I Uma família de argumentos relativos à natureza da luz ‘à maneira de Searle’

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A redescoberta da luz

Paul Churchland

  Há uma família de sete argumentos avançados por John Searle para nos convencer da natureza ontologicamente distinta e fisicamente irredutível dos fenómenos conscientes. A estes juntam-se três argumentos de Frank Jackson e David Chalmers que tendem à mesma conclusão. O meu objectivo naquilo que se segue é construir análogos sistemáticos e unitários dos dez argumentos, análogos que apoiam uma família paralela de conclusões anti-reducionistas acerca da natureza da luz. Uma vez que estas conclusões análogas são reconhecidamente falsas no caso da luz (a redução fisicalista desta é um dos maiores triunfos da teoria electromagnética), torna-se problemático que a integridade da família original de argumentos anti-reducionistas seja maior do que a puramente especiosa integridade dos seus análogos deliberadamente construídos.

  I Uma família de argumentos relativos à natureza da luz ‘à maneira de Searle’

  (A) Uma distinção fundamental: Visibilidade (intrínseca) versus visibilidade derivada (secundária) Só a luz ela própria tem visibilidade original; pois apenas a luz é visível, quando dirigida aos olhos, sem intervenção causal de qualquer agente mediador. Em contraste, qualquer objecto físico, configuração física, ou evento físico é visível apenas quando e apenas porque a luz é de alguma forma reflectida de ou emitida por esse objecto, configuração ou evento. Tais items físicos têm no máximo visibilidade derivada, porque eles são totalmente e para sempre invisíveis, excepto quando interagem apropriadamente com a única coisa que tem visibilidade original, nomeadamente, a luz ela própria.

  Estas conclusões reflectem o facto óbvio de que se o universo não contivesse de todo luz, então absolutamente nada seria visível, nem intrinsecamente nem

  131 derivativamente .

  (B) A visibilidade original da luz marca esta como pertencendo a uma categoria ontológica única, distinta na sua natureza essencial da natureza essencial de qualquer fenómeno físico, ao qual deve sempre faltar visibilidade original. Noutras palavras, para qualquer objecto físico, configuração ou evento, é sempre um assunto contingente se ou não acontece ser visível nessa ocasião (é uma questão de se acontece ou não de alguma forma estar iluminada). Em contraste, a luz ela própria é sempre e essencialmente visível. A ontologia da luz é uma ontologia de coisas e traços que são acessíveis de forma única de um ponto de vista visual. Isto significa que o fenómeno da luz tem que ser irredutível a qualquer complexo de fenómenos puramente físicos ou não essencialmente visíveis. Simplesmente não se obtém visibilidade original a partir de coisas que têm no máximo visibilidade

  132 derivada .

  (C) A consequência que acabou de ser alcançada é negada por um celebrado programa de investigação chamado EM Forte. Este programa clama não apenas que a luz pode ser “instrutivamente simulada” pelo comportamento de campos eléctricos e magnéticos em interacção (algo com o qual toda a gente concorda); mas avança ainda a pretensão mais forte de que a luz é na verdade idêntica a ondas electromagnéticas. A loucura da EM Forte pode ser vista no argumento seguinte, que é obviamente são. (1) A electricidade e o magnetismo são forças físicas (2) A natureza original da luz é a visibilidade original (3) As forças físicas, não interessa como se apliquem, não são nem idênticas a, nem suficientes para, a visibilidade original.

  Portanto, :M: !!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!

  

" Cf. Searle, “Intrinsic Intentionality: Reply to Criticisms of Minds, Brains and Programs”, Behavioral and

132 Brain Sciences III (1980): 450-56, and The Rediscovery of the Mind (Cambridge MIT 1992), pp. 78-82.

Cf. Searle, ‘Is the Brain’s Mind a Computer Program?’, Scientific American, CCLXII, 1 (January 1990): 26-

31, e The Rediscovery of Mind, pp. 93-95. "

  (4) A electricidade e o magnetismo não são idênticas a nem suficientes para, a luz.

  As premissas (1) e (2) são óbvias. Que a premissa (3) é óbvia pode ser visto seguindo a seguinte experiência. De acordo com a teoria EM, um íman oscilante ou uma partícula com carga gerarão uma esfera de campos EM oscilantes: uma frente de onda EM. E pela mesma teoria, isto é estritamente suficiente para a existência de luz. Mas imagine-se um homem num quarto totalmente escuro que começa a bombear uma barra-íman para trás e para a frente (Figura 1) Figura 1.

  Claramente, isso não fará nada para iluminar o quarto. O quarto permanecerá

  133 totalmente desprovido de luz .

  (D) A natureza ontologicamente distinta da luz reflecte-se no facto de que a distinção entre aparência (visual) e realidade, que se dá para qualquer fenómeno latamente físico, não pode ser traçada no caso da luz ela própria. Aí ela desaparece. Pois enquanto a luz é um agente que tipicamente representa os objectos físicos, configurações ou eventos dos quais foi diferencialmente reflectida ou emitida, a luz não se representa a si própria. Não é nem reflectida nem emitida a partir de si própria. Não pode possivelmente por isso representar-se erroneamente [misrepresent] a si própria, como pode ocasionalmente representar errroneamente coisas outras que não ela própria das quais tenha sido reflectida ou emitida. Assim sendo, quando a realidade em causa é a própria luz (em contraste com qualquer

  134 fenómeno físico) a aparência simplesmente é a realidade .

  (E) A irredutibilidade que aqui se reclama pode ser ainda vista da seguinte maneira. Vamos supor que tentávamos dizer que o vermelho ou o azul da luz não 133 !!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!

