LUIZ GONZAGA MACIEL ARAUJO O PAPEL DA EDUCAÇÃO COMO ELEMENTO CHAVE PARA A COMPREENSÃO DAS DESIGUALDADES SOCIAIS NO CEARÁ

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UNIVERSIDADE FEDERAL DO CEARÁ

FACULDADE DE ECONOMIA, ADMINISTRAđấO, ATUÁRIA,

CONTABILIDADE E SECRETARIADO EXECUTIVO

CURSO DE ECONOMIA

LUIZ GONZAGA MACIEL ARAUJO

  

O PAPEL DA EDUCAđấO COMO ELEMENTO CHAVE PARA A

COMPREENSÃO DAS DESIGUALDADES SOCIAIS NO CEARÁ

FORTALEZA

2013

  O PAPEL DA EDUCAđấO COMO ELEMENTO CHAVE PARA A COMPREENSÃO DAS DESIGUALDADES SOCIAIS NO CEARÁ Monografia apresentada à Faculdade de Economia, Administração, Atuária, Contabilidade,Secretariado

  Executivo, como requisito parcial para obtenção do grau de Bacharel em Ciências Econômicas ORIENTADOR:---------FABIO MAIA SOBRAL

  FORTALEZA 2013 Dados Internacionais de Catalogação na Publicação Universidade Federal do Ceará Biblioteca da Faculdade de Economia, Administração, Atuária e Contabilidade A69p Araujo, Luiz Gonzaga Maciel.

  O papel da educação como elemento chave para a compreensão das desigualdades sociais no Ceará / Luiz Gonzaga Maciel Araujo - 2013. 43 f.: il. Monografia (graduação) – Universidade Federal do Ceará, Faculdade de Economia,

Administração, Atuária e Contabilidade, Curso de Ciências Econômicas. Fortaleza, 2013.

Orientação: Prof. Dr. Fabio Maia Sobral.

  1.Iniquidade social 2.Educação - Ceará I. Título CDD 330

  

LUIZ GONZAGA MACIEL ARAUJO

O PAPEL DA EDUCAđấO COMO ELEMENTO CHAVE PARA A

COMPREENSÃO DAS DESIGUALDADES SOCIAIS NO CEARÁ

Esta monografia foi submetida à Coordenação do Curso de Economia, como

parte dos requisitos necessários à obtenção do título de Bacharel em Ciências

Econômicas, outorgado pela Universidade Federal do Ceará – UFC e encontra-

se à disposição dos interessados na Biblioteca da referida Universidade.

A citação de qualquer trecho desta monografia é permitida,desde que feita de

acordo com as normas de ética científica.

  

Data da aprovação____/____/_____

____________________________________________ Nota

Prof. Fabio Maia Sobral

Prof. Orientador

  ____________________________________________ Nota

Prof(a).

  

Membro da Banca Examinadora

_________________________________________________ Nota

Prof(a)

Membro da Banca Examinadora

  

RESUMO

ARAUJO,Luiz Gonzaga Maciel. O Papel da Educação Como Elemento Chave Para A Compreensão Das Desigualdades Sociais No Ceará

  O presente estudo tem como meta identificar as causas das desigualdades sociais, para isto analisando dados de algumas variáveis sócios-econômicos usando a educação, como principal fator associado às desigualdades; além de análises dos contextos sócio-históricos tanto nacional como estadual, bem como o detalhamento de dados de órgãos oficiais como IBGE,

  IPEA entre outros. Para tal objetivo esta monografia foi separada por três seções, a primeira sobre a desigualdade social, a segunda sobre a educação e a terceira sobre a educação e sua relação com outras variáveis sócio-econômicas, uma vez que esta fora usada como peça chave para explicar as desigualdades, chegando-se a conclusão de que ela surgiu a partir do surgimento da propriedade privada aprofundado-se após as idéias Iluministas que culminaram nas principais revoluções burguesas da história, como a Revolução Industrial e a Francesa que não por acaso viam na propriedade privada um direito. Para ONU eliminar as desigualdades é uma tarefa urgente, visto que a igualdade é boa para o crescimento, tornando-o mais eficaz na hora de reduzir a pobreza, certo de que o crescimento econômico é fundamental para o desenvolvimento econômico, ou seja, a chave da pobreza existente no mundo é a desigualdade, que em nosso país é histórica, pois ela fora marcada desde a época Colonial e das várias relações de interações que houve entre as diferentes etnias envolvidas e, assim, no Ceará, como em grande parte do Nordeste, as desigualdades foram causadas pelas más distribuições de terras, principalmente no interior, causando o êxodo rural que por sua vez levou à outros problemas sócio-econômicos nas cidades como as drogas, violência, marginalização, prostituição, entre outros e um dos caminhos para se chegar ao desenvolvimento é com a educação visto ser ela considerada um dos fatores cruciais para o desenvolvimento ou subdesenvolvimento de uma região, nação ou mesmo de uma população em si. Segundo a ONU pobreza significa a negação de oportunidades de escolhas mais elementares do desenvolvimento humano e uma das formas de privar uma sociedade do desenvolvimento seria com uma educação inadequada ou insuficiente. Análise feitas sobre a educação Schutz(1973) destacou que o investimento em educação formal desenvolve habilidades e conhecimentos com o intuito de aumento de produtividade, fazendo com que as rendas das pessoas melhorem; a educação influi também na saúde, por ser ela complementar à mesma, uma vez que várias doenças poderiam serem eliminadas ou amenizadas pura e simplesmente com prevenção (educação), assim políticas públicas relacionadas à educação melhorariam os índices de saúde no geral. No trabalho em questão chegou-se a conclusão que é de fundamental importância o investimento em educação, principalmente na de base, para o desenvolvimento das nações e dos cidadãos que nela vivem, pois só com a educação que se melhora os índices sócio-econômicos, fazendo com que a vida das pessoas sejam melhores; trazendo para elas não só o crescimento econômico, mas também o desenvolvimento econômico.

  Palavras-chaves: Desigualdade Social, Educação, Sócio-economia.

  

ABSTRACT

ARAUJO,Luiz Gonzaga Maciel. O Papel da Educação e das desigualdades sociais no Ceará

  This study aims to identify the causes of social inequalities for analyzing this data some partner- economic variables using education as a major factor associated with inequalities , besides analysis of the socio-historical contexts both national and state levels, as well as detailed data to official bodies such as IBGE , IPEA and others. For this purpose this monograph was separated by three section , the first on social inequality , the second and third education education and its relationship with other socio-economic variables , as this had been used as a key to explain the inequalities , coming to the conclusion that it arose from the emergence of private property - depth after the Enlightenment ideas that culminated in the main bourgeois revolutions of history, as the Industrial Revolution and the French not by chance saw on private property a right . UN to eliminate inequalities, is an urgent task , since equality is good for growth , making it more effective at reducing poverty , sure that economic growth is essential for economic development , ie , the key poverty in the world is inequality , which in our country is historic because it marked off from the Colonial Era and the various relationships of interactions that took place between the different ethnic groups involved , and thus , in Ceará , as in much of the Northeast inequalities were caused by poor distribution of land , especially in the interior , causing the exodus which in turn led to other socio-economic problems in cities such as drugs, violence , marginalization , prostitution , among others, and one of the ways to get to the development is to be seen education she considered one of the crucial factors for the development or underdevelopment of a region , nation or even a population itself . According to the UN poverty means the denial of opportunities for choices most basic to human development and one of the ways to deprive a society with an education development would be inadequate or insufficient . Analysis made on education Schutz (1973 ) pointed out that investment in formal education develops skills and knowledge in order to increase productivity , causing rents people improve ; education also influences health , because she was complementary to the same since many diseases could be eliminated or mitigated simply with prevention ( education) as well public policies related to education would improve the health indices in general. In the current study reached the conclusion that it is extremely important investment in education , particularly in the base for the development of nations and citizens who live , because only with education that improves the socioeconomic indices , making people's lives are better , bringing them not only economic growth but also economic development .

  Keywords: Social Inequality, Education, Socio-Economics.

  

SUMÁRIO

  1 INTRODUđấO---------------------------------------------------------------------- 2

  

2 AS DESIGUALDADES SOCIAIS---------------------------------- 8

  

2.1 Brasil- desigualdades sociais-----------------------------------------11

  

2.2 Ceará- desigualdades sociais---------------------------------------- 14

  

3 EDUCAđấO ---------------------------------------------------------- 18

  

3.1 Brasil- educação------------------------------------------------------------------- 20

  

3.2 Ceará- educação------------------------------------------------------------------- 24

  

4 EDUCAđấO E OUTRAS VARIÁVEIS SOCIAIS------------------------- 27

  

5 CONCLUSÃO-------------------------------------------------------- 36

REFERÊNCIAS------------------------------------------------------ 38

  No contexto de um país, dito em desenvolvimento, como o nosso é muito difícil não pensarmos em desigualdades sociais, pois elas são variáveis visíveis. Há posições teóricas que justificam e defendem a existência das desigualdades sociais.

  Rousseau (2005) citava que o surgimento da estratificação social e, consequentemente, das diferenças entre as classes, é devido à propriedade privada. Nos primórdios a humanidade vivia em comunidades em relação com o meio ambiente. O meio ambiente era considerado divino e cada família produzia o necessário às suas próprias necessidades.

  Com o surgimento das desigualdades sociais há o aparecimento de privilégios fazendo aparecer a determinação das pessoas numa sociedade.

  Mas a partir daí vem a seguinte problemáticas: a) quais seriam as causas da desigualdade social? b) porque ela perdura durante tanto tempo? e c) há formas de amenizá-las? É a partir desse contexto que nosso trabalho abordará as desigualdades sociais, primeiramente contextualizando-as e analisando os índices sócio-econômicos tanto no Brasil como no Ceará.

