Protocolo clínico para confecção de próteses removíveis

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REITORA Ângela Maria Paiva Cruz VICE-REITOR José Daniel Diniz Melo DIRETORIA ADMINISTRATIVA DA EDUFRN Luis Passeggi (Diretor) Wilson Fernandes (Diretor Adjunto) Judithe Albuquerque (Secretária) CONSELHO EDITORIAL Luis Passeggi (Presidente) Ana Karla Pessoa Peixoto Bezerra Anna Emanuella Nelson dos S. C. da Rocha Anne Cristine da Silva Dantas Christianne Medeiros Cavalcante Edna Maria Rangel de Sá Eliane Marinho Soriano Fábio Resende de Araújo Francisco Dutra de Macedo Filho Francisco Wildson Confessor George Dantas de Azevedo Maria Aniolly Queiroz Maia Maria da Conceição F. B. S. Passeggi Maurício Roberto Campelo de Macedo Nedja Suely Fernandes Paulo Ricardo Porfírio do Nascimento Paulo Roberto Medeiros de Azevedo Regina Simon da Silva Richardson Naves Leão Rosires Magali Bezerra de Barros Tânia Maria de Araújo Lima Tarcísio Gomes Filho Teodora de Araújo Alves EDITORAÇÃO Kamyla Alvares (Editora) Alva Medeiros da Costa (Supervisora Editorial) Natália Melão (Colaboradora) Emily Lima (Colaboradora) REVISÃO Wildson Confessor (Coordenador) Alynne Scott (Colaboradora) NORMALIZAÇÃO Evânia Leiros de Souza DESIGN EDITORIAL Michele Holanda (Coordenadora) Rafael Campos (Capa) Ian Medeiros (Miolo) Adriana da Fonte Porto Carreiro Patrícia dos Santos Calderon Antônio Ricardo Calazans Duarte Annie Karoline Bezerra de Medeiros Ana Clara Soares Paiva Tôrres Laércio Almeida de Melo Danielle Bezerra de Farias Protocolo clínico para confecção de próteses removíveis Coordenadoria de Processos Técnicos Catalogação da Publicação na Fonte. UFRN / Biblioteca Central Zila Mamede Protocolo clínico para confecção de próteses removíveis [recurso eletrônico] / Adriana da Fonte Porto Carreiro . [et al.]. – Natal, RN : EDUFRN, 2016. 216 p. : PDF ; 12,2 Mb. Modo de acesso: http://repositorio.ufrn.br ISBN 978-85-425-0617-4 1. Prótese dentária completa removível. 2. Prótese dentária parcial removível. 3. Odontologia – Aspectos estéticos. 4. Reabilitação bucal. I. Carreiro, Adriana da Fonte Porto. RN/UF/BCZM 2016/39 CDD 617.69 CDU 616.314-77 Todos os direitos desta edição reservados à EDUFRN – Editora da UFRN Av. Senador Salgado Filho, 3000 | Campus Universitário Lagoa Nova | 59.078-970 | Natal/RN | Brasil e-mail: contato@editora.ufrn.br | www.editora.ufrn.br Telefone: 84 3342 2221 Autores Adriana da Fonte Porto Carreiro Mestre em Reabilitação Oral (área de Prótese) – Faculdade de Odontologia de Araraquara – Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho (FOAR-UNESP); Doutora em Reabilitação Oral pela Faculdade de Odontologia de Ribeirão Preto – Universidade de São Paulo (FORP-USP); Professora Associada II das disciplinas de Prótese Dentária, Implantodontia e Clínica Integrada da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN); Professora do Programa de Pós-graduação em Saúde Coletiva (área de concentração Odontologia) (UFRN); Vice-coordenadora do curso de Especialização em Prótese Dentária (UFRN). Patrícia dos Santos Calderon Mestre e Doutora em Reabilitação Oral – Faculdade de Odontologia de Bauru (FOB-USP); Professora Adjunta do Departamento de Odontologia (UFRN); Professora do Programa de Pós-graduação em Saúde Coletiva (área de concentração Odontologia) (UFRN); Professora do curso de Especialização em Prótese Dentária (UFRN). Antônio Ricardo Calazans Duarte Mestre em Odontologia – Faculdade de Odontologia de Pernambuco; Doutor em Reabilitação Oral (FOB-USP); Professor das disciplinas de Prótese Dentária I e de Clínica Integrada (UFRN); Professor do curso de Especialização em Prótese Dentária (UFRN). Annie Karoline Bezerra de Medeiros Graduada em Odontologia (UFRN); Especialista em Prótese Dentária (UFRN); Mestre em Saúde Coletiva (área de concentração Odontologia)(UFRN). Ana Clara Soares Paiva Tôrres Graduada em