Uma visão científica (e bem-humorada) de nossas diferenças

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Allam e Barbara Pease

POR QUE

Os Homens Fazem Sexo

E as Mulheres Fazem Amor?

Uma visão cient íf ica (e bem-humor ada) de nossas dif er enças

14ª Edição Editora Se xtante

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© Allan e Barbara Pease, 2000.

tradução

Ne uza M. Simõe s Cape lo

pre paro de originais

Regina da Veiga Pereira

Re v is ão

José T edin Pinto e Sérgio Beilinello Soares

Capa

Silvana Mattievich

e ditoração e le trônica

Claudia Lopes Mendes e Elisabeth Dunhoffer

fotolitos

RR Donnelley Mergulhar

im pre s s ão e acabam e nto

Cromos e te Gráfica e Editora Ltda. CIP- BRASIL. CATALOGAÇÃO- NA- FONTE

SINDICATO NACIONAL DOS EDITORES DE LIVROS, RJ.

P375p Pe as e , Allan

P o r que o s ho me ns fa ze m s e x o e a s mulhe r e s fa ze m a mo r ? : uma vis ão c ie ntífic a (e be m-humor a da ) de nos s a s dife r e nça s / Alla n P e a s e e Ba r ba r a P e a s e ; tr a dução Ne uza M. Simõe s Ca pe lo. - Rio de Jane iro : Se xtante , 2000

T radução de : Why me n don't lis te n & wome n can't re ad maps ISBN 85- 86796- 52- 2

l. Re laçõe s home m- mulhe r. 2. Se xo — Dife re nças (Ps icologia).

I. Pe as e , Barbara. II. T ítulo.

0 0 - 5 3 0 CDD 306.7

0 0 - 5 3 1 CDU 392.6

T odos os dir e itos r e s e r vados , no Br as il, por Editora Se xtante (GMT Editore s Ltda.)

Rua Voluntários da Pátria, 45 — Gr. 1404 - Botafogo 22270- 000 - Rio de Jane iro - RJ

Tel.: (21) 2286- 9944 - Fax: (21) 2286- 9244 Ce ntral de Ate ndime nto: 0800- 22- 6306

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Int r odução

Um Passeio de Domingo

EM UMA T RANQÜILA e e ns olar ada tar de de domingo, Bob, Sue e s uas tr ês filhas adolescentes tomaram o caminho da pr a ia . Bo b ia a o vo la nt e e Sue , a s e u la do, a todo mome nto s e volta va pa r a tr ás , pa r tic ipa ndo da a nima da c onve r s a da s garotas . Bo b t inh a a imp r e s s ão de que todas falavam ao me s mo te mpo, cr iando uma balbúrdia danada. Até que não agüe ntou:

- Dá para vocês ficare m quie tas ? T odas pararam de falar, s urpre s as . - Por quê? - Sue pe rguntou.

- Porque e u e stou te ntando dirigir! Elas se e ntre olharam, confusas. - T e ntando dirigir? - s e pe rguntaram.

Não conseguiam entender por que a conversa atrapalhava.

E e le não e nte ndia como podiam falar todas ao me s mo te mpo, às ve ze s s obre as s untos diferentes, parecendo que ninguém ouvia ninguém. Por que não se calavam e de ixavam que s e conce ntras s e e m dirigir o carro? Por caus a do barulho, tinha deixado passar a última saída da estrada.

A que s tão fundame ntal aqui é simples: home ns e mulheres s ão dife re nte s . Nem melhores ne m piores - apenas diferentes, Cie ntis tas , antropólogos e sociobiólogos sabem disso há anos , mas tê m também a dolorosa certeza de que afir mar publicame nte s uas conclus õe s e m um mundo politicame nte cor r e io como o nos s o poderia trans formá- los em verdadeiros párias de uma sociedade determinada a acreditar que home ns e mulheres tê m as me s mas habilidades, aptidões e potenciais - justame nte quando a ciência come ça a provar o contrário.

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me lhor . Se , pe lo me nos , Bob e Sue tive s s e m lido e s te livro ante s daque la tarde de domingo...

POR QUE FOI T ÃO DIFÍCIL ESCREVER EST E LIVRO?

Para escrever este livr o, pe r cor r e mos mais de 400.000 quilôme tr os dur ante três anos de pesquisas, e s tudando artigos , entrevistando especialistas e fazendo palestras e m s e minários ao re dor do mundo.

Uma das tar e fas mais difíce is foi conve nce r o pe s s oal de e mpr e s as públicas e pr ivadas a dar s e u de poime nto. Por e xe mplo: me nos de um por ce nto dos pilotos da aviação come rcial s ão mulhe re s . Quando te ntamos conve rs ar s obre is s o com os funcionários de e mpre s as aére as , muitos s e ne garam a opinar, com me do de s e re m acusados de sexistas ou antife minis tas . Muitos se defenderam com um "nada a declarar", e houve companhias que fizeram ameaças caso me ncionásse mos seus nome s no livro. As mulheres em cargos executivos foram, em geral, mais receptivas, e mbora muitas ficassem na defensiva e considerassem nos s a pe s quis a uma ameaça ao fe minis mo, me s mo antes de saber do que se tratava. Só conseguimos algumas opiniões ma is fr a nc a s de e x e c utivos de gr ande s e mpr e s as e professores unive r s itár ios e m off, e m s a la s pouc o ilumina da s , a por ta s fe c ha da s e c om a ga r a ntia de que os nome s de le s e dos loc a is onde tr a ba lha va m não fos s e m mencionados.

Às vezes, você vai achar este livro bastante de s afiador, às vezes, uma grande s urpre s a, mas sempre fascinante . Como se baseia em sólidas evidências cie ntíficas , us amos cr e nças , his tór ias e conve r s as do dia- a- dia, par a que s e ja uma leitura agradável. Nosso obje tivo é a juda r a s pe s s oa s a a pr e nde r e m ma is s obr e s i mesmas e sobre o sexo opos to, tornando a inte ração e os r e lacioname ntos mais ricos, praze rosos e promotore s de cre scime nto mútuo.

Es te livr o é de dic a do a todos os home ns e mulhe r e s que já fic a r a m a té a s duas da manhã arrancando os cabelos e pe r guntando a s eus par ce ir os : "Mas por que é que você não e nte nde ?" Os re lacioname ntos não dão ce rto porque os home ns não compreendem que as mulheres não pode m ser como eles, e as mulheres e s pe r am que os home ns s e compor te m do me s mo modo que e las . A le itur a não vai apenas ajudar você a s e r e lacionar com o s e xo opos to, mas a s e e nte nde r . E, como resultado, conseguir uma vida mais feliz, saudável e harmoniosa.

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Capít ulo I

Espécies Iguais, Mundos Diferentes

A Evolução de Uma

Criatura Magnífica

COMO JÁ DISSEMOS, home ns e mulheres s ão diferentes. Na verdade, a única c ois a que tê m e m c omum é o fa to de pe r te nc e r e m à me s ma e s pé c ie . Vive m em mundos dis tintos , com valores diversos e s ob regras muito diferentes. T odo mundo s abe dis s o, mas poucos - os home ns e m particular - o admite m, ape s ar de s ofre re m as cons e qüências . Bas ta ve r o s e guinte : nos país e s ocide ntais , ce r ca de 50 por cento dos casamentos acabam em divórcio, e os relacionamentos mais s érios não duram muito.

Home ns e mulhe re s de todas as culturas , cre dos e raças vive m e m cons tante duelo com seus parceiros por causa de opiniõe s , comportame ntos , atitude s e crenças.

ALGUMAS COISAS SÃO ÓBVIAS

Quando um home m vai ao banheiro, geralmente faz isso por uma razão específica. As mulh e r e s us a m o banhe iro como e s paço para re uniõe s s ociais e s ala de terapia. Pode m e ntrar como estranhas e sair como amigas de infância. No e ntanto, s e um home m dis s e r: "Ei, cara, vou ao banhe iro, que r ir comigo?", logo vai provocar suspeitas.

Home ns tomam pos s e do controle re moto e ficam pas s ando de um canal para outro. Mulheres não se importam de assistir aos comerciais. Sob pre s s ão, os home ns bebem e come çam gue rras . As mulheres come m chocolate e vão fazer compras .

As mulheres criticam os home ns por seu descaso, sua insensibilidade, porque não sabem ouvir, não s ão gentis e compre e nsivos, não conve rsam ne m de mons tr am car inho, não le vam a s ér io os r e lacioname ntos , que r e m faze r s e x o e m vez de fazer amor e deixam o tampo do vaso levantado.

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tomam iniciativa no sexo e deixam o tampo do vaso abaixado.

Os home ns nunca conseguem e nc ontr a r na da , ma s s e us CDs e s tão s e mpr e arrumados em or de m a lfa bé tic a . As mulhe r e s s ão c a pa ze s de a c ha r a s c ha ve s do carro que e stavam perdidas, mas é muito difícil conseguirem chegar a um lug a r pelo caminho mais lógico. Os h o m e n s acham que s ão o sexo mais prático. As mulheres sabem que são elas.

