O que Serviço Social quer dizer.

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O que Serviço Social quer dizer What does social work mean Vicente de Paula Faleiros* Resumo:.Este.artigo.trata.da.concepção/deinição.do.Serviço.Social. em.uma.perspectiva.histórica.e.teórica,.levando.em.conta.o.contexto. em.que.foi.formulada.e.seus.pressupostos.Tem.como.objetivo.contra‑ por,.de.forma.crítica,.os.enunciados.discursivos.sobre.a.proissão,.sem. nenhum.propósito.evolutivo.ou.exaustivo.O.método.foi.de.consulta. bibliográica. a. livros. publicados. de. autores. que. tenham. servido. de. referência.e.a.deinições.de.associações.proissionais.O.resultado.da. pesquisa.mostrou.uma.diversidade.de.posições.a.partir.do.funciona‑ lismo.e.do.marxismo,.da.história.e.das.práticas.de.serviço.social. Palavras‑chave:.Serviço.Social.Deinição.de.Serviço.Social.Recon‑ ceituação. Abstract:.This.article.deals.with.the.conceptions/deinitions.of.social.work.from.a.theoretical.and. historical.perspective,.taking.into.account.its.context.and.presuppositions.The.objective.is.a.critical. analysis.of.the.discursive.enunciations.about.the.social.work.profession.without.any.evolutional.or. exhaustive.aim.The.research.method.was.a.bibliography.consultation.of.recognized.authors,.as.well. as.of.professional.organizations.The.results.show.that.there.is.a.diversity.of.positions.from.functiona‑ lism.and.marxism.and.from.social.movements.and.institutional.practice. Key‑words:.Social.work.Social.work.deinition.Reconceptualization. O. objetivo.deste.artigo.é.o.de.considerar.os.pressupostos.que.historica‑ mente.foram.construídos.para.o.estabelecimento.de.uma.deinição.de. Serviço.Social.A.elucidação.desses.pressupostos.permite.analisar.não. as.deinições.isoladas,.mas.seu.contexto.e.sua.articulação.com.as.de‑ *.Assistente.social,.Ph.D.em.Sociologia,.pesquisador.I‑A.do.CNPq,.professor.da.Universidade.Católica. de.Brasília.e.colaborador.da.UnB.—.Brasília,.Brasil.Coordenador.do.Cecria.E‑mail:.vicentefaleiros@terra. com.br. 748 Serv. Soc. Soc., São Paulo, n. 108, p. 748-761, out./dez. 2011 terminações.sociais,.econômicas,.culturais.e.políticas.Não.é.pretensão.deste.estu‑ do.fazer.um.percurso.histórico.exaustivo.do.Serviço.Social,.mas.da.construção.do. discurso. sobre. o. Serviço. Social. quanto. a. uma. deinição. em. vários. contextos,. a. partir.de.sua.formulação.no.início.do.século.XX.à.primeira.década.do.século.XXI. A.construção.do.discurso.sobre.a.deinição.do.Serviço.Social.busca.não.só. traduzir.uma.síntese.enunciativa.de.elementos.componentes.do.que.se.considera. constituinte.do.Serviço.Social,.mas.de.articulá‑lo.com.as.determinações.históricas. e.estruturais.de.sua.construção.e.desconstrução. Possenti.e.Souza‑e‑Silva.(2008).consideram.discursos.constituintes.aqueles. que.reconhecem.a.sua.própria.autoridade.de.deinição,.operando.uma.função.na. produção.simbólica,.tendo.como.referência.uma.visão.cientíica.ou.proissional.e. que.dão.sentido.a.atos.de.reconhecimento.e.de.legitimidade.e.também.buscam.uma. coesão.em.torno.dos.mesmos. A.construção.de.uma.deinição.sobre.Serviço.Social.passa.por.disputas.não. só.linguísticas,.mas.ideológicas.e.políticas,.processadas.no.enfrentamento.de.pro‑ jetos.políticos.e.de.produção.de.sentidos.no.cotidiano.e.de.construção.de.estratégias. e.operações.que.sinalizam.formas.de.ação.dos.proissionais. Quando.Silva.(2004).fala.de.Mary.Richmond,.coloca.como.subtítulo.de.seu. trabalho.“Um.olhar.sobre.os.fundamentos.do.Serviço.Social”,.ou.seja,.seu.discurso. fala.de.uma.busca.do.que.é.fundamental.para.se.entender.o.Serviço.Social.de.casos. Richmond,.segundo.a.autora,.enfatiza.a.interação.entre.“personalidade.e.meio.so‑ cial”,.com.o.pressuposto.do.ajustamento.de.indivíduo.a.indivíduo.e.entre.o.homem. e.o.meio.social. Esse. discurso,. considerado. fundador,. sinaliza. como. objeto. da. proissão. o. ajustamento. social,. o. que. é. retomado. reiteradamente. nas. deinições. de. Serviço. Social.antes.da.Segunda.Guerra.Mundial.Fontoura.(1959,.p.113).em.um.livro. publicado.em.1ª.edição.em.1949,.airma.que.o.Serviço.Social: é.o.conjunto.de.técnicas.que.tem.por.objeto.reajustar.a.personalidade.humana,.no. sentido.do.seu.pleno.desenvolvimento.físico,.intelectual,.moral.e.social,.com.o.im.de. tornar.o.homem.mais.feliz.e.proporcionar.maior.bem‑estar.