Sabrina Padilha de Menezes TRABALHISMO REFORMISTA E O LEGISLATIVO SANTA-MARIENSE (1960-1964)

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Sabrina Padilha de Menezes

TRABALHISMO REFORMISTA E O LEGISLATIVO SANTA-MARIENSE (1960-1964)

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Sabrina Padilha de Menezes

TRABALHISMO REFORMISTA E O LEGISLATIVO SANTA-MARIENSE (1960-1964)

Trabalho Final de Graduação apresentado ao Curso de História, Área das Ciências Humanas, do Centro Universitário Franciscano – Unifra, como requisito parcial para a aprovação do grau de Licenciado em História.

Orientadora: Lenir Cassel Agostini

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Sabrina Padilha de Menezes

TRABALHISMO REFORMISTA E O LEGISLATIVO SANTA-MARIENSE (1960-1964)

Trabalho Final de Graduação apresentado ao Curso de História, Área das Ciências Humanas, do Centro Universitário Franciscano – Unifra, como requisito parcial para a aprovação do grau de Licenciado em História.

___________________________________________ MS. Lenir Cassel Agostini – Orientadora (Unifra)

___________________________________________ MS. Elisabeth Weber Medeiros (Unifra)

___________________________________________ Dr. Carlos Rangel (Unifra)

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DEDICATÓRIA

“Dedico este trabalho aos meus filhos Julie e Pedro Maximiliano e aos meus pais, Sr. Jesus e

Sra. Maria, que são os meus eternos amores, minhas fontes inspiradoras e as bases vitais da

minha vida. A pertencente família: Angélica, James, Anne Lara, Bibiana, Lis, Cristiano, Davi,

Jéssica e Maria Cecília, que me auxiliaram e participaram desta minha almejada e

significativa vitória. Igualmente, ao meu namorado Renato Willemberg Junior, por ter

aparecido e estado presente, como fonte de felicidade, aconchego e apoio. Também, dedico a

Deus e aos meus anjos da guarda, que sempre estiveram comigo em todos os momentos e

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AGRADECIMENTOS

Agradeço este trabalho a todos os homens de boa índole, que influenciaram a construção da minha história de vida. Em relação aos princípios de paz, amizade, coletivismo, respeito, responsabilidade e compromisso, como partes essenciais de um todo social. Nesse sentido, como forma dos meus agradecimentos, menciono trechos da Obra Social &Política de Alberto

Pasqualini (1994), para serem apensados pelo leitor:

“Creio que aqueles mesmos que, bafejados pela sorte, conseguiriam acumular riquezas possam julgar-se felizes e tranquilos tendo diante dos olhos o espetáculo cotidiano da miséria

e da necessidade. Talvez se sentissem mais em paz com a própria consciência se, possuindo menos, pudessem enxergar um pouco mais de afeto e um pouco menos de rancor nos rostos de

seus irmãos, abatidos pelo trabalho e torturados pelo sofrimento” (Alberto Pasqualini, 1994).

“Que eu possa pôr sob vossos olhos toda a miséria do pobre, a fim de que sintais de que lágrimas vós formais o vosso tesouro.” (São Basílio, p.19.apud. Pasqualini, 1994).

“A paz, a nossa paz objetiva, paz orgânica- inspiração do equilíbrio, da honestidade, da justiça que devem existir nas ações individuais, nas atividades econômicas, nas disputas políticas administrativas, no exercício do poder, nas relações, enfim entre governantes e

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RESUMO

O presente trabalho é uma investigação acerca da história política de Santa Maria, dos anos de 1960 à 1964. A partir do enfoque da proposta política do Trabalhismo Reformista, ao qual estava em evidência no período, procurou-se identificar a inter-relação da política Nacional com a política do Legislativo Santa-mariense. Neste sentido, buscou-se pesquisar nas Atas da Câmara Municipal as práticas-políticas dos vereadores, para averiguar a presença do Trabalhismo Reformista no Parlamento de Santa Maria, bem como, coligar a prática política dos vereadores com a dos líderes reformistas nacional, identificando sua uniformidade. Os resultados encontrados apontam à compreensão de que petebistas estavam politicamente atuantes no Legislativo Santa-mariense, ou seja, a bancada do Partido Trabalhista Brasileiro apresentou-se como maioria, nas eleições de 1960 e 1964. Por intermédio das inúmeras preleções das legislaturas, observou-se que os petebistas, assim como vereadores de outras agremiações, demonstraram simpatias aos líderes reformistas. Entretanto, identificou-se que as preleções de alguns edis apresentaram propostas que foram defendidas tanto pelos Pragmáticos, quanto pelos Doutrinários, bem como pelos Reformistas. Nessa perspectiva, entende-se que a atuação do Reformismo, no Legislativo Municipal da década de 60, foi expressiva no apoio e simpatia às lideranças reformistas. Quanto à presença das propostas reformistas, percebeu-se que, a prática política da maioria dos petebistas de Santa Maria se conduziu em torno da simetria trabalhista, pragmática e doutrinária, que os Pragmáticos Reformistas constituíram em seu exercício político.

Palavras-chave: Trabalhismo, Reformismo, Legislativo, Santa Maria.

ABSTRACT

The present work is an investigation about the political history in Santa Maria, from the years 1960 to 1964. From the approach of the political proposal of Reformist Labor, which was in evidence at that time, it was intended to identify the inter-relation between the national politics with the Santa Maria Legislative politics. In this way, the councilors´ political practices in the Municipal Chamber minutes were researched in order to check the presence of Reformist Labor at the Parliament of Santa Maria, as well as to bring together the councilors´ political practices with the national reformist leaders, by identifying its uniformity. The results point to the comprehension that members of the PTB party were politically engaged in the Legislative of Santa Maria, that is, the Brazilian Labor Party members were majority in the 1960 and in the 1964 elections. Through the numerous lectures legislatures, it was noticed that PTB members, as well as councilors of other parties, had sympathy to the reformist leaders. However, it was observed that the lectures of some councilors presented proposals that were advocated by both Pragmatics and Doctrinal leaders, as well as Reformist leaders. In this perspective, it is understood that the reformist actuation in the Municipal Legislature in the decade of 60 was significant in the support and liking to the reformist leaders. Concerning to the presence of reformist proposals, it was noticed that the Santa Maria PTB members´ political practices were conducted through the doctrinal, pragmatic and labor symmetry that the Pragmatic Reformists constituted in their political exercise.

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SUMÁRIO

INTRODUÇÃO...7

1 REFERENCIAL TEÓRICO...9

2 METODOLOGIA...14

3 RESULTADOS E DISCUSSÕES ...15

3.1 A formação do Trabalhismo e do Partido Trabalhista Brasileiro (PTB)...15

3.2 As correntes trabalhistas e a constituição do Trabalhismo Pragmático Reformista... ...23

3.3 A percepção do Trabalhismo Pragmático Reformista no Legislativo de Santa Maria...30

CONSIDERAÇÕES FINAIS...45

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS...48

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INTRODUÇÃO

Esta temática está inserida na história regional, a partir do antagonismo político que se vivia na esfera nacional daquele período. Nesse sentido, buscou-se estudar a história política de Santa Maria no período de 1960 a 1964, bem como a inter-relação da política Nacional com o Legislativo Santa-mariense.

Iniciou-se a pesquisa pelo estudo da política Nacional a partir de 1930, ou seja, os primeiros anos de formação do trabalhismo varguista, para se compreender as condições socioeconômicas e políticas que constituíram as bases do Trabalhismo Pragmático Reformista nas décadas de 50 e 60. A temática deste trabalho se limita em pesquisar a atuação do Reformismo no cenário político do Legislativo Santa-mariense entre 1960 e 1964, bem como as transformações e/ ou contribuições que o Trabalhismo Reformista legou para o desenvolvimento do município.

