CONSIDERANDO A PSICOLOGIA AMBIENTAL: UMA REVISITAÇÃO DE OSKALOOSA

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  NOTAS DE AULA- PADRÕES INTEGRADOS DE COMPORTAMENTO E ESPAÇO – PICS PROF. FREDERICO FLÓSCULO PINHEIRO BARRETO – 2009/1 ROGER BARKER - CONSIDERANDO A PSICOLOGIA AMBIENTAL: UMA REVISITAđấO DE OSKALOOSA (Prospecting in Environmental Psychology: Oskaloosa Revisited, 1987)

  

CONSIDERANDO A PSICOLOGIA

AMBIENTAL: UMA REVISITAđấO

   Prospecting in Environmental Psychology: Oskaloosa Revisited

Tradução: Prof. Frederico Flósculo Pinheiro Barreto, do Departamento de Projeto, Expressão e Representação em Arquitetura e Urbanismo, da Universidade de Brasília.

ROGER G. BARKER

H

  á 35 anos atrás, Herbert F. Wright e eu fundamos a Midwest Psychological

  

Field Station , em Oskaloosa, Kansas, para conduzir nos pesquisas na área científica

  agora conhecida como psicologia ambiental; uma pesquisa paralela estava a ser conduzida na cidade de Leyburn (North Yorkshire, Inglaterra). Os objetivos da Station eram descobrir e descrever os comportamentos e as condições cotidianas de vida das crianças da cidade, e investigar suas inter-relações. Nós tivemos algum sucesso nesses esforços, apesar de dificuldades inesperadas, e também fizemos descobertas que nos surpreenderam. Artigos mais detalhados sobre nossos projetos de pesquisa já foram escritos e divulgados em outras publicações, e não serão revisados aqui. Em vez disso, eu dedicarei esse capítulo à discussão das dificuldades e descobertas que são relevantes para a psicologia ambiental atual.

  40.1. A PSICOLOGIA AMBIENTAL DE UMA NOVA CIÊNCIA. Wright e eu fomos alunos de Kurt Lewin, e seus ensinamentos deveriam ter nos advertido acerca dos perigos que estariam em nosso caminho, ao nos aventurarmos num novo território. De acordo com Lewin, uma nova situação psicológica se dá quando (1) os caminhos - as ações - que levam aos objetivos não são conhecidos; (2) a valência de cada ação é simultaneamente positiva e negativa; e (3) o campo de percepção é instável ( Lewin, 1936b). Cada uma dessas propriedades tem suas conseqüências inevitáveis para o comportamento; no nosso caso nós deveríamos ter esperado (1) que o progresso na direção de nossos objetivos não seria parcimonioso; falsos passos e golpes de sorte ocorreriam; (2) que haveria conflitos, tensões, vigília e hesitações com respeito a procedimentos particulares; (3) e que os planos de pesquisa mudariam por força de 1 observações aparentemente sem importância, assim como experiências eventuais.

  

Barker, R. G. (1987). Prospecting in environmental psychology: Oskaloosa revisited. Em Daniel Stokols

& Irwin Altman, Handbook of Environmental Psychology, cap.40, pp. 1413-1432. Malabar, Florida: Krieger Publishing Company.

  NOTAS DE AULA- PADRÕES INTEGRADOS DE COMPORTAMENTO E ESPAÇO – PICS PROF. FREDERICO FLÓSCULO PINHEIRO BARRETO – 2009/1 ROGER BARKER - CONSIDERANDO A PSICOLOGIA AMBIENTAL: UMA REVISITAđấO DE OSKALOOSA (Prospecting in Environmental Psychology: Oskaloosa Revisited, 1987)

  Essas teorias tiveram implicações práticas para a nova disciplina da psicologia ambiental; o nome do jogo para boa parte dela, no futuro próximo, é a pesquisa de descoberta (discovery research), isso é: a exploração e a prospecção de um novo campo de investigação. De acordo com as teorias e, isso significa que o projeto e os métodos de boa parte de sua pesquisa não pode ser antecipado detalhadamente. Infelizmente, contudo, as agências de financiamento de pesquisa e as comissões de avaliação, de um modo geral, colocam uma grande ênfase sobre metodologias plenamente estabelecidas assim como sobre ele conceitos e teorias conhecidas e bem firmadas. Isso, efetivamente, elimina a pesquisa de descoberta de sua consideração. São necessários esforços urgentes, portanto, para tornar clara a diferença entre a pesquisa de descoberta e aquilo que nós podemos chamar a pesquisa de verificação, isto é: projetos de pesquisa que replicam, testam, corrigem, definam, e elaboram desenvolvimentos prévios e descobertas já havidas. Nesses casos, as direções metodológicas e teóricas que se mostraram efetivas ou inefetivas são, de modo geral, muito bem conhecidas, e é importante para os membros de comissões avaliadoras saber se os aplica antes em busca de recursos e estão lucrando a partir de tentativas e erros anteriores, antigos, sedimentados.

  Mas a requisição de determinado detalhes de procedimento para a pesquisa de descoberta não é apenas fútil, mas também contraditória - e contra-indicada. Esses detalhes são fúteis por que os métodos consolidados (tried-and-true) podem não ser consolidados para novas situações, e são contra-indicados se eles são vistos pelos pesquisadores em busca de recursos como sendo uma fantasia burocrática - ou, de modo ainda menos feliz e inovador, se eles forem tomados rígida e seriamente. Nesse último caso a nova pesquisa é fundada em alicerces antigos, que tem determinam a sua direção e posicionamento. Tempo e energia preciosos serão forçosamente utilizados somente no esforço de escapar dessa série limitação.

  Critérios inteiramente diferentes desses adotados para a pesquisa de verificação devem ser empregados na pesquisa de descoberta. Aparentemente, pouca reflexão tem sido empregada no esclarecimento desses critérios, e linhas-guia apropriadas não têm sido formuladas. Em conseqüência disso, as comissões de avaliadores de projetos de pesquisas e de artigos tendem a medir todos os projetos de pesquisa em termos dos padrões solidamente estabelecidos na pesquisa de verificação. Num caso recente e que chamou a minha atenção, os membros de comissão de avaliação eram direcionados a considerar seis critérios:

  1- a relação dos achados com questões sociais relevantes; 2 - a familiaridade do pesquisador-candidato recursos com os detalhes de pesquisas prévias sobre o assunto; 3 - uma clara, completa, e precisa descrição do delineamento da pesquisa e da metodologia de trabalho; 4 - qual a utilidade do produto esperado para gestores públicos, profissionais e outros pesquisadores; 5 - a qualificação do pesquisador-candidato;

  6 - a adequação das estimativas de custo da pesquisa.

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  O projeto no qual os referidos critérios deveriam ser aplicados era uma investigação pioneira feita desde a perspectiva da psicologia ambiental acerca de uma instituição que havia sido objeto de num grande volume de pesquisas - a maioria inconclusivas - feitas por psiquiatras, sociólogos, sociólogos, antropólogos, e outros profissionais. Para o meu entendimento, o critério crucial entre aqueles prescritos para a comissão de avaliador espera o critério nº 5: a qualificação do pesquisador-candidato. O projeto foi rejeitado por todos os demais critérios, menos, exatamente, com base nas qualificações do pesquisador candidato.

  Os padrões para a avaliação da pesquisa de descoberta devem ser tão claramente formulados quanto aqueles para a pesquisa de verificação. Um passo na direção de um conjunto de critérios dessa ordem foi dado por Wicker (1985), dirigido, então, a uma tarefa para a psicologia ambiental: reestruturar esses ambientes (os comitês de avaliação) onde as candidaturas de pesquisas são avaliadas, através da introdução de 2 grupos de critérios. O grupo de critérios associados ao "jogo" na pesquisa de verificação, e outro conjunto de critérios quando se trata de pesquisa de descoberta.

  Felizmente, para Wright e para mim, os comitês de avaliação nos anos 1940 eram uma novidade para todos, inclusive para os seus participantes. Desse modo, vários lances de sorte (e vários passos falsos) foram dados, e eram muito mais comuns do que são hoje. Além disso, meu conhecimento da organização de alguns desses comitês pioneiros sugere que seus membros eram muito mais cientistas empreendedores - com uma grande experiência e com uma atitude de valorização de novos temas, de novos começos -, do que os membros atuais, mais burocratizados. Qualquer que seja a razão, seja por um golpe de sorte ou por uma compreensão brilhante de novos temas, aquela boa notícia de que o nosso projeto original havia sido aprovado nos deu, reconheço hoje, uma oportunidade de enorme alcance e liberdade.

  40.2) DESAPRENDENDO OS ANOS 1940. De fato, não éramos inteiramente livres. Estávamos limitados pelo espírito da

  época (zeitgeist) da psicologia na qual nós havíamos sido treinados, e esse treinamento fora feito quase exclusivamente em laboratórios e clínicas. Nós esperávamos descobrir quais seriam os ambientes onde uma pequena cidade como Oskaloosa lidaria com suas aproximadamente 100 crianças - em suas ruas, em seus consultórios de dentistas, em suas lojas, em suas áreas livres, em suas igrejas, nas tropas de escoteiros, e assim por diante. Pretendíamos descrever como esses ambientes tratavam as crianças e davam as suas respostas. Os experimentos de laboratório e os procedimentos clínicos não se encaixavam na pesquisa, não nos ajudavam e, ao contrário, eles eram um estorvo para os nossos objetivos. Nós tínhamos realmente muita coisa para desaprender.

  Entre os cânones de pesquisa psicológica da década de 1940 que tínhamos que descartar havia os seguintes:

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  1 - o comportamento humano é uma propriedade única de pessoas individuais; quaisquer generalizações requerem agregações estatísticas de atributos de comportamentos particulares assinalados a determinadas pessoas;

  2- o comportamento de uma pessoa é melhor estudado através de sua interrupção, de intervenção ao longo de sua ocorrência, de rearranjo de suas partes componentes de acordo com as preocupações que os investigadores possuem, através de experimentos e, testes, questionários e entrevistas;

  3 - o comportamento pode ser observado de forma mais adequada si nosso fomos precisos quanto à delimitação de segmentos ou aspectos desse comportamento, e pela restrição das descrições acerca do que é observado a dimensões predefinidas; 4 - o ambiente físico e social do comportamento humano é algo amplamente e não-estruturada, probabilístico, e passivo; as pessoas organizam esse ambiente de acordo com os esquemas que trazem em si mesmas, que portam; a caixa-preta do comportamento faz ordem ao caos, o tira ordem do caos, através de um sistema que integra aspectos sensoriais, receptivos, cognitivos, motivacionais e motores, que é a chave para a compreensão dos princípios de ordem, a estabilidade e preditividade daquilo que seja o esteja no comportamento humano.

  5 - o ambiente do comportamento humano se localiza no espaço: tem extensão e coordenadas. 6 - coletar dados sem uma fundamentação teórica que direcionasse a sua busca é uma atividade fútil.

  Ao contrário de tudo isso, nós descobrimos o seguinte:

  1. O comportamento humano ocorre tanto numa forma extra-individual quanto numa forma individual. Unidades comportamentais tais como lojas ou lanchonetes geram um característico padrão de comportamento que é independente de determinadas pessoas que deles participem. as características desse comportamento, os trens os presos cursos envolvidos podem ser determinados "em bloco", sem referência a pessoas em particular.

  2. As inclusões experimentais e clínicas removem do escrutínio científico um dos atributos mais fundamentais do comportamento: destroem sua estrutura natural ( que existe sem a participação de investigadores).

  3. Relatos em forma de narrativas, escritos em prosa ou linguagem coloquial podem se excelentes representações simbólicas do comportamento espontâneo, autêntico, das pessoas.

  4. Boa parte da ordem, estabilidade, e previsibilidade do comportamento humano provém do ambiente ecológico: dos estruturados, homeostáticos, coercivos settings vividos pelas pessoas.

  behavior

  5. O ambiente do comportamento humano possui um locus espacial, mas tempo é também uma importante dimensão de sua extensão.

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  6. As teorias podem cegar assim como guiar; o melhor preservativo para esse tipo de cegueira é a informação, dados objetivos; dados recolhidos sem o benefício de teorias - tanto quanto for possível - em expedições ou em estações de Campo, bem distantes de laboratórios, clínicas, e think tanks. Um ou mais desses estorvos perturbam os nossos esforços desde a década de 1940, e serão considerados por nós mais adiante.

  40. 3) OS VEIOS ESSENCIAIS: Eépsilon e Epsi Em 1940, tínhamos os nossos olhos vendados, e a única forma que imaginávamos para estudar o comportamento cotidiano de determinadas crianças era através da descrição do que faziam e em que situações se metiam. Esse esforço foi recompensador de um modo que não antecipamos; nos levou por meio de pequenas descobertas a uma descoberta de maior importância: a de que, na região da psicologia ambiental, dois veios essenciais e ortogonais entre si se cruzam no comportamento cotidiano.

  Nós, de imediato, nos deparamos com um problema técnico - e, depois, com problemas em nossa teoria à época. No começo de todo o nosso trabalho, nós nos deparamos com o fato de que, depois de quase 100 anos de desenvolvimento, a psicologia científica não nos oferecia nenhum procedimento ou conceito ou uma linguagem técnica adequada para descrever seus fenômenos tais como ocorriam intactos fora dos laboratórios, clínicas, e das situações de teste e de entrevistas onde as pessoas tinham o seu pleno domínio - e não estavam sob o domínio de seus examinadores. É como se os botânicos não tivessem outra forma de descrever as plantas que encontram na natureza a não ser que as tragam para o laboratório e as cortem em partes de acordo com as decisões do investigador. No entanto, ao iniciarmos a investigação "do zero" nós temos a vantagem (e a desvantagem) de uma nova situação, em que nos obrigamos a estar muito alertas, a ser flexíveis, e contar com golpes de sorte - ou de azar. Por qualquer que seja a razão, e nossos estudos no fluxo de comportamento individual nos levou ao algumas importantes descobertas: (1) os relatos em forma de narrativa na linguagem popular oferecem excelentes descrições codificadas dos comportamentos tais como ocorrem; (2) a psicologia ambiental é uma disciplina esquizóide, que ele envolve duas ciências incomensuráveis: uma que se preocupa com o ambiente ecológico Eépsilon e outra que se preocupa com o ambiente psicológico e Epsi; (3) o ambiente ecológico Eépsilon inicia, organiza, desfecha e estabiliza boa parte do comportamento humano.

