José Inácio da Costa Fernandes A Missão da Fé Apostólica em Santa Maria - décadas de 1980-1990

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José Inácio da Costa Fernandes

A Missão da Fé Apostólica em Santa Maria - décadas de 1980-1990

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José Inácio da Costa Fernandes

A Missão da Fé Apostólica em Santa Maria - décadas de 1980-1990

Trabalho Final de Graduação apresentado ao Curso de História - Área de Ciências Humanas, do Centro Universitário Franciscano, como requisito parcial para obtenção do Grau de Licenciado em História.

Orientador: Prof. Dr. Carlos Roberto da Rosa Rangel

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José Inácio da Costa Fernandes

A Missão da Fé Apostólica em Santa Maria - décadas de 1980-1990

Trabalho Final de Graduação apresentado ao Curso de História - Área de Ciências Humanas, do Centro Universitário Franciscano, como requisito parcial para obtenção do Grau de Licenciado em História.

___________________________________________ Prof. Dr. Carlos Roberto da Rosa Rangel – Orientador (Unifra)

___________________________________________ Profª. Ms. Janaina Souza Teixeira (Unifra)

___________________________________________ Profª. Dr. Nikelen Acosta Witter (Unifra)

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RESUMO

O presente trabalho sistematiza uma retrospectiva histórica do movimento pentecostal e sua vinda para o Brasil e Santa Maria, destacando-se o caso da Igreja Apostólica. O objetivo é identificar como deu-se a consolidação e a expansão da Igreja Apostólica em Santa Maria, a partir das práticas ritualísticas e dos dogmas, tendo como referência teórica a obra O homem bidimencional de Abner Cohen. Através deste estudo, identifica-se o surgimento do pentecostalismo clássico, seus dois fundadores Charles Parham e William Seymor, mostrando as origens, continuidades e também rupturas dentro do movimento, até a vinda do Missionário J B Lambeth ao Brasil. Demonstra-se, que a unidade da Igreja Apostólica do Brasil, com sede em Santa Maria, buscou um ministério diferenciado das demais igrejas trinitárias, entre setores sociais de baixa renda, enfatizando a espontaneidade dos cultos, o ritual do batismo por imersão, a glossolalia e a reafirmação do dogma unicista.

Palavras-Chave: Movimento Holiness. Charles Parham. William Seymour. Missão da Fé Apostólica. Pentecostalismo.

ABSTRACT

This paper classifies a historical retrospective of the Pentecostal movement and its coming to Brazil and Santa Maria, highlighting the case of the Apostolic Church. The goal is to identify how has the consolidation and expansion of the Apostolic Church in Santa Maria, from the ritual practices and dogmas, with reference to theoretical work man bidimencional Abner Cohen. Through this study, we identify the emergence of classical Pentecostalism, its two founders Charles Parham and William Seymour, showing the origins, continuities and ruptures also within the movement, until the coming of JB Lambeth Mission to Brazil. It is shown that the unity of the Apostolic Church of Brazil, headquartered in Santa Maria, sought a different ministry from other churches trinitarian between social sectors in low-income, emphasizing the spontaneity of worship, the ritual of baptism by immersion, the glossolalia and reaffirmation of dogma Oneness.

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SUMÁRIO

INTRODUÇÃO... 09

RELIGIOSIDADE POPULAR... 10

O MOVIMENTO PENTECOSTAL... 12

PRIMÓRDIOS NOS ESTADOS UNIDOS... 14

O AVIVAMENTO NA RUA AZUSA... 16

CHEGADA DA IGREJA APOSTÓLICA DO BRASIL (IAB) NO BRASIL E EM SANTA MARIA... 21

A INSTITUCIONALIZAÇÃO DA IGREJA APOSTÓLICA EM SANTA MARIA... 24

DISTINÇÃO E DELIMITAÇÃO DA UNICIDADE DO GRUPO... 26

CONSIDERAÇÕES FINAIS... 36

BIBLIOGRAFIA... 38

FONTES ELETRÔNICAS... 38

FONTES DOCUMENTAIS... 39

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LISTA DE FIGURAS

FIGURA Nº1: Charles Fox Parham... 14

FIGURA Nº2: Agnes N. Ozman... 15

FIGURA Nº3: William Joseph Seymour………... 17

FIGURA Nº4: Rua Azusa nº 312. Lateral e frente do prédio conhecido como “Missão da Fé Apostólica”... 18

FIGURA Nº5: Rua Azusa nº 312. Em frente ao prédio da “Missão da Fé Apostólica”.... 18

FIGURA Nº6: Missionário J B Lambeth... 22

FIGURA Nº7: Garagem construída para realização dos cultos, junto a casa... 27

FIGURA Nº8: Certidão de Batismo de Soslange Margareth dos Santos Silva... 29

FIGURA Nº9: Ponto de pregação da Igreja Apostólica... 31

FIGURA Nº10: Construção da casa pastoral – Vila Kennedy... 34

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INTRODUÇÃO

O pentecostalismo é um movimento que marcou profundamente as diretrizes religiosas no final do século XIX e início do XX, na América, pois a expansão de forma surpreendente e em poucas décadas se alastrou por várias partes do mundo. Mais do que isso, o movimento acarretou mudanças profundas na história do cristianismo.

Muitos são os grupos dentro das sociedades, com culturas diferentes e diversificadas, logo temos várias maneiras de compreender o mundo. Portanto, o compromisso histórico não pode deixar de estudar nem uma dessas compreensões, tanto política ou econômica, cultural ou religiosa, sem excluir nenhuma delas, realizando um estudo de caso que contemple as peculiaridades das pessoas, dentro do grupo e na sua organização.

Neste trabalho, vamos estudar a consolidação de uma comunidade religiosa em Santa Maria, a Igreja Apostólica do Brasil, que é fruto do Movimento Pentecostal. Mostrar suas práticas ritualísticas, os cultos de forma espontânea, a manifestação mística do falar em línguas (glossolalia), foi um dos grandes questionamentos em questão no movimento e a distinção do grupo em relação aos demais, bem como mostrar a complexidade do tema e a necessidade de estudá-lo de forma mais profunda e não com um olhar superficial do assunto, evitando tendências generalizadas. Isto será possível através de pesquisas específicas, onde vamos ter as distinções dos vários grupos que se formaram no desenrolar do processo histórico.

No que concerne ao Movimento, vamos usar como referencial teórico Abner Cohen (1978), que estuda grupos e suas relações de poder em sociedades complexas, tanto de caráter político como religiosos, estudando o comportamento simbólico e suas estruturas. Para realização do trabalho, destacaremos o capítulo V que tem como subtítulo Estratégias simbólicas na organização de grupos, Organização informal e funções organizacionais, detendo-nos neste último tópico, tratando das funções dentro do grupo até sua consolidação em Santa Maria.

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Religiosidade Popular

Em qualquer sociedade há variados grupos, que se confrontam, competem, aliam-se, podendo ser políticos, religiosos e outros. Muitos deles são informais, pois se formam dentro do Estado e passam a se articular informalmente. São muitos os fatores que levam grupos a se organizarem informalmente, existem aqueles que são pobres, sem conhecimento para organizarem-se dentro da estrutura formal do Estado e por outro lado surgem empecilhos burocráticos e materiais, que impedem a organização formal de muitos deles. Portanto, somente um grupo bem organizado pode se articular perante outros com maior força, estando bem organizado (COHEN, 1978).