  Estudos através de índices sócio-econômicos como os citados em Lemos (2007) revelam que as desigualdades sociais são enormes entre as regiões brasileiras, e são maiores ainda entre os municípios, principalmente entre aqueles do interior.

  Depois será analisada a educação, ou seja, a maneira como ela foi absorvida, criada e a forma como está sendo repassada, demonstrando dessa forma o nível de cultura de nossa sociedade. A educação é de fundamental importância ao ponto de ser um direito de todos e um dever do Estado, de acordo com a Constituição.

  A educação é uma forma de encontramos o desenvolvimento no caminho do exercício da cidadania, desde que haja a premissa de que a educação seja um dos elos de ligação para uma sociedade mais desenvolvida, principalmente no aspecto sócio-econômico.

  A educação, segundo Oliveira e Carvalho (2007) é um dos fatores cruciais para o desenvolvimento ou subdesenvolvimento de uma região. A educação tem um enorme poder como ferramenta de acensão social que, no geral, tende a diminuir as desigualdades sociais. Além do mais, de acordo com Mendes (1999), um país com uma população mais educada, se enriquece de uma maneira geral, ou seja, diminui as suas desigualdades sociais, visto que a população passará a cobrar mais de seus representantes de uma forma consciente.

  A educação no Brasil teve um caminho muito difícil. Segundo um artigo no site do Departamento de Cultura do Ministério das Relações Exteriores, DC-MRE, com acesso em 29/07/2012, ela fora iniciada por volta de 1549 pelos jesuítas, isto é, há quase meio século da colonização de nossas terras e com o intuito de civilizar as sociedades indígenas ditas selvagens que cá viviam. Houve enorme desrespeito a uma cultura que já tinha uma educação, não de uma forma escrita, oficializada pela dita cultura ´´branca`` européia, mas no qual seus costumes eram passados de geração a geração, uma vez que também a educação pode ser considerada como a maneira que uma sociedade se relaciona entre si.

  Segundo esse mesmo relatório, em nosso país o desrespeito à educação foi enorme e passou a mudar de certa forma a partir da Constituição de 1824. A expulsão dos jesuítas provocou o abandono da educação formal no Brasil. Somente com a vinda da família real portuguesa em 1808 é que foram instalados cursos superiores. A educação básica continuou praticamente abandonada, segundo o mesmo artigo de 2012.

  Para Ari de Andrade (2008) e DC-MRE, tal fato na verdade só veio a se modificar por volta apenas da Constituição de 1824, pois a partir daí a educação passou a vigorar de forma oficial assegurado ´instrução primária e gratuita a todos Cidadãos``, confirmando-se em seguida pela Lei 15 de Outubro de 1827, que determinou a criação de escolas de primeiras letras em todas as cidades, vilas e vilarejos, caracterizando dessa forma a ´´Lei Áurea`` da educação básica, tal dia foi de significante importância passou a ser considerado o dia do professor.

  Como tal trabalho teve como principal variável explicativa para as desigualdades sociais, a educação, foi feito um aferimento desta com outras variáveis sócio-econômicas como os índices de criminalidade, emprego, saúde, renda, entre outros. E tais variáveis não podem ser separadas umas das outras, visto que umas são complementares às outras, como exemplo Antunes et al. (2009, p.

  ´´Educação e saúde são dimensões indissociáveis na realidade social concreta. São condições prioritárias na elaboração e na implementação de políticas públicas comprometidas com a construção de uma sociedade democrática, justa e igualitáriặ..)essas instâncias, ainda que sejam vistas como áreas essenciais da ação social, geralmente têm sindo consideradas como independentes ou, na melhor das hipóteses, como correlatas``.

  Assim, vê-se como educação e saúde são complementares uma à outra. A mesma coisa acontece com a criminalidade, emprego, saúde, renda. Elas são fundamentais ao desenvolvimento econômico, e no longo prazo políticas públicas relacionadas à educação certamente melhorarão os índices de saúde e, consequentemente, de qualidade de vida.

  A Educação é vista como um dos fatores cruciais para o desenvolvimento ou subdesenvolvimento de uma região e há muito ela é estudada por vários estudiosos; Oliveira e Carvalho(2007) cita que Schultz (1963) e Becker (1964) mostraram que o trabalho humano, quando qualificado pela educação, era um dos mais importantes meios para a ampliação da produtividade econômica. A partir desses estudos abriram-se caminhos para outros pesquisadores procurarem respostas no capital humano para as indagações a respeito do crescimento econômico entre países. Assim, passou-se a focar no capital humano como garantia de bem-estar da sociedade como um todo.

  Em muitos contextos nota-se como a educação pode ser o elo de uma Nação empobrecida para uma mais igualitária com altos índices de bem-estar da população em geral. Países como Coréia do Sul, Japão, Alemanha entre outros, e até mesmo dentro de países notam-se diferenças como nas regiões Sul e Sudeste do Brasil, onde há maiores oportunidades principalmente em educação, já que as escolas são melhor equipadas e com professores mais qualificados.

  A Educação pode ser vista como um caminho para uma Sociedade mais justa e igualitária, como em uma proposta estudada em conjunto entre CEPAL e UNESCO, que especificou que a educação e o conhecimento conformam o eixo de transformação produtiva com equidade (CEPAL/ UNESCO, 1992); pois quando uma população é bem instruída ela certamente passará a lutar por seus direitos e não será facilmente manipulada por terceiros, o que certamente diminuirá em muito as desigualdades sociais.

  Dessa forma veremos como a Educação tem um impacto muito relevante sobre uma sociedade, em variáveis como saúde, uma vez que uma população mais instruída certamente terá mais cuidados básicos em relação a higiene e manterá o bem-estar social e mental do corpo.

  A Educação também reflete principalmente na violência, uma vez que uma de suas premissas básicas é que: a educação é tolerância com o próximo, e além da tolerância estaria ocorrendo um respeito mútuo entre os vários indivíduos. É como conclui Oliveira e Carvalho (2007) que em relação à condição social a educação é o principal caminho para a redução das disparidades de renda e uma das formas de sair da armadilha da pobreza. Conforme Loureiro (2007) explica, a lógica racional do crime de que o comportamento criminoso é dado pelo papel do ambiente econômico e social, com destaques para fatores como concentração de renda e pobreza. Por sua vez, isto em geral é refletido pelos baixos índices de educação e a sua chamada armadilha da pobreza.

  Conforme relatório do IPECE (2010) a baixa escolaridade dos trabalhadores no Brasil, principalmente nas regiões mais pobres, como Norte e Nordeste, são as causas para o baixo crescimento econômico.

  Portanto, a partir de tais situações descritas vemos a importância de se analisar a educação mais profundamente como variável decisiva para o desenvolvimento de uma região.

  Ao pensamos em pobreza é muito comum confundi-las com desigualdade social, mas conforme Lemos (2007) a desigualdade social é como uma consequência da pobreza, daí a confusão entre esses conceitos, visto que essa última leva à segregação social, o que o leva a inferir que as pessoas pobres ou excluídas passam a ter ambições bastantes limitadas. Surgindo dessa forma, conforme Littlejohn (1976), o surgimento de privilégios para alguns em detimentos de outros.

  As desigualdades são formas de como a sociedade se organizou no tempo e no espaço, ou seja do comportamento dos seres entre si. Ruben (1984) alega que um dos pontos fundamentais para o aparecimento das classes sociais foram as cidades.

  Então a partir de tais aspectos poderia existir uma variável que tentaria explicar o porquê das desigualdades sociais e o motivo delas durarem sobre um certo período de tempo e uma das mais prováveis seria a educação, visto ser ela que de certa forma relaciona-se com as outras variáveis sócio-econômicas. Conforme Fernandes (1975) o problema das relações sociais no Brasil se dá principalmente devido à natureza social de nossa sociedade, ou seja, a maneira como um grupo

  De acordo com Mendes (1999) a educação em um país caracterizará seu crescimento e desenvolvimento econômico, pois a educação determinará a qualidade e a qualificação da força de trabalho, sendo vista como elemento propulsor do crescimento; do qual é motivo de discussão entre os economistas no aspecto sobre o qual deve ser o tipo de educação para qual serão destinados os investimentos.

  Dentre as muitas características da sociedade brasileira, uma

  Segundo Lemos (2007, p.10), “

  das mais marcantes, é, sem sobra de dúvidas, o contraste no que se refere aos indicadores sociais e econômicos que fazem desta sociedade uma das mais desiguais deste mundo”.

  Conforme Oliveira e Carvalho (2007) viu-se que a educação exerce papel fundamental no processo de crescimento econômico sustentável, pois ela é a base para a formação do ´´capital humano`` que gera novas ideias e é a base da pesquisa e desenvolvimento. E é notório que algumas regiões só passaram a ser mais desenvolvidas a partir de quando investiram na educação, não só no aspecto quantitativo, mas principalmente no aspecto qualificativo.

  Este é um estudo focado na área social com o intuito principal de explicar as desigualdades sociais principalmente no Ceará, para isso usou-se de fatos históricos e de dados tirados de fontes variadas e de órgãos governamentais como IBGE, IPEA, ONU, entre outros; fazendo com que a pesquisa em questão seja de levantamento bibliográfico, pois foi feito o referencial de alguns livros, artigos em seu contexto histórico, principalmente ao falar-se sobre as desigualdades, primeiramente num aspecto em geral e finalmente ao nível de Ceará.

  E essa pesquisa tem por objetivo demonstrar a educação como principal variável explicativa para as desigualdades sociais, ela também pode ser considerada comparativa, uma vez que fora analisados vários dados de vários períodos (principalmente da década de 2000) com o intuito de verificar através de sua comparação entre o Mundo, Brasil e Ceará; como esta variável se relaciona com as demais.