Quantos homens são necessários

para trocar um rolo de papel higiênico?

Não se sabe, isso nunca aconteceu.

Os home ns ficam maravilhados com a capacidade que as mulhe r e s tê m de e ntrar e m um ambie nte r e ple to de ge nte e faze r ins tantane ame nte um come ntár io s obre cada pe s s oa que lá s e e ncontra. Elas não e nte nde m como e le s pode m s e r tão pouco obs e rvadore s . Os home ns s e e s pantam de ve r que uma mulhe r não cons e gue enxergar a luzinha ve r me lha do óleo pis c a ndo no pa ine l do c a r r o, ma s é c a pa z de de te ctar uma me ia s uja e m um canto e s curo a 50 me tros de dis tância. As mulhe re s se a dmir a m c omo um home m que e s ta c iona o c a r r o e m uma va ga a pe r ta da – s ó olhando pe lo re trovisor não sabe onde fica o ponto G.

Se uma mulhe r e s tá dir igindo e s e pe r de , pár a e pe r gunta . P a r a o home m, is s o é s inal de fraque za. Ele roda e m círculos por horas , re s mungando cois as como “ descobri um o ut r o c a minh o q ue va i d a r lá” o u “ e s tamos che gando” ou a inda “ estou reconhecendo aquele posto de gasolina!” .

T IPOS DE T RABALHO DIFERENT ES

Homens e mulheres e voluíram de modos diferentes porque tinha de ser as s im. Os home ns caçavam, as mulheres ficavam com o grupo. Os home ns prote giam, as mulheres cuidavam. Como re s ultado, seus corpos e cérebros tomaram rumos diversos no processo de evolução e se trans formaram para se adaptar e m me lhor às s uas funçõe s e s pe cíficas . Os home ns s e tor nar am mais altos e mais for te s que a maior ia das mulhe r e s , e s e us cér e br os s e de s e nvolve r am par a cumprir as tarefas que lhes cabiam. As mulhe r e s ficavam s atis fe itas de ve r s e us home ns s a ír e m pa r a tr a ba lha r e nqua nto e la s ma ntinha m o fogo a c e s o na c a ve r na . Seus cére bros , e ntão, e voluíram para atender às funçõe s que pre cis avam desempenhar.

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AS P ESQUISAS COMP ROVAM

A partir do final dos anos 80 houve uma explosão de pesquisas sobre diferenças entre home ns e mulheres e sobre o modo como seus cére bros funcionam. Pela primeira vez, avançados equipamentos de mape ame nto computadorizado nos pe rmitiram ver o cére bro trabalhando "ao vivo", e essa observação da vas ta paisagem da mente humana forneceu muitas respostas às questões sobre a diversidade entre os sexos. O ma te r ia l dis c utido ne s te livr o foi coletado em e s tudos nas áre as da me dicina, ps icologia, s ociologia e antropologia, e todos apontam claramente para um fato: nada é igual. Homens e mulheres s ão diferentes. Dur a nte a ma ior pa r te do s é c ulo XX, e s s a s dife re nças foram e xplicadas pe lo condicioname nto s ocial, ou s e ja: s omos como s omos por caus a das atitude s de nos s os pais e pr ofe s s or e s que , por s ua ve z, r e fle te m as atitude s da s ocie dade e m que vive m. Me ninas s e ve s te m de ros a e ganham bone cas de pre s e nte , me ninos s e ve s te m de azul e ganham uniforme s de jogadore s de fute bol. Mocinhas s ão tocadas e acariciadas, r a pa ze s le va m ta pa s na s c os ta s e a pr e nde m que home m não c hor a . Até re ce nte me nte , acre ditava- se que qua ndo uma c r ia nça na s c e s ua me nte é uma página em branco, onde os educadores imprime m suas escolhas e pre fe rências . Recentes e s tudos de biologia mos tr a m, por é m, um pa nor a ma c omple ta me nte novo e a ponta m os hor mônios e o c é r e br o c omo os pr inc ipa is r e s pons áve is por nos s a s atitude s , pr e fe r ências e compor tamento. Is s o que r dize r que , ainda que cr iados e m uma ilha deserta, sem uma sociedade organizada ou pais que os influe ncias s e m, me ninos compe tiriam fís ica e mentalmente entre eles, fo r ma ndo g r upo s c o m uma nítida hierarquia, e meninas trocariam toque s e carinhos , se tornariam amigas e brincariam com bonecas.

Os circuitos cerebrais

e os hormônios determinam nosso

comportamento e modo de pensar.

Como voc ê ve r á, o modo c omo o c é r e br o é e s tr utur a do e os hor mônios que c ir c ula m pe lo c or po s ão dois fa tor e s que de te rminam e m grande parte nos s a forma de pensar e de agir muito antes de nascermos.

SERÁ QUE T UDO NÃO PASSA DE UMA CONSPIRAÇÃO MASCULINA?

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His toricame nte , pare ce ce rto. Mas aí cabe a pe rgunta: s e home ns e mulhe re s s ão idênticos , como afir mam e s s e s gr upos , por que os home ns s e mpr e mantive r am sua dominação? O e s tudo do funcioname nto do cére bro nos fornece muitas re s pos tas . Nós não s omos idênticos . Homens e mulheres devem ser iguais no direito à oportunidade de desenvolver plenamente suas potencialidades, mas , de finitivame nte , não s ão idênticos nas capacidades inatas . Se home ns e mulhe re s tê m dir e itos igua is , is to é uma que s tão polític a e mor a l. Se s ão idê ntic os , é uma questão científica.

A igualdade entre homens e mulheres é

uma questão moral ou política. A diferença

essencial é uma questão científica.

Quando afirmamos que as e s truturas fís icas e me ntais de home ns e mulhe re s s ão diferentes, e s tamos nos baseando em pesquisas de r e no mados pale ontólogos , e tnólogos , ps icólogos , biólogos e ne ur ocie ntis tas . As dife r e nças e ntr e os cér e br os de home ns e mulhe re s e s tão pe r fe itame nte claras , acima de qualque r e s pe culação, preconceito ou dúvida razoável.

Ao examinar as diferenças entre os sexos discutidas neste livro, algumas pe s s oas pode m dize r: "Eu não s ou as s im", "Eu não faço is s o". É claro que há muitas e xce çõe s , mas aqui e s tamos falando s obre a média, que r dize r, como a maioria dos home ns e mulheres age a maior parte do te mpo em quase todas as s ituaçõe s . "Média" s ignifica que , s e você e s tive r e m uma s ala che ia de ge nte , vai notar que as mulheres s ão ma is ba ix a s e ma is miúda s que o s ho me ns . P o de s e r que ha ja uma mulhe r mais alta e cor pule nta que todos os home ns , mas , e m ge r al, os home ns s ão mais altos e forte s . Se gundo o livr o Guinne s s de r e c or de s , a pe s s oa ma is a lta e pesada te m s ido qua s e s e mpr e um home m. O s e r huma no ma is a lto já e nc ontr a do foi Robe rt Pe s hing, que me dia 2,79 me tros , s e ndo que e m 1999 a altura máxima foi a de Alan Channa, do P aquis tão, com 2,31 me tros .

SEU GUIA SOBRE O SER HUMANO

Es te livro é como um guia para conhecer um país e s tr ange ir o, uma outr a cultura. Ele vai lhe fornecer várias informações para entender seus habitantes.

Os tur is ta s , e m s ua ma ior ia , via ja m s e m pr oc ur a r s e infor ma r s obr e o pa ís que vão vis itar e , che gando lá, s e s e nte m intimidados ou come çam a criticar porque o povo não fala a s ua língua ou não come a me s ma comida. Par a apr ove itar me lhor a experiência de conhecer uma outra cultura é preciso entender primeiro sua his tória e e volução, aprender expressões básicas e conhecer um pouco de seu estilo de vida . De s s e mo do , ning ué m va i a g ir c o mo um tur is ta - aque le que faria muito me lhor ficando e m casa.

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primeiro, é preciso entender sua história e evolução. Vamos e ntão ve r como che gamos ao que s omos .

Era uma vez, há muito, muito te mpo, home ns e mulheres vivendo juntos , fe lize s e tr a ba lha ndo e m ha r monia . O home m a c a da dia a r r is c a va s ua vida e m um mundo perigoso e hos til, caçando para levar o alimento à sua mulhe r e filhos e e nfre ntando inimigos e animais selvagens. Desenvolveu o senso de direção e a pontaria, tornando- s e capaz de localizar a caça, atingi- la, me s mo e m movime nto, e levá- la a té o lu gar onde vivia. A de finição de s e u trabalho e ra s imple s : caçador de comida. Isso era tudo o que se exigia dele.

A mulhe r , por s e u la do, s e s e ntia va lor iza da a o ve r o home m e x por a vida pela família. Homem de s uce s s o e r a aque le que cons e guia bas tante comida, e s ua auto- estima dependia do reconhecimento da mulhe r aos seus e s forços . A família s ó esperava que ele cumprisse suas tarefas de caçador e prote tor - nada mais . Não e r a pr e cis o "r e pe ns ar o r e lacioname nto" e ninguém lhe pe dia par a le var o lixo para fora ne m trocar as fraldas do be bê.