Cf. Searle, “Intrinsic intentionality”, pp. 417-57, e “Is the Brain’s Mind a Computer Program?” pp. 26-31.

  

Esta analogia foi anteriormente explorada em Paul Churchland e Patrícia Churchland, ‘Could a Machine

Think?”, in Scientific American, CCLXII, 1 (January 1990): 32-37. Não parecíamos na altura o facto de a

134 analogia ser um membro de uma família muito maior e sistemática.

  

Cf. Searle, The Rediscovery of Mind, p. 122, e “The Mistery of Consciousness: part II”, the New York Review of Books, XLII, 18 (November 16, 1995): 54-61. era nada senão um comprimento de onda específico das ondas EM. Bem, se tentássemos tal redução ontológica os traços essenciais da luz seriam deixados de fora. Nenhuma descrição dos comprimentos de onda extrínsecos das ondas EM pode possivelmente dar o carácter intrínseco do vermelho e azul visíveis (objectivos), pela simples razão de que as propriedades visíveis da luz são distintas das propriedades físicas das ondas EM. O argumento é ridiculamente simples e

  135 muito decisivo .

  (F) A luz é sempre e necessariamente visível: não pode haver uma coisa tal que seja luz invisível. Admita-se que nem toda a luz é visível num dado tempo e lugar. A luz pode ser ‘superficialmente’ invisível para mim simplesmente porque o seu trajecto não conduz aos meus olhos. Mas se a luz existe de todo, então há alguma perspectiva a partir da qual ela será directamente visível. Vamos chamar a isto o princípio da conexão, uma vez que ele une (i) ser luz, e (ii) ser acessível do ponto

  136 de vista visual .

  (G) As considerações (A)-(F) indicam que a luz é um fenómeno que é ontologicamente distinto de e irredutível a quaisquer fenómenos puramente físicos. E no entanto, embora não-física em si própria, a luz é simplesmente causada por certos fenómenos físicos especiais, como temperaturas muito altas ou a estimulação eléctrica de gases. Chamemos à nossa posição aqui naturalismo físico

  

não reducionista; ele mantém que a luz é um fenómeno natural (mas irredutível)

  causado a ocorrer em certos tipos especiais de sistemas físicos – especificamente objectos auto-luminosos, como o sol, fogos, e filamentos incandescentes. O propósito de uma teoria científica da luz deve ser explicar como é que tal fenómeno não físico é causado a ocorrer dentro de tais sistemas físicos altamente específicos

  137 como estrelas e lâmpadas .

  

II Três argumentos acerca da natureza da luz ‘à maneira de Jackson/Chalmers’

135 !!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!! 136 The rediscovery of Mind, pp. 117-18. 137 Cf. Ibid., pp. 132, 151-56.

  Cf. Ibid, pp. 1, 89-93, 124-26; também searle, “The Mistery of Consciousness: Part II”, pp. 55-56.

  (H) No estudo da natureza da luz, há uma distinção a fazer entre os problemas simples e o problema difícil [hard problem]. O primeiro tipo de problemas diz respeito a preocupações como a emissão, propagação, e absorção da luz, reflexão e refracção, velocidade, transportar energia, auto-interferência, etc. Todos estes são traços causais, relacionais, funcionais e em geral traços extrínsecos da luz, traços que são acessíveis a partir de uma ampla variedade de instrumentos e técnicas físicos; e pode muito bem ser que um dia sejam satisfatoriamente explicados em termos de, por exemplo, a propagação a interacções de campos EM. Mas permanece uma traço intrínseco altamente especial da luz, cuja explicação tem que ser encontrada noutro caminho. Este traço intrínseco ´a luminância, e é ele que é responsável pela visibilidade original que é única na luz. Ao contrario de todos os traços extrínsecos (i.e. físicos) da luz listados acima, a luminância é única ao serepistemicamente acessível apenas de um ‘ponto de vista visual’.

  (I) Podemos ilustrar e reforçar o contraste que acabou de ser traçado com uma experiência de pensamento em torno de uma física chamada Mary, que é completamente cega, mas vem a conhecer tudo o que é físico e há para conhecer acerca de ondas EM, acerca da sua estrutura interna e do seu comportamento causal. E no entanto, porque ela é cega e portanto não tem aceso ao ‘ponto de vista visual’, ela não pode saber, tem que permanecer ignorante de, a característica intrínseca da luz – a luminância – que só é acessível desse ponto de vista. Evidentemente, mesmo conheicmento completo dos factos físicos devem deixá-la ignorante da natureza da luminância. A luminância deve ser então, de alguma forma, não-física. (J) Como acabou de ser ilustrado, qualquer possível história fisicalista acerca da estrutura e funções causais das ondas EM deve ainda deixar aberto um

  ‘lapso explicativo’ [explanatory gap] entre os processos físicos e a luminância. Em particular, deixa a seguinte questão sem resposta: por que deveriam campos eléctricos e magnéticos mutuamente indutores (por exemplo) oscilando a um milhão de biliões de Hz e propagando-se a 300.000 km/s alguma vez dar origem à característica intrínseca da luminância? Afinal, podemos perfeitamente imaginar um universo que está cheio de campos EM oscilantes propagando-se pelo espaço, e que no entanto é completamente negro, porque é desprovido da característica adicional da luminância. Precisamos de saber como, quando e porquê campos EM oscilantes causam o traço ontologicamente distinto da luminância intrínseca. Até compreendermos essa misteriosa relação causal, nunca compreenderemos o

  

138

fundamento e real natureza da luz .