  O foco principal da área de estudo foi o Ceará, estado esse que limita-se ao Norte com o Oceano Atlântico, ao Sul com Pernambuco, a Oeste com o Piauí e a Leste com a Paraíba e o Rio Grande do Norte, se bem que, na verdade, houve mesmo foi uma contextualização dos países no nordestinos com uma área de 148.826 quilômetros quadrados e uma população de 8,448 milhões segundo Censo de 2010.

  Por se tratar de trabalho de verificação de como uma variável, a educação, atua em uma Sociedade e em outras variáveis sócio-econômicas foram considerados vários autores e dados embasados em conceitos das áreas sociais, portanto na verdade considera-se todos os 184 municípios cearense em sua comparação com o Brasil.

  Os dados usados nessa análise foram todos de origem secundária. A pesquisa no geral foi feita com a coleta de dados de órgãos oficiais como IBGE, IPEA, e de outras fontes como artigos de jornais, livros entre outros, principalmente da década 2000.

  Tal trabalho foi organizado em cinco seções, onde na primeira consta a introdução sobre o assunto a ser discutido que é tenta explicar como a educação pode explicar as desigualdades sociais e como amenizá-las. Na seção dois há um relato histórico sobre as desigualdades sociais e como ela surgiu, sendo a mesma seção subdividida após análise em seu contexto geral em 2.1 em Brasil e em 2.2 no Ceará.

  Na seção três foi dado enfoque à variável educação, qual a sua origem? O que ela significa e o que ela representa num contexto geral, para depois igualmente a variável desigualdade social ser subdividida em 3.1 em Brasil e em 3.2 no Ceará. Na seção quatro após serem analisadas separadamente as desigualdades sociais na seção dois e a educação na seção três, será dada atenção especial à variável educação e a maneira como ela interage com outras variáveis sócio-econômicas, visto que tal trabalho tenta demonstrar principalmente se existem desigualdades sociais, e se existem como fazermos para amenizá-las e qual variável ou variáveis explicariam tal fenômeno. E finalmente, a seção cinco com os resultados obtidos a partir de tal estudo.

  Muito fala-se sobre as desigualdades sociais; mas o quê vem a ser elas? Seriam elas formas de rotularem as pessoas em aspectos de diferentes modos de relações econômicas? Na maioria das vezes é a desigualdade social que diferencia entre a pobreza ou riqueza de um indivíduo, Estado ou mesmo de uma ou mais nações entre si. Para Lemos (2007) é bastante frequente uma grande confusão entre pobreza e desigualdade social, onde esta última leva à segregação social, o que o leva a inferir que as pessoas pobres ou excluídas passam a ter ambições bastantes limitadas.

  Assim, vemos que com as desigualdades sociais começa a surgir privilégios, poder e prestígio que determinava a posição social das pessoas na Sociedade. Para Littlejohn (1976, p.7):

  ´´a distribuição desigual de bens e serviços, direitos e obrigações, poder e prestígio. São todos atributos de posições sociais e não de indivíduos. Estes são distintamente desiguais com relação a, por exemplo, saúde, força e Q.I.`` Dessa forma alguns benefícios são repassados a certas pessoas não por elas serem mais capazes ou mais qualificadas, mas apenas por serem importantes do ponto de vista social.

  Algumas pessoas têm mais prestígio que outras; um exemplo disso são médicos, advogados, empresários entre outros, que por possuírem maior poder aquisitivo gozam de mais prestígio que um faxineiro, um agricultor ou qualquer outro trabalhador, que não necessite qualificação, mostrando que o prestígio é inerente à posição social e não ao indivíduo.

  Neste caso cabe uma pergunta: qual seria o fator preponderante para o aparecimento e até a duração dessas desigualdades sociais por longo tempo; seria a educação, a renda,o meio em que a pessoa está inserida ou outro fator o que não sabemos?

  Para alguns cientistas sociais, como Ruben (1984), um dos pontos fundamentais para o aparecimento das classes sociais com suas conseqüentes mudanças sociais foram as cidades, vistas como uma espécie de categoria sociológica, associada a dois períodos históricos. O primeiro começou no final da Idade Média e estava ligado às transformações que ocorreram no sistema feudal europeu com o desenvolvimento do capitalismo; o segundo começou no final do século

  XVIII com a Revolução Industrial e estava relacionado com a formação do modo de produção capitalista.

  As cidades estão extremamente associadas às classes sociais por terem sido historicamente os lugares onde a burguesia primeiro conseguiu florescer, criando assim a raiz da industrialização, que mais tarde acarretaria no aprofundamento das desigualdades sociais.

  O mais interessante para Ruben (1984) é a perduração de uma teoria que atribuía à cidade o poder de induzir mudanças sociais e culturais. Tal teoria obteve certo prestígio entre a comunidade de cientistas sociais, cuja ideologia tinha o propósito de justificar o estado de desenvolvimento das sociedades mais adiantadas e o subdesenvolvimento das sociedades mais atrasadas, encobrindo assim as verdadeiras causas desta situação.

  Uma das possíveis causas para tentar explicar essas diferenças culturais entre várias sociedades seria a modernização, tido por Ruben (1984) como um mito. Como a modernização é geralmente caracterizada em duas dimensões: ao nível de sociedades e ao nível de indivíduo, onde no primeiro, diferentes sociedades são comparadas de acordo com certos indicadores; e no segundo caso, o foco é centrado nos indivíduos que são classificados em termos de comportamentos e atitudes mais ou menos modernas, ao invés de a cidade ser a grande causadora das desigualdades.

  Rousseau(2005) citava que o surgimento da estratificação social apareceu com o surgimento da propriedade privada. Pois no início da era primitiva, quando não havia propriedade privada, a humanidade dava a impressão de que todos viviam em comunidades em uma inter-relação entre meio-ambiente e humanidade, pois o meio-ambiente era visto como uma espécie de dom divino e que cada família produzia o necessário às suas próprias necessidades.

  Especialmente após as idéias iluministas, que acabaram acarretando nas principais revoluções burguesas da história, como a Revolução Industrial e a Francesa, que enxergavam na propriedade privada um direito, as relações e as desigualdades sociais ficaram mais profundas a partir dos vários relacionamentos de trabalhos criados principalmente com o surgimento da Revolução Industrial; o que fez surgir uma transformação assustadora que refletiria na vida do ser humano, uma vez que ela passou a revolucionar hábitos,costumes e valores humanos. A partir desse momento o ser humano passou a perder o controle sobre como ele atuava em seu trabalho, deixando de ser puramente artesão e entrando na manufatura, desconhecendo como era feita grande parte das operações. Revolução Industrial acreditava-se ser esta a fonte da igualdade social; mas, na verdade, ocorreu um crescimento da desigualdade visto que o excedente ficou restrito a poucos e a tecnologia surgida com a Revolução impediu que todos se aproveitassem de forma igual dos seus benefícios.

  Então cabe uma pergunta: qual será a origem da desigualdade entre os homens? Será que ela é natural e inerente ao ser humano, ou há alguma espécie de manipulação entre os seres? Questões estas que são discutidas há várias gerações como a questão proposta pela Academia de Dijon; a qual questionou a origem da desigualdade entre os homens a Rousseau. Este cita em sua obra o ´´Discurso sobre a origem e os fundamentos da desigualdade entre os homens`` (2005) que entre a espécie humana há apenas dois tipos de desigualdades: uma que ele chamou de natural ou física, por ser estabelecida pela natureza, e que consiste na diferença das idades, da saúde, das forças do corpo e das qualidades do espírito ou da alma; a outra, que ele passou a chamar de desigualdade moral ou política, por depender de uma espécie de convenção a ser estabelecida, ou pelo menos autorizada, pelo consentimento dos homens.

  Essas desigualdades acabaram constituindo dessa forma os diferentes privilégios que alguns passaram a obter em detrimento de outros. Assim, existiria uma ligação essencial entre as duas desigualdades? Ou em outros termos seria perguntar se os homens que mandam valem necessariamente mais dos que os que obedecem, e se a força do corpo ou espírito,a sabedoria ou a virtude, encontram-se sempre nos mesmos indivíduos, em proporção ao poder ou à riqueza?

  A desigualdade entre países é um dos fatos mais alarmantes, visto que ela influi corriqueiramente durante a vida de uma pessoa, tanto seja positivamente quanto negativamente. Por isso, constantemente são criados índices para aferir a qualidade de vida entre os indivíduos nos mais diferentes países. Um dos mais conhecidos é o IDH (Índice de Desenvolvimento Humano), que utiliza quatro indicadores. São eles: esperança de vida ao nascer, porcentagem de adultos alfabetizados, taxa combinada de matrícula nos ensinos elementar, médio e superior e PIB per capta ajustado à paridade do poder de compra.

  Porém, conforme Lemos (2007) este índice apresenta alguns problemas na aferição para padrões de desenvolvimento humano principalmente em economias do Terceiro Mundo, principalmente em relação a dados e sua precisão, e quanto à imprecisão na computação de dados.

  A respeito da desigualdade Green (2009, p.3) tem a seguinte idéia:

  O mundo como um todo é bem mais desigual do que qualquer país individualmente. Essa injustiça grotesca provavelmente desencadearia uma catástrofe social e política se ocorresse apenas dentro de um único país. Uma das conseqüências da globalização é que o mundo se constitui, cada vez mais, em uma única comunidade unida por meio de transportes e de comunicações cada vez melhores. Entretanto, o preço político da continuidade da desigualdade só pode subir.

