A construção do conhecimento em Antropologia da Educação: levantamento, análise e reflexão de artigos publicados no Brasil

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RESSALVA Atendendo solicitação do(a) autor(a), o texto completo desta tese será disponibilizado somente a partir de 28/07/2018. unesp UNIVERSIDADE ESTADUAL PAULISTA “JÚLIO DE MESQUITA FILHO” Faculdade de Ciências e Letras Campus de Araraquara - SP KARINA AUGUSTA LIMONTA VIEIRA A CONSTRUÇÃO DO CONHECIMENTO EM ANTROPOLOGIA DA EDUCAÇÃO: LEVANTAMENTO, ANÁLISE E REFLEXÃO DE ARTIGOS PUBLICADOS NO BRASIL ARARAQUARA – S.P. 2016 KARINA AUGUSTA LIMONTA VIEIRA ii A CONSTRUÇÃO DO CONHECIMENTO EM ANTROPOLOGIA DA EDUCAÇÃO: levantamento, análise e reflexão de artigos publicados no Brasil Tese de Doutorado, apresentada ao Programa de Pós Graduação em Educação Escolar da Faculdade de Ciências e Letras – Unesp/Araraquara, como requisito para obtenção do título de Doutor em Educação Escolar. Linha de pesquisa: Estudos Históricos, Filosóficos e Antropológicos sobre Escola e Cultura. Orientador: Dr. Denis Domeneghetti Badia Co-orientador: Dr. Christoph Wulf Bolsa: CNPq e CAPES ARARAQUARA – S.P. 2016 Vieira, Karina Augusta Limonta A construção do conhecimento em Antropologia da Educação: levantamento, análise e reflexão de artigos publicados no Brasil / Karina Augusta Limonta Vieira — 2016 401 f. Tese (Doutorado em Educação Escolar) — Universidade Estadual Paulista "Júlio de Mesquista Filho", Faculdade de Ciências e Letras (Campus Araraquara) Orientador: Denis Domeneghetti Badia Coorientador: Christoph Wulf 1. Antropologia da Educação. 2. Antropologia Educacional Alemã. 3. Educação. 4. Antropologia. 5. Análise de Conteúdo Hermenêutica. I. Título. Ficha catalográfica elaborada pelo sistema automatizado com os dados fornecidos pelo(a) autor(a). iii KARINA AUGUSTA LIMONTA VIEIRA AA CCOONNSSTTRRUUÇÇÃÃOO DDOO CCOONNHHEECCIIMMEENNTTOO EEMM AANNTTRROOPPOOLLOOGGIIAA DDAA EEDDUUCCAAÇÇÃÃOO:: levantamento, análise e reflexão de artigos publicados no Brasil Tese de Doutorado apresentada ao Programa de Pós-Graduação de Educação Escolar da Faculdade de Ciências e Letras – UNESP/Araraquara, como requisito para obtenção do título de Doutor em Educação Escolar. Linha de pesquisa: Estudos Históricos, Filosóficos e Antropológicos sobre Escola e Cultura. Orientador: Dr. Denis Domeneghetti Badia Co-orientador: Dr. Christoph Wulf Bolsa: CNPq e CAPES Data da defesa: 28 / 07 / 2016 MEMBROS COMPONENTES DA BANCA EXAMINADORA: Presidente e Orientador: Prof. Dr. Denis Domeneghetti Badia (FCL – UNESP – Car) Membro Titular: Profª Drª Paula Ramos de Oliveira (FCL – UNESP – Car) Membro Titular: Prof. Dr. Ricardo Ribeiro (FCL – UNESP – Car) Membro Titular: Membro Titular: Profª Drª Maria Cecília Sanchez Teixeira (FE - USP) Prof. Dr. Lucas Gibin Seren (UNIFAFIBe) Local: Universidade Estadual Paulista Faculdade de Ciências e Letras UNESP – Campus de Araraquara iv Ao Gustavo, a sabedoria em acreditar Ao Caio, os diálogos esperançosos que me fascinam RESUMO v A Antropologia da Educação é uma área do conhecimento, cuja construção iniciou há décadas no Brasil. Dessa forma, a pesquisa tem como problemática: Qual conhecimento tem sido construído na área de Antropologia da Educação no Brasil? O objetivo, então, consiste em realizar o levantamento, a análise e a reflexão de artigos publicados em Periódicos no Brasil dos anos de 1980 a 2014, a partir dos critérios adotados, cujo título dos artigos conste “Antropologia da Educação” e “Antropologia e Educação” e as palavras devem estar juntas. O método selecionado para a análise do material é a Análise de Conteúdo Hermenêutica. Essa análise acontece em dois momentos: a análise da estrutura dos elementos dos artigos científicos e a análise do sentido geral do conteúdo que implica na codificação, sistematização e categorização dos