GISELE MATOS LIMA OS CONTEÚDOS DE ADMINISTRAÇÃO DOS CURSOS DE MODA E AS DEMANDAS DA INDÚSTRIA DO VESTUÁRIO

Livre

0
1
289
1 year ago
Preview
Full text

GISELE MATOS LIMA

  

OS CONTEÚDOS DE ADMINISTRAđấO DOS CURSOS DE

MODA E AS DEMANDAS DA INDÚSTRIA DO VESTUÁRIO

Dissertação apresentada ao Curso de Pós-Graduação em Administração da Universidade do Estado de Santa Catarina como requisito parcial para a obtenção do título de Mestre em Administração.

  Orientador: Mário César Barreto Moraes, Dr.

  

FLORIANÓPOLIS 2013 L732c Lima, Gisele Matos

Os conteúdos de administração dos cursos de moda e as

Bibliografia: p. 267-277 Orientador: Prof. Dr. Mário César Barreto Moraes 289 p. : il. color. ; 21 cm 2013.

  • – demandas da indústria do vestuário/ Gisele Matos Lima Dissertação (mestrado) Santa Catarina, Centro de Ciências da Administração e Socioeconômicas, Programa de Pós-Graduação em Administração, Florianópolis, 2013.
  • 1. Vestuário (indústria). 2. Administração (ensino – Universidade do Estado de III.Título. Barreto. II. Universidade do Estado de Santa Catarina. superior). 3. Cursos de moda. I. Moraes, Mário César 20.ed.

    CDD: 687.068

    – Ficha elaborada pela Biblioteca Central da UDESC

      

    GISELE MATOS LIMA

    OS CONTEÚDOS DE ADMINISTRAđấO DOS CURSOS DE

    MODA E AS DEMANDAS DA INDÚSTRIA DO VESTUÁRIO

      Dissertação apresentada ao Curso de Pós-Graduação em Administração da Universidade do Estado de Santa Catarina como requisito parcial para a obtenção do título de Mestre em Administração.

      Banca Examinadora:

      Orientador: Prof. Dr. Mário César Barreto Moraes Universidade do Estado de Santa Catarina

      Membros: Prof. Dr. Nério Amboni Universidade do Estado de Santa Catarina Prof.ª Dr.ª Gabriela Mager Universidade do Estado de Santa Catarina Prof. Dr. Alexandre Marino Costa Universidade Federal de Santa Catarina Florianópolis, 30 de outubro de 2013.

      Dedico este trabalho aos meus pais Plínio e Ilda, meus primeiros mestres, que me ensinaram a lutar pelos meus sonhos. Muito obrigada. Amo vocês.

      

    AGRADECIMENTOS

      Para realizar este trabalho, contei com o inestimável apoio de muitas pessoas, cada uma, à sua maneira, colaborou para que este trabalho fosse concluído.

      Ao meu esposo André, pais Plínio e Ilda, irmãos Lisandra, Tiago e José Alberto, sobrinhos Maria Luisa e João Pedro e demais familiares, meus agradecimentos pelo incentivo, compreensão e todo amor que recebi.

      Ao meu orientador, Prof. Mário César Barreto Moraes, gratidão pelo apoio, pelas reflexões e valiosos questionamentos. Aos membros da banca examinadora, Prof. Nério

      Amboni, Prof.ª Gabriela Mager e Prof. Alexandre Costa, que contribuíram significativamente para o aperfeiçoamento deste trabalho, meus agradecimentos.

      Aos professores do Programa de Pós-graduação em Administração, agradeço pelos conhecimentos e amizade. Aos professores Paulo Simon, Sandra Ramalho,

      Jacqueline Keller, Dorotéia Baduy, Monique Vandresen e Mara Rúbia Sant’Anna, meus agradecimentos pelas suas colaborações.

      A todos novos amigos que fiz no mestrado, em especial as amigas Cláudia Vieira, Letícia Roumeliotis, Rosângela Klumb e Francieli Ferreira, agradeço pelos momentos partilhados, pelo apoio e amizade.

      Agradeço a todos os Coordenadores dos Cursos de Moda e a Indústria do Vestuário foco deste estudo, representada pelos seus Gestores e Designers de Moda, que prontamente aceitaram meu convite a participar desta pesquisa.

      Agradeço a Prof.ª Giselle Kersten, pela oportunidade de ter realizado meu estágio na ESAG Sênior, pelos novos amigos que fiz e pela experiência enriquecedora.

      À Universidade do Estado de Santa Catarina pela oportunidade de realização do Mestrado em Administração, pela bolsa Promop concedida a mim neste período e a toda equipe que prestou suporte nestes dois anos, representados pela Carolina Palma Camargo, meus agradecimentos.

      Meu maior agradecimento: a Deus, por tornar possível todos estes acontecimentos e a conclusão do mestrado.

      

    RESUMO

      LIMA, Gisele Matos. Os conteúdos de administração dos

    cursos de moda e as demandas da indústria do vestuário.

    2013. Dissertação (Mestrado em Administração

    • – Área: Organizações, Tecnologias e Gestão). Universidade do Estado de Santa Catarina. Programa de Pós-Graduação em Administração, Florianópolis, 2013. O objetivo deste estudo é analisar a configuração dos conteúdos de administração dos cursos superiores de moda com as demandas da indústria do vestuário. Foram mapeados os conteúdos de administração que fazem parte das matrizes curriculares dos cursos de moda de grau bacharelado de Santa Catarina e foi realizada uma pesquisa com os Coordenadores destes Cursos. Na etapa seguinte, foi realizado um estudo de caso numa Indústria do Vestuário com gestores e designers de moda que trabalham na empresa. Os dados primários foram coletados através de questionários com questões abertas e fechadas que foram aplicados com coordenadores, gestores e designers. Foi utilizado o software Sphinx para tratamento dos dados e a análise de dados é descritiva. A partir da análise e interpretação dos dados, pode-se perceber que para os gestores da indústria há a necessidade do designer de moda adquirir conhecimentos em administração, há uma preocupação em alinhar a criatividade com a gestão na proposta e desenvolvimento de produtos e os mesmos afirmam que melhores resultados provêm do trabalho do designer de moda que possui uma visão administrativa. Para os coordenadores dos cursos, é necessário que o designer de moda adquira conhecimentos em administração, os designers são preparados pelos cursos para exercerem o empreendedorismo e atuar também como gestores. Para os designers de moda, é preciso ter uma noção global da sua marca e do seu produto, entender da produção, ter visão de processos, saber elaborar preço, conhecer a logística, unir conhecimentos técnicos e criativos. Mesmo sendo considerado relevante o ensino de administração na formação do designer de moda, os conteúdos de administração representam em média 10% da carga horária total
    dos cursos superiores de moda em Santa Catarina. Na indústria, os gestores apontaram carências no desempenho dos designers quanto aos conteúdos de administração, assim como, os próprios designers de moda informaram não possuir domínio e precisar de apoio técnico para desenvolver algumas atividades que envolvem os conteúdos de administração. Os gestores enfatizam a necessidade de diminuir as distâncias entre indústria e instituição de ensino, como forma de melhorar a formação acadêmica do designer de moda. Na visão do gestor, o acadêmico precisa ter um período de estágio nas empresas com uma maior carga horária, para adquirir vivência e aplicabilidade do seu conhecimento à realidade, sendo fundamental aliar pesquisa e aderência ao mercado. Diante dos resultados obtidos, faz-se necessário repensar a dimensão da oferta e qualidade dos conteúdos de administração nas matrizes curriculares atuais. Este repensar precisa envolver as Universidades e as Empresas, para que haja um esforço conjunto em alinhar a demanda identificada na indústria, ratificada pelos mecanismos governamentais e estudos internacionais, a uma abordagem mais estratégica e intraempreendedora do designer de moda para que o mesmo atue no mercado nacional como peça-chave na competitividade da Cadeia Têxtil e de Confecção Brasileira.

      

    Palavras-chave: Ensino Superior. Administração. Design de

    Moda. Indústria. Vestuário.

      

    ABSTRACT

      LIMA, Gisele Matos. The administration contents of the

    fashion courses and the demands of the garment industry.

    2013. 280 pp. Thesis (Master's Degree in Business Administration

    • – Area: Organizations, Technologies, and Management). Universidade do Estado de Santa Catarina. Programa de Pós-Graduação em Administração, Florianópolis, 2013. This study aims to analyze the configuration of the administration contents of higher education fashion courses with the demands of the garment industry. The administration contents that are part of the syllabus of the bachelor's degree in fashion design of Santa Catarina were mapped, and a survey with the Coordinators of these Courses was conducted. In the following phase, we conducted a case study on a Garment Industry with managers and fashion designers who work in the company. The primary data were collected through questionnaires with open and closed questions, which have been conducted with coordinators, managers and designers. The Sphinx software was used for data processing and the data analysis is descriptive. From the analysis and interpretation of the data, it can be realized that for the industry managers there is the need for the fashion designer to acquire knowledge in administration. There is a concern in aligning creativity with management in the proposal and development of products and the industry managers claim that best results come from the work of the fashion designer who has an administrative view. For the courses coordinators, it is necessary for the fashion designer to acquire knowledge in administration; the designers are prepared by the courses to exercise entrepreneurship and also act as managers. For fashion designers, it is necessary to have a comprehensive knowledge of its brand and product, to understand about its production, to have a comprehensive overview of the processes, to know how to develop the prices, to know the logistics, and to gather technical and creative knowledge. Even though the teaching of administration in the formation of the fashion designer is considered relevant, the administration contents represent, on
    average, 10% of the total workload of the higher education fashion courses in Santa Catarina. In the industry, managers pointed out shortcomings in the performance of the designers regarding administration contents. Other than that, the fashion designers themselves have said not to have domain of the area and that they need technical support to develop some activities involving administration contents. Managers emphasize the need to reduce the distances between industry and educational institution, as a way to improve the fashion designer's education. In the manager's view, the scholar must have an in-company training period with a greater workload, in order to acquire experience and apply his/her knowledge to the companies' reality, being fundamental to combine research and adherence to the market. Given the results obtained, it is necessary to rethink the dimension of supply and quality of administration contents in the current syllabus. Such rethinking needs to involve the Universities and Companies, so there is a joint effort to align the demand identified in the industry, ratified by governmental mechanisms and international studies, with a more strategic and entrepreneur approach of the fashion designer, so that he/she can act in the national market as a key player on the competitiveness of the Brazilian Textile Chain and Clothing Manufacture.

      

    Keywords: Higher Education. Administration. Fashion Design.

      Industry. Garment.

      

    LISTA DE FIGURAS

      

    LISTA DE QUADROS

      

      

      

    LISTA DE TABELAS

      

      

      

      LISTA DE ABREVIATURAS E SIGLAS ABDI Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial

    ABIT Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção

    CES Câmara de Educação Superior CFA Conselho Federal de Administração CFE Conselho Federal de Educação CNE Conselho Nacional de Educação

    CONAES Comissão Nacional de Avaliação da Educação Superior

    EUA Estados Unidos da América EURATEX European Apparel and Textile Confederation FASM Faculdade Santa Marcelina

    FIESC Federação das Indústrias do Estado de Santa Catarina

      IEMI Instituto de Estudos e Marketing Industrial

      IES Instituição de Educação Superior LDB Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional MEC Ministério da Educação PDI Plano de Desenvolvimento Institucional PPCG Projeto Pedagógico Curso de Graduação PPI Projeto Pedagógico Institucional SENAC Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial SENAI Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial SCMC Santa Catarina Moda Cultura

    SINAES Sistema Nacional de Avaliação da Educação Superior

    T&C Têxtil e Confecção UAM Universidade Anhembi Morumbi UDESC Universidade do Estado de Santa Catarina UEM Universidade Estadual de Maringá UNIPAR Universidade Paranaense USP Universidade de São Paulo

      

    SUMÁRIO

      

      

      

      

      

      

      

      

      

      

      

      

      

      

      

      

      

      

      

      

      

      

      

      

      

      

      

      

      

      

      

      

      

      

      

      

      

      

      

      

      

      

      

      

      

      

      

      

      

      

      

      

      

      

      

      

      

      

      

      

      

      

      

      

      

      

      

      

      

      

      

      

      

      

      

      

    1 INTRODUđấO

      Neste tópico será abordado o tema de pesquisa definindo-se a pergunta objeto desta e os objetivos: geral e específicos, bem como, a justificativa para o estudo realizado.

      1.1 TEMA E PROBLEMA DE PESQUISA A Cadeia Têxtil e de Confecção é formada por todas as empresas produtoras de fibras naturais, artificiais e sintéticas, fiações, beneficiadoras, tecelagens e confecções. O faturamento deste setor no Brasil em 2012 foi de US$ 56,7 bilhões. O Brasil possui o quarto maior parque produtivo de confecção do mundo, é o segundo maior produtor e terceiro maior consumidor de

      

    denim do mundo. O setor têxtil e de confecção é o segundo

      maior empregador da indústria de transformação, o segundo maior gerador do primeiro emprego no país e possui 30 mil empresas formais cadastradas (ASSOCIAđấO BRASILEIRA DA INDÚSTRIA TÊXTIL E DE CONFECđấO, 2013a).

      De acordo com a ABIT (2013a), o Brasil é referência mundial em design de beachwear, jeanswear e homewear, tendo crescido também os segmentos de fitness e lingerie. O país representa a última cadeia têxtil completa do ocidente, do qual faz parte desde a produção das fibras, como a plantação de algodão, passando por fiações, tecelagens, beneficiadoras, confecções e varejo. A produção de confecções em 2012 foi de 9,4 bilhões de peças, somando produtos do vestuário, cama, mesa e banho (ABIT, 2013b).

      O estado de Santa Catarina possui um relevante parque industrial, ocupando posição de destaque no Brasil, sendo a indústria de transformação catarinense, a quarta do país em número de empresas e a quinta em número de trabalhadores. Os segmentos de artigos do vestuário e alimentar são os que mais empregam, além dos têxteis (FEDERAđấO DAS INDÚSTRIAS DO ESTADO DE SANTA CATARINA, 2012a).

      Em relação à evolução da indústria, o desenvolvimento da tecnologia da informação, modificou os processos industriais e possibilitou grandes ganhos de produtividade, tornando obsoletas as antigas fábricas, que anteriormente eram focadas no processo produtivo. Ocorreu uma mudança essencial, a indústria voltou-se para o mercado, colocando a produção para trabalhar em função das exigências dos clientes (FIESC, 2011).

      O crescimento da indústria de Moda no Brasil fez surgir também uma preocupação com a formação de profissionais com qualificação para atuar no segmento, haja vista as mudanças que foram introduzidas na indústria, voltando-a para o mercado e exigindo da produção um maior foco nos clientes (FIESC, 2011), demandando, portanto, por um novo perfil de profissional para o segmento e de gestor para a indústria.

      A ABDI descreve a necessidade da educação para inovação e afirma que o design assumirá um papel relevante na coordenação estratégica da cadeia de valor têxtil e confecção brasileira (AGÊNCIA BRASILEIRA DE DESENVOLVIMENTO

      INDUSTRIAL, 2010).

      “O futuro do setor têxtil e vestuário, numa economia baseada no conhecimento, dependerá cada vez mais da habilidade da indústria para inovar em seus produtos [...] concentrando esforços nas necessidades de seus consumidores [...] a pesquisa e a inovação vão desempenhar um crescente papel (EUROPEAN APPAREL AND TEXTILE

      .” CONFEDERATION, 2004, p.2, tradução nossa).

      Neste sentido, há que se ressaltar uma exigência interdisciplinar do profissional de moda, evidenciado no exercício do design com as competências da profissão inerentes ao gestor. Reforça-se tal perspectiva se considerar que os produtos derivados da indústria têxtil são o resultado do design associado ao planejamento estratégico da gestão (PIRES, 2004), reforçando-se que as empresas desenvolvem produtos focando a mudança, a inovação e a própria obsolescência programada dos produtos.

      Pires (2004, p.2) afirma que “Uma empresa que produz artigos do vestuário com conteúdo de moda deve ter uma cultura tanto de gestão quanto de projeto de produto e coleção

      .” A formação do designer pressupõe a apropriação de conteúdos que viabilizem habilidades e competências específicas inerentes a atividade fim, associados ao desenvolvimento de qualidades características do administrador. Pires (2004), Catoira (2006), Lipovetsky (2007), ratificam tal percepção ao assinalarem a necessidade de formação de profissionais com conhecimento de desenvolvimento de produto, tanto quanto, capacidade de gerenciamento, criatividade e inovação, seguindo um viés de competitividade, preservando uma identidade cultural com tendência de customização dos serviços.

      “A competitividade das empresas baseava-se no crescimento da produtividade do trabalho, reduzir custos, explorar economias de escala. Nos novos mercados globalizados, já não é suficiente obter ganhos de produtividade, é cada vez mais pelo lançamento de novos produtos que se constrói a vantagem competitiva

      .” (LIPOVETSKY, 2007, p.85). As demandas pela formação de um profissional com competências interdisciplinares de design e de administração são reforçadas quando do aumento da competitividade derivada de um mercado cada vez mais globalizado, o que exige melhorias significativas de produtividade (LIPOVETSKY, 2007).

      Entretanto, esta perspectiva funcional deve, segundo Lipovetsky (2007), ser acompanhada de um elevado ritmo de renovação e inovação dos produtos, afastando-se da visão restritiva do modelo clássico de produção.

      A perspectiva interdisciplinar remete as instituições de ensino uma responsabilidade maior na formação deste profissional, conforme destaca Pires (2007, p.69)

      “A Academia tem papel-chave na criação de projetos pedagógicos, de acordo com a realidade do mundo do trabalho, de modo a formar profissionais capazes de sensibilizá-las para implementar o

      design como processo e estratégia

      .” De acordo com Pizzinato (1999, p.174),

      “A formação universitária é um processo complexo que exige pesquisas constantes para definir, primeiramente, as características ideais do perfil de um profissional e, em seguida, a composição curricular adequada a essa formação

      .” Segundo Leal (1998, p.359),

      “A universidade desempenha um papel fundamental na formação e capacitação de competências técnicas, seja na área gerencial, financeira, científica, tecnológica, entre outras, que estão voltadas para o desenvolvimento da indústria nacional e, consequentemente, o desenvolvimento socioeconômico do país, podendo constituir-se em grande fonte de riqueza .”

      “De um lado, a universidade forma recursos humanos qualificados para a sociedade e realiza, primordialmente, pesquisa básica para o avanço do conhecimento. Do outro lado, a empresa recebe os profissionais formados pela universidade e desenvolve produtos e processos para o mercado

      .” (LEAL, 1998, p.359). Efetivamente, os conteúdos de administração permeiam, em maior ou menor grau, as matrizes curriculares de muitos cursos de graduação no Brasil. O que também se atesta em relação à formação do designer de moda e que se preserva tais conteúdos na formação básica deste profissional (BRASIL, 2004).

      Entretanto, supõe-se um possível distanciamento entre os conteúdos de administração praticados pela Academia na formação do profissional de design de moda e a percepção da necessidade de conteúdos de administração segundo o entendimento dos gestores da indústria.

      Esta equação parece distanciar-se de uma igualdade que contemple uma convergência entre o olhar da Academia na formação do profissional de moda e a percepção da indústria.

      Uma avaliação focada no problema possibilitará uma melhor articulação entre a formação do designer de moda e o profissional desejado pelo mercado. Assim, esta pesquisa pretende responder ao seguinte questionamento:

      Como se configuram os conteúdos de administração dos cursos superiores de moda com as demandas da indústria do vestuário de Santa Catarina?

      1.2 OBJETIVOS DA PESQUISA A fim de responder a pergunta de pesquisa formulada, foram definidos os seguintes objetivos:

      1.2.1 Objetivo geral

      Analisar a configuração dos conteúdos de administração dos cursos superiores de moda com as demandas da indústria do vestuário.

      1.2.2 Objetivos específicos

      Caracterizar os conteúdos de administração constantes

       nos currículos dos cursos superiores de moda de Santa Catarina, Descrever as percepções dos coordenadores dos cursos

       de moda, dos profissionais de design de moda, bem como, as demandas e percepções dos gestores da indústria do vestuário acerca dos conteúdos de administração dos cursos superiores de moda e na atuação dos seus egressos,  Estabelecer as interrelações e a análise das percepções dos coordenadores dos cursos de moda, gestores da indústria do vestuário e profissionais de design de moda a propósito dos conteúdos de administração identificados na profissão e nos cursos.

      1.3 JUSTIFICATIVA DA PESQUISA Os profissionais de design de moda, egressos dos cursos superiores, recebem uma formação que os qualificam a atuar nas empresas com pesquisa, criação, desenvolvimento de novos produtos, elaboração de custos de produtos, análise de vendas e estoque, gestão, dentre outros, porém, supõe-se que na sua atuação, o uso de conhecimentos em administração são limitados, fazendo com que muitos profissionais atuem somente na criação e não possuam uma visão dos processos que envolvem o seu trabalho e os impactos do mesmo.

      A relevância da compreensão das percepções e demandas dos gestores da indústria do vestuário a propósito dos conhecimentos de administração necessários a formação do profissional de design de moda possibilitarão as Instituições de Ensino Superior um novo olhar para o curso a partir daqueles que contratam seus egressos.

      A relevância desta pesquisa consiste na possibilidade de contribuir e ampliar as discussões sobre atualização de disciplinas, novas propostas de estudo em sala de aula, alinhamento de objetivos do mercado profissional com o Plano Pedagógico do curso de graduação em design de moda, considerando que um dos objetivos das instituições de ensino superior consiste em formar profissionais que sejam capazes de atuar providos de competências e habilidades que atendam as necessidades do mercado de trabalho.

      O propósito deste estudo é ainda contribuir com informações e dados que venham a possibilitar, uma vez discutidos e avaliados no âmbito da Academia, uma maior interação entre as empresas e as IES, de modo a melhor atender as demandas da sociedade.

    2 FUNDAMENTAđấO TEốRICA

      A fundamentação teórica foi embasada no referencial bibliográfico, sendo preliminarmente correspondente a Administração, contemplando o Pensamento em Administração, a Teoria da Administração e os Campos de Atuação do Administrador, de modo a sustentar os conteúdos inerentes à formação deste que venham a concorrer favoravelmente ao egresso do curso de design de moda.

      Na sequência foi tratado o tema da Moda, iniciando-se com a perspectiva cultural da aparência e a Evolução da Indumentária nas diversas fases da humanidade, como introdução ao tema seguinte objeto do estudo: a Educação Superior, tópico dedicado aos conceitos que integram a consolidação desta fase da educação para então dividir-se no Ensino de Administração e Ensino de Moda, ambos caracterizados a partir de suas origens, evolução, competências e habilidades, culminando com os estudos internacionais relacionados ao tema objeto da pesquisa.

      2.1 ADMINISTRAđấO

    2.1.1 O Pensamento em Administração

      O pensamento administrativo no início foi dominado por valores culturais contrários ao comércio, as organizações eram geridas segundo o direito divino do rei, com base no dogma e disciplina. A interação de três forças gerou uma nova era para a industrialização: a ética protestante que contestou a autoridade da Igreja Católica, a ética da liberdade que buscou proteger os direitos individuais e a ética do mercado que foi um desafio à aristocracia fundiária (WREN, 2007).

      Esse renascimento cultural possibilitou as condições para a industrialização e a necessidade de conhecimento formalizado e sistemático sobre como administrar, criando a necessidade de gestores mais bem informados para melhor utilizar os recursos (WREN, 2007). Segundo Wren (2007, p.15), “A prática da administração

      é antiga, mas o estudo formal desse campo do conhecimento é relativamente novo [...] uma definição ampla e prática de administração é a atividade que desempenha certas funções na aquisição, distribuição e utilização de esforço humano e recursos materiais para realizar um objetivo

      .” Para Stoner e Freeman (2009, p.5):

      A administração já foi chamada de: a arte de fazer coisas através de pessoas. Esta definição, dada por Mary Parker Follet, chama a atenção para o fato de que os administradores alcançam os objetivos das organizações conseguindo que outros realizem as tarefas necessárias e não realizando eles próprios as tarefas.

      Segundo Maximiano (2009, p.6) “Administração é o processo de tomar decisões sobre objetivos e utilização de recursos”.

      Para Lacombe e Heilborn (2008, p. 49), “Administrar é o ato de trabalhar com e por meio de pessoas para realizar os objetivos tanto da organização quanto de seus membros.”

      “O pensamento administrativo é o conjunto de conhecimentos existentes sobre a gestão, suas funções, seu propósito e seu escopo .” (WREN, 2007, p.15).

      A evolução do conhecimento de como administrar, se desenvolveu no meio econômico, social, político e tecnológico, sendo o pensamento administrativo produto e processo do meio cultural, as pessoas buscaram atender suas necessidades econômicas e sociais com esforços organizados, surgindo assim a administração (WREN, 2007).

      Segundo Stoner e Freeman (2009, p.23):

      O uso de novas tecnologias concentrou grandes quantidades de matéria-prima e trabalhadores dentro das fábricas; os bens eram produzidos em quantidade e precisavam ser amplamente distribuídos. A necessidade de coordenar todos estes elementos fez surgir uma abordagem sistemática da administração. Todas estas mudanças não aconteceram de repente. Com base em valores culturais, econômicos, sociais e políticos, formaram-se por um longo período e influenciaram no desenvolvimento do pensamento administrativo.

      A Revolução Industrial fez surgir um novo ambiente cultural e trouxe diferentes problemas para a administração, onde as necessidades das pessoas mostraram-se mais complexas. As empresas começaram a atuar com a divisão do trabalho e a necessidade de desempenho econômico trouxe a reestruturação e a preocupação com planejamento, organização, controle, e a necessidade de contratar mão-de-obra capacitada para atuar nas empresas (WREN, 2007).

      Segundo Maximiano (2009, p. 41),

      Na maior parte do tempo que a antecedeu, a história da administração foi predominantemente a história de países, cidades, governantes, exércitos e organizações religiosas. A partir do século

      XVIII, o desenvolvimento da administração foi influenciado pelo surgimento de uma nova personagem social: a empresa industrial.

      Pode-se encontrar a origem do pensamento administrativo moderno na obra de pioneiros que procuraram solucionar problemas gerados pelo sistema fabril. Robert Owen, um dos pioneiros da administração, fundou sua primeira fábrica no ramo do algodão em 1789, na Inglaterra, com o uso dos teares mecânicos e hidráulicos, inspecionava tudo de forma minuciosa, nas suas experiências melhorou as condições dos trabalhadores, atribuiu seu sucesso aos seus hábitos de precisão e conhecimentos sobre o ser humano (WREN, 2007).

      Antecedendo Mayo, Likert e outros que se preocuparam com o valor dos recursos humanos para a empresa, Owen expôs sua base para uma nova filosofia, de ver a força de trabalho como um sistema de muitas partes, que combinados cada trabalhador, cooperam para produzir ganhos maiores, tratando os recursos humanos como máquinas vitais que merecem igual atenção por parte dos proprietários, desta forma, foram por Owen lançadas as primeiras sementes de interesse com o recurso humano na indústria (WREN, 2007). Stoner e Freeman (2009) ratificam esta opinião quando descrevem que Owen acreditava que a melhoria nas condições dos empregados levaria ao aumento da produção e dos lucros, acreditava que o melhor investimento estava nos trabalhadores, ou máquinas vitais, como ele os chamava.

      Charles Babbage, no século XIX, colocou em prática uma abordagem científica à administração bem antes da era da administração científica nos Estados Unidos. Em visita a fábricas têxteis na França, observou teares tecendo padrões de instruções perfuradas em cartões, estes criados pelo tecelão Joseph Marie Jacquard, o tear de Jacquard antecipou o sistema da álgebra de Boole, que constituiu o princípio das modernas operações de computador, foi com base no conceito de Jacquard que Babbage construiu um computador com memória, processador, entrada de dados por cartões perfurados (WREN, 2007).

      “Como cientista da administração, Babbage estava interessado em maquinarias, ferramentas, uso eficiente da energia, desenvolvimento de máquinas [...] desenvolveu um método de observar as fábricas, muito próximo da abordagem científica, sistemática, do estudo das operações

      .” (WREN, 2007, p. 76). Babbage com sua visão administrativa propôs que os trabalhadores tivessem participação nos lucros da fábrica e uma gratificação por sugestões que geraram economias de produção, ações estas que são até hoje utilizadas pelas empresas.

      Segundo Wren (2007, p.82), “Pode-se localizar a gênese do moderno pensamento administrativo na Grã-Bretanha e numa medida menor, na França. Em sua busca de uma nova harmonia entre o fator humano e a era das máquinas [...] Babbage apelou para mente [...] e aplicou a abordagem científica à administração antes de Taylor

      .” Andrew Ure foi o pioneiro na formação acadêmica para gerentes de fábricas, possuía grande interesse na educação industrial, difundiu suas experiências aos seus alunos, estes eram escriturários, artesãos, lojistas e almoxarifes, sendo posteriormente, recrutados para o cargo de gerente nas fábricas no início do século XIX. Ure elaborou um livro sobre princípios e processos de fabricação com foco na indústria algodoeira e defendeu a ideia de que a administração precisava organizar e criar conexões com as manufaturas, em seu estudo propôs três sistemas: o primeiro chamou de mecânico utilizando as técnicas e processos de produção, o segundo chamou de moral à condição dos trabalhadores e por ultimo o comercial que sustenta a empresa através das vendas e financiamento (WREN, 2007).

      Os pioneiros formularam as bases iniciais da administração, porém, não houve a formalização do pensamento gerencial, alguns dos motivos se baseiam na ênfase da época em técnicas e não na administração, o foco do proprietário- fundador estava direcionado aos processos práticos, as vendas e a contratação da força de trabalho e despendiam de pouco tempo para se dedicar ao desenvolvimento teórico, cada indústria era única, assim como seus problemas, poucas pessoas eram alfabetizadas e a disseminação do conhecimento era muito restrito, por consequência, a fundação da administração científica é creditada a Frederick Taylor décadas depois (WREN, 2007).

      De acordo com Shafritz e Whitbeck (1978, p.2):

      About a hundred years after Adam Smith declared the factory to be the most appropriate means of mass production, Frederick W. Taylor found it necessary to say that factory workers could be much more productive if their work was

      “scientifically” designed [...] premised upon the notion that there was “one best way” of accomplishing any given task, Taylor's scientific management sought to increase output by discovering the fastest, most efficient, and 1 1 least fatiguing production methods.

      

    Cerca de cem anos depois de Adam Smith declarar que a fábrica é o

    meio mais adequado para a produção em massa, Frederick W. Taylor

    achou necessário dizer que os trabalhadores da fábrica poderiam ser

    muito mais produtivos se o seu trabalho fosse "cientificamente"

    projetado. Como premissa a noção de que havia "uma melhor maneira"

    de realizar qualquer tarefa, a gestão científica de Taylor procurou

    aumentar a produção por descobrir o mais rápido, mais eficiente e

      Os conceitos de organização se tornaram mecanizados, oriundos da invenção e propagação das máquinas, em especial durante a Revolução Industrial na Europa e na América do Norte (MORGAN, 1996).

      Wren (2007, p.153) afirma que “Frederick Taylor foi uma

      Figura central no desenvolvimento do pensamento administrativo [...] ele deu impulso e credibilidade a ideia de administração

      .” Taylor desistiu da faculdade de direito em Harvard e foi trabalhar como aprendiz de estampador e mecânico numa empresa da Filadélfia, onde pode perceber os problemas de má administração e falta de harmonia entre os trabalhadores e gerentes. No ano de 1878, começou seu trabalho na Midvale Steel, uma das principais siderúrgicas da época, trabalhou como escriturário, mecânico, supervisor, chegando a engenheiro-chefe, durante o período que trabalhou na empresa formou-se em engenharia mecânica por correspondência, suas experiências na empresa lhe deram a base de suas idéias sobre administração de fábricas (WREN, 2007).

      Diante dos problemas encontrados na empresa, Taylor iniciou uma investigação do trabalho que posteriormente seria usado para definir padrões de desempenho.

      “Taylor procurou determinar o que os trabalhadores deveriam ser capazes de fazer com o equipamento e as matérias-primas, isso se tornou o começo do que viria a ser chamado de administração científica

      .” (WREN, 2007, p.128). O uso do método cientifico para descobrir fatos e determinar a maneira adequada para se executar tarefas e o estudo dos tempos, tornou-se a base do trabalho de Taylor, sendo que o estudo era dividido em duas etapas: analítica e construtiva, na primeira ao observar o trabalhador mais habilidoso, eram observados seus métodos e cada movimento era cronometrado e registrado. Na segunda etapa era elaborada uma lista dos movimentos elementares e dos seus tempos, esta fase permitia considerações sobre melhorias nas ferramentas, maquinário, métodos e padronização do trabalho (WREN, 2007).

      Taylor estava difundindo o que ele chamava de gerenciamento de tarefas que dependia de planejamento, sendo um dos problemas a pressão que havia sobre o gerente, pois além de planejar, este organizava e orientava o trabalho para atingir os objetivos, assim, Taylor detalhou as qualidades básicas para um profissional que ele chamou de capataz funcional: educação, inteligência, conhecimento técnico, destreza, energia, tato, firmeza, honestidade, senso comum e saúde. Por outro lado, o próprio Taylor imaginava ser quase impossível encontrar alguém com todas estas qualidades, ele acreditava que o trabalho especializado exigiria menos fisicamente e mentalmente dos profissionais (WREN, 2007).

      Ramos (1989, p.82) afirmou que “Peter Drucker corretamente considera Frederick Taylor um pioneiro da economia do conhecimento de hoje, de acordo com o qual a chave para a produtividade é o conhecimento, não o suor

      .” Alguns aspectos da ciência administrativa foram apontados por Ramos (1989), como, por exemplo, a ciência da administração formal existe à medida que existem as normas técnicas para que possam ser medidos e avaliados os resultados do trabalho. Através de um treinamento ordenado, o desempenho dos trabalhadores pode ser aperfeiçoado (RAMOS, 1989).

      Para Taylor (1903 apud WREN, 2007, p.133), “Administrar é saber exatamente o que se quer que os homens façam e então cuidar para que o façam da melhor maneira e mais barata [...] as relações entre empregadores e empregados, sem dúvida, constituem o elemento mais importante dessa arte

      .” De acordo com Morgan (1996), Taylor defendia cinco princípios básicos na administração científica, conforme mostra o

      Quadro 1:

      Quadro 1

    • Os cinco princípios básicos de Taylor

      

    1. Transfira toda a responsabilidade da organização do trabalho

    do trabalhador para o gerente. Os gerentes devem pensar a

    respeito de tudo o que se relaciona com o planejamento e a

    organização do trabalho, deixando aos trabalhadores a tarefa de

    implementar isso na prática.

      

    2. Use métodos científicos para determinar a forma mais eficiente

    de fazer o trabalho, planeje a tarefa do trabalhador de maneira

    correta, especificando a forma pela qual o trabalho deva ser feito.

      

    3. Selecione a melhor pessoa para desempenhar o cargo, assim

    especificado;

    4. Treine o trabalhador para fazer o trabalho eficientemente.

      

    5. Fiscalize o desempenho do trabalhador para assegurar que os

    procedimentos apropriados de trabalho sejam seguidos e que os

    resultados adequados sejam atingidos.

      

    Fonte: Adaptado de MORGAN (1996, p.32).

      Morgan (1996) menciona que ao ver a organização como um processo racional e técnico, há uma tendência a pouco valorizar os aspectos humanos da organização, a ver de forma superficial que as tarefas realizadas nas organizações são mais complexas e imprevisíveis do que a desempenhada pelas máquinas.

      Para Ramos (1989, p. 82), “Não é verdade que Taylor e a escola clássica tenham negligenciado o fator humano nas organizações. O que deve ser acentuado é que a concepção que tinham do homem era reducionista e demasiado limitada

      .” A questão da inovação nas organizações com perfis mecanicistas é citada por Morgan (1996), onde expõe a dificuldade que as mesmas teriam de se adaptar as mudanças, tendo em vista o planejamento de objetivos pré-determinados, sendo necessário um replanejamento. Segundo Morgan (1996, p.38), “Circunstâncias de mudança pedem diferentes tipos de ação e de resposta.

      Flexibilidade e capacidade de ação criativa, assim, tornam-se mais importantes do que a simples eficiência .”

      Algumas pessoas acusavam a administração científica de ser fria e impessoal. Taylor (1903 apud Wren, 2007, p.151) escreveu a respeito afirmando que:

      “Nenhum sistema pode abandonar a necessidade de homens de verdade. Tanto o sistema como os bons homens são necessários, após a introdução do melhor sistema o sucesso virá proporcionalmente à habilidade, à consistência e à credibilidade da autoridade da administração

      .” Segundo Morgan (1996), Taylor fazia parte de uma tendência que envolve a mecanização da vida de forma geral. Os princípios observados pelo taylorismo são agora encontrados em diversas áreas, como por exemplo, no futebol.

      O taylorismo foi imposto sobre os trabalhadores, mas se observarmos a realidade atual, impomos a nós mesmos formas similares de taylorismo quando treinamos para desenvolver alguma capacidade específica (MORGAN, 1996).

      Segundo Ramos (1989, p.93), “Taylor considerava a administração científica e seus correlativos de motivação como um dado de referência para o planejamento não apenas de ambientes de trabalho, mas também da família, das escolas e de toda vida social

      .” Wren (2007) afirma que Taylor ainda é considerado pelos historiadores da administração e dos negócios como o mais influente autor do século XX. Taylor deixou uma marca em seu tempo e na atualidade, sendo seguido por outros estudiosos que disseminaram a ideia da administração científica, ele forneceu o norte para evolução do pensamento gerencial.

    2.1.2 O surgimento da Teoria da Administração

      Para Shafritz e Whitbeck (1978, p.1),

      “The development

    of any theory must be viewed in the context of its time. The

    beliefs of early management theorists about how organizations

      

    worked or should work were a direct reflection of the social values

      2 of their times .”

      Segundo Wren (2007, p.231), “O surgimento da teoria da administração e da organização ocorreu de dois modos: pela contribuição de Fayol, com os princípios e os elementos da administração, e pela busca de Weber por um esquema de arranjos [...] com a finalidade de assegurar eficiência organizacional

      .” Segundo Shafritz e Whitbeck (1978, p.2):

      While the ideas of both Adam Smith and Frederick W. Taylor are still dominant influences on the design and management of organizations, it was Henri Fayol who developed the first comprehensive theory of management. While Taylor was tinkering with the technology employed by the individual worker, Fayol was theorizing about all of the elements necessary to organize and manage 3

    a major corporation.

      Numa época em que as escolas não ensinavam administração, Fayol percebeu que a teoria era necessária, pois a administração era uma atividade nas organizações, a habilidade de administrar era mandatória aos que subiam na hierarquia e para Fayol a administração podia ser ensinada, assim ele utilizou sua experiência para propor princípios e elementos de administração (WREN, 2007).

    2 O desenvolvimento de qualquer teoria deve ser visto no contexto do

      

    seu tempo. As crenças dos primeiros teóricos da administração sobre

    como as organizações devem trabalhar ou trabalhavam eram um reflexo

    3 direto dos valores sociais da época (tradução nossa).

      

    Embora as ideias de ambos, Adam Smith e Frederick W. Taylor ainda

    são influências dominantes na concepção e gestão de organizações, foi

    Henri Fayol, que desenvolveu a primeira teoria completa de

    administração. Enquanto Taylor foi mexer com a tecnologia empregada

    pelo trabalhador individual, Fayol foi teorizar sobre todos os elementos

    necessários para organizar e gerenciar uma grande corporação

    (tradução nossa).

      Os princípios serviriam para conduzir a teoria e a prática, sendo eles: a divisão do trabalho, autoridade, disciplina, unidade de comando, unidade de direção, subordinação dos interesses individuais ao interesse geral, remuneração, centralização, cadeias escalar (autoridade linear), ordem, equidade, estabilidade do pessoal, iniciativa e espírito de equipe (WREN, 2007).

      Os elementos de administração serviram para descrever as funções desempenhadas pelos gerentes, sendo eles: o planejamento, a organização, comando, coordenação e controle. O primeiro elemento apresentado foi o planejamento.

      “A ênfase que Fayol deu ao planejamento de longo prazo foi uma contribuição impar para o pensamento gerencial e as idéias dele são tão importantes hoje quanto em seu próprio tempo

      .” (WREN, 2007, p.221). O segundo elemento, a organização, incluía a estruturação de atividades, seleção, avaliação e treinamento de pessoal. Organizar, para Fayol, constituía dotar a empresa de capital, pessoas, ferramentas, matéria-prima, sendo a administração responsável por alinhar tudo com os objetivos da empresa (WREN, 2007).

      Segundo Wren (2007, p. 224), “Quase 90% da principal obra de Fayol foi dedicada ao planejamento e a organização, incluída a administração de recursos humanos

      .” Para colocar em prática o planejamento, a organização se utiliza do comando, sendo exigido para exercer esta função o conhecimento em recursos humanos, a necessidade de dar bons exemplos, não se absorver por detalhes, realizar auditorias, conseguir que iniciativa e lealdade predominem nos funcionários (WREN, 2007).

      A coordenação, para Fayol, era um dos elementos voltados para a harmonia das atividades da empresa com o objetivo de facilitar seu funcionamento e por consequência seu sucesso, coordenar era uma ação de equilíbrio. Já o controle buscava verificar se tudo está sendo realizado de acordo com o plano e os princípios estabelecidos, o objetivo era identificar erros, corrigi-los e desta forma evitar que ocorram outra vez (WREN, 2007).

      Henry Fayol acreditava que havia necessidade de se dar maior ênfase na educação em administração, aprofundando-se no planejamento, organização, comando, coordenação e controle do que na formação técnica.

      Segundo Morgan (1996, p.30), “Toda crença básica da teoria da administração clássica e a sua aplicação moderna é sugerir que as organizações podem ou devem ser sistemas racionais que operam tão eficiente quanto possível

      .” Para Shafritz e Whitbeck (1978, p.1):

      The first theories of organizations were concerned with the anatomy or structure of formal organizations. This is the hallmark of classical organization theory

    • – a concern for organizational structure that is premised upon the assumed rational behavior of its human
    • 4 parts.

        Mais tarde, os teóricos clássicos reconheceram que era preciso equilibrar aspectos humanos e técnicos da organização, mesmo sendo a organização neste período entendida como um problema técnico (MORGAN, 1996).

        Na visão de Ramos (1989, p.125), “Weber compreendeu que a sociedade moderna é sem paralelo na medida em que nela a organização formal (burocracia) se tornou um modelo social fundamental, e sua racionalidade [...] o padrão dominante de racionalidade para existência humana

        .” São chamadas de burocracias, organizações que foram planejadas e são operadas mediante rotinas, de forma previsível, eficiente, formadas por um conjunto de relações mecânicas, como se fossem máquinas (MORGAN, 1996).

        Segundo Wren (2007, p. 227), “A vida e obra de Max

        Weber correm cronologicamente paralelas as de Henri Fayol e Frederick Taylor [...] a concepção de burocracia de Weber

      4 As primeiras teorias de organizações estavam preocupadas com a

        

      anatomia ou estrutura das organizações formais. Esta é a marca da

      teoria da organização clássica - uma preocupação com a estrutura

      organizacional que tem como premissa o comportamento racional assumido de suas partes humanas (tradução nossa). merece sólida consideração, pois, graças a ela, ele ficou conhecido como o fundador da teoria das organizações .”

        Weber estava interessado em compreender o processo de organização. Processo que pode assumir distintas formas em diversos contextos e épocas, mas que fazem parte de um contexto social ampliado (MORGAN, 1996).

        De acordo com Wren (2007, p.228), “Weber postulou três tipos puros de autoridade legítima, isto é, socialmente aceitáveis: a autoridade racional-legal, fundada na legalidade [...] a autoridade tradicional, apoiada em uma crença [...] e a autoridade carismática

        .” “Max Weber buscou: evitar a liderança e a organização por meio de tradição e carisma, estabelecer uma base racional- legal para a autoridade e apresentar arranjos sistemáticos para a seleção de pessoal e a execução de atividades

        .” (WREN, 2007, p.231). Segundo Morgan (1989, p.26), Weber

        “descobriu que a primeira definição compreensiva de burocracia caracteriza-a como uma forma de organização que enfatiza a precisão, a rapidez, a clareza, a regularidade, a confiabilidade e a eficiência, atingidas através da criação de uma divisão de tarefas fixas, supervisão hierárquica, regras detalhadas e regulamentos

        .” Para Weber a burocracia não era a ausência de eficiência carregada de regras, como o termo passou a significar no linguajar atual. Weber não buscava a perfeição, seu objetivo era sistematizar as práticas gerenciais e a estrutura da organização direcionada a formas mais coerentes de operar (WREN, 2007).

        Os elementos essenciais da burocracia de Weber podem ser observados no Quadro 2.

        Quadro 2

      • Elementos essenciais da Burocracia de Weber

        

      1. A divisão do trabalho, a autoridade e a responsabilidade eram

      claramente definidas por cada membro e legitimadas como

      atribuições oficiais

        

      2. Escritórios ou cargos eram organizados em uma hierarquia de

      autoridade que gerava uma cadeia de comando ou no princípio

      escalar.

        

      3. Todos os membros da organização eram selecionados com

      base em qualificações técnicas por exames formais ou em

      virtude de treinamento ou educação.

        

      4. Os funcionários eram designados e não eleitos. (Exceto em

      alguns casos, como o do chefe de toda uma unidade, por

      exemplo, um servidor público eleito).

        

      5. Os funcionários administrativos trabalhavam por salários fixos

      e eram funcionários de carreira.

        

      6. Os funcionários administrativos não eram donos das unidades

      por eles administradas.

        

      7. Os gerentes estavam sujeitos a regras rígidas, disciplina e

      controles com relação a condução de suas atribuições oficiais.

      Essas regras e controles eram aplicados de forma impessoal e

      uniforme em todos os casos.

        

      Fonte: Adaptado de WREN (2007, p.229).

        Para Weber e Taylor, administrar era o exercício do controle embasado no conhecimento, eles buscavam competência técnica nas lideranças, sendo que os mesmos deveriam atuar com base em fatos.

        Morgan (1996) sinalizou que existem interpretações errôneas do trabalho de Weber dentro da teoria organizacional, em relação à ideia de que a forma burocrática de organização significa o tipo ideal.

        De acordo com Morgan (1996, p.355), “O conceito de tipo ideal é usado como ferramenta metodológica para compreensão de muitos aspectos da sociedade. Acreditava que para entender o mundo seria necessário desenvolver conceitos claros e precisos em relação aos quais poderia ser comparada a realidade empírica

        .” Segundo Shafritz e Whitbeck (1978, p.3):

        Weber used an “ideal-type” approach to extrapolate from the real world the central core of features characteristic of the most fully developed bureaucratic form of organization. Weber's “Characteristic of Bureaucracy” is neither a description of reality nor a statement of normative preference. It is merely an identification of the major variables of features that characterize 5 bureaucracies.

        Weber recomendou a utilização do conceito de burocracia para expressar uma forma específica de organização, com base na ideia da máquina, que poderia auxiliar na compreensão do quão a sociedade poderia ser burocratizada (MORGAN, 1996).

        Ramos (1989, p.83) afirma que “Hoje em dia, a missão fundamental dos especialistas em teoria da organização não consiste em legitimar a total inclusão das pessoas nos limites das organizações econômicas formais, mas sim em definir o escopo de tais organizações na existência humana em geral

        .” O sucesso da administração científica na indústria dos

        Estados Unidos gerou interesse de outros países como Grã- Bretanha, União Soviética, Japão e outros setores sentiram os resultados da administração científica além da administração de fábricas, influenciando na administração como um todo e na política (WREN, 2007).

        A primeira escola de graduação em administração de empresas foi criada em 1881 na Universidade da Pensilvânia e

      5 Weber utilizou um "tipo ideal" para a extrapolar a partir do mundo real,

        

      o núcleo central de características da forma mais plenamente

      desenvolvida burocrática de organização. "Característica da Burocracia"

      de Weber não é nem uma descrição da realidade, nem uma declaração

      de preferência normativa. É apenas uma identificação das principais

      variáveis de recursos que caracterizam burocracias (tradução nossa). chamou-se Wharton. Somente em 1898 foram inauguradas outras duas escolas de administração na Universidade de Chicago e na Universidade da Califórnia (Berkeley), o estudo de administração industrial estava ficando cada vez mais formalizado (WREN, 2007).

        Segundo Wren (2007, p.248), “Embora o pensamento administrativo científico tenha predominado entre o final do século XIX e o início do XX, há indícios de que existia um conceito mais amplo de administração [...] a administração científica inspirou outras disciplinas como a administração pública, o marketing, a contabilidade

        .” Assim, estimuladas pela administração científica, outras disciplinas iniciaram a busca da eficiência através da ciência.

        “A administração científica estimulou o interesse da teoria e da prática do planejamento organizacional e proporcionou uma base para o estudo da política de negócios e gerou uma filosofia da administração .” (WREN, 2007, p.248).

        Morgan (1996, p.356) afirma que “Entre os trabalhos dos teóricos administrativos clássicos, aqueles de Fayol (1949),

        Mooney e Reiley (1931) e de Gulick e Urwick (1937) foram os que exerceram maior influência. Cada um ilustra como a teoria administrativa clássica é essencialmente uma teoria com concepção do tipo máquina

        .” Na visão de Wren (2007), mais do que métodos e estudos dos tempos, a administração científica foi uma filosofia muito mais profunda de gerenciar recursos humanos e recursos físicos, num mundo tecnologicamente avançado, onde as pessoas obtiveram maior controle sobre seu ambiente.

      2.1.3 Os campos de atuação do administrador

        A resolução estabelecida pelo CNE, homologada pelo MEC, instituiu as diretrizes curriculares do curso de Administração. De acordo com o documento, são considerados conteúdos de formação profissional os “relacionados com as

        áreas específicas, envolvendo teorias da administração e das organizações e a administração de recursos humanos, mercado e marketing, materiais, produção e logística, financeira e orçamentária, sistemas de informações, planejamento estratégico e serviços .” (BRASIL, 2005a, p.3). Assim, entende-se como áreas de atuação profissional específica de Administração: Recursos Humanos, Organização,

        Sistemas e Métodos, Finanças e Orçamento, Materiais, Marketing, além dos campos considerados como desdobramentos.

        Neste contexto, de acordo com o Conselho Federal de

        

      Administração (2013), no campo de Administração de Recursos

        Humanos, os administradores podem atuar no Desenvolvimento de Pessoal, Coordenação de Pessoal, Controle de Pessoal, Cargos e Salários, Interpretação de Performances, Locação de mão-de-obra, Pessoal Administrativo, Pessoal de Operações, Recrutamento, Seleção, Treinamento. Recursos Humanos.

        O CFA (2013) destaca que no campo de Organização e Métodos, o administrador pode atuar na Administração de Empresas, Análise de Formulários, Análise de Métodos, Análise de Processos, Análise de Sistemas, Assessoria Administrativa, Assessoria Empresarial, Assistência Administrativa, Auditoria Administrativa, Consultoria Administrativa, Controle administrativo, Gerência Administrativa e de Projetos, Implantação de Controle e de Projetos, Implantação de Estruturas Empresariais, Implantação de Métodos e Processos, Implantação de Planos, Implantação de Serviços, Implantação de Sistemas, Organização Administrativa, Organização de Empresa, Organização e Implantação de Custos, Pareceres Administrativos, Perícias Administrativas, Planejamento Empresarial, Planos de Racionalização e Reorganização, Processamento de Dados/Informática, Projetos Administrativos e Racionalização.

        No campo de Orçamento, os administradores podem atuar no Controle de Custos, Controle e Custo Orçamentário, Elaboração de Orçamento Empresarial, Implantação de Sistemas, Projeções, Provisões e Previsões (CFA, 2013).

        De acordo com o CFA (2013), no campo de Administração de Material/Logística, os administradores podem atuar na Administração de Estoque, Assessoria de Compras, Assessoria de Estoques, Assessoria de Materiais, Catalogação de Materiais, Codificação de Materiais, Controle de Materiais, Estudo de Materiais, Logística, Orçamento e Procura de Materiais, Planejamento de Compras, Sistemas de Suprimento.

        No campo da Administração Financeira, os administradores podem atuar na Análise Financeira, Apuração do E.V.A. (Economic Value Added), Assessoria Financeira, Assistência Técnica Financeira, Consultoria Técnica Financeira, Diagnóstico Financeiro, Orientação Financeira, Pareceres de Viabilidade Financeira, Projeções Financeiras, Projetos Financeiros, Sistemas Financeiros, Administração de Bens e Valores, Administração de Capitais, Controladoria, Controle de Custos, Levantamento de Aplicação de Recursos, Arbitragens, Controle de Bens Patrimoniais, Participação em outras Sociedades (Holding), Planejamento de Recursos, Plano de Cobrança, Projetos de Estudo e Preparo para Financiamento (CFA, 2013).

