PROEB E O CONTEXTO DO ENSINO MÉDIO: UM ESTUDO DE CASO EM DUAS ESCOLAS DE CORONEL FABRICIANO – MINAS GERAIS

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UNIVERSIDADE FEDERAL DE JUIZ DE FORA

CAEd- CENTRO DE POLÍTICAS PÚBLICAS E AVALIAÇÃO DA EDUCAÇÃO PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO PROFISSIONAL EM GESTÃO E

AVALIAÇÃO DA EDUCAÇÃO PÚBLICA

IRACEMA MARIA DE LIMA MARTINS

PROEB E O CONTEXTO DO ENSINO MÉDIO: UM ESTUDO DE CASO EM DUAS ESCOLAS DE CORONEL FABRICIANO MINAS GERAIS

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IRACEMA MARIA DE LIMA MARTINS

PROEB E O CONTEXTO DO ENSINO MÉDIO: UM ESTUDO DE CASO EM DUAS ESCOLAS DE CORONEL FABRICIANO – MINAS GERAIS

Dissertação apresentada à banca como requisito parcial à conclusão do Mestrado Profissional em Gestão e Avaliação da Educação Pública, da Faculdade de Educação, Universidade Federal de Juiz de Fora.

Orientador: Lourival Batista de Oliveira Júnior

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TERMO DE APROVAÇÃO

IRACEMA MARIA DE LIMA MARTINS

PROEB E O CONTEXTO DO ENSINO MÉDIO: UM ESTUDO DE CASO EM DUAS ESCOLAS DE CORONEL FABRICIANO MINAS GERAIS

Dissertação apresentada à Banca Examinadora designada pela equipe de Dissertação do Mestrado Profissional CAEd/FACED/UFJF, aprovada em 15/08/2013.

Dr. Lourival Batista de Oliveira Junior Membro da banca - Orientador

Drª. Carolina Alves Magaldi Membro da banca Externa

Dr. Cristiano M. Costa Membro da Banca Interna

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AGRADECIMENTOS

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RESUMO

O presente trabalho tem como objetivo geral propor um plano de intervenção pedagógica para a melhoria dos resultados do ensino médio nas escolas pesquisadas. Caracterizam-se como objetivos específicos desta dissertação traçar um panorama do ensino médio no estado de Minas Gerais, analisar a qualidade da educação nas escolas pesquisadas e a sua relação com a apropriação dos resultados das avaliações do Programa de Avaliação da Educação Básica (PROEB) pelos diretores e professores. Realizou-se uma pesquisa em duas escolas, denominadas, nesta pesquisa, A e B, considerando que, através da análise dos resultados do PROEB 2011, a escola B está com as menores médias, tanto em Língua Portuguesa quanto em Matemática, em relação às demais escolas do município de Coronel Fabriciano, e a escola A apresenta médias de proficiências aproximadas às do estado e da Superintendência Regional de Ensino (SRE). As referidas escolas têm a mesma quantidade de turmas de alunos no ensino médio, que é a modalidade de ensino foco deste trabalho. O acesso aos dados se deu através de pesquisa documental pela base de dados de avaliações externas coletadas no site do CAEd/UFJF e também em contato direto com as escolas, através de observação e entrevistas. Considerando a atuação na dimensão escolar, a minha intenção é, enquanto Analista Educacional de SRE, verificar a posição dos gestores das escolas diante dos resultados das avaliações externas, e analisar o que tem sido feito, verificando se os dados do PROEB são utilizados no projeto pedagógico de cada escola e no planejamento dos professores, para, assim, sugerir ações, apontando estratégias e intervenções que possam contribuir com os gestores, objetivando elevar o desempenho dos alunos do ensino médio.

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ABSTRACT

This paper aims to propose a general educational intervention plan to improve the high schools results in the surveyed schools. The specific objectives of this dissertation are to give an overview of high schools in the state of Minas Gerais, to analyze the quality of education in schools under analysis, and to understand and assess the outcomes of the Assessment Program of the Public Basic Education (PROEB) and how they are appropriated by principals and teachers. We conducted our research in two schools, named in this study as A and B, taking into account that PROEB 2011 results show that school B has the lowest averages in Portuguese and in Mathematics among all schools in Coronel Fabriciano, and the school A has average levels of proficiency similar to the state schools and the ones affiliated with the Regional Superintendent of Education (SRE). Those schools have the same amount of students enrolled in the high school level, which is the school level is which we focused our work. The data utilized in this study comes from on external assessment, which was collected at the CAEd/UFJF website, and also from direct schools through primary data and interviews. Considering the school’s performance, as an analyst educational SRE, is to understand the position of school principals regarding the external assessment results, and to analyze what has been done by checking if the data from PROEB has been utilized in the each school’s pedagogical project and suggest actions, strategies and interventions which may help principals raise the performance of high school students.

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LISTA DE GRÁFICOS

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LISTA DE TABELAS

Tabela 1: PROEB – L. Portuguesa/3º ano EM – Escola A ...33

Tabela 2: PROEB – Matemática/3º ano EM – Escola A ...34

Tabela 3: PROEB – L. Portuguesa/3º ano EM – Escola B ...37

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LISTA DE QUADROS

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LISTA DE ABREVIATURAS E SIGLAS

CAEd - Centro de Avaliação da Educação e Políticas Públicas EJA - Educação de Jovens e Adultos

ENEM - Exame Nacional do Ensino Médio FIT - Formação Inicial para o Trabalho

INEP -Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira LDB - Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional

MEC - Ministério da Educação e Cultura

PAAE - Programa de Avaliação da Aprendizagem Escolar PAV - Programa Acelerar para Vencer

PIP- Programa de Intervenção Pedagógica

PIP/ATC - Programa de Intervenção Pedagógica/Alfabetização no Tempo Certo PIP/CBC - Programa de Intervenção Pedagógica/Currículo Básico Comum PPP - Projeto Político Pedagógico

PROALFA - Programa de Avaliação da Alfabetização PROEB - Programa de Avaliação da Educação Básica PROETI - Programa Escola em Tempo Integral

PROGESTÃO - Programa de Capacitação a Distância para Gestores Escolares PROMÉDIO - Projeto de Melhoria da Qualidade e Eficiência do Ensino Médio SAEB - Sistema de Avaliação da Educação Básica

SEE - Secretaria Estadual de Educação SME - Secretaria Municipal de Educação

SIMAVE - Sistema Mineiro de Avaliação da Educação Pública SRE -Superintendência Regional de Ensino

TRI - Teoria de Resposta ao Item

UFJF - Universidade Federal de Juiz de Fora

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SUMÁRIO

INTRODUÇÃO... ... 13

1 AVALIAÇÕES EXTERNAS E O CASO DE DUAS ESCOLAS ESTADUAIS ... 16

1.1 As avaliações externas no contexto educacional... ... 16

1.1.1O PROALFA... ... 18

1.1.2 O PROEB... ... 20

1.2 Programas e ações implementados nas escolas mineiras a partir dos resultados das avaliações do SIMAVE... ... 21

1.2.1 Reinventando o Ensino Médio ... ... 25

1.2.2 Promédio ... ... 26

1.2.2.1 Formação Inicial para o Trabalho ... ... 27

1.2.2.2 Aprofundamento de Estudos ... ... 27

1.2.2.3 Escola Referência ... ... 27

1.2.2.4 Programa de Educação Profissional ... ... 28

1.3 Programa Nacional de Acesso ao Ensino Técnico e Emprego... ... 28

1.4 Conhecendo o Ambiente da Pesquisa... ... 29

1.4.1 Caracterização Escola A ... ... 29

1.4.2 Caracterização Escola B ... ... 34

1.5 A análise dos resultados nas avaliações do PROEB das escolas pesquisadas... ... 40

2 AVALIAÇÕES E O CONTEXTO ESCOLAR EM ESTUDO... .... 42

2.1 Refletindo sobre o contexto do ensino médio... ... 42

2.2 O processo de apropriação de resultados das avaliações externas nas escolas pesquisadas ... ... 48

2.3 O uso pedagógico dos resultados das avaliações e o papel do gestor nas escolas pesquisadas... ... 50

3 PROJETO PILOTO NA GESTÃO ESCOLAR: AÇÕES DE INTERVENÇÃO NO ENSINO MÉDIO.... ... 59

CONSIDERAÇÕES FINAIS... ... 69

REFERÊNCIAS... ... 70

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INTRODUÇÃO

O tema da presente pesquisa é a qualidade da educação no Ensino Médio, buscando produzir um diálogo desse nível de ensino com as políticas públicas de avaliação, visando uma melhoria na qualidade. Pretende-se explorar as avaliações do Programa de Avaliação da Educação Básica (PROEB), especificamente no que se refere ao Ensino Médio, pois são preocupantes os resultados das avaliações que apontam números elevados de alunos com desempenho insatisfatório nesse nível de ensino. Tal situação é vivenciada em todo o país e, nesse caso em particular, em duas escolas estaduais pertencentes à Superintendência Regional de Ensino (SRE) de Coronel Fabriciano.

