Joselaine Aparecida Garret Tura TRABALHO FINAL DE GRADUAÇÃO CAPITÉIS: FÉ E RELIGIOSIDADE NA QUARTA COLÔNIA DE IMIGRAÇÃO ITALIANA NO RIO GRANDE DO SUL (NOVA PALMA 1890 - 1925)

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Full text

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Joselaine Aparecida Garret Tura

TRABALHO FINAL DE GRADUAÇÃO

CAPITÉIS: FÉ E RELIGIOSIDADE NA QUARTA COLÔNIA DE IMIGRAÇÃO ITALIANA NO RIO GRANDE DO SUL (NOVA PALMA 1890 - 1925)

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Joselaine Aparecida Garlet Tura

CAPITÉIS: FÉ E RELIGIOSIDADE NA QUARTA COLÔNIA DE IMIGRAÇÃO ITALIANA NO RIO GRANDE DO SUL (NOVA PALMA 1890 - 1925)

Monografia apresentada ao Curso de Graduação em Ensino e Pesquisa em História, do Centro Universitário Franciscano, como requisito parcial para obtenção do grau de –

Licenciada em Ensino e Pesquisa em História.

Orientador: Prof. Dr. Carlos Roberto da Rosa Rangel

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Joselaine Aparecida Garlet Tura

CAPITÉIS: FÉ E RELIGIOSIDADE NA QUARTA COLÔNIA DE IMIGRAÇÃO ITALIANA NO RIO GRANDE DO SUL (Nova Palma 1890-1925)

Monografia apresentada ao Curso de Gradação em Ensino e Pesquisa em História, do Centro Universitário Franciscano, como requisito parcial para a obtenção do grau de – Licenciada em

Ensino e Pesquisa em História.

_______________________________________________ Prof. Dr. Carlos Roberto Rangel - Orientador (Unifra)

___________________________________ Profª. Ms Roselâine Casanova Corrêa (Unifra)

________________________________

Prof. Drº.Vitor Otávio Fernandes Biasoli (UFSM)

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O pessimista queixa-se do vento O otimista espera que ele mude,

O realista ajusta as velas.

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AGRADECIMENTOS

Aos professores Carlos Rangel e Roselâine Casanova Corrêa, meus sinceros agradecimentos pela a orientação e incentivo durante o transcurso deste trabalho.

A meu marido e filho pelo apoio e compreensão pelos os momentos que eu estive ausente, me dedicando ao curso.

Aos meus colegas, pela convivência ao longo do curso.

Aos professores do curso, pela contribuição e dedicação durante a minha vida acadêmica.

Aos meus entrevistados pela disposição e colaboração nas entrevistas.

A minha amiga Luciane, pelo incentivo, e pela companhia nas visitas aos capitéis. As minhas colegas, Nívia e Izabel amigas em todos os momentos.

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RESUMO

Esta monografia trata de uma pesquisa sobre o tema fé e religiosidade a partir dos capitéis (pequenos oratórios) construídos pelos imigrantes italianos no município de Nova Palma, nos anos de 1890 á 1925. O objetivo geral foi fazer um mapeamento dos capitéis construído no referido período, bem como registrar suas características construtivas, sua função social e elementos arquitetônicos. Teve como fontes documentos existentes nos arquivos do Centro de Pesquisas Genealógicas (CPG) de Nova Palma, imagens dos referidos capitéis, pesquisa bibliográficas sobre imigração italiana, religiosidade e patrimônio. Fez-se uso também de alguns relatos orais. Foi feita uma cronologia dos sete capitéis trabalhados com o ano de fundação de cada um, com o nome de seus fundadores e data de restauração. Durante a pesquisa percebeu-se o desenvolvimento de uma religiosidade popular no período estudado, a qual serviu de conforto espiritual, assim como base para a organização e convívio social desses imigrantes.

Palavras-chave: Capitéis, Imigração, Religiosidade.

ABSTRACT

This monograph deals with a study on the subject of faith and religion from the capitals (small shrines) built by Italian immigrants in the city of Palma Nova, in the years 1890 to 1925. The overall objective was to map the capitals built in that period as well as cataloging their construction, its social and architectural elements. This monograph had as source documents in the files of the Genealogical Research Center (CPG) of Palma Nova, the capitals of these images, bibliographic research on Italian immigration, religion and heritage. There was also some use of oral reports. It was made a chronology of the seven capitals worked with the foundation year of each with the name of its founders and restore date. During the research saw the development of a popular religion in the period, which served as spiritual comfort, as well as the basis for the organization and social life of these immigrants.

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SUMÁRIO

INTRODUÇÃO ... 8

1. A IMIGRAÇÃO ITALIANA E A RELIGIOSIDADE POPULAR ... 10

2. RELIGIOSIDADE POPULAR ENTRE OS IMIGRANTES ITALIANOS ... 15

3. OS CAPITEIS COMO PATRIMONIO CULTURAL MATERIAL ... 19

3.1 Capitel de Santa Apolônia ... 22

3.2 Capitel São Luiz ... 24

3.3 Nossa Senhora da Glória ... 26

3.4 Capitel Santo Antônio – Rincão Santo Antônio ... 27

3.5 Capitel de Sant’ Ana ... 29

3.6 Capitel de São Caetano da Providência ... 30

3.7 Capitel Nossa Senhora do Rosário de Pompéia ... 31

CONSIDERAÇÕES FINAIS ...32

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ... 34

ANEXOS ... 37

ANEXO 1 - Mapa de Localização da Quarta Colônia ... 38

ANEXO 2 – Mapa do município de Nova Palma com a localização dos Capitéis trabalhados ... 39

ANEXO 3 – Lista de nomes dos quarenta e dois capitéis de Nova Palma...40

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INTRODUÇÃO

O objetivo geral dessa monografia é fazer um mapeamento dos capitéis localizados na comunidade de Nova Palma, construídos no período de 1890 a 1925, com o propósito de catalogar suas características construtivas, sua função social e elementos arquitetônicos. Como objetivos específicos buscou-se localizar e catalogar os sete capitéis selecionados, sendo estes os primeiros construídos pelos imigrantes italianos, como bens esculturais do patrimônio histórico e cultural da região de Nova Palma. Além disso, Investigar a função social que tiveram estes lugares de religiosidade. A partir dos dois objetivos citados anteriormente, contextualizar historicamente as práticas religiosas que ocorriam junto aos capitéis no referido período.

A pesquisa reveste-se de importância porque o patrimônio cultural da comunidade de Nova Palma necessita de um levantamento histórico e de uma contextualização que a presente monografia pretende atender parcialmente. Além disso, proporcionou uma visão mais clara sobre religiosidade popular, e catolicismo oficial, presentes até hoje na vida sócio cultural da região.