Compreende-se que durante a década de 60, a proposta reformista estava em evidência no cenário Nacional que, por intermédio da presidência de João Goulart, irradiava sua influência para as diversas regiões do país. Nesse sentido, buscou-se detectar a influência do Trabalhismo Reformista no Legislativo Municipal por intermédio das manifestações na tribuna e de documentos. A questão fundamental a ser esclarecida é determinar se havia ou não a influência do Trabalhismo Reformista no cenário político partidário de Santa Maria, entre 1960 e 1964, e em que medida isso se traduziu em ações práticas que atestem esta influência. Também se pretende examinar os aspectos positivos desta corrente, se algum houve, para o desenvolvimento da região.

Seguindo nesta direção, a pesquisa objetivou identificar indícios que atestem de forma inequívoca a exata medida da influência trabalhista no cenário local e compreender como era esta ligação do Nacional reformista com o Municipal petebista; assim como estabelecer os traços mais evidentes que tornem clara esta relação.

Pode-se afirmar que a importância deste trabalho centra-se em resgatar aspectos históricos importantes do nosso passado recente, a partir da conjuntura política Nacional da época, do PTB e do Trabalhismo Pragmático Reformista que exerceu forte influência em inúmeros políticos de expressão Nacional.

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aprofundado sobre essa temática permitirá ao leitor uma melhor compreensão da história política de Santa Maria.

A presente pesquisa foi organizada em três capítulos. No primeiro, fez-se um estudo bibliográfico para se conhecer e entender as origens da temática. A partir da formação do trabalhismo Brasileiro durante o governo de Vargas na década de 30, procuraram-se as raízes da criação do Partido Trabalhista Brasileiro e todo o aparato que favoreceu seu crescimento político, analisando sua postura frente à democratização e atuação dos seus representantes no seio social. As diversidades que envolviam o partido e suas contradições também são objeto de estudo.

No segundo momento, buscou-se a influência do Trabalhismo Reformista no contexto Nacional. Este capítulo procurou destacar como ocorreu a constituição do Trabalhismo Pragmático Reformista, quais foram as suas origens, suas lideranças, sua atuação na política Nacional e aceitação popular. Compreende-se que os Reformistas defenderam o trabalhismo enquanto doutrina pragmática, a partir da prática de Vargas e das ideologias de Alberto Pasqualini. Como no primeiro capítulo, a história de Vargas se insere por intermédio da história de formação do trabalhismo e do PTB, este capítulo centra-se em compreender as bases teóricas do Trabalhismo Pragmático Reformista, as quais se embasaram nas ideologias de Alberto Pasqualini.

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1 REFERENCIAL TEÓRICO

Para melhor clareza e cientificidade do estudo político regional, é pertinente compreender os significados da história regional. Em que teve maior crescimento à medida que cresceram as exigências com relação ao conhecimento das fontes primárias, para a produção histórica regional (PESAVENTO, 1990).

Coube ao materialismo histórico a tarefa de “resgatar” o conceito de região utilizado até então. Hoje, este conceito ultrapassa a noção singular de “espaço” e expressa uma abordagem, ao mesmo tempo econômico-social e político-ideológico. A autora define a região como o espaço onde os homens exercem poder, constroem a auto-imagem e a identidade de um grupo. Sendo assim, escreve que a história regional seria uma espécie de recorte de um espaço, considerando um dado período.

Sob antigos e retrógrados pontos de vista, afere-se que a história regional tem a tendência de “homogeneizar” uma dada situação do fato, em detrimento que todos os gaúchos são iguais, a fim de que os subalternos aceitem sem revoltas a ideologia da classe dominante (PESAVENTO, 1990). Isso traduz a necessidade de um estudo comprometido em auferir à história política de Santa Maria uma visão crítica da sociedade, desfigurando-se, dessa forma, da definição reprodutiva da história regional.

Nessa perspectiva, como solução para criticidade da história regional, Pesavento (1990) sugere uma compreensão mais científica, de forma a transformar a realidade, como um real sentido de ação e não apenas ver o passado num tom saudosista. Assim, é pertinente que a construção do contexto regional esteja inserida em um conhecimento crítico e fundamentado.

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Sendo assim, a política regional pode englobar um relacionamento entre o todo e as partes. Daí, aufere-se que o regionalismo, como método, é objeto da história regional e representa elementos que podem explicar certos contextos e conjunturas sem, com isso, pretender que a história nacional seja um somatório de muitas histórias regionais.

Paralelamente, buscou-se compreender as entrelinhas da história política, por meio da fundamentação teórica em Rémond (1996), no qual reflete sobre o político e destaca a complexidade desse assunto, uma vez que, “a história política exige ser inserida numa perspectiva global em que o político é um ponto de condensação” (p. 445), e não pode ser entendida como um domínio isolado. Compreende-se que a política é o fator que conduz, em determinadas situações, as relações sociais, a “maneira de conceber, de praticar, de viver a política” (p. 449). Assim, as atividades político-ideológicas são os fatores que conduzem a formação da “identidade coletiva”.

Nesse contexto, é essencial entender os conceitos políticos que trabalharemos, para o qual utilizou-se, como referencial teórico, Bonavides (1994), em que descreve as estruturas políticas e os modelos governamentais existente na civilização ocidental, ou seja, a democracia, o socialismo, a ditadura, o presidencialismo, entre outros. Nas palavras de Bonavides (1994), o presidencialismo é um “Sistema político em que há um Presidente, ao mesmo tempo, um chefe do governo e chefe do Estado” (p.344). Dessa forma, as relações de poder são esclarecidas após a leitura de Bonavides (1994), bem como, a obra de Chacon (1978), a qual, direciona-se à ciência política a partir do enfoque da história dos partidos políticos no Brasil, suas ideologias, implementações, contraponto existentes nas diversas agremiações. Conclui-se que, ambas as obras de cunho político são essenciais para o acadêmico de história política.

Igualmente, utilizou-se o dicionário político de Bobbio (1998), no qual, explica sobre conceitos políticos, tais como: Trabalhismo, Reformismo, política partidária, esquerdas, entre inúmeros outros. Segundo Bobbio (1998), o trabalhismo tem origens britânicas e envolveu grande parte da população européia, organizou muitas manifestações e revoltas operárias, empregou nas lutas sociais o meio de defender seus interesses, nos quais, estavam pautados na política da social-democracia, por intermédio da “defesa de uma transformação pragmática e gradual da sociedade” (p.1230). Nota-se que o Trabalhismo Brasileiro inspirou-se no trabalhismo britânico, porém assumiu características peculiares e, com o tempo, novas formas de se estabelecer enquanto doutrina ou enquanto reforma doutrinária pragmática.

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Vargas, bem como sua proposta trabalhista e a formação do Partido Trabalhista Brasileiro (PTB), frente ao aparato político Nacional dos anos de 30 aos 60.

Nessa perspectiva, a proposta trabalhista iníciou-se com Vargas durante governo constitucional (1934-1937), ao qual durante esse período governou sob o apoio dos militares e da classe alta. Após, Vargas decretou o Estado Novo (1937-1945) e o projeto trabalhista se massificou popularmente, adquirindo o simbolismo da “figura carismática de Vargas.” Também, durante o Estado Novo, firmou “uma sólida aliança de Vargas com a corporação militar e estabelecido o compromisso por parte do governo de promover o desenvolvimento econômico do país” (GOMES, 1989, p.7).

Entretanto em meados da década de 40 o país rumou para a democratização do país. Entende-se que Vargas era contrário à organização partidária, porém, frente a ameaça da ascendência de um regime comunista e as pressões dos grupos anti-fascistas, o Estado Novo foi compelido a decretar as eleições partidárias. Assim, em 31 de dezembro de 1944, Vargas anunciou que executaria a Reforma Constitucional e nomeou Agamenon Magalhães para estabelecer a Nova Constituição. Compreende-se que Agamenon era um político com evidente conhecimento, bem aceito tanto pelos civis quanto pelos militares. Nesse sentido, afirma Delgado (1989):

Agamenon, por sua vez, propunha que o processo tivesse início com a convocação de uma Constituinte que, estabelecendo um regime constitucional, possibilitasse a convocação de eleições. O esquema sugerido era semelhante ao de 1934, não prevendo qualquer procedimento que consagrasse a inelegibilidade de Vargas (p. 12).