Para superar as diferenciações que desagregam os grupos, existe várias estratégias: como o emprego de um conjunto de simbologias comuns, o emprego de rituais, o estilo de vida compartilhado pelo grupo, a existência de lideranças e a necessidade de resolver problemas com o apoio do grupo.

Dentro desses distintos grupos, muitos signos, símbolos e características são usados com o intuito de caracterização e diferenciação. Utilizando princípios e simbologias, com o objetivo de manter a identidade, há um esforço para acentuar suas próprias características, como: vestimentas, tatuagens, corte de cabelos, marcas faciais, códigos e gestos.

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denominações, cujas clivagens estavam justamente nessas diretrizes dogmáticas, fazendo com que cada um deles tivesse direções e propostas diferenciadas.

Dentro dos diversos grupos há membros que têm suas atividades particulares, mas que se reúnem para trocar idéias, experiências e mensagens, tais encontros são meios de comunicação, encontros rituais e cerimônias, mediadas por um líder político ou religioso – nesta pesquisa, trata-se de um caso religioso. Dentro desses encontros, são identificados problemas comuns dos vários integrantes do grupo e também soluções para os problemas em nome de todos.

Os participantes de um grupo, embora tenham interesses comuns, não significa que concordarão ou agirão em conformidade com os interesses gerais, mas o convívio com as práticas de assimilação social e dogmática conduz para uma situação de concordância com o grupo do qual fazem parte. Os membros das comunidades pentecostais, que se formaram a partir do Movimento Pentecostal no início do século XX, tiveram suas vidas privadas e seus hábitos alterados. O modelo de vida, que muitos levavam, mudou completamente, assim como acontece hoje com muitas pessoas nas igrejas, que são fruto desse movimento.

Portanto, a vida privada é afetada pelos interesses e necessidades coletivas, onde há uma forte integração social. No princípio do Movimento, as reuniões ocorriam em casas velhas, tendas, ruas e hoje, ocorrem nos templos das igrejas, com um forte discurso difundido por um líder condutor, propagando a necessidade de buscar respostas para todos integrantes.

Além das atividades ritualísticas, ocorrem atividades sociais para favorecer o convívio, visando à integração e união do grupo, a exemplo do que ocorre nas datas comemorativas como o dia das mães com almoço e outras atividades recreativas, passeios, excursões etc.

As ligações entre a esfera privada e a pública são realizadas por um poder simbólico, que se formaliza por meio das normativas e dos princípios gerais de ação, os quais sustentam a estrutura de autoridade (COHEN, 1978). Toda ordem social envolve hierarquia, e no caso das comunidades religiosas os líderes representam esta liderança mística, criando um elo entre Deus e o homem. Esta hierarquia, ordem e autoridade ocorrem através da manutenção do grupo, acontecendo um estímulo mútuo, embora os membros tenham seus afazeres pessoais e atividades particulares, ocorre esta manutenção da ideologia. Esta ideologia é preciso ser sustentada por uma doutrina, esta doutrina significa toda a base da crença e dos princípios religiosos.

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pois não é só política ou econômica, com questões geográficas, lutas de classes ou heróis, mas muito mais, é o comer de um determinado povo, o vestir de roupas coloridas ou menos coloridas, os deuses nos quais acreditam em seus rituais, suas magia.

Dependendo do objeto de estudo, o historiador pode destacar mais o aspecto político, econômico ou religioso, mas a diversidade das experiências humanas, dos grupos sociais e das culturas torna essa tarefa em algo precário e que, frequentemente, exclui a dimensão cotidiana do convívio das pessoas, nos diferentes momentos históricos.

Uma noção tida geralmente como características de tudo o que é religioso é a de sobrenatural. Entende-se por isso toda ordem de coisas que ultrapassa o alcance de nosso entendimento; o sobrenatural é o mundo do mistério, do incognoscível, do incompreensível. A religião seria, portanto, uma espécie de especulação sobre tudo o que escapa à ciência e, de maneira mais geral, ao pensamento claro [...] (DURKHEIM, 1996, p. 5).

Sobretudo nos estudos sobre a religião, percebe-se que a política e a economia acabam ficando subjacentes às paixões e aos apelos da ideologia religiosa, como verifica-se nas mobilizações mais agressivas dos povos Islâmicos, bem como as perseguições que ocorreram na idade média, feitas pelas a Igreja Católica, Inquisição e outras.

Para muitas pessoas, a sua crença é algo tão forte que ela daria sua vida por suas convicções, pois acredita estar portando uma verdade. De fato, a verdade religiosa, ou a revelada, constitui uma dimensão do conhecimento humano, assim como a verdade filosófica e a outra, que se originou da anterior, ou seja, a verdade científica.

A narrativa histórica trouxe, sobretudo após a difusão do Positivismo, um desejo de verdade racional e empírica que não pode ser satisfeito totalmente, uma vez que o comportamento humano abrange tanto a razão quanto a superstição, tanto os dados e fenômenos empíricos, quanto a dimensão metafísica e mística. O propósito desta pesquisa não é mistificar práticas sociais e culturais, ou fazer um tratado metafísico sobre a fé, mas realizar um estudo de caso, que contempla a cotidianidade das pessoas no interior de uma organização religiosa, nos seus momentos de institucionalização.

O Movimento Pentecostal

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lembrarmos que o século XIX foi o século dos adeptos da racionalidade científica e dos “livres-pensadores”, da ciência avançada, dos filósofos que se contrapuseram aos movimentos religiosos, como Schopenhauer e também Nietzshe, os quais se opuseram ferrenhamente a Igreja Católica.

Quando surgiu o Movimento Pentecostal, estava-se no período da Belle Èpoque, era um século que havia respostas com bases técnica e científica para o homem. Porém, com o fracasso das perspectivas de uma mesma Humanidade unida por uma razão moral e prática e com a tragédia da Primeira Grande Guerra Mundial, os anseios por sociedades movidas pelo constante progresso moral - prometido pela racionalidade científica - não foram inteiramente respondidos.

Por isso, é importante estudarmos o Movimento Pentecostal tendo em conta esse contexto de esperança e desalento, concomitantes, que fez com que surgisse a necessidade de novas experiências religiosas, que ultrapassassem as práticas e dogmas das igrejas hegemônicas daquele período.

A Igreja Católica tinha se tornada fria e formal; na segunda metade do século XIX surgiu nas Igrejas Metodistas um movimento que dava ênfase para a plena santificação e esta plena santificação era chamado de “segunda bênção”. Este movimento passou a ser chamado de “holiness” (santidade). Alguns pregadores do movimento “holiness” passaram, com o decorrer dos anos, a falar de uma terceira benção, sendo o batismo com o Espírito Santo e com fogo a terceira experiência na vida cristã, reforçando um dogma que muitos religiosos já haviam falado anteriormente, mas que agora vinha à tona com mais força evocativa. Os adeptos do movimento, que acreditavam nessa experiência do batismo com Espírito Santo e com fogo, fundamentavam-se na Igreja primitiva, onde a Bíblia fala que no dia da Festa de Pentecoste1, estavam 120 pessoas reunidas no cenáculo e, de repente, um vento impetuoso encheu aquele lugar, onde houve línguas repartidas de fogo que repousaram sobre cada um dos que estavam naquele lugar e todos passaram a falar em línguas estranhas (Atos dos Apóstolos 2:1-4).

