UNIVERSIDADE TECNOLÓGICA FEDERAL DO PARANÁ PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM TECNOLOGIA E SOCIEDADE – PPGTE GILBERTO GNOATO

0
0
247
1 month ago
Preview
Full text

UNIVERSIDADE TECNOLÓGICA FEDERAL DO PARANÁ PROGRAMA DE PốS-GRADUAđấO EM TECNOLOGIA E SOCIEDADE

  Trata-se de uma imensa quantidade de comentáriose perguntas feitas por mulheres que acessaram o site eletrônico entre janeiro de 2011 e agosto de 2014, com o intuito de obterem uma resposta sobre seu sofrimentoamoroso, na procura obsedante de uma melhor conduta emocional para a sua vida conjugal. Ele é o produto de duas plataformastecnológicas que o antecederam: o Programa 91 Minutos da rádio Rock 91.3 FM no qual atuei como comentarista de 2006 até a rádio sair do ar em 2010, e o Programa Light News da rádio Transamérica Light 95.1 FM, todas as quartas-feiras, das 7h às 8h, no qual o pesquisador atua desde 2011 na função de comentarista.

Conselho Nacional de Justiça

  Trata-se de uma imensa quantidade de comentáriose perguntas feitas por mulheres que acessaram o site eletrônico entre janeiro de 2011 e agosto de 2014, com o intuito de obterem uma resposta sobre seu sofrimentoamoroso, na procura obsedante de uma melhor conduta emocional para a sua vida conjugal. Ele é o produto de duas plataformastecnológicas que o antecederam: o Programa 91 Minutos da rádio Rock 91.3 FM no qual atuei como comentarista de 2006 até a rádio sair do ar em 2010, e o Programa Light News da rádio Transamérica Light 95.1 FM, todas as quartas-feiras, das 7h às 8h, no qual o pesquisador atua desde 2011 na função de comentarista.

Bourdieu (2011), o poder simbólico funciona como “modos de dominação” e opera profundamente no sistema de crenças impedindo que se perceba que a forma de se

  Tanto nos comentáriossobre as brigas de casais e outras práticas da vida cotidiana como as práticas do jeitinho brasileiro; que a reação daquele que reclama, acaba por reproduzir o problemaem vez de solucioná-lo à medida que a parte queixosa que se apresenta como prejudicada não se percebe como parte do problema. Na análise da antropóloga, notamos também a incorporaçãode um discurso cultural muito difundido no Brasil: o entendimento de que o homem precisa mais de sexo que a mulher e pode “buscar fora do relacionamento que não tem em casa”, expressão muito difundida pelas mulheres, na nossa sociedade.

A racionalização de situações que envolvem conflitos tem uma função protetora para a “vítima”, pois ao conceber que o problema não é dela ou que ela

  Trata-se de uma pesquisa de “Observação Participante” realizada entre fevereiro de 1982 e junho de 1983 na primeirainstituição brasileira que prestou assistência a mulheres vítimas de agressão de seus companheiros, 1.2 ESTUDO PILOTO: ANÁLISE DO QUESTIONÁRIO ONLINEE m meados de 2012, o número de acesso ao site progrediu volumosamente eisso produziu uma reflexão acerca de quem seriam essas pessoas. Bater na mulher e nos filhos era considerado um meio normal para o chefe de famíliaser o senhor de sua casa Dados mais recentes do Instituto de Medicina Legal de Paris, em 2002, dão conta de que metade das mortes de mulheres que ocorreram na capital francesa, entre1999 a 2000, foram cometidas por seus cônjuges (HÉRITIER, 2002, p. 114).

Mulher” desta tese. De acordo com o que mostra o Mapa, é neste período de vida em que a mulher sofre mais agressão física e psicológica. Quase 50% dos atendimentos de

  Após sua leitura, já em meio à tese,percebemos a importância de incluí-lo no nosso trabalho, como um Estudo de Caso, não apenas por se tratar de uma situação vivida em Curitiba, uma das capitais ondea violência contra a mulher é muito expressiva, como por se tratar de uma categoria de mulheres bem diferenciada do nosso corpus de pesquisa. É fato que a cobrança do homem como sendo violento e dominador, reforçada ainda mais em sociedades de forte presença patriarcal, é um imperativo Em dezembro de 2012, as redes de TV e de jornais publicaram os resultados de uma pesquisa divulgada pelo Ministério da Saúde através do SUS, acerca doassassinato de mulheres no Brasil.