        O CFA (2013) enfatiza que no campo da Administração Mercadológica os administradores podem atuar na Administração de Vendas, Canais de Distribuição, Consultoria Promocional, Coordenação de Promoções, Estudos de Mercado, Informações Comerciais - Extra

      • – Contábeis, Marketing, Pesquisa de Mercado, Pesquisa de Desenvolvimento de Produto, Planejamento de Vendas, Promoções, Técnica Comercial, Técnica de Varejo (grandes magazines).

        No campo de Administração de Produção, os administradores podem atuar no Controle de Produção, Pesquisa de Produção, Planejamento de Produção, Planejamento e Análise de Custo. Os administradores podem atuar também na área de Relações Industriais, Benefícios e também na Segurança do Trabalho (CFA, 2013).

        O CFA (2013) destaca que são campos considerados como desdobramentos da Administração, onde o administrador pode atuar: a Administração de Consórcio, Administração de Comércio Exterior, Administração de Cooperativas, Administração Hospitalar, Administração de Condomínios, Administração de Imóveis, Administração de Processamento de Dados/ Informática, Administração Rural, Administração Hoteleira, Factoring, Turismo.

        2.2 MODA

      2.2.1 A cultura da aparência

        O vestuário viveu transformações históricas desde o século passado, cada uma das décadas imprimiu sua própria moda com características bem peculiares, atualmente os lançamentos de vestuário ocorrem numa velocidade jamais imaginada, a moda lançada no continente Europeu é vista simultaneamente por pessoas de todos os demais continentes, já não existem mais fronteiras para o acesso as informações do que é moda.

        Mas nem sempre aconteceu desta forma, segundo Nery (2003), o modo de se vestir permanecia inalterado por um longo tempo, isso foi constatado até o início do século XIX. A indumentária e toda sua história, além de servir para identificar os grupos sociais, serviu também para identificar profissões ou idade das pessoas.

        Roche (2007) reforça esta afirmação, quando descreve que o vestuário oferece um modo de entender e um meio de estudar as transformações sociais, partindo desta premissa a história da cultura e dos comportamentos sociais estão inteiramente associados.

        O estudo da indumentária pode servir como fonte de informações sobre os costumes e hábitos de uma civilização. A indumentária é um espelho do gosto contemporâneo, traduz de certa forma o desenvolvimento econômico, cultural e político da sociedade (NERY, 2003).

        Markovits (1986 apud Roche, 2007, p.513) descreve que “A roupa me parece ser uma maneira de pensar o sensível. Justifica-se, pois, aplicar a sua análise os modelos que empregamos para compreender a mudança social. Sua economia revela uma organização das estratégias sociais de troca que está de acordo com o poder dos signos

        .” O vestuário, para Roche (2007) é um signo de adesão, de solidariedade, por outro lado, também um signo de exclusão e indicador social. Em relação as suas funções, são interdependentes, percorrendo valores como de uso e mercado. Para Baudrillard (1970 apud Roche, 2007, p.518), “A moda, mestra real da distinção, instaura o triunfo do valor de troca do signo no reino do consumo

        .” O termo signo para moda também é citado por Nery

        (2003) que destaca que a moda não é apenas vestuário, é o signo das formas de expressão que se mostram também em outros campos, como a ciência, a arte, a literatura, a religião.

        Na visão de Souza (1987) a moda serve à estrutura social, acentuando a visão em classe, harmoniza a dualidade indivíduo e sociedade e é capaz de expressar as emoções e posicionamentos das pessoas.

        Markovits (1986 apud Roche, 2007, p.513) destaca que “As funções social e cultural da roupa só podem ser entendidas em termos de comunicabilidade. Temos, portanto, de analisar o efeito produzido por aquilo que é visto sobre aquele que vê, como em qualquer ordem de discurso no qual o que vem primeiro não é o locutor, mas o ouvinte

        .” Podemos observar que algumas sociedades possuem uma relação distinta com as roupas, que assumem papel simbólico ou místico, as roupas desempenharam um papel relevante no desenvolvimento de grupos que estavam unidos por objetivos religiosos, pelo idioma e seus trajes revelavam estas identidades (POLLINI, 2007).

        “Hoje, como no passado, a vestimenta remete a nossa profunda concepção do sagrado, do social e do individual .” (ROCHE, 2007, p.512).

        Vincent-Ricard (1989) descreve que a moda é produzida de rupturas sucessivas e mostra-se como expressão de diversos aspectos do mundo.

        No contexto da moda, o tema vaidade fica evidente nos trabalhos de Lipovetsky (1989), onde afirma que a moda individualizou a vaidade das pessoas e fez do superficial uma finalidade da existência. Para Roche (2007), a questão do exagero da moda em relação à necessidade e o vínculo entre a vaidade pessoal, o consumo e o sucesso das aparências, eram motivos da união de críticos de diversas áreas.

        Nery (2003, p.10) destaca que “A roupa de nossos antepassados foi às vezes só ornamental (corpos pintados ou adornados com jóias ou máscaras). O homem enfeitava-se primeiro com troféus para demonstrar sua superioridade como chefe diante de outros e como autoridade de macho diante da mulher .”

        A mulher se adornava de forma mais simples que o homem, que usava peles, jóias, tecidos ricos, pois precisava se enfeitar, enquanto a mulher fazia uso da moda para expressar sedução. Durante milhares de anos, o vestuário proporcionou o poder aos homens de se auto-afirmarem e demonstrar virilidade através do visual e, às mulheres, o poder de expressar seu charme (NERY, 2003).

        No que se refere a um aspecto social relevante, a moda possivelmente tornou-se um hábil instrumento de padronização, no sentido da concordância na esfera corporal e indumentária, adotando o apoio do imaginário (ROCHE, 2007).

        “Apologistas morais da moda eram raros, talvez porque ela questionasse a própria noção de progresso [...] assim como questionava a ideia de tradição em nome de um desenvolvimento sem outro propósito que não a si mesma

        .” (ROCHE, 2007, p.517). A moda, em sua amplitude, de acordo com Rech (2002, p.29):

        “Compreende mudanças sociológicas, psicológicas e estéticas, intrínsecas à arquitetura, às artes visuais, a música, à religião, à política, à literatura, à perspectiva filosófica, à decoração e ao vestuário

        .” Pontes (2004) relaciona moda com arte e a descreve como a mais viva de todas as artes, assim como a pintura, a escultura e a arquitetura, encontram na forma o seu veículo de expressão.

        “Todo homem, selvagem ou civilizado, possui uma alma coletiva na qual repousam todas as formas de arte, recebendo influências também da cultura de outros povos, que se reflete no modo de vestir

        .” (NERY, 2003, p.9). As transformações da moda estão relacionadas com os ideais da época, juntamente com sua cultura.

        “Sob a rígida organização das sociedades, fluem anseios psíquicos subterrâneos de que a moda pressente a direção

        .” (SOUZA, 1987, p.25). Na visão de Lipovetsky (1989), a moda fez com que as pessoas iniciassem uma auto-observação da sua beleza e visual, ampliou a ligação com o prazer de observar e ser observado, de mostrar-se. O autor afirma que:

        “Se a moda, evidentemente, não cria de alto a baixo o narcisismo, o reproduz de maneira notável, faz dele uma estrutura construtiva e permanente dos mundanos, encorajando-os a ocupar-se mais de sua representação- apresentação, a procurar a elegância, a graça e originalidade

        .” (LIPOVETSKY, 1989, p.39). Na história da moda, foram os valores e as significações culturais modernas, o novo e a expressão da individualidade, que tornaram possíveis o estabelecimento do sistema da moda (LIPOVETSKY, 1989).

        A moda enquanto componente cultural determina os comportamentos humanos, e torna-se um elemento de referência para as pessoas [...] ao portar uma roupa, as pessoas constroem imagens idealizadas que as fazem personagens de uma cena (BARREIRA, 2006).

        Sant’Anna (2007, p.95) afirma que: “A moda é o que impulsiona os sujeitos a tomarem da aparência como o lócus de investimento e constituição da distinção social [...] é processo identitário, de si consigo mesmo e de si para com o outro, é a possibilidade de ser, de existir numa sociedade regida pelo mito da imagem

        .” A roupa vira moda no momento em que a aparência e forma de usar se transformam numa norma estética para a sociedade, foi após a Revolução Francesa que as diferenças sociais passaram a se manifestar através de indicadores como a qualidade dos tecidos. Com o passar do tempo a moda perdeu esta concepção totalmente elitista, a alta costura continuou acessível para uma minoria, porém, outras classes sociais puderam popularizá-la (NERY, 2003).

        Com o progresso da civilização, o vestuário foi se adaptando às novas técnicas têxteis. Os novos modismos que surgem são derivados de antigos, expressando seu estilo próprio a cada período histórico, há a necessidade de se pesquisar o que já existiu para se criar algo novo (NERY, 2003).

        No que se refere ao produto de moda, Pereira et al. (2010), explica que o vestuário como resultado de um processo de design é denominado produto de moda, cujo princípio é atender as necessidades de determinado público consumidor, conforme o seu estilo de vida.

        O produto de moda pode ser conceituado, na visão de Rech (2002, p.37), como

        “Qualquer elemento ou serviço que conjugue as propriedades de criação (design e tendências de moda), qualidade (conceitual e física), vestibilidade, aparência (apresentação) e preço, a partir das vontades e anseios do segmento de mercado ao qual o produto se destina

        .” Castro (1981 apud Rech, 2002, p.84) acrescenta que

        “O produto de moda não possui somente a função de revestir e proteger o corpo contra intempéries, mas é o resultado do equilíbrio ou desequilíbrio das funções, concebidas num sistema triádico: função pragmática, função social e função estética

        .” O filósofo Lipovetsky (1989, p.12) afirma que

        “a moda não é mais um enfeite estético, um acessório decorativo da vida coletiva; é sua pedra angular. A moda terminou estruturalmente seu curso histórico, chegou ao seu poder, conseguiu remodelar a sociedade inteira à sua imagem: era periférica, agora é hegemônica

        .”

      2.2.2 A evolução da indumentária

        De acordo com Braga (2004), a seqüência evolutiva da vestimenta humana foi cobrir o corpo primeiro com folhas vegetais e depois peles de animais, com objetivo de proteção ou adorno, independente da intenção, as pessoas cobriam seus corpos por necessidade.

        Segundo Nery (2003, p. 13), “Na era glacial, bem antes das primeiras civilizações da Mesopotâmia e do Egito, de clima temperado e até tropical, os habitantes da Europa foram obrigados a cobrir os corpos com peles por causa do frio [...] como a fiação e a tecelagem eram ainda desconhecidas, para prender suas roupas em torno do corpo, esses homens passavam tendões de animais ou cordões de fibras vegetais

        .” “Sob o ponto de vista de adorno, foi uma maneira que o ser humano encontrou de se impor aos demais, inclusive mostrando bravura ao exibir dentes e garras de ferozes animais, além de ter a pele para cobrir o corpo [...] e carne para alimentação .” (BRAGA, 2004, p.18).

        Segundo Braga (2004, p.18), “O outro aspecto, o de proteção, está associado à questão de sobrevivência com relação às agressões externas e as intempéries, principalmente ao frio .”

        De acordo com Braga (2004), foi ao prender os cordões nas peles que foram utilizadas pedras, espinhos ou ossos perfurados, assim, os povos primitivos descobriram a costura feita com agulhas. Com o passar dos tempos, o ser humano fixa- se ao solo, deixa de ser nômade caçador e começa trabalhar com agricultura e criação de animais, beneficiando a indumentária através da produção do linho, que utilizado em processo de tecelagem artesanal, foi matéria-prima para peças do vestuário.

      2.2.3 Antiguidade Oriental e Clássica

        Na Antiguidade Oriental, por volta de 4.000 a.C., a região da Mesopotâmia, situada entre os rios Eufrates e Tigre, foi considerada o berço da civilização humana, onde se desenvolveram as culturas: sumeriana, assíria e babilônica, sendo que o povo sumério desenvolveu a escrita cuneiforme. Os mesopotâmicos já conheciam a tecelagem, porém, havia traços bem primitivos na maneira de se vestirem com o uso das peles de animais (BRAGA, 2004).

        Os primeiros sumérios utilizavam como única roupa um avental feito de pele de carneiro penteada, chamado kaunakés. Quanto à vestimenta dos assírios e babilônios era feita de tecidos ornamentados, havia riqueza e exagero nos adornos da indumentária com franjas, muitas cores e bordados de ouro, usavam brincos, anéis, braceletes, coroas, tiaras, como forma também de exibição (NERY, 2003).

        Segundo Braga (2004, p.20), “O tecido predominante usado na região, para ambos os sexos, no apogeu de suas respectivas culturas, foi o algodão, produzido na própria região ou vindo da Índia, além da lã e do linho, com o passar do tempo tiveram acesso a seda da China Os sumérios aprenderam a

        .” tecer panos de lã, sendo a sua vestimenta uma túnica, um xale drapeado e um cinto largo em couro e nas cabeças usavam chapéu de feltro, gorros, e turbantes. As mulheres, com exceção das meretrizes, estavam sempre com as cabeças cobertas por véus, xales ou gorro, com cabelos trançados, usavam uma túnica simples sem mangas e utilizavam moedas para enfeitar seus cabelos (NERY, 2003).

        O Egito faraônico iniciou-se por volta de 3400 a.C., sendo que a civilização egípcia influenciou e foi influenciada pelos assírios, babilônicos e persas. Devido ao clima quente e seco, os egípcios vestiam-se com um mínimo de roupas, sendo que as castas eram identificadas pela indumentária, a tanga era sinônimo de pobreza, a casta superior vestia roupas de linho e algodão na cor natural e os ricos gostavam de usar transparências como forma de valorização do corpo, suas cabeças eram raspadas e usavam perucas (NERY, 2003).

        Segundo Braga (2004, p.21), “O traje típico da indumentária egípcia era o chanti, uma espécie de tanga masculina e o kalasíris, a túnica longa, tanto masculina quanto feminina [...] a cor predominante era o branco e a base têxtil era sempre a fibra natural vegetal, especialmente o linho

        .” Os drapeados e plissados nas roupas eram signos de riqueza, usavam maquiagem preta e verde nos olhos, pintavam as unhas com hena laranja e as jóias eram indispensáveis, as sandálias só eram utilizadas pelo faraó e sacerdotes, o restante da população andava descalça (NERY, 2003).

        Köhler (2001, p.68) destaca que “A característica mais importante da roupa usada pelos egípcios era o drapejamento.

        Cada povo tinha sua forma específica de usar trajes que, tanto em corte quanto em estilo, em muito se assemelhavam .” O drapejamento consiste em dispor em dobras o tecido que cobre o corpo.

        Os egípcios tinham o hábito de raspar suas cabeças, por questões higiênicas, por isso usavam perucas feitas de fibras vegetais ou cabelo natural, elas serviam para proteção ao sol e também para identificar o status social (BRAGA, 2004).

        Na Idade do Bronze, entre o quarto e segundo milênio a.C., foram inventadas a roda, a tesoura, o fuso, a roca e o tear, as roupas eram feitas de lã, linho, cânhamo e podiam ser tingidas com corantes de plantas silvestres.

        “O traje masculino era composto de capa, túnica retangular de lã sem mangas, cinto, gorro [...] e sapatos feitos de uma pele de couro [...] as mulheres vestiam saias, presas por um cinto, atingindo os tornozelos, com uma blusa ou uma túnica curta, calçavam sapatos iguais aos dos homens .” (NERY, 2003, p.32). Os guerreiros na Idade do Bronze utilizavam nas lutas capacetes com chifres ou carcaças de animais que serviam também para transmitir coragem, suas armas e ferramentas eram bastante decoradas (NERY, 2003).

        Na Antiguidade Clássica, segundo Nery (2003, p.38), “A

        Grécia, anexada a Roma após a morte de Alexandre o Grande, em 323 a.C., passou a representar para o mundo ocidental, até os dias de hoje, um ideal de harmonia [...] destacando-se, na história grega, o respeito ao ser humano e o desenvolvimento de um pensamento baseado na filosofia

        .” Braga (2004, p.25) destaca que “No período de apogeu de sua cultura, teve como centro de sua organização política as

        Cidades-Estados, a crença politeísta e um apurado padrão estético [...] falar da cultura grega [...] é falar de filosofia, de arte, de democracia, de conhecimento

        .” “A indumentária grega foi muito peculiar e o que mais podemos notar como característica são os drapeados, muito elaborados e marcantes. Os gregos preocupavam-se mais com os valores estéticos de suas roupas, do que com o caráter de erotismo .” (BRAGA, 2004, p.25).

        Existiam três tipos de vestimenta grega: o quíton, o

        

      himation e a clâmide. O quíton era feito de tecidos leves, era uma

        peça retangular fixada nos ombros por uma espécie de alfinete, chamado fíbula. O himation, usado por homens e mulheres, tinha o formato de um retângulo grande, barrado nos quatro lados. Já a clâmide era uma capa menor aberta e presa ao ombro com a fíbula, ela vestia cavaleiros, atletas e soldados. Os bordados em formatos geométricos ou de folhas enfeitavam as barras das peças (NERY, 2003).

        As mulheres também usavam um manto chamado peplo, que era bem mais longo, chegando até os pés e seus cabelos além de soltos eram amarrados com fitas ou chinós que era um suporte que prendia o cabelo na nuca. Os homens usavam cabelos curtos. (BRAGA, 2004).

        “Os tecidos que os gregos empregavam na confecção de seus trajes acompanhavam de perto o avanço de sua civilização, e revelavam um desenvolvimento cada vez maior. As pessoas abastadas usavam o quiton feito com os mais finos tecidos da Ásia Menor – os chamados coanos.” (KÖHLER, 2001, p.128).

        Köhler (2001) acrescenta que as roupas gregas eram muito coloridas, sendo um dos destaques o vermelho-escuro que indicava também certa distinção. Em sua maior parte os trajes eram de linho branco ou tingido, com bordados em cores.

        Braga (2004, p.26) ratifica tal percepção sobre as cores “No que diz respeito ao tingimento, os quítons eram de diversas cores e não como sempre imaginamos, brancos ou da cor natural da fibra utilizada

        .” As mulheres gregas usavam como adornos braceletes, anéis, broches, diademas. Com o passar do tempo a indumentária grega tornou-se ostensiva e luxuosa (BRAGA, 2004).

        Como afirma Nery (2003, p.39), “Os gregos expressaram beleza e harmonia nas suas formas, cujas proporções são consideradas ainda hoje como cânones estéticos

        .” De acordo com Braga (2004, p.27),

        “A Etrúria localizava- se na região da atual Toscana, Itália [...] os etruscos podem ser considerados os antecessores dos romanos [...] por não terem a escrita, o conhecimento de sua cultura veio pela iconografia

        .” A sua indumentária possui traços das roupas orientais e gregas. Uma característica relevante da arte e da indumentária etrusca foi a joalheria, considerados verdadeiros objetos de arte, aliando o domínio da técnica ao bom gosto em peças como coroas, braceletes, anéis e outras (BRAGA, 2004).

        Segundo Braga (2004, p.28), “Roma se impôs pela força, todavia, nítidas referências a valores gregos estiveram presentes no contexto da estética romana [...] Roma recebeu influências etruscas inclusive na maneira de vestir [...] as principais linhas de suas roupas foram adaptadas dos gregos

        .” No início, os romanos copiaram a simplicidade das roupas gregas como a túnica, equivalente ao quíton. A toga branca de lã era símbolo do romano livre e os camponeses não a podiam usar, já a toga bordada na cor púrpura, chamada trabla, era utilizada apenas pelos aristocratas, mais tarde, a toga saiu de moda e prevaleceu a túnica longa. As mulheres também usavam túnicas e para sair usavam véus e lenços na cabeça, além de encrespar os cabelos, que era moda na época, também usavam apliques, brincos, pulseiras, colares em ouro e prata com pedras e pérolas (NERY, 2003).

        “Os romanos usavam a túnica e, por cima, a toga, que era extremamente volumosa e denunciadora do status social daquele que a portava. Quanto maior fosse, ou mesmo sua cor, denunciava a condição de prestígio ou a função do usuário

        .” (BRAGA, 2004, p.29). As mulheres romanas prendiam seus cabelos com redes tecidas em fios de ouro ou prata e usavam um lenço na cabeça ao dormir para conservar o penteado (KÖHLER, 2001).

        Em um determinado momento da história romana, o luxo atingiu seu esplendor e os excessos se tornaram atributo da indumentária romana devido às jóias, colares, brincos, anéis, que eram muito utilizados pelas mulheres (BRAGA, 2004).

        Köhler (2001, p. 142) destaca que “O calçado era uma parte importante

      • – e, na verdade, indispensável – da indumentária dos romanos [...] para certos grupos e classes sociais, o tipo de calçado já era pré-estabelecido, e não apenas aos soldados, mas também os membros do Senado, os cônsules, etc

        .”

      2.2.4 Idade Média e Moderna

        No período da Idade Média, segundo Braga (2004, p. 32), “Roma estava enfraquecida e a capital do Império foi transferida para a antiga colônia grega situada no Bósforo, que se chamava Bizâncio e cuja capital passou a ser Constantinopla no século

        IV .”

        Foi derivado dos gregos, romanos e asiáticos o vestuário bizantino, as pessoas usavam túnicas com mangas e capas com cortes amplos não mostrando as formas do corpo

        . “A moda bizantina reinou no mundo feudal da Idade Média Romântica, pois Constantinopla era a Paris de então! O ouro dominou a escala de cores, ao lado do nobre púrpura, do vermelho, do marrom, do preto e do branco .” (NERY, 2003, p.56).

        Köhler (2001) descreve que a corte bizantina foi a mais luxuosa de todas as cortes da Idade Média. Uma estola de seda branca bordada em ouro fazia parte da indumentária imperial que

        sobrepunha uma capa púrpura, adornada por uma faixa bordada em ouro, com sapatos de seda na cor púrpura bordado com pérolas.

        “A seda foi o principal tecido utilizado em Bizâncio, tendo a sua produção se desenvolvido no próprio império, não sendo preciso importá-la da Índia e da China [...] os tecidos mais opulentos e suntuosos eram de uso exclusivo da família imperial .” (BRAGA, 2004, p.33).

        As roupas eram também bordadas com fios de ouro e prata e pedras preciosas, em motivos florais, religiosos e também animais. Observa-se novamente a roupa com objetivo de diferenciar as classes, quanto maior o prestígio, mais ornamentada a roupa (BRAGA, 2004).

        Segundo Nery (2003, p.56), “A coroa imperial do rei sacerdote Justiniano I [...] apresentava um aro largo enriquecido com pedras preciosas, pingentes e pérolas [...] pode-se definir as ricas roupas da corte imperial como vestimentas hierárquicas [...] com seu colorido forte, bem diferente da simplicidade dos velhos trajes romanos

        .” Segundo Nery (2003, p.62),

        “As catedrais eram as testemunhas mais belas da Idade da Fé, a Idade Média Romântica [...] a arte era inspirada pela fé

        .” “Logo depois do fim da Antiguidade, as roupas procuravam ocultar as formas do corpo. Já no século XIII, o despertar individual refletia-se na indumentária, surgindo roupas que desenhavam a silhueta com um corte acentuadamente vertical .” (NERY, 2003, p.64).

        Köhler (2001, p.172) destaca que “O século XIII trouxe grandes alterações para a indumentária feminina. Além de se tornarem mais decotadas, as roupas sofreram transformações consideráveis em muitos outros aspectos. A mais surpreendente delas afetou a sobreveste

        .” No século XV o vestuário começa a ser usado como exibicionismo do corpo, sendo que no final deste século a moda era um total excesso, apresentando mangas longas, decotes profundos, guizos, saias largas e compridas, bordados com fios de ouro e prata, adornos de cabeça para as mulheres do tipo meia lua ou chifres, sendo que a burguesia rica copiava as roupas dos nobres (NERY, 2003).

        Os casacos foram quase totalmente abandonados e foram substituídos por uma manta sem mangas. Agora as mulheres usavam três modelos principais de vestuário, o primeiro deles é um vestido longo, com decote franzido e frente e costas tinham o mesmo modelo. O segundo modelo era largo nos ombros e bem mais justo no busto e o terceiro modelo era a combinação dos dois primeiros modelos e era usado por meninas ou mulheres solteiras. As peças tinham detalhes coloridos, fios de ouro, usavam broches ou fivela no peito (KÖHLER, 2001).

        No período da Idade Moderna, o Renascimento e o Maneirismo marcaram esta época. De acordo com Nery (2003, p.78),

        “Entre a segunda metade do século XV e a primeira metade do século XVI, surgiu na Itália um movimento de retorno a Antiguidade chamado Renascimento. A revalorização do homem, da beleza e dos prazeres da vida foi o principal traço do humanismo renascentista

        .” Nessa época, destacaram-se os pintores Botticelli,

        Rafaello, Leonardo da Vinci e Michelangelo e o poeta Dante. “O povo italiano se deu conta de sua época e começou a gostar da descoberta da Antiguidade e de si mesmo, o que explodiu em arte. A arte, como dizia Dante, é a neta de Deus

        .” (NERY, 2003, p.78). Neste período ocorreu uma mudança de pensamento, o homem começa a questionar o domínio de Deus sobre as atividades humanas, começa a se diluir a divisão na sociedade que era o Clero, os Nobres e os Plebeus, tendo em vista o desenvolvimento das cidades e comércio, a prosperidade gerou a ideia de realização pessoal e também do individualismo, contexto este onde a moda surge (POLLINI, 2007).

        “Com esta nova noção de Eu, as roupas e as escolhas estéticas passaram a retratar esta vida interior e as pessoas agora se orgulhavam de ostentar uma vestimenta ou um ornamento que refletisse seu novo modo de ser e de pensar. E assim chegamos à valorização da novidade e das mudanças

        .” (POLLINI, 2007, p.18). Souza (1987, p.20) enfatiza que “É a partir do

        Renascimento, quando as cidades se expandem e a vida das cortes se organiza, que se acentua no ocidente o interesse pelo traje e começa a acelerar-se o ritmo das mudanças

        .” Na visão de Braga (2004), o conceito de moda surgiu no fim da Idade Média e início da Idade Moderna, considerando o Renascimento, na corte de Borgonha, parte atual do território Francês.

        Uma vez que os nobres locais se incomodavam com as cópias de suas roupas feitas por uma classe social mais abastada, os burgueses, também denominados de mercantilistas, que surgiram com as cruzadas [...] Surgiu uma nova classe social endinheirada e que tinha condições financeiras para copiar o que a corte usava. Os nobres, não gostando muito desta ideia, começaram a diferenciar, cada vez mais, suas roupas daquelas copiadas, criando assim um ciclo criação e cópia. Todas as vezes que isso acontecia, idéias diferenciadas, advindas da corte, surgiam e eram colocadas em práticas vestimentárias (BRAGA, 2004, p.40).

        “No século XV, a palavra Mode começou a ser utilizada em francês (significando basicamente modo), tendo se desenvolvido a partir da palavra latina Modus, que fazia referência a medida agrária, e mais tarde passou a significar também maneira de se conduzir .” (POLLINI, 2007, p.17).

        Sendo assim, com o passar do tempo a forma: ao modo, demonstrava preferências, maneira como as pessoas se vestiam, gostos e escolhas pessoais (POLLINI, 2007).

        Braga (2004, p.40-41 ) enfatiza que a moda “Surgiu como um diferenciador social, diferenciador de sexos [...] pelo aspecto de valorização da individualidade e com caráter de sazonalidade, ou seja, um gosto durava enquanto não era copiado, pois, se assim acontecesse, novas propostas suplantariam as, então, vigentes

        .” Na época do Renascimento

        “A indústria têxtil deu um grande salto em desenvolvimento. Cidades italianas como Veneza, Florença, Milão, Gênova e Luca foram responsáveis pela elaboração de tecidos de primeira qualidade como brocados, veludos, cetins e sedas .” (BRAGA, 2004, p.44). Köhler (2001) destaca que para a indumentária feminina neste período o vestido longo e volumoso se transformou em duas peças, formados por uma saia e um corpete curto e justo na cintura, sendo que por baixo usavam uma camisa bordada que quase cobria o pescoço.

        As mulheres usavam um vestido chamado de vertugado, que era rígido no tronco e abria-se em formato de um cone da cintura para baixo, com mangas longas e largas e a gola rufo, uma espécie de gola circular de babados engomados. Neste período era costume o uso excessivo de perfumes no corpo, nas luvas, meias e sapatos (BRAGA, 2004).

        Nery (2003) acrescenta que o Renascimento possuiu como característica no vestuário as formas com volume e tecidos pesados como brocados e veludos drapeados, os homens usavam o gibão, espécie de colete e calças bem justas ao corpo. As mulheres também usaram peças independentes, que eram o corpete, a saia e mangas que podiam ser retiradas, usavam brincos, anéis, broches e colares e nos bordados das suas roupas utilizavam pérolas e jóias.

        Braga (2004, p.47) destaca que “A moda feminina foi ganhando um significativo compromisso de sedução ao começar a evidenciar o colo com o decote e também a cintura com o corpete

        .” As questões utilitárias tiveram menos relevância neste período, o foco era nos aspectos ornamentais e estéticos, começa a ter um desenho claramente diferenciado as roupas femininas das masculinas, onde os homens se exibiam de forma mais exuberante (POLLINI, 2007).

        O Renascimento na Alemanha mostrou primeiramente uma preocupação com o volume dos corpos nas roupas com recortes, as pessoas usavam chapéus com plumas e fitas, peles em capas, golas e punhos, cores fortes como o vermelho e amarelo deram lugar ao preto, que na época era cor preferida da sociedade rica alemã (NERY, 2003).

        Ainda hoje podemos ver a moda Renascentista nas roupas dos guardas suíços do Vaticano, desenhadas por Michelangelo. Foi neste período, no ano de 1589 que foi criada a primeira máquina para tecer meias sem costura, pelo inglês William Lee (NERY, 2003).

        Segundo Nery (2003, p.104), “Derivada do italiano

        

      maneira, a expressão Maneirismo era usada para designar o

        movimento artístico que se desenvolveu em alguns países da Europa, ora visto como ligação entre o Renascimento e o Barroco, ora tido como movimento autônomo [...] foi de fato o Renascimento que marcou o início da primeira moda européia

        .” O Maneirismo Espanhol fez surgir uma indumentária que escondeu as formas do corpo, as mulheres usavam corpetes rígidos, mangas bufantes, uma gola de renda engomada no pescoço, uma roupa que não permitia muitos movimentos e passava uma postura de distanciamento (NERY, 2003).

        Neste período era comum o uso da chemise, uma espécie de camisa feita geralmente como linho, usada por todos como proteção do suor por baixo das roupas de tecidos mais nobres, lembrando que o banho diário não fazia parte da cultura européia, por acreditar que seria prejudicial a saúde, apenas trocava-se a chemise (POLLINI, 2007).

        O Maneirismo na Inglaterra trouxe o luxo excessivo, os trajes elizabetanos eram de tecidos brocados, rendas, rufos engomados, gibões, mangas e saias, o vestuário era composto de ricos bordados de pedras preciosas (NERY, 2003).

        No período da Idade Moderna, o Barroco e o Rococó marcaram esta época.

        De acordo com Köhler (2001, p.353), “O marco inicial da revolução na indumentária francesa foi o casamento de Luis XIII com Ana da Áustria, em 1615

        .” Para os homens, os chapéus ficaram com abas mais largas, o rufo da gola agora estava sobre os ombros, os calções não tinham mais enchimento, o gibão agora tem enchimento leve e usava-se às vezes uma capa sobre o traje até a metade da coxa.

        Segundo Nery (2003, p.128), “Durante toda a segunda metade do século XVII, a França liderou a vida cultural da

        Europa. No período do longo reinado de Luis XIV, a civilização tornou-se cosmopolita, tanto no aspecto social como no geográfico. As artes ignoraram as fronteiras

        .” Pollini (2007, p.29) afirma que a moda “No século XVII passou ao domínio da França que, graças aos esforços do rei

        Luís XIV (conhecido como Rei Sol) e de seu primeiro ministro Jean-Baptiste Colbert, tornou-se, a partir de então, referência principal quando o assunto é moda

        .” Neste período é relevante lembrar que a centralização do poder estava em torno do rei, foram ampliados os códigos de conduta social e havia uma ênfase na vida das aparências (POLLINI, 2007).

        Os cabelos longos masculinos entraram na moda. O uso das perucas se tornou um hábito e também elemento de elegância masculina. As rendas estavam em evidência para as golas e punhos de homens e mulheres (BRAGA, 2004).

        Nesta época conhecida como Barroco houve a valorização do luxo, o Palácio de Versalhes é um exemplo deste período, com seus espelhos e mobiliário de prata, a literatura e a poesia ampliaram seu prestígio, sendo a língua francesa divulgada por toda Europa para substituir o latim como língua intelectual (NERY, 2003).

        Segundo Braga (2004, p.49), “A partir de 1660, a corte de

        Versalhes começou, de fato, a se impor para o restante da Europa com os novos padrões sociais, criando boas maneiras, etiquetas, modos e, principalmente moda

        .” Na indumentária feminina o corpete, chamado corset, era sustentado por barbatanas e tinha um decote profundo quadrado na frente. As mulheres preferiam cores fortes em tecidos mais maleáveis, além dos veludos, cetim e lãs (KÖHLER, 2001).

        Os tecidos do vestuário feminino eram luxuosos e caros, as cores mais utilizadas nas roupas eram o vermelho e o azul escuro, mas também via-se o rosa, azul e amarelo claro (BRAGA, 2004).

        Os homens usavam coletes, jabot de renda, meias de seda vermelha, apenas o bigode fino se sobressaia como traço masculino e os perfumes viraram substitutos da higiene diária, as mulheres usavam corpetes de decote profundo, saias com sobre- saias de cauda, mangas até o cotovelo, sendo que as cores preferidas das roupas era o vermelho, o azulão e o marrom (NERY, 2003).

        De acordo com Köhler (2001, p.388), “Em 1670, aproximadamente, o espartilho de origem espanhola, inventado na primeira metade do século XVI, reapareceu e trouxe consigo uma cintura mais justa

        .” “Paris tornou-se o centro da moda e, para divulgar as ultimas novidades, exportavam-se para Londres e outras capitais bonecas de oitenta centímetros, as famosas Pandora [...] as perucas, usadas pelos homens, passaram a ser símbolo da nobreza [...] a roupa masculina evoluía mais que a feminina .” (NERY, 2003, p. 129-130).

        O Barroco esteve associado a Luis XIV e o Rococó o foi com Luis XV. O período do Rococó propriamente dito foi de 1730 a 1789, quando ocorreu a Revolução Francesa, o valor de decorar em excesso era o que predominava na época (BRAGA, 2004).

        O Rococó era um estilo rico que se caracterizou pelo uso excessivo de ornamentos de flores, plantas e conchas, uma expressão de sensibilidade, um excesso ao culto da aristocracia, da decoração, do erotismo e da beleza, chamada de época galante. Neste período foi destaque a costureira de Maria Antonieta, Madame Bertin, uma unanimidade no mundo da moda de Paris e Londres (NERY, 2003).

        A indumentária da época do reinado de Luis XV era elegante e delicada, a França continuava a ditar moda para toda Europa, surgiam mulheres com pele cor de porcelana, usando perucas de até 90 centímetros de altura, além de fitas, rendas, as saias eram largas acompanhadas de sapatos de cetim, sedas e brocados foram usados nas roupas de homens e mulheres. Nesta época os homens mudaram o penteado, começaram a prender com uma fita de seda os cabelos atrás da cabeça e suas roupas consistiam de casaco, colete e calções (NERY, 2003).

        Braga (2004, p.52) descreve que “Tecidos como a seda e grossos brocados ornamentados com flores eram os preferidos tanto pelas mulheres quanto pelos homens. O gosto pela inspiração na natureza prevalecia. Delicados sapatos calçavam os pés femininos

        .” De acordo com Köhler (2001, p. 441),

        “Os trajes femininos passaram por poucas transformações durante os dez últimos anos do reinado de Luis XV. Em 1750, as anquinhas começaram a ficar menores e, por volta de 1760, foram substituídas por inúmeras anáguas muito firmes

        .” Esta época foi marcada pelos penteados femininos em volume, os cabelos eram enfeitados com borboletas, frutas, caravelas, moinhos de vento, etc (BRAGA, 2004).

        Pollini (2007, p.32) afirma que “O século XVIII também marcou o início de uma mudança na concepção de moda, pois, a partir de então, a moda feminina ultrapassou a moda masculina em exuberância [...] neste período, portanto, é que se estabeleceu o pensamento de que moda é coisa para mulheres .”

        Outro aspecto relevante do período, é que por volta de 1770, foram desenvolvidas as primeiras revistas de moda de que se tem conhecimento (POLLINI, 2007).

        Segundo Rech (2002, p. 29), “Nos séculos XVII e XVIII a nobreza ditava as leis no que diz respeito à moda, seguida e imitada pela alta burguesia. Portanto, a classe dominante

      • – social e economicamente
      • – era aquela que iniciava um determinado costume e que mandava fazer suas roupas em costureiras particulares ou alfaiates de senhoras

        .” Pollini (2007) descreve que a Revolução Francesa mudou a história da moda

        . “Os revolucionários franceses se auto- denominaram os sans-cullotes, em oposição a aristocracia.

        

      Cullote era o nome dos calções usados pelos aristocratas,

        portanto, ser um sans-cullote significava estar excluído das decisões políticas e dos privilégios restritos a poucos .” (POLLINI,

        2007, p.34) Esta peça do vestuário se transformou num símbolo, repleto de elementos sociais e revolucionários, vestir-se com ostentação neste período se tornou sinônimo de associação com o antigo regime. Foi neste momento que a Inglaterra tornou-se exemplo de moda a ser seguida, admirada devido a sua posição política liberal (POLLINI, 2007).

        O vestuário feminino da época foi inspirado na Grécia, vestidos leves e fluídos de linho ou cambraia decotados com cintura alta, similares as vestes das estátuas gregas. Foi neste período que um dos acessórios mais relevantes para as mulheres foi criado, a bolsa. As primeiras foram chamadas de réticule (POLLINI, 2007).

        Foi após a Revolução Francesa que uma profunda mudança ocorreu na relação entre moda e sociedade, ela colocou um ponto final ao uso exclusivo de algumas roupas por parte da nobreza. Em 1793 o Governo Revolucionário decretou que cada um é livre para usar a roupa e adorno que desejar, marcando assim uma mudança não apenas de estilo do vestuário, mas da relação da sociedade com a moda, passo crucial para o desenvolvimento da moda da forma como a conhecemos (POLLINI, 2007).

      2.2.5 Idade Contemporânea

        Pollini (2007, p.16) destaca que a moda “Se desenvolve em decorrência de processos históricos que se instauram no final da Idade Média (século XIV) e continuam a se desenvolver [...] é a partir do século XIX que podemos falar de moda como a conhecemos hoje

        .” Na visão de Pollini (2007, p.38), “O século XIX começou, como um novo Renascimento. O conceito de rapidez, de velocidade, se instalava, e as maneiras de pensar, de vestir e de se divertir se modificavam [...] os bens de consumo, principalmente o vestuário, passam a ter uma produção muito mais rápida

        .” Segundo Nery (2003, p. 160), “O Romantismo (1820-

        1850) foi um movimento intelectual e artístico ocidental que, a partir do início do século XIX, fez prevalecer à imaginação sobre o espírito crítico, tanto na música quanto na literatura, nas artes plásticas e também na moda

        .” Braga (2004, p.60) afirma que

        “o Romantismo defendeu a liberação das emoções humanas em detrimento do racionalismo iluminista anterior [...] influenciou o processo criativo, da literatura às artes, da música à arquitetura e obviamente a moda

        .” Paris preocupava-se com a vida citadina e Londres privilegiava a vida no campo, estas características foram fatores que influenciaram a moda da época. Na moda feminina houve a busca de referências no passado, em 1820 a cintura dos vestidos volta ao seu lugar, sendo valorizada pelo uso do corpete e decotes. O xale de cashemire fazia parte do vestuário, as mulheres usavam jóias como relicários, cruzes, broches e adornavam os cabelos com travessas ou chapéus tipo boneca com plumas, fitas, flores além de usarem leques. Os tecidos utilizados nos vestidos da época eram muito sofisticados, como o tafetá, seda, cetim, crepe, musseline e brocados (BRAGA, 2004).

        Foi nesta época que se começou a valorizar detalhes nas roupas masculinas, bem cortadas e confeccionadas com tecidos de qualidade, predominavam tons escuros para casacos e paletós em tecidos lisos, eram muito valorizados os alfaiates ingleses e modistas parisienses. Eram usadas bengalas, lenços de linho branco, alfinete com pérola para gravata. Para as mulheres surgiu a forma ampulheta e voltou o corpete com barbatanas chamado corset, também imensas mangas bufantes e uma grande gola eram usadas nos vestidos (NERY, 2003).

        Na década de 1850, surgiu o conceito de alta-costura na França, criado por Charles Frederick Worth, que vestia toda sociedade parisiense, inclusive a esposa de Napoleão III. Um aspecto relevante da época é que, com o advento da Revolução Industrial houve uma facilidade financeira favorecendo uma similaridade visual das roupas entre as classes sociais (BRAGA, 2004).

        De acordo com Köhler (2001, p.546), “Por volta de 1850, os vestidos ficaram menos decotados e os adereços para o pescoço tornaram-se desnecessários [...] a única jóia usada era um broche simples preso na frente do vestido [...] Por outro lado, os grandes e largos braceletes, usados nos dois braços, permaneceram em moda por muitos anos

        .” No ano de 1857 surgiu a crinolina, que era uma armação utilizada embaixo das saias para sustentação na época os vestidos eram elaborados com um volume grande de tecidos. No inverno as mulheres usavam estolas de pele (KÖHLER, 2001).

        Neste período a moda masculina era mais austera, cuja mensagem a ser entendida era de que o usuário era um homem sério e racional, destinado ao trabalho. Por outro lado, as roupas tinham uma estética exuberante para as mulheres, mas a imagem feminina era similar a uma boneca, sem liberdade para movimentos, e serviam como um símbolo de ostentação para os maridos (POLLINI, 2007).

        Souza (1987, p.21) enfatiza que “É no século XIX [...] que a moda se espalha por todas as camadas e a competição [...] na rua, no passeio, nas visitas, nas estações de água, acelera a variação dos estilos, que mudam em espaços de tempo cada vez mais curtos

        .” Por volta de 1880, os vestidos estavam com volume atrás da cintura até a altura dos joelhos, que era obtido através do uso de anquinhas, esses vestidos eram chamados de devant droit ou arriere (BRAGA, 2004).

        No século XIX muitos foram os autores que se dedicaram a analisar a relação da sociedade com a moda, entre eles, Honoré de Balzac em 1830 publicou o Tratado da Vida Elegante falando de aproximações da moda e arquitetura, Thomas Carlyle em 1853 publicou Sartor Resartus, onde realiza uma reflexão sobre a importância da moda na vida social do século XIX e Thorstein Veblen em 1899 publicou a Teoria da Classe Ociosa, onde fala de desperdício ostensivo, falando da mulher como uma vitrine estética do sucesso do marido (POLLINI, 2007).

      2.2.6 Início do século XX

        Nery (2003, p. 194) afirma que “Nos primeiros anos do século XX, antes do começo da Primeira Guerra Mundial, em 1914, aconteceu um período conhecido, na França, como Belle

        

      Époque. Foram anos marcados por grande extravagância, festas

        e bailes, uma época que será lembrada como as últimas loucuras da alta sociedade .”

        Prevaleceu no início do século o gosto pelo aspecto curvilíneo, orgânico e ornamental da Art Nouveau ou Modern

        

      Style, impactando na moda, onde a Figura feminina era repleta

        de linhas curvas, criando a silhueta ampulheta, onde o ideal de cintura da mulher passou para 40 cm de circunferência, com o uso constante do espartilho e em alguns casos as mulheres realizavam cirurgias para obterem as medidas ideais (BRAGA, 2004).

        No início do século na indumentária feminina os vestidos acentuavam o busto devido aos espartilhos, as saias tinham formas de sino em tecidos como crepe de Chine, musselinas de seda, tule e chiffon em tons pastel. Por outro lado, as mulheres jovens de classe média usavam costumes de duas peças feitos de lã inglesa (NERY, 2003).

        O vestuário masculino continuava com sobrecasaca e cartola, neste período os homens começaram a usar terno de calca estreita e o popular chapéu-panamá. As mulheres usavam chapéus enormes com plumas, laços e flores. Mais tarde, iniciou- se um movimento para liberar os corpos das mulheres dos

        

      corsets, na Inglaterra o tailleur ganhou muitas seguidoras,

        surgiram calças bufantes, as bloomers, para andar de bicicleta, roupas para banho de mar, camisas e blusas leves (NERY, 2003).

        A prática de banho de mar como lazer e não apenas com fins terapêuticos surgiu neste período, a roupa de banho era de malha e cobria o tronco até os joelhos e usava-se também meias. Isso influenciou também o desenvolvimento de roupas próprias para crianças, como a roupa marinheiro, pois até então, as crianças usavam roupas idênticas aos adultos (BRAGA, 2004).

        Com o passar dos anos, no século XX, ocorreram diversas mudanças, guerras, e as roupas, que seguiam o pensamento humano, também sofreram alterações. Neste século observou-se a quebra de barreiras na moda, que deixou de ser expressão e ocupação de um grupo privilegiado e passa a ser acessível a outras camadas sociais (POLLINI, 2007).

        Desde o final do século XIX que o papel do costureiro assumiu relevante destaque traduzindo a estética do período e no século XX eles começaram a ser chamados de estilistas (POLLINI, 2007).

        A percepção da sociedade sobre a arte e os artistas foi modificada devido a uma sequência de movimentos vanguardistas como o Cubismo e o Surrealismo, provocando uma transformação nos costumes e valores, onde a Figura do estilista Paul Poiret se sobressaiu, pois ele conseguiu traduzir nas suas criações de vestuário os desejos da época (POLLINI, 2007).

        Em 1906, Paul Poiret se inspirou no Balé Russo e criou um vestido que libertou as mulheres dos espartilhos, marcando assim, para sempre, a história da moda (POLLINI, 2007).

        Nesta época o destaque foi o Balé Sherazade que influenciou com o tema oriental em muitas criações do vestuário, um novo modelo de mangas surgiu em Paris imitando os quimonos. Poiret elaborou trajes com véus, calças turcas, turbantes e brocados, oriundos de histórias e contos das mil e uma noites.

        Nery (2003, p.195) descreve também que “O costureiro Poiret, realizador conseqüente na mudança do estilo, junto com o pintor Dufy, revolucionaram os desenhos para a indústria têxtil

        .” Com o passar do tempo e com o advento da Primeira

        Guerra Mundial, ocorreram mudanças relevantes na forma com que as pessoas se vestiam, acarretando numa preocupação com a funcionalidade.

        Nery (2003, p.195) afirma que “A guerra produziu um profundo efeito sobre a moda. A emancipação da mulher, a tendência de igualdade entre os sexos e o amor livre surgiu após o cadastramento de mulheres para substituir a força de trabalho masculina nos serviços de saúde, transporte, indústria e agricultura, o que lhes trouxe também a independência econômica.

        ” Na visão de Braga (2004), a ocupação pelas mulheres dos cargos que eram masculinos, foi o começo da emancipação feminina, uma necessidade devido a Primeira Guerra Mundial que depois se tornou um hábito.

        “A necessidade de trabalhar fez com que a mulher não pudesse mais se apertar em rígidas formas [...] virou realmente moda o não uso do espartilho, uma vez que tolhia os movimentos

        .” (BRAGA, 2004, p.70). Durante a guerra, a moda era repleta de roupas práticas, com bolsos e cintos de amarrar, a roupa feminina era o mais simples possível, composta por casacos soltos ou amarrados e cardigãs de tricô (POLLINI, 2007).

        Nos anos de 1910, além da queda do espartilho, as saias também encurtaram até a altura das canelas, deixando parte das pernas, meias e sapatos a mostra e em 1916 Gabrielle Chanel inova a apresentar seu tailleur de jérsei, uma malha de toque macio e sedoso (BRAGA, 2004).

        Chanel em 1916 começou a utilizar o jérsei que proporcionava um efeito fluído nas peças, até então, este tecido era utilizado apenas em lingeries. “Chanel desde suas primeiras criações, soube identificar na mulher uma nova postura, sendo ela mesma exemplo desta mudança, soube conquistar uma independência incomum para os padrões da época

        .” (POLLINI, 2007, p.56). O trabalho, o esporte, a dança, a vida independente, contribuíram para que as roupas se adaptassem as novas necessidades das mulheres encurtando mais as saias e surgiu um estilo andrógino, de acordo com a emancipação feminina, aliados aos hábitos adquiridos de cabelos curtos, dirigir automóveis e de fumar em público (BRAGA, 2004).

      2.2.7 As Décadas de 1920 e 1930

        Após o final da Primeira Guerra, “ocorreu na Europa o fenômeno da leveza e da celebração da vida [...] este espírito foi tão forte durante os anos 20, que eles ficaram conhecidos como os Anos Loucos

        ” (POLLINI, 2007, p.53). Os anos de 1920 foram anos revolucionários, o funcionalismo tornou-se a palavra chave, a mulher continuou a trabalhar e consumir. A diversão era um fator muito relevante desta época e a dança com os ritmos do charleston e foxtrot, contribuíram para que em 1925 o comprimento das saias chegasse abaixo dos joelhos, foi um fato histórico, pois na história da indumentária somente na Pré-História as mulheres mostraram as pernas (BRAGA, 2004).

        Passado o interesse pelas formas vegetais da Art

        

      Nouveau, surgiu um novo estilo em reação ao exagero das

        curvas chamado de Art Déco, que trabalhava com linhas geométricas, os dois estilos se uniram com o objetivo de criar elegância e beleza, a roupa feminina com saias retas e os cabelos curtos a la garçonne (a maneira dos meninos) e o excesso de funcionalismo, se traduziu em um culto a simplicidade (NERY, 2003).

        A silhueta se alterou efetivamente, a altura das saias, os cabelos, os costumes, a liberdade de movimentos do novo vestuário tubular, onde os quadris e seios não eram mais evidenciados (POLLINI, 2007).

        Nos anos 20 a aparência andrógina era a ideal, a silhueta era similar a um tubo, os vestidos encurtaram e a cintura baixou, as mulheres começaram a usar camisas, gravatas e blazers, chapéu cloche (sino), meia de seda artificial, sapatos bico fino, usavam xales com franjas para cobrir decotes nas costas dos vestidos de noite. Neste período surgiram as bijuterias como os colares de pérolas falsas e bolsas com alças longas, a alta costura se inspirou em artistas como Picasso (NERY, 2003).

        As roupas de banho também encurtaram, os tecidos agora são mais grossos, com desenhos geométricos. O aspecto da praticidade também impactou nas roupas infantis que ficaram

        mais leves e curtas, favorecendo a liberdade de movimentos para brincar (BRAGA, 2004).

        Para os homens, segundo Nery (2003, p.211) era a “chegada dos pulôveres, camisas com golas e punhos costurados e paletós cintados [...] o terno clássico, porém, não se modificou, ao lado do fraque com calças de tecido listrado chegou o smoking para ocasiões festivas

        .” Baudot (2008, p.65) afirma que o período entre-guerras foi dominado pelas mulheres,

        “Entre elas, destacam-se Madeleine Vionnet e Gabrielle Chanel [...] a primeira uma técnica engenhosa, inteiramente ligada à construção do vestido. A outra [...] é uma mulher livre [...] subversiva e preocupada em estabelecer um novo código de roupas que atenda a um novo tipo de mulher

        .” Após a crise da Bolsa de Nova York, em tempos de recessão, a silhueta feminina se modificou em relação aos Anos

        20, foram valorizados ombros e a cintura, traduzindo em mulheres mais maduras e capazes de enfrentar os desafios (POLLINI, 2007).

        Baudot (2008, p.98) destaca que “Durante os anos 30, a forma do corpo volta ao lugar, remodelada segundo os cânones neoclássicos, a plástica feminina recorre a partir daí o sutiã e a um tipo de cinta

        .” Paradoxalmente a crise econômica, ocasionada pela queda da bolsa de New York, a moda se traduz em sofisticação e luxo, devido ao sucesso das atrizes de cinema de Hollywood como Greta Garbo, Marlene Dietrich, Jean Harlow, que ditavam a moda feminina (BRAGA, 2004).

        “Nos anos 30, a fábrica de sonhos hollywoodiana fornece alguns modelos de moda. Um traje de Travis Banton, Edith Head ou de Gilbert Adrian, visto nas telas por milhares de pessoas, tem mais impacto que a fotografia de um vestido apenas notado [...] em determinada revista .” (BAUDOT, 2008, p.104).

        Os desenhistas do figurino do cinema americano não seguiam com rigor a moda de Paris, criavam estilos originais utilizando materiais luxuosos, decotes profundos, plumas e transparências (BAUDOT, 2008).