  III Comentário critico Acerca de (A) Como exercício de introdução de termos (visibilidade ‘original’,

  etc) isto é talvez inofensivo. Mas falsamente eleva um traço extremamente periférico da luz – nomeadamente a sua capacidade de estimular os idiossincráticos cones e bastonetes de animais terrestres – a uma característica profunda e presumivelmente definidora da luz. Isto é triplamente problemático. Primeiro, é arbitrariamente selectivo. Segundo, é estritamente falso que apenas a luz estimule cones e bastonetes (partículas com carga de energia apropriada também o farão, embora a algum custo para a retina). E em terceiro lugar, luz infravermelha e ultravioleta é invisível aos olhos terrestres. Os nossos olhos evoluiriam para explorar uma janela estreita de transparência EM nos idiosincrátciso atmosfera e oceanos terrestres. Nada de importância ontológica precisa de corresponder àquilo que faz ‘cantar’ os nossos cones e bastonetes.

  Acerca de (B) A distinção dúbia legislada em (A)é aqui usada para encaixar

  todos os fenómenos físicos numa classe (coisas com visibilidade meramente derivada) que exclui o fenómeno da luz. Esta divisão é certamente apelativa para o nosso estereotipo de objecto físico (uma árvore ou uma pedra, tem visibilidade meramente derivada) mas é uma petição de princípio contra o programa de investigação do fisicalismo, porque algumas coisas físicas não familiares podem ter visibilidade original, contra as expectativas do nosso senso comum. Como na verdade vem a verificar, as ondas EM com um comprimento de onda entre .4 e .7 "m são capazes de estimular a retina sozinhas, e portanto têm visbilidade original tal como esta é definida em (A). O arguemnto de (B) é assim uma exploração incorrendo numa petição de princípio de esterótipos superficiais e ignirânica acerca de EM. :MP !!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!

  

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Acerca de (C) A premissa crucial deste argumento (premissa 3) pode parecer

  eminentemente plausível aqueles que têm um protóptipo de senso comum acerca de forças e ignoram os detahes da teoria EM, mas pura e simplesmente incorre em petição de princípio contra o fisicalismo. (A premissa 3 é a negação directa da tese fisicalista básica). Alem sisso, é falsa. Tal como mencionei no Parágrafo anterior, ondas EM de apropriado comprimento de onda são suficientes para a visibilidade original.A experiência de pensamento do “Quarto Luminoso”, dizendo resieto à oscialção da barra de íman no quadro escuro como breu, está desenhada especificamente para tornar a premissa 3 plausível, mas essa história preconceituosa explora ilegitimamente o facto de que algumas formas de radiação EM simplesmente têm comprimentos de onda que são demasiado longos para interagir de forma eficaz com os cones e bastonetes das retinas terrestres (cf. Figura 2 abaixo). O quarto escuro pode parecer desprovido de luz, mas graças ao íman oscilante, uma forma muito fraca de luz está no entanto presente.

  

Acerca de (D) Sendo superficialmente plausível, talvez, este argumentato

  recusa-se a levar em conta as muitas maneiras como podemos estar enganados acerca do carácter da luz entrando pelos nossos olhos dentro (por exemplo, a luz do ecran de cinema pparece continua, mas é realmente descontínua, a 36 frames por segundo; a luz de um farol da frente incandescente de um automóvel, embora realmente amarelada, parece branca à noite, etc). A sua breve plausibilidade é um reflexo de nada mais do que a nossa falta de familiaridade com a forma como a luz é perceptualmente apreendida e com como esse processo intrincado pode ocasionalmente produzir falasas crebças. Longe de ser um estatuto ontológico único e especial da luz, um reflexo da nossa próppria ignoranica.

  

Acerca de (E) Este argumento é uma pura petição de princípio asserida, em vez

  de um argumento instrutivo. Saber se as propriedades objectivas da luz tais como vernelho espectral ou azul espectral são idênticas ou, ou distintas de, comprimentos de onda espcíficos de radiação EM é precisamente o que está em causa. E neste caso, fé claro desde há um século que estas proprieades são idênticas. É também claro que o vrelho espectral , o azul espectral, e as suas várias propriedades causais - o seu comportamento refractivo e de absorção, os seus efeitos de velocidade e intereferência – são postivamente explicados, e não deixados de forra ‘com impotência’, pela sua reduçõ aos traços EM.

  O ponto acerca do que um vocabulário EM pode ou não ‘transmitir’ acerca de certas propriedades perceptuais é um ponto distinto (e um red herring – i.e algo de enganoso) com o qual se lidará abaixo em Acercade (I)

  

Acerca de (F) Este argumento também seria considerado plausível por alguém

  ainda preso em protótipos pré-científicos acerca da luz. Luz invisível pode bem ser uma impossibilidade conceptual nas suposições da história tal como esta é contada, mas nós sabemos mais do que isso. Na verdade, descobrimos que a maior parte da luz é invisível – e não apenas ‘superficialmente’ invisível, mas permanentemente para alem da apreensão humana (cf. Figura 2).

  Figura 2 O lugar da luz visível no espectro extenso EM, num nível de energia mais baixo em catorze ordens de magnitude, o lugar do output quase indetectável do íman oscilante.

  

Acerca de (G). Este resumo procura encontrar na natureza um lugar apropriado

  para o fenómeno dito ontologicamente distinto e fisicamente irredutível nos argumentos (A)-(F). O lugar sugerido é o de uma consequência causal não física de certos eventos especiais mas puramente físicos. Um tal passo ameaça violar as bem estabelecidas leis da conservação quer da energia quer do momento, pelo menos se a luz for presumida ter quaisquer poderes causais próprios. Mas não precisamos de entrar aqui neste assuntos pois como o comentário critico este ponto mostra, não existe motivação significativa para qualquer programa de investigação anti-reducionista, em primeiro lugar. Em segundo lugar, o lugar da luz na natureza já foi tornado claro: ela foi suave e sistematicamente reduzida a ondas EM.

