PAULO LEMINSKI E A PRODUÇÃO POÉTICA PÓS-MODERNA COMO RESISTÊNCIA CONTRACULTURAL

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UNIVERSIDADE TECNOLÓGICA FEDERAL DO PARANÁ PROGRAMA DE PốS-GRADUAđấO EM ESTUDOS DE LINGUAGENS

  Enquanto encaramos o que precisa ser feito até a vida ser composta, finalmente, de algum trabalho voltado ao bem comum e de muita Para tentar dar conta de uma tarefa de tamanha magnitude e tentar, comoItamar, Leminski e tantas e tantos, ser porta-voz da contramensagem e de uma contravida, selecionamos alguns focos de discussão dentre todos os possíveis emuma sociedade estratificada como a nossa. Berman (1986) assinala que o texto de Marx, no Manifesto Comunista, coloca mais questionamentos do que soluções, enquanto o tom literário de seu texto reforçao propósito de “fazer o povo sentir, eis por que suas ideias são expressas através de O interesse marxista se volta ao fato de que a burguesia lançou ao mundo“novas imagens e paradigmas, vividos, da vida boa como a vida de ação.

Berman, (1989), “em meio a uma era moderna que perdeu contato com as raízes de sua própria modernidade” (p. 16)

  Berman (1986) assinala que o texto de Marx, no Manifesto Comunista, coloca mais questionamentos do que soluções, enquanto o tom literário de seu texto reforçao propósito de “fazer o povo sentir, eis por que suas ideias são expressas através de O interesse marxista se volta ao fato de que a burguesia lançou ao mundo“novas imagens e paradigmas, vividos, da vida boa como a vida de ação. A era pós-moderna, que tem início a partir da década de 70, trouxe consigo Hoje, em todo o mundo, a união entre os mercados de diferentes países numa espécie de comércio financeiro global, assim como o processo deurbanização, modificaram o senso coletivo de tempo e de espaço.

O impacto dessa mudança conhecida como “globalização” – além de inovações tecnológicas frequentemente catastróficas para o meio ambiente porque o

  Não é a conservação normal da força de trabalho que determina o limite da jornada de trabalho;ao contrário, é o maior dispêndio possível diário da força de trabalho, por mais prejudicial, violento e doloroso que seja, que determina o limite dotempo de descanso do trabalhador (MARX, 2002, p. 305-306). Viver sob o reinado do capital, cuja instituiçãodetermina até hoje infindáveis aspectos da existência humana (como o horário de acordar, de se alimentar, o tempo para o “descanso” e até mesmo as preferências eopiniões), caracterizava para a juventude uma perda de tempo O estilo propagado pelos hippies contestava o american way of life que desencadeara a Guerra do Vietnã.

Em oposição ao álcool e à cocaína, definidas pelo escritor Ernest Hemingway e ratificadas por Leminski como drogas do “homem de ação”, os jovens dos anos 60

  Ao acompanhar de perto o trabalho de artistas como Glauber Rocha,Caetano Veloso e José Celso, concentrou a essência da contracultura brasileira no título Geração em Transe, no qual revive a história com que conviveu lado a lado (e,parece-nos, também por dentro) nos anos 60 e 70. Sob a defesa de que expandir a consciência é o processo que dá início a qualquer postura realmente revolucionária, Maciel e a juventude contraculturalbrasileira acreditavam na transformação e na libertação interior como requisitos imprescindíveis “para fazer desmoronar, a nível coletivo, o pretenso mundo objetivo,ou seja, a realidade habitual” (1996, p. 274).

Como diretor, Glauber Rocha criou o chamado “cinema novo”, que rompia

  Para explicá-la, Maciel (1996) recorre às ideias de um dramaturgo nascido nosEstados Unidos, Edward Albee, que dizia preferir que um carro atropelasse um espectador saindo de algum teatro da Broadway, para que enfim algo acontecesse com a vida daquelapessoa. As transformações propostas pelo diretor, para quem “se Ao convidar para vir ao Brasil o grupo off Broadway Living Theater, que contestava o “teatrão da Broadway” e “dedicado a espetáculos não-realistas” (p.179), José Celso pôde estabelecer contato com o que se fazia de novo em teatro afora do Brasil, e colocar em prática as ideias no país.

Theater “propunha exatamente a libertação da repressão através da busca do prazer no momento presente. Nenhum pensamento no futuro; o paraíso é agora” (MACIEL

  Para isso, segundo Campos (2002),ele se dedica a três tarefas: reviver a poesia por dentro de um processo de seleção,“deixando cair os membros mortos e reproduzindo os realmente vivos”, ou seja, buscar na essência do poema o que pode cair e o que precisa ficar, porque integra aalma de um produto poético; criar harmonias que conjugam palavras e coisas, de modo orgânico, recriando e renovando padrões. Ele se colocou como uma forma de assegurar a relação direta entre as pessoas que já não vivem em pequenas aldeias, mas num mundo universal, numa aldeia global e Era preciso que o mundo se tornasse único, interligado e dinâmico, para que surgisse a necessidade de que as pessoas se relacionassem com estemundo, de alguma forma semelhante à maneira como elas se relacionam pessoalmente com seus acontecimentos do dia a dia.

Num lirismo quase subterrâneo, Leminski aponta “para a desagregação do homem, com o passar do tempo, e para a transitoriedade da poesia” (BOVINCINO e

  Ainda que essa ideia não alcance de todo o leitor comum, está acessível, no poema, a ideia de se apagar tudo o que as influências externasfizeram de nós até chegarmos à essência de nós mesmos. Elenca asrespostas, uma após a outra: “choram os que no Brasil viveram em país estrangeiro”; “choram todos os que viveram uma vida que não era sua”; “chora toda esta geração que não conseguiu ser na medida de suasfantasias”; e, por fim, “choram todos os que dançam” (LEMINSKI, 2012, p. 56, 57 e58).

Enquanto o mundo capitalista valoriza quem “trabalha”, no sentido produtivo e assalariado do termo, Leminski mostra às crianças que fazer poesia é andar na

  Liberto eobstinado, foi tentando ser exatamente aquilo que era, e de tentar chegou além de si: alcançou todos nós e às nossas angústias de viver vidas que não são nossas,mas que servem aos patrões e poderosos, que se gastam nos trânsitos, nos ônibus, no chão das fábricas, no salário que sequer dá conta de alcançar o fim do mês. Que se tenha ao menos, porém, um pouco de imaginação histórica para compreender que mais de uma geração virá e desaparecerá entre apobreza econômica e cultural dos dias de hoje e o momento em que a arte se fundirá com a vida, isto é, quando a vida se enriquecerá em proporçõestais que se moldará inteiramente na arte.

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