INDICADORES DE SUCESSO E SEUS REFLEXOS NA GESTÃO

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SÉRGIO LUIZ DE SOUZA

JOINVILLE 2007

INDICADORES DE SUCESSO E SEUS REFLEXOS NA

GESTÃO

FINANCEIRA

DAS

SOCIEDADES

(2)

UNIVERSIDADE DO ESTADO DE SANTA CATARINA

Escola Superior de Administração e Gerência

Mestrado Acadêmico em Administração

SÉRGIO LUIZ DE SOUZA

INDICADORES DE SUCESSO E SEUS REFLEXOS NA GESTÃO

FINANCEIRA DAS SOCIEDADES ANÔNIMAS METAL-MECÂNICAS

DE CAPITAL ABERTO.

.

Orientador: Professor Wilson José Mafra, Dr. Engº.

JOINVILLE 2007

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SÉRGIO LUIZ DE SOUZA

INDICADORES DE SUCESSO E SEUS REFLEXOS NA GESTÃO

FINANCEIRA DAS SOCIEDADES ANÔNIMAS METAL-MECÂNICAS

DE CAPITAL ABERTO.

Dissertação submetida à Coordenação do Curso de Mestrado Acadêmico em Administração da Universidade do Estado de Santa Catarina, como requisito parcial para obtenção do grau de Mestre em Administração.

BANCA EXAMIDORA:

________________________________________________

Prof. Wilson José Mafra, Dr. Engº. (Orientador) Universidade do Estado de Santa Catarina

________________________________________________

Prof. Júlio da Silva Dias, Dr. Engº.

Universidade do Estado de Santa Catarina

_______________________________________________

Prof. Fernando José Spanhol, Dr. Engº. Universidade Federal de Santa Catarina

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AGRADECIMENTOS

À Deus pelo dom da vida e por todas as oportunidades que a mim foram confiadas, pelos momentos nos quais a fé foi a grande arma para superar os obstáculos.

A minha esposa Neire Eiko e aos meus filhos Tatiana Yuri e Sérgio Yuko, por enobrecer e dar sentido a todos os dias da minha vida.

Aos meus familiares e amigos pela compreensão nos momentos de ausência e apoio nas horas difíceis.

À diretoria e colaboradores das empresas pesquisadas pelo patrocínio em todos os aspectos para o desenvolvimento deste trabalho.

Aos amigos Alan, Augusto, Aroldo, Claudionir e Leila por suas dicas e conselhos sempre oportunos.

Ao professor Doutor Wilson José Mafra pela orientação sempre precisa e pelo incentivo na busca de novas fontes de conhecimento.

As demais pessoas que, embora não citadas, contribuíram para realização deste trabalho.

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Dedico este trabalho à minha esposa

Neire Eiko Yano por sua incomensurável contribuição para meu engrandecimento pessoal e profissional e, sobretudo, pelo amor, carinho e companheirismo

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RESUMO

A atual ordem econômica mundial estabelecida a partir da última década do século XX ampliou o ambiente competitivo das organizações por um fenômeno que ficou conhecido como globalização. Seus efeitos foram sentidos pelas empresas nacionais que viveram momentos de adaptação drásticos. Neste contexto sobressaíram-se as que superaram estes desafios e obtiveram sucesso enquanto outras fracassaram. O primeiro qüinqüênio do século XXI consolida esse processo e acende questionamentos quanto e quais teriam sido os fatores que possibilitaram o êxito ou que compeliram ao insucesso essas companhias. Um setor de grande relevância econômica para as cidades de Joinville e Jaraguá do Sul é o metal-mecânico, assim a apreciação critica do passado recente desse segmento é fonte de estudo e pode balizar as decisões de futuro. Neste sentido, este trabalho, a partir de um estudo exploratório acerca de empresas do setor metal-mecânico da região norte do estado de Santa Catarina, desenvolve uma técnica por meio dos quocientes econômicos e financeiros e amplia as possibilidades de análise da questão. Durante a reunião, a compilação e a apresentação de dados, aborda aspectos relativos à estrutura de capital, política de imobilização, liquidez, capacidade de pagamento de dívidas, ciclo financeiro, necessidade de capital de giro, política de dividendos, rentabilidade, grau de alavancagem e custo da dívida, aos quais são atribuídos pesos, conceitos e notas, que permitem a identificação clara dos indicadores de gestão financeira que conferiram sucesso ou não às estas organizações. Na prática o estudo identifica os indicadores de sucesso, mede seus desempenhos e promove a demonstração correta da situação econômica financeira das empresas pesquisadas.

Palavras-chave: Setor Metal-mecânico, Análise Financeira, Administração Financeira,

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ABSTRACT

The current established world-wide economic order from the last decade of the XX century extended the competitive environment of the organizations for a phenomenon that was known as globalization. Their efects were feeled by national enterprises, who had drastic adaptation times. In this circunstances had stand out that one which had overcome these challenges and had obtained success while others have failed. The first five years of the XXI century consolidated this process and raise questions of how much and which had been the pointers that make the success or what induce to failure those enterprises. A sector of great economic importance to the Joinville and Jaraguá do Sul cities is the metal-mechanical; only a critic evaluation of the recent past of this sector is a study source and can guide the future decisions. In this meaning, this work, using sampling, starting from a exploratory survey relating to the enterprises of the metal-mechanical sector from the north region of the State Santa Catarina, develop a technique through economical and financials pointers and extend the possibilities of the matter analysis. During the meeting, the data gather and presentation examine points of view relating the capital structure, immobilizaton politics, liquidity, debt payment capacity, financial cycle, working capital, bonus politic, profitability, financial leverage rate and debt cost, to which are assign importance, concepts and notes which allow the unambiguous identification of the financial management pointers that award success or not to these organizations. The study practically identify the success pointers, mesasures their performances and promote a correct demonstration of the financial economical structure of the surveyed enterprises.

Key words – metal-mechanical sector, financial analysis, financial administration, success

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LISTA DE FIGURAS

FIGURA 1. Receita Operacional Bruta – Empresa A ... 127

FIGURA 2. Estrutura de Capital – Empresa A ... 127

FIGURA 3. Politica de Imobilização – Empresa A ... 128

FIGURA 4. Liquidez – Empresa A ... 129

FIGURA 5. EBITDA – Empresa A ... 129

FIGURA 6. Capacidade de Pagamento das Dívidas – Empresa A ... 130

FIGURA 7. Ciclo Financeiro-Necessidade de Capital de Giro - Empresa A... 131

FIGURA 8. Política de Dividendos – Empresa A ... 131

FIGURA 9. Rentabilidade – Empresa A ... 132

FIGURA 10. Grau de Alavancagem – Empresa A ... 132

FIGURA 11. Custo da Dívida – Empresa A ... 133

FIGURA 12. Perfil da Empresa A ... 179

FIGURA 13. Receita Operacional Bruta – Empresa B ... 135

FIGURA 14. Estrutura de Capital – Empresa B ... 136

FIGURA 15. Politica de Imobilização – Empresa B ... 137

FIGURA 16. Liquidez – Empresa B ... 137

FIGURA 17. EBITDA – Empresa B ... 138

FIGURA 18. Capacidade de Pagamento das Dívidas – Empresa B ... 138

FIGURA 19. Ciclo Financeiro-Necessidade de Capital de Giro – Empresa B ... 139

FIGURA 20. Politica de Dividendos – Empresa B ... 139

FIGURA 21. Rentabilidade – Empresa B ... 140

FIGURA 22. Grau de Alabancagem – Empresa B ... 141

FIGURA 23. Custo da Dívida – Empresa B ... 141

FIGURA 24. Perfil da Empresa B ... 180

FIGURA 25. Receita Operacional Bruta – Empresa C ... 144

FIGURA 26. Estrutura de Capital – Empresa C ... 145

FIGURA 27. Politica de Imobilização – Empresa C ... 145

FIGURA 28. Liquidez – Empresa C ... 146

FIGURA 29. EBITDA – Empresa C ... 146

FIGURA 30. Capacidade de Pagamento das Dívidas – Empresa C ... 147

FIGURA 31. Ciclo Financeiro-Necessidade de Capital de Giro – Empresa C ... 148

FIGURA 32. Politica de Dividendos – Empresa C ... 148

FIGURA 33. Rentabilidade – Empresa C ... 149

FIGURA 34. Grau de Alabancagem – Empresa C ... 149

FIGURA 35. Custo da Dívida – Empresa C ... 150

FIGURA 36. Perfil da Empresa C ... 181

FIGURA 37. Receita Operacional Bruta – Empresa D ... 153

FIGURA 38. Estrutura de Capital – Empresa D ... 154

FIGURA 39. Politica de Imobilização – Empresa D... 155

FIGURA 40. Liquidez – Empresa D ... 155

FIGURA 41. EBITDA – Empresa D ... 156

FIGURA 42. Capacidade de Pagamento das Dívidas – Empresa D ... 156

FIGURA 43. Ciclo Financeiro-Necessidade de Capital de Giro – Empresa D ... 157

FIGURA 44. Politica de Dividendos – Empresa D ... 157

FIGURA 45. Rentabilidade – Empresa D ... 158

(9)

