O PAPEL DA TUTORIA NOS PROCESSOS

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TUTORIA EM EAD – P ÓS -G RADUAđấO 2011 – L EITURA F UNDAMENTAL A ULA

  4 O PAPEL DA TUTORIA NA AVALIAđấO P ROFA . D RA . A DRIANA B ARROSO DE A ZEVEDO Para citar este texto:

AZEVEDO, Adriana Barroso. Tutoria em EAD. Departamento de Extensão e Pós-Graduação. Valinhos, SP: Anhanguera

Educacional, 2011.

  

PARECER TÉCNICO PREPARAđấO GRÁFICA DIRETORIA DE EXTENSÃO E PÓS-

GRADUAđấO Claudia Benedetti Lusana Veríssimo Silvio Cecchi

  Renata Galdino Correspondência/Contato Alameda Maria Tereza, 2000, Valinhos, São Paulo, CEP. 13.278-181.

O PAPEL DA TUTORIA NOS PROCESSOS OBJETIVO

  Analisar o papel do professor tutor nas avaliações dos cursos oferecidos na modalidade a distância e refletir sobre os objetivos da avaliação para que seja percebida como um exercício de diálogo, de maneira a contribuir e colaborar na construção do conhecimento.

  O desafio permanente da educação a distância consiste em não perder de vista o sentido político original da oferta, em verificar se os suportes tecnológicos utilizados são os mais adequados para o desenvolvimento dos conteúdos, em identificar as propostas de ensino e a concepção de aprendizagem subjacente e em analisar de que maneira os desafios da „distância‟ são tratados entre alunos e docentes e entre os próprios alunos... O verdadeiro desafio continua sendo o seu sentido democratizante, a qualidade da proposta pedagógica e de seus materiais (LITWIN, 2001, p.21).

  A EAD democratiza o acesso a educação porque aumenta

consideravelmente o número de espaços escolares oferecidos, atendendo a

uma população estudantil geograficamente dispersa e, em particular, aquela

que se encontra em locais distantes das instituições convencionais. Outro fator

importante é a garantia da permanência do estudante em seu meio cultural

natural, evitando-se os êxodos que poderiam ser negativos para o

desenvolvimento regional, principalmente em um país com as dimensões

continentais do Brasil.

  Para se garantir que os objetivos democratizantes da EAD sejam

alcançados, a avaliação torna-se instrumento indispensável tanto para aquelas

instituições de ensino que assumem com seriedade o compromisso da

qualidade no desenvolvimento dos cursos a distância quanto para o

acompanhamento do processo de ensino-aprendizagem.

  

2. AVALIAđấO INSTITUCIONAL E AVALIAđấO DA

APRENDIZAGEM

  Para o Ministério da Educação - MEC, um projeto de educação a distância precisa contemplar em sua proposta de avaliação a dimensão relacionada ao processo de aprendizagem referente à avaliação institucional.

  De acordo com os Referenciais de Qualidade para Educação Superior (2007),

   (a) A Avaliação da Aprendizagem

  Na educação a distância, o modelo de avaliação da aprendizagem deve ajudar o estudante a desenvolver graus mais complexos de competências cognitivas, habilidades e atitudes, possibilitando-lhe alcançar os objetivos propostos. Para tanto, esta avaliação deve comportar um processo contínuo, para verificar constantemente o progresso dos estudantes e estimulá-los a serem ativos na construção do conhecimento. Desse modo, devem ser articulados mecanismos que promovam o permanente

  acompanhamento dos estudantes, no intuito de identificar eventuais

  dificuldades na aprendizagem e saná-las ainda durante o processo de ensino-aprendizagem.

  (b) A Avaliação Institucional

  (...) Esta avaliação deve configurar-se em um processo permanente e conseqüente, de forma a subsidiar o aperfeiçoamento dos sistemas de gestão e pedagógico, produzindo efetivamente correções na direção da melhoria de qualidade do processo pedagógico coerentemente com o Sistema Nacional de Avaliação da Educação Superior (SINAES). Para ter sucesso, essa avaliação precisa envolver os diversos atores: estudantes, professores, tutores, e quadro técnico- administrativo. (MEC, 2007, p 16-7)

  Mas aos poucos o seu caráter histórico de controle político-burocrático centralizado passa a servir de instrumento para a retroalimentação e apoio à formulação e análise curricular, ao mesmo tempo em que busca contribuir para identificar carências e necessidades de formação-capacitação dos docentes e do quadro técnico administrativo.

