Cácia da Silva Cortes O AUTORITARISMO BRASILEIRO: OS EDIS DA ALIANÇA RENOVADORA NACIONAL (ARENA) NO PARLAMENTO SANTA- MARIENSE - 1964 -1970

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Cácia da Silva Cortes

O AUTORITARISMO BRASILEIRO: OS EDIS DA ALIANÇA RENOVADORA

NACIONAL (ARENA) NO PARLAMENTO SANTA- MARIENSE - 1964 -1970

  Santa Maria, RS 2009

  

Cácia da Silva Cortes

AUTORITARISMO BRASILEIRO: O EDIS DA ARENA NO PARLAMENTO

SANTA-MARIENSE - 1964 – 1970

  Trabalho final de graduação (TFG) apresentado ao Curso de História, Área de Ciências Humanas, do Centro Universitário Franciscano – Unifra –, como requisito parcial para obtenção do grau de licenciado em História.

  

Orientadora: Lenir Cassel Agostini

SANTA MARIA, RS

2009

  

Cácia da Silva Cortes

AUTORITARISMO BRASILEIRO: O EDIS DA ARENA NO PARLAMENTO

SANTA-MARIENSE - 1964 – 1970

  Trabalho final de graduação apresentado ao Curso de História – Área de Ciências Humanas, do Centro Universitário Franciscano, como requisito parcial para a obtenção do grau de Licenciado em História.

  ___________________________________________________ Lenir Cassel Agostini – Orientadora (Unifra)

  ___________________________________________________ Carlos da Rosa Rangel (Unifra)

  ___________________________________________________ Elisabeth Weber Medeiros (Unifra) Aprovado em ....... de ........................................................ de 2009.

  DEDICATÓRIA

  Dedico este trabalho, com amor, a minha família que me deu apoio durante esta caminhada.

  AGRADECIMENTO

  Agradeço a Prof.ª Lenir, que orientou com dedicação, paciência e sabedoria na elaboração deste trabalho.

  RESUMO

  Nesta pesquisa pautou-se o tema “O autoritarismo brasileiro: os edis na Aliança Renovadora Nacional (ARENA) no parlamento Santa-Mariense - 1964-1970”. Com a História Política, buscou-se identificar as relações dos edis no parlamento santa-mariense com o contexto nacional, bem como seu posicionamento frente ao Estado autoritário estabelecido através dos Atos Institucionais. Nesse sentido, utilizou-se a pesquisa bibliográfica, bem como fontes documentais, Atas da Câmara de Vereadores do município e jornais locais da época, para identificar e relacionar a postura dos edis da ARENA em relação ao bipartidarismo, permitindo o cruzamento das fontes pesquisadas sob um novo olhar da história de Santa Maria, de 1964 a 1970. Percebe-se que embora o trabalhismo encontrava-se forte em Santa Maria, com maioria dos edis petebistas na Câmara de Vereadores, alterou-se a composição majoritária no legislativo. Com a edição do Ato Institucional nº 2, AI-2, estabelecendo o bipartidarismo, a composição do legislativo santa-mariense foi dividida entre o Movimento Democrático Brasileiro (MDB) que era a oposição consentida e a Aliança Renovadora Nacional (ARENA), aglutinadora de forças que apoiavam o governo civil-militar. Nota-se que essa composição da Câmara de Vereadores de Santa Maria, durante o período pesquisado, apresentava confrontos de posicionamentos frente à conjuntura política nacional. Entretanto com a instituição da Ditadura com o Ato Institucional nº 5, em 1968, os embates políticos tornaram-se mais amenos e voltados, principalmente para solucionar questões cotidianas do município.

  Palavras-chave: partido político, legislativo santa-mariense, bipartidarismo, ARENA. ABSTRACT

  This research was about the theme: “The Brazilian Authoritarianism: the edis on the National Renewal Alliance (ARENA) on Santa-Mariense parliament 1964-1970”. With the Political History, it was aimed to identify the edis relationships on santa–mariense parliament with the national context, as well as its positioning on the face of the authoritarian state established through the Institutional Acts. In this sense, it was used the bibliographical research, documentary sources, Councilor Chamber’s minute and local newspapers from that period, to identify and relate the attitude of the edis from ARENA in relation to the bipartisanship allowing the interconnection among the researched sources under a new view of Santa Maria’s history from 1964 to 1970. It is observed that, although the labor movement was strong in Santa Maria, with most edis being petebistas at the Council, the majority composition on the legislative was modified. With the edition of the Institutional Act nº 2, AI- 2, establishing the bipartisanship, the structure of Santa-Mariense Legislative was divided between Brazilian Democratic Movement (MDB), which was the consented opposition, and the National Renewing Alliance (ARENA), connector of forces which supported the civil- military government. It is observed that Santa Maria’s Council composition, during the researched period, presented positioning confrontation on the face of the national political conjuncture. However, with the dictatorship foundation by the Institutional Act nº 5, in 1968, the political bumps became softer and mainly directed to solve daily matters of the city.

  Keywords: political party, legislative santa-mariense, bipartisanship, ARENA.

  SUMÁRIO

  INTRODUđấO.......................................................................................................................7 REFERENCIAL TEÓRICO....................................................................................................8

  2 METODOLOGIA.................................................................................................................12

  3 RESULTADOS E DISCUSSÕES........................................................................................14

  3.1. O CENÁRIO POLÍTICO NACIONAL – Os Atos Institucionais: 1964-1970 ...............................................................................................................................14

  3.2. OS EDIS ARENISTAS E O PARLAMENTO SANTA-MARIENSE (1964-1970).............................................................................................................................23 CONSIDERAđỏES FINAIS..................................................................................................39 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS....................................................................................40

  INTRODUđấO

  Esta pesquisa é relevante pelo fato de tentar estabelecer relações político-partidárias dos edis no legislativo santa-mariense de 1964 a 1970, visto que é importante identificar as mudanças determinadas pelos novos rumos políticos instituídos no Brasil a partir da implantação do governo civil-militar, quando a nova ordem política teve significativa influência nos rumos políticos nacionais e regionais.

  Também é significativo conhecer o contexto histórico-nacional, relacionando-o ao cenário municipal, sob um novo olhar, privilegiando a postura política da Aliança Renovadora Nacional (ARENA) no legislativo santa-mariense, uma vez que se percebe interesse dentro das academias em pesquisar sobre o contexto dos perseguidos do regime autoritário, sobre o que existe uma lacuna historiográfica na história política de Santa Maria, especialmente no que se refere aos apoiadores do governo civil-militar.

  A pesquisa abrange o período que vai de 1964, início do governo civil-militar, até 1970, quando encontrava-se em efetiva execução o Ato Institucional nº 5. O AI-5, que foi editado em 13 de dezembro de 1968, concedia poderes ilimitados ao Presidente da República, podendo este decretar o fechamento do Congresso Nacional e outras instâncias legislativas, determinar a intervenção em estados e municípios, bem como acabar com o direito ao habeas

  corpus, tudo com base na Doutrina de Segurança Nacional.

  Num primeiro momento, procura-se construir o cenário político-nacional que proporcionou a ascensão ao poder de forças conservadoras que estavam sentindo-se ameaçadas pelo projeto reformista do Governo João Goulart.

  Num segundo momento, busca-se visualizar a composição da Câmara de Vereadores de Santa Maria, resultante da mudança do sistema pluripartidário para o sistema bipartidário, formando assim a Aliança Renovadora Nacional (ARENA) e o Movimento Democrático Brasileiro (MDB). Com base nessa nova ordenação partidária, busca-se identificar e relacionar as decisões políticas nacionais e a percepção no parlamento santa-mariense, notadamente nos edis da ARENA.

  REFERENCIAL TEÓRICO

  Para identificar os grupos políticos atuantes em Santa Maria, que apoiaram o golpe civil-militar de 1964, sob a perspectiva da história política, abrangendo as peculiaridades regionais, relacionadas ao contexto nacional, procurou-se uma fundamentação teórica com leituras como Rémond (2003), Bobbio (2003), Bonavides (2002), Brum (1981) e Silva (1990), com os quais se pretende estabelecer novas abordagens e novos olhares sobre a história recente de Santa Maria.

  Nessa perspectiva, Rémond (2003) aborda a história política, destacando aspectos sobre as relações de poder entre o Estado e a sociedade. Para ele essas relações englobam vários elementos da sociedade, garantindo assim a importância dos aspectos políticos, mesmo por que a nova história traz uma nova roupagem para a história política, que teve seu apogeu no século XIX, sofreu desprestígio na época da Escola dos Annales, nos anos de 1920 e 1930, e recuperou sua credibilidade a partir da década de 1980. A Nova História propõe a integração entre todos os campos da história, desvinculando as pesquisas da história política do fatual, como se observa em Rémond (2003) quando afirma que

  Não é suficiente descrever o recente processo de legitimação do estudo do político. É preciso também apontar os caminhos da renovação da história política, seja através do estudo de temas já tradicionais, como partidos, eleições, guerras ou biografias, trabalhados, porém em uma nova perspectiva, seja através da análise de novos objetos, como a opinião pública, a mídia ou o discurso (p. 6).

  Rémond (2003) defende a reabilitação da história política e destaca a importância do contato com outras disciplinas como a sociologia, a antropologia, a linguística e, principalmente, a ciência política, como pode ser visto quando afirma que “Ao se ocupar do estudo da participação na vida política e dos processos eleitorais, integra todos os atores, mesmo os mais modestos, perdendo assim seu caráter elitista e individualista e elegendo as massas como seu objeto central” (p. 7).

  Desse modo, buscaram-se fundamentos que justifiquem a escolha para a pesquisa sobre um partido considerado de direita e concluiu-se que, embora a pesquisa com partidos de esquerda seja uma fonte inesgotável, existe uma lacuna historiográfica na história de Santa Maria no que se refere aos partidos conservadores, como demonstra Rémond (2003):

  Resultou daí um punhado de trabalhos dedicados aos partidos de esquerda e de extrema esquerda, em que os grupúsculos mais reduzidos (e portanto mais puros ideologicamente) aparecem como os mais interessantes; o Partido Comunista serve de referência e o Partido Socialista representa o campo fechado onde se confrontam tendências revolucionárias e ranços reformistas, enquanto as outras formações eram, na maioria das vezes, soberbamente ignorada pelos historiadores (p.58).

  Para isso, percebe-se em Bobbio (2003) uma definição sobre diversas ordenações partidárias, contemplando conceitos sobre partidos de esquerda e de direita. Esse autor traça um perfil dos grupos de esquerda que tinham como objetivo principal a mobilização das massas, para que aglutinados desenvolvessem a conscientização política, tornando-se assim agentes de transformações da sociedade. Enquanto o partido de direita, “O Partido dos Notáveis”, cujos integrantes pertencem a uma ala mais tradicional, de origem burguesa, luta para manter inalterado o cenário político, mostrando preocupações com os movimentos de desestabilização social dos partidos de esquerda, “O Partido Eleitoral de Massa” (p. 899).

  Nesse cenário, Bonavides (2002) discute as definições relacionadas à ciência política, contemplando conceitos que vão desde a diferenciação entre população e povo, até revolução e golpe de Estado. Com relação à mudança do sistema pluripartidário no Brasil pelo governo civil-militar, fato que favoreceu a supressão do estado democrático, o autor entende que “Com a supressão dos partidos políticos, a democracia vem a expirar, mas sua extinção ao menos não terá feito sob o manto da hipocrisia oligárquica, devoradora dos princípios democráticos, tanto na organização interna dos partidos como na estrutura externa do próprio poder”, instituindo assim o sistema bipartidário (p.279).

