UNIVERSIDADE DO ESTADO DE SANTA CATARINA – UDESC CENTRO DE CIÊNCIAS DA ADMINISTRAÇÃO – ESAG CURSO DE MESTRADO EM ADMINISTRAÇÃO ÁREA DE CONCENTRAÇÃO: GESTÃO ESTRATÉGICA DAS ORGANIZAÇÕES

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CENTRO DE CIÊNCIAS DA ADMINISTRAÇÃO – ESAG

CURSO DE MESTRADO EM ADMINISTRAÇÃO

ÁREA DE CONCENTRAÇÃO:

GESTÃO ESTRATÉGICA DAS ORGANIZAÇÕES

O FINANCIAMENTO À EXPORTAÇÃO DE PEQUENAS E MÉDIAS

EMPRESAS INDUSTRIAIS: O Caso da Athletic Way.

ANTONIO CARLOS REINERT

Dissertação aprovada como requisito para obtenção do grau de mestre no curso de Mestrado em Administração, na área de Gestão Estratégica das Organizações - Universidade do Estado de Santa Catarina – UDESC.

Orientador: Professor Rubens Araújo de Oliveira, Dr.

FLORIANÓPOLIS - SC

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ANTONIO CARLOS REINERT

O FINANCIAMENTO À EXPORTAÇÃO DE PEQUENAS E MÉDIAS EMPRESAS INDUSTRIAIS: O Caso da Athletic Way.

Esta dissertação foi julgada adequada para obtenção do título de Mestre em Administração (Área de Concentração: Gestão Estratégica das Organizações), e aprovada em forma final pelo Curso de Mestrado em Administração da Universidade do Estado de Santa Catarina.

_________________________________________ Prof. Mario Cezar Barreto Moraes, Dr.

Coordenador do Curso de Mestrado.

Apresentado à Comissão Examinadora, integrada pelos professores:

_________________________________________________ Prof. Rubens Araújo de Oliveira, Dr.

Orientador

____________________________________________________ Prof. Arnaldo José de Lima, Dr.

Membro

_____________________________________________________ Prof. Jovane Medina Azevedo, Dr.

Membro

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AGRADECIMENTOS

O autor agradece às Instituições e as pessoas a seguir nomeadas: A Universidade do Estado de Santa Catarina – UDESC;

Ao Centro de Ciências da Administração/ESAG/UDESC;

Ao Curso de Mestrado em Administração da ESAG/UDESC, na pessoa de seu Coordenador Prof. Mario Cezar Barreto Moraes e de todos os seus professores e funcionários;

A Athletic Way;

Ao Professor Dr. Rubens Araújo de Oliveira, pela dedicação e esforço prestado como orientador do presente trabalho;

Ao Professor Msc. Marco Antonio Seifriz, pelo incentivo, dedicação e colaboração como co-orientador deste trabalho;

A Jucelito R. Grasso, Diretor Presidente da Athletic Way, pela colaboração na obtenção dos dados;

Aos alunos da Turma de Joinville do Curso de Mestrado em Administração da ESAG/UDESC, pelo companheirismo e pelos bons momentos;

A Professora Mônica Kohls, pelo incentivo no transcorrer do desenvolvimento do trabalho;

A minha esposa Clerice, pela sua compreensão, paciência, incentivo e carinho, indispensável para a realização deste trabalho.

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“As palavras são o fio onde amarramos nossas experiências”.

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SUMÁRIO

LISTA DE ABREVIATURAS... 8

LISTA DE TABELAS... 9

LISTA DE QUADROS... 10

RESUMO... 11

ABSTRACT... 12

1INTRODUÇÃO... 13

1.1 CONTEXTUALIZAÇÃO DO TEMA... 17

1.2 PROBLEMÁTICA... 20

1.3 OBJETIVOS... 21

1.3.1 Objetivo geral... 21

1.3.2 Objetivos específicos... 22

1.4 JUSTIFICATIVA DO ESTUDO... 22

1.5 ORGANIZAÇÃO DO ESTUDO... 24

2 FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA... 25

2.1 CONSIDERAÇÕES SOBRE COMPETITIVIDADE GLOBAL... 25

2.2 COMÉRCIO EXTERIOR BRASILEIRO... 35

2.3 PEQUENAS E MÉDIAS EMPRESAS... 43

2.3.1 Classificação de porte das empresas... 45

2.3.2 O papel das pequenas e médias empresas ... 46

2.3.3 Comportamento exportador e sua participação no comércio internacional 50 2.4 POLÍTICA GOVERNAMENTAL DE INCENTIVO A EXPORTAÇÃO... 54

2.4.1 Financiamento... 54

2.4.2 Seguro à exportação... 55

2.5 O FINANCIAMENTO COMO FATOR DE COMPETITIVIDADE PARA AS PEQUENAS E MÉDIAS EMPRESAS... 56

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2.6 METODOLOGIA DA REFERÊNCIA PARA ANÁLISE DA

COMPETITIVI-DADE... 63

2.6.1 Fatores Empresariais... 63

2.6.1.1 Capacidade gerencial... 64

2.6.1.2 Capacidade inovativa... 66

2.6.1.3 Capacidade produtiva... 67

2.6.1.4 Capacidade de recursos humanos... 69

2.6.2 Fatores Estruturais... 70

2.6.2.1 Mercado... 72

2.6.2.2 A configuração da indústria... 73

2.6.2.3 Regime de incentivos e regulação da concorrência... 75

2.6.3 Fatores Sistêmicos... 77

2.6.3.1 Determinantes macroeconômicos... 78

2.6.3.1.1 Taxa de câmbio... 78

2.6.3.1.2 Estabilidade macroeconômica interna... 79

2.6.3.1.3 Crescimento do produto interno bruto... 80

2.6.3.1.4 Sistema de crédito da economia... 81

2.6.3.2 Determinantes político-institucionais... 82

2.6.3.2.1 As políticas de comércio exterior e tarifária... 82

2.6.3.2.2 Os acordos de comércio... 83

2.6.3.2.3 O conjunto de incentivos... 84

2.6.3.2.4 A política tributária... 85

2.6.3.3 Determinantes infra-estruturais... 86

2.6.3.4 Determinantes internacionais... 87

3 PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS... 89

3.1 DELINEAMENTO DA PESQUISA... 91

3.2 POPULAÇÃO DO ESTUDO... 92

3.3 TÉCNICAS DE COLETA E TRATAMENTO DE DADOS... 92

3.4 LIMITAÇÕES DO ESTUDO... 93

3.5 DEFINIÇÃO DE TERMOS E VARIÁVEIS... 95

4 DESCRIÇÃO, ANÁLISE E INTERPRETAÇÃO DOS DADOS COLETADOS. 96

4.1 HISTÓRICO DA ORGANIZAÇÃO... 96

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4.2.1 Importância da capacitação gerencial... 98

4.2.2 Capacitação inovativa... 100

4.2.3 Capacitação produtiva... 100

4.2.4 Capacitação em recursos humanos... 102

4.3 FATORES ESTRUTURAIS... 104

4.3.1 O mercado exportador... 104

4.3.1.1 Destino das exportações... 104

4.3.1.2 Canais de comercialização... 105

4.3.1.3 Dificuldades associadas às exportações... 106

4.3.1.4 Obstáculos internos da empresa em relação aos mercados... 107

4.3.1.5 Regimes de incentivos a empresas exportadoras... 108

4.4 FATORES SISTÊMICOS... 111

4.4.1 Macroeconômicos... 112

4.4.2 Político-institucionais... 112

4.3.3 Infra-estrutura... 113

4.3.4 Internacionais... 115

5 CONCLUSÕES E RECOMENDAÇÕES... 117

5.1 CONCLUSÕES... 117

5.2 RECOMENDAÇÕES... 123

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS... 125

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LISTA DE ABREVIATURAS

ACC – Adiantamento sobre Contratos de Câmbio AC E – Adiantamento sobre Cambiais Entregues