  Notamos como a desigualdade extrema contradiz a noção amplamente estabelecida de que as pessoas devem ter direitos básicos. E é tanto que a ONU assinalou que eliminar a desigualdade é uma das tarefas mais urgentes dos nossos tempos. O mais interessante é que atualmente, alguns economistas, entre eles Ricardo Amorim, citou à Revista Isto É (2009), que a igualdade é boa para o crescimento, tornando-o mais eficaz na hora de reduzir a pobreza, visto que o crescimento econômico é fundamental para o desenvolvimento econômico; embora este não precise tanto do crescimento, visto que ele é afetado pelos índices sócios-econômicos e pelo bem-estar da população em si. Assim, vemos que a chave da pobreza existente no mundo é a desigualdade, uma vez que combatemos a pobreza com o intuito de eliminar as desigualdades existentes.

  Apesar de atualmente notarmos que a desigualdade vem caindo globalmente, conforme afirma Green, temos de ter o cuidado de observarmos que na verdade ela não alcançou os países de uma forma homogênea, já que alguns estudos como relatório do Pnud (Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento) de 1999, baseado em pesquisas empíricas, apontam que recentemente a desigualdade diminuiu em virtude de países ditos em desenvolvimento como China, Índia terem suas economias em ascensão; já em outros não houve crescimento, ao contrário, em alguns tivemos até aumento da desigualdade como nos países da Africa Subsaariana, ou seja, chegando-se a conclusão de que o crescimento econômico não está necessariamente ligado à qualidade de vida da população, ou seja, a economia pode crescer, o país pode enriquecer, sem que haja necessariamente transferência desta riqueza para a população através de melhorias na expectativa de vida e alfabetização. Isso ocorrendo, não se constata que haja desenvolvimento.

SEđấO 2.1: Brasil-desigualdades sociais

  As desigualdades sociais no Brasil remontam ao tempo do ´´descobrimento``, visto que elas refletem uma marca da desigualdade social herdada dos europeus ditos donos das terras, que não levaram em conta a população local, que aqui vivia e passou a chamá-los de índios, não dessa forma a primeira grande desigualdade que se sabe na História do Brasil; marcada pela tirania e pelo poder das armas, muitas vezes até em nome da religião.

  Os europeus no início da colonização viam no Brasil uma espécie de fonte inesgotável de possíveis riquezas, e para sua extração usava-se de trabalho escravo que a princípio tentou-se usar o indígena, mas depois foi trocado pelo negro trazido da África, uma vez que a mão-de-obra indígena apresentou-se hostil, queimando as plantações e atacando os brancos, além do que os negros já viviam em comunidades na África o que facilitava sua captura diferentemente do índio que ficava disperso cada vez mais para o interior. Já os negros africanos eram tratados como verdadeiras mercadorias, visto que eles eram comprados e ´´arrancados`` da África e uma vez aqui estando trabalhavam nas lavouras e não ganhavam um salário em troca, apenas era fornecida uma alimentação muito pobre para seu sustento mínimo, pois o seu proprietário não queria que sua mercadoria morresse de fome; e eles viviam em péssimas condições, dormindo apenas em um grande barracão chamado senzala.

  Nosso país foi povoado primeiramente pelo litoral em direção ao interior, onde o branco tinha esperança de encontrar pedras preciosas, além da captura de índios; já a Amazônia segundo Pires (2000) foi ocupada pelas buscas das chamadas Drogas do Sertão, como a castanha do Pará, guaraná , açaí, entre outros além da defesa do território de outros povos europeus como ingleses, franceses e holandeses.

  A partir desse aspecto histórico sócio-econômico vemos a dificuldade de um país como o nosso encarar as mazelas das desigualdades; principalmente entre as grandes regiões onde as disparidades são enormes, visto por exemplo que no Norte, Nordeste a taxa de analfabetismo,taxa de mortalidade infantil são bastante elevadas; a expectativa de vida é baixa se comparadas às regiões Sul, Sudeste, que em alguns casos têm índices sócios-econômicos iguais a de alguns países desenvolvidos; cidades como São Paulo, Rio de Janeiro, Campinas entre outras, possuem universidades, hospitais, centros de pesquisas com infra-estrutura comparável a países ditos de primeiro mundo.

  No início da colonização do Brasil no século XVI e parte do XVII, a principal atividade da colônia após o fracasso do pau-brasil foi a exportação do açúcar aos países europeus. O cultivo da cana e os engenhos concentravam-se sobretudo na região Nordeste próxima a faixa litorânea que na momento nascia uma das principais razões das desigualdades sociais do Nordeste, os latifúndios.

  A situação dos latifúndios tornou-se mais agravante na Região do Semi-Árido, visto que as terras ficavam nas mãos de uma minoria e a situação se agravava mais ainda na época das secas, onde os pequenos agricultores que já enfrentavam duras condições de vida, pois em sua maioria cultivava terras alheias, viam nessa ocasião um grande risco de expulsão e dessa forma perderem seu sustento e também o de toda sua família.

  A partir desse momento segundo Lemos (2007) apareceria o êxodo rural, no qual as populações das cidades menores procuravam as maiores, que em sua grande maioria não tinham infra-estrutura suficiente para suportar tal população, surgido assim as chamadas favelas, onde passaram a ser localidades desprovidas de saneamento básico, lazer, escolas de qualidade, postos de saúde entre outros. Com o aumento do êxodo rural foi-se acarretando o inchaço das referidas cidades, refletindo negativamente em alguns índices, como mais criminalidade, prostituição, violência, aumento do uso de drogas como uma forma de mascarar a realidade, entre outros.

  Ao que tudo indica, segundo Fernandes (1975) a raiz de tal dificuldade em relação às desigualdades no Brasil é de natureza social, ou seja, o regime de classes é de modo insuficiente e incompleto, impendido a formação e o desenvolvimento de controles sociais democráticos. Chegando à conclusão que a riqueza, o prestígio social e o poder ficam concentrados em alguns círculos sociais, que usam de toda sua influência nas estruturas políticas para acabar ou tentar neutralizar as demais forças sociais, principalmente no que se refere ao uso do conflito e do planejamento como recursos de mudanças socioculturais.

  Dessa forma, com relação ao Brasil avistamos o grande paradoxo que há em relação às desigualdades, pois ele se situa entre as nações mais desiguais do mundo, apesar de ser um dos países mais abastados do planeta. Dados por exemplo do PNUD (2006), que mostram a desigualdade de renda medida pelo índice de GINI, indicador que estabelece uma relação entre a que seria uma perfeita distribuição de renda e o que se tem na realidade, neste quesito, o Brasil é melhor apenas que alguns países africanos muito pobres como Serra Leoa, Suazilândia, Lesoto ou Namíbia. Mas, no entretanto, o Banco Mundial classifica a economia brasileira entre as dez mais ricas do mundo, com um Produto Interno Bruto (PIB) de U$ 1,7 trilhão PPP, em paridade de poder de compra, semelhante ao da Itália.

  De acordo com o PNUD (2006) a elevada concentração de renda pode se demostrada em números, pois em média o 1% mais rico da população se apropria em média de 10% do total das rendas domiciliares. Percentual esse semelhante apropriado pelos 50% mais pobres.

  Segundo Green (2009, p. 592), ´´A Pobreza no Brasil tem cor e enderenço: é negra, urbana e está concentrada no Nordeste. Com efeito, dois terços dos pobres são negros``. A esse contraste, de convivência de um pequeno país rico com um enorme país pobre, foi batizado pelo economista brasileiro Edmar Bacha, na década de 1970, de modelo de Belíndia: onde se tinha uma triste mistura da pobreza da Índia com a opulência da Bélgica.

  

2.2: Ceará-desigualdades sociais

  Como constata-se que o Norte e o Nordeste são as regiões mais pobres do Brasil, através de alguns dados como a participação dos Estados e Regiões brasileiras no PIB a preços de mercados correntes, citados em Lemos (2007), embasados do IBGE. Notamos que as referidas regiões no período de 1998 à 2003 tiveram uma participação no PIB brasileiro um pouco maior que a metade de apenas dois estados do Sudeste, São Paulo e Rio de Janeiro. Tais dados demostravam que o Norte tinha uma média próxima à 4,5% chegando à 5% apenas em 2002 e 2003; enquanto que o Nordeste ficou com 13,1% de 1998 à 2001, vindo a melhorar em 2003 com 13,8%. Já São Paulo e Rio de Janeiro somam em média próximo à 46%.

  Se a desigualdade é intensa entre as regiões brasileiras, mais intensa será entre os municípios cearenses, principalmente entre aqueles do interior, onde predomina a população rural e de acordo com Irene do Carmo e Couto (1994) tais desigualdades são frutos da má distribuição de terras, uma vez que existem grandes quantidades de terras nas mãos de poucas pessoas e que é acarretado por políticas públicas limitadas, de um sistema de exploração equivocado, de instabilidade nas relações de trabalho e ainda de condições climáticas peculiares.

  Segundo Helena de Araújo (2003) esses problemas trouxeram algumas conseqüências como os fluxos migratórios rurais em direção à zona urbana entre os anos 1980 e 1990 motivados pelo desemprego, subemprego e precariedade dos serviços sociais, entre outros. que era a capital brasileira que mais concentrava renda, apresentando dessa forma um grande contraste social, não modificado significativamente durante todo esse tempo; uma possível solução plausível para esse problema seria a redistribuição de renda aos mais pobres especialmente se fosse através do mercado de trabalho, o qual apresenta um grande potencial para reduzir ainda mais a desigualdade de renda e a pobreza.