  As técnicas de vídeo não estavam disponíveis há 35 anos atrás, mais se estivessem, certamente teriam nos atrasado e não nos defrontam líamos diretamente com os problemas reais: a determinação da estrutura e do conteúdo do fluxo de comportamento individual e da situação que o envolve, a descrição das partes componentes e a própria invenção dos modos de representá-las, e a seus atributos. Desse modo, nós recorremos a relatos narrativos em linguagem simples. Para a nossa surpresa, esses relatos não se revelaram um arremedo, um improviso. De fato, nós descobrimos que esses relatos narrativos eram um excelente sistema de símbolos para a representação do comportamento cotidiano das pessoas, e de suas situações reais. Esse

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  ajuste acontece porque a estrutura de uma narrativa (a sucessão de palavras, o conteúdo de frases e sentenças, sua temporalidade) é isomórfica com a estrutura do fluxo de comportamento - ou a sucessão de eventos num dia de vida de uma pessoa, seus movimentos e suas ações, envolvendo objetivos de curto ou de longo prazos. Devido a esse isomorfismo, o registro narrativos, por si mesmo, num certo grau a estrutura do comportamento que também é diretamente percebida pelo observador. Nós denominamos esses relatos narrativos como specimen records; nós os consideramos um verdadeiro "achado", o primeiro golpe de sorte em nosso empreendimento de pesquisa. Toda a pesquisa subseqüente demonstraria que esses relatos teriam usos práticos e também para a nossa própria metodologia de pesquisa.

  Depois que os relatos eram registrados, o problema de identificar e descrever suas partes com precisão e confiabilidade permanecia. Nós buscamos unidades do fluxo de comportamento que o ocorriam sem nenhum estímulo ou informação provinda de nós, intrusos e observadores. As teorias e livros textos naquela época não nos davam nenhuma ajuda; eles que não nos ajudavam a identificar os componentes do comportamento que pudessem ser compreendidos em analogia com organizações - ou com organismos, seus sistemas somáticos, seus órgãos, suas células, se é que essa analogia pode ser evocada. Havia algumas teorias (estímulo, ação, reflexo), mas não havia procedimentos para que pudéssemos identificar a estrutura do comportamento que ocorria em lugares como as salas de aula, as farmácias, as ruas. Por outro lado, a literatura nos oferecia um número enorme, sem fim, de tesserrae comportamentais, de “blocos” do comportamento cotidiano, peças do fluxo de comportamento que eram, afinal, selecionados ou criados por investigadores. Tratava-se de ações que duravam um minuto, e isolados no tempo; de respostas selecionadas a perguntas elaboradas feitas por pesquisadores; de uma multidão de fragmentos definidos como estímulos ou como coisas sem sentido, soltas; de episódios de solução de problemas - frações isoladas em laboratório, todos prescritas por investigadores. Nesse universo fragmentado não nos ajudava em nada; na verdade eles surgiam da destruição daquilo que nós buscávamos: unidades comportamentais livres de investigadores.

  Não é um grande mistério por que a psicologia tem lidado principalmente com frações de comportamento (behavior tesserae) mais do que com sua estrutura intacta, íntegra, desde o começo, a psicologia científica esteve primariamente preocupada com os processos subjacentes ao comportamento: como nós percebemos, como nós aprendemos, como nós lemos - todas as caixas pretas por detrás do que acontece na superfície. Manipulações do ambiente e da pessoa são essenciais para esse tipo de pesquisa. Poços profundos são escavados sem que compreendamos o que acontece na superfície sem entender as estruturas emergentes. Apesar de não haver nem um mistério, é, de toda forma, uma infelicidade que a psicologia tenha dado tão pouca atenção a essa evidência fundamental para a ciência: a paisagem exposta dos comportamentos. Nesse ambiente intelectual, tratava-se de uma oportunidade pioneira para nós, e ainda permanece assim, para a psicologia ambiental.

  O registro de specimen comportamentais nos habilitou a identificar um grande número de unidades livres-de-investigadores. Eles nos levaram a uma bifurcação no

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  caminho de nossa investigação. Num primeiro momento não percebemos o significado dessa bifurcação, e prosseguirmos, supondo que os dois caminhos com que nos defrontávamos eram rotas alternativas para o mesmo veio disciplinar da psicologia ambiental. Mas nós estávamos errados. Nós descobrimos, após muita exploração, ao longo da qual nos sentimos confusos e desencorajados, que um caminho levava ao ambiente ecológico, Eépsilon - ou as partes do contexto físico que são independentes no sistema psicológico das pessoas, mas que afetam esse sistema em, portanto, afetam o comportamento. Um outro caminho levava ao ambiente psicológico, Epsi - a parte do ambiente que envolve o sistema psicológico das pessoas com efeitos diretos sobre o comportamento. Nós descobrimos também que esses ambientes são o material de duas ciências que nada têm em comum entre si; os conceitos e as leis do um ambiente ecológico - Eépsilon - são tão diferentes dos conceitos e leis do ambiente psicológico - Epsi - quanto as leis da gravidade e que estão implicadas na perda de um lápis de criança em uma fenda no piso da escola são diferentes das leis da percepção que tornam difícil encontrar esse lápis perdido. Isso nos fez entender que a psicologia ambiental não era uma ciência unívoca, mas - pelo menos para o presente - uma tecnologia empírica. Foi aonde as unidades de comportamento nos levaram.

  40.3.1) EPISÓDIOS DE COMPORTAMENTO Buscando apoio nesses bancos de dados formado pelos registros de specimen e da teoria de Kurt Lewin de ações molares (ou uma escala de ações que

  records

  envolvem relações sociais como uma nova escala da psicologia do indivíduo), nós identificamos uma unidade básica que denominamos "episódio de comportamento" -

  

behavior episodes (Barker & Wright, 1955; Wright, 1967). Os episódios de

  comportamento são ações dirigidas a objetivos. Elas são identificadas de forma independente de seu conteúdo. Por exemplo, o dia típico da garota Mary Ennis continha 969 dessas ações molares em suas 14 horas e 27 minutos; esses episódios incluíam: "escovação do cabelo", "busca do lápis" e "observação da professora reclamando com Shirley" (Barker, Wright, Schoggen & L. Barker,1978). Nós acreditamos que os episódios de comportamento são estruturalmente similares com o fluxo do comportamento assim como células que compõem um organismo. Como as células, eles têm partes interiores, e formam as partes internas que estruturas comportamentais ainda mais inclusivas. Os episódios de comportamento apresentam vários atributos; podem ser longos ou curtos, contínuos ou intermitentes, sobrepostos e não sobrepostos, sociais e não-sociais; nos episódios sociais, o comportamento envolvendo associados pode ser dos tipos submisso, dominador, zeloso, agressivo, resistente, escapista, e assim por diante.

  Nós descobrimos que determinados episódios de comportamentos são iniciados, monitorados, e analisados por fatores dos ambientes Eépsilon e Epsi (Barker e colegas,1961; Schoggen, 1963). O episódio "escrever no caderno de rascunhos" retirado do registro de specimen de comportamentos de Clifford Matheus, de 8 anos de idade, no setting Leyburn Primary School, é um exemplo dessa combinação,

  behavior

  especialmente em quanto ao uso de materiais físicos do (Barker e colegas,1961). O episódio ocorreu quando forças do ambiente ecológico Eépsilon atuaram sobre o garoto

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  Clifford através da senhorita Culver, sua professora; ela instigou o episódio comportamental "crianças, é hora de pegar os seus cadernos de rascunho"; ela monitora ou esse episódio que ela o finalizou após vinte e três minutos com o episódio "já escreveram o bastante". Esse é um episódio é essencialmente ecológico - Eépsilon -; as causas todas recuam até fatores impessoais e chega-se à senhorita Culver e ao programa de ensino estabelecido para a sua classe (Lower Juniors Academic Class, a referência imediatamente mais abrangente), e ao diretor dessa escola primária (a referência "dois passos" acima, mais abrangente), ao comitê curricular da secretaria de educação do município, que criou esse currículo e o programa de ensino que a professora aplica (a referência "três passos" mais abrangente). Todas essas referências além da senhorita Culver eram desconhecidas pelo pequeno Clifford. Para ele, escrever em seu caderno de rascunhos eram mandato do ambiente ecológico - Eépsilon -; sobrepondo-se com ele havia os pequenos episódios iniciados, monitorados, e finalizado os dentro do ambiente psicológico - Epsi - do próprio pequeno Clifford.

  Há, por exemplo, o episódio de comportamento "assistir a senhorita Culver lidar com Philip Butley" ("Clifford assistiu a senhorita Culver dirigir-se ao fundo da sala e falar severamente com o garoto Philip Butley; ela passou a mão à sua cabeça ordenando que ele sentasse e ficasse quieto"). Em outros episódios na dimensão Epsi eram "limpar o nariz", "relaxar, espreguiçar e brincar com o lápis". Esses são episódios Epsi; deles são autônomos em Clifford (uma pessoa P) e pertencem a seu ambiente psicológico particular P-Epsi - isto é, envolve as suas percepções imediatas, as suas cognições, as suas motivações, e seus processos motores. Esse é o domínio de seu sistema psicológico, seu específico "P-Epsi".

  É importante compreender que essa PEpsi está envolvida tanto em episódios Epsi quanto em episódios Eépsilon. Em ambos os casos, o comportamento é determinado pelo sistema psicológico: B = f(PEpsi); mas para episódios Eépsilon, o sistema psicológico se torna momentaneamente subordinado ao controle pelos sistemas do ambiente ecológico: PEpsi = fEépsilon. isso o não é o caso para episódios Epsi: PEpsi = fEpsi. O primeiro caso ocorre quando a senhorita Culver, de acordo com o programa do setting Lower Juniors Academic Class, tal como estabelecido pela comissão de currículos educacionais, instiga o episódio "escrever no caderno de rascunhos", monitora-o, e ordena o seu final. O segundo caso ocorreu para Clifford nos episódios "assistir a senhorita Culver lidar com Philip Butley", e "assoar o nariz, relaxar, espreguiçar-se, e brincar com o lápis". Essas foram ações autônomas no pleno domínio de Clifford.

  Nós estávamos comprometidos com a elaboração de explicações psicológicas acerca do comportamento das crianças de Oskaloosa – e ficamos realmente muito surpreendidos ao descobrir a importância do ambiente ecológico na determinação de seu comportamento. Nos deparamos, por exemplo, com o fato de que 45% de seus episódios de comportamento eram iniciados em ambientes ecológicos Eépsilon e 17% eram finalizados nesses mesmos ambientes. Para as crianças inglesas em Leyburn, Yorkshire, a influência do ambiente ecológico Eépsilon era ainda maior: 62% de seus episódios

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  eram iniciados em Eépsilon, e 25% eram finalizados nesses ambientes (Schoggen, Barker, & Barker, 1978).

  40.3.2) OBJETOS DE COMPORTAMENTO A sucessão de episódios de comportamento que ocorrem ao longo de um dia na vida das pessoas envolve uma variedade de objetos, tanto humanos quanto não- humanos. Mary Ennis, nos exemplos dados anteriormente, desempenhou o comportamento de cuidar de seus cabelos, de lidar com seu lápis, de lidar com sua professora, e de lidar com sua amiga Shirley. Esses são distintos objetos de

  

comportamento (Barker & Wright, 1955). Registramos 571 objetos diferentes, assim

  como 1882 transações envolvendo esses objetos ao longo de um dia na vida de Mary Ennis, uma criança. Por exemplo: 33 tipos distintos de alimentos - incluindo 2 nabos - formam os objetos de 2% das transações comportamentais realizadas por Mary; ela se envolveu com 97 pessoas diferentes (inclusive 11 mulheres adultas e 4 homens adultos), que participaram de uma fração desses comportamentos, e que foram os objetos de 33% de suas transações comportamentais; tivemos ainda 7 animais - incluindo um verme – que foram os objetos de 2% das transações de Mary, e 23 brinquedos (inclusive 3 bonecas) que foram objeto de 5% de suas transações comportamentais (Barker e cols., 1978).

  Os objetos de comportamento são pontos de interseção observáveis entre os dois ambientes de uma pessoa: o ambiente ecológico Eépsilon e o ambiente psicológico Epsi. Eles são as rotas pelas quais a relação PEpsi = f(Eépsilon) ocorre. Em termos do pensamento de Kurt Lewin, esses objetos são partes da "casca externa" (foreign hull) do ambiente psicológico Epsi (Lewin. 1936a) e, em termos do pensamento de Brunswick, eles são os objetos distais do arco AOA- Ambiente-Organismo-Ambiente (Brunswick, 1955 ). Há inúmeros objetos nas cercanias de Mary, mas apenas alguns deles são seus objetos de comportamento. São também parte de seu ambiente pessoal, psicológico, Epsi. Esses objetos possuem diferentes propriedades nos dois ambientes. Dentro do ambiente psicológico Epsi de Mary Ennis, o lápis possui as propriedades de sua utilidade (com um lápis, ela sabe que pode escrever enigmas para sua mãe) e de sua "perdibilidade" (lostness); dentro de seu Eépsilon, o lápis possui as propriedades do peso e de sua forma, ambas aplicadas no acidente de sua perda na rachadura do chão.

  Tanto o ambiente ecológico Eépsilon quanto o ambiente psicológico Epsi se estendem além de sua interseção nos objetos de comportamento, e envolvem outros objetos e relações que não são revelados pelos registros de specimen comportamentais. A insignificância dos objetos de comportamento no contexto do sistema psicológico de uma pessoa é um problema psicológico que nós não exploramos. Seu lugar no ambiente ecológico é um problema especial para a psicologia ambiental, que nós investigamos um pouco mais.

  Os objetos de comportamento diferem quanto as quantidades e as rotas de seu impacto no comportamento. Alguns são passivos, e não trazem forças do ambiente ecológico. O lápis de Mary, preso na rachadura do chão, não exercia nem uma demanda

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  sobre ela, para que ela o buscasse. O impulso de fazer isso provinha somente de Mary. Nesse sentido sua ação era uma ação autônoma. Outros objetos de comportamento são intrusivos, e agem através do corpo (soma) das pessoas. Um exemplo disso é o escorregador, um brinquedo no playground da escola, onde meus sentava e escorregava para o chão sem esforço de sua parte. Mary decidiu brincar no escorregador (um episódio em pleno domínio de Epsi) e quando ela "se deixou levar", sentada no alto do corredor, ela colocou-se sob o efeito de forças ecológicas atuando diretamente sobre seu corpo: a lâmina lisa e inclinada, quase sem atrito, e a gravidade. Durante esse processo, o ambiente psicológico Epsi de Mary foi afetado. Mas não através de mecanismos psicológicos. Outros exemplos são o da casca de banana que pode fazer uma pessoa escorregar feio e se estatelar no chão - ou ainda o xerife quanto algema um prisioneiro.

  E temos ainda os casos de outros objetos do comportamento que levam as forças ecológicas a exercer demandas sobre as pessoas através de mecanismos psicológicos. Paul Schoggen ( 1963, pp. 42- 69 ) denominou essas forças "unidades ambientais de forças" (environmental forces units).