  Já ao abordar os conceitos sobre partidos políticos, Bonavides (2002) demonstra a preocupação dos “novos donos do poder”, em 1964, de manter o controle do estado, para de alguma forma legitimar o poder, quando se entende que

  Todo o consentimento das massas, manifesto ou presumido, consoante a ordem política seja livre ou autoritária, há de circular sempre através de um órgão ou poder intermediário, onde corre, porém o risco de alienar-se por inteiro. Esse órgão vem a ser o partido político (p.278).

  A formação do governo civil-militar a partir de 1964 e a alteração para o sistema bipartidário instigam a identificação de mudanças nos posicionamentos dos integrantes do legislativo santa-mariense, ou seja, passa-se de um exercício democrático do poder para um regime autoritário, e isto requer certas adaptações partidárias livres ou sob pressões externas, e buscando-se em Bonavides (2002) compreende-se que

  No seio dos partidos forma-se logo mais uma vontade infiel e contraditória do sentimento da massa sufragante. Atraiçoadas por uma liderança portadora dessa vontade nova, estranha ao povo, alheia de seus interesses, testemunham as massas então a maior das tragédias políticas: o colossal logro de que caíram vítimas. Indefesas ficam e a democracia que elas cuidavam estar segura e incontrastavelmente em suas mãos, escapa-lhes como uma miragem (p.278).

  A presente pesquisa está centrada num período autoritário, fato que impõe mudança de posicionamentos políticos, e suscita divergência de idéias, pois se percebe que

  A coação partidária modernamente restringe a liberdade do parlamentar. A consciência individual cede lugar à consciência partidária, os interesses tomam o passo às idéias, a discussão se faz substituir pela transação, a publicidade pelo silêncio, a convicção do deputado pela obediência semicega às determinações dos partidos, em suma, as casas legislativas, dantes órgãos de apuração da verdade, se transfazem em meros instrumentos de oficialização vitoriosa de interesses

previamente determinados (BONAVIDES, 2002, p.280).

  A repressão trouxe implicações e mudanças nas casas legislativas em nível nacional, regional e municipal. Esta pesquisa procura identificar, através das Atas do Legislativo Santa- Mariense e jornais locais da época, como fontes documentais, o posicionamento dos edis da Arena no parlamento santa-mariense, no que tange àquele momento político.

  É nesse contexto que Brum (1981) faz uma retrospectiva dos fatos que precederam o período de redemocratização do Brasil, trazendo elementos essenciais para a compreensão das fragilidades das instituições democráticas brasileiras que possibilitaram o longo período autoritário no país. Brum (1981) destaca ainda a importância dos partidos políticos no que se refere ao Estado Moderno e Democrático e escreve que

  Os partidos políticos constituem (ou devem constituir) organizações de pessoas livres em torno de ideais comuns. A partir de princípios doutrinários e de uma idêntica interpretação da realidade, os membros de um partido político coincidem quanto a um conjunto de propostas pragmáticas na definição dos rumos e condução da sociedade, tendo em vista o bem comum, isto é, o interesse coletivo (p.19).

  Compreende-se que Rémond (2003), Bobbio (2003), Bonavides (2002) e Brum (1981) contribuíram para construir o referencial teórico relacionado à Nova História Política, pois se percebe que a historiografia recente propõe mudanças, abrindo novas possibilidades dentro da história regional como se percebe em Silva (1990), que

  Em primeiro lugar, o estudo regional oferece novas óticas de análise ao estudo de cunho nacional, podendo apresentar todas as questões fundamentais da História (como os movimentos sociais, a ação do Estado, as atividades econômicas, a identidade cultural, etc.) a partir do ângulo de visão que faz aflorar o especifico, o próprio, o particular. A historiografia nacional ressalta as semelhanças, a regional lida com as diferenças, a multiplicidade (p.12). Sendo assim, “A historiografia regional tem ainda a capacidade de apresentar o concreto e o cotidiano, o ser humano historicamente determinado, de fazer a ponte entre o indivíduo e o social” (SILVA, 1990, p.13), aproximando a população do objeto pesquisado. Busca-se, com a inserção da história regional, ampliar o leque de pesquisas sobre temas pouco contemplados na historiografia tradicional.

2 METODOLOGIA

  Nesta pesquisa, aborda-se o tema “O autoritarismo brasileiro; os edis da Arena no parlamento santa-mariense, 1964 – 1970”, onde se propõe o uso de fontes bibliográficas que contemplam a Nova História Política, sendo que isso possibilitou o uso de documentos históricos, desprezados pela historiografia tradicional, como as Atas da Câmara de Vereadores de Santa Maria e o jornal A Razão, do Arquivo Municipal. Além da fundamentação teórica já referida, usam-se outras fontes bibliográficas para compor o contexto histórico nacional que possibilitou o golpe de 1964, relacionando-o ao cenário municipal santa-mariense.

  Para fazer a relação do contexto nacional com o regional e verificar o cenário político que ocorreu de 1964 a 1970, trabalha-se com Alves (1989), que narra acontecimentos, de forma crítica e objetiva, baseada numa ampla pesquisa realizada sobre o período de 1964- 1984 e propõe um estudo da relação dialética entre o Estado e a Oposição, trazendo detalhadamente o processo de formação e institucionalização do Estado de Segurança Nacional no Brasil, a ação dos integrantes da Escola Superior de Guerra e sua ideologia e, por fim, faz uma análise do período de “abertura” política comandada pelo Presidente Figueiredo.

  Buscam-se elementos em Paes (1993) que favoreceram a compreensão dos contextos econômico, social e político que caracterizaram os anos sessenta, com a ascensão dos movimentos culturais de contestação e rebeldia em contraponto ao autoritarismo do governo civil-militar.

  Percebe-se que Dockhorn (2002) procura desvendar em sua obra os diferentes momentos que envolveram o movimento de 1964, proporcionando reflexões sobre a diretriz do regime civil-militar brasileiro, elencando questões relacionadas à Doutrina de Segurança Nacional, perpassando pelos eventos constitucionais mais importantes editados durante o regime e suas repercussões políticas, econômicas e sociais para a sociedade brasileira.

  Enquanto que Chacon (1985) apresenta o histórico detalhado do processo de formação dos partidos políticos brasileiros, desde o período imperial (1831-1889) até a formação do Partido dos Trabalhadores, considerado de esquerda.

  Da mesma forma, Brum (1981) revela, em seu livro, a estruturação partidária no Brasil a partir do Estado Novo, contemplando um amplo histórico sobre os partidos existentes no Brasil. Sua pesquisa utiliza-se de importantes dados estatísticos sobre os percentuais eleitorais dos partidos entre os anos de 1942 até 1962 e faz uma retomada do período eleitoral durante o governo civil-militar até a Nova República, em 1985.

  Nesse universo, Skidmore (1996) foi importante para a composição do contexto político nacional e a estruturação partidária, naquele momento, no Brasil, fazendo um apanhado interessante, visto por alguém sem envolvimento efetivo na política nacional.

  Percebe-se que Mendonça (1988) constrói o cenário político de forma integrada com as questões sociais e econômicas, valendo-se de dados relacionados às reivindicações populares, lutas sindicais, desdobramentos das crises econômicas, o milagre brasileiro, a relação das decisões políticas internas com os interesses econômicos internacionais, além de analisar os diversos planos econômicos implantados no Brasil daquele período.

  Isso posto, evidencia-se que o trabalho de pesquisa teve seu início na leitura das obras referenciadas, visando à fundamentação teórica e a composição do cenário nacional do período. Para compor o contexto regional buscou-se fundamentação na história regional. O interesse sobre a história regional deu-se a partir da década de 1970 e enfrentou muitas dificuldades, como se percebe em Silva (1990):

  E não é fácil realizar trabalhos de cunho regional. Se o problema do mau estado de conservação e de desorganização dos documentos históricos geralmente é sentido em todo o país, ainda mais agudo ele se apresenta na maioria das instituições estaduais e municipais, principalmente as situadas nas regiões pobres (p.11).

  Entende-se serem perfeitamente aceitáveis os argumentos do autor sobre as dificuldades de se fazer história regional, mas, pode-se considerar que ele próprio contemporiza essas dificuldades e propõe que

  [...] o estudo regional oferece novas óticas de análise ao estudo de cunho nacional], podendo apresentar todas as questões fundamentais da História (como os movimentos sociais, a ação do estado, as atividades econômicas, a identidade cultural, etc) a partir de um ângulo que faz aflorar o específico, o próprio particular (p.12).

  Ao trabalhar com a fonte documental, propõe-se realizar um fichamento dos integrantes do parlamento santa-mariense que formavam o sistema pluripartidário, para identificar as migrações para a ARENA. Usaram-se também as atas como fonte documental para identificar e relacionar o posicionamento dos vereadores da ARENA, apoiadores do governo civil-militar no parlamento santa- mariense, numa conjuntura político nacional que buscava a legitimação ideológica do novo governo brasileiros, através dos atos institucionais.

3 RESULTADOS E DISCUSSÕES

  3.1 O CENÁRIO POLÍTICO NACIONAL: OS ATOS INSTITUCIONAIS. 1964- 1970 A substituição do modelo político democrático por um sistema autoritário, no Brasil, em 1964, segundo Ferreira (2007), começou a se projetar ainda em 1959, quando

  [...] começaram as articulações para a escolha de candidatos que se apresentariam às próximas eleições presidenciais. A UDN, cansada de derrotas, apoiou a candidatura de Jânio Quadros. O PTB e o PSD, embora, naquele momento, demonstrassem suas diferenças e encontrassem dificuldades nas negociações políticas, formaram uma chapa com o general Henrique Lott concorrendo à presidência da República pelo PSD e, novamente, João Goulart como vice, pelo PTB (p.114).

  Percebe-se na leitura de Ferreira (2007) que o contexto político nacional trazia muitas divergências, sendo que foram eleitos, em 1960, para presidente, o candidato apoiado

  1

  pela União Democrática Nacional (UDN) , Jânio Quadros, e para vice- presidente, o

  2

  candidato do Partido Trabalhista Brasileiro (PTB) , João Goulart, modalidade prevista na legislação que permitia a eleição em separado.

  Durante os poucos meses à frente do governo, Jânio Quadros procurou demonstrar distanciamento das idéias do vice Jango, escolhendo para as “pastas militares nomes avessos ao ideário nacionalista” (FERREIRA, 2007, p.115), deixando claro que sua equipe econômica seguiria os ditames do Fundo Monetário Internacional (FMI). Isolado politicamente, sem conseguir solucionar os problemas sociais e econômicos, combater a corrupção e a inflação, bandeiras políticas na campanha eleitoral, Jânio Quadros renunciou ao cargo de Presidente do Brasil.

  A renúncia de Jânio Quadros, em agosto de 1961, após perder o apoio da UDN, liderada por Carlos Lacerda, que o acusava de aproximar-se dos países comunistas, como a União Soviética e a China, visto que se vivia o contexto da guerra fria, criou um elemento político novo. Setores militares e civis conservadores que eram contra a política externa independente de Jânio, desencadearam um movimento para impedir a ocupação do cargo pelo 1 vice João Goulart, que naquele momento encontrava-se em visita oficial à China comunista.

  

União Democrática Nacional- principal partido de oposição ao getulismo, inicialmente constituía-se de ampla

frente. Congregava setores médios (advogados, profissionais liberais), além de industriais e fazendeiros,

2 apoiando-se numa plataforma liberal e moralizante (MENDONÇA, 1988.p. 12).

