AVALIANDO AS COMPETÊNCIAS NO MUNDO DO TRABALHO

Livre

0
0
7
10 months ago
Preview
Full text

  Congresso Internacional em Avaliação Educacional Congresso Internacional em Avaliação Educacional

  Avaliar e Intervir: Novos Rumos da Avaliação Educacional 1810

  Avaliar e Intervir: Novos Rumos da Avaliação Educacional 1811

  SHIROMA, E. O; MORAIS, M. C. M. ; EVANGELHISTA, O. Política AVALIANDO AS COMPETÊNCIAS NO MUNDO DO TRABALHO educacional . 2. ed. Rio de Janeiro: DP&A, 2002.

  VERGARA, S. C. Projetos e relatórios de pesquisa em adminis-

  Antônia Cristina Jorge tração . 4. ed. São Paulo: Atlas, 2003. Maria Ivanília Tavares Timbó Francélia Maria Almeida Sales

  WARDE, M. J. “Considerações sobre a autonomia da escola”.

  Revista Idéias: O diretor-articulador do projeto de escola. São Introdução Paulo: FDE, 1992.

  As políticas públicas referentes à educação profi ssional Quadro 01 — Núcleo Gestor no Brasil avançaram notavelmente nos últimos anos. A necessi-

  Função Tempo de serviço

  dade secular de capacitação do grande contingente de traba-

  Diretor fi nanceiro 26 anos

  lhadores atuantes no sistema de saúde culminou com a apro- vação, pelo Conselho Nacional de Saúde (CNS), da “Política de

  Diretora pedagógica 26 anos educação e desenvolvimento para o Sistema Único de Saúde

  Coordenadora pedagógica 12 anos (SUS): Caminhos para a educação permanente em saúde”, em

  Coordenador pedagógico 10 anos setembro de 2003 (BRASIL, 2004). Coordenadora administrativa 02 anos

  Essa política teve como objetivo atender aos requisitos

  Psicóloga 02 anos

  da Norma Operacional Básica sobre Recursos Humanos do Siste-

  Fonte: Questionário

  ma Único de Saúde (NOB/RH-SUS), elegendo como dispositivo de gestão, os Pólos de Educação Permanente em Saúde (PEPS), Quadro 02 — Categorias da gestão da qualidade. instâncias locorregionais de articulação interinstitucional para

  CATEGORIAS SUBCATEGORIAS

  a gestão da educação em serviço (BRASIL, 2004)

  1.1. Melhoria na comunicação

  1. Objetivo

  1.2. Aperfeiçoamento do serviço prestado Partindo do pressuposto de que a qualidade da atenção

  2.1. Comunicação e envolvimento

  à saúde está relacionada com a formação dos trabalhadores da

  2. Melhorias

  2.2. Otimização do trabalho

  rede de serviços, a proposta apresentada pelo Departamento

  3.1. Resistência à mudança

  3. Difi culdades

  de Gestão da Educação na Saúde, do Ministério da Saúde (MS),

  3.2. Falta de entrosamento dos professores

  previa a integração entre ensino e serviço, formação e gestão

  4.1. Desafi o positivo

  4. Avaliação

  setorial e desenvolvimento institucional e controle social (CEC-

  4.2. Processo contínuo

  CIM; FEUERWERKER, 2004). Em fevereiro de 2004, essa proposta

  Fonte: Questionário

  foi regulamentada pela Portaria 198/GM/MS, instituindo-se a Quadro 03 — Categorias relacionadas à entrevista. Política Nacional de Educação Permanente em Saúde, que foi

  Funcionários Pais e alunos

  posteriormente alterada pela Portaria 1996/GM/MS, de 20 de

  1) Melhoria considerável 1) Desconhecimento da GQ agosto de 2007 (BRASIL, 2007). 2) Pequena melhoria 2) Melhora sutil

  A educação profi ssional em saúde se baseia na aprendiza- gem signifi cativa e propõe que a transformação das práticas dos ISBN 978-85-89872-75-1 • Marta Cavalcante Benevides • Tania Vicente Viana (Orgs.) Fonte: Entrevista não estruturada Sueli Maria de Araújo Cavalcante Comunicação Oral — Eixo 10 ISBN 978-85-89872-75-1 Sueli Maria de Araújo Cavalcante