ALADI – Associação Latino Americana de Desenvolvimento e Integração ALCA – Área de Livre Comércio das Américas

APEX – Agência de Promoções de Exportações

BNDES – Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social CAMEX – Câmara de Comércio Exterior

CNI – Confederação Nacional das Indústrias

COFINS – Contribuição para financiamento da Seguridade Social EU – União Européia

FGPC – Fundo de Garantia para a Promoção da Competitividade FMI – Fundo Monetário Internacional

FUNCEX – Fundação Centro de Estudos de Comércio Exterior GATT – General Agreement on Tariffs and Trade

ICMS – Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços IEDI – Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial IPI – Imposto sobre Produto Industrializado

ISO – International Standardization Organization ITC – International Trade Center

MERCOSUL – Mercado Comum do Sul

MDIC – Ministério do Desenvolvimento, Industria e Comércio Exterior NAFTA – North American Free Trade agreement

OCDE – Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico OMC – Organização Mundial do Comércio

P&D – Planejamento e Desenvolvimento PEE – Programa Especial das Exportações PIB – Produto Interno Bruto

PMEs – Pequenas e Médias Empresas PNB – Produto Nacional Bruto

PROEX – Programa de Financiamento às Exportações PSI – Programa de Substituições de Importações SBA – Small Business Administration

SEBRAE – Serviço Brasileiro de Apoio a Pequena Empresa SECEX – Secretaria de Comércio Exterior

EU – União Européia

UNCTAD – United Nations Conference on Trade and Development

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LISTA DE TABELAS

Tabela 1- Balança Comercial Brasileira (1993 – 2004) ... 40

Tabela 2 - Critério classificação do tamanho das empresas ... 45

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LISTA DE QUADROS

Quadro 1 - Fatores Empresarias... 64

Quadro 2 - Fatores Sistêmicos... 77

Quadro3 - Grau de importância do planejamneto estratégico... 97

Quadro 4 - Grau de importância da capacitação inovativa... 100

Quadro 5 - Grau de importância da capacitação produtiva... 102

Quadro 6 - Grau de importância da necessidade de treinamento em comércio internacional... 104

Quadro 7 - Grau de importância dos canais de comercialização utilizados pela empresa na exportação... 105

Quadro 8 - Participação das exportações no faturamento... 107

Quadro 9 - Grau de importância da prática exportadora... 107

Quadro 10 - Grau de importância dos obstáculos internos de mercado... 108

Quadro 11 - Mecanismos de fomento às exportações... 109

Quadro 12 - Participação dos incentivos financeiros sobre o volume exportado pela empresa... 110

Quadro 13 - Importância do regime cambial da economia... 112

Quadro 14 - Importância aos obstáculos nacionais... 113

Quadro 1 5 - Importância aos obstáculos infra-estruturais... 114

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RESUMO

O presente trabalho tem por objetivo geral identificar se há correlação entre a utilização de linhas de financiamento para exportações pelas pequenas e médias empresas (PMEs) e o seu nível de competitividade, sendo utilizado como estudo de caso a empresa Athletic Way – empresa industrial de médio porte, localizada no município de Joinville/SC. O trabalho se iniciou com a construção da fundamentação teórica, indispensável para dar sustentação à pesquisa, utilizando-se a metodologia proposta por Ferraz et al. (1997), que analisa a competitividade segundo seus fatores determinantes tais como: os fatores empresariais (gestão, inovação, produção e recursos humanos), os fatores estruturais (mercado, configuração da indústria, regime de incentivos) e os fatores sistêmicos (macroeconômicos, político-institucionais, infra estruturais e internacionais). Tal estudo foi motivado pela pouca bibliografia existente na área, principalmente quando se leva em conta o financiamento para empresas vinculadas à exportação e reconhecida dificuldade das pequenas e médias empresas brasileiras em contrair linhas de financiamento específica à exportações, o que vem prejudicando sobremaneira uma maior inserção deste segmento no mercado internacional. O estudo sinaliza pelo baixo investimento nesse setor.

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ABSTRACT

The present study aims to identify whether or not there is a correlation between using financial lines for export by small and medium companies, and its level of competitiveness. The Atletic Way company was analyzed for this study, a medium sized company located in the city of Joinville, state of Santa Catarina. The work began with the construction of the theoretical fundamentation, indispensable to give support to the research, being used the methodology proposed by Ferraz et al. (1997) that sees competitiveness as: the managerial factors, administration, innovation, production and human resources; also the structural factors, market configuration of the industry, regime of incentives; and the sistemics factors, as macroeconomics, political-institutional, infra-structure and international. There are very few research material found in this area, mainly when it aims businesses depending on finance policies to export, and also the difficulties that small and medium Brazilian companies face whenever they need a specific financing to export, which harms this sector in the international market. The study signals the low investment in this sector.

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INTRODUÇÃO

Nesta parte do trabalho são apresentadas algumas reflexões sobre o panorama atual do comércio internacional, buscando-se posicionar o grau de competitividade do segmento das pequenas e médias empresas industriais, doravante denominadas “PMEs”, quanto a influência do financiamento às exportações. Posteriormente, apresenta-se a contextualização do problema, a organização do estudo e a sua justificativa.

O mundo que se estruturou a partir da Segunda Guerra Mundial tem assistido, entre fatos de transcendental importância, a dois fenômenos marcantes para a evolução das sociedades humanas: de um lado uma nova dinâmica do processo de crescimento das economias nacionais; de outro, profundas mudanças nas relações econômicas internacionais.

Como em nenhum outro período da história, um bom número de países conseguiu imprimir extraordinária velocidade ao progresso econômico de seus povos, utilizando novos instrumentos e servindo-se com extrema eficácia da explosão de inovações tecnológicas. Também se operava, em grau inusitado, um processo de internacionalização das economias, que seria responsável, em grande parte, pelo próprio sucesso dos esforços nacionais de desenvolvimento econômico e social.

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conseqüência, se viram induzidos, a ampliar consideravelmente, seu diálogo econômico com o exterior.

O comércio internacional permite ao país aumentar sua produtividade, eliminando a necessidade de produzir todos os bens e serviços dentro do próprio país. Com isto a nação pode especializar-se nas indústrias e segmentos nos quais suas empresas são relativamente mais produtivas do que as rivais estrangeiras, aumentando dessa forma a produtividade média da economia. As importações, portanto, bem como as exportações são parte integrante do crescimento da produtividade.

O forte processo de internacionalização das economias, refletiu-se numa grande intensificação e diversificação das trocas comerciais; na proliferação acentuada de investimentos no exterior, especialmente, entre os países já desenvolvidos; na ampliação da conversibilidade de moedas que facilitam o intercâmbio, e finalmente, o recurso a vários movimentos de integração regional, conquistado através dos blocos econômicos, como, o Mercado Comum do Sul (MERCOSUL), Acordo de Livre Comércio da América do Norte (NAFTA), União Européia (EU), tudo isso no contexto de uma estreita cooperação econômica multilateral.

Por outro lado, esta interdependência das economias nacionais abertas tem tornado mais difícil que os seus respectivos governos atinjam as duas metas básicas de política macroeconômica: o equilíbrio interno (pleno emprego com estabilidade de preços) e o equilíbrio externo (equilíbrio no balanço de pagamentos).

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internacional. Medidas que consistiram, basicamente, em restrições e controles das importações, elevação da taxa de cambio e compra de excedentes ou financiamento de estoques, visando, primeiramente, protegerem-se contra o desequilíbrio externo, antes de estimularem a atividade interna.