Dessa forma, alerta a autora que no período de 1945 a 1964 houve a introdução do sistema partidário e ascensão de três grandes partidos: União Democrática Nacional (UDN), Partido Social Democrático (PSD) e Partido Trabalhista Brasileiro (PTB). Estes duelaram forças na arena política Nacional, a qual traziam o ponto dos debates no Getulismo. Assim afirma Delgado (1989)

UDN representaria a oposição mais cabal à corrente que trazia em si o vício de origem do ditatorialismo – a negação de uma ordem democrática, liberal e pluralista. O PSD e o PTB se caracterizariam como agremiações de cunho getulista. Seus adeptos viam Vargas como uma dupla ótica. Quer como um grande estadista e moderno administrador, que soube apreender as reais necessidades do país, quer como o “pai dos pobres” e criador da legislação social (p.8).

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ao simbolismo, que o partido auferia a Vargas e ao trabalhismo. “Entretanto, o PTB não vivia apenas da exploração eleitoral e ideológica desses dois fatores. Havia outro elemento da maior importância para sua performance política: suas bases sindicais” (DELGADO, 1989, p.

35). Esse fator não tardou para adquirir contrariedades por seus militantes, de cunho intelectual, aos quais negaram a personificação da figura de Vargas tanto ao PTB quanto ao trabalhismo, e criaram o grupo dos Doutrinários Reformista.

Nesse sentido, para a compreensão dessa corrente trabalhista, utilizou-se a obra de Pasqualini (1994), ao qual é o ideólogo dessa corrente doutrinaria. Entendeu-se que Pasqualini organizou o trabalhismo enquanto doutrina social, em defesa do desenvolvimento do país e da implementação de um sistema capitalista mais igualitário. Por intermédio do pensamento humanista, defendia os ideais socializantes, cooperativistas, distributivistas e desenvolvimentistas, primando à transformação da consciência cidadã. Pois “o capitalismo, quando na sua forma individualista e egoísta, é a origem e a causa de todos os males que atormentam o mundo” (PASQUALINI, 1994, p.325).

Paralelamente, Pasqualini desenhara, em sua proposta política, a concepção que o poder político partidário deveria voltar-se deliberadamente para a construção e desenvolvimento da nação, enquanto bem comum. Dessa forma o Partido Trabalhista Brasileiro deveria se constituir como um partido dos trabalhadores, perdendo o caráter paternalista de Vargas. Na assertiva de Pasqualini (1994), o poder democrático e partidário institui-se que:

O poder é apenas um sistema de meios políticos e jurídicos para a realização de um programa que presumi exprimir o bem comum. Desde o instante em que o povo opte por outras diretrizes, o partido que está no poder deve entregá-lo ao que venceu e se impôs na simpatia e na confiança popular. (p.346)

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Entende-se que frente ao suicídio de Vargas, em meados do dos anos 50, o partido idealizou uma prática que primasse pela prática, definitiva, de um amplo programa de reformas sociais e econômicas. Nesse contexto, formaram-se os Pragmáticos Reformistas, aos quais manifestaram certo “casamento entre as proposições discursivas do Trabalhismo Doutrinário e uma prática política que mesclava traços herdados do Getulismo e do trabalhismo dos primeiros tempos” (NEVES, 2001, p. 194).

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2 METODOLOGIA:

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3 RESULTADOS E DISCUSSÕES

3.1 A formação do Trabalhismo e do Partido Trabalhista Brasileiro (PTB)

Getúlio Vargas chegando à Presidência da República Brasileira, pelo movimento de 1930, desenvolveu um projeto político que estava pautado em proposições programáticas que estimulavam a prática ao Nacionalismo e à industrialização. Paralelamente, desenhara em sua política o projeto trabalhista, a partir de protótipos britânicos existentes na Europa da década de 20, mas que fora apresentado, no Brasil, no final dos anos 30 e início dos anos 40 (FERREIRA, 2005).

Nessa perspectiva, entende-se que o Partido Trabalhista Brasileiro (PTB) assumiu um caráter varguista, pois estava constituído em torno da figura de Getúlio, uma vez que Vargas identificou-se como o fundador do trabalhismo.

Nessa conjuntura do Brasil, dos anos 30 e 40, assumiram-se novas relações de trabalho, voltadas para a industrialização. Pautadas na ideologia Iluminista de que o homem é responsável pelo seu próprio destino, ressaltando que as ações humanas deveriam se voltar para a transformação de seu contexto (FERREIRA, 2005). Compreende-se que os operários que cresciam significativamente no âmbito urbano não podendo mais ser ignorados. E apoiados por políticos e militantes de pensamento liberal, delinearam grandes transformações em prol da industrialização e de todo o contexto que integra esse aparato industrial.

Neste cenário, surgiram às ligas e sindicatos em defesa de melhores condições de trabalho. Ambos atuaram de forma progressiva em reivindicações que eclodiam em vários lugares do país, em especial no Rio de Janeiro e São Paulo (FERREIRA, 2005). Nota-se que em meio a esta conjuntura, o projeto trabalhista foi, intencionalmente ou não, uma significativa estratégia política de conseguir o apoio da massa dos trabalhadores e conter as agitações sindicais.

Por intermédio da Consolidação das Leis Trabalhistas (CLT), os sindicatos passaram a ser influenciados pela mística getulista, que apresentava amparo aos direitos sociais dos trabalhadores. Percebe-se que Vargas utilizou como meio de propagação da proposta trabalhista o Departamento de Imprensa e Propaganda (DIP1) e a Hora do Brasil2 (GOMES, 1989).

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Criado por decreto no primeiro governo em dezembro de 1939. Mas sua genealogia provém do Departamento

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Compreende-se que essa estratégia política delineou o trabalhismo como meio essencial para garantir os direitos sociais objetivados pelos trabalhadores, e, assim, o trabalhismo se constitui politicamente como “um projeto de Vargas para os trabalhadores” (FERREIRA, 2005, p.175).

Observa-se que o projeto trabalhista voltou-se para atender as necessidades básicas da grande parte da sociedade Brasileira, a massa trabalhadora. As leis Trabalhistas postas em prática pelo Ministério do Trabalho, Indústria e Comércio proporcionaram aos trabalhadores melhores condições de vida e asseguraram os direitos trabalhistas como: “salário mínimo, auxílio gestante, férias, redução da jornada de trabalho, demissão por justa causa” (FERREIRA, 2005, p.177).

O trabalhismo varguista também agradou parte da elite industrial, em detrimento do controle sobre os operários com a criação da carteira de trabalho, diminuição das revoltas sociais e demissão por justa causa. Os estímulos governamentais, por intermédio da industrialização, beneficiam essa elite. Por intermédio dos maquinários, produziram mais em menor tempo e diminuíram o número de trabalhadores. Dessa forma, os industriais cresceram sua produção e atenuaram os gastos com os funcionários (FERREIRA, 2005). Percebe-se que da política de industrialização de Getúlio derivou o crescimento econômico de grande parte dos empresários e assim adquiriu o apoio dos mesmos.

Igualmente, os primeiros governos (1930-1945), contou com o apoio da classe militar Brasileira, por intermédio da Doutrina de Segurança Nacional3 e do Tribunal de Segurança Nacional4, que proporcionou aos militares amparos sociais. Percebe-se que a política de Cultural (DPDC). E ainda, no início de 1938, o DPDC transformou-se no Departamento Nacional de Propaganda (DNP), que, finalmente, deu lugar ao DIP. Esse propagou-se por intermédio da radiodifusão, teatro, cinema, turismo e imprensa. Cabia-lhe coordenar, orientar e centralizar a propaganda interna e externa, fazer censura ao teatro, cinema e funções esportivas e recreativas, organizar manifestações cívicas, festas patrióticas, exposições, concertos, conferências, e dirigir o programa de radiodifusão oficial do governo. O DIP existiu em diversas regiões do Brasil, os chamados "Deips". Essa estratégia política permitiu de controlar da informação e difundir a ideologia varguista (FROTA, 2000).

2 Programa de rádio em que anunciava a política do governo e divulgava sambas para enaltecer o presidente.

Usava a Hora do Brasil para falar diretamente ao povo como um pai. Hoje em dia, este programa ainda existe, porém, mudou sua nomenclatura, sendo agora chamado de Voz do Brasil (FROTA, 2000).