dados, e por fim, interpretação e compreensão. O primeiro momento da análise mostra que em Antropologia da Educação são identificadas duas categorias: proposta para uma Antropologia da Educação; e o método como elemento da Antropologia da Educação, e em Antropologia e Educação são identificadas duas categorias: diálogo interface entre Antropologia e Educação; e a as contribuições da Antropologia para o campo da Educação. O segundo momento da análise mostra que os artigos de Antropologia da Educação possuem quatro categorias: a Antropologia como embasamento teórico e metódico; Conceituando a Educação; A imagem do profissional da área de Educação; e Escola como lócus, e os artigos de Antropologia e Educação possuem cinco categorias: a Antropologia como base teórica para a Educação; a Etnografia no campo da Educação; Noção de Educação; A imagem do Educador; e a Escola como lócus. Essa pesquisa tem como suporte teórico a Antropologia Educacional Alemã. A Antropologia Educacional Histórico-Cultural Alemã se constitui das dimensões básicas da Educação (Erziehung, Bildung, Lehren, Lernen e Sozialisation), dos paradigmas antropológicos (evolucionista, filosófico, histórico, cultural e histórico-cultural), das imagens do Homem e do efeito das imagens do Homem na Educação. A teoria está presente após a análise, pois o intuito dessa pesquisa é inovar e apresentar um conhecimento que avance os debates em Antropologia da Educação no Brasil, porque é uma área não consolidada que apresenta incoerências e contradições em suas propostas de consolidação e de diálogo. Esse suporte teórico é também o suporte para a reflexão, pois demonstra que o conhecimento que tem sido construído no Brasil é o resultado de uma escolarização da Educação e do determinismo antropológico que delimita o conhecimento da Antropologia da Educação por meio de teorias e métodos antropológicos, dos quais não há espaço para as problemáticas educacionais. Pensar em Antropologia da Educação consiste em considerar as problemáticas e teorias educacionais, bem como no fazer educacional ocorrem simultaneamente ação e reflexão. Palavras-chave: Antropologia da Educação. Educação. Antropologia. Antropologia Educacional Alemã. Análise de Conteúdo Hermenêutica. vi ABSTRACT The construction of Anthropology of Education as field was initiated for some decades ago in Brazil. One asks: what has knowledge been constructed in field of Anthropology of Education in Brazil? The main aim consists in performing the survey, the analysis and the reflection of articles published on journals in Brazil between the years 1980 and 2014 from the criteria: the titles of articles have to consist of the together words Anthropology of Education and Anthropology and Education. The method for data analysis is the Hermeneutic Content Analysis. That analysis is performed in two moments: the analysis of constituent elements in scientific articles and the analysis of general sense of content implicating codification, systematization and categorization of data, and, finally, interpretation and understanding. The first moment of analysis presents for Anthropology of Education two categories: purpose for an Anthropology of Education; and method and element of Anthropology of Education; whereas in Anthropology and Education, two categories are present: dialogue/interface between Anthropology and Education; and the contributions of Anthropology for the field of Education. The second moment of analysis presents for Anthropology of Education four categories: Anthropology as theoretical and methodic background; Conceptualizing Education; The Image of professional in field of education; and School as research locus; whereas the articles of Anthropology and Education consist of five categories: The anthropology as theoretical background; The ethnography in field of Education; Education