ESTILO DE VIDA, ESTRESSE E PRODUTIVIDADE DE BANCÁRIOS Dissertação

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ESTILO DE VIDA, ESTRESSE E PRODUTIVIDADE DE BANCÁRIOS

Dissertação

  

FLORIANÓPOLIS – SC

2005

  

UNIVERSIDADE DO ESTADO DE SANTA CATARINA - UDESC

CENTRO DE CIÊNCIAS DA ADMINISTRAđấO Ố ESAG

  

ESTILO DE VIDA, ESTRESSE E PRODUTIVIDADE DE BANCÁRIOS

  Dissertação apresentada ao Curso de Pós- Graduação em Administração da Universidade do Estado de Santa Catarina, como requisito final para a obtenção do grau de Mestre em Administração.

  Orientador: Prof. Dr. Alexandro Andrade

  FLORIANÓPOLIS – SC

2005

  

ALEXANDRE RODRIGO BACK

ESTILO DE VIDA, ESTRESSE E PRODUTIVIDADE DE BANCÁRIOS

  Esta dissertação foi julgada adequada para a obtenção do Título de Mestre em Administração (Gestão Estratégica das Organizações) e aprovada em sua forma final pelo Curso de Mestrado em Administração da Universidade do Estado de Santa Catarina.

Banca Examinadora

  Orientador: ________________________________________________ Prof. Dr. Alexandro Andrade Universidade do Estado de Santa Catarina -UDESC

  Membro: ______________________________________________ Prof. Dr. José Luiz Fonseca da Silva Filho Universidade do Estado de Santa Catarina -UDESC

  Membro: ________________________________________________ Prof. Phd. José Carlos Zanelli Universidade Federal de Santa Catarina - UFSC Florianópolis, 22 de setembro de 2005.

  Aos meus pais, Fidélis (In Memorian) e Catarina. A minha amada esposa Giselle, pelo seu companheirismo e dedicação.

  A nossa filha Luísa, por existir!

AGRADECIMENTOS

  A realização dessa dissertação só foi possível graças ao envolvimento, dessas pessoas a quem passo a agradecer, e é a elas que dedico o meu sincero muito obrigado. À minha esposa, Giselle pela sua inteligência, companheirismo e constante incentivo. À minha filha Luisa, minha fonte de inspiração, pela sua compreensão. Ao Prof. Dr. Alexandro Andrade, a quem tenho grande admiração profissional e pessoal, pelo entusiasmo acadêmico e confiança em mim depositada. Seu apoio e amizade nunca serão esquecidos.

  Aos membros da banca examinadora Prof. Dr. José Luiz Fonseca da Silva Filho e Prof. Dr. José Carlos Zanelli. Aos meus pais, pela educação que me proporcionaram e estímulo em fazer do estudo um caminho para o meu aperfeiçoamento humano. Aos acadêmicos do Laboratório de Psicologia do Esporte e do Exercício da UDESC –

  LAPE, especialmente aos incansáveis Maick da Silveira Viana, Caroline Di Bernardi Luft, Diego I. Cunha Vasconcellos, Martina Kieling Sebold Barros Rolim, Sabrina de Oliveira Sanches, Evanea J. Scopel e Viviane Pacheco Gonçalves.

  Aos professores da ESAG Francisco Gabriel Heidemann e Luiz César Reis Salvador pelo aconselhamento necessário. Ao Sindicato dos bancários da região da Grande Florianópolis pelo interesse e apoio na realização da pesquisa. A todos os colegas bancários, aos quais espero ter colaborado para a melhor compreensão da nossa realidade no trabalho e conseguido corresponder à expectativa criada por este estudo.

  

“Precisamos produzir homens doentes para ter

uma economia saudável?”

  ERICH FROMM

RESUMO

  O presente trabalho teve por objetivo investigar a percepção de bancários quanto ao seu estilo de vida, ambiente de trabalho, a ocorrência e o controle do estresse e a produtividade. Esta pesquisa é um estudo de campo de natureza descritiva de opinião e auto-avaliação caracterizada por uma abordagem quantitativa. A amostragem utilizada foi do tipo probabilística estratificada, constituída de 304 bancários da região da Grande Florianópolis, sendo que 176 (57,9%) são do sexo masculino e 128 (42,1%) do sexo feminino. O instrumento aplicado nesta pesquisa foi um questionário do tipo misto, com questões fechadas, abertas e mistas, com base na escala de Likert, chamado “questionário de auto- avaliação do estilo de vida, ocorrência e controle do estresse” (ANDRADE, 2001), adaptado para este estudo incluindo-se questões para a avaliação da produtividade. Os resultados obtidos indicam que os bancários participantes da pesquisa apresentam diferenças importantes com relação ao seu estilo de vida e a incidência e controle do estresse, contudo, apresentam avaliação semelhante relativamente ao seu ambiente de trabalho e a sua produtividade. A pesquisa revelou que a maioria dos bancários investigados tem um estilo de vida sedentário, a auto-avaliação da produtividade é alta, apesar do ambiente de trabalho ser considerado apenas regular e parcela significativa dos bancários conviver com níveis de estresse preocupantes. A avaliação positiva da produtividade dos bancários em geral não leva em consideração o estresse oriundo do seu ambiente de trabalho e negligencia a própria condição de saúde, a qual é ou poderá ser afetada negativamente.

  

PALAVRAS-CHAVE: Ambiente de trabalho. Estilo de vida. Estresse. Produtividade.

ABSTRACT

  The present work aimed to verify the perception of the bank employees about their lifestyle, work environment, stress, stress control and productivity. This research its a field study of descriptive nature, of opinion and self-assessment, adopting a quantitative approach. The sampling used was probabilistic containing 304 bank employees from the Florianópolis region, 176 (57,9%) of whom were male and 128 (42,1%) female. The instrument applied was a mixed questionnaire with close and open questions based on Likert scale entitled “self- assessment questionnaire on lifestyle, incidence and control of stress” (Andrade, 2001) adapted for this study including productivity evaluation questions. The results obtained show that the employees who took part in the study present important differences in relation to lifestyle as well as the incidence and control of stress, however, they presented a similar assessment in relation to their working environment and their productivity. The study revealed that the majority of the employees investigated have a sedentary lifestyle, the self-assessment of productivity was high, despite the working environment being considered no better than acceptable and a significant number of the employees manage worrying levels of stress. The positive assessment of productivity of the employees in general did not take into consideration the surrounding stress from their working environment and neglect of their own state of health, which is or could be negatively affected.

  KEY-WORDS: Working environment. Life style. Stress. Productivity.

LISTA DE FIGURAS

  Figura 1 - Representação gráfica do estilo de vida dos bancários investigados.....................65 Figura 2 - Representação gráfica dos cargos ocupados pelos bancários participantes da pesquisa. ................................................................................................................68 Figura 3 - Ocorrência de doenças nos bancários dos grupos sedentários, pouco ativos e ativos......................................................................................................................71 Figura 4 - Gráfico de tipo de doenças nos bancários dos grupos sedentários, pouco ativos e ativos......................................................................................................................72 Figura 5 - Gráfico dos motivos que mais interferem na prática de atividade física entre sedentários, pouco ativos e ativos..........................................................................77 Figura 6 - Gráfico das médias das atitudes quanto ao ambiente de trabalho dos bancários em geral. ......................................................................................................................79 Figura 7 - Índice de estresse percebido (isp) dos bancários investigados. .............................81 Figura 8 - Índice de estresse percebido (isp) dos bancários pesquisados em função do estilo de vida....................................................................................................................81 Figura 9 - Médias da auto-avaliação dos níveis de “dificuldade em expressar emoções e sentimentos”, “estresse”, “perfeccionismo”, “ansiedade”, “tensão”,

  “competitividade”, “ambição” e “agressividade”, dos bancários sedentários e ativos......................................................................................................................82 Figura 10 - Índice de estresse percebido (isp) dos bancários pesquisados em relação ao cargo que ocupa...............................................................................................................83

  Figura 11 - Relação entre o índice de estresse percebido e a avaliação da saúde dos bancários investigados. ..........................................................................................................84 Figura 12 - Relação entre o índice de estresse percebido (isp) e o nível de tensão na totalidade dos bancários .........................................................................................................85 Figura 13 - Relação entre índice de estresse percebido (isp) e a motivação para trabalhar dos bancários em geral. ................................................................................................86 Figura 14 - Relação entre o índice de estresse percebido (isp) e a avaliação do ambiente de trabalho pela totalidade dos bancários investigados..............................................86 Figura 15 - Relação entre o índice de estresse percebido (isp) e o nível de satisfação do ambiente de trabalho pela totalidade dos bancários investigados. ........................87 Figura 16 - Intensidade das causas de estresse dos grupos sedentários e ativos, a partir da média de posicionamento. .....................................................................................90 Figura 17 - Intensidade das causas de estresse, a partir da média de posicionamento dos grupos logística e agência......................................................................................91 Figura 18 - Freqüência das reações psicossomáticas ao estresse apresentadas pelos bancários sedentários, pouco ativos e ativos..........................................................................92 Figura 19 - Freqüência das reações psicossomáticas ao estresse apresentadas pelos grupos logística e agência..................................................................................................93 Figura 20 - Média de posicionamento dos grupos sedentário, pouco ativo e ativo, quanto a freqüência no uso das principais estratégias para combater o estresse..................94 Figura 21 - Média de posicionamento dos grupos logística e agência, quanto a freqüência no uso das principais estratégias para combater o estresse. .......................................95 Figura 22 - Avaliação dos bancários em geral sobre a ação da empresa no controle e combate ao estresse. .............................................................................................................96 Figura 23 - Representação do conceito de produtividade dos bancários que trabalham na área logística e agência..................................................................................................98 Figura 24 - Representação do conceito de produtividade na função pelos bancários que

  Figura 25 - Representação gráfica da auto-avaliação da produtividade dos bancários nas dimensões: pessoal, geral, chefia/gerente e colegas pela totalidade dos bancários investigados. ........................................................................................................103

LISTA DE TABELAS

  Tabela 1 - Faixa etária dos bancários participantes da pesquisa. .........................................66 Tabela 2 - Nível de escolaridade dos bancários sedentários, pouco ativos e ativos.............67 Tabela 3 - Nível de escolaridade dos grupos de bancários que trabalham na logística e na agência.................................................................................................................67 Tabela 4 - Cargos ocupados pelos bancários sedentários, pouco ativos e ativos. ................68 Tabela 5 - Histórico de atividade física dos bancários sedentários, pouco ativos e ativos. .74 Tabela 6 - Freqüência semanal de atividade física ente os grupos sedentários, pouco ativos e ativos.................................................................................................................74 Tabela 7 - Tipo de atividade física ou esporte praticado pelos bancários sedentários, pouco ativos e ativos ......................................................................................................75 Tabela 8 - Tipo de lazer mais freqüente entre os grupos sedentários, pouco ativos e ativos............ .......................................................................................................75 Tabela 9 - Freqüência semanal de lazer entre os grupos sedentários, pouco ativos e ativos..... ..............................................................................................................76 Tabela 10 - Horas-extras trabalhadas diariamente pela totalidade dos bancários investigados.........................................................................................................79 Tabela 11 - Principais causas de estresse para os grupos sedentários, pouco ativos e ativos.89

  Tabela 12 - Principais causas de estresse para os grupos logística e agência. .......................89 Tabela 13 - Conceito do que é ser um bancário produtivo para os bancários investigados. ..97 Tabela 14 - Conceito do que é ser um bancário produtivo entre sedentários, pouco ativos e ativos. ..................................................................................................................97 Tabela 15 - Conceito do que é ser um bancário produtivo pelos bancários da logística e da agência.................................................................................................................98 Tabela 16 - Conceito de produtividade na função pela totalidade dos bancários investigados.........................................................................................................99 Tabela 17 - Conceito de produtividade entre os grupos sedentários, pouco ativos e ativos. .99 Tabela 18 - Conceito de produtividade na função pelos grupos logística e agência............100 Tabela 19 - Forma de medida da produtividade no banco, observada pela totalidade dos bancários investigados.......................................................................................101 Tabela 20 - Forma de medida da produtividade no banco pelos grupos logística e agência...............................................................................................................101 Tabela 21 - Forma de medida da produtividade na função pela totalidade dos bancários investigados.......................................................................................................102

LISTA DE QUADROS

  Quadro 1 - Manifestações do estresse sobre a saúde humana.............................................41 Quadro 2 - Perfil dos praticantes e não praticantes de atividade física no Brasil. ..............43 Quadro 3 - Efeitos potenciais do presenteísmo em trabalhadores. .....................................49

SUMÁRIO

  1 INTRODUđấO ..................................................................................................16

  1.1 O PROBLEMA .................................................................................................16

  1.2 OBJETIVOS .....................................................................................................18 Objetivo Geral.............................................................................................18

  1.2.1

  1.2.2 Objetivos Específicos ..................................................................................18

  1.3 JUSTIFICATIVA..............................................................................................19

  1.4 PRESSUPOSTO TEÓRICO .............................................................................22

  1.5 DELIMITAđấO DO ESTUDO........................................................................22

  1.6 DEFINIđấO DE TERMOS ..............................................................................23

  

2 FUNDAMENTAđấO TEốRICA.....................................................................26

  2.1 O HOMEM E SEU AMBIENTE DE TRABALHO ..........................................26

  2.3 A

  INFLUÊNCIA DO ESTRESSE NA SAÚDE E NO TRABALHO................38 Estresse, estilo de vida e saúde ...................................................................40

  2.3.1

  2.4 PESQUISAS SOBRE O ESTRESSE ................................................................50

  

3 MÉTODO............................................................................................................57

  3.1 CARACTERIZAđấO DA PESQUISA............................................................57

  3.2 CARACTERIZAđấO DO BANCO

  INVESTIGADO .....................................57

  3.3 POPULAđấO E AMOSTRA ...........................................................................59

  3.4 INSTRUMENTO ..............................................................................................60

  3.5 COLETA DE DADOS ......................................................................................62

  3.6 TRATAMENTO ESTATÍSTICO .....................................................................62

  

4 APRESENTAđấO DOS RESULTADOS........................................................64

  4.1 CARACTERIZAđấO DOS BANCÁRIOS......................................................64

  4.2 HISTÓRICO E CONDIđấO DE SAÚDE ........................................................70

  4.3 HÁBITOS DE ATIVIDADE FÍSICA E LAZER ..............................................73

  4.4 AMBIENTE DE TRABALHO .........................................................................78

  4.5 OCORRÊNCIA E CONTROLE DO ESTRESSE .............................................80

  4.6 PRODUTIVIDADE ..........................................................................................97

  

5 DISCUSSÃO .....................................................................................................105

  5.1 DISCUSSÃO DOS RESULTADOS ...............................................................105

  

6 CONCLUSÕES E SUGESTÕES ....................................................................122

  6.1 CONCLUSÕES...............................................................................................122

  6.2 SUGESTÕES ..................................................................................................126 Sugestões acadêmicas ...............................................................................126

  6.2.1

  6.2.2 Sugestões ao sistema bancário..................................................................127

  

7 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ...........................................................128

APÊNDICES .............................................................................................................133

ANEXOS....................................................................................................................142

  1.1 O PROBLEMA O trabalho atravessa nos últimos anos mudanças significativas em sua concepção, organização, bem como, em sua prática cotidiana. As transformações ocorrem cada vez mais rapidamente, impondo ao trabalhador adaptar-se a esta nova realidade, fazendo-o produzir cada vez mais, com maior qualidade e eficiência, deixando-o, no entanto, em uma posição secundária no processo de produção (RICHARD, 1997).

  O trabalhador, que é a base do sistema produtivo, busca enfrentar estas mudanças, apresentar maior capacidade de adaptação e assimilação do novo, criatividade e compreensão da realidade, ao mesmo tempo em que convive com sua história, sua cultura e seus valores cristalizados ao longo da vida. Por outro lado, a própria organização presa a modelos mecânicos e burocráticos de gestão tem dificuldade de se auto-avaliar e mudar (MORGAN, 1986).

  A crítica ao trabalho voltado exclusivamente à máxima produtividade tem ocorrido historicamente, tendo sido aprofundada nos dias atuais. Autores como Fromm (1972), Ramos (1983) e Thiry-Cherques (1991), por exemplo, apontam para esta questão.

  Para Fromm (1972), o sistema de trabalho dentro de uma organização que vise única e exclusivamente o ganho de produtividade pode aparentemente parecer um modelo administrativo de sucesso, mas também pode criar efeitos negativos que ultrapassem as vantagens que possam ter sido alcançadas. O estudo pensado e analítico da estrutura do homem pode mostrar os efeitos positivos reais de planejamento e administração. Ramos (1983) afirma que a produtividade e a eficiência são fenômenos mais complexos do que supunha a teoria administrativa tradicional, tornando necessário considerar seus devidos termos de magnitude, os problemas concernentes ao equilíbrio entre a personalidade e a organização. Na visão de Thiry-Cherques (1991), a qualidade de vida do trabalhador dentro e fora da empresa interfere na sua performance, ou seja, na sua produtividade.

  O estresse ocupacional é uma das conseqüências desses efeitos negativos citados por Fromm (1972), sendo definido como uma resposta nociva, física e emocionalmente, que o trabalhador apresenta em função das exigências e demandas do trabalho a ser realizado e das possibilidades de responder a estas exigências (COX, 1987).

  Em algumas profissões, a ocorrência e a intensidade do estresse são maiores do que em outras. Vários autores e pesquisas indicam que alguns profissionais são mais atingidos pelo problema do estresse no trabalho, tais como “policiais, professores, executivos,

  ” (LIPP, 1996, p. 14). Em recente estudo, Andrade (2001)

  bancários e psicólogos clínicos

  aponta alguns problemas relacionados ao estresse em bancários sedentários, tais como, depressão, dor de cabeça, agressividade e mau humor, conformismo e insônia, decorrentes de um ambiente de trabalho direcionado somente aos resultados e a produtividade, onde os fatores humanos e qualidade de vida no trabalho são negligenciados.

  A forma como os trabalhadores percebem seu ambiente de trabalho, seu estilo de vida, o estresse, e sua produtividade, através da compreensão das percepções e das subjetividades, é fundamental num contexto de cobranças excessivas por aumento de produtividade, a fim de que se possa buscar melhorar a qualidade de vida destes indivíduos.

  Diante da problematização exposta, o presente estudo pretende responder a seguinte questão:

  “Como os bancários de um banco estatal da região da Grande Florianópolis

percebem seu estilo de vida, seu ambiente de trabalho, a ocorrência e o controle do estresse,

e a sua produtividade?”

  1.2 OBJETIVOS

  1.2.1 Objetivo Geral Investigar a percepção dos bancários de um banco estatal da região da Grande

  Florianópolis em relação ao seu estilo de vida, ambiente de trabalho, a ocorrência e o controle do estresse, e a produtividade.

  1.2.2 Objetivos Específicos Visando melhor atingir o objetivo geral e favorecer o estudo do problema de pesquisa, definimos os seguintes objetivos específicos:

  • Caracterizar os participantes;
  • Identificar os bancários sedentários, pouco ativos e ativos que trabalham na área administrativa (logística) e no atendimento ao público (agência);
  • Verificar o nível e o controle do estresse percebido pelos bancários;
  • Identificar a produtividade auto-avaliada pelos bancários;
  • Comparar o estresse e a produtividade dos bancários sedentários, pouco ativos e ativos.

  • Comparar o estresse e a produtividade dos bancários das agências e da área logística.

  1.3 JUSTIFICATIVA Este estudo pretende contribuir na busca de informações para melhor compreender a percepção que o bancário tem a respeito do seu ambiente de trabalho, do seu estilo de vida, da sua produtividade, do estresse e do controle subjetivo do estresse, pois a forma como o bancário os percebe e avalia, influencia na própria realidade do trabalho e consequentemente em sua produtividade. Compreender os reflexos que as forças exercidas pela organização têm sobre os trabalhadores bancários pode ajudar a aumentar a sua qualidade de vida, bem como, beneficiar a própria organização com trabalhadores mais motivados e produtivos.

  O sistema bancário é um dos setores que mais investe em melhorias tecnológicas, com ampliação dos sistemas de automação e informatização crescentes. Pritchard (1990) afirma que há dois grandes caminhos para melhorar a produtividade: o primeiro seria por meio da melhoria tecnológica e, o segundo, por intermédio do comportamento e motivação dos trabalhadores. Considerando a afirmação de Pritchard (1990), o segundo caminho para melhorar a produtividade, talvez não esteja sendo aplicado no sistema bancário, uma vez que seus trabalhadores estão sujeitos a níveis elevados de estresse e crescente insatisfação no trabalho.

  As causas e os efeitos do estresse laboral têm recebido a atenção de pesquisas por muitas décadas, embora tenha ocorrido um aumento a partir dos anos 90, à medida em que as organizações e os trabalhadores tentam se adaptar as contínuas mudanças e exigências do mercado. As ameaças de ações judiciais, bem como a diminuição da performance organizacional tem encorajado algumas organizações a considerar o estresse ocupacional mais seriamente. Elas perceberam que precisam tomar cuidado com a ocorrência de estresse nos seus empregados e estar preparadas para tentar reduzí-las (BROADBRIDGE, 2002).

  O estresse laboral pode implicar em um elevado custo em termos de impacto sobre a performance e a produtividade. O estresse relacionado à doença tem sido ligado ao

  1

  absenteísmo e ao turnover . Estima-se que nos EUA o custo para as organizações, causados pelo estresse ocupacional gira em torno de 200 a 300 bilhões de dólares por ano, como resultado do turnover da alta gerência, processos legais de compensação por estresse, e diminuição da produtividade. Na Grã-Bretanha aproximadamente setenta mil trabalhadores faltam ao trabalho devido ao estresse ocupacional todo ano, com um custo em torno de sete bilhões de libras em perda de produtividade e pagamento de benefícios. A Association of Workers' Compensation Boards of Canada (1996) estima que sessenta por cento dos trabalhadores canadenses sentem os efeitos negativos do estresse no local de trabalho e oitenta por cento relatou que o estresse é uma adversidade que afeta a sua performance e saúde (KENDALL et al, 2000).

  Algumas profissões são reconhecidamente mais susceptíveis ao estresse laboral, a menores níveis de qualidade de vida no trabalho e a queda de produtividade. Entre estas profissões encontram-se os bancários. Por outro lado, estudos têm apontado que o estilo de vida, sedentário ou ativo, pode interferir em diferentes variáveis relacionadas à qualidade de vida e ao estresse laboral. O estudo do estresse no trabalho e sua relação com a produtividade, bem como, com o estilo de vida parece justificar-se tanto no âmbito da ciência, pois interessa a pesquisadores avaliar até que ponto o estilo de vida pode afetar a percepção do estresse ou a

  1 suspensão da condição de integrante de uma organização por parte de um indivíduo que recebia compensação monetária. produtividade, tendo na soma de resultados e estudos uma possível hipótese futura, quanto no âmbito da demanda social de observação, já que é inegável e de conhecimento público que os trabalhadores em geral sofrem o estresse e estão submetidos a uma pressão social que tem implicado cada vez menos tempo para si mesmos e cada vez maiores exigências de produção no trabalho.

  Estas questões têm levado muitos pesquisadores, através de diferentes abordagens de pesquisa, a buscar maior conhecimento sobre este problema, que é uma questão internacional, pois afeta muitos trabalhadores em todo o mundo, de forma mais dramática em países como o Brasil. Os resultados deste estudo podem produzir contribuições tanto no âmbito científico, como aplicado ao mundo social e do trabalho. As considerações desta pesquisa poderão se somar as de outros estudos, contribuindo para a formulação futura de uma hipótese mais sólida ou talvez de uma teoria sobre as relações entre estresse laboral, estilo de vida e produtividade no trabalho. De outro lado, sem dúvida as informações advindas desta pesquisa serão tornadas públicas e repassadas de diferentes formas aos sindicatos, aos bancos e principalmente aos trabalhadores bancários, o que implica numa provocação para discussões sobre os problemas investigados, a promoção da tomada de consciência sobre estas questões e se possível influenciar políticas a serem adotadas visando diminuir os efeitos nocivos do estresse laboral, promover o estilo de vida ativo nos bancários e aumentar ou manter a produtividade, subordinada a uma preocupação de que esta produtividade esteja vinculada a auto-realização no trabalho.

  1.4 PRESSUPOSTO TEÓRICO O pressuposto teórico que fundamenta este trabalho é de que bancários que possuem um estilo de vida ativo apresentam menor nível de estresse percebido e maior produtividade, comparativamente aos bancários sedentários e pouco ativos. As principais causas do estresse percebido são provenientes das experiências negativas no ambiente de trabalho, sendo que os bancários têm limitações nas suas possibilidades de viverem uma vida ativa, em função do excesso de trabalho e responsabilidades, da falta de motivação e recursos financeiros. Os bancários, que trabalham em agências, prestando atendimento ao público em geral, apresentam níveis de estresse mais elevados do que os que executam atividades internas, consideradas logísticas, em virtude de estarem submetidos a maior pressão no cumprimento de metas estabelecidas pela empresa, sendo que a percepção da produtividade não varia entre eles.

  1.5 DELIMITAđấO DO ESTUDO Este estudo delimitou-se a investigar a percepção dos bancários de um banco estatal, da região da Grande Florianópolis, identificados quanto ao seu estilo de vida como sedentários, pouco ativos e ativos e quanto a sua área de trabalho em logística e agência, em relação ao seu estilo de vida, ambiente de trabalho, a ocorrência e o controle do estresse e a produtividade.

  A abordagem adotada foi uma pesquisa quantitativa, por meio de um questionário, abrangendo as cidades de Florianópolis, São José, Tijucas, Biguaçu, e Palhoça, na qual 304 bancários participaram no período compreendido entre dezembro de 2004 a maio de 2005.

  1.6 DEFINIđấO DE TERMOS

  Ambiente de Trabalho: É o local onde as pessoas desempenham suas atividades de

  trabalho, sejam remuneradas ou não, cujo equilíbrio está baseado na salubridade do meio e na ausência de agentes que comprometem a incolumidade físico-psíquica dos trabalhadores, com independência da condição e gênero (MARTI, 2003).

  Estilo de Vida: O estilo de vida é definido como “a forma de vida baseada em padrões

  identificáveis de comportamento, os quais são determinantes pela interação de papéis entre as características pessoais, interações sociais e as condições de vida sócio-econômicas e ambientais” (WHO, 1998, p.16). O estilo de vida é descrito na literatura como estilo de vida ativo ou sedentário. É o conjunto de ações habituais que concretizam as atitudes, a cultura e as oportunidades na vida dos indivíduos (NAHAS, 2001).

  Estilo de Vida Ativo: É o estilo de vida no qual o indivíduo realiza alguma prática de

  atividade física regular, pelo menos, três vezes por semana com duração não inferior a uma hora cada sessão. Pessoas com estilo de vida ativo preocupam-se com a qualidade de sua alimentação, com a postura, buscam manter regularidade nas atividades físicas para manter uma boa aptidão física (FEDERATION INTERNATIONALE DE MÉDECINE SPORTIVE, 1997).

Estilo de Vida Sedentário: É o estilo de vida no qual o indivíduo não realiza

  nenhuma prática de atividade física regular, com uma intensidade mínima para resultar numa melhora de sua aptidão física relacionada à saúde. Pessoas com estilo de vida sedentário preocupam-se apenas com compromissos relativos ao trabalho e seu lazer não envolve prática de exercícios físicos ou esportes. É considerado sedentário o indivíduo que não faz atividade física e que gaste menos de 500 kcal. semanais no trabalho, lazer, locomoção e nas atividades domésticas (FEDERATION INTERNATIONALE DE MÉDECINE SPORTIVE, 1998).

  Estilo de Vida Pouco Ativo: Para um indivíduo ser considerado moderadamente

  ativo, ele deveria realizar atividade física que resulte num gasto energético superior a 1.000 kcal., representado na prática, por exemplo, por uma pessoa que caminhe 30 minutos em passos acelerados, cinco vezes por semana (NAHAS, 2001).

  Produtividade: É um conceito usado como sinônimo para saídas (outputs),

  motivação, performance individual, eficácia organizacional, produção, rentabilidade, competitividade, bem como, é utilizado para medir a eficiência ou eficácia dos indivíduos, grupos, unidades organizacionais, indústrias e nações. A produtividade também inclui alguns fatores, tais como: cooperação, quão bem as pessoas são coordenadas e dirigidas, a disponibilidade de recursos necessários e o quanto as prioridades são definidas dentro dos objetivos organizacionais encontrados (PRITCHARD, 1990).

Qualidade de Vida: A qualidade de vida reflete a satisfação harmoniosa dos objetivos

  e desejos de alguém. Estão associados à qualidade de vida fatores sociais, biológicos e psicológicos, com forte influência da percepção subjetiva, da história e do contexto na qual a pessoa está inserida. Abrange a qualidade da vida social, familiar e também no trabalho. A atividade física regular e adequada aos interesses e necessidades da pessoa pode ser um fator importante no desenvolvimento da qualidade de vida (ANDRADE, 2001).

  Estresse no Trabalho: É um conjunto de perturbações psicológicas ou sofrimento

  psíquico, associado em geral, às experiências de trabalho, podendo incluir ansiedade, depressão, angústia, sensação de fadiga e/ou tristeza crônica, hipersensibilidade a acontecimentos em geral, agressividade e/ ou irritabilidade aumentadas (DEJOURS, 1998). É uma reação do organismo, com componentes físicos e/ou psicológicos, causada por alterações psicofisiológicas resultantes de situações que causem irritação, medo, excitação ou confusão (LIPP, 1996).

  Controle Subjetivo do Estresse: É o autocontrole do estresse que o indivíduo

  apresenta nas diversas situações que o mesmo pode enfrentar, principalmente no trabalho. É variável de situação para situação, embora apresente um padrão e é relacionado a estratégias cognitivas de tomada de decisão (ANDRADE, 2001).

  Saúde: A Organização Mundial da Saúde conceitua saúde como “um estado de

  completo bem-estar físico, mental e social, e não meramente a ausência de doenças ou enfermidades” (WHO, 1948, p.100).

Trabalhadores Bancários: São os profissionais que trabalham em instituições

  bancárias, executando tarefas como, cobranças, atendimento ao público, negociações e planejamento, execução e acompanhamento de processos dentro de agências ou postos de atendimento bancário ou fora delas (GONÇALVES,1995).

