CONCEPÇÃO E DESAFIOS NA IMPLANTAÇÃO DE UMA INCUBADORA DE CONHECIMENTOS DE BASE LIMPA: CASO SÃO BENTO DO SUL

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CONCEPÇÃO E DESAFIOS NA IMPLANTAÇÃO DE UMA

INCUBADORA DE CONHECIMENTOS DE BASE LIMPA:

CASO SÃO BENTO DO SUL

Dissertação de Mestrado

CARLOS ROBERTO WERLICH

FLORIANÓPOLIS

2007

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Universidade do Estado de Santa Catarina – UDESC

Programa de Pós Graduação em Administração – ESAG

CONCEPÇÃO E DESAFIOS NA IMPLANTAÇÃO DE UMA

INCUBADORA DE CONHECIMENTOS DE BASE LIMPA:

CASO SÃO BENTO DO SUL

Carlos Roberto Werlich

Dissertação apresentada ao Programa de Mestrado Acadêmico em Administração, da Universidade do Estado de Santa Catarina – UDESC, como requisito parcial para obtenção do Título de Mestre em Gestão Estratégica das Organizações.

Orientador: Wilson José Mafra, Dr.

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Carlos Roberto Werlich

CONCEPÇÃO E DESAFIOS NA IMPLANTAÇÃO DE UMA

INCUBADORA DE CONHECIMENTOS DE BASE LIMPA:

CASO SÃO BENTO DO SUL

Dissertação aprovada como requisito parcial para obtenção do título de Mestre em Gestão Estratégica das Organizações da Universidade do Estado de Santa Catarina.

Banca Examinadora:

________________________________________

Wilson José Mafra, Dr. Eng.

Orientador

Universidade do Estado de Santa Catarina

_______________________________________________

Mario C. Barreto Moraes, Dr. Eng.

Membro

Coordenador do Programa Mestrado Universidade do Estado de Santa Catarina

______________________________________________

Neri dos Santos, Dr. Ing.

Membro

Universidade Federal de Santa Catarina

______________________________________________

Pio Campos Filho, Dr. Eng.

Membro

Universidade do Estado de Santa Catarina

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Dedico esse meu esforço de aprendizado aos meus avós e a meus amados pais, in memoriam Ao apoio incondicional recebido de minha querida esposa e amiga Maria José e também a cada um de nossos quatro filhos, três dos quais entre nós: Samuel Henrique, Sahra Elysabeth e Saulo Marcos, verdadeiros tesouros, bênção e inspiração, cada qual com seu modo próprio de ver a vida e pensar o mundo.

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AGRADECIMENTOS

Agradeço aos muitos professores (as), amigos (as) e alunos (as), de cujos encontros

ao longo de minha trajetória como professor, pedagogo ou somente como alguém que gosta

muito de aprender, guardo as lições que me possibilitaram: ver com os olhos do coração e

compreender o mundo deslumbrante que se esconde na simplicidade, necessidade de ir além

das aparências, empreender, mesmo sem os mínimos subsídios ou recursos, acreditar que é

possível pensar o novo quando tudo conspira ao contrário.

Ao Prof. Wilson José Mafra, orientador e amigo que, desde os primeiros contatos,

dedicou-me atenção e paciência, entendendo os anseios e aspirações desse aprendiz,

mostrando-me a maior lição de todas – a humildade.

Ao Diretor Geral da UDESC – Planalto Norte, Prof. Pio Campos Filho, por seu

incentivo e paciência.

Ao Magnífico Reitor da UDESC, Prof. Anselmo Fabio de Moraes e ao Diretor do

Centro de Ciências Tecnológicas, Prof. Gerson Volnei Lagemann, pelo apoio institucional e

incentivo na realização deste trabalho.

Ao Coordenador do Programa Mestrado, Prof. Mário César Barreto Moraes, por sua

habilidade, e aos funcionários (as) da secretaria, pela presteza no atendimento às

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RESUMO

WERLICH, Carlos Roberto. Concepção e Desafios na Implantação de uma Incubadora de Conhecimentos de Base Limpa. 2007, 109f (Dissertação) – Programa de Pós Graduação em Administração – ESAG, Universidade do Estado de Santa Catarina, Florianópolis.

Esta pesquisa descreve a implantação de uma incubadora de conhecimentos de base limpa de abrangência regional e objetiva contribuir para implementar iniciativas empreendedoras, potencializar demandas por mudanças de paradigma tecnológico, econômico, sustentabilidade sócio-ambiental e de gestão das organizações, foco no Arranjo Produtivo Local – APL do planalto norte do Estado de Santa Catarina. Destacam-se casos de sucesso na literatura internacional e consolidados no Brasil, como no Estado de Santa Catarina, a partir dos quais busca-se compreender as diferenças em relação à realidade regional. Nesse sentido, realizaram-se visitas, reuniões preparatórias e de sensibilização com a comunidade empresarial e acadêmica, visando atender aos anseios expressos em relatório de pesquisa de opinião. A implantação dessa incubadora de conhecimentos de base limpa, diferencia-se das demais, por estar pautada numa base cientifica; apoiar empreendimentos e tecnologias de base limpa; ter um conselho gestor rotativo; a implantação ter acontecido no menor prazo conhecido – um ano – período no qual três empresas foram incubadas e porque o foco de abrangência é regional, o que visualiza a possibilidade de mudar o paradigma tecnológico e sócio-econômico regional. Assim sendo, expõe-se desafios na implantação de uma Incubadora de conhecimentos de base limpa, permitindo que seus objetivos sejam efetivamente atingidos pelo modelo proposto. O resultado do estudo supre de forma significativa uma lacuna bibliográfica no que tange a modelos de implantação de Incubadoras de conhecimentos de base limpa.

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ABSTRACT

WERLICH, Carlos Roberto. Challenges in Concept and Implementation of clean based company-nurturing knowledge based enterprise. 2007,109f (Dissertation) - Program for Graduate in Administration – ESAG, University of the State of Santa Catarina ,Florianópolis.

This research describes the introduction of a clean based company-nurturing knowledge-based enterprise within regional companies and the aim is to foster to implement entrepreneur initiatives, to stimulate changes on technological, economical and social-environmental paradigm, as well as to stimulate organization management changes focused on the Local Productive Arrangement – LPA at the North Plateau of Santa Catarina State.Successful case studies are highlighted from the literature consolidated in the Santa Catarina State, in Brazil, as well as Internationally. These studies help understand the differences of scenarios towards the regional reality. For this end, visits, preliminary and awareness meetings were carried out with the entrepreneur and academic community aiming to answer expectations gathered from a market research report. The implementation of this company-nurturing enterprise differs from others because: (i) it is scientifically based; (ii) it supports clean base companies and technologies; (iii) it has a alternating management counsel, and; (iv) the implementation had happened in the fastest period of time (i.e. one year). During this period of time three companies were nurtured with regional focus, which signal for possible changes in the technological and social-economical regional paradigm. Thus, challenges in the implementation of clean based company-nurturing knowledge-based enterprise are shown, allowing its goals to be effectively achieved by the proposed model. These results fill up a significant gap in the literature concerning implementation models for clean based company-nurturing knowledge-based enterprise.

