Bruno Marinho Trindade A PISTA DO DESENVOLVIMENTO: O CASO DA BASE AÉREA DE SANTA MARIA (1970-1971)

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Bruno Marinho Trindade

A PISTA DO DESENVOLVIMENTO: O CASO DA BASE AÉREA DE SANTA

MARIA (1970-1971)

  Santa Maria, RS

  

Bruno Marinho Trindade

A PISTA DO DESENVOLVIMENTO: O CASO DA BASE AÉREA DE SANTA MARIA (1970-1971)

  Trabalho final de graduação apresentado ao Curso de História – Área de Ciências Humanas, do Centro Universitário Franciscano, como requisito parcial para obtenção do grau de Licenciado em História.

  Orientador: Prof. Ms. Alexandre Maccari Ferreira Santa Maria, RS

  Bruno Marinho Trindade

A PISTA DO DESENVOLVIMENTO: O CASO DA BASE AÉREA DE SANTA MARIA (1970-1971)

  Trabalho final de graduação apresentado ao Curso de História – Área de Ciências Humanas, do Centro Universitário Franciscano, como requisito parcial para obtenção do grau de Licenciado em História.

  _______________________________________________ Prof. Ms. Alexandre Maccari Ferreira – Orientador (Unifra) ________________________________________________

  Prof. Dr. Carlos Roberto da Rosa Rangel (Unifra) ________________________________________________

  Profª. Msª. Roselâine Casanova Corrêa (Unifra)

  

Agradeço aos meus pais pelo apoio constante durante o curso, ao

Professor Alexandre Maccari Ferreira, por sua amizade e dedicação

na orientação desta pesquisa, e a todos aqueles que de alguma forma

contribuíram para a sua execução. Agradeço também, aos professores

RESUMO

  Esta pesquisa tem por objetivos, esclarecer os reflexos econômicos no município de Santa Maria, a partir da construção de uma base da Aeronáutica, no período de 1970-1971. Para isto, foi necessário um estudo bibliográfico sobre vários assuntos, combinados com reportagens de jornais da época referente ao tema. Desta forma, é apresentada uma contextualização histórica do município, abordando questões referentes à presença militar na cidade, desde os tempos de Brasil colônia até a atualidade, e a chegada da Viação Férrea em fins do século XIX. Estes dois aspectos, combinados com um contexto de Segunda Guerra Mundial, nos ajudam a entender a importância de Santa Maria para a construção de uma base da Aeronáutica na década de 1940, tornando-se esta presença definitiva na década de 1970.

  Este último período corresponde também ao Regime Civil-Militar brasileiro (1964-1985), do qual também é um assunto fundamental para o entendimento do tema desta pesquisa. Com este estudo, ficou evidente então, que a construção da Base Aérea de Santa Maria significou um acréscimo do ponto de vista econômico, aumentando o potencial dos setores de serviços da cidade e gerando novos empregos. Assim, fica claro o quanto a presença da ferrovia, e das forças armadas brasileiras de uma forma geral, contribuíram para o crescimento econômico da cidade, sendo a base aérea apenas uma amostra disto.

  Palavras-chave: Santa Maria. Base Aérea. Economia.

ABSTRACT

  This research has the objective to clarify the economical consequences in Santa Maria, from the construction of an Air Force base in the period 1970-1971. For this it was necessary to study the literature on various subjects, combined with reports from newspapers of the time on the topic. Thus, we present a historical overview of the city, addressing issues related to the military presence in the city since the days of colonial Brazil until today, and the arrival of Transportation Railroad in the late nineteenth century. These two aspects, combined with a backdrop of World War II, helps us understand the importance of Santa Maria for the construction of an Air Force base in 1940, becoming this definitive presence in the 1970s. This latter period also corresponds to the Brazilian Civil-Military Regime (1964- 1985), which is also a key issue for understanding the theme of this research. With this study it was evident then that the construction of Santa Maria Air Base has meant an increase in economic standpoint, increasing the potential of services sectors of the city and creating new jobs.Thus, it becomes clear how the presence of the railroad, and the Brazilian armed forces in general, contributed to the economic growth of the city, and the air base just a taste of it.

  Keywords: Santa Maria. Air Base. Economic.

SUMÁRIO

  INTRODUđấO..........................................................................................................................6

  1. SANTA MARIA: HISTORICAMENTE UM PONTO ESTRATÉGICO NO SUL DO BRASIL......................................................................................................................................9

  2. OS PRIMEIROS VOOS DA AVIAđấO MILITAR NO BRASIL E O CASO DE SANTA MARIA.....................................................................................................................................16

  3. O REGIME CIVIL-MILITAR (1964-1985) E A CONSTRUđấO DA BASE AÉREA DE SANTA MARIA.......................................................................................................................23

  3.1 Algumas observações sobre o Regime Civil-Militar..........................................................23

  3.2 A construção da Base Aérea de Santa Maria e os primeiros reflexos econômicos e urbanísticos no município (1970-1971)....................................................................................27 CONSIDERAđỏES FINAIS....................................................................................................33 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS......................................................................................35 OBRAS CONSULTADAS.......................................................................................................36 NOTễCIAS E ARTIGOS DE JORNAIS/PUBLICAđỏES PERIốDICAS.............................36 ANEXOS..................................................................................................................................38

INTRODUđấO

  O presente Trabalho Final de Graduação (TFG) abordará a construção da base militar da aeronáutica brasileira, no município de Santa Maria (RS), no período de 1970 a 1971. Tem-se por objetivos, esclarecer as motivações políticas que levaram a cidade a ser escolhida como sede desta unidade militar, bem como os reflexos econômicos gerados pela construção da mesma.

  Com isto, deve ser dito que, primeiramente, escolheu-se este tema devido a curiosidade do autor pela história de Santa Maria, tendo-se igual interesse, por assuntos militares, mais especificamente à aviação militar brasileira. Assim, este trabalho é basicamente o resultado da combinação destas duas motivações particulares.

  No entanto, outros aspectos não são tratados com menor importância, já que estão diretamente relacionados àqueles dois primeiros pontos. Foram necessários a este estudo, uma visão acerca da construção do município, tanto sobre a sua formação sócio histórica, quanto a sua infra-estrutura em transportes, como o caso da chegada da Viação Férrea na cidade, a Segunda Guerra Mundial e o Regime Civil-Militar brasileiro. Portanto, ao longo deste estudo, serão feitas algumas contextualizações em nível nacional e internacional, levando-se em conta que a história é um processo, com diversos fatores interligados. Como consequência, nosso texto se desenvolverá em capítulos, que tornarão o espaço temporal de nosso estudo dialético, enquanto preocupação narrativa.

  Mas além do simples fato deste tema escolhido despertar a curiosidade do autor, também deve ser levado em conta, a contribuição que esta pesquisa pode dar a história de Santa Maria, uma vez que, existem poucos trabalhos abordando o caso da base aérea especificamente. Pode-se citar, por exemplo, a obra de Márcia Kaipers Machado, a qual aborda a presença das forças armadas na organização espacial da cidade.

  Igualmente, existem poucos estudos sobre assuntos referentes à aviação militar brasileira. Pode ser mencionado, o trabalho da historiadora Renata Waleska de Souza Pimenta, que estuda o caso da aviação brasileira enquanto instrumento de propaganda do governo de Getúlio Vargas, durante o Estado Novo (1937-1945), enfocando o uso do Jornal “O Estado de São Paulo” para este fim.

  Por outro lado, existe uma significativa quantidade de publicações tratando de assuntos ferroviários, como as de João Rodolpho Flôres e Maria Medianeira Padoin, ambos cidade sem levar em conta o papel destas últimas. Isto será notado no decorrer desta monografia.

  Desta forma, este trabalho, baseou-se em fontes bibliográficas e fontes primárias,

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  sendo estas últimas, diversas reportagens de jornais do estado e do município, respectivamente, o “Correio do povo” e o jornal “A Razão” (este último, nas décadas de 1940 e 1970). Foram aproximadamente 270 edições de jornais pesquisadas, obviamente, apenas algumas delas apresentando as informações desejadas. Foram utilizadas também, algumas revistas especializadas em assuntos referentes à aviação militar, como a “Revista Asas”.

  No que diz respeito à bibliografia, diversos autores foram utilizados. Sobre Santa Maria em especial, deu-se preferência aos trabalhos dos historiadores José Iran Ribeiro, Roselâine Casanova Corrêa e Silvana Grunewaldt, além daqueles já citados anteriormente.

  Deve-se salientar ainda, que autores com uma visão histórica positivista também serviram de base para este estudo, como é o caso dos santa-marienses, João Belém e Romeu Beltrão. Suas obras são provenientes da primeira metade do século XX, mas até hoje servem de base para muitos estudiosos do município de Santa Maria, já que são apresentadas diversas informações factuais e fontes primárias de difícil acesso ou que já se perderam no tempo. Além disso, estão presentes alguns relatos destes autores que vivenciaram grande parte dos acontecimentos citados em suas obras, possibilitando então, diversas interpretações e contribuições para a história da cidade.

  Deu-se ênfase neste estudo, por uma abordagem política e econômica, contudo, não se excluindo em alguns pontos do trabalho, uma visão característica da história cultural. Todas estas abordagens estão relacionadas à História Militar, uma vez que esta pode estudar as diferentes formas de interação entre as forças armadas de um país com a sociedade, ou então, as estratégias e inovações tecnológicas dos equipamentos de guerra.

  Durante a leitura deste TFG, ficará claro o quanto o Brasil está ligado historicamente a um militarismo característico dos países latino-americanos, em especial, os da América do Sul, desde os tempos em que estes se encontravam em processo de independência, no século

  XIX. Isto porque, “[...] com a guerra de quase vinte anos em algumas regiões, os Estados recém-formados se viram com exércitos volumosos, fortes e fora de controle, dominados muitas vezes por líderes políticos que eram também proprietários rurais.” (SILVA, 2010, p. 287).