  A fundamentação teórica deste estudo aborda os seguintes temas: o homem e seu ambiente de trabalho, produtividade e motivação no trabalho, a influência do estresse na saúde e no trabalho, e pesquisas sobre o estresse.

  2.1 O HOMEM E SEU AMBIENTE DE TRABALHO Ambiente de trabalho é o local onde as pessoas desempenham suas atividades de trabalho, sejam remuneradas ou não, cujo equilíbrio está baseado na salubridade do meio e na ausência de agentes que comprometem a incolumidade físico-psíquica dos trabalhadores, com independência da condição e gênero, maiores ou menores de idade, servidores públicos, assalariados, autônomos, etc (MARTÍ, 2003). Considerando este conceito de ambiente de trabalho, é importante distinguir os espaços existenciais do homem. A organização não ocupa, jamais ocupará, todo o espaço existencial humano. O trabalhador em seu ambiente de trabalho é regido pela ética da responsabilidade, e, por isso mesmo, a adaptação à organização se efetiva à custa de um esforço de auto-racionalização da conduta, de autolimitação e autodomínio. Resta ao indivíduo, para expressão livre dos seus valores e da sua personalidade, o espaço da existência, em que predomina a ética da convicção ou do valor absoluto (RAMOS, 1983).

  O indivíduo quando está orientado, em seu comportamento, por valores, isto é, por estimações e avaliações, das quais decorre a sua concepção de mundo, e seu ideal de realização própria e social, esta sob orientação da sua ética de convicção. A vivência dessa ética em determinadas situações é indispensável para a segurança e integridade interna do indivíduo, no entanto, pode torná-lo polêmico, ou até mesmo envolvido em situações conflitantes. Nas situações administrativas ou organizacionais, o indivíduo se encontra constantemente em tensão. Todavia, os graus e conteúdo dessa tensão podem ser mais ou menos deteriorantes, do ponto de vista humano, conforme as qualificações estruturais da organização (RAMOS, 1983).

  Para este autor, a tensão entre as duas éticas não se verifica em intensidade uniforme nos três tipos de organização que Amitai Etzioni classificou, como sendo: normativas, utilitárias e coercitivas. Etzioni apud Ramos, 1983 utiliza o consentimento como base para uma tipologia das organizações, pois em todas elas este se encontra presente. Consentimento, é definido como “relação na qual um ator se conduz de acordo com uma diretiva formulada

  

por agente de poder, ou como orientação de um ator subordinado no tocante ao poder

( RAMOS 1983, p.46). aplicado”

  Numa escala gradativa, Etzioni apud Ramos,1983 afirma que o consentimento é mínimo nas organizações normativas e máximo nas organizações coercitivas. Nas organizações coercitivas, a ética da convicção de cada membro está em conflito radical com a organização. Porém, nas organizações normativas se verifica relativo alto grau de integração das convicções e dos deveres e funções organizacionais. Por isso, nas organizações normativas, supõe-se que os indivíduos realizem em grande parte seus próprios valores, no desempenho do trabalho, enquanto que nas organizações utilitárias, os indivíduos se encontram parcialmente empenhados, pois a natureza das atividades não lhes permite integrar plenamente seus próprios valores no trabalho. Desta forma, admitindo a tipologia de Etzioni, as organizações utilitárias, ou seja, que requerem o máximo de consenso quanto à produção e a contribuição de seus subordinados, quanto à participação e às especificações de performance e às definições do aspecto técnico, os indivíduos que nela trabalham, tendem a obter satisfação no campo dos valores ou da convicção em outras esferas que não no seu ambiente de trabalho (RAMOS, 1983).

  Katz e Kahn (1987) afirmam que há uma falácia em tentar equacionar as finalidades ou metas da organização com as finalidades e metas dos membros individuais. A organização, como um sistema tem um resultado ou um produto, mas este, no entanto, não é necessariamente idêntico às finalidades individuais dos membros do grupo. Para estes autores há três tipos de forças envolvidas na redução do comportamento humano aos padrões solicitados pelo funcionamento organizacional: as pressões do meio ambiente gerados pelo requisito direto e observável de uma determinada situação, valores e expectativas compartilhadas e a imposição de regras. Os padrões formais de comportamento que são conseguidos por meio de regras, são comportamentos em papel, sancionados por normas, as quais são justificadas por valores. Desta forma, papéis, normas e valores fornecem as bases inter-relacionadas para a integração da organização.

  As estruturas burocráticas são os exemplos mais claros de organizações em que se executam a formalização de papéis, estrutura de autoridade baseada na legitimidade de leis racionais e os mecanismos regulatórios burocráticos (KATZ e KAHN, 1987). Tragtenberg (1974) ao criticar os efeitos que a burocracia trouxe sobre as teorias e práticas administrativas, afirma que a burocracia é o aparelho ideológico que congrega as teorias administrativas e também é produto e reflexo do contexto histórico e sócio-econômico no qual está inserida. Assim, para identificar a burocracia na estrutura da empresa é preciso transcender ao hábito de caracterizá-la a partir do tipo ideal weberiano, para interpretá-la como um fenômeno historicamente situado e uma forma de dominação. Na visão de Tragtenberg (1974), a ideologia da harmonia administrativa, ao dissimular a natural tensão entre os interesses dos empresários e dos trabalhadores, dissolve as energias individuais e sociais direcionadas para a democratização das relações no mundo do trabalho viabilizando o monopólio do poder e as relações de dominação, reduzindo desta forma as perspectivas de emancipação humana nas organizações. Em outras palavras, a harmonia administrativa favorece a produtividade e a ordem nas organizações, mas está longe de promover a liberdade do trabalhador.

  Em relação aos processos gestores burocráticos, Dejours (1998) afirma que o conteúdo significativo do trabalho é normalmente deixado de lado em função de outras prioridades, relacionadas ao controle e resultados, inviabilizando o desenvolvimento de processos produtivos com forte conteúdo de significação e motivação para os trabalhadores. Dejours (1998) associa o sofrimento psíquico à insatisfação no trabalho. Analisa que no processo produtivo a vivência dos trabalhadores nas relações de trabalho pode produzir sentimentos de depressão e diminuição da auto-estima. Segundo Dejours (1998), o sofrimento psíquico é o próprio instrumento para a obtenção do trabalho. O trabalho não causa o sofrimento, é o sofrimento que produz o trabalho. Nas palavras de Dejours (1998, p. 103) “para aumentar a

  

produção, basta puxar a rédea do sofrimento psíquico, mas respeitando-se, também, os

limites e as capacidades de cada um, senão arrisca-se fazer descompensar uma ou outra,

através, por exemplo, de uma crise de nervos ”.

  O estudo da produtividade por várias teorias e escolas administrativas foi sempre acompanhado da análise da motivação entre os trabalhadores, como será visto a seguir.

  2.2 PRODUTIVIDADE E MOTIVAđấO NO TRABALHO A Organização Internacional do Trabalho (OIT) define a produtividade como o quociente entre a quantidade produzida e a quantidade dos recursos empregados na produção, tais como a mão de obra, materiais, instalações, máquinas e as ferramentas a serviço do homem.

  Thiry-Cherques (1991), conceitua a produtividade como um indicador constituído pela divisão de um produto/serviço pelos fatores de produção, que compreendem além do trabalho, o capital financeiro, incluindo seus custos; o capital tangível (terras, instalações, equipamentos, estoques) e ainda, matérias primas, transporte e energia:

  Quantidade de Produto/Serviço Produtividade = Fatores de Produção

  Thiry-Cherques et. al. (1994) afirmam que, como termo técnico, produtividade tem dois diferentes significados. Primeiro, o significado mais voltado para a questão macroeconômica, que exprime a relação entre os bens produzidos e os fatores de produção. No campo da administração e dos negócios, o termo relaciona um determinado produto de uma organização específica e os recursos, tangíveis ou não, utilizados na geração desse produto.

  O conceito de produtividade para os economistas é definido como a relação entre os recursos empregados e os resultados obtidos, ou seja:

  Output2 Produtividade = Input3

  Para Porter (1989) a busca da prosperidade de um país, como das organizações, não se limita à idéia de competitividade e deve assumir o conceito de produtividade como o principal determinante a longo prazo, de um padrão de vida elevado. A capacidade de serem altamente produtivas permite às empresas de um país atender aos padrões sociais que melhoram o padrão de vida, como na saúde e na segurança, na igualdade de oportunidades e no impacto ambiental.

  Pritchard (1990) afirma que existe pouca concordância na definição do que vem a ser produtividade; embora haja um consenso de que a questão da produtividade é importante e o porquê de sua importância. Dentre algumas definições encontradas pelo autor, produtividade é usada para medir a eficiência ou eficácia dos indivíduos, grupos, unidades organizacionais, indústrias e nações. É usada também como sinônimo para saídas (outputs), motivação, performance individual, eficácia organizacional, produção, rentabilidade, competitividade, etc.

  A visão e a reflexão que Pritchard faz a respeito da produtividade englobam alguns elementos que colaboram para que a conceituação do termo seja ampliada, principalmente no que diz respeito à questão da flexibilidade, da eficácia e da eficiência, da qualidade e principalmente da interdependência organizacional.Devido à interdependência organizacional, a produtividade de uma organização não pode ser simplesmente a soma das performances dos

  2 3 output são as mercadorias ou os serviços obtidos no final do processo. input são os recursos utilizados na produção ou venda de serviços. indivíduos envolvidos. Produtividade também inclui alguns fatores, tais como: cooperação, quão bem as pessoas são coordenadas e dirigidas, disponibilidade de recursos necessários e o quanto as prioridades são definidas dentro dos objetivos organizacionais encontrados (PRITCHARD, 1990).

  Behr (2004), num estudo sobre produtividade docente, afirma que no setor de serviço há uma dificuldade ainda maior na determinação da produtividade. Esta autora estabelece uma comparação com o processo de produção de bens, descrevendo inicialmente o conceito definido por Kotler (1998, p.412) onde serviço é “qualquer ato ou desempenho que uma

  

parte possa oferecer a outra e que seja essencialmente intangível e não resulte na

propriedade de nada. Sua produção pode estar ou não vinculada a um produto físico”.

  Diante dessa conceituação, Behr (2004) relaciona algumas características que são inerentes ou específicas dos serviços. A primeira característica é intangibilidade, pois os serviços não podem ser tocados ou possuídos pelo cliente como os bens manufaturados o que por vezes dificulta a avaliação por parte do cliente. Uma outra característica diz respeito à produção e consumo simultâneos. Nos serviços, a produção ocorre no momento do consumo, o que implica que os serviços não podem ser estocados e o controle de qualidade ocorre durante o processo de produção. Uma outra característica é a participação do cliente, além da simultaneidade entre produção e consumo, o cliente participa do processo de produção, podendo não somente participar passivamente, mas também como co-produtor, ou até mesmo como insumo. O cliente é quem inicia o processo de produção, desta forma, só há prestação de serviço se houver demanda por ele.

  Com a finalidade de entender melhor a natureza dos serviços, pode ser utilizado o modelo de Tseng et. al. apud Santos (2000), segundo o qual as operações de serviços são divididas em duas partes, a que tem contato com o consumidor e outra parte que não tem. Seria uma espécie de retaguarda ou suporte ou logística. A parte em contato com o cliente é também chamada de interativa, ou de linha de frente. É nessa parte que ocorrem os contatos e interações entre cliente e empresa podendo ser esse contato pessoal ou não-pessoal se for considerado que, com a evolução da tecnologia, é possível a prestação de serviços apenas através de terminais de computador, como são os caixas automáticos dos bancos e os serviços colocados à disposição na Internet (BEHR, 2004).

  A motivação é um importante fator, ou fator essencial para que se possa alcançar eficiência e eficácia que são elementos constitutivos da produtividade. Segundo Pritchard (1990), é através dela, que a organização conseguirá obter os resultados ou objetivos traçados ou até mesmo superá-los.

  Oleias (2004), afirma ser necessário reconhecer a distinção entre motivação e satisfação. Enquanto a motivação pode ser definida como tendência para a ação, que tem origem num determinado motivo (ou necessidade), a satisfação é algo que supre uma necessidade, ou seja, é o atendimento de uma necessidade.

  No século XX várias teorias e escolas administrativas estudaram a motivação, tendo como preocupação fundamental produzir mais, exatamente para responder às demandas do mercado, ou então, para criar novas demandas. Estas teorias foram surgindo na tentativa de responder determinadas questões como, tornar o trabalho mais aceitável, aumentar o grau de satisfação dos trabalhadores, elevar os níveis de produção e, fundamentalmente projetar um ambiente de trabalho que aumenta a produtividade individual e/ou organizacional (OLEIAS, 2004).

  A primeira teoria administrativa a tratar deste assunto foi a Teoria da Administração Científica, ou Escola Clássica, sistematizada por Frederick W. Taylor. Para os componentes da Escola Clássica a preocupação com a produtividade se dava apenas no âmbito da eficiência, ou seja, na maior produção possível a partir dos mesmos recursos. Havia uma necessidade de aumentar a eficiência e a competência das organizações no sentido de se obter o melhor rendimento possível dos seus recursos e fazer face à concorrência e à competição que se avolumava entre as empresas. Os administradores determinavam o modo mais eficiente de realizar tarefas repetitivas, e em seguida motivavam os empregados com um sistema de incentivos salariais, acreditando estar com isso garantindo a máxima eficiência e produtividade (BEHR, 2004).

  A Escola de Relações Humanas surgiu a partir da fragilidade ou mesmo da visão estreita da Administração Científica em relação ao ser humano como um ser completamente desprovido de sentimentos. Elton Mayo e outros pesquisadores das relações humanas descobriram que o tédio e a repetitividade de muitas tarefas reduziam a motivação ao passo que os contatos sociais ajudavam a criá-la e mantê-la. Mayo na sua famosa experiência na fábrica da Western Eletric, em Hawthorne, Chicago, reuniu trabalhadoras sem qualificação, introduziu pausas e outros estímulos no trabalho, e observou que a produtividade aumentava em decorrência das providências tomadas. Em seguida, retirava todos esses estímulos, e a produtividade também aumentava. No fim, ele concluiu que os fatores que aumentavam a produtividade, diminuíam o absenteísmo e tornavam mais amistosas as relações humanas entre essas trabalhadoras, não eram a pausa e o chá, mas algo inteiramente diferente, a saber, o interesse naquilo que faziam (FROMM, 1972).

  A Escola de Relações Humanas abriu caminho para o surgimento de outras teorias que procuram entender o homem na sua totalidade. Essas novas teorias começaram a perceber o homem como um ser complexo, que para ser motivado é preciso muito mais que dinheiro e relações com o grupo. Começam a aparecer a idéia da motivação como um processo também intrínseco ao ser humano. É a partir daí que as organizações precisam encontrar estratégias capazes de despertar a motivação nos indivíduos e fazer com que sejam mais produtivos (BEHR, 2004).

  Como exemplo destas teorias pode-se citar a “NPI” desenvolvidas por Nailor, Pritchard e Ilgen (1980), na qual a motivação é maximizada quando as pessoas conseguem ver claras conexões entre os seus esforços e os produtos comportamentais ou os resultados destes esforços, e quando as conexões percebidas entre os resultados alcançados pelas pessoas e suas avaliações são claras. Esta teoria deu origem ao método PROMES (Productivity Measurement and Enhancement System), descrito por Pritchard et al. (1998). O PROMES é um método formal para medir e melhorar a produtividade, que utiliza as medidas obtidas como feedback para as pessoas que executam o trabalho, de forma a ajudá-las a aumentar a produtividade por meio da maximização da motivação. A idéia é dar às pessoas, as ferramentas para fazer o trabalho de forma melhor, e ao mesmo tempo ajudá-las a se sentir parte integrante do sistema de resultados, possibilitando sua participação no processo e fortalecendo. O método PROMES tem sido aplicado por vários pesquisadores por causa dessa nova abordagem que vem ao encontro das necessidades de mudanças que vêm ocorrendo em diversas organizações, que procuram perceber o homem de forma holística e não mais Taylorista como no passado.

  Santana (2002) realizou um estudo referente à produtividade organizacional, suas variáveis e implicações, no contexto de uma organização brasileira de alimentação coletiva, baseado no referencial da ergonomia. A pesquisa foi desenvolvida em uma Unidade de Alimentação e Nutrição (UAN) situada no Sul do país, no período de março a novembro de 1999. A UAN foi escolhida por ser uma Unidade com considerável volume de produção e também pelo interesse da administração superior em desenvolver nesta Unidade um programa que pudesse contribuir para a melhoria do trabalho, tanto em termos de produtividade quanto de motivação do pessoal .Para realização deste estudo de caso, a metodologia utilizada por Santana (2002), foi desdobrada em duas etapas, a saber: 1) realização de um estudo ergonômico e 2) aplicação do método PROMES (Productivity Measurement And Enhancement System).

  As conclusões advindas do estudo em relação aos objetivos da pesquisa foram assim apresentados:

  “Como melhorar a produtividade de forma que se possa trabalhar mais

  (SANTANA 2002, p.225). O modelo

  inteligentemente, e não apenas mais arduamente?”

  possibilitou aos trabalhadores analisar e reelaborar suas estratégias de trabalho, bem como, do próprio ambiente, buscando não só aliviar a carga física e mental do trabalho, mas ao mesmo tempo avaliar as condições de trabalho sob um amplo espectro, de forma a permitir que a melhoria das técnicas de trabalho pudessem contribuir para a preservação da capacidade inovativa desses operadores no seu ambiente de trabalho, bem como para o desenvolvimento pessoal dos mesmos.

  “Que ferramentas são necessárias para ajudar o pessoal das organizações a

  (SANTANA, 2002 p.226). O próprio

  melhorar a produtividade destas organizações?”

  desenvolvimento do estudo aponta em diversos momentos a necessidade de se medir a produtividade e usar estas medidas como feedback para o pessoal da organização de forma que este feedback possa funcionar como uma ferramenta capaz de contribuir para a melhoria da produtividade. Santana (2002) salienta que a metodologia utilizada no estudo apresenta o PROMES integrado com a Análise Ergonômica do Trabalho como uma ferramenta importante e necessária para ajudar o pessoal das organizações a melhorar a produtividade das mesmas.

  “Como o administrador pode influenciar na produtividade do trabalhador?” (2002, p.227). A resposta a esta indagação mostrou que os administradores têm um papel importante no processo de melhoria da produtividade organizacional, precisando estarem motivados e comprometidos com o processo de medida e melhoria da produtividade, de forma a contribuir para o desenvolvimento pessoal e profissional dos trabalhadores, e desse modo influenciar positivamente na produtividade deles. O desenvolvimento pessoal e profissional dos trabalhadores tem implicações com o entendimento que eles têm a respeito do trabalho a ser realizado, o conhecimento dos riscos envolvidos em cada operação, a confiança e motivação para participar do dia a dia da companhia, tanto quanto de autoridade para realizar as mudanças necessárias para as melhorias almejadas (SANTANA, 2002).

  Behr (2004), investigou aspectos relacionados à produtividade e motivação docente, bem como, verificou quais as principais dificuldades advindas da implantação do PROMES.

  O método utilizado no estudo de Behr (2004) foi de cunho qualitativo, seguindo a classificação da autora, tratando-se de uma pesquisa do tipo exploratória e descritiva, utilizando-se também a pesquisa bibliográfica para a contextualização do problema estudado além de proporcionar um embasamento da análise de dados.

  Para identificação do que compõe a produtividade docente, bem como quais os fatores motivacionais estão a ela relacionados, esta pesquisadora utilizou entrevistas semi- estruturadas. Foram selecionados 10 (dez) docentes que ministram disciplinas no curso de administração de faculdades privadas localizadas na região da Grande Vitória. A amostra foi caracterizada por ser não probabilística selecionada pelo critério de acessibilidade e tipicidade. Do total de 10 entrevistados, 6 eram do sexo masculino e 4 do sexo feminino. A média de tempo de docência no curso de administração ficou em torno de sete anos.

  Após a análise dos dados, Behr (2004) chegou algumas conclusões, dentre as quais: os docentes possuem uma grande dificuldade em compreender e medir a sua produtividade, principalmente ao que tange a sala de aula; há uma necessidade de investimento em qualificação docente, bem como, em pesquisa e extensão para a melhoria da produtividade, qualidade e motivação para os docentes. Dentre os fatores motivacionais que têm impacto sobre a produtividade docente destaca-se o desinteresse do discente e a falta de segurança

  (estabilidade) do docente na instituição de ensino onde trabalha. Verificou-se que muitos dos fatores motivacionais têm relação direta com a dificuldade de se implantar o método PROMES e que o mesmo seria de grande utilidade para resolver e apontar questões deficientes não só para os docentes, mas principalmente para as instituições de ensino que desejam trabalhar com qualidade, de forma a obter um diferencial competitivo.

  2.3 A INFLUÊNCIA DO ESTRESSE NA SAÚDE E NO TRABALHO Estresse é uma palavra derivada do latim Stringere. Durante o século XVII ganhou conotação de "adversidade" ou "aflição". No final do século seguinte, seu uso evoluiu para expressar "força", "pressão" ou "esforço". O conceito de estresse não é novo, mas foi apenas no início do século XX que estudiosos das ciências biológicas e sociais iniciaram a investigação de seus efeitos na saúde física e mental das pessoas. Quem primeiro definiu o estresse sob este prisma foi o endocrinologista austríaco-canadense Hans Selye, conceituando- o como um desequilíbrio entre os recursos do corpo e as demandas sobre ele. Esta definição apresenta o estresse como um agente neutro, capaz de tornar-se positivo ou negativo de acordo com a percepção e a interpretação de cada pessoa (ROSSI, 2005).

  Apesar de o termo estresse ser utilizado, na maior parte das vezes, na linguagem coloquial, para denotar uma resposta ou reação a uma condição negativa ele é conceituado pela ciência como um processo. Este termo reconhece o fato de que o estresse é um conceito multifacetado que ocorre de uma forma dinâmica e temporal e que é influenciado pela interação de múltiplos fatores (COTTON apud KENDALL et al., 2000). Os efeitos causados por esse processo geram um conjunto de modificações na estrutura e na composição química do corpo denominado síndrome de adaptação geral (SAG) ou síndrome do estresse. Ela se desenvolve em três fases: reação de alarme; fase de resistência; fase de exaustão (LIPP,1996).

  1. Fase de alerta: o primeiro sinal ocorre com a percepção do agente agressor no sistema nervoso, liberando hormônios que alteram nosso organismo. Os sintomas apresentados são: taquicardia, respiração rápida, tensão muscular (podendo gerar dores no corpo) mãos frias, suores, secura na boca e até dor no estômago. É comum ocorrer ansiedade e insegurança.

  2. Fase da resistência: nesta fase, a pessoa tenta instintivamente se adaptar. Se não consegue, os sintomas e sinais de alerta da primeira fase tornam-se mais permanentes, dependendo da sensibilidade individual. Podem ocorrer queda na produtividade, tonturas, insônia, diarréia, dor no corpo, dificuldades sexuais e manifestações na pele, sintomas na área afetivo-emocional, como tédio, vontade de largar tudo e irritabilidade.

  3. Fase de exaustão: nesta fase, já foi utilizada toda energia para o esforço adaptativo do indivíduo. O organismo fica mais debilitado e surgem sintomas psíquicos como: depressão, fobias, dúvidas e conflitos internos, irritabilidade excessiva e impossibilidade de trabalhar. Podem surgir outros fatores e desencadear doenças como úlceras, infarto ou hipertensão.

  Lipp (2003) propõe um modelo quadrifásico, no qual acrescenta, entre a fase de resistência e a fase de exaustão, uma nova fase denominada de quase-exaustão. Esta fase é caracterizada por um enfraquecimento da pessoa que não mais consegue se adaptar ou resistir ao estressor. Há a presença de sintomas, mas a pessoa consegue realizar suas tarefas da vida diária e profissional com diferenças no rendimento. A fase de quase-exaustão diferencia-se da fase de exaustão (quebra total da resistência) pela quantidade e intensidade dos sintomas.

  Embora eventos estressantes sejam inevitáveis, eles podem conduzir a dois tipos de resultados: eustress e distress, dependendo da resposta individual (QUICK e QUICK apud BROADBRIDGE, 2002). O eustress é um saudável, positivo e construtivo resultado de um estressor, e conduz a uma otimização individual e organizacional, através do estímulo a produtividade e ao aumento de performance. O distress, contudo, não é saudável, é um resultado negativo e destrutivo do estressor, e tem conseqüências adversas para o indivíduo e para a organização. O estresse é também acumulativo, e se as pressões ocorrerem muito freqüentemente na vida pessoal, ou tornarem-se tão intensos, isto pode resultar em distress.

  Todos nós temos nossos próprios níveis de resistência em relação aos fatores estressantes, sendo que algumas pessoas adaptam seu comportamento para enfrentar as pressões da vida melhor do que outras. Isto leva a uma definição de estresse como sendo a resposta para a relação percebida entre as demandas sobre nós e a nossa habilidade em lidar com as mesmas (WARREN e TOLL, apud BROADBRIDGE, 2002).

  2.3.1 Estresse, estilo de vida e saúde A Organização Mundial da Saúde (1948, p. 100) conceitua saúde como “um estado de completo bem-estar físico, mental e social, e não meramente a ausência de doenças ou enfermidades”.

  O conceito de saúde, não pode ser definido com precisão. O que se entende por saúde depende da concepção que se possui do organismo vivo e de suas relações com o meio ambiente. Como essa concepção muda de uma cultura para outra e de uma era para outra, as noções de saúde também mudam. Saúde é uma experiência subjetiva, algo que pode ser conhecido intuitivamente, mas nunca descrito ou qualificado (CAPRA 1992).

  Assim, para Capra (1992), a saúde não pode ser concebida como um estado estático de perfeito bem-estar, mas sim como um processo em constante mudança e evolução. Uma vez percebida a relatividade e a natureza subjetiva do conceito de saúde e doença, percebe-se que estes são fortemente influenciados pelo contexto cultural em que ocorrem. A estrutura para os programas de saúde só pode ser efetiva se baseada em conceitos de cada cultura, segundo a dinâmica da evolução social e cultural.

  A preocupação que tem orientado as pesquisas sobre estresse é relacionada ao estresse negativo, com interesse na compreensão do impacto do estresse sobre a saúde, o organismo e a vida produtiva dos trabalhadores. O impacto do estresse sobre a saúde mental e física dos indivíduos tem sido muito documentado por vários pesquisadores em todo o mundo (BROADBRIDGE, 2002). Por conseqüência, isto pode exacerbar uma diminuição de performance no trabalho e levar a uma série de morbidades (Quadro 1).

  a a,b Dores de cabeça Câncer a a b Alergias Doenças Cardíacas a a,b Problemas de Coluna Doenças Respiratórias a a,b Gripes e Resfriados Trombose a a,b Depressão Artrite c a b Ansiedade Úlcera c a,b Irritação Hipertensão c Tensões

  Quadro 1 - Manifestações do estresse sobre a saúde humana. a b c Fonte: Arroba and James, Quick et al., Cooper et al. apud Broadbrige (2002).

  O estilo de vida é definido como “a forma de vida baseada em padrões identificáveis de comportamento, os quais são determinantes pela interação de papéis entre as características pessoais, interações sociais e as condições de vida sócio-econômicas e ambientais” (WHO, 1998, p.16). Os estilos de vida individuais caracterizados pelos padrões identificáveis de comportamento, podem ter um efeito profundo na saúde dos seres humanos. Se a saúde vai ser objeto de intervenção possibilitando aos indivíduos melhorarem seu estilo de vida, as ações devem ser direcionadas não somente ao indivíduo, mas também às condições sociais de vida que interagem para produzir esses padrões de comportamento (AÑEZ, 2003).

  A atividade física e os hábitos alimentares são dois elementos do estilo de vida que desempenham um papel significativo na promoção da saúde e na prevenção de doenças (BLAIR et al. apud AÑEZ, 2003). Outros elementos do estilo de vida também são importantes para a saúde e o bem-estar, tais como evitar o uso de cigarros, possuir um bom relacionamento com a família e amigos, evitar o consumo de álcool, prática de sexo seguro, controle do estresse, além da necessidade de se ter uma visão otimista e positiva da vida (CSEF apud AÑEZ, 2003 ).

  O estilo de vida é descrito na literatura como estilo de vida “sedentário” ou “ativo” (ANDRADE, 2001). Estilo de vida sedentário é o estilo de vida no qual o indivíduo não realiza nenhuma prática de atividade física regular, com uma intensidade mínima para resultar numa melhora de sua aptidão física relacionada à saúde. Pessoas com este estilo de vida comumente preocupam-se apenas com compromissos relativos ao trabalho e seu lazer não envolve prática de exercícios físicos ou esportes. É considerado sedentário o indivíduo que não faz atividade física e que gaste menos de 500 kcal. semanais no trabalho, lazer, locomoção e nas atividades domésticas (FEDERATION INTERNATIONALE DE MÉDECINE SPORTIVE, 1998).

  As causas do sedentarismo na vida moderna para Alvarez (2002), estão relacionadas com as mudanças no estilo de vida, que dentre outras conseqüências, reduziu bastante o gasto energético da população, ocasionando as chamadas “Enfermidades da Civilização”. O baixo nível de atividade física é um fator importante no desenvolvimento de doenças degenerativas, como a diabetes, hipertensão, doença coronariana, osteoporose e outras doenças crônico- degenerativas.

  A Federation Internationale de Médecine Sportive (1997) conceitua o estilo de vida ativo como aquele no qual o indivíduo realiza alguma prática de atividade física regular, pelo menos, três vezes por semana com duração não inferior a uma hora cada sessão. A intensidade das sessões pode ser leve, como numa caminhada moderada ou com forte intensidade, como no caso das lutas marciais ou de uma partida disputada de basquetebol. Pessoas com este estilo de vida preocupam-se com a qualidade de sua alimentação, com a postura, buscam manter regularidade nas atividades físicas para manter uma boa aptidão física.

  Para um indivíduo ser considerado moderadamente ativo, ele deveria realizar atividade física que resulte num gasto energético superior a 1.000 kcal., representado na prática, por exemplo, por uma pessoa que caminhe 30 minutos em passos acelerados, cinco vezes por semana. Os estudos têm demonstrado que um estilo de vida moderadamente ativo já pode influenciar de maneira importante na redução do risco de várias doenças, especialmente as cardiovasculares (NAHAS, 2001).

