EDUCAÇÃO INCLUSIVA E O ENSINO DE CIÊNCIAS

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EDUCAđấO INCLUSIVA E O ENSINO DE CIÊNCIAS

  1 Clarice Ferreira e Silva

  2 Marília Carla de Mello Gaia Resumo

  A Educação é um direito de todos e deve ser oferecida para todos. Cada vez mais estudos e reformas buscam tratar este assunto, de forma a garantir a todos este direito. Neste cenário a Educação Inclusiva é um assunto importantíssimo, no qual discussões acerca do papel do professor são cada vez mais constantes e presentes nos estudos atuais, e, além disso, como a utilização de metodologias diferenciadas podem enriquecer este processo com o intuito de oferecer aos alunos com necessidades educacionais especiais um ensino de qualidade e digno de todos. A proposta deste trabalho é discutir o papel do professor na inclusão de alunos com necessidades educacionais especiais, como isto é feito atualmente tanto na visão geral de Educação quanto no Ensino de Ciências. O trabalho foi fundamentado com base em pesquisas bibliográficas a fim de compreender um pouco mais sobre a Educação Inclusiva como um todo bem como atuação/formação de professores de Ciências neste contexto.

  

Palavras-Chave: Educação para todos. Educação Inclusiva. Necessidades

educacionais especiais. Ciências.

  Introdução

  O termo Educação Inclusiva teve início nos Estados Unidos - através da Lei Pública 94.142, de 1975, segundo informações de Mrech (2001). Em todo o país (EUA), são estabelecidos projetos e programas voltados para a Educação Inclusiva.

  Para Sant'Ana (2005) “Mais especificamente a partir da Declaração de

  Salamanca, em 1994, a inclusão escolar de crianças com necessidades especiais no ensino regular tem sido tema de pesquisas e de eventos científicos”, fazendo com

  1 2 Licencianda em Ciências Biológicas pelo Centro Universitário Metodista Izabela Hendrix. que sejam propostas técnicas e formas de se programar estudos propostos na referida declaração.

  A Educação Inclusiva é um tema constantemente discutido e está cada vez mais presente no nosso dia a dia. Atualmente é preciso saber como incluir um aluno com necessidade educacional especial no ensino regular, bem com garantir que ele tenha um ensino digno e de muita qualidade, igual aos demais alunos. Mas ainda assim, são muitos tipos de necessidades especiais, dificultando o trabalho de todos envolvidos neste processo. Mais um ponto para que seja dada a devida atenção ao assunto e às necessidades especiais de cada um. A questão é como garantir que este aluno tenha um ensino de qualidade, como os professores, escolas, família, enfim, tudo que diz respeito à educação, se mobilizarão para que isto ocorra naturalmente e que os resultados sejam os melhores possíveis a cada dia (MRECH, 2001).

  De acordo com o Ministério da Educação (BRASIL, 2006), o aluno com necessidades educacionais especiais é considerado público alvo de projetos e ações no país a fim de programar novas políticas com o intuito de garantir a estes alunos um aprendizado melhor a cada dia.

  Para que isto ocorra, mobilizações sociais, de professores, pais, alunos,

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  diretores, entre outros, devem estar envolvidos no processo de educação especial no Brasil. É importante que os professores sejam capacitados para exercer esta função e garantir o direito desses alunos. A capacitação deste professor vai depender de vários processos como, por exemplo, uma formação com uma ênfase mais efetiva no assunto educação inclusiva e cursos que irão garantir a este um melhor entendimento na teoria e na prática, e não menos importante, seu interesse em aprender e aprimorar seus conhecimentos acerca do assunto (NORONHA & PINTO, 2001).

  Pacievitch (2008) aponta que o termo Educação Inclusiva é bastante amplo e pode dizer sobre várias diretrizes e temas, mas que geralmente está ligado à inserção de pessoas com necessidades especiais no ensino regular e também ao mercado de trabalho. Esta inserção ocorre por meio de projetos sociais e hoje já 3 podemos perceber que de várias maneiras ela está presente no nosso dia a dia e na

  

Segundo Noronha e Pinto(2001), a Educação Especial é o atendimento e educação de pessoas com

deficiências e transtornos de desenvolvimento em instituições especializadas, e a Educação Inclusiva é um forma como nossa sociedade vive. Isto foi efetivado através de políticas públicas que buscam viabilizar acessibilidade em diferentes espaços como escolas, serviços públicos e empresas.