Justifica-se a escolha das escolas A e B pelo fato de que as duas apresentaram redução nos resultados do PROEB, entre 2010 e 2011, nas duas disciplinas avaliadas, enquanto as outras quatro escolas estaduais que oferecem o Ensino Médio no mesmo município apresentaram redução em apenas uma das duas disciplinas avaliadas, ora em Língua Portuguesa, ora em Matemática. As referidas escolas têm a mesma quantidade de turmas de alunos no 3º ano do Ensino Médio.

O acesso aos dados se deu através de pesquisa documental pela base de dados de avaliações externas coletadas no site do CAEd/UFJF e também em contato direto com as duas escolas, através de observação e entrevistas aos diretores e aos 11 professores, dentre estes regentes de Língua Portuguesa e Matemática, para se compreender como se dá o processo de apropriação dos resultados pela equipe gestora das escolas. Os dados de avaliações externas utilizados estão disponíveis no site do SIMAVE1 (MINAS GERAIS, 2012) e em outras fontes de pesquisa (MEC, INEP, Resoluções SEE/MG e outras) que também foram necessárias consultar no desenvolvimento desta pesquisa. Os sujeitos da pesquisa são os dois diretores das escolas pesquisadas, os quatro professores de Língua Portuguesa e os seis de Matemática do 3º ano do Ensino Médio que atuam nas escolas A e B,

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que são as disciplinas avaliadas pelo PROEB, e o coordenador das avaliações externas na Superintendência Regional de Ensino de Coronel Fabriciano.

O Ensino Médio, de acordo com a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB) 9394/96, configura-se como última etapa da Educação Básica, que prevê, também, em seu Art. 4º, inciso II, a universalização e gratuidade desse nível de ensino, mas, segundo Domingues et al. (2000, p. 66), “25% dos adolescentes brasileiros entre 15 e 17 anos continuam sem estudar, e apenas 32,6% frequentam escolas de Ensino Médio”. Sendo assim, esse nível de ensino tem se constituído em um desafio para os diversos sistemas de ensino, nesse caso em especial, para o sistema público mineiro.

A partir das análises dos resultados do PROEB e de entrevistas realizadas, no ano de 2012, com as equipes gestoras de duas escolas estaduais de Coronel Fabriciano, a presente dissertação tem como objetivo geral propor um plano de intervenção pedagógica para a melhoria da qualidade da educação na modalidade de ensino médio e, consequentemente, dos resultados nas escolas pesquisadas. Caracterizam-se como objetivos específicos desta dissertação traçar um panorama do ensino médio no estado de Minas Gerais, analisar a qualidade da educação nas escolas pesquisadas e a sua relação com a apropriação dos resultados das avaliações do PROEB pelos diretores e professores. Justificam o meu interesse pelo caso as funções que desempenho na SRE de Coronel Fabriciano, voltadas para a consolidação de dados de avaliações externas da regional, que têm revelado resultados insatisfatórios no Ensino Médio, ou seja, muitos alunos concluem a Educação Básica em idade de se inserir no mercado de trabalho, mas em um quadro de aprendizagem pouco significativa.

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Esta dissertação vai procurar desenvolver esse tema ainda tão pouco explorado.

No capítulo I, apresenta-se o contexto no qual estão inseridas as duas escolas pesquisadas: aspectos pedagógicos, perfil da gestão, dos alunos e professores, pontos contemplados no Projeto Político Pedagógico (PPP) das escolas, os resultados apresentados nas últimas avaliações externas (2007 a 2011) que apontam variação de resultados. Considerou-se como critério para a escolha das escolas a diferença nos resultados entre 2010 e 2011, sendo muito pequena em uma das escolas e; na outra, muito alta. Pretende-se também, no referido capítulo, abordar conceitos relevantes relacionados ao PROEB, tais como os projetos e programa de intervenção pedagógica implementados no estado.

No capítulo II, intitulado “Avaliações e o Contexto Escolar em Estudo”, discorre-se, de forma analítica, com relação ao tema desta dissertação, através de um estudo bibliográfico de autores como Brooke (2011), Luck (2009), Polon (2004) e Mintzberg (2010).

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1 AVALIAÇÕES EXTERNAS E O CASO DE DUAS ESCOLAS ESTADUAIS

As avaliações em larga escala buscam aferir as dimensões do sistema educacional das redes de ensino. Elas apontam os resultados alcançados em sala de aula, na escola e no sistema; na ação docente, na gestão escolar e nas políticas públicas para a educação; no nível de aprendizagem na alfabetização e nos conteúdos básicos. Os principais objetivos dessas avaliações é verificar o desempenho do sistema, identificar problemas a serem resolvidos e demandas a serem supridas, bem como contribuir para elaboração e implementação de políticas públicas educacionais, ou seja, ações de melhoria na qualidade da educação.

Avançando um pouco nos temas que envolvem o presente trabalho, passo a uma breve apresentação das avaliações em larga escala, implementadas no Brasil e, mais especificamente, em Minas Gerais.

1.1 – As Avaliações Externas no Contexto Educacional

Em âmbito federal, no Brasil existe o Sistema de Avaliação da Educação Básica (SAEB2), criado na década de 1990, que atualmente avalia a cada dois anos as etapas finais dos ciclos de escolarização, ou seja, o 5º e 9º ano do Ensino Fundamental e 3º ano do Ensino Médio. O SAEB utiliza-se da Teoria de Resposta ao Item (TRI)3, o que possibilita a comparabilidade entre os resultados dos testes ao longo do tempo e entre escolas. Esse sistema tem por objetivo diagnosticar a educação brasileira e também apontar fatores que possam interferir no desempenho do aluno. Os dados levantados podem subsidiar a implementação de políticas na área da educação, contribuindo assim para a melhoria da qualidade do ensino (INEP, 2012).

2Informações sobre o histórico, resultados e legislações relacionadas ao SAEB estão disponíveis no site http://provabrasil.inep.gov.br. Acessado em 10ago.2012.

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No âmbito estadual, a SEE/MG coordena o Sistema Mineiro de Avaliação da Educação Pública (SIMAVE), implementado no estado a partir do ano 2000 (Resolução nº 104 de 14/07/2000). Vale ressaltar que, algumas das atividades desenvolvidas pelos servidores da Equipe Pedagógica nas Superintendências Regionais de Ensino (SREs) relacionam-se à coordenação das avaliações externas, em nível regional, tanto das escolas estaduais, quanto das municipais da jurisdição. O SIMAVE compreende:

 O Programa de Avaliação da Alfabetização (PROALFA) que avalia, censitariamente, o desempenho em leitura e escrita dos alunos do 3º ano do Ensino Fundamental e, de forma amostral, os alunos do 2º e 4º anos.

 O Programa de Avaliação da Aprendizagem Escolar (PAAE) que trata de avaliação interna da escola, abrangendo todas as disciplinas cursadas pelos alunos do 1º ano do Ensino Médio. A escola faz o download da avaliação e responsabiliza-se por sua reprodução, correção e inserção no ambiente online dos resultados.

 E o PROEB que é o primeiro programa de avaliação instituído, no ano de 2000, pela SEE/MG. Os alunos do 5º e do 9º ano do Ensino Fundamental e do 3º ano do Ensino Médio são avaliados, censitariamente, em Língua Portuguesa e Matemática.