No entanto, ficou claro que esse tipo de política seria incompatível com a política de desenvolvimento necessária para promover o crescimento do país. O caso brasileiro pode bem ilustrar estas dificuldades. O Brasil assim, passou nos últimos anos, por diversas tentativas voltadas à obtenção da estabilidade econômica com profundos impactos sobre o nosso cotidiano. Dentre estas tentativas, conforme relata Baumann (1996), destaca-se a abertura comercial promovida pelo governo federal no início dos anos 90, que desencadeou um processo positivo de renovação tecnológica do parque industrial brasileiro via importação de insumos e bens de capital, com atuais reflexos positivos sobre a balança comercial devido a capacidade do setor exportador em alavancar suas vendas externas.

Grieco (1994) salienta que, “o comércio externo passou a ser um dos fatores essenciais ao equilíbrio econômico brasileiro, a medida que se encerrava o período de substituição das importações, seguido pela abertura econômica do país”.

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Pelo comércio internacional, as economias dos diferentes países estão mais inter-relacionadas do que jamais estiveram antes, porém, ao mesmo tempo, a economia mundial está mais turbulenta do que há muitas décadas.

Como forma de atenuar e definir parâmetros para tantas controvérsias, deve-se destacar as conquistas do GATT (Acordo Geral de Tarifas e Comércio), principal instrumento multilateral de gestão diplomática no plano econômico comercial; durante a segunda metade do século passado; e posteriormente da OMC (Organização Mundial do Comércio), no sentido de uma constante desregulamentação do comércio, podem e devem ser parcialmente responsabilizados pelo período de razoável estabilidade política entre as principais potencias mundiais, sem a qual certamente não ocorreria tão expressivo crescimento nas trocas internacionais. A OMC seja por seu amplo espectro de atuação, exprimindo o vigor da sua lógica de atuação pela quase universalidade de seus membros, seja pela amplitude de sua competência, que vai além da simples redução de tarifas, abre terreno para a consolidação dos ideais das grandes corporações globais.

É dentro deste cenário dinâmico e complexo que um número cada vez maior de empresas, vêem-se compelidas a se internacionalizar na busca de ganhar competitividade. Consumidores cada vez mais exigentes em mercados cada vez mais saturados provocam uma necessidade de constante inovação tecnológica por parte das empresas, implicando uma série de investimentos necessários à criação de novos produtos com ciclos de vida menores.

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No Brasil, bem como na maior parte dos países, as PMEs respondem pela grande maioria das unidades produtivas criadas anualmente. A criação desses estabelecimentos é, em geral, uma dinâmica desejável, na medida em que permite à geração de novos empregos e oportunidades para a mobilidade social, além de contribuir para o aumento da competitividade e a eficiência econômica. São vistas como agentes de mudança com um papel crucial na inovação tecnológica, além disso, é através desses estabelecimentos que milhões de pessoas chegam ao mercado de trabalho.

As PMEs convivem com uma tipologia de deficiências que prejudicam sobremaneira sua inserção e sua continuidade na atividade exportadora. Portanto, é de extrema importância que possamos identificar se há correlação entre a utilização de linhas de financiamento para exportações pelas PMEs exportadoras brasileiras e o seu nível de competitividade.

1.1 CONTEXTUALIZAÇÃO DO TEMA

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desenvolvimento local, autêntico, eqüitativo e sustentável, vem sendo rediscutida com bastante ênfase.

Souza (1995) destaca outras justificativas para o atual prestígio das PMEs: estímulo à livre concorrência e à capacidade empreendedora; efeito amortecedor dos efeitos das flutuações na atividade econômica; manutenção de certo nível de atividade econômica em determinadas regiões; e contribuição para a descentralização da atividade econômica, em especial na função de complementação às grandes empresas.

A experiência internacional aponta no sentido de considerar as PMEs como agentes estratégicos na formulação de políticas públicas. A grande maioria dos governos vem procurando não apenas conceder empréstimos em condições vantajosas, mas também facilitar o acesso dessas empresas ao sistema financeiro; conceder assistência gerencial e técnica antes e depois do início de atividades das empresas; conceder tratamento tributário, administrativo e fiscal diferenciado; apoio a comercialização e incentivo à formação de cooperativas.

Tendo em vista o escopo deste estudo, destaca-se dentre estas várias formas de apoio os programas desenhados para incentivar a participação das PMEs na atividade exportadora. A adoção de medidas especificamente voltadas para reduzir os riscos e os custos de entrada e permanência de PMEs nas exportações constituem-se, numa tônica dos programas governamentais de promoção às exportações de diversos países.

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PMEs para captação de recursos junto ao segmento bancário, tem crédito escasso, em função de não disporem de garantias em volume compatível com recursos que necessitam, além de terem esse crédito aprovado, por meio de cobrança de taxas de juros elevadas.

Preocupado com os sucessivos déficits da balança comercial obtidos no período 1995-2001, o governo federal brasileiro proclamou uma espécie de “cruzada pró-exportações” alcançando a partir de 2002 expressivos superávits da balança comercial.

O principal alvo dos programas de exportação do governo é o segmento das PMEs que apresenta uma histórica baixa participação no volume das exportações nacionais, o que é confirmado por diversos estudos estatísticos.

A globalização não respeita fronteiras e diante dessa nova realidade, o empresário nacional é obrigado a sair da sua postura conservadora e partir para disputar, de forma mais agressiva, o nicho de mercado para seus produtos, levando em conta as oportunidades e ameaças externas, suas potencialidades e fraquezas internas, sob pena de perderem espaço para seus concorrentes. Isso significa, desenvolver competitividade para sobreviver.

A entrada de produtos importados no país tem afetado as PMEs que atuam somente no mercado interno, neutralizando sua vantagem competitiva em relação, principalmente, a qualidade e preço. De alguma forma, esse processo trouxe, também, resultados benéficos para as empresas, porque as fez cair de uma atitude acomodada procurando-se organizar para enfrentar esse novo obstáculo com responsabilidade e determinação.

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diversos aspectos desse sistema, o papel a ser desempenhado pelo setor público se mostra como o mais importante e o mais difícil de ser equacionado. Assim, é preciso que seja definido o que o setor privado é capaz de oferecer com eficiência daquilo que necessita ser regulamentado ou provido diretamente pela intervenção do setor público.

1.2 PROBLEMÁTICA

A existência de linhas de financiamento com prazos, custos e condições gerais adequadas é freqüentemente citada como uma das condições fundamentais para aumentar a capacidade de competição das empresas brasileiras no mercado internacional. Nesse quadro, o financiamento à exportação não tem sido exceção. É verdade que o maior acesso as linhas de crédito externo a prazos e custos mais favoráveis permitiu aos bancos instalados no país expandir o crédito aos exportadores a custos também mais atraentes dos que os das linhas com funding doméstico.

Observa-se porém, que a existência de falhas de mercado e as assimetrias de informação restringem significativamente a oferta de crédito para um grupo bastante expressivo de exportadores – especialmente as PMEs.

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Como se sabe, porém, no Brasil são exatamente as PMEs que enfrentam maiores dificuldades em obter condições de competitividade – incluídos aqui itens como capacidade gerencial, acesso a tecnologia, custos de infra-estrutura, crédito, entre outros, que as permitam entrar em mercados altamente competitivos no estrangeiro.

A globalização não respeita fronteiras e diante dessa nova realidade, o empresário nacional é obrigado a sair da sua postura conservadora e partir para disputar, de forma mais agressiva, o nicho de mercado para seus produtos, levando em conta as oportunidades e ameaças externas, suas potencialidades e fraquezas internas, sob pena de perderem espaço para seus concorrentes. Isto significa, desenvolver competitividade para sobreviver.

Com vistas às considerações apontadas e por entender que os problemas apresentados convergem para uma questão referente a competitividade da PMEs exportadoras, formulou-se então o seguinte problema de pesquisa: a utilização de linhas de financiamento para exportações pela empresa Athletic Way possui correlação com o incremento do seu volume exportado, no período compreendido entre os anos de 2000 e 2004?