  O cachorro de Mary é desses objetos de comportamento. Ele mesmo iniciou o episódio “brincando com o cachorro de estimação” ao mordiscar Mary até que ela interrompesse outra brincadeira – Mary brincava na areia - e começasse a acariciá-lo, esfregando suas orelhas. Ele continuou a demandar sua atenção, tocando nela com as patas sempre que suas carícias declinavam, até que, satisfeito, retirou-se, correndo para outro lugar. A senhorita Culver também fora um outro objeto de comportamento no episódio “escrever em um caderno de rascunhos”, do garoto Clifford. Mas havia uma importante diferença. A senhorita Culver era um componente de uma entidade ambiental da mais ampla: a Lower Juniors Academic Class. Ela era seu agente que estava submetida ao seu programa comportamental. O cachorro de Mary, por outro lado, era um componente independente, sem sujeição a nenhuma unidade superior / super-ordenada, do ambiente.

  Os objetos de comportamento apresentam um sério problema para a psicologia ambiental. As variedades em que se apresentam são reconhecidas como fontes de influência no comportamento: por meramente estarem presentes nas transações pessoa-o objeto; por alterarem a posição física das pessoas, ou por funcionarem sem que envolvam mecanismos psicológicos. O problema é, então, o seguinte: a presença de um cachorro, um escorregador seguro e quase sem atrito, um lápis, uma professora, entre outras coisas colocadas no limite dos ambientes psicológico-ecológico de uma pessoa são entidades além da ciência da psicologia. Essas entidades se encontram em domínios como os das disciplinas da história, da tecnologia, da economia, entre outras. Isso não apresenta um problema para a psicologia (entendida ainda sem o termo qualificador “ambiental”) que opera somente dentro de sistemas psicológicos. Mas a intenção da psicologia ambiental é precisamente trazer o ambiente ecológico (o espaço, o mobiliário, o clima, os edifícios, as cidades) para essa ciência. Isso se torna, talvez, mais claro, se nós considerarmos um problema similar para a disciplina da física. Se a física tentasse incorporar fenômenos psicológicos em suas leis e teorias – se a física, por exemplo, tentasse derivar não apenas a direção e a magnitude da força que age sobre Mary quando ela está no escorregador, mas também a decisão que Mary toma, de

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  “deixar-se levar” pela gravidade desde o alto da rampa, a física estaria a colocar um terrível problema para si mesma, pois (a) a gravidade e (b) a motivação de Mary são coisas mutuamente incomensuráveis. O físico somente pode propor uma estimativa probabilista de que Maria subirá ao alto da rampa do escorregador e entregar-se-á às forças físicas que operam a partir desse ponto; e o psicólogo apenas poderá fazer uma estimativa probabilística de que haverá, de alguma forma, um escorregador disponível para que Maria suba ao alto de sua rampa e escorregue (Barker, 1968).

  As ligações entre sistemas mutuamente incomensuráveis são muito comuns. A bomba de gasolina, a mangueira e a torneira de pressão que usamos para abastecer nossos carros nos postos de combustível, conectam sistemas mecânicos (bombas e encanamentos) que operam de acordo com as leis da física, da química e da eletricidade, em conformidade com um sistema de trocas sociais ou de negócios (o posto de gasolina) que, por sua vez, opera de acordo com regras e leis industriais, econômicas, e políticas. A natureza do ordenamento do posto, o tipo de demanda e do ingresso de informação que afetam o funcionamento do posto de gasolina, assim como a octanagem e a quantidade de chumbo que existem no combustível, afetam a operação dos motores dos automóveis que se abastecem, tanto quanto a natureza do ordenamento, do tipo de demanda e do ingresso de informação da professora - a senhorita Culver - afetam o comportamento do pequeno Clifford. O aparato constituído pelo conjunto bomba- mangueira-torneira de pressão situados no limite do atendimento ao cliente, é o equivalente de um outro objeto de comportamento, a professora de Clifford, no limite de seu sistema psicológico. No caso desse objeto, a professora de Clifford, temos uma longa cadeia de regressões de influências, até sistemas mais envolventes: desde um singelo aparato de bombeamento de combustível até o ambiente industrial-econômico- e-político, perpassando o posto, os fornecedores, as companhias petroleiras, as agências governamentais.

  É útil distinguir entre duas partes do ambiente ecológico. O ambiente ecológico Eépsilon consiste de em objetos de comportamento acoplados no limite do sistema psicológico Epsi, e eventualmente acompanhados por outras entidades próximas desse limite - mas apenas a "um passo" de tocarem o sistema psicológico da pessoa. O ambiente psicológico Epsi imediato de Clifford, quando do episódio "escrever no caderno de rascunhos", envolve a senhorita Culver e o programa comportamental estabelecido pelo setting Lower Junior Academic Class (que é registrado em planos de aula e cronogramas diários e horários, oficiais). O remoto ambiente ecológico Eépsilon inclui todas as outras entidades Eépsilon, como o diretor da escola e a comissão de currículos, no caso de Clifford. Essa distinção é importante porque o ambiente ecológico Eépsilon pode ser precisamente identificado, seus limites determinados, e sua extensão, medida. Ele é co-extensivo com o behavior setting circunjacente que consideramos. O remoto Eépsilon é eventualmente se estende sem limites claros, sobre sua vizinhança espaço-temporal.

  Depois de nos defrontarmos com a bifurcação ambiental em nosso curso de pesquisa, e ao compreendermos o significado da diferença entre o Epsi e o Eépsilon, nós

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  devotamos a maior parte de nosso esforço à exploração desse último ramo, ao mesmo tempo em que reconhecíamos a importância de ambos para a nova disciplina.

  40.4) O COMPORTAMENTO ESPECÍFICO AO LUGAR. "Na medida em que as pessoas se movem de um lugar para o outro, seu

  

comportamento se modifica de acordo com isso. O comportamento que ocorre em um

  fora de lugar em outro. Essa especificidade do comportamento com

  lugar pode estar

relação AO LUGAR é um fato fundamental dar psicologia ambiental... (isso) requer

uma explicação ”. (Russel & Ward, 1982, página 652 ).

  A especificidade do lugar é um "fato fundamental" do comportamento em Oskaloosa. Nós identificamos 884 lugares em áreas públicas da cidade com padrões de comportamento distintivos. No começo não tivemos dificuldade em nos darmos conta desse aspecto da cidade. Nós testemunhava uns que o café Sunflower era o lugar onde Tom, Dick, e Helen estavam quando queriam comer, beber ou estar juntos; Nós vimos o encontro anual da Igreja e a classe de música do segundo grau como lugares onde outras necessidades de determinadas pessoas eram satisfeitas. A equação B = f(PEPsi) parecia contabilizar muito bem o relacionamento entre lugares e o comportamento das pessoas que se reuniam neles. A similaridade e a variabilidade restrita dos atributos pessoais (P) e das oportunidades (EPsi) pareciam explicar a similaridade do comportamento desempenhado pelas pessoas presentes nesses lugares. A nossa firme lealdade às nossas raízes no campo da psicologia impediu que nós compreendêssemos o que estava diante de nós, o que a cidade nos dizia diariamente: que a psicologia não era tudo, nem suficiente; que o Eépsilon era a fonte da especificidade do comportamento em muitos desses lugares. Nós finalmente descobrimos que o Eépsilon operava de duas maneiras desses lugares: ao selecionar as pessoas apropriadas para habitar os lugares, e ao regular seu comportamento nesses lugares.

  O Eépsilon seleciona os habitantes dos lugares de duas maneiras: através de compulsivas rotinas de pressão (press-gangs) e de porteiros (gatekeepers). Praticamente cada edição do jornalzinho local relatava a ação desses grupos de pressão; por exemplo:

  "... notícias do Juízo do Condado - Corte do distrito de... Estado do Kansas

  

versus NG ( nome dado, ou name given), dano criminoso a propriedade particular... Foi

  ordenado pagar uma indenização de US$200; foi multado em US$100, sentenciado a 90 dias na cadeia, e condenado a pagar os custos judiciais e US$40.” Se nós traduzirmos isso, essa breve nota de jornal significa que esta pessoa NG foi mandada para a cadeia por uma corrente de influências (mensagens e ações) com o

  Eépsilon encapsulando o código criminal estadual, o juiz do distrito, o delegado e a cadeia municipal. Essa rotina de pressões (press-gang) combina procedimentos, envolve mensagens e ações de: busca de um criminoso, sua captura, e seu aprisionamento em uma cadeia municipal. Todo o comportamento que pode ser atribuído a essa pessoa NG buscou, compreensivelmente, o seu distanciamento da cadeia. Mas, para sua infelicidade, todo o movimento imposto a essa pessoa NG o levou à cadeia. As forças

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  do sistema psicológico de NG (PNG*EPsi) foram superadas se controladas por aquelas forças de Eépsilon. Esse direcionamento de pessoas entre lugares pelo meio de compulsiva as rotinas de pressão (press-gangs) não é, de forma alguma, algo inusual em Oskaloosa. De fato, cerca de um terço dos lugares públicos da cidade estava associados a rotinas de pressões (press-gangs). Isso incluía muitos lugares conectados com as escolas com as agências governamentais. Por exemplo, se o garoto Ben Hutchins, de sete anos de idade, não estiver presente na Aula de Música do Segundo Grau, esta informação será imediatamente passada ao professor responsável por essa Aula, que fará a busca em toda a sala, e nas salas adjacentes, da escola; se não encontrar o garoto, o professor deverá informar ao diretor da escola, responsável por investigações mais amplas. O diretor certamente informara a ausência do aluno aos seus pais. Caso seus pais também não saibam onde o garoto se encontra, isso demandará uma busca ainda mais ampla e, se necessário, com a convocação da polícia. Apesar de o garoto Ben sempre ter dito seus pais que ele detestava as aulas de música, e que procuraria, por todos os modos legítimos, fugir dela, ele ainda assim comparecia a essas aulas, sob a pressão de seus pais, e em atenção ao próprio professor responsável; o aluno Ben desempenhava seu papel na sala de música sem grande entusiasmo, mas sob o olhar alerta de seu dedicado professor. A diferença entre a cadeia municipal e aula de música é que os prisioneiros são organizados por ações do tipo "rotina de pressões" (press-

  

gangs ), enquanto que esse modo de participar das aulas parece ser verdadeiro para

  alguns poucos dos alunos de música. Para a maioria destes, B = f(PEpsi), o que explica a sua presença pessoa entusiástica participação: eles estão envolvidos, e desejam participar das aulas. Não há dúvida de que existe uma rotina de pressões (press-gang) subjacente, mas que funciona à distância, como um segundo plano que garante o melhor funcionamento possível para a Aula de Música do Segundo Grau, que é um behavior setting .

  O ambiente Eépsilon também seleciona os habitantes dos lugares pelo funcionamento de formas de seleção - ou porteiros (gatekeeper) -, admitindo apenas as pessoas que possuem os atributos apropriados. Os critérios para a admissão são freqüentemente especificados por um Estatuto, por uma Constituição, por uma Carta de Incorporação ou de Associação, ou por Mandatos ou Procurações preparados ao longo de períodos de tempo extensos, no passado distante e em lugares longínquos - documentos que são totalmente estranhos ao Epsi da maioria dos candidatos a participantes dos settings. No caso do Encontro Anual da Igreja Presbiteriana, por exemplo, o Livro de Ordem, uma forma de Constituição da igreja presbiteriana do Norte dos EUA, requer que somente membros da igreja possam votar em suas deliberações. Essa exigência é implementada por um comitê eleito (a Comissão encarregada da Sessão de Votação da igreja presbiteriana), que examina os candidatos e aceita a associação daqueles que fizeram sua profissão de fé em Cristo e que foram batizados de acordo com os ritos da igreja. Seus nomes são colocados em uma lista de pessoas que podem votar nesses encontros anuais. A comissão encarregada da sessão de votação funciona como "um porteiro" nesse caso; ela assegura que B = f(PEpsi) possua uma amplitude muito limitada de variação no âmbito do encontro anual da igreja presbiteriana. Ela instaura um modo seguro de separar o joio do trigo. Os porteiros que competentemente administram os critérios de ingresso de pessoas, e que são originados

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  em Eépsilon, são comuns em Oskaloosa; eles determinam quem participa dos encontros das organizações de maior importância social: as pessoas as mais fraternas, as pessoas mais capazes de prestar serviços, as pessoas mais relevantes comercialmente. O pagamento de uma taxa de entrada financeira também se constitui num importante modo de seleção de pessoas; pessoas muito pobres e dependentes da ajuda previdenciária não participam dos encontros no Café Sunflower ou nos encontros do Rotary Club.

  É importante compreender que as rotinas de pressão (press-gangs) e que os porteiros (gatekeepers) operam dentro do Eépsilon; o Epsi está envolvido no ato da prisão, na admissão do prisioneiro, ou na rejeição da prisão de uma pessoa, somente no estágio final, quando o ambiente Eépsilon introduz objetos de comportamento (algemas, guardas, salas com grades, tribunas e tribunais, e assim por diante) no limite do Epsi dessa pessoa. Também é importante compreender que os processos dentro do Eépsilon operam de forma indiferente a pessoas particulares. O código criminal do Kansas não é dirigido ao Sr. NG ou a nenhuma outra pessoa em particular. Ele é dirigido aos atos criminais. Da mesma forma essa determinação se aplica aos requisitos de entrada na igreja presbiteriana, que não são dirigidos a pessoas particulares, mas às suas crenças. A maior parte das forças que atuam em Eépsilon é cega a essas particularidades.

  O Eépsilon contribui para a especificidade comportamental do lugar, não apenas pela seleção de pessoas apropriadas, mas também pela regulação do comportamento que ocorre nesses lugares. Nós tomaremos a esse aspecto depois de considerarmos o próximo problema.

  40.5) O QUE É UM LUGAR ? A especificidade comportamental de cada lugar, em Oskaloosa, era impressionante. As distintas diferenças do comportamento das crianças quando participavam das aulas do curso de música do segundo grau, ou quando estavam brincando no playground da escola, ou quando estavam presentes na Cafeteria, eram tão óbvias que nós consideramos o uso de uma amostra dessas áreas geográficas como sítios para a observação do comportamento das crianças na cidade. Mas, à época em que isso foi percebido, também descobrimos que essa ordem de distinção comportamental não se encontrava tão firmemente ancorada a lugares particulares, como nos pareceu inicialmente. O ginásio da escola era usado para o comportamento dos jogos de basquete, mas também para as aulas “júniores” de dança, e também para eventos oficiais da comunidade da escola, e assim por diante. Por outro lado, também constatamos que o mesmo comportamento poderia ocorrer em lugares diferentes: as reuniões do grupo de extensão acadêmica da escola ocorriam nas casas dos participantes, segundo um roteiro semestral. Apesar de existir uma grande quantidade de comportamentos específicos a lugares determinados em Oskaloosa, claramente configurados (nadava-se somente na piscina, depositava-se dinheiro somente no banco, etc.), também era verdadeiro que, em muitos casos, um lugar específico não era uma unidade específica do ambiente geográfico; freqüentemente ele era identificado em termos de espaço-tempo. O “lugar de encontro” dos participantes do culto da igreja

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  Batista independente, com seu específico padrão de comportamento, era o salão do edifício do sindicato dos construtores. O culto acontecia entre as 11:00 horas da manhã e o meio-dia, a cada domingo, e somente nesse período. A identificação em termos de espaço-tempo de lugares introduz dificuldades evidentes para explicar a conexão entre comportamentos e lugares. Apesar de ser possível conceber que determinados lugares geográficos tais como o consultório do dentista, com seu criterioso arranjo espacial e se os equipamentos podem produzir o comportamento típico do “consultório do dentista”, é difícil imaginar como um salão da Prefeitura de Oskaloosa poderia produzir o comportamento de almoço coletivo entre as 11:30 da manhã e as 1:30 da tarde e, logo a seguir, o comportamento “conferência sobre a segurança nas estradas” às 3:00 da tarde. Algo além da mera geografia e do tempo parece estar envolvido: são os distintos e bem circunstanciados padrões estáveis de comportamento, tão importantes e proeminentes em Oskaloosa.