Odontologia – Universidade do Estado do Rio Grande do Norte (UERN); Especialista em Prótese Dentária (UFRN); Professora Substituta (UERN); Mestre em Saúde Coletiva (área de concentração Odontologia)(UFRN); Doutoranda em Odontologia (UFRN). Laércio Almeida de Melo Graduado em Odontologia (UFRN); Especialista em Prótese Dentária (UFRN); Mestre em Saúde Coletiva (área de concentração Odontologia)(UFRN). Danielle Bezerra de Farias Graduada em Odontologia (UFRN); Especialista em Prótese Dentária – Centro Odontológico de Estudos e Pesquisas – João Pessoa (Coesp-JP); Mestre em Saúde Coletiva (área de concentração Odontologia)(UFRN). Agradecimentos Agradecemos à Editora da UFRN – EDUFRN, por aceitar a proposta desta obra e fornecer a possibilidade de sua publicação. E aos pacientes, agradecemos a paciência e assiduidade nos atendimentos, que colaboraram permitindo a realização do registro fotográfico de todas as etapas da reabilitação. Prefácio Este protocolo objetiva esclarecer dúvidas existentes a respeito dos passos necessários para a reabilitação com próteses totais e parciais removíveis convencionais. Essas alternativas de tratamento são modalidades terapêuticas consagradas na literatura e podem devolver função mastigatória, estética, fonação e conforto ao paciente quando confeccionadas de maneira satisfatória. Elas representam também uma ótima opção para aqueles pacientes que não podem se submeter ao tratamento com implantes, por apresentarem limitações biológicas ou financeiras. A abordagem do protocolo clínico está dividida em duas partes. A primeira parte ilustra a reabilitação com próteses totais convencionais e a segunda, a reabilitação com próteses parciais removíveis convencionais em arcos inferiores com extremidade livre bilateral. Por meio da demonstração do passo a passo com fotos, dicas clínicas e resumos sistemáticos do conteúdo teórico contido nesse material, o aluno de Odontologia e o cirurgião-dentista poderão conhecer os passos necessários para executar estes tipos de reabilitações, desde o momento clínico de diagnóstico até o de controle e manutenção. Esperamos que essa obra desperte o interesse dos cirurgiões-dentistas por executar esses tipos de próteses e que os ajude a desenvolverem práticas e habilidades que melhorem o desempenho clínico dessas alternativas de tratamento. Sumário Introdução 12 Parte I – Prótese total removível convencional 14 Protocolo clínico 1 Primeira sessão clínica 1.1 Exame clínico e radiográfico 1.2 Moldagem anatômica 2 Segunda sessão clínica 2.1 Moldagem funcional – Arco superior 2.2 Moldagem funcional – Arco inferior 3 Terceira sessão clínica 3.1 Registro das relações maxilomandibulares 3.2 Seleção dos dentes artificiais 4 Quarta sessão clínica 4.1 Prova dos dentes montados em cera 4.2 Seleção da cor da gengiva 5 Quinta sessão clínica: instalação das próteses 6 Sexta sessão clínica: controles 15 15 15 22 32 40 51 63 63 92 97 97 103 104 118 Parte II – Prótese parcial removível Classe I de Kennedy 122 Protocolo clínico 1 Primeira sessão clínica 1.1 Exame clínico e radiográfico 1.2 Moldagem de estudo 1.3 Delineamento do modelo de estudo 2 Segunda sessão clínica 123 124 124 134 146 154 2.1 Preparo de boca e moldagem de trabalho 2.2 Moldagem funcional superior 3 Terceira sessão clínica 3.1 Prova da estrutura metálica 3.2 Moldagem funcional inferior 4 Quarta sessão clínica 4.1 Registro das relações maxilomandibulares 4.2 Seleção dos dentes artificiais 5 Quinta sessão clínica: prova dos dentes em cera e seleção da cor da gengiva 5.1 Moldagem funcional – técnica direta 6 Sexta sessão clínica: instalação das próteses 7 Sétima sessão clínica: controles Considerações finais Referências Apêndice 154 168 170 170 177 185 185 191 193 195 198 205 207 208 209 Introdução O uso de prótese total (PT) convencional, suportada pela mucosa que reveste o osso remanescente, é considerada