FIGURA 47. Custo da Dívida – Empresa D ... 159

FIGURA 48. Perfil da Empresa D ... 182

FIGURA 49. Receita Operacional Bruta – Empresa E ... 162

FIGURA 50. Estrutura de Capital – Empresa E ... 163

FIGURA 51. Politica de Imobilização – Empresa E ... 163

FIGURA 52. Liquidez – Empresa E ... 164

FIGURA 53. EBITDA – Empresa E ... 165

FIGURA 54. Capacidade de Pagamento das Dívidas – Empresa E ... 165

FIGURA 55. Ciclo Financeiro-Necessidade de Capital de Giro – Empresa E ... 166

FIGURA 56. Politica de Dividendos – Empresa E ... 166

FIGURA 57. Rentabilidade – Empresa E ... 167

FIGURA 58. Grau de Alabancagem – Empresa E ... 167

FIGURA 59. Custo da Dívida – Empresa E ... 168

FIGURA 60. Perfil da Empresa E ... 183

FIGURA 61. Receita Operacional Bruta – Empresa F ... 171

FIGURA 62. Estrutura de Capital – Empresa F ... 172

FIGURA 63. Politica de Imobilização – Empresa F ... 172

FIGURA 64. Liquidez – Empresa F ... 173

FIGURA 65. EBITDA – Empresa F ... 174

FIGURA 66. Capacidade de Pagamento das Dívidas – Empresa F ... 174

FIGURA 67. Ciclo Financeiro-Necessidade de Capital de Giro – Empresa F... 175

FIGURA 68. Politica de Dividendos – Empresa F ... 176

FIGURA 69. Rentabilidade – Empresa F ... 176

FIGURA 70. Grau de Alabancagem – Empresa F ... 177

FIGURA 71. Custo da Dívida – Empresa F ... 178

FIGURA 72. Perfil da Empresa F ... 184

FIGURA 73. Estrutura de Capital – comparativo empresas ... 185

FIGURA 74. Politica de Imobilização – comparativo empresas... 185

FIGURA 75. Liquidez – comparativo empresas ... 186

FIGURA 76. Capacidade de Pagamento das Dívidas – comparativo empresas ... 187

FIGURA 77. Ciclo Financeiro-Nec, Capital de Giro – comparativo empresas ... 188

FIGURA 78. Politica de Dividendos – comparativo empresas ... 188

FIGURA 79. Rentabilidade – comparativo empresas ... 189

FIGURA 80. Grau de Alabancagem – comparativo empresas ... 190

FIGURA 81. Custo da Dívida – comparativo empresas ... 191

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LISTA DE ABREVIATURAS E SIGLAS

AH Análise Horizontal

AV Análise Vertical

BNDES Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social

BNH Banco Nacional da Habitação

BP Balanço Patrimonial

CCL Capital Circulante Líquido

CDG Capital de Giro

CIP Conselho Interministerial de Preços

CVM Comissão de Valores Mobiliários

DESC Demonstração das Entradas e Saídas de Caixa

DOAR Demonstração das Origens e Aplicações de Recursos

DFLC Demonstração do Fluxo Líquido de Caixa

DPA Dividendo por Ação

DRE Demonstração de Resultado do Exercício

EBITDA Earnig Before Interests, Taxes, Depreciation and Amortization

EVA Economic Value Added

FINAME Agência Especial de Financiamento Industrial IBGE Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística IPI Imposto sobre Produtos Industrializados

IRPJ Imposto de Renda Pessoa Jurídica

LAJIDA Lucro Antes dos Juros, Impostos, Depreciação e Amortização

NCG Necessidade de Capital de Giro

PAES Programa especial de parcelamento de tributos e contribuições federais

PME Prazo Médio de Estoques

PMP Prazo Médio de Pagamentos de Fornecedores

PMR Prazo Médio de Recebimentos de Clientes

PMRE Prazo Médio de Recebimentos de Vendas

PMRV Prazo Médio de Renovação de Estoques

RDA Rentabilidade da Ação

ROB Receita Operacional Bruta

ROI Retorno de Investimento

ROL Receita Operacional Líquida

S.A. Sociedade Anônima

T Tesouraria

Ta Taxa de Atratividade

TIR Taxa Interna de Retorno

TJLP Taxa de Juros de Longo Prazo

TMA Taxa Mínima de Atratividade

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SUMÁRIO

1.INTRODUÇÃO ... 14

1.1 Exposição do Tema ... 15

1.2 Definição do Problema ... 16

1.3 Objetivos ... 17

1.3.1 Objetivo Geral ... 17

1.3.2 Objetivos Especificos ... 17

1.4 Relevância do Estudo ... 18

1.5 Organização do Trabalho... 19

2.FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA ... 21

2.1 Sociedade Comercial ... 21

2.1.1 Constituição de Empresas ... 23

2.1.2 Personalidade Jurídica e Formas de Constituição ... 24

2.1.3 Formas de Sociedades ... 25

2.1.4 Transformação das Sociedades: Cisão, Fusão e Incorporação ... 27

2.1.4.1 Cisão ... 27

2.1.4.2 Fusão ... 29

2.1.4.3 Incorporação ... 29

2.1.4.4 Transformação da Sociedade Anônima ... 30

2.1.5 Sociedades Anônimas ... 31

2.1.5.1 Exigências para as Sociedades Anônimas ... 31

2.1.6. Demonstrações Contabeis Exigidas pela Lei das Sociedades Anônimas ... 34

2.1.6.1 Relatório da Administração ... 38

2.1.6.2 Balanço Patrimonial ... 39

2.1.6.2.1 Ativo ... 40

2.1.6.2.2 Passivo ... 43

2.1.6.3 Demonstração do Resultado do Exercício ... 45

2.1.6.4 Demonstração dos Lucros ou Prejuizos Acumulados ... 46

2.1.6.5 Demonstração das Origens e Aplicações de Recursos ... 47

2.1.6.6 Demonstração das Mutações do Patrimônio Liquido ... 49

2.1.6.7 Notas Explicativas ... 49

2.1.6.8 Parecer do Auditor ... 50

2.2 Análise das Demonstrações Financeiras ... 52

2.2.1 Análise Vertical ... 54

2.2.2 Análise Horizontal ... 55

2.2.3 Análise por quocientes, indices e coeficientes ... 56

2..2.3.1 Quocientes de Estrutura de Capitais e Grau de Imbolização... 56

2.2.3.2 Quocientes de Liquidez (ou solvência) ... 61

2.2.3.3 Quocientes de Rentabilidade ... 63

2.2.3.4 Outros Quocientes de Análise ... 66

2.2.3.5 Outros Indices de Interesse.. ... 71

2.2.3.6 Quocientes de Interesse dos Investidores ... 74

2.2.3.7 Interpretação conjunta dos Quocientes ... 76

2.2.4 Comparação com Quociente Padrão ... 76

2.2.5 Relatório de Análise ... 76

2.2.6 Análise de Investimento ... 77

(12)