  Para Azevedo e Gonçalves (2005) a avaliação na instituição de ensino

deve contribuir para a concretização de mudanças efetivas no sistema

educacional, desde as ações burocráticas/administrativas até as

didático/pedagógicas. A própria organização curricular só será bem sucedida

se seus objetivos estiverem implícitos em um sistema de avaliação institucional

que privilegie um novo enfoque na relação

professor/aluno/conhecimento/Instituição. Como propõe Veiga “A inovação

pressupõe uma estreita relação com a investigação, uma vez que ambas são

atividades intencionais, conscientes e complexas. A investigação é um

elemento impulsionador da inovação, quer no âmbito da sala de aula, quer no

âmbito da instituição com o um todo” (2000, p. 199).

  No processo avaliativo o uso dos resultados é uma das questões fundamentais. Assim, a identificação das causas determinantes dos resultados, exercício complexo e reflexivo, faz a avaliação assumir função diagnóstica, ou seja, responsável pela alimentação do processo decisório e de retroalimentação da prática pedagógica. A avaliação institucional torna-se, portanto, essencial ao processo de planejamento e gestão caracterizada pela promoção de mudanças. Vale ressaltar que a participação da comunidade e a clareza dos objetivos legitimam a avaliação e comprometem os atores nela envolvidos na fundamentação do processo decisório, permitindo busca de alternativas, correção de rumos e transformação da realidade.

  Para que o processo avaliativo seja efetivo, “O conhecimento deve ser o

referente teórico que dá sentido global ao processo de realizar uma avaliação,

podendo diferir segundo a percepção teórica que guia a avaliação. Aqui está o

sentido e o significado da avaliação, como substrato, o da educação”

(ALVAREZ MENDEZ. 2002 p.29). Quando desligamos a avaliação do

conhecimento, nós a transformamos em ferramenta, um instrumental que serve

para tudo e qualquer coisa, portanto, a avaliação deve estar estreitamente

ligada à natureza do conhecimento.

  Nessa dimensão, a tarefa do professor é despertar o interesse e a

curiosidade do aluno por aprender “e em ajudá-lo a sentir, agir e internalizar as

normas e os critérios para julgar o que torna diferente o seu conteúdo particular

de aprendizagem como um modo próprio de criar , organizar e compreender a

experiência de aprendizagem” (ALVAREZ MENDEZ. 2002 p.33). A questão

  

principal não é o que fazem os sujeitos que aprendem, mas como construíram

aqueles conhecimentos que possibilitam atuar de modos diferentes em novos e

não conhecidos contextos.

  No que se refere à avaliação da aprendizagem pode-se afirmar que nem

tudo que é ensinado deve ser avaliado, ou nem tudo que é aprendido é

avaliável. Não sabemos sequer se aquilo que avaliamos, enquanto

professores, é o mais importante, o mais valioso.

  Ao tratarmos, especificamente da avaliação da aprendizagem escolar, temos de ter em mente as relações pedagógicas estabelecidas em função do projeto educacional adotado, que por sua vez, é a expressão escolar do projeto de sociedade imposto pelas elites ou por elas acordado com as demais classes sociais. (...) A avaliação da aprendizagem escolar deve estar atenta não só aos indicadores colocados pelo projeto pedagógico, mas também ao projeto social hegemônico mais amplo e ao contexto no qual as relações sociais se dão (ROMÃO. 1999, p.40).

  A avaliação deve estar a serviço da aprendizagem, “devemos reconhecer que um bom ensino contribui positivamente para tornar boa a aprendizagem e que uma boa atividade de ensino e aprendizagem torna boa a aval iação” (ALVAREZ MENDEZ. 2002 p.36). Os exames, as provas, os exercícios avaliativos ou qualquer outra forma de avaliar deve, acima de tudo, estar a serviço da aprendizagem, do ensino, do currículo, e o mais importante de tudo, de estar a serviço do sujeito que aprende, o aluno.

  

3. O PAPEL DO PROFESSOR TUTOR NOS

PROCESSOS AVALIATIVOS

  O papel da tutoria nos processos de avaliação, segundo NEDER (2006) precisa ser desenvolvido em dois níveis: a) No nível da análise e avaliação do curso e da modalidade a distância e b) Do acompanhamento e avaliação do processo de ensino e aprendizagem.