  O mais irônico conforme Helena de Araújo (2003) é que como mostra a maioria dos trabalhos acadêmicos e pontuais que as políticas públicas de redução das desigualdades e erradicação da pobreza postas em prática, em poucas ocasiões contribuíram para a modificação do quadro social existente, chegando a concluir o contrário, ou que ao privilegiar os mais pobres estamos mesmo é favorecendo na verdade é o aumento da desigualdade.

  Dessa forma, claramente há algo de errado e que não está sendo alcançado o objetivo que é diminuição das desigualdades sociais, certo de que só a mera transferência de renda não vá resolver um problema histórico que há muito assola nossa região.

  Helena de Araújo (2003) cita que essas idéias no Ceará são materializadas e reforçadas no cotidiano político, onde as trocas de interesses, mesmo as desiguais, envolvem valores econômicos e morais, principalmente no períodos das secas; o que caracteriza dessa forma o descompasso no desenvolvimento, que começa com a conscientização política, relações sociais e de produção, transformando o flagelo da seca em relações de compra e venda, próprias do capitalismo.

  Conforme Helena de Araújo (2003) uma das tentativas de solução ao combate à desigualdade no Ceará veio no chamado Plano de Mudanças (1987-1991). Tal plano destacava o cenário encontrado na zona rural, onde havia e ainda há muitas injustiças sociais especialmente nas relações do trabalho, caracterizada pela estrutura concentrada de renda e dos meios de produção, especialmente a terra. Os beneficiados eram na verdade os donos de terras, que eram favorecidos pelas políticas publicas e tinham incentivo e proteção do governo, ou seja, descontos ou anistia das dívidas, além de construção de açudes ou barragens em propriedades particulares.

  Um dos possíveis encadeamentos das desigualdades, principalmente nas maiores cidades, como Fortaleza e nas de médio porte como, Juazeiro do Norte,Sobral, Crato entre outras pode se dizer que é a migração da população da zona rural para a urbana, uma vez que a maioria dessa levando uma parcela ao mundo da marginalização, elevando os níveis de criminalidade, e com ele outros males como prostituição, drogas, violência, entre outros. Dessa forma, essas pessoas passam a ser vistas como um mal da Sociedade em si, enquanto que na realidade é ela que provoca os desequilíbrios com sua imponência de caracterizar os seres de acordo com sua renda em pobres ou ricos.

  Para se ter uma idéia das desigualdades podemos citar o exemplo de Fortaleza, onde é possível encontrar favelas de um lado, enquanto do outro há imponentes prédios e casas de luxo; vemos bairros com total infra-estrutura com ótimos recursos e indicadores sócios-econômicos e outros sem a mínima infra-estrutura urbana, com esgotos a céu aberto, onde torna-se uma possível causa de doenças. Estas características servem como indicativo das condições de moradia da população. Outra característica preocupante é a enorme discrepância de renda entre os bairros com maior renda e os com menor renda; a seguir segue dados da referida informação retiradas do site do jornal diário do nordeste. Desigualdade só aumenta. Diário do Nordeste, Fortaleza, 12 abril de 2009. Disponível em: >. Acesso em 04 dezembro de 2013.

  FONTE: DIÁRIO DO NORDESTE

  A partir dos dados em questão enxergamos a grande disparidade existente entre as rendas uma vez que o bairro mais rico, o Meireles possui renda per capita quase dezesseis vezes maior que a do Parque Presidente Vargas, que é o mais pobre. Assim, se consideramos Fortaleza como uma amostra aleatória do estado dá para ter uma noção da enorme discrepância entre os municípios cearenses.

  Ao serem analisados dados mais recentes chegamos à conclusão que não houve uma mudança significativa, uma vez que segundo o IPEA durante o período de 1996 a 2007 o grau de desigualdade dos PIBs dos municípios no Ceará caiu apenas 7,2%, sendo apenas o quinto maior recuo. Daí enxergamos o grande desafio que é diminuir as enormes diferenças entre os municípios.

  

3 : EDUCAđấO

  A educação é de suma importância, sendo citada no nosso maior documento básico, a Constituição Federal(1988), no artigo 205.

  Art. 205. A educação, direito de todos e dever do Estado e da família,será promovida e

  incentivada com a colaboração da sociedade, visando ao pleno desenvolvimento da pessoa, seu reparo para o exercício da cidadania e sua qualificação para o trabalho.

  Como é citada na Constituição a educação é uma forma de encontrarmos o desenvolvimento no caminho do exercício da cidadania, desde que haja a premissa de que a educação seja o elo de ligação para uma sociedade mais desenvolvida, principalmente no aspecto sócio-econômico. A palavra cidadania de acordo com acesso à Wikipédia em 16/09/2012, vem do latim, civitas

  ´´cidade``

  que significa o conjunto de direitos e deveres a qual um indivíduo está sujeito em relação à sociedade em que vive; assim é dever nosso garantirmos educação de qualidade a todos.

  A educação é considerada um dos fatores cruciais para o desenvolvimento ou subdesenvolvimento de uma região, nação ou mesmo uma população em si; sendo foco de estudos para vários autores. Schultz (1963) e Becher (1964) in Hugo de Oliveira e Carvalho (2007) demostraram que o trabalho humano, quando qualificado pela educação, era um dos mais importantes meios para a ampliação da produtividade econômica.

  Em muitos aspectos nota-se como a educação pode ser a passagem de uma Nação empobrecida , não apenas no contexto econômico, para uma sociedade mais igualitária com altos índices de bem-estar sócio-econômico da população em geral. Segundo uma proposta estudada em conjunto entre CEPAL e UNESCO, a educação e o conhecimento são eixos de transformação produtiva com eqüidade (CEPAL/UNESCO, 1992). A educação possui um enorme poder como ferramenta de ascensão social; além de otimizar as possibilidades das pessoas individualmente. Segundo Mendes (1999, p. 19):

  Um país com uma população mais educada enriquece de várias formas. Aumenta a produtividade da economia, as pessoas têm mais acesso a (sic) infra-estrutura básica, melhor nível de vida, os eleitores se tornam mais conscientes na hora de escolher seus governantes. O resultado é um país com maiores condições de prosperar . garantia de um bem básico essencial que é a melhora no nível de vida; mas para alcançar esse ponto não é suficiente apenas um mero investimento na educação. Para Lemos (2007), do ponto de vista político uma das formas de compensar o baixo nível de renda das camadas mais pobres, seria fazer investimento público nas áreas sociais como um todo. A partir desse aspecto, é necessário prover a população com serviços, como educação de qualidade, saúde, saneamento e moradias adequadas. Isto porque estes serviços essenciais amenizam os baixos níveis de renda monetária em que sobrevivem as famílias carentes em virtude da insuficiência de poder aquisitivo.

  De acordo com Mendes (1999) a educação em um país caracterizará seu crescimento e desenvolvimento econômico, pois a educação determinará a qualidade e a qualificação da força de trabalho, sendo vista como elemento propulsor do crescimento; do qual é motivo de discussão entre os economistas no aspecto sobre o qual deve ser o tipo de educação para qual serão destinados os investimentos.

  Quando pensamos em investimentos em educação vem logo a mente a idéia de investimentos em pesquisas, ciência e tecnologia, escolas técnicas, universidades equipadas com equipamentos de última geração, enquanto que na verdade deveriam ser empregados na educação básica, visto que essa é a pilastra para uma educação mais equilibrada ao longo do tempo. Como é citado no artigo 208 e inciso I da Constituição Federal(1988).

  ´´Art. 208. O dever do Estado com a educação será efetivado mediante a garantia de: I-ensino fundamental obrigatório e gratuito, assegurada, inclusive, sua oferta gratuita para todos os que a ele não tiverem acesso na idade própria;``.

  O tema educação é algo a ser buscado por ser uma fonte essencial de poder, mesmo que não percebamos, mas é com ela que chegaremos no caminho do desenvolvimento; desde os primórdios quando o homem aprendeu a desencadear as energias naturais, físicas e químicas, de modo a possibilitar-lhe reconstruir o seu mundo à sua imagem e semelhança. Segundo Brameld (1977, p. 17):

  ´´A educação é de fato o único poder que resta no mundo, maior do que as forças da natureza ora escravizadas pelo homem. Somente o poder da educação é capaz de controlar os outros poderes que o homem conquistou e que utilizará ou para seu aniquilamento ou para sua transformação``.

  A idéia da educação como poder não é nova e vem há muito tempo sendo objeto de observação entre os principais estudiosos da humanidade, entre eles o filósofo inglês Francis Bacon e uma das expressões que ele citava há quase quatro séculos era: ´´Conhecimento é poder.`` Mas essa afirmação tinha um aspecto muito questionável, uma vez que o poder é de certa forma não moral e nem imoral, sendo na verdade neutro e assim dessa forma o poder por Brameld (1977) pode ser usado para o mal ou para o bem e, dessa mesma forma é a educação. A partir de tal informação em questão o nosso papel como seres atuantes de uma sociedade é de garantir a educação como forma de transmissão para o nosso bem-estar.

  Segundo a UNESCO em seu relatório a respeito da Conferência dos Estados Africanos sobre o Desenvolvimento da Educação da África chegou-se à conclusão de que a educação é necessária para o completo desenvolvimento da personalidade humana, e se baseia no respeito aos direitos humanos e liberdades fundamentais. Schultz (1973) destaca que o investimento em educação formal desenvolve habilidades e conhecimentos objetivando o aumento da produtividade com ganhos de habilidades cognitivas e, quanto maior o aumento da produtividade, maior será a cota de renda que a pessoa receberá e melhor será a sua posição social. Portanto, a educação é o caminho mais rápido para uma sociedade mais igualitária, não só no aspecto econômico, mas principalmente no aspecto social uma vez que a educação seria uma forma de transmitir a cidadania aos outros.

  

3.1 : Brasil- Educação.

