Estudo da frequência de oscilação da musculatura do assoalho pélvico durante a contração por meio de dispositivo vaginal multidirecional

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1. INTRODUđấO

1.1. Considerações iniciais

  Estes testes são métodos de avaliação que se baseiam em procedimentos uniformes de administração e de escore que passam por rigorosoprocesso de desenvolvimento e validação, o que resultou no estabelecimento de normas de desempenho baseadas numa amostra comparativa e representativa. Diante deste cenário, a demanda por sistemas de medições fidedignos, de baixo custo, de fácil aplicação clínica e que forneçam dados que simulem verdadeiramente ocomportamento da contração dos músculos do assoalho pélvico, foi o fator motivador do presente estudo.

1.2. Considerações sobre anatomia e fisiologia

  Estes músculos (FIG. 2-3) formam a base do assoalho pélvico e ajudam a manter a continência por suportar ativamente os órgãos pélvicos e fechar aabertura pélvica com suas ações anteriores e cefálicas quando se contraem. Apesar da camada profunda e superficial dos MAP compreenderem diferentes estruturas anatômicas e inervação, clinicamente elas trabalham como uma unidade funcional,contraindo simultaneamente em massa, o que por sua vez implica em elevação e manutenção da continência através do fechamento nos meatos uretral, vaginal e anal.(BØ & SHERBURN, 2005; BUMP, 1991).

1.3. Disfunções do assoalho pélvico feminino

  Os músculos são um dos fatores contribuintes para o mecanismo de fechamento uretral para a continênciae são o alvo dos fisioterapeutas na abordagem da incontinência e outras disfunções do assoalho pélvico (ASHTON-MILLER & DELANCEY, 2007; ASHTON-MILLER et al., 2001; BØ et al., 2005). Ele foi o primeiro a descrever, de modosistemático, um método de avaliação e um programa de exercícios para o fortalecimento dos músculos do assoalho pélvico.

1.4. Avaliação dos músculos do assoalho pélvico (MPA)

  A Classificação Internacional de Funcionalidade, Incapacidade e Saúde (CIF) foi elaborada pela Organização Mundial de Saúde (OMS) com o objetivo de criar umalinguagem unificada e padronizada sobre saúde e cuidados de saúde em todo o mundo. A capacidade de sustentar a contração muscular, ou seja, resistência muscular a fadiga, pode ser registrada por meioda eletromiografia que mensura a atividade eléctrica dos MAP; quanto maior a atividade elétrica muscular, maior o numero de unidades motoras recrutadas, consequentementemaior geração de força (BØ et al., 2005).

2. REVISÃO DA LITERATURA

  Cada um destes métodos mede diferentes parâmetros dos músculos do assoalho pélvico, como a máxima força gerada, a movimentação de vísceras e dos músculos, a habilidadede contração, os potenciais de ação, a duração da contração, entre outros. A escala de Oxfordé uma das mais utilizadas (ISHERWOOD, 2000) para graduação da força e da Outra escala utilizada é a de Brink, que incorpora uma combinação de escalas de quatro pontos em três categorias: pressão de contração, deslocamento vertical dos dedos dosexaminadores e duração da contração.

2.3. Ultrassonografia

  A aplicação da ultrassonografia perineal, e particularmente o transabdominal, é um método não invasivo que permite avaliar a contração, a posiçãoanatômica e o volume da musculatura, além de funcionar como biofeedback (DIETZ et al., 2002; MORKVED et al., 2004; HOWARD et al., 2000). Dentre suas vantagens está o fato de ser uma técnica realizada em tempo real, capaz de visualizar a contração associada com a tosse; outra vantagem é que pode ser usada como paciente em ortostatismo, além de funcionar como biofeedback para o paciente.

2.4. Eletromiografia dos músculos do assoalho pélvico

  Em contrações isométricas, ocorre um deslocamento para a Em estudos que utilizaram registros de eletromiografias, a função de densidade espectral de potência e a função de potência cumulativa são usadas para examinar amudança das características de frequência da EMG com sujeitos variados, músculos, níveis de tensão e estado de fadiga. Dentre suas vantagens está o fato de ser uma técnica realizada em tempo real, capaz de visualizar a contração associada com a musculatura abdominal; de poder ser usada coma paciente em ortostatismo; e funcionar como biofeedback para o paciente.