  Mrech (2001) refere-se à Educação Inclusiva como um processo de inclusão de alunos com necessidades especiais ou com algumas dificuldades de aprendizagem nas redes de ensino e enumera vários quesitos para que isso ocorra dentro de uma sociedade. Nestes quesitos estão incluídas várias possibilidades, enfatizando que toda criança com necessidades educacionais especiais tem direito à escolarização como qualquer outra criança e que para isso é necessário incluir esta na sociedade; a família deve estar inserida neste processo, apoiar e acompanhar seu crescimento e aprendizado; todos os que ali estão devem tomar conhecimento de que dentro de uma escola somos uns pelos outros e o conhecimento une todos com um só objetivo; o ambiente escolar deve ser flexível e atender a demanda de todos os alunos e professores; os critérios de avaliação não podem ser os mesmos aplicados há alguns anos, ou seja, novas formas de avaliação devem ser aplicadas de modo que atenda as necessidades destes alunos; o acesso físico das escolas deve proporcionar aos alunos portadores de deficiências locomoção e acesso a todas as dependências da escola; e finalmente, todos os professores deverão dar continuidade aos seus estudos, para que desta forma, possam se atualizar sobre as mudanças a respeito desta educação e como trazer isto para dentro de sala de aula.

  Granemann (2005) afirma que a proposta inclusiva veio para marcar uma etapa importante na educação mundial, que é justamente a educação para todos. Tal ambição só será possível com metodologias de ensino diferenciadas e que atendam os alunos com necessidades educacionais especiais, professores com atitudes e posturas adequadas para lidar com os alunos, integração social, enfim, tudo que possa proporcionar aos alunos um ensino regular digno para todos os seres humanos. “O conhecimento é algo que se encontra em constante transformação, revisão, superação”.

  O mesmo autor afirma que tal processo cobra de todos os profissionais certa aceitação e abertura para novas propostas de ensino. Para que isso ocorra, o processo envolverá além de professores e alunos, uma reestruturação cultural, política e das práticas aplicadas nas escolas. Muitas adequações são necessárias para que este processo ocorra de forma organizada, consciente e que beneficie a vez mais buscada e procurada nas escolas. Hoje já temos legislações que asseguram os direitos de alunos com necessidades educacionais especiais e sua aceitação está cada vez maior, pois estes alunos podem agregar no sentido de trazer para o ambiente de sala de aula um novo olhar para o aprendizado.

  Mas infelizmente este processo por vezes se apresenta um pouco moroso, pois algumas falhas ainda são evidentes no que diz respeito a laudos e alguns processos que são necessários para que a inclusão ocorra, e para que seja dada a devida atenção e cuidado necessário a alunos com necessidades educacionais especiais.

  Dentro deste contexto o ensino de Ciências também deve desenvolver peculiaridades ao ser ministrado para crianças com necessidades educacionais especiais. Os conteúdos de Ciências muitas vezes, apresentam temas de difícil compreensão e isso pode ser um desafio para professores e alunos. As aulas práticas apresentam formas de estudos que nem sempre são acessíveis para todos, por exemplo, olhar um material no microscópio. Este e outros pontos devem ser analisados minuciosamente pelo professor para que nenhum aluno seja 'excluído' do aprendizado (CAMARGO, 2006).

  O objetivo deste trabalho é discutir qual o papel dos professores de Ciências no contexto da Educação Inclusiva, além de identificar as metodologias empregadas atualmente pelas escolas e por professores de Ciências em situações de aulas com alunos com necessidades educacionais especiais.

  Para a fundamentação deste trabalho foi realizada uma revisão bibliográfica a fim de compreender um pouco mais sobre a Educação Inclusiva e formação/atuação de professores de Ciências no que diz respeito à inclusão.

  Os descritores utilizados nesta pesquisa foram: Educação Inclusiva, Ensino de Ciências, Ciências e Educação Inclusiva, Metodologias de Ensino na Educação Inclusiva, Práticas de Inclusão, Educação para Todos, Educação Especial, Necessidades Educacionais Especiais, Formação de Professores e Educação Inclusiva, entre outros termos que foram necessários no decorrer deste trabalho.

  Apenas foram utilizados neste trabalho artigos publicados a partir do ano 2000, a fim de envolver as discussões mais recentes sobre o assunto.