  Essas observações e experiências foram de grande importância para que compreendêssemos o construto dos behavior settings. A natureza dos behavior settings já foi apresentada em outras obras, e não será revista aqui (Barker, 1968). De forma sumária, eles são fenômenos eco-comportamentais híbridos; eles são padrões estáveis e circunstanciados (bounded standing patterns), de atividades humanas e não-humanas, com sistemas integrados de forças e controles que mantêm suas atividades em um estado de equilíbrio semi-estável; as partes e processos dos behavior settings possuem altos graus de interdependência interna, o que acarreta a sua integridade como unidades discretas: eles são entidades dentro do ambiente ecológico. Eu não repassarei a trilha da descoberta dos behavior settings, mas me dedicarei a relevância desse tipo particular de lugar para a psicologia ambiental. Eu farei isso através de um exemplo, o Vista Café, de Leyburn.

  40.6) O COMPORTAMENTO EXTRA- INDIVIDUAL DOS BEHAVIOR

  SETTINGS

  Devemos enfatizar três atributos do setting Vista Café, assim como de todos os settings. Em primeiro lugar, o Vista Café é uma entidade do ambiente

  behavior

  ecológico; ele possui uma vida própria, que existe independentemente de pessoas particulares. Trata-se de algo fundamental. Essa vida é freqüente e, em muitos casos, dramaticamente demonstrada. Em Oskaloosa, por exemplo, os componentes humanos do Curso Acadêmico do Segundo Grau, mudam completamente entre anos consecutivos, ainda que a cada novo ano o mesmo padrão de comportamento se repita tão vigorosamente quanto antes, com novos alunos e novos professores – e mesmo que seu edifício mude (para novas salas de aula recém-construídas).

  Há outro fenômeno na região de Oskaloosa que mostra essas mesmas características: seus tornados. Os ocasionais tornados não possuem uma posição fixa; suas gotas de chuva (seus componentes), seu granizo, os fragmentos que arrasta com o vento, continuamente mudam, ainda que a cada momento ele mostre o padrão distintivo de atividade que nós chamamos de “nuvem-funil”. Talvez os tornados demonstrem para nós algo acerca de padrões persistentes distintivos, de comportamento que também

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  estão presentes nas mutantes atividades de extensão, na reconstituída Classe Acadêmica do Segundo Grau, e em padrões de comportamento mais comuns que são, demonstravelmente, específicos determinados lugares – na medida em que não observamos suas mudanças, a vagar por aí, soltas no espaço. O Vista Café tem estado no mesmo lugar.

  Um segundo aspecto importante do Vista Café, e de todos os demais*, é que ele se comporta - ou seja: ele gera comportamento extra-individual. A essência do Café e está em seu continuado programa de ações; essas ações são específicas no tempo e no lugar; eles pertencem ao "assegurar, preparar, servir, consumir, comprar e vender comidas e bebidas". Para isso, seus participantes humanos (clientes, cozinheiros, garçons, etc.) e seus componentes não humanos (seus fogões e fornos, suas mesas e cadeiras, seus pratos, travessas e faqueiros, etc.) são essenciais como um todo, mas pessoas particulares ou um determinado componente não humano, não são essenciais. Cozinhar é necessário, mas Joe, o cozinheiro, e Aga # 19765 – a marca e o modelo do seu forno -, não são. Eles podem ser substituídos, e seus papéis desempenhados por outros cozinheiros e fornos. Comer e beber são fundamentais, mas há alternativas para Donald, um cliente que quase sempre lancha por lá, assim como para seu prato, para seus talheres. Pagar é vital para que o programa comportamental prossiga, mas outras pessoas além de Helen, uma cliente, e Joyce, a moça do caixa, assim como uma determinada cédula de US$10 possam ser substituídas. O fato de que Joe, Donald, Helen e Joyce, e seus camaradas, assim como o forno, o prato, os talheres, e as notas de US$10 possa estar aqui e agora, e possam não estar mais amanhã, não impede que o Vista Café prossiga em sua existência, em seu bem-sucedido funcionamento (ele foi fundado em 1897), e isso significa que a sua atividade específica neste lugar é determinada por algo que podemos compreender como extra-individual (será que é algo como as forças que estão por detrás de um tornado?) que sobrevive e supera esses seus componentes. As ações dos participantes do Vista Café e de seus objetos são, portanto, ações e extra-individuais, geradas pelo setting do Café.

  O terceiro componente dos behavior settings a ser enfatizado está implícito no segundo, mas merece uma atenção especial. As ações. Extra-individuais específicas em termos de tempo e lugar, que são impostas sobre os componentes pelo programa comportamental do setting são ações que mantêm o próprio setting; São ações de manutenção dos settings. Os participantes que não desempenham essas ações de manutenção em de forma apropriada (limpando mesas preparando os alimentos) são, então, treinados e educados, advertidos e censurados, multados ou demitidos; os objetos inadequados (quebrados, desgastados, sujos, etc.) são reparados, limpos ou descartados.

  O padrão de atividades, tão distinto quanto nos é possível enxergar e constatar, denominado Vista Café, é composto de uma variedade de ações de manutenção, mas essas não são as únicas ações que ocorrem no café; há também ações individuais. Essas ações não são determinadas pelo Vista Café, e elas não são essenciais a esse padrão de atividades. Elas são produzidas pelos participantes e seus objetos de comportamento, seus utensílios e mobiliário, seus espaços, seus equipamentos - pari passu com suas

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  ações de manutenção. Os liquidificadores do café não apenas transformam os alimentos: suas lâminas os trituram, em velocidades altas médias ou baixas, graças a motores e transmissores de movimento engenhosamente desenhados para desempenhar esse trabalho; de modo similar, as garçonetes não apenas atendem, direcionam, recolhem os pedidos dos clientes de forma precisamente programada e esperada para o café, mas também os saúdam e se despedem, dizendo coisas como "como vai ?", "tenha uma boa refeição", "volte sempre". Claro, a chefe das garçonetes se chama Madge Metcalf, e ela caminha entre as mesas com alguma dificuldade, a claudicar, sempre simpática e fazedora de amigos, que criava ao atender a todas as pessoas que buscam o Café. Esse modo de andar e essa simpatia toda pessoal não são coisas que o Vista Café possa programar: são características ou atributos de Madge, devidos ao seu calcanhar machucado na infância e à sua amável disposição - que estão entre outros muitos atributos de Madge, como uma pessoa com motivações, percepções, cognições e capacidades próprias.

  Os programas comportamentais que podemos observar diretamente, assim como os padrões estáveis de comportamento e arranjos físicos que são os behavior settings são manifestações fenotípicas de seus respectivos genótipos. Estes seriam um construto teórico em termos dos quais muitos de seus aspectos podem ser explicados. no entanto, a condição sine qua non dos behavior settings é a seguinte: eles não são lugares neutros onde as pessoas se congregam para o alcance de seus propósitos pessoais; eles são entidades dinâmicas, super-ordenadas, que manipulam o comportamento de seus componentes humanos na direção de um estado de equilíbrio para o setting. Trata-se de algo que pode ser constatado sem o auxílio de conceitos e teorias intervenientes em uma situação particular dos behavior settings, quando o número de componentes humanos é menor que o necessário - se compreendermos que um behavior setting "ótimo" tem um staff definido, que executa as suas atividades com facilidade. Por exemplo, considere o Vista Café numa situação assim: quando apenas dois de seus três cozinheiros compareceram ao trabalho, quando Madge teve que ser substituída por uma garçonete nova, e a outra garçonete está de licença médica. Durante esse período - por um dia que seja - todo o padrão de atividades mostra alterações significativas. O staff reduzido se encontra às voltas com um volume de trabalho proporcionalmente maior - o número de fregueses continua o mesmo -; todo o serviço se torna um pouco mais lento; alguns itens do menu podem não ser ofertados; a espera pela comida se torna mais longa, os clientes se tornam mais impacientes, e cobram mais pressa e agilidade da garçonete solitária, que por sua vez reclama com os cozinheiros, que por sua vez devem preparar mais pratos e com maior variedade que o usual. Não há a necessidade de um treinamento teórico para que os cozinheiros, a garçonete, e os clientes do vista café experienciem diretamente o poder manipulativo dos behavior settings; imediatamente compreenderão que não se trata de um lugar neutro, simplesmente voltado para um trabalho prazeroso e para uma alimentação sem maiores conseqüências.

  Um exemplo mais extremo do poder de um behavior setting sobre seus participantes pode ser encontrado nos encontros do Clube Feminino de Bridge de Oskaloosa. Aqui oito componentes humanos são necessários para que o programa comportamental seja adequadamente desempenhado. Se um de seus membros se

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  ausentar, um substituto deve ser encontrado, de forma que as senhoras sempre se consultam antes de seus encontros, para se assegurar de que estarão todas presentes. Desse modo, um grupo de oito jogadoras de bridge está sempre sob uma moderada ameaça a seu funcionamento: cada membro é pessoa-chave, que não pode se ausentar. Isso também é verdadeiro com respeito ao Vista Café, no estado precário que acabamos de descrever: cada membro restante do seu staff é mais crítico do que nunca, para que funcione minimamente. Em geral, a importância dos participantes para um behavior

  , a força de sua demanda sobre eles, o vigor de suas ações de manutenção e estão

  setting

  diretamente relacionadas a esse nível de precariedade, ao risco provável de seu iminente colapso.

  Nós nos tornamos, num primeiro momento da pesquisa, conscientes da importância e generalidade do relacionamento entre o número de componentes humanos e o comportamento do conjunto dos behavior settings quando nós observamos que as pessoas de Oskaloosa se mostravam mais ocupadas em seu habitat público que as pessoas de Leyburn. Posteriormente, nós descobrimos que o habitat público das pessoas de Oskaloosa gerava mais comportamento por habitante que o habitat público de Leyburn (Barker & Schoggen, 1973). Os 830 habitantes de Oskaloosa exibem um volume de atividades no setor público da cidade que chega a 3 horas e 44 minutos por dia, em média; os 1.310 habitantes de Leyburn, por sua vez, exibem um volume de atividades no mesmo setor de 2 horas e 58 minutos. Essa descoberta nos impressionou, dado a similaridade entre os behavior settings das duas cidades, bem como à pequena diferença em seus tamanhos. Nós nos questionamos sobre as razões que levariam a população de Oskaloosa a empregar 46 minutos a mais, por dia, em behavior settings de caráter público, em comparação com a população de Leyburn. Nós fomos auxiliados pela descoberta de que Oskaloosa mobilizava mais gente que Leyburn para desempenhar as tarefas públicas: havia uma ocupação adicional de 63% da população de Oskaloosa, para a ativação de 95% dos settings de natureza pública, em comparação a Leyburn. Nada menos que dois terços a mais de atividade, por habitante. Assim, concluímos que os settings de Oskaloosa eram mais precários que os settings de Leyburn.

  Consideremos os destinos de irmãos gêmeos idênticos, separados ao nascerem, e criados nas cidades de Oskaloosa e Leyburn. Oskaloosa, com seus (relativamente) mais limitados recursos humanos, escassamente disponíveis para manter seus settings (relativamente) mais precários, deve envidar esforços, convidar, pressionar, selecionar, eleger, reunir pessoas, conclamar, pressionar a todos - inclusive o nosso gêmeo - a participar de suas atividades, de seus preciosos settings. O gêmeo cantará nos coros, jogará nos times, talvez em mais de um esporte, participará de encontros com pessoas de sua idade e até será admitido em reuniões para os mais velhos, será atendente em lojas, irá a igrejas, participará o serviço de júri local, e assim por diante, mas de um modo mais freqüente e urgente do que Leyburn exigirá de seu irmão distante. Caso os dois irmãos gêmeos sejam julgados como portadores de níveis idênticos de receptividade às demandas ambientais, podemos aferir se o habitat público de Oskaloosa exercerá maior pressão se "seu" gêmeo do que Leyburn exercerá sobre o outro, em seu próprio habitat público.

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  As conseqüências da aquilo que nós chamamos de sub-tripulação dos behavior demonstram a natureza dinâmica, intencional e coerciva do ambiente ecológico

  settings

  com relação às pessoas, quando elas são componentes dos behavior settings. O Vista Café sob uma condição de crise se torna um Eépsilon que expõe ao olho nu (1) um

  

behavior setting em pleno funcionamento, "comportando-se", e (2) os seus participantes

comportando-se do modo Vista Café.

  Nosso primeiro entendimento dos behavior settings foi guiado por nossas observações do Vista Café e de outros settings, assim como pela psicologia ingênua que nos foi ensinada pelos próprios habitantes das cidades de Oskaloosa e Leyburn. À época tivemos contacto com 3 publicações que foram fundamentais para aumentar a nossa compreensão dos behavior settings: “An Introduction to Cybernetics” (Ashby, 1956), "Thing and Medium" (Heider, 1959) e "Analyses of the Concepts Whole,

  

Differentiation, and Unity " (Lewin, 1941). Esses tratados teóricos ofereceram bases

  para que nós aceitássemos os behavior settings como unidades fundamentais do ambiente ecológico. Ashby nos mostrou que as relações entre as partes de máquinas (seus habitantes) e entre essas partes e o todo da máquina (behavior settings) idéias comuns a muitas ciências, e podiam ser operados e interagir com enorme precisão; Heider nos revelou propriedades fundamentais dos elementos (habitantes) e de padrões de elementos (behavior settings); Lewin ofereceu a base teórica para a definição e identificação de sistemas ou "todos" dinâmicos (como os behavior settings).