Desde então, definiu-se dogmaticamente a origem e a diferenciação do grupo, como forma de alteridade estabelecida com a compreensão protestante e católica. Mais do que isso, tratava-se de estabelecer um padrão de identificação, de base empírica, daqueles que recebiam o Espírito Santo tomando como manifestação sagrada “a capacidade de falar em outras línguas” sem a necessária instrução ou contato com falantes de línguas estrangeiras.

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Ainda que haja um forte componente mágico nesse comportamento místico, deve-se buscar as bases do movimento no processo histórico. John Wesley, que desde o século XVIII já falava de uma doutrina da perfeição cristã ou santificação, afirmava que o cristão deveria ter um “novo nascimento”, uma vida na plenitude do Espírito (CAMPOS, 2008). A doutrina de Wesley ganhou espaço maior no século XIX quando surgiu o movimento “holiness” no seio da Igreja Metodista, tornando-se precursora do movimento pentecostal, pois o pentecostalismo é herdeiro das idéias de Wesley, que dava ênfase para a santificação e uma vida com o Espírito Santo.

Primórdios nos Estados Unidos

Em 1898, um pregador Metodista, Charles Fox Parham, (figura nº1) aos seus 25 anos, juntamente com sua esposa, estabeleceram um lar para abrigar as pessoas que necessitavam de curas, chamado de Curas Betél. Essas pessoas também começaram a orar para serem curadas. Ele acreditava estava estar aguardando por um avivamento para findar aquele século.

Figura nº 1- Charles Fox Parham

Fonte: http://isae.wheaton.edu/hall-of-biography/charles-f-parham/

Charles comprou uma mansão que tinha por nome Stone’s Folly (a tolice do Sr. Stone) e criou um instituto Bíblico por nome Colégio Bíblico Betel (1900) na cidade de Topeka, no Kansas, na região central dos Estados Unidos, como acrescenta Campos:

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desejavam ingressar nas atividades missionárias. Parham divulgava as suas idéias por meio de um jornal, cujo nome era aplicado ao seu movimento: The Apostolic Faith. Por meio dessa e de outras publicações, ele defendia a necessidade das pessoas se submeterem a uma “terceira bênção” em sua carreira de fé, embora a tradição metodista falasse em apenas duas bênçãos: “conversão” e “santificação” (2008, p. 108).

Inicialmente, foram matriculados 40 alunos para estudarem a Bíblia individualmente, certificando-se se havia algum modo especial sobre o batismo do Espírito Santo. Muitos religiosos já haviam se manifestado sobre este assunto, tendo muitas controvérsias. Porém, para Charles nenhuma combinava com a Bíblia, onde no segundo capítulo do livro de Atos dos Apóstolos, fala do dia de Pentecostes e o recebimento do Espírito Santo. Os estudantes e Charles chegaram à conclusão que cada ocasião, quando houve a manifestação do Espírito Santo, houve uma manifestação externa que seria o falar em línguas estranhas, também chamado de glossolalia.

Como vimos, muitas eram as contradições que haviam em torno do assunto. Em um culto na véspera do ano novo de 1901, uma das estudantes chamada Agnes N. Ozman pediu para o senhor Charles Pahram colocar as mãos sobre sua cabeça, assim como tinha sido nos dias dos apóstolos, para que ela pudesse receber o Espírito Santo. Agnes N. Ozman Laberge 1870-1937 (figura nº2) e depois dela também Pahram e os outros alunos, foram os primeiros do Movimento Pentecostal a receberem tal experiência, falando em outras línguas.

Figura nº 2 – Agnes N. Ozman

Fonte: http://www.portalcarismatico.com.br/menu/movimento/imagens/Agnes%20Ozman%201937.JPG

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acompanhado com o falar em línguas. Portanto, o batismo com Espírito Santo, deveria acompanhar o falar em línguas estranhas, a glossolalia. Em outros momentos na história esse fenômeno já teria ocorrido, após o dia de Pentecostes, mas agora a novidade é que para este grupo, o falar línguas estranhas era a evidência de ter recebido o batismo com o Espírito Santo. Desta época em diante, os pentecostais passam a ensinar, que os crentes deveriam buscar o batismo com Espírito Santo, tendo como evidência a glossolalia.

Logo após este acontecimento, em 1901, as notícias do fenômeno espalharam-se muito rápido, muitos religiosos de várias denominações passaram a procurar o movimento para verem tal fenômeno e o que ocorria nestas reuniões, de diferente. O movimento começa a ganhar adeptos e crescer, muitas reuniões e Campanhas ocorriam, ganhando adeptos. As reuniões não tinham um tema pré estabelecido, ou um cronograma, era um culto espontâneo.

O movimento foi ganhando forma e em meados de 1905, quando já havia atingido outras cidades e outros Estados, muitos religiosos de outras denominações passam a procurar nas escrituras a concordância para o que estava acontecendo, se era compatível com a Bíblia. Portanto, o movimento cada vez mais alastrava-se e ganhava forma, muitas pessoas foram evangelizadas e convencidas pelas pregações de Charles e outros pregadores que passam a divulgar o tema, o batismo com o Espírito Santo.

Desde o início do ano de 1901 o movimento crescia, através dos alunos de Charles, que estavam com ele na Escola Bíblica. Os primeiros a terem a experiência mística, mas também por outros pregadores de outros grupos, iam às reuniões para ouvir os sermões. Desta forma, propagava-se a pregação do avivamento, que muitos chamavam de “movimento o falar em línguas”.

O avivamento na Rua Azusa

Charles organizou em 1905, no Estado do Texas, na cidade de Houston, uma Escola Bíblica, onde entre os alunos estava um ministro negro chamado William J. Seymour, que era filho de ex-escravos, tinha 30 anos de idade e trabalhava como garçom. Este crente ouvia as aulas de Charles pelo lado de fora, pois Charles era racista e nesse período ainda era forte a discriminação nos EUA.

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outras havia a discriminação. Esta divergência vai ocasionar posteriormente cismas e igrejas com grupos negros e de grupos brancos.

Figura nº 3 - William Joseph Seymour

Fonte: http://www.kendallministries.org/ss/revivals_that_changed_the_world/pt02_william_j_seymour.jpg

Seymour (figura nº 3) foi convidado para pregar em uma reunião em Los Angeles, Califórnia, em 1906, em um grupo Batista pequeno que tinha como líder Julia Hutchins, do qual haviam sidos expulsos vários membros por ensinarem a doutrina Holiness. Na sua pregação inicial, ele escolheu como texto atos 2:4, falando para os presentes sobre o falar em línguas estranhas, embora Seymour ainda não tivesse tido a experiência, ele acreditava estar agindo corretamente. A líder do grupo não gostou do seu ensino, mas ele continuou ensinando na casa que estava hospedado e parte do grupo o assistia, esta casa se tornou pequena, pois o número de pessoas aumentava, foram para outra casa um pouco maior na Rua Bonnie Brae, também em Los Angeles. Posteriormente, várias pessoas e também Seymour passaram a ter a experiência de falar em línguas estranhas, recebendo o Espírito Santo.