  Em outras palavras, as forças armadas latino-americanas historicamente tiveram um papel ativo, seja no sentido de conflitos bélicos internacionais, seja no sentido de atuarem em seus próprios países na defesa dos interesses de uma parte da sociedade. Este último caso

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  pode ser percebido, por exemplo, durante o Regime Civil-Militar brasileiro (1964-1985) , quando as forças armadas assumiram um papel de partido político. Portanto, o termo “militarismo”, pode ser interpretado tanto, como algo ligado à estratégia militar, quanto ao processo de militarização da sociedade, ou seja, quando há a intervenção das forças armadas nos setores políticos econômicos e culturais.

  Como dito anteriormente, serão notadas algumas contextualizações ao longo do trabalho. Desta forma, foi necessário dividi-lo em três capítulos, de modo que o primeiro, apresentará algumas ideias essenciais para o entendimento dos capítulos seguintes (em especial o terceiro), como, a implantação e implementação das ferrovias na região em fins do século XIX e a presença militar na cidade.

  Já a segunda parte, abordará o início da aviação militar no Brasil, dando destaque para o caso de Santa Maria. Relacionado a isto, também será visto a inserção do município no contexto da Segunda Guerra Mundial (1939-1945), já que foi um dos acontecimentos que garantiram a presença da Aeronáutica na região.

  Por fim, o terceiro capítulo tratará do tema da pesquisa, ou seja, a construção da Base Aérea de Santa Maria no período de 1970-1971 e os primeiros reflexos econômicos gerados no município. Devido a este período em questão, foi necessário dividir esta última parte em dois subtítulos. Isto porque, a década de 1970 está inserida em um período de Regime Civil- Militar (1964-1985), do qual ajudará a compreender melhor o tema do trabalho.

  

sociedade brasileira, apoiaram diretamente ou indiretamente os militares nestes acontecimentos, como será

  

1. SANTA MARIA: HISTORICAMENTE UM PONTO ESTRATÉGICO NO SUL DO

BRASIL

  Santa Maria surgiu a partir de uma expedição militar portuguesa, em fins do século

  XVIII. Esta, juntamente com tropas hispânicas, tinha a função de demarcar os novos limites territoriais das colônias ibéricas (após o tratado de Santo Ildefonso, em 1777). Esta região,

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  naquela época, ficou estabelecida como a fronteira da colônia portuguesa com os demais territórios espanhóis, na região platina.

  Dentro do que foi explicitado, pode-se fazer então, a observação de que historicamente, Santa Maria sempre foi um centro militar, desde sua fundação, quando ainda

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  era apenas um acampamento, até a atualidade (2010) . Isto porque, a partir de uma idéia geopolítica, é considerada um ponto estratégico, já que desde o século XIX, está situada na região central do estado mais ao sul do país.

  Desta forma, seu processo inicial de crescimento, esteve relacionado, principalmente ao militarismo, já que “[...] ao pequeno acampamento da comissão demarcadora de 1797, se juntaram os habitantes das proximidades, dando início efetivamente a povoação. Todos estes acontecimentos destacam a forte presença dos militares desde os tempos colônias (sic)”. (RIBEIRO, 2010, p. 229).

  Antes de tudo, é preciso deixar bem claro em que sentido o termo ‘ponto estratégico’ está sendo utilizado. Isto significa que, Santa Maria, em decorrência de sua posição geográfica, sempre foi considerada uma cidade onde, do ponto de vista econômico, político e militar, está próxima dos países platinos, Argentina e Uruguai. Esta proximidade facilitaria então, o comércio com aqueles países e ao mesmo tempo, em caso de possíveis hostilidades com os mesmos, poderia-se deslocar rapidamente contingentes militares para as fronteiras.

  Desde o período em que o Brasil foi colônia de Portugal, e posteriormente, tenha se tornado independente, passando por um período imperial até a República dos dias de hoje, esta cidade, não perdeu sua importância dentro do contexto regional. Isto porque, apesar de sua característica militar sempre presente, com o passar do tempo, outros setores também foram se desenvolvendo, como será visto mais adiante neste trabalho. Fato que reforça a ideia do município como ponto estratégico no Estado.

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  Ao longo dos anos, diversos quartéis foram sendo instalados no local, contribuindo assim, para um aumento populacional. Sobre o crescimento da cidade em fins do século XIX e início do XX, Silvana Grunewaldt diz que, “[...] esteve diretamente relacionado à criação do primeiro regimento da cavalaria da Brigada Militar [...] em 1892 e do Sétimo Regimento da Infantaria, em 1908, os quais trouxeram um grande contingente de pessoas para residirem na cidade.” (2010, p. 337). Seguindo ainda esta idéia, sobre o período em questão, João Belém, acrescenta que, “[...] os quartéis do 7° de Infantaria, do 5° de Artilharia, ambos do Exército Nacional e o do 1° Regimento de Cavalaria da Brigada Militar, coorporações essas em que não poderá haver menos de 1500 homens.” (2000, p. 185).

  Deve-se levar em conta que, tal aumento populacional da cidade não ocorre apenas com os soldados em si, mas junto com estes, estão também suas famílias. Além disso, deve-se observar que, a construção destes quartéis gerou uma expansão urbana,

  [...] pois devido a sua localização, mais afastada do centro urbano, era preciso estabelecer uma certa infra-estrutura para atender aos quartéis, bem como aos militares, por exemplo, energia, transporte, serviço de saneamento básico, calçamento, entre outros, que influenciou no crescimento da cidade nas áreas ao redor dos quartéis. (MACHADO, 2008, p. 90).

  Juntamente com este aspecto militar da cidade, destaca-se que, a partir de fins do século XIX, esta também passou a ser considerada um importante centro ferroviário do Rio Grande do Sul. Logo, constituiu-se em um ponto de entroncamento de várias ferrovias. Sua importância como centro ferroviário perdurou até a década de 1950, quando a partir daí este tipo de meio de transporte entrou em decadência no Brasil (devido aos maiores investimentos do governo federal no sistema rodoviário).

  Observa-se nisso, novamente a importância estratégica que a região sul do país e principalmente, Santa Maria, representava para o governo brasileiro. Sobre a construção das ferrovias no Rio Grande do Sul, João Rodolpho Flôres, afirma que,

  o foco político-governamental dado ao processo priorizava o avanço de linhas férreas do sudeste em direção ao Rio Grande do Sul. A província localizada no extremo do país possuía importância estratégica considerada fundamental por estar junto às fronteiras do Uruguai e Argentina, e próxima ao Paraguai . (2007, p.92).

  Dentro disto, no ano de 1885, foi concluía parte da primeira estrada de ferro que passaria pela cidade, tendo-se por objetivo, que aquela fizesse a ligação entre Porto Alegre e

  Na virada do século XIX para o XX, Santa Maria foi a cidade escolhida, para ser a sede administrativa da empresa concessionária das ferrovias, no estado do Rio Grande do Sul. 5 Tratava-se, da empresa belga Compagnie Auxiliare des Chemis de Fèr du Brèsil , que em decorrência da necessidade de alojamento para os seus funcionários (e as famílias destes), construiu nas proximidades da estação ferroviária, a Vila Belga, em 1903.

  A construção deste conjunto habitacional foi um dos primeiros reflexos de modificação da paisagem urbana, gerada pela chegada da ferrovia na cidade. Nos anos seguintes, novos bairros foram surgindo, na medida em que a cidade atraía mais moradores. Vale ressaltar que, alguns desses bairros eram locais de grande concentração de trabalhadores da Viação Férrea, como por exemplo, o bairro Itararé e o Km2.

  Sobre o aumento populacional e de construções, observa-se que “entre 1883 e 1891 o município passou de 3.224 habitantes para 25.207, número que em 1900 subiu para 33.524. E o número de edificações subiu de 486 em 1894 para 1323 em 1900 e para 1904, em 1909”. (BELTRÃO apud GRUNEWALDT, 2010, p. 337). Neste sentido, faz-se a observação de que o crescimento espacial da cidade (devido em grande parte, pelos contingentes militares e pela chegada da ferrovia) se deu de forma desordenada, apresentando a cidade, deficiências nas aéreas de saneamento básico, energia elétrica e calçamento das ruas.

  Ao longo do tempo, Santa Maria se tornou um entreposto obrigatório para quem viajava pelo estado do Rio Grande do Sul, já que era um ponto de entroncamento de importantes ferrovias. Este fato reforçou a ideia de Santa Maria como uma cidade cosmopolita. Isto porque, “[...] como ponto de interseção de linhas que a ligavam a vários outros municípios, os contatos humanos, culturais e econômicos foram sempre crescentes.” (FLÔRES, 2007, p. 140). O município passou a abrigar pessoas de várias regiões do estado, do país e do exterior. Nas primeiras décadas do século XX, a rede hoteleira começou a se desenvolver na cidade, impulsionando também o comércio e outros serviços, como será detalhado mais adiante.

  Desta forma,

  [...] a história do município de Santa Maria é dividida em três períodos: o primeiro, a fase em que o núcleo urbano está vinculado às atividades militares de fronteira (desde o final do século XVIII até quase final do século XIX); o segundo, quando se torna centro da malha ferroviária do Rio Grande do Sul e é alvo de grande modernização urbana (desde o século XIX até a década de 50) e o terceiro, quando passa a abrigar a Universidade Federal de Santa Maria, na década de 1960, e se

  constitui em um importante pólo educacional do interior do Estado. (CORRÊA, 2005, p. 17).