1.3 OBJETIVOS

1.3.1 Objetivo geral

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1.3.2 Objetivos específicos

• Levantar na bibliografia especializada, o comportamento exportador das

PMEs no Brasil;

• Levantar as atuais linhas de crédito às exportações pelas PMEs

exportadoras junto as instituições financeiras, dentro do ambiente econômico brasileiro;

• Analisar se a utilização em maior escala da garantia de riscos nas

operações (Seguro de Crédito a Exportação) exerce alguma influência no volume das exportações.

1.4 JUSTIFICATIVA DO ESTUDO

A abertura de mercado internacional ligada a uma maior competitividade é tida como fator fundamental para o crescimento econômico nacional. A necessidade de modernização e atualização se tornam cada vez mais, pontos-chave para uma abertura de mercado internacional.

Conforme Pastore et al (1979, p.15),

O estudo da evolução do comércio durante um período muito longo faz aparecer dois fatos essenciais: de um lado a existência de um crescimento elevado no volume do comércio mundial desde meados do século XVIII, crescimento geral superior ao da produção, do outro a existência de uma especialização crescente dos países industrializados na exportação de bens manufaturados e dos países não industrializados na exportação das matérias-primas. Integrar o comércio e a especialização numa evolução das estruturas aparece, portanto, como indispensável para o crescimento do comércio internacional.

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exportações. Vale dizer, superávits e não déficits comerciais precisam ser a norma nos anos à frente, e um caminho natural para gerá-los é exportando mais.

Atualmente, o Brasil depara-se com diversos problemas no setor exportador, dentre eles o que justifica este estudo, esta o financiamento destinado às PMEs exportadoras na busca de uma melhor competitividade externa.

A existência de linhas de financiamento com prazos, custos e condições gerais adequadas é freqüentemente citada como uma das condições fundamentais para aumentar a capacidade de competição das PMEs brasileiras no mercado internacional. Um dos problemas é a questão do acesso ao crédito, uma vez que a existência de falhas de mercado e assimetrias de informação restringe significativamente a oferta de crédito para as PMEs exportadoras, o outro problema relaciona-se a demanda de crédito dos exportadores, partindo-se da hipótese de que muitas empresas simplesmente não desejam ou não mostram interesse em obter financiamento, e por fim, as taxas de juros elevadas como fator negativo em relação ao financiamento à exportação.

Dentro do esforço do governo brasileiro em buscar o equilíbrio do setor externo a temática do financiamento às PMEs vem assumindo relevado interesse, destacando-se a intenção da política de incentivos e estímulo ao exportador, através do Programa de Apoio Tecnológico à Exportação (PROGEX), Programa Novos Pólos Exportadores (PNPE) e as ações da Agência de Promoção das Exportações (APEX) de aumentar a base exportadora através de uma maior participação da PMEs nas exportações.

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imagem do país em função da maior competitividade e inserção do produto nacional no mercado externo.

1.5 ORGANIZAÇÃO DO ESTUDO

O trabalho está estruturado em cinco capítulos. No primeiro, apresenta algumas reflexões sobre o panorama atual e as tendências do comércio internacional e seus reflexos sobre a economia brasileira, buscando-se posicionar o segmento das PMEs, objeto deste estudo, no mercado global. Posteriormente, apresenta os objetivos geral e específicos, que norteiam a elaboração desse estudo, a contextualização do problema e a sua justificativa.

No segundo capítulo, apresenta a revisão da literatura relacionada ao tema do financiamento às exportações de pequenas e médias empresas, no aspecto da competitividade do setor, utilizando a metodologia proposta por Ferraz et al. (1997) para análise da competitividade.

No terceiro capitulo os procedimentos metodológicos são apresentados e conceituados visando abranger as metodologias utilizadas no estudo.

No quarto capítulo, apresenta os dados obtidos a partir do estudo de caso e suas correlações com o tema do trabalho, obedecendo-se os critérios de análise e interpretação previamente definidos.

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2 FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA

O passo inicial da revisão bibliográfica torna possível o entendimento de um modelo teórico com o objetivo de testá-lo na prática. Dá subsídios ao pesquisador a identificar à solução do problema proposto, através da pesquisa realizada. Assim sendo, apresenta-se neste capítulo a revisão bibliográfica relacionada ao tema em estudo, visando, sobretudo, descrever as características e o comportamento das PMEs no mercado global, sua competitividade e disponibilidade de financiamento para suas exportações.

2.1 CONSIDERAÇÕES SOBRE COMPETITIVIDADE E MERCADO GLOBAL

A competição se intensificou de forma drástica ao longo das últimas décadas, em praticamente todas as partes do mundo. Não faz muito tempo, a competição era inexistente em muitos países e em vários setores conforme escreve Porter (1999). Os mercados fechados propiciavam uma constante intervenção governamental e a formação de cartéis.

A competitividade, conforme escreve Coutinho (1995) tornou se um imperativo do cenário contemporâneo, no bojo do processo de rápida mudança tecnológica e de globalização financeira.

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preocupações das nações desenvolvidas, em termos de estabelecimento de políticas industriais, voltam para a questão da competitividade, um recente indicador de sucesso econômico das nações com o sinônimo de habilidade em atingir-se rápido crescimento econômico e por um longo período de tempo.

Segundo a autora, as políticas de competitividade dos países da OECD (antigamente denominadas pelos mesmos de “políticas industriais”) são conduzidas na direção de um crescente investimento em conhecimento no âmbito das empresas, tendo como objetivo central acelerar o processo da capacitação tecnológica e de investimento em P&D nas mesmas. Estas políticas estariam intimamente associadas à liderança destes países na exportação de manufaturados intensivos em tecnologia e, por conseqüência, no ranking das exportações mundiais. O mercado globalizado, com a crescente competição entre as empresas e as oportunidades apresentadas pelos diversos mercados mundiais, têm levado as empresas a atuar fora de seu mercado de origem. O mercado local é restrito e o global apresenta melhores perspectivas de crescimento. Para se ter uma noção mais precisa, basta observar que os EUA, com todo o potencial apresentado, sendo a maior economia do planeta, representam apenas 25% do mercado mundial. Isso quer dizer que restam ainda 75% de oportunidades proporcionadas pelos demais mercados. Na Europa, a Alemanha representa o maior mercado constituído por um País. Os países da antiga União Soviética respondem por cerca de 6,9% do Produto Nacional Bruto mundial, o que dá para constatar o significativo potencial mercadológico apresentado.

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das pressões e dos desafios. Elas se beneficiam da existência de rivais internos e poderosos, de uma base de fornecedores nacionais agressivos e de clientes locais exigentes.

Scott e Lodge (apud BRAGA, 1999, p.14), definem competitividade como “a habilidade de um estado-nação produzir, distribuir e servir bens na economia internacional em competição com bens e serviços produzidos em outros países, e fazê-lo de maneira tal a conseguir um padrão de vida crescente”. A medida final de sucesso é o aumento no padrão de vida. Ser competitivo como país significa estar apto a entregar recursos nacionais, notadamente a força de trabalho da nação, de maneira a conseguir um nível crescente de receita real por meio da especialização e do comércio.

Para Rosseti (1997), o processo de expansão da competitividade se tornou mais acelerado no final do século passado, como resultado do aumento da concorrência entre as empresas, na disputa de um espaço em, praticamente, todos os mercados mundiais.

Os principais fatores que geram a expansão da concorrência, segundo Rosseti (1997), são: a multipolarização, as macroparcerias, a liberação do comércio mundial; os propósitos estratégicos de global-localização de grandes corporações empresariais; a aceleração dos processos de inovação; e a queda de barreiras para entrada de novos competidores em todos os mercados.