  Segundo um artigo no site do Departamento de Cultura do Ministério das Relações Exteriores com acesso em 29/07/2012, DC-MRE, a educação no Brasil começa por volta de 1549 com a chegada dos primeiros padres jesuítas motivados por sentimentos religiosos de propagação da fé cristã, iniciando uma fase que haveria de deixar marcas profundas na cultura e na sociedade brasileira. Apesar dessa data ser considerada o ponto de partida da educação por ser considerada formal e dita da civilização ´´branca`` não deve ser menosprezada a educação e a cultura indígena que aqui antes vivia; que apesar de não ter uma expressão escrita era repassada oralmente de geração a geração, certo de que o termo educação vem da convivência e experiências vividas em grupo demonstra dessa forma a importância da cultura indígena para nosso contexto educacional hoje em dia.

  Conforme o DC-MRE, a educação causa uma manifestação em todas as dimensões da vida, compreendendo os processos de formação do indivíduo e de seu reconhecimento no espaço social como ser atuante de uma sociedade em questão, implicando obrigatoriamente no exercício de suas que por volta de 1759 quando os jesuítas foram expulsos de Portugal e de suas Colônias ficou um imenso vazio que permaneceria pelas décadas seguintes demostrando o descaso histórico que ainda existe em nossa educação. A situação se modifica um pouco no século seguinte, apenas em 1808, com a mudança da sede do Reino de Portugal e a vinda da Família Real para o Brasil-Colônia.

  Segundo o DC-MRE, na mesma época com o surgimento de instituições culturais e científicas, de ensino técnico e dos primeiros cursos superiores como o de Medicina no Rio de Janeiro e na Bahia a educação brasileira começa seus grandes passos. Entretanto, na época a educação era voltada principalmente para as necessidades imediatas da Corte Portuguesa no Brasil, onde as aulas e cursos criados tiveram por objetivo única e exclusivamente preencher demandas de formação profissional; deixando de lado a educação básica, que deveria ser incentivada como forma de alcance dos direitos básico e fundamental para a população.

  Conforme Ari de Andrade (2008) e DC-MRE somente após a Constituição de 1824 que a educação passou a vigorar de forma oficial, assegurando ´´instrução primária e gratuita a todos Cidadãos``, confirmando-se em seguida pela Lei 15 de Outubro de 1827, que determinou a criação de escolas de primeiras letras em todas as cidades, vilas e vilarejos, envolvendo as três instâncias do Poder Público; o que caracterizaria a ´´Lei Áurea`` da educação básica, caso tivesse sido implementada. A lei em questão é tão especial que seu dia foi considerado o dia do professor.

  Demonstrando descaso ainda com a educação, o Ato Adicional de 1834 delegou às províncias a legislação sobre a educação primária, comprometendo o futuro da educação, uma vez que o governo central passou a se afastar da responsabilidade de assegurar a educação elementar para todos, fato este que só foi modificado com a atual Constituição de 1988.

  Segundo o IPECE (2010), existem evidências empíricas de que as gerações passadas no Brasil, em decorrência de vários fatores, encontraram uma série de adversidades para permanecerem na escola. Como conseqüências, essas gerações não acumularam um estoque de anos de estudo suficientemente adequados principalmente nas áreas mais pobres como Norte, Nordeste e nas suas zonas rurais.

  A partir de tal situação observada, há estudos tentando comprovar que a baixa escolaridade dos trabalhadores no Brasil é a causa para o baixo crescimento econômico. Para Beeby (1967) a medida por sua produtividade. Ou seja, só a educação é capaz de igualar as diferenças sociais, partindo do suposto que uma melhora na qualidade da educação melhoraria a qualidade de vida das populações, especialmente aquelas ditas mais carentes no aspecto sócio-econômico.

  Segundo o Human Development Report (HDR) de 1997, ou o Relatório de Desenvolvimento Humano da ONU, pobreza significa a negação das oportunidades de escolhas mais elementares para o desenvolvimento humano, tais como uma vida longa, saudável e criativa, ter um padrão adequado de liberdade, dignidade, auto-estima, e gozar de respeito por parte dos seus pares. Assim, o HDR, 1997 define a pobreza da seguinte forma:´´Pobreza significa a negação de oportunidades de escolhas mais elementares do desenvolvimento humano``.

  E uma das formas de privar uma sociedade do desenvolvimento é com uma educação inadequada ou insuficiente, pois geralmente quando uma sociedade é mais instruída em média ela tratará o próximo com mais respeito, e em parte contribuirá para uma melhor qualidade de vida, onde passará a ter uma melhor qualificação, obtendo assim uma produtividade maior e a otimização dos recursos.

  Um dos índices mais interessantes é o PRIVEDUC elaborado por Lemos (2007) que constitui-se no percentual da população maior de 10 anos que não é alfabetizada, ou tem menos de um ano de escolaridade, segundo definição do IBGE. Para Lemos (2007, p. 78):

  A privação à educação (PRIVEDUC), não necessita maiores justificativas, haja vista que não se concebe desenvolvimento sem educação. As experiências dos Países que deslancharam um processo de desenvolvimento recentemente mostram claramente a importância da educação. Os caso do Japão nos meados do século passado e da Coréia do Sul, mais recentemente, ilustra bem essas assertivas. Desta forma um contingente elevado de analfabetos em um município, estado, região ou País, se constituirá em um dos fatores decisivos no seu patamar de exclusão social.

  Analisando alguns dados no período de 2001 à 2005 do Lemos (2007).

  A partir dos dados em questão notamos a discrepância que existe entre as regiões e percebemos que por exemplo nas Regiões Norte e Nordeste em média há duas vezes mais analfabetos que as Regiões Sul e Sudeste, e a situação fica mais crítica ainda quando analisamos a Zona Rural.

  Alguns dos fatores que explicam os baixos níveis de alfabetização é a baixa renda, visto que em muitos casos as crianças deixam as escolas para entrarem no mercado de trabalho, o que certamente no futuro privará uma busca por um emprego melhor, já que elas não terão uma qualificação mais adequada.

  Outro índice alarmante quanto à educação brasileira é o baixo nível de escolaridade se comparada à outros países em desenvolvimento e ao analisarmos o estoque de educação no período de 2001 à 2005 notarmos claramente diferenças entre as regiões.

  Daí percebemos que no nosso país a população mal tem em média a educação básica, ou seja o atual ensino médio, e nas zonas rurais as pessoas detém apenas a metade, ou seja parte do atual ensino fundamental.

  

3.2 : Ceará – Educação primeira metade do século XIX, o Brasil vinha deixando a educação de lado, através da descentralização do ensino e com o repasse das responsabilidades para as cidades e províncias, sendo que tal fato só veio a modificar-se um pouco após a Constituição Imperial de 1824, ao estabelecer a instrução primária gratuita como um direito constitucional.

  Segundo Ari de Andrade (2008, p.74) nos anos subseqüentes, houve a publicação de duas leis nacionais voltadas para o ensino nacional: a de 11 de agosto de 1827 e da de número 16, de 12 de agosto de 1834, as quais tratavam da organização das escolas primárias, por parte de cada província e o ensino superior como exclusivo do Poder Central, demonstrando indícios de um debate político educacional travado no campo constitucional, reflexos das contradições da realidade social brasileira.

  Percebemos conforme Ari de Andrade in BEZERRA et al. (2008) ainda que a Sociedade Brasileira ainda não focava o ensino básico, foi apenas após uma suposta discussão alimentada pela retórica internacional, advinda dos grandes centros industriais europeus e norte-americanos, de que uma nação que pretendesse acompanhar o ritmo do progresso mundial, não poderia ficar estanque a um frágil modelo de ensino, como era no caso do Brasil, uma vez que ele ao descentralizar o ensino não tinha controle sobre sua qualidade.

  Só a partir de 1834 com o Ato Adicional é que os governantes provinciais começaram a serem cobrados pelo Poder Central acerca da responsabilidade do ensino primário, ou primeiras letras como eram conhecidas. Assim, houve uma reforma nos projetos de intervenção educacional em todas as províncias. No Ceará foi na gestão de José Martiniano de Alencar (1834-1837) ; com a chamada Reforma Alencar, que buscava a organização da estrutura funcional da escola de primeiras letras no contexto cearense, sendo fomentada num conjunto compostos de leis e documentos publicados pelo governo visando dinamizar o processo de escolaridade da população cearense, acompanhado da introdução do método de ensino mútuo, da organização do calendário e horário escolar, da introdução de novos programas de disciplinas, definindo as matérias por série de acordo com a idade das crianças, da definição de um piso salarial e da necessidade de qualificação de mestres leigos através da criação provisória de uma Escola Normal em Fortaleza.

  No intuito de demonstrar a relevância de tal fato social em relação à educação verificou-se na primeira metade do século XIX, que no intervalo de apenas três anos na Província do Ceará, foram expendidos pelo Palácio do Governo, pelas Câmaras Municipais, pela Assembléia Legislativa Provincial e pela Tesouraria Provincial, todos relacionados, direta ou indiretamente, com a questão do ensino local.

  Com o tempo percebeu-se a escassez de docentes e a fragilidade das práticas pedagógicas, levando o Governo a recomendar aos presidentes provinciais a implantação do Método de Lancaster, de Ensino Mútuo no processo de ensino-aprendizagem das crianças. Segundo Almeida (1989 apud Ari de ANDRADE in BEZERRA et al, 2008, p. 76) o Método de Lancaster consiste na participação de alunos que melhor se destacassem nas lições para ensinar os mais atrasados nos estudos, obedecendo e seguindo uma hierarquia própria da organização.