Fundado no final dos anos de 1980, as funcionárias do SOS-Mulher ocuparam o lugar de “teólogas da mulher” à medida que tentaram converter as vítimas da violência física

  Também optamos por uma categoria de mulheres mais abastadas, por consideramos que a maioria dos estudos de violência de gêneroenfoca populações de baixa renda, justificando a permanência da mulher em situação de risco conjugal, por sua dependência econômica. Quero dizer o seguinte: a ideia de que existe, em um determinado lugar, ou emanado de um determinado ponto, algo que é umpoder, me parece baseada em uma análise enganosa e que, em todo caso, não dá conta de um número considerável de fenômenos.

Salienta-se aqui, a dimensão heterogênea do dispositivo que na aparência incauta, parece harmonioso, dado o “conjunto” de “proposições”. No entanto, Foucault

  1.11 SOBRE A AUTORIA DA TESEDe fato, todas as bancas de tese se põem a indagar ao candidato sobre os De onde vêm, quem os escreveu; pede-se que o autor preste contas da unidade de textos posta sob seu nome; pede-se-lhe que revele, ou ao menos quesustente, o sentido oculto que os atravessava; pede-se-lhe que os articule com sua vida pessoal e suas experiências vividas (FOUCAULT, 2012, p. 26). Entendemos que o lugar do pesquisador é dialógico-relacional com o grupo de pesquisa ao qual pertence no Programa de Pós-Graduação em Tecnologia eSociedade Como assevera Foucault (2012, p. 63), não existe um discurso unitário e nem a própria Análise de Discurso possui possibilidades de englobar todos os discursos ea totalidade do objeto de investigação, obra esta sempre inacabada.

TABELA 1 – Mortalidade em conflitos armados no mundo País/conflito Natureza do conflito Período Anos de duração N. de mortes Mortes/ano

  Essa foi a constituição de nação com o genocídio dos indígenas pelos portugueses, com a escravidão de quatro séculos, com o coronelismono campo, com a política enquanto lugar majoritário dos homens; com a proibição das mulheres de votarem até 1930, com as ditaduras civis e militares até 1980. São essascondutas particulares norteadoras de vantagens, prerrogativas e benefícios,12 colocadas sempre acima da lei, das regras e dos acordos que conduzem a forma de Dados da Organização Mundial da Saúde (2016) publicados pela mídia nacional em 6 de junho de Nosso problema com a lei, seja na sua sanção ou na sua sujeição, está arraigado em todos os setores da sociedade.

Até o final dos anos de 1970, usava- se a expressão “crimes de paixão”. Embora

  de Araújo, 46anos, invadiu a casa onde cerca de 20 pessoas, quase todas da mesma família, que comemoravam o ano novo, e matou a esposa, seu filho de oito anos e mais doze pessoase depois se matou. A tese de doutorado de Maria IsabelFerraz analisou a violência conjugal e afirma que em 80% dos casos de violência contra a mulher, o agressor tinha um laço afetivo muito forte com a vítima, segundo dados fornecidos pela Central deAtendimentos à Mulher de Curitiba, 2015.

Tabela 2 – Número e taxas de homicídio (em 100 mil). Brasil entre 1980 e 2010 ANO HOMICÍDIOS N. Taxas

  Quanto à relação entre idade e aprovação do linchamento, mais surpreendente é que os jovens apoiam maisesse ato de vingança do que os mais velhos, retratando uma cultura da violência à medida que ela se transmite e se potencializa de geração para geração, agregando-se ao sistema de crenças da nossa sociedade. Há um discurso da violência instituído nos costumes e valores do senso comum como na lógica de muitos políticos e publicitários que difundem símbolos e práticas,como a castração para o estuprador, a pena de morte e o “pau de arara”.