2.2.6.2 Tomada de decisões no Mercado de Ações ... 82

2.2.6.3 Retorno e Riscos no Investimento ... 83

2.2.6.4 A importância da Análise no Mercado de Ações ... 87

2.3 Estrutura de Capital da Empresa ... 89

2.3.1 Composição da Estrutura de Capital ... 89

2.3.2 Capital de Giro ... 90

2.3.3 Capital Próprio ... 91

2.3.4 Capital de Terceiros ... 91

2.4 Elementos que Interferem na Estrutura de Capital ... 92

2.4.1 Riscos que as Empresas estão espostas ... 93

2.4.1.1 Riscos Internos a Empresa ... 93

2.4.1.2 Riscos Externos a Empresa ... 94

2.4.2 Causas que poderão ocasionar escassez de recursos finaceiros na Empresa ... 95

2.4.3 Politica de Imobilizações das Empresas ... 96

2.4.4 Geração de Caixa (EBITDA) ... 97

2.4.5 Necessidade de Capital de Giro ... 104

2.4.5.1 Fontes de Financiamento de Curto Prazo ... 106

2.4.5.1.1 Desconto de Duplicatas ... 106

2.4.5.1.2 Empréstimos Bancários em Conta Corrente ... 107

2.4.5.1.3 Crédito Direto ao Consumidor ... 107

2.4.5.2 Fontes de Financiamento a Médio e Longo Prazo ... 107

2.4.5.2.1 Fundos Especiais de Instituições Públicas ... 107

2.4.5.2.2 Recursos Captados no Exterior ... 108

2.4.5.2.3 Debêntures ... 108

2.4.6 Politica de Dividendos ... 109

2.4.7 Política de Remuneração do Capital Próprio ... 110

2.5 Benchmarking ... 110

3. MÉTODO E PROCEDIMENTO DA PESQUISA ... 114

3.1 Classificação da Pesquisa ... 115

3.1 Delimitação da Pesquisa ... 116

3.3 Levantamento Bibliográfico ... 117

3.2 Análise dos Dados ... 117

3.3 Limitações da Pesquisa ... 120

4. DESCRIÇÃO E ANÁLISE DOS DADOS ... 121

4.1 Cenário Econômico ... 121

4.2 Caracterização das Empresas... 123

4.2.1 Empresa A ... 124

4.2.1.1 Perfil ... 124

4.2.1.2 Ambiente Comercial ... 124

4.2.1.3 Receita Operacional Bruta ... 125

4.2.1.4 Estrutura de Capital ... 127

4.2.1.5 Politica de Imobilização ... 128

4.2.1.6 Liquidez ... 128

4.2.1.7 EBITDA ... 129

4.2.1.8 Capacidade de Pagamento das Dívidas ... 130

4.2.1.9 Ciclo Financeiro - Necessecidade de Capital de Giro ... 130

(13)

4.2.1.11 Rentabilidade ... 131

4.2.1.12 Grau de Alavancagem ... 132

4.2.1.13 Custo da Dívida ... 133

4.2.2 Empresa B ... 133

4.2.2.1 Perfil ... 133

4.2.2.2 Ambiente Comercial ... 134

4.2.2.3 Receita Operacional Bruta ... 134

4.2.2.4 Estrutura de Capital ... 136

4.2.2.5 Politica de Imobilização ... 136

4.2.2.6 Liquidez ... 137

4.2.2.7 EBITDA ... 137

4.2.2.8 Capacidade de Pagamento das Dívidas ... 138

4.2.2.9 Ciclo Financeiro - Necessecidade de Capital de Giro ... 139

4.2.2.10 Política de Dividendos ... 139

4.2.2.11 Rentabilidade ... 140

4.2.2.12 Grau de Alavancagem ... 140

4.2.2.13 Custo da Dívida ... 141

4.2.3 Empresa C ... 142

4.2.3.1 Perfil ... 142

4.2.3.2 Ambiente Comercial ... 142

4.2.3.3 Receita Operacional Bruta ... 143

4.2.3.4 Estrutura de Capital ... 144

4.2.3.5 Politica de Imobilização ... 145

4.2.3.6 Liquidez ... 145

4.2.3.7 EBITDA ... 146

4.2.3.8 Capacidade de Pagamento das Dívidas ... 147

4.2.3.9 Ciclo Financeiro - Necessidade de Capital de Giro ... 147

4.2.3.10 Política de Dividendos ... 148

4.2.3.11 Rentabilidade ... 148

4.2.3.12 Grau de Alavancagem ... 149

4.2.3.13 Custo da Dívida ... 150

4.2.4 Empresa D ... 150

4.2.4.1 Perfil ... 150

4.2.4.2 Ambiente Comercial ... 151

4.2.4.3 Receita Operacional Bruta ... 152

4.2.4.4 Estrutura de Capital ... 154

4.2.4.5 Politica de Imobilização ... 154

4.2.4.6 Liquidez ... 155

4.2.4.7 EBITDA ... 155

4.2.4.8 Capacidade de Pagamento das Dívidas ... 156

4.2.4.9 Ciclo Financeiro - Necessecidade de Capital de Giro ... 157

4.2.4.10 Política de Dividendos ... 157

4.2.4.11 Rentabilidade ... 158

4.2.4.12 Grau de Alavancagem ... 158

4.2.4.13 Custo da Dívida ... 159

4.2.5 Empresa E ... 159

4.2.5.1 Perfil ... 159

4.2.5.2 Ambiente Comercial ... 160

4.2.5.3 Receita Operacional Bruta ... 161

(14)

4.2.5.5 Politica de Imobilização ... 163

4.2.5.6 Liquidez ... 163

4.2.5.7 EBITDA ... 164

4.2.5.8 Capacidade de Pagamento das Dívidas ... 165

4.2.5.9 Ciclo Financeiro - Necessecidade de Capital de Giro ... 165

4.2.5.10 Política de Dividendos ... 166

4.2.5.11 Rentabilidade ... 166

4.2.5.12 Grau de Alavancagem ... 167

4.2.5.13 Custo da Dívida ... 168

4.2.6 Empresa F ... 168

4.2.6.1 Perfil ... 168

4.2.6.2 Ambiente Comercial ... 169

4.2.6.3 Receita Operacional Bruta ... 170

4.2.6.4 Estrutura de Capital ... 171

4.2.6.5 Politica de Imobilização ... 172

4.2.6.6 Liquidez ... 173

4.2.6.7 EBITDA ... 173

4.2.6.8 Capacidade de Pagamento das Dívidas ... 174

4.2.6.9 Ciclo Financeiro - Necessecidade de Capital de Giro ... 175

4.2.6.10 Política de Dividendos ... 175

4.2.6.11 Rentabilidade ... 176

4.2.6.12 Grau de Alavancagem ... 177

4.2.6.13 Custo da Dívida ... 177

5. ANÁLISE DOS RESULTADOS E IDENTIFICAÇÃO DOS INDICADORES...179

5.1 Análise das Empresas ... 179

5.1.1 Empresa A ... 179

5.1.2 Empresa B ... 180

5.1.3 Empresa C ... 180

5.1.4 Empresa D ... 181

5.1.5 Empresa E ... 182

5.1.6 Empresa F ... 183

5.2 Análise Comparativa dos Resultados ... 184

5.2.1 Estrutura de Capital ... 184

5.2.2 Politica de Imobilizações ... 185

5.2.3 Liquidez ... 186

5.2.4 Capacidade de Pagamento das Dívidas ... 186

5.2.5 Ciclo Financeiro - Necessecidade de Capital de Giro ... 187

5.2.6 Política de Dividendos ... 188

5.2.7 Rentabilidade ... 189

5.2.8 Grau de Alavancagem ... 189

5.2.9 Custo da Dívida ... 190

5.2.10 Avaliçao Global das Empresas ... 191

6. CONSIDERAÇÕES ... 193

6.1 Considerações... 193

6.2 Recomendações ... 194

BIBLIOGRAFIA ... 196

(15)

1 INTRODUÇÃO

A modificação do regime político, durante os anos 80, com o início da redemocratização, a inserção do Brasil na economia internacional através do fenômeno que ficou conhecido como globalização e a estabilização da economia com a implantação do Plano Real durante os anos 90 foram responsáveis por um processo de contínua adaptação pelos diversos agentes da atividade econômica nacional.

Os primeiros anos do Século XXI, considerando o momento histórico e a consolidação das transformações estruturais internas e externas, também exerceram forte impacto sobre os setores industriais da economia brasileira. A adaptação dos setores industriais com: a reestruturação dos métodos de produção; a terceirização de parte das atividades; a maior racionalização dos métodos de trabalho; a adoção de novos métodos gerenciais; a busca da qualidade; a redefinição de linhas de produção; a procura de financiamentos externos; a atualização de produtos e a maior utilização de insumos importados constituíram a modernização da indústria, que cumpriu importante papel no posicionamento estratégico brasileiro frente ao clima competitivo entre as nações.

