DIREITO DE TODOS OS CAMPONESES E CAMPONESAS

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  EDUCAđấO EDUCAđấO EDUCAđấO EDUCAđấO EDUCAđấO DO CAMPO DO CAMPO DO CAMPO DO CAMPO DO CAMPO

  DIREITO DE TODOS OS CAMPONESES E CAMPONESAS

  Arte da capa: Maria Aparecida de Lima/PE

Elaboração: Ana Rita Lima, Clarice A. dos Santos e Salete Aldrighi

Redação: Clarice A. dos Santos Arte e Projeto Gráfico: André Cerino 3344-0330 Impressão: MaxPrint Editora e Gráfica

  EDUCAđấO DO CAMPO DIREITO DE TODOS OS CAMPONESES E CAMPONESAS

  Via Campesina – Brasil Brasil - 2006

Sumário

Apresentação

  07 Introdução

  08 I. Como está a situação da educação no campo brasileiro?

  10 II. E quem garante o direito do povo do campo ao estudo?

  16 III. A Educação que queremos – Educação do Campo no Campo

  24 IV. O que queremos em matéria de Educação do Campo

  30 IV. O que fazer e como fazer para garantir o nosso direito à educação

  36

  Via Campesina é uma organização internacional de camponeses que, no Brasil congrega os seguintes movimentos e entidades: Movimento Sem Terra - MST, Movimento dos Pequenos Agricultores – MPA, Movimento dos Atingidos por Barragens –

  A

  MAB, Movimento de Mulheres Camponesas – MMC, Pastoral de Juventude Rural – PJR e Comissão Pastoral da terra – CPT.

Apresentação

  Tem entre seus objetivos e princípios a luta pelos direitos dos povos do campo aos meios de vida – à terra, à água, às florestas, o direito à proteção, habitação, e aos chamados direitos subjetivos , como aqueles necessários à construção plena da sua humanidade, como a saúde, a segurança alimentar, entre outros, e à educação e à cultura.

  E é sobre o direito dos povos do campo à educação que trataremos nesta Cartilha. Escrevemos para que todo o nosso povo do campo conheça os direitos que tem, que seus/suas vizinhos/vizinhas, seus/suas filhos/filhas e seus/suas netos/netas têm direito à Educação, direitos estes pouco conhecidos e por isto mesmo, pouco aplicados pelos que nos governam.

  Mas agora chegou a hora de conhecer para melhor exigir. Nesta Cartilha vamos ver como está a situação da educação para quem vive no campo, vamos olhar juntos para as leis e vermos o que está dito lá sobre a situação para sabermos também de quem são as responsabilidades sobre a nossa educação e por fim, vamos propor uma conversa sobre como podemos nos organizar para que estes direitos sejam cumpridos ou para quem já tem cumprido, como melhorar a educação em nossas comunidades, em nosso município, nosso estado e nosso país.

  Porque há muito tempo já aprendemos que não recebemos nada de graça, de ninguém deste mundo. Então, que esta Cartilha seja mais uma ferramenta de luta nas nossas mãos para fazermos da Educação, um direito nosso!

  Bom proveito! Bom trabalho! Via Campesina-Brasil sta é uma cartilha com sabor de luta e de diálogo. Luta

Introdução

  por um direito que é de todos os brasileiros e brasileiras: a Educação. Diálogo porque muito do que aqui está vem das várias vozes, dos diferentes sotaques e das diversas lingua-

E gens dos sujeitos que estão fazendo a Educação do Campo no País

  Com esta cartilha a Via Campesina pretende estimular e provocar, em nossas comunidades, o estudo sobre a Educação do Campo. Os textos que seguem são para informar e apoiar o debate e a reflexão coletiva dos com- panheiros e das companheiras sobre a educação, bem como para contribuir no desencadeamento de ações que procurem fazer acontecer o direito que os camponeses e as camponesas têm quanto à educação.

  Para tanto, a Cartilha está organizada em cinco Capítulos e apresen- ta uma seqüência de temas de modo a garantir que cada parte não se perca da totalidade e que não se esgote em si mesma, mas que dialogue uma com a outra e com a realidade do campo. No final de cada capítulo tem algumas questões para iniciar uma boa prosa sobre a Educação do Campo.

  A partir de resultados de pesquisas oficiais procuramos mostrar, no primeiro capítulo, como está a situação da educação no campo bra-

  sileiro, ou seja, o que temos e o que não temos em educação no campo.

  O segundo capítulo traz informações sobre onde está escrito que te- mos direito à educação e de quem é a responsabilidade de provi-

  denciar a garantia dos direitos do povo do campo à educação.

  Já o terceiro capítulo trata da educação que queremos – Edu-

  

cação do Campo no Campo. É o momento de clarear a idéia que temos

sobre educação do campo, quem faz essa educação e como ela deve ser.