Esta monografia terá como base fontes documentais, bibliográficas, iconográficas e memoriais. Foi necessário percorrer os documentos existentes nos arquivos do CPG (Centro de Pesquisas Genealógicas) do município, como a cronologia dos referidos capitéis bem como seus fundadores. O centro foi criado em junho de 1984 e organizado pelo Padre Luiz Sponchiado. Pe. Luizinho, assim chamado, percebeu que a memória dos imigrantes italianos e seus documentos de origem deveriam ser preservados como bens patrimoniais. Iniciou seu acervo com a genealogia da sua família, a partir daí passou a dedicar-se aos registros, a pesquisa e guarda da memória dos imigrantes e descendentes italianos da Quarta Colônia de Imigração Italiana do Rio Grande do Sul.

O referido centro é composto de registros de genealogias, escritos diários, documentos, fotografias, livros, depoimentos orais com gravações em fita cassetes. Está sendo realizado o processo de transferências das fitas cassetes para DVDs.

Há um número significativo de autores que abordaram o tema imigração italiana, religiosidade e fé, os quais serviram como base bibliográfica da pesquisa.

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si. No caso, ao entrevistar uma única pessoa responsável pelo o capitel, ela busca em sua memória como este foi construído, quem os construiu, as pessoas que faziam parte deste passado, sua relação com elas e como eram os encontros familiares para o momento de oração. Como ressalta Halbwachs (1990), o processo de construção das memórias é sempre ao mesmo tempo individual e coletivo, memória individual porque quem refaz as memórias com sentido é o indivíduo, coletivo, pois é o grupo que lhe dá legitimidade e partilha de significação. Portanto ninguém constrói historia sozinho, de forma isolada em relação aos outros indivíduos. (Halbwachs,1990 apud Zanini 2007p.4).

Segundo Stefanello (2010, p.21) não há uma memória verdadeira, o que existe é a possibilidade de acessar uma memória reconstituída e essa reconstituição cria ritos e símbolos que através da prática unificam e dão sentido a um grupo. É nesse processo que a memória adquire um papel fundamental, pois a afirmação de uma identidade se dá pelo resgate histórico de um passado.

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1. A IMIGRAÇÃO ITALIANA E A RELIGIOSIDADE POPULAR

A história como área de conhecimento, tem passado por transformações significativas nas últimas décadas, abrindo espaço para novas fontes de pesquisa, novo objetos, novas problemáticas e abordagens temáticas. Se antes o interesse dos historiadores se detinha na história das relações políticas e institucionais da igreja priorizando as relações entre a igreja e o estado, a partir da década de 80 surgem trabalhos que enfatizam os comportamentos e atitudes de determinados grupos religiosos (REVISTA ESPAÇO ACADÊMICO N 67, 2006).

Na presente monografia a questão da religiosidade esta intimamente associada com o fenômeno da imigração de italianos para o Rio Grande do Sul. No final do século XIX e início do século XX, a América passou a receber um grande fluxo de pessoas vindas da Europa, principalmente do Norte da Itália, originários de diferentes províncias. Vários fatores impulsionaram esses imigrantes a deixarem sua terra natal e aventurarem-se para a América, uma terra até então desconhecida. A superlotação do campo era fruto do injusto regime econômico vigente na Europa, pois a maior parte das terras se concentrava nas mãos de uma minoria, sobrando muito pouco para as classes pobres.

Com a abolição da estrutura feudal, a Europa passou por uma renovação agrícola e demográfica. O meio rural começou a sofrer modificações: o camponês que antes podia cultivar a terra e transmitir a seus descendentes passou a ser proprietário dela com a condição de ceder um terço da produção ao senhor. Esta reforma acabou desfavorecendo ainda mais o pequeno camponês, ou ele tornava-se trabalhador agrícola a serviço do senhor ou passava a arrendar terras suplementares (AZEVEDO, 1975, p. 26-27).

Entre outras causas da emigração européia desse período, pode-se destacar:as causas externas como as revoltas nacionalistas e camponesas no século XIX na Europa; o crescimento populacional no continente europeu; o crescimento das cidades; a necessidade de controlar seu crescimento e expelir a mão de obra excedente. Além disso, a progressiva mecanização da agricultura; o empobrecimento geral das terras e a redução de mercados para produtos manufaturados foram responsáveis pelo movimento migratório na Europa neste período (DACANAL; GONZAGA, 1980 p.278).

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Após a unificação, o Norte da Itália passou a industrializar-se de forma mais ágil, adotando uma política de caráter protecionista, com altas taxas alfandegárias incentivando o investimento estrangeiro, suprindo a falta de capital da indústria italiana. Dessa forma, desfavoreceu-se o pequeno artesão, sem meios para concorrer com a industrialização e dificultando a agricultura do Sul voltada para a exportação.

De acordo com Zanini (2007, p.6) as grandes migrações daquele período devem ser interpretadas, sem sombra de dúvidas, a partir do considerando-se o desenvolvimento do capitalismo em nível global das forças de atração e repulsão de contingentes humanos.

O Brasil foi um dos países que recebeu o maior número de imigrantes italianos. Um dos fatores que proporcionou esta grande demanda foi à política de colonização baseada na lei de terras de 1850, que incentivou a imigração. O estado (império) passa a reafirmar o poder sobre as terras devolutas, e declara extinta a lei de doações de terras através de sesmarias. No caso do Rio Grande do Sul, houve uma imigração formada por pequenos núcleos (pequena propriedade). Em São Paulo os imigrantes italianos substituíram a mão-de-obra escrava nas grandes plantações. O interesse do estado em modificar as estruturas da sociedade brasileira, recorrendo aos povos europeus para cultivar a pequena propriedade não agradou aos grandes proprietários de terras. Os mesmos temiam um confronto com o novo modelo de propriedade. (BONI, 1984, p. 23).

Os imigrantes que vieram para o Rio Grande do Sul provenientes do Norte da Itália, na maior parte vênetos e lombardos, eram na grande maioria agricultores e possuíam um forte vínculo com a terra. A situação difícil que se encontravam, devido à exploração dos donos das terras, os faziam sonhar com a América. Todos queriam ser proprietários: essa ambição da propriedade funda-se na idéia de que ela seria a única condição para melhorar de vida (SANTIN, 1986, p.23).

No norte da Itália se concentravam a maioria das indústrias. Já no sul era composta por latifúndios. Apesar de ter indústria sendo a mais expressiva a têxtil, o país recém-unificado ainda era agrário. Os camponeses do sul trabalhavam pelo sistema de meias, nas terras dos latifúndios e os do norte, pequenos proprietários, eram castigados com altos impostos e com métodos atrasados de cultivo.

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Para Sori (1979, p.13), a unificação da península acelerou o ingresso no sistema capitalista, a partir das regiões setentrionais. A introdução da máquina em larga escala aumentou os capitais à medida que restringia o mercado de trabalho desalojando os homens de suas ocupações tradicionais e destruindo o artesanato que aumentava a renda do agricultor, ocasionando a desintegração econômica e social do campo caracterizada em muitas áreas pela miséria rural.

Esse ambiente de modernização capitalista e transformações políticas acirrava a crença religiosa das classes sociais mais afetadas negativamente. O receio quanto ao futuro fazia com que a fé em Deus aumentasse naturalmente como forma de conforto espiritual. Deve-se dizer que tal religiosidade, entre os italianos, era preponderantemente católica.