TABELA 3 – Meios utilizados (%) nos homicídios, por sexo (Brasil 2013). Meio/instrumento Feminino Masculino

  A análise do Mapa da Violência 2015 acerca do homicídio internacional de mulheres nos leva a pensar que as teorias econômicas e da igualdade social não sãosuficientes para esgotar o fenômeno do homicídio de mulheres no Planeta, pois emCuba, país socialista e politizado, o índice de assassinato de mulheres é maior que oíndice dos Estados Unidos, país capitalista e consumista. Na época, aspreocupações incidiam sobre a relação entre a violência e a juventude: “os meios de comunicação têm privilegiado a adolescência como um momento de produção daviolência, como agressora destacando seu desenvolvimento com a delinquência e a criminalidade” (WAISEFISZ, 1998, p. 11).

TABELA 4 – Taxas de homicídios femininos (em 100 mil mulheres), em 84 países do mundo País Ano Taxa Posição

  Ressaltamos que os índices se referem apenas a homicídio, sem contarcom as diversas outras formas de violência contra a mulher, como o estupro, o assédio sexual, o cárcere privado e a imensa variação de violência física e psicológica. No entanto, segundo Machado eMagalhães (1998, p. 3): estudos mais recentes sobre violência doméstica no Brasil, especialmente nos anos noventa, reconhecem atitudes que levam mulheres a se manteremem relações de violência e até mesmo a contribuírem para a continuidade do jogo, não só nos campos da psicologia e da psicanálise quanto no campo dosestudos de gênero e estudos feministas.

TABELA 5 – Taxas de homicídios de mulheres (por 100 mil), em 83 países do mundo País Ano Taxa Posição

  Acreditava-se que o processo de modernização balizaria umasociedade mais “civilizada”, na qual o novo modelo das relações interpessoais a tornaria mais refinada e mais dócil, jogando para o passado e para as margens sociais a violênciainterpessoal: a grosseria e a incivilidade dos “maus pobres” e das culturas não civilizadas. Outras pesquisadoras também se alinham com Priore: temos algumas feministas que, seguindo o modelo de ética comunicativa de Habermas, não reclamam o fim dos arranjos de gênero presentes, mas, aoinvés disso, defendem a possibilidade de um encontro moral e dialógico entre homens e mulheres, onde cada parte reconheça a outra (COSTA,1994, p. 165).

Chauí intitulado “Participando do debate sobre mulher e violência”. Nele, a pesquisadora concebe a violência contra a mulher como uma ideologia que define a

  Os discursos que estão na origem de certo número de atos novos de fala que os remontam, os transformam ou falam deles, ou seja, os discursos que19 indefinidamente, para além da sua formulação, são ditos e estão ainda porMiriam Pillar Grossi: Doutora em Antropologia pela Universidade de Paris V e pós doutora nolaboratório de Antropologia Social do Collège de France. Nãopoderíamos descartar o fato de que quase todas as correntes da Psicologia e da Psicanálise que tratam do desenvolvimento humano, adotam as “teorias da criação”, ou seja, a premissa de a formação familiar,sobretudo a qualidade das relações dos filhos com os pais, é um processo determinante para o futuro amoroso dessas pessoas.

Os relatos do SOS-Mulher, letras de músicas, filmes, livros, e outros elementos dos “dispositivos” (FOUCAULT, 1982, p. 244) que se apresentam por todas as partes

  Presumimos que até o final dos anos de 1970 e começo dos anos de 1980, fosse historicamente necessário alimentar ateoria da denúncia contra os homens, centralizando as teorias, as pesquisas e a militância, contra eles, para dar visibilidade social a uma situação que até então davao direito ao homem de agredir, ou matar a esposa, em legítima defesa da honra. Defendemos uma abordagem da violência contra as mulheres como uma relação de poder,entendendo-se o poder não de forma absoluta e estática, exercido via de regra pelo homem sobre a mulher, como quer-nos fazer crer a abordagem dadominação patriarcal, senão de forma dinâmica e relacional, exercido tanto por homens como por mulheres, ainda que de forma desigual.

TABELA 6 – Número e estrutura (%) de atendimentos de mulheres pelo SUS, segundo tipo de violência e etapa do ciclo de vida (Brasil, 2014) Número % Cri Ad Jovem Ad Ido T Cri Ad Jovem Ad Ido T o o anç o u anç o u sa sa tal tal Tipo de les lt les lt violência a a a a

  Assim, consideramos que a proposta interpretativa da análise de discurso é uma das opções para se entender que aquém da materialidade e do poder vertical,físico e assimétrico há outros poderes, pois mesmo que se prenda o indivíduo violento, não se aprisiona o dispositivo discursivo cultural da violência. Convém lembrar que no século XVI, Etienne de La Boétie seinquietava com a “servidão voluntária” ao se perguntar: “que monstro de vício é esse, que ainda não merece o título de covardia, que não encontra um nome feio obastante, que a natureza nega- se a ter feito, e a língua se recusa a nomear?” (LABOÉTIE, 1982, p. 125).