O papel da mulhe r era também muito claro. A necessidade de ser uma perpetuadora da e s pécie apontou a dir e ção e m que de via e voluir e as habilidade s a desenvolver par a cumpr ir s uas funçõe s . Pr e cis ava s e r capaz de de te ctar s inais que indicassem a aproximação do perigo, te r excelente senso de direção a curta dis tância, orie ntando- se por detalhes da paisagem para e ncontrar o caminho e , com s ua e xtraordinária s e ns ibilidade , ide ntificar pe que nas mudanças na aparência e no comportame n to de crianças e adultos . T udo muito s imple s : e le e ra o caçador da comida, ela a guardiã da cria.

A mulhe r pas s ava o dia cuidando das crianças , colhe ndo frutos e s e me nte s e s e re lacionando com as outras mulhe re s do grupo. Não tinha que s e pre ocupar com a parte principal do abastecimento de comida, e seu sucesso estava ligado à capacidade de ma nt e r a vida e m fa mília . Sua a ut o- e s tima de pe ndia do valor que o home m da va a s ua s ha bilida de s de ze la dor a e mãe . T e r filhos e r a um a to mágic o, s agrado me s mo, como s e s ó ela conhecesse o segredo da vida.

Ninguém e spe rava que fosse caçar, e nfre ntar inimigos ou trocar lâmpadas. A sobrevivência era difícil, mas o relacionamento era fácil. As s im foi por centenas de milha r e s de a nos . Ao fim de c a da dia , os c a ça dor e s volta va m com os animais abatidos , que e ram divididos igualme nte , e todos comiam juntos na cave rna onde viviam. Ca da home m e ntr e ga va parte da caça à mulhe r , que , e m tr o c a , lhe dava frutos e sementes.

Depois de come r, os home ns se s e ntavam em volta do fogo, contavam his tórias , faziam brincadeiras e riam. Era uma versão pré- his tórica da contínua troca de canais com o controle re moto ou da total concentração na leitura do jornal. Es tavam e x aus tos de pois de tanto e s for ço e pr e cis avam s e r e cupe r ar par a caçar novame nte no dia s e guinte . As mulhe re s continuariam a cuidar das crianças e a garantir o descanso e a alimentação dos home ns . Ca d a um a p r e c ia v a o q ue o outro fazia - eles não eram considerados pr e guiços os ne m e la s s e s e ntia m c omo criadas oprimidas.

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e ntre alguns aborígine s aus tralianos , maoris da Nova Ze lândia e inuits do Canadá e Groe nlândia. Nessas culturas , cada pessoa conhece e entende seu papel. Os home ns admiram as mulheres e as mulheres admiram os home ns . Cada um reconhece no outr o uma c ontr ibuição únic a pa r a a s obr e vivê nc ia e o be m - e s tar da família. Mas , para que m vive nos mode rnos país e s civilizados , e s s as re gras antigas foram abandonadas . O caos , a confus ão e a infe licidade tomaram s e u lugar.

MAS AS COISAS MUDARAM

A família não mais de pe nde unicame nte do home m par a s ua s obr e vivência e não se espera mais que a mulhe r fique e m c a s a e x e r c e ndo a s funçõe s de mãe e zeladora. P ela primeira vez na his toria da espécie humana, a maior parte dos home ns e mulhe r e s s e confunde na hor a de de finir s uas atividade s . Você faz par te da primeira geração a te r de encarar situaçõe s que seus antepassados nunca conheceram. Pela primeira vez, bus camos em nos s os parceiros amor, romance e realização pe s s oa l, já que a s obr e vivê nc ia , ga r a ntida pa r a muitos pe la e s tr utur a da sociedade mode rna atr avés de fundos de pe ns ão, apos e ntador ias , le is de pr ote ção ao cons umidor e várias ins tituiçõe s governamentais, não é tão pr ior itár ia. Então, quais s ão a s nova s r e gr a s ? Onde s e pode a pr e nde r ? Es te livr o te nta da r a lguma s respostas.

Se você nasceu antes de 1960, é be m possível que tenha crescido vendo seus pais se relacionarem segundo os antigos princípios de s obrevivência entre home m e mulhe r. Eles repetiam o comportame nto que aprenderam com os pais deles, que , por sua vez, imitaram os pais deles, que copiaram os pais deles, e as s im por diante , até chegar ao povo das cavernas com seus papéis claramente definidos.

Agora as regras mudaram comple tame nte , e seus pais não sabem como ajudar. O índic e de divór c ios e ntr e os c a s a me ntos r e c e nte s e s tá e m tor no de 5 0 por ce nto e , s e le varmos e m conta as uniõe s não oficializadas e os re lacioname ntos entre gays , a verdadeira taxa sobe para 70 por ce nto. Pre cis amos aprender as novas re gras , se quis e rmos ser felizes e vive rmos emocionalmente ilesos no s éculo XXI.

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Capit ulo 2

Tudo faz Sentido

A F EST A JÁ EST AVA a nima da qua ndo John e Sue c he ga r a m. Sue e nc a r ou John e , prat icamente sem mexer os lábios, disse:

- Ve ja o cas al junto da jane la... John virou a cabe ça.

- Não olhe agora! - ela re clamou. - As s im todo mundo nota! Ela não conseguia entender por que e le tinha de vir a r a c a be ça de modo tão os te ns ivo, e ele não compreendia como ela podia ver praticamente sem olhar.

Neste capítulo, vamos falar das pesquisas sobre diferenças de percepção sensorial entre homem e mulher e suas implicações nos relacionamentos.

A MULHER É UM RADAR

A mulhe r percebe claramente quando a outra pessoa e s tá aborrecida ou magoada. O home m s ó de s confia que há algo e rrado de pois de lágrimas , ace s s os de fúria ou tapas na cara. Is s o acontece porque , como a maioria das fême as dos mamífe ros , as mulheres pos s ue m habilidades sensoriais muito mais aguçadas que os home ns . Como perpetuadoras da espécie e guardiãs da cria, precisavam ser capazes de perceber mudanças s utis nas a t it ude s e no humo r do s o ut r o s . O que comume nte se chama de "intuição feminina" é , na verdade, a apurada capacidade que a mulhe r te m de not ar detalhes e alterações mínimas na aparência e no comportame nto de outras pessoas. Is s o, his toricame nte , te m deixado os home ns confusos. É que eles são apanhados. Sempre.

"Minha mulher consegue enxergar

um fio de cabelo louro no meu casaco

a cinqüenta metros de distância, mas

sempre esbarra na porta da garagem

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Um delegado em um dos nos s os s e minários disse que não conseguia entender c omo é que a vis ão ma r a vilhos a de s ua mulhe r pa r a de s c obr ir o que e le queria esconder desaparecia completamente quando ela tinha que estacionar o carro na garage m. Ca lc ula r , e nquanto dirige, a distância entre o pára- choque do carro e a pa r e de é uma ha bilida de e s pa c ia l que fic a loc a liza da na pa r te fr onta l do he mis fério dire ito, e não é muito de s e nvolvida na maioria das mulheres.

Para garantir a sobrevivência da família, as guardiãs da cria pre cis avam estar alertas para pequenas mudanças no comportame nto de sua prole, que poderiam indicar dor, fome , doença, agressividade ou triste za. Os home ns , cumprindo sua função de caçadores de comida, nunca ficavam por pe rto te mpo suficiente para aprender a inte rpre tar os sinais não- verbais ou as formas de comunicação inte rpe s s oal. O profe s s or Rube n Gur, ne urops icólogo da Unive rs idade da Pe ns ilvânia, us ou tomografias para mos trar que , quando o cére bro de um home m e s tá e m r e pous o, s ua a tivida de e lé tr ic a é inte r r ompida e m pe lo me nos 7 0 por ce nto. O e s tudo de cére bros fe mininos mos trou 90 por cento de atividade durante o me s mo e s tado, confirmando que as mulheres e s tão constantemente recebendo e analisando informaçõe s que chegam do ambiente que as cerca. A mulhe r conhe ce as e s pe r anças , os amigos , s onhos , r omance s e me dos s e cr e tos de seus filhos . Sa be e m que pe ns a m, c omo s e s e nte m e , ge r a lme nte , que tr a ve s s ur a e s tão plane jando. O home m ma l pe r c e be a que la ge nte miúda que mor a na me s ma casa que ele.

OS OLHOS FALAM

O olho é uma e xte ns ão do cére bro s ituada do lado de fora do crânio. A re tina e a parte de trás do globo ocular contêm ce rca de 130 milhõe s de células e m forma de b a s tão c ha ma da s fotor r e c e ptor a s pa r a pr oc e s s a r o br a nc o e o pr e to, e nqua nto outros sete milhõe s de células em forma de cone processam as cores. O cr omos s omo X é o r e s pons áve l por e s s as células . Como pos s ui dois cr omos s omos X, a mulhe r te m uma va r ie da de de c one s maior que o home m, e is s o s e r e fle te na maneira detalhada como descreve as cores. O home m nomeia as cores com palavras s imple s , como ve rme lho, azul e verde. A mulhe r fala de cinza- grafite , verde- água, azul- turquesa, cor de malva e verde- maçã.