notion; The image of educator; and School as research locus. That research has as theoretical background the German Educational Anthropology. The German Educational HistoricalCultural Anthropology constitutes the basic dimensions of Education (Erziehung, Bildung, Lehren, Lernen and Sozialisation), anthropological paradigms (evolutionist, philosophical, historical, cultural and historical-cultural), the Man images and the impact of Man images in the Education. The theory is after the analysis aiming at innovating and presenting knowledge advancing the debate in Anthropology of Education in Brazil, for it is a field not-consolidated presenting incoherence and contradiction in its fortification and dialogue purposes. The theoretical background supports the reflection demonstrating the knowledge constructed in Brazil results of Schooling of Education and Anthropological Determinism, that reduces the knowledge of Anthropology of Education through anthropological theories and methods not allowing space for Educational Problems. To think on Anthropology of Education consists in taking the educational theories and problems into account, as well as in making educational action that happens simultaneously action and reflection. Keywords: Anthropology of Education. Education. Anthropology. German Educational Anthropology. Hermeneutic Content Analysis. LISTA DE FIGURAS Figura 1 Demarcação e diferenciação da compreensão vii 66 viii LISTA DE QUADROS Quadro 1 Quadro 2 Quadro 3 Quadro 4 Quadro 5 Quadro 6 Relação de trabalhos sobre Antropologia da Educação publicados na ANPEd nacional Temas dos Fóruns de Pesquisa, mini-cursos, grupos de trabalho e mesas-redondas com o tema Antropologia da Educação Perspectivas da Pesquisa Qualitativa Relação entre subjetividade e objetividade Passos da análise de conteúdo qualitativa Análise de Conteúdo Hermenêutica 52 53 62 68 76 80 ix LISTA DE TABELAS Tabela 1 Tabela 2 Tabela 3 Contextualização da Antropologia da Educação Estruturação e organização dos dados das unidades analíticas dos artigos de Antropologia e Educação. Estruturação e organização dos dados das unidades analíticas dos artigos de Antropologia e Educação. 58 108 150 x LISTA DE ABREVIATURAS E SIGLAS ABA ANPEd CAPES CNPq DOM EPENN GEPASE Plataforma Sucupira LDB 9.39496 Lei 10.63903 Lei 11.64508 PCN PUCM.G. PUC R.J. PUC S.P. UECE  C.E. UERJ R.J. UFAL A.L UFAM  A.M. UFC  C.E. UFF R.J. UFGDM.S. UFJF  M.G. UFMS M.S. UFPA  P.A. UFPE P.E. UFRRJ R.J. UFSCAR S.P. UNESP S.P. UNICAMP S.P. UNIUBE M.G. USP S.P. Associação Brasileira de Antropologia Associação Nacional de Pós-graduação em Educação Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico Grupo de Estudos de Antropologia da Educação Encontro de Pesquisa Educacional do Norte e Nordeste Grupo de Estudos e Pesquisas em Antropologia e Sociologia da Educação plataforma online de acesso e cadastro de dados de docentes e discentes da CAPES Lei de diretrizes e bases da Educação estabelece as diretrizes e bases da educação nacional, para incluir no currículo oficial da Rede de Ensino a obrigatoriedade da temática "História e Cultura Afro-Brasileira estabelece as diretrizes e bases da educação nacional, para incluir no currículo oficial da rede de ensino a obrigatoriedade da temática “História e Cultura Afro-Brasileira e Indígena” Parâmetros Curriculares Nacionais Pontifica Universidade Católica de Minas Gerais Pontifica Universidade Católica do Rio de Janeiro Pontifica Universidade Católica de São Paulo Universidade Estadual do Ceará Universidade Estadual do Rio de Janeiro Universidade Federal de Alagoas Universidade Federal do Amazonas Universidade Federal do Ceará Universidade Federal Fluminense Universidade Federal de Grandes Dourados Universidade Federal de Juiz de Fora Universidade Federal do Mato Grosso do Sul Universidade Federal do Pará Universidade