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SUMÁRIO

1. INTRODUÇÃO... 11

1.1 Contextualização do tema 11

1.2 Definição do problema 12

1.3 Justificativa e relevância 13

1.4 Objetivos 15

1.4.1 Objetivo geral 15

1.4.2 Objetivos específicos 15

1.5 Estrutura do trabalho 15

2. FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA ... 16

2.1 Contexto histórico das incubadoras 16

2.1.1 Contexto histórico internacional 16

2.1.2 Contexto histórico nacional 23

2.1.3 Contexto estadual 37

2.2 Produção mais limpa 42

2.3 Inovação tecnológica 47

2.4 Empreendedorismo 49

3. PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS... 66

3.1 Natureza da pesquisa 66

3.2 Caracterização da pesquisa 68

3.3 Procedimentos da pesquisa 69

4. INCUBADORA DE CONHECIMENTOS: CASO SÃO BENTO DO SUL ... 71

4.1 Concepção e Desafios 74

4.2 Planejamento 77

4.3 Sensibilização 78

4.4 Pré-implantação 81

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4.6 Pré-operação 84

4.7 Avaliação 85

4.8 Sistema de gestão 85

4.9 Normas regulamentadoras 86

CONCLUSÕES E RECOMENDAÇÕES... 90

5.1 Conclusões 90

5.2 Recomendações para trabalhos futuros 92

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LISTA DE ABREVIATURAS E SIGLAS

ABNT - Associação Brasileiras de Normas Técnicas

ANPROTEC - Associação Nacional de Entidades Promotoras de Empreendimentos de Tecnologia Avançada

ANVAR - Agência Nacional de Valorização da Pesquisa APL - Arranjo Produtivo Local

CNPq - Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico FETEP - Fundação Ensino e Pesquisa, cidade de São Bento do Sul – S.C. IBGE - Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística

MPE - Micro e Pequena Empresa

OCDE - Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico OIT - Organização Internacional do Trabalho

ONU - Organização das Nações Unidas P&D - Pesquisa e Desenvolvimento

ReCEPET - Rede Catarinense de Entidades Promotoras de Empreendimentos Tecnológicos

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1.

INTRODUÇÃO

1.1 Contextualização do tema

Conceber e superar os desafios de implantar o ambiente adequado que possibilite desenvolver novos empreendimentos e, que permita modernizar ou transformar idéias em produtos, processos ou serviços, é o cenário que se visualiza para o desenvolvimento sócio-econômico de uma sociedade.

Em um contexto onde o conhecimento, a eficiência e a rapidez no processo de inovação passam a ser reconhecidamente os elementos decisivos para a competitividade das economias, o processo de incubação, é crucial para que a inovação se concretize em tempo hábil para suprir as demandas do mercado.

Assim uma incubadora tem como objetivo principal, segundo Bermúdez (2004):

“Dar a resposta para a demanda de apoio às idéias inovadoras, no intuito de torná-las um negócio viável. Por isso, o seu papel é o de gerar empregos e renda, além de estimular a cultura do empreendedorismo, proporcionando um ambiente sócio-econômico positivo para as localidades onde esses empreendimentos se instalam”.

O objetivo de uma incubadora é minimizar a taxa de mortalidade das Micro e Pequenas Empresas - MPE’s, disponibilizando um ambiente flexível, no qual se oferece facilidades para o crescimento de novos empreendimentos a custos reduzidos. Outra razão para a maior chance de sucesso de empresas instaladas numa incubadora identifica-se no processo de seleção que capta os melhores projetos e seleciona os empreendedores mais aptos, o que naturalmente amplia as possibilidades de sucesso dessas empresas.

Na América Latina, “as empresas necessitam agregar diferenciais competitivos aos seus produtos, a partir de intensa utilização de novas técnicas e processos produtivos” (Mc RAE, 1998).

Assim, incubadoras são os espaços ideais para criar, maturar e recriar projetos e novas tecnologias, favoráveis à prática da cooperação inter e intra-organizacional e multidisciplinar, potencializar um novo ciclo de desenvolvimento, compartilhar talentos, recursos financeiros, conhecimentos e tecnologias, condição fundamental para competitividade empresarial.

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Segundo ainda a publicação da ANPROTEC (2005), “os empreendimentos iniciados em incubadoras, alcançam um grau de redução da taxa de mortalidade em até 95%”.

No Brasil, a partir da década de 1970, as incubadoras de empresas assumem o status de ambiente dotado de capacidade gerencial, administrativa financeira que disponibiliza infra-estrutura, assegura aos empreendedores oportunidades para maturar novas idéias ou empreendimentos, inovar ou modificar tecnologias e processos, usar a rede de contatos na região, no estado, no país e até mundial, usufruir os laboratórios de ensaios, realizar testes químico-físicos ou acessar a estudos disponibilizados em parcerias com universidades, órgãos públicos ou iniciativa privada, reduzir custos e, assim alcançar a sobrevivência do negócio.

A constatação da existência de conclusões totalmente divergentes em um campo de relevante importância no contexto sócio-econômico nacional motivou a elaboração deste estudo.

1.2 Definição do problema

Competir e crescer, em um mercado cada vez mais exigente e sofisticado, é o desafio que as empresas na América Latina e brasileiras vêm enfrentando, especialmente a partir dos anos 90, marcado pela abertura comercial, avanços da globalização e renovação tecnológica em todos os setores. Verifica-se, nessa conjuntura, que o crescimento da produção é influenciado pela inovação, melhorias contínuas de produtos e processos, redução de custos, contínua ampliação da qualidade e produtividade, mas sem geração de empregos. Rifkin (1996) destaca que “uma das grandes questões da sociedade de informação é a criação de trabalho e de negócios com tecnologias mais limpas”. Portanto, torna-se fundamental viabilizar as demandas por novas ocupações, a fim de que os cidadãos possam realizar os seus projetos de vida.

Pesquisa realizada pela Standard, Ogilvy e Mather (1997) no Brasil, constata que: “51% dos brasileiros consideram mais atrativo ter um negócio próprio, em oposição à resposta dos 13%, que gostariam de ter um bom emprego”. Esses e outros fatores indicam que profissionais talentosos buscam novas oportunidades para montar seus próprios negócios, porém necessitam de mecanismos de apoio nessas iniciativas.

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acolher micro e pequenos empreendimentos nascentes; segundo, porque pode abrigar empresas já estabelecidas que buscam a modernização de processos ou inovações de suas atividades, de forma a transformar idéias em produtos, processos ou serviços, numa visão estratégica de desenvolvimento inovador e regionalizado. Desafios a serem superados na medida em que se alcance no território brasileiro maior oferta de contingente humano especializado.

As pesquisas voltadas às avaliações de empresas de conhecimento de base limpa, candidatas à incubação ainda são muito restrita no Brasil, pela ausência de publicações científicas nesta área.

Como essas avaliações se baseiam no plano de negócios apresentado às incubadoras pelos empreendimentos candidatos e os modelos se diferenciam de uma incubadora para outra, cabe estabelecer uma reflexão sobre o problema.

Desta forma o presente trabalho responde à seguinte pergunta de pesquisa:

Como conceber uma incubadora de conhecimentos de base limpa para o setor madeira móveis e quais desafios deverão ser superados nas fases de implantação?

1.3 Justificativa e relevância da pesquisa

Estudos da Organização Internacional do Trabalho – OIT (2003) indicam que são 800 milhões de desempregados em todo o globo. Em contrapartida, a renda mundial cresceu 7 vezes nos últimos 50 anos e sua distribuição não conseguiu beneficiar de forma equânime e justa as diferentes classes sociais, pois se constata que 1% das famílias mais ricas do mundo detêm cerca de 45% da riqueza mundial.

Conceber e superar os desafios para implantar uma incubadora de conhecimentos de base limpa, justifica-se pelo fato de abrir espaço para empreendedores desenvolver seus negócios, possibilita mudar o status tecnológico estabelecido, estimula a diversificação da economia, abre caminho para usufruir os benefícios de se investir em inovação tecnológica, contribui para fortalecer as parcerias da iniciativa pública e privada, e, possibilita ainda a adequação sócio econômica e ambiental.

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na transferência de conhecimentos das Universidades para Iniciativa Privada, com valor agregado.

Outrossim, a possibilidade de agregar novos conhecimentos ao Arranjo Produtivo Local (APL) da região do planalto norte de Santa Catarina setor madeira/móveis, tal qual experiências implementadas em diversos lugares do mundo cita-se, por exemplo, da Universidade de Stanford região conhecida como Vale do Silício – Berkley – EUA e as experiências bem sucedidas no Brasil: em São Paulo – campus da Universidade de Campinas (UNICAMP) e no Estado de Santa Catarina, nas cidades de Florianópolis, Blumenau e Joinville.