à.comunidade. Enumera.dezenove.outras.deinições,.inclusive.do.1º.Congresso.Brasileiro.de. Serviço.Social.de.1947,.que.ressalta.sua.origem.cristã.na.solução.de.problemas. sociais: Serviço.Social.é.a.atividade.destinada.a.estabelecer.por.processos.cientíicos.e.téc‑ nicos.o.bem‑estar.da.pessoa.humana,.individualmente.ou.em.grupo,.e.constitui.re‑ Serv. Soc. Soc., São Paulo, n. 108, p. 748-761, out./dez. 2011 749 curso.indispensável.à.solução.cristã.e.verdadeira.dos.problemas.sociais.(Fontoura. 1959,.p.123) Os.problemas.sociais.são.denominados.de.“deiciências.sociais”,.que.devem. ser.enfrentadas.“por.meios.cientíicos”,.conforme.deinição.adotada.no.1º.Congres‑ so.Brasileiro.de.Direito.Social.de.1941:.“Serviço.Social.é.toda.a.ação.dos.poderes. públicos,.dos.indivíduos.ou.das.obras.particulares.tendo.por.objetivo.prevenir,.curar. ou.minorar.por.meio.cientíicos.as.deiciências.dos.indivíduos.e.das.coletividades”. (Idem,.p.122). Nas. várias. deinições. salientadas. por. Fontoura,. o. discurso. constituinte. se. refere.ao.ajuste.às.condições.sociais.existentes.e.à.correção.de.falhas.ou.males.da. sociedade.ou.à.promoção.do.bem‑estar. A.proposta.de.Fontoura.e.de.outros.autores.é.a.de,.por.um.lado,.considerar. uma.evolução.da.caridade.para.a.ação.social.e.para.o.Serviço.Social,.incluindo. neste.uma.ruptura.com.a.ilantropia.e.a.piedade.e.incluindo.uma.visão.técnica.e. cientíica.da.intervenção.social. A.articulação.entre.a.ação.paliativa,.curativa.e.preventiva.fez.parte.da.deini‑ ção,.tendo.como.valor.a.justiça.social.principalmente.fundada.nos.parâmetros.das. encíclicas. papais Rerum Novarum, de. 1893. e. Quadragesimo Anno,. de. 1933.A. legitimidade.do.discurso.está.na.construção.de.uma.proissão.cristã,.que.venha.ao. mesmo.tempo.promover.o.ajuste.do.indivíduo.ao.meio,.a.justiça.social,.o.bem‑es‑ tar.com.um.procedimento.técnico‑cientíico. Nessa.visão.da.proissão.predominam.as.questões.da.adaptação.do.sujeito.a. seu.meio,.a.suas.condições.de.trabalho.(no.capitalismo),.aos.valores.dominantes,. ou.da.melhora.da.satisfação.consigo.mesmo. Essa. concepção. perpassa,. de. forma. persistente. na. formação. e. na. prática,. quase.todo.o.século.XX.Em.1970,.Bartlett.(1979).reitera.essa.deinição.de.bom. funcionamento.social,.centrado.na.noção.de.“equilíbrio/interação”.entre.as.pessoas. e.o.meio,.com.orientação.para.as.pessoas.com.problema.Ainda.em.1982,.reitera‑se. essa.deinição.que.reaparece.no.livro.de.Helen.Northen,.publicado.no.Brasil.em. 1984,.que.considera.que: Os.objetivos.para.os.quais.a.prática.é.dirigida.reside.no.domínio.das.relações.psicos‑ sociais.ou.vida.social,.e.o.proissional.pode.intervir.em.diversos.sistemas‑cliente,.em. qualquer.nível.de.necessidade.—.fortalecimento,.prevenção.ou.cura.e.pode.usar.mo‑ dalidades.de.prática.individual,.de.família.ou.grupo.(Northen,.1984,.p.43) Ainda.em.1995,.Germain.e.Gitterman.ressaltam.que.a.função.proissional.é.a. de.minimizar.os.estressores.externos.e.potencializar.os.recursos.internos.e.as.pes‑ 750 Serv. Soc. Soc., São Paulo, n. 108, p. 748-761, out./dez. 2011 soas.Para.os.autores,.o.trabalhador.social.vai.buscar.as.forças.pessoais,.familiares. e.ambientais.Na.mediação.das.trocas.entre.a.população.e.seu.meio,.os.trabalhado‑ res.sociais.encontram.diariamente.a.falta.de.adaptação.(it).entre.as.necessidades. da.população.e.seu.meio.(p.28).Ao.mesmo.tempo,.para.os.autores,.“os.valores.do. serviço.social.constituem.um.conjunto.de.crenças.que.deinem.o.que.a.proissão. considera. ser. desejável. e. bom”. (p. 29),. o. que. implica. a. aceitação. da. sociedade. dominante. Toda.essa.proposta.visa.fortalecer.o.funcionamento.psicossocial.e.maximizar. as.potencialidades.das.pessoas.A.seu.ver,.mesmo.a.prevenção.pressupõe.a.correção. do.mau.funcionamento.social.Esse.discurso.se.ancora.no.funcionalismo.dominan‑ te.nos.Estados.Unidos.e.expresso.nas.teorias.de.Parsons.(1902‑79),.que.publica.em. 1937.o.livro.The structure of social action. No.livro.Sociedades,.Parsons.(1969,.p.16).deine.a.ação.como.“estruturas.e. processos,.por.meio.dos.quais.os.seres.humanos.formam.intenções.signiicativas.e,. com.maior.ou.menor.êxito,.as.executam.em.situações.concretas”.Volta.