  Papel e formação dos professores na Educação Inclusiva

  De acordo com o Ministério da Educação - Secretaria De Educação Especial (BRASIL, 2004), o professor necessita de suporte técnico-científico para conhecer mais a respeito da prática de ensino na Educação Inclusiva e saber aplicá-la no cotidiano. Este suporte deve ser dado pela escola e não somente ser um processo individual do professor em particular. O professor juntamente com a Coordenação Pedagógica da escola deve analisar quais os recursos que a escola apresenta e como o professor pode estimular a criatividade para lidar com alunos com necessidades especiais, além disso, acredita-se ser importante que o professor tenha um acompanhamento interdisciplinar para aprimorar seus conhecimentos a respeito dos recursos e métodos para o ensino destes alunos.

  Para que o processo de inclusão ocorra de forma efetiva, metodologias de ensino devem ser revistas a fim de garantir melhor aprendizagem a respeito do assunto que está sendo estudado dentro de sala de aula, facilitando assim a compreensão dos alunos com necessidades educacionais especiais. Os professores têm papel importantíssimo na inclusão, bem como escolas, família, comunidade, entre outros.

  “O professor tem um papel essencial como mediador dos processos de ensino-aprendizagem. Na escola inclusiva, é ele que recebe o aluno com necessidades especiais na sala de aula. Sua atitude perante a deficiência é determinante para orientar como esse aluno, com as suas diferenças, vai ser visto pelos colegas. O professor também organiza o trabalho pedagógico e pensa estratégias para garantir que todos tenham possibilidade de participar e aprender”. (REILY, 2001).

  Mas, em contrapartida, Reily (2001), discute que o professor não é o principal responsável pela educação dos alunos com necessidades educacionais especiais. A escola também deve responder por este papel, e a inclusão deve obedecer a níveis como trabalho pedagógico, relações em sala de aula, comprometimento do professor, na escola e nas relações com a família.

  No Ensino de Ciências o raciocínio deve ser o mesmo: diferentes estratégias são necessárias para que o professor desenvolva o conteúdo de Ciências com estudantes que apresentam necessidades educacionais especiais.

  Assim, é necessário discutir qual o real papel dos professores na inclusão, como a formação dos professores está diretamente ligada ao processo de inclusão e como metodologias de ensino podem interferir no processo de aprendizado de Ciências destes alunos.

  Para Barbosa e Souza (2010), existe uma cobrança muito grande para com o professor, pois a sociedade como um todo o pressiona para que ele cumpra o seu papel de Educador, por ele estar inserido em um contexto social e gerar uma expectativa a seu respeito. A vivência do professor com a Inclusão está associada, muitas das vezes, com a sua formação, pois muito do que este professor sabe a respeito da Inclusão foi adquirido somente na teoria durante sua formação inicial (curso de licenciatura). Desta forma, é possível perceber que, além deste professor saber a teoria, deve vivenciar na prática tudo que diz respeito à Inclusão e como um aluno com necessidades educacionais especiais deve ser inserido em uma sala de aula regular.

  É complicado pensarmos em desenvolver tudo que sabemos na prática para depois poder aplicá-la. Mas de alguma forma, alguns estudos a respeito do que se tem de recurso e como isso pode ser aplicado pode ajudar muito na compreensão de como se deve tratar um aluno com necessidades educacionais especiais e, além disso, fazer com que o que foi aprendido na formação inicial seja aplicado dentro de sala de aula.

  Santos (2009), discute que a Educação Inclusiva requer dos professores mudanças sociais e individuais, e que a utilização de recursos didáticos diferenciados (recursos estes que já são muito utilizados no Ensino de Ciências em geral) ajuda na busca da identidade intrapessoal e interpessoal de ambos (alunos e professores). Para a autora, a relação aluno-professor deve ser de parceria e cumplicidade e que a partir daí as dificuldades no aprendizado podem ser minimizadas, fazendo com que este aluno possa interagir socialmente e ajudando-o a ser ativo no processo de aprendizagem e de sua realização como sujeito.

  Estratégias na Educação Inclusiva

  Alencar (2007) ao falar das características sócias emocionais dos superdotados, indica que é preciso saber também como lidar com um aluno deste tipo, como reconhecer que ele tem um conhecimento maior e algumas habilidades maiores do que todos os outros alunos. A autora afirma que para incluir tal aluno em toda a escola, da família e dos próprios colegas. Para o bom desempenho destes alunos e dos demais colegas, não se deve somente atentar para suas características cognitivas, e sim a forma como ele lida com os demais. Suas características sócio emocionais são importantes, pois desta forma, analisando a forma como ele vive, sente, interage com os demais colegas e com a sua família, esta habilidade em algum campo do conhecimento pode ser utilizada como rumo de aprendizado melhor para toda a turma.