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Figura nº 4 – Rua Azusa nº 312. Lateral e frente do prédio conhecido como “Missão da Fé Apostólica”

Fonte: http://www.portalcarismatico.com.br/menu/movimento/imagens/Rua%20Azusa%20312.jpg

Figura nº 5 – Rua Azusa nº 312. Em frente ao prédio da “Missão da Fé Apostólica”

Fonte: www.portalcarismatico.com.br/menu/movimento/imagem

O movimento ganha a atenção, pois gritos, barulhos, orações fervorosas e pregações eloquentes ocorriam naquele local. Foi quando a imprensa manda um repórter até o local e escreve uma matéria ridicularizando o que tinha visto. O artigo do jornal de 18 de abril de 1906 que tinha o nome “Estranha babel de línguas” favoreceu o movimento, pois se encarregou de divulgar o que estava ocorrendo no local.

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apoiaram o movimento, passando a fazer parte e divulgando a mensagem pentecostal. Por aproximadamente três anos, houve reuniões naquele local, mas o auge do avivamento entrou em declínio, rapidamente, e em 1922 Seymour morreu e, em 1936, sua esposa. Depois disso, a Missão da Fé Apostólica fechou as portas e o prédio foi demolido, posteriormente.

Desde Wesley já havia pregadores que falavam do falar em línguas, se reportando para a Igreja Primitiva. Dentro do grupo metodista há um movimento chamado Holiness, onde criou-se uma rede, propagando-se a mensagem de santificação e o batismo com o Espírito Santo. É dentro dessa rede que se propagava o Movimento Pentecostal, pois Charles Fox havia pertencido aos metodistas, mas a proporção internacional do pentecostalismo deu-se, através de seu aluno Seymour (LOPES, 2008). Como vimos, líderes de outras localidades do mundo vieram para a Rua Azusa e levaram a semente da Missão da fé Apostólica para suas localidades.

Não podemos ser ingênuos em pensar que o pentecostalismo começa a partir da Rua Azusa, em 1906. O movimento que ocorreu desde Pahram é fruto do processo histórico religioso, saindo do meio metodista ou Wesleyano. O movimento Holiness dentro do mesmo, ganhando espaço à pregação pentecostal, onde temos muito mais continuidades do que rupturas. Podemos fazer um questionamento de onde e/ou a partir de quando começa o movimento? Teríamos que nos reportar para Cristo e a primeira igreja, ou primeiro grupo de cristãos.

O surgimento da mensagem pentecostal no Brasil é estudado, sendo dividido em três momentos significativos, ou três ondas, surgindo no quadro social brasileiro, que são:

- A primeira onda chamada de pentecostalismo clássico, começou em 1910, representada pela Igreja Congregação Cristã, com Louis Francescon, articulando-se entre os imigrantes italianos (CAMPOS Jr, 2008). Um ano depois em 1911, surge a Igreja Assembléia de Deus, com os missionários Suecos Gunnar Vingren e Daniel Berg.

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A terceira onda, que também é chamada de neopentecostais, começa a partir das décadas de 1970 e 1980, surgindo a Igreja Universal do Reino de Deus (1977), e a Igreja Internacional da Graça (1980), sendo esta última uma dissidência da anterior caracterizando pelo uso pelo uso dos meios de comunicação para ganharem adeptos.

Como já foi mostrado, o movimento pentecostal teve vários momentos em sua trajetória, agregando as camadas subalternas da sociedade, como os negros norte-americanos, vítimas do racismo. Suas primeiras manifestações rituais na maneira de cultuar à Deus e a dinâmica dos cultos arrebatavam os primeiros crentes dessa nova tendência religiosa, dando respostas e direções a suas vidas.

Semelhante ao que ocorrera nos Estados Unidos, no Brasil o movimento pentecostal concentrou-se nas zonas urbanas, crescendo juntamente com a industrialização e a intensa urbanização, que se observou nas décadas de 1960 e 1970. Portanto, o movimento foi um agregador de pessoas das camadas urbanas, normalmente dos setores mais pobres, pois os adeptos e líderes do movimento foram ao encontro das camadas sociais mais desamparadas pelas políticas de assistência social, dando respostas e diretrizes para a vida cotidiana dos seus seguidores, em nome de uma coletividade que compartilhava os problemas individuais, reforçando a manutenção do grupo, através das reuniões. Sabe-se que essa estratégia é bastante eficaz, tal como sugere Abner Cohen:

A compulsão do desenvolvimento e manutenção da identidade individual e a da busca de soluções para os problemas perenes da natureza humana são expressas como formas simbólicas que articulam a organização do grupo de interesse. Cada um desses elementos apóia o outro e todo o complexo. A individualidade se identifica pela própria participação do grupo [...] (1978, p. 104).

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Em 1915, houve um concílio geral das Assembléias de Deus, pois muitos líderes haviam sido batizados em nome do Senhor Jesus Cristo e foi preciso uma outra reunião para tratar deste assunto. O movimento estava dividido, entre os que continuaram com o dogma trinitário, acreditando em três pessoas distintas na divindade, outros acreditando na unicidade de Deus, e que o batismo teria que ser em nome do Senhor Jesus Cristo.

Os que criam na unicidade, assim como a Igreja apostólica, que nos dispomos a estudar no presente trabalho, acreditavam que Deus estava em Jesus reconciliando consigo o mundo, que toda a plenitude da divindade estava em Cristo, que o plano de salvação tinha sido revelado pelo apóstolo Pedro, bem como, o batismo dos primeiros cristãos, mencionados na Bíblia, sempre foram em nome do Senhor Jesus Cristo.

Ocorrendo tais divergências doutrinárias, começou haver a necessidade de organizarem-se para obter maior unidade doutrinária. A partir de outro Concílio Geral das Assembléias de Deus, em 1916, ocorreu o favorecimento da doutrina trinitária, onde a unicidade foi atacada com mais rigor. Muitos pregadores e adeptos foram expulsos das Assembléias, formando grupos unicistas, como: Assembléia Geral das Assembléias Apostólicas, Assembléias Pentecostais do Mundo, Aliança Ministerial Pentecostal, Assembléias Pentecostais de Jesus cristo, Igreja Pentecostal Incorporada e Igreja de Deus em Cristo e outras (MATOS, 2006).

É importante estudarcomo se deu o processo histórico e vermos tais questões para ter uma visão mais ampla do contexto, sabendo que o Movimento Pentecostal se propagou para várias partes do mundo, que houveram divergências e que elas acarretaram na formação de diferentes grupos. Assim, podemos ver que, no decorrer dos anos, o movimento foi se fragmentando, formando-se várias igrejas e grupos religiosos, até chegar aos dias de hoje. Portanto, não poderíamos fazer uma leitura simplista do que estamos estudando, mas em breves linhas mostrar que houve discórdias dentre as quais surgiu o grupo que nos dispomos pesquisar. Vamos nos deter em estudar a Igreja Apostólica do Brasil, um grupo que se consolida no Brasil em 1959, analisando as características da vida religiosa dos seus membros, na cidade de Santa Maria como parte desse movimento maior.