uma modalidade terapêutica consagrada e é a mais utilizada ainda hoje nos indivíduos que perderam todos os elementos dentários. Este tipo de reabilitação tem o objetivo de permitir o desenvolvimento satisfatório das atividades funcionais relacionadas ao sistema estomatognático, como fonação e mastigação, bem como oferecer conforto e uma aparência estética aceitável (COSTA et al., 2013). Assim como o das PTs, o objetivo de uma reabilitação através da prótese parcial removível (PPR) é devolver a estética e função mastigatória e fonação, de modo a preservar as estruturas orais ainda existentes. Para que haja essa conservação, é fundamental que as forças mastigatórias sejam bem distribuídas sobre o rebordo residual e os dentes remanescentes. Apesar do advento e da disseminação das próteses implantossuportadas, as próteses convencionais, totais ou parciais, ainda representam uma alternativa de tratamento importante para devolver função e estética àqueles pacientes que não podem se submeter a esse tipo de tratamento por apresentarem limitações biológicas que restringem os procedimentos cirúrgicos exigidos pelo tratamento ou por limitações financeiras. Diante disso, o aluno de Odontologia e o cirurgião-dentista (CD) necessitam conhecer os procedimentos necessários para executar uma reabilitação com próteses totais e parciais convencionais de excelência, de modo a garantir as condições clínicas necessárias para que elas desempenhem suas funções adequadamente, causando menores prejuízos ao rebordo residual, à adaptação do paciente e contornando as limitações de prognóstico que possam existir. 12 Introdução Com o objetivo de esclarecer e sistematizar os passos necessários para a reabilitação oral com próteses removíveis convencionais, serão descritos e ilustrados os seguintes protocolos clínicos: Parte1: Reabilitação com próteses totais removíveis convencionais; Parte 2: Reabilitação com próteses parciais removíveis conven- cionais em arcos inferiores classe I de Kennedy. 13 Parte I – Prótese total removível convencional Protocolo clínico Quadro 1 – Resumo do protocolo clínico adotado para confecção de próteses totais removíveis convencionais por sessão PROTOCOLO CLÍNICO Próteses totais removíveis convencionais 1ª sessão Exame clínico Moldagem anatômica 2ª sessão Moldagem funcional 3ª sessão Registro das relações maxilomandibulares Montagem em Articulador Semiajustável (ASA) Seleção dos dentes artificiais 4ª sessão Prova dos dentes montados em cera Seleção da cor da gengiva 5ª sessão Instalação das próteses e orientações ao paciente 6ª sessão Controles 1 Primeira sessão clínica 1.1 Exame clínico e radiográfico O exame clínico consiste em um conjunto de métodos, utilizados pelo cirurgião-dentista (CD) para obter o máximo de informações sobre o paciente, que vão orientar o plano de tratamento. 15 Protocolo clínico para confecção de próteses removíveis Subdivide-se em: 1) anamnese e 2) exame físico, o qual, por sua vez, subdivide-se em exame físico extraoral e intraoral, devendo ser realizado na primeira consulta. O exame clínico deve ser criterioso e devidamente registrado no prontuário do paciente. Através da anamnese, o profissional tem a oportunidade de conhecer a queixa principal do paciente para que, ao final do tratamento, seja garantido que essa queixa seja atendida. Além disso, por meio dela, é conhecido o seu estado de saúde geral e a presença de hábitos parafuncionais, como o bruxismo e o apertamento dentário. A anamnese também é importante para analisar o perfil psicológico do paciente, o qual está estritamente relacionado com o sucesso do tratamento restaurador. No exame físico, busca-se avaliar o paciente extra e intraoralmente. No primeiro, deve-se observar: o aspecto facial, a dimensão vertical, o suporte de lábio, a linha do sorriso e a altura incisal, além de alterações de normalidade, como, por