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Política que serviu como forma de combater as opressões definindo-as como crimes contra a segurança nacional, a ordem política e social, estabelece seu processo e julgamento e dá outras providências (FROTA, 2000).

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Segurança Nacional, ao mesmo tempo em que representava para o governo uma forma de segurança contra os subversivos5, também concebia para os militares, que formavam a Guarda de Segurança Nacional6, status social, atuação na política governamental e crescimento econômico (FROTA, 2000).

Desse modo, compreende-se que Vargas, a princípio, conseguiu agradar ambas as classes sociais, a partir da constituição do trabalhismo, nacionalismo e industrialização do Brasil. Visto que a política varguista tinha como pressuposto conquistar o apoio popular por meio das leis trabalhistas, e, ao mesmo tempo, combater as revoltas sociais por intermédio da Doutrina de Segurança Nacional. Nesse sentido, Ferreira (2005) afirma:

A política trabalhista concentra-se basicamente em dois pontos: em procurar convencer a classe operária de que as leis sociais seriam presentes do ditador, e em controlar policialmente as atividades dos sindicatos (p. 84).

Verifica-se nessa afirmativa que Vargas planejou uma política ampla, em que envolvia a classe alta e ao mesmo tempo direcionava certa atenção a massa dos trabalhadores. Aos quais, até então, se encontravam desamparados e desprovidos de uma política social.

A assertiva de Ferreira (2005) também pode ser associada ao pensamento de Gomes (1989) em que profere a prática política de Getúlio como uma forma de assegurar e respaldar a participação dos trabalhadores por meio dos direitos e deveres trabalhistas, entretanto, com uma participação doutrinariamente pacífica. Pois, ao mesmo tempo em que o trabalhismo representava a atenção do Presidente com os direitos dos trabalhadores, a Segurança Nacional garantia a ordem e controle dos movimentos sociais, por intermédio dos deveres que os trabalhadores deveriam exercer como aceitação e pacificação ao Estado. Nesse sentido, Getúlio procurou tornar os sindicatos órgãos defensores de sua política governamental, e o trabalhismo auxiliou a justificar ao controle do Estado sobre os sindicatos, enfatizando a necessidade de "proteção" ao trabalhador.

Entende-se que a política, de cunho paternalista, desenvolvida no governo de Getúlio descreveu “A Era Vargas ou Getulismo” na história do Brasil. A partir do simbolismo que a população desenvolveu em torno da figura do Presidente com a política Nacional. Nesse contra as instituições militares, e, em geral, qualquer tentativa dirigida com intenções subversivas contra as instituições políticas e sociais do país (LOWENSTEIN, 1942, p.297).

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Termo usado nos discursos políticos da época para caracterizar todo o cidadão que não seguisse as ordens da política Nacional (FROTA, 2000).

6 Exército militar que se instaurou como uma política de defesa Nacional, tendo como objetivo manter a ordem

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sentido, “O Getulismo esteve por muito tempo associado à defesa da legislação social produzida durante o governo de Vargas e a sua política econômica nacionalista” (GOMES, 1989, p.75).

Verifica-se, que o Getulismo foi a ênfase do longo governo Vargas, sustentado pelo forte apoio popular, em que envolveu o significativo apoio dos trabalhadores, mas também, os interesses das classes dominantes com a política varguista, a fim de preservar os direitos trabalhistas, desenvolvimento industrial e nacionalismo.

Confere-se que a política Varguista foi, por muito tempo, o alvo de ideologias e propostas de diferentes partidos e organizações políticas, tanto no sentido de descendência e apoio quanto nas rupturas e negações. Entretanto, o Getúlio auferiu denominações peculiares e novas tendências políticas, as quais passaram a abranger em diversos setores e agremiações. Instituindo em torno do trabalhismo um administrador das políticas vigentes, ou seja, o trabalhismo foi, por longo tempo, o vetor das propostas políticas regionais e nacionais que conduziam os discursos partidários em geral.

Compreende-se que o trabalhismo se constitui durante o Estado Novo, porém conseguiu atingir sua plenitude frente ao processo de democratização de 19457. Nessa perspectiva, os trabalhadores delinearam certa atuação política, ou seja, reivindicaram por seus direitos sociais por intermédio da CLT, direcionaram seus votos aos políticos que melhor lhes convinham e cobravam dos mesmos as promessas feitas em época de campanha eleitoral. Muitos trabalhadores se inseriram na política partidária ao se filiar e representar as agremiações, sendo que a mais aceita foi a do Partido Trabalhista Brasileiro. No entanto, a contraposição das classes dominantes à política trabalhista se estabeleceu firmemente, nesse cenário de crise política (DELGADO, 1989).

O pensamento de Delgado (1989) pode apensar com a assertiva de Bodea (1992):

As pressões sobre o governo são tais que, já no 22 de fevereiro de 1945, ele proclama a sua intenção de convocar eleições gerais ainda naquele ano. No dia 28 de janeiro é decretado o Ato Adicional nº 9 que estabelece eleições diretas para a presidência da República e proporcionais para o Parlamento Nacional. No dia 18 de abril, o governo decreta anistia geral a seus adversários políticos, beneficiando desde liberais até comunistas. Finalmente, a 28 de maio de 1945 é decretada a chamada Lei Agamenon (nome do ministro da justiça na época), que marca as eleições para o dia 2 de dezembro e regulamenta o novo código eleitoral e os requisitos para a

7 O fim do Estado Novo é assinalado por esta data, embora a partir de 1943 uma série de transformações

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formação de partidos políticos. A grande vantagem dessa lei é que ela tornava obrigatória, pela primeira vez na história Brasileira, a formação de partidos de caráter nacional. Esse dispositivo visava não apenas evitar uma excessiva fragmentação partidária, mas também impedir o ressurgimento dos partidos políticos oligárquicos que tinham bases essencialmente estaduais e defendiam um programa federalista e outros princípios derivados do liberalismo clássico (p. 14).

Compreende-se que a instauração do sistema parlamentarista de Agamenon, de certa forma, estabeleceu na política Nacional a liberdade de diversas e distintas ideologias partidárias. Entretanto, garantiu as conveniências e acréscimos à política varguista, constituídos durante o Estado Novo. Assim, organizou-se a estrutura do sistema democrático Nacional que se estenderá até 1964. Paralelamente, incluiu-se o trabalhador ao seio político, tornando-o vetor dos interesses partidários, tanto em prol quanto em inverso do trabalhismo.Nessa arena política, o Partido Comunista Brasileiro (PCB) saiu da clandestinidade e legalmente legitimou-se como agremiação partidária. Em 1945, foi criada a União Democrática Nacional (UDN) como força de oposição civil e militar, composta por representantes de setores oligárquicos, da burguesia liberal urbana e políticos esquerdistas não comunistas, aos quais ficaram conhecidos como Esquerda Democrática. Um ano após, essa Esquerda Democrática rompe com a UDN e forma o Partido Socialista Brasileiro (PSB), juntamente com outros grupos políticos socialistas independentes. Em contrapartida, surge o Partido Social-Democrático (PSD), a partir de forças interventoras estaduais de cunho rural (governadores nomeados por Getúlio) na “tentativa de centralizar as forças oligárquicas locais fieis a numa estrutura política que tivesse algumas tinturas reformistas e fosse fiel a um programa nacionalista” (BODEA, 1992, p. 15). No sentido de ligação do PSD ao âmbito urbano, Getúlio, juntamente com o Ministério do Trabalho e Sindicalistas, criou o Partido Trabalhista Brasileiro (PTB), ao qual se auferiu como partido formado para o trabalhador. A disputa eleitoral concentrou-se praticamente entre esses partidos: UDN, PCB, PSD e PTB (FROTA, 2000).

Nessa conjuntura, percebe-se que a conduta do PTB estava voltada para mobilizar em seu favor os trabalhadores. E ao restante dos partidos, a ação de oposição ao caráter getulista e sucessivamente ao trabalhismo em que envolvia o Partido Trabalhista Brasileiro.