  Porém, pode-se observar ainda, que além do aspecto econômico das ferrovias no estado, estas também estavam ligadas a uma política beligerante por parte do governo brasileiro, o que reforça então a ideia de Santa Maria como um centro militar. A construção das ferrovias nesta região em questão, não pode ser separada do uso militar das mesmas. Portanto,

  [...] a transformação da cidade de Santa Maria no principal centro ferroviário gaúcho decorreu, em linhas gerais, de circunstâncias pertinentes à geopolítica brasileira em relação à região platina e em função da evolução econômica do Rio Grande do Sul. [...]. A dinâmica da economia platina fez da localidade de Santa Maria um ponto de referência geopolítica. Para isso, dois elementos foram determinantes: sua posição estratégica do ponto de vista militar e a consolidação do sistema ferroviário no sul do Brasil [...]. (FLÔRES, 2007, p. 142).

  Ao pensar ainda esta relação, entre as ferrovias e o militarismo, Cirilo Costa Beber, destaca que, “a distância entre os trilhos era de 70 centímetros. Essa bitola (estreita) era mais econômica. Além disso, por motivo de segurança militar, a mais indicada. Como os países do Prata adotavam a bitola larga [...], a diferença entre as duas dificultava possíveis invasões.” (1998, p. 71).

  Márcia Kaipers Machado, destaca que,

  [...], a posição ocupada por Santa Maria, no final do século XIX, como entroncamento ferroviário, deveu-se a sua histórica relevância estratégica, confirmada também por sua localização geográfica ao Centro do Estado. [...]. A implementação da ferrovia em Santa Maria, que trouxe um grande desenvolvimento para a mesma, pode ser atribuída também a sua função militar e estratégica, assumida desde o seu surgimento com o antigo acampamento militar. (2008, p. 88).

  Com o que foi dito até aqui, pode-se assinalar que este centro urbano, teve seu processo de crescimento ligado principalmente, ao militarismo, com a instalação de quartéis e seus consideráveis contingentes, e à Viação Férrea, neste último caso, em fins do século XIX. Ainda relacionado a este último ponto em especial, tem-se o desenvolvimento do setor de serviços, do qual, mesmo com a decadência da Viação Férrea (em meados da década de 1950), continuou se expandindo e se consolidou. A cidade “buscou no comércio, na agropecuária e nos serviços de saúde e de educação a perenidade para a continuação do seu crescimento, após os anos 50 do século passado.” (FLÔRES, 2007, p. 141).

  Sobre o comércio, pode ser dito que este, apesar de estar ligado ao processo de formação da cidade (desde o seu início de povoamento), apresentou um forte crescimento em função da Viação Férrea. Sobre isto, Maria Medianeira Padoin, afirma que: “Quanto ao comércio, este está vinculado ao desenvolvimento da história de Santa Maria e com a Viação Férrea se intensifica, sendo um atrativo a ‘homens de negócios’ [...]” (2010, p. 327).

  Deve-se destacar, ainda no setor de serviços, as atividades relacionadas à saúde e à educação. Pode-se dizer que assim como o comércio, também estas duas áreas, foram beneficiadas com a chegada da Viação Férrea. Na área da saúde, destaca-se a construção da

  6 Casa de Saúde, pela Cooperativa dos Empregados da Viação Férrea e o Hospital de Caridade, que recebeu um apoio financeiro da Viação Férrea para a conclusão de suas obras.

  Na primeira metade do século XX, foram criadas importantes escolas, como, por exemplo, a Escola de Artes e Ofícios e a Escola Santa Terezinha, ambas construídas também pela Cooperativa dos Empregados da Viação Férrea, afim de formar mão-de-obra especializada para os trabalhos da própria empresa. Sobre a cooperativa, Flôres relata que,

  a partir da década de 1920, [...], praticamente todo o operariado ferroviário gaúcho estava associado à entidade. Essa situação favorável propiciou uma série de outras obras na cidade, pois o capital gerado pela COOPFER e suas diversas movimentações financeiras, contribuíram para dinamizar novas atividades, como as empresas prestadoras de serviços e pequenas indústrias, destacando-se entre elas a da construção civil, o comércio de alimentos e de vestuário em geral. (2007, p. 174).

  Pode-se citar ainda, que no mesmo período, foram construídas algumas escolas particulares, como exemplo, o Colégio Sant`Ana, “[...] tendo como entidade mantenedora a Sociedade Caritativa e Literária São Francisco de Assis” (BEBER, 1998, p. 16) e o Colégio Centenário (da Igreja Metodista do Brasil). Assim, sobre a quantidade de estabelecimentos de ensino, “Santa Maria, por volta de 1950, possuía o título de ‘Metrópole Escolar do Rio Grande do Sul’, devido o grande número de escolas da rede Municipal , Estadual e Particular.” (PADOIN, 1010, p. 326).

  Belém, em sua obra “História do Município de Santa Maria 1797-1933”, já dizia: “[...], atualmente, Santa Maria ocupa lugar saliente em assunto concernente às letras.” (2000, p. 231).

  No início da década de 1930, foi criada na cidade, a primeira escola de ensino superior, sendo esta então a Faculdade de Farmácia e Odontologia de Santa Maria.

  Em 1960, período em que a Viação Férrea já estava em decadência no estado (e por consequência, na cidade), foi inaugurada, a Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), consolidando o município como um pólo educacional. Assim,

  o [...] fato traz em si uma tradição, quase uma vocação educacional de Santa Maria, em apresentar ensino de qualidade nas suas escolas criadas ao longo da primeira metade do século XX, as quais sempre atraíram pessoas de várias localidades. A UFSM deu novo impulso a essa realidade, recebendo milhares de estudantes, e também suas famílias. Além dos recursos destinados pelo governo federal [...], do que resultaram obras quase que permanentes na Instituição, também a massa de recursos salariais trouxe ao município um aporte de novos investimentos e captação de impostos. (FLÔRES, 2007, p. 245).

  Nesse sentido, o comprometimento e a relevância dada ao campo da educação, foi de fato caracterizado pela formação da UFSM, o que evidencia a partir daí, o reconhecimento dado ao município também como um pólo educacional.

  Com isto, pode-se dizer então, que nas últimas décadas, Santa Maria tornou-se um ponto estratégico não só pelo ponto de vista geopolítico, mas também por todos os outros setores aqui citados, que se expandiram em decorrência da presença militar e da Viação Férrea. Isto porque, a cidade tornou-se um centro de referência no interior do Rio Grande do Sul, no que diz respeito aos serviços de educação, saúde e comércio.

  Sobre as origens do desenvolvimento da cidade, Flôres, destaca que,

  a cidade Santa Maria é marcada por inúmeras particularidades que tornam difícil uma afirmação definitiva sobre sua caracterização histórica, seja sob o ângulo de análise institucional, seja pelas suas vicissitudes econômicas, sociais e culturais. Portanto, sua gênese e desenvolvimento devem ser entendidos como decorrência da multiplicidade de acontecimentos e repercussões, muitas delas perenes, como no caso da presença militar, da riqueza de sua história institucional ferroviária e das vivências dos trabalhadores ferroviários, do progresso comercial e dos serviços de educação e saúde. (2010, p. 19).

  Apesar da dificuldade em definir um único caráter à cidade, ou então, um único fator que levou ao seu crescimento, pode-se afirmar que, desde o seu surgimento até a atualidade, o militarismo sempre esteve presente, e foi decisivo na sua expansão. Por mais que a ferrovia tenha contribuído significativamente para as mudanças aqui citadas, observa-se que de certa forma, a sua construção na região central do Estado, também estava ligada a um aspecto militar (logicamente, não se excluindo a sua utilização econômica).

  Ao longo dos anos, mais quartéis foram construídos em Santa Maria, incluindo-se aí, a partir da década de 1920, um Parque de Aviação Militar, do qual,

  [...] foi um prelúdio da futura base aérea, que mais tarde foi instalada no município, [...], e serviu para complementar, na prática, os intentos de segurança das autoridades brasileiras já demonstradas desde o Império, quando então apostaram na implantação de ferrovias para esse fim. (FLÔRES, 2007, p. 159).

  Nos próximos capítulos, serão abordados com mais detalhes, o processo de implantação da aviação militar em Santa Maria, bem como as motivações que levaram a construção de uma base da Aeronáutica nas décadas de 1940 e 1970. Sobre este último período, será dado destaque às influências econômicas e urbanísticas geradas na cidade.

  

2. OS PRIMEIROS VOOS DA AVIAđấO MILITAR NO BRASIL E O CASO DE

SANTA MARIA

  Primeiramente, deve ser feita a observação de que o avião é uma tecnologia nova, se comparada a outros meios de transportes (como por exemplo, os trens), e da mesma forma, é um equipamento muito recente, quando usado para fins militares. Trata-se de uma invenção do início do século XX, mas que em poucos anos passou a ser incluída como uma eficiente máquina de guerra.

  Além da eficiência do avião (pensando-se de uma forma geral), pode-se fazer ainda, uma associação entre este e os tradicionais trens a vapor, já que

  [...], as ferrovias foram determinantes para o chamado devir de modernidade, vivido pela humanidade na transição dos séculos XIX para o XX. Modernidade essa entendida como avanço dos processos tecnológicos, que propiciaram uma nova percepção do conceito de civilização, na ótica de uma sociedade capitalista em marcha [...]. (FLÔRES, 2007, p. 63).

  Portanto, ambos têm em comum, o impacto causado no imaginário das pessoas, no sentido de serem vistos como símbolos de modernidade, nas épocas em que surgiram. Se no século XIX, a ‘Maria Fumaça’ era símbolo de progresso e de civilização, no início do século seguinte, os aviões podem ter provocado o mesmo sentimento na sociedade.

  Desta forma, “[...] é verdade que estes protótipos, [...], simbolizavam na época a vanguarda do progresso e da modernidade tecnológica, um verdadeiro desafio às leis da natureza.” (ISNENGHI, 1995, p. 38). Mas não demorou muito para que este equipamento, quando assumiu funções militares, tenha se tornado uma ameaça às populações cercadas pelas guerras, na medida em que os resultados começaram a aparecer, ou seja, morte e destruição. Com o passar dos anos, os aviões militares passaram a despertar a imaginação e o medo das populações civis pelo mundo.