Chegada da IAB no Brasil e em Santa Maria

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Cristo, pelo Pastor Taylor Ford, e recebeu o Dom do Espírito Santo em 12 de outubro de 1942, durante uma campanha evangelística da irmã Freeman. No dia 25 de janeiro de 1952, casou-se com Wanda Louise Mason. O Bispo JB Lambeth (Figura nº 6) frequentou o Seminário Apostólico em Tulsa, Oklahoma, e também o Instituto Apostólico Bíblico em Santa Paula, Minessotta2.

Figura nº 6 - Missionário J B Lambeth

Fonte: Arquivo da Igreja Apostólica de Esteio

Como vimos, o movimento evangelístico da fé apostólica estava em expansão e, ante o pedido do Conselho Missionário, Organização Unicista a qual pertencia, J B Lambeth concordou em vir para o Brasil, por cinco anos.

J.B. Lambeth chegou ao Brasil em 20 de Abril de 1959, sem saber falar a Língua Portuguesa, encontrando grandes dificuldades para se comunicar, naquela noite a única pessoa que sabia falar inglês no aeroporto, era um homem que trabalhava na torre de controle. O mesmo ajudou o casal a pegar um táxi, instruindo o motorista para achar um hotel para eles. Finalmente, após uma procura intensa, que durou cerca de duas horas, acharam aposentos no City Hotel.

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Através do Consulado Americano, foi possível encontrar outro casal de missionários residentes na cidade, irmão Samuel Baker e sua esposa. Após seis meses, a família Baker foi para a cidade de São Paulo e o Missionário J. B. Lambeth, esposa e o filho ficaram sozinhos na grande cidade de Porto Alegre, sem saber falar a Língua Portuguesa. Estabeleceram-se na cidade de Esteio, começaram a aprender a falar o português, seu pequeno filho, John Bradley Lambeth, aprendeu com mais facilidade falar português, e logo ajudou os seus pais nos deveres do dia-a-dia (ARQUIVO DA IGREJA APOSTÓLICA DE ESTEIO, 2006).

A família Lambeth lançou-se ao trabalho evangelístico e com grande sucesso diversas congregações foram abertas nos mais distantes pontos do Estado do Rio Grande do Sul: Passo Fundo, Porto Alegre, Alvorada, Canoas3. Após cinco anos, vencido o prazo estipulado pela organização unicista da qual pertenciam, voltaram para os Estados Unidos para rever a família e os amigos. O Bispo Lambeth e família trabalharam em prol da obra de Deus no Estado do Texas, abrindo mais uma igreja, em Greenville.

Nesse período, na década de 1960, já havia várias ramificações, várias igrejas, não somente no Brasil e EUA, com seu início no Movimento da Fé Apostólica, mas também em outras localidades do mundo. Podemos verificar que do início do século XX, quando se dá o estopim do movimento e no decorrer do mesmo século, temos uma grande expansão evangelística, principalmente, depois da terceira onda do movimento, os chamados neopentecostais, que usaram os meios de comunicação para divulgarem sua mensagem.

Em 1969 a Igreja Apostólica do Brasil (IAB) começou inicialmente em Canoas, logo se transferindo para a cidade de Esteio (ARQUIVO DA IGREJA APOSTÓLICA DE ESTEIO, 2006).

A IAB, grupo que estamos estudando, consolida-se dessa forma, na cidade de Esteio, passando a divulgar e expandir para outras localidades no Rio Grande do Sul e outros Estados como já mencionamos, até chegar à cidade de Santa Maria, onde nos dispusemos a estudar com mais especificidade a organização religiosa.

A expansão de grupos religiosos, bem como a propagação de suas idéias, sua ideologia, ocorre com a ajuda de fatores que levam a mensagem até chegar aos ouvintes, estes por sua vez aderirem ou não tal chamado, para tal grupo.

Para que ocorra o desenvolvimento de todo e qualquer grupo religioso é preciso à manutenção através de uma constante comunicação.

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Um grupo político, por sua vez, pode se constituir apenas nos limites do desenvolvimento e manutenção de uma rotina de comunicação entre seus membros. Isso torna-se particularmente importante quando os membros do grupo estão dispersos em diferentes espaços residências e de trabalho, como quase sempre acontece nas grandes cidades e na sociedade moderna em geral (COHEN, 1978, p. 98).

Quando um grupo religioso chega a um determinado local, como vimos os casos de missionários nas três ondas do movimento pentecostal, chegarem ao Brasil, e o caso da IAB com o Bispo Lambeth na década de 1960, vimos a construção da organização religiosa e sua expansão através do evangelismo, onde convites são feitos para pessoas, na comunidade em geral, para irem até a igreja, no templo, ou os chamados pontos de pregações em outros lugares mais distantes da igreja.

Como sugere Abner Cohen, (1978), qualquer grupo que se coloca em uma localidade, para expandir, é preciso comunicar-se, mas não somente isto, é preciso manter esta comunicação com os membros do grupo, dando continuidade aos ensinamentos, criando uma rotina nos seus cultos.

A IAB quando chega ao Brasil, articulava-se e através da evangelização, expandiu suas igrejas, para manter o grupo e para que este pudesse expandir-se foi preciso a manutenção da crença, onde a mesma dava-se por meio dos cultos, ritualísticas, das pregações que tais grupos religiosos fazem, bem como ensinamentos bíblicos, mantendo o grupo por meio da comunhão, dando respostas, não somente no âmbito individual, mas para satisfazer todo o grupo. Tais ensinamentos são mediados por pastores ou membros instruídos para ensinarem e pregarem a palavra.

Os cultos são ocasiões para a comunicação e manutenção, acontecendo o estímulo, por meio de mecanismos desenvolvendo a exclusividade moral do grupo.

A institucionalização da Igreja Apostólica em Santa Maria

Para entender as funções das práticas religiosas e sua organização, podemos compreender que é possível utilizar critérios racionais, a exemplo do que sugere Abner Cohen 1978, quando propõe alguns paradigmas para o entendimento de organizações para atender fins culturais, como os grupos religiosos.

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organização, busca-se definir seu rol de membros, bem como sua identidade e diferenciação dos demais, articulando-se para resolver problemas, mas não somente nesse aspecto, mas distinguindo-se dos demais grupos, evitando que outros se infiltrem em seu meio.

O segundo paradigma é a “comunicação” que, segundo Cohen, o grupo não pode permanecer como tal, apenas por meio da distinção, sendo a mesma insuficiente para transformar pessoas em uma organização. Para constituir um grupo é preciso haver um desenvolvimento, bem como a manutenção, uma rotina de comunicação. Esta rotina de comunicação é onde os membros se encontram para trocar idéias, perpetuando assim a mensagem coletiva. Mesmo que os membros tenham suas vidas particulares, torna-se possível trocarem experiências e proporcionarem respostas e aprendizados de maneira coletiva, por meio da organização e comunicação, pois cada encontro é uma oportunidade de comunicação. Importante destacar que, segundo Abner Cohen “algumas das estratégias da diferenciação são frequentemente também estratégias de comunicação” (1978, p. 98). No caso estudado, os encontros religiosos são ocasiões para a comunicação, troca de idéias e de novidades entre as pessoas, de tal maneira que muitos dos traços marcantes do estilo de vida de um grupo, são também uma forma de linguagem que permite a comunicação (COHEN, 1978).