  O quarto capítulo reafirma o que queremos e o que não quere-

  

mos em matéria de Educação do Campo, ou seja, mostra para o quê

  dizemos sim e para o quê dizemos não enquanto componentes necessári- os para uma educação de qualidade e que atenda a toda a população campo.

  E o último capítulo da Cartilha vai refletir e orientar sobre o que

  

fazer e como fazer para garantir o nosso direito à Educação do

Campo. É a parte que trata de como e onde podemos atuar e também

  quais as tarefas necessárias para garantir a concretização do direito à Edu- cação do Campo no Campo.

  Convidamos todos/as para que com amor e ousadia façam a leitura e o estudo dos textos com o compromisso de assumir a construção coletiva da Educação do Campo no Campo.

  Fevereiro 2006.

  Via Campesina - Brasil

  Capítulo I Como está a situação da educação no campo brasileiro

  Eu nasci aqui no mato, Vivi sempre a trabaiá, Neste meu pobre recato, Eu não pude estudá. No verdô de minha idade, Só tive a felicidade De dá um pequeno insaio In dois livro do iscritô, O famoso professô Filisberto de Carvaio.

  (Patativa do Assaré)

  No Brasil, vivem em torno de 170 milhões de pessoas. Destas cerca de 140 milhões vivem nas cidades e 30 milhões vivem no campo, o que em porcentagem significa cerca de 19% da população brasileira. São dados do Censo Demográfico 2000, segundo o IBGE –Instituto Brasileiro de Geo- grafia e Estatística.

  Isso sem considerar aqueles que vivem nas pequenas cidades e povo- ados do interior e trabalham e vivem da roça. A maior parte destas pes- soas vivem no Norte e no Nordeste, com menos participação no Centro- Oeste e Sul e pequena parte na região Sudeste. Há estudiosos que afir- mam que a população rural é maior ainda do que diz o IBGE, porque uma grande parte dos Municípios que classifica como urbanos são, na verda- de, aglomerados rurais, pois praticamente toda a população vive exclusi- vamente do trabalho do campo.Quem conhece estes Municípios, sabe do que estamos falando.

  Entre todas estas pessoas que vivem no campo, cerca de 30% é analfabeta, ou seja, não escreve e não lê. Além disso, segundo Pesquisas feitas pelo Ministério da

  Educação – MEC, por meio do Instituto de Educação e Pes- quisa – INEP, no campo, existem vagas nas escolas para apenas 25% de todas as crianças de 4 a 6 anos, e dos jo- vens com idade entre 15 a 17 anos, apenas 4% estão na escola Entre as crianças de 10 a 14 anos, em plena idade escolar obrigatória, 5% estão fora da escola, 72% estão na escola mas não estão no curso correto em relação ao que os educadores indicam como sendo adequado e somente 23% estão na série considerada adequada à sua idade.

  Ensino Fundamental somente até 4ª série Fundamental somente de 5º a 8ª série

  Fundamental Completo Ensino Médio

  Brasil Urbana Rural

  119.023 escolas 11.319 escolas

  42.166 escolas 21.304 escolas

  31.023 escolas 10.067 escolas

  30.082 escolas

  20.356 escolas 88.000 escolas

  1.252 escolas 12.084 escolas 948 escolas

  O Censo do IBGE de 2000 indicava que cerca de cerca de 10% da população analfabeta vivia na cidade e cerca de 30% viviam no campo. Como está a situação da educação no campo brasileiro

Vamos olhar o quadro abaixo e comparar, entre escolas urbanas e rurais, como está a distribuição das escolas no Brasil Nível de Ensino oferecido pelas Escolas

  Viram? No campo é assim, na medida em que cresce o nível de ensino, diminui o número de escolas que oferecem este nível. O quadro acima mostra que a grande maioria das escolas do campo (quase a totalidade) é somente de 1ª a 4ª série. E que a minoria (apenas 948) oferece o Ensino Médio.

Para Compreender !!!

  

A educação brasileira é dividida em níveis e modalidades de ensino. Em termos de Níveis: Educação

Básica envolve: a) Educação Infantil(0 a 6 anos);

  b) Fundamental(8 anos). A partir de 2006 será de 9 anos, iniciando aos 06 anos de idade; c) Média (3 anos). Educação Superior: os cursos de graduação( agronomia, veterinária, pedagogia, por exemplo) e os cursos de pós-graduação(especialização, mestrado, doutorado...) e os programas de extensão.

  

Modalidades: Educação Profissional,que visa preparar o(a) cidadão(ã) para a vida produtiva; Educação

Especial , para educandos portadores de necessidades especiais e Educação de Jovens e Adultos - EJA,

para aqueles que não tiveram condições de cursar o ensino fundamental e médio na idade própria.(LDB)

E os professores das escolas do campo, como estão?