  Antes da Reforma Alencar, igualmente ao que ocorria com outras províncias, o Ceará não contava com nenhuma organização elementar de escola, a não ser algumas escolas isoladas de primeiras letras, tanto na capital quanto em vilas e cidades do interior que eram orientadas conforme os caprichos dos mestres-escolas. Além do mais, o Ato Adicional de 1834 determinava que cada província era responsável pela organização das escolas de primeiras letras às suas expensas; a partir desse contexto surgiam alguns problemas, visto que algumas províncias não contavam com recursos suficientes, tanto para financiamento, quanto para manutenção de novos prédios e no caso do Ceará e de algumas províncias do Nordeste havia as questões das contradições climáticas, que contava com secas periódicas fazendo o respaldo financeiro cair constantemente.

  Será que a educação reflete em outros indicadores sócios-econômicos como nos índices de criminalidade, emprego ,saúde ,renda, entre outros? Conforme Beeby (1967), ao serem criados os primeiros planos de desenvolvimento a longo prazo, notou-se como muitos países, principalmente na América Latina, Ásia e África, estavam tão atrasados em seus sistemas escolares, a tal ponto, de a educação se transformar numa espécie de oportunidade de vida melhor, como se a educação fosse uma perspectiva de melhorar os outros indicadores sócios-econômicos.

  Schultz (1973) destaca que o investimento em educação formal desenvolve habilidades e conhecimentos objetivando o aumento da produtividade com ganho de habilidades cognitivas e, quanto maior o aumento da produtividade, maior será a renda que essa pessoa receberá e melhor será sua posição social desde que suponha-se, que aumento de produtividade implicará em aumento de renda. É assim que, de certa forma, a educação influi no nível de renda de uma população.

  Um outro fator de suma importância por ser ele um tanto complementar à educação, é a saúde. Bruno (2001) afirma que educar é prevenir, pois só com a prevenção é que se pode até diminuir gastos com tratamentos às vezes dispendiosos, certas doenças como a AIDS e outras DST, por exemplo, poderia ocasionalmente serem amenizadas com uma educação sexual adequada nas escolas como forma de prevenção uma vez que possivelmente levaria a menos casos de AIDS o que acarretaria numa melhor distribuição de prioridades por parte do Sistema de Saúde. Entretanto deve haver a compreensão que a educação sexual não é apenas da escola, mas também da família visto de ser ela o ponto fundamental para o entendimento do mundo em si para muitos jovens.

  Outras doenças também em certo ponto poderia até serem erradicadas como a dengue, cólera, disenteria,tifo entre outras que poderiam ser combatidas com informações apropriadas. Mas no entanto analisando por outro lado, não é apenas sair informando a população em si, deve haver também uma mudança de hábitos. Pois empiricamente notamos que apesar de várias campanhas,

  índices mais altos. A importância da educação sempre está relacionada à saúde.

  Antunes et al. (2009, p. 29) afirma que

  ´´Educação e saúde são dimensões indissociáveis na realidade social concreta. São condições prioritárias na elaboração e na implementação de políticas públicas comprometidas com a construção de uma sociedade democrática, justa e igualitáriặ..)essas instâncias, ainda que sejam vistas como áreas essenciais da ação social, geralmente têm sindo consideradas como independentes ou, na melhor das hipóteses, como correlatas``.

  A partir de tais questionamentos é que não podemos separar a educação da saúde e vice- versa, como nota-se atualmente. Sendo assim, devemos considerar de certa forma a educação como um complemento à saúde. Uma vez que ao sermos instruídos da maneira correta certamente buscaremos maneiras de melhorarmos nossas condições de bem-estar com o meio em que vivemos; e uma das principais transformações certamente será na saúde, na forma de prevenção, na qual há repasses de conhecimentos no intuito de uma qualidade de vida melhor.

  No intuito de demonstrar a importância da educação aliada à saúde, toma-se o exemplo a seguir, a variável mortalidade infantil, que de acordo com o IPECE (2010) é a relação entre o número de óbitos de crianças menores de um ano e o número de nascidos vivos.

  No gráfico abaixo nos deparamos com as taxas de mortalidade infantil do Brasil, Nordeste e Ceará seguidamente nos anos de 1998, 2006, 2007, 2008 e 2009. Ao repararmos o gráfico, notamos como a taxa de mortalidade infantil ainda é bastante alta em todas as áreas geográficas analisadas, mas vem mostrando uma trajetória consistente de redução ao longo do tempo.

  De acordo com IPECE (2010, p.40):

  ´´essa trajetória pode ser reflexo tanto da melhoria de condições socioeconômicas da população nos últimos anos, bem como efeito de politicas específicas que acabaram reduzindo os óbitos das crianças até um ano de vida, tais como as políticas de saúde preventiva, saneamento básico e de educação.`` GRÁFICO 1: Taxa de Mortalidade Infantil (por 1.000 nascidos vivos)

  70

  60

  50

  40

  30

  20

  FONTE: IBGE (1998,2006 à 2009) A partir de tais aspectos notamos a importância da educação relacionar-se com a saúde, visto que a longo prazo políticas públicas relacionadas à educação certamente melhorarão os índices de saúde em geral.

  Através do gráfico notamos como a mortalidade tanto no Nordeste como no Ceará são enormes, se comparadas ao Brasil, mesmo com a drástica queda do final da década de 90 aos próximos dez anos, ficando a certo ponto equivalentes. No Nordeste e no Ceará morrem em média quase dez crianças a mais. Apesar desse número ter melhorado bastante em dez anos, onde antes morriam quase vinte a mais.

  Essas melhorias são vistas em virtude de seu elevado tempo, pois como indica o IPECE (2010, p.41)

  ´´Vale salientar que as melhorias do indicador em questão pode ser mais bem visualizadas em um intervalo de tempo maior, haja vista que maiores transformações nas condições de vida dos indivíduos demoram a acontecer, pois dependem de uma série de fatores tais como crescimento econômico, melhor distribuição de renda e da continuidade, aprofundamento e maior efetividade das políticas públicas, sejam elas de saúde, econômicas, de educação ou de saneamento básico.´´

  Assim, dessa forma vemos como coisas que consideramos às vezes sem muita importância e serem menosprezadas. Uma vez que geralmente políticas públicas de cunho social para a população em si demoram um certo período de tempo para notarmos as melhorias em questão. Portanto, fatores como educação, saúde, políticas econômicas, saneamento básico, distribuição de renda são fatores que deveriam ser contínuos, aprofundados e serem melhor efetivados nas políticas públicas.

  Numa tentativa de demonstrar como a educação é relevante perante às rendas das pessoas, analisaremos a seguinte tabela e seu referido gráfico relatado pelo IPECE para o fator renda do trabalhador (em Reais) no Ceará no ano de 2009.

  TABELA 3: Renda Média por Anos de Estudo (CEARÁ 2009)

  Renda Média do Trabalho Número de Anos de Estudo 218,0 238,3

  1 267,2 2 253,3 3 309,6 4 357,1 5 328,2 6 311,1 7 439,3 8 396,4 9 509,7

  10 685,3 11 1025,8 12 1169,9 13 1685,8 14 2604,1

  15 FONTE: PNAD 2009

  No gráfico a seguir, notamos melhor que o nível de educação dos trabalhadores refletem diretamente em sua renda, pois com o estudo em questão enxergamos que no geral quanto mais anos de estudo, maior será seu salário e, conseqüentemente, maior sua renda. GRÁFICO 2: Renda Média por Anos de Estudo (CEARÁ 2009) 3000 2500 2000 Renda Média do Trabalho 1500 Estudo Número de Anos de 1000

  500

  1

  2

  3

  4

  5

  6

  7

  8

  9

  10

  11

  

12

  13

  14

  15

  16 FONTE : PNAD 2009

  Conforme o IPECE (2010) :

  ´´Os redimentos do trabalho possuem uma relação estreita com o nível de educação dos trabalhadores. É bastante razoável esperar que trabalhadores com níveis de escolaridade

mais elevados obtenham melhores cargos e maiores salários``.

  Situação esta comprovada pelo gráfico acima visto. No gráfico é possível observar que o retorno da educação é maior para anos adicionais de estudos, principalmente após 12 anos de estudos, ou seja, após a conclusão do Ensino Médio. Dessa forma a Educação seria um passo fundamental no desenvolvimento sócio-econômico de áreas mais pobres como as Regiões Norte e Nordeste, principalmente em suas zonas rurais.

  A partir de tais observações começamos a pensar: Porque será que não se busca os estudos como forma de melhorar de vida? Será que há uma maneira mais rápida de melhorar de vida? Será que existem empecilhos para uma melhor qualidade de vida? Se existe qual será a melhor maneira de solucionarmos?

  Talvez hoje em dia alguns fortes empecilhos à educação sejam as drogas e a violência, tanto dentro como fora das escolas. Mas o que vem a ser o contexto de violência no aspecto da escola? Conforme Abramovay e Rua (2003, p. 21) :

  é abordado. No passado, as análises recaíam sobre a violência do sistema escolar, especialmente por parte dos professores contra os alunos (punições e castigos corporais). Na literatura contemporânea, sociólogos, antropólogos, psicólogos e outros especialistas privilegiam a análise da violência praticadas entre alunos ou de alunos contra a propriedade (vandalismo, por exemplo) e, em menor proporção, de alunos contra professores e de professores contra alunos.

  Com tal idéia em questão percebemos a educação como uma espécie de interação entre os seres atuantes em uma escola e entre ela e os seres, nem que seja de uma forma maléfica. Mas tal afirmação sofre de uma reflexão mais ampla, visto do ponto de vista do que vem na verdade ser violência e quais as suas causas.