  Lacerda (2006) analisa a inclusão escolar de alunos surdos, e aprofunda na visão de alunos, professores e intérpretes sobre esta experiência. “A inclusão deve ser vista como um processo dinâmico e gradual”, mas na sociedade em que vivemos e não diferente do que todos os outros autores descreveram em seus textos, tais alunos necessitam de várias condições e metodologias de ensino que infelizmente muitas escolas ainda não proporcionam. A autora afirma que a inclusão social é encarada como um processo lento, gradual, e que deve sempre ser voltada para a necessidade dos alunos. O aluno surdo não se comunica e não compartilha da mesma linguagem dos demais colegas e isso pode dificultar seu acesso à maioria das informações ministradas dentro de sala de aula. Por isso a necessidade de intérpretes que ajudem estes alunos a acompanhar o ritmo da turma é de grande importância. Em seu trabalho a autora realizou pesquisas dentro de sala de aula com alunos do sexto ano do Ensino Fundamental com uma faixa etária de 10 a 12 anos do ensino fundamental, em uma escola privada, que tem em sua grande maioria alunos ouvintes, apenas uma criança surda e duas intérpretes. A escola se mostrou bastante interessada em receber um aluno com necessidade especial e consequentemente interessada na inclusão deste aluno em seu ambiente e que para recebê-lo deveria mobilizar a todos como, direção, coordenação, família, professores.

  Ao citar os superdotados, Alencar (2007) fez a mesma observação de Lacerda (2006), no que diz respeito à mobilização geral para que este aluno seja inserido dentro de sala de aula e que o seu processo de aprendizagem seja satisfatório. Não há como falar de inclusão sem mobilizar todo o contexto escolar e tudo que o envolve.

  Ensino de Ciências e Educação Inclusiva

  Para Mathias (2009), todos que se inserem no contexto da educação, como pais, professores, alunos e a escola como um todo, devem sempre estar atentos ao comportamento dos alunos em sala de aula e, além disso, oferecer metodologias e estratégias didáticas diferenciadas para auxiliar no aprendizado destes alunos. A autora discute a respeito de metodologias para o ensino de ciências aplicadas para alunos com necessidades especiais. As dificuldades são muitas, pois não existem recursos necessários e, ainda hoje, a exclusão ainda está muito presente dentro das escolas, exclusão esta que não ocorre somente com algum aluno com necessidade educacional especial, e sim pode ocorrer com qualquer aluno pelo simples fato de apresentar alguma dificuldade de aprendizado.

  Mathias (2009) fundamentou seu trabalho a partir de experiências práticas vivenciadas dentro de sala de aula no decorrer do curso de Ciências Biológicas, apresentando experiências com alunos dos Ensinos Fundamental, Médio e Especial, relatando qual a peculiaridade encontrada em cada estágio. Durante a realização dos estágios curriculares de licenciatura, a autora inseriu metodologias de ensino diferentes do que a professora normalmente desenvolvia com seus alunos de inclusão e regulares.

  Mathias (2009) utilizou em suas aulas, metodologias diferenciadas como palavras-cruzadas, atividades teórico práticas, jogos, experiências, aulas ilustrativas e projetos com os alunos relacionados a assuntos cotidianos. Todas essas práticas trouxeram resultados positivos no aproveitamento dos alunos. Para o Ensino Fundamental e Médio, com alunos que não apresentavam necessidades educacionais especiais, o conteúdo foi assimilado muito bem.

  Para o estágio no ensino especial, a mesma autora escolheu uma instituição de educação especial que recebia diferentes tipos de alunos com necessidades especiais, como surdez, síndromes diversas, esquizofrenia, entre outros. A faixa etária dos alunos recebidos era de 18 a 57 anos. Em sua discussão, Mathias (2009) afirma que percebeu na escola preocupação em integrar esses alunos à sociedade. Participou de projetos relacionados à saúde e à higiene, juntamente com a oficina de culinária. Durante os afazeres sobre culinária, técnicas de higiene e saúde eram ministradas na teoria e na prática para que eles associassem melhor o tema. Os alunos tiveram acesso a receitas, foram levados ao supermercado para comprar os ingredientes necessários para o prato do dia e durante todo o processo, eles tinham benefício para a saúde, temperatura do alimento, embalagem, ou seja, tudo que era importante saber ao adquirir tal alimento. Perceberam-se dificuldades no que diz respeito à compreensão de determinados alunos e por esse motivo não foi possível a aplicação de um método de ensino de Ciências tradicional. Mas em função disso, foram desenvolvidas metodologias que integraram estes alunos na turma, trazendo- os para dentro do contexto de sala de aula, ajudando-o a construir uma linha de raciocínio a respeito de determinado tema na prática. Os resultados obtidos pela autora foram satisfatórios porque os alunos com necessidades especiais demonstravam ter assimilado muito do conteúdo.