OLHOS AT RÁS DA CABEÇA?

Be m, não e x a ta me nte , ma s qua s e . A mulhe r não s ó te m ma ior va r ie da de de cones na retina como pos s ui uma vis ão periférica mais abrangente que a do home m. Como guardiã da cria, te m o cére bro pronto para perceber um campo visual de pe lo me no s 4 5 gr a us de c a da la do da c a be ça e a c ima e a ba ix o do na r iz. Muitas mulhe r e s têm boa vis ão pe r ifér ica de quas e 180 gr aus . Os olhos do home m s ão maiore s que os da mulhe r, e o cére bro mas culino é configurado para uma vis ão a longa dis tância, do tipo "túnel", que o faz enxergar claramente em frente até muito longe, como se usasse binóculos.

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alvos dis tante s . De s e nvolve u, e ntão, um tipo de vis ão e m que pare ce us ar antolhos , para que não s e de s vie do foc o. A mulhe r pr e c is a va de um r a io de vis ão que lhe permitisse perceber algum predador se aproximando. É por isso que o home m mode r no cons e gue facilme nte e ncontr ar o caminho de um bar muito afas tado, mas não é capaz de achar qualquer coisa na geladeira, no armário ou na gave ta.

Mulheres têm uma visão periférica mais

ampla, homens têm visão do tipo "túnel".

Em 1997, 4.132 crianças foram atrope ladas e m e s tradas da Inglate rra, s e ndo que e ntr e os fe r idos havia 2.460 me ninos e 1.492 me ninas . Na Aus tr ália, o núme ro de me ninos acidentados pas s ou do dobro das me ninas . Is s o acontece porque os garotos , além de mais imprude nte s , têm uma vis ão pe riférica me nos de s e nvolvida.

O EST RANHO CASO DA MANT EIGA DESAPARECIDA

T odas as mulhe re s do mundo já tive ram uma conve rs a as s im com um home m parado na frente da geladeira aberta.

Ele: - Onde está a manteiga?

Ela: - Dentro da geladeira.

Ele: - Já procurei e não achei.

Ela: - Mas está aí. Não faz nem dez minutos que eu guardei.

Ele: - Não. Você deve te r guardado em outro lugar. Tenho certeza. A manteiga não está na geladeira.

Ne s te mome nto, e la invade a cozinha, me te a mão na ge lade ira e , num pas s e de mágica, faz aparecer um tablete de mante iga. Homens ignorantes às vezes acham que tudo não passa de um truque e acus am as mulheres de e s c onde r a s coisas em gave tas e ar már ios . Me ias , s apatos , cue cas , ge léia, mante iga, as chave s do carro, a carteira – e s tá tudo lá, mas eles não enxergam. Com sua vis ão periférica mais ampla, a mulhe r consegue ver quase tudo o que e s tá de ntro da ge lade ira ou do armário, s e m move r a cabe ça. O home m, quando procura um obje to "perdido", vira a cabeça para um lado e para outro, para cima e para baixo.

Es s as diferenças na vis ão tê m c ons e qüê nc ia s impor ta nte s e m nos s a s vida s . Es tatís ticas das empresas seguradoras , por exemplo, mos tram que é muito raro uma motor is ta s e r atingida na late r al ao atr ave s s ar um cr uzame nto. Se u campo de vis ão mais a mplo lhe pe r mite ve r o que ve m da e s que r da ou da dir e ita . É muito mais provável que ela dê uma batida de frente ou de r é quando estiver estacionando, já que sua orientação espacial é bem menos desenvolvida.

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O HOMEM E A P AQUERA

O campo visual mais amplo é a causa de a mulhe r raramente ser s urpre e ndida obs e rvando um home m.

Ao contr ár io, é difícil e ncontr ar um home m que nunca te nha s ido acus ado de "devorar com os olhos" o sexo opos to. Pesquisas na área sexual realizadas e m vários países concluem que as mulheres obs e rvam os corpos masculinos tanto quanto os home ns obs e r vam os de las - talve z até mais . No e ntanto, com s ua vis ão pe riférica s upe rior, raramente são apanhadas.

VER É CRER

A maior ia das pe s s oas s ó acr e dita naquilo que vê - mas você pode acre ditar em seus olhos?

O pesquisador Edward Boring proje tou a ilus tração que aparece a seguir para mos trar como várias pessoas pode m ver coisas diferentes em uma me s ma figur a. As mulhe r e s cos tumam ve r uma ve lha com o que ix o e nfiado na gola de um cas aco de pe le s , mas os home ns ge r alme nte vêe m o pe r fil e s que r do de uma jove m que olha em frente.

O que v ocê v ê?

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A fig ur a l t a mbé m mo s t r a c o mo pode mos nos e nganar . Ne la, s e u cér e br o é le vado a acr e ditar que a bor da mais afas tada da me s a é mais compr ida que a mais próxima. Mulheres geralmente acham isso interessante, mas os home ns que re m provas , e me de m com uma régua.

Figura 2

Na figura 2, s eu cére bro focaliza a cor escura, e o que se vê s ão várias formas inde finidas . Mas , s e você mudar o foco e s e conce ntrar nas parte s brancas , verá s urgir a palavra FLY. A mulhe r enxerga as letras com mais facilidade; o home m fica pre s o às formas ge ométricas .

POR QUE OS HOMENS DEVEM ASSUMIR A DIREÇÃO À NOIT E?

Enquanto a mulhe r enxerga me lhor no escuro que o home m, os olhos masculinos s ão mais eficientes quando se trata de um campo visual longo e e s tr e ito, o que lhe s dá uma s upe r ior - e , por ta nto, ma is s e gur a - vis ão notur na a longa dis tância. Es s a capacidade, combinada à sua boa orie ntação espacial comandada pelo he mis fério direito do cére bro, permite ao home m identificar o movime nto dos outros veículos na e s trada, ta nto à fr e nte qua nto a tr ás . A ma ior parte das mulheres relata uma espécie de cegueira noturna: não consegue dis tinguir em que ponto da e s tr a da e s tão os c a r r os que s e a pr ox ima m, o que os olhos de caçador tipicame nte mas culinos faze m com facilidade . Re s umindo: no cas o de uma viage m longa, é me lhor a mulhe r dirigir durante o dia e o home m durante a noite.

Em viagens longas, as mulheres devem

dirigir de dia e os homens à noite.

POR QUE AS MULHERES T ÊM UM "SEXT O SENT IDO"?

As mulheres s ão tradicionalmente conhecidas como capazes de captar e inte rpretar sinais quase invis íve is , o que as faz muitas vezes prever o fim de relacionamentos, flagrar mentirosos, conversar com animais e descobrir a verdade.

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apareciam r e c é m- nascidos c hor a ndo. De pois , pe dimos às mãe s que os a s s is tis s e m com o s om desligado, recebendo apenas informaçõe s visuais. A maioria rapidamente identificou situações que iam de fome e dor a cólicas e cansaço.

Quando os pais fize r am o me s mo te s te , o índice de ace r tos foi lame ntáve l - me nos de de z por ce nto cons e guir am ide ntificar mais de dois motivos de chor o. E as s im me s mo desconfiamos que acertaram por s orte . Muitos afirmavam, confiantes: "Es tá se ntindo falta da mãe." A maior parte não conseguia ver a diferença. Em um conjunto de 50 casais, uma mulhe r média leva me nos de dez minutos par a analis ar o r e lacioname nto de cada um do s o utr o s . Qua ndo e ntr a e m uma re união, a mulhe r, com sua sensibilidade apurada, é capaz de identificar rapidamente quais s ão os casais que e s tão s e da ndo be m, qua is a c a ba r a m de te r uma dis cus s ão, que m e s tá a fim de que m e que mulhe re s s ão s uas rivais ou aliadas . Nossas câmeras mos traram que quando é um home m que chega a s ituação é completamente diferente. Ele olha em volta localizando entradas e s aídas - sua "fiação" nervosa primitiva avalia de onde pode vir um ataque e quais seriam as possíveis rotas de fuga. Em seguida, procura ros tos familiares ou inimigos e m potencial e examina a disposição do cômodo. Seu raciocínio lógico registra defeitos, como jane las que br adas ou lâmpadas que imadas . Enquanto is s o, a mulhe r já tomou pé da s ituação: sabe onde e s tão as coisas, que m é que m e qual a atmosfera local.

POR QUE OS HOMENS NÃO CONSEGUEM MENT IR PARA AS MULHERES?

Nossas pesquisas sobre linguagem corporal revelam que , na comunicação fr e nte a fr e nte , os s inais não- ve rbais re s ponde m por 60 a 80 por ce nto do impacto da me ns a ge m, e nqua nto os s ons voc a is s ão r e s pons áve is por 20 a 30 por c e nto e s obram apenas de sete a dez por cento para as palavras. A mulhe r, com seu equipamento sensorial de alta qualidade, recebe e analisa as informaçõe s , e sua capacidade cerebral de fazer rapidamente trans fe rências entre os he mis férios lhe permite integrar e decifrar com eficiência sinais visuais e verbais, além de outros.