        O cetim foi o tecido que representou a identidade de moda dos anos 1930, toques de seda, brilhos e silhueta marcada, o corte godê, evasê e viés dos vestidos, comprimentos

        maiores que dos anos 20 no meio da panturrilha chegando a comprimento longo para vestidos de noite que valorizavam em decotes profundos as costas, fazem parte do guarda-roupa das mulheres da época (BRAGA, 2004).

        Segundo Nery (2003, p.220), “Os anos 30 marcaram a consolidação dos costureiros, o contrário das criações aventureiras da década passada. O espírito mais típico da época encontra-se claramente expresso nas palavras de Gabrielle Chanel: uma moda que não pode ser facilmente usada por uma vasta camada da população não é moda alguma

        .” Sobre Chanel, Baudot (2008, p.77) afirma que “Suas criações nascem em função de suas necessidades [...] se cria vestidos de noite é porque ela própria é convidada para eventos [...] quando recorre ao tweed, ao corte masculino ou a malha, é para montar a cavalo com o Duque de Westminster, bronzear-se na Rivieira com Serge Lifar

        .” Monneyron (2007, p.34) afirma que “Através de sua moda, Chanel libera definitivamente a mulher da incapacidade física de participar plenamente da vida social a qual as roupas a submetiam, encorajando-a a ter uma vida fisicamente mais livre, aquela que ela desejava, aliás, para si mesma e para seus contemporâneos

        .” Neste período, a estilista Madeleine Vionnet apresenta criações atemporais, considerada um gênio dos cortes em viés, cria vestidos de noite, com drapeados que se adaptam totalmente ao corpo da mulher com leveza e refinamento (BAUDOT, 2008).

        Eram características do vestuário dos anos 30, o corte perfeito, os recortes assimétricos com o objetivo de afinar a silhueta das mulheres, vestidos com tecidos cortados no viés, os

        

      tailleurs eram feitos de tweed nas cores cinza, preto e azul-

        marinho, o chapéu e as luvas eram acessórios obrigatórios e a maquiagem acentuava a boca que emoldurava um rosto com cabelos curtos e levemente ondulados (NERY, 2003).

        Para os homens modernos desta década, o terno escuro com listras finas era o mais apreciado, as calças tinham barras viradas, pregas e vincos, usavam capas impermeáveis, paletós de tweed e pulôver sem mangas (NERY, 2003).

        A moda masculina também se tornou flexível pela prática do esporte, em 1933 surge a camisa Lacoste, proporcionando mais movimento ao corpo. A descontração nas roupas masculinas começa a surgir e os atores de Hollywood a popularizaram com elegância (BAUDOT, 2008).

        Neste período as estilistas de destaque além de Chanel, eram: Madeleine Vionnet, que usava a técnica da moulage e se inspirou nas esculturas da antiguidade grega; Madame Grès que ousava nos efeitos drapeados; Jeanne Lanvin e Nina Ricci. Mas o destaque em termos de inovação com irreverência foi a estilista Elsa Schiaparelli que introduziu na moda aspectos do surrealismo, se inspirando em Salvador Dali (BRAGA, 2004).

      2.2.8 As Décadas de 1940 e 1950

        Na década de 40 em toda Europa, com o advento da Segunda Guerra, vários produtos foram racionados e se tornaram caros como os alimentos, os tecidos, o couro, os botões e a mão-de-obra. Com este cenário a roupa prática veio substituir os modismos, eram usados o tailleur com saia mais curta e estreita

        . “A alta costura fechou suas portas, como fez Chanel, que só reabriria as suas portas após 15 anos. Enquanto durou a guerra, não houve grandes criações e o setor da moda não podia trazer novidades .” (NERY, 2003, p.232).

        Segundo Pollini (2007, p.58), “Grande parte do fornecimento de matéria-prima era destinado às necessidades da guerra, gerando escassez que não poderia deixar de influenciar a moda: a lã era destinada à produção de uniformes, a seda e o nylon à produção de pára-quedas e o couro à produção de botas e acessórios para os soldados

        .” Baudot (2008, p.10

        9) descreve que na França “Normas imperativas regulam o vestuário, assim, a partir de 1940, está proibido mais de quatro metros de tecido para um mantô e um metro para chemisier. Nenhum cinto de couro deve ter mais de quatro centímetros de largura

        .” Os ombros marcados eram uma identidade de moda da

        época, as roupas femininas se tornaram mais masculinas, a moda eram as duas peças para usar de dia ou de noite, saias e casacos em tecidos simples e racionados. A saia-calça também foi usada pela praticidade para andar de bicicleta, os sapatos ficaram mais pesados com plataformas e Carmem Miranda ajudou a divulgar a plataforma no cinema nacional e em Hollywood. O uso dos turbantes e lenços ocorreu por uma necessidade de proteção no trabalho e também pela escassez de cabeleireiros na época da guerra (BRAGA, 2004).

        “A Europa, logo depois de libertada, descobre os ritmos do jazz e as meias de náilon trazidas nas bagagens dos soldados americanos. Em contrapartida, muitos [...] levarão para os Estados Unidos para aquela que os espera [...] um frasco de Chanel N° 5 ” (BAUDOT, 2008, p.130).

        Em 1945, com o término da guerra, foi lançada em Paris uma exposição chamada Théâtre de la Mode, que correu o mundo, um projeto de marketing que fez com que Paris voltasse a receber os clientes de alta-costura, através da exposição em bonecos de criações dos estilistas: Balenciaga, Balmain, Dior, Givenchy, entre outros (BRAGA, 2004).

        Surgiu após a Segunda Guerra, nos Estados Unidos, o

        

      ready-to-wear, a produção de roupas em escala industrial, com

        qualidade e numeração variada de um mesmo modelo. Em 1946, os franceses após viagem aos Estados Unidos fazem uso da ideia e a chamam de Prêt-à-Porter. Neste mesmo ano o estilista francês Louis Réard inventou uma roupa de banho que era composta de duas partes e chamou de bikini, que foi um escândalo para época (BRAGA, 2004).

        Nesta década, a moda começa a ser difundida associada a grupos musicais ou grupos específicos, conceito este que mais tarde se chamaria de tribos (BRAGA, 2004).

        No pós-guerra, após o racionamento, a Europa se recuperava dos difíceis anos e foi neste período que o estilista Christian Dior lançou o New Look, traduzido em extravagância, feminilidade, elegância, com características totalmente opostas ao vestuário no período da guerra, mesmo sendo muito criticado, o estilo tornou-se uma febre entre as mulheres (POLLINI, 2007)

        Foi no ano de 1947 que Dior lançou o New Look, as saias utilizavam no mínimo 15 metros de tecido e desta forma incentivou a indústria têxtil, marcando o fim de uma época e início de outra onde as mulheres queriam voltar a usar roupas femininas. Para estar na moda, muitas mulheres usaram lençóis e cortinas para confeccionar a saia. No pós-guerra junto com as saias amplas era valorizada a cintura de vespa, os babados e detalhes nas roupas. Os homens usavam ternos clássicos com gravatas coloridas (NERY, 2003).

        As mulheres usavam o tailleur, como o terninho Chanel, em qualquer ocasião, vestidos mais curtos, mantôs

      • – espécie de casaco comprido. Os homens usavam calças e blusões esportivos, paletós com ombros largos e calças estreitas e o jeans era usado por jovens e adultos, sendo divulgados para todo mundo através dos filmes sobre juventude rebelde (NERY, 2003).

        Nessa década, a moda foi de extrema sofisticação, luxo e glamour, onde a alta costura teve seu momento de grande esplendor e Paris já dividia o espaço da moda com a Inglaterra e Estados Unidos. Dior criou o padrão estético da década, com cintura marcada e saia rodada (BRAGA, 2004).

        Em 1954, Chanel, agora com mais de setenta anos, reabre sua Maison, relança o tailleur, adornado por correntes de ouro, utilizando botões com suas iniciais, bolsa de matelassê, escarpin bicolor, lenços de seda, camélia de tecido branco, todos elementos que fazem parte de uma moda lançada por Chanel que foi adotada e copiada por mulheres no mundo todo (BAUDOT, 2008).

        De acordo com Pollini (2007, p.62), “Os anos 50 foram anos de euforia para grande parte do mundo. Os Estados Unidos começavam a exportar seu American Way of Life e o desenvolvimento tecnológico resultante da Segunda Guerra possibilitou inovações que transformaram o cotidiano das pessoas

        .” Neste período a juventude se torna modelo de comportamento, sendo um retrato da moda e da cultura. Temas proibidos começam a ser explorados no cinema, na música, na literatura. O cinema se consolida como lançador de moda, onde Marlon Brando e James Dean se tornaram ícones com seu uniforme jeans e camiseta branca, símbolos de rebeldia na época contra os padrões, valores morais e sociais. Ocorre também o lançamento de diversos eletrodomésticos, criados para facilitar o dia-a-dia, aliados a televisão retratam a sociedade de consumo (POLLINI, 2007).

        “Uma moda jovem começou a vigorar, querendo se diferenciar bastante da moda usada pelas peruas, com calcas

        

      cigarette 3/4, suéteres, t-shirts, paletós folgados, sapatilhas de

        balé e jeans .” (NERY, 2003, p.241).

        Os jovens norte-americanos neste período buscaram uma identidade própria na moda, as jovens usaram além das saias rodadas, o cardigã de malha, sapatos baixos, meia soquete e rabo de cavalo como representação da linha college e também as calças cigarretes com sapatilhas. Os jovens mais rebeldes estavam usando calça jeans com barra virada e camiseta de malha, cabelos com brilhantina e topetes (BRAGA, 2004).

        Ocorreu na década de 50 uma transformação histórica, a confecção acompanha o desenvolvimento da sociedade e permite que as massas tenham livre acesso as criações de moda, influenciando no dinamismo comercial (BAUDOT, 2008).

        Neste período foram fabricados diversos tecidos de fibra sintética, muito utilizados no vestuário da época e muitas tendências surgiram como a linha A, H e Y.

        A indústria do Prêt-à-Porter ou ready-to-wear, se consolida nesta década. Desta forma, os anos 50 foram os últimos onde reinou a Alta Costura, a partir deste período as

        

      maisons se concentram na moda Prêt-à-Porter, nos perfumes e

        nos licenciamentos em geral. A roupa acessível a todos, fez surgir uma grande revolução da moda no século XX (POLLINI, 2007).

      2.2.9 As Décadas de 1960 e 1970

        A década de 60 ficou conhecida como a década das revoluções, onde ocorreram diversas manifestações: contra a segregação racial, contra a guerra do Vietnã, o movimento feminista, as manifestações estudantis de 1968 e o movimento contra o regime militar em 1964, os dois últimos no Brasil. “A moda teria agora de levar em conta a cultura jovem e a cultura das ruas, deveria ser acessível e transmitir os valores da liberação sexual e de uma nova alegria de viver

        .” (POLLINI, 2007, p.67). Braga (2004, p.86) relata que “Foi também o período da conquista espacial [...] o mundo espantou-se e encantou-se, parecia que o futuro era naquele exato momento [...] a ordem do período era a jovialidade .”

        Baudot (2008 p.186-188) comenta que a partir de 1960 não existe apenas uma tendência, uma moda única e sim o que a autora chamou de

        “mosaico de proposições [...] a juventude é daqui por diante, vivida como uma entidade, dotada de poder de compra e de um mercado que lhe é próprio

        .” Nos Anos 60 os vestidos míni revolucionaram a moda, sendo referência à loja de Mary Quant em Londres, o estilista

        Courrèges apresentou uma moda espacial e Pop Art e Jaqueline Kennedy, primeira-dama dos Estados Unidos na época, teve seu estilo sóbrio imitado por muitas mulheres, que usavam perucas, um acessório que foi esquecido desde o Rococó

        . “O excesso de poder aquisitivo dos anos 60 levou a comercialização dos ídolos públicos, de James Bond aos Beatles [...] esporte e lazer passaram a ser considerados os fatores preponderantes na moda .” (NERY, 2003, p.248).

        De Paris os estilistas de destaque foram: André Courreges com seus mini-vestidos e mini-saias, Pierre Cardin com seus looks espaciais futuristas, Yves Saint Laurent com o vestido Mondrian e o paletó feminino e Paco Rabanne que usou placas de metal e arame para elaborar suas roupas. Da Inglaterra, a influência veio de Mary Quant devido a minissaia e meia-calça e sua loja Bazaar, também da Boutique Biba, de Londres, que muito influenciou a moda e dos Beatles, que influenciaram a juventude primeiro com seus terninhos e cortes de cabelo e mais tarde ajudaram a difundir também a moda

        

      hippie, após uma viagem a Índia começaram a viver a filosofia

      oriental hindu e usar roupas típicas do país (BRAGA, 2004).

        Além da minissaia, os maxi mantôs, shorts, blusões, as botas que cobrem parte da coxa, a meia calça colorida, eram moda no período (BAUDOT, 2008).

        Nesta época não seguir a linha dominante da moda era a liberdade e modernidade. Brigitte Bardot, Audrey Hepburn, Twiggy, são algumas personalidades importantes, exemplos das diferenças de comportamento e estilo da época (BAUDOT, 2008).

        Londres era o retrato da novidade em termos de moda neste período, sendo Carnaby Street a rua onde a moda era produzida e comentada e Twiggy era a modelo inglesa que simbolizava toda esta cultura da moda, sendo o ícone do momento (POLLINI, 2007) De acordo com Baudot (2008, p.192),

        “O estilista Yves Saint Laurent soube conceber uma linguagem, do vestido de noite ao safári, dos vestidos de cauda das estrelas ao impermeável dos pescadores, a sigla YSL [...] adapta-se a todas as categorias de clientes

        .” A corrida espacial serviu de inspiração para elaboração da moda na época, o estilista André Courrèges pesquisou os trajes dos astronautas americanos, com base nisso, criou uma coleção com perfil de Era Espacial, utilizou materiais brilhantes, formas geométricas e produziu minissaias que eram usadas com botas de vinil (POLLINI, 2007).

        Courrèges lança em 1965, de acordo com Baudot (2008, p.196),

        “Uma coleção branca que produziu sobre a alta-costura um efeito comparável ao do New Look em 1947 [...] prefigurando uma criatura do ano 2000 como somente se poderia imaginar naqueles anos

        .” Baudot (2008) cita que o estilista Emilio Pucci, sob algumas influências, como a optical art, se destacou pelas criações com formas simples, tubulares, suas túnicas e trajes para banho de sol participaram da liberação dos corpos das mulheres.

        Emilio Pucci foi o estilista de destaque da Itália, de acordo com Braga (2004, p.88) : “deixou sua identidade maior na estamparia geométrica curvilínea ultracolorida, sendo admirado e copiado no mundo todo .” (BRAGA, 2004).

        A moda masculina nesta década se transforma, o homem começa a aderir as jaquetas com zíper, gola alta, usam botas, calças mais justas, camisas coloridas, começa a voltar a se adornar e adotou a moda unissex (BRAGA, 2004).

        A partir de 1966 são lançados os cadernos de tendências pela empresa Promostyl, cuja idealizadora foi a engenheira Françoise Vicent, desta forma, a partir desta data, a cada estação, cada setor da produção têxtil poderia ter acesso aos temas, cores e formas que são tendência (BAUDOT, 2008).

        Contribuíram para inspirar a estamparia das roupas nos anos 60, dois movimentos: o Pop Art, que utilizava rostos de pessoas famosas, histórias em quadrinhos, observados nos trabalhos de Andy Warhol e o Op Art que mostrava os efeitos

        óticos geométricos, elaborados por Victor Vassarely (BRAGA, 2004).

        No Brasil, este foi um período que começaram as iniciativas de se criar uma moda nacional. Neste período surgiram os estilistas Dener e Clodovil e os desfiles da Rhodia, uma indústria francesa que realizou diversas campanhas para promover seus produtos. Participaram deste projeto, estilistas, artistas plásticos, músicos, atores, cenógrafos, cujo objetivo era apresentar os shows na Feira Nacional da Indústria e Comércio e também editoriais de moda pelo mundo, isso contribuiu para formação de diversos profissionais, para desenvolver talentos e a moda no Brasil (POLLINI, 2007).

        Segundo Nery (2003, p.250), “No fim dos anos 60, os

        

      hippies apareceram com sua forma relaxada de trajar saias e

        cabelos compridos [...] botas curtas e longas foram muito usadas na temporada fria. No caso da indumentária masculina, a tendência era privilegiar a roupa mais solta

        .” Em 1968, jovens se reuniram em Washington numa passeata contra a guerra do Vietnã e colocaram flores nos canos dos revólveres dos policiais, era a representação do Flower

        

      Power, um dos slogans do movimento hippie, além do Peace and

      Love e do Make Love not War (BRAGA, 2004).

        O movimento hippie valorizava os elementos oriundos da natureza. Havia também um posicionamento anti-moda, que via no sistema de consumo a exploração da natureza, assim as pessoas começaram a procurar brechós e a customizar sua própria roupa com bordados, franjas e tecidos tingidos manualmente, um das marcas da moda neste período foram as calças boca de sino (POLLINI, 2007).

        “Nos anos 70 alguns movimentos sociais importantes começaram a adquirir forma. Um foi o das mulheres que lutaram para ter empregos de liderança em carreiras interessantes, outro foi a volta à natureza, para uma vida mais simples e saudável. Os Estados Unidos, pela primeira vez, tornaram-se líderes da moda internacional

        .” (NERY, 2003, p.256). Muitos jovens da década de 70 recusaram as convenções burguesas e tinham um posicionamento desinteressado em relação à moda, por este motivo, eles foram à procura de peças de outras culturas como camisas da Índia, casacos do Afeganistão, peças floridas, dentre outras e propagavam a paz e o amor. Assim, mesmo sem planejar, um novo estilo estava criado: a anti-moda (BAUDOT, 2008).

        Em agosto de 1969, foi realizado perto de New York, o festival de música de Woodstock, onde com muita liberdade, jovens de todos os lugares cantaram com Jimi Hendrix, Janis Joplin e diversos outros músicos da época e difundiram a cultura hippie para o mundo todo (BRAGA, 2004).

        No início dos anos 70, observou-se nos jovens um visual

        

      hippie característico, com cabelos longos, calças boca de sino,

        batas indianas, multiestampas, além do cabelo negro black-

        

      power, que foi difundido em 1971 pela militante anti-racismo, a

        norte-americana Angela Davis. Outro estilo observado mais a frente foi o romântico, com vestuário elaborado com estampas florais e rendas, além das roupas esportivas, o training para praticar cooper, que era um agasalho com calça feito de malha moletom (BRAGA, 2004).

        A mulher independente determinou a moda dos anos 70 que combinou peças como blusa, pulôver, saia, calças, vestidos longos, coletes e xales bordados, usados com muita criatividade. Voltaram os tecidos de algodão com estampas florais, chapéus de palha, o jeans boca-de-sino, saias amplas, bolsas bordadas, calçados com plataforma. Os homens adotaram os coletes, calças, camisas, botas com elementos folclóricos, os cabelos estavam mais compridos, usavam barbas e costeletas. No final dos anos 70 surgiram os punks, com seus jeans rasgados, roupas de couro, piercings e correntes, em atitude de protesto (NERY, 2003).

        Na década de 1970 foi criada em Paris uma feira de moda chamada Première Vision, que até a atualidade é a mais importante feira de lançamentos de moda mundial, onde as indústrias têxteis apresentam duas vezes ao ano seus produtos para primavera-verão e outono-inverno (BRAGA, 2004).

        ’’ Desde 1973 a Première Vision inspira profissionais de moda de todo o mundo. Atualmente, além de Paris, o salão é realizado em New York, Shanghai, Moscow e São Paulo. Em São Paulo o evento está na sua 8ª edição reunindo fabricantes de fios, fibras, tecidos, malhas, acessórios, estúdios de design e bureaux de tendência (PREMIÈRE VISION, 2013).

        Por volta de 1976 surgiu o movimento Punk, em oposição aos valores da sociedade burguesa os punks se vestiam com calças rasgadas, couro, alfinetes, metais, penteado moicano e muita atitude. As bandas Ramones e Sex Pistols eram as referências do movimento na época e as criações da estilista Vivienne Westwood estavam inseridas nesta cultura, possuíam os elementos que chocavam a sociedade. Vivienne utilizou mensagens em camisetas que causaram verdadeiro escândalo, utilizou o couro e elementos de fetiche nas suas criações (POLLINI, 2007).

        No Brasil, ocorreu nos Anos 70 o culto às marcas e ao jeans, a Fiorucci foi uma marca que causou grande demanda no país no ano de 1976. Muitas butiques foram abertas no país e outros estilistas se destacaram como José Gayegos e Guilherme Guimarães, mas a mais marcante foi a estilista Zuzu Angel, que se destacou pelas suas padronagens e utilizou referências culturais brasileiras como o tecido chita e a renda (POLLINI, 2007).

      2.2.10 As Décadas de 1980 e 1990

        Nos Anos 80, segundo Pollini (2007, p.76), “Dinheiro e poder tornaram-se potentes afrodisíacos e a moda refletiu essa nova atitude. As ombreiras estruturavam o corpo [...] o objetivo era a ascensão profissional [...] toda estética se tornou geométrica [...] o desejo era enviar ao mundo os dizeres: eu sou um sucesso

        .” Neste período na moda houve a influência dos yuppies, os jovens profissionais urbanos, que estavam bem posicionados financeiramente, se vestiam de maneira mais arrumada, chique e sofisticada, em roupas de linho ou crepe, sendo o estilista Giorgio Armani o sinônimo desta moda elegante e refinada (BRAGA, 2004).

        Como afirma Nery (2003, p.265), nos anos 80 “As roupas ganharam um corte esmerado, revelando de novo as formas do corpo, valorizando a mulher [...] cores como vermelho, turquesa, roxo, lilás e, sobretudo, o preto, branco e cinza destronaram os tons naturais até então dominantes

        .” Nesta década as mulheres estavam muito informadas sobre moda e criavam seu próprio estilo, eram comuns os mantôs com forma masculina, blazers largos, vestidos com corte reto, pulôver leve, boinas, sapatos com salto alto, colares com várias voltas, braceletes, a maquiagem valorizava olhos e lábios, os esmaltes azulados e rosa eram as cores que estavam na moda. Os homens usavam calças jeans ou calças com pregas, terno com abotoamento duplo, camisas mais discretas, gravatas de seda ou tricô, o trench coat, sapatos clássicos e chapéu de feltro (NERY, 2003).

        Nesta década os opostos começaram a conviver em harmonia na moda: o amplo versus o justo, o simples versus o exagerado, a cor sóbria versus a cor viva, houve uma grande mistura de influências e contrastes, passando a ideia de que não existe apenas um caminho para moda e sim múltiplas possibilidades. Essas características são até hoje referências da moda contemporânea (BRAGA, 2004).

        De acordo com Braga (2004, p.95), “O conceito de tribos de moda, apropriando-se o termo e a ideia das áreas da antropologia e da sociologia, foi uma característica marcante deste período, uma vez que inúmeros grupos, com identidades próprias, criaram aquela tal multiplicidade de opções

        .” Daqui por diante, as coleções se submetem a renovação a cada seis meses pelo calendário dos des files de moda. “A moda, que se assemelhava a um jogo, aguça-se em perigosas concorrências [...] ser de seu tempo nos anos 80 é diferenciar-se dele

        .” (BAUDOT, 2008, p.279).

        A moda dos anos 80 buscou inspiração na Idade Média, no Barroco e nos anos de 1950, por isso, a procura por peças em brechós foi grande para pesquisa e consumo, buscando individualidade frente à massificação dos produtos existentes no mercado. Este individualismo se traduziu como forma de pertencer a algum grupo específico, um paradoxo frente às tendências e à liberdade de expressão (BRAGA, 2004).

        Segundo Nery (2003, p.266):

        Nos velhos tempos, a moda não podia mudar de um dia para outro, usava-se o mesmo tipo de roupa durante anos ou ate mesmo séculos. Hoje, o que é in, na sociedade dominada pelo consumo, estará out na moda de amanhã. O fenômeno da grife na moda, com sua massificação e vulgarização, surgiu nesta década. O homem queria cuidar mais do seu corpo saudável, para estar bem de forma global: sua obsessão passou a ser não envelhecer.

        Braga (2004), também cita esta característica de preocupação com o rejuvenescimento pessoal através das práticas esportivas, plásticas e cosméticos, e também sob o mesmo aspecto com a empresa, contratando novos talentos para renovar as marcas já consagradas.

        Com a invenção da microfibra, houve mudanças significativas na área têxtil, o fio leve e resistente se traduziu em tecidos que não amarrotavam e que secavam muito rápido, uma praticidade para época e ainda hoje. Nesta década também iniciou a informatização do setor de moda, foram criados programas específicos de estamparia, modelagem e outros que auxiliaram as confecções a dinamizar os seus processos (BRAGA, 2004).

        A cor preta nesta década foi identidade de moda dos

        

      punks, depois pelos góticos ou darks, trazendo na moda

        aspectos românticos associados à religião e ao medo do fim do mundo, utilizavam capas longas pretas, maquiagem escura e peles pálidas. Depois através do minimalismo, o slogan apropriado da área do design: less and more, influenciou a moda com simplicidade nos acabamentos e cortes, usando o preto e outras cores como marinho, cinza, marrom. Os estilistas que trabalharam com o minimalismo nas suas criações foram Yohji Yamamoto, Issey Miyake e Rei Kawakubo (BRAGA, 2004).

        Em contrapartida ao minimalismo, o estilista Christian Lacroix valorizou em suas roupas os excessos em estampas e cores, flores, listras, as cores: rosa choque, laranja, amarelo, incluindo muitos babados, tudo isso em uma grande mistura, foram identidade de moda também dos anos 80 (BRAGA, 2004).

        Nesta década os ídolos musicais: Michael Jackson, Madonna e Prince, foram grandes formadores de opinião para moda jovem e influenciaram pessoas de todo o mundo (BRAGA, 2004).

        No Brasil, segundo Pollini (2007, p.78), “Os anos 80 foram turbulentos para o país que enfrentou uma grave crise econômica e travou a luta pela redemocratização política. O culto fortaleceram como os mais importantes produtos nacionais de moda .”

        Na visão de Braga (2004, p.100), “A queda do Muro de

        Berlim, em 1989 [...] simbolizou o fim de uma época e ideologia [...] na moda, pode-se dizer que representou o fim de determinadas barreiras e preconceitos no vestir e o aparecimento de uma grande liberdade de se expressar visualmente

        .” A moda adquiriu um caráter de mistura nesta década, absorveu diversas tendências oriundas de diversas realidades, a liberdade de vestir se ampliou, unindo pessoas, conceitos e valores (BRAGA, 2004).

        Pollini (2007, p.80) afir ma que “A globalização, a revolução tecnológica e a difusão da internet transformaram o cotidiano das pessoas em todo mundo e trouxeram a promessa de uma nova era, como também novas ansiedades

        .” Segundo Pollini (2007), a moda adquiriu um caráter multifacetado, onde convivem estilos diferentes, elementos

        étnicos, todos combinados nas roupas com um toque pessoal que traduz a personalidade de quem a esta usando.

        “O conceito de tribos urbanas forte dos anos de 1980, teve sua sequência no início dos anos de 1990. A moda grunge [...] marcou o modo de vestir dos jovens, que aderiram ao estilo descontraído de peças sobrepostas, roupas oversized e a cultuada camisa de flanela xadrez amarrada a cintura

        .” (BRAGA, 2004, p.101). Na opinião de Baudot (2008, p.319), nos a nos 90 “O fenômeno das top models sem dúvida [...] veio preencher certa falta de glamour das atrizes, mas, na verdade, é mais como deusas do que como modelos que elas são apresentadas

        .” Segundo Baudot (2008, p.318),

        “Jamais, desde a Grécia antiga, a imagem vai valorizar, esculpir e mostrar tanto uma anatomia cada vez mais asséptica em sua busca de perfeição

        .” Foi uma época de antagonismos convivendo juntos: o oriental versus o ocidental, o masculino versus o feminino, o sintético versus o natural, o caro versus o barato. “Paradoxo foi outra palavra que entrou como verbete no vocabulário da moda dos anos de 1990

        .” (BRAGA, 2004, p.103). A preocupação com as agressões ao planeta, com a ecologia, se refletiu em muitas criações nos anos de 1990 e houve um avanço na tecnologia têxtil, com os tecidos de alto desempenho, os tecidos inteligentes: tecido bactericida, tecidos que mudam de cor, uma novidade para época (BRAGA, 2004).

        Neste período surgiram novos profissionais de moda como criadores de conceitos e imagens. Segundo Braga (2004, p.103), “A imagem, na maioria das vezes, era, e ainda é mais importante que o próprio produto. Costumava-se vender um conceito, seja da marca ou de uma coleção, mediante imagens, às vezes sem aparecer a roupa, e o consumidor se convencia que não podia viver sem tais referências

        .” A década de 90 marcou uma mudança para a moda brasileira, foram realizados diversos eventos de moda como o

        Phytoervas Fashion em 1994, depois Morumbi Fashion em 1996 e depois se consolidou no São Paulo Fashion Week, que apresentavam ao público coleções de estilistas já conhecidos e também novos talentos da moda brasileira (POLLINI, 2007).

        As iniciativas contribuíram para a profissionalização do setor e melhoria na competitividade da moda brasileira no mercado mundial. Neste período, um dos estilistas brasileiros que conquistou destaque no mercado internacional foi Alexandre Herchcovitch (POLLINI, 2007).

        Segundo Crane (2006, p.29), “A natureza da moda mudou, assim como as maneiras pelas quais as pessoas respondem a ela. A moda do século XIX consistia num padrão bem definido de apresentação largamente adotado

        .” De acordo com Baudot (2008, p.378),

        “O século XX engendrou, em cem anos, mais mutações na aparência humana do que no decorrer do milênio que o precedeu. Essas mutações são delicadamente depositadas em sedimentos sucessivos

        .” Por outro lado, como descreve Crane (2006, p.29),

        “A moda contemporânea é mais ambígua e multifacetada, em concordância com a natureza altamente fragmentada das sociedades pós-industriais

        .” A revolução tecnológica trouxe consigo a necessidade de novas reflexões sobre o papel da moda nas sociedades contemporâneas.

        Pollini (2007, p.84) afirma que “Um dos grandes desafios da moda no século XXI se dá na necessidade de que esta incorpore amplamente em seus modos de produção valores ecológicos e éticos

        .” Segundo Pollini (2007, p.83): A moda, hoje, provoca interesse e paixões como nunca antes e está de tal maneira entranhada em nosso cotidiano que temos dificuldade em definir o que é moda e, menos ainda, o que está na moda, uma vez que propostas estéticas diversas coexistem e o exercício da cultura contemporânea se faz pelo consumo e mudança em um ritmo desenfreado (POLLINI, 2007, p.83).

        Crane (2006, p. 473) observa que “O vestuário como forma de comunicação tornou-se um conjunto de dialetos em vez de uma língua universal

        .” O vestuário de um grupo de pessoas pode ser interpretado de formas diferentes dentro ou fora do grupo.

        Baudot (2008, p.378) afirma que: “Com certeza haverá sempre marcas e prestígio, publicitários para promovê-las e clientes para exigir sua perpétua renovação. Mas isso não se reproduz mais com a mesma regularidade nem com o mesmo espírito de grupo. A simples noção de estação já perdeu muito de seu significado, pois o consumidor viaja durante o ano todo

        .” Por outro lado, a inovação na moda está tão repleta de aspectos econômicos que lhe tira parte de sua flexibilidade e espontaneidade. As fusões e os conglomerados de grandes marcas de moda são um retrato da atualidade (BAUDOT, 2008).

        A moda se renova com o conceito de personalizar, customizar, as pessoas elaboram novas propostas de vestir, montam seus looks e assim, podem se diferenciar das outras pessoas (BRAGA, 2004).

        Um aspecto relevante e que de certa forma é um paradoxo, é o fato de que em período de recessão econômica mundial, os artigos de luxo são valorizados e utilizados como forma de recriar o glamour (BRAGA, 2004).

        Sobre a moda brasileira, esta está cada vez mais bem- conceituada no mercado internacional. De acordo com Braga (2004, p.106),

        “O São Paulo Fashion Week ganhou reconhecimento internacional, fazendo parte do calendário de lançamentos de moda em torno do mundo [...] o Fashion Rio, exibe coleções como outro pólo criador de moda nacional, com destaque para o segmento beachwear

        .” O contexto que identifica a relevância atribuída a evolução da moda no Brasil, segundo a perspectiva das sucessivas mudanças da moda e da forma que o vestuário se comunica na sociedade, necessitam de uma atenção mais pontual por parte das IES.

        É possível que a Educação Superior tenha levado um tempo maior do que o esperado para acompanhar esta evolução no Brasil, haja vista os primeiros cursos de moda frequentados por brasileiros no exterior terem ocorrido somente na década de

        50. Assim sendo, é importante compreender as limitações e particularidades da Educação Superior Brasileira para que se possa analisar as possíveis mudanças demandadas pelos atores pesquisados.

        2.3 EDUCAđấO SUPERIOR Steiner e Malnic (2006) destacam que o ensino superior possui três importantes desafios, primeiramente a missão de preservar os valores acadêmicos tradicionais, como a pesquisa básica e a promoção das habilidades da mente; depois precisa atender às demandas da sociedade, seu desenvolvimento econômico e o bem-estar social e também deve desbravar novos caminhos, integrando a tecnologia da informação, o ensino de massa e o ensino à distância.

        Segundo a Lei de Diretrizes e Bases da Educação, a educação superior brasileira possui as seguintes finalidades, de acordo com Quadro 3:

        

      Quadro 3 - Finalidades da Educação Superior no Brasil

      Finalidades da Educação Superior I - Estimular a criação cultural e o desenvolvimento do espírito científico e do pensamento reflexivo;

        II - Formar diplomados nas diferentes áreas de conhecimento, aptos para a inserção em setores profissionais e para a participação no desenvolvimento da sociedade brasileira, e colaborar na sua formação contínua;

        III - Incentivar o trabalho de pesquisa e investigação científica, visando o desenvolvimento da ciência e da tecnologia e da criação e difusão da cultura, e, desse modo, desenvolver o entendimento do homem e do meio em que vive;

        IV - Promover a divulgação de conhecimentos culturais, científicos e técnicos que constituem patrimônio da humanidade e comunicar o saber através do ensino, de publicações ou de outras formas de comunicação; V - Suscitar o desejo permanente de aperfeiçoamento cultural e profissional e possibilitar a correspondente concretização, integrando os conhecimentos que vão sendo adquiridos numa estrutura intelectual sistematizadora do conhecimento de cada geração;

        Finalidades da Educação Superior

        VI - Estimular o conhecimento dos problemas do mundo presente, em particular os nacionais e regionais, prestar serviços especializados à comunidade e estabelecer com esta uma relação de reciprocidade;

        VII - Promover a extensão, aberta à participação da população, visando à difusão das conquistas e benefícios resultantes da criação cultural e da pesquisa científica e tecnológica geradas na instituição.

        

      Fonte: BRASIL (1996, p.13).

        “As instituições de educação superior, de acordo com sua organização e respectivas prerrogativas acadêmicas, serão credenciadas como: faculdades; centros universitários e universidades

        .” (BRASIL, 2006b, p.5). A instituição será credenciada originalmente como faculdade. O credenciamento como universidade ou centro universitário, com as consequentes prerrogativas de autonomia, depende do credenciamento específico de instituição já credenciada, em funcionamento regular e com padrão satisfatório de qualidade (BRASIL, 2006b).

        As universidades são instituições pluridisciplinares de formação dos Quadros profissionais de nível superior, de pesquisa, de extensão e de domínio e cultivo do saber humano, que se caracterizam por:

        I - produção intelectual institucionalizada mediante o estudo sistemático dos temas e problemas mais relevantes, tanto do ponto de vista científico e cultural, quanto regional e nacional; II - um terço do corpo docente, pelo menos, com titulação acadêmica de mestrado ou doutorado; III - um terço do corpo docente em regime de tempo integral (BRASIL, 1996, p.15).

        Classificam-se como centros universitários as instituições de ensino superior que atendam aos seguintes requisitos “Um quinto do corpo docente em regime de tempo integral e um terço do corpo docente, pelo menos, com titulação acadêmica de

        “Os centros universitários são instituições de ensino superior pluricurriculares, que se caracterizam pela excelência do ensino oferecido, pela qualificação do seu corpo docente e pelas condições de trabalho acadêmicas oferecidos à comunidade escolar .” (BRASIL, 2006c, p.1).

        Os centros universitários, após seu credenciamento detém autonomia para criar, organizar e extinguir cursos e programas de educação superior (BRASIL, 2006c).

        São considerados cursos de graduação os bacharelados, as licenciaturas e os tecnólogos. Os bacharelados proporcionam a formação exigida para que se possam exercer as profissões regulamentadas por lei ou não. Na maior parte dos cursos é expedido o título de bacharel, como em Administração.

        A licenciatura habilita para o exercício da docência em educação básica, da educação infantil ao ensino médio e os tecnólogos são de graduação com características especiais, e obedecerão às diretrizes contidas no Parecer CNE/CES 436/2001, bem como conduzirão à obtenção de diploma de tecnólogo (BRASIL, 2012b).

      2.3.1 Diretrizes Curriculares, PPI e PDI

        As Diretrizes Curriculares constituem no entender do Ministério da Educação, orientações para a elaboração dos currículos, que devem ser necessariamente respeitadas por todas as instituições de ensino superior (BRASIL, 1997).

        Os cursos de graduação precisam ser conduzidos, através das Diretrizes Curriculares a abandonar as características de que muitas vezes se revestem, quais sejam as de atuarem como meros instrumentos de transmissão de conhecimento e informações, passando a orientar-se para oferecer uma sólida formação básica, preparando o futuro graduado para enfrentar os desafios das rápidas transformações da sociedade, do mercado de trabalho e das condições de Visando assegurar a flexibilidade e a qualidade da formação oferecida aos estudantes, as diretrizes curriculares devem observar alguns princípios que estão dispostos no Quadro 4.

        Quadro 4

      • – Princípios a serem considerados na elaboração das

        diretrizes curriculares

        Princípios 1) Assegurar às instituições de ensino superior ampla liberdade na composição da carga horária a ser cumprida para a integralização dos currículos, assim como na especificação das unidades de estudos a serem ministradas; 2) Indicar os tópicos ou campos de estudo e demais experiências de ensino-aprendizagem que comporão os currículos, evitando ao máximo a fixação de conteúdos específicos com cargas horárias pré-determinadas, as quais não poderão exceder 50% da carga horária total dos cursos; 3) Evitar o prolongamento desnecessário da duração dos cursos de graduação; 4) Incentivar uma sólida formação geral, necessária para que o futuro graduado possa vir a superar os desafios de renovadas condições de exercício profissional e de produção do conhecimento, permitindo variados tipos de formação e habilitações diferenciadas em um mesmo programa; 5) Estimular práticas de estudo independente, visando uma progressiva autonomia profissional e intelectual do aluno; 6) Encorajar o reconhecimento de conhecimentos, habilidades e competências adquiridas fora do ambiente escolar, inclusive as que se referiram à experiência profissional julgada relevante para a área de formação considerada;

        Princípios 7) Fortalecer a articulação da teoria com a prática, valorizando a pesquisa individual e coletiva, assim como os estágios e a participação em atividades de extensão; 8) Incluir orientações para a condução de avaliações periódicas que utilizem instrumentos variados e sirvam para informar a docentes e a discentes acerca do desenvolvimento das atividades didáticas.

        

      Fonte: BRASIL (1997,p.2-3).

        Um aspecto relevante descrito nos princípios citados anteriormente, diz respeito ao fortalecimento da teoria com a prática, sendo o estágio uma das formas mais eficazes de interação dos estudantes do ensino superior com a realidade das empresas.

        Segundo Veiga (1995, p.12), “No sentido etimológico, o termo projeto vem do latim projectu, particípio passado do verbo

        projicere, que significa lançar para diante

        .” Nas palavras de Gadotti (1994 apud Veiga, 1995, p.12):

        Todo projeto supõe rupturas com o presente e promessas para o futuro. Projetar significa tentar quebrar um estado confortável para arriscar-se, atravessar um período de instabilidade e buscar uma nova estabilidade em função da promessa que cada projeto contém de estado melhor do que o presente.

        O Projeto Pedagógico Institucional (PPI) é um instrumento político, filosófico e teórico-metodológico que norteará as práticas acadêmicas da Instituição de Educação Superior (IES), tendo em vista sua trajetória histórica, inserção regional, vocação, missão, visão e objetivos gerais e específicos (BRASIL, 2006a).

        Em sua fundamentação, o PPI deve expressar uma visão de mundo contemporâneo e do papel da educação superior em face da nova conjuntura em que deve explicitar, de modo abrangente, o papel da IES e sua contribuição social nos âmbitos local, regional e nacional, por meio do ensino, da pesquisa, e da extensão como componentes essenciais à formação crítica do cidadão e do futuro profissional, na busca da articulação entre o real e o desejável (BRASIL, 2006a, p.35).

        Neste documento de orientação acadêmica deve constar, ente outros, o histórico da instituição; seus mecanismos de inserção regional; sua missão; âmbitos de atuação; princípios filosóficos gerais; as políticas de gestão, de ensino, de pesquisa, de extensão; perfil humano, perfil profissional; concepções de processos de ensino e de aprendizagem, de currículo, de avaliação de ensino e de planejamento e os diversos programas (BRASIL, 2006a).

        A qualidade deve ser um dos princípios norteadores do projeto pedagógico. Segundo Veiga (1995), a qualidade não pode ser privilégio de minorias econômicas e sociais. A qualidade que se busca implica duas dimensões indissociáveis: a formal ou técnica e a política. Uma não está subordinada à outra; cada uma delas tem perspectivas próprias.

        Na visão de Demo (1994, p.19), qualidade “implica consciência crítica e capacidade de ação, saber e mudar .” A qualidade formal “[...] significa a habilidade de manejar meios, instrumentos, formas, técnicas, procedimentos diante dos desafios do desenvolvimento

        .” (DEMO, 1994, p.14). A qualidade política é condição imprescindível da participação. Está voltada para os fins, valores e conteúdos, quer dizer “a competência humana do sujeito em termos de se fazer e de fazer história, diante dos fins históricos da sociedade humana .” (DEMO, 1994, p.14).

        O Plano de Desenvolvimento Institucional (PDI), elaborado para um período determinado, é um instrumento de gestão que considera a identidade da IES, no que diz respeito à sua filosofia de trabalho, à missão a que se propõe, às diretrizes pedagógicas que orientam suas ações, à sua estrutura organizacional e às atividades acadêmicas e científicas que desenvolve ou que pretende desenvolver (BRASIL, 2006a). O PDI apresenta os seguintes eixos temáticos: perfil institucional; gestão institucional; organização acadêmica, infra- estrutura; aspectos financeiros e orçamentários, sustentabilidade econômica; avaliação e acompanhamento do desempenho institucional e cronograma de execução (BRASIL, 2006a).

      2.3.2 Projeto Pedagógico de Curso

        Em consonância com PPI e PDI, cada curso deve elaborar seu próprio projeto pedagógico, tendo em vista as especificidades da respectiva área de atuação à qual está relacionado. As políticas acadêmicas institucionais contidas no PPI ganham materialidade no Projeto Pedagógico de Curso. Este é a referência das ações e decisões de um determinado curso em articulação com a especificidade da área de conhecimento no contexto da respectiva evolução histórica do campo do saber (BRASIL, 2006a).

        “O projeto define a identidade formativa nos âmbitos humano, científico e profissional, as concepções pedagógicas e as orientações metodológicas e estratégicas para o ensino e a aprendizagem e sua avaliação, o currículo e a estrutura acadêmica do seu funcionamento .” (BRASIL, 2006a, p.36).

        Neste documento de orientação acadêmica deve constar, dentre outros:

        O histórico do curso; sua contextualização na realidade social, o que possibilita articulá-lo às distintas demandas da sociedade; a aplicação das políticas institucionais de ensino, de pesquisa, quando for o caso, e de extensão, bem como todos os elementos das Diretrizes Curriculares Nacionais, assegurando a expressão de sua identidade e inserção local e regional (BRASIL, 2006a, p.36).

        Para Vasconcellos (2006, p.169), o projeto pedagógico “É um instrumento teórico-metodológico para intervenção e mudança da realidade. É um elemento de organização e integração da atividade prática da instituição neste processo de transformação .”

        Segundo Veiga (1995, p. 12):

        O projeto pedagógico vai além de um simples agrupamento de planos de ensino e atividades diversas. O projeto não é algo que é construído e em seguida arquivado ou encaminhado às autoridades educacionais como prova do cumprimento de tarefas burocráticas. Ele é construído e vivenciado em todos os momentos, por todos os envolvidos com o processo educativo.

        Leite (1994 apud Veiga, 1998, p.21) afirma que há duas dimensões básicas do conhecimento, como produto e como processo:

        Na qualidade de produto, o conhecimento parece ser estático, acabado, evolutivo e acumulativo, pois se resume a um conjunto de informações neutras, objetivas e impessoais sobre o real elaborado e sistematizado no trabalho de investigação a realidade. Na qualidade de processo, o conhecimento é dinâmico, está envolto por contexto de controvérsias e divergências, traz subjacente uma série de compromissos, interesses e alternativas que contestam sua condição de objetividade e neutralidade.

        “Os pressupostos filosófico sociológicos consideram a educação como compromisso político do Poder Público para com a população, com vistas à formação do cidadão participativo para um determinado tipo de sociedade

        .” (VEIGA, 1998, p.19). Veiga (1998, p.20) acrescenta que “Os pressupostos epistemológicos levam em conta que o conhecimento é construído e transformado coletivamente. Nesse sentido, o processo de produção do conhecimento deve pautar-se, sobretudo, na socialização e na democratização do saber.

        ”

      2.3.3 Matriz Curricular

        De acordo com Veiga (2004 apud Brasil, 2006a, p.34), os projetos, o plano e o currículo, muito mais que documentos técnico-burocráticos, devem ser considerados instrumentos de ação política e pedagógica que garantam “uma formação global e crítica para os envolvidos no processo, como forma de capacitá- los para o exercício da cidadania, a formação profissional e o pleno desenvolvimento pessoal

        .” “Importante elemento da organização acadêmica, o currículo é concebido como um espaço de formação plural, dinâmico e multicultural, fundamentado nos referenciais sócio- antropológicos, psicológicos, epistemológicos e pedagógicos em consonância com o perfil do egresso .” (BRASIL, 2006a, p. 36).

        O currículo é tratado como um conjunto de elementos que integram os processos de ensinar e aprender, garantindo a identidade do curso e a consideração à diversidade regional. “É um dos elementos constitutivos do PPC, construído coletivamente, tendo como orientação básica as Diretrizes Curriculares Nacionais. O aperfeiçoamento do currículo deve considerar, também, os resultados dos processos da avaliação

        .” (BRASIL, 2006a, p. 36). No currículo devem fazer parte, dentre outras informações: conhecimentos e saberes necessários à formação das competências estabelecidas no perfil do egresso; estrutura curricular; ementário, bibliografias básica e complementar; estratégias de ensino; docentes; recursos materiais, serviços administrativos, serviços de laboratórios e infra-estrutura de apoio (BRASIL, 2006a).

        Para Vasconcellos (2009, p.133), o “currículo é um meio de atribuição de sentido às diversas atividades realizadas, tomadas isoladamente, estas atividades poderiam parecer aleatórias, mas vistas na relação com o todo, com a intencionalidade educativa, ganham significação

        .” De acordo com Pizzinato (1999, p.174):

        Nesse processo interagem

      • – ou pelo menos deveriam interagir - lideranças acadêmicas institucionais, representações estudantis,
      associações de classe, tendo como referências as definições legais mínimas do curso em questão, a visão e a missão da instituição superior de ensino refletida em sua política acadêmica. Todos esses fatores levam à formulação dos objetivos do curso, concretizados em sua grade curricular e demais atividades extracurriculares de seu

      projeto pedagógico.

        Segundo Veiga (1995, p.26), “currículo implica, necessariamente, a interação entre sujeitos que têm um mesmo objetivo e a opção por um referencial teórico que o sustente. Currículo é uma construção social do conhecimento, pressupondo a sistematização dos meios para que esta construção se efetive

        .”

      2.3.4 Perfil Profissiográfico

        “A missão, as finalidades, os objetivos, os compromissos e o projeto pedagógico da universidade devem estar refletidos no perfil do egresso. Durante seu percurso na universidade, o aluno constrói conhecimentos, por meio da articulação entre teoria e prática, o que permite capacitá-lo para atuar na realidade enquanto cidadão e profissional consciente e competente

        .” (UNIVERSIDADE DO ESTADO DE SANTA CATARINA, 2006, p. 128).

        Segundo Amboni e Andrade (2003, p.35), “O desenvolvimento de competências, como padrão de articulação entre conhecimento e inteligência pessoal, ganha espaço nas instituições educacionais por exigência das Diretrizes e Bases da Educação Nacional e se torna eixo do processo de ensino e aprendizagem [...] as competências são as capacidades que envolvem conhecimentos, habilidades e valores

        .” De acordo com a UDESC (2006, p.128),

        O perfil deve possibilitar ao aluno egresso a apreensão de vários conhecimentos e o desenvolvimento de capacidades e atuação, levando sempre em consideração uma visão interdisciplinar. A sua atuação profissional deve primar pela assimilação e aplicação de conhecimentos no campo filosófico, ético, cultural e científico condizentes com as necessidades e expectativas da sociedade atual.

        Segundo Manfredi (1999), a qualificação de um indivíduo é sua capacidade de resolver com agilidade e qualidade os problemas que surgem na sua vida profissional, sendo que ao exercitar esta capacidade, se utiliza das competências adquiridas ou construídas mediante aprendizagem.

        “A definição do perfil do formando baseado em competências exige a listagem, por parte dos envolvidos no processo, das diferentes capacidades que devem ser desenvolvidas ao longo do curso. Estas capacidades devem ser explicitadas e conceituadas .” (AMBONI; ANDRADE, 2003, p.37).

        Amb oni e Andrade (2003, p.37), ressaltam que “As competências devem ser resultantes dos objetivos e conteúdos ministrados em cada disciplina

        .” Martins (1992, p.183) afirma que “A capacitação profissional corresponde a um processo contínuo que acompanha praticamente toda vida ocupacional do indivíduo.

        Nestas condições, a habilitação completa para exercer a profissão com base em conhecimentos técnicos e científicos não deveria ser apenas das universidades

        .” Leal (1998) acrescenta que as universidades estão sendo solicitadas, hoje, a expandir seu papel, através de uma maior interação com outros setores, aumentando o seu retorno para a sociedade.

        “Parece essencial raciocinar sobre conteúdos de conhecimento e habilidades necessárias a uma qualificação mais ampla, para uma redefinição do que é competência, em favor da formação profissional no âmbito da renovação dos processos de qualificação .” (MEGHNAGI, 1999, p.13).

        Segundo Meghnagi (1999), o enfoque clássico da formação profissional direciona-se para a elaboração de perfis específicos, privilegiando o caminho da extensão de competências básicas sobre os quais se constroem vários tipos

        2.4 O ENSINO DE ADMINISTRAđấO

      2.4.1 O ensino de administração no Brasil

        Desde 1930 já ocorriam estudos sistemáticos de administração no Brasil, o governo criou em 1938 o Departamento Administrativo do Serviço Público (DASP), com sua Escola de Serviço Público formando técnicos de administração, que eram enviados para a busca do aperfeiçoamento no exterior (PIZZINATTO, 1999).

        “O ensino de Administração próximo dos padrões hoje disseminados teve origem com o padre jesuíta Roberto Sabóia de Medeiros, com a implantação da Escola Superior de Administração de Negócios (ESAN), em 1941, no bairro da Liberdade, em São Paulo .” (BRASIL, 2005b, p.23).

        De acordo com Andrade (1997), a Faculdade de Economia e Administração surgiu em 1946, com o objetivo de formar funcionários para os grandes estabelecimentos de administração pública e privada. Desde essa época, com o processo de industrialização, iniciou-se o delineamento do perfil do administrador profissional no Brasil.

        Historicamente, a Fundação Getúlio Vargas é considerada a pioneira, enquanto instituição de ensino superior, na criação do primeiro currículo especializado em administração no Brasil, tanto pública, através da Escola de Administração Pública - EBAP em 1952, quanto de empresas na Escola de Administração de Empresas de São Paulo - EAESP em 1954 (PIZZINATTO, 1999).

        “O currículo especializado em administração tinha forte influência americana, dado que a FGV firmara, para concretizar a criação dos cursos, convênio com a USAID - Desenvolvimento Internacional do Governo dos Estados Unidos e a Universidade Estadual de Michigan

        .” (ANDRADE, 1997 apud PIZZINATO, 1999, p.175).