  Vários alunos são incluídos no cenário relatado por Mathias (2009), como, deficientes visuais, surdos e mudos, deficientes físicos, deficientes mentais e superdotados, e, independente de cada um ter sua necessidade especial, estes podem ter alguma facilidade em um determinado tema ou estratégia didática , o que pode acrescentar e muito os estudos para os demais alunos.

  As técnicas apresentadas por Mathias (2009) para se incluir um aluno com necessidades educacionais dentro das escolas são bastante aplicados no ensino regular, o que é de fato importante, é perceber como estas metodologias diferenciadas trazem um resultado positivo para alunos com necessidades educacionais especiais. Muito do que foi explorado pela autora já está inserido dentro de uma sala de aula de Ciências, sabemos que é complicado inserir um aluno com necessidades educacionais especiais o tempo todo, pois são muitas as necessidades especiais. Mas a rotina diária pode ajudar muito na compreensão de cada necessidade especial e qual o tempo de cada um para determinada tarefa ou assunto tratado dentro de sala de aula.

  Ribeiro (2004) discute a respeito da inclusão relatando as práticas adotadas no Museu de Ciências Morfológicas situado na Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Vários projetos estão sendo realizados neste Museu e se enquadram no cenário da inclusão social e consequentemente, educação inclusiva.

Dentre eles está o projeto “A célula ao alcance da mão” que contempla a inclusão de deficientes visuais para conhecer a estrutura e funcionamento do corpo humano. A

  autora descreve o processo de implantação deste projeto, que se inicia na percepção das dificuldades de alunos com necessidades especiais, como portadores de deficiência visual, em disciplinas de cursos das áreas Biológicas e da particularidades do corpo humano, qual a forma dos órgãos, o que isso interfere em sua função, enfim, fazê- lo conhecer o ‘todo’ que os demais colegas de turma aprendem através de figuras, atlas, microscópios ópticos, manipulação de órgãos e estruturas reais, entre outros.

O projeto acima foca nesta dificuldade do aluno aprender sem conseguir ‘ver’

  e tentar minimizar os problemas de aprendizado. Vários modelos didáticos foram confeccionados para que os alunos possam compreender um pouco mais sobre cada estrutura do corpo humano apresentado e isso pode também beneficiar alunos com déficit de atenção. Segundo a autora ainda é uma dificuldade encontrar recursos didáticos, professores especializados e fazer com que o acesso desses cidadãos seja amplo e completo. Tal projeto, do Museu de Ciências Morfológicas, está em fase experimental em escolas de Ensino Fundamental e Médio, e a realidade ainda é um pouco distante de todos os planos e práticas que o projeto propõe. Mas nesta fase do projeto os resultados têm sido os melhores possíveis como, por exemplo, em turmas onde há alunos com diversas deficiências, a limitação de um compensa a limitação do outro e assim todos aprendem de forma dinâmica.

  Viveiros e Camargo (2006) discutem como metodologias diferenciadas podem acrescentar no ensino de Ciências e como isto pode interferir no ensino dentro de uma aula inclusiva. Vários métodos de ensino são propostos, dentre eles métodos de ensino para deficientes visuais, acompanhado de recursos didáticos e sugestões de metodologias de ensino. Os autores acreditam que em se tratando de um deficiente visual, o diálogo deve sempre estar presente dentro e fora de sala de aula, acompanhado de um tom de voz calmo, normal, sem parecer um esforço ou algo feito sem naturalidade e firmeza. Indicam que os professores devem solicitar ajuda aos demais alunos quanto às orientações em determinadas atividades e temas apresentados em sala de aula. Apontam que o posicionamento do alunos com necessidades educacionais especiais em sala de aula também é importante para que este aluno apresente um bom desempenho.