O terceiro paradigma que será explorado por esta pesquisa é a “tomada de decisões, formação e exercício da liderança” uma vez que todo grupo social encerra relações de poder, que implicam no exercício da liderança e na responsabilidade pela tomada das decisões com efeitos coletivos. Ou seja, a prerrogativa de tomar decisões em nome dos outros deve ser normatizada e aceita coletivamente. Não raras vezes, sobretudo nas organizações religiosas, essa prerrogativa busca argumentos na simbologia e no discurso metafísico de fundo religioso.

Desta forma, ocorre um processo de resolução de problemas comuns aos membros do grupo, onde o líder procura dar respostas no âmbito geral de sua comunidade, na tentativa de resolver os problemas em nome de todos, pois os integrantes expressam suas ansiedades e vontades, que exigem uma atitude deliberativa. A tomada de decisão pode ser em caráter coletivo (consultando-se uma assembléia, por exemplo) ou decisões tomadas por alguns membros, ou pelo próprio líder (COHEN, 1978, p. 99).

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simbologia que continuamente é retomada, dando significado e respostas. Segundo Abner Cohen:

Uma ideologia só funciona quando é sustentada e mantida viva por uma doutrinação contínua, por condicionamentos, sentimentos e afirmações de credo. Esse resultado é obtido principalmente através dos cerimoniais, no decorrer dos quais os símbolos são continuamente sobrecarregados de significados relevantes aos problemas atuais do grupo. Os homens estão geralmente imersos em seus problemas particulares do cotidiano e em seus interesses utilitários imediatos, sendo obrigados a ser regularmente desviados de suas preocupações egocêntricas para afirmar suas crenças e dar apoio aos princípios básicos da organização política a que pertencem [...] (1978, p. 106).

Os interesses individuais e egoístas se dilaceram de certa forma, em meio ao coletivo, onde é mantida e organizada a estrutura através das cerimônias e rituais doutrinários, onde se estimula e se trabalha dentro de uma perspectiva moral, para ganhar novos adeptos, como trata Cohen, dizendo que frequentemente são os símbolos e os rituais que estimulam as crenças, e não as crenças que motivam os símbolos e rituais (COHEN, p. 108).

Distinção e delimitação da unicidade do grupo

A Igreja Apostólica chegou a Santa Maria em fins de 19844, na zona norte da cidade, Bairro Salgado Filho – Vila Matadouro, aonde um membro da igreja de Matias Velho - Canoas “irmã Santa da Silva”, vindo em acordo com seu líder, Pastor Nelson Nogueira das Chagas, veio com o intuito de encontrar um lugar para começar fazer cultos.

No fim do ano de 1984, no mês de dezembro, a minha cunhada Santa da Silva Quaresma, veio de Canoas, ela morava em Canoas e veio em Santa Maria com uma missão, o pastor Nelson pastor dela de Canoas, pra trazer o trabalho da Igreja Apostólica pra Santa Maria, daí ela saiu, foi nos parentes dela, tia pra ver se conseguia um lugar pra dar início, fazer culto na casa, daí ela não, os parentes dela não, não cederam o lugar, daí ela foi falar comigo, daí eu concordei, só eu não podia colocar o telhado, não tinha e daí ela disse que dava o telhado, dava madeira e telhado, caibros, então eu fiz uma garagem e daí ali começou o trabalho, ai elas foram lá e falaram com o pastor e o pastor Nelson veio de Canoas à Santa Maria [...] (SANTOS, 2009).

Geralmente, grupos como do Movimento Pentecostal começam suas igrejas em pontos de pregações, até mesmo em tendas e nas próprias casas de pessoas que estão sendo evangelizadas, como foi o caso em Santa Maria, pois os cultos começaram em uma garagem pertencente a Salaciel Conceição dos Santos e Leonilda Silva dos Santos que posteriormente se tornaram membros da IAB.

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Em janeiro de 1985, duas adeptas do movimento (Santa da Silva Quaresma e Soslange Marguarete dos Santos Silva) organizaram a garagem que Salaciel havia construído para receber o Pastor Nelson N. das Chagas, que viria fazer o culto (Figura nº7).

O trabalho em Santa Maria começou no final de 1984, irmã Santa de Canoas, com seu filho Leandro, irmã Soslange com seu filho Daniel, vieram para evangelizar, para fazer os cultos, nosso Pastor Nelson Nogueira das Chagas, veio para pregar a palavra de Deus e o batismo em nome do senhor Jesus, no primeiro culto estavam presentes mais ou menos 40 pessoas, foi procurado pela irmã Santa um lugar para ser feito os cultos, irmão Salaciel e irmã Leonilda, meus pais, eles deram o lugar no seu pátio, construindo uma peça, o meu pai fez essa peça e os bancos e a tia Santa doou o telhado para peça dai os cultos começaram ser feitos [...] ( SILVA, 2009).

Figura nº 7 - Garagem construída para realização dos primeiros cultos.

Fonte: Arquivo pessoal de Soslange M. dos Santos Silva

Quando a IAB chegou a Santa Maria, procurou expandir o movimento, organizando-se através de mecanismos de manutenção e desenvolvimento de sua estrutura. Sobre a importância desse esforço inicial das organizações, Abner Cohen destaca que:

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Com as vindas frequentes do Pastor, que era o líder, o “cabeça da igreja”, dentro da visão do grupo, como também o trabalho dos obreiros, pessoas que ocupam outra classe hierárquica subalterna, dentro da igreja aconteciam constantes encontros para os cultos.

[...] de quinze em quinze dias, tia Santa vinha em um dia, dali a quinze dias vinha eu, cada um com seu filho, para dirigir o culto e pregar a palavra de Deus, nossa líder das irmãs, irmã Ernestina ela lançou um guia de mensagem e direção de culto, com muita oração eu pedi pra Deus me ensinar a dirigir os cultos e a pregar a palavra de Deus porque eu era nova na fé, depois começaram a vir os obreiros da matriz da igreja de Esteio [...] (SILVA, 2009).

Desta forma, tornavam-se cooperadores da obra de divulgação da doutrina defendida e da evangelização crescente, constituindo a manutenção e divulgação de sua identidade, pois os cultos passaram a acontecer frequentemente.

Uma das distinções da IAB encontra-se em sua base doutrinária, na própria crença sobre a deidade de Jesus Cristo, pois acreditam que Jesus Cristo era o próprio Deus, manifestado na carne. A Igreja apresenta todo um aparato teológico, bíblico, para legitimar sua doutrina da unicidade de Deus. Desta maneira, o grupo vai refutar toda e qualquer prática da igreja tradicional católica e outras igrejas trinitárias.

O rito de iniciação da Igreja Apostólica é o batismo e por meio dele que o novo membro torna-se parte do coletivo e do corpo da Igreja.

Como forma de distinção, o batismo dessa Igreja é feito por imersão nas águas e em nome do Senhor Jesus Cristo e não repetindo a ordem que Jesus deu para os apóstolos para batizarem em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo, pois a igreja acredita que esta ordem se cumpre com o batismo em Nome do senhor Jesus Cristo registrado no livro de Atos.

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Figura nº 8 – Certidão de Batismo de Soslange M. dos Santos Silva

Fonte: Arquivo pessoal de Soslange M. dos Santos Silva

Ao estudarmos esta questão sobre o batismo (figura nº 8), poderia parecer-nos sem muita relevância, mas para a IAB isto é algo fundamental para a salvação das pessoas que começam a fazer parte da igreja, algo que vai determinar a salvação de seus adeptos.