à.relação. entre.personalidade.e.meio,.construindo‑se.na.cultura.as.orientações.da.ação.pela. personalidade.ou.pelo.organismo,.que.aprende.e.se.adapta.ao.meio,.sendo.as.inten‑ ções.fundadas.em.padrões.e.valores.que.coniguram.a.ordem.social.Para.ele,.o. processo.de.adaptação.funciona.por.meio.da.integração.ao.sistema.social. O.discurso.da.adaptação.se.torna.mais.complexo.na.articulação.das.funções. da. manutenção. do. padrão. dominante. pela. integração. e. realização. de. objetivos,. tanto.pelos.governos.como.pela.economia.e.os.sujeitos.ou.personalidades. Assim,.fundamentos.ou.pressupostos.do.Serviço.Social,.nas.perspectivas.do. bom.funcionamento.social,.são.constitutivos.do.funcionalismo.Essa.teoria,.por.sua. vez,.tem.como.pressuposto.que.o.sistema.capitalista.vigente.e.dominante.é.consti‑ tutivo.da.sociedade,.e.seus.valores.de.adaptação.são.sistêmicos.ou.normais. A.ruptura.com.essa.visão.normativa.e.com.esse.discurso.pode.ser.apontada. em.1942.quando.Bertha.Capen.Reynolds.(1942).coloca.que.o.Serviço.Social.deve. ser. visto. na. estrutura. social,. assinalando. que. as. concepções. que. consideram. o. Serviço.Social.como.algo.“bom”.contra.os.males.sociais.são.estáticas,.pois.“não. levam.em.conta.que.o.Serviço.Social.está.dinamicamente.unido.com.a.sociedade. contemporânea”. Deve.ser.visto.na.sua.construção.e.sem.as.divisões.de.caso,.grupo.e.comuni‑ dade.ou.de.campos.de.ação.e.na.discussão.teórica.Também.em.relação.com.os. movimentos.sociais,.ela.considera.uma.visão.amadora.aquela.que.se.restringe.a. problemas.sociais.ou.à.solução.de.problemas.sociais,.devendo‑se.articular.o.eco‑ nômico,.o.social.e.o.psicológico.Além.de.sair.de.uma.prática.autoritária,.busca. uma.orientação.de.diagnóstico.mais.complexa.e.uma.orientação.que.investigue.as. Serv. Soc. Soc., São Paulo, n. 108, p. 748-761, out./dez. 2011 751 forças.e.potencialidades.da.própria.população.Segundo.ela,.o.assistente.social.deve. integrar.o.conhecimento.de.si.com.o.conhecimento.do.outro.e,.neste.sentido,.incor‑ porando.os.conhecimentos.da.psicanálise.e.também.considerando.as.demandas.da. população. Reynolds.rompe.com.a.deinição.de.uma.helping profession.para.visão.de.uma. protecting society.em.relação.aos.“desavantajados”.(1942,.p.29).Critica.a.relação. entre.o.que.ajuda.e.o.que.é.ajudado.como.relação.de.superioridade,.levantando.a. questão.de.que.a.ajuda.está.estruturada.pela.sociedade,.inclusive.como.a.indústria. do.socorro.e.a.ausência.do.Estado. O.pressuposto.de.que.se.deve.qualiicar.a.ajuda.pela.ciência.ou.pela.técnica. foi.desconstruído.por.Reynolds.como.parte.da.estrutura.capitalista.e.da.indústria. da.ajuda,.conigurada.como.prática.autoritária.e.ainda.com.uma.orientação.mora‑ lista.e.ilusória.A.autora.conclui.pela.necessidade.de.uma.aprendizagem.contínua. do.assistente.social.na.relação.com.a.população.em.diiculdade.e.com.a.população. sem.transtorno,.também.devendo‑se.articular.a.relação.proissional.com.a.de.su‑ pervisor,.de.professor,.bem.como.com.a.de.executivo.Considera.o.Serviço.Social. uma.arte.complexa.de.articulação.entre.teoria.e.prática,.em.ruptura.com.a.visão. moralista.Salienta.a.necessidade.do.proissionalismo,.de.um.corpo.de.conhecimen‑ tos.e.competências.para.o.enfrentamento.de.situações.novas.de.forma.qualiicada. (“The.tasks.to.be.done.for.human.welfare.are.no.our.toy”,.p.336).Reynolds.chama. a.atenção.para.a.necessidade.de.um.signiicado.mais.amplo.de.trabalho.social.como. na. URSS,. na. Inglaterra. e. na. China,. implicando. “que. em. qualquer. lugar. que. se. trabalhe,.deve‑se.fazê‑lo.para.o.todo”. Os.pressupostos.dos.discursos.de.Reynolds,.já.por.inluência.do.marxismo,. foram.aprofundados.e.politizados.pelo.Radical Social Work.dos.anos.1970,.como. veremos. Nos.anos.1970.constrói‑se.também.a.perspectiva.de.análise.do.Serviço.Social. por.inluência.das.teorias.de.Foucault,.passando.a.ser.visto.como.uma.forma.de.con‑ trole.social.(Dechamps,.1994).Verdès‑Leroux.(1986).considera.que.o.controle.social. implicado. no. Serviço. Social. se. coloca. inicialmente. como. contenção. das. “classes. perigosas”,.e.no.processo.de.industrialização,.como.forma.de.obtenção.da.paciicação. de.classes,.com.todo.um.“equipamento.ideológico”.para.esse.enfrentamento. Karz.