Nesse caminho, considerada a economia globalizada, despontam assuntos como: logística, desenvolvimento de softwares, serviços tecnológicos, pesquisa de inovações, automação industrial e comercial, tecnologia de informação, possíveis propulsores para manter competitividade ou potencializar um novo ciclo de desenvolvimento.

Tendo em vista ainda a contextualização do movimento econômico consolidado seja a nível mundial, nacional ou especificamente da região do planalto norte catarinense, Denk (2002) constata que:

“O setor madeira móveis abriga as maiores exportadoras de móveis de madeira maciça para o segmento residencial, e indica que 50,4% da mão-de-obra e 47,5% do valor adicionado são diretamente ligados à essa cadeia produtiva - indústria madeira/móveis - ou seja, 50% da economia da região gira em torno desta cadeia”.

A região caracteriza-se ainda como o maior pólo exportador de móveis do Brasil, e no geral, o 3º pólo exportador de Santa Catarina, considerado que só as exportações de móveis da região alcançam 72,7% do total das exportações de móveis de Santa Catarina e 34% do total das exportações moveleiras do Brasil.

Oportunidades e desafios, face às especificidades e características industriais do setor, que apontam a partir da liderança da cidade de São Bento do Sul no planalto norte do Estado de Santa Catarina: pólo para atrair e abrigar novos investimentos ou concentrar iniciativas que possam atender a micro região.

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1.4 Objetivos

1.4.1 Objetivo Geral

Conceber e superar os desafios para implementar uma incubadora de conhecimentos de base limpa.

1.4.2 Objetivos Específicos

Considerado o escopo do objetivo geral e no sentido de alcançar o estabelecido destacam-se como objetivos específicos:

• Conceber o tipo de incubadora que seja adequada às condições e anseios locais;

• Superar as etapas e os desafios das fases de implantação do projeto;

• Estabelecer parcerias públicas privadas;

• Demonstrar as vantagens de usufruir os benefícios da aplicação da lei de propriedade

intelectual.

1.5 Estrutura do trabalho

Essa pesquisa está organizada em cinco capítulos.

No primeiro capítulo, faz uma introdução ao tema, situa-se o contexto do projeto de pesquisa, descreve-se o problema, apresentam-se às justificativas e a relevância, assim como os objetivos, a estrutura do trabalho de pesquisa.

O segundo capítulo descreve a fundamentação teórica a evolução das incubadoras no contexto histórico internacional, nacional e no estado de Santa Catarina.

No terceiro capítulo, descreve-se os procedimentos metodológicos adotados, a natureza definição e caracterização da pesquisa.

No quarto capítulo, descreve-se a incubadora de conhecimentos: caso de São Bento do Sul, a concepção e desafios, as etapas seguidas como: planejamento, sensiblização, pré-implantação, pré-implantação, pré-operação, avaliação, sistema de gestão, normas regulamentadoras.

No quinto capítulo descrevem-se as conclusões e recomendações.

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2 FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA

Considerando a relevância e os desafios a serem superados de implantar uma incubadora de conhecimentos de base limpa, para a região do setor madeira/móveis do planalto norte-catarinense, diversos aspectos relacionam-se com o tema desta pesquisa, assim nesse capítulo apresenta-se, um corte referencial da evolução histórica internacional, nacional e estadual.

2.1 Contexto histórico das incubadoras

2.1.1 Contexto internacional

Na economia capitalista, os primeiros empreendimentos do pós-guerra, instalados em incubadoras de empresas surgem na década de 1950, nos Estados Unidos, ligados aos Centros de Pesquisas das Universidades de Harvard, Stanford e do Massachusetts Institut of Tecnololgy (MIT), resultando de uma série de ações conjuntas empreendidas pelo governo americano, instituições acadêmicas e indústrias locais. Esse esforço associativo propiciou o desenvolvimento de produtos e processos inovadores principalmente nas áreas de microeletrônica e informática, consolidado em empresas de relevância mundial, como a International Business Machine (IBM), Hewlett Packard (HP) e General Eletric (GE), (LUNIARDI, 1997).

Conceitos aplicados ainda em outras Universidades, como em Berkley-EUA, que ficou conhecido como Vale do Silício, as quais serviram de paradigma e que, ainda de longe, desafiam também o processo evolutivo na América Latina e no Brasil.

Segundo Prado (1999), “esse tipo de empresa difundiu-se amplamente nos Estados Unidos e na Europa, posteriormente, em alguns países em desenvolvimento, como o Brasil”.

Lunardi (1997) acrescenta: “esse avanço se deve à crença de que tais arranjos associativos institucionais podem alavancar o desenvolvimento social, econômico, ou mesmo reverter o quadro declinante de alguns setores industriais da economia”.

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Beduschi Filho (2003), quando analisa as referências que indicam a retomada dos temas de natureza territorial, menciona:

“Não foram às teorias da localização, baseadas na oferta ou na mobilidade de certos fatores produtivos, as propulsoras, mas as externalidades positivas, produzidas pelas aglomerações”, apontadas por Alfred Marshall, desde o final do Século XIX.

Expressão desse movimento intelectual, a Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) cria, em 1984, uma divisão de desenvolvimento territorial e passa a editar, a partir de 2001, uma publicação anual periódica. As perspectivas territoriais da (OCDE). Logo na primeira página do número de lançamento, encontra-se o reconhecimento de que cada território dispõe de um capital específico, o capital territorial, distinto daquele de outros territórios (OCDE, 2001:15).

Territórios não são simplesmente, um conjunto neutro de fatores naturais e de dotações humanas, capazes de determinar as opções de localização das empresas e dos trabalhadores (ABRAMOVAY, 2003). Organizam-se por laços informais, por modalidades não mercantis de interação, constituídas ao longo do tempo e moldam uma certa personalidade. Portanto, uma das fontes da própria identidade dos indivíduos e dos grupos sociais. Em torno dos territórios, existem certos modelos mentais partilhados e comportamentos que formam uma referência social cognitiva materializada numa certa forma de falar, em episódios históricos e num sentimento de origem e de trajetórias comuns.

Abramovay (2003) ainda afirma que: “territórios não são definidos pela objetividade dos fatores de que dispõe, mas, antes de tudo, pela maneira como se organizam”. Por isso, antes de discutir políticas territoriais, é necessário voltar-se ao que são as novas formas de organização produtiva no mundo contemporâneo e aos novos desafios que colocam a intervenção do Estado.

Assim, no final dos anos 70, na Inglaterra, a partir da união de esforços entre universidades, órgãos ligados ao governo local e empresas privada, promove-se o que ficou conhecido como o Fenômeno de Cambridge – processo intensivo de aparecimento de novas empresas – a partir de ações de universidades e centros de tecnologia. Bolton, um dos professores do Wolfoson College envolvido no processo, inicia estudo visando reproduzir o fenômeno em outras localidades, com outros agentes.

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Espacial: Programas de lançamento, com ARIANE em evidência e diversos

programas de satélites dirigidos pelo Centro Nacional de Estudos Espaciais – (CNES) - http://www.cnes.fr, que colaboraram para a criação de uma indústria espacial.

Energia: Plano nuclear com o Centro de Estudos Atômicos – CEA

http://www.cea.fr, e Eletricidade de França – EDF http://www.edf.fr, e a criação de uma indústria de energia nuclear.

Defesa: Programa de defesa na área nuclear; Programa AIR com o

desenvolvimento de aviões militares: Mirages, Rafale; programa TERRE, com o desenvolvimento de diferentes tanques AMX, LECLERC; programa MER, com o desenvolvimento de diferentes submarinos: SNA, SNLE, bem como de porta-aviões.

Informática: o plano estratégico com a criação da BULL, empresa pública.