  1813 Congresso Internacional em Avaliação Educacional Avaliar e Intervir: Novos Rumos da Avaliação Educacional

  Congresso Internacional em Avaliação Educacional Avaliar e Intervir: Novos Rumos da Avaliação Educacional

  profi ssionais seja pautada na refl exão crítica do cotidiano no contexto do trabalho. Ela é feita a partir dos problemas enfren- tados na realidade e leva em consideração os conhecimentos prévios e as experiências anteriores, propondo que o processo de educação dos trabalhadores se faça a partir da problemati- zação do processo de trabalho. Dessa forma, cria espaços de refl exão que permitem repensar as práticas, buscar novas es- tratégias de intervenção e perseguir a superação de difi culda- des individuais e coletivas no trabalho. Isso signifi ca que, por meio da ação educativa, há um conseqüente aumento do co- nhecimento, constituindo-se, dessa forma, em uma estratégia essencial para a inserção do trabalhador nas relações sociais e no mundo do trabalho (BRASIL, 2007).

  A ESP-CE, autarquia ligada à Secretaria Estadual da Saú- de (SESA), vem contribuindo com o processo de educação pro- fi ssional através da formação dos trabalhadores do SUS no Esta- do do Ceará, desde sua concepção. Já qualifi cou cerca de seis mil Auxiliares de Enfermagem, formou cerca de 1.200 Técnicos em Enfermagem e 600 TSB, antigo Técnico em Higiene Dental (THD), tendo uma proposta curricular norteada nas competên- cias do exercício profi ssional, pautada nos princípios do SUS e na Lei de Diretrizes e Bases da Educação (LDB). Segundo a Por- taria 1996/GM/MS/07 (Anexo III):

  A formação dos trabalhadores de nível técnico é um componente decisivo para a efetivação da po- lítica nacional de saúde, capaz de fortalecer e au- mentar a qualidade de resposta do setor da saúde às demandas da população, tendo em vista o papel dos trabalhadores de nível técnico no desenvolvi- mento das ações e serviços de saúde. A LDB prevê uma educação profi ssional que atenda as ne- cessidades do serviço, integrando teoria e prática, permitindo a resolutividade de problemas concretos na produção de co- nhecimento e prestação de serviços. O desenho curricular deve proporcionar a articulação e mobilização de competências, permitindo ao sujeito o enfrentamento das diversas situações, imprevistas ou não, de forma efi ciente e efi caz (BRASIL, 1999).

  Competência é o resultado de um conjunto de capacida- des referidas aos conhecimentos, às habilidades e às atitudes, que conferem ao profi ssional condição para desenvolver seu tra- balho. Pressupõem operações mentais, capacidades para usar as habilidades, e o emprego de atitudes adequadas à realização de tarefas. Referem-se, portanto a atributos relacionados não apenas ao saber-conhecer, mas ao saber-fazer, saber-conviver e ao saber-ser (PERRENOUD, 1999).

  Nessa perspectiva, é relevante estimular a articulação entre saberes e prática profi ssional, através do desenvolvi- mento de competências essenciais a essa prática, enfocando a aprendizagem como uma construção cujo epicentro é o pró- prio aprendiz. O Ministério da Educação explicita cinco compe- tências primordiais em suas diretrizes: domínio de linguagem, compreensão de fenômenos, construção de argumentações, so- lução de problemas e elaboração de propostas (BERBEL, 1999).

  Considerando esses pressupostos, a ESP-CE adotou a Me- todologia da Problematização, por ser capaz de promover a participação ativa do sujeito da aprendizagem na construção do seu próprio conhecimento. Nela, o aprendizado é problema- tizado a partir de um problema da realidade, verifi cando-se o conhecimento prévio do aluno, teorizando-se esse conhecimen- to com base na literatura científi ca, para em seguida aplicá-lo à realidade (FREIRE, 1996). Segundo Stacciarini (1999, p.60):

  Enquanto formadores de recursos humanos, deve- mos nos preocupar mais com o como ao invés do que ensinar, sem esquecer naturalmente dos obje- tivos educacionais, ou seja do porquê ensinar. Não se pretende minimizar a importância do conteúdo programático em função da Didática ou dos mé- todos de ensino utilizados; o que se insinua é que

  • Marta Cavalcante Benevides • Tania Vicente Viana (Orgs.)
  • Comunicação Oral — Eixo 10 ISBN 978-85-89872-75-1 ISBN 978-85-89872-75-1 1812 Sueli Maria de Araújo Cavalcante

      1815 Congresso Internacional em Avaliação Educacional Avaliar e Intervir: Novos Rumos da Avaliação Educacional

      Congresso Internacional em Avaliação Educacional Avaliar e Intervir: Novos Rumos da Avaliação Educacional o modo de transmitir pode despertar ou elevar o grau de interesse e participação do aluno em rela- ção ao que se propõe.