(2004).pergunta.se.podemos.e.ou.devemos.deinir.o.trabalho.social.e. nos.leva.a.reletir.sobre.ele.como.um.lugar.de.pertencimento,.de.identidade,.de. execução.de.tarefas,.enim,.como.uma.questão.de.disputa.de.espaços,.poder,.repre‑ sentações. Esse. mesmo. autor. chama. a. atenção. para. o. processo. de. reprodução. ideológica.que.cabe.ao.Serviço.Social.na.sociedade.capitalista,.como.uma.forma. de.controle.social,.de.manutenção.do.status quo,.inclusive.articulando‑se.ao.Esta‑ 752 Serv. Soc. Soc., São Paulo, n. 108, p. 748-761, out./dez. 2011 do.capitalista.Essa.função.ideológica.seria.própria.do.trabalho.social.no.seu.pro‑ cesso. de. trabalho,. pois. sua. matéria‑prima. seria. as. situações. sociais. signiicadas. ideologicamente. A.questão.da.articulação.do.Serviço.Social.com.a.estrutura.produtiva.do.ca‑ pitalismo.foi.sendo.cada.vez.mais.aprofundada.(Faleiros,.1972;.Iamamoto,.1982;. Netto,.1991;.Raichelis,.2009).Nos.anos.1970,.Faleiros.airmava.que.“o.Serviço. Social.se.fundamenta.na.negação.dos.antagonismos.do.modo.de.produção.capita‑ lista”. (1972,. p. 12). Nessa. linha. o. Radical Social Work (Brake. e. Bailey,. 1975;. Statham,.1978;.Brake.e.Bailey,.1980).trouxe.uma.crítica.não.só.ao.capitalismo,.mas. também.ao.liberalismo,.ao.assinalar.que.a.relação.presente.no.Serviço.Social.im‑ plica.uma.desigualdade.de.poder.e.se.articula.à.provisão.de.serviços.sociais.próprios. das.políticas.dominantes. No. entanto,. considera‑se. que. a. radicalidade. na. ação. às. vezes. guarda. uma. relação.com.certo.humanismo.radical,.mas.levando.em.conta.sua.implicação.ide‑ ológica. no. sentido. de. um. compromisso. com. a. classe. trabalhadora. Esta. foi. a. questão‑chave.do.movimento.de.reconceituação.na.América.Latina. Conforme.Faleiros.(2005),.a.reconceituação,.de.linha.marxiana,.foi.situada. como.o.oposto.ao.Serviço.Social.tradicional.com.o.questionamento.crítico.na.busca. de.uma.fundamentação.teórica.no.marxismo,.como.fez.a.Escola.de.Serviço.Social da.Pontifícia.Universidade.Católica.de.Minas.Gerais.de.1972.a.1975.(Santos,.1982)1. e.a.Escuela.de.Trabajo.Social.de.Valparaiso.Não.se.tratava,.nesse.caso,.de.repetir. fórmulas.do.materialismo.vulgar,.mas.de.construir.um.projeto.político.da.proissão. Buscava‑se.uma.articulação,.um.compromisso,.do.Serviço.Social.com.as.reais.ne‑ cessidades.da.classe.trabalhadora.em.suas.relações.históricas.no.contexto.das.socie‑ dades.capitalistas,.em.geral.e.em.particular.(Palma.et.al.,.1972,.p.34). Faz‑se.a.crítica.não.somente.ao.capitalismo.em.geral,.mas.à.sua.forma.depen‑ dente,.concentradora.e.excludente.na.América.Latina.A.isso.se.agrega.uma.pro‑ funda.crítica.ao.positivismo,.ao.indivíduo‑problema.e.à.mobilização.de.recursos. Ou.seja,.rompe‑se.com.a.lógica.“pessoa/meio.ambiente”,.própria.do.funcionalismo,. como.acima.enunciado.Nesse.sentido,.toma‑se.como.referência.da.ação.a.funda‑ mentação.dialética.como.ruptura.com.o.linearismo.do.planejamento,.então.domi‑ nante.no.exercício.proissional.Há.um.processo.de.dupla.ruptura:.com.a.ideologia. da.adaptação.e.seu.tecnicismo.e.com.a.metodologia.e.a.epistemologia.positivistas. A.estrutura.do.planejamento.que.supõe.diagnóstico,.deinição.de.objetivos,. execução.e.avaliação.serviu.de.parâmetro.para.a.deinição.do.Serviço.Social.no. 1.Trata‑se.de.um.trabalho.escrito.em.1979. Serv. Soc. Soc., São Paulo, n. 108, p. 748-761, out./dez. 2011 753 processo. desenvolvimentista,. com. diferentes. expressões,. sejam. voltadas. para. a. integração.no.sistema.dominante,.seja.para.uma.ação.comprometida.com.a.mudan‑ ça,. conigurando‑se. o. assistente. social. como. agentes. de. mudança. (Lima,. 1974;. Celats,.1986).Na.perspectiva.de.planiicação.enfatiza‑se,.por.um.lado,.o.processo. de.participação.e.democracia,.ou.por.outro,.o.metodologismo.(Santos,.1982).próprio. da.racionalidade.técnico‑burocática.(Faleiros,.2010). No.texto.do.Celats.(1986).há.ênfase.para.a.participação.O.Serviço.Social.é. situado.como.uma.proissão.integrada.no.setor.público.ou.privado,.conigurando. um.tipo.de.especialização.do.trabalho.na.sua.divisão.social.e.que.contribui.para.o. fortalecimento.(caliicación).dos.usuários.e.das.organizações.populares,.com.uma. “privilegiada.dimensão.política”,.deinindo‑se.o.proissional.como.“um.ator.polí‑ tico.por.excelência”,.atuante.em.espaços.institucionais.que.são.por.sua.vez.contra‑ ditórios.e.ao.mesmo.tempo.limitados. Nesse.texto.