita 15 E pássaro”.

      Apatita

      5 A Granoblastos de birrefrigência muito baixa, Opaco uniaxial negativa.

      Nat (natureza): E – essencial; A – acessório; S - secundário.

      Plagioclásio (Plg) Plagioclásio (Plg) maclado saussuritizado saussuritizado/Microclina (Mic)

      (nicol X) (nicol X) Textura: Granolepidoblástica.

      Observações Adicionais: Nome da Rocha: Quartzo-plagioclásio-microclina gnaisse.

    • 143 -
    Fabri, E. S. Avaliação dos impactos ambientais das minerações de rocha ornamental do centro sul do Estado de M ...

      

    DESCRIđấO PETROGRÁFICA

    No me da Pedreira: Pedreira Capão (lâmina

      A) Descrição Microscópica

      Fotomicrografias

      Minerais % Nat Características Microclina

      20 E São xenoblásticos com macla em grade Tem-se a presença de pertita. Apresentam

      Plagioclásio 35 E macla polissintética.

      Quartzo 30 E Grãos xenoblásticos uniaxiais positivos Biotita 10 S Palhetas castanhas substituindo anfibólio.

      Pleocroísmo forte (castanho – verde – castanho Clino-anfibólio

      5 A esverdeado). Substituindo nas seções por biotita. Opaco A

      Substituindo os plagioclásios. Apresenta alta Epidoto

      5 S b irrefring ência. Apatita A Granoblastos uniaxiais negativo s Nat (natureza): E – essencial; A – acessório; S - secundário.

      A nfibólio (Anf) substituído por biotita Anfibólio (Anf) substituído por biotita (Bio) (nicol X) (Bio) (nicol //)

      Textura: Granolepidoblástica

    Observações Adicionais:

      Nome da Rocha: Microclina-quartzo-plagioclásio gnaisse

    • 144 -

      Contribuições às Ciências da Terra Série M, vol. 50, 153p

      

    DESCRIđấO PETROGRÁFICA

    Nome da Pedreira: Fazenda (lâmina A)

    Descrição Microscópica

      Fotomicrografias

      Minerais % Nat Características Sob a forma de grãos xenoblásticos com macla

      Microclina 35 E em grade.

      São xenoblásticos. Apresentam macha Plagioclásio 30 E polissintética.

      Apresentam-se com extinção ondulante em Quartzo 25 E algumas secções. São uniaxiais/positivas.

      Granoblastos de birrefringência baixa e Apatita 5 A uniaxiais negativos.

      Palhetas orientadas com extinção “olho de Biotita

      5 A pássaro” Opaco Nat (natureza): E – essencial; A – acessório; S - secundário.

      Textura granoblástica com microclina (Mic), quatzo (Qtz), plagioclásio (Plg) (nicol X) Textura: Granoltpidoblástica.

    Observações Adicionais:

      Nome da Rocha: Quartzo-plagioclásio-microclina gnaisse

    • 145 -
    Fabri, E. S. Avaliação dos impactos ambientais das minerações de rocha ornamental do centro sul do Estado de M ...

    • 146 -

    ANEXO II QUESTIONÁRIO SÓCIO-ECONÔMI CO AMBIENTAL PROGRAMA DE RECUPERAđấO DE PEDREIRAS ABANDONADAS DO COMPLEXO METAMORFICO CAMPO BELO

      PROJETO: Pós-Graduação Geologia Ambiental e Conservação de Recursos Naturais

      Questionário de Investigação Sócio-Econômico Pedreira: _________________________ Município: __________________ Data: ____/____/2006

      

    Atenção: Favor se identificarem e explicar os objetivos do trabalho, antes de iniciarem a

    entrevista. Nunca deixe respostas em branco. Se o entrevistado não souber a resposta, faça o

      comentário ao lado da pergunta. Permita ao entr evistado responder livremente a sua pergunta. Se necessário pergunte por cada uma das opções, sem reforçar nenhuma delas. Não induza a sua

      Entrevista.

      

    1 – Aspectos Gerais

      1.1 Estrutura Familiar: Total de membros: 1.2 – Quantos desses membros dependem do Senhor (a)?

      

    2 – Situação da Pedreira

      2.1 – Quando a pedreira começou suas atividades e quando parou? 2.2 – Quantas pessoas trabalhavam com você nessa pedreira? 2.3 – Quais eram as condições de trabalho? 2.4 – Qual a quantidade de blocos retirados mensalmente? 2.5 – Qual a sua situação após o abandono e/ou fechamento da pedreira onde trabalhava? Arrumou emprego imediatamente? 2.6 – O que levou a pedreira, onde trabalhava, ao abandono e/ou fechamento? 2.7 – A pedreira sempre teve o mesmo nome e/ou dono? Se não, quantos e quais? 2.8 – O dono é o proprietário da terra? 2.7 – Quantas pedreiras existem (em funcionamento) e quantas existiram (abandonadas e/ou fechadas) no seu município? 2.8 – Para qu e eram usados os blocos retirados da pedreira? E para onde iam? 2.9 – Quando era época de chuva, formavam lagos ou poças? Fabri, E. S. Avaliação dos impactos ambientais das minerações de rocha ornamental do centro sul do Estado de M ... 2.10 – Existe algum córrego próximo à pedreira? Qual a situação dele? 2.11 - Qual a situação atual da pedreira? 2.12 - Você v iu algum fiscal na pedreira? 2.13 – A pedreira tinha instalações? Banheiro? Local para almoço? Local para descanso? 2.14 – Você usava equipamentos de proteção? 2.15 – Algum acidente de trabalho? Qua l?

      

    3 – Situação do Município

      3.1 – Se você já morava na região antes da abertura das pedreiras, qual era a situação econômica do município? 3.2 – E depo is do abando no e/ou fechamento dessas pedreiras, qual a situação econômica em que o município se encontrou ? Fecharam lojas? Bancos? 3.3 – Foram muitos os desempregos no município? 3.4 – E a prefeitura, o que fez para intervir na situação do município? 3.5 – Muitas pessoas foram embora depois do fechamento das pedreiras?

    • 148 -

      ANEXO III MAPA DE USO E OCUPAđấO DO SOLO DO MUNICễPIO DE CANDEIAS/MG DA DÉCADA DE 60

      Mapa de uso e ocupação do solo do município de Candeias/MG, a partir das fotografias aéreas da décadas de 60, adquiridas na CPRM

      ANEXO IV MAPA DE USO E OCUPAđấO DO SOLO DO MUNICễPIO DE CANDEIAS/MG DA IMAGEM ASTER DE 2004 Mapa de uso e ocupação do solo do município de Candeias/MG, a partir da imagem ASTER de 2004, adquirida na NASA.

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