MINERAÇÃO SUSTENTÁVEL DA ROCHA COQUINA NA PENÍNSULA DE SANTA ELENA, PROVÍNCIA DEL GUAYAS – EQUADOR

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UNIVERSIDADE FEDERAL DE OURO PRETO ESCOLA DE MINAS DEPARTAMENTO DE ENGENHARIA DE MINAS

  

MINERAđấO SUSTENTÁVEL DA ROCHA COQUINA NA

PENÍNSULA DE SANTA ELENA, PROVÍNCIA DEL GUAYAS –

EQUADOR

  

AUTOR: WILMER JOSÉ VÁSQUEZ GRANDA

  ORIENTADOR: Prof. Dr. Hernani Mota de Lima Dissertação apresentada ao Programa de Pós- Graduação em Engenharia Mineral do Departamento de Engenharia de Minas da Escola de Minas da Universidade Federal de Ouro Preto, como parte integrante dos requisitos para a obtenção do título de Mestre em Engenharia de Minas, área de concentração Lavra de Mina

  Ouro Preto Julho/2005

  

MINERAđấO SUSTENTAVEL DA ROCHA COQUINA NA

PENÍNSULA DE SANTA ELENA, PROVÍNCIA DEL GUAYAS-

EQUADOR

AUTOR: WILMER JOSÉ VÁSQUEZ GRANDA

  

Esta dissertação foi apresentada em sessão pública e aprovada em 15

de julho de 2005, pela Banca Examinadora composta pelos seguintes

membros: Prof. Dr. Armando Corrêa de Araújo (UFMG) Prof. Dr. Wilson Trigueiro de Souza (UFOP) Prof. Dr. Hernani Mota de Lima (UFOP)

  À meus Pais José e Ludmila, meu irmão Luciano e minha filha Maria José

  

AGRADECIMENTOS

  Os meus sinceros agradecimentos a todas as pessoas e instituições que contribuíram para a realização desta dissertação, em especial:

  • Ao Prof. Dr. Hernani Mota de Lima pela positiva orientação e grande apoio durante toda a realização deste trabalho;
  • Aos Professores do PPGEM da Escola de Minas da UFOP por compartilhar seus conhecimentos e experiências;
  • Ao Eng. Fernando Díaz, Chefe de Obras da Companhia CM Construções, pelo apoio prestado para a realização deste trabalho;
  • À Companhia CM Construções e Cooperativa Tablazo 1 pelas facilidades oferecidas na realização deste trabalho;
  • À Dr

  a

  . Cecília Paredes, Diretora do Projeto VLIR-ESPOL Componente VI, pelo apoio constante;

  • Ao Dr. Paul Carrión, Diretor do CICYT, pelo apoio constante;
  • Ao Téc. Julio Garcia, Laboratorista de mecânica de rochas, pela ajuda na realização dos ensaios;
  • Aos funcionários dos laboratórios da Universidade Federal de Ouro Preto e da Escuela Superior Politécnica del Litoral onde foram executados os ensaios;
  • À Organização dos Estados Americanos (OEA) pela concessão da bolsa de estudos.

  

RESUMO

Desenvolvimento Sustentável é um conceito novo, surgido no final do século passado.

  Por isso, sua compreensão e absorção pela sociedade talvez seja ainda o primeiro desafio do novo milênio. A mineração, embora sendo uma das primeiras atividades impulsionadas pela centelha do gênio humano, tem sido uma das menos aceitas dentro do novo arcabouço conceitual de desenvolvimento sustentável. O desenvolvimento sustentável da mineração seria possível se fosse planetária, para isso, os paises mais ricos teriam de contribuir para o desenvolvimento dos mais pobres, com aporte de recursos financeiros, tecnológicos e humanos, além de diminuírem seus próprios níveis de consumo.

  A Península de Santa Elena é um pólo de desenvolvimento econômico, turístico e agro-industrial do Equador, uma vez concluída a transposição das águas do rio Daule. No Morro Tablazo desenvolve-se a explotação da coquina em pequena escala tanto artesanal quanto pouco mecanizada. A sustentabilidade dessa mineração apóia-se no desenvolvimento integral da população local, seja com a geração de empregos, fomento ao artesanato, melhora na qualidade de vida, e fornecedora de matérias primas para múltiplas atividades que se realizam na região. Palavras chaves: pequena mineração sustentável, mineração artesanal, coquina, rocha ornamental e minerais agregados.

  

ABSTRACT

  Sustainable development is a new concept, arisen at the end of last century. For that reason, their understanding and absorption by the society may be are the first challenge of the new millennium. The mining, being one of the first activities impelled by the human being, it has been one of those fewer accepted inside the new conceptual wealth of the sustainable development. The sustainable development of mining would be possible if it was global, for that, the richest countries would have to contribute for the development of the poorest ones, with contributions of financial, technological and human resources, besides diminishing their own consumption levels. Santa Elena's Peninsula is a pole of economic, tourist and agro industrial development in Ecuador, once concluded the transposition of the river Daule´s waters. In the Cerro Tablazo the coquina exploitation is unwrapped in small mining so artisanal as much as few mechanics. The sustainable of that mining rests on in the local population's integral development, being with the generation of employments, development of the handcrafts, improvement of the quality of life, and supplying raw material for the multiple activities that are carried out in the region.

  Key word: small sustainable mining, artisanal mining, coquina, ornamental rock and raw minerals.

  

SUMÁRIO

  8

  1.7.3 Umidade relativa

  7

  1.7.4 Vento

  7

  1.8 Hidrologia

  7

  1.9 Meio biótico

  8

  1.10 Geologia Estrutural da Costa Equatoriana

  1.10.1 Geologia Pré-Quaternária da Península de Santa Elena

  1.7.2 Temperatura

  11

  1.10.2 Geologia do quaternário da Península de Santa Elena

  12

  1.11 Metodologia

  13

  1.11.1 Pesquisa Bibliográfica

  13

  1.11.2 Trabalho de Campo

  13

  1.11.3 Trabalho de Laboratório

  7

  6

  Agradecimentos iii

  1.2 Objetivos

  Resumo iv

  Abstract v

  Sumário vi

  Lista de Figuras x

  Lista de Tabelas xiii

  Lista de abreviaturas e siglas xv

  CAPễTULO I Ố INTRODUđấO

  1.1 Apresentação

  1

  2

  1.7.1 Precipitação

  1.3 Localização

  3

  1.4 Vias de acesso

  4

  1.5 Geomorfologia e topografia

  5

  1.6 Solo

  5

  1.7 Clima

  6

  13

  CAPÍTULO II – PENÍNSULA DE SANTA ELENA

  37 3.6 Implicações sociais das distintas atividades mineiras.

  56 3.9.5.2 Impactos da explotação de coquina pela CM Construcciones.

  3.9.5.1 Ações impactantes na explotação de coquina produzida pela CM Construcciones.

  56

  3.9.5 Identificação dos possíveis impactos ambientais

  49

  45 3.9.4 Explotação artesanal da Coquina em pequena escala.

  3.9.3 Características da explotação de Coquina a pequena escala e pouco mecanizada.

  44

  3.9.2 Cálculo das reservas

  44

  41 3.9 Explotação no Morro Tablazo. 43 3.9.1 Explotação de coquina em pequena escala e pouco mecanizada.

  39 3.8 Meio ambiente. 39 3.8.1 Visão ambiental da mineração no Equador.

  39 3.7 Principias conflitos detectados na mineração.

  34 3.4.1 Desenvolvimento local. 34 3.4.2 Emprego e salário. 36 3.5 Condições de trabalho dentro das distintas formas de mineração.

  2.1 A Península de Santa Elena na Pré-História

  33 3.4 Impactos da pequena mineração no contexto nacional.

  32 3.3 Organizações da pequena mineração no Equador.

  3.2.2 Tipos de atividades de mineração de minerais não metálicos no Equador.

  31

  3.2.1 Definição de mineração a pequena escala segundo a legislação equatoriana.

  30

  28 3.2 Pequena mineração de minerais não metálicos no Equador.

  MECANIZADA 3.1 Pequena Mineração.

  17 CAPễTULO III Ố PEQUENA MINERAđấO ARTESANAL E POUCO

  2.3 História Demográfica da Península de Santa Elena

  16

  2.2 Evolução Histórica da Península de Santa Elena

  15

  57

  3.9.5.3 Ações impactantes na explotação de Coquina produzidas pela Cooperativa Tablazo 1.

  93 5.2 Indicadores de Sustentabilidade. 97 5.2.1 Indicador de Sustentabilidade.

  5.2.2 Indicadores de Sustentabilidade para pequena mineração. 102

  101

  5.2.1.2 IGS para a pequena mineração artesanal realizada pela Cooperativa Tablazo 1.

  100

  5.2.1.1 IGS para a pequena mineração pouco mecanizada realizada pela CM Construcciones.

  98

  91 CAPÍTULO V – DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL 5.1 Desenvolvimento Sustentável.

  62

  88 4.6.5 Fonte de Carbonato de Cálcio.

  85 4.6.3 Quebra Ondas. 86 4.6.4 Objetos de Cantaría e Artesanatos.

  67 4.1 Análise Petrográfica. 67 4.2 Análise Petrológica. 68 4.3 Análise de Difração de Raios-X. 70 4.4 Análise Química. 73 4.5 Análise Físico-Mecânico. 73 4.6 Usos da Coquina. 76 4.6.1 Rocha Ornamental. 76 4.6.2 Agregado de Construção. 81 4.6.2.1 Preços comparativos dos materiais de construção.

  IV – CARACTERIZAđấO MINERALOGICA E TECNOLÓGICA 4. Caracterização Tecnológica.

  62 CAPÍTULO

  3.9.5.4 Meios afetados pela explotação de Coquina da Cooperativa Tablazo 1.

  5.2.2.1 Indicador de tipo técnico (ITT). 102

  5.2.2.2 Indicador de tipo econômico (ITE). 103

  5.2.2.3 Indicador de tipo ambiental (ITA). 104

  5.2.2.4 Indicador de tipo social (ITS) 105

  5.2.3 Estimação dos indicadores da sustentabilidade da pequena mineração e pouco mecanizada realizada pela CM Construcciones. 106

  5.2.4 Estimação dos indicadores da sustentabilidade da pequena mineração artesanal realizada pela Cooperativa Tablazo 1 no Morro Tablazo. 108

  CONCLUđỏES

  110

  RECOMENDAđỏES

  112

  REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

  113

  • Localização do quadrilátero de prospecção (em vermelho) no Morro Tablazo.

  15 Figura 10

  43 Figura 18 - Localização da explotação da coquina pouco mecanizada (Rancho Alegre II, III, V) e artesanal (Tablazo 1) no Morro Tablazo.

  27 Figura 17

  26 Figura 16 – Distribuição da moradia própria e alugada na Península de Santa Elena no censo de 2001.

  24 Figura 15

  23 Figura 14 - Índices de crescimento populacional nos municípios peninsulares.

  22 Figura 13

  20 Figura 12

  18 Figura 11 – Evolução demográfica da População Economicamente Ativa (PEA) e da População Economicamente Inativa (PEI) da Península de Santa Elena.

  11 Figura 9 - Moinho de pedra coquina utilizado para moenda de milho principalmente pelos primeiros habitantes da Península de Santa Elena.

  9 Figura 8 - Estratigrafia do levantamento de Santa Elena.

  8 Figura 7 - Mapa estrutural simplificado da costa equatoriana.

  6 Figura 6 - Meio biótico do Morro Tablazo.

  5 Figura 5 - Mapa de climas do Equador.

  4 Figura 4 - Solo negro de algodão na área de estudo no Morro Tablazo.

  4 Figura 3 - Vias de acesso para o Morro Tablazo.

  3 Figura 2

  3 Figura 1b - Situação da Península de Santa Elena (PSE) no interior do território equatoriano.

  LISTA DE FIGURAS Figura 1a - Situação do Equador na América do Sul.

  • – História demográfica da Península de Santa Elena baseada nos censos nacionais efetuados ao longo da vida republicana do Equador.
    • População economicamente ativa (PEA) e população economicamente inativa (PEI) da Península de Santa Elena dividida em sexos nos dois últimos censos.

  • – Índices de crescimento de um censo em relação ao anterior nos municípios peninsulares.
  • – Distribuição das moradias na Península de Santa Elena por setor urbano e rural nos censos de 1990 e 2001.
    • Explotação da coquina a Pequena Escala no Morro Tablazo

  44

  • Processamento da coquina, redução manual da coquina com emprego de ferramentas básicas.

  73 Figura 32

  86 Figura 43 – Uso da coquina na construção de quebra ondas no Município de La Libertad.

  84 Figura 42 - Seção transversal de um atracadouro típico de enrocamento.

  83 Figura 41 – Uso da coquina como agregado para sub-base, base e asfalto na construção de ruas na Península de Santa Elena.

  82 Figura 40 - Uso da coquina como agregado para concreto.

  81 Figura 39 - Curvas granulométricas para base classe 1 tipo A e gradação para agregado de mistura asfáltica tamanho 12,5 mm.

  81 Figura 38 - Uso da coquina do Morro Tablazo como agregado de construção.

  Figura 37 - Uso da coquina como revestimento contra a corrosão marina.

  79 Figura 36 - Uso da coquina como elemento decorativo de interiores e exteriores. 80

  78 Figura 35 - Uso da coquina como blocos de pedra para construção.

  Figura 34

  74 Figura 33 - Usos da coquina como superfícies antideslizantes de baixo tráfego. 77

  70 Figura 31 - Difractogramas das amostras de coquina do Morro Tablazo.

  55 Figura 30 - Lâminas delgadas de coquina

  54 Figura 29 - Veículo alugado para transporte de coquina comercializada, a carga é feita a mão como todo o processo artesanal.

  Figura 28

  52 Figura 27

  52 Figura 26 - Método de explotação por bancos descendentes.

  51 Figura 25 - Meios de transporte artesanal.

  49 Figura 24 - Explotação artesanal da coquina a pequena escala.

  48 Figura 23 - Explotação Artesanal da coquina em pequena escala realizada pela Cooperativa Tablazo 1 no Morro Tablazo.

  47 Figura 22 - Pilha de estéreis com sistema bota-fora ou ponta de aterro.

  46 Figura 21 - Desmonte da coquina realizado pela CM Construcciones.

  45 Figura 20 - Explotação a céu aberto pelo método de bancos descendentes.

  Figura 19 - Instalações da CM Construcciones no Morro Tablazo.

  • – Corpos de prova e diversos ensaios efetuados para realizar a caracterização tecnológica da coquina.
    • Uso da coquina como chapas e blocos no revestimento de edificações na Península de Santa Elena.

  87

  • Reativação econômica e turística na área dos quebra ondas do Município de La Libertad.

  Figura 44

  88 Figura 45 - Uso da coquina como matéria prima para cantaría.

  89 Figura 46 - Decoração para aquário feita com coquina.

  89 Figura 47 - Esculturas elaboradas com coquina na Península de Santa Elena.

  90 Figura 48 - Objetos arqueológico peninsulares.

  90 Figura 49

  • Uso da coquina do Morro Tablazo como fonte de carbonato de cálcio.

  92 Figura 50 - Representação do conceito de sustentabilidade da mineração.

  96

  • Síntese das principais unidades pré-quaternárias do setor centro-norte da costa equatoriana.
    • – Cronologia dos principais acontecimentos ocorridos na Península de Santa Elena desde a pré-história até a atualidade.
    • – História demográfica da Península de Santa Elena baseada nos censos nacionais feitos ao longo da vida republicana do Equador.

  • Evolução demográfica da População Economicamente Ativa (PEA) e da População Economicamente Inativa (PEI) da Península de Santa Elena.
  • População economicamente ativa (PEA) e população economicamente inativa (PEI) da Península de Santa Elena dividida em sexos nos dois últimos censos.
  • Índices de crescimento de um censo em relação ao anterior nos municípios peninsulares.
    • – Distribuição da moradia na Península de Santa Elena por setor urbano e rural nos censos de 1990 e 2001.

  • Cálculo de reservas de coquina para as concessões Rancho Alegre
  • Cálculo de reservas da coquina para a concessão Tablazo
  • Cálculo de reservas de coquina para cada membro da Cooperativa Tablazo 1 que desenvolve uma pequena mineração artesanal.
  • Caracterização qualitativa dos impactos ambientais na explotação de coquina a pequena escala e pouco mecanizada.
  • Identificação dos possíveis impactos produzidos na explotação de coquina a pequena escala e pouco mecanizada.
  • Caracterização qualitativa dos impactos ambientais na explotação artesanal de coquina.

  61 Tabela 16

  59 Tabela 15

  50 Tabela 14

  50 Tabela 13

  1 pertencente a mineiros artesanais.

  45 Tabela 12

  II, III e V da CM Construcciones

  44 Tabela 11

  37 Tabela 10 - Cálculo de reservas de coquina no Morro Tablazo.

  25 Tabela 9 - Pequena mineração e geração de emprego em América Latina.

  24 Tabela 8

  23 Tabela 7 – Índices de crescimento populacional nos municípios peninsulares.

  21 Tabela 6

  5

  19 Tabela

  18 Tabela 4

  17 Tabela 3

  12 Tabela 2

  LISTA DE TABELAS Tabela 1

  64

  Tabela 17

  • Identificação dos possíveis impactos produzidos na explotação artesanal de coquina.

  66 Tabela 18

  • – Ensaios mineralógicos e tecnológicos nas normas mais importantes. 74

  Tabela 19

  • – Normas técnicas utilizadas na caracterização físico-mecânico das amostras de coquina.

  74 Tabela 20

  • – Resultados dos ensaios da caracterização tecnológica da coquina do Morro Tablazo.

  76 Tabela 21

  • – Preços comparativos dos materiais de construção na Península de Santa Elena.

  85 Tabela 22

  Tabela 23

  • Cálculo de IGS para a CM Construcciones (modificada) 100

  Tabela 24

  • Cálculo do IGS para a Cooperativa Tablazo 1 (modificada) 101

  LISTA DE ABREVIATURAS E SIGLAS

  a.C. Antes de Cristo ABNT Associação Brasileira de Normas Técnicas Art. Artigo ASTM American Society for Testing and Materials CA Caracterização Ambiental CaCO

  3 Carbonato de cálcio

  (CaSO

  4

  (2H

  2 O)) Gesso

  CEL Caracterização Econômica Legal CEPAL Comisión Económica para América Latina cm Centímetros CSC Caracterização Sócio Cultural CT Caracterização Técnica DIREGMIN Dirección Regional de Minería FAO Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação h Hora Iah Alterações do ambiente natural Ib Conteúdo bacteriológico

  IBT Indicador de beneficiamento ótimo estabelecido teoricamente

  ICG Indicador estatístico do crescimento e planificação da cidade

  ICP Índice de crescimento populacional

  ICPB Indicador referente ao meio físico-biótico Icus Mudanças no uso do solo Ids Número de espécies afetadas Ids Disposição de matérias estéril Ie Incremento da erosão Ieg Estabilidade geotécnica do maciço rochoso

  IEL Indicador do presente nível educativo

  IEP Indicador das projeções educativas Iepq Padrão físico-químico

  IER Ajuste real do método de explotação usado

  IGM Instituto Geográfico Militar

  IPL Indicador do nível permissível para a água, é definido como Ipl Variações do nível freático Ippg Parâmetros físico-químicos do solo

  ITA Indicador de tipo ambiental

  ISU Indicador das projeções do crescimento da demanda

  ISPQ Indicador composto por os padrões da qualidade física e química do solo

  ISO Organização Internacional de Normalização

  ISM Indicador das projeções da migração

  IS Indicador da tendência de substituição do mineral Is Sedimentação

  IRB Indicador do sistema de beneficiamento usado na atualidade

  IQW Indicador da qualidade da água

  IQSS Indicador da qualidade física e química do solo e subsolo

  IPGS Indicador da demanda de bens e serviços

  IGS Índice Global de Sustentabilidade

  IPD Indicador de demanda presente no mercado

  IPC Indicador de custos de produção presente

  IPBB Indicador da conduta físico-biótico

  INAMHI Instituto Nacional de Metereología e Hidrologia Iol Perda da matéria orgânica Iom Conteúdo de matéria orgânica

  ILM Indicador dos níveis presentes de migração Ilw Incremento das águas lixiviadas Ime Notoriedade da migração das espécies

  IIE Indicador da importância estratégica presente do mineral em nível local e regional

  IHL Indicador dos dados da saúde nos últimos anos

  IGU Indicador do crescimento da demanda

  IGS Indicador estatístico de bens e serviços

  ITE Indicador de tipo econômico

  ITEM Parâmetro teórico pré-estabelecido para à extração do mineral do deposito

  ITS Indicador de tipo social

  ITT Indicador de tipo técnico

  IU Indicador do nível de urbanização periférica Iv Alterações visuais Ivc Redução da cobertura vegetal

  IVI Indicador do valor das receitas por comercialização do bem mineral

  IVP Indicador dos volumes de produção presente

2 Km Quilômetro

  m/s Metro por segundo m

3 Metro cúbico

  m

  3

  /Km Metro cúbico por quilômetro Ma Milhões de anos mm Milímetros mm/ano Milímetros por ano MPa Mega Pascais NNE Norte Nordeste N-S Norte Sul NW-NE Noroeste Nordeste ONGs Organização Não Governamentais ONU Organização das Nações Unidas p. ex. Por exemplo PEA População economicamente ativa PEAM População economicamente ativa em mineração PEI População economicamente inativa PNUMA Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente PSE Península de Santa Elena (SiO

  2

  ) Quartzo SW-NE Sudoeste Nordeste t Tonelada US$ Dólares americanos UTM Universal Transverse Mercator WCED Comissão Mundial sobre o Meio Ambiente e Desenvolvimento WNW Oeste Noroeste m Micrometro

  CAPÍTULO I

  INTRODUđấO

1.1 APRESENTAđấO

  Em 1900 a expectativa de vida para um cidadão americano era de 47 anos e viajava em media 1900 quilômetros ao ano, morava em casas que possuíam caixas com gelo para conservar os alimentos e luminárias de óleo para iluminar. Comunicava-se por correio e telégrafo. No ano 2000 a expectativa de vida supera os 77 anos e viaja em media 19.000 quilômetros ao ano (de automóvel somente), mora em casas com muitos aparelhos elétricos incluindo geladeiras e luminárias elétricas. A comunicação é instantânea com qualquer parte do mundo de diversas formas incluindo telefone celular e correio eletrônico (e mail), (KELLY, 2002).