  

Partido Trabalhista Brasileiro – Criado a partir das instituições do Estado Novo, por meio do Ministério do

Trabalho via sindicatos a ele atrelados, visando a incorporar a população de trabalhadores urbanos

  Apoiado pelo governador do Rio Grande do Sul, Leonel de Moura Brizola, João Goulart reagiu contra o movimento que visava a impedi-lo de assumir o cargo, onde se desencadeava o evento da “Legalidade”, episódio que tinha como objetivo o cumprimento constitucional, garantindo que o vice–presidente eleito assumisse o cargo de Presidente da República com a renúncia de Jânio Quadros. Temeroso que o desfecho dos acontecimentos acabasse numa guerra civil, Jango negociou com o Congresso seu retorno ao país e aceitou

  3

  assumir a presidência sob o regime parlamentarista de governo, porém com limitação de poderes, como retrata Fico (2004):

  A atmosfera política era de grande agitação entre militares, políticos e empresários que queriam livrar-se do governo. João Goulart defrontara-se, no inicio de 1964, com sua própria fragilidade. Chegara à Presidência da República por acaso e por sorte, após surpreendente renúncia de Jânio Quadros e contra a vontade dos ministros militares, que só admitiram sua posse depois de tratativas políticas que o enquadraram: `as pressas, instaurou-se no Brasil, em 1961, um regime parlamentarista, que tolhia os poderes do novo presidente (p.16).

  Para Ferreira (2007), ao assumir o governo, Jango iniciou uma campanha para o

  4

  retorno do presidencialismo , visto que “o sistema parlamentarista, aprovado rapidamente para viabilizar sua posse, tinha por objetivo impedir o exercício pleno dos poderes de Presidente da República” (p.139).

  Tendo como objetivo o retorno ao sistema presidencialista, em 1963, João Goulart

  5

  conseguiu aprovar no Congresso Nacional a realização de um plebiscito

  e, através do voto popular, retomou-se, no Brasil, o presidencialismo. A vitória no plebiscito demonstrou o prestígio de João Goulart, que procurou implantar em seu governo uma linha reformista e buscou a retomada da política externa independente. O governo de Goulart desejava “unir o centro pessedista e a esquerda trabalhista e, com a maioria no Congresso Nacional e o reforço da tradicional aliança entre o PSD e PTB, executar um programa de reformas pela via parlamentar” (FERREIRA, 2007, p.142).

  Continua Ferreira (2007), dizendo que Jango começou a desenvolver uma estratégia política com medidas de combate à inflação e ao crescimento econômico e encaminhou, ao 3 Sistema político em que o Presidente tem legitimação indireta. ”Cabe ao primeiro-ministro organizar o

  

gabinete, dirigi-lo, presidir-lhe as sessões, chefiar o partido majoritário [...]”. O Presidente da República exerce

4 funções, simbólicas e cerimoniais. (BONAVIDES, 2002, p. 318-342).

  

Segundo BONAVIDES (2002) o presidencialismo é “a forma de governo onde todo o poder executivo se

concentra ao redor da pessoa do Presidente, que o exerce inteiramente fora de qualquer responsabilidade política

perante o poder legislativo. [...] o Presidente da República deve derivar seus poderes da própria Nação;

5 raramente do Congresso, por via indireta” (p.297).

  

“É, pois uma votação popular sobre assuntos de relevância constitucional, sendo, por isso, um instrumento de Congresso Nacional, proposta sobre as reformas de base, reivindicação antiga dos setores de

  6

  esquerda , principais apoiadores do retorno ao presidencialismo. As reformas de base eram centralizadas na realização das reformas educacional, política e agrária. No que tange à reforma política, o projeto visava a extensão do voto aos analfabetos, e aos oficiais não- graduados das Forças Armadas, além da legalização do PCB.

  Embora tenha acontecido uma vitória bem expressiva no plebiscito, determinando o retorno do presidencialismo, João Goulart começou a sentir que

  as pressões pelas reformas eram muitas, mas as dificuldades no Congresso eram imensas, visto que PSD e PTB divergiam sobre vários desse temas, com destaque para o da reforma agrária, a começar pelo debate em torno do art.141 da Constituição, que dizia que as desapropriações deveriam ser realizadas com indenizações prévias e em dinheir o (FERREIRA, 2007, p.140).

  Nesse universo político, Skidmore (1996) entende que o governo de Goulart começava em condições desfavoráveis, pois necessitava de medidas severas de ajuste econômico que englobava arrocho salarial dos trabalhadores, em contraponto aos interesses da classe operária que o apoiava. Como não estava disposto a assumir o desgaste político sozinho, por conta de medidas econômicas conservadoras, João Goulart procurou acalmar as esquerdas com atitudes nacionalistas, enviando ao Congresso Nacional o projeto de lei que limitava a remessa de lucros das empresas estrangeiras ao exterior.

  Com isso o governo João Goulart conseguiu aumentar o clima de radicalização tanto da esquerda quanto da direita, demonstrando que “essa estratégia presidencial era um equívoco” (FERREIRA, 2007, p. 142), pois o país passava por um momento de grande conturbação política, ocorrendo greves dos operários, protestos dos empresários, membros da classe média, autoridades civis e religiosas. A situação dentro dos quartéis também não era

  7

  tranquila, visto que ocorriam rebeliões dos sargentos e cabos da Marinha e Aeronáutica, que reivindicavam, principalmente, o direito ao voto.

6 Segundo FERREIRA (2007), setores de esquerdas eram compostos por socialistas, comunistas e trabalhistas

  7 (p.140).

  

Em 12 de setembro de 1963, ocorreu em Brasília a “Rebelião dos Sargentos”, como resultado do

descontentamento de sargentos e cabos da Marinha e Aeronáutica contra o Supremo Tribunal Federal a fim de

assegurar a legitimidade do exercício de funções legislativas. A revolta durou algumas horas, mas teve ampla

repercussão. Enquanto o presidente João Goulart não se definia por uma posição, os sindicatos e políticos de

esquerda saudavam a revolta. Aumentando a apreensão das elites, a Central Geral dos Trabalhadores, ameaçou o

  8 Diante desse clima de tensão, os militares ligados à Escola Superior de Guerra

  9

  (ESG), que baseavam sua conduta política na Doutrina de Segurança Nacional , com o apoio de autoridades civis conservadoras, derrubaram o governo de João Goulart e assumiram o poder em 1º de abril de 1964, iniciando, assim, um período autoritário que teve sua culminância com o Ato Institucional nº 5 (SKIDMORE, 1996).

  Na temática proposta, entende-se como de maior significação identificar os Atos Institucionais editados pelo governo civil-militar a partir de 1964. Através desses atos o Estado brasileiro procurou a legitimação do poder, com a implantação de um

  [...] sistema político fechado e, portanto, excludente, acompanhado da militarização da sociedade que caracterizou os governos militares, não se instalou, contudo, imediatamente em 1964. Sua implantação, que foi paulatina e se desenrolou em meio a conflitos e lutas político-ideológicas, implicou um duplo processo: a centralização no Executivo Federal e a centralização militar do poder (PAES, 1993, p. 56).

  Esse sistema político fechado e excludente, ao qual Paes (1993) se refere, foi implantado gradualmente e, para evitar reações da oposição e da população, o governo civil-

  10

  militar usou da edição de diversos Atos Institucionais , que procuraram legitimar o poder amparado juridicamente.

  Nesse sentido, ao editar o Ato Institucional nº 1, os militares fortaleceram o executivo, suprimindo direitos políticos, enfraquecendo o Poder Legislativo, como se pode perceber quando Mendonça (1988) afirma que

  A UDN sentia-se agora, firmemente instalada no poder, assumindo pastas ministeriais ao lado dos novos tecnocratas. Rapidamente, porém, ficou evidente a impotência dos cargos eletivos. Políticos como Carlos Lacerda, aliados de primeira hora dos militares, visava a presidência, tornando-se concorrentes, embora do 8 mesmo lado da arena política (p.14).

  

. A Escola Superior de Guerra consolidou, assim, uma rede militar-civil que institucionalizou e disseminou a

Doutrina de Segurança Nacional e Desenvolvimento. Esta rede, organizada na Associação dos Diplomados da

Escola Superior de Guerra (ADESG),promovia conferências, seminários, debates e cursos por todo o país,

9

levando os princípio e doutrinas da ESG a outros protagonistas políticos civis e militares.( ALVES, 1989, p.34).

  

A ideologia da segurança nacional contida na Doutrina de Segurança Nacional e Desenvolvimento foi um

instrumento importante para a perpetuação das estruturas de Estado destinadas a facilitar o desenvolvimento

capitalista associado-dependente. Em sua variante teórica brasileira, a Doutrina de Segurança Nacional e

Desenvolvimento constituiu um corpo orgânico de pensamento que inclui uma teoria de guerra, uma teoria de

revolução e subversão interna, uma teoria do papel do Brasil na política mundial e de seu potencial geopolítico

como potência mundial, e um modelo específico de desenvolvimento econômico associado-dependente que

combina elementos da economia Keynesiana ao capitalismo de Estado. A Doutrina de Segurança Nacional tem

sido utilizada para justificar a imposição de um sistema de controles e dominação. Ela não pressupõe o apoio das

10 massas, para legitimação do poder de Estado, nem tenta obter esse apoio. (ALVES, 1989, p.26).

  

Atos Institucionais são normas jurídicas emanadas do poder “revolucionário”, que se sobrepõem à

Constituição, imposta a Nação pela força, passando a ser a instância legal a regular a vida da sociedade nacional

  A impotência política referida e as sucessivas articulações por parte dos militares, através da “operação limpeza” e na implantação da Doutrina de Segurança Nacional, limitaram o poder decisório das instâncias legislativas, com diversas ações punitivas, que atingiram até mesmo políticos considerados aliados.

  Para Alves (1989), o novo governo precisava legitimar a tomada do poder e “para tranquilizar a opinião pública quanto a suas intenções democráticas o governo Castelo Branco prometeu cumprir o calendário” (p.80) estabelecido pela Constituição de 1946 e que previa

  11

  eleições para governadores de onze Estados. Continua Alves (1989):

  A 3 de outubro de 1965 realizaram-se eleições para a escolha de governadores nos Estados do Pará, Maranhão, Rio Grande do Norte, Paraíba, Alagoas, Minas Gerais, Guanabara, Santa Catarina, Mato Grosso e Goiás. Na Guanabara, após a eliminação dos dois candidatos do PTB, o Marechal Lott e Hélio de Almeida, o PSD e o PTB formaram coalizão de apoio à candidatura de Francisco Negrão de Lima. Fora ele próximo colaborador do ex-presidente Juscelino Kubitschek, embora não agradasse 12 particularmente aos linha-duras, estes não puderam impedi-lo de concorrer (p.87-

  8).

  Percebe-se que as eleições para os referidos Estados não transcorreram da maneira que o governo esperava, visto que, “embora os candidatos do governo ganhassem na maioria dos Estados, a vitória nesses casos era menos significativa, em termos políticos, por se tratar de Estados rurais em que os votos são tradicionalmente controlados por caciques locais” (ALVES, 1989, p.88).

  Desse modo, para Alves (1989), o resultado dessas eleições mostra que a influência trabalhista ainda estava muito presente nos grandes centros urbanos, fato que despertou ainda mais a preocupação da ala militar conservadora contra as organizações sindicais, determinando a intensificação do cerco aos sindicatos.

  Nota-se que o resultado das eleições, desfavorável ao governo, propiciou a intensificação da repressão aos movimentos sindicais, visando a fragilizar as lideranças políticas ligadas aos trabalhadores que davam sustentação ao antigo governo.

11 Segundo a legislação eleitoral da época, haveria eleições em 11 estados para a escolha de governadores, com

  

mandatos de cinco anos coincidindo com os do Presidente da República. Os 11 demais estados tinham mandatos

12

de quatro anos. As eleições para a escolha nestes coincidiam com a s eleições para o Congresso (ALVES, p. 80).

