UNIVERSIDADE DO ESTADO DE SANTA CATARINA – UDESC CENTRO DE CIÊNCIAS DA SAÚDE E DO ESPORTE – CEFID MESTRADO EM CIÊNCIAS DO MOVIMENTO HUMANO CARLA MARIA DE LIZ

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Full text

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UNIVERSIDADE DO ESTADO DE SANTA CATARINA

UDESC

CENTRO DE CIÊNCIAS DA SAÚDE E DO ESPORTE

CEFID

MESTRADO EM CIÊNCIAS DO MOVIMENTO HUMANO

CARLA MARIA DE LIZ

MOTIVAÇÃO PARA A PRÁTICA DE MUSCULAÇÃO DE ADERENTES

E DESISTENTES DE ACADEMIAS

FLORIANÓPOLIS

SC

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CARLA MARIA DE LIZ

MOTIVAÇÃO PARA A PRÁTICA DE MUSCULAÇÃO DE ADERENTES

E DESISTENTES DE ACADEMIAS

Dissertação apresentada ao Programa de de Pós-Graduação em Ciências do Movimento Humano do Centro de Ciências da Saúde e do Esporte da Universidade do Estado de Santa Catarina como requisito para obtenção do título de Mestre em Ciências do Movimento Humano.

Orientador: Alexandro Andrade

FLORIANÓPOLIS

SC

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L789m

Liz, Carla Maria de

Motivação para a prática de musculação de aderentes e desistentes de academias / Carla Maria de Liz. – 2011.

p. : il. ; 30 cm Bibliografia

Orientador: Alexandro Andrade.

Dissertação (mestrado)–Universidade do Estado de Santa Catarina, Programa de Pós-Graduação em Ciências do Movimento Humano, 2011. 1. Musculação. 2. Motivação (Psicologia). I. Andrade, Alexandro. II.

Universidade do Estado de Santa Catarina. Programa de Pós-Graduação em Ciências do Movimento Humano. III. Título.

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CARLA MARIA DE LIZ

MOTIVAÇÃO PARA A PRÁTICA DE MUSCULAÇÃO DE ADERENTES

E DESISTENTES DE ACADEMIAS

Dissertação aprovada como requisito obtenção do título de mestre em Ciências do Movimento Humano pelo Centro de Ciências da Saúde e do Esporte da Universidade do Estado de Santa Catarina, na área de concentração de Estudos Biocomportamentais do Movimento Humano, linha Atividade Física e Saúde.

Banca examinadora:

Orientador: --- Prof. Dr. Alexandro Andrade

CEFID/UDESC

Membros:

--- Prof. Dra. Giovana Zarpellon Mazo

CEFID/UDESC

--- Prof. Dra. Yara Maria de Carvalho

USP/São Paulo

--- Prof. Dr. Valmor Ramos

CEFID/UDESC

--- Prof. Dr. Rudney da Silva

CEFID/UDESC

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AGRADECIMENTOS

Considerando esta dissertação como resultado de uma caminhada que não começou na UDESC, agradecer pode não ser tarefa fácil, nem justa. Para não correr o risco da injustiça, agradeço de antemão a todos, que de alguma forma passaram pela minha vida e contribuíram para a construção de quem sou hoje.

A Deus, porque sem acreditar e confiar nele eu nada conseguiria.

À minha família que sempre viabilizou a realização de meus planos através do amor e apoio incondicional, tornando-me capaz de enfrentar este caminho.

Ao Marcelo e sua família, obrigada pelo amor, carinho e compreensão, pelos momentos de minha ausência em prol da conclusão deste estudo.

Ao meu orientador, Professor Dr. Alexandro Andrade, que acreditou em meu potencial e soube orientar meus passos, emoções e ambições, com carinho e competência. Deus sempre coloca um anjo no caminho de quem tem um sonho e o professor foi o meu. Obrigada por abrir as portas para a realização desse sonho que parecia tão distante para mim.

À minha amiga e companheira Fernanda Vergani Pissaia, por compartilhar comigo bons momentos de sua vida, obrigada ―amiga irmã‖ pela amizade, parceria e

principalmente, paciência nestes quase três anos de convivência.

Às minhas amigas Franciella, Suelen e Anamaria que me incentivaram a seguir meu sonho e realizar o mestrado.

À minha amiga Cris e sua família, que me acolheram em Florianópolis e mesmo com as dificuldades que encontraram no caminho, nunca deixaram de me estender a mão.

À minha amiga ―Lec‖ que sempre foi prestativa e amiga, tornando-se indispensável.

Ao meu amigo e colega de laboratório Maick da Silveira Viana, o meu muito

obrigada pelos ―puxões de orelha‖ e críticas, que aprimoraram minha dissertação.

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A todos os membros da minha banca de defesa, que de uma forma ou de outra colaboraram muito para a realização deste trabalho, antes mesmo de receberem a versão final.

A todas as pessoas que fizeram ou fazem parte da minha vida e que torcem pela minha realização pessoal e profissional, em especial alguns amigos: Carin, Dani, Rúbia, Vivi, Elisa, Zé, César, Tatiana, Ju, Luciana, Josiele, Aline, Duca, obrigada pelo carinho e amizade.

Às academias de ginástica que colaboraram para a realização deste trabalho, especialmente os profissionais que o apoiaram e aos participantes deste estudo.

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RESUMO

LIZ, Carla Maria de. Motivação para a prática de musculação de aderentes e desistentes de academias. 2011. 245 f. Dissertação (Mestrado em Ciências do Movimento Humano – Área: Atividade Física e Saúde) – Universidade do Estado de Santa Catarina. Programa de Pós-graduação em Educação Física, Florianópolis, 2011.

Este estudo baseia-se na teoria de que a aderência à prática de exercícios físicos está relacionada à motivação mais autodeterminada. O objetivo deste estudo foi investigar a motivação e a aderência à prática de musculação de clientes de academias. Trata-se de um estudo descritivo de campo, dividido em duas etapas, a primeira de cunho quantitativo e a segunda qualitativo. A população deste estudo foi composta por aderentes (mais de seis meses de prática) e desistentes (mínimo de um mês de desistência) da musculação em academias de Florianópolis, de ambos os sexos, com idades entre 18 e 65 anos. A amostra foi selecionada de maneira não-probabilística intencional, obtendo-se 252 aderentes e 26 desistentes da musculação, sendo 143 homens (n= 133 (A)/ n= 10 (D)) e 135 mulheres (n= 119 (A)/ n= 16 (D)). A média de idade dos aderentes foi de 34 anos (±12) (mín.18, máx.65) e dos desistentes de 28 anos (±11) (mín.18, máx.52). Na primeira etapa foram utilizados cinco instrumentos, três elaborados e estruturados com base no

―Questionário de auto-avaliação do estilo de vida, ocorrência e controle subjetivo do

estresse‖ de Andrade (2001), o ―Questionário de classificação socioeconômica – ABEP (2008)‖ e o ―Questionário de regulação de comportamento no exercício físico

(BREQ-2)‖. Os questionários foram aplicados no local escolhido pelos participantes (em casa ou na academia). A segunda etapa foi caracterizada por uma entrevista semi-estruturada a alguns participantes do estudo. Os dados foram tabulados e

analisados no programa ―Statistic Package for Social Sciences‖ – SPSS versão 17.0.

Utilizou-se de estatística não-paramétrica para a análise dos dados, com α

estabelecido de 0,05 como nível de significância (p<0,05). Para a análise das entrevistas, foi utilizada a análise de conteúdo de Bardin (1977). Os principais motivos de aderência à musculação foram os relacionados à busca pela melhoria da

saúde, seguidos dos motivos ―Fortalecimento muscular e ósseo‖, ―Estética/ massa muscular‖ e ―Disposição‖. Os principais motivos para desistência da prática da musculação foram: a ―Falta de tempo‖, ―Problemas econômicos e financeiros‖, ―Não gostar ou não priorizar a prática de musculação‖ e ―Má orientação profissional‖. De acordo com os participantes, a musculação proporciona ―Bem-estar‖, ―Aumenta a

auto-estima‖, proporciona ―Disposição e vigor‖ e ―Equilibra o estresse‖. Os aderentes

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desistem por ―Falta de tempo‖ não são amotivadas para a prática. A partir dos

resultados obtidos, é possível elaborar estratégias de intervenção que atendam as necessidades dos praticantes de musculação, com a finalidade de aumentar a adesão desses indivíduos na modalidade, para que os mesmos usufruam dos benefícios proporcionados por esta prática.

