Biopsychosocial Characteristics of Accused Child Sex Offenders in the Intrafamilial and Extrafamilial Contexts

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ISSN 1413-389X Trends in Psychology / Temas em Psicologia – Março 2018, Vol. 26, nº 1, 283-295

ISSN 1413-389X Trends in Psychology / Temas em Psicologia – Março 2018, Vol. 26, nº 1, 283-295DOI: 10.9788/TP2018.1-11Pt Artigo Características Biopsicossociais entre Acusados de Agressão Sexual contra Crianças/Adolescentesem Contextos Intra e Extrafamiliar *

Lucilene Paiva da Costa

Carlos Joaquim Barbosa da Rocha

Orcid.org/0000-0002-1640-0530 Orcid.org/0000-0002-2378-4413

Lília Iêda Chaves Cavalcante

Resumo

  Este estudo analisou dados de 206 processos de uma vara especializa-da em crimes contra a criança e o adolescente, entre 2012 e 2014. Para análise dos dados,utilizou-se estatística descritiva e o Modelo de Regressão Logística, indicando a Razão de Chance (OR) e a probabilidade da agressão sexual por contexto.

Abstract

  We employed a Biopsychosocial Characterization de Autores de Agressão Sexual de Crianças e/ou Adolescentes em Contexto Intrafamiliar e Extrafamiliar,que foi defendida no Programa de Pós-Graduação em Teoria e Pesquisa do Comportamento da Universidade Federal do Pará (UFPA), em 2015. Apoio: Tribunal de justiça do estado do Pará; Conselho Nacional de Desenvolvimento Científi co e Tecnológico.

Resumen

  Contudo, importa con- siderar que a expansão das pesquisas referentesà agressão sexual de crianças e adolescentes é cercada de entraves colocados às fontes para ob-tenção dos dados necessários à sua realização, principalmente no que se refere aos autores daagressão sexual, pois o acesso a esse tipo de po- pulação ainda é considerado difícil. A literaturamostra que a maioria dos estudos sobre autores de agressão sexual de crianças e adolescentes érealizada com encarcerados, que se encontram sob a responsabilidade do Sistema de Justiça,no local onde residem ou praticaram a agressão sexual (Vieira, Grossi, & Gasparotto, 2014).

Brasil tratam, principalmente, de características sociodemográfi cas das vítimas e dos autores de

  Para estudar as características biopsicosso- ciais de autores de agressão sexual têm sido re-alizados, com êxito, estudos baseados em fontes documentais, porque neles a coleta dos dadoscostuma ser feita em peças de processos policiais e jurídicos, protocolos médicos, dentre outrasformas de registro, que podem oferecer dados abrangentes sobre a violência praticada. Em contrapartida, a pesquisa de Baía,Veloso, Habigzang, Dell’Aglio e Magalhães(2015), que comparou os padrões de revelação e descoberta de abuso sexual entre os estadosdo Rio Grande do Sul e do Pará, identifi cou que no primeiro estado foram mais comuns ocorrên-cias de agressão sexual no contexto intrafamiliar(62,41%), já no segundo predominaram ocorrên- cias no contexto extrafamiliar (67,7%).

Método

  (2012), em 229 processos criminais per-tencentes a 1ª e 2ª Varas da Infância e Juventude de Porto Alegre, no período de 1996 a 2007,analisou as características sociodemográfi cas das vítimas e autores de agressão sexual, assimcomo os contextos de ocorrência. Neste sentido, o presente estudo objetivouanalisar e comparar as características biopsicos- sociais de pessoas acusadas de cometer agressãosexual contra crianças e adolescentes, no con- texto intrafamiliar e extrafamiliar, por meio dosprocessos judiciais tramitados na Vara Especia- lizada de Crimes Contra a Criança e ao Adoles-cente da Comarca de Belém, no período de 2012 a 2014.