A mudança de ambiente, o aumento da competição e o mercado com consumidores mais exigentes demandando produtos de qualidade superior a menores preços impôs a empresários, administradores e gestores níveis mais elevados de eficiência e eficácia empresarial. Nesse contexto houve empresas que não conseguiram se adaptar aos novos tempos tendo constituído casos de malogro e insucesso

Ameaças à continuidade dos negócios e corrosão dos resultados, sobretudo pelo fim da gestão de preços, até então amparados pelo CIP (Conselho Interministerial de Preços), para a gestão de custos; o fim dos financiamentos subsidiados com taxas pré-fixadas normalmente em patamares inferiores aos da inflação e a necessidade crescente de capital de giro para suportar o crescimento, exigiram por parte dos administradores maior rigidez com: a) a implantação de controles e políticas para gestão do ciclo financeiro; b) mensuração de reflexos e impactos nas estruturas de capitais, lucratividade e rentabilidade e c) a eficiência e eficácia na utilização dos recursos.

(16)

Sul, no estado de Santa Catarina. Para tanto deverá apoiar-se em dados, métricas e indicadores econômicos e financeiros que possam explicar os fatos.

A abrangência do estudo foi inicialmente maior, entretanto a falta de informações fidedignas limitou-o às sociedades anônimas de capital aberto que tem suas demonstrações contábeis, econômicas e financeiras auditadas por empresas independentes credenciadas junto à CVM e publicadas em jornais de grande circulação conferindo autenticidade e transparência às informações prestadas.

1.1 Exposição do Tema

Os relatórios de administração e as demonstrações contábeis publicados pelas companhias de capital aberto apresentam relações entre os fenômenos patrimoniais das entidades. Retratam informações acerca do ciclo financeiro, da gestão da margem de contribuição, dos custos fixos e sua relação com as margens de lucratividade, revelam as políticas de investimento e sua coerência entre a participação de capital próprio e de terceiros, a necessidade de capital de giro, as políticas de distribuição de dividendos comparativas às do setor e a administração de passivos onerosos. Tendo em vista a gama de informações fornecidas pela Contabilidade, cabe ao administrador financeiro interpretar a nomenclatura contábil de maneira eficiente a fim de que os dados sejam entendidos pelos usuários internos e externos, utiliza para tanto algumas técnicas, especialmente entre elas a análise de índices econômico-financeiros.

A análise desses índices constitui importante ferramenta tanto para a orientação dos investidores na aplicação de seus recursos financeiros quanto para o auxilio dos usuários no processo de tomada de decisão.

Onde esta dissertação busca identificar os elementos fundamentais necessários a um modelo de análise comparativa que possa, com base na mensuração do desempenho das organizações em estudo, demonstrar quais são os indicadores garantidores do sucesso das mesmas.

Além disso, tendo em vista que a boa gestão financeira garante a sustentabilidade dos negócios, analisa a estrutura financeira das empresas do estudo e identifica aspectos que possam exercer influência na gestão financeira, de forma a refletir no sucesso da administração.

(17)

ainda complementarmente pela relevância econômica que o setor metal-mecânico tem para a região norte do estado de Santa Catarina principalmente as cidades de Joinville e Jaraguá do Sul.

Assim, o tema a ser abordado, reporta-se a identificar os indicadores de sucesso e seus reflexos na gestão financeira das sociedades anônimas metais-mecânica de capital aberto entre os anos de 2001 e 2005. O foco na análise de performance de sociedades de capital aberto do ramo metal-mecânico da região de Joinville e Jaraguá do Sul está na utilização de índices econômicos e financeiros e métricas de análise e avaliação comparativa.

1.2 Definição do Problema

Entre os anos 2001 e 2005, empresas do mesmo ramo, metal-mecânico, inseridas no mesmo contexto histórico, com características semelhantes, da região norte do estado de Santa Catarina, especificamente nas cidades de Joinville e Jaraguá do Sul sob influência das mesmas condições internas e externas apresentaram sob vários aspectos resultados econômicos e financeiros diferentes, algumas com alto desempenho gerencial outras não.

Neste sentido, são expostas à abertura de mercado, ao aumento de competição e ao processo de globalização tanto na condição de fornecedoras como de compradoras. Este processo, iniciado na década de 80, estimulou estas empresas na busca de indicadores que pudessem servir de subsidio às análises comparativas entre elas e suas concorrentes.

Para efeito de estudo do problema a ser apresentado considerar-se-ão indicadores de sucesso aqueles que contribuem para a consecução de objetivos propostos pelo planejamento das organizações, a perpetuidade dos negócios, a maximização de resultados de investimentos e que segundo FERREIRA (2004) é a execução com bom êxito.

Também segundo Ferreira (2004) admitir-se-á que reflexos são manifestações indiretas de uma circunstância ou de um fato.

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Ao setor da economia nacional fabricante de máquinas e equipamentos será sinteticamente apresentado como setor metal-mecânico, assim também definido pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística.

A definição de sociedades anônimas de capital aberto, no âmbito de abrangência desse trabalho será o de que são companhias abertas, aquelas que têm seus valores mobiliários representado por ações ou debêntures, admitidas à negociação em bolsa de valores ou no mercado de balcão, devidamente registrados na Comissão de Valores Mobiliários (CVM), que assegura o funcionamento eficiente e regular dos mercados de bolsa e de balcão, protege os titulares de valores mobiliários contra emissões irregulares e atos ilegais de administradores e acionistas controladores, evita e coíbe modalidades de fraude ou manipulação, assegura o acesso público a informação sobre valores mobiliários negociados e as companhias que os tenham emitido e promove a expansão e o funcionamento eficiente e regular do mercado e ações. (//www.coladaweb.com/direito/sociedades_anonimas.htm)

Neste sentido, a pesquisa procura responder à seguinte indagação:

Que indicadores de sucesso na gestão financeira aplicados às sociedades anônimas metais-mecânica de capital aberto na região de Joinville e Jaraguá do Sul, contribuíram para o seu resultado ou identificaram reflexos positivos ou negativos para as organizações?

1.3 Objetivos

1.3.1 Objetivo Geral

Identificar os indicadores de sucesso e seus reflexos na gestão financeira das sociedades anônimas de capital aberto do setor metal-mecânico nas cidades de Joinville e Jaraguá do Sul entre os anos de 2001 a 2005.

1.3.2 Objetivos Específicos

A consecução do objetivo geral remete ao desdobramento dos seguintes objetivos específicos que o sustentam e sobre o qual o trabalho se apóia:

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• Avaliar as informações contidas nas demonstrações financeiras disponibilizadas pela CVM e pelas empresas pesquisadas, referentes aos exercícios de 2001 a 2005.

• Identificar entre os quocientes econômicos e financeiros e respectivas categorias, através de métricas, as categorias de índices e as empresas que se destacaram no período pesquisado.

• Verificar os elementos que interferem na composição da estrutura de capital.

• Expor qual a política de imobilização adotada pelas empresas que lograram êxito no período pesquisado.

• Identificar os índices de liquidez.

• Pesquisar a capacidade de pagamento;

• Apurar nas empresas pesquisadas a geração de caixa através da EBITDA.

• Apontar a origem da demanda por capital de giro e o ciclo financeiro.

• Conhecer a política de dividendos praticada pelas empresas.

• Identificar a rentabilidade.

• Pesquisar o grau de alavancagem obtido nas empresas pesquisadas e a taxa efetivamente paga pelas dívidas onerosas.

1.4 Relevância do Estudo

Nesse sentido, este trabalho, que tem caráter prático, propõe contribuir com o meio acadêmico com um estudo direcionado a um segmento industrial de alta relevância econômica para a região de Joinville e Jaraguá do Sul. Segundo a Federação das Indústrias do Estado de Santa Catarina em seu diagnóstico intitulado "Santa Catarina em Dados – 2006" o setor Eletro-Metal-Mecânico da região Norte-Nordeste de Santa Catarina, constituído por 4.148 (2004) empresas e com uma força de trabalho de 86 mil empregados é responsável por 22,2% do valor da transformação industrial do estado e por 23,5% de suas exportações com US$ 1.315 milhões no ano de 2005.

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Diante da evolução tecnológica, do aparecimento de novos mercados e do ambiente competitivo global dos negócios, faz com que as empresas passem a tratar e a gerar informações necessárias e precisas, que permitam decisões rápidas, sustentáveis e com baixo grau de risco e que facilitem a gestão financeira.