Telefonia: o plano telefone em 1974 que permitiu à France Telecom, organismo

governamental, a criação de gigantes da telefonia como ALCATEL.

Saúde: Plano de saúde que através de mecanismos de reembolso de

medicamentos pela saúde social, permitiu a formação de grandes grupos farmacêuticos.

Todos estes programas governamentais permitiram o nascimento de grandes empresas que dominam muito bem a tecnologia por meio da realização de pesquisa e desenvolvimento P&D interno de ponta, bem como de centros de pesquisa especializados, coordenando pesquisas fundamentais e aplicadas nos setores correspondentes. Entre esses se destacam:

• CNES: Centro Nacional de Estudos Espaciais.

• CNET: Centro Nacional de Estudo de Telecomunicações.

• ONERA: Bureau Nacional de Estudo e de Pesquisa Aeronáutica.

• INRIA: Instituto Nacional de Pesquisa em Informática Aplicada.

• CEA: Centro de Estudos Atômicos.

• INSERM: Instituto Nacional de Saúde e Pesquisas Médicas.

• INRA: Instituto Nacional de Pesquisa Agronômica.

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Cambridge (Inglaterra), compreenderam que era necessário organizar a vinda e o desenvolvimento de empresas tecnológicas em locais apropriados. É o que chamamos de Parques ou Pólos Tecnológicos, Tecnoparques, Innopôles, Tecnopoles.

Esses parques foram criados, no início, à margem das cidades onde os terrenos não eram caros. Por isso, a maioria deles não integrava universidades nem organismos de apoio à inovação tecnológica. Esses parques eram, sobretudo, operadores de comercialização de terrenos, com o objetivo de incentivar as empresas a se instalarem, oferecendo toda uma infra-estrutura de serviços necessários às empresas.

Muitos parques foram constituídos por vontade de autoridades regionais e, foram criadas ao redor de grandes empresas âncoras, que permitiram tanto o avanço do financiamento do parque, quanto principalmente a atração de diversas empresas ao redor delas.

Em 1979, o Estado francês criou a Agência Nacional de Valorização da Pesquisa - ANVAR No início, este organismo era destinado a apoiar a valorização dos resultados da pesquisa francesa. Rapidamente, a ANVAR se tornou uma agência de financiamento da pesquisa, primeiramente nos laboratórios, e depois nas empresas. A ANVAR financia projetos através de diferentes mecanismos de financiamento, seja na forma de subvenção, seja na forma de reembolsáveis em caso de sucesso.

A ANVAR contribuiu amplamente com a gênese e o desenvolvimento de Micro, Pequenas e Médias Empresas tecnológicas - MPME. Ela se revelou um ator essencial do desenvolvimento tecnológico francês.

Nos Centres Européens d'Entreprise et d'Innovation – CEEI, nos anos 80, diversas autoridades locais se conscientizam da importância da criação de empresas inovadoras para o desenvolvimento econômico. Vemos, portanto, surgir uma safra de incubadoras de empresas, que são essencialmente instrumentos locais dependentes de uma municipalidade, de um departamento, de uma região, de um parque tecnológico.

Em 1984, a criação dos Centres Européens d'Entreprise et d'Innovation - CEEI, estruturas equivalentes às incubadoras, mas que apresentam um acompanhamento pós-criação adequado, por pessoas competentes, com financiamentos Europeus.

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As primeiras células de valorização nas Universidades apareceram nos anos 80. Essas células consistem em serviços internos das Universidades encarregados de:

• Detectar as tecnologias com resultados de pesquisa maduros para serem

valorizados;

• Assegurar a proteção da propriedade intelectual;

• Fazer a interface com as empresas encarregadas de colocar no mercado a

tecnologia considerada.

Atualmente, todas as universidades dispõem de uma célula de valorização.Todas essas células se reúnem em uma rede, a Rede Réseau CURIE – fundada em 1991, esta rede é uma associação que tem por objetivo reunir os diferentes atores que tem importantes papéis na valorização da pesquisa pública. (BRUNET, 2006)

Atualmente tem 130 associados sendo: 75 universidades e 20 escolas de engenharia; 5 organismos de pesquisa nacionais ; 30 membros associados, menciona Brunet, (2006), que as permitem praticar trocas de experiências, de know-how, de práticas, e compartilhar recursos entre elas.

Durante muito tempo, e até a Lei de Inovação em 1999 na França, que provocou profundos impactos na cultura acadêmica, essas células de valorização eram pouco respeitadas e suas equipes, na maioria das vezes, constituíam-se de pessoas não qualificadas, ou de pesquisadores que estavam afastados de suas funções, ou que não haviam obtido bons resultados de pesquisa.

A Lei de Inovação de 1999, cria a condição das pré-incubadoras. A Lei de Inovação de pesquisa de 1999 revoluciona o quadro da inovação; ela é constituída de quatro eixos principais:

• A mobilidade de pesquisadores públicos para atuar em empresas;

• A colaboração entre a pesquisa pública e as empresas;

• O quadro fiscal para as empresas inovadoras;

• O quadro jurídico para as empresas inovadoras.

Também a partir desta Lei foram criados estruturas e meios para incentivar a criação de empresas inovadoras, entre eles:

• A criação de empresas a partir da pesquisa: as pré-incubadoras vinculadas à

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• A parceria público/privada na pesquisa: As redes de pesquisa e de inovação

tecnológica; Os centros nacionais de pesquisa tecnológica.

Lei das Jovens Empresas Inovadoras – JEI, em 2003 um plano de incentivo à inovação foi elaborado para complementar os dispositivos da Lei e ações subseqüentes Entre eles estão, segundo (BRUNET, 2006):

• Apoio à criação de empresas:

• Ensino do empreendedorismo;

• Incentivos fiscais para os Business Angels – indivíduos, pessoa física, que

investem ou emprestam recursos financeiros para um determinado negócio, geralmente resultante de inovação tecnológica incremental ou que tenha um mercado bem definido, tendo perspectiva de retorno do seu investimento a curto ou médio prazo atraindo investidores para as jovens empresas inovadoras;

• Apoio ao P&D na empresa: o novo crédito de imposto-pesquisa;

• Apoio à transferência de tecnologia: o prêmio pelo registro de patente e à parceria

público/privada; o apoio à transferência de tecnologia nos estabelecimentos públicos; uma melhor valoração da pesquisa pelas empresas;

Desde 1970, muitos paises estabeleceram parques de ciência e distritos de tecnologia como parte de uma estratégia para impulsionar e desenvolver o crescimento econômico.

Segundo Felsentein (1994), “os parques de ciência foram estabelecidos geralmente com dois objetivos preliminares”:

• Primeiro: de berço para tecnologia, permitindo a partir da incubação natural,

desenvolvimento e crescimento das pequenas novas empresas higt-tech. Facilitar a transferência do know-how da universidade para empresas, incentivar o desenvolvimento das faculdades baseado nos conhecimentos e estimular o desenvolvimento de produtos e processos inovadores.

• Segundo: agir como um catalisador para o desenvolvimento econômico.

Na Ásia, especificamente na Malásia e Cingapura, adotou-se esse caminho, de investir em incubadoras que se transformaram em parques de ciência, o que de certa forma levou muitos governos esperar que:

• Os parques de ciência ajudariam a elevar o nível de sofisticação tecnológico das

indústrias locais,

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• Acelerar a transição de um modelo econômico de trabalho intensivo para a uma

economia do conhecimento intensivo.

Assim a partir dos anos de 1990, muitos governos da Ásia incentivaram investimentos em novos parques de ciência, numa tentativa de realçar a competitividade econômica e reproduzir o sucesso alcançado no Vale do Silício.

Segundo Porter (1991),

“Uma estrutura de desenvolvimento abrange muitas variáveis e necessitam capturar muito das complexidades de situações reais, por sua vez as estruturas identificam as variáveis relevantes e as perguntas que o usuário deve responder a fim de desenvolver conclusões”.