  Conforme Charlot e Émin (1997 apud ABRAMOVAY, 2003, P. 21) a ênfase de cada estudo depende daquilo que é definido como violência.

  referem-se à dificuldade em definir violência escolar, não somente porque esta remente aos ´´fenômenos heterogêneos, difíceis de delimitar e ordenar``, mas, também, porque ela desestrutura representações sociais que têm valor fundador, por exemplo, a idéia de infância (associada à idéia de inocência) e a de escola (compreendida como refúgio de paz).

  Ainda segundo o autor um outro fator que dificulta a compreensão e a análise da violência – em particular da violência escolar – é o fato de que não existe consenso sobre o significado de violência.

  Dessa maneira devemos ter em mente ao pensamos em violência escolar, não apenas aquelas idéias relacionadas às lesões aos próximos ou a danos causados as propriedades, mas também a idéia de que a violência escolar pode ser uma manifestação mental referente ao aspecto emocional da pessoa em si.

  Como visto anteriormente que a educação pode ser considerada como uma forma de melhorar de vida, ou mesmo uma nação seria de fundamental importância um ambiente escolar harmônico, onde todos vivessem em segurança, assim a violência escolar seria uma forma de impedimento em busca de uma Sociedade mais justa.

  Um outro fator que às vezes é atrelado com a violência é a criminalidade, tema esse que se constitui num dos graves problemas da sociedade brasileira e é hoje um dos temas mais debatidos quando se discute políticas sociais; Loureiro (2007, p.3) afirma em seu artigo no site do IPECE, disponível em <htpp:www2.ipece.gov.br/12_livro.pdf> com acesso em 03 de junho de 2011 :

  Apesar dessas discussões, não se chegou a um consenso da melhor forma de atacar esse grave problema social. Por um lado há os que sugerem que o crime deva ser combatido com ênfase na repressão policial, já outros argumentam que o comportamento criminal é um fenômeno oriundo principalmente das condições econômicas e sociais adversas experimentadas por parte considerável da população. Dentro desse debate, diferentes áreas do conhecimento têm surgido com ideias e estudos sobre o crime e seus determinantes, assim como as melhores formas de combater este problema.

  Então a partir de tais argumentos passamos a pensar da seguinte maneira: segundo alguns, para resolver a criminalidade seria necessário principalmente a repressão policial, mas aí vem um questionamento será que a polícia é preparada para abordar o cidadão? Ou ela será como uma espécie de mola propulsora para gerar mais violência por exemplo. Já outros afirmam que a criminalidade é um fenômeno advindo principalmente das condições econômicas e sociais diferentes por qual cada um passa; assim dessa forma uma busca por ´´uma vida melhor``ou mais igualitária poderia de certa forma representar numa menor criminalidade. Pois como foi visto antes por Littlejohn (1976) com as desigualdades sociais começam a aparecer os privilégios de uns sobre outros.

  E uma das formas de se combater a criminalidade, se não a primordial é com a educação de qualidade, certo de que os fatores que levam alguns jovens, futuros cidadãos, a abandonarem as escolas são bastantes diversificados, sendo entre os principais a falta de renda por exemplo, fazendo-os entrarem mais cedo no mercado de trabalho tornando-os menos qualificados, e como visto antes que com menos gente qualificada, haverá um grande número de sub-empregos, acarretando em favelização, prostituição, criminalidade, ou seja, numa sociedade desigual, que em alguns casos leva ao uso das drogas como forma de mascarar uma ´´vida difícil``, e esse problema atravessa os muros das escolas. Assim, as drogas passam a ser um dos principais fatores externos de desistência, de evasão escolar e do baixo redimento acadêmico dos alunos.

  Como citado anteriormente a escola pode ser vista, pelos alunos e pela Sociedade, como um meio de obtenção de um maior capital social, humano e cultural, a tal ponto de a educação passar a ser considerada como uma forma de melhorar de vida, principalmente nos países em desenvolvimento. Entretanto, conforme Castro e Abramovay (2002) para que a escola continue exercendo sua função e seja capaz de propor ações concretas na resolução dos conflitos que se dão no seu ambiente, os quais refletem problemas internos e externos a ela, tais como a presença, a venda e o consumo de drogas, é necessário que ela seja capaz de lidar com novos valores e novas ideias que surgem com as constantes transformações sociais.

  A educação reflete também no nível de emprego de uma sociedade, pois como é sabido uma boa educação não deixa sequelas em sua maneira de se passar a História de um País, diferentemente no Brasil, onde até o passado do trabalho escravo remete a preconceitos até hoje em dia. Como afirma Cardoso (2010, p.49) :

  ´´Sugiro que a escravidão deixou marcas muito profundas no imaginário e nas práticas sociais posteriores, operando como uma espécie de lastro, do qual as gerações sucessivas tiveram grande dificuldade de se livrar.``

  Assim vemos que as interrelações entre os seres de uma sociedade é de certa forma cultural, uma vez que até certos hábitos antigos atravessam o tempo e permanecem até hoje.

  Uma maneira de ´´melhorar as vidas das pessoas`` pode ser com a educação profissional e tecnológica como forma de inserir a população num mercado de trabalho, sobre o qual a desenvolverá cultura e socialmente. Pois segundo Sousa et al (2011, p. 35):

  ´´a educação profissional contribui para o desenvolvimento à medida que dá suporte à formação de jovens competitivos, eficientes e produtivos, capazes de elevar os padrões atuais de inovação tecnológica do país.``

  Daí percebemos a importância da educação profissional, uma vez que ela eleva os padrões de inovação tecnológica em um país, e visto que isso fora uma das chaves do desenvolvimento de alguns países ditos hoje como desenvolvidos como o Japão e a Coréia do Sul. Assim dessa maneira, Sousa et al (2011) tenta relacionar dominação com a desigualdade social afirmando que uma educação desveladora dos determinantes econômicos, políticos, sociais, culturais de degradação socioambiental é na verdade uma educação que considera os fundamentos científicos e tecnológicos do trabalho.

  Então ao pensarmos em educação profissional temos de ter em mente que a educação por um lado não deve ser apenas feita em função das ´´chances de emprego``ou voltadas para elas, como geralmente é feito com a educação profissional, pois na prática sempre vemos, por exemplo, uma área turística com cursos voltados ao turismo, ou uma área agrícola com cursos voltadas à agricultura ou ao solo. Enquanto que na verdade deveriam ser focadas na realização profissional de cada ser. Pois conforme FREITAS in SOUSA ET AL (2012, P. 251):

  ´´o papel da educação não é meramente adaptativo ao desemprego, porque a educação é reflexão e ação, é produção de conhecimento, todavia, também é regulação. `` Ou seja, o papel da educação necessita de ser algo prazeroso e não apenas uma mera formalidade para um diploma, antes de tudo a educação profissional deve ser uma forma de inserção no mercado de trabalho e ela deve ser continua como maneira de aperfeiçoamento no dia- a-dia no trabalho e uma maneira de se buscar melhoria na qualidade de vida de uma pessoa.

  Assim conclui-se que desigualdade social e pobreza, apesar de serem termos intrigantes e até certo ponto serem de uma enorme semelhança para alguns, devemos destacar que é de fundamental importância tentarmos resolver ou ao menos amenizar as desigualdades sociais, uma vez que, são elas que traz-nos bem-estar, visto que, é possível combater a pobreza sem, no entanto, haver bem-estar.

  Então na verdade devemos buscar o desenvolvimento econômico sem deixar de lado o crescimento econômico, porque esse sim é que muda as vidas das pessoas, e um dos passos primordial para isso é uma educação de qualidade, para que num primeiro momento haja crescimento econômico, pois como fora visto desenvolve o capital humano para que depois venha o desenvolvimento econômico, visto que esse geralmente traz bem-estar nas outras variáveis sócio- econômicas.

  Assim, nada mais plausível de se procurar uma variável que explique melhor a causa dessas desigualdades sociais, e uma das mais adequadas, seria a educação, visto que ela reflete perfeitamente em outros indicadores sócio-econômicos, como saúde, violência, crescimento e desenvolvimento econômico entre outros.

  Certo de que não apenas a educação explicaria as desigualdades sociais, mas sim as correlações existente entre a educação e as outras variáveis, mais como também as relações que existem entre os seres vivos e o meio ambiente em que se vive.

  As desigualdades sociais não serão tão fáceis de ser eliminadas visto que elas vêm desde os primórdios da humanidade, sendo que as aprofundou-se mais após a Revolução Industrial, tornando-se dessa forma num processo histórico. Certo que esta causara através do uso da tecnologia e da otimização no trabalho, um enorme excedente que a princípio pensou-se ser este a fonte da igualdade social, mas no entanto ocorreu foi o crescimento das desigualdade, uma vez que o excedente ficou restrito a poucos e a tecnologia surgida com a Revolução Industrial impediu que

  Assim, a educação pode se dizer que é uma das chaves ao combate às desigualdades sociais, visto que com a educação se é capaz de igualar as diferenças sociais, vide os casos de países com altos índices de desenvolvimento econômicos e vermos que neles uma de suas principais ´´pilastras`` é principalmente a educação de qualidades para todos.

  Pela análise feita nesse trabalho é de fundamental importância o investimento em educação, principalmente a educação de base, para o desenvolvimento das nações e dos cidadãos que nela vivem, pois só com a educação que se melhora os índices sócios-econômicos, melhorando assim as vidas das pessoas, levando até elas não só o crescimento econômico, mas como também o desenvolvimento econômico.

  Dessa forma, conclui-se que muitos dos problemas de desenvolvimento econômico no Brasil nas áreas de saúde, emprego, criminalidade, violência, entre outros, poderiam serem resolvidos desde que houvesse vontade política para promover o bem-estar da população em si, bastaria investir na educação como forma de se melhorar nos outros índices sociais.

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