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- As macroparcerias, resultantes da integração de economias nacionais, criação de áreas de livre comércio e de uniões alfandegárias, tiveram como conseqüência, o aumento da competitividade;

- A liberação do comércio mundial, foi obtida através de pressões efetuadas pelos países desenvolvidos sobre os demais países, principalmente, os dominados emergentes, para redução das alíquotas de importação, com o objetivo de aumentar suas exportações;

- A global localização, como fator de impulsão da competitividade, é o propósito estratégico das grandes empresas que se implantam nos mega mercados visando fortalecer sua posição competitiva;

- A aceleração dos processos de inovação do desenvolvimento de novos bens de capital e aprimoramento da tecnologia de produção em, praticamente, todos os setores da economia;

- A queda de barreiras de entrada de novos competidores em quase todos os mercados, que passaram a ameaçar os concorrentes tradicionais.

Esse conjunto de fatores que justificam a expansão da competitividade se resume num conceito formulado por Porter (1989), onde afirma que o desenvolvimento econômico de um país pode ser avaliado pelo nível de produtividade, obtido por meio da forma pela qual os recursos são empregados.

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Kotler (1998), considera que ter vantagem competitiva é ser mais forte que os concorrentes em um fator relevante para o consumidor. Um fator de competitividade se transforma em vantagem competitiva de uma empresa, quando os respectivos consumidores e clientes reconhecem que em relação ao produto, a empresa tem uma situação melhor, diferenciada de seus concorrentes. É a decisão dos consumidores em adquirir os produtos, que se constitui numa vantagem competitiva.

Segundo Porter (1989), ou as indústrias de um país aprimoram e ampliam suas vantagens competitivas ou perdem participação no mercado. O fato é que a competição global generalizada torna-se, cada vez mais, decisiva para a prosperidade econômica nacional, exigindo um esforço conjunto para enfrentá-la entre empresas, indústrias, Governo e a sociedade.

Entender como se desenvolve o processo da competitividade, significa analisá-lo sob vários aspectos e contextos distintos: na visão de Porter (1989), o único conceito significativo da competitividade a [sic] nível nacional é a produtividade nacional, colocando competitividade como sinônimo de produtividade. Para tanto, o autor, por meio desse conceito, procura justificar que, a produtividade é responsável pela elevação do padrão de vida de um país, e que a produtividade gera a vantagem competitiva e esta, é influenciada por quatro amplos atributos denominados determinantes da vantagem nacional, que definem o ambiente no qual as empresas atuam e que podem promover ou impedir a criação dessa vantagem, que são: as condições dos fatores de produção; as condições de demanda; as indústrias correlatas e de apoio; e a estratégia, estrutura e rivalidade de empresas.

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técnico, disponíveis nas universidades, órgãos do Governo e instituições privadas); os recursos de capital; investimentos em Planejamento e Desenvolvimento (P&D); e os recursos de infra-estrutura (transportes, comunicações, correios, assistência médica e instituições de ensino).

As condições de demanda são caracterizadas por mercado interno amplo, como base para escalas competitivas, exigentes e antecipativas de tendências mundiais, como percepção de necessidades emergentes, cuja dinâmica determina o rumo e o caráter da melhoria e inovação pelas empresas do país.

As indústrias correlatas e de apoio correspondem a indústrias internacionalmente competitivas, dotadas de inovações, tecnologicamente atualizadas, dentro dos padrões mundiais de qualidade e custos, em todas as etapas da cadeia de suprimentos.

A estratégia, estrutura e a rivalidade de empresas compõem um ambiente onde as empresas são constituídas e disputam sua fatia de mercado. As estratégias de negócios, centradas na busca da vantagem competitiva, são fundamentais no processo de inovação e na participação de mercados internacionais.

Cavalcanti e Gomes (2001) afirmam que a competitividade das empresas não está baseada em vantagens comparativas oriundas dos fatores clássicos de produção – terra, capital e trabalho. Na nova economia estas vantagens deixam de ser relevantes diante do novo fator de produção: o conhecimento.

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David Ricardo (apud PORTER, 1999), aperfeiçoou essa idéia chegando à Vantagem Comparativa, onde as forças de mercado encaminharão os recursos de um país para as indústrias onde esse país é relativamente mais produtivo. Isso significa que uma nação poderia importar um artigo, que poderia produzir a baixo custo, se essa nação for ainda mais produtiva em outros artigos.

Conforme Porter (1999), tanto a Vantagem Absoluta como a Relativa são necessárias ao comércio. A versão dominante da Vantagem Comparativa, devida inicialmente a Hoeckscher e Ohlin, baseia-se nas idéias de que a nação tem, todas, tecnologia equivalente, mas diferem na disponibilidade dos chamados fatores de produção, como terra, mão de obra, recursos naturais e capitais. Os fatores nada mais são do que os insumos básicos necessários à produção.

Para Porter (1999), o comércio internacional e os Investimentos externos são capazes não apenas de melhorar, mas também de ameaçar a produtividade nacional. Podem melhorar no sentido de que as empresas poderão competir internacionalmente produzindo aquilo em que são mais produtivas, disputando um mercado de igual para igual. É onde se enquadra o mecanismo de financiamento as exportações, com prazos e taxas de juros praticadas nos moldes do mercado internacional, as empresas poderão investir mais em tecnologia, mão-de-obra qualificada e melhor preço, conseqüentemente obtendo maior produtividade.

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financiamento aos exportadores, favorecer as empresas com investimentos na qualificação de seu produto diante dos padrões internacionais.

Diversos organismos multinacionais têm sido constituídos visando incentivar o comércio entre os países. Para atingir seus objetivos, essas instituições estabelecem regras para disciplinar o relacionamento comercial, tendo como premissa e isonomia, a eliminação de barreiras protecionistas, subsídios e a melhoria das condições econômicas, sociais e financeiras dos países pobres. A seguir os principais órgãos que atuam ou que atuaram no comércio internacional: GATT (General Agreement on Trade and Tarifs), OMC (Organização Mundial do Comércio), SGP (Sistema Geral de Preferências) e SGPC (Sistema Geral de Preferências Comerciais).

Para Macedo (2001), o baixo índice de competitividade das empresas brasileiras pode ser explicado por algumas das principais características que marcaram historicamente os padrões de desenvolvimento da economia brasileira, em particular aquelas vinculadas ao seu processo de industrialização, que ocorreu em condições tardias em relação ao desenvolvimento industrial de países como a Inglaterra, os Estados Unidos, a Alemanha e o Japão. Os avanços da industrialização brasileira, verificados principalmente a partir dos anos 30 até o final dos anos 90, quase sempre estiveram associados a uma forte intervenção do estado e a elevados níveis de protecionismo contra a concorrência externa.

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aplicado. Essa “alienação” terminou por construir um sentimento de desconfiança em relação ao desenvolvimento tecnológico no Brasil, prejudicando-o excluindo-o da tendência mundial de participação em redes internacionais de relacionamento e alianças estratégicas na área de informação e do conhecimento.

Este cenário, de intenso protecionismo e inadequada infra-estrutura, só mudaria no início dos anos 90, quando um novo padrão de desenvolvimento firmou-se na economia brasileira. Processos como o de institucionalização de programas voltados à qualidade e à produtividade da indústria nacional, de maior abertura comercial externa, de relativa estabilidade monetária da economia brasileira, de menores incertezas na condução de políticas macroeconômicas, de redefinição dos padrões de intervenção do setor público, de privatizações de empresas estatais e de desregulamentação do fluxo de investimentos diretos do estrangeiro, estão redefinindo os referenciais que orientam as decisões empresariais.

Relatório do IEDI (2000) contém dados sobre a competitividade das exportações brasileiras no final da década de 90. Conforme o estudo, os produtos da pauta brasileira que pertenciam a setores que apresentavam demanda crescente no comércio mundial, representavam 52% das exportações no final do período 1991/94 e foram reduzidos a apenas 36% no final do período 1994/98.