2.5. Perineômetro

  Trata-se de um aparelho que fornece medidas manométricas de mudanças das pressões vaginal em um eletrodo geralmente confeccionado em silicone. Suas vantagens incluem o fato de ser um instrumento de custo intermediário em relaçãoà eletromiografia, e de ser capaz de medir quantitativamente a pressão e resistência de forma indireta; além de poder ser utilizado em indivíduos em ortostatismo.

2.6. Dinamômetro estático

  O dinamômetro estático (FIG. 5) é um instrumento desenvolvido para medir a força isométrica dos MAP e apresenta excelente resposta de confiabilidade inter e intra-examinador, validação e comparação com a técnica de toque muscular manual(DUMOULIN et al., 2003; MORIN et al., 2007). O dinamômetro tem oformato de um espéculo e é composto por duas barras de alumínio, sendo que na barra inferior estão dispostos extensômetros (sensores de força) que por sua vez se conectama uma unidade de tratamento de sinais e esta a um computador.

2.7. Cones vaginais

  Um cone de peso adequado é inserido na vagina etende a sair, o que ocasionará a sensação de perda do cone promovendo assim um feedback sensorial, e fazendo com que o músculo do assoalho pélvico contraia emresposta (MORENO, 2004; BØ et al., 1999). Apresenta a desvantagens de não conseguir distinguir as forças das paredes do canal vaginal e de ser uma medida indireta de força.

2.8. Sonda Vaginal Multidirecional

  Possui oito sensores de forçaresistivos defasados de 90° ao longo de um cilindro de 100 mm de comprimento e diâmetro de 25 mm (SALEME et al., 2007b). Um instrumento desenvolvido apenas para ser aplicado sob a forma de quantificação pré e pós-tratamento de fortalecimento do assoalho pélvico pode ter a suaaplicabilidade limitada, uma vez que ter este instrumento como uma ferramenta para o diagnóstico também seria interessante.

2.9. Domínio da frequência: uma breve explanação das bases matemáticas

  A teoria de Fourier diz que qualquer sinal ou imagens podem ser expressos como uma soma de uma série de sinusóides (senos e cossenos), baseada na ideia que qualquerfunção pode ser decomposta de senos e de cossenos de diferentes frequências ( NAJARIAN, 2006). Os ruídos afetam os limites de detecção, de decisão e de determinação, os quais são A remoção de ruídos em diversas áreas da ciência e da engenharia é realizada por meio de filtros de ruídos fundamentados na TF (CERQUEIRA, 2000).

3. OBJETIVOS

  Objetivo geral Avaliar a frequência de oscilação da musculatura do assoalho pélvico durante a contração por meio de Sonda Vaginal Multidirecional (SVM) em mulheres semdisfunção do assoalho pélvico. Objetivos específicos  Analisar qual frequência é dominante nas paredes anterior, lateral direita, lateral esquerda e posterior; Verificar se existe concordância entre as frequências nas paredes anterior, lateral direita, lateral esquerda e posterior; Avaliar a reprodutibilidade intra e inter-examinador.

4. MATERIAL E MÉTODO

4.1. Sistema de medição

O sistema de medição desenvolvido no Laboratório de Bioengenharia (Labbio) daUFMG é composto de três partes: a sonda com os sensores SFR (sensores de força resistivos), o sistema de aquisição de dados e o programa de processamento evisualização dos resultados (SALEME et al., 2007a, SALEME et al., 2007b).

4.1.1. A sonda

  O dispositivo foi projetado de forma a seguir a morfologia e a anatomia do canal vaginal descrito na literatura, destacando-se os seguintes aspectos: tamanho do canalvaginal, diâmetro, ponto de maior pressão imposta pelas estruturas e funções da musculatura do assoalho pélvico. Ao revisar a literatura ficou evidenciado que a medição de força da musculatura do assoalho pélvico via vaginal apresentava melhor confiabilidadequando o canal vaginal era distendido pela sonda de 2,5 cm a 3 cm de diâmetro.