  Embora hajam evidências positivas para a saúde com relação ao estilo de vida e à atividade física, tem-se observado que as pessoas não seguem um estilo de vida adequado, uma vez que os índices de inatividade física são elevados para a maioria da população produtiva. Os níveis de inatividade física no tempo de lazer na União Européia são de 26,9% (MARTINEZ-GONZALEZ et al. apud AÑEZ, 2003), nos Estados Unidos 29,9% (PRATT, MACERA e BLANTON, apud AÑEZ, 2003) e no Brasil são estimados em 60% (Folha de São Paulo apud AÑEZ, 2003). O perfil de quem é menos ativo no seu tempo livre no Brasil é apresentado no Quadro 2.

  Perfil de quem mais se exercita. Perfil de quem menos se exercita.

  

Homem Mulher

Curso superior Baixo grau de instrução Renda superior a 20 Sal. Mínimos Renda inferior a 10 Sal. Mínimos Residente na Região Sul Residente na Região Nordeste 18 a 24 anos 45 a 60 anos Quadro 2 - Perfil dos praticantes e não praticantes de atividade física no Brasil.

  Fonte: DATAFOLHA apud NAHAS (2001).

  Paffemberger e Lee apud Andrade (2001) levantam uma importante questão sobre qual quantidade de atividade física é ótima para a saúde. As recomendações do centro de prevenção e controle de doenças dos Estados Unidos e do Colégio Americano de Medicina do Esporte, enfatizam a importância da atividade física moderada, indicando 30 minutos ou mais de atividade física, preferencialmente todos os dias. O Colégio Americano de Medicina do Esporte recomendava, em 1985, exercícios mais vigorosos com 60 a 70 % da capacidade máxima do indivíduo, pelo menos com 30 minutos de duração, 3 vezes por semana. Estes autores concluem que, independente de alguns pontos ainda em discussão, pouco exercício físico é melhor que nada, enquanto mais atividade física é melhor que pouca atividade física, preferencialmente atividade física moderada.

  A atividade física é cada vez mais, uma prática importante na promoção da saúde e da qualidade de vida do ser humano (SAMULSKY e LUSTOSA, 1996). Tratando-se da contribuição da atividade física para a saúde e qualidade de vida em geral, Nahas (2001), afirma que através da prática sistemática e prazerosa da atividade física ou esportiva, é possível administrar melhor o estresse. O estilo de vida da pessoa, influenciado por suas atitudes, decisões e contexto social, cultural e econômico irá influir significativamente na qualidade de vida (NAHAS, 2001). Estudos de Mcauley (1991) e Biddle (1991) indicam que a atividade física regular e o esporte atuam influenciando estados psicológicos positivos e podem agir como um fator de controle do stress e de suas conseqüências.

  Pesquisa realizada por Andrade (2001) em bancários sedentários e ativos mostram diferenças importantes nos grupos investigados. Os ativos praticam atividade física regular, um lazer ativo e consomem uma dieta equilibrada, relatando boa saúde. Os sedentários não fazem atividade física, preferem um lazer relaxante, não afirmam controle alimentar, relatando problemas de saúde. Enquanto os ativos manifestam ter boa força, resistência, flexibilidade, resistência aeróbica e capacidade neuromuscular para o trabalho, o grupo sedentário descreve comprometimento destas capacidades.

  Rossi (1994) aponta que o bancário é freqüentemente atingido pelo estresse e apresenta vários problemas psicossomáticos e emocionais decorrentes das demandas de trabalho nos bancos. Esta autora também defende que a prática de atividade física de baixo impacto como a caminhada e a natação, caracteristicamente aeróbicos, podem contribuir para a saúde dos trabalhadores.

  2.3.2. - O estresse no ambiente de trabalho De acordo com a definição de estresse como um processo, o estresse no trabalho tem sido descrito como um desequilíbrio entre o indivíduo e o seu ambiente de trabalho. Uma definição mais específica, proveniente de NIOSH apud Kendall (2000), descreve o estresse no trabalho como sendo uma resposta nociva, física e emocionalmente, que ocorre quando as exigências do trabalho não são compatíveis com as capacidades, recursos e necessidades do trabalhador.

  Independentemente da teoria ou modelo que se adote, é possível tentar resumir o estresse, como um conjunto de perturbações psicológicas ou sofrimento psíquico, associado, em geral, às experiências de trabalho (DEJOURS, 1998), que causam distúrbios emocionais, tais como ansiedade, depressão, angústia, sensação de fadiga e/ou tristeza crônica, hipersensibilidade a acontecimentos em geral, agressividade e/ ou irritabilidade aumentadas.

  As causas do estresse ocupacional segundo Rossi (1994, p. 40), são principalmente, “pressão para satisfazer a outras pessoas, horas irregulares de trabalho, condições de

  

trabalho insatisfatórias, barulho e falta de interesse pela atividade ”. Smith et al (2000)

  demonstra que a escala crescente de estresse ocupacional deve associar fatores demográficos e fatores ocupacionais. Os índices de estresse mais elevados estão associados aos trabalhadores de meia-idade de 30 a 50 anos, viúvos, divorciados ou separados, com grau de escolaridade elevado e que trabalham em tempo integral. A magnitude do nível de estresse pode surgir em função direta de se apresentar algumas destas características, embora deva ser considerado que o estresse ocupacional não é conseqüência automática das mesmas.

  A relação entre o estresse e o gênero é bastante controvertida na literatura, Smith et al (2000) consideram que o gênero isoladamente não exerce diferença significativa sobre o nível de estresse ocupacional, mas sim quando combinados a outros fatores demográficos ou ocupacionais é que se verificam diferenças, tanto para o sexo masculino quanto para o feminino. Os pesquisadores Miyata, Tanaka e Tsuji (1997), citados por Areias e Guimarães (2004), consideram o estresse ocupacional resultado de fatores individuais, sociais e laborais. Estudo realizado por estes pesquisadores em pacientes de um ambulatório mostraram diferenças nos resultados envolvendo o gênero, sendo que a principal causa de doenças nos pacientes homens (56%) foi o estresse ocupacional e, nas mulheres, (42,4%) foram os fatores pessoais. No entanto, Stuart e Halverson (1997), citados por Areias e Guimarães (2004) realizaram um estudo comparativo entre soldados (homens e mulheres) das Forças Armadas dos Estados Unidos, cujas medidas dos sintomas de estresse foram mensuradas durante o desdobramento das operações militares no Golfo Pérsico, na Somália, no Kuwait, no Haiti e na Bósnia, indicaram que os sintomas de estresse foram significativamente maiores para as mulheres do que para os homens.

  A resposta dos indivíduos ao estresse no trabalho podem ser psicológicas, físicas ou ambas (COOPER e CARTWRIGT; KRISTENSEN; SANTOS e COX apud KENDALL et al, 2000), e pode ser usualmente categorizada como: estresse agudo, pós-traumático e crônico.

  O termo agudo se refere aquele que surge repentinamente. Estresse dessa natureza envolve uma resposta rápida a uma causa abrupta, simples e fácil de identificar, que freqüentemente responderá positivamente a alguma forma de intervenção (GUYTON, 1981; SCHULER apud KENDALL et al, 2000). A resposta a uma situação de estresse agudo faz com que a pessoa apresente um estado elevado de ansiedade que em seguida irá diminuir. Por exemplo, uma pessoa pode experimentar um estresse agudo em resposta a uma situação negativa, tal como um conflito no local de trabalho (com a chefia, colega ou cliente), expectativa de promoção ao corte de pessoal, a introdução de novos processos mudança de rotinas, a espera de renovação de contrato etc. Nesta fase há um aumento do senso de excitação que pode produzir respostas fisiológicas tais como, boca seca, diarréia, palpitações no coração, ou problemas cognitivos (GUYTON apud KENDALL et al, 2000). Para a maioria das pessoas que experimentaram uma resposta ao estresse agudo, a recuperação não demorou muito.

  Quando os eventos no local de trabalho são constantemente ameaçadores (para policiais, militares, paramédicos, bombeiros, trabalhadores expostos risco de assalto, trabalhadores envolvidos em desastres e acidentes), a forma mais comum de estresse é chamada post traumatic stress disorder (PTSD) (ANSHEL; HUMPHREY; PATOM apud KENDALL et al, 2000). Estresse pós-traumático é uma resposta adiada a um evento ou situação estressante aguda (de curta ou longa duração). Este evento pode gerar uma resposta, com um grande potencial para causar um intenso estresse em qualquer pessoa (World Health Oganization - WHO apud KENDALL et al, 2000). Em termos simples o PTSD, desenvolve estressores de intensidade traumática. Como exemplos de eventos traumáticos, mas não são limitados a eles são a tortura, abuso sexual, estupro, acidentes, testemunha de atos violentos. A ansiedade e depressão são frequentemente associados com a PTSD, e pensamento suicida não é incomum. Outras conseqüências comuns são a síndrome do pânico, desenvolvimento de personalidade anti-social e abuso de substâncias química e agorofobia (WHO apud KENDALL et al, 2000).

  O estresse crônico é uma reação cumulativa construída gradualmente pela exposição a pressões durante um longo período de tempo. Estresse crônico é melhor definido como um processo de reação interna, à circunstâncias externas quando a habilidade de lidar com estas circunstâncias está prejudicada (EVOY apud KENDALL et al, 2000 ). Enquanto no estresse agudo é esperado o retorno à normalidade dentro de um pequeno período de tempo, o estresse crônico geralmente se manifesta em vários sintomas psicológicos e físicos como a hipertensão, distúrbios do sono, doenças coronárias, falta de concentração, depressão (COOPER e AYNE; MINTER apud KENDALL et al, 2000). Além do mais, o estresse crônico pode levar, na maior parte das vezes a uma diminuição da resistência do sistema imunológico. Atualmente, há o reconhecimento de que adversidades acumuladas podem ser tão importantes quanto os incidentes traumáticos no desenvolvimento das condições de estresse. O processo constante de irritação e frustração destrói a capacidade individual de lidar com o problema. Enquanto há pouca dúvida sobre o que constitui um estressor agudo, as características crônicas do estresse do trabalho são mais difíceis de definir, criando significativos problemas para administrá-las e pesquisá-las (ALONZO apud KENDALL et all, 2000).

  Embora seja relativamente limitado o número de trabalhadores que reportem queixas sobre seus problemas de estresse, o custo do retorno destes indivíduos ao local de trabalho é considerável. Em pesquisas sobre a relação entre o custo direto, como os pagamentos dos dias parados, reabilitação e medicação, e os custos indiretos estima-se ser este quatro a oito vezes maior do que aquele (CCH Austrália apud KENDALL et al, 2000). Os custos indiretos dos prejuízos no local de trabalho incluem o pagamento dos prêmios de seguro, perda de produtividade, custo das horas adicionais de trabalho para realocação do trabalhador e custos envolvendo a administração dos processos judiciais, além do impacto sobre a comunidade causada pelos efeitos que eles têm na família, desemprego, perda de perspectivas, e perda de qualidade de vida.

  Há outros resultados (Quadro 3) que não são fáceis de medir, mais notadamente o presenteísmo, ou seja, as pessoas que fisicamente vão ao trabalho, mas são incapazes de contribuir, apresentando baixa produtividade devido aos problemas relacionados ao estresse (BROADBRIDGE, 2002).

  Em algumas profissões específicas, a ocorrência e a intensidade do estresse são maiores do que em outras. Muitos autores e pesquisas indicam que alguns profissionais são muito mais atingidos pelo problema do estresse no trabalho tais como “policiais, professores,

  

executivos, bancários e psicólogos clínicos ” (Lipp, 1996, p. 14). Também apontam para

  profissões que estão mais submetidas a condições adversas de estresse no trabalho, incluindo professores, policiais, executivos e também bancários (NAHAS 2001).

  Ausência de sugestões para os empregadores a Perda de tempo b Evitar tarefas de responsabilidade b Fácil irritação e rigidez de pontos de vista c Conflitos interpessoais d Falta de tomada de decisão

e

Baixa moral e motivação f Alta insatisfação no trabalho

f

Resistência a mudanças nos processos g Perda de produtividade h Pouca qualidade e cuidado no atendimento a clientes h Quadro 3 - Efeitos potenciais do presenteísmo em trabalhadores.

  Fonte: a Margolis et al. (1974), b Adams (1980), c

Cooper (1981),

d Van Dijkhuizen (1981), e Quick e Quick (1984), f Cooper et al. (1988), g McHugh (1995),

h

Hirschkorn (1998) apud Broadbridge (2002).

  2.4 PESQUISAS SOBRE O ESTRESSE O estudo do estresse ocupacional, quando comparado ao da produtividade, é bem mais recente, no entanto, os efeitos que o mesmo tem causado sobre a saúde física e mental dos trabalhadores e as implicações para as próprias organizações, tem chamado a atenção de muitos pesquisadores. Neste tópico, serão descritos algumas pesquisas recentes sobre o estresse.

  Godin e Kittel (2004), realizaram uma pesquisa na Bélgica, iniciado em 1999, com duração de quatro anos, com o objetivo de investigar a relação entre o estresse, condições de trabalho e absenteísmo, auto-avaliação da saúde e problemas psicossomáticos.

  O método utilizado por Godin e Kittel (2004) incluiu quatro etapas: 1ª) A categorização da firma com base no índice de estabilidade. Quatro firmas foram selecionadas de acordo com a estabilidade no emprego: uma considerada estável (hospital), duas apresentavam situação intermediária (companhias de seguro), e outra categorizada como muito instável (companhia de telecomunicações), definindo-se assim um gradiente de instabilidade indo do “ambiente estável” para o “muito instável”.

  2ª) Foram realizadas 60 entrevistas semi-estruturadas, conduzidas no local de trabalho, com dez entrevistados para cada firma, englobando: gerentes, chefes de departamento, doutores, psicólogos, trabalhadores sociais e gerente de pessoal. Todas as entrevistas visaram avaliar o estresse “objetivo” global (em oposição ao estresse “subjetivo” individual), reportados pelos trabalhadores, definindo-se como estresse global a avaliação das condições de trabalho.

  3ª) Os questionários continham dados com: características sócio-econômicas do respondente (escolaridade, idade, sexo, qualificação profissional, etc); estresse no trabalho (modelo demanda-controle de Karasek, e esforço-recompensa de Siegrest), problemas psicossomáticos, absenteísmo e auto-avaliação da saúde.

  4ª) Na última etapa, verificou-se o registro continuado de absenteísmo. Houve uma avaliação num período de quatro anos, sendo a primeira medição completada em 1999-2000 e repetida um ano depois, sendo os dados informados pelas firmas (GODIN e KITEL 2004).

  Os resultados da pesquisa comprovaram a hipótese inicial de que a instabilidade no trabalho é um importante determinante que eleva o nível de estresse e prejudica a saúde do trabalhador. Para as pesquisadoras Godin e Kittel (2004), o contexto de dificuldades econômicas que prevalece na maior parte dos países europeus no momento, com aumento do desemprego e diminuição da estabilidade do emprego, leva os trabalhadores a aceitar trabalhos de baixa qualidade e pouca segurança. Quando combinados, instabilidade no trabalho e estressores recorrentes, os efeitos adversos sobre a saúde podem ser potencializados, principalmente entre os trabalhadores de mais baixo status dentro das organizações.

  Chan et al. (2000), desenvolveram uma pesquisa, investigando a experiência de estresse no local de trabalho entre seis categorias em Singapura, e argumentam que as experiências dos trabalhadores no local de trabalho são influenciadas não somente pela personalidade e pela natureza do trabalho, mas também por forças estruturais que moldam as profissões, a organização social das organizações e o desenvolvimento da economia.

  O estudo de Chan et al. (2000) foi conduzido em 1989 a 1990 e a amostra consistiu em 2570 profissionais: médicos, advogados, engenheiros, professores enfermeiras e vendedores de seguro pessoal.

  Os resultados da pesquisa de Chan et al. (2000) mostraram duas maiores fontes de estresse entre as categorias profissionais estudadas em Singapura. A primeira foi a pressão por performance, considerada o aspecto mais estressante do trabalho. A pressão por performance tem forte relação com a satisfação no trabalho e a saúde mental entre os profissionais que trabalham em organizações burocráticas. Professores e enfermeiras são exemplos, no entanto,contrastam com a visão tradicional que estes profissionais têm o controle de seu próprio trabalho. A predominância da pressão por performance também suporta o argumento de que esta é resultado do crescimento econômico. A tendência da globalização e burocratização na economia de Singapura tem conduzido os trabalhadores a níveis crescentes de competitividade, a qual acarreta o a aumento da incidência do estresse.

  Outra importante fonte de estresse identificada por Chan et al. (2000) foi os conflitos família/trabalho. A influência do conflito família/trabalho sugere que os profissionais de Singapura estão com excesso de responsabilidades, uma vez que a ênfase social sobre os valores na família e no trabalho são muito forte naquela sociedade. Uma vez internalizado o senso de comprometimento dos dois papéis sociais, estes podem gerar um dilema psicológico quando há uma sobrecarga de demanda. O estudo mostrou que a sobrecarga de trabalho como fonte de estresse não está sozinha. Concomitantemente há um tipo de conflito ou interrupção que faz com que as demandas do trabalho sejam muitas vezes intoleráveis.

  No Reino Unido, Broadbridge (2002), pesquisou as causas do estresse nos administradores de pequenas distribuidoras de varejo e as suas estratégias de controle.

  O método utilizado por Broadbridge (2002) foi de grupos de discussão selecionados e a abordagem foi a discussão-orientada, buscando-se um ambiente adequado para a pesquisa.

  A população compreendeu os gerentes das organizações de varejo de todo o Reino Unido, compreendendo gerentes de escritório, e gerente operacionais. O critério da amostra foi de que todos tivessem pelo menos dois anos de experiência no local de trabalho.

  Broadbridge (2002) formou oito mini-grupos, com seis a oito gerentes, compreendendo quarenta e quatro no total, oriundos de treze companhias diferentes. Os homens representavam 73% do total e as mulheres 27%, com idades variando de 27 a 45 anos. Na etapa seguinte, exploraram-se, como os principais estressores levantados na etapa anterior se manifestavam nos participantes. Os participantes foram então questionados a respeito das estratégias adotadas individualmente para o controle do estresse. Finalmente na última etapa considerou as sugestões de soluções práticas que poderiam ser adotadas pelas organizações, para reduzir as principais causas do estresse no setor. Após a análise de todo o material levantado, Broadbridge (2002) fez a comparação com pesquisas prévias no setor, a fim de, juntamente com os resultados poder estabelecer comparações.

  Enquanto alguns resultados de Broadbridge (2002) corroboram com as pesquisas anteriores sobre estresse em gerentes, outras descobertas foram particularmente relevantes dentro do setor em análise, mais notadamente foram a natureza e a rapidez das mudanças do setor, desenvolvimento de novas tecnologias, excesso de horas trabalhadas, demanda e atitude dos consumidores, ameaça de violência, a estrutura e o clima organizacional.

  Segundo Broadbridge (2002), geralmente estratégias paliativas de se lidar com a questão são adotadas pelos indivíduos e pela organização. Há a necessidade de um reexame das formas tradicionais de trabalho, estímulo a políticas sobre o estresse e sobre os cuidados relacionados à saúde ocupacional dos empregados.

  No Brasil, Andrade (2001), investigou a ocorrência e controle subjetivo do estresse na percepção de bancários ativos e sedentários. O objetivo da pesquisa foi o de verificar como os bancários de um banco estatal em Florianópolis, sedentários e ativos, percebem seu estilo de vida, sua aptidão física e capacidade motora, seu ambiente de trabalho e familiar, a ocorrência e o controle subjetivo do estresse.

  O método utilizado por Andrade (2001), contemplou a abordagem qualitativa e quantitativa. A abordagem qualitativa da pesquisa deu-se através da aplicação de uma entrevista semi-estruturada em 16 bancários, 6 ativos e 10 sedentários. A entrevista, desenvolvida a partir do roteiro pré-estabelecido pelo pesquisador, foi norteada por unidades de análise e categorias selecionadas para a investigação. As unidades de análise e as categorias foram selecionadas também em função da fundamentação teórica explorada, utilizando a análise de conteúdo e a técnica do espelho, desenvolvida por ele, para análise das categorias e as unidades de análise. A abordagem quantitativa do estudo, foi por meio de um questionário de auto-avaliação do estilo de vida, ocorrência e controle do estresse. O questionário foi elaborado principalmente com base nas respostas dadas pelos bancários participantes da primeira etapa da pesquisa, sendo resultado da análise da realidade e das percepções dos bancários ativos e sedentários. O questionário foi aplicado em 50 bancários (20 ativos e 30 sedentários), objetivando quantificar as variáveis estruturadas na primeira etapa (ANDRADE, 2001).

  Os resultados encontrados mostram diferenças importantes nos grupos investigados. O nível de ansiedade, tensão, competitividade e perfeccionismo dos bancários é alto, significativamente maior nos sedentários;. contrariamente, o nível de ambição é baixo. O ambiente de trabalho é estressante, trabalhando até 3 horas extras por dia sem remuneração, por medo e insegurança, sendo que os sedentários sofrem mais significativamente o impacto do estresse comparativamente aos ativos (ANDRADE, 2001).

  As principais causas de estresse de ambos os grupos, são a desvalorização humana no trabalho, a defasagem salarial, muita pressão e excesso de responsabilidades. As reações psicossomáticas ao estresse, apontadas pelo autor, são: depressão, dor de cabeça, agressividade e mau humor, conformismo e insônia. A principal estratégia de combate ao estresse dos ativos é a prática regular de atividade física. Ambos os grupos também utilizam: concentração e busca de autocontrole, explodir e resolver a situação na hora, evitar a situação estressante e não se endividar. Relatam que a atividade física regular relaxa, acalma e diminui a tensão e que fatores negativos que dificultam a prática de esportes são a falta de tempo e de recursos financeiros. Os ativos se auto-avaliam mais positivamente do que os sedentários quanto ao bem estar, auto-estima e auto-eficácia (ANDRADE, 2001).

  Areias e Guimarães (2004), realizaram um estudo comparativo, no qual se buscou identificar os índices de saúde mental, os fatores psicossociais de risco, os estressores e fatores de apoio (nas dimensões social, pessoal e trabalho), segundo o gênero, em trabalhadores de uma universidade pública.

  Os pesquisadores Areias e Guimarães (2004), utilizaram-se o questionário SWS (Self, Work and Social), criado por Ostermann e Gutièrrez (1992), com validação brasileira feita por Guimarães e MacFadden (1999).O questionário foi aplicado em sua forma completa, a qual é composta de 200 questões, sendo 25 para cada uma das 8 escalas representando 8 fatores: fatores psicossociais de risco, saúde mental, estresse social, apoio social, estresse no trabalho, apoio no trabalho, estresse pessoal e apoio pessoal

  A amostra da pesquisa de Areias e Guimarães (2004), foi de 400 trabalhadores de diferentes unidades de um campus universitário estadual, situada na cidade de Campinas (SP).

  De uma população de 8027 pessoas, excluíram-se os servidores contratados por convênios, bolsistas, inativos e docentes, tomando-se como amostra 253 pessoas do sexo feminino e 147 do masculino.

  O perfil demográfico e sócio-econômico predominante dos trabalhadores pesquisados foram: sexo feminino (63%), entre 30 a 49 anos (76%), casados (49%), categoria ocupacional de nível médio (47%), escolaridade superior completa (36%),com 0 a 3 dependentes (55%), trabalho em tempo integral (80%) com 40 horas de jornada (99%), nível econômico médio (67%), gastos médios por família/mês de 1 a 12 salários-mínimos (57%) e rendimento médio família/mês de 7 a 18 salários mínimos (52%).

  Os dados obtidos pela pesquisa de Areias e Guimarães (2004), mostraram, que os índices de saúde mental aumentam conforme aumentam os fatores de apoio e diminuem os fatores de estresse nas três dimensões: trabalho (T), social (S) e pessoal (P),confirmando a primeira hipótese de estudo. Da mesma forma, os fatores psicossociais de risco aumentam conforme diminuem os fatores de apoio e aumentam os fatores de estresse nas três dimensões pesquisadas (T, S e P). Os dados obtidos, segundo os pesquisadores, confirmaram também a segunda hipótese da pesquisa e corroboram a teoria proposta pelo modelo de estresse/apoio proposto por Ostermann apud Areias e Guimarães (2004) , o qual postula que a saúde mental e os fatores psicossociais de risco são determinados tanto por apoios como por estressores nas dimensões - T, S e P - e que fatores de apoio podem anular os efeitos danosos do estresse.

  Serão apresentados: a abordagem da pesquisa, a caracterização do banco investigado, população e amostra, instrumento da pesquisa, coleta de dados e tratamento estatístico.

  3.1 CARACTERIZAđấO DA PESQUISA Esta pesquisa é um estudo de campo, de natureza descritiva de opinião e auto- avaliação (RUDIO, 1986), sendo caracterizada por uma abordagem quantitativa, pois trabalha com valores e intensidades (PESTANA e GAGEIRO, 1998).

  3.2 CARACTERIZAđấO DO BANCO INVESTIGADO O banco investigado é um grande banco estatal, um dos maiores do país, com agências em todo o território nacional. Na Grande Florianópolis, apresenta participação marcante no mercado financeiro e social, com agências nas principais cidades e postos de atendimento bancário em diversas instituições públicas conveniadas.

  A atuação do banco em relação ao mercado é atualmente dividida em três grandes áreas: Serviços Financeiros, Transferência de Benefícios e Desenvolvimento Urbano. Os produtos e serviços oferecidos pela área de Serviços Financeiros, englobam, empréstimos/financiamentos, seguro, arrecadação, auto-atendimento, aplicações, convênios, títulos de capitalização, cartões de crédito, serviço bancário, transferência de valores, prestação de serviços, cobrança, depósitos, arrecadação, previdência privada, pagamento, loteria, penhor, recepção de declarações de imposto de renda. Na área de Transferência de Benefícios, os produtos e serviços são: habitação, pagamento, prestação de serviço, convênios, empréstimo/financiamento, seguro, recepção, cartões, arrecadação e cobrança. Na área de Desenvolvimento Urbano, saneamento, infra-estrutura, habitação, prestação de serviços, convênios, empréstimo/financiamentos, serviços bancários.

  Os serviços da agência e postos de atendimento bancário incluem o atendimento a clientes pessoa física e jurídica, colocando a disposição dos clientes os produtos relacionados no parágrafo anterior. O atendimento ao público nas agências e postos bancários é prestado das 10.00 às 16.00 horas em Florianópolis, e das 10:00 às 15:00horas nas cidade de Tijucas, São José, Palhoça e Biguaçu. Há também o atendimento nos terminais eletrônicos durante 24 horas, bem como via Internet. A área logística ou chamada “área meio”, está concentrada em Florianópolis, e é caracterizada por prestar atendimento às agências e postos de atendimento bancário da Grande Florianópolis, e também do resto do estado. Esta área se caracteriza por executar serviços internos ao banco, na área de tecnologia, área jurídica, análise de crédito/financiamento, análise processos habitacionais, compensação e fechamento contábil das agências entre outras.

  Para facilitar a análise dos diferentes cargos existentes no banco reduziu-se neste estudo o número dos mesmos em razão da semelhança de atribuições exigidas. A admissão para todos os cargos efetivos da parte permanente do banco ocorre, obrigatoriamente, com a realização de Concurso Público. Desta forma, classificou-se os cargos em: gerentes, caixas, analistas e técnicos, escriturários e profissionais. Aos gerentes compete zelar, administrar e controlar a qualidade e eficiência dos serviços prestados nas unidades, cobrarem o atingimento das metas e garantir a política do banco. Os caixas trabalham realizando cobranças e pagamentos, atendendo a empresas e clientes, é uma atividade de natureza especializada destinada a movimentar valores, atender clientes, efetuar cálculos e conferir documentos. Os analistas e técnicos, são responsáveis pela análise de processos, elaboração e acompanhamento de programas/projetos, pesquisas e desenvolvimento de novas tecnologias/metodologias, implementação e avaliação de projetos referentes à área de atuação, suporte técnico na realização de operações de empréstimos e financiamentos, ou vinculados à operacionalização dos produtos sociais do Governo, visando o retorno seguro dos recursos próprios e outros administrados pelo banco. Os escriturários realizam atividade destinada a prestar informações a clientes, a efetuar operações diversas e a executar tarefas administrativas e bancárias, tais como, efetuar serviços de arquivo, protocolo, datilografia, digitação em microcomputador, conferência de documentos e quaisquer outros ligados às atividades administrativas. Os cargos profissionais são exercidos por advogados, engenheiros, psicólogos, arquiteto, auditor, que executam atividades inerentes a sua profissão, necessárias ao desenvolvimento das atividades da área em que atuam e às finalidades do banco.

  3.3 POPULAđấO E AMOSTRA A população estudada constitui-se de bancários de um banco estatal da região da

  Grande Florianópolis, abrangendo as cidades de Florianópolis, São José, Tijucas, Biguaçu, e Palhoça. É composta de 858 bancários, sendo que destes, 390 (45,5%) trabalham na área logística, tendo como característica principal executar atividades internas ao banco, geralmente sem prestar atendimento ao público externo, e 468 (54,5%) trabalham em agências ou postos de atendimento bancário, prestando atendimento ao público externo de forma rotineira. Desta população 481 (56,1%) são bancários do sexo masculino e 377 (43,9%) do sexo feminino.

  A amostragem foi do tipo probabilística estratificada, constituída de 304 bancários, sendo que 176 (57,9%) são do sexo masculino e 128 (42,1%) do sexo feminino, 171 (56,3%) trabalham na área logística e 122 (40,1%)trabalham nas agências ou postos de atendimento bancário, 11( 3,6%) não responderam o local de trabalho.

  3.4 INSTRUMENTO O instrumento aplicado nesta pesquisa foi um questionário do tipo misto, com questões fechadas, abertas e mistas, com base na escala de Lickert, chamado “questionário de auto-avaliação do estilo de vida, ocorrência e controle do estresse” (ANEXO A), desenvolvido por Andrade (2001).