  O aumento da população e os desenvolvimentos tecnológicos, que melhoram a qualidade de vida das pessoas, determinam o aumento do consumo de matérias primas. Os materiais de construção como brita e areia têm importância relevante no desenvolvimento dos povos porque constituem matéria prima para a elaboração de concreto. O consumo de concreto por pessoa constitui-se em um indicador do grau de desenvolvimento dos povos. Nos últimos 50 anos houve um acréscimo populacional na Península de Santa Elena, Equador, na ordem de 300 por cento, porém a infra-estrutura básica não acompanhou este crescimento. Para citar um exemplo, apenas uma terça parte das ruas dos municípios possuem cobertura de asfalto. A atividade mineira que se desenvolve no Morro Tablazo fornece matérias primas para a construção civil. Até cinco anos atrás, materiais de construção de qualidade certificada eram transportados de Guayaquil, distante 120 quilômetros da Península de Santa Elena, o que encarecia consideravelmente obras civis, tanto privada como pública. Na atualidade, tais obras experimentam um avanço significativo no tocante a construção de

  1 estradas, canalização das águas de chuvas, água potável e moradia utilizando matérias primas que estão sendo produzidas no Morro Tablazo melhorando a qualidade de vida da população e incentivando a economia local. A pequena mineração realizada no Morro Tablazo é de dois tipos uma de forma artesanal e outra pouco mecanizada. As duas atividades desenvolvem-se em uma área desmatada e de clima seco onde os impactos ao meio ambiente são mínimos. Se levamos em conta que a metade da população economicamente ativa da Península de Santa Elena encontra-se desempregada, a mineração da coquina converte-se em uma indiretos gerados pela mineração da coquina, que é um calcário, fomenta-se a atividade artesanal das comunidades locais mediante a manufatura de artesanatos feitos com esta rocha e que são vendidos em diversas localidades da costa peninsular aos turistas nacionais e estrangeiros que as visitam. A atividade agrícola, que está experimentando crescimento significativo devido a sistemas de rego inaugurados recentemente, do mesmo modo, vê-se beneficiada ao aproveitar a coquina como fonte de carbonato de cálcio para correção dos solos peninsulares.

1.2 OBJETIVOS

  A presente dissertação tem como objetivo principal estudar as formas para a factibilidade da mineração sustentável da rocha Coquina na Península da Santa Elena, possibilitando o desenvolvimento das atividades econômicas das comunas da região, sem comprometer o meio ambiente.

  Outros objetivos contemplados neste trabalho incluem também a caracterização mineralógica e tecnológica da coquina do Morro Tablazo visando a determinação das aplicações da rocha como fomento das atividades econômicas da região. A caracterização mineralógica e tecnológica da rocha coquina tem importância relevante devido a ausência de estudos semelhantes publicados o que converte esta dissertação em um trabalho inédito.

  2

1.3 LOCALIZAđấO

  A República do Equador localiza-se no oeste da América do Sul, limitando-se ao norte com a Colômbia, no sul e leste com o Peru e a oeste com o Oceano Pacífico (Figura 1a). Este estudo foi realizado na Península de Santa Elena, Província de Guayas, Equador, localizada no centro-oeste do País (Figura 1b). A coquina utilizada para a caracterização mineralógica e tecnológica procede do Morro Tablazo, localizado no Município de Santa Elena. A área de prospecção compreende 4 quilômetros quadrados e consta de um quadrilátero cujos vértices têm por coordenadas geográficas UTM (515200, 9755750),

  

Figura 1a - Situação do Equador na América do Sul. Figura 1b- Situação da

Península de Santa Elena (PSE) no interior do território equatoriano.

  Fonte: Atlas del Ecuador (modificado), 2003.

  3

  

Figura 2 - Localização do quadrilátero de prospecção (em vermelho) no Morro

Tablazo. Fonte: DIRECMIN (modificado), 2003.

1.4 VIAS DE ACESSO

  O Morro Tablazo encontra-se a aproximadamente 120 quilômetros de distância de Guayaquil, segunda cidade principal do País, capital da província, o qual se acessa pela rodovia Estatal 40 (conhecida como rodovia Guayaquil-Salinas) ou pela rodovia Estatal 15(conhecida como Rota do Sol que percorre a costa centro-norte do Equador), (Figura 3).

  Figura 3 - Vias de acesso para o Morro Tablazo. Fonte: Guía turística Del Guayas.

  4

  1.5 GEOMORFOLOGIA E TOPOGRAFIA

  Em geral a paisagem geomorfológica é típica de uma planície costeira. É uma savana extensa, relativamente regular, composta por colinas baixas e depressões pouco profundas. O Morro Tablazo, área do estudo, apresenta uma elevação média de 80 metros acima do nível do mar.

  1.6 SOLO

  em sua maior parte de montmorillonita, pouca matéria orgânica e uma elevada proporção de carbonato de cálcio (FAO, 1985). A cor varia de cinza claro a preto. Ao umedecer-se se torna muito aderente, brando e dilatado, e sua capacidade de resistência diminui. Ao secar-se o solo se contrai consideravelmente, entre 20 e 30%, com surgimento de grandes gretas na superfície. Na área de estudo, o solo tem uma potência que varia de 0,50 a 1,50 metros de espessura (Figura 4).

  Figura 4 - Solo negro de algodão na área de estudo no Morro Tablazo.

  5

1.7 CLIMA

1.7.1 PRECIPITAđấO

  A Península de Santa Elena possui duas estações climáticas muito marcadas, a estação chuvosa que vai de dezembro a maio, com mais do 88 % das precipitações anuais, e a estação seca que vai de junho a novembro, com tam só 12% das precipitações. A média de chuvas de 50 ml ao ano e caracteriza esta região como possuidora de um clima tropical seco (Figura 5).

  Figura 5 - Mapa de climas do Equador. Fonte: INAMHI, 2003.

  6

  1.7.2 TEMPERATURA

  De dezembro a maio a temperatura alcança os maiores valores com uma média que oscila entre 25 a 27 graus centígrados e de junho à novembro, a área de estudo, registra médias ao redor de 23 a 25 graus centígrados. As temperaturas extremas oscilam entre 17 e 36 graus centígrados. Este comportamento térmico indica a estacionalidade climática, isto é, temperaturas elevadas para a época chuvosa e temperaturas baixas para a época seca. presença do “Fenômeno El Nino”, enquanto em anos relativamente normais a temperatura média oscila no valor de 24.5 graus centígrados.

  1.7.3 UMIDADE RELATIVA

  A umidade relativa do ar flutua ao redor de 80%, do mesmo modo que a temperatura nos mostra um comportamento estacional correspondente as épocas chuvosas com valores médios de 80 à 87% e de 70 à 75% para os meses correspondentes a época seca.

  1.7.4 VENTO

  O vento dominante tem duas direções prevalecentes, uma principal que é do leste com freqüência mensal de 31% e outra secundária do norte com freqüência média do 28%. A velocidade média do vento flutua entre 2 e 4 m/s alcançando ventos máximos registrados entre 6 e 12 m/s especialmente ventos provenientes do norte e leste. As porcentagens de calma (sem vento) apresentam uma média de 12%.

1.8 HIDROLOGIA

  Na área de estudo não se encontrou presença de aqüíferos, rios e cachoeiras; observam-se apenas sinais de cursos de água superficiais.

  7

  1.9 MEIO BIÓTICO

  No Morro Tablazo não existe cobertura arbórea e a vegetação existente limita-se a presença de arbustos, capins e espinhos. Em relação a fauna, esta praticamente desapareceu devido ao desmatamento da floresta nativa no passado. Os cactos candelabro aparecem em vários lugares do morro de forma igual ao niguito, algarrobo, moyuyo e barbasco (Figura 6).

  Figura 6 - Meio biótico do Morro Tablazo.

  1.10 GEOLOGIA ESTRUTURAL DA COSTA EQUATORIANA

  Em linhas gerais a região costeira equatoriana está delimitada estruturalmente pela Falha Guayaquil-Babahoyo-Santo Domingo (Figura 7). A leste da falha Guayaquil-Babahoyo- Santo Domingo encontra-se localizada a Plataforma Babahoyo, que geograficamente é

  8 parte da costa, mas que, geologicamente está relacionada com a geologia da Serra Andina, pertencente à Cordilheira Ocidental. O sistema de falhas que compõe este setor possui uma orientação SW-NE, sendo relacionada com a Falha Guayaquil-Babahoyo- Santo Domingo, possível zona de sutura ef. BALDOCK (1982), (Figura 7).

  Segundo BALDOCK (1982) a oeste da Falha Guayaquil-Babahoyo-Santo Domingo, o padrão estrutural da costa é completamente diferente. Grandes anomalias gravimétricas positivas caracterizam a Plataforma Daule, indicando a presença de material denso, possivelmente fragmentos de costra oceânica de idade mesozóica. O setor da província estruturas WNW (p. ex., Cordilheira de Chongón-Colonche), bacias sedimentares (p. ex., Bacia Progreso) e complexo olitostrômico alóctone (p. ex., Complexo Santa Elena).

  

Figura 7 - Mapa estrutural simplificado da costa equatoriana. Fonte: Modificado de

Baldock 1982

  9 Para norte da Cordilheira Chongón-Colonche e da Plataforma Daule, encontra-se localizada a alongada Bacia Manabí que se orienta NNE. Este setor é caracterizado por dobras e falhas SW-NE, cortadas por falhas NW-SE, que compartimentam a região em pequenas bacias e altos estruturais.

  Segundo JAILLARED et. al. (2000), as significativas modificações topográficas que se produziram sob a influência dos processos deformacionais neotectônicos (p. ex., soerguimento da costa equatoriana), foram determinadas por estudos regionais dos movimentos verticais ao longo da costa, bem como pelos estudos dos terraços marinhos durante o Pleistoceno Médio-Superior foi um importante parâmetro do soerguimento da costa, várias feições erosivas quaternárias ao longo da costa em elevações entre 7 e 330 metros têm sido observadas entre o Golfo de Guayaquil e a Província de Esmeraldas, sugerindo uma taxa de elevação máxima ao redor dos 0,2 mm/ano durante o Quaternário (JAILLARD et. al., 2000) Figura 8. Os processos de neotectônica ao longo da costa equatoriana mostram um padrão de stress deformacional dominado por um sistema de extensão N-S que aumenta para norte a convergência oblíqua do Golfo de Guayaquil, possuindo uma taxa extensional média calculada em 2,5 ± 1,1 mm/ano (DUMONT et al. 1997, in JAILLARD et. al., 2000).

  10

  

Figura 8 - Estratigrafia do levantamento de Santa Elena. Fonte: Universidad

Central Del Ecuador, 1998.

1.10.1 GEOLOGIA PRÉ-QUATERNÁRIA DA PENINSULA DE SANTA ELENA

  A região de estudo esta inserida na Península de Santa Elena em um setor estruturalmente muito complexo, sendo considerado um verdadeiro mosaico de blocos falhados, o que faz com que afloramentos de vários tipos de rochas de idades variáveis desde o Jurássico Superior-Cretáceo até o recente, formem um potente pacote de rochas sedimentares e magmáticas. A tabela 1 sintetiza as principais unidades pré-quaternárias que compõem a região de estudo:

  11

  

Tabela 1- Síntese das principais unidades pré-quaternárias do setor centro-norte

da costa equatoriana UNIDADE

IDADE LITOLOGIA

  

Jurássico Superior-Cretáceo

Complexo Ígneo andesitos, diabásios, doleritos,

(163 – 66,4 Ma)

piroxenitos e basaltos

  Formação Cayo Cretáceo Superior Grauvacas, arenitos, argilitos (97,5 – 66,4 Ma) e chert Grupo Azucar Paleoceno-Eoceno Médio Arenitos e conglomerados

(66,4 – 43,6 Ma)

  Formação San Eduardo Eoceno Médio

  calcáreos

  

(52 – 43,6 Ma)

Grupo Ancón Eoceno Médio-Superior Arenitos y pelitos

(52 – 36,6 Ma)

Formação Zapotal Eoceno Superior – Oligoceno Arenitos com intercalações de

  Inferior (40 – 30 Ma) conglomerados e pelitos

Formação Tosagua Oligoceno Superior – Mioceno Argilitos com lentes de

Inferior (30 – 16,6 Ma) arenitos níveis de gipsita Formação Progreso Mioceno Superior Arenitos, siltitos, argilitos e

  (11,2 – 5,3 Ma) localmente coquinas Fonte: Mapa Geológico del Ecuador, IGM 1974-1975

1.10.2 GEOLOGIA DO QUATERNÁRIO DA PENINSULA DE SANTA ELENA

  Segundo BALDOCK (1982), a Formação Tablazo é constituída por arenitos carbonáticos e conglomerados, com alto conteúdo de macrofósseis, constituindo antigos terraços marinhos com espessura máxima estimada em 100 metros. Esta formação encontra-se bem desenvolvida em áreas costeiras das províncias de Manabí e Guayas, apresentando contato discordante com as unidades subjacentes, ocorrendo em alguns locais sobreposta por sedimentos recentes de origem marinha e/ou continental.

  12 Os sedimentos recentes estão dispersos ao longo de toda a costa equatoriana, nos diferentes ambientes sedimentares (intermediário ou misto e marinho). Segundo BOOTHROYD et al.(1994), esta variedade de ambientes tem como resultado diferente tipo de depósitos. Segundo BALDOCK (1982), depósitos coluviais ocorrem preenchendo os vales dos rios que constituem o sistema hidrográfico atual, possuindo espessuras superiores 20 metros.

1.11 METODOLOGIA

  1.11.1 PESQUISA BIBLIOGRAFICA

  Esta etapa constou de uma pesquisa bibliográfica referente à mineração sustentável em pequena escala e pouco mecanizada de minerais não metálicos, tanto no âmbito equatoriano quanto mundial. Também, dentro do item revisão bibliográfica, procurou-se informação sobre as normas técnicas que regem a caracterização mineralógica e tecnológica para rochas ornamentais. Para obter informações sócio-econômica, histórica e política da Península de Santa Elena, acedeu-se à fontes oficiais dos municípios envolvidos e do País.

  1.11.2 TRABALHO DE CAMPO

  O trabalho de campo consistiu em uma campanha de prospecção, no Morro Tablazo, com a coleta de amostras de coquina, que em uma fase posterior foi utilizada na confecção dos corpos de prova de ensaios de laboratório.

  1.11.3 TRABALHO DE LABORATÓRIO

  O trabalho de laboratório está composto por duas etapas: I Etapa: Caracterização Mineralógica.

  13 Nesta etapa foram realizados os seguintes estudos:

  • Análise petrográfica
  • Análise petrológica
  • Análise de difração de raios-x
  • Análise química II Etapa: Caracterização Tecnológica. Nesta etapa foram determinados os seguintes parâmet
  • Massa específica aparente, porosidade aparente e absorção de água aparente
  • Resistência à compressão puntiforme
  • Resistência à compressão uniaxial em amostras cúbicas
  • Resistência à flexão
  • Resistência ao desgaste
  • Resistência ao impacto de corpo duro
  • Módulo de deformidade estático
  • Velocidade de propagação de ondas

  14

  CAPÍTULO II PENÍNSULA DE SANTA ELENA

2.1 A PENÍNSULA DE SANTA ELENA NA PRÉ-HISTÓRIA

  A Península de Santa Elena é a terra da Cultura Valdívia. El Cholo, o indígena peninsular, era o homem de maior estatura no Equador e se dedicava à pesca, à agricultura, à navegação e ao artesanato. Segundo GUERRA (1998), encontram-se em solo peninsular tochas, ganchos em forma de cabeça de pássaro, bolinhas de pedra (verdes e azuis), facas de quartzo fino, pedras lavradas em forma de pêra, martelos de pedra, moinhos de pedra (Figura 9), desenhos de humanas no formato de cabeças, figuras com forma de animais, selos de argila e objetos de cobre em grande variedade.

  

Figura 9 – Moinho de pedra coquina utilizado para moenda de milho

principalmente pelos primeiros habitantes da Península de Santa Elena.

  A cidade de Santa Elena, desde a pré-história, foi a capital da Península de Santa Elena. Antes do descobrimento pelos espanhóis chamava-se “Sumpa”, adjetivo que em língua Chimú significa Ponta.

  Segundo GUERRA (1998), o cemitério mais antigo e numeroso da América Latina foi descoberto em Las Vegas (La Libertad). Estima-se que date de 9000 anos a.C. O mais representativo da Cultura de Las Vegas é sua cerâmica expressa em cântaros, copos e Figuras feitas com fins cerimoniais e rituais. pré-cerâmico e as investigações realizadas determinam que o homem chegou nas terras peninsulares a mais de 10.000 anos a.C. o que leva a concluir que a Península de Santa Elena foi povoada na pré-história.

2.2 EVOLUđấO HISTốRICA DA PENễNSULA DE SANTA ELENA

  Em 1535, Francisco Pizarro desembarcou no balneário de Ballenita, pisando pela primeira vez nas terras equatorianas. Logo passou para Santa Elena, um lugar de pessoas alegres e dedicadas à pesca, agricultura, navegação, artesanato e ao comércio (ANDRADE, 1980). Este acontecimento trouxe consigo a mestiçagem entre as raças nativas da Península de Santa Elena e dos conquistadores espanhóis. Ademais, produziram-se mudanças nos sistemas sociais, políticos, econômicos e religiosos. Em 1605 os índios da Península de Santa Elena falavam línguas diferentes, não conheciam a escrita, cultivavam milho, se dedicavam à pesca, eram idólatras e a tatuagem foi muito praticado como uma costume comum nas tribos de toda a costa equatoriana. Durante a época da colônia na Península de Santa Elena a nobreza indígena formada por caciques e pelos índios principais teve um papel de fundamental importância na administração local.

  

Tabela 2 – Cronologia dos principais acontecimentos ocorridos na Península de

Santa Elena desde a pré-história até a atualidade.

  Na pré-história a Península de Santa Elena chamou-se Sumpa, adjetivo Pré- que em língua Chimú significa Ponta. Santa Elena sempre foi a capital história da Península.

  Francisco Pizarro pisou pela primeira vez em terras peninsulares e 1531 equatorianas, passando logo para Santa Elena.

  1763 a Mestiçagem entre índios, zambos, escravos negros e mestiços.

  1808 A Península de Santa Elena perde a denominação de Tenência de Santa

  1820 Elena 1839 Santa Elena alcança o grau de Município Teodoro Wolf, cientista alemão, estudou a formação quaternária

  1873 marinha da Península.

  Realiza-se a primeira concessão internacional de petróleo na Península 1878 de Santa Elena à South American Gulf Oil Company.

  (TAOCL) exploram

  The Ancon Oil Company e Ecuador Limited

  1910 petróleo na Península de Santa Elena. 1937 A paróquia de Salinas converte-se em Município

  Realizam-se os primeiros estudos para o tranposição das águas do rio 1938

  Daule à Península de Santa Elena 1989 A paróquia rural de Playas de Guayaquil converte-se em Município 1993 A paróquia La Libertad converte-se em Município

  Toma força a aspiração política, econômica e social de converter a 1995 Península de Santa Elena em Província, atitude que ainda continua no presente. 2000 Criação da Universidade Estatal Península de Santa Elena (UPSE)

  Está em pleno funcionamento a transposição das águas do rio Daule à 2002 Península de Santa Elena incorporando 42.000 hectares à produção agrícola.

2.3 HISTÓRIA DEMOGRÁFICA DA PENINSULA DE SANTA ELENA

  Na história republicana do Equador foram realizados seis censos nacionais nos anos 1950, 1962, 1974, 1982, 1990 e 2001. Da informação demográfica, Tabela 3, pode-se estabelecer o caráter econômico da Península de Santa Elena; a população economicamente ativa e a população economicamente inativa na Tabela 4. Estes indicadores nos mostram o nível de pobreza e a falta de desenvolvimento industrial desta região.

  

Tabela 3 – História demográfica da Península de Santa Elena baseada nos

censos nacionais feitos ao longo da vida republicana do Equador.

  

Municípios 1950 1962 1974 1982 1990 2001

  72.490 84.010 111.671

  Santa Elena 40.077 50.227 61.714

Salinas 15.155 25.498 44.083 48.125 85.542 49.572

  13.742 26.518 41.776 53.108 77.646

  La Libertad* Playas **

  21.490 30.045

  Total 55.232 75.725 105.797 140.351 191.042 268.934 *La Libertad é considerada como Município desde o censo de 2001 **Playas é considerada como Município desde o censo de 1990 Fonte: INEC: 1950, 1962, 1974, 1982, 1990 e 2001.