  

Acerca de (H) Concede-se aqui que a luz tem uma ampla variedade de traços

  físicos – os seus assim chamodos traços ‘extrínsecos’ ou ‘estruturais-funcionais’

  • – para os quais se considera apropriada algu, tipo de explicação física. Mas também se atribui à luz um traço alegadamente ‘intrínseco’, epistemicamente
acessível apenas através da visão, mas não através de histórias “estruturais /funcionais” às quais a ciência actual está – infelizmente – limitada.

  De novo, o nosso acesso epistémico não-inferencial pré-científico (nomeadamente a visão) a certas propriedades f´siicas é retratado como uma janela singular para um domínio ontológico específico. E para compor o crime um pouco mais, o potencial alcance da explicação física é restringido, por fiat arbitrário no in´ciio (em vez de por falhanços empírico revelados durante o curso de uma investigação)., de modo a invitavemente ficarem aquém dos assim chamados traços intrínsecos dentro do domínio “especial” em causa.

  O “problema difícil” é assim tornado transcendentemente difcil logo à partida por fiat de presunção e petição de princípio, e não por auqisquer considerações substantivas. Como a teoria EM nos mostrou , não há aqui qualquer problema “dificl”, e nenhuma distinção ontológica defensável entre traços intrínsecos e extrínsecos. A “Luminância” – se nós concedermos de todo a integridade desta noção – é apenas a capacidade normal e inteiramente física das ondas EM excitarem os nosso cones e bastonetes (e indizirem mudanças químicas na película forotgráfica, libertar electrões numa câmara de tv, etc).

  

Acerca de (I) O argumento do “conhecimento” toma a expressão cpnhecer [know

  about] de forma equívoca. Eleva dois modos distintos de acesso epistémico à luz a uma falsa dicotomia de fenómenos distintos assim acedidos- traços físicos por descrição científica e um leque especial de traços não físicos pela visão humana normal. Mas pelo mnos para a luz nós sabemos perfeitamente que há aqui uma coisa única e não duas.apenas uma classe de traços objectiivos, não dua. O que a Mary Cega falha é uma forma comum de conhecimento acerca da luz: ela não tem conhecimento perceptual/discriminativo da luz. E no entanto as pessoas que têm tal conhecimento estão a aceder a exactamente os mesmos traços da realidade que ela é obrigada a aceder de outras maneiras. A diferença reside na forma de conhecer, não na(s) coisa(s) conhecida(s). É verdade que nunca nenhuma quantidade de conhecimento proposicional acerca da luz constituirá a apreensão visual da luz, mas isso é inteiramente de esperar. São diferentes tipos de conhecimento; operam com diferentes ‘paletas’ representacionais dentro do cérebro de Mary. Mas ambas representam, cada uma à sua distinta maneira, uma e a mesma coisa inteiramente física: a luz.

  Aparte o nosso conhecimento científico contemporâneo acerca da luz, pode-se ver imediatamente que a diferença aqui é meramente epistémica e não ontológica (como o argumento pretende). Mas enquanto é verdade que a Mary Cega não sabe como é ver luz espectral vermelha, é igualmente verdade, e pelas mesmas razões, que ela não sabe como é ver ondas EM com 65 "m. O défice aqui evidentemente é da Mary e das suas falhas epistémicas, não das ondas EM e das deficiências ontológicas destas quanto à luz. Pois a Mary continuaria a ter o seu défice mesmo de a luz fosse (como é) idêntica a ondas EM. O défice dela, por conseguinte, dificilmente pode ser erguido contra essa identidade.

  

Acerca de (J) Este argumento da “questão em aberto” incorre em petição de

  princípio quanto ao carácter ontologicamente especial da ‘luminância’, e depois insiste em que providenciemos um relato causal de como as ondas EM poderiam produzi-la. Isto coloca tudo de pernas para o ar. Já não temos necessdiade de um relato de como as ondas EM podem “causar” os vários fenómenos associados à luz, porque a reconstrução sistemática dos fenoenos ópticos na teoria EM nos leva a crer que a luz é simplesmente idêntica a ondas EM, e que as propriedades reunidas da luz são idênticas e, e não cusadas por, as proppriedadees correspondentes das ondas EM.

  A concebibilidade de um universo negro cheio de ondas EM mostra apenas que as várias identidades inter-te´roricas motivadas pela redução EM são, como devem ser, contingentes e não necessárias.deve apontar-se que um tal argumento da “questão em aberto” será maximamente apelativo para quem for minimamente instruído na teroria EM. Isto é assim porque quanto mais se aprende sobre ondas EM, acerca dos seus efeitos na matéria em geral e nos nossos olhos em particular, mais dificl se torna imaginar um cenário consistente em que um universos cheio de ondas EM de todos os comprimentos e onda permaneça mesmo assim negro. Aqui, como em muitos dos argumentos anteriores, a predumida ignoranica da audiência é um lubrificante que amacia o trajecto de um argumento sem valor.

  Com isto concluo a minha tentativa de construir, e deflacionar, um nálogo sistemático da família de argumentos que são neste momento tão influentes na filosofia da mente. A minha tese é evidentemente que os argumentos reais ao modelo dos quais estes foram criados é igualmente vazia de real virtude.