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ABSTRACT

LIZ, Carla Maria de. Motivation to practice fitness of adherents of academies and dropouts. 2011. 245 f. Dissertação (Mestrado em Ciências do Movimento Humano – Área: Atividade Física e Saúde) – Universidade do Estado de Santa Catarina. Programa de Pós-graduação em Educação Física, Florianópolis, 2011.

This study is based on the theory that the adherence to the practice of physical exercises is related to a more self-determined motivation. The purpose of this study was to investigate the motivation and the adherence of the fitness centers clients to the resistance exercise practice. It is a descriptive field study, divided in two stages, the first one quantitative and the second one qualitative. The population of this study was composed by adherents (more than six months of practice) and dropouts (dropped out at least one month before the evaluation) of the resistance exercise in fitness centers located in Florianopolis, from both sexes, with age ranging from 18 to 65 years old. The sample was selected in an intentional non-probabilistic manner, resulting in 252 adherents and 26 dropouts, being 143 men (n= 133 (A)/ n= 10 (D)) and 135 women (n= 119 (A)/ n= 16 (D)). The age average of the adherents was 34 years old (min.18, max.65/ ±12) and the age average of the dropouts was 28 years old (min.18, max.52/ ±11). In the first stage, five instruments were utilized, three elaborated and structured based on the “Questionário de auto-avaliação do estilo de vida, ocorrência e controle subjetivo do estresse” by Andrade (2001), the “Questionário de classificação socioeconômica – ABEP (2008)” and the “Questionário de regulação de comportamento no exercício físico (BREQ-2)”. The questionnaires were applied in the place selected by the participants (at home or at the fitness center). The second stage was characterized by a semi-structured interview for some participants. The data was processed and analyzed in the

―Statistic Package for Social Sciences‖ – SPSS version 17.0. Non-parametric statistic

was used for the data analysis, with a established α of 0,05 as a significance level (p<0,05). For the interview analysis, the content analysis by Bardin (1977) was utilized. The main reasons for the adherence to the resistance exercise were the ones related to the pursuit for the health improvement, followed by ―Muscular and bone strengthening‖, ―Aesthetics/ muscle mass‖ and ―Disposition‖. The main reasons for giving up the resistance exercise practice were: the ―Lack of time‖, ―Financial problems‖, ―Not enjoying or not prioritizing the resistance exercises practice‖, ―Poor Professional orientation‖. The participants realize that the resistance exercise provides ―well-being‖, ―Increases the self-esteem‖, ―Disposition and vigor‖ and

―Balances the stress‖. The adherents were more self-determined for the resistance

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characteristics associated to the motivational regulations (age, sex, socioeconomic class) were observed. The reasons for the adherence related to the pursuit for the health improvement, aesthetics and leisure were associated to the more internal

regulations. The subjects that give up due to ―Lack of time‖ are not amotivated to the

practice. From the results, it is possible to elaborate intervention strategies that address the needs of the resistance exercise practitioners, with the intent of increasing the adherence of these individuals to the modality, so they may enjoy the benefits provided by the activity.

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LISTA DE TABELAS

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LISTA DE QUADROS

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LISTA DE FIGURAS

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LISTA DE APÊNDICES

Apêndice 1 - Questionário de caracterização geral de clientes de academias (v. final)

... 153

Apêndice 2 - Questionário de Caracterização Geral de clientes de academias (1ª versão) ... 156

Apêndice 3 - Questionário de Caracterização Geral de clientes de academias (1ª versão) ... 159

Apêndice 4 – Consentimento das academias investigadas ... 161

Apêndice 5– Termo de Consentimento Livre e Esclarecido ... 162

Apêndice 6– Consentimento para gravações ... 163

Apêndice 7 – Estudo Piloto ... 164

Apêndice 8 – Artigo do estudo piloto ... 188

Apêndice 9 – Roteiro de entrevista semi-estruturada destinada aos grupos de participantes do estudo ... 210

Apêndice 10 – Descrição na íntegra das entrevistas dos aderentes e dos desistentes da prática da musculação... 211

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LISTA DE ANEXOS

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SUMÁRIO

1 INTRODUÇÃO ... 20

1.1 O PROBLEMA ... 20

1.2 OBJETIVOS ... 24

1.2.1 Objetivo Geral ... 24

1.2.2 Objetivos Específicos ... 24

1.3 JUSTIFICATIVA ... 25

1.4 DELIMITAÇÃO DO ESTUDO ... 28

1.5 DEFINIÇÃO DE TERMOS ... 29

2 REVISÃO DA LITERATURA ... 31

2.1 PSICOLOGIA DO EXERCÍCIO: MOTIVAÇÃO PARA A PRÁTICA DE EXERCÍCIOS FÍSICOS ... 31

2.2 TEORIAS APLICADAS À ADERÊNCIA AO EXERCÍCIO FÍSICO ... 33

2.2.1 Modelo da Crença na Saúde ... 35

2.2.2 Teoria da Ação Racional ... 36

2.2.3 Teoria do Comportamento Planejado ... 38

2.2.4 Teoria da Auto-eficácia ... 39

2.2.5 Modelo Transteorético (Transtheoretical Model) ... 41

2.2.6 Teoria da Autodeterminação ... 43

2.3 BENEFÍCIOS DA PRÁTICA DE MUSCULAÇÃO AO PRATICANTE ... 48

2.4 ESTUDOS SOBRE ADERÊNCIA À PRÁTICA DE EXERCÍCIO FÍSICO/MUSCULAÇÃO ... 51

3 MÉTODO ... 57

3.1 CARACTERIZAÇÃO DA PESQUISA ... 57

3.2 CARACTERIZAÇÃO DO AMBIENTE DA PESQUISA ... 58

3.3 PARTICIPANTES DA PESQUISA... 59

3.4 INSTRUMENTOS... 60

3.4.1 Questionário de caracterização do participante ... 61

3.4.2 Questionário de hábitos de saúde, atividade física e musculação ... 62

3.4.3 Questionário de classificação socioeconômica – ABEP (2008) ... 62

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3.4.5 Questionário de regulação de comportamento no exercício físico (BREQ-2)

... 64

3.4.6 A entrevista ... 66

3.5 PROCEDIMENTOS DA PESQUISA ... 67

3.6 ANÁLISE ESTATÍSTICA ... 70

3.7 ANÁLISE DA ENTREVISTA ... 71

4 RESULTADOS – ANÁLISE QUANTITATIVA/ QUESTIONÁRIOS ... 73

4.1 Análise descritiva ... 73

4.1.1 Caracterização dos Participantes ... 73

4.1.2. Motivos de aderência e desistência da musculação ... 79

4.1.3 Motivação para prática de musculação ... 86

5 RESULTADOS – ANÁLISE QUALITATIVA/ ENTREVISTAS ... 101

5.1 Caracterização dos participantes ... 101

5.1.1 Motivos de aderência à musculação ... 102

5.1.2 Benefícios psicológicos da musculação ao praticante ... 105

5.1.3 Motivos de desistência da prática de musculação ... 106

5.1.4 Percepção do ambiente de prática da musculação ... 109

6 DISCUSSÃO DOS RESULTADOS ... 112

6.1 Características Sociodemográficas ... 112

6.2 Motivos de aderência e desistência da musculação ... 116

6.3 Motivação para a prática de musculação ... 126

7 CONCLUSÕES ... 133

8 SUGESTÕES ... 137

REFERÊNCIAS ... 138

APÊNDICES ... 152

ANEXOS ... 243

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1 INTRODUÇÃO

1.1 O PROBLEMA

As informações sobre os benefícios proporcionados pela prática regular e orientada de exercícios físicos para a saúde da população em geral, tem levado as pessoas a buscarem um estilo de vida mais ativo fisicamente.