4.1.2. Sistema de aquisição de dados e software de captura

  Medidas pela observação visual Para medir a habilidade de contração e visualizar a possível presença de prolapso genital, as participantes foram posicionadas em litotomia e orientadas a realizarprimeiro manobras provocativas e logo em seguida 3 contrações da MAP sob o comando verbal: “realize uma tosse”, “contraia o períneo como se fosse prender oxixi”. Medidas pelo toque vaginal bidigital Para medir a capacidade de contração e força dos MAP por palpação bidigital vaginal, a participante permaneceu na postura supina, com os quadris e joelhos flexionados, oquadril abduzido e rodado externamente, e apoiado em um rolo de dimensões 800 mm de diâmetro e 600 mm de comprimento.

4.3.3. Medidas utilizando a sonda vaginal multidirecional

  Duas fisioterapeutas foram previamente treinadas para esta medição de acordo com os seguintes parâmetros: o intervalo de tempo estabelecido entre as medidas das duasfisioterapeutas foi de 5 minutos, ambas eram cegas durante a realização da coleta de dados, ambas foram previamente treinadas em relação ao protocolo e instrumentação. Caso alguma participante estivesse realizando exercícios de fortalecimento dos MAP, ela era advertida a não aumentar asséries dos exercícios durante o intervalo entre as duas medidas, ou não iniciá-los caso não tivesse o hábito de fazê-los no momento da 1ª avaliação, a fim de evitar qualqueraumento significativo de força muscular entre as duas medidas.

4.3.4. Protocolo para coleta de dados

  A sequência de contrações musculares compreendeu: (1) relaxamento dos músculos do assoalho pélvicopor 90 s a fim de registrar o valor basal de força da paciente, (2) solicitação de ciclos de contração muscular, com contração similar à realizada durante a avaliação com o toquevaginal. No Primeiro instante temos o sinal original da sonda antes de determinar O offset do sistema– que pode ser visto no tempo entre 0 e 40s, posteriormente pode ser observado o set-point inicial do sistema com todas as forças iguais a zero, e posteriormente astrês contrações do exercício.

4.3.5. Processamento dos dados coletados

  ® FIGURA 13 7.3.0.– Fluxograma do processamento do sinal em MATLAB O tratamento do sinal consistiu em retirar a componente contínua do sinal, ou seja, a interferência do sinal de 60 Hz da rede elétrica, separar as frequências maissignificativas e excluir frequências cujo valor da amplitude fosse inferior a 40 % do valor da amplitude de maior valor de frequência. Outro procedimento realizado para evitar ameaça à validade internada instrumentação, foi à familiarização dos dois terapeutas com a instrumentação, e o cegamento de ambos durante a coleta de dados, assim como na análise e processamentodos dados.

4.4. Análise estatística

  Para a análise da distribuição dos dados foi utilizado o teste de Shapiro-Wilk. Foi utilizado somente um sensor em cada parede, os sensores pares, de acordo com a seguinte distribuição: parede anterior (sensor 2- S2), paredelateral direita (sensor 4- S4), parede posterior (sensor 6- S6) e parede lateral esquerda(sensor 8- S8).

5. RESULTADOS

  3028) s to n e v20 ee d ro e m ú n (ia 10 cn ê rr o c O0.0394 0.07941 Frequência (Hz) – S4 Freqüência (Hz) - S2 FIGURA 15 - Histograma de todas as frequências encontradas na parede lateral direita.3028 ) s to n e v20 ee d ro e m ú n ( ia10 cn ê rr o c O0.0394 0.07941 Frequência (Hz) Freqüência (Hz) - S6 – S6 FIGURA 16 - Histograma de todas as frequências encontradas na parede posterior. A FIGURA 18 mostra um zoom da Transformada de Fourier, na qual pode ser observada a frequência fundamental de cada parede (0,07937 Hz), ou seja, a frequênciaque teve a maior amplitude de todas as frequências encontradas no sinal.

