UNIVERSIDADE FEDERAL DE ALAGOAS PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM LETRAS E LINGUÍSTICA ÁREA DE CONCENTRAÇÃO – ESTUDOS LITERÁRIOS LINHA DE PESQUISA – LITERATURA E HISTÓRIA JOSÉ NOGUEIRA DA SILVA

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AGRADECIMENTOS

  Nenhuma norma é absoluta ou irrevogável, mas parto do princípio de que ninguém pode transgredir aquilo que nãoconhece, e o verdadeiro inovador é aquele que sabe bem do que é que, afinal, se cansou. RESUMO Este trabalho analisa o hibridismo cultural na Literatura de Cordel no Brasil e a carnavalização bakhtiniana em Leandro Gomes de Barros, tendo como principal base teórica aobra A cultura popular na Idade Média: o contexto de François Rabelais de Mikhail Bakhtin.

SUMÁRIO

  O projeto renovador abarca dois aspectos que se complementam, um dele é a procura contínua pela inovação e o aperfeiçoamento, algo típico de uma relação coma natureza e com um meio livre de imposições de como deve ser o mundo; do outro lado, a busca por diversas revisões dos signos de diferenciação que o consumo de massa desgasta. Como argumentos para interpelar a respeito das diferentes visões da modernidade e suas relações, o autor constrói três hipóteses: a primeira delas afirma que as incertezas em relaçãoao sentido e ao valor da modernidade não vêm apenas do que separa as nações, etnias e classes, mas também deriva dos entrelaçamentos em que se misturam o tradicional e o 19 moderno .

Eis uma “trova” goliardia, citada por Segismundo Spina (“Lírica Trovador esca”, pág. 29):

  Ribera não ficou por aqui: a circunstância de as cantigas piedosas de Afonso X, o Sábio, terem em geral a forma do zéjel, e o facto de aquele rei ter ao seuserviço um grande número de músicos árabes, levou-o a estudar a melodia das Cantigas de Santa Maria e a concluir que a forma versificatória foradecalcada sobre a música, retintamente árabo-andaluza. O autor também chamou a atenção para a posição do artista em meio a isso, pois reforça a afirmação de que a arte ser um fato social depende de convenções, e isso estabelecemaneiras coletivas de compreensão e aceitação, como “também diferenciam os que se instalam em modos já consagrados de fazer arte dos que encontram a arte na ruptura das 128 .

Teixeira”

  Como a popularidade do Cordel alcançou seu clímax na primeira metade do século XX, a segunda metade do século XIX deu os primeiros passos com a inserção de tipografias em algumas cidades do Nordeste, o que facilitou o registro de muitos poetas e o aparecimentodos cordelistas, muitos deles também repentistas. Conta-se um fato curioso a seu respeito: é que uma vez fora acusado e denunciado na Comarca de São João do Cariri,Paraíba, de ter sido cúmplice na tomada de um preso chamado Manuel Queiroz, o qual havia escapado da cadeia local.

Atribui- se a Silvino Pirauá a assimilação da sextilha e a “deixa ”, recurso pouco usado entre

  Acrescentando ao que já foi dito sobre Pirauá, Batista (1977) ratifica ter sido ele discípulo de Romano do Teixeira e precursor do romance em versos, tendoemigrado para o Recife na seca de 1898, juntamente com José Galdino da Silva Duda (1866-1931) e Antônio Batista Guedes (1880-1918) e possivelmente outros, e assim viveu cantando pelas feiras e posteriormente aproveitando a oportunidade de imprimir folhetos de Cordel evender por onde passava. Os cordelistas mencionados (Silvino Pirauá, Leandro Gomes de Barros, FranciscoChagas Batista e João Martins de Ataíde) passaram pela cidade de Recife, um ponto de confluência entre os fundadores da Literatura de Cordel no Brasil, novidade literária queconquistou leitores em todo o Nordeste durante um curto período de tempo.

Independente do autor ter utilizado, ou não, o termo “influência” com o sentido de uma cultura estrangeira ter sido reproduzida em território brasileiro, cabe atentarmos para a

  Por isso, propomos uma busca por delimitar a formação do Cordel que levasse em conta o hibridismo cultural presente não apenas nele, mas na formação de qualquer expressãocultural, além de sua ligação com a oralidade, de modo a ajudar a compreender a complexidade e a importância do cordel para a formação da Literatura Brasileira. A teoria da cultura cômica popular na Idade Média e no Renascimento é descrita brevemente por Bakhtin em Problemas na poética de Dostoiévski, mas a versão maisabrangente e inovadora é encontrada na sua tese de doutorado que mais tarde foi por ele revisada e tornou-se A cultura popular na Idade Média e no Renascimento: o contexto de François Rabelais .