A colonização italiana do Rio Grande do Sul teve as primeiras colônias agrícolas fundadas em 1870 pelo governo provincial que foram: Conde D’Eu, atual Garibaldi, e Dona Isabel, atual Bento Gonçalves. Em 1875, o governo imperial fundou Nova Palmira, atual Caxias do Sul. No que se refere à colonização italiana na região central do estado, na Serra de São Martinho, seu marco histórico inicial ocorreu no ano de 1877, quando foi criada, por decreto imperial, a Quarta Colônia de Imigração Italiana do Rio Grande do Sul, destinada a receber os imigrantes italianos, com o objetivo de povoar uma área devoluta pertencente ao governo imperial.

Nas últimas décadas do séc. XIX, a situação da Quarta Colônia de Imigração Italiana começa a passar por mudanças significativas em relação a sua administração. Em 1882 foi extinto o regime de colônia imperial, desta data em diante a colônia passou a ser chamada oficialmente de ex-colônia e juridicamente passa a ser o 5º distrito de Santa Maria. É a primeira colônia Imperial da província a ser emancipada. (SPONCHIADO, 1996 p.60).

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Figura 1: Local denominado de Barracão, hoje localidade de Val de Buia (Silveira Martins) em que se instalaram os primeiros imigrantes.

Fonte: PIROTTI, Achilles. Local denominado de Barracão, hoje localidade de Val de Buia (Silveira Martins). Silveira Martins 16.8.1988.1 fotografia, 8 cm x 12cm.In: Arquivo do Centro de Pesquisas Genealógicas de Nova Palma. Sala da documentação de famílias.

Os imigrantes que povoaram esta região vieram do Norte da Itália, basicamente das regiões de Vêneto, Mântova e Buia. Quando eles chegaram, instalaram-se num vale, hoje denominado de Val de Buia, ali montaram acampamento, em barracos, provavelmente um grande “barracão” esta versão é transmitida pelos descendentes italianos através da história oral. O nome Silveira Martins surgiu em 1879, dois anos após a chegada dos imigrantes como forma de homenagear o Senador do Império, Gaspar Silveira Martins que possuía muito prestígio na região.

O processo de emancipação de Silveira Martins ocorreu em dezembro de 1987. No inicio do século XX, a localidade contava com quinze mil habitantes, enquanto estimativas atuais giram em torno de cinco mil habitantes. A base da sua economia está centrada na agricultura, sendo que o principal produto cultivado é a batata inglesa.

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O município de Nova Palma localiza-se na região central do Estado pertencente à Quarta Colônia de Imigração Italiana do Rio Grande do Sul. É constituído por três distritos (Sede, Vila Cruz e Caemborá). As origens do município de Nova Palma estão historicamente vinculadas ao desenvolvimento da Quarta Colônia de Imigração Italiana do RS, instalada a partir de 1882, em Silveira Martins.

Em 1884, Siqueira Couto, responsável pelo loteamento, denominou o local de “Soturno”, cujo rio de mesmo nome serviu de marco zero para o loteamento de terras. Em 1907, o nome foi alterado para Nova Palma, por sugestão do padre Francisco Burmann aos líderes locais, em função da grande quantidade de coqueiros existentes na região, chamados de “palmas” pelos imigrantes. Nova Palma inicialmente pertenceu a Rio Pardo, depois Cachoeira do Sul, seguida de São Martinho, por último passou a pertencer à vila Rica (atual Júlio de Castilhos). Nova Palma Palma emancipou-se em janeiro de 1961, possui atualmente seis mil e quatrocentos habitantes, onde a grande parte da população se encontra no meio rural.

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2. RELIGIOSIDADE POPULAR ENTRE OS IMIGRANTES ITALIANOS

Designar um conceito para “popular” é difícil, pois até meados do século XIX o termo remetia a algo vulgar e suscitava atributos pejorativos, como supersticioso e grosseiro. De qualquer forma, a designação de “popular” é normalmente empregado em relação às classes sociais subalternas, ou aos indivíduos que ocupam uma posição periférica na organização de uma dada sociedade. Refere-se desta forma, as manifestações de modo muito simples, se designa “religiosidade popular” aquelas manifestações religiosas que não são controladas pela a igreja e que se expressam de forma espontânea.

Quando se trabalha com religiosidade popular, deve-se levar em conta que se trata de um conceito extremamente amplo e leva em conta as mais variadas manifestações religiosas. Portanto, esta monografia abordará mais os critérios sociológicos e teológicos, além de levar em conta que essas manifestações não são homogêneas, mas se modificam dependendo do espaço e da sociedade na qual estão inseridas (AZEVEDO, 1966 p.184).

Segundo Neto (2000, p.32):

Torna-se menos dificultoso um delineamento do termo religiosidade popular, não pelo que ele representa, mas, ao contrário, pelo que não representa: a religiosidade popular, portanto, não é corpo eclesial nem corpo doutrinário, configurando-se em uma religiosidade dotada de razoável independência da hierarquia eclesiástica – incluindo-se aí toda a documentação oficial da Igreja e todos os teólogos elaboradores da doutrina –, independência essa ao caráter sistemático do catolicismo oficial, materializada em uma explosão quase íntima ao “sagrado”, humanizando-o, sentindo-o próximo, testando-o e sentindo sua força por métodos criados, não pelo clero, mas pelos próprios devotos, métodos esses que são transmitidos, em sua grande totalidade, oralmente. Em suma, o vivido em oposição ao doutrinal.

Maria Isaura Queirós (1968 p.12) e Cândido Camargo (1973 p.14) concordam com Azevedo (1966, p.184) e destacam as práticas cotidianas dessa religiosidade, ou seja, o costume de “pagar” e de “fazer” promessas, reverenciar santos, rezar novenas.

Muitas vezes, o culto do Santo da devoção do indivíduo é mais importante do que do padroeiro da comunidade. Thales de Azevedo (1966, p.184), um dos representantes desta tendência, ao tentar identificar a maneira pela qual se constituía o catolicismo popular, destacou que se tratava de um movimento de natureza privada, ainda que os dogmas sejam de natureza institucional pública. As práticas religiosas se restringiriam às relações diretas entre o individuo e o santo de devoção ou o individuo e Deus.

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igreja formal. Dentre as várias classificações de práticas religiosas católicas elaboradas por Queiros, a que mais se aproxima do objeto de estudo desta monografia é o catolicismo rústico constituído por comunidades rurais, dispersas em extensões territoriais, vivendo numa economia de subsistência, com um senso de comunidade muito forte. Seidl (2008p. 78) concorda com Queiros, no caso dos imigrantes italianos onde o sistema de colonização ocorreu em meio ao isolamento, heterogeneidade dialetal e geográfica. A identificação religiosa fez com que os colonos se agregassem e construíssem sua vida social nas colônias.