  Um dos primeiros conflitos (ou então, o maior deles até então), em que os aviões militares foram largamente utilizados, mesmo que de forma arcaica, foi a Primeira Guerra Mundial (1914-1918). “Em 1914, a aviação está ainda engatinhando: passaram-se apenas

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  onze anos desde que os irmãos Wright conseguiram fazer voar um biplano a motor [...].” 7 (ISNENGHI, 1995, p. 38).

  Sobre a imagem que a aviação representava para a sociedade civil durante este conflito, Mario Isnenghi, destaca que, “[...] decerto impressiona a imaginação dos civis. Ela faz bela figura nos cartazes de propaganda e seduz ao mesmo tempo a impaciência dos modernistas e a nostalgia dos tradicionalistas: os pilotos podem ter a imagem de novos cavaleiros dos ares.” (1995, p. 37).

  Mas além da impressão causada pelos aviões na população em geral, deve-se salientar que, além das funções a que estas máquinas eram designadas para as batalhas, da mesma forma, causavam um impacto psicológico nas forças oponentes.

  No caso do Brasil, por mais que este não tenha participado de forma direta do conflito citado, pode ser dito que, durante o mesmo período em questão, este tipo de

  8 equipamento também já estava sendo introduzido como ferramenta militar .

  Pode-se notar inclusive, que nas revoltas e revoluções que ocorreram no país, nas primeiras décadas do século XX, os aviões foram utilizados. Como exemplo, pode-se citar a Guerra do Contestado (1915), “quando aeronaves foram usadas pelas forças governistas em missões de reconhecimento e bombardeio contra os rebeldes.” (REVISTA ASAS, 2005, p. 8), ou na Revolução Constitucionalista. Sobre esta última,

  [...], em 1932, as aviações da Marinha e do exército combateriam juntas contra as forças paulistas, [...]. Porém, as aeronaves federais não seriam as únicas a atuar - respondendo ao governo estadual, os aviões da Força Pública de São Paulo foram engajados nos combates. [...], aeronaves dos lados em luta confrontaram-se nos céus, mas o fato é que, na maioria das vezes as aeronaves da Aviação Militar (Exército) e a da Força Pública ocupavam-se principalmente de atacar as tropas e posições terrestres dos respectivos lados oponentes. (REVISTA ASAS, 2005, p. 9).

  Como foi dito, nesta época, as aeronaves pertenciam ao Exército e a Marinha do Brasil, já que a Força Aérea só foi criada durante a Segunda Guerra Mundial, em 1941. Neste contexto, de surgimento da aviação militar brasileira, mesmo antes da criação da Força Aérea, pode-se inserir o município de Santa Maria.

  No capítulo anterior, foi mostrada a importância de Santa Maria na região sul do país, devido a sua localização geográfica, e ligado a isto, a sua referência como entreposto ferroviário e militar. Sobre este último aspecto, foi destacada então a presença de consideráveis contingentes na cidade, e a construção de vários quartéis ao longo dos anos. A partir disto, observa-se que, a cidade também passou a fazer parte da estratégia militar no que diz respeito à aviação.

  Já em 1922, era inaugurado o Parque de Aviação Militar (PAM), colocando então, Santa Maria no cenário da aviação militar brasileira. Este “fato [...] para a época revestiu-se de vasta significação, porque a aviação era uma conquista recente da humanidade [...]” (FLÔRES, 2007, p. 159) e serviu para estimular o imaginário da população ‘santa-mariense’

  9 sobre a aviação .

  Sobre a construção do PAM, deve-se destacar ainda, a participação de uma comissão francesa na escolha do local, e também no que diz respeito às aeronaves que seriam utilizadas, já que estas seriam originárias da França. Vale observar que, os aviões foram utilizados por aquele país, poucos anos antes, na Primeira Guerra Mundial.

  Assim, o local escolhido para a instalação do Parque de Aviação em Santa Maria, “corresponde hoje a área do exército no bairro Boi Morto, [...]. Na época de sua instalação, o Parque de Aviação Militar situava-se numa área próxima ao campo de instrução do Saicã, em Rosário do Sul-RS, para facilitar o deslocamento e o treinamento militar.” (MACHADO, 2008, p. 132).

  Pode-se perceber com isto, que a chegada desta unidade, influenciou também na expansão urbana de Santa Maria, da mesma forma que os demais quartéis, e reforçou a importância da cidade na área militar. Sobre isto, Machado, também afirma que,

  por sua função, [...] foi instalado [...] numa área a sudoeste e afastada da zona urbana. Apesar disso, sua implementação na cidade proporcionou o desenvolvimento da mesma nessa área, surgindo os primeiros caminhos que davam acesso ao Parque, e posteriormente, as pavimentações e moradias nas proximidades, impulsionando o crescimento urbano para oeste e sudoeste. (2008, p. 92).

  Interessante notar que, da mesma forma que a construção do PAM influenciou na expansão urbana de Santa Maria, devido à grande distância em que se encontrava, aquele também “sofreu vários problemas de administração e manutenção, dada [justamente] pela sua distância dos grandes centros urbanos e da própria cidade de Santa Maria, [...].” (MACHADO, 2008, p. 132). Devido a estes problemas, é que no final da década de 1930, o PAM foi extinto. Apesar disso, Santa Maria não perdeu sua importância dentro da aviação militar brasileira, já que poucos anos mais tarde, agora sob a influência da Segunda Guerra Mundial (1939-1945), seria construída uma base aérea, em outra região do município.

  Sobre a Segunda Guerra Mundial, pode-se dizer que, foi o acontecimento que ‘alavancou’ a indústria da aviação militar no mundo, e da mesma forma, inseriu o Brasil no grupo de países que passaram a investir cada vez mais neste tipo de equipamento.

  Antes de tudo, devem-se contextualizar estes acontecimentos com a política externa do governo de Getúlio Vargas, no Brasil, durante o regime do Estado Novo. Tendo este governo um caráter autoritário, deve ser destacado que, o mesmo estava sob a influência das duas principais potências militares envolvidas na guerra. Do lado dos Aliados, os Estados Unidos da América (EUA), e do outro, a Alemanha, liderando os países do Eixo. Logo, costuma-se destacar a política pendular do governo Vargas. Sobre isso, Antonio Pedro Tota, diz que,

  Vargas soube tirar proveito das contradições entre o imperialismo alemão e o norte- americano, através de uma política externa, conhecida como política pendular. Sua habilidade foi suficiente para se manter numa eqüidistância relativa entre as duas potências, apesar das tendências nazi-fascistas de alguns elementos do primeiro escalão de seu governo, [...]. (1987, p. 50).

  Sobre esta política pendular, deve ser destacado que, com o passar do tempo foi ocorrendo uma crescente aproximação entre os governos do Brasil e Estados Unidos, e consequentemente, um distanciamento da Alemanha. Um dos motivos que levaram a isto, diz respeito aos investimentos externos que o governo brasileiro necessitava para a construção da Usina Siderúrgica de Volta Redonda, no Estado do Rio de Janeiro. Desta forma, o governo norte-americano se dispôs a ceder este financiamento, de modo a tornar o Brasil um aliado.

  A presença da Alemanha já se fazia sentir pelo fornecimento dos armamentos fabricados pela Krupp. Mas, no momento em que parecia se concretizar o financiamento da construção da usina siderúrgica através da empresa alemã, o governo americano, mais do que depressa, concedeu através do EXIMBANK (Export-Import Bank) um empréstimo, segundo John W.F. Dulles avaliado entre ‘US$ 15 e US$ 20 milhões, de modo que a usina pudesse ser instalada independentemente da participação de qualquer empresa estrangeira’. (TOTA, 1987, p. 51).

  Os investimentos do governo norte-americano continuaram, até que começaram a ser direcionados para as forças armadas brasileiras. “O governo Roosevelt abriu uma linha de crédito para as Forças Armadas, no valor de US$ 100 milhões. As tensões diminuíram.” (TOTA, 1987, p. 52). Este dinheiro chegou em um momento oportuno, já que há anos os militares brasileiros desejavam o reequipamento das forças armadas.

  Para os Estados Unidos, não era interessante ter o Brasil como um aliado da Alemanha, já que o controle do Atlântico sul pelos Aliados era imprescindível para a estratégia de guerra contra o Eixo. Neste sentido, deve ser dito que, a aproximação do governo norte-americano com o Brasil não ocorreu apenas nas áreas política e econômica, já que “se fizeram presentes também no campo da cultura. Foi para isso que foi enviada para cá a Missão Rockefeller. [...]. Além de [Walt] Disney vieram com a missão cultural famosos artistas do cinema americano [...].” (TOTA, 1987, p. 53).

  Todas estas relações estão inseridas no que se conhece por “Política da Boa

  influência política e econômica na América Latina. Esta política estava ligada ao clima de conflito mundial pois,

  [...] [Franklin] Roosevelt [presidente dos EUA] também aumentou relações formais com os militares latino-americanos e montou os primeiros esquemas de ajuda financeira na área de desenvolvimento social e cultural, visando ao apoio dos países latino-americanos no caso de guerra. (PURDY, 2007, p. 214).

  Com a iminência de o Brasil entrar no conflito mundial, foi criado em 1941 o Ministério da Aeronáutica “[...] e, junto com este, a Força Aérea Brasileira (FAB, inicialmente designada Forças Aéreas Nacionais e que absorveu totalmente as aviações do Exército e da Marinha).” (REVISTA ASAS, 2005, p. 9).