      Assim, educar aqui signifi ca produzir sujeitos capazes de protagonizar mudanças nos serviços de saúde. A intenção das propostas é organizar a ação, direcionando-a para mudanças no nível organizacional, técnico-assistencial e nas relações em equipe, bem como nas formas de acolher e responsabilizar-se pelo usuário. Pois, paralela à linha de produção do cuidado, há uma linha de produção pedagógica na estrutura organizacional do SUS (FRANCO, 2007).

      Esse estudo visou avaliar as competências adquiridas pe- los egressos do Curso Técnico em Saúde Bucal da ESP-CE, entre os anos de 2006 e 2009. Acredita-se que a avaliação dessas com- petências permitirá o planejamento de ações que otimizarão a qualidade do ensino, contribuindo com as transformações do trabalho no setor saúde, para que venha a ser lugar de atuação crítica, refl exiva, propositiva, compromissada e tecnicamente competente. Esta ação permitirá constituir o SUS verdadeira- mente como uma rede-escola.

      Metodologia

      Trata-se de um estudo descritivo com uma abordagem qualitativa, visto que, é a mais adequada para responder a questão norteadora. Essa abordagem trabalha com o universo de signifi cados, valores e atitudes, dos processos e dos fenô- menos que não podem ser quantifi cados (MINAYO, 1992, 2003).

      O projeto de pesquisa foi aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa da ESP-CE, conforme a Resolução 196/96 do Con- selho Nacional de Saúde. Obteve-se também a autorização da Superintendência da ESP-CE, instituição sediadora da pesquisa.

      A coleta de dados foi realizada através de um questioná- rio semi-estruturado contendo perguntas abertas e fechadas, direcionadas aos dentistas/facilitadores dos municípios de Car- naubal, Crato, Icó, Iguatu, Juazeiro do Norte, Limoeiro do Nor- te, Quixadá e São Benedito, municípios onde os trabalhadores participaram do processo de educação permanente, através do Projeto de Formação Técnica em Saúde Bucal da ESP-CE, no período de 2006 a 2009.

      A partir das respostas descritas nos questionários, reali- zamos uma análise de conteúdo, criando categorias emergidas da descrição dos registros dos participantes, considerando-se: Perfi l sócio-demográfi co do TSB; Principais mudanças percebi- das pelo dentista/facilitador em relação ao conhecimento do TSB; Principais mudanças percebidas pelo dentista/facilitador em relação às habilidades do TSB; e as Principais mudanças per- cebidas pelo dentista/facilitador em relação às atitudes do TSB.

      As categorias são rubricas ou classes, as quais reúnem um grupo sob um título genérico, agrupamento efetuado em razão dos caracteres comuns destes elementos. Nesse caso, optamos por uma categorização temática, analisando-se e interpretan- do-se os resultados à luz de Bardin, através da análise dos con- teúdos estudados (BARDIN, 2004).

      Os resultados foram apresentados e concomitantemen- te discutidos segundo a perspectiva descritivo-interpretativa. Essa interpretação baseia-se nos pressupostos da antropologia hermenêutica que a compreende como uma construção nego- ciada do sentido dado pelo autor e pelo intérprete (BOSI; MER- CADO, 2004).