  Na Tabela 3 encontram-se os resultados dos censos da população efetuados na Península de Santa Elena desde 1950 até 2001. Estes valores também estão representados na Figura 10 onde se pode notar o expressivo crescimento da população ao longo do tempo. A população de La Libertad é apresentada desde o censo de 1962 devido à importância de sua evolução histórica, sem se levar em conta que foi considerada como Município apenas no censo de 2001. Na população de Salinas, desde 1952 até 1990, inclui-se a população de La Libertad. No censo de 2001 já se apresentam as populações dos Municípios de La Libertad e Salinas separadamente. Playas que está representada na Tabela 3 foi considerada como Município a partir do censo de 1990.

  300000 250000 200000 150000 100000 50000

  1950 1962 1974 1982 1990 2001 Santa Elena Salinas La Libertad Playas Total

Figura 10 – História demográfica da Península de Santa Elena baseada nos

censos nacionais efetuados ao longo da vida republicana do

  Equador. Considerou-se população economicamente ativa (PEA) àquelas pessoas de 10 ou mais anos de idade que trabalhavam ao menos uma hora na semana, ou que ainda não trabalhavam, tinham trabalho, ou aquelas que não tinham trabalho, porém estavam em condição de desenvolver alguma atividade econômica. A população economicamente inativa (PEI) correspondeu àquelas pessoas de 10 ou mais anos que não estavam ocupadas durante a semana do censo, não procuraram trabalho durante as últimas cinco semanas e não estavam em condição de exercer alguma atividade econômica.

  

Tabela 4 - Evolução demográfica da População Economicamente Ativa (PEA) e

da População Economicamente Inativa (PEI) da Península de Santa Elena.

MUNICÍPIOS 1950 1962 1974 1982 1990 2001

Santa Elena PEA Urbana 1.944 3.338 8.801 8.925

Santa Elena PEA Rural

  14.657 13.905 36.416 26.825

  

Santa Elena PEA Total 13.587 14.380 16.601 17.243 45.217 35.750

Santa Elena PEI Urbana 4.918 15.095

Santa Elena PEI Rural 15.498 47.834

Santa Elena PEI Total 26.490 15.195 20.443 26.423 20.416 62.929

Salinas PEA Urbana 3.617 5.239 5.294 9.795

Salinas PEA Rural 8.368 13.172 17.074 6.458

Salinas PEA Total 5.128 7.522 11.985 18.411 22.368 16.253

Salinas PEI Urbana

  4.621 15.637

  Salinas PEI Rural

  16.741 11.746

  

Salinas PEI Total 10.027 7.926 15.420 24.902 21.362 27.383

La Libertad PEA Total 3.886 7.000 10.936 27.826 26.104

La Libertad PEI Total 4.379 19.518 15.407 13.689 42.185

Playas PEA Urbana

  9.020 8.246

  Playas PEA Rural

  2.989 1.921

  Playas PEA Total 12.009 10.167 Playas PEI Urbana

  4.063 13.334

  Playas PEI Rural

  941 3.357

  Playas PEI Total 5.004 16.691

  

TOTAL PEA 18.715 21.902 28.586 35.654102.747 88.274

TOTAL PEI 36.517 23.121 35.863 51.325 46.782 149.188

  • *La Libertad é considerada como Município desde o censo de 2001 **Playas é considerada como Município desde o censo de 1990 Fonte: INEC: 1950, 1962, 1974, 1982, 1990 e 2001.

  Quando não foram encontrados dados que distinguiam PEA e PEI, urbana e rural deixou-se a cela em branco (Tabela 4). Na Figura 11 pode-se visualizar melhor os dados da evolução demográfica da PEA e PEI na Península de Santa Elena. Existe uma tendência de incremento destes dois indicadores conforme aumenta a população. O mais destacável é a diminuição da PEI no censo de 1990 devido ao “boom do camarão” ocorrido no País, ocorrido entres as décadas de 80 e 90, refletindo-se também na Península de Santa Elena, com grande requerimento de mão de obra local. Devido à baixa do preço internacional do camarão, fenômenos climáticos e, sobretudo, ao surgimento da “Mancha Negra”, doença que causa grande mortalidade ao crustáceo, a atividade camaroneira quase desapareceu na Península de Santa Elena nos finais da década dos 90. Isto pode-se ver claramente com o incremento da PEI e Município de Santa Elena.

  70000 60000 50000 40000 30000 20000 10000 1950 1962 1974 1982 1990 2001 La Libertad PEA Total La Libertad PEI Total Playas PEA Total Playas PEI Total Santa Elena PEA Total Santa Elena PEI Total Salinas PEA Total Salinas PEI Total

  

Figura 11 – Evolução demográfica da População Economicamente Ativa (PEA) e

da População Economicamente Inativa (PEI) da Península de Santa Elena.

  A PEA e a PEI diferenciadas por sexos para os censos de 1990 e 2001 são apresentadas na Tabela 5 e Figura 12 onde nota-se que a mulher é a maior força de trabalho, tanto urbana quanto rural, e que o homem representa a maior PEI no censo de 1990. No censo de 2001 a situação se inverte e há um crescimento considerável da PEI devido à baixa nos preços do camarão e à dolarização.

  Tabela 5- População economicamente ativa (PEA) e população economicamente inativa (PEI) da Península de Santa Elena dividida em sexos nos dois últimos censos. 1990 1990 2001 2001 CANTONES URBANA RURAL URBANA RURAL Santa Elena PEA HOMEM 4.187 18.063 6.644 22.652 Santa Elena PEA MULHER

  4.614 18.353 2.281 4.173

  Santa Elena PEI HOMEM 2.593 8.572 5.232 16.215 Santa Elena PEI MULHER 2.325 6.926 9.863 31.619 Salinas PEA HOMEM 5.294 17.074 7.678 5.337 Salinas PEA MULHER

  5.354 17.799 2.117 1.121

  Salinas PEI HOMEM 2.376 8.769 5.119 3.938 Salinas PEI MULHER 2.245 7.972 10.518 7.808 La Libertad PEA HOMEM 13.545 19.761 La Libertad PEA MULHER

  14.281 6.343

  La Libertad PEI HOMEM 7.119 14.277 La Libertad PEI MULHER 6.570 27.908 Playas PEA HOMEM 4.464 1.670 6.317 1.621 Playas PEA MULHER

  4.556 1.319 1.929 300

  Playas PEI HOMEM 2.119 528 4.578 1.046 Playas PEI MULHER 1.944 413 8.756 2.311 TOTAL PEA HOMEM 27.490 36.807 40.400 29.610 TOTAL PEA MULHER 28.805 37.471 12.670 5.594 TOTAL PEI HOMEM 14.207 17.869 29.206 21.199 TOTAL PEI MULHER 13.084 15.311 57.045 41.738

  • *La Libertad é considerada como Município desde o censo de 2001 **Playas é considerada como Município desde o censo de 1990 Fonte: INEC: 1950, 1962, 1974, 1982, 1990 e 2001.

  35000 30000 25000 20000 15000 10000

  5000 1990 URBANA 1990 RURAL 2001 URBANA 2001 RURAL Santa Elena PEA HOMEM Santa Elena PEA MULHER Santa Elena PEI HOMEM Santa Elena PEI MULHER Salinas PEA HOMEM Salinas PEA MULHER Salinas PEI HOMEM Salinas PEI MULHER La Libertad PEA HOMEM La Libertad PEA MULHER La Libertad PEI HOMEM La Libertad PEI MULHER Playas PEA HOMEM Playas PEA MULHER Playas PEI HOMEM Playas PEI MULHER

  

Figura 12 - População economicamente ativa (PEA) e população

economicamente inativa (PEI) da Península de Santa Elena dividida em sexos nos dois últimos censos.

  Uma forma melhor de compreender o desenvolvimento populacional da Península de Santa Elena é através do Índice de Crescimento que corresponde a variação da população de um censo em relação ao outro. Na Tabela 6 e Figura 13 apresentam-se os índices de crescimento nos municípios peninsulares de 1950 até 2001. O mais expressivo destes dados é o vigoroso crescimento da população de La Libertad. Este incremento notável se ratifica na Tabela 7 e Figura 14 onde se apresentam os índices de crescimento dos municípios peninsulares comparando a população do primeiro censo, onde se têm registros, à do censo de 2001.

  

Tabela 6 - Índices de crescimento de um censo em relação ao anterior nos

municípios peninsulares.

  

Municípios 1950 1962 1974 1982 1990 2001

  100,00 25,33 22,87 17,46 15,89 32,93

  Santa Elena

  100,00 68,25 72,88 54,12 25,90 34,57

  Salinas

  0,00 100,00 92,97 57,54 27,13 46,20

  La Libertad

  0,00 0,00 0,00 0,00 100,00 39,81

  Playas TOTAL 100,00 37,10 39,71 32,66 36,12 40,77 *La Libertad é considerada como Município desde o censo de 2001 Fonte: INEC: 1950, 1962, 1974, 1982, 1990 e 2001.

  100,00 80,00 60,00 40,00 20,00 0,00

  1950 1962 1974 1982 1990 2001 Santa Elena Salinas La Libertad Playas TOTAL

Figura 13 – Índices de crescimento de um censo em relação ao anterior nos

municípios peninsulares.

  Tabela 7 – Índices de crescimento populacional nos municípios peninsulares. ÍNDICE DE CRESCIMENTO POBLACIONAL (ICP) Municípios Santa Elena De 1950 até 2001 o ICP es 178,64 %

  De 1950 até 2001 o ICP es 227,09 %

  Salinas La Libertad De 1962 até 2001 o ICP es 465,03 %

  De 1990 até 2001 o ICP es 39,81 %

  Playas

  De 1950 até 2001 o ICP es 386,92 %

  TOTAL *La Libertad é considerada como Município desde o censo de 2001 **Playas é considerada como Município desde o censo de 1990 500,00% 465,03%

  386,92% 400,00% 300,00% 227,09% 200,00% 178,64% 100,00%

  39,81% 0,00% Santa Elena ICP Salinas ICP de La Libertad ICP de Playas ICP de TOTAL ICP de de 1950 a 2001 1950 a 2001 1962 a 2001 1990 a 2001 1950 a 2001

  Figura 14- Índices de crescimento populacional nos municípios peninsulares.

  O crescimento populacional da Península de Santa Elena registrado na Tabela 7 supõe também um crescimento do número de moradias e de infra-estrutura básica, aspecto que não acompanhou a realidade. A distribuição de moradia na Península de Santa Elena por setor urbano e rural nos censos de 1990 e 2001 estão apresentados na Tabela 8 e Figura 15. Os dados mais significativos são quanto a posse da moradia destacando-se que as alugadas representam metade das moradias próprias nas áreas urbanas com maior população.

  

Tabela 8 – Distribuição da moradia na Península de Santa Elena por setor

urbano e rural nos censos de 1990 e 2001.

  IO A A

  IC

  

IA

D A L

  IT

  V R A R A U R

P

T T T G E

O

U A O U S R T L R O R

P

A G O P SANTA ELENA URBANA 1990

  2.108 640 296

  97 5 3.146

  SANTA ELENA RURAL 1990

  9.507 621 847 260 33 11.268

  SANTA ELENA URBANA 2001 3.922 1.377 244 152

  90 5.785

  

SANTA ELENA RURAL 2001 14.900 999 549 462 178 17.088

SALINAS URBANA 1990 2.047 1.000 357 315

  29 3.748

  SALINAS RURAL 1990

  7.794 3.198 859 324 49 12.224

  

SALINAS URBANA 2001 3.413 1.721 361 482 127 6.104

SALINAS RURAL 2001 3.101 802 161 120

  42 4.226

  LA LIBERTAD URBANA 1990 6.374 2.843 638 188

  32 10.075

  LA LIBERTAD URBANA 2001

  10.503 5.197 713 329 331 17.073

  PLAYAS URBANA 1990 2.211 682 296 150

  16 3.355

  PLAYAS RURAL 1990 628

  73

  50

  78 4 833

  PLAYAS URBANA 2001 3.853 1.006 356 257

  83 5.555

  PLAYAS RURAL 2001 900 107

  78 104 7 1.196

  • *La Libertad é considerada como Município desde o censo de 2001 **Playas é considerada como Município desde o censo de 1990 Fonte: INEC: 1950, 1962, 1974, 1982, 1990 e 2001.

  

Figura 15 – Distribuição das moradias na Península de Santa Elena por setor

urbano e rural nos censos de 1990 e 2001.

  1 P L A Y A S U R B A N A

  2

  1 L A L

  IB E R T A D U R B A N A

  1

  9

  9 L A L

  IB E R T A D U R B A N A

  2

  1

  

1

S A L

  9

  9 P L A Y A S R U R A L

  1

  9

  9 P L A Y A S U R B A N A

  2

  1 P L A Y A S R U R A L

  2

  IN A S R U R A L

  

2

  Aproximadamente um quarto das moradias da Península de Santa Elena são alugadas (Figura 16), o que demonstra uma falta de moradias principalmente na área urbana Tabela 8 e Figura 15. Esta carência de moradia vem acompanhada da falta de serviços e infra-estrutura básica que garanta um nível de vida digno para a população que deles necessita. 3000 6000 9000 12000 15000 18000

  1 S A N T A E L E N A R U R A L

  S A N T A E L E N A U R B A N A

  1

  9

  9 S A N T A E L E N A R U R A L

  1

  9

  9 S A N T A E L E N A U R B A N A

  2

  2

  IN A S U R B A N A

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  1

  9

  9 S A L

  IN A S R U R A L

  1

  9

  9 S A L

  1 PROPRIA ALUGADA GRATUITA POR SERVICIO OTRA TOTAL

  

Figura 16 – Distribuição da moradia própria e alugada na Península de Santa

Elena no censo de 2001.

  DISTRIBUđấO DA VIVENDA PROPRIA E ALUGADA NA PENễNSULA DE SANTA ELENA EM 2001 78% 22%

PROPRIA ALUGADA

  CAPÍTULO III

PEQUENA MINERAđấO ARTESANAL E POUCO MECANIZADA

3.1 PEQUENA MINERAđấO.

  Durante a segunda metade do século XX alguns países de América Latina propuseram uma estratificação da atividade mineira baseada em critérios tais como: tamanho da produção, investimento de capital e numero de trabalhadores vinculados a industria extrativa de minerais. Essa estratificação que dividiu a industria em pequena, média e grande mineração levou os governos em distintas épocas a executar planos e programas em diversas frentes, sem um maior planejamento que integrasse uns aos outros.

  Segundo CHAPARRO (2000), a característica fundamental de uma pequena mineração, está na impossibilidade desta de defini-la de acordo com parâmetros de medição universais. Uma característica que permite diferenciá-la é sua distribuição geográfica, legislação nacional e execução de política mineral. Contudo, existem outras características que pode diferenciá-la mais especificamente. Neste contexto tem-se empregado aspectos como o volume de produção (Colômbia), o capital investido (Argentina e Tailândia), o número de trabalhadores (Chile, Pakistão e Estados Unidos), a extensão do título minerario (Gana, Zâmbia, Zimbabue). Alguns países chegam à sofisticação de dividir a pequena mineração por volume de produção de acordo com o tonelagem produzida (Colômbia e Brasil), e outros que optam em classificar a operação em artesanal ou com graus de mecanização.

  Segundo HENTSCHEL, HRUSCHKA e PRIESTER (2003), em geral a mineração artesanal e a de pequena escala referem-se a mineração realizada por indivíduos, grupos, familiares ou cooperativas com mínima ou total ausência de mecanização e que atuam na maioria das vezes no setor informal ou ilegal do mercado.

  Uma revisão dos conceitos, assim como dos problemas associados a estas modalidades da indústria de mineração, permitirá estabelecer uma melhor definição da pequena mineração e das formas de produção relacionadas a estas como: informalidade, desenvolvimentos artesanais não produtivos, ilegalidade, depredação ambiental, conflitos sócio-culturais, e deficiências técnicas e jurídicas para seu funcionamento. Em adição, faz-se necessário uma política pública de grande magnitude para proporcionar saídas econômicas e sociais dignas a quem se dedica a esta atividade. O tema é importante considerando-se que o conglomerado agrupado segundo a denominação de pequena mineração, representa um porcentual significativo da produção mineira do continente, assim como da força de trabalho dedicada à extração de minerais e metais. Por outro lado é importante estabelecer que a pequena mineração não é um fenômeno recente e que tem um caráter universal, o qual permite que se encontrem expressões referentes a ela nos cinco continentes e em países tão distintos como: Canadá, Colômbia, Chile, China, Bolívia, Brasil, Equador, Espanha, Inglaterra e Perú.

  Estima-se ao redor de 13 milhões de pessoas em cerca de 30 países diretamente envolvidas na pequena mineração, um porcentual significativo sendo de mulheres e crianças. Em um futuro de 80 a 100 milhões de pessoas através do mundo desenvolvido dependerão da pequena mineração para satisfazer algum aspecto de seu estilo de vida (HENTSCHEL, HRUSCHKA e PRIESTER, 2003). Segundo CHAPARRO (2000), de 1,4 a 1,6 milhões de pessoas trabalham em pequena mineração na América Latina e Caribe, recebendo um salário médio de US$ 150 ao mês, representando uma soma que oscila entre os 2.520 e os 2.880 milhões US$ ao ano, cifras que se incorporam ao fluxo econômico da região. Esta situação permite afirmar que a denominada pequena mineração constitui o setor de mais altos ingressos em muitos dos distritos onde estas pessoas trabalham, e que esta atividade contribui para dinamizar a economia local em diferentes partes do continente. Uma tendência atual é de aceitar como uma realidade econômica a existência destas formas de produção, sendo necessário aos países e a comunidade mineira deter-se e redelinear o tratamento que é dado a este tipo de atividade mineira.

  O apoio e fortalecimento institucional na formação cidadã das pessoas que se relacionam com a mineração em pequena escala pode transformasse em uma ferramenta sumamente eficaz. A formação cidadã junto a outras como a distribuição do ingresso, a inversão social e a disciplina fiscal, podem chegar a afiançar processos de desenvolvimento e paz nas zonas onde se desenvolvem atividades extrativas que, geralmente, impactam o meio ambiente, reproduzem o círculo da pobreza, incubam perigos e geram violentos conflitos sociais ao redor da posse, explotação e distribuição das riquezas geradas.

  A pequena mineração tem como características:

  • Intensa utilização de mão de obra
  • Precárias condições de segurança e higiene
  • Ocorrência universal
  • Baixo desenvolvimento tecnológico
  • Ocorrência de conflitos sociais e legais
  • Geração de correntes produtivas locais
  • Abastecimento de mercados locais
  • Baixos custos de produção
  • Potencial de desenvolvimentos geopolíticos
  • Ampla gama de produtos
  • Multiplicidade de atores
  • Estimulador de projetos maiores
  • Degradação ambiental
  • Variabilidade de volumes e tamanhos por bem mineral produzido por região
  • Descobridor de novas jazidas
  • Alternativa laboral para setores afetados pela pobreza
  • Dinamizador de economias locais
  • Ampla distribuição geográfica

  

3.2 PEQUENA MINERAđấO DE MINERAIS NấO METÁLICOS NO

EQUADOR

  O desenvolvimento atual do setor mineiro no Equador compreende a exploração e explotação de minerais metálicos e minerais não metálicos. A mineração de bens metálicos tem uma incidência marginal na economia nacional, enquanto que a mineração de minerais não metálicos é a base para a construção de obras civis e tem um impacto nacional. De acordo com as cifras oficiais mais de 80% da superfície requerida para mineração corresponde a pesquisa de metálicos (em maior proporção) e minerais não metálicos, geralmente desenvolvida por empresas internacionais. Por outro lado, as atividades de explotação giram ao redor de múltiplas unidades produtivas, cujos níveis de produção e inversão as situam dentro do que se denomina pequena mineração ou mineração em pequena escala.

  Por outra parte, existem unidades de produção de maior tamanho, principalmente no setor de minerais não metálico, como são as jazidas produtoras de calcário e as usinas de processamento de cimento. Contudo, no setor de minerais não metálico subsistem também numerosas unidades de pequena escala, muitas das quais de subsistência e outras de caráter propriamente artesanal, que em conjunto representam um importante aporte à economia nacional por suas vinculações diretas como provedores de insumos ou materiais pétreos para a indústria da construção de moradias e infra-estrutura rodoviária em nível nacional. Lamentavelmente, o setor de minerais não metálicos é pouco estudado no Equador com pouca informação sobre o tema (SANDOVAL, 2001).

3.2.1 Definição de mineração a pequena escala segundo a legislação equatoriana.

  O Regulamento Geral Substitutivo do Regulamento Geral da Lei de Mineração, promulgada em 17 de abril de 2001, estabelece os parâmetros para a definição da pequena mineração, os quais incluem a definição da magnitude da concessão, o volume de processamento e produção, o montante das inversões, bem como o capital envolvido e as condições tecnológicas: “Art. 48.- Da mineração em pequena escala.- Considera-se mineração em pequena escala as operações que realizem os titulares de concessões mineiras, que se enquadrem dentro dos seguintes parâmetros:

  a) Superfície máxima de concessão equivalente a 150 hectares mineiros;

  b) Minério extraído em suas concessões até um valor máximo de 100 toneladas métricas por dia; c) Montante de inversões totais em suas concessões de até um milhão de dólares americanos; d) Condições tecnológicas que podem ser melhoradas para acrescentar os índices de recuperação de minério e diminuir o impacto ambiental. ”

3.2.2 Tipos de atividades de mineração de minerais não metálicos no Equador.

  No setor de minerais não metálicos equatoriano podemos distinguir três tipos de atividades de mineração: a) A mineração de caráter empresarial de médio a grande porte

  As atividades de mineração de caráter empresarial de médio a grande porte concentram- se principalmente na explotação de calcário e na produção de cimento. Existem quatro empresas nacionais importantes de cimento: a Nacional (província do Guayas), a Selva Alegre (província de Imbabura), a Chimborazo (província de Chimborazo) e a Guapán (província de Cañar), a duas primeiras com capital exclusivamente privado e as duas últimas com capital misto. Estas empresas abastecem o mercado nacional.