  

Os coronéis dos IPMs tentaram incluir Negrão de Lima no inquérito sobre o Partido Comunista, alegando que

ele fora eleito prefeito do Rio de Janeiro com o apoio do PC. Ele foi perseguido e reiteradas vezes chamado a

depor em juízo, mas a tentativa não teve êxito. Nota-se que Negrão de Lima era amigo chegado do Presidente

Castelo Branco, e como tal contava com seu discreto apoio, que reforçou sua posição contra os setores da linha-

  Concluído o processo eleitoral e diante do fracasso do governo nas eleições nos

13 Estados considerados mais importantes, inconformados, os militares exigiram que o

  presidente Castelo Branco determinasse a intervenção nos Estados onde a oposição foi vencedora e anulasse o pleito eleitoral.

  As pressões surtiram efeito, pois, embora não tenha ocorrido a anulação do resultado das eleições, foi firmado um “compromisso entre os líderes oposicionistas da Guanabara e Minas Gerais: os candidatos eleitos tomariam posse, mas o governo federal teria o direito de indicar os secretários de Segurança dos Estados” (ALVES, P.89).

  Com essa solução política, a coalizão no poder tinha consciência de que a segurança dos Estados constituiria importante trunfo político nas mãos das polícias civil e militar dos Estados, sob o comando do governo federal, tornando-se assim mais repressivas e centralizadas.

  Diante desse contexto, compreende-se que o desenrolar do processo eleitoral favorável à oposição, tornou-se eminente o endurecimento das medidas repressivas relacionadas aos partidos de oposição e organizações sindicais, desarticulando qualquer

  14 tentativa de contragolpe (ALVES, 1989).

  Na tentativa de acalmar a ala mais conservadora, o governo propôs para aprovação no Congresso emenda à Constituição que visavam enfraquecer o Poder Judiciário e limitaria o poder de decisão do Legislativo. A proposta de emenda à Constituição provoca a revolta do Congresso que não admite a intervenção do poder Executivo nos outros poderes. A reação ocorre inclusive entre os partidos que apoiavam o governo, como a UDN.

  Diante da evidência da rejeição da emenda à Constituição, cresce dentro do governo

  15

  as pressões para a edição do Ato Institucional nº 2 . Na véspera da decisão do Congresso, o presidente Castelo Branco faz valer a medida, que foi editado sob a forma “de um Manifesto à Nação’”, ação que visava justificar a necessidade do mesmo alegando que “agitadores de várias matizes e elementos da situação eliminada [...] já ameaçam e desafiam a própria ordem revolucionária” (ALVES, 1989, p. 90).

  Em Chacon (1985) percebe-se que o AI-2 teve como principal conseqüência a extinção do sistema pluripartidário, que naquele momento era assim constituído:

13 Na Guanabara venceu as eleições o candidato do PSD Negrão Lima, em Minas Gerais Israel Pinheiro (PSD) e

  14 em Santa Catarina o candidato, também do PSD, Ivo Silveira (ALVES, 1989. p.88).

  

Segundo Dockhorn (2002. p.17) Contragolpe representaria, então, uma ação com vistas à preservação da

15 democracia, conceituação que o próprio desenrolar do processo refutou.

  Partido Social Democrático (PSD), União Democrática Nacional (UDN), Partido Trabalhista Brasileiro (PTB), Partido Trabalhista Nacional (PTN), Partido Social Trabalhista (PST), Partido Republicano Trabalhista (PRT), Partido Trabalhista Renovador (PTR), Movimento Trabalhista Renovador (MTR), Partido Republicano (PR) Partido Social Progressista (PSP), Partido democrata Cristão (PDC), Partido de Representação popular (PRP), Partido Libertador (PL) e até o Partido da Boa Vontade (PBV) (p.188).

  Assim, com a extinção do pluripartidarismo através do AI-2, são criados dois partidos: a Aliança Nacional Renovadora (ARENA) e o Movimento Democrático Brasileiro (MDB). A Arena reunia “basicamente udenista e pessedistas, com adesistas dos mais variados tipos, e o MDB uniu os discordantes do golpe-revolução de 1964, sobretudo petebistas, com alguns pessebistas, raros udenistas e demais” (CHACON, 1985, p. 191).

  Compreende-se que o governo civil-militar usou na redação do AI-2 termos que objetivavam disfarçar as atitudes autoritárias, sob a égide da segurança nacional e do desenvolvimento, como o preâmbulo que diz que a “Democracia supõe liberdade, mas não exclui responsabilidade nem importa em licença para contrariar a própria vocação política da Nação. Não se pode desconstituir a Revolução, implantada para estabelecer a paz, promover a honra nacional” (ALVES, 1989, p. 91) .

  Busca-se em Bobbio (2003) a definição do termo revolução, como “a tentativa, acompanhada do uso de violência, de derrubar as autoridades políticas existentes e de substituí-las, a fim de efetuar profundas mudanças nas relações políticas, no ordenamento jurídico-constitucional e na esfera sócio-econômica” (p. 1121). Também o termo revolução é

  .

  ratificado por Dockhorn (2002) quando afirma que

  [...] a estrutura e a ordem da sociedade não foram subvertidas, pelo contrário, os eventos de 1964 serviram para resguardar a ordem estabelecida, ou seja, os interesses imediatos de uma parcela da burguesia, principalmente a que vinha firmando-se desde os anos 50 (p.17).

  Nesse sentido entende-se que o termo “revolução” usado pelo governo civil-militar não se identifica com o conceito a qual escolhemos como referencial, pois segundo Bobbio e Dockhorn para haver revolução deveria ter acontecido profundas mudanças e uma ruptura com o status quo, fato que não aconteceu, visto que o novo governo procurou manter os privilégios e evitar as reformas de base propostas pelo governo João Goulart.

  Com a extinção do pluripartidarismo e para legitimar a “revolução”, o governo civil- militar manteve as atividades legislativas, porém determinou a criação do sistema bi- partidário.

  Com o advento do bipartidarismo percebe-se que a composição das forças políticas nacionais, a partir de 1965, por força do AI-2, estava limitada ao partido da situação, a Aliança Nacional Renovadora (ARENA) e um partido de oposição, o Movimento Nacional Brasileiro (MDB), ao qual caberia apenas oferecer crítica que ajudasse na construção da proposta do governo. A publicação desse ato altera a forma de escolha do Presidente da República e do vice-presidente que passaram a ser escolhidos pela maioria absoluta do Colégio Eleitoral, composto por membros do Congresso Nacional, em sessão pública, através de voto aberto, ampliando o controle por parte do governo sobre o parlamento (ALVES, 1989).

  Entende-se que através do AI-2 o governo fecha o cerco com relação às instituições democráticas, passa a capacitar órgãos repressivos e controladores nos processos eleitorais, determinando eleições em sessões públicas, com votação nominal, deixando os membros do legislativo totalmente expostos a punições que iam desde cassações de mandatos até a suspensão dos direitos políticos por dez anos (DOCKHORN, 2002).

  Embora tenha ocorrido um detalhamento maior sobre o AI-2 por considerarmos um elemento essencial na mudança do reordenamento partidário no Brasil, ainda temos que nos referir a outros mecanismos que também alteraram a política partidária brasileira no período que se refere nossa pesquisa. Torna-se pertinente mencionar o Ato Institucional nº 3 que foi editado na tentativa de solucionar “um problema ainda não resolvido pelos dois primeiros atos institucionais: era o das eleições que, segundo a Constituição de 1946, deveriam realizar-se nos Estados que não haviam escolhido governadores em 1965” (ALVES, 1989, p. 99). O AI- 3 estabelecia que

  [...]a partir das eleições de então os governadores seriam eleitos indiretamente por maioria absoluta de votos das assembléias legislativas. A votação seria pública e nominal. Os prefeitos de todas as capitais estaduais seriam nomeados pelos 16 governadores; os demais prefeitos poderiam ser eleitos por voto popular secreto

  (ALVES, 1989, p. 99).

  Além de estabelecer eleições indiretas para governadores e prefeitos das capitais, “o AI-3 foi cercado de atos complementares que exigiram desde questões de filiação à fidelidade partidária”, aumentando o controle do Executivo sobre o Poder Legislativo, dificultando ainda mais a atuação do partido de oposição (DOCKHORN, 2002, p. 144).

16 Ato Institucional Nº 3, 5 de fevereiro de 1966. In: Diário Oficial da União, Ano CIV, Nº 36, de 7 de fevereiro

  Com a limitação imposta ao Legislativo, o governo civil-militar sente-se seguro para iniciar o processo da elaboração da Constituição de 1967, que se destacou pelo confronto entre o Executivo e Legislativo, sendo que tanto deputados do MDB quanto da ARENA exigiam a possibilidade de apresentação de emendas. A reação dos parlamentares evidenciava uma crise que acabou unindo a ARENA e MDB. Como forma de coerção o governo determinou novas cassações de mandatos dos deputados, inclusive da ARENA. A reação às cassações pela ARENA num pronunciamento do presidente da Câmara dos Deputados fez com que “setores da “linha-dura passassem a exigir uma radicalização do regime autoritário” (DOCKHORN, 2002, p. 144) culminando com a determinação do recesso forçado do Congresso Nacional.

  Atenuada a crise, o Congresso Nacional foi reaberto numa sessão extraordinária pelo

17 Ato Institucional nº 4 , um mês depois de seu fechamento, para ratificar a Constituição. A

  redação dessa Constituição foi usada pelo governo civil-militar para incorporar a maioria dos artigos do Ato Institucional nº 2, enfraquecendo o poder Judiciário e Legislativo e dando ao Poder Executivo todas as prerrogativas necessárias para centralizar todas as decisões relacionadas à segurança nacional e às finanças públicas, mas teve incluído em seu texto algumas garantias legais com relação aos direitos individuais como ao que se refere à imunidade parlamentar aos deputados ( DOCKHORN, 2002).

  Compreende-se que os legisladores ao garantir o direito à imunidade parlamentar, desautorizando a cassação automática de mandatos eleitorais através da Constituição, proporcionaram a reestruturação da oposição e provocaram certa inquietação no Congresso Nacional. Deputados da oposição eleitos em 1966 passaram a usar seu espaço para manifestações contra os atos repressivos do governo. Os discursos oposicionistas fortaleceram

  18

  movimentos populares liderados por estudantes , intelectuais da classe média e setores da Igreja a reagirem e protestarem publicamente contra o governo, iniciando assim, uma série de manifestações que foram dispersadas com a edição do mais repressivo Ato Institucional nº 5 (ALVES, 1989).

  O Ato Institucional nº 5, editado em dezembro de 1968, teve como fator motivador o discurso no Congresso Nacional do deputado Marcio Moreira Alves, representante do MDB 17 da Guanabara. Em seu discurso o deputado solicitava o boicote da Parada Militar do Dia da

  

Ato Institucional Nº 4, 7 de dezembro de 1966. In: Diário Oficial da União, 7 de dezembro de 1966, Nº 18 14.187. (ALVES, 1989, p. 105)

A morte do estudante Edson Luís Lima Souza pela polícia no restaurante Calabouço do Rio de Janeiro durante

uma manifestação causou comoção generalizada e a intensa repressão policial aproximou ainda mais correntes Independência e sugeria que as mulheres brasileiras se negassem a namorar oficiais militares que apoiavam os movimentos repressivos. O descontentamento com a fala do deputado motivou o governo a solicitar ao Congresso a liberação da imunidade parlamentar prevista pela Constituição de 1967, para cassar o mandato do deputado

  Entende-se que em decorrência da negativa dos congressistas, com o apoio de alguns

  19

  integrantes da ARENA, fez com que o governo editasse o AI 5 . O texto do AI-5 foi divulgado em todos os órgãos de imprensa falada e escrita e estabelecia, entre outros pontos, o fechamento, por tempo indeterminado, do Congresso Nacional. O mesmo ato também suspendia as garantias constitucionais e individuais previstas na Constituição de 1967. Para garantir a efetivação de tais determinações foi executada pelas Forças Armadas uma demonstração de força, com manobras em todo o país e prisões de pessoas ligadas à oposição ou que apresentassem qualquer ameaça de reação (DOCKHORN, 2002).