Uma das modalidades de exercício físico considerada uma prática capaz de melhorar a saúde e, conseqüentemente, levar a uma melhor qualidade de vida é a musculação1 (MIRANDA et al., 2005; RODRIGUES, 2001), que vem sendo praticada por indivíduos de diferentes faixas etárias, de ambos os sexos e com níveis de aptidão física variados (DIAS et al., 2005).

Esta modalidade passou a fazer parte das diretrizes internacionais (American College of Sports Medicine) a partir da década de 90 e a ser recomendado sob a

alegação de que influencia beneficamente em diferentes componentes da saúde, como por exemplo, força muscular, bem estar psicossocial e capacidades funcionais otimizadas (COSTA et al., 2009). É possível ainda, associar esta prática à maior

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tolerância ao exercício aeróbico e a menores respostas cardiovasculares ao esforço (UMPIERRE e STEIN, 2007).

Um ambiente que proporciona a orientação e supervisão da prática de musculação e que vem ganhando espaço nas áreas urbanas desde a década de 70 é a academia de ginástica (AGUIAR, 2007). No ano de 2005, o número de academias no Brasil atingia a marca de 20.000 unidades e mais de 3,2 milhões de brasileiros praticavam exercícios físicos nestes ambientes (COSTA, 2005).

Nas academias, a musculação é justamente a modalidade mais procurada pelos clientes (SANTOS e KNIJNIK, 2006), no entanto, muitos iniciam e seguem um programa de treino, mas não são capazes de o manter (SENA, 2008). De acordo com American College of Sports Medicine (2000), a aderência ocorre em apenas 5% dos adultos sedentários que iniciam um programa estruturado de exercício físico em academias. A falta de tempo, a preguiça e o alto custo da mensalidade, são alguns dos motivos que impedem a continuidade da prática regular de exercícios físicos em academias (LIZ et al., 2010; ALBUQUERQUE e ALVES, 2007; ENÉZIO E CUNHA, 2007). Assim, pode-se afirmar que um dos grandes desafios da saúde pública tem sido o de manter os indivíduos ativos fisicamente, de maneira regular (OMS, 2002).

Entre os aspectos que envolvem a prática de exercícios físicos regulares, destacam-se os motivacionais, cujos propósitos estão relacionados com a iniciação, permanência ou abandono da prática (MORALES, 2002). Desta forma, a motivação pode ser considerada uma variável fundamental que impulsiona as pessoas para um estilo de vida mais ativo fisicamente (MOUTÃO, 2005).

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(VIERLING, STANDAGE e TREASURE, 2007), e considera que as regulações externas podem manifestar-se de diferentes maneiras (RYAN e DECI, 2000). Tais variações são representadas por um modelo teórico onde a motivação é estabelecida dentro de um continuum, que vai desde a motivação mais autodeterminada, portanto mais autônoma, passando pelas regulações mais externas, até a total falta de motivação, incluindo a motivação intrínseca, a motivação extrínseca e a amotivação, respectivamente. Neste sentido, as pesquisas têm verificado que pessoas mais autodeterminadas para a prática de exercícios e esportes apresentam maior adesão a essas atividades, confirmando os pressupostos da TAD (BRICKELL e CHATZISARANTIS, 2007; EDMUNDS, NTOUMANIS e DUDA, 2006; NTOUMANIS, 2005; WILSON e RODGERS, 2004; STANDAGE, DUDA e NTOUMANIS, 2003).

Ryan e Deci (2000) alegam que, por meio da identificação das regulações motivacionais que levam as pessoas a buscarem por determinado exercício, é possível compreender a motivação dos indivíduos no processo de aderência a essa prática. O comprometimento, ou seja, a aderência do praticante de exercícios físicos com a sua rotina programada de treinamento, não ocorre logo no início da prática, há um processo lento que vai da inatividade à manutenção da prática de exercícios físicos (NASCIMENTO, 2004). Para tanto, a chave do compromisso está em se alcançar um comportamento, o mais autodeterminado possível, tentando desenvolver a motivação intrínseca e extrínseca da autodeterminação (RYAN e DECI, 2000).

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seguinte problema de pesquisa: ―Quais as regulações motivacionais e os fatores

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1.2 OBJETIVOS

1.2.1 Objetivo Geral

- Investigar a motivação e a aderência à prática de musculação em clientes de academias.

1.2.2 Objetivos Específicos

- Caracterizar clientes de academia aderentes e desistentes da prática de musculação quanto aos aspectos sociodemográficos, tempo de prática (para aderentes), tempo de desistência (para desistentes), histórico de saúde, prática de atividade física e de musculação;

- Identificar os motivos atribuídos à aderência e a desistência da prática de musculação;

- Comparar as regulações motivacionais:

 dos aderentes e desistentes da prática de musculação;

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 dos aderentes da prática de musculação em função dos fatores relacionados à prática;

- Verificar se existem relações entre as regulações motivacionais e os motivos atribuídos à aderência e a desistência da prática de musculação.

1.3 JUSTIFICATIVA

A mudança de comportamento das populações para um estilo de vida mais ativo tem despertado o interesse crescente dos pesquisadores (GUEDES, SANTOS e LOPES, 2006; SOUZA e DUARTE, 2005; MÍLLAN, 2002; FECHIO e MALERBI, 2001; KONRADI, 2000). Pesquisas realizadas em academias de musculação mostram o papel da motivação para a continuidade de prática dos exercícios físicos. Parte-se do pressuposto de que é importante para o professor conhecer os principais fatores que motivam os alunos, para que o plano de atividades seja conduzido da melhor forma possível (VERENGUER et al., 2008; ROSSI e HUNGER, 2008).

Com este trabalho pretende-se conhecer melhor o perfil das pessoas que aderem à prática da musculação e daquelas que desistem, pois desta forma, é possível intervir na abordagem para a continuidade da prática, efetivando, assim, os benefícios proporcionados pela prática regular de exercícios físicos à saúde.

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academias tem consciência de que existem grupos importantes da sociedade brasileira que não vão se inserir nesta pesquisa. Tanto estratos da população com renda muito mais alta, que podem pagar por serviços personalizados, consultoria de nutricionistas, tratamentos estéticos, bem como, principalmente, estratos da população mais carentes que não tem renda para pagar locomoção, para socialmente se inserir no ambiente da academia e pagar a mensalidade. Devido ao fato de se encontrar um n populacional muito grande nessa distribuição, nos limitamos intencionalmente aos aderentes e desistentes das academias por uma delimitação metodológica. Talvez seja o caso de no decorrer do doutorado, tendo essa relação mais clara, ampliar esta investigação estudando-se os grupos pertencentes a maiores e menores estratos econômicos.

Esta pesquisa tem como base, além das teorias e modelos de comportamento acerca do exercício físico, a Teoria da Autodeterminação (DECI e RYAN, 1985), que vem sendo utilizada no Brasil por grupos de pesquisa da área pedagógica (NEVES e BORUCHOVITH, 2004; GUIMARÃES e BORUCHOVETCH, 2004; SOBRAL, 2003), mas que por outro lado, é ainda pouco utilizada na Educação Física.

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apresenta pontos a serem esclarecidos. Tal problemática foi percebida e questionada por Edmunds, Ntoumanis e Duda (2006), mas ainda carece de investigação. A partir deste contexto e considerando a escassez de estudos brasileiros que tratem sobre a TAD e a prática da musculação, justifica-se a relevância de se investigar este tema no campo da Ciência do Esporte e do Exercício.

O ingresso no Laboratório de Psicologia do Esporte e do Exercício – LAPE e no mestrado oportunizou a participação nos estudos para a compreensão e estudo da motivação para a prática de exercícios físicos em população de adolescentes, utilizando-se da TAD (VIANA, 2009; MATIAS, 2010). Os esforços dos pesquisadores do LAPE para melhor compreender a aplicação da TAD no contexto da prática de exercícios físicos, levou-me a entender que para auxiliar de maneira significativa na promoção do estilo de vida mais saudável, por meio da prática de exercícios físicos, é necessário que se conheça os fatores relacionados a motivação para determinada prática.