Assim sendo, a informação obtida dos sistemas integrados, organizada e ordenada, deve ser destacada como ferramenta imprescindível na gestão financeira, como afirma Almeida (2002 : 30) “o quadro atual de elevada competitividade tem exigido das organizações modelos de gestão que induzam os gestores a tomadas de decisão no sentido de aproveitar oportunidades e minimizar ameaças. (....) Ser competitivo virou sinônimo de “garantia” de continuidade. (....) Talvez, os maiores impactos das mudanças na variável tecnológica sejam os relacionados á proliferação de bens e serviços vinculados a informação, modificando, assim, os paradigmas de gestão das organizações”.

A complexidade da análise de crédito bancário sujeita sempre a grandes volumes de informações e aspectos subjetivos envolvidos, pode valer-se do trabalho na medida em que este desenvolve avançada técnica de compilação de dados que permitem ao final operar com relativa facilidade as análises pretendidas.

As ferramentas de exame comparativo entre empresas do mesmo setor com características semelhantes apresentadas permitem a associações industriais, comerciais ou setoriais o diagnóstico de equívocos e acertos do passado bem com a projeção de tendências.

O planejamento, um dos maiores desafios da área pública, poderá também apoiar-se nas ferramentas apresentadas que servem ao desenvolvimento de cenários e que transmitem resultados de uma análise integral de forma transparente e compreensível.

Em retrospectiva, a pesquisa objetiva retratar a realidade das grandes corporações do segmento metal-mecânico na região pesquisada no período do primeiro qüinqüênio do século XXI podendo servir de material para exame e consulta de outros estudos relacionados ao tema ou que dele dependam.

1.5 Organização do Trabalho

O presente estudo desenvolveu-se em 6 (seis) capítulos, sendo que, foram abordados os seguintes aspectos:

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O Capítulo 2 destaca a fundamentação teórica, a qual embasa aspectos teóricos de autores que tratam do tema, de forma a buscar subsídios para desenvolver a parte prática do estudo elaborado.

Neste capítulo, efetua-se a abordagem que aspectos de envolvem a sociedade comercial, abrangendo os tipos de sociedade, sendo que o destaque é dado para as sociedades anônimas que são alvo do estudo a ser realizado. A seguir enfoca-se as demonstrações contábeis, com ênfase nos indicadores, de forma a se obter subsídios para a realização do estudo propriamente dito.

O Capitulo 3 descreve a metodologia utilizada, abrangendo a maneira como se efetuou o levantamento dos dados e suas análises, a definição dos indicadores financeiros, das categorias dos índices, dos pesos e métrica utilizada, destaca a forma utilizada para determinação dos conceitos e notas para avaliação das empresas..

O Capitulo 4 - Descrição e Análise dos Dados, discorre-se sobre as empresas que foram alvo do estudo, destaca-se o cenário econômico, as características das empresas, estrutura de capital, política de imobilização, liquidez, geração de caixa, capacidade de pagamento das dividas, ciclo financeiro, política de dividendos, rentabilidade, grau de alavancagem e custo da dívida.

O Capitulo 5 – Análise dos Resultados e Identificação dos Indicadores, retrata a análise dos resultados obtidos com a pesquisa desenvolvida nas empresas objeto deste estudo, a análise comparativa destes resultados e a identificação dos respectivos indicadores.

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2 FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA

Com o objetivo de revelar a existência de publicações relacionadas às respostas das questões propostas por este trabalho, identificando os métodos utilizados em investigações similares que possam auxiliar na decisão de qual o método mais eficaz, neste capítulo, abordar-se-á a fundamentação teórica, com ênfase em autores que tratam dos temas a respeito de sociedade comercial abrangendo os tipos de sociedade, as demonstrações contábeis com enfoque na análise dos indicadores, de forma a se obter maiores subsídios para a realização do estudo.

2.1 Sociedade Comercial

Segundo Tomazette (2002), deve-se entender que a empresa engloba a atividade econômica organizada de produção ou circulação de bens ou serviços. Trata-se do conjunto de atos destinados a uma finalidade comum, que organiza os fatores da produção, para produzir ou fazer circular bens ou serviços. Não basta um ato isolado, é necessária uma seqüência de atos dirigidos a uma mesma finalidade, para configurar a empresa.

A economicidade da atividade exige que a mesma seja capaz criar novas utilidades, novas riquezas, afastando-se as atividades de mero gozo. Nessa criação de novas riquezas, pode-se transformar matéria prima (indústria), como também pode haver a interposição na circulação de bens (comércio em sentido estrito), aumentando o valor dos mesmos.

Ademais, tal atividade deve ser dirigida ao mercado, isto é, deve ser destinada à satisfação de necessidades alheias, sob pena de não configurar empresa. Assim, não é empresa a atividade daquele que cultiva ou fabrica para o próprio consumo, vale dizer, "o titular da atividade deve ser diverso do destinatário último do produto". Também, é traço característico da empresa a organização dos fatores da produção, pois o fim produtivo da empresa pressupõe atos coordenados e programados para se atingir tal fim. Tal organização pode assumir as formas mais variadas de acordo com as necessidades da atividade, abrangendo "seja a atividade que se exercita organizando o trabalho alheio, seja aquela que se exercita organizando um complexo de bens ou mais genericamente de capitais (...)” (TOMAZETTE, 2002).

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uma necessidade qualquer, desde que não consistente na simples troca de bens" (TOMAZETTE, 2002).

A empresa é atividade organizada no sentido de que nela se encontram articulados, pelo empresário, os quatro fatores de produção: capital, mão-de-obra, insumos e tecnologia. Não é empresário quem explora atividade de produção ou circulação de bens ou serviços sem alguns desses fatores (COELHO, 2002: 13).

Tomazette (2002) complementa:

A empresa entendida como a atividade econômica organizada, não se confunde nem com o sujeito exercente da atividade, nem com o complexo de bens por meio dos quais se exerce a atividade, que representam outras realidades distintas. A empresa não possui personalidade jurídica, e nem pode possuí-la e conseqüentemente não pode ser entendida como sujeito de direito, pois ela é a atividade econômica que se contrapõe ao titular dela, isto é, ao exercente daquela atividade. O titular da empresa é o que denomina-se de empresário.

A atividade (empresa) é exercida por um sujeito (o empresário), que geralmente viabiliza o exercício da atividade por meio de um complexo de bens, que denominaremos estabelecimento ou fundo de comércio. Assim, podemos conceituar estabelecimento como "o conjunto de bens que o empresário reúne para exploração de sua atividade econômica". Este conceito guarda uma certa correspondência com o conceito do artigo 2555 do Código civil italiano, bem como com o conceito do artigo 1.142 do Novo Código Civil. A este respeito, Almeida (2003: 5) destaca que:

Trata-se de um conjunto de bens ligados pela destinação comum de constituir o instrumento da atividade empresarial. A natureza jurídica do estabelecimento não se confunde com a natureza da empresa, pois não se trata da atividade empresarial, nem com a natureza do empresário, pois não se trata de ente personalizado. O estabelecimento não é pessoa, nem atividade é empresarial, é uma universalidade de fato que integra o patrimônio do empresário.

Os sócios não possuem, nas sociedades de que fazem parte, um direito de propriedade. Constituído o capital social, esse, como se sabe, passa a integrar o patrimônio da sociedade, que, por sua vez, não se confunde com o patrimônio dos respectivos sócios. Assim, todas as contribuições efetuadas pelos sócios para a formação do fundo social são transferidas à sociedade, desvinculando-se por inteiro da propriedade dos sócios.

(24)

A empresa é considerada como objeto de direito, e não sujeito de direito. Tem-se, portanto, que a empresa é a atividade desenvolvida pelo empresário, este sim o sujeito do direito.

Com relação à definição de empresário, verifica-se que, no artigo 966, do Novo Código Civil brasileiro encontramos a seguinte conceituação:

Art. 966 – Considera-se empresário quem exerce profissionalmente atividade econômica organizada para a produção ou a circulação de bens e serviços.

Exceção legal = Parágrafo único – Não se considera empresário quem exerce profissão intelectual, de natureza científica, literária ou artística, ainda com o concurso de auxiliares ou colaboradores, salvo se o exercício da profissão constituir elemento de empresa.

2.1.1 Constituição de Empresas

Para a constituição de uma empresa, são necessários três requisitos: Documentos de registro que deverão ser apresentados no prazo de trinta dias, contado da lavratura dos atos respectivos; o registro requerido além do prazo previsto, somente produzirá efeito a partir da data de sua concessão; as pessoas que obrigadas a requerer o registro responderão por perdas e danos, em caso de omissão ou demora.