  Para Marconi e Lakatos (1986), o questionário é uma forma de obtenção de dados e informações, caracterizada como uma técnica de observação direta extensiva, podendo obter medidas de opinião e atitudes. O questionário original desenvolvido por Andrade (2001) é composto por 47 questões, sendo que para a investigação dos objetivos desta pesquisa, foram feitas adaptações. A primeira, relativa a caracterização dos participantes, onde se incluiu a descrição da função que ocupa no banco, bem como o setor de trabalho do bancário. Foram incluídas também, questões abertas sobre o que o participante da pesquisa considera ser um bancário produtivo (questão 26), o que é ser produtivo na função em que ocupa no banco

  (questão 27), como é medida a produtividade no banco e na função ocupada (questões 28 e 29). Incluíram-se também, questões fechadas, com base na escala Lickert, relativas a auto- avaliação da produtividade pessoal na função exercida no banco (questão 30); auto-avaliação com relação a produtividade geral no banco (questão 31); como na opinião do bancário a chefia imediata e os colegas de trabalho avaliam a sua produtividade ( questões 32 e 33).

  A questão 36 do questionário se constitui na “escala de estresse percebido” de Cohen e Williamsom apud Ururahy (1997)/ Cohen, S; Karmack, T; Mermelsteinm, R (1983), utilizada por Andrade (2001), e objetiva fornecer uma medida para o nível de estresse. Excluíram-se do questionário original as demais questões não prioritárias para este estudo. Desta forma o questionário adaptado de Andrade (2001) ficou composto de 41 questões.

  Os grupos sedentários, pouco ativos e ativos foram selecionados através da pontuação obtida por cada um dos bancários no “questionário internacional de ativiades físicas” adaptado por Nahas (2001), conforme ANEXO B. Este questionário constituiu as questões de 13 a 22 do “questionário de auto-avaliação do estilo de vida, ocorrência e controle do estresse”, (ANEXO A) aplicado aos bancários.Os bancários muito ativos foram incluídos no

  4

  grupo ativo, sendo que a média da pontuação obtida foi 1,9 (+5 -1/s= 1,85) pelos sedentários, 8,5 (+11 -6/s=1,74) pelos pouco ativos e 15,2 (+24 -12/s= 3,13) pelos ativos, apresentando

  5 diferença significativa entre os grupos (t= 14,86/ .

  α< 0,001)

  4 5 (+) Valor máximo; (-) Valor mínimo; (s) Desvio padrão.

  (t) Teste “t” student.

  3.5 COLETA DE DADOS Foram distribuídos 750 questionários aos bancários da região da grande Florianópolis, englobando toda a área de logística do banco investigado, bem como, todas as agências e postos de atendimento bancários das cidades de Florianópolis, São José, Tijucas, Biguaçu, e Palhoça, sendo que destes, 304 questionários foram utilizados para efeito de estudo. Os demais ou não retornaram ou foram preenchidos inadequadamente, com questões incompletas, rasuradas ou ilegíveis.

  A medida que os questionários iam sendo entregues, foram feitas pequenas reuniões nos locais de trabalho para o esclarecimento dos objetivos da pesquisa, da importância da participação espontânea dos empregados, e da garantia do completo sigilo da identidade dos participantes. A fim de permitir maior tranqüilidade no processo de preenchimento do questionário, orientou-se que o mesmo deveria ser realizado em ambiente adequado, com até 20 dias para respondê-lo. Um bancário de cada estabelecimento ficou encarregado do reforço e motivação para o preenchimento dos questionários, bem como, do seu recebimento e entrega ao pesquisador.

  3.6 TRATAMENTO ESTATÍSTICO O tratamento estatístico dos dados oriundos do questionário (ANEXO A), foi constituído de:

  • Aplicação da estatística descritiva, visando verificar as medidas de tendência central, as freqüências e percentuais, cálculo da média, bem como medidas de variabilidade,

  Para Levin (1985), numa pesquisa os números tem pelo menos três funções importantes para o pesquisador, dependendo do nível de mensuração específico que ele empregue, podendo os valores serem usados para categorizar ao nível nominal, atribuir postos ou ordem ao nível ordinal, avaliar ao nível intervalar e razão. Neste estudo, os valores obtidos no questionário são analisados ao nível nominal, por exemplo, “agência e logística, ativos e sedentários” e ordinal, no caso da maior parte das questões, por exemplo, no caso da auto- avaliação do nível de estresse, produtividade ou atividade física. O nível intervalar somente é usado nas questões relativas à altura, peso, nível de atividade física praticada e nível de estresse percebido. Foram elaboradas tabelas de freqüência, percentual e utilizadas representações gráficas do tipo “gráfico de barras”, “histogramas” “pizza”, “coluna” “rosca” (PEREIRA,1999).

  principalmente o desvio padrão, permitindo uma análise do comportamento das respostas, com relação as variáveis analisadas (LEVIN, 1985);

  • Aplicação do teste “Kruskal Wallis” para variáveis ordinais e do ANOVA para as variáveis intervalares, bem como, do teste Post- hoc de Scheffe, objetivando realizar as comparações necessárias entre os grupos, com relação as principais variáveis estudadas nos grupos sedentário, pouco ativo e ativo, agência e logística (PESTANA E GAGEIRO, 1998).
  • Para comparar os grupos logísitca e agência utilizou-se o teste “Mann Whitney” para as variáveis ordinais e teste “t” para as intervalares.
  • Para verificar relações entre as variáveis nominais e ordinais utilizou-se o Qui- Quadrado.

  Os resultados advindos dos questionários englobam os seguintes aspectos: identificação funcional e caracterização do participante, histórico e condição de saúde, hábitos de atividade física, lazer e repouso, ambiente de trabalho, auto-avaliação da ocorrência e controle do estresse, conceito, forma de medida e auto-avaliação da produtividade, os quais são apresentados a seguir.

  4.1 CARACTERIZAđấO DOS BANCÁRIOS Os bancários foram divididos em grupos em função do estilo de vida sedentários, pouco ativos e ativos e em função do setor de trabalho, logística e agência.

  O estudo que teve a participação de 304 bancários da região da Grande Florianópolis revela que 188 (61,8%) dos bancários têm um estilo de vida sedentário, 71 (23,4%) é pouco ativo, e 45 (14,8%) apresentam um estilo de vida ativo, conforme demonstrado na Figura1.

  N= 188 61,8% Ativo N=45

  14,8% Pouco ativo N= 71 23,4%

  Figura 1 - Representação gráfica do estilo de vida dos bancários investigados.

  Os grupos logística e agência foram classificados em função da área em que trabalham. Dos bancários que responderam a questão, 171 (58,4%) trabalham na área logística, tendo como característica executar atividades internas ao banco, sendo que dentre estes 106 (62,0%) são sedentários, 41 (24,0%) pouco ativos e 24 (14,0%) ativos. Constituem o grupo agência 122 (41,6%), que prestam atendimento ao público externo, sendo 76 (62,0%) sedentários, 27 (22,0%) pouco ativos e 19 (16,0%) ativos.

  Os bancários do sexo masculino são em número de 176 (57,9%), sendo que 99 (56,3%) são sedentários, 43 (24,4%) pouco ativos e 34 (19,3%) ativos. Trabalham na área logística 104 (61,2%) e na agência 66 (38,8%). Os do sexo feminino são em número de 128 (42,1%) da amostra, sendo que 87 (69,0%) são sedentárias, 28 (22,2%) pouco ativas e 11 (8,8%) ativas. Sessenta e cinco bancários (53,7%) trabalham na área logística e 56 (46,3%)

  6

  em agência. Foi verificado diferença significativa (p=0,002) entre o gênero e o estilo de vida, constatando-se que as mulheres no banco são significativamente mais sedentárias do que os homens.

  A amostra de bancários apresenta média de idade de 40,6 anos. Os sedentários possuem média de idade de 40,8 anos (+55 -19/s=6,76 anos), os pouco ativos 40,0 anos (+57 - 20/s=7,84 anos) e os ativos 40,8 anos (+53 -24/s=6,25 anos). Os que trabalham na área logística apresentam média de idade de 41,1 anos (+55 -22/s=6,19 anos) e os da agência 39,6 anos (+53 - 22/s=6,19 anos).

  Para analisar posteriormente as diferenças nos níveis de estresse percebido em função da idade, os bancários foram divididos por faixas etárias, conforme a Tabela 1.

  Tabela 1 - Faixa etária dos bancários participantes da pesquisa.

  Faixa etária N Percentual Menos de 25 anos 15 5,0% Idade entre 26 e 35 anos

  18 6,0%

Idade entre 36 e 45 anos 206 68,7%

Idade entre 46 e 55 anos 61 20,3% Total

  300 100,0%

  A altura média dos bancários é de 1,70m (+1,93 -1,41/s=9,02 m), sendo que a média dos homens é de 1,75m (+1,93 -1,58/s=6,77m) e a média das mulheres é de 1,62m (+1,80 - 1,41/s=6,68 m). Os bancários sedentários apresentam média de 1,69 m (+1,88 - 1,50/s=8,70 m), os pouco ativos 1,70 m (+1,93 -1,52/s=9,23) e os ativos 1,71m (+1,88 -1,41/s=10,05 m).

  Os bancários que trabalham na área logística têm em média 1,70 m (+1,88 -1,50/s= 8,71m) e os da agência 1,69 m de média (+1,93 -1,41/s=9,53 m).

  Quanto ao peso relatado, a média geral é de 71,6 kg (+140 - 40/s=14,65 kg), sendo que os homens têm como média 79,9 kg (+140 -50/s=12,27 kg) e as mulheres 60,3 kg (+90 - 40/s=9,21 kg). Os sedentários possuem 71,4 kg de média (+140 -45/s=14,78 kg), os pouco ativos 70,8 kg (+110 -40/s=14,57) e os ativos 73,3 kg (+115 -49/s=15,50 kg). Os bancários que trabalham na área logística 72,6 kg de média (+140 -47/s=14,44 kg) e os da agência 70,5 kg (+125 -40/s=15,19 kg).

  O nível de escolaridade dos bancários pesquisados concentra-se na graduação com 237 bancários (78,3%), seguidos por 39 (12,8%) com ensino médio, 20 (6,6%) com mestrado e 7 (2,3%) com especialização. Os bancários ativos apresentam um nível de escolaridade mais elevado do que os sedentários, apenas 3 (7,71%) possuem 2º grau enquanto 27 (14,4%) entre os sedentários (Tabela 2).

  Tabela 2 - Nível de escolaridade dos bancários sedentários, pouco ativos e ativos.

  Sedentário Pouco Ativo Ativo Total Escolaridade N Percentual N Percentual N Percentual N Percentual 27 14,4% 9 12,7% 3 7,7% 39 12,9%

  Ensino Médio Graduação 141 75,0% 59 83,1% 37 82,1% 237 78,2% Especialização 7 3,7% 7 2,3%

Mestrado 13 6,9% 3 4,2% 4 10,3% 20 6,6%

Total 188 100,0% 71 100,0% 44 100,0% 303 100,0%

  O nível de escolaridade dos bancários que trabalham na área logística é um pouco mais elevado do que os da agência. Apenas 16 (9,4%) dos bancários da área logística tem 2º grau, contra 20 (16,5% ) dos que trabalham na agência (Tabela 3).

  Tabela 3 - Nível de escolaridade dos grupos de bancários que trabalham na logística e na agência.

  Logística Agência Total Escolaridade N Percentual N Percentual N Percentual 16 9,4% 20 16,5% 36 12,3%

  Ensino Médio Graduação 136 79,5% 93 76,9% 229 78,4%

Especialização 3 1,7% 4 3,3% 7 2,4%

Mestrado 16 9,4%

  4 3,3% 20 6,8% Total 171 100,0% 121 100,0% 292 100,0%

  Em relação ao cargo que ocupam, foram considerados cinco cargos (ver Figura 2) em razão da similaridade das atribuições das tarefas que executam. Os escriturários corresponderam a 64 (27,0%), os analistas e técnicos 99 (41,8%), os gerentes 38 (16,0%), os profissionais 20 (8,4%) e os caixas 16 (6,8%).

  Escriturário N= 64 27,0%

  Gerente N= 38 16,0% Profissional N= 20

  8,4% Analistas e Técnicos N= 99

  41,8% Caixa N= 16 6,8% Figura 2 - Representação gráfica dos cargos ocupados pelos bancários participantes da pesquisa.

  A Tabela 4 mostra que no grupo de sedentários, prevalecem os cargos de profissionais, analistas e técnicos. Há uma distribuição quase uniforme entre os pouco ativos. No grupo ativo prevalecem os caixas e escriturários.

  Tabela 4 - Cargos ocupados pelos bancários sedentários, pouco ativos e ativos.

  Sedentário Pouco ativo Ativo Cargo ocupado no banco N Percentual N Percentual N Percentual Analistas e Técnicos 62 63,9% 24 24,8% 11 11,3% Escriturários 35 54,7%

  15 23,4% 14 21,9% Gerente 21 55,3% 11 28,9% 6 15,8% Profissionais 14 70,0% 4 20,0% 2 10,0%

  Caixa 10 62,5% 2 12,5% 4 25,0% Total 142

  56

  37 Quanto aos cargos ocupados pelos bancários por setor 19 (52,8%) gerentes pertecem

  ao grupo agência e 17 (47,2%) são do grupo logística. Os caixas 16 (100,0%) concentram-se no grupo agência, assim como, os escriturários 44 (71,0%). Os 20 (100,0%) profissionais estão na área logística, assim como, os analistas e técnicos 74 (77,6%).

  O tempo de serviço médio dos bancários é de 17,6 anos (+35 -1/s=7,42 anos). Os bancários sedentários trabalbalham no banco a 17,5 anos em média (+34 -1/s=7,46 anos), os pouco ativos 17,6 anos (+35 -1/s=7,28 anos) e os ativos 17,2 anos (+30 -1/s=7,44 anos). Os bancários da área logística trabalham em média a 17,1 anos (+33 -1/s=7,30 anos) e os da agência 17,9 anos (+34 -1/s=7,64 anos).

  Dos bancários, 207 (69,0%) trabalham apenas na empresa, 27 (9,0%) possuem outro emprego, 61 (20,3%) trabalham e estudam e 5 (1,7%) trabalham, estudam e possuem outro emprego. Dos sedentários 134 (72,0%) trabalham apenas na empresa, 17 (9,2%) possuem outro emprego, 33 (17,8%) trabalham e estudam, 2 (1,1%) trabalham estudam e tem outro emprego. Dos pouco ativos 48 (69,6%) trabalham apenas na empresa, 5 (7,2%) possuem outro emprego, 16 (23,2%) trabalham e estudam. Dos ativos 23 (53,5%) trabalham apenas na empresa, 5 (11,6%) possuem outro emprego, 12 (27,9%) trabalham e estudam, 3 (7,0%) trabalham estudam e tem outro emprego. Há semelhança entre os bancários dos grupos logística e agência. Trabalham apenas na empresa 114 (66,7%) do grupo logística e 88 (71,7%) do grupo agência. Trabalham e estudam 37 (21,4%) do grupo logística e 24 (20,0%) do grupo agência.

  Quanto à raça, a maioria 279 (98,2%) dos participantes da pesquisa afirmam ser da raça branca, 3 (1,1%) afirmam ser da raça negra e 2 (0,7%) parda, sendo que 20 não responderam a questão.

  Em relação ao estado civil, 201 (67,1%) bancários são casados, 63 (21,0%) solteiros, 33 (11,0%) divorciados, 1 (0,3%) vive com companheiro e 2 (0,6%) viúvos. São casados 130 (69,8%) dos sedentários, 44 (62,9%) dos pouco ativos e 26 (60,5%) dos ativos. São solteiros 35 (18,8%) dos sedentários, 19 (27,1%) dos pouco ativos e 9 (20,9%) dos ativos. Dos bancários que trabalham na área logística 123 (72,8%) são casados, 31 (18,3%) solteiros 13 (7,7%) divorciados, 1 (0,6%) vive com companheiro e 1 (0,6%) é viúvo. Entre os bancários da agência 68 (57,1%) são casados, 31 (26,1%) solteiros, 19 (16,0%) divorciados e 1 (0,8%) viúvo.

  A religião católica foi referida por 194 (68,6%) bancários. Aparece como segunda maior freqüência de escolha os que se dizem não ter religião 38 (13,4%), seguidos pela religião espírita/Kardecista 21 (7,4%), religião luterana 13 (4,6%), religião evangélica/batista/adventista 9 (3,2%), diversas ou outras religiões 8 (2,8%), sendo que 21 bancários não responderam a questão.

  4.2 HISTốRICO E CONDIđấO DE SAÚDE A auto-avaliação da saúde dos bancários em geral é classificada como boa por 212

  (69,8%) bancários. Auto-avaliaram sua saúde como regular 49(16,1%), excelente 39 (12,8%) e ruim 4 (1,3%) dos bancários. A saúde dos bancários ativos é melhor avaliada que a dos pouco ativos e sedentários. Consideram a saúde boa ou excelente, 43 (95,3%) dos ativos contra 131 (69,7%) dos sedentários. Classificaram a saúde como boa ou excelente 146 (85,4%) dos bancários que pertencem ao grupo logística e 79 (78,7%) do grupo agência.

  Quanto à freqüência de problemas de saúde dos bancários em geral, 201 (66,1%), afirmaram que poucas vezes tem problemas de doença e 66 (21,7%) afirmaram que não ficam doentes. Afirmaram não ficar doentes apenas 14 (15,0%) dos sedentários e 20 (28,6%) dos pouco ativos, enquanto entre os ativos 17 (37,8%), não ficam doentes. Tanto os bancários da logística (150, 89,4%), quanto os da agência (104, 85,9%) afirmaram que não ficam ou que poucas vezes ficam doentes.

  Em relação à ocorrência de doenças, dos 285 bancários que responderam a questão, 174 (61,1%) afirmam não ter tido nenhuma doença, 15 (5,2%) tiveram problemas cardíacos,

  14 (4,9%) apresentaram ler/dort 9 (3,2%) estresse/depressão, 4 (1,4%) diabetes, 4 (1,4) problemas renais, 4 (1,45) hérnia de disco, 3 (1,1%) câncer, 3 (1,1%) fribromialgia, 3 (1,1%) hepatite e os demais 52 (18,1%) tiveram doenças diversas.

  Na comparação entre sedentários, pouco ativos e ativos, verifica-se que o número de bancários que relataram ter tido problemas de saúde é muito maior entre os sedentários 79 (45,1%) do que entre os ativos 10 (23,3%), sendo que o grupo pouco ativo 22 (33,8%) ocupa posição intermediária (Figura 3).

  50,0% 45,1% 40,0% al tu 33,8% cen er P 30,0% 23,3% 20,0% Sedentário Pouco ativo Ativo (n=175) (n=65) (n=43) Grupo Figura 3 - Ocorrência de doenças nos bancários dos grupos sedentários, pouco ativos e ativos.

  As doenças mais freqüentes entre os grupos são as osteomusculares, como LER/DORT, as cardíacas e os transtornos mentais/comportamentais, tais como, depressão ou similar, revelando novamente maior incidência nos bancários sedentários (Figura 4).

  Ativo (n=43) Pouco Ativo (n=65) Sedentário (n=175)

  D. dermatológicas Colesterol Câncer Problema renal Doenças hepáticas D.ap. respiratório D.endócr./nutric. Trans. Ment./comport. D.ap. digestivo Doenças cardíacas Diversas

  D. ostemusculares 0,0% 2,0% 4,0% 6,0% 8,0% 10,0% 12,0% Figura 4 - Gráfico de tipo de doenças nos bancários dos grupos sedentários, pouco ativos e ativos.

  Com relação aos problemas de saúde na família, dos 268 bancários que responderam a questão, 146 (52,3%) afirmaram não ter ocorrência, 36 (12,9%) apresentaram câncer, 33 (11,8%) doenças cardíacas/hipertensão, 15 (5,4%) diabetes e 49 (17,6%) doenças diversas. As ocorrências de doenças na família relatadas pelos bancários sedentários, pouco ativos e ativos, mostram maior incidência de doenças cardíacas e diabetes no grupo sedentário e câncer no grupo ativo.

  Quanto à satisfação com o peso, a maioria (182, 59,8%) dos participantes da pesquisa gostaria de diminuir de peso. Afirmam estar satisfeitos com seu peso 107 (35,2%) e gostariam de aumentar o peso 15 (4,9%). Entre os sedentários, 122 (64,9%) não estão satisfeitos e gostariam de diminuir, enquanto 21 (46,7%) dos ativos estão satisfeitos. Estão satisfeitos com seu peso 62 (33,3%) dos bancários da logística e 41(33,6%) da agência.

  Em relação às faltas ao trabalho, a maioria dos bancários 192 (63,2%) afirma nunca faltar, 105 (34,5%) faltam pouco, enquanto 7 (2,3%) às vezes faltam. Os bancários ativos e pouco ativos faltam menos do que os sedentários. Afirmam nunca faltar 51(71,8%) dos bancários pouco ativos e 30 (65,0%) dos ativos, enquanto entre os sedentários 111 (59,4%) afirmam nunca faltar. Entre os bancários da área logística 167 (97,6%) afirmam nunca faltar ou faltar pouco e 119 (98,3%) da agência afirmam o mesmo.

  4.3 HÁBITOS DE ATIVIDADE FÍSICA E LAZER Sobre o histórico de atividade física, é observado que os ativos apresentam uma vivência esportiva muito maior comparativamente aos sedentários. Dos ativos, 32 (72,7%) praticavam atividade física frequëntemente, diferentemente dos sedentários, onde 137 (72,9%) não praticavam ou praticavam poucas vezes atividade física. Os pouco ativos permanecem numa posição intermediária (Tabela 5). Tabela 5 - Histórico de atividade física dos bancários sedentários, pouco ativos e ativos.

  Sedentário Pouco ativo Ativo Total Histórico de atividade física N Percentual N Percentual N Percentual N Percentual Não praticava (0%) 17 9,0% 1 1,4% 1 2,3% 19 6,3% Poucas vezes (25%)

  77 41,0% 12 16,9% 3 6,8% 92 30,4% 22,9% 33,8%

  Às vezes (50%)

  43 24 8 18,2% 75 24,8% Muitas vezes (75%) 39 20,7% 25 35,2% 22 50,0% 86 28,4% Frequentemente/Atleta (100%) 12 6,4% 9 12,7% 10 22,7% 31 10,2%

  Total 188 100,0% 71 100,0% 44 100,0% 303 100,0%

  Sobre a freqüência semanal de atividade física, 89 (47,6%) dos sedentários afirmam não praticar atividade física, 35 (49,3%) dos pouco ativos praticam de duas a três vezes por semana, enquanto a maioria dos ativos (43, 95,6%) fazem atividade física duas, três ou mais vezes por semana, conforme Tabela 6.

  Tabela 6 - Freqüência semanal de atividade física ente os grupos sedentários, pouco ativos e ativos.

  Sedentário Pouco ativo Ativo Total Freqüência N Percentual N Percentual N Percentual N Percentual Não pratica 89 47,6% 1 1,4% 0,0% 90 30,0% 1x por semana 39 20,9%

  9 12,7% 1 2,0% 49 16,2% 2x por semana 34 18,2% 35 49,3% 7 16,0% 76 25,1% 3x por semana ou mais 25 13,4% 26 36,6%

  36 82,0% 87 28,7%

Total 187 100,0% 71 100,0% 44 100,0% 302 100,0%

  O tipo de atividade física ou esporte praticado pelos bancários varia em função do estilo de vida, sendo que entre os sedentários 79 (45,1%) não praticam atividade física, contra 5 (7,4%) dos pouco ativos e 1 (2,3%) dos ativos. Para os sedentários, 48 (27,4%) as caminhadas e corridas moderadas e 16 (9,1%) o futebol/vôlei são as práticas mais comuns.

  Entre os pouco ativos, 44 (64,7%) praticam caminhadas e corridas moderadas, esportes diversos e futebol/vôlei são os mais praticados. Dos ativos 17 (38,5%) afirmam praticar diversas atividades físicas, 13 (31,9%) jogam futebol/vôlei ou fazem academia e 9 (20,5%) caminham ou correm moderadamente (Tabela 7). Tabela 7 - Tipo de atividade física ou esporte praticado pelos bancários sedentários, pouco ativos e ativos Sedentário Pouco ativo Ativo Total Atividade N Percentual N Percentual N Percentual N Percentual

  Não faz atividade física 79 45,1% 5 7,4% 0,0% 85 29,6% Caminhada / corrida moderada 48 27,4% 14 20,6% 9 20,5% 71 24,7%

  23,5% 38,5% Esportes diversos 10 5,7%

  

16

17 43 15,0% Futebol / Vôlei 16 9,1% 14 20,6% 8 18,2% 38 13,2% Academia 9 5,1% 12 17,6% 6 13,7% 26 9,1%

  Hidroginástica 2 1,1% 2 2,9% 1 2,3% 5 1,7% Natação 2 1,1% 2 2,9% 0,0% 4 1,4% Yôga / Tai Chi / Artes marciais

  4 2,3% 0,0% 0,0% 4 1,4% Ciclismo / Triathlon 1 0,6% 1 1,5% 2 4,5% 4 1,4% Tênis 1 0,6% 1 1,5% 1 2,3% 3 1,0%

  Surf 1 0,6% 1 1,5% 0,0% 2 0,7% Hipismo / Dança 2 1,1% 0,0% 0,0% 2 0,7%

  Total 175 100,0% 68 100,0% 44 100,0% 287 100,0%

  As atividades de lazer mais freqüentes entre os sedentários, pouco ativos e ativos, são os “passeios, praia, viajem, cinema”. Entre os sedentários, 36 (19,5%) assistem TV, escutam música e lêem e 15 (8,11%) afirmam não ter lazer, enquanto 20 (48,8%) dos ativos praticam esportes ou fazem atividades diversas (Tabela 8).

  Tabela 8 - Tipo de lazer mais freqüente entre os grupos sedentários, pouco ativos e ativos.

  Sedentário Pouco ativo Ativo Total Tipo de lazer mais freqüente N Percentual N Percentual N Percentual N Percentual Passeios, praia, viajem, cinema 82 44,3% 33 47,8% 13 31,7% 128 43,4% Diversos 24 13,0%

  15 21,7% 13 31,7% 52 17,6% TV, leitura, música 36 19,5% 8 11,6% 3 7,3% 47 15,9% Esportes / Ativ. Física

  9 4,9% 5 7,2% 7 17,1% 21 7,1% Não tem lazer 15 8,1% 2 2,9% 0,0% 17 5,8% Jardinagem, atividades moderadas

  9 4,9% 2 2,9% 0,0% 11 3,7% Ficar com a família/amigos 2 1,1% 3 4,3% 3 7,3% 8 2,7% Pescaria 4 2,2% 0,0% 0,0% 4 1,4%

  Atividades artísticas 1 0,5% 1 1,4% 1 2,4% 3 1,0% Sexo / Namorar / Festas 2 1,1% 0,0% 1 2,4% 3 1,0% Jogos de mesa 1 0,5% 0,0% 0,0% 1 0,3%

  Total 185 100,0% 69 100,0% 41 100,0% 295 100,0%

  A freqüência semanal de atividades de lazer para o grupo sedentário é de uma vez por semana, para os pouco ativos uma a duas vezes, e os ativos afirmam ser de duas, três ou mais vezes por semana (Tabela 9).

  Tabela 9 - Freqüência semanal de lazer entre os grupos sedentários, pouco ativos e ativos.

  Sedentário Pouco ativo Ativo Total Freqüência N Percentual N Percentual N Percentual N Percentual 1x por semana 85 49,7% 24 36,4% 10 27,0% 119 43,4%

  34,8% 40,5% 2x por semana 31 18,1%

  

23

15 69 25,2% 3x ou + vezes por semana 42 24,6% 17 25,8% 12 32,4% 71 25,9% Não tem lazer 13 7,6% 2 3,0% 0,0% 15 5,5%

  Total 171 100,0% 66 100,0% 37 100,0% 274 100,0%

  O tipo de lazer mais freqüente para os bancários que trabalham na área logística e agência são os “passeios, praia, viagem, cinema” e “TV, leitura, música” não diferindo quanto à freqüência.

  Para os bancários, os motivos que interferem prejudicando a prática de atividade física são principalmente o excesso de carga horária trabalhada (75, 33,6%), falta de tempo (42, 18,85), e não priorizar a prática de atividade física (39,17,5%).

  Para os sedentários, a intensidade dos motivos que interferem prejudicando a prática de atividade física são maiores em praticamente todas as variáveis, sendo as principais o excesso de carga horária trabalhada, falta de tempo, e não priorizar a prática de atividade física. Entre os pouco ativos o principal motivo é não ter tempo para praticar atividade física e para os ativos é o excesso de carga horária trabalhada (Figura 5).

  Para os bancários da área logística e agência os principais motivos que interferem prejudicando a prática de atividade física são o excesso de carga horária trabalhada, falta de tempo e não priorizar a prática de atividade física.

  A qualidade do descanso para os bancários em geral é considerada boa (162, 53,4%). Dos bancários, 96 (31,7%) consideram regular, 26 (8,6%) ruim, 15 (5,0%) excelente e 4 (1,3%)péssimo. A qualidade do descanso é considerada boa ou excelente para 106 (57,0%) dos sedentários, 45 (63,4%) dos pouco ativos e 25 (56,8%) dos ativos. Consideraram a qualidade do descanso boa ou excelente 97 (57,4%) do grupo logística e 73 (60,3%) do grupo agência.

  • 1

  2

  3 ECHT NTAF NPAF ERF PF NGAF Sedentário Pouco Ativo Ativo 0 = Não interfere 0%; 1 = Interfere pouco 25%; 2 = Interfere parcialmente 50%; 3 = Interfere muito 75%; 4 = Interfere totalmente 100%.