Esse tipo de catolicismo se traduziria pela devoção comum a santos padroeiros locais, no qual a capela do Santo ocuparia o lugar de destaque na comunidade. Para Alba Zaluar (1983), o estudo das relações entre uma religião oficial e o seu contraste, a religião popular, levou muitos autores a afirmarem que numa manifestação de religiosidade comunitária, o fiel utilizaria elementos que são características da religião oficial. Atitudes como rezar orações oficiais ou pedir a celebração da missa para pagar uma promessa feita a um santo demonstrariam a manutenção dos laços institucionais, pois o devoto continuaria considerando-se ligado à sua igreja. Sendo assim, “o catolicismo popular deriva tanto de uma matriz erudita, quanto de uma tradição coletiva e anônima”. (ZALUAR, 1983, p.32).

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Os santos podem ser considerados como divindades que protegem o indivíduo e a comunidade contra os males e infortúnios. A relação entre o indivíduo e o Santo baseia-se num contato mútuo, a promessa cumprindo aquela sua parte do contrato, o Santo fará o mesmo. Promessas “são pagas” adiantadamente para se obrigar o santo a retribuir sob a forma do benefício pedido.

Numa visão teológica, a religiosidade popular é percebida como sinônimo de catolicismo popular, pois se preocupa mais com a base de uma ação pastoral do que com um conhecimento científico. Deste modo, a religiosidade popular é vista enquanto modo de viver, de pensar e de praticar a religião. Consistiria em atos, pensamentos, ações, enfim, tudo aquilo que expressaria a religião. (BATISTA, 1982, p.109).

Ao referir-se sobre as crenças e os comportamentos dos imigrantes italianos, de um modo geral na quarta colônia, pode-se dizer que esses colonos possuíam suas crenças, suas práticas religiosas, seus projetos de autonomia e impunham essas exigências, especialmente em relação aos sacerdotes. (VENDRAME, 2007, p. 18).

É importante lembrar que, quando a colônia de Silveira Martins foi criada, não recebeu de imediato nenhum sacerdote para atender espiritualmente os primeiros imigrantes italianos que lá se estabeleceram. Somente alguns anos depois é que Vale Veneto tornou-se o centro espiritual da colônia com a chegada dos primeiros padres. De Vale Veneto iniciaram o processo de evangelização em toda a região. Zanini (2006 p.137) enfatiza que:

Foi à vivência religiosa que permitiu a manutenção cultural e moral dos italianos, bem como a sensação de que entre os imigrados e a terra natal havia ainda muitos vínculos, pois italianidade e catolicismo, nos primeiros tempos da colonização, andaram juntas.

Segundo Vendrame (2007, p.19), os conflitos que ocorreram na Quarta Colônia, especialmente com a chegada da missão dos palotinos no Vale Vêneto, em 1886, deixaram claro que a luta do clero para estabelecer a igreja romanizada foi árdua e continua. Sobre a dificuldade para que os dogmas e preceitos da religião católica oficial prevalecessem um padre palotino, ao se referir através de uma carta ao superior geral, mencionou os colonos italianos como “fiéis envaidecidos, hostil a qualquer sacerdote que não participassem de suas idéias” (VENDRAME, 2007 p.19).

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que se instalaram no Soturno, hoje município de Nova Palma após a chegada do clero coexistiria, de forma pacifica a religiosidade popular (catolicismo popular) com o catolicismo oficial (romanizado). Até porque, os colonos italianos traziam consigo as representações de uma igreja romanizada, com a formação de uma ética puritana, onde a hierarquia era sagrada e a presença e a participação leiga eram espontâneas (COCCO, s.d p.2).

Ao trabalhar com os capitéis, pude compreender a importância da figura do padre-leigo. Ele surgiu com a organização comunitária nas colônias italianas do Rio Grande do Sul. Como o próprio nome indica padre-leigo é o padre não ordenado que exerce as funções delegadas ao padre. Suas atividades variam muito, sendo que, em alguns casos, imitavam em tudo que o padre fazia inclusive rezar missas, com exceção da eucaristia, realizavam batizados em casos de necessidade.

Presidiam também as orações dominicais, cerimônias de sepultamento, novenas e procissões e ofícios da Semana Santa. As cerimônias realizadas pelo padre-leigo eram menos solenes que as realizadas pelos padres. Coube ao padre-leigo a recitação do terço dominical acompanhado de cânticos, todas as cerimônias eram realizadas segundo a imagem de santos trazidos de sua terra natal. O padre-leigo era escolhido por seus conhecimentos litúrgicos e por sua liderança e por sua liderança natural e devia promover a construção da igreja e a coordenação da comunidade no culto e no encontro social. (MAESTRI, 2000 p.46)

Não menos interessante que as origens dos capitéis foram, sem dúvida, as experiências vividas pelos padres-leigos, as quais revelam um dos aspectos mais importante da vida do imigrante italiano, ou seja, a participação efetiva dos leigos no culto, na liturgia e na vida da Igreja Católica.

O culto comunitário, sempre ministrado pelo leigo, consistia na oração do terço, novena ou tríduo, preces em hora de calamidades públicas, na orientação do ensino religioso às crianças. O culto motivava os encontros e estes promoviam o grupo social.

Embora o termo capitel se identifique com o nome da parte superior da coluna clássica, regionalmente ele expressa um local de culto popular. Situados à beira das estradas ou em encruzilhadas, construídos de madeira, pedra ou tijolos, os capitéis marcaram a religiosidade das primeiras gerações de imigrantes italianos, que encontravam na oração forças e esperança em meio às dificuldades num mundo desconhecido e distante de sua terra natal. (MANFROI, 2001, p.7).

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foram relegados, inclusive com a falta de assistência religiosa. A necessidade de superar, a seu modo, a falta de sacerdotes, desencadeou toda uma iniciativa espontânea entre os católicos leigos que os fez, adaptando-se ao local e às possibilidades, ter no Brasil o que haviam deixado no Itália.

O colono que reunia todas as noites, a sua família para rezar o terço. No final da semana reuniam-se às outras famílias para diante de uma imagem da Virgem ou de Santo, colocada em templo improvisado, celebrarem o terço dominical.

Nesses primeiros encontros, os colonos sentiram a necessidade de ter um local de oração mais apropriado, onde a cerimônia religiosa pudesse ser realizada de forma mais solene, melhor organizada e dirigida por alguém, entre eles, que se destacasse por seus conhecimentos litúrgicos.

Assim, cada linha ou travessão procurou construir o seu local de oração junto aos caminhos, principalmente nas encruzilhadas, a fim de facilitar aos colonos o acesso a estes locais que eram dedicados aos santos devotos. (COSTA, BATISTEL, 1981)

Este costume foi trazido da Itália, onde cada vilarejo possuía uma igreja do seu santo padroeiro e continuou nas colônias italianas como um das suas principais características.

Os simples locais de oração resultantes do espírito comunitário unido à religiosidade própria do italiano evoluíram numa linha social, promovendo a comunidade sob o ponto de vista religioso e social.

A religiosidade popular do imigrante italiano era manifestada geralmente em dois momentos importantes. Primeiramente eram realizadas as solenidades religiosas nos capitéis com peregrinações, procissões, novenas, quase sempre ligadas a fenômenos naturais, a produção agrícola, ás doenças e principalmente aos cultos, aos santos padroeiros. Em segundo lugar vinha “a sagra” a festa profana, com comidas, bebidas, jogos, rifas e leilões.