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por intermédio do Trabalhismo e Getulismo, mostrou sua força política e social contando com o apoio dos Queremistas8 na massificação de uma agremiação forte e de preferência popular (DELGADO, 1989).

Percebe-se que nos confins da democratização, quando a censura perdeu a força e os opositores a Vargas, em especial os udenistas, passaram a massificar suas campanhas contra a política trabalhista, surgiu o Queremismo, um expressivo movimento social em defesa da continuação de Getúlio no governo e ao projeto trabalhista.

Compreende-se que os trabalhadores acreditavam que ao “aceitar os insultos públicos a Vargas seria não reconhecer devidamente os seus benefícios” (FERREIRA, 2005, p.61). Assim, a grande parte da população, revoltosa com as agressões a Getúlio, contaram com o apoio do Ministério do Trabalho e formaram um notável e significativo movimento popular de âmbito Nacional, em defesa do trabalhismo varguista (FERREIRA, 2005).

Nesse sentido, o duelo entre UDN e PTB estava formado, compondo na arena política Nacional dois blocos antagônicos. Paralelamente, o Queremismo ganhou tal significância na trajetória política do país, em especial para o PTB, que o partido tornou-se por longo tempo, até, aproximadamente 1964, uma das preferências tanto nacionais quanto regionais. Pois a maioria dos militantes queremistas acabaram integrando ou apoiando a agremiação petebista.

No entanto, o movimento Queremista não está intrinsecamente ligado ao PTB, mas ao trabalhismo, o qual foi um dos “objetivos que inspiraram A formação do PTB e uma das fontes inspiradoras do movimento queremista” (DELGADO, 1989, p.47), ou seja, o Queremismo e o PTB foram produtos da mesma ideologia que assegurava Vargas como o defensor do trabalhismo. Entretanto, possuíam características peculiares, uma vez que o Queremismo surgiu como certa defesa popular, para manter o governo Nacional sob a liderança de Vargas. Já o PTB teve a intuito de manter a política Nacional sob seu controle e utilizar a figura de Vargas como meio de apoio e aceitação popular (DELGADO, 1989).

Percebe-se que “o Queremismo não foi mais que um movimento conjuntural, uma mobilização político social, que coincidiu em seus objetivos com uma das propostas iniciais do PTB: a preservação da mística de Getúlio e de sua obra social e trabalhista” (DELGADO, 1989, p.47). Nessa configuração, entende-se que os queremistas fizeram uma simetria entre Vargas e o trabalhismo. Assim uniram-se ao PTB por apresentar em sua proposta política o trabalhismo e a figura de Vargas como o chefe do partido. Nesse sentido, o Queremismo não

8 Expressão usada para identificar as manifestações populares que defendiam em fins de 1945 a continuação de

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surgiu com a intenção partidária, ou seja, não se apresentou, em primeira instância, com a intenção de formar um partido político ou massificar o PTB.

Compreende-se que a maioria de seus militantes acabou se filiando ao partido para garantir e defender os direitos sociais firmados com Getúlio. Visto que a democracia era inevitável e os estímulos à escolha dos partidos eram fortes. Percebe-se que “Diariamente, um tema de interesse dos trabalhadores era explorado, com gravuras e textos, ressaltando a necessidade dos trabalhadores em ter um partido próprio” (FERREIRA, 2005, p.79). Percebe-se essa asPercebe-sertiva nas palavras de Delgado (1989):

Os trabalhistas receberam de imediato, a orientação para transformar os comitês queremistas, que se multiplicava em grandes números de cidades, em diretório do PTB. E em comitês eleitorais para apoio dos candidatos petebistas nas eleições que ocorriam no final de 1945 (p. 79).

Identifica-se que o Partido Trabalhista Brasileiro foi fundado em 15 de maio de 1945, antes do Queremismo, com o intuito de ser "a mão esquerda" (DELGADO, 1989) de Getúlio e articular à sua volta o apoio político da massa de trabalhadores. Um dos seus principais objetivos consistia, em impelir as manifestações e revoltas dos comunistas e dos udenistas (DELGADO, 1989).

Nessa conjuntura, percebe-se que o PTB teve suas origens com o trabalhismo e o Getulismo, delineando em torno de ambos suas propostas políticas. Assim, apresentou-se como o partido criado para os trabalhadores. Entretanto, por intermédio do Queremismo o PTB adquiriu maior relevância política frente à sociedade Brasileira.

Compreende-se que a importância do trabalhismo e do Queremismo foram inegáveis na trajetória do partido, frente o simbolismo da figura de Vargas. Esses delinearam as bases do PTB, uma vez que “o Getulismo, Trabalhismo e Nacionalismo eram pontos fundamentais de uma política que visava corrigir as injustiças sociais e superar o atraso econômico” (DELGADO, 1989, p.146).

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mudanças sociais. Entretanto a última corrente do trabalhismo, os Pragmáticos Reformistas, surgiu nas décadas de 50 e 60, aos quais “se mobilizavam em torno de bandeiras como as reformas, combate ao capital estrangeiro e a defesa das instituições democráticas” (DELGADO, 1989, p. 80).

Compreende-se que os Pragmáticos Reformistas foram vistos como os mais radicais do PTB, ao defenderem propostas de cunho revolucionárias embasadas por reformas e mudanças sociais. E em fins da década de 50, essa tendência de cunho esquerdista adquiriu relevância frente a um cenário populacional mais crítico e perceptível. Quando diversas mobilizações sociais e políticas, comícios, greves e manifestações de trabalhadores, que delinearam uma sociedade agitada e insatisfeita com as políticas vigentes.

Nesta conjuntura, os políticos petebistas de cunho mais radical, uniram-se aos sindicatos para defender a conquista de uma sociedade com maior autonomia e participação política. A ligação PTB - sindicalismo passou a adquirir um caráter de “esquerda” (DELGADO, 1989, p.81) e aos poucos se desligaram do “aparato de aparelho do Estado” (DELGADO, 1989, p.80). Esse “grupo de esquerda”, denominado por Delgado (1989), também formou aliança política com PCB. Juntos, além das manifestações políticas e sociais, definiram novas propostas ao trabalhismo de Vargas. A partir do pensamento de Alberto Pasqualini, os Reformistas formaram a base ideológica para sua pratica política (DELGADO, 1989).

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4.2 As correntes trabalhistas e a constituição do Trabalhismo Pragmático Reformista

Percebe-se que o PTB apresentou ao longo de sua formação três principais tendências: a primeira chamada de Getulistas Pragmáticos, formada por trabalhistas conservadores e vinculados a Getúlio, os quais tiveram a maior relevância no partido até o suicídio do Presidente. A segunda tendência foram os Doutrinários trabalhistas, formados em maior parte por intelectuais orgânicos do partido, esses defendiam propostas políticas de cunho socializantes, bem como a desvinculação do partido em relação ao Estado. A terceira tendência surge com força no partido a partir da segunda metade dos anos de 1950, foram chamados de Pragmáticos Reformistas, que procuraram delinear em sua prática político-partidária características tanto dos Getulistas Pragmáticos quanto dos Doutrinários reformistas (NEVES, 2001).

Identifica-se que desde o início, o PTB apresentou diversidades político ideológicas, entre Pragmáticos e Doutrinários, que delinearam atritos na agremiação, em relação à conceituação do trabalhismo e do partido. Ambas as correntes trabalhistas, além de disputar a diligência da política governamental, também duelavam forças pela liderança da prática política partidária do PTB.

Nesse sentido, a orientação petebista passou a ser direcionada conforme a tendência trabalhista que estivesse sob a direção do partido, conduzindo-o a umA pratica política instável, em que variava entre doutrinária ou pragmática, assim, “O PTB apresentava opiniões diversas, decorrentes de uma complexidade de posições e propostas além de embates regionais” (DELGADO, 1989, p. 70). Uma vez que, durante a sua formação, o PTB apresentou-se como o partido dos trabalhadores e defensor do trabalhismo. Assim a agremiação petebista acolheu diversos setores da sociedade, desde os trabalhadores até os intelectuais liberais (DELGADO, 1989).