  Após o definitivo rompimento de relações do Brasil com os paises do Eixo (em 1942), o país estava mais perto de entrar no conflito mundial. E isto ocorreu alguns meses depois, após uma sucessão de naufrágios de navios brasileiros, causados por submarinos alemães. Dois anos após estes acontecimentos, entrava em combate na Itália a FEB (Força

  11 Expedicionária Brasileira), juntamente com um esquadrão de aviação de caça da FAB . “Os

  norte-americanos treinaram oficiais brasileiros, fornecendo 50% dos armamentos. O total da FEB era de 25.162 soldados, divididos em 5 escalões.” (FLORES, 2008, p. 252).

  Os investimentos no setor militar, pelo governo norte-americano no Brasil foram crescentes, incluindo-se nisto, acordos para a utilização de aeródromos brasileiros, por parte das forças armadas estadunidenses. O mesmo foi feito para a construção e reforma de bases 10 aéreas no país. Assim,

  

Sobre a Política de Boa Vizinhança, que não é o cerne de nossa pesquisa, existem dois estudos importantes de

11 Antonio Pedro Tota e Gerson Moura.

  [...] as autoridades brasileiras [...] conseguiram [...] um contrato para que a Panair do Brasil (subsidiária da Pan American Airways) construísse ou reformasse os aeroportos de Amapá, Belém, São Luís, Fortaleza, Natal, Recife, Maceió e Salvador, em obras custeadas pelos norte-americanos, e também, mais tarde, que o Brasil passasse a ser beneficiado pela Lei de Empréstimos e Arrendamentos (Lend-Lease), que permitia a aquisição de equipamentos militares dos EUA [...]. (REVISTA ASAS, p. 9).

  Conforme a citação acima, observa-se que a maioria dos aeroportos (alguns deles, transformando-se em bases aéreas da FAB) situavam-se no nordeste brasileiro, pois aquela região serviria de ponto de partida para as operações das forças armadas estadunidense no norte do continente Africano.

  Mas se o norte e nordeste brasileiro eram estratégicos para as operações militares aliadas, o sul do país não era diferente, pois o município de Santa Maria foi novamente escolhido para servir de sede da aviação militar brasileira (agora, sob responsabilidade do recém criado Ministério da Aeronáutica). Mais uma vez, a sua posição geográfica influenciou na escolha, pois temia-se pelas fronteiras do sul do país

  12 .

  Assim como nas demais, a construção desta nova base aérea na região, que na prática era uma pista de pouso e decolagem com um hangar (DIÁRIO DE SANTA MARIA, Santa Maria, 14 e 15 out. 2006. p. 14), também recebeu o apoio norte-americano. No ano de 1944, portanto, quando o Brasil já estava envolvido militarmente no conflito mundial,

  [...] o Exmo. Sr. Presidente da República dos Estados Unidos do Brasil, Getúlio Dornelles Vargas, desapropriou em caráter de urgência, terrenos e as benfeitorias neles existentes, situados em Santa Maria, Estado do Rio Grande do Sul, compreendendo aproximadamente uma área de 4 milhões e meio de metros quadrados, com a finalidade da construção da Base Aérea de Santa Maria. Em abril de 1945, foi dada como concluída a construção do Aeródromo [...], pelo Ministério da Aeronáutica, em colaboração com o Departamento do Exército dos Estados Unidos da América do Norte , em terreno do Município de Santa Maria, distrito de Camobi. 13 [grifo nosso].

  Percebe-se com isto, o quanto Santa Maria estava inserida neste cenário de Segunda Guerra Mundial, e o quanto a mesma também fazia parte da política de apoio dos EUA, no que diz respeito a investimentos militares. Santa Maria passou então a “[...] constituir a segunda cidade brasileira a implementar uma base aérea [...]”. (AZEVEDO apud MACHADO, 2008, p. 133). 12 Lembramos que as delicadas negociações entre os Estados Unidos, Brasil e Argentina acerca dos esforços de

  

guerra pró-Aliados acabou por não contar com a adesão argentina, causando certo desconforto no plano das

  O apoio norte-americano na construção desta unidade militar, pode ser observado ainda, por meio dos discursos de autoridades da Aeronáutica responsáveis pela execução da obra, durante a cerimônia de inauguração

  14

  . Conforme reportagem do jornal santa-mariense, “A Razão”, de 13 de maio de 1945,

  [...] falou o engenheiro Alberto de Melo Flores, diretor de Obras do Ministério da Aeronáutica, que, em rápidas palavras, fez a entrega do aeroporto, destacando os trabalhos realizados e a colaboração dos engenheiros norte-americanos. Tomou a palavra, então o sr. Salgado Filho [Ministro da Aeronáutica]. S. excia, depois de realçar o acabamento da obra e de destacar também a cooperação americana na consecução do empreendimento, frisou que essa colaboração foi tão valiosa e eficiente que fez questão de trazer em sua companhia para assistir aquela cerimônia o coronel Bradley, adido de Aeronáutica norte-americano junto à sua pasta. (A RAZÃO, Santa Maria, 13 mai. 1945. p. 6).

  Pode-se notar também que, a instalação deste aeródromo, deu origem à base aérea que seria reconstruída algumas décadas mais tarde, no mesmo local, aproveitando a infra- estrutura já existente. Porém desta vez, algo mais complexo seria construído, de modo a consolidar a presença da FAB em Santa Maria, e da mesma forma, influenciar na expansão espacial e econômica da cidade até a atualidade.

  

3. O REGIME CIVIL-MILITAR (1964-1985) E A CONSTRUđấO DA BASE AÉREA

DE SANTA MARIA

  Como vimos no capítulo anterior, a aviação militar brasileira já se fazia presente em Santa Maria desde a década de 1920, quando sequer existia a Força Aérea Brasileira (FAB). Logo, também foi explicitado que, foi neste contexto de conflito mundial, que o município foi novamente escolhido para a construção de uma base aérea. A unidade militar ficou pronta em 1945, e localizava-se no distrito de Camobi, na mesma região onde hoje se encontra.

  No entanto, foi no início da década de 1970 que a presença da Aeronáutica se intensificou em Santa Maria, já que a estrutura da antiga base foi aumentada, necessitando-se por consequência, de uma maior quantidade de militares trabalhando em suas instalações. Com isto, também houve a necessidade da construção de conjuntos habitacionais em alguns pontos da cidade, a fim de abrigar estes militares e suas famílias. Mais adiante será visto, como a presença da FAB influenciou na expansão urbana e econômica de Santa Maria.

  Entretanto, é importante situar a conjuntura política do Brasil. O país vivenciava o auge do regime civil-militar (1964-1985), e por conseqüência, enfrentava grandes dificuldades sociais. Assim, talvez o único setor que recebia vultosos investimentos do governo, eram justamente as Forças Armadas. Desta forma, o fato de terem sido destinados recursos para a construção de uma base aérea em Santa Maria por esta época, não pode ser considerado como um acaso.

  Sem perder o foco no município de Santa Maria e na construção da base aérea, faz-se necessário abordar alguns pontos, que quando interligados, caracterizam este período da história brasileira.

  Primeiramente, é fundamental esclarecer que, “[...] apesar de demonizado por alguns como algo fora da normalidade, um golpe militar, quando se perpetua no poder e constitui um governo militar, precisa do apoio de parte significativa da sociedade”. (SILVA, 2010, p. 289). Foi o que ocorreu no caso brasileiro, uma vez que o golpe obteve o apoio de alguns setores da sociedade civil, neste caso, das empresas privadas (nacionais e internacionais), parte das classes médias urbanas e a grande imprensa. Esta última assumindo um papel estratégico para

  Pode-se citar um exemplo da própria cidade de Santa Maria, para ilustrar este apoio de parte da sociedade com golpe. Vani Folleto, em sua abordagem autobiográfica em que narra um período de sua infância, diz que,

  dias depois do golpe houve uma passeata, caminhada ou romaria, que partiu do centro da cidade até os quartéis, no Sétimo RI, na Avenida Borges de Medeiros. [...]. Nesse trajeto, cantava-se e rezava-se. [...]. Olhava para os lados e via as casas e a multidão à frente, além de um vão claro, longe, que não chegava nunca. Percorremos a Dr. Bozano no sentido centro-bairro. Quanto àquele clarão, ao fundo, quando chegou, eu vi que era o quartel, o Sétimo RI. Lá fizeram alguns discursos e rezas. (2005, p. 55).

  A partir do que foi exposto, deve-se destacar então, a chamada Doutrina de Segurança Nacional, da qual serviu de justificativa ideológica tanto para a tomada do poder pelos militares, quanto para legitimar o novo regime. Esta, foi ‘patrocinada’ pelas “[...] empresas nacionais e transnacionais, o governo americano e setores das Forças Armadas originários da Escola Superior de Guerra [...].” (BORGES, 2007, p. 20).

  Esta doutrina era “[...] ministrada na Escola Superior de Guerra, cuja criação, em 1949, com assistência técnica norte-americana e francesa, tinha por objetivo treinar pessoal de alto nível no sentido de exercer funções de direção e planejamento da segurança nacional.” (ALVES apud BORGES, 2007, p. 20).

  Como foi visto no segundo capítulo, durante a Segunda Guerra Mundial, as Forças Armadas Brasileiras sofreram forte influência norte-americana, em termos de equipamentos utilizados e de organização. Portanto, é de se esperar que uma aproximação ideológica das Forças Armadas Brasileiras com os Estado Unidos tenha ocorrido e continuado mesmo com o fim do conflito.

  Assim, “o encontro de militares brasileiros com as Forças Armadas americanas foi de extrema importância para o desenvolvimento da Doutrina. Os oficiais brasileiros ficaram encantados com a máquina de guerra dos Estados Unidos.” (BORGES, 2007, p. 35).

  Vale destacar aqui, que tanto o golpe civil-militar brasileiro, quanto a Doutrina de Segurança Nacional estavam inseridos em um contexto de Guerra Fria, iniciada com o fim da Segunda Guerra Mundial. Resultava do antagonismo entre a União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS), defensora da ideologia comunista, e do capitalismo dos Estados Unidos.