      Resultados e Discussões Perfi l sócio-demográfi co do TSB

      A caracterização dos egressos revelou que 90% eram do sexo feminino, compreendidos principalmente na faixa etária entre 31 a 50 anos, sendo na sua maioria casados/união estável. Em relação à formação escolar constatou-se que 3% dos egres-

    • Marta Cavalcante Benevides • Tania Vicente Viana (Orgs.)
    • Comunicação Oral — Eixo 10 ISBN 978-85-89872-75-1 ISBN 978-85-89872-75-1 1814 Congresso Internacional em Avaliação Educacional Congresso Internacional em Avaliação Educacional

        Avaliar e Intervir: Novos Rumos da Avaliação Educacional 1816

        Avaliar e Intervir: Novos Rumos da Avaliação Educacional 1817

        sos cursavam o ensino superior, sendo que todos haviam conclu- forma, acredita-se que o curso oportunizou ao aluno atingir o ído o ensino médio. Em se tratando da atuação profi ssional, no nível cognitivo de síntese da Taxonomia de Bloom, visto que, o momento da pesquisa, Mais de 90% atuavam no Programa Saúde aluno passou a construir argumentações e conceitos, a partir da Família (PSF), os demais atuavam no Centro Especializado das teorizações realizadas. O trecho a seguir remonta a esse pressuposto: em Odontologia (CEO). Quase 96% dos egressos continuaram exercendo atividades de Auxiliar de Saúde Bucal (ASB).

        As alunas fi caram mais seguras, pois detinham mais conhecimento quando do desenvolvimento do

        Mudanças percebidas em relação ao conhecimento do TSB

        atendimento da clínica diária. Passaram a discu- Considerou-se conhecimento, como o processo de teori- tir sobre os assuntos com os profi ssionais com que zação, representados pelo conjunto de conteúdos obtidos pre- trabalhavam, ampliaram seu mundo e continuaram dominantemente por meio de exposição, leitura e re-elabora- a se desenvolverem como cidadãos mesmo após o fi m das aulas. (DF 1) ção crítica, que possibilitam ao profi ssional o domínio cognitivo de um saber e a capacidade de tomar decisões e resolver pro-

        No que concerne à educação em saúde, os conhecimen- blemas em sua área de atuação (FRANCO, 2007). tos adquiridos podem ser facilmente percebidos observando-

        Segundo os DF o curso facilitou a compreensão dos alu-

      • se as sessões educativas, ocasião em que o egresso demonstra nos acerca dos pressupostos do SUS, ressaltando que antes do maior segurança frente a questionamentos e maior desenvoltu- curso, a grande maioria dos egressos estava atuando nos ser- ra nas palestras. Essas mudanças podem ser evidenciadas nas viços de saúde, sem conhecimento dos princípios e diretrizes falas a seguir: do mesmo. O conhecimento do funcionamento do sistema de saúde, enfatizando os níveis de atenção como uma rede de saú- Outro ponto bastante interessante foi o ganho na de, facilitou os encaminhamentos da equipe de saúde bucal, qualidade e quantidade de informações passadas aos pacientes quando da orientação destes quanto organizando o serviço. “As mudanças foram muitas. O aumento

        à higiene bucal e aos cuidados para evitar as cáries

        do conhecimento sobre os materiais e instrumentais odontoló-

        e doença periodontal, visto que conheciam melhor

        gicos foi ponto importante para o sucesso da equipe de saúde

        o desenvolvimento destas. Ao mesmo tempo colo-

        bucal.” (DF 2). [...] Desenvolveram seus conhecimentos sobre

        co que hoje estão habilitados para fazer concursos

        o SUS [...] fator decisivo na organização dos serviços. (DF 15)

        públicos. (DF 5) Os conhecimentos relativos às especialidades odontoló-

        Acredita-se que a metodologia de ensino adotada pela gicas também foram ampliados, promovendo um maior apro- veitamento do TSB no consultório odontológico. Os egressos ESP-CE (Problematização) possa ter contribuído para a efi ciên- cia do processo de ensino-aprendizagem. Em uma pesquisa se- passaram a ter mais segurança em suas colocações, promoven- do freqüentes discussões dos assuntos apreendidos em sala de melhante realizada por Costa et. al. (2008), observou-se “uma aula, com os dentistas das unidades que trabalhavam, fazendo compreensão de que a Problematização auxiliou no aprendiza-

        do, despertando o interesse dos alunos pelo curso, bem como a

        uma análise crítica dos temas discutidos, e posteriormente, in- corporando os ensinamentos à sua prática profi ssional. Dessa atualização dos conhecimentos.” Sueli Maria de Araújo Cavalcante Comunicação Oral — Eixo 10