A SEE/MG delega aos diretores escolares a coordenação do processo avaliativo no espaço escolar, seja no momento da aplicação das avaliações, ou na divulgação e análise das proficiências ou na proposição de ações com vistas à melhoria dessas proficiências. A partir da divulgação dos resultados pela equipe gestora da SRE, os diretores, juntamente com os educadores da escola, têm como uma de suas atribuições fazer a devida análise dos dados e apresentar esses dados à comunidade, bem como propor intervenções para a melhoria dos respectivos resultados.

Ressalta-se que as atividades relacionadas ao SIMAVE desenvolvidas pela equipe pedagógica de cada Regional de Ensino são: coordenar todo o processo de avaliação externa, compreendendo a inserção, no sistema online4,

dos dados relacionados à quantidade de alunos e turmas a serem avaliadas de cada escola, os procedimentos logísticos (recebimento da gráfica e/ou

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SEE/MG, organização, distribuição às escolas e recolhimento de todo o material avaliativo), monitoramento da aplicação dos testes aos alunos nas escolas, elaboração de relatórios e consolidados referentes a todo o processo. Após a correção dos testes e impressão dos resultados pelo Centro de Avaliação da Educação e Políticas Públicas (CAEd), a equipe pedagógica da SRE analisa os resultados desses testes, os quadros e as tabelas para apresentação e divulgação junto aos diretores e especialistas das escolas jurisdicionadas à Regional.

1.1.1 – O PROALFA

O PROALFA avalia o desempenho em leitura e escrita de todos os alunos do 3º ano do Ensino Fundamental e, de forma amostral, os alunos do 2º e 4º anos. Os resultados são apresentados nominalmente por aluno.

A escala do PROALFA varia de 0 a 800 e mede as habilidades e competências, em leitura e escrita, desenvolvidas pelos alunos. Nessa escala, proficiência até 450 é considerada no nível de baixo desempenho, na qual os alunos são capazes de ler apenas palavras. A proficiência de 450 a 500 retrata que os alunos que estão em um nível de desempenho intermediário, sendo capazes de ler frases e pequenos textos. Já a proficiência acima de 500 significa que os alunos estão no nível recomendável e que são capazes de, além de ler frases e pequenos textos, identificar gênero, assunto e finalidade dos textos (MINAS GERAIS, 2009).

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são capazes, por exemplo, de localizar informações explícitas e interpretar informações implícitas em textos.

Percebe-se, com a leitura do gráfico 1, o crescimento das médias de proficiências no 3º ano do Ensino Fundamental mineiro, tanto da rede estadual, quanto da rede municipal. No ano de 2006, as médias estavam concentradas no nível intermediário, e houve evolução a partir de 2007, chegando ao nível recomendável. Em 2011, tem-se a proficiência de 603,8 na rede estadual e 563,2 na rede municipal.

Gráfico 1: Resultado redes estadual e municipal de MG - PROALFA 2006 a 2011

Fonte: SEE/MG (2012).

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como foco um trabalho com a leitura e a escrita dos alunos do 3º ano do Ensino Fundamental (MINAS GERAIS, 2010).

1.1.2 – O PROEB

Os testes do PROEB medem o desempenho escolar dos alunos e são elaborados a partir de uma matriz de referência que é composta por descritores que apontam o que se deve avaliar ao final de cada etapa de escolaridade. Na elaboração e no processo de correção dessas avaliações, assim como no SAEB, é utilizada a metodologia da Teoria de Resposta ao Item (TRI) que permite a comparabilidade dos resultados. Os resultados dessas avaliações, juntamente com as respostas dos professores, diretores e alunos a questionários socioeconômicos possibilitam identificar as características e os problemas do ensino, e também as especificidades de cada região, proporcionando uma melhor compreensão dos prováveis fatores que influenciam o desempenho dos alunos.

As provas do PROEB foram aplicadas pela primeira vez no ano de 2000. Nesse mesmo ano, foram feitos também questionários para produção de indicadores relativos ao perfil socioeconômico, trajetória escolar e corpo docente. No ano seguinte, foram realizados testes para avaliar as áreas das Ciências Humanas e Ciências da Natureza. Em 2002, avaliaram novamente os conhecimentos dos alunos em Língua Portuguesa e, em 2003, Matemática, mas, nos anos de 2004 e 2005, não foram realizadas avaliações do PROEB.

Somente a partir do ano de 2006, a SEE/MG inicia a prática de avaliar anualmente as disciplinas de Língua Portuguesa e Matemática, oportunizando o acompanhamento e as comparações nos resultados apresentados pelas escolas avaliadas, oferecendo dados ao sistema educativo mineiro sobre a evolução desses resultados.

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Os resultados do PROEB são disponibilizados no site do SIMAVE5 (MINAS GERAIS, 2011). Para melhor compreensão dos dados de proficiências relacionados a cada escola, são publicados boletins pedagógicos, que permitem uma análise pedagógica da evolução dos resultados das avaliações a cada ano.

Com os processos avaliativos do SIMAVE, é possível diagnosticar os problemas e as necessidades tanto dos sistemas quanto das escolas, e assim subsidiar o planejamento de estratégias de intervenção que objetivem a melhoria da qualidade do ensino público.

Sendo assim, passo à apresentação de programas e projetos instituídos pela SEE/MG, a partir dos resultados de avaliações externas implementadas pelo SIMAVE.

1.2 – Programas e Ações Implementados nas Escolas Mineiras a partir dos Resultados das Avaliações do SIMAVE

Inicialmente ressalto que, na minha atuação profissional, observo que o Ensino Fundamental, sendo etapa base para o ensino médio e superior, passou a ser priorizado nos projetos da SEE/MG. Como exemplo disso, tem-se o Programa de Intervenção Pedagógica/Alfabetização no Tempo Certo (PIP/ATC), citado anteriormente, com foco no ciclo que se encerra no 3º ano do Ensino Fundamental, que tem como principal meta “todo aluno lendo e escrevendo até os 8 anos de idade” (MINAS GERAIS, 2010). O PIP/ATC é uma política pública decorrente dos resultados apresentados, nas avaliações externas do estado, pelas escolas que oferecem os anos iniciais do Ensino Fundamental. O programa foi implementado a partir do ano de 2007 e objetiva melhorar o desempenho dos alunos e, principalmente, alfabetizar as crianças de até 8 anos de idade.

Quanto aos anos finais do Ensino Fundamental, a SEE/MG implantou, no ano de 2011, o Programa de Intervenção Pedagógica/Currículo Básico

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Comum (PIP/CBC), que possibilita a cada SRE contar com uma equipe responsável pelo acompanhamento do trabalho pedagógico nas escolas e pelas capacitações dos professores da rede estadual. Essa equipe é formada por dois professores de Língua Portuguesa, dois de Matemática e um professor para cada uma das demais disciplinas do currículo básico. Esses profissionais foram capacitados, no ano de 2011, por uma equipe da SEE/MG para o desenvolvimento do trabalho de monitoramento às escolas. Em linhas gerais, o conteúdo da capacitação foi o estudo dos CBCs numa carga horária de 40 horas.

Ainda com relação ao anos finais do Ensino Fundamental, a SEE/MG, no intuito de corrigir o índice de distorção idade-série na rede estadual, implantou o PAV. Outro objetivo do programa é a formação continuada dos professores. Destaca-se também no projeto o material didático fornecido pela SEE/MG para ser trabalhado com os alunos, que abrange vários temas do cotidiano, tema de incentivo à leitura e o raciocínio lógico-matemático.

Tem-se também o PROETI6, projeto desenvolvido pela SEE/MG voltado para o Ensino Fundamental, que defende a necessidade de o aluno frequentar atividades de linguagem e de matemática, além de atividades artísticas, esportivas, motoras, de formação pessoal e social. Um dos objetivos do PROETI é ampliar as oportunidades educativas dos alunos, visando à formação de novas habilidades e conhecimentos, pela expansão do período de permanência diária nas atividades promovidas (na) pela escola.

Diante desse contexto, o Ensino Fundamental tem apresentado melhoria significativa nos resultados de desempenho nas avaliações externas. Já em relação ao Ensino Médio, foco deste trabalho, os resultados estão estagnados como se pode perceber nos gráficos 2 e 3.

Observa-se, no gráfico 2, uma pequena variação na proficiência do 3º ano EM em Língua Portuguesa desde 2006 dentro do nível intermediário, apresentando uma redução de 10,85 pontos no ano de 2011, comparando com o resultado de proficiência 282,25 no ano de 2010.