Federal de Pernambuco Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro Campus de Sorocaba – Universidade Federal de São Carlos Universidade Estadual Paulista Universidade Estadual de Campinas Universidade de Uberaba Universidade de São Paulo xi SUMÁRIO INTRODUÇÃO 1 - ANTROPOLOGIA DA EDUCAÇÃO NO BRASIL: CONTEXTUALIZAÇÃO NO ENSINO, PESQUISA E PRODUÇÃO ACADÊMICA 1.1 – No ensino: disciplinas ministradas em Pós-Graduação da área de Antropologia e da área de Educação 1.2 – Na pesquisa: os grupos e linhas de pesquisa cadastradas no Diretório dos grupos de pesquisa no Brasil – Lattes 1. 3 – Na produção acadêmica: livros, artigos científicos, teses, dissertações, relatórios de Pós-doc, dossiês temáticos e trabalhos apresentados em eventos científicos 2 – METODOLOGIA E PROCESSO DA PESQUISA 2.1 – Metodologia 2.1.1 – Pesquisa qualitativa 2.1.2 - Hermenêutica 2.1.3 – Análise de conteúdo qualitativa 2.1.4 – Análise de Conteúdo Hermenêutica 2.2 – Processo da Pesquisa 2.2.1 – Desenho da pesquisa 2.2.2 – Obtenção dos dados 2.2.3 – Organização dos dados 2.2.4 – Análise dos dados 2.2.5 – Escrita 3 – ANÁLISE DE CONTEÚDO HERMENÊUTICA 3. 1 - Análise do conteúdo científico 3.1.1 – Antropologia da Educação 3.1.1.1 - Proposta para uma Antropologia da Educação 3.1.1.2 - O método como elemento da Antropologia da Educação 3.1.2 – Antropologia e Educação 3.1.2.1 - Diálogo interface entre Antropologia e Educação 3.1.2.2 - As contribuições da Antropologia para o campo da Educação 1 4 4 8 13 60 60 60 64 73 79 81 81 82 82 83 84 85 86 87 87 98 109 109 128 xii 3.2 – Análise do sentido geral dos artigos 3.2.1 – Antropologia da Educação 3.2.1.1. – A Antropologia como embasamento teórico e metódico 3.2.1.2 – Conceituando a Educação 3.2.1.3 – A imagem do profissional da área de Educação 3.2.1.4 – A Escola como lócus 3.2.2 – Antropologia e Educação 3.2.2.1 - A Antropologia como base para a área da Educação 3.2.2.2 – O uso da Etnografia no campo da Educação 3.2.2.3 – Noção de Educação 3.2.2.4 – A imagem do Educador ou Professor 3.2.2.5 - Escola como lócus 4 – A ANTROPOLOGIA EDUCACIONAL HISTÓRICO-CULTURAL ALEMÃ 4.1 – Antropologia Educacional: história e constituição 4.2 - Fundamentos teórico e epistemológico 4.2.1 – As dimensões básicas da Educação 4.2.2 – Os Paradigmas antropológicos 4.2.3 – As imagens históricas do Homem 4.2.4 – O efeito das imagens humanas na Educação 5 - REFLEXÃO TEÓRICA E CRÍTICA DOS ARTIGOS DE ANTROPOLOGIA DA EDUCAÇÃO NO BRASIL 5.1 – Antropologia da Educação ou Antropologia Escolar? 5.2 - O Determinismo antropológico na Antropologia da Educação CONCLUSÕES REFERÊNCIAS APÊNDICES APÊNDICE A - Critérios para a seleção de disciplinas em Pós-Graduação em Antropologia e em Educação, grupos de pesquisa cadastrados no CNPq, livros, capítulos de livros, teses e dissertações, trabalhos apresentados em congressos e dossiês APÊNDICE B - Critérios para a escolha e seleção do material do capítulo um APÊNDICE C - Instrumento preliminar para seleção dos artigos 153 154 154 161 164 169 178 178 196 205 209 214 228 228 239 239 245 292 300 308 309 319 336 342 358 359 361 364 xiii APÊNDICE D - Listagem e codificação dos artigos selecionados por ordem cronológica e por ordem de título – Antropologia da Educação – Antropologia e Educação APÊNDICE E- Listagem dos artigos publicados em periódicos com autor, periódico, área de publicação, palavras-chave, avaliação do qualis, por ordem de título e cronológica APÊNDICE F - Listagem dos autores com sua formação, área de atuação, programa de Pós, grupo de pesquisa vinculado, por ordem alfabética APÊNDICE G - Roteiro para leitura e análise dos resumos APÊNDICE H - Roteiro para leitura e análise dos artigos 366 368 377 384 386 1 INTRODUÇÃO Essa tese tem como interesse o campo do conhecimento da Antropologia da Educação. Ela foi construída de maneira inusitada, de modo a