Este estudo surgiu a partir de minhas reflexões desde a graduação através do estágio supervisionado em academias. Após a conclusão da graduação, atuei por aproximadamente sete anos como professora de academia. Um fato que sempre chamou atenção foi que, logo após iniciarem na prática da musculação, os clientes desistiam, alegando ser esta uma modalidade monótona, e não se sentiam motivados a continuar praticando. Neste sentido, Plonczynski (2000) destaca que a compreensão da motivação é determinante na promoção da saúde por meio da prática de exercícios físicos.

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maneira significativa na continuidade da prática desta modalidade, contribuindo na mudança de comportamento para um estilo de vida mais ativo.

A pesquisa atual servirá ainda, como requisito para a obtenção do grau de mestre em Ciências do Movimento Humano e contribuirá para o Programa de Mestrado em Ciências do Movimento Humano da Universidade do Estado de Santa Catarina - UDESC, colaborando com os estudos voltados à Psicologia do Exercício e às Ciências Humanas.

1.4 DELIMITAÇÃO DO ESTUDO

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1.5 DEFINIÇÃO DE TERMOS

Atividade Física: A atividade física é consensualmente entendida como qualquer movimento corporal produzido pelos músculos esqueléticos que resulte num aumento do dispêndio energético relativamente à taxa metabólica de repouso (SEABRA et al., 2008).

Exercício Físico: Prática realizada com freqüência e período de tempo prolongado com objetivos específicos, tais como a melhoria de capacidades, desempenho físico ou benefícios à saúde (MARTTILA et al., 1998).

Exercício Resistido/Musculação: O exercício resistido/musculação consiste em executar exercícios utilizando formas de sobrecarga, estando entre as mais comuns, máquinas específicas e halteres. Apesar de serem estes os equipamentos mais utilizados, temos também a possibilidade de trabalho com resistências hidráulicas, elásticos e isometria. Em linguagem técnica, o exercício resistido/ musculação é sinônimo do levantamento de pesos (RODRIGUES, 2001).

Aderência: Características de uma pessoa para a estabilidade de um padrão de comportamento aceito. Em se tratando de um programa de exercícios físicos, inclui o nível de participação, como a intensidade e a duração da atividade (BUCKWORTH e

DISHMAN, 2002). Nesse estudo, o termo ―aderente‖ está vinculado à superação do

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Desistência: Características que uma pessoa tem de não se manter num programa regular de exercícios físicos. Neste estudo, o desistente é o que deixou de praticar, em um mínimo de três meses, o exercício resistido.

Amotivação: estado em que a pessoa não tem ainda a intenção de realizar o comportamento, não havendo nenhum tipo de regulação, seja externa ou interna (RYAN e DECI, 2000).

Motivação Intrínseca: é um processo caracterizado por escolha, satisfação, prazer e persistência motivacional por longo tempo (BRICKELL e CHATZISARANTIS, 2007). Por definição, atividades intrinsecamente motivadas são autônomas por que esses tipos de comportamentos partem de iniciativas próprias do indivíduo (RYAN e DECI, 2000).

Motivação Extrínseca: A motivação extrínseca refere-se aos comportamentos que são realizados com o intuito de atingir resultados que não estão relacionados com a atividade em si (EDMUNDS, NTOUMANIS e DUDA, 2006).

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2 REVISÃO DA LITERATURA

Neste capítulo são revisados os estudos e as teorias relacionadas aos objetivos da pesquisa buscando fundamentar e embasar as análises e discussões dos resultados.

2.1 PSICOLOGIA DO EXERCÍCIO: MOTIVAÇÃO PARA A PRÁTICA DE EXERCÍCIOS FÍSICOS

A Psicologia do esporte pode ser definida como ―um ramo científico que resultou da intercepção entre psicologia, ciências do esporte e do próprio esporte, sendo simultaneamente uma área profissional que olha para o esporte e para o

exercício sob uma perspectiva psicológica‖ (ARAÚJO, 2002) e que se dedica ao

―estudo científico das pessoas e dos seus comportamentos nas atividades do

esporte e do exercício(WEINBERG e GOULD, 2001).

Nos últimos 20 anos, cada vez mais psicólogos do esporte têm-se preocupado com os fatores psicológicos relacionados com o exercício e atividade física (BUCKWORTH e DISHMAN, 2002). De acordo com Morgan (2004) ―a

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Atualmente, a área científica é designada por psicologia do esporte e do exercício (WEINBERG e GOULD, 2001). Biddle e Mutrie (2002) referem à existência de duas áreas de intervenção distintas no exercício físico: uma onde o exercício aparece como um produto final e se pretende analisar o comportamento, os motivos e os determinantes da adesão ao exercício e outra que analisa o efeito do exercício sobre o estado físico e mental dos indivíduos.

Na área da Psicologia do Esporte e do Exercício, o tema motivação é, tradicionalmente, um dos mais estudados. Gomes et al. (2007) investigaram a produção brasileira, espanhola e de língua inglesa no campo da Psicologia do Esporte e Exercício e observaram que o tema motivação é o mais estudado na área para os três contextos investigados, superando temas clássicos como ansiedade, humor e estresse.

A motivação para a prática de exercícios físicos e esportes recebe atenção de muitos pesquisadores, pois, segundo Weinberg e Gould (2001), esta é considerada uma variável fundamental tanto para aderência à prática, quanto para a aprendizagem e desempenho em contextos esportivos e de exercício físico. Para Dishman, considerando a Psicologia do Esporte e do Exercício, entender porque as pessoas se exercitam é foco central dos estudos da motivação, tanto no campo da atividade física e saúde quanto nos esportes (citado por WILSON et al., 2003).

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expõem dentro de um conjunto de variáveis relacionadas aos indivíduos e sobre os fatores que influenciam na conduta destas variáveis (ROBERTS, 1992). Desta forma, faz-se necessária a compreensão das teorias e a identificação das variáveis que podem influenciar a motivação de indivíduos para a prática de determinada atividade física.

2.2 TEORIAS APLICADAS À ADERÊNCIA AO EXERCÍCIO FÍSICO

A multidisciplinaridade na área da educação física tem priorizado em seus discursos a importância de atividades que sejam prazerosas e valorizem o bem-estar do indivíduo. Assim, considerar o que implica na tomada de decisão para iniciar e, principalmente, manter o indivíduo na atividade física tem sido alvo dos pesquisadores nos últimos tempos (BERGER, PARGMAN e WEINBERG, 2002).

O estudo da aderência ao exercício físico teve grande impulso no final da década de 80, especialmente quando o governo Norte-americano decidiu investir recursos no estudo do comportamento sedentário (MAYMÍ, 2002). Desde então, pesquisadores dedicam-se ao estudo desta temática, desenvolvendo essencialmente, três linhas de estudo, conforme ilustra a figura 1: uma referente aos modelos teóricos de adesão e outras duas referentes a abordagens de cunho descritivo sobre os principais motivos e barreiras da prática (BIDDLE e NIGG, 2000).

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jovens ou de meia-idade (ROJAS, 2003; FECHIO e MALERBI, 2001; GONÇALVES, DUARTE e SANTOS, 2001).

Figura 1 - Linhas de estudo voltadas ao estudo da adesão ao exercício físico (Adaptado de MOUTÃO, 2005)

As teorias motivacionais podem ser utilizadas para explicar porque as pessoas se motivam ou desmotivam a aderir e/ou manter a prática de exercício físico, pois, tentam explicar a razão pela qual determinado comportamento é adotado (KOIVULA, 1999).

Com base numa perspectiva cognitivista, Biddle e Nigg (2000) propuseram a categorização de alguns modelos teóricos: teorias de crenças e atitudes; teorias baseadas na competência; teorias baseadas no controle; teorias de tomada de decisão (figura 2).

Figura 2 - Categorização dos modelos teóricos da adesão ao exercício físico (Adaptado de MOUTÃO, 2005).