É por isso que a ma ior ia dos home ns te m dific ulda de e m me ntir pa r a uma mulhe r fr e nte a fr e nte . Ma s , c omo a s mulhe re s s abe m muito be m, é re lativame nte fácil me ntir pa r a um home m na me s ma s itua ção, já que e le não te m s e ns ibilida de suficiente para notar alguma incompatibilidade entre os sinais verbais e não-ve r bais . A maior par te das mulhe r e s s e s ai muito be m s imulan do um or ga s mo. Um home m, s e te m de me ntir , fic a be m ma is à vonta de a o te le fone , por c a r ta ou e m completa escuridão, com a cabeça embaixo do cobertor.

ELA T AMBÉM ESCUT A MELHOR...

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O homem consegue dormir

apesar de um ruído que

a mulher não suporta:

torneira pingando.

Com uma semana de vida, as meninas s ão c a pa ze s de ide ntific a r a voz da mãe o u dis ting uir o c ho r o de o utr o be bê e ntr e o s s o ns do ambie nte . Os me ninos não conseguem. O cére bro fe minino te m a capacidade de isolar e selecionar os s ons e de tomar decisões a respeito de cada um deles. Por is s o, as mulheres cons e gue m pr e s tar ate nção a uma conve r s a íntima e ao me s mo te mpo ouvir o que se diz em volta. E é também por isso que os home ns tê m ta nta dific ulda de e m e s cutar alguém quando a te le vis ão e s tá ligada ou quando ve m da cozinha o bar ulho de pr atos . Se o te le fone toca, o home m pe de que s e par e de falar , que s e abaix e o s om ou desligue a televis ão para que ele possa ouvir. A mulhe r simplesmente atende.

A MULHER LÊ NAS ENT RELINHAS

As mulheres sentem me lhor as diferenças no tom e no volume da voz, percebendo as s im as mudanças de humor em crianças e adultos . Como cons e qüência, para cada home m que consegue cantar com afinação há oito mulheres que fa ze m o me s mo. Is s o e x plic a ta mbé m a fa mos a fr a s e r e pe tida pe la s mulheres: "Não fale comigo neste tom de voz!" A ma io r ia d o s ho me ns não fa z a menor idéia do que ela quer dizer.

A s upe rioridade da audição fe minina contribui e m grande parte para o que s e chama de "intuição fe minina " e é uma da s r a zõe s pa r a s ua c a pa c ida de de "le r na s entrelinhas". Mas os home ns não devem se desesperar. Eles s ão ótimos e m identificar e imitar voze s de animais , o que , ce r tame n te , foi uma gr ande vantage m em seus tempos de caçador. Pena que não seja tão útil hoje em dia.

P OR QUE OS MENINOS NÃO OUVEM?

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OS HOMENS NÃO REPARAM EM DET ALHES

Lyn e Chr is e s tão voltando de car r o de uma fe s ta. Ela or ie nta e e le dir ige , e acabam de te r uma dis cus s ão porque ela lhe dis s e pa r a vir a r à e s que r da qua ndo queria dize r à dir e ita . P a s s a m - se nove minutos de s ilêncio até que e le s us pe ita de alguma coisa:

- Que rida... e s tá tudo be m? - ele pergunta.

- Es tá tudo ótim o! - ela responde. A ênfas e que deu à palavra "ótimo" confirma que nada está bem. Ele passa em rev ista o que aconteceu na festa.

- Eu fiz alguma coisa errada esta noite? - Não quero falar sobre isso! - ela dispara.

Significa que e s tá zangada e quer falar sobre o as s unto. Ele continua completamente pe rdido, sem entender o que possa te r feito para ela ficar tão aborrecida.

Me diz, por favor, o que foi que e u fiz?

Ge ralme nte , e m s ituaçõe s como e s s a, o home m e s tá dize ndo a ve rdade - ele simplesmente não entende o problema.

- Está bem. Já que você fica se fazendo de inocente, eu vou dizer. Mas não é fingimento. Ele realmente não sabe. Ela respira fundo.

- Aque la pe rua pas s ou a noite toda dando e m cima de você e , e m ve z de s air fora, você be m que gos tou!

Agor a é que e le não e nte nde mais nada. Que pe r ua? Que m e s tava dando e m cima dele? Ele não notou coisa alguma!

Ve jamos : e nquanto a "perua" (essa é uma expressão fe minina, os home ns diriam que e ra uma "gata") conve rs ava com e le , inclinava o quadril, lançava olhare s de morados em s ua dir e ção, me x ia no c a be lo, pa s s a va a mão na c ox a , s e gur a va o lóbulo da orelha, brincava com a haste do copo de vinho e falava como uma garotinha. Ele é um caçador. Cons e gue e nx e r ga r uma ze br a à dis tânc ia e dize r a que velocidade ela e s tá corre ndo. Não te m a habilidade fe minina de ide ntificar os sinais vis uais , vocais e de linguagem corporal que indicam o interesse da outra pessoa. As mulhe r e s que e s ta va m na fe s ta pe r c e be r a m a s inte nçõe s da pe r ua s e m precisar ne m me s mo move r a cabeça. E uma mensagem telepática de "perua na área" foi enviada e recebida por todas. A maior parte dos homens ne m notou.

Por tanto, e m uma s ituação as s im, quando um home m dis s e r que e s tá falando a ve r dade , é pr ováve l que e s te ja me s mo. O cér e br o mas culino não e s tá pr e par ado para ouvir ou enxergar detalhes.

A MÁGICA DO T OQUE

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a faze r carinhos ne le s tinham muito me nos gripe s , re s friados , vômitos e diarréia do que aqueles que não recebiam afagos . Outr a pesquisa concluiu que mulheres ne uróticas ou deprimidas se recuperavam me lhor quando eram acariciadas, e , quanto mais de morados e fre qüe nte s os toque s, mais rápida a re cupe ração.

Jame s Pre s cott, pione iro no e s tudo da re lação e ducação- violência, che gou ao s e guinte re s ultado: nas s ocie dade s e m que não há o hábito de acar iciar as cr ianças e s tão os mais altos índices de adultos viole ntos . As que crescem cercadas de carinho geralmente se tornam pessoas melhores, mais saudáveis e felizes. Pe dófilos e pessoas com desvios sexuais freqüentemente tê m em suas vidas his tórias de rejeição, violência e indiferença na infância, às vezes passada e m ins tituiçõe s . Em muitas culturas que não praticam o toque fís ico, os animais de e s timação s upre m essa carência. Esse contato te m se revelado valioso na superação da depre s s ão e de outros proble mas me ntais .

MULHERES SÃO SENSORIAIS

A pe le é a par te mais e x te ns a do cor po humano, che gando a me dir ce r ca de dois me tros quadrados . Nela, dis tribuídos de maneira irre gular, há 2.800.000 receptores para a dor, 200.000 para a te mperatura e 500.000 para o toque e a pre s s ão. Desde que nas ce m, as meninas s ão muito mais sensíveis ao toque e , quando adultas , a sensibilidade de sua pele é pelo me nos de z ve ze s ma ior que a dos me ninos . Um e s tudo cuidados o concluiu que me s mo os me ninos mais s e ns íve is ao toque não che gavam ao índice alcançado pe las me ninas de me nor s e ns ibilidade . A pe le da mulhe r é ma is fina que a do home m e te m uma c a ma da de gor dur a que aquece no inverno e dá maior resistência.

A ocitocina é o hor mônio que pr ovoca a vontade de s e r tocada e dis par a os receptores do toque . É fora de dúvida que a mulhe r, com receptores dez vezes mais sensíveis que os do home m, dá ma ior impor tânc ia a os c a r inhos que fa z e m seu companhe iro, seus filhos e amigos . Uma pesquisa sobre linguagem corporal de mons trou que a mulhe r ocidental, durante uma simples conversa, geralmente toca e m outr a mulhe r de quatr o a s e is ve ze s mais que o home m e m outr o home m. Mulheres us am uma variedade maior de expressões sensoriais: uma pessoa de sucesso t e m um "t o que mág ic o", outra inde licada pode s e r "cas ca gros s a". Adoram "manter contato", mas não gos tam de que m "gr uda". De s cr e ve m um aconte cime nto como "tocante", uma "verdadeira sensação". Fa la m e m da r um "toque pe s s oa l". Se aborrecem com quem "cai na sua pele" e fica "batendo na mesma tecla".

A mulher é de quatro a seis vezes

mais propensa a tocar em outra

mulher durante uma conversa do que

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É pr ováve l que a mulhe r , qua ndo za nga da e não que r e ndo qua lque r c onta to c om um home m, diga : "Não me toque !" Par a e le , o avis o não caus a gr ande e fe ito. Que lição s e tir a daí? Par a ganhar pontos com as mulhe r e s , toque , mas não agar r e . Para as crianças se desenvolverem mentalmente saudáve is, faça muito carinho nelas.