  Desta forma, os acontecimentos de 1964, foi resultado do alinhamento ideológico dos militares brasileiros com os Estados Unidos, de modo que o comunismo seria então considerado o principal inimigo do Estado.

  Ao utilizar os propósitos da construção da Base Aérea de Santa Maria (BASM) como exemplo, fica um pouco mais claro quais as proporções que o combate ao comunismo poderia tomar.

  Em reportagem do jornal “A Razão” constava que aquela unidade da Aeronáutica seria “[...] destinada especialmente a dar apoio às tropas de superfície, em especial nas

  

chamadas guerras revolucionárias e de guerrilhas , além de missões de cooperação com o

Exército de todo o sul do Brasil.” [grifo nosso] (Santa Maria, 15 out. 1971. p. 16).

  organizaram para derrubar os regimes autoritários instaurados em seus países, e no Brasil não foi diferente, pelo menos nos primeiros anos da ditadura. Portanto, é provável que estas “guerras revolucionárias e de guerrilhas” citadas na reportagem, tenham esta conotação. O maior exemplo de um grupo armado que entrou em conflito direto com as Forças Armadas Brasileiras, é a Guerrilha do Araguaia, organizada pelo Partido Comunista do Brasil (PC do

  B) em 1972. O historiador Marcelo Ridenti, estuda a atuação deste e de outros grupos de esquerda no Brasil durante o regime civil-militar.

  Assim, “[...] a Doutrina de Segurança Nacional é a manifestação de uma ideologia que repousa sobre uma concepção de guerra permanente e total entre o comunismo e os países ocidentais.” (BORGES, 2007, p. 24).

  No Brasil, a partir de 1964, esta doutrina transformou-se no “[...] binômio ‘Segurança e Desenvolvimento’ [e] tornou-se lema dos governos militares.” (HABERT, 2006, p. 88). Esta expressão pode ser percebida inclusive, no discurso do presidente militar Emílio

  16 Garrastazu Médici, durante a cerimônia de inauguração da Base Aérea de Santa Maria, em

  outubro de 1971, quando destacava, “[...] a ‘fé no trabalho, na paz, e, principalmente na ’” [grifo nosso] (CORREIO DO harmonia, o único caminho para a grandeza do Brasil. POVO, Porto Alegre, 16 out. 1971. p. 24).

  Aproveitando-se aqui então do trecho do discurso, faz-se a observação de que a personalidade que a proferiu naquela ocasião, foi responsável pelos chamados ‘anos de chumbo’ do regime civil-militar. Foi em seu governo (1969-1974) que ocorreu no país uma forte repressão à população (praticada por forças militares e policiais), com mortes, prisões, torturas e os mais variados tipos de censuras, além da exploração econômica das massas 15 trabalhadoras. Portanto, a dita “harmonia”, continha toda uma idéia de não questionamento a

  

Ressaltamos o apoio dos Estados Unidos às ditaduras militares na América Latina de uma forma geral, com o este regime em vigor, caso contrário, qualquer cidadão poderia ser acusado e perseguido por ‘crime’ de subversão.

  Para se entender melhor isto, deve ser destacado o Ato Institucional nº 5 (AI-5), do qual, foi a reação do regime (durante o governo do general Costa e Silva, 1967-1969) contra os movimentos de oposição à ditadura, destacando-se os protestos de artistas, estudantes, operários e de grupos de esquerda. Assim, o AI-5 pode ser considerado como ‘o golpe dentro do golpe’, pois significou o total fechamento político no Brasil, uma vez que permitia,

  [...] fechar o Congresso por tempo indeterminado, continuar a cassar mandatos, suspender por dez anos os direitos políticos de qualquer cidadão, demitir ou aposentar qualquer funcionário público civil ou militar, estender a censura prévia à imprensa e aos meios de comunicação. Com o AI-5, seguido do Decreto nº 477 de repressão aos estudantes, a ditadura militar completava o fechamento político em meio a um rastro de violências e prisões, torturas e mortes. (HABERT, 2006, p. 10).

  Mas foi com o general Médici, que este Ato Institucional foi sistematicamente utilizado. Sobre este governo em específico, Nadine Habert, diz que,

  aos anos do ‘milagre econômico’ e do ‘Brasil Grande’ correspondeu o período mais fechado e mais autoritário do regime militar. O presidente Médici governava por decretos-leis, apoiando-se quase que exclusivamente no CNS (Conselho de Segurança Nacional), cercado e protegido pelas muralhas do AI-5, da Lei de Segurança Nacional, da censura e do pesado aparato repressivo. (2006, p. 25).

  Nesta época, o Brasil ocupou o posto de oitava maior economia do mundo. Porém, este crescimento (o dito “milagre econômico”) ocorreu com o uso de todo aquele aparato repressivo do Estado a pouco citado. Habert, ainda aponta que, “no país dos recordes estatísticos, outros números desnudavam a face real do ‘milagre’ para a imensa massa de trabalhadores [...]. Mais da metade dos assalariados recebiam menos de um salário mínimo.” (2006, p. 12). O país também ocupava as primeiras posições em índices de acidentes de trabalho, subnutrição e mortalidade infantil no mundo.

  Portanto, o “milagre econômico” foi na verdade, um crescimento aparente, já que os maiores beneficiados foram as empresas privadas (apoiadoras do golpe, como visto anteriormente) e os próprios militares. Houve uma má distribuição da renda no Brasil.

  Uma forma de ilustrar melhor esta ‘parceria’ do setor privado com os militares pode ser observada em uma propaganda de uma empresa de Santa Maria, quando a mesma,

  Cidade Universitária. Dinamismo. Exemplo de trabalho. Integração ao sentimento de progresso do país. E agora com alegria e justificado orgulho vê a inauguração da Base Aérea de Camobi em seu município. Nesta obra a Liquigás também está presente, proporcionando à Força Aérea Brasileira a qualidade, o alto rendimento e a economia das instalações [...]. Tudo isso é bom para o país. Onde as forças armadas e a empresa privada trabalham lado a lado pelo desenvolvimento nacional. [grifo nosso] (Santa Maria, 17 out. 1971. p. 6).

  Com este exemplo, percebe-se então o quanto Santa Maria estava inserida neste mecanismo do regime civil-militar e era ao mesmo tempo, dependente tanto dos setores de serviços, quanto das unidades militares sediadas no município. A instalação em definitivo da base aérea só veio então reforçar esta ideia.

  

3.2 A construção da Base Aérea de Santa Maria e os primeiros reflexos econômicos e

urbanísticos no município (1970-1971)

  É importante ser dito que, com o golpe de 1964, a característica de Santa Maria como um pólo militar no país foi reforçada, pois os investimentos neste setor foram crescentes. Ao contrário do que ocorria com as demais regiões do país, pode-se dizer que Santa

  Maria foi beneficiada com os investimentos direcionados às forças armadas, durante o regime civil-militar, quando levado em conta a grande quantidade de militares e os salários pagos aos mesmos, além da necessidade de abastecimento e manutenção das unidades. Sobre isso, Flôres, destaca que,

  [...], a cidade conviveu com dois acontecimentos que lhe permitiram avançar ao final do século como um município relativamente próspero. Um deles foi a implantação do regime militar em 1964 no Brasil. O outro foi a criação da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) ainda em 1960 [...]. O primeiro fato traz em si lembranças sobre a crise institucional vivida pelo país, com malefícios sociais, políticos e culturais de toda ordem, [...], mas que para Santa Maria representou, numa aparente contradição à trajetória de inúmeros outros municípios, investimentos maciços na estrutura militar existente na cidade. Disso resultando o aporte de vultosos recursos aplicados nas unidades do Exército e da Aeronáutica e no pagamento de salários ao significativo contingente aquartelado na cidade, que eram reinvestidos na estrutura de serviços existente. (2007, p. 245).

  Como foi visto no primeiro capítulo, tanto as ferrovias quanto o militarismo, foram fatores decisivos para a expansão econômica de Santa Maria, pois favoreceram as áreas ligadas aos serviços de saúde, educação e comércio. Portanto, foram setores como estes que a base aérea passou a influenciar a partir da sua instalação, entre os anos de 1970 e 1971. Na do potencial de consumo, também passou a ocorrer a necessidade de suprir esta nova unidade, a fim de mantê-la operacional.

  Durante o período de sua ativação em 1970 até a sua inauguração, no ano seguinte,

  17

  era constante a movimentação de aeronaves militares de grande porte na cidade, a fim de instalar na base, os equipamentos necessários para o seu funcionamento. Ao mesmo tempo, também eram incorporados os primeiros soldados que passariam a integrar o contingente daquela unidade militar.

  Aos poucos a Força Aérea Brasileira está instalando-se definitivamente em nossa cidade. Diariamente está chegando ao aeroporto militar da Base Aérea, local, os possantes aviões Hércules C-130, transportando material e equipamentos necessários. Por outro lado, a FAB, realizou na manhã de ontem, uma ponte aérea entre Santa Maria e Porto Alegre, transportando num C-47, os jovens recentemente incorporados em suas fileiras, que por um período determinado, farão estágio em Porto Alegre, na Base Aérea de Canoas. Após, os referidos jovens retornarão à Santa Maria, onde passarão a servir na Base Aérea, local. (A RAZÃO, Santa Maria, 9 jul. 1971. p. 3).

  Em outra reportagem do referido jornal, alguns dias depois, era destacado que,

  a Base Aérea de Santa Maria, criada através de decreto governamental aos poucos está se instalando definitivamente em nossa cidade no distrito de Camobi. Desde o último dia 6 está chegando à S. Maria o material e equipamentos necessários para a constituição e instalação em definitivo da moderna Base Aérea, que será a 4ª em importância no País. (Santa Maria, 13 jul. 1971. p. 7).