O convívio social do imigrante italiano se dava entre as famílias e as comunidades, através da oração, do trabalho, lazer (festas). Os capitéis, por sua vez, marcaram o local desses encontros, com sua simbologia sagrada.

3. OS CAPITEIS COMO PATRIMONIO CULTURAL MATERIAL

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imigrantes italianos indo até 1975, período que antecedeu o Centenário de Imigração Italiana do Rio Grande do Sul.

De 1890 a 1930, o período foi caracterizado pela presença somente de capitéis que eram construídos em terras particulares, principalmente em encruzilhadas, formando o ponto de encontro das famílias. Era geralmente na base de três a quatro famílias para cada capitel. Nos capitéis eram colocadas as imagens dos santos de devoção, devoção esta que os imigrantes italianos trouxeram de seu local de origem. Na Itália, cada vila tinha seu santo padroeiro, venerado não tanto como modelo cristão de virtudes, mas principalmente como protetor mágico que auxilia nos momentos de necessidades ou nas adversidades (FOCHESATTO, 1977, p.26). Neste período, teve início também a construção das primeiras capelas, que garantiriam mais tarde a presença de um padre.

Os capitéis começaram a ser restaurados em 1981, dos quarenta e dois existentes trinta foram recuperados. O Padre Luizinho, então pároco de Nova Palma; foi incentivador e coordenador do projeto. Além de padre, Luiz Sponchiado era pesquisador da imigração Italiana, e encarou os capitéis também através do viés de historiador. Na ZERO HORA de 29 de agosto de 1993, noticiou a restauração dos capitéis “A Igreja Católica de Nova Palma esta restaurando um dos marcos da religiosidade popular, os capitéis como são conhecidas às pequenas capelas construídas há um século pelos imigrantes italianos”.

O termo patrimônio remete à propriedade de algo que pode ser deixado de herança. É todo o conjunto de utensílios, hábitos, usos e costumes, crenças e formas de vida de uma sociedade. Como na noção de cultura, no conceito de patrimônio cultural também são indissociáveis as dimensões materiais e simbólicas. Por isso, Barreto (2000), defendendo a expressão “legado cultural”, sugere ser mais abrangente do que “patrimônio”, que nos remete a uma materialidade da questão. Não basta restaurar ou manter os objetos concretos de uma determinada época. É preciso preservar também o significado e as memórias ligadas a esses elementos concretos. A manutenção do patrimônio histórico passa pela conservação e recuperação da memória, graças à qual os povos mantêm sua identidade individual ou coletiva:

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Na Quarta Colônia de Imigração Italiana, a identidade étnica é resultado de uma construção simbólica feita em relação à identificação com determinadas características étnicas e com uma história e cultura comuns. Independente do dialeto falado ou da região de origem na Itália, todos se definem como italianos. Portanto, o conceito de identidade implica o sentimento de pertencimento a uma determinada comunidade, cujos indivíduos não se conhecem na totalidade, mas partilham de uma mesma história, de uma mesma tradição.

Manter algum tipo de identidade significa manter laços extemporâneos aos antepassados a um local, a uma terra, aos costumes e hábitos que os informa quem são e de onde vêm. Na Quarta Colônia, no caso dos imigrantes italianos, a constituição da identidade local e social não está ligada somente à religião católica, mas também a outras práticas sociais, como é o caso da gastronomia, da música, da dança.

Em Nova Palma, onde a maioria é descendente de italianos, esta gastronomia étnico-cultural se mantém muito presente, através da massa, rizoto, radicci, queijo, cuca e vinho. Todo o ano, na semana do município, é promovido o filo (prato de doce ou salgado) como manifestação cultural, bem como o tradicional jantar italiano.

Em publicações recentes, tem ocorrido grande discussão sobre a nova noção de cultura e abrangência do conceito Patrimônio Cultural. Através de novos olhares tem sido construído um universo maior e diversificado de fontes. Para Cecília Rodrigues dos Santos (2001 p. 44), abrangência conceitual da abordagem do Patrimônio Cultural está relacionada com a própria definição antropológica da cultura, como tudo que caracteriza uma população humana ou como um conjunto de modos de ser, viver, pensar e falar de cada formação.

Todo o conhecimento que uma sociedade tem de si mesma e as diferenças que estabelece com as outras sociedades afetam o meio material em que vive, tem efeitos sobre a própria existência, inclusive nas formas de expressão simbólica desse conhecimento, através das idéias da construção de objetos e das práticas rituais e artísticas.

Entende- se por patrimônio cultural material os bens específicos como as construções, os artefatos e os objetos em geral. A cultura imaterial, chamada simbólica pela antropologia, contém uma enorme variedade de manifestações, entre as quais podem ser citadas as danças, a culinária, o vestuário e a religiosidade popular (BARRETTO, 2000, p.29-30).

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Art- 98 - O município estimulará a cultura e suas múltiplas manifestações, garantindo o pleno efetivo exercício dos direitos culturais e o acesso as fontes da cultura apoiando e incentivando a produção a valorização e a difusão das manifestações culturais.

Além disso, está sendo construído no município um museu que abrigará o CPG (Centro de Pesquisas Genealógicas). Nesse esforço de conservação do patrimônio histórico e cultural do município, é oportuno destacar a figura do Padre Luizinho Sponchiado (22.02.1922-16.03.2010), que sempre se preocupou com a preservação das raízes culturais dos antepassados. (imigrantes italianos).

Nesta monografia trabalha-se com o patrimônio cultural material e imaterial. No caso dos capitéis, foram monumentos construídos no final do século XIX até mais da metade do século XX, pelos imigrantes italianos no município de Nova Palma, para servir de local de culto e oração. E o patrimônio imaterial é a própria religiosidade popular desses imigrantes.

De fato, não há como trabalhar a dimensão material sem considerar sua significação, pois como lembra Gonçalves (2005, p.10) não há patrimônio que não seja ao mesmo tempo condição e efeitos de determinadas modalidades de autoconsciência individual ou coletivas.

Nos subtítulos seguintes serão apresentados os capitéis estudados, cuidando-se para que sejam descritos em sua forma e que haja uma revisão sobre as alterações que sofreram ao longo do tempo. Esse esforço tanto faz o mapeamento detalhado desse patrimônio cultural, como acrescenta informações úteis aos futuros pesquisadores que se interessarem pelo assunto.

3.1 Capitel de Santa Apolônia

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Fonte: Acervo da autora

Os imigrantes do núcleo Soturno, hoje Nova Palma, iniciaram cedo sua religiosidade e devoção. Após seis anos de sua fundação, foi construído o primeiro capitel (1890) dedicado a Santa Apolônia na localidade de Linha Duas (sic). As seis primeiras comunidades do município são chamadas de linha, forma encontrada pelos primeiros imigrantes para separar territorialmente uma comunidade da outra. Ainda hoje permanecem as localidades com esses nomes Linha Um, Linha Duas, Linha Três, Linha Cinco, Linha Sete e Linha Onze.