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Identifica-se que o surgimento dos Pragmáticos Reformistas ocorreu em um contexto assinalado por expressivos pensamentos e discursos socializantes, que propunham alcançar o progresso e a modernidade, por meio de uma prática política governamental que desenvolvesse a industrialização no sentido de oportunizar a igualdade social.

Nesse contexto, os Reformistas apoiaram seu modelo governamental de Estado na ideologia de Pasqualini, em defesa da implementação de um sistema capitalista mais justo e igualitário (NEVES, 2001). Esta seria a melhor forma de equilíbrio e desenvolvimento social, em relação ao comunismo e ao capitalismo individualista.

Compreende-se que Pasqualini procurou criar um novo modelo de prática política governamental, já que considerava os existentes, no período, como ineficientes. Nesse sentido em relação ao comunismo, Pasqualini asseverou que, neste Estado socialista existiam somente duas classes: a burguesia, a qual detinha o poder político do Estado, e o proletariado, que não tinha possibilidades de defesa e organização social. Igualmente, no governo comunista havia uma socialização comum dos meios de produção, bem como uma significativa exploração da sociedade por parte do Estado. No caso do capitalismo desumano, o qual crescia aceleradamente em grande parte do ocidente, Pasqualini delineou que os elementos prejudiciais desse sistema eram os pensamentos e as ações humanas, relacionadas ao egoísmo e ao individualismo na conquista dos bens. Nesse sentido, a prática do pensamento individualista, caracterizado pelo ganho sem limites, conduzem o capitalismo à criação dos monopólios, da hegemonia econômica imperialista e da exploração do homem pelo homem, ou seja, ao capitalismo selvagem e desumano (GRIJÓ, 2007).

Percebe-se que Pasqualini defendia a criação de um novo modelo governamental, ao qual deveria se abduzir tanto do comunismo, que dissimulava a dominação do Estado sobre a população em seu discurso de igualdade social, quanto do capitalismo selvagem, que demonstrava claramente a exploração de um indivíduo pelo outro tanto em bens materiais quanto simbólicos. Desse modo, o melhor sistema político seria a capitalismo humanista baseado em princípios de cooperação e solidariedade social.

Nas palavras de Pasqualini (1994):

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Nesse sentido, percebe-se que o trabalhismo de Pasqualini se aproximou da social democracia9 pela defesa do desenvolvimento da solidariedade social e participação de todos nos benefícios do país, em prol de um capitalismo mais igualitário. Paralelamente, defendeu o capitalismo no sentido de estimular o progresso econômico, por intermédio do desenvolvimento industrial.

Compreende-se que o trabalhismo de Pasqualini, por intermédio de sua “herança cultural ítalo-católica”, esteve caracterizado pelo “comunitarismo orgânico”, uma das bases da doutrina social da Igreja Católica, promulgada em 1931 pelo Papa Pio XI na carta encíclica “Quadragesimo anno”. Nesse documento, o Papa defendeu uma “justa distribuição da riqueza” frente ao “bem comum”, ou seja, aos recursos naturais e organizacionais de uma determinada nação; bem como solicitou a ação de “justiça social”, por intermédio da “harmonia das classes sociais” (GRIJÓ, 2007, p. 94).

Igualmente, identifica-se que o pensamento de Pasqualini foi influenciado por alguns parâmetros positivistas, em defesa de constituir um Estado forte e interventor, por meio dos poderes públicos. Entretanto, a intervenção dos poderes públicos deveria voltar-se para o equilíbrio social, a fim de amparar os menos favorecidos (BODEA, 1992). Esses princípios foram embasados pelas ideologias socializantes do trabalhismo britânico da social democracia que, ao contrario do tradicional positivismo, defendia a evolução democrática, a partir da transformação do sistema capitalista, a fim de torná-lo mais igualitário.

Compreende-se que Pasqualini defendeu a implementação de um Estado interventor, porém sem autoritarismo, que proporcionasse oportunidades de evolução social, econômica e política, por intermédio de um sistema capitalista baseado em princípios humanistas.

Paralelamente, nota-se que os Pragmáticos e Doutrinários se confrontaram quanto à forma de desenvolver o trabalhismo e o PTB. Entretanto, ambos simpatizaram com o trabalhismo britânico na defesa de certo ajuste organizacional, onde o Estado interviesse no sistema social. Embora, para Pasqualini, o Estado era o agente das transformações e equilíbrio sociais, não podendo conter o personalismo varguista.

Nesse sentido, compreende-se que no final década de 40 e início de 50, no momento que Vargas rompeu com o PSD e direcionou sua postura política para a democracia de cunho social, Pasqualini, igualmente, passou a defender a importância de Getúlio com o trabalhismo

9 Social democracia é a forma ideológica correspondente ao estágio de desenvolvimento predominantemente

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Brasileiro. E assim, estabeleceu-se certa aproximação de Getúlio com Pasqualini, findando o conflito entre ambos. Nas palavras de Pasqualini, por intermédio da leitura de Bodea (1992):

Creio que, assim, poderemos perceber melhor o que o Getúlio representa para a massa trabalhadora. O povo não poderia compreender o trabalhismo nos seu delineamento teórico, na sua concepção abstrata, nos seus princípios científicos. Sabe, porém compreendê-lo por intermédio da ação política e administrativa de um homem que o tem realizado. Essa pessoa representa para o povo uma diretriz, uma tendência que sabe corresponder às suas necessidades, aos seus anseios, às suas aspirações. Não segue o povo uma orientação por causa da pessoa, mas segue a pessoa por causa de sua orientação. A idéia é mais assimilável por intermédio de sua personificação, que se não deve confundir com personalismo (CORREIO DO POVO 30/11/1946, apud, BODEA).

Nessa assertiva, compreende-se que em meio dos anos 40 aos 50, as rivalidades entre Doutrinários e Pragmáticos começaram a amenizar-se, e o personalismo de Vargas passou a ser visto como meio para desenvolver a política trabalhista na sociedade.

Entende-se que neste período, o PTB passou a defender, com maior proeminência, a implementação de um capitalismo mais justo, mais humanizado, em que não houvesse os confrontos sociais e, sim, a solidariedade social. Defendendo que trabalho deveria ser a principal contribuição de cada um frente ao todo, não se voltando exclusivamente ao usufruto pessoal, mas para o bem-estar coletivo, com a contribuição de todos, por intermédio do trabalho e cooperação (BODEA, 1992).

Percebe-se que no ano de 1955 Pasqualini sofreu um acidente vascular e deixou a atuação política, paralelamente, havia o recente suicídio de Getúlio. Nessa conjuntura, surgiu uma nova corrente no PTB, denominados Pragmáticos Reformistas, aos quais asseguraram o desenvolvimento dessa simbiose entre Doutrinários e Pragmáticos. Nesse sentido, nos anos 50 aos 60, o partido foi conduzido por essa nova geração de petebistas, os Reformistas Pragmáticos em que apresentaram como maior expressão os líderes políticos João Goulart e Leonel Brizola (GRIJÓ, 2007).

Desse modo, identifica-se que nos confins da década de 50 aos anos 60, frente a crise política partidária, decorrentes do afastamento de Pasqualini e inexistência de Vargas, houve uma simetria das ideologias do Trabalhismo Doutrinário com o pragmatismo carismático de Getúlio. Assim, apresentou-se uma alternativa ampla nas práticas políticas dos Pragmáticos Reformistas.

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direcionou notável atenção para o desenvolvimento urbano e educacional da sociedade (GRIJÓ, 2007).

Nessa conjuntura, o PTB junto ao Trabalhismo Reformista, assumiu a proeminência na defesa das reformas de base mediante a presidência de João Goulart (1961-1964). Igualmente as propostas do PTB reformista acautelavam que a prática política governamental, reformista, só ocorreria à medida que a sociedade caminhasse no mesmo compasso (FERREIRA, 2005).

Nesse sentido, percebe-se que o Trabalhismo Reformista, em sua plenitude, visava por reformas políticas que abrangessem um amplo sistema organizacional da sociedade brasileira. Defendia que o Trabalhismo Reformista, enquanto agente reformador das injustiças e desigualdades seria a melhor forma de defender e garantir os direitos sociais trabalhistas conquistados até então. Paralelamente, substanciou a política partidária como vetor das propostas políticas e econômicas, no sentido das transformações sociais.