  40.7) A PESQUISA SEM SUJEITOS Uma série de problemas metodológicos surgiu ao mesmo tempo em que nos esforçávamos para identificar os tipos e mensurar as quantidades de comportamentos extra-individuais produzidos nos habitats públicos de Oskaloosa e Leyburn. Nossos conhecimentos em psicologia nos orientavam a escolher amostras de sujeitos em cada habitat público, para que nos assegurássemos de que os dados requeridos pela pesquisa - para cada um desses sujeitos -, obtidos através de observações, questionários e entrevistas fossem obtidos; a seguir era esperado que comparássemos esses dados através de medidas de tendência central de sua variação ao longo dos settings. No entanto, mesmo no estágio de planejamento da pesquisa, tornou-se óbvio que esse encaminhamento era impossível. mesmo amostras bem pequenas que tomássemos, envolvendo os participantes dos 884 behavior settings de Oskaloosa e dos 758 behavior de Leyburn, num montante minimamente necessário ao nosso estudo de campo

  settings

  teria exigido recursos muito além dos que dispúnhamos. Ainda mais importante: nossa compreensão crescente da natureza dos behavior settings mostrou-nos que esses dados, se houvessem sido penosamente obtidos, seriam irrelevantes para as nossas preocupações com os atributos comportamentais dos behavior settings. isso é verdadeiro porque o significado de uma ação de uma determinada pessoa que participa de um behavior setting é determinada pela organização do setting onde ela ocorre. Essa observação é válida para todos os componentes de sistemas dinâmicos circunstanciados (bounded). A força de uma viga é determinada por sua posição na estrutura; o significado de uma palavra depende da sentença à qual contribui; o significado de um

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strike no baseball varia se é um strike 1 ou um strike 3 para o batedor, ou se é um "third

  " para o pegador; esse strike pode ainda levar ao fim do jogo (do setting) se for o

  out 3 for um fulminante "third out" ao final do nono tempo. strike

  Em todos esses casos, são as propriedades momentâneas da entidade super- ordenada vis-a-vis com as partes, em plena interação, o que vai determinar a significância das partes. Pode-se aprender bem mais acerca da resistência de uma viga

  , observando os planos e especificações da estrutura, do que com testes isolados,

  in situ

  ou com amostras dessa viga. Pode-se aprender bem mais acerca do significado de uma palavra a partir do pensamento que ajuda a expressar do que de seu significado isolado num dicionário - ou sobre a importância de um strike a partir de sua ocorrência no jogo, considerando-se o programa comportamental envolvido (as regras e regulamentos do jogo) do que de uma análise isolada dos gestos de um ou outro jogador envolvido em sua ocorrência. Os significados de todas essas ações de manutenção são determinadas pelo que é mantido - pelo que mantêm. No caso dos behavior settings, o programa comportamental nos diz qual é esse significado.

  Uma máquina não deixa de ser uma instrutiva analogia de um behavior setting, em muitos aspectos. Se nós conhecemos as especificações de uma máquina e a seqüência de eventos que permite construí-la e utilizá-la, sabemos o que as suas partes componentes fazem quando essa máquina opera normalmente. Nenhuma investigação é necessária. No caso de um motor de combustão interna de um tipo determinado, nós sabemos que ele emite ruídos sem trepidar, de um jeito "macio", quando suas velas estão a emitir faíscas regularmente sobre frações de vapor de gasolina adequados, movendo pistões e eixos de rotação, permitindo a tração prevista no projeto, com exatidão. Similarmente, se sabemos como funciona o programa de um Café, de imediato fica claro para nós o que cada um de seus participantes - clientes, cozinheiros, garçonete, ou suas partes componentes - fazem quando o Café está em plena operação. Os cozinheiros cozinham, as luzes iluminam, os clientes de alimentam, comem, bebem, e conversam. O engenho está em operação, e essa é a condição essencial para que as faíscas das velas desse motor faísquem de forma bem sucedida, sempre encontrando os vapores de gasolina, e sua explosão sempre a transmitir movimento para os eixos de transmissão, e o automóvel se auto-mova. As velas do motor, contudo, não soltam faíscas onde não devem, como na bancada de alimentos do Café. Somente quando o Café está em plena operação é que seu cozinheiro cozinha, suas luzes iluminam, seus clientes se satisfazem alimentando-se, bebendo e comendo, conversando alegremente. Cozinheiros não cozinham nas agências de correios. É o conhecimento do seu programa comportamental que nos habilita a descrever os comportamentos dos behavior settings (sua ações extra-individuais Eépsilon, mantenedoras do setting) sem que precisemos exaurir as pessoas com questionários sobre seus comportamentos específicos.

  Eu devo explicar a natureza e as fontes dos dados obtidos sem a participação de sujeitos, através da referência ao behavior setting Clube Feminino de Bridge de Oskaloosa. Este é seu programa: o Clube se encontra mensalmente, com a única exceção do mês de dezembro, das 19:30 às 23:30 horas; sempre estão presentes oito jogadoras; a anfitriã as saúda invariavelmente, e lhes convida para a mesa onde jogarão,

  NOTAS DE AULA- PADRÕES INTEGRADOS DE COMPORTAMENTO E ESPAÇO – PICS PROF. FREDERICO FLÓSCULO PINHEIRO BARRETO – 2009/1 ROGER BARKER - CONSIDERANDO A PSICOLOGIA AMBIENTAL: UMA REVISITAđấO DE OSKALOOSA (Prospecting in Environmental Psychology: Oskaloosa Revisited, 1987)

  providenciando os baralhos, os biscoitos, bolos e bebidas geladas e quentes; em seus lugares, passam a jogar segundo as regras oficiais do jogo de bridge; ao mesmo tempo em que jogam, conversam, comem e bebem. Apesar de nada disso estar inscrito em regulamentos formais ou num contrato de conduta entre as jogadoras, todas elas concordam que esse é seu comportamento no Clube; tratam-se de regras aceitas e praticadas por todas.

  A medida básica da quantidade de comportamento extra-individual que é produzido por um behavior setting pode ser feita em termos de “horas-pessoa por ano” ou P-H. Temos que P-H = o x d x i, onde o = número de ocorrências por ano; d = duração média da ocorrência, em horas, e i = número médio de habitantes em cada ocorrência. Os valores de o, d, e i para Clube Feminino de Bridge de Oskaloosa foram dados nessa sucinta descrição de seu programa: o = 11 (onze encontros por ano); d = 4 horas de duração média de cada ocorrência (pois duram das 19:30 às 23:30); e i = 8 (há sempre 8 jogadoras). O P-H produzido pelo Clube é, portanto, 11 x 4 x 8 = 352 horas- pessoa-ano.

  O P-H gerado por um behavior setting pode ser dividido entre suas classes de habitantes. Nos nossos estudos, nós agrupamos os habitantes por sexo, idade, classe social, e raça. Informantes privados nos forneceram a identificação dos membros do Clube de Bridge. De um modo geral, os dados sobre sexo, idade, e raça nos foram dados a conhecer pelos relatórios do censo oficial; os critérios de classe social foram objeto de julgamento pelos próprios investigadores, com base nas associações mantidas pelos habitantes da cidade, entre si – e com os membros do Clube de Bridge, no caso. O registro que podemos firmar acerca do Clube de Bridge, por classes de informação sobre seus participantes, partilhando o P-H, é:

  Classe P-H

  Mulheres 352 Adultos idosos (com 65 anos ou mais) 308 Adultos (18-64 anos)

  44 Classe social 1 264 Classe social 2

  88 Pessoas brancas 352 Essas são medidas da extensão na qual o Clube de Bridge utiliza várias classes de habitantes da cidade: não há nenhuma produção de comportamento com o uso de homens, de adolescentes, ou de crianças, de pessoas da classe social 3, ou de pessoas negras.

  O padrão de comportamento estável do Clube tem muitos aspectos que podem ser discriminados. O meio físico apresentam uma temperatura de aproximadamente 68 a 73 ° Fahrenheit; ele possui uma área de aproximadamente 15 por 20 pés (cerca de 30 metros quadrados), e cerca de 8 pés (2,5 m aproximadamente) de altura. As comidas e bebidas presentes eram: sherbet (sorvete), bolo, café, doces, e nozes; há ainda um

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  grande número de outros aspectos físicos a serem considerados. O lado comportamental do Clube possui muitos atributos, também: o jogo de cartas, a conversação, o comer, o manipular cartas e outros objetos, o pensar - e assim por diante. Esses atributos diferem muito em sua proeminência; por isso nós imaginamos medi-los através de escalas, que permitisse expor aqueles atributos nos quais estávamos mais interessados como: (1) os primários (atributos que estruturam todo o comportamento estável do setting); (2) secundários (atributos presentes, mas não constantemente expostos ou utilizados); (3) atributos ausentes. O programa do Clube permite identificar seus atributos primários como os seguintes: recreação (o jogo de cartas, a conversação), a interação social (as saudações, os cumprimentos, a competição entre as jogadoras, a cooperação entre as jogadoras), a manipulação (o uso das cartas, dos talheres e pratos de alimento, etc). Esse produziu 352 P-H (pessoas-hora por ano) em todos esses atributos. As

  setting

  observações de campo revelaram a ocorrência de alguns atributos secundários de comportamento: nutrição (comer e beber), falar, pensar, comportamento efetivo ou expressão explícita de emoções, apreciação estética (ou a apreciação e os comentários sobre a beleza das coisas), a aparência pessoal (ou exibir-se, pentear-se, endireitar-se, exibir a roupa e adornos, etc). O Clube não produziu comportamento com outros atributos nos quais estávamos também interessados: não havia o comportamento de educação (o ensino formal e o aprendizado formal); de religião (o comportamento de adoração ou culto), de negócios (a troca de bens, de serviços, ou de privilégios, por dinheiro), saúde física (o comportamento de promoção da própria saúde), ou ações motoras pesadas (com o uso dos grupos musculares mais fortes).

  O Clube de Bridge demonstra a acessibilidade e disponibilidade de dados para a pesquisa ambiental "sem sujeitos" no sentido usual da expressão. Uma fonte básica é o programa escrito ou não-escrito do behavior setting. As freqüências de sua ocorrência, seu agendamento, e as durações das atividades nos behavior settings são, em geral, colocadas nas portas de estabelecimentos e em quadros de avisos, assim como também são anunciados nos jornais, revistas, posteres e cartazes de aviso. O número e as categorias de habitantes para muitos dos settings são registrados de forma precisa nas escolas, nas atas de reuniões, nas audiências, consultas, encontros formais. Os dados para os settings-formais (de natureza comercial, a esportiva, social) podem ser obtidos por observadores que estejam presentes às suas ocorrências, e que contem e registrem os momentos de tipos de e participantes. Os escolares dos atributos são feitos com base na observação direta e, na evidência dada por informantes, nos registros dos programas, atas, e documentos de encontros. Há muitas oportunidades para fazer a checagem dos dados de campo; os behavior settings são relativamente permanentes (ou recorrentes) e podem ser observados e avaliados em repetidamente por diferentes observadores de campo; eles são conhecidos dizem um grande num muro de informantes que podem fornecer relatórios independentes. Os behavior settings dentro do habitat público são abertos ao escrutínio público; de fato, seus programas, suas estruturas, e componentes são do conhecimento comum. Uma parte importante da socialização das crianças e dos imigrantes é o aprendizado acerca de como o funcionam os behavor settings comunitários.

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  Devemos notar que o comportamento extra-individual de um behavior setting e seu padrão estável e de atividade humana são partes do E-épsilon que o setting oferece ao seus participantes. A atendente do Vista Café acompanha os clientes em meio a um E-épsilon que possui cozinheiros que cozinham, garçons que servem, outros clientes que se servem, se alimentam, comem e bebem, conversam e descansam. De fato, a senhora Madge Metclaf é a amistosa e caminha claudicando levemente no E-épsilon que envolve suas próprias ações como atendente. Os métodos que nós consideramos aquilo nos informam apenas acerca de um componente deste behavior setting, a atendente; eles nada nos dizem acerca dessa pessoa Madge Metclaf, que é amistosa e que caminha claudicando levemente. Para isso, os métodos da psicologia individual são necessários.

  40.8. O COMPORTAMENTO INDIVIDUAL NOS BEHAVIOR SETTINGS. Eu devo retornar, rapidamente, ao “veio” E-psi que corta o território da psicologia ambiental. Ele ocorre pari passu com o veio E-épsilon do comportamento e extra-individual, mantenedor do setting que nós temos considerado, e que consiste em comportamento que busca a satisfação pessoal, individual, que não é originada pelo onde ocorre. Algo assim é a amistosidade de Madge Metcalf, com que ela como

  setting

  atendente, acompanha de forma deliberada e confiante os clientes que chegam ao Vista Café, ou a observação furtiva de Clifford Mathews sobre Miss Culver, quando ele obedientemente procede ao trabalho de escrever em seu caderno, conforme prescreve o programa de sua classe escolar. Outros exemplos são os auto-relatos dados pelos estudantes ginasianos acerca de suas experiências nos settings escolares: "eu gostei de fazer parte da classe iniciante de música"; "a participação no desfile da escola trouxe- me reconhecimento"; "eu trabalhei duro no comitê escolar" (Gump & Friensen, 1964 ).

  A pesquisa que ocorreu nessa direção fez uso de métodos bem estabelecidos da psicologia individual, com cada participante de um behavior setting tratado como um sujeito. Essa abordagem foi trabalhada de forma intensiva; de particular importância foram os estudos sobre os behavior settings de escolas, pequenas e grandes (Gump & Friesen, 1964 ; Wicker, 1968; Willens, 1964), de igrejas, pequenas e grandes (Wicker, 1969) e de cidades inteiras, pequenas, como Oskaloosa e Leyburn (Barker & Barker, 1978; Schoggen, Barker & Barker, 1963). Os métodos e os resultados dos estudos feitos sobre escolas e igrejas foram revistos em detalhe por Wicker (1979). Importantes descobertas acerca dos efeitos dos behavior settings, assim como de distinções entre suas partes e processos componentes em termos do comportamento individual, vieram a surgir a partir dessa pesquisa. Descobriu-se, por exemplo, que as experiências de satisfação e responsabilidade são mais freqüentes e intensas (1) para os habitantes ou participantes de behavior settings sub-populados, mais do que para os habitantes ou participantes de behavior settings adequadamente populados, e; (2) para os participantes ou habitantes que se encontravam em posições de poder, mais do que para os habitantes ou participantes em posições que detinham menos poder. O primeiro achado parece se dever ao fato de que uma maior proporção dos habitantes de behavior settings relativamente sub-populados se encontram em posições de poder; eles são pessoas- chave. Mas a maior significância e desses resultados no atual contexto é a evidência que

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  oferecem no sentido de demonstrar que os behavior settings são, de fato, entidades poderosas e dinâmicas, pertencentes ao Eépsilon.