  No âmbito dos materiais de construção, as atividades de ordem empresarial de médio a grande porte estão ligadas, principalmente, às empresas construtoras de obras viárias urbanas, onde a extração mineral é uma atividade complementar do setor.

  b) A mineração em pequena escala. Definida, em lei, como uma forma de mineração intermediária entre a empresarial e a artesanal, a mineração de pequena escala é provavelmente o tipo de atividade mais relevante no país pela quantidade de material extraído e processado e por concentrar a maioria da força de trabalho nesta registrada.

  Caracteriza-se por desenvolver formas associadas de trabalho (as sociedades de pequenos mineradores) ou grupos de empresários que incorporam instrumentos mecanizados para a extração, processamento e transporte de materiais. Por Lei desenvolve-se sobre uma concessão máxima de 150 hectares mineiras; com incorporação de tecnologia mediana; com quadros profissionais, processos de planejamento produtivo; volumes extraídos de mineiro de até 100 toneladas métricas por dia; cultura empresarial; montante de inversão de até US$ 1 milhão e medidas básicas de prevenção e controle da contaminação.

  c) A mineração de caráter de subsistência e artesanal A mineração de subsistência e artesanal tem uma profunda raiz na tradição produtiva dos povos indígenas do Equador. Define-se como aquela que utiliza principalmente instrumentos manuais, se assenta no trabalho familiar e extrai baixos volumes de minério que servem para sustentar a economia familiar, de maneira direta ou complementar.

  No caso dos bens minerais não metálicos, pode-se apreciar a presença de mineração de subsistência e artesanal ligada à extração de pedra, na explotação de calcário, pedra pomez e na extração de areia de rios. A atividade extrativa de subsistência é levada a cabo por segmentos marginais da população, que complementa sua renda, principalmente agrícola, com trabalhos de mineração em escala muito reduzida. Uma expressão desta atividade é o uso de bateias, para concentração de ouro aluvionar nas margens dos rios; ou a extração de areia, pedra e carbonato de cálcio de jazidas primárias. A atividade artesanal esta caracterizada por sua informalidade legal; uso intensivo de mão de obra, particularmente não qualificada; carência de planejamento; pouco capital; reduzida tecnologia; baixa produtividade; pouca cultura ambiental; alta contaminação.

3.3 ORGANIZAđỏES DA PEQUENA MINERAđấO NO EQUADOR.

  No desenvolvimento da pequena mineração no Equador distinguem-se três principais formas de organização, em muitos casos paralelas ou complementares:

  

Sociedades de fato: é uma forma básica de organização da pequena mineração, que

  agrupa mineiros individuais a partir de relações de confiança mútua. São entes que agrupam à força de trabalho e ao mesmo tempo canalizam investimentos.

  

Cooperativas: se originam com a posse de fato de áreas mineiras em concessão alheia

  sem operação, onde os pequenos mineradores realizam trabalhos de pesquisa e explotação através de sociedades. As cooperativas mineiras constituíram federações regionais e nacionais, e ao final de 1989, organizaram o I Encontro Regional de Cooperativas Mineiras, vindo a conseguir sua legalização através da Lei de Mineração em 1991.

  

Associações: são formas mais específicas de organização e articulação de sociedades

  mineiras, que conjugam os avanços organizativos das cooperativas mineiras com a incorporação de investidores e técnicos. Tiveram um papel substancial no processo de formalização legal da pequena mineração a partir da Lei de 1991, mediante a qual o Estado se comprometeu a legalizar os assentamentos mineiros existentes anteriormente a 31 de maio de 1991. Adicionalmente, têm criado as condições para seu desenvolvimento empresarial e inserção nas políticas estatais de fomento e controle.

3.4 IMPACTOS DA PEQUENA MINERAđấO NO CONTEXTO NACIONAL

  Para valorar a importância da produção da pequena mineração (de subsistência, artesanal e em pequena escala) no Equador, é suficiente mencionar que no ano 2000, conforme a produção estimada por tipo de mineiro, o aporte estimado da pequena mineração foi de 83,5% e estima-se que sua participação na produção de outro tipo de minerais, particularmente minerais não metálicos (materiais de construção, argila, feldspatos, bentonita, sílica, mármore, gesso, pómez, dióxido de carbono, barita, zeólita etc) foi aproximadamente de 30%. Com relação ao emprego de mão de obra em atividades de pequena mineração, estima-se que no ano 2000 esta atividade produtiva gerou um total de 92.000 postos de trabalho, dos quais o 65,2% correspondem a mineração metálica (aurífera em especial) e o restante 43,8% a mineração de minerais não metálicos.

3.4.1 Desenvolvimento local.

  A atividade de mineração em geral é um ramo importante na geração de recursos para o desenvolvimento, geração de emprego e de importantes níveis de satisfação do consumo interno em áreas como a construção de obras civis. Provavelmente, o maior impacto nesta direção é da mineração de minerais não metálicos e de materiais de construção, que tem uma incidência nacional.

  Por outra parte, a mineração de metálicos tem também impactos importantes, mais restritos, na dinamização das economias locais. Assim, a mineração aurífera do sul do Equador gera diretamente empregos e ingressos, e indiretamente estimula outras atividades econômicas; sem duvida, seu impacto global nacional é ainda débil. Neste sentido, com base na decisão 1994/308 do Conselho Econômico e Social da Organização das Nações Unidas, o Comitê de Recursos Naturais deste organismo em seu terceiro período de sessão, recomendou prestar assistência técnica à mineração artesanal, em igual forma que da assistência em esferas como atividades optativas que gerem ingressos, na educação, na saúde e no apoio a mulher, visto que a mineração artesanal constitui um suporte fundamental de sobrevivência, que pode ser propícia para incrementar atividades de desenvolvimento sócio-econômico integral e multiseccional, a partir do fato aceito pelas Nações Unidas de que:

  

“... a mineração em pequena escala tem que ser considerada desde um ponto de vista

mais amplo do desenvolvimento sócio-econômico e a erradicação da pobreza para um

grande número de pessoas que participam na mineração artesanal em todo o mundo, as

atividades de mineração constitui uma rede de segurança já que proporcionam

ingressos durante épocas econômicas difíceis. Dado que a maioria destas atividades se

desenvolvem em zonas rurais, a mineração artesanal é uma arma eficaz contra a

pobreza rural e a migração de zonas rurais à urbanas, e como tal, tem que receber

apoio. Quando um governo toma medidas para criar um entorno mais adequado para

os mineiros artesanais, está aumentando também o acesso da população a uma rede de

segurança dos ingressos e gerando capacidade para libertar-se da pobreza. A

assistência a esse setor pode servir também de mecanismo importante na ajuda social

que tanto necessita a população e as zonas envolvidas...”.

  Paralelamente, são muitos ainda os impactos sociais negativos (conflitos entre diversos atores, incremento da violência social nas zonas de influência) onde confluem empresas, pequenos mineradores e artesãos. Esses impactos sociais negativos são menos graves em áreas onde predominam as atividades individuais.

  Dados os problemas que se registram nas localidades onde se realizam atividades mineiras, é compreensível que as populações aí assentadas esperem que estas contribuam efetivamente nas soluções requeridas. Pesa muito nesta percepção o fato de que não existem normas que regulem a captação de benefícios no nível local. Assim mesmo, as populações diretamente relacionadas com a atividade de mineração esperam que esta atividade gere suficientes oportunidades de emprego para sua força de trabalho, o qual não é possível porque os empresários preferem trabalhadores de outros lugares do país, para evitar conflitos, ou porque tem que responder às exigências de pessoal especializados, que não existem nas zonas de mineração. Neste tema converge o papel que os governos locais têm a desempenhar, caracterizado pela superposição de funções das autoridades, no contexto dos desafios que os processos de descentralização implicam para o planejamento do desenvolvimento local. A perspectiva da descentralização do Estado interessa aos diversos atores vinculados com a mineração ficar atentos, e na medida de possível, compatibilizar os processos de planejamento do desenvolvimento local com o da atividade mineira. Há nos mineiros uma vontade de participação nos processos de descentralização, através, por exemplo, dos comitês locais de gestão ambiental, visando harmonizar a relação da atividade mineira com os interesse das comunidades, particularmente, no exercício de um controle participativo dos possíveis impactos de suas atividades sobre o entorno. Os temas de desenvolvimento local são preocupação tanto dos governos locais, como das comunidades e das ONGs, consultores, universidades e cooperação internacional.

3.4.2 Emprego e salário.

  As estatísticas disponíveis são insuficientes para configurar um quadro aceitável da situação real do emprego mineiro. Da informação disponível, uma das características principais é a incorporação permanente e temporal de um importante número de pessoas trabalhando em pequena mineração, muitos dos quais geram oportunidades de emprego para familiares, afiliados ou terceiros em atividades que não exigem maior qualificação. Por certo, o emprego mineiro segue as flutuações próprias da atividade.

  Sobre a base de informação do Censo populacional de 2001 pode-se fazer algumas considerações em torno ao problema da magnitude do emprego mineiro. Nesta data o ramo de atividade “Explotação de minas e pedreiras” somente corresponde a menos de 1% da População Economicamente Ativa Total (Tabela 9), o que denota a pouca contribuição deste ramo na geração de emprego, porém, seguramente, neste contexto os dados são subestimados. Com respeito aos salários, convém registrar que na pequena mineração este tem um peso importante os trabalhadores por conta própria e que é muito difícil estabelecer um salário médio. Portanto, estima-se que o pessoal contratado geralmente recebe salários superiores aos básicos estabelecidos, ainda que, no geral não se encontrem cobertos pelo sistema de seguridade social do estado.

  Tabela 9 - Pequena Mineração e emprego em América Latina.

  

PEQUENA MINERAđấO E EMPREGO EM AMERICA LATINA

  População População

  Economicamente ANO DO PAIS Economicamente PEA/PEAM

  Ativa em CENSO Ativa (PEA)

  Mineração (PEAM) Argentina 12,368,328 47,430 0.38 1991 Bolívia 2,429,716 50,156 2.06 1992 Chile 4,622,018 106,599 2.31 1992 Colômbia 8,660,906 139,570 1.61 1993 Equador 3,599,767 20,870 0.62 1990 México 23,403,423 99,233 0.42 1990 Perú 7,109,527 72,170 1.02 1993 Venezuela 5,642,543 79,965 1.42 1990 Fonte: CEPAL, Nações Unidas. Anuário Estatístico de América Latina e o Caribe, 1996

  

3.5 CONDIđỏES DE TRABALHO DENTRO DAS DISTINTAS FORMAS DE

MINERAđấO

  Usualmente as relações de trabalho dentro das empresas de cimento desenvolvem-se dentro dos parâmetros das leis trabalhistas e de seguridade social vigentes, o que permite que as associações de trabalhadores (como sindicatos e comitês de empresa) fiquem sujeitas ao controle público.

  No caso das empresas que extraem matérias para a construção civil, estas normalmente possuem um quadro funcional permanentemente amparados na legislação trabalhista e de seguridade social. Sem duvida, tem também um alto número de trabalhadores terceirizados, com mão de obra não qualificada, contratados por tempo limitado e normalmente sem amparo da legislação nacional em benefícios trabalhistas e em seguridade social, constituindo um segmento complementar ao dos trabalhadores estáveis. Por outro lado, na pequena mineração de bens metálicos e minerais não metálicos predomina a inobservância dos direitos trabalhistas, o trabalho temporário e os acordos verbais com os patronos ou seus delegados. A debilidade institucional do Estado equatoriano e a diminuição de suas capacidades de controle corroboram para esta situação. Portanto, a explicação principal está no predomínio de concepções e práticas produtivas pré-modernas, que se fundamentam em dinâmicas especulativas.

  Ademais, se agregam problemas operacionais ligados ao desenvolvimento da jazida – a mineração constitui uma atividade alternativa a outras, como à agricultura e ao comércio. A relação dos trabalhadores com a atividade de mineração mistura vínculos pontuais e esporádicos com relações permanentes em nível de pessoal técnico e operacional especializado, de acordo com o desenvolvimento da jazida e o grau de desenvolvimento empresarial.

  Com as reformas na Lei de Mineração (2000) espera-se maior transparência de toda a atividade e incorporação dos trabalhadores ao sistema nacional de seguridade social. As condições de trabalho e de vida são deficitárias para a maioria daqueles trabalhadores sujeitos às relações informais por estarem excluídos de todo tipo de beneficio e seguridade social. O trabalho por conta própria é característico das atividades de subsistência e artesanais, tanto daquelas que se realizam em comunidades indígenas que extraem calcário, pedra pomez, mármore, ou ouro nos rios, como daquelas que realizam mineiros auríferos nas jazidas de Zaruma-Portovelo. No trabalho por conta própria não existem relações trabalhistas e institucionais que permitam o aceso a formas de seguridade social para o caso de acidentes de trabalho, de saúde ou de aposentadoria. Pelo exposto pode-se verificar que a participação pública nos projetos de mineração é sumamente restrita tanto do ponto de vista legal quanto da operacional.

  3.6 IMPLICAđỏES SOCIAIS DAS DISTINTAS ATIVIDADES MINEIRAS

  Há uma carência de indicadores para medir de forma efetiva a incidência da mineração na melhoria da qualidade de vida das populações diretamente vinculadas a esta atividade. Entretanto, como qualquer outra atividade produtiva a mineração tem importantes implicações não só na geração de empregos diretos e indiretos, mas também na dinamização de outras atividades produtivas. Dentro desta perspectiva, a mineração de minerais não metálicos produz um maior impacto no desenvolvimento de atividades produtivas diretas e conexas como a construção de obras civis (moradias e infra-estrutura urbana e viária) que, em paises como no Equador, gera maior utilização de mão de obra, fundamental para geração de emprego e renda para a região.

  3.7 PRINCIPIAS CONFLITOS DETECTADOS NA MINERAđấO

  O setor de bens minerais não metálicos, nos últimos dez anos, não tem se registrado conflitos sociais relevantes dentro das atividades das empresas de cimento. Sem duvida, tem surgido demandas e situações de novo tipo, com algumas das populações locais devido aos efeitos da contaminação atmosférica, tal é o caso das empresas Chimborazo e Selva Alegre SANDOVAL (2001). Na extração de materiais para a construção civil, tampouco tem se registrado conflitos trabalhistas internos de magnitude, porém, vários conflitos com populações locais e municípios devido a contaminação e formas anti-técnicas de trabalho que aumentam os riscos naturais de desmoronamento e deslizamentos, têm ocorrido.

  3.8 MEIO AMBIENTE

  Até 1991, o Equador carecia de normas ambientais para a gestão ambiental mineira. A única norma geral ambiental vigente era a Lei de Controle e Prevenção da

  Contaminação de 1976, que estabelecia padrões gerais e medidas de prevenção e controle de contaminação. Em 1991, a nova Lei de Mineração definiu, pela primeira vez, três regulamentos ambientais: 1) a obrigatoriedade de realizar estudos de impacto ambiental e planos de manejo previamente ao inicio de qualquer atividade de mineração; 2) o estabelecimento, como causal de caducidade do titulo minero, de um desastre ambiental grave; e, 3) a restrição de atividades mineiras em áreas naturais protegidas, a menos que estas sejam declaradas de interesse nacional. Em 1977 promulgou-se o Regulamento Ambiental para Atividades Mineiras na Republica do Equador, onde se estabeleceu regulamentos mais precisos sobre os estudos de impacto ambiental, planos de manejo, distinguindo as distintas fases do processo que inclui as atividades de beneficiamento e industrialização de produtos de mineração. Também institui a obrigatoriedade da realização de auditorias anuais e normas para o fechamento de minas. Esta regulamentação ratifica a proibição de mineração em áreas protegidas e a necessidade de uma autorização, previa à concessão, por parte da autoridade competente para realizar mineração em áreas de patrimônio florestal ou bosques protegidos. Pela primeira vez cria-se uma garantia por dano ambiental e estabelece a possibilidade de que os pequenos mineradores apresentem estudos e planos conjuntos para o manejo integral de certas áreas. Em geral, o principal instrumento de gestão é o estudo de impacto ambiental que tende a ampliar-se, e inclui avaliações ambientais para as atividades em andamento, com o fim de legalizar sua situação. Sem duvida, estes estudos mostram, todavia, níveis insuficientes de qualidade técnica e existem enormes debilidades no seguimento para a aplicação dos mesmos. De fato, na prática se observa que apesar de alguns minerações terem introduzido algumas medidas de controle e prevenção de impactos, estas todavia encontram-se longe do que se exige a norma. Para identificar alguns temas de importância sobre a gestão ambiental da mineração no Equador, deve-se considerar que a preocupação sobre o tema é recente e que os estudos e avaliações a respeito são ainda insuficientes. Este fato é mais característico, no caso da mineração de minerais não metálicos, que se encontra espalhada ao longo do país, e que em geral tem sido motivo de menor controvérsia ambiental que a mineração de bens metálicos.

3.8.1 Visão ambiental da mineração no Equador.

  Com relação à atividades de mineração de bens minerais não metálicos, sua localização é mais dispersa no país e como se encontra associada mais diretamente ao desenvolvimento de processos construtivos ou a certas indústrias, se trata de territórios mais integrados e portanto não se detectam problemas de reorganização territorial significativa.

  Existem poucos estudos e avaliações sobre a gestão ambiental neste tipo de mineração. Entretanto, muitas das operações de pequena escala, relacionada com a obtenção de materiais de construção, apresentam graves deficiências técnicas ocasionando o colapso de pedreiras e a intervenção das autoridades para o fechamento das minas. Neste sentido, pode-se destacar ao menos três problemas:

  1. Manejo inapropriado da extração do minério que produz o colapso das pedreiras; 2. contaminação da atmosfera, e; 3. significativas modificações da paisagem local.

  No caso das cimenteiras, as duas empresas mais importantes têm desenvolvido um sistema de filtros que permite controlar as emissões de partículas à atmosfera e de resíduos de combustão de combustíveis; têm desenvolvido programas de compensação orientados a melhorar o manejo de determinadas áreas ricas em biodiversidade, e têm implantado programas de reflorestamento e desenvolvimento comunitário. Em contrapartida, as outras duas empresas apresentam ainda deficiências por emissões de partículas que afeta o entorno e deteriora os solos de uso agrícola, as moradias, os cultivos e os corpos de água; com evidentes impactos sobre a saúde humana. Em geral preocupam os impactos que a atividade mineira pode ter na qualidade de vida e sobretudo na saúde, tanto das pessoas diretamente envolvidas na produção (trabalhadores) como na população circundante que mora nos assentamentos mineiros ou que enfrentam riscos pelo aproveitamento de recursos como o água, contaminadas pela atividade.

  Identificam-se como principais riscos, a intoxicação por sustâncias químicas e/ou partículas, os riscos por explosões, os problemas pulmonares e os derivados do esforço físico por posições inadequadas de trabalho (especialmente no caso das artesanais). Na mineração não metálica não se detectam maiores problemas que ocasionem uma reorganização territorial significativa. A indústria do cimento que não tem incorporado filtros, acusa uma evidente deterioração do solo num raio de 8 a 12 Km, concretamente, no entorno das empresas Chimborazo e Guapán, localizadas em zonas agrícolas, campesinas e indígenas com altos índices de pobreza. Com relação às pedreiras, a disseminação no pais dificulta uma valoração de passivos ambientais. Os de maior magnitude localizam-se em duas áreas perto de Quito onde se precedeu ao fechamento da mina pelo inadequado manejo da mesma e riscos de deslizamentos. Nestas áreas, não há evidências de nenhum trabalho de recuperação ambiental. A legislação equatoriana determina que o causador do impacto deve adotar medidas necessárias para prevenir, mitigar e erradicar os impactos ambientais. Portanto, na medida em que muitos de estes impactos resultam da ação de múltiplos atores e concessionários, na maioria dos casos fica difícil estabelecer responsabilidades individuais. Em algumas áreas mineiras tem se conseguido conveniar aportes dos mineradores de pequena escala para realizar obras de mitigação de impactos e recuperação de danos. Nestes casos, também se espera um aporte estadual. Porém esta tentativa não se chego a concretizar.

  O fechamento de minas está previsto no Regulamento Ambiental para Atividades Mineiras na República do Equador (1997), e tem por marco regulamentar a avaliação de impactos ambientais, o plano de manejo ambiental e a correspondente auditoria ambiental. Todas as operações de desmantelamento e recondicionamento das áreas se realizam em conformidade com o previsto nos estudos ambientais apresentados ao inicio das atividades, quando da avaliação do impacto ambiental. Para isto, deve-se contar com o planejamento, consulta e aprovação da autoridade competente. É responsabilidade do titular dos direitos mineiros, remediar os danos ao ambiente que se produzam antes e depois ao fechamento de mina; assim como reabilitar e compensar os danos e alterações ao ambiente cuja origem seja a atividade de mineração.