Um parque de ciência, geralmente abrange: os mecanismos de transferência e sustentação das tecnologias do negócio que incentiva; suporta o inicio do incubado; conduz o desenvolvimento da inovação; eleva o crescimento e, conhecimento dos negócios.

Parques de ciência têm também as ligações formais e operacionais com instituições tais como universidades e organizações de pesquisa. Embora os parques de ciência sejam suposto para fornecer pontos focais para inovação.

Há também parques de ciência e distritos da tecnologia que possuem potencialidades fortes da manufatura, dentro do próprio parque ou em sua vizinhança, por exemplo, o distrito de tecnologia de Hsinchu em Formosa/China – que cresceu a partir do esforço do governo a partir dos anos 1980, desenvolvendo infra-estrutura, começando com conjuntos de pequenas empresas -, atraindo novas empresas para na sua vizinhança ou dentro do parque de ciência, e criam efeitos substanciais para economia regional. (KOH, et al. 2005).

Nesse contexto, alguns fatores chaves influenciam o desenvolvimento e o crescimento de parques de ciência, como: incentivo a inovação e apoio institucional para desenvolvimento, a localização geográfica ou econômica, os conhecimentos da ciência - universidades, políticas institucionais, habilidade de atrair ou criar novas empresas e gerar novos produtos e tecnologias para mercados globais, potencial do fator humano, - o que pode conferir vantagens ao competidor, às empresas, e ainda contribuir para melhorar o nível de inteligência agregada às empresas situadas em sua vizinhança.

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O que foi posto no lugar, foi facilitar a transferência do know how das instituições de pesquisa para setores confidenciais, gerando efeitos igualmente importantes ao desenvolvimento de Hsinchu, embora o governo fornecesse o estimulo inicial, foi o setor confidencial que dirigiu o desenvolvimento subseqüente.

Em Cingapura também se foi além da oferta de infra-estrutura, ofertando o incentivo do governo com rupturas de impostos, incluindo fornecedores domésticos fornecedores de serviços, sócios de negócios potenciais, sendo visíveis os efeitos multiplicadores destes investimentos para o desenvolvimento da economia doméstica em nível estratégico. (KOH, et al. 2005).

Como visto, o parque de ciência de Cingapura até recentemente foi direcionado pelo governo. A participação do setor confidencial era limitada, ao contrário de Hsinchu, entretanto havia pouca interação entre os atores, e entre eles e outras regiões, embora com alguma melhora nos anos recentes.

O governo de Cingapura para estender e contemplar uma maior integração das facilidades no futuro dos parques de ciência, está construindo Um-Norte Habitat, de 200 hectares, com custos estimados de US$ 8.6 bilhão nos próximos 15 anos, visando criar um ambiente comunitário de pesquisa multifacetado, com as escolas, transporte público e outros benefícios. (KOH, et al. 2005).

Essa planta oferece infra-estrutura de conectividade entre os indivíduos e negócios, para facilitar a integração vertical e horizontal, permite empresas diferentes operar próximas e facilitar a troca de idéias das pesquisas, com uma participação maior do setor confidencial sendo incentivado, por exemplo, nas ciências biomédicas, empresas ultramarinhas, além disso, o governo de Cingapura está incentivando empresas da Austrália, Nova Zelândia para vir desenvolver suas atividades no território de Cingapura, considerando ser a passagem aos mercados na China e Índia e sudeste Asiática como Indonésia.

Ainda como estimulo a pesquisa e inovação estão sendo oferecidos programas de pós-graduações e pós-doutorados em ciências, e há uma ênfase renovada na pesquisa básica, ao contrário da ênfase anterior sobre pesquisa aplicada, nos institutos de pesquisa financiados pelo governo e nas universidades locais. No curto prazo o governo está fazendo esforços para atrair talentos estrangeiros para suplementar os locais.

(24)

No Brasil, Moreira (2002), cita que “as incubadoras surgiram em meados da década de 80, a partir de iniciativas junto às universidades e centros de pesquisa, financiadas em grande parte pelo poder público”.

A partir de 1984, por iniciativa do então presidente do CNPq. Prof. Lynaldo Cavalcanti, criam-se cinco fundações tecnológicas em distintas cidades brasileiras: Campina Grande (PB), Manaus (AM), São Carlos (SP), Porto Alegre (RS), e Florianópolis (SC). Essas instituições tinham por finalidade promover a transferência de tecnologias das universidades para o setor produtivo. Na pioneira Fundação Parqtec de São Carlos, em São Paulo, começou a funcionar a primeira Incubadora de Empresas no Brasil e a mais antiga da América Latina, com quatro empresas instaladas.

Prado (1999) destaca a importância dessas empresas para o progresso do setor industrial e para a independência tecnológica dos países em geral, identificando-lhes características em relação aos setores tradicionais da economia:

• Contribuintes para a modernização de setores industriais, desgastados pela perda

de competitividade, decorrente da mudança tecnológica radical na organização de produção;

• De grande potencial para gerar exportações, aos países em vias de

desenvolvimento;

• Influenciadoras eficazes na transferência de tecnologia dos centros de pesquisa

para o setor produtivo, considerando os resultados das pesquisas repassados pelos próprios pesquisadores participantes da implantação desse tipo de empresa;

• Valorizadoras de todo sistema científico e tecnológico do país, por maximizar os

investimentos em pesquisa e tecnologia realizados pelo governo;

• Possibilitam ao país entrada em setores inovadores, até então dominados por

nações desenvolvidas;

• Contribuintes para a redução no nível de desemprego no país.

(25)

Em 2005, ainda segundo dados da Associação Nacional de Entidades Promotoras de Empreendimentos de Tecnologia Avançada – ANPROTEC, (2005), já existiam no Brasil 300 incubadoras de empresas, em operação. O que representa um crescimento aproximado de 5% em relação ao levantamento realizado em 2004, quando o país tinha 283 incubadoras operando.

A mesma pesquisa revela ainda que, dentro das 300 incubadoras, havia 2.327 empresas incubadas e 1.613 associadas, utilizando infra-estrutura e serviços, sem ocupar espaço físico. Já passaram pelas incubadoras 1.678 empresas graduadas, hoje atuando no mercado por iniciativa própria. As empresas incubadas, associadas e graduadas respondem por aproximadamente 29.000 empregos diretos e 30.000 indiretos. O faturamento das empresas incubadas alcançou 320 milhões de reais e as graduadas apresentaram receita de 1,5 bilhões de reais. Esses números referem-se ao universo de 1.184 empresas entre incubadas e graduadas.

No gráfico 1, visualiza-se o crescimento das incubadoras no Brasil, entre 1998 e 2000 e, justifica-se o apoio implementado pelo SEBRAE como fomento ao surgimento de incubadoras.

GRÁFICO 1 – Evolução do crescimento das incubadoras no Brasil, 1988-2000 Fonte: (ANPROTEC, 2006).

Gráfico 1: Evolução no número de incubadoras no Brasil Fonte: SEBRAE (2006)

Muitos fatores e desafios apareceram diante desta caminhada ao longo dos tempos. Destacam-se, a seguir, os desafios e fatores críticos para o sucesso das incubadoras no Brasil, segundo o levantamento do SEBRAE, (2006), a saber:

• Alocação de recursos financeiros onde exista vontade política;

2 4 7 10 12

13 19

27 38

60 74

100 135

0 20 40 60 80 100 120 140

(26)

• Parcerias com entidades de fomento para o complemento financeiro;

• Inserção do Programa de Incubadoras dentro de políticas de desenvolvimento

Regional, local, estadual, entre outros;

• Priorização do Programa de Incubadoras;

• Existência de programas voltados à cultura empreendedora;

• Atendimento integral e diferenciado às empresas incubadas;

• Mudança cultural das instituições de ensino e pesquisa;

• Disseminação interna e externa da cultura de incubadoras;

• Padronização de ações e processos do Programa de Incubadoras;

• Integração com outros programas de parcerias;

• Pró-atividade da equipe envolvida com o programa;

• Existência de orçamento definido e alocado;

• Conhecimento do perfil e necessidades das micro e pequenas empresas;

• Facilidade de relacionamento com instituições públicas e privadas.

