A parceria público-privada na política urbana brasileira recente: reflexões a partir da análise das operações urbanas em Belo Horizonte

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Universidade Federal de Minas Gerais Departamento de Geografia Daniela Abritta Cota A PARCERIA PÚBLICO-PRIVADA NA POLÍTICA URBANA BRASILEIRA RECENTE: REFLEXÕES A PARTIR DA ANÁLISE DAS OPERAÇÕES URBANAS EM BELO HORIZONTE. Minas Gerais – Brasil 2010 Daniela Abritta Cota A PARCERIA PÚBLICO-PRIVADA NA POLÍTICA URBANA BRASILEIRA RECENTE: REFLEXÕES A PARTIR DA ANÁLISE DAS OPERAÇÕES URBANAS EM BELO HORIZONTE. Tese apresentada ao Programa de Pós-Graduação do Departamento de Geografia da Universidade Federal de Minas Gerais, como requisito parcial à obtenção do título de Doutor em Geografia. Área de Concentração: Organização do espaço. Linha de Pesquisa: Produção, organização e gestão do espaço. Orientador: Prof. Geraldo Magela Costa. Belo Horizonte Departamento de Geografia da UFMG 2010 FOLHA DE APROVAÇÃO A Euclides, meu amado companheiro de sonhos, lutas e conquistas. A todos aqueles que acreditam na possibilidade de uma cidade socialmente mais justa. AGRADECIMENTOS Agradeço a todos que, de uma maneira ou de outra, foram importantes, senão imprescindíveis para a realização desta tese. Desculpo-me, antecipadamente, por qualquer omissão. Aos meus pais por partilharem comigo mais esta conquista. A eles, o meu obrigado especial pelo incentivo constante. A toda a família, em especial, Lu, Nando e João Pedro pelo carinhoso apoio e minhas desculpas pelo distanciamento. Agradeço de forma especial ao meu orientador, Professor Geraldo Magela Costa por sua dedicação e preciosismo, necessários para o meu avanço na construção do conhecimento. Pela orientação segura, por entender minhas limitações e pelas interlocuções que tanto auxiliaram esta pesquisa, o meu muito obrigado. À Professora Heloísa Soares de Moura Costa (IGC) e ao Professor Adauto Lúcio Cardoso (UFRJ/IPPUR) pelas sugestões e comentários na Banca de Qualificação, o que foi de grande valia no desenvolvimento do trabalho. À professora Jupira Mendonça minha gratidão pela atenção e disponibilidade em fornecer material fundamental para o resgate da trajetória de implementação das operações urbanas em Belo Horizonte. À Prefeitura Municipal de Belo Horizonte por me conceder o tempo necessário para a elaboração desta pesquisa. À Gina Rende pela confiança e por acreditar na importância deste estudo para o planejamento urbano de Belo Horizonte. À Maria Caldas agradeço a contribuição e a disponibilidade em tempos de agendas lotadas e correria cotidiana. Aos colegas da Secretaria Municipal de Políticas Urbanas pela força, em especial ao José Júlio e à Ana pela disponibilidade em tirar minhas dúvidas e por disponibilizar documentos do COMPUR, imprescindíveis a esta tese. A Marilene pelo apoio à realização dessa pesquisa. Obrigada pela ajuda na confecção dos mapas das áreas das operações urbanas! Ao Rodrigo pelo diálogo ao longo da pesquisa e pela ajuda na revisão gramatical e lingüística. Às minhas amigas Ju, Vanessa, Natália e Tânia, pelo apoio e por estarem sempre presentes, inclusive nos momentos mais difíceis. A Helivane e Alan pela amizade e apoio nos momentos finais. A todos os entrevistados, meu agradecimento especial pela contribuição à reflexão sobre os avanços, os limites e as possibilidades de se efetivar o direito à cidade. O vento é o mesmo, mas sua resposta é diferente em cada folha. (Cecília Meireles) Sonho que se sonha só É só um sonho que se sonha só Mas sonho que se sonha junto é realidade (Raul Seixas - Prelúdio) Mudar a cidade é uma tarefa coletiva. (Marcelo Lopes de Souza, 2006, p.518) SUMÁRIO INTRODUÇÃO 21 PARTE I – A PARCERIA PÚBLICO-PRIVADA NO CONTEXTO DA PRODUÇÃO CAPITALISTA