(Celats,.1986,.p.33).airma‑se.que.o.Serviço.Social,.no.contexto. institucional,. não. tem. se. identiicado. com. a. opção. de. assumir. atitudes. críticas. diante.das.políticas.sociais.Por.sua.vez,.ao.sistema.capitalista.não.interessa.uma. deinição.muito.clara.do.papel.que.o.Serviço.Social.deve.cumprir,.conigurando‑se. uma.diversidade.de.ações.tendentes.tanto.ao.burocratismo.como.ao.espontaneísmo. e.ao.empirismo. Já.no.início.dos.anos.1980.busca‑se.aprofundar.a.inserção.do.Serviço.Social. nas.relações.de.trabalho.institucionalizadas.Weisshaupt.(1985).considera.que.ob‑ jetivos.proissionais.e.objetivos.institucionais.se.articulam,.pois.o.proissional.é.um. agente.subordinado.na.hierarquia,.e.seu.objeto.é.estabelecido.na.relação.de.poder. institucional,. conirmando‑se. em. sua. pesquisa. que. é. dominante. a. integração. da. população.aos.canais.institucionais. Essa.vertente.da.análise.institucional.(Faleiros,.2007;.Martin.e.Royer,.1987;. que, no passado, se tomavam os axiomas de Euclides. Presume-se que tudo ruiria se as premissas não fossem verdadeiras. Na minha visão, se o currículo for definido por resultados, competências ou, de forma mais abrangente, avaliações, ele será incapaz de prover acesso ao conhecimento. Entende-se conhecimento como a capacidade de vislumbrar alternativas, seja em literatura, seja em química; não pode nunca ser definido por resultados, habilidades ou avaliações. O que dizer, então, de uma teoria do currículo que adota um papel crítico sem se sentir obrigada a desenvolver suas implicações concretas? A crítica é vista como autojustificadora – “dizer a verdade ao poder” é uma frase popular – e os críticos objetam quando se lhes pergunta: “e daí?”. Foucault é muito popular entre teóricos críticos do currículo e foi assim que ele justificou a crítica sem consequências: Não vou desempenhar, de maneira alguma, o papel de quem prescreve soluções. Sustento que o papel do intelectual, hoje, não é [.] propor soluções ou profetizar, já que, ao fazer isso, só se contribui para uma determinada situação de poder que deve ser criticada. (FOUCAULT Michel, 1991, p. 157,3 apud MULLER, 2000) CADERNOS DE PESQUISA v.44 n.151 p.190-202 jan./mar. 2014 195 O problema com o argumento de Foucault, na minha opinião, é que ele presume que princípios alternativos equivalem a soluções. Nenhum professor quer soluções da teoria do currículo – no sentido de “ser instruído sobre o que ensinar”. Isso é tecnicismo e enfraquece os professores. Contudo, como em qualquer profissão, sem a orientação e os princípios derivados da teoria do currículo, os professores ficariam isolados e perderiam toda autoridade. Em outras palavras, os professores precisam da teoria do currículo para afirmar sua autoridade profissional. Uma visão mais extrema, adotada por alguns teóricos associados à tradição pedagógica crítica, livra-os de propor alternativas concretas, pois se identificam com um hipotético movimento global dos destituídos, como sugeriram Hardt e Negri em seu livro Império (2001). “A crítica 3 FOUCAULT, M. Remarks on Marx: conversations with Diccio Tombadori. R. J. Goldstein and J. Cascaito’ Translation. New York: Semiotext(e), 1991. TEORIA DO CURRÍCULO: O QUE É E POR QUE É IMPORTANTE pela crítica, sem alternativas”, é como chamo essa pedagogia crítica, a menos que se considere “esperança num futuro improvável” como alternativa. A consequência das “críticas sem alternativas” é o endosso daquilo que Stuart Hall, prestigiado sociólogo e teórico da cultura, chamou certa vez, ironicamente, de “currículo da vida”. Com efeito, a menos que a vida seja ela mesma um currículo, isso significa não ter currículo e, portanto, não ter sequer escolas. Então, por que temos essa divisão do trabalho entre crítica e implementação ou alternativas? Não é uma característica de outros campos especializados do conhecimento, como a saúde ou a engenharia. A culpa é parcialmente nossa: não concordamos sobre qual é o objeto de nossa teoria, nem mesmo sobre quais são os limites dela, e então buscamos conceitos críticos na filosofia, na ciência política e na teoria literária, embora nenhum desses campos tenha jamais tratado de questões educacionais, quanto mais de currículos. Um artigo recente no Journal of Curriculum Studies referiu-se a esse problema como a fuga do currículo na teoria do currículo. Outro dia me mandaram um artigo sobre Derrida e a geografia. Era