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Gráfico 2: Resultado rede estadual de MG - PROEB Língua Portuguesa 3º ano EM –

período de 2006 a 2011

Fonte: SEE/MG (2012).

Os alunos na faixa de proficiência de 250 a 275 do nível intermediário demonstram o desenvolvimento de competências e habilidades em Língua Portuguesa muito aquém do esperado para o 3º ano do ensino médio.

Esses alunos são capazes de localizar informações em textos com temática que lhes seja familiar, identificar tema valendo-se de pistas textuais, mostram-se capazes, também, de realizar inferências simples, em textos com linguagem mista, como tirinhas. Esse grupo de alunos necessita de uma intervenção focalizada de modo a progredirem com sucesso em seu processo de escolarização (MINAS GERAIS, 2010).

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referentes ao mesmo tema. Na faixa de proficiência de 400 a 425, os alunos seriam capazes de identificar a ideia principal em textos literários de temas abstratos, a finalidade da resenha e do uso de frases interrogativas em textos poéticos (MINAS GERAIS, 2010).

Em Matemática, como se pode observar no gráfico 3, o 3º ano do Ensino Médio tem um histórico de proficiências no nível baixo, tendo elevado apenas em 10,14 pontos de 2006 para 2011 a média de proficiência. A linha que apresenta as proficiências aponta uma estagnação na qualidade do ensino médio, tanto em Língua Portuguesa, quanto em Matemática.

Gráfico 3: Resultado rede estadual de MG - PROEB Matemática 3º ano EM

Fonte: SEE/MG (2012).

Os alunos que estão concentrados no padrão baixo de desempenho demonstram competências e habilidades muito aquém do esperado para o 3º ano do ensino médio. Alunos nessa faixa de proficiência (até 300) conseguem, apenas

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Entende-se, portanto, que os alunos do 3º ano do ensino médio dificilmente concluirão esse nível de ensino demonstrando domínio das habilidades que apontariam para o nível recomendável (proficiência acima de 375), dentre as quais se destacam habilidades relacionadas à resolução de problemas e demais atividades sobre ponto de interseção de retas, equações de 1º grau e exponencial, função linear, gráfico de função, grau de polinômio e probabilidade de evento (MINAS GERAIS, 2010).

Compreende-se das legislações vigentes, LDB Nº 9394/1996, Res. CNE/CEB Nº 2/2012 e Res. SEE/MG Nº 2197/2012, que o principal objetivo das escolas que oferecem o Ensino Médio deve ser o de desenvolver nos alunos habilidades e competências que os possibilitem construir, através de um processo contínuo de aprendizagem, conhecimentos necessários para o ingresso no mercado de trabalho, no ensino superior e, fundamentalmente, para a formação cidadã, tornando-os sujeitos com capacidade de mudar a realidade social em que estão inseridos.

1.2.1– Reinventando o Ensino Médio

A Resolução SEE/MG Nº 2197, de 26 de outubro de 2012, que estabelece as diretrizes para a organização e o funcionamento do ensino nas escolas estaduais do estado de Minas, em seus artigos 32 aos 36 discorre especificamente sobre o ensino médio. No artigo 36, tem-se a referência ao Projeto Reinventando o Ensino Médio7.

No âmbito estadual, a SEE/MG investe na implementação desse projeto que tem como objetivo repensar o currículo do Ensino Médio, integrando-o com o mercado de trabalho. O aumento da carga horária curricular desse nível de ensino de 2,5 mil horas/aula para três mil horas/aula, conteúdos interdisciplinares, conteúdos práticos e a inclusão do sexto horário para os

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alunos que estudam no diurno também estão propostos no projeto (MINAS GERAIS, 2012).

1.2.2 – Promédio

O projeto estruturador da Secretaria de Estado de Educação, Projeto de Melhoria da Qualidade e Eficiência do Ensino Médio (Promédio)8, implementado a partir de 2007, objetiva atender os jovens por meio de um ensino médio mais atraente. Através do Promédio, a SEE/MG tem investido nesse nível de ensino. Destacam-se os cursos de qualificação para o trabalho, as novas propostas curriculares, o oferecimento de merenda para os alunos que estudam à noite e a ampliação da oferta de Educação de Jovens e Adultos (EJA).

O quadro 1 consolida informações sobre os projetos com foco na melhoria do ensino médio, nos quais o governo tem concentrado esforços na implementação de cada um:

Quadro 1: Projetos implementados pelo governo de Minas Gerais para a melhoria do ensino médio nas escolas estaduais

Projetos Subsídio Foco Implementado

na Escola A

Implementado na Escola B

FIT Estadual Capacitação para

o trabalho Sim Não

Aprofundamento

de Estudos Estadual

Elevação dos indicadores de

eficiência

Sim Sim

Escola

Referência Estadual

Qualidade do

ensino Não Sim

PEP Estadual Ensino

profissionalizante Não Não

Pronatec Federal Ensino

profissionalizante Sim Sim

Fonte: Adaptado de entrevistas e pesquisas realizadas nas escolas A e B.

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1.2.2.1 – Formação Inicial para o Trabalho

O projeto Formação Inicial para o Trabalho (FIT), que faz parte do Promédio, compreende cursos de capacitação a professores para que esses tenham domínio para trabalhar conteúdos de informática com os alunos do ensino médio.

1.2.2.2 – Aprofundamento de Estudos

O Aprofundamento de Estudos9, que também é oriundo do Promédio, tem como finalidade “melhorar os indicadores de eficiência, ampliando o número de concluintes e reduzindo as taxas de repetência e evasão” (MINAS GERAIS, 2012). A participação do aluno nessa atividade complementar é opcional. As turmas de Aprofundamento de Estudos têm no mínimo vinte e cinco alunos e no máximo trinta cadastrados. As aulas são ministradas preferencialmente aos sábados. Os conteúdos de Língua Portuguesa e Matemática são de oferta obrigatória em todas as turmas e as demais disciplinas, que podem ser até três, poderão ser ministradas de acordo com o interesse dos alunos. Os professores dessas turmas devem ter habilitação, preferencialmente, no conteúdo que ministrará; experiência pedagógica e desenvolvimento de atividades inovadoras; disponibilidade de horário para atender as necessidades da escola; participar de cursos de capacitação (presenciais e/ou virtuais), caso ofertados.

1.2.2.3 – Escola Referência

Dentre os projetos do governo de Minas Gerais, destaca-se também a Escola Referência10 (MINAS GERAIS, 2007), implantado a partir do ano de 2003, que é um projeto que atende um grupo de escolas que se destacam na

9 MINAS GERAIS. Secretaria Estadual de Educação. Aprofundamento de Estudos. 2012. Disponível em: <https://www.educacao.mg.gov.br/webfabriciano/index.php/component/ content/article/3/ 1691-aprofundamento-de-estudos-2012>. Acessado em 17set.2012.

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comunidade pelo bom trabalho que desempenham ou pela tradição e número de alunos atendidos. O projeto tem como objetivo a melhoria da qualidade da educação. As escolas participantes do projeto são chamadas de escolas referências e recebem recursos para investir nos seus projetos e na capacitação da equipe de docentes.

1.2.2.4 – Programa de Educação Profissional

Com relação à formação profissionalizante, a SEE/MG implementou o Programa de Educação Profissional (PEP) que possibilita aos alunos do ensino médio e aos egressos desse nível de ensino a oportunidade de concluírem, gratuitamente, cursos técnicos em escolas estaduais ou credenciadas. Os interessados fazem a opção pelo curso e passam por um processo seletivo, em data determinada em edital, que consiste em teste de Língua Portuguesa e Matemática. Esse programa foi implementado a partir de 2008, e, entre os cursos técnicos oferecidos aos interessados, destacam-se: Segurança do Trabalho, Administração, Enfermagem, dentre outros.

As escolas A e B não oferecem o PEP, mas os alunos dessas escolas podem se inscrever e concorrer às vagas das escolas credenciadas.

1.3 Programa Nacional de Acesso ao Ensino Técnico e Emprego

O governo federal, em 2011, criou o Programa Nacional de Acesso ao Ensino Técnico e Emprego (Pronatec), e uma das ações desse programa é a oferta do Bolsa-Formação Estudante que possibilita aos alunos do ensino médio formar em cursos de educação profissional e tecnológica.