        A fixação do currículo mínimo do curso de graduação em administração pelo Conselho Federal da Educação (CFE) ocorreu mediante Parecer 307/66. Por ele foi definido indispensável para uma adequada formação profissional: matemática, estatística, contabilidade, teoria econômica, economia brasileira, psicologia aplicada à administração, sociologia aplicada à administração, instituições de direito público e privado (incluindo noções de ética administrativa), legislação social, legislação tributária, teoria geral da administração, administração financeira e orçamento, administração de pessoal, administração de material (CFA, 1993 apud PIZZINATO, 1999, p.176).

        Na visão de Andrade (1997 apud Pizzinato, 1999, p.177) “O surto de ensino superior, em especial o de administração, é fruto da relação que existe, de forma orgânica, entre esta expansão e o tipo de desenvolvimento econômico adotado após 1964, calcado na tendência para a grande empresa

        .” Em 1982 a Secretaria de Educação Superior do MEC, constituiu um grupo de trabalho com o objetivo de criar um projeto de Reformulação Curricular dos Cursos de Administração e submetê-lo à avaliação crítica de universidades, faculdades, associações de profissionais e segmentos outros da área de Administração. A Resolução 02/1993, sintetizou o resultado de todo o debate, fixou o novo currículo mínimo e definiu a carga horária do curso de graduação em Administração para categorias do conhecimento, conforme descreve Pizzinato (1999, p.178):

        A formação básica e instrumental: 720 horas, ou 24% do currículo; a formação profissional: 1.020 horas, ou 34% da duração integral do curso; as complementares: 960 horas, ou 32% da duração total do curso; as atividades de estágio supervisionado: 300 horas, ou 10% da duração do curso, que deverá integralizar 3 mil horas.

        Os cursos de Administração criados após a Resolução MEC/CFE nº. 02/1993, incluíram o nome das habilitações específicas na nomenclatura do curso, ocasionando uma grande diversificação dos cursos de Administração, descaracterizando-os ao pulverizar os conteúdos e competências (BRASIL, 2005b).

        Os cursos de graduação no Brasil atualmente são concebidos com base nas Diretrizes Curriculares Nacionais. A Resolução CNE/CES Nº 4, de 13 de julho de 2005, instituiu as diretrizes do Curso de Graduação bacharelado em Administração:

        A organização do curso de que trata esta Resolução se expressa através do seu projeto pedagógico, abrangendo o perfil do formando, as competências e habilidades, os componentes curriculares, o estágio curricular supervisionado, as atividades complementares, o sistema de avaliação, o projeto de iniciação científica ou o projeto de atividade, como Trabalho de Curso, componente opcional da instituição, além do regime acadêmico de oferta e de outros aspectos que tornem consistente o referido projeto pedagógico (BRASIL, 2005a, p.1).

        Os Conteúdos que devem fazer parte dos projetos pedagógicos e da organização curricular do curso de graduação em Administração, estão presentes no Quadro 5:

        Quadro 5

      • Conteúdos do curso de graduação em administração

        I - Conteúdos de Formação Básica: relacionados com estudos

        

      antropológicos, sociológicos, filosóficos, psicológicos, ético-

      profissionais, políticos, comportamentais, econômicos e contábeis,

      bem como os relacionados com as tecnologias da comunicação e da

      informação e das ciências jurídicas;

        

      II - Conteúdos de Formação Profissional: relacionados com as

      áreas específicas, envolvendo teorias da administração e das

      organizações e a administração de recursos humanos, mercado e

      marketing, materiais, produção e logística, financeira e orçamentária,

      sistemas de informações, planejamento estratégico e serviços.

        

      III - Conteúdos de Estudos Quantitativos e suas Tecnologias:

      abrangendo pesquisa operacional, teoria dos jogos, modelos

      matemáticos e estatísticos e aplicação de tecnologias que contribuam

      para a definição e utilização de estratégias e procedimentos inerentes

      à administração;

        

      IV - Conteúdos de Formação Complementar: estudos opcionais de

      caráter transversal e interdisciplinar para o enriquecimento do perfil do

      formando.

        

      Fonte: BRASIL (2005a, p.2-3).

        O curso de graduação em administração deve contemplar como perfil esperado do formando, “capacitação e aptidão para compreender as questões científicas, técnicas, sociais e econômicas da produção e de seu gerenciamento, observados níveis graduais do processo de tomada de decisão

        .” (BRASIL, 2005a, p.2). Além disso, acrescenta que necessita “desenvolver gerenciamento qualitativo e adequado, revelando a assimilação de novas informações e apresentando flexibilidade intelectual e adaptabilidade contextualizada no trato de situações diversas, presentes ou emergentes, nos vários segmentos do campo de atuação do administrador

        .” (BRASIL, 2005a, p.2).

      2.4.2 Competências e habilidades do administrador

        De acordo com as Diretrizes Curriculares Nacionais, o curso de graduação em administração deve possibilitar a formação profissional que revele, as seguintes competências e habilidades listadas no Quadro 6.

        

      Quadro 6 - Competências e habilidades do formando em administração

      Competências e Habilidades

      I - Reconhecer e definir problemas, equacionar soluções, pensar

      estrategicamente, introduzir modificações no processo produtivo, atuar

      preventivamente, transferir e generalizar conhecimentos e exercer, em

      diferentes graus de complexidade, o processo da tomada de decisão;

        

      II - Desenvolver expressão e comunicação compatíveis com o

      exercício profissional, inclusive nos processos de negociação e nas

      comunicações interpessoais ou intergrupais;

        

      III - Refletir e atuar criticamente sobre a esfera da produção,

      compreendendo sua posição e função na estrutura produtiva sob seu

      controle e gerenciamento;

        

      IV - Desenvolver raciocínio lógico, crítico e analítico para operar com

      valores e formulações matemáticas presentes nas relações

      formais e causais entre fenômenos produtivos, administrativos

      e de controle, bem assim expressando-se de modo crítico e

      criativo diante dos diferentes contextos organizacionais e sociais;

      V - Ter iniciativa, criatividade, determinação, vontade política e

      administrativa, vontade de aprender, abertura às mudanças e

      consciência da qualidade e das implicações éticas do seu exercício

      profissional;

        

      VI - Desenvolver capacidade de transferir conhecimentos da vida e da

      experiência cotidianas para o ambiente de trabalho e do seu campo

      de atuação profissional, em diferentes modelos organizacionais,

      revelando-se profissional adaptável;

        

      VII - Desenvolver capacidade para elaborar, implementar e consolidar

      projetos em organizações;

        

      VIII - Desenvolver capacidade para realizar consultoria em gestão e

      administração, pareceres e perícias administrativas, gerenciais,

      organizacionais, estratégicos e operacionais.

        

      Fonte: BRASIL (2005a, p.2).

        Nas habilidades II, V e VI, estão dispostos aspectos relacionados a características comportamentais e humanas, se distanciando de aspectos técnicos. Nestas habilidades a interdisciplinaridade se faz presente como prerrogativa para uma atuação profissional adaptável as diversas realidades.

        2.5 O ENSINO DE MODA

      2.5.1 Origens do ensino de moda

        Na França do século XVII, já existiam escolas femininas que promoviam o ensino de moda em cursos de quatro anos (FERRON, 1996 apud PIRES, 2002, p.2).

        Alexis Lavigne, mestre alfaiate da Imperatriz Marie Eugénie da França, inventor do busto de manequim e da fita métrica flexível, fundou em Paris no ano de 1841, uma das primeiras escolas de moda, École Supérieure des Arts et

        

      Techniques de La Mod, conhecida como Esmod, que hoje conta

        com 21 escolas distribuídas em 14 países, inclusive no Brasil, na cidade de São Paulo (ESMOD, 2012).

        De acordo com Pires (2002), no Brasil até meados da década de 80, antes da instituição dos cursos superiores de moda, o brasileiro que desejasse estudar moda, necessitava viajar para o exterior, sendo que um número bastante reduzido de brasileiros frequentavam escolas no exterior.

        “Os primeiros brasileiros que foram a Paris para frequentar cursos de design de moda foram Rui Spohr em 1952 e José Gayegos em 1971 .” (PIRES, 2002, p.2).

        O Brasil tardou em estruturar cursos superiores na área de moda. Sem profissionais preparados, a função de designer de moda era assumida por leigos e autodidatas que aprendiam com o exercício da profissão.

        Pela inexistência de cursos de graduação até 1987, acorriam para preencher os quadros das lides têxteis e de moda, profissionais das mais diferentes formações e com inúmeras e involuntárias deficiências […] arquitetos, pedagogos, psicólogos, desenhistas industriais, economistas, artistas plásticos e advogados entre aqueles que desempenhavam essas funções e eram carentes de qualificação profissional específica para melhor exercê-las (GIBERT, 1993, p. 178). De acordo com Gibert (1993, p.175), foi Eugenie Jeanne Villien que introduziu em 1964 a disciplina de desenho de moda, nos cursos de Bacharelado e Licenciatura em Desenho e Plástica, na Faculdade Santa Marcelina, em São Paulo,

        “Foi a primeira voz que se levantou em prol de um ensino superior acadêmico na área de Moda no Brasil

        .” O primeiro curso de longa duração para o ensino da criação de moda, nível técnico, foi criado pelo SENAI do Rio de

        Janeiro em 1984. A instituição conta com uma das mais completas bibliotecas de moda do Brasil. Outra relevante biblioteca está na Universidade Anhembi Morumbi, chamada Dener Pamplona de Abreu, nome de um dos grandes estilistas brasileiros dos anos 60 e 70 (PIRES, 2002).

        Segundo Pires (2002, p.4) no ano de 1986 “Pela primeira vez, era instituído o ensino da criação de moda no país por meio de um curso de extensão universitária na Universidade Federal de Minas Gerais, representando a primeira abertura para a presença da teoria da prática social desenvolvida no âmbito doméstico e escolar

        .” No Brasil, o primeiro curso superior na área de moda teve início em 1988, no mesmo ano em que foi definido em um Fórum

        Nacional pelo título Design para a área e Designer para o profissional que o pratica.

        “Antes do recente surgimento dos cursos específicos nas universidades, o cargo de criador de moda era sempre ocupado por um autodidata que, em geral, não adotava um processo criativo organizado que interagisse com as ações empresariais .” (PIRES, 2004, p.1).

        Segundo Pires (2002, p.2) “A ideia era formar um profissional bem informado e de sólida formação, pronto a qualificar a produção brasileira de moda e abrir espaço para novas ideias

        .” A Faculdade Santa Marcelina (FASM) localizada em São

        Paulo foi a instituição que lançou o primeiro curso superior de moda no Brasil em 1988, fruto da semente lançada por Eugenie Villien. No ano de 1990 foi inaugurado o curso superior de moda da universidade Anhembi Morumbi (UAM), em 1994 foi criado o primeiro curso superior de moda em uma Universidade Pública, a Universidade Federal do Ceará (PIRES, 2011).

        Em território catarinense, a Universidade do Estado de Santa Catarina (UDESC) lançou em 1996 seu curso superior de moda na cidade de Florianópolis e a Universidade Regional de Blumenau (FURB), lançou no ano seguinte, em 1997.

        O fenômeno do surgimento dos cursos de moda esteve relacionado ao aquecimento da economia num momento em que surgiram novas indústrias de fiação, de têxteis, de confecção do vestuário e, posteriormente, se concretizou a política de abertura de mercado.

        “Os anos 80 trataram a moda como importante área de negócio que abrange generosa fatia do mercado de produtos industrializados .” (PIRES, 2002, p.9).

        De acordo com Pires (2002, p.7-8):

        Na luta pela definição de programas e currículos, tendo em vista o convite público do MEC para que as Instituições de Ensino Superior encaminhassem propostas de Diretrizes Curriculares dos cursos de graduação, conforme previsto pela LDB, a coordenação do curso de estilismo e moda da Universidade Federal do Ceará organizou o 1º. Encontro Nacional de Coordenadores e Dirigentes de Cursos Superiores e representantes de classe de estilismo de moda do Brasil, realizado em maio de 1998, em Fortaleza. Os temas abertos para discussão estiveram relacionados à elaboração das diretrizes curriculares para os cursos de estilismo e moda e regulamentação da profissão.

        Durante o evento, definiu-se que a proposta dos cursos de moda da Faculdade Santa Marcelina e Universidade Anhembi Morumbi, ambas de São Paulo, estariam muito próximas à realidade brasileira, sendo assim, serviriam de padrão para a proposta de Diretrizes Curriculares dos cursos superiores de moda (PIRES, 2002).

        Foram aprovadas pelo Conselho Nacional de Educação (CNE) as diretrizes Curriculares Nacionais do curso de graduação em design em março de 2004, através da Resolução nº 5 (BRASIL, 2004).

        A organização do curso de que trata esta Resolução se expressa através do seu projeto pedagógico, abrangendo o perfil do formando, as competências e habilidades, os componentes curriculares, o estágio curricular supervisionado, as atividades complementares, o sistema de avaliação, a monografia, o projeto de iniciação científica ou o projeto de atividade, como trabalho de conclusão de curso

      • – TCC, componente opcional da Instituição, além do regime acadêmico de oferta e de outros aspectos que tornem consistente o referido projeto pedagógico (BRASIL, 2004, p.1).

        O curso de graduação em Design deve ensejar como perfil desejado do formando:

        Capacitação para a apropriação do pensamento reflexivo e da sensibilidade artística, para que o designer seja apto a produzir projetos que envolvam sistemas de informações visuais, artísticas, estéticas culturais e tecnológicas, observados o ajustamento histórico, os traços culturais e de desenvolvimento das comunidades bem como as características dos usuários e de seu contexto socioeconômico e cultural

      (BRASIL, 2004, p.2).

        Pode-se observar a inserção do perfil do egresso do curso de design no ambiente socioeconômico brasileiro.

      2.5.2 Competências e habilidades do designer

        O curso de graduação em design deve possibilitar a formação profissional que revele as competências e habilidades listadas no Quadro 7.

        

      Quadro 7- Competências e habilidades do formando em Design

      Competências e Habilidades

      I - Capacidade criativa para propor soluções inovadoras, utilizando

      domínio de técnicas e de processo de criação;

        

      II - Capacidade para o domínio de linguagem própria expressando

      conceitos e soluções, em seus projetos, de acordo com as diversas

      técnicas de expressão e reprodução visual;

        III

      • Capacidade de interagir com especialistas de outras áreas de

        

      modo a utilizar conhecimentos diversos e atuar em equipes

      interdisciplinares na elaboração e execução de pesquisas e

      projetos;

        

      IV - Visão sistêmica de projeto, manifestando capacidade de

      conceituá-lo a partir da combinação adequada de diversos

      componentes materiais e imateriais, processos de fabricação,

      aspectos econômicos, psicológicos e sociológicos do produto;

      V - Domínio das diferentes etapas do desenvolvimento de um projeto,

      a saber: definição de objetivos, técnicas de coleta e de tratamento de

      dados, geração e avaliação de alternativas, configuração de solução e

      comunicação de resultados;

        

      VI - Conhecimento do setor produtivo de sua especialização,

      revelando sólida visão setorial, relacionado ao mercado, materiais,

      processos produtivos e tecnologias abrangendo mobiliário,

      confecção, calçados, jóias, cerâmicas, embalagens, artefatos de

      qualquer natureza, traços culturais da sociedade, softwares e outras

      manifestações regionais;

        

      VII - Domínio de gerência de produção, incluindo qualidade,

      produtividade, arranjo físico de fábrica, estoques, custos e

      investimentos, além da administração de recursos humanos para a

      produção;

        

      VIII - Visão histórica e prospectiva, centrada nos aspectos sócio-

      econômicos e culturais, revelando consciência das implicações

      econômicas, sociais, antropológicas, ambientais, estéticas e éticas de

      sua atividade.

        

      Fonte: BRASIL (2004, p.2). O curso de graduação em Design deverá contemplar em seus projetos pedagógicos e em sua organização curricular conteúdos e atividades que atendam aos três eixos interligados de formação, conforme descreve o Quadro 8.

        

      Quadro 8 - Eixos de formação da graduação em Design

      Estudo da história e das teorias do Design em seus contextos sociológicos, antropológicos, psicológicos e artísticos, abrangendo métodos e técnicas de

        

      I - Conteúdos projetos, meios de representação, comunicação e

      Básicos informação, estudos das relações

      usuário/objeto/meio ambiente, estudo de materiais, processos, gestão e outras relações com a produção e o mercado; Estudos que envolvam produções artísticas, produção industrial, comunicação visual, interface,

        

      II - Conteúdos modas, vestuários, interiores, paisagismos, design e

      Específicos outras produções artísticas que revelem adequada

      utilização de espaços e correspondam a níveis de satisfação pessoal; Domínios que integram a abordagem teórica e a

        III - prática profissional, além de peculiares desempenhos

        Conteúdos no estágio curricular supervisionado, inclusive com a

        Teórico- execução de atividades complementares específicas,

        Práticos compatíveis com o perfil desejado do formando.

        

      Fonte: BRASIL (2004, p.2).

        Conforme exposto no Quadro 8, fazem parte dos conteúdos básicos da formação superior do Designer, conteúdos da Administração como os estudos de materiais, processos, gestão e outras relações com a produção e o mercado.

        Segundo Feghali e Dwyer (2001, p.103), o designer de moda “É o profissional que define “a cara” de uma coleção, independentemente do mercado a ser atingido. Pode ser empregado em uma empresa ou trabalhar como autônomo [...] suas idéias vão se inspirar na alta-costura ou no prêt-à-porter e serão desenvolvidas para a produção em massa .”

        No decorrer do processo de criação, além dos aspectos artísticos e sociais, leva-se em conta a necessidade de atender a tecnologia da indústria, as tendências do marketing, num diálogo direto com as mudanças que ocorrem a cada estação, às cores, ao aperfeiçoamento dos tecidos, as mudanças na linha de produção, a novas capacidades e os impactos nos preços (FEGHALI E DWYER, 2001).

        Moraes (1996, p. 121), afirma que o perfil de um bom profissional de design, é composto de capacidade criativa e intuitiva, conhecimento tecnológico e cultural, ética, humildade, espírito corporativo, aliado a um método eficiente de trabalho.

        Para Escorel (2000, p.25), o designer “Não deve esquecer que é um elo na cadeia que vai da fabricação ao uso do produto e que, portanto, as questões relativas à viabilidade econômica, tecnológica e prática do seu projeto devem ser tão relevantes para ele quanto às questões relativas a linguagem

        .” Na opinião de

        Catoira (2006, p.159) “O design ajuda na relação emocional com as marcas que refletem valores, na proporção balanceada de desejo e prazer

        .” Moraes (1996 apud Rech, 2006, p.23), afirma que

        “Se considerarmos o design como um instrumento capaz de contribuir para a indústria junto à competitividade internacional e como elemento diferenciador na qualidade dos produtos industriais, não podemos ter nesta atividade uma referência unicamente regional ou periférica, mas um instrumento capaz de alargar a competitividade das empresas a nível internacional

        .” Segundo Pires (2002, p.5),

        “A academia iniciou o ensino da criação de moda primeiro como disciplina, depois como curso de extensão e, por fim, como graduação e tem investido esforços para formar o docente, promovendo cursos de pós-graduação

        .” O curso da Universidade Anhembi Morumbi, desde sua inauguração, tem-se mostrado atento às necessidades de mercado. Baseado nesta filosofia ofertou em 1997 o Programa de Pós-graduação em Negócios da Moda, ministrado por mestres, doutores, especialistas e profissionais, com vivência de mercado em grandes empresas do Brasil e do exterior (PIRES, 2002). Em março de 2011, a Universidade de São Paulo lançou o programa de Pós-graduação em Têxtil e Moda, na Escola de Artes, Ciências e Humanidades. Segundo Baruque, que coordena o programa acadêmico do projeto,

        “O curso foi criado devido à grande necessidade de profissionais especializados, professores e pesquisadores sobre o tema, a demanda se sente tanto em áreas de tecnologia quanto em áreas de moda

        .” (UNIVERSIDADE DE SÃO PAULO, 2012a, p.1). A USP oferece o Mestrado Acadêmico em Têxtil e Moda, o objetivo principal do programa é a formação de professores, pesquisadores e profissionais de alto nível capazes de atuar na área têxtil e da moda com propostas inovadoras e diversificadas (USP, 2012b).

        Para Baruque, a relevância de uma pós-graduação em têxtil e moda está no efeito multiplicador, pois, dessa forma, acontece a formação em alto nível de professores, pesquisadores, que podem trabalhar tanto em universidades quanto em departamentos de desenvolvimento e pesquisa das indústrias, além dos profissionais adquirirem uma visão ampliada do processo têxtil (USP, 2012a).

      2.5.3 Origem da pesquisa acadêmica de moda

        Bonadio (2010, p.54) afirma que “No campo da pesquisa, o trabalho de Gilda de Mello e Souza - A moda no século XIX - defendido como tese de doutorado, em 1950, na Faculdade de Sociologia da Universidade de São Paulo, costuma ser apontado como o primeiro estudo sobre moda desenvolvido no País no âmbito da Universidade

        .” Segundo Bonadio (2010), o estudo foi publicado inicialmente em revista científica, e veio a público sob a forma de livro depois de trinta anos e obteve o reconhecimento intelectual adequado, devido a ampliação de temas considerados legítimos no campo das ciências humanas e também por um público interessado na moda como assunto profissional ou acadêmico.

        Os motivos somados à formação da moda no Brasil, com os estilistas, modelos, revistas, críticos, cursos e estudiosos, tornou possível a legitimação e amplitude do tema estudado pela pesquisadora (BONADIO, 2010).

        Os trabalhos sobre a indústria do vestuário ou a indústria têxtil e suas intersecções com a moda surgiram a partir de 1978 em diversas IES do País, é apenas em 1986, que o termo moda, seria novamente utilizado no título de uma pesquisa proveniente de programas de pós-graduação stricto sensu, trata-se do mestrado de Valda Maria de Queiroz denominado: Trama e o texto da moda, defendido na Universidade de Brasília (BONADIO, 2010).

      2.5.4 Os cursos de moda e a indústria

        De acordo com Pires (2002, p.8), “A indústria brasileira apontou sua carência muito antes da academia, quando cursos técnicos e depois cursos superiores foram solicitados pelo setor têxtil e de confecção, que, habituados a preocupar-se com a produção, evidenciaram a falta de profissionais capacitados ao

        design .”

        Percebe-se que a demanda do mercado foi fator decisivo no estabelecimento dos cursos universitários de design de moda. Porém, sabemos que outras questões como o culto ao corpo, a cultura da aparência, a segmentação do mercado e do consumidor, passaram a demandar uma nova metodologia projetual, e com isto, um profissional com um perfil diferente do que a indústria possuía (PIRES, 2002).

        Na área têxtil, o que uniu a indústria e a produção de moda

      • – vista aqui como processo industrial – foi o design, “A atividade criativa cujo objetivo é determinar as propriedades formais dos objetivos produzidos industrialmente

        .” (PERUZZI, 1998 apud CATOIRA, 2006, p.154). Pires (2002, p.9) enfatiza que “A indústria voltou-se para a academia a fim de que esta teorizasse e sistematizasse o aprendizado do processo criativo, a etapa que antecede à produção do vestuário. O objetivo era libertar a moda do amadorismo, criando melhores condições de enfrentar a concorrência externa

        .” Passarelli (1999 apud Rech, 2002, p.122) afirma que: A diferença entre o sucesso e o fracasso de um produto de moda no mercado global está diretamente ligada a capacidade do designer ter entendido os objetivos da organização, o estado da arte da tecnologia e dos materiais e ter efetuado acertadamente o cruzamento cultural entre os usuários possíveis, no sentido de conferir ao bem o caráter universal, tanto no que se refere à forma, como se refere ao uso.

        Segundo Pires (2002, p.9), “Hoje, a moda não é mais vista apenas como o caráter efêmero das sociedades ocidentais. Formou-se uma nova visão empresarial numa área antes considerada menor pela academia. Um valor assegurado no mercado veio conferir à moda, como produto, um amplo campo de trabalho, exigindo produção de qualidade, somente obtida com o ensino ofertado pelas Universidades

        .” Masi (2008, p.130) afirma que

        “As universidades não acompanham a velocidade das mudanças e os modelos não podem seguir padrões acabados e rígidos. Os cursos tem que ser flexíveis para dar conta da complexidade. Mas ainda existe um conservadorismo da academia, o que em cursos de moda e design é inaceitável

        .” Para Masi (2008, p.134):

        O profissional de moda tem que estar atento às oportunidades. Os estilistas não poderão apenas pensar na criação do produto, mas terão que ter conhecimento do mercado e do valor que o produto tem para esse mercado, ou seja, o profissional da moda tem que ser um executivo completo dentro da empresa. Tem que saber qual é o preço que o cliente está disposto a pagar pelo produto que ele está criando e qual é o produto que o cliente quer. A competitividade é muito acirrada no ponto de venda, tendo em vista as elevadas ofertas e exigências dos consumidores. Então, o profissional da moda precisará saber qual é o produto que ele irá desenvolver, para quem e quanto vai custar O Brasil tem o maior número de escolas de moda no mundo, mas na visão de Masi (2008, p.131) “os alunos saem destas escolas, muito mais voltados para as áreas do design, estilismo e, algumas vezes, para a produção. Mas ninguém se preocupa em formar este aluno para ser um grande vendedor de moda”.

        As escolas também terão que formar profissionais com noção de design, crítica de design e estrutura mental para pensar o design e ser um diretor comercial, de compra, de logística. Só assim será possível desenvolver uma indústria forte de moda, pois é muito mais fácil vender moda e formar uma boa equipe de moda, tendo um conhecimento de moda, do que pegar um profissional de outra área para exercer essas funções gerenciais nas empresas de moda.

      (MASI, 2008, p. 131)

        Na visão de Masi (2008, p.130), “a formação do estudante de moda precisará, necessariamente, contemplar a gestão de empresas, não só porque é indispensável para a formação de um profissional completo como permitirá suprir a carência de gestores de moda no estado

        .” Segundo Costa (2011, p.121), “Em Santa Catarina não existe um programa ou uma política de design formalizada e específica ao setor têxtil. Existem iniciativas em curso no estado, como o Núcleo de Inovação em Design

      • – cadeia têxtil do Sebrae, o SCMC - Santa Catarina Moda Contemporânea, bem como as ações de promoção, suporte e educação em design, desenvolvidas pelas universidades

        .” Por sua vez, “observa-se um movimento favorável em prol do desenvolvimento da moda catarinense, através do estudo de Domenico de Masi de 2008 sobre o futuro da moda de Santa Catarina, onde foi sinalizada a necessidade de ordenar esforços acadêmicos, públicos e empresariais

        .” (COSTA, 2011, p.122). Uma das iniciativas com vistas ao desenvolvimento da moda no Estado é o SCMC, que foi idealizado em 2004 e que hoje se chama Santa Catarina Moda Cultura. É uma associação, sem fins lucrativos, que integra Instituições de Ensino do Estado com empresas catarinenses , cuja missão é: “Antecipar e compartilhar tendências e comportamentos de consumo, promovendo a inovação e o fortalecimento das indústrias têxtil e do vestuário catarinenses

        ” (SANTA CATARINA MODA CULTURA, 2013). Possui como pilares estratégicos atuar com Empresas,

        Governo e Instituições de ensino, compartilhando a visão do

        

      design na cadeia da moda; promover a integração da cadeia

        produtiva têxtil e do vestuário; ser um catalisador permanente de cenários de comportamento de consumo e segmentos de consumidores, manter a política de relacionamento de vanguarda, reconhecida e respeitada por todos os associados (SCMC, 2013).

        Atualmente o projeto possui em seu Quadro de associados 21 empresas catarinenses: Altenburg, Audaces, Brix Jeans, Círculo, Dalila, Daniela Tombini, Digra, Dudalina, Cia Hering, Fakini, Hitech, Hoepcke, Karsten, Kyly, Lancaster, Marisol, Modus.org, Oceano, Printbag, Tecnoblu, Von Der Völk, e as Instituições de Ensino participantes são a UDESC, UNIVALI, UNIASSELVI e o SENAI Santa Catarina (SCMC, 2013).

        O projeto oferece às empresas associadas diversos produtos que vão de cursos de capacitação a encontros de debates, passando por palestras, workshops, visitas multisetoriais, entre outros. Nomes como Irmãos Campana, Guto Índio da Costa, Roberto Stern, Michael Klein, Michel Maffesoli, Lilian Pacce, WGSN, Mário Queiroz, Romeo Busarello, entre tantos outros, vieram compartilhar suas experiências e estudos com as empresas e instituições de ensino participantes do projeto (SCMC, 2013).

        Na visão de Masi (2008), o vínculo da academia com a indústria é fundamental, é necessário que os cursos de moda se aproximem das empresas.

        2.6 ESTUDOS RELACIONADOS AO TEMA DA PESQUISA A revisão sistemática é definida por Greenhalgh (1997, p. 672) como:

        “uma síntese de estudos primários que contém objetivos, materiais e métodos claramente explicitados e que foi conduzida de acordo com uma metodologia clara e reprodutível

        .” Para efeito deste estudo, foi realizada a busca sistemática junto à base de dados EBSCO - Business Source

        

      Complete e EMERALD, para identificar os estudos com os

        seguintes descritores no título: “administração e moda”, “gestão e moda”, “management and fashion”, “administration and fashion”,

        

      “management and fashion design”, “management and fashion

      education”, “management and fashion design education”,

      “management and fashion apparel industry”, “fashion and

      education”, “administration and fashion design”, “administração e

        design moda .”

        Os tipos de publicações selecionadas foram os periódicos científicos da EBSCO e Journal da EMERALD. Foram pesquisados artigos publicados nos últimos 10 anos, compreendidos entre os anos de 2003 a 2013.

        Desta busca foram selecionados 18 artigos para análise que a princípio tratavam de temas relacionados com a administração e o design de moda, conforme os periódicos dispostos na Tabela 1.

        Tabela 1

      • Quantidade de artigos selecionados por periódico

        Base de Dados Periódicos Quant.

        Journal of Fashion Marketing & EBSCO/EMERALD

        7 Management EMERALD Education Training

        2 EBSCO/EMERALD European Journal of Marketing

        2 Accounting, Auditing & Accountability EBSCO

        1 Journal EBSCO Creativity & Innovation Management

        1 International Journal of Entrepreneurial EMERALD

        1 Behaviour & Research International Journal of Operations & EMERALD

        1 Production Management International Journal of Retail & EBSCO

        1 Distribution Management EBSCO Irish Journal of Management

        1 EBSCO Systemic Practice & Action Research

        1 Total

        18 Fonte: Produção da própria autora com base nos estudos selecionados junto as bases de dados da EBSCO e EMERALD (2013).

        O periódico Journal of Fashion Marketing & Management, respondeu por 39% das publicações selecionadas, totalizando sete artigos e foram identificados nas Bases de Dados EBSCO e EMERALD.

        Num primeiro momento, foram selecionadas estas 18 publicações relacionadas às palavras chave. Após a análise de cada artigo, foram mapeados os assuntos que abordam cada um dos estudos. Foram identificados apenas sete artigos cujos assuntos e conteúdos possuem algum vínculo com a dissertação, conforme Tabela 2.

        Tabela 2

      • – Classificação dos estudos pesquisados

        Vínculo com a Assuntos Quant. dissertação Criatividade Coletiva Não

        1 Criatividade e Controle Sim

        1 Design do Vestuário Sim

        1 Educação em Design Sim

        1 Educação em Empreendedorismo Sim

        1 Gestão Colaborativa Não

        1 Gestão da Cadeia de demanda Não

        1 Gestão de Categoria na Indústria Não

        2 Gestão e Criatividade Sim

        1 Gestão no Varejo Não

        2 Integração do Design com Varejo Sim

        1 Marketing Não

        1 Marketing de Moda Sim

        1 Negócios Sustentáveis Não

        1 Qualidade Cadeia de Suprimentos Não

        1 Varejo de Moda On-line Não

        1 Total

        18 Fonte: Produção da própria autora com base nos estudos selecionados junto as bases de dados da EBSCO e EMERALD (2013).

        Os sete estudos considerados relevantes e que possuem alguma relação com a dissertação foram realizados em diversos países como: Estados Unidos, Inglaterra, França, China, Taiwan e Nova Zelândia.

        No Quadro 9 são apresentados os estudos selecionados respeitando a ordem cronológica de publicação, sendo listados também o título do estudo, autores, nome do periódico e objetivos constantes nos documentos.

        Quadro 9

      • Estudos de 2003 a 2013 relacionados à dissertação Ano Título Autor Periódico Objetivo

        2004 Fashion Marketing: Building the

        Research Agenda (DOHERTY) European

        Journal of Marketing Discutir a demanda para o mercado de moda nos EUA e Inglaterra com foco em marketing de moda.

        2006 Integrating design and retail in the clothing value chain: An empirical study of the organisation of design (ABECASSIS-

        MOEDAS) International Journal of Operations &

        Production Management Analisar as relações entre fabricantes e varejistas em relação ao novo processo de projeto do produto.

        Pesquisa na indústria do vestuário.

        2007 Applications of quality function deployment to apparel design in Taiwan

        (HUANG; TAN) Journal of Fashion

        Marketing & Management Caracterizar vários fatores-chave que afetam design de vestuário e qualidade do produto.

        2011 Enterprise orientations: a framework for making sense of fashion sector start-up (MILLS)

        International Journal of Entrepreneurial Behaviour &

        Research Apresentar um modelo conceitual sobre a tensão entre o esforço criativo e prática de negócios.

        Ano Título Autor Periódico Objetivo Investigar o papel Fashioning the da contabilidade popular masses:

        Accounting, como instrumento accounting as Auditing & de mediação entre 2012 mediator Accountability as tensões de between

        Journal criatividade e creativity and controle na moda. control Obter um entendimento Fashion comum de

        (SHI; CHEN; entrepreneurship Education educação para o 2012 GIFFORD; education in the Training empreendedorismo

        JIN) UK and China em cursos de moda britânicos e chineses.

        Navigating the Abordar a interface interface entre a educação between de design na design Education indústria da moda

        2012 (MILLS) education and Training e maneiras de fashion melhorar a business start- educação de up design.

        Fonte: Produção da própria autora com base nos estudos selecionados junto as bases de dados da EBSCO e EMERALD (2013).

        Os estudos de Doherty (2004), Abecassis-Moedas (2006), Huang e Tan (2007), Mills (2011), Jeacle e Carter (2012), mesmo sem tratar diretamente do mesmo tema da dissertação, de alguma forma abordaram algum aspecto relacionado a dissertação.

        Doherty (2004) identificou em sua pesquisa do mercado de moda nos EUA e Inglaterra que a moda é muito mais do que simplesmente as roupas que vestimos, a moda é agora muito sobre estilo de vida, sendo assim, a comercialização de produtos de moda tornou-se um elemento integrante da vida quotidiana e de identidade das pessoas. Com relação as Instituições de Ensino Superior da Inglaterra uma série delas já oferecem a disciplina de marketing de moda e cursos de gestão, reconhecendo a demanda cada vez mais importante do setor de moda para graduados (DOHERTY, 2004).

        Isso reflete a tendência dos Estados Unidos para a educação de marketing de moda. Doherty (2004) afirma que até a presente data, a pesquisa de marketing de moda tem sido quase que exclusivamente do domínio de acadêmicos norte- americanos que estudam o mercado dos EUA.

        Abecassis-Moedas (2006), realizou uma pesquisa na França, Estados Unidos e Inglaterra, onde entrevistou cinquenta pessoas que faziam parte da cadeia de valor do vestuário e procurou analisar as relações entre fabricantes e varejistas em relação ao novo processo de projeto do produto.

        Foi identificado que na indústria do vestuário, a estratégia de integração de design e varejo resultou em um processo de design mais flexível e em aumento do desempenho do produto.

        Sendo assim, empresas de vestuário ou empresas de design de roupas, que querem aumentar o desempenho do produto, devem implementar a estratégia de integração de design e varejo (ABECASSIS-MOEDAS, 2006).

        O estudo de Huang e Tan (2007) tratava de caracterizar vários fatores-chave que afetam design de vestuário e qualidade do produto numa pesquisa realizada em Taiwan. Os fatores que foram encontrados que afetam a qualidade do design de vestuário são: a capacidade de aplicação do material, sensibilidade às cores, tendências de moda, posicionamento no mercado de moda e a gestão.

        O estilo da forma, qualidade do material, caimento da roupa, o desconto, foram os principais fatores que afetam os consumidores na escolha de vestuário. Algumas normas de design de vestuário têm sido formuladas em Taiwan, utilizando o método de desenvolvimento em função da qualidade para ajudar designers de vestuário a melhorar o design e a performance da produção (HUANG; TAN, 2007).

        O trabalho de Mills (2011) buscava identificar como é trabalhada a tensão entre o esforço criativo e a prática de negócios. Foram entrevistados 38 estilistas dos quatro principais centros de moda da Nova Zelândia usando uma abordagem narrativa interpretativa. Os designers estão, em diferentes graus, preocupados com a tensão percebida entre os processos criativos e as práticas empresariais. A análise das respostas dos designers para a tensão criatividade e business resultou em três orientações básicas: orientação criativa da empresa, orientação empresarial e orientação da indústria da moda (MILLS, 2011).

        Jeacle e Carter (2012) investigaram o papel da contabilidade como instrumento de mediação entre as tensões de criatividade e controle dentro do mundo competitivo da moda. Foi realizado um estudo de caso com entrevistas aos membros- chave dentro de uma cadeia de moda do Reino Unido.

        Os autores sugerem que a contabilidade, como uma forma de estágio suporte, ajuda a sustentar as preocupações criatividade e controle inerentes ao design de moda. Apesar da magnitude da indústria da moda e seu domínio na construção da identidade individual, o papel da contabilidade dentro desse domínio permaneceu pouco explorado (JEACLE; CARTER, 2012).

        Por outro lado, os estudos de Mills (2012) e Shi et al. (2012), que são bastante recentes, expressam uma relação direta com o tema da dissertação.

        Mills (2012) estudou a interface entre a educação de design e a indústria, o estudo contou com entrevistas semi- estruturadas junto a empresas e educadores de ensino de moda.

        Verificou-se que os estágios são recursos particularmente importantes para aspirantes a empresários de moda, porque eles fornecem uma educação corporativa e o tipo de capital social necessário para o sucesso do negócio. Os resultados sugerem que há uma necessidade de ampliar a educação para o empreendedorismo, investindo no ensino do design de moda com educação empresarial (MILLS, 2012).

        O estudo de Shi et al. (2012), busca avaliar a educação para o empreendedorismo nos cursos de moda de alunos britânicos e chineses de duas universidades, a UCLAN que é inglesa e SCAU que fica na China. É um projeto em empreendedorismo de moda, que foi financiado pelo British Council. O artigo apresentou os resultados da primeira etapa do projeto de pesquisa, uma combinação de revisões de literatura, observação participante, entrevistas semi-estruturadas e grupos focais foram utilizados para entregar os resultados nesta fase. A justificativa deste estudo surgiu devido a indústria do vestuário ser estrategicamente importante tanto na China, que contribuiu em 2011 com US$ 40 bilhões, quanto na Inglaterra onde a indústria da moda contribui para economia com £ 37 bilhões (SHI et al., 2012).

        De acordo com uma pesquisa da indústria da moda, há cerca de 50 mil empresas de moda na China e mais de 200 instituições de ensino superior que oferecem cursos de moda para mais de 40.000 alunos. Embora não haja aumento significativo no número de diplomados de moda, tanto na Inglaterra e na China, os empregadores se queixam da escassez de talentos. O mais recente relatório do Conselho Britânico de Moda destaca as preocupações semelhantes enfrentados pelo setor: falta de habilidades de negócios em graduados de moda; consciência limitada das diversas oportunidades entre os jovens e crescente concorrência internacional (SHI et al., 2012).

        Os autores afirmam que “o futuro da indústria da moda chinesa depende fortemente dos seus diplomados de moda que possuem forte criatividade e empreendedorismo

        ” (SHI et. al, 2012). Há demanda em ambos os países, China e Inglaterra para graduados de moda com visão de negócios além de seus conhecimentos técnicos. Apesar da demanda, os cursos de moda, tradicionalmente, desenvolvem competências técnicas nos alunos, em particular na China. O número de estudantes de moda que querem iniciar um negócio é maior entre todos os setores e esse número tem aumentado nos últimos anos (SHI et al., 2012).

        Na opinião de Shi et al. (2012), o ensino superior desempenha um papel crucial no desenvolvimento da capacidade empreendedora dos alunos, a fim de atender a demanda.

        “O empreendedorismo de moda é a solução para ajudar a superar a miríade de desafios que os jovens profissionais de moda e empresários possuem hoje em uma arena global competitiva e de mudanças rápidas, tanto o ensino superior da Inglaterra quanto da China precisam responder com urgência a esta demanda

        ” (SHI et al., 2012). De acordo com Shi et al. (2012), como resultados desta primeira etapa do estudo, os autores identificaram semelhanças e diferenças entre os projetos de cursos dos cursos de moda dos dois países e recomendam que alguns conteúdos devem ser adicionados em todos os cursos de moda atuais, são eles: o planejamento e a gestão, a consciência cultural e global através da construção de parcerias internacionais, o envolvimento com diversas comunidades, desenvolver habilidades empresariais, por exemplo a comunicação, a resolução de problemas, a inteligência emocional, o pensamento criativo e a utilização de ferramentas de auto-avaliação como orientação.

      3 METODOLOGIA

        Neste capítulo são tratados os procedimentos metodológicos priorizados nesta pesquisa, compreendendo a caracterização, a definição do contexto em que a pesquisa ocorreu, as técnicas de coleta de dados empregadas, a análise de dados e as respectivas limitações do processo realizado.

        3.1 CARACTERIZAđấO DA PESQUISA A natureza da pesquisa proposta é qualitativa e quantitativa, considerando o objetivo de analisar a configuração dos conteúdos de administração dos cursos superiores de moda com as demandas da indústria do vestuário, envolvendo a Academia, a Indústria e o profissional de moda no estudo.

        O método qualitativo se evidencia na pesquisa na descrição das múltiplas situações encontradas que exigiram, não apenas a compreensão dos processos vivenciados pelos grupos sociais envolvidos: profissionais de design de moda, gestores da indústria do vestuário e coordenadores dos cursos de moda das

        IES, mas também a análise e a interação das variáveis objetos da pesquisa.

        Assim, ratificando o pensamento de Richardson (2007) e Creswell (2007) a pesquisa procurou traduzir visões amplas derivadas do entendimento dos fenômenos sociais de forma sistêmica.

        O método quantitativo, segundo Richardson (2007), como o próprio nome indica, caracteriza-se pelo emprego da quantificação, no tratamento das informações através de técnicas estatísticas, desde as mais simples às mais complexas.

        Neste sentido, a pesquisa realizada contempla o método de modo aplicado aos estudos descritivos quando da identificação e classificação das variáveis e suas relações de causalidade enquanto fenômenos estudados nesta pesquisa.

        No que tange a caracterização da pesquisa, a organização dos dados sociais encontrados procura preservar o caráter unitário numa abordagem que considera o todo, segundo um conjunto de relações e processos, evidenciando-se como uma investigação empírica de um fenômeno contemporâneo num contexto social real, ratificando o pensamento de Goode e Hatt (1975) e Yin (2004).

        Neste contexto, trata a pesquisa também de um estudo de caso, em que objetiva estudar acontecimentos, ações, comportamentos, considerando sua interação com variáveis que constituem o contexto que envolve o fenômeno analisado.

        Foi adotado nesta pesquisa o estudo de caso descritivo, para analisar a configuração dos conteúdos de administração dos cursos superiores de moda com as demandas da indústria do vestuário.

        3.2 O CONTEXTO DA PESQUISA O foco desta pesquisa são as IES de Moda de Santa Catarina e a Indústria do Vestuário. Os participantes da pesquisa, na primeira fase, são todos os coordenadores de cursos superiores de moda de Santa

        Catarina, conforme Instituições listadas no Quadro 10.

        Primeiramente, foram identificadas as Instituições de Ensino Superior que estão “em atividadeno Estado de Santa Catarina, que oferecem Cursos Superiores de Moda ou Design de Moda, através Portal do Ministério da Educação (BRASIL, 2012a).

        Os seguintes critérios foram estabelecidos para a definição dos cursos superiores de moda a serem pesquisados: os cursos devem ser de grau bacharelado e na modalidade presencial.

        Segundo os critérios expostos, foram identificadas no estado de Santa Catarina um total de 13 Instituições de Ensino Superior, que oferecem cursos bacharelado na área de Moda, estas representam 17,3% dos cursos com este perfil no Brasil. No Quadro 10 estão listadas as instituições e suas respectivas cidades de atuação.

        

      Quadro 10 - Cursos Superiores de Moda em Santa Catarina

      SIGLA

        INSTITUIđỏES DE ENSINO SUPERIOR CIDADE ASSEVIM Faculdade do Vale do Itajaí

        Mirim Brusque FACISA Faculdade de Ciências

        Sociais Aplicadas Xaxim FAMEG Faculdade Metropolitana de

        Guaramirim Guaramirim FAMESUL Faculdade Metropolitana de

        Rio do Sul Rio do Sul

      FERJ Católica de Santa Catarina Jaraguá do Sul

      FURB

        Universidade Regional de Blumenau Blumenau UDESC

        Universidade do Estado de Santa Catarina Florianópolis UNESA

        Centro Universitário Estácio de Sá São José UNIASSELVI Centro Universitário Leonardo da Vinci Indaial

        UNIFEBE Centro Universitário de Brusque Brusque

        UNIVALI Universidade do Vale do Itajaí Balneário Camboriú UNIVILLE

        Universidade da Região de Joinville Joinville UNOCHAPECÓ Universidade Comunitária da

        Região de Chapecó Chapecó

      Fonte: Produção da própria autora após pesquisa ao Portal do MEC

      (2012)

        Na segunda fase foi realizado o estudo de caso em uma Indústria do Vestuário de Santa Catarina, onde os participantes da pesquisa foram todos os designers de moda e os gestores envolvidos com o trabalho do designer na empresa.

        No item 3.3 serão explicitadas as etapas do estudo, com as respectivas técnicas de coleta de dados utilizadas.

        3.3 TÉCNICAS DE COLETA DE DADOS Para realização deste estudo foram definidas três etapas, o Quadro 11 apresenta as etapas da pesquisa e as respectivas técnicas de coleta de dados adotadas.

        

      Quadro 11 - Etapas da pesquisa

      Etapa Objetivos Específicos Técnica de coleta de dados Participantes

        1 Caracterizar os conteúdos de administração constantes no currículo dos cursos superiores de moda de Santa Catarina

        Coleta de dados secundários, através da pesquisa documental das matrizes curriculares das IES

        Pesquisadora

        2 Descrever as percepções dos coordenadores dos cursos de moda, dos profissionais de design de moda, bem como, as demandas e percepções dos gestores da indústria do vestuário acerca dos conteúdos de administração dos cursos superiores de moda e na atuação dos seus egressos Coleta de dados primários, através de questionários com questões fechadas e abertas

        Coordenadores dos cursos superiores de moda, gestores da indústria do vestuário e profissionais de design de moda da indústria.

        3 Estabelecer as interrelações e a análise das percepções dos coordenadores dos cursos de moda, gestores da indústria do vestuário e profissionais de design de moda a propósito dos conteúdos de administração identificados na profissão e nos cursos.

        Foram utilizadas as respostas obtidas nos questionários aplicados na etapa anterior Pesquisadora

        Fonte: Produção da própria autora (2012) Os dados secundários foram obtidos através de pesquisas bibliográficas, de sites das instituições de ensino superior, site da indústria do vestuário, informações setoriais e dados coletados extraídos de pesquisas de entidades, organismos de fomento, instituições governamentais e de pesquisa como a ABDI, ABIT, EURATEX, FIESC, IEMI, dentre outros.

        Na primeira etapa, foi realizada uma pesquisa documental, onde foram levantadas as matrizes curriculares dos cursos de graduação em moda de cada instituição. Primeiramente houve a busca nos sites das treze IES, os documentos que não estavam disponíveis foram solicitados aos Coordenadores dos Cursos.

        Levantadas as matrizes curriculares, foi realizado o mapeamento de todas as disciplinas que possuem conteúdos de Administração em cada IES, a carga horária de cada disciplina e carga horária total do curso para identificar a representatividade dos conteúdos de administração na matriz curricular dos cursos de moda. Esta etapa foi realizada em maio de 2013.

        A segunda etapa consistiu da aplicação dos questionários com questões fechadas e abertas com três grupos sociais distintos, são eles: treze (13) coordenadores dos cursos de moda, cinco (05) gestores da indústria do vestuário e onze (11)

        designers de moda que trabalham na indústria.

        O objetivo desta etapa foi descrever as percepções dos coordenadores dos cursos de moda, dos profissionais de design de moda, bem como, as demandas e percepções dos gestores da indústria do vestuário acerca dos conteúdos de administração dos cursos superiores de moda e na atuação dos seus egressos. Esta etapa foi realizada no período de maio a julho de 2013.

        A terceira etapa procurou estabelecer as interrelações e a análise das percepções dos coordenadores dos cursos de moda, gestores da indústria do vestuário e profissionais de design de moda a propósito dos conteúdos de administração identificados na profissão e nos cursos.

        Cabe observar que as técnicas empregadas para coleta de dados revelaram-se, como, preponderantemente, dados do tipo primário, obtidos pelos questionários empregados com questões abertas e fechadas. Excetuam-se os conteúdos de administração, objeto dos cursos superiores de moda de Santa Catarina, cuja coleta se deu em dados secundários.

        3.4 ANÁLISE E TRATAMENTO DOS DADOS Uma vez concluída a etapa correspondente a coleta de dados, compreendendo os três grupos sociais objetos da pesquisa: coordenadores dos cursos de moda, gestores da indústria do vestuário e designers de moda, a etapa seguinte corresponde ao tratamento e análise dos dados.

        Para os cruzamentos das informações obtidas na pesquisa de campo foi utilizada a análise estatística, com a utilização do software Sphinx, iniciando-se a análise descritiva do estudo de caso.

        A análise dos dados observou o confronto das informações obtidas no campo com o referencial bibliográfico correspondente que está detalhado no quadro 12.

        Quadro 12

      • – Categorias de análise e autores relacionados Fonte: Produção da própria autora (2013)
      Portanto, as categorias de análise correspondentes, conforme explicitados no quadro 12, correspondem a Administração e a Moda como base preliminar do referencial teórico, seguindo-se das categorias correspondentes a: Educação Superior, Ensino de Moda e Ensino de Administração, sendo que a ultima categoria abordada corresponde a Indústria Têxtil e de Confecção preservando-se os descritores apontados no quadro 12, como critérios para análise.

        No que tange a indústria objeto do estudo de caso, esta foi selecionada em função da sua atuação em nível nacional, bem como representatividade nas exportações e sua caracterização como líder no segmento em que atua.

        3.5 LIMITAđỏES DA PESQUISA Como limitações destaca-se que a pesquisa, por abordar os cursos superiores de moda do Estado de Santa Catarina e uma indústria, impede a generalização dos resultados em nível nacional, bem como, em outros segmentos.

        Apesar dessa limitação, a escolha pelo método utilizado, justificou-se pela possibilidade de obtenção de uma maior riqueza de detalhes sobre a realidade dos cursos de moda, indústria do vestuário e profissionais de moda.

        A distância física entre o pesquisador e os coordenadores dos cursos de moda, foi uma limitação para o estudo. Por conta disso, a aplicação dos questionários tornou-se uma tarefa que dependia exclusivamente do interesse do mesmo em responder a pesquisa.

        Cabe ressaltar ainda que não se pretende, nesse trabalho, propor um modelo de matriz curricular com conteúdos de administração para o curso superior de moda, já que para isso entende-se ser preciso um estudo mais aprofundado.

      4 CONTEXTO DA INDÚSTRIA TÊXTIL E CONFECđấO

        Neste tópico, contextualiza-se o perfil da indústria têxtil e de confecção, características de sua evolução, produção e participação no PIB. Apresentam-se informações relativas ao segmento no estado de Santa Catarina, identificando-se a cadeia produtiva e a interface desta com a pesquisa e desenvolvimento de novos produtos, bem como, as universidades e escolas técnicas.

        4.1 A INDÚSTRIA T&C NA EUROPA, EUA E BRASIL Segundo Kupfer (2002, p.35), “A Indústria é definida pelo grupo de empresas voltadas para a produção de mercadorias que são substitutas próximas entre si e, desta forma, fornecidas a um mesmo mercado

        .” Da mesma forma que para noção de mercado, para uma empresa diversificada a indústria pode representar um conjunto de atividades que guardam algum grau de correlação técnico- produtiva, constituindo um conjunto de empresas que operam métodos produtivos semelhantes (KUPFER, 2002).

        Segundo Andrade Filho e Santos (1987), a história da indústria de confecção nos Estados Unidos e Europa apresentaram como características principais os seguintes aspectos, conforme apresentados no Quadro 13.