Por sua vez, segundo os estudos publicados pela ANPROTEC (2005), indicam ainda outros fatores a serem considerados e que contribuem para o insucesso das incubadoras:

• Distanciamento da idéia inicial de se ter um espaço sigiloso de criação,

experimentação e maturação para desenvolvimento de novas tecnologias avançadas;

• Falta de conhecimento sobre a legislação de propriedade intelectual, referente ao

registro das inovações e patentes industriais e suas reais vantagens para os ativos das empresas;

• Contratação inadequada ou não criteriosa do executivo gestor, resultando na má

articulação de gestão dos elementos de suporte administrativo, financeiro, logístico, elementos ambientais;

• Inadequado cuidado e atenção ao fator de localização geográfica,

desconsiderando-se os fatores clássicos, ou focalização apenas segundo a ótica de seus gestores.

(27)

visualizados a partir da tabela 1 e permite comparação com outras realidades da América Latina ou mundial.

TABELA 1 - DISPÊNDIO DE CAPITAL EM RELAÇÃO AO VALOR DA PRODUÇÃO

INDUSTRIAL BRASILEIRA. (Em Percentuais %)

Setores Atividade

Interna

Aquisição de Conhecimentos

Externos

Aquisição Máquinas

Total

Produtos Têxteis 0,27 0,18 3.03 3,48

Móveis 0,33 0,39 2,65 3,37

Borracha e plástico 0,38 0,18 3,52 4,08

Alimentícios 0,23 0,09 1,64 1,96

Produtos Metálicos 0,35 0,18 2,63 3,18 Materiais Elétricos 1,82 0,59 3,38 5,79 Industria de transformação 0,67 0,32 2,77 3,76

Informática 1,33 0,46 1,22 4,57

Celulose e Papel 0,46 0,21 3,9 4,57 Fonte: IBGE – Censo de 2000

Partes desses motivos estão compilados nos argumentos mencionados em estudos realizados por Szmrecsányi (2006), cuja síntese segue:

• Muitas atividades produtivas são realizadas sem conhecimento científico

profundo sobre por que e como as coisas funcionam. Indivíduos fazem funcionar altos-fornos, sem nem mesmo entenderem muito bem o processo de combustão. Voam cotidianamente em aviões cujos projetos otimizados são obtidos por meio de processos de tentativa e erro, pois não existem teorias sobre turbulência e compressibilidade adequadas para uma determinação prévia das configurações ótimas. Ainda são necessários longos testes e modificações baseadas nos resultados desses testes. Essa é uma das principais razões para os enormes custos de desenvolvimento das modernas aeronaves [...];

• Boa parte dos trabalhos de cientistas envolve, atualmente, a sistematização e

reestruturação dos conhecimentos e de soluções e métodos práticos, utilizáveis, previamente acumulados pelos tecnólogos [...];

• O avanço do conhecimento, freqüentemente, dá-se por meio da experiência real

(28)

• O resultado das pesquisas podem ser um novo conceito ou uma ferramenta

intelectual, ou então uma nova estrutura conceitual que pode ser aplicável a uma vasta gama de fenômenos em disciplinas muito diferentes[...];

• As questões intrigantes que se colocam é entender: por que certos mecanismos

funcionam melhor em alguns setores ou empresas do que em outros?; por que o avanço tecnológico é tão importante para o direcionamento da pesquisa científica? Seria principalmente pela óbvia, mas atrativa sugestão de altos retornos potenciais, financeiros ou sociais? [...];

• A ciência vem sendo moldada, direcionada e constrangida por poderosos

estímulos econômicos. Esses estímulos têm suas raízes em dois fatos: primeiro, a pesquisa científica é uma atividade dispendiosa; segundo pode ser direcionada de maneira a gerar grandes retribuições econômicas. As sociedades industrializadas criaram um vasto domínio tecnológico estreitamente moldado por necessidades e incentivos econômicos. Esse domínio tecnológico, por seu turno, proporciona numerosos meios pelos quais a vida cotidiana se tornou extremamente ligada à ciência [...]

Os argumentos de Szmrecsányi (2006) indicam para possibilidades e necessidade de se rever urgente no Brasil, a questão do acesso a recursos e incentivos que garantam mobilizar atores locais a superar desafios, pautados nas vantagens da implementação da lei de propriedade intelectual.

Por sua vez, a análise da Lei Geral nº 9297/96, de Propriedade Intelectual, enfatiza parâmetros de aplicabilidade, classificação, regula os direitos fundamentais de transferências ou concessões de marcas, patentes, desenhos industriais e direito autoral.

Segundo a mesma lei geral n 9297/96, abre-se às empresas, possibilidades de deduzir tributos como imposto de renda e contribuição social sobre o lucro líquido, relativos aos recursos investidos na criação e inovação, como segue:

• Deduzir 60% dos investimentos em inovação, acrescidos de 20%, se a empresa

absorver mão-de-obra especializada com mestrado ou doutorado, e mais 20%, se a empresa conseguir registrar alguma patente ou outra forma de propriedade intelectual;

• Somado isso perfaz 100%. O dobro do que se pode descontar atualmente.

(29)

• A criação de um ambiente propício à inovação, estimulando a parceria entre

universidades, institutos de pesquisas e o setor produtivo;

• O estímulo à cultura de inovação em centros de pesquisa e laboratórios.

Gerar ou modificar conhecimentos são passíveis de registro de propriedade intelectual por uma empresa, pesquisadores, ou incubadoras, e pode ser incorporado ao ativo das empresas. Tais intangíveis: marcas, patentes, desenhos industriais ou direitos autorais, por sua vez, alcançam no mercado em muitos segmentos, valorização econômica, que supera o próprio patrimônio físico das empresas, a ponto de, em muitos casos, como especifica Kotler (2000), “negociarem-se somente as licenças para fabricação, uso de marca ou dos desenhos industriais”.

Para as Universidades ou Incubadoras, propriedade intelectual, é fonte de oportunidades para criar e modificar conhecimentos, passíveis de registro, respeitadas as condições estabelecidas na Lei Geral 9297/96. Nesse sentido ainda, os recursos disponibilizados, através dos incentivos federais, devem refletir no médio prazo pesquisa e desenvolvimento e criação de novos produtos.

Segundo Gerbase (2006) propriedade intelectual é:

“Um instrumento importante para o país, apesar de não englobar o segmento de microeletrônica; deve ampliar investimentos nas empresas de base tecnológica incubadoras, por exemplo”. Menciona ainda o mesmo autor: “o Rio Grande do Sul como o segundo Estado no Brasil, que mais investe em pesquisa e desenvolvimento, perde apenas para São Paulo. Santa Catarina por sua vez ocupa o quarto lugar”.

Aos argumentos expostos, o que se vê convergir da prática nos mais diversos setores empresarias brasileiros, segundo a ABINEE (2006), é:

• A excessiva preocupação com fluxos e resultados operacionais imediatos;

• Alta resistência e receio em aplicar recursos em novos projetos de pesquisas e

acompanhar sua efetiva maturação;

• Baixa confiança e credibilidade na capacidade das universidades;

• Falta do exercício de estimular modificações internas e abrir espaço para

inovações nos processos;

• Baixa utilização de mão-de-obra altamente capacitada;

• Não uso, na prática, de acordos cooperativos entre redes de empresas para superar

(30)

• Baixa competência estratégica e organizacional.

Convergem nessa direção também os argumentos de Souza (2007), quando menciona que: “a força motriz da inovação é constantemente perguntar-se, por que se está fazendo algo, ao invés de preocupar-se com o como está realizando”. Aumentar a velocidade de produção não é tão inovador quanto fazer de outro modo.