Compreende-se que a linha doutrinária deixou uma marca inexorável no PTB, em especial na organização do trabalhismo, não somente como forma partidária e sim como meio de doutrina social. Afirma Pasqualini “Nosso problema é criar uma mentalidade social que facilite o uso dos meios que oferecemos para a realização do programa que defendemos” (PASQUALINI, apud DELGADO, 1989, p.75). Nesse sentido, percebe-se que os Reformistas basearam-se na ideologia de Pasqualini em “busca da paz social, por intermédio de um desenvolvimento mais humano” (NEVES, 2001, p. 199). O qual só atingiria sua plenitude por meio da transformação do pensamento social frente à conscientização política e econômica, e somente após, poder-se-ia desenvolver uma prática comprometida com o bem comum (DELGADO, 1989).

Nessa perspectiva, sugere-se que o maior obstáculo dos Reformistas se versou em conscientizar os trabalhadores que o trabalhismo só existiu porque houve pessoas para compor o mesmo. Assim, o principal responsável pelo desenvolvimento dessa proposta eram os próprios trabalhadores. Outra questão era persuadir que Vargas foi o mediador desse importante projeto que amparou os trabalhadores, e não o criador e único responsável pelo trabalhismo Brasileiro

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salário, amparo aos setores sociais associados ao mercado. Sendo tratadas como questões técnicas financeiras e, sobretudo, fundamentais nos assuntos da economia privada, pois perpetraram estímulos as instalações de indústrias nacionais. Essas medidas foram defendidas, a fim de estimular desenvolvimento econômico, pautado na industrialização (SIMÕES, 1993).

Percebe-se que os Reformistas consideravam a industrialização o ponto gerador do processo de desenvolvimento da economia nacional. Conquanto, as políticas educacionais eram fundamentais para garantir a base e o sucesso dessa conjuntura industrial.

Igualmente, os Reformistas buscaram modificar as bases das políticas fiscais, eleitorais, educacionais, bancárias e agrárias em concepções que primaram por maior equilíbrio social. Paralelamente, por intermédio do combate aos monopólios estrangeiros e defesa das instituições democráticas e nacionais, desenvolveram a industrialização por intermédio da exploração dos recursos naturais, como usufruto nacional. Estes eram considerados um direito social da Nação e que as instituições nacionais deveriam explorá-los para o crescimento da economia brasileira (DELGADO, 1989).

Nota-se que os Reformistas apresentaram propostas básicas de equidade social, em defesa do “capitalismo humanista” em que, aceitava a propriedade privada e todo o aparato do sistema industrial nacional. Entretanto, não compartilhava da desigualdade social e da “exploração do homem pelo homem” (DELGADO, 1989, p.72). Essa perspectiva, em relação à prática política reformista, relaciona-se a assertiva de Neves (2001):

A Preocupação com melhor distribuição de renda, preceito já enfatizado por Pasqualini. Dessa forma, no pronunciamento retrocitado, afirmava ser necessário adotarem-se medidas “tendentes a impedir que uma pequena minoria, nadando em luxo e ostentação, continue afrontando a miséria de milhares de Brasileiros” (GOULART, apud, NEVES, p. 198)

Nesse contexto, os Reformistas acreditaram que o Estado deveria guiar-se às necessidades da população e identificar seu papel frente ao desenvolvimento do país. Assim apoiaram-se nos ideais de Pasqualini, em favor de um capitalismo mais igualitário, com distribuição de riqueza e equidade social.

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sociais, em que, o Estado era visto como pólo refletor do capitalismo e do distributivismo (DELGADO, 1989).

Nessa conjuntura, as reformas de base eram inevitáveis para a equidade social e desenvolvimento do Brasil. Assim, a reforma agrária era necessária ao desenvolvimento da economia, por intermédio do abastecimento do comércio interno e externo; as reformas na educação eram propostas primordiais para a transformação do pensamento social; as reformas no sistema fiscal e bancário eram fundamentais para administrar e controlar a economia e o sistema eleitoral também era preciso reformular, para garantir ao Brasil uma política justa e comprometida com a sociedade em geral (DELGADO, 1989).

Compreende-se que durante a década de 60 até meados ao Golpe civil-militar, 1964, o Trabalhismo Reformista adquiriu destaque na política Nacional, abrangendo uma significativa anuência dos trabalhadores, sindicatos e políticos petebistas. Com João Goulart na Presidência da República, a divulgação da proposta reformista, em sentido de reformas de base para o equilíbrio social, foi refletida do Nacional para os regionais e o Reformismo atingiu sua plenitude e aceitação popular (GOMES, 1989).

Nessa perspectiva, os Reformistas confrontaram a classe alta, por intermédio de seu projeto trabalhista que defendia um “programa que sustentava os direitos trabalhistas, garantia de emprego, política pública e qualitativa, previdência social ampla, reforma agrária, distributiva de riqueza e renda” (NEVES, 2001, p.161). E a oposição iniciou sua ação contra os Reformistas, aos quais foram assimilados como interventores do comunismo. No ano de 1964, findou-se a prática política reformista por meio do Golpe ou Contra-golpe Civil-militar.

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3. 3 A percepção do trabalhismo reformista no legislativo Santa-mariense (1960-1964).

A partir de 1945, ano do Queremismo e formação do PTB, o partido se constituiu com boas perspectivas na disputa partidária. Identifica-se que por intermédio do apoio queremista, a agremiação petebista fortificou-se na arena política do país e recebeu a preferência dos eleitores. Paralelamente, introduziu em sua prática partidária e no movimento sindical o trabalhismo (BENEVIDES, 1989).

Nessa perspectiva, o PTB idealizou-se no movimento Queremista como a constituição de um partido dos trabalhadores nota-se que essa prática que está estreitamente vinculada ao trabalhismo getulista envolveu grande parte do país em suas versões de representação política e de participação popular, fazendo com que o PTB adquirisse gradualmente maior preferência popular e aderência ao sindicalismo.

Nesse sentido, é nas décadas de 50 e 60 que o PTB atingiu seu ápice de anuência política. Por intermédio dos Reformistas, juntamente com as organizações trabalhistas, o partido delineou uma ativa atuação, em diversas mobilizações políticas e socais. E apresentou o trabalhismo como uma prática política ampla, reformadora e transformadora, no sentido das desigualdades sociais.

Entende-se que essa conjuntura refletiu no cenário político de Santa Maria, uma vez que os vereadores petebistas da região obtiveram certo destaque partidário nas eleições de 1960, na qual o PTB se constitui como o partido de maior presença no Legislativo Santamariense. Demonstra essa assertiva por meio da leitura da composição do Legislativo (1960 -1963), conforme os quadros abaixo:

Quadro 1. Mesa Diretora da Câmara de Vereadores de Santa Maria -1960

NOME CARGO PARTIDO VOTOS

Euclides Gonçalves Presidente PTB 9 Helena Ferrari Vice-Presidente PTB 7 Pantaleão Lopes Primeiro-Secretário PTB 12 Manuel Malmann Filho Segundo-Secretário PSD 12

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Quadro 2. Comissão Representativa da Câmara de Vereadores de Santa Maria -1960

VEREADOR PARTIDO VOTOS

Euclides Gonçalves PTB 12 Pantaleão Lopes PTB 12 Manual Malmann Filho PSD 12

Adelmo Genro PTB 12

Helena Ferrari PTB 7

Fonte:Arquivo da Câmara de Vereadores de Santa Maria, Ata nº 1/59

Quadro 3. Suplentes da Câmara de Vereadores de Santa Maria -1960

Quadro 4. Comissão de Economia e Finanças da Câmara de Vereadores de Santa Maria -1960

Quadro 5. Comissão de Legislação e Pareceres da Câmara de Vereadores de Santa Maria -1960

VEREADOR PARTIDO VOTOS

Isidoro Lima Garcia PTB 11 Helena Ferrari PTB 11 Sivo Duprat Barreto PL 11

Fonte:Arquivo da Câmara de Vereadores de Santa Maria, Ata nº 1/59

Quadro 6. Comissão de Obras da Câmara de Vereadores de Santa Maria -1960

VEREADOR PARTIDO VOTOS

Bismar Borges PTB 11

Fermino Ventura dos Santos PTB 11 Waldomero Moura Reis PSD 11

Fonte:Arquivo da Câmara de Vereadores de Santa Maria, Ata nº 1/59

VEREADOR PARTIDO VOTOS

Adelmo Genro PTB 11

Soel Maciel de Oliveira PTB 11

Antônio Abelim PSD 11

VEREADOR PARTIDO VOTOS

Soel Maciel de Oliveira PTB 12 Fermino Ventura dos Santos PTB 12

Eduardo Rolim PTB 12

Antônio Abelim PSD 5

Waldomero de Moura Reis PSD 3

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Quadro 7. Comissão de Educação e Saúde da Câmara de Vereadores de Santa Maria -1960

Compreende-se, na leitura desse resultado que a maioria dos vereadores da Câmara Municipal foi composta por representante do PTB, bem como ocuparam cargos de chefia e formaram liderança no Legislativo de Santa Maria.