        

      Quadro 13 - Características da indústria de confecção nos EUA e

      Europa

        Período de 1900-1925 Da confecção feita à mão passa-se gradativamente, para confecção industrializada. Há introdução da divisão do trabalho, a confecção de um artigo antes realizada de uma só vez, passa a ser executada em diferentes operações, fazendo com que cada uma delas fosse realizada por um operador, numa determinada máquina especializada.

        Década de 30 Vários sistemas foram introduzidos, aperfeiçoados, o que culminou num aumento de eficiência e produtividade, os padrões de produção alcançados em 1940 foram tão além da expectativa que foi introduzida uma faixa de valores completamente nova para os padrões de trabalho.

        Período de 1940 - 1950 A engenharia industrial começou a influenciar as práticas e os procedimentos na indústria de confecção. As fábricas começaram a adotar métodos científicos para resolver as tarefas como estudos de tempos, lay-out, planejamento e produção, cronogramas e controles. Surgiram máquinas de costura com maior velocidade, o desempenho nas fábricas melhorou, resultando em novos aumentos de produtividade.

        A partir de 1950 A partir de 1950, tornou-se difícil conseguir aumentos de eficiência por meio de sistemas e maquinarias, com o advento da pesquisa de produção, veio a era dos dispositivos mecânicos, hoje comuns na indústria de confecção.

        

      Fonte: Adaptado de ANDRADE FILHO; SANTOS (1987, p.111).

        Com a aceleração do processo de integração dos mercados, na década de 80 houve migração de uma parcela significativa da produção de artigos têxteis e confeccionados dos Estados Unidos, União Européia e Japão para países da Ásia, Leste Europeu, Norte da África e Caribe, alterando substancialmente o mapa da produção mundial (IEMI, 2009).

        De acordo com o IEMI, a produção mundial de têxteis, incluindo fios, tecidos, malhas e confeccionados foi de 76 milhões de toneladas em 2010 (ABIT, 2013b).

        Segundo a ABIT (2013b), no ano de 2010, o Brasil ocupava a 4ª posição mundial entre os maiores produtores de vestuário e a 5ª posição em produtores de manufaturados têxteis, conforme mostra a Tabela 3.

        Tabela 3 - Produtores mundiais de Têxteis e Vestuário - Ano 2010 TÊXTEIS

        VESTUÁRIO Países % Países %

        1. China 50,7% 1. China 46,4% 2. Índia 7,6% 2. Índia 6,8%

        3. Estados Unidos 5,3%

        3. Paquistão 3,3%

        4. Paquistão 3,7%

        4. BRASIL 2,8%

        5. BRASIL 3,0%

        5. Turquia 2,5%

        6. Indonésia 2,5%

        6. Coréia do Sul 2,2%

        7. Taiwan 2,4%

        7. México 2,1%

        8. Turquia 1,9%

        8. Itália 2,0%

        9. Coréia do Sul 1,8%

        9. Malásia 1,5%

        10. Tailândia 1,2%

        10. Polônia 1,5% Fonte: ABIT (2013b)

        A industrialização brasileira teve seu primórdio no âmbito da indústria têxtil. Suas raízes encontram-se entre os índios que habitavam aqui e já exerciam atividades artesanais, utilizando-se de técnicas de entrelaçamento manual de fibras vegetais (IEMI, 2009).

        Na visão de Hardman e Leonardi (1991, p.21), “Quando surgiram os primeiros estabelecimentos fabris no Brasil, a

        Revolução Industrial na Inglaterra já vinha se desenvolvendo há mais de meio século .”

        Bueno (2008, p.78) menciona que:

        No final do século 18, a indústria têxtil brasileira tinha começado a se desenvolver graças à abundante matéria-prima, ao crescente consumo local e a guerra da independência dos Estados Unidos (1775- 1783). Em 1785, D. Maria I ordenou que fossem fechadas as manufaturas e queimados os teares, só as fábricas de panos grossos de algodão, que serviam para cobrir os corpos dos escravos, puderam continuar em atividade. Se algum país deveria produzir tecidos finos, era a Inglaterra, não o Brasil.

        De acordo com Luz (1978, p.205), “Ao desvencilhar-se em 1808, do regime colonial, presenciou o Brasil a primeira tentativa de industrialização, sob a tutela do próprio Estado, enquadrando-se, as medidas adotadas, nas práticas usuais da política mercantilista

        .” A partir de 1808, quando a Família Real se instalou no

        Brasil, vários fatores tornariam o algodão um ótimo investimento como a abertura dos portos, depois 1844 a proteção alfandegária que deu impulso à indústria nacional (BUENO, 2008).

        Por volta de 1844, até então incipiente Indústria Têxtil, iniciou sua fase de implantação efetiva, período que se estendeu até 1914, quando então, teve sua fase de consolidação (IEMI, 2009).

        “A partir de 1850, as ferrovias facilitaram a circulação dos produtos e as modernas máquinas vindas da Europa e dos Estados Unidos ajudaram a dar mais força às fábricas de tecidos” (BUENO, 2008, p.78).

        Em 1871, Bernardo Mascarenhas, colocou em funcionamento em Juiz de Fora a Fábrica do Cedro, com base nos conhecimentos adquiridos em viagem as tecelagens dos Estados Unidos, onde observou técnicas de produção e conheceu o maquinário que adquiriu. As primeiras indústrias têxteis brasileiras não passavam de empresas familiares, propriedades individuais erguidas por visionários (BUENO, 2008).

        “Em 1872, surgiu a Companhia Brazil Industrial no Rio de Janeiro, tida como a pioneira entre as sociedades anônimas do ramo têxtil. A empresa foi uma potência que se manteve como a maior fábrica têxtil do Brasil até 1880 .” (BUENO, 2008, p.79).

        Para Suzigan (2000, p.129):

        A Indústria Têxtil foi o gênero mais importante da indústria de transformação no Brasil até o ano de 1939. Em 1907, a têxtil (incluindo produtos de algodão, juta, lã, seda e linho) empregava 34,2% dos trabalhadores na indústria de transformação [...] diversos fatores favoreceram o desenvolvimento da indústria têxtil brasileira a partir da metade do século XIX, como: a presença de uma matéria-prima importante, o algodão; a demanda crescente por vestuário, por sacaria para café, açúcar e cereais; havia mão-de-obra barata, embora não treinada e, finalmente, a produção interna de têxteis era protegida da concorrência estrangeira.

        A manufatura de produtos de algodão foi a primeira a se desenvolver a partir da década de 1840. Seguiram-se a ela, no fim do século XIX, a manufatura de produtos de juta, produtos de lã, seda (décadas de 1920 e 1930) e seda artificial a partir do fim da década de 1920. Mas durante todo período a indústria de produtos de algodão foi de longe a predominante (SUZIGAN, 2000).

        Marinho (2005) descreve que ao longo do século XX, a indústria consolidou-se e, mesmo com crises, a produção cresceu. No fim da Primeira Guerra o Brasil tornou-se auto- suficiente na área têxtil. Em 1920 o consumo de tecidos importados era pequeno e restrito a mercadorias finas.

        Segundo Bossle (1988), é consenso entre os estudiosos da História Econômica do Brasil, que durante a Segunda Guerra Mundial, houve queda no crescimento industrial, devido a dificuldade de importar equipamentos e matérias-primas, porém, aumentaram as exportações, com a participação de produtos manufaturados, principalmente têxteis.

        De acordo com Prado (1973 apud Marinho, 2005, p.17), história da industrialização brasileira [...] o algodão foi a matéria- prima que permitiu a instalação das primeiras unidades fabris no Brasil e a produção têxtil ocupou posição hegemônica no total da produção industrial brasileira

        .” Em meados dos anos 50, ocorre o início da fase industrial brasileira em processo acelerado, com ênfase aos setores mais dinâmicos e não tradicionais da economia brasileira (IEMI, 2009).

        Foi somente em 1970 que o setor têxtil nacional realmente se consolidou como um dos mais importantes da indústria brasileira, tanto pela grande oferta de empregos quanto pelo volume de receitas e impostos por ele gerados (IEMI, 2009).

        Em relação a indústria de confecção do Brasil, podemos dizer que, durante um período, manteve-se defasada dos grandes centros industriais. Mais tarde, a partir da transmissão de toda experiência adquirida no exterior, passamos ao que podemos chamar de fenômeno do progresso acelerado (ANDRADE FILHO; SANTOS, 1987).

        Na década de 90, com a exposição à concorrência mundial o setor sofreu um forte impacto, quando muitas empresas menos preparadas para competir com os fornecedores externos foram obrigadas a abandonar suas atividades, as que ficaram investiram em sua modernização, compensando a capacidade produtiva perdida (IEMI, 2009).

        Com a abertura do mercado nacional à concorrência internacional, o setor foi obrigado a um grande esforço de investimentos, não só em máquinas e equipamentos, mas também em treinamento, inovação e modernização da estrutura e da gestão, objetivando a redução de custos e a melhoria da produtividade e da qualidade de seus produtos, a fim de equiparar-se aos grandes produtores mundiais (IEMI, 2012).

        Entre 1990 a 2008 foram investidos US$ 13 bilhões na aquisição de máquinas e equipamentos têxteis de ultima geração, isto permitiu que o setor se equiparasse aos grandes produtores internacionais em termos de tecnologia produtiva (IEMI, 2009).

        Nos anos de 2007 a 2009, a excessiva valorização da moeda nacional ocasionou um surto de crescimento das importações e a estagnação das exportações brasileiras de produtos têxteis e confeccionados, apresentando assim, um novo desafio às empresas do setor (IEMI, 2009).

        As dificuldades maiores atuais são inerentes às escalas de produção e ao nível de organização das empresas brasileiras, além da equivalência tributária e dos custos financeiros praticados nos países considerados como grandes supridores internacionais de têxteis e vestuário (IEMI, 2012).

        Providências se tornam necessárias e urgentes, face ao novo surto de crescimento das importações brasileiras, estimulado também pela taxa cambial favorável às compras no exterior, observada nos últimos anos (IEMI, 2012).

        O ano de 2010 foi marcado por desafios para a indústria têxtil, que precisou lidar com a alta do preço do algodão, matéria- prima que responde por cerca de 40% do preço dos produtos de cama, mesa e banho. A valorização foi de aproximadamente 25%, deixando a indústria têxtil apreensiva, mesmo quem possuía estoque, sentiu os efeitos mais tarde, precisando cortar gastos (IEMI, 2012).

        Na Tabela 4 estão dispostos os números de empresas nacionais dos segmentos Têxteis e Confeccionados, conforme relatório do IEMI de 2012.

        Tabela 4

      • – Empresas Nacionais por segmento
      Entre 2007 e 2011 houve um aumento de 17,6% no número de empresas têxteis e confeccionistas em atividade no país, assim consideradas aquelas que tinham no mínimo cinco empregados em 1º de janeiro de cada ano. No setor confeccionista, o número de empresas cresceu 19% e nos segmentos têxteis (fiação, tecelagem, malharia e beneficiamento) houve aumento de 10,2% (IEMI, 2012).

        O consumo médio de Têxtil e Confecção no Brasil, cresceu significativamente entre 1995 e 2007, quando a média por habitante passou de 8,7 kg para 11,6 kg. Essa média ainda está bem distante do consumo médio dos países desenvolvidos, de cerca de 25 kg na Europa e 35 kg nos Estados Unidos (BNDES, 2009).

        Uma das características da cadeia Têxtil e Confecção brasileira é a existência de pólos regionais de produção, os principais pólos estão situados nos estados de São Paulo, Santa Catarina, Rio de Janeiro e Ceará (BNDES, 2009).

        São Paulo se destaca como o mais importante centro produtor, também o principal varejo de luxo do país com lojas nacionais e internacionais, além das maiores concentrações nacionais de confecções e lojas atacadistas nos bairros do Brás e Bom Retiro, sendo que também a cidade de Americana se destaca pelo elevado desenvolvimento tecnológico e é especializada na produção de tecidos artificiais e sintéticos (BNDES, 2009).

        Em Santa Catarina, o destaque é para o Vale do Itajaí, cuja principal cidade é Blumenau, um dos pólos têxteis mais avançados da América Latina e o centro brasileiro com maior inserção no mercado internacional, sendo o principal exportador nacional de artigos de malha e linha Lar (BNDES, 2009).

        4.2 A INDÚSTRIA T&C EM SANTA CATARINA O desenvolvimento econômico de Santa Catarina começou atrasado em relação às principais províncias do Brasil Colônia e manteve-se com características de subsistência até 1850.

        Nos 30 anos seguintes, graças à conjunção de fatores como o grande fluxo de imigrantes europeus e às mudanças diversificada e desenhou-se o que se poderia chamar de as primeiras indústrias que se tem notícia na Província (FIESC, 2000, p.13).

        Na Figura 1, se observa em ordem cronológica os principais aspectos históricos da indústria catarinense.

        

      Figura 1 - A Indústria Catarinense no tempo

      Século

      • Engenhos de açúcar e farinha, alambiques, captura e XVIII beneficiamento de baleias.
      • Movimentos migratórios da Europa e mudanças 1800 institucionais e econômicas no país pôem fim a restrições da política colonialista, surgem empreendimentos a 1850 industriais.
      • Nas colônias, a indústria surge pelas mãos de imigrantes 1850 alemães, italianos e outros. No Nordeste e Vale do Itajaí, serrarias e processadoras de erva-mate precedem os a 1880 primeiros empreendimentos têxteis.
      • Surto da industrialização com companhias têxteis, 1880 serrarias e usinas a vapor em Joinville, Blumenau e a 1900 Brusque.
      • Infraestrutura de energia e transportes viabiliza 1900 crescimento urbano e dinamismo industrial por todo a 1914 estado.
      • As guerras mundiais forçam a substituição de importações 1914 de bens de consumo e combustíveis. Consolidam-se as a 1945 indústrias metalmecânica, alimentos, madeira e carvão.
      • Diversificação e expansão: surge a indústria cerâmica, 1945 papel e celulose, autopeças e plásticos, têxtil e alimentos ganham escala e novos empreendimentos revolucionam a a 1970 metalmecânica.
      • Indústrias exploram novos mercados, investindo em valor 1970 agregado, conquistam liderança em processamento de aves e suínos, tubos e conexões de PVC, cerâmica, a 1990 refrigeradores, motocompressores e motores elétricos.

        Anos 90 -

      • Renovação: novas bases para competitividade demandam Século reestruturação produtiva, responsabilidade socioambiental,

        XXI

      inovação e investimento em conhecimento.

      Fonte: Adaptado do Relatório Business Santa Catarina, FIESC (2012b,

      p.19) De acordo com a FIESC (2012b, p.19), “Entre 1850 e 1872 a população do estado de Santa Catarina duplicou. Os colonos se estabeleceram no Vale do Itajaí e Nordeste do estado, organizados em propriedades familiares pequenas e produtivas, diversificando a economia, deram início à industrialização do estado

        .” Os imigrantes que chegavam a Santa Catarina em meados do século XIX possuíam vocação industrial, logo erguendo as primeiras unidades fabris nas colônias Blumenau e Dona Francisca, as empresas não possuíam capital ou apoio do governo, portanto, se financiaram junto aos comerciantes das colônias (FIESC, 2012b).

        Segundo Hering (1987) graças a poupança dos colonos e investimento de recursos próprios, com a produção voltada para o mercado regional, se desenvolveram as empresas têxteis tradicionais da região: Hering, Karsten, Renaux, Buettner, Schloesser, dentre outras.

        O período de 1880 a 1945 foi marcado pela habilidade de diversos empreendedores em aproveitar os espaços e as oportunidades de mercado. A diversificação contribuiu decisivamente para evitar a estagnação da indústria e impedir a retração ou a destruição de parcelas do parque produtivo, como aconteceu em outros Estados fora do eixo Rio - São Paulo, sobretudo a partir de 1930 (FIESC, 2000).

        Se gundo Hering (1987, p.318) “A indústria catarinense, trouxe a marca da colonização original

      • – no Vale do Itajaí formaram-se pequenas e médias empresas familiares, lideradas por empreendedores de origem alemã

        .” De acordo com Bossle (1988, p.35),

        “É de consenso geral entre os autores catarinenses que a inovação, segundo a teoria de Schumpeter, ligada a outros fatores de maior importância, promoveu a industrialização de Santa Catarina

        .” Segundo a FIESC (2012b, p.19):

        Nos anos 50 a indústria catarinense diversificou-se, com o surgimento de novos setores dinâmicos. O modelo catarinense se contrapôs ao nacional, no qual multinacionais e estatais eram a base dos novos investimentos produtivos. O perfil demográfico do estado mudou, com o deslocamento da população para áreas urbanas, e logo o setor secundário se tornou o segmento mais importante da economia. Nos anos 70 a indústria conquistou novos mercados e deu o salto para o exterior, conquistando o perfil exportador que a

      caracteriza até hoje.

        Bossle (1988) destaca que o empresário inovador esteve representado pela mentalidade dos alemães, pela experiência e conhecimentos, que colocados em prática, abriram espaço para criação de novos mercados.

        Devido à atualização do pessoal administrativo através dos contatos com a Alemanha, a indústria do Vale do Itajaí manteve-se na vanguarda tecnicamente, lançando produtos originais e de qualidade (HERING, 1987).

        Segundo a FIESC (2012c, p.11):

        A economia industrial de Santa Catarina é caracterizada pela concentração em diversos pólos, o que confere ao estado padrões de desenvolvimento equilibrado entre suas regiões: cerâmico, carvão, vestuário e descartáveis plásticos no Sul; alimentar e móveis no Oeste; têxtil, vestuário, naval e cristal no Vale do Itajaí; metalurgia, máquinas e equipamentos, material elétrico, autopeças, plástico, confecções e mobiliário no Norte; madeireiro na região Serrana e tecnológico na Capital. Embora haja essa concentração por região, muitos municípios estão desenvolvendo vocações diferenciadas, fortalecendo vários segmentos de atividade.

        De acordo com dados da FIESC (2012c), de janeiro a dezembro de 2011, as exportações catarinenses alcançaram o valor acumulado de US$ 9,1 bilhões, o que significa um acréscimo de 19,4% em relação ao ano anterior. Os valores exportados por Santa Catarina corresponderam a 3,5% das exportações brasileiras, ocupando a décima colocação no ranking nacional. Os principais mercados de destino dos produtos catarinenses em 2011 foram Estados Unidos (11%), Japão (7,6%), Argentina (7,5%) e Países Baixos/Holanda (7,1%).

        Para Andrade Filho e Santos (1987, p.112):

        O objetivo primordial da indústria de confecção é a produção de roupas e a produção em menor escala, de cortinas, artigos de cama, mesa e banho. Tem ainda como objetivo, auxiliar indiretamente as indústrias que se utilizam de tecidos como matéria-prima, através do empréstimo de sua tecnologia

      • – principalmente em risco, corte e costura [...] a confecção dá forma aos tecidos, possibilitando a utilização direta do produto final por parte do consumidor.

        A Figura 2 apresenta a configuração da cadeia têxtil e de confecção.

        

      Figura 2 - Cadeia Têxtil e de Confecção Fonte: ABIT (2013) De acordo com Lupatini (2004, p.33) “A confecção é a última etapa do processo produtivo da cadeia têxtil-vestuário é a confecção de roupas e artigos têxteis em geral, que engloba desenho, confecção de moldes, gradeamento, encaixe, corte e costura. Esta última é a principal etapa da confecção, concentrando a maioria das operações

        .” No estado de Santa Catarina estão localizadas 14% das empresas da cadeia têxtil brasileira, ou 4.735 empresas, sendo

        915 produtoras ou beneficiadoras de manufaturas têxteis e 3.820 fabricantes de artigos confeccionados (IEMI, 2012).

        A Tabela 5 detalha o número de empresas de Santa Catarina do segmento têxtil e confecção de 2007 a 2011.

        Tabela 5

      • – Empresas de Santa Catarina por segmento

        A maior participação de Santa Catarina, em quantidade de empresas, se verifica no setor de beneficiamento, com 29,1% do total nacional, conforme demonstra Tabela 6.

        Tabela 6

      • – Participação de empresas de Santa Catarina no Brasil

        No período de 2007 a 2011, a produção nacional de artigos têxteis, medida pelos volumes produzidos de fios e adicionados ao consumo interno de filamentos, incluindo polipropileno (filamento e ráfia), cresceu apenas 0,6%.

        A produção de fios recuou 4,6%; a de tecidos planos, 1,5%; e a de tecidos de malha, 18,5% no período (IEMI, 2012). Na Tabela 7 estão as informações sobre a produção de têxteis e confeccionados no Brasil de 2007 a 2011.

        Tabela 7

      • – Produção de têxteis e confeccionados no Brasil

        A produção total de artigos confeccionados, medida em volumes de peças, cresceu 11,8%. O vestuário apresentou crescimento de 15,2%. Santa Catarina participou com 22,3% da produção nacional de produtos manufaturados têxteis e 16,7% da produção de artigos confeccionados de 2011 (IEMI, 2012), conforme Tabela 8.

        

      Tabela 8 - Produção de têxteis e confeccionados em Santa Catarina

        Os maiores destaques do estado são os pólos produtores de malhas e linha lar, nos quais participa com 34,5% da produção nacional de malhas e 25,6% da produção de artigos têxteis para o lar (IEMI, 2012), conforme dados da Tabela 9.

        Tabela 9 Participação na produção de têxteis e confeccionados

        Segundo a FIESC (2012b), a região do Vale do Itajaí e Norte Catarinense se destacam no segmento têxtil e confecções e a região Sul do estado também tem expressiva participação em confecções. Sendo que no Vale do Itajaí, encontramos as cidades que formam um dos pólos mais conhecidos do vestuário, da qual se destacam as cidades de Blumenau, Brusque, Gaspar, Indaial, Pomerode, Itajaí (Foz do rio Itajaí), Rio do Sul (Alto Vale do rio Itajaí).

        Na figura 3 pode-se observar o mapa do estado de Santa Catarina com a localização das cidades de produção têxtil- vestuário com destaque no território catarinense no ano de 2008.

        Figura 3

      • – Localização das cidades de produção têxtil vestuário Fonte: CARIO et al. (2008, p.337)

        De acordo com o IEMI (2012), é possível avaliar a relevância da indústria têxtil e confeccionista de Santa Catarina por sua expressiva participação sobre os principais indicadores da cadeia têxtil brasileira, sendo o grande destaque as exportações de confeccionados que representa 32%, como pode-se observar na Tabela 10.

        

      Tabela 10 - Participação de Santa Catarina sobre indicadores da

      Cadeia Têxtil do Brasil

        Santa Catarina possui relevante participação nos indicadores da Cadeia Têxtil brasileira. Uma das características do setor é a flexibilidade industrial para atender a pequenos pedidos com agilidade. A indústria passa por constante renovação tecnológica, com investimentos em teares computadorizados, equipamentos eletrônicos para tinturaria e máquinas de corte e costura automatizada, aliada à capacitação profissional (FIESC, 2012c).

      5 APRESENTAđấO E ANÁLISE DOS RESULTADOS

        A apresentação dos resultados está estruturada em quatro etapas, conforme demonstra a Figura 4.

        

      Figura 4 - Etapas de apresentação dos resultados

      Etapa 2 Etapa 1 Etapa 3 Etapa 4

        Percepções Conteúdos Coordenadores Percepções Percepções Administração dos Cursos Gestores da Designers de dos Cursos de

        Superiores de Indústria Moda Moda Moda

        

      Fonte: produção da própria autora (2013)

        Na primeira etapa foram levantadas as disciplinas com conteúdos de administração constantes nos currículos dos cursos superiores de moda, nas etapas seguintes foram identificadas as percepções dos: coordenadores dos cursos de moda, dos gestores da Indústria e dos designers de moda a respeito dos conteúdos de administração.

        5.1 A ADMINISTRAđấO NOS CURSOS DE MODA O primeiro objetivo específico definido para este estudo tratava de caracterizar os conteúdos de administração constantes no currículo dos cursos superiores de moda de Santa Catarina. Para isso, primeiramente foram identificadas as 13 Instituições de Ensino Superior de grau bacharelado, modalidade presencial, foco deste estudo, que foram apresentadas no Quadro 10.

        

      Quadro 10 - Cursos Superiores de Moda em Santa Catarina

      Instituições de Ensino Sigla Cidade Superior

        Faculdade do Vale do Itajaí ASSEVIM Brusque Mirim Faculdade de Ciências Sociais

        FACISA Xaxim Aplicadas Faculdade Metropolitana de

      FAMEG Guaramirim

        Guaramirim Faculdade Metropolitana de Rio FAMESUL Rio do Sul do Sul

        Católica de Santa Catarina

      FERJ Jaraguá do Sul

      Universidade Regional de

      FURB Blumenau

        Blumenau Universidade do Estado de

      UDESC Florianópolis

      Santa Catarina

        Centro Universitário Estácio de UNESA São José Sá Centro Universitário Leonardo

        UNIASSELVI Indaial da Vinci Centro Universitário de Brusque UNIFEBE Brusque

        Universidade do Vale do Itajaí

      UNIVALI Balneário Camboriú

      Universidade da Região de UNIVILLE Joinville

        Joinville Universidade Comunitária da UNOCHAPECÓ Chapecó Região de Chapecó

        

      Fonte: Produção da própria autora após pesquisa ao Portal do MEC

        Depois de relacionadas às instituições e suas respectivas cidades, observou-se na distribuição geográfica das IES com o perfil estudado no território Catarinense, uma concentração maior na região do Vale do Itajaí, de acordo com o mapa da Figura 4.

        A maioria das cidades possui apenas uma instituição que oferece o curso superior de grau bacharelado na área de Moda, com exceção apenas da cidade de Brusque que oferece dois cursos, de acordo com a Figura 5.

        Figura 5

      • – Mapa de localização das IES no território Catarinense

        Fonte: produção da própria autora (2013)

        Em relação ao número dos cursos superiores de Moda no Brasil, a jornalista Astrid Façanha, realizou uma pesquisa que foi apresentada no 6º Fórum das Escolas de Moda na cidade de Maringá, estado do Paraná em setembro de 2011, onde relatou que existem em funcionamento no Brasil 174 cursos de formação superior na área de Moda: 75 bacharelados, 92 tecnológicos, do total: 18% públicos e 88% privados (FAÇANHA, 2011).

        Levando em consideração estes dados, o estado de Santa Catarina com seus 13 cursos representa 17,3% do total de cursos superiores de moda de grau bacharelado no Brasil.

        Na sequência, foi realizada uma pesquisa nos sites oficiais das IES de moda, onde foram identificadas nas matrizes curriculares dos cursos as cargas horárias totais dos cursos e as cargas horárias das disciplinas com conteúdos da área de Administração. O Quadro 14 apresenta estas informações.

        

      Quadro 14 - Carga horária total dos cursos de Moda e dos conteúdos

      de administração Instituições de

        Ensino Superior

      Carga horária total

      dos cursos de moda

      (horas)

        Carga horária dos conteúdos de administração (horas)

        FACISA 3096 468 FERJ 2520 420 UNIFEBE 2410 360 ASSEVIM 2400 300 FAMEG 2400 300 FAMESUL 2400 300 UNIASSELVI 2400 300 UDESC 3240 270 UNIVILLE 2880 216 UNIVALI 2880 210 FURB 3582 180 UNESA 2418 152 UNOCHAPECÓ 2520 150 Média 2704 279

        

      Fonte: Produção da própria autora (2013)

        Ao levantar as cargas horárias totais dos cursos de bacharelado em moda, foi constatado que não existe um padrão, as mesmas variam bastante. A menor carga horária total é de 2.400 horas e foi identificada nas instituições: ASSEVIM, FAMEG, FAMESUL e UNIASSELVI.

        As três maiores cargas horárias totais dos cursos de moda foram identificadas respectivamente na FACISA (3.096 horas), UDESC (3.240 horas) e FURB (3.582 horas).

        Portanto, a carga horária total média dos cursos de bacharelado em moda do Estado de Santa Catarina é de 2.704 horas.

        Tendo por base o levantamento realizado a respeito do perfil das IES em função da matriz curricular do curso de Moda, foram selecionadas as cargas horárias das disciplinas com conteúdos de administração e suas participações na carga horária total do curso, conforme demonstra o gráfico 1.

        

      Gráfico 1 - Participação dos conteúdos de administração nos cursos de

      moda

        

      Fonte: Produção da própria autora (2013)

        Há uma grande variação em relação a carga horária das disciplinas com conteúdos de Administração que fazem parte dos cursos de graduação em moda.

        A menor carga horária é de 150 horas e foi encontrada na UNOCHAPECÓ representando 6% do total do curso e a maior carga horária de 468 horas está presente no curso da FACISA, representando 15% do total do curso.

        A carga horária média dos conteúdos de administração nos cursos de bacharelado em moda do Estado de Santa Catarina é de 279 horas e representa 10% da carga horária total.

        Foram encontradas sete IES com participações superiores a média, que são: ASSEVIM, FAMEG, FAMESUL e UNIASSELVI com 13%, UNIFEBE e FACISA com 15% e a FERJ que se destaca por ter 17% de participação dos conteúdos de administração na carga horária do curso de moda.

        Na sequência da pesquisa foram mapeadas as disciplinas com conteúdos de administração que fazem parte da matriz curricular atual de cada uma das Instituições Superiores de Moda. No Quadro 15 estão listadas as IES de Moda que apresentam até cinco disciplinas com conteúdos de administração, os nomes das disciplinas e suas respectivas cargas horárias.

        Quadro 15 -

        IES que oferecem até cinco disciplinas com conteúdos de

      administração

      CARGA

        IES DISCIPLINAS HORÁRIA (horas) Administração na Confecção

        72 Formação de preço do vestuário

        72 FURB Matemática aplicada

        36 Total FURB 180 Empreendedorismo

        72 Marketing

        72 UNIVILLE Materiais e processos têxteis

        72 Total UNIVILLE 216 Gestão empresarial da moda

        36 Marketing e comunicação de

        36 moda UNESA Processos produtivos

        80 Total UNESA 152 Empreendedorismo

        30 Gestão da Moda

        60 Gestão de Eventos

        60 UNIVALI Marketing

        60 Total UNIVALI 210 Design Management

        30 Empreendedorismo

        30 Gestão de Produto

        60 UNOCHAPECÓ Marketing e comunicação de 30 moda

        Total UNOCHAPECÓ 150

        CARGA

        IES DISCIPLINAS HORÁRIA (horas) Comunicação do produto de

        36 moda Empreendedorismo

        54 Gestão da produção do

        72 UDESC vestuário Marketing de Moda

        54 Processos têxteis

        54 Total UDESC 270

      Fonte: Produção da própria autora (2013)

        Das Instituições de ensino anteriormente citadas, a FURB, UNIVILLE e UNESA são as que oferecem o menor número de disciplinas com conteúdos de administração, totalizando três e com cargas horárias que variam de 152 até 216 horas.

        A UNIVALI e a UNOCHAPECÓ oferecem quatro disciplinas e a UDESC oferece em seu curso um total de cinco disciplinas com conteúdos relacionados à administração e se destaca neste grupo pela maior carga horária de 270 horas. No Quadro 16 estão listadas as IES de Moda que apresentam de seis até oito disciplinas com conteúdos de administração, os nomes das disciplinas e suas respectivas cargas horárias.

        

      Quadro 16 - IES que oferecem de seis a oito disciplinas com conteúdos

      de administração CARGA

        

      IES DISCIPLINAS HORÁRIA

      (horas) Empreendedorismo

        60 Gestão de custos

        30 Gestão de Design

        60 Marketing de Moda

        60 ASSEVIM Processos produtivos

        30 Psicologia do consumo

        60 Total ASSEVIM 300 IES DISCIPLINAS CARGA HORÁRIA (horas)

        FAMEG Empreendedorismo

        60 Marketing de Moda

        60 Gestão ambiental

        75 Empreendedorismo

        75 Administração mercadológica

        60 Total UNIFEBE 360 FERJ Administração de custos

        60 Visual merchandising

        60 Sociologia

        60 Psicologia

        60 Materiais e processos

        60 Marketing de Moda

        60 Total FAMESUL 300 UNIFEBE Gestão da moda

        30 Psicologia do consumo

        60 Processos produtivos

        30 Gestão de Design

        60 Gestão de custos

        60 Gestão de custos

        60 Total UNIASSELVI 300 FAMESUL Empreendedorismo

        30 Psicologia do consumo

        60 Processos produtivos

        60 Marketing de Moda

        30 Gestão de Design

        60 Gestão de custos

        60 Total FAMEG 300 UNIASSELVI Empreendedorismo

        30 Psicologia do consumo

        60 Processos produtivos

        60 Marketing de Moda

        30 Gestão de Design

        30 IES DISCIPLINAS CARGA HORÁRIA (horas)

        Marketing de posicionamento

        60 Materiais e processos têxteis

        60 Sociologia

        60 Total FERJ 420 FACISA Administração da produção

        72 Empreendedorismo

        36 Gestão da Moda

        72 Marketing de Moda

        36 Materiais e processos têxteis

        72 Negócios da Moda

        36 Pesquisa de mercado

        72 Psicologia da Moda

        72 Total FACISA 468

      Fonte: Produção da própria autora (2013)

        A FACISA de Xaxim é a instituição que oferece o maior número de disciplinas da área de Administração na sua matriz curricular totalizando oito, com uma carga horária de 468 horas.

        Na sequência está a FERJ de Jaraguá do Sul com sete disciplinas e uma carga horária de 420 horas. As instituições que oferecem seis disciplinas com temas da área de Administração são: ASSEVIM, FAMEG, FAMESUL,

        UNIASSELVI e UNIFEBE, juntas elas representam 38% do total.

        Como se pode observar, ao realizar o levantamento das matrizes curriculares, foi constatada uma grande variedade de disciplinas com nomenclaturas distintas relacionadas à Administração. Para que ocorra uma análise mais adequada, foi necessário agrupar as disciplinas pelos temas correlatos, com maior frequência e que tenham relação entre si. Partindo desta premissa, foram definidas cinco grandes áreas da administração que agrupam as disciplinas existentes nos cursos de moda, conforme Figura 6.

        

      Figura 6 - Áreas da administração nos cursos de moda

      Gestão e Empreendedorismo Custos e Formação de Marketing preços Produção e Psicologia e Processos Sociologia Têxteis

        

      Fonte: Produção da própria autora (2013)

        O gráfico 2 apresenta as cinco áreas identificadas nos cursos de moda devido ao agrupamento de todas as disciplinas com conteúdos de administração e as respectivas cargas horárias totais encontradas em cada área.

        

      Gráfico 2 - Cinco áreas da administração nos cursos de Moda e suas

      cargas horárias totais

        

      Fonte: Produção da própria autora (2013)

        Ao agruparmos as disciplinas por áreas, podemos observar que a área de Gestão e Empreendedorismo possui a maior carga horária com 1.278 horas e participa com 35% do total de conteúdos de administração nos cursos de Moda.

        As disciplinas da área de Marketing, com total de 891 horas, representam 25% de todo o conteúdo de administração nos cursos.

        Produção e Processos Têxteis com 662 horas representam 18%, Psicologia e Sociologia com 492 horas representam 14%. As disciplinas de Custos e Formação de Preços com 303 horas possuem a menor participação dos conteúdos de administração representando 8%.

        Conforme o gráfico 3 pode-se observar o número de instituições que oferecem as disciplinas em cada uma das áreas da administração e a média de horas das disciplinas em cada área.

        

      Gráfico 3 - Média de horas das disciplinas por área e IES que oferecem

      disciplinas

        

      Fonte: Produção da própria autora (2013)

        Ao observar o gráfico anterior, pode-se verificar que a área com conteúdos de administração em destaque nos cursos de moda é Gestão e Empreendedorismo, esta área possui a carga horária mais relevante, com uma carga horária média de 98 horas e todas as 13 Instituições de Moda possuem disciplinas com enfoque nesta área na sua matriz curricular.

        A segunda área em destaque, que possui disciplinas na matriz curricular de doze Instituições de Moda é a área de Marketing com carga horária média de 74 horas.

        A área de Produção e Processos Têxteis, mesmo com uma representação expressiva no total, pois está presente em dez Instituições de Moda, possui uma carga horária média de 66 horas, sendo, portanto, menor que Psicologia e Sociologia que é de 70 horas e está presente em um número menor de Instituições de Moda, apenas sete.

        As disciplinas da área de Custos e Formação de Preços estão presentes em seis Instituições de Moda e possuem uma carga horária média de 51 horas, é a menor representação de todas as áreas.

        5.2 COORDENADORES DOS CURSOS O segundo objetivo específico definido para este estudo tratava de descrever as percepções dos Coordenadores dos

        Cursos de Moda, acerca da relevância dos conteúdos de administração ministrados nos cursos superiores de moda.

        Para isso, foram aplicados os questionários com todos os treze Coordenadores dos Cursos de Moda, de grau bacharelado, modalidade presencial, do Estado de Santa Catarina.

        O instrumento foi constituído por onze questões, abertas e fechadas, o mesmo foi enviado para o email profissional de cada um dos coordenadores. Após o envio dos emails a pesquisadora entrou em contato via telefone com todos os coordenadores, onde reforçou a relevância do estudo e da participação de cada um dos coordenadores na pesquisa, bem como, esclareceu dúvidas e os objetivos do estudo.

      5.2.1 Perfil dos coordenadores

        De acordo com a pesquisa, os coordenadores dos cursos de moda de Santa Catarina são em sua maioria mulheres e representam 62% dos respondentes, conforme Tabela 11.

        

      Tabela 11 - Perfil dos coordenadores dos cursos por gênero

      Gênero Freq. % Feminino 8 62% Masculino

        5 38% TOTAL OBS. 13 100%

      Fonte: Dados da pesquisa (2013)

        Em relação ao grau de instrução dos coordenadores dos cursos de moda, possuem o grau de Mestre e 8 dos

        61% % coordenadores concluíram o Doutorado, de acordo com a Tabela 12.

        Tabela 12 - Grau de instrução dos coordenadores dos cursos Grau de instrução Freq. % Mestre 8 61% Especialista

        3 23% Doutor 1 8% Graduado 1 8% TOTAL OBS. 13 100%

      Fonte: Dados da pesquisa (2013)

        Quanto ao tempo de atuação como Coordenador do Curso de Moda na Instituição de Ensino Superior, há uma concentração nos períodos de 1 a 3 anos e 5 a 8 anos de 31% das respostas. O período de até cinco anos na função representa 61% das respostas dos coordenadores dos cursos, conforme Tabela 13.

        

      Tabela 13 - Tempo de atuação como coordenador do curso

      Tempo de atuação Freq. % Até 1 ano 2 15% De 1 a 3 anos

        4 31% De 3 a 5 anos 2 15% De 5 a 8 anos 4 31% Mais de 8 anos 1 8% TOTAL OBS. 13 100%

      Fonte: Dados da pesquisa (2013)

        Do total de coordenadores pesquisados, 85% afirmaram que trabalham na área de moda fora da Academia, conforme Tabela 14.

        

      Tabela 14 - Atuação dos coordenadores fora da Academia

      Atua fora da Academia Freq. % Sim 11 85% Não

        2 15% TOTAL OBS. 13 100%

      Fonte: Dados da pesquisa (2013)

        Na sequência desta questão, os respondentes tinham a opção de selecionar até três atividades que são desenvolvidas fora da Academia. A atividade de maior frequência apontada é a de Consultor de Moda, pois quatro respondentes atuam nesta função, representando 31% do total de coordenadores. Atuam como Estilistas três dos coordenadores dos cursos de moda, representando 23% dos respondentes, conforme Tabela 15.

        

      Tabela 15 - Atividades dos coordenadores fora da Academia

      Atividades fora da Academia Freq. % Consultor de Moda 4 31% Estilista

        3 23% Outros 3 23% Modelista 2 15% Proprietário de loja 2 15% Proprietário de confecção 2 15% Consultor de Marketing 1 8% Consultor de Varejo 1 8% Produtor de Moda 1 8% Consultor Visual Merchandising 0%

        Jornalista de Moda 0% TOTAL OBS.

        13 Fonte: Dados da pesquisa (2013)

      Nota: A quantidade de citações é superior à quantidade de observações

      devido às respostas múltiplas, de 3 no máximo.

        Para facilitar a identificação e leitura dos Quadros que irão apresentar as questões abertas, cada um dos questionários respondidos pelos coordenadores recebeu uma legenda.

        O Quadro 17 reúne informações para identificação dos corresponde a: “Coordenador do Curso de Moda” e o número na sequência é apenas um dado para registro e identificação.

        

      Quadro 17 - Legenda: perfil coordenadores cursos de moda

      Grau de

      Legenda Gênero Tempo na função

      instrução

      C.01 Masculino Mestre 3 a 5 anos

        C.02 Feminino Especialista 1 a 3 anos C.03 Masculino Graduado 3 a 5 anos C.04 Feminino Mestre Até 1 ano C.05 Feminino Doutor mais de 8 anos C.06 Feminino Mestre 5 a 8 anos C.07 Feminino Mestre 5 a 8 anos C.08

        Feminino Mestre 5 a 8 anos C.09 Feminino Especialista 1 a 3 anos C.10 Feminino Especialista 1 a 3 anos C.11 Masculino Mestre Até 1 ano C.12 Masculino Mestre 1 a 3 anos C.13 Masculino Mestre 5 a 8 anos

        

      Fonte: Dados da pesquisa (2013)

        Na Tabela 15 exibida anteriormente, a opção outros foi selecionada por 23% dos coordenadores. Esta questão também gerava uma questão aberta, onde o respondente era solicitado a responder quais são as atividades em que ele atua fora da academia que não estavam listadas na questão.

        De acordo com o Quadro 18 podemos conhecer estas atividades descritas pelos coordenadores.

        Quadro 18

      • – Outras atividades dos coordenadores

        Questão 3 Coordenadores Discurso Consultor para

        Atuação fora C.01 desenvolvimento de da Academia. produtos ( ) Outros. Criação de estampas e Quais?

        C.03 desenvolvimento de catálogos Escritório de design, fashion C.08 branding e planejamento de coleção

      Fonte: Dados da pesquisa (2013)

        As demais atividades listadas no Quadro 18 pelos coordenadores estão diretamente relacionadas à prestação de serviços ou consultoria na área de design de moda.

      5.2.2 Formação dos professores

        Outra questão levantada foi a formação dos professores que ministram disciplinas com conteúdos de administração nos cursos superiores de moda. Foram encontradas onze instituições que contam com professores formados em Administração, cuja formação atende aos conteúdos das DCN (BRASIL, 2005a, p.2), representando 85% do total de IES.

        Por outro lado, existe um grande número de professores formados em outros cursos, como por exemplo, professores formados em Design de Moda que ministram disciplinas com conteúdos de administração em cinco instituições de graduação em moda, representando 39% do total de IES, conforme a Tabela 16.

        Tabela 16

      • – Formação dos professores das disciplinas de

        administração

        Formação dos Professores Freq. % Administração 11 85% Design de Moda

        5 39% Outros 5 39% Ciências Contábeis 3 23% Publicidade 3 23% Ciências Econômicas 2 15% Direito 1 8% Engenharia 1 8% História 1 8% Arquitetura 0%

        Jornalismo 0% TOTAL OBS.

        13 Fonte: Dados da pesquisa (2013)

      Nota: A quantidade de citações é superior à quantidade de observações

      devido às respostas múltiplas, de 11 no máximo.

        A opção Outros, foi selecionada por cinco IES e representa a opinião de 39% dos coordenadores e no Quadro 19 estão listadas as formações destes professores.

        Quadro 19

      • Outras formações dos professores Questão 6 Coordenadores Discurso

        C.08 Design e Marketing Formação dos

        C.10 Filosofia professores das

        Design Gráfico e C.11 disciplinas com

        Marketing conteúdos de

        C.12 Psicologia administração.

        ( ) Outros.

        C.13 Artes Visuais Quais?

        

      Fonte: Dados da pesquisa (2013)

        As demais formações dos professores que ministram disciplinas com conteúdos de administração e mais se destacaram são: marketing e design, de acordo com Quadro 19.

      5.2.3 Segmentos atendidos pelo curso

        De acordo com as DCN (BRASIL, 2004, p.1), sobre o Projeto Pedagógico do Curso de Graduação em Moda das Instituições pesquisadas, 85% dos coordenadores dos cursos participaram da sua elaboração, conforme Tabela 17.

        

      Tabela 17 - Participação na elaboração do PPCG

      Elaboração do PPCG Freq. % Sim 11 85% Não

        2 15% TOTAL OBS. 13 100% Fonte: Dados da pesquisa (2013)

        Na sequência desta questão, os coordenadores foram questionados sobre quais segmentos o curso de graduação em moda se propõe a atender. Do total das respostas, doze instituições, 92% possuem o objetivo de formar alunos para atender as demandas das indústrias do vestuário e seis instituições, 46%, formam alunos com o objetivo de atender as demandas das indústrias de malhas e tecidos, de acordo com a Tabela 18.

        

      Tabela 18 - Segmentos atendidos pelo curso de Moda

      Segmentos Freq. % Indústrias de vestuário 12 92% Indústrias de malhas e tecidos

        6 46% Empresas de estamparia 5 39% Ind. artigos de cama, mesa e banho 4 31% Outros 4 31% Empresas de pesquisa 3 23% TOTAL OBS.

        13 Fonte: Dados da pesquisa (2013)

      Nota: A quantidade de citações é superior à quantidade de observações

      devido às respostas múltiplas, de 6 no máximo.

        Relevante citar que o estado de Santa Catarina se artigos de cama, mesa e banho, mas neste item apenas quatro instituições, 31% do total informaram que tiveram seus cursos constituídos para atender as demandas deste segmento.

        A opção outros, foi selecionada por quatro instituições, que representam 31% do total e suas respostas estão listadas no Quadro 20.

        Quadro 20

      • – Outros segmentos atendidos pelo curso

        Questão 5 Coordenadores Discurso C.04 Calçadista

        O curso de Produção de moda e C.05 graduação coordenação de moda em moda foi

        Mercado de moda: vestuário, constituído calçado, jóias, produção de C.08 para atender moda, gestão de eventos, quais fotografia de moda. demandas.

        Na verdade o nosso curso não ( ) Outros. tem um foco definido para

        Quais? atender esse ou aquele ramo da moda, pensamos em formar um profissional com formação C.11 mais genérica de forma a possibilitar a ele esta mobilidade entre os diversos segmentos do mundo da Moda.

        

      Fonte: Dados da pesquisa (2013)

        Os segmentos: calçadista e a produção de moda foram os mais citados conforme Quadro 20. Relevante citar que a coordenação de moda e gestão de eventos estão relacionados aos conteúdos de administração e ambos foram citados como demandas a atender pelo curso de moda, que podem ser distintas de acordo com PPC de cada curso (BRASIL, 2006a).

      5.2.4 Relevância da formação interdisciplinar

        Na opinião de 100% dos coordenadores dos cursos de moda é relevante que o designer de moda adquira conhecimentos de administração no curso de graduação em moda, no Quadro 21 foram explicitados os motivos de tal afirmação pelos coordenadores.

        Quadro 21

      • – Por que o designer deve adquirir conhecimentos de

        Administração

        Questão 7 Coordenador Discurso Dentro do PPC do nosso curso o perfil

        Por que é do egresso está fundamentado na relevante que formação do designer em 5 (cinco) o designer de grandes saberes: Artístico; Técnico; moda adquira Mercadológico; Didático-Científico e conhecimento Administrativo-Organizacional. Desta

      s sobre forma, para nosso PPC a formação se

      Administração

        C.01 completa com a administração. Afinal, ? designers devem ser compreendidos como gestores de desenvolvimento de projeto nas empresas. Esta é uma corrente das últimas 3 (três) décadas, e vem sendo seguida pela administração - basta buscar as últimas publicações da HSM (Revista de Administração).

        Porque todo o processo que envolve as pesquisas, a criação, o desenvolvimento, marketing e vendas fazem parte do C.02 processo de administração do produto de moda. Sustentando-o no mercado com maior embasamento.

        Acredito ser muito relevante pois, a atividade de moda é focada diretamente ao comércio de produtos, a possibilidade de compreender como custos, tempos e

        C.03 processos interferem na precificação dos artigos produzidos para uma coleção é essencial.Outro fator atrelado a

        Questão 7 Coordenador Discurso o marketing da empresa está relacionado ao posicionamento de cada produto, e como estes conceitos devem estar presentes nas peças criadas.

        Principalmente em nossa região, pois grande parte dos nossos acadêmicos são filhos de proprietários de lojas e confecções. Também, é imprescindível

        C.04 ter noção de gestão, seja para administrar a sua coleção ou mesmo

      negócio.

        Ele precisa ser um empreendedor, administrar seu próprio negócio ou o setor que trabalha. Outra coisa importante é fazer o marketing pessoal. C.05 Ele tem o produto, o seu conhecimento saber gerenciar este saber entre o grupo de trabalho.

        É de fundamental importância para nossa região, porque temos muitos empresários na área de confecção de moda jeans com formação em

        C.06 administração, assim como na matriz curricular temos a disciplina de formação de custos e preços, marketing, empreendedorismo.

        Conhecimento sobre administração não é só relevante como necessário. O sucesso de um profissional depende de como ele administra suas ações e

        C.07 relações de trabalho.Cada profissional deve ser gestor de sua profissão, independente de ocupar ou não algum cargo administrativo.

        De maneira bem concisa, o aluno precisa desse conteúdo, principalmente, porque ele precisa desses conteúdos C.08 para desenvolver a sua visão empreendedora, ter noção de custos de

        Questão 7 Coordenador Discurso marketing do produto bem como o gerenciamento da produção.

        Sim, pois atualmente as empresas estão buscando designers para atuar na parte de gestão dentro do processo criativo e de desenvolvimento de produto, desta

        C.09 forma as competências deste designer, precisa ir além do processo de construção do produto e atingir também outras etapas do processo.

        É relevante, pois formamos profissionais para atuar no mercado e serem capazes C.10 de gerenciar seu próprio negócio.

        Entendemos que é importante sim, até por que, incentivamos o empreendedorismo aos nossos alunos e sendo empreendedores, conhecer procedimentos de administração, pode contribuir muito com o sucesso deste

        C.11 novo profissional e empresário. Contudo não temos como meta formarmos administradores em nosso curso, portanto estas questões são trabalhadas em disciplinas como gestão e marketing.

        Sim, o designer de moda que além de conhecer “do negócio” (moda) também conhece “de negócios” (administração e business) possui maiores possibilidades de sucesso profissional.Exemplos de profissionais de moda que se

        C.12 destacaram porque se especializaram também em negócios são inúmeros no Brasil (Carlos Miele e Alexandre Herchcovitch) e no mundo (Dior e

      Chanel).

        Questão 7 Coordenador Discurso Sim, por que além de projetar, o mesmo deve desenvolver suas criações e ter noções do processo de gestão, empreendedorismo e também administrar sua equipe ou seu próprio C.13 negócio, lembrando que sem uma boa estratégia de marketing o produto de moda não atinge seu objetivo principal: o consumo.

        

      Fonte: Dados da pesquisa (2013)

        Nos depoimentos dos coordenadores, podemos destacar alguns conteúdos como mais expressivos e que estão diretamente relacionados com os motivos de adquirir conhecimentos de administração.

        Um destes motivos é o fato do curso de moda formar o aluno para o empreendedorismo, este tema está presente no discurso de seis coordenadores (C.04, C.05, C.08, C.10, C.11, C.13), com o objetivo de administrar negócios familiares, desenvolver visão empreendedora, realizar a gestão de pessoas.

        Os conhecimentos de administração: custos de produção, preços, marketing, gestão, produção, foram tratados como fundamentais para formação adequada do designer de forma a atender o mercado profissional, observado no discurso de seis coordenadores (C.03, C.04, C.06, C.08, C.11, C.13).

        A visão do designer como gestor, foi apontada pelo coordenador C.01: “Designers devem ser compreendidos como gestores de desenvolvimento de projeto nas empresas

        .” Corrobora com esta opinião o coordenador C.09:

        “Atualmente as empresas estão buscando designers para atuar na parte de gestão dentro do processo criativo e de desenvolvimento de produto

        .” O coordenador C.04 enfatiza: “É imprescindível ter noção de gestão, seja para administrar a sua coleção ou mesmo negócio

        .” Buscando identificar sob este mesmo aspecto a percepção que os coordenadores possuem da indústria, os mesmos foram questionados: em sua opinião a Indústria do Vestuário acredita ser relevante a formação interdisciplinar do Design de Moda com a Administração, 92% dos respondentes responderam que sim. No Quadro 22 foram explicitados os motivos de tal afirmação.

        Quadro 22

      • – Por que a indústria acredita ser relevante a formação

        interdisciplinar do design de moda e administração

        Questão 8 Coordenador Discurso Não sei se as indústrias acreditam de

        

      Por que a início. Mas depois que designers entram

      indústria do em contato com elas e realizam um vestuário trabalho coerente e lógico esta

      acredita ser relevância passa a se confirmar. Afinal,

        C.01 relevante a cada vez mais temos histórias de formação designers que começam a ocupar interdisciplinar cargos de gestores nas empresas - do design de setores onde a interdisciplinaridade se moda com a faz necessária. administração Na minha opinião, é relevante a ? formação interdisciplinar entre o Design C.02 de Moda e a Administração pois a moda pesquisa e cria e a boa administração desenvolve e vende.