exemplo, presença de alguma assimetria facial ou limitação funcional (Figuras 1 e 2). A articulação temporomandibular (ATM) deve ser avaliada, assim como os músculos da mastigação. Intraoralmente, se faz necessário observar os tecidos moles da cavidade bucal (mucosas, língua e tecidos de revestimento dos rebordos), os músculos, o rebordo remanescente (sua conformação, altura e forma), presença de exostoses ósseas, alteração salivar e presença de lesões (Figuras 3 e 4). Para complementar o exame clínico, faz-se necessário também a realização de radiografia panorâmica para auxiliar no diagnóstico da condição atual do paciente. Por meio dela, pode-se identificar possíveis lesões intraósseas não diagnosticadas clinicamente, avaliar o nível de reabsorção óssea e a relação do nervo mentoniano com a crista óssea alveolar. Com isso, pode-se assim, elaborar um plano de tratamento individualizado e adequado para cada paciente (Figura 5). 16 Parte I – Prótese total removível convencional Figura 1 – Vista extraoral frontal do terço inferior da face com as próteses antigas Figura 2 – Vista extraoral do sorriso da paciente com as próteses antigas 17 Protocolo clínico para confecção de próteses removíveis Figura 3 – Vista intraoral oclusal do rebordo superior Figura 4 – Vista intraoral do rebordo alveolar inferior 18 Parte I – Prótese total removível convencional Figura 5 – Radiografia panorâmica Ao iniciar uma reabilitação protética, o CD deve saber que determinados fatores são fundamentais e devem ser abordados durante o exame inicial para garantir certa tranquilidade ao profissional e ao paciente acerca do tratamento e as limitações do caso. Deve-se analisar se o paciente está insatisfeito com as próteses antigas e o porquê, observar se o mesmo entende as limitações e dificuldades que possam surgir durante a reabilitação e, acima de tudo, se ele compreendeu que o sucesso do tratamento depende da realização de procedimentos clínicos e laboratoriais bem executados e da sua colaboração com o tratamento em si e à prótese. O prognóstico do caso está intimamente relacionado com esses fatores (TELLES, 2009). Sendo assim, se os achados clínicos não implicarem na necessidade de algum tratamento prévio (como por exemplo, correção cirúrgica das tuberosidades maxilares ou remoção de torus), o plano de tratamento individualizado é elaborado e apresentado ao paciente, que assinará um Termo de Ciência concordando com o tratamento proposto e afirmando ter conhecimento das possíveis limitações do caso informadas pelo CD. Só após esses esclarecimentos, dá-se início ao passo a passo propriamente dito da confecção das PT, que inicia com a realização da moldagem anatômica. 19 Protocolo clínico para confecção de próteses removíveis Quadro 2 – Possíveis limitações que podem ser identificadas no exame clínico do paciente desdentado total e as implicações no tratamento em si LIMITAÇÕES E TRATAMENTO INDIVIDUALIZADO CORRESPONDENTE Fluxo salivar reduzido (“boca seca”) Em casos como esse, há maior dificuldade para retenção da prótese, principalmente a superior. Como alternativa, pode-se solicitar que o paciente aumente a ingestão de água, bem como prescrever saliva artificial e, em casos extremos, indicar o uso de adesivos. Rebordo inferior muito reabsorvido Moldagem anatômica com silicona de condensação pesada e sobremoldagem com silicona de condensação leve ou alginato. Rebordo retentivo Evitar utilizar, na moldagem funcional, materiais anelásticos como pasta de óxido de zinco e eugenol. Em algumas situações, como no caso de retenções severas, pode-se optar por correção cirúrgica. Fibromucosa f lácida Para evitar deformação na mucosa flácida decorrente de uma maior compressão, é realizada uma moldagem anatômica com alginato em duas etapas: no primeiro momento, executa-se uma moldagem anatômica convencional. Na segunda etapa, depois que remover