Já vimos no presente trabalho sobre a glossolalia, que ocorreu no início do movimento pentecostal, no início do século XX, e acabou sendo uma marca de distinção do movimento. Em Santa Maria não foi diferente do movimento da Rua Azusa, pois para os novos adeptos desta cidade o falar em línguas estranhas era o sinal místico que o novo convertido havia recebido o Espírito Santo e um elo entre Deus e o homem.

Os cultos feitos nessa garagem passaram a acontecer com mais freqüência, sendo transmitida a mensagem para outras pessoas, que passaram a fazer parte do quadro de membros. Os cultos eram feitos de forma espontânea, pois não havia um roteiro pré- estabelecido para a direção do mesmo.

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Os cultos de descendência linear estrita talvez não sejam comuns na sociedade industrial contemporânea, mas um princípio semelhante e menos rígido é utilizado praticamente em todas sociedades. Em muitos casos, grupos de status, religiosos ou étnicos afirmam serem descendentes de um mesmo ancestral, sem entretanto preservar uma genealogia específica de validação. Esses grupos tendem a ser fortemente endógamos, podendo seus membros conseqüentemente pretender que se originam de uma estirpe comum. Meyer Fortes (1959) se refere a isso como “descendência bilateral”. Ela é um mito frequentemente utilizado em combinação com outros mecanismos simbólicos, cujo objetivo é garantir a identidade exclusividade de tais grupos (1978, p. 108).

Percebemos que a mitologia de descendência não ocorre somente pela crença em uma descendência genética ou sanguínea, mas também por crenças em um mesmo ancestral religioso, uma mesma vertente divina. Muito embora, entidades religiosos de forma geral acreditem conduzir os seus membros de maneira correta, vimos de maneira exacerbada em alguns casos, sua crença em ser portador de uma verdade ou ser porta voz da verdade. No caso do grupo em Santa Maria, a IAB acreditava ser descendente da igreja primitiva, onde os seus ritos e simbolismos estavam ligados diretamente com a Igreja do século I, sendo a forma de culto idêntica a igreja de Jesus Cristo, dos primeiros séculos, em sua essência.

Para tanto, não somente a forma de culto, mas em outros aspectos doutrinários, que implica na forma de viver, através de um comportamento moral, pois desde o momento que o grupo chegou a Santa Maria, começava divulgar sua identidade e sua maneira de acreditar na Bíblia, suas compreensões do sagrado, pois para eles a mensagem que era pregada, era idêntica a dos apóstolos, ligando com isso a doutrina da unicidade de Deus, sobre quem realmente foi Jesus Cristo. Isso fazia o grupo sentir-se especial e diferente em relação a demais igrejas trinitárias, acreditando estar portando a verdade revelada sobre Jesus Cristos.

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Figura nº 9 – Garagem onde funcionava o ponto de pregação da Igreja apostólica

Fonte: Arquivo pessoal de Salaciel Conceição dos Santos

O papel da mulher e do homem no grupo tinha funções diferentes, pois acreditavam que a bíblia era a palavra de Deus, sendo assim suas escrituras são as diretrizes para o ser humano, no entanto o casamento era algo que deveria ser mantido até o fim de suas vidas, pois o mesmo era considerado a primeira instituição dada por Deus no princípio da criação do mundo, para o homem.

A mulher deveria ser submissa ao seu marido, bem como o marido amar a sua mulher como Cristo amou a Igreja, sendo esses os ensinamentos do apóstolo Paulo para as igrejas.

A mulher exercia várias funções dentro da igreja, porém, não ministrava como pastora, pois para a IAB o chamado ministerial, isto é, para assumir a liderança da igreja, somente um homem poderia assumir tal função. Deus chamaria o homem e sua esposa o acompanharia, para o chamado. Para a IAB, a mulher era a ajudadora do homem, pois acreditavam que Deus criou a mulher no princípio para desempenhar tal tarefa, porém o mesmo deveria amá-la como Cristo amou a igreja.

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Para o grupo, a mulher poderia desenvolver outras funções como: trabalho de evangelismo, na parte da música, tocando ou cantando louvores, como dirigente de cultos, professora da escolinha bíblica para crianças, líder de departamentos dentro da igreja e outras atividades que fazem parte da organização do grupo. Porém, ficava restrito para as mulheres a função de liderança ministerial como Pastora.

Muitos grupos são diferentes de outros pela maneira de como articula suas crenças e também suas práticas ritualísticas, como sugere Abner Cohen,

Muitos grupos de interesse se diferenciam pela manipulação de crenças e práticas rituais. Um grupo pode sustentar a crença de ser ‘o povo eleito’, ou de ter ‘nascido duas vezes’, de ser o sustentáculo de uma seita mais pura de um culto estabelecido [...] (1978, p. 95).

A IAB em Santa Maria é um caso ao qual Cohen sugere, onde acreditavam ser o povo eleito, o povo eleito por Deus, onde o mesmo tinha a missão de evangelizar a cidade. Suas práticas ritualísticas e crenças eram uma das bases de diferenciação, pois acreditavam ser o povo eleito, o sacerdócio real, isto fazia da igreja diferente de outros grupos trinitários.

Outra diferenciação é o batismo em nome do Senhor Jesus Cristo e a crenças na unicidade de Deus faziam com que o grupo se sentisse o povo eleito, pelo fato de ter a revelação da palavra de Deus dentro da visão do grupo.

As crenças e práticas associadas a elas são padronizadas e tornadas rotineiras, frequentemente se organizando numa associação exclusivista. A organização pode mesmo formalizar-se e burocratizar-se como base no objetivo aberto e formalmente declarado de manutenção e promoção do culto (COHEN, 1978, p. 95).

Outro fator importante de lembrar é a maneira de como dava-se o ritual de iniciação da igreja, pois todas as pessoas que queriam ser membros da igreja deveriam ser batizados e ao momento em que eram batizados, ficava sepultado nas águas o velho homem. Isto para o grupo seria a morte do indivíduo para o “mundo”, passando a viver uma vida de consagração e comunhão com Deus e o mesmo nasceria de novo ao receber o Espírito Santo, fazendo assim parte do quadro de membros.

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Os cultos eram feitos sem uma cronologia, ou roteiro de como seria a sequência do culto, mas não podemos dizer que os cultos eram diferentes completamente em sua base ritualística. Havia algumas características que podemos dizer que eram praticáveis em todos os cultos, pois geralmente eram abertos com uma oração, oração em voz alta e espontânea, onde cada adepto falava com Deus da maneira que concebia. No decorrer do culto eram chamados alguns dos membros para falarem o que Deus tinha feito em sua vida, bem como incentivar os outros membros a permanecerem fiéis cada vez mais na igreja.

A pessoa que era chamada poderia tanto falar algumas palavras, uma saudação para a igreja, como ler um versículo da Bíblia, bem como cantar um louvor, onde o mesmo poderia ser com palmas, com ritmo mais rápido, como de adoração, esse tendo um caráter mais específico para adorar a Deus.