refletir sobre a constituição dos momentos aqui presentes e compreender a reconstrução do trabalho realizado pela autora de maneira reflexiva e auto-crítica. Dessa forma, nesse momento é compreensível que as minhas inquietações impulsionaram a idealização desse trabalho, os objetivos, o método que escolhi para investigar meu objeto e a forma como organizei essa investigação. A vontade de estudar Antropologia da Educação surgiu inicialmente do pouco conhecimento que eu tinha dessa área e da necessidade em compreender a construção do conhecimento em Antropologia da Educação no Brasil. A Antropologia da Educação é um campo do conhecimento que não está consolidado no Brasil, mas é muito forte em outros países, principalmente, na Alemanha. Portanto, quando tive maior compreensão do que significava essa área, surgiu meu interesse em realizar um levantamento sobre os artigos publicados no Brasil. Com esta vontade inicial, entrei no doutorado no Programa de PósGraduação em Educação Escolar da Universidade Estadual Paulista com o intuito de realizar levantamento e análise dos artigos publicados em periódicos brasileiros com o título de Antropologia da Educação. Contudo, com o interesse de aprofundar os estudos, realizei doutorado sanduíche no Departamento de Ciências da Educação e Psicologia, na área de Antropologia e Educação na Universidade Livre de Berlim. Conforme o trabalho era desenvolvido, ele se ampliou e se constituiu no que agora é apresentado. Esse trabalho tem como objetivo principal analisar artigos publicados em periódicos brasileiros dos anos de 1980-2014, por meio da Análise de Conteúdo Hermenêutica, ou seja, a análise dos elementos estruturais de um artigo científico e a análise do sentido geral do texto. Nesse sentido, o trabalho está organizado em cinco capítulos, incluindo também a introdução e a conclusão. O primeiro capítulo aborda a contextualização do ensino, pesquisa e produção acadêmica em Antropologia da Educação no Brasil. O segundo capítulo diz respeito ao método e processo da pesquisa. O terceiro capítulo consiste na apresentação da análise. O quarto capítulo é a apresentação da teoria. O quinto capítulo é a reflexão teórica e crítica dos artigos. E, por fim, a conclusão é o fechamento do trabalho. O primeiro capítulo diz respeito à contextualização do ensino, pesquisa e produção acadêmica em Antropologia da Educação no Brasil. Nessa contextualização estão presentes três enfocar la importancia de la producción mediática de los niños en su descubrimiento del mundo, sobre todo utilizando el periódico escolar y la imprenta. Asimismo las asociaciones de profesores trabajaron en esta línea e incluso la enseñanza católica se comprometió desde los años sesenta realizando trabajos originales en el marco de la corriente del Lenguaje Total. Páginas 43-48 45 Comunicar, 28, 2007 En el ámbito de los medios, también desde el principio del siglo XX hay ciertas corrientes de conexión. Pero es a lo largo de los años sesenta cuando se constituyeron asociaciones de periodistas apasionados por sus funciones de mediadores, que fomentaron la importancia ciudadana de los medios como algo cercano a los jóvenes, a los profesores y a las familias. Así se crearon la APIJ (Asociación de Prensa Información para la Juventud), la ARPEJ (Asociación Regional de Prensa y Enseñanza para la Juventud), el CIPE (Comité Interprofesional para la Prensa en la Escuela) o la APE (Asociación de Prensa y Enseñanza), todas ellas para la prensa escrita Estas asociaciones fueron precedidas por movimientos surgidos en mayo de 1968, como el CREPAC que, utilizando películas realizadas por periodistas conocidos, aclaraba temas que habían sido manipulados por una televisión demasiado próxima al poder político y realizaba encuentros con grupos de telespectadores. cipio del siglo XX, y nos han legado textos fundadores muy