A sociedade adquire personalidade jurídica por concessão da lei. O art. 44 do Código Civil declara que são pessoas jurídicas de direito privado, entre outras entidades, as sociedades mercantis. E, no art. 45, dispõe que “começa a existência legal das pessoas jurídicas de direito privado com a inscrição do ato constituído no respectivo registro, precedida, quando necessário, de autorização ou aprovação do poder executivo, averbando-se no registro todas as alterações por que passar pelo ato constitutivo”.

As sociedades comerciais que arquivam seus contratos ou atos constitutivos no Registro Público de Empresas Mercantis adquirem, assim, personalidade jurídica. São chamadas, por isso, sociedades regulares. Ao revés, as que não o fazem, tenham ou não contrato escrito são chamadas sociedades irregulares.

Mendonça (1958:130) propôs uma distinção conceitual entre sociedades irregulares e as chamadas sociedades de fato: as primeiras seriam as que funcionam sem o cumprimento das solenidades legais de constituição, registro e publicidade; as segundas seriam as afetadas por vícios que as inquinam de nulidade, e são fulminadas por isso com o decreto de morte, pois, apesar de degeneradas, vivem enquanto admitidas.

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Mercantis. Mas convém esclarecer que essas entidades não perdem a sua condição de sociedades comerciais.

A sociedade anônima, não tendo seus atos constitutivos registrados, não passa a ser irregular, apenas não se constitui, e seus diretores são responsáveis pelos atos que praticarem.

2.1.2 Personalidade Jurídica e Formas de Constituição

Adquirindo personalidade jurídica, diversas conseqüências úteis ocorrem à sociedade comercial. Entre elas podemos catalogar como as mais expressivas:

• Considerar-se a sociedade uma pessoa, isto é, um sujeito capaz de direito e obrigações. Pode estar em juízo por si, contrata e se obriga.

• Tendo a sociedade, como pessoa jurídica, individualidade própria, os sócios que as constituírem com ela não se confundem, não adquirindo por isso a qualidade de comerciantes. Na recente reforma da lei das sociedades comerciais, verificada em 1966, na França, nas sociedades em nome coletivo, todos os sócios adquirem a qualidade de comerciantes; em nosso direito, não, tanto que não serão considerados falidos, se for decretada a falência da sociedade.

• A sociedade com personalidade adquire ampla autonomia patrimonial. O patrimônio é seu, e esse patrimônio, seja qual for o tipo de sociedade, responde ilimitadamente pelo seu passivo.

O sócio pode ingressar tanto originalmente na sociedade, na sua fundação, assinando o contrato ou ato constitutivo, como, posteriormente, subscrevendo aumento de capital ou substituindo um sócio que se retira, através de cessão e transferência de sua parte-capital.

O sócio será ou de responsabilidade limitada ou de responsabilidade ilimitada.

O sócio de responsabilidade ilimitada é solidário com os demais companheiros dessa categoria, respondendo igualmente pelas obrigações sociais. Mas essa responsabilidade, não mais se discute, é subsidiária, no sentido de que somente se efetiva quando faltarem bens suficientes para a sociedade cumprir integralmente suas obrigações.

O sócio de responsabilidade limitada, comanditário ou cotista, tem responsabilidade circunscrita: o primeiro, à sua parte-capital, e; o segundo, ao capital social; ao acionista, apenas ao valor de sua contribuição representada na ação.

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ele, pelas obrigações sociais, e, como em qualquer pessoa, constitui a garantia de seus credores.

A sociedade comercial, como pessoa jurídica, pode associar-se a outra sociedade ou a uma pessoa natural para construir nova sociedade. Torna-se, assim, sócia de outra pessoa jurídica.

O sócio-gerente ou administrador da sociedade é a figura central da empresa, que se encontra na posição de chefe, no ápice da pirâmide hierárquica. Todos os demais colaboradores estão a ele sujeitos, devendo-lhe obediência e subordinação.

Nas sociedades de pessoas, o contrato social pode designar o sócio e/ou sócios que isolada ou conjuntamente exercem a gerência; não havendo disposição a respeito, todos podem desempenhá-la, usando da razão social.

A sociedade comercial sócia de outra, no ato constitutivo desta, cabendo-lhe a gerência, designará o nome de seu representante, que, como órgão da sociedade, usará a firma social que lhe compete.

A liquidação é a fase, no processo de extinção da pessoa jurídica, no qual será realizado o ativo e satisfeito o passivo da sociedade. A liquidação poderá ser feita pelo modo estabelecido no estatuto ou por decisão da assembléia geral. Pode também ser judicial, o que ocorrerá quando a dissolução da sociedade for por decisão judicial.

Durante todo o período de liquidação a sociedade continua a existir, apenas com as suas atividades normais suspensas, já que todos os atos praticados pelo liquidante têm por fim extinguir a pessoa jurídica.

A extinção só ocorre quando forem arquivados os documentos de liquidação.

2.1.3 Formas de Sociedades

Descreve-se a seguir, as formas de sociedade existentes após a promulgação do novo Código Civil de 2002.

A sociedade em nome coletivo refere-se a formada por duas ou mais pessoas em que todos os sócios respondem subsidiariamente pelas obrigações sociais de forma solidária e ilimitada.

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A sociedade de capital e indústria, diz respeito, aquela formada por duas ou mais pessoas contribuindo para a formação do capital social e outras concorrendo apenas com seu trabalho.

Enquanto que, a sociedade em conta de participação, refere-se a aquela em que duas ou mais pessoas sendo ao menos uma comerciante, se reúnem para a realização de uma ou mais operações comerciais sendo essas operações feitas em nome e sob a responsabilidade de um ou alguns sócios comerciantes.

A sociedade comercial que mais se adapta aos dias atuais da economia brasileira é a Sociedade por Quotas de Responsabilidade Limitada.

Segundo Martins (2002), este tipo de sociedade comercial se adapta mais aos moldes da economia brasileira, devido ao fato de a grande maioria das empresas comerciais aqui no Brasil serem, com relação ao seu porte físico, constituídas por micro, pequenas e médias empresas, e destas a maior parcela é constituída sob a forma de Sociedade por Quotas de Responsabilidade Limitada.

Outro aspecto a ser analisado é o fato de que neste tipo de Sociedade, a responsabilidade dos sócios fica limitada a integralização apenas do montante subscrito. Porém num caso de insolvência, se um dos sócios não integralizou todo o montante subscrito, este o deverá fazer até a sua total integralização, se porventura este sócio não tiver bens, ou não tiver dinheiro suficiente para cobrir o restante da integralização, os demais sócios tornam-se responsáveis pelo saldo a tornam-ser integralizado por parte deste sócio que não contornam-seguiu honrar com os seus compromissos, em outras palavras, um sócio é fiador dos demais pela integralização das quotas.

Na visão de Martins (2002), as Sociedades por Quotas de Responsabilidade Limitada são as maiores geradoras de emprego no Brasil. Isto advém do fato de estar o país, passando por um período de certa estabilidade econômica, que impulsiona as pessoas com disponibilidades de capital, a investirem em novos negócios, e desta forma acabam incrementando a atividade econômica, proporcionando a geração de novos empregos, maior volume de impostos arrecadados, entre outros benefícios.

Com relação à sociedade anônima, verifica-se que esta pode ser entendida, segundo Martins (2002: 229), como:

(28)

nenhum contrato liga os sócios entre si. As sociedades anônimas em regra são reguladas por leis especiais.

2.1.4 Transformações das Sociedades: Cisão, Fusão e Incorporação

A transformação das sociedades pode ocorrer por meio de fusão, cisão ou incorporação entre sociedades de iguais ou diferentes tipos, devendo ser deliberadas de forma legal para alteração dos estatutos ou contrato.

A transformação é a operação pela qual uma sociedade passa de uma espécie para outra. A transformação é classificada em pura ou simples, quando se conserva a mesma pessoa jurídica, ou constitutiva, quando se forma nova sociedade.

Para que uma sociedade possa se transformar em outra, é necessário que haja o consentimento expresso da totalidade dos sócios ou acionistas, salvo se a transformação foi prevista em contrato.

A transformação de qualquer sociedade em sociedade anônima será feita de acordo com os princípios legais sobre a constituição desta última sociedade.

Descrevem-se, a seguir, os processos de transformação de uma sociedade, tendo por base os estudos de Coelho (1999).