        Em algumas situações de conversas com empresários da região, ouvi apontamentos em relação a grande quantidade de profissionais muito criativos, porém, mal preparados em relação a compreensão de como o

        C.03 excesso de procedimentos na elaboração de uma peça encarecem o produto final. E principalmente como é difícil o trato para que sejam realizadas alterações nas criações prevendo este tipo de redução. Principalmente em nossa região, pois grande parte dos nossos acadêmicos são filhos de proprietários de lojas e C.04 confecções. Também, é imprescindível ter noção de gestão, seja para administrar a sua coleção ou mesmo

      negócio.

        Questão 8 Coordenador Discurso Acredito, todos os profissionais precisam administrar sua vida ou seus

        C.05 negócios. Quem não sabe tem que contratar este profissional. Se o profissional do Design de moda tiver também a formação em Administração, torna-se um profissional C.06 mais apto e com um olhar mais global para o acirrado mercado de vestuário que possuímos na região. A interdisciplinaridade entre Design de Moda e Administração é importante,

        C.07 pois todo profissional deve ser administrador de suas atividades profissionais e também da vida pessoal. Sinto que os empresários acreditam que o aluno de moda deva pensar fora da sua caixa. Fazendo pontes com outras áreas para ter noção do todo que envolve o desenvolvimento e produção C.08 de produtos de moda, principalmente quando se trata de uma área que por si só subentende este conteúdo quando pensamos na mesma como: mercado de moda, pensamos logo em Negócio e não apenas em imagem e glamour. Já recebi várias propostas de emprego para acadêmicos vindo de empresários de moda, para atuação na área da gestão de novos produtos, ou seja,

        C.09 trabalhar com outras áreas da empresa.

        E para tanto este designer precisa de um conhecimento básico de administração, custos, gestão de produtos. Ao elaborar/administrar uma coleção em andamento as noções de administração

        C.10 são essenciais para o sucesso da

      mesma.

      Pra ser sincero eu gostaria que isso acontecesse e acredito que acontecerá

        C.11 um dia, como algo estratégico para as empresas, pois considero a inserção do designer nas posições de decisão, cada

        Questão 8 Coordenador Discurso vez mais necessária para seu sucesso.

        Contudo isso ainda não acontece, (ou acontece de forma muito tímida) e em grande parte pelo próprio conceito que as empresas e seus administradores ainda possuem a respeito do design e suas atribuições e competências.

        C.12 A indústria do vestuário é formada por estruturas estabelecidas por princípios da administração, então, o profissional de design de moda precisa dominar essa conjuntura para inserir princípios de design no contexto corporativo.

        C.13 Sim porque a moda e a administração são áreas de conhecimento que se complementam para o objetivo principal da moda que é o consumo.

        

      Fonte: Dados da pesquisa (2013)

        Sobre a formação interdisciplinar do design com a administração, foi tratado de diversos aspectos, um destes é que a administração e o design foram tratados como áreas complementares na atuação profissional dos designers de moda, segundo a ótica dos coordenadores C.02, C.10 e C.13.

        Para o coordenador C.12 há a necessidade de dominar conteúdos de administração para implementar o design de forma plena

        : “A indústria do vestuário é formada por estruturas estabelecidas por princípios da administração, então, o profissional de design de moda precisa dominar essa conjuntura para inserir princípios de design no contexto corporativo

        .” O coordenador C.01, ressalta a competência de gestão do designer de moda: “Cada vez mais temos histórias de designers que começam a ocupar cargos de gestores nas empresas - setores onde a interdisciplinaridade se faz necessária

        .” Da mesma forma o coordenador C.09 relata: “Já recebi várias propostas de emprego para acadêmicos vindo de empresários de moda, para atuação na área da gestão de novos produtos, ou seja, trabalhar com outras áreas da empresa

        .” O coordenador C.06 fala dos conhecimentos em administração como diferencial na atuação do designer e afirma que: “Se o profissional do Design de moda tiver também a formação em Administração, torna-se um profissional mais apto e com um olhar mais global para o acirrado mercado de vestuário

        .” Para o coordenador C.11 esta interdisciplinaridade ainda precisa ser aprimorada, com foco estratégico: “Pra ser sincero eu gostaria que isso acontecesse e a credito que acontecerá um dia, como algo estratégico para as empresas, pois considero a inserção do designer nas posições de decisão, cada vez mais necessária para seu sucesso

        .” Por outro lado, o coordenador C.03 descreve aspectos que demonstram uma deficiência na formação dos designers de moda com relação aos custos e processos de produção, julgamentos estes oriundos das indústrias:

        “Em algumas situações de conversas com empresários da região, ouvi apontamentos em relação a grande quantidade de profissionais muito criativos, porém, mal preparados em relação à compreensão de como o excesso de procedimentos na elaboração de uma peça encarecem o produto final

        .” O coordenador C.08 expõe o design e a administração como indissociáveis: “Sinto que os empresários acreditam que o aluno de moda deva pensar fora da sua caixa. Fazendo pontes com outras áreas para ter noção do todo que envolve o desenvolvimento e produção de produtos de moda, principalmente quando se trata de uma área que por si só subentende este conteúdo quando pensamos na mesma como mercado de moda, pensamos logo em Negócio e não apenas em imagem e glamour

        .”

      5.2.5 Relevância dos conteúdos de administração

        Os conteúdos das disciplinas de administração ministrados nos cursos de moda, encontrados nas matrizes curriculares, para efeito de estudo, foram agrupados nas cinco grandes áreas: Gestão e Empreendedorismo, Marketing, Produção e Processos Têxteis, Custos e Formação de Preços e questão 9 sobre a relevância destes conteúdos para a formação do Designer de Moda.

        Em relação aos conteúdos da área de Gestão e Empreendedorismo, 92% dos coordenadores acreditam ser muito importante para a formação do designer de moda, sendo a área tratada como mais relevante pela maioria dos coordenadores, conforme a Tabela 19.

        As questões são de resposta única sobre uma escala e os parâmetros foram estabelecidos sob uma notação de 1 (Muito importante) a 5 (Sem importância).

        

      Tabela 19 - Relevância dos conteúdos de Gestão e Empreendedorismo

      para formação

        Gestão e Empreendedorismo Freq. % Muito importante 12 92% Importante 0% Indiferente 0% Pouco importante

        1 8% Sem importância 0% TOTAL OBS. 13 100%

      Fonte: Dados da pesquisa (2013)

        Na opinião de 77% dos coordenadores dos cursos, os conteúdos de Marketing são considerados: muito importante para a formação do designer de moda, como demonstra a Tabela 20.

        

      Tabela 20 - Relevância dos conteúdos de Marketing para formação

      Marketing Freq. % Muito importante 10 77% Importante

        2 15% Indiferente 1 8% Pouco importante 0%

        Sem importância 0% TOTAL OBS. 13 100%

      Fonte: Dados da pesquisa (2013)

        Relevante salientar que as áreas de Gestão e Empreendedorismo e Marketing, que foram apontadas por grande parte dos coordenadores como muito importante, representam a maior quantidade de horas de disciplinas de administração em todos os cursos de moda, respectivamente 1.278 horas e 891 horas.

        Nas disciplinas da área de Produção de Processos Têxteis, pode-se observar que houve uma diminuição para 69% da opinião dos coordenadores para muito importante e 31% para importante, conforme Tabela 21.

        

      Tabela 21 - Relevância dos conteúdos de Produção e Processos

      Têxteis para formação

        Produção e Processos têxteis Freq. % Muito importante 9 69% Importante

        4 31% Indiferente 0% Pouco importante 0% Sem importância 0% TOTAL OBS. 13 100%

      Fonte: Dados da pesquisa (2013)

        Da mesma forma, nas disciplinas da área de Custos e Formação de Preços, 69% dos coordenadores as consideram muito importante, de acordo com Tabela 22.

        

      Tabela 22 - Relevância dos conteúdos de Custos e Formação de

      preços para formação

        Custos e formação de preços Freq. % Muito importante 9 69% Importante

        3 23% Indiferente 1 8% Pouco importante 0%

        Sem importância 0% TOTAL OBS. 13 100%

      Fonte: Dados da pesquisa (2013)

        Quando foram questionados sobre as disciplinas da área

        46% dos coordenadores as consideram: muito importante, conforme Tabela 23.

        

      Tabela 23 - Relevância dos conteúdos de Psicologia e Sociologia para

      formação

        Psicologia e Sociologia Freq. % Muito importante 6 46% Importante

        4 31% Indiferente 2 15% Pouco importante 0%

        Sem importância 1 8% TOTAL OBS. 13 100%

      Fonte: Dados da pesquisa (2013)

        As disciplinas desta área foram consideradas de forma geral, com grau menor de importância. Sendo que 15% dos coordenadores as consideram como indiferente e 8% as considera sem importância.

        Aqui se levanta um questionamento importante: não seriam os designers de moda interface entre diversas áreas da empresa e assim, portanto, necessitariam destes conhecimentos de sociologia e psicologia para o contato direto com as pessoas que fazem parte dos processos que o próprio designer está inserido? Espera-se elucidar este questionamento mais a frente.

        Na questão 10 os coordenadores foram questionados se existem outros conteúdos relevantes de administração que não estão contemplados nas cinco áreas citadas e as opiniões estão listadas no Quadro 23.

        

      Quadro 23 - Conteúdos relevantes de administração não contemplados

      nas cinco áreas

        Questão 10 Coordenadores Discurso Dentro de cursos de moda

        Quais conteúdos vejo a falta de disciplinas você considera ligadas à Metodologia de relevantes e que

        Projeto, o que pode, não estão dentro da área da listados na

        C.01 administração ser questão anterior? compreendida como disciplinas de

        Planejamento e gestão de projeto; Planejamento da inovação. Materiais, compras e C.03 estoque. As relações humanas e C.07 gestão de pessoas. Inovação, criatividade e C.12 comportamento.

      Fonte: Dados da pesquisa (2013)

        Nesta questão foram citadas por duas vezes conteúdos de inovação, relacionados também a gestão de projetos. Estes conteúdos, se levarmos em consideração o posicionamento com vistas à inovação da EURATEX (2004) e ABDI (2010), são de fundamental relevância para o futuro competitivo da cadeia têxtil e confecção, onde o designer de moda deverá possuir esta visão de projetos e inovação, aliados a gestão.

        O coordenador do curso de moda “C.08” na questão 10 apresentou a seguinte opinião:

        “Acho que esses são os conteúdos principais a serem associados à área de moda. Mais do que isso numa graduação seria desnecessário e desanimador para o aluno, que ainda precisa quanto. Ressalto que na questão anterior o grau de importância analisado em relação a própria área de administração é muito importante no entanto na formação do Designer de moda ao ser comparado com outros conteúdos de outras áreas da formação de base do designer de moda esse grau varia. Deve-se entender que existe uma percepção sobre a área de Design de Moda que pode variar dependendo da linha de formação que você quer desenvolver e isso vai exigir mais ou menos a carga de alguns conteúdos como no caso da Administração. Se eu tiver a ênfase de um curso voltada para a formação em MKT de Moda é uma coisa e um conteúdo X da ADM, se for criação e desenvolvimento de moda é outro, se for em Produção de Moda é outro, mas os conteúdos de base da Administração normalmente giram em torno dos apontados anteriormente .”

        Aqui o coordenador deixa transparecer um aspecto do curso de moda, a qual se propõe atender uma demanda e formar profissionais direcionados a determinado segmento, motivo de algumas cargas horárias serem ampliadas ou reduzidas, mas ele afirma que os conteúdos de administração citados, normalmente fazem parte dos cursos.

      5.2.6 Principais competências e habilidades do designer

        Os coordenadores dos cursos sinalizaram as principais competências e habilidades que devem ser contempladas na formação do designer de moda para que o mesmo possa atuar de forma plena no mercado de trabalho.

        A questão oferecia 16 opções de resposta, sendo que os coordenadores foram solicitados a escolher as cinco principais. Na Tabela 24 foram expostas as cinco alternativas de resposta que tiveram as maiores frequências.

        Tabela 24

      • As principais competências e habilidades do designer Competências e Habilidades Freq. %

        1. Capacidade criativa para propor soluções inovadoras, utilizando domínio 10 77% de técnicas e de processo de criação.

        2.Ter iniciativa, criatividade, determinação, vontade política e 9 69% administrativa, vontade de aprender, abertura às mudanças.

        3.Domínio das etapas de um projeto: definição de objetivos, técnicas de coleta de dados, geração e avaliação de 9 69% alternativas, solução e comunicação de resultados.

        4. Refletir e atuar criticamente sobre a esfera da produção, compreendendo sua 6 46% posição e função na estrutura produtiva sob seu controle e gerenciamento.

        5. Visão sistêmica de projeto, capacidade de conceituá-lo a partir de componentes materiais e imateriais, processos de 6 46% fabricação, aspectos econômicos, psicológicos e sociológicos.

      TOTAL OBS. 13 100%

        

      Fonte: Dados da pesquisa (2013)

      Nota: A quantidade de citações é superior à quantidade de observações

      devido às respostas múltiplas (5 no máximo).

        Na opinião de 77% dos coordenadores a capacidade criativa para propor soluções inovadoras, se utilizando das técnicas e processos de criação é a competência e habilidade mais relevante para o designer de moda atuar no mercado de trabalho de forma plena, competência esta que consta nas Diretrizes Curriculares do curso de design de moda.

        Considerando que esta pesquisadora submeteu à apreciação dos coordenadores do curso de design de moda e competências previstas nas Diretrizes Curriculares Nacionais de administração e design, ou seja, as oito competências e habilidades necessárias à formação do administrador juntamente com as oito competências do design, merece destaque o fato de que 14 das 16 competências terem sido mencionadas na pesquisa como necessárias à formação do designer de moda, segundo a ótica dos próprios coordenadores.

        Portanto, surge da percepção dos coordenadores dos cursos a necessidade de se desenvolver competências e habilidades características da formação do bacharel em administração nos egressos dos cursos de design.

        Relevante descrever que, dentre as cinco consideradas fundamentais pelos coordenadores, duas delas fazem parte das competências e habilidades do formando em administração e constam nas diretrizes curriculares do curso de administração.

        A primeira delas: ter iniciativa, criatividade, determinação, vontade política e administrativa, vontade de aprender, abertura às mudanças, representou 69% da opinião dos coordenadores.

        A outra competência e habilidade, que também consta nas diretrizes do curso de administração e que foi selecionada como sendo necessária ao designer de moda: refletir e atuar criticamente sobre a esfera da produção, compreendendo sua posição e função na estrutura produtiva sob seu controle e gerenciamento, representando 46% da opinião dos coordenadores de moda.

        Ou seja, reforça-se a necessidade de formação de um perfil com ênfase em gestão nos alunos de design de moda.

      5.2.7 Cruzamentos dos questionários dos coordenadores Para efeito de análise, foram cruzadas as questões 8 e 9.

        Na questão 8 foram avaliadas as respostas dos coordenadores que responderam apenas “sim”, que acreditam ser relevante na opinião da indústria, a formação interdisciplinar de design de moda e administração, por isso, totaliza doze respostas e gera percentuais diferentes do que foi demonstrado anteriormente.

        Na questão 9 foram selecionadas apenas as respostas dos coordenadores que selecionaram o grau “muito importante”, para cada um dos conteúdos de administração para formação do designer de moda. Conforme Tabela 25, foram obtidos os seguintes resultados:

        Tabela 25

      • – Conteúdos de administração x relevante para Indústria formação interdisciplinar

        Muito Conteúdos de administração importante % Gestão / Empreendedorismo 11 92% Marketing

        10 83% Custos / Formação de preços 9 75% Produção / Processos têxteis 8 67% Psicologia / Sociologia 6 50% TOTAL OBS. 12 100% Fonte: Dados da pesquisa (2013)

        Os conteúdos de gestão, empreendedorismo e marketing, sob a ótica dos coordenadores, são os mais relevantes, de acordo com a Tabela 25. Nos resultados obtidos sobre os conteúdos de custos e formação de preços, produção e processos têxteis, psicologia e sociologia, percebe-se que estes foram considerados por um número menor de coordenadores “muito importante.”

        O reforço atribuído ao perfil da indústria, segmento de absorção de egressos dos cursos de design de moda, que ficou claro nas competências e habilidades citadas nas alternativas: 4, e 5, da Tabela 24, destacado pelos coordenadores como essenciais a desenvolver não encontrou ressonância por parte dos mesmos, pois apenas 67% acredita ser muito importante os conteúdos de produção e processos têxteis na formação.

        Reforça tal paradoxo a segunda competência mais demandada pelos coordenadores de curso para a formação do estudante de design de moda ser uma habilidade do egresso de administração, a alternativa 2, na Tabela 24, onde é citada a “vontade administrativa.”

        Quando da relevância de conteúdos de Psicologia, sociologia, produção, processo têxteis, percebe-se que estes são os conteúdos menos relevantes na ótica dos coordenadores dos cursos na relação do egresso com a indústria.

        O segundo cruzamento foi realizado com as questões 5 e

        11. Na questão 5 os coordenadores responderam quais segmentos/demandas são atendidos pelo curso de moda da instituição a qual ele coordena. Na questão 11 foram selecionadas as cinco principais competências e habilidades dos designers de moda na visão dos coordenadores. Conforme Quadro 24, foram obtidos os seguintes resultados:

        Quadro 24

      • – Principais competências e habilidades x

        segmentos/demandas atendidas

        Competências e Indústria Indústria Indústria Empresa Empresa habilidades x cama, de malhas e de de demandas mesa e vestuário tecidos estamparia pesquisa atendidas curso banho

        1. Capacidade

        9 criativa para

        3

        4

        3

        2 propor soluções

        (69%) inovadoras...

        2. Ter iniciativa,

        8 criatividade,

        3

        5

        4

        2 (62%) determinação...

        3. Domínio das etapas de um

        8

        3

        4

        3

        2 projeto: definição de objetivos...

        4. Refletir e atuar

        6 criticamente

        3

        4

        3

        2 sobre a esfera da

        (46%) produção...

        5. Visão sistêmica de

        5

        1

        3

        3

        1 projeto...

        36

        13

        20

        16

        9 Total

      Fonte: Dados da pesquisa (2013)

      Nota: Os valores da Tabela são as quantidades de citações de cada

      dupla de categorias.

        As duas habilidades selecionadas como fundamentais para o designer de moda, que fazem parte das diretrizes curriculares do administrador, alternativas 2 e 4, obtiveram a opinião de oito (62%) e seis (46%) dos coordenadores que selecionaram a indústria do vestuário, o mais relevante segmento/demanda atendido pelo curso da instituição que ele representa.

        Para os coordenadores, as habilidades números 1, 2 e 3 do Quadro 24, relacionadas às demandas da indústria do vestuário, possuem os maiores índices de 62% e 69% da opinião dos coordenadores, sendo que a habilidade número 2 faz parte das diretrizes do administrador, demonstrando assim sua relevância na formação do designer com vistas a atender a indústria do vestuário catarinense.

        Por outro lado, a indústria de artigos de cama, mesa e banho recebeu a opinião de apenas três coordenadores na maioria das habilidades listadas, representando 23% da opinião geral. A tradição catarinense de produção e exportação de artigos de cama, mesa e banho, não encontrou relação como relevante demanda atendida pelos cursos de moda.

        5.3 GESTORES DA INDÚSTRIA O segundo objetivo específico do estudo tratava de descrever as demandas e percepções dos Gestores da Indústria do Vestuário acerca dos conteúdos de administração na atuação do designer de moda.

        Para isso, foram aplicados questionários com os cinco gestores da indústria, que estão diretamente relacionados com o trabalho desenvolvido pelos designers de moda que trabalham na empresa.

        O instrumento foi constituído por doze questões, abertas e fechadas, o mesmo foi entregue a pessoa responsável na empresa, na ocasião a pesquisadora reforçou a relevância do estudo e da participação dos gestores para que fossem atingidos os objetivos do estudo. O retorno dos questionários ocorreu no período de 12 a 29 de julho de 2013.

      5.3.1 Perfil dos Gestores

        De acordo com a pesquisa, os gestores da indústria do vestuário em estudo que atuam diretamente com os designers de moda são em sua maioria homens e representam 80% dos respondentes, conforme Tabela 26.

        

      Tabela 26 - Perfil dos gestores da indústria por gênero

      Gênero Freq. % Feminino 1 20% Masculino

        4 80% TOTAL OBS. 5 100%

      Fonte: Dados da pesquisa (2013)

        Em relação ao grau de instrução dos gestores da indústria do vestuário pesquisada, 80% possuem cursos de pós- graduação, de acordo com a Tabela 27.

        

      Tabela 27 - Grau de instrução dos gestores da indústria

      Grau de instrução Freq. % Mestre 1 20% Especialista

        3 60% Graduado 1 20% TOTAL OBS. 5 100%

      Fonte: Dados da pesquisa (2013)

        O mestrado concluído por um dos gestores foi em Gestão do Conhecimento. Quanto ao grau de especialista, as qualificações citadas foram: MBA em Marketing, MBA em Comercialização e Relações Internacionais e Especialização em Marketing e Moda.

        Quanto ao tempo de atuação dos gestores da indústria do vestuário nas funções atuais, 60% dos gestores estão atuando na função há mais de cinco anos, conforme Tabela 28.

        Tabela 28

      • – Gestores: tempo de atuação na função

        Tempo de atuação Freq. % Até 1 ano 1 20% De 1 a 3 anos

        1 20% De 3 a 5 anos 0% De 5 a 8 anos 2 40% Mais de 8 anos

        1 20% TOTAL OBS. 5 100%

      Fonte: Dados da pesquisa (2013)

        As funções exercidas na empresa pelos gestores que responderam a pesquisa estão listadas na Tabela 29.

        Tabela 29

      • – Funções dos gestores na indústria

        Funções Freq. % Coordenador 1 20% Gerente

        4 80% TOTAL OBS. 5 100%

      Fonte: Dados da pesquisa (2013)

        O Quadro 25 reúne informações para identificação dos gestores que participaram da pesquisa. A letra “G” corresponde aos

        “Gestores da indústria do vestuário” e o número na sequência é apenas um dado para registro e identificação.

        Quadro 25

      • Legenda: perfil dos gestores da indústria Legenda Gênero Grau de instrução Função Tempo na função

        G.01 Masculino Graduado Gerente 1 a 3 anos

        G.02 Masculino Especialista Coordenador Mais de 8 anos

        

      G.03 Feminino Especialista Gerente 5 a 8 anos

      G.04 Masculino Especialista Gerente 5 a 8 anos

      G.05 Masculino Mestre Gerente Até 1 ano

        

      Fonte: Dados da pesquisa (2013)

        A legenda do Quadro 25 servirá para identificar os gestores nas questões abertas, onde são evidenciadas suas opiniões, como no Quadro 26, onde os gestores descrevem os produtos ou serviços gerados pela área onde trabalham na indústria do vestuário.

        

      Quadro 26 - Produtos ou serviços gerados pela área dos gestores

      Questão 4 Gestores Discurso Quais são os produtos ou serviços gerados pela sua área?

        G.01 Criação de produtos para as coleções das marcas da empresa.

        G.02 Criação de produtos, pré-fichas técnicas, mix de produtos, cadernos de coleção, pesquisa, produtos para campanha, convenção de vendas, acompanhamento do mercado.

        Questão 4 Gestores Discurso Vendas, atingimento de G.03 meta, definição de volume, mix de coleção.

        Participação na compra de matéria-prima; elaboração do mix de Produtos; criação e

        G.04 desenvolvimento de produto; programação visual do produto e inovação. Gestão comercial da G.05 marca.

      Fonte: Dados da pesquisa (2013)

        As áreas onde atuam os gestores são áreas responsáveis pela gestão comercial e gestão de criação e desenvolvimento de produtos, indo ao encontro do que foi descrito pelos gestores no Quadro 26.

      5.3.2 O designer de moda na indústria

        A primeira contratação de designer de moda de nível técnico na indústria do vestuário, foco deste estudo, ocorreu em 1998 e no ano seguinte foi contratado o designer de moda de nível superior. A contratação de estagiários aconteceu apenas em 2008. Os motivos que levaram a indústria a contratar designers de moda foram explicitados pelos gestores e estão dispostos no Quadro 27.

        Quadro 27

      • – Motivos da indústria contratar designers de moda

        Questão 2 Gestores Discurso Aprimoramento do design, dar

        Que motivos mais foco de moda aos produtos e G.01 levaram a consolidação das marcas no empresa a mercado. contratar

        Necessidade de ter produtos designers de

        G.02 diferenciados visualmente e moda? administrá-los com visão de moda.

        Desenvolver um setor específico G.03 de criação.

        Vendo o homem cada vez mais preocupado com a sua apresentação pessoal e também G.04 buscando inovações no seu modo de vestir, o investimento em Moda e Pesquisa de moda, foi vital para acompanharmos essa evolução.

        A necessidade de uma G.05 especialista de moda na área de malharia.

      Fonte: Dados da pesquisa (2013)

        De acordo com o que foi citado pelos gestores no Quadro 27, houve uma grande preocupação por parte da indústria com a atualização e inovação dos produtos e o aprimoramento do design com vistas à consolidação das marcas da empresa, para isso foi criado um setor de criação e a contratação de designers de moda.

        Na opinião de 100% dos gestores da indústria do vestuário o trabalho desenvolvido atualmente pelos designers de moda é considerado indispensável para tomada de decisão dos gestores e o alcance dos resultados das áreas.

        As atividades do designer de moda na indústria estudada, de acordo com os gestores estão na Tabela 30.

        Tabela 30

      • Atividades do designer de moda Atividades Freq. %

        Pesquisa, desenho, estética do produto 5 100% Desenvolvimento de produtos 5 100% Interface com áreas de produção, 4 80% marketing, compras e vendas

        Colabora na definição das estratégias 3 60% Desenvolvimento de processos 2 40% relacionados ao design

        Colabora na comunicação do produto 2 40% Outras 2 40% TOTAL OBS.

        5 Fonte: Dados da pesquisa (2013)

        De acordo com a Tabela 30, foi unânime a opinião dos gestores de que: a pesquisa, o desenho, a estética do produto, o desenvolvimento de produtos são funções do designer de moda.

        Outro aspecto relevante é que na opinião de 80% dos gestores, o designer de moda possui a função de ser interface com outras áreas da indústria como: produção, marketing, vendas e compras.

        Diante desta opinião, onde o designer atua como interface entre as áreas, uma divergência de opiniões entre os gestores da indústria e os coordenadores dos cursos de moda passar a existir, pois os conteúdos de psicologia e sociologia podem fornecer conteúdos para esta formação do designer de moda e na Tabela 23 pode-se observar que apenas 46% dos coordenadores acreditam ser relevante estes conhecimentos e 23% acredita ser indiferente ou sem importância.

        Para 60% dos gestores o designer de moda pode também colaborar na definição de estratégias. No Quadro 28 estão as opiniões dos gestores que selecionaram a opção outras.

        

      Quadro 28 - Atividades do designer de moda: opção outras

      Questão 3 Gestores Discurso Mix de produtos, cadernos

        Quais as funções de coleção, organização e do designer de acompanhamento dos moda na sua G.02 produtos de campanha, empresa participação na compra de atualmente? tecidos. ( ) Outras. Quais?

        Caderno de coleção e mix G.03 de produtos.

        

      Fonte: Dados da pesquisa (2013)

        No Quadro 28 ambos os gestores citaram a função de propor o mix de produtos e elaborar os cadernos de coleção. Os cadernos contém a totalidade da coleção de produtos definida para uma determinada estação com os temas de inspiração, os modelos dos produtos em forma de desenhos, as amostras de tecidos com suas variantes de cor e padronagens, bem como o desempenho de vendas dos produtos num determinado período.

        Este documento é um importante instrumento de análise da coleção, tendo em vista que aponta os melhores ou piores desempenhos no mix de produtos e, assim, servirá de base para alterar estratégias de produtos em andamento e futuras.

        Quanto aos processos que dependem ou são influenciados pelo trabalho do designer de moda, o gestor G.01 e G.02 sintetizam os relacionados à sua área de criação e desenvolvimento de produto, de acordo com o Quadro 29.

        Quadro 29

      • – Processos relacionados ao designer de moda

        Questão 5 Gestores Discurso Todo nosso processo está

        Quais são os G.01 diretamente ligado ao trabalho do processos que designer/estilista. dependem ou são

        Criação de produtos, pré-fichas influenciados técnicas, mix de produtos, pelo trabalho do cadernos de coleção, pesquisa, designer de

        G.02 produtos para campanha, moda? convenção de vendas, acompanhamento do mercado.

        Calendário, complementação de G.03

      mix.

        Hoje na Empresa, o Gerente de Marca está diretamente envolvido G.04 com o Produto. Participa ativamente junto aos Estilistas.

        Todo o desenvolvimento de produtos que serão vendidos no mercado dependem do Designer de Moda, se não for desenvolvido um produto com pesquisa de G.05 tendências e ao mesmo tempo que se adapte ao que o mercado pede e quer em termos de preço e design, a área comercial, por mais competente que seja não conseguirá vender.

      Fonte: Dados da pesquisa (2013)

        O gestor G.04, expressa de forma enfática que a área comercial atua diretamente na definição do produto juntamente com os designers de moda. Sendo que o gestor G.05 fala da responsabilidade do trabalho do designer de moda em criar produtos que envolvam tendências, criatividade, mas que possuam um preço final que atenda ao valor que o público-alvo da marca se dispõe a pagar pelo produto.

      5.3.3 Relevância da formação interdisciplinar

        Na opinião de 100% dos gestores de moda da indústria do vestuário pesquisada é relevante que o designer de moda adquira conhecimentos sobre administração no curso de graduação em moda, no Quadro 30 foram explicitados os motivos de tal afirmação.

        Quadro 30

      • – Por que o designer de moda deve adquirir conhecimentos sobre Administração

        Questão 7 Gestores Discurso Pois há gestão de mix, gestão de

        Por que o custos, gestão lead time para designer de cumprir cronogramas, gestão de moda deve mercado, para que os produtos adquirir estejam alinhados ao perfil da conhecimentos G.01 marca, ao custo/preço compatível sobre com o mercado da marca e

        Administração? atender as necessidades do mercado, do cliente interno e externo.

        Porque a criação precisa ser G.02 dirigida ao público específico das marcas da empresa. Gerenciamento e controle da G.03 coleção.

        Questão 7 Gestores Discurso Fundamental! Foi-se o tempo da Criação ficar no mundo totalmente lúdico, sem uma organização nas suas atividades

        G.04 e visão holística do negócio. O produto tem que ser inovador, viável, rico em detalhes e comercial.

        É importante que este profissional consiga alinhar sua criatividade ao mercado, desenvolvendo G.05 produtos belos e de vanguarda, sem se descuidar dos custos e processos.

      Fonte: Dados da pesquisa (2013)

        Esta questão 07 é fundamental para análise deste estudo, que demonstrou através das respostas dos gestores o grau de relevância dos conteúdos de administração na atuação do designer de moda.

        Na opinião dos gestores G.01, G.03, G.04 e G.05, fica explícita uma preocupação em alinhar a criatividade com a gestão na proposta e desenvolvimento de produtos. A visão holística de negócio, a gestão de custos, gestão de processos, gestão de mix de produtos e coleção, gestão de cronogramas, bem como o conhecimento do mercado consumidor são conhecimentos inerentes aos conteúdos da administração e que foram citados pelos gestores como fundamentais para atuação do designer de moda na indústria do vestuário pesquisada.

        A percepção dos gestores da indústria aponta para necessidade de fazer parte da formação do designer de moda os conteúdos de administração para que ele possa contribuir de forma efetiva nos resultados e no aumento de competitividade da indústria.

        Na questão seguinte, a de número 8, os gestores foram questionados se existe diferença nos resultados do trabalho do designer de moda que possui uma visão administrativa (de processos, produção, mercado consumidor, concorrência) daquele que não possui esta visão.

        A resposta foi unânime, todos os gestores concordam que existe sim uma diferença no trabalho dos designers de moda que possuem a visão administrativa.

        Para os gestores G.01 e G.05 as respostas para esta questão são as mesmas da questão 7, anteriormente expostas, onde enfatizam o conhecimento em gestão e o alinhamento da criatividade ao mercado com foco em custos e processos.

        Para o gestor G.02: “A diferença está entre criar um produto que vende e outro que não vende. Se for para o público certo vende

        .” O gestor G.03 afirma que a diferença está na capacidade de realizar “a ligação do mercado com o estilo.”

        O gestor G.04 enfatiza : “É quase impossível desenvolver algum produto sem um conhecimento profundo do negócio da empresa, dos processos e do mercado

        .” Com este discurso o gestor ressalta a necessidade dos conhecimentos de administração para que o designer possa propor e desenvolver produtos que proporcionem os resultados esperados pela indústria do vestuário.

        Nas duas questões 7 e 8, há uma ênfase nos tópicos de custos e processos, citados de diversas formas pelos gestores da indústria de moda como conteúdos relevantes.

        Por outro lado, na visão dos coordenadores dos cursos de moda, não houve uma unanimidade em relação a se considerar estes conteúdos muito importante, apenas 69% dos coordenadores concordam com esta afirmação.

      5.3.4 Atuação do designer de moda

        Os gestores da indústria foram interrogados na questão 9 sobre como eles classificam a atuação dos designers de moda a respeito dos conteúdos de administração.

        As questões são de resposta única sobre uma escala e os parâmetros foram estabelecidos sob uma notação de 1 a 5, com base na legenda, descrita no Quadro 31.

        Quadro 31

      • – Legenda questão 9: questionário dos gestores

        

      1 Insuficiente Precisam de apoio técnico para executar

      as atividades

        

      2 Fraco 30% das atividades realizam sem apoio

        

      3 Regular 50% das atividades realizam sem apoio

        

      4 Bom 80% das atividades realizam sem apoio

        

      5 Muito bom 100% das atividades realizam sem apoio

      Fonte: Dados da pesquisa (2013)

        De uma forma geral, esta questão não obteve opinião unânime em relação a atuação dos designers de moda nos conteúdos de administração questionados, ao contrário existiu uma divisão de opiniões por parte dos gestores em maior ou menor escala dependendo do conteúdo.

        Como por exemplo, nos conteúdos de Marketing, onde a atuação foi definida como fraco, regular e bom, cada um com 20% da opinião dos gestores, conforme Tabela 31.

        

      Tabela 31 - Atuação dos designers de moda a respeito dos conteúdos

      de Marketing

        Marketing Freq. % Insuficiente 0% Fraco

        1 20% Regular 1 20% Bom 1 20% Muito bom 2 40% TOTAL OBS. 5 100%

      Fonte: Dados da pesquisa (2013)

        Na opinião de 60% dos gestores da indústria, o domínio de conhecimentos de Produção e processos têxteis na atuação dos designers de moda foi considerado muito bom.

        Porém, nesta mesma questão alguns gestores opinaram que é regular (20%) e até insuficiente (20%), como demonstra a Tabela 32.

        

      Tabela 32 - Atuação dos designers de moda a respeito dos conteúdos

      de Produção

        

      Produção e Processos Têxteis Freq. %

      Insuficiente 1 20%

      Fraco 0%

      Regular 1 20%

      Bom 0%

      Muito bom 3 60% TOTAL OBS. 5 100%

      Fonte: Dados da pesquisa (2013)

        Resultado semelhante foi encontrado com relação aos conhecimentos demonstrados pelos designers sobre Custos e formação de preços, que na opinião de 60% dos gestores da indústria foi considerado bom, mas para 40% dos gestores é fraco, conforme Tabela 33.

        

      Tabela 33 - Atuação dos designers de moda a respeito dos conteúdos

      de Custos

        Custos e formação de preços Freq. % Insuficiente 0% Fraco

        2 40% Regular 0% Bom 3 60% Muito bom 0% TOTAL OBS. 5 100%

      Fonte: Dados da pesquisa (2013)

        Quanto aos conhecimentos de Gestão e Empreendedorismo, 40% dos gestores consideraram bom e 20% muito bom a atuação dos designers com base nestes temas, porém, 40% dos gestores consideram fraco, de acordo com Tabela 34.

        

      Tabela 34 - Atuação dos designers de moda a respeito dos conteúdos

      de Gestão

        Gestão e Empreendedorismo Freq. % Insuficiente 0% Fraco

        2 40% Regular 0% Bom 2 40% Muito bom

        1 20% TOTAL OBS. 5 100%

      Fonte: Dados da pesquisa (2013)

        Quando foram questionados sobre a área de Psicologia e Sociologia, 40% dos gestores apontaram como fraco e 20% como regular o domínio destes conteúdos por parte dos designers de moda, conforme Tabela 35.

        

      Tabela 35 - Atuação dos designers de moda a respeito dos conteúdos

      de Psicologia

        Psicologia e Sociologia Freq. % Insuficiente 0% Fraco

        2 40% Regular 1 20% Bom 2 40% Muito bom 0%

        TOTAL OBS. 5 100%

      Fonte: Dados da pesquisa (2013)

        Ao agruparmos a opinião dos gestores da questão 9 em três grupos de respostas, podemos observar que apenas 56% dos gestores classificam como

        “bom” ou “muito bom” a atuação do designer de moda na indústria a respeito dos conteúdos de administração, de acordo com a Tabela 36.

        Tabela 36

      • – Resultados da atuação dos designers de moda

        Insuficiente Regular Bom Conteúdos Fraco Muito bom Custos e Formação de 40% 0% 60% preços Gestão e

        40% 0% 60% Empreendedorismo Marketing 20% 20% 60% Produção e processos

        20% 20% 60% têxteis Psicologia e Sociologia 40% 20% 40% Média 32% 12% 56%

        

      Fonte: Dados da pesquisa (2013)

        O percentual de 56% pode indicar uma carência destes conteúdos na formação do designer de moda ou uma formação que não atendeu as demandas do mercado.

        Outro número relevante é que 32% dos gestores consideram como insuficiente ou fraco a atuação dos designers. Numa etapa posterior, veremos a opinião dos designers de moda sobre este mesmo tema.

      5.3.5 Conteúdos de administração fundamentais na formação

        Na opinião dos gestores da indústria do vestuário os principais conteúdos de administração que devem fazer parte da formação do designer de moda para que ele possa exercer sua função na empresa são os que estão listados na Tabela 37.

        Tabela 37

      • Conteúdos fundamentais de administração na formação do

        designer de moda Conteúdos fundamentais Freq. % Marketing 5 100% Produção

        4 80% Estatística 4 80% Materiais 3 60% Estratégias empresariais 2 40% Logística 2 40% Projetos 2 40% Contabilidade 1 20% Finanças 1 20% Recursos Humanos 1 20% Direito 0%

        Psicologia 0% Sociologia 0% Tecnologia da Informação 0% TOTAL OBS.

        5 Fonte: Dados da pesquisa (2013)

      Nota: A quantidade de citações é superior à quantidade de observações

      devido às respostas múltiplas (5 no máximo).

        Na opinião de 100% dos gestores, os conteúdos de marketing foram considerados fundamentais para a formação do designer de moda para que ele atenda as demandas da empresa.

        Por outro lado, na atuação dos designers de moda, como visto na Tabela 36, o domínio deste conteúdo foi considerado por 40% dos gestores como fraco e regular, evidenciando que os designers ainda não possuem na sua totalidade estas competências.

        Os conteúdos de produção foram considerados fundamentais por 80% dos gestores, mas na atuação dos designers de moda 40% dos gestores considerou insuficiente e regular o domínio dos conhecimentos desta área por parte do designer, de acordo com a Tabela 37.

        Com relação aos conteúdos de estatística, 80% dos designer. Porém, na atuação dos designers com relação aos conteúdos de custos e formação de preços, 40% dos gestores considerou a atuação dos designers como fraco.

        Os três conteúdos de administração, considerados fundamentais para formação do designer de moda e que obtiveram as maiores votações: marketing, produção e estatística, de acordo com as demandas da indústria do vestuário foco deste estudo deveriam fazer parte de todos os cursos de moda.

        Disciplinas com conteúdos da área de marketing estão presente em doze IES de Santa Catarina, representando 92% do total dos cursos e a carga horária média de 74 horas.

        Foram encontradas disciplinas com conteúdos de produção em dez IES, totalizando 77% dos cursos do estado, com uma carga horária média de 66 horas.

        Por outro lado, as disciplinas com conteúdos de custos e formação de preços foram encontradas em apenas seis IES, representando 46% dos cursos de Santa Catarina e com uma carga horária média menor, de 51 horas.

      5.3.6 Principais competências e habilidades do designer

        Os gestores da indústria do vestuário selecionaram as principais competências e habilidades que devem fazer parte da formação do designer de moda e que são indispensáveis para que o mesmo possa atuar na empresa.

        A questão oferecia 16 opções de resposta, sendo que os gestores foram solicitados a escolher as cinco principais. Na Tabela 38 foram expostas as alternativas de resposta que tiveram as maiores frequências.

        Tabela 38

      • As principais competências e habilidades do designer Freq. % Competências e Habilidades

        Ter iniciativa, criatividade, determinação, vontade política e administrativa, vontade 5 100% de aprender, abertura às mudanças

        Pensar estrategicamente, introduzir modificações no processo produtivo, atuar 4 80% preventivamente, exercer o processo da tomada de decisão Conhecimento do setor produtivo, revelando sólida visão setorial, 4 80% relacionado ao mercado, materiais, processos produtivos e tecnologias Desenvolver capacidade para elaborar, implementar e consolidar projetos em

        3 60% organizações Capacidade criativa para propor soluções inovadoras, utilizando domínio de técnicas

        3 60% e de processo de criação 5 100% TOTAL OBS.

      Fonte: Dados da pesquisa (2013)

      Nota: A quantidade de citações é superior à quantidade de observações

      devido às respostas múltiplas (5 no máximo).

        Dentre as cinco principais competências e habilidades dos designers de moda selecionadas pelos gestores da indústria, três delas fazem parte das competências e habilidades do formando em administração e constam nas diretrizes curriculares do curso de administração.

        A primeira que recebeu os votos da unanimidade dos gestores: ter iniciativa, criatividade, determinação, vontade política e administrativa, vontade de aprender, abertura às mudanças, faz parte das habilidades do administrador.

        A segunda habilidade inerente ao administrador que recebeu 80% dos votos dos gestores foi: pensar estrategicamente, introduzir modificações no processo produtivo, atuar preventivamente, exercer o processo da tomada de conteúdo fundamental na formação do designer de moda: a produção, conforme Tabela 38.

        A terceira habilidade do administrador que foi selecionada como necessária ao designer de moda com 60% da opinião dos gestores foi: desenvolver capacidade para elaborar, implementar e consolidar projetos em organizações. Esta habilidade envolve o conhecimento de diversos conteúdos, confirmando o que foi selecionado como fundamental para formação do designer na Tabela 37: marketing, produção, estatística, materiais, estratégias, logística, dentre outros.

        De acordo com o que foi exposto, depreende-se da percepção dos gestores da indústria do vestuário a necessidade de se desenvolver competências e habilidades características da formação do bacharel em administração nos estudantes dos cursos de design de moda.

        Com relação ao design, uma das habilidades inerentes à formação do designer de moda, que constam nas diretrizes curriculares, recebeu 80% das opiniões dos gestores: conhecimento do setor produtivo, revelando sólida visão setorial, relacionado ao mercado, materiais, processos produtivos e tecnologias.

        Mais uma vez fica evidenciada a importância dos conteúdos de produção e processos têxteis como demandas de grande relevância para a indústria do vestuário e que atualmente representa apenas 18% dos conteúdos de administração pertencentes aos cursos superiores de bacharelado de design de moda no Estado de Santa Catarina.

      5.3.7 Sugestões de melhorias na formação

        Os gestores da indústria foram solicitados a informar o que pode melhorar na formação acadêmica do designer de moda para que o mesmo possa atender as demandas da indústria do vestuário.

        Nesta questão, o gestor G.01 apontou os seguintes aspectos:

        “Sempre que me fazem esta pergunta, gosto de fazer uma comparação ao que o SENAI realidade de uma indústria. Quando recebemos estagiários, ou recém-formados de universidades que formam profissionais para serem estilistas, é nítido que o individuo tem a moda como glamour e tem dificuldade para sintetizar que ao desenvolver um produto, o mesmo deve ser produtivo, com custo acessível sem perder o design. Acredito que as universidades precisam dar ao acadêmico uma realidade de indústria, onde as decisões do produto não estão atreladas exclusivamente ao um belo produto, ele precisa ser comercial, com design atrativo, com custo compatível com o mercado da marca. Outro ponto que vejo importante é, no caso do designer do vestuário, eles chegam muitos "crus" com relação à matéria prima, penso que precisa ser mais explorado as bases de tecido plano, as bases de malha, etc. talvez, em algum momento do curso, o acadêmico pudesse se aprimorar naquilo que pensa em trabalhar, ou seja, no tecido plano, no jeans, na malha, no couro e assim chegarem à industria já

      focados e preparados

      .”

        Neste discurso encontramos informações relevantes, primeiramente, na opinião deste gestor, há a constatação de que a instituição SENAI forma profissionais técnicos que atendem as demandas das indústrias.

        Por outro lado, segundo o mesmo gestor, as IES formam profissionais que possuem uma atuação mais focada na criação, e ficou evidenciada a carência de conhecimentos administrativos como: custos, processos produtivos, viabilidade econômica e produtiva de produtos, se distanciando assim, da realidade da indústria e do mercado em que ela atua.

        A carência destes conhecimentos e visão de gestão pode gerar morosidade nos processos, retrabalhos e ineficiência, tendo em vista que o produto precisa atender as demandas da indústria em design e possuir viabilidade financeira e produtiva.

        Outro aspecto citado pelo gestor G.01 foi a falta de conhecimento a respeito dos materiais que formam as bases dos gestor sugere criar “especialistas” em bases de materiais, como malharia, tecido plano, jeans, fazendo com que o profissional de design de moda chegue à indústria com mais conhecimento e domínio, diminuindo o tempo de adaptação a indústria.

        O gestor G.02 afirma que é necessário: “Aproximar os alunos das empresas para o futuro estilista conhecer a realidade do mercado e ver o lado business da moda. O exemplo disso é o SCMC, Santa Catarina Moda e Cultura

        .” Da mesma forma, o gestor G.03 enfatiza: “Maior aproximação das universidades com as empresas

        .” Em ambos os discursos, os gestores falam da necessidade de diminuir as distâncias entre indústria e instituição de ensino, como forma de melhorar a formação acadêmica do designer de moda. Uma iniciativa de interação citada é o SCMC, que já foi mencionado no capítulo 4.4 deste estudo e que o gestor G.02 também afirma como um bom exemplo desta interação.

        O gestor G.04 apresenta uma questão relevante: “O acadêmico precisa ter um período de estágio nas empresas com uma maior carga horária. Um excelente projeto é o SCMC, que aproximam acadêmicos e empresas. O objetivo seria de possuir vivência e aplicabilidade do seu conhecimento a realidade. As empresas também precisam enxergar esses talentos

        .” A questão do estágio reafirma a necessidade de aproximação do designer de moda com a realidade das empresas, contribuindo assim para melhores resultados.

        Na opinião do gestor G.0 5: “Hoje é fundamental fazer mais com menos, então ao desenvolver um novo produto é fundamental aliar pesquisa a aderência ao mercado. Também vale preparar-se mais em comunicação e persuasão a fim de conseguir vender o seu peixe quando das provas de coleção

        .” A necessidade de unir o design e a administração ao desenvolver produtos, novamente é mencionada. A aderência ao mercado conferida aos produtos se dá por meio do domínio, por parte do designer, de conteúdos relacionados a administração como: marketing, custos, formação de preços, gestão de processos, dentre outros, sendo assim, as opiniões dos gestores indicam que a administração deve ser parte importante da formação do designer de moda, de forma a atender as demandas da indústria do vestuário catarinense.

      5.3.8 Cruzamentos dos questionários dos gestores

        Na questão 3 os gestores informaram quais são as funções do designer de moda na indústria do vestuário atualmente. Esta questão foi cruzada com a questão 10, que relata os cinco conteúdos de administração que os gestores consideram fundamentais na formação do designer de moda.

        De acordo com o Quadro 32, os conteúdos de marketing, estatística e produção tiveram os resultados mais significativos envolvendo as funções de pesquisa, desenvolvimento de produtos e a interface com as áreas relacionadas aos conteúdos como a área de produção, compras, vendas e o próprio marketing.

        Estes aspectos ressaltam a necessidade de uma formação interdisciplinar do designer de moda com vistas a atender o perfil demandado pela indústria do vestuário, de um profissional que trabalhe com visão e domínio de processos.

        Quadro 32

      • Funções do designer x conteúdos de administração

        fundamentais Funções designer x Conteúdos de Marketing Estatística Produção Estratégia empresarial Materiais

        Administração 1.

        5

        4

        2

        3 Pesquisa,

        4

      desenho, estética (100%) (80%) (40%) (60%)

      do produto

      2. Desenvolvimento

        5

        4

        4

        2

        3 de produtos 3.

        Interface com áreas de produção,

        4

        4

        3

        2

        2 marketing, compras e vendas

        Funções designer x Conteúdos de Marketing Estatística Produção Estratégia empresarial Materiais

        Administração 4.

        Colabora na

        1 definição das

        3

        3

        2

        2 (20%) estratégias 5.

        Desenvolvimento de processos

        2

        2

        2

        2

        1 relacionados ao design

        6. Colabora na comunicação do

        2

        2

        2

        2

        1 produto Total

        21

        19

        17

        12

        11 Fonte: Dados da pesquisa (2013)

      Nota: Os valores da Tabela são as quantidades de citações de cada

      dupla de categorias.

        Outra análise realizada foi o cruzamento das questões 3 e 11. A primeira relaciona as funções do designer na ótica dos gestores e a segunda destaca as competências e habilidades indispensáveis para atuação do designer de moda na indústria do vestuário. Os resultados foram apresentados em dois Quadros: 33 e 34.

        Quadro 33 - Funções do designer x Competências Habilidades A Funções designer x Competências e habilidades A

        3

        19

        21

        2 TOTAL

        2

        2

        2 Colabora na comunicação do produto

        2 (40%)

        2

        3 Desenvolvimento de processos relacionados ao design

        3 (60%)

        3 Colabora na definição das estratégias

        Ter iniciativa, criatividade, determinação, vontade política e administrativa, vontade de aprender, abertura às mudanças Pensar estrategicamente, introduzir modificações no processo produtivo, atuar preventivamente, exercer o processo da tomada de decisão

        4

        4

        4 Interface com áreas de produção, marketing, compras e vendas

        4

        5

        4 Desenvolvimento de produtos

        4 (80%)

        5 (100%)

        Pesquisa, desenho, estética do produto

        Conhecimento do setor produtivo, revelando sólida visão setorial, relacionado ao mercado, materiais, processos produtivos e tecnologias

        18 Fonte: Dados da pesquisa (2013)

      Nota: Os valores da Tabela são as quantidades de citações de cada

      dupla de categorias. De acordo com o Quadro 33, a função de pesquisa, desenho está alinhada com a competência e habilidade que fala de criatividade, chegando a 100%.

        Por outro lado foi baixo o índice quando cruzada a habilidade de “pensar estrategicamente [...] exercer o processo de tomada de decisão

        ” com a função do designer “colabora na definição de estratégias” que recebeu apenas 60% da opinião dos gestores e também no “desenvolvimento de processos relacionados ao design” que recebeu apenas 20%, demonstrando uma contradição entre funções exercidas e habilidades esperadas.

        No Quadro 34, no cruzamento da função “desenvolvimento de produtos” com a habilidade “domínio de gerência de produção [...] estoques, custos, [...] administração de recursos humanos para a produção” ocorreu a opinião de apenas 40% dos gestores. Nesta questão cruzada, pode-se observar um paradoxo, pois para que o designer possa desenvolver os produtos na indústria de forma eficaz não seria necessário o domínio de gestão da produção para maximizar o uso dos recursos disponíveis de forma a atender as demandas da indústria com vistas aos melhores resultados.

        Quadro 34 - Funções do designer x Competências Habilidades B

      Domínio de gerência de

      produção, incluindo

        Desenvolver qualidade, produtividade, Funções designer x capacidade para arranjo físico de fábrica,

      competências e elaborar, implementar

      estoques, custos,

      habilidades B e consolidar projetos

      investimentos, administração

      em organizações

      de recursos humanos para a

      produção

        Pesquisa, desenho,

        2

        3 estética do produto (60%) Desenvolvimento de

        2

        3 produtos (40%) Interface com áreas de produção,

        2

        2 marketing, compras e (40%) vendas

        

      Domínio de gerência de

      produção, incluindo

      Desenvolver

      qualidade, produtividade,

        Funções designer x capacidade para

      arranjo físico de fábrica,

      competências e elaborar, implementar

      estoques, custos,

      habilidades B e consolidar projetos

      investimentos, administração

      em organizações

      de recursos humanos para a

      produção

        Colabora na definição

        1

        

      2

      das estratégias (20%) Desenvolvimento de processos

        

      2

        1 relacionados ao design Colabora na comunicação do

        

      2

        1 produto TOTAL

        

      12

        11 Fonte: Dados da pesquisa (2013)

      Nota: Os valores da Tabela são as quantidades de citações de cada

      dupla de categorias.