  

NGAF -“não gostar de praticar atividade física” n=280 S=1,27 sS=1,40 PA=0,90 sPA=1,32 A=1,23 sA=1,63

PF - “problemas financeiros” n=289 S=1,53 sS=1,31 PA=1,17 sPA=1,22 A=1,34 sA=1,20

ERF - “excesso de responsabilidades familiares” n=289 S=1,96 sS=1,13 PA=1,91 sPA=0,99 A=1,48 sA=1,11

NPAF- “não priorizar a prática de atividade física” n=285 S=2,41 sS=1,32 PA=1,68 sPA=1,38 A=1,61 sA=1,51

NTAF - ” não ter tempo para praticar atividade física” n=287 S=2,49 sS=1,28 PA=2,57 sPA=3,96 A=1,55 sA=1,32

ECHT -“excesso de carga horária trabalhada” n=289 S=2,65 sS=1,19 PA=2,24 sPA=1,25 A=2,11 sA=1,28

n= Número de sujeitos, S= Média Sedentários, sS= Desvio padrão Sedentários, PA= Média Pouco Ativos, sPA= Desvio padrão Pouco Ativos A= Média Ativos, sA= Desvio padrão Ativos

  

Figura 5 - Gráfico dos motivos que mais interferem na prática de atividade física entre sedentários, pouco

ativos e ativos.

  A qualidade do sono também é considerada boa por 151 (50,0%) dos bancários em geral. Entre os bancários 84 (27,8%) consideram regular, 30 (9,9%) ruim, 29 (9,6%) excelente e 8 (2,7%) péssimo. Foi considerada boa ou excelente por 107 (57,5%) dos bancários sedentários, 48 (68,6%) dos pouco ativos e 24 (54,5%) dos ativos. Consideram boa ou excelente a qualidade do sono 96 (57,1%) dos bancários do grupo logística e 77 (63,7%) do grupo agência.

  4.4 AMBIENTE DE TRABALHO A análise de variáveis relacionadas ao ambiente de trabalho revela que a valorização

  

do trabalho dos empregados pela empresa e a carga horária de trabalho são consideradas

  ruins pelos bancários. Quanto ao nível de satisfação em relação ao trabalho, nível de

  

motivação para trabalhar e nível de espaço para criatividade foram considerados regulares

  pelos bancários em geral. Na avaliação do ambiente de trabalho, o ítem qualidade do foi considerado pelos bancários regular com tendência a bom (Figura

  ambiente de trabalho 6).

  Para os bancários dos grupos sedentários, pouco ativos e ativos a análise do ambiente de trabalho mostra que a valorização do trabalho do empregado pela empresa e a carga horária de trabalho foram consideradas ruins. O ítem qualidade do ambiente de trabalho foi considerada regular com tendência a bom. As demais variáveis foram consideradas regulares.

  Os resultados do teste “Mann Whitney” não revelaram diferenças significativas em nenhuma destas variáveis analisadas, indicando que a percepção dos problemas no ambiente de trabalho não é afetada pelo estilo de vida (APÊNDICE A).

  O ambiente de trabalho é avaliado um pouco melhor pelos bancários da área logística em comparação com os da agência, porém sem diferenças significativas (APÊNDICE B).

  Qualificou-se como ruins a valorização do trabalho e a carga horária de trabalho. O ítem qualidade do ambiente de trabalho foi considerado regular com tendência a bom e os demais foram considerados regulares.

  • 1,00 2,00 3,00

  

Média

AT ST MT CT

  VT CH

  V ar iáv el 0=Péssimo; 1=Ruim; 2=Regular; 3=Bom; 4=Excelente.

  AT - Avaliação da “qualidade do ambiente de trabalho” n=297 M=2,51 s=0,75 ST - Avaliação do “nível de satisfação com relação ao trabalho” n=300 M=2,38 s=0,91 MT - Avaliação do “nível de motivação para trabalhar” n=299 M=2,37 s=0,90 CT - Avaliação do “nível de espaço para criatividade no ambiente de trabalho” n=299 M=2,02 s=1,09

  

VT - Avaliação do “nível de valorização do trabalho pela empresa” n=299 M=1,78 s=0,93

CH - Avaliação da “carga horária trabalhada” n=285 M=1,77 s=1,03 n= Número de sujeitos, M= Média dos bancários em geral, s= Desvio padrão Figura 6 - Gráfico das médias das atitudes quanto ao ambiente de trabalho dos bancários em geral.

  A análise do ambiente de trabalho compreendeu também o estudo das horas-extras, que para os bancários em geral é de uma a duas horas-extras por dia (Tabela10).

  Tabela 10 - Horas-extras trabalhadas diariamente pela totalidade dos bancários investigados.

  Horas-extras N Percentual 0 hs 83 29,0%

1 hs 125 44,0%

2 hs

  65 23,0% 3 hs

  9 3,0% 4 hs 5 2,0%

  Total 287 100,0%

  Os bancários sedentários fazem mais horas-extras do que os ativos e pouco ativos. A maioria dos bancários sedentários 122 (69,7%) faz uma a duas horas-extras por dia, enquanto 56 (81,2%) dos pouco ativos e 36 (78,0%) do ativos afirmam que não fazem ou fazem apenas uma hora-extra. Já a distribuição das horas-extras pelos grupos agência e logística mostra maior concentração nas agências. Trabalham uma hora a duas horas-extras 89 (80,2%) do grupo agência, contra 87 (58,5%) do grupo logística.

  Quanto ao pagamento ou compensação de horas-extras dos bancários em geral, apenas 58 (21,5%) afirmaram receber remuneração ou compensação por todas as horas-extras, enquanto 76 (28,1%) afirmam não receber ou compensar nenhuma. Os bancários do grupo logística recebem ou compensam mais horas-extras do que os do grupo agência. Afirmam receber remuneração ou compensação de muitas ou todas as horas-extras 61 (41,0%) do grupo logística, contra 35 (31,5%) do grupo agência. No grupo logística 47 (31,5%) afirmam não receber pagamento ou compensação de nenhuma hora-extra, contra 25 (22,5%) do grupo agência. Entre os sedentários, pouco ativos e ativos apenas 98 (36,4%) afirmam receber remuneração ou compensação por muitas ou todas as horas-extras.

  4.5 OCORRÊNCIA E CONTROLE DO ESTRESSE A análise do índice de estresse percebido (isp) revelou que o nível de estresse dos bancários em geral (n =286) é médio 23,14 (+44 -10/s=6,22). Porém, 51 (17,1%) dos bancários estão convivendo com nível de estresse acima do tolerável (Figura 7).

  ISP de 20 a 28 ISP de 29 a 37 16,0% 52,3% ISP >37 1,7%

  ISP de 10 a 19 30,0% Figura 7 - Índice de estresse percebido (isp) dos bancários investigados.

  A média do índice de estresse percebido apresentado pelos bancários sedentários é de 24,06 (n= 176; s= 6,29), dos pouco ativos 22,18 (n= 66; s=5,8), enquanto o dos ativos é 21,36 (n= 42; s= 5,56). Os índices de estresse percebido quando submetidos ao ANOVA, post-hoc de Scheffe, apresentaram diferenças significativas (p= 0,013), indicando que os bancários sedentários são mais estressados, em comparação com os bancários ativos (Figura 8). 25

  24,06 o 24 id ceb er p 23

22,18

resse est 22 21,36 e ice d d 21 Ín 20 Sedentário n=176 Pouco Ativo n=66 Ativo n=42

  Estilo de vida Figura 8 - Índice de estresse percebido (isp) dos bancários pesquisados em função do estilo de vida.

  Os bancários que trabalham na área logística apresentaram índice de estresse percebido um pouco menor 22,95 (n=159; s=5,94) do que os da agência 23,43 (n= 114; s=6,34), não havendo diferença significativa entre estes grupos.

  Os bancários dos grupos sedentário, pouco ativo e ativo apresentam diferenças importantes no nível da auto-avaliação de algumas variáveis associadas ao estresse (Figura 9). Aplicando o teste “Kruskal Wallis”, foram encontradas diferenças significativas ( α< 0,05) nas variáveis “NT- nível de tensão”, “NP- nível de perfeccionismo” “NS- nível de estresse”, indicando que o grupo de bancários sedentário é mais, tenso, perfeccionista e estressado do que o grupo ativo. A variável “NAG- nível de agressividade” foi a que apresentou nível mais baixo. As demais variáveis apresentaram nível médio.

  • 1

  2

  NA 3 NP NC NT NS NAM DES NAG Sedentário Pouco Ativo Ativo 0= nenhum; 1= pouco; 2= médio; 3= muito; 4= extremo NAG - Avaliação do “nível de agressividade” n=301 S=1,25 sS=0,91 PA=1,14 sPA=0,92 A=1,09 sA=0,91

  DES - Avaliação do “nível de dificuldade em expressar-se” n=292 S=1,97 sS=1,17 PA=1,96 sPA=1,19 A=1,90 sA=1,10 NAM - Avaliação do “nível de ambição” n=301 S=2,05 sS=0,79 PA=1,87 sPA=0,74 A=2,09 sA=0,86 NS - Avaliação do “nível de estresse” n=301 S=2,13 sS=0,92 PA=1,97 sPA=0,99 A=1,84 sA=0,94 NT - Avaliação do “nível de tensão” n=301 S=2,15 sS=0,94 PA=1,99 sPA=0,97 A=1,82 sA=0,87 NC - Avaliação do “nível de competitividade” n=301 S=2,16 sS=0,87 PA=2,20 sPA=0,93 A=2,14 sA=0,91 NA - Avaliação do “nível de ansiedade” n=301 S=2,51 sS=2,49 PA=2,11 sPA=1,04 A=2,18 sA=0,84 NP - Avaliação do “nível de perfeccionismo” n=301 S=2,73 sS=0,88 PA=2,70 sPA=0,75 A=2,34 sA=1,01 n= Número de sujeitos, S= Média Sedentários, sS= Desvio padrão Sedentários, PA= Média Pouco Ativos, sPA= Desvio padrão Pouco Ativos, A= Média Ativos, sA= Desvio padrão Ativos

  

Figura 9 - Médias da auto-avaliação dos níveis de “dificuldade em expressar emoções e sentimentos”,

“estresse”, “perfeccionismo”, “ansiedade”, “tensão”, “competitividade”, “ambição” e “agressividade”, dos bancários sedentários e ativos.

  Os bancários dos grupos logística e agência não apresentaram diferenças significativas na auto-avaliação das variáveis associadas ao estresse (APÊNDICE C).

  Analisando os diferentes níveis de estresse percebido em relação ao cargo que ocupam no banco, os resultados apontam que os técnicos e analistas apresentam um índice de estresse mais elevado 23,99 (s= 6,64) e os gerentes índice mais baixo 21,3 (s= 4,84) ( Figura 10).

  Gerentes (n=37)* Caixas (n=11)* Analistas e Técnicos (n=91)* Escriturários (n=61)* Profissionais (n=20)* 21,30 22,82 22,75 23,49 23,99 21 21 22 22 23 23 24 24 Ín d ice d e est resse p er ceb id o Cargo * n = Freqência Figura 10 - Índice de estresse percebido (isp) dos bancários pesquisados em relação ao cargo que ocupa.

  Em relação ao gênero, verificou-se que os bancários do sexo masculino apresentaram índice de estresse percebido um pouco mais elevado 23,27 (n=161; s=6,25), do que os do sexo feminino 22,97 (n=123; s= 6,21), sem apresentar diferença significativa.

  Quanto à faixa etária, os bancários com idade entre 36 e 45 anos apresentaram índice de estresse percebido maior que os demais 23,32 (n= 193; s= 6,19). Os bancários da faixa etária de 26 a 35 anos apresentaram (isp)= 23,11 (n= 18; s= 7,63), os com menos de 25 anos (isp)= 22,86 (n= 14; s= 6,71) e os bancários com mais de 46 anos (isp)= 22,32 (n= 56; s= 6,25). Não houve diferença significativa no nível de estresse em relação à faixa etária.

  A análise dos níveis de estresse percebido em função do grau de escolaridade não revela diferenças significativas entre os bancários. Os bancários com mestrado são os que apresentam o menor índice de estresse percebido (isp)= 22,74 (n= 19; s= 6,23). Os que têm 3º grau estão muito próximos com (isp)= 22,76 (n= 222; s= 6,30), os que tem 2º grau possuem (isp)= 24,47 (n= 38; s= 5,40), sendo que os que tem especialização apresentaram (isp)= 24,57 (n= 7; s=5,65).

  Os bancários que se auto-avaliam com saúde excelente e boa são significativamente menos estressados que os com saúde regular ou ruim, mediante Anova one way (p< 0,01). Os bancários com saúde excelente tiveram um (isp) médio de 20,09 (s= 7,51), os com saúde ruim apresentaram um (isp) de 32,33 (s=5,45). Bancários com saúde boa apresentaram um (isp) médio de 22,48 (s= 5,24), os com que tem uma saúde regular (isp) 27,23, (s=6,05). A Figura 11 representa esta avaliação.

  33 32,33 o 31 id eb 29 rc e p 27 25 27,23 esse tr s 23 e e 21 d e 22,48 ic 19 d

  Ín 17 Ruim (n=3)* Regular (n=48)* Boa (n=202)* 20,09 Excelente (n=34)*

  Auto-avaliação da saúde Figura 11 - Relação entre o índice de estresse percebido e a avaliação da saúde dos bancários investigados.

  A análise do índice de estresse percebido relacionado à variáveis associadas ao estresse identifica que os bancários que afirmaram não sofrerem tensão (isp= 16,67; s= 6,56) ou sofrerem pouca tensão (isp= 18,98; s= 4,61), são significativamente menos estressados em relação aos muito tensos (isp= 26,51; s= 6,56), e os extremamente tensos (isp= 28,63; s= 6,32). A Figura 12 representa esta análise.

  Nenhuma (n=9)* Pouca (n=61)* Médio (n=121)* Muito (n=80)* Extremo (n=16)*

  16,67 18,98 22,65 28,63

  26,51

  15

  17

  19

  21

  23

  25

  27

  29 Ín d ice d e est resse p e rceb id o Nível de tensão

  Figura 12 - Relação entre o índice de estresse percebido (isp) e o nível de tensão na totalidade dos bancários

  Analisando o índice de estresse percebido (isp) em relação aos itens que compõem a avaliação do ambiente de trabalho (questão 25 do ANEXO A), verificou-se variância significativa quando submetidos ao ANOVA, nas variáveis “MT- nível de motivação para trabalhar” (p=0,000), “AT- ambiente de trabalho” (p=0,014) e “ST- nível de satisfação no trabalho” (p=0,000).

  Bancários que consideram sua motivação para trabalhar como excelente (isp=17,29), boa (isp=22,18) ou regular (isp=23,72) são significativamente menos estressados do que aqueles cuja motivação foi considerada ruim (isp=27,80) ou péssima (isp=28,10), conforme demonstrado na Figura 13.

  29 27 28,10 27,80 o id b ce 25 er p se 23 es

23,72

tr e es 21 d 22,18 ice d 19 Ín 17 Péssimo (n=10) Ruim (n=30)

Regular

Bom (n=117) 17,29

  

(n=107)

Excelente (n=17) Auto-avaliação da motivação

  

Figura 13 - Relação entre índice de estresse percebido (isp) e a motivação para trabalhar dos bancários em

geral.

  Os bancários com avaliação da variável “AT- ambiente de trabalho” considerada péssima (isp= 27,5) e ruim (isp=24,56) são significativamente mais estressados do que aqueles cuja avaliação foi boa (isp= 21,9), (Figura 14). 28 27,5

  27 o id 26 rceb e 24 25 24,18 24,56 resse p 23,18 est 23 e 22 ice d d Ín 21 20 21,9

  Péssimo (n=4)* Ruim (n=17)* (n=107)* Regular Bom (n=143)* Excelente (n=11)* Avaliação do ambiente de trabalho

  

Figura 14 - Relação entre o índice de estresse percebido (isp) e a avaliação do ambiente de trabalho pela

totalidade dos bancários investigados.

  Os bancários cuja satisfação no trabalho é considerada excelente (isp=20,77) ou boa (isp=21,20) são significativamente menos estressados do que aqueles cuja satisfação no trabalho é considerada regular (isp=25,88), ruim (isp=26,12) ou péssima (isp=26,25), conforme Figura 15.

  26 26,25 26,12

25,88

o

  25 id b ce er

  24 s p es tr

  23 e s e d

  22 ic d Ín

  21 20,77 21,2

  20 Péssimo Ruim (n=170) (n=4)

Regular

  Boa (n=137)

(n=96)

Excelente (n=30)

  Nível de satisfação

Figura 15 - Relação entre o índice de estresse percebido (isp) e o nível de satisfação do ambiente de trabalho

pela totalidade dos bancários investigados.

  A análise do índice de estresse percebido (isp) em relação à auto-avaliação da produtividade dos bancários não apresentou diferença significativa entre os grupos sedentários, pouco ativos, ativos, bem como, para os da logística e agência.

  A relação do índice de estresse percebido com a auto-avaliação da produtividade

  

pessoal na função exercida no banco entre o bancário que se auto-avaliou como não produtivo

  apresentou o maior índice de estresse (isp=33). Os bancários com produtividade média apresentaram isp=24,31 (n=108; s=5,21); os bancários muito produtivos isp=22,32 (n=152; s=6,46); totalmente produtivos isp=22,11 (n=19; s=7,55) e pouco produtivos isp=21,20 (n=5;s=3,56);.

  A relação entre o índice de estresse percebido e a auto-avaliação da produtividade no banco se apresentou da seguinte forma: os bancários não produtivos apresentaram

  geral

  isp=27,0 (n=2; s=8,48); bancários com produtividade média isp=23,81 (n=120; s=5,57); totalmente produtivos isp=23,44 (n=16; s=8,78); pouco produtivos isp=22,92 (n=12; s=4,37) e muito produtivos isp=22,37 ( n=134; s=6,33).

  A relação entre o índice de estresse percebido e a opinião dos bancários sobre a tem da sua produtividade mostra o bancário não produtivo

  avaliação que sua chefia/gerente

  com isp=33,0; os bancários pouco produtivos apresentaram isp=23,80 (n=15; s=5,42); os bancários com produtividade média (isp=23,57; n=117; s=5,22); muita produtividade isp=22,68 ( n=138; s=6,68); e totalmente produtivos isp=18,78 ( n=9; s=6,02)

  A relação entre o índice de estresse percebido e a opinião do bancário sobre a tem da sua produtividade apresentou isp=33,0 para o bancário não

  avaliação que seus colegas

  produtivo; bancários pouco produtivos apresentaram (isp=24,75; n=8; s=6,49); bancários totalmente produtivos isp=24,54 (n=13; s=9,3); os bancários com produtividade média apresentaram isp=23,82 (n=109; s=5,39) e os bancários com muita produtividade isp=22,09 (n=149; s=5,94).

  As principais causas do estresse apontadas pelos bancários em geral foram: “a defasagem e o arrocho salarial”, “desvalorização humana do trabalhador”, a “politicagem e má administração”, “excesso de trabalho e responsabilidades” e “muita pressão no trabalho”.

  Analisando as principais causas do estresse em função do estilo de vida, verificou-se que para os sedentários a principal causa de estresse é a “defasagem e o arrocho salarial”, entre os pouco ativos é a “desvalorização humana do trabalhador” e para os ativos é a “politicagem e má administração” (Tabela 11). Tabela 11 - Principais causas de estresse para os grupos sedentários, pouco ativos e ativos.

  Sedentário Pouco ativo Ativo Total Principal causa de estresse N Perc. N Perc. N Perc. N Perc.

  Defasagem e arrocho salarial 38 25,5% 8 13,8% 6 15,8% 52 21,2% Desvalorização humana do trabalhador 29 19,5% 14 24,1% 3 7,9% 46 18,8% pela empresa

  Politicagem e má administração 19 12,8% 5 8,6% 8 21,1% 32 13,1% Excesso de trabalho e responsabilidades 17 11,4%

5 8,6%

3 7,9% 25 10,2% Problemas familiares 9 6,0% 8 13,8% 6 15,8% 23 9,4%

  Muita pressão no trabalho 10 6,7%

9 15,5%

3 7,9% 22 9,0% Insegurança quanto ao emprego e ao 12 8,1% 3 5,2% 1 2,6% 16 6,5% futuro

  Falta de oportunidades de crescimento 7 4,7% 1 1,7% 3 7,9% 11 4,5% profissional Diversos 5 3,4% 1 1,7% 3 7,9% 9 3,7% Falta de tempo para o lazer e o esporte 2 1,3% 3 5,2% 2 5,3% 7 2,9% Todas 1 0,7%

  1 1,7% 0,0% 2 0,8% Total 149 100,0% 58 100,0% 38 100,0% 245 100,0%

  Entre os bancários do grupo logística as principais causas de estresse apontadas foram, a “defasagem e o arrocho salarial” e “a desvalorização humana do trabalhador” e para os bancários do grupo agência foram “a desvalorização humana do trabalhador”, “excesso de trabalho e responsabilidades” e “defasagem e o arrocho salarial” (Tabela 12).

  Tabela 12 - Principais causas de estresse para os grupos logística e agência.

  Logística Agência Total Causas de estresse N Percentual N Percentual N Percentual 25,4% 14,6% Defasagem e arrocho salarial

  36 14 50 21,0% Desvalorização humana do trabalhador 24 16,9% 22 22,9% 46 19,3% Politicagem e má administração 19 13,4%

  12 12,5% 31 13,0% Excesso de trabalho e responsabilidades 11 7,7% 14 14,6% 25 10,5% Muita pressão no trabalho 12 8,5% 10 10,4% 22 9,2% Problemas familiares 12 8,5% 10 10,4% 22 9,2%

  Insegurança quanto ao emprego e ao futuro 12 8,5% 4 4,2% 16 6,7% Falta de oportunidades de crescimento profissional 9 6,3% 1 1,0% 10 4,2% Diversos 3 2,1% 6 6,3% 9 3,8%

  Falta de tempo para o lazer e o esporte 4 2,8% 3 3,1% 7 2,9% Total 142 100,0% 96 100,0% 238 100,0%

  De modo geral, os bancários sedentários apresentam maior intensidade de estresse (Figura 16) quando comparados aos pouco ativos e ativos. Houve diferença significativa

  (p=0,043) na variável “falta de tempo para o lazer”, comprovando que os sedentários sentem mais a falta de lazer do que os ativos.

  Para os bancários sedentários, pouco ativos e ativos o que causa muito estresse é “a defasagem e o arrocho salarial”, e a “politicagem e má administração” e “muita pressão no trabalho”. Causam estresse moderado, a “desvalorização humana do trabalhador”, “excesso de trabalho e responsabilidades”, “falta oportunidades de crescimento profissional na empresa”, “falta tempo para o lazer e o esporte” e “insegurança no emprego e no futuro”.

  A “informatização do trabalho” e os “problemas familiares” são causas de baixo estresse entre os sedentários, pouco ativos e ativos.

  4 Sedentário Pouco Ativo Ativo

  3 l ve

  2

  1 -

  IEF FT DH MP ET MA DS Causa 0 = Nenhum; 1 = Pouco; 2 = Médio; 3 = Muito estresse; 4 = Extremo.

  

IT - Informatização do trabalho n=299 S=1,56 sS=1,18 PA=1,58 sPA=1,08 A=1,61 sA=0,87

PF - Problemas familiares n=299 S=1,83 sS=1,06 PA=2,00 sPA=1,23 A=1,91 sA=1,14

FO - Falta oportunidades de crescimento na empresa n=299 S=2,52 sS=1,10 PA=2,33 sPA=1,02 A=2,55 sA=1,00

  

IEF - Insegurança no emprego e no futuro n=299 S=2,61 sS=2,52 PA=2,41 sPA=1,12 A=2,16 sA=1,12

FT - Falta tempo para o lazer e o esporte n=300 S=2,68 sS=0,98 PA=2,41 sPA=1,15 A=2,27 sA=0,97

DH - Desvalorização humana do trabalhador n=300 S=2,76 sS=0,95 PA=2,49 sPA=1,15 A=2,68 sA=1,05

MP - Muita pressão no trabalho n=300 S=2,77 sS=1,02 PA=2,86 sPA=0,95 A=2,75 sA=0,94

ET - Excesso de trabalho e responsabilidades n=300 S=2,84 sS=0,95 PA=2,66 sPA=0,92 A=2,64 sA=0,92

MA - Politicagem e má administração n=300 S=3,01 sS=1,02 PA=2,86 sPA=0,95 A=3,14 sA=0,91

DS - Defasagem e arrocho salarial n=300 S=3,16 sS=0,87 PA=2,93 sPA=0,89 A=2,93 sA=0,85

n= Número de sujeitos, S= Média Sedentários, sS= Desvio padrão Sedentários, PA= Média Pouco Ativos, sPA= Desvio padrão Pouco Ativos A= Média Ativos, sA= Desvio padrão Ativos

  

Figura 16 - Intensidade das causas de estresse dos grupos sedentários e ativos, a partir da média de

posicionamento.

  Tanto para os bancários que trabalham na área logística, como para os da agência, a “defasagem e o arrocho salarial” e a “politicagem e má administração”, foram apontados como fatores causadores de muito estresse. A “informatização do trabalho” e os “problemas familiares” causam pouco estresse para os bancários da agência (Figura 17). A aplicação do teste Mann Whitney nas causas de estresse, revela que há diferenças significativas, nas variáveis “MP- muita pressão no trabalho” (p= 0,003) e “ET- excesso de trabalho e responsabilidades” (p=0,016). Os bancários que trabalham na agência sofrem significativamente maior pressão no trabalho e excesso de trabalho e responsabilidades do que os da área logística.

  IT PF -

  1

  2

  3

  Logística Agência 0=Nenhum; 1=Pouco; 2=Médio; 3=Muito estresse; 4= Extremo.

DS MA IEF MP DH ET FO FT

  

DS - Defasagem e arrocho salarial n=289 A=3,06 sA=0,88 L=3,08 sL=0,89

MA - Politicagem e má administração n=289 A=3,06 sA=0,99 L=2,93 sL=1,01

  IEF - Insegurança no emprego e no futuro n=288 A=2,30 sA=1,19 L=2,64 sL=2,60 MP - Muita pressão no trabalho n=289 A=2,98 sA=0,98 L=2,65 sL=1,00 DH - Desvalorização humana do trabalhador n=289 A=2,82 sA=0,99 L=2,59 sL=1,04 ET - Excesso de trabalho e responsabilidades n=289 A=2,92 sA=0,93 L=2,66 sL=0,94 FO - Falta oportunidades de crescimento profissional na empresa n=289 A=2,41 sA=1,12 L=2,54 sL=1,03 FT - Falta tempo para o lazer e o esporte n=289 A=2,53 sA=1,05 L=2,58 sL=1,01

  IT - Informatização do trabalho n=289 A=1,67 sA=1,04 L=1,47 sL=1,16 PF - Problemas familiares n=289 A=1,99 sA=1,13 L=1,78 sL=1,12 n= Número de sujeitos, A= Média Agência, sA= Desvio padrão Agência, L= Média Logística, sL= Desvio padrão Logística

  Figura 17 - Intensidade das causas de estresse, a partir da média de posicionamento dos grupos logística e agência.

  As principais reações psicossomáticas ao estresse apontadas pelos bancários foram: “dores de cabeça”, “agressividade e mau humor”, “insônia”, “falhas na memória”, “conformismo e apatia”, “queda de rendimento no trabalho”, “depressão”, “chorar”, “gastrite e úlcera” e “perda de coordenação motora”.A freqüência das reações psicossomáticas é maior nos sedentários em praticamente todas as reações. As principais reações ao estresse para os bancários sedentários são as “dores de cabeça” e a “agressividade e o mau humor” e para os ativos a “insônia” e a “agressividade e o mau humor”. Aplicando o teste “Kruskal- Wallis” para testar as diferenças entre grupos, verificou-se que existe diferença significativa (p=0,023) na variável DEP - depressão, indicando que o grupo de bancários sedentários sofre mais freqüentemente de depressão em comparação aos bancários pouco ativos e ativos (Figura 18).

  Sedentário Pouco Ativo Ativo 0= nunca apresentou 0%; 1= poucas vezes 25%; 2= média 50%; 3= muitas vezes 75%; 4= sempre 100%.

  • 1
  • 2 DCA AGR MEM COF INS QRT DEP CHO GUL PCM Reação ve l

      

    DCA - Dor de cabeça n=298 S=1,87 sS=1,19 PA=1,59 sPA=1,21 A=1,23 sA=1,10

    AGR - Agressividade e mau humor n=298 S=1,83 sS=0,99 PA=1,76 sPA=1,03 A=1,57 sA=1,02

    MEM - Falhas de memória n=298 S=1,67 sS=1,19 PA=1,36 sPA=1,18 A=1,23 sA=1,01

    COF - Conformismo e apatia n=298 S=1,63 sS=1,10 PA=1,11 sPA=0,96 A=1,34 sA=0,99

      

    INS - Insônia n=298 S=1,60 sS=1,14 PA=1,24 sPA=1,07 A=1,70 sA=1,36

    QRT - Queda no rendimento do trabalho n=298 S=1,44 sS=1,06 PA=1,20 sPA=0,99 A=1,25 sA=0,94

    DEP - Depressão n=297 S=1,22 sS=1,17 PA=0,81 sPA=1,09 A=0,77 sA=0,89

    CHO - Chorar n=298 S=1,10 sS=1,10 PA=0,84 sPA=1,11 A=0,68 sA=0,91

    GUL - Gastrite e úlcera n=298 S=1,01 sS=1,16 PA=0,66 sPA=1,01 A=0,77 sA=1,16

    PCM - Perda da coordenação motora n=298 S=0,43 sS=0,81 PA=0,21 sPA=0,56 A=0,07 sA=0,26

    n= Número de sujeitos, S= Média Sedentários, sS= Desvio padrão Sedentários, PA= Média Pouco Ativos, sPA= Desvio padrão Pouco Ativos A= Média Ativos, sA= Desvio padrão Ativos

      

    Figura 18 - Freqüência das reações psicossomáticas ao estresse apresentadas pelos bancários sedentários,

    pouco ativos e ativos.

      Verificou-se que as freqüências das reações psicossomáticas são um pouco maiores no grupo agência do que no grupo logística, sendo que a “agressividade e o mau humor” e “dores de cabeça” são as principais reações. Não houve diferenças significativas em nenhuma das reações psicossomáticas apontadas (Figura 19).

      ível

    • 1

      

    Reação

    Agência Logística

      0= nunca apresentou (0%);1= poucas vezes (25%); 2= média (50%); 3= muitas vezes (75%); 4= sempre (100%).