        ISBN 978-85-89872-75-1 • Marta Cavalcante Benevides • Tania Vicente Viana (Orgs.) ISBN 978-85-89872-75-1

      • se uma melhora signifi cativa na conduta frente ao manejo do paciente. Em se tratando da manipulação de materiais, passou a ser melhor realizada, obedecendo-se os tempos de execução do procedimento, e a forma correta de mistura. A passagem seguinte evidencia essas mudanças:

        Os DF perceberam mudanças signifi cativas em relação às atitudes dos egressos, citando o aumento da iniciativa, da criatividade e do compromisso, a maior motivação em realizar as atividades, a maior participação nas decisões da Equipe de Saúde Bucal (ESB), a maior desenvoltura na realização das ati- vidades, a elevação da auto-estima, e da confi ança em si. Essas mudanças resultaram no aumento da capacidade de encontrar

        bém com os pacientes, passando a atendê-los melhor, como um todo, pois foram sensibilizadas nas aulas de ética e humaniza- ção do atendimento.” (DF 4)

        O aprendizado adquirido permitiu que os técnicos passas- sem a perceber o indivíduo holisticamente, sendo fator decisivo para a humanização do atendimento/acolhimento ao usuário, conforme observado no trecho: “Mudaram sua atitude tam-

        As atitudes, que representam o saber ser e o saber con- viver do domínio afetivo, compreendem o conjunto de compor- tamentos adquiridos por intermédio de observação, introjeção e reelaboração crítica que conferem ao profi ssional o domínio ético e afetivo de um saber ser e saber conviver, além da capa- cidade de tomar decisões e de solucionar problemas na sua área de atuação (FRANCO, 2007).

        Mudanças percebidas em relação às atitudes do TSB

        levantam algumas diferenças do cuidar que eles perceberam entre os técnicos de enfermagem egressos do PROFAE, compa- rados aos demais técnicos formados em outros cursos.

        O aperfeiçoamento das habilidades de egressos, também foi observado em Costa et. al. (2008), onde os “supervisores

        coletivas, não pode deixar de ser evidenciada. [...] Possibili- tou mais segurança nas abordagens e compreensão da impor- tância dessas ações.[...]Otimizamos nosso tempo de trabalho e conseguimos estabelecer uma relação mais próxima com o paciente.”(DF 1)

        Um fato importante a ressaltar, diz respeito ao não reco- nhecimento do TSB pelos gestores municipais, pois mesmo após a conclusão do curso, cerca de 96% dos alunos continuam rece- bendo o mesmo salário de ASB. Por outro lado, os consultórios não apresentam uma estrutura adequada ao desenvolvimento de suas atribuições. Esses fatos têm infl uência direta no proces- so de trabalho do TSB, limitando-os à execução de atividades voltadas para as abordagens coletivas.

        O desenvolvimento de habilidades técnicas para traba- lhos em grupo e ações coletivas pode ser facilmente percebido nas sessões de higiene bucal supervisionada, nas orientações de pós-operatório, na visita domiciliar à puérpuras, entre outras, conforme se observa nas falas a seguir: “A otimização nas ações

        Enquanto trabalhava comigo no PSF, melhoraram frente aos manejos em biossegurança, com o pa- ciente, manipulação de materiais, condução de crianças durante o atendimento, inserção de res- tauração de amálgama na cavidade e fl úor [...]Os materiais usados passaram a ser melhor manipula- dos obedecendo tempos de trabalho, presa e como fazer misturas.(DF 9)

        Na clínica odontológica o aperfeiçoamento das habilida- des dos alunos pode ser percebido com clareza, evidenciando-

        As habilidades representam o saber fazer do domínio psi- comotor e são indicadas pelo conjunto de práticas adquiridas, sobretudo por demonstração, repetição e re-elaboração crítica, que fornecem ao profi ssional o domínio psicomotor, a perícia de um saber fazer e a capacidade de tomar decisões e resolver questões no seu campo de atuação (FRANCO, 2007).