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setores intermediários e em regressão no comércio mundial, em segmentos de menor intensidade tecnológica, em alimentos e matérias-primas e em produtos manufaturados com base em recursos naturais. O estudo ainda ressalta que boa parte da responsabilidade pela má performance das exportações brasileiras recai, desta forma, sobre a estrutura física de sua pauta, na qual 60% dos produtos são commodities agrícolas e industriais, com baixa elasticidade de renda nos mercados

mundiais, com um comportamento de preço cíclico e com uma tendência secular de baixa.

Conforme Grieco (1994), o governo após anunciar o programa de reforma monetária de julho de 1994, remeteu ao Congresso Nacional o Programa de Competitividade Internacional (PCIN), para concessão de benefícios fiscais e o estabelecimento de normas formas de financiamento às exportações. Desde então, o financiamento ao comércio exterior deve ser entendido como um mecanismo de crédito. È um fator de estímulo à produção nacional, gerador de empregos e de divisas para o país. Toda empresa tem sua capacidade produtora ou comercial limitada à sua capacidade de giro. Quando suas despesas são superiores ao seu capital de giro, seja na fase de produção, seja na de comercialização, a empresa geralmente requisita os financiamentos, com o objetivo de cumprir seus compromissos comerciais ou financeiros.

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Os mecanismos de financiamento público para as exportações foram reconstituídos a partir de dois programas, e até hoje, continuam sendo os principais, o FINAMEX (Programa de Financiamento à Exportação de Bens de Capital), do BNDES, que foi criado com o objetivo de apoiar empresas exportadoras de máquinas e equipamentos estabelecidas no país e o PROEX (Programa de Financiamento às Exportações) ligado ao Tesouro Nacional e operacionalizado pelo Banco do Brasil, que visa estimular as vendas para o exterior, mediante financiamento das exportações, compatíveis com as condições praticadas no mercado internacional.

O processo de abertura comercial iniciado no final dos anos 80 e o avanço tecnológico internacional propiciou, um avanço no comércio exterior brasileiro e aumento no volume das exportações brasileiras, conforme aborda-se no próximo item.

2.2 COMÉRCIO EXTERIOR BRASILEIRO

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de abertura comercial iniciado no final dos anos 80 e o avanço tecnológico internacional, entretanto, vêm aproximando os padrões de consumo e os métodos de produção entre países.

Nesse período, as exportações brasileiras cumpriram o papel fundamental de fornecer divisas e aumentar a renda doméstica, ampliando o leque de oportunidades aos investimentos nos setores eleitos pelo processo de substituição de importações (GUIMARÃES, 1996). As exportações de bens manufaturados foram beneficiadas por certa estabilidade cambial até o final dos anos 70 e por um generoso sistema de incentivos e subsídios que se estendeu até o final do primeiro qüinqüênio dos anos 80. Essa política centrava-se na formação do preço recebido pela atividade exportadora.

O resultado foi surpreendente, passando a participação das exportações de manufaturados nas exportações totais de 24,1% em 1974 para 49,5% em 1987 (PINHEIRO e MOREIRA, 2000). Essa mudança estrutural da pauta de exportações brasileiras evidenciou um aprendizado e um amadurecimento substancial nas atividades de comércio exterior em um número reduzido de grandes empresas (cerca de 1%), as quais respondem por mais de 80% das exportações de manufaturados, no total de 15 mil empresas exportadoras atualmente.

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referido período, deu uma falsa idéia de competitividade e de maior inserção internacional, quando, na verdade, perdeu participação no comércio mundial. Em 1980, as exportações brasileiras representavam 1,05% desse comércio, em 1990, o percentual havia caído para 0,93%, mesmo índice apresentado ao final de 2000, ou seja, as vendas externas brasileiras não conseguiram acompanhar o ritmo de crescimento das vendas internacionais. (GONÇALVES, 1998).

Até os anos 90, desde o agravamento do endividamento externo, o setor exportador sempre foi privilegiado com subsídios e incentivos. A partir da retomada do fluxo de capital dos anos 90 e do decorrente desafogo da crise cambial, não só se acelerou o processo de abertura externa, iniciada ao final dos anos 80, como se reduziram as concessões feitas aos exportadores. No início do Plano Real, inclusive como forma de conter a inflação, estimularam-se as importações, sem qualquer preocupação com a geração de déficits comerciais. Porém o déficit acelerado nas transações correntes associados à retração nos fluxos de capital despertou da letargia até os mais deslumbrados com o neoliberalismo, e novamente a geração de superávits na balança comercial tornou-se a tônica do discurso.

Através da exportação reforça-se o papel de captador de divisas, promotor de crescimento econômico e do nível de emprego, nos moldes do chamado “multiplicador keynesiano”. Esta situação também contribui para um aumento nas importações de bens de equipamento, tecnologia e Know-how por parte dos países em desenvolvimento, necessárias para adaptarem seus produtos às exigências dos consumidores nos países desenvolvidos. (BRAGA, 1999).

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elevados coeficientes de exportações e a segunda, aos anos 90, pela abertura das importações.

O comércio exterior brasileiro deu um salto significativo a partir de 1989, quando se iniciou a abertura comercial. A crescente integração internacional da indústria brasileira ocorreu, em duas fases conforme salienta Baumann (1996) a seguir:

Primeiro, durante os anos 80, ela se deu através de marcada elevação no coeficiente exportado (medido pela razão entre exportações e o valor bruto de produção). Nesse período, a preservação e fechamento às importações, motivada pela crise da dívida externa, conservou as importações no patamar muito reduzido da era do que se convencionava chamar de “industrialização substitutiva”. Segundo, na primeira metade da década de 90, a abertura econômica levou a um rápido crescimento no coeficiente importado (razão entre importações e valor bruto de produção). Simultaneamente, prosseguiu a elevação do coeficiente exportado.

Embora o perfil das exportações brasileiras tenha evoluído no sentido de maior presença de produtos industrializados, a inserção atual da indústria brasileira no comércio internacional, caracteriza-se ela exportação de commodities, energia e de bens intensivos em mão-de-obra barata como celulose, papel, suco de laranja, farelo de soja e minérios semiprocessados mas, conforme Coutinho (1995) deve-se, todavia, considerar que, mesmo nesses produtos, a competitividade brasileira pode vir a ser ameaçada, uma vez que a tendência no mercado internacional é de crescente sofisticação e de segmentação em especialidades.

O mesmo autor explica que:

Em comparação com os padrões internacionais, no início da década de 1990 uma boa parte da indústria brasileira opera com equipamentos e instalações tecnologicamente defasados, apresenta deficiências nas tecnologias de processo, exibe atraso quanto às tecnologias de produto (COUTINHO, 1995, p.33).

Para que isto não ocorra, Baumann (1996, p.189) defende que,

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menor será a desvalorização da taxa de câmbio; portanto, maior será a estabilidade de preços. Conseqüentemente, sempre que uma política de competitividade industrial puder ajudar a fortalecer a produtividade e a qualidade da indústria brasileira, ela será elemento de uma política de estabilidade macroeconômica.

A partir de 1980, a indústria brasileira ampliou gradativamente seu grau de internacionalização. No comércio internacional cresceu o volume de transações, apesar que, a participação do país nas exportações mundiais, não saiu do intervalo de 1 a 1,5%, conforme relato de Coutinho (1995).

Mesmo que a pauta de produtos exportados tenha se diversificado e as empresas líderes apresentem uma exposição internacional sustentada, o Brasil continua importando bens de maior valor unitário do que as suas exportações. Baumann (1996, p.206), esclarece que,

as exportações brasileiras ainda dependem fortemente de produtos de processamento industrial básico, que são muito suscetíveis à evolução da economia internacional e dependentes de movimentos de bolsas de mercadorias, sobre as quais as empresas podem exercer muito pouca influência. Quanto à direção de vendas, os produtos menos sofisticados são consumidos nos países mais avançados e os produtos de maior valor agregado são vendidos nos mercados de países com um nível de desenvolvimento similar ao brasileiro. Este quadro parece sugerir que a contribuição potencial das exportações brasileiras para o crescimento econômico possivelmente é menor do que as vendas para o mercado interno.