3.9 EXPLOTAđấO NO MORRO TABLAZO.

  No Morro Tablazo desenvolve-se a explotação da coquina, classificada como atividade extrativa de pequena escala. Esta classificação está baseada na definição, apresentada pelo Regulamento Geral Substitutivo do Regulamento Geral da Lei de Minería: Artigo 48.

  Segundo este artigo a Explotação de coquina no Morro Tablazo é considerada como pequena mineração porque se enquadra dentro dos seguintes parâmetros: a) Superfície máxima da concessão inferior a 150 hectares mineiras;

  b) Volume extraído menor que o limite de 100 toneladas métricas por dia;

  c) Montante de inversão total inferior a US$1 milhão;

  d) Condições precárias do ponto de vista tecnológico, embora com reduzido impacto ambiental mas que podem ser melhoradas para incrementar os índices de recuperação de mineral e minimizar o impacto ambiental. Na explotação de coquina em pequena escala pode-se distinguir dois tipos: pouco mecanizada, realizada pela empresa CM Construcciones, e artesanal, realizada pela Cooperativa Tablazo 1 (Figura 17).

  

Figura 17 - Explotação da coquina a Pequena Escala no Morro Tablazo. A

esquerda explotação pouco mecanizada realizada pela CM Construcciones A direita explotação artesanal realizada pela Cooperativa Tablazo 1.

  3.9.1 Explotação de coquina em pequena escala e pouco mecanizada.

  Este tipo de explotação é realizada pela CM Construcciones nas áreas mineiras Rancho Alegre II, Rancho Alegre III y Rancho Alegre V. A superfície total das concessões é de 26 hectares mineiras e se localiza ao sudeste do Morro Tablazo (Figura 18).

  

Figura 18 - Localização da explotação da coquina pouco mecanizada (Rancho

Alegre II, III, V) e artesanal (Tablazo 1) no Morro Tablazo. Fonte: DIREGMIN (modificado), 2003.

  3.9.2 Cálculo das Reservas

  Após determinação da natureza e distribuição da coquina, procedeu-se ao cálculo das reservas. O método cálculo utilizado foi o dos perfis ou cortes, que consiste em desenhar secções geológicas verticais em intervalos regulares de modo a se definir a forma da jazida e estimar a área ocupada pelo jazimento em cada secção. As reservas calculam-se multiplicando a área em cada secção pela distância entre estas, somando-se os volumes obtidos. Para tal efeito, realizaram-se 22 perfiles a 100 metros de eqüidistância. Os resultados do cálculo das reservas se apresenta na Tabela 10.

  Tabela 10 - Cálculo de reservas de coquina no Morro Tablazo.

  

3

TIPO DE RESERVA ( m ) ( t )

  MEDIDAS 4.365.207,50 10.476.498,00 PROVÁVEIS 1.091.301,88 2.619.124,50 POSSÍVEIS 2.182.603,75 5.238.249,00 TOTAL 7.639.113,13 18.333.871,50

  Considerou-se como reserva medida àquela calculada a partir dos dados da amostragem, como reservas prováveis o equivalente a 25% da área de influência de cada setor, e reservas possíveis a estimativas com erros superiores a 50% segundo BECERRA, CARRION e VELASCO, (2003). O cálculo de reservas para as concessões Rancho Alegre II, III e V baseadas no método dos perfis verticais encontra-se na Tabela 11.

  

Tabela 11 - Cálculo de reservas de coquina para as concessões Rancho Alegre II,

  III e V da CM Construcciones

  

3

TIPO DE RESERVA ( m ) ( t )

  MEDIDAS 1.000.000,00 2.400.000,00 PROVÁVEIS 250.000,00 600.000,00 POSSÍVEIS 500,000,00 1.200.000,00 TOTAL 1.750.000,00 4.200.000,00

3.9.3 Características da explotação de coquina a pequena escala e pouco mecanizada.

  As instalações construídas no Morro Tablazo correspondem a infra-estrutura básica, tais como: oficinas, instalações de britagem e peneiramento e instalações de geração elétrica (Figura 19). A área de servidão corresponde a, aproximadamente, um hectare, não sendo requerido movimentos de terra significativos devido a topografia plana do lugar.

  

Figura 19 - Instalações da CM Construcciones no Morro Tablazo. A esquerda

planta de beneficiamento e estação de geração elétrica a óleo diesel.

  A direita instalações de britagem e peneiramento. O volume extraído é estimado em 66.000 metros cúbicos de rocha ao ano. Tomando em conta que as reservas medidas para as concessões Rancho Alegre II, III e V são de 1,000,000 de metros cúbicos e que o volume de extração é de 66,000 metros cúbicos, a vida útil estimada da mina é de 15 anos.

  As áreas mineiras Rancho Alegre II, III e V encontram-se junto rodovia Estatal 40. Dentro da área de explotação existem caminhos secundários que enlaçam a rodovia principal com as áreas mineiras.

  O transporte de mineral desde o frente de explotação até a usina de tratamento é realizado por caminhões com capacidade de 8 metros cúbicos de capacidade. Do mesmo modo o agregado de construção comercializado é transportado em caminhões com maior capacidade de carga.

  A explotação da coquina se dá por lavra a céu aberto pelo método de bancos descendentes. A altura de cada banco é de 3 metros. A área de explotação é caracterizada por uma superfície plana o que facilita o trabalho de desenvolvimento e avanço das operações de lavra (Figura 20).

  

Figura 20 - Explotação a céu aberto pelo método de bancos descendentes. A

esquerda banco de coquina altamente fraturado. A direita banco de coquina compacto onde a explotação é feita com perfuração e detonação.

  O desmonte da rocha está condicionado ao grau de liberação da mesma (Figura 20). Em certos setores a coquina encontra-se, sumamente, fraturada e sua explotação é possível por meios mecânicos. Neste caso emprega-se retroescavadeiras que realizam a escavação e carregamento da coquina (Figura 21).

  Quando não é possível o desmonte mecânico, emprega-se perfuração e detonação. Este método, na atualidade, está em desuso devido a existência de residências próximas às frentes de lavra. A comunidade queixa-se do ruído, vibração e perigo (ultralançamento de rochas); razão pela qual se implantou o desmonte com martelo hidráulico acoplado as escavadeiras, nas áreas onde a coquina se encontra muito compacta. Este não supõe uma variação no método de explotação.

  

Figura 21 - Desmonte da coquina realizado pela CM Construcciones A esquerda

por método mecânico. A direita por perfuração e detonação.

  O tratamento da coquina consiste em britagem primária, secundária e classificação. Para isso se tem instalado uma usina de britagem e peneiramento móvel com a finalidade de obter agregados de construção (Figura 19). Os equipamentos utilizados para extração e tratamento da coquina consistem em: 2 escavadeiras 320 L CAT 1 trator D6D CAT 2 compressores Ingersoll Rand 185 6 martelos perfuradores de mão 1 britador 1 conjunto de peneiras de 3 decks A jornada de trabalho consta de um turno de 8 horas por dia, de segunda a sábado. O pessoal empregado na explotação da coquina, pela empresa CM Construcciones, é de 22 pessoas que se distribuem da seguinte maneira: 1 gerente

  1 superintendente de minas 1 secretaria 1 contador 10 obreiros 7 operadores 1 vigia A energia elétrica utilizada para acionamento da instalação de britagem e classificação é produzida por um grupo gerador a óleo diesel e regulada por um banco de transformadores. Os equipamentos de escavação, carga, ar comprimido e transporte são acionados com motores a diesel.

  O processo de desmonte e classificação da coquina é mediante via seca. Utiliza-se água somente nas oficinas para limpeza das instalações sanitárias, sendo esta transportada até o local por carros pipa. O material rochoso não empregado como agregado de construção é acumulado em uma superfície localizada a sudeste da concessão via sistema de bota-fora ou ponta de aterro.

  Figura 22- Pilha de estéreis com sistema bota-fora ou ponta de aterro

  O limite inferior da cava esta condicionado à distribuição espacial do estrato de interesse econômico. O limite superior é limitado pela superfície natural do terreno.

  Uma vez esgotado as reservas, a área lavrada vai ser acondicionada para uso agrícola e para tal deve cumprir as seguintes etapas:

  1. Nivelamento e modelagem dos taludes do terreno lavrado;

  2. Os ângulos dos taludes das frentes de lavra abandonados deverão ser os mesmos que os das colinas adjacentes, para melhor integração à paisagem do entorno natural;

  3. A camada de cobertura (topsoil) previamente armazenada deverá ser depositada e estendida sobre a superfície final da cava recuperada;

  4. As instalações mineiras serão desmontadas de maneira tal que não fiquem resíduos de ferro e material não biodegradável no lugar.

  Este tipo de explotação é realizado pela Cooperativa Minera Tablazo 1 nas áreas mineiras do mesmo nome (Figura 23). A superfície total da concessão é de 75 hectares mineiras e se localizam a noroeste do Morro Tablazo (Figura 18). A cooperativa possui 70 sócios e cada membro possui uma área para explotação de 1.400 metros quadrados (20 x 70 metros).

  

Figura 23 - Explotação Artesanal da coquina em pequena escala realizada pela

Cooperativa Tablazo 1 no Morro Tablazo. A esquerda área de

explotação (20x70 metros). A direita mineiro artesanal.

  Para o Morro Tablazo (concessão Tablazo 1), as reservas também foram calculadas baseado no método de perfis, conforme se apresenta na Tabela 12. A área da concessão para a Cooperativa Tablazo 1 é de 57 hectares mineiras.

  Tabela 12 - Cálculo de reservas da coquina para a concessão Tablazo

  1 pertencente a mineiros artesanais.

  

3

TIPO DE RESERVA ( m ) ( t )

  MEDIDAS 2.850.000,00 6.840.000,00 PROVÁVEIS 712.500,00 1.710.000,00 POSSÍVEIS 1.425.000,00 3.420.000,00 O cálculo de reservas da coquina para cada membro da Cooperativa Tablazo

  1 baseado no método dos perfis se apresenta na Tabela 13.

  

Tabela 13 - Cálculo de reservas de coquina para cada membro da Cooperativa

Tablazo 1 que desenvolve uma pequena mineração artesanal.

  

3

TIPO DE RESERVA ( m ) ( t )

  MEDIDAS 8.400,00 20.160,00 PROVÁVEIS 2.100,00 5.040,00 POSSÍVEIS 4.200,00 10.080,00 TOTAL 14.700,00 35.280,00 Cada sócio da Cooperativa Tablazo 1 é responsável pela área (20 x 70 metros) a ele outorgada. Não existe instalação alguma na área de concessão da Cooperativa devido à proximidade da frente de lavra à moradia dos cooperados (Figura 24). A logística necessária para o desenvolvimento da explotação é proporcionada por parentes, por exemplo a água potável para beber é levada ao frente de trabalho pelos filhos dos cooperados (Figura 26).

  Figura 24 - Explotação artesanal da coquina a pequena escala.

  Cada cooperado explota em média 2 metros cúbicos de coquina por dia. Tomando em conta as reservas provadas para cada membro (Tabela 12) se estima que a vida útil da área correspondente a cada cooperado é de 16 anos. A área mineira Tablazo 1 encontra-se junto a rodovia Estatal 40. Dentro da área de Explotação há caminhos secundários que enlaçam a rodovia com as áreas mineras.

  Na fase de Explotação não existe mobilização de coquina na frente de trabalho. Todo o trabalho de desmonte e redução de tamanho da coquina é realizada in situ. O transporte do produto final se realiza em veículo com capacidade de carga de até 2 metros cúbicos. O meio de transporte de pessoal mais comum dos cooperados é a bicicleta (Figura 25, 26).

  

Figura 25 - Meios de transporte, a esquerda veículo com capacidade de carga de

até 2 metros cúbicos. A direita a bicicleta, meio de locomoção mais popular dos cooperados na Explotação artesanal da coquina no Morro Tablazo.

  Os artesanais realizam uma explotação a céu aberto pelo método de bancos descendentes. A altura de cada banco depende da potência do estrato de coquina e pode variar de 0,50 a 1,50 metros. A área de lavra é caracterizada por uma superfície plana o que facilita o trabalho de desenvolvimento e avanço da lavra.

  

Figura 26 - Método de explotação por bancos descendentes. Crianças fazendo o

abastecimento da água potável para beber.

  O desmonte da rocha é completamente manual com a ajuda de ferramentas e consiste no desprendimento de um fragmento de coquina do conjunto que constitui o estrato aproveitando a força de gravidade (Figura 25 direita e 26). Estas ferramentas são barras, pontas, martelos, etc e muitas delas são confeccionadas pelos mesmos cooperados (Figura 28). Quando se encontram com uma rocha de coquina grande, maior a 1,50 metros de aresta, utilizam dinamite para fazer a liberação do estrato e reduzi-la de tamanho. Todo o trabalho de perfuração é manual e realizado com ferramentas artesanais. O armação dos explosivos é realizada de forma empírica e em completa inobservância das normas técnicas de segurança, acarretando inúmeros acidentes. A coquina explotada pela Cooperativa Tablazo 1 tem como finalidade a comercialização de três produtos: rocha para base de construção, blocos de rocha para parede e blocos de rocha para escultura (Figura 27). Todo o trabalho de redução de tamanho, de lapidação e de talhado da coquina é feito a mão (Figura 28).

  

Figura 27 - Processamento da coquina, a esquerda rocha para base de construção.

  A direita blocos de rocha para parede.

  

Figura 28 - Processamento da coquina, redução manual da coquina com emprego

de ferramentas básicas.

  Não há utilização de equipamentos ou maquinários. O trabalho de carga do produto comercializado é realizado a mão, pelos mesmos cooperados, em veículos alugados para tal feito (Figura 29). Os finos e material de rejeito são vendidos para diversos fins como por exemplo, aterramento de áreas para construção e a carga também e feita de forma manual, eliminando a necessidade de áreas para disposição deste material.

  

Figura 29 - Veículo alugado para transporte de coquina comercializada, a carga é

feita a mão como todo o processo artesanal.

  Geralmente na área concedida a cada cooperado trabalham 2 pessoas (1 cooperado mais 1 filho, parente ou amigo). O trabalho é feito durante o dia e se divide em duas jornadas. A primeira de 8:00h a 12:00h, um intervalo para o almoço que se realiza na casa de cada cooperado (duas horas) e a segunda jornada de 14:00h a 17:00h. Este trabalho é realizado de segunda a sexta-feira, aos sábados só vão a frente de trabalho para comercializar os produtos.

  Não existe na área minera Tablazo 1 nenhuma fonte de energia elétrica já que todo o trabalho é feito em forma manual. O processo de extração, redução e classificação da coquina é mediante via seca. A água utilizada para beber é trazida pelos próprios cooperados ou parentes.

  A área onde se desenvolve a explotação da coquina pela Cooperativa Tablazo

  1 possui uma superfície plana e a cobertura vegetal é inferior a um metro. Condições que facilitam as atividades de lavra. A cobertura vegetal é armazenada numa encosta próxima à área de explotação. Todo o resíduo gerado na produção é vendido para aterro não requerendo, portanto, áreas de disposição destes.

  O limite inferior da cava está condicionado à distribuição espacial do estrato de interesse econômico. O limite superior é limitado pela superfície natural do terreno. Não se tem previsto nenhuma ação para o fechamento de operações quando o recurso se esgotar ou se abandonarem a lavra por outro motivo.

3.9.5 Identificação dos possíveis impactos ambientais

  Cabe ressaltar que a área de explotação não apresenta as condições iniciais do meio devido ao impacto que outras atividades ocorridas no local causaram ao entorno.

  

3.9.5.1 Ações Impactantes na Explotação de coquina produzida pela CM

Construcciones

  A mineração por ser de pequena escala e pouco mecanizada não requer a construção de grandes instalações. As construções que se realizam ocasionam um impacto adverso, de intensidade baixa e de baixo efeito. O desmonte é a atividade que gera o maior impacto ambiental devido a perfuração, detonação, arranque mecânico da rocha e carga. Tal atividade caracteriza-se por um impacto adverso, de intensidade alta e alto efeito. O transporte interno de material rochoso, da frente de lavra à planta de beneficiamento, causa um impacto significativo devido ao número de unidades e a freqüência de transporte. Caracteriza-se por um impacto adverso, de intensidade baixa e efeito médio. As operações de britagem e classificação produzem impactos significativos devido ao ruído e emissão de partículas que esta atividade gera. Caracteriza-se por um impacto adverso, de intensidade e feito médios. A manutenção dos equipamentos pode ocasionar um impacto significativo no meio ambiente devido a derrame de óleos, lubrificantes e outros insumos não biodegradáveis.

  No caso da área de estudo este impacto é caracterizado como adverso, de intensidade baixa e efeito médio.

3.9.5.2 Impactos da Explotação de coquina pela CM Construcciones

  A CM Construcciones em suas atividades de explotação de coquina causa impactos na atmosfera, solo, vegetação, fauna, morfologia e paisagem, aspecto socioeconômico e nos processos ecológicos e geofísicos. O uso de equipamentos móveis mais as instalações da usina de britagem e classificação ocasionam geração de poeira em níveis elevados que afetam a qualidade do ar. Em adição, a atividade também gera ruído pelo funcionamento dos equipamentos, incluindo no caso o sistema de geração de energia elétrica (gerador a diesel). O impacto na atmosfera é negativo de duração temporal e influência local. A estrutura dos horizontes onde se encontra a cobertura vegetal e o substrato argiloso são também alterados pela explotação mineira. A retirada localizada e sistemática da camada de solo superficial causa intenso processo de erosão. O impacto sobre o solo é negativo de duração permanente e influência local.

  A área objeto de explotação não é vegetada. Apenas alguns arbustos são presentes no local. Quanto a vegetação, portanto, o impacto negativo ocorre na remoção dos arbustos e da microflora. O impacto na vegetação é considerado negativo, de duração permanente e influência local.

  Tampouco, existem no local organismos e espécies da fauna uma vez que o ecossistema original foi severamente danificado por atividades passadas. Embora não exista a presença evidente de fauna local, parte-se do pressuposto que a atividade de mineração incidi negativamente na fauna atual da área. O impacto na fauna é, portanto, negativo, de duração permanente e influência local. O decapeamento, embora localizado, é gradual na área de explotação produzindo buracos e descontinuidade na paisagem local. As pilhas de estéril/rejeitos e de brita criam irregularidades artificiais o que afeta a topografia original e a paisagem. O impacto na morfologia e paisagem é, portanto, considerado negativo, de duração permanente e influência local-regional.

  Para a população da Península de Santa Elena a explotação da coquina no Morro Tablazo pela CM Construcciones representa uma fonte geradora de trabalho importante que capta mão de obra local. A explotação de coquina gera empregos diretos (nas atividades de produção) e indiretos (na comercialização e emprego da coquina em construções civis). Desta forma considera-se o impacto sócio-econômico positivo, de duração permanente e influência local-regional.

  O impacto negativo nos sistemas ecológicos naturais é relevante visto que a atividade causa modificação na morfologia, alteração dos ecossistemas e contaminação do meio. Portanto, considera-se o impacto no sistema ecológico como negativo, de duração permanente e influência local-regional.

  Não existe perigo de risco geológico e tectônicos, na área de explotação de coquina, por ser um lugar constituído por formações geológicas de tipo maciço e composto por materiais com um alto ângulo de fricção interna além da topografia local ser bastante suave. Embora mínimo ou irrelevante, o impacto no meio geofísico é considerado negativo, de duração média e influência local. A seguir, na Tabela 14 é apresentado uma caracterização qualitativa dos impactos gerados pela extração de coquina na empresa CM Construcciones Na Tabela 15 são identificação dos possíveis impactos produzidos na explotação de coquina.

  Tabela 14- Caracterização qualitativa dos impactos ambientais na Explotação de coquina a pequena escala e pouco mecanizada. CARACTERÍSTICAS DOS IMPACTOS

  1

  2

  3

  4

  5

  6

  7

  8 ELEMENTOS, ACUMULAđấO

  CARACTERÍSTICAS E PROCESSOS SUS- BENEFICO ADVERSO DIRETO INDIRETO SIM NÃO TEMPORAL PERMA- LOCALI- EXTEN- PRÓXIMO REVER- LONGE DA IREVER- RECUPE- IRECUPE- CEPTÍVEIS DE SER NENTE ZADO SIVO A FONTE SIVEL SIVEL RAVEL RAVEL FONTE AFETADOS COMPOSIđấO ATMOSFERA

  ATMOSFERA NIVEL DE RUIDOS SUPERFICIAL ÁGUA SUBTERRÂNEA

  EDAFICAS USO DO SOLO COMUNIDADES

  VEGETAđấO

  VEGETAIS COMUNIDADES FAUNA ANIMAIS CADENAS E PROCESSOS REDES ECOLOGICOS TROFICAS EROSÃO SEDIMENTAđấO

  PROCESSOS

  INESTABILIDADE GEOFISICOS SÍSMISIDADE (VIBRAđấO)

  SUBSIDENCIA MORFOLOGIA MODIFICAđấO E PAISAGEM DA PAISAGEM

  59

  JULGAMENTO

  VALORIZAđấO

  9

  10

  11

  12

  13 ELEMENTOS, MEDIDAS PROBABILIDADE EFEITO NOS CARACTERÍSTICAS E

  MAGNITUDE CORRETIVAS DE OCORRENCIA RECURSOS AUSÊNCIA DE

  PROCESSOS SUSCEPTÍVEIS

  IMPACTOS COMPA- MODE-

DE SER

  SIGNIFICATIVOS SIM NÃO A M B SIM NÃO SEVERO CRITICO TIVEL RADO AFEITADOS

  COMPOSIđấO ATMOSFERA ATMOSFERA NIVEL DE RUIDOS SUPERFICIAL

  ÁGUA SUBTERRANEA EDÁFICAS SOLOS

  USO DO SOLO COMUNIDADES

  VEGETAđấO

  VEGETAIS COMUNIDADES FAUNA ANIMAIS CADEIAS E PROCESSOS REDES ECOLOGICOS TROFICAS EROSÃO SEDIMENTAđấO

  PROCESSOS

  INESTABILIDADE GEOFÍSICOS SISMISIDADE (VIBRASÃO)

  SUBSIDENCIA MORFOLOGIA MODIFICAđấO E PAISAGEM DA PAISAGEM

  SIMBOLOGIA: A(ALTA), M(MEDIA), B(BAIXA)

  60

  61 Tabela 15- Identificação dos possíveis impactos produzidos na Explotação de coquina a pequena escala e pouco mecanizada.