  Compreende-se em Dockhorn (2002) que o AI-5 consolidou a centralização do poder político pelas Forças Armadas, desarticulando qualquer tentativa de reação pela oposição e organizações sociais, através da repressão com medidas coercitivas e violentas.

  Passado o processo de redistribuição do poder pelas correntes internas da instituição militar, consolidando a hegemonia dos militares, o governo passou a investir na consolidação do regime através da divulgação de propaganda, discursos e notícias oficiais capazes de manter a passividade do povo brasileiro, garantindo assim a manutenção do regime civil- militar até 1985 (SKIDMORE, 1996).

  A pesquisa, num segundo momento, busca estabelecer o posicionamento dos edis da ARENA, partido que representava a base do governo civil-militar, no parlamento santa- mariense, identificando e relacionando a proposta governamental nacional com a local.

  3.2 OS EDIS ARENISTAS E O PARLAMENTO SANTA-MARIENSE (1964 – 1970) Demonstrando uma simetria com o contexto nacional, a Câmara de Vereadores de

  Santa Maria era composta pelo sistema pluripartidário. E no final de 1963 tomam posse os novos vereadores que vão representar Santa Maria, na legislatura 1964-1968, tendo o parlamento municipal a seguinte composição:

  19

  Quadro 1

  

Titular Partido

Alexandre da Cruz PTB

Dario Leal da Cunha PTB

Carlos Renan Kurtz PTB

Francisco Lemes PTB

Eduardo Rolim PTB

Homero Behr Braga PTB

Manoel Mallman Filho PTB

Luiz Xavier PSD

Rafhael Theodorico da Silva PSD

Antonio Américo Vedoin PSD

Artur Marques Pfeifer UPS

Pedro Fernandes da Silveira UPS

Albino Abilio Dalla Corte PDC

Dari Amilcare Mortari PDC

Waldyr Aita Mozzaquatro MTR

  Fonte: Ata nº 1/63 da Câmara de Vereadores de Santa Maria.

  Nessa mesma data, em sessão solene à tarde, foram também empossados pelo presidente da Câmara de Vereadores Waldir Aita Mozzaquatro, do MTR, o prefeito Dr. Paulo Lauda, e o vice-prefeito Adelmo Simas Genro, ambos do PTB (ATA Nº 3/63).

  Percebe-se através da composição partidária da Câmara de Vereadores de Santa Maria que o PTB, continua tendo influência política através do movimento trabalhista, como escreve Oliveira e Agostini que “Santa Maria caracterizava-se como um reduto getulista, através de suas referências políticas e seus embates ideológicos no Legislativo e na comunidade municipal, onde se construíram bases políticas capazes de influenciar as relações de poder” (2007, p. 156).

  Embora o PTB continuasse forte em Santa Maria, a eleição de 1963 demonstra o surgimento de uma nova postura do parlamento santa-mariense. Mesmo os trabalhistas elegendo sete vereadores, prefeito e vice-prefeito, percebe-se o crescimento de lideranças opositoras às suas propostas, pois embora o PTB sendo a maior bancada na Câmara de Vereadores, a oposição conseguiu unir os partidos, formando um bloco que ocupava oito cadeiras no legislativo, tendo assim a maioria nas votações.

  Compreende-se que essa mudança de postura política voltada para as forças de direita começa a se evidenciar pelo posicionamento dos edis frente a acontecimentos políticos nacionais, como a chamada “Rebelião dos Sargentos”. Por ocasião dessa rebelião foi proposta, em sessão ordinária do dia onze de março de 1964, por iniciativa do vereador Moisés Velasques, do PTB, a votação de um requerimento “solicitando manifestação à Câmara Federal, de apoio à anistia aos sargentos implicados na rebelião de Brasília” (ATA Nº 9/64).

  Nessa sessão vários vereadores subiram a tribuna para manifestar-se sobre o requerimento, mas embora defendessem o direito dos militares de votar, contemporizavam quanto aos métodos rebeldes usados pelos sargentos, como se percebe na fala do vereador Dari Mortari, (PDC), que se diz “a favor do direito de voto e de ser votado, mas contrário à rebelião, por considerá-la injustificável” e do vereador Abílio Dalla Corte, do mesmo partido, que “declara-se pela elegibilidade dos sargentos, mas contrário à violência e à indisciplina” (ATA Nº 9/64).

  A referida sessão prosseguiu tumultuada, tendo como resultado da votação um empate, obrigando ao presidente usar da prerrogativa do voto de minerva. O presidente da Câmara, vereador Waldyr Aita Mozzaquatro, posiciona-se contrário ao requerimento, justificando-se da seguinte forma:

  Ao utilizar-me do direito de Minerva (voto de Minerva) desejo declarar: em primeiro lugar, que sou inteiramente favorável ao voto não apenas do sargento, mas também do cabo e do soldado. E, ao considerar-me favorável ao voto, implicitamente defendi, defendo e defenderei sempre, aos mesmos o direito de serem candidatos. Quem vota tem o direito de ser votado. Reconheço, pois, a existência de um lapso na Constituição Federal. E, amanhã, se novamente ocupar uma cadeira na Câmara Alta, lá estarei para, através da tribuna federal, que juro defender a Constituição da Pátria, sou contra todo e qualquer ato de insubordinação, parta donde partir. E, ao dar meu voto, eu o faço como legislador apenas, esquecendo inclinações do coração (ATA Nº9/64).

  Desse modo, demonstra-se a repercussão dos acontecimentos nacionais refletindo no parlamento santa-mariense, sugerindo uma relação entre o nacional e o local. Embora a política nacional, no início de 1964, vivenciasse momentos de turbulência, no que se refere ao governo de João Goulart, como se percebe em Dockhorn (2002)

  O acirramento da luta de classes teve reflexo nas disputas salariais que colocaram as classes médias e altas em um conflito com os trabalhadores organizados e o governo. Sucederam-se paralisações e manifestações; as camadas dominantes vincularam a idéia de que o governo, com aumento salarial (conivente com as “agitações”) e os trabalhadores, com as greves que “pipocaram” pelos centros desenvolvidos, eram os responsáveis pela alta da inflação e declínio econômico (p. 87 - 8).

  Percebe-se que o parlamento municipal ocupa-se de problemas locais como a eleição de Comissões na Câmara de Vereadores, numa sessão extraordinária, como retrata a ATA Nº 14/64, transparecendo um ambiente de tranqüilidade em relação aos acontecimentos nacionais, preocupando-se com questões relativas ao funcionamento do legislativo e proposições do executivo.

  Esse clima de normalidade dos trabalhos legislativos foi interrompido por ocasião dos acontecimentos de trinta e um de março, em Brasília, que motivaram um posicionamento dos edis no parlamento santa-mariense, mencionando apoio ou repudio à saída de João Goulart e à instauração do novo governo.

  Na sessão legislativa do dia seis de abril, os vereadores do PTB, ocuparam a tribuna para demonstrar seu descontentamento com o contexto político nacional, como se percebe no registro realizado quando o

  Vereador Renan Kurtz, declarando de seu veemente protesto pela ausência de garantias individuais e contra o totalitarismo que se instalou no país, por intermédio daqueles que fizeram uma revolução e nome de Deus. Protestou contra a censura nos jornais e rádios, contra vistorias indiscriminadas em residências particulares, afirmando ter a certeza que um dia, os responsáveis por esse estado de coisas,

responderão perante a justiça do povo (ATA Nº 16/64).

  Além da manifestação do vereador Kurtz, outros vereadores do PTB, como Eduardo Rolim, usaram seu espaço para discursar contra o novo regime. Contrapondo-se aos discursos de defesa do governo João Goulart, vereadores que apoiaram o regime civil-militar recém implantado se manifestaram, criando um grande tumulto, obrigando o presidente da casa a suspender a sessão, como se percebe na ATA Nº16/64, por ocasião da manifestação dos vereadores Eroni Paniz e Joaquim Sangoi:

  Vereador Eroni Paniz, para declarar que nenhuma liberdade foi cassada, que nenhum direito foi cerceado, e para dizer que o governo democrático que se instalou visa erradicar o comunismo que vinha solapando a Nação. Vereador Joaquim Sangoi, dizendo que só reclama os que têm culpa. Que seu julgamento será feito após o pleno esclarecimento dos fatos. Que, no entanto, ninguém pode negar a existência de farto material bélico, livros e bombas

apreendidos em diversas residências particulares na capital.

  Examinando as Atas da Câmara de Vereadores, de 1964 a 1970, percebe-se o crescimento de apoio às ações praticadas pelo governo civil-militar. Na sessão do dia dezessete de abril, diversos vereadores ocuparam a tribuna, manifestando seu apoio ao governo e fazendo discursos de congratulações ao novo Presidente da República e a “Marcha do Agradecimento”, conforme o manifesto a seguir

  Vereador Homero Braga, congratulando-se com a posse do novo Presidente da República e dizendo de sua simpatia as idéias expostas em seu discurso, como profissão de fé em respeito às leis do país. Vereador Joaquim Sangoi para se congratular com o povo de Santa Maria, pela “Marcha” realizada neste dia que ficará na história da cidade. Vereador Eroni Paniz, congratulando-se com o povo pela “Marcha de Agradecimento” e para encaminhar projeto de lei revogando as leis que concederam títulos de “Cidadão Santa-mariense”, aos Srs. João Goulart, Leonel de Moura Brizola e Osvino Ferreira Alves. Vereador Abílio Dalla Corte, para dizer de sua confiança no novo Governo da República e nas Forças Armadas que forjaram a revolução brasileira (ATA Nº 18/64).

  As congratulações mencionadas na ata, solicitadas pelo vereador Homero Braga (PTB), refere-se à escolha, pelo Congresso Nacional, do general Humberto de Alencar Castelo Branco para presidente da República. Compreende-se em Dockhorn (2002) que “o processo que conduziu Castelo Branco à presidência transcorreu em um Congresso reduzido (40 parlamentares haviam sido expurgados), a conciliação das variadas forças intervencionistas atendeu a necessidades para a manutenção do projeto e da coalizão civil- militar” (p. 133).

  Com respeito à referência de vários vereadores sobre a “Marcha de Agradecimento” ocorrida em Santa Maria naquele dia, Konrad (2006) consta que “no dia 7 de abril, o Bispo Diocesano Dom Luiz Victor Sartori convocou uma marcha de agradecimento às Forças Armadas por terem feito a “revolução” e “salvado o Brasil do Comunismo” (p. 103).

  Nota-se uma relação entre a “Marcha de Agradecimento”, ocorrida na cidade, com a estratégia usada pelos grupos de extrema direita, no final do governo Goulart, onde “as camadas dirigentes partiram para tática de comoção das classes médias” e foram “os 20 principais organizadores da Marcha da Família com Deus pela Liberdade agindo como

  21 resposta ao comício da “Central do Brasil ” (DOCKHORN, 2002, p. 103).

  Compreende-se uma simetria entre as atitudes das autoridades eclesiásticas nacionais e municipais quando se percebe a importância da “[...] Igreja como componente desta coalizão de forças [...]”, sendo que assim como ocorreu mais tarde em Santa Maria, também “o cardeal do Rio de Janeiro, Dom Jaime de Barros Câmara, articulou a vinda do padre filipino Patrik Peyton para a Cruzada pelo Rosário em família, embrião da Marcha”. Assim como os católicos locais pregavam o expurgo dos comunistas, as manifestações no Rio de Janeiro “tiveram um direcionamento a um público alvo – as classes médias – objetivando instigar o anticomunismo expressado em outras passagens da história brasileira” 20 (DOCKHORN, 2002, p. 103).