preciados, importantes trabajos de campo y muchos logros educativos y pedagógicos. La educación en medios ha tenido carácter de oficialidad de múltiples maneras, aunque nunca como una enseñanza global. Así la campaña «Operación Joven Telespectador Activo» (JTA), lanzada al final de los años setenta y financiada de manera interministerial para hacer reflexionar sobre las prácticas televisuales de los jóvenes, la creación del CLEMI (Centro de Educación y Medios de Comunicación) en el seno del Ministerio de Educación Nacional en 1983, la creación de la optativa «Cine-audiovisual» en los bachilleratos de humanidades de los institutos en 1984 (primer bachillerato en 1989) y múltiples referencias a la educación de la imagen, de la prensa, de Internet. La forma más visible y rápida de evaluar el lugar de la educación en medios es valorar el lugar que se le ha reservado en los libros de texto del sistema educa- 2. Construir la educación en los medios sin nombrarla El lugar que ocupa la edu- La denominación «educación en medios», que debería cación en los medios es muy ambiguo, aunque las cosas están cambiando recientemente. entenderse como un concepto integrador que reagrupase todos los medios presentes y futuros, es a menudo percibida En principio, en Francia, co- por los «tradicionalistas de la cultura» como una tendencia mo en muchos otros países, la educación en los medios no es hacia la masificación y la pérdida de la calidad. una disciplina escolar a tiempo completo, sino que se ha ido conformado progresivamente a través de experiencias y reflexiones teóricas que han tivo en Francia. Una inmersión sistemática nos permi- permitido implantar interesantes actividades de carác- te constatar que los textos oficiales acogen numerosos ter puntual. Se ha ganado poco a poco el reconoci- ejemplos, citas, sin delimitarla con precisión. miento de la institución educativa y la comunidad es- colar. Podemos decir que ha conquistado un «lugar», 3. ¿Por qué la escuela ha necesitado casi un siglo en el ámbito de la enseñanza transversal entre las dis- para oficilializar lo que cotidianamente se hacía en ciplinas existentes. ella? Sin embargo, la escuela no está sola en esta aspi- Primero, porque las prácticas de educación en me- ración, porque el trabajo en medios es valorado igual- dios han existido antes de ser nombradas así. Recor- mente por el Ministerio de Cultura (campañas de foto- demos que no fue hasta 1973 cuando aparece este grafía, la llamada «Operación Escuelas», presencia de término y que su definición se debe a los expertos del colegios e institutos en el cine ), así como el Minis- Consejo Internacional del Cine y de la Televisión, que terio de la Juventud y Deportes que ha emprendido en el seno de la UNESCO, definen de esta forma: numerosas iniciativas. «Por educación en medios conviene entender el estu- Así, esta presencia de la educación en los medios dio, la enseñanza, el aprendizaje de los medios moder- no ha sido oficial. ¡La educación de los medios no apa- nos de comunicación y de expresión que forman parte rece oficialmente como tal en los textos de la escuela de un dominio específico y autónomo de conocimien- francesa hasta 2006! tos en la teoría y la práctica pedagógicas, a diferencia Este hecho no nos puede dejar de sorprender ya de su utilización como auxiliar para la enseñanza y el que las experiencias se han multiplicado desde el prin- aprendizaje en otros dominios de conocimientos tales Páginas 43-48 46 Comunicar, 28, 2007 como los de matemáticas, ciencias y geografía». A pe- mente en todas las asignaturas. Incluso los nuevos cu- sar de que esta definición ha servido para otorgarle un rrículos de materias científicas en 2006 para los alum- reconocimiento real, los debates sobre lo que abarca y nos de 11 a 18 años hacen referencia a la necesidad no, no están totalmente