Lindamir Salete Casagrande Nanci Stancki da Luz

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APRESENTAđấO

  O quarto capítulo, de autoria de Cíntia de Souza BatistaTortato e Marilia Gomes de Carvalho, sob o título Empodera- mento, gênero e educação, traz uma discussão de como o em- No capítulo seguinte, de autoria de Lindamir Salete Ca- sagrande e Marília Gomes de Carvalho, intitulado Silencia- das e invisíveis, até quando? Márcia Barbosa de Menezes e Ângela Maria Freire deLima e Souza finalizam o primeiro volume da coletânea com o capítulo Matemática no feminino: identidades de gênero e exercício profissional de professoras de matemática no ensino superior, no qual as autoras abordam a participação das mulheres no magistério no ensino superior.

A TEORIA QUE ILUMINOU NOSSO OLHAR

  Com a carga horária do curso, tínhamos acerteza de que ninguém se tornaria especialista na temática, porém, seria despertado nas participantes o questionamen-to acerca do que ocorria no cotidiano escolar e isso já seria um resultado importante para esta experiência que, naquele O desenho da Figura 3 vem acompanhado da frase Igualdade oculta na diversidade , o que reforça a ideia de se respeitar a diversidade e as diferenças. O grupo que produziu a obra argumentou que nasescolas esse assunto ainda divide bastante as opiniões, porém, em suas falas, concluíram que a escola precisa aprender a con-siderar e a respeitar modelos de família que fogem ao tradicio- nal, precisa também rever as formas de comemorar e incenti-var a participação das famílias nas atividades comemorativas.

CONSIDERAđỏES FINAIS

  Mesmo sendo um curso de final de semana, na maioria das turmas, sem a liberação de suas ati-vidades profissionais para tal, as participantes gostariam de ter mais encontros, o que confirmou o interesse das mesmaspelo conhecimento e a necessidade que elas têm de debater a temática com o intuito de buscar subsídios para que suaspráticas docentes, no interior das escolas, sejam em busca de uma educação mais igualitária e justa. Este curso evidenciou que a busca por uma educação igualitária, que acolha no espaço escolar a diversidade en-contrada na sociedade brasileira, que respeite as diferenças, que evite que tais diferenças se transformem em desigualda-des é um anseio das professoras e que a educação em todos os seus aspectos, inclusive no aspecto da inclusão e equidade degênero é um direito de todos e todas e não um luxo.

REFERÊNCIAS CASAGRANDE, Lindamir Salete. Curiosidade. 2007.1 fotografia

  Concretizá-la significa construir uma análise dos problemas que envolvem o cotidiano esco-lar, a exemplo da repetência, da evasão, do acesso, da violên- cia, que possuem interfaces com as questões de gênero, raça/ e Diversidade no Semiárido Baiano, que conta com o apoio institucional da SESU/MEC, por meio do eEdital Proext 2011/2012. As respostasa estes questionamentos indicam que o principal desafio das políticas educacionais é concretizar ações que promo-vam o enfrentamento dos contornos da desigualdade racial e de gênero “que atravessam de forma contundente o siste-ma educacional brasileiro” (HENRIQUES, 2002, p. 47).

HISTORICIZANDO AS RELAđỏES ENTRE FEMINISMO E EDUCAđấO

  Considerando-se que estamos pensando em uma edu- cação de qualidade, voltada para a construção de cidadania eque possibilite aos sujeitos a atuação em um estado de direito democrático, a efetivação das discussões de gênero e outrasinterseccionalidades se faz necessária e urgente, e não pode mais continuar no limbo entre o subentendimento e a ambi-guidade. E um dado apresentado pela Coor- denação de Gênero e Diversidade acerca das políticas públi-cas desenvolvidas no território é a ínfima parcela de projetos, ações e atividades que trazem o enfoque de gênero de formacrítica ou que se destinam a proporcionar condições para o empoderamento das mulheres.

O CURSO: PROPOSTA TEÓRICA E METODOLÓGICA

  Tal postura metodológica utili-zou-se dos pressupostos teóricos das pedagogias feministas e de gênero: Conjunto de princípios e práticas que objetiva conscien- tizar indivíduos, tanto homens quanto mulheres, da or-dem patriarcal vigente em nossa sociedade, dando-lhes instrumentos para superá-la e, assim, atuarem de modoque construam a equidade entre os sexos. e., o com-bate ao racismo e à discriminação racial, produtores de hierarquias e desigualdades, pois, como sublinhaPatrícia Collins (2005), o empoderamento de mulheres negras está profundamente relacionado com mudan-ças na estrutura social, na medida em que essas não podem se tornar totalmente empoderadas em contex-tos de injustiça social.

SOBRE OS IMPACTOS E REFLEXÕES TRAZIDAS PELO CURSO

  José relatou também que aquelas músicas que ele não toca como radialista, mas que sabe que seus alunos escutam, elepassou a levar as letras para trabalhar em sala de aula na ten- tativa de criar nos alunos a consciência de que não devem le- 24 Informações retiradas dos registros feitos em caderno de campo, durante os en- contros de avaliação do curso realizados no período de setembro a dezembrode 2010. Assim, com o escopo mais focado no debate das defini-ções de diversidade, e mantendo como norte a categoria gê- nero e os estudos feministas, o texto que aqui se desenvolve Na direção de construir esse panorama histórico, ainda que longe de explorar exaustivamente a rica polissemia daobra de Brah, se destaca citação retirada da obra da professo- ra de sociologia da Universidade de Londres.

AS ORIGENS DO TERMO

  Na década de 1990, recebe o influxo de movi-mentos que buscam afirmar o direito da cidadania sobre distintas esferas da vida social, entre as quais a práticamédica, a educação em saúde, a política, a justiça, a ação comunitária (BAQUERO, 2012, p. 176). No ambiente das organizações, o empoderamento éconsiderado como as habilidades e competências de autoges- tão e resolução de problemas, onde o trabalhador é tratadocomo um colaborador e acaba por atuar em defesa do capital.

LUTAS PELOS DIREITOS DAS MULHERES E O EMPODERAMENTO

  5 Segundo Brasil (2007, p. 21): desde que o governo brasileiro passou a enca- minhar, a partir de 2002, seus relatórios periódicos ao Comitê da ONU pelaEliminação de Todas as Formas de Discriminação contra a Mulher (Comitê CEDAW), as recomendações deste Comitê passaram a se configurar em impor-tante baliza, a orientar as principais demandas de gênero para diversas áreas, inclusive a educação. Passa também pelo plano individual, pelo aumen-to da autoestima e da autonomia e pelo coletivo, pela capa- cidade de organização e mobilização em prol de objetivos os processos de empoderamento são, para as mulheres, um desafio à ideologia patriarcal com objetivo de trans-formar as estruturas que reforçam a discriminação de gênero e a desigualdade social.

A EDUCAđấO E O EMPODERAMENTO

  Para Coelho e De Mari (2013), a aprendizagem (segun- do Paulo Freire) leva a uma modificação tão significativa quecarrega consigo o germe da transformação, uma necessidade de intervir e modificar o mundo e, no caso de uma educaçãolibertadora, a noção de que é possível interferir e modificar a realidade. Segundo os autores: A educação freireana, em essência, visa a libertar e fa- vorecer a abertura de novos horizontes, no forjar de ho-mens e mulheres sujeitos de sua própria história, o que os capacitariam a serem os construtores de seus próprioscaminhos e gestores de suas vidas.

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