(35)

2.2.1 Modelo da Crença na Saúde

O Modelo de Crença na Saúde (HBM – Health Belief Model) desenvolvido por Becker e Mainman em 1975 (figura 3), é relevante quando a motivação para o comportamento é a saúde. O modelo assume que a interação entre diferentes tipos de crenças entre si, influencia a adesão, bem como os comportamentos protetores/preventivos ou promotores da saúde (BERGER, PARGMAN e WEINBERG, 2002). Com base neste modelo, pode-se dizer que as pessoas antecipam as situações negativas para a sua saúde e tentam evitá-las ou reduzir o seu impacto (BIDDLE e NIGG, 2000).

A aplicação mais promissora reside no desenvolvimento de mensagens passíveis de convencer os indivíduos a tomarem decisões saudáveis (BERGER, PARGMAN e WEINBERG, 2002; BUCKWORTH e DISHMAN, 2002).

(36)

2.2.2 Teoria da Ação Racional

A Teoria da Ação Racional (TAR) (AJZEN, 1985; FISHBEIN e AJZEN, 1975) (figura 4), apóia a idéia de que os indivíduos utilizam a informação que tem disponível e, de acordo com ela, formam uma intenção a fim de analisar as conseqüências dos comportamentos que podem vir a levar adiante (BERGER, PARGMAN e WEINBERG, 2002). De acordo com Blasco (1997), citado em Moutão (2005), as intenções são produtos de dois determinantes: atitude e normas sociais, assim, o indivíduo mantém a conduta do exercício quando as normas sociais e atitudes são favoráveis a isso, e quando percebe um controle sobre os fatores que influenciam o desenvolvimento deste exercício. Moutão (2005) destaca, que de acordo com esta teoria, a melhor forma de determinar um comportamento passa pela identificação das intenções que antecedem esse comportamento, ou seja, se a pessoa tiver a intenção de realizar esse comportamento, será provável que o venha a realizar.

Desse modo, a intenção de comportamento caracterizar-se-á pelo resultado da interação entre a atitude comportamental e a norma subjetiva. Nesta interação, a norma subjetiva funciona como regulador social da atitude comportamental, pois nem sempre o que se quer fazer é o que se deve fazer.

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em demográficas, atitudes gerais e traços de personalidade, podendo apresentar maior ou menor relevância, de acordo com cada comportamento específico. Já, as variáveis ou elementos básicos do modelo englobam as crenças comportamentais, a avaliação dos resultados esperados, as crenças normativas e a motivação.

Figura 4 – Aplicação da teoria da ação racional na adesão ao exercício físico (Adaptado de MOTA, 1997; apud MOUTÃO, 2005)

Linha tracejada – possível explicação para as relações observadas entre as variáveis externas e o comportamento.

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2.2.3 Teoria do Comportamento Planejado

A Teoria do Comportamento Planeado (TCP) (AJZEN e MADDEN, 1986) (figura 5), é considerada uma extensão da TAR, tendo apenas sido acrescentado um terceiro componente denominado de controle comportamental percebido (BERGER, PARGMAN e WEINBERG, 2002). Esta teoria trabalha com a hipótese de melhorar a predição de condutas que não estão sob completo controle do indivíduo, ou seja, as atitudes e as percepções. Neste sentido, quando a percepção de controle e as atitudes interagem, se modifica a intenção de execução, dando passo, possivelmente, a uma conduta diferente da qual se pretendia executar (AJZEN, 1991), citado em Soares (2004).

De acordo com Matos e Sardinha (1999), apesar das atitudes e normas subjetivas serem favoráveis a intenção de praticar atividade física, em alguns casos, as intenções muitas vezes fracassam devido à percepção de falta de capacidades e barreiras situacionais (reais ou percebidas).

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Figura 5 – Teoria do comportamento planejado (TCP) (Adaptado de Moutão, 2005)

2.2.4 Teoria da Auto-eficácia

A auto-eficácia pode ser definida como a capacidade percebida de produzir resultados e atender determinados tipos de desempenho (BANDURA, 1977). Se pensarmos que a auto-eficácia é a confiança que a pessoa tem em sua capacidade de atuação diante de uma tarefa particular envolvida, por meio da qual a pessoa forma uma idéia subjetiva de sua habilidade para reagir às demandas ambientais, pode-se dizer que a auto-eficácia é uma percepção subjetiva do que a pessoa acredita (ROLIM, 2007).

(40)

desenvolvidas. A fonte mais influente é a interpretação pessoal resultante do desempenho pretendido ou a experiência anterior, sendo que esta fonte, de acordo com Bandura (2001), é mais importante no contexto escolar.

A segunda fonte de eficácia é a experiência vicariosa (efeito produzido pela ação de outras pessoas), ou seja, os modelos. Podem ser interpretadas como as comparações sociais feitas com outros indivíduos (PAJARES, 1997). A terceira fonte, é resultado do feedback verbal recebido de outros indivíduos, ou seja, julgamento de suas ações feita por terceiros. A persuasão pode ser positiva ou negativa. A positiva fortalece a auto-eficácia, enquanto a negativa enfraquece (PAJARES, 1997).

Segundo Pajares (1997), as crenças de auto-eficácia influenciam o processo motivacional e auto-regulatório de diversas maneiras: nas escolhas que as pessoas fazem e os caminhos que serão tomados; no quanto de esforço a pessoa irá aplicar em determinada tarefa e quanto irá persistir ao se deparar com obstáculos; e o quanto são flexíveis diante de situações adversas.

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Figura 6 - Relação entre as fontes de auto-eficácia, expectativas de auto-eficácia e padrões de comportamento e pensamento, na prática de exercício físico (Adaptado de Feltz,1988; apud Moutão, 2005)

2.2.5 Modelo Transteorético (Transtheoretical Model)

O Modelo dos Estágios de Mudança, desenvolvido por Prochaska em 1983, sugere que os indivíduos se movam geralmente em cinco grandes escalas de mudança (MOUTÃO, 2005). É um modelo que incorpora estruturas a partir de várias outras teorias e envolve progressos em uma série de estágios. Estes estágios refletem as intenções em cada nível para mudança no comportamento, variando em tempo e estabilidade (GOULD e WEINBERG, 2001).

(42)

Quadro 1 – Estágios de Mudança de Comportamento e suas características

.

Fonte: Adaptado de Prochaska e Marcus (1994).

O Modelo transteorético considera, que indivíduos em diferentes estágios apresentam diferentes atitudes, crenças e motivações em relação ao determinado comportamento. O modelo pressupõe que o processo avance, recue, pare ou circule, promovendo um contexto que explique as recaídas e a readoção do comportamento (BERGER, PARGMAN e WEINBERG, 2002), ou seja, as pessoas movem-se de volta e adiante nestes diferentes estágios.

(43)

2.2.6 Teoria da Autodeterminação

Dentre as teorias que fundamentam o estudo da motivação, atualmente, destaca-se a Teoria da Autodeterminação que distingue entre comportamentos que o indivíduo executa livremente e os que são realizados por algum tipo de influência. A teoria analisa por que uma pessoa age (ou seja, o grau em que sua motivação é mais ou menos autodeterminada), como os diversos tipos de motivação levam a diferentes comportamentos, e como as condições sociais apóiam ou prejudicam o bem-estar humano por meio de suas necessidades psicológicas básicas (VIERLING, STANDAGE e TREASURE, 2007).

Com a TAD, Deci e Ryan (1985) introduzem uma subteoria denominada

―Teoria da Integração do Organismo‖, que estabelece que a motivação está presente em diferentes níveis de autodeterminação (Figura 1). Os autores consideram a dicotomia intrínseca-extrínseca simplista e redutora para a compreensão da

motivação, afirmando que ela pode ser categorizada de uma forma mais global,

considerando um continuum da forma mais autodeterminada para a menos

autodeterminada (FERNÁNDEZ e VASCONCELOS-RAPOSO, 2005). Assim, a TAD

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Figura 7 - Continuum da Autodeterminação mostrando os tipos de motivações com seus estilos de regulação, o lócus de causa e os processos correspondentes (MURCIA e COLL, 2006, adaptado de DECY e RYAN, 2000)

É necessário o esclarecimento do continuum da autodeterminação (figura 7), citando exemplos ligados ao nosso contexto de investigação. Ao extremo mais à esquerda do continuum está a amotivação, que é um estado em que a pessoa não tem ainda a intenção de realizar o comportamento, não havendo nenhum tipo de regulação, seja externa ou interna (RYAN e DECI, 2000). Nesse caso, o indivíduo não percebe motivos para adesão ou continuação em uma prática de exercícios ou esportes.