DO ESPAÇO E O CASO BRASILEIRO CAPÍTULO 1 – A PRODUÇÃO DO ESPAÇO URBANO E O CASO BRASILEIRO (até anos 1980) 55 1.1. Estado e espaço na acumulação capitalista 58 1.1.1. Estado e produção capitalista do espaço: contribuições teóricas para a análise da questão urbana 62 1.1.2. Regulação, Estado e capital imobiliário na produção do espaço urbano 69 1.1.2.1. Da regulação econômico-espacial à regulação urbanística 1.1.2.2. Regulação urbanística e renda fundiária 1.1.2.3. Uma visão “heterodoxa” em defesa da regulação urbanística 70 76 80 1.1.3. O planejamento urbano e a relação Estado-espaço na acumulação capitalista – breve histórico 83 1.2. O Estado e o urbano no Brasil 91 1.2.1. Política e planejamento urbanos no Brasil: de 1964 ao final dos anos 1980 97 1.2.2. A regulação urbanística e a “parceria” entre Estado e setor imobiliário na produção do espaço urbano no Brasil: 1960 a 1980 104 1.2.2.1. Belo Horizonte até os anos 1980: o planejamento urbano, a “parceria” público- privada e a produção da segregação socioespacial 111 CAPÍTULO 2 – TRANSFORMAÇÕES SOCIOESPACIAIS E PRODUÇÃO (IMOBILIÁRIA) DO ESPAÇO NO SÉCULO 21 125 2.1. Processos espaciais recentes: transformações, permanências e reflexos na regulação urbana 125 2.2. A agenda da política urbana brasileira para o século 21: entre a cidade- mercadoria e o direito à cidade 139 2.3. Estado e sociedade civil na regulação urbanística brasileira do século 21 148 PARTE II – A INTRODUÇÃO DA PARCERIA PÚBLICO-PRIVADA NA REGULAÇÃO URBANÍSTICA BRASILEIRA: A TRAJETÓRIA DAS OPERAÇÕES URBANAS CAPÍTULO 3 – A IMPLEMENTAÇÃO DOS PRINCÍPIOS DO DIREITO À CIDADE NO PLANEJAMENTO URBANO BRASILEIRO E A PARCERIA PÚBLICO- PRIVADA NESSE CONTEXTO 156 3.1. Planejamento urbano e a luta pela reforma urbana no Brasil 157 3.1.1. O Seminário de Habitação e Reforma Urbana de 1963 160 3.1.2. O solo criado como instrumento da reforma urbana: as discussões na década de 1970 165 3.1.2.1. O debate internacional nos anos 1970: novos instrumentos de planejamento urbano em pauta 168 3.1.2.2. O debate no Brasil e os rumos tomados pelo solo criado 175 3.1.3. A proposta de Lei de Desenvolvimento Urbano – do anteprojeto de 1977 ao projeto de lei nº. 775 de 1983 183 3.1.3.1. O anteprojeto de 1977 183 3.1.3.2. O Projeto de Lei n.º 775/1983 187 3.1.4. O Movimento Nacional pela Reforma Urbana e a Emenda Popular no processo constituinte 196 3.1.5. Os avanços na Constituição Federal de 1988 206 3.2. A agenda da reforma urbana nos anos 1990 e a implementação dos novos instrumentos de planejamento no Brasil 210 3.2.1. O Projeto de Lei nº. 5.788 de 1990 e a trajetória do Estatuto da Cidade 212 3.2.2. O Estatuto da Cidade e os novos instrumentos de política urbana 226 CAPÍTULO 4 – EXPERIÊNCIAS MUNICIPAIS DE ADOÇÃO DA PARCERIA PÚBLICO-PRIVDA COMO INSTRUMENTO DE PLANEJAMENTO URBANO NO PERÍODO 1988-2001: SÃO PAULO E BELO HORIZONTE EM CENA 234 4.1. A introdução da parceria público-privada como instrumento de planejamento em São Paulo (1990 – 2001) 237 4.1.1. A experiência das Operações Interligadas em São Paulo 239 4.1.2. A proposta de Plano Diretor de São Paulo – 1991: a parceria público-privada como instrumento da reforma urbana 242 4.1.3. A experiência das operações urbanas em São Paulo 247 4.2. Belo Horizonte e a adoção da operação urbana: 1990 – 1996 255 4.2.1. Lei Orgânica de Belo Horizonte (BH) – 1990 255 4.2.2. Plano BH 2010 – Projeto de Lei do Plano Diretor –1990 261 4.2.3. Construindo “um modo petista de governar”: Programa de Governo Frente BH Popular (1992) 266 4.2.4. Operações urbanas em BH: da primeira proposta – PL 252/1993 – à minuta do Plano Diretor: a proposta do executivo e os debates sobre os novos instrumentos de planejamento 273 4.2.5. O texto do Plano Diretor aprovado: lei nº. 7.165/1996 e a parceria