  40.9) TAMANHO DO HABITAT. Os pesquisadores desejam conhecer o tamanho de seus achados. Nós queremos conhecer o tamanho do Café Vista, da classe de música do segundo grau, dos serviços religiosos de Oskaloosa e Leyburn, entre outros. Nós iniciamos a investigação desse problema com referência aos habitats públicos das cidades, antes de mais nada (Barker & Schoggen, 1973). Esses habitats consistem de behavior settings localizados dentro dos limites das cidades, mas fora das residências; eles são os locais extra-residenciais onde as pessoas satisfazem necessidades pessoais (ao desempenharem ações individuais) cumprem obrigações (como as tarefas de manutenção de seus settings), e submetem-se a situações de isolamento, quarentena ou resguardo (imposto por grupos de pressão). Eles cobrem todas as partes públicas das cidades; não existem áreas intersticiais. Ao que parece, portanto, o número de tais settings que estão em próximos entre si no tempo e no espaço ("à mão", como dizem os dicionários) e convenientemente acessíveis ("ao alcance da mão", ainda segundo os dicionários) pode ser uma medida da extensão desses importantes lugares.

  Há evidências bastantes de que os habitantes das cidades concordam com a proposição de que o tamanho do habitat está positivamente relacionado com o número de settings próximos e envolvidos (At hand and handy). Essas cidades eram geralmente percebidas como "fechadas" aos domingos quando, de fato, havia funcionamento em apenas 25% dos settings públicos abertos ao longo da semana. Os comentários comuns eram "não há nada para fazer aqui aos domingos" ( ou seja: havia poucos lugares para ações individuais), e "sábado é o único dia onde posso fazer as minhas coisas" (ou seja: que podia escapar das ações obrigatórias de manutenção dos settings envolvidos). Leyburn, reconhecidamente, perdia muito de sua vida e do seu tamanho (em termos da animação dada pelos settings) nos começos das noites das quartas-feiras - oficialmente designadas como os dias "de encerrar mais cedo". Muitos settings governamentais e de negócios fechavam suas portas às 13h. Por outro lado, o habitat público de Leyburn era muito ampliado nas sextas-feiras – propriamente, o dia da feira local. Muitos settings ocorriam nesse dia, especificamente (por exemplo: as barracas de mercado, as cortes de justiça, as reuniões nos cafés, os leilões de animais e mercadorias). O dia das feiras era visto como um dia bem movimentado em Leyburn. a população das cidades endossaram essa singela teoria acerca do tamanho de seus habitats públicos.

  Metodologicamente, essa teoria era atrativa; ela parecia envolver apenas os

  

settings que se podia contar. No ano de 1964 havia 874 behavior settings em Oskaloosa

  e 758 settings em Leyburn. Assim, de acordo com essa teoria, o habitat público de Oskaloosa era maior do que o de Leyburn numa proporção de 17%. No entanto, nós depois descobrimos que a maior parte dos behavior settings de Oskaloosa ocorreu ao longo de alguns poucos dias do ano. O número médio de settings diários em Oskaloosa era de 146, enquanto que o número médio de settings diários em Leyburn era de 178.

  Em termos diários, portanto, Oskaloosa era bem menor que Leyburn:18% menor.

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  Outros dados revelaram que poucos do settings diários de Oskaloosa tinham uma duração significativamente prolongada. O mundo médio de behavior settings em 1h, em Oskaloosa era de 32,6; o número médio de behavior settings em Leyburn era de 37,2. Isso nos deixou intrigados. Como poderia ser Oskaloosa maior que Leyburn ao longo do ano e menor ao longo do dia e das horas? Porque não havia uma diferença consistente?

  Nós encontramos uma solução quando observamos além das freqüências de settings em determinados intervalos temporais, enfocando outros aspectos

  behavior

  temporais dos settings e do comportamento. Tanto os behavior settings quanto as ações molares que ocorrem neles são flexíveis quanto a sua duração, e intermitentes quanto à sua ocorrência. Eles são ajustáveis nesses aspectos, de maneira que estruturas temporais podem criar várias modulações em suas ocorrências. Muitas ações podem ser encurtadas, alongadas, ou interrompidas (para serem eventualmente completadas depois) de modo a atenderem e para se ajustarem a determinados condicionamentos dos

  

behavior settings. O episódio comportamental "pegar as correspondências no posto dos

  correios" é completado rapidamente no final do dia, especialmente porque se sabe do condicionamento "o posto dos correios fechará em dez minutos"; em outras circunstâncias esse mesmo episódio comportamental pode se alongar por cerca de meia hora no começo da tarde. Se a biblioteca onde estamos fazendo pesquisas fecha antes que o nosso episódio comportamental "encontrar tudo que puderem sobre a data de destruição de Pompéia" se completar, nós interrompemos a busca ir deixamos para compra tala no dia seguinte, se possível. Muitos behavior settings permitem essas ações alternativas. O behavior setting "encontro do conselho paroquial de Leyburn" pode ocorrer em um período tão breve quanto de 30 minutos se houver poucos assuntos a tratar, e a discussão evitar digressões (um padrão de poucas e curtas ações), mas ela pode continuar por horas se houver muitos assuntos a tratar e se sua discussão e for detalhada, polêmica (muitas e longas ações). Muitos behavior settings desistem de forma intermitente; alguns deles estão fixadas em calendários, são muito regulares ao longo dos dias, das semanas, dos meses (por exemplo, a farmácia do sr. Ellson tem um horário claramente estabelecido: ele encerra suas atividades às 18h e as reinicia às 8h, no dia seguinte); alguns outros settings ocorrem de forma irregular (o corpo de bombeiros de Oskaloosa é ativado apenas quando ocorrem incêndios).

  De um modo geral, as ações e os settings dentro das cidades são ajustados às estruturas temporais impostas a eles desde o ambiente ecológico remoto. O tempo local em ambas as cidades é dividido em unidades arbitrárias por meio de calendários e, relógios, almanaques, sinais de rádio, e assim por diante-meios que estabelecem os tempos das sirenes que assinalam o meio-dia ou a hora oficial do lanche, ou que determinam quando chega a conta telefônica mensal, a chegada do seu salário semanal, do salário mensal, ou o início do serviço religioso rotineiro em quase todas as igrejas, das férias de duas semanas, e até mesmo do programa de televisão Vila Sésamo, às 17h. Nossas observações indicaram que as durações das ações dentro das cidades eram, em geral, concordantes com aquelas estruturas impostas e que elas eram distribuídas em freqüências aproximadamente iguais entre 3 durações modais: (1) ações breves, que requeriam menos de 1h de consumação, tais como comer uma refeição no Vista Café, cantar uma canção na Classe do Segundo Grau de Música, e obter um aviamento na

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  Drogaria Ellson; (2) ações intermediariamente longas, que requeriam mais de 1h e menos de um dia para que fossem completadas, como por exemplo, o conserto de um refrigerador no Vista Café, a preparação da lição para o Encontro na Unidade de Extensão Escolar, e a guarda do estoque da farmácia do Ellson; (3) as ações longas, que tinham continuidade por mais de um dia e menos de um ano: a redecoração do Vista Café, o planejamento e execução do Conserto Musical das Turmas do Segundo Grau, e a contratação e início das atividades de um novo professor para a Classe do Segundo Grau de Música. Para as ações breves, o habitat público das cidades consistia em 33 settings, em média, em Oskaloosa, e em 37 settings em Leyburn. Esses eram

  behavior

  os números de settings ao alcance, prontos para a ação, que podiam ser experienciados no espaço temporal de 1h desde o início das atividades; e para ações mais longas, que eram geralmente completadas ao longo do dia, os habitats públicos dessas cidades eram bem mais numerosos, chegando a 146 settings em Oskaloosa e 178 em Leyburn. E para as ações ainda mais longas que poderiam requerer um ano para que se completassem, havia 884 settings em Oskaloosa e 758 settings em Leyburn.

  Até o grau em que as ações ocorriam com igual frequência dentro dos três intervalos de tempo, uma medida geral da extensão do habitat deveria medir essas três escalas correspondentes em termos dos espaços do próprio habitat. A questão técnica acerca de como oferecer um peso igual aos 884 settings anuais, ao 146 settings diários, e aos 33 settings horários, de Oskaloosa, foi respondida através da transformação dessas medidas da extensão do habitat em percentuais de medidas correspondentes de uma “cidade-padrão” (standard town), ou uma cidade cujas dimensões eram dadas pela média de settings para cada intervalo de tempo (hora, dia, ano) em Oskaloosa e em Leyburn, medidas em duas ocasiões separadas por uma década de tempo. A unidade dimensional da cidade padrão, que nós chamamos de urb, media 670,5 settings por ano,151 settings por dia, e 34,1 settings por hora. Com relação a essas dimensões, as medidas de Oskaloosa no período 1963-1964 eram de: (a) 1,30, (b) 0,97, e (c) 0,96, respectivamente, com uma média de 1,7 urbs. Oskaloosa tinha um habitat público, portanto, de 1,7 urbs de extensão ou 107 centiurbs (curbs); Leyburn apresentava um habitat com 113 centiurbs de extensão.

  Usando esse método, podemos determinar a extensão de várias das partes dos habitats das cidades. Por exemplo, o Vista Café de Leyburn media 2.2 centiurbs; a Aula de Música do Segundo Grau de Oskaloosa mede 0,36 centiurbs; havia 5 igrejas em Oskaloosa e 3 em Leyburn, respectivamente, mas a extensão de seus habitats era quase igual: 1,55 curbs e 1,54 curbs em Oskaloosa e Leyburn, respectivamente. Continuemos a comparação: as atividades relacionadas à estética do corpo ocupavam 5,3 curbs e 8,0 curbs de habitat; as crianças eram proibidas de ingressar em 15,0 e 19,0 curbs de habitat; as autoridades governamentais tinham controle direto sobre 8,5 e 35,7 curbs de habitat; as atividades de beber e comer eram relacionadas a 7,4 e 18,6 curbs de habitat.

  A ausência de uma dimensão espacial na medida, em urb, do tamanho do habitat pode ser algo surpreendente, a princípio, mas se examinarmos detidamente a natureza dos behavior settings e a teoria do tamanho do habitat em termos da proximidade e da acessibilidade dos settings, compreendemos porque isso acontece. A extensão espacial

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  de um behavior setting é um de seus atributos básicos, assim como o número e as características de seus componentes humanos e não-humanos. Eles são todos determinados pelo setting, pelos mecanismos homeostáticos que o mantém em um nível semi-estável. De fato, o espaço é uma dos atributos mais prontamente ajustáveis de um

  

behavior setting . Conclui-se que é, em geral, verdadeiro que um setting é acessível e

  acessável (at hand and handy), seja o caso de uma cabine telefônica de 1m2, ou de um supermercado com 10.000m2: ambos têm uma dada extensão espacial que é requisito de sua operação. Evidentemente, ocorrem situações excepcionais, como a vinda inesperada e coincidente de uma multidão, de mais pessoas que o previsto, que inundem um grande (ou pequeno) setting. Quando algo assim ocorre, o setting se torna inacessível (se for pequeno demais) para aqueles que estejam, digamos, no fim da fila, não conseguiram entrar. Mas há uma variedade de forma de rapidamente ampliar um setting – e pelo menos duas dessas maneiras envolvem a alteração de sua dimensão temporal. Em primeiro lugar, a duração do setting pode ser ampliada. Quando se torna claro que o Almoço Anual da Igreja Presbiteriana será muito concorrido, seu serviço pode começar bem mais cedo, prosseguir até mais tarde que o costume. Além disso, o setting pode ser repetido. A Peça Teatral Escolar Anual de Leyburn foi repetida no dia seguinte, para que atendesse a uma grande audiência que visitou a cidade para vê-la. Essas formas de ampliar o tamanho do almoço, e de repetir a peça teatral, são muito mais práticas e rápidas do que empreender, de imediato, obras de ampliação física.

  Contudo, o tempo nem sempre pode se oferecer como substituto para o espaço. Alguns behavior settings apresentam programas comportamentais severamente limitados, ou mesmo programas comportamentais que não podem ser repetidos. Nesses casos, somente se ampliarmos a extensão espacial de um determinado setting poderemos também ampliar a sua acessibilidade e, assim, seu tamanho no habitat. Uma disputa esportiva e uma peça teatral podem ilustrar esse aspecto, se comparadas. Uma final de campeonato não pode ser repetida, seu resultado é único, se tudo ocorrer bem, e sua duração é fixada por seu programa comportamental, pelas regras do jogo e pelas circunstâncias de sua ocorrência. Uma peça teatral pode ser repetida por um número indefinido de vezes. Assim, é compreensível que tenhamos Estádios para 100.000 espectadores, e Teatros para audiências de no máximo 1.000 pessoas.

  Mudanças na extensão espacial de behavior settings ocorrem regularmente, contudo. Algumas dessas mudanças podem ser bem rápidas. Quando o Santuário da Igreja Presbiteriana está lotado de fiéis, a parede do fundo (que é uma divisória desse espaço e de uma Sala de Leitura) é essencialmente um biombo que pode ser removido; isso permite acrescentar essa sala de leitura ao espaço de culto, criando espaço adicional para mais fiéis. Muitas mudanças podem ocorrer mais lentamente, mobilizando para isso o nível operacional do setting. Quando determinadas mudanças sociais e econômicas ocorrem no ambiente ecológico mais remoto (nas grandes cidades, em outros países), e isso atinge a oferta de máquinas e implementos agrícolas em Oskaloosa, suspendendo o afluxo normal de mercadorias, temos que o behavior setting Centro Agrícola do Lester fica com espaço livre, sem máquinas; suas áreas de vendas ficam vazias, sem consumidores. No seu esforço de manter-se em equilíbrio, de sobreviver, o setting reduz suas atividades e o investimento na manutenção dos espaços

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  (sua limpeza diária, por exemplo), gradualmente: primeiro desligam-se os letreiros luminosos externos; muda-se a área de vendas e exposição das máquinas restantes; vendedores são despedidos; poucos funcionários passam a fazer o trabalho de muitos, embora em menor volume. Digamos que, no mesmo período, os negócios aquecem para o behavior setting Centro de Peças Automotivas Reutilizadas (dado que um maior número de máquinas e veículos velhos continua a circular e não são substituídos por todo o período de dificuldades para o Centro Agrícola). Mais peças são recicladas, mais peças são procuradas, mais armários são construídos, até mesmo um novo salão de peças é adicionado ao edifício original.

  A natureza dinâmica, homeostática, dos behavior settings asseguram que, no longo prazo, todos os seus atributos essenciais (suas partes componentes, seus processos, suas dimensões) se relacionarão de forma harmoniosa; desse modo, os desarranjos entre o espaço e o número de habitantes em cada setting são temporários e raros.

  40.10) NEGÓCIOS INACABADOS 25 anos de estudos na Midwest Psychological Field Station produziram uma enorme agenda de “dificuldades e descobertas relevantes para a psicologia ambiental da atualidade”, que pode ser considerada aqui. Desse modo, para que este trabalho tenha um razoável fechamento, devo concluir com uma breve digressão sobre os itens que devem ser postos sobre a mesa, diante de todos.