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pressão dos pais, ou os atletas que competem unicamente em função de ganhos financeiros.

Na seqüência, com regulações menos externas que a anterior, está a regulação introjectada. Esta se diferencia das externas, por tratar-se de

recompensas e punições internas, havendo sentimento de obrigação, ansiedade, ou orgulho (RYAN e DECI, 2000). É o caso de quem pratica alguma atividade física para não se sentir culpado.

Mais autônoma, na regulação identificada, o comportamento é regulado mais internamente, pois o indivíduo considera-o importante e aprecia os resultados e benefícios da participação em tal atividade. Percebemos essa situação quando uma pessoa pratica um esporte por saber dos benefícios para sua saúde, ainda que o comportamento em si não seja agradável (WILSON et al., 2003).

Mais à direita do continuum, está a regulação integrada, forma mais autodeterminada ou autônoma da regulação externa. Ações caracterizadas pela regulação integrada têm muitas qualidades da motivação intrínseca, embora seja considerada extrínseca por visar algum tipo de resultado além do prazer da prática (RYAN e DECI, 2000). Nessas atividades, diferente da regulação identificada, a possibilidade de escolha e o prazer são mais evidentes. Exemplificando, é o caso de quem se exercita por saber que este tem influência sobre a sua qualidade de vida, mas sem um fim específico.

(46)

intrinsecamente aquele jogador que participa por gostar de jogar futebol, a atividade tem um fim em si mesmo, não se espera mais nada dela.

Semelhanças entre os tipos de regulações têm feito com que alguns estudiosos optem por agrupar algumas delas. Segundo Ryan e Deci (2000), em alguns estudos as regulações identificada e integrada e a motivação intrínseca são combinadas, formando a motivação autônoma. Existem outros que optam por tratar a regulação externa e a introjetada como um único construto dentro da motivação extrínseca (WILLIAMS et al., 1996). O mesmo tem acontecido com a regulação identificada e integrada, que por suas semelhanças são algumas vezes tratadas como um único construto (FERNÁNDEZ e VASCONCELOS-RAPOSO, 2005).

É interessante ainda, o entendimento do conceito de internalização. A internalização é meio pelo qual os indivíduos reconstroem comportamentos que anteriormente eram controlados externamente, de modo que se tornem mais autodeterminados (DECI e RYAN, 2000). Desta forma, uma atividade que se inicia com total controle externo, pode, com o passar do tempo assumir outros tipos de regulações mais internas (WILSON et al., 2003), quando o praticante se percebe mais autônomo em sua realização (RYAN e DECI, 2000).

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Três necessidades psicológicas inatas, subjacentes à motivação intrínseca, são propostas pela TAD: a necessidade de autonomia, a necessidade de competência e a necessidade de vínculo (GUIMARÃES e BORUCHOVITCH, 2004). Contextos sociais que satisfaçam essas necessidades tendem a apresentar regulações mais autodeterminadas, portanto, mais motivadas intrinsecamente, sustentando maior persistência e bem-estar psicológico (RYAN e DECI, 2000).

A autonomia reflete o desejo de participar de atividades onde a possibilidade de escolha na realização do comportamento esteja presente (DECI e RYAN, 1985), sendo pouco motivadora a atividade realizada por uma demanda externa, seja ela uma punição ou recompensa. É necessário que o indivíduo perceba que a atividade está sob seu controle.

A necessidade de competência está ligada a sentir-se capacitado e confiante para realizar um determinado comportamento com determinada aptidão. A proposta da necessidade de competência como fator determinante da motivação intrínseca é embasada nos trabalhos de White, que utilizou o termo para definir a capacidade do organismo de interagir satisfatoriamente com o seu meio (GUIMARÃES e BORUCHOVITCH, 2004).

Quanto ao vínculo, trata-se da necessidade de perceber que o comportamento é reconhecido positivamente por outras pessoas, ou que a prática deste facilita a socialização (DECI e RYAN, 2000). Os autores sugerem que dentre as três necessidades, a de vínculo seria a menos influente sobre a motivação autônoma (STANDAGE e GILLISON, 2007).

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Isso ocorre porque o modo e o grau das necessidades psicológicas são influenciados não apenas pelo próprio indivíduo, mas principalmente pelo contexto sociocultural. Por outro lado, em qualquer caso, a satisfação é essencial para o bem-estar e desenvolvimento saudável dos indivíduos, considerando a cultura, sexo ou período do desenvolvimento (DECI e RYAN, 2000).

2.3 BENEFÍCIOS DA PRÁTICA DE MUSCULAÇÃO AO PRATICANTE

A musculação passou, a partir da década de 90, a fazer parte das diretrizes internacionais que a recomendam sob a alegação de que essa forma de se exercitar influencia beneficamente em diferentes componentes da saúde humana, como por exemplo, força muscular, bem estar psicossocial e capacidades funcionais otimizadas. É possível, ainda, correlacionar a prática da musculação à maior tolerância ao exercício aeróbico e a menores respostas cardiovasculares ao esforço (UMPIERRE e STEIN, 2007).

A nomenclatura usada para este tipo de exercício é diversa, por exemplo, o termo técnico ―exercício resistido‖ não é muito utilizado pelos profissionais de educação física e pelos praticantes da modalidade, estes geralmente se utilizam de expressões tais como, musculação, exercício de força, exercício localizado e exercício com pesos (FORJAZ, 2003). Em linguagem técnica, o exercício resistido é sinônimo do levantamento de pesos (POLITO e FARINATTI, 2003; RODRIGUES, 2001).

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de serem estes os equipamentos mais utilizados, há também a possibilidade de trabalho com resistências hidráulicas, elásticos e isometria. No entanto, Rodrigues (2001) afirma que o trabalho com máquinas são preferíveis ao trabalho com pesos livres, por proporcionarem maior isolamento muscular e desenvolver níveis maiores de força e hipertrofia muscular.

Se bem planejado e praticado de forma regular, uma rotina de musculação pode se apresentar como uma atividade de múltiplos fatores benéficos, como por exemplo, crescimento de massa magra em detrimento do tecido adiposo, hipertrofia muscular e ganhos de força (CÂMARA et al., 2007; BROOKS, 2000). Além desses benefícios, a musculação pode ser associada ao aumento do metabolismo, aumento calórico durante e após o treinamento, diminuição do risco de diabetes, conteúdo mineral ósseo aumentado, integridade estrutural e funcional dos tendões, ligamentos e articulações, melhora postural e aumento da auto-estima (BERMUDES et al., 2003).

É perceptível que todos que praticam esse tipo de exercício sofrem adaptações hipertróficas responsáveis por desenvolver a capacidade e adaptações neurais promotoras do desenvolvimento da habilidade para que se execute o exercício de maneira satisfatória (POLITO e FARINATTI, 2003).

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O estudo de Adams et al., (2001) verificou índices positivos na amplitude de movimento, medidos no teste de sentar e alcançar, em um grupo de idosos que realizou musculação por oito semanas. Esses achados podem ser explicados pelo aumento da amplitude dos movimentos para a execução dos exercícios, pois a redução dos riscos de lesões músculo-articulares, a melhora no desempenho físico, a redução da tensão passiva e da rigidez do músculo esquelético pode alterar as propriedades viscoelásticas, melhorando o desempenho nos exercícios de força que envolve o ciclo alongamento-encurtamento (VALE et al., 2006).

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definida como leve, deve assumir valores aproximados de 40% a 60% da carga voluntária máxima. Para assumir intensidade maior, deve-se trabalhar com níveis a partir de 70% da carga voluntária máxima, nesse caso, evitando-se um número elevado de repetições (FORJAZ, 2003).

