V EVENTO INSTITUCIONAL DO PIBID

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  07-11-2017

  • – campus Jacarezinho - PR

  

MEMORIAL DESCRITIVO: AVANÇOS E LIMITES DE SUA

ELABORAđấO.

RELATO DE UM PROJETO DE INTERVENđấO DO SUBPROJETO

PIBID/PEDAGOGIA/CCP

  1 Brenda Raiza Domingos Mendes (PIBID/CNPq-UENP) ,Kalwanny Sanches

  1

  de Souza(PIBID/CNPq-UENP) ,TaynaraPitoli Nakano (PIBID/CNPq-

  1 )1,

  UENP) , Thais Danniane Nicolau Ribeiro (PIBID/CNPq- UENP Darúsia Aparecida de Almeida Schiavinato (Supervisora), Roberta Negrão de Araújo

  1

  (Orientadora), e-mail: robertanegrao@uenp.edu.br Bolsistasde Iniciação a DocênciaPIBID/UENP. Universidade Estadual do Norte do Paraná/ Campus de Cornélio Procópio/

  Ensino, Subprojeto de Pedagogia Palavras-chave: Educação, recursos, Memorial Descritivo. Introdução

  A educação pública no Brasil constitui-se como um grande desafio para os envolvidos no processo, bem como para a sociedade em geral. A escola, sendo a principal instância social responsável por transmitir aos indivíduos os saberes historicamente construídos pela humanidade, deve ser valorizada e respeitada. Infelizmente o que se pode observar é um total descaso por parte das políticas públicas, que não buscam solucionar o problema educacional em sua amplitude. A falta de investimento e a criação de políticas educacionais que fiscalizem rigorosamente o cumprimento de leis acarretam inúmeros prejuízos para o ensino público brasileiro.

  A presente atividade, por meio da prática em sala de aula, em uma turma de 1º ano do curso de formação docente em nível médio, demonstra alguns desafios que o professor enfrenta devido à falta de recursos na escola.

  O subprojeto de PIBID

  • – do curso Pedagogia ofertado no Campus –

  Cornélio Procópio da Universidade Estadual do Norte do Paraná contempla, em sua estrutura, o desenvolvimento de um Projeto de Intervenção. Este deve ser realizado em uma instituição de ensino da rede pública de educação básica onde o programa é desenvolvido cotidianamente. Ressalta-se que o objetivo desta intervenção foi estabelecer condições efetivas para a aprendizagem da produção

  • – escrita e

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  organização , bem como compreender que

  • – do Memorial Descritivo trabalhos acadêmicos possuem normatizações que devem ser seguidas.

  O relato apresentaas dificuldades encontradas a princípio e os novos contornos que a atividade seguiu após constatação de barreiras estruturais que precisam ser superadas para uma aprendizagem efetiva. Buscou-se conhecer a realidade dos educandos e atentar para o contexto social, o que implica na formação acadêmica e profissional destes.

  Materiais e métodos

  O PIBID iniciou suas atividades no curso de Pedagogia/Campus Cornélio Procópio no início de 2014, com 21 bolsistas, 4 supervisoras e 2 Ensino Médio. Tal estrutura, ainda permanece. As ações realizadas nesse subprojeto são: reuniões semanais; participação dos acadêmicos nas atividades da escola; produção de materiais e intervenções pedagógicas.

  Nesse sentido, acatando a atividade prevista na Portaria 96/2013 - CAPES, que possibilita aos bolsistas o desenvolvimento de atividades relacionas à prática docente, pautadas na formação acadêmica e nos encontros de formação do subprojeto Pedagogia, elaboramos um Projeto de Intervenção, com a finalidade de fundamentar os estudantes no que tange à estrutura do Memorial Descritivo.

  O objetivo do referido instrumento de avaliação é relatar as vivências escolares desde a Educação Infantil até a etapa de ensino em que se encontram: Ensino Médio, Educação Profissional

  • – Formação Docente. Vale lembrar que acompanhámos a supervisora na disciplina de Prática de Formação/Estágio Supervisionado,em turma do período intermediário e regular. Ressalta-se que os estudantes que frequentam o período intermediário são aqueles que exercem atividade laboral remunerada e, portanto, não lhes é possível frequentar o estágio no horário regular.

  O modelo de Memorial Descritivo proposto às estudantes do curso Formação Docente é digitado, de forma a atender os critérios de normatização da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT). Assim, a princípio, a intervenção seria no sentido de explicar as principais características da estrutura deste trabalho, bem como as principais normas para sua elaboração.

  Diante das observações, constatamos que grande parte dos estudantes não têm acesso ao computador, o que torna impossível a 1 realização do trabalho por meio deste. Em discussão com a professora

  

Instrumento de avaliação final utilizado no 1º ano do curso de formação docente em nível

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  supervisora, foi decidido que os alunos deveriam realizar o trabalho durante as aulas, utilizando os computadores do Laboratório de Informática.

  A escola possui um Laboratório de Informática com cerca de vinte computadores. No entanto, logo no início da intervenção para a escrita do memorial e estruturação nas normas da ABNT, evidenciamos inúmeros problemas que impossibilitaram a concretização do projeto proposto.