uma “desconstrução” elegante e sistemática da geografia, descrita como algo sem qualquer tipo de coerência. Como seria possível, então, ensinar geografia? O autor não seguiu até o fim a lógica de seu argumento e, portanto, não sugeriu que parássemos de ensinar geografia. Ele poderia ter feito o mesmo com história ou ciências. Por que Derrida? Sem dúvida, trata-se de um filósofo brilhante. Mas será que isso significa que ele seja também um teórico do currículo? Não creio. Não li muito Derrida e seus textos não são fáceis. O que sei devo às interpretações do filósofo inglês Christopher Norris. O projeto de Derrida, segundo Norris, é uma desconstrução crítica da tradição filosófica do Iluminismo iniciada por Kant – um belo projeto para um filósofo, mas não para um teórico do currículo. Repito: não creio que o seja. Ao buscar tais elementos, acredito que a teoria do currículo corre o risco de desconsiderar duas questões relacionadas e cruciais. A primeira é que a educação é uma atividade prática, como saúde, transporte ou comunicações. Não é como física, filosofia ou história – campos de investigação que buscam a verdade sobre nós e sobre o mundo e o universo que habitamos. A educação trata de fazer coisas com e para os outros; a pedagogia é sempre uma relação de autoridade (lembrem-se da zona de desenvolvimento proximal de Vygotsky: a diferença entre o que o estudante e o professor sabem) e devemos aceitar essa responsabilidade. É justamente aí que entra a teoria do currículo. A educação preocupa-se, antes de mais nada, em capacitar as pessoas a adquirir conhecimento que as leve para além da experiência pessoal, e que elas provavelmente não poderiam adquirir se não fossem à escola ou à universidade. Sugiro que o papel da teoria do currículo deva ser a 196 CADERNOS DE PESQUISA v.44 n.151 p.190-202 jan./mar. 2014 Michael Young análise desse conhecimento – a maior parte dele já existe nas escolas – e a proposta das melhores alternativas que possamos encontrar para as formas existentes. A segunda questão é que a educação é uma atividade especializada. No tempo em que a maioria não frequentava escolas, educação era uma coisa simples, assumida por pais e anciãos como extensão natural do resto de suas vidas. Não requeria nenhum conhecimento para além das experiências e memórias de infância das pessoas. À medida que as sociedades foram se tornando mais complexas e mais diferenciadas, desenvolveram-se instituições especializadas – escolas, faculdades e, claro, universidades. Assim, embora permaneça uma atividade prática, a educação se tornou cada vez mais especializada. Os currículos são a forma desse conhecimento educacional especializado e costumam definir o tipo de educação recebida pelas pessoas. Precisamos entender os currículos como formas de conhecimento especializado para podermos desenvolver currículos melhores e ampliar as oportunidades de aprendizado. É esse tipo de meta que dá sentido à teoria do currículo, assim como tratamentos e remédios melhores dão sentido à ciência médica. Voltemos, então, ao currículo como conceito educacional. O CURRÍCULO COMO CONCEITO EDUCACIONAL Estou cada vez mais convencido de que o currículo é o conceito mais importante que emergiu do campo dos estudos educacionais. Nenhuma outra instituição – hospital, governo, empresa ou fábrica – tem um currículo no sentido em que escolas, faculdades e universidades têm. Todas as instituições educacionais afirmam e presumem dispor de um conhecimento ao qual outros têm direito de acesso e empregam gente que é especialista em tornar esse conhecimento acessível (os professores) – obviamente, com graus variados de sucesso. Quem quer adquirir um conhecimento especializado pode começar por ler um livro ou consultar a internet, mas, se for sério, vai a uma instituição com um currículo que inclua o que quer aprender e tenha professores que sabem ensinar. Isso nos leva à questão crucial: qual conhecimento deveria compor o currículo? Não no sentido absoluto de conhecimento verdadeiro, o que seria melhor definido como crença, mas no sentido de “o melhor conhecimento que temos em qualquer campo”. Se não pudermos responder a essa questão ou se não houver um conhecimento “melhor”, nossa autoridade como teóricos do currículo estará em xeque, como