  IV Um argumento Nagel/Searle final a favor da irredutibilidade

  Uma questão ergue-se inevitavelmente acerca da justiça da analogia global que desenvolvi acima. Em particular, erguer-se-ão queixas de que a analogia global é deficiente ao colocar as propriedades objectivas da ‘visibilidade original’ e ‘luminância’ no papel desempenhado pelas propriedades subjectivas da intencionalidade original e qualia internos nos argumentos que estão debaixo de fogo. A analogia de facto precede exactamente dessa maneira, mas é esta assimilação que é o ponto central do execício. Devia pelo menos fazer-nos parar para pensar que a família original possa ser colectivamente e com sucesso espelhada numa analogia deca-dimensional que deliberadamente e conscientemente diz respeito a traços objectivos. Afinal, se os argumentos análogos têm força persuasiva – e para os que não são ‘electromagneticamente informados’ tê-la-ão – então o apelo essencial de ambas as famílias de argumentos presumivelmente deriva de alguma coisa outra que não o estatuto supostamente único do ‘subjectivo’. Em segundo lugar, não há qualquer mistério acerca do que produz a plausibilidade dos argumentos análogos. É o apelo alimentado pela ignorância da ideia de que a modalidade epistémica da visão é ou poderia ser uma janela singular e única para uma classe de propriedades ontologicamente distinta. Mas no caso da luz é também claro que pelo menso em retrospectiva, nada de substancial motiva essa repetida insistência. Temos que nos perguntar se a mesma falha não se dará na família de argumentos original. Afinal, e seja o que mais for, a introspecção é uma modalidade epistºemica, ou talvez uma família delas. E mesmo se pode ter as suas idiossincrasias e perfil característico, é toalmente não claro que ela, sozinha entre todas as nossas modalidades epistºemicas, constitua uma janela para um domínio ontológico singular e único de propriedades não físicas. Nenhuma das nossas outras modalidades epistémicas merece tal distinção: todas elas acedem a um ou outro aspecto do mundo puramente físico, Porque é que a introspecção seria diferente? Searle tem mais um argumento, que até aqui não considerei, cujo ónus é ilustrar o abismo ontológico que ele vê entre o domínio do ‘sentido externp’ e o domínio do ‘sentido internp’, como lhes chamava Immanuel Kant. O argumento de Searle aqui faz apelo, de forma não característica, é história da ciência. O argumento

  139

  apareceu originalmante, de forma muito breve, em Thomas Nagel , mas mais recentemente Searle desenvolveu-o em detalhe.

  Premissa (1) Temos que traçar uma distinção entre as propriedades reais e

  objctivas de objectos e os efeitos contingentes e subjectivos que acontece essas propriedades terem nos processos conscientes de humanos. Por exemplo, o claro objectivo (energia cinética molecular KE) é uma coisa; oura coisa é o sentimento subjectivo de calor nos humanos produzido pelo calor objectivo.

  Premissa (2) A redução científica de fenómenos observáveis tipicamente ignora

  ou põe de lado [carves off] os seus efeitos contingentes subjectivos nos processos conscientes de humanos, e reduz apenas os aspectos não subjectivos dos fenómenos. (por exempo, a teoria cinética reduz com sucesso o calor objectivo a KE molecular, mas deixa de lado os seus efeitos subjectivos conscientes nos humanos. A teoria EM reduz com sucesso as coresespectrais objectivas a diferentes comprimenots de onda da radiação eletromagnética, mas deixa de lado os seus efeitos subjectivos conscientes nos humanos. E assim por diante.

  Premissa (3) Quando tentamos dar uma redução fisicalista desses efeitos

  subjectivos conscientes eles próprios, temos que ter consciência que aqui não podemos pôr de lado os seus efeitos subjectivos em nós relativamente às suas propriedades objectivas, porque são precisamente esses efeitos subjectivos em nós que estamos a querer compreender. Aqui, no interior da mente, não existe mais uma distinção significativa e defensável entre ‘objectivo’ e ‘subjectivo’ que :MK !!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!

  "SJR4*"0/"0*"50\("*&"]("4"]4*XE"56'./%/76'2).,8$#'$9E"5^^^...E"O"D:K9OF["OMLYL8G"" nos permitiria repetir o padrão de redução acima descrito. Os fenómenos subjectivos são exclusivamente e essencialmente subjectivos. Qualquer alegada redução simplesmente deixaria de fora aquilo que é essencial na sua natureza.

  Portanto, os fenómenos mentais são irredutíveis a fenómenos físicos. O padrão

  próprio de uma redução fisicalista (um mapeamento ‘objectivo’ a ‘objectivo’)

  140 impede de forma única qualquer redução do subjectivo .

  O que está aqui a passar-se? Simplesmente isto.O argumento Nagel/Searle trata um traço contingente, menor e remediável (de uma mão cheia de exemplos históricos de redução) como se eles fossem traços necessários, permanentes e centrais de qualquer redução fisicalista possível. De forma mais específica, o traço meramente contingente que é apontado como essencial é o traço deixa de

  lado os efeitos na consciência humana (efeitos C, para abreviar). O argumento

  aponta em seguida que este traço essencial de uma redução fisicalista impede qualquer redução no caso únicos dos efeitos C eles próprios, uma vez que deixar de lado os efeitos C não é uma opção neste caso. É de facto verdadeiro que reduções históricas de propriedades prestam pouca ou nenhuma atenção , oou dão-nos pouco ou nenhum insight aos efeitos C dos fenómenos reduzidos. Searle e Nagel parecem convencidos à partida que este facto histórico é um reflexo inevitável de um abismo ontológico já fixado entre os fenómenos ‘objectivos’ e os fenómenos ‘subjectivos’. Essa é uma possibiliade (distante). Mas há uma explicação alternativa óbvia de porque é que reduções fisicalistas tão regularmente deixam de fora qualquer história acerca de efeitos C em humanos dos fenómenos a serem reduzidos, da mesma forma que a redução histórica do calor a energia molecular não fez qualuer tentaiva de dar conta da sensação subjectiva de calor, ou a redução histórica da luz a ondas EM não tentou expicar a sensação subjectiva de vermelho. A explicação alternativa óbvia é que tais efeitos-C são o domínio próprio de uma ciência difernte, uma ciência como a neurobiologia cognitiva ou a neurociência :O8 !!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!