  A mesma Pesquisa feita pelo INEP/MEC sobre a situação dos professores do ensino fundamental (1ª a 8ª série) que trabalham nas escolas do campo mostrou que de cada 100 que trabalham de 1ª a 4ª série, apenas 9 tem curso superior, ou seja, fizeram alguma faculdade. Mas há professores que não fizeram nem o magistério e nem concluíram o ensino médio (antigo segundo grau) e eles representam 8% do total.

  De cada 100 professores que atuam de 5ª a 8ª série, 57 cursaram apenas o ensino médio e de cada 100 professores que atuam no ensino médio, 21 só tem o próprio ensino médio ( leciona para o mesmo nível de estudo que ele tem) e 79 tem curso superior completo.

  E a situação das escolas do campo, como está?

  Veja no quadro mostrando em porcentagem, uma comparação entre a infra-estrutura das escolas da cidade e do campo.

Como está a situação da educação no campo brasileiro Número de escolas e os recursos disponíveis na escola – Comparativo Urbana e Rural – Brasil – 2002 Laboratório Número de Energia TV/Video/ Escolas Biblioteca de Informática Escolas Elétrica Parabólica

  Urbanas - De 1ª a 100% 40,6% 39% 27% 121.610

  8ª série e Médio Rurais - De 1ª a 28% 82% 7% 13%

  114.368 8ª série e Médio Fonte: MEC/INEP

  Este quadro só vem comprovar o que, na realidade, nós vemos todos os dias nas nossas escolas do campo. Escolas sem energia elétrica, sem biblioteca, sem acesso à computador, sem nenhum equipamento de apoio ao desenvolvimento do projeto pedagógico. Só tem o quadro, as mesas, as cadeiras ( normalmente o que sobrou das escolas da cidade), o(a) educador(a) ;às vezes tem merenda, e só. O que às vezes chamam de biblioteca é uma caixa ou uma estante com livro velho que sobrou de outra escola.

  Para Conversar:

  1. Como está a escola da nossa comunidade? Tem vaga para todo mundo ou muitas crianças e jovens estão indo para outras escolas ou mesmo para a cidade?

  2. Quantos de nossos jovens estão na universidade?

  3. O que é que a gente acha de tudo isso?

  E quem garante os direitos do povo do campo à educação? Capítulo II

  “...Fica decretado que, a partir deste instante, haverá girassóis em todas as janelas, que os girassóis terão direito a abrir-se dentro da sombra; e que as janelas devem permanecer, o dia inteiro, abertas para o verde, onde cresce a esperança.

  (Os Estatutos do Homem, Artigo III,

  Thiago de Mello )

  E quem garante os direitos do povo do campo à educação?

  Os movimentos sociais do campo, há muito tempo vem afirmando que o dever de oferecer escola para o povo é dos governos porque é deles a responsabilidade constitucional de providenciar para que o direito da população à educação seja garantido, porque são os governos que admi- nistram o dinheiro do povo.

  E onde é que está escrito que temos direito à educação? Está escrito em muitos lugares. Primeiro,está escrito na Constituição Brasileira de 1988.

  O que diz a Constituição Brasileira: Art. 205. A educação, direito de todos e dever do estado e da família, será promovida e incentivada com a colabora-

  ção da sociedade, visando ao pleno desenvolvimento da pes- soa, seu preparo para o exercício da cidadania e sua qualifi- cação para o trabalho.

  O artigo 206 determina que o ensino deve ser orientado por vários princípios: o primeiro deles é o princípio da igualdade de condições para

  o acesso e permanência na escola, ou seja, que todos tenham as mesmas garantias de poder entrar na escola e continuar na escola, estudando.

  Pelas informações que vimos no capítulo anterior, até o momento, este direito não está sendo cumprido para as populações do campo. Depois que a Constituição Brasileira garantiu a todos este direito, o

  Congresso Nacional aprovou uma Lei que vai dizer de que maneira este direito deverá ser aplicado.Esta Lei é a 9.394/96, conhecida como Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional – LDB.

  O que diz a LDB – Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional Art.5º. O acesso ao ensino público fundamental é direito público

  subjetivo, podendo qualquer cidadão, grupo de cidadãos, associação comunitária,organização sindical, entidade de classe ou outra legal- mente constituída, e, ainda,o Ministério Público acionar o Poder Pú- blico para exigi-lo.

  Viram? A Lei diz que a educação é um direito público subjetivo. Mas o que quer dizer isso? Quer dizer que é um direito de todos, independente de onde vivam, onde trabalham. Cada pessoa quan- do nasce, já nasce com este direito e ninguém precisaria pedir aos Governos que providenciasse escola para o povo. É claro que não está sendo assim, mas a Lei diz que deve ser assim.