  

Para FERREIRA (2007, p. 192) a mobilização popular desencadeada por setores políticos antijanguistas não

se fez esperar. As bandeiras de ameaça comunista e da quebra da legalidade constitucional por parte do governo

foram levantadas para sensibilizar a população. Já no dia 19 de março, dedicado a São José, padroeiro da família,

foi realizada, na cidade de São Paulo, a primeira Marcha da Família com Deus pela Liberdade. Os cálculos giram

21 em torno de 5000 mil presentes, portanto o dobro do comício de 13 de março.

  

Informações mais completas sobre a concentração popular organizada pelas entidades sindicais no panfleto de

convocação para o comício de 13 de março de 1964. (Arquivo Augusto do Amaral Peixoto, CPDOC/FGV)

  A “Marcha do Agradecimento” teve apoio de diversas autoridades do município como retrata a reportagem na imprensa escrita local, onde mostra a visita à redação do jornal da

  “Grande Comissão Central” promotora das homenagens às Forças Armadas, formada segundo o jornal “ pelos srs. Dr. José Mariano da Rocha Filho, Reitor da Universidade, dr. Floriano Kruel de Lemos, Juiz Municipal Vitalício, Mons. Floriano Cordenunsi, representante do Revdmo.Bispo Dom Luiz Sartori, Irmão Gelasio, Diretor da Faculdade de Direito, dr. Carlos Ignácio Sant Ana, Juiz de Direito ou II Vara e Direito do Foro, sr. Aquiles Segala, pelo Rotary Clube de Santa Maria”(A RAZÃO,10/04/64).

  Com referência à “Marcha do Agradecimento”, avaliamos a dimensão do apoio ao governo civil-militar em Santa Maria, pela crítica feita pelo vereador Abílio Dalla Corte (PDC) ao executivo municipal que não se fez representar no movimento, sendo que o vereador Dari Mortari (PDC) ocupa a tribuna para solidarizar-se com Dalla Corte dizendo que “[...] foi estranha a não presença do Executivo numa manifestação de apoio e solidariedade ao expurgo dos comunistas dos postos do Governo, e estranhar que o PTB, antes, não tenha denunciado os ladrões do povo, o que pede agora. Finaliza dizendo: os homens de bem não foram vencidos” (ATA Nº 19/64).

  Em resposta à indagação dos vereadores Abílio Dalla Corte e Dari Mortari, o colega Eduardo Rolim (PTB) diz que “o Executivo não compareceu à “Marcha”, por um ato de coerência e porque não apoiará o Governo até que as reformulações morais sejam em verdade concretizadas, mas que isso feito, o PTB será o primeiro a reconhecer os méritos da revolução” (ATA Nº 19/64).

  O acirramento dos debates entre vereadores do PTB e o vereadores que apoiavam o governo civil-militar, representados no parlamento santa-mariense pelos vereadores do PSD, UPS, PDC e MTR, tornaram-se cada vez mais acirrados, principalmente em decorrência do cumprimento das determinações contidas no AI nº 1, sugerindo, novamente, a presença de relações entre o contexto nacional e municipal.

  Entende-se em Dockhorn (2002, p. 130) que a promulgação do Ato Institucional nº1

  [...] suspendeu as garantias de imunidade parlamentar e estabilidade de servidores públicos, caminho aberto para as cassações e expurgos de adversários contrários à intervenção, partidários do antigo governo ou simples oposicionista. A liberdade político-ideológica passou a ser segundo as normas da “revolução”.

  A execução das determinações contidas no AI 1 podem ser constatadas na leitura do telegrama, transcrito na ATA Nº 29/64, 11 de maio de 1964, onde consta de cassação dos direitos políticos, por dez anos, do Prefeito Paulo Lauda do vice-prefeito Adelmo Simas Genro, ambos do PTB, assinado pelo Secretário Geral de Segurança Nacional, o general Ernesto Geisel, tendo como conseqüente destituição dos cargos no Executivo municipal, que tem o seguinte teor:

  Of urgente Presidente Câmara Municipal Santa Maria. L 339 CPlanalto Brasília – 345902 NIL 8-20 – 25 SEC 8.56 – TENHO HONRA INFORMAR VOSSÊNCIA EXMO SR PRESIDENTE DA REPUBLICA ASSINOU DECRETO DATADO ONTEM vg PUBLICADO DIARIO OFICIAL MESMA DATA VG SUSPENDENDO DIREITOS POLITICOS vg PRAZO DEZ ANOS vg CIDADÃOS PAULO DEVANIER LAUDA ET ADELMO SIMAS GENRO PT SAUDAđỏES PT GEN BDA ERNESTO GEISEL SECRETÁRIO GERAL DO CONSELHO DE SEGURANÇA NACIONAL (ATA Nº 29/64).

  O referido telegrama foi lido numa sessão extraordinária convocada pelo presidente Waldyr Mozzaquatro, que logo após a leitura solicitou um prazo de dez minutos para iniciar as discussões e as conseqüentes deliberações. Em virtude da gravidade da situação que se apresentava, o presidente Waldir Mozzaquatro declarou a abertura de uma nova sessão, às 23h e 50 min., decorridos os dez minutos solicitados anteriormente, para tomada de decisões pelo legislativo. Conforme a ATA Nº 30/64 “o presidente abriu os trabalhos e declarou que em face do telegrama recebido do Secretário do Conselho de Segurança Nacional declara vagos os cargos de Prefeito e Vice-Prefeito do Município de Santa Maria. A seguir passou a presidência ao Vice-Presidente da Câmara de Vereadores.”

  Nota-se pela atitude do vereador Waldir Mozzaquatro de passar a presidência da casa ao vice, que era de conhecimento prévio dos vereadores da bancada governista o teor do telegrama e as atitudes que deveriam ser tomadas a partir daquele momento. Durante essa sessão houve uma tentativa de reação por parte da bancada do PTB que usou a tribuna e discursou veementemente contra a atitude considerada arbitrária de suspensão dos direitos políticos do prefeito e vice. A cassação dos direitos políticos dos ocupantes dos cargos máximo no executivo municipal fez parte da

  [...]“Operação Limpeza”, autorizada pelo Ato Institucional Nº 1, promoveu expurgos na burocracia civil e militar e valeu-se dos IPMs para neutralizar qualquer cidadão que pretendesse opor-se organizadamente a políticas em aplicação. Ela tinha alvos gerais e específicos, de acordo com as estratégias da Doutrina de Segurança Nacional, que dividia a sociedade em diferentes compartimentos a serem individualmente controlados (ALVES, 1989, p.78).

  Embora houvesse uma reação dos petebistas, a vacância do cargo era fato consumado. O presidente da Câmara de Vereadores declara empossado no cargo de prefeito o vereador Waldir Mozzaquatro. Após a posse do novo prefeito ocorrem manifestações contrárias pelos vereadores do PTB e de apoio como a do vereador Oreste Dalcin (PSD)

  [...] declara ser um momento de comoção, até certo ponto, pois marca a culminância da Revolução que atinge nosso município. A revolução através do Ato Institucional legitimou a Constituição brasileira, pois deixou os Legislativos abertos, permitindo o direito de escolha. A revolução deseja mostrar que seu propósito não é chegar ao poder ditatorial e pelo que estamos verificando, no setor federal, estadual ou municipal está configurado o desejo de que voltem as grandes liberdades para que não haja mais brasileiros que possam criticar um governo legalmente constituído. (ATA Nº 30/64).

  Também concordando com o posicionamento tomado pelo presidente do legislativo na obediência às determinações do governo federal, o vereador Abílio Dalla Corte se manifesta e

  [...] diz que se encontra a vontade, pois a Constituição assegura, ao definir as finalidades das Forças Armadas, assegura-lhes o direito de defesa da integridade da pátria, seja contra os inimigos externos ou internos. A revolução não é um regime de força e pode dizer que não há regozijo nas hostes contrárias. Há regozijo, sim, por ver o Brasil mais tranqüilo, com mais vontade de progredir (ATA Nº 30/64).

  Percebe-se pelo pronunciamento dos vereadores, que se posicionaram a favor da cassação, um alinhamento com as orientações determinadas pelo governo civil-militar com referência à execução das normas do AI-1, porém

  Para alguns setores (civis especialmente), após o término do prazo de vigência do Ato Institucional, restaurar-se-ia a antiga ordem legal, pois a fase punitiva afastou os elementos mais “perigosos” e reencaminou o processo político de acordo com os interesses do novo governo, visto que a convivência de duas ordens legais – a antiga e a “revolucionária” – resultava na imprecisão das esferas de ingerências das instituições jurídicas, por exemplo ( DOCKHORN, 2002, p. 132).

  Entretanto, seguindo as determinações do governo central, amparado pelo AI-1, a Câmara de Vereadores, na sessão do dia 15 de maio de 1964, elege de forma indireta, o novo prefeito e vice-prefeito de Santa Maria. Embora havendo manifestação de repúdio pela forma da eleição pelos vereadores do PTB, a maioria dos edis declarou-se tranqüilo para a eleição como se percebe na ATA Nº 32/64, quando do pronunciamento do vereador Paulo Brilhante, que

  [...]designado pelo líder de sua bancada traz no momento, o pensamento da bancada do PSD. A casa viveu momento histórico com a eleição, pela 1ª vez de um Prefeito e Vice-Prefeito, através da votação indireta. Partido Social Democrático congratula-se com o Legislativo e Povo Santa-mariense pela eleição dos Drs. Miguel de Andrade

  Neves Meirelles e Francisco Álvares Pereira, manifestando o apoio que não será negado aos eleitos.

  Complementando o apoio aos representantes do Executivo recém eleitos, o vereador Arthur Pfeiffer (UPS) completa “dizendo que no dia em que são eleitos os novos mandatários do município, acha desnecessário dizer do patriotismo dos que fizeram a revolução que trouxe tranqüilidade tão necessária ao povo brasileiro (ATA Nº 32/64).

  Percebe-se pelo pronunciamento dos vereadores, que apoiam o governo civil-militar, que estes estão esperançosos e confiantes nos resultados positivos da revolução e não consideraram a eleição indireta para os cargos do Executivo um ato contra a democracia.

  Ao iniciar os trabalhos legislativos no ano de 1965 os vereadores que apoiam o governo preocupam-se em demonstrar que o país vive um momento de tranqüilidade política e estabilidade econômica, saudando a “revolução”, como se percebe no pronunciamento do vereador Joaquim Sangoi que “[...] congratula-se com a Revolução de 31 de março de 1964, que comemora seu primeiro aniversário, e declara que este movimento já está mostrando melhores horizontes, com as finanças do país se recuperando” (ATA Nº 133/65).

  Da mesma forma o vereador Eroni Paniz manifesta seu apoio à “revolução” e faz referência aos acontecimentos recentes nas cidades do alto Uruguai, numa tentativa de contragolpe. Paniz “lamenta os acontecimentos de Tenente Portela e Três Passos, onde declara que meia dúzia de aventureiros e desequilibrados, procuraram colocar o País em intranqüilidade, e congratula-se com as Forças Armadas, pela pronta ação com que deram combate e extermínio de mais este atentado” ( ATA Nº 133/65).

  O vácuo institucional criado pela extinção do AI-1, acontecido em junho de 1964, e a proximidade das eleições prevista na Constituição de 1946, ainda em vigor, suscitou uma

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  tentativa de reação da oposição através de seus candidatos, nos estados em que estava prevista a eleição para governadores.