POR QUE OS HOMENS T ÊM A PELE T ÃO GROSSA?

A pe le dos home ns é ma is gr os s a que a da s mulhe r e s . É por is s o que e la s têm mais rugas . Nas cos tas , a pe le mas culina é quatro ve ze s mais gros s a do que na barriga, herança de seu passado de quadrúpe de , quando precisava de mais prote ção para o cas o de um ataque por tr ás . Quando che ga à pube r dade , o r apaz já perdeu gr a nde pa r te de s ua s e ns ibilida de a o toque . É o c or po s e pr e pa r a ndo pa r a os r igor e s da caçada. O home m pr e cis ava te r uma pe le me nos s e ns íve l par a pode r correr entre plantas cheias de espinhos e e ntr a r e m luta c or por a l c om a nima is e inimigos sem que a dor o incomodasse . Por is s o, às vezes ne m percebe um fe rime nto durante uma atividade física ou e sportiva.

Na verdade, o rapaz

não perde a sensibilidade da pele

quando chega à adolescência.

É que ela se concentra num só lugar...

A não s e r que e s te ja inte ir a me nte a bs or vido por uma a tivida de , o home m é muito me nos resistente à dor que a mulhe r. Se ele, entre ge midos , pedir "uma c a nja / um s uc o de la r a nja / um s a c o de água que nte / c ha me o mé dic o e ve ja s e me u te s tame nto e s tá em ordem", é provável que tenha um simples re s friado. Além dis s o, é me nos sensível ao s ofrime nto e ao de s conforto da sua mulhe r. Se ela estiver cheia de dor , c om fe br e de 40 gr a us , tir ita ndo e mba ix o da s c obe r ta s , e le é capaz de perguntar: "Tudo be m, querida?" Não é maldade ou descaso, é pura incapacidade.

Mas existem situaçõe s em que a s e ns ibilidade mas culina fica mais aguçada. Ao assistir a uma partida de fute bol ou a esportes viole ntos , por exemplo. Se , durante uma luta de boxe, um dos lutadores é atingido por um golpe baixo, a mulher diz "Hum, deve ter doído", mas o homem geme, se contorce e sente a dor.

O GOST O DA VIDA

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e nquanto que as mulhe r e s s ão muito me lhor e s e m dis tinguir doces - p o r is s o h á mais "chocólatras " e ntre e las . Como guardiã da cria e colhe dora de frutos , a mulhe r s e mpre tinha de provar os que dava aos filhos , ve ndo s e e s tavam doce s e maduros . Eis aí uma provável causa de as mulheres gos tare m tanto de doces e de es tar entre elas a maioria dos provadores de alimentos.

ALGUMA COISA NO AR

Na mulhe r , o s e ntido do olfa to não a pe na s é s upe r ior a o do home m mé dio, mas fica ainda mais apurado durante o pe ríodo da ovulação. O o lfa t o fe minino consegue inconscientemente detec tar odores associados ao sexo masculino.

O cér e br o fe minino de codifica o e s tado do s is te ma imunológico do home m e , se for compatíve l com o dela ou mais forte , ela diz que a que le ho me m é muito atraente ou "e s tr anhame nte magnético". Se s e u s is te ma imunológico for ma is for te que o dele, provavelmente ela não vai sentir grande atração.

Pesquisadores da atividade cerebral concluíram que o cére bro fe minino é capaz de analisar em segundos essas diferenças no sistema imunológico. Um resultado desse e s t udo fo i a g r ande quantidade de cr e me s e pe r fume s mas culinos lançados no mercado contendo elementos químicos que produze m nas mulheres uma atração irre s is tíve l.

POR QUE OS HOMENS SÃO CHAMADOS DE "INSENSÍVEIS"?

Não é que a s mulhe r e s s e ja m s upe r s e ns íve is . Os home ns é que tive r am os sentidos e mbotados . Como no mundo fe minino a percepção é muito mais desenvolvida, elas esperam que eles ta mbé m s e ja m c a pa ze s de le r s e us s ina is de linguagem verbal, vocal e corporal e adivinhar s e us de s e jos , ta l c omo fa r ia outr a mulhe r . P or c a usa da or ige m e e volução da e s pé c ie huma na , c omo já vimos , is s o não é pos s íve l. A mulhe r parte do princípio de que o home m vai ser capaz de descobrir o que ela quer ou precisa e, quando isso não acontece, diz que ele é "insensível, ne m desconfiou!". Ele reclama: "E eu s ou obrigado a ler os seus pe ns ame ntos ?"

As pe s quis as mos tram que home ns não s ão bons "le itor e s de me nte s ". A boa notícia é que , com tre iname nto, e le s pode m me lhorar muito.

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Capít ulo 3

Está Tudo Aí

EST AS ILUST RAÇÕES BEM- HUMORADAS dos cére bros masculino e fe minino s ó s ão e ngraçadas porque têm um fundo de ve rdade . Mas ve rdade até que ponto? Be m, mais do que se poder ia pensar a princípio. Neste capítulo, vamos examinar os mais recentes resultados das pesquisas sobre o cére bro. Vo c ê v a i abrir os olhos para a realidade.

No final, incluímos um teste s imple s , ma s e fic ie nte , pa r a e x plic a r o por quê do funcioname nto do s e u cére bro.

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Isso é ficção ou realidade?

SOMOS OS MAIS ESP ERT OS

São nítidas as diferenças entre os cére bros de um gorila, do home m de Neanderthal e de um ser humano mode rno. Em prime iro luga r , nos s o c é r e br o é mais de três vezes maior que o do gorila e um terço maior que o do nos s o ancestral primitivo. O e s tudo de fósse is evidencia que esse tamanho pe rmane ce u igual nos últimos 50.000 anos , além de terem sido poucas as alterações nas funções cerebrais.

Como já dis s e mos , os cére bros masculinos e fe mininos evoluíram com potência, capacidades e talentos dive rs os . O home m, responsável pela caça, precisava de ár e a s no c é r e br o que c oma nda s s e m a tr a ve s s ia de longa s dis tânc ia s , com o de s e nvolvime nto de táticas par a localizar e atingir o alvo. Não tinha de s e r bom de c onve r s a ne m s e ligar nas e moçõe s alhe ias . Por is s o, não pr oduziu e m s e u cérebro regiões importantes dedicadas ao relacionamento interpessoal.

A mulhe r, ao contrário, precisava da aptidão para percorrer pequenas dis tâncias , vis ão periférica mais ampla para monitorar o ambiente em volta, habilidade de fazer várias coisas ao me s mo te mpo e boa capacidade de comunicação. Como resultado dessas necessidades diferentes, os cére bros masculinos e fe mininos desenvolveram áreas específicas para comandar cada tarefa.

COMO O CÉREBRO DEFENDE O T ERRIT ÓRIO

É comum se dizer que é muito difícil eliminar um hábito enraizado. Os cie ntis tas afirmam que o que s e chama de “ ve lhos hábitos ” é a me mória ge nética viva e ope r a ndo. Er a de s e e s pe r a r que de ze na s de milha r e s de a nos de vida e m cave rnas , s e mpre com a ate nção voltada para o que s e pas s ava e m torno, vis ando à defesa do te rritório, e nfre ntando as mais variadas ameaças à s obre vivência, deixassem algum tipo de marca nos homens.

Ve ja quando e s tão em um re s taurante . A maioria deles prefere sentar de costas para a parede, de frente para a e ntrada. As s im se sentem confortáve is , seguros e ficam ale r tas . Não é pr ováve l que alguém e s te ja obs e r vando e s condido. Se houve r nos dias de hoje um ataque de s ur pr e s a, a ar ma mais pe r igos a s e r á uma conta as tr onômica. As mulhe r e s , por outr o lado, não s e impor tam de dar as cos tas para um e s pa ço a be r to, a me nos que e s te ja m s ós c om s e us filhos , qua ndo, e ntão, também se sentam contra a parede.

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saber por quê. Ge ralme nte , a s imple s troca, de ixando para e le o lado mais pe rto da saída, resolve o problema.

O homem casado brinca

dizendo que dorme perto da porta

para o caso de precisar fugir

da mulher. Na verdade, é puro

instinto de sobrevivência.

Quando o home m e s tá for a de cas a, a mulhe r ge r alme nte as s ume o pape l de pr ote tor a e pas s a a dor mir no lado de le na cama. Dur ante a noite , a mulhe r acor da imediatamente de um s o no pr o fundo c a s o o uça um s o m a g udo , c o mo o c ho r o de uma criança. O h o m e m , p a r a d e s e spero de sua companhe ira, continua a dormir. Mas seu cére bro é e s truturado para escutar s ons associados a movime ntos e me s mo um galho de árvore e s talando do lado de fora é capaz de faze r com que e le de s pe rte e m uma fração de s e gundo para de fe nde r a família de um pos s íve l ataque . Ne s s e cas o, a mulhe r continua dormindo – a não s e r que o marido e s te ja fora e s e u cére bro as s uma o papel dele, passando a ouvir qua lque r s om ou movime nto que possam ameaçar a cria.