  A LDB estabelece que, para o cumprimento deste dever do Estado, o Governo Federal, o Governo dos Estados e as Prefei- turas Municipais organizarão com responsabilidades repar- tidas , os sistemas de ensino,da seguinte forma:

  Ao Governo Federal cabe a responsabilidade pela elaboração das nor- mas para os sistemas (função normativa), pela distribuição dos recursos (redistributiva) e pela garantia dos direitos, caso uma das partes respon- sáveis não cumpra com a sua parte(supletiva). É ainda responsável pelo Ensino Superior e pela rede de Escolas Agrotécnicas Federais e Centros de Educação Tecnológica (CEFET´s).

  Ao Governo dos Estados cabe a responsabilidade com o Ensino Médio. À Prefeitura Municipal cabe a responsabilidade com a Educação In- fantil (Creche e Pré-escola) e Ensino Fundamental (1ª a 8ª série), poden- do repartir com o Governo do Estado esta responsabilidade.

  A EJA – Educação de Jovens e Adultos está no âmbito da Educação Básica , portanto, parte é dos Municípios e parte é do Estado. A Educação Especial é uma modalidade de ensino que está assegurada na escola regular, devendo as escolas dispor de apoio especializado tanto por parte do Município ou do Estado, nas escolas, para bem trabalharem com as pessoas com necessidades especiais ( tanto as com deficiência física e mental, quanto as chamadas superdotadas).

E existe diferença entre a educação do campo e da cidade?

  Sim, há diferença, mas não pode haver desigualdade. Isso significa que as escolas do campo podem se organizar de maneira que a popula- ção possa freqüentar a escola, com professores e com materiais peda- gógicos apropriados à realidade do campo.

  Onde está escrito isso? Também está na Lei. Neste caso, na LDB.

  O art.28, diz que deve ser diferente. As diferenças estão nos conteú- dos e métodos – que devem adaptar-se à realidade do campo – e na forma de organização escolar, com calendários adequados ao trabalho na agricultura (plantio,colheita,etc). A organização escolar deve ade- quar-se também às condições do trabalho no campo (horário das aulas, tempo de locomoção dos alunos, entre outros).

  E quem garante os direitos do povo do campo à educação?

  Tem também o Plano Nacional de Educação, uma outra Lei feita de- pois dizendo quanto tempo os governos terão para cumprir com as suas obrigações.

  

E o que diz o Plano Nacional de Educação?

  O Plano Nacional de Educação é uma lei aprovada pelo Congresso Nacional em 1996 , que determina as metas a serem cumpridas pelos Governos Federal Estadual e Municipal, em relação à educação.

  Este Plano definiu o período entre 1997 e 2006 como a Década da Educação. Em 2007 os governos deverão prestar contas sobre várias destas metas.Entre elas:

  a. matricular todos os alunos a partir dos sete anos no O Plano Nacional de

  ensino fundamental. Esta responsabilidade cabe aos Mu-

  Educação estabeleceu que

  nicípios, mas se os Municípios não cumprirem,quem deve

  todos os Estados e

  fazer são os o Estados.Já no caso de o Estado não poder

  Municípios devem elaborar,

  matricular todos os alunos a partir dos sete anos no ensi-

  com a participação da

  no fundamental, tal obrigação cabe ao Governo Federal;

  comunidade, os seus

  b. Oferecer cursos para os jovens e adultos que não próprios Planos de

  tenham escolaridade suficiente; Educação.

  c. Capacitar todos os professores que estão trabalhan- Neste Plano deverão constar do;

  d. Esforçar-se por fazer todas as escolas de ensino fun- as metas que cada Estado e

  damental de tempo integral;

  Município deve perseguir

  e. Todos os professores que atuem no ensino brasileiro em relação à educação. E tenham formação em nível superior. também em relação à

  f. No mínimo 30% dos jovens entre 18 e 24 anos este- Educação do Campo.

  jam na universidade.

E os recursos para tudo isso, de onde vem?

  O dinheiro da educação assim como o dinheiro que financia todos os di- reitos sociais( saúde, previdência, direitos trabalhistas) vêm da população que os paga na forma de impostos.

  Destes, o Município é obrigado a investir no mínimo uma quarta parte de tudo o que arrecada (25% do orçamento) para a educação;os Estados também são obrigados a aplicar no mínimo 25% e a União, no mínimo 18% do que arrecada.

  Em dezembro de 1996, foi criada a Lei do Fundef – Fundo de Manuten- ção e Desenvolvimento do Ensino Fundamental e

  V alorização do Magisté- rio. Por este Fundo, o Governo Federal deposita todos os meses na conta das Prefeituras, uma determinada quantia em dinheiro, de acordo com o número de alunos matriculados no Município, que são da responsabilidade do Município, os alunos da Educação Fundamental.

  Este Fundo é composto por 15% de todos os impostos arrecadados nos Estados e repassados ao Governo Federal que os devolve aos Estados e Municípios.

  Este dinheiro deve ser aplicado para garantir que estejam na escola, estudando, todas as crianças em idade escolar e para remunerar bem os professores. A Lei diz que 60% destes recursos devem ir para o pagamento dos professores e ainda determina um valor per capita, ou seja, um valor a ser repassado ao Município ou Estado por cada aluno matriculado no Ensi- no Fundamental.