o molde da boca do paciente, realizam-se alívios no molde na área correspondente à mucosa flácida com um bisturi ou Lecron e procede-se a uma segunda moldagem. Nesta, o alginato deve apresentar uma consistência mais fluida (proporção água/pó de 1,5/1) e deve ser levado em todo o molde para evitar a formação de degraus entre um molde e outro. Na moldagem funcional, a moldeira individual deve ser perfurada na região correspondente à mucosa flácida com uma broca Carbide esférica montada em peça reta após a moldagem do selado periférico. Dessa maneira, o material de moldagem escoa durante a impressão dos tecidos moles e evita a deformação dessa mucosa. 20 Parte I – Prótese total removível convencional Espaço maxilomandibular reduzido Pode haver maior dificuldade para a montagem dos dentes em cera; sendo necessário, muitas vezes, cortar o dente na cervical. Quando esse espaço é muito reduzido na região das tuberosidades, apesar de o técnico em prótese cortar o dente e a base de prova, o plano oclusal pode apresentar-se ligeiramente descendente, alterando as curvas oclusais e a harmonia do sorriso. Em alguns casos, pode ser necessária correção cirúrgica previamente à confecção das próteses. Nesses casos deve-se sempre solicitar uma radiografia panorâmica para avaliar se há pneumatização do seio maxilar nessa região, o que contraindicaria o procedimento cirúrgico. Discrepância maxilomandibular Em alguns casos, como o de Classe III esquelética, pode ser necessário montar os dentes numa relação de mordida topo a topo para se obter uma boa relação funcional. Em alguns casos de Classe II, o paciente pode apresentar um trespasse horizontal grande, levando a dificuldades para incisar ou cortar alimentos. Prótese antiga com dimensão vertical de oclusão (DVO) muito reduzida Nas próteses a serem confeccionadas, o aumento da dimensão não deve ser tão extenso. Esse aumento tem que ocorrer gradualmente para que o paciente consiga se adaptar à nova condição mais facilmente. Pode-se restabelecer provisoriamente a DVO na prótese antiga acrescentando resina acrílica autopolimerizável na oclusal dos dentes artificiais para que o paciente já inicie o processo de adaptação a nova posição durante a Acesso em: 17 jul. 2009) 65 O Marechal Castelo Branco assumiu a Presidência da República em 15.04.1964. 116 A denominação do bairro remete à figura de Francisco dos Santos, o Chico dos Santos, dono de um rancho às margens do rio Machado onde ele administrava um entreposto de mercadorias, uma venda e uma pousada para os viajantes que comercializavam produtos através da estação de Fama (1896) da Estrada de Ferro Muzambinho e do barco que ia de Fama até a Cachoeira (ainda existente no rio Machado e próxima ao bairro). Segundo um de seus descendentes, Sr. João Esmeraldo Reis, nascido em 1932, figura de destaque no bairro, quando da construção de Furnas, a expectativa dos moradores é que a energia elétrica chegasse ao bairro. Até então apenas os moradores mais abastados do bairro eram sócios de uma pequena usina elétrica, inaugurada em 12 de abril de 1951.66 Em seu depoimento à pesquisadora, em estudo prévio sobre a comunidade atendida pela Fundamar, em 1994, Sr. João Esmeraldo relembrou as várias pontes construídas sobre o rio Machado, interligando o bairro do Chico dos Santos ao bairro do Coroado no município vizinho de Alfenas. Antes da construção da primeira ponte a travessia era de barco e para o gado era na água. Segundo o depoente, quando a primeira ponte foi construída, em torno de 1920, só aqueles que contribuíram para a obra tinham livre acesso. Os demais tinham que pagar para atravessar ou se valerem dos préstimos do barqueiro, Chiquinho Cordeiro. Depois que o rio Machado foi represado por Furnas, no bairro Chico dos Santos (1965?) a terceira ponte foi construída pela comunidade com ajuda de ambas prefeituras – Paraguaçu e Alfenas. O Sr. João Esmeraldo 66 O jornal “O Paraguassu”, Paraguaçu (MG), n. 496 de 15 abr. 1951 traz a notícia: “Inauguração da Luz Eletrica no Bairro Chicos dos Santos”. Segundo Sr. João Esmeraldo, eram vinte e dois sócios envolvidos na construção da usina de energia elétrica, captando as águas do ribeirão que deságua no rio Machado, no bairro Chico dos Santos. O responsável pela usina era Geraldo de Abreu, de Alfenas. 