Souza (2007), menciona ainda vários exemplos desde a indústria de alimentos, têxtil, petróleo até a prestação de serviços, e destaca honrosas exceções na informática e a biotecnologia, especialmente na área de genética.

Nesse caminho observa-se que no setor madeira móveis muitos processos mantêm-se praticamente inalterados, desde sua origem histórica, porém realizados hoje em máquinas mais velozes, consumindo excessivos recursos naturais.

Por sua vez, segundo as estatísticas do Instituto Nacional de Propriedade Intelectual – INPI (2006), “a indústria brasileira investe pouco em inovações, menos de 3 %”.

Assim, os dados do INPI (2006), ainda permitem constatar:

• Com exceção do setor de informática, o investimento massivo, mais de 80%, se dá

na aquisição de máquinas e equipamentos;

• Menos de 10 % do total é investido em atividade interna de inovação, tornando

nossa indústria dependente do que se faz externamente.

Comparativamente os investimentos do governo dos Estados Unidos da América – EUA, que investiu de 1962 até 1984, média anual de 2,5% do PIB em pesquisa. Em 2006, esses investimentos aproximaram-se de 3%, produzindo mais de 60% das patentes do mundo, FINEP (2006).

O Brasil, segundo dados da Financiadora de Estudos e Projetos – FINEP (2006), no ano de 2006, investiu-se em torno de 1% do PIB, o que representa a mais elevada taxa até então, e, mesmo assim, não produz mais que 0,2 % das patentes mundiais. Considerando as diferenças do PIB entre os EUA e o Brasil, consegue-se ter idéia do valor absoluto investido.

(31)

Assim, uma vez não visualizada a relevância e profundidade do tema, pela classe empresarial, perde-se no Brasil como um todo e ainda em diversos setores, diuturnamente possibilidades de capitalizar-se e beneficiar-se das possibilidades de ganhos, a partir das inovações tecnológicas.

Outro fator merece consideração nesse sentido, remete às exigências do mercado, especialmente nas quantidades a serem ofertadas, uma vez que, para a maioria dos colaboradores das empresas, conscientes ou não, a maior preocupação ainda é:

• Deixar o sistema funcionando sem paradas;

• Garantir elevada produção para entregar nos prazos programados;

• Garantir que essa rotina funcione ano após ano, zona de conforto;

• Não se pergunta o que está se fazendo e porque se está fazendo tais operações.

Constata-se, como mencionam Tigre e Ribeiro (2006),

“A maioria das vezes, as diferenças estão focadas no exercício, nas práticas e nas sistematizações de gerar, analisar, aplicar e premiar os colaboradores engajados nesses processos criativos que dependem da genialidade de um indivíduo”.

O processo de inovação proposto é coletivo, participativo, remuneram todos e seus resultados integrarão o patrimônio da empresa, o que muda completamente o modelo e estratégia de gestão, por exemplo. Em vista disso, apresentam-se os argumentos do Congresso da Associação Brasileira de Recursos Humanos – ABRH – de Santa Catarina (2006), onde foram citadas algumas práticas, que devem se tornar correntes dentro das empresas:

• Treinamento contínuo e sistemático para mudanças no mínimo 60 horas ano;

• Os anseios das pessoas devem estar interconectados aos anseios das empresas;

• Busca de alta sinergia no processo de comunicação interna;

• Estar preparado para aceitar desafios e liberdade para apresentar idéias;

• Permitir questionamentos e debates sistematizados e permanentemente.

(32)

Para Kotler (2000), empresas líderes de mercado e supereficientes, são aquelas sabedoras de que sobreviver depende de inovações permanentes, e aquelas em que mais pessoas repensam os processos produtivos continuamente de modernização.

Implantar uma incubadora de conhecimentos, usando estratégias decorrentes de planos rígidos, embasados no modelo de administração clássica taylorista /fordista, não se justifica, pois mais desestimula do que potencializa as pessoas em sua criatividade, fazer e pensar cooperativo e coletivo. Dessa visão decorre a necessidade de se colocar à disposição dos colaboradores, meios internos como, por exemplo, banco de idéias para divulgar as melhorias ou inovações e indicar quais prioridades de aplicação foram definidas por parte das equipes.

O banco de idéias ajuda a organizar sugestões de modernização, inovações, desde a sua geração até implantação da solução final, informa os motivos por que é necessário descartar ou estocar temporariamente, como se fosse um produto a ser gerado na empresa.

O tema modernização pode ser interpretado ainda, originariamente de duas formas diferentes, conforme menciona Vidossich (1999):

• Modernizar situações industriais e serviços, que ficaram atrasados em relação a

uma referência padrão ou outra qualquer considerada avançada e atualizada, tudo apreciado dentro de uma visão estática e abstrata, restrita a um momento dado ou a um período de tempo limitado;

• Modernizar é um processo dinâmico, mais amplo que contempla

sistematicamente o confronto entre situações, por exemplo: o Terceiro Mundo e as melhores referências da OCDE.

Para os setores madeira móveis, “a cultura de propriedade intelectual identifica-se a priori essa cultura está por ser estabelecida, considerado que 99% desconhece o assunto ou produz sob encomenda, a partir de desenhos industriais recebidos dos clientes do exterior, deixando de capitalizar-se das oportunidades de agregar valor”, Denk (2002). O mesmo autor constata ainda a oportunidade de novos negócios, a partir da implantação da incubadora de conhecimentos e os incentivos para:

• Criação de designer próprio, alternativa para uso de novos materiais, com

flexibilidade de opções, agregando marca regional própria;

• Inserção em novos mercados, como o de reciclagem e produção de produtos, com

(33)

• Possibilidade de ampliar significativamente a participação no mercado Latino

Americano, consideradas as características sócio-econômicas conhecidas.

O tema modernização e inovação permitem desenvolver um país e melhorar a qualidade de vida, em especial no Brasil, considerada a capacidade das pessoas de criar, adaptar novos conceitos, formas, cores, texturas, aproveitar materiais, nas mais diversas áreas do conhecimento, por exemplo: aéreo-espacial, físico-químico, eletro-eletrônico, metal-mecânico, polímeros, biotecnologia e outros.

Na visão de Degen (1989),

“Oportunidades de negócios são a primeira fase do ciclo de um negócio e podem ser encontradas em todos os lugares e sob as mais diversas formas, exigindo predisposição e criatividade por parte do empreendedor para identificá-las”.

“Através da predisposição, o futuro empreendedor aprende a observar e avaliar negócios”, (DE3GEN, 1989). Mas é através da criatividade/inovação que o empreendedor desperta para as oportunidades e os novos nichos de mercado são explorados. Oportunidades são freqüentes e acontecem a todo o momento, mas transformar uma simples oportunidade em um grande sucesso empresarial não é tarefa fácil.

Cabe então, a criatividade e a inovação do empreendedor com as suas características eminentes para explorar estas oportunidades. Ainda em sua obra, Degen (1989) declara que para identificar oportunidades de negócios, oito fórmulas são importantes, são elas:

• Identificação de necessidade;

• Observação de deficiências;

• Observação de tendências;

• Derivação da ocupação atual;

• Procura de outras aplicações;

• Exploração de hobbies;

• Lançamento de moda;

• Imitação do sucesso alheio.

(34)

• A escassez de petróleo, o único combustível prático para a maioria das formas de

transporte;

• Escassez de energias regionais, acentuadas pelo ascendente preço do petróleo, o

combustível mais fácil de ser transportado;

• Os efeitos, sobre a poluição e o clima, do uso de combustíveis fósseis;

• Os países podem estimular grandes empresas a se tornarem mais

empreendedoras;

• Podem estimular o crescimento de novas empresas, porque a vantagem

comparativa entre dois países irá depender da velocidade em que um deles puder formar novas empresas;

• A China, provavelmente a Rússia e a Índia estão todas comprometidas com

reformas dos mercados, que deslocará o equilíbrio global naquela direção;

• O avanço da eletrônica, para aplicativos em diversas;

• A necessidade de melhoria na segurança pública, com uso intenso de tecnologia;

• Uso de cadastros nacionais, para desenvolvimento de novos mercados;

• Educar as pessoas, sobre os custos reais das opções que fazem em suas vidas.