  Normalmente, este dinheiro ou não é suficiente para garantir boa escola e boa remuneração para os professores ou não é usado para o fim que se deixar as crianças e os professores do campo abandonados.

  A Lei do Fundef ( Lei 9.424/97) diz ainda que para a distribuição dos recursos para os Estados e Municípios, deve ser feito um cálculo de acordo com o custo de cada aluno matriculado.Este cálculo deve levar em conta as realidades diversas, inclusive o custo de manutenção das escolas do campo.

  Esta Lei está sendo substituída por uma nova Lei que cria o Fundo para o Desenvolvimento da Educação Básica e Valorização do Magistério- FUN- DEB e vai financiar não somente o Ensino Fundamental, mas desde a Cre- che, a Pré-Escola, o Ensino Fundamental e o Ensino Médio.

  As Diretrizes Operacionais para a Educação Básica nas Escolas do Campo

  Além destas Leis já faladas anteriormente, existe ainda um outro ins- trumento legal, a Resolução n.º 001/2002. Foi feita pelo Conselho Nacional de Educação, um Conselho que reúne gente especialista em educação e que elabora normas sobre a educação para todo o país. Acima deles, só o Minis- tro da Educação.

  Então, neste Conselho, foi aprovada uma Resolução, em abril de 2002, chamada Diretrizes Operacionais para a Educação Básica nas

  

escolas do campo. É um conjunto de recomendações aos Governos so-

  bre como fazer para que todas as crianças e jovens do campo tenham edu- cação garantida e de qualidade, no campo.

  E quem garante os direitos do povo do campo à educação? Entre outras coisas, diz assim:

Art.6º. O Poder Público, no cumprimento das suas responsabili-

dades com o atendimento escolar e à luz da diretriz legal do regime de colaboração entre a União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios, proporcionará Educação Infantil e Ensino Fundamental nas comunida- des rurais ,inclusive para aqueles que não o concluíram na idade prevista, cabendo em especial aos Estados garantir as condições necessárias para o acesso ao Ensino Médio e à Educação Profissional de Nível Técnico.

  E diz mais.Veja só: Art. 28. Na oferta da educação básica para a população rural, os siste- mas de ensino promoverão as adaptações necessárias à sua adequação,

  às peculiaridades da vida rural e de cada região, especialmente.

  I – conteúdos curriculares e metodologias apropriadas às reais neces- sidades e interesses dos alunos da zona rural; escolar e fases do ciclo agrícola e as condições climáticas; III – adequação à natureza do trabalho na zona rural.

  Estas citações e referências de Lei servem para afirmar o direito à edu- cação dos povos do campo, no campo, de acordo com a realidade das comu- nidades e com financiamento público.

  Porém, leis são letra morta se não houver mobilização e pressão sobre o Município, Estado e o Governo Federal por parte de quem vive no campo e precisa de educação para que estas leis sejam cumpridas.

  Para Conversar:

  1. Vocês já conheciam estas leis? Como elas estão sendo aplicadas no nosso Município, no nosso Estado e no nosso País?

  2. Vocês já fizeram alguma coisa pelo cumprimento destas leis? E o que receberam como resposta?

  Capítulo III

A educação que queremos

  • – Educação do Campo no Campo –

  “ Pra soletrar a liberdade, na cartilha do ABC...”.

  (Zé Pinto)

  A educação que queremos – Educação do Campo no Campo

  Já entendemos, por tudo que discutimos até aqui, que temos direito à educação e direito garantido em Lei. Mas para nós, que vivemos no campo, a escola é importante, mas não basta. É importante também pensar: que escola precisamos? Que escola queremos? E que educação nesta escola?

  Educação, segundo o Dicionário Houaiss, (Houaiss foi um importante estudioso das palavras) é a aplicação dos métodos próprios para asse-

  gurar a formação e o desenvolvimento físico, intelectual e moral de um ser humano. É, portanto, um conjunto de aprendizados que as pessoas

  fazem entre si, num determinado tempo e num determinado lugar.

  Campo, segundo o mesmo dicionário é uma região além dos limites

  das cidades, e longe do litoral, na qual se praticam, em maior ou me- nor escala, atividades agrícolas e pecuárias ou onde estão situadas pequenas cidades utilizadas para recreio e férias.

  Percebemos que esta idéia de campo que o dicionário nos traz está, de certa maneira, deslocada do que vivenciamos como campo. Pois para nós, diferente do dicionário, não se separa o campo da atividade produ- tiva, do campo do lazer. Para nós, campo é tudo isso. Não é apenas o espaço da produção agrícola, mas tampouco é espaço para recreio. É importante destacar esta idéia porque ela é a base para o nosso conceito de Educação do Campo.