  Consta na mesma reportagem ainda que, “a Base Aérea [...], terá um efetivo inicial de 600 homens, [...].” Desta forma, deve-se observar que, uma construção do porte da base aérea, contendo ela um efetivo de seiscentos homens, no período inicial de funcionamento, representaria um aumento das possibilidades de gastos nos setores de serviços, na cidade. Isto pode ser levado em consideração quando Beber, diz que,

  Nos anos 60, com a implantação da Universidade Federal de Santa Maria, o comércio aumentou extraordinariamente seu potencial de vendas. A dose repetiu-se uma década após, com a instalação em Camobi da Base Aérea de Santa Maria. O aumento do potencial de consumo foi decisivo para que redes de lojas de âmbito nacional e regional, em grande número, viessem a instalar uma ou mais filiais na 17 cidade. (1998, p. 197). Associada ainda a esta ideia, o jornal “Correio do Povo”, já apontava que a construção da base aérea, representaria um acréscimo ao produto interno bruto da cidade, já que alguns serviços ligados a ela, seriam terceirizados.

  [...] esta terá grande influência na economia de Santa Maria, especialmente no que se refere ao aumento do Produto Interno Bruto. A nova base aérea, dentro do espírito da Reforma Administrativa, comprará todos os serviços, isto é, não terá padaria, lavanderia, torrefação, sapataria, hospital, etc. (CORREIO DO POVO, Porto Alegre, 10 out. 1971. p. 8).

  Levando-se em conta a distância entre a base e o centro de Santa Maria, boa parte destes serviços podem ter sido comprados na própria região de Camobi, fato que teria contribuído para o desenvolvimento desta região do município. Novos estabelecimentos de comércio podem ter surgido em função das necessidades da unidade da Aeronáutica.

  Sobre a citada “Reforma Administrativa”, a mesma reportagem ainda esclarece que:

  A nova filosofia da FAB, de acordo com a reforma administrativa, ‘objetiva a redução das despesas correntes, em especial as de pessoal, mediante nacionalização de trabalho, supressão de despesas supérfluas e combate contínuo à auto-suficiência desnecessária`. Assim, serão transferidas para a iniciativa privada, ressalvadas as conveniências da Segurança Nacional, tudo aquilo que se possa contratar como uma fórmula de conter o contínuo aumento dos gastos com pessoal, e aumentar-se a taxa

de crescimento do Produto Interno Bruto da região` (sic).

  Até o mês de agosto haviam sido gastos 15 milhões de Cruzeiros nas construções da BASM, número este apontado pelos jornais “Correio do Povo” e “A Razão”. O primeiro, apresenta detalhadamente os setores da construção em que o dinheiro foi aplicado, sendo então,

  Cr$ 75.000,00 em estudos e projetos, o que corresponde 0,5% do total; Cr$ [...] 7.921.684,22 na construção de 41 apartamentos para oficiais e 48 para suboficiais e sargentos, correspondendo a 51,5% do total Cr$ 1.875.418,00 na ampliação da 18 pista de rolamento, pátio, urbanização e estação de passageiros correspondendo a

  12,2% da obra; e Cr$ 5.497.909,28 em obras militares, reformas ampliação, correspondendo a 35,8% do total já gasto na construção da base. (Porto Alegre, 10 out. 1971. p. 8).

  Já “A Razão”, destaca alguns dos primeiros reflexos gerados na cidade como, a 18 circulação de dinheiro no comércio e outros serviços, “onde já circularam mais de 7 milhões

  

Em 1945, a pista tinha 900 metros de extensão, passando em 1971, para “[...] 2.100 metros, devendo ser de cruzeiros em aquisição de material e mão-de-obra. Não obstante as aberturas aos mercados culturais e científicos [...], onde serão comprados os serviços, mormente os de saúde [...]. ” (Santa Maria, 23 out. 1971. p. 3). O mesmo jornal, em outra reportagem, destaca algo semelhante. “Mão-de-obra aproveitada, pessoal incorporado, novo mercado de trabalho. Abastecimento de víveres e compra de serviços na própria cidade. Estes são os primeiros reflexos da instalação da Base Aérea de Santa Maria” (Santa Maria, 15 out. 1971. p. 1).

  Mas ao mesmo tempo, em que a construção da base contribuiu para um acréscimo na economia da cidade, também influenciou na expansão urbana da mesma, o que de certa forma, também se reflete na área econômica. Isto porque, como já foi visto, esta unidade militar localiza-se na região de Camobi, portanto uma zona mais afastada do centro da cidade. Logo, para se chegar ao local seria necessário um caminho em boas condições, para suportar o aumento do tráfego de veículos.

  Sabendo-se que a Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) estava localizada próxima à base aérea (como ainda hoje está), pode-se observar então, o quanto a movimentação de pessoas na região entre o centro da cidade e Camobi aumentou, com o funcionamento daquela unidade da Aeronáutica.

  São perceptíveis os diversos transtornos causados pelo fluxo de veículos na faixa de Camobi (na atualidade, conhecida popularmente por, ‘faixa velha de Camobi’), em um artigo do jornal “A Razão”, em fins do ano de 1970, portanto, alguns meses antes da entrada efetiva da base aérea em serviço.

  O tráfego na malsinada faixa de Camobi não melhora. Continua tumultuadíssimo. Parece que ninguém se preocupa com o delicado problema. Providências práticas não são adotadas pelas autoridades que atuam no setor do trânsito. As insuficiências são flagrantes E (sic) não há quem se anime em corrigi-las. Ora. (sic) tudo tem seus limites. No caso, é preciso encontrar um jeito de contornar a difícil situação que se criou, a não ser que se queira persistir no descaso e no desmazê-lo, que tantos inconvenientes acarretam.

  [...]. Encare-se o problema com mais seriedade. Encontre-se a solução mais adequada. É uma obrigação que não pode ser subestimada. Subestimá-la não é mais do que conduta condenável. Tomem-se as providências que o caso requer, porque somente assim se poderá chegar a uma decisão que solucione, de maneira definitiva, o intrincado problema que tantos aborrementos (sic) vem causando. É o ponto de vista que todos esposam [...]. (A RAZÃO, Santa Maria, 24 dez. 1970. p. 4).

  Diversos casos de colisão de veículos e atropelamentos na referida estrada, também eram noticiados pelo mesmo jornal nesta época, demonstrando então, o quanto a ativação da base aérea poderia piorar o trânsito no local.

  calcula-se que, com a vinda a Base Aérea de S. Maria, [...], cerca de trezentos e cinqüenta novos veículos trafegarão na cidade, quer pertencentes à Força Aérea Brasileira, quer os particulares pertencentes aos militares e familiares. A grande

maioria desses veículos trafegará pela faixa de Camobi.

Já nos dias atuais, nas horas de ‘rush’, [...] o movimento é extraordinário e até perigoso naquela rodovia [...]. Por isso, é urgente a duplicação daquela artéria. (A RAZÃO, Santa Maria, 31 ago. 1971. p. 7).

  Mas os pedidos por uma solução dos problemas desta rodovia não se restringia apenas à população em geral e a imprensa de Santa Maria, já que políticos e empresários do município também estavam sendo prejudicados com o estado precário da rodovia. Se a população sofria com os engarrafamentos, acidentes e mortes, os setores políticos e empresariais ligados aos militares (e os próprios militares) também se sentiam prejudicados. Vale lembrar que nesta época, as ferrovias já se encontravam em decadência no Estado e, portanto rodovias em boas condições de uso eram essenciais para o transporte de mercadorias na região. Talvez por isso, que a Associação Comercial de Santa Maria, tenha enviado alguns pedidos ao governo do Estado, dentre eles, a duplicação da estrada, dado o aumento de veículos que ocorreria com a instalação da base militar.

  Em correspondência dirigida ao presidente da Entidade, econ. Cirilo Costa Beber, o secretário de Estado Extraordinário para Assuntos da Casa Civil, do governo do Estado, Dr. Victor Faccione, informou que foram encaminhadas às secretarias competentes as proposições [...] encaminhadas, pela Associação Comercial de Santa Maria às autoridades. Outra das alvissareiras medidas encaminhadas para solucionamento [...], é a duplicação da pista Santa Maria-Camobi. A duplicação desta pista torna-se extremamente vital, principalmente por que nos próximos meses cerca de 300 veículos serão injetados em seu tráfego, com a instalação da Base Aérea [...]. (A RAZÃO, Santa Maria, 20 jul. 1971. p. 16).

  Conforme outras reportagens pesquisadas, o mesmo pedido era feito por políticos de Santa Maria, como o prefeito da cidade e o reitor da UFSM, respectivamente, Luiz Alves Rolim Sobrinho e Prof. Dr. José Mariano da Rocha Filho.

  Apesar de todos estes pedidos por melhorias, a solução não ocorreu de forma imediata, mas talvez a chegada da base aérea tenha acelerado o processo. Beber, assinala que, “apenas pequenos trechos das ligações entre Santa Maria e Camobi (novo trecho da BR-590) e Camobi-Candelária estavam parados por falta de verbas. A conclusão destes trechos ocorreu na década de 80.” (1998, p. 62).

  Além das mudanças ligadas ao trânsito, deve ser destacado também, o fato de que diversos conjuntos habitacionais da Aeronáutica foram construídos na cidade, a partir da

  emprego em Santa Maria e influenciaram na expansão urbana da cidade, na medida que algumas delas se encontravam na própria região de Camobi, um lugar até então pouco povoado.