público-privada nesse documento 288 PARTE III – A EXPERIÊNCIA DE APLICAÇÃO DAS OPERAÇÕES URBANAS COMO INSTRUMENTO DE PLANEJAMENTO URBANO EM BELO HORIZONTE CAPÍTULO 5 – A EFETIVAÇÃO DA OPERAÇÃO URBANA EM BELO HORIZONTE (1997 – 2008): A FORMA DE UTILIZAÇÃO DO INSTRUMENTO, INTERESSES ENVOLVIDOS E O PAPEL DO ESTADO NO PROCESSO 297 5.1. Operações Urbanas em Belo Horizonte 301 5.1.1. As propostas aprovadas 301 5.1.2. A discussão das propostas (aprovadas) no COMPUR 321 5.1.3. O debate e a tramitação das propostas (aprovadas) no Legislativo 330 5.2. Apreensões a partir da experiência de operações urbanas em Belo Horizonte 342 5.2.1. Sobre a pertinência e a forma de utilização do instrumento 342 5.2.2. Sobre a discussão da operação urbana no COMPUR e na Câmara de Vereadores 357 5.2.2.1. Sobre o processo de discussão e aprovação no COMPUR 358 5.2.2.2. Sobre o processo de discussão e aprovação na Câmara de Vereadores 367 5.2.3. Sobre o papel do Estado no processo de produção do espaço via operações urbanas (em Belo Horizonte) 370 CONSIDERAÇÕES FINAIS 377 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS 389 ANEXOS 409 ANEXO I: Operações urbanas cujas propostas foram submetidas à análise do Conselho Municipal de Política Urbana (COMPUR): síntese das discussões por reunião 410 ANEXO II: Relação de entrevistados 420 ANEXO III: Relatório da utilização de Potencial Construtivo Adicional (PCA) referente à operação urbana Centros de Comércio Popular 424 ANEXO IV: Roteiro (básico) de entrevistas 430 LISTA DE SIGLAS E ABREVIATURAS ADE ADEMI AEIS AGB ALMG ANSUR ANTP Art. ASVOG BH BHBUS BNH CA CAAP Cap. CBIC CBTU CCJ CDCMAM CDUI CEIC CEPAM CEURB CF CIAM CMI CMP CNBB CNDU CNPU COHRE Área de Diretrizes Especiais Associação dos Dirigentes de Empresas do Mercado Imobiliário Área Especial de Interesse Social Associação dos Geógrafos do Brasil Assembléia Legislativa do Estado de Minas Gerais Articulação Nacional do Solo Urbano Associação Nacional de Transportes Públicos Artigo Associação dos Voluntários do bairro Guarani Belo Horizonte Plano de Reestruturação do Sistema de Transporte Coletivo de Belo Horizonte Banco Nacional de Habitação Coeficiente de Aproveitamento Centro de Assessoria à Autogestão Popular Capítulo Câmara Brasileira da Indústria da Construção Companhia Brasileira de Trens Urbanos Comissão de Constituição e Justiça Comissão de Defesa do Consumidor, Meio Ambiente e Minorias Comissão de Desenvolvimento Urbano e Interior Comissão de Economia, Indústria e Comércio Centro de Estudos e Pesquisas de Administração Municipal Centro de Estudos Urbanos de Belo Horizonte Constituição Federal Congressos Internacionais de Arquitetura Moderna Câmara do Mercado Imobiliário Central de Movimentos Populares Conferência Nacional dos Bispos do Brasil Conselho Nacional de Desenvolvimento Urbano Comissão Nacional de Regiões Metropolitanas e Política Urbana Centro do Direito à Moradia contra Despejos COMPUR CONAM COPASA CPT CREA DER EIV ETE FASE FENEA FMI FNA FNE FNRU FUNAP IAB IAPI IBAM IBASE IPTU ITBI ITR JK LDU LPOUS LUOS MA MDF MG MNLM MNRU MP Conselho Municipal de Política Urbana Confederação Nacional de Associações de Moradores Companhia de Saneamento de Minas Gerais Comissão Pastoral da Terra Conselho Regional de Engenharia, Arquitetura e Agronomia Departamento de Estradas de Rodagem Estudo de Impacto de Vizinhança Estação de Tratamento de Esgoto Federação de órgãos para Assistência Social e Educacional Federação Nacional dos Estudantes de Engenharia e Arquitetura Fundo Monetário Internacional Federação Nacional dos Arquitetos Federação Nacional de Engenheiros Fórum Nacional pela Reforma Urbana Fundo de Atendimento à População Moradora em Habitação SubNormal Instituto de Arquitetos do Brasil Instituto de Aposentadorias e Pensões dos Industriários