  O campo, como temos afirmado, é um espaço onde vivem pessoas. Pessoas que plantam e colhem; pessoas que pescam, pessoas que ex- traem da natureza o seu sustento –os chamados extrativistas; pessoas que vivem às margens dos rios e tiram dele o seu sustento, enfim, mi- lhões de famílias brasileiras que dependem do campo para viver e sus- tentar suas famílias.

  Então, se a educação é a aplicação de métodos para assegurar a for- mação integral de um ser humano, é preciso pensar como se educam os seres humanos do campo, que são bastante diferentes entre si. E foi isso então que motivou muita gente a pensar a Educação do Campo, a partir da seguinte pergunta:

Que educação para que campo?

  A Educação do Campo é um conceito novo, ou seja, é um dizer novo a respeito da educação que nós queremos e estamos lutando para ter. É um dizer que nasceu dos movimentos e das organizações sociais do campo, surgiu do meio das lutas de quem não se conforma com as coisas como estão.

  É um dizer que surgiu do meio dos sem terra, dos pequenos agricultores, dos atingidos por barragens, das mulheres camponesas, da juventude do campo, do meio das pastorais. E surgiu com a ajuda de muitos estudiosos da educação brasileira que estão nas universidades, em alguns órgãos públicos, educadores e educadoras que estão junto com o nosso povo do campo também lutando no campo da educação.

  Olhando o campo como ele é, nos fizemos a seguinte pergunta: Há sentido pensar uma educação dos sujeitos do campo sem pensar num projeto de desenvolvimento para este campo?

  Estas idéias vieram principalmente de uma visão que os camponeses tiveram ao conquistarem a terra, ao se organizarem em associações, ao participarem dos sindicatos e da vida política do país, das dificuldades encontradas para que outros trabalhadores compreendessem que tinham direitos e precisavam lutar por eles. E se deram conta de que muito do que o povo pensa tem as suas raízes na educação que tiveram.A educação de casa, a educação da igreja e a educação da escola. Concordam com isso?

  E nos damos conta que as diversas leis da educação que tratam da educação em relação ao campo, embora determinem a adaptação dos currículos, dos calendários e de outros aspectos da educação às necessidades e características regionais, não fazem mais do que sugerir uma adaptação do urbano para o campo – isto está muito claro nas palavras adaptação, ajuste, características regionais.

  O ideário da Educação do Campo afirma a necessidade de duas lutas combinadas: (1) pela efetivação do direito e pela ampliação do acesso à educação e à escolarização no campo e (2) pela construção de uma escola que esteja no campo, mas que também seja do campo: uma escola ligada na história, na cultura e às causas sociais e humanas dos que vivem no campo.

  Nós, aqui, estamos tratando da educação da escola. Para a maioria de nós, a escola pouco ensinou sobre os nossos direitos, menos ainda nos ensinou sobre a verdadeira história do nosso país, sobre o porquê da pobreza, sobre o porquê das desigualdades e das injustiças. Nem sobre o nosso trabalho e a nossa vida, a escola tratou.

  A Educação do Campo que defendemos é a idéia da educação pensada pelos trabalhadores do campo para os trabalhadores do campo nas suas mais diversas atividades – agrícolas, pesqueiras, extrativistas...

  Temos afirmado com muita clareza a respeito do dever do Estado naquilo que é a sua responsabilidade, mas não apenas reivindicamos dos Governos. Exigimos o nosso direito de participar da elaboração das políticas, as comunidades camponesas devem se envolver nas questões que se referem à educação nos seus Municípios, no Estado e no País.

  A educação que queremos – Educação do Campo no Campo Para Conversar

  1.Está claro o porquê de falarmos de Educação do Campo e não falarmos de Educação Rural ou Educação no Campo¿

  1. Qual deve ser a diferença entre a educação da cidade e a Educação do Campo, nas escolas do campo¿

  3. Você tem participado na sua comunidade, no seu Município ou no seu Movimento desta discussão sobre a Educação do Campo¿

  Capítulo IV O que queremos em matéria de Educação do Campo

  “ Não vou sair do campo Pra poder ir pra escola A Educação do Campo É direito, não esmola(Gilvan Santos)

  O que queremos em matéria de Educação do Campo

  Neste capítulo, trataremos diretamente de que componentes são necessários para uma Educação do Campo de qualidade, que atenda a toda população do campo que quer, precisa e tem direito à educação pública.

  Se voltarmos a pergunta sobre que escola os movimentos do campo já pensaram e até fizeram, vamos quebrando com a organização do ensino em gavetas . A vida camponesa segue outra dinâmica. Aprende- se interagindo com a natureza, no trabalho com a família, pais, avós; nas conversas, nas festas das comunidades; nas igrejas, onde se encontram para celebrar, cantar; e também nas mobilizações,nas marchas...