  SÃ O SE D

  MANUTENđấO TRATAMENTO EXCAVAđỏES PILHAS DE

  CARGA E TRANS- PORTE DE MATER.

  INFRAESTRUTURA MINERA PERFORAđấO E DESMONTE

  ID A D E

  IV E L D E E M PR E G O SA L U D E SE G U R

  IS A G E M N

  IC A Ç Õ E S D A PA

  IF

  IA M O D

  V IB R A Ç Õ E S SU B SI D E N C

  ID A D E

  IL

  IN E ST A B

  IM E N T A Ç Ã O

  IN U N D A Ç Ã O E R O

  ELEMENTOS, CARACTERÍSTICAS E PROCESSOS SUSCEPTÍVEIS DE SER AFETADOS ATMOSFERA ÁGUA SOLOS

  IC A E D A FI C A S U SO D O S O L O E SP E C

  VEGETAđấO FAUNA PROCESSOS ECOLOGICOS PROCESOS GEOFISICOS MORFOLOGIA E PAISAGEM

  NIVEL SÓCIO- ECONÔMICO AđỏES

  IMPACTANTES C O M PO SI Ç A O D A A T M O SF E R A N

  IV E L E S D E R U

  ID O A G U A S U PE R FI C

  IA L A G U A SU B T E R R A N E A C A R A C T E R ÍS T

  IE S E C O M U N

  IA S E R E D E S T R O FI C A S

  ID A D E S

  V E G E T A

  IS E SP E C

  IE S E PO PU L A Ç Ã O D E A N

  IM A

  IS C A D E

  ESTÉRIL/REJEITOS COMERCIALIZAđấO SIMBOLOGIA: ALTERAđỏES GERALMENTE IMPORTANTES ALTERAđỏES GERALMENTE POUCO IMPORTANTES

  

3.9.5.3 Ações Impactantes na explotação de coquina produzidas pela Cooperativa

Tablazo 1

  A seguir são descritos os principais impactos gerados pela Cooperativa Tablazo 1 nas atividades de extração de coquina.

  A mineração realizada pela Cooperativa Tablazo 1 não possui instalações. O impacto produzido é nulo. O desmonte é a atividade que gera o maior impacto ambiental devido sobre tudo ao impacto visual, sendo, portanto, considerado adverso, de intensidade alta e efeito altamente significativo.

  Não existe tráfego de equipamentos por ser uma mineração artesanal. O transporte dos produtos tem baixa freqüência e baixa capacidade (menos de 2 toneladas). O impacto na atmosfera é adverso, de intensidade baixa e baixo efeito. Tampouco, existe usina de tratamento da coquina, nem equipamentos e neste caso impactos decorrentes das atividades de tratamento da coquina e manutenção de equipamento são considerados nulos.

3.9.5.4 Meios afetados pela explotação de coquina da Cooperativa Tablazo 1

  A explotação de coquina em forma artesanal ocasiona emissão de partículas de pó em porcentagens muito pequenos que não afetam a qualidade do ar. No que diz respeito ao ruído o impacto é de baixa intensidade e é gerado pelo uso das ferramentas. O impacto na atmosfera é considerado negativo, de duração temporal e influência local.

  A estrutura dos horizontes onde se encontra a cobertura vegetal e o substrato argiloso são, via de regra, alterados pela explotação minera. A retirada localizada e sistemática do solo vegetal causa intensificação do processo de erosão, sendo, neste caso, o impacto considerado negativo, duração permanente e influência local.

  Da mesma forma que para a empresa Construtora Cosmor S.A e por serem vizinhas, a área objeto de explotação não é vegetada. Apenas alguns arbustos são presentes no local. Quanto a vegetação, portanto, o impacto negativo ocorre na remoção dos arbustos e da microflora. O impacto na vegetação é considerado negativo, de duração permanente e influência local.

  A mesma observação é válida para a fauna da área, sendo portanto o impacto considerado negativo, de duração permanente e influência local.

  Impacto semelhante ao da CM Construcciones na morfologia do terreno ocorre na Cooperativa Tablazo

  1. Embora em menor grau comparativo, o impacto na morfologia é considerado negativo, de duração permanente e influência local-regional.

  Para a população da Península de Santa Elena a Explotação da coquina no Morro Tablazo realizada pela Cooperativa Tablazo 1 representa uma fonte geradora de trabalho importante que capta mão de obra local com importante viés sócio-econômico e cultural devido ao sistema produtivo em cooperativa. O impacto é positivo, de duração permanente (em quanto durar a atividade) e influência local-regional.

  O impacto nos processos ecológicos é semelhante ao descrito para o da empresa CM Construcciones O impacto é negativo, de duração permanente e influência local- regional.

  Descrição semelhante ao impacto, no processo geofísico, da CM Construcciones se faz para a Cooperativa Tablazo 1 – impacto negativo, de duração média e influência local. A Tabela 16 apresenta a caracterização qualitativa dos impactos ambientais gerados pela extração de coquina pela Cooperativa Tablazo 1 e na Tabela 17 são identificados os possíveis impactos produzidos na explotação de coquina.

  Tabela 16- Caracterização qualitativa dos impactos ambientais na Explotação artesanal de coquina. CARACTERISTICAS DOS IMPACTOS

  1

  2

  3

  4

  5

  6

  7

  8 ELEMENTOS, ACUMULAđấO

  CARACTERISTICAS E PROCESSOS SUS- BENEFICO ADVERSO DIRETO INDIRETO SIM NÃO TEMPORAL PERMA- LOCALI- EXTEN- PROXIMO REVER- LONGE DA IREVER- RECUPE- IRECUPE- CEPTIVEIS DE SER NENTE ZADO SIVO A FONTE SIVEL SIVEL RAVEL RAVEL FONTE AFEITADOS COMPOSIđấO ATMOSFERA

  ATMOSFERA NIVEL DE RUIDOS SUPERFICIAL ÁGUA SUBTERRANEA

  EDAFICAS USO DO SOLO COMUNIDADES

  VEGETAđấO

  VEGETAIS COMUNIDADES FAUNA ANIMAIS CADENAS E PROCESSOS REDES ECOLOGICOS TROFICAS EROSÃO SEDIMENTAđấO

  PROCESSOS

  INESTABILIDADE GEOFISICOS SISMISIDADE (VIBRAđấO) SUBSIDENCIA

  MORFOLOGIA MODIFICAđấO E PAISAGEM DA PAISAGEM

  64

  JULGAMENTO

  VALORIZAđấO

  9

  10

  11

  12

  13 ELEMENTOS, MEDIDAS PROBABILIDADE AFEITA A CARACTERISTICAS E

  MAGNITUDE AUSENCIA DE CORRECTIVAS DE OCURRENCIA RECURSOS PROCESSOS SUSCEPTIVEIS

  IMPACTOS COMPA- MODE-

DE SER

  SIGNIFICATIVOS SIM NÃO A M B SIM NÃO SEVERO CRITICO TIVEL RADO AFEITADOS

  COMPOSIđấO ATMOSFERA ATMOSFERA NIVEL DE RUIDOS SUPERFICIAL

  ÁGUA SUBTERRANEA EDAFICAS SOLOS USO DO SOLO COMUNIDADES

  VEGETAđấO

  VEGETAIS COMUNIDADES FAUNA ANIMAIS CADENAS E PROCESSOS REDES ECOLOGICOS TROFICAS EROSÃO SEDIMENTAđấO

  PROCESSOS

  INESTABILIDADE GEOFISICOS SISMISIDADE (VIBRASÃO) SUBSIDENCIA

  MORFOLOGIA MODIFICAđấO E PAISAGEM DO PAISAGEM SIMBOLOGIA: A(ALTA), M(MEDIA), B(BAIXA)

  65

  66 Tabela 17- Identificação dos possíveis impactos produzidos na Explotação artesanal de coquina.

  SÃ O SE D

  MANUTENđấO TRATAMENTO EXCAVAđỏES PILHAS DE

  CARGA E TRANS- PORTE DE MATER.

  INFRAESTRUTURA MINERA PERFORAđấO E DESMONTE

  ID A D E

  IV E L D E E M PR E G O SA L U D E SE G U R

  IS A G E M N

  IC A Ç Õ E S N O PA

  IF

  IA M O D

  V IB R A Ç Õ E S SU B SI D E N C

  ID A D E

  IL

  IN E ST A B

  IM E N T A Ç Ã O

  IN U N D A Ç Ã O E R O

  ELEMENTOS, CARACTERISTICAS E PROCESSOS SUSCEPTIVEIS DE SER AFETADOS ATMOSFERA ÁGUA SOLOS

  IC A E D A FI C A S U SO D O S O L O E SP E C

  VEGETAđấO FAUNA PROCESSOS ECOLOGICOS PROCESOS GEOFISICOS MORFOLOGIA E PAISAGEM NIVEL CULTURAL E SOCIAL

  AđỏES

  IMPACTANTES C O M PO SI Ç A O D A A T M O SF E R A N

  IV E L E S D E R U

  ID O A G U A S U PE R FI C

  IA L A G U A SU B T E R R A N E A C A R A C T E R ÍS T

  IE S E C O M U N

  IA S E R E D E S T R O FI C A S

  ID A D E S

  V E G E T A

  IS E SP E C

  IE S E PO PU L A Ç Ã O D E A N

  IM A

  IS C A D E

  REJEITOS COMERCIALIZAđấO SIMBOLOGIA: ALTERAđỏES GERALMENTE IMPORTANTES ALTERAđỏES GERALMENTE POUCO IMPORTANTES

  CAPÍTULO IV CARACTERIZAđấO MINERALốGICA E TECNOLốGICA

4. CARACTERIZAđấO MINERALốGICA E TECNOLốGICA

  A caracterização mineralógica e tecnológica tem como objetivo obter parâmetros físicos, mecânicos, petrológicos, petrográficos e químicos que orientarão a escolha e uso da coquina na construção civil. A caracterização tecnológica das amostras de coquina foi realizada através dos ensaios tecnológicos normalizados segundo as normas da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT) e American Society for Testing and Materials (ASTM). A seguir são descritos as análises realizadas.

4.1 Análise petrográfica

  A análise petrográfica destina-se ao estudo macroscópico de amostras de rochas com o objetivo de sua classificação, empregando estereomicroscópios e lupas de mão. O estudo macroscópico das amostras de coquina apresentou os seguintes resultados: é uma rocha porosa de cor creme, composta principalmente por fragmentos de conchas, micro-fóssil e seixos rolados pequenos. Os grãos são de tamanho areia (1/16 a 2 mm de diâmetro).

  Segundo PETTIJOHN (1963), dentro dos calcários detríticos a calcarenita é um termo geral empregado para designar as rochas carbonáticas de grão tamanho de areia (diâmetro de 1/16 a 2 mm) depositadas mecanicamente e constituídas de 50 por cento ou mais de detrito carbonático. Se os fragmentos são de diâmetro maior de 2 mm, pode-se aplicar a rocha o termo calcirrudita. As calcarenitas e as calcirruditas estão cimentadas por calcita pura.

  Os calcários detriticos que constam, quase ou totalmente, de detrito fóssil selecionado, são coquinas de um tipo ou outro. O termo coquina aplica-se, em geral, ao detrito de conchas grossas mais ou menos cimentadas. Para o detrito de conchas menores, do grão da calcarenita, é mais apropriado o termo microcoquina.

4.2 Análise petrológico

  A análise petrológico destina-se ao estudo de seções delgadas e polidas de minerais e rochas através de suas propriedades óticas, empregando microscópios e fotomicroscópios de polarização monoculares para luz transmitida e refletida. O estudo petrológico foi realizado através da confecção de lâminas delgadas medindo analisados em microscópio óptico. As análises das lâminas delgadas de coquina demonstraram que as amostras contém abundante restos de fóssil com uma massa intersticial fina de calcita granular e grãos de quartzo. As fotografias das lâminas delgadas de coquina são apresentadas na figura 30.

  

Figura 30- Lâminas delgadas de coquina. Análises realizados no Microlab,

DEGEO-UFOP.

4.3 Análise de difração de raios-x

  A difração de raios-X tem como objetivo a caracterização de minerais e outros materiais e de suas estruturas, através da difração de raios X, utilizando difratômetro RIGAKU, microcomputadores, softwares que permitem a aquisição e tratamento refinado dos difratogramas. Pó total é a técnica empregada na preparação da amostra o qual consiste na pulverização e homogeneização de cada amostra. Em seguida, as amostras são colocadas na cavidade de um suporte plano (lâmina) e, então, levados ao equipamento de difração de raios-X. O resultado da analise de difração de raios-X (figura 31), realizado em cinco amostras, acusa a presença de calcita (CaCO ) em maior proporção, quartzo (SiO )

  3

  2

  em menor proporção, sendo que em três amostra foi detectado a presença de gesso (CaSO (2H O)) em menor proporção.

  4

  2

  

Figura 31- Difractogramas das amostras de coquina do Morro Tablazo. Análises

realizados no laboratório de difratometria de raios-x de DEGEO- UFOP.

  4.4 Análise química

  O objetivo da análise química, neste caso, foi determinar o teor de carbonato de cálcio (CaCO ) presente nas amostras. Para determinar o conteúdo de carbonato de cálcio,

  3

  presente nas amostras, utilizou-se o método de gasometria. A técnica empregada na preparação das amostras é pó total. O método consiste em comparar a geração de gás do material da amostra com um padrão. O conteúdo médio de carbonato de cálcio é de 76%.

  4.5 Análise físico-mecânico

  As normas técnicas empregadas na caracterização tecnológica das rochas ornamentais propostas pelos diferentes organismos internacionais são apresentadas na Tabela 18.

  As normas técnicas utilizadas na caracterização físico-mecânico das amostras de coquina (Figura 32) se apresentam na Tabela 19, os ensaios de coeficiente de dilatação térmico linear, gelividade e alterabilidade, modulo de deformidade estático e velocidade de propagação das ondas não foram possíveis realizar devido à indisponibilidade de equipamentos e padrões.

  

Tabela 18 – Ensaios mineralógicos e tecnológicos nas Normas mais

importantes.

  Ensaio ASTM DIN AFNOR ABNT UNI

  C – 295 B-10.301 12.768 9.724/1

  • C – 97 52.02/52.103 B-10.503 12.766 9.724/2

  Analise petrográfica

  Índices físicos

  C – 99/880 52.112 B-10.510 12.763 9.724/5

  Resistencia à flexão Resistencia ao impacto de corpo

  • C – 170 12.764

  duro Resistência à compressão

  D – 2938 52.105 B-10.509 12.767 9.724/4

  uniaxial Coeficiente de dilatação térmica

  E – 228 ---------- -------------- 12.765 ---------

  linear

  • C – 241 52.108 B-10.518 6.481 2.232

  52.104 --------- B-10.513 12.769

  Congelamento e degelo

  Desgaste de Amsler

  • D - 3148 ------------ --------- 2.234

  Módulo de deformidade estática

  

Tabela 19 – Normas técnicas utilizadas na caracterização físico-mecânico das

amostras de coquina

  Ensaio Norma Massa específica aparente NBR 12766 Porosidade aparente NBR 12766 Absorção de água aparente NBR 12766 Resistência à compressão puntiforme ASTM D 5731 Resistência à compressão uniaxial em amostras cúbicas NBR 12767 Resistência à flexão NBR 12763 Resistência ao desgaste Amsler NBR 6481 Resistência ao impacto de corpo duro NBR 12764 Índice de forma das partículas NBR 7809 Desgaste por abrasão Los Angeles NBR 64465 Desgaste ao sulfato de magnésio ASTM C 88

  

Figura 32 – Corpos de proba e diversos ensaios efetuados para realizar a

caracterização tecnológica da coquina nos laboratórios de Mecánica de Rocas de la Escuela Superior Politécnica del Litoral.

  Os resultados dos diversos ensaios efetuados nos corpos de prova para determinar a caracterização tecnológica da coquina, baseados na Tabela 19, estão apresentados na Tabela 20.

  

Tabela 20 – Resultados dos ensaios da caracterização tecnológica da coquina do

Morro Tablazo

  Ensaio Resultado Massa específica aparente 2400 Kg/m

  3 Porosidade aparente 5.1 %

  Absorção de água aparente 2.3 % Resistência à compressão puntiforme

  39.9 Mpa Resistência à compressão uniaxial em amostras cúbicas

  36.7 Mpa Resistência à flexão

  6.8 Mpa Resistência ao desgaste Amsler 3.8 mm Resistência ao impacto de corpo duro 58 cm Índice de forma das partículas Cúbico Desgaste por abrasão Los Angeles 40 % Desgaste ao sulfato de magnésio 12 %

4.6 Usos da coquina

  Baseados nos resultados da caracterização tecnológica e nos da Tabela 20 pode-se estabelecer os seguintes usos da coquina extraída no Morro Tablazo:

  • Rocha ornamental;
  • Agregado para construção;
  • Quebra ondas;
  • Objetos de cantaria e artesanatos; • Fonte de carbonato de cálcio.

4.6.1 Rocha Ornamental

  A maioria dos valores encontrados na caracterização tecnológica, Tabela 20, estão dentro das especificações para rochas ornamentais, apenas o resultado do desgaste Amsler apresentou um valor acima do recomendado, porém não restringe seu uso para piso de baixo tráfego. As chapas de coquina são utilizadas em pisos principalmente como superfícies antideslizantes, Figura 33, em piscinas e exteriores.

  

Figura 33 - Usos da coquina como superfícies antideslizantes de baixo tráfego.

  Acima à esquerda emprego de coquina para revestimento de pisos e degraus; a direita emprego em revestimentos de paredes, pisos e em vasos para plantas.

  Segundo a norma ASTM C 568/99 que estabelece as especificações para as rochas que se destinam ao revestimento de edificações, a coquina do Morro Tablazo se enquadra dentro das características de um Calcário Tipo II (calcário de média densidade); exemplos da coquina como revestimento de edificações, principalmente na área costeira, se apresentam na figura 34.

  

Figura 34 - Uso da coquina como chapas (acima) e blocos (em baixo) no

revestimento de edificações na Península de Santa Elena.

  Outra aplicação da coquina, como rocha ornamental, é como blocos de pedra. Estes blocos podem ser cortados ou talhados, sendo sua utilização apropriada para interiores e exteriores. Uns exemplos se apresentam na Figura 35.

  

Figura 35 - Uso da coquina como blocos de pedra para construção de edificações.

  Neste caso a coquina trabalha como rocha ornamental, bem como, elemento estrutural.

  A coquina também é empregada, como rocha ornamental, na decoração de interiores e exteriores, como pode-se observar na Figura 36.

  

Figura 36 - Uso da coquina como elemento decorativo de interiores e exteriores.

  Uma aplicação interessante da coquina, como revestimento de edificações, é a proteção contra o ataque salino da brisa marinha (fenômeno de eflorescência); segundo FIORITO (1984) a agressão da água do mar às estruturas de cimento provoca a ocorrência da Sal de Candlot,; que se caracteriza pelo surgimento de uma mancha esbranquiçada ou, às vezes, manchas escuras que denunciam a presença de umidade excessiva (FIORITO, 1985). O principal efeito da eflorescência é a corrosão das estruturas, conjunto cimento-aço, corrosão de elementos pré-construídos (blocos, tijolos); uns exemplos se apresentam na Figura 37.

  

Figura 37 - Uso da coquina como revestimento contra a corrosão marina. Acima

efeitos da eflorescência; e abaixo emprego da coquina contra a corrosão marina em estruturas sujeitas ao ataque da maresia.

4.6.2 Agregado de Construção

  Baseados nos resultados da caracterização tecnológica, os dados da Tabela 20, e Norma ASTM C 33 (que estabelece os padrões para agregado de concreto) a coquina do Morro Tablazo é qualificada para agregado de construção (Figura 38).

  

Figura 38 - Uso da coquina do Morro Tablazo como agregado de construção; a

esquerda brita e a direita brita e areia homogeneizada empregadas na construção civil.