Resume ainda o autor McRAE (1998), tendências no uso da tecnologia no mundo nos próximos 25 anos, cuja visibilidade pode servir de incentivo para surgir novos empreendimentos:

• A eletromecânica será cada vez mais aliada a produtos mecânicos para melhorara

o desempenho deles;

• Novas tecnologias promissoras, como a supercondutividade e a cerâmica poderão

mostrar terem sido propostas práticas até meados do próximo século, não há nada óbvio que esteja muito perto do uso em massa para alterar a vida das pessoas nos próximos 25 anos;

• A imensa lista de bens de consumo não-eletrônicos que são encontrados num lar

(35)

• Não haverá nenhum produto inteiramente novo, como o automóvel ou o avião,

que passe do protótipo para o mercado de massa. Em vez disso, a gama de produtos existentes será muito mais barata, em termos reais, e muito melhor;

• Esse progresso nem sempre será evidente, assim como os londrinos, na década de

1990, muitas vezes se vêem em trens do metrô e ônibus que foram construídos nas décadas de 1950 e 1962, os viajantes em 2020 ainda estarão usando trens, ônibus e aviões construídos na década de 1990. Mesmo quando a tecnologia for mais nova, em substancia será similar à do presente, embora os desenhos sejam aprimorados e modificados;

• Assim, seria razoável esperar que a próxima geração de aviões civis tenha um

custo de assento por milha de dois terços da atual frota nova, e seria razoável esperar uma melhoria similar da eficiência, da segurança e da confiabilidade do transporte rodoviário, mas a tecnologia básica do avião e do motor de combustão interna ficará inalterada;

• A preocupação com a poluição do ar poderá significar que alguns veículos a

motor no mundo industrial terão motores híbridos, usando diesel e eletricidade;

• Mas o motor de combustão interna ainda dominará o transporte nas cidades do

mundo em desenvolvimento. Parece difícil que a tecnologia da bateria tenha avançado o suficientemente para que os veículos puramente elétricos tenham ido além do uso especializado de entregas no perímetro urbano;

• Entre outras áreas de um constante avanço na eficiência do uso de energia, estará

a geração de energia e o isolamento das residências. A eficiência térmica de grandes usinas de energia elétricas continuará a aumentar, enquanto pequenas usinas geradoras flexíveis, baseadas na tecnologia dos motores de aviação, terão substituído muitas das estações geradoras térmicas menos eficientes do presente;

• Em conseqüência em 2020 as usinas de energia elétrica estarão termicamente tão

eficientes, que será difícil conseguir mais vantagens. Esse aumento da eficiência térmica é importante, porque a eletricidade irá responder por uma proporção significativamente maior do uso de energia;

• Mudanças no custo da tecnologia existente, aliadas às mudanças na sociedade,

(36)

• Os países que criarem a tecnologia irão beneficiar-se do pagamento de direitos,

mas não terão condições de obter uma vantagem comparativa por muito tempo, considerando que a velocidade da aplicação irá depender de uma grande variedade de fatores, inclusive a curiosidade dos consumidores e, talvez o mais interessante de tudo, a disposição das sociedades quanto ao uso da tecnologia para formar o comportamento;

• Na eletrônica, o avanço continuará a ser extremamente rápido e terá um impacto

enorme sobre os padrões de vida e trabalho. Uma outra teoria é de que inventar novas tecnologias será menos importante, ao longo da próxima geração, do que encontrar maneiras de aplicar as existentes – esse critério será desenvolvido por governos para dirigirem países com uma eficiência maior, e não para consumidores que queiram novos brinquedos.

Os países, entretanto, terão de fazer uma escolha política sobre o uso da tecnologia desse modo. Essas mudanças tecnológicas alteram as condições sociais. O esgarçado tecido social dos países ocidentais precisam de novos empregos, ambientalmente corretos, que permitam eliminar gradual e definitivamente o uso do carvão, a energia nuclear e o petróleo. Comunidades e cidades pequenas, sindicatos associações comerciais, igrejas precisam promover novos acordos baseados em um modo mais barato de garantir o crescimento e a preservação do capital social.

Por sua vez no Brasil, a partir da política da defesa nacional, contempla-se oportunidades para o surgimento de novos negócios em áreas como:

• Fusão de Dados;

• Microeletrônica;

• Sistema de Informação;

• Radares;

• Ambiente de Sistemas de Armas;

• Materiais de Alta Densidade Energética;

• Hiper-velocidade;

• Potência Pulsada;

(37)

• Dinâmica dos Fluídos Computacional – CFD;

• Materiais Compostos;

• Sensores Ativos e Passivos;

• Fotônica;

• Inteligência de Máquinas e Robótica;

• Controle de Assinaturas;

• Reatores Nucleares;

• Sistemas Espaciais;

• Propulsão com ar aspirado;

• Materiais e processos em biotecnologia;

• Defesa Química, Biológica e Nuclear (QBN);

• Integração de Sistemas;

• Supercondutividade;

• Fontes Renováveis de Energia;

2.1.3 Contexto estadual

O referencial evolutivo demonstrado no gráfico 1, permite analisar com mais detalhes a realidade regional setor madeira/móveis do planalto norte do Estado de Santa Catarina, suas similaridades ou diferenças. Dados e informações de diferenças ou similaridades sócio-econômicas, tecnológicas ou culturais, mais precisamente São Bento do Sul, podem ser visualizados na pesquisa realizada junto à comunidade empresarial, entre 2000 e 2005, descritos por Denk, (2002). No estudo, destaca-se a necessidade de revitalizar empreendimentos já instalados, e propõe-se a criação de mecanismo para oportunizar novos empreendimentos.

(38)

possibilite estimular iniciativas empreendedoras em parcerias públicas privadas, reforça a teoria do associativismo civil e desenvolvimento econômico sustentável.

A evolução de incubadoras e dos parques tecnológicos, bem como os efeitos na ampliação do número de empresas numa região tem sido objeto de estudos no mundo inteiro.

Resume-se o crescimento médio anual (30%) das incubadoras no Brasil, a partir dos mecanismos de fomento, SEBRAE e ANPROTEC. (tabela 2)

TABELA 2 – METAS ANUAIS CRESCIMENTO % INCUBADORAS - 2000-2005

Programa/Ano 2000 2001 2002 2003 2004 2005

Inicial 135 200 319 464 585 701

SEBRAE 35 80 80 69 30 15

Outras entidades 30 39 54 76 106 159

Total 200 319 464 565 701 875

Crescimento % 48 60 45 22 24 25

Edital em R$ 1,05M 1,60M 1,6M 1,38M 0,9M 0,45M

Orçamento em R$ 8M 7M 7M 6M 4M 2M

Fonte: APROTEC (2005)

Pode-se visualizar parte desse processo evolutivo no Brasil, através de pesquisa disponível da ANPROTEC (2005), cujo crescimento fica evidenciado, ao longo das décadas de 1980 a 2000.

Assim, a partir de diversas incubadoras instaladas em um pais ou em uma determinada região, surge a possibilidade de se implementar redes de incubadoras, cujo foco está em otimizar o uso dos escassos recursos disponíveis, oriundos de investidores da iniciativa privada ou dos órgãos de fomento oficiais, que permitem potencializar a interação entre as incubadoras. A partir da formação das redes de incubadoras, como relatam as publicações da ANPROTEC (2005), “o processo de implantação de novas incubadoras torna-se sistemático, astorna-segurado melhorias nos processos de incubação das já existentes, face à intensiva troca de experiências”.

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