  "Q3G".A0+E";G"OM9_"*4@AI@"<(4%2(E"TR("`(+0/)&7(%Z"&3"=0-+E";;G"::HY!OG" computacional. Searle está a pedir erroneamente que a teoria cinética do calor faça algo, só por si, que claramente requer, uma teoria adequada do cérebro. O facto é que durante os finais do século XIX éramos demasiado ignorantes acerca de neurobiologia para a teoria cinética sugerir qualquer hipótese válida sobre os efeitos C humanas da energia molecular. Não constitui portanto qualquer surpresa, que os físicos tenham deixado passar tal problema arcano, se é que sequer lhes passou pela cabeça pensar nele. O mesmo é verdadeiro quanto à teoria EM da luz e ao problema das nossas sensações subjectivas de vermelho.

  Condizendo com isto, o deixar de lado acidental não tem que ter qualquer significado metafísico ou ontológico especial. Esta forma deflacionaria de ver as coisas é alem do mais encorajada pelo facto de as reduções fisicalistas como a teoria cinética também deixarem de lado qualqur relato explicativo de milhões de outros fenómenos, por isso não há razão para encontrar um significado especial em ignorar os efeitos C humanos em particular. Se me é permitido dar vários exemplos, as reduções históricas do calor tipicamente deixaram de lado qualquer tentativa de dar conta de:

  O efeito do calor na produção das anchovas no Antartico O efeito do calor nos níveis de colesterol nos ovos de bluebird O efeito do calor nas infecções pulmonares O efeito do calor no PNB do Peru O efeito do calor no apodrecimento de matéria vegetal O efeito do calor nos estados conscientes dos humanos (esta lista é extensível indefinidamente)

  As grandes reduções da física clássica e moderna tipicamente deixam de lado qualquer história sobre o efeito do calor 8ou da luz, ou do som) em todas estas coisas, e milhões de outras, porque nenhuma redução pode por si só presumir dar conta dos efeitos causais mais distantes dos fenómenos que visa, tal como estes são progressivamente articulados em todos os domínios causais possíveis. Existem demasiados domínios, e o entendimento causal dos fenómenos nestes outros domínios tipicamente irá requerer o recurso de mais teorias alem da teoria que conseguiu a redução local em causa.

  Por isso não de forma alguma merecedor de atenção, ou ontologicamente significativo, que teoria cinética do calor não possa por si dar nenhum relato de qualquer dos fenómenos arcanos listados acima, bem como não o fará de milhões de outros. Em particular, não é merecedor de atenção, ou ontologicamente significativo que a teoria cinética do calor não dê uma história da resposta consciente humana ao calor. Este fenómeno marginal e idiossincrático não tem mais significado ontológico do que qualquer outro dos fenómenos listados.

  De novo, deparamo-nos com ignorância que se vangloria de ser conhecimento substantivo.

  E todas requerem os recursos de teorias para além da teoria cinética do calor para se lhes dirigirem de forma independente. Especificamente o efeito do calor em:

  Ecologia das neceessidades da produção de anchovas Química metabólica das neceesssidade dos níveis de colesterol nos ovos Biologia e economia doas necessdiades do PNB do Peru Bacteriologia e química celular das necessdiades do apodrecimentos de vegetais Neurobiologia cognitiva das necessidades da experiência consciente humana

  A minha contra-tese é então que, contra Nagel e Seatle, não é um traço essencial de reduções fisicalsitas que estas diexem sempre de lado efeitos-C humanos, ou qualquer um dos muitos outros efeitos enumerados. É um facto meramente contingente e totalmente explicável que reduções históricas tenham até agora feito assim. Não é um traço essencial que todas as reduções fisiclaistas estejam amaldiçoadas pela natureza a segui-lo, não é uma estipulação definicional auto-imposta sobre o que conta como redução, como

  141

  Searle a certo ponto de forma inexplicável sugere. Uma vez começando a dirigir-nos aos efeitos C humanos com alguma ciência apropriadametne focada,

  • tal como teorias de codificação vectorial neuronal já fazem, com espantoso

  142

  sucesso – então esse padrão anterior será completamente estilhaçado. Pois o padrão reflectia apenas a nossa própria ignoranica científica, e não uma qualquer divisão ontológica na natureza. 141 !!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!

  

The Rediscovery of Mind, pp. 124, 112-16. Embora este não seja o local paa montar uma critica sistemática,

deve dizer-se que o esboço de Searle, em Searle 1992, da natureza e vareidades da redução confunde muito mais

do que clarifica. Em primeiro lugar, erradamente assimila a redução ontológica à eliminação ontológica. Em

segundo lugar, simplesmente não há mais nenhuma categoria, ou casa intermédia – a assim chamada, por searle,

“redução causal” – distinta da redução ontológica. E em terceiro lugar, como acabámos de ver, a história tentaa

estipular o fechamento de certas questões empiricamente abertas. Para um filosofo da ciência neutro, a teoria de

Searle parecerá mais um reflexo das sua peculiares intuições em filosofia da mente do que uma tentativa

142 independentemente motivada de dar conta do leque total dos casos ao longo da história da ciência.