Instituto Brasileiro de Administração Municipal Instituto Brasileiro de análises Sociais e Econômicas Imposto sobre a Propriedade Predial e Territorial Urbana Imposto Sobre Transmissão de Bens Imóveis por Ato Oneroso "Inter Vivos" Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural Juscelino Kubitschek Lei de Desenvolvimento Urbano Lei de Parcelamento, Ocupação e Uso do Solo Lei de Uso e Ocupação do Solo Modelo de Assentamento Movimento de Defesa do Favelado Minas Gerais Movimento Nacional de Luta por Moradia Movimento Nacional pela Reforma Urbana Medida Provisória NPIs Novos Países Industrializados OCDE Organização de Cooperação para o Desenvolvimento Econômico ONG Organização não governamental ONU Organização das Nações Unidas OP Orçamento Participativo PAEG Plano de Ação Econômica do Governo PBH Prefeitura de Belo Horizonte PCA Potencial Construtivo Adicional PCdoB Partido Comunista do Brasil PD Plano Diretor PDS Partido Democrático Social PFI Private Finance Iniciative PIB Produto Interno Bruto PL Projeto de Lei PLAMBEL Superintendência de Desenvolvimento da Região Metropolitana PLD Plafond Legal de Densité (=Teto Legal de Densidade) PMDB Partido do Movimento Democrático Brasileiro PND Plano Nacional de Desenvolvimento POLIS Instituto de Estudos, Formação e Assessoria em Políticas Sociais PPP Parceria Público-Privada PROSBC Progresso de São Bernardo do Campo S.A. PSDB Partido da Social Democracia Brasileira PT Partido dos Trabalhadores RA Renda Absoluta RFFSA Rede Ferroviária Federal Sociedade Anônima RM Renda Monopólio RMs Regiões Metropolitanas RMBH Região Metropolitana de Belo Horizonte SAGMACS Sociedade para Análise Gráfica e Mecanográfica Aplicadas aos Complexos Sociais SE Setor Especial SECOVI Sindicato das Empresas de Compra, Venda, Locação e Administração de Imóveis Residenciais e Comerciais SENGE-MG Sindicato dos Engenheiros do Estado de Minas Gerais SEPURB Secretaria de Política Urbana SERFHAU Serviço Federal de Habitação e Urbanismo SFH Sistema Financeiro da Habitação SINARQ-MG Sindicato dos Arquitetos do Estado de Minas Gerais SINDUSCON Sindicato da Indústria da Construção SISNAMA Sistema Nacional de Meio Ambiente SP São Paulo TDC Transferência do Direito de Construir TJMG Tribunal de Justiça do Estado de Minas Gerais UNMP União Nacional por Moradia Popular UTDC Unidade de Transferência do Direito de Construir ZA Zona Adensada ZAP Zona de Adensamento Preferencial ZAR Zona de Adensamento Restrito ZC Zona Central (Lei nº. 7.166/96) ZC Zona Comercial (Leis nº. 2662/76 e nº. 4034/85) ZCBH Zona Central de Belo Horizonte ZE Zona de Grandes Equipamentos ZEIS Zona Especial de Interesse Social ZEU Zona de Expansão Urbana ZHIP Zona Hipercentral ZI Zona Industrial ZP Zona de Proteção ZPAM Zona de Preservação Ambiental ZR Zona Residencial ZUE Zona de Uso Especial LISTA DE QUADROS Quadro 1 – Propostas brasileiras sobre o solo criado até 1977 180 Quadro 2 – Operações urbanas efetivadas no município de São Paulo (até 2001) 247 Quadro 3 – Operações urbanas aprovadas no município de Belo Horizonte: leis e síntese dos interesses públicos e privados envolvidos 304 Quadro 4 – Operações urbanas aprovadas em Belo Horizonte: pontos principais discutidos no COMPUR 324 Quadro 5 – Síntese da tramitação das operações urbanas no Legislativo municipal 334 Quadro 6 – Datas de envio da Proposição de Lei para apreciação do Prefeito e de promulgação das leis de operações urbanas aprovadas em Belo Horizonte 341 Quadro 7 – Operações urbanas aprovadas em Belo Horizonte: interesse que motivou a proposta, objetivo principal e situação atual 344 Quadro 8 – Classificação das respostas dos entrevistados segundo a finalidade de adoção da operação urbana em BH e opinião sobre as propostas aprovadas 349 LISTA DE FIGURAS Figura 1 – Localização