também estarão em xeque as bases sobre as quais esperamos que os pais confiem nos professores quando entregam seus filhos a eles. A verdade é que não sabemos muito sobre currículos, exceto nos termos cotidianos – grade horária, listas de disciplinas, roteiros de exames e, cada vez mais, matrizes de competências ou habilidades. CADERNOS DE PESQUISA v.44 n.151 p.190-202 jan./mar. 2014 197 TEORIA DO CURRÍCULO: O QUE É E POR QUE É IMPORTANTE Para desenvolver um argumento sobre o que significaria o conceito de currículo, empresto uma ideia de um artigo recente de meu colega David Scott (SCOTT; HARGREAVES, 2014). Seu ponto de partida não é propriamente o currículo, mas o aprendizado como a mais básica atividade humana. O que torna humano o aprendizado humano, diz ele, é o fato de que se trata de uma atividade epistêmica – em outras palavras, tem a ver com a produção de conhecimento. Por que outra razão aprenderíamos senão para descobrir algo ou como fazer algo – portanto, produzindo conhecimento? É útil estender a ideia de Scott um pouco mais e ver o aprendizado como um continuum em dois sentidos: histórico, já que, ao longo do tempo, o aprendizado tornou-se cada vez mais complexo e diferenciado; e em pode considerar relativamente são, porque deve enfrentar a necessidade de compreender, aceitar e aderirse ao que de incurável tem a sua enfermidade básica — a vida temporal: morte, vulnerabili- dade, imperfeição de seu meio e incerteza sobre o certo, ou seja, seu instinto religioso de eternidade” (Mazi, 1982:11-12). O conceito mais marcante neste grupo é a concepção de “cura energética”, mesmo na impossibilidade de uma reversão da entidade clínica. Este conceito possibilita o aparecimento de uma nova representação nova: morrer curado. Isto confronta a representação tradicional de “fracasso” e pode ser evidenciado nos seguintes depoimentos: - E o paciente recupera a saúde até mesmo na vigência de um câncer, que está fazendo ele morrer. E ele morre saudável. - O grande guia do medicamento homeopático é o bem-estar do paciente. A homeopatia não vai evitar a morte. Se o paciente tiver que morrer, ele vai morrer da doença, porém de uma forma mais tranqüila, mais suave, curado. (.) A gente lida pouco com doente terminal, mas o olhar do homeopata muda. Mesmo se a gente está num CTI ou emergência, o olhar é diferente e se baseia no bem-estar do paciente. Por isso, para nós, homeopatas, muitas das tentativas desesperadas de prolongar a vida a todo o custo são inconcebíveis. Nos depoimentos dos homeopatas entrevistados foi possível detectar conceitos relacionados ao questionamento filosófico religioso presente na doutrina homeopática. Neste grupo, em contraste com os demais, surge uma marcante concepção espiritualista: - Nestes momentos, você tem que dar algo a mais. Você precisa saber o que significa a morte, pois a pessoa precisa de um apoio espiritual para aquele momento que ela vai viver. Você precisa ajudá-la a sentir que a morte não termina nada, é apenas uma modificação de estado. É uma continuidade daquilo que você é, do que você já foi e daquilo que você sente. O principal contraponto de reflexão é a abordagem de pacientes terminais. Por um lado, a maioria dos médicos reconhece uma tendência de afastamento e desinvestimento em relação a estes pacientes, tendência esta decorrente da concepção de que não há mais a fazer, são “casos perdidos”. Já os homeopatas discordam, 372 Cad. Saúde Públ., Rio de Janeiro, 9 (3): 364-374, jul/set, 1993 A Morte na Infância afirmando que sempre deve-se perseguir a cura homeopática. Segundo eles, mesmo pacientes terminais e agonizantes poderiam contemplar tal cura. Isto pode não evitar a morte, mas representa a garantia de uma morte tranqüila. Neste sentido, as diferenças conceituais são tão marcantes que a forma como é vivenciado o momento da morte pode ser utilizada como avaliação da qualidade do tratamento prestado, como assinala o depoimento a seguir: - Muitas vezes a gente se dá conta do resultado do tratamento prestado pelo momento da morte, como ele é vivenciado. Eu tive um paciente adolescente que morreu de AIDS. Eu fui vê-lo em casa, ele não podia andar. O medicamento homeopático possibilitou uma melhora e ele foi me procurar no consultório. A forma como ele se apresentou