      AGR - Agressividade e mau humor n=287 A=1,86 sA=1,01 L=1,70 sL=1,00 DCA - Dor de cabeça n=287 A=1,75 sA=1,20 L=1,69 sL=1,21

      INS - Insônia n=287 A=1,60 sA=1,19 L=1,46 sL=1,13 COF - Conformismo e apatia n=287 A=1,56 sA=1,15 L=1,40 sL=1,01 MEM - Falhas de memória n=287 A=1,53 sA=1,22 L=1,52 sL=1,14 QRT - Queda no rendimento do trabalho n=287 A=1,36 sA=1,08 L=1,33 sL=0,99 DEP - Depressão n=286 A=1,19 sA=1,17 L=0,96 sL=1,08 CHO - Chorar n=287 A=1,08 sA=1,17 L=0,90 sL=1,02 GUL - Gastrite e úlcera n=287 A=0,96 sA=1,18 L=0,86 sL=1,12 PCM - Perda da coordenação motora n=287 A=0,34 sA=0,80 L=0,31 sL=0,64 n= Número de sujeitos, A= Média Agência, sA= Desvio padrão Agência, L= Média Logística, sL= Desvio padrão Logística

    Figura 19 - Freqüência das reações psicossomáticas ao estresse apresentadas pelos grupos logística e agência.

      As estratégias mais utilizadas pelos bancários em geral para combater e controlar o estresse são: ”descansar, ler ou dar uma curta caminhada”, e “separar o trabalho da vida pessoal”, “não se endividar” e “pensar positivamente sobre a situação de trabalho”. As estratégias menos utilizadas são “não ter ambição” e “explodir e resolver a situação na hora”.

      Analisando as estratégias de controle do estresse em relação ao estilo de vida verificou-se que “fazer atividade física” é a estratégia mais usada pelos bancários ativos e a menos usada pelos sedentários, apresentando significância estatística.

      As estratégias de controle do estresse utilizadas com maior freqüência pelos grupos sedentários, pouco ativos e ativos são, “não se endividar”, “separar o trabalho da vida pessoal”, ”descansar, ler ou dar uma curta caminhada”, “pensar positivamente sobre a situação de trabalho” . As menos utilizadas são “não ter ambição no trabalho”, “explodir e resolver a situação na hora”. As demais estratégias, são utilizadas moderadamente por sedentários, pouco ativos e ativos (Figura 20).

      4 Sedentário Pouco Ativo

      3 Ativo u a

      2 Gr

      1 - NDI TPE DES PPO EVI CCO ADP NAM ATF EXP ESTRATÉGIA DE CONTOLE 0=Não utiliza (0%); 1=Poucas vezes (25%); 2=As vezes (50%); 3=Muitas vezes (75%); 4=Sempre (100%)

    NDI - Não se endividar n=294 S=2,85 sS=1,29 PA=2,74 sPA=1,42 A=2,61 sA=1,28

      

    TPE - Separar o trabalho da vida pessoal n=295 S=2,79 sS=1,14 PA=2,81 sPA=1,20 A=2,98 sA=1,09

    DES - Descansar, ler ou dar uma curta caminhada n=294 S=2,74 sS=1,08 PA=2,94 sPA=0,89 A=2,98 sA=0,90

    PPO - Pensar positivamente sobre a situação de trabalho n=295 S=2,73 sS=1,00 PA=2,57 sPA=1,12 A=2,77 sA=0,99

    EVI - Evitar a situação estressante n=294 S=2,33 sS=1,03 PA=2,21 sPA=1,17 A=2,45 sA=1,02

    CCO - Concentração buscando controle n=295 S=2,19 sS=1,07 PA=2,22 sPA=1,16 A=2,20 sA=0,95

    ADP - Adaptar-se a situação estressante n=294 S=1,98 sS=1,05 PA=1,62 sPA=0,99 A=1,84 sA=1,10

    NAM - Não ter ambição no trabalho n=292 S=1,60 sS=1,28 PA=1,40 sPA=1,24 A=1,30 sA=1,15

    ATF - Fazer atividade física n=294 S=1,33 sS=1,15 PA=2,84 sPA=0,96 A=3,11 sA=0,69

    EXP - Explodir e resolver a situação na hora n=295 S=1,23 sS=1,09 PA=1,18 sPA=1,11 A=1,20 sA=1,17

    n= Número de sujeitos, S= Média Sedentários, sS= Desvio padrão Sedentários, PA= Média Pouco Ativos, sPA= Desvio padrão Pouco Ativos A= Média Ativos, sA= Desvio padrão Ativos

      

    Figura 20 - Média de posicionamento dos grupos sedentário, pouco ativo e ativo, quanto a freqüência no uso

    das principais estratégias para combater o estresse.

      Nenhuma estratégia de controle do estresse apresenta diferença significativa na freqüência de uso por parte dos grupos que trabalham na área logística e agência com relação aos comportamentos de autocontrole do estresse (Figura 21). Os bancários do grupo agência apresentaram uma média mais elevada quanto a freqüência de uso das estratégias de controle, sendo que as mais utilizadas foram “não se endividar”, “separar o trabalho da vida pessoal”, “descansar, ler ou dar uma curta caminhada”, “pensar positivamente sobre a situação de trabalho”.

      2

      3

      ível

    • 1

      Reação Agência Logística

      0=Não utiliza (0%); 1=Poucas vezes (25%); 2=As vezes (50%); 3=Muitas vezes (75%); 4=Sempre (100%) NDI - Não se endividar n=283 A=3,03 sA=1,18 L=2,64 sL=1,38 TPE - Separar o trabalho da vida pessoal n=284 A=2,99 sA=1,03 L=2,68 sL=1,24 DES - Descansar, ler ou dar uma curta caminhada n=283 A=2,97 sA=0,96 L=2,73 sL=1,06 PPO - Pensar positivamente sobre a situação de trabalho n=284 A=2,92 sA=0,94 L=2,55 sL=1,07 EVI - Evitar a situação estressante n=283 A=2,44 sA=1,05 L=2,24 sL=1,04

    CCO - Concentração buscando controle n=284 A=2,21 sA=1,14 L=2,19 sL=1,03

    ATF - Fazer atividade física n=284 A=1,97 sA=1,36 L=1,90 sL=1,28 ADP - Adaptar-se a situação estressante n=283 A=1,86 sA=1,07 L=1,91 sL=1,04 NAM - Não ter ambição no trabalho n=281 A=1,52 sA=1,31 L=1,47 sL=1,22 EXP - Explodir e resolver a situação na hora n=284 A=1,20 sA=1,12 L=1,21 sL=1,09 n= Número de sujeitos, A= Média Agência, sA= Desvio padrão Agência, L= Média Logística, sL= Desvio padrão Logística

      Figura 21 - Média de posicionamento dos grupos logística e agência, quanto a freqüência no uso das principais estratégias para combater o estresse.

      A avaliação do autocontrole do estresse foi considerada boa por 142 (47,8%) e regular por 115 (38,7%) dos bancários em geral.

      Em relação ao estilo de vida, os bancários sedentários foram os que apresentaram autocontrole do estresse mais baixo. Noventa e cinco bancários (51,9%) consideram o autocontrole “ruim ou regular” dos sedentários, enquanto 44 (64,7%) dos pouco ativos e 26 (59,3%) dos ativos consideram “bom ou excelente”. A comparação entre os grupos logística e agência quanto ao autocontrole do estresse foi semelhante. Afirmaram ter um autocontrole “bom ou excelente” 87 (52,1%) na logística e 65 (55,6%) na agência.

      A opinião dos bancários sobre o nível de estresse nas demais áreas é a de que ocorre “forte estresse” ou “extremo estresse” por 200 (69,4%) dos bancários em geral. Esta percepção não difere entre os grupos estudados.

      A percepção e avaliação dos bancários em geral sobre a ação do banco no combate ao

      

    estresse é bastante negativa. Duzentos e vinte e um (76,0%) bancários afirmam que o banco

      não age ou sua ação no combate do estresse é fraca dos bancários em geral (Figura 22). Esta avaliação é semelhante entre todos os grupos estudados.

      Não ocorre 19,60% Fraca Total

      56,40% 0,30% Forte 2,40%

      Moderada 21,30% Figura 22 - Avaliação dos bancários em geral sobre a ação da empresa no controle e combate ao estresse.

      4.6 PRODUTIVIDADE Buscou-se inicialmente saber através da opinião dos bancários, qual o conceito que os mesmos têm em relação à produtividade. Desta forma, primeiramente, considerou-se o que é

      (Tabela 13).

      ser um bancário produtivo Tabela 13 - Conceito do que é ser um bancário produtivo para os bancários investigados.

      Conceito N Percentual Exercer as tarefas inerentes à função 59 24,8% Cumprir as metas/atividades com satisfação

      39 16,4% Prestar bom atendimento aos clientes 35 14,7% Resolver problemas com eficiência e eficácia 34 14,3% Executar as tarefas com qualidade e responsabilidade 20 8,4% Cumprir a missão e estratégia do banco 12 5,0% Achar soluções criativas e inovadoras 11 4,6% Produzir lucro para a empresa 11 4,6% Trabalhar com motivação sendo valorizado

      8 3,4% Ser criativo/Buscar aperfeiçoamento 4 1,7% Outros 5 2,1%

      Total 238 100,0%

      Os conceitos mais respondidos pelos bancários sedentários, pouco ativos e ativos foram “exercer as tarefas inerentes à função, “cumprir as metas/atividades com satisfação”, e “prestar bom atendimento aos clientes” (Tabela 14).

      Tabela 14 - Conceito do que é ser um bancário produtivo entre sedentários, pouco ativos e ativos.

      Sedentário Pouco Ativo Ativo Total Conceito N Perc. N Perc. N Perc. N Perc.

      Exercer as tarefas inerentes á função 32 21,8% 17 31,5% 10 27,8% 59 24,9% Cumprir as metas/atividades c/ satisfação 27 18,4% 8 14,8% 4 11,1% 39 16,5% Prestar bom atendimento aos clientes 22 15,0% 6 11,1% 7 19,4% 35 14,8% Resolver problemas c/ eficiência e eficácia 19 12,9%

      12 22,2% 3 8,3% 34 14,3% Executar tarefas c/ qualidade e responsabilidade 12 8,2% 4 7,4% 4 11,1% 20 8,4% Cumprir a missão e estratégia do banco 9 6,1% 2 3,7% 1 2,8% 12 5,1% Achar soluções criativas e inovadoras 7 4,8% 3 5,6% 1 2,8% 11 4,6% Produzir lucro para a empresa 5 3,4% 1 1,9% 4 11,1% 10 4,2% Trabalhar com motivação sendo valorizado

      6 4,1% 1 1,9% 1 2,8% 8 3,4% Ser criativo/buscar aperfeiçoamento 4 2,7% 0,0% 0,0% 4 1,7% Ter ética profissional e pessoal 2 1,4% 0,0% 0,0% 2 0,8% Ajudar no processo de mudança e cresc. da

      2 1,4% 0,0% 0,0% 2 0,8% empresa/empregados Ser atuante profissionalmente e politicamente 0,0% 0,0% 1 2,8% 1 0,4% Total 147 100,0% 54 100,0% 36 100,0% 237 100,0% Os bancários dos grupos logísitca e agência consideram que ser produtivo é “exercer as tarefas inerente a função” e “cumprir as metas/atividades com satisfação, “prestar bom atendimento aos clientes” (Tabela 15).

      Tabela 15 - Conceito do que é ser um bancário produtivo pelos bancários da logística e da agência.

      Logística Agência Total Conceito N Perc. N Perc. N Perc.

      Exercer as tarefas inerentes á função 36 27,7% 21 21,2% 57 24,9% Cumprir as metas/atividades com satisfação 26 20,0% 11 11,1% 37 16,2% Prestar bom atendimento aos clientes

      9 6,9% 25 25,3% 34 14,8% Resolver problemas com eficiência e eficácia 15 11,5% 17 17,2% 32 14,0% Executar as tarefas com qualidade e 15 11,5% 5 5,1% 20 8,7% responsabilidade

      Cumprir a missão estratégica do banco 8 6,2% 4 4,0% 12 5,2% Achar soluções criativas e inovadoras 10 7,7% 1 1,0% 11 4,8% Produzir lucro para a empresa

      3 2,3% 7 7,1% 10 4,4% Trabalhar com motivação sendo valorizado 3 2,3% 4 4,0% 7 3,1% Ser criativo/Buscar aperfeiçoamento 3 2,3% 1 1,0% 4 1,7% Ter ética profissional e pessoal

      1 0,8% 1 1,0% 2 0,9% Ajudar no processo de mudança e cresc da 1 0,8% 1 1,0% 2 0,9% empresa/empregados

      Ser atuante profissionalmente e politicamente 0,0% 1 1,0% 1 0,4% Total 130 100,0% 99 100,0% 229 100,0%

      Figura 23 - Representação do conceito de produtividade dos bancários que trabalham na área logística e agência.

      A figura 23 demonstra que para os bancários da área logística há maior preocupação com os fatores internos característicos da área, como executar as atividades com satisfação e as tarefas com qualidade e responsabilidade, enquanto que para os bancários da agência, fatores externos como prestar bom atendimento aos clientes são mais evidenciados.

      Em relação ao o que é ser produtivo na função em que ocupa, as opiniões mais freqüentes apontadas pela totalidade dos bancários, foram “cumprir e superar as metas propostas”, “atender demandas com rapidez, eficácia e eficiência” e “executar as atividades inerentes a função”( Tabela 16).

      Tabela 16 - Conceito de produtividade na função pela totalidade dos bancários investigados.

      Conceito N Percentual 96 38,3% Cumprir e superar metas propostas Atender demandas com rapidez, eficácia e eficiência 56 22,3% Executar as atividades inerentes à sua função 47 18,7% Prestar bom atendimento aos clientes

      24 9,6% Achar soluções criativas e inovadoras 9 3,6% Trazer resultados/motivar a equipe 8 3,2% Cumprir a missão estratégica do banco 6 2,4% Evitar prejuízo 2 0,8% Ser melhor que os demais trabalhadores 2 0,8% Não sei 1 0,4%

      Total 251 100,0%

      Para os sedentários, pouco ativos e ativos, ser produtivo na função ocupada é principalmente “cumprir e superar metas propostas”, “atender as demandas com rapidez, e eficácia e eficiência” e “executar as atividades inerentes à função” (Tabela 17).

      Tabela 17 - Conceito de produtividade entre os grupos sedentários, pouco ativos e ativos.

      Sedentário Pouco ativo Ativo Total Conceito N Perc. N Perc. N Perc. N Perc. 39,9% 35,0% 35,1% 38,0% Cumprir e superar metas propostas

      61

      21

      13

      95 Atender demandas c/ rapidez, eficácia e eficiência 28 18,3%

    17 28,3%

    11 29,7% 56 22,4% Executar as atividades inerentes à sua função

    32 20,9% 6 10,0% 9 24,3%

    47 18,8% Prestar bom atendimento aos clientes 15 9,8% 6 10,0% 3 8,1% 24 9,6%

      Achar soluções criativas e inovadoras 7 4,6% 2 3,3% 0,0% 9 3,6% Trazer resultados/motivar a equipe 4 2,6% 3 5,0% 1 2,7% 8 3,2% Cumprir a missão estratégica do Banco 3 2,0%

      3 5,0% 0,0% 6 2,4% Evitar prejuízo 1 0,7% 1 1,7% 0,0% 2 0,8% Ser melhor que os demais trabalhadores 1 0,7%

      1 1,7% 0,0% 2 0,8% Não sei 1 0,7% 0,0% 0,0% 1 0,4% Total 153 100,0% 60 100,0% 37 100,0% 250 100,0% Para os bancários dos grupos logística e agência, ser produtivo na sua função é principalmente, “cumprir e superar metas” “atender as demandas com rapidez, eficiência e eficácia” e executar as atividades inerentes à função“ (Tabela 18).

      Tabela 18 - Conceito de produtividade na função pelos grupos logística e agência.

      Logística Agência Total Conceito N Perc. N Perc. N Perc.

      Cumprir e superar metas propostas 44 33,1% 47 43,5% 91 37,8% Atender demandas com rapidez, eficácia e eficiência 32 54 22,4%

      24,1% 22 20,4% Executar as atividades inerentes à sua função 33 24,8% 11 10,2% 44 18,3% Prestar bom atendimento aos clientes

      5 3,8% 19 17,6% 24 10,0% Achar soluções criativas e inovadoras 8 6,0% 1 0,9% 9 3,7% Trazer resultados/motivar a equipe 4 3,0%

      4 3,7% 8 3,3% Cumprir a missão e estratégia do Banco 5 3,8% 1 0,9% 6 2,5% Evitar prejuizo 1 0,8% 1 0,9% 2 0,8%

      Ser melhor que os demais trabalhadores 1 0,8% 1 0,9% 2 0,8% Não sei 0,0% 1 0,9% 1 0,4% Total 133 100,0% 108 100,0% 241 100,0%

      A figura 24 detalha melhor a opinião dos bancários dos grupos logística e agência sobre o que é ser produtivo na função desempenhada no banco. “Cumprir e superar as metas propostas” é o conceito mais informado para ambos os grupos, seguido pelo “atendimento às demandas com rapidez, eficiência ou eficácia”. “Prestar bom atendimento aos clientes” é mais relevante para os bancários da agência e “executar as atividades inerentes a função” para os da área logística.

      Figura 24 - Representação do conceito de produtividade na função pelos bancários que trabalham na área logística e agência.

      A forma como é medida a produtividade no banco é vista por 194 (76,6%) da população pesquisada como sendo através de “metas/indicadores/venda de produtos”, 51 (20,2%) consideram “não haver medição adequada” (Tabela 19).

      Tabela 19 - Forma de medida da produtividade no banco, observada pela totalidade dos bancários investigados.

      Forma de medida N Percentual

      Através de metas/indicadores/venda de produtos 194 76,6% Não há medição adequada 51 20,2%

      Pela satisfação do cliente 7 2,8% Cumprir a missão e estratégia do banco

      1 0,4% Total 253 100,0%

      Os bancários sedentários, pouco ativos e ativos consideram que a forma de medida de produtividade no banco, se dá principalmente 194 (77,0%) através de “metas / indicadores / venda de produtos”, 50 (19,8%) consideram “não haver medição adequada” .

      A ampla maioria (n=187, 77,0%) dos bancários dos grupos logística e agência afirmam que a produtividade é medida no banco através de “metas/indicadores/vendas de produtos”. Observa-se que para os bancários da área logística há um expressivo percentual 40 (29,4%) que afirmam não haver medição adequada (Tabela 20).

      Tabela 20 - Forma de medida da produtividade no banco pelos grupos logística e agência.

      Logística Agência Total Forma de medida

    N Perc. N Perc. N Perc.

      Através de metas/indicadores/venda de produtos 92 67,6% 95 88,8% 187 77,0% Não há medição adequada

    40 29,4% 8 7,5% 48 19,8%

    Pela satisfação do cliente 3 2,2% 4 3,7% 7 2,9%

      Cumprir a missão e estratégia do Banco 1 0,7% 0,0% 1 0,4% Total 136 100,0% 107 100,0% 243 100,0%

      Quanto a forma como é medida a produtividade na função, 165 (65,2%) da totalidade dos bancários afirmam ser “através de metas/resultado da equipe /venda de produtos”, sendo que 70 (27,7%) consideram “não haver medição adequada” ( Tabela 21 ). Tabela 21 - Forma de medida da produtividade na função pela totalidade dos bancários investigados.

      Forma de medida N Percentual 165 65,2%

      Através de metas/resultado da equipe/venda de produtos 70 27,7%

      Não há medição adequada Rapidez no atendimento das demandas internas 8 3,2% Satisfação dos clientes 7 2,8% Prestar bom atendimento ao cliente 3 1,2%

      Total 253 100,0%

      Para os bancários sedentários, pouco ativos e ativos, a forma de medida na função se dá principalmente 165 (65,5%) através de metas/resultado da equipe/venda de produtos.

      Consideram não haver medição adequada 69 (27,4%).

      A maioria dos bancários dos grupos logística e agência afirmam que a produtividade na função é medida através de “metas/indicadores/vendas de produtos” 159 (65,4%).

      Observa-se novamente que para os bancários da área logística, há um expressivo percentual 48 (35,6%) que afirma “não haver medição adequada” (Tabela 22).

      Tabela 1 -Forma de medida da produtividade na função pelos grupos logística e agência.

      Logística Agência Total Forma de medida N Perc. N Perc. N Perc. 159 65,4% Através de metas/resultado da equipe/venda de produtos 74 54,8%

    85 78,7%

    Não há medição adequada

      48 35,6% 18 16,7% 66 27,2% Rapidez no atendimento das demandas internas 6 4,4%

    2 1,9%

    8 3,3% Satisfação dos clientes 6 4,4% 1 0,9% 7 2,9%

      Prestar bom atendimento ao cliente 1 0,7%

    2 1,9%

    3 1,2% Total

      135 100,0% 108 100,0% 243 100,0%

      Visando identificar a percepção dos bancários em relação à sua produtividade fez-se a dos bancários nas dimensões: 1) pessoal, ou seja, como o

      auto-avaliação da produtividade

      eles avaliam a sua produtividade pessoal na função exercida no banco; 2) geral, como o bancário se auto-avalia em relação a sua produtividade geral no banco; 3) chefia/gerente, na opinião dos bancários, como ele considera que o seu chefe/gerente avalia a sua produtividade; 4) colegas, ou seja, na opinião dos bancários, como os colegas avaliam a sua produtividade.

      A auto-avaliação da produtividade dos bancários investigados nas dimensões, pessoal, geral, chefia/gerente e colegas é considerada como sendo de “muita produtividade” ou “totalmente produtivo“ por (57,0%) da totalidade dos bancários e de “média produtividade” por (39,0%)(ver Figura 25).

      60% 50% 40% al tu

      30% cen er P

      20% 10% 0%

      Não produtivo Pouco Produtividade Muita Totalmente produtivo média produtividade produtivo Produtividade

      

    Pessoal (n=303) Geral (n=302) Chefia (n=295) Colegas (n=295)

    Figura 25 - Representação gráfica da auto-avaliação da produtividade dos bancários nas dimensões: pessoal,

    geral, chefia/gerente e colegas pela totalidade dos bancários investigados.

      A auto-avaliação da produtividade dos bancários do grupo sedentário mostra que a produtividade das dimensões analisadas é considerada como sendo de “muita produtividade” ou “totalmente produtivo” por (56,0%) e de “média produtividade” por (39,0%) do grupo (APÊNDICE D). Os bancários pouco ativos (69,0%) auto-avaliaram a sua produtividade, como sendo de “muita produtividade” ou “totalmente produtivos”, (30,0%) consideraram a sua produtividade como “média” (APÊNDICE E). Quanto à auto-avaliação da produtividade do grupo ativo, (52,0%) consideram como sendo de “média produtividade” e (40,0%) como “muito produtivos” ou “totalmente produtivos” (APÊNDICE F).

      Para o grupo logística, a auto-avaliação da produtividade nas dimensões investigadas é considerada por (59,0%) como “muito produtivos” ou “totalmente produtivos” e por (37,0%) “média produtividade” (APÊNDICE G). A auto-avaliação da produtividade no grupo agência, mostra (55,0%) como “muito produtivos” ou “totalmente produtivos”, e (40,0%) com “média produtividade” (APÊNDICE H).

      Na discussão dos resultados são realizadas as análises e comparações mais importantes dos dados quantitativos dos grupos estudados, confrontando as principais tendências com o que a literatura revisada aponta. Nas conclusões, serão apresentadas as sínteses respondendo aos objetivos específicos traçados no início do estudo, bem como, algumas sugestões.

      5.1 DISCUSSÃO DOS RESULTADOS Após a análise dos dados do questionário é necessário discutir as principais semelhanças e diferenças entre os grupos estudados.

      Os bancários apresentam média de idade de 40,6 anos e tempo de serviço médio de 17,6 anos. O nível de escolaridade é alto, concentrando-se na graduação (78,4%), sendo que (6,6%) tem mestrado e (2,3%) fez especialização. A maioria dos bancários são casados (67,0%), sendo solteiros (21,0%). A religião da maioria dos bancários é a católica (68,6%), seguidos pelos que dizem não ter religião (13,4%). Quanto à raça, quase todos os participantes da pesquisa são da raça branca (98,2%). Afirmam-se da raça negra e parda (1,8%), confirmando a tendência de exclusão social da raça negra na maior parte das organizações brasileiras.

      A divisão entre os bancários sedentários, pouco ativos e ativos é bastante caracterizada, pois o nível de atividade física habitual é 1,9 para os sedentários, 8,5 para os pouco ativos e 15,2 para os ativos. Desta forma, os grupos se enquadram nos critérios de pontuação para caracterização de pessoas sedentárias, pouco ativas e ativas. As médias constituem-se em índices que representam os hábitos de atividade física freqüentemente realizados pelos bancários.

      O estudo que teve a participação de 304 bancários da região da Grande Florianópolis revelou que a maioria (61,8%) dos bancários apresentam um estilo de vida sedentário, 23,4% é pouco ativo, e 14,8% apresentam um estilo de vida ativo. Comparando-se estes percentuais com os dados de inatividade física no Brasil, que são estimados em 60% (Folha de São Paulo

      AÑEZ, 2003), observa-se a confirmação deste resultado. Comparando-se ainda estes

      apud

      percentuais com os níveis de inatividade física no tempo de lazer na União Européia que são de 26,9% (MARTINEZ-GONZALEZ et al. apud AÑEZ, 2003) e nos Estados Unidos 29,9% (PRATT, MACERA e BLANTON, apud AÑEZ, 2003), observa-se o elevado grau de sedentarismo dos bancários e da população produtiva brasileira.

      Os grupos logística e agência foram formados em função do setor em que trabalham. Para melhor entender a natureza dos grupos logística e agência, pode-se tomar por referência o modelo de Tseng et al. (apud Behr 2004), segundo o qual as operações de serviços são divididas em duas partes. A que tem contato com o consumidor e outra parte que não tem. A parte em contato com o cliente é também chamada de interativa, ou de linha de frente. É nessa área que ocorrem os contatos e interações entre cliente e empresa podendo ser esse contato pessoal ou não-pessoal se for considerado que já é possível a prestação de serviços apenas através de terminais de computador, como são os caixas automáticos dos bancos e os serviços colocados à disposição na Internet. A área que não tem contato com o cliente seria uma espécie de retaguarda ou suporte que auxilia a execução e o controle dos processos.

      Estes resultados, dividindo os bancários quanto ao estilo de vida, nos grupos sedentários, pouco ativos, ativos, e quanto ao setor de trabalho em logística e agência, são a base para a realização das análises e comparações ao longo da pesquisa.

      A comparação entre o estilo de vida e o sexo revelou que bancários do sexo feminino são significativamente mais sedentários do que os do sexo masculino. Este dado confirma o perfil de sedentarismo no Brasil em relação ao gênero. Segundo pesquisa Datafolha (apud NAHAS, 2001) o perfil de quem menos faz atividade física no Brasil é assim definido: sexo feminino, grau de instrução baixo, faixa etária entre 45 e 60 anos, com renda inferior a 10 salários mínimos, vive na região Nordeste.

      A maioria dos bancários trabalha apenas no banco. Na comparação entre os grupos, verifica-se que 72,0% dos sedentários e 69,6% dos pouco ativos trabalham apenas no banco contra 53,5% dos ativos, que além do banco, possuem outro emprego 11,6%, ou trabalham e estudam 27,9%, ou trabalham, estudam e possuem outro emprego 7,0%. Estes dados mostram que os bancários ativos possuem um percentual de atividades produtivas ou intelectuais extra- banco consideravelmente maior do que os sedentários.

      A auto-avaliação da saúde dos bancários em geral é classificada como boa (69,8%). Porém, na comparação entre grupos, verificou-se que a quantidade de bancários que relataram ter apresentado problemas de saúde é muito maior entre os sedentários (45,1%) do que entre os ativos (23,3%), ocupando o grupo pouco ativo posição intermediária (33,8%). As doenças mais freqüentes entre os grupos são as doenças do sistema osteomuscular (LER/DORT) e transtornos/mentais comportamentais (depressão ou similar), e as doenças cardíacas, com maior incidência nos bancários sedentários. Em relação ao histórico da saúde na família, os grupos fazem referências a doenças como o câncer e doenças cardíacas, com maior ênfase no grupo sedentário.

      O levantamento epidemiológico do ano 2004 fornecido pela área de saúde do banco, confirma os dados da pesquisa, mostrando que as ocorrências mais freqüentes, entre os bancários que trabalham na área logística (ANEXO C), estão relacionadas às doenças do sistema osteomuscular (38,9%), transtornos mentais/comportamentais (15,7%). Para os bancários do grupo agência (ANEXO D) as ocorrências de doenças mais freqüentes foram relacionadas às doenças do sistema osteomuscular (46,2%), transtornos mental- comportamentais (29,3%), doenças do sistema nervoso (4,6%).

      Em relação às faltas ao trabalho, a pesquisa verificou que 63,3% dos bancários afirmam nunca faltar ao trabalho, 34,4% faltam pouco, enquanto 2,3% as vezes faltam. Não houve diferenças significativas entre os grupos. Dados de absenteísmo dos bancários da região da Grande Florianópolis (ANEXO E e F), obtidos na área de saúde do banco investigado, mostram que no ano de 2004 a área logística teve 410 bancários afastados por problemas relacionados à saúde, com um total de 4.833 dias de ausência. Os empregados que trabalham no grupo agência apresentaram números ainda maiores de absenteísmo com 606 bancários afastados por problemas de saúde e 10.100 dias de trabalho perdidos.

      Considerando-se um total anual de 14.933 dias perdidos de trabalho e admitindo-se que os transtornos mentais-comportamentais e doenças do sistema nervoso estejam relacionados ao estresse, este seria o causador direto de 4.184 dias de absenteísmo. Levando-se em conta o custo diário do empregado multiplicado pelos dias parados em função da morbidade em análise, isto implicaria em um custo direto para a empresa de R$ 811.000,00 no ano de 2004. Este dados se ampliariam de forma significativa caso fosse considerado a relação de morbidades conseqüentes do estresse (Quadro 1, p.37). Em pesquisas sobre a relação entre o custo direto, como os pagamentos dos dias parados, reabilitação e medicação, e os custos indiretos estima-se ser este quatro a oito vezes maior do que aquele (CCH Austrália apud KENDALL et al, 2000). Os custos indiretos dos prejuízos no local de trabalho incluem o pagamento dos prêmios de seguro, perda de produtividade, custo das horas adicionais de trabalho para realocação do trabalhador e custos envolvendo a administração dos processos judiciais, além do impacto sobre a comunidade como por exemplo, os problemas na família, o desemprego, a perda de perspectivas e de qualidade de vida.