Nem jeito p’ra trabalhar O marinheiro da venda

  Lá é que se bota barrigaE lá subi com a alma Num automóvel de ventoEntão a alma me mostrava Todo aquele movimentoAs maravilhas mais lindas Que existem no firmamentoPassamos no purgatório Tinha um pedreiro caiandoMas adiante era o inferno Tinha um diabo cantandoE e alma de um ateu Presa num tronco apanhandoAfinal cheguei ao céu A alma bateu na portaCom pouco chegou S. Enquanto Bakhtin tomou objeto de estudo a obra de Rabelais e a presença da cosmovisão carnavalesca oriunda dos carnavais medievais, a escrita de Leandro Gomes tambémproporciona a inversão de estruturas hierárquico- sociais, enquanto a “alma” já no céu, ou seja,com a salvação cristã alcançada, deseja a aguardente “imaculada”.

A bebida em direção a o interior do indivíduo, portanto para as “tripas”, também nos

  310 nascimento,Segundo Discini (2014), na uma vez que “são as entranhas que dão a luz.”literatura carnavalizada há um mundo ao revés e degradações próprias deste mundo, elas são definidas a partir da relativização de verdades, isso ocorre quando a lógica das permutações 311 permite a estruturação da cosmovisão carnavalesca . A ausência do medo provoca a perca de devoções, o que pode ser substituído por relações de escárnio ou zombaria, algo que não houve durante odiálogo entre o mortal e os três personagens supracitados, mas o mesmo diálogo mostrou outra situação também típica da carnavalização; o “livre contato familiar”.

No C ordel “Uma viagem ao céu”, presenciamos a quebra de barreiras hierárquicas

  ”Para Bakhtin: “Nas grosserias contemporâneas não resta quase mais nada desse sentindo ambivalente e regenerador, a não ser a negação pura e simples, o cinismo e o mero insulto.” 322 Contrariando essa visão pessimista, e a afirmação de que “Toda hierarquia é abolida no 323 carnaval. Todas as camadas sociais, todas as idades são iguais , mesmo que haja uma” subalternidade da ama que serve aos dois, e portanto a ratificação de uma hierarquia docotidiano, entre o homem mortal, a alma e São Pedro não percebemos barreiras hierárquicas, há distinções, peculiaridades, mas a relação entre eles não é hierárquica.

A segunda grande categoria utilizada por Bakhtin para a delimitação da influência 320 popular em Rabelais se chama: “Obras cômicas verbais”, na qual o autor evidencia diversas

  329(Repetido a pedido.) O título do poema evidencia a sátira de uma oração cristã, isso leva o leitor a perceber antecipadamente que haverá a presença da oração “Pai-Nosso”, ou “Padre-Nosso” neste caso,intertextualizada com o tema que será abordado; a cobrança de impostos. Encontramos na 15º estrofe a confissão de que “não podemos pagar/ As nossas dívidas”, diante desse compreende que “Não temos mais o que fazer”, pois não há no poema ademonstração de querer se equiparar aos poderosos, mas de vê-los equiparado a ele, já que a presente situação considera irreversível: “Deus queira que elle fique/ Assim como nós”.

O poema “Padre nosso do imposto”, assim como as sátiras medievais, criou um 359 segundo mundo no qual o poeta pode expressar críticas às autoridades políticas. A forma

  Para Emerson(2003); “o riso nos ajuda a realizar a mais difícil das tarefas, que é ver-nos como atores muito 364 , com isso, ela acrescenta pouco importantes na multiplicidade de tramas de outras pessoas”a ideia do “eu” como uma idiossincrasia que não obstante se autorreconhece como somente uma entre várias partes de uma coletividade. 365 era ainda perfeitamente vivo e sentido de maneira mais clara .positivo A utilização desse vocabulário por François Rabelais foi uma verdadeira revolução neologística, além de ser um vocabulário capaz de trazer para o plano material e corporal umplano sagrado, elevado, isso realizou o que Bakhtin denomina de realismo grotesco.

D’alfandega e thesouro inspectores Da cadeia e theatro os empregaodos

  Uma velha parindo foi cagada, Caguai pobres e ricos caguei tudo, Caguei a Duqueza do Linguarudo,De todas as nações eu caguei gente, Que estava com o cú quasi dormente,Caguei do Amazona ao Pará, Maranhão,Pianhy e Ceará,Caguei o Brazil e o estrangeiro Caguei mesmo o mundo inteiro,Merda rala sahio de enxurilhada, Foi pura e sem mistura a tal cagada,E’ possível de se ver neste papel, Os effeitos que me fez o tal Chrystel! Nossa ideia de hibridismo cultural vai de encontro com a do folclore clássico, entre estas, a de uma cultura popular queteve um momento de glória e se degenerou, ideia semelhante a que Bakhtin defende, por isso preferimos não reformular sua ideia de carnavalização, mas reavaliar suas considerações arespeito da cultura popular.

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