Estudo realizado pelo IEDI (2000) traz dados sobre a perda de competitividade das exportações brasileiras no final da década de 90, ressaltando que boa parte pela má performance das exportações brasileiras recai, de certa forma, sobre a estrutura física da sua pauta, na qual cerca de 60% dos produtos são commodities agrícolas e industriais, com baixa elasticidade de renda nos mercados

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tradicionais de exportação do Brasil e naqueles em que o país apresenta vantagem comparativa com relação ao resto do mundo, o Brasil vem perdendo mercado. A análise destes autores, para o conjunto de produtos manufaturados exportados para os mercados da OCDE, revelou que o problema das exportações brasileiras de manufaturados não se deve a sua ausência nos mercados “dinâmicos”, mas sim à sua falta de competitividade frente às demais economias (...) A perda de participação brasileira no comércio internacional é conseqüência da falta de competitividade generalizada dos produtos brasileiros. (FONSECA E VELOSO, 1998).

Conforme salienta Baumann (1996), a ênfase na exportação de produtos de baixo valor agregado, a baixa participação das importações na estrutura produtiva e o alto grau de internacionalização da estrutura patrimonial são características que levam o Brasil, a um caso único entre países industrializados.

Tabela 1: Balança Comercial Brasileira (1993-2004), US$ 1.000 FOB

ANO EXPORTAÇÃO IMPORTAÇÃO SALDO

1993 38.554.769 25.256.001 13.298.768

1994 43.545,149 33.078.690 10.466.459

1995 46.506.282 49.971,896 -3.465.614

1996 47.746.728 53.345.767 -5.599.039

1997 52.994.341 59.747.430 -6.753.089

1998 51.139.862 57.714.365 -6.574.504

1999 48.011.444 49.210.314 -1.198.870

2000 55.085.595 55.834.343 -748.748

2001 58.222.642 55.580.718 2.641.924

2002 60.361.786 47.234.056 13.127.730

2003 73.084.000 48.291.000 24.793.000

2004 96.475.000 62.779.000 33.696.000

Fonte : Serpro/Secex.

Com a análise da tabela 1, verifica-se em termos gerais, que as exportações brasileiras aumentaram e as importações diminuíram, exemplificando o que Baumann (1996) descreve sobre o Brasil enquanto país industrializado.

(41)

somente em 2004 o montante de US$ 96 bilhões em exportações, registrando a maior taxa de crescimento em mais de 20 anos, 31%. A base exportadora expandiu-se no ano, com a incorporação, em termos líquidos, de 681 firmas exportadoras, alcançando um total de 17.963 empresas – 3,9% a mais do que em 2003. O valor médio exportador por firma alcançou US$ 3.358 mil, com aumento de 26,9%.

O esforço para elevar o patamar das exportações nacionais nos últimos anos ainda não rendeu ao Brasil uma participação expressiva no comércio internacional. Apesar de ter dado um saldo de 28% em seu market-share nos mercados mundiais entre 1999 e 2004, o país continua sendo responsável por apenas 1,1% das importações globais, o mais alto percentual dos últimos 15 anos, mais ainda quase insignificante. (JORNAL DO COMÉRCIO, 2005).

O crescimento das exportações brasileiras reveste-se de importância estratégica tanto para as empresas, como para o governo. Para as empresas, exportar significa melhorar a rentabilidade das operações, maior produtividade, diminuição da carga tributária, redução da dependência das vendas internas, experiência pela atuação em outros mercados, estímulo para aumentar a eficiência e a competitividade, aperfeiçoamento de recursos humanos e dos processos industriais, além de mitigar riscos. Para o governo, o aumento nas exportações contribui para a obtenção de superávit na Balança Comercial, aquecimento da economia e aumento na criação de empregos formais. (IGLESIAS, 2001).

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foram criados com a finalidade de apoiar as micro, pequenas e médias empresas no ingresso e permanência no comércio internacional.

O comércio exterior brasileiro é composto por entidades governamentais e não governamentais. Esses órgãos são responsáveis pela definição de estratégias, políticas, gestão das atividades relativas ao comércio exterior, promoção comercial, e execução de programas que proporcionem maior competitividade na comercialização de produtos com outros países. Dentre as diversas organizações governamentais ou não, destacamos o Conselho Monetário Nacional - CMN, Secretaria de Comércio Exterior – SECEX, Agência de Promoção das Exportações - APEX, a dinamização da Câmara de Comércio Exterior – CAMEX, e sua incorporação ao Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior – MDIC, dentre outros.

A ação permanente do Governo Federal em parceria com o setor privado, compreendendo um conjunto de medidas de natureza estrutural que visa dar suporte a cerca de 60 setores da economia que apresentam dentro das respectivas cadeias produtivas, potencial para expansão das exportações, percebe a participação das pequenas e médias empresas nesse processo, de fundamental importância para alcançar as metas de exportação estabelecidas pela CAMEX.

Nesse sentido, as Pequenas e Medias Empresas tem desempenhado um papel bastante relevante no volume das exportações brasileiras e de muitos países.

2.3 PEQUENAS E MÉDIAS EMPRESAS

(43)

intensidade no uso da informação e do conhecimento; deslocamento em direção às atividades orientadas para o setor de serviços; e downsizing das grandes organizações, assim como fusões e alianças entre as empresas ante essa reestruturação. Esses fatores reduziram as oportunidades de emprego, motivando cada vez mais, que as pessoas que estão fora do mercado de trabalho criem seu próprio negócio (LALKAKA, 1997). Cabe observar que o processo de terceirização de atividades nas grandes empresas, nos últimos anos, também estimulou o crescimento das Micro e PMEs. Entre os fatores que levaram a essa desverticalização da produção, destacam-se o aumento no grau de complexidade dos produtos, a maior eficiência em determinadas etapas do processo de produção e as deseconomias de escala.

O interesse pelas PMEs aumentou principalmente pelo papel que elas vêm desempenhando na criação líquida de empregos, mesmo em períodos de recessão. Além disso, em diversos setores as PMEs produziram um volume maior de inovações do que as grandes empresas e provaram também, ser flexíveis e capazes de se adaptar rapidamente às mudanças tecnológicas. Nos Estados Unidos, o crescimento das PMEs de informática tem sido extraordinário. Em Taiwam, apesar da predominância de PMEs, o país compete com sucesso no mercado internacional de computadores, componentes essenciais e serviços intensivos em tecnologia (ERNST, 1999). Na Itália, as PMEs localizadas em distritos industriais foram responsáveis por uma parcela bastante significativa das exportações de têxteis, peles, cerâmicas, jóias e máquinas agrícolas. (PUGA, 2001).

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98% são de pequeno e médio porte, que geram 59% dos empregos formais e respondem por 20% do PIB nacional. Entretanto, respondem por apenas 20% das exportações.

Conforme OECD (1998), em todos os países analisados, as PMEs respondem por no mínimo de 98% do número de empresas/estabelecimentos da indústria de transformação. Com exceção dos Estados Unidos, as PMEs empregam mais da metade dos trabalhadores do setor. Analisando exclusivamente os países para as quais foram obtidas informações sobre as empresas com menos de 500 empregados, a participação das PMEs é maior em Taiwan, em comparação com Alemanha, Canadá, Japão, Coréia do Sul e Reino Unido.

Nos Estados Unidos das 112,8 mil empresas exportadoras, 108 mil (95,7%) eram PME’s, respondendo por 29,5% do total de US$ 349 bilhões de exportações do país em 1992. Já na Itália e em Taiwan, as PME’s têm desempenhado um papel bastante relevante no volume de exportações. Elas foram responsáveis por 69% do total de US$ 239 bilhões exportados pela Itália em 1996. Em relação a Taiwan, de acordo com o critério do Ministério da Fazenda, foram obtidos dados com empresas de menos de 200 empregados, onde tais empresas atingiram US$ 59,5 bilhões em 1997, representando 48,8% do valor total exportado pelo país.