  A CM Construcciones possui uma usina de britagem e classificação no Morro Tablazo , na qual se processa coquina e se produzem agregados em todos os tamanhos segundo a ASTM C 33. Algumas das curvas granulométricas desses agregados encontram-se Figura 39. 100 60 80 AMOSTRA NORMA 20

  40

50,0 37,5 25,0 19,0 9,5 4,8 2,0 0,000450 0,000075

1 0 0 8 0 T E O R IC A L IM IT E 6 0 ID E A L R E A L 2 0

  4 0

1 9 ,0 1 2 ,5 4 ,7 5 2 ,3 6 0 ,0 0 0 3 0 ,0 0 0 0 7 5

Figura 39 - Curvas granulométricas para base classe 1 tipo A e gradação para

agregado de mistura asfáltica tamanho 12,5 mm. Fonte: CM

  Construcciones Foram realizados ensaios de resistência a compressão de concreto para 28 dias (figura 40), utilizando brita e areia elaborados com coquina, o resultado obtido foi de

  25 MPa e enquadra a brita, de coquina do Morro Tablazo, numa classe média para ser usada em obras civis de pequeno e médio porte, que é a demanda da região.

  

Figura 40 - Uso da coquina como agregado para concreto; a esquerda cilindros

de concreto submersos em água (28 dias), e a direita ensaio de resistência a compressão de concreto para 28 dias elaborado com coquina do Morro Tablazo.

  Dois terços das ruas da Península de Santa Elena estão sem asfalto. O problema social e sobretudo de saúde para a população é grande em todo o ano; seja pelo pó na estação seca ou pela lama na época chuvosa. A CM Construcciones também elabora sub-base, base e asfalto para a construção de caminhos asfaltados nos municípios da região (Figura 41) e para isso tem utilizado agregados feitos com coquina do Morro Tablazo.

  

Figura 41 – Uso da coquina como agregado para sub-base, base e asfalto na

construção de ruas na Península de Santa Elena; a esquerda base, a direita base compactada na rua, e em baixo núcleo do asfalto que vai recobrir a base.

  Muitos outros usos podem ser dados à coquina do Morro Tablazo, na área de agregados de construção, como por exemplo, morteiros e argamassas para a elaboração de pré-fabricados para construção de moradias de interesse social que necessita a população da Península de Santa Elena.

  4.6.2.1 Preços comparativos dos materiais de construção Uma das vantagens de ter uma fonte local de agregados é a economia no transporte.

  No caso da Península de Santa Elena, no passado, todos os agregados de qualidade deviam de ser transportados uma média de 100 quilômetros desde as pedreiras de Guayaquil. Situação que encarecia consideravelmente a obra pública e privada, na península, devido ao custo do transporte.

  A Tabela 21 apresenta os custos comparativos, para os principais agregados, entre Construcciones na Península de Santa Elena.

  Tabela 21 – Preços comparativos dos matérias de construção na Península de Santa Elena

  Preço de Preço de referência referência CC

  ITEM Construtora

  Guayaquil Cosmor S.A. em USD * em USD

  3 Areia fina de rio; m

  • 8,63

  3

  • Areia grossa de rio; m 7,06

  3 Areia homogeneizada (0-5mm); m 10,04 8,00

  3 Brita 25 mm, 19 mm, 12 mm; m 8,18 8,00

  3

  • Brita de rio; m 13,50

  3 Base classe 1 tipo A; m 6,14 6,00

  3 Sub-base classe 1; m 5,08 5,00

  3

  • Cascalho grosso; m 3,39

  3

  • Cascalho fino e médio; m 2,65

  2

  3 Concreto 100 kg/cm com brita 25mm; m 61,25 55,00

  2

  3 Concreto 180 kg/cm com brita 12mm; m 77,60 70,00

  2

  3 Concreto 240 kg/cm com brita 12mm; m 84,20 80,00

  2

  3 Concreto 300 kg/cm com brita 12mm; m 92,30 90,00

  3 Pedra em bruto; m 6,50 6,00

  3 Pedra base; m 3,39 3,00

  3 Transporte: m /Km 0,25 0,25 * A estes valores têm que ser acrescentados o custo de transporte (100 Km em média).

  Tendo fonte de agregados de qualidade na Península de Santa Elena, os recursos dos Municípios Peninsulares podem ser mais investidos em infra-estrutura básica que a população necessita.

4.6.3 Quebra Ondas

  Segundo MASON (1933), em obras portuárias em mar aberto ou bacias menos tranqüilas e sujeitas à ação de ondas ou correntes de maré, deve-se projetar atracadouros ou diques de proteção, de modo a reduzir o grau de agitação em níveis enrocamento e outras aplicações como proteção de estruturas.

  

Figura 42 - Seção transversal de um atracadouro típico de enrocamento. Fonte

MASON (1933) (modificado). Em baixo proteção de estruturas contra a força das ondas (quebra ondas).

  A coquina do Morro Tablazo é o principal elemento na construção de quebra ondas, onde blocos grandes são empregados na camada de proteção e granulometrías menores são utilizados no núcleo (Figura 43).

  

Figura 43 – Uso da coquina na construção de quebra ondas no Município de La

Libertad.

  Na Península de Santa Elena, com o incremento da atividade pesqueira artesanal e industrial; o incremento da atividade turística e o desenvolvimento econômico; foi necessário a construção de quebra ondas e atracadouros em diversos pontos da Península.

  No Município de La Libertad, donde se desenvolve uma intensa atividade econômica e pesqueira, sobretudo artesanal, estão em processo de construção uma série de quebra ondas. A finalidade é proteger os assentamentos próximos à praia, dar facilidades para o desenvolvimento da logística da atividade pesqueira artesanal, fomentar o turismo e reativar economicamente essa área. A Figura 44 mostra imagens das atividades desenvolvidas com o avance da construção dos quebra ondas.

  

Figura 44 - Reativação econômica e turística na área dos quebra ondas do

Município de La Libertad.

4.6.4 Objetos de Cantaría e Artesanatos

  A pequena mineração artesanal da coquina, praticada pela Cooperativa Tablazo 1 no Morro Tablazo, vê-se complementada com a prática da arte da cantaria por alguns de seus membros. Esta atividade artesanal gera fontes de trabalho complementar aos mineiros artesanais devido à crescente demanda de objetos de cantaria feitos com coquina – material requerido pelas tendências arquitetônicas e decorativas atuais. A coquina apresenta uma excelente qualidade para o trabalho de lapidação como pode- se ver na Figura 45.

  Figura 45 - Uso da coquina como matéria prima para cantaria.

  Decoração para aquários também são feitos com coquina como é apresentado na Figura 46. Esculturas são elaboradas com coquina (Figura 47), sendo necessário uma maior destreza por parte do artesão para fazer estas obras de arte. São poucas as pessoas que desenvolvem esta atividade na Península de Santa Elena. Objetos arqueológicos são reproduzidos nas comunas peninsulares para vender a turistas nacionais e estrangeiros como mostrado na Figura 48.

  Figura 46 – Decoração para aquários feitos com coquina.

  Figura 47 - Esculturas elaboradas com coquina na Península de Santa Elena.

  

Figura 48 - Objetos arqueológico peninsulares; acima reproduzidos e em baixo

originais.

  A elaboração dos objetos de cantaria e artesanato geralmente é tarefa dos homens, cabendo a venda às mulheres. Com estas atividades se complementa a renda familiar das comunas peninsulares e geram-se fontes de trabalho para população nativa não somente no Morro Tablazo mais em toda a região.

4.6.5 Fonte de Carbonato de Cálcio

  Baseado no resultado da análise química, que determinou um conteúdo médio de 76% de carbonato de cálcio, pode-se propor usos da coquina na agricultura, avicultura e A coquina para ser aproveitada como fonte de carbonato de cálcio deve de ser moída em tamanhos inferiores a 4.75 mm. A fração fina (menor a 4.75 mm) da trituração de coquina do Morro Tablazo realizada pela CM Construcciones pode ser aproveitada como fonte de carbonato de cálcio. Para atingir os requerimentos granulométricos dos usos propostos é necessário uma classificação que pode ser feita com um simples peneiramento.

  Na agricultura a coquina, como fonte de carbonato de cálcio, em tamanhos inferiores a malha 30 (600 m) é empregada no tratamento das terras para neutralizar os ácidos do solo e adicionar cálcio, nutriente essencial para o crescimento das plantas. Foi realizado um ensaio misturando solo vegetal e carbonato de cálcio (proveniente da coquina do Morro Tablazo) Figura 48. Com esse solo corrigido plantou-se uma palmeira num solo arenoso e salino. Na Figura 46 pode-se observar o crescimento da palmeira no período de um ano.

  

Figura 49 - Uso da coquina do Morro Tablazo como fonte de carbonato de cálcio.

  Ensaio de correção do solo vegetal para plantação de palmeiras no solo arenoso e salino; em baixo o crescimento das palmeiras no transcurso de um ano.

  Na avicultura a coquina moída se usa como suplemento na alimentação das aves, que podem ser galinhas, frangos, avestruzes ou perus; estes animais necessitam partículas em tamanhos areia (4.75 a 1.18 mm) que misturado com ração dentro de seu organismo moem o alimento que ingerem. Em adição, as aves aproveitam o cálcio da coquina para reforço de seu esqueleto e da cobertura de seus ovos. No controle da contaminação ambiental pode-se usar a coquina moída, como fonte de carbonato de cálcio, em tamanhos menores a malha 100 (150 m), para neutralizar águas residuais de processos tais como cocção de pescado e tratamento de águas negras em estações de tratamento, antes de que estas sejam liberadas ao ambiente.

  CAPÍTULO V MINERAđấO SUSTENTÁVEL

5.1 DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL

  A origem do termo desenvolvimento sustentável remonta aos anos 70, à reunião de

  

Founex , onde se delineou uma nova opção de desenvolvimento, que incorpora

  estratégias ambientalmente adequadas para promover um desenvolvimento socioeconômico mais eqüitativo (SACHS, 1993), batizado com o nome de ecodesenvolvimento (Founex, UN/EPHE, 1972). As declarações de Estocolmo de 1972 e de Cocoyoc de 1974 reafirmaram o conceito e as propostas do ecodesenvolvimento, mas é em 1980, no documento Estratégia de Conservação Mundial, elaborado pela União Internacional para a Conservação da Natureza, que o termo desenvolvimento sustentável é consagrado (BARRETO, 1992).

  O Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA), que apóia o documento Estratégias de Conservação Mundial e define desenvolvimento sustentável como sendo (BARONI, 1992):

  • Ajuda para os muito pobres, porque não tem opção a não ser destruir o meio ambiente;
  • A idéia de desenvolvimento auto-sustentado, dentro dos limites dos recursos naturais;
  • A idéia de desenvolvimento com custo real, usando critérios econômicos não tradicionais; • A noção de iniciativas centradas nas pessoas.

  Outra conferência expressiva, a de Ottawa, em 1986, define que o desenvolvimento sustentável busca responder a cinco requisitos:

  • Integração da conservação e desenvolvimento;
  • Satisfação das necessidades básicas humanas;
  • Alcance da eqüidade e justiça social;

  • Provisão da autodeterminação social e da diversidade cultural; • Manutenção da integração ecológica.

  A Comissão Mundial sobre o Meio Ambiente e Desenvolvimento (WCED) adota o conceito de desenvolvimento sustentável como sendo o desenvolvimento que

  

satisfaz as necessidades do presente sem comprometer as habilidades das futuras

gerações de satisfazerem suas necessidades.

  Essa mesma comissão elabora o primeiro documento que tenta traduzir o conceito de desenvolvimento sustentável num plano concreto: o Relatório Brundtland, apresentado á Assembléia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU) em 1987, que trata de, (BRUNDTLAND, 1987):

  • Definir percepções compartidas dos desafios do desenvolvimento e meio ambiente em longo prazo, e os mais efetivos métodos para responder a eles;
  • Recomendar criar uma maior cooperação entre os países desenvolvidos e ou em vias de desenvolvimento atendendo objetivos comuns no relacionado a pessoas, recursos, ambiente e desenvolvimento; e
  • Propor estratégias em longo prazo no referente a desenvolvimento sustentável, combinando economia global e progresso social com respeito aos sistemas naturais e qualidade ambiental.

  Para o relatório Brundtland desenvolvimento sustentável inclui dois componentes principais:

  • O conceito de necessidade, em particular as necessidades essenciais do mundo pobre; e
  • A idéia de limitação que é imposta pela tecnologia e sociedade na capacidade ambiental de satisfazer essas necessidades.

  A mineração tem sido uma das atividades menos aceitas dentro do novo arcabouço conceitual do desenvolvimento sustentável. A razão disso é que, desde sua formulação inicial pela comissão Brundtland, esse conceito vem sendo progressivamente relativizado por diferentes interpretações, dependendo do objetivo a que se destina. Porém, de um modo geral, suas variantes conceituais podem ser agrupadas em duas correntes básicas. Uma de caráter puramente conservacionista, de foco mais pontual e restritivo, que exclui as atividades antrópicas que possam provocar modificações, permanentes ou transitórias, no meio físico, em especial aquelas intensivas em recursos não-renováveis. No outro extremo, encontram-se as definições de caráter utilitário-desenvolvimentista, que admitem o desenvolvimento de atividades antrópicas que impactem o meio físico, sem todavia abrir mão das necessárias proteção e recuperação do meio ambiente degradado CSD, (1999); EGGERT, (2000); LAMBERT, (2001). Evidentemente, apenas a segunda é compatível com a inserção da mineração no âmbito da sustentabilidade do desenvolvimento, pois, para tanto, faz-se necessária a compreensão das relações entre um conjunto de impactos ambientais transitórios e localizados da atividade com benefícios socioeconômicos permanentes FREITAS e ALVES (2001).

  Isso é possível a partir da percepção de que o uso dos recursos minerais é vital para o bem-estar de toda a sociedade mundial. Também é preciso ter claro o entendimento de que ainda será necessário minerar-se, e muito, para melhorar a qualidade de vida do enorme contingente de excluídos e marginalizados que se concentram nos paises não desenvolvidos. Neste sentido a mineração, como atividade econômica, deve-se comprometer não só em buscar a maximização do uso dos recursos minerais do ponto de vista técnico e econômico, mas, sobretudo, contribuir para a construção de um modelo de desenvolvimento econômico capaz de gerar as condições de acumulação de capital e tecnologia e, ao mesmo tempo, de assegurar a qualidade ambiental, de forma que, após a desativação e o fechamento de minas, o uso das áreas mineradas permita a continua agregação de valores econômico-sociais e culturais às comunidades locais e à sociedade em geral MUNCHENBERG, (1998); JAMES, (2000) . A Figura 49 representa estes conceitos. Esta figura é muito conceitual e não representa fielmente a realidade porque não é possível conseguir esse equilíbrio idealizado entre o progresso social, crescimento econômico e proteção ambiental.

  Entretanto, o diagrama de Ben é o mais aceito na atualidade para representar a sustentabilidade.

  

Figura 50 - Representação do conceito de sustentabilidade da mineração. Fonte:

ZYL (2000) (modificado).

  Em termos práticos, todas as atividades relacionadas à mineração, da pesquisa a lavra, deverão prever:

  • Os riscos e proteção dos impactos ambientais;
  • O monitoramento e a recuperação das áreas degradadas, de forma progressiva e continua;
  • O compartilhamento de benefícios econômicos com a sociedade nacional, em especial as comunidades locais;
  • O uso futuro das áreas mineradas;
  • A máxima integração do projeto mineiro com o desenvolvimento das comunidades vizinhas.

  Para tanto, faz-se necessária a compreensão das percepções e expectativas dos atores sociais relacionados com a mineração, em todos os níveis, o que somente é possível a partir do desenvolvimento de processos participativos no âmbito da sociedade. Assim, o Estado, como ator fundamental no processo de adaptação da mineração às exigências do desenvolvimento sustentável, deve atuar não só nos campos regulatório, fiscal e tecnológico, mas também como mediador do dialogo entre os diversos atores sociais. As empresas devem contribuir da mesma forma para a melhoria da percepção publica dos custos e dos benefícios decorrentes de suas atividades e investir continuamente na melhoria tecnológica, com vista a reduzir os impactos de sua atividade sobre o meio ambiente. Uma conclusão óbvia decorrente da complexidade da necessária compatibilização da pois cada país possui peculiaridades naturais, econômicas, tecnológicas, culturais e históricas, que condicionam objetivos e políticas nacionais muitas vezes distintas.

5.2 INDICADORES DE SUSTENTABILIDADE

  Muitos sistemas trabalham com base em fatores internos ou externos podem afetar positiva o negativamente a sustentabilidade. Os indicadores são medidas reais que tentam avaliar o estado de qualquer sistema, mediante uma forma clara de interpretação e diagnóstico das alternativas que concluem na obtenção de uma operação ótima. Em mineração, os indicadores são uma espécie de guia de reconhecimento dos recursos existentes, das opções de suas vantagens, comercialização, relações com o ambiente natural e interação com os meios sociais. Todos esses parâmetros são governados por indicadores particulares, que finalmente dá a conhecer o impacto generalizado da atividade mineira sobre os ambientes. Os indicadores devem ter as seguintes características fundamentais:

  • Ser de fácil medição;
  • Ser aplicável a uma amplia faixa de diferentes ecossistemas e sistemas econômicos e sociais;
  • Ser razoavelmente amplo;
  • Em certos casos que envolve população, participando diretamente na medição, deve ser prático e de fácil entendimento;

  • As medidas devem ter características que possibilitem sua repetição no tempo;
  • Ser moldável e sensível às mudanças no sistema;
  • Ser tolerante com uma série de padrões estabelecidos para as diversas áreas, como: ambiental, tecnológica, econômica e social.

5.2.1 Indicador de sustentabilidade

  Um indicador de sustentabilidade é diferente de um indicador ambiental. Na indústria extrativa são conhecidos muitos indicadores, essencialmente de impacto ambiental, porém apenas alguns são definidos como indicadores de sustentabilidade sendo apenas usados aqueles que podem ser quantificados.

  O indicador de sustentabilidade utiliza uma metodologia baseada na realização de um teste de sustentabilidade à atividade de mineração. O resultado desse teste é um indicador de sustentabilidade conhecido como Índice Global de Sustentabilidade (IGS) e para isso é realizado uma avaliação com respostas sim ou não a uma série de perguntas simples, mas elas respondem à ações chaves da atividade de mineração (GONZÁLEZ e CARVAJAL, 2002). O IGS é definido pela expressão:

  IGS (%) ={ [ (CT+CA+CEL+CSC)] / Total de ações} x 100 (1)

  sim

  onde: CT é a Caracterização Técnica; CA é a Caracterização Ambiental; CEL é a Caracterização Econômica Legal; e CSC é a Caracterização Sócio Cultural.

  Se o IGS é maior que 50% a atividade extrativa enquadra-se no campo da sustentabilidade e será muito mais sustentável quando mais se aproxima a 100%. Se o

  IGS é menor ou igual a 50% a atividade extrativa é caracterizada como de não sustentabilidade e, portanto, deverá revisar todas as ações que leva a cabo.

NOME DO

  C A R A C T E R

  Fonte: GONZÁLEZ e CARVAJAL, (2002)

  Existe um estudo da repercussão da atividade mineira na população? TOTAL

  IO

  Ó C

  C A R A C T E R IÇ Ã O S

  A companhia possui fundo de garantia de suas atividades? A companhia possui uma política informativa transparente? Existe um compromisso e responsabilidade social da companhia? Existem programas de formação continua e de treinamento para os trabalhadores? Existem mecanismos de participação civil nas decisões da companhia? Existe estudo de demanda social dos produtos mineiros?

  E conôm ic a le ga l

  Existe um plano de minimização de danos ambientais? A Legislação ambiental é conhecida? Existe compromissos administrativos, fiscais e de trabalho?

  IE N T A L

  IZ A Ç Ã O A M B

  ISO 14.000? Existe um estudo de impacto ambiental da explotação? O plano de recuperação está concluído? A companhia tem algum programa de auditoria ambiental? O programa de minimização de resíduos esta implementado?

  A Tabela 22 apresenta os indicadores de sustentabilidade propostos para o cálculo de IGS.

  Existe algum plano de otimização da energia? Existe um programa e controle de emissões? Tem obtido alguma certificação ambiental, por exemplo,

  IC A

  IZ A Ç Ã O T E C N

  C A R A C T E R

  ISO 9.000? Existe um plano de fechamento de minas?

  O background da área é conhecido? Existe um plano de uso e administração das reservas? Existe uma caracterização geomecânica para explotação? Existe um sistema de manejo integral para as águas? Existe um programa de prevenção de risco? Existe um plano de ordenação territorial mineiro? O método de explotação é otimizado? Possui alguma certificação administrativa, por exemplo,

  TIPO DE AđấO SIM NÃO

  INDICADOR

  AđấO EXECUTADA

  Tabela 22- Indicadores de sustentabilidade para o cálculo de IGS.

  • C U L T U R A L

NOME DO

  IZ A Ç Ã O A M B

  19

  Existe um estudo da repercussão da atividade mineira na população? TOTAL

  IO

  C A R A C T E R IÇ Ã O S O C

  A companhia possui fundo de garantia de suas atividades? A companhia possui uma política informativa transparente? Existe um compromisso e responsabilidade social da companhia? Existem programas de formação continua e de treinamento para os trabalhadores? Existem mecanismos de participação civil nas decisões da companhia? Existe estudo de demanda social dos produtos mineiros?

  E conôm ic a le ga l

  Existe um plano de minimização de danos ambientais? A Legislação ambiental é conhecida? Existe compromissos administrativos, fiscais e de trabalho?

  IE N T A L

  C A R A C T E R

  

5.2.1.1 IGS para a pequena mineração pouco mecanizada realizada pela CM

Construções

  Existe algum plano de otimização da energia? Existe um programa e controle de emissões? Tem obtido alguma certificação ambiental, por exemplo, ISO 14.000? Existe um estudo de impacto ambiental da explotação? O plano de recuperação está concluído? A companhia tem algum programa de auditoria ambiental? O programa de minimização de resíduos esta implementado?