  Cf Austen Clark, Sensory Qualities (New York: Oxford, 1994).

  Em suma, a experiência consciente humana não tem uma história de fugitivo que se escapa para o lado de cada vez que o dedo da redução procura apanhá-la. Não existiram ainda nenhumas tentativas significativas de redução de tal alvo, não pelo menos, dentro das grandiosas reduções históricas da física e da química. Em vez disso, os fenómenos da consciência humana têm estado sagemente à espera, ao lado, pela maturação da única teoria que tem qualquer esperança realista de oferecer uma tal história redutiva, nomeadamente, uma teoria adequada do cérebro. Se e quando essa abordagem tiver sido totalmente tentatada, e tiver falhado, então, talvez, seja tempo de insistir em abordagens não físicas.

  Quer o apelo à ignorância quer a natureza de petição de princípio do argumento Serale-Nagel tornam-se finalmente vívidos se se brinca a construir uma série de argumentos paralelos para ‘estabelecer’ a redutibilidade fisicalista, de não importa qual arcano, complexo e misteirioso fenómeno que se possa escoher considerar (alguma coisa da lista anterior, por exemplo). Note-se por exemplo que as reduções históricas de vários fenómenos importantes invariavelmente deixaram o particular fenómeno de lado como um mistério a que não nos dirigimos; finja-se que este é um padrão essneicla, um reflexo de uma divisão metafísica anterior, ou o resultado de alguma definição de ‘redução’ apropriadamente excluisva; note-se que esse dito padrão a deixar-de-lado impede qualquer redução similar de exactamente o fenómeno em causa, e estamos livres [we are home free]. Terás então feito por nós o mesmo serviço que Nagel e Searle fizeram.

  V Algumas observações diagnósticas acerca de qualia

  Há uma tentação crónica entre os filósofos de atribuir um estatuto epistemológico, semântico, ontológico especial a esses traços ou propriedades que formam os ‘simples discriminacionais’ no seio de cada uma das nossas várias modaliddes sensoriais ou epistémicas, tais como o brilho e cores no caso da visão, doçuras ou amragor no caso do gosto, etc. Estes são traços do mundo quanto aos quais nós somosincapazes s de dizer como é que discriminamos um tal traço de um outro; simplesmente não somos capazes de fazer tal coisa. Da mesma forma, somos incapazes de dizer ocomo é que o significado de ‘vermelho’ difere do significado de ‘verde’; simplesmente temos que apontar para os exemplares apropriados.

  Tais simples discriminacionais são tipicamente constrastados com propriedades tais como “ser um cavalo”, casos nos quais nós somos capazes de articular os traços constitutivos mais elementares que compõem o tipo em questão; tamanho, formas, configuração, cor, textura, etc, os quais nos levam de volta aos simples discriminacionais. Muito se fez já destes “simples”, já que a existência de tais traços discrimináveis mas inarticuláveis é inteiramente inevitável. Tais traços devem existir, nem que seja para impedir um regresso infinito dos traços discriminados constituindo sub-traços

  143 discriminados constituindo sub-traços discriminados e assim por diante .

  E a sua existência é inevitável mesmo em concepções totalmente fisicalistas da cognição. Simplesmente não pode ser o caso que todas as discriminações conscientes de traços sejam feitas com base em discriminações conscientes de sub-traços diferentes. Dada uma qualquer pessoa num qualquer tempo, deve haver algum conjunto de traços cuja discriminação espontânea ou não inferencial seja correntemente básica para a pessoa, um conjunto de traços cuja discriminação não depende da discriminação consciente de quaisquer traços percetivos mais elementares. Em resumo, deve haver alguma coisa que conta, para essa pessoa, como um conjunto de qualia inarticuláveis. De acordo com isso, nós não nos deveríamos sentir tentados a encontrar o que quer que seja de fisicamente irredutível ou onotlogicamente especial acerca de tais traços inarticuláveis. Eles não têm que reflectir nadamais do que os actuais e talvez mutáveis limites da capacodade da pessoa para articulação semântica e epistémica, i.e. os limites actuais da conheicmento da estrutura do mundo da pessoa e o seu prpiro acesso epistémico a ele. De forma ainda mais importante, não há razão para esperar que os limites actuais do típico ocnheicmento de pessoa tenham que marcar um domínio onotlogicamente distinto.Isto é igualmente verdadeiro, note-se, para as modalidades epistémicas que subjazem ao que (latamente) chamamos ‘introspecção’ como para as modalidades epistémicas da visão, gosto e audição. :OM !!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!

  

"Q3"=4%%Z"a(//(E"S./"TR(%("4-".-+(;(-+(-*"#A/(%74*0&-"54->,4>(bXE"0-"`&A(%*"Q&2&+-Z"(+GE"TR("c4*,%(" 4-+"1,-)*0&-"&3"<)0(-*030)"TR(&%0(/"D$0**/A,%>R[",-07(%/0*Z":K98FE";;G"MLY99G" E no entanto os filósofos tem regularmente sido tentados aqui alguns para lá da redenção. O bispo Berkeley rejeitou a identificação do som com ondas de compressão atmosféricas; William Blake Johann Wolfgang Goethe rejeitaram a identificação da luz com as particlas balísticas de Isaac Newton; e Nagel, Jackson, Searle e Chalmers rejeitam a proposta redução dos qualia internos a estados físicos do cérebro.