  Queremos políticas públicas de educação do campo que garantam desde a pré-escola até o acesso e permanência

  Identidade Camponesa

  a universidade. E que a escola seja do campo e no campo,

  significa viver o que vive o

  que os processos pedagógicos( as práticas dos professores

  povo do campo, sentir o

  e trabalhadores da educação em relação à população)

  que o povo sente, conviver

  atendam as características camponesas e não urbanas. Por

  com o povo do campo e

  isso a importância de ter educadores/as profissionais do

  

suas causas. próprio campo. Entendemos que os/as educadores/as são

  mais que professores, e a escola é mais do que

  Mesmo que não seja um

  escolarização. Uma construção pedagógica onde os

  trabalhador do campo, o

  educadores tenham o tempo e as condições necessárias

  educador que vive, sente e

  para se construírem educadores com identidade

  convive, faz-se camponesa. companheiro nas suas lutas, também.

  Temos clareza que somos nós que alimentamos nossas

  Identifica-se com os seus

  famílias, nossas comunidades e a nação. Não negamos o

  viveres, seus saberes

  valor de quem trabalha na cidade, mas estamos afirmando e seus prazeres. que não somos atrasados e não somos “jeca tatu” ou

  E transforma estas vivências

  merecedores de “meia” educação. Temos direito à

  em parte do processo educação em todos os níveis. pedagógico, articulando

  Há um conjunto de relações sociais que formam o campo

  com a ciência, a história,

  e isso deve entrar pelas portas das escolas, ir até a cozinha

  a literatura, a matemática,

  escolar, biblioteca, sala-de-aula, diário dos professores, a arte, a geografia... livros didáticos até as discussões/práticas pedagógicas dos professores.

O que queremos

  A construção e reativação das escolas que foram fechadas no campo e que as escolas de, pelo menos até a 4º série, sejam nas próprias comunidades onde residem os camponeses e outros habitantes do campo;

  O acesso imediato à educação infantil. A educação infantil – de 0 a 6 anos – tem de ser uma realidade para os povos do campo; A construção de alternativas pedagógicas que viabilizem com qualidade a existência de escolas de educação fundamental e de ensino médio no próprio campo. No caso do nível médio, pode ser pelas escolas agrotécnicas, pode ser pela pedagogia da alternância (1 tempo na escola/ 1 tempo na comunidade), pode ser escola em regime de internato;

  A educação de jovens e adultos (EJA) deve ser apropriada à realidade do campo, com financiamento que atenda esta característica, porque os custos para educar um(a) aluno(a) do campo são mais altos que os custos para educar um(a) aluno(a) da cidade ;

  A educação superior deve ser levada para o interior do Brasil, por meio das universidades públicas, gratuitas, com concessão de bolsas de estudo , auxílio - alimentação e auxílio – moradia.Também devem ser implantadas novas formas de entrada nas universidades públicas, não somente pelo vestibular;

  Cursos e turmas específicas de nível médio e superior, para a formação de profissionais do campo – técnicos(as), professores(as), com formação apropriada para os diferentes sujeitos do campo;

  Uso social apropriado das escolas agrotécnicas e técnicas municipais, estaduais e federais, atendendo às necessidades dos trabalhadores e trabalhadoras do campo, visando o fortalecimento das comunidades no domínio das técnicas, de maneira que se tornem autônomas nas decisões sobre o que e como produzir, de acordo com os seus interesses e necessidades.

  Transformar a escola na referência cultural da comunidade.Para isso, é necessário que as escolas sejam equipadas com bibliotecas, gibitecas, videotecas, telecentros com acesso à internet e outras estruturas necessárias ao cumprimento deste objetivo.

O que queremos em matéria de Educação do Campo O que não queremos

  Não queremos nucleação das escolas na cidade, pois este caminho das crianças e jovens do campo para a cidade, para estudar, é o mesmo caminho que leva estas mesmas crianças e jovens a abandonar a roça, criando a idéia de que para estudar tem de sair da roça.

  Não queremos transporte escolar da roça para a cidade. O transporte escolar, quando feito em longas distâncias e em condições precárias (tanto do veículo quanto das estradas) como normalmente é o transporte escolar no interior, é responsável pelo desânimo das crianças em relação à escola e por acidentes graves.

  Não queremos que a formação para nossos(as) professores(as) e para nossos(as) técnicos(as) seja aquela formação chamada “gambiarra”, que oferece cursinhos rápidos, à distância, sem método, com conteúdo livresco, normalmente com bastante gasto e sem nenhuma qualidade.

  Não queremos ser tratados como indigentes e carentes, como um povo que não produz nada e que precisa de favores do Estado. Não. Nós fazemos estas exigências porque somos um povo trabalhador, que produz riquezas para o país e temos tanto direito quanto qualquer povo que more em qualquer lugar.

  Para Conversar:

  1. O que entendemos por “educação como direito de todos e dever do Estado”?

  2. Sobre as nossas propostas para a Educação do Campo, o que vocês acham? E sobre o que não queremos, é isso mesmo?

  3.Que outras necessidades nós temos e que poderiam ser transformadas em ação de governo para garantir o direito à educação das nossas crianças, jovens e adultos?