2.1.4.1 Cisão

Cisão é um processo no qual uma companhia transfere parcelas de seu patrimônio para uma ou mais sociedades, constituídas para esse fim ou já existentes, extinguindo-se a companhia cindida ou dividindo-se o seu capital.

Segundo a lei 6.404, Lei das Sociedades Anônimas, a cisão ocorre da seguinte forma,

Art. 229. A cisão é a operação pela qual a companhia transfere parcelas do seu patrimônio para uma ou mais sociedades, constituídas para esse fim ou já existentes, extinguindo-se a companhia cindida, se houver versão de todo o seu patrimônio, ou dividindo-se o seu capital, se parcial a versão.

ξ 1o. Sem prejuízo do disposto no art. 23, a sociedade que absorver parcela do

patrimônio da companhia cindida sucede a esta nos direitos e obrigações relacionados no ato da cisão; no caso de cisão com extinção, as sociedades que absorverem parcelas do patrimônio da companhia cindida sucederão a esta, na proporção dos patrimônios líquidos transferidos, nos direitos e obrigações não relacionados.

ξ 2o. Na cisão com versão de parcela do patrimônio em sociedade nova, a operação

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aprovar, nomeará os peritos que avaliarão a parcela do patrimônio a ser transferida, e funcionará como assembléia de constituição da nova companhia.

ξ 3o. A cisão com versão de parcela de patrimônio em sociedade já existente

obedecerá às disposições sobre incorporação.

ξ 4o. Efetivada a cisão com extinção da companhia cindida, caberá aos

administradores das sociedades que tiverem absorvido parcelas do seu patrimônio promover o arquivamento e publicação dos atos da operação; na cisão com versão parcial do patrimônio, esse dever caberá aos administradores da companhia cindida e da que absorver parcela do seu patrimônio.

ξ 5o. As ações integralizadas com parcelas de patrimônio da companhia cindida

serão atribuídas a seus titulares, em substituição às extintas, na proporção das que possuíam; a atribuição em proporção diferente requer aprovação de todos os titulares, inclusive das ações sem direito a voto.

Os motivos que levam a uma cisão podem ser a dissidência entre os sócios, aprimoramento de competitividade, planejamento tributário ou outros que tem a finalidade de reduzir a carga de impostos.

A cisão pode envolver avaliação de bens, direitos e obrigações a valores de mercado, porém o acervo líquido deve ser baixado da companhia cindida pelo seu valor contábil.

As empresas que recebem o acervo líquido têm a opção de registrá-lo pelo valor contábil ou valor de negociação, sendo que pelo valor de negociação se configura a atitude mais correta, pois traduz a essência da operação.

Na realidade, o que se observa é que as empresas se utilizam mais do valor contábil devido ao valor de negociação incluir algumas variáveis como reavaliação de estoques que são difíceis de serem equalizadas contabilmente.

A cisão total ou parcial é a transferência de patrimônio para uma ou mais sociedades, já existentes ou criadas para esse fim, ou seja:

• Cisão total – embora não haja legislação que disponha do assunto, é a transferência de todo o seu patrimônio para mais de uma sociedade nova ou já existente, havendo a transferência de todo o patrimônio, bens, direitos e obrigações, extinguindo-se, a sociedade cindida.

• Cisão parcial – é o desmembramento de parte do patrimônio social para criação de uma nova sociedade ou já existente, tendo uma redução do capital social da empresa cindida.

A responsabilidade sobre a parcela de patrimônio absorvido da cindida, bem como direitos e obrigações passam para a sociedade que absorveu.

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2.1.4.2 Fusão

Fusão é a união de duas ou mais empresas para formar uma só, que lhe sucederá em todas as obrigações e direitos, não existindo dissolução, já que o patrimônio social das sociedades fusionadas é transferido para uma nova sociedade, bem como seus direitos e obrigações. Os novos percentuais de participação dos acionistas no capital social da sucessora são determinados com base nos valores de negociação dos patrimônios líquidos das empresas fusionadas (COELHO, 1999).

Art. 228. A fusão é a operação pela qual se unem duas ou mais sociedades para formar sociedade nova que lhes sucedera em todos os direitos e obrigações.

ξ 1o. A assembléia geral de cada companhia, se aprovar o protocolo de fusão, deverá

nomear os peritos que avaliarão os patrimônios líquidos das demais sociedades. ξ2o. Apresentados os laudos, os administradores convocarão os sócios ou acionistas

das sociedades para uma assembléia geral, que deles tomará conhecimento e resolverá sobre a constituição definitiva da nova sociedade, vedado aos sócios ou acionistas votar o laudo de avaliação do patrimônio líquido da sociedade de que fazem parte.

ξ 3o. Constituída a nova companhia, incumbirá aos primeiros administradores

promover o arquivamento e a publicação dos atos da fusão (LEI 6.404/76).

2.1.4.3 Incorporação

Incorporação é um processo através do qual duas ou mais empresas se unem para formar uma nova sociedade, a qual sucederá em todos os direitos e obrigações.

De acordo com a lei das Sociedades Anônimas, Lei 6.404/76, verifica-se o seguinte:

Art. 227. A incorporação é a operação pela qual uma ou mais sociedades são absorvidas por outra, que lhes sucede em todos os direitos e obrigações.

ξ 1o. A assembléia geral da companhia incorporadora, se aprovar o protocolo da

operação, devera autorizar o aumento de capital a ser subscrito e realizado pela incorporadora mediante versão do seu patrimônio líquido, e nomear os peritos que o avaliarão.

ξ 2o. A sociedade que houver de ser incorporada, se aprovar o protocolo da

operação, autorizará seus administradores a praticarem os atos necessários à incorporação, inclusive a subscrição do aumento de capital da incorporadora. ξ 3o. Aprovados pela assembléia geral da incorporadora o laudo de avaliação e a

incorporação, extingue-se a incorporada, competindo à primeira promover o arquivamento e a publicação dos atos da incorporação.

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Ocorre incorporação quando uma ou mais sociedades são absorvidas por outra, sucedendo-as em seus direitos e obrigações. Sendo assim as sociedades absorvidas são extintas passando seus ativos e passivos para a empresa incorporadora. Havendo com isto, a necessidade de reformular o estatuto da empresa incorporadora pelo aumento do capital social, integrado pelas empresas incorporadas.

Neste processo, os ativos e passivos são incorporados pelo seu valor contábil e os novos percentuais de participação dos acionistas são determinados tendo por base os valores de negociação dos patrimônios líquidos de ambas as sociedades.

Em fusões, incorporações ou cisões de empresas podem surgir também as reservas de reavaliação, sendo estas baseadas em laudos que são importantes, diferentemente das reavaliações voluntárias, que são optativas. Nos casos de cisão, a reserva de avaliação deve ser atribuída às empresas resultantes, com base nos respectivos ativos. Assim, o imobilizado deve ser periodicamente acompanhado com o objetivo de verificar se o valor de recuperação está inferior ao valor líquido contábil, seja este avaliado pelo custo corrigido ou pelo mercado (reavaliação). Se isto ocorrer, o valor líquido contábil deve ser reduzido ao valor de recuperação, porém esta redução somente deve ocorrer se for considerada não temporária, e o montante da redução deve reverter uma reavaliação anterior, debitada à reserva (COELHO, 1999).

2.1.4.4 Transformação da Sociedade Anônima (S.A.)

Quanto à constituição de uma nova sociedade anônima oriunda da criação de duas empresas não anônimas, deve-se observar algumas regras especificas.

Com relação às exigências preliminares para fusão, cisão e incorporação, verifica-se que, nesses tipos de operações ocorrem modificações profundas para as sociedades participantes, devendo as partes interessadas firmar um protocolo que trace as normas necessárias para a operação. Sendo um compromisso preliminar o protocolo está sujeito a aprovação das partes interessadas exigindo-se que:

• se justifiquem as razões das operações e o interesse da sociedade na sua realização. Nas sociedades por ações terão de ser submetidas à aprovação da assembléia geral das companhias envolvidas, enquanto que nas outras sociedades serão submetidas apenas a uma reunião dos associados.

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• a avaliação do patrimônio líquido deve ser feita por 3 peritos ou por empresas especializadas. Contendo no Laudo de avaliação com critérios: do patrimônio social, contábil, valor mercado, rentabilidade futura, cotação das ações no mercado de capitais. Os peritos são nomeados pelas empresas cindidas e nas S.A. pela Assembléia Geral.