  Há um factor importante aqui: aqui talvez ajude explicar por que é que tais traços têm tão frequentemente sido tomados como estando para alem de qualquer redução fisicalista. Especificamente, qualquer redução é bem sucedida reconstruindo a natureza conhecida, estrutura e propriedades causais dos fenómenos alvo. É isso que é redução inter teórica. Mas se os fenomneos alvo, tal como os qualia sensoriais, são traços cuja estrutura interna (se é que alguma) somos actualmente incapazes de articular, e cujas propriedades causais (se algumas) nos são largamente desconhecidas, então os fenómenos alvo inevitavelmente parcerão ofercer o mínimo purchase possível para qualquer aspirante a teoria reducente. Apresentar-se-ãp como um mistério de paredes macias. Parecerão irredutíveis a a qualquer teoria ‘estrutural/funcional’ da ciência convencional.

  Mas a aparência de simplicidade sem mácula não tem que reflectir mais do que a nossa prórpia ignorância, uma ignorância, convém notar, que promete sempre ser reparada. Em suma, não nos devemos deixar impressionar demasiado rapidamente pelos qualia, exteriores ou interiores. Se criaturas cognitivas existem de todo, então a existência de qualia inarticuláveis é inevitável, mesmo num universos puramente físico.

  Se eles são em última análise físicos, então os qualia internos devem ser epistemicamente acessíveis a partir de mais do que apenas o ponto de vista subjectivo ou de primeira pessoa; eles devem ser acessíveis também a partir de um ou mais pontos de vista “objectivos”, através de instrumentos apropriados que fazem um scanning da actividade cerebral, por exemplo. Algumas pessoas continuarão a a achar isto implausível. Isto é principalmente porque os termos ‘subjectivo’ e ‘objectivo’ são comummente utilizados em constraste mutuamente exclusivo. Mas a implicação usual da exclusividade mútua pode bem ser inapropriada precisamente no caso em causa. Afinal, nós sabemos que as duas modalidades epistémicas da visão e do tacto, por exemplo, não são mutamente exclusivas no fenómenos a que acedem – pode-se ver e tocar a forma de um objecto, ver e sentir que o sol está no pino, ver e sentir que a chuva está a cair, etc. Porque seria impossível a priori que a modalidade epistémica a que chamaos inrospecção tivesse alguma sobreposição smilar com uma ou mais dos nossas outras modalidades epistémicas? Na verdade tal justaposição parece ser mesmo o caso, mesmo pelos standards do senso comum. Pode-se dizer por introspecção que a nossa bexiga está cheia, mas uma imagem de ultra-sons dir-nos-á a mesma coisa.Pode-se dizer por introspcção que e quando as nossas células retinianas esão foto-fatigadas (chamamos a isso uma pós-imagem), mas isso também é acessível por meios não subjectivos. Pode- se dizer por introspecção que as células cocleares do nosso ouvido interno estão a disparar ao acaso (a condição chamada tinnitus), mas outras pessoas pode aceder ao seu comportamento através de instrumentos. E há, evidentemente, milhares de exemplos mais. Pareceria portanto que o ‘subjectivo’ e o ‘objectivo’ não são afinal mutuamente exclusivos. Pelo menos em alguns dos casos, um e o mesmo estado (físico) pode ser conhecido subjectivamente e objectivamente, a partir de perspectiva de primeira pessoa e de terceira pessoa. Alem idsso, pareceria que a extensão e localização da justaposição é de alguma forma fluida, e que ela varia como função de quanto conhecimento de background, sofisticação conceptual e perícias de reconhecimento a pessoa adquiriu. O processo é então chamado compreender explicitamente o que era até aqui inarticulado e isso é inteiramente encorajado. Quanto mais modalidades epistémicas nós podemos fazer pesar em qualquer fenómeno, mais profundo se tornará o nosso entendimento. Insistir, antes do real entendimento, que um dado fenómeno está fechado para sempre dentro da sua própria caixa epistémica serve apenas para bloquear a própria investigação que poderia dissolver um tal preconceito.

  VI Uma observação final acerca da luz

  Para concluir deixem-se regressar à família de argumentos acerca da irredutibilidade da luz com que com que começámos. Alguém poderia notar que, com a luz, eu usei um exemplo que é antitético às minhas próprias inclinações reducionistas em filosofia da mente. Pois enquanto a luz se reduz claramente a ondas EM, a luz é ainda famosa por ter escapa às.... que toda a gente no século

  XIX esperava. E também é famosa por ter assim emergido como um aspecto fundamental e não mecânico da natureza da realidade: o electromagnetismo. No presente contexto é ainda interessante que (i) embora de natureza não mecânica, a luz permanece um fenómeno inteiramente físico (ii) de forma ainda mais importante, que o estatuto modestamente especial que eventualmente se descobriu a luz ter, não tinha absolutamente nada a ver com qualquer das considerações avançadas na família de argumentos anti-reducionistas da minha paródia inicial. O estatuto não mecânico da luz emergiu primariamente como uma consequência da relatividade especial como uma consequência da unidade do espaço-tempo e e impossibilidade de um éter universal elástico. Não foi uma consequência ou um reflexo de nenhum dos argumentos acima. É irónico que mesmo se a luz não revelou ser de forma inesperada, um tipo muito especial de fenómeno físico, os argumentos paródia (A)-(J) não fez nada para o promover, e eles são na verdade, completamente irrelevantes para isso. A lição paralela acerca de fenómenos mentais é que mesmo se os fenómenos conscientes são ontologicamente especiais de alguma forma, aproximadamente análogos ao caso da luz, não há razão para pensar que os argumentos de Searle, Jackson e Chalmers fazem o que quer que seja para ilustrar ou estabelecer tal coisa. Esses argumentos não são mais instrutivos acerca da natureza última de fenómenos mentais do que os argumentos (A)-(J) são instrutivos acerca da natureza última da luz.

  University of California / San Diego

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