foi inacreditável, suas reações, os seus sentimentos. Eu senti que ele foi fundo e atingiu um estado de compreensão que me surpreendeu. Eu sei que ele morreu em paz e curado. Eu aprendi muito com ele. CONSIDERAÇÕES FINAIS A partir do processo de reflexão desencadeado por este trabalho, podemos ressaltar alguns pontos que foram revelados pela pesquisa. Em primeiro lugar, podemos concluir que, na Medicina, a problemática da morte nada mais é que a derivação de uma questão da Filosofia e das concepções de vida e de morte em nossa cultura. A vida é sempre vista separada da morte, a qual é concebida e vivenciada como um fracasso. Nos depoimentos dos médicos entrevistados, percebemos a dificuldade sempre presente em lidar com a morte e com o processo de morrer dos pacientes, dificuldade esta exacerbada pela falta de discussão decorrente da omissão das escolas médicas frente a este questionamento. Neste sentido, assinalamos e destacamos, apoiados pela unanimidade dos depoimentos, a importância desta discussão a nível de formação médica, mesmo correndo o risco de que um tema tão importante seja “engolido” pela ideologia de um sistema que não concebe a sua importância. Existe uma preocupação, a qual foi possível evidenciar nas falas dos médicos, em relação à desumanização de sua prática. No entanto, esta questão parece ser externa à sua vivência cotidiana e, principalmente, ao processo de formação médica, que não questiona — ao contrário, incentiva — uma visão mecanicista da vida do homem. Não é difícil concluir que é desumana, fria, técnica e impessoal a forma de morrer hoje em nossa sociedade. As pessoas próximas e queridas — família e amigos — são afastadas e substituídas por uma parafernália eletrônica. Porém, não há como deixar de reconhecer o espaço e a importância deste aparato tecnológico. É importante que os médicos sejam despertados e conscientizem-se da necessidade deste questionamento. Os avanços tecnológicos colocam nas suas mãos o poder e a decisão de mudar o tempo de vida das pessoas, e toda a sociedade, de maneira geral, precisa refletir sobre isso. Penso que este é um dos caminhos para tornar a vivência da morte menos solitária e angustiante para as pessoas envolvidas. E se nos empenharmos um pouco, quem sabe esta relação não se torna mais humana e digna? RESUMO HOFFMANN, L. A Morte na Infância e sua Representação para o Médico — Reflexões sobre a Prática Pediátrica em Diferentes Contextos. Cad. Saúde Públ., Rio de Janeiro, 9 (3): 364-374, jul/set, 1993. A morte — essa certeza presente direta ou indiretamente em algum momento da vida de todo ser humano — tem sido, especialmente no século XX, um tema proibido, negado, esquecido. Os médicos, apesar de uma experiência mais próxima com a morte, através da sua vivência profissional cotidiana, não conseguem se familiarizar com ela; pelo contrário, o confronto com a morte sempre desperta sentimentos conflitantes de fracasso, culpa, impotência. Através da análise e reflexão de diferentes vivências, principalmente frente à crucialidade da morte na infância, buscou-se compreender Cad. Saúde Públ., Rio de Janeiro, 9 (3): 364-374, jul/set, 1993 373 Hoffmann, L. a representação deste momento na vida do médico. Apesar do tradicional silêncio das escolas médicas frente a este questionamento, assinala-se, com o apoio da unanimidade dos entrevistados, a importância da introdução de discussões sobre a morte e o morrer no processo de formação do médico, com o objetivo de compreender a morte enquanto parte integrante da vida e promover a humanização do atendimento aos pacientes terminais e seus familiares. Palavras-Chave: Atitude Frente a Morte; Ética Médica; Papel do Médico; Pediatria; Morte, Criança REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ARIÈS, P., 1982. O Homem Diante da Morte. Rio de Janeiro: Francisco Alves. _________ , 1988. Sobre a História da Morte no Ocidente desde a Idade Média. Lisboa: Teorema. BALTZEL, W., 1971. The dying patient. When the focus must be changed? Archives of Internal Medicine, 127: 106-109. BARTON, D.; FLEXNER, J.; Van EYS, J.; SCOTT, C. E., 1972. Death and dying a course for medical students. Journal of Medical Education, 47: 945-951. CONCONE; M. H. V. B., 1983. 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