   Apontar as falhas no sistema de tutoria;  Avaliar, com base nas dificuldades apontadas pelos alunos, os materiais didáticos utilizados no curso;  Informar sobre a necessidade de apoio complementar não previsto pelo projeto pedagógico;  Mostrar problemas relativos à modalidade de EAD, a partir das observações e das críticas recebidas dos alunos;  Participar do processo de avaliação do curso.

  Já no que se refere ao do acompanhamento e avaliação do processo de ensino e aprendizagem precisa:  Participar dos cursos e das reuniões de aprofundamento teórico relativo aos conteúdos trabalhados no curso;  Realizar estudos sobre Educação a Distância;  Conhecer e participar das discussões relativas à confecção e ao uso do material didático;  Auxiliar o aluno em seu processo de estudo orientando-o individualmente ou em pequenos grupos;  Estimular o aluno a ampliar seu processo de leitura, extrapolando o material didático;  Auxiliar o aluno em sua autoavaliação;  Detectar problemas dos alunos, buscando encaminhamento de solução;  Estimular o aluno em momentos de dificuldades para que este não desista do curso;  Participar ativamente do processo de avaliação de aprendizagem;  Relacionar-se com os demais professores tutores, no desejo de contribuir para o processo de avaliação do curso.

  Todas estas funções precisam ser executadas por meio de avaliações dialógicas. Uma vez que a prática dialógica é o que integra fundamentalmente o homem a sua sociedade, ao poder exercer seu direito de fala, de comunicação, o homem adquire atitude crítica e cada vez mais se afirma enquanto sujeito.

  Para Freire, a base da educação é o diálogo. uma educação que possibilitasse ao homem a discussão corajosa de sua problemática. Que o advertisse dos perigos de seu tempo(...) Educação que o colocasse em diálogo constante com o outro. Que o dispusesse a constantes revisões (FREIRE,

  1983 p.90).

  E o insucesso da educação, a crítica maior de Freire as práticas educacionais tradicionais reside exatamente na falta de diálogo, na impossibilidade do debate.

  Não há nada que mais contradiga e comprometa a emersão popular do que uma educação que não jogue o educando às experiências do debate e da análise dos problemas e que não lhe propicie condições de verdadeira participação (Op cit. p.93).

  Desta forma, para Freire o único modo de transmissão do saber (construção e/ou sistematização) é na dinâmica da comunicação, que deve ser, por princípio interpessoal/dialógica.

  Nesse sentido, sua utopia é uma educação transformadora, que parta das coisas simples do cotidiano, de cada ato humano e possibilite ao sujeito, através de sua capacidade criativa e transformadora, sua libertação da condição de oprimido. O instrumento de sua libertação será sempre a prática do diálogo. “A educação é um ato de amor, por isso, um ato de coragem. Não pode temer o debate. A análise da realidade. Não pode fugir à discussão criadora, sob pena de ser uma farsa” (op cit, p.96).

  Conhecer é tarefa de sujeitos, não de objetos. E é como sujeito e somente enquanto sujeito, que o homem pode realmente conhecer. Por isso mesmo é que, no processo de aprendizagem, só aprende verdadeiramente aquele que se apropria do aprendido, transformando-o em apreendido, com o que pode, por isso mesmo, reinventá-lo; aquele que é capaz de aplicar o aprendido-apreendido a situações existenciais concretas (FREIRE, 1977).

  Dessa Forma, se temos uma concepção autoritária da educação forçamos o aluno a se transformar em um depósito de saberes, mas, se concebemos a educação a partir das bases apresentadas por Paulo Freire, teremos ao contrário, a escola cidadã, na qual se desenvolve uma educação libertadora, o conhecimento é (...) um processo de descoberta coletiva, mediatizado pelo dialogo entre educador e educando. (...) Na educação libertadora, a avaliação deixa de ser um processo de cobrança para se transformar em mais um momento de aprendizagem tanto para o aluno quanto para o professor (ROMÃO, 1999, p.88).