  Com isto fica claro, o quanto as construções da Aeronáutica (base aérea e demais complexos) contribuíram para a economia de Santa Maria, na medida em que a mão-de-obra utilizada para as mesmas estava na própria localidade. Verifica-se igual contribuição no município, a partir da entrada em operação da BASM, pois o dinheiro proveniente dos salários dos militares passou a ser aplicado nos diversos setores de serviços como o comércio, educação, saúde e lazer. Isto pode ser notado até os dias de hoje, levando em consideração o fato de o contingente da Aeronáutica ter aumentado na cidade, daquele período aqui estudado

  19 em diante (atualmente são 1,3 mil militares na ativa) .

  A chegada da base aérea também ‘adicionou’ uma nova data no calendário de

  20

  eventos da cidade, com a EXPOAER (Exposição Aeronáutica), da qual a unidade abre seus portões a população para comemorar o aniversário de sua construção.

CONSIDERAđỏES FINAIS

  Este breve estudo procurou abordar um tema fértil para pesquisas sobre a história de Santa Maria: o papel relevante da base aérea na inserção da vida política e econômica da cidade. Não pretendemos esgotar o assunto que ora trabalhamos, mas sim estabelecer um recorte delimitado tanto em termos temáticos quanto temporais.

  Como foi visto no primeiro capítulo, a implementação das ferrovias teve um papel fundamental para o desenvolvimento de Santa Maria, pelo menos até meados da década 1950. Logicamente, seria desproporcional comparar este último caso apenas com a construção da Base Aérea de Santa Maria, em termos de benefícios econômicos. O estudo sobre a presença da Aeronáutica na cidade serviu como amostra do quanto esta, depende economicamente do contingente militar aqui aquartelado (de uma forma geral).

  Pelo menos no período de instalação da base, na década de 1970, é provável que tenha ocorrido um considerável acréscimo na economia do município, dada a quantidade e as dimensões das construções. Além disso, deve-se considerar o fato de ter chegado à cidade, um número significativo de novos moradores em condições de gastar seus salários nos setores de serviços. Resta saber em que medida esta unidade militar influencia a economia de Santa Maria atualmente, já que as construções da Aeronáutica estão prontas. Observa-se, porém, que o efetivo da base aérea hoje, mais que dobrou em relação ao período estudado.

  Durante este estudo percebemos também, o quanto Santa Maria esteve inserida nos diferentes períodos históricos. Em especial, com a Segunda Guerra Mundial, houve uma preocupação do governo brasileiro em reequipar as forças armadas e melhor vigiar as fronteiras do país, tendo como reflexo, a escolha de Santa Maria para sediar um aeródromo da recém criada FAB.

  Com o Regime Civil-Militar, a presença da Aeronáutica no município se intensificou, dado os altos investimentos do governo no setor militar e o temor característico daquele regime com os movimentos revolucionários que ocorriam na América Latina. Tudo isto, em um contexto de Guerra Fria, resultando no alinhamento ideológico do governo brasileiro e do restante da América do Sul com os Estados Unidos. Notamos então que, em ambos os casos, a construção da BASM contou com o apoio do governo norte-americano, mesmo que por motivações distintas.

  Com isto, espera-se que esta pesquisa tenha contribuído de alguma forma para a explorado de várias formas, como foi aqui mostrado, e que pretendemos que alcance novos voos futuros.

  REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

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  BEBER, Cirilo Costa. Santa Maria 200 anos: história da economia do município. Santa Maria: Pallotti, 1998. BORGES, Nilson. A doutrina de Segurança Nacional e os governos militares. In: FERREIRA, Jorge (org.); DELGADO, Lucilia (org.). O Brasil Republicano: O tempo da ditadura – regime militar e movimentos sociais em fins do século XX. 2.ed. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2007. BRASIL. Ministério da Defesa. A Unidade: Histórico da BASM. Disponível em: < www.basm.aer.mil.br > Acesso em: 13 out. 2010. CORRÊA, Roselâine Casanova. Cenário, Cor e Luz: Amantes da Ribalta em Santa Maria (1943-1983). Santa Maria: Ed. UFSM, 2005. FLORES, Moacyr. Dicionário de História do Brasil. 4.ed. Porto Alegre: Edipucrs, 2008. FLÔRES, João Rodolpho. Fragmentos da história ferroviária brasileira. Santa Maria: Pallotti, 2007. FLÔRES, João Rodolpho. Santa Maria: terra de humanidade e cultura. In: WEBER, Beatriz (org.); RIBEIRO, José (org.). Nova História de Santa Maria: contribuições recentes. Santa Maria: Pallotti, 2010. FOLETTO, Vani Terezinha. Nós e uma rua chamada Cancela. Santa Maria: A autora, 2005. GRUNEWALDT, Silvana. Santa Maria e a modernização da paisagem urbana no fim do século XIX e início do século XX. In: WEBER, Beatriz (org.); RIBEIRO, José (org.). Nova

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OBRAS CONSULTADAS

BELTRÃO, Romeu. Cronologia histórica de Santa Maria e do extinto município de São Martinho. Santa Maria: Pallotti, 1958

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  PIMENTA, Renata Waleska de Sousa. A aviação no jornal O Estado de São Paulo: Um discurso em tempo de paz e de guerra. Porto Alegre: PUCRS, 2008. Dissertação (Mestrado em História), Faculdade de Filosofia e Ciências Humanas, Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul, 2008.

  RANGEL, Carlos; ANTONELLO, Idé; VAZ, Neusa. O Papel da ferrovia na mentalidade urbana de Santa Maria. In: FAFRA. História do Rio Grande do Sul & outras histórias. Santa Maria: Pallotti, 1998. REIS FILHO, Daniel; FERREIRA, Jorge; ZENHA, Celeste (org.). O século XX: O tempo das dúvidas. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2008.

  RIDENTI, Marcelo. O fantasma da revolução brasileira. São Paulo: UNESP, 1993. SILVA, Jaisson Oliveira da. História vivida e História que se escreve: no encalço daqueles que deram um passado para Santa Maria. In: WEBER, Beatriz (org.); RIBEIRO, José (org.).

  Nova História de Santa Maria: contribuições recentes. Santa Maria: Pallotti, 2010. NOTễCIAS E ARTIGOS DE JORNAIS/PUBLICAđỏES PERIốDICAS

  INAUGURADA pelo Ministro da Aeronáutica a importante Base Aérea de Camobi (Ex Colônia). A RAZÃO, Santa Maria, 13 mai. 1945.

  FAB prepara instalações definitivas em S. Maria. A RAZÃO, Santa Maria, 9 jul. 1971. 118 SANTA-MARIENSES formarão o escalão pioneiro da Guarnição da Base Aérea de Santa Maria. A RAZÃO, Santa Maria, 13 jul. 1971. DUPLICAđấO da pista S. Maria e Camobi. A RAZấO, Santa Maria, 20 jul. 1971. QUANDO sairá a 2ª pista para a faixa que vai até Camobi?. A RAZÃO, Santa Maria, 31 ago. 1971. BASE de S. Maria será primeira a receber os jatos brasileiros. CORREIO DO POVO, Porto Alegre, 10 out. 1971.

  PRESIDENTE Médici hoje aqui para inaugurar a nossa Base. A RAZÃO, Santa Maria, 15 out. 1971. UM FATO para a História. A RAZÃO, Santa Maria, 15 out. 1971. CIDADE em festa ganha sua Base Aérea. A RAZÃO, Santa Maria, 16 out. 1971. FÉ no trabalho e na paz é o caminho da grandeza do país. CORREIO DO POVO, Porto Alegre, 16 out. 1971. SANTA MARIA agora está ainda mais importante. A RAZÃO, Santa Maria, 17 out. 1971. AVILA, Norton. A sentinela Alada completa 35 anos. DIÁRIO DE SANTA MARIA. Santa Maria, 14 e 15 out. 2006. LEAL, Pedro Américo. Da FAB ao Rio Grande. A RAZÃO. Santa Maria, 23 out. 1971.

  ANEXOS

  ANEXO A – Mapa com o Tratado de Santo Ildefonso e a região de Santa Maria.

  Fonte: (SOUZA apud MACHADO, 2008, p. 52).

ANEXO B – Símbolo do Esquadrão “Senta a Pua” do Primeiro Grupo de Aviação de Caça da FAB (adotado até hoje)

  Fonte: Disponível em: < www.sentandoapua.com.br/portal/1o-grav-de-caca/o-simboloo- avestruz-guerreiro > Acesso em: 16 nov. 2010.

  Caças-bombardeiros Republic P-47D Thunderbolt, com o símbolo pintado na parte dianteira das aeronaves Fonte: Disponível em: < www.aereo.jor.br/2010/07/14/veteranos-do-1-gavca-recebem-justa- homenagem/ > Acesso em: 16 nov. 2010.

  ANEXO C – Inauguração da Base Aérea de Santa Maria em 1945.

  Fonte: (A RAZÃO, Santa Maria, 22 mai. 1945. p.3) - Arquivo Histórico Municipal de Santa Maria.

  ANEXO D – Presidente Médici, na cerimônia de inauguração da base aérea, em 15 de Outubro de 1971.

  Fonte: (CORREIO DO POVO, Porto Alegre, 16 out. 1971. p. 24) - Arquivo Histórico Municipal de Santa Maria.

  ANEXO E – Aviões de fabricação norte-americana da FAB, na base aérea.

  Cargueiro, Douglas C-47 – (A RAZÃO, Santa Maria, 22 set. 1971. p. 8) Helicóptero, Bell UH-1D – (A RAZÃO, Santa Maria, 24 out. 1971. p. 7) Fonte: Arquivo Histórico Municipal de Santa Maria.

  ANEXO F – Imagens aéreas da base militar.

  Fonte: (A RAZÃO, Santa Maria, 16 out. 1971) - Arquivo Histórico Municipal de Santa Maria.

  Fonte: (CORREIO DO POVO, Porto Alegre, 10 out. 1971. p. 8) – Arquivo Histórico Municipal de Santa Maria.

  ANEXO G – Edição 2010 da EXPOAER.

  Fonte: Arquivo pessoal.

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