Belém e Parauapebas). Esse período foi escolhido por reunir um número signifi cativo de processos

  Procedimentos de Coleta de Dados Os dados foram coletados por uma equipe de cinco pessoas a partir da leitura minuciosados processos judiciais de 2012 a 2014, acessa- dos por meio do Sistema LIBRA do TJPA, naVara Especializada de Crimes Contra a Criança e o Adolescente. Este estudo foi aprovado pelo Comitê deÉtica em Pesquisa com Seres Humanos do Nú- cleo de Medicina Tropical, da UniversidadeFederal do Pará (número 650.210, em abril de2014), conforme Resolução de nº 466, de 12 de dezembro de 2012 do Conselho Nacional deSaúde/Ministério da Saúde, a qual trata de tra- balhos científi cos que envolvem seres humanos.

Resultados

  De acordo com os documentos analisados, a nos documentos analisados foram denominadas maioria dos acusados que confessou em depoi- de acusadas e não de autoras de agressão sexu-mentos ter mantido alguma forma de contato se- al, uma vez que não havia uma sentença defi ni-tiva nos autos dos processos, além do respeito xual com a vítima, afi rmou que este fato ocorreucom o consentimento dela. Para a variável vínculo de parentesco, a ra- zão de chance (31.54) indicou que os acusados/as com vínculo de parentesco com a vítima possuíam 31 vezes mais chance de pertencerao contexto intrafamiliar e a razão de chance(3.631) indicou que os acusados/as com fi lhos possuíam cerca de três vezes mais chance de per-tencer ao contexto intrafamiliar, quando compa- rado a outros sem fi lhos.

Saffi , Achá, & Brarros, 2011), uma vez que os levantamentos têm apontado o predomínio de

Em que pese não haver diferença estatisti- camente signifi cativa entre o percentual de acu-

  sados dos contextos intra e extrafamiliar neste estudo, sabe-se hoje que quando há vínculo deparantesco entre a vítima e o autor de agressão e estes coabitam, a revelação da agressão sexualpela vítima tem sido descrita como mais difícil e menos comum (Baía et al., 2015). A mãe (ou outro cui-dador) da criança ou do adolescente, bem como as próprias vítimas e outros familiares, muitasvezes, não possuem relação de dependência afetiva ou fi nanceira com o autor de agressão,nem mesmo histórico de vitimização por outros tipos de violência, o que facilita a denúncia daagressão sexual quando identifi cada.

No que se refere à situação processual do autor de agressão sexual, foi possível verifi car

  O estudo de Pin- colini e Hutz (2014), sobre autores de agressãosexual no sul do Brasil, concluiu que recorrer à instância de 2º Grau foi vantajoso para os réusna maior parte dos casos, pois, pelo observado, muitos autores de agressão sexual condenadosacabaram conquistando o direito de recorrer das sentenças determinadas em liberdade. De acordo com Martins e Jorge (2010), osexo masculino é apontado como predominante entre autores de agressão sexual, e este traçopredominante nessa população reforça a pers- cpectiva de gênero que caracteriza esse tipo deviolência.

Considerações Finais

Esta difi culdade pode ser vista, portanto, como uma limitação deste estudo. A escassez de

  Muitos desses homens tiveram uma vidade privações de fi guras de referências positivas, de cuidado e afetividade, implicando em uma or-ganização subjetiva disfuncional e na manifesta-ção de comportamentos socialmente reprováveis e juridicamente puníveis. Estudos qualitativos com a população de autores de agressão sexual de crianças e adoles-centes poderiam contribuir decisivamente para a compreensão dos fatores motivadores da ocor-rência da agressão sexual no contexto intrafa- miliar e extrafamiliar, bem como na proposiçãode intervenções que possuam uma perspectiva preventiva e terapêutica.

Referências Alves, A. D. N., Santos, J. M. S., Oliveira, J. S

  Fatores de risco e de proteção na rede de atendimento a crianças eadolescentes vítimas de violência sexual. Guia escolar:Identifi cação de sinais de abuso e exploração sexual de crianças e adolescentes.

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