        Mudanças percebidas em relação às habilidades do TSB

        Congresso Internacional em Avaliação Educacional Avaliar e Intervir: Novos Rumos da Avaliação Educacional

        1819 Congresso Internacional em Avaliação Educacional Avaliar e Intervir: Novos Rumos da Avaliação Educacional

        Sueli Maria de Araújo Cavalcante

      • Marta Cavalcante Benevides • Tania Vicente Viana (Orgs.)
      • Comunicação Oral — Eixo 10 ISBN 978-85-89872-75-1 ISBN 978-85-89872-75-1 1818 Congresso Internacional em Avaliação Educacional Congresso Internacional em Avaliação Educacional

          Avaliar e Intervir: Novos Rumos da Avaliação Educacional 1820

          Avaliar e Intervir: Novos Rumos da Avaliação Educacional 1821

          soluções para problemas inéditos e de superação das adversi- processual, considerando-se a experiência vivenciada pelo su- dades, e facilidade de trabalhar em equipe. Esse fato pode ser jeito da aprendizagem. identifi cado na passagem a seguir:

          A ESP-CE , tendo em vista esse preceito, realizou o curso utilizando uma metodologia ativa, permitindo que o processo de

          A realização das atividades educativas é cumpri-

          ensino-aprendizagem ocorresse de acordo com os papéis sociais

          da com grande desenvoltura, e criatividade, seja

          dos envolvidos, oportunizando o desenvolvimento de uma visão por meio de teatro de fantoches, ou por palestras. refl exiva e crítica, através de ações inovadoras. Procurou-se ir

          Além disso, o aumento da capacidade de prender

          além do ensinamento de habilidades teóricas e técnicas, consi-

          a atenção e fazer-se entender, aumentando o seu poder de convencimento tem se mostrado bem sa- derando o papel do TSB, dentro de uma contextualização do seu tisfatório, inclusive resultando na criação de um processo de trabalho, partindo da auto-percepção pessoal. programa preventivo (Geração Cárie Zero) no qual

          Segundo os DF, as mudanças ocorridas nesse processo de

          o ator principal é o TSB. (DF11)

          trabalho, podem ser percebidas claramente observando-se as práticas profi ssionais dos egressos, dentro da perspectiva do Costa et. al. (2008) identifi ca resultados semelhantes, desenvolvimento de competências essenciais à execução das conforme observado no trecho: “[...]São mais participativos, atividades do TSB. Nesse estudo, foram percebidas mudanças

          criativos e têm maior facilidade no trabalho em equipe, am-

          signifi cativas em relação ao conhecimento, às habilidades e às

          pliando as relações de convivência.[...]Sendo ressaltadas a atitudes dos alunos trabalhadores. mudança de atitude e a forma mais humanizada dos técnicos

          Acredita-se que a aquisição, o domínio e a prática desse durante o cuidado com os pacientes. conjunto de saberes e de fazeres pelos egressos são fatores

          A ESP-CE tem a compreensão de que o processo de tra- decisivos para sustentar as ações e as atividades a serem im- balho do TSB pode ser otimizado se considerar o Ser pessoa que plementadas na dia-a-dia, para estruturar e dar suporte às po- reside no Ser profi ssional, identifi cando suas potencialidades, líticas de saúde vigentes no país. Os gestores devem elaborar o desejos e temores. O Ser profi ssional deve está em constante planejamento em saúde, incluindo como prioridade a formação interação consigo próprio e com o mundo. Sendo assim, o lado e a gestão de pessoas, bem como a regulação e a regulamenta- humano do profi ssional precisa ser compreendido e valorizado. ção do trabalho em saúde.

          As mudanças percebidas, apontam que o TSB passou a

          Considerações Finais

          apresentar uma visão mais holística do processo saúde-doença O estudo nos remete a refl exão acerca da importância da e uma visão mais sistêmica dos serviços de saúde. Admitindo-se educação profi ssional em saúde à efetivação dos princípios do o conhecimento como algo inacabado, não se pode compre-

          SUS, sendo fator determinante no processo de produção do cui- ender o ensino em saúde como uma seqüência de ações pa- dado, evidenciando que as práticas profi ssionais são otimizadas dronizadas com fi nalidade de transmitir informações, mas sim, consideravelmente quando ela ocorre. Para que a construção como uma importante ferramenta de transformação do aluno/ trabalhador. do conhecimento seja efetiva e possa transformar a prática so- cial, faz-se necessário que o saber seja construído sob forma Sueli Maria de Araújo Cavalcante Comunicação Oral — Eixo 10

          ISBN 978-85-89872-75-1 • Marta Cavalcante Benevides • Tania Vicente Viana (Orgs.) ISBN 978-85-89872-75-1

          Congresso Internacional em Avaliação Educacional Congresso Internacional em Avaliação Educacional

          Avaliar e Intervir: Novos Rumos da Avaliação Educacional 1822

          Avaliar e Intervir: Novos Rumos da Avaliação Educacional 1823 cia & Saúde Coletiva , Rio de Janeiro, v.10, n.4, p.41-65, out./

          Referências dez. 2005b.