  Embora possua vários computadores, a primeira dificuldade foi o não funcionamento da maioria destes, deste modo, os estudantes se revezavam para utilizar as máquinas, o que acarretou um tempo de realização das atividades muito maior do que o previsto. Além da estrutura física de funcionamento do laboratório, o sistema operacional utilizado pelo governo dificultou ainda mais a produção do memorial, já que, quando os estudantes transferiam os arquivos produzidos no laboratório da escola, tudo o que de habilidade dos envolvidos no uso do computador, pois estes, pouco ou nada sabiam a respeito dos programas necessários para a escrita de trabalhos acadêmicos.

  Sendo assim, levantou-se a possibilidade do Memorial ser escrito manualmente, pois realizado no computador não alcançaria os objetivos almejados, além de não ser possível a sua execução em tempo hábil. Após acordo com a coordenação de estágio e direção da escola, autorizou-se a produção do memorial manuscrito.

  Nesse sentido, a intervenção aconteceu com vistas à orientação acerca da estrutura dos elementos pré-textuais, textuais e pós-textuais do Memorial. Entretanto, orientá-los para escrever segundo as normatizações de forma manuscrita, se torna uma atividade maçante e sem propósito, já que, tais instruções devem ser seguidas para trabalhos acadêmicos, que não são realizados manualmente.

  Salienta-se, que a educação é um direito de todos, assegurada pela Constituição Federal (1988) e também pela Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDBEN) n. 9394/96. No entanto esse direito não se efetiva na prática de forma universal, e quando o direito está assegurado, a forma como se apresenta é um tanto quanto precária. Na intervenção pedagógica, esse fato foi evidenciado mais uma vez, pois ainda que se constituísse enquanto uma exigência da escola, esta não apresentava condições para que o memorial fosse digitado e tamanha dificuldade não advém da escola mas é um problema de ordem política e governamental que se reflete no ambiente escolar.

  Cabe então a reflexão acerca da ação pedagógica do professor, que precisa estar capacitado para lidar com as diferentes situações adversas presentes no processo de ensino. A educação não pode desvincular-se de sua principal função que é a transmissão dos conhecimentos científicos e saberes acumulados historicamente. Contudo, como educadores, a postura

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  assumida frente a tais dificuldades deve considerar também as condições apresentadas pelos educandos onde se deve analisar o que se constitui enquanto saber significativo.

  Ainda que o sistema educacional não contribua de forma eficaz com o trabalho docente, o conformismo com tais situações e a reprodução de práticas desvinculadas da realidade, puramente burocráticas, como seria o caso da produção do memorial por meio do computador acaba por perpetuar o modelo atual sem demonstrar resistência alguma. Assim, para Freire(1997):

  A solução realmente mais fácil para encarar os obstáculos, o desrespeito do poder público, o arbítrio da autoridade antidemocrática é a acomodação fatalista em que muitos de nós se instalam. “Que posso fazer, se é sempre assim? [...] Pois que assim seja”. Esta é na verdade a posição mais cômoda, mas também a posição de quem se demite da luta, da História. É a posição de quem renuncia ao conflito, sem o qual negamos a dignidade da vida. Não há vida, nem humana existência, sem briga e sem conflito (FREIRE, 1997, p.63-64).

  Ademais, o trabalho realizado com as estudantes do curso Formação Docente buscou justamente romper com tal situação, visando não a manutenção e adequação a determinada realidade, mas sim a análise e tentativa de transformação por meio da prática docente reflexiva.

  Conclusões

  Baseado na estrutura teórica pesquisada, advinda de diversos autores que abordam o tema, bem como a própria interpretação dos instrumentos de avaliação do Curso Formação Docente, em nível médio; especificamentedo 1º ano noturno, o

  “Memorial Descritivo” tornou-se relevante ao abrir novos caminhos para sua elaboração, por meio das experiências vividas e trabalhadas na t emática “Sentidos e significados do trabalho do professor educador”.

  A intervenção foi desenvolvida com responsabilidade e propiciou condições de mudanças na atividade. Trouxe, também, maior facilidade e praticidade das normas propostas e cobradas na realização do Memorial.

  Ao ter como resultados obtidos por meio da intervenção, as alunas do PIBID identificaram as dificuldades e limites desta relação. Neste sentido, destacamos a importância do Projeto de Intervenção dentre os alunos, na qual todos os participantes do processo buscaram novas leituras, discussões que contemplaram nossas expectativas, amenizandoas angústias e anseios. Há que se destacar que o trabalho foi realizado de forma coletiva, valorizando e respeitando os apontamentos, bem como a participação de todos, processo este que contribui para que a

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  Prática de formação aconteça com maior qualidade, numa relação de transformação de ação- reflexão- ação.

  Agradecimentos

  Agradecemos ao CNPq, pelo fomento ao Programa de Bolsas de Iniciação à Docência.

  Referências BRASIL. Constituição da República Federativa do Brasil. 1988.

  Disponível em: <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/constituicaocompilado.htm > Acesso em: set. 2017.

  BRASIL. Lei n. 9394/96. Fixa as Diretrizes e Bases da Educação Nacional. Disponível em: <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/L9394.htm>. Acesso em: ago. 2017.

  FREIRE, Paulo. Professora SIM, tia NÃO: cartas a quem ousa ensinar. São Paulo: Olho dágua, 1997.

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