As empresas, em geral, são classificadas segundo padrões e critérios utilizados e diferentes países.

2.3.1 Classificação de porte das empresas

(45)

o número de empregados ou a receita bruta anual. Contudo, também existem países que classificam as empresas em função do valor do capital realizado, como é o caso de Taiwan.

No quadro abaixo, com o propósito de homogeneizar a notação, é atribuída a sigla “MPMEs” para caracterizar as empresas americanas com menos de 500 empregados. Nos Estados Unidos, entretanto, as empresas são geralmente classificadas como pequenas e grandes, não havendo um critério para determinar o porte da média empresa.

Tabela 2:Critérios de Classificação do Tamanho das Empresas

Micro Micro e Pequenas MPMEs Brasil

BNDES (receita bruta anual) US$ 400 mil US$ 3,5 milhões US$ 20 milhões Estatuto da MPE (receita bruta anual) R$ 244 mil R$ 1,2 milhão – Receita Federal (receita bruta anual) R$ 120 mil R$ 1,2 milhões R$ 24 milhões Sebrae

– indústria (empregados) 20 100 500 – comércio e serviços (empregados) 10 50 100

Canadá (empregados) – – 250

Coréia do Sul – indústria (empregados) – 20 300

Estados Unidos (empregados) – – 500

Japão (empregados)

– indústria – – 300 – setor atacadista – – 100 – setor de varejo e de serviços – – 50

México – indústria (empregados) – 100 250

Reino Unido e União Européia

(receita bruta anual) – US$ 7,1 milhões US$ 40,4 milhões (empregados) 10 50 250

Taiwan

– indústria (empregados) – – 200 – comércio e serviços (empregados) – – 50 – indústria (capital realizado) – – US$ 1,8 milhões – comércio e serviços (receita bruta anual) – – US$ 2,4 milhões Fonte: Small Business Administration; OECD; Inegi (1998); BNDES; Sebrae; Receita Federal; UIA (1997); DTI (1999);Deloitte Touche Tohmatsu (1998); SMEA (1998); MOEA (1999a).

Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas. Taxas de câmbio: R$ 1,75/US$; US$ 1,01/EUR; NT$ 32,74/US$.

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das empresas é cerca de duas vezes maior do que o adotado pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social – BNDES, que utiliza como referência o critério do Mercado Comum do Cone Sul (Mercosul).

Cabe destacar que a presença das PMEs na economia dos países após a II Guerra Mundial teve papel decisivo em seu desenvolvimento, sendo para tanto, esse assunto, abordado no item a seguir.

2.3.2 O papel das pequenas e médias empresas

Atualmente, observa-se uma intensificação do debate sobre a posição, o papel e os condicionantes de permanência das PMEs no processo de desenvolvimento das economias pós-industriais.

Em 1776, quando publicou “A Riqueza das Nações” Smith (1983) descreveu uma economia em que os pequenos negócios locais eram virtualmente as únicas entidades econômicas.

Para Solomon (1986), o capitalismo moderno teve seu início a partir desta concepção de “pequeno negócio”, crescendo a partir de negociantes e seus servos que viajavam pelo interior da Europa pós-feudal vendendo mercadorias à nobreza. Gradualmente, estes indivíduos foram minando a autoridade dos nobres, na medida em que a riqueza e, em seguida o poder, se deslocavam para suas mãos.

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economia, implementou a campanha “Small is Beautiful” no intuito de incentivar, as famílias norte-americanas a abrir pequenos negócios, haja vista, havia a necessidade de se absorver a mão-de-obra até então envolvida no esforço de guerra daquele país e de se desenvolver um parque de serviços, que fosse imprescindível à nova ordem econômica que se formava.

O desenvolvimento econômico dos Estados Unidos no período pós-guerra acabou criando possibilidades desiguais entre as entidades econômicas de pequeno e grande porte, principalmente no setor varejista e de produção de bens de consumo. Em 1953, o governo norte-americano criou então o SBA (Small Business Administration), primeiro órgão governamental exclusivamente voltado ao apoio e a

promoção de pequenas empresas.

Mas o verdadeira explosão de prestígio para as PMEs teve seu início com a crise do petróleo em 1973.

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notadamente nos Estados Unidos, causando profundo impacto na transformação do panorama econômico e marcando uma nova fase na evolução do capitalismo.

Desde então, as empresas de segunda categoria, as PMES foram alçadas à plena cidadania empresarial a partir da constatação do seu dinamismo como pólo gerador de empregos e de distribuição de riqueza, e da emergência de uma nova funcionalidade econômica relacionada à superação do modelo fordista de produção em massa, pressupondo a existência de fortes possibilidades para introdução de novas tecnologias e agregação de serviços à produção de bens, nichos nos quais as PMEs vem se demonstrando competitivas aos longos dos anos.

Souza (1995) destaca outras justificativas para o atual prestígio das PMEs: estímulo à livre concorrência e a capacidade empreendedora; efeito amortecedor dos efeitos das flutuações na atividade econômica; manutenção de certo nível de atividade econômica em determinadas regiões; e contribuição para a descentralização da atividade econômica, em especial na função de complementação às grandes empresas.

Desde o início da década de 80, assiste-se então a uma intensificação na definição e na implementação de políticas direcionadas às PMEs em diversos países.

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dos governos e o posicionamento desse segmento de empresas como um dos elementos importantes de política industrial.

Para as autoras, essas políticas devem procurar, prioritariamente, estimular estruturas organizacionais em que as PMEs atuem de forma conjunta e cooperativa ou estejam associadas a instituições voltadas para o desenvolvimento. No segundo plano, elas voltam-se para ações mais específicas como facilitar o acesso dessas empresas ao sistema financeiro; conceder assistência gerencial e técnica antes e depois do início das atividades das empresas; articular politicamente a concessão de tratamento tributário, administrativo e fiscal diferenciados; apoio tecnológico e a promoção de negócios.

Segundo pesquisa do SEBRAE (2004), o principal organismo de apoio às PMES no Brasil, embora haja uma diferença significativa entre os estados brasileiros, pode se afirmar que, em média, 70% das PMEs brasileiras fecham suas portas antes de completar cinco anos de existência. Esta pesquisa destaca os seguintes fatores condicionantes ao fracasso de PMEs brasileiras, por ordem de ocorrências: falta de capital de giro; falta de conhecimentos gerencias; dificuldade de acesso ao crédito; carga tributária elevada; conjuntura econômica brasileira; concorrência muito forte; e falta de clientes.

No Brasil, bem como na maioria dos países, as PMEs respondem pela grande maioria das unidades produtivas criadas anualmente.

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tempo, a capacidade de se adaptarem prontamente às condições instáveis da nova ordem da economia mundial.

A capacidade das PMEs de continuar sendo uma força vigorosa e complementar à economia no futuro, será naturalmente, determinada pela combinação destas novas condições.

As PMEs desempenham algumas funções econômicas que a empresa de grande porte não mais percebe motivos concretos para executar, sendo várias destas funções altamente lucrativas e são o produto da eficiência superior da própria natureza e da forma de inserção das PMEs na economia.

Finalmente, a despeito da eficiência incontestável das grandes corporações, há algo de amistoso e humano na dimensão das PMEs que lhes confere um atrativo duradouro. As recompensas e os riscos do ambiente dos pequenos negócios continuarão ensejando a maior expressão econômica de uma nação – a força empreendedora dos seus cidadãos que cria e distribui riqueza.

Nesse contexto, o comportamento da indústria brasileira exportadora vem se modificando em direção à criação de oportunidades extensivas à maior participação das PMEs no comércio exterior.

2.3.3 Comportamento exportador e sua participação no comércio internacional

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