A menos que sejam executados em intensidades extremamente baixas, a musculação é predominantemente anaeróbia e a explicação para isso é que no momento de esforços intensos falta oxigênio ao músculo, além de ocorrer interrupção parcial do fluxo sanguíneo, em virtude da contração do número de fibras musculares ao mesmo tempo. A fadiga muscular é alcançada, quando após um número determinado de repetições, o ácido láctico é produzido em maiores quantidades (CÂMARA et al., 2007).

Considerando os benefícios proporcionados pela prática regular da musculação, pode-se afirmar que esta é uma prática física capaz de melhorar a saúde e conseqüentemente a qualidade de vida do praticante (MIRANDA et al., 2005).

2.4 ESTUDOS SOBRE ADERÊNCIA À PRÁTICA DE EXERCÍCIO FÍSICO/MUSCULAÇÃO

(52)

início ou a desistência de determinada prática, sem ter como base alguma teoria motivacional.

Chagas e Samulski (1995) em estudo intitulado "Análise da motivação para atividades físicas em academias de ginástica em Belo Horizonte", e tendo como objetivo diagnosticar e analisar os motivos que levam as pessoas a praticarem atividades físicas em academias, entrevistaram 200 clientes com média de idade de 25 anos em seis diferentes academias. Os resultados obtidos, sem distinção de

sexo, foram: ―manter-se em boa forma física‖; ―melhorar o condicionamento físico‖;

―aumentar o bem-estar corporal e psicológico‖; ―melhorar o estado de saúde, o prazer e a aparência física‖.

Em revisão de literatura, com o objetivo de identificar os motivos de aderência e de desistência da prática de exercícios físicos em academias de ginástica no Brasil, Liz et al., (2010) identificaram que ―saúde‖ e ―estética‖ foram os motivos mais

citados para a aderência, seguidos de ―resistência, condicionamento e aptidão

física‖, ―bem-estar‖, ―proximidade da academia da casa ou do trabalho‖, ―qualidade

de vida‖, ―prazer pelo exercício‖ e ―socialização‖. Por outro lado, identificou-se a

―falta de tempo‖, ―preguiça/falta de motivação‖, ―distância dos locais de prática‖,

―custo da mensalidade‖ e a ―baixa qualidade das aulas oferecidas‖ como os

principais motivos de desistência da prática de exercícios físicos em academias de ginástica.

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físico e da qualidade de vida; b) na dimensão comportamental e sócio-ambiental, os motivos foram prevenir doenças, melhorar o condicionamento físico, reduzir estresse de trabalho, desenvolver mais autoconfiança e condições favoráveis para prática; c) Os facilitadores para a prática foram: horário, local, característica da atividade, profissionais e orientação; e d) Os fatores que dificultam a prática de atividades físicas relacionaram-se à falta de tempo. Os resultados não demonstraram a influência do nível de aptidão na motivação das participantes. No tocante à aderência, verificou-se que: a) o número de aulas praticadas determina a condição cardiorrespiratória, b) o número de horas dedicadas ao trabalho, por dia, diminui a possibilidade de participar das aulas e c) a menor aderência associa-se ao ambiente desfavorável à prática. Dentre os motivos de desistência ao programa: predominaram as barreiras de ordem pessoal, relacionada à falta de tempo, cuidados médicos/pessoais e familiares, seguindo-se a barreira de ordem ambiental.

Silva et al., (2008) com o objetivo de avaliar a participação atual e passada de adultos em academias de ginástica de Pelotas/RS, realizaram um estudo de base populacional, incluindo 972 indivíduos de 20 a 69 anos de idade e relataram que a prevalência de prática atual e passada de atividades físicas em academias foi de 7,8%., e relatam ainda, que a maioria dos freqüentadores de academia o faz há mais de seis meses e realiza três sessões semanais de treino. Os motivos mais prevalentes para a procura das academias foram emagrecimento, prazer pelo exercício e preparação física. O nível econômico associou-se positivamente à participação atual e passada em academias. A idade esteve associada inversamente à prática passada e o tabagismo à prática atual.

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pode-se citar o estudo de Balbinotti e Capozolli (2010). O estudo procurou verificar se havia diferenças entre os índices motivacionais de seis dimensões (Controle de Estresse, Saúde, Sociabilidade, Competitividade, Estética e Prazer), controlando-se as variáveis: sexo e grupo de idade de 300 praticantes de ginástica de academia de Porto Alegre/RS, de ambos os sexos e com idades variando entre 18 e 65 anos. Os resultados indicaram que, quando controladas as variáveis Sexo e Grupo de Idades, a dimensão Saúde é a que mais motiva os praticantes de ginástica em academias.

Em estudo com 40 indivíduos com faixa etária de 18 a 30 anos Amorim (2010) verificou que os motivos para a prática da musculação foram a estética, prazer e saúde, seguidos de sociabilidade, controle do estresse e competitividade.

O estudo de Deschamps e Domingues Filho (2005) verificou que a maioria dos motivos de prática se repete em ambos os sexos (prazer na atividade física, melhora da estética, melhor condicionamento físico e qualidade de vida). No estudo, homens e mulheres diferenciaram-se quanto à socialização, mais presente para os homens, e realização pessoal, mais presente para as mulheres.

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Edmunds, Ntoumanis e Duda (2006) verificaram, pesquisando pessoas com idades variadas (16 a 64 anos), que a motivação intrínseca e a regulação integrada têm relação mais forte com os exercícios mais vigorosos, enquanto não se relacionaram com as atividades leves e moderadas. Esse resultado demonstra a maior entrega à prática de exercícios quando as regulações são internalizadas. Realizada a análise de regressão, observou-se, novamente, que a regulação integrada prediz mais fortemente a participação em tais atividades do que a própria motivação intrínseca.

Apesar da concordância entre os resultados de pesquisas em apontar que as motivações mais autodeterminadas estão mais relacionadas à prática de atividades físico-esportivas, a maior parte dos estudos têm demonstrado que as regulações identificadas e integradas são tão ou mais influentes sobre essas práticas do que a própria motivação intrínseca (VIANA, 2009). Para tanto, mesmo contrariando os pressupostos da TAD, de que pessoas motivadas intrinsecamente estão mais propensas a se engajarem em exercícios físicos, percebemos certa coerência nesses achados. Na atualidade, as atribuições do dia-a-dia como o trabalho e estudos, por exemplo, fazem com que seja difícil a aderência em atividades, simplesmente porque estas proporcionam prazer (MATIAS et al., 2010).

(56)
(57)

3 MÉTODO

Neste capítulo são descritos os procedimentos metodológicos adotados na pesquisa, incluindo a caracterização da pesquisa, a população e a amostra do estudo, os instrumentos, os procedimentos de coleta de dados e o tratamento dos dados.

3.1 CARACTERIZAÇÃO DA PESQUISA

Este é um estudo de campo, de natureza descritiva (RUDIO, 1986), dividido em duas etapas. A primeira etapa deste estudo foi caracterizada por uma abordagem quantitativa, pois trabalhou com valores e intensidades, bem como utilizou-se de análises e testes estatísticos (THOMAS e NELSON, 2002). A abordagem quantitativa deste estudo foi utilizada na caracterização dos participantes da pesquisa, em que a estatística descritiva auxiliou na melhor visualização e no aprofundamento das informações coletadas, objetivando identificar as atitudes dos aderentes e dos desistentes da prática da musculação, em relação aos objetivos específicos descritos.

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complexidade dos fenômenos sociais por meio da análise e busca dos significados contidos nas ações e informações advindas das pessoas que participaram do estudo. Dados verbais e não verbais fazem parte do interesse do pesquisador qualitativo (RUBIN e RUBIN apud ANDRADE, 2001). Weinberg e Gould (2001) destacam que a pesquisa qualitativa pode ser usada pela psicologia do esporte e do exercício, para reconhecer a individualidade dos praticantes de exercício físico.

3.2 CARACTERIZAÇÃO DO AMBIENTE DA PESQUISA

Florianópolis possui atualmente mais de 70 academias de musculação em funcionamento, na ilha e continente (CREF/SC, 2010) e a maioria destas é considerada de pequeno porte, pois de acordo com a Associação de Academias do Brasil, possuem menos de 500 praticantes.