  O recrudescimento das discussões sobre o resultado das eleições e seu significado diante da vitória dos candidatos da oposição em estados considerados de grande importância política e econômica, como Minas Gerais, Guanabara, Santa Catarina e Mato Grosso, não se limitavam aos estados onde ocorreram as eleições, mas atingiram todo o país, como se percebe na ATA Nº 194/65, do legislativo santa-mariense:

22 Em 3 de outubro realizou-se eleições para governador nos estados do Pará, Maranhão, Rio Grande do Norte,

  

Paraíba, Alagoas, Minas Gerais, Guanabara, Paraná, Santa Catarina,Mato Grosso e Goiás. (ALVES, 1989, p.87 e

  Vereador Moisés Velasques, congratulando-se com as manifestações do Presidente da República, Mal. Castelo Branco com relação a posse dos eleitos no pleito de domingo ultimo, de que a vontade popular seja respeitada. E lamenta a existência de notícias alarmantes e prejudiciais lançadas pela imprensa do país a respeito da posse ou não dos eleitos.

  A notícia, sobre o resultado das eleições, a que o vereador se refere consta nas

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  edições do jornal A Razão, onde consta a manchete “UDN requereu ao TRE o cancelamento das candidaturas Negrão e R. Berardo.” Segue a notícia em que consta os argumentos da UDN junto ao Tribunal Regional Eleitoral com a seguinte conteúdo:

  RIO, 6 (Meridional) – Baseando-se na ilegalidade do Partido Comunista e na presença de seus líderes na campanha eleitoral dos srs. Negrão de Lima, a UDN carioca requereu o cancelamento do registro das duas candidaturas (A RAZÃO, 07/10/65).

  Para Dockhorn (2002) embora o Presidente Castelo Branco ocupasse os meios de comunicação para reiterar sua disposição de empossar os candidatos eleitos, mesmo da oposição, a ala mais conservadora do governo demonstrava que não aceitaria tal resultado sem reação como se percebe pelas manifestações do ministro das Forças Armadas General Costa e Silva, onde ele declara que “as Forças Armadas barrarão o retorno dos subversivos.” (A RAZÃO, 07/10/65).

  Na edição desse mesmo dia, as manchetes do jornal retratam as disputas dentro do governo, pois se compreende que “os conflitos internos reduziram sensivelmente o apoio que desfrutaram anteriormente os militares intervencionistas e afloraram as profundas divergências entre os componentes da ESG e os setores que não faziam parte da ala “intelectualizada” da instituição” (DOCKHORN, 2002, p. 129).

  Essas divergências tornam-se mais visíveis quando da manchete do jornal local

  GOVERNO ASSEGURA A POSSE DOS ELEITOS A TRÊS DE OUTUBRO AFIRMA PAULO BOSISIO RIO 7 (Meridional) “Reafirmo que o governo ao mesmo tempo em que assegurará a posse dos eleitos não permitirá que se aproveitem desses fatos para tentar neutralizar a ação revolucionária”. Esta declaração consta da nota assinada pelo ministro da Marinha Paulo Bosísio transmitida aos comandos das fôrças e estabelecimentos navais de todo o país (A RAZÃO, 08/10/65).

  23

  A vigência do AI-1 havia expirado em junho de 1964 e o grupo “moderado”, ligado

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  ao Presidente Castelo Branco desejava um abrandamento das punições , mas os militares “conservadores” ligados ao General Costa e Silva, aumentaram a pressão para a edição do Ato nº 2. Esse ato representou a continuação das medidas autoritárias do AI-1 buscando a construção de um regime político estável, sem concessões à antiga política populista, mas também sem conotação de “ditadura tradicional” (DOCKHORN, 2002, p. 141).

  Compreende-se que nesse momento havia uma divisão interna nas Forças Armadas, onde a ala conservadora desejava que o governo aumentasse a punição aos inimigos da revolução, centralizando as decisões políticas cada vez mais com os elementos militares.

  Nesse sentido, por ocasião da vigência do AI-2 que “capacitava o Aparato Repressivo a concluir a operação “limpeza” interrompida pela política de “normalização” intentada por Castelo Branco”, previa a “extinção dos partidos políticos” e criava “rígidas exigências para a constituição de novas formações” partidárias que “obrigaram a oposição a concentrar todas suas energias na reconstrução das estruturas representativas” (ALVES, 1989, p. 94).

  Diante desse novo ordenamento político, as casas legislativas tiveram que adequar as leis municipais e regimentos internos, extinguindo os atuais partidos e redefinindo suas posições políticas com relação ao sistema bi-partidário com percebe-se na Ata nº 208/65, quando o vereador Abílio Dalla Corte “[...] informa sobre trabalhos que já realizaram na comissão organizada para as adaptações da Lei Orgânica do Município e do Regimento Interno da Casa, de acordo com o Ato Institucional nº 2”. Sendo que o vereador Pedro Fernandes demonstra sua total conformidade e apoio às mudanças provocadas pelo AI-2 quando “tece considerações sobre o Ato Institucional nº 2 e diz como o receberam os libertadores, e declara-se solidário com a presidência da República” (ATA Nº 208/65).

  Por força do AI-2 passa a vigorar no Brasil o sistema bi partidarista e percebe-se que os edis na Câmara de Vereadores começam uma preparação para a instituição das novas siglas partidárias, a ARENA e o MDB. A publicação desse ato provocou discussões, principalmente entre os integrantes da oposição, já que “a crescente repressão, associada às novas formas de controle eleitoral” (ALVES, 1989, p. 94) gerou a desarticulação dos partidos de oposição ao 24 governo civil-militar.

  

Segundo DOCKHORN (2002, p.130) o Ato Institucional suspendeu as garantias de imunidade parlamentar e

estabilidade de servidores públicos, caminho aberto par cassações e expurgos de adversários contrários à

intervenção, partidários do antigo governo ou simples oposicionista. A liberdade político-ideológica passou a ser

  Para Alves (1989) houve um enfraquecimento dos partidos da oposição em decorrência do aumento da repressão e o cerceamento dos direitos políticos das principais lideranças oposicionistas, porém nota-se que no parlamento santa-mariense houveram edis do extinto PTB que, embora criticassem a atuação da imprensa local, se solidarizam com a implantação do bi-partidarismo como o vereador Eduardo Rolim que “manifesta seu apoio ao Governo federal pela anunciada medida sobre o bi-partidarismo e declara-se favorável à mesma, afirmando que os políticos e o povo em geral devem tomar atitudes definidas com relação à orientação política do atual governo do país” (ATA N º210/65).

  Compreende-se pela fala do vereador que a oposição embora aceitasse o bi- partidarismo, esperava dos políticos e do povo uma reação forte de oposição ao regime autoritário, fato que não ocorreu efetivamente, pois o AI-2 além da extinção dos partidos políticos reafirmou as premissas da Doutrina de Segurança Nacional, limitou os poderes do Judiciário e determinou a eleição indireta para Presidente e vice-presidente pelo Congresso Nacional. Posteriormente, através de atos complementares nº 4, 5, 6 e 17 estabeleceram-se as novas organizações partidárias, sob rígidas exigências, que resultaram em somente duas organizações partidárias, a ARENA que representava o governo, numa frágil unidade governista, e o MDB representando a oposição consentida (DOCKHORN, 2002).

  Percebe-se que, em virtude da extinção do pluripartidarismo e as dificuldades de organização dos novos partidos, as legislaturas iniciaram seus trabalhos em 1966, ainda sem uma definição por parte dos vereadores sobre qual agremiação deveriam filiar-se. Embora não tendo ainda uma definição partidária se manteve o bloco de apoio e oposição ao governo civil-militar.

  Nota-se, no decorrer de 1966, que as dificuldades na organização partidária, principalmente da oposição, devem-se às constantes modificações na legislação eleitoral e na “arbitrariedade dos atos complementares” que, segundo o governo, estavam “regulamentando as condições em que se realizariam as eleições, a filiação partidária dos candidatos, a perda de mandatos municipais” (ALVES, 1989, p. 101), garantindo a “vitória da ARENA e o sucateamento da oposição consentida” (DOCKHORN, 2002, p. 145).

  Embora a ARENA e o MDB não estivessem bem estruturados no município, nota-se a influência local na eleição de 1966 para as Casas Legislativas estaduais e federais, que posteriormente, através dos colégios eleitorais iriam eleger os governadores dos Estados e o Presidente da República. As eleições de 1966 suscitavam constantes discussões na Câmara de Vereadores, demonstrando uma disputa acirrada entre os dois partidos como percebe-se quando o vereador Joaquim Sangoi (ARENA) defende

  [...] os candidatos da “Arena”, a presidência da República e ao governo do Estado do Rio Grande do Sul: informa sobre condecorações e cursos que é possuidor o Marechal Costa e Silva, e lê trechos do discurso proferido por este candidato em campanha no Nordeste, declarando que isto o credencia como bom candidato a presidência do país, e que em outra oportunidade falará das qualidades e condições do senhor Perachi Barcelos (ATA Nº280/66).

  Por ocasião da referida eleição dos candidatos da ARENA ao governo do Estado do Rio Grande do Sul, houve novo embate político na Câmara de Vereadores, com manifestações dos vereadores “emedebistas”, como percebe-se no pronunciamento do vereador Moisés Velasques quando “referindo-se a eleição do senhor Perachi Barcelos para o governo do Estado, declara que o povo já é conhecedor do triste espetáculo ocorrido sábado último na Assembléia Legislativa” (ATA nº 290/66). Contrapondo-se aos discursos dos vereadores do MDB, o vereador da ARENA, Abilio Dalla Corte manifesta-se em apoio ao novo governo estadual

  Registrando a eleição do senhor Perachi de Barcelos, pela Assembléia Legislativa do Estado, e congratulando-se com o povo rio grandense por já terem o novo governador eleito, um homem que já no seu primeiro pronunciamento manifesta o interesse em bem servir ao Rio Grande, e ao seu povo (ATA Nº 290/66).

  Com relação ao cenário nacional, percebe-se que o Presidente Costa e Silva propõe um governo conciliador e para isso reuniu elementos liberais e oficiais conservadores nacionalistas, numa tentativa de unir forças com os trabalhadores e a classe média (DOCKHORN, 2002). Essa composição visando à coalizão entre forças políticas distintas repercutiu na Câmara de Vereadores de Santa Maria, passando uma idéia de entendimento entre os partidos, como se percebe na abertura dos trabalhos legislativos de 1967, quando discursa o vereador Joaquim Sangoi e “Externa suas esperanças de dias bem melhores para o povo brasileiro com as instalações dos governos Federal e Estadual, considerando em particular a equipe de auxiliares de que se cercou o Marechal Costa e Silva” (ATA Nº 343/67.

  Nota-se, porém, que essa composição cheia de contradições logo foi perdendo espaço e o governo Costa e Silva foi sendo dominado pelos linha-dura das Forças Armadas que assumiram o comando político. Com o fracasso da aliança política e a dominação da ala conservadora militar, o governo retoma a política de enfrentamento, suplantando as tentativas de reorganização dos movimentos populares ligados aos trabalhadores e estudantes.

  O fortalecimento do poder político de elementos das Forças Armadas e o descontrole econômico com a perda de poder aquisitivo dos trabalhadores e principalmente da classe média fez com que aumentassem as manifestações nas ruas, embora crescesse a repressão na mesma proporção (DOCKHORN, 2002).

  Diante desse contexto de enfrentamento político e repressão policial, realizaram-se, em 1968, as eleições municipais. Percebe-se que o bi-partidarismo, nesse momento, estava plenamente estruturado, embora estivessem limitadas as discussões políticos- administrativas, o governo procurava passar a idéia de legitimação através da realização de eleições.