      Sobre o histórico de atividade física, foi observado que os ativos apresentavam uma vivência esportiva muito maior em relação aos sedentários e pouco ativos. Cerca de 73,0% dos sedentários não realizavam atividade física, ou realizavam às vezes, contrariamente aos 72,7% ativos que praticavam muitas vezes ou frequentemente.

      A grande maioria (80,0%) do grupo ativo realiza atividade física regularmente. Os ativos praticam atividade física três ou mais vezes por semana, enquanto 47,6% dos sedentários não fazem nenhuma atividade física regular. Para os sedentários e pouco ativos as caminhadas e corridas moderadas e o futebol ou vôlei são as práticas mais comuns. Enquanto os ativos afirmam praticarem esportes diversos, ou fazem academia, e caminham ou correm moderadamente.

      As atividades de lazer mais freqüentes entre os bancários em geral são os “passeios, praia, viajem, cinema”. Porém, entre os sedentários 19,5% assistem TV, escutam música e lêem e 8,11% afirmam não ter lazer, entre os ativos 48,8% praticam esportes ou fazem atividades diversas. A freqüência semanal de atividades de lazer para o grupo sedentário é de uma vez por semana, para os pouco ativos uma a duas vezes, e os ativos afirmam ser de duas, três ou mais vezes por semana. A qualidade do descanso e do sono foi avaliada como sendo boa pelos grupos pesquisados.

      Quanto aos motivos que interferem prejudicando a prática de atividade física para os bancários em geral, são principalmente, o excesso de carga horária trabalhada, não ter tempo, e não priorizar a prática de atividade física. Para os sedentários a intensidade dos motivos que interferem prejudicando a prática de atividade física são maiores, principalmente o excesso de carga horária trabalhada, falta de tempo, e não priorizar a prática de atividade física. Entre os pouco ativos o motivo que mais prejudica é não ter tempo para praticar atividade física e para os ativos é o excesso de carga horária trabalhada.

      O estilo de vida dos bancários pesquisados se enquadra nos pressupostos da literatura, (FEDÉRATION INTERNATIONALE DE MEDECINE SPORTIVE, 1998; NAHAS, 2001; ANDRADE, 2001) quanto ao seu perfil, em sedentários, pouco ativos e ativos. Embora hajam evidências positivas para a saúde com relação ao estilo de vida e à atividade física, tem-se observado que as pessoas não seguem um estilo de vida adequado, uma vez que os índices de inatividade física são elevados para a maioria da população produtiva. As causas do sedentarismo na vida moderna para Alvarez (2002), estão relacionadas com as mudanças no estilo de vida, que dentre outras conseqüências, reduziu bastante o gasto energético da população, ocasionando as chamadas “Enfermidades da Civilização”. Tratando-se da contribuição da atividade física para a saúde e qualidade de vida em geral, estudos de Andrade (2001) (2004) indicam que trabalhadores ativos relatam como benefícios da atividade física regular o relaxamento, o sentimento de sentir-se melhor, o equilíbrio do estresse e a disposição e vigor para trabalhar. Afirmam que a prática de exercícios produz como efeito, a diminuição da tensão, proporciona ânimo, faz esquecer dos problemas, acalma e combate a depressão. Estudos de Mcauley (1994) e Biddle (1995) indicam que a atividade física regular e o esporte atuam influenciando estados psicológicos positivos e podem agir como um fator de controle do stress e de suas conseqüências. Nahas (2001), afirma que, através da prática sistemática e prazerosa da atividade física ou esportiva é possível administrar melhor o estresse. O estilo de vida assumido pela pessoa em função das suas atitudes, decisões, e contexto social, cultural e econômico, influenciará significativamente na sua qualidade de vida (NAHAS, 2001).

      A análise de variáveis relacionadas ao ambiente de trabalho mostra que a valorização do trabalho dos empregados pela empresa e a carga horária de trabalho foram consideradas ruins pelos bancários em geral. Quanto ao nível de satisfação em relação ao trabalho, nível de motivação para trabalhar e nível de espaço para criatividade foram considerados regulares pelos bancários em geral, já o item qualidade do ambiente de trabalho foi considerado regular com tendência a bom. O ambiente de trabalho foi avaliado um pouco melhor pelos bancários da área logística em comparação com os da agência, porém sem diferenças significativas. Entre os sedentários, pouco ativos e ativos não houve diferenças. Estes resultados mostram que a percepção dos problemas no ambiente de trabalho não é afetada pelo estilo de vida nem pela área em que se trabalha no banco.

      O estudo do ambiente de trabalho também compreendeu a verificação das horas- extras, evidenciando que o trabalho ultrapassa o número de horas contratado, 71,0% dos bancários afirmam fazer hora-extra. Os bancários afirmam trabalhar diariamente, em média, de uma a duas horas-extras. Entre os grupos logística e agência há uma grande diferença na quantidade de horas trabalhadas, sendo que 80,2% do grupo agência faz uma a duas horas- extras diárias, contra 58,5% do grupo logística. É importante destacar o fato destas horas extras não serem totalmente remuneradas ou compensadas, pois apenas 21,5% afirmam receber ou compensar todas as horas-extras trabalhadas e 28,10% afirmam não receber nenhuma hora-extra trabalhada. Esta situação pode ampliar os processos geradores de estresse, pois o excesso de carga horária de trabalho, e trabalho sem remuneração interferem na própria possibilidade de um melhor estilo vida.

      As considerações negativas em relação à valorização do trabalho pela empresa e o excesso de carga horária trabalhada e a avaliação regular das demais variáveis associadas ao ambiente de trabalho, corroboram com a abordagem de Ramos (1983) de que nas situações administrativas ou organizacionais, o indivíduo se encontra ordinariamente em tensão. O grau e conteúdo dessa tensão, no entanto, podem ser mais ou menos deteriorantes, do ponto de vista humano, conforme as qualificações estruturais da organização. Enquadrando as organizações bancárias como organizações utilitárias da tipologia de Etzioni, apud Ramos (1983), ou seja, que requerem o máximo de consenso quanto à produção, quanto à participação e às especificações de performance e às definições do aspecto técnico, os indivíduos que nela trabalham, tendem a obter satisfação no campo dos valores ou da convicção em outras esferas que não no seu ambiente de trabalho (RAMOS,1983).

      Reforçando este posicionamento, agora sob a ótica de Dejours (1998), que afirma ser o conteúdo significativo do trabalho normalmente deixado de lado em função de outras prioridades voltados para o controle e os resultados, que inviabilizam o desenvolvimento de processos produtivos com conteúdo de significação e motivação para os trabalhadores.

      Dejours associa o sofrimento psíquico à insatisfação no trabalho. Analisa que no processo produtivo, a vivência dos trabalhadores nas relações de trabalho pode produzir sentimentos de depressão e diminuição da auto-estima.

      O nível de estresse percebido é de 23,14, ou seja, de média intensidade para a maioria dos bancários. Pode-se considerar que a pessoa conviva com níveis toleráveis de estresse tendo um (isp) abaixo de 28. Constatou-se, porém, que 51 (17,1%) dos bancários estão convivendo com elevados níveis de estresse, ou seja, de acordo com Dejours (1998) estão sujeitos a um conjunto de perturbações psicológicas ou sofrimento psíquico, associado às experiências de trabalho e que causam distúrbios emocionais, tais como ansiedade, depressão, angústia, sensação de fadiga e/ou tristeza crônica, hipersensibilidade a acontecimentos em geral, agressividade e/ ou irritabilidade. A comparação desta pesquisa com o estudo sobre estresse em bancários realizado por Andrade (2001) o qual indicou um nível de estresse ainda mais elevado à época, pode ser justificado principalmente: pela existência de forte pressão para o ingresso nos programas de demissão voluntária (PDV), principalmente para os bancários que tinham mais tempo de serviço; a falta de reajustes salariais num período de oito anos que acarretou a maior defasagem salarial vivida pelos bancários; havia um sentimento de que os bancos públicos estavam sendo preparados para o processo de privatização e a palavra de ordem incutida pela administração era empregabilidade, ou seja, preparação mercado de trabalho fora do banco, o que promovia instabilidade e insegurança nos trabalhadores.

      A relação entre o índice de estresse percebido e o estilo de vida apresentado pelos bancários mostrou que o (isp) dos sedentários é de 24,06, dos pouco ativos 22,18, enquanto o dos ativos é 21,36, indicando que os bancários sedentários são mais estressados, comparativamente aos bancários ativos. A análise da intensidade de algumas variáveis associadas ao estresse entre os bancários dos grupos sedentário, pouco ativo e ativo resultaram em diferenças importantes no nível da auto-avaliação. Foram encontradas diferenças significativas nas variáveis “NT- nível de tensão”, “NP- nível de perfeccionismo” e “NS- nível de estresse”, indicando que o grupo sedentário é mais estressado, tenso e perfeccionista do que o grupo de bancários ativos. Estes dados estão de acordo com os encontrados por Andrade (2001), cuja pesquisa realizada em bancários sedentários e ativos do sexo masculino, evidenciou ser o estilo de vida determinante nos níveis de estresse. Andrade (2001) afirma que o estilo de vida ativo contribui para uma percepção mais positiva em relação às situações estressantes experimentadas pelos bancários, já que ambos os grupos de bancários, vivem num ambiente de trabalho cuja avaliação é semelhante.

      A análise da relação entre o índice de estresse percebido e o local de trabalho mostrou que os bancários da área logística apresentaram um nível de estresse menor do que os do grupo agência, porém sem diferença significativa entre os grupos. Os dados revelam que a área em que se trabalha no banco não determina significativamente o nível de estresse percebido, contrariando o senso comum vivenciado na empresa de que os bancários que trabalham em agência ou postos de atendimento bancário estão sujeitos a índices de estresse expressivamente maiores do que os da área logística.

      Analisando o índice de estresse percebido (isp) em relação aos itens que compõem a avaliação do ambiente de trabalho, verificou-se variância significativa quando submetidos ao teste “t”, as variáveis “MT- nível de motivação para trabalhar”, “AT- ambiente de trabalho”, e “ST- nível de satisfação no trabalho”. Desta forma, os bancários que avaliaram negativamente a sua motivação, o seu ambiente de trabalho, e a sua satisfação no trabalho, apresentaram níveis de estresse mais elevados do que aqueles cuja avaliação foi positiva. Esta constatação é relevante, pois confirma o conceito de estresse no trabalho como um processo causado pelo desequilíbrio entre o indivíduo e o seu ambiente de trabalho (NIOSH apud KENDALL et al 2000).

      Quanto a relação entre o nível de estresse e o gênero, verificou-se que os bancários do sexo masculino apresentaram índice de estresse percebido um pouco mais elevado do que os do sexo feminino, porém sem diferença significativa. A relação entre o estresse e o gênero é bastante controvertida na literatura. Smith et al (2000), consideram que o gênero isoladamente não exerce diferença significativa sobre o nível de estresse ocupacional, mas sim, quando combinados a outros fatores demográficos ou ocupacionais é que se verificam diferenças, tanto para o sexo masculino quanto para o feminino. Estudos de Miyata, Tanaka e Tsuji (1997), citados por Areias e Gimarães (2004), em pacientes de ambulatório mostraram ser o estresse a maior causa de enfermidades entre os homens. No entanto, o estudo de Stuart e Halverson (apud Guimarães 2004) realizado em soldados americanos relatam maior incidência de estresse em mulheres.

      Embora os índices de estresse tenham sido menores para os bancários com maior nível de escolaridade, não houve diferenças significativas. Quanto à faixa etária, os bancários com idade entre 36 e 45 anos apresentaram índice de estresse percebido um pouco maior que os demais, porém, também sem diferença significativa. O estudo de Smith et al (2000) mostram que os índices de estresse mais elevados estão associados aos trabalhadores de meia-idade de 30 a 50 anos, com grau de escolaridade elevado e que trabalham em tempo integral. Para estes autores a magnitude do nível de estresse pode surgir em função direta de se apresentar algumas destas características, embora deva ser considerado que o estresse ocupacional não é conseqüência automática das mesmas.

      Analisando o índice de estresse percebido (isp) em relação à auto-avaliação da produtividade não foi verificada diferença significativa entre os grupos pesquisados. O fato da avaliação da produtividade dos bancários mais estressados ser semelhante a dos menos estressados pode ser justificada pela associação que os bancários fazem da produtividade ser vinculada ao cumprimento de metas estabelecidas pela empresa, ao cumprimento da jornada trabalho que se extende além do que reza o contrato de trabalho, tendo como agravante o não pagamento ou compensação integrais destas horas-extras, bem como, do reconhecimento de sua competência técnica que é constantemente colocada em prova pela dinâmica das mudanças decorrentes dos programas de governo e do próprio sistema financeiro nacional. Desta forma, a avaliação positiva da produtividade dos bancários em geral não leva em consideração o estresse oriundo do seu ambiente de trabalho e negligencia a própria condição de saúde, a qual é ou será afetada negativamente. Nas palavras de Dejours (1998, p. 103): “Para aumentar a produção, basta puxar a rédea do sofrimento psíquico, mas respeitando-

      

    se, também, os limites e as capacidades de cada um, senão arrisca-se fazer descompensar

    ”. uma ou outra, através, por exemplo, de uma crise de nervos

      As principais causas do estresse apontadas pelos bancários em geral foram: “a defasagem e o arrocho salarial”, a “desvalorização humana do trabalhador”, a “politicagem e má administração”, o “excesso de trabalho e responsabilidades” e “muita pressão no trabalho”.

      Analisando as principais causas do estresse em função do estilo de vida, verificou-se que para os sedentários a principal causa de estresse é a “defasagem e o arrocho salarial”, entre os pouco ativos é a “desvalorização humana do trabalhador” e para os ativos é a “politicagem e má administração”. De modo geral, os bancários sedentários apresentam maior intensidade de estresse quando comparados aos pouco ativos e ativos. Houve diferença significativa na variável “falta de tempo para o lazer e o esporte”, comprovando que os sedentários sentem mais a falta de tempo do que os pouco ativos e ativos.

      Tanto para os bancários que trabalham na área logística, como para os da agência, a “defasagem e o arrocho salarial” e a “politicagem e má administração” foram apontadas como sendo fatores causadores de muito estresse. No entanto, os resultados apontam que os bancários que trabalham na agência sofrem significativamente maior intensidade de pressão no trabalho e com o excesso de trabalho e responsabilidades do que os da área logística, confirmando o senso comum existente no banco referente a este assunto.

      O estudo de Rossi et al (1994) identificou como principais causas de estresse ocupacional: a pressão para satisfazer outras pessoas, horas irregulares de trabalho, condições de trabalho insatisfatórias, barulho e falta de interesse pela atividade de trabalho Estabelecendo-se uma relação destas causas de estresse com as apontadas pelos bancários pode-se considerar que a “pressão para satisfazer outras pessoas” é evidenciado na exigência constante do cumprimento das metas estabelecidas, principalmente para os bancários do grupo agência. Quanto “as horas irregulares de trabalho” está associada ao excesso de trabalho e de responsabilidades que promovem as horas-extras diárias trabalhadas e na maioria das vezes não são totalmente remuneradas ou compensadas. Pode-se representar as “condições insatisfatórias de trabalho”, através das considerações do bancários quanto a desvalorização humana do trabalhador, defasagem e o arrocho salarial e a politicagem e má administração. E pode-se concluir a comparação com a “falta de interesse pela atividade”, que

      é caracterizada pela avaliação apenas regular nos níveis de satisfação em relação ao trabalho, nível de motivação para trabalhar e nível de espaço para criatividade.

      Quanto às principais reações psicossomáticas ao estresse apresentadas em ordem de importância pelos bancários em geral foram : “dores de cabeça, “agressividade e mau humor” “insônia”, “falhas na memória”, “conformismo e apatia”, “queda de rendimento no trabalho” “depressão”, “chorar”, “gastrite e úlcera” e “perda de coordenação motora”. A freqüência das reações psicossomáticas é maior nos sedentários em praticamente todas as reações com exceção da insônia, talvez porque muitos bancários ativos pratiquem atividade física no período noturno devido à sua jornada de trabalho. As principais reações ao estresse para os bancários sedentários são as dores de cabeça, a agressividade e o mau humor e para os ativos a insônia e a agressividade e o mau humor. Os resultados indicam que o grupo de bancários sedentários sofre mais freqüentemente de depressão em comparação aos bancários pouco ativos e ativos.

      O impacto do estresse sobre a saúde mental e física dos indivíduos tem sido muito documentado por vários pesquisadores em todo o mundo. Rossi (1994) aponta que o bancário é freqüentemente atingido pelo estresse e apresenta vários problemas psicossomáticos e emocionais decorrentes das demandas de trabalho nos bancos. Morbidades causadas por estresse, como dores de cabeça e depressão foram pesquisadas por Arroba e James (1990), citados por Broadbridge (2002). Irritação manifestada em agressividade e mau humor são relatados em estudos de estresse por Cooper et al (apud Broadbridge 2002). Andrade (2001) também aponta importantes problemas causados pelo estresse em bancários sedentários, tais como, depressão, dor de cabeça, agressividade e mau humor, conformismo e insônia.

      Após a avaliação do estresse entre os bancários, identificação do índice de estresse percebido e suas relações, identificação das causas e as reações ao mesmo, foram investigadas as principais estratégias utilizadas pelos bancários para controlar e combater o estresse.

      As estratégias mais utilizadas pelos bancários em geral para combater e controlar o estresse são: ”descansar, ler ou dar uma curta caminhada”, e “separar o trabalho da vida pessoal”, “não se endividar” e “pensar positivamente sobre a situação de trabalho”. As estratégias menos utilizadas são “não ter ambição” e “explodir e resolver a situação na hora”.

      Analisando as estratégias de controle do estresse em relação ao estilo de vida verificou-se que fazer atividade física é a estratégia mais usada pelos bancários ativos e a menos usada pelos sedentários. A atividade física é cada vez mais, uma prática importante na promoção da saúde e da qualidade de vida do ser humano (SAMUSKY E LUSTOSA, 1996).

      Tratando-se da contribuição da atividade física para a saúde e qualidade de vida em geral Nahas (2001), indica que através da prática sistemática e prazerosa da atividade física ou esportiva, é possível administrar melhor o estresse.

      Os bancários do grupo agência apresentaram uma média mais elevada quanto à freqüência de uso das estratégias de controle, sendo que as mais utilizadas foram “não se endividar”, “separar o trabalho da vida pessoal”, “descansar, ler ou dar uma curta caminhada”, “pensar positivamente sobre a situação de trabalho”, porém não houve diferença significativa.

      O s bancários consideram bom o autocontrole do estresse. A opinião sobre o nível de estresse nas demais áreas do banco é de que ocorre “forte estresse”, ou “extremo estresse” por cerca de 70,0% dos bancários investigados, sendo que, a avaliação da ação do banco no combate ao estresse é bastante negativa, pois 76,0% dos bancários afirmam que o banco não age ou sua ação no combate ao estresse é fraca. Para Broadbridge (2002), geralmente estratégias paliativas de se lidar com a questão do estresse ocupacional são adotadas pelas organizações e pelos indivíduos. Segundo esta autora há a necessidade de um reexame das formas tradicionais de trabalho, estímulo a políticas sobre o estresse e sobre os cuidados relacionados à saúde dos empregados.

      Em relação à produtividade dos bancários, procurou-se inicialmente saber qual o conceito que os mesmos têm a respeito de produtividade (Tabela 15). Para os bancários ser produtivo é principalmente: “exercer as tarefas inerentes à função”, “cumprir as metas/atividades com satisfação” e “prestar bom atendimento aos clientes”, “resolver os problemas com eficiência e eficácia”. Os conceitos menos empregados, no entanto, foram: “cumprir a missão e estratégia do banco” , “achar soluções criativas e inovadoras”, “trabalhar com motivação sendo valorizado”, “ser criativo ou buscar aperfeiçoamento”. Os conceitos de produtividade relatados pelos bancários, corroboram com a visão de Pritchard (1990), que afirma existir pouca concordância na definição do que vem a ser produtividade, embora haja um consenso de que a questão da produtividade é importante e o porquê de sua importância. Dentre algumas definições, produtividade é usada para medir a eficiência ou eficácia dos indivíduos e usada também como sinônimo para saídas (outputs), motivação, performance individual, eficácia organizacional, produção, rentabilidade, competitividade, etc.

      Quando indagados sobre o que é ser produtivo na função ou atividade que desempenham, as respostas mais freqüentes dos grupos pesquisados foram: “cumprir e superar metas propostas”, “atender as demandas com rapidez, eficácia e eficiência”, “executar as atividades inerentes à função” e “prestar bom atendimento aos clientes”. Percebe-se claramente que o conceito de produtividade na função desempenhada no banco está vinculada ao conceito econômico de produtividade, ou seja, a otimização do uso dos recursos empregados (inputs) para a maximização dos resultados desejados (outputs). Pritchard (1990), no entanto, afirma que a produtividade de uma organização não pode ser simplesmente a soma das performances dos indivíduos envolvidos, devido à interdependência organizacional entre a própria organização e os indivíduos que a compõem. A produtividade também inclui a cooperação, quão bem as pessoas são coordenadas e dirigidas, a disponibilidade de recursos necessários e o quanto as prioridades são definidas dentro dos objetivos organizacionais encontrados (PRITCHARD, 1990).

      Um dos conceitos de produtividade na função desempenhada minimamente referidos pelos bancários foram “trazer resultados/motivar a equipe”. Ora, a motivação tem sido o objeto de estudo de várias teorias e escolas administrativas, tendo como preocupação fundamental o incremento da produtividade, exatamente para responder às demandas do mercado, ou então, para criar novas demandas. Estas teorias surgiram exatamente na tentativa de responder determinadas questões como, tornar o trabalho mais aceitável, aumentar o grau de satisfação dos trabalhadores, elevar os níveis de produção e, fundamentalmente projetar um ambiente de trabalho que aumenta a produtividade individual e/ou organizacional (OLEIAS, 2004).

      A comparação entre os grupos logística e agência sobre o que é ser um bancário produtivo e o que é ser produtivo na função desempenhada no banco tornou evidente a diferença entre o conceito desejável de produtividade e o conceito vivenciado. Desta forma, para os bancários da área logística o conceito do que é ser produtivo envolve uma maior preocupação com os fatores internos próprios da área, como executar as atividades com satisfação e as tarefas com qualidade e responsabilidade, e para os bancários da agência, fatores externos como prestar bom atendimento aos clientes (Quadro 4). Porém, o conceito de produtividade na função desempenhada no banco para os bancários da área logística e principalmente (43,6%) os da agência aponta “cumprir as metas propostas” e “atender as demandas com rapidez, eficácia e eficiência” o que reforça o vínculo à maximização dos resultados, colocando em segundo plano os fatores internos e externos próprios de cada área (ver Quadro 5).

      O raciocínio explicitado no parágrafo anterior se confirma através das respostas dos participantes da pesquisa sobre a forma como a produtividade é medida no banco. Para 76,0% dos bancários a produtividade é medida através de “metas/indicadores/venda de produtos”, os demais, consideram “não haver medição adequada”. No grupo agência 88,8% afirma que a medição da produtividade é feita através de “metas/indicadores/venda de produtos” e 29,40% do grupo logística afirma “não haver medição adequada”.

      Quando perguntados sobre a forma de medida da produtividade na função desempenhada, 78,7% do grupo agência considera ser através de “metas/indicadores/venda de produtos” e 35,6% do grupo logística considera “não haver medição adequada”. Fica evidenciado a vinculação no grupo agência ao conceito de maximização dos resultados, e haver maior dificuldade em se mensurar a produtividade na área logística. A dificuldade de mensuração da produtividade, especialmente pela área logística, é característica do setor de serviços. De acordo com Behr (2004) a dificuldade de mensuração da produtividade no setor de serviços é decorrente das suas características de intagibilidade, de inexistência de estoques decorrentes da produção e consumo simultâneos e da participação do cliente no processo de produção. O cliente não participa passivamente no processo de produção, podendo ser co- produtor, ou até mesmo o próprio insumo. O cliente é quem inicia o processo de produção, desta forma, só há prestação de serviço se houver demanda por ele, o que dificulta a medida da produtividade.

      A auto-avaliação da produtividade dos bancários em geral nas dimensões investigadas, (pessoal, geral, chefia/gerente e colegas), mostra que a maioria dos bancários se auto-avaliam como “muito produtivos” ou “totalmente produtivos”. O que fica claro no estudo realizado é que os bancários estão expostos a uma sobrecarga de trabalho, com exigência constante para o cumprimento de metas estabelecidas pela empresa, o que determina uma auto-avaliação de produtividade elevada, apesar terem uma avaliação apenas regular do seu ambiente de trabalho e de sentirem os reflexos negativos que o estresse ocupacional promove sobre a sua condição de saúde.

      6.1 CONCLUSÕES Considerando os objetivos propostos, a fundamentação teórica, a análise e discussão dos resultados, pode-se concluir que: Os bancários participantes da pesquisa apresentam diferenças com relação ao seu estilo de vida e a incidência e controle do estresse, contudo apresentam avaliação semelhante relativamente ao seu ambiente de trabalho e a sua produtividade. A maioria dos bancários investigados tem um estilo de vida sedentário e apresentam nível de estresse moderado, a auto-avaliação da produtividade é alta, apesar do ambiente de trabalho ser considerado apenas regular.

      O estilo de vida dos bancários é semelhante tanto nos que trabalham na área logística do banco quanto nos que trabalham em agências ou postos de atendimento bancário, porém, quanto ao gênero as mulheres mostram-se mais sedentárias do que os homens. Os bancários sedentários caracterizam seu estilo de vida por não fazerem atividade física regular, por apresentarem baixa freqüência semanal de atividades de lazer e por preferirem lazer relaxante. A saúde dos bancários em geral é classificada como boa, embora os relatos de problemas de saúde sejam consideravelmente maiores entre os sedentários do que entre os ativos, ocupando o grupo pouco ativo posição intermediária.

      O estilo de vida dos bancários ativos caracteriza-se pela prática regular de atividade física, lazer freqüente e normalmente associado aos esportes. O histórico de atividade física dos bancários ativos indica que os mesmos apresentavam uma vivência esportiva muito maior comparativamente aos bancários sedentários e pouco ativos. Quanto às ocupações exteriores ao banco, os bancários ativos relataram que estudam ou possuem outro emprego em números expressivamente maiores do que os sedentários ou pouco ativos.

      Os motivos que interferem prejudicando a prática de atividade física para os bancários em geral são principalmente, o excesso de carga horária trabalhada e a falta de tempo, com intensidade maior entre os sedentários. Somados a estes motivos, não dar prioridade à prática de atividade física prejudica a prática regular para os sedentários.

      O ambiente de trabalho é considerado regular pelos bancários em geral. Os níveis de satisfação em relação ao trabalho, motivação para trabalhar e de espaço para criatividade foram considerados regulares e a valorização do trabalho dos empregados pela empresa e a carga horária de trabalho foram consideradas ruins com tendência a regular. O estudo do ambiente de trabalho, que também compreendeu a verificação das horas-extras, evidenciou que o trabalho ultrapassa o número de horas contratado de uma a duas horas em média, especialmente entre os bancários do grupo agência, sem que haja o pagamento ou compensação integrais das horas-extras. Apesar do ambiente de trabalho ser avaliado um pouco melhor pelos bancários da área logística, os resultados não mostraram diferenças significativas entre os grupos estudados, revelando que a percepção dos problemas no ambiente de trabalho não é afetada pela área em que se trabalha no banco, tampouco pelo estilo de vida.

      O nível de estresse percebido é de média intensidade para a maioria dos bancários, porém, parcela expressiva convivem com níveis de estresse acima do considerado tolerável, expondo de forma preocupante sua saúde aos efeitos nocivos do estresse. É importante destacar que os bancários que avaliaram negativamente a sua motivação, sua satisfação no trabalho e o seu ambiente de trabalho, apresentaram níveis de estresse significativamente mais elevados do que aqueles cuja avaliação foi positiva. Da mesma forma, os bancários com maior nível de tensão mostraram-se mais estressados do que aqueles expostos a níveis de tensão mais amenos. Os bancários com avaliação positiva da saúde apresentaram-se significativamente menos estressados em comparação aos que tem saúde regular ou ruim.

      A relação entre estresse e o estilo de vida apresentado pelos bancários indicou que os sedentários são significativamente mais estressados, tensos e perfeccionistas comparativamente aos ativos, assumindo os pouco ativos posição intermediária. A comparação do nível de estresse entre áreas investigadas do banco não apresentou diferença significativa, sendo o nível de estresse um pouco maior no grupo agência do que no grupo logistica.

      As causas do estresse são as mesmas para os grupos estudados, sendo as principais: a defasagem e o arrocho salarial, a desvalorização humana do trabalhador, a politicagem e má administração, excesso de trabalho e responsabilidades e muita pressão no trabalho. No entanto, quanto a intensidade das causas de estresse, o estudo mostra que os bancários do grupo agência sofrem significativamente mais com a pressão no trabalho e com o excesso de trabalho e responsabilidades do que os da área logística. Assim como, a falta de tempo para o lazer e o esporte entre os sedentários causa mais estresse do que para os ativos e pouco ativos.

      As principais reações psicossomáticas ao estresse manifestadas em ordem de importância pelos bancários foram: dores de cabeça, agressividade e mau humor, insônia, falhas na memória, conformismo e apatia, queda de rendimento no trabalho depressão, chorar, gastrite e úlcera. A freqüência das reações psicossomáticas é maior nos sedentários em praticamente todas as reações com exceção da insônia que é maior entre os ativos. Os bancários do grupo agência manifestaram frequência das reações psicossomáticas um pouco maior do que no grupo logística.

      Os bancários adotam como estratégias mais freqüentes para combater e controlar o estresse: descansar, ler ou dar uma curta caminhada, separar o trabalho da vida pessoal, não se endividar e pensar positivamente sobre a situação de trabalho. As estratégias menos utilizadas são não ter ambição e explodir e resolver a situação na hora. Fazer atividade física é a estratégia mais usada para os bancários do grupo ativo, e a menos usada pelos sedentários.