das áreas de operações urbanas aprovadas em Belo Horizonte entre 1997 e 2008 302b RESUMO O objetivo principal da tese é contribuir para o debate sobre os novos instrumentos de planejamento urbano propostos pelo Estatuto da Cidade, com ênfase nas operações urbanas – uma forma de parceria público-privada adotada como instrumento de regulação urbanística em algumas municipalidades brasileiras. As parcerias público-privadas normalmente estão associadas às políticas neoliberais – baseadas no fundamento político da minimização do Estado – e aos interesses que buscam viabilizar a cidade-mercadoria. Entretanto, a adoção dessas parcerias como instrumento de planejamento urbano no Brasil, por meio das operações urbanas, apresenta especificidades, visto que os princípios neoliberais coexistem com o ideário do direito à cidade, presente na luta pela reforma urbana que ocorre no país a partir dos anos 1980. O cenário de exclusão, segregação e fragmentação observado nas cidades brasileiras demandou, a partir dessa década, novas formas de intervenção do Estado no sentido de não apenas viabilizar os interesses do capital na produção do espaço urbano, mas também de promover uma regulação pública capaz de viabilizar os princípios do direito à cidade e os interesses da coletividade, justamente no momento em que novos agentes sociais se tornam agentes políticos e passam a participar da deliberação das políticas públicas. Assim, a política urbana que tomou forma no Brasil a partir do final dos anos 1980 tem sido permeada por certa tensão ideológica, representada por dois modelos ou ideários de cidade: o direito à cidade, de um lado, e a cidade-mercadoria, do outro – cabendo, dessa forma, compreender o envolvimento e as ações do Estado a partir de então. Neste trabalho, discute-se inicialmente a relação entre Estado e espaço na acumulação capitalista; posteriormente, analisa-se as alterações no processo de reprodução do capital e suas conseqüências no espaço urbano. Com isso, busca-se focar a adoção da parceria público-privada como instrumento de planejamento urbano nas supostas mudanças ocorridas tanto na atuação do Estado quanto no papel da regulação em momento recente. A partir disso, esta pesquisa enfocar la importancia de la producción mediática de los niños en su descubrimiento del mundo, sobre todo utilizando el periódico escolar y la imprenta. Asimismo las asociaciones de profesores trabajaron en esta línea e incluso la enseñanza católica se comprometió desde los años sesenta realizando trabajos originales en el marco de la corriente del Lenguaje Total. Páginas 43-48 45 Comunicar, 28, 2007 En el ámbito de los medios, también desde el principio del siglo XX hay ciertas corrientes de conexión. Pero es a lo largo de los años sesenta cuando se constituyeron asociaciones de periodistas apasionados por sus funciones de mediadores, que fomentaron la importancia ciudadana de los medios como algo cercano a los jóvenes, a los profesores y a las familias. Así se crearon la APIJ (Asociación de Prensa Información para la Juventud), la ARPEJ (Asociación Regional de Prensa y Enseñanza para la Juventud), el CIPE (Comité Interprofesional para la Prensa en la Escuela) o la APE (Asociación de Prensa y Enseñanza), todas ellas para la prensa escrita Estas asociaciones fueron precedidas por movimientos surgidos en mayo de 1968, como el CREPAC que, utilizando películas realizadas por periodistas conocidos, aclaraba temas que habían sido manipulados por una televisión demasiado próxima al poder político y realizaba encuentros con grupos de telespectadores. cipio del siglo XX, y nos han legado textos fundadores muy preciados, importantes trabajos de campo y muchos logros educativos y pedagógicos. La educación en medios ha tenido carácter de oficialidad