A Resolução SEE/MG nº 521/200411, vigente até 31 de dezembro de 2012, estabelece para o Ensino Médio o regime seriado e a avaliação do rendimento escolar, podendo haver progressão parcial, caso o aluno não obtenha desempenho mínimo em até duas disciplinas curriculares. Essa

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Resolução prevê ainda a oferta de outras oportunidades de aprendizagem aos alunos, por meio de estudos orientados presenciais e estudos independentes, com o objetivo de eliminar as dificuldades de aprendizagem.

Diante desses dados, com relação ao ensino médio, esta dissertação vem desenvolver um estudo em duas escolas estaduais que oferecem esse nível de ensino. A seguir, apresento o ambiente da pesquisa, isto é, descrevo um pouco mais as duas escolas onde foi desenvolvido o trabalho de campo para esta dissertação, mostrando como esses fatores se articulam nesses dois micro-universos.

1.4 – Conhecendo o ambiente da pesquisa

Como já mencionado nesse capítulo, o presente trabalho pretende analisar como se dá a apropriação dos resultados do PROEB em duas escolas estaduais do município de Coronel Fabriciano (MG). Para preservar a imagem das escolas e a identidade dos envolvidos, decidiu-se renomear as escolas e dar nomes fictícios aos entrevistados. Uma das escolas será chamada de Escola A, e a outra, de Escola B. Para a identificação dos gestores, utilizarei D1 para o diretor da Escola A e D2 para o da Escola B. Com relação aos professores, a identificação será com a letra P acompanhada de um número de ordem e o nome da disciplina que leciona.

Apresento a seguir, a caracterização das escolas pesquisadas. Os atuais diretores dessas escolas foram considerados classificados no Exame de Certificação Ocupacional de Dirigente Escolar12, realizado em 21 de novembro de 2010, regido pelo Edital SEE nº 03/2010 e que exigia o mínimo de 55% de acertos.

1.4.1 – Caracterização da escola A

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A escola A iniciou suas atividades no ano de 1991 e atende crianças, jovens e adultos do distrito Melo Viana, em Coronel Fabriciano. Além do Ensino Médio, a escola oferece os anos finais do Ensino Fundamental e a Educação de Jovens e Adultos (EJA), atendendo um total de aproximadamente 1500 alunos, dos quais 890 cursam o Ensino Médio. O quadro de recursos humanos conta com um total de 90 servidores, dos quais 54 são professores.

Com relação à estrutura física, a escola é ampla, uma das maiores do município, e conta com 14 salas de aula, sala da diretoria, secretaria, sala de professores, laboratório de informática com 18 computadores para uso dos alunos e educadores, além dos 10 específicos para uso administrativo, quadra de esportes, cozinha, biblioteca, sanitário acessível a alunos com deficiência ou com mobilidade reduzida.

No artigo 53 do Regimento da instituição, consta que “a escola é um espaço vivo e democrático privilegiado da ação educativa que procura garantir a todos o acesso ao ensino de qualidade que favoreça a permanência do aluno” (p.31). Percebe-se, no cotidiano da escola, o comprometimento de muitos docentes com o ensino para que seja de fato vivenciado esse conceito de espaço escolar.

Nos relatórios de monitoramento pedagógico13 da equipe da SRE, consta que os professores utilizam o horário de Módulo II coletivo14, que se configura como um momento de reunião de professores, para o estudo de legislações, planejamentos de aula, discussões sobre o processo de ensino e aprendizagem e também para a análise dos resultados das avaliações internas e externas. Nesses relatórios constam também que os Conteúdos Básicos Comuns (CBCs)15 constituem o referencial da equipe docente para o planejamento curricular nos anos finais do ensino fundamental e no ensino médio. Um projeto da SEE/MG que se destaca na escola é o de Formação Inicial para o Trabalho (FIT), no qual são oferecidos aos alunos minicursos na

13 Documentos de registros descritivos apresentados à chefia imediata pelos analistas que compõem à Equipe Pedagógica da SRE. Esses documentos, devidamente assinados pelos analistas e profissionais da escola que participaram da reunião, comprovam o serviço de monitoria às escolas.

14 O modulo II está previsto na Lei n 7109 de 13/10/1977. Forma de cumprimento: 1 reunião de 8h ou 2 de 4h ou 4 de 2h ou 1 de 4h e 2 de 2h.

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área da Informática. De acordo com a especialista da escola, a frequência dos alunos às aulas dos minicursos é satisfatória e eles demonstram interesse nos conteúdos ministrados.

Nas reuniões denominadas “Plantão Pedagógico”, os professores, ainda de acordo com os relatórios de monitoramento, apresentam aos pais e/ou responsáveis pelos alunos os perfis das turmas, os resultados bimestrais, questões disciplinares e sugestões para superação das defasagens de aprendizagem dos alunos.

Outra informação relevante que aparece nos relatórios anteriormente mencionados é o fato de a escola priorizar atividades com foco na leitura e na escrita. Além disso, consta que o acompanhamento das ações dos professores pela supervisão se dá através de visitas do supervisor às salas para assistir às aulas e acompanhar a frequência dos alunos, acompanhamento dos planos de aula e do processo de ensino e aprendizagem dos alunos e atendimento individualizado àqueles que necessitam. Esse atendimento, segundo os referidos relatórios, acontece na biblioteca, onde os alunos com dificuldades têm aulas de reforço que consistem no acompanhamento por um professor eventual ou pelo supervisor pedagógico nas atividades e esclarecimento de dúvidas com relação à disciplina de Língua Portuguesa.

Na escola A, o foco do Aprofundamento de Estudo é o trabalho com a Língua Portuguesa e as matérias da área de exatas, Matemática, Física e Química. Pode haver permuta de alunos, aqueles que querem participar podem ocupar as vagas dos que já não querem ou não podem frequentar.

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trata de um curso de 146 horas à distância e 124 horas presenciais, totalizando 270 horas, nas quais os módulos perpassam por questões referentes à liderança administrativa, financeira e pedagógica. Esse programa tem como objetivo “formar lideranças comprometidas com a construção de um projeto de gestão democrática da escola pública, focada no sucesso dos alunos das escolas públicas de ensino fundamental e médio” (MACHADO, 2001, p.13).

Constatou-se que, através da análise dos resultados do PROEB 201116, a escola apresenta médias de proficiências aproximadas às do estado e às da SRE, porém apresentou redução nos resultados em ambas as disciplinas avaliadas. Essa redução nos resultados implica ainda o não alcance das metas acordadas entre escola e SEE/MG no Plano de Metas do Acordo de Resultados17.

Nas avaliações do Ensino Médio do PROEB 2011, a escola obteve 271,75 em Língua Portuguesa e 281,27 em Matemática, apresentando uma redução das proficiências, se comparadas ao ano de 2010, quando a escola obteve, em Língua Portuguesa e Matemática, respectivamente, as proficiências 285,34 e 298,54.

Ao observarmos os dados de percentuais de alunos por nível de proficiência no ano de 2011, na tabela 1, tem-se que, em Língua Portuguesa, a média de percentual de alunos que se encontra no nível intermediário corresponde a 40,2% e, no nível baixo, concentra 31% dos alunos. No nível recomendado, tem-se apenas 28,8% dos alunos. Convém observar que os resultados atingidos pela escola no ano de 2011 são menores do que os atingidos no ano de 2007. Em todo o período, de 2007 a 2011, as proficiências médias da escola permaneceram na faixa do desempenho intermediário, 250 a 300. Nessa faixa os alunos

demonstram ter ampliado o leque de habilidades tanto no que diz respeito à quantidade quanto no que se refere à complexidade dessas habilidades, as quais exigem um maior refinamento dos processos cognitivos nelas envolvidos. Além das habilidades apresentadas no padrão de desempenho

16 Os resultados do PROEB estão disponíveis em: http://www.simave.caedufjf.net/ proeb/resultadosescala/Acessado em 19dez.2012.