      A opinião dos bancários sobre o nível de estresse nas demais áreas do banco é de que o mesmo seja bastante elevado e de que a ação do banco visando minimizar os efeitos do estresse no local de trabalho é muito pequena.

      Os conceitos de produtividade citados pelos bancários em ordem de importância foram: exercer as tarefas inerentes à função, cumprir as metas/atividades com satisfação, prestar bom atendimento aos clientes, e resolver os problemas com eficiência ou eficácia. Os conceitos menos empregados, no entanto foram: cumprir a missão e estratégia do banco, achar soluções criativas e inovadoras, trabalhar com motivação sendo valorizado, ser criativo ou buscar aperfeiçoamento.

      Os bancários consideram que ser produtivo na função desempenhada no banco é principalmente cumprir ou superar as metas propostas. Somados ao cumprimento das metas, o grupo logística cita fatores internos próprios da área, como executar as atividades com satisfação, ou as tarefas com qualidade e responsabilidade, enquanto para os bancários do grupo agência, fatores externos como prestar bom atendimento aos clientes são também evidenciados.

      A forma de medida da produtividade no banco para grande maioria dos bancários é feita através de metas, indicadores ou vendas de produtos. Esta forma de mensuração da produtividade é reconhecida pela quase totalidade do grupo agência, porém, parcela representativa do grupo logística considera não haver medição adequada da produtividade para a área.

      A auto-avaliação da produtividade dos bancários foi elevada para todos os grupos investigados. O fato da avaliação da produtividade dos bancários mais estressados ser semelhante a dos menos estressados pode ser justificada pela associação que os bancários fazem da produtividade ser vinculada ao cumprimento de metas estabelecidas pela empresa, ao cumprimento de uma jornada trabalho que se extende além do que reza o contrato de trabalho, e do reconhecimento de sua competência técnica que é constantemente colocada em prova pela dinâmica das mudanças decorrentes dos programas de governo e do próprio sistema financeiro nacional. Desta forma, a avaliação positiva da produtividade dos bancários em geral não leva em consideração o estresse oriundo do seu ambiente de trabalho e negligencia a própria condição de saúde, a qual é ou poderá ser afetada negativamente.

      6.2 SUGESTÕES Após a realização deste estudo, com base na análise dos resultados da pesquisa sobre o problema investigado, é possível apresentar algumas sugestões.

      6.2.1 Sugestões acadêmicas

    • Realização de pesquisa semelhante em bancos privados, por apresentarem um grau de instabilidade no emprego mais acentuado, estabelecendo-se comparações entre as Instituições Financeiras Públicas e Privadas.
    • A construção de alternativas ao instrumento de auto-avaliação da produtividade elaboradas nesta pesquisa, para que com base nos dados obtidos se possa aprofundar e aperfeiçoar este
    estudo. Não há dúvida que este trabalho contribuiu para o avanço da análise, mas talvez o processo ainda não esteja concluído. Uma possibilidade seria oferecer alternativas específicas para a auto-avaliação da produtividade dos trabalhadores com índices de estresse diferenciados.

      6.2.2 Sugestões ao sistema bancário

    • Apresentar os resultados da pesquisa à área de saúde da empresa, aos bancários e ao sindicato dos bancários, a fim de possibilitar a tomada de consciência dos problemas levantados, permitindo a ampliação da discussão e reflexão do tema;
    • Necessidade premente de a empresa estimular a participação dos funcionários em programas de atividade física regular, pois a mudança do estilo de vida sedentário ou pouco ativo para um estilo de vida ativo é um fator crucial para promoção da saúde e qualidade de vida do empregado, redução de custos diretos e indiretos resultantes do absenteísmo, permitindo maior controle do estresse no ambiente de trabalho;
    • Desmistificar a existência de diferenças significativas entre os bancários que trabalham em agência ou postos de atendimento bancário e os bancários da área logística. Apesar de haver diferenças, estas não justificam a visão fragmentada e muitas vezes discriminatória, uma vez que, o banco necessita do comprometimento de ambas as áreas, sem distinção, para a consecução de uma melhor performance organizacional.

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    APÊNDICES

      APÊNDICE A - Representação gráfica das médias de atitudes quanto ao ambiente de trabalho entre bancários dos grupos sedentário, pouco ativo e ativo.

      APÊNDICE B - Representação gráfica das médias de atitudes quanto ao ambiente de trabalho entre bancários dos grupos, logística e agência.

      APÊNDICE C - Representação gráfica das médias da auto-avaliação dos níveis de “dificuldade em expressar emoções e sentimentos”, “estresse”, “perfeccionismo”, “ansiedade”, “tensão”, “competitividade”, “ambição” e “agressividade”, dos bancários dos grupos logística e agência.

      APÊNDICE D - Representação gráfica da auto-avaliação da produtividade dos bancários sedentários nas dimensões: pessoal, geral, chefia/gerente e colegas.

      APÊNDICE E - Representação gráfica da auto-avaliação da produtividade dos bancários pouco ativos nas dimensões: pessoal, geral, chefia/gerente e colegas.

      APÊNDICE F - Representação gráfica da auto-avaliação da produtividade dos bancários ativos nas dimensões: pessoal, geral, chefia/gerente e colegas.

      APÊNDICE G - Representação gráfica da auto-avaliação da produtividade dos bancários da área logística nas dimensões: pessoal, geral, chefia/gerente e colegas.

      APÊNDICE H - Representação gráfica da auto-avaliação da produtividade dos bancários do grupo agência nas dimensões: pessoal, geral, chefia/gerente e colegas.

      

    APÊNDICE A - Representação gráfica das médias de atitudes quanto ao ambiente de

    trabalho entre bancários dos grupos sedentário, pouco ativo e ativo.

    • 1

      2

      3 AT ST MT CT

      VT CH Sedentário Pouco Ativo Ativo 0=Péssimo; 1=Ruim; 2=Regular; 3=Bom; 4=Excelente.

      CH

    • Avaliação da "carga horária trabalhada" n=283 S=1,66 sS=1,01 PA=1,98 sPA=1,00 A=1,91 sA=1,09

      VT - Avaliação do "nível de valorização do trabalho pela empresa" n=297 S=1,73 sS=0,95 PA=2,03 sPA=0,90 A=1,59 sA=0,84

      CT - Avaliação do "nível de espaço para a criatividade no ambiente de trabalho" n=297 S=1,98 sS=1,10 PA=2,12 sPA=1,12 A=2,00 sA=1,06

      MT

    • Avaliação do "nível de motivação para trabalhar" n=297 S=2,35 sS=0,89 PA=2,54 sPA=0,83 A=2,20 sA=1,00 ST - Avaliação do "nível de satisfação com relação ao trabalho" n=298 S=2,37 sS=0,91 PA=2,49 sPA=0,89 A=2,20 sA=0,95

      AT - Avaliação do "ambiente de trabalho" n=295 S=2,52 sS=0,73 PA=2,45 sPA=0,81 A=2,56 sA=0,77

      n= Número de sujeitos S= Média Sedentários sS= Desvio padrão Sedentários PA= Média Pouco Ativos sPA= Desvio padrão Pouco Ativos A= Média Ativos sA= Desvio padrão Ativos

      APÊNDICE B - Representação gráfica das médias de atitudes quanto ao ambiente de trabalho entre bancários dos grupos, logística e agência.

      CH AT

      Agência

      CT

      Logística

      MT ST

      VT 0,00 1,00 2,00 3,00 0=Péssimo; 1=Ruim; 2=Regular; 3=Bom; 4=Excelente.

      CH - Avaliação da “carga horária trabalhada” n=275 A=1,87 sA=1,01 L=1,70 sL=1,02 AT - Avaliação do “ambiente de trabalho” n=284 A=2,42 sA=0,82 L=2,59 sL=0,76 CT - Avaliação do “nível de espaço para criatividade no n=286 A=1,94 sA=1,10 L=2,13 sL=1,08 ambiente de trabalho” MT - Avaliação do “nível de motivação para trabalhar” n=286 A=2,35 sA=0,96 L=2,44 sL=0,89 ST - Avaliação do “nível de satisfação com relação ao trabalho” n=287 A=2,37 sA=0,95 L=2,42 sL=0,90

      VT - Avaliação do “nível de valorização do trabalho pela n=286 A=1,69 sA=0,96 L=1,85 sL=0,93 empresa” n= Número de sujeitos A= Média Agência sA= Desvio padrão Agência L= Média Logística sL= Desvio padrão Logística

      APÊNDICE C - Representação gráfica das médias da auto-avaliação dos níveis de

      “dificuldade em expressar emoções e sentimentos”, “estresse”, “perfeccionismo”, “ansiedade”, “tensão”, “competitividade”, “ambição” e “agressividade”, dos bancários sedentários e ativos.

      1

      2

      3 NA NT NP NC NAM NS NAG DES

      Logística Agência 0= nenhum; 1= pouco; 2= médio; 3= muito; 4= extremo

      NA - Avaliação do “nível de ansiedade” n=290 A=2,34 sA=1,02 L=2,20 sL=0,90

    NT - Avaliação do “nível de tensão” n=290 A=2,21 sA=1,01 L=2,04 sL=0,90

    NP - Avaliação do “nível de perfeccionismo” n=290 A=2,71 sA=0,92 L=2,66 sL=0,94 NC - Avaliação do “nível de competitividade” n=290 A=2,10 sA=1,00 L=2,22 sL=0,79 NAM - Avaliação do “nível de ambição” n=290 A=2,00 sA=0,80 L=2,03 sL=0,79 NS - Avaliação do “nível de estresse” n=290 A=2,05 sA=0,98 L=2,05 sL=0,94 NAG - Avaliação do “nível de agressividade” n=290 A=1,13 sA=0,89 L=1,22 sL=0,91 DES - Avaliação do “nível de dificuldade em expressar-se” n=281 A=2,00 sA=1,18 L=1,92 sL=1,14 n= Número de sujeitos A= Média Agência sA= Desvio padrão Agência L= Média Logística sL= Desvio padrão Logística

      APÊNDICE D - Representação gráfica da auto-avaliação da produtividade dos bancários sedentários nas dimensões: pessoal, geral, chefia/gerente e colegas.

      0,0% 10,0% 20,0% 30,0% 40,0% 50,0% 60,0%

      Pe rc e n tu a l Não produtivo Pouco produtivo

      Produtividade média Muita produtividade

      Totalmente produtivo Produtividade

      Pessoal (n=186) Geral (n=186) Chefia (n=184) Colegas (n=184)

      APÊNDICE E - Representação gráfica da auto-avaliação da produtividade dos bancários pouco ativos nas dimensões: pessoal, geral, chefia/gerente e colegas.

      0,0% 10,0% 20,0% 30,0% 40,0% 50,0% 60,0% 70,0%

      Pe rc e n tu a l Não produtivo Pouco produtivo

      Produtividade média Muita produtividade

      Totalmente produtivo Produtividade

      Pessoal (n=71) Geral (n=70) Chefia (n=67) Colegas (n=67)

      APÊNDICE F - Representação gráfica da auto-avaliação da produtividade dos bancários ativos nas dimensões: pessoal, geral, chefia/gerente e colegas.

      0,0% 10,0% 20,0% 30,0% 40,0% 50,0% 60,0%

      Pe rc en tu al Não produtivo Pouco produtivo

      Produtividade média Muita produtividade

      Totalmente produtivo Produtividade

      Pessoal (n=44) Geral (n=44) Chefia (n=43) Colegas (n=43)

      APÊNDICE G - Representação gráfica da auto-avaliação da produtividade dos bancários da área logística nas dimensões: pessoal, geral, chefia/gerente e colegas.

      0% 10% 20% 30% 40% 50% 60%

      Pe rc en tu al Não produtivo Pouco produtivo

      Produtividade média Muita produtividade

      Totalmente produtivo Produtividade

      Pessoal (n=169) Geral (n=168) Chefia (n=166) Colegas (n=167)

      APÊNDICE H - Representação gráfica da auto-avaliação da produtividade dos bancários do grupo agência nas dimensões: pessoal, geral, chefia/gerente e colegas.

      0% 10% 20% 30% 40% 50% 60%

      Pe rc en tu al Não produtivo Pouco produtivo

      Produtividade média Muita produtividade

      Totalmente produtivo Produtividade

      Pessoal (n=121) Geral (n=121) Chefia (n=118) Colegas (n=117)

    ANEXOS

      ANEXO A - Questionário de auto-avaliação do estilo de vida, ocorrência e controle do estresse e produtividade em bancários.

      ANEXO B - Questionário de atividades físicas habituais. ANEXO C - Levantamento Epidemiológico do grupo logística em 2004. ANEXO D - Levantamento Epidemiológico do grupo agência em 2004. ANEXO E - Dados de absenteísmo do grupo logística em 2004. ANEXO F - Dados de absenteísmo do grupo agência em 2004.

      

    ANEXO A - Questionário de auto-avaliação do estilo de vida, ocorrência e controle do

    estresse e produtividade em bancários.

      Atualmente, a qualidade de vida e o problema do stress no trabalho, têm sido uma preocupação de pesquisadores e

    trabalhadores. Esta pesquisa objetiva identificar sua percepção sobre seu estilo de vida, a ocorrência de stress no seu trabalho,

    suas estratégias e ações para controlar o stress, bem como, sua produtividade. As questões formuladas são resultado de uma

    pesquisa prévia feita com bancários, seus colegas de trabalho. Está absolutamente garantido o sigilo total da identidade dos

    participantes desta pesquisa, das agências e do banco pesquisado

      . Este é um questionário fácil de ser preenchido. A Udesc

    juntamente com o Sidicato dos Bancários farão um estudo que permitirá a realização de um projeto de melhoria da qualidade

    de vida no banco. Por isso colega, pedimos sua atenção, pois alguns minutos dedicados a responder este questionário

    poderá ajudar a sensibilizar as instituições bancárias a se preocupar mais com seu maior patrimônio, que são os seus

    empregados.

      Sua participação e opiniões verdadeiras são fundamentais para desenvolver este trabalho. Participe! Sua contribuição é muito importante! Obrigado. Mestrando Alexandre Rodrigo Back. ESAG/UDESC. Prof. Dr. Alexandro Andrade. CEFID-UDESC. Acad. Maick da Silveira Viana. CEFID/UDESC. Acad. Diego I. Cunha Vasconcellos. CEFID/UDESC.

      ORIENTAđỏES PARA O PREENCHIMENTO

      a) Responda todas as questões. Opte sempre pela alternativa que mais se aproxima de sua condição, opinião ou atitude. Para cada item das questões, você deve optar por apenas uma alternativa;

    b) Seja totalmente honesto em suas respostas. Disso depende os bons resultados e as corretas conclusões;

    c)Não escreva seu nome ou qualquer identificação pessoal. Sua identidade não deve ser exposta, pois o que nos

    interessa é sua franca opinião. Quando terminar o preenchimento, deposite o questionário numa urna em seu local de

    trabalho.

      IDENTIFICAđấO FUNCIONAL E CARACTERIZAđấO DO PARTICIPANTE Trabalha em Banco: ( ) Público ( ) Privado ( ) Federalizado.

      Descreva o tipo de função que você exerce no banco:............................................................................................. Trabalha em agência com atendimento ao público ( ) Trabalha em agência sem atendimento ao público ( ) Sexo:_______ Idade:_____ Raça:______ Religião:________ Tempo de serviço:________Estado civil:__________Estatura:______Peso:______ ° Grau; ( ) 2° Grau; ( ) 3° Grau; ( ) Mestrado; ( ) Doutorado. Nível de Escolaridade: ( ) 1

    Sobre suas atividades, você: ( ) Somente trabalha no banco; ( ) Possui outro emprego; ( ) Trabalha e estuda.

      HISTốRICO E CONDIđấO DE SAÚDE 1) Você auto-avalia sua saúde como: ( ) Péssima. ( ) Ruim. ( ) Regular. ( ) Boa. ( ) Excelente.

      2) Com que freqüência você apresenta problemas de saúde:

    ( ) Não fico doente. ( )Poucas vezes25% ( ) Às vezes. 50%. ( )Muitas vezes75%. ( ) Quase sempre.

    3)Com relação às faltas no trabalho (absenteísmo), você: ( ) Nunca falta. ( ) Falta pouco. ( ) Às vezes falta. ( ) Falta muito. ( ) Sempre falta. 4)Com relação a seu peso, você está satisfeito? ( ) Não ( gostaria de diminuir ). ( ) Não ( gostaria de aumentar) ( ) Sim, estou satisfeito.

    5) Você apresentou alguma doença importante? Qual?_________________________________________________

    6) Sua família apresentou alguma doença importante? Qual?____________________________________________

    HÁBITOS DE ATIVIDADE FÍSICA E LAZER 7) Sobre seu histórico de atividade física, você praticou atividade física ou esportes:

    ( ) Não praticava. ( )Poucas vezes25% ( ) Às vezes. 50%. ( )Muitas vezes75% ( )Freqüente/atleta

    8) Que tipo(s) de atividade física ou esportiva você pratica regularmente?_________________________________

    9) Com que freqüência semanal, atualmente, você pratica atividade física ou esporte: ( ) Não pratico. ( ) 1 vez por semana. ( ) 2 vezes por semana. ( ) 3 ou mais vezes.

    10) Descreva quais suas atividades de lazer mais freqüentes: ___________________________________________

    11) Com que freqüência semanal você realiza estas atividades de lazer:( ) 1vez. ( )2 vezes ( ) 3 ou mais vezes.

    12) Como você se desloca para o trabalho? ( ) De carro. ( ) A pé ou bicicleta/Percurso com mais de 800m

    ( ) De ônibus ( ) A pé ou bicicleta/Percurso com menos de 800m

    13) Você geralmente usa as escadas ao invés do elevador? ( ) Sim ( ) Não. 14) Em suas atividades diárias, você passa a maior parte do tempo: ( )Sentado ou caminhando ( )Realizando atividades moderadas/ ( ) Realizando atividades físicas distâncias curtas. Caminhar rápido e tarefas manuais intensas/ Trabalho pesado.

    15) Semanalmente, você participa de algum tipo de dança? ( ) Não ( ) Sim Qual? _______________________

    16) Quando sob tensão, o que você faz para relaxar?___________________________________________________

    17)Quanto a prática de ginástica localizada: ( ) Não pratico ( ) 1x/ sem ( ) 2x/ sem ( ) 3x/ sem ou mais

    18)Quanto a prática de ioga / tai-chi-chuan: ( ) Não pratico ( ) 1x/ sem ( ) 2x/ sem ( ) 3x/ sem ou mais

    19)Quanto a prática de musculação: ( ) Não pratico ( ) 1x/ sem ( ) 2x/ sem ( ) 3x/ sem ou mais

    20)Quanto a jogos como tênis, futebol, vôlei: ( ) Não pratico ( ) 1x/ sem ( ) 2x/ sem ( ) 3x/ sem ou mais

    21)Quanto a prática de exercícios aeróbicos ( ) Não pratico ( ) 1x/ sem ( ) 2x/ sem ( ) 3x/ sem ou mais

    fortes (correr, pedalar, nadar) com + 20 min:

    22) Até que ponto, cada um dos motivos abaixo, interfere prejudicando a sua prática de atividade física ou esportiva.

    Posicione-se, preenchendo o número: 0 = Não interfere (0%); 1 = Interfere pouco (25%); 2 = Interfere parcialmente

    (50%); 3 = Interfere muito (75%); 4 = Interfere totalmente (100%). Problemas econômicos financeiros.

      ( ) Excesso de carga horária trabalhada. ( ) Excesso de responsabilidades familiares. ( ) Não ter tempo para praticar. ( ) Não priorizar a prática da atividade física. ( ) Não gostar de esportes e atividade física. ( )

    Outro motivo: __________________________________ ( )

      Qual dos motivos apresentados acima é o que mais interfere? ________________________________ REPOUSO 23) Numa auto-avaliação de seu repouso e da qualidade de seu descanso, você acredita que o mesmo seja: ( ) Péssimo. ( ) Ruim. ( ) Regular. ( ) Bom. ( ) Excelente. 24)Numa auto-avaliação da qualidade de seu sono, você acredita que o mesmo seja: ( ) Péssimo. ( ) Ruim. ( ) Regular. ( ) Bom. ( ) Excelente.

      AMBIENTE DE TRABALHO E FAMILIAR

    25)Com relação ao seu ambiente de trabalho, posicione-se preenchendo o número: 0 = Nenhum/ péssimo (0%); 1 =

    Pouco/ ruim (25%); 2= Médio/ regular (50%); 3 = Muito/ bom (75%); 4 = Totalmente/ excelente (100%).

      Qual o número médio de horas extras trabalhadas diariamente?(Preencha o número de horas extras) ( ) Quanto ao pagamento das horas extras, ocorre compensação para o funcionário? ( ) Qual sua avaliação da questão da carga horária de trabalho na vida dos funcionários? ( ) Qual sua avaliação do ambiente de trabalho?

      ( ) Existe espaço para que você crie coisas novas e se autodesenvolva no trabalho? ( ) Qual seu nível de motivação para o trabalho?

      ( ) Qual seu nível de satisfação com relação ao seu trabalho? ( ) Qual sua avaliação da valorização do trabalho e dos funcionários pela empresa? ( ) PRODUTIVIDADE 26) O que você considera ser um bancário produtivo? ....................................................................................................................................................................................... ....................................................................................................................................................................................... 27) Em sua função no banco, o que é “ser produtivo”? ....................................................................................................................................................................................... ....................................................................................................................................................................................... 28) Como é medida a produtividade no banco? ....................................................................................................................................................................................... ....................................................................................................................................................................................... 29) Como é medida a produtividade em sua função? ....................................................................................................................................................................................... ....................................................................................................................................................................................... 30) Como você auto-avalia a sua produtividade pessoal na sua função exercida no banco? ( )Não produtivo. ( ) Pouco produtivo. ( )Produtividade ( ) Muito produtivo. ( ) Totalmente média produtivo. 31) Como você se auto-avalia com relação a sua produtividade geral no banco? ( )Não produtivo. ( ) Pouco produtivo. ( )Produtividade ( ) Muito produtivo. ( ) Totalmente média produtivo. 32) Como em sua opinião, seu chefe/gerente imediato, avalia sua produtividade? ( )Não produtivo. ( ) Pouco produtivo. ( )Produtividade ( ) Muito produtivo. ( ) Totalmente média produtivo. 33) Como, em sua opinião, seus colegas de trabalho, avaliam sua produtividade? ( )Não produtivo. ( ) Pouco produtivo. ( )Produtividade ( ) Muito produtivo. ( ) Totalmente média produtivo.

      AUTO-AVALIAđấO DA OCORRÊNCIA E CONTROLE DO STRESS

    34)Faça uma auto-avaliação quanto aos itens abaixo, posicionando-se, preenchendo o número: 0 = Nenhum (0%); 1 =

    Pouco (25%); 2 = Médio (50%); 3 = Muito (75%); 4 = Extremo (100%). Você é ansioso? Nível de ansiedade.

      ( ) Você é tenso? Nível de tensão. ( ) Você é perfeccionista? Nível de perfeccionismo. ( ) Você é competitivo? Nível de competitividade. ( ) Você é ambicioso? Nível de ambição. ( ) Você é estressado? Nível de stress. ( ) Você é agressivo? Nível de agressividade. ( ) Em geral, você guarda para si os seus problemas e suas emoções? Tem dificuldade em expressa-las? ( )

      35) Assinale as respostas que lhe pareçam mais próximas de sua realidade, preenchendo o número: 0 = Nunca; 1 = Pouco; 2 = Às vezes; 3 = Regularmente; 4 = Sempre. a)Você é incomodado por acontecimentos inesperados? ( ) b)É difícil controlar as coisas importantes de sua vida? ( ) c)Você se sente nervoso e estressado?

      Qual das causas acima é a mais importante? __________________________________________ 37) Quanto às reações psicossomáticas que você já experimentou em função do stress, preencha 0= Nunca apresentou(0%); 1= Poucas vezes(25%); 2= Médio(50%); 3= Muitas vezes(75%); 4 = Freqüentemente(100%). Depressão.

      ( ) Não ter ambição no trabalho. ( ) Separar o trabalho da vida pessoal. ( ) Descansar, ler, dar uma curta caminhada. ( ) Outra estratégia: ____________________________________________ ( )

      ( ) Explodir e resolver a situação na hora. ( ) Adaptar-se a situação estressante. ( ) Evitar a situação estressante. ( ) Não se endividar. ( ) Pensar positivamente sobre a situação de trabalho.

      ( ) Concentração buscando controle.

      ( ) Qual das reações apresentadas acima é a mais importante?__________________________________

    38) Quais são suas estratégias mais freqüentes para combater o stress? Preencha o número: 0 = Não utilizo (0%); 1 =

    Poucas vezes (25%); 2 = Às vezes (50%); 3 = Muitas vezes (75%); 4 = Sempre (100%). Fazer atividade física.

      ( ) Queda no rendimento do trabalho. ( ) Outra reação: ______________________________

      ( ) Agressividade e mau humor. ( ) Dor de cabeça. ( ) Conformismo e apatia. ( ) Insônia. ( ) Falhas de memória. ( ) Chorar. ( ) Gastrite ou úlcera. ( ) Perda da coordenação motora.

      ( ) Problemas familiares. ( ) Outra causa: ______________________________________________________________ ( )

      ( ) d)Você já pensou que não poderia assumir todas as suas tarefas? ( ) e)Você se sente irritado quando os acontecimentos saem de seu controle? ( ) f)Você já se surpreendeu com pensamentos como por ex:“deveria melhorar minha qualidade de vida”? ( ) g)Você acha que as dificuldades se acumulam a tal ponto de não poder controlá-las? ( ) h)Você gerencia bem os momentos tensos?

      Informatização do trabalho.

      ( ) Insegurança quanto ao emprego e ao futuro. ( ) Muita pressão no trabalho. ( ) Excesso de trabalho e responsabilidades. ( ) Falta de tempo para o lazer e o esporte. ( ) Falta de oportunidades claras e concretas de crescimento profissional na empresa. ( )

      ( ) Defasagem e arrocho salarial.

      ( ) n)Você sente que as coisas avançam de acordo com sua vontade? ( )

    36) Com relação às causas de stress, posicione-se preenchendo o número: 0 = Nenhum/ não é causa de stress (0%); 1 =

    Causa pouco stress (25%); 2 = Médio (50%); 3 = Causa muito stress (75%); 4 = Causa extremo stress (100%). Desvalorização humana do trabalhador pela empresa. ( ) Politicagem e má administração.

      ( ) k)Você enfrenta eficazmente as mudanças importantes de sua vida? ( ) l)Você se sente confiante em resolver seus problemas de ordem pessoal? ( ) m)Você gerencia bem o seu tempo?

      ( ) i)Você enfrenta com sucesso os pequenos problemas do cotidiano? ( ) j)Você sente que domina bem as situações?

      Qual das estratégias acima é a mais importante?________________________________________

      39) Em sua auto-avaliação, o seu autocontrole do stress é: ( ) Péssimo. ( ) Ruim. ( ) Regular. ( ) Bom. ( ) Excelente. 40) Em sua avaliação, o stress nas demais agências do banco é:

    ( ) Não ocorre 0%. ( )Baixo stress 25%. ( ) Médio 50%. ( )Forte stress 75%. ( ) Extremo 100%.

    41) Em sua avaliação, a ação da empresa no controle e combate ao stress é:

    ( ) Não ocorre 0%. ( ) Fraca 25%. ( )Moderada 50%. ( ) Forte 75%. ( )Total ação 100%.

      ANEXO B - Questionário de atividades físicas habituais.

      Obs. Este questionário está incluído no “questionário de auto-avaliação do estilo de vida, ocorrência e

    controle do stress” (ANEXO A), inserido nas questões de número 13 a 22. Neste caso, os bancários respondem

    ao questionário e, posteriormente, o pesquisador faz a pontuação e a classificação entre sedentário e ativo.

      Você é fisicamente ativo(a)? Para cada questão respondida SIM, marque os pontos indicados à direita. A soma dos pontos é um

    indicativo de quão ativo(a) você é. A faixa ideal para a saúde da maioria das pessoas é ativo(a) = 12 a 20 pontos.

      Atividades ocupacionais diárias Pontos

      1.Eu geralmente vou e volto do trabalho (ou escola) caminhando ou de bicicleta (ao menos 800 m

      3 cada percurso)

      2. Eu geralmente uso as escadas em vez do elevador

      1

      3. Minhas atividades diárias podem ser descritas como:

      a- Passo a maior parte do tempo sentado e, quando muito, caminho distâncias curtas

      b- Na maior parte do dia, realizo atividades físicas moderadas, como caminhar rápido ou executar

      4 tarefas manuais c- Diariamente realizo atividades físicas intensas (trabalho pesado)

      9

      4. Atividades de lazer Meu lazer inclui atividades físicas leves, como passear de bicicleta ou caminhar ( duas ou mais 2 vezes por semana

      5. Ao menos uma vez por semana participo de algum tipo de dança

      2

      6. Quando sob tensão, faço exercícios para relaxar

      1

      7. Ao menos duas vezes por semana faço ginástica localizada

      3

      8. Participo de aulas de ioga ou tai-chi-chuan regularmente

      2

      9. Faço musculação duas ou mais vezes por semana

      4

      10. Jogo tênis, basquete, futebol ou outro esporte recreacional, 30 minutos ou mais por jogo:

      a- uma vez por semana

      2

      b- duas vezes por semana

      4

      c- três ou mais vezes por semana

      7

      11. Participo de exercícios aeróbicos fortes (correr, pedalar, remar, nadar), 20 minutos ou mais por seção: a- uma vez por semana

      3

      b- duas vezes por semana

      6

      c- três ou mais vezes por semana

      10 TOTAL DE PONTOS ( ) Classificação: 0 - 5 pontos = Inativo 6 - 11 pontos = Moderadamente ativo 12 - 20 pontos = Ativo 21 ou mais pontos = Muito ativo.

    • Questionário elaborado por Russel R. Pate - University of South Carolina/EUA, adaptado por

      ANEXO E - Dados de absenteísmo do grupo logística em 2004.

      ANEXO F - Dados de absenteísmo do grupo agência em 2004

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