Este capitel de Santa Apolônia foi construído pelo casal Giuseppe e Sabina Tomasi, trouxeram consigo a devoção a Santa, invocada nas dores de dentes. A imagem da santa traz nas mãos uma ferramenta, em forma de um boticão (instrumento cirúrgico usado para extrair dentes), simbolizando a proteção para as dores de dentes. Deve ser levado em conta que esses imigrantes recém-chegados em meio à mata, era muito comum recorrer á religião, a Deus para solução de seus problemas, seja de ordem espiritual ou material.

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Distante a 2 km da sede do município, o acesso mais utilizado é a estrada que liga o centro da cidade ao Distrito de Vila Cruz (Linha Sete), caminho percorrido em estrada de chão batido em meio à mata nativa e paisagens encantadoras formadas pelos morros existentes no município. No caminho, constata-se um típico casarão italiano na beira da estrada.

O capitel de Santa Apolônia está localizado em uma encruzilhada, construído numa elevação de fácil acesso. Com as cores em amarelo e azul nos frisos e nos pequenos pináculos, se destaca na paisagem circundante. Uma cruz trifoliada completa a fachada, possuindo também uma porta que protege o altar, de estilo neo-gótico, singelo, mas encantador, que abriga a imagem da santa. O capitel possui uma altura de 2,61m por 1,61 m de largura e 2,53 m de comprimento.

No capitel em destaque encontra-se o ano de 1950, e três placas com as seguintes inscrições:

“Homenageamos no Centenário da Colonização os que formados ou sem diploma se dedicaram á cura de doenças, à solicitude com os enfermos e cuidados com a saúde caseira e popular. Refeito pela 3ª vez por José e Hermínia Faccin com Madalena Boezio a 9.2.1950, restaurado por grupo de centenário a 17.1.1988. Promessa do casal Giuseppe e Sabina Tomasi a 9.02.1898, reconstruído em Alvenaria por Silvio Graciosa Tomazi a 9.2.1923”.

3.2 Capitel São Luiz

Figura 3 – Imagens do capitel de São Luiz

Fonte: Acervo da autora

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percurso, percebe-se a presença da mata nativa e algumas habitações pela proximidade. O capitel São Luiz foi construído no ano 1893, pelo casal Luiz e Tereza Stefanello e restaurado em 25.09.1984 em virtude à comemoração dos 100 anos de imigração italiana no Rio Grande do Sul.

O capitel São Luiz possui 2,65 m de altura e 1,65 de largura com 1,88 m de comprimento. É feito todo de concreto, inclusive o telhado, possui uma porta oval de ferro com setas na parte superior facilitando a visão interna do capitel. No capitel São Luiz há a presença de uma placa com os seguintes dizeres:

“No centenário de nossa colonização, lembramos nossos veneráveis bispos que vieram a nós em visita pastoral.

1º Dom João Antônio Pimenta – Bispo Coadjutor do Rio Grande do Sul – fez a primeira visita pastoral em Soturno a 15/12/1907.

2º Dom Miguel de Lima Val verde – primeiro Bispo de Santa Maria. Visitou-nos desde o ano de 1912 - 1921 (4 vezes)

3º Dom Ático Eusébio da Rocha - segundo Bispo de Santa Maria. Visitou-nos desde o ano de 1925 -1928 (duas vezes)

4º Dom Antônio Reis pessoalmente ou por delegado visitou-nos desde o ano de 1932 – 1957 (7vezes).

5º Dom Luiz Victor Sartori – quarto Bispo de Santa Maria visitou-nos no ano de 1969 cinquentenários paroquial.

6º Dom Érico Ferrari – quinto Bispo de Santa Maria visitou-nos e morreu a serviço a 29.04.1973.

7º Dom José Ivo Lorscheiter – sexto Bispo de Santa Maria visitou-nos de 1976 até o centenário por duas vezes.”

Em 1938, o pedreiro Aldo Londero, a pedido da família de Luiz Stefanello realizou a reforma do capitel, que recebeu também uma imagem nova do santo, que antes era em forma de quadro, foi substituída por uma em escultura. O responsável pelo capitel São Luiz hoje é João Stefanello, neto do fundador.

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Aos domingos à tarde, todos se reuniam no capitel onde além de rezar o terço, tiravam um tempo para jogar cartas, para conversar sobre o trabalho na lavoura, enfim era um momento também de descontração entre os imigrantes. Mesmo com um padre fixo e uma capela na sede (Nova Palma), as pessoas continuavam a se encontrar nos capitéis. Seu avô Luiz, dizia que na Itália também havia capitéis. Seu João, zelador do capitel, comenta que enquanto estiver vivo o capitel pertencente a sua família não corre o risco de ser abandonado.

O nome dos bispos Diocesanos, na placa do capitel, vem demonstrar que os imigrantes italianos conciliaram a religiosidade popular, com o catolicismo oficial, ao tempo que manifestavam uma religiosidade popular através da devoção aos santos nos capitéis, também participavam dos sacramentos instituídos pelo catolicismo oficial (Igreja Católica). O clero e os imigrantes tiveram uma convivência moldada de maneira que ambos se entendessem. Para Vendrame (2007, p.239), os imigrantes italianos que se instalaram na ex-colônia de Silveira Martins trouxeram consigo crenças próprias de uma cultura agrária e preocupavam-se com problemas imediatos de sua vivência, como a saúde, e as doenças. O clero (representantes da Igreja Ultramontana) se demonstrava de forma compreensiva, pois não podiam se omitir em relação a essas crenças dos colonos acabariam perdendo espaço nas comunidades.

O Ultramontismo, do século XIX se caracterizou por uma série de atitudes da igreja católica, num movimento de reação a algumas correntes teológicas e eclesiásticas, ás novas tendências políticas desenvolvidas após a Revolução Francesa e a secularização da sociedade moderna. A igreja Ultramontana na Quarta Colônia era representada pela Pia Sociedade Das Missões, com os missionários palotinos com objetivo de afirmar o poder Papal e sua hierarquia. .

Desta forma, ao dialogar com as crenças dos imigrantes, os sacerdotes trabalharam para que o seu projeto religioso de reforçar os aspectos teológicos da vivência religiosa, como os sacramentos as celebrações, fosse seguido nos núcleos coloniais.

3.3 Nossa Senhora da Glória

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Fonte: Acervo da autora

O capitel Nossa Senhora da Glória, posteriormente chamado de Ave Maria, foi construído à beira do caminho, no interior da comunidade de Linha Sete, na propriedade de Ângelo Facco, no ano de 1905. Segundo documentos do arquivo do Centro de Pesquisas Genealógicas de Nova Palma, este capitel foi construído de lages, ferro, e tijolos feito manualmente por pessoas da própria comunidade.

Padre Guido em visita a comunidade, onde também faria a benção das casas, aproveitou a oportunidade para benzer o oratório, onde as famílias mais próximas rezavam o terço todos os domingos. A diocese de Santa Maria autorizou o pároco da paróquia a rezar uma missa anualmente no capitel.