• os credores que se sentirem prejudicados nas operações deverão recorrer judicialmente a sua anulação, até 60 dias, depois da publicação dos atos.

• no registro do comércio dos atos de incorporação, fusão, cisão, que cada situação siga processos diferentes conforme determinação legal.

• Os atos relativos ao registro civil das pessoas jurídicas, quando procederem dos processos de fusão, cisão e incorporação devem ser arquivados os atos no Cartório de Registro Civil das pessoas jurídicas (REQUIÃO, 1998).

2.1.5 Sociedades Anônimas

A seguir, discorre-se sobre aspectos pertinentes as sociedades anônimas, abrangendo desde as exigências, registro, documentos contábeis, entre outros.

2.1.5.1 Exigências para as Sociedades Anônimas

As sociedades anônimas podem emitir títulos negociáveis, sem valores nominais e estranhos ao capital, que darão ao possuidor direito de crédito eventual contra a sociedade. Esse direito consiste na participação nos lucros líquidos anuais da companhia, lucros que deveriam ser distribuídos aos acionistas (REQUIÃO, 1998).

As partes beneficiárias serão representadas por certificados ou títulos que deverão possuir alguns requisitos, como por exemplo, (REQUIÃO, 1998):

• designação da parte beneficiária

• denominação da sociedade, sua sede e prazo de duração

• valor do capital social, data do ato que o fixou e o número de ações em que se divide

• número de partes beneficiárias criadas pela sociedade e o respectivo número de ordem

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• data da constituição da sociedade e do arquivamento e publicação dos seus atos constitutivos

• nome do beneficiário

• data da emissão do certificado e assinatura de dois diretores.

Muitas vezes a empresa que necessita de dinheiro para realizar o seu objeto social ou solver compromissos assumidos pode emitir debêntures, que significa títulos emitidos pela sociedade anônima, representativo de uma parte de um empréstimo público lançado pela sociedade.

Cabe a Assembléia Geral Extraordinária da sociedade, autorizar a contrair o empréstimo mediante a emissão de debêntures. Esta será feita através de uma escritura de emissão, onde constarão os direitos conferidos pelas debêntures, suas garantias e demais cláusulas ou condições. A escritura pode ser feita por instrumento público ou particular.

Inicialmente a debênture é um título representativo de uma parcela de um empréstimo feito à sociedade, deve fazer jus ao pagamento de juros, apresentando-se a sociedade com devedora das importâncias relativas às emissões.

Várias são as modalidades de garantia oferecidas pelas sociedades aos mutantes por ocasião da constituição de empréstimo. As debêntures poderão ter garantia real, garantia flutuante, não gozar de preferência ou ser subordinadas aos demais credores da companhia. As debêntures sem garantia são aquelas que não gozam de preferência entre os credores da sociedade. Subordinadas são as debêntures sem garantia em que há uma cláusula de subordinação dos debenturistas aos demais credores quirografários.

Segundo Coelho (1999), a principal obrigação do acionista, é pagar á sociedade as ações subscritas ou adquiridas a isto se dão o nome de integralização. Ao adquirir ações, o acionista passa a participar da sociedade e gozar dos vários direitos oriundos dessa situação.

São considerados direitos essenciais do acionista, que deles não podem ser privados nem pelo estatuto nem pela assembléia geral, os de participar dos lucros da sociedade, de participar do acervo da sociedade em caso de liquidação, de fiscalizar a gestão dos negócios sociais, na forma estabelecida pela lei, de ter preferência na subscrição de ações, debêntures conversíveis em ações, bônus de subscrição e partes beneficiárias conversíveis em ações (COELHO, 1999).

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As sociedades anônimas devem possuir como livros obrigatórios os: Diário, o Registro de Duplicatas, o Registro de Empregados, o Livro de Inventário, o Registro de Compras, alem de livros especiais como:

• registro de ações nominativas – serve para anotar ou averbar o nome dos acionistas e o numero de ações que possuem

• transferências de ações nominativas – que se destina aos termos de alienação ou transferência dessa ação

• registro de partes beneficiárias nominativas – onde são inscritos os nomes de todos os que sejam proprietários de partes beneficiárias.

• transferência de partes beneficiárias nominativas – serve para atestar a circulação das partes beneficiárias nominativas.

• atas das assembléias gerais – registra as decisões tomadas nas assembléias gerais da sociedade.

• presença de acionistas – registra os acionistas que desejam tomar parte nas reuniões coletivas da sociedade.

• atas das reuniões do Conselho de Administração e Atas das Reuniões da Diretoria

• atas e pareceres do Conselho Fiscal (REQUIÃO, 1998)

O capital social das sociedades anônimas pode ser modificado, seja por seu aumento ou redução, cabendo à assembléia geral deliberar sobre este assunto.

As modalidades pelas quais pode ser feito o aumento do capital são:

• Aumento por correção monetária do capital

• Aumento por autorização estatutária

• Aumento por conversão em ações de debêntures

• Aumento por capitalização de lucros e reservas

• Aumento mediante subscrição de ações

• Direito de preferência.

Nas sociedades anônimas observa-se ainda que:

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partes beneficiárias. O saldo que remanescer do resultado do exercício deduzidas as participações acima, constitui o lucro líquido da companhia.

• Os dividendos – referem-se a parte que cabe a cada sócio, proporcional às ações que possuir na sociedade.

• As reservas – a sociedade terá obrigatoriamente um fundo de reserva destinado a assegurar a integridade do capital social e que somente poderá ser utilizado para compensar prejuízos ou aumentar o capital (REQUIÃO, 1998).

As modalidades de dissolução nestas sociedades podem ser:

• Pleno direito – ocorre pelo término do prazo de duração da sociedade, por deliberação da assembléia geral aprovada por acionistas que representem metade do capital social com direito a voto.

• Decisão judicial – quando anulada sua constituição em ação proposta por qualquer acionista ou por acionista que represente cinco por cento ou mais do capital social e por motivo de falência (COELHO, 1999).

2.1.6 Demonstrações contábeis exigidas pela Lei das Sociedades Anônimas

Descreve-se, a seguir, sobre a utilização das demonstrações contábeis como ferramenta para a tomada de decisões, principalmente com relação ao mercado de ações e, para tanto, no decorrer enfoca-se o conceito de análise, sua finalidade, limitações das informações contábeis e a análise de investimentos enfocando a análise de ações propriamente dita e a importância das demonstrações contábeis.

Análise: em relação ao objetivo econômico focado, é a arte de saber extrair relações úteis:

• dos relatórios contábeis tradicionais;

• de suas extensões ou detalhamentos, quando for o caso

Interpretação: é a apreciação dos elementos patrimoniais (enquanto partes do conjunto), com relação a:

• natureza;

• valor e proporcionalidade.

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conhecimento econômico-financeiro de outras empresas, concorrentes e fornecedores, mas é ainda mais importante para utilização interna pela empresa.

Segundo Padoveze (1994: 115), “análise de balanço constitui-se num processo de meditação sobre os demonstrativos contábeis, objetivando uma avaliação da situação da empresa, em seus aspectos operacionais, econômicos, patrimoniais e financeiros”.

A avaliação sobre a empresa tem por finalidade detectar os pontos fortes e os pontos fracos do processo operacional e financeiro, objetivando propor alternativas de curso futuro a serem tomadas e seguidas pelos gestores da empresa.

No entanto, a grande utilidade dessa ferramenta é o acompanhamento mensal dos indicadores escolhidos, pois evidenciará uma visão real das operações e do patrimônio empresarial e a empresa poderá tomar medidas corretivas do rumo dos negócios se as conclusões do acompanhamento analítico dos indicadores assim o exigir.

A análise de balanços pode ser realizada em sete etapas:

• exame e padronização das demonstrações financeiras;

• coleta de dados;

• cálculo dos indicadores: quocientes, coeficientes e números-índices;

• interpretação dos quocientes;

• análise vertical/horizontal;

• comparação com padrões;

• elaboração de relatórios inteligíveis por leigos (IUDÍCIBUS, 1998). Podendo ser:

• Interna: realizada dentro da entidade por seus próprios empregados, e visa informar administradores e diretores, auxiliando-os nas tomadas de decisões.

• Externa: efetuada fora da entidade objeto da análise, e seu objetivo é informar aos interessados acerca da situação econômica ou da estabilidade da entidade para concretização de negócios, concessões de créditos e financiamentos, ressalvando-se que poderá haver o risco quanto a veracidade das informações das demonstrações contábeis.

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