  IC A

  IZ A Ç Ã O T E C N

  C A R A C T E R

  O background da área é conhecido? Existe um plano de uso e administração das reservas? Existe uma caracterização geomecânica para explotação? Existe um sistema de manejo integral para as águas? Existe um programa de prevenção de risco? O método de explotação é otimizado? Existe um plano de fechamento de minas?

  TIPO DE AđấO SIM NÃO

  INDICADOR

  Tabela 23- Cálculo de IGS para a CM Construções (modificada) AđấO EXECUTADA

  Os índices para o cálculo do IGS da pequena mineração, pouco mecanizada realizada pela CM Construções se apresenta na Tabela 23.

  • C U L T U R A L

5.2.1.2 IGS para a pequena mineração artesanal realizada pela Cooperativa Tablazo 1.

NOME DO

  O método de explotação é otimizado? Existe um plano de fechamento de minas? Existe algum plano de otimização da energia? NA NA Existe um programa e controle de emissões? Tem obtido alguma certificação ambiental, por exemplo, ISO 14.000?

  10 NA: NÃO APLICA

  Existe um compromisso e responsabilidade social da companhia? TOTAL

  IO

  C A R A C T E R IÇ Ã O S O C

  O programa de minimização de resíduos esta implementado? Existe um plano de minimização de danos ambientais? A Legislação ambiental é conhecida? Existe compromissos administrativos, fiscais e de trabalho? A companhia possui fundo de garantia de suas atividades? A companhia possui uma política informativa transparente?

  IZ A Ç Ã O E conôm ic a le ga l

  C A R A C T E R

  Existe um estudo de impacto ambiental da explotação? O plano de recuperação está concluído? A companhia tem algum programa de auditoria ambiental?

  IE N T A L

  A M B

  I Z A Ç Ã O

  C A R A C T E R

  NA NA

  IC A

  O cálculo do IGS para uma pequena mineração, pouco mecanizada realizado para a CM Construções é baseado na formula 1, e se apresenta a continuação:

  IGS (%) ={ 19 / 24} x 100

  IGS (%) ={ [

  sim

  (CT+CA+CEL+CSC)] / Total de ações} x 100

  IGS (%) ={ [

  sim

  (6+5+3+5] / 24} x 100

  IGS (%) = 79.16

  IZ A Ç Ã O T E C N

  Cooperativa Tablazo 1 é apresentado na Tabela 24.

  Tabela 24- Cálculo do IGS para a Cooperativa Tablazo 1 (modificada) AđấO EXECUTADA

  INDICADOR

  TIPO DE AđấO SIM NÃO

  O background da área é conhecido? Existe um plano de uso e administração das reservas? Existe uma caracterização geomecânica para explotação? Existe um sistema de manejo integral para as águas? Existe um programa de prevenção de risco?

  C A R A C T E R

  • C U L T U R A L
O cálculo do IGS para pequena mineração artesanal realizada pela Cooperativa Tablazo 1 é baseado na formula 1, e se apresenta a continuação:

  IGS (%) ={ [ (CT+CA+CEL+CSC)] / Total de ações} x 100

  sim

  IGS (%) ={ [ (2+3+2+3)] / 18} x 100

  sim

  IGS (%) ={ 10 / 18} x 100

  IGS (%) = 55.55

5.2.2 Indicadores de sustentabilidade para pequena mineração

  pequena escala, segundo BETANCURTH, (2002) são:

  • Indicador de tipo técnico (ITT): como o método de explotação e beneficiamento do mineral;
  • Indicador de tipo econômico (ITE): como a importância estratégica do mineral, custos de produção e preço de venda;
  • Indicador de tipo ambiental (ITA): como os impactos sobre as fontes de

  água, ar, flora, fauna e entorno da área minada;

  • Indicador de tipo social (ITS): como a demanda de bens e serviços, nível educativo.

5.2.2.1 Indicador de tipo técnico (ITT)

  O indicador ITT está relacionado à aplicação adequada do método de explotação, de acordo com a geologia, características estruturais e de qualidade do minério no depósito, questiona se o método de explotação é o mais adequado, se há otimização da explotação e da cava final.

  Este indicador relaciona o método atual usado na extração do mineral (IER) com o método real estabelecido para esse tipo de depósito (ITE). Ademais, relaciona o melhor método teórico de beneficiamento estabelecido para esse depósito (IBT) comparado com o método usado na atualidade (IRB) considerando equipamento e processo. A valoração máxima do ITT pode ser de 100 unidades, e é calculado pela expressão:

  ITT= {[(IER/ITEM) + (IRB/IBT)]/2}x 100 (2) onde:

  ITT é o indicador do tipo técnico, valoração entre 0 e 100;

  IER é o ajuste real do método de explotação usado;

  ITEM é o parâmetro teórico pré-estabelecido para à extração do mineral do deposito;

  IRB é o indicador do sistema de beneficiamento usado na atualidade; IBT é o indicador de beneficiamento ótimo estabelecido teoricamente.

5.2.2.2 Indicador de tipo econômico (ITE)

  Este indicador possibilita conhecer a viabilidade da operação em termos econômicos, subordinado as características do mercado, custos de produção, receitas e a importância do mineral no contexto local e regional. O indicador ITE é um pouco complexo porque é calculado com base em três parâmetros. O primeiro compara a demanda presente (IPD) com os volumes de produção do depósito para o mesmo tempo (IVP); compara os valores dos custos de produção (IPC) com a receita da comercialização (IVI); e compara o indicador da importância presente do mineral com relação ao principal mineral estratégico do momento em nível local e regional (IIE) com o indicador que apresenta a tendência da substituição do mineral (IS). A valoração deste indicador pode ser de 0 a 100 unidades, e é calculado pela expressão:

  ITE = {[(IPD/IVP) + (IVI/IPC) + (IS/IIE)]/3} x 100 (3) onde:

  ITE é o indicador de tipo econômico;

  IVP é o indicador dos volumes de produção presente;

  IPD é o indicador de demanda presente no mercado;

  IPC é o indicador de custos de produção presente;

  IVI é o indicador do valor das receitas por comercialização do bem mineral;

  IIE é o indicador da importância estratégica presente do mineral em nível local e regional;

  IS é o indicador da tendência de substituição do mineral.

5.2.2.3 Indicador de tipo ambiental (ITA)

  Este é um dos indicadores mais complexos a ser avaliado. Analisa o comportamento dos elementos do meio natural como a água, a atmosfera, flora, fauna, paisagem e os impactos que a atividade extrativa gera. Este indicador tenta avaliar a eficiência dos processos de mitigação e controle das alterações produzidas pela mineração.

  O primeiro indicador refere-se ao estado físico e químico da qualidade da água (IQW) comparado aos padrões físico-químicos, biológicos, conteúdo de matéria orgânica, subsolo (IQSS) comparado com padrões de câmbios nas propriedades físico-químicos e incremento da erosão, perdas de matéria orgânica, mudanças no uso do solo e estabilidade geotécnica do maciço rochoso (ISPQ). O indicador de físico-biótico (IPBB) é comparado com o número de espécies afetadas, destruição da cobertura vegetal, alteração dos ambientes naturais, migração das espécies, disposição de material estéril (ICPB). A valoração de este indicador pode ser de 0 a 100 unidades, sendo calculado pela expressão:

  ITA = {[(IQW/IPL) + (IQSS/ISPQ) + (IPBB/ICPB)]/3} x 100 (4) onde:

  ITA é o indicador de tipo ambiental;

  IQW é o indicador da qualidade da água;

  IPL é o indicador do nível permissível para a água, é definido como:

  IPL = (Iepq + Ib + Iom + Is + Ipl + Ilw) (4.1) onde: Iepq é o padrão físico-químico; Ib é o conteúdo bacteriológico; Iom é conteúdo de matéria orgânica; Is é sedimentação; Ipl é variações do nível freático; Ilw é o incremento das águas lixiviadas.

  IQSS é o indicador da qualidade física e química do solo e subsolo;

  ISPQ é o indicador composto por os padrões da qualidade física e química do solo, definido como:

  ISPQ = (Ippg + Ie + Iol + Icus + Ieg) (4.2) Onde: Ippg são parâmetros físico-químicos do solo; Ie é o incremento da erosão; Iol é a perda da matéria orgânica; Icus é mudanças no uso do solo; Ieg é a estabilidade geotécnica do maciço rochoso.

  IPBB é o indicador da conduta físico-biótico;

  ICPB é o indicador referente ao meio físico-biótico, é definido como:

  ICPB = (Ids + Ivc + Iah + Ime + Iv + Ids) (4.3) onde: Ids é o número de espécies afetadas; Ivc é a redução da cobertura vegetal; Iah é a alterações do ambiente natural; Ime é notoriedade da migração das espécies; Iv é alterações visuais; Ids é a disposição de matérias estéril.

5.2.2.4 Indicador de tipo social (ITS)

  Este indicador trata de avaliar os níveis dinâmicos e antropogênicos que são desenvolvidos pela implantação da atividade mineira perto de centros urbanos ou grupos sócio-culturais pré-estabelecidos. O indicador analisa o impacto que a mineração produz em vários aspectos como demanda de bens e serviços, uso e mudanças nos níveis da educação, processos de migração, incremento do fenômeno da urbanização, incremento dos riscos de acidentes.

  O ITS compara a demanda presente de bens e serviços (IPGS) com o crescimento esperado para os próximos anos (IGS); compara o incremento do consumo (IGU) com o de projeções baseadas no crescimento da mina (ISU); compara os níveis de educação presente (IEL) com os níveis esperados para o futuro (IEP); compara os níveis presentes de migração (ILM) com as projeções futuras (ISM); compara o estado presente da urbanização (IU) com as projeções de crescimento da população e sua respectiva demanda de moradias e vias de comunicação (ICG); e compara o índice de riscos de acidentes dos trabalhadores mineiros (IMA) com os reportados pelos organismos de saúde e segurança no trabalho nos últimos tempos (IHL).

  A valoração deste indicador pode ser de 0 a 100 unidades, sendo calculado pela expressão:

  ITS = {[(IPGS/IGS) + (IGU/ISU) + (IEL/IEP) + (ILM/ISM) + (IU/ICG) + onde:

  ITS é o indicador de tipo social;

  IPGS é o indicador da demanda de bens e serviços;

  IGS é o indicador estatístico de bens e serviços;

  IGU é o indicador do crescimento da demanda;

  ISU é o indicador das projeções do crescimento da demanda;

  IEL é o indicador do presente nível educativo;

  IEP é o indicador das projeções educativas;

  ILM é o indicador dos níveis presentes de migração;

  ISM é o indicador das projeções da migração;

  IU é o indicador do nível de urbanização periférica;

  ICG é o indicador estatístico do crescimento e planificação da cidade;

  IMA é o indicador de acidentes mineiros; IHL é o indicador dos dados da saúde nos últimos anos.

  

5.2.3 Estimação dos indicadores da sustentabilidade da pequena mineração e

pouco mecanizada realizada pela CM Construções

  A estimação dos indicadores da sustentabilidade da pequena mineração, pouco mecanizada realizada pela CM Construções no Morro Tablazo é obtida através das expressões 2, 3, 4 e 5.

  Indicador de tipo técnico (ITT)

  ITT= {[(IER/ITE) + (IRB/IBT)]/2}x 100 (2)

  ITT= {[(80/100) + (80/100)]/2}x 100

  ITT= {[1.60]/2}x 100

  ITT= 80.00

  Indicador de tipo econômico (ITE)

  ITE = {[(IPD/IVP) + (IVI/IPC) + (IS/IIE)]/3} x 100 (3)

  ITE = {[(50/70) + (85/80) + (50/50)]/3} x 100

  ITE = {[311/112]/3} x 100

  ITE = 92.56

  Indicador de tipo ambiental (ITA)

  No beneficiamento da coquina feito pela CM Construções no Morro Tablazo não se emprega água no processo e não há presença de fontes de água locais que posam ser afetadas. Razão pela qual o primeiro termo de expressão 4 é eliminado, o reduz a expressão à seguinte forma:

  ITA = {[(ISPQ/IQSS) + (ICPB/IPBB)]/2} x 100 (4.4)

  ITA = {[(70/100) + (55/100)]/2} x 100

  ITA = {[(1.10)]/2} x 100

  ITA = 62.50

  

ISPQ é o indicador composto por os padrões da qualidade física e química do

solo, é definido como:

  ISPQ = (Ippg + Ie + Iol + Icus + Ieg) (4.2)

  ISPQ = (15+10+15+15+15)

  ISPQ = 70.00

  ICPB é o indicador do analises físico-biótico, é definido como:

  ICPB = (Ids + Ivc + Iah + Ime + Iv + Ids) (4.3)

  ICPB = (10 + 10 + 10 + 10 + 5 + 10)

  ICPB = 55.00

  Indicador de tipo social (ITS)

  ITS = {[(IPGS/IGS) + (IGU/ISU) + (IEL/IEP) + (ILM/ISM) + (IU/ICG) + (IMA/IHL)]/6} x 100 (5)

  ITS = {[(80/100) + (40/80) + (60/80) + (50/70) + (60/70) + (50/100)]/6} x 100

  ITS = 68.69

  A média dos indicadores de sustentabilidade, para a pequena mineração de coquina e pouco mecanizada no Morro Tablazo , é de 75.94; os indicadores que estão acima da média são os de tipo técnico e econômico, influenciados principalmente pela estrutura sólida da empresa, os requerimentos de matérias de qualidade da região e desenvolvimento dos municípios peninsulares. Os indicadores que estão abaixo da média são os de tipo ambiental e social, influenciados pelo desmatamento total feito no passado na região, as condições de pobreza da população local, a carência de infra- estrutura básica e abandono estatal.

5.2.4 Estimação dos indicadores da sustentabilidade da pequena mineração artesanal realizada pela Cooperativa Tablazo 1 no Morro Tablazo.

  A estimação dos indicadores da sustentabilidade da pequena mineração artesanal realizada pela Construtora Cooperativa Tablazo 1 no Morro Tablazo se obteve através das expressões 2, 3, 4 e 5.

  Indicador de tipo técnico (ITT)

  ITT= {[(IER/ITE) + (IRB/IBT)]/2}x 100 (2)

  ITT= {[(90/100) + (90/100)]/2}x 100

  ITT= {[1.80]/2}x 100

  ITT= 90.00

  Indicador de tipo econômico (ITE)

  ITE = {[(IPD/IVP) + (IVI/IPC) + (IS/IIE)]/3} x 100 (3)

  ITE = {[(80/90) + (50/50) + (50/50)]/3} x 100

  ITE = {[26/27]/3} x 100

  ITE = 96.30

  Indicador de tipo ambiental (ITA)

  ITA = {[(IQW/IPL) + (IQSS/ISPQ) + (IPBB/ICPB)]/3} x 100 (4) No beneficiamento da coquina feito pela Cooperativa Tablazo 1 no Morro Tablazo não se emprega água no processo e não há presença de fontes de água locais que posam ser afetadas. Razão pela qual o primeiro termo de expressão 4 é eliminado, deixando a expressão da seguinte forma:

  ITA = {[(ISPQ/IQSS) + (ICPB/IPBB)]/2} x 100 (4.4)

  ITA = {[(75/100) + (59/100)]/2} x 100

  ITA = {[(67/100)]/2} x 100

  ITA = 67.00

  

ISPQ é o indicador composto por os padrões da qualidade física e química do

solo, é definido como:

  ISPQ = (Ippg + Ie + Iol + Icus + Ieg) (4.2)

  ISPQ = ( 15+5+15+15+10+15 )

  ICPB é o indicador do analises físico-biótico, é definido como:

  ICPB = (Ids + Ivc + Iah + Ime + Iv + Ids) (4.3)

  ICPB = (12 + 12 + 10 + 10 + 5 + 10)

  ICPB = 59.00

  Indicador de tipo social (ITS)

  ITS = {[(IPGS/IGS) + (IGU/ISU) + (IEL/IEP) + (ILM/ISM) + (IU/ICG) + (IMA/IHL)]/6} x 100 (5)

  ITS = {[(60/100) + (20/80) + (60/80) + (50/70) + (60/70) + (50/100)]/6} x 100

  ITS = 61.20 A media dos indicadores para a pequena mineração artesanal de coquina realizada pela Cooperativa Tablazo 1 no Morro Tablazo é de 78.63; os indicadores que estão acima da média são os de tipo técnico e econômico, influenciados principalmente pelo método de explotação aplicado, uso excessivo da mão de obra que converte a atividade em muito rentável, a demanda do mercado que consume todo o material produzido e o desenvolvimento da região. Os indicadores que estão abaixo da média são os de tipo ambiental e social, influenciados pelo desmatamento total feito no passado, carência de recursos econômicos para desenvolver tarefas de controle de impacto ambiental, as condições sócias da região e carência de apoio técnico por parte do Estado e do município.

  CONCLUSÕES

  A Península de Santa Elena encontra-se inserida em um setor estruturalmente muito complexo, sendo, geologicamente, considerado um verdadeiro mosaico de blocos falhados. A área de estudo caracteriza-se por ter um clima seco, paisagem desértica, sem fauna visível e ser herdeira de um passivo ambiental considerável devido ao desmatamento agressivo ocorrido anos antes da atividade de mineira. Portanto conclui-se que: A coquina (microcoquina) é um calcário detrítico pertencente à Formação Tablazo (Quaternário) que encontra-se bem desenvolvida em áreas costeiras das províncias de Manabí e Guayas.

  A população da Península de Santa Elena, experimentou um acréscimo considerável, na ordem de 300%, nos últimos 50 anos, na qual a mulher é maioria e encontra-se com maior nível de desemprego, sobretudo na área rural. Devido ao acréscimo populacional na Península de Santa Elena, nos últimos 50 anos, a carência de moradia e infra-estrutura básica é uma necessidade primária da população. O setor de minerais não metálicos é pouco estudado no Equador e existe pouca informação sobre o tema, ver análise feita por SANDOVAL (2001).

  A pequena mineração de não metálicos, favorece, por um lado ao crescimento de outras atividades (ver decisão 1994/308 do Conselho Econômico e Social da Organização das Nações Unidas) como construção (de infra-estrutura básica e moradia, principalmente), o artesanato e a indústria manufatureira (fonte de possíveis exportações). No Morro Tablazo desenvolve-se a explotação da coquina, classificada como atividade extrativa de pequena escala; pouco mecanizada (realizada pela companhia CM Construções) e artesanal (desenvolvida pela Cooperativa Tablazo 1). A coquina do Morro Tablazo, caracterizada, neste estudo, como um calcário detrítico, possui características tecnológicas favoráveis para ser utilizada como rocha ornamental e agregado de construção. Os usos propostos para a coquina do Morro Tablazo incluem aplicação como quebra ondas, objetos de cantaria e artesanatos e fonte de carbonato de cálcio, os quais contribuem diretamente para o desenvolvimento da Península de Santa Elena. Para enfrentar de melhor maneira os desafios que propõe o desenvolvimento sustentável da mineração dos não metálicos em pequena escala, é necessário que desenvolvam-se em nível local, regional e nacional. Com os indicadores de sustentabilidade, adotados e especificados neste estudo, foi possível quantificar a explotação da coquina no Morro Tablazo, tanto a mineração artesanal como a pouco mecanizada como uma atividade que atende aos princípios do desenvolvimento sustentável.

  O passivo ambiental (desmatamento) herdado pela explotação de coquina (artesanal e pouco mecanizada) no Morro Tablazo influi consideravelmente, de forma negativa, nos indicadores de sustentabilidade. É possível desenvolver a mineração sustentável, artesanal (Cooperativa Tablazo 1) e pouco mecanizada (CM Construções) da coquina no Morro Tablazo. Portanto o objetivo principal deste trabalho de dissertação foi atingido.

  RECOMENDAđỏES

  Com base nos resultados deste estudo recomenda-se criar mecanismos e/ou fortalecer mecanismos de coordenação entre os mineiros, a comunidade, os governos locais e o Estado de forma a estabelecer mecanismos de diálogo entre os atores envolvidos na atividade de mineração com a finalidade de facilitar a prevenção e manejo de conflitos ambientais. . Faz-se ainda necessário desenvolver linhas de assistência à organizações de comunidades locais com a finalidade de melhorar as capacidades de negociação dos atores frente à mineração e conseguir que esta contribua efetivamente ao desenvolvimento local.

  Promover o desenvolvimento da cidadania, melhor controle das atividades de mineração, apoio a medidas técnicas que incorporem práticas de preservação e mitigação dos impactos, da mesma forma que processos de beneficiamento indispensáveis para o desenvolvimento econômico e social.

  Incorporar ao desenvolvimento da pequena mineração acordos internacionais, regulamentos de exploração e explotação de recursos não renováveis, regulamentos de proteção de ecossistemas frágeis e ordenamento territorial, ver como exemplo: CARRION, LOAYZA e CORNEJO (2003).

  Melhorar o acesso à informação, sobretudo à mineração de minerais não metálicos, com o propósito de promover seu crescimento sobre bases firmes e sustentáveis.

  Fomentar o artesanato de peças feitas com coquina, sobretudo, nas comunidades costeiras da Península de Santa Elena. Com esta ação combate-se o desemprego e migração que atingem essas localidades, aproveitando o valor agregado dos artesanatos para complementar a renda familiar.

  Difundir os resultados deste trabalho de pesquisa, em especial na Península de Santa Elena, para contribuir no desenvolvimento sustentável da região.

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