O CÉREBRO P OR T RÁS DO SUCESSO

Em 1962, Roge r Spe rry ganhou o prêmio Nobel por provar que os dois he mis férios do córtex cerebral s ão responsáveis por diferentes funçõe s intelectuais. Os a va nços da te c nologia nos pe r mite m, nos dia s a tua is , ve r c omo o cére bro opera, apesar de nossa compreensão de seu funcioname nto ser ainda insuficiente. Sabe mos que o he mis fério dire ito, a parte criativa, controla o lado esquerdo do c o r po e o he mis fé r io e s que r do c o ntr o la a lóg ic a , a r a zão , a fa la e o lado direito do corpo. A linguagem e o vocabulário e s tão localizados à e s querda, especialmente no home m, e nquanto que à direita ficam o armazenamento e o controle das informações visuais.

Nos canhotos , pre domina o he mis fério direito do cére bro, que é o lado criativo. De ve- se a isso o grande núme ro de artis tas geniais que s ão canhotos , entre eles Albe r t Eins te in, Le onar do da Vinci, Picas s o, Le wis Car r ol, Gr e ta Gar bo, Robe rt De Niro e Paul McCartne y. Entre os canhotos há mais mulheres que home ns, e 90 por ce nto dos se re s humanos são de stros.

Testes comprovam que as mulheres

são três por cento mais inteligentes

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Até os anos 60, a maior par te dos dados cole tados s obr e o cér e br o humano vinha de e s tudos fe itos nos corpos de s oldados mortos no campo de batalha. E não faltava ma te r ia l. O pr o ble ma , po r é m, é que qua s e to da s as vítima s e r a m do s e x o masculino e partia- se do pre s s upos to de que o cére bro fe minino funcionava da me s ma forma.

Hoje, pesquisas revelam que o cére bro da mulhe r funciona de modo be m diferente do cére bro do home m. É essa a maior fonte de problemas no relacioname nto entre os sexos. O cére bro fe minino é um pouco me nor que o mas culino, mas os e s tudos mos tram que is s o não inte rfe re no s e u de s e mpe nho. Em 1997, Be r te Pakke nbe r g, do De par tame nto de Ne ur ologia do Hos pital Municipal de Cope nhague , na Dinamarca, de m ons tr ou que , e m média, o home m pos s ui ce r ca de quatro bilhões a mais de ne urônios que a mulhe r, apesar de que , em geral, ela alcança uma pontuação cerca de três por cento mais alta nos testes de inteligência.

LOCALIZAÇÃO NO CÉREBRO

Aqui e s tá uma vis ão comume nte aceita das funçõe s controladas pê los dois lados do cérebro.

As pe s quis a s e o c onhe c ime nto s obr e o c é r e br o huma no a va nça m dia a dia , mas as interpretações dos r e s ulta dos va r ia m ba s ta nte . Em a lguns pontos , por é m, cientistas e pesquisadores concordam. Com o us o dos exames de ressonância magnética que me de m a atividade e létrica é pos s íve l ide ntificar a localização e xata e avaliar as muitas funçõe s e s pe cíficas do cér e br o, obs e r vando qual é a par te que e s tá executando cada tare fa. Quando o exame mos tra a localização de uma determinada habilidade ou função, quer dizer que a pessoa provavelmente se sai be m ne la , gos ta de pr a tic á - la e s e s e nte a tr a ída por a tivida de s e m que pos s a s e r usada.

Por exemplo: a maioria dos home ns te m no cére bro uma localização específica para o s e ns o de dire ção, e ve m daí s ua facilidade ne s s e as pe cto. Gos tam de planejar rotas e sentem - se atraídos por ocupações e pas s ate mpos em que possam utilizar suas capacidades de orientação e navegação.

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AS P RIMEIRAS P ESQUISAS SOBRE O CÉREBRO

Foram muitas as pesquisas feitas sobre o cére bro. As prime iras pe s quis as sobre a localização específica das funçõe s do cére bro foram realizadas e m pacientes que tinham s ofrido algum tipo de lesão cerebral. Homens com lesões cerebrais no lado direito do cére bro perderam quase toda a sua habilidade de orie ntação espacial - a capacidade de pensar em três dimensões e de girar um obje to e m s ua me nte para vis ualizá - lo por dife r e nte s ângulos . Is to por que , no cas o da planta de uma cons trução, por exemplo, e nqua nt o a mulhe r s ó a vê e m dua s dime ns õe s , o cér e br o mas culino pe r mite que o home m a ve ja tr idime ns ionalme nte , imaginando como vai ficar o prédio depois de pronto. Apesar de sua me nor capacidade, mulheres com lesões cerebrais exata- mente no me s mo lugar que esses homens tiveram pouca ou nenhuma alteração em suas habilidades espaciais.

Os home ns com o cére bro lesionado no lado esquerdo perderam grande parte ou toda a sua capacidade de fa la e voc a bulár io, a lé m de te r e m muito ma is dificuldade na r e c upe r a ção. As mulhe r e s c om o me s mo tipo de le s ão não tive r a m um pre juízo tão e xte ns o, indicando que pos s ue m mais de um ce ntro de fala. Dore e n Kimura, da cadeira de Psicologia da Universidade de Ontár io, concluiu que na mulhe r os problemas de fala s ó acontecem se a lesão for no lobo frontal de qualque r dos he mis férios .

A gague ir a é um pr oble ma quas e e x clus ivo do s e x o mas culino, have ndo tr ês ou quatro me ninos para cada menina nas classes de recuperação do curs o de alfabetização. Em s uma , qua ndo s e tr a ta de fa la e c onve r s a ção, o s e x o ma s c ulino te m me nos habilidade. Es s a cons tatação não surpreende a maioria das mulhe re s . Há milha r e s de a nos e la s vê m a r r ancando os cabe los por caus a da falta de diálogo masculina.

He m is fé r io e s q ue r d o Lado dire ito do corpo Habilidade s m ate m áticas Ex pre s s ão v e rbal

Lógica Fatos De dução A nális e Prática Orde m

Le tras de m ús ica He re ditarie dade Pe rce pção de de talhe s

He m is f é r io d ir e it o Lado e s que rdo do corpo Criativ idade T ale nto para as arte s

Habilidade v is ual Intuição

Idé ias Im aginação

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COMO SE ANALISA O CÉREBRO

A pa r tir do iníc io dos a nos 9 0 , os e quipa me ntos de a nális e do c é r e br o vê m se aperfeiçoando, a ponto de agora ser possível observar por um monitor o cére bro em atividade. Ma r c us Raichle, da Faculdade de Me dicina da Unive r s idade de Was hington, demarcou áreas do cére bro onde há me tabolis mo mais inte ns o, apontando com precisão os locais responsáveis por habilidades específicas.

Na Universidade de Yale, em 1995, um grupo de cientistas chefiado pelos drs . Be nne t e Sally Shaywitz te s tou home ns e mulhe re s para de te rminar qual parte do cére bro é responsável pela formação de rimas . A ressonância magnética confir mou que o home m utiliza pr incipalme nte o lado e s que r do par a tar e fas ligadas à fala, e nquanto que a mulhe r usa os dois lados . Es s a experiência, junto com inúme ras outras feitas na década de 1990, de mons tr a que cér e br os mas culinos e fe mininos funcionam de modos dife re nte s.

A pe s quis a mos tr a ta mbé m que o la do e s que r do do c é r e br o das me ninas s e desenvolve ma is de pr e s s a que o dos me ninos . P or is s o, e la s fa la m me lhor e ma is cedo, conseguem ler ante s e apr e nde m mais r apidame nte uma s e gunda língua. E é por is s o também que os cons ultórios dos fonoaudiólogos e s tão che ios de me ninos .

Nos me ninos , no e nta nto, o la do dir e ito do c é r e br o a ma dur e c e a nte s do da s me ninas . As s im, desenvolvem me lhor e mais cedo a percepção, a lógica e a orie ntação espacial. De um modo geral s ão superiores em mate mática, e m cons truçõe s , na montage m de que bra- cabeças e na resolução de problemas.

Pode parecer politicamente corre to fingir que as diferenças entre os s e xos s ão pequenas e sem importância, mas inúme ras evidências apontam em outra direção: fomos e s tr utur ados de mane ir as dife r e nte s e e voluímos com inclinações e habilidades inatas incrivelmente variadas.

POR QUE AS MULHERES SÃO MELHOR CONECT ADAS?

A liga ção e ntr e o la do dir e ito e o la do e s que r do do c é r e br o é fe ita por um feixe de fibr a s ne r vos a s c ha ma do c or po c a los o. É e s s a c omunic a ção e ntr e os dois he mis férios que permite a troca de informaçõe s . Imagine um computador sobre cada um de seus ombros e entre eles um cabo. Esse cabo é o corpo caloso.