        Outra questão relevante diz respeito a habilidade de “elaborar, implementar e consolidar projetos em organizações” estar diretamente relacionada a troca de informações com outras áreas como produção, marketing, compras e vendas, e neste cruzamento o resultado foi de apenas 40% da opinião dos gestores.

        Um terceiro cruzamento foi realizado com as questões 9 e 10. A questão 10 solicitou aos gestores que indicassem os cinco conteúdos fundamentais de administração para formação do designer. Esta questão foi cruzada com a questão 9 que solicitava aos gestores que classificassem a atuação dos designers de moda a respeito dos conteúdos de administração.

        O Quadro 35 assinala a opinião dos gestores sobre a atuação dos designers em custos e formação de preços e a relação com os conteúdos fundamentais de administração.

        

      Quadro 35 - Conteúdos fundamentais x Atuação Custos e formação

      preços

        1

        Os conteúdos de estatística são considerados fundamentais pelos gestores para formação do designer, quando relacionados com a atuação do designer em custos e formação de preços assinalam que 60% dos gestores consideram como “boa” a atuação dos designers, por outro lado, os conteúdos de contabilidade e finanças, que também tem relação com área de custos não foram uma opção relevante pelos gestores.

        25 Fonte: Dados da pesquisa (2013)

        15

        10

        1 TOTAL

        1

        1 Recursos Humanos

        1

        1 Finanças

        1

        2 Contabilidade

        1

        1

        2 Projetos

        1

        Conteúdos fundamentais Administração x Atuação em Custos e formação preços Fraca Boa Total Marketing

        2 Logística

        2

        3 Estratégias empresariais

        2

        1

        4 Materiais

        3

        1

        4 Produção

        3

        1

        5 Estatística

        3

        2

        O Quadro 36 assinala a opinião dos gestores sobre a atuação dos designers em gestão e empreendedorismo e a relação com os conteúdos fundamentais de administração.

        

      Quadro 36 - Conteúdos fundamentais x Atuação Gestão e

      Empreendedorismo

        

      1

        1

        2 Projetos

        

      1

        1

        2 Contabilidade

        

      1

        1 Finanças

        1 Recursos Humanos

        2 Logística

        

      1

        1 TOTAL

        

      10

        10

        5

        25 Fonte: Dados da pesquisa (2013)

        Os conteúdos de estratégias empresariais quando relacionados com a atuação do designer em gestão e empreendedorismo assinalam que 40% dos gestores consideram como “boa” e “muito boa” a atuação dos designers, por outro lado, se avaliarmos o conjunto das respostas observamos que 40% dos gestores ainda consideram “fraca” a atuação dos designers em gestão e empreendedorismo e seu cruzamento com os conteúdos de administração considerados fundamentais.

        

      1

        1

        Conteúdos fundamentais Administração x Atuação em Gestão e Empreendedorismo Fraca Boa Muito boa Total

        1

        Marketing

        

      2

        2

        1

        5 Estatística

        

      1

        2

        4 Produção

        1

        

      1

        2

        1

        4 Materiais

        

      1

        1

        1

        3 Estratégias empresariais

        O Quadro 37 assinala a opinião dos gestores sobre a atuação dos designers em marketing e a relação com os conteúdos fundamentais de administração.

        Quadro 37 - Conteúdos fundamentais x Atuação Marketing Conteúdos fundamentais Administração x Atuação em Marketing

        1

        1

        2 Projetos

        1

        1

        2 Contabilidade

        1

        1 Finanças

        1 Recursos Humanos

        2 Logística

        1

        1 TOTAL

        5

        5

        5

        10

        25 Fonte: Dados da pesquisa (2013)

        Com relação ao conteúdo de marketing, 60% dos gestores considerarem como “boa” e “muito boa” a atuação dos designers com relação aos conhecimentos de Marketing, porém, 40% dos gestores considera a atuação como “regular” e “fraca”, significa que para estes gestores os designers realizam sem apoio na empresa até no máximo 50% das atividades com conteúdos de marketing. Relevante citar que o conteúdo de Marketing foi considerado fundamental para a formação dos designers por 100% dos gestores.

        1

        2

        Fraca Regular Boa Muito boa Total

        1

        Marketing

        1

        1

        1

        2

        5 Estatística

        1

        2

        3 Estratégias empresariais

        4 Produção

        1

        1

        2

        4 Materiais

        1

        1

        1

        O Quadro 38 assinala a opinião dos gestores sobre a atuação dos designers em produção e processos têxteis e a relação com os conteúdos fundamentais de administração.

        

      Quadro 38 - Conteúdos fundamentais x Atuação Produção e Processos

      Têxteis

        1

        1

        2 Contabilidade

        1

        1 Finanças

        1

        1 Recursos Humanos

        1 TOTAL

        2 Projetos

        5

        5

        15

        25 Fonte: Dados da pesquisa (2013)

        Com relação ao conteúdo de produção, do total de gestores, 60% considerarem como “muito boa” a atuação dos designers com relação aos conhecimentos de produção e processos têxteis.

        Porém, com relação a materiais, 40% consideram “muito boa” e na logística este índice diminui para apenas 20% que consideram a atuação do designer “muito boa.”

        Relevante citar que os conteúdos de produção e materiais fazem parte dos cinco conteúdos considerados fundamentais para formação do designer na opinião do gestor da indústria.

        1

        1

        Conteúdos fundamentais Administração x Atuação em Produção e Processos Têxteis Insuficiente Regular Muito boa Total

        4 Produção

        Marketing

        1

        1

        3

        5 Estatística

        1

        3

        1

        1

        3

        4 Materiais

        1

        2

        3 Estratégias empresariais

        2

        2 Logística

        O Quadro 39 assinala a opinião dos gestores sobre a atuação dos designers em psicologia e sociologia e a relação com os conteúdos fundamentais de administração.

        

      Quadro 39 - Conteúdos fundamentais x Atuação Psicologia e

      Sociologia

        1 Recursos Humanos

        2 Projetos

        1

        1

        2 Contabilidade

        1

        1 Finanças

        1

        1

        1

        1 TOTAL

        10

        5

        10

        25 Fonte: Dados da pesquisa (2013)

        A relação dos conteúdos de recursos humanos com a atuação em psicologia reflete uma baixa relevância, de conteúdos deste tema, sendo que apenas 20% dos gestores selecionaram recursos humanos e apontaram a atuação dos designers como “fraca.”

        5.4 DESIGNERS DE MODA O segundo objetivo específico do estudo tratava de descrever as percepções dos profissionais de Design de Moda, acerca da aplicação dos conteúdos de administração adquiridos através dos cursos superiores de moda.

        1

        2 Logística

        Conteúdos fundamentais Administração x Atuação em Psicologia e Sociologia Fraca Regular Boa Total Marketing

        4 Produção

        2

        1

        2

        5 Estatística

        1

        1

        2

        1

        1

        1

        2

        4 Materiais

        1

        1

        1

        3 Estratégias empresariais

        1

        Para isso, foram aplicados questionários com os onze designers de moda que trabalham na indústria do vestuário. O instrumento foi constituído por onze questões, abertas e fechadas e o retorno dos questionários ocorreu dia 16 de julho de 2013.

      5.4.1 Perfil dos Designers de Moda

        De acordo com a pesquisa, os designers de moda da indústria do vestuário são em sua maioria mulheres e representam 91% dos respondentes, conforme Tabela 39.

        

      Tabela 39 - Perfil dos designers por gênero

      Gênero Freq. % Feminino 10 91% Masculino

        1 9% TOTAL OBS. 11 100%

      Fonte: Dados da pesquisa (2013)

        Em relação a formação dos designers de moda, 73% possuem cursos de bacharel, de acordo com a Tabela 40.

        

      Tabela 40 - Formação dos designers

      Formação em Moda Freq. % Bacharel 8 73% Tecnólogo

        3 27% TOTAL OBS. 11 100%

      Fonte: Dados da pesquisa (2013)

        As Instituições de Ensino que os designers de moda se formaram ou estão estudando estão listadas na Tabela 41.

        Tabela 41

      • – Instituições de Ensino de formação do designer

        Instituições de Ensino Freq. % FURB 4 36% SENAI

        2 18% SENAC 1 9% UDESC 1 9% UEM 1 9% UNIASSELVI 1 9% UNIPAR 1 9% TOTAL OBS. 11 100%

      Fonte: Dados da pesquisa (2013)

        Do total de designers de moda que trabalham na indústria, sete já concluíram o curso e quatro ainda estão cursando, sendo que a previsão de conclusão do curso é para os anos de 2013, 2014 e 2015.

        Quanto ao tempo de atuação dos designers de moda nas suas funções, 46% estão atuando na função há menos de um ano e 36% mais de cinco anos, conforme Tabela 42.

        Tabela 42

      • – Designer: tempo de atuação na função

        Tempo de atuação Freq. % Até 1 ano 5 46% De 1 a 3 anos

        2 18% De 5 a 8 anos 3 27% Mais de 8 anos 1 9% TOTAL OBS. 11 100%

      Fonte: Dados da pesquisa (2013)

        As funções exercidas na empresa pelos designers de moda estão listadas na Tabela 43.

        Tabela 43

      • – Funções dos designers na indústria

        Funções Freq. % Estilista 5 45,5% Assistente de Estilo

        5 45,5% Analista de Produto 1 9,0% TOTAL OBS. 11 100%

      Fonte: Dados da pesquisa (2013)

        Os designers de moda selecionaram as suas atividades na indústria estudada, de acordo a Tabela 44.

        Tabela 44

      • – Atividades do designer de moda

        Atividades Freq. % Pesquisa, desenho, estética do produto 10 91% Desenvolvimento de produtos

        9 82% Desenvolvimento de processos relacionados ao design 5 46% Interface com áreas de produção, marketing, compras e vendas

        4 36% Colabora na definição das estratégias 3 27% Colabora na comunicação do produto 3 27% Outras 2 18% TOTAL OBS.

        11 Fonte: Dados da pesquisa (2013)

        De acordo 91% da opinião dos designers, a pesquisa, o desenho, a estética do produto, são atividades do designer de moda. Na opinião de 82%, o desenvolvimento de produtos é uma atividade realizada pelos designers de moda e 36% afirma que é interface com áreas de produção, marketing, compras e vendas.

        O Quadro 40 reúne informações para identificação dos designers de moda que participaram da pesquisa. A letra “D” corresponde aos

        “Designers de moda da indústria do vestuário” e o número na sequência é apenas um dado para registro e identificação.

        

      Quadro 40 - Legenda com perfil dos designers de moda

      Legenda Gênero Formação Função Tempo na função

        

      D.01 Feminino Tecnólogo Estilista 5 a 8 anos

      D.02 Feminino Bacharel Assistente de Estilo Até 1 ano

        D.03 Feminino Bacharel Assistente de Estilo

        Até 1 ano D.04 Feminino Bacharel Assistente de

        Estilo Até 1 ano

      D.05 Masculino Bacharel Estilista Até 1 ano

      D.06 Feminino Bacharel

        Analista de Produto Até 1 ano

        D.07 Feminino Bacharel Assistente de Estilo 1 a 3 anos

        

      D.08 Feminino Bacharel Estilista 5 a 8 anos

      D.09 Feminino Bacharel Assistente de Estilo

        1 a 3 anos

      D.10 Feminino Tecnólogo Estilista Mais de 8 anos

      D.11 Feminino Tecnólogo Estilista 5 a 8 anos

        

      Fonte: Dados da pesquisa (2013)

        A legenda do Quadro 40 servirá para identificar os designers nas questões abertas, onde são evidenciadas suas opiniões.

        No Quadro 41, estão as opiniões dos designers que selecionaram a opção outras da Tabela 44.

        

      Quadro 41 - Atividades do designer de moda: opção outras

      Questão 1 Designers Discurso Quais são as suas funções na empresa atualmente? ( ) Outras. Quais?

        D.06 Formação de custos/mercado, pesquisa de fornecedores.

        D.08 Produção de desfiles, acompanhamento de campanha, definição de looks, cabelos, compra com fornecedores, negociação de preço, lavanderia, processos, direcionamento de estampas.

        

      Fonte: Dados da pesquisa (2013)

        As ferramentas de apoio que o designer de moda utiliza para realizar o seu trabalho na indústria do vestuário, estão listadas na Tabela 45.

        Tabela 45

      • – Ferramentas de apoio para o trabalho do designer

        Ferramentas de apoio Freq. % Illustrator 6 55% WGSN

        5 45% Photoshop 4 36% InDesign 3 27% Sites de tendências 2 18% Internet 2 18% Computador 2 18% Peças de viagens internacionais 2 18% Pacote Office 2 18% Corel Draw

        2 18% Blogs 1 9% Revistas 1 9%

        Ferramentas de apoio Freq. % Visita a feiras 1 9% Telefone

        1 9% Catálogos de materiais 1 9% Viagens 1 9% Visual Age 1 9% TOTAL OBS. 11 100%

      Fonte: Dados da pesquisa (2013)

        

      Nota: A quantidade de citações é superior à quantidade de observações

      devido às respostas múltiplas.

        Na realização das suas atividades, o designer de moda utiliza diversas ferramentas de apoio, os softwares: Illustrator, Photoshop e InDesign foram os mais citados pelos designers e o site de moda WGSN, conforme Tabela 45.

        As áreas da empresa que fornecem apoio técnico ou operacional ao trabalho do designer de moda foram listadas na Tabela 46.

        

      Tabela 46 - Áreas de apoio para o trabalho do designer

      Áreas de apoio Freq. % Engenharia 7 64% Comercial

        6 55% Compras 4 36% Diretoria 3 27% Demanda 2 18% Marketing 2 18% Gerência Comercial 1 9% Gerência de Produto 1 9% CDP 1 9% Modelagem 1 9% TI 1 9% TOTAL OBS. 11 100%

      Fonte: Dados da pesquisa (2013)

        

      Nota: A quantidade de citações é superior à quantidade de observações

      devido às respostas múltiplas.

        As áreas de engenharia (processos e produto) foram citadas como áreas de apoio por sete designers de moda representando 64% do total. Na sequência aparece a área comercial com 55% da opinião dos designers, de acordo com a Tabela 46.

        Os designers de moda fornecem informações ou serviços para as áreas informadas que estão listadas na Tabela 47.

        

      Tabela 47 - Áreas que recebem informações ou serviços do designer

      Áreas recebem informações Freq. % Compras 8 73% Engenharia

        8 73% Comercial 7 64% Marketing 4 36% Prototipia 4 36% Demanda 4 36% Modelagem 3 27% Desenvolvimento de Produto 2 18% Diretoria 1 9% Produção 1 9% Importação 1 9% Estamparia 1 9% Lavanderia 1 9% Bordado 1 9% Fornecedores 1 9% Ficha Técnica 1 9% TOTAL OBS. 11 100%

      Fonte: Dados da pesquisa (2013)

        

      Nota: A quantidade de citações é superior à quantidade de observações

      devido às respostas múltiplas.

        As áreas de compras e engenharia foram citadas por oito designers de moda representando 73% da opinião total. Estas áreas recebem informações ou serviços realizados pelos designers de moda na empresa.

      5.4.2 Domínio dos conteúdos de administração

        Os designers de moda da indústria do vestuário foram interrogados na questão 7, sobre como eles classificam seu domínio a respeito dos conteúdos de administração.

        As questões são de resposta única sobre uma escala e os parâmetros foram estabelecidos sob uma notação de 1 a 5, com base na legenda, descrita no Quadro 42.

        Quadro 42

      • Legenda da questão 7: questionário dos designers

        

      1 Insuficiente Preciso de apoio técnico para executar

      as atividades

        

      2 Fraco 30% das atividades realizo sem apoio

        

      3 Regular 50% das atividades realizo sem apoio

        

      4 Bom 80% das atividades realizo sem apoio

        

      5 Muito bom 100% das atividades realizo sem apoio

      Fonte: Dados da pesquisa (2013)

        Aqui, da mesma forma que ocorreu com os gestores, na questão não ocorreu opinião unânime em relação ao domínio dos conteúdos de administração, ao contrário existiu uma divisão de opiniões por parte dos designers em maior ou menor escala dependendo do conteúdo.

        Com relação à área de Marketing, 55% dos designers consideram como bom o seu domínio a respeito destes conteúdos, conforme Tabela 48.

        

      Tabela 48 - Domínio a respeito dos conteúdos de Marketing

      Marketing Freq. % Insuficiente 0% Fraco

        1 9% Regular 4 36% Bom 6 55% Muito bom 0%

        TOTAL OBS. 11 100%

      Fonte: Dados da pesquisa (2013)

        Na opinião de 36% dos designers de moda, o domínio de conhecimentos a respeito de Produção e Processos Têxteis foi considerado muito bom. Porém, há uma divisão de opiniões nesta mesma questão, pois 27% opinaram como regular, de acordo com a Tabela 49.

        

      Tabela 49 - Domínio a respeito dos conteúdos de Produção

      Produção e Processos Têxteis Freq. % Insuficiente 0% Fraco

        1 9% Regular 3 27% Bom 3 27% Muito bom 4 36% TOTAL OBS. 11 100%

      Fonte: Dados da pesquisa (2013)

        O domínio dos conhecimentos sobre Custos e formação de preços foram os que tiveram o maior percentual na opção regular, representando a opinião de 55% dos designers de moda, conforme Tabela 50.

        

      Tabela 50 - Domínio a respeito dos conteúdos de Custos

      Custos e formação de preços Freq. % Insuficiente 1 9% Fraco

        1 9% Regular 6 55% Bom 3 27% Muito bom 0%

        TOTAL OBS. 11 100%

      Fonte: Dados da pesquisa (2013)

        Quanto aos conhecimentos em Gestão e Empreendedorismo, 36% dos designers de moda consideraram bom e 27% regular seu domínio em relação a estes conteúdos administração, de acordo com Tabela 51.

        

      Tabela 51 - Domínio a respeito dos conteúdos de Gestão

      Gestão e Empreendedorismo Freq. % Insuficiente 1 9% Fraco

        1 9% Regular 3 27% Bom 4 36% Muito bom 2 18% TOTAL OBS. 11 100%

      Fonte: Dados da pesquisa (2013)

        Quando foram questionados sobre a área de Psicologia e Sociologia, 18% dos designers apontaram como fraco e 36% como regular o domínio destes conteúdos, conforme Tabela 52.

        

      Tabela 52 - Domínio a respeito dos conteúdos de Psicologia

      Psicologia e Sociologia Freq. % Insuficiente 1 9% Fraco

        2 18% Regular 4 36% Bom 3 27% Muito bom 1 9% TOTAL OBS. 11 100%

      Fonte: Dados da pesquisa (2013)

        Ao agruparmos a opinião dos gestores na questão 7 em três grupos de respostas, podemos observar que 47% dos designers classificam como “bom” ou “muito bom” seu domínio a respeito dos conteúdos de administração, de acordo com a Tabela 53.

        Tabela 53

      • – Resultado do domínio dos designers a respeito dos

        conteúdos de administração

        Conteúdos

      Insuficiente

      • - Fraco

        Regular Bom - Muito bom

        Custos e Formação de preços 18% 55% 27% Gestão e

        Empreendedorismo 18% 27% 55% Marketing 9% 36% 55% Produção e processos têxteis 9% 27% 64% Psicologia e Sociologia 27% 36% 36% Média 16% 36% 47%

        

      Fonte: Dados da pesquisa (2013)

        Somada s as respostas de “regular”, “insuficiente” e “fraco”, as mesmas totalizam 53% das opiniões dos designers, indicando uma formação que não está atendendo as necessidades dos designers de moda na sua atuação profissional.

        

      5.4.3 Conteúdos de administração fundamentais na

      formação

        Na opinião dos designers de moda da indústria do vestuário os principais conteúdos de administração que são fundamentais para que ele possa atuar de forma a atender as expectativas da empresa estão listados na Tabela 54.

        Tabela 54

      • – Conteúdos de administração fundamentais na formação do

        designer

        Conteúdos fundamentais Freq. % Produção 9 82% Marketing

        8 73% Estratégias empresariais 7 64% Materiais 6 55% Projetos 5 45% Finanças 4 36% Tecnologia da Informação 4 36% Logística 3 27% Psicologia 3 27% Contabilidade 2 18% Estatística 2 18% Direito 1 9% Recursos Humanos 1 9% Sociologia 0%

        TOTAL OBS. 11 100%

      Fonte: Dados da pesquisa (2013)

      Nota: A quantidade de citações é superior à quantidade de observações

      devido às respostas múltiplas (5 no máximo).

        Na opinião de 82% dos designers de moda, os conteúdos de produção foram considerados fundamentais para que eles possam atuar de forma a atender as expectativas da empresa.

        Por outro lado, observou-se que 27% dos designers de moda consideram regular e 9% considera fraco seu domínio nos conteúdos de produção, segundo Tabela 53. Os conteúdos de marketing foram considerados fundamentais para a formação por 73% dos designers de moda, porém, 36% dos designers consideram o seu domínio com relação a estes conteúdos regular e 9% considera fraco, de acordo com a Tabela 53.

        Com relação aos conteúdos de Estratégias empresariais, 64% dos designers os consideram fundamentais para formação. Estes conteúdos fazem parte da área de Gestão e Empreendedorismo, onde 27% dos designers consideram seu domínio regular e 18% consideram fraco e insuficiente, segundo Tabela 53.

        Os cinco conteúdos de administração, considerados fundamentais pelos designers e que obtiveram as maiores frequências: produção, marketing, estratégias empresariais, materiais e projetos, são, na visão dos designers de moda, essenciais para que os mesmos atendam as expectativas da empresa.

        Relevante citar que não foi encontrada em nenhuma IES uma disciplina que estivesse com a nomenclatura de Projetos, por outro lado, 45% dos designers de moda consideram este conteúdo fundamental para sua formação.

        Na questão 6, os designers de moda citaram outros conteúdos de administração que eles consideram relevantes. O designer D.02, falou da importância de conhecer o produto em questão, a gestão de demanda, a sequência e os processos envolvidos dentro da empresa. O designer D.05 citou compras e planejamento, o D.08 falou da inteligência de mercado e o D.10 de oratória e vendas.

      5.4.4 Conhecimentos em administração e desempenho

        Os designers de moda foram questionados se eles acreditam que possuir conhecimentos em administração contribui para melhoria no seu desempenho profissional na empresa, proporcionando melhores resultados, 91% dos designers respondeu

        “sim” e apenas 9% respondeu que não tem opinião formada a respeito. Os motivos que foram expostos pelos designers estão no Quadro 43.

        Quadro 43

      • – Motivos porque o conhecimento em administração melhora o desempenho profissional

        Questão 8 Designers Discurso É preciso ter uma noção global da

        

      Por que você sua marca e do seu produto. Saber

      acredita que fazer preço, saber como vender e a

      D.01 possuir logística na produção é conhecimentos fundamental para o sucesso da em coleção. administração Porque estes conhecimentos contribui para administrativos são a base de um

      melhoria no seu bom desempenho profissional para

        D.02 desempenho muitas áreas e quanto maior

      profissional, conhecimento nestas áreas, melhor

      proporcionando profissional se tornará. melhores

        Muitos dos conhecimentos de resultados? administração são fundamentais para todas as profissões, é

        D.03 necessário conhecer outros processos para melhor desenvolver o produto.

        Porque me dão uma visão maior de D.04 todo processo do produto e embasamento também. Para se tornar um líder no setor é necessário ter abrangência de

        D.05 conhecimentos, não só estético e criativo, como administrativo, etc. Facilita a cadeia produtiva e chega- D.06 se no resultado final com assertividade. Para qualidade da coleção é necessário uma junção de conhecimentos, apesar de ter total D.08 conhecimento técnico e criativo, precisa-se ter conhecimento mesmo que parcial da parte administrativa. Preciso lidar com várias marcas e D.09 pessoas, ajustando alguns

        Questão 8 Designers Discurso conhecimentos não seria possível.

        Mesmo que em setores como o marketing não temos autonomia, entender as áreas e os processos que envolvem o produto do

        D.10 desenvolvimento ao feedback das vendas é essencial, pois o real interesse dos produtos é a venda, trabalhamos com business. É um diferencial, uma vez que a formação acadêmica não oferece,

        D.11 nosso trabalho fica limitado ao campo teórico.

      Fonte: Dados da pesquisa (2013)

        Com base no discurso dos designers de moda, podemos observar que os conhecimentos em administração contribuem de forma significativa para o bom desempenho profissional dos mesmos.

        Esta afirmação se confirma nas palavras dos designers, afirmando que os conhecimentos em administração proporcionam uma visão ampliada, globalizada dos processos, de vendas, logística, produção, sendo citado como base para um bom desempenho profissional.

        Os resultados com assertividade, citados pelos designers de moda, ao que parece, são a consequência da união de conhecimentos estéticos, criativos com os conhecimentos administrativos, resultando em produtos que dialogam com as aspirações e necessidades do público-alvo, bem como os objetivos comerciais e financeiros da empresa.

      5.4.5 Conteúdos insuficientes na formação

        Os designers de moda foram questionados se a formação acadêmica que eles receberam proporcionou os conhecimentos suficientes para que o mesmo trabalhe de forma a atender todas as demandas da empresa, 73% dos designers respondeu que “não” e informaram os conteúdos que ficaram faltando, de acordo com a Tabela 55.

        

      Tabela 55 - Conteúdos ausentes na formação do designer

      Conteúdos Freq. % Empreendedorismo 2 25% Gestão

        2 25% Formação de preços 2 25% Faltaram exemplos práticos 2 25% Tecidos, técnicas de lavagem, 1 13% acabamentos, estamparia

        Conteúdos técnicos, produtivos e 1 13% mercadológicos Experiência interdisciplinar

        1 13% TOTAL OBS.

        8 Fonte: Dados da pesquisa (2013) Nota: A quantidade de citações é superior à quantidade de

      observações devido às respostas múltiplas.

        Os conteúdos de gestão, empreendedorismo e formação de preços, foram os mais citados como ausentes pelos designers, este resultado vai ao encontro da opinião de 40% dos gestores que informaram que os conhecimentos dos designers a respeito destes conteúdos é fraco.

      5.4.6 Principais competências e habilidades do designer

        Os designers de moda da indústria do vestuário selecionaram as principais competências e habilidades que eles consideram indispensáveis na formação do designer para que o mesmo possa atuar na empresa.

        A questão oferecia 16 opções de resposta, sendo que os designers foram solicitados a escolher as cinco principais. Na Tabela 56 foram expostas as alternativas de resposta que tiveram as maiores frequências.

        Tabela 56

      • As principais competências e habilidades do designer Competências e Habilidades Freq. %

        Ter iniciativa, criatividade, determinação, vontade política e administrativa, vontade 10 91% de aprender, abertura às mudanças

        Capacidade criativa para propor soluções inovadoras, utilizando domínio de técnicas 9 82% e de processo de criação

        Capacidade de atuar em equipes interdisciplinares na elaboração e 7 64% execução de pesquisas e projetos

        Pensar estrategicamente, introduzir modificações no processo produtivo, atuar 5 45% preventivamente, exercer o processo da tomada de decisão Conhecimento do setor produtivo, revelando sólida visão setorial, relacionado 5 45% ao mercado, materiais, processos produtivos e tecnologias

      TOTAL OBS.

        11 Fonte: Dados da pesquisa (2013)

      Nota: A quantidade de citações é superior à quantidade de observações

      devido às respostas múltiplas (5 no máximo).

        Dentre as cinco principais competências e habilidades selecionadas pelos designers de moda, duas delas fazem parte das competências e habilidades do formando em administração e constam nas diretrizes curriculares do curso de administração.

        A que recebeu os votos de 91% dos designers de moda: ter iniciativa, criatividade, determinação, vontade política e administrativa, vontade de aprender, abertura às mudanças, faz parte das habilidades do administrador.

        A segunda habilidade inerente ao administrador que recebeu 45% dos votos dos designers foi: pensar atuar preventivamente, exercer o processo da tomada de decisão, corrobora com a opinião de 82% dos designers que citaram como conteúdo fundamental na formação do designer de moda: a produção, conforme Tabela 56.

        Aqui, novamente, fica evidenciada a importância dos conteúdos de produção e processos têxteis como demandas relevantes para a atuação do designer de moda indústria do vestuário.

        Da mesma forma que opinaram os gestores, de acordo com o que foi exposto, depreende-se da percepção dos designers de moda da indústria do vestuário a necessidade de se desenvolver competências e habilidades características da formação do bacharel em administração nos estudantes dos cursos de design de moda.

        Com relação ao design, uma das habilidades inerentes à formação do designer de moda, que constam nas diretrizes curriculares, recebeu 82% das opiniões dos designers: Capacidade criativa para propor soluções inovadoras, utilizando domínio de técnicas e de processo de criação.

      5.4.7 Sugestões de melhorias na formação

        Os designers de moda foram solicitados a informar o que pode ser melhorado na formação acadêmica do designer de moda. Por se tratar de uma questão aberta, foram agrupados os conteúdos e listados na Tabela 57.

        Tabela 57 Melhorias na formação do designer Melhorias na formação Freq. % Conteúdos aplicados ao cotidiano e realidade 3 27% das empresas, mais prática Mais estágio

        2 18% Mais conteúdos administrativos, gestão e 2 18% processos

        Conteúdos de engenharia têxtil, fibras, 2 18% tecidos, processo de fabricação Professores especializados em processos

        1 9% administrativos na área de moda Melhores professores em disciplinas técnicas 1 9% como fiação e estamparia Visão empresarial e fluxo de produção

        1 9% Aprofundar conhecimentos em malharia, 1 9% jeans, lavagens e técnicas para aplicações

        Preparar o aluno para ampliar sua visão do 1 9% mercado da moda Aprofundar conhecimentos modelagem e

        1 9% moulage

      TOTAL OBS.

        11 Fonte: Dados da pesquisa (2013)

      Nota: A quantidade de citações é superior à quantidade de observações

      devido às respostas múltiplas.

        Nesta questão o designer D.01 afirma : “Menos teoria e mais prática, mais estágio. Só na prática se aprende!

        .” Aqui o designer enfatiza a necessidade dos conteúdos ministrados estarem alinhados com as práticas empresariais e atesta a necessidade do estágio com objetivo de colaborar com a formação adequada do designer para o mercado de trabalho.

        O designer D.11 descreve: “Sou formada em nível técnico por uma escola profissionalizante, vejo que o preparo para o mercado de trabalho, a realidade de uma empresa é o maior ponto fraco nos profissionais com os quais trabalho

        .” Neste comentário o designer, que atua na empresa há mais de 5 anos, aponta uma carência de conhecimentos do cotidiano empresarial por parte dos profissionais de design de moda.

        A questão perguntava sobre melhorias na formação e não fazia menção a conteúdos de administração, mas o que se pode observar é que muitas das respostas dos designers estavam diretamente relacionadas com a administração, como se pode observar na Tabela 57.

        O designer D.04 menciona a necessidade de se “Trabalhar mais aspectos ligados a gestão e processos produtivos

        .” Afirma o designer D.05

        : “Faltam mais matérias pensando no administrativo e falta aprofundar mais em tecnologia têxtil .”

        O designer D.10 menciona que: “Precisamos de uma visão empresarial e de fluxo de produção (produtividade) .”

        Outra melhoria proposta que está relacionada à administração foi mencionada pelo designer D.03 sobre os docentes: especializados em processos

        “Professores administrativos na área de moda e confecção, conteúdos mais aplicados ao cotidiano das empresas

        .” De uma forma geral, a administração, na opinião dos designers, com base nas informações obtidas até o momento, dialoga diretamente com o design, no intuito de preparar o profissional de moda a atuar no mercado com uma visão de processos, gestão e fornecendo conhecimentos que são fundamentais para que o produto final atinja os resultados planejados pela indústria.

      5.4.8 Cruzamentos dos questionários dos designers

        Na questão 1 os designers informaram quais são as suas funções na indústria do vestuário atualmente. Esta questão foi cruzada com a questão 5, que relata os cinco conteúdos de administração que os designers consideram fundamentais para sua atuação de forma a atender as expectativas da empresa, conforme Quadro 44.

        

      Quadro 44 - Funções do designer x conteúdos de administração

      fundamentais

        Funções designer x Produção Marketing Estratégia

        

      Conteúdos de empresarial Materiais Projetos

      Administração Pesquisa, desenho,

        8

        8

        7

        5

        4 estética do produto Desenvolvimento

        8

        6

        6

        5

        4 de produtos Desenvolvimento de processos

        4

        4

        3

        3

        3 relacionados ao design Colabora na definição das

        2

        3

        2

        2

        3 estratégias Colabora na comunicação do

        2

        2

        2

        2

        3 produto Interface com áreas de produção,

        4

        3

        2

        2

        2 marketing, compras e vendas Total

        30

        28

        24

        20

        20 Fonte: Dados da pesquisa (2013)

      Nota: Os valores da Tabela são as quantidades de citações de cada

      dupla de categorias

        De acordo com o Quadro 44, os conteúdos de produção e marketing e as funções de desenvolvimento de produtos e pesquisa, desenho e estética do produto são os mais relevantes.

        A interface com as áreas de produção, compras, vendas e o próprio marketing, assim como o desenvolvimento de processos relacionados ao design, valorizados pelos próprios designers, indicam a necessidade da formação interdisciplinar do design com a administração com objetivo de atender o perfil demandado pela indústria do vestuário.

        A estratégia empresarial alinhada a pesquisa, desenho, estética e desenvolvimento do produto, na opinião dos designers, indicam estes conhecimentos como fundamentais para a formação dos designers de forma a contribuir para o seu futuro desempenho, atendendo as demandas do mercado profissional.

        5

        1

        3

        2 Colabora na comunicação do produto

        1

        3

        2 Colabora na definição das estratégias

        3

        6 Desenvolvimento de processos relacionados ao design

        Outra análise realizada foi o cruzamento das questões 3 e 11. A primeira relaciona as funções do designer de moda na opinião dos próprios designers que trabalham na indústria e a segunda destaca as competências e habilidades indispensáveis para atuação do designer de moda na indústria do vestuário. Os resultados foram apresentados em dois Quadros: 45 e 46.

        7

        8

        6 Desenvolvimento de produtos

        8

        9

        Pesquisa, desenho, estética do produto

        Capacidade de atuar em equipes interdisciplinares na elaboração e execução de pesquisas e projetos

        Quadro 45 - Funções do designer x Competências Habilidades C Funções designer x Competências e habilidades C Ter iniciativa, criatividade, determinação, vontade política e administrativa, vontade de aprender, abertura às mudanças Capacidade criativa para propor soluções inovadoras, utilizando domínio de técnicas e de processo de criação

        2 Ter iniciativa, Capacidade Capacidade de criatividade, criativa para atuar em determinação, propor soluções equipes

        Funções designer x vontade política inovadoras, interdisciplinares

        Competências e e administrativa, utilizando na elaboração habilidades C vontade de domínio de e execução de aprender, técnicas e de pesquisas e abertura às processo de projetos mudanças criação

        Interface com áreas de produção, marketing,

        4

        4

        3 compras e vendas TOTAL

        33

        25

        23 Fonte: Dados da pesquisa (2013)

      Nota: Os valores da Tabela são as quantidades de citações de cada

      dupla de categorias.

        De acordo com o Quadro 45, a função de pesquisa, desenho, estética do produto está alinhada com a competência e habilidade que fala de iniciativa, criatividade, vontade política e administrativa, recebendo a opinião de nove designers que correspondem a 82% do total.

        Por outro lado foi baixo o índice quando cruzada a habilidade de “atuar em equipes interdisciplinares na elaboração e execução de pesquisas e projetos” com a função do designer “interface com áreas de produção, marketing, compras e vendas” que recebeu apenas 27% da opinião dos designers, demonstrando uma certa distância entre a função exercida e a habilidade esperada.

        No Quadro 46 , no cruzamento da função “colabora na definição das estratégias” com a habilidade “Pensar estrategicamente, introduzir modificações no processo produtivo, atuar preventivamente, exercer o processo da tomada de decisão” incidiu a opinião de apenas dois designers representando 18% do total.

        Quadro 46 - Funções do designer x Competências Habilidades D Pensar Conhecimento do setor estrategicamente, produtivo, revelando

        Funções designer x introduzir modificações sólida visão setorial, Competências e no processo produtivo, relacionado ao atuar preventivamente, mercado, materiais, habilidades A exercer o processo da processos produtivos tomada de decisão e tecnologias

        Pesquisa, desenho,

        4

        4 estética do produto Desenvolvimento de

        5

        5 produtos Desenvolvimento de processos

        3

        4 relacionados ao design Colabora na definição

        2

        2 das estratégias Colabora na comunicação do

        3

        3 produto Interface com áreas de produção, marketing,

        2

        1 compras e vendas TOTAL

        20

        20 Fonte: Dados da pesquisa (2013)

        Outra questão relevante diz respeito a habilidade de “conhecimento do setor produtivo, revelando sólida visão setorial, relacionado ao mercado, materiais, processos produtivos e tecnologias

        ” estar relacionada com a função de “Interface com áreas de produção, marketing, compras e vendas

        ” e neste cruzamento o resultado foi de apenas 9% da opinião dos designers.

        5.5 CONFRONTO DAS PERCEPđỏES DOS SEGMENTOS PESQUISADOS

      5.5.1 Aspectos convergentes e divergentes

        A pesquisa possibilitou identificar características inerentes à formação do designer de moda e suas respectivas competências e habilidades de acordo com as Diretrizes Curriculares do Curso de Design (BRASIL, 2004).

        Uma vez considerada a evolução do pensamento administrativo por Taylor (1903), Shafritz e Whitbeck (1978), Ramos (1989), Morgan (1996) e Wren (2007), pode-se observar certa analogia na moda quando do advento da Primeira Guerra Mundial, onde ocorreram diversas mudanças na relação das pessoas com seu vestuário.

        Neste período, os aspectos de funcionalidade nas roupas foram valorizados (Braga, 2004), as pessoas se preocupavam em utilizar roupas práticas para o trabalho (Pollini, 2007) que facilitassem o movimento, para que o vestuário não se tornasse um barreira para a execução das atividades nas fábricas, estes acontecimentos estão, de certo modo, associados a racionalização do trabalho, introduzido por Taylor em 1903 no seu livro por meio do Estudo dos Tempos e Movimentos.

        Também há uma relação com o advento da independência econômica feminina (Nery, 2003) adquirida por atuar agora nas fábricas e em postos de trabalho antes apenas ocupados pelos homens.

        Os resultados da pesquisa ratificam uma convergência de habilidades e competências de acordo com as Diretrizes Curriculares Nacionais de Administração (Brasil, 2005a) e DCN de Design (Brasil, 2004), quando analisado sob a perspectiva dos gestores da indústria e dos profissionais egressos dos cursos de design de moda.

        Considerando que os cursos de moda estabelecidos de acordo com as Diretrizes Curriculares Nacionais (Brasil, 2004), não estabelecem uma carga horária mínima, a pesquisa demonstrou uma variação de quase 50% de carga horária dos cursos pesquisados. A menor carga horária corresponde a 2400 horas e a maior carga horária do curso de moda é de 3582 horas.

        Quando considerados os conteúdos de administração (Brasil, 2005a) nos cursos de moda, percebe-se uma variação entre 6% e 17% de participação na carga horária total do curso, conforme gráfico 1.

        

      Gráfico 1 - Participação dos conteúdos de administração nos cursos

      Fonte: Produção da própria autora (2013)

        Quanto aos resultados da pesquisa de campo há que se destacar as seguintes informações, de acordo com o Quadro 47.

        

      Quadro 47 - Síntese dos resultados da pesquisa

      DESCRITOR RESULTADOS

      1. Coordenadores dos Cursos

        Carga horária média dos conteúdos de administração nos cursos de moda

        Gestão e Empreendedorismo - 98 horas

      Marketing - 74 horas

      Psicologia e Sociologia - 70 horas Produção e Processos Têxteis - 66 horas Custos e Formação de preços - 51 horas

      DESCRITOR RESULTADOS

        Doutor - 8% Grau de instrução dos Mestre - 61% coordenadores dos

      Especialista - 23%

      cursos de moda Graduado - 8% Até 1 ano - 15%

        Tempo de atuação como coordenador do 1 a 5 anos - 46% curso de moda

      Mais de 5 anos - 39%

        Atuação dos Sim - 85% coordenadores fora da Academia Não - 15%

        

      Administração - 85%

      Formação dos Design de Moda - 39% professores das

      Ciências Contábeis

      • – 23% disciplinas de administração nos Publicidade – 23% cursos de moda Outros: Marketing, Filosofia, Psicologia, Artes Visuais, Design Gráfico.- 39% Indústrias de vestuário - 92% Indústrias de malhas e tecidos - 46% Segmentos atendidos pelo curso de Moda Empresas de estamparia - 39% Ind. artigos de cama, mesa e banho - 31%

        Gestão e Empreendedorismo - 92% Conteúdos de Administração para Marketing - 77% formação do designer

        Custos e Formação de preços - 69% de moda “grau muito Produção e Processos têxteis - 69% importante” – visão coordenador Psicologia e Sociologia - 46%

        Capacidade criativa para propor soluções inovadoras, utilizando domínio de técnicas e As três principais de processo de criação. 77% competências e habilidades do designer

        Ter iniciativa, criatividade, determinação,

      • – visão coordenador vontade política e administrativa, vontade de aprender, abertura às mudanças. 69%

      DESCRITOR RESULTADOS

        Domínio das etapas de um projeto: definição de objetivos, técnicas de coleta de dados, geração e avaliação de alternativas, solução e comunicação de resultados. 69%

      2. Gestores da Indústria

        Aprimoramento do design, dar mais foco de moda aos produtos e consolidação das

      marcas no mercado.

      Necessidade de ter produtos diferenciados visualmente e administrá-los com visão de moda. Motivos que levaram a Desenvolver um setor específico de criação. indústria do vestuário a contratar designers de

        Vendo o homem cada vez mais preocupado moda com a sua apresentação pessoal e também buscando inovações no seu modo de vestir, o investimento em Moda e Pesquisa de moda, foi vital para acompanharmos essa evolução.

        A necessidade de um especialista de moda na área de malharia. Pesquisa, desenho, estética do produto - 100% Desenvolvimento de produtos - 100% Atividades do designer de moda na visão dos Interface com áreas de produção, marketing, gestores compras e vendas - 80%

        Colabora na definição das estratégias - 60%

      Marketing - 100%

      Conteúdos de Produção - 80% administração

        Estatística - 80% fundamentais na formação do designer Materiais - 60% de moda

      • – visão Estratégias empresariais - 40% gestores Logística - 40%

      DESCRITOR RESULTADOS

        Atuação dos designers Produção e Processos têxteis - 60% de moda a respeito dos Gestão e Empreendedorismo - 60% conteúdos de Marketing - 60% administração: conceito

      • – bom e muito bom Psicologia e Sociologia - 40% visão gestores Custos e Formação de preços - 60% Gestão de mix, gestão de custos, gestão lead Porque o designer de

        time, gestão de mercado. moda deve adquirir Gerenciamento e controle da coleção, gestão conhecimentos em de produtos.

        Administração

      • – visão gestores Visão holística do negócio

        Custos e processos

        Ter iniciativa, criatividade, determinação, vontade política e administrativa, vontade de aprender, abertura às mudanças - 100% Pensar estrategicamente, introduzir As três principais modificações no processo produtivo, atuar competências e preventivamente, exercer o processo da habilidades do designer tomada de decisão - 80%
      • – visão gestores Conhecimento do setor produtivo, revelando sólida visão setorial, relacionado ao mercado, materiais, processos produtivos

        e tecnologias - 80%

      3. Designers de moda

        Até 1 ano - 46% Tempo de atuação 1 a 5 anos - 18% como designer de moda

      Mais de 5 anos - 36%

      Estilista - 45,5%

        Funções dos designers Assistente de Estilo - 45,5% de moda na indústria Analista de Produto - 9%

      DESCRITOR RESULTADOS

        

      Engenharia - 64%

      Comercial - 55% Compras - 36% Áreas de apoio para o trabalho do designer Diretoria - 27%

        Demanda - 18% Marketing - 18% Produção e Processos têxteis - 64% Domínio dos designers de moda a respeito dos Gestão e Empreendedorismo - 55% conteúdos de Marketing - 55% administração conceito bom e muito bom - Psicologia e Sociologia - 36% visão designers Custos e Formação de preços - 27%

        Produção - 82% Conteúdos de Marketing - 73% administração Estratégias empresariais - 64% fundamentais na formação do designer Materiais - 55% de moda

      • – visão Projetos - 45% designer Finanças - 36% Ter iniciativa, criatividade, determinação, vontade política e administrativa, vontade de aprender, abertura às mudanças - 91% As três principais Capacidade criativa para propor soluções

        competências e inovadoras, utilizando domínio de técnicas e habilidades do designer de processo de criação - 82%

      • – visão designer Capacidade de atuar em equipes interdisciplinares na elaboração e execução de pesquisas e projetos - 64%

        Fonte: Dados da pesquisa (2013)

        A Tabela apresentada buscou consolidar as percepções dos coordenadores dos cursos de moda, gestores da indústria do vestuário e designers de moda, obtidas através da aplicação dos Desta forma, foram obtidas as percepções da Academia, da Indústria do Vestuário e do Profissional de Design, egresso do curso superior de moda, sobre o mesmo tema. Em decorrência destes objetivos, com a finalização do estudo, foram encontradas visões convergentes e divergentes.

        Em relação às visões convergentes, primeiramente, foi constatado que para os gestores da indústria há a necessidade do designer de moda adquirir conhecimentos em administração. Na opinião dos mesmos fica explícita uma preocupação em alinhar a criatividade com a gestão na proposta e desenvolvimento de produtos.

        Os gestores narram que a visão holística do negócio, a gestão de: custos, processos, mix de produtos e coleção, cronogramas, lead-time, bem como o conhecimento do mercado consumidor são conhecimentos inerentes aos conteúdos da administração que fazem parte das atividades atuais dos designers na indústria, ratificando a visão de Pires (2004), Catoira (2006), Moraes (1996), Lipovetsky (2007) e Masi (2008).

        A opinião dos gestores da indústria indica a necessidade de fazer parte da formação do designer de moda os conteúdos de administração para que ele possa contribuir de forma efetiva nos resultados e no aumento de competitividade da indústria.

        A pesquisa possibilitou identificar também que os coordenadores dos cursos afirmam ser relevante e necessário o designer de moda adquirir conhecimentos em administração, sendo que, nas palavras dos próprios coordenadores, os designers são preparados pelos cursos para exercerem o empreendedorismo, atuar também como: gestores em empresas familiares, gestores de pessoas, gestores de desenvolvimento de projeto, gestores de equipes de design, gestores do processo criativo, administrador de coleções e negócios.

        Os conhecimentos de administração: custos de produção, preços, marketing, gestão, produção, foram tratados como fundamentais pelos coordenadores de cursos para formação adequada do designer, de forma a atender o mercado profissional.

        Neste sentido, ratifica-se um entendimento análogo do coordenador de curso e gestores da indústria ao pensamento de Pires (2004), Catoira (2006), Moraes (1996), Lipovetsky (2007), Masi (2008) e Shi et al. (2012), de formação de profissionais com diversas competências: conhecimento em produto, capacidade de gerenciamento, criatividade, espírito corporativo e empreendedor, com visão do design associado à gestão.

        No que se refere às percepções dos coordenadores de curso, gestores da indústria e dos profissionais de design quanto a relevância dos conteúdos de administração na formação dos mesmos, é importante destacar que das competências e habilidades esperadas de um profissional da área de design de moda, todos enfatizaram pelo menos duas competências inerentes a formação do administrador como sendo as principais para desenvolvimento de um designer de moda.

        Entre as competências e habilidades previstas nas Diretrizes Curriculares Nacionais do curso de administração (Brasil, 2005a) e do curso de design (Brasil, 2004), a que foi mais votada, dentre as dezesseis opções, pelos gestores da indústria e designers foi comum, ou seja: “Ter iniciativa, criatividade, determinação, vontade política e administrativa, vontade de aprender, abertura às mudanças”, competência esta integrante das DCN do curso de administração. Curiosamente, esta foi a segunda mais destacada pelos coordenadores dos cursos de moda.

        Percebe-se uma maior aproximação das habilidades e competências selecionadas como destaque pelos designers de moda com as selecionadas pelos gestores da indústria, com algum distanciamento da opinião dos coordenadores dos cursos.

        Tal percepção é ratificada quando da análise das opiniões identificadas na pesquisa, ao perceber-se que das cinco competências e habilidades mais votadas, os gestores da indústria e designers de moda selecionaram as mesmas quatro opções, divergindo em apenas uma delas.

        Todos os gestores da indústria concordam que melhores resultados provém do trabalho do designer de moda que possui uma visão administrativa (de processos, produção, mercado consumidor, concorrência) daquele que não possui esta visão.

        Nas opiniões dos gestores, o designer de posse destes conhecimentos em gestão, consegue alinhar a criatividade ao mercado com foco em custos e processos.

        Há que se desenvolver a capacidade de unir o design com aspectos comerciais, a diferença está em criar um produto mais competitivo, sendo assim, o designer de moda necessita de conhecimento profundo do negócio da empresa, dos processos e do mercado, para propor e desenvolver produtos que atinjam os resultados almejados pela indústria do vestuário.

        Os designers corroboram (91%) com a afirmação de que os conhecimentos em administração proporcionam melhores desempenhos. Na opinião dos mesmos: é preciso ter uma noção global da sua marca e do seu produto, saber fazer preço, saber vender, conhecer a logística, entender da produção, ter visão de processos, unir conhecimentos técnicos e criativos, entender as áreas e os processos que envolvem o produto do desenvolvimento ao feedback das vendas.

        Nas palavras dos designers, os conhecimentos em administração proporcionam uma visão ampliada, globalizada dos processos, de vendas, logística, produção, sendo citado como base para um bom desempenho profissional.

        Os resultados com assertividade, citados pelos designers de moda, ao que parece, são a consequência da união de conhecimentos estéticos, criativos com os conhecimentos administrativos, resultando em produtos que dialogam com as aspirações e necessidades do público-alvo, bem como os objetivos comerciais e financeiros da empresa.

        Na visão dos coordenadores dos cursos de moda, as indústrias acreditam que os designers devam adquirir conhecimentos de administração.

        Alguns coordenadores relataram ouvir de proprietários de indústria a respeito de designers de moda muito criativos, porém, mal preparados em relação a compreensão de como o excesso de procedimentos na elaboração de um produto encarecem o produto final e sobre a dificuldade para que sejam realizadas alterações nas criações prevendo este tipo de redução, aspecto este diretamente relacionado aos conhecimentos abordados nesta pesquisa sobre administração no curso de moda.

        Os coordenadores informaram receber propostas de emprego para acadêmicos de moda vindo de empresários, para atuação na área da gestão de produtos, em síntese, a gestão está diretamente relacionada às competências demandadas para este profissional.

        Em relação as visões divergentes, a prioridade atribuída por coordenadores dos cursos as competências e habilidades necessárias ao desenvolvimento do estudante de moda diverge na valorização atribuída a três outras competências e habilidades que não foram selecionadas por designers e gestores.

        Não obstante a pesquisa restringir-se aos cursos de design promovidos no estado de Santa Catarina, ressalvando-se, portanto, sua limitação, destaca-se um certo distanciamento da percepção da Academia, no olhar dos coordenadores dos cursos de design de moda em relação ao mercado, quando considerada a visão dos designers de moda e dos gestores da indústria.

        Paradoxalmente, a pesquisa demonstrou que, ao considerar a atração regional do egresso do curso de design de moda, os coordenadores de curso entendem como relevante que conteúdos de administração sejam ministrados de forma mais presente nos referidos cursos, porém, as matrizes curriculares dos mesmos não refletem tal manifestação.

        Ou seja, ainda que considerado relevante o ensino de administração na formação do estudante de design de moda, os conteúdos de administração representam em média 10% da carga horária total do curso superior de moda.

        Foi identificado nos resultados certo distanciamento da relevância atribuída a alguns conteúdos de administração por parte dos coordenadores. Com exceção dos conteúdos de: Gestão, Empreendedorismo e Marketing, foi observado um índice baixo nos conteúdos de Custos e Formação de Preços, Produção e Processos Têxteis, onde apenas 69% dos coordenadores acreditam ser “muito importante” estes conteúdos na formação do designer de moda.

        Por outro lado, na visão dos gestores da indústria (80%) e designers de moda (82%) os conteúdos de Produção foram considerados como fundamentais para formação do designer.

        Nos conteúdos de Psicologia e Sociologia o índice foi menor, apenas 46% dos coordenadores consideram estes con teúdos como “muito importante” para a formação do designer de moda.