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anterior, esses alunos, por exemplo, reconhecem relações de causa e consequência sem que haja marcas textuais explícitas, reconhecem o conflito gerador e a solução de conflitos em narrativas diversas, bem como localizam informações em textos mais extensos e com vocabulário mais complexo, além de já começarem a estabelecer relações entre as partes de um texto. (MINAS GERAIS, 2010)

Tabela 1: Resultado PROEB - Língua Portuguesa/3º ano - Escola A

Ano Proficiência média

% por padrão de desempenho Baixo

(até 250)

Intermediário (250 – 300)

Recomendável (acima de 300)

2007 275,8 22,0 48,0 29,5

2008 264,9 34,6 48,1 17,3

2009 272,23 26,6 45,4 28,0

2010 285,34 16,1 49,5 34,4

2011 271,75 31,0 40,2 28,8

Fonte: Adaptado de dados disponibilizados no site do CAEd/UFJF (MINAS GERAIS, 2012).

Na tabela 2, tem-se, em Matemática no ano de 2011, a média de percentual de alunos no nível intermediário correspondente a 34% e no nível baixo 65%. No nível recomendado, em que se encontram os alunos que demonstram ter desenvolvido a maioria das habilidades que devem ser trabalhadas no Ensino Médio, a quantidade de alunos corresponde a apenas 1%. Percebe-se que os resultados de Matemática atingidos pela escola no ano de 2011 também são menores do que os atingidos no ano de 2007. Nesse período, as proficiências médias da escola concentraram-se na faixa de baixo desempenho, o que caracteriza que os alunos demonstram competências e habilidades inferiores das esperadas para o ano de escolarização que cursam.

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Tabela 2: Resultado PROEB - Matemática/3º ano - Escola A

Ano Proficiência média

% por padrão de desempenho Baixo

(até 300)

Intermediário (300 – 375)

Recomendável (acima de 375)

2007 284,0 66,9 31,2 2,9

2008 269,8 69,9 28,8 1,2

2009 283,62 64,0 33,7 2,3

2010 298,54 46,8 50,9 2,3

2011 281,27 65,0 34,0 1,0

Fonte: Adaptado de dados disponibilizados no site do CAEd/UFJF (MINAS GERAIS, 2012).

A participação dos alunos na realização das avaliações do PROEB em 2011 foi menor do que o esperado. No dia da aplicação dos testes de Língua Portuguesa, apenas 76,67% compareceram e no dia da aplicação dos testes de Matemática, 84,58% dos alunos realizaram as avaliações.

Percebe-se que essa escola tem um ponto importante a se considerar nos resultados, tanto em Língua Portuguesa, quanto em Matemática, que diz respeito à elevação das proficiências no ano de 2010 e, consequente, redução da quantidade de alunos na faixa do baixo desempenho. Um questionamento que deve ser feito é: o que teria acontecido em 2010 para que ela elevasse as proficiências? Outra pergunta: porque a escola não manteve os resultados em 2011? As respostas a essas questões foram desenvolvidas no segundo capítulo desta dissertação.

1.4.2 –Caracterização da escola B

A escola B configura-se como uma instituição tradicional de Coronel Fabriciano, tendo iniciado suas atividades no ano de 1965. A instituição já participou do Projeto Escola Referência e possui projetos voltados para as turmas de Ensino Médio, entre eles o Aprofundamento de Estudos.

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de aprendizagem dos alunos e apontam como foco do projeto o trabalho com os conteúdos das disciplinas avaliadas pelo PROEB.

O Aprofundamento melhora o desempenho dos alunos em termos de maturidade, conhecimento e confiança. Eles se sentem mais seguros no desenvolver das atividades. No matutino, alguns alunos realizam o trabalho de monitoria e reforço na área de exatas. É uma oportunidade para aqueles com mais dificuldades. É perguntado para todos quem deseja participar, mas depende da demanda. No início deste ano, o governo dificultou, só podia formar turmas àquelas escolas que já possuíam professores com disponibilidade de pegar mais aulas (Relato de P1,Língua Portuguesa, Escola B) .

Ainda sobre o referido projeto, a professora P2, assim como a professora P1, relata como positiva a implementação do Aprofundamento de Estudos:

O Aprofundamento de Estudos é um projeto que tem apresentado como positivo para a aprendizagem dos alunos. O foco é o trabalho principalmente com conteúdos da Língua Portuguesa e da Matemática, que são as disciplinas avaliadas pelo PROEB (Relato de P2,Língua Portuguesa, Escola B) .

A referida escola possui 30 turmas, distribuídas nos turnos matutino, vespertino e noturno, perfazendo um total aproximado de 1300 alunos, na faixa de idade de 14 a 19 anos. Esse público atendido é misto, com variedade de interesses, possibilidades e aspirações. Quanto ao quadro de recursos humanos, a escola possui 120 servidores, entre eles 60 professores e três pedagogos.

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Ainda com relação à qualificação para o trabalho, a escola B, no ano de 2012, passa a oferecer aos alunos curso de Contabilidade pelo Pronatec, de modo a oportunizar a esses alunos a construção de conhecimentos técnicos e habilitá-los ao exercício profissional. Os alunos e professores, de acordo com a especialista da escola, têm boas expectativas quanto à implementação do programa e veem como uma oportunidade a mais de inserção dos concluintes do ensino médio no mercado de trabalho.

Com relação à estrutura física, a escola conta com cantina; uma biblioteca espaçosa de aproximadamente 80m2; recursos audiovisuais diversos (retroprojetor, televisor, DVD, copiadora, impressora e outros); um laboratório de Informática com 16 computadores para uso dos alunos e dos educadores, além dos nove para uso administrativo; laboratório de ciências equipado com materiais diversos (tubos, aparelhos de medidas, microscópio e outros); quadra de esportes; salas de diretoria e de secretaria e 15 salas de aulas.

A atual diretora, que está há pouco tempo no cargo, tendo assumido neste ano de 2012 a gestão da escola, demonstra comprometimento com o processo avaliativo, de acordo com os relatos dos professores entrevistados. É professora de carreira, formada em Ciências Biológicas, e tem 57 anos de idade.

Com a mudança na gestão, a escola passou por uma fase de transição e adaptação por parte da equipe. A diretora anterior instruiu a atual diretora quanto aos aspectos administrativos, financeiros e pedagógicos; essa também foi capacitada pelos diretores da SRE num curso, cujo público-alvo foi todos os diretores das escolas estaduais, com carga horária total de 40 horas e que abrangeu todos os aspectos da gestão escolar, como, por exemplo, temas voltados para o colegiado escolar, avaliação de desempenho de servidor, avaliações externas, dados da secretaria escolar e legislações relacionadas à educação.

No ano de 2011, quem dirigia a escola era uma senhora, professora de carreira formada em Ciências Sociais, que ficou na direção mais de dez anos, tendo que se afastar para aposentadoria.

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A escola B apresenta as menores médias, tanto em Língua Portuguesa quanto em Matemática, com relação às demais escolas do referido município e, como já observado, apresentou queda nos resultados nas duas disciplinas avaliadas e, consequentemente, o não cumprimento das metas estipuladas com a SEE/MG para o ano de 2011.

Retomando a escala de Língua Portuguesa do PROEB, é importante lembrar que, para o 3º ano do Ensino Médio, proficiência até 250 caracteriza nível baixo, de 250 a 300 representa o nível de desempenho intermediário e proficiência acima de 300 retrata o padrão de desempenho recomendável.

Na tabela 3, percebe-se que a escola teve uma queda em seus resultados no ano de 2008, elevou suas médias de proficiências nos anos de 2009 e 2010 e aumentou o número de alunos no nível recomendável, passando de 44,2% no ano de 2007 para 64,7% em 2010. Já os resultados de 2011 foram inferiores ao ano de 2007, atingindo a média de 191,43 e quanto ao percentual de alunos por nível de desempenho, observa-se que, em Língua Portuguesa, encontra-se no nível intermediário 13,6% e no nível baixo concentra a maioria dos alunos, num total de 79,6%. No nível recomendado, que se encontram os alunos que demonstram dispor das condições suficientes para prosseguir em seu processo de escolarização, tem-se apenas 6,8% dos alunos.

Tabela 3: Resultado PROEB - Língua Portuguesa/3º ano - Escola B

Ano Proficiência média

% por padrão de desempenho Baixo

(até 250)

Intermediário (250 – 300)

Recomendável (acima de 300)

2007 290,5 20,2 35,6 44,2

2008 283,4 22,7 38,6 38,6

2009 295,37 11,7 39,9 48,4

2010 309,01 8,2 27,0 64,7

2011 191,43 79,6 13,6 6,8

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No período de 2007 a 2011, assim como a escola A, as proficiências médias da escola B concentram-se mais na faixa de desempenho intermediário.