117 participou da construção da ponte de madeira amarrada com cipó, a base era de pedra e sua extensão era de 22m. Foi construída entre 25 de julho e 25 de agosto de 1967. Edição de “A Voz da Cidade” de 1º de outubro de 1967 confirma a informação de nosso depoente. Furnas só viria construir a ponte sobre o rio Machado, em substituição à antiga, já interditada, em 1981. O jornal “A Voz da Cidade” de 28 de março de 1981 refere-se a um convênio entre a Prefeitura Municipal de Paraguaçu e Furnas – Centrais Elétricas S/A para construção de obras para evitar o ilhamento de alguns produtores rurais, cujas propriedades localizam-se nas margens do lago de Furnas. Refere-se ainda à construção da nova ponte do rio Machado, de interesse direto dos moradores do Bairro dos Santos (bairro Chico dos Santos, em Paraguaçu) e do Coroado, no município de Alfenas, a ser executada diretamente por Furnas. Raro exemplo de publicação de memórias sobre um bairro rural do município de Paraguaçu, o livro “Memórias do Chico dos Santos”, de autoria de Edson Vianei Alves (1949-2002), sobrinho materno do depoente João Esmeraldo, registra suas lembranças sobre o rio Machado, ao tempo de seu pai, Joaquim Felipe: “No rio Machado, ele [o pai] pescava dourado, curimba, tubarana, piapava, mandi, bagre e lambari.” (ALVES, 2000, p. 34) Sr. José Cavaleiro, mais conhecido por Tonico Cavaleiro (1933), também nascido e ainda morador no bairro Chico dos Santos, lembra-se também das boas pescarias no rio Machado. Mas afirma que o represamento do rio facilitou muito a vida, pela facilidade de captação d‟água para a lavoura, 118 principalmente do alho, principal atividade do bairro na década de 50 a 60.67 Sr. Hélio Meirante, nascido em 1935, também nascido e ainda residente nas mesmas terras que foram de seus pais, às margens do rio Machado, lembra-se que seu pai perdeu três alqueires de terra e foi indenizado pelo valor nominal das mesmas. Seu irmão, Ademir de Souza Meirante, nascido em 1953, calcula em dez alqueires as terras perdidas por seu pai para Furnas. A chegada dos técnicos de Furnas no bairro é rememorada pelos irmãos Meirante: Foi uma coisa. Da moda que a gente nem esperava. Que antes a gente via passar, fazer a marcação, e ficava abismado de ver aquelas condução no meio do pasto. Que era para fazer a marcação, onde a água ia atingir. [.] Eles não explicava nada. Eles entrava [sic] no meio do pasto, com aqueles jipes, com aqueles aparelhos, marcando tudinho. Eles nunca veio [sic] aqui. (Depoimento do Sr. Hélio Meirante, 2009) Foi enchendo e foi acabando tudo. Se não vendesse [para Furnas] já perdia tudo. Lá no retiro, pra baixo do Matão, o rapaz não quis vender a casa, o terreno, de jeito nenhum. Não vendeu. Eu vi a casa, o terreno foi subindo, sumiu tudo. Perdeu tudo. [.] Que nem eles falou [sic]: „aqui tando cheio é nossa, tando seco é seu‟. (Depoimento do Sr. Ademir Meirante, 2009) Sr. Tonico Cavaleiro, quando indagado sobre a reação da população do bairro à chegada de Furnas, disse: “o povo achou bão [sic] e é bão [sic] até hoje”.68 67 O almanaque “O Sul-Mineiro Ilustrado” em reportagem intitulada “O Desenvolvimento de Paraguassú e a Administração Cristiano Otoni do Prado”, datado de 1941, informa sobre a cultura de alho no município, cuja produção “figura em primeiro logar no Brasil”. 