5.3. Resultado da análise de reprodutibilidade

  Para o avaliador 1 (M), não existe reprodutibilidade para nenhum dos sensorestestados (S2, S4, S6 e S8), pois houve 14 perdas para cada sensor avaliado e a variânciaé zero. Para o avaliador 2 (V), não existe reprodutibilidade para nenhum dos sensores testados (S2, S4, S6 e S8), pois houve 19 perdas para cada sensor avaliado e a variânciaé zero.

INDIVIDUAIS

29 ESTADO CIVIL Solteira 18 62,09Casada 6 20,69 Viúva 1 3,45Separada 4 13,79 ATIVIDADE FÍSICANão 20 68,97 Sim 9 31,07 ESCOLARIDADE Até 4 anos 1 3,45De 7 a 10 anos 2 6,89 De 11 a 14 anos 11 37,93De 15 a 20 anos 7 24,14 De 21 a 25 anos 8 27,59 PARIDADE Nulípara 22 75,86Até 2 3 10,35 DE 3 a 5 4 13,79 MENOPAUSA Não 24 82,76Sim 5 17,24 TERAPIA HORMONALNão 29 100 Sim TOSSE CRÔNICA Não 28 96,55Sim 1 3,45 COSTIPAđấO INTESTINALNão 19 65,52 Sim 10 34,48

6. DISCUSSÃO

  Segundo, por causa da variação do tempo de contração em cada paciente (as pacientes tiveram contrações variando de 3 a 8 segundos de sinal), pois a forma como os dadosforam processados gerou uma interpretação desses tempos variados como sendo um período de oscilação (por exemplo, a frequência de 0,079 Hz, citada acima, correspondea uma contração de 12,66 s). O terceiro exercício seria o ideal porque a voluntária mantém a contração o máximo de tempo possível enfatizando no final da contração o sinal de fadiga muscular, o que gerauma aquisição continua do sinal e do tempo, e tem-se o maior número de frequências no sinal que produz um erro menor no tratamento da FFT.

7. CONCLUSÕES

  O procedimento de análise do sinal no domínio da frequência pela FFT apresentou uma frequência de oscilação para cada parede do assoalho pélvico de 0,07937 Hz napopulação de mulheres estudadas. Porém, não se pode afirmar que este valor é correto, pois a metodologia utilizada para coleta do sinal não se mostrou adequada para análiseda FFT.

8. SUGESTÕES PARA TRABALHOS FUTUROS

  O presente estudo foi uma abertura para uma discussão sobre aimportância de se pesquisar esta linha, pois é uma área promissora para se realizar diagnóstico clínico, além de fornecer parâmetros mais objetivos para a escolha daconduta fisioterapêutica e fornecer dados importantes para acompanhamento após a alta. Por conseguinte, estudos adicionais são necessários para se estabelecer a real frequência de oscilação da musculatura do assoalho pélvico e como essa musculatura se comportadurante sua ativação.

9. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

  IDENTIFICAđấO DA PACIENTE: Nome: Registro:Idade: Endereço:Telefone: Carteira de identidade: A senhora está sendo convidada a participar de um projeto de pesquisa que visa criar um aparelho quemede a força dos músculos da região vaginal e perineal. A participação no estudo consiste na medida da força de contração da musculatura vaginal por meio de um aparelho introduzido na vagina.

3. Também entendi que, a qualquer momento e sem necessidade de dar nenhuma explicação poderei

  suspender o consentimento que agora presto. Investigador: Margarete Maia Lazarini Endereço: Rua Guilherme de Almeida.

COEP/UFMG: 34094592

  De pleno acordo Cidade: Data:Assinatura da Fisioterapeuta Assinatura da paciente Testemunha Testemunha Declaro que é possível a qualquer momento revogar o meu consentimento. E afirmo que não desejo prosseguir na pesquisa e tratamento que me foi proposto, que dou como finalizado nesta data.

ANEXO II

ANEXO III

ANEXO IV

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Autor
123dok avatar

Ingressou : 2016-12-29

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