  40.10.1. ITEM A CONSIDERAR: VARIEDADE, ESTABILIDADE E PODER DE COERđấO DOS BEHAVIOR SETTINGS. Os behavior settings podem diferir enormemente quanto à variedade e estabilidade de seus padrões persistentes (standing patterns) e quanto à força de suas forças de manutenção. Podemos tranqüilamente observar que o behavior setting Parque da Cidade apresentas uma maior variedade de comportamentos em determinados momentos, assim como muito menos comportamento estruturado ao longo de extensos períodos de tempo, assim como muito menos forças coercivas que o behavior setting Consultório Odontológico do Doutor Sterne. Apesar disso, as propriedades dinâmico- estruturais desses settings são idênticas. Os exemplos que citamos anteriormente (a Classe de Música do Segundo Grau, o Vista Café, o Clube Feminino de Bridge, e assim por diante) parecem se encaixar em algum lugar ao longo de um gradiente de variedade e coerção, mas mais próximos da extremidade dos settings menos variados, mais estáveis e mais coercivos, tanto em Oskaloosa quanto em Leyburn.

  Numa apreciação abrangente de nosso trabalho, tais propriedades dos settings podem ser compreendidas como problemas importantes, que demandam investigação, incluindo-se aí o desenvolvimento de métodos de mensuração das variáveis e de sua relação com o comportamento das coisas não-humanas. Medidas dos behavior settings de uma comunidade ou de uma instituição ao longo de variáveis como essas [Variedade, Estabilidade e Poder de Coerção] podem revelar a qualidade de vida associada a elas.

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  40.10.2. ITEM A CONSIDERAR: O PODER DAS PESSOAS. Minhas observações mais informais me mostraram que tanto os leigos quanto os profissionais que lidam diretamente com pessoas olham o conceito de behavior settings com desconfiança e dúvidas. Isso parece ocorrer, sobretudo, quando os settings são percebidos como algo ameaçador, que implica na dominação das pessoas, como algo que diminui a sua liberdade de ação. Nossa pesquisa, talvez, contribuiu para essa percepção, ao concentrar-se nas pessoas como componentes dessas abrangentes instâncias, que as envolvem, em vez de enfatizar essas pessoas como criadoras, como agentes capazes e inteligentes, aptos a alterar os settings, a escolher entre eles, a ter o poder e controle sobre tudo o que envolver seu comportamento.

  Apesar disso, nossas investigações sobre os behavior settings podem ser consideradas bem sucedidas, pois conseguimos discernir formas de lidar com os settings apenas na medida em que os conhecimentos sobre o modo como operam pode ser acessado. Com esse conhecimento, as pessoas podem, efetivamente, somar o poder dos settings aos seus, pois podem aprender a conscientemente criar, alterar, fazer

  behavior

  escolhas, direcionar as conseqüências mais desejáveis para si, como seus componentes humanos. O resumo de toda a história dos behavior settings pode ser: as pessoas são criaturas dos behavior settings que elas criam, alteram, escolhem.

  Assim, criar, alterar e escolher behavior settings são ações de grande importância, e a Psicologia é a ciência relevante aqui. Ela é relevante para que possamos transmitir o conhecimento dessa tecnologia dos settings, assim como a psicologia dos seus componentes humanos, para todos aqueles que, na prática, criam, alteram e escolhem behavior settings. Também é relevante para que os próprios componentes humanos aprendam acerca da realidade dos settings em que habitam, e saibam como lidar com eles. Em todas essas tarefas, o especialista deve conhecer muito bem tanto a psicologia quanto a tecnologia dos behavior settings.

  Este escrito não é lugar para apresentar detalhes da psicologia aplicada dos , mas pode ser apropriado mencionar um princípio geral a ser

  behavior settings

  considerado: os “experts” na pesquisa sobre behavior settings, assim como aqueles que criam, alteram e fazem as escolhas cruciais acerca de quais behavior settings serão experienciados, devem ser “estranhos” (outsiders), isso é: pessoas que não são ainda criaturas, participantes ativos dos settings que planejam. Evidentemente, todo setting existente foi criado por um outsider, por alguém que ainda não é parte dele. Também é verdade que somente se pode conceber alterações fundamentais na organização de

  

settings quando as pessoas que procederão a esse trabalho estiverem fora “do campo de

  atuação” do setting referido, do setting a ser alterado em seus fundamentos. Por exemplo, a professora Miss Culver não pode fazer nada de significativo quanto à organização de sua Classe Acadêmica enquanto ela e seus alunos estiverem envolvidos no programa comportamental de suas aulas e atividades ordinárias. Para que ela pudesse fazer algo realmente significativo, ela teria que “parar tudo”, retirar-se do programa comportamental, a passar a agir como um “técnico independente” (sob, digamos, a

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  orientação de um expert em behavior settings), e re-conceber partes importantes do programa comportamental, como o conteúdo das aulas, os materiais empregados nas atividades, as características da sala de aula e assim por diante. Isso é verdadeiro também para outras entidades do ambiente ecológico. Uma pessoa não pode consertar seu automóvel em suas partes mais importantes – o motor, por exemplo – enquanto o dirige pela estrada. Ao dirigir, a pessoa é integralmente parte do setting “Automóvel em Operação”. Para que qualquer conserto importante possa ser feito, a pessoa deve deixar de ser parte do automóvel em operação e transformar-se em um engenheiro mecânico, e eventualmente levar o automóvel “inerte” ao setting Oficina do Mecânico João, e lá proceder ao conserto. Na oficina, o mecânico que até a pouco dirigia o automóvel pode agora trabalhar no veículo de forma totalmente diferente, totalmente livre dos condicionamentos impostos pelo automóvel em operação. Nesse ponto, coloca-se uma importante tarefa para a psicologia: oferecer conhecimentos para as pessoas que desejam criar, alterar e fazer escolhas entre os settings de que precisam para alcançar seus objetivos, que demandam, que se tornam cruciais para as suas experiências de vida, sobretudo para pessoas que já eram partes componentes, subordinadas, desses settings – isto é: seus usuários.

  Nessa conexão, nota-se que, enquanto os sistemas psicológicos dos pilotos de avião, dos motoristas de automóveis, os datilógrafos, entre outros, estão envolvidos com a operação de suas respectivas máquinas, fazendo com que o conhecimento psicológico seja importante para o projeto dessas máquinas, temos que o conhecimento psicológico é ainda mais importante quando lidamos com behavior settings, onde – ao contrário das máquinas, algumas de suas partes, os componentes humanos, também requerem, per se,

  expertise psicológica. Wicker (1987) lida com essas questões.

  40.10.3. ITEM A CONSIDERAR: HARMONIA, INTERFERÊNCIA E INCOMPATIBILIDADE COM BEHAVIOR SETTINGS. Os habitantes dos behavior settings se encontram, simultaneamente, sob pressão para que (a) se engajem nas ações que lhes são devidas, como componentes, pelo ambiente ecológico Eépsilon, e para que (b) se engajem em ações pessoais por seus próprios sistemas psicológicos, Epsi. Algumas dessas pressões duais convergem e levam a ações harmoniosas. A senhora Madge Metcalf, que recepciona os clientes do Vista Café, dá boas-vindas “oficiais” aos clientes, e os acompanha às mesas; ao mesmo tempo, a amigável Madge Metcalf interage pessoalmente com as pessoas, com os clientes. Essas ações são recíprocas, operam dentro de uma esforçada a harmonia, reforçam-se. Podemos ter uma enorme diversidade de combinações e harmonias possíveis entre componentes de Eépsilon e Epsi - inclusive com desarmonias previsíveis, ou com desarmonias resultantes do variável desempenho pessoal de cada componente, de cada pessoa habitante no behavior setting.

  Em seu diário, Samuel Pepys relata muitas atividades que ocorrem dentro dos settings de seu cotidiano. Vejamos o que ele registrou sobre o dia 3 de

  behavior

  dezembro de 1665 (Latham & Mathews, 1972, p. 316):

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  “Na igreja [um behavior setting], onde eu ouvi um bom sermão pronunciado [ações esperadas no behavior setting, perpetradas por Pepys e pelo

  pelo Sr. Plumes

  citado Sr. Plumes] e me deliciei com a visão acidental da bela gordinha morena, da [ação pessoal de Pepys].”

  minha paróquia

  Sem dúvidas, ao apreciar deliciado a sua bela paroquiana, morena e cheinha, Pepys não deve ter prestado sua melhor atenção ao sermão – e vice-versa, se foi percebido na contemplação -, mas esses dois comportamentos não são incompatíveis entre si. Podemos ter pressões contraditórias, com origem no behavior setting, e com origem na psicologia individual, que levam a situações de incompatibilidade. Algo assim ocorreu no caso de Madge Metcalf quando, no papel de recepcionista, viu a pressão do behavior setting sobre ela – para que bem recebesse os clientes do Vista Café – contraditar a pressão pessoal por manter-se quieta e descansar, martirizada por seu calcanhar machucado. De fato, o Vista Café teria que colocar a sra. Madge Metcalf como um componente humano, substituí-la por um par de duas, até que o tratamento médico a ela imposto a curasse.

  Nós não investigamos a ocorrência relativa da convergência, da divergência e da oposição, dentro de behavior settings. Mas duas observações gerais sugerem que a convergência é comum. Quando há um elevado grau de convergência, tanto os behavior

  

settings quanto seus habitantes se beneficiam, e os behavior settings sobrevivem. A

  reação de um componente humano a um behavior setting que lhe traz satisfação, onde alcança seus objetivos, é sair do setting quando não mais dele necessidade, e voltar sempre que dele precisar. Mas a resposta de um behavior setting a uma pessoa que se conduz mal, que não desempenha as ações que dele se espera, é iniciar a expulsão dessa pessoa. Os componentes humanos são essenciais para a continuidade e sobrevivência dos behavior settings. Assim, é essencial que haja ajuste, que ocorra harmonia entre a pessoa e o behavior setting, em aspectos mínimos, essenciais, para que ocorra satisfação e para que o behavior setting perdure. Em nossa pesquisa, testemunhamos a ascensão e queda de diversos behavior settings, e ao longo de uma década, vimos 61% dos

behavior settings de Oskaloosa e Leyburn sobreviverem (Barker & Schoggen, 1973, pg.

68).

  Observamos que o poder exercido pelos behavior settings sobre seus habitantes não é percebido como tal por essas pessoas. Essa ausência de percepção ocorre quando as pressões pessoais e do behavior setting coincidem. Isso pode ser ilustrado pelas experiências do remador Nathan Rabin, que conta a sua solitária viagem pelo Rio Mississipi. Ele relata a sua passagem em um trecho do rio:

  “O bote parecia escorrer sobre a superfície perfeita do rio... por mais de uma

  

milha, a água parecia polida como prata limpa. Não havia a menor perturbação sobre

o rio, que parecia parado, o barco é que o levava consigo. Mas o grande poder do rio

se mostrou logo a seguir, surpreendentemente, em corredeiras que pareciam ter saído

do nada. De repente a água ferveu entre as pedras, e milhares de chicotes pareciam

bater nas rochas emersas, levantando uma espuma de água gelada”. (Rabin, 1981, pg.

  304).

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  Nesse caso, a força física do rio, Eépsilon, passou a coincidir completamente com a força psicológica de Rabin, Epsi, com seu intenso desejo de acompanhar as águas através das corredeiras. A água e Rabin moviam-se em sincronia, se considerarmos sua perspectiva vis-a-vis a massa líquida que o cercava: não havia movimento, parecia que não havia forças em operação. As forças eco-comportamentais dos behavior settings parecem ser igualmente invisíveis, obscuras, na medida em que as pressões das necessidades das pessoas e as pressões do funcionamento do setting coincidem. Ocasionalmente, as correntes do rio silencioso interrompem a tranqüilidade, perturbam a paz. É o caso do estudante que se comporta mal na sala de aula, o jogador de bridge que tenta trapacear, o beato que arenga com o padre, o cantor do coro que desafina feio, por exemplo. Todos esses participantes agiram de forma dissonante, reprovável, com respeito ao programa de seus respectivos behavior settings, e diferentemente das corredeiras que eventualmente voltam a desaparecer depois de outra milha de turbulência, essas pessoas são, mais cedo ou mais tarde, “chamadas à atenção”. Os mecanismos para lidar com esses problemas são parte integral dos programas de muitos settings. Nas salas de aula os alunos perturbadores são convidados e se retirar;

  behavior

  nos jogos de bridge os trapaceiros são punidos; nos coros, os desafinados são obrigados a ensaiar com dedicação.

  Apesar de ocorrer um alto grau de convergência entre as forças dos behavior e as forças pessoais, também ocorre uma constante tensão – e flutuação – entre

  settings

  o grau relativo dessas configurações de convergências, bem como seu local, no tempo e no espaço – e também para a divergência, para a oposição de forças. Como resultado, os

  

behavior settings e seus componentes humanos mudam continuamente, e algumas

  dessas mudanças passam a fazer parte dos settings, passam a ser aprendidos e adotados pelas pessoas – e ambos, pessoas e behavior settings tornam-se permanentemente modificados. Para muitos dos membros da Unidade de Extensão Doméstica (Home

  ), o requisito – pressão do behavior setting – de que cada um deles reveze

  Extension Unit

  a outro na tarefa de ler um certo texto, de proferir uma pequenina conferência, é uma fonte de ansiedade e de resistência – pressão pessoal – ao longo de seu treinamento. Mas esses mesmos membros, com o tempo, relatam crescente satisfação com suas tarefas, na medida em que as cumprem corretamente. Vários de nossos estudos descobriram que justamente aqueles behavior settings que fazem maiores pressões sobre seus participantes são os que parecem gerar as mais intensas e favoráveis conseqüências para eles (Gump & Friesen, 1964; Wicker, 1968). Esse é um ponto a ser levado adiante por mais pesquisas.

  O problema da identificação de behavior settings cujo quadro de ações tenha efeitos favoráveis sobre os sistemas psicológicos – e sobre o comportamento – de seus participantes é de grande valor, pois muitos trabalhos de recuperação social (de delinqüentes) operam através de behavior settings (em escolas, instituições correcionais, colônias de férias, etc), com base no pressuposto de que as ações de manutenção dos

  , e as condições por detrás dessas ações, não apenas alterarão o comportamento

  settings

  atual dessas pessoas, mas também alterarão os sistemas psicológicos de seus participantes, de forma consistente.

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  40.10.4. ITEM A CONSIDERAR: AS QUALIDADES DOS AMBIENTES Muitas de nossas explorações foram dedicadas ao desenvolvimento de métodos para a identificação e caracterização dos behavior settings de instituições e comunidades. Ao longo desse – algo sistemático, técnico – trabalho, tornou-se evidente para nós que estávamos, efetivamente, a aprender como se examinava as qualidades dos ambientes. Uma série de descobertas aparentemente isoladas, assim como vários luminosos insights, contribuiu para essa compreensão mais ampla.