Strauss, ou O Ensaio sobre a dádiva de Marcel Mauss, ajudam-nos a entender o casamento como um “sistema de trocas”. Embora o casamento seja para Strauss

  O dispositivo de sexualidade exige a prática sexual dos casais e a obrigação do sexotorna-se prazer e sofrimento, pois se de um lado traz o gozo, do outro é fonte do ciúme, da traição e do poder de um corpo sobre o outro, de satisfação e insatisfação. Ele não nega, é um homem maravilhoso comigo....porém quando percebo que ele olha esses sites e ou descubro que se cadastroucom um perfil, me deixou infeliz, triste, e com auto estima baixa, sinto que não sou mulher o suficiente para ele e que qualquer mulher é muito mais bonita eatraente que eu, mesmo sabendo que sou um bela mulher, atraente e desejável.

Novo documento

RECENT ACTIVITIES

Tags

Documento similar

UNIVERSIDADE FEDERAL DE SÃO CARLOS PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM CIÊNCIA, TECNOLOGIA E SOCIEDADE DISSERTAÇÃO DE MESTRADO
0
0
118
UNIVERSIDADE FEDERAL DE SÃO CARLOS CENTRO DE EDUCAÇÃO E CIENCIAS HUMANAS PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM CIÊNCIA, TECNOLOGIA E SOCIEDADE
0
0
161
UNIVERSIDADE FEDERAL DE SÃO CARLOS CENTRO DE EDUCAÇÃO E CIÊNCIAS HUMANAS PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM CIÊNCIA, TECNOLOGIA E SOCIEDADE
0
0
182
UNIVERSIDADE FEDERAL DE SÃO CARLOS CENTRO DE EDUCAÇÃO E CIÊNCIAS HUMANAS (CECH) PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM CIÊNCIA, TECNOLOGIA E SOCIEDADE
0
0
413
UNIVERSIDADE FEDERAL DO PARÁ INSTITUTO DE TECNOLOGIA – ITEC PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM ENGENHARIA QUÍMICA
0
0
98
UNIVERSIDADE TECNOLÓGICA FEDERAL DO PARANÁ CAMPUS PONTA GROSSA DEPARTAMENTO DE PÓS-GRADUAÇÃO PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM ENGENHARIA DE PRODUÇÃO PPGEP
0
0
111
UNIVERSIDADE FEDERAL DO PARÁ – UFPA INSTITUTO DE TECNOLOGIA – ITEC PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM ENGENHARIA ELÉTRICA
0
0
122
UNIVERSIDADE FEDERAL DO PARÁ – UFPA INSTITUTO DE TECNOLOGIA – ITEC PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM ENGENHARIA ELÉTRICA
0
0
117
UNIVERSIDADE TECNOLÓGICA FEDERAL DO PARANÁ
0
0
6
UNIVERSIDADE TECNOLÓGICA FEDERAL DO PARANÁ
0
0
7
UNIVERSIDADE TECNOLÓGICA FEDERAL DO PARANÁ CAMPUS DOIS VIZINHOS CURSO DE BACHARELADO EM ZOOTECNIA
0
0
16
UNIVERSIDADE TECNOLÓGICA FEDERAL DO PARANÁ PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM ZOOTECNIA SONIA SANTOS
0
0
121
UNIVERSIDADE TECNOLÓGICA FEDERAL DO PARANÁ – UTFPR CÂMPUS – DOIS VIZINHOS PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM ZOOTECNIA
0
0
47
UNIVERSIDADE TECNOLÓGICA FEDERAL DO PARANÁ PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM AGRONOMIA MARCIELA RODRIGUES DA SILVA
0
0
92
UNIVERSIDADE TECNOLÓGICA FEDERAL DO PARANÁ PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM AGRONOMIA JUSSARA MARIA FERRAZZA
0
0
72
Show more