        Sendo o designer considerado por 80% dos gestores da indústria, interface entre as áreas de produção, marketing, compras e vendas da empresa, há uma divergência da visão dos coordenadores dos cursos de moda sobre a relevância dos conhecimentos em Psicologia e Sociologia, tão relevantes no desenvolvimento de competências que contribuem para os relacionamentos inter e multidisciplinares.

        Estes resultados, também foram observados quando os gestores da indústria informaram que o desempenho dos designers na indústria com relação aos conteúdos de Psicologia e Sociologia, foram considerados por 60% dos gestores como insuficiente, fraco e regular. Opinião que os próprios designers confirmam, pois 63% dos mesmos consideram seu desempenho nestes conteúdos também insuficiente, fraco e regular.

        Ao finalizar a exposição dos aspectos de convergência e divergência revelados na pesquisa, torna-se relevante descrever alguns achados que merecem atenção e análise.

        Primeiramente, a pesquisa vem ratificar a finalidade principal dos cursos de moda de Santa Catarina em atender as demandas da Indústria do Vestuário, porém, a informação de que apenas 31% dos cursos de moda se propõe a atender as demandas das Indústrias de artigos de Cama, Mesa e Banho, é um aspecto que merece ser analisado.

        A tradição catarinense de produção e exportação de artigos de cama, mesa e banho, onde se destacam no cenário nacional as empresas: Buettner, Buddemeyer, Dohler, Karsten e Teka, não encontrou relação como relevante demanda atendida pelos cursos de moda. Relevante destacar que neste segmento, Santa Catarina representa quase 26% da produção nacional (IEMI, 2012), além do estado se destacar como principal exportador nacional de artigos Linha Lar (BNDES, 2009).

        Quando levantados os conteúdos fundamentais de administração na formação do designer de moda, as quatro disciplinas mais citadas pelos gestores da indústria foram: Marketing, Produção, Estatística e Materiais.

        Porém, na atuação do designer de moda, 40% dos gestores consideram o desempenho do designer em Marketing e Produção fraco e regular.

        Da mesma forma, os designers selecionaram os conteúdos fundamentais de administração e houve uma convergência nas disciplinas de Marketing, Produção e Materiais, mas, ao invés de Estatística, foram citados os conteúdos de Estratégias Empresariais.

        De uma forma geral, 53% dos designers de moda acredita que sua atuação é insuficiente/fraco/regular a respeito dos conteúdos de administração nas suas atividades na indústria. Custos e formação de preços (73%) e Psicologia e Sociologia (64%), são os dois conteúdos que os designers acreditam precisarem de mais apoio técnico para desempenhar suas atividades na empresa. Nos conteúdos de Gestão e Marketing, 45% dos designers acredita que sua atuação também é insuficiente/fraco/regular.

        Na visão de 44% dos gestores da indústria, a atuação do designer de moda com relação aos conteúdos de administração na empresa é considerada insuficiente/fraco/regular.

        Com exceção de Psicologia e Sociologia que o índice foi de 60%, os demais conteúdos como: Gestão, Marketing, Custos e Produção, os gestores acreditam que 40% dos designers de moda possuem uma atuação considerada insuficiente/fraco/regular.

        Os índices podem indicar uma carência destes conteúdos na formação do designer de moda ou uma formação que não atendeu as demandas da indústria.

        Na opinião de todos os gestores da indústria, os conteúdos de marketing foram considerados fundamentais para a formação do designer de moda para que ele atenda as demandas da empresa. Porém, na atuação dos designers de moda, o domínio deste conteúdo foi considerado por 40% dos gestores como fraco e regular, evidenciando que os designers ainda não possuem na sua totalidade estas competências.

        Os conteúdos de marketing foram considerados fundamentais para a formação por 73% dos designers de moda, porém, 45% dos designers consideram o seu domínio com relação a estes conteúdos regular e fraco.

        Relevante lembrar que disciplinas com conteúdos da área de marketing estão presente em doze IES de Santa Catarina, representando 92% do total dos cursos e a carga horária média de 74 horas.

        Os conteúdos de produção foram considerados fundamentais por 80% dos gestores da indústria, mas na atuação dos designers de moda 40% dos gestores considerou insuficiente e regular o domínio dos conhecimentos desta área por parte do designer. Foram encontradas disciplinas com conteúdos de produção em dez IES, totalizando 77% dos cursos do estado, com uma carga horária média de 66 horas. Com relação aos conteúdos de estatística, 80% dos gestores os consideram fundamentais para formação do designer. Porém, na atuação dos designers com relação aos conteúdos de custos e formação de preços, 40% dos gestores considerou a atuação dos designers como fraco e 73% dos designers de moda consideram seus conhecimentos em Custos e Formação de Preços insuficiente, fraco e regular.

        As disciplinas com conteúdos de custos e formação de preços foram encontradas em apenas seis IES, representando 46% dos cursos de Santa Catarina e com uma carga horária média menor, de 51 horas.

        Os cinco conteúdos de administração, considerados fundamentais pelos designers e que obtiveram as maiores frequências: produção, marketing, estratégias empresariais, materiais e projetos, são, na visão dos designers de moda, essenciais para que os mesmos atendam as expectativas da empresa.

        Relevante citar que não foi encontrada em nenhuma IES uma disciplina que estivesse com a nomenclatura de Projetos, por outro lado, 45% dos designers de moda consideram este conteúdo fundamental para sua formação.

        Como sugestão de melhorias na formação do designer, na visão dos próprios designers de moda, os cursos deveriam apresentar mais conteúdos aplicados ao cotidiano e realidade das empresas, mais prática e estágio, mais conteúdos administrativos, formação de preços, gestão e processos, visão empresarial e fluxo de produção, empreendedorismo, conteúdos de engenharia têxtil, fibras, tecidos, técnicas de lavagem, acabamentos, estamparia, processo de fabricação, aprofundar conhecimentos em malharia, jeans, lavagens e técnicas para aplicações, aprofundar conhecimentos de modelagem e moulage, professores especializados em processos administrativos na área de moda, melhores professores em disciplinas técnicas como fiação e estamparia, além de preparar o aluno para ampliar sua visão do mercado da moda.

        Para os coordenadores dos cursos de moda, há carência de disciplinas ligadas à metodologia de projeto, planejamento e gestão de projetos, planejamento da inovação, materiais, compras e estoque, gestão de pessoas, inovação e criatividade, comportamento.

        Para os gestores da indústria, as IES formam profissionais que possuem uma atuação mais focada na criação, ficando evidenciada a carência de conhecimentos administrativos como: custos, processos produtivos, viabilidade econômica e produtiva de produtos, se distanciando da realidade da indústria e do mercado em que ela atua.

        A carência destes conhecimentos pode gerar na indústria morosidade nos processos, retrabalhos e ineficiência, tendo em vista que o produto precisa atender as demandas da indústria em design e possuir viabilidade financeira e produtiva.

        Outro aspecto citado pelo gestor foi à falta de conhecimento a respeito dos materiais que formam as bases dos produtos, as matérias-primas que as indústrias trabalham. O gestor sugere criar “especialistas” em bases de materiais, como malharia, tecido plano, jeans, fazendo com que o profissional de design de moda chegue à indústria com mais conhecimento e domínio, diminuindo o tempo de adaptação a indústria.

        Na opinião do gestor da indústria, é necessário aproximar os alunos das empresas para o futuro designer conhecer a realidade do mercado da moda, um dos bons exemplos citados foi o SCMC - Santa Catarina Moda e Cultura.

      6 CONSIDERAđỏES FINAIS

        O desenvolvimento desta pesquisa possibilitou a análise da configuração dos conteúdos de administração dos cursos superiores de moda com as demandas da indústria do vestuário de Santa Catarina.

        Primeiramente foram identificadas as opiniões dos coordenadores dos cursos superiores de moda, de grau bacharelado de Santa Catarina a respeito dos conteúdos de administração ministrados nos cursos.

        Numa etapa posterior, foi realizado um estudo de caso na indústria do vestuário, onde foram identificadas as opiniões dos gestores e dos designers de moda que atuam na empresa a respeito dos conteúdos de administração, identificando-se aspectos convergentes e divergentes na concepção de diferentes grupos sociais.

        A pesquisa possibilitou evidenciar a necessidade de maior aproximação das universidades com as empresas. Os gestores falam da necessidade de diminuir as distâncias entre indústria e instituição de ensino, como forma de melhorar a formação acadêmica do designer de moda.

        Na visão do gestor, o acadêmico precisa ter um período de estágio nas empresas com uma maior carga horária. O objetivo seria de adquirir vivência e aplicabilidade do seu conhecimento à realidade.

        A questão do estágio reafirma a necessidade de aproximação do designer de moda com a realidade das empresas, contribuindo assim para melhores resultados. Na opinião do gestor, hoje ao desenvolver um novo produto é fundamental aliar pesquisa e aderência ao mercado.

        A aderência ao mercado conferida aos produtos se dá por meio do domínio, por parte do designer, de conteúdos relacionados a administração como: custos, formação de preços, marketing, gestão de processos, dentre outros.

        Em síntese, as opiniões dos gestores, confirmadas pelas opiniões dos designers de moda, sugerem que os conteúdos de administração devem ser parte fundamental da formação do designer de moda, de forma a atender as demandas da indústria do vestuário catarinense. Se os cursos superiores de moda, nas palavras dos coordenadores dos cursos, formam profissionais para atuar como empreendedores, visão que corrobora Shi et al. (2012), para administrar negócios familiares, buscam desenvolver uma visão empreendedora para realizar a gestão de pessoas, projetos, novos produtos, faz-se necessário repensar a dimensão da oferta e qualidade dos conteúdos de administração das matrizes curriculares atuais.

        Este repensar deve, obrigatoriamente, envolver a Academia e as Empresas, envolver todos os segmentos que absorvem os profissionais de moda, para que haja um esforço conjunto em alinhar a demanda identificada na indústria, ratificada pelos mecanismos governamentais e estudos internacionais, de uma abordagem mais estratégica, empreendedora e intraempreendedora do designer de moda para que o mesmo atue no mercado nacional como peça-chave na competitividade da Cadeia Têxtil e de Confecção Brasileira.

        Com relação as percepções dos coordenadores dos cursos de moda, dos profissionais de design de moda, bem como, as demandas e percepções dos gestores da indústria do vestuário acerca dos conteúdos de administração dos cursos superiores de moda, a pesquisa revelou uma percepção comum entre os designers de moda e gestores da indústria no que tange a uma melhor compreensão de formação de preços, da gestão e dos processos administrativos, de uma visão empresarial mais consolidada com compreensão do fluxo de produção e empreendedorismo, além de conteúdos inerentes a engenharia têxtil e aos processos de produção.

        Para os coordenadores de cursos, soma-se a percepção dos atores anteriormente citados a necessidade de conteúdos de planejamento, inovação, compras e materiais, além de gestão de pessoas.

        Portanto, ainda que as percepções dos coordenadores dos cursos, dos gestores da indústria do vestuário e designers de moda, acerca da aplicação dos conteúdos de administração adquiridos nos cursos de moda ou na atuação dos profissionais do mercado apresentem divergências, parece comum o entendimento de que as IES devem ter um novo olhar para as demandas da indústria.

        Assim, as percepções convergentes e divergentes dos atores da pesquisa não se confrontam entre si, mas, ao contrário, parecem se somar ao revelar a necessidade de uma revisão de conteúdos específicos de administração na formação do designer de moda, não obstante as dificuldades que possam ensejar aos coordenadores dos cursos de moda.

        6.1 RECOMENDAđỏES PARA ESTUDOS FUTUROS Novas pesquisas poderão ser derivadas de modo a ratificar o trabalho realizado, no caso de ampliar o escopo que foi objeto desta dissertação para os cursos de design de moda em nível nacional.

        Por outro lado, uma pesquisa com a mesma amostra de cursos poderia ser empreendida levando em consideração o perfil profissiográfico definido nos Projetos Pedagógicos dos cursos de graduação em design de moda, confrontando com as respectivas matrizes curriculares e a inserção do profissional de design de moda no mercado.

        Embora a pesquisa tenha compreendido todas as Instituições de Ensino Superior que oferecem o curso de Design de Moda de grau bacharelado, na modalidade presencial de Santa Catarina, é importante ressalvar que o foco na Indústria se restringiu a um estudo de caso, o qual poderia ser ampliado em outra pesquisa para diferentes segmentos em que são contratados egressos dos cursos superiores de design de moda.

        

      REFERÊNCIAS

      ABECASSIS-MOEDAS, Céline. Integrating design and retail in the

      clothing value chain: An empirical study of the organisation of

      design. International Journal of Operations & Production

      Management. 2006, Vol. 26 Iss: 4, pp.412 – 428.

      AGÊNCIA BRASILEIRA DE DESENVOLVIMENTO INDUSTRIAL.

        

      Estudo prospectivo setorial têxtil e confecção 2010. Série

      Cadernos da Indústria ABDI, volume XVIII. Brasília: ABDI, 2010. 176

      p. Disponível em: <

      http://www.abdi.com.br/Estudo/Estudo%20Prospectivo%20Setorial%

        

      20T%C3%AAxtil%20e%20Confec%C3%A7%C3%A3o.pdf >.Acesso

      em: 10 mai. 2012.

      AMBONI, Nério; ANDRADE, Rui Otávio Bernardes de. Diretrizes

      curriculares para o curso de graduação em Administração:

      como entendê-las e aplicá-las na elaboração e revisão do projeto

      pedagógico. Brasília: Conselho Federal de Administração, 2003.

      ANDRADE, Rui Otávio Bernardes de. História e perspectivas dos

      cursos de administração do Brasil. Anais do II Seminário Nacional

      sobre Qualidade e Avaliação dos Cursos de Administração. Vitória:

      27-29/08/97, pp. 10-49. In: PIZZINATTO, Nádia Kassouf. O ensino

      de administração e o perfil do administrador: contexto nacional e

      o curso de administração da Unimep. Revista Impulso nº 26, 1999

      p.173-190.

      ANDRADE FILHO, José Ferreira de; SANTOS, Laércio Frazão dos.

        

      Introdução à Tecnologia Têxtil. Rio de Janeiro: CETIQT/SENAI,

      1987.

        

      ASSOCIAđấO BRASILEIRA DA INDÚSTRIA TÊXTIL E DE

      CONFECđấO. Perfil do setor têxtil e confecção: dados gerais do

      setor atualizados em 2013, referentes ao ano de 2012. Disponível

      em: <http://www.abit.org.br/Servicos.aspx#43|SD|C>.2013a. Acesso em: 14 out. 2013.

      ______________. Indústria têxtil e de confecção brasileira:

      cenários, desafios, perspectivas e demandas. Brasília, junho 2013.

      Disponível em: < http://www.abit.org.br/conteudo/links/cartilha_rtcc/cartilha.pdf>. 2013b. Acesso em: 14 out. 2013.

        

      BARREIRA, Ana Maria Peçanha. Atavios bizarros: moda, um desejo

      paradoxal. pp. 161-168. In VILLAÇA, Nízia e CASTILHO, Kathia

      (orgs.). Plugados na moda. São Paulo: Anhembi Morumbi, 2006,

      168p.

        

      BAUDOT, François. Moda do século. São Paulo: Cosac Naify,

      2008.

      BNDES. Panorama da Cadeia Produtiva Têxtil e de Confecções

      e a questão da inovação. BNDES Setorial, Rio de Janeiro, n.29,

      p.159-202, mar.2009.

        

      BONADIO, Maria Claudia. A produção acadêmica sobre moda na

      pós-graduação stricto-sensu no Brasil. Iara - Revista de moda,

      cultura e arte. São Paulo, v.3, no. 3, p. 50-146 Dossiê, dez.2010.

        

      BOSSLE, Ondina Pereira. História da industrialização

      catarinense: das origens à integração no desenvolvimento

      brasileiro. Florianópolis: CNI / FIESC, 1988.

        

      BRAGA, João. História da moda: uma narrativa. São Paulo: Editora

      Anhembi Morumbi, 2004.

      BRASIL. Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996. Estabelece as

      diretrizes e bases da educação nacional. Disponível em: <

      Acesso em: 10

      jul. 2012.

      _______. Parecer CNE/CES 776/97. Orientação para as diretrizes

      curriculares dos cursos de graduação,1997. Disponível em: <

      Acesso em:

      01 nov. 2012.

      _______. Resolução CES/CNE nº 5, de 8 de março de 2004.

      Institui as Diretrizes Curriculares Nacionais do Curso de

      Graduação em Design e dá outras providências. Disponível em: <

      >. Acesso

      em: 01 nov. 2012.

      _______. Resolução CES/CNE nº 4 de 13 de julho de 2005.

      Institui as Diretrizes Curriculares Nacionais do Curso de

        

      Graduação em Administração, Bacharelado, e dá outras

      providências. Disponível em: <

      >. Acesso

      em: 08 nov.2012. 2005a

      _______. Ministério da Educação/MEC. Relatório do Grupo de

      Trabalho instituído pela da Portaria Ministerial nº 4.034, de 8 de

      dezembro de 2004. Brasília, dezembro de 2005. Disponível em: <

      http://portal.mec.gov.br/sesu/arquivos/pdf/Relatorios/relatorio_gt_me

      c_adm.pdf>.Acesso em: 15 nov.2012. 2005b

      ________. Comissão Nacional de Avaliação de Educação Superior

      (Conaes), Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais

      Anísio Teixeira (Inep). Avaliação externa das instituições da

      educação superior: diretrizes e instrumento. Brasília: MEC, 2006a.

        

      ________. Decreto nº 5.773, de 9 de maio de 2006. Dispõe sobre o

      exercício das funções de regulação, supervisão e avaliação de

      instituições de educação superior e cursos superiores de graduação

      e seqüenciais no sistema federal de ensino. Disponível em: <

      Acesso em: 15 out. 2012. 2006b

      ________. Decreto nº 5.786, de 24 de maio de 2006. Dispõe sobre

      os centros universitários e dá outras providências. Disponível em: <

      Acesso em: 15 out. 2012. 2006c

      ______. Ministério da Educação. Instituições de Educação

      Superior e Cursos Cadastrados. 2012a. Disponível em:

      <http://emec.mec.gov.br/>. Acesso em: 15 mai. 2012.

        

      _______, Portal MEC. Perguntas freqüentes sobre Educação

      Superior. Quais os cursos considerados de graduação? Disponível

      em:

        <

      > Acesso em: 01 nov. 2012. 2012b

      BUENO, Eduardo. Produto Nacional: uma história da indústria no

      Brasil. Brasília: CNI, 2008.

        

      CARIO, Silvio A. F. et al. Economia de Santa Catarina: inserção

      industrial e dinâmica competitiva. Blumenau: Nova Letra, 2008.

      CATOIRA, Lu. A indústria têxtil e a produção de moda. pp. 153-160.

      In VILLAÇA, Nízia e CASTILHO, Kathia (orgs.). Plugados na moda.

      São Paulo: Anhembi Morumbi, 2006, 168p.

      CONSELHO FEDERAL DE ADMINISTRAđấO. Campos de

      atuação do Administrador. Disponível em:

      . Acesso em: 10 mar. 2013.

      COSTA, Maria Izabel. Política de design para o fomento da

      inovação na cadeia de valor têxtil e confecção de moda de

      Santa Catarina. Tese (Doutorado em Design). Rio de Janeiro:

      Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro, 2011.

      CRANE, Diana. A moda e seu papel social: classe, gênero e

      identidade das roupas. São Paulo: Editora Senac, 2006.

      CRESWELL, John W. Projeto de pesquisa: métodos qualitativo,

      quantitativo e misto. 2.ed. Porto Alegre: Artmed, 2007. DEMO, Pedro. Educação e qualidade. Campinas: Papirus, 1994.

      DOHERTY, Anne Marie. Fashion marketing: building the research

      agenda. European Journal of Marketing. 2004, Vol. 38 Iss: 7,

      pp.744 – 748.

      ESCOREL, Ana Luisa. O efeito multiplicador do design. São

      Paulo: Editora Senac, 2000. ESMOD. The world’s first and oldest fashion design school with

      exclusive and patended methods. Disponível em:

      . Acesso em: 10 jul. 2012.

        

      EUROPEAN APPAREL AND TEXTILE CONFEDERATION.

        

      European technology platform for the future of textiles and

      clothing: a vision for 2020. Belgium: Euratex, december 2004.

        

      Disponível em: <

      http://www.fp7.org.tr/tubitak_content_files/270/ETP/Euratex/AVisionf

      or2020December2004.pdf>.Acesso em: 10 set. 2012.

        

      FAÇANHA, Astrid Sampaio. Moda como campo especifico do

      saber. Fórum das Escolas de Moda. Maringá, Paraná, 2011.

      FEDERAđấO DAS INDÚSTRIAS DO ESTADO DE SANTA

      CATARINA. Fiesc 50 anos: uma história voltada para a

      industrialização catarinense. Florianópolis: Expressão, 2000.

      ______,Sistema FIESC: um olhar para o futuro catarinense.

      Disponível em: <

      http://www2.fiescnet.com.br/web/uploads/recursos/7959d308fb0499

      78f4c210b812a61484.pdf > 2011. Acesso em: 10 ago. 2012.

      ______,Santa Catarina Industrial. Disponível em: <

      http://www2.fiescnet.com.br/web/pt/site_topo/pei/info/santa-catarina-

      industrial >. 2012a. Acesso em: 10 set. 2012.

      _______.Relatório Business Santa Catarina Brasil. Disponível

      em: <

      > Acesso em: 10 nov. 2012. 2012b

      _______.Santa Catarina em dados 2012. Disponível em: <

      http://www2.fiescnet.com.br/web/pt/site_topo/pei/produtos/show/id/4

      6>.Acesso em: 10 set. 2012. 2012c

      FEGHALI, Marta Kasznar; DWER, Daniela. As engrenagens da

      moda. Rio de Janeiro: Senac, 2001.160 p.

      GIBERT, Vera Lígia Pieruccini. O entorno acadêmico e industrial

      têxtil no vestir e morar brasileiros. 1993. Dissertação (Mestrado

      em Comunicação e Artes). São Paulo (SP): Escola de Comunicação

      e Artes, USP, 1993.

      GOODE, William Josiah; HATT, Paul K. Métodos em pesquisa

      social. São Paulo: Editora Nacional, 1975.

      GREENHALGH, T. Papers that summarize other papers (systematic

      review and meta-analyses). British Medical Journal, London, v.

      315, n. 7109, p. 672-675, Sep. 1997.

      HARDMAN, Foot; LEONARDI, Victor. História da indústria e do

      trabalho no Brasil. São Paulo: Ática, 1991.

        

      HERING, Maria Luiza Renaux. Colonização e indústria no Vale do

      Itajaí: o modelo catarinense de desenvolvimento. Blumenau: FURB,

      1987.

        

      HUANG,Y.Y., TAN, Bertram. Applications of quality function

      deployment to apparel design in Taiwan. Journal of Fashion

      Marketing and Management. 2007, Vol. 11 Iss: 2, pp.215 – 237.

        

      INSTITUTO DE ESTUDOS E MARKETING INDUSTRIAL. BRASIL

      TÊXTIL 2009: Relatório Setorial da Indústria Têxtil Brasileira. 148 p.

      São Paulo: IEMI, 2009.

      ______________________________________________. Relatório

      Setorial 2012: Pólo Têxtil Blumenau e Região. 118 p. São Paulo:

      IEMI, 2012.

        

      JEACLE, Ingrid; CARTER, Chris. Fashioning the popular masses:

      accounting as mediator between creativity and control. Accounting,

      • Auditing & Accountability Journal. 2012, Vol. 25 Iss: 4, pp.719 751.

        KOHLER, Carl. História do vestuário. São Paulo: Martins Fontes,

        2001.

        KUPFER, David. Economia industrial: fundamentos teóricos e

        práticos no Brasil. Rio de Janeiro: Elsevier, 2002.

        LACOMBE, Francisco José Masset, HEILBORN, Gilberto Luiz José.

        

      Administração: princípios e tendências. São Paulo; Saraiva, 2008.

        

      LEAL, Joice Joppert. Design: integração universidade-empresa,

      competitividade e inovação, p.359-374. In: Interação Universidade

      e Empresa Brasília: IBICT, 1998.

        

      LIPOVETSKY, Gilles. O império do efêmero: a moda e seu destino

      nas sociedades modernas. São Paulo: Companhia das Letras, 1989.

      ____________, Gilles. A felicidade paradoxal: ensaio sobre a

      sociedade de hiperconsumo. São Paulo: Companhia das Letras,

      2007.

      LUPATINI, Márcio Paschoino. As Transformações produtivas na

        

      territorial da produção e a divisão do trabalho industrial

      (Dissertação de Mestrado). Campinas, SP: Instituto de Economia,

      UNICAMP, 2004.

        

      LUZ, Nícia Vilela. A luta pela industrialização do Brasil. São

      Paulo: Alfa-Ômega, 1978.

      MANFREDI, Silvia Maria. Trabalho, qualificação e competência

      profissional: das dimensões conceituais e políticas. Educ. Soc.

      [online], Campinas, v. 19, n. 64, Set. 1999. pp.13-49. Disponível

      em:

      >. Acesso em: 01 Nov. 2012.

      MARINHO, Maria Gabriela da Silva Martins da Cunha. Ensino

      Superior de Moda: condicionantes sociais de sua institucionalização

      acadêmica em São Paulo pp. 13-26. In WAJNMAN, Solange e

      ALMEIDA, Adilson José de (orgs.). Moda, comunicação e cultura:

      um olhar acadêmico. São Paulo: Arte e Ciência/Núcleo

      Interdisciplinar de Estudos da Moda (NIDEM) /Fundação de Amparo

      à Pesquisa de São Paulo (FAPESP), 2ª ed., 2005, 226p.

      MARTINS, Geraldo M. Credencialismo, corporativismo e avaliação

      da universidade. In: Avaliação do Ensino Superior. DURHAM,

      Eunice; SCHWARTZMAN, Simon (orgs.). São Paulo: Editora da

      USP, 1992. p.167-196

      MASI, Domenico de. O futuro da moda de Santa Catarina:

      previsões para o período 2008 – 2012. Tubarão: Ed. Unisul, 2008.

      MAXIMIANO, Antonio Cesar Amaru. Teoria Geral da

      Administração: da revolução urbana a revolução digital. São Paulo:

      Atlas, 2009.

        

      MEGHNAGI, Saul. A competência profissional como tema de

      pesquisa. Educ. Soc. [online]. Campinas, vol.19, n.64, Set. 1999,

      pp. 50-86. Disponível em: <

      http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0101- 73301998000300003>.Acesso em: 01 nov. 2012.

        

      MILLS, Colleen. Enterprise orientations: a framework for making

      sense of fashion sector start-up. International Journal of

        

      Entrepreneurial Behaviour & Research. 2011, Vol. 17 Iss: 3,

      pp.245 – 271

      _____________. Navigating the interface between design education

      and fashion business start-up. Education + Training. 2012, Vol. 54

      Iss: 8/9, pp.761 - 777

      MONNEYRON, Frédéric. A moda e seus desafios: 50 questões

      fundamentais. São Paulo: Editora Senac, 2007.

        

      MORAES, Dijon de. Envolvimento das instituições de ensino na

      questão oferta e demanda de profissionais pp. 106-131. In 1º Fórum

        

      ICSID Design no Mercosul. Florianópolis: SENAI/LBDI, 1995,

      231p.

        

      MORGAN, Gareth. Imagens da organização. São Paulo: Atlas,

      1996.

      NERY, Marie Louise. A Evolução da Indumentária: subsídios para

      criação de figurino. Rio de Janeiro: Ed. Senac Nacional, 2003.

      PEREIRA, Lívia Marsari, et al. Profissão: designer de moda.

      Design, arte, moda e tecnologia. São Paulo: Rosari, Universidade

      Anhembi Morumbi, PUC-Rio e Unesp-Bauru, 2010. P.367-377

      PIRES, Dorotéia Baduy. A história dos cursos de design de moda

      no Brasil. Revista Nexos: Estudos em Comunicação e Educação.

      Especial Moda - Universidade Anhembi Morumbi – Ano VI, nº 9

      (2002) São Paulo: Editora Anhembi Morumbi, 112 p.

      ______, Dorotéia Baduy. O desenvolvimento de produtos de

      moda: uma atividade multidisciplinar. In: CONGRESSO

      BRASILEIRO DE PESQUISA E DESENVOLVIMENTO EM DESIGN,

      P&D Design, 6, 2004. Anais... São Paulo, 2004.

      ______, Dorotéia Baduy. Design de moda: uma nova cultura. In:

      Revista Dobras, n° 1, v.1., 2007. p. 66-73 Barueri: Estação das

      Letras, 2007.

      PIZZINATTO, Nádia Kassouf. O ensino de administração e o

      perfil do administrador: contexto nacional e o curso de

      administração da Unimep. Revista Impulso nº 26, 1999 p.173-190.

        Disponível em: ,

        Acesso em: 10 jul. 2012.

      POLLINI, Denise. Breve História da Moda. Editora Claridade: São

      Paulo, 2007.

        

      PONTES, Heloisa. Modas e modos: uma leitura enviesada de o

      espírito das roupas. In: Cadernos Pagu, (22)

      • – O risco do bordado,

        Campinas, Núcleo de Estudos de Gênero, Pagu/Unicamp, junho de

        2004, pp.13-46.

        PREMIÈRE VISION. The fashion textile show for Latin America.

        Apresentação. Disponível em:

        Acesso

        em: 20 abr. 2013.

        RAMOS, Alberto Guerreiro. A nova ciência das organizações:

        uma reconceituação da riqueza das nações. Rio de Janeiro: Editora

        da Fundação Getúlio Vargas, 1989.

        RECH, Sandra Regina. Moda: por um fio de qualidade.

        Florianópolis: UDESC, 2002.

      _____, Sandra Regina. Cadeia produtiva da moda: um modelo

      conceitual de análise da competitividade no elo confecção. Tese

      (Doutorado em Engenharia de Produção). Florianópolis (SC): UFSC,

      2006.

        

      RICHARDSON, Roberto Jarry et al. Pesquisa social: métodos e

      técnicas. 3 ed. São Paulo: Atlas, 2007.

      ROCHE, Daniel. A cultura das aparências: uma história da

      indumentária (séculos XVII-XVIII). São Paulo: Editora Senac, 2007.

      SANTA CATARINA MODA CULTURA. Sobre o SCMC. Disponível

      em: < http://www.scmc.com.br/site/sobre.php >. Acesso em: 10 de

      jul.2013.

      SANT’ANNA, Mara Rúbia. Teoria de Moda: sociedade, imagem e

      consumo. Barueri,SP: Estação das Letras, 2007.

        

      SHAFRITZ, Jay M.; WHITBECK, Philip H. Classics of organization

      theory. Illinois, EUA: Moore Publishing Company,Inc., 1978.

      SHI, Jiwei Jenny; CHEN, Yudong; GIFFORD, Elena Kate; JIN, Hui.

      Fashion entrepreneurship education in the UK and China.

        Education + Training, 2012. Vol. 54 Iss: 4, pp.291 – 305.

        

      SOUZA, Gilda de Mello e. O espírito das roupas: a moda no século

      dezenove. São Paulo: Companhia das Letras, 1987.

      STEINER, João Evangelista; MALNIC, Gerhard (orgs.). Ensino

      Superior: conceito & dinâmica. São Paulo: Editora da USP, 2006.

      STONER, James A. F.,FREEMAN, R. Edward. Administração.Rio

      de Janeiro: LTC, 2009.

      SUZIGAN, Wilson. Indústria brasileira: origem e desenvolvimento.

      São Paulo: Hucitec, 2000.

      UNIVERSIDADE DE SÃO PAULO. Nova pós-graduação

      consolida o curso de têxtil e moda da EACH. Disponível em:

      .Acesso em: 10 jul. 2012. 2012a

      ______________.Mestrado acadêmico têxtil e moda. Disponível

      em: < http://each.uspnet.usp.br/site/pos-

      programas.php?item=txm>.Acesso em:20 nov.2012. 2012b

      UNIVERSIDADE DO ESTADO DE SANTA CATARINA. Projeto de

      Desenvolvimento Institucional. Perfil do Egresso. Disponível em:

      <http://www.esag.udesc.br/arquivos/id_submenu/558/pdi.pdf> Acesso em: 08 nov.2012.

        

      VASCONCELLOS, Celso dos Santos. Planejamento: projeto de

      ensino-aprendizagem e projeto político-pedagógico. São Paulo:

      Libertad Editora, 2006. 205 p.

      ________________, Celso dos Santos. Coordenação do trabalho

      pedagógico: do projeto político-pedagógico ao cotidiano da sala de

      aula. São Paulo: Libertad Editora, 2009. 213 p.

        

      VEIGA, Ilma Passos Alencastro. Projeto político-pedagógico da

      escola: uma construção possível. São Paulo: Papirus, 1995. 192 p.

      _______, Ilma Passos Alencastro; RESENDE, Lúcia Maria

      Gonçalves de. Escola: espaço do projeto político-pedagógico. São

      Paulo: Papirus, 1998. 200 p.

        

      VINCENT-RICARD, Françoise. As espirais da Moda. Rio de

      Janeiro: Paz e Terra, 1989.

      WREN, Daniel A. Idéias de Administração: o pensamento clássico.

      Tradução Cid Knipel. São Paulo: Ática, 2007.

      YIN, Robert K. Estudo de caso: planejamento e métodos. 3.ed.

      Porto Alegre: Artmed, 2004.

        

      APÊNDICES

      APÊNDICE A - Questionário Coordenadores dos Cursos de Moda

      Este instrumento de pesquisa foi desenvolvido para servir como fonte

      de informações para o desenvolvimento da dissertação de Mestrado em

      Administração na UDESC. O objetivo do estudo é identificar a

      articulação dos conteúdos de administração trabalhados nos cursos

      superiores de moda com as demandas da indústria do vestuário de

      Santa Catarina. Sua participação é de extrema relevância para que a

      pesquisa atinja os objetivos estabelecidos. As informações serão

      utilizadas apenas para fins acadêmicos. Agradeço sua disponibilidade

      em contribuir com esta pesquisa. Identificação Nome: Formação: Nome da Instituição: Nome do Curso: Cidade:

        

      1. Há quanto tempo você atua como Coordenador do Curso de Moda

      desta Instituição? ( ) Até 1 ano ( ) De 1 a 3 anos ( ) De 3 a 5 anos ( ) De 5 a 8 anos ( ) Mais de 8 anos

        2. Você atua na área de Moda fora da Academia? ( ) Sim ( ) Não

        

      3. Se sua resposta foi sim, por favor, selecione até três opções das

      atividades listadas abaixo em que você atua: ( ) Consultor de Moda ( ) Consultor de Marketing ( ) Consultor de Varejo ( ) Consultor de Visual Merchandising ( ) Estilista ( ) Jornalista de Moda ( ) Modelista ( ) Produtor de Moda ( ) Proprietário de loja ( ) Proprietário de confecção

        ( ) Outros. Quais?

        

      4. Você participou da elaboração do Projeto Pedagógico do Curso de

      Graduação em Moda desta instituição? ( ) Sim ( ) Não

        

      5. O curso de Graduação em Moda da sua instituição foi constituído

      para atender quais demandas? ( ) Indústrias de vestuário ( ) Indústrias de artigos de cama, mesa e banho ( ) Indústrias de malhas e tecidos ( ) Empresas de estamparia ( ) Empresas de pesquisa ( ) Outros. Quais?

        

      6. Qual é a formação dos professores que ministram disciplinas com

      conteúdos de Administração no Curso de Graduação em Moda?

      ( ) Administração ( ) Arquitetura ( ) Ciências Contábeis ( ) Ciências Econômicas ( ) Design de Moda ( ) Direito ( ) Engenharia ( ) História ( ) Jornalismo ( ) Publicidade ( ) Outros. Quais?

        

      7. Em sua opinião, é relevante que o Designer de Moda adquira

      conhecimentos sobre Administração? Por quê?

        

      8. Em sua opinião, a Indústria do Vestuário acredita ser relevante a

      formação interdisciplinar do Design de Moda com a Administração?

      ( ) Sim ( ) Não ( ) Não tenho opinião formada a respeito.

      Motivo? 9. Marque com um “X” que importância você confere a cada um dos conteúdos de administração para formação do Designer de Moda, de acordo com a legenda abaixo: 1 - muito importante 2

      • – importante 3 - indiferente 4 - pouco importante 5 - sem importância

        Grau de importância Conteúdos de Administração

        

      1

        2

        3

        4

        5 Custos / Formação de preços Gestão / Empreendedorismo Marketing Produção / Processos têxteis Psicologia / Sociologia

        

      10. Que outros conteúdos você considera relevantes e que não estão

      listados acima?

        

      11. Em sua opinião, para que o egresso do Curso de Design de Moda

      possa atuar no mercado de trabalho de forma plena, quais são as 05 principais competências e habilidades que devem ser contempladas na sua formação? Por favor, marque um “X” nas alternativas.

        Pensar estrategicamente, introduzir modificações no processo

      produtivo, atuar preventivamente, exercer o processo da

      tomada de decisão Desenvolver expressão e comunicação nos processos de negociação e nas comunicações interpessoais Refletir e atuar criticamente sobre a esfera da produção,

      compreendendo sua posição e função na estrutura produtiva

      sob seu controle e gerenciamento

      Desenvolver raciocínio lógico, crítico e analítico para operar

      com valores e formulações matemáticas, expressando-se de

      modo crítico e criativo Ter iniciativa, criatividade, determinação, vontade política e

      administrativa, vontade de aprender, abertura às mudanças

        

      Desenvolver capacidade de transferir conhecimentos da vida

      e da experiência cotidianas para o ambiente de trabalho e do

      seu campo de atuação profissional Desenvolver capacidade para elaborar, implementar e consolidar projetos em organizações

      Desenvolver capacidade para realizar consultoria em gestão e

      administração Capacidade criativa para propor soluções inovadoras, utilizando domínio de técnicas e de processo de criação Capacidade para o domínio de linguagem própria expressando conceitos e soluções, em seus projetos, de acordo com as diversas técnicas Capacidade de atuar em equipes interdisciplinares na elaboração e execução de pesquisas e projetos Visão sistêmica de projeto, capacidade de conceituá-lo a partir de componentes materiais e imateriais, processos de

      fabricação, aspectos econômicos, psicológicos e sociológicos

      Domínio das etapas de um projeto: definição de objetivos, técnicas de coleta de dados, geração e avaliação de alternativas, solução e comunicação de resultados Conhecimento do setor produtivo, revelando sólida visão

      setorial, relacionado ao mercado, materiais, processos

      produtivos e tecnologias Domínio de gerência de produção, incluindo qualidade, produtividade, arranjo físico de fábrica, estoques, custos, investimentos, administração de recursos humanos para a produção Visão histórica e prospectiva, centrada nos aspectos socioeconômicos e culturais.

        APÊNDICE B - Questionário Gestores da Indústria

      Este instrumento de pesquisa foi desenvolvido para servir como fonte

      de informações para o desenvolvimento da dissertação de Mestrado em

      Administração na UDESC. O objetivo do estudo é identificar a

      articulação dos conteúdos de administração trabalhados nos cursos

      superiores de moda com as demandas da indústria do vestuário de

      Santa Catarina. Sua participação é de extrema relevância para que a

      pesquisa atinja os objetivos estabelecidos. As informações serão

      utilizadas apenas para fins acadêmicos. Agradeço sua disponibilidade

      em contribuir com esta pesquisa. Identificação Nome: Formação: Área/Departamento: Função: Tempo na Função:

        

      1. A partir de que ano a empresa contratou designers de moda ou

      estilistas para fazer parte do seu Quadro de funcionários? ( ) Estagiário de design de moda/estilismo. Ano? ( ) Designer de moda/estilista de nível técnico. Ano? ( ) Designer de moda/estilista de nível superior. Ano?

      2. Que motivos levaram a empresa a contratar designers de moda?

        

      3. Quais as funções do designer de moda na sua empresa

      atualmente? ( ) Pesquisa, desenho, estética do produto ( ) Desenvolvimento de produtos ( ) Desenvolvimento de processos relacionados ao design ( ) Colabora na definição das estratégias ( ) Colabora na comunicação do produto

      ( ) Interface com áreas de produção, marketing, compras e

      vendas ( ) Outras. Quais?

        

      4. Quais são os produtos ou serviços gerados pela sua

      área/departamento?

        

      5. Quais os processos da sua área que dependem ou são

      influenciados pelo trabalho do designer de moda?

        

      6. Qual a relevância do trabalho do designer de moda para os

      resultados ou tomada de decisão da sua área?

      ( ) Nenhuma ( ) Pouca ( ) Razoável ( ) Grande ( )

      Indispensável

        

      7. Em sua opinião, é relevante que o designer de moda adquira

      conhecimentos sobre administração?

      ( ) Sim ( ) Não ( ) Não tenho opinião formada a respeito.

      Em caso afirmativo, por quê?

        

      8. Em sua opinião, existe diferença nos resultados do trabalho do

      designer de moda que possui uma visão administrativa (de processos, de produção, de gestão, do mercado consumidor e concorrência), daquele que não possui esta visão?

      ( ) Sim ( ) Não ( ) Não tenho opinião formada a respeito.

      Em caso afirmativo, por quê? 9. Marque um “X” com base na legenda abaixo, como você classificaria a atuação dos designers de moda a respeito dos conteúdos de administração: 1 - insuficiente (precisa de apoio técnico para executar as atividades) 2 - fraco (30% das atividades realizam sem apoio) 3 - regular (50% das atividades realizam sem apoio) 4 - bom (80% das atividades realizam sem apoio) 5 - muito bom (100% das atividades realizam sem apoio) Grau de importância

        Conteúdos de Administração

        

      1

        2

        3

        4

        5 Custos / Formação de preços Gestão / Empreendedorismo Marketing Produção / Processos têxteis Psicologia / Sociologia

        10. Considerando sua experiência em gestão, marque um “X” nos 05 conteúdos de administração que você entende como fundamentais na formação do designer de moda para que ele possa exercer sua função na empresa:

        Contabilidade Materiais Direito Produção Estatística Projetos Estratégias empresariais Psicologia Finanças Recursos Humanos Logística Sociologia Marketing Tecnologia da Informação 11. Marque com “X” as 05 principais competências e habilidades que você considera indispensáveis para atuação do designer de moda na empresa: Pensar estrategicamente, introduzir modificações no processo produtivo, atuar preventivamente, exercer o processo da tomada de decisão

        Desenvolver expressão e comunicação nos processos de negociação e nas comunicações interpessoais Refletir e atuar criticamente sobre a esfera da produção,

      compreendendo sua posição e função na estrutura produtiva

      sob seu controle e gerenciamento

      Desenvolver raciocínio lógico, crítico e analítico para operar

      com valores e formulações matemáticas, expressando-se de

      modo crítico e criativo

      Ter iniciativa, criatividade, determinação, vontade política e

      administrativa, vontade de aprender, abertura às mudanças

        

      Desenvolver capacidade de transferir conhecimentos da vida

      e da experiência cotidianas para o ambiente de trabalho e do

      seu campo de atuação profissional Desenvolver capacidade para elaborar, implementar e consolidar projetos em organizações Desenvolver capacidade para realizar consultoria em gestão e administração Capacidade criativa para propor soluções inovadoras, utilizando domínio de técnicas e de processo de criação Capacidade para o domínio de linguagem própria expressando conceitos e soluções, em seus projetos, de acordo com as diversas técnicas

      Capacidade de atuar em equipes interdisciplinares na

      elaboração e execução de pesquisas e projetos Visão sistêmica de projeto, capacidade de conceituá-lo a

      partir de componentes materiais e imateriais, processos de

      fabricação, aspectos econômicos, psicológicos e sociológicos

      Domínio das etapas de um projeto: definição de objetivos,

      técnicas de coleta de dados, geração e avaliação de alternativas, solução e comunicação de resultados Conhecimento do setor produtivo, revelando sólida visão

      setorial, relacionado ao mercado, materiais, processos

      produtivos e tecnologias Domínio de gerência de produção, incluindo qualidade, produtividade, arranjo físico de fábrica, estoques, custos,

      investimentos, administração de recursos humanos para a

      produção Visão histórica e prospectiva, centrada nos aspectos socioeconômicos e culturais.

        

      12. Em sua opinião, o que pode melhorar na formação acadêmica do

      designer de moda para que o mesmo possa atender as demandas

        APÊNDICE C - Questionário Designers de Moda

      Este instrumento de pesquisa foi desenvolvido para servir como fonte

      de informações para o desenvolvimento da dissertação de Mestrado em

      Administração na UDESC. O objetivo do estudo é identificar a

      articulação dos conteúdos de administração trabalhados nos cursos

      superiores de moda com as demandas da indústria do vestuário de

      Santa Catarina. Sua participação é de extrema relevância para que a

      pesquisa atinja os objetivos estabelecidos. As informações serão

      utilizadas apenas para fins acadêmicos. Agradeço sua disponibilidade

      em contribuir com esta pesquisa. Identificação Nome: Graduação: Bacharel ou Tecnólogo: Nome da Instituição de graduação: Ano de conclusão do curso ou previsão: Área/Departamento: Função: Tempo na Função:

        1. Quais são as suas funções na empresa atualmente? ( ) Pesquisa, desenho, estética do produto ( ) Desenvolvimento de produtos ( ) Desenvolvimento de processos relacionados ao design ( ) Colabora na definição das estratégias ( ) Colabora na comunicação do produto

      ( ) Interface com áreas de produção, marketing, compras e vendas

      ( ) Outras. Quais?

        

      2. Quais são as ferramentas de apoio existentes para realizar suas

      atividades?

        

      3. Quais áreas da empresa mais recebem suas informações ou

      serviços?

        

      4. Quais áreas da empresa fornecem apoio técnico ou operacional ao

      seu trabalho?

        5. Marque um “X” nos 05 conteúdos de administração que você entende como conhecimentos fundamentais para que você possa atuar de forma a atender as expectativas da empresa: Contabilidade Materiais

        Direito Produção Estatística Projetos Estratégias empresariais Psicologia

      Finanças Recursos Humanos

      Logística Sociologia Marketing Tecnologia da Informação

        

      6. Existem outros conteúdos de administração, além dos relacionados

      na questão 5, que você considera relevantes? Quais?

        7. Marque um “X” com base na legenda abaixo, como você classifica o seu domínio a respeito dos conteúdos de administração abaixo: 1 - insuficiente (preciso de apoio técnico para executar as atividades) 2 - fraco (30% das atividades realizo sem apoio) 3 - regular (50% das atividades realizo sem apoio) 4 - bom (80% das atividades realizo sem apoio) 5 - muito bom (100% das atividades realizo sem apoio)

        Grau de importância Conteúdos de Administração

        

      1

        2

        3

        4

        5 Custos / Formação de preços Gestão / Empreendedorismo Marketing Produção / Processos têxteis Psicologia / Sociologia

        

      8. Você acredita que possuir conhecimentos em administração, como

      os citados na questão 7, contribuem para melhoria no seu desempenho profissional na empresa, proporcionando melhores resultados?

      ( ) Sim ( ) Não ( ) Não tenho opinião formada a respeito.

      Em caso afirmativo, por quê?

        

      9. A sua formação acadêmica proporcionou conhecimentos

      suficientes para que você trabalhe de forma a atender todas as demandas da empresa?

      ( ) Sim ( ) Não ( ) Não tenho opinião formada a respeito.

      Se a resposta foi não, quais conteúdos ficaram faltando? 10. Marque com “X” nas 05 principais competências e habilidades que você considera indispensáveis para atuação do designer de moda na empresa: Pensar estrategicamente, introduzir modificações no processo

      produtivo, atuar preventivamente, exercer o processo da

      tomada de decisão

      Desenvolver expressão e comunicação nos processos de

      negociação e nas comunicações interpessoais Refletir e atuar criticamente sobre a esfera da produção,

      compreendendo sua posição e função na estrutura produtiva

      sob seu controle e gerenciamento

      Desenvolver raciocínio lógico, crítico e analítico para operar

      com valores e formulações matemáticas, expressando-se de

      modo crítico e criativo

        Ter iniciativa, criatividade, determinação, vontade política e

      administrativa, vontade de aprender, abertura às mudanças

      Desenvolver capacidade de transferir conhecimentos da vida

      e da experiência cotidianas para o ambiente de trabalho e do

      seu campo de atuação profissional

        Desenvolver capacidade para elaborar, implementar e consolidar projetos em organizações

      Desenvolver capacidade para realizar consultoria em gestão e

      administração

        Capacidade criativa para propor soluções inovadoras, utilizando domínio de técnicas e de processo de criação Capacidade para o domínio de linguagem própria expressando conceitos e soluções, em seus projetos, de acordo com as diversas técnicas Capacidade de atuar em equipes interdisciplinares na elaboração e execução de pesquisas e projetos Visão sistêmica de projeto, capacidade de conceituá-lo a

      partir de componentes materiais e imateriais, processos de

      fabricação, aspectos econômicos, psicológicos e sociológicos

      Domínio das etapas de um projeto: definição de objetivos, técnicas de coleta de dados, geração e avaliação de alternativas, solução e comunicação de resultados Conhecimento do setor produtivo, revelando sólida visão

      setorial, relacionado ao mercado, materiais, processos

      produtivos e tecnologias Domínio de gerência de produção, incluindo qualidade, produtividade, arranjo físico de fábrica, estoques, custos,

      investimentos, administração de recursos humanos para a

      produção

        Visão histórica e prospectiva, centrada nos aspectos socioeconômicos e culturais.

        11. Em sua opinião, o que pode melhorar na formação acadêmica do

        designer de moda oferecida pelas instituições de ensino superior?

Novo documento

Tags

Documento similar

UNIVERSIDADE FEDERAL DO CEARÁ INSTITUTO DE CULTURA E ARTE CURSO DE DESIGN DE MODA NÁDIA GLEIDE MATOS CARDOSO
0
0
20
O DESEMPENHO RECENTE DA BALANÇA COMERCIAL DA INDÚSTRIA TÊXTIL E DE VESTUÁRIO BRASILEIRA
0
0
31
O ENCONTRO ENTRE O SABER DE REFERÊNCIA DOS ESTUDANTES E OS CONTEÚDOS DE CIÊNCIAS NO CURRÍCULO DA EDUCAÇÃO DE JOVENS E ADULTOS
0
0
246
INOVADORES E SEGUIDORES – UMA ANÁLISE DOS JOVENS CONSUMIDORES DE PRODUTOS DE MODA E VESTUÁRIO
0
0
9
CONTEÚDOS MATEMÁTICOS DA EDUCAÇÃO BÁSICA E SUA ABORDAGEM EM CURSOS DE LICENCIATURA EM MATEMÁTICA
0
1
234
COMPARAÇÃO DOS CONTEÚDOS CURRICULARES NO CURSO DE CIÊNCIAS CONTÁBEIS DA PUC-SP COM OS MELHORES CURSOS DAS UNIVERSIDADES BRASILEIRAS
0
0
120
DESCREVENDO E ANALISANDO OS TEXTOS ESCRITOS DE LÍNGUA PORTUGUESA QUE COMPÕEM AS UNIDADES DOS MATERIAIS DIDÁTICOS DOS CURSOS A DISTÂNCIA
0
0
176
OS CURSOS TÉCNICOS DE NÍVEL MÉDIO E AS PERCEPÇÕES DE EGRESSOS DE UMA ESCOLA ESTADUAL DE EDUCAÇÃO PROFISSIONAL DO CEARÁ
0
0
105
A INDÚSTRIA DE CONFECÇÃO DO VESTUÁRIO NA REGIÃO METROPOLITANA DE BELÉM - PARÁ
0
1
186
OS CURSOS DE ECONOMIA DOMÉSTICA NO BRASIL E SUAS RELAÇÕES COM OS FAZERES DA MODA
0
1
6
A COMPREENSÃO DA RELAÇÃO ENTRE DESIGN E MODA POR PROFESSORES E ESTUDANTES DOS CURSOS DE DESIGN DA UNIVALI
0
0
28
DISSEMINAÇÃO DO CONHECIMENTO DE MODA NA COMUNICAÇÃO DIGITAL DE MARCAS POPULARES DE VESTUÁRIO E ACESSÓRIOS
0
8
141
DESENVOLVIMENTO DA CRIATIVIDADE DOS ALUNOS DE CURSOS SUPERIORES DE ADMINISTRAÇÃO DA GRANDE FLORIANÓPOLIS UM ESTUDO DE MULTICASOS
0
0
94
A INDÚSTRIA DE JÓIAS E BIJUTERIAS: UM ESTUDO DE CASO DA EMPRESA GABRIELA FARACO ACESSÓRIOS DE MODA
0
5
77
O PERFIL E AS DEMANDAS DO USUÁRIO DO PROJETO SÓCIO - EMERGENCIAL DA PREFEITURA MUNICIPAL DE FLORIANÓPOLIS
0
0
88
Show more