  Uma surpreendente descoberta, logo no início, foi de que os behavior settings localizados fora dos domicílios de Oskaloosa e Leyburn cobriam as regiões públicas; as pessoas, fora de suas casas, eram sempre habitantes de um ou de outro behavior setting. Não havia nada como áreas intersticiais, áreas não-behavior settings. Outra descoberta foi de que cada behavior setting tinha muitos atributos, que variavam enormemente em grau, ao longo do gradiente de settings de cada cidade. Os ambientes dessas cidades não eram homogêneos. Diferentes pessoas e classes de pessoas freqüentavam, em geral, ambientes bem diferentes, em uma das cidades. Os adolescentes de Oskaloosa utilizavam pelos menos 54% de seu tempo em behavior settings com atividades e obrigações típicas da religião – como se esperaria, considerando-se o tipo de seu envolvimento com as pessoas da cidade; ao mesmo tempo, os idosos usavam três vezes mais do tempo esperado (isto é, um pouco mais de 50%) em settings dessa mesma natureza. Em Leyburn, por outro lado, os adolescentes passavam duas vezes mais tempo que o esperado para as pessoas de sua idade, e os idosos empregavam 4% menos tempo que o esperado de pessoas de sua idade, em religiosos (Barker & Schoggen, 1973, pg. 391).

  Os diferentes atributos dos behavior settings se devem, sobretudo, aos seus diferentes programas comportamentais, mas sua acessibilidade diferencial também tem importância. A Cantina Real, em Leyburn, não admite garotos com 12 anos de idade. Mas esses garotos são a principal população do setting Classe de Aula Secundária de Inglês Moderno – sua presença nessa classe é reforçada desde as atividades de settings como o da Reunião Semestral do Conselho de Educação, e da Direção da Escola Secundária. Da mesma forma, os aspectos ambientais físicos podem ser regulados quanto à sua permeabilidade quanto ao fluxo de som, calor, ar, etc. A Sessão de Audiências da Corte de Julgamentos de Oskaloosa ocorria de forma isolada do ambiente externo, com o condicionamento do ar e do som, e determinados poluentes eram eliminados do ar (como o pó da rua e a fumaça de cigarros) quando se adentrava o em funcionamento. Mas no setting Abastecimento de Gasolina do Posto de

  setting

  Bethel, o ar corre livremente, a temperatura ambiente é a prevalente, as condições ambientais naturais não são alteradas.

  O método que desenvolvemos – o levantamento (survey) de behavior settings – é um inventário do ambiente ecológico de toda uma cidade – ou de uma instituição – com relação aos seus padrões de comportamento organizado em behavior settings. O método enfatiza os padrões de comportamento, mais que os atributos físicos da cidade

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  (ou da instituição) e de seus settings, e omite os dados sobre cada habitante [dos ]. Os habitantes dos settings desempenham comportamentos extra-

  behavior settings

  individuais, como componentes humanos dos behavior settings, e comportamentos propriamente individuais, como pessoas únicas que são. Trata-se de duas ordens de comportamentos, mutuamente incomensuráveis, e exigem métodos bastante distintos para seu respectivo estudo, que leva a teorias bem diferentes sobre o comportamento humano. A psicologia possui métodos e teorias para lidar com os aspectos comportamentais dos habitantes dos behavior settings enquanto pessoas únicas, e suas idiossincrasias, mas não como componentes de behavior settings, quando seu comportamento é parte do ambiente, assim como eles próprios. Desse modo, os

  

behavior settings são algo enigmático para a psicologia que conhecemos. Essa

  psicologia considera relevante apenas uma fração de todo o comportamento que se desenrola em um behavior setting. Vamos dar um exemplo que dará alguma substância a toda essa abstração.

  No behavior setting Programa Musical dos Estudantes da Primeira Série, nós observamos os garotos cantores, seus instrumentos musicais, o diretor do Programa, a sala bem proporcionada e adequada ao canto e à audição de instrumentos, a audiência que os escuta, as partituras, e assim por diante: tudo isso cria um ambiente musical tal que John Smith, um garoto de sete anos de idade, rapidamente aprendeu a contribuir e responder às demandas do setting. Ele toca o triângulo, e suas ações esse encaixam perfeitamente no Programa, são ações determinadas pelo behavior setting, é parte integrante desse ambiente musical (Eépsilon). Sua maneira de tocar o triângulo com a barra metálica (de forma enérgica, fazendo caretas para seu colega de orquestra a seu lado) tanto expressa essa determinação do programa comportamental do behavior

  

setting , quanto é expressão do distinto sistema psicológico de John Smith (Epsi). Esse

  sistema é função das percepções de John, de sua sensibilidade social, de sua agressividade, de seus níveis de energia, entre outros aspectos com os quais a psicologia lida, presentemente. Mas suas repetidas ações de tocar o triângulo são determinadas pelo superiormente ordenado behavior setting, que incorpora e organiza uma multiplicidade de entidades humanas e não-humanas, que as condiciona e coordena seus processos (inclusive o desempenho do pequenino John Smith, e seu triângulo).

  A psicologia não possui conceitos ou teorias, presentemente, para lidar com esse fenômeno. Por mais que reuníssemos informação sobre o pequenino John Smith, suas atitudes, suas preferências, seus medos e desejos explicariam por que ele está envolvido como está, com seu triângulo, com a sala de audição, com seus colegas e audiência. Com tudo isso, o pequenino John Smith é totalmente substituível: qualquer outro garoto pode assumir o seu lugar ao triângulo. Essa ação, que compõe o behavior setting Programa Musical dos Estudantes da Primeira Série, ocorrerá, caso John Smith seja substituído, tão ordeiramente quanto antes. Para que isso seja compreendido, precisamos recorrer a conceitos e teorias acerca das relações entre comportamento e meio (milieu), de princípios abrangentes, presidentes dos padrões espaciais e comportamentais em ajuste.

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  A posição paradoxal das pessoas nos behavior settings apresenta problemas metodológicos e teóricos para a psicologia. A psicologia tem métodos para lidar com John Smith, com o professor, com os membros de sua audiência enquanto indivíduos, através de observações, entrevistas e questionários. São essas as únicas e suficientes fontes de informações acerca de seus próprios ambientes psicológicos, acerca de como respondem ao Programa Musical dos Estudantes da Primeira Série. Mas são fontes insatisfatórias de informação acerca dos settings, das circunstâncias concretas dentro das quais seus ambientes psicológicos se formam e perseveram. Os habitantes dos possuem perspectivas limitadas e percepções enviesadas dos settings

  settings

  particularem em que estão engajados. As atividades que desempenham, quando são especializadas e exercem forte demanda para que sejam corretamente desempenhadas, possuem o controle de sua atenção. Assim, a tradicional fonte de informações da psicologia, os sujeitos individuais, é adequada apenas para uma parte do comportamento que ocorre no behavior settings. Da mesma forma como nas situações de criação, de modificações, de escolhas de behavior settings, também as tarefas de avaliar e estudar as propriedades físicas e dinâmicas dos comportamentos que neles ocorre, é trabalho para outsiders, para estudiosos que deles não participam. O levantamento (survey) dos

  , que não faz uso dos sujeitos, é uma abordagem adequada ao seu

  behavior settings trabalho.

  41.11. NEGÓCIOS NOVOS E VELHOS NEGÓCIOS Velhos estudiosos freqüentemente tentam fortalecer suas posições através do lançamento de novos argumentos, ao mesmo tempo em que continuam a trabalhar com os velhos argumentos, que sempre sustentaram. Nós também seguimos essa conduta prudente ao dar continuidade ao caminho inicial, Epsi, ao mesmo tempo em que experimentávamos palmilhar o novo caminho que se abria diante de nós, Eepsilon. Neste momento, entretanto, há ainda argumentos ainda mais novos a considerar.

  Depois que descobrimos os behavior settings e começamos a compreender a sua importância para o comportamento humano e para a avaliação dos ambientes, nós tivemos uma clara visão acerca de seu lugar para as ciências sociais. Nós até mesmo sonhamos com a possibilidade de que a survey de behavior settings tornar-se-ia um "instrumento padrão" para o exame dos atributos dos ambientes, assim como tem acontecido com os testes relacionados aos traços de personalidade. Mas isso não aconteceu, e agora compreendemos o porquê. Muitas das publicações que examinaram o nosso trabalho estavam primariamente preocupadas com o comportamento de indivíduos; esses grupos editoriais e de pesquisa, inevitavelmente, achavam que nossos métodos e teorias eram bem difíceis de incorporar aos seus próprios procedimentos e modos de pensar. Alguns dos artigos escritos sobre nós eram severamente críticos, outros tantos eram esperaçosamente duvidosos, intrigados com nossas prioridades e recortes, mas houve bem poucas adesões - até que Karl Fox, um economista e estudioso de indicadores sociais, assim como dessa área denominada "contabilidade social” (social accounts), inesperadamente, surgiu num dos quadrantes da vasta psicologia ambiental que estávamos a explorar.

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  Tudo aconteceu assim, como relataremos, de um modo que mostra a fragilidade das conexões que há entre as ciências sociais. Ao atender ao convite de congregados da Igreja Metodista, Louise Barker e eu participamos de uma conferência sobre pesquisas em pequenas comunidades, com uma referência especial ao papel das igrejas contidas por elas. A conferência estendeu-se pelos dias 24 e 25 de outubro de 1966. Estavam presentes cinco outros cientistas sociais e sete administradores de paróquias. Entre esses cientistas sociais estava Karl Fox, um emérito professor da Universidade Estadual de Iowa. Nós expusemos um estudo chamado "As Igrejas de Midwest, Kansas, e Yoredale, Yorkshire: Suas Contribuições aos Desenvolvimentos Dessas Cidades" (Gore & Hodapp, 1967, pp. 159-185), baseado em dados de nosso trabalho de levantamento de

  

behavior settings. O estudo de Fox trazia como título "Metamorfose na América: Uma

  Nova Síntese das Sociedades Rural e Urbana" (Gore & Hodapp, 1967, pp. 62-104), e expunha as mudanças ocorridas ao longo de meio século no tamanho e na forma de pequenas comunidades, fazendo uso de dados sobre sistemas de transportes, sistemas viários, áreas comerciais, mercado de trabalho, e assim por diante. Ao reler esses trabalhos, nos dias atuais, percebo similaridades que, à época, me escaparam por completo: ambos lidavam com regiões espaço-temporais específicas; ambos descreviam os atributos dessas regiões em termos quantitativos; e um conjunto comum de atributos abordados nos dois estudos dizia respeito ao comportamento dos habitantes dessas regiões.

  Karl Fox certamente percebeu essas similaridades à época, pois demonstrou imediato interesse em nosso estudo, e nos abordou imediatamente ao término de nossa fala, por uns breves 15 minutos, pois toda a conferência havia terminado, e nos retirávamos. Minha memória de seus comentários não é excelente, mas ainda consigo recordar claramente de frases como "resultante de comportamento", "medidas no tempo", e "na linha da teoria econômica". Não voltamos a ver Karl Fox por alguns anos. Quando ele retornou, através de correspondências e de publicações, nós descobrimos que ele envolvera seus estudantes com a teoria dos behavior settings com uma admirável energia e dedicação. A impressão que tivemos era de que seus esforços tinham grandes vantagens frente aos nossos, como:

  1 – Eles não se viram constrangidos por pressupostos reducionistas que limitassem suas observações e pensamentos sobre os comportamentos ao que pudessem obter de pessoas; encontravam-se em posição de lidar, teórica e metodologicamente, com o comportamento numa escala mais abrangente;

  2 – Eles tinham conhecimento e acesso a extensos bancos de dados nas escalas regionais e nacional que poderiam ser interpretadas em termos da teoria dos behavior

  

settings (sobre agências governamentais, indústrias, ocupação e emprego, empresas,

  comércio, populações, etc.); 3 – Eles possuíam treinamento no uso de modelos quantitativos econômicos, nos quais conseguiram empregar os dados das pesquisas sobre o funcionamento de behavior

  

settings . Nossa visão original, que buscava avaliações em escalas mais amplas,

  regionais e nacionais acerca das “condições de vida cotidiana” foi retomada por Karl

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  Fox e seus colaboradores (Felson, 1979; Fox, 1969a, 1969b, 1974a, 1974b, 1977, 1980, 1983, 1985, 1986; Fox & Ghosh, 1980, 1981; Fox & van Moeseke, 1973).

  Quando nos voltamos para as mais antigas apostas que fizemos no início das pesquisas em Oskaloosa, a recordação não é das mais ditosas. A aposta original era a própria Station, ela mesma. Wright e eu acreditávamos no sucesso da Estação de Campo (Field Station) como uma central de pesquisas que faria uma importante contribuição ao campo da psicologia ambiental. Seus 25 anos de operação geraram descobertas que lhe deram plena justificativa quanto a isso, mas não há evidências suficientes para que eu afirme que essa iniciativa tenha sido seguida. Em vão podemos procurar por laboratórios assemelhados, na área da psicologia ambiental – laboratórios como

  , nos estudos da ecologia oceanográfica; como Wood’s Hole;

  Hopkins Marine Station

  como Lick Observatory; como Natural History Research Preserve, ou como outras organizações tão comuns entre as ciências biológicas, geológicas, astronômicas, criadas para observar as incessantes transformações que ocorrem em coisas como os vulcões, as planícies e savanas, os setores do céu estrelado. Os ambientes ecológicos das pessoas também se transformam incessantemente. Sua natureza, e os processos (e suas causas) envolvidos nessas transformações, somente podem ser descobertos através da sua incessante observação através de estações de estudos radicadas em comunidades tais, em organizações tais, em empresas tais, em escolas e igrejas tais, no seu pleno âmbito de estudos. Nós fizemos apelos pela criação de mais estações de campos em várias publicações (Barker, 1969, pp. 31-43; Barker & Associates, 1978, pp. 43-48; Barker & Wright, 1955, pp. 12-19), e nós investigamos uma ampla série de ambientes em Oskaloosa e Leyburn (Barker & Schoggen, 1973). Nós acreditamos que essas discussões e esses estudos demonstraram o valor de Estações de Campo para a psicologia ambiental.

  NOTA: Para um levantamento sistemático das teorias e métodos mencionados, ver

  Barker & Wright (1955), Barker, (1968), e Barker & Associates; relatórios de pesquisa e interpretações das principais investigações empíricas podem ser encontrados em Barker & Gump (1964), e Barker Schoggen (1973); os mais relevantes artigos publicados em periódicos incluem Barker (1960, 1963, 1965); uma lista cronológica completa das publicações da Midwest Psychological Field Station, e as teses de seus pesquisadores, é oferecida em Barker & Associates (1978).

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