A tabela 4 mostra-nos que no ano de 2007 a escola obteve uma média de proficiência 305,0, apresentando média maior apenas no ano de 2010, onde atingiu 316,91. No ano de 2011, a escola apresentou os menores resultados se compararmos com os dados dos anos anteriores, sendo o percentual de alunos do 3º ano do Ensino Médio que se encontra no nível intermediário correspondente a 22,4% e, no nível baixo, estão 77,2% dos alunos. O nível recomendado é representado por apenas 0,4% dos alunos.

Tabela 4: Resultado PROEB - Matemática/3º ano - Escola B

Ano Proficiência média

% por padrão de desempenho Baixo

(até 300)

Intermediário (300 – 375)

Recomendável (acima de 375)

2007 305,9 45,1 48,7 6,2

2008 286,5 56,9 37,8 5,3

2009 302,62 44,4 51,8 3,8

2010 316,91 34,7 55,0 10,3

2011 249,17 77,2 22,4 0,4

Fonte: Adaptado de dados disponibilizados no site do CAEd/UFJF (MINAS GERAIS, 2012).

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Segundo uma das professoras de Língua Portuguesa da Escola B, que também atua como vice-diretora, a escola teve um prejuízo nos resultados do PROEB 2011, devido à ocorrência do movimento de alguns professores que incentivaram os alunos a não fazer a prova do PROEB, prometendo pontos extras para aqueles que apenas assinarem os testes. A situação gerou processo administrativo para dois professores. A professora relata ainda que

a extensa greve prejudicou os resultados e foi o principal

motivo da indignação de muitos professores para “boicotar” o

PROEB, pois o governo de estado não respondia a contento às solicitações do Sindicato (Relato de P1,Língua Portuguesa, Escola B).

Nos registros da ocorrência, aos quais tive acesso através da SRE, observa-se que a professora acusada de coordenar o movimento alega que não tinha conhecimento dos objetivos e da importância das avaliações do PROEB e da gravidade do fato ocorrido. Os entrevistados, porém, confirmam que há divulgação de informações sobre as avaliações externas na escola e trabalho com a análise dos dados nas reuniões com a comunidade escolar, colegiado e todos os servidores da escola.

Retomando o PPP da escola, tem-se que o trabalho pedagógico, através de uma ação intencional e sistemática, ou seja, com objetivos claros, é planejado no intuito de subsidiar a direção, professores e alunos na realização do processo educativo e desenvolvimento integral do educando. O PPP

Busca também organizar a escola na sua globalidade, procurando reforçá-la como espaço público, lugar de debate, de diálogo, fundamentado na reflexão coletiva, propiciar situações que permitam professores, direção e funcionários aprenderem a pensar e realizar o fazer pedagógico de forma coerente, utilizando diferentes tempos e espaços escolares (p.15).

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pedagógicas, administrativas e financeiras; (IV) autonomia e liberdade e (V) valorização dos profissionais da educação.

De acordo com o INEP, no ano de 2010, a escola B apresentou as seguintes taxas de rendimento escolar: 70,5% de aprovação, 16,2% de reprovação e 13,3% de abandono. E no ano de 2011, as taxas foram, respectivamente, 75,2%, 12,1% e 12,7%. Isso quer dizer que houve um aumento da quantidade de aprovados no ano de 2011 e, consequente redução do número de reprovados, também se reduziu o índice de abandono. Porém os resultados nas avaliações externas do mesmo ano, como já registrado, não foram satisfatórios.

A análise e a utilização dos resultados das avaliações em larga escala pelos órgãos regionais e, principalmente, pela equipe escolar podem oferecer subsídios para o redirecionamento do trabalho pedagógico visando a tornar o processo de ensino e aprendizagem mais eficiente.

1.5 – A análise dos resultados nas avaliações do PROEB das escolas pesquisadas

De acordo com os contextos das escolas pesquisadas, faz-se necessário aprofundar a análise dos resultados das avaliações do PROEB do ensino médio e da implementação dos projetos voltados para esse nível de ensino. Através das entrevistas semiestruturadas aos diretores e professores das disciplinas avaliadas pelo PROEB e observações in loco, torna-se possível perceber os dois contextos escolares, as práticas gestoras, a realização de planejamentos e ações voltadas para a melhoria do desempenho dos alunos e, consequentemente, dos resultados desses nas avaliações externas.

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estes regentes de Língua Portuguesa e de Matemática, das escolas pesquisadas, fez-se a análise da posição dos profissionais frente aos resultados e suas concepções e metodologias utilizadas em prol da melhoria do processo de ensino e aprendizagem e, consequentemente, elevação das proficiências da escola.

A Diretora da Escola B, referindo-se ao que chamou de “boicote”, diz ter sido surpreendida com o ocorrido no dia da prova, não tendo como intervir em tempo hábil e que o movimento causou transtornos na aplicação dos testes. Já o Diretor da Escola A também relata que a greve dos professores também colaborou negativamente para os resultados e acrescenta:

Tivemos um decréscimo em nossos resultados, acredito ter uma ligação direta com as políticas públicas educacionais, como, por exemplo, o não pagamento do prêmio por produtividade, referente ao ano de 2010, no ano de 2011 (Relato do D1).

Ressalta-se que as proficiências dos alunos são muito baixas no ensino médio em se tratando dos índices do país, do estado e, em especial, das duas escolas pesquisadas. Com relação à análise das escolas, ressalta-se também que o histórico de seus resultados e outros dados, ações e projetos, devem ser considerados para que não tenhamos apenas dados momentâneos referentes a turmas específicas, mas é preciso analisar o contexto das escolas, o trabalho desenvolvido e verificar os elementos que configuram esses resultados.

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2 AVALIAÇÕES E O CONTEXTO ESCOLAR EM ESTUDO

Neste capítulo, pretendo apresentar um aprofundamento sobre questões relevantes que abarcam a temática em estudo, através de uma análise de um referencial bibliográfico que permite uma compreensão das questões relacionadas com o caso de gestão, ou seja, as ações gestoras que possam influenciar positivamente no desempenho escolar dos alunos nas avaliações externas.

Os resultados das avaliações externas fornecem dados e indicadores que permitem aos governos, sistemas de ensino e às escolas constituírem um importante diagnóstico para subsidiar e apoiar a definição de planejamentos e políticas educacionais.

Buscar-se-á contribuições teóricas ligadas a uma concepção de avaliação como recurso para o planejamento escolar e ao papel do diretor com foco na gestão de resultados e/ou gestão pedagógica. Dentre eles, foram trabalhados: Brooke (2008), Lück (2009), Polon (2004), Krawczyk (2009) e Mintzberg (2010).

Visando à compreensão de questões relevantes abarcadas nesse trabalho, passo a uma breve apresentação do contexto atual do Ensino Médio.

2.1 Refletindo sobre o contexto do Ensino Médio

A partir dos anos de 1990, as reformas e políticas implementadas na educação têm apresentado resultados positivos, mas ainda há muito por fazer para que o que é direito garantido em legislações seja de fato um compromisso de todos os envolvidos no processo educativo.

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ingresso no ensino superior; adotou-se a política de fundos e experimentam-se novas propostas pedagógicas que buscam ultrapassar os limites tradicionais da organização curricular por disciplinas. Paralelamente, ajustou-se a oferta à faixa etária correspondente e retiraram-se do sistema regular os estudantes com defasagem idade/série. Mas essas medidas não foram suficientes para ampliação da cobertura e, tampouco, da melhoria da qualidade do ensino oferecido (MELO e DUARTE, 2011).

Em 15 de dezembro de 2010, foi enviado pelo Ministro da Educação, o projeto de lei que cria o Plano Nacional de Educação (PNE) para vigorar de 2011 a 2020. O PNE anterior, criado pela Lei n. 10.172/01, vigorou até o mês de dezembro de 2010. O novo PNE apresenta dez diretrizes objetivas e 20 metas, seguidas das estratégias específicas de concretização, entre elas “universalizar, até 2016, o atendimento escolar para toda a população de 15 a 17 anos e elevar, até 2020, a taxa líquida de matrículas no ensino médio para 85%, nesta faixa etária” (BRASIL, 2010).