O ne urologis ta Roge r Gors ki, da Unive rs idade da Califórnia, e m Los Ange le s , c o nfir mo u que o c é r e br o fe minino t e m o cor po calos o mais de ns o e com mais 30 por c e nto de c one x õe s que o ma s c ulino. P r ovou ta mbé m que home ns e mulhe r e s us am áreas diferentes do cére bro para executar a me s ma tare fa. Cie ntis tas de outras parte s do mundo che garam à me s ma conclus ão.

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de fibras para conexão e trans fe rência de informaçõe s e ntre os he mis fér ios , não admira que consigam intuitivame nte avaliar pessoas e situaçõe s com rapidez e precisão.

POR QUE OS HOMENS SÓ CONSEGUEM FAZER "UMA COISA DE CADA VEZ"?

T odos os e s tudos que pesquisamos confirmam: o cére bro masculino é especializado. C o mpar time ntado. Configur ado par a s e conce ntr ar e m uma atividade e s pe cífica. Por is s o, a maioria dos home ns diz que s ó pode faze r uma cois a de cada ve z. Qua ndo um home m pár a o c a r r o pa r a c ons ulta r um ma pa , o que fa z pr ime ir o? De s liga o r ádio! A mulhe r , ge r alme nte , não compr e e nde is s o. Se e la lê, ouve e fala ao me s mo te mpo, por que ele não fa z o me s mo ? P o r que e le ins is t e e m que s e de s ligue a te le vis ão quando o te le fone toca? "Por que e le não e s cuta o que e u digo quando e s tá le ndo jor nal ou ve ndo T V?" - é u m a que ixa comum e ntre as mulhe re s do mundo todo. A r e s pos ta é que , de vido a o núme r o me nor de fibr a s c one c tor a s entre os he mis férios e à compartime ntação, o cére bro masculino é configurado para uma cois a de cada ve z. Obs e rve a image m do cére bro de um home m e nquanto ele está lendo, e você vai ver que ele fica virtualmente surdo.

O cére bro fe minino é configurado para tare fas múltiplas . A mulhe r ate nde um telefonema e nquanto prepara uma nova receita e assiste à televisão. Ou dirige , re toca a maquiage m, ouve rádio e fala no te le fone viva- voz. Se um home m e s tive r cozinhando e alguém lhe dirigir a palavra, ele provavelmente vai ficar uma fe ra, porque não consegue ler a receita e escutar ao me s mo te mpo. Enqua nto e s tá s e barbe ando, pre cis a de s ilêncio, s e não s e corta. Quas e toda mulhe r já foi acus ada de te r fe ito o home m pe r de r uma s aída na e s tr ada por e s tar falando com e le . Uma até nos dis s e que , quando e s tá com r aiva do mar ido, conve r s a e nquanto e le faz algum conserto usando o martelo. E ele acerta a unha!

P o r us a r e m ambos os lados do cér e br o ao me s mo te mpo, muitas mulhe r e s - mais ou me nos a me tade de las - têm dificuldade e m apontar qual é a mão e s que rda e qual é a dir e ita s e m pr ime ir o pr ocur ar uma indicação, como um ane l ou um s inal. Os home ns , ao contr ár io, como utilizam um la do do c é r e br o de c a da ve z, a c ha m muito mais fácil ide ntificar e s que rda e dire ita. É por is s o que mulhe re s e m todos os cantos do mundo s ão criticadas por dize re m "dobre à dire ita", quando que riam dize r "dobre à esquerda".

FAÇA O T EST E DA ESCOVA DE DENT ES

Experimente: escove os dentes. A maioria das mulheres consegue escovar os dentes andando e falando. Elas vão mais a lé m: s ão c a pa ze s de movime nta r a escova para cima e para baixo com uma das mãos e nquanto com a outra dão polime nto e m um móve l com movime ntos circulare s . Quas e todos os home ns acham is s o muito difícil, s e não impos s íve l.

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cabeça pa r a a fr e nte e pa r a tr ás c ontr a a e s c ova , ge r a lme nte no me s mo r itmo da água corrente.

A IDENT IDADE SEXUAL

Qua s e todos nós te mos 4 6 c r omos s omos , que s ão a pla nta ou os tijolos da c ons tr ução ge né tic a . Vinte e tr ê s c r omos s omos vê m da mãe e 2 3 do pa i. Se o 2 3 ° cromos s omo da mãe for do tipo X (te m a forma de um X) e o 23° do pai for também do tipo X, o r e s ulta do é um be bê XX: uma me nina . Ma s , s e o 2 3 ° c r omos s omo do pai fo r d o t ip o Y, o b e b ê s e r á XY, um me nino. O molde bás ic o pa r a o c or po e o cér e br o humanos é fe minino - todos come çamos como me ninas - e é por is s o que os home ns têm caracte rís ticas fe mininas , como mamilos e glândulas mamarias .

Até seis a oito semanas a partir da concepção o fe to é mais ou me nos assexuado e pode desenvolver órgãos genitais masculinos ou femininos.

O dr. Gunthe r Dorne r, re nomado cie ntis ta ale mão, pione iro e m e s tudos ne s s a áre a, foi dos prime iros a apresentar a teoria de que nossa identidade sexual se forma entre seis e oito semanas depois da concepção. Sua pesquisa de mons trou que , s e o fe to é ge ne ticame nte um me nino (XY), de s e nvolve células e s pe ciais que fazem circular pelo corpo grandes quantidades de hormônio mas culino, especialmente te s tos te r ona, for mando os te s tículos e c onfigur a ndo o c é r e br o pa r a traços e comportame ntos mas culinos , tais como vis ão a longa distância e habilidades espaciais que lhe permitam perseguir, atirar e caçar.

Digamos que um fe to do sexo masculino (XY) precise de uma certa quantidade de hor mônio pa r a for ma r os ge nita is e o tr iplo de s ta pa r a c onfigur a r o cér e br o com um s is te ma ope r acional cor r e s ponde nte , mas , por motivos que vamos dis cutir adiante, não seja aplicada a dos age m ne ce s s ár ia. Digamos que pr e cis e de quatro doses e s ó receba tr ês . A primeira dose forma os órgãos genitais mas culinos , s obrando duas para o cére bro, que fica dois te rços masculino e u m te rço fe minino. Vai nascer um me nino que , quando adulto, te rá um cére bro masculino na e s s ê nc ia , por é m c om a lguma s c a pa c ida de s e pa dr õe s de pe ns ame nto tipicamente fe mininos . Se esse me s mo fe to recebesse apenas duas doses de hormônio mas culino, uma iria para a formação dos te s tículos e outra para a configuração do cére bro. Nesse caso, o be bê teria um cére bro com e s trutura e pensamento essencialmente fe mininos em um corpo geneticamente mas culino. Ao chegar à adolescência, é provável que viesse a se revelar homossexual. No capítulo 8, vamos ver como isso acontece.

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acontece.

Avalia- se que cerca de 80 a 85 por cento dos home ns te nham o cére bro essencialmente masculino e nos restantes haja algum tipo de feminilização cere bral. Muitos de s te s últimos s e tornam gays .

Quinze a vinte por cento dos

homens têm cérebros estruturados

de modo feminino. Cerca de

dez por cento das mulheres têm

cérebros masculinizados.

Neste livro, todas as vezes que nos re fe rirmos ao gêne ro feminino estaremos falando de 90 por cento das meninas e mulheres com cére bros e s truturados para comportame ntos e s s e ncialme nte fe mininos . Em ce rca de de z por cento das mulhe re s , o cére bro recebeu, entre seis e oito semanas depois da conce pção, uma dos e de hormônio mas culino, e foi configurado, e m maior ou me nor grau, para algumas capacidades tipicamente masculinas.

A s e guir, apresentamos um teste s imple s , mas fascinante , que é capaz de me dir o quanto o seu cére bro e s tá configurado para pensamento masculino ou fe minino. As pe rguntas foram retiradas de vários e s tudos recentes sobre a sexualidade do cére bro humano e o sistema de avaliação foi desenvolvido pela geneticista britânica Anne Moir. Não existem respostas certas ou erradas, mas você vai te r uma vis ão interessante s obr e s ua s e s c olha s e s e u modo de s e r . Ao te rminar, avalie sua pontuação de acordo com a tabela. Tire cópias do teste e aplique nas pe s s oas com que m convive ou tr abalha. O r e s ultado vai e x plicar muita coisa.

O T EST E DA EST RUT URAÇÃO DO CÉREBRO

A finalidade do te s te é apontar a mas culinidade ou fe minilidade dos padr õe s do s e u cér e br o. Não há r e s pos tas ce r tas ne m e r r adas . O r e s ultado é s imple s me nte uma indicação do níve l prováve l de hormônio mas culino que s e u cére bro re ce be u - ou não - por volta de s e is a oito s e manas a partir da conce pção. Is s o s e re fle te e m seus valores, estilo, comportamento, orientação e escolhas.

Mar que com um cír culo a afir mação que lhe par e ça mais ve r dade ir a a maior parte das vezes.

1 . Quando c o ns ulta um mapa o u planta da c idade , v o c ê :

a. T em dificuldade e pede ajuda com freqüência.

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