          ARROYO, M. G. Trabalho: educação e teoria pedagógica FRANCO, T. B. Produção do cuidado e produção pedagógica: . Pe- integração de cenários do sistema de saúde no Brasil. Interfa- tropólis: Vozes, 1998.

          BARDIN, L. Análise de conteúdo. 3ª ed. Lisboa (PT): Edições ce — Comunic., Saúde, Educ ., Botucatu, v. 11, n. 23, p. 161- 68, set./dez. 2007. 70; 2004.

          FREIRE, P. Pedagogia da autonomia: Saberes necessários à BERBEL, N. A. N. Metodologia da problematização: fundamen-

          tos e aplicação prática educativa . São Paulo: Paz e Terra, 1996, 165 p.

          . Londrina: UEL, 1999. 198 p.

          MINAYO, M. C. O desafi o do conhecimento — Pesquisa qualita- BOSI, M. L. M.; MERCADO, F. J. Pesquisa qualitativa de serviços de saúde. Petrópolis-RJ: Vozes, 2004, 607 p. tiva em saúde . São Paulo: Hucitec/Abrasco, 1992.

          MINAYO, M. C. Pesquisa social — Teoria, método e criativida- BRASIL. Ministério da Educação e do Desporto. Proposta de Di- de . Petrópolis: Vozes, 2003.

          retrizes Curriculares para a Educação Profi ssional. Brasília, PERRENOUD, P. Construir as competências desde a escola.

          abril, 1999.

          Porto Alegre: (RS): ARTMED; 1999. BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Gestão do Trabalho e da Educação na Saúde. Departamento de Gestão da Educa- STACCIARINI, J. M. R.; ESPERIDIÃO, E. Repensando estratégias de ensino no processo de aprendizagem. Rev. Latino-am. En-

          ção na Saúde. Política de educação e desenvolvimento para fermagem , Ribeirão Preto, v. 7, n. 5, p. 59-66, dez. 1999.

          o SUS: caminhos para a educação permanente em saúde

          Pólos de Educação Permanente em Saúde. Ministério da Saúde, Brasília, 2004 BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Gestão do Trabalho e da Educação na Saúde. Departamento de Gestão da Educação na Saú- de. Portaria Nº 1.996/2007 . Ministério da Saúde, Brasília, 2007.

          COSTA, C. C. C. et. al. Curso técnico de enfermagem do PRO- FAE-Ceará: a voz dos supervisores. Texto contexto — Enferma- gem. Florianópolis, v.17, n.4, out./dez. 2008.

          CECCIM, R. B.; FEUERWERKER, L. C. M. O quadrilátero da for- mação para a área da saúde: ensino, gestão, atenção e controle social. Physis: Revista de Saúde Coletiva , Rio de Janeiro, v. 14, n. 1, p. 41-65, jan./jun. 2004. CECCIM, R. B. Educação permanente em saúde: desafi o ambi- cioso e necessário. Interface — Comunic., Saúde, Educ.,

          Botu- catu, v. 9, n. 16, p. 161-168, set./fev. 2005a. CECCIM, R. B. Educação Permanente em Saúde: descentraliza- ção e disseminação de capacidade pedagógica na saúde. Ciên- Sueli Maria de Araújo Cavalcante Comunicação Oral — Eixo 10

          ISBN 978-85-89872-75-1 • Marta Cavalcante Benevides • Tania Vicente Viana (Orgs.) ISBN 978-85-89872-75-1