O capitel Nossa Senhora da Glória possui 3,35 m de altura e 2,27 de largura com 2,95 m de comprimento. É feito todo de concreto, inclusive o telhado, possui uma porta oval de ferro. (CRONOLOGIA, 15.08.1905 in: CENTRO DE PESQUISAS GENEALÓGICAS DE NOVA PALMA. Sala da cronologia, 3ª gaveta)

3.4 Capitel Santo Antônio – Rincão Santo Antônio

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Fonte: Acervo da autora

O Rincão de Santo Antônio fica a 8 km da sede do município, na estrada que dá acesso à cidade de Ivorá. A estrada é de chão batido, fica numa área montanhosa, com muito verde da mata e das plantações de soja e milho. O capitel Santo Antônio fica em uma encruzilhada, o que facilitava o encontro das famílias de todas as linhas. Sua construção é do ano de 1925 teve como fundador o senhor Maximiliano Bertoldo, que fez uma promessa ao Santo Antônio devido a sua frágil saúde.

O capitel foi inaugurado em 16 de dezembro do ano 1925 numa visita do padre João Zanella a pedido da família. Este capitel é muito bem construído, o que demonstra a arte do pedreiro Dalmaso. Sua altura é de 2,44 cm por 1,41 m de comprimento e 1,38 cm de largura, possui uma porta retangular com grades de ferro possibilitando uma visão interna do mesmo. Possui também a imagem de um anjo acima na parte frontal e nas laterais (pilastras) e uma cruz recruzetada (assim chamada por ter uma cruz menor em cada extremidade) no vértice triangular.

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Quando a sede passou a ter um padre fixo, continuavam a se reunir no capitel. A comunidade não tinha capela, então para participar da missa tinha que se deslocar até a sede do município. Como a maioria não possuía carro, o trajeto era feito a pé ou a cavalo. Duas vezes por semana, seu Aurélio faz esse trajeto de 8 km até o Rincão de Santo Antônio, onde mora um de seus filhos, Ênio. Na cidade, onde mora sente falta do contato com a terra e aproveita essas viagens para rezar a Santo Antônio. Acredita que seus familiares continuarão a preservar o capitel. O responsável pelo capitel hoje, abril de 2012, é seu filho, Ênio Bertoldo.

Ao lado do capitel encontra-se uma cruz onde está escrito o responsório de Santo Antônio em latim:

Responsório de Santo Antônio Ecce Crucen Domini

Pugite Partes adversas e Vicit Leo de tribu Juda Radix Dayid, Alleluia Si Quad eris mors error

Calamites Daenon Ledra Fuciunt Aecri Surcund Sani

Cedum maré Vincula Membra resque perditas Peturot Et Accipiun Juvenes e cani Pereunt perícula Cessat Et necessitas: Na o Rent hi Qui Sentiunt Dicont

3.5 Capitel de Sant’ Ana

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Fonte: Acervo da autora

Localizado também no Rincão de Santo Antônio, o capitel de Sant’ Ana foi construído em 1919, seis anos antes do capitel de Santo Antônio. Em entrevista realizada com o senhor H.R, filho do fundador, este declarou:

A escolha do nome de Nossa Senhora do Perpétuo Socorro foi escolhida pelo meu pai, Ângelo Bonfiglio Rossato, pois quando ele casou foi morar em Santo Ângelo. Logo começou a enfrentar problemas financeiros, resolveu então voltar para sua terra natal, então resolveu construir um capitel em homenagem a Nossa Senhora do Perpétuo Socorro.

A gente se reunia com as famílias Binotto, e Simonetti todas as quartas feiras para rezar o terço, e aos domingos na parte da tarde. O senhor João Binotto, vizinho da nossa família, fez uma promessa a Sant’Ana, pois seus primeiros três filhos morreram logo que nasceram. Se os próximos que tivessem não morressem iria colocar a imagem de Sant’ Ana no lugar de Nossa Senhora do Perpétuo Socorro. Seu João teve mais oito filhos todos saudáveis, a imagem de Sant’ Ana permanece até hoje. Em 1982 a nossa família juntamente com a de João Binotto reformamos todo capitel. Eu e Idemar Binotto, filho de seu João, que hoje mora na Linha do Soturno, somos os responsáveis pela manutenção do capitel.

Quando a sede (Nova Palma) passou a ter um padre fixo, a gente continuou a se encontrar por muito tempo ainda porque as famílias quase todas não tinham carro, o trajeto de oito quilômetros até a sede do município era feita a cavalo ou a pé. Meu pai nunca nos falou se havia capitéis na Itália e se esta prática foi herdada da Itália. Eu acredito que não há o risco dos capitéis serem abandonados. Embora as visitas não sejam freqüentes, espero que esse costume continue sendo passado de pai para filho.

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Localizado na Linha Rigon, fundado pelo casal Augusto e Clara Taglapietra em 8.8.1924.

O longo tempo e o lugar o estragaram bastante, principalmente, depois que a família foi morar em Barril em 20.9 1938, ficando a família de Constantino Piovesan responsável em zelá-lo. Abril de 2012, infelizmente não foi possível o contato com o responsável pelo o capitel no momento. Este capitel está praticamente abandonado permanece o tempo todo chaveado, na parte interior não possui mais a imagem do santo, apenas as duas placas destacadas. (CRONOLOGIA, 8.8.124 In: Acervo do Arquivo CENTRO DE PESQUISAS GENEALÓGICAS DE NOVA PALMA. Sala da Cronologia)

3.7 Capitel Nossa Senhora do Rosário de Pompéia

Este capitel foi construído na comunidade de Linha Onze, interior do município, em 07 de outubro de 1902, em uma encruzilhada, em frente à capela de São Pedro que ainda não existia.

Foi construído por Francisco Denardin devido à promessa que fizera sua mulher Maria Thomé, ela estava “variada e doente” ou mal de saúde. Foram utilizados para construir tijolos grossos rústicos e pedras.

Com a reforma da igreja de São Pedro, em abril de 1972, o capitel foi derrubado, usando parte do material para a reforma. A imagem de Nossa Senhora do Rosário de Pompéia foi colocado junto ao altar da igreja de São Pedro, onde permaneceu até alguns anos atrás.

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CONSIDERAÇÕES FINAIS

Esta monografia teve como objetivo, compreender o contexto histórico que cercou os capitéis construídos, entre 1890 e 1925 no município de Nova Palma, pelos imigrantes italianos. Para isso, procurou-se identificar a importância desses capitéis, não só como um local de oração, de conforto espiritual, mas também como local de agregação social entre esses imigrantes.

Apesar das diferentes origens geográficas e dos diferentes dialetos, esses imigrantes se identificaram através da religiosidade católica e também através da família e do trabalho. Para esses imigrantes, a família era considerada muito importante e tinham um grande respeito para com os mais velhos, principalmente os avós. Com relação ao trabalho, a maioria dos colonos trabalhava na terra, dependia de uma boa colheita, pois a roça era o meio de sobrevivência deles. Outro fator significante de identificação foi o processo de ruptura com seu país de origem. Cabe ressaltar que os capitéis serviram como base da organização social nas colônias. Desta forma, destaca-se a importância desses capitéis enquanto uma referência para a memória e um patrimônio histórico que remete para a identidade comunitária de Nova Palma.

