O AUTISMO COMO INVENÇÃO DA PSICOPATOLOGIA MODERNA

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AGRADECIMENTOS À minha mãe, Kátia Lopes, pelo apoio e pelo carinho

  À Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES), pelo apoio financeiro para a realização da pesquisa através da Bolsa de Mestrado. Por uma fração de segundo a gente se vê como a um objeto a ser olhado.

RESUMO

  Através da leitura psicanalítica de Freud e Lacan, sugerimos pensar que a posição ocupada peloautismo é a falha na instauração do estádio do espelho, diante das duas operações subjetivas: a alienação e a separação. Pudemos constatar que a psicanálise lacaniana pressupõe a chance de constituir um sujeito no autismo,pois é percebido que o investimento libidinal é possível de ser reconhecido, o que nos sugere a ideia da pré-existência da linguagem, ou seja, do grande Outro na criança dita autista.

ABSTRACT

  A hypothesis is sustained that, by being treated as a disorder, autism had no symptomatology, no etiology and no specifictreatment, therefore it could not be classified as a disease. 8 1 APRESENTAđấO HISTốRICA E EPISTEMOLốGICA DO AUTISMO 1.1 O conhecimento de um objeto de estudo segundo a epistemologia ............................

INTRODUđấO

  A relação narcísica tem a ver com o mundo, as pessoas, as palavras que falamos e ouvimos, ou seja, com a linguagem, no momento em que percebemos que o eu é aquele queprecisa de autoinvestimento, de um primeiro contato com si, o qual se identifica com o próprio corpo (FREUD, [1914] 2010), para que haja, posteriormente, o contato com o meioambiente e se perceber como parte dele. A hipótese freudiana diz que a fala auxilia o analisando a construir o discurso de suas ideias, ao mesmo tempo em que, ao falar para o outro, no caso o analista, permite a esteocupar o lugar de escuta, de alguém que recebe a fala do outro e que consegue analisar a posição subjetiva do analisando (CALLIGARIS, 1989).

CONSIDERAđỏES FINAIS

  Não dispomos de casos clínicos atuais para discutir a referida hipótese, pois o objetivo da pesquisa foi fazer um apanhado histórico e epistemológico do autismo, partindoespecialmente, da década de 1940, época em que Kanner publicou o primeiro artigo sobre o distúrbio autístico, o Autistic disturbances of affective contact (1943). Portanto, se na criança com autismo, há a possibilidade de emergir um sujeito,é necessário permitir que esta criança possa falar, não apenas com as palavras, mas com todo o corpo, para demonstrar que a sua inserção no campo da linguagem depende de sua relaçãosingular com o Outro.

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