  Nota-se que o ano de 1968 mostrava-se bastante agitado politicamente, que apesar da repressão haviam crescido as manifestações populares, ou seja,

  [...]“guinou” para a esquerda. Não apenas no sentido político, pois até estas posições viram-se questionadas com as “revoluções” ocorridas e, em muitas ocasiões, a esquerda contestadora também revelou seu lado conservador e arcaico. A constante busca daquele período transmutou padrões e a situação exposta não escandalizou somente a “burguesia. As mudanças irradiadas da Europa e Estados Unidos alcançaram os países periféricos. A palavra de ordem nos grandes centros urbanos era a da renovação: de conceitos musicais, estéticos, de relações humanas, de costumes enfim uma “ cultura da juventude” ou uma contracultura (DOCKHORN, 2002, p.150 e 1).

  Santa Maria estava inserida no contexto nacional de luta por mudanças e percebe-se no resultado das eleições municipais uma nova postura do eleitorado santa-mariense, visto que elegeu o candidato da oposição para prefeito e vice-prefeito. O MDB obteve também maioria na Câmara de Vereadores formando uma bancada com oito vereadores contra sete da ARENA. A composição da Câmara de Vereadores para a legislatura de 1969 a 1972 ficou assim constituída:

  Quadro 2

   Titular Partido Octavio Thomasi Filho MDB Tarso Fernando Genro MDB

  Alexandre da Cruz MDB Francisco Paulo dos Santos Lemes MDB Dario Leal da Cunha MDB 25 Orcy de Oliveira MDB Américo Batistella MDB 26 Eloy Ricaldi MDB Pedro Fernandes da Silveira ARENA

  Ivory Gomes de Mello ARENA Luiz Menna Barreto Pellegrini ARENA José Haidar Farret ARENA Waldemar Kümmel ARENA Erony Paniz ARENA Raphael Theodorico da Silva ARENA

  Fonte: ATA Nº 01/69 da Câmara de Vereadores de Santa Maria

  Durante a campanha eleitoral para a legislatura de 1969-1972, ocorreram calorosos debates, seguidos de denúncias de perseguições políticas e ameaças de prisões como percebe- se no pronunciamento do vereador Octávio Thomazi Filho (MDB) quando “diz da acolhida surpreendente e satisfatória que tiveram os integrantes da sublegenda MDB-3 em São Martinho e que um fato lamentável lá aconteceu quando integrantes da ARENA disseram aos agricultores que se não votassem na ARENA, perderiam suas terras” (ATA Nº558/68).

  Nota-se pelas manifestações dos vereadores que a estratégia de campanha era intimidar os eleitores com possíveis decisões, que seriam tomadas posteriormente em conseqüência de seu voto, visto que os candidatos do governo sentiam junto ao eleitorado manifestações de descontentamento com o governo apoiado pela ARENA e o potencial crescimento da oposição.

  Com o crescimento da oposição aconteceram manifestações cada vez mais intensas, principalmente dos estudantes, perda de apoio da classe média, descontente com o desenrolar da economia, o governo de Costa e Silva optou por centralizar mais o poder nas mãos das Forças Armadas. A centralização do poder nas mãos dos militares trouxe ainda mais divisão dentro do governo que vê aumentar as reações dentro do Congresso, inclusive por deputados considerados aliados (DOCKHORN, 2002).

  Essa centralização do poder nas mãos do militares “linha-dura” foi consolidada por ocasião da grave doença de Costa e Silva que o obrigou a deixar o cargo. Seguindo os 25 preceitos constitucionais, o cargo de Presidente da República seria, naturalmente, passado ao 26 Vereador solicitou licença do mandato logo após ser empossado (ATA Nº 01/69).

  vice-presidente Pedro Aleixo, político civil. Porém, os ministros do Exército, Marinha e Aeronáutica decidiram que esse não era o caminho mais aceitável e iniciou-se uma crise sucessória. A crise só foi debelada com a escolha, por um grupo de generais das Forças Armadas, do general Emilio Garrastazu Médici para Presidente (ALVES, 1989).

  A forma como foi escolhido o novo Presidente representava um desrespeito à Constituição de 1967 e ratificava a institucionalização do Estado de Segurança Nacional. Superadas as tensões dentro das Forças Armadas pela escolha do novo presidente, compreende-se que o núcleo do poder encontrava-se fortalecido, sendo que a partir da eleição de Médici

  A organização militar tomou para si o controle político, tornando-se a vanguarda da sociedade; a convenção entre as camadas dominantes possibilitou este novo papel. O Estado e os variados grupos sociais tiveram seus papéis políticos redefinidos com uma nova postura das Forças Armadas, as relações políticas e sociais do Estado, sociedade e grupos sociais foram alteradas. O interior da instituição militar desencadeou uma articulação política buscando a desmoralização da sociedade civil. Assim, o aparelho militar acabou por predominar sobre os demais aparelhos do Estado (DOCKHORN, 2002, p.164 e165).

  Com o fortalecimento do poder político dos militares, o governo direciona suas ações para a intensificação do aparato repressivo e isso se reflete no posicionamento dos edis na Câmara de Vereadores de Santa Maria. Devido à repressão amparada no AI-5, nota-se o enfraquecimento das discussões políticas na Câmara de Vereadores, sendo que a maioria das manifestações, mesmo dos edis do MDB, são relacionados às questões locais, como percebe- se na solicitação do vereador Alexandre da Cruz (MDB) que “ encaminha requerimento e se congratula com policiais que tirotearam, na noite passada com ladrões de automóveis na Vila Leste”(ATA Nº8/70), bem como no pronunciamento dos vereador da ARENA Raphael Theodorico da Silva que “dá ciência do relaxamento com as ruas da cidade, cita a Silvio Romero e Avenida Itaimbé” (ATA Nº15/70). Compreende-se que o abrandamento nas discussões no parlamento santa-mariense e a dedicação dos edis a questões cotidianas devia-se ao temor às retaliações representadas por cassações, prisões e exílio proporcionada pelo AI-5, devidamente aplicada pelo aparato repressivo governamental a qualquer cidadão que ousasse contrapor-se ao regime autoritário brasileiro.

   CONSIDERAđỏES FINAIS

  Compreende-se que a política santa-mariense de 1964 a 1970 esteve articulada com as decisões a nível nacional e nesse período ocorreram três momentos distintos. Com relação à legislatura de 1964 a 1968, a composição do parlamento santa-mariense refletiu a influência do trabalhismo, onde o PTB elegeu os representantes ao Executivo e conseguiu maioria na Câmara de Vereadores. Atribui-se a vitória dos trabalhistas ao prestígio de Getúlio Vargas e do Presidente deposto João Goulart, cujas idéias e propostas políticas influenciavam grande parte da comunidade local.

  Num segundo momento, compreende-se que os edis buscaram a formação de um bloco de apoio ao governo civil-militar que, posteriormente passou a compor a ARENA, desenvolveu um papel importante, visto que, diante das ações repressivas estabelecidas a cada novo ato institucional, como a supressão dos direitos políticos e individuais rumo ao autoritarismo, teve ampla defesa dentro do parlamento santa- mariense.

  Num terceiro momento, nota-se no legislativo santa-mariense que a migração do sistema pluripartidário para o bipartidário, por força do AI-2, seguiu a mesma postura nacional, ficando os políticos ligados ao ex-PTB no MDB e os integrantes dos partidos de direita como PSD, UPS, PDC e MTR, que inicialmente formaram um bloco de apoio ao novo governo passaram a integrar a ARENA.

  Nesse sentido, observa-se que embora o governo-civil militar tenha contado com ampla defesa dos edis da ARENA no município isso não se refletiu nas urnas em 1968, visto que houve novamente a ascensão das forças opositoras havendo a eleição dos candidatos do MDB para o executivo que também recuperou a maioria na Câmara de Vereadores.

  Portanto, sugere-se que esse período de autoritarismo do governo civil-militar teve alternância nas relações de poder, tanto no Executivo como no Legislativo municipal. Embora ocorresse uma censura no que se refere às informações e discussões políticas, houve mudança de postura do eleitorado santa-mariense, seguindo uma tendência nacional, suscitando posteriormente o processo de redemocratização do Brasil.

6 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

  ALVES, Maria Helena Moreira. Estado e oposição no Brasil: 1964-1984. 5. ed. Petrópolis, RJ: Editora Vozes, 1989. BOBBIO, Norberto; MATEUCCI, Nicola; PASQUINO, Gianfrancesco. Dicionário de política. 11. ed. Brasília: UNB, 2003. BONAVIDES, Paulo. Ciência política. 11. ed. São Paulo: Malheiros Editores Ltda, 2002. BRUM, Argemiro Jacob. Democracia e partidos políticos no Brasil. Ijuí: editora da Unijuí, 1981. CHACON, Vamireh. História dos partidos brasileiros: discurso e práxis dos seus programas. 2. ed. Brasília: Editora UnB, 1985. DOCKHORN, Gilvan Veiga. Quando a ordem é segurança e o progresso é desenvolvimento (1964- 1974). Porto Alegre: EDIPUCRS, 2002. FERREIRA, Jorge. Jango: as múltiplas faces. Rio de Janeiro: FGV, 2007. FICO, Carlos. Além do golpe: a tomada do poder em 31 de março de 1964 e a ditadura militar. Rio de Janeiro: Record, 2004. KONRAD, Diorge Alceno. Seqüelas de Santa Maria: memórias do apoio e da resistência ao golpe de 1964. In: PADRÓS, Henrique Serra. As ditaduras de Segurança Nacional: Brasil

  

e Cone Sul. Porto Alegre: CORAG/ Comissão do Acervo da Luta Contra a Ditadura, 2006, p.

  100-108. MENDONÇA, Sônia Regina de. História do Brasil recente: 1964-1980. São Paulo: Ática, 1988.

  OLIVEIRA, Adriana; AGOSTINI, Lenir. O Trabalhismo em Santa Maria/RS: rupturas e permanências (1955- 1964)”. In: Disciplinarum Scientia.

   Série: Ciências Humanas / Centro

  Universitário Franciscano – v. 6, n. 1, 2005. Santa Maria: Centro Universitário Franciscano, 2007. PAES, Maria Helena de Simões. A década de 60: rebeldia, contestação e repressão política. 2. ed. São Paulo: Ática, 1993. RÉMOND, René. (Org.). Por uma história política. 2. ed. Trad. Dora Rocha. Rio de Janeiro: FGV, 2003. SILVA, Marcos A. da. República em migalhas. São Paulo: Marco Zero, 1990. SKIDMORE, Thomaz. Brasil de Castelo a Tancredo. Tradução: Mario Salviano Silva: Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1996.

  FONTES DOCUMENTAIS Atas. Câmara Municipal de Vereadores, Santa Maria, nº 1, 3/63. Atas. Câmara Municipal de Vereadores, Santa Maria, nº 9, 14, 16, 18, 19, 29, 30, 32/64.

  Atas. Câmara Municipal de Vereadores, Santa Maria, nº 133, 194, 208, 210/65. Atas. Câmara Municipal de Vereadores, Santa Maria, nº 280, 290/66. Atas. Câmara Municipal de Vereadores, Santa Maria, nº 343/67. Atas. Câmara Municipal de Vereadores, Santa Maria, nº 558/68. Atas. Câmara Municipal de Vereadores, Santa Maria, nº 01/69. Atas. Câmara Municipal de Vereadores, Santa Maria, nº 8, 15/70.

  Jornal A Razão, Santa Maria, 07 de outubro de 1965. Jornal A Razão, Santa Maria, 08 de outubro de 1965.

OBRAS CONSULTADAS

  PORTELLI, Hugues. Os socialismos no discurso social católico. São Paulo: Edições Paulinas, 1990.

  

REVISTA BRASILEIRA DE HISTÓRIA – Brasil: do ensaio ao golpe (1954 – 1964). São

Paulo: ANPUH, vol. 24, n° 47, jan- jun, 2004.

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