A partir das entrevistas, pode-se constatar que a maioria dos capitéis construídos foi devido às promessas feitas aos santos de devoção, geralmente pedindo por saúde. Cada santo tinha um poder especial. Os capitéis observados eram quase todos construídos em encruzilhadas, onde participavam de três a quatro famílias próximas.

A importância dos capitéis enquanto marco na memória coletiva dos integrantes mais velhos da comunidade de Nova Palma pôde ser observada quando o senhor Aurélio Bertoldo, já com 91 anos de idade, se emocionou em relembrar o passado dos capitéis. Posteriormente, em conversa com um de seus filhos, Senhor Hermes, que é diácono da paróquia, ele se surpreendeu em saber que seu pai relembrou tantos fatos, pois, segundo ele, seu pai apresenta “falta de memória”. Isso veio a confirmar que se tratando de memória e esquecimento, gravamos em nossa memória o que nos significou mais, sejam estes, acontecimentos alegres ou tristes.

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clero. De certa maneira, a religiosidade popular conseguiu se articular harmoniosamente com a romanização do catolicismo.

Ambos tiveram um convívio que pode se dizer pacífico, pois, como mencionaram os autores consultados, o fator responsável por esta aproximação e convivência foi o fato de que a grande maioria desses imigrantes eram católicos, trouxeram junto a devoção aos santos e a fidelidade para com os sacramentos. Por conta disso, logo nos primeiros anos de colonização os imigrantes passaram a reivindicar a presença de um padre, para que pudessem ter acesso aos sacramentos.

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REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

A IGREJA CATÓLICA de Nova Palma está restaurando um dos marcos da religiosidade popular, os capitéis como são conhecidas as pequenas capelas construídas há um século pelos imigrantes italianos. Zero Hora, Porto alegre, 29 de agos. 1993. p.35

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ZANINI, Maria Catarina Chitolina. Um olhar Antropológico Sobre Fatos e Memórias da Imigração Italiana. Mana. Out. 2007, vol. 13 p. 521-547.

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(38)

ANEXO 1 - Mapa de Localização da Quarta Colônia

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ANEXO 2 – Mapa do município de Nova Palma com a localização dos Capitéis trabalhados

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Cronologia de Construção dos Capitéis em Nova Palma de 1890 a 1982.

Nº Data Capitel Localização

1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16 17 18 19 20 21 22 23 24 25 26 27 28 29 30 31 32 33 34 35 36 37 38 39 40 41 42 43 1890 1901 1902 1905 1918 1919 1925 1928 1929 1930 1931 1933 1934 1936 1937 1939 1940 1943 1944 1944 1945 1946 1946 1949 1950 1950 1950 1952 1953 1953 1953 1953 1954 1957 1957 1957 1958 1960 1963 1964 1969 1981 1982 Santa Apolônia São Luiz N.S. Rosário N.S. Assunção São João N.S. do Carmo

Santo Antônio N.S.Aparecida Santo Antônio Santa Gema Galgani

Santa Lúcia

Sagrado Coração de Jesus Santo Antônio

N.S. Rosário São Caetano

São Luís N.S.da Consolação N.S.do Perpétuo Socorro Sagrado Coração de Jesus

Gruta de Lourdes Santo Inácio Sagrado Coração de Jesus

Santo Antônio São Tiago São Patrício N.S.da Saúde São Vicente Palotti

Santa Lúcia N.S. Perpétuo Socorro Mãe Três Vezes Admirável Mãe Três Vezes Admirável Mãe Três Vezes Admirável

N.S. Saúde N.S. Perpétuo Socorro

São Luiz N.S.dos Navegantes N.S.da Consolação N.S.das Graças Gruta Caemborá N.S.da Saúde Caverna de Fátima

Santa Teresinha N.S.do Rosário Linha Duas Linha Sete Linha Onze Linha Sete Rincão dos Fréos Rincão S. Antônio Rincão S. Antônio

Bom Retiro Linha Um Novo Paraíso Além Soturno Linha Sete Saracura Linha do Soturno

Linha Rigon Linha Sete

Linha Um Rincão Santo Antônio

Coxilha Próximo á sede Rincão do Santo Inácio

Linha Sete Linha Onze Linha Cinco Usinas Linha Um Novo Paraíso Linha Onze Novo Paraíso Linha Três Linha Sete Matriz (Sede) Linha Onze Novo Paraíso Rincão dos Fréos

Sanga Funda Linha Três Linha dos Coccos

Caemborá Novo Paraíso Saída p/Vale do Jacuí

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Capitel Santo Antônio – Rincão do Santo Antônio Questionário para as entrevistas

1 – Por que a escolha da imagem de Santo Antônio? 2 – Quem foram os fundadores do capitel?

3 – Quem é o responsável pela manutenção hoje? 4 – Qual era a frequência das visitas no capitel?

5 – Quando passou a ter um padre fixo na sede em Nova Palma? 6 – Continuaram a se encontrar nos capitéis?

7- Por que a maioria dos capitéis foram construídos em encruzilhadas?

8 – É possível dizer que a construção e os encontros religiosos nos capitéis é uma prática herdada da Itália?

9 – É pertinente dizer que os capitéis estão em desuso, há o risco de serem abandonados? 10 – A Igreja católica tem realizado algum programa ou ação que valorize a existência de capitéis na quarta colônia de imigração italiana?

2 – Capitel São Luiz – Vila Cruz

1 – Por que a escolha do nome São Luiz? 2 – Quem foram os fundadores do capitel?

3 – Quem é o responsável pela sua manutenção hoje?

4 – O nome da comunidade era Linha Sete. Por que mais tarde passou a se chamar Vila Cruz? 5 – Qual era a frequência das visitas no capitel?

6 – Por que a construção de tantos capitéis nesta comunidade? 7 – Quando passou a ter um padre fixo na sede em Nova Palma?

8 – Continuaram a se encontrar nos capitéis depois da vinda de um pároco fixo? 9 – Por que a maioria dos capitéis foram construídos em encruzilhadas?

10 – É possível dizer que a construção e os encontros religiosos nos capitéis é uma prática herdada da Itália?

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Capitel Sant’Ana– Rincão do Santo Antônio

1 –Por que a escolha do nome Sant’Ana? 2 – Quem foram os fundadores do capitel? 3 – Quem é o responsável pela manutenção hoje? 4 – Qual era a frequência das visitas no capitel?

5 – Quando passou a ter um padre fixo na sede em Nova Palma?

6 – Continuaram a se encontrar nos capitéis depois da vinda de um pároco fixo? 7- Por que a maioria dos capitéis foram construídos em encruzilhadas?

8 – É possível dizer que a construção e os encontros religiosos nos capitéis é uma prática herdada da Itália?

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