  O que fazer e como fazer para garantir o nosso direito à Educação do Campo Capítulo VI

  ...É tempo sobretudo de deixar de ser apenas a solitária vanguarda de nós mesmos. Se trata de ir ao encontro. ( Dura no peito, arde a límpida verdade dos nossos erros. ) Se trata de abrir o rumo.

  (Thiago de Mello)

  

O que fazer e como fazer para garantir o nosso direito à Educação do Campo

  Já tratamos no capítulo anterior que a Educação é um direito dos povos do campo e não é nenhum favor feito pelo Município ou pelo Governo do Estado ou pelo Governo Federal.

  Porém, nenhum direito se concretiza, vira prática se não tiver garantida uma política pública que assegure este direito. Uma política pública é a ação do Estado, a ação do Governo em favor de determinada questão. E especialmente no caso da educação que exigimos para os nossos povos do campo, estamos convencidos é somente através do sistema público que poderá acontecer. Mas é preciso que este sistema tenha os recursos e os meios por onde fazê-la.

  A nós, movimentos sociais do campo, que por diversas vezes pautamos a sociedade brasileira sobre este tema da educação, cabem também algumas tarefas, sem as quais nada se efetiva,já sabemos.

NOSSAS TAREFAS

  Uma é nossa ação pedagógica dentro do nosso grupo, ir discutindo a idéia que o povo do campo tem uma identidade própria. A outra é desenvolver as condições que ajudem os camponeses a não cair nas garras da visão e prática capitalista. O nosso reconhecimento de quem somos e que lugar ocupamos na sociedade torna-se fundamental para nos afirmarmos como protagonistas de nossas histórias.

COMO E ONDE PODEMOS ATUAR

  Tomar nas nossas mãos a condução deste processo e aos poucos inserir o nosso povo nas discussões sobre a educação e a cultura camponesa no nosso cotidiano.

  Só somos capazes de nos posicionar se conhecermos os contextos, a história e as leis. Então teremos que fazer este debate em cada comunidade camponesa, nos assentamentos, enfim, com cada companheiro e companheira. É na consciência coletiva que nos fortalecemos partimos para a ações concretas da luta.

  Estamos organizados nos nossos Movimentos e entidades e cada um tem a sua própria dinâmica, portanto, é dentro destas que organizaremos nossos debates e participação nas discussões e ações de Educação do Campo. O MPA, o MST, o MAB, o MMC, a PJR e a CPT por serem organizações com presença nas comunidades camponesas, devem contribuir nas discussões com as escolas das redes municipais, estaduais e também com a rede federal das escolas técnicas e agrotécnicas.

  Mas também temos de buscar incluir os outros sujeitos do campo - os quilombolas, os ribeirinhos, os povos da floresta, os caiçaras, para criarmos uma rede de solidariedade e luta conjunta pelo direito á educação.

  Temos nossa visão de educação e queremos debater com os professores, diretores enfim, com os/as trabalhadores/as de educação. E também e principalmente com os poderes públicos. Os filhos e filhas dos camponeses estão lá nas escolas das comunidades e também nas escolas pólos. A Educação do Campo precisa ser incorporada nos planos estaduais e municipais, com a participação dos movimentos .

  AGORA...

  ...é preciso ter sempre presente que, caso nossos direitos continuem a ser negados pelos Governos, devemos criar as condições para que sejam assegurados. Aí valem as nossas diversas formas de pressão: ocupação, negociação, buscar o apoio da sociedade para as nossas reivindicações e se preciso, acionar o Ministério Público para que ele fortaleça a nossa luta perante o Estado.

  O importante é que tomemos nas mãos as rédeas do nosso futuro.

  Para Conversar:

  1.Nossa comunidade tem escola ou nível de ensino para todos que necessitam?

  2.Se não temos, o que faremos imediatamente?

  3.Que alternativas poderíamos apresentar para que toda a população tenha o direito à educação garantido, na prática?

  O que fazer e como fazer para garantir o nosso direito à Educação do Campo

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

  Brasil. Constituição da República Federativa do Brasil, 2001.8ª ed. Brasil. Por uma Política Pública de Educação do Campo – Declaração Final. II Conferência Nacional por uma Educação do Campo. Luziânia,GO: 2004. Brasil.Referências para uma Política Nacional de Educa-

ção do Campo. MEC . Caderno de Subsídios.Brasília,DF: 2003.

Brasil. Diretrizes Operacionais para a Educação Básica das Escolas do Campo. CNE/MEC,Brasília,DF: 2002.

  

Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional. Lei n.º

  9.394/96

  Plano Nacional de Educação. Lei n.º 10.172/2001

  Lei nº 9.424/97 – Fundo para o Financiamento da Educa- ção Fundamental e Valorização do Magistério.

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