extinguidos. de trabajar sobre la información científica y técnica y En segundo lugar, porque si bien a la escuela fran- el uso de las imágenes que nacen de ella. cesa le gusta la innovación, después duda mucho en Desde junio de 2006, aparece oficialmente el tér- reflejar y sancionar estas prácticas innovadoras en sus mino «educación en medios» al publicar el Ministerio textos oficiales. Nos encontramos con una tradición de Educación los nuevos contenidos mínimos y las sólidamente fundada sobre una transmisión de conoci- competencias que deben adquirir los jóvenes al salir mientos muy estructurados, organizados en disciplinas del sistema educativo. escolares que se dedican la mayor parte a transmitir Este documento pretende averiguar cuáles son los conocimientos teóricos. La pedagogía es a menudo se- conocimientos y las competencias indispensables que cundaria, aunque los profesores disfrutan de una ver- deben dominar para terminar con éxito su escolaridad, dadera libertad pedagógica en sus clases. El trabajo seguir su formación y construir su futuro personal y crítico sobre los medios que estaba aún en elaboración profesional. Siete competencias diferentes han sido te- necesitaba este empuje para hacerse oficial. nidas en cuenta y en cada una de ellas, el trabajo con Aunque el trabajo de educación en los medios no los medios es reconocido frecuentemente. Para citar esté reconocido como disciplina, no está ausente de un ejemplo, la competencia sobre el dominio de la len- gua francesa definen las capa- cidades para expresarse oral- La metodología elaborada en el marco de la educación en mente que pueden adquirirse con la utilización de la radio e, medios parece incluso permitir la inclinación de la sociedad incluso, se propone fomentar de la información hacia una sociedad del conocimiento, como defiende la UNESCO. En Francia, se necesitaría unir el interés por la lectura a través de la lectura de la prensa. La educación en los medios las fuerzas dispersas en función de los soportes mediáticos y orientarse más hacia la educación en medios que al dominio adquiere pleno derecho y entidad en la sección sexta titulada «competencias sociales y cívi- técnico de los aparatos. cas» que indica que «los alum- nos deberán ser capaces de juz- gar y tendrán espíritu crítico, lo que supone ser educados en los las programaciones oficiales, ya que, a lo largo de un medios y tener conciencia de su lugar y de su influencia estudio de los textos, los documentalistas del CLEMI en la sociedad». han podido señalar más de una centena de referencias a la educación de los medios en el seno de disciplinas 4. Un entorno positivo como el francés, la historia, la geografía, las lenguas, Si nos atenemos a las cifras, el panorama de la las artes plásticas : trabajos sobre las portadas de educación en medios es muy positivo. Una gran ope- prensa, reflexiones sobre temas mediáticos, análisis de ración de visibilidad como la «Semana de la prensa y publicidad, análisis de imágenes desde todos los ángu- de los medios en la escuela», coordinada por el CLE- los, reflexión sobre las noticias en los países europeos, MI, confirma año tras año, después de 17 convocato- información y opinión rias, el atractivo que ejerce sobre los profesores y los Esta presencia se constata desde la escuela mater- alumnos. Concebida como una gran operación de nal (2 a 6 años) donde, por ejemplo, se le pregunta a complementariedad (2000) Structure and mechanism of the aberrant ba3-cytochrome c oxidase from Thermus thermophilus. EMBO J 19: 1766–1776. 9. Hunsicker-Wang LM, Pacoma RL, Chen Y, Fee JA, Stout CD (2005) A novel cryoprotection scheme for enhancing the diffraction of crystals of recombinant cytochrome ba3 oxidase from Thermus thermophilus. Acta Crystallogr D Biol Crystallogr 61: 340–343. 10. 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