  É importante destacar que o exercício do diálogo entre os professores e com os alunos, suas críticas e sugestões, devem levar o grupo de professores a repensar a proposta avaliativa a cada semestre, acrescentando novos elementos analíticos, retirando pontos identificados como dificultadores e inviabilizadores de um bom trabalho.

  O professor deve pesquisar para ensinar e enquanto pesquisa e ensina, aprende; o aluno aprende a buscar as informações necessárias para o conhecimento que visa construir, e, nesta busca, traz elementos novos, colaborando com os colegas e com o próprio professor. A riqueza de um processo avaliativo desenvolvido no âmbito de uma prática docente cidadã está no acompanhamento desse percurso de construção através do dialogo constante entre docentes e discentes.

  Contudo, para o professor a docência nem sempre é uma experiência tão tranqüila: (...) o professor comparece com conhecimento tão respeitável que merece ser copiado. É difícil para ele aceitar que está no mesmo barco que o aluno, nadando nas mesmas águas de dúvidas. Aprender não é manejar certezas, mas trabalhar com inteligência as incertezas (DEMO, 2000, p.11).

  Só com muita segurança sobre o seu papel na relação ensino-aprendizagem é que o professor pode navegar com seu aluno e colocar-se à disposição para aprender com ele e ao mesmo tempo tornar-se um facilitador do processo e um gestor do conhecimento, avaliando-o competentemente.

  4. VAMOS PENSAR?

  Enquanto tutor, qual seria sua atitude, se ao ler uma atividade avaliativa percebesse que o aluno não a cumpriu conforme os critérios descritos para resolução da referida atividade e não atingiu objetivos propostos.

  5. PONTUANDO  Para se garantir que os objetivos democratizantes da EAD sejam alcançados, a avaliação torna-se instrumento indispensável tanto para aquelas instituições de ensino que assumem com seriedade o compromisso da qualidade no desenvolvimento dos cursos a distância quanto para o acompanhamento do processo de ensino-aprendizagem.

   Para Azevedo e Gonçalves (2005) a avaliação na instituição de ensino deve contribuir para a concretização de mudanças efetivas no sistema educacional, desde as ações burocráticas/administrativas até as didático/pedagógicas.

   O papel da tutoria nos processos de avaliação, segundo NEDER (2006) precisa ser desenvolvido em dois níveis: a) nível da análise e avaliação do curso e da modalidade a distância e b) acompanhamento e avaliação do processo de ensino e aprendizagem.

  6. REFERÊNCIAS BILIOGRÁFICAS

ALVAREZ MÉNDEZ, Juan Manuel. Avaliar para conhecer: examinar para

excluir. Porto Alegre: Artmed Editora, 2002.

  

AZEVEDO, Adriana B.; GONÇALVES, Elizabeth M. A Importância da avaliação

na implantação de uma prática pedagógica diferenciada. In: Revista

Comunicação e Sociedade. Ano 27, N. 44. São Bernardo do Campo:

UMESP, 2005.

  DEMO, Pedro. Conhecer e Aprender. Porto Alegre, RS : Artmed, 2000 FREIRE, Paulo. Extensão e comunicação? Tradução de Rosisca Darcy de Oliveira. 9ª edição, Rio de Janeiro : Paz e Terra, 1977. FREIRE, Paulo. Educação como prática da liberdade. 15ª edição, Rio de janeiro: Paz e Terra, 1983. LITWIN, Edith (Org.) Educação a distância

  • temas para o debate de uma nova agenda educativa. Porto Alegre: Artmed Editora, 2001.

  MEC. Referenciais de qualidade para Educação Superior a Distância. DF, 2007 Disponível em <

  

> Acesso em: 23 nov. 2011.

  NEDER, Maria Lúcia C.A avaliação na Educação a Distância: significações para definição de percursos. In: PRETI, O. (Org.). Educação a Distância: inícios e

  indícios de um percurso. Cuiabá: EdUFMT, 2006.

  ROMÃO, José Eustáquio. Avaliação dialógica: desafios e perspectivas. 2 ed. São Paulo: Cortez: Instituto Paulo Freire, 1999.

  VEIGA, Ilma P. A. Projeto político pedagógico: continuidade ou transgressão para acertar? In: CASTANHO, Sérgio; CASTANHO, Maria Eugênia L. M. (Orgs). O que há

  

de novo na educação superior. Do projeto pedagógico à prática transformadora.

  Campinas: Papirus, 2000.

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