Nesse sentido, entende-se que a repercussão do PTB frente à sociedade Santa-mariense foi de significativo apoio na década 60. Esse fato propiciou ao Legislativo de Santa Maria apresentar, em seus discursos da assembléia nacional, uma política voltada para os parâmetros trabalhista de nacionalização, industrialização, educação democratização e controle do capitalismo.

Entretanto, quando Jânio Quadros assumiu a Presidência da República, em 1960, foi considerado por diversos políticos como autoritário e moralista. Devido ao seu discurso de varrer a imoralidade do país e por desenvolver uma prática política de cunho ditatorial, igualmente não foi apoiado pelos trabalhistas que apontaram sua política como elitista (FROTA, 2000).

Esse contexto Nacional também ocorreu na arena política de Santa Maria, em que diversos edis defensores do trabalhismo, manifestaram-se contra a política de Jânio Quadros. Desse modo à Câmara Municipal de Santa Maria apresentou resistência em compartilhar dos mesmos ideais da política Nacional. Identifica-se essa perspectiva, na leitura da Ata da Sessão Extraordinária do dia 14 de março de 1961, por meio das palavras do vereador, Fermino Ventura dos Santos, PTB:

Vereador Fermino Ventura dos Santos, declarando que é demasiado para julgar acertas as atitudes, do atual Presidente da República, quando é de notar o massacre atual dos operários com as demissões apuradas, quando é notar a falta de um estudo apurado antes de ter sido decretado os dois turnos para funcionários federais, quando é de notar o interesse do Governo, colocando militares nos postos chaves, o que pode trazer e trás o temor de que a democracia pode ser arrasada (Ata nº 113/61).

Observa-se que, no Legislativo Santa-mariense incidiu o descontentamento com a política de Jânio Quadros por não amparar os trabalhadores e privilegiar a elite militar. Fermino Ventura dos Santos, em seu discurso, defendeu a proposta reformista que amparava a “proposição de combinação de uma ordem política democrática com busca de justiça social”

VEREADOR PARTIDO VOTOS

Eduardo Rolim PTB 11

Hélio Helbert dos Santos PSD 11 Nelsom Marchezam PDC 11

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(NEVES, 2001, p. 198). Esse descontentamento com o governo de Jânio Quadros não abrangeu somente os políticos como também, parte dos sindicatos e organizações trabalhistas. Assim consta nos registros da Câmara Municipal:

Alexandre Cruz usou a palavra para informar o plenário que foi procurado, juntamente com o vereador Fermino Ventura dos Santos, por colegas ferroviários já estarem desiludidos com o Presidente da República, a quem, nas eleições de três de outubro, depositaram um voto de confiança. Justificou, assim, requerimento que entregou a mesa estranhando e protestando pela elevação aos preços, com vista ao Prefeito Municipal, Presidente da COMAP. Lembrou, ainda, ao chefe do Executivo, ao fato de ter prometido ao professorado, que em janeiro, segundo a declarações feitas à própria Câmara, que pagaria os salários das professoras. Até hoje, abril, tal medida ao foi cumprida (Ata nº 115/60).

Neste cenário, percebe-se que os ferroviários não foram amparados pela política de Jânio Quadros. Quanto ao Legislativo Santa-mariense, identificou-se, por intermédio da preleção de Alexandre Cruz, a conotação reformista em sentido de preocupar-se “com o bem estar da população e com a defesa dos direitos dos trabalhadores” (NEVES, 2001, p.197 -198).

Compreende-se que a política de Jânio Quadros, entrou em confronto com os Trabalhistas Reformistas e que se constituíram “tanto no campo da representação social de um tempo peculiar no qual trabalhadores se identificavam como sujeitos da história, como se constituiu em uma prática política, institucionalizada pela atuação do PTB” (NEVES, 2001, p.193). Bem como, promulgavam a defesa concisa de trabalhar em prol da inclusão das massas, por maior igualdade social e pela organização autônoma dos trabalhadores. Essa conjuntura originou certo desacerto entre o Nacional e a política Santa-mariense, no início da década de 60.

Entretanto, o governo de Jânio Quadros não ultrapassou o ano de 1961, e quem assumiu o cargo de Presidente da República foi João Goulart, líder reformista. Dessa forma, o elo da inter-relação entre o Nacional e regional Santa-mariense passou a se estruturar e se fortificar, em certo compasso político.

Nota-se que o apoio ao líder do Trabalhismo Reformista, João Goulart, foi enaltecido no Legislativo Santa-mariense. Na leitura da Ata nº 74/60, por intermédio do discurso de Isidoro Lima Garcia, do PTB, identifica-se essa assertiva:

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Nesse contexto, o vereador petebista declarou que João Goulart fez um bom trabalho político, e merecia estar tanto na presidência do partido quanto na vice-presidência da República. Também afirmou a ligação de Jango com a região de Santa Maria.

O notável apoio de Isidoro Lima Garcia com a política reformista de Jango, também foi recíproco por outros petebistas de Santa Maria. Durante a sessão do Legislativo do dia 29 de setembro de 196010, foi exposto o projeto de Lei nº 1.158 sobre a menção de atribuir o título de “cidadão Santa-mariense” a João Goulart. Nas palavras de Soel Maciel de Oliveira, do PTB, em discurso de congratulação “ressaltou a personalidade do sr. João Goulart e sua folha de serviços prestada aos trabalhadores Santa-marienses” (Ata nº 74/60).

Entende-se que a política reformista, por influência das idéias de Pasqualini, no sentido de transformação do pensamento social, defendeu a “elaboração de um Plano Nacional de Educação, que objetivava ampliar o atendimento educacional da rede pública de ensino” (NEVES, 2001, p.200), sustentando na educação o pensamento socializante, de que o homem é o principal responsável pelo seu destino e transformador de sua realidade. Percebe-se que os Reformistas defenderam essa idéia como forma de ser apensada à cultura Brasileira, para que a sociedade direcionasse suas ações na busca por melhores condições de vida, sem agredir os princípios de convívio social, de cooperação e solidariedade (GRIJÓ, 2007).

Nesse sentido, esse pensamento reformista pode ser identificado na leitura da Ata nº 71/60. A qual demonstrou congratulações à prática política de um dos líderes reformista, Leonel Brizola:

Vereador Fermino Ventura dos Santos dando conhecimento do telegrama do deputado Cezar Prieto, dizendo verbas de 2000 mil para a União dos Ferroviários Gaúchos. Manifesta quanto às declarações do vereador Moura Reis e constatação do vereador Vallandro, que Santa Maria, no setor de iluminação nunca recebeu tantos benefícios como agora, no Governo de Leonel Brizola. Igualmente no setor d’agua, bem como no ensino, pois o Governador está construindo escolas, presentemente, na rua Marechal Deodoro, na vila Salgado Filho, na rua vereador Lang, nas proximidades do BCCL, no Vacacaí, em Três Barras e na vila Silveira Martins (Ata nº 71/60).

Nota-se que a Câmara Municipal de Vereadores acompanhou as repercussões políticas do Nacional, por intermédio da preleção do vereador petebista Fermino Ventura dos Santos,

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