Além das metas propostas pelo novo PNE, temos a Lei 19.481, de 12 de janeiro de 2011, que regulamenta o Plano Decenal de Educação do Estado de Minas Gerais (PDEMG) e contém as diretrizes e as metas da educação para o período de 2011 a 2020, em seu Anexo 1, traz as estratégias para cada modalidade de ensino e no item 3.2.11 temos uma meta referente a dados de avaliação que é

aumentar para 40% (quarenta por cento), em até cinco anos, o percentual de alunos da 3ª série do ensino médio com desempenho no nível recomendado em Língua portuguesa e Matemática, com base em resultados do PROEB, e para 70% (setenta por cento), em até dez anos (BRASIL, 2011).

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implementação de programas com foco no desenvolvimento da educação básica (BRASIL, 2010).

A universalização do ensino médio é uma das metas do PNE; porém faz-se necessário muito mais do que garantir o simples acesso a esfaz-se nível de ensino, é preciso que sejam efetivadas ações em prol da garantia de qualidade do ensino, onde os índices de abandono, repetência e distorção idade-série sejam nulos ou bem próximos de zero.

A Resolução SEE/MG Nº 2197/2012 que trata da organização e funcionamento da educação básica nas escolas estaduais de Minas Gerais, vigente a partir do ano letivo de 2013, traz em seu art. 33 que

As escolas de ensino médio devem prover ensino de qualidade, de forma a ampliar o acesso e as taxas de conclusão e garantir a melhoria da eficiência no uso dos recursos disponíveis e na proficiência dos alunos. (MINAS GERAIS, 2012)

A qualidade é constantemente citada nos textos das leis, resoluções e diretrizes referentes à educação, portanto o que desejamos é que essa qualidade seja vivenciada na prática nas escolas em todas as modalidades de ensino.

Segundo a legislação vigente, o Ensino Médio deve ser etapa conclusiva da Educação Básica, cuja base nacional comum trata do desenvolvimento de competências e habilidades para a cidadania, para a continuidade do aprendizado e para o trabalho. Destaca-se a seguir um trecho da LDB Nº 9394/1996 que trata do Ensino Médio, no qual podemos observar os principais objetivos “garantidos” pela legislação vigente:

Art. 35. O Ensino Médio, etapa final da educação básica, com duração mínima de três anos, terá como finalidades:

I - a consolidação e o aprofundamento dos conhecimentos adquiridos no Ensino Fundamental, possibilitando o prosseguimento de estudos;

II - a preparação básica para o trabalho e a cidadania do educando, para continuar aprendendo, de modo a ser capaz de se adaptar com flexibilidade a novas condições de ocupação ou aperfeiçoamento posteriores;

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IV - a compreensão dos fundamentos científico-tecnológicos dos processos produtivos, relacionando a teoria com a prática, no ensino de cada disciplina.

Art. 36.

§ 1º Os conteúdos, as metodologias e as formas de avaliação serão organizados de tal forma que ao final do Ensino Médio o educando demonstre:

I - domínio dos princípios científicos e tecnológicos que presidem a produção moderna;

II - conhecimento das formas contemporâneas de linguagem (LDB 9394/1996).

Para que sejam alcançados os objetivos da legislação, à equipe escolar cabe trabalhar de forma inovadora, em consonância com as políticas públicas determinadas pelo Ministério da Educação e Cultura (MEC), bem como com as definidas pela Secretaria Estadual de Educação (SEE), direcionando as ações do PPP para um processo de ensino dinâmico e envolvente, de forma que os alunos se identifiquem com a escola e desejem de fato aprender.

A LDB prevê ainda, no inciso VI do art. 10, como incumbência dos estados assegurar o ensino fundamental e, com prioridade, o ensino médio (BRASIL, 1996). Tem-se, então, que o ensino médio deve ser atendido prioritariamente pelo estado; e, como relatado no capítulo anterior, os investimentos no ensino fundamental tem sido muito mais visíveis, enquanto o ensino médio apresenta resultados pouco satisfatórios. Os investimentos efetuados pelo governo na última etapa da educação básica estão voltados nitidamente para a formação técnica do aluno, como se percebe nos projetos de educação profissional implementados nos últimos anos. Os alunos concluem o ensino médio com algumas habilidades técnicas que poderão aumentar as chances de uma vaga no mercado de trabalho; porém, contraditoriamente, esses alunos não se apresentam no nível recomendável de ensino com relação às habilidades de língua portuguesa e matemática que deveriam estar consolidadas.

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prevista no Parecer CNE/CEB Nº 5/201118 que trata das novas diretrizes curriculares para o ensino médio (BRASIL, 2012).

As Diretrizes Curriculares Nacionais para o Ensino Médio, de 1998, respaldadas na propositura de uma nova identidade para essa etapa da educação, indicavam que o Ensino Médio deveria vincular-se ao mundo do trabalho e à prática social, buscando superar o modelo de ensino pautado na transmissão de conteúdos para os alunos interessados em ingressar no Ensino Superior e o modelo de ensino profissionalizante para àqueles que desejavam inserir-se no mercado de trabalho. As Novas Diretrizes dão mais autonomia às escolas, possibilidade de flexibilização da grade curricular e mais tempo para os alunos que estudam à noite concluírem os estudos. Estas Novas Diretrizes trazem para esse nível de ensino a noção de competências e reafirmam as áreas do conhecimento, a interdisciplinaridade, a contextualização, o projeto pedagógico e o protagonismo da comunidade escolar, além de apresentar o trabalho como princípio educativo, a pesquisa como princípio pedagógico, indicando o trabalho, a ciência, a tecnologia e a cultura como estruturantes da identidade dessa etapa.

Quanto ao ENEM, além de possibilitar a certificação da conclusão do ensino médio, permite o acesso do jovem ao ensino superior.

XVII – a reformulação do ENEM e sua utilização nos processos seletivos das Instituições de Educação Superior, visando democratizar as oportunidades de acesso a esse nível de ensino, potencialmente induzindo a reestruturação dos currículos do Ensino Médio (BRASIL, 2011).

A utilização dos resultados desse exame para o ingresso em universidades, compondo parte da nota final dos vestibulares, constitui-se um ponto importante para a conquista da equidade entre as condições de acesso dos alunos da escola pública ao ensino superior.

De acordo com o que foi exposto anteriormente, entende-se que as legislações, tanto a nível federal quanto estadual, preveem o direito do indivíduo em concluir o ensino médio com qualidade na oferta desse nível de ensino. Porém, os resultados dessa última etapa da educação básica apontam

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dados insatisfatórios quanto às capacidades dos alunos nas disciplinas avaliadas nos programas de avaliações externas.

Essas constatações se aplicam ao contexto do caso em estudo, visto que o problema das escolas pesquisadas envolve os resultados das turmas de ensino médio, que apontam para uma baixa qualidade nesse nível de ensino.

Um estudo sobre o ensino médio, realizado por Nora Krawczyk, professora de Educação da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), publicado com o título “O Ensino Médio no Brasil”, traz a afirmação de que:

As atuais deficiências do Ensino Médio em nosso país são a expressão da presença tardia de um projeto de democratização pública, ainda inacabado, que sofre os abalos das mudanças ocorridas na segunda metade do século XX, que transformaram significativamente a ordem social, econômica e cultural, com importantes consequências para toda a educação pública. (KRAWCZYK, 2009, p.7)

Krawczyk (2009) afirma também que é obrigação do poder público oferecer uma escola que comporte uma dinâmica de aprendizagem voltada para a necessidade da população que pretende atingir. Para a autora, a democratização do ensino, e não a simples massificação, será real quando os alunos que se inserirem no ensino médio aprenderem os conteúdos curriculares e forem capazes de relacioná-los de forma crítica com o mundo em que vivem.

Para além dos desafios que a universalização do acesso à escola e a igualdade de oportunidades educacionais propõe, também permanecem, no caso do ensino médio, desafios referentes aos conteúdos a serem ensinados; à formação e remuneração dos professores; às condições de infraestrutura e gestão escolar; aos investimentos públicos realizados; entre outros (KRAWCZYK, 2009, p. 9).

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