Novo documento

Tags

Documento similar

UNIVERSIDADE FEDERAL DO CEARÁ FACULDADE DE EDUCAÇÃO DEPARTAMENTO DE ESTUDOS ESPECIALIZADOS CURSO DE ESPECIALIZAÇÃO EM EDUCAÇÃO INFANTIL VANESSA BENÍCIO LIMA FERNANDES
0
0
53
UNIVERSIDADE FEDERAL DO CEARÁ CENTRO DE CIÊNCIAS AGRÁRIAS DEPARTAMENTO DE FITOTECNIA CURSO DE AGRONOMIA JEFFERSON FREITAS DE MENEZES FORTES
0
0
26
UNIVERSIDADE FEDERAL DO CEARÁ CENTRO DE CIÊNCIAS AGRÁRIAS DEPARTAMENTO DE ENGENHARIA DE PESCA DESEMPENHO E VIABILIDADE ECONÔMICA DO PIRARUCU, Arapaima
1
0
34
UNIVERSIDADE FEDERAL DO CEARÁ CENTRO DE CIÊNCIAS AGRÁRIAS DEPARTAMENTO DE ECONOMIA AGRÍCOLA CURSO DE AGRONOMIA CAMILA BARBOZA ARAÚJO
0
0
40
UNIVERSIDADE FEDERAL DO CEARÁ CENTRO DE CIÊNCIAS AGRÁRIAS DEPARTAMENTO DE FITOTECNIA CURSO DE AGRONOMIA DARLENE MAIA GRANGEIRO
0
0
31
DESEMPENHO AGROECONÔMICO DO COENTRO EM DIFERENTES DENSIDADES DE SEMEADURA SOB MANEJO ORGÂNICO
0
0
34
UNIVERSIDADE FEDERAL DO CEARÁ FACULDADE DE ECONOMIA, ADMINISTRAÇÃO, ATUÁRIAS E CONTABILIDADE DEPARTAMENTO DE ADMINISTRAÇÃO AMANDA DE OLIVEIRA SANTOS
0
0
52
OS DESAFIOS DO ENSINO MÉDIO: ESTUDO DE CASO SOBRE AS REPERCUSSÕES DO NOVO ENEM NUMA ESCOLA PRIVADA DE EDUCAÇÃO BÁSICA NA CIDADE DE FORTALEZA
0
0
8
O DESAFIO DA AVALIAÇÃO DO ENSINO-APRENDIZAGEM NA EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA EM UMA ESCOLA PÚBLICA DE MARANGUAPECE
0
0
8
UNIVERSIDADE FEDERAL DO CEARÁ PRÓ-REITORIA DE PESQUISA E PÓS-GRADUAÇÃO FACULDADE DE EDUCAÇÃO DEPARTAMENTO DE FUNDAMENTOS DA EDUCAÇÃO CENTRO DE TREINAMENTO E DESENVOLVIMENTO - CETREDE CURSO DE ESPECIALIZAÇÃO EM AVALIAÇÃO PSICOLÓGICA
0
0
46
UNIVERSIDADE FEDERAL DO CEARÁ – UFC PRÓ-REITORIA DE PESQUISA E PÓS-GRADUAÇÃO CENTRO DE HUMANIDADES DEPARTAMENTO DE CIÊNCIAS SOCIAIS CENTRO DE TREINAMENTO E DESENVOLVIMENTO – CETREDE MINISTÉRIO DA JUSTIÇARENAESP ESPECIALIZAÇÃO EM CIDADANIA, DIREITOS HUMANO
0
0
80
UNIVERSIDADE FEDERAL DO CEARÁ FACULDADE DE FARMÁCIA, ODONTOLOGIA E ENFERMAGEM DEPARTAMENTO DE ENFERMAGEM ANA CARLA SOUSA DA SILVA
0
0
51
AVALIAR AS ESTRATÉGIAS DE ENSINO ATENCIONAIS NA PRÁTICA DO PROFESSOR DE CRIANÇAS COM TRANSTORNO DO DÉFICIT DE ATENÇÃO HIPERATIVIDADE
0
0
19
AVALIAR A PREVALÊNCIA DO TRANSTORNO DÉFICIT DE ATENÇÃO HIPERATIVIDADE NO MUNICÍPIO DE FORTALEZA
0
0
9
AVALIANDO MEIOS DE INFORMAÇÃO , MEIOS DE COMUNICAÇÃO E MATERIAIS DIDÁTICOS EM SEUS USOS NA EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA
0
0
13
Show more