Para este estudo optou-se em buscar academias com características semelhantes às investigadas no estudo piloto, ou seja, academias que ofereçam outras modalidades de exercícios além da musculação, localizadas em Florianópolis, registradas junto ao Conselho Regional de Educação Física CREF/SC e que facilitaram o acesso dos pesquisadores às academias2. Foi fácil perceber e

compreender os ―muitos cuidados‖ por parte dos proprietários e gerentes das

2 Algumas academias não permitiram a entrada dos pesquisadores para a realização do

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academias investigadas, quanto ao tipo de informação solicitada na pesquisa, principalmente no que diz respeito ao grupo de desistentes.

Este obstáculo foi superado garantindo aos proprietários e gerentes das academias, por escrito, que a identificação da mesma bem como dos clientes participantes do estudo, seriam preservadas (Anexo 3).

3.3 PARTICIPANTES DA PESQUISA

A população deste estudo foi composta por aderentes (mais de seis meses de prática) e desistentes (ex-praticantes a no mínimo 1 mês) da prática de musculação, de ambos os sexos, com idades entre 18 e 65 anos3, em nove academias de Florianópolis.

Os desistentes foram caracterizados pela não prática atual da musculação e contatados via telefone para agendamento da entrevista e preenchimento do questionário. A faixa etária (escolhida) justifica-se pelo fato de se encontrar em muitos estudos, diferenças significativas quanto ao perfil motivacional de jovens, adultos e idosos (BALBINOTTI e CAPOZZOLI, 2008; LORES et al., 2004), assim, optou-se em expandir a faixa etária para este estudo, com a finalidade de se abordar e compreender de maneira mais aprofundada esta questão.

3 A faixa etária selecionada, deve-se à intenção de se explorar ao máximo os grupos

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A amostra foi selecionada de maneira não-probabilística intencional (THOMAS e NELSON, 2002), pois a intencionalidade garantiu que ambos os grupos preenchessem os critérios necessários à sua formação. Para Morton e Willians (apud ANDRADE, 2001), na pesquisa qualitativa o planejamento da amostra é normalmente intencional, ou seja, a preferência é selecionar um pequeno número de pessoas com características, comportamentos ou experiências específicas, para facilitar as comparações entre os grupos que o pesquisador julga ser importante.

Desta forma, participaram deste estudo 252 aderentes (A) e 26 desistentes (D) da musculação, totalizando uma amostra de 278 participantes, de ambos os sexos, sendo 143 homens (aderentes n=133 / desistentes n=10) e 135 mulheres (aderentes n= 119/ desistentes n= 16). A média de idade dos participantes foi de 33 anos (±12) (mín.18, máx.65), sendo a média dos aderentes de 34 anos (±12) (mín.18, máx.65) e dos desistentes de 28 anos (±11) (mín.18, máx.52). Optou-se em não excluir os aderentes e desistentes da prática da musculação, com maior e menor idade, pois a intenção foi explorar ao máximo as populações investigadas.

É possível que os resultados desta pesquisa sejam transferidos para o universo de praticantes de musculação de outras regiões do estado e do país, desde que as características do ambiente (academia), da clientela e as características populacionais e econômicas da região sejam semelhantes.

3.4 INSTRUMENTOS

Foram utilizados cinco instrumentos para a coleta de dados, sendo três desses,

(61)

vida, ocorrência e controle subjetivo do estresse‖ de Andrade (2001), na revisão de estudos sobre o tema e ainda nos resultados obtidos por meio do estudo piloto desta pesquisa (―Questionário de caracterização do participante‖, ―Questionário dos

hábitos de saúde, atividade física e musculação‖ e o ― Questionário dos motivos de

avaliação da aderência e desistência da musculação‖). Outros dois instrumentos

utilizados foram o ―Questionário de classificação socioeconômica – ABEP (2008)‖ e

o ―Questionário de Regulação de Comportamento no Exercício Físico / Behavioral

Regulation in Exercise Questionnaire-2 (BREQ-2) (MARKLAND e TOBIN, 2004)‖

(Anexo 1).

Para facilitar a aplicação dos instrumentos e favorecer o preenchimento pelos participantes, esses instrumentos foram reunidos em um único questionário

intitulado ―Questionário de caracterização Geral de clientes de academias‖

(Apêndice 1) e foi aplicado na primeira etapa do estudo aos participantes. A segunda etapa do estudo foi composta por uma entrevista semi-estruturada (Apêndice 9). A seguir são descritos detalhadamente os instrumentos do estudo.

3.4.1 Questionário de caracterização do participante

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3.4.2 Questionário de hábitos de saúde, atividade física e musculação

Avalia de maneira subjetiva, os hábitos de saúde, nível de atividade física e prática da musculação (atual de aderentes e passada dos desistentes) (questões de 12 a 37).

As questões de 23 a 34 deste instrumento consistem numa versão do

―questionário de atividades físicas habituais‖, desenvolvido por Pate e adaptado por

NAHAS (2001). Este questionário permite fazer uma estimativa do nível de atividade física habitual. A classificação do questionário de atividades físicas habituais é: de 0 a 5 pontos = inativo ou sedentário; de 6 a 11 pontos = moderadamente ativo; de 12 a 20 pontos = ativo e com 21 pontos ou mais = muito ativo.

3.4.3 Questionário de classificação socioeconômica ABEP (2008)

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3.4.4 Questionário de avaliação dos motivos de aderência e desistência da musculação.

Este instrumento, construído para fins deste estudo com base na revisão de literatura específica acerca do assunto, no instrumento de Andrade (2001) e nos resultados do estudo piloto desta pesquisa (Apêndice 7), avalia os motivos atribuídos à aderência e à desistência da prática de musculação nas academias (questões de 40 a 45). O instrumento é composto por cinco escalas do tipo Likert de cinco pontos cada uma, que varia do menor (0) ao maior (4) grau de importância, que os participantes atribuem aos motivos e efeitos citados nas quatro escalas propostas.

A questão 40 do questionário refere-se à escala de percepção dos motivos que influenciaram ou influenciam na prática de musculação atual (aderentes) ou passada (desistentes), dos participantes do estudo. Dos itens 1 a 10 desta escala, pontua-se 0= não influenciou/influencia(0%); 1= influenciou/influencia pouco(25%); 2= influenciou/influencia parcialmente(50%); 3= influenciou/influencia moderadamente(75%); 4= influenciou/influencia muito (100%).

A questão 41 é uma pergunta aberta, destinada somente aos aderentes, na qual foram apontados os três principais motivos atribuídos à sua prática da musculação.

A questão 42 é uma pergunta aberta, destinada somente aos desistentes, na qual foram apontados os três principais motivos atribuídos à sua desistência da musculação.

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ambiente apropriado para a prática da musculação na percepção dos praticantes. Dos itens 1 a 9 desta escala, pontua-se 0= nada importante(0%); 1= um pouco

importante(25%); 2= parcialmente importante(50%); 3= muito importante(75%); 4= totalmente importante(100%).

A questão 44 do questionário diz respeito à percepção dos participantes sobre os efeitos psicológicos causados pela prática da musculação no praticante. Dos itens 1 a 11 da escala, pontua-se 0=nenhum efeito(0%); 1=pouco efeito(25%); 2=efeito moderado(50%); 3=grande efeito(75%); 4=efeito máximo (100%).

A questão 45 do questionário refere-se à percepção dos participantes sobre os motivos que influenciaram (desistentes) ou influenciariam (aderentes) na desistência da prática da musculação. Dos itens 1 a 9, pontua-se 0= não influencia/influenciaria (0%); 1= influencia/influenciaria pouco (25%); 2= influencia/influenciaria parcialmente (50%); 3= influencia/influenciaria moderadamente (75%); 4= influencia/influenciaria muito (100%).

Todas as escalas descritas acima, possuem uma questão aberta referente a qual dos motivos citados, é o mais importante na percepção dos participantes e ainda permite o apontamento de qualquer outro motivo que não tenha sido citado.

3.4.5 Questionário de regulação de comportamento no exercício físico (BREQ-2)

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