  A formação dos professores de Ciências (e das demais áreas) deve ser completa e o ensino no âmbito da inclusão deve ser vivenciado na prática, para que tudo que diz respeito às novas metodologias de ensino possam ser aplicadas e aproveitadas em benefício dos alunos. Segundo Viveiros e Camargo (2006) o mecanismos, estratégias e condições, visando um ensino de qualidade para todos. No Ensino de Ciências o cuidado deve ser enorme, pois muitos temas são de difícil compreensão e isso cobra do professor um cuidado maior. Alguns assuntos tratados em Ciências exigem um olhar crítico, alguns conteúdos necessitam ser vivenciadas na prática, outros necessitam de um olhar microscópico, ou seja, muitas atividades dentro de sala de aula de Ciências são complexas se forem tratadas somente na teoria. Como propor um trabalho de campo a um aluno que apresenta deficiência física? Como apresentar um microscópio a um aluno deficiente visual? Tudo isto deve ser trabalhado de forma diferenciada ao se ministrar aulas no ensino inclusivo.

  Considerações Finais

  Através deste trabalho e de estudos realizados acerca deste assunto, foi possível perceber que cada vez mais professores, escolas, alunos, familiares e tudo que envolve o assunto educação têm se preocupado em incluir alunos com necessidades educacionais no contexto geral, facilitando seu acesso, proporcionando metodologias de ensino que visam atingir a todos. Desta forma, deve haver maior preocupação e mobilização em discutir de forma adequada e efetiva, qual a formação dos professores de Ciências no contexto geral de Educação Inclusiva e, além disso, como professores podem colocar em prática tudo vivenciado na graduação de licenciatura dentro de sala de aula para seus alunos.

  O processo de inclusão deve ser visto como necessidade e uma causa que deve ser abraçada por todos. É importante que tenhamos consciência de que a educação deve ser oferecida de forma completa para todos, respeitando a dificuldade de cada aluno, especial ou não. Em se tratando de alunos com necessidades educacionais especiais, devemos também proporcionar maneiras de inserir este aluno no contexto social vivido dentro das escolas.

  A sociedade cobra de professores uma postura inovadora, uma busca pelo conhecimento constante, uma atualização de conhecimentos, postura esta que sempre fez parte da vida dos educadores. Mas quando dizemos a respeito de inclusão, a formação destes professores deve trazer a prática de ensino, e não somente a teoria a respeito do que deve ser feito dentro e fora de sala de aula inclusiva. Trata-se de um processo que deve se iniciar desde o início da formação do aprendizado de vários alunos, dentre estes alguns que necessitam de cuidados e metodologias diferenciadas. Quando Santos (2009) discute a respeito da relação aluno-professor, a autora afirma que a cumplicidade deve estar presente sempre, só não se pode esquecer que para que esta relação ocorra desta forma, deve-se haver estrutura/recursos suficientes, o que muitas vezes nem toda escola dispõe destes recursos.

  O Ensino de Ciências, assim como todos os outros, pode ser ministrado com diversos trabalhos dinâmicos, metodologias diferenciadas, inovadoras e criativas e podem fazer com que se trate de um assunto interessante, e a partir do qual alunos podem fazer paralelos e trazer muito do que é visto dentro de sala de aula para o cotidiano. Não podemos esquecer que o Ensino de Ciências também apresenta temas complexos, que muitas vezes não são compreendidos a princípio pelos alunos e, por mais este motivo, deve ter a atenção/cuidados necessários para ser ministrado da melhor forma possível, e para que este ensino e todos os outros não desconsiderem os alunos com necessidades educacionais especiais.

  Atualmente devemos considerar que muitas instituições de formação inicial de professores não preparam os alunos para este tipo de desafio. Ainda falta muita discussão e prática nas disciplinas e nos cursos de licenciatura para que o atual aluno e futuro professor saia preparado para lidar com tais peculiaridades. Em geral, durante a graduação, poucas disciplinas (pedagógicas e de formação geral) abordam inclusão de conteúdos. Se o assunto é cada vez mais estudado, discutido e vivenciado, são necessárias mais ações na formação inicial dos professores como, atividades e estágios curriculares, projetos de pesquisa e extensão, debates, seminários acadêmicos, visitas de campo, etc., que abordem temas e ações da Educação Inclusiva na licenciatura em Ciências Biológicas, além de cursos de formação continuada e especializações em diversas áreas das necessidades educativas especiais, ou seja, extensões que viabilizem o estudo na inclusão na prática dos professores.

  É possível proporcionar um ensino de qualidade que atenda a todos, mas para isso, deve haver uma mobilização geral e até mesmo aceitação para que dentro de uma sociedade tenhamos igualdade entre todos.

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