68 Os depoimentos desses moradores ribeirinhos foram filmados por um grupo de educadores da Fazenda-Escola Fundamar, em 2009. Fragmentos de seus depoimentos foram incorporados a uma apresentação em PowerPoint integrante do instrumento de capacitação dos educadores, objeto dessa dissertação. 119 6.9. CINQUENTENÁRIO DE FURNAS: DUAS VERSÕES DISTINTAS Em 2000, a denúncia sobre as péssimas condições sanitárias do lago de Furnas era objeto do jornal “A Voz da Cidade”, em 1º de setembro. À época a preocupação era com o baixo nível das águas do lago, que prejudicava o turismo, principal fonte de renda da população lindeira. O jornal faz um paralelo entre os prejuízos daquele momento e aqueles sofridos à época da constituição do lago. E especula sobre as causas do rebaixamento do nível das águas, entre elas, a rivalidade entre o então presidente Fernando Henrique Cardoso e o governador Itamar Franco69, sobre a privatização de Furnas. Segundo essa versão, frente às ameaças do governador contra a privatização, o Presidente teria pedido à direção da empresa para esvaziar o lago. O jornal ainda noticia uma reunião de representantes da Associação dos Municípios do Lago de Furnas (ALAGO) com a diretoria da empresa em 28.11.2000, para encontrar soluções para as agressões ambientais que a represa vinha sofrendo, bem como recuperar o passivo que a empresa tinha com os municípios lindeiros: Diariamente são despejados no local, dejetos sanitários, industriais e agrotóxicos. A falta de infra-estrutura e a de uma política de utilização do Lago vem comprometendo o desenvolvimento da região, que aposta no turismo como uma das ferramentas para reverter a estagnação econômica. (A VOZ DA CIDADE, 12 set. 2000, p. 1) Em 2007, ano do cinqüentenário de Furnas, o jornal Estado de Minas, de Belo Horizonte, trouxe dois artigos sobre o evento, que evidenciam opiniões distintas sobre os impactos gerados pelo empreendimento. 69 O governador Itamar Franco e o Presidente Fernando Henrique Cardoso assumiram seus respectivos cargos em 1999. O Presidente iniciava então seu segundo mandato. 120 Luiz Neves de Souza, mestre em turismo e meio ambiente, em artigo intitulado “Os 50 Anos do Lago de Furnas”, denuncia a ausência de políticas públicas que canalizassem esforços voltados à preservação ambiental e também de projetos consistentes e objetivos para o fomento e desenvolvimento do turismo na região. E reclama: Basta percorrer as 34 cidades do Lago de Furnas e observar, em todas elas, toneladas de rejeitos em esgoto e lixo, além de defensivos agrícolas que são despejados em diversas regiões que se dizem próprias para o turismo e para a prática de esportes náuticos, para não falar da situação caótica da rede viária local. (SOUZA, 2007) O senador Eliseu Resende, no artigo intitulado “A Epopéia de Furnas” em “homenagem evocativa ao cinqüentenário”, imagina que sem a energia elétrica e a Petrobrás, o Brasil estaria hoje nos mesmos níveis de muitos países da África. Durante esse tempo [desde 1957] construímos nossos portos e modernizamos outros; instalamos a indústria química de base; desenvolvemos a produção de veículos e de navios; e entramos, firmes, na aeronáutica. Para tudo isso contribuiu a energia de Furnas e a que ela transporta e distribui, pelo principal sistema de interligação das grandes geradoras nacionais (RESENDE, 2007, p. 9). Ambos pontos de vista refletem faces distintas de um mesmo fato histórico. A percepção do ganho pela geração de energia para o desenvolvimento industrial nacional versus os prejuízos Kim, J.; Saito, K.; Sakamato, A.; Inoue, M.; Shirouzu, M.; Yokoyama, S. Crystal structure of the complex of the human Epidermal Growth Factor and receptor extracellular domains. Cell, v. 110, p. 775-787, 2002. Ortega, A.; Pino, J.A. Los constituyentes volátiles de las frutas tropicales. II. Frutas de las especies de Carica. Alimentaria. Revista Tecnología Higiene Alimentos, v. 286, p. 27-40, 1997. Oshima, J.; Campisi, J. 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