Mas ao mesmo tempo em que havia em suas práticas ritualísticas algumas características comuns, por outro lado não havia uma ordem pré estabelecida para sua realização, pois para o grupo tudo que fossem fazer deveria ser feito dentro da vontade de Deus, sendo a mesma uma forma de ação, onde seria diferente, um culto de outro. Desta forma entendemos o porquê que os dirigentes dos cultos não se preocupavam com o esboço de como iriam dirigir o culto.

Um grupo pode desenvolver seu culto próprio ou adotar o simbolismo e a organização de um outro culto. As possibilidades de desenvolver seitas, congregações etc. exclusivistas do quadro das religiões universais são praticamente ilimitada e os grupo de interesse sempre fizeram isso, em todas as sociedades. O desmembramento do cristianismo (COHEN, 1978, p. 95).

Os cultos da IAB em Santa Maria eram realizados de forma espontânea onde os primeiros visitantes viam a diferença das demais igrejas tradicionais, pois não havia repetições decoradas ou uma liturgia para serem seguidas, as pessoas falavam espontaneamente com o Deus.

A IAB em Santa Maria foi ganhando adeptos e consolidando-se na cidade, pois a mesma começou os cultos em uma residência e com a vinda dos irmãos da Igreja de Esteio, para pregarem mensagens bíblicas, o grupo alugou um prédio no quilômetro 2, Rua André da Rocha - próximo a Av. Borges de Medeiros, passando a realizar seus cultos nesse novo prédio que era alugado.

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condições precárias, onde eram realizados os cultos nessa residência, a partir daí começaram a construir a casa pastoral (Figura nº 10).

Figura nº 10 – Construção da casa pastoral – Vila Kennedy

Fonte: Arquivo pessoal de Jucemar M. da Silva

Embora os cultos tivessem uma prática ritual, havia oração, louvores, palmas, instrumentos musicais, pregações e etc. para o grupo, nenhum culto era igual ao outro, pois os membros acreditavam que a sequência do mesmo era direcionada por Deus. Assim ao IAB foi expandindo, trabalhando junto à comunidade até construírem o prédio da igreja (figura nº11), na Vila Kennedy, no terreno que haviam comprado.

[...] foi comprado um terreno, uma casinha de madeira com o terreno, na rua ronda alta, que hoje tem uma congregação nesse local e ali começamos a construir, o pastor da época era o Pastor Jesus de Vargas, ele falou com o Pastor Nelson que era o pastor de Canoas que a obra em Santa Maria começou através do Pastor Nelson com dinheiro próprio da igreja de Canoas, então ele deu na época 100 mil cruzeiros para comprar essa casinha com o terreno, então ali nós começamos a fazer os cultos nessa casa de madeira e depois o Pastor Nelson deu dinheiro pra comprar cinco mil tijolos e nós começamos a construir, abrimos as valetas, foi tudo trabalho dos irmãos [...] (SANTOS, 2009).

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Figura nº 11 – Frente da Igreja Apostólica – Vila Kennedy

Fonte: Arquivo pessoal de Soslange M. dos Santos Silva

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CONSIDERAÇÕES FINAIS

A rápida abordagem da Missão da fé Apostólica feita neste trabalho, que se alastrou com rapidez no início do século XX, havia ganhado espaço dentro do movimento holiness, que enfatizava e orientava seus adeptos a terem uma vida em santidade. Tais idéias do falar em línguas estranhas, já havia dentro do contexto Wesleyano e, conseguintemente, nas igrejas holiness, as manifestações e pregações a partir de Charles Fox, principalmente com William J. Seymour sendo o estopim internacional.

A partir da explosão internacional, vários líderes religiosos foram na Rua Azusa para ver as manifestações e a forma que os cultos estavam acontecendo naquele lugar, posteriormente expandiram-se para outras partes do mundo. Com isso, por volta de 1913, um grupo começou a enfatizar o batismo somente em nome de Jesus e, conseqüentemente, refutando a doutrina trinitária.

Muitos grupos começaram a formar-se no decorrer das primeiras décadas do século XX. Com isso, tivemos a formação de várias outras organizações, a partir da Missão da Fé Apostólica em 1906.

Nesta pesquisa procurou-se estudar um grupo originário desse contexto religioso que, por sua vez, chegou ao Brasil em 1959, e em Santa Maria, em 1984. Sua consolidação dentro de Santa Maria e suas práticas de culto vêm de um movimento que tinha suas peculiaridades doutrinárias diferentes dos demais grupos tradicionais (católicos), não somente no meio chamado evangélico, como também dos trinitários de forma geral.

Desse modo, o Movimento Pentecostal mostra-se uma dinâmica de crescimento que acompanha o processo de compreensão de cada grupo onde a experiência pessoal encontra sua forma de expressão afim. No entanto, os diferentes grupos religiosos que se formaram a partir do Movimento Pentecostal surgem cada um com suas próprias interpretações do sagrado, bem como diferentes doutrinas, como foi o caso do grupo trabalhado nesta pesquisa, onde defende a unicidade de Deus, o batismo em nome do Senhor Jesus e outras práticas ritualísticas como ter uma vida de santidade. Podemos ver que cada grupo tem suas peculiaridades.

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com um segmento diferente, que redescobre situações atípicas que possibilitam novos processos religiosos e culturais, ocasionando novos estudos.

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BIBLIOGRAFIA

COHEN, Abner. O homem bidimencional: a antropologia do poder e o simbolismo em sociedades complexas. Rio de Janeiro: Zahar, 1978.

DURKHEIM, Émile. As formas elementares da vida religiosa: o sistema totêmico na Austrália. São Paulo: Martins Fontes, 2000.

FONTES ELETRONICAS

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<http://www.aps.pt/cms/docs_prv/docs/DPR4628d44b30f2c_1.pdf> Acesso em: 07 set. 2009.

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CAMPOS Jr, Luis de Castro. O desenvolvimento do pentecostalismo no Brasil e a questão regional. Anais do XI Encontro Regional da Associação Nacional de História – ANPUH/PR.

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LOPES, Deivis V. Expansão do pentecostalismo no Brasil: o caso das Assembléias de Deus. In: III Seminário Internacional Organizações e Sociedade: Inovações e Transformações Contemporâneas. GT Organizações religiosas Expansão do pentecostalismo no Brasil: o caso das Assembléias de Deus. Porto Alegre, 11 a 14 de novembro de 2008. Disponível em:

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FONTES DOCUMETAIS

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ARQUIVO DA IGREJA APOSTÓLICA DE ESTEIO. Documentário alusivo ao Bispo J B Lambeth, Esteio, Rio Grande do Sul, 2006.

Arquivo pessoal de Soslange M. dos Santos Silva. Certidão de Batismo de Soslange M. dos Santos Silva.

Arquivo pessoal de Jucemar M. da Silva. Construção da casa pastoral – Vila Kennedy.

Arquivo pessoal de Salaciel Conceição dos Santos. Garagem aonde funcionava o ponto de pregação da Igreja Apostólica.

Arquivo pessoal de Soslange M. dos Santos Silva. Frente da Igreja Apostólica – Vila Kennedy.

FONTE ORAL

SANTOS, Salaciel Conceição. Entrevista concedida a José Inácio da Cosa Fernandes.

Santa Maria, 13/11/2009, disponível no Arquivo de Fontes Orais do Laboratório de História – UNIFRA (LAHIS).

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