de múltiples maneras, aunque nunca como una enseñanza global. Así la campaña «Operación Joven Telespectador Activo» (JTA), lanzada al final de los años setenta y financiada de manera interministerial para hacer reflexionar sobre las prácticas televisuales de los jóvenes, la creación del CLEMI (Centro de Educación y Medios de Comunicación) en el seno del Ministerio de Educación Nacional en 1983, la creación de la optativa «Cine-audiovisual» en los bachilleratos de humanidades de los institutos en 1984 (primer bachillerato en 1989) y múltiples referencias a la educación de la imagen, de la prensa, de Internet. La forma más visible y rápida de evaluar el lugar de la educación en medios es valorar el lugar que se le ha reservado en los libros de texto del sistema educa- 2. Construir la educación en los medios sin nombrarla El lugar que ocupa la edu- La denominación «educación en medios», que debería cación en los medios es muy ambiguo, aunque las cosas están cambiando recientemente. entenderse como un concepto integrador que reagrupase todos los medios presentes y futuros, es a menudo percibida En principio, en Francia, co- por los «tradicionalistas de la cultura» como una tendencia mo en muchos otros países, la educación en los medios no es hacia la masificación y la pérdida de la calidad. una disciplina escolar a tiempo completo, sino que se ha ido conformado progresivamente a través de experiencias y reflexiones teóricas que han tivo en Francia. Una inmersión sistemática nos permi- permitido implantar interesantes actividades de carác- te constatar que los textos oficiales acogen numerosos ter puntual. Se ha ganado poco a poco el reconoci- ejemplos, citas, sin delimitarla con precisión. miento de la institución educativa y la comunidad es- colar. Podemos decir que ha conquistado un «lugar», 3. ¿Por qué la escuela ha necesitado casi un siglo en el ámbito de la enseñanza transversal entre las dis- para oficilializar lo que cotidianamente se hacía en ciplinas existentes. ella? Sin embargo, la escuela no está sola en esta aspi- Primero, porque las prácticas de educación en me- ración, porque el trabajo en medios es valorado igual- dios han existido antes de ser nombradas así. Recor- mente por el Ministerio de Cultura (campañas de foto- demos que no fue hasta 1973 cuando aparece este grafía, la llamada «Operación Escuelas», presencia de término y que su definición se debe a los expertos del colegios e institutos en el cine ), así como el Minis- Consejo Internacional del Cine y de la Televisión, que terio de la Juventud y Deportes que ha emprendido en el seno de la UNESCO, definen de esta forma: numerosas iniciativas. «Por educación en medios conviene entender el estu- Así, esta presencia de la educación en los medios dio, la enseñanza, el aprendizaje de los medios moder- no ha sido oficial. ¡La educación de los medios no apa- nos de comunicación y de expresión que forman parte rece oficialmente como tal en los textos de la escuela de un dominio específico y autónomo de conocimien- francesa hasta 2006! tos en la teoría y la práctica pedagógicas, a diferencia Este hecho no nos puede dejar de sorprender ya de su utilización como auxiliar para la enseñanza y el que las experiencias se han multiplicado desde el prin- aprendizaje en otros dominios de conocimientos tales Páginas 43-48 46 Comunicar, 28, 2007 como los de matemáticas, ciencias y geografía». A pe- mente en todas las asignaturas. Incluso los nuevos cu- sar de que esta definición ha servido para otorgarle un rrículos de materias científicas en 2006 para los alum- reconocimiento real, los debates sobre lo que abarca y nos de 11 a 18 años hacen referencia a la necesidad no, no están totalmente extinguidos. de trabajar sobre la información científica y técnica y En segundo lugar, porque si bien a la escuela fran- el uso de las imágenes que nacen de ella. cesa le gusta la innovación, después duda mucho en Desde junio de 2006, aparece oficialmente el tér- reflejar y sancionar estas prácticas innovadoras en sus mino «educación en medios» al publicar el Ministerio textos oficiales. Nos encontramos con una tradición de Educación los nuevos contenidos mínimos y las sólidamente fundada sobre una transmisión de conoci- competencias que deben adquirir los jóvenes al salir mientos muy estructurados, organizados en disciplinas del sistema educativo. escolares que se dedican la mayor parte a transmitir Este documento pretende averiguar cuáles son los conocimientos teóricos. La pedagogía es a menudo se- conocimientos y las competencias indispensables que cundaria, aunque los profesores disfrutan de una ver- deben dominar para terminar con éxito su escolaridad, dadera libertad pedagógica en sus clases. El trabajo seguir su formación y construir su futuro personal y crítico sobre los medios que estaba aún en elaboración profesional. Siete competencias diferentes han sido te- necesitaba este empuje para hacerse oficial. nidas en cuenta y en cada una de ellas, el trabajo con Aunque el trabajo de educación en los medios no los medios es reconocido frecuentemente. Para citar esté reconocido como disciplina, no está ausente de un ejemplo, la competencia sobre el dominio de la len- gua francesa definen las capa- cidades para expresarse oral- La metodología elaborada en el marco de la educación en mente que pueden adquirirse con la utilización de la radio e, medios parece incluso permitir la inclinación de la sociedad incluso, se propone fomentar de la información hacia una sociedad del conocimiento, como defiende la UNESCO. En Francia, se necesitaría unir el interés por la lectura a través de la lectura de la prensa. La educación en los medios las fuerzas dispersas en función de los soportes mediáticos y orientarse más hacia la educación en medios que al dominio adquiere pleno derecho y entidad en la sección sexta titulada «competencias sociales y cívi- técnico de los aparatos. cas» que indica que «los alum- nos deberán ser capaces de juz- gar y tendrán espíritu crítico, lo que supone ser educados en los las programaciones oficiales, ya que, a lo largo de un medios y tener conciencia de su lugar y de su influencia estudio de los textos, los documentalistas del CLEMI en la sociedad». han podido señalar más de una centena de referencias a la educación de los medios en el seno de disciplinas 4. Un entorno positivo como el francés, la historia, la geografía, las lenguas, Si nos atenemos a las cifras, el panorama de la las artes plásticas : trabajos sobre las portadas de educación en medios es muy positivo. Una gran ope- prensa, reflexiones sobre temas mediáticos, análisis de ración de visibilidad como la «Semana de la prensa y publicidad, análisis de imágenes desde todos los ángu- de los medios en la escuela», coordinada por el CLE- los, reflexión sobre las noticias en los países europeos, MI, confirma año tras año, después de 17 convocato- información y opinión rias, el atractivo que ejerce sobre los profesores y los Esta presencia se constata desde la escuela mater- alumnos. Concebida como una gran operación de nal (2 a 6 años) donde, por ejemplo, se le pregunta a complementariedad (2000) Structure and mechanism of the aberrant ba3-cytochrome c oxidase from Thermus thermophilus. EMBO J 19: 1766–1776. 9. Hunsicker-Wang LM, Pacoma RL, Chen Y, Fee JA, Stout CD (2005) A novel cryoprotection scheme for enhancing the diffraction of crystals of recombinant cytochrome ba